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IV

FIGURAS DE LINGUAGEM

Emprego especial de palavras, expressões ou frases, característico


linguagem literária.
As figuras valorizam sobremaneira o texto, desde que usadas co
critério e de maneira comedida. Fazem parte da Estilística; por isso mesm
não se prendem, muitas vezes, ao rigor da gramática normativa. A silep
por exemplo, é um desvio, tolerado, das normas de concordância.
A divisão das figuras em função de sua natureza é algo extremamen
confuso, arbitrário. Ninguém se entende quanto a isso, e cada um propõe
sua própria divisão. Por exemplo, para alguns, as figuras de sintaxe estão
grupo das de palavra; para outros, não. Os tropos (metáfora, meto nímia etc
são vistos ora no grupo das figuras de palavra, ora como independente .
Buscamos, nesta obra, uma distribuição que nos parece lógica. Poré
o mais importante é a compreensão de cada uma das figuras aq
apresentadas.
Assim, as figuras de linguagem podem ser:
I) Figuras de palavras
• tropos
por repetição ou excesso
por omissão
• de construção ou sintaxe { por transposição
por discordância
• de harmonia
11)Figuras de pensamento

FIGURAS DE PALAVRAS
TROPOS
As palavras não são empregadas em seu sentido próprio. Podem
por similaridade (metáfora, catacrese e símbolo) ou contigüidade (meto '
e paronomásia). São esses os cinco tropos mais importantes, que passam
a estudar.

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1. Metáfora
Tipo de comparação indireta, sem a presença do elemento conector e
daquilo que é comum aos dois seres:
Minha filha é uma flor.
Literalmente, é impossível alguém ser uma flor. A frase só pode ser
entendida se a desdobrarmos em uma comparação, na qual ela se baseia:
Minha filha é bonita (suave, delicada, perfumada) como uma flor.
A metáfora é um tipo de conotação, ou seja, emprego especial de uma
palavra, sempre com base numa comparação.
Outros exemplos:
"Mas vejo aquela cujo olhar são pirilampos ..." (Antônio Nobre)
"Todo o universo é um templo ..." (Castro Alves)
"Anatureza - é uma harpa presa nas mãos de Deus." (Castro Alves)
"AConsciência Humana é este morcego!" (Augusto dos Anjos)
Veja as comparações implícitas nos quatro exemplos: olhar /pirilampos,
universo/templo, natureza/harpa, consciência/morcego.

Observações
1ª) Numa frase do tipo "Meu colega é perverso como um bárbaro",
aparecem dois elementos (colega e bárbaro) sendo comparados;
também se nota a presença daquilo que é comum aos dois: a
perversidade. Essa frase é exemplo de comparação ou símile, que
estudaremos adiante.
Se dissermos diretamente: "Meu colega é um bárbaro", passaremos
a ter a metáfora.
211) Às vezes, não há a presença de um verbo, como ocorreu em todos
os exemplos dados:
Adoro as maçãs de seu rosto. (bochechas vermelhas como maçãs)
"Avida - manso lago azul..." (Júlio Salusse)
"E o Universo - Bíblia imensa ..." (Castro Alves)
"Iracema, a virgem dos lábios de mel..." (José de Alencar); ou
seja, lábios doces como mel.
"...Desse botão de flor - que é minha filha." (Luís Guimarães Iúnior)

2. Catacrese
Extensão de sentido de uma palavra, que ocorre para suprir uma lacuna
vocabular, É uma variante da metáfora:
Ele embarcou no ônibus das oito horas.

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
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o verbo embarcar significa, primitivamente, "entrar em um barco". Não
existe uma palavra específica para "entrar em um ônibus". Assim, embarcar
tem uma extensão de sentido e preenche um vazio na língua. Também se
embarca em trens, aviões, carroças, bondes etc. Em todos os casos, embarcar
será exemplo de catacrese.
Também são catacreses expressões do tipo pé de mesa, leito de rio,
céu da boca, barriga da perna etc.
Às vezes a catacrese ocorre por simples desconhecimento da palavra
precisa, e não por inexistência dela. É o caso de barriga da perna, cujo nome
preciso é panturrilha. Desconhecendo o termo, o povo, valendo-se da
analogia, passa a utilizar uma palavra que atenda às suas necessidades de
comunicação. Nasce, assim, a catacrese.

3. Metonímia
Troca de uma palavra por outra, havendo entre elas uma relação real.
Diferentemente da metáfora, a meto nímia tem caráter objetivo.
Há um sem-número de metonímias, entre as quais incluiremos as
sinédoques, seguindo uma corrente mais atual.
• O autor pela obra:
Sempre li Machado e Assis.
(Machado de Assis no lugar da obra que ele escreveu)
"Volta e meia a Teócrito consulto." (Martins Fontes)
(Teócrito em vez de sua obra)
• A causa pelo efeito:
O esforço molhou-lhe a roupa.
(esforço em vez de suor)
• O efeito pela causa:
Respirava saúde naquelas montanhas.
(saúde em vez de ar puro)

• O continente pelo conteúdo:


Beba mais um copo.
(copo em vez do nome da bebida)
"Ninhos cantando! Em flor a terra toda!" (Olavo Bilac)
(ninhos em vez de pássaros)

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400 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA
RENATO AQUINO
PORTUGUESA
o abstrato pelo concreto:
Incentivemos a juventude.
(juventude no lugar de jovens)
• O concreto pelo abstrato:
Ele era a bengala de seus velhos pais.
(bengala em vez de amparo)
• A marca ou lugar pelo produto:
Tomar uma Caxambu bem gelada.
(Caxambu no lugar de água mineral)
"Beijarias até uma caveira
Se espumante o Madeira ali corresse!" (Castro Alves)
(Madeira em vez de vinho)
• A coisa possuída pelo possuidor:
As armas conseguiram a independência do país.
(armas em vez de soldados)
• O possuidor pela coisa possuída:
Os barcos encontraram Netuno agitado.
(Netuno em vez de mar)
ta: Netuno, na mitologia romana, é o deus dos mares, ou seja, o dono, o
- uidor dos mares. Corresponde a Poseidon, dos gregos.
• O lugar pelo habitante:
A cidade vibrou com o resultado.
(cidade em vez de moradores)
"AAmérica reagiu e combateu." (Latino Coelho)
(América em vez de americanos)
ta: Pode-se aqui entender também como o emprego do continente (cidade
.mérica) pelo conteúdo (moradores e americanos).
• O habitante pelo lugar:
O brasileiro terá assento no Conselho de Segurança da ONU.
(brasileiro em vez de Brasil)
• O sinal pela coisa significa da:
O cavaleiro lutava pela coroa.
(coroa no lugar de reino)
ta: Este tipo de metonímia é, na realidade, o emprego de símbolos, que
udarernos adiante.

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FIGURAS DE llNGUAGEM
401
• A parte pelo todo:
Todas aquelas pessoas ficaram sem um teto.
(teto no lugar de casa)
"Asas tontas de luz, cortando o firmarnento!" (Castro Alves)
(asas no lugar de pássaros)
"O bonde passa cheio de pernas ..." (Carlos Drurnmond de Andrade)
(pernas em vez de pessoas)
• O todo pela parte:
Usava cintos de jacaré.
(jacaré em vez de pele de jacaré)
• O singular pelo plural:
O carioca é bastante simpático.
(o carioca em vez de os cariocas)
<IAmulher tem obrigação de ser bela." (Monteiro Lobato)
(mulher em vez de mulheres)
• A matéria pelo objeto:
Soava ao longe o bronze.
(bronze no lugar de sino)
• O gênero pela espécie:
Alguns prima tas vivem em minha árvore.
(primatas no lugar de micos)
• A espécie pelo gênero:
"Éolo de pensamentos" (Castro Alves)
(Éolo em vez de vento)
Nota: Os seis últimos casos podem ser classificados como sinédoque, embora
haja na atualidade a tendência a considerá-Ios metonímia. Na sinédoque a
troca de palavras envolve extensão, para mais ou para menos; na metonímia,
apenas relação.

4. Antonomásia
Tipo especial de metonímia que consiste na substituição de um nome
próprio por uma qualidade, uma circunstância, uma característica que a ele
se referem:
"O Genovês salta os mares ..." (Castro Alves)
Genovês -7 Colombo, que nasceu em Gênova.
"E ao rabi simples, que a igualdade prega ..." (Raimundo Correia)
rabi -7 Jesus
O autor de Dom Casmurro não se negou a colaborar com a revista.
autor de Dom Casmurro -7 Machado de Assis

402 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
5. Símbolo
Ocorre símbolo quando uma palavra é usada como referência,
passando a representar algo. Tem como ponto de partida uma metáfora ou
metonímia. A palavra se converte em um símbolo quando é usada
repetidamente e tem aceitação universal.
O símbolo tem origens diversas, tais como mitologia, história, religião,
iteratura, animais, plantas, cores etc.:
Hércules -7 força
Vênus -7 beleza e amor
Cupido -7 amor
Nero -7 perversidade
Napoleão -7 conquistador
J ó -7 paciência
Cruz -7 sofrimento ou fé
Matusalém -7 velhice
Sherlock -7 detetive
D. Quixote -7 idealista ingênuo
Don Iuan -7 conquistador amoroso
Toga -7 justiça
Espada -7 força, poder militar
Branco-s pureza
Verde -7 esperança
Lírio -7 pureza
Cão-7fidelidade
Raposa -7 astúcia
Burro -7 estupidez
Leão -7 força
Víbora -7 maldade
Lesma -7 lentidão, moleza
Quando se diz "Ele é um Hércules", não se tem, apenas, uma metáfora,
m base na comparação "Ele é forte como um Hércules", A palavra Hércules,
r força do uso reiterado, passou a simbolizar força.
Da mesma forma, na frase "Preciso levar minha cruz", não existe, tão-
somente, uma meto nímia, ou seja, o sinal (cruz) pela coisa significada
sofrimento). Cruz, usada sistematicamente, simboliza, hoje, sofrimento ou
'é, conforme o contexto.
Nas duas situações apresentadas, a análise é dupla: metáfora e símbolo,
etonímia e símbolo. Na realidade, a presença do símbolo constitui os casos
e metáfora e metonímia desses dois exemplos.

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
403
DE CONSTRUÇÃO OU SINTAXE
Por omissão
1. Assíndeto
Omissão das conjunções aditivas, em especial E:
Saímos cedo, passeamos pelo bosque, sentamos sob uma velha
mangueira.
"Sorri, doideja, papagueia, canta." (Raimundo Correia)
"Trabalho para as grandezas,
Pra crescer, criar, subir." (Carlos Drummond de Andrade)
"Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha." (Guerra
Iunqueíro)

Observações
1'1) Nos quatro exemplos, a conjunção e, que normalmente ligaria as
duas últimas orações em cada período, não foi utilizada. A ausência
da conjunção não implica alteração de sentido.
2i) Você deve estar lembrado de que uma oração coordenada sem
conjunção recebe o nome de assindética. Assim, nos exemplos
apresentados, todas as orações são assindéticas, e a figura de sintaxe
presente é o assíndeto.

2. Elipse
É a omissão de palavras ou expressões de qualquer natureza, com o objetivo
de aumentar a expressividade ou simplesmente simplificar a construção:
Meu amigo chegou triste, o olhar perdido na amplidão.
(com o olhar)
Estávamos sós na fazenda.
(Nós estávamos)
Em frente à casa, um jardim maravilhoso.
(havia um jardim)
Espera-se tudo se resolva logo.
(que tudo)
"Ah! sim, um despejo, aquilo!" (Adelino Magalhães)
(era um despejo)
"Na terra, tanta guerra, tanto engano ..." (Camões)
(há tanta guerra)

404 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
Observações
lª) A omissão da conjunção que (4il frase) é exemplo de elipse. O
assíndeto ocorre com conjunções coordenativas.
211) Não há como negar a expressividade trazida pela omissão de
determinados termos, em especial o verbo. Os dois últimos
exemplos, sem dúvida, perderiam o brilho, a força, se os verbos
tivessem sido escritos.

3. Zeugma
Omissão de um termo, geralmente o verbo, que já foi utilizado
anteriormente. É um tipo especial de elipse:
A mulher estuda de manhã; o marido, à noite.
"São estas as tradições das nossas linhagens; estes os exemplos
de nossos avós." Alexandre Herculano)
"O mar é -lago sereno,
O céu - um manto azulado." (Casimiro de Abreu)
"...mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena." (Ferreira Gullar)

Observações
1il) Sinta como a omissão das formas verbais estuda, são, é e seja deixa
as construções mais leves, agradáveis.
2'1) Deve o leitor ter estranhado a pontuação de Casimiro de Abreu, no
último exemplo: travessão entre o sujeito e seu predicativo. Isso
era comum no Romantismo brasileiro. Hoje, é uma pontuação
anacrônica.

Por excesso ou repetição


1. Polissíndeto
É o oposto do assíndeto, ou seja, é a repetição estilística, expressiva da
conjunção aditiva. Muito fácil de se reconhecer:
Com a palavra se dá ajuda, e se dá alívio, e se cura, e se redime.
"Ama,e treme, e delira, e voa, e foge, e engana." (Alberto de Oliveira)
"Trejeita, e canta, e ri nervosamente." (Padre Antônio Tomás)
"E treme, e cresce, e brilha, e afia o ouvido, e escuta ..." (Olavo
Bilac)
"Que as Estrelas e o Céu e o Ar vizinho .." (Camões)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE llNGUAGEM
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"...Dum roxo macerado e dorido e desfeito ..." (Guerra Iunqueiro)
Nota: É livre o emprego da vírgula antes de e, no polissíndeto. Compare os
dois últimos exemplos com os demais.

2. Pleonasmo
Repetição enfática de um termo (pleonasmo sintático) ou de uma idéia
(pleonasmo semântico):
A ti, ninguém te fará nada.
De José, com certeza todos ali gostam muito dele.
"Eu vigio o gado, e ele me vigia a mim." (Fr, L. de Sousa)
"Ã doente trouxeram-lhe uma xícara de caldo que ela pareceu
beber com gosto." (A.Garrett)
"As estrelas no alto abrigo,
Mais alegre fico a vê-Ias ..." (José Albano)
"Mas a grande recompensa teve-a ele em casa." (M. Lobato)
Vi tudo com meus próprios olhos.
Segurou os livros com suas mãos enormes.
"Fez- me chorar a sua carta lágrimas de sangue." (Carnilo Castelo
Branco)
"Tantos outros assombros da natureza e prodígios inauditos,
vistos com os olhos, palpados com as mãos, pisados com os pés."
(Padre Antônio Vieira)

Observações
1'9 Nos seis primeiros exemplos, temos pleonasmo sintático, ou seja,
a repetição enfática de um termo da oração; nos outros, pleonasmo
semântico, isto é, da idéia ou sentido.
211) O pleonasmo, se mal empregado, pode ocasionar problemas ao texto.
Veja, mais adiante, em Vícios de Linguagem, o pleonasmo vicioso.

3. Epíteto de natureza
Tipo especial de pleonasmo que consiste em atribuir a um substantivo
uma qualidade que lhe é inerente. Pode ser chamado apenas de epíteto:
A branca neve caía sem cessar.
Temia aquele fogo quente.
"...dos frios gelos, e dos sóis queimado." (Tomás Antônio Gonzaga)

406 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUI NO
PORTUGUESA
"Ó mar salgado ..." (Fernando Pessoa)
"Fogem as neves frias Dos altos montes; quando reverdecem
As árvores sombrias." (Camões)

4. Anadiplose
Repetição de uma palavra ou expressão no fim de um verso e início de
outro, ou no fim de uma oração e início de outra:
Como sofre o coração,
Coração de apaixonado.
"Aí, o bem que menos custa,
Custa a saudade que deixa!" (Vicente de Carvalho)
"Daquele céu de safira
Que se mira,
Que se mira nos cristais!" (Casimiro de Abreu)
"Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!" (Almeida Garrett)
"...Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!" (Olavo Bilac)

5. Epizeuxe
Repetição seguida de um vocábulo:
Cheguei hoje, hoje pela manhã.
Você, você que tanto me preocupa ...
"Teus olhos são negros, negros ..." (Castro Alves)
"Correi, correi, ó lágrimas saudosas ..." (Fagundes Varela)
"Acabe, acabe a peste matadora ..." (Tomás Antônio Gonzaga)
"Voai, voai do Céu para meu lado ..." (Bocage)
"Cantai! cantai as límpidas cantigas!" (Antônio Nobre)
""Eram brancas, brancas, brancas ..." (Almeida Garrett)

6. Diácope
Repetição de uma palavra intercalada por outra ou outras:
Filho, meu filho, não jogue futebol aqui!
Li uma notícia, boa notícia que interessa a todos.

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FIGURAS DE llNGUAGEM
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Volte, disse ele, volte logo para casa.
"Louco, sim, louco, porque quis grandeza ..." (Fernando Pessoa)
"Tu, só tu, puro Amor, com força crua " (Camões)
"Pouco tão pouco pesará nos braços " (Fernando Pessoa)
"Só eu velo, só eu, pedindo à sorte ..." (Bocage)

7. Anáfora
Repetição de palavra ou expressão no início de versos, orações ou

períodos: Sou uma pessoa bastante esforçada, sou uma pessoa que luta

sempre.
Riram todos os participantes, riram por causa daquele incidente,
riram porque estavam muito tensos.
"Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense ..." (Carlos Drummond de Andrade)
"Era a larva agarrada a absconsas landes,
Era o abjecto vibrião rudimentar ..." (Augusto dos Anjos)

"Viu uma lua no céu,


Viu outra lua no mar." (Alphonsus de Guimaraens)
"Avida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave ..." (João de Deus)

8. Epístrofe
RepetiçãO de palavra ou expressão no final de versos. orações ou

períodos: Estávamos todos deitados, pretendíamos continuar deitados.


Houve muita confusão, não entendemos a confusão, tivemos

medo da confusão.
"Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto." (Fernando Pessoa)
"Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!" (Fernando Pessoa)

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GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA PORTUGUESA

408 RENATO AQUINO


"Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida." (Manuel Bandeira)

9. Símploce
Repetição no início e no fim, ao mesmo tempo. Ou seja, é a
simultaneidade da anáfora e da epístrofe:
Vamos, companheiros, sonhar um pouco, vamos todos sorrir
um pouco.
"Como é misterioso nascer!
Como é escuro nascer!
Como é úmido nascer!" (Augusto Frederico Schmidt)
"Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra ..." (Fernando Pessoa)

IO.Antanáclase ou diáfora
Repetição de homônimos ou de uma palavra usada com sentidos
diferentes. Também há antanáclase quando uma palavra se alterna com outra
ue é parte dela:
Não tenhamos pena se a sua pena for severa.
O segundo entrevistado agiu segundo sua intuição.
"Em pós de um sonho vão, em vão se cansa." (Raimundo Correia)
Ele não apenas usa, mas também abusa.
"Este mundo é uma bola que rebola sempre." (Camilo Castelo
Branco)

II.Antimetábole
Repetição de palavras colocadas em outra ordem, estabelecendo
contraste:
Se todas as pessoas viverem entre os animais, os animais
parecerão pessoas.
"Onde os meninos camparem de doutores, os doutores não
passarão de meninos." (Rui Barbosa)
"De certos homens dizia Sócrates, que não comiam para viver,
mas que só viviam para comer." (Padre Antônio Vieira)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
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12.Epanadiplose
Repetição de uma palavra ou expressão no começo de um verso ou
período e no final do seguinte. Não confunda coma epanalepse:
Voltaram felizes para casa. Realmente, todos voltaram.
A árvore será derrubada. Ninguém defenderá a preservação da
árvore?
"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas ..." (Cruz e Sousa)
Nota: No primeiro verso, encontra-se uma epanalepse: vozes ...vozes. (Veja a
seguir)

13.Epanalepse
Repetição de uma palavra ou expressão no início e no fim de um
mesmo verso ou período:
Viver é maravilhoso, mas é importante saber viver.
Agora só preciso de uma coisa: que me procurem agora.
"Benditos monges imortais benditos ..." (Cruz e Sousa)
"Qualquer música, ah, qualquer." (Fernando Pessoa)

Observações
Ia) Também se considera epanalepse a repetição de palavras no meio
de orações seguidas:
Esperavam tudo dos amigos, rogavam tudo à família, mas
negavam tudo à sociedade em que viviam.
"Divertem-nos a atenção os pensamentos, suspendem-nos
a atenção os cuidados, prendem-nos a atenção os desejos,
roubam-nos a atenção os afetos." (Padre Antônio Vieira)
2ª) É muito parecida com a epanadiplose. Nesta, há necessariamente
dois versos ou períodos:
Tristes palavras me disseram, tristes.
Epanalepse -7 início e fim do mesmo período
Tristes palavras me disseram. Agora, quando estou mais
maduro, elas não me parecem tristes.
Epanadiplose -7 início de um período e fim do seguinte .

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410 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA
RENATOAQUINO
PORTUGUESA
311) Nos dois versos que constituem o último exemplo de epanadiplose,
temos também uma epanalepse. Ela ocorre no primeiro verso, em
que a primeira palavra é também a última: "Vozes veladas,
veludosas vozes ..."
411) Na realidade, há muita controvérsia em relação a essa figura. Para
muitos, epanalepse é o nome genérico das figuras de repetição.

14.Epanástrofe
Repetição de um verso ou oração, com inversão da ordem de suas
palavras:
Brincavam os dois meninos, os dois meninos brincavam.
"Minha viola bonita,
Bonita viola minha ..." (Mário de Andrade)
"Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves ..." (Eugênio de Castro)

15.Epânodo
Repetição de palavras seguidas de explicações para cada uma delas,
m separado:
Paulo e Antônio estavam muito felizes. Paulo porque se tornou
universitário; Antônio porque conseguiu uma namorada.
"Aprudência é filha do tempo e da razão; da razão pelo discurso,
do tempo pela experiência." (Padre Antônio Vieira)

6.Quiasmo ou conversão
Repetição simétrica, em que as palavras se cruzam como um x. Pode
aver alterações nas palavras. Muito parecido com a epanástrofe:
Pedia ajuda aos amigos, aos amigos pedia fé.
"Ela tremia e corava,
Corava e tremia eu." (Juvenal Galeno)
"Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade!" (Luís Guimarães Iúnior)
"Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha." (Olavo Bilac)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
411
Por transposição
1. Hipérbato
É qualquer alteração na ordem dos termos da oração, bem como a
inversão de orações no período:
De você preciso muito.
(preciso muito de você)
Inteligente ele sempre foi.
(ele sempre foi inteligente)
A casa vou visitar em que nasci.
(vou visitar a cada em que nasci)
"Essas que ao vento vêm
Belas chuvas de junho!" (Joaquim Cardozo)
(essas belas chuvas de junho que ao vento vêm.)
"E contudo os olhos de ignóbil pranto
Secos estão." (Gonçalves Dias)
(e contudo os olhos de ignóbil pranto estão secos)
"Aberta em par estava a porta." (Almeida Garrett)
(a porta estava aberta em par)
"O som longínquo vem-se aproximando
Do galopar de estranha cavalgada." (Raimundo Correia)
(o som longínquo do galopar de estranha cavalgada vem-se
aproximando)
"De ti data essa trágica linhagem." (Antero de Quental)
(essa trágica linhagem data de ti)

2. Anástrofe
Tipo particular de hipérbato em que o termo regido (com preposição)
antepõe-se ao termo regente:
Ele amava de seus olhos o brilho intenso.
(o brilho intenso de seus olhos)
Adorou de seus lábios o sabor ameno.
(o sabor ameno de seus lábios)
"Vingaí a pátria ou valentes
Da pátria tombai no chão." (E Varela)
(tombai no chão da pátria)
E galopas do vale através ..." (Álvares de Azevedo)
u •••

(através do vale)

412 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATOAQUINO
PORTUGUESA
"Do mar à borda eu me debruço aflito." (Raimundo Correia)
(à borda do mar)

"Onde estão da casinha os habitantes?" (Castro Alves)


(os habitantes da casinha)
"Desceu da escada o mármore polido." (Alberto de Oliveira)
(o mármore polido da escada)
Nota: Alguns gramáticos destacam um tipo especial de hipérbato que consiste
numa inversão violenta, a ponto de o sentido ficar prejudicado. Não
consideramos, por ser de mau gosto, a sínquise como figura de linguagem.
Melhor seria incluí-Ia nos vícios de linguagem:
"Enquanto manda as Ninfas amorosas
Grinaldas nas cabeças pôr de rosas."
Entenda-se: Enquanto manda as Ninfas amorosas pôr grinaldas de
rosas nas cabeças. O sujeito de manda é ela (Vênus, como se depreende da
leitura de todo o poema).

3. Parêntese
Interposição de expressões ou orações ao sentido geral do texto. Podem
ser usados parênteses, vírgulas ou travessões:
Naquela tarde especial, estávamos todos apreensivos (não sei
se havia algo mais) por causa do temporal que se avizinhava.
Vamos fazer (Deus nos proteja!) o que deve ser feito.
-o Netuno (lhe disse), não te espantes ..." (Camões)
"Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha
Chamada negra Fulô." (Jorge de Lima)

Por discordância
1. Anacoluto
Quebra da estruturação sintática de uma frase, de que resulta ficar um
termo sem função sintática no trecho:
Meu irmão, quem pediria isso a ele?
Existe na frase um aparente pleonasmo. Acontece que Meu irmão não
tem função sintática. Veja a análise dos termos: sujeito: quem; objeto direto:
isso; objeto indireto: a ele.

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
413
Se a frase fosse "Ameu irmão, quem pediria isso a ele?', teríamos um
pleonasmo sintático, sendo A meu irmão o objeto indireto, e a ele, o indireto
pleonástico. Seria possível colocar A meu irmão no lugar de a ele: isso é
pleonasmo.
No exemplo dado, não é possível tal substituição, porque Meu irmão
está sem função sintática. a realidade, o termo fica em destaque, mas solto,
sem valor sintático algum.
Outros exemplos:
Nós, poucos ali se importavam conosco.
Marcos, creio que todos confiam nele.
"Eu, parece-me que sim; pelo menos nada conheço, que se lhe
aparente." (Sá-Carneiro)
"Essas criadas de hoje não se pode confiar nelas." (Aníbal
Machado)
"Avelha hipocrisia recordo-me hoje dela com vergonha." (Carnilo
Castelo Branco)
"Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente
brincava com elas, de tão imprestáveis." (José Lins do Rego)

2. Hipálage
É a adjetivação de um termo em vez de outro:
Ouvi o choro desesperado de uma criança.
(criança desesperada)
Estávamos no quarto romântico de uma mulher solteira.
(mulher solteira e romântica)
"Avaia amarela dos papagaios
Rompe o silêncio da despedida." (Carlos Drummond de
Andrade)
(papagaios amarelos)
"Astias, fazendo as suas meias sonolentas ..." (Eça de Queirós)
(tias sonolentas)
"No silêncio orvalhado da manhã." (Miguel Torga)
(manhã orvalhada)
"...A dupla correnteza augusta das fachadas ..." (Cesário Verde)
(fachadas augustas)
"...Pálida sombra de mulher formosa ..." (Álvares de Azevedo)
(mulher formosa e pálida)

414 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATOAQUINO
PORTUGUESA
'ota: Igualmente existe hipálage numa frase do tipo "enfiou o chapéu na
cabeça", pois o ato de enfiar está atribuído ao chapéu, e não à cabeça, o que
eria lógico.

3. Enálage
Emprego de um tempo verbal por outro, para dar mais expressividade
frase:
Se eu não chegasse a tempo, ganhava uma advertência.
(ganhava por ganharia)
O que seria de nós, não fora sua infinita paciência.
(fora por fosse)
"Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!" (Álvares de Azevedo)
(perdera por perderia)
"Agora que murcharam teus loureiros
Fora doce em teu seio amar de novo." (Álvares de Azevedo)
(fora por seria)
. 'ota: Também se considera enálage a troca de classe gramatical de uma
alavra.
Veja o brilhar das estrelas.
(brilhar - de verbo a substantivo)
Eles chegaram ligeiro.
(ligeiro - de adjetivo a advérbio)

-1. Silepse ou sínese


É a concordância feita com a idéia, e não com o termo presente na
- ase. Por isso mesmo, é conhecida como concordância ideológica. Pode ser:
a) de gênero:
Alguém te procurou. Estava preocupada.
Admiro a dinâmica Belo Horizonte.
"Conheci uma criança ...mimos e castigos pouco podiam com
ele." (Almeida Garrett)
"v. Ex.s parece magoado ..." (Carlos Drummond de Andrade)
b) de número:
Essa gente está sempre reclamando. Criam muitos problemas.
É muito boa essa família: nunca nos incomodaram.
"Corria gente de todos os lados, e gritavam." (Mário Barreto)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
415
"Plantava tudo que era verdura, que ficavam velhas no chão."
(José Lins do Rego)
"O resto do exército realista evacua neste momento Santarém;
vão em fuga para o Alentejo." (Almeida Garrett)
c) de pessoa:
Os modernos conseguimos grandes vitórias sobre esse mal.
Os homens somos necessitados de amparo espiritual.
"Os amigos nos revezávamos à sua cabeceira." (Amadeu de
Queirós)
"Os portugueses sois assim feitos." (Sá de Miranda)
"Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins
públicos." (Machado de Assis)

5. Hendíadis
Emprego de dois substantivos ligados por conjunção coordenativa,
em vez do emprego mais lógico, que seria a subordinação:
Era uma festa de luzes e cores.
(de luzes e cores = de luzes coloridas)
Admirávamos o canto e os pássaros.
(o canto e os pássaros = o canto dos pássaros)
"Acorda ao colo, nu de seda e pano ..." (Camões).
(de seda e pano = de pano de seda)
"O prêmio e glória dão por que mandou ..." (Camões)
(prêmio e glória = prêmio glorioso)

DE HARMONIA
1. Onomatopéia
Palavra que representa graficamente o som da coisa:
O trilar do apito encerrou o jogo.
Era medonho o ribombar dos canhões.
Estavam todos silenciosos, quando ...Bum!
Não agüentava mais aquele tique-taque insistente.
"Não se ouvia mais que o plíc-plíc-plíc-plíc da agulha no pano."
(Machado de Assis)

416 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATOAQUINO
PORTUGUESA
"...E as xícaras já tilintavam na bandeja." (Aníbal Machado)
"Sino de Belém bate bem-bem-bem." (Manuel Bandeira)
"O longo vestido longo da velhíssima senhora frufrulha no alto
da escada." (Carlos Drummond de Andrade)

2. Aliteração
Repetição de sons consonantais, com o objetivo de criar maior
sonoridade:
Todo tatu tem toca.
Quero a corda mais curta.
"Que a brisa do Brasil beija e balança." (Castro Alves)
"Me deixa ser teu escracho,
Capacho, teu cacho, riacho de amor...
Quando a lição é de esculacho,
Olha aí, sai de baixo, que eu sou professor!" (Chico Buarque)
"O vento vem vindo de longe ..." (Cecília Meireles)
"...Soam suaves, sonolentos ..." (Eugênio de Castro)
"Ruem por terra as emperradas portas." (Bocage)
"Rápido o raio rútilo retalha." (Raimundo Correia)
"O telefone é uma estrela. Ele se estrela todo estridente em
gritos ao soar de repente em casa." (Clarice Lispector)
. ota: É comum a aliteração ser utilizada com fins onomatopaicos. É o caso
dos quatro últimos exemplos, nos quais a repetição dos sons consonantais
procura lembrar determinadas coisas. Há, então, concomitância de aliteração
e onomatopéia.

3. Sinestesia
Consiste na interpenetração de sentidos:
Era um som áspero, desagradável.
som -7 audição
áspero -7 tato
Ouviu-se um ruído pesado.
ruído -7 audição
pesado -7 tato
"Há rastros de luz macia." (Joaquim Cardozo)
luz -7 visão
macia -7 tato

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
417
"Aculpa é das sombras das bananeiras de meu país, esta sombra
mole, preguiçosa." (Carlos Drummond de Andrade)
sombra -7 visão
mole -7 tato
"Quando bebo teu hálito mais puro
Que o bafejo inefável das esferas ..." (E Varela)
Nota: este último exemplo, não é clara a união de sentidos. ão se
encontram, aí, substantivo e adjetivo nos quais se realize tal aproximação. O
verbo beber sugere tato ou paladar, enquanto hálito, sem dúvida, olfato. Pode,
assim, a sinestesia vir expressa na ligação de um verbo com um substantivo.
Um exemplo bem sugestivo do que acabamos de explicar é o do poeta
Ronald de Carvalho: "Gela o som ..."

4. Assonância
Repetição de sons vocálicos iguais, em sílaba tônica:
S6 agora posso ter a bola.
"Sou um mulato nato no sentido lato ..." (Caetano Veloso)
"Duma nuança mansa que não cansa." (Emiliano Perneta)
"Fada encantada, em teu regaço lasso ..." (Castro Alves)
"E as cantilenas de serenos sons amenos ..." (Eugênio de Castro)
Nota: A repetição de determinados sons vocálicos pode ser desagradável. Ao
invés de criar frases agradáveis, eufônicas, pode dar origem a construções
que melhor será considerar vício de linguagem. Por exemplo, a terminação
ão. Ela é de tal forma corriqueira, que acaba empobrecendo o trecho, devendo
ser evitada, na medida do possível. ão pense o leitor que uma frase do tipo
"João e o irmão do capitão irão à estação" valorizará seu texto.

5. Paronomásia
Emprego expressivo de parônimos:
Com discrição fez a descrição do ambiente.
"Os magnetes atraem o ferro; os magnatas o ouro." (Padre
Antônio Vieira)
"Aarte de versejar rende pouco: baladas não são boladas."
(Agripino Grieco)
Nota: Tem-se verificado alguma confusão entre a antanáclase e a
paronomásia. Alguns autores as consideram a mesma coisa. Convém
distinguir as duas, no entanto. A palavra paronomásia se formou de parônimo,

418 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
daí ser ela o emprego desse tipo de palavra com fins de expressividade. A
antanáclase (q. ver) é emprego de homônimos ou de palavra que se alterna
com outra que é parte dela:
Quem sabe viver sabe conviver. (antanáclase)
Deixou o conserto do carro para ir ao concerto no Municipal.
(Antanáclase)
Nem todo intimorato é intemerato. (Paronomásia)

FIGURAS DE PENSAMENTO
1. Antítese ou contraste
Emprego de palavras ou expressões de sentido contrário:
"...Que recompensa os bons, que os maus castiga." (Bocage)
"O que dá pra rir dá pra chorar." (Billy Blanco)
"E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento." (Vinícius de Moraes)
"Estes edificam, aqueles destroem; estes sobem pelos degraus
da honra, aqueles outros descem." (Padre Manuel Bernardes)
"Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias."
(Manuel Bandeira)
"Avirtude é feliz na sua desgraça, o vício infeliz na sua ventura."
(Marquês de Maricá)
"Era o porvir em frente do passado,
A liberdade em frente à escravidão." (Castro Alves)
que mostra o céu, prendendo-nos
u ••• à terra ..." (Vicente de
Carvalho)
"Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados." (Bocage)

2. Cominação, imprecação, diatribe ou objurgatória


Consiste numa explosão emocional, uma espécie de maldição ou
ameaça:
"Maldita sejas pelo ideal perdido!" (alava Bilac)
"Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!" (Castro Alves)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
419
"Nem mais um passo, cobardes!
Nem mais um passo, ladrões!" (Castro Alves)
"Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?" (Fernando Pessoa)
"O dia em que nasci morra e pereça ..." (Camões)
"Conteve-se o bárbaro - Mísero cão!" (Fagundes Varela)

3. Deprecação ou obsecração
Consiste num pedido fervoroso, numa súplica comovente ou,
simplesmente, num convite:
"Perdoa as duras frases que me ouviste:
Vê que inda sangra o coração ferido,
Vê que inda luta moribundo em ânsias
Entre as garras da morte." (Gonçalves Dias)
"Senhor, não deixes que se manche a tela
Onde traçaste a criação mais bela
De tua inspiração." (Castro Alves)
"Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Marília, no sentemos
À sombra deste cedro levantado." (Tomás Antônio Gonzaga)
"Entra, e sob este teto encontrarás abrigo." (Alceu Wamosy)
"Perdoa, minha mãe - eu te amo ainda!" (Álvares de Azevedo)

4. Gradação
Consiste na apresentação progressiva ou regressiva das idéias. Por
isso, temos a seguinte divisão:
• Gradação ascendente ou clímax: apresentação progressiva das idéias:
Ele anda, corre, voa.
Falava, gritava, berrava como um possesso.
"Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um Não!" (Padre
Antônio Vieira)
"Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de
luz, outros ensangüentados ..." (Machado de Assis)
"Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo ..." (Vicente de Carvalho)

420 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
• Gradação descendente ou anticlímax: apresentação regressiva das
idéias:
Em sua mente confusa, sumia o país, o estado, a cidade em que
nasceu.
Esperneava, gritava, gemia.
Na infância, era rico; na juventude, pobre; na velhice, um
miserável.
"Eu era pobre. Era um subalterno. Era nada." (Monteiro Lobato)
"...Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada." (Gregório
de Matos)
"Inda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão, e a morte." (Bocage)

5. Eufemismo
Consiste no abrandamento de uma idéia desagradável. É conhecido
como linguagem diplomática:
Bem velhinho já era meu avô quando Deus o chamou.
Apoderou-se do que não lhe pertencia.
"Roga a Deus, que teus anos encurtou ..." (Camões)
"Levamos-te cansado ao teu último endereço." (Manuel
Bandeira)
"Alguém dali tomou perpétuo sono
E fez da vida ao fim breve intervalo." (Camões)

6. Prosopopéia ou personificação
Consiste em atribuir a outros seres ações próprias dos seres humanos.
Veja que personificação é o ato de personificar, ou seja, tratar algo ou um
animal como pessoa:
As flores sentiam saudades minhas.
A Lua era nossa testemunha.
"Lá fora, no jardim que o luar acaricia ..." (Olegário Mariano)
"Aolonge, o mar na solidão gemendo,
Arrebentava em uivos e lamentos." (Luís Guimarães Iúnior)
"Marcham para o levante as nuvens langorosas." (Manuel
Bandeira)
"Quando ela serenava ...a flor beijava-a ..." (Castro Alves)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
421
"...A flor do vale que adormece ao vento ..." (Álvares de Azevedo)
"Maliciosas em tentação, riem amoras orvalhadas." (Manuel
Bandeira)
"Os altos promontórios o choraram " (Camões)
"Nas naves etéreas o vento gemeu " (Castro Alves)

7. Prolepse ou antecipação
Há dois tipos de prolepse:
• Antecipação feita pelo autor de uma objeção supostamente elaborada
pelo interlocutor, com o fim de refutá-Ia ou destruí-Ia:
Sei que você me dirá estar na hora de desistir.
"Vejo que me perguntais por que Deus não dá o mesmo dom
aos pregadores." (Padre Antônio Vieira)
• Emprego antecipado de um termo, tirando-o de sua oração original:
A primavera parece que vem chegando.
As aves tudo indica que migrarão ainda neste mês.
"O próprio ministro dizem que não gostou do ato." (Machado
de Assis)

8. Hipérbole
Consiste em exagerar as coisas, de tal forma que se extrapole a
realidade:
Tenho um milhão de coisas para fazer.
Faz séculos que não o vejo.
"O povo estourava de riso." (Monteiro Lobato)
"Teus ombros suportam o mundo." (Carlos Drummond de
Andrade)
"Que pegue um táxi e venha voando." (Ciro dos Anjos)
"Eu tenho um coração maior que o mundo!" (Tomás Antônio
Gonzaga)
"Sofro todo o infinito universal pesar." (Olavo Bilac)

9. Comparação ou símile
Aproximação de dois ou mais seres, quando há entre eles um elemento
comum, por meio de um conectivo comparativo:
Seus olhos brilhavam como diamantes.

422 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATOAQUINO
PORTUGUESA
Meu avô agiu feito uma criança.
"O favo da jati não era doce como seu sorriso ..." (José de Alencar)
"Respira a alma inocência
Como perfumes a flor." (Casimiro de Abreu)
"Duas opulências que se realçam, como a flor em vaso de
alabastro ..." (José de Alencar)
"Apraça! A praça é do povo
Como o céu é do condor," (Castro Alves)
"O seu riso era triste como o inverno ..." (Fagundes Varela)
Nota: O símile é a base da metáfora. Se, em lugar deste último exemplo,
disséssemos "O seu riso era o inverno", sem o conectivo como e sem o
elemento comum aos dois (triste), teríamos uma metáfora.

1O.Alusão
Apreciação de algo ou alguém com referência a um fato ou a um
personagem bastante conhecidos:
Tudo queimava rapidamente; parecia o circo de Niterói.
Senti claramente que ali eu encontraria o meu calcanhar de
Aquiles.
"Fugi das fontes: lembre-vos Narciso." (Camões)
"Outro Aretino fui, a mocidade ..." (Bocage)
"Não é como a de Horácio a minha musa ..." (Gonçalves Dias)

Observações
Ill) Circo de Niterói é uma alusão ao incêndio de um circo nessa cidade
do Rio de Janeiro, tristemente famoso pela quantidade de vidas
que tirou e pelas circunstâncias dramáticas em que ocorreu.
211) Calcanhar de Aquiles é uma alusão à mitologia grega. O calcanhar
era a única parte vulnerável de Aquiles, exatamente que o levou à
morte.
311) Na mitologia grega, Narciso era um pastor que se apaixonou por
sua imagem refletida nas águas de uma fonte. Foi, por isso, destruído.
A palavra narcisismo quer dizer "vaidade excessiva".
411) Aretino (Pietro Aretino) foi um escritor italiano que viveu entre os
séculos XVe XVI.Ficou famoso por sua obra licenciosa e malévola.

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
423
Bocage, arrependido de seus atos mundanos, alude a ele em seu
soneto escrito no leito de morte.
SlI) Horácio (Quintus Horatius Flaccus) foi um grande poeta romano,
famoso por sua arte e sua filosofia de vida.

11.Perífrase ou circunl6quio
Emprego de muitas palavras no lugar de uma s6 ou de poucas:
Os que escrevem livros agradecerão.
Isto é: escritores
"De quantos bebem a água de Parnaso ..." (Camões)
Ou seja: poetas.
"Rosa tocada do cruel granizo ..." (Casimiro de Abreu)
Cruel granizo: morte.
Nota: Quando a perífrase é utilizada para substituir um nome próprio, recebe
o nome de antonomásia, um tropo já estudado.
Liguemo-nos sempre ao Divino Mestre.
Divino Mestre: Jesus.

12.Ap6strofe
Consiste numa interpelação direta a alguém ou alguma coisa
personificada:
Meus amigos, esta é uma noite especial.
Vejam, crianças, aquela árvore frondosa.
"- Senhor, minha casa é pobre ...
Ide bater a um solar!" (Castro Alves)
"Não chores, meu filho:
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar." (Gonçalves Dias)
"6 alma silenciosa e compassiva
Que conversas com os Anjos da Tristeza ..." (Cruz e Sousa)
"6 palmeira da serra
que eu vejo todo dia ..." (Alberto de Oliveira)
"Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!" (Castro Alves)

424 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
13.Ironia ou antífrase
Consiste em dizer-se o contrário do que se quer, com a finalidade de
criticar ou satirizar:
Antônio acertou dez por cento das questões. Que inteligente!
Vejam que belo exemplo de nossos políticos: aumentar seus
salários em época de recessão.
"Aexcelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças."
(Monteiro Lobato)

14. Paradoxo ou oximoro


Tipo especial de antítese que consiste num jogo de palavras contrárias
que, aparentemente, se excluem, mas que se enlaçam:
Ele é um pobre menino rico.
A saudade é um doce amargo.
"Dor, - tu és um prazer!" (Castro Alves)
"O mito é o nada que é tudo." (Fernando Pessoa)
u ••• É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer." (Camões)
" calor que provoca arrepio." (Caetano Veloso)
" És a um tempo esplendor e sepultura." (Olavo Bilac)

15.Lítotes
É a afirmação de algo pela negação de seu contrário:
Ele não é baixo. (Ele é alto)
Não fui mal na prova. (Fui bem na prova)
"Tu não estás bom, José Rodrigues." (Machado de Assis)

Observações
1li) Alítotes, dependendo da construção e da intenção do emissor, pode
ser sinônima de eufemismo, quando visa a suavizar uma idéia
desagradável:
Não foi feliz com suas palavras. (Foi infeliz, ou seja, estúpido,
desaforado)
2l1) Também se entende por lítotes qualquer situação em que se tenta,
por humildade, mesmo que fingida, atenuar algo:
Venho falar-lhes como o mais simples de todos aqui presentes.
"Eu que a pobreza de meus pobres cantos ..." (Castro Alves)

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
425
16.Sujeição ou subjeção
Consiste em se fazer uma pergunta e, a seguir, apresentar a resposta:
Quem se apresentou primeiro para o trabalho? Exatamente o
mais preguiçoso.
Você tem dinheiro? Sim, com certeza você tem.
"Quem é o verdadeiro rico? Aquele que não quer nada." (Padre
Antônio Vieira)
"Foi saudade? Foi dor? - Foi tanta agrura
Que eu nem sei se foi dor ou foi saudade!" (Augusto dos Anjos)
"Chove? Nenhuma chuva cai.,." (Fernando Pessoa)
"São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou." (Tomás Antônio Gonzaga)

EXERCíCIOS

568) No verso "Acorda cedo como os passarinhos ...", do poeta português Eugênio de Castro,
existe uma figura chamada:
a) hipérbato
b) metáfora
c) símile
d) meto nímia

569) Observe os versos abaixo, de Raul de Leoni.


" ...É a imensa aspiração de ser divino,
No supremo prazer de ser humano!"
Neles podemos reconhecer uma figura de pensamento conhecida como:
a) prosopopéia
bl antítese
c) eufemismo
d) hipérbole

570) S6 não há metáfora em:


a) "Somente a ingratidão - esta pantera ..." (Augusto dos Anjos)
b) "As fontes de minha terra são mãos em concha ..." (Francisco Karam)
c) "Meu coração desce,
Um balão apagado ..." (Camilo Pessanha)
d) "Eu durmo e vivo ao sol como um cigano ..." (Álvares de Azevedo)

..............
426 GRAMÁTICA OBJETIVA OA ÚNGUA
RENATO AQUI NO
PORTUGUESA
571) No verso "Eu s6 tenho a lira e a cruz.", de Junqueira Freire, existe uma figura chamada:
a) eufemismo c) metonímia
b) anástrofe d) antonomásia

572) No verso "Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos ...", de Eugênio de Castro,
encontra -se um recurso estilístico chamado:
a) assonância c) anáfora
b) aliteração d) prolepse

573) Assinale a opção em que se encontra um exemplo de zeugma.


a) "Onde nos vimos n6s? ..És doutra esfera?" (Castro Alves)
b) "...Passou do berço pra brincar no céu." (Casimiro de Abreu)
c) "Que paz tranqüila ..," (Soares de Passos)
d) u ••• Que às vezes é pelourinho,
Mas poucas vezes - altar," (Castro Alves)

574) Em" ...Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.", Fernando Pessoa utiliza uma figura
de construção conhecida como:
a) polissíndeto c) epístrofe
b) assíndeto d) símploce

575) Leia os versos abaixo.


"Que importa do nauta o berço ..." (Castro Alves)
"Amirn ensinou-me tudo." (Fernando Pessoa)
As figuras presentes são, respectivamente:
a) hipérbato e anacoluto c) anástrofe e anacoluto
b) anástrofe e pleonasmo d) hipérbole e pleonasmo

576) No verso" ...Faz da tu'alma lâmpada do cego ..", de Cruze Sousa, temos um exemplo
de:
a) metonimia c) metáfora
b) antítese d) perífrase

577) O verso "Tu, sim, tu eras alguém!", de Mário de Sá-Carneíro, é exemplo de:
a) elipse c) diácope
b) assíndeto d) paronomásia

578) Leia os dois versos abaixo, do poeta Femando Pessoa.


"...Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto."
Eles exemplificam as seguintes figuras de linguagem:
a) anáfora e metonímia c) elipse e silepse
b) epístrofe e antítese d) anáfora e antítese

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
427
579) No verso "Bebendo a luz dos teus olhos ..", o poeta Caldas Barbosa se utiliza de uma:
a) hipérbole c) hipálage
b) prosopopéia d) sinestesia

580) Observe os dois versos abaixo, do poeta José Albano.


"Onde está o céu risonho?
No meu sonho."
Neles, o autor faz uma pergunta e, a seguir, dá a resposta. Isso é conhecido como:
a) sujeição c) epizeuxe
b) assonãncia d) parêntese

581) Que figura de linguagem ocorre nos versos abaixo, de Gonçalves Dias?
"Eis rebenta a meus pés um fantasma,
Um fantasma d'imensa extensão ..."
a) ironia c) anadiplose
b) pleonasmo d) onomatopéia

582) Só não há antítese em


a) u ••• Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada ..." (Gregório de Matos)
b) u ••• Colhendo males pelo bem que fiz ..." (Olegário Mariano)
c) "Cada minuto de vida
Nunca é mais, é sempre menos." (Cassiano Ricardo)
d) "Já foste alegre e hoje és triste ..." (José Albano)

583) Que figura de linguagem aparece nos versos abaixo, de Fernando Pessoa?
"Meu coração é um almirante louco
Que abandonou a profissão do mar ..."
a) catacrese c) comparação
b) metáfora d) elipse

584) Assinale o erro na identificação da figura de linguagem.


a) "Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal) ..." (Antônio Nobre)
- parêntese
b) "O seu filho não lhe faltam noivas." (Camilo Castelo Branco)
-pleonasmo
c) "Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte ..." (Florbela Espanca)
- anáfora
d) "Já o verme- este operário das ruínas ..." (Augusto dos Anjos)
- metáfora

585) No verso " ... E rir meu riso e derramar meu pranto .. ", de Vinícius de Moraes,
encontramos as seguintes figuras:
a) polissíndeto e hipérbato c) anáfora e anacoluto
b) anáfora e pleonasmo d) polissíndeto e pleonasmo

428 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
586) Veja os versos abaixo, de Carlos Drummond de Andrade.
"Tem poucos, raros amigos
O homem atrás dos 6culos e do bigode."
Neles há uma figura conhecida como:
a) hipérbato c) quiasmo
b) anástrofe d) silepse

587) Leia os versos abaixo, de Carlos Drummond de Andrade.


"Café preto que nem a preta velha
Café gostoso
Café bom."
Não está presente no texto:
a) metonímia c) epíteto de natureza
b) anáfora d) comparação

588) Veja os versos a seguir, de Mário de Sá -Carneíro,


"...A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!"
O trecho apresenta uma figura conhecida como:
a) eufemismo c) elipse
b) ironia d) sinestesia

589) No verso "E o hábito de sofrer, que tanto me diverte ...", de Carlos Drummond de
Andrade, encontramos uma figura chamada:
a) prosopopéia c) paradoxo
b) diácope d) parêntese

590) Observe os versos abaixo, de Sidney Miller.


"Sou violeiro caminhando s6,
Por uma estrada caminhando s6."
A figura de sintaxe presente no texto é:
a) epizeuxe c) epístrofe
b) símploce d) polissíndeto

591) No trecho "Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz", o escritor Femando Sabino se
utiliza de uma figura conhecida como:
a) quiasmo c) enálage
b) hipálage d) prolepse

592) Em "J á não brincam como crianças as árvores verdes ..." (Ascenso Ferreira), temos:
a) hipérbato e metáfora c) hipérbato e meto nímia
b) hipérbole e comparação d) hipérbato e comparação

593) O escritor português Carnilo Castelo Branco escreveu, em um de seus romances: "Entre
cá dentro, disse o morgado."
Que figura de linguagem está presente no trecho?
a) catacrese c) assíndeto
b) pleonasmo d) assonância

APÊNDICE 4
FIGURAS DE UNGUAGEM
429
594) No verso "Se uma lágrima as pálpebras me inunda ...", de Álvares de Azevedo, temos
um exemplo de:
a) hipérbole c) personificação
b) anacoluto d) enálage

595) Leia os versos abaixo, de Gonçalves Dias.


"O Guerreiros da Taba sagrada,
O Guerreiros da Tribo Tupi,
Falam Deuses nos cantos do Piaga,
O Guerreiros,meus cantos ouvi."
Eles exemplificam a seguinte figura de linguagem:
a) anadiplose c) assíndeto
b) onomatopéia d) apóstrofe

596) No verso "Perdoai-lhe, Senhor! ele era um bravo!", de Álvares de Azevedo, encontra-
se a figura chamada:
a) sujeição c) antimetábole
b) perífrase d) deprecação

597) No verso "Goza, goza da flor da mocidade ...', de Gregório de Matos, a repetição seguida
da forma verbal é um exemplo de:
a) antanáclase c) epizeuxe
b) diácope d) pleonasmo

598) Leia os versos abaixo, do poeta Gregório de Matos.


"...te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada."
Eles exemplificam uma figura chamada:
a) hipérbole c) anticlímax
b) epanástrofe d) símile

599) Leia os versos a seguir, de Castro Alves.


"São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também."
Neles encontramos a figura conhecida como:
a) perífrase c) prolepse
b) alusão d) eufemismo

600) O poeta português Bocage escreveu os seguintes versos:


"Deram-se as mãos virtude e formosura,
Para criar tua alma e teu semblante."
Que figura eles exemplificam?
a) prosopopéia c) metáfora
b) pleonasmo d) catacrese

430 GRAMÁTICA OBJETIVA DA ÚNGUA


RENATO AQUINO
PORTUGUESA
601) No verso" ...0 vinho, a graça, a formosura, o luar!", de Guerra Iunqueíro, temos a
seguin te figura de linguagem:
a) clímax c) assíndeto
b) apóstrofe d) anticlímax

602) Em "Previdente e providente amigo!" (Ciro dos Anjos), temos um exemplo de:
a) antonomásia c) oximoro
b) metonímia d) paronomásia

603) Observe os versos abaixo, de Bocage.


"Teus cabelos sutis e luminosos
Mil vistas cegam, mil vontades prendem ..."
Eles exemplificam as seguintes figuras de linguagem:
a) metáfora e elipse c) hipérbole e zeugma
b) pleonasmo e assíndeto d) hipérbole e assíndeto

604) Leia os versos abaixo, de Bocage.


"Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura ..."
Neles encontramos:
a) eufemismo e prosopopéia c) paradoxo e eufemismo
b) Iítotes e prosopopéia d) epíteto e anacoluto

605) Leia a frase seguinte, de Machado de Assis.


"Essa gente já terá vindo? Parece que não. Saíram há um bom pedaço."
Ela é exemplo de:
a) epânodo c) anástrofe
b) silepse de número d) catacrese

606) o verso "Minha espada, pesada a braços lassos ...", de Fernando Pessoa, temos:
a) assonância c) antítese
b) paronomásia d) hipérbole

607) Assinale a alternativa em que ocorre erro na identificação da figura.


a) "Minh' alma é triste como o grito agudo
Das arapongas no sertão deserto ..." (Casimiro de Abreu)
- sírnile
b) "O prazer não tem começo
E a tristeza não tem fim." (José Albano)
- antítese
c) "Amim basta-me só esta ventura ..." (João de Deus)
-anacoluto
d) "Um minutinho, estrangeiro, que o teu café já vem cheirando ..." (Aníbal Machado)
- elipse

APÊNDICE 4
AGURAS DE UNGUAGEM
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