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Universidade Federal de Uberlândia

Faculdade de Engenharia Elétrica


Curso de Engenharia Elétrica

AUGUSTO MENDES DA COSTA

ESTUDO E VIABILIDADE DE UM SISTEMA UPS ONLINE UTILIZANDO


CÉLULA A COMBUSTÍVEL COMO FONTE AUXILIAR DE ENERGIA

Uberlândia
2015
AUGUSTO MENDES DA COSTA

ESTUDO E VIABILIDADE DE UM SISTEMA UPS ONLINE UTILIZANDO


CÉLULA A COMBUSTÍVEL COMO FONTE AUXILIAR DE ENERGIA

Trabalho apresentado como requisito parcial de


avaliação na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso
2 (Trabalho de Conclusão de Curso) do Curso de
Engenharia Elétrica (Curso de Engenharia Biomédica)
da Universidade Federal de Uberlândia.

Orientador: Luiz Carlos Gomes de Freitas

__________________________________
Assinatura do Orientador

Uberlândia
2015
Dedico este trabalho aos meus pais, pelo estímulo,
carinho e compreensão.
AGRADECIMENTOS

À minha família, pelo apoio, compreensão e me ajudando nos momentos difíceis.
Ao


Prof. Luiz Carlos Gomes de Freitas pelo incentivo, motivação e orientação deste trabalho, ao
aluno de doutorado Renato Santiago Maciel que contribuiu muito para a realização deste
trabalho, pela paciência, pelos ensinamentos. Aos membros do Núcleo de Pesquisa em
Eletrônica de Potência pelo apoio e pelo fornecimento do espaço para o desenvolvimento do
protótipo.
RESUMO

Este trabalho apresenta o desenvolvimento de uma Estrutura UPS Online, com um


Conversor Boost utilizando uma célula de comutação não dissipativa (ZCS-ZVS) para
aplicação como conversor pré-regulador utilizados em sistemas ininterruptos de suprimento
de energia on-line apresentando uma célula a combustível como fonte auxiliar de energia e
um conversor full-bridge convencional como estágio inversor. A estratégia de controle digital
é implementada com um DSP (Digital Signal Processor) e utiliza o método de controle por
corrente média para impor corrente senoidal na rede CA e fator de potência unitário.

Neste trabalho é descrito detalhadamente o princípio de funcionamento do sistema


proposto, focando principalmente no conversor boost, resultados de simulação e
experimentais obtidos com a implementação de um protótipo de 500 W.

Palavras chaves: Conversor Boost, Célula a combustível, Pré-regulador, Fator de


Potência unitário, Controle por corrente média, Sistemas Ininterruptos de Suprimento de
Energia, Célula de Comutação Suave.
ABSTRACT

This paper presents the development of a UPS Online structure, with a boost converter
using a passive resonant soft-commutation cell (ZCS-ZVS) for application as a pre-regulator
converter used for an online uninterrupted power supply system, presenting a fuel cell as
auxiliary power source and a standard full-bridge as the inverter stage. The control strategy is
implemented using a Digital Signal Processor (DSP) and is based on the average current
control method for sinusoidal input line current imposition and high input power factor.

In this paper described in detail the operation principle of the proposed system,
focusing the boost converter, simulation and experimental results obtained with the
implementation of a prototype 500 W.

Keywords: Boost converter, Fuel Cell, Front-end Converter, Power Factor Correction,
Average Current Control, Uninterrupted Power Supply, Passive Resonant Cell.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1 -Estrutura Genérica Sistema UPS. .......................................................................... 14


Figura 1.2 - Estrutura UPS Off-line. ........................................................................................ 15
Figura 1.3 - Estrutura UPS On-line.......................................................................................... 16
Figura 1.4 - Estrutura UPS Line-interactive. ........................................................................... 17
Figura 1.5 - Esquema dos componentes básicos de uma célula a combustível de membrana
polimérica. ....................................................................................................................... 21
Figura 1.6 - Modelo de célula a combustível da BALLARD®. ............................................... 23
Figura 4.1 - Célula de comutação não dissipativa SR-ZCS-ZVS. ........................................... 26
Figura 4.2 – Estrutura UPS Online proposta. .......................................................................... 27
Figura 5.1 - Circuito da primeira etapa de operação (t0 – t1). .................................................. 29
Figura 5.2 - Circuito equivalente da segunda etapa de operação (t1 – t2). ............................... 30
Figura 5.3 - Circuito equivalente da terceira etapa de operação (t2 – t3). ................................ 30
Figura 5.4 - Circuito equivalente da quarta etapa de operação (t3 – t4). .................................. 31
Figura 5.5 - Circuito equivalente da quinta etapa de operação (t4 – t5). .................................. 31
Figura 5.6 - Circuito equivalente da sexta etapa de operação (t5 – t6). .................................... 32
Figura 5.7 - Circuito equivalente da sétima etapa de operação (t6 – t7). .................................. 32
Figura 5.8 - Principais formas de onda teóricas do conversor Boost SR-ZCS-ZVS-PWM
operando em modo de condução contínua e regime permanente. ................................... 33
Figura 6.1 - Técnica do controle de corrente média. ............................................................... 34
Figura 6.2 – Diagrama de bloco ilustrando a técnica de controle baseado em DSP................ 36
Figura 6.3 – Corrente de referência. ........................................................................................ 36
Figura 7.1 - Circuito de potência da Estrutura UPS................................................................. 37
Figura 7.2 – Sub-circuito da célula a combustível BALLARD . ............................................. 38
Figura 7.3 - Circuito de controle do conversor BOOST. ......................................................... 38
Figura 7.4 - Tensão (VS1) dividida por 30 e corrente (IS1) na chave principal S1. ................. 39
Figura 7.5 - Tensão (VS2) dividida por 30 e corrente (IS2) na chave auxiliar S2. ................... 39
Figura 7.6 - Tensão de entrada Vin e corrente de entrada Iin do UPS. ................................... 40
Figura 7.7 - Tensão de entrada e tensão saída do UPS. ........................................................... 40
Figura 7.8 - Ensaio Degrau de carga de 50% para 100%. ....................................................... 41
Figura 7.9 - Simulação da queda da rede CA de alimentação. ................................................ 41
Figura 7.10 - Tensão de entrada distorcida e tensão saída da UPS proposta. .......................... 42
Figura 7.11 - Protótipo UPS Online......................................................................................... 43
Figura 7.12 - Placa do circuito de gatilho SKHI 10op da Semikron. ...................................... 44
Figura 7.13 - Fonte para gate driver SKHI PS2 da Semikron. ................................................ 44
Figura 7.14 - Placa de condicionamento de sinais digitais ...................................................... 45
Figura 7.15 - Placa de condicionamento de sinais analógicos. ................................................ 45
Figura 7.16 - (a) Tensão de entrada, corrente de entrada e tensão de saída............................. 47
Figura 7.17 – (a) Corrente de entrada, tensão de entrada e tensão de saída durante o ensaio
experimental de um degrau de carga de positivo (50% para 100% de carga) (b) Corrente
de entrada, Corrente no supercapacitor, tensão de entrada e tensão de saída durante o
ensaio experimental da queda da rede CA de alimentação. ............................................. 47
Figura 7.18 - (a) Tensão e corrente na chave principal S1 (b) Tensão e corrente na chave
auxiliar S2. ........................................................................................................................ 47
Figura 7.19 – Tensão de entrada distorcida, corrente de entrada e tensão de saída do UPS
Online............................................................................................................................... 48
LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 - Comparação entre Bateria e PEMFC (Proton Exchange Membrane Fuel Cells). 22
Tabela 7.1 - Especificações da UPS Online proposta. ............................................................. 43
LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

A Ampère, unidade de corrente elétrica

a Terminal ativo

b Terminal comum

C Capacitância equivalente da célula a combustível

C0 Capacitor de filtro

CA Corrente alternada

CC Corrente Contínua

Cr Capacitor Ressonante

Csc Supercapacitor

D0 Diodo de saída

D1 Diodo de conexão da fonte auxiliar

D2 Diodo da célula SR-ZCS-ZVS

DSP Digital Signal Processor

F Farad, unidade de capacitância

F Constante de Faraday

FP Fator de potência

H Henry, unidade de indutância

Hz Hertz, unidade de frequência

I0 Cor r ente cir culante no indutor Boost

iCr Corrente capacitor ressonante

ID0 Corrente diodo de saída

Iin Corrente de entrada

iLr Corrente circulante no indutor ressonante Lr

IS1 Corrente chave S1

IS2 Corrente chave S2


LB Indutor Boost

Lr Indutor Ressonante

MEA Membrane-Electrode-Assembly

MOSFET Transistor de efeito de campo de metal-óxido semicondutor

NUPEP Núcleo de Pesquisa em Eletrônica de Potência

p Terminal passivo

PEMCs Proton Exchange Membrane Fuel Cells

PFC Correção do fator de potência

PWM Pulse With Modulate

R0 Resistência da carga

SLA Bateria selada recarregável de chumbo-ácido

SR Self Ressonant

THDi Distorção Total Harmônica de corrente

UPS Uninterruptible Power Supply

V Volts, unidade de tensão elétrica

VAC Módulo da tensão de entrada do conversor

V0 Tensão de saída

V0(med) Tensão média de saída

Vcell Tensão fornecida pela célula a combustível

VCr Tensão capacitor ressonante

VCsc Tensão no super capacitor

VD0 Tensão diodo de saída

Vin Tensão de entrada

VS1 Tensão chave S1

VS2 Tensão chave S2

Vref Tensão de referência.


W Watts, unidade de potência

ZCS Chaveamento a corrente nula

ZVS Chaveamento a tensão nula

Ω Ohm, unidade de resistência elétrica


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 14

2. DESENVOLVIMENTO .................................................................................... 24

3. OBJETIVOS....................................................................................................... 25

4. ESTRUTURA UPS ONLINE PROPOSTA ..................................................... 26

4.1 Conversor Boost ............................................................................................... 26

4.2 Inversor Full-Bridge ......................................................................................... 27

5. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO CONVERSOR BOOST............ 29

5.1 Etapas de Funcionamento ................................................................................ 29

6. ESTRATÉGIA DE CONTROLE ..................................................................... 34

6.1 Conversor Boost ............................................................................................... 34

6.2 Microcontrolador DSP ..................................................................................... 34

6.3 Inversor ............................................................................................................ 35

7. SIMULAÇÕES E RESULTADOS EXPERIMENTAIS ................................ 37

7.1 Introdução ........................................................................................................ 37

7.2 Simulações do circuito proposto ...................................................................... 37

7.3 Resultados Experimentais ................................................................................ 42


7.3.1 Análise dos resultados práticos ................................................................ 46

8. CONCLUSÃO .................................................................................................... 49

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 50
Capítulo 1 – Introdução 14

1. INTRODUÇÃO

Com a evolução da tecnologia, principalmente, da indústria eletroeletrônica, pode-se


afirmar que os equipamentos eletrônicos estão presentes em todos, ou quase todos os setores
da sociedade. Neste contexto, em setores essenciais à sociedade, tais como:
telecomunicações, informática, saúde, transporte, financeiro, indústria e energia, existe a
necessidade de que alguns equipamentos operem de modo adequado e ininterrupto, a fim de
evitar falhas nos mesmos e possíveis danos aos consumidores (GONÇALVES, 2008).
O suprimento de energia elétrica pode sofrer perturbações que a desviem
significativamente da sua condição ideal. Surtos de tensão, perda momentânea de tensão e
oscilações transitórias de tensão são algumas destas perturbações. Essas interrupções são
inadmissíveis em algumas aplicações consideradas críticas como, por exemplo, nos sistemas
de emergência hospitalar, de informática, industrial e de telecomunicação (LINARD, 2009).
Idealmente, as concessionárias de energia elétrica deveriam ser capazes de garantir o
seu serviço sem interrupções ou sem distúrbios, porém, isto ainda não é possível. A energia
elétrica não está livre de interrupções, falhas e distúrbios, tais fenômenos estão presentes nas
instalações elétricas internas e externas, sendo que todo equipamento eletrônico está
susceptível a estes problemas.
Diante destes fatos, várias empresas investem em pesquisas para o desenvolvimento
de equipamentos eletrônicos associados a uma fonte auxiliar de energia independente,
capazes de garantir o funcionamento dos equipamentos essenciais de seus sistemas, quando
ocorrer eventuais falhas no abastecimento de energia da rede de corrente alternada (CA) de
alimentação. Os equipamentos produzidos para este fim foram denominados Sistemas
Ininterruptos de Suprimento de Energia ou, em inglês, Uninterruptible Power Supply (UPS),
onde a sua estrutura genérica é apresentada na Figura 1.1.

Figura 1.1 -Estrutura Genérica Sistema UPS.

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 1 – Introdução 15

Um sistema UPS genérico é constituído por um conversor de energia que processa a


energia proveniente da rede CA ou da fonte auxiliar de energia e alimenta a carga. Pela
Figura 1.1 observa-se a possibilidade de o conversor processar energia da rede CA e entregar
parte desta à fonte auxiliar de energia (processo comum quando há o uso de banco de
baterias), como também a possibilidade do conversor interligar a fonte auxiliar de energia
com a rede CA, através de um conversor bidirecional, onde a fonte auxiliar de energia é
capaz de suprir a carga e entregar o excedente de energia à rede CA (processo comum
quando há o uso de geradores).
Estes equipamentos podem ser divididos em três categorias, que se diferem em
aspectos construtivos e de operação, sendo elas: UPS off-line, UPS line-interactive e UPS on-
line.

• UPS Off-line genérico

Na Figura 1.2 é apresentada a configuração de um UPS Off-line genérico, onde


a rede CA alimenta a carga diretamente através de uma chave estática. No caso de falha no
abastecimento de energia a chave estática é comandada e a energia da carga passa a ser
fornecida por um inversor associado a uma fonte auxiliar de energia, cuja tensão de saída
deve estar em fase e na mesma amplitude que a tensão da rede para que a dinâmica da carga
não seja afetada. Este tipo de sistema é recomendado para cargas que admitem curtas
interrupções de energia que ocorre durante o tempo de comutação da chave estática.
Nesta configuração a energia entregue para carga é processada pelo inversor somente
no momento de falha do sistema de alimentação CA, o que é uma característica vantajosa no
ponto de vista de eficiência operacional, porém possuí como desvantagens o fato que é
considerado complexo o sistema de controle necessário para garantir o sincronismo da tensão
do inversor com a rede CA, além de possuir um tempo de transferência de alimentação de um
sistema para o outro, ou seja, a carga percebe a falta da alimentação CA.

Figura 1.2 - Estrutura UPS Off-line.

Fonte: TOSSI, et al., 2010.


Capítulo 1 – Introdução 16

As UPS off-line normalmente são encontradas em potências pequenas, com entrada e


saídas monofásicas. A maioria dos produtos disponíveis no mercado tem fator de potência de
saída menor que 0,7, ou seja, uma UPS de 1 kVA fornece no máximo 700 W de potência útil
(TOSSI, 2010) e (GONÇALVES, 2008). Esta topologia é o tipo mais básico e barato
disponível no mercado e é a opção mais indicada em diversas aplicações.

• UPS On-line genérico

Na Figura 1.3 é apresentada a configuração de um UPS On-line genérico, onde a


energia que é fornecida para a carga é processada inteiramente pelo UPS e sofre duas
conversões, ou seja, a energia da rede CA é convertida em CC pelo retificador e convertida
novamente em CA pelo inversor, desvinculando a carga da rede. No caso de falha da
alimentação CA a fonte auxiliar de energia (normalmente banco de baterias para essa
configuração) que estão em flutuação passa a suprir a energia demandada pela carga através
do inversor.
Nesta configuração energia entregue a carga é integralmente processada pelo inversor,
o que faz com que a eficiência operacional do sistema seja reduzida e o e eleva o custo de
produção, porém neste sistema é possível controlar a qualidade da tensão entregue para carga
além de que não é necessário garantir o sincronismo da tensão de saída com a tensão da rede
CA, o que simplifica o controle do sistema, além de que não existe tempo de comutação
quando o sistema de alimentação é substituído pelo outro, ou seja, a carga não percebe caso
ocorra uma falta na alimentação CA.

Figura 1.1 - Estrutura UPS On-line.

Fonte: TOSSI, et al., 2010.


Capítulo 1 – Introdução 17

• UPS Line-interactive genérico

Na Figura 1.4 é apresentada a configuração de um UPS Line-interactive genérico,


onde um único conversor bidirecional atua como carregador de bateria (retificador) e inversor
sendo que o mesmo é conectado à rede CA através de um indutor de acoplamento e em
paralelo com a carga. Em modo de operação com a rede CA presente o conversor estático
opera como retificador carregando o banco de baterias e na falta da rede de alimentação opera
como inversor alimentado pelo banco de baterias.
A presença de apenas um conversor estático faz com que o sistema possua somente
um estágio de potência de modo que sua eficiência operacional seja bastante elevada, com
baixo custo de produção, sendo que a tensão de saída pode ser regulada além de permitir um
sistema de controle capaz de impor elevado fator de potência e baixa distorção harmônica de
corrente (THDi), porém durante a falha é inevitável que haja um tempo para que a fonte
auxiliar de energia assuma a carga.

Figura 1.2 - Estrutura UPS Line-interactive.

Fonte: TOSSI, et al., 2010.

A UPS Line-interactive costuma ser mais cara que a Off-line e, normalmente, se


encontra comercialmente na potencia de 1 KVA indo até potências mais elevadas, sendo a
maioria em sistemas trifásicos (TOSSI, 2010) e (GONÇALVES, 2008).
Em geral a maioria dos sistemas UPS utilizam um inversor e uma fonte auxiliar de
energia. Diferente do que ocorre nas categorias Off-line e Line-interactive, na categoria On-
line o inversor é alimentado pelo sistema CA a partir de um conversor pré-regulador. Este
tipo de operação geralmente possui um baixo fator de potência e uma elevada taxa de
distorção harmônica de corrente visto pela rede CA de alimentação, o que pode comprometer
a qualidade da energia suprida pelo sistema às cargas vizinhas.
Os sistemas UPS normalmente possuem algum tipo de conversor estático, o que na
maioria dos casos causa a injeção de elevado conteúdo harmônico de corrente no sistema
Capítulo 1 – Introdução 18

elétrico e provocando a redução do fator de potência (FP) pela distorção da forma de onda da
corrente, denominado por fator de distorção harmônica.
Equipamentos com baixo fator de potência e alta distorção harmônica acarretam
grandes preocupações em termos de qualidade da energia elétrica e de eficiência dos métodos
tradicionalmente utilizados para o gerenciamento do sistema elétrico a 60 Hz. Estes métodos,
em função dessas distorções, podem não se mostrar tão eficientes como antes, uma vez que a
forma de onda distorcida não senoidal é composta de diversas formas de onda senoidal com
frequências múltiplas da fundamental, cuja denominação é frequência harmônica. Devido a
esses problemas podem ser citadas como desvantagens de um baixo FP e elevada distorção,
dentre outros, os seguintes fatos:

• A máxima potência ativa absorvível da rede é fortemente limitada pelo FP;


• As harmônicas de corrente exigem um sobre dimensionamento da instalação elétrica e
dos transformadores, além de aumentar as perdas (efeito pelicular);
• A componente de 3a harmônica da corrente, em sistema trifásico com neutro, pode ser
muito maior do que calculado inicialmente;
• O achatamento da onda de tensão devido ao pico de corrente, além da distorção da
forma de onda, pode causar mau-funcionamento de outros equipamentos conectados à
mesma rede;
• As componentes harmônicas podem excitar ressonâncias no sistema de potência,
levando a picos de tensão e de corrente, podendo danificar dispositivos conectados à
linha.

Diante de todas essas desvantagens, pode-se concluir que altas distorções harmônicas
e baixo fator de potência são prejudiciais à qualidade da energia elétrica e aos aparelhos
eletrônicos, diante disso a Estrutura UPS Online proposta tem como um dos objetivos
garantir alto fator de potência e baixas distorções harmônicas de corrente de entrada.
Vários sistemas UPS costumam utilizar baterias seladas recarregáveis, estes podem
causar sérios problemas ambientais se forem descartados sem cuidados especiais. Além de
que as mesmas aumentam o custo de manutenção dos sistemas onde são utilizados, uma vez
que possuem tempo de vida útil considerada baixa, devido os seus limitados ciclos de carga e
descarga. Destaca-se as baterias alcalinas e chumbo ácida como os principais tipos de
baterias utilizadas comercialmente para aplicações UPS .
Capítulo 1 – Introdução 19

• Baterias Alcalinas

As baterias alcalinas, em especial as de Níquel-Cádmio (NiCd) ou Níquel Metal


Hidreto (NiMh) é um dos mais eficientes armazenadores de energia elétrica disponíveis. São
rígidas, compactas, provê correntes elevadas na saída, apesar de seu pouco peso, carrega
rapidamente, possui excelentes características de funcionamento a baixas temperaturas e
mantém uma tensão relativamente constate na saída, até descarregar-se completamente
(EMBRAER, 1977).
Tecnicamente, as baterias alcalinas são as mais indicadas para o uso em banco de
baterias, mas o seu alto custo de aquisição e manutenção as tornam inviáveis na maioria dos
casos. Essas baterias requerem equipamentos especiais para monitorar o processo de carga,
porque não podem sofrer aquecimento, devido ao risco de incêndio. O ambiente de
armazenamento e manuseio dessas baterias não pode ser o mesmo de baterias de chumbo
ácidas, devido ao risco de ocorrerem reações químicas que as danifiquem (EMBRAER,
1983).

• Baterias Chumbo Ácida

Baterias chumbo ácida são as mais utilizadas para armazenamento de energia e podem
ser classificadas como: Baterias SLI (Starting, Lighting and Igniton), Baterias de tração e
Baterias estacionárias. É a bateria mais econômica quando o problema do peso pode ser
desprezado. É bastante usada em equipamentos hospitalares, cadeira de rodas elétricas, luz de
emergência e no-breaks. Direcionada a várias aplicações, surgiram duas designações para
essas baterias. São elas: SLA (sealed lead acid – bateria selada chumbo-ácido), também
conhecida com o nome comercial de Gelcell e as baterias VRLA (valve regulated lead acid –
bateria chumbo-ácido regulada por válvula).
Ao contrário das baterias de chumbo-ácido com eletrólito líquido, ambas as baterias
SLA e VRLA são projetadas para uma baixa sobre-tensão, de forma a evitar a formação de
gases durante a carga. Carga em excesso pode causar aparecimento de gás e depleção de
água. Consequentemente, as baterias SLA e VRLA não podem nunca ser recarregadas em
todo seu potencial. Entre as baterias recarregáveis modernas, a família das baterias de
chumbo-ácido tem a menor densidade de energia.
Diferente das baterias de NiCd, as baterias SLA não permitem ciclos profundos. Uma
descarga completa causa uma tensão extra e cada ciclo de carga/descarga diminui uma
pequena quantidade da capacidade da bateria. Essa perda é muito pequena enquanto a bateria
está em boa condição de operação, mas se torna mais aguda uma vez que a performance cai
Capítulo 1 – Introdução 20

abaixo de 80% da sua capacidade nominal. Esta característica de redução também se aplica
para outras químicas de baterias em graus variáveis. Para prevenir a bateria de estar
“estressada” através de descarga profunda repetitiva, uma bateria SLA de maior capacidade é
recomendada. Dependendo da profundidade de descarga e temperatura de operação, a bateria
SLA fornece 200 a 300 ciclos de carga/descarga. A primeira razão para seu ciclo de vida
relativamente curto é corrosão da grade do eletrodo positivo, depleção do material ativo e
expansão das placas positivas. Essas mudanças são predominantes em temperaturas de
operação mais altas. Vale ressaltar que aplicar ciclos de carga/descarga não previnem ou
invertem essa tendência. (STA, 2014).
Em paralelo a estas questões observa-se, atualmente, o aumento na demanda pela
utilização de energias de fontes consideradas limpas, dentre as quais pode se destacar a célula
a combustível. As células a combustível constituem uma forma silenciosa, limpa e eficiente
de geração de eletricidade e calor a partir do hidrogênio, o qual pode ser obtido através de
diversas e diferentes fontes, como o gás natural, metanol, etanol ou outros hidrocarbonetos.
Trata-se de um dispositivo eletroquímico em que um combustível (hidrogênio) e um agente
oxidante (oxigênio) reagem diretamente, produzindo assim, eletricidade. Representam uma
solução e alternativa para geração de energia mais eficiente e sustentável devido ao seu
menor impacto ao meio ambiente se comparado com as formas de geração de energia
convencionais, como por exemplo, o petróleo (KIRUBAKARAN e S. JAIN, 2011), (SILVA,
OLIVEIRA e SEVERINO, 2011).

• Célula a combustível PEMFC

As células a combustível de membrana polimérica possuem alta densidade de


potência, elas trabalham em baixa temperatura apresentando partida rápida e uma resposta
flexível às variações de carga. Neste contexto tem-se aumentado a busca em pesquisas para o
seu desenvolvimento tecnológico e redução de custos para viabilizar sua comercialização e
utilização no suprimento de energia elétrica (AVELAR, COELHO, et al., 2009).
Os componentes principais de um sistema célula a combustível PEMFC genérica
estão demonstrados na Figura 1.5 destacam-se: o reformador, onde o hidrogênio é extraído
em alta pureza de um combustível, as células unitárias, formadas pelas placas separadas, os
eletrodos sobre a membrana polimérica, onde ocorrem as reações eletroquímicas e o
transporte iônico; o circuito elétrico que normalmente é um conversor elevador de tensão e os
circuitos auxiliares de refrigeração do conjunto e de umidificação da membrana (SERRA,
FURTADO, et al., 2005).
Capítulo 1 – Introdução 21

Figura 1.5 - Esquema dos componentes básicos de uma célula a combustível de membrana polimérica.

Fonte: Dados do próprio autor.

Tem-se que o núcleo de uma célula a combustível é formado por um empilhamento


(stack) de células unitárias e placas separadas bipolares, sendo estas placas responsáveis por
isolar as células unitárias e direcionar o fluxo de gases (oxigênio ou ar no catodo e hidrogênio
no anodo). O conjunto eletrodo (ânodo)/ membrana / eletrodo (cátodo), denominado MEA
(Membrane-Electrode-Assembly), constitui a célula unitária e representa o componente mais
oneroso do empilhamento.
As células a combustível não possuem a capacidade de responder imediatamente ao
iniciar sua operação ou em rápidas variações de carga, logo na maioria dos casos se faz
necessário, a utilização de supercapacitores, que possuem a função de fornecer energia por
curtos períodos de tempo, sendo este o necessário para permitir que a célula a combustível
alcance seu estado estacionário quando ocorre alguma variação em sua operação
(HREDZAK, AGELIDIS e DEMETRIADES, 2014), (SCHENCK e J. LAI, 2005), (CHEN e
J. QIU, 2008). Vale enfatizar que em relação as baterias os supercapacitores possuem
maiores ciclos de carga e descargas (virtualmente infinito) e tempo de vida útil superior
(UNO e TANAKA, 2011), (BROUJI, BRIAT, et al., 2009), (THOUNTHONG, SETHAKUL,
et al., 2009). Conforme evidenciado na Tabela 1.1 (GARCIA, FREITAS, et al., 2013), a
substituição de baterias por um conjunto célula a combustível e supercapacitores em sistemas
de armazenamento de energia pode ser uma solução bastante atrativa.
Capítulo 1 – Introdução 22

Tabela 1.1 - Comparação entre Bateria e PEMFC (Proton Exchange Membrane Fuel Cells).
Item /
Bateria Célula a Combustível PEMFCs
Dispositivo

Custo • Alto - Boa parte devido à manipulação


• Médio.
do hidrogênio e supercapacitores.
• Baixa - O sistema utilizando célula a
Manutenção combustível tem poucas partes moveis
• Alta - Baixa vida útil.
(Bombas e válvulas de reação), que
produzem pouco atrito.
Capacidade de • Boa - O hidrogênio pode ser produzido
armazenamento • Boa - Mas também limitada. e estocado localmente utilizando um
de energia eletrolisador.
Ciclos de carga • Sem limites - ‘recarregável’ depende
• Limitado - Alta influencia em
e descarga do fornecimento de combustível
sua vida útil.
(hidrogênio).
Resposta • Ruim - Problema resolvido utilizando
dinâmica • Boa
supercapacitores.
Problemas • Alto - Contem metais pesados
ambientais tóxicos com exemplo do • Baixo - Fonte de energia limpa.
cádmio, mercúrio ou chumbo.
• Baixa - Necessidade de
manutenção frequente, sendo
Rentabilidade • Alta – Baixa necessidade de
que o banco de bateria pode ser
manutenção.
inutilizado se uma bateria for
danificada.
• Alta disponibilidade e grande
• Conversão de energia química em
número de aplicação;
elétrica de forma eficiente;
• Baixo custo inicial quando
• Baixo ruído, flexibilidade de projeto e
comparado a outros dispositivos
Vantagens alta densidade de energia;
de armazenamento;
• Fonte de energia Limpa;
• Grande quantidade de energia
• PEMFCs são mais compactas e leves, e
produzida instantaneamente e
maior facilidade para start-up e
imunidade a ondulação de
encerrar sua operação.
corrente.
• Custos de operação e
substituição (Relacionado a • Tempo de resposta;
frequência de manutenção e • Ondulação de corrente de limitada;
Desvantagens vida útil); • Necessidade de supercapacitor para
• Tempo de vida útil reduzido; melhorar a resposta transitória;
• Materiais poluentes; • Alto custo relacionado com a produção
• Necessidade de descarte de hidrogênio.
especial.
Fonte: GARCIA, FREITAS, et al., 2013.

Neste contexto, o projeto proposto tem como principal objetivo a análise de uma
Estrutura UPS apresentando um conversor boost pré-regulador adequado a sistemas UPS On-
line, com correção do fator de potência e mitigação do conteúdo harmônico utilizando a
célula a combustível como elemento armazenador de energia em substituição do banco de
Capítulo 1 – Introdução 23

baterias. A Figura 1.6 apresenta a célula a combustível de membrana polimérica da


BALLARD® que será utilizada como parâmetros para a modelagem.

Figura 1.6 - Modelo de célula a combustível da BALLARD®.

Fonte: AVELAR, COELHO, et al., 2009.

Por fim, vale ressaltar que todo o projeto desenvolvido foi em parceria com o aluno de
doutorado Renato Santiago Maciel e que no mês de Outubro de 2015 foi apresentado um
artigo referente ao trabalho na XIII CEEL – XIII Conferência de Estudos em Engenharia
Elétrica na Universidade Federal de Uberlândia e que um dos principais resultados obtidos
foram reportados em dois artigo, sendo um intitulado Renewable Uninterruptible Power
Supply System deploying a Single-Phase Front-end Converter with Integrated PFC and DC-
DC Functions, publicado no congresso internacional IEEE Energy Conversion Congress and
Exposition (ECCE) (MACIEL, COSTA, FREITAS, et al., 2015) e o outro intitulado Front-
End Converter with Integrated PFC and DC-DC Functions for a Fuel Cell UPS with DSP-
Based Control, publicado no periódico internacional IEEE Transactions on Power
Electronics (MACIEL, DE FREITAS, et al., 2014).
Capítulo 2 – Desenvolvimento 24

2. DESENVOLVIMENTO

As atividades necessárias para execução do projeto proposto foram baseadas em


algumas etapas no qual descrito abaixo.

1ª Etapa – Pesquisa e estudo sobre o que há de mais recente sobre o tema em


questão, buscando consolidar ainda mais as vantagens da estrutura proposta e
sobre utilização de células de comutação não dissipativa em conversores CA-
CC;
2ª Etapa – Pesquisa e estudo da célula a combustível na substituição do banco de
baterias;
3ª Etapa – Projeto e elaboração do código de controle baseado em DSP;
4ª Etapa – Simulações computacionais com o auxílio de softwares e ferramentas
existentes no grupo de pesquisa;
5ª Etapa – Montagem do protótipo, testes e realização das adaptações necessárias;
6ª Etapa – Redação de relatórios parciais e relatório final assim como de artigos
científicos.
7ª Etapa – Defesa perante banca examinadora.
Capítulo 3 – Objetivos 25

3. OBJETIVOS

Os objetivos básicos do projeto proposto foi:


• Análise de conversores CC-CC com técnicas de comutação não dissipativa
para realização da correção do fator de potência;
• Estudo do comportamento e operação do sistema proposto utilizando um
controle digital baseado em DSP;
• Implementar em uma plataforma de simulação computacional o sistema
envolvendo rede CA de alimentação, o Conversor Boost com célula de
comutação não dissipativa operando com corrente senoidal de entrada e o
inversor full-bridge, utilizando o modelo baseado no controle em DSP;
• Implementação em bancada e verificação experimental do Conversor Boost
com a célula de comutação não dissipativa;
• Implementação de um inversor acoplado com o Conversor Boost,
completando assim a Estrutura UPS Online proposta;
• Qualificação de recursos humanos de nível superior;
• Submeter artigos de caráter científico para conferências nacionais e
internacionais.
Capítulo 4 – Estrutura UPS Online Proposta 26

4. ESTRUTURA UPS ONLINE PROPOSTA

4.1 Conversor Boost


Nos conversores chaveados convencionais, as chaves controladas são comandadas de
modo que entrem e saiam de condução com corrente de carga, isto faz com que as mesmas
estejam submetidas a altos níveis de tensão e/ou corrente durante a comutação provocando
elevadas perdas por chaveamento, porém, os problemas atrelados à comutação requerem
técnicas de comutação suave para que seja viável a aplicação de conversores estáticos
operando em alta frequência.
Para evitar estes problemas e obter uma comutação não dissipativa, uma das
estratégias utilizadas é a implementação de conversores quase ressonantes (LEE, 1988),
(TREVISO, 1994). Nestes conversores a comutação pode ocorrer sob tensão e/ou corrente
nula.
Neste contexto, o conversor Boost proposto utiliza uma célula de comutação não
dissipativa que possui duas chaves. A chave principal S1, que apresenta comutação com
tensão nula, e a chave auxiliar S2 que apresenta comutação com corrente nula e tensão nula.
Esta célula possui as mesmas características operacionais de sistemas convencionais que
utilizam células de comutação PWM, porém apresentam as seguintes vantagens:

• Comutação suave para ampla faixa de carga;


• A máxima tensão nas chaves é limitada pela fonte de entrada e pela fonte de saída;
• Comutação suave em frequências elevadas;
• Alto rendimento e densidade de potência.

Na Figura 4.1 é apresentada a estrutura da célula de comutação não dissipativa


utilizada, onde os terminais “a”, “b” e “p” são denominados ativo, comum e passivo,
respectivamente. Os elementos ressonantes Lr e Cr são colocados próximos para facilitar a
troca de energia entre eles.

Figura 4.1 - Célula de comutação não dissipativa SR-ZCS-ZVS.

Fonte: COSTA, TREVISO e FREITAS, 1994.


Capítulo 4 – Estrutura UPS Online Proposta 27

O conversor Boost é utilizado como estágio pré-regulador e possui uma célula de


comutação não dissipativa, que garante a comutação das chaves principal S1 e a auxiliar S2,
um diodo de potência que conecta o supercapacitor ao sistema somente quando a tensão de
entrada é menor que a tensão dos supercapacitor ou quando a rede CA está ausente, e possuí
o controle baseado em DSP responsável pelo controle da tensão de saída e pela imposição de
corrente senoidal na rede CA através do método de controle por corrente média (KIM, SUNG
e LEE, 2014). Assim, o conversor é capaz de garantir:

• Regulação da tensão de saída e controle da potência fornecida à saída;


• Alto fator de potência;
• Baixa distorção harmônica de corrente.

Observa-se no circuito da Figura 4.2 que o estágio retificador CA-CC é representado


por uma ponte de diodos e o estágio elevador é representado pelo conversor Boost SR-ZCS-
ZVS-PWM, resultando em uma estrutura denominada Retificador Boost SR-ZCS-ZVS-
PWM.

Figura 4.2 – Estrutura UPS Online proposta.

Fonte: Dados do próprio autor.

4.2 Inversor Full-Bridge

Os inversores de tensão são estruturas capazes de converter uma fonte de energia CC


em uma fonte de energia CA, podendo controlar o nível do valor eficaz da tensão de saída e
da frequência fundamental. São utilizados em diversas aplicações, como acionamento de
motores de indução, aquecimento de fornos elétricos, fontes ininterruptas de energia,
aproveitamento de fontes alternativas de energia, etc (ERICKSON, MAKSIMOVIC,
2001).
Diversas topologias foram desenvolvidas para se obter conversores estáticos que
sintetizam formas de onda alternadas na saída. Os conversores CC-CA de tensão são os mais
Capítulo 4 – Estrutura UPS Online Proposta 28

comumente encontrados na indústria, e podem ser alimentados através de qualquer fonte de


tensão de corrente contínua, como circuitos retificadores com filtros, bancos de baterias,
células a combustíveis ou rede de painéis solares fotovoltaicos. Os inversores de tensão
monofásicos podem ser encontrados nas configurações básicas meia ponte, ponte completa e
push pull.
O inversor em ponte completa (Full-Bridge Inverter) consiste em dois braços
inversores compostos por um par de chaves comandadas em antiparalelo com diodos de roda-
livre, que pode ser observado na Figura 4.2 acima. Esta estrutura normalmente é utilizada
para cargas que demandam uma alta potência, tendo em vista que ela apresenta menores
esforços de tensão e corrente nos interruptores, quando comparada com a estrutura inversora
do tipo meia ponte. Essa característica se constitui numa das grandes vantagens dessa
estrutura. A desvantagem desta topologia se trata do elevado número de interruptores
estáticos, que dependendo da potência do inversor pode apresentar uma elevação nos custos
de projeto do mesmo (MARTINS e BARBI, 2008).
A forma da tensão de saída do inversor depende da técnica utilizada no controle das
chaves. A técnica de modulação utilizada foi a modulação por largura de pulso (PWM - Pulse
Width Modulation). Nela a frequência de operação da estrutura é fixada e a transferência de
potência é dada pela variação da razão cíclica. Esta técnica permite um equacionamento e
uma modelação mais simples da estrutura, o que facilita o controle das chaves.
Capítulo 5 – Princípio de Funcionamento do Conversor Boost 29

5. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO CONVERSOR BOOST

Com base no levantamento teórico e na análise do sistema foi possível caracterizar o


funcionamento do conversor Boost em sete etapas, para tanto, torna-se necessário fazer as
seguintes considerações:

• A tensão de entrada instantânea em um curto período de tempo, que será igual ao


período de chaveamento, pode ser considerada constante;
• Os elementos condutores são considerados ideais;
• Não existem perdas nos elementos ressonantes (LR e CR);
• O filtro de saída é considerado suficiente para que não haja nenhuma variação
(“ripple”) na tensão de saída, ou seja, ela permanece constante no período de
chaveamento;
• O capacitor ressonante (CR) está carregado com a tensão de saída (Vo), portanto S1
está aberta;
• Existe corrente fluindo no diodo Do.

5.1 Etapas de Funcionamento

Primeira etapa: ∆t1 [t0-t1]:


Esta etapa inicia-se no tempo t0, quando a chave auxiliar S2 é colocada em condução e
termina, no tempo t1, quando a corrente ILr = I0. Com o fechamento de S2, a corrente (I0) é
desviada do diodo de saída (D0) para o ramo desta chave, assim a corrente no indutor
ressonante (Lr) cresce linearmente pela ação da fonte de corrente I0.
Analisando as malhas formadas nesta etapa, conclui-se que a entrada em condução da
chave S2 ocorre com corrente nula sem perdas por comutação. Esta etapa de operação é
apresentada na Figura 5.1.

Figura 5 - Circuito da primeira etapa de operação (t0 – t1).

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 5 – Princípio de Funcionamento do Conversor Boost 30

Segunda etapa: ∆t2 [t1-t2]:


Esta etapa pode ser descrita como a etapa ressonante, uma vez que em t=t1 os diodos
Do e D1 se bloqueiam e o capacitor ressonante (Cr) passa a descarregar via indutor ressonante
(Lr). A corrente no indutor nesta etapa é a soma da corrente do indutor de entrada (Io) mais a
corrente do capacitor (Icr), como o diodo D1 está bloqueado haverá corrente indo para o
supercapacitor (Csc) ocasionando o carregamento dos mesmos. Esta etapa tem fim quando o
capacitor ressonante descarrega totalmente. Esta etapa de operação é apresentada na Figura
5.2.

Figura 5.1 - Circuito equivalente da segunda etapa de operação (t1 – t2).

Fonte: Dados do próprio autor.


Terceira etapa: ∆t3 [t2-t3]:
Nesta terceira etapa a corrente no indutor ressonante (LR) descarrega linearmente no
supercapacitor (Csc) no tempo t2 e termina com o a corrente de ILr = I0 no tempo t3. Como o
diodo D1 e D0 continuam reversamente polarizados a descarga ocorre através do diodo
intrínseco que existe na chave principal S1. Esta etapa de operação é apresentada na Figura 5.
3.

Figura 5.2 - Circuito equivalente da terceira etapa de operação (t2 – t3).

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 5 – Princípio de Funcionamento do Conversor Boost 31

Quarta etapa: ∆t4 [t3-t4]:


Na quarta etapa, a chave S1 é fechada pois a tensão nela é nula no tempo t3 e termina
quando a corrente da chave S1 atinge o valor de I0 no tempo t4. A corrente no indutor
ressonante decresce até zero e a corrente na chave principal S1 passa a ser o valor da corrente
(I0). Esta etapa de operação é apresentada na Figura 5.4.

Figura 5.3 - Circuito equivalente da quarta etapa de operação (t3 – t4).

Fonte: Dados do próprio autor.


Quinta etapa: ∆t5 [t4-t5]:
A quinta etapa inicia em t4 quando a corrente da chave principal S1 assume o valor I0 e
a chave auxiliar S2 é aberta com corrente nula e termina quando a chave S1 aberta com tensão
nula no tempo t5. Diante disso os diodos D0 D1, D2 estão bloqueados e o indutor ressonante
(Lr) totalmente descarregado, sendo que o supercapacitor não recebe mais energia. O circuito
que representa este estágio de operação é demonstrado na Figura 5.5:

Figura 5.4 - Circuito equivalente da quinta etapa de operação (t4 – t5).

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 5 – Princípio de Funcionamento do Conversor Boost 32

Sexta etapa: ∆t6 [t5-t6]:


Nesta etapa de operação em t5 a chave principal S1 é aberta por possuir tensão nula,
dando início ao carregamento do capacitor ressonante (Cr), e termina quando o capacitor está
totalmente carregado com a tensão de saída (Vo), sendo que todos os diodos D0 D1, D2
continuam bloqueados. Esta etapa de operação é apresentada na Figura 5.6.

Figura 5.5 - Circuito equivalente da sexta etapa de operação (t5 – t6).

Fonte: Dados do próprio autor.


Sétima etapa: ∆t7 [t6-t7]:
Nesta última etapa de operação tem início em t6 quando a tensão do capacitor
ressonante (Cr) atinge o valor da tensão de saída (V0) e termina em t7 quando o a chave
auxiliar S2 entra em condução com corrente nula iniciando o ciclo de comutação novamente.
Já a corrente (Io) flui pela carga uma vez que o diodo (D0) está em condução, havendo assim
transferência de energia para a carga. Esta etapa de operação é apresentada na Figura 5.7.

Figura 5.6 - Circuito equivalente da sétima etapa de operação (t6 – t7).

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 5 – Princípio de Funcionamento do Conversor Boost 33

Depois de demonstrados todas as 7 etapas de operações do BOOST, na Figura 5.8 foi


possível demonstrar as formas de onda teóricas das tensões e correntes nos principais
elementos do conversor em um período de chaveamento.

Figura 5.7 - Principais formas de onda teóricas do conversor Boost SR-ZCS-ZVS-PWM operando em modo de
condução contínua e regime permanente.

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 6 – Estratégia de Controle 34

6. ESTRATÉGIA DE CONTROLE

6.1 Conversor Boost


O conversor Boost possuí a característica predominante de conversor PWM, onde a
variável de controle de potência é a razão cíclica. Para um correto funcionamento do
conversor, seguindo as etapas de operação descritas no Capítulo 5, deve-se construir um
circuito de controle capaz de gerar dois pulsos PWM um para a chave principal e outro para
chave auxiliar, respeitando-se os tempos adequados de condução e desligamento das mesmas
para controle de potência e chaveamento sem perdas.
Para gerar esses pulsos, a técnica de controle utilizada se baseia na imposição de uma
corrente senoidal na entrada, garantindo-se fator de potência unitário, a partir da técnica da
corrente média (KIRUBAKARAN e S. JAIN, 2011), (CÂMARA, CRUZ e BASCOPÉ,
2010), conforme ilustrado na Figura 6.1. Aplicando este conversor como estágio pré-
regulador, este tipo de controle garante operação com frequência constante e operação em
modo contínuo de condução, reduzindo-se os esforços de corrente no interruptor principal.

Figura 6.1 - Técnica do controle de corrente média.

Fonte: Dados do próprio autor.


Para implementar este controle, foi utilizado o circuito digital baseado em DSP. Com
este microcontrolador é possível gerar as saídas PWM necessárias para controlar o conversor.

6.2 Microcontrolador DSP


A escolha deste microcontrolador para a execução de um controle digital foi baseado
na capacidade de maior poder de processamento, desenvolvido para suportar tarefas
numéricas intensivas, de alto desempenho e repetitivas, e bem como a flexibilidade de
funcionamento fornecido pelos microcontroladores (KAZMIERKOWSKI, JASINSKI e
WRONA, 2011).
Capítulo 6 – Estratégia de Controle 35

A lógica de controle a ser implementada será um algoritmo em linguagem C. O DSP


escolhido foi o controlador digital TMS320F28335 da Texas Instruments® (TEXAS
Instruments, 2009) que possui como características:

• Uma arquitetura de ponto flutuante de 32 bits;


• Conversor analógico/digital (A/D) ultrarrápido de 80ns;
• 512KB de memória flash;
• 68KB de memória RAM;
• Frequência de clock de 150 MHz;
• 176 pinos conectores para possível comunicação com outros dispositivos.

Como mencionado anteriormente o sistema de controle consiste em gerar uma


corrente de referência em fase com a tensão de entrada da rede, de tal modo que sua
amplitude varie para manter a tensão de saída constante, mesmo no caso de mudança
situacional no sistema, por exemplo, a mudança de carga, diminuição da tensão de entrada ou
queda da rede CA. O controle deve gerar os pulsos para as chaves S1 e S2 de modo a
assegurar o funcionamento correto da célula SR-ZCS-ZVS-PWM e monitorar a rede CA
determinando quando ocorre uma falta na rede e proporcionando o correto start-up da célula
a combustível, conforme demonstrado na Figura 6.2 .

6.3 Inversor
Como mencionado anteriormente não existe a necessidade em um sistema UPS
Online de sincronismo da tensão CA de alimentação com a tensão na carga, uma vez que toda
a energia entregue a carga é processada através do conjunto pré-regulador/inversor. Por esta
razão pode-se simplificar o controle do inversor de forma que se garantido uma entrada CC
constante o mesmo possa trabalhar em um circuito de malha aberta. Como o conversor
BOOST garante um forte barramento CC devido seu controle em malha fechada, o controle
da tensão de saída do inversor pode ser obtido através da comparação da tensão na carga com
uma referência senoidal, onde foi utilizada a mesma referência da corrente entrada e assim
gerando quatro pulsos PWM para as chaves do Full-bridge conforme demonstrado na Figura
6.2.
Capítulo 6 – Estratégia de Controle 36

Figura 6.2 – Diagrama de bloco ilustrando a técnica de controle baseado em DSP

Fonte:Dados do próprio autor.

Vale enfatizar que a referência digital de corrente IREF é uma corrente senoidal
retificada limitada por um nível CC como apresentado na Figura 6.3, foi utilizado este tipo de
referência para facilitar o controle do sistema uma vez que quando a tensão do supercapacitor
é maior que da alimentação CA a tensão de entrada, após o retificador, passa a ser a do
supercapacitor, ou seja, deixa de ser uma onda senoidal retificada e passa a ser um valor
continuo no valor da tensão do supercapacitor.

Figura 6.3 – Corrente de referência.

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 37

7. SIMULAÇÕES E RESULTADOS EXPERIMENTAIS

7.1 Introdução

Este capítulo ilustra os resultados de simulação realizados na plataforma


computacional PSIM® e os resultados experimentais obtidos através de um protótipo.
Através de simulações computacionais é possível a verificação e estudo da topologia
proposta apresentada, sendo assim importantes para montagem do protótipo e realizações de
testes experimentais.

7.2 Simulações do circuito proposto

Com as especificações de projeto e com os parâmetros dos elementos calculados e


utilizando o datasheet fornecido pela Texas Instruments®, implementou-se no PSIM® a
Estrutura UPS Online proposta, onde este simulador disponibiliza o uso do DSP no qual é
possível inserir todos seus componentes e o algoritmo de controle construído na linguagem
de programação C.
A Figura 7.1 logo abaixo, apresenta o circuito de potência da Estrutura USP
desenvolvido no simulador. Com esse arranjo é possível simular tensões e correntes em
regime permanente da entrada e saída do conversor e das chaves principal S1 e auxiliar S2.
Também é possível realizar ensaios de degrau de carga e falta da rede CA de alimentação.

Figura 7.1 - Circuito de potência da Estrutura UPS.

Fonte: Dados do próprio autor.

É importante ressaltar que para a simulação no PSIM® foi utilizado um modelo


computacional da célula a combustível apresentado em (AVELAR, COELHO, et al., 2009),
que segue os parâmetros reais da célula a combustível da BALLARD® presente no
laboratório. Este modelo representa as reações químicas que ocorrem em uma célula a
combustível PEMFC, por meio de fontes de tensão que são dependentes da corrente da célula
e parâmetros da mesma, com a possiblidade de alterar o número de células para o ajuste da
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 38

tensão. Este modelo é apresentado como um sub-circuito da simulação e é apresentado na


Figura 7.2.

Figura 7.2 – Sub-circuito da célula a combustível BALLARD .

Fonte: Dados do próprio autor.

O circuito de controle do Conversor BOOST pode ser visualizado na Figura7.3.

Figura 7.3 - Circuito de controle do conversor BOOST.

Fonte: Dados do próprio autor.

Logo nas duas primeiras figuras abaixo, é apresentado as formas de onda das chaves
do Conversor BOOST. A Figura 7.4 apresenta as formas de onda da corrente circulante e da
tensão dreno-source na chave principal S1. Nota-se que a entrada e a saída de condução desta
chave ocorrem com tensão nula. As perdas por comutação são nulas, como esperado.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 39

Figura 7.4 - Tensão (VS1) dividida por 30 e corrente (IS1) na chave principal S1.

Fonte: Dados do próprio autor.

A Figura 7.5 apresenta as formas de onda da corrente circulante e tensão dreno-source


da chave auxiliar S2. Observa-se que a característica de entrada de condução e bloqueio desta
chave com corrente e/ou tensão nula é alcançada com êxito.

Figura 7.5 - Tensão (VS2) dividida por 30 e corrente (IS2) na chave auxiliar S2.

Fonte: Dados do próprio autor.

A Figura 7.6 apresenta a forma de onda da tensão (Vin) e da corrente (Iin) de entrada.
Nota-se que a corrente possui a forma senoidal e está em fase com a tensão de entrada,
resultando em um fator de potência de 0,98, ou seja, próximo do fator de potência unitário
proposto, onde o resultado obtido foi considerado satisfatório e o mesmo está dentro das
normas.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 40

Figura 7.6 - Tensão de entrada Vin e corrente de entrada Iin do UPS.

Fonte: Dados do próprio autor.

A Figura 7.7 apresenta a forma de onda da tensão de saída do inversor (Vinv), tensão
de saída do Boost (VOboost) e a tensão de entrada (Vin). Nota-se o funcionamento de um
conversor Boost clássico, ou seja, possui uma tensão de saída, projetado para 250 V, maior
que a tensão entrada de 127 V.

Figura 7.7 - Tensão de entrada e tensão saída do UPS.

Fonte: Dados do próprio autor.

Na Figura 7.8 foi realizada uma simulação de degrau de carga de 50% para 100%
validando a estabilidade do controle aplicado. Percebe-se que praticamente não há variação
na tensão de saída tanto do Boost quanto do inversor, toda a variação ocorre na corrente de
entrada.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 41

Figura 7.8 - Ensaio Degrau de carga de 50% para 100%.

Fonte: Dados do próprio autor.

Na Figura 7.9 foi realizada uma simulação da falta da rede CA de alimentação.


Percebe-se que praticamente não há variação na tensão de saída do Boost (VOboost) e na
tensão de saída do inversor (Vinv), e o sistema passa a ser alimentado pelo conjunto
supercapacitor e célula a combustível, representados pela corrente no diodo de potência D1.

Figura 7.9 - Simulação da queda da rede CA de alimentação.

Fonte: Dados do próprio autor.

Na Figura 7.10 apresenta a forma de onda da tensão de saída do inversor (Vinv) em


relação a tensão de entrada (Vin) porém essa distorcida, mostrando que independente da
tensão de entrada (Vin) o sistema como um todo controla a qualidade da tensão de saída
(Vinv). Percebe-se também que praticamente não há variação na tensão de saída do Boost
(VOboost) em relação a tensão de entrada distorcida.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 42

Figura 7.10 - Tensão de entrada distorcida e tensão saída da UPS proposta.

Fonte: Dados do próprio autor.

7.3 Resultados Experimentais

Com os procedimentos de dimensionamento e especificações de projeto apresentados


em (CRISTÓVÃO, 2005), (DAMASCENO, 2006), (FREITAS e GOMES, 1995) e os
resultados obtidos em simulação foi construído um protótipo de acordo com a Estrutura UPS
Online proposta.
As placas de potência e de controle utilizadas foram projetadas e construídas nas
instalações do NUPEP. As placas de controle e gate-driver estão separadas da placa de
potência, facilitando manutenção e ajustes de bancada.
Os semicondutores, indutores e capacitores utilizados e as especificações do projeto
são descritos na Tabela 7.1 A Figura 7.11 ilustra o protótipo construído de acordo com a
Estrutura UPS Online proposta.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 43

Tabela 7.1 - Especificações da UPS Online proposta.

Especificação de projeto
Tensão de saída Boost, V0 (avg) = 250 V
Potência de saída, P0 = 500W
Tensão de entrada e saída, Vinv (rms) =Vin (rms) = 127 V
Frequência de chaveamento = 100 kHz
Fator de potência = 0.98
Pré-regulador PFC
Célula de comutação suave Conversor Boost
Indutor ressonante, Lr = 2.5µH Ponte de diodos, TB-258
Capacitor ressonante, Cr = 4.7nF/400V Indutor Boost, LB= 450µH
Chave principal S1, MOSFET IRFP460 Filtro capacitivo, C0 = 940µF
Supercapacitor, Csc =
Chave auxiliar S2, MOSFET IRFP460
27.77F/40V
Diodos D1 e D2, D0, HFA15TB60 Carga,125Ω
Inversor Full Bridge
Chave MOSFET IRFP 460
Indutor Full Bridge, Linv = 1000µH
Capacitor Full Bridge, Cinv = 44µF
Fonte: Dados do próprio autor.

Figura 7.11 - Protótipo UPS Online.

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 44

O circuito para acionar as chaves do conversor foi realizado utilizando-se o circuito de


gatilho (gate driver) SKHI-10op da Semikron®. Este possui proteção contra curto-circuito
baseado no monitoramento da tensão do interruptor, provendo o desligamento suave com
sinalização de erro. Vale ressaltar que a chave auxiliar S2 necessitava que seus pulsos fossem
isolados dos demais, devido a sua localização no circuito, papel realizado também pelo
circuito de gatilho escolhido. A placa do circuito é apresentada na Figura 7.12.

Figura 7.12 - Placa do circuito de gatilho SKHI 10op da Semikron.

Fonte: Dados do próprio autor.

Esse circuito necessita de uma fonte de alimentação, também fabricada pela


Semikron®, a qual é alimentada com 15 V e fornece uma tensão isolada de 24 V na saída.
Esta fonte é apresentada na Figura 7.13.

Figura 7.13 - Fonte para gate driver SKHI PS2 da Semikron.

Fonte: Dados do próprio autor.

Para adequar os níveis de tensão dos sinais do DSP e do gate drive do conversor
Boost, foi necessário a montagem de um circuito capaz de conectar os pinos de controle do
DSP que estão no nível de 0 a 3.3V aos circuitos de gate drive de 0 a 15 V. Esta placa está
apresentada na Figura 7.14.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 45

Figura 7.14 - Placa de condicionamento de sinais digitais

Fonte: Dados do próprio autor.

Para adequar os sinais de corrente e tensão analógicos, que deverão ser monitorados,
para o DSP, foi necessário a montagem de um circuito capaz de conectar os sinais analógicos,
de tensões e corrente que devem ser monitoradas, com a entrada analógica do conversor
analógico digital do DSP, além disso, o circuito tem que ser capaz de controlar o offset do
sinal de saída, uma vez que o DSP somente aceita tensões entre 0 e 3.3V não admitindo
tensões negativas. Esta placa está apresentada na Figura 7.15.

Figura 7.15 - Placa de condicionamento de sinais analógicos.

Fonte: Dados do próprio autor.

Para alimentar os circuitos de gatilho e os circuitos de condicionamento de sinais foi


construída uma fonte de alimentação com tensão de saída regulada. Foram utilizados
reguladores de tensão na forma de circuitos integrados, os quais são mais precisos e
compactos. Esta fonte pode ser alimentada com tensão da rede 110/220 V e regula uma
tensão de saída de ±15Vcc, além de contar com proteção contra sobrecarga e curto circuito.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 46

Com o fim da montagem do protótipo, a primeira etapa foi a realização de testes com
o Conversor Boost e a segunda etapa foi a realização de testes com o Inversor Full-Bridge e
no final a integralização dos dois obtendo assim a Estrutura UPS Online proposta.

7.3.1 Análise dos resultados práticos

Após os resultados experimentais, foram realizados ensaios práticos com toda a


Estrutura do UPS Online a fim de extrair resultados do conversor Boost PFC com comutação
suave em todas as chaves. A Figura 7.16 apresenta as formas de onda da tensão e corrente de
entrada do conversor e tensão de saída do Boost e do inversor em operação nominal. O fator
de potência medido em potência nominal foi de 0.98.
Na Figura 7.17(a) é apresentado o resultado obtido quando foi realizado o ensaio de
degrau de carga de 50% para 100% demonstrando a estabilidade do controle alcançando o
resultado esperado, assim como previsto na análise teórica e na simulação realizada. Percebe-
se não há variação na tensão de saída, sendo que toda a variação ocorre na corrente de
entrada, de modo a manter a tensão de saída.
Na Figura 7.17(b) é apresentado o resultado obtido em situação da falta da rede CA de
alimentação. Percebe-se que praticamente não há variação na tensão de saída, e o sistema
passa a ser alimentado pelo conjunto supercapacitor e célula a combustível. O resultado
esperado foi alcançado e condizente ao previsto na análise teórica e na simulação realizada.
A Figura 7.18 (a) demonstra a tensão e a corrente na chave principal S1 e a Figura
7.18 (b) a tensão e corrente na chave auxiliar S2. Pelas figuras pode-se observar que para
ambas as chaves a comutação não dissipativa é alcançada, assim como previsto na análise
teórica e na simulação realizada. É importante enfatizar que a chave S1 é comutada em ZVS e
a chave S2 fecha em ZVS e abre em ZCS e ZVS.
Na Figura 7.19 apresenta a forma de onda da tensão de entrada distorcida em relação
a tensão saída, onde percebe-se que praticamente não há variação na tensão de saída,
mostrando que o sistema como um todo controla a qualidade da tensão de saída.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 47

Figura 7.16 - (a) Tensão de entrada, corrente de entrada e tensão de saída.

Fonte: Dados do próprio autor.

Figura 7.17 – (a) Corrente de entrada, tensão de entrada e tensão de saída durante o ensaio experimental de um
degrau de carga de positivo (50% para 100% de carga) (b) Corrente de entrada, Corrente no supercapacitor,
tensão de entrada e tensão de saída durante o ensaio experimental da queda da rede CA de alimentação.

(a) (b)
Fonte: Dados do próprio autor.

Figura 7.18 - (a) Tensão e corrente na chave principal S1 (b) Tensão e corrente na chave auxiliar S2.

(a) (b)
Fonte: Dados do próprio autor.
Capítulo 7 – Simulações e Resultados Experimentais 48

Figura 7.19 – Tensão de entrada distorcida, corrente de entrada e tensão de saída do UPS Online.

Fonte: Dados do próprio autor.


Capítulo 8 – Conclusão 49

8. CONCLUSÃO

Neste trabalho foram apresentados alguns conceitos sobre os sistemas UPS dando
ênfase em sua importância, explicitando vários sistemas que não permitem interrupções, além
de uma explicação do funcionamento de cada uma de suas categorias, que podem ser
divididas em: Off-line, On-line e Line-interactive. Conforme observado, há uma grande
preocupação em relação ao uso de baterias nestes tipos de sistemas, que apesar de
apresentarem um bom desempenho, devido à utilização de metais pesados tóxicos, podem
causar sérios problemas ambientais se descartados sem cuidados especiais. Além disso, há
uma considerável preocupação em relação ao custo de manutenção destes sistemas, uma vez
que possuem baixo tempo de vida útil devido ao limitado número de ciclos de carga e
descarga a que podem ser submetidas.
Neste sentido, para resolver os problemas supracitados, foi proposta a substituição das
baterias por uma célula a combustível, sendo que está constitui uma forma silenciosa, limpa e
eficiente de geração de eletricidade. Tais fatos, aliados com a preocupação em relação à
correção do fator de potência e redução de componentes harmônicas de corrente nos sistemas
de alimentação, em decorrência da ampla utilização de fontes chaveadas em equipamentos
eletroeletrônicos, motivaram o desenvolvimento do projeto em pauta.
Os resultados da simulação computacional e experimentais se mostraram condizentes
com os resultados esperados, validando assim a topologia proposta. A correção do fator de
potência, mitigação do conteúdo harmônico das correntes e o fornecimento ininterrupto de
energia foram alcançadas satisfatoriamente, comprovando a eficácia da estratégia de controle
utilizando o controlador digital baseado em DSP, assim como da utilização da célula a
combustível como fonte auxiliar de energia.
E por fim comprovou-se que toda a Estrutura USP Online proposta, onde foi
implementando o conversor boost com um estágio inversor cascateado controlado por um
mesmo controlador digital baseado em DSP se mostrou bastante eficiente, condizente com a
proposta, obtendo alto rendimento e alto fator de potência.
Como sugestão para trabalhos futuros, em complemento ao trabalho apresentado,
propõe-se o desenvolvimento de um novo protótipo menor e mais eficiente, obter resultados
de rendimentos e além disso cascatear um inversor Full-Brigde empregando uma célula de
comutação suave.
Referências 50

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