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Bênção da Casa na

Solenidade da

Epifania do Senhor
Copyright @ Salvem a Liturgia!

Organização: Apostolado Virtual Salvem a Liturgia!


Edição: Rafael Vitola Brodbeck.
Revisão e Diagramação: Cleiton Robsonn do Nascimento, OESSJ.

Capa: “A Adoração dos Magos”. Detalhe do português Domingos Sequeira (1768-


1837), com a técnica óleo sobre tela (100x140 cm), pintada em Roma, em 1828 e que
se encontra atualmente no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa - Portugal.

Direitos reservados

Solenidade da Epifania do Senhor


1

Bênção da Casa na
Solenidade da Epifania do Senhor

um costume antiquíssimo que as casas - religiosas ou de famílias - sejam abençoadas


por ocasião da Solenidade da Epifania. Há até uma bênção própria para a Epifania, que
consta no Rituale Romanum pré-conciliar1. No atual Rituale2, usa-se a bênção comum
das casas mesmo, mas é possível acrescentar as cerimônias antigas. Aqui, adaptamos o formulário do
Ritus Antiquum.

Para entendermos melhor esta data e a bênção que se segue, vejamos o que diz a Carta Circular
do Secretariado para a Liturgia da Ordem Cisterciense para os Mosteiros da Ordem, em 2006/2007,
que adaptamos:

1. A Solenidade da Manifestação do Senhor (Epifania) no dia 6 de Janeiro.

O Tempo do Natal poderia ser comparado a uma elipse cujos pontos centrais são a Solenidade
do Natal, a 25 de dezembro e a Solenidade da Epifania, a 6 de Janeiro. Devido à nossa vida
contemporânea e ao mundo do trabalho, a Solenidade da Epifania, em muitos países e regiões, não é
mais celebrada no dia 6 de Janeiro, mas transferida para o domingo que ocorre entre 2 e 8 de Janeiro.
Em muitos lugares, esta solenidade foi mantida na data tradicional, como por exemplo, em Roma.

1.1 – Sobre a origem e a história da festa.

Originariamente, a Solenidade do Natal era celebrada, no Ocidente, a 25 e Dezembro, e no


Oriente, a 6 de Janeiro. Como por osmose, o Ocidente e o Oriente absorveram as duas festas em fins
do século IV. Devido à sua origem e conteúdo teológico, ambas celebram o Natal, mas com acentos
diferentes. A história da Epifania é, de fato, complicada e suas raízes próprias permanecem obscuras
até os nossos dias. Como indica o nome grego “Ἐπιφάνεια” (Manifestação) ou “Θεοφάνια”
(Manifestação de Deus), a festa provém do Oriente e foi introduzida no Ocidente no século IV. O
título da festa – “Epifania” – significa também que o dia 6 de Janeiro já era algo mais que a popular
“festa dos Reis”. A Epifania é a revelação de Jesus Cristo, Filho de Deus, para o mundo inteiro. Na
Grécia e na Rússia, os cristãos chamam esse dia de: “Solenidade da santa Teofania de nosso Senhor
Jesus Cristo”.

Seguramente, como ocorre no Natal, a data da Epifania remonta também ao culto pagão, ou
seja, está relacionada com a festa do solstício de inverno que, no Egito, provavelmente ocorria entre
5 e 6 de Janeiro. No dia 25 de Dezembro ou no dia 6 de Janeiro celebrava-se o aniversário de
nascimento do deus-sol invencível, transformado pelos cristãos no aniversário natalício de Jesus
Cristo, “verdadeira luz do mundo” (cf. Jo, 8, 12; 1, 9). Através de uma fonte antiga, sabe-se que a
seita gnóstica dos basilianos, em Alexandria, no começo do século III, celebrava no dia 6 de Janeiro
a festa do Batismo de Cristo, mediante o qual, pela descida do Espírito Santo, aconteciam a geração
e o nascimento do Filho de Deus. O Batismo de Cristo deveria, em seguida, se tornar a temática
própria da festa da Epifania, no Ocidente. De acordo com outras informações, no dia 6 de Janeiro, os
egípcios iam ao rio buscar água. Talvez esteja aqui um dos fundamentos da bênção da água na
Epifania. Do Egito, a festa de 6 de Janeiro parece ter-se também estendido tanto para o Ocidente
quanto para o Oriente, na segunda metade do século IV. Nas Igrejas do Ocidente, a festa da Epifania

1
Cf. “Benedictio Cretæ, in Festo Epiphaniæ”. Rituale Romanum, 25 de Março de 1752. De Benedictionibus. pp. 17-18.
2
Cf. Ritual de Bênçãos, números 474-491. Paulus: 6ª reimpressão, 2007.
2

foi estabelecida primeiramente na Gália, na Espanha, no norte da Itália e em Ravena, embora os seus
temas tenham sido ampliados.

Na Epifania, além da Encarnação e do Batismo de Cristo, meditava-se ainda na Adoração dos


Magos, nas Bodas de Caná e na Multiplicação dos pães. O conteúdo desta festa é, por exemplo,
condensado no magnífico hino da Epifania, de autoria de Santo Ambrósio de Milão († 397):
“Illuminans Altissimus” (Cf. abaixo), adotado pelos Pais de Cister em sua liturgia (cf. Breviário dito
“de Santo Estêvão”, do ano 1132). Em Roma, as Homilias do Papa São Leão Magno († 416)
constituem o testemunho mais seguro da celebração da festa da Epifania.

1. Illuminans Altissimus 5. Aquas colorari videns,


Micantium astrorum globos, Inebriare flumina;
Pax, vita, lumen, veritas, Mutata elementa stupent
Jesu fave precantibus. Transire in usus alteros.

2. Seu mystico baptismate 6. Sic quinque millibus viris


Fluenta Jordanis retro Dum quinque panes dividis,
Conversa quondam tertio Edentium sub dentibus
Praesente sacraris die. In ore crescebat cibus.

3. Seu stella partum Virginis 7. Multiplicabatur magis


Coelo micans signaveris; Dispendio panis suo:
Et hac adoratum die Quis haec videns mirabitur
Praesepe Magos duxeris. Juges meatus fontium?

4. Vel hydriis plenis aquae 8. Inter manus frangentium


Vini saporem infuderis: Panis rigatur profluus:
Hausit minister conscius, Intacta quae non fregerant,
Quod ipse non impleverat. Fragmenta subrepunt viris.

1.2 – Conteúdo da festa.

Quando o Oriente (à exceção da Armênia) adotou, em fins do século IV, a celebração do Natal
no dia 25 de Dezembro, oriunda da liturgia romana, o dia 6 de Janeiro tornou-se primitivamente a
festa oriental da Encarnação do Senhor, transformando-se depois na festa do Batismo de Cristo. Na
liturgia romana, pelo menos na liturgia da Missa, o dia 6 de Janeiro passou a ser a festa da Adoração
dos Magos (cf. Mt 2, 1-12) ou festa dos três Santos Reis, enquanto a Liturgia das Horas romana
incorporava progressivamente os temas suplementares do Batismo de Cristo, das Bodas de Caná e da
Multiplicação dos pães, provenientes das regiões gaulesa, espanhola e norte-italiana. As influências
recíprocas da Liturgia da Igreja Oriental e da Igreja Ocidental são ainda hoje perceptíveis nos textos
litúrgicos da festa da Epifania. A antífona “Hodie cœlesti Sponso” (no Breviário próprio Cisterciense
e também no romano, é a antífona do Benedictus) exprime muito bem, em seu conjunto, a celebração
da festa:

“Hodie cœlesti Sponso juncta est Ecclesia


quoniam in Jordane lavit Christus ejus crimina,
currunt cum muneribus Magi ad regales nuptias
et ex aqua facta vino lætantur convivæ. Alleluia.”
3

“Hoje, a Igreja se une ao seu celeste Esposo, porque


Cristo lavou no Jordão o pecado; para as núpcias reais
correm Magos com presentes; e os convivas se alegram
com a água feita vinho. Aleluia.”

Exatamente esse texto, bem como a célebre antífona do Magnificat, nas II Vésperas, “Tribus
miraculis” (Cf. abaixo), mostram de maneira significativa que o conteúdo teológico da festa da
Epifania ultrapassa de muito uma simples festa dos três Reis. Com efeito, a Epifania concentra os
acontecimentos mais importantes dos primeiros anos de Jesus de Nazaré e os celebra como revelações
e manifestações de sua divindade. Igualmente na Liturgia romana a Epifania foi outrora considerada
uma festa da maior importância, celebrada com vigília e oitava, e os domingos que se lhe seguiam
eram chamados “domingos depois da Epifania”.

“Tribus miraculis ornatum diem sanctum colimus:


hodie stella magos duxit ad præsepium:
hodie vinum ex aqua factum est ad nuptias:
hodie in Iordanæ a Ioanne Christus baptizari voluit
ut salvaret nos. Aleluia.”

“Recordamos neste dia três mistérios: Hoje a estrela


guia os Magos ao presépio. Hoje a água se faz vinho
para as bodas. Hoje Cristo no Jordão é batizado para
salvar-nos. Aleluia, aleluia.”

A transladação das presumíveis relíquias dos três Santos Reis para Colônia - Alemanha, em
23 de Julho de 1164, onde ainda são conservadas no célebre relicário da Catedral, favoreceu
enormemente a propagação do culto dos três Reis, no Ocidente, além de contribuir de modo essencial
para o caráter popular de sua festa, no dia 6 de Janeiro. Aliás, foi Orígenes († 253/254), antigo escritor
cristão, que explicitou, pela primeira vez, serem três os Magos (o texto fala simplesmente de “magos”
ou “astrólogos vindos do Oriente”), talvez, por causa dos presentes também em número de três.
Posteriormente, desde São Cesário de Arles († 542), os três Magos se tornaram Reis (o texto bíblico
não diz nada disso) e, a partir dos séculos VIII ou IX, acreditava-se mesmo saber os seus nomes:
Gaspar, Melquior (o “Mouro” ou o “Negro”) e Baltasar.

1.3 – Tradições da festa.

Em cada região, foram se desenvolvendo diferentes costumes em torno da festa da Epifania;


dentre eles, faremos referência a três. O mais conhecido nas regiões de língua alemã é, sem dúvida,
o da consagração da água (“água dos três Reis”), atestado desde os séculos XI e XII e que tem suas
raízes na tradição oriental (egípcia). No Oriente, onde se celebra na Epifania o Batismo de Cristo, o
dia 6 de Janeiro era uma data muito considerada. As Igrejas orientais tinham, além de outros, na noite
da Epifania uma solene consagração da água que, segundo as possibilidades, era realizada em um rio
ou no mar, mergulhando-se uma cruz nas águas. Este costume tem sua origem na bênção do Jordão
em memória do Batismo de Jesus (“Consagração do Jordão”). São João Crisóstomo († 407) conta
que “nesta solenidade, por volta da meia noite, as pessoas iam buscar água para colocar num
recipiente em suas casas, guardando-a durante o ano inteiro em memória deste dia no qual as águas
foram santificadas”. Por trás disso, está a convicção, difundida no Oriente, de que Jesus santificou a
água quando, por ocasião de seu Batismo, desceu ao rio Jordão. A crença popular atribuía uma força
especial à “água benta dos três Reis”.
4

Ao lado da tradicional Bênção das Casas, na Epifania, desenvolveu-se, sobretudo nos países
de língua alemã, uma forma própria: todos os lugares da casa são abençoados com água benta e
incenso; e, com um giz bento, se escreve acima das portas a fórmula de bênção: 20*C+M+B+18:
Christus Mansionem Benedicat”, que uma interpretação popular entende como sendo as iniciais dos
nomes dos três Reis: Caspar, Melquior, Baltasar. Supõe-se que por trás dessa prática esteja um antigo
costume germânico. Ainda nas regiões de língua alemã, em alguns lugares, são os “Sternsinger”,
personagens vestidas como os três Reis Magos, que se antecipam a esta bênção. A bênção das casas
na Epifania pretende, sobretudo, trazer a certeza de que a Encarnação de Jesus, pela qual Ele veio
morar entre nós (Jo 1,14), atua em nosso íntimo na vida de cada dia. O texto correspondente desta
bênção pode ser encontrado no “Benedictionale” (Ritual de Bênçãos) editado pelas Conferências
Episcopais de cada país.

Desde a antiguidade, a data da próxima festa da Páscoa e as datas das festas móveis que dela
decorrem são anunciadas durante a Missa da Epifania, após a leitura do Evangelho. Com efeito, nos
tempos antigos, era nesta festividade que se tornava pública a “Carta Pascal” informando à
cristandade a data da Páscoa. Este dia foi escolhido para o referido anúncio porque nele Cristo, o
novo Sol, se levantou para o Oriente na Epifania.

Em vários lares, tem-se o costume de convidar sacerdotes para que abençoem a casa, mas não
exatamente na Epifania, e sim quando se tem a graça da visita de um Padre. O comum é que o pároco
ou seu vigário faça a bênção. Todavia, nem sempre é possível encontrar um sacerdote disposto a
perpetuar costumes antigos; além disso, o ritual atual prevê que o pai de família pode realizar esta
bênção.

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, pelo Diretório “Sobre a
piedade popular e a Liturgia - princípios e orientações, de 9 de Abril de 2002, no número 1183, ensina:

A Solenidade da Epifania do Senhor4

A respeito da solenidade da Epifania, que tem uma origem muito antiga e um conteúdo muito
rico, nasceram e se desenvolveram muitas tradições e expressões genuínas de piedade popular. Entre
estas se podem recordar:

- o solene anúncio da Páscoa e das principais festas do ano litúrgico: para a recuperação deste
anúncio, que se está realizando em diversos lugares, se deve favorecer, pois, ajuda aos fiéis para
descobrir a relação entre a Epifania e a Páscoa, e a orientação de todas as festas para a maior das
solenidades cristãs;

- a troca de “presentes de Reis”: este costume tem suas raízes no episódio evangélico dos presentes
oferecidos pelos Magos ao Menino Jesus (cf. Mt 2,11), e em um sentido mais radical, no dom que
Deus Pai concedeu para a humanidade com o nascimento do Emanuel entre nós (cf. Is 7,14; 9,6; Mt
1,23). É desejável que o intercâmbio de presentes por ocasião da Epifania mantenha um caráter
religioso, e mostre que sua motivação última se encontra na narração evangélica: isto ajudará a
converter o presente em uma expressão de piedade cristã e a desvinculá-lo dos condicionamentos de
luxo, ostentação e desperdício, que são estranhos às suas origens;

- a bênção das casas, em cujas portas se traça a Cruz do Senhor, o número do ano civil que começou,
as letras iniciais dos nomes tradicionais dos santos Magos (C+M+B), explicadas também como siglas
de “Christus Mansionem Benedicat”, escritas com um giz abençoado: estes gestos, realizados por

3
No Brasil, é o número 12 da coleção bege da Ed. Paulinas: 2010.
4
Trad. e Adapt. de Cleiton Robson do Nascimento Sousa, OESSJ.
5

grupos de crianças, acompanhados de adultos, expressam a invocação da bênção de Cristo, por


intercessão dos santos Magos e que, por sua vez, são uma ocasião para recolher ofertas para fins
missionários e de caridade;

- as iniciativas de solidariedade em favor de homens e mulheres que, como os Magos, são


oriundos de regiões longínquas: respeite-se a eles, sejam cristãos ou não, pois a piedade popular
adota uma atitude de compreensão acolhedora e de solidariedade efetiva;

- a ajuda à evangelização dos povos: o forte caráter missionário da Epifania é percebido pela piedade
popular, pelo qual, neste dia, têm lugar iniciativas a favor das missões, especialmente as vinculadas
à “Obra Missionária da Santa Infância”, também conhecida pelo nome de “Pontifícias Obras
Missionárias”, instituída pela Santa Sé Apostólica;

- a designação dos Santos Patronos: em muitas comunidades religiosas e confrarias existe o


costume de designar, para cada um de seus membros, um Santo, sob cujo patrocínio se coloca o ano
recém iniciado.

*******
No Brasil (e também em diversos outros países), devido à falta de sacerdotes com
disponibilidade para ir até as casas neste dia, pode-se realizar a bênção sem o sacerdote. Em cada lar,
o pai, como “sacerdote da Igreja doméstica”, conduz a celebração familiar. É uma celebração que a
Igreja muito valoriza, pela santidade do lar “em cujas portas se traça a Cruz do Senhor, o número do
ano civil que começou, as letras iniciais dos nomes tradicionais dos santos Magos (...) escritas com
um giz abençoado.”
A seguir, o roteiro para a bênção.
Para o rito, preparem-se: a água benta, velas, o giz a ser abençoado e os nomes dos Santos para o Patronato.
Todos se reúnem na porta de casa, na parte interior. Cantam um hino, como o sugerido abaixo:

1. Cristãos, vinde todos, com alegres cantos. Nós, igualmente, cheios de alegria.
Oh! Vinde, oh! Vinde até Belém.
Vede nascido, vosso rei eterno. 3. O Deus invisível de eterna grandeza,
sob véus de humildade, podemos ver.
Oh! Vinde adoremos! Oh! Vinde adoremos! Deus pequenino, Deus envolto em faixas!
Oh! Vinde adoremos o salvador!
4. Nasceu em pobreza, repousando em palhas.
2. Humildes pastores deixam seu rebanho O nosso afeto lhe vamos dar. Tanto amou-nos!
e alegres acorrem ao Rei do Céu. Quem não há de amá-lo?

Recitam, então, o Salmo Responsorial da Missa do dia (Salmo 71), com o pai ou a mãe lendo os
versículos e todos respondendo o responsório:

As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!


R/. As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça ao descendente da realeza!/ Com justiça ele
governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres.
Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o
seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!
6

Os reis de Társis e das ilhas hão de vir/ e oferecer-lhe seus presentes e seus dons;/ e também os reis
de Seba e de Sabá/ hão de trazer-lhe oferendas e tributos./ Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,/ e
todas as nações hão de servi-lo.

Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e
do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará.

Após, todos acendem as velas que carregam nas mãos, e recitam juntos:

R/. Uma criança é nascida em Belém, aleluia! Com plena alegria canta Jerusalém, aleluia,
aleluia. Do Oriente viram a estrela, aleluia, e os santos reis vêm de longe, aleluia, aleluia.

Em seguida, o pai lê a perícope da Missa da Epifania: Mt 2,1-12:

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São Mateus.


Todos: Glória a vós, Senhor.

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos
do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Ao saber disso, o rei Herodes ficou
perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres
da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia,
pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as
principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.
Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a
estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações
exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles,
até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma
alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-
se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso
e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo
outro caminho.

Palavra da Salvação.
Todos: Glória a vós, Senhor.

Todos recitam a antífona:

R/. Do Oriente vieram os Magos a Belém para adorar o Senhor, e abrindo os seus tesouros
ofereceram presentes caros: ouro para o Grande Rei, incenso para o verdadeiro Deus, e mirra
em símbolo de seu enterro, aleluia!

O pai, então, asperge todos os cômodos da casa, enquanto todos cantam ou recitam o Magnificat:
7

Magnificat * Ou, em português:


anima mea Dominum,
et exultavit spiritus meus * A minha alma engrandece ao Senhor *
in Deo salvatore meo, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu
quia respexit humilitatem ancillæ suæ. * Salvador,
Ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes pois ele viu a pequenez de sua serva, *
generationes. desde agora as gerações hão de chamar-me de
Quia fecit mihi magna, qui potens est, * bendita.
et sanctum nomen eius, O Poderoso fez por mim maravilhas *
et misericordia eius in progenies et progenies * e Santo é o seu nome!
timentibus eum. Seu amor, de geração em geração, *
Fecit potentiam in brachio suo, * chega a todos que o respeitam.
dispersit superbos mente cordis sui; Demonstrou o poder de seu braço, *
deposuit potentes de sede * dispersou os orgulhosos.
et exaltavit humiles; Derrubou os poderosos de seus tronos *
esurientes implevit bonis * e os humildes exaltou.
et divites dimisit inanes. De bens saciou os famintos, *
Suscepit Israel puerum suum, * e despediu, sem nada, os ricos.
recordatus misericordiæ, Acolheu Israel, seu servidor, *
sicut locutus est ad patres nostros, * fiel ao seu amor,
Abraham et semini eius in sæcula. como havia prometido aos nossos pais, *
Gloria Patri, et Filio, * em favor de Abraão e de seus filhos, para
et Spiritui Sancto. sempre.
Sicut erat in principio, Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
et nunc, et semper, * Como era no princípio, agora e sempre.
et in sæcula sæculorum. Amen. Amém.

R/. Do Oriente vieram os Magos a Belém para adorar o Senhor, e abrindo os seus tesouros
ofereceram presentes caros: ouro para o Grande Rei, incenso para o verdadeiro Deus, e mirra
em símbolo de seu enterro, aleluia!

O pai, então, voltando para a porta da casa recita a bênção sobre o giz:

V/. Adjutorium nostrum in nomine Domini.


R/. Qui fecit cælum et terram.

Bene  dic, Domine Deus, creaturam istam cretæ:


ut sit salutaris humano generi; et praesta per
invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea
sumpserint, vel in ea in domus suæ portis scripserint
nomina sanctorum tuorum Gasparis, Melchioris et
Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis
sanitatem, et animæ tutelam percipiant. Per Christum
Dominum nostrum.
R/. Amen.

Por cima da porta de casa, na parte externa, o pai escreve com giz o seguinte: 20*C+M+B+19. O 20
e o 19 representam 2019, o ano em que nos encontramos. O CMB representa Christus Mansionem
Benedicat – Cristo Abençoe esta Casa, e cada letra é intercalada com uma cruz. A sigla CMB também
era entendida como representando os três reis magos (sendo que Gaspar pode ser escrito Caspar) e
interpretado como uma forma de receber os Magos em casa.
Se for usado incenso, o pai pega o turíbulo e incensa a porta com três ductos de um só icto.
8

Enfim, o pai recita a seguinte oração e depois asperge a porta:

Oremos. Senhor Deus do Céu e da Terra, que revelastes o vosso Filho Unigênito a todas as nações
com o sinal de uma estrela: Abençoai esta casa e todos os que nela habitam. Enchei-os com a luz de
Cristo, e que o nosso amor pelos outros reflita o vosso amor. Pelo mesmo Cristo nosso Senhor.
R/. Amém.

Abençoada a porta, o pai recita a oração:

V/. O nosso auxílio está no nome do Senhor.


R/. Que fez o céu e a terra.

Oremos. Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos
vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu. Por nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
R/. Amém.

Enquanto cada membro da família “sorteia” o nome de um Santo para o Patronato ao longo do ano
corrente, todos cantam um hino, como o sugerido abaixo:

1. Vinde Cristãos, vinde à porfia 2. Vinde juntar-vos aos pastores


Hinos cantemos de louvor Vinde com eles a Belém
Hinos de Paz e de alegria, Vinde correndo pressurosos,
Hinos de anjos do Senhor. o Salvador que enfim nos vem.

Glória a Deus nas alturas! 3. Foi nesta noite Venturosa


Glória a Deus nas alturas! do nascimento do Senhor
Que anjos de voz harmoniosa
deram a Deus o seu louvor.
Tradicionalmente, após o canto, desmontam-se neste dia a árvore de Natal, o Presépio e toda a
decoração natalina.

Fontes consultadas:

“Benedictio Cretæ, in Festo Epiphaniæ”. Rituale Romanum, 25 de Março de 1752. De Benedictionibus. pp.
17-18.
Ritual de Bênçãos, números 474-491. Paulus: 6ª reimpressão, 2007.
http://www.domesticaecclesia.com/2014/01/bencao-da-casa-na-epifania.html
Carta Circular do Secretariado para a Liturgia da Ordem Cisterciense para os Mosteiros da Ordem, em
2006/2007: http://www.ocist.net/liturgy/rundbrief6-por.htm
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20020513_vers-
direttorio_sp.html

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