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COBERTURAS VERDES

Os arquitectos chamam-lhe a quinta fachada dos edifícios e a tendência está a ganhar adeptos
em Lisboa. Os telhados e coberturas das casas da capital começam a ser, também, espaços
verdes. Por motivos arquitecturais, energéticos, ambientais e estéticos, colocar um relvado ou um
jardim no topo das habitações começa a fazer sentido.
"As coberturas são cada vez mais importantes", afirma o arquitecto Manuel Salgado, vereador da
câmara de Lisboa para o urbanismo e planeamento estratégico. "Em Lisboa, essa solução ganha
uma importância ainda maior a nível estético". Estes pequenos pulmões podem mesmo servir
como reguladores térmicos da cidade. Segundo Manuel Salgado, a opção "pode reduzir dois a
três graus centígrados na temperatura das cidades". Sendo certo que não substituem os jardins,
"permitem respiração e ajudam a diminuir o efeito de estufa".
Os chamados telhados verdes facilitam a circulação atmosférica, absorvem a água das chuvas e
contribuem para uma redução do consumo energético devido aos seus poderes isoladores, e
permitem ainda um isolamento acústico mais eficaz. Enquanto uma cobertura normal pode
aquecer até aos 60 graus, uma com relvado chega apenas aos 25: a diferença reflecte-se na
diminuição do uso de ar condicionado, na factura energética (redução de custos entre 20 a 30%)
e na pegada ecológica.
A Weston Design Consultants concluiu num estudo recente que se todos os topos de casas de
Chicago tivessem cobertura ajardinada, a cidade pouparia 72 milhões de euros em energia por
ano.
O arquitecto Manuel Graça Dias considera que as camadas de terra têm um bom
comportamento térmico, mas não identifica vantagens energéticas ou ambientais das coberturas
verdes como mais relevantes. "A grande conquista é ganharmos um novo espaço", diz o
arquitecto que faz parte do projecto de urbanização que partilha coberturas ajardinadas. "Já não
precisamos de estar reféns da cobertura inclinada. É importante termos uma nova superfície,
principalmente num clima tão agradável como o nosso."
O mais famoso e antigo exemplo das coberturas verdes são os Jardins Suspensos da Babilónia.
Mas o primeiro arquitecto a utilizar coberturas ajardinadas nos seus edifícios foi Le Corbusier, no
início do século 20: "Não seria ilógico deixar [estes] espaços urbanos sem utilização e ignorar o
diálogo com as estrelas?"
Os telhados verdes tornaram-se verdadeiramente populares nos países do centro e do Norte da
Europa. E a sua base de fãs tem crescido, nos últimos anos, na América Latina. Nos Estados Unidos
encontra-se o exemplo actual mais emblemático das coberturas verdes: está no City Hall de
Chicago.
Há, porém, quem considere que esta solução é desajustada para Lisboa. "Dirige-se mais para
casas de campo. É preciso manutenção e gasta-se muito em água", argumenta Álvaro Martins,
director do Centro de Estudos em Economia da Energia dos Transportes e do Ambiente. Da
mesma opinião é o arquitecto António Ribeiro Telles: "Não resolve o problema das cidades. Só se
servir para não ter de fazer tantos jardins a nível do solo. É um complemento, mas é preciso
dinheiro." O elevado investimento necessário para construir coberturas ajardinadas é um dos
principais argumentos contra esta solução paisagística.
Manuel Graça Dias entende que os investimentos dependem apenas dos jardins. "Há paisagistas
que concebem jardins para serem quase auto-suficientes, com manutenção simples e barata. Já
há mesmo à venda torrões de terra preparados para as plantas se renovarem a si próprias e sem
manutenção." E Manuel Salgado diz que as vantagens superam as dificuldades: "Ganha-se
conforto. Além disso, já há coberturas verdes em Lisboa sem grande manutenção. No novo Plano
Director Municipal, um dos artigos já contempla descriminação positiva para estas soluções."
Em Portugal, exemplos como a Gulbenkian ou o Jardim das Oliveiras no Centro Cultural de Belém
são projectos bem-sucedidos que convencem Manuel Salgado: "Este é o caminho a seguir."
As coberturas verdes contribuem para a sustentabilidade ecológica do ambiente urbano. São
constituídas por um sistema de engenharia ligeiro que permite a plantação e crescimento de
plantas e flores sobre uma laje convencional. Este é um sistema integrado por seis camadas
sobrepostas ao telhado do edifício, para assegurar um correcto isolamento, quer para a
integridade dos materiais de construção, quer para a vida do reino botânico que acolhe.
A vegetação adequada para as coberturas verdes é escolhida em função das condições
climáticas próprias de cada cidade e das características físicas do edifício. Em geral, ainda que se
concebam coberturas verdes com vegetação caduca ou perene, consideram-se ideais aquelas
espécies cuja altura é baixa, que crescem e se expandem com rapidez, com alta resistência à
seca e carentes de necessidades especiais de irrigação ou nutrição. A Alemanha conta já com
mais de treze milhões de metros quadrados de coberturas verdes e segundo uma normativa do
governo municipal de Tókio, todos os edifícios construídos depois de 2001 cuja cobertura tenha
extensão superior aos 1000 m2, deverão converter em ‘verde’ pelo menos 20 % de sua superfície.
Suíça, Áustria, Grã-bretanha, Hungria, Holanda, Suécia e Estados Unidos (ver abaixo) são alguns
dos países onde já se promove e se regula a instalação de coberturas verdes mediante iniciativas
locais oficiais, muitas vezes em cooperação com entidades privadas, a fim de integrar nas
construções urbanas as propriedades vegetais deste sistema. Projectos recentes de coberturas
verdes são acessíveis ao público, oferecendo-as como espaço de descanso e lazer ao ar
livre para os vizinhos de um imóvel ou como parque urbano, sem que diminuam o potencial de
ferramenta ecológica. Dois bons exemplos da incorporação activa de uma cobertura verde na
dinâmica cultural da cidade são o Jardim Botânico Augustenborg , que oferece um jardim de
9500 m2 sobre a superfície da cobertura de diferentes edifícios municipais da cidade sueca de
Malmö, e o Millenium Park de Chicago, uma cobertura verde intensiva que reabilitou uma
importante área da cidade e actualmente constitui um de seus principais centros lúdicos.

Vantagens para o meio-ambiente:

1. Combate o efeito albedo ou efeito ilha de calor urbano, fenómeno responsável pelo
incremento de temperatura dentro do perímetro de uma cidade devido ao aquecimento que
produzem os gases de veículos e aparelhos de ar-condicionado, assim como pela energia solar
absorvida pelas superfícies urbanas, depois irradiada à atmosfera como calor.
2. Melhoria da qualidade do ar na cidade devido à capacidade das plantas e árvores para
absorver as emissões de CO2.
3. Reduz a incidência de ventos.
4. Filtra o ar absorvendo partículas de pó até 85%.
5. Provoca uma redução das águas pluviais até 70%, e consequente redução da pressão nos
esgotos da cidade.
6. Proporcionam espaços agradáveis à vista, com possibilidade de uso para lazer, a nível público
(jardim ou parque urbano), ou para os vizinhos de um imóvel, ou para os trabalhadores de uma
empresa.
7. Aumenta os espaços de habitat para pássaros e borboletas.

Vantagens para o edifício:

1. Maior longevidade do telhado (estimativa de 40 anos contra os 10/15 das coberturas planas
tradicionais)
2. Aumento da eficiência energética nos edifícios pelas suas propriedades isolantes, reduzindo
assim os custos de aquecimento e refrigeração sem necessitar de isolamento térmico
(ROOFMATE).
3. Melhoria da acústica do edifício.

Desvantagens:

1. Sistema construtivo mais caro (mas rapidamente recuperado pela poupança energética).

Soluções:

1. Coberturas verdes intensivas (altura superior a 20cm para plantas e arbustos de médio porte)
2. Coberturas verdes extensivas (altura inferior a 20cm para espécies de pequeno porte como as
autóctones)

Quad-Lock (solução alternativa à lage de betão para coberturas verdes)


Telhados verdes
Está um tipo sossegado a acabar de jantar, liga a televisão a medo, por achar que as notícias são
sempre e basicamente, as mesmas (desgraças), quando um raio de luz nos invade a casa. Uma
fabulosa reportagem da RTP sobre telhados ou coberturas verdes nos Estados Unidos. Algo com
que sonho há muitos anos, que me esforço por divulgar por cá, apesar de tudo com imensos
entraves, a começar por alguns profissionais ligados à construção.
Foi por isso com grande espanto que ouvi na reportagem alguém dizer: 'os telhados
verdes PROTEGEM os telhados das infiltrações e tornam-nos mais duráveis por proteger do calor
intenso e dos raios UV'.
Um dos maiores obstáculos com que me tenho deparado nesta 'batalha' é precisamente a
questão das infiltrações, que dá sempre origem a acesas discussões. E de repente descobrir que
este género de atitude está a prosperar nos EUA, ainda por cima em edifícios de referência, como
a câmara de Chicago, a Academia de Ciências de São Francisco e até uma fábrica de
automóveis de referência, e um tipo ganha novo folgo!!!
De facto os telhados verdes são uma forma extraordinária de devolver a vida e a natureza
(roubadas) à cidade. Um telhado grande PODE transformar-se numa quinta!!!
Ao longo das minhas viagens nos últimos anos já vi diversos telhados ou coberturas verdes, mas o
primeiro que verdadeiramente me impressionou foi este no Eden Project.

Este edifício é muito grande e a cobertura permite poupar milhares de libras/ano em


aquecimento/arrefecimento. Nunca lá encontrei sinais de infiltrações ou da visita de inusitados
'monstros' do solo!!!
Numa cidade susceptível a inundações, como Lisboa por exemplo, a utilização de coberturas
verdes permitiria reduzir a velocidade de escoamento das águas pluviais, contribuindo de forma
decisiva para as evitar. Além do óbvio, a melhoria da qualidade de vida de todos os que lá
moram e as quantidades astronómicas de CO2 sequestrado, contribuindo dramaticamente para
a diminuição da intensidade do fenómeno aquecimento global. Qual será a primeira câmara do
país a querer ter um telhado como a de Chicago?! Gostava que fosse a minha...

As coberturas verdes contribuem para a sustentabilidade ecológica do ambiente urbano


- A Alemanha conta já com mais de treze milhões de metros quadrados de coberturas verdes e
segundo uma normativa do governo municipal de Tókio, todos os edifícios construídos cuja
cobertura tenha extensão superior aos 1000 m2, deverão converter em ‘verde’ pelo menos 20 %
de sua superfície.

Vantagens para o meio-ambiente:

1. Combate o efeito albedo ou efeito ilha de calor urbano, fenómeno responsável pelo
incremento de temperatura dentro do perímetro de uma cidade devido ao aquecimento que
produzem os gases de veículos e aparelhos de ar-condicionado, assim como pela energia solar
absorvida pelas superfícies urbanas, depois irradiada à atmosfera como calor.
2. Melhoria da qualidade do ar na cidade devido à capacidade das plantas e árvores para
absorver as emissões de CO2.
3. Reduz a incidência de ventos.
4. Filtra o ar absorvendo partículas de pó até 85%.
5. Provoca uma redução das águas pluviais até 70%, e consequente redução da pressão nos
esgotos da cidade.
6. Proporcionam espaços agradáveis à vista, com possibilidade de uso para lazer, a nível público
(jardim ou parque urbano), ou para os vizinhos de um imóvel, ou para os trabalhadores de uma
empresa.
7. Aumenta os espaços de habitat para pássaros e borboletas.

Vantagens para o edifício:

1. Maior longevidade do telhado (estimativa de 40 anos contra os 10/15 das coberturas planas
tradicionais)
2. Aumento da eficiência energética nos edifícios pelas suas propriedades isolantes, reduzindo
assim os custos de aquecimento e refrigeração sem necessitar de isolamento térmico.
3. Melhoria da acústica do edifício.

Desvantagens

1. Sistema construtivo mais caro, mas rapidamente compensado pela poupança energética.
2. Alguns tipos de coberturas verdes necessitam de estruturas mais resistentes para suportar o peso
adicional.

Materiais utilizados

- As coberturas são constituídas por um sistema de engenharia ligeiro que permite a plantação e
crescimento de plantas e flores sobre uma laje convencional.
- Este é um sistema integrado por seis camadas sobrepostas ao telhado do edifício, para assegurar
um correcto isolamento, quer para a integridade dos materiais de construção, quer para a vida
do reino botânico que acolhe.
- As camadas fundamentais colocadas no sentido descendente da cobertura, são as seguintes:
terra vegetal e vegetação; camada filtrante; camada drenante; sistema de impermeabilização;
camada de forma e a estrutura resistente.
- A necessidade de aplicação duma camada de isolamento térmico deve ser vista caso a caso,
tendo em conta nomeadamente a espessura da camada vegetal.

- A vegetação adequada para as coberturas verdes é escolhida em função das condições


climáticas próprias de cada cidade e das características físicas do edifício.
- Em geral, ainda que se concebam coberturas verdes com vegetação caduca ou perene,
consideram-se ideais aquelas espécies cuja altura é baixa, que crescem e se expandem com
rapidez, com alta resistência à seca e carentes de necessidades especiais de irrigação ou
nutrição.

Tipos de revestimento

- As coberturas ajardinadas podem ser definidas em dois tipos distintos de acordo com a
vegetação aplicada: intensiva e extensiva.
- Na vegetação intensiva o substrato é de espessura superior a 20 centímetros, assegurando uma
melhor estanquidade e um tipo de planta que exige uma manutenção regular.
- Na vegetação extensiva o substrato é de espessura inferior a 20 centímetros, é mais segura e é
constituída por um tipo de plantas que não exige uma manutenção regular.

Manutenção

- Devem ser tomadas medidas especiais quando se realizarem trabalhos de jardinagem e evitar a
compactação da terra para a plantação através de maquinaria.
- Este tipo de cobertura exige uma manutenção adequada, com visitas periódicas de inspecção,
de forma a eliminar qualquer tipo de vegetação não desejada, recolher sedimentos, eliminar a
neve (quando se verificar a sua ocorrência), conservar os elementos de alvenaria relacionados
com o sistema de estanquidade e comprovar a fixação dos sistemas de impermeabilização ao
suporte.

A utilização de coberturas ajardinadas, contribui decididamente para a sustentabilidade à escala


do edifício e à escala urbana, aproximando o natural do artificial, oferecendo inúmeras vantagens
e beneficiando tanto o utilizador do edifício como o meio ambiente.

Neste aspecto, é relevante o papel da ocupação humana nas cidades, concentrando e


adensando demograficamente espaços urbanos despreparados para este aporte. As construções
erguidas neste contexto estão condicionadas a técnicas e referenciais de épocas em que os
agravantes ecológicos não eram percebidos. Repetimos insistentemente modos de agir que
ignoram as necessidades de adequação às questões ambientais. Nossos equipamentos, objectos,
incluindo as construções, devem ser analisados dentro de um novo contexto, onde as
necessidades e solicitações de convivência com o ambiente requerem novos procedimentos no
uso do espaço habitado. As moradias representam um bem indispensável para a sobrevivência
do homem, um direito exigido que determina comummente um factor de preocupação das
cidades. A ocupação descontrolada do solo com a urbanização acelerada e a verticalização
dos espaços que geram um aumento de serviços de infra-estruturas a serem oferecidos, além do
aumento no consumo de energia, determinando consequentemente um aumento na
temperatura da cidade. A impermeabilização do solo urbano, os aparelhos de refrigeração, os
automóveis e os materiais de construção que compõem a malha urbana reflectem o calor
emanado pelo sol, numa atmosfera desprotegida de sua camada de ozónio. A inércia térmica
acumulada pelos materiais, principalmente das coberturas das moradias, é grande responsável
por este factor de desconforto climático.
Pesquisadores vêem a algum tempo trabalhando em soluções que minimizem estes fatos e uma
alternativa conhecida desde os ancestrais é a “cobertura vegetal”, ou seja, soluções que utilizam
jardins e gramados em substituição às tradicionais coberturas de telhas, laje, folhas de aço, dentre
outras, que tradicionalmente cobrem as edificações. Nas cidades esta técnica vem sendo
abordada timidamente em experiências esparsas, porém já de grandes impactos conceituais. O
isolamento térmico propiciado pelas camadas vegetais permite um ambiente interno mais
agradável e diminui a reflexão e absorção de calor nas coberturas, baixando assim a
temperatura emanada ao do espaço envoltório. O consequente aumento da superfície vegetal
garante também elementos orgânicos que absorvem gás carbónico resultante da combustão dos
veículos que circulam na cidade, colaborando com a redução do efeito estufa.
Considerando a contribuição destes dados na escolha de materiais e sistemas construtivos a
serem implementados nas cidades, buscamos observar a importância da contribuição do eco-
design no desenvolvimento de técnicas de aplicação das chamadas coberturas verdes nas
construções. Neste trabalho pretendemos levantar os casos situados na cidade do Rio de Janeiro,
analisar as condições, financeiras e culturais, que possibilitaram e que possam a utilização deste
conceito construtivo, verificar alguns aspectos ligados à redução dos impactos ambientais e
analisar possíveis contribuições do design no sucesso destas iniciativas.

Objectivos
O objectivo da pesquisa é levantar as situações onde ocorrem projectos e construções com teto
verde no Rio de Janeiro e verificar as possibilidades de contribuição do design e arquitectura em
projectos a serem implantados. A pesquisa pretende ainda verificar as possibilidades de soluções
de baixo custo e alguns aspectos específicos sobre a propriedade do sistema construtivo, através
da realização de testes e modelos.

Metodologia
Revisão bibliográfica sobre o tema e levantamento de projectos e construções que aplicam o
conceito de teto verde. Após o estudo dos dados levantados, estão sendo realizados
experimentos e testes dos modelos desenvolvidos e de algumas técnicas alternativas de
construção de coberturas vegetais.

Levantamento Bibliográfico
A bibliografia sobre o assunto é bastante vasta, tendo em vista o fato de ser a cobertura verde
bastante disseminado entre os países europeus, especialmente na Alemanha.
Encontramos também alguns sites e publicações americanas. De acordo com VILELA (2005), a
cobertura verde vem, recentemente, conquistando adeptos na América Latina, tendo no México
um grande interesse e aceitação. No Brasil o interesse ainda é relativamente pequeno, com uma
maior difusão no Rio Grande do Sul, onde encontramos algumas empresas especializadas na
aplicação e construção de coberturas verdes. Esta maior difusão pode ser decorrente da
influência da imigração alemã ou pelos aspectos positivos na regulação da temperatura interna
das residências.
A diminuição da área verde nas grandes cidades e sua substituição por asfalto e cimento,
impermeabilização de grandes áreas, coberturas de material cerâmico ou compósito de cimento
e fibras minerais, impermeabilizam a superfície diminuindo a absorção de humidade. Estes
factores aumentam a temperatura ambiente e tem como consequência o uso acentuado de
sistemas artificiais de refrigeração das construções. Todo este contexto, acrescido do intenso uso
de veículos, como num ciclo vicioso acabam por acarretar que a temperatura do centro das
grandes cidades seja de 4º a 11º mais alta que nos subúrbios.
O uso de cobertura verde nas residências e em instalações comerciais e o aumento de áreas
jardinadas poderiam amenizar significativamente a temperatura, além de contribuir para melhoria
da qualidade de vida já que ajudaria, na purificação do ar, na absorção de poeira e/ou agentes
poluentes e nas taxas de humidade e na redução da poluição sonora. De acordo com MINKE
2005, provavelmente seria suficiente transformar de 20% de todos os telhados em cobertura verde
para dobrar a quantidade de folhas de uma cidade, baseado no fato de que um telhado verde
chega a ter de 5 a 10 mais folhas por área que um parque aberto, amenizando os problemas de
humidade, conforto ambiental e até mesmo aspectos sociológicos. De acordo com o
levantamento bibliográfico, as coberturas verdes são eficientes na protecção das intempéries e
trazem significativas contribuições, que detalharemos a seguir:
O isolamento térmico é consequência de dois factores: a absorção da radiação das plantas
durante o processo de fotossíntese, que pode captar grande parte da energia e a espessura da
cobertura verde que funciona como uma grande manta isolante. Estes factores também
contribuem para reduzir as variações térmicas, estabilizando a temperatura entre as diferentes
horas do dia, já que absorve energia durante as horas de insolação e mantêm a temperatura
interna durante a noite. O mesmo acontece durante as diferentes estações do ano quando os
tetos verdes esquentam no inverno a medida em que armazenam o calor nos ambientes internos,
e no verão auxiliam a manter fresco este mesmo ambiente interno, uma vez que protegem da
insolação directa estes ambientes. Esta característica faz com que o uso de cobertura verde seja
recomendado tanto em regiões de clima frio quanto de clima quente. Em uma experiencia
realizada por VECCHIA et alli (2006), comparando a temperatura interna de módulos construtivos
cobertos diferentes telhados, temos que num dia de temperatura externa de 34,0ºC, a
temperatura máxima no interior do módulo de cobertura verde foi de 28,8ºC, bem menor do que
as encontradas para as demais coberturas: telha cerâmica 30,4ºC, aço galvanizado 45ºC, telha
de fibro cimento 31,0ºC e laje de concreto 34,7ºC, evidenciando a eficiência de isolamento
térmico deste tipo de cobertura.
O processo de fotossíntese também tem papel fundamental na absorção de CO2 e os telhados
com cobertura vegetal também contribuem para redução do efeito estufa. A cobertura verde
também contribui para a limpeza do ar, filtrando parte das partículas de poeira que ficam
aderidas nas superfícies das folhas e que depois são levadas pela chuva. Outra contribuição
interessante é a redução da poluição sonora que se dá através da transformação da energia
sonora em movimento das folhas e da significativa absorção da massa de cobertura.
A capacidade de retenção de água pela cobertura verde também tem sido mencionada em
diversos trabalhos e se trata de outra interessante característica, que tanto colabora com a
regulação da humidade do ambiente, permitindo a evaporação de uma considerável
quantidade de água e o consequente aumento da humidade do ar, como contribui para
redução do problema de drenagem da água de chuvas. Numa cidade com grandes áreas
impermeáveis a drenagem das águas fluviais pode ser um problema, pois toda água da chuva
corre imediatamente para os canais e drenos, que muitas vezes transbordam devido ao grande
volume d’água. As coberturas verdes retêm parte da água, funcionando como pequenas
encostas que liberam a água mais lentamente evitando o colapso na drenagem urbana e
aumentando a humidade nos dias seguintes.
Segundo MINKE 2005, um teto verde com 20 cm de substrato de terra e argila expandida, por
exemplo, possui capacidade de armazenar até 90mm de água, ou seja, 90L de água por m². Cita
ainda a norma alemã DIN 1986 que define o coeficiente de água de águas pluviais para tetos
jardim com um mínimo de 10 cm de espessura, em de 0.3. Isto significa que somente 30% da
chuva que caí, de água e 70% é retida pelos tetos verdes e/ou são evaporadas, índice que pode
sofrer alterações devido a inclinação do teto. Na realidade estes dados não se referem a uma
região tropical como o Rio de Janeiro, onde a intensidade das chamadas chuvas de verão
certamente ultrapassam a capacidade de retenção de uma cobertura vegetal, reduzindo
drasticamente o percentual de retenção, mas sempre contribuindo para diminuir a vazão
imediata das águas fluviais.
Diversos outros efeitos positivos secundários foram levantados tais como aumento da área para
insectos e pássaros, efeitos estéticos e psicológicos, uma vez que suavizam e embelezam o
ambiente em que se encontram. Foram também encontradas referências que mencionam o
aumento da durabilidade das coberturas como um efeito positivo. Na realidade a cobertura
verde tem uma durabilidade indefinida por sua própria natureza e protege a base impermeável,
seja ela de concreto, telha ondulada, lonas ou filmes plásticos dos efeitos térmicos da insolação
solar e das radiações ultravioletas, fazendo com que estes tenham uma durabilidade muito
superior do que os similares convencionais que não utilizam cobertura vegetal. Poucas são as
dificuldades encontradas na utilização de uma cobertura verde, no entanto alguns cuidados são
necessários, Como a cobertura vegetal necessita de um substrato vegetal ou terra para o plantio,
isto pode acarretar em uma cobertura mais pesada do que as convencionais, o que implica na
verificação ou, eventualmente, reforço da estrutura já existente. No caso de edifícios ou
coberturas de lajes provavelmente não será necessário, especialmente no caso de cobertura
vegetal extensiva, mas em casas que foram projectadas para telhados ligeiros como as telhas de
cimento, certamente deveremos ter uma atenção especial ao cálculo estrutural com eventuais
aumentos de custo decorrentes deste reforço. Também no caso de construção de residências é
provável um aumento de custo decorrente de uma estrutura mais robusta. De qualquer forma,
tanto num caso como outro, os eventuais aumentos no investimento inicial serão superados em
pouco tempo pelos benefícios, em especial pela redução do custo da regulação temperatura
interna.
De acordo com a classificação alemã de telhados vivos (ECOTELHADO 2007), as coberturas
verdes são divididas em dois grupos: extensivos com um substrato fino, pesando entre 70 e
170kg/m2 e intensivos com substratos mais espessos, pesando mais de 170 kg/m2. Quanto aos
sistemas de aplicação e construção, encontramos basicamente três tipos de cobertura verde:
A – Contínua
Neste tipo de cobertura verde, que é a mais antiga e difundida, o substrato é aplicado
directamente sobre a base, devidamente impermeabilizada e protegida por diferentes camadas.
As camadas se alteram de acordo com a base utilizada e o tipo de clima da região. Nos lugares
de clima frio é necessário uma camada que impeça a condensação de vapor d’água na
membrana isolante. No clima tropical basicamente encontramos a camada de
impermeabilização, uma de drenagem, uma de filtragem e uma com a terra ou substrato onde é
plantada a vegetação apropriada.
B - Módulos pré-elaborados
É o tipo de cobertura desenvolvida para rápida aplicação e normalmente é comercializada por
empresas especializadas. Geralmente é uma espécie de bandeja rígida com os substratos e as
plantas já crescidas para colocação directa e imediata sobre as coberturas convencionais. O
tamanho da bandeja permite um fácil manuseio e o resultado é imediato. Por serem plantadas
em grande quantidade, este tipo de solução facilita o uso de diferentes plantas em uma mesma
bandeja.
C - Aérea
Com a vegetação separada da base ou cobertura, esta solução é praticamente uma cobertura
viva da cobertura tradicional, traz algumas vantagens estruturais na instalação mas não tem o
mesmo efeito isolantes das anteriores.
É importante uma prévia definição da vegetação a ser adoptada, escolhendo espécies de
pouco crescimento, que necessitem de pouco extracto vegetal e que sejam adaptadas ao clima
da região, evitando dificuldades na manutenção. A empresa gaúcha Eco telhado adopta as
espécies do género sedum da família das Crassuláceas por considerar adequadas já que o lento
crescimento diminui a manutenção e que são resistentes as condições adversas.. Outros aspectos
como a incidência solar, índices pluviométricos, temperatura do local, ventos dominantes e a
inclinação do telhado verde e a necessidade de retenção de água pela vegetação devem ser
considerados na escolha da vegetação a ser adoptada. Factores estéticos e olfactivos também
podem contribuir na escolha. A definição da inclinação do teto é fundamental para o projecto
de uma cobertura vegetal. Enquanto nos tetos planos devemos ter uma preocupação com a
drenagem para evitar que o excesso de humidade apodreça as raízes, nos muito inclinados é
necessário o uso de travamentos para evitar que a terra e o substrato deslizem. A solução mais
recomendada é a de coberturas levemente inclinadas, que facilitam a drenagem sem as
complicações de deslizamento.

Conclusão
Apesar dos inúmeros benefícios decorrentes da utilização da cobertura vegetal, tais como
contribuição para a redução do efeito estufa e estabilidade térmica, foram observados poucos
casos de construções que utilizam cobertura verde na cidade do Rio de Janeiro. Os estudos
mostraram a existência de diversas soluções alternativas de baixo custo que poderiam ser
desenvolvidas. O trabalho encontra-se em andamento, especificamente na fase de realização
dos testes e construção de modelos alternativos, visando a selecção de alternativas a serem
testadas em uma construção real. Um teto verde possui diversas características de uma melhor
inserção no mundo que ora vivemos, tanto para os lugares frios, quanto para os lugares quentes.
Efeitos estéticos, bem como o seu sistema físico construtivo e suas soluções para o conforto
ambiental, se enquadram filosoficamente numa demanda esperada do que é qualidade de vida.

Já bastante populares em países escandinavos, os "telhados verdes" com uma longa história
também na Alemanha, aos poucos estão conquistando adeptos na América Latina, a exemplo
do México, onde a implantação de jardins nos telhados das edificações têm despertado interesse
e aceitação.
Além do México, onde o governo estuda a criação de leis que regulamentam a “naturação” em
grande escala" “os telhados verdes” começam a surgir também na Bolívia e em Cuba, onde
pesquisadores buscam soluções para as condições tropicais que lhe são inerentes, em espaços
urbanos densamente habitados.
Na Universidade Humboldt de Berlim, com financiamento da União Europeia, foi criada uma rede
de cooperação entre instituições académicas envolvendo pesquisadores de universidades da
Alemanha, Brasil, Espanha, Grécia, Bolívia, Cuba, México e Equador.
Voltada para a pesquisa sobre o melhor tipo de vegetação a ser utilizado em cada "telhado
verde" onde através de experimentos práticos os especialistas dessas universidades trocam
informações constantes.

A idéia é transformar os "telhados verdes" em pequenos pulmões das grandes cidades criando
corredores que facilitem a circulação atmosférica, melhore o microclima, reduza o consumo de
energia, provoque um decréscimo no uso do ar condicionado em regiões quentes e isolem o frio
em regiões com invernos rigorosos, já que sob um telhado coberto de vegetação, as baixas
temperaturas demoram mais para chegar aos espaços internos, um problema de pouca
importância para o Brasil, mas essencial para países europeus e regiões montanhosas do México e
Bolívia.
Outro aspecto interessante é que nas regiões de chuva intensa, as áreas naturadas podem reter
de 15% a 70% do volume de águas pluviais, prevenindo a ocorrência de enchentes.
Estudos demonstram que para uma cobertura verde leve de 100m2, cerca de 1400 litros de água
de chuva deixam de ser enviados para a rede pública. Multiplique este valor pela soma de todas
as coberturas de uma grande cidade e veja a contribuição para a redução desse problema.
Os telhados verdes reduzem também os efeitos danosos dos raios ultravioletas, os extremos de
temperatura e os efeitos do vento, vez que nesses telhados a temperatura não passa de 25º C
contra 60º C dos telhados convencionais.
Em termos de custos os dos telhados verdes variam entre 80 e 150 dólares o m2, ou seja de um
terço à metade do custo das estruturas convencionais.
Existem dois tipos de telhados verdes: os intensivos basicamente parques elevados que
conseguem sustentar arbustos, árvores, passagens, bancos, etc., e os extensivos que são criados
por seus benefícios ambientais mas não funcionam como jardins de cobertura acessíveis.
O telhado verde mais famoso dos EUA é o do City Hall de Chicago que reúne sistemas intensivos,
extensivos e intermediários e os mais antigos e conhecidos do mundo são os famosos Jardins
Suspensos da Babilônia.
City Hall de Chicago

A “cidade” constitui a forma que o homem encontrou, desde a civilização


Mesopotâmica, para responder á sua forma de organização em grupo. Hoje em dia,
80% da população europeia e 50% da população mundial vivem nas cidades.
Devido às agressões provocadas ao meio ambiente através dos grandes centros
urbanos, urge a aplicação de soluções construtivas que tenham menores impactos
ambientais, que atendam à preservação dos espaços naturais e à relação do homem
com a natureza.
Vantagens
As coberturas dos edifícios quando revestidas com um material vegetal promovem um
vasto conjunto de funções:
• Contribuem significativamente para a melhoria do clima urbano, pois um número
significativo de coberturas deste género permitiria reduzir o efeito “ilha de calor” que se
verifica nas cidades;
• Aumentam a área verde por habitante, promovendo novas áreas privadas ou públicas
de socialização e recreio nas cidades;
• Contribuem para o verde contínuo urbano;
• Ajudam no controlo da poluição atmosférica e na absorção do ruído ambiental, uma
vez que têm a capacidade de absorver dióxido de carbono e restabelecer pequenas
quantidades de oxigénio;
• Melhoram o isolamento térmico e acústico dos edifícios, promovendo a redução de
consumo energético;
• Maximizam o aproveitamento de águas pluviais, podendo reter um volume considerável
da precipitação.

Figura 2 e 3 - Termas em Vals na Suiça, Arquitecto Peter Zumthor


Materiais utilizados
As camadas fundamentais colocadas no sentido descendente da cobertura, são as
seguintes: terra vegetal e vegetação; camada filtrante; camada drenante; sistema de
impermeabilização; camada de forma e a estrutura resistente. A necessidade de
aplicação duma camada de isolamento térmico deve ser vista caso a caso, tendo em
conta nomeadamente a espessura da camada vegetal.
Figura 4 - Corte construtivo típico de uma cobertura ajardinada
Tipos de revestimento
As coberturas ajardinadas podem ser definidas em dois tipos distintos de acordo com a
vegetação aplicada: intensiva e extensiva.
Na vegetação intensiva o substrato é de espessura superior a 20 centímetros,
assegurando uma melhor estanquidade e um tipo de planta que exige uma
manutenção regular, na vegetação extensiva o substrato é de espessura inferior a 20
centímetros, é mais segura e é constituída por um tipo de plantas que não exige uma
manutenção regular.
Manutenção
Devem ser tomadas medidas especiais quando se realizarem trabalhos de jardinagem e
evitar a compactação da terra para a plantação através de maquinaria.
Este tipo de cobertura exige uma manutenção adequada, com visitas periódicas de
inspecção, de forma a eliminar qualquer tipo de vegetação não desejada, recolher
sedimentos, eliminar a neve (quando se verificar a sua ocorrência), conservar os
elementos de alvenaria relacionados com o sistema de estanquidade e comprovar a
fixação dos sistemas de impermeabilização ao suporte.

Figura 5 e 6 - ACROS Fukuoka, Edifício comercial no Japão, Arquitecto Emílio Ambasz


Conclusão
Alguns países introduziram incentivos financeiros ao uso deste tipo de soluções,
ambientalmente sustentáveis. Por exemplo, em cerca de 40% das cidades alemãs, as
entidades oficiais suportam 60% dos encargos com a execução e manutenção de
coberturas ajardinadas.
A utilização de coberturas ajardinadas, contribui decididamente para a
sustentabilidade à escala do edifício e à escala urbana, aproximando o natural do
artificial, oferecendo inúmeras vantagens e beneficiando tanto o utilizador do edifício
como o meio ambiente.