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SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DO PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO

ASSOCIAÇÃO MAHATMA GANDHI - EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO


SAÚDE MENTAL DE VIAMÃO/RS -2019

Da: Presidenta Jacyara Silva de Paiva edusobrasil@gmail.com


Associação Brasileira de Educação Social (EDUSO – Brasil) e demais subscritos

Para: Diretor Presidente Dr. Luciano Lopes


hospital@mgandhi.com.br com cópia curriculo.viamao@mgandhi.com.br
Organização Social Associação Mahatma Gandhi
Rua Duartina, nº 1311 - Vila Soto - CEP: 15810-150 – Catanduva/SP

Prezado Diretor Presidente Dr. Luciano Lopes

A Associação Brasileira de Educação Social, com sede em Vitória/ES, e


demais Associações, Coletivos, Fóruns e Redes subscritas, vem respeitosamente se
posicionar sobre a natureza do Processo Seletivo Simplificado da Associação
Mahatma Gandhi, Edital de Chamamento Público Saúde Mental de Viamão/RS, de
março de 2019, quanto aos seguintes aspectos:

No Quadro 3.1. Nível Superior, página 3 do Edital, do qual destacamos abaixo


teceremos as considerações sobre a Categoria Profissional e a Titulação mínima
que seguem.

Considerando que o processo seletivo simplificado objetiva contratação de


profissionais para composição de equipes para atuar na área de saúde mental do
município de Viamão, em especial CAPS, referente ao contrato de gestão nº 19/201
– Chamada Pública nº 01/2019, nota-se o equívoco do requisito de Graduação em
Serviço Social e registro no conselho de classe.

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Considerando a Portaria MTE nº 397, 09 de outubro de 2002, do Ministério de
Trabalho e Emprego, que publicou a Classificação Brasileira de Ocupações
CBO/2002, atualizada em 2009, registrou o título Educador Social - Arte educador,
Educador de rua, Educador social de rua, Instrutor educacional, Orientador
sócio educativo, que abrange “trabalhadores de atenção, defesa e proteção a
pessoas em situação de risco e adolescentes em conflito com a lei”,

Considerando a CBO/2002, acima referida, a ocupação Educador Social, sob


o registo CBO 5351-05, recebeu a seguinte descrição sumária da ocupação “visam
garantir a atenção, defesa e proteção a pessoas em situações de risco pessoal,
social e a adolescentes em conflito com a lei. Procuram assegurar seus direitos,
abordando-as, sensibilizando-as e identificando suas necessidades e demandas
[...]”.

Considerando as características e condições gerais do exercício da profissão


de educador social inscritas no mesmo registro CBO 5351-02 “o trabalho é exercido
em instituições ou nas ruas. As atividades são exercidas com alguma forma de
supervisão, geralmente em equipes multidisciplinares. Os horários de trabalho são
variados: tempo integral, revezamento de turno ou períodos determinados. Os
trabalhadores desta família ocupacional lidam diariamente com situações de risco,
assistindo indivíduos com alteração de comportamento, agressividade e em
vulnerabilidade”.

Considerando que o registro CBO de educador social em nada consta como


especialidade ou atividade vinculada a profissão Serviço Social, sobretudo, são
diferentes das atribuições e competências definidas pela Lei Federal nº 8.662/1993,
sendo prerrogativa do Conselho de Classe de fiscalizar seu exercício e atos
relacionados ao Código de Ética, não profissões alheias ao Serviço Social.

Considerando os antecedentes da profissão educador social na atenção à


saúde mental como a letra “d” do Art. 4.5.2 Recursos Humanos da portaria GM/MS
nº 336, de 19 de janeiro de 2002, que inclui na composição da equipe
multiprofissional o técnico educacional;

Considerando a letra “b” e “c”, do inciso V, do Art. 7º, da Portaria GM/MS nº


130, de 26 de janeiro de 2012, que redefine o Centro de Atenção Psicossocial Álcool
e outras Drogas 24 horas (CAPS AD III) e os respectivos incentivos financeiros, que
disciplina que o CAPS AD III deverá contar na equipe mínima com profissional da
categoria educador social, preferencialmente, com experiência em ações de redução
de danos.

Considerando o Art. 5º, da Portaria GM/MS nº 130/12, supracitada, que o


funcionamento do CAPS AD III observará as seguintes características expressas no
inciso X “adequar a oferta de serviços às necessidades dos usuários, recorrendo às
tecnologias de baixa exigência, tais como acomodação dos horários, acolhimento de
usuários mesmo sob o efeito de substâncias, dispensação de insumos de proteção à
saúde e a vida (agulhas e seringas limpas, preservativos, etc) dentre outras” e no
inciso XVIII “articular-se com a Rede do Sistema Único de Assistência Social (SUAS)
da Regional a que pertença, para acompanhamento compartilhado, quando
necessário”.

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Considerando, ademais, que a ocupação Redutor de Danos, com atribuições
específicas, não se confunde com Educador Social, visto que no inciso I, do Artigo
2º, da Portaria SES/RS nº 503/2014, que institui a Política de Redução de Danos
para o cuidado em álcool e outras drogas dentro das Políticas Estaduais de Atenção
Básica, Saúde Mental e DST/AIDS, a redução de danos compreende “a atenção
integral a usuários de álcool e outras drogas como diretriz para qualquer trabalhador
de saúde de todos os serviços de saúde onde houver demanda, tendo como objetivo
a construção de Projetos Terapêuticos Singulares com cada usuário”.

Considerando o Parágrafo 2º, do Art. 2º, Portaria SES/RS 503/2014,


mencionada acima, destacamos duas definições do trabalho de campo de redução
de danos com interface com o trabalho da educação social: a) estratégia de cuidado
que parte da aproximação dos trabalhadores às cenas de uso de drogas, avaliação
da dinâmica do território e estabelecimento de vínculo com os usuários para
promoção da saúde; e d) o trabalho de campo realizado pelas composições de
Redução de Danos poderá também ser realizado por trabalhadores das Estratégias
de Saúde da Família, Unidades Básicas de Saúde, Núcleo de Apoio à Saúde da
Família, Núcleos de Apoio à Atenção Básica, Agentes Comunitários de Saúde,
Consultório na Rua, trabalhadores dos Centros de Atenção Psicossocial,
Educadores Sociais da Assistência Social e outros trabalhadores do território.

Considerando que o exercício da profissão de Educador Social difere do


Assistente Social, com normativas já consolidadas na política pública de assistência
social, haja vista o art. 4º, inciso II, da Resolução CNAS nº 9 de 15 de Abril de 2014,
do Conselho Nacional de Assistência Social; a previsão desse profissional nas
equipes dos serviços socioassistenciais para abordagem social e atividades
socioeducativas presente na Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do
Sistema Único de Assistência Social (NOB/RH-SUAS), Resolução CNAS nº 269, de
13 de dezembro de 2006; inclusive com atribuições e competências constantes em
cadernos do Ministério de Desenvolvimento Social como a) Orientações Técnicas:
Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro
Pop) e Serviço Especialização para Pessoas em Situação de Rua (MDS, 2011a), b)
Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado em Assistência Social
(CREAS) (MDS, 2011b), c) Caderno de Orientações: Serviço de Proteção e
Atendimento Integral à Família e Serviço de Convivência e Fortalecimento de
Vínculos (MDS, 2016) e d) Resolução Conjunta CNAS/CONANDA nº1, de 15 de
dezembro de 2016 que inclui no documento Orientações Técnicas: Serviços de
Acolhimento para Crianças e Adolescentes capítulo específico para Serviços de
Acolhimento para Criança e adolescentes em situação de rua.

Considerando a Resolução CONANDA nº183, de 09 de março de 2017, do


Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que aprova o
documento “Orientações Técnicas para Educadores Sociais de Rua em Programas,
Projetos e Serviços com Crianças e Adolescentes em Situação de Rua”, na qual
prevê no capítulo 2. Público Alvo para atuação do educador social “a situação de rua
de crianças e adolescentes” associada a consumo de álcool e outras drogas e no
capítulo 3. Rede de Proteção, promoção e defesa dos direitos da criança e
adolescente em situação de rua, foi dado destaque para Secretaria de Saúde,
como garantia da absoluta prioridade instaurada no Art. 4 da Lei nº 8069, de 13 de
julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente.

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Considerando que a regulamentação da profissão de educador social ainda
encontra-se em tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto Lei nº
5.346/2009 e no Senado Federal Projeto de Lei do Senado nº 328/2015, diante da
relevância da profissão e da mobilização do conjunto desses trabalhadores, propõe
estabelecer níveis diferenciados de admissão destes profissionais de acordo com a
escolaridade, facultando a União, Estado, Município e Distrito Federal as formas de
admissão e o plano de carreira, cargos e salários.

Tendo em vista as considerações que constam acima, a EDUSO Brasil e as


associações, fóruns e coletivos subscritos, que visam apoiar, orientar e garantir o
reconhecimento da profissão do educador Social, solicita a retificação do Edital de
Chamamento Público Saúde Mental de Viamão/RS - Processo Seletivo Simplificado
da Associação Mahatma Gandhi, de março de 2019.

Pedimos deferimento de nosso pleito de retificação no que consta na


categoria profissional Educador Social retirando o requisito de titulação mínima de
Graduação em Serviço Social e registro em conselho de classe, de modo a incluir a
titulação mínima de qualquer curso de graduação de ensino superior reconhecido
pelo MEC, mantendo a exigência mínima de 1 ano de experiência na função,
número de profissionais a ser chamados, carga horária, remuneração mensal e valor
de inscrição.

Sem mais para o momento, colocamo-nos a disposição para quaisquer


esclarecimentos que se fizerem necessários.

Atenciosamente,

Jacyara Silva de Paiva


edusobrasil@gmail.com | CPF 52195201487
Presidenta da Associação Brasileira de Educação Social - EDUSO Brasil

Subscrevem:

Associação de Educadores Populares de Porto Alegre – AEPPA


Associação de Educadores Sociais de Maringá – AESMAR
Associação Colombiana de Pedagogia Social y Educación Social – ASOCOPESES
Coletivo de Educadores Sociais do Espírito Santo – COESO
Coletivo de Educadores e Educadoras Sociais do Paraná – COESO-PR
Coletivo de Pedagogia Social e Educação Popular – CEPOPES (Universidade
Federal do Rio Grande do Sul)
Fórum de Educadores Sociais de Porto Alegre – RS
Fórum de Educadores Sociais de São Leopoldo – RS
Fórum Estadual de Redução de Danos – RS
Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Pedagogia, Pedagogia Social e
Educação Social – NUPEPES (Universidade Estadual de Ponta Grossa)
Dynamo International - Street Workers Network (em português Dynamo International
- Rede Internacional de Educadores Sociais de Rua)
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