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RESPONSABILIDADE CIVIL DO FARMACÊUTICO

Direito é o conjunto de regras obrigatórias que disciplinam a convivência social humana

Responsabilidade quer dizer a obrigação de satisfazer ou executar o ato jurídico que se tenha convencionado, ou a obrigação de cumprir o fato atribuído ou imputado à pessoa, por determinação legal.

A responsabilidade jurídica apresenta-se quando houver prejuízo a um indivíduo, a coletividade, ou a ambos, desvirtuando a ordem social, hipótese em que a sociedade reagirá contra esses fatos, coagindo o causador a recompor o statu quo ante, a pagar uma indenização ou cumprir uma pena, com o objetivo de impedir que ele torne a causar o desequilibro social.

Artigo 927 (Código Civil). Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

A responsabilidade técnica assumida pelo farmacêutico decorre das legislações sanitárias e profissionais, que prevêem as obrigações e respectivas sanções. Isto, porém, não isenta os infratores das penalidades civis e penais, decorrentes de danos causados a terceiros.

IMPRUDÊNCIA: É a falta de cautela, descuido, ação irrefletida, impensada ou precipitada, resultante de imprevisão do agente em relação ao ato que podia e devia pressupor, ou ainda quando o farmacêutico age com excesso de confiança, desprezando regras básicas de cautela.

NEGLIGÊNCIA:

Do

latim

negligentia

caracteriza-se

por

um

descuido,

desleixo, falta de diligência própria, desatenção, desídia, falta de cuidado.

IMPERÍCIA: Do latim imperitia, é a ignorância, incompetência, inabilidade para a prática de determinados ato, no exercício de uma profissão que exige conhecimento específico. É a falta de prática ou ausência de conhecimento que se mostram necessários ao exercício de uma profissão.

FARMACÊUTICO NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL RESPONDE ÀS SEGUINTES LEGISLAÇÕES:

LEGISLAÇÕES SANITÁRIAS:

- Lei nº 5.991, de 17/12/73, que foi regulamentada pelo Decreto nº 74.170, de 10/6/74 (Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos)

Art. 41, a responsabilidade do ato da dispensação farmacêutica, na seguinte condição: quando a dosagem do medicamento prescrito ultrapassar os limites farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidades, o responsável técnico pelo estabelecimento solicitará confirmação expressa do profissional que a prescreveu.

- Lei nº 6.360, de 23/9/76, que foi regulamentada pelo Decreto nº 79.094, de 5/1/77. (regulamenta atividade das Indústrias Farmacêuticas)

- Lei nº 6368/76, e decreto 7899/76 (Lei de Entorpecentes); substituída pela Lei 11343/2006 Lei anti-drogas.

-

Lei

6.437,

de

20/8/77

(Regulamenta

as

infrações

cometidas

no

desrespeito das normas citadas e prevê as punições)

Art. 10 - Inciso XII - Fornecer, vender ou praticar atos de comércio em relação a medicamentos, drogas e correlatos, cuja venda e uso dependam de prescrição médica, sem observância dessa exigência e contrariando as normas legais e regulamentares. Pena: Advertência, interdição, cancelamento da licença e/ou multa.

- Portaria SVS/MS nº. 344, de 12/05/1998 Atualizada pela Resolução RDC n°. 88 de 18 de dezembro de 2007). Regulamenta a autorização especial, cria os receituários especiais, os mecanismos de controle de receita e relaciona quais substâncias estão sujeitas ao controle especial

RDC nº. 238, de 27/12/2001: Estipula os documentos necessários para obtenção da Autorização de Funcionamento junto à Anvisa, para suas renovações e alterações

LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL:

- Lei nº 3.820, de 11/11/60 (Regulamenta a profissão de Farmacêutico e cria o CFF e os CRFs

Art. 30 - As penalidades disciplinares serão as seguintes:

I - de advertência ou censura; II - de multa;

III - de suspensão de três meses a um ano, por motivo de falta grave,

IV - de eliminação

- Código de Ética da Profissão Farmacêutica - Decreto nº 85.878, de 7/4/81, (Estabelece as atribuições do farmacêutico em todas as modalidades profissionais) Resolução 461/2007 CFF: Sanções éticas e Disciplinares aos Farmacêuticos Resolução 160/82 CFF: Dispõe sobre o exercício da profissão farmacêutica

CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO (Lei 10406/2002)

Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará

o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente

à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.

Art 951: Aquele no exercício da atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão ou inabilitá-lo para o trabalho, irá arcar com indenização devida.

CÓDIGO DE DEFESA CONSUMIDOR (Lei 80781/90), art 6, 8, 12,13 e 14

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

CÓDIGO PENAL

O Código Penal é o conjunto de normas jurídicas que regula a atuação estatal no combate ao crime contra a pessoa humana, sua saúde, sua honra, seu patrimônio, a paz pública, a segurança da família, etc.

CRIME DOLOSO - quando entra a vontade do autor; o indivíduo sabe que está cometendo o ilícito e assume o risco. O Art. 15 assim define: quando o agente quis o resultado e assumiu o risco de produzi-lo.

CRIME CULPOSO - quando não ocorre a vontade do autor. Ele é apenas o agente que deu causa, porém sem o desejar. O mesmo Art. 15 esclarece:

Resultado de imprudência, negligência ou imperícia.

Em caso de imprudência, negligência ou imperícia, ocorrendo óbito, o Código Penal define como crime culposo, enquadrando o responsável nos Artigos 15 e 121,

PRINCIPAIS CRIMES COMETIDOS POR FARMACÊUTICOS

CRIMES CONTRA PESSOA (Homicídio, Aborto, Lesão Corporal Grave) Art 121- Homicídio culposo- detenção de um a três anos. Aumento de pena por inobservância de regra técnica da profissão, ou se o agente deixa de prestar socorro imediato à vítima, ou foge para evitar prisão em flagrante. Art 124 e 125- Aborto praticado com ou sem o consentimento da gestante. Pena: detenção de 3 a 10 anos Art 129- Ofender a integridade corporal ou a saúde de alguém. Se for leve- detenção de 1 a 5 anos se for grave de 2 a 8 anos Art 135- Omissão de socorro. Detenção de 1 a 6 meses e multa

ENTORPECENTES (Lei 11343/2006 anti drogas) - Vender, expor à venda, ou oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, ministrar ou entregar a consumo substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização legal. Pena: de 3 a 15 anos e multa - Prescrever ou ministrar, o médico, dentista, farmacêutico ou enfermeiro subst. Entorpecente, em dose evidentemente maior que a necessária ou em desacordo com a determinação legal. Pena- detenção de 6 meses a 2 anos e pagamento de multa.

CRIMES CONTRA SAÚDE PÚBLICA A Lei 9677/98 Altera dispositivos do Capítulo III do Título VIII do Código Penal, incluindo na classificação dos delitos considerados hediondos crimes contra a saúde pública

Art 273- Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. Pena: detenção de 10 a 15 anos. Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem depósito para vender ou distribuir a consumo produto falsificado ou adulterado. Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa

Está sujeito às penas deste artigo produtos em qualquer das seguintes condições:

I sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária

competente;

II em desacordo com a fórmula constante do registro

III sem as características de identidade e qualidade admitidas para a

sua comercialização;

IV com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade;

V de procedência ignorada;

VI adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária

competente."

Art 274- emprego de substância não permitida, Pena: reclusão, 1 a 5 anos, e multa Art 275- Invólucro ou recipiente com falsa indicação. Substância que não se encontra em seu conteúdo ou em menor quantidade. "Pena reclusão, de 1 a 5 anos, e multa Art 280- Fornecer produto em desacordo com a receita médica, Pena - detenção, de um a três anos, ou multa. Art 282- Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica. Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos. Art 283- Charlatanismo Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível: Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa. Art 284- Curandeirismo Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos

O desconhecimento da lei não exime os infratores das penalidades a que estão sujeitos, pois a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei.