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Revista Portuguesa de Psicossomática

ISSN: 0874-4696
revista@sppsicossomatica.org
Sociedade Portuguesa de Psicossomática
Portugal

Oliveira Aragão, Rui


O sujeito e o corpo perante a incapacidade física
Revista Portuguesa de Psicossomática, vol. 6, núm. 1, janeiro-junho, 2004, pp. 63-67
Sociedade Portuguesa de Psicossomática
Porto, Portugal

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=28760109

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O SUJEITO E O CORPO PERANTE A INCAPACIDADE FÍSICA 63

O SUJEITO E O CORPO PERANTE A


INCAPACIDADE FÍSICA
Rui Aragão Oliveira*

Resumo Estimativas recentes1 apontam para cerca de


As consequências psicológicas das incapa- 500 milhões de habitantes em todo o mundo
cidades físicas adquiridas têm demonstrado que apresentam incapacidades físicas e funcio-
ser uma temática complexa, quer quando as- nais (10 a 12% de toda a população). As mais
sumidas como objecto de investigação quer severas são também aquelas que melhor se en-
ainda quando analisadas numa perspectiva contram estudadas: o síndrome de hemiplegia,
de intervenção clínica. devido à ocorrência de um acidente vascular ce-
Neste trabalho, são abordados os princi- rebral – que em todo o mundo são cerca de 1,5
pais aspectos do funcionamento psicodinâmico milhões de indivíduos2, i.e., 6 pessoas em 1000
capazes de influenciar a experiência de inca- vivem com as consequências de um A.V.C.•; so-
pacidade, salientando as necessidades especí- bre a amputação, que sabemos em Portugal atin-
ficas colocadas ao acompanhamento psicote- gir uma frequência elevada, os estudos epide-
rapêutico em geral e ao psicoterapeuta em par- miológicos apontam para a existência de cerca
ticular. de aproximadamente 160.000 amputados por
Palavras-chave: Incapacidades físicas; ano nos EUA, sendo que a maioria dos quais en-
Funcionamento psicodinâmico. volvem a remoção de um membro inferior3, e a
prevalência de amputação (membro superior e
inferior) é da ordem de 1,7‰ nos países indus-
trializados4; e os lesionados vertebro-medulares
O extraordinário crescimento da população em que a incidência mundial ronda os 9,2 a 50
mundial neste último século, parece expressar- sujeitos por milhão de habitantes por ano.
-se de um modo igualmente gigantesco no que Este já enorme grupo de pessoas traduz-se
diz respeito ao número de indivíduos com inca- hoje num movimento que assume cada vez mais
pacidades físicas adquiridas. Para tal, não tem uma dimensão política, social e económica in-
sido alheio o desenvolvimento tecnológico e os fluente e assinalável.
avanços científicos no campo médico que, em A importância destas incapacidades físicas e
conjunto com outras condições no plano econó- as respectivas consequências no campo psicoló-
mico, tem permitido proporcionar uma esperan- gico é, obviamente, uma problemática já bem
ça de vida até há pouco tempo impensável, mes-
mo com consequências funcionais e desvanta-
gens múltiplas.


A dispersão de dados estatísticos na maioria
dos países, com raras excepções, não permi-
te uma análise mais detalhada, reclamando
a existência de registos nacionais. Este traba-
lho, referente à população portuguesa, en-
contra-se por realizar de forma sistematiza-
* Professor Auxiliar do Instituto Superior de da, embora seja evidentemente de capital im-
Psicologia Aplicada. portância.

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identificada5. No entanto, contrariamente a ou- Na fase inicial, a consciencialização das inca-


tras questões, parece não existir uma perspecti- pacidades e desvantagens pode ser extraordina-
va compreensiva, que aprofunde devidamente riamente desintegradora do sentido de unidade
fenómenos da vida psíquica desta realidade. do self, capaz de alterar as relações entre o corpo,
Tal traduz-se num amontado, pouco mais o ego e os outros.
que escasso, de factos gerais, que somente nos Esta nova situação pode desafiar alguns dos
dão hoje uma ideia vaga da temática aqui abor- pressupostos básicos sobre o próprio sujeito e o
dada. mundo em geral. Os aspectos psicológicos en-
A própria designação genérica – pessoas com volvidos podem ser múltiplos, capazes no seu
deficiências ou incapacidades físicas – acaba por extremo de desencadear reacções verdadeira-
criar uma imagem por vezes destorcida da com- mente catastróficas. As perdas inerentes à defi-
plexa realidade com que nos confrontamos; su- ciência, independentemente da sua maior ou
gere que uma dada realidade física se pode tor- menor gravidade, de físicas ou cognitivas podem
nar equivalente em diferentes sujeitos, produ- originar respostas emocionais sujeitas a uma im-
zindo um padrão previsível e uniforme de res- portante variabilidade individual (e, por isso,
postas ou alterações, que reclamariam uma in- sempre imprevisíveis na sua globalidade), reme-
tervenção standardizada. tendo-nos para um mundo fantasmático difícil
Obviamente, tal não corresponde à verdade! de aceder.
A incapacidade adquirida, independente- Factores como funcionamento psicodinâmi-
mente da sua gravidade, é capaz de provocar co, aspectos culturais, recursos sociais e materiais,
disrupção do percurso normal de vida, alteran- fases do ciclo de vida e história pessoal, contacto
do o significado personalizado das noções de prévio com a doença, são os aspectos mais vul-
tempo, espaço e capacidade judicativa6. A doen- garmente apontados como capazes de influen-
ça contextualiza-se individual e socialmente, ciar a experiência de incapacidade.
afectando o equilíbrio psicodinâmico do sujeito O sentimento de ser "diferente" é comum,
em relação com o meio envolvente. O sujeito podendo abarcar sentimentos de pena, inveja,
confronta-se com uma situação nova, radical- vergonha, mas por vezes também de orgulho,
mente diferente, capaz de lhe limitar o desem- de ser único, ou mesmo de possuir um "poder
penho das suas obrigações sociais, profissionais especial". Todos eles desempenham um papel
e familiares como até então sucedia. importante na sua adaptação, facilitando o de-
As especificidades de uma incapacidade cró- senvolvimento de uma identidade como que "de
nica podem realçar aspectos um pouco diversos, excepção"5,7,8.
consoante a sua gravidade, prognóstico e grau De facto, a incapacidade física adquirida pa-
de invalidez que possa provocar. Só por si, o rece colocar grandes exigências à mente huma-
novo estado do corpo pode desencadear altera- na. Se as defesas do ego são potencialmente úteis
ções no comportamento e no modo de ser do em prevenir uma manifestação exagerada de
indivíduo, passando a doença a constituir um ansiedade, aparecem outros mecanismos de de-
marco importante e determinante na história fesa: negação, recalcamento, projecção, forma-
pessoal de vida. Esta nova situação é capaz de ção reactiva e regressão, sendo estes os mais usu-
provocar uma regressão afectiva e necessidades ais. Os distúrbios emocionais vários, a baixa de
novas de segurança e protecção, acompanhadas auto-estima e até fenómenos de perca de identi-
de ansiedades desestruturantes que podem ser dade podem, de igual modo, desenvolver-se.
jogadas nas próprias redes de relações (das mais A doença é susceptível de provocar uma
íntimas às sociais ou, mesmo, nas mais distantes mudança complexa nas relações com os que lhe
emocionalmente). são mais próximos, visível nas particularidades
As percas de capacidades significam essen- do clima afectivo que, entretanto, domina os
cialmente e a um nível fundamental, "perdas" movimentos no interior da família (real ou fan-
de aspectos do próprio ego, desestruturando os tasmática) e consequentemente, os seus modos
relacionamentos a múltiplos níveis. de relação com a comunidade onde se insere. As

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exigências destas relações (em vias de serem re- (quando não verdadeiramente actos
construídas), apesar de determinantes, nem agressivos);
sempre surgem expressas de forma transparen- · as reacções depressivas, com a conhecida
te para ambos os intervenientes. sintomatologia habitual, dirigindo para si
As dificuldades de adaptação a uma mudan- a agressividade e identificando-se com o
ça tão súbita como radical, favorecem a procura mau objecto (= mau corpo).
de recursos no exterior, nas instituições e profis- No processo psicoterapêutico estas dimen-
sionais de saúde onde se espera "magicamente", sões do mundo interno, confluentes na temática
que o estado actual do paciente – para ele e para da perda, real ou imaginária, obrigam a uma
a família, estado de não saúde – seja transforma- nova síntese do espaço próprio. A ruptura com
do (pelo médico, pela nova técnica terapêutica e uma identidade mais ou menos bem constituída
claro pelo psicoterapeuta) ou, em último caso até então força o confronto com o trabalho de
(de desespero insuportável), seja brutalmente luto, tornando inevitável a desorganização dos
negado, como se possível fosse também ampu- sistemas psíquicos e relacionais do sujeito. Diría-
tar e não mais se confrontar com uma parte do mos, então, que é normal, saudável e desejável
seu ego, frustrante e intolerável. uma fase de desorganização e mal estar geral.
O deslocamento periódico ao hospital e as O sujeito é obrigado, nestas circunstâncias, a
relações aí criadas, permitem ao doente sentir- fazer o luto por si próprio, procurando no en-
-se seguro, atribuindo um poder "mágico" a tanto uma linha condutora e integradora da sua
quem o trata: aquele que lhe irá possibilitar a identidade – vê-se obrigado a transformar-se
cura. A ideia de receber tratamento passa a ali- para continuar a ser quem era, mesmo que fisi-
mentar expectativa de algo que vai muito além camente diferente.
do que é racionalmente concebível. O consequente movimento de síntese e uni-
A intensidade da relação com o tratamento ficação do espaço corporal irá determinar em úl-
e profissionais de saúde não se deve ao facto de tima análise dois tipos básicos de colorido emo-
ser algo desejado, mas essencialmente porque é cional: o colorido depressivo, verdadeiro luto
identificada como algo (situação/pessoa/trata- pela perda de um objecto/membro/capacidade;
mento, etc.) que permite a transformação dese- e o colorido maníco-depressivo, tradutor das di-
jada. É uma relação percepcionada também ficuldades do movimento de síntese do novo es-
como o processo/meio que promete considerá- paço corporal.
veis "metamorfoses" do ser/corpo. Sabemos que o grau de deficiência, a sua
A característica de muitos destes doentes funcionalidade e até a tradução estética, sem
crónicos é a hostilidade com que se opõem a dúvida influentes, não determinam o sucesso ou
qualquer movimento de autonomia, prevale- fracasso deste processo, porventura essencial-
cendo longos períodos, de vários anos mesmo, mente determinado pela capacidades do funcio-
em tratamentos que estagnam em alguns me- namento mental do sujeito. O sentimento de-
ses. Desenvolver e crescer torna-se demasiado pressivo inerente, por vezes negado, ou omnipo-
doloroso para o doente, sentindo-se incapaz de tentemente desprezado, acaba expresso nas for-
suportar a frustração de enfrentar a realidade. mas mais ímpares do sujeito estar nas relações.
Esta situação de natural fragilidade interna, Os mais diversos trabalhos de investigação
assume repercussões igualmente nas interacções têm confirmado que estes pacientes se encon-
sociais, nas quais se vão manifestar dois fenó- tram largamente absorvidos pela sua doença e
menos particulares: pela tarefa de continuar vivos. A sua imagina-
· o desenvolvimento de comportamentos ção não é então estimulada, nem tão pouco esti-
regressivos, direccionados para a equipa mulante. As suas respostas são, frequentemen-
de tratamento, familiares, amigos e tam- te, concretas e os interesses e preocupações vão-
bém o psicoterapeuta; manifestam-se se estreitando e empobrecendo. Quando em psi-
através da excessiva dependência, isola- coterapia, numa fase inicial, centram-se no aqui
mento social, infantilidade ou hostilidade e agora, procurando evitar a exploração do pas-

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sado ou do futuro, reflectem, sem dúvida,uma periência clínica de acompanhamento de sujei-


escassa e defensiva mobilidade psíquica. tos com deficiência física adquirida, é a de se cen-
A associação a outros aspectos surge como trar em torno da patologia física que os seus
natural: a capacidade de tolerância à frustração olhos confrontam. Por vezes a brutalidade da
que lhe possa permitir pensar e pensar-se, pro- imagem e do sofrimento a que está associada
curando na relação um espaço capaz de o auxi- leva o psicoterapeuta a eclipsar da sua mente
liar a transformar internamente os sentimentos toda e qualquer problemática que não essa. A
destrutivos despertados pela introdução da pa- deficiência física é capaz de estimular ansieda-
tologia incapacitante; a vivência das ansiedades, des de castração do próprio terapeuta, levando-
em particular da angústia de castração; e, as -o a subestimar as potencialidades do paciente.
temáticas decorrentes em torno dos aspectos Sentir-se "apertado" entre duas posições
narcísicos. opostas será, então, comum para o psicoterapeu-
O assumir de novos e diferentes papéis na ta: por um lado não quer ser entendido como se
sua vida, decorrentes da capacidade criativa con- não estivesse a perceber o paciente, uma vez que
sequente à elaboração depressiva, é talvez o me- este se sente mal compreendido na dimensão da
lhor dos indicadores de êxito terapêutico – trans- sua dor; por outro lado procura evitar ser dema-
formar internamente o que é impossível de alte- siado protector em resposta a posições inconsci-
rar externamente –, atribuindo-lhe um signifi- entes do paciente.
cado diferente. Ao contrário de outros autores9, não sei se a
Os próprios sujeitos, sem que disso se dêem realidade psíquica tem mais poder do que a rea-
conta, promovem o encontro psicoterapêutico lidade objectiva. Sei sim que a realidade psíqui-
somente através da sua incapacidade, assumindo ca tem poder, para transformar e potencializar o
que este será o único aspecto susceptível de inte- crescimento mental face à inoperância da reali-
ressar ao psicoterapeuta. Esta atitude assemelha- dade objectiva, mas tem poder igualmente para
se, desta forma, a um verdadeiro ganho secundá- conseguir bloquear e destruir toda e qualquer
rio, sem que ganho algum se traduza no final. possibilidade terapêutica (agindo particularmen-
Será, certamente, mais parecido a um estar per- te na psicoterapia).
manente em confronto entre aspectos "incapaci- No momento em que o paciente compreen-
tantes" e "saudáveis" da personalidade. der como tem participado de forma activa e ge-
A questão principal na abordagem psicote- nuína nos seus ganhos secundários, que o colo-
rapêutica dos sujeitos com incapacidades adqui- cam inevitavelmente numa posição ambivalente
ridas é o importante aspecto da contratransfe- e passiva, ele passará a estar apto para experi-
rência. Ao psicoterapeuta cabe o difícil trabalho mentar e mesmo exercitar a sua iniciativa, a sua
de lidar em primeiro lugar com as emoções que autonomia, a sua ambição e ideais.
alguns destes sujeitos facilmente despertam, e Actualmente, a psicologia aplicada à realida-
que desencadeiam sentimentos e atitudes in- de da reabilitação física ultrapassa o que caracte-
conscientes armadilhantes para o sucesso psico- riza a perspectiva curativa, deixando de ser o res-
terapêutico. O assumir de uma posição paterna- tabelecimento anátomo-fisiológico e a irradiação
lista por parte do profissional, fruto das vivências da doença o objectivo único da abordagem pro-
regressivas do sujeito, por exemplo, favorece a posta.
manutenção de um vínculo de dependência, O desmultiplicar de áreas de intervenção que
agido quase sempre inconscientemente. Senti- os cuidados de saúde têm procurado alcançar
mentos de culpabilidade despertam no psicote- nas últimas décadas, possibilitou um desenvol-
rapeuta com regularidade, e sem dúvida são vimento mais frutífero das potencialidades de
igualmente colocados na relação de forma in- recuperação que os doentes apresentam.
consciente pelo sujeito que, assim, parece alcan- O campo de acção psicoterapêutico deve
çar algum poder na relação. aqui assumir especificidades importantes, das
Mas talvez a tendência mais espontânea do quais realçamos: a) A elaboração do psicodiag-
psicoterapeuta, e que mais encontramos na ex- nóstico das condutas clínicas, onde a organiza-

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ção fantasmática e os mecanismos de defesa ine- Abstract


rentes, próprios do modelo analítico-dinâmico, The psychological squeals of the physical im-
se conjuguem com particularidades da lesão or- pairments are a complex subject for scientific study and
gânica e dos factores de risco somáticos; b) O also for the clinical practice.
recurso à psicoterapia face a face individual, di- This work is about the main psychodynamic
rigida ao "insight", e à psicoterapia de apoio in- aspects able of influence the physical handicap expe-
dividual e grupal, nos casos de crianças e adoles- rience. Topics for psychotherapy and for psychothera-
centes com problemas de desenvolvimento físi- peuts are discussed.
co e relacional e/ou perturbações da aprendiza- Key-words: Physical impairments; Psycho-
gem o acompanhamento psicopedagógico tem- dynamic aspects.
se mostrado uma via útil; c) Sendo o pedido de
auxílio, por vezes, solicitado por diferentes ele-
mentos do agregado familiar, afectados pelas al- BIBLIOGRAFIA
terações que vivem no seio do seu sistema de
funcionamento familiar, o apoio à família e ao 1. Oliveira RA. Psicologia clínica e reabilitação física. Lisboa, Edições
ISPA, 2001.
casal de base sistémica permite o reenquadrar 2. Spencer KA, Tompkins CA, Schilz R. Assessment of depression in
destas diferentes situações de crise; d) Também patients with brain pathology: the case of stroke. Psychological Bul-
letin 1997; 122(2): 132-152.
as técnicas grupais, nas suas múltiplas formas, 3. Williamson GM, Walters A. Perceived impact of limb amputation on
têm demonstrado ser um precioso instrumento. sexual activity: a study of adult amputees. The Journ of Sex Research
1996; 33(3): 221-234.
Para concluir, pensamos que, no que diz res- 4. Maitre M, Rouyer A, Enjalber t M, Pélissier P. Approche
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Brun et JM André, Amputation du membre inférieur appareillage et
gação científica, elemento fundamental de com- rééducation. Masson, Paris, 1996, 1-7.
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plementaridade ao trabalho clínico, este ainda London, Standard Edition, 1916.
se encontra pouco estruturado e desenvolvido. 6. Oliveira RA. Elementos psicoterapêuticos na reabilitação dos sujeitos
com incapacidades físicas adquiridas. Análise Psicológica 2000;
Será necessário um outro esforço que possibilite 4(XVIII): 437-453.
um contacto mais genuíno com a realidade in- 7. Castelnuovo-Tedesco P. Psychological consequences of physical de-
fects: a psychoanalytic perspective. Int Rev Psycho Anal 1981; 8: 145.
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9. Lussier A. The physical handicap and the body ego. Int J Psycho-Anal
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