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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

PARTIDO POLÍTICO, com representação no Congresso Nacional, pessoa jurídica de


direito privado, por seu Diretório Nacional, inscrito no CNPJ sob o n.º ______, endereço
eletrônico ______, com sede na Rua ______, n.º ______, Bairro ______, cidade ______,
UF, CEP ______, por seu advogado inscrito na OAB/ sob n.º ______, que esta
subscreve (instrumento de mandato incluso [doc. ______ ]), com endereço sito na
(Rua _______, n.º______, Bairro ______, [Cidade/Estado], CEP: _______), local
indicado para receber intimações (art. 77, V, do CPC/2015), vem, respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 102, I, “a” e “p”, da
Constituição Federal de 1988, Lei 9.868/1999 e artigo 319 e seguintes do Código de
Processo Civil, propor a presente AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE COM PEDIDO CAUTELAR, em face do
PRESIDENTE DA REPÚBLICA E DO CONGRESSO NACIONAL, representado
este pela pessoa de seu Presidente, pelas razões de fato e de direito a seguir expostos:

I – DA NORMA IMPUGNADA

O governo brasileiro, preocupado com os índices crescentes de ataques terroristas


no mundo, vinculou-se à Convenção sobre os Direitos Humanos das Vítimas de
Atividades Terroristas, convenção internacional, de âmbito multilateral, que estabelece
restrições aos direitos dos presos condenados por crimes resultantes de atividades
terroristas. O Presidente da República assinou o Tratado e a enviou ao Congresso
Nacional, conforme disposição no art. 49, I, da Constituição Federal e, não de acordo com
o § 3.º do art. 5.º dessa Carta, sendo que, em poucos meses, o Congresso Nacional aprovou
o texto do Tratado na forma de decreto legislativo. Após isso, o Presidente da República
editou decreto promulgando e ratificando o Tratado.
O art. 22 do tratado preceitua que: “as presas condenadas por crimes resultantes
de atividades de terrorismo, logo após darem à luz, deverão deixar seus filhos sob a
responsabilidade de entidade pública de assistência social até que cumpram
integralmente a pena”. Esse artigo tem sido plenamente aplicado por vários juízes, em
todo o território nacional.
II – FORO COMPETENTE

O artigo 102, I, “a”, da Constituição Federal de 1988 estabelece que:


“Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória
de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (...)”.
Desse modo, verifica-se que a competência para processamento e julgamento da
presente ação direta de inconstitucionalidade é originária do Supremo Tribunal Federal.

III – LEGITIMIDADE ATIVA

O autor da presente ação é o PARTIDO POLÍTICO com representação no


Congresso Nacional, sendo assim, de acordo com o rol taxativo para atuar no controle
concentrado de constitucionalidade, nos termos do art. 103 da Constituição Federal de
1988, detém legitimidade universal para a propositura da presente ação, conforme
previsão no art. 103, VIII, da CF e do art. 2º, VIII, da Lei n° 9.868/99.

IV – LEGITIMIDADE PASSIVA

Nas ações diretas de inconstitucionalidade, a legitimidade passiva é atribuída aos


responsáveis pela edição da lei ou ato normativo. Em se tratando de Tratado internacional,
devem figurar no polo passivo o Congresso Nacional e o Presidente da República (artigo
84, VIII, da Constituição Federal de 1988), pois a incorporação de tratados e convenções
internacionais ao direito interno é ato complexo, que demanda a manifestação de duas
vontades: a do Congresso Nacional, via decreto legislativo, e a do Presidente da
República, por decreto.

V – INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL/FORMAL

Embora compreenda uma Convenção Internacional sobre Direitos Humanos, a


Convenção sobre Direitos das Vítimas de Atividades Terroristas, tem status de lei
ordinária, tendo em vista que foi integrada em nosso ordenamento jurídico pelo rito
ordinário, não se impondo quórum qualificado na forma do art. 5º, § 3º da Constituição
Federal, mas sim conforme as regras anteriores à EC 45/04, estando, destarte, sujeita ao
controle de constitucionalidade.
O art. 102, III, b, da Constituição Federal revela que o tratado está submetido ao
controle de constitucionalidade, o que se pode fazer por ação direta de
inconstitucionalidade ou por meio da declaratória de constitucionalidade (art. 103 e seu §
45, CF).
Nas palavras de Carlos Roberto Husek (2017):
Em primeiro lugar, fixe-se a ideia: os tratados internacionais, sejam eles
comerciais, de direitos humanos, educacionais ou tributários, seguem idênticos
procedimentos quanto à passagem pelos órgãos internos brasileiros, isto é,
passam pelo Legislativo (art. 49, 1, da CF) e pelo Executivo (art. 84, VIII, CF).
(HUSEK, 2017, p. 125)

A inconstitucionalidade material evidencia-se quando o conteúdo do ato


normativo entra em conflito com os princípios constitucionais. Tal inconstitucionalidade
encontra-se presente no art. 22 da Convenção sobre os Direitos Humanos das Vítimas de
Atividades Terroristas, visto que o referido dispositivo vai de encontro com o art. 5º, L,
da CF.
Conforme o art. 5º, L, da CF:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

(...)

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam


permanecer com seus filhos durante o período de amamentação (BRASIL,
1988)

É evidente a violação do dispositivo no art. 22 da Convenção, frente à Carta


Magna, ao dispor nos seguintes termos: "as presas condenadas por crimes resultantes de
atividades de terrorismo, logo após darem à luz, deverão deixar seus filhos sob a
responsabilidade de entidade pública de assistência social até que cumpram
integralmente a pena".
Portanto, comprovada a inconstitucionalidade no art. 22 da referida Convenção,
deve-se admitir a presente Ação Direta de Inconstitucionalidade, para que seja, no mérito,
julgada procedente, declarando-se a inconstitucionalidade do referido dispositivo, assim
como dos decretos que o convalidaram, face ao disposto no art. 5º, L, da Constituição
Federal.

VI – DA MEDIDA CAUTELAR

Em ação desta natureza, pode a Corte conceder medida cautelar que assegure,
temporariamente, tal força e eficácia à futura decisão de mérito. Neste sentido é a previsão
do artigo 102, I, alínea “p”, da Constituição Federal de 1988 e do artigo 10 da Lei
9.868/1999.
Há plausibilidade jurídica na arguição de inconstitucionalidade constante da
inicial, em virtude da patente contrariedade ao exercício de um direito assegurado pela
Constituição (direito da gestante presa de permanecer com seu filho durante o período de
amamentação) – “fumus boni iuris”. Está igualmente atendido o requisito do “periculum
in mora”, em face do dano irreparável causado aos recém-nascidos que podem ser
privados do contato materno, sobretudo na fase de amamentação.
Deste modo, deve ser suspensa, de imediato, a norma objeto da presente
impugnação, assim como deverá ocorrer a suspensão de todos os processos que tramitam
no controle difuso que tenham esta norma como objeto de discussão.

VII – DO PEDIDO

Posto isso, requer o autor que o Supremo Tribunal Federal se digne determinar:
a) a intimação do Sr. Presidente da República e do Sr. Presidente do Congresso
Nacional para que, como autoridades responsáveis pelo ato normativo questionado,
manifestem-se no prazo de cinco dias, sobre o pedido de concessão de medida cautelar,
com fundamento no artigo 10 da Lei 9.868/1999;
b) a concessão de medida cautelar com base no artigo 10 da Lei 9.868/1999, para
suspender a eficácia do dispositivo (cópias anexas nos termos do artigo 3.º, parágrafo
único, da Lei 9.868/1999);
c) a intimação do Sr. Presidente da República e do Sr. Presidente do Congresso
Nacional para que, como autoridades responsáveis pela incorporação do tratado
questionado, manifestem-se sobre o mérito da presente ação, no prazo de trinta dias, nos
termos do artigo 6.º, parágrafo único, da Lei 9.868/1999;
d) a intimação do senhor Advogado-Geral da União, para se manifestar sobre o
mérito da presente ação, no prazo de quinze dias, nos termos do artigo 8.º da Lei
9.868/1999 e da exigência constitucional do artigo 103, § 3.º, da Constituição Federal de
1988;
e) a intimação do senhor Procurador-Geral da República, para emitir seu parecer,
no prazo de quinze dias, nos termos do artigo 8.º da Lei 9.868/1999 e da exigência
constitucional do artigo 103, § 1.º, da Constituição Federal de 1988;
f) a procedência do pedido de mérito, para que seja declarada a
inconstitucionalidade do dispositivo [Cópias anexas nos termos do artigo 3.º, parágrafo
único, da Lei 9.868/1999].

Valor da causa R$ R$ 1.000,00 (mil reais) para efeitos fiscais.

Termos em que,
pede deferimento.

Local e data.

Advogado/OAB.