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Questões Fundamentais
no Debate Atual
á GERHARD F. HASEL
TEOLOGIA
DO NOVO
TESTAMENTO

Questões Fundamentais
no Debate Atual

Di gi tal iza do por: Jolosa


GERHARD F. HASEL
Questões Fundamentais
no Debate Atual

A
JUEWP

GERHARD F. HASEL
TRADUÇÃO DE JUSSARA M AR INDIR PI NT O"
SIMÕES ARIAS
Todo s os direitos reservado s. C opyright © 1988 da Jun ta de Ed ucaç ão
ReJigiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira. Kdicão em
Portuguê s au toriza da , m ediante co ntrato, pela Will iam M. herd m an s
Pub lishing Co., G ra nd R apids, Michigan USA. Copyright © 1972 by
William B. Eerdmans Publishing Co. É proibida a reprodução do
texto, no todo ou parcialmente, sem a expressa autorização do editor.
Tra duçã o do srci nal em inglês: New Testam ent Theo logy: Basic Iss ues
in Current Debate,

HA S-TEO Teol ogia do No vo Teslam enlo: questõ es iund am entai s 110

debate amai trad. de Jussara Marindir Pinto Simões A-


rias. Rio de Janeiro. Junta de Educação Religiosa c Publi
cações, 1988
193p.; 20.5 — título srcinal: New Testament Theology:
basie is sues in the e u r r e m d e b a t e . — ínciui b ib lio g r af ia .
1. Novo Teslamenio — Teologia — 1. Título.

CD D 225

Capas: QueilaMallet
Códi go p a ra P edidos: 22.108
Ju nta de Ed ucaç ão R eli giosa e Publicações da
Convenção Batista Brasileira
Caixa Po stal 320 — CEP : 200 01
Rua Silva Vale, 781 — Cavalcanti — CEP: 21370
Rio d e Jan eiro, RJ, B rasi l
3.000/1988
Im presso em gráficas própria s
Sumário
ABREVIATURAS.................................................................................. 7
IN T R O D U Ç Ã O ...................................................................................... 9
1. PRIMÕRDIOS E DESENVOLVIMENTO DA TEOLOGIA
DO Refo
Da N T rm
.................................................................................................
a ao Ilu min ism o ............................................................ 13
13
A E ra do Ilum inismo ....................................................................... 17
Do Iluminism o à Teologia Dialética ............................................ 25
Da Teolo gia Dial ética até o P re s e n le ............................................ 43
2. M ETO D O LO G IA NA T EO LO G IA DO N T ............................. 58
A Abordagem T e m á tic a .................................................................. 58
A Abord agem E xis te ncia li sta ......................................................... 65
A Abord agem Histórica .................................................................. 80
A Abo rd ag em d a Histó ria da S a lv a ç ã o ........................................ 87
Observações F in a is ........................................................................... 104
3. O CENTRO E A UNIDADE DA TEO LO GIA DO N T ........... 110
A Questão .......................................................................................... 110
A Busca do Centro do N T ................................................................ 113
A n tro p o lo g ia .................................................................................. 113
História da S a lv a ç ã o .................................................................... 116
Pacto, Amor e O utr as Pro postas .............................................. 120
C ris to lo g ia ...................................................................................... 121
O Centro do NT e o Can on D en tro do C â n o n ............................. 128
4. A T E O LO G IA D O NT E O A T ..................................................... 133
Padrões de Desunião e Desco ntinuidade ................................... 134
Sup erva lorizaçã o do N T/ Desvalorização do A T .................. 135
Desv alorização do N T / Superv alorização do A T .................. 138
Padrões de Unidade e Continuidade ............................................ 142
Conexão H istó ric a ......................................................................... 144
D ependência E scritura i .............................................................. 144
V o c a b u lá rio .................................................................................... 145
T e m a s .............................................................. ................................. 146
Tipologia ...................................................... ...................................... 147
Promessa-cumprimento .................................................................. 149
Histó ria da Salvação * ....................................................................... 151
U nid ade de Perspectiva .................................................................. 151
. PROP OSTA S BÁS ICAS PARA UMA TE OL OG IA DO NT:
UM A ABORDAGEM M ÚLTIP LA ............................................ 158
Biblio grafia S ele cio nada.................................................................. 171
ín dic e de Nom es de A u to re s............................................................ 187
ín dic e de Assuntos ........................................................................... 191
Abreviaturas

AUSS Andrews Universi ty Seminary Studies


BTB Biblical Theology Bulletin
CBQ Catholic Biblical Quarterly
EOTH Essays on Old Testament Hermeneutics, ed.
Claus W csterm anti (Richm ond, Va ., 19 63)
ET Expo sitory Times
EvTh Evangelische T heologi e
IDB In terp 1962) D ictionary o f the B ib le, 4 vols. (Nash
ville,reters
IBD Sup. Interpreter's Dictionary o f the B ib le . Supple m entary
Volume (Nashville, 1976)
JB L Jo ur na l of Bibl ical L iterature
JB R Jou rn al of Bi ble an d Reli gion
NNTT R. Morgan, The Nature o f New Testam ent The ologv
(SBT 11/25; Londres, 1973)
NTS New T esta m ent Studies
OTCF TheAnderson
Old Testament and Christian
(New York, 1963) Faith, ed. B. W.
PTNT D as Proble m der Theologie des N euen Testa m ents,
ed. G. Strecker (D arm stad t, 1975)
SBT Studies in Biblical Theology
ThQ Theologische Quartalschrift
ThLZ Theologi sche L iteraturzeitung
ZAW Zeitschri ft für alttestam entliche W iss enschaft
ZNW Zeitschrift für neutestam entliche W iss enschaft
ZThK Zeitschrift für Theologie und Kirche
7
Introdução
A teologia do Novo Testamento está hoje inegavelmente em crise.
Isto não quer dizer que não haja interesse no estudo acadêmico da
teologia do NT ou que haja falta de monografias com o título de
Teologia do Nóvo Testamento ou similar. Na realidade, nos aproxi
madamente duzentos anos de existência da disciplina Teologia do
NT, n u nca houve um a década em que mais de dez diferentes teologias
do NT fossem publicadas, tendo este evento ímpar ocorrido entre
1967 e 1976. 1 E ê surp reend ente que nenh um dos est udios os que
produziram estes trabalhos concorde a respeito da natureza, função,
método e escopo da teologia do NT. Norman Perrin, da Universida
de de Chicago, começa um recente artigo em jornal sobre a teologia
do NT c om a afirm ação categórica: “ O est udo acadêm ico da Teologi a
do NT está hoje num estado de con fusã o.” 2 O estudioso alem ão pó s-

1 A prim eira teologia do NT desta dé cada foi pu blicad a po r H. C onze lm ann , Gnin-
dris s der Theolo gie d es N eu en T e sta m e n ts (Munique, 1967), trad. ingl.: Air O u t
line of the Theo lo gy o f the N ew Testamen t (New York, 1969); K. H. Schelkle,
Theologie des Neuen Testaments, 4 vols. (Düsseldorf, 1968, 74), trad. ingl.: Theo
logy o f the New Testam ent , 4 vols. (Collegeville, Minn., 1971,77); W. G. Kümmel,
D ie T h eologie d e s N eu en T e sta m e n ts nach sein en H a u p tzeu g en : Jesu s-P aulu s-
Joh an n es (Gõttingen, 1969), trad. ingl.; The Theolo gy o f th e New Testamen t
A c c o rd in g to Its M a jo r W itn esses: Jesu s-P aul- John (Nashville, 1973); J. Jeremias,
N e u te sta m e n tlic h e Theolo gie . E rste r T eil: D ie V erk ü n d ig u n g Jesu (Gütersíoh,
1971), trad. ingl.: N ew T e sta m e n t T heolo gy: T h e P ro c la m a tio n o f Je su s (New York,
1971); M. G. Cordero, Teologia de l a B iblia II e t ITT: Nuevo T estam en to, 1 vols.
(Madri, 1972); G. E. Ladd, A T h eology o f the N ew T e sta m e n t (Grand Rapids,
M ich ., 1974), t rad. port.: Teol ogi a do Novo Testam ento, (Rio de Janeiro, JUERP,
1985); C. R. Lehmann, B ib lic a l Theolo gy, 2: N ew T e sta m e n t (Scottdale, Pa., 1974);
E. Lohse, Grundriss der neutestamentlichen Theologie (Stuttgart, 1974); L. Gop
pelt, Theol ogi e des Neuen Te stam ents , 2. vols. (Gõttingen, 1975-76); S. Neill, Jesu s
Thro ugh Many Eyes. Introducti on to t he Theol ogy o f New Testamen t (Nashville,
1976); A. T. Nikolainen, Uuden T est am enti n Tulkint in fa tutkimu s (Porvoo-Hel-
sinki, 1971).
2 N. Perrin, “Jesus and the Th eology of the New T esta m en t” , consu ltar na Ca tholical
Biblical Association, Denver, Colo., 18 a 21 de agosto, 1975.

9
bultm anniano E. K ãsem ann reto rnou novam ente a aspectos essen
ciais da teologia do NT. Num ensaio recenle sobre o assunto, ele faz
uma reflexão a respeito do ensaio programático de William Wrede,
escrit o em 1897,3 e con clui que nesta “ pen etr aç ão sem pa r, refl exão
radical e concentração brilhantemente concisa sobre o essencial, o
autor Wrede revelou o beco sem saída em que nos encontramos hoje
— ou ao qual novam ente retornam os” .4 E sta avaliação não deix a de
se relacio nar com as opiniões d e Jam es A. Ro bin so n.5 R. M org an, da
Universidade de Lancaster, está seguramente certo ao afirmar que
“A teologia do Novo Testamento é um ponto crucial no debate
teológi co con tem po rân eo ."0 Est e de bate prossegue com força total e
às vez es se inflam a.
Muitos problemas básicos no debate contemporâneo sobre a teolo
gia do NT não estão de svinculad os daqu eles da teologia do A T .7 Em
ambos os cas os, o debate s e preo cup a co m pro blem as fun dam entais, e
não com aspectos periféricos. Podemos ilustrar a afirmativa com a

questão
sua do teologia
famosa lugar de Jesuscom na teologia do“A
o enunciado: NT. R. Bultmann
mensagem começa
de Jesus é mais
uma pressuposição para a teologia do NT do que uma parte da
teol ogia e m si. ” 8 Ele acha que a pró pr ia teol ogia do NT come ça com a
íeologia de Paulo. Após uma longa reflexão, Perrin aceitou o dictum
de Bultmann. Perrin agora crê que a proclamação de Jesus é “a pres
suposiç ão d o Novo T es tam en to” .9 Como tal, não é em si um a p ar te da
teologia do NT. Enquanto Bultmann inclui a “mensagem de Jesus”
como uma parte de sua história da religião como introdução à

teologi
rênc iasasobre
do NaTteologia
,10 E. Kdo
ãseNT
m an
comn ea G. Stre cke
teologia r com eçam
de Pa u lo .11 suas
H. Coconfe
nzel
mann omitiu uma parte sobre a mensagem de Jesus, em sua teologia

3 W. Wrede, “Uber Aufgabe und Methode der sogenannten neutestamentlichen


Theologie”, D as P ro blem d e r T h eologie des N euen T e s ta m e n ts , ed. G. Strecker
(Darmstadt, 1975), p. 81-154, trad. ingl.: "TheTask and Methods of ‘New Testa
ment Theology'”, por R. Morgan, The Nature of New Testam ent Theology
(SBT 2/25; L. Londres, 1973), p. 68-116.
4 E. Kãsemann, ‘‘The Problem of a New Testament Theology", N ew T e stam e n t
Studies 19(1973), p. 237.
5 J. A*. Rob inson, ‘‘T he Future of N ew Testa m ent T heo logy” , R elig io u s S tu d y R e
view 2 (1976), p. 17-23.
6 R. Morgan, The N ature o f New Testament Theol ogy , p. 1.
7 Veja Gerhard F. Hasel, Old Testament Theology: Basic Issues in the Current De
b a te (2 .a ed.; Grand Rap ids, Mich., 1975) .
8 R. Bultmann, Theo lo gy o f th e New Testam ent (Londres, 1965), I, p. 3.
9 N. Perrin, The N ew Testament: An Introduct ion (New York, 1974). Ver o titulo do
12.° e do último capítulos.
10 Bultmann, Theol ogy of the N T , I, p. 3-32.
11 G. Strecker, ‘‘Das Problem der Theologie des Neuen Testaments”, D a s P ro blem
d e r T h eologie des N T , p. 1-31, esp. 30; Kãsemann, “ Th e Pro bl em o f a N T Theo
logy", p. 243.

10
do NT . W . G. K üm m el 12 e E. L oh se1-’ en co ntra m -s e no outr o
extremo. Ambos apenas começam a proclamação de Jesus. J. Jere
mias é antigo particip an te deste debate e tra ta da mensagem de Jesus
em um volume i nteiro sobr e a teologia do N T .'4 O estudioso britânico
S. Nei ll afirm a sem hesitação, em seu último trab alh o sobre a te ologi a
do NT: “ T od a teol ogi a do Novo T estam ento tem que ser um a teolo gia
de Jesus o u não é abso lutam ente n a d a .” 15
Profundos problemas históricos, teológicos, filosóficos e metodoló
gicos se escondem atrás destas posições díspares. Os problemas que
subjazem a estes posicionamentos podem ser melhor apreciados e
entendidos com base no desenvolvimento histórico dos estudos do NT
em geral e da teologia do NT em particular. Esta é a razão para
começarmos nossa discussão das questões básicas no debate contem
porâneo sobre a teologia do NT com um exame histó rico dos prim ór-
dios e do desenvolvimento da teologia do NT (Capítulo 1). É evidente
que o presente tem suas raízes no passado e não pode ser adequada
mente entendido sem o seu conhecimento. A seleção de assuntos, no
corrente debate, em termos da questão da metodologia (Capítulo 2),
os vários problemas associados ao centro do NT (Capítulo 3) e a
varied ade dc aspectos relacion ado s à teologia do NT e ao AT , isto é, o
relacionamen to entre o s Testam entos (Capítulo 4 ) não pretendem ser
exaustivos e completos. Eles buscam abordar aqueles fatores e
questões que parecem exercitar os estudiosos contemporâneos de
várias escolas de pensamento e que são grandes problemas não resol
vidos. Nas bases de nossa discussão, tentamos fornecer algumas
sugestões preliminares para se fazer teologia do NT (Capítulo 5).
Uma farta bibliografia procura servir como fonte para estudos e
pesquisa pessoal. Esperam os que o leitor se sinta estim ula do a se
empenhar em pensamentos informados e criativos à medida que for se
familiarizando com as questões básicas, no debate atual sobre a
teologia do NT.

12 Kümmel, The Theol ogy of the N T, p. 22-135.


13 Lohse, G rundriss der nt l. Theologi e. p. 18*50.
14 Neill,
15 Jeremias,
JesusN T
ThTheology:
rou gh M anTh
y eh'yP es,
rncla u tion o f Jesu s { 1971).
p. m10.
1

Primórdios e Desenvolvimento
Teologia do N T da
Este capítulo oferece um exame histórico das principais tendências
dos primórdios da teologia bíblica. Damos uma ênfase especial ao
desenvolvimento da teologia do NT1a partir do início do século XIX2
às primeiras décadas deste século. O debate atual sobre o escopo,
propósito, natureza e função d a teologia do N T3 tem suas origens no
passado e com freqüência no passado distante. A teologia do Novo
Te stam ento é a fonte principal d a teo log ia bíblica e, p ortan to, devem
ser est u dadas ju n tas .

A. D a Ref orma ao Ilumini smo


A Igreja pós-NT dos primeiros séculos do cristianismo não desen
volveu nenhuma teologia bíblica nem do NT. A razão foi o dictum de
que o conteúdo dos escritos canônicos, se corretamente entendido,
era idêntico ao dogma da Igreja e tido como de validade universal.4

1 Entre as principais histórias da teologia do NT se enco ntram as seguintes:


R. Schnackenburg, N e u te sta m en tlic h e Theologie . S ta n d d e r F orschung (2.a ed.;
Munique, 1965), trad. ingl. feita da primeira edição de 1963: N ew T e sta m e n t
Theology Today (Londres, 1963); H.-J. Kraus, D ie b ib lis c h e Theologie . Ih re
Geschichte undProblematik (Neukirchen-V luyn, 1970 ); O. Merk, B ib lisch e T h eo
logi e des Neuen Testam ents i n ihrer A nfa ng szeit (Marburgo, 1972); W. Harring-
ton, The Path o f Biblical Theology (D ub iim , 1973 ); L. G opp elt, Theologie des
N euen T esta m en ts (Gõttingen, 1975), p. 19-51; G. Strecker, “Das Problem der
Theologie des Neuen Testaments”, em D a s P ro b lem d e r T h eologie d e s N eu en
Testaments (Darmstadt, 1975), p. 1-31.
2 A primeira teologia do NT do século foi publicada por G. L. Bauer, B ib li sch e
Theol ogi e des Neuen Testam ents ( Leipzig, 1800-1802).
3 Ist o te m sido radical m ente questionado por J. M. R obinso n, "D ie Zukunft der
neutest am entli chen Th eologie” , N eues T e sta m e n t u n d c h ristl ic h e E xis ten z. F est-
sch rif t f ü r H . B raun zu m 70. G e b u rtsta g am 4. M a i 1 9 7 3 , ed. H. D. Bctz (Tübin
gen, 1973), p. 387-400; trad. ingl.; “The Future of New Testament Theology",
R elig iou s S tu d ies R evie w 2(1976), p. 17-23.
4 O. Kuss, "Zur Hermeneutik Tertuilians". Schriftauslegung, Beitrage zur Herme-
n e u tik d es N T u n d im N T , ed. ] . E m st (M unique, 1972) , p. 55-87.
13
D uran te a Idade M édia, a Igrej a Católi ca Ro m ana consi derava o NT,
como o AT, uma parte da tradição eclesiástica.5Não se lia o NT fora
da ou contra a tradição, porém mais ou menos interpretado pela
tradição ou l evad o a harm oniza r-se com el a.
A Refo rm a libertou-se da trad ição eclesiást ica e da teol ogia es col ás-
tica 6 e usou como bra d o de gu err a o princ ípio p rote stan te da "sola
scrip tura ” .7 Com est e princípio, a Es critura passou a não mais ser in
terpre tada pel a tradição. Recon hec eu- se na Es critura uma autoridade
superior à tradição, que resultou na auto-interpretação da Escritura
(,sui ipsius interpresf e se tornou a fonte do desenvolvimento
subseqüen te d a teo logia bí blica.
Entre os reformadores, a contribuição de Martinho Lutero foi
particula rm ente sig nificativa.9 Ele reje itava fundam entalm ente o
senti do qu ád ru plo da E sc ritu ra 10 e desen vol veu sua “ nova ” he rm e
nêutica entre 1516 e 1519. A ênfase no contraste entre “letra e
espírito” (littera et spiritus),'1 a distinção determinante de “lei e
evangelho” (lex et evangelium ) , 12 e o pr in cíp io cristo lógic o “ O que
manifesta Cristo” (was Christum treibet ) 13 m ar ca m a essê ncia da
“nova” hermenêutica da “sola scriptura” de Lutero. O princípio da
“sola scriptura” funciona, para Lutero, de duas maneiras: (1) a dis
tinção entre Cristo e Escritura, isto é, a verdadeira Escritura é a
"que manifesta Cristo”, e (2) a diferença resultante entre lei e

5 W. G. Kümmel, The New Te stam ent: The H ist ory o f the I nvestigati on o f It s
P ro b le m s (Nashville. 1972), p. 13-19.

6 Impulsos
através dedeErasmo
cis ivos(cf.nest
E. aW.diKohls,
reção s ão encontrados no
D ie T h eologie hum anismo
des E ra sm u, sparticul arm1966],
CBasiléia, ente
I, p. 126 e ss. ; H, Sch liti gensiep en, “ Erasm us ai s E xeg et” , Z e its c h r ift f ü r K irch en -
g e sc h ich te II [19 29 ] p. 16-57), Lauren tius V alia (cf. E. M ühlen berg , “ Laurentiu s
Valia ais Renaissancetheologe", Z T h K 66 [1969], p. 466-480), e Cajetan (G, Hen-
nig> Cajetan und Luther (Stuttgart, 1967). Este s hum anistas consider avam que
a Bihlia e a tradição se aproximavam, mas a autoridade eclesiástica permanecia
suprema.
7 A função da “ sol a sc rip tura" no período pré-Reforma é resum ida por H. Ober-
mann, The H arvest o f M edieval Theolog y (2.a ed,; Grand Rapids, Mich.. 1967),
p. 201. 361-363, 377, 380-390.
8 G, Ebeling, “The Meaning of ‘Biblical Theology"’, Word and Faith (Londres,
(1963), p. 81-86.
9 Ver K. Holl, “Luthers Bedeutung für Fortschritt der Auslegungskunst” G e-
sa m m e lte A u fs a tz e z u r K irc h e n g e sch ic h te (6.a ed.; Tübingen, 1932), I, p. 544-
582; F. Hahn, “Luthers Auslegungsgrundsàtze und ihre theologischen Voraus-
setzungen ” , Z e itsc h rift f ü r syste m . Theo lo gie. 12 (1934), p. 165-218; G. Ebeling,
“Die A nfange von Luth er s H ermeneutik” , Z T h K 48 (1951), p. 172-230.
10 Ver suas conferências sohjre Gálatas (W A 57, p. 95 e s.) e Romanos (W A 5 6 ,
p. 175-439) e tamb ém W A 2, p. 249 e ss.; W A 5, p. 644 e ss.
11 Ver, por exem plo, W A 3, p. 11-17, 254-257, 456 e s.
12 Por exemplo, W A 4, p. 45-49, 97, 135, 174-176. P. Schempp, L u th ers S tellu n g
z u rH e ilig e n S c h rift (Munique, 1929), p. 70-78.
13 Ver W A , DB 7, p. 384; W A 3, p. 492; WA 4, p. 379; W A 39 1, p. 47; Teses 41,
49, 51; cf. Ebeling, W ord and Fait h, p. 82 e s.

14
evan gelho .14 Com est as dist inções, Lutero p roje tou um a enorme
sombra, que alcança os nossos dias em forma de questões a respeito
da un idad e da Bí bli a (e do N T )15 como tam bé m do p roblem a do
“cânon den tro do cân on .” lb
Lutero e os outros reformadores não aplicavam as conseqüências
hermenêuticas do princípio “sola scriptura” ao domínio total da
teologia, e assim não desenvolveram o que se tornou conhecido como
a disciplina teologia biblica. A designação “teologia bíblica’’ é em si
ambígua, pois pode ser usada com duplo sentido: (1) Designar uma
teologia que tem suas srcens nos ensinamentos da Escritura e sua
base nela17 ou (2) desig nar a teologia que a Bíblia em si contém .18
No segundo sentido é u m a discip lina teoló gica específica, que se
bifurcou ao longo das linhas da teologia do A T 19 e da teologia do NT
na vira da do século XVIII par a o século X IX .20
Os precursores daqueles que desenvolveram o termo “teologia bí
blica" pertencia m à reform a radic al, isto é, o movimento, anabatis-

14 Merk, B ib lisch e T h eolo gie d es N T , p . lie s .


15 Ver A. Stock, E in h e it des N euen T esta m e n ts (Zürich/Finsiedeln, Kõln, 1969);
A. Kümmel, “Mitte des Neuen Testaments", E É van gile h ie r e t au jo u rd'h ui.
M ela n g es o fferts au F.-J. L e e n h a rd t (Genebra, 1968), p. 71-85; F. Courth,
“Der historische Jesus ais Auslegungsnorm des Glaubens”, M ü n ch en e r th eola -
fiische Z eitsc h rift 25 (1974). p. 301-316; W. Schrage. “Die Frage nach der Mitte
und dem Kanon im Kanon des Neuen Testaments in der neueren Diskussion”,
R ech tfe rtig u n g . F estsch rift f ü r E. K ã sem an n zu m 70 G e b u rtsta g , eds. J. Frie-
dri ch, W . P ôhlman e P. Stuhlm achcr (Tüb ingen, 1976) , p. 415-442.
16 Ver E. Kãsemann, ed., D as N eu e T e s ta m tn t ais K a n o n . D o k u m e n ta tio n u n d

(kritisch e in
The Bible A nthe
a lyModern
se z u rWorld
G eg en w ã rtig
(New enYork,
D isku ssion
1973), (Gõttingen,
p. 30-40) afirma 1970). J. Barr
que a Bíblia
é “soteriologicamenle funcional". Inge Lónning, K a n o n im K a n o n . Z u m d o g m a -
tischen G ru n dlag en p ro h le m d e s n eu testa m en tlic h e n K a n o n s ("Forschungen zur
G eschichte und Lchr e des Protestanti sm us") (10/X L III) (M uniqu e, 19 72 ); F. M il -
denberger, "The Unity, Truth and Validity of the Bible", In te rp re ta tio n 29 (1977),
p. 391-405, esp. p. 399-404.
17 Neste sentido, F. C. Baur ( Vorlesungen über neutestamentliche Theologie, ed .
F. F. B aur CLei pzi g, 1864 1 p. 2) e antes dele D. Sche nk el (" D ie A ufgab e der b i-
blis chen Th eologie I n de m gegenwãrtigen E ntwicklungsstadium der theologis chen
Wissenschaft", Theologische Studien und Kritiken 25 [1852], p. 40-66, esp.
p. 42-44) sugeriram que os reformad ores se enga jassem na teologia bíblica.
18 W. Wrede, Uber A ufgabe und M ethode der sogenannt en n eutest am entli cher
Theologie (Gõtingen, 1897), p. 79, reimpresso em D a s P ro b le m d e r T h eo logie des
N euen T e sta m e n t, ed. G. Strecker (Darmstadt, 1975), p. 81-154, esp. p. 153;
trad. ingl., “The Task and Methods of 'New Testament Theology’", de R. Mor
gan, The N ature of N ew Testamen t Theol ogy (SBT 2/25; Londres, 1973), p. 68-
116, esp. p. 115; Ebeling, Word and Faith , p. 79-81; K. Stendahl, “Method in
the Study of Bibli cal Theology ", The B ibl e in M odern S cholarsh ip, ed. J. P. Hyatt
(Nashville, 1965), p. 202-205; Merk, B ib lisch e T h eologie des N T , p. 7 e s.
19 O D esenv olvim ento e as questões atuais da teolog ia do A T são d escritos no primeiro
volume desta obra, G. F. Hasel, Old Testament Theology: Basic íssues in the
Curr ent D eba te (2.a ed.; Grand Rapids, Mich., 1975).
20 G. L. B auer foi o primeiro a trat ar da teologia dos doi s T estam ento s sep arad am en
te. Ver acima, n.° 2.

15
ta ,21 no tada m en te Osw ald G lait e A ndre as F ischer, po r volt a de
1530.22 M as som ente cem anos depois a ex pre ssã o “ teologia b íblic a”
aparece de fato pela primeira vez no D euts che bib lische Theologie
(Kempten, 1629) de Wolfgang Jacob Christmann. Seu trabalho hoje
não existe mais.23 Mas o trabalho de Henricus A. Diest, intitulado
Theologia Biblica (D ave ntri, 1643) está dis ponível e perm ite a pr im ei
ra v isão pro fun da na natu rez a de um a discipl ina em ergente. Entende-
se que a indiscriminadamente
extraídos “teologia bíblica” consiste
de ambosde os“textos-prova”
Testamentos, da Bíblia,
a fim de
manter os tradicionais “sistemas de doutrina” da antiga ortodoxia
protestante. O papel subsid iário da “ teologia bíblica” contra a
dogmática foi firmemente estabelecido por Abraham Calovius, um
dos mais significativos representantes da ortodoxia protestante,
quando ele usou "teologia bíblica” como designação do que antes se
chamava the olog ica exe ge tica .24 Em sua obra os “textos-prova” bíbli
cos, que se chamavam dieta probantia e mais tarde se designaram
collegia biblica,
buiç ão perm tinham
anente o papel defoisustentar
de Calovius a dogmática.
desig nar à teolo gia A
bíbcontri
lica o papel
de disciplina subsidiária, que apoiava as doutrinas ortodoxas protes
tantes. A teologia bíblica como disciplina subsidiária da dogmática
ortodoxa é evidente nas teologias de Sebastian Schmidt (1671),
Johann Hülsemann (1679), Johann Heinrich Maius (1689), Johann
W ilhelm Baier (1716-19) e C hristian E be rh ard W eis m an n (1739).2 5
A ênfase de volta à Bíblia do pietismo alemão fez aflorar uma
m ud an ça de direção p ar a a t eologia bíblic a.26 No pietismo a teol ogia
bíb
p rolica tornou-se
testan ump inJacob
te.27 Philip strumSpener
ento da(1635-1705),
reação contrauma árida orto doxia
dos fundadores
do pietismo, fazia uma oposição entre o escolasticismo protestante e a

21 Ver W . Klnsse n, “ An abaptist Herm eneutics". M e /m o n ile Q u a rterly R evie w 4 0


(1966), p. 83-111; idem, Covenant and Community (Grand Rapids, Mich.,
1967).
22 G. F. Hasel, “Capito, Schwenckfeld and Crautwald on Sabbatarian Anabaptist
Theology”, M e n n o n ite Q u a rterly R eview 46 (1972), p. 41-57.
23 Citado
(Frank emfurt,M.
1685Lipensius,
), t om o I , col.B ib lio theeprimeiro
1709, c a realis th eo por
ci tado log ica o m in iu mW orda
Eb eling, m arteria
n Fairuth,m
p. 84 n.° 3.
24 Calovius, System a loco rum theol ogicor um I (Wittenbergue, 1955).
25 Schmidt, Collegium Biblicum in quo dieta et Novi Testamenti iuxta seriem loco
ru m co m u n iu m th eo lo g ico ru m e x p lin a tu r (Estrasburgo, 1671); Hülsemann, Vin-
dicia e S a n c ta e S c rip tu ra e p e r lo ca cla ssica siste m a tis th e o lo g ic i (Lipsiae, 1679);
Maius, Syno psis theologi ae jud icae veteris et nov a (Giessen, 1698); Baier, A n a lysis
et vindicatio illustrium scripturae (Altdorf, 1716-19); Weissmann, In stitu tio n es
th eo lo g iae e x eg e tic o -d o g m a tica e (Tübingen, 1739) .
26 O. B etz, “History of Biblic al T heo logy” , ID B , I, p. 432,
27 R. C. Dentan, P refa ce to O T Th eology (2.a ed.; New York, 1963), p. 17; Merk,
B ib lisch e T h eologie d es N T , p. 18-20; K ra u s, B ib lisch e T h eo lo g ie, p . 24-30.

16
“ teologia bíb lica ” .28 A influên cia do pietism o se reflete nos trab alh os
de Carl Haymann (1708), J. Deutschmann (1710) e J. C. Weidner
(1722), que fazem uma oposição entre os sistemas ortodoxos de
dou trina e a “ teol ogia b íb lic a" .29
Logo em 1745 a “ teologia bíblic a” sep ara-se cla ram en te d a teologi a
dogmática (sistemática) e a primeira é tida como a fundação da
segunda.Isto significa que a teologia bíblica se emancipa de um
papel m eram ente
desenvolvimento subsidiáariopossibilidade
encontra-se à dogm ática.
de a Inerente a este novo
teologia bíblica
poder to rnar-se rival da dogm ática e transform ar-se num a discip lina
completamente separada e independente. Estas possibilidades se
realizaram sob a influência do racionalismo na época do iluminismo.

B . A Era do Iluminism o
Na era do ilum in ism o (A u fk la ru n g ) um enfoque totalmente novo
para o estu lugar
Em primeiro do daestava
Bíblia se desenvolveu,
a reação sobcontra
do racionalismo diversas influ ências.
qualquer
form a de sup er na tura lism o.31 A razão h um an a fo i elevada a crit ério
final e fonte principal de conhecimento, o que significava que a
autoridade da Bíblia como o registro infalível da revelação divina foi
rejeitada. O segundo ponto de partida principal do período do
iluminismo foi o desenvolvimento de uma nova hermenêutica, o
métod o histó rico -cr ítico ,12 que ain da hoje influe ncia os estudiosos
28 P. J. Spener, Pia ü e s id e r ia (Frankfurt, 1675), trad. e editado por T. G. Tappert
(Filad élfia, 1964), p. 54 c s.
29 Haymann, B ib lisch e T h eologie { Leipzig, 1708); Deutschmann, Theologia Biblica
(1710); W eidner. D e u tsch e T h eolog ie B ib lic a (Leipzig, 1722).
30 De um artigo não assinado, publicado em J. H. Zeller. ed., Grossas vollstandiges
Universallexikon (Leipzig und Halle, 1754; reimpresso por Graz, 1962), Vol. 43,
cols. 849 , 866 e s., 920 e s. Ct, M erk, B ib li sch e T h eologie d es N T , p. 20.
31 O deísm o inglês conforme represen tado po r John Locke (1632 -170 4), John To land
(1670-1722), Matthew Tindal (1657-1733) e Thomas Chubb (1679-1747), com
ênfase sobre a supremacia da razão sobre a revelação encontrou um paralelo no'
continente na "ortodoxia racional” de Jean A. Turrentini (1671 1737), e figuras
como S, J. Baumgarten, J. Semler (1725-1791), J. D. Michaelis (1717-1791).
Ver W. G.1972),
(Nashville, K üm p.mel,51-72;
The H.-J.
NT: Kraus,
The H ist ory oGeschichte
f the Investigati on o f Its Problem
der historisch-kritischen
E rfo rsch u n g d es A T ( 2 .a ed.; N eukirchen -Vluy n, 1969), p . 70 e ss .
32 G. Ebcling, ‘‘Thu Significanec of the Criticai Historical Method íor Church and
Theology in Protestantism”, Word and Faith, p. 17-61; U. Wilkens, "Uber die
Bed eutun g historisc her K rit ik in der B ibelexeg ese” , Was heisst Auslegung der
H eilig en S c h rift? eds. W. Joest et. al. (Regensburg, 1966), p. 85 e ss.; J. E.
Benson, “The Hist ory oft he Histori cal- Critic al M ethod in the Church", D ia log 12
(1973), p. 94-103; K. Scholder. Urspriinge und Prubleme der Bibelkririk iti 17
J ah rh u n dert. Ein B eitra g z u r E n tste h u n g d e s h isto ris ch k rili sc h e n T h eologie
(Munique, 1966); E. Krentz, The H istori cal-Criti cal M etho d (Filadélfia. 1975);
G. Maier, D as E n de der h isto ris ch -k rit isch en M e th o d e (2.a ed.; Wuppertal,
1975). Trad. ingl. The End o f the H ist orical -Crit ical M ethod (St. Louis, 1977).

17
liberais e vai mais alé m ,” em bo ra não se deva men osp reza r o fato de
que um novo estágio da crítica se nivela contra ele3'1e que ele se en
co ntra n um a crise me todo lógica .35 O terceiro é a aplicação da
crítica literária radical da Bíblia desenvolvida por J. B. Witter
(1711) e J. Astruc (1753) para o AT, e J. J. Griesbach (1776),
G. E. Lessing (1776) e J. G. Eichhorn (1794) para o NT. Fi
nalmente, o racionalismo, por sua própria natureza, foi levado a
ab an do na r a opinião ort odoxa da i nspiração da Bíbli a, de modo que a
Bíblia passou a ser principalmente apenas um dos documentos
antigos a ser estudado como qualquer documento antigo. ''1
Sob o ímpeto parcial do pietismo e com uma forte dose de
racionalismo, as publicações de Anton Friedrich Büsching (1756-58)
revelam pela primeira vez que a “teologia bíblica” se tornara rival da
do gm ática.3 7 A dogm áti ca pro testan te, tam bém ch am ad a de “ teol o
gia escolástica” , é criticad a p or suas especul ações vazi as e teorias

33 Krentz (The H ist oric al-Cri ti cal M ethod , p. 76) fala da “trégua desconfortável do
conservadorismo” com o método histórico-crítico. Ele se refere a G. E. Ladd
(The New Testament and Criticism (Grand Rapids, Mich., 1967), que muda
certas pressuposições racionalistas.
34 Ver especialmente H. Frey, “Um den Ansatz Theologischcr Arbeit’’, A b ra h a m
unser Vut er. F estschrift fü r O. M ichel (Stuttgart, 1963), p. 153-180; A. Nitschkc,
“Historische Wissenschaft und Bibelkritik”, E vT h 27 (1967), p. 225-236;
W. Marxsen, D e r S tre il un d ie B ib e l (Gladbeck, 1965); R. M. Frye, “A Literary
Perspective for the Criticism of the Gospels", Jesus a n d M a n 's H o p e (Pittsburgh,
1971), II, p. 193-221; idem, “On the Historical-Critical Method in New Testa
ment Studie s; A Reply to Prof esso r Ach tem eier” , P e rsp e ctive 14 (1973), p. 28-33;
G. Maier, D as E n d e d er h isto risch -k ritisc h e n M e th o d e.
35 Os seguintes livros fornecem uma introdução à crise: W. Pannenberg, Grundfra-
gen sys te m a tis c h e r T h eologie (Gõttingen, 1967), p. 44-78. Trad. ingl. B asic
Questions in Theology (F iladélfia, 1971), p. 38-80; F. Hah n, “ Problem e hist o-
rischer Kritik’’, Z N W 63 (1972), 1- 17 ; K. Lehm ann, “ Der herm eneutische Hori -
zont der his toris ch-kritis chen E xeg ese” , E in fü h ru n g in die M eth o d en d e r bi~
blis chen E xeg ese, cd. J. Schreiner (Tyro lia, 1971 ), p. 40- 80; M. H enge l, “ H is
tor is che Methoden un d theol ogische Auslegung des Neuen T estamen ts", K e ry g m a
und Dogma 19 (1973), p. 85-90; F. Beisser, “Irrwege und Wege der historisch-
kritischen Bibelwissenschaft; Auch ein Vorschlag zur Reform des Theologiestu-
diums", N eu e Z e itsc h r ift f ü r syste m . T h eo logie u n d R elig io n sp h ilo so p h ie 15
(1973), p. 192-214; R. Surburg, "Implications of the Historical-Critical Method
in Interpreting the OT", Crisis in Lutheran Theology, ed. J. W, Montgomery
(M inneapo lis, M inn., 1973) , II , p. 48-80; H asel, OT Theology, p. 59-61, 72-75,
132-137; P. Stuhlmacher, Schrif tausl egung a uf dem W ege zur bibl isc hen Theolo
g ie (Gõttingen, 1975), p. 59-127.
36 A figura principal é J. S. Semler, cuja obra de quatro volumes, A b h a n d lu n g von
d e rf fe ie n U ntersu ch u n g des K a n o n s (1771 -75), lutava contra a doutrina ortodoxa
da inspiração. H.-J. Kraus, Geschichte der historisch-kritischen Erforschung des
A T , p. 103-113.
37 F. Büsching, D isse rta tio in au guralis ex h ib en s e p ito m e n th eo lo g iae e solis lit eris
sacris co n cin n ata e (Gõttingen, 1756); idem, E p ito m e Th eologia e (Lemgo, 1757);
idem, Geda nken von der Beschaffenheit und dem Vorz ug der bibli sch-dogm a-
tisch en T h eolo gie vo r d e rsc h o la stisc h e n (Lemgo, 1758).

18
inertes. G. Ebeling sintetizou competentemente que “de meramente
uma disciplina subsidiária da dogmática a ‘teologia biblica’ tornou-
se agora ri val da dog m áti ca p red om ina nte .”38
Um dos mais importantes catalisadores na “revolução da herme
nêutica”39 foi o racionalista Johann Solomo Semler (1725-1791), cujo
trabalho de quatro volumes “Treatise on the Investigation of the
Canon" (1771-75) declarava que a Palavra de Deus e a Escritura
Sag
nèmrada nãoassão
tod as ab solu
pa rtes tam enforam
da Bíblia te id êninticas
sp ira.40
da Isto
s41 eimplicava em é um
que a Bíblia que
documento puramente histórico, que, como qualquer outro, deve ser
investigado com uma metodologia puramente histórica e, portanto,
crí tica .42 R esu lta dist o qu e a teologia não p od e ser n ad a ma is que
um a discipli na hist órica que está num a posi ção de antít ese em rel ação
à dogm ática trad icio na l.43
Deu-se um passo altamente significativo em direção à separação da
teologia bíblica da dogmática na obra de quatro volumes de teologia
bíb lica (1771-75)
influência de G otthilfnaTdogmática
da nova orientação rau gott Z eacharia (1729-1777).44
na hermenêutica ele Sob a
tentou construir um sistema de ensinamentos teológicos baseado
num cuidadoso traba lho exe gét ico. C ada livro das Esc rit uras tem sua
própria época, lugar e in te nção. M as Z achariâ se ateve à in spiração
da Bíblia,45 como J. A. Ernesti (1707-1781),46 cujo método bíblico-
exegético ele seguiu.47 A exegese histórica e o entendimento canônico
da Escritura não entram em choque no pensamento de Zachariâ,
porque “-o aspecto histórico é um a questã o de im portância secundária
na teo logia” .48 Deste m odo, não h á nece ssida de de s e fazer d istinção
entre os Testamentos. Eles se encontram em ligação recíproca entre
si. Basicamente, o interesse de Zachariâ ainda estava no sistema
dogmátic o, que e le preten dia limp ar de impu rezas.

38 Ebeling, W ord and Fait h, p. 87.


39 Dentan, P refa ce, p. 19.
40 Kümmel, The NT: The H ist ory , p. 63.
41 G. Hornig, D ie A n fa n g e d e r h isto risc h -kritis ch e n T h eologie (Gõttingen, 1961),
p. 56 e ss .
42 Merk, B ib lisch e Theolo gie des N T , p. 22.
43 Hornig, D ie A n fà n g e, p. 57 e s. ; M erk, B ib lisch e T h eologie des N T , p. 23 e s.
44 G. T. Zacharia, B ib lis ch e Th eologie o d e r U n tersu c h u n g d e s b ib li sch en G ru n des
d e r v orn eh m sten th eolo gisch en Leh ren {Gõttingen e Kiel, 1771-75); Dentan,
P reface, p. 21; Kraus, B ib lis ch e T h eologie, p. 31-39; Merk, B iblis ch e Th eologie ,
p. 23-26.
45 Zachariâ, B ib lisch e T h eo lo g ie , I, vi.
46 J. A . Ernesti, I n stitu tio in terpres N o v i T e sta m e n ti (Leipzig, 1761); Kümmel,
The NT : The H ist ory, p. 60 e s.
47 Kraus, B ib lisch e T heologie, p. 35.
48 Zachariâ, B ib li sch e T h eolog ie , 1, lxvi.

19
Os tra ba lh os de W . F. H ufn age l (1785-89)4 9 e do rac ion alista C. F.
von Am m on (1792 )50 dificilmente se distingu em e m e str u tu ra e
objetivo daquele de Zacharia. A teologia bíblica de Hufnagel
consiste em “uma seleção histórico-crítica de textos-prova bí
blicos a favor da d o g m á tica ''.51 Von Ammon to m ou idéias de
Semler e dos fil ósof os Les sing e K ant e apre sen tou, na r ealida de, mais
uma “teologia filosófica”. É significativa em seu tratamento uma
avaliação
em di reçãomais
a umaltrata
ta domNTen do que do
to inde pen A T .52
den te odaque é um do
teologia prim
A eiro
T ,53 passo
o que
reali zou qu atro anos mais tard e através de G. L. B auer.
O neologista e racionalista Johann Philipp Gabler (1753-1826),
que nun ca escreveu ou seque r teve a intenç ão de es creve r um a teol ogia
bíblica, ofere ceu a mais decisiva e abrangente contrib uiç ão ao
desenvolvimento da nova disciplina em sua aula inaugural na Univer
sida de de. A ltd or f em 3 1 de m arç o de 178 7.54 Este an o m ar ca o início
do papel da teologia bíblica como uma disciplina puramente histó
rica, completamente
nição de Gabler: “A independente dapossui
teologia bíblica dogmática. Diz a histórico,
um caráter famosa defi
que
transmite o que os escritores sagrados pensavam a respeito das
questões divinas; a teologia dogmática, pelo contrário, possuí um
caráter didático, ensinando o que determinado teólogo filosofa sobre
as questões divinas, de acordo com sua capacidade, época, idade,
lugar, doutrina ou escola, e outras coisas do gênero.”55 O enfoque
induti vo, hist órico e descri tivo de G ab ler a respeito da teol ogia bíblica
se baseia em três considerações metodológicas essenciais: (1) A ins
piração não deve ser levada em conta, po rque o “ Espírito de Deus não
destruiu em nenhum homem santo sua habilidade própria de enten

49 W. F. Hufnagel, lland bu ch der bibl is chen Theol ogi e (Erlangen, Vol. I, 1785;
Vol. II, 1789).
50 C. F. von Ammon, E n tw u r f ein er rein en b ib lis ch en T h eolo g ie, 3 vo!s. (Erlangen,
1792). Cf. Kraus, B ib lis ch e T h eolog ie, p. 40-51.
51 D. G. C. von Cò lln, B ib lisch e T h eologie (Leipizig, 1836), I, p. 22.
52 Kraus, B iblisch e T h eo lo gie, p. 51.
53
54 Dentan, c e, p. 26.
P refa‘'Oratio
J. P. Gabler, de iusto discrimine theologicae biblicae et dogmaticae
regundisque recte utriusque finibus” [“Sobre a Distinção Correta da Teologia
Bíblica e Dogmática e a Correta Definição de Suas Metas”! em K le in e T h eo lo gi
sch e S c h r ifte n , eds. Th. A. Gabier e J. G. Gabler (Ulm, 1831). II, p. 179-198.
Tradução alemã completa fornecida por Merk, B ib lis ch e T h eolo gie d e s N T ,
p. 273-284. e reimpressa em D a s P ro b le m d e r T h eologie des N T , ed. G. Strecker
(Darmstadt, 1975), p. 32-44; tradução parcial em inglês pode ser encontrada em
Kümmel, Th eN T : The H is tor y, p. 98-100.
55 “Oratio”, em K le in e .th eo lo g isch e S c h r ifte n , II, p. 183-184. Cf. R. Smend,
“J . P. Gablers Begründ ung der biblischen T heologie" , E vT h 22 (1962), p. 345-367;
Kraus, B ib lisch e T h eolog ie, p. 52-59; Merk, B ib lis ch e T h eologie d es N T ,
p. 29-140.

20
der nem a m edida do d iscernim ento das coisas” .56 O que co nta não é
a “autoridade divina", mas “só o que eles [os escritores bíblicos]
p ensaram ” .67 (2) A teologia bíb lica tem a ta refa de reunir cuid adosa
mente os conceitos e idéias dos escritores bíblicos individualmente,
pois a Bíblia não contém as id éias de apenas um hom em . Logo, as
opiniões dos escritores da Bíblia precisam ser “cuidadosamente reco
lhidas da Bíblia, devidamente organizadas, relacionadas aos concei

tos gerais eesta


sempenhar cuidtarefa
ado sam ente co
através de muma
pa rad as en treconsistente
aplicação s i. ,. ” 58 Pod
doe-s e de
método histórico-crítico com o auxílio da crítica literária, da crítica
histó rica e da c rítica filosófica.5 9 (3) A t eologia bíb lica com o d isciplina
histórica está, por definição, obrigada a “distinguir entre vários
perío dos d a velha e da nova religiã o” .60 A ta refa princip al é investigar
quais são as idéias de importância para a doutrina cristã, a saber,
quais “se aplicam hoje” e quais não têm “validade para o nosso
tempo ” .61 Estas decla raçõe s pro gram áticas d eram rum o ao futuro da

teologia bíblica
Gabler para (AT e NT),
a teologia apesar
bíblica do fato de que
era condicionado poro sua
programa
época de
e
contém limitaçõe s sign ificativas .62
A meta de uma teologia bíblica “puramente histórica” é pela
prim eira vez alc ançada por Georg Lorenz Bauer (1 755-1806),6J que,
como J. P. Gabler, era aluno de J. G. Eichhorn. Bauer e Gabler eram
professores em Altdorf. Bauer deve ser consid erado o prim eiro
acadêmico a publicar uma teologia do NT.04 Embora influenciado
por G abler, a sua com preensão da teologia bíb lica avança sig nificati
vamente
defend idapara
po além
r G abdaquele,
ler p ar aporque elelem
os prob vaiasalém
das da interpretação
questões fil osóficas. 65
Para Bauer, a “teologia bíblica deve ser um desenvolvimento —
purific ado de to dos os conceitos estranhos — da te oria religiosa dos
ju deus anteriores a Cristo e de Jesus e seus apóstolos, um desenvolvi
mento traçado a partir dos escritos dos autores sagrados e apresenta
do em termos dos vários pontos de vista e níveis de entendimento que

5b K le in e th eo log isch e S c h r ifte n . II, p. 186.

57
58 P. 187;
P. 186; Kümmel,
Kümmel, H ry, p.
isto ry,
H isto p. 99.
100.
59 Merk, B ib lis ch e T h eology, p. 68-81.
60 Gabler, “Oratio". em Kleine theol ogisc he Sch riften , II, p. 186; Kümmel, H is to ry,
p. 99.
61 P. 191; K üm m el, H is to r y . p. 100.
62 Merck, B ib lisch e T h eologie, p. 87-90, 111-113.
63 Ver especialmente Kraus, Uiblische Theologie, p. 87-91 e Merk, B ibli sch e T h eo
logie, p. 141-203.
t>4 B iblis ch e T h eologie d e s N euen T e s ta m e n ts , 2 vols. (Leipzig, 1800-1802). Um pou
co antes ele publicara uma B ib li sch e T h eologie des A lte n T e sta m en ts (Leipzig,
1796), Cf. Hasel, O T Theol ogy, p. 22 e s; M eik . B ib lis ch e T heo logie, p. 157-167.
65 Merk, B ib lis ch e T h eo lo g ie, p. 172 e s.

21
reflet em ” .66 Co nseqü entem ente, el e trat a sepa rada m ente e em se
qüência (1) a teoria da religião dos sinópticos, (2) a teoria da religião
do Evangelho de João e das Epístolas de João, (3) o conceito de
religião do Apocalipse e (4) de Pedro, (5) as Epístolas de II Pedro e
Judas, e (6) a doutrina de Paulo.
Como "racio na lista histórico-crítico” ,67 a posição de term inan te de
Bauer, no desenvolvimento da teologia bíblica (AT e NT), era sua
aplicação
ênfase d o consistente do sobre
raciona lismo métodoa histórico-crítico, sustentada
razã o his tóric a.68 pelanstruçã o
Sua reco
histórico-crítica da multiplicidade dos testemunhos bíblicos levantou,
entre outros problemas, a questão do relacionamento entre os Testa
mentos, um problema em caloroso debate hoje. Outrossim, o proble
ma inteiro da teologia bíblica como disciplina puramente histórica,
conforme vigorosamente sustentado por Gabler e conseqüentemente
por Bauer e outros, é novam ente questionado no debate atu al, como
também a natureza da tarefa descritiva, Não obstante, Gabler e
Bauer
bíblicasão
e doosNT.
fundadores da disciplina independente da teologia
Foi no período do iluminismo que o método histórico-crítico se
desenvolv eu e pas so u a ser ap licado ao estud o d a B íb lia.69 A inf luê n
cia da revolução científica encabeçada por N. Copérnico (1473-1543)
e aperfeiçoada por J. Kepler (1571-1630)70 e Galileu Galilei (1564-
1642 )71 trou xe um a nova com pre en sã o d a B íb lia. 72 As su gestões dos
dois últimos cientistas citados relacionavam-se com a independência
do estudo da natureza. A ciência não depende mais das informações
da Bíblia, mas a Bíblia é que deve ser interpretada através das

66 Bauer, B ib lisch e T h eologie des N T (L eip zig, 1SOO), I, p. 6. A tra du çã o é a en co n


trada em Kümmel, The NT: The History , p. 105.
67 Merk, B ib lisch e T h eolog ie, P- 202,
68 P. 199.
69 A história destes desenvolvimentos é descrita por A. Richardson. The B ible i n the
A g e o f S cience [Lon dres, 1% 1], p. 9-31, Scholdcr, Urspriinge und Probleme der
B ih e lk ritik em 1 7. J a h r h u n d er t , p, 60 c ss., que foi resumida por Krentz ( The Hh-
to rica l- C rit icu l M e th o d , p. 10-22), e Stuhlmacher, Schriftauslegung, p. 75-99.
70 J. Híibner,
tu rw D ie (Tübingen.
is sen sch aft T h eolo gie1975);
Jnhartnes K ep le rs zw Johann
A. Deissmann, is ch en OK rth o dr oun
e p le x ied die
u n dBNiba-
el
(Giessen, 1910).
71 J. J. Langford, Galileo, Science and the Church (New York, 1966); O. Loretz,
G alilei un der Irrtum der Inquisiti on (Münster, 1966).
72 Ver especialmente C.F. von Weizsiickcr. "Kopernikus. Kepler, Galilei", íunsich-
te n, G e rh a rd K rü g er zu m 60 . G e b u rtsta g (Frankfurt. 1962), p. 376-394;
H. Karpp, “Die Beitrãge Keplers und GaJileis zum neuzeitlichen Schriftvers-
tãndnis’’, Z T h K 67 (1970), p. 40-55; R. Hooykaas, R eligion a n d th e R is e o f
M od ern S cie n ce (Grand Rapids, M ich.. 1972), p. 35-39; G. F. H asel , “ Founders
of the Modern Understandig of the Relation Between Science and Religion” (dis
curso não publicado, lido na Michigan Academy of Science, Arts, and Letters.
6 de abril de 1973).

22
conclusões da ciência.” Assim, “a autoridade da Bíblia foi diminuí
d a " .74 E ra da pertin ên cia da s questões da fé e da m o ra l,75 mas não
das questões da ciência. Pode-se notar um desenvolvimento similar
com respeito à História nos escritos do filósofo político francês Jean
Bodin (1530-1596), que argumentava pelo uso da razão na escrita da
H istó ria ,76 e*na insistênc ia de Joa ch im V ad ian n a observ ânc ia q ua nto
à ciên cia da g eo gra fia.77 A segu inte c on trovérs ia pr é-a d am ita 78 foi
acio na daaopoPentateuco.
literária r is aac de Estes
l a Peyrère,
eventos em 1655,79 que
juntaram-se aos aplicav
avanços a no
a crítica
campo da filosofia. René Descartes fez da razão o critério único da
verdade e elevou a dúvida a uma extensão ilimitada através da
es tru tur a total das convi cçõe s conven cionais.8 0 Um pou co mais tarde,
Bened ito Spino za81 pu blico u seu fam oso Tractatus Theologico-Poli-
licus (16 70), no qual trata va da que stão da relação entre a teologi a e a
filosofia. Ele argumentava que ambas precisavam ser cuidadosamen
te separadas e sustentava que a razão é o guia do homem para a
verdade. Todas
cio método estas influências
histórico-crítico foram
em sua catalisantes para a formação
plenitude.
Diz-se que em 1728 o teólogo genovês da “ortodoxia racional” Jean
A. T urre tini, declarou que “ as Esc rituras Sagrad as não podem ser
exp licada s a não ser atravé s de outro s livros” .82 Ele a firmou :
Posto que Deus, como já percebemos com freqüência, é com toda
certeza tanto o autor da razão como da revelação, é, portanto,
impossível que possam se contradizer...Conseqüentemente, se de

terminado
que sentidocontradiz
abertamente se nos oferece emconceitos,
todos os certas passagens da Escritura,
então tudo tem que

73 Galileu escreve: "Havendo chegado a quaisquer certezas em fisica, temos que


utilizá-las como as auxiliares mais apropriadas na verdadeira exposição da Bíblia”
(Opere, conforme traduzido por S. Drake, ed., D isco v eries a n d op in ion s o f Ga-
iileo (Garden City, N. Y., 1957), p. 183). Kepler declara que os escritores inspira
dos "nunca tiveram a intenção de instruir os homens às coisas da natureza, exceto
no primeiro capítulo do Gênesis, que trata da srcem sobrenatural do mundo"
(iOpera Omnia, ed. Chr. Frisch [p. 185 e ss.], II, p. 86).
74 Krcnty, The H istorical- Critical M eth od , p. 13.
75 Hasel, “Founders of the Modern Understanding of the Relation Between Science
and Reliyion", p. 9 e s.
76 Scholdcr. Ursprün ge und Problem e de s B ibelkritik im 17. Jahrshund ert, p. 91.
77 P. 96.
78 P. 98-1 04.
79 Kraus, Geschichte , p. 59-61.
80 Scholder. Ursprüng e und Prob leme der Ribe lkrit ik im 17. Jahrhundert, p. 132-158.
81 R. M. Grant, A S h o rt H is to ry o f th e In te rp re ta tio n o f S c rip tu re (2.a ed.;
New York, 1966), p. 146-150.
82 As conferências de Turrentini foram publicadas por terceiros, sob o título D e Sa -
crae S c rip tu ra e in te rp re ta n d a e m e th o d o tr a cta tu s b ip a r titu s (T ra je c ti T h u v ia n im ,
1728), p. 196.

23
ser atacado ou censurado, em vez de se aceitar este dogma. Logo,
essas passagens têm que ser explicadas de outro modo, ou, se isto
for impossívef, como não genuínas, ou o livro não pode ser consi
de rad o divino.8 3
A prioridade da razão sobre a revelação bíblica é aqui totalmente
realizada à custa da autoridade da Bíblia. Naturalmente, Turretini
não sabia ainda que os princípios da razão natural que ele tentava
elevar a critér io pa ra a interpretaçã o eram em si um a “ com preensão"
tot almente determ inada , hist oricamente trazida ao t exto ”.s*
As idéias de Turretini exerceram pouca influência em sua época.
O trabalho marcante sobre o cânon e a inspiração de J. J. Semler,
sumariamente mencionado acima, que apareceu cerca de cinco
décadas após o Bip artite Tracta tu s Concerning th e M eth o d by W hich
the Sacred. Scriptures Are to Be Interpreted (Tratado Bipartido a
Respeito do Método Pelo Qual Deve-se Interpretar as Sagradas
Escrit uras) de T urretini, m ost rou- se d e im po rtância perm anente para
a fund ação do m étodo históri co-crí tico no estudo da B íbl ia. A se pa ra
ção entre a Palavra de D eus e a E sc ritur a85 e a aplicação c onsistente
das regras básicas da crí tica pr ofan a à B íblia, 86 jun tam en te com um a
profunda distinção entre o conte údo divino e a form a hu m an a da
E sc ritu ra ,87 colocam o texto bí blico de libera da m en te d en tro do
cenário antigo e o explicam como testemunho de seu próprio tempo,
sem a i nten ção de fa lar ao l eitor m od ern o,88 Esses conceitos pe rm an e
cem fundamentais para a crítica histórica e valeram a Semler a

designação
Semler entredeteologia
p ai dae teol ogia histórico
religião, -crítica
uma distinção que.89separava
A disti nção feita po r
“local
mente e temp oralm ente” os determinados theologoumena da religião
definitiva, foi realizada por F. C. Baur, no século XIX, e chegou à
sua formulação clássica através de E. Troeltsch no começo do sé
culo XX.

83 P. 312.
84 U. Cf. K "Uber
Wilckerts, üm m el,dieHBedeutung
isto r y , p. 68-61.
der historiscben Kritik in der modemen
Bibelexegese”, Was heisst Auslegurtg de r H eil igen Schrift?, p. 94.
85 Semler decl ara: “ A Escri tura Sagrada e a Palav ra de D eu s são claramen te distin
tas, pois conhecemos a diferença... À Sagrada Escritura pertencem Rute, Ester,
Cantares de Salomão, etc., mas nem todos esses livros, chamados de sagrados,
pert encem à Pal avra de D eu s... " D . Joh. S a lo m o S e m lers A b h a n d lu n g von f r e ie r
Untersuchung des Canons, 4 vols. (Halle, 1771-1775). I, p. 75.
86 Kraus, Geschichte , p. 113.
87 Semler, conform e ci tado por K üm m el, H is to r y , p. 64.
88 J. S. Semler, Vorbereitung zu r theol ogis che/ ! H erm eti eutik (Halle, 1760), p. 6-8,
149 e s. , 160- 162.
89 Krentz, The H ist oric al-Cri ti cal M etho d, p. 19.

24
C. Do Iluminismo à Teologia Dialética
A era do iluminismo trouxe mudanças, na teologia, de influência
definitiva. A teologia bíblica libertou-se de seu papel de subsidiária
da dogmática, para tornar-se sua rival. Transformou-se numa disci
plina descritiva e tornou-se um a ciência histó ric a que descreve o que
os escritores bíbli cos pens av am , isto é, “ o qu e qu eria m dize r” .50

A interpretação
natureza, (de “opredominante
da filosofia que queriamnadizer”)
época.depende,
Ao lado pela própria
dos enfoques
“ pu ram en te hist óricos” desenv olv era m-se tam bém enfoques “ históri-
co-posi tivos” , o enfoque d a “ história das religiões” e o d a “ história da
salvação” , Os anos 1 813-1821 testem un ham o surgim ento de D ie
biblische Theologie , de Gottlob Philipp Christian Kaiser, em três
volumes. Ele constrói sua obra com o que chama dc "método de
interpretação h istórico-gram atical” combinado com “ o ponto de vista
de um a hi stó ria d a religi ão filosófico-un iversal” .91 Isto significa um a

rejeição
prim eirototal de qualquer
a aplicar tipo deda supernaturalismo.
um enfoque Kaiser é e oa subor
“ histó ria das religiões”
dinar todos os aspectos bíblicos e não-bíblicos ao princípio da religião
u n iv er sa l.92
Wilhelm Martin Leberechte de Wette publicou seu Bib lische Dog-
matik des Alíen und Neuen Testaments em IS IS .1” Ele foi alu no de
Gabler. Sua obra marca um movimento para fora do racionalismo ao
adotar a filosofia kantiana conforme interpretada por J. F. Fries,94
combinando a teologia bíblica com um sistema filosófico. Sua síntese
mais alta de
genético” da féreligião,
c sentimento transformou-se
a partir num “desenvolvimento
do hebraismo, via judaísmo ao
cristian ism o.95 Ist o signi fica um a q ue bra da u nida de m aterial do AT e
do NT ,96 e a teologia do NT passa a ser en ten did a como um fenôm eno
da história das religiões. Tudo o que é local e temporal tem que se
despir, a fim de chegar ao atemporal, geral e permanente. Não
obstante, a tentativa de de Wette indica que há um problema
metodológico não resolvido, pois ele tentou combinar a teologia
bíb lica com interesses dogm áticos.
A abordagem de de Wette recebeu uma refutação radical da parte
90 A terminologia de K. Stendahl, "Biblical Theology, Contemporary”, W B , I,
p. 418-432.
91 Kaiser, D ie biblisc h e T h eologie (Erlangen, 1813), I, íii.
92 Ver Dentan, P reface, p. 28 e s.; Kraus, B ibli sch e T h eo lo g ie , p. 57 e s.: Merk,
B ib lisch e T heologie, p. 214 e s.
93 R . Sm end, W. M. L. de W et tes A rbeit am Alten un d am Neuen T estament (Basi
léia, 1958).
94 Kraus, B ib lisch e T h eolog ie , p. 72.
95 Merk , B ib lisch e T h eo lo gie, p. 210-214.
96 Strecker, D a s P rob lem der Th eologie des N T , p. 5.

25
de K. W. Stein, que argumentou que a questão fugia ao programa de
Gabler e da teologia do NT de Bauer. A insistência de que “só o
enfoque histórico-crítico pode levar a uma teologia bíblica pura e
com ple ta” 97 e que o s pen sam en tos difere ntes dos escritores do NT
não podem ser reunidos num sistema aponta para o problema de que
o NT é composto de várias teologias, mas que não existe uma teologia
do NT.98 De Wette tenta fazer da doutrina de Jesus, a saber, aquela

em que do
questão os escrit
centroores d o NTdo
e unidade concordam,
NT passa à odianteira;
centro doe esta
N T continua
." Aqui toda a
sendo a questão prin cip al até hoje.
 tradição de Gabler e de Bauer, no que toca à natureza
“puramente histórica”'00 da teologia bíblica (NT), pertence D ie
bibl ische The ologi e des Ne uen Testam ents (Leipzig, 1836). dc Daniel
G. C. von Cõlln.101
Considerado o últi m o a ap resen tar um a te ologi a bíblica ba sead a no
rac ion alism o,102 von Cõll n delineou um evolucionism o do hebra ísmo -
ju
dedaísm
pu raç o-cristianísm
ão ética e umoa ea m apresento
pliaçã o uuniversa
um a história da espiritualização,
l da idéia de te ocr ac ia.103
O. Merk assinala que o resultado final de von Cõlln era uma teologia
dogmática modificada, porque ele não separou profundamente a
tarefa da teologia bíblica histórico-crítica (puramente histórico-críti-
ca) da tar ef a da int er pr et aç ão (d o gm átic a).1114
O ápice do enfoque de Gabler e Bauer de uma teologia do NT
“p uram ente hi stóri ca” é al cançado pel a obra de F erdinan d Christ ian
B au r (1792-1 860).1 0s B au r é o fun da do r e incon testável líd er da E scola
de Tübingen. No ano de 1835, seu aluno David Friedrich Strauss

97 K. W. Stei n, “ Ú ber d en Begriff die Beh and lungsarí der bibli schen Th eologie des
NT” , A n a le c len f ü r d as S tu d iu m d e r exegetis ch en u n d syste m a tisc h e n T h eolo gie ,
eds, C. A. G. Keil e H. G. T?,schirner(1816), III, p. 151-204, esp. p. 180.
98 Merk. B ib lisch e T h e o lo g ie , p. 214,
99 Stein, Üb er den Begriff e", p. 189-204.
100 A distinção do desenvolvimento de um método “puramente.histórico" se justifica
com base na designação empregada por E. Troeltsch, "Über historische und
dogmatische Methode”, (Tüb ingen, 1913), p. 729-753,
reimpresso em Theologie Gesammelte Studien II , ed. G, Sauter (Munique, 1971),
ais Wissenschaft
p. 105-127.
101 Sua teologia do AT lo i publicada com o V ol. I, do qual sua teologia do NT era o
Voi. II, sob o título geral de B ib lis ch e T h eologie {Leipzig, 1836). Cf. Kraus,
B ib li sch e T h eolog ie , p. 60-69.
102 Merk, B ib lisch e T h e o lo g ie , p. 222.
103 Kraus, B ib li sch e T h eo lo g ie , p. 67.
104 Merk, B ib lisch e T h e o lo g ie , p. 225 e s.
105 P. C. Hodgson, The Form ati on o f H ist orical Theol og y. A Study o f Ferdinand
Christian Baur (New York, 1966 ); W . G eiger, Spekulation und Kritik. Die Ge-
sch ich tsth e o lo g ieF . C. B au rs (Munique, 1964); E. Barnikol, C. Baur ais ratio-
n a listisc h -k irch lich er Th eologe ( Berlim . 1970).

26
(1808-1874) publicou o seu Das Leben Je su ,'06 uma interpretação
radical dos relatos de Jesus. Strauss não ofereceu uma interpretação
nem supernatural nem racionalista, apenas mítica, dos relatos do
Evangelho, que dão uma base do fato histórico, transformado e
enriquecido pela fé das primeiras comunidades cristãs, O método
filosófico hegeliano da tese de uma interpretação supernaturalista,
que era confrontada com uma antítese de interpretação racionalista,
leva Strauss
heg eliana de àterm
síntese
ina odamétodo
interpretação
de trabmitológica.
alh o ” 107 de“Esta dialética
Strauss .
As Vorlesungen über Neutestamentliche Theologie (Conferências
Sobre a Teologia do Novo Testamento), de F, C. Baur, foram publi
cadas postumamente em 1864'08 e representam a conclusão de seus
trab alh os ac ad êm ico s.109 A dialética h ege liana de B au r levo u-o a
encarar a história do cristianismo como uma luta entre a tese do
cristianismo juda ico (escri tos de Pedro, M ateus, Apocalip se) e a
antí tes e do crist ianismo ge nti o (G ál., M I Co r., R om ., Luc. ), o qu e
resultava na síntese
século II.110 do cat encontra
Este enfoque olici smo um
primponto
iti vode
(Maapoio
rcos,naJoão, Atos) do
teologia
do NT, que é um a “ ciência pu ram en te h istór ica” , 111 mas está res trita
aos escritos do N T .111 De ac ord o com seus prim eiros estu do s, Baur
distingue três períodos: O primeiro é caracterizado pelos conceitos-
de-doutrina ( Lehrbegriffe) das quatro epístolas autênticas de Paulo
(Gál., I-II Cor., Rom.); o segundo período contém Hebreus, as
epístolas menores de Paulo, I-II Pedro, Tiago, os Sinópticos e Atos; e
o terceiro período en cerra as epístol as p astor ais e as de João. A “ dou
trinamas
ca, de Jesus”
Baur não tem espaço
a coloca antes nesta seqüência
dos três estritamente
períodos históri
e a reduz a um
“ elemento pu ram en te m ora l” . 113 Logo, a ênfase de Bau r está na
reconstrução dos conceitos históricos e do progresso do desenvolvi
mento das várias doutrinas. Ao contrário da teologia do NT de
G. L. Bauer, maior credor de B aur d o que J. P. G abler, Ba ur
considera a “ do utrina de Jesus” u m a pré-história da teol ogi a do NT, e
não uma parte básica da teologia do NT etn si. R. Bultmann parece se

106 D a s L eb en J e s u , 2 vols. (Tübingen, 1835-36). Tracl. ingi. de G. Eliot, The Life o f


Jesu s C rit ica ll y E x a m in e d (da 4 9 ed. alemã; Londres, 1846). Cf. A . Schw eitz er,
The Q uesl o f the H ist orical Jesus (New York, 1964), p. 78-120.
107 Schweitzer, The Q uest o f lhe H is tori cal Jesu s, p. 80.
108 F. C. Baur, Vorl esunge n ii bcr neu testam entliche Theologie, ed. F. F. Baur
(biip/.ig, 1864).
10 9 M erk , B ib lisch e T h eo lo g ie , p. 227.
110 B. Rigaux. P a u lu s u n d sein e B n e fe (Munique, 5964), p. 14 e s.; R. C. Briggs,
I n te r p r e tin g th e N ew T e sta m e n t T oday (Nashville, 1973), p. 145-148.
111 Baur, Vorles ungen. p . t .
1 1 2 P .38 .
113 Kümmel, H is to ry, p . 142.

11
colocar na tradição de Baur, quando declara: “A mensagem dc Jesus
é mais um a pressuposiçã o p ar a a t eologi a do Novo T estam ento do q ue
um a par te dessa teologi a em s i" .114 E sta que stão co ntinua a ser
importante hoje. Os notórios principais defeitos do enfoque dc Baur
são a aplicação da dialética hegeliana e a ênfase excessiva Ainfluência
do jud aísm o no cristianismo primiti vo.
Ao con trário das abo rdag ens “ pu ram en te históric as’ ’ da (eologia

do NT havia
podem estudiosos nas
ser classificados primeiras
como décadas àdoescola
pertencentes século"histórico-positi-
XIX que
va”lis do NT. Entre os fundadores desta escola estão M. F. A. Los
sius116 e D. L. Cramer,117 ambos com essencialmente a mesma
concepção. Suas obras exerceram uma importante influência no
séc ulo passado . Los sius com bina a abordagem dogm áti ca do “ concei-
to-de-doutrina” com o sistema histórico. Ele sugere que há somente
três possibilidades de se escrever uma teologia do NI’. Ou trata-se
cada escritor do NT separadamente ou usa-se uma abordagem
sistemática
métodos.118dos “conceitos-de-doutrina”
A partir ou combinam-se
da perspectiva da abordagem ambos os
de Gabler-Bauer-
Baur. de um a te ologi a do NT “pu ram ente histórica", a abordagem de
Lossius-Cra me r, de um a teol ogia d o NT “ históri co-po sitiva” , pode
ser con siderad a um a reversão m etod ológ ica,1 ' 9 mas, pa rtindo-se dc
outra perspectiva, isto pode ser visto como uma antítese necessária à
crítica r ad ica l das teologias do N T .120
Deve-se conferir um lugar de destaque ao totalmente conservador
G rundzü ge der bibl isc hen Theol ogi e (1828), de Ludwig F. O. Baum-
ga
de rte n- C ru
G abler sósiu
at s.121 Sua
é certo ob ra , Consideram-se
ponto. a ltam en te va loriza
os do dais, reflete
Tes tamaentos
influência
um a
unidade. Baumgarten-Crusius procura “apresentar um sistema de
conceitos puramente bíblicos que sirva como fundamento e norma
para a doutrina e como ponto de p artid a para a história do
do gm a” .122 Ele r econhece a validade da in terp reta çã o histórico-g ra
m atic al, ,2J reco nhe ce-se d eve do r de K aise r, de de W ette e L os siu s,124

114 R. Bultmann, Theol ogy of t he N ew Test ament (Londres, 1965), 1. p. 3.

115
116 BVer particularmente
ib lisch Gopp
e T h eologie d es Nelt , Theol
euen destsN oTd,e rI, die
ogime en
T e sta p. 41-45.
L eh ren d e s C h risten th u m s
aus den ein zeln en S ch riften d es N . T. e n tw ic k e lt (Leipzig, 1825).
117 Vorl esunge n üher die bibli sche Theologi e des Neuen Testam ents, ed. F. A. A. Nàbe
(Leipzig, 1830).
118 Lossius, B ib lis ch e T h eologie des N T , p. 11 e s. Cf. Merk, B ib lis ch e T h eologie ,
p. 217,
11 9 Tam bém M erk, B iblisch e T h eo log ie, p. 218.
120 Também Goppelt, Theol ogi e des N T , 1. p. 41.
121 G rundzü ge der bi bli schen Theol ogie (Iena, 1828), Cf. Kraus, B ib lisch e T h eologie,
p. 218.
122 B aum garten Crusius, Gru ndzüge der bibli schen Theologie, p. 3.
123 P. 6.

28
mas argumenta seriamente contra os excessos da crítica deísta da
religião com vistas a defender-se das influências estrangeiras sobre a
teologia bíblica. Baumgarten-Crusius sustenta que a unidade da
Bíb lia é reconhecida com base no tema co mu m do reino de Deus, que
une ambos os Testamentos. Este centro da Bíblia tem hoje adeptos
que pertencem a uma linha não -conservadora de acadêmic os.
O prob lem a da un idade e diver sidade dentro do NT torna -se uma
questão importante na exposição de August Ncandcr, cujos dois
volumes for am p ub lica do s em 183 2-3 3.125 Após tr açar a histó ria do
perío do apostólico (V ol. I), distingue os diferentes apóstolo s, a saber,
as correntes cie Paulo, Tiago, Pedro e João (Vol. II). A diversidade de
apresentação da mensagem destes apóstolos serve para enfatizar a
“ un ida de viva’ ’126 da do utrin a de Cristo de ntro de sua m ultip licid ad e.
Esta interpretação tornou possível que ele desenvolvesse em sua
últim a pa rte os tem as do N T .127
A influencia de Neander sobre Christian Friedrich Schmid ê
livremente reco nh ecid a pelo se gund o, 128 que co nsid era que o m étodo
de sua Bib lische Theologie des Neuen T esta m en ts, 2. vols. (1853)‘2<>
consiste de uma apresentação “hisíórico-genética” dos escritos canô
nicos do NT. Schmid acha que há uma unidade essencial subjacente
ao NT qu e se reflete nas dife rentes d ou trin as dos escritores do N T .'10
George Ludwig H a h n ,131 em 1854, tem um a opiniã o s em elhan te e
tam bé m H erm an n M es sn er ,132 em 1856. Estes eru ditos con cord am
que há unidade na diversidade, que a teologia do NT se preocupa
apenas com os escritos canônicos, que o método apropriado é o
“histórico-crítico” e que é certo apresentar a doutrina do NT mais ou
menos sob a direção tradicional da dogmática.
A tendência da teologia do NT chamada “positiva moderna” foi
encabeçada por um oponente da Escola de Tübingen. O Lehrb uch der
biblischen Theologie des Neuen Testaments (1868 )1” gozou de um a
grande po pu laridad e, com se te edi çõe s num período de quase qu are n
124 P. 10.
125 G eschichte der Pflanzung u nd Leitung der chri st li chen K irche durch die Apostei,
ais se lb s ta n d ig e r N a ch tr a g zu d e r a ll gem ein en G esch ic h te d e r ch ristlich en R e li
gio n u n d K ir c h e , 2 vols. (Hamburgo, 1832-1833).
126 II, p. 501.
127 11, p. 501-711.
128 C. F. Schmid, “Über das Interesse und den Síand der biblischen Theologie des
Neuen Testaments in unserer Zeit", Tuhinger Zeitschri ft fü r Theologie 4 (1838),
p. 125-160, esp. p. 159.
129 B ib lis ch e Th eologie d e r N euen T e sta m e n ts , ed. C. von Weizsácker, 2 vols.
(Stuttgart, 1853).
130 Merk, B ib lisch e T h eologie , p. 219 e s.
131 D ie T h eo lo g ie des N euen T e sta m e n ts (Leipzig, 1854).
132 D ie L eh re d e r A p o s te i (Leipzig. 1856).
133 Lingl.
eh bu ch d e r B ibThe
da3.aed. lis Theol
ch en Togy
h eologie
o f the Ndes N euen ent
ew Testam m e n ts (Berlim,
T esta(Londres, 1892). 1868). Trad.

2‘ )
ta anos.134 Ao contrário das opiniões radicais do F. C. Baur, o
enfoque de W eiss era co ns erv ad or ,135 pois ele consid erav a ge nu ína a
maioria dos escritos do NT; comparando-se a A. Ncander, C. F.
Schmid, G. L. Hahn e F. Messner, o enfoque dc Weiss é menos
conservador, embora ainda positivo, pois ele não se direciona total
mente ao relacionamento do AT com o NT, e o Evangelho de João
está totalmente excluído de servir como fonte para a doutrina de
Jesus.136
Wei ss suger e que "a teologi a do N T tem que descrever a multiplici 
dad e das form as de do ut rin a dos d iferente s escritores do NT ” . 137
Documentos extracanônícos não têm lugar na teologia bíblica
do N T .138 “ O au xiliar m ais im po rtan te d a teologia bíblica é o método,
isto é, uma exegese que siga as regras da interpretação histórico-gra-
m atic al” .13!) Isto qu er dizer, p ar a W eis s, que a fun daç ão h erm en êu ti
ca tem r aíze s na posiç ão que “in terp reta cada escritor a p artir de den 
tro del e m es m o ",140 e não a p a rti r dos sistemas dogm ático ou fil osófi 
co nem dos chamados textos paralelos da Escritura. Por outro lado,
as palavras dos auto res individuais t êm que ser prev istas pela teologi a
bíblica.
O m étodo de Wei ss caracteriza-se totalmente por um enfoque do
“conceito-de-doutrína” teológico (Lehrbegriff) , muito embora ele
reconheça um “desenvolvimento interno’' das “duas correntes princi
pais” , a saber, “ a apostó lico-prím itiv a” e ‘‘a p a u lin a ” . 14’ O enfoque
do “conceito-de-doutrina” na teologia do NT foi passado a todos os
estudiosos que podem ser considerados representantes da escola
“positiva moderna” da teologia do NT. Um dos enunciados progra-
máticos de Weiss é típico da escola “positiva moderna”: “A teologia
bíblica não pode se preocupar com as investigações crític as e especia 
lizadas a respeito da ori gem dos es cri tos do NT po rque é apenas um a
ciência históric o-d esc ritiva” .142 E sta d efinição está m ais ou menos na
base das teologias do NT de W . Beyschla g,143 P. F ein e,144 F.

134 7 .a ed.: S tuttgart/B erlim , 1903. A s pri meiras dezesse is páginas da pri meira edi
ção de 1868 foram reimpressas em D a s P ro b lem d e r T h eologie d es N T , p. 45-66.
135 Kraus. B ib lisch e T h eo lo g ie, p. 151.
136 Kümmel, H isto r y , p. 173.
137 D a s P ro b le m d e r T h eo logie d es N T , p, 52.
138 P. 60.
139 P. 61.
140 P. 62.
141 P. 56 .
142 Weiss, L e h rb u c h , p. 8. Cf. D a s P ro b le m d e r T h eologie d e s N T , p. 53.
14 3 W ill ibald Beyschlag, N e u te sta m e n tlic h e T h eologie o d e rg e s c h ich tlic h e D a rsteil u n g
d e r L eh ren Jesu u n d des Ü rch risten th u m s nach den n e u te sta m e n tlic h e Q u ellen,
2. vols. (H aíle, 1891-1892). Cf. M er k, B ib lis ch e T h eo lo g ie , p. 2 40 e s .
14 4 Paul Feine. Theologie des Neuen Testaments (Leipzig, 1910). A oitava edição foi
publicada em 1951.

30
Hiichsel145 e, em língua inglesa, nos trabalhos de F. Weidnci-,''‘''
J:. I\ Gould,147 G. B. Stevens,148 e outros.
I )ma ou tra reação “c ons ervad ora” ao enfoque "p ura m en lc histó-
\ ico" da teol ogia do NT apa receu na " escola história da salvação" que
eslava liga da a Go ttfried M en ke n (1768-18 31),149 Jo ha nn T . Beck
I I804 -187 8)1SD e sua figu ra prin cip al 1. Ch. K on ra d von Ho fm an n
(. (<S10-1 877).151 A "es cola his tó ria da sa lv ação” do séc ulo XIX
baseia-se:
Palavra"; (2)(1)na Na
idéiahistó
da ria do povo
inspiração de Deus
da Bíblia; e (3)como "expressa na
no resultado
prelim inar da histó ria entre Deus e o homem em Jesus Cristo. Von
Hofmann encontrou na Bíblia o relato de uma história salvífica
linear, em que o Deus ativo da História é o Deus trino cuja meta e
propósito é redim ir a hum anidade. Visto que Jesus Cristo é a m eta
prim ordia l do mundo, que a história da salvação tem como objetivo e
do qu al receb e seu sign ifica do ,152 o AT e o NT c ontêm a p rocla m ação
histórico-salvífica. Isto é o que uma teologia bíblica tem que expor.
Cada livro da Bíblia tem seu lugar lógico no esquema da história da
salvação. A Bíbl ia não d eve ser co nside rada bas icam ente um a col eçã o
de textos-prova ou uma doutrina repositória, mas um testemunho da
açã o de Deus na Histór ia, q ue não e star á com pleta até a consumação
escatológica.153
A abordagem histórico-salvífica de von Hofmann foi elogiada por
P. Feine como “o desenvolvimento teológico mais frutífero do sé
culo X IX ” .154 L. G opp elt tam bém lhe conf ere um lug ar significati 
vo,155 ao passo que outro s pa rece m su be stim ar s ua im po rtân cia,
tra tan d o -a como p arte da “ reli gião do bibli cism o” 156 ou não a

145 F. Büchsel, Theologi e des Neuen Testam ents. G eschichte de i W ortes G aites i m
N euen T e sta m e n t (Gütersloh, 1935).
146 F. Weidner, B iblica l Theologv o f th e N ew T e s ta m e n t, 2 vols. (Chicago/Londres,
1891).
147 E. P. Goutd, The B ibli cal Theol ogy o f the New Testam ent (New York, 1900).
148 G. B. Stevens, The Theol ogy o f the New Testamen t (Ediniburgo, 1901; 2.a ed.,
1906).
149 Kraus, B ib lisch e T h eologie , p. 240-244.
150 P. 244-247.
15 1 J. C h. K. von H ofm an n, Weissagung und Erfüllung im Alten und Neuen
Testamente (Nõrdlingen, 1841-44); idem, D e r S ch riftb ew e iss (Nõrdlingen, 1852-
56); idem, B ib lisch e H e rm e n e u tik , eds. J. Hofmeister e Volck (Nõrdlingen, 1880).
Trad. ingl. In te rp r e tin g th e B ib le (Minneapolis, 1959).
152 W eis sagung un d Erfüllung, I, p. 40.
153 K. G. Steck, D ie Id e e d e r H eil sg esch ic h te. H o fm a n n -S ch la tter-C u llm a n n (Zolli-
kon, 1959).
154 Feine, Theo lo gi e des N T , p. 4.
155 Goppelt, Theologie des NT, I, p. 45 e s. Também G. E. Ladd, .4 Theol ogy o f t he
N ew T e sta m e n t (Grand Rapids, Mich,, 1974). p. 16. Trad. port. Teologia do Novo
Testamento (JUERP, Rio de Janeiro. 1984).
156 Betz, ID E , 1, p. 434.

31
m encion and o n u n c a .157 A influên cia de von H ofm ann tem sido
significativa de vários modos. As razões para isto são várias. Ao
contrário de seu contemporâneo F. C. Baur, von Hofmann não
integrou o NT na história geral do pensamento, mas levou-o a uma
relação histórica com o AT, isto é, introduziu-o na história da
salvação. Note-se que, ao fazer isto, ele combina o princípio da
Reforma de deixar a Bíblia interpretar a si mesma com uma
com pree nsão m od ern a d a H istó ria .158 Po r outro lado, dev e-se reco
nhecer que von Hofmann afirma que a história do povo de Deus é
um a história q ue “ se apres enta na P ala vr a” . 159 Não pode, p ortan to,
ser descartada como uma filosofia da história da srcem da humani
d ad e.160 Deve -se enfa tizar no vam ente que p ar a vo n H ofm ann a
“ ação do Esp írit o Santo pro du ziu os l ivros bíbli cos, a ação do Esp írit o
Santo tam bé m os re u n iu ” .161 Visto que o Espírito San to é o respon 
sável pela srce m dos escr itos bí bli cos e pe la fo rm ação do câ no n, um a
teologia da história da salvação tem como tarefa a investigação do
local histórico dessas produções do Espírito Santo. Isto se consegue
melhor através de uma interseção orgânica de toda a Bíblia ao longo
das linhas da história da salvação, e não através de um texto-prova
irrespo nsáv el pa ra com o co nt ex to .162
A influência de von Hofmann é evidente no erudito Theodor
Z ah n ,16'5 o ho mem cuja cr ítica era tem ida po r A dolf v on H a rn a e k .164
Zahn não concebe a teologia do NT como um sistema científico
da religião, mas como uma apresentação da teologia contida na
B íblia ,’65 o que tem q ue ser ap re se nt ad o em seu “ desenvolvimento
histórico” e “organizado de acordo com os passos da história da
salv ação ” .166 Su a teolog ia do NT com eça com João B atista , que é a
personificação da prediç ão profétic a e ao mesmo te m po o “ cum pri
mento da promessa que aponta para a revelação divina final e o
iniciador da época fin al da h istória da salvaçã o” . 167 Zah n seguia, em

157 Bultmann, “The History of NT Theology as a Science”, Theology of the NT


(Londres, 1955), II, p. 241-251.
158 Goppelt, Theol ogi e des N T, i, p. 46,
159 Von Hofmann, W ei ss agung und E riüll un g , I, p. 49.
160 Kraus, B ib lisch e T h eo lo gie, p. 250.
161 Von H ofm ann, W ei ss agun g un dE rfüll ung, I, p. 49.
162 Von Hofmann, D e r S eh rif be w eis (Nordlingen, 1852 56); cf . G opp elt, Theologie
des N T , I, p. 46.
163 T. Zahn, Geschichte des neutestamentlichen Kanorts , 2 vols. (Erlangen/Leipzig,
1888-92); idem, E in le itu n g in d as N e u e T e sta m e n t, 2 vols. (Leipzig, 1906-07);
idem, Grundriss der neutestamentlichen Theologie (Leipzig. 1928). Cf. Kraus,
B ib lis ch e T h eolo gie, p . 18 e s.
164 Kümmel, H isto ry, p. 197.
165 Zahn, G run driss d e.r ntl. Th eologie, p. 1.
166 I b id .
167 P. 5.

32
sua exposição, a abordagem do "conceito-de-doutrina" ( L eh rbe-
Kriíf),l6a m as s ó raram ente re torn a ao A T.
O lugar de Adolf Schlatter,169 no aspecto do desenvolvimento da
teologia do NT, tem sido debatido.170 Schlatter “é talvez o único
eru dito ‘conse rvad or’ do N ovo Testa m ento desde B engel , que pode ser
i-uíocado n a me sm a escola de Bau r, W rede, Bouss et e B ul tm an n” . 171
Incluímos Schlatter no grupo associado ao enunciado geral da
história d a salvação ( H eilsgeschic hte ) porque ele tem que estar ligado
a este movimento. Em seu provocante ensaio “Métodos Ateus na
Teolog ia” (190 5),172 Sc hla tter rejeita o at eísm o ine ren te ao m étodo
histórico-crítico moderno e afirma que nem a cultura, com sua
cosmovisão ( Weltanschauung ), nem o método histórico moderno são
adequados à teologia do NT. Os métodos que tentam estudar o
desenvolvimento do cristianismo sob uma base puramente histórica
sem o em prego da ação de D eus são ''a te u s” .173 E sta com preen são de
Schlatter na realidade total , inclusi ve div ina, torn a sua “ sol uçã o pa ra
o problema da teologia do Novo Testamento inaceitável para qual
quer pessoa que deseja vê-la como disciplina puramente histórica a
ser estudada através dos métodos compartilhados por todos os his
to ria d o re s" .174 Isto levanta a que stão fun da m en tal da m eta da
pesquis a histó rica.

168 Merk (B ibli sche Theologie ), p. 251, n° 137) declara que Zahn é o último a utili
zar es te ti po de abordagem .
169 A. Schlatter, D e r G la u b e im N euen T e sta m e n t { DarmsU idt. 18 85; 5 .a ed ., 1963),
cham ado de "NT theo logy in nuce" (Bultmann, Theol ogy o f the N T , II, p. 248);
idem, D ie T h eologie des N euen T e s ta m e n ts , 2 vols. (Stuttgart, 1909-10), que foi
publicada com os títulos Geschichte des Chrislus (Stuttgart, 1923), e D ie T h eolo
g ie d e r A p o s te i (Stuttgart, 1922), respectivame nte. O imp ortante ensaio pr ogra -
mátíco de Schlatter, “Die Theologie des Ncucn Testaments und die Dogmatik",
B eitr ã g e z u r F b rd eru n g c h rístlich er T h eologie 13 (1909), p. 7-82, foi reproduzido
por A. Schlatter, s m K I e in e S c h rifte n , ed. U. Luck (Munique, 1969), p. 203-255,
e em D a s P roble m d e r T h eologie d e s N T (daqui em diante citado como P T N T ),
p. 155-21 4. Trad. ing l. “ The T heol ogy of the New Testam ent and D ogm atícs” ,
de R. Morgan, The Nature o f New Testam ent Theol ogy, p. 117-166 (daqui em
diant e citado com o N N T T ).
170 Bultmann {The ol ogy o f t he N T, II, p. 248) afirma que Schlatter confere um “lugar
único para si em todo o desenvolvimento da teologia do NT. O. Betz declara que
“Schlatter se fixou a uma linha somente sua” (ÍDB I, p. 436), mas Goppelt o
coloca inteiramente dentro da escola da “história da salvação” na erudiçào do NT
(Theol ogie des N T, I, p. 47), enquanto Harrington diz (Pat h o f Biblical Theology,
p. 116), surpreendentemente, que Schlatter produziu “uma alternativa pouco
satisfatória à h e il sg esch ich tli ch e po sição ’'.
171 N N T T , p. 27.
172 A. Schlatter, "Atheistische Methoden in der Theologie" (1905). reimpresso in
K le in e S c h r ifte n , p. 134-150.
173 P. 139.
174 Morgan, N N T T , p. 33.

33
Em primeiro lugar, Schlatter concebe “o objeto do (colu^ia do
Novo T estam ento, que quer perm anecer como cicncín pura ser a
pala vra do Novo T e stam e n to ".176 A teolo gia do NT como Ijd restrin
ge-se aos escrit os canônicos do NT e não contém a lil crnlimi com pleta
do cristianismo primitivo (contra Wrede e seguidores). A igreja foi o
resultado da proclamação do NT e não vice-versa.1"' “O fato de a
história do Novo Testamento e de a palavra que lhe confere lestemu-
nho ser em a base da existência do cristianism o é expresso pel o fato de
o Nov o Testa m en to ser o se u c ân on ” .177 Sch latter susten ta u m a
teologia canônica do NT porque considera autênticos todos os
do cum entos do N T (exceto II P ed ro ).178
Schlatter é altamente sensível à questão da objetividade histórica.
Ele agride nervos sensíveis ao declarar que “a objetividade histórica é
ilusó ria” ,178 se a teologia do N T pa rtic ip a de todos os de bate s
suscitados pelas escolas filosóficas (racionalista, hegeliana, kantia-
na), como t em sid o o caso. A po stu ra de que o teól ogo do NT funcion a
como u m historiad or que “ explica” e “ observa o No vo Te stam ento de
modo neutro” significa “começar imediatamente uma luta determi
na da co ntra ele” .180 Po r quê ? Sc hlatter respo nde: “ A pa lav ra com
que o Novo Testamento nos confronta pretende ter crédito, e assim
exclui de uma vez por todas qualquer tipo de tratamento neutro.
Q uand o o historiado r põ e de lado ou entre parên teses a questão da fé,
está transformando seu interesse 110 Novo Testamento e sua apresen

taçã o do mesm o n um a polêm ica tota l e rad ical co ntra ele” .181 Ao
rejeitar a reivindicação de objetividade da parte daqueles que usam
um enfoque “puramente histórico”, Schlatter antecipou o debate
en tre os estu dios os do AT O . E issfe ldt e W . E ich ro dt, em 1 92 0.18:1
As críticas dirigidas por Schlatter contra a perspectiva “puramente
histórica” da teologia do NT nem ao menos implicam que ele seja
insensível à investigação histórica. Schlatter defendia a teologia do
NT com o discip lina histó ric a contra aqueles que afirm am que um a
interpretação que explica a teologia do NT historicamente “é funda

175 N N T T , p. 164. '


176 AW 7T, p. 12 0: “V isto que o cristi anism o se baseia no Novo T estam ento, a
interpret ação do Novo Testam ento é um a to que toca sua est rutura".
177 N N T T , p. 120.
178 P. 146-148.
179 P. 123.
180 P. 122.
181 Ib id .
182 O. E issfel dt, “ Israel iti sch-jüdis che R eligi onsgeschichte un d alttest am entliche
Theologie", Z A W 44 (1926), p. 1-12 ; W. E ichrodt, “H at die alttestam entlich e
Theologie noch selbstãndige Bedeutnng innerharlb der alttestamentlichen Wis
se n sc h af t? 1’ Z A W 47 (1929), p. 83-91; cf. Hasel, O T Theol ogy, p. 32.

34
m entalm ente irreligiosa” .183 “ Se se exclui a his tór ia da influê ncia de
Deus com base em que ela é meramente transitória e humana, não
existe nenhuma relação consciente de Deus com a nossa vida pes
soal” .18'1 Sch latter criti ca, p or um lado, a com preen são liber al de
história como um círculo fechado de causa e efeito que não deixa
espaço para a transcendência185 e, por outro lado, uma ortodoxia
estreit a que afir m a que Deus atu a pa ra além d a História e não nel a ou
através dela. “Portanto, o Novo Testamento repudia literalmente a
tese de que a revelação e a História não podem se unir, o que ao
mesmo tempo destrói a visão de que a pesquisa histórica é uma
negaç ão d a revelação” .186 E ste enu nc iado só pode ser lido cor re ta
mente s e ti ver mos e m m ente que nossa compreensão da realidade tem
a ação de Deus n a H istória. É neste sentido qu e R. M o rg an 187 observa
que a posição de Schlatter tem muito em comum com alguns aspectos
da posição teológica de W. P ann en be rg 188 e com a sua crítica da
subseqüent e “ teologi a da Palavra” .
Sch latter afirm a que não se deve ir além das fontes do NT. “ O p en 
samento histórico não deve estender-se além daquilo que as fontes
revelam; de outro modo a pesquisa histórica transforma-se numa
novela” .181' Ele p ar te do pre ssup osto de que o teste m un ho do N T é
unificado, apesar de toda diversidade, e que a fé é a pressuposição
p ara a com preensão apropriada dos escritos do N T .190 A unidade do
testemunho do NT tem uma fundação histórica no ‘‘ambiente de
Jesus e de seus seguidores, que era o jud aísm o p ales tin o” .19’ Sc hlatter
declara o seguinte a respeito da Bíblia como um todo:
A unidade, que a Bíblia precisa e tem, consiste em que todas as
suas instruções se reúnem num todo. Não posso colocar certo
ponto de lado sem com prom ete r o todo; não posso elim in ar um
ponto sem perder o todo; não posso me unir a um ponto sem assu
m ir o t odo e ser guiado por ele ...

183 N N T T . p. 151.
184 P. 152.
185 Ver a recente declaração a respeito do historiador R. W. Funk, “The Hermeneu-
tical Probletn and Historical Criticism'', The New Hermeneulic, eds. J. M. Ro-
binson e J. B. Cobb, Jr. (New York, 1964), p. 185: “O historiador não pode
pressupor uma intervenção sobrenatural no nexo causai como base para seu
trabalho.”
186 N N T T . p. 152.
187 N N T T . p. 32.
188 W. Pannenbere, B asic Q u estion s in T h eo log v. 2 vols. (Filadélfia, 1970-71).
Cf. Hasel, O T Theology , p. 68-75.
189 Schlatter, Theol ogi e des N T , I, p. 11.
190 Ver especialmente G. Egg, A d o lf S c h la tte rs k ritisch e P ositi on . g e z e ig t an sein er
1 91 M in ter p re ia lio n (Stuttgart,
P. a55ttheàs u., s123-125. 1968). p. 55, 6 4-66, 107 e s.

35
E Paulo, que enfatiza a singularidade da palavra du NT de modo
bastante m arcante , assum e com extrem o vigor o aparente m ente
mais distante membro do AT: a lei. Nisto ele experimenta com
força nova o que a lei deseja e ressurge na plenitude e lilu rdade da
fé.’'*2
L. Goppelt e H. J. Kraus estão corretos ao ver na perspectiva de
Schlattercomo
senta-se um aumconcepção
gigante quedatomou
história da sal vaç ão.a natureza
em consideração Sch latter
de apre
toda a teologia do NT, mas cujas opiniões não receberam a atenção
que mereciam. Ele é um biblicista fanático.194 Ele acha que a autoria
apostólica não milita contra a possibilidade de um desenvolvimento
do pensam ento 110 NT. R. Morgan observa corretamente: ‘‘Posto que
a teologia cristã, como interpretação contemporânea da tradição
cris tã, consi ste sem pre ne sta co ntínua discussã o en tre conservadores e
liberais ou modernistas, o estudo do protestantismo liberal pode
encontrar um equilíbrio proveitoso levando-se Schlatter cm conside
raç ão” .’96 Sc hlatter é pre cur sor daqueles p a ra quem a qu estão
“ teol ógica” é pred om inante.
Uma perspectiva da teologia do NT provavelmente não muito
diferente daquela de Schlatter é a que foi esboçada por William
Wrede (1859-1906) em seu ensaio programático Uber Àufgube und
M ethode der sogenannte n N eutesta m entlichen Theologie publicado
em 189 7.1y6 Este en saio tra ns fo rm a W rede no pione iro d a fas e
'‘histó rico -re ligio sa” 197 da teolog ia do NT, q ue surg iu on ze anos apó s
as primeiras teologias do AT que continham o enfoque da ‘‘história
da religião” serem publicadas por Augu.st Kayser (1886) e C.
Pie pe nb ring (18 86 ).198 Antes de q ua lqu er co ns ide raç ão a respeito dos
pontos mais im portante s dos argum entos de W rede devemos analisar

192 A. Schlatter, E in leitu n g in d ie B ib e l (4.a ed., 1923), p. 481 e s., conforme citado
par Kraus, B ib lis ch e T h eolog ie, p. 177 e S.
193 Goppelt, Theol ogie des N T, I, p. 47 es.; Kraus, B ibli sch e T h eo lo g ie , p. 178.
194 Kraus (Biblische Theologie, p. 177) afirma que o tipo de teologia de Schlatter não
é biblicismo, porque ele não separa o ato do pensamento do ato da vida e se
preocupa constan tem ente com a atual r ecepção do que é hist órico.
195 N N T T , p. 32...
196 W. Wrede, Uber Aufgabe und Methode der Sogenannten neutestamentlichen
Theologie (Gõttingen, 1897), reimpresso em P T N T , p. 81 154. Trad. ingl. de
R. Morgan, em N N T T , p. 68-116, sob o titulo; "The Tastc and Methods of
‘New T estament T heology’",
197 Hajiiiifílon. The Puth o f B iblical Theology, p. 115, está totalmente fnra dos
limites de sua declaração de que ‘‘o ensaio de Wrede é o programa da escola
h e ils g eOs cThTheol
198 Hasel, k '\ , .p. 29-31.
ic h tlicogy

36
(.ipnlameníe a obra de H. J. Holtzmann, que havia aparecido
icccntcinente e era al vo m aior do ataq ue de W rede.
O monumental Lehrbuch der neute sta m entlic hen Theologie, em
■ti 'is volumes, de H einrich Ju lius H oltz m an n (1832-1 910) apa rec eu em
[H‘)7.1‘' 9 R. B ultm an n o c ham a de “ um mo delo da con sciê ncia
i rílica”200 e R. Morgan de “um clássico da erudição histórico-crítica
rejeitou as opiniões conservadoras de Weiss sobre a autoria, seu
isolamento
dante do Novo Testamento
e especialmente sua opiniãododemundo
que adorevelação
pensamento circun
poderia ser
pressuposta pela discip lina” .2t>1 H oltzm ann segue a metodologia de
I C . Baur, mas deixa d e fora o hegel iani smo. Ele não dese ja i sol ar o
NT de seu meio cultural, m as recai no método do “ conceito-d e-d ou-
uina” ( Lehrbegriff) e coloca lado a lado os escritos do NT, mais ou
meno s sep ar ad am en te.202 H oltzm ann manteve o nome tradicion al da
Icologia do NT e se restringiu, por razões pragmáticas e não
metodológicas, aos escritos canônicos do NT, mas declarou que
“a separação entre o central e o periférico será a conseqüência
inevitável de todo o tratam en to dos pro blem as bíbl ico-t eológicos sob a
perspectiva histórica” .203 E ste procedim ento leva a um m éto do ato-
mista parcialmente tradicional e parcialmente crítico. Ãs doutrinas
do homem, da lei, do pecado, da corrupção e da revolução (conver
são) seguem-se as da cristologia, da redenção e da justiça divina. Os
capítulos finais discutem a ética, o misticismo e, por fim, a escatolo
gia. “A cada passo torna-se evidente como é artificial uma organiza
ção do material que deixe de fora as conexões inerentes ao siste
ma”.204 Holtzmann apega-se, em geral, à noção de que a pesquisa
histórica no campo da teologia bíblica é uma empresa teológica.
A teologia do NT de Holtzmann e seu método de justificativa da
tare fa teológica des pida do que (em val or etern o ( ornam evidentes que no
final do século XIX a teologia do NT partiu do princípio de J. P. Ga
bler e G. L. B auer. Surpreendente m ente Adolf D eissm ann conclui,
em seu ensaio “Zur Methode der biblischen Theologie des Neuen
Testaments” (1893),105 que cem anos depois de Gabler “não há mais
nenhuma dúvida a respeito do caráter puramente histórico da

199 H.-J, Holtzmann, L eh rbu ch d e r n eu te sta m en tlich en T heologie, 2 vols (Freiburg/


Leipzig, 1897).
200 Bultmann, Theo logv of t he N T , II, p. 245.
201 N N T T , p. 7.
20 2 M erk, B ib lisch e T h eo lo g ie , p. 242; Kümmel, H isto ry, p- 191.
203 Holtzmann, L eh rbu ch d e r n e u te sta m e n tlich en T h eo lo g ie , I, p. 25.
204 A. Schweitzer, P a u l a n d H is In te rp r e te rs . A C ritica i H isto rs 1 (Schoc ken e d. ;
NewYork, 1964), p. 102.
205 Â. D eissman n, “Zur M ethode der bibl isc hen Th eologie des Neu en Testamen ts’ 1,
Z T h K 3 (1893, p. 126-139, reimpresso em P T N T , p. 67-80.

37
teologia do N T ” .20* D eiss m an n, no en tan to , su strn ln que nAo se pode
sobrepor “conceitos-de-doutrina” ( Lehrbegriffv) uo NT.'"' A nature
za da histó ria do NT exi ge, “ em p rin cíp io” , que ria víi além dos
escritos canônicos, de modo que “a aparência dc unm mia predeter
m inad a sej a rem ovid a” .208 A m eta da teol ogia d o NT é “ le p io d u /ir os
pensam ento s ético-religiosos do cristianism o prim iliv o” . o que inclui
as segui nte s três tarefas princi pais: “p rimeiro, dc lcnn inai d eonteúdo
do pensamento ético-religioso da época em que apareceu a cristan-
dade e para a qual seu evangelho se destina”/"'' se^mido, determinar
“ as prim eira s m anife staçõ es d a consciên cia cr islil p rim iliva ” ;210 e,
terceiro, estabelecer “a apresentação da consciência lotai do cristia
nism o prim itivo ” .211 A ênfase está n a terce ira, que qu er di/.er, p or
um lado, que é inevitável ao historiador lutar por uma apresentação
sistemática, e, por outro lado, que há uma “jiislifiealiva histórica
para a te nta tiva de dem onstrar a unidade na diversid ade do te ste m u
nho clássico do cristianismo primitivo. Certamenlc itào há uniformi

da de !” 212como
empresa A siste
tal.mÉatiza ção do pe ns
a interseção am en
entre to do homem,
“Deus, NT c a Cristò,
coroaç ão da
sa lva çã o” .213
William Wrede também combateu a perspecliva do “conceito-de-
doutrina” (Lehrbegriff) em seu ensaio, que marcou época, escrito em
1897,214 Ele confia menos do que Deissnuinn que o programa de
Gabler da teologia bíblica como disciplina puramente histórica tenha
se realizado. Wrede afirma enfaticamente: "A teologia bíblica
hoje...não é ainda, no sentido verdadeiro e estrito^ uma disciplina

ahistórica
autono memia ado
bsenfoque
oluto ” .215 W rede
histó “ proclam
rico” a clara ae terce
.216 Ele rejeita consistentemente
ira ta ref a de
Deissmann, de uma “interseção”, porque “seria apenas abstração da
história real” e “não temos o costume de fazer exigências semelhan-

206 Deissmann. P T N T , p. 67 (o grifo é dele).


207 P. 74-76.
208 P. 67.
209 P. 68.
210 P. 73.
211 P. 78.
212 P. 79.
213 I b id .
214 Ver, acima, n.° 196. Para avaliação do ensaio de Wrede, ver M. Dibelius,
“Biblische Theologie und biblische Religionsgeschichte II. des NT”, R elig io n in
Geschichte und Gegenwart (2 .a ed .; Tü bingen, 1927), I, p. 1 .191 -1.194 , esp.
p. 1.192 e s.; G. Strecker, “William Wrede. Zur hundersten Wiederkehr seines
Geb urtst ages” , Z T h K 57 (1960), p. 67-91: Kümmel, H isto r y , p. 304 e f.; Kraus,
B ib lisch e T h eo log ie, p. 163-166; R. Morgan, N N T T , p. 8-26.
215 P T N T , p. 154; N N T T , p. 116.
216 Kraus, B ib lisch e T h eologie, p. 164.

38
tes em outras áreas da história da religião”.217 Ele ataca a pesquisa
histórica do NT do século XIX, particularmente a Escola de Tübin
gen, de F. C. Ba ur, mas tam bém a teol ogia de A. R itschl ( 182 2-18 89).
O segundo confiava nas estruturas históricas, mas abandonou-as
arb itr ariam ente quan do en traram em con flito com a dou tri na ou co m
o cânon. Wrede lutava por uma aplicação consistente do método
histórico-crítico, isto é, os escritos do NT têm que ser entendidos e
interpre tado s un icam ente com base n a cu ltura do próp rio tem po .218
Isto quer dizer tanto que o princípio da Reforma da auto-interpreta-
ção da Bíblia é completamente rejeitado, como se não existisse inspi
ração,219 mas que o quadro histórico do cristianismo histórico pode
ser traçado a partir dos três princípios enumerados pelo “dogmático
da escola da história das religiões”220 Ernst Troeltsch (1865-1923),
a saber, crítica histórica, analogia e a correlação entre os processos
histórico s.221 E sta afirm ação leva W rede a de clara r q ue o método
dominante da teologia do NT conforme manifesto nas obras de
F. C. Baur, B. Weiss e H. J. Holtzmann, isto é, o método dos
“conceitos-de-doutrina” (Lehrbegriffe ), deve ser rejeitado.222 “Con
tanto que a teologia do Novo Testamento retenha uma ligação direta
com a dogmática como meta e espere com isto obter material de
trabalho p ara a dogmática — e isto é um a perspect iva com um — ser á
natural que a obra teológica bíblica mantenha um olho na ( hinschie-
len) dogm ática. A teo logia bíblica será pressio nad a a respon der às
questões da dogmática que não são respondidas pelos documentos
bíblicos e tentada a elim inar os resultados que forem proble m áticos
p ara a dogm ática".223 W rede transm ite a im pressão de que a teologia
do NT é um a em pre itada que t em " um olho n a ” dogm áti ca e que dela
recebe suas questões. Se isso só dá ou não, é discutível. Em todo caso,
Wrede sustenta que o erudito que trabalha consistentemente com o
método histórico-crítico não estuda a teologia ou doutrina de um
movimento (cristianismo primitivo), mas investiga e apresenta a sua
“reli gi ão” .

217 P T N T , p. 1S2, n.° 96; N N T T , p. 193, n.° 96.


218 P T N T , p. 108-123; N N T T , p. 84-95.
219 P T N T , p. 83; “A antiga doutrina da inspiração é reconhecida pela teologia aca
dêmica, inclusive amplamente entre as da ‘direita’, como insustentável. Para o
pensam ento lógico não pode hav er posição intermediária entre os escri tos inspi ra
dos e os documentos históricos, embora não faça, de fato, falta um quarto entre
três quartos de doutrina inspirada.” O corolário resultante é o seguinte: “Onde
foi descartada a doutrina da inspiração, não se pode mais manter o conceito
dogm áti co do cânon ” (PTNT, p. 85). Cf. N N T T , p. 69 e s., com, tradução inexata.
220 Morgan, p. N10.N T T , ' *
221 Troeltsch, em Theologie ai s W issenschaft, ed. G. Sauter, p. 107.
222 PP T
223 TNNT p. 891-108;
T ,, p. N N mi
2 (tradução p. 73-84.
T T , nha) ; N N T T , p. 69.

39
O método da "história das religiões” de Wrede224 trouxe também
uma nova avaliação do título da disciplina da teologia do NT. Wrede
assinala que, como disseram outros antes dele, “o nome ‘teologia
bíblica’ orig in alm ente não significava um a teologia que a Bíblia
contém, mas uma teologia que tem um caráter bíblico e extraída da
Bíblia. Podemos considerar isto irrelevante”.225 Kraus acha surpreen
dente esta irrelevância, “pois Wrede, não obstante, projeta seus
próprios conceitos, sem reflexão poste rio r — conform e ele acha — no
‘significad o orig in al ’ da ‘teologia bíb lic a’ ” .226 Na ver da de , a qu es tão
não é tão irrelevante quanto foi dito. Wrede propõe um novo título
p ara a discip lina, sob a in fluência de G. K rüger,227 pois o nome é
controlado pela matéria de estudo. “O nome ‘teologia do Novo
Testamento' está incorreto em ambos os seus termos. O Novo Testa
mento não t ra ta m eram ente da t eol ogi a, m as, na verdade, tra ta muito
mais da religião... O nome apropriado para a matéria é: História da
Religião do Cristianismo Primitivo ou a História da Religião e da
Teologia Cristãs Primitivas”.228 Isto quer dizer que a teologia do NT,
em s eu s entido m ais amplo, está morta.
De acordo com dar um novo nome e transformar a disciplina,
Wrede define a incumbência sarcástica em resposta à sua própria
pergunta: “ O que esta m os realm ente procurando? Em últim a instân
cia, queremos pelo menos saber o que se pensava, acreditava,
ensinava, esperava , pedia e lutava por no período mais antigo do
cristianismo; não o que certos escritores dizem a respeito de fé,
dou trina, e spe ran ça, etc” .229 A m atér ia de estudo de term ina a tarefa .
Em seu todo, não está em poder do pesquisador histórico servir à
Igreja através de seu trabalho. O teólogo que obedece ao objeto
histórico como a um mestre não está em posição de servir à Igreja
através de seu trabalho propriamente histórico-científico, mesmo
que estivesse pessoalmente interessado em fazê-lo. Ter-se-ia então
que considerar a investigação da verdade histórica a serviço da
Igreja. É aí que está a dificuldade principal de toda a nossa situa
ção teológica, ela não é criada por vontades individuais: a Igreja

224 Podem-se encontrar boas discussões sobre o método e a escola da história das
religiões em S. Neill, Th e Interpret ati on o f T he New Testam ent 1861- 196 1
(Londres, 1964), p. 157-190; Kümmel, H is to r y , p. 206-324; Kraus, B ib lisch e
Theologie, p. 160-169.
225 P T N T , p. 153; N N T T , p. 115.
226 Kraus, B ib lisch e T h eologie, p. 165.
227 Gustav Krüger, D a s D o g m a vom N eu en T e sta m e n t, P ro g ra m m d e r U n ive rsitm
Giessen (G iessen, 1896), p. 34. Cf. M e r k , B ib lis ch e T h eo lo g ie , p. 245.
228 P T N T , p. 109;
229 153 e N
s. N(tradução
T T , p. 84 ems.inha); N são
(os grifos T , p. 116.
N T dele) .

40
repousa na História, mas a História não pode fugir à investigação
e a i nvestigação d a H istória p ossui suas pró pr ias leis inte rn as .230
A História é, portanto, autônoma: o teólogo não tem nenhum mes
tre, a não ser “o objetivo histórico”. Kraus enfatiza corretamente:
“Wrede anuncia uma troca de mestres. Até agora os ‘conceitos-de-
doutrina’ eram os mestres; de agora em diante a História é o mes

tr e ” .231desempenhar
dúvida, M as o pr óp um
rio W redimportante
papel e adm ite que “ os conceitos
na teologia devem,
do NT. São a sem
paFte da religião cristã prim itiva mais fácil de se apreender, e a
maioria dos resultados do desenvolvimento religioso estão resumidos
neles. Nossa disciplina, contudo, não lida com todos os conceitos,
mas apenas com os normativos e dominantes, e, portanto, com os
car acte rísticos e ind icativos” .232 W red e esp era d a teologia do NT qu e
ela “nos mostre o caráter especial das idéias e da percepção dos
antigos cristãos, profundamente elaboradas, e nos ajude a com
preendê-las
(1) totalmentehisto
livrericam ente ” .233
de interesses da OIgreja
novoe program a delevantadas
das questões W rede é, assim ,
pela dogm átic a, (2) suposta m ente desin te ressado d a teologia como
tal, (3) totalmente comprometido com uma metodologia histórica
consistente, (4) uma busca em apresentar a religião do mais antigo
cristianismo, (5) obrigado a estudar as fontes sem levar em conta o
cânon, (6) uma tentativa de mostrar o caráter especial das idéias e
perc epções dos prim eiros cristãos, (7) um a descrição dos “ conceitos”
da religião cristã primitiva, com a intenção de apontar para o
desenvolvimento, e (8) seguidor da abordagem da história das
religiões.
Como iria Wrede estruturar a sua “história da religião cristã
prim itiva” ? “ O prim eiro tem a prin cipal da teologia do NT é a
pregação de J e su s”, 234 embora “não estejamos de posse da ipsissima
verba (mesm íssima s palavras ) de Jes us” .235 A isto deve seg uir u m a
descrição da fé e da doutrina das comunidades cristãs judaicas e
ge ntias. “ A segu ir vem um cap ítulo esp ecial a resp eito de Pa ulo ” .236
A se cçã o a respeito d a “ teologi a jo an in a ” fo rm ará o capítulo f ina l.237
O programa histórico-religioso de Wrede não se realizou numa
publicação dele próprio. Ele m orreu em 1906. M as sua influência foi

230 P T N T , p. 90 (tradução minha); N N T T , p. 73.


231 Kraus, B ib li sch e T h eo lo g ie , p. 164.
232 P T N T , p. 95 e s.-, N N T T , p. 76 e s.
233 P T N T , p. 104; N N T T , p. 83.
234 P T N T , p. 135: N N T T , p. 103.
235 P T N T , p. 136; N N T T , p. 104.
236 P T N T . p. 139; N N T T , p. 106.
237 P T N T , p. 147-150; N N T T , p. 112-114.

41
definitiva. Henrich Weinel foi o primeiro n utül/ai o imvo programa
numa obra que surpreendentemente inlituUu» ilr Híblisrtu’ Theologie
desNeuen Testaments (1911).23S O subtílulo, "A Religião dc Jesus e o
Cristian ism o P rim itivo ” , revela cla ra m en te a siut iiil<u<,'rto histórico-
religiosa. Ele afirma que “no lugar de uma teolngin bíblica do NT
deve ser colocada uma história da religião do ctisliimisino primiti
vo” .239 Weinel enfatiza fortemente a "religiíío d«* .lesus” como uma
“religião ética da redenção”, ao contrário da "religião mítica da
redenção”,240 ambas unidas na “religião” do cristianismo primitivo.
A influência da dialética hegeliana é evidente. Weinel também é
veem entemente con tra o “ ca rá ter teol ógico especial” , que foi negado
por W rede.241 A razão p ara este movim ento da descrição (reconstru
ção) para a interpretação (teologia) foi fundamentalmente o "fato de
que f al tav a u m con ceito cl ar o de fé e re ligi ão” na e sco la da
“ his tór ia das religiõe s” .243
Dois a nos ap ós a pu blica çã o do l ivro de W einel , apare ce o signifi ca
tivo Kyrios Christos (1913), de Wilhelm Bousset (1865-1920).244 Ele
supera a época claramente delineada de F. C. Baur através de uma
sutil história da srcem e desenvolvimento da religião do cristianismo.
A aplic ação da crític a da tradição radical reduz ao míni mo a figura de
Jesus. Bousset declara que em muitos casos os cristãos eram adorado
res de mistérios antes de se converterem. O que aconteceu foi uma
transferência dos conceitos dos deuses mitológicos para Jesus de
Nazaré. O Kyrios das antigas igrejas gregas é um poder que está
presente no culto e adoração onde os crente s m antêm um a com unhão
sacram ental c om e le. Assi m, P aulo ou seu s suces sor es trans form aram
o cristianismo primitivo num culto de mistérios. “Tais processos
ocorrem no inconsciente, nas incontroláveis profundezas da psique
total da c om un ida de ” .245
Karl Holl e L. Goppelt questionam se a srcem da igreja católica
prim itiv a foi realm ente explicada por Bousset e sua abordagem da

238 H. Weinel, B ib lisch e T h eologie d e s N euen T e sta m en ts {Tübingen , 191 1; 4 .a ed.,


1928).
239 P. 3.
240 P. 130 e ss.
241 Merk, B ib lisch e T h eo lo g ie , p. 247.
242 Bultmann, Theo lo gy o f the N T, 11, p. 246.
243 3. Kaftan ( N e u te sta m en tiic h e T h eologie im A b ris s d a r g e s ts llt ["Berlim, 1927] )
também pertence à escola da história das religiões. Ele concebe a religião do NT
como um a “reli gião éti ca da redenção” .
244 W. Bousset, K yrio s C hris to s. G esch ic h te des C h ristu sg la u b en s von den A n fán gen
d e s C h riste n tu m s b is Ire n a eu s (Gò ttingen, 1913 ; 6 .a ed.; Dar m stadt, 1967).
Trad. ingl.K yrKio
245 Bousset, h ris tosp. (Nashville,
y rsioCshCristos, 99. 1970).

42
história da religião.246 "Por que foram o judaísmo e o helenismo
rejeitados como elementos estranhos, se, como já foi dito aqui, a
igrej a primitiva nas ceu del es em con tinuidade históri ca? A ap resen ta
ção pu ram en te his tóri ca não con seg ue exp licar est e hiato e, p ortanto,
fazer um retrato completo, pois faz da continuidade histórica uma
pressuposiç ão. Do mesmo modo, o quadro da cristolo gia prim itiv a
está pressuposto no princípio histórico da correlação: os mitos
red en tore s dos arr ed ore s são t rans ferido s p ara Jes us !” 247 É evidente
que um enfoque puramente histórico não é exatamente idêntico à
“objetividade pura” ou ciência objetiva. E. Troeltsch havia mesmo
declarado que o próprio mctodo histórico-crítico tem como pressu
posição m enta l “ toda um a visão de m undo” .248 Isto im plica que a
pesquisa his tó rica está sem pre condic io nada à corrente filosófica da
época.
Façamos um resumo. Na virada do século XX, a teologia protes
tante é representada num vasto panorama. Primeiro, há Franz
Overbeck, que ab an do na v oluntariam ente a cadeira de exegese do NT
e história da igreja antiga na Universidade de Basiléia em 1897 por
causa da metodologia histórica pura, que o levou à sua “descrença
básica” .249 Sua descrença radic al nega a tarefa da teologia num
estudo puramente histórico do NT. Segundo, há a escola da história
das religiões com seu programa de uma teologia histórico-religiosa
baseada num m éto do histó ric o-crític o consiste nte (W rede, Troeltsch,
Weinel, Bousset, etc). E, finalmente, há a crítica teológica incisiva do
método “puramente histórico” de Schlatter, um estudioso extrema
mente erudito, com um sólido interesse no enfoque da história da
salvação ( Hei/sgeschichte ). É neste cenário que chegamos à ascensão
da teologia dialéti ca.

D. D a Teolog ia Dialética até o Prese nte


No perío do seguinte à Prim eira G rande G uerra, vários fatores,
inclusive um Zeitgeist (espírito da época) trouxeram uma nova
situação ao mundo teológico. R. C. Dentan aponta para os seguintes
fatores: (1) Uma perda total de confiança no naturalismo evolucio-
nista; (2) uma reação contra a convicção de que a verdade histórica

246 K. Holl, "Urchristentum utid Religionsgeschiehte”, Gesammelte Aufsatze zitr


fC ie rc/iengesch ic htc (Tübingen, 1938), II, p. 1-32; Goppelt, Theol ogi e des N T, I,
p. 31.
247 Goppelt, Theol ogi e des N T, I, p. 31.
248
24 9 Conforme
Kümmel, ciH tado por
is to ry , p.Go ppelt,
203. ibid.

4.1
pode ser obtida através da p ura “ objetividade cie ntífic a” ou que ta l
objetividade seja realmente acessível; (3) a tendência para um retorno
à idéia da revelação na teologia dialética (neo-ortodoxa);250 e a isto
podemos adic ionar (4) o renovado in te resse n a teologia como tal.
Descobriu-se que o historicismo do liberalismo251 era inadequado e
nov as perspec tivas surgiam no horizonte.
Karl Barth assinalou uma mudança radical tanto na hermenêu
tica252 como na teologia. A Primeira Grande Guerra ensinou-lhe a
inadequação da teologia liberal. Expressou seu desencanto com
pala vras provocante s no prefácio de seu pesado com entá rio sobre
Romanos, publicado na Alemanha em 1918:
O método histórico-crítico da investigação bíblica tem sua vali
dade. Ele aponta para a preparação à compreensão, que nunca é
supérflua. Mas se eu tivesse que escolher entre ele e a velha doutri
na da inspiração, decididamente escolheria a segunda. Ela tem
a validade maior, mais profunda e mais importante , pois apcnta
p ara o trabalho da com preensão, sem o qual to da a preparação é
inútil. Estou contente por não escolher entre os dois. Mas a minha
atuação voltou-se para a investigação através do histórico dentro
do Esp írito da B íblia, q ue é o Esp írito E te rn o .253
Estes golpes audaciosos da pena de Barth faziam, parte do que deu
à luz a teologia dialética (neo-ortodoxa), o que levou a questão da
interpre tação e da teo logi a a um nov o rumo . B arth e nfati zava o lado
divino do relacionamento Deus-homem, isto é, Deus como a fonte da
revelação, e exige e pratica uma “interpretação pós-crítica da Bí
blia” .25,1 Isso significa um a inte rpretação da Bíb lia que não se atém a
proble m as histórico-críticos, mas pen etra no te stem unho da revelação
contido na Bíbli a.
Uma das figuras mais importantes do estudo do NT no século XX
emerge e parte da teologia dialética. A carreira acadêmica de Rudolf

250 D e n ta n , P re fa ce, p . 61.


25 1 Ver especialm ente C. T. Craig , "B ibli cal Theology and the Rise of H istori cism” ,
JBL 62 (1943). p. 281-294; M. Kãhler, “Biblical Theology", Th e f c Schaff-
H erzog E n cyc lo p ed ia o f R elig iotts K n o w le d g e {rei mp r. , G rand Rapids. M idi.,
1952), II , p. 183 e ss .; C. R. North, “ OT T heology and the History of Hebrew
Re ligi on” , Scattish Journal of Theology 2(1949), p. 113-126.
252 G adam er. "H crnicneutik und H istorismus". P h iln soph is eh er R evue 9 ( 1962 ).
p. 246 e ss.; }. M. R obinson, “H ermeneuti c Si ncc Bart h” , The New Herm eneut ic .
N ew F rn n tie rs in T h eo lo g y, eds. J. M. Robinson e J. B. Cobb, Jr. (New York,
1964), p. 1-77,esp. p. 22-29.
253 K. Barth, D e r R ò m e rb r ie f ( Berna, 1918), p. v. (os grifos são dele). Há uma trad.
ingl. de E. C. Hoskyns, The E pisil e to R om ans (Londres, 1933).
254 R. Smend, “Naehkritische Schriftauslegung", PARRHESIA. F estsch rift f ü r K.
B a rth zu m 80 . G e b u rtsta g { Zurique, 1966), p. 215-237.

44
Bultmann durou mais de seis décadas. Ele foi o pioneiro lanlo na
crítica da forma255 como no programa da denútização,2^' e contribuiu
110 deba te so bre a nova bu sca do Jesus h is tó ric o,257 en tre imiilas
outras coisas. Sua obra produziu uma enxurrada de literatura, tanto
contra como a favor de suas opiniões.
Bultmann parece ter absorvido e combinado várias influências
importantes. Primeiro, ele vem da escola da pesquisa “puramente
his tór ica ” , isto é, da escola da his tória da s religiões.2 58 Ele perm ane ce
den tro de um a co rrente d a “ escatologia co nsisten te” .259 Tem am bos

255 R. Bultmann, D ie G e sc h ich te d er syn o ptis ch e n T ra d itio n (Gõttingen, 1921;


2.a ed., 1931). Trad. ingl. The H ist ory o f the Syno ptic Traditi on (New York,
1963); R. Bultmann e K. Kundsin, F o rm C ritic is m . Tw o E ssays on N T R esearch
(New York, 1962). Bultmann foi precedido no método da crítica da forma por
M. Dibelius, D ie F o rm g esch ic h te des E van geliu m s (Tíibing en, 19 19 ; 3 .a ed.,
1959). Trad. ingl. F rom T ra d it ion to G o sp e l (New York, 1934) e por K. L. Sch-
midt, D e r R a h m e n d e r G esch ic h te Jesu (Berlim, 1919). Avaliações importantes
deste método deTheologische
Evangelien”, pesquisa sãoRundschau
fornecidas por 24
G. (1957-58),
Iber, “Zurp.Formgeschichte
282-338; W. E.der
Bames,
Gospel Criticism and Form Criticism (Edijnburgo, 1936); E. B. Redlich, F orm
Criti cism, Its Valu e an dL im itution (2.a ed., Edimburgo. 1948); E. Güttgemanns,
Offene Frage n zur Form geschichte des Evangeli um s (M un ique, 1970 ); H. Koeste r,
“ One J esus a nd Four Primit ive Go spels", Trajectories through Early Christianity,
eds. J. M . R obinson e H. Ko ester (New York, .1970), p . 158-204 ; D . L ührman n,
D ie R e d a k tio n d e r L o g ien q u elle (Neukirchen-VIuyn, 1969); C. E. Carlston,
The Para bles o f the Triple T radit ion (Filadélfia, 1975).
256 O discurso de Bultmann, “Neues Testament und Mythologie”, foi srcinalmente
apresentado em 19 41 e tr aduzido e publicado em inglê s “ New T estam ent and My-
thology", em K ery g m a a n d M y th , ed, H .-W . Bartsch (Lond res, 1954), I , p. 1-44.
O primeiro debate levantado sobre este assunto está contido nos volumes de
K e r y g m a u n d M yth o s, ed. H.-W. Barlsch. Trad. ingl., em dois volumes, K e ty g m a
a n d M yth (Londres, 1954, 1962). Ver também os ensaios de E, Kinder, W.
Kilnneth. R. Prentcr, G. Bornkamm, em K e rig m a a n d M y th , eds. C. E. Braaten
e. R. A. H arrisville{Nas hville, 196 2), p. 55-8 5, 86-1 19, 120-137 , 172-196. Ver tam
bém R. H. Fuller, The New Testament in Current Studv (New York, 1962),
p . 1 2 4.
257 R. Bultmann se opunha, em D a s Verh altniu d e r urch ristl ich en C h ris tu sb otsch a ft
zu ni historis eh en Jesus (Heildelberg , 1960; 4 .a ed ., 19 65). Trad. ingl. The His-
to rical J esu s a n d th e K er y g m a tic C h rist, eds. C. E. Braaten e R. A. Harrisville
(Nashville, 1964), p. 15-42. Este últi m o contém tam bém ensaios sobre a s matéri as
de E. Stauffer, H. C onzelm ann, H. B raun, C. E. Braaten, H .-W . Bartsch,
H. Ott, R. A. Harrisville, Van A. Harvey e S. M. Ogden. Ver também J. M. Ro
binson, A N ew Q u est o f th e H isto rica l Jesus (SBT, 25; Londres, 1959); K. Schu-
bert, ed., D e r h is torisch e Jesus u n d d e r C h ris iu s un seres G la u b e n s (Viena, 1962);
E. Fuchs, Stud ies an the H istori cal Jes us (SBT, 42; Londres, 1964); Fuller, N T in
Curr ent S tu dy , p. 25-53; L. E. Keck,/4 F u tu re f o r th e H is to rica l J esu s: The P lace
o f Jesus in Preach ing a n d T h eology (Nashville, 1971); G. Auíén Jesus in C o n te m -
p orary H is to r ica l R esearch (Nashville, 1976).
258 Bultmann, Theo lo gy of t he N T, II, p. 250.
259 Ver Johnmies W l - í s s . D ie P redig t Jesu rom R eic h G o tie s (Gõttingen, 1892;
2.a cd., 1900) e especialmente as opiniões de Bousset, que, segundo Bultmann,
são essencialmen te corretas (Glauben und Verstehen , I [Gõttingen, 19333, p. 256
e s.). Cf. Kümmel, H isto ry, p. 225-244; G. E. Ladd, Jesu s a n d th e K in g d o m .
Th e E schatohtgy o f Bibli cal R eali sm ( 2 .a e d .; W aco, Tex as, 1970), p. 3-38.

45
os pés plantad os n a tradição histórico-mlii- ii.""’ Secundo, Bultman n
adota como pressuposição mental a íilosoíiii predomitianlc em sua
época na forma do existencialismo de M. Hei dc j <g ei so u colega na
Universidade de Marburgo de 1923 a 1928. Shi itilcnlo é interpretar a
mensagem do NT ( querigma ) dentro do pensamento d<i liomem
moderno. Procura evitar que o homem moderno tonn- uma decisão

pexistencial
ara B ultm com base
ann, “ innaterp
linguagem mitológica
retar o pensam do teológico
ento NT. Isto significa,
do Novo T esta
m en to em sua con exão com o o ‘ato de vive r’, isto é, como e xplicação da
autoco m pree nsão da fé” .262 B ultm an n, p or exemplo, acre dita que é
possível dete cta r com a pesquisa histó ric a que Jesus procla m ou
“a mensagem escatológica da irrupção do reino de Deus” com a
certeza do fim iminente. Este mito apocalíptico tem que ser demitiza-
do, isto é, decodificado e reinterpretado. Isto quer dizer, em termos
existencialistas, “guiá-lo [o homem] em direção ao seu AGORA como
anarhora da deci histórica
a questão são por Dcom
eu s” .263 Terceiro,
a teológica. B ultm
Ele não ann separar
deseja pro cu raa comb i
“reconstrução” da “interpretação” como Merk faz264 ou separar
“o que queria dizer" do “o que quer dizer" nos termos de K. Sten-
dahl.265 Bultmann procura evitar o erro “de separar o ato de pensar
do ato de viver e, portanto, a falta de reconhecimento do objetivo do
pronunciam ento te ológico".266 E ste é o ponto a p a rtir do qual
Bultmann parte de Wrede e são estes os objetivos de um sistema de
pesquisa “ puram ente histórica” . A m eta do segundo siste m a de
pesquisa é tã o am pliada que pode en cerrar a questã o teológica. Isto
ser á analisado e m maior profun didade no próxi m o capít ulo.
A escola bultmanniana apresenta-se com variações e mudanças em
algumas das questões básicas, particularmente por Hans Conzel-
mann, que foi o único dos bultmannianos a escrever um esboço da

260 Bultmann, Theo lo gy o f the N T , II, p. 250.


261 Particul armen te conforme expre sso em Being and Ti me, de Heidegger (New York,
1962). Primeira edição alemã em 1927. J. Macquarrie trava incisiva discussão a
respeito da influência do existencialismo heideggeriano sobre Bultmann, em
A n E x isten tia list T heolo gy: C o m p a rim n o f H e id eg g er a n d B u ltm a n n (New York,
1955). Ver tam bém J . M . Robinson e J . B. Cobb, Jr., eds., The ta re r Heid egg er
a n d T h eology, “New Frontiers in Theology I” (New York, 1963).
262 Bultmann, Theo lo gy o f t he N T , II, p. 251.
263 Vol. 1, p. 21; Cf. K ery g m u a n d M y th , I, p. 42 e s.: “Por meio da palavra da
Pregação, a cruz e a ressurreição se fazem presentes: o 'agora' escatológico é
aqui...”
264
265 Merk, B ib lisch
K. Ste ndahl, “B e ibli
T hcal
e o lo
Thg ie , p. 257Con
eology, e s. temporary” , I D B , I, p. 419.
266 Bultmann, Th eo log y ofthe N T , II, p. 250 e s.

46
teologia do No vo T es tam en to (1 967 ),267 P. V ielha ue r e seus discípulos
G ünth er K lein ,268 Geor g S tre ck er ,269 e W alte r S ch m ith al s. 270
A reação mais significativa contra Bultmann aconteceu em 1950,
partindo de seus próprio s discípulos, que são com um ente cham ados
de pós-bultmannianos.271 O mais importante deles foi Ernst Kâse-
mann, que lançou formalmente a nova investigação a respeito do
Jesus histórico em 19 5 3 ,272 E rn st Fu chs , J. M . R ob ins on 2” e G ün th er
Bornkamm.274
1912) foi o precuÉ rso
bom ter-se
r dos novem mente
os pes queore
qu isad Martin Káhler
s.2,5 Os (1835-
pós bu ltm an nia -
nos se opunham à afirmação de Bultmann de que o Jesus da História
era irrelevante para a fé. Para alguns pós-bultmannianos, o Jesus
histórico é a base do querigma (Kãsemann, Bornkamm, etc.),
enquanto para outros ele é a base da fé (Fuchs, Ebeling,276 etc.).
Declarou-se recentemente que “o fracasso em se obter resultados
claros na dita nova investigação do Jesus histórico resultou numa
d err ub ad a das expectat ivas crítica s” .277
No início da década de 1960, vários pós-bultm annianos, principal
mente E. Fuchs, G. Ebeling, J. M. Robinson e também R. W.
F u n k ,278 foram além d a herm en êu tica de B ultm an n,27'' pa rtic u lar 
mente de sua adoção do existencialismo de Heidegger,280 criticando a

267 H. Conzelmann. Grundriss der Theologie dos Neuen Testamenrs (Munique,


1967). Trad. ingl. (New York. 1969).
268 G. Klein, "D as Ãrgcrni s des Kr euzes” , Streit um Jesus, ed. F. Lorenz (Munique,
1969), p. 61-71.
269 G. Strecker, “Die historische und theologischc Pinblematik der Jesus-frage",
E vT h 29 (1969), p. 453-476; idem, “Das Problem der Theologie des Neuen Testa-
ments”, P T N T , p. 1-31.
270 W. Schmithals, “Kein Streit uni Kaisers Bart” E va n g elisch e K u m m e n ta re 3
(1970), p. 76-85.
271 W. G. Dotv, Contemporarv New Testament Interpreration (Englewood Cliffs,
N .J ., 1972 ), p. 28-5 1.
272 Publicado sob o título "Das Problem des historischen Jesus", Z T h K 51 (19S4),
p. 125-153. Trad. ingl. E. Kãsemann, E ssays on N ew T esta m en t Th em es I.SBT,
41; Londres, 1964), p. 15-47.
273 Ver, acima, n.° 57, para literatura.
274 Ver Jes us ofN azare th (New York, 1960).
275 Em 1896, ele publicou o seu livro D e r so g en a n n te h isto risch e Jesu s u n d d e r
gesch ic h tlich e, bib lisch e C h ristu s (Leipzig, 1896). Trad. ingl. The-Called Históri
ca /J esu s a n d th e H isto rie B ib lic a l C h ris t (Filadélfia, 1964).
276 Gerhard Ebeling. Word and Faith (Londres, 1963); idem, The Nature of Faith
(Londres, 1961); idem, Theology and Proclum ation: Dialogue on Bu lt m ann
Filadélfia, 1966).
277 H. C . Kee, “Biblical Criticism, NT”, I D B S u p p l. (1976), p. 103 e s.
278 R. W. Funk, Language, H erm en eu ti c, a n d W o rd o f G o d (New York, 1966).
Ver , acima, os n.° 261-276.
279 Doty oferece um resumo conciso em Con tempo rary N T Int erpret ati on, p. 28-51;
P. J. Aehtemeier, A n In tro d u e tio n to th e N ew H e rm en eu tic (Filadélfia, 1969);
G. Stachel. D ie N eue H erm en eu tik . E in V b e r b lic k (Munique, 1968).
280 Robinson e Cobb, eds. The LaterHe idegger an d The ol ogy .

47
compreensão bultmanniana do modo como a linguagem funciona.
Na herm enêutica tradicional, o texto tem de ser interpretado. A nova
hermenêutica reverte este processo. O homem deve ser interpretado
através do texto. Uma discussão adequada da complexidade da nova
hermenêutica nos desviaria do caminho certo. Tem-se falado o
bastan te para indic ar que a erudiç ão crític a moveu-se para m uito
além de Bultmann e tem encontrado uma fraqueza decisiva em seu
enfoque.281
O ensaio publicado em inglês em 1976 por um pós-bultmanniano,
que é conhecido mem bro tanto do movimento da nova busca como da
nova he rm en êutica , é carac terístico da t eologia do NT en tre u m deles.
J. M. Robinson deu-lhe o provocante título “The Future of New
T esta m en t Theology” .282 Ele d eclara q ue com W rede a “ teol ogia do
Novo T estam ento chegou ao fim ...” 283
“ Após vári os des vios e evas ões , devemos simplesm ente ad m itir que
Wrede estava certo e, portanto, negar qualquer futuro à teologia do
Novo Testam ento; devem os... canalizar a teologia do Novo T esta
mento para dentro da disciplina menos problemática da história das
religiões... Contudo, uma concentração exclusiva sobre a tarefa,
como forma da teologia do Novo Testamento adaptada ao século XX,
poderia se cham ar reconhecid am ente de ‘H istória da Religião Cristã
Primitiva’, e não ‘Teologia do Novo Testamento’.”284 Mas Robinson
acha que B ultma nn ab riu um no vo cam inho em dir eção ao futu ro da
teologia do NT. “Este procedimento, que realmente aponta para a
nov a herm enêu tica e suas pressuposi ções na fil osofi a da lingua ge m ,...

obtém
m ento”[s/c]
.285 resultados
Com base importantes
nu m a linhapara
de apensam
teologiaento
do “Novo
cosmTesta
ológica” , e
não “antropológica”, como no caso de Bultmann, a teologia do NT
pode ser levada a efeito “ em te rm os do fanatism o sobrenatural da
congregação primitiva, movendo-se em direção ao antimundanismo
de Paulo e João, mas também ao mundanismo de Lucano e Cons-
tantino. uma tendência constantemente acompanhada por uma ala
de esquerda, de crescente tendência gnóstica a escapar do mun
do”.286 Robinson, deste modo, pede uma “mudança para além do

sis
da tema dou trinai
linguagem que do NovoserT esta
possam m en to... em
interpretados p artermos
a dentrodedos movimentos
alternati

28 1 Ver o re sumo de N. Perri n, "T he Challe nge of New Testam ent T heology Today",
N ew T e sta m e n t J ssv e s , ed. R. Batey (New York, 1970), p. 15-34, e os pontos da
crí ti ca m encionados por D oty, Contemporary NTInterpretalion, p. 43 e s.
282 Ver, acima, o n .° 5.
283 “T he Future of N T Theology” , p. 17 .
284 P. 20.
285 Ib id .
286 P. 21.

48
vas ao mundo moderno, estendendo-os ‘teologicamente’, ‘ontologica-
mente ’, ‘co sm ologic am ente’, ‘po litica m en te’, e tc .” 2*7 Será que esta
intencionada renovação do veiho programa, com uma compreensão
da História orientada pela totalidade da sociedade e a filosofia da
linguagem atual, não integra o NT na História de ta! modo que seu
significado seja eliminado através de uma visão a priori do m und o?288
Direção oposta a que acabamos de resumir é a de Peter Stuhlma-
cher, da Universidade de Tübingen, tendo sido um de seus professo
res o pós-bultmanniano E. Kâsemann. O livro de Sluhltnaeher,
Schriftauslegung auf dem Wege zur biblischen Theologie (1975),289
contém suas reflexões c sugestões básicas. Ele trabalha extensivamen
te com a herança bultmanniana, mas conclui que “o poder integran
te do esquema hermenêutico de Bultmann foi amplamente esgota
do”290 e assinala, em acréscimo: “Ainda não chegamos à hermenêuti
ca de que nec es sita m os ",291 Isto imp lica um “ Não ” aos bultm an nia -
nos e aos pós-bultmannianos. Em oposição a eles, Stuhlmacher fala
de uma “hermenêutica do consentimento'' ( H erm eneutik des Ein-
versfàndnisses) ,292 que deve reservar um amplo espaço para (1) o
“ poder inere nte d a palavr a da Bíblia” ; (2) o “ horizonte da f é e da
exper iênci a da Igreja” ; (3) um a “ ab ertu ra pa ra um encontro com a
verdade de Deus, que nos chega através da transcendência”; e
(4) um a “ ab er tu ra p ar a a pos sibili dad e d a fé” .293 Ele se v ê como
detentor de uma posição intermediária, como “uma linha divisória
entre a teologia querigmática, o pietismo, e um luteranismo de
or ienta ção bíb lica ” .29'’
Pode ser espantoso para alguns observar que Stuhlmacher propõe
um a “ teologia bíblic a do No vo T es tam en to” .295 Ele segue a linh a dos
erud itos do VT (G . von Rad, W . Zim m erli e especialm ente H. Gese) e
levanta a questão sobre um a teologia do NT que “ não deve s e pro jetar
como uma teologia bíblica, isto é, como uma teologia do Novo
Testamento aberta em direção ao Velho Testamento e que procure
retrabalhar a conexão entre tradição e interpretação de tradição
do AT e do N T ” .296 O ce ntro de um a teologia bíblica é a proclam a-

287 P. 22.
288 Ver Gopp elt , Theol ogi e des NT . I, p. 40 e s.
289 P. Stuhlm acher, Schrift auslegung au f dem W ege zu r bi bli schen Theol ogi e
(Gõttingen, 1975).
290 P. 99.
291 P. 48.
292 P. 120-125.
293 P. 125 e s.
294 P. 61.
295
296 P.
P. 127,
138. 138, 163.

49
çào da reconciliação arraigada na mensagem de Jesus Cristo,297 pois
“a mensagem da reconciliação (VersWinungsbotschaft) [é] o centro
determinante da Sagrada Escritura como um tod o.. . " 2W
As posições de J. M. Robinson e de P. Stuhlmacher refletem, em
seus conceitos da teologia do NT, a divergência radical daqueles que
vieram da escola bultmanniana. O programa do primeiro parece
retorn ar à perspect iva pura m ente histór ica , e nq uan to o program a do
segundo s e aproxim a do di to moviment o d a “ história da sal vação” .
Ante.s de retornarmos às abordagens da questão “histórico-salvífica”
(heilsgeschichttiche ) da teol ogia do NT, deve mos re gistra r tam bém os
pro gressos na erudiç ão cató lica rom ana e os enfoques classificados
representantes da tendência “positiva moderna” da erudição do NT.
A erudição católica romana produziu sua primeira teologia do NT
em 1928. O estudioso francês A. Lemonnyer apresentou em sua
La Theologie du Nouveau Testam ent 299 uma abordagem temática.
É este também o método da popu lar Die Theologie des N euen Testa-
ments. Eine Einfürung (1936), de O. Kuss.300 Obras muito mais
significativas apareceram no início dos anos 50. M. Meinertz publi
cou, em 1950, uma teologia do NT em dois volumes,301 que já havia
sido concluída oito anos antes. Embora discuta a relação da teologia
do NT com a dogmática, ela não discute a srcem e o desenvolvi
mento da disciplina. Jesus Cristo desempenha um papel unificador
nas variadas teologias dos escritores do NT. O relato da revelação
divina exibe, nos diferentes livros do NT, a riqueza que encontra
diferentes formas de expressão, mas que se unifica na pessoa de
Jesus Cristo.302
Meinertz dividiu seus dois volumes em quatro partes. A primeira
trata de “Jesus”, na qual João Batista também aparece como
precursor de Jesus.303 A segunda parte discute a com unidade cristã
prim itiv a (Atos, Tiago, Ju d as).304 a te rceira parte, com a d ou trina de

2 9 7 P .127 e 1 7 5 .
298 P. 178.
299 A. Lem onnyer, O . P ., L a T hénln gie d u N ou veau T e sta m e n t (Paris, 1928).
Trad. ingl. The Theol ogy o f the New Testam ent (Londres, 1930). Edição revisada
e aumentada ioi publicada por L. Cerfaux em Paris, em 1963. Cf. Harrington,
P a th , p. 117 e s.
300 O. Kuss, D ie T h eologie d es N euen T estam en ts. E ine E in fü h ru n g (Regensburg,
1936).
301 M. Meinertz, Theologie des Neuen Testaments , 2 vols. (Bonn, 1950); idem,
"Randglossen zu meiner Theologie des NT" T h Q 132 (1952), p. 411-432; idem,
“Sinn und Bedeutung der neutestamentlichen Theologie", M ü n c h e n e r th eolo -
g isch e Z e itsc h rift 5(1954), p. 159-170.
302 Meinertz, The ol ogi e de sN T , I, p. 3 e s.
303 I, p. 8-211.
304 P. 212-247.

50
Paulo, é a mais longa,305 seguindo-se a última parte, sobre o
pensam ento joan ino.306 Sua conclu são resume a tônica dos dois
volumes: “O Cristo vivo concilia finalmente todas as linhas de
pensam ento do Novo T esta m ento” .307
J. Bonsirven apresentou sua Théologie clu Nouveau Testament em
1951308 e está também interessado numa apresentação unificada da
teologia do NT. A tarefa da teologia do NT “é reunir as verdades
reveladas contidas no Novo Testamento, definir seu significado
conforme entendido pelo autor e tentar classificar estas verdades em
uma ordem de importância, de modo a fornecer as bases do dogma
cristão".309 Isto revela uma abordagem essencialmente histórico-
descritiva, que “segue a cronologia da História, não os documentos
em que no s bas ea m os ” .310
Bonsirven divide sua teologia do NT em quatro partes. A primeira
tra ta de Jesus C risto .311 A cu rta s eg un da pa rte , do “ cristianism o
prim itiv o” .312 A te rceira discute os ensin am ento s de P au lo ,313 e, por
fim, há uma parte sobre os outros testemunhos apostólicos, sob os
títulos de teologia , vida cris tã e es ca tolo gia .314
O movimento moderno católico bíblico foi inaugurado pela encícli-
c a Divino A ffla n te Spiritu (1943), de Pio XII, que instruía os eruditos
católicos romanos a usar os métodos modernos para o estudo da
Bíblia. Em meados dos anos 50, a intelcctjialidade treinada nos
métodos da crítica bíblica assumiu posições de magistério cm facul
dades, seminários e universidades. O secretário da Comissão Bíblica
Pontificai declarou, em 1955, que agora os estudiosos católicos
romanos tinham “completa liberdade” (plena libertate ) respeitante
aos decretos de 1905-1915, exceto onde se tocava na fé e na moral.315
Quanto aos meados dos anos setenta, é difícil se falar em diferenças
na aplicação dos métodos da crítica bíblica entre os eruditos não
católicos e os católicos. Duas das teologias do NT católicas, escritas a
p artir da reorientação da erudição cató lica, usam a abordagem

305 II, p. 1-254.


306 P. 267-338.
307 P. 346.
308 J. Bonsirven, S. I. Théologie du Nouveau Testament (Paris, 1951). Trad. ingl.
Theo lo gy o f th e New Testamen t (Westminstcr. Md., 1963).
309 Theo lo gv nfthe N T, p. xiii.
310 P. xvi. "
311 P. 3-1S2 .
312 P. 153-189.
313 P. 191-368.
314 P. 369-405.
315 R.p. E. Brown,
111. B ib lic a l R eflectio n s on C ris es F a cin g th e Church (New York, 197S),

51
U-mática. Temos a obra de quatro volumes do alemão Karl H.
Schelkle (1968-1974) e a de dois volumes do espanhol M. Garcia
Cordero (1972).316 Ã parte estas, tem havido estudos sobre a nature
za e o método da teologia do NT feitos por Rudolf Schnackenburg
(1961)317 e teologia bíblica (AT e NT) por Wilfrid Harrington
(1973).318 Há muitos ensaios significativos que tangem todas as
quest ões princ ipais da teol ogia do N T ,319 mas ain da não h á n en hu m a
teologia do NT escrita por um católico que se baseie nos métodos
m oder nos da c rítica bí blic a.320
Existem várias teol ogias do NT que p odem ser li vrem ente classi fica
das como pertencentes à corrente “positiva moderna” da teologia do
NT. Em seus prim eiros estágios, esta corrente se fez representa r por
B. Weiss, W. Beyschlag, P. Feine. F. Büchsel, F. Weidner, E. P.
Gould e G. B. Stevens. E. Stauffer publicou sua Die Theologie des
Neuen Testa m ents em 19413’ 1 e cita B. Weiss ex plicitam en te como

316 K. H. Schelkle, Theologie des Neuen Testaments , 4 vols. (Düsseldorf, 1968-74).


Trad. ingl. Theology of the New Testament (Collegeville, Minn., 1971): M. G.
Cordero. Teologia de Ia Biblia II et III: Nuevo Testamento , 2 vols. (Madri, 1972).
317 R. Schnackenburg, La T h éologie du N ou veau T e sta m e n t (Bruges, 1961). Trad.
alemã N e u te sta m e n tlic h e Theologie . D e r S ia n d d e r F orsch u n g (Munique, 1963;
2 .ã ed. 1965). Trad. ingl. N ew T e sta m e n t Th eology T od a y (Londres, 1963).
31 S Ve r , aci ma, o n ç l.
319 Os trabalhos dos. seguintes autores parecem estar entre os mais importantes:
W. Hilmann. "W ege zur neutestam entlichen T heolog ie” , Wissenschaft und
Weisheit 14 (1951), p. 56-67. 200-211; 15 (1952), p. 15-32, 122-136; C. Spicq,
"L'avenemcnt de ia théologie biblique”, R S P T 35 ( 195 1), p. 56 1-574; idem,

F“Nouvelles
.-M Braun, réflexions
“ La sur
théoliaogie
théologie biblique”,
bi blique", P T 4261(1958
R evu e T h oRmS iste (1953),), p. 209-219;
p. 221-253;
H. Sehlier, Uber Sinn und Aufgabe einer Theologie des Neuen Testaments”,
B ibli sch e Z e ilsc h rifi I (1957), p. 5-23. Trad. ingl. “The Meaning and Funclion
of a Theology of the New Testament", D o g m a tic vs. B ib lic a l T h eo lo g y , e d .
H.'Vorgri mler (Ba ltí m orc/D ublin, 196 4) , p. 87-113 ; A. D eseam ps, “R éfl ect ions
sur Ia méthode en théologie biblique”, Sacra Pagina I (Gembloux, 1959),
p. 132 15 7; A. Vògtle, “ Progres s and P roblem s i n N T Ex ege sis” , D o g m a tic
vs. Biblical Theology, p. 31-65; D. M. Stanley, “Towards a Biblical Theology of
1hc New Testament. Modem Trends in Catholic Bible Scholarship", Contem-
p o ra ry D e v e lo p m e n ts in T h eology (West Hartford. 1959), p. 267-281; A. Võgtle,
‘‘New Testament Theology”. Sacramentum Mitndi (Londres, 1969), IV, p, 216-
220; K. H. Schelkle, ‘‘Was bedeutet ‘Theologie des Neuen Testaments'? "Evan-
g e lie n fo rsc h u n g , ed. J. Ban er (VVü rz bur g, 19 68), p. 29 9-312 ; P . Gree h, “ Con-
temporary Metbodological Problems in New Testament Theology”, B T B 2 (1972),
p. 262-280.
320 Há três ensaios curtos, mas significativos, sobre os aspectos da teologia do NT
n o je r o m e B ib lic a l C o m m e n ta r y , eds. R. E. Brown, 3. A. Fitzmyere R. E. Murphy
(Englewood Cliffs, N. J., 1968); D. M. Stanley, S. J., e R. E. Brown, S. S., ‘‘As-
peets of New Testament Thought” (II, p. 768-799); I. A. FitzmveT, S. J., “Pau-
iine Theology” (II, p. 800-827): c B. Vawter, C. M, ‘'Johannine Theology”
(II, p. 828-839).
321 E. Stau ffer, D ie T h eo logie des N euen T e s ta m e n ts (G ütersloh, 1941 ; 5 . a ed .. 1948) .
Trad . ingl. da 5 .a ed. N ew T e sta m e n t Th eologv (Londres, 1955).
52
ponto de p a rtid a para sua o b ra .322 Sta uffer não organiza suas obras
de acordo com a ordem cronológica dos escritos ou blocos de escritos
do NT, mas escolhe uma abordagem sistemática organizada de
acordo com temas teológicos. Sua ordem material segue a linha da
“teologia cristocêntrica da história do Novo Testamento”. Essa
abord agem con tém um a pe rspectiva básica “ históri co-salvífica” ,323
e o m étodo é “ estritam en te descriti vo” / 24 A teol ogia da histó ria” de
Stauffer não dáHebreus,
Paulo, João, espaço para
etc. aSeu
teologia dos exclui
método Sinópticos325 ou de Jesus,
a apresentação de
qualquer desenvolvimento histórico. Isto é tão mais surpreendente,
porque Sta uffer não reconhece o cânon como norm ativo p a ra a
teologia do NT .326 É ele, p or tan to, o prime iro a ate nder à exigência de
W rede , m as não pel a mesma raz ão. Stauf fer pro cura dem onstrar que
a “teologia cristocêntrica da História” é construída pela “antiga
tradição bíblica”127 e se move em linha reta na direção da teologia do
pós-cristia nis m o.328 Ê in útil procurar um a ju stific ativa p a ra este
procedim ento.329e A
mo que o preced e abeleza
t eologido quadro
a do unificoado
crist ianism quedoo NT,
seguecom o jucedaís
, apare à
custa de se permitir que o testemunho do NT permaneça sozinho
con tra os progressos a nteriores e posteri ores.
O erudito americano F. C. Grant escreveu, em seu A n Introduc-
tion to New Testament Thought (1950), que este estudo não aspira
a ser uma teologia do NT,330 embora ele afirme que “existe uma
teologia do Novo Testamento, ou talvez várias teologias, contíguas,
parcialm ente sobreposta s — como as esferas ou m ônadas em certas
filosofi
teologiaasdapluIgreja
ra listaCristã
s” .331em“ Adesenvolvimento,
teologia d o Novo T esta m
conforme o en to era a
Novo
Testamento reflete, não um produto acabado, mas uma teologia em
processo” .332 Ele argum enta que “ um a organiz ação genética dos
dados teológicos” do NT está fora de cogitação. A organização mais
útil é a das “ áreas de pe ns am en to” .333 C onse qüe ntem ente, a tare fa

322 Stauffer, N T T h eology, p. 49.


323 Elogio de O. Cullmann, Christ and Time (Londres, 1962), p. 26 n.° 9; "mérito

324 definitivo”.
Stendahl, ZDi?, I, p. 421.
325 Schlier, em D o g m a tic vs. B ib lic a l T h eo lo g y, p. 98.
326 Stauffer, N T T h eo lo g y, p. 44 e s, e 73-79.
327 P. 51.
328 P. 235-257.
329 Merk, B ib lisch e T h eo lo gie, p. 253 ; W . G. K üm m el, "Revi ew of E . Stauff er,
D ie T h eolo gie des N T " , TLZ 75 (1950), p. 421-426, esp. p. 425.
330 F. C. Grant, A n In tro d u c tio n to N ew T e sta m e n t T h ou gh t (Nashville, 1950),
p. 43-46.
33 1 P. 2 6 es .
332 P. 60.
333 P. 24.

53
"n ão c mais d e descri ção do que de in ter pr eta çã o ” .334 De acordo com
estas considerações metodológicas, Grant segue desenvolvendo as
segui ntes ‘'área s de pen sam ento” : “ Revel açã o e E sc ritura ”
(p. 63-98), “A Doutrina de Deus” (p. 99-143), “Milagres” (p.
144-159), “A Doutrina do Homem” (p. 160-186), “A Doutrina de
Cristo” (p. 187-245), “A Doutrina da Salvação” (p. 246-267) “A Dou
trina da Igreja” (p. 268-299) e “Ética do Novo Testamento” (p. 300-
324). A base desta apresentação é que “há uma unidade real no
Novo Testa m ento — não devem os nunca perdê-la de vista ” , enquanto
se reconhece claramente que a “diversidade implica algumas idéias
.básicas da teol ogia do No vo T es tam en to” .335 Se G ra n t é ou não
responsável pe lo afa stam ento en tre rec ons trução e inter pr eta çã o,336
porque id entifica o “ m éto do descritivo” com “ in terpretação” ,337
perm anece um a questã o em aberto .
O breve e popular estudo intitulado "lntroducing New Testament
Theology , de A. M. Hunter, da Escócia, destina-se a ser um roteiro
da teologia do NT para sacerdotes e leigos interessados. Revela uma
abordagem mais ou menos histórica da teologia do NT, baseada no
“ fato de C risto ” ,338 que con tém seções sobre “ O R eino de D eus e o
M ini sté rio de Jesus” , “ O Evangelho d o R eino” e “ A R essurreição ” ,
seguidos de “Os Primeiros Pregadores do Fato”,339 e conclui com
“ Os I ntérpretes do F ato ” , na forma d e Pau lo, Pedro, o auto r de
Hebreus e João.340 “Este livro brilhantemente claro”341 está parti
cularmente interessado na unidade dos teólogos do NT, sem des

pprezar
ara umsuaerudito
div ersid
queade,342 um um
escreveu em preendim entoThenada
livro sobre Unitysurpreendente
of the New
Testament (1944).343
As teologias do NT de Alan Richardson (1958), F. Stagg (1962) e
R. E. Knudsen (1964)344 foram seguidas, no continente, por uma

334 P. 27. Merk (Biblische Theologie, p. 265) interpreta mal a declaração de Grant
de que “interpretação" deve ser definida como o “método descritivo’’.
335 3 0..
33 6 PP..51
337 Afirmação de Merk, B ib lisch e T h eo lo g ie , p. 265.
338 A. M. Hunter, lntroducing New Testament Theology (Londres, 1957; 2.a ed.,
1963), p. 13-61.
339 P. 63-85.
340 P. 87-151.
341 Harrington, P a th , p. 128.
342 Hunter, lnt roduci ng N T Theol ogy, p. 7.
343 A. M. Hunter, The U nit y of the New Testam ent (Londres, 1943). Trad. alemã
D ie E in h e it d es N euen T e sta m e n ts (M unique, 1959) .
344 A. Richardson, A n In tr o d u c tio n to th e T h eology o f t h e N ew T e sta m e n t (Londres,
1958); F. Stagg, N e w T e s ta m e n t T h eology (Nashville, 1962); R. E. Knudsen,
Theol ogy in t he New Testam ent. A B asis fo r C hris ti an Faith (Chicago, 1964).

54
abordagem “histórico-moderna” mais rigorosa na teologia do NT de
W. G. Kümmel (1969), J. Jeremias (1971,1975) e E. Lohse (1974).345
"Jesus T hrough M any Eyes. Introd uctioti to t he Theol ogy o f the New
Testament (1976) é o mais recente trabalho dentro da corrente
“histórico-moderna” da teologia do NT. A maioria destas teologias
receberá atenção mais detalha da no próximo capít ulo.
Em termos de classificação, encontra-se sozinho o quarto volume
da obra de Martin Albertz, sob o título B otschaft des N euen Testa-
mentes (1946-57).346 Em 1.230 páginas, o ex-aluno de T. Zahn e A.
von Harnack toma seu próprio rumo. Ele sugere que a introdução
crítica tradicional ao NT e a teologia histórico-crítica tradicional do
Novo T estam ento precisam ser relançadas em cam in hos radic alm ente
novos.347 Os primeiros dois volumes tentam reelaborar o campo da
introdução ao NT na linha da crítica da forma e têm o subtítulo de
“Origem da Mensagem". Os dois volumes restantes srcinam-se
organicamente dos primeiros e contêm o “Desvendamento da Mensa
gem". Foi W. Michaelis que incentivou Albertz “a levar a uma crítica
fund am en tal t oda a te ologi a tradiciona l (cr ítica) a p ar tir da época e m
que colocou o homem, mesmo o devoto, no centro do pensamen
to ” .348 Ele argu m enta co ntra o pro gra m a bultm an nian o de demiti za-
ção, ao declarar que Bultmann “não retira do NT o conceito de
m ito” , m as da “ erudiçã o do século X IX” , e assinala qvie as “ epíst olas
pastorais ter-lh e-ia m ensin ado que não há mitos na Igreja , e Paulo lhe
diria qu e C rist o não é um m ito p a ra ele” .349
Não é necessário diz er que este argum ento foge do uso que
Bu ltm ann faz d o mit o.
Albertz diz qu e a “teolog ia do NT é filha do Ilu m inis m o” .350 Ele
critica a abordagem filosófica de F. C. Baur, o método dos “concei-
tos-de-doutrina” ( Lehrbegriffe) usado por B. Weiss, as abordagens

345 W. G. Kümmel, D ie T h eologie des N eu en T e sta m e n t nach sein en H a u p tze u ge n :


Jesu s, P au lu s, Johannes (GõttíngerL, 1969; 2.a ed., 1972). Trad. ingl. The Theo
lo gy o f the New Testam ent Accurding to Its M ajor W it ness es: Je sus -Pa ul -J ohn
(Nashville, 1973); J. Jeremias, N e u te sta m en tlic h e T h eo lo g ie , 1. Teil (Giitersloh,
1971). Trad. ingl. N ew T e sta m e n t T heology: Th e P ro cla m a tio n o f Jesu s (New
York, 1971); E. Lohse, Grundriss der neutestamentlichen Theologie (Stuttgart,
1974).
346 M. Albertz, B o tsc h a ft d es N euen T e s ta m e n te s, 1. Band: D ie E n ts te h u n g d er
B otsch aft, 1. Halbband: D ie E n tste h u n g d e s E va n g eliu m s (Zollikon-Zurique,
1946); 2. Halbband; D ie E n tste h u n g d e s a p o stolisch en S c h riftk a n o n s (Zollikon-
Zurique, 1952), 2. Band: D ie E n tfa ltu n g d e r B o tsc h a ft, 1. Halbband: D ie Vo-
ra u ssetzu n g en d e r B o tsc h a ft (Zollidon-Zurique, 1954); 2. Halbband: D e r ín h a lt
d er B o tsc h a ft (Zolli kon-Zu rique, 1957).
347 1/2, p. 306.
348 II/2, p. 15.
3 49 I /i, p. 10 es.
350 II/l, p. 15.

55
psico-religiosas de A. von H arnack e A. D eissm ann, o méto do
históri co-religioso de W . Bo usset e outros, e a tenta tiva de inte rpre tar
o NT com base n um a vis ão do m und o m ode rno, como é o caso
em E. Stau ffer e R . B u ltm an n .351 Assim, o lug ar d a teologia d o NT
tem que ser tomado por um "desvendam ento da mensagem do N T” .
O esquem a deste desvendam ento s e enco ntra em II Cor. 13:13, que é
a fonte do s tít ulos das par tes principais: (1) “ A gra ça do Senhor Jesus
Cristo”;
Santo”. (2) “O amor de Deus"; e (3) "A comunhão do Espírito
Diante do fato de Albertz vir da escola da crítica da forma, não
está claro por que ele se apega à crítica da forma, que é também
influenciada pelo Zeitgeist 352 e invalida os outros ramos da pesquisa
que também refletem o Zeitgeis t. Revela-se outra inconsistência em
sua condenação da abordagem histórico-religiosa e no fato de ele não
qu erer ficar s em a “ E str u tu ra da M ens age m ” h istórico-reli giosa.3 53
Ê evidente que Albertz usa uma abordagem altamente individualista.
Mas concordamos
de admitir que esta com
obra E. Fascher
é plena que "nadapara
de sugestões distopesquisas
deve nosfuturas,
impedir
e só po demos p ed ir ao s jovens que e ntrem em lu ta corpo a cor po com
ela".354
Agora devemos retornar à abordagem da teologia do NT via
Heilsgeschichte (história da salvação). Já vimos que a primeira fase
desta abordagem foi associada a J. Ch. K. von Hofmann, T. Zahn e
A. Sch latter. E sta linha de pe squ isa é segu ida mais vigorosam ente no s
doi s m ais im po rtan tes estudo s de O. C ullm an n.355 A teologia do NT
da Europa
postum Continental
am ente em doismais recenteta m
volumes, debém
L. Goppelt,
segue as publicada
perspectivas da
história da salvação.356 O conhecido erudito evangélico americano
George E. Ladd teve sua magnun opus publicada em 1974, sob o
título de A Theology o f th e N ew T esta m en t, e C. K. Lehman, outro

351 U/l, p. 15-21. Ver também M. Albertz, "Die Krisis der sogennanten neutesta-
m entli chenT heologie” , Z eich en d e r Z e it 10 (1954), p. 370-376.

352 Ver
ed. E.OldV. McKnight,
Testament What is Farm(San
Form Criticism Antonio, Tex.,(Filadélfia,
Criticism? 1974). 1969); J. H. Hayes,
353 Albertz, D ie E n tfa h u n g d e r B o ts c h a f t , 11/1, p. 22-64.
354 E. Fascher, “Eine Neuordnung der neutestamentlichen Fachdisziplin?” T L Z 83
(1958), p. 618. Ver também Sehnackenburg, N T T h eolo gy T o d a y , p. 38 e s.;
Kraus, B ib li sch e T h eo log ie, p. 188 n.° 87; Merk, B ib lisch e T h eo lo g ie , p. 262 e s.;
Harrington, P a t h , p. 117.
355 O. Culmann. Christus und die Zeit (Zollikon-Zurique, 1946). Trad. ingl. Christ
a n d Tim e (Londres, 1951); idem, f í e il ais G esch ich te : H eils gesch ich tl ie h e Exis -
te n z irrt N eu en T e sta m e n t (Tübingen, 1965). Trad. ingl. Sulvation in History
(New York, 1967).
356 L. Goppeit, Theologie des Neuen Testaments, 2 vols., ed. J. R oloff (G õttingen ,
1975-76).

56
erudito evangélico, publicou no mesmo ano sua Bib lical Theology, 2:
N ew T e sta m e n t ,357 As obras de Cullmann, Ladd e Goppelt serão
discuti das no próxim o ca pítulo sobre a m etodol ogia.
B. S. Ch ilds358 faz um a excelente descrição do “ M ovim ento Te oló
gico Bíblico” na América a partir de 1940. Sua ênfase de que este
movimento foi distintamente americano tem sido contestada por
J. Barr, que assinala que “na Grã-Bretanha e no Continente existiam
as me sm as ten dên cias, em bo ra o cenário fos se outr o” .359 O M ovi 
mento Teológico tinha as seguintes características: (1) oposição aos
sistemas filosóficos, (2) comparação entre o pensamento hebraico e o
grego, (3) ênfase sobre a unidade dos Testamentos, (4) singularidade
da Bíblia, a despeito de seu ambiente, (5) reação contra a antiga
teologia “liberal” e (6) a revelação de Deus na História. Childs acha
que “ o fim do Movimento Teo lógi co Bí blico como força do m inante na
teologia americana” ocorreu em 1963.360 Logo, necessita-se de uma
nova teologia bíblica. Deve-se reconhecer claramente que, no pensar
de Childs, “a empreitada da teologia bíblica é uma disciplina
diferen te ta n to da teol ogia do AT com o do N T ” .361 Isto q ue r dizer que
em sua opinião existem campos legítimos da teologia do AT e da
teologia do NT. A teologia do NT seria “principalmente uma empresa
de scr itiva” , o que a d isting ue da teo logia bíb lic a.362 E m o utro livro,
tratamos da abordagem de Childs. Posto que Childs não trata
diretamente da teologia do NT, parece desnecessário descrever aqui
suas prop ostas p ar a a teologi a bíbli ca.
Este esboço hist órico escl areceu a ori gem e en rique ceu a h istória da
teologia do NT. As questões fundamentais permanecem insolúveis e
são assun to de deba te con tínuo en tre os erud itos de vári as formações e
escolas de pensamento. Fizemos uma tentativa de esclarecer as raízes
prin cip ais do debate atual a respeito da natu reza, função, propósito e
limitações da teologia do NT.

357 G. E. Ladd, A Th eolo gy o f th e N ew T e s ta m e n t (Grand R aptds, M ich., 197 4) ;


C. K. Lehman, B ib lic a l T h eology, 2: N ew T e s ta m e n t (Scottdale, Pa., 1974).
358 B. S. Childs, B ib lic a l T h eolo gy in C ris is (Filadélfia, 1970), p. 13-87.
359 I. Ba rr, “B iblical T heo logy '’, ID B S u p . (Nashville, 1976). p. 105. Ver também
J. Barr, Ol cl an d New in In terpretati on (New York, 1966); idem, The Bible in the
M o d e m W o rld ( New York, 1 973).
360 Childs, B ib lic a l T h eolo gy in C ris is , p. 85.
36 1 Com unicação privada citada em Hasel , O T Theol ogy , p. 50, n.° 67.
362
363 Childs,
Hasel, OBTibTh
lic eol
a l Togy
h eo, logy in C risis , p. 99.
p. 49-55.

57
2
Metodologia na Teologia do N T
A questão da metodologia é fundamental. Foi levantada de ma
neira sem igual por J. P. G abler , em 1787 ;1 sua s op iniões foram
catalisadoras p a ra o pensam ento fu turo e aind a o s ão ho je. As inúm e
ras questões ligadas à e ao redor da teologia do NT (e da teologia
bíblica) foram debatidas no passado e ainda o são, com um vigor
inesgotável, atualmente. A complexidade das questões compõe-se do
fato de qu e mesmo o s eruditos que seg uem o m esmo enfoq ue m etodo
lógico da teologia do NT nem sempre concordam, às vezes até em
questões básicas. Logo, há uma fusão de métodos. Este fato faz com
que s eja não s ó di fícil co mo tem erário atrib uir de term inad a teol ogia a
um dado método qualquer. Nosso procedimento será deixar que as
questões da metodologia venham à tona, enquanto delineamos as

abordagens
represen atuais
tada mais
por m aisimportantes da o.teologia do NT, cada uma
d e um e rudit

A. A Abordagem Temática
1. A lan Ric hardson. A apresentação da teologia do NT feita po
Alan Richardson, sob o título A n Introductio n to the New Testam ent
Theology (1958), foi saudada como “a maior teologia do Novo
Testam ento que já exist iu” .2

1 A aula inaugura l de Johann Phillip G abler, “ Ora tio de iusto discrim ine theologiae
biblicae e t dogm aticae , regundisque rect e utri usque finibus” , na Universidade
de Altdorf, em 30 de março de 1787, marcou o início de uma nova fase no estudo
da teologia bíblica, por m eio de sua declaração de “ que a teolog ia bíblica é
histórica em caráter (e gênero histórico) porque estabelece o que os escritores
sagrados pensavam sobre as questões divinas...” (e m G abler i Opuscula A cad êm i
ca II [1831], p. 183 e s.). Cf. R. Smend, “J. Ph. Gablers Bergriindung der bi-
blishen Theologie”, E vT h 22 (1962), p. 345 e ss. O ensaio programático de
William Wrede, “Uber Aufgabe und Methode der sogennanten neutestamentli-
chen Theologie (Gõttingen, 1897), p. 8. Trad. ingl. de R. Morgan, The Nature of
N ew T c stu m en t T h eology (SBT2/25; Londres, 1973). p. 69, enfatiza novamente o
caráter "puramente histórico” da teoíogia (bíblica) do NT.
2 W , H. H anington, The Pa th o f Biblical T heolog y (Dublin. 1973), p. 186.

58
Richardson nos oferece um panorama a respeito de sua compreen
são da te ologi a do NT no prefác io. Ele declara q ue a ún ica m ane ira de
saber se “a igreja apostólica possuía uma teologia comum e que ela
pode ser reconstruída a p a rtir da literatu ra do Novo T estam ento ” é
“moldar uma hipótese por meio da referência ao texto daqueles
documentos à luz de todo o conhecimento crítico e histórico disponí
vel” .3 Entende -se que esta ab orda gem inclui m étodos “ hist óric os,
críticos, literários, filológicos, arqueológicos” e outros. V. Taylor
aponta diretamente para a questão em jogo nesta metodologia, a
saber, que a hipótese de Richardson “é nada mais que a declaração
de que os eventos da vida, os ‘sinais’, a paixão e a ressurreição de
Jesus, conforme os testemunhos apostólicos, podem servir como
‘d a ta ’ do Novo T estam en to melhor que q ua lqu er hipótese atu a l” .4
A hipótese que Richardson defende é “que o próprio Jesus é o autor
da brilhante reinterpretação do esquema salvífico do Antigo Testa
mento (‘Teologia do Antigo Testamento’) encontrado no Novo Testa
m e n to ,...”5 Espera -se , ass im, um abrang ente est udo hi stóri co d os
dados do NT, a respeito da totalidade de confiança do NT no Jesus6
histórico, do mesmo tipo que o de J. Jeremias. Esta esperança está
garantida a partir da aprovação dos métodos enumerados por ele.
Ela, contudo, se frustra.
Richardson decidiu estruturar seu livro em dezesseis capítulos.
Aqui, nosso assunto é a natureza do NT e. portanto, a questão
metodológica. Embora Richardson nos tenha informado que “a teo
logia do Novo Testamento, quando escrita por um crente, começará,
necessariamente, com a fé apostólica”7e declare, na primeira frase do
Capítulo I, intitulado “A Fé e o Ouvir”, que é “bom começar uma
consideração sobre a teologia do Novo Testamento com um estudo
sobre o conceit o fun da m en tal de fé” ,8 ele não explica por que a
questão da fé é mais adequada para se iniciar uma teologia do NT do
que, digamos, “ a proclam ação de Jesus”9 ou “ o que rigma da
com unidade primitiva e da com unida de g rega ” , 10 sem ao menos

3 Richardson, A n In tro d u c tio n to th e T h eology o f th e N ew T e s ta m e n t (Londres,


1958), p. 9.
4 Vincent Taylor, “Th e Theology of the New Testam ent", E T 70 (19 58 /59) , p. 16 8.
5 Richardson, A n In tro d u c tio n to th e T h eology o f th e N T , p. 12.
6 Richardson (p. 13 e s., 41-43, 135, 1 99, 362) emp enha -se em um a polêmica c ontra
R. B ultman n. Ver L. E. Theck, "Problems of New Testam ent Theology", N ovu m
Testamentum 7 (1964/65), p. 225es.
7 Richardson, A n In tro d u c tio n to th e T h eology o f th e N T , p. 11.
8 P. 19.
9 E. Loh se, Grundriss der neutestamentlichen Theologie (Stuttgart, 1974),
p. 18 e ss.
10 Também H. Conzelmann, A n O u tlin e o f th e T h eolo gy o f th e N ew T esta m en t
(Lond res, 1969), p. 29 e ss.
59
m enc iona r a “ mensa gem de Jesu s” de B u ltm an n .11 É difí cil de se
aceitar que Richardson desejava insinuar que uma teologia do NT,
escr ita com um prim eiro capítulo diferent e, não sej a “ cristã ” .
E stará Richardso n tentando apresen tar um a teo logia “ cristã” do NT ,
em vez de um a teologi a não-c ristã? Isto levanta a questão metodológi
ca, se uma teologia do NT, no verdadeiro sentido, só pode ser escrita
por um crente. K. Stendahl é conhecido como firme defensor da
abordagem descri tiva na teo log ia do NT e do A T .12 Ele afirm a que
...a tarefa descritiva pode ser desempenhada tanto pelo crente
como pelo agnóstico. O crente tem a vantagem da empatia auto
mática com os crentes do texto — mas a sua fé ameaça-o de não
modernizar o material, se ele praticar os cânons da erudição descri
tiva rigorosamente. O agnóstico tem a vantagem de não cair em
tal tentação, mas seu poder de empatia tem que ser considerável,
se ele pr ete nde se ide nt ific ar o suficien te com o cre nte do século I .1J

Richardson discorda completamente da posição de Stendahl:


“ ...fo ra da fé, o signif icado interior do NT é ininteli gível.” '4 “ U m a
compreensão adequada das srcens do cristianismo ou da história do
Novo Testa m ento só é possível através do discernim ento da fé cris
tã .” 15 Deste modo, Rich ards on o pta pe la pressup osição da f é p a ra se
escrever uma teologia do NT. Isto quer dizer, para ele, que “não há
pretensão de se perm anecer dentro dos limites da ciência puram ente
des cr itiv a.. .” 16 Em vista deste po sicion am ento , é quase impossível
aceitar descrever o método de Richardson, com O. Merk, como um
métod o descritivo .17 A cred itam os que estam os próxim os da verda de
ao sugerir que o método de Richardson c “o método confessional-
descrit ivo” , qu e tam bém é em preg ado na teol ogia do A T .18
Há um problema crítico não resolvido a respeito do método confes
sional de Richardson que se refere à questão se deve escrever uma
teolo gia do NT a pa rtir da estru tura da “fé cristã” ou d a fé do NT ou

11 R. Bultmann, Theo lo gy ufihe N ew T estament (Londres, 1965), I, p. 3 e ss.


12 K.
“ M Stendahl, “ Study
ethod i n the Biblicalof Theolo
Biblicalgy,ThCeology”
ontem porary”
, The ,Bible 1, od
I D iB n, M p. em
418-432; idem,
Scholars hip,
ed. J. P. Hyatt (Nashville, 1965), p. 196-208.
13 Stendahl, I D B , I, p. 422.
14 Richardson, A n In tro d u c tio n to th e T h eologv o f the N ew T e s ta m e n t, p. 19.
15 P. 13.
16 P. 12.
17 O. Merk, B ib lisch e Th eolo gie des N eu en T e s ta m e n ts in ih re r A n fa n g sz eit (Mar-
burg, 1972), p. 266.
18 Ver Th. C. Vriezen, A n O u tlin e o f th e O T T h eology (2.a ed.; Newton, Mass.,
1970); G. A. F. Knight, A C h ris ti an T h eology o f th e O ld T e s ta m e n t (2.a ed.;
Londres, 1964). Ver também R. de Vaux, “Peuton écrire une ‘theologie de
1 'AT’?" B ib le e t O rien t (Paris, 1967), p. 59-71.

60
da minha fé.19 A p ar tir do m om ento que R icha rds on fala da ” fé
cristã” de modo indefinido, sentimo-nos tentados a pensar em “fé
cristã” conforme entendida pelos anglicanos.20 Que apelo à objelivi-
dade terá tal teologia confessional do NT? Será que os anglicanos
escrevem teoiogias do NT válidas para irmãos anglicanos com a
mesma com preensão da “ fé cristã” , e os luteranos p ara os lut eranos,
etc.? Parece que a teologia do NT precisa manter sua independência

contra um domínio
que o método confessional
descritivo ou doutrinário.
seja a panacéia há muitoIstoprocurada
não querpara
dizera
teologia do NT. Veremos mais algumas coisas a respeito das questões
que cercam o método descritivo mais adiante.
Retornemos à questão da estrutura da teologia do NT de Richard
son. Todos reconhecemos que todo historiador ou teólogo seleciona
seu m aterial subje tivam ente .21 Co ntudo , nós que stionam os a respei to
da estrutura metodológica dos seguintes 16 capítulos: A Fé e o Ouvir,
Conhecimento e Revelação; O Poder de Deus Para a Salvação;
O Reino de Deus;
A Cristologia O Espírito
da Igreja Santo;
Apostólica; O Messiado
A Vida Reinterpretado;
de Cristo; A Ressurrei
ção, Ascensão e Vitória de Cristo; A Expiação Forjada por Cristo;
O Cristo Total; O Israel de Deus; O Ministério Apostólico e Clerical;
Ministérios Dentro da Igreja; A Teologia do Batismo; e A Teologia
Eucarística do Novo Testamento. Esta é uma estrutura temática.
Serão a ordem, o número, a seqüência destes capítulos determinados
pela “ fé cristã” ou pela “ fé apostó lic a” ? Se “ o próprio Jesus é o ver
dade iro a uto r da teolo gia d o Novo T es tam en to” ,22 então a es tru tu ra
temática provém
nossa questão dele? A
principal, masestrutura temática
(1) a falta de Richardson
de relacionamento nãoosé
entre
capítulos, (2) a omissão dos temas de maior importância, como a cria
ção, o ho m em , a le i, a ética2 -1 e (3) p ar ticu lar m en te a jus tificativa m e
todológica pa ra a abo rdag em tem átic a.24 R icha rdso n fala da te ologi a
"subjacente aos documentos do Novo Testamento” e do “conteúdo e
caráter da fé da Igreja Apostólica”, o que deveria levá-lo a uma apre
sentação da teologia destes documentos e da fé da Igreja Apostólica.
Mas não é isto que o livro apresenta. Uma teologia do NT escrita com
um a estru tura temá tica d eve en co ntrar os temas, mot ivos e relaciona
19 Hasel, Old Testament Theology: Basic Issites in the Current Dehate (2.a ed.;
Gran d Rap ids, M ich., 1975), p. 39-42 . „
20 K eck, “ Problem s of NT Th eolog y” , p. 237, fala do qu adro de Jes us segund o
Richardson: “O Jesus que ensina tudo o que Richardson lhe atribui... é ura teólo
go cristão, provavelmente anglicano."
21 Stendahl, ID B , l. p. 422.
22 A. Richardson, The Bihle i n the A ge o f Science (Londres, 1961), p. 144.
23 Ist o é observado particularm ente por W. G. Kü m mel, “ Rev ie w of A. Richardson ",
T L Z 85 (1960), p. 922, Merk, B ib li sch e T h eo log ie, p. 266, n.° 180.
24 Ver esp. K eck, “ Problems of NT Th eology", p. 221-225.

61
mento entre eles dentro do próprio NT. Kidumlsuii não parece ter
chegado a seu assunto a pa rtir de “ de ntro ” , mus ; i pa rtir de estrutu ras
sobrepostas d e fora, em bora ten ha basicamen te a abordag em teológi-
ca-antropológica-soteriológica (Deus-Homem-Sulvaçíio) da teologia
do gm ática (sistemática) u sad a pel os primeiros teól ogos .
2. K url H. Sch elkle. O N eutestam enitler católico romano Karl H.
Schelkle, da Universidade de Tübingen, Alemanha, começou a
publicar, em 1968, um a Theologie des Neuen Testaments em quatro
volumes,2 5 Este projeto am bici oso pro cu ra m os trar “ um a teologi a
un ifica da do Novo T es tam en to ” .26 A m etodo logia de Schelkl e não
“segue o desenvolvimento histórico do querigma e da reflexão como se
encontram na estrutura do Novo Testamento em si". Pelo contrário,
ele busca “as palavras, conceitos e temas de maior importância
através do Novo Testamento, e descreve em resumo sistemático o que
se deve pensar a respeito de sua formação e significado reais nos
escritos individuais e grupos de escritos que estão contidos no Novo
Testamento”.27 Assim, ele segue um caminho que já havia sido
con sidera do por J . P. G able r,28 sug erido po r A. D eis sm an n29 e que
não havia sido rejeitado nem por W. Wrede, que não achava,
con tudo, que i sto fizesse pa rte da t eologia do NT p rop riam en te d ita .30
Surpreendentemente, Schelkle espera até o início de seu terceiro

25 K. H. Schelkle, Theologie des Neuen Testaments I: Schbpfung: Welt-Zeit-


M en sch (Düsseldorf, 1968). Trad. ingl. Theol ogy of t he New Testamen t I :
Creation: World-Time-Man (Coll cgevill e, M inn., 1971) ; Theologie des Neuen
Testaments II: Gott war in Christus (Düsseldorf, 1973). Trad. ingl. Theology of
the N ew T e sta m e n t II: Salv ario n H isto ry-R e vela lio n (a ser publicado); Theology
o f N ew T e sta m e n t III : M o ra lity (Collegeville, Minn. 1973); Theologie des Neuen
Testam ents I V: Reich-Kirche-Voll endttng (Düsseldorf, 1974), Trad. ingl. Theolo
g y o f th e N ew T e sta m e n t IV : Th e R u le o f G o d -C h u rch -E sch a to lo g y (a ser publi
cado).
2 6 Theo lo gy o f t he N T, III, p. v.
27 I, p. v .
28 Gabler, em G able ri Opuscul a Acadêm ica II (1831), p. 185 e s. e 189 e s. Cf. Merk,
Theologie, Biblische p. 2 77 e 279 e s.
29 A. Deissmann, “Zur Methode der biblisehen Theologie des Neuen Testaments",
Z T h K 3 (1893), p. 137-139; reimpresso em D a s P ro b le m d e r T h eolog ie d es N euen
Testaments, ed. G. Strecker (D arm stad t, 197 5), p. 78 e s . (daq ui em dian te cit ado
como P T N ’T)
30 W. Wrede, Uber Aufgabe und Methode der sogenannten neutestamentlichen
Theologie (Gôttingen, 1897), reimpresso em P T N T , p. 95, n.° 18. Trad. ingl.
“The Ta .sk and M ethod of ‘New Testam ent Th eology” ', em R. M organ, The
N a tu re o f N ew T e sta m e n t Theology (SB T 2 /25 ; Londres, 1973), p. 186, n.° 19:
“Ao lado da ‘teologia do Novo Testamento’, uma 'História do Novo Testamento
ou conceitos cristãos primitivos' seria um suplemento valioso e desejável. Investi
garia a srcem histórica ou os conceitos mais importantes do Novo Testamento;
descobriria as mudanças por que passaram e suas razões históricas, esclarecendo
também sua influência. Tal tarefa tem muitos pontos em comum com a teologia
do Novo T estam ento, mas é be m diferent e dela. "
62
vol ume pa ra d iscutir a sua v isão da me todol ogia, n atur eza c propósit o
da teologia do N T .31 “ A teologia do Novo T es tam en to. .. pod e ser defi
nida como ‘Palavra acerca de Deus’, com base na palavra cm que
Deus se revela no novo pacto — que. de fato, assimila em si o vellio
pacto — e tal palavra está escrita 110 livro do Novo Testamento eoiuo
atestado desta revelaçã o.” 32 A pa rtir de sta asserti va, espera-se que a
teologia do NT seja, por definição, restrita ao cânon dos escritos do
NT. Sem dúvida, Schelkle afirm a que “ a fonte d a teologia do Novo
Testam ento está contida n o cânon do N ovo T estam ento ” , ma s
acresce nta l ogo que “ os escrit os dos pa is da Igreja, especialm ente dos
pais mais antigos, têm que ser analisados ju n to com eles” .33 Schelkle
não justifica este proce dim ento. Por um lado, el e se ref ere ao cânon
do NT como “fonte” da teologia do NT, por esse meio separando-se
de um a apresentação puram ente ou com plet amente his tór ica , confor 
me Wrede e seus seguidores, e, por outro lado, ele deseja tomar em
consideração os antigos pais da Igreja, juntamente com os autores do
NT. Este procedim ento metodológico le vanta a seguin te questão:
Até que ponto pode 0 NT amparar-se sobre seus próprios pés e até
que ponto ele é lido através dos olhos dos primeiros pais da Igreja?
Ou. em outras palavras, até que ponto 0 método de Schelkle permite

que ele ap res en te as “ pa lav ras , conceitos e tem as de maio r peso” 34


como aqueles do próprio NT? Não estará o seu método solicitando
uma abordagem histórico-religiosa ( religionsgeschichliche ) da apre
sentação das “palavras, conceitos e temas de niaior peso” da literatu
ra cristã prim iti va como um todo?
E stará Schel kle seguindo a abordag em metodológi ca em sua teori a
do NT? Sua resposta é explícita: “A teologia do Novo Testamento não
só descreverá o relato do Novo Testamento, como também o interpre
ta rá ” .35 Eis aqui um a ab ordagem dupla: descri ção e interpretação.
Neste aspecto Schelkle difere da abordagem descritiva da teologia do
NT, confo rm e defendida por S tend ahl,36 que segue a tradição de
Gabler-Bauer-Wrede. Schelkle fala do aspecto descritivo em termos
de tentativa de “pesquisar seu conteúdo e os propósitos das formas de
suas declarações, formas essas que talvez não nos sejam familia
res” .37 O aspecto da inte rpre tação pro cu ra “ ligar as declarações do

31 É um a vers ão ligei ram ente m odifi cada de se u ensaio “ W as bedeutetet Th eolo gie
des Neuen Testaments’?’1 E va n g elien fo rsch u n g . ed. J . Bauer (Gr az/W ien/K õln,
1968), p. 299-312.
32 Th eology of the NT , III, p. 3.
33 P. 9.
34 P. 10 e s.
35 P. 17.
36 Stendahl, ID B , I, p. 422.
37 Schelkle, The ol ogy ofih e N T, III, p. 17.

Ó.1
Novo Testamento às nossas questões m od ern as e a o nosso tem po ” .38
Seria totalmente incorreto entender a "interpretação” de Schelkle nos
termos da interpretação existencialista bultmanniana. Schelkle enca
ra a teologia do N T como um a p reparação para a teo logia dogm áti ca.
A interpretação é a faceta da teologia do N T que “faz o que está ali
contido [NT] claramente inteligível e dê continuidade se relacionando
com o que a li havia co m eç ad o" .39 A interp retaç ão , po rtan to, contém
um a corr elação dos pensam entos do NT que precisam se relac ionar às
ques tõe s m ode rnas e ao s te mpos modernos.
Schelkle é altamente sensível à questão da unidade do NT e da
unidade da Bíblia. “Uma exposição da teologia do Novo Testamento,
em bora não possa ap ag ar as difer enças entr e os escri tos em separado,
terá, não obstante, o dever de reconhecer e expor a unidade do Novo
Testam ento dentro da sua dive rsida de ."40 E m bo ra h aja “ disti ntas
teologias dos Sinópticos, de Paulo e de João, ainda assim é um a
teologia, a teologia do Novo Testamento... os escritos do Novo
Testamento como um grupo se unificam através de dois fatos bem
reais: todos giram em torno de Jesus Cristo e todos têm sua srcem na
Ig reja” .41 A respe ito do pr im eiro fato, Schelkl e d eclara : “ Se Cristo é
realmente a Palavra de Deus (João 1:1), então ele não é apenas parte,
m as o próp rio cen tro da teol ogia do No vo T es tam en to.” 42 Nesse p onto
precisam os lem brar que Schelkle procura “ um a teologia do Novo
Te stam ento un ificad a” .43 A com preensão de Sche lkle d a u nidad e do
NT é a chave da abordagem tem átic a que adota .

. Schelkle está convencido de que


...basicam ente há du as possi bil idades que s e apre sen tam no esbo ço
de um a te olo gia do NT. U m a delas é tra ta r as époc as da pro clam a
ção do Novo Testamento de acordo com seus personagens princi
pais, cada um num a seção separada: Sinópticos, Congregação P ri
mitiva, Paulo, João, Escritos Apostólicos Posteriores... A outra
possib ilid ade é pesquisar idéias e te m as da proclam ação do Novo
Testamento do início ao fim e tratar com abrangência as áreas da
fé e da vida.44
Schelkle opta pela segunda. (Pode haver discussão a respeito da
existência de apenas duas possibilidades.) A abordagem temática o
leva a organizar sua teologia do NT ao longo de quatro temas

3 8 Ihid.
3 9 Ibid.
40 P. 10es.
4 1 P .8.
42 P. 17.
43 P. 21.
44 P. v.

()4
prin cipais, cada um tratad o num volume separadam ente: 1. A C ria
ção (O Mundo, O Homem); II. A Revelação na História e na história
da salvação (Jesus Cristo e a Redenção; Deus, Espírito, Trindade);
III. A Vida Cristã (Moralidade do NT); IV. A Soberania dc Deus,
A Igreja, A Consumação. Observa-se que esta organização segue as
"loci do gm áticas tradic ion ais” .45 É difí cil fugir inteiram en te a esta
concl usão. Schel kle se ma ntém abe rto à acusação de que sobrepõe um
esquema externoeuaotota
não se esclarec NT.lmEmbora
en te.46 pareça antecipar-se à crítica, ele
A abordagem temática tem a vantagem de permitir que a unidade
do NT a p ar eç a.47 Pode ser que o pró prio interesse n a unida de do NT
ten ha fei to co m que Schelkl e optasse po r est e tipo de a bo rd ag em .48
Seja como for, um dos aspectos mais estranhos na abordagem temá
tica, conforme praticada por Schelkle, é a investigação longitudinal
das idéias e temas do NT em seu desenvolvimento cronológico nos
testemunhos do NT. Deve-se louvar também ter ele seguido estas
idéias os
entre e tem as, retro
T estam entoativ
s50 am en te,
é con tribuatéir opA
arTa .49 Esclar ece
a teologia r estas
bíbli ca, conexões
que está
dividida desde os tratamentos em separado de G. L. Bauer no fim do
sécul o X VIII.

B. A Abordagem Existencialista
1. R u d o lf B u ltm a n n . Já assinalamos anteriormente que a herança
de Bultmann vem da escola de pesquisa “puramente histórica” e que
ele tem raí zes p rofu nd as na escola da “ histó ria das reli giões” .51 Isto

45 P. Stuhlmacher, Schrif tausl egung a u f dem W ege zur bibl is chen Theol ogi e
(Gõttingen, 1975), p. 130.
46 Schelkle, Theol ogy of t he N T , III, p. 15: “Não se pode impor de fora uma orga
nização e sistematização da teologia do NT, mas extraída do próprio Novo Testa
mento. Aplicar esquemas sistemáticos modernos ao Novo Testamento é uma
agre ssão a ele .”
47 P. 21.

48 Não
dadesurpreende o fato
do NT. Ver. de Schelkle
G. Haufe, ser acusado
"Review de Schelkle,
of ‘K. H. falta de apreciação da diversi
Theol ogi e des N T
ThLZ 94(1969), p.909es.
49 Também corretamente Merk, B iblisch e T h eo lo gie, p. 269; Harrington, P a th ,
p. 139; Stuhlmacher, Schriftauslegung, p. 137.
50 A continuidade entre os Testamentos, sob uma perspectiva diferente, é também
enfatizada por F. F. Bruce, N ew T e sta m e n t D e v e lo p m e n t o f O ld T e sta m e n t
Themes (3.a ed.; Grand Rapids, Mich., 1973); M. Burrows, A n O u tli n e o f B ibli-
cal T h eology (F iladélfia ,T 946) ; e J. B lenkinsopp, a Sketchbook o f Bíb li ca! T heo
logy (Londres, 1968).
51 Aqui, o famoso livro de Bultmann, D a s U rch ris te n tu m im R alt m en d e r a n tik en
R eligion en (Zurique, 1949), Trad. ingl. P rim itive C h risiia n ity in Its C o n tem p o ra ry
Setting (Ed im burg o, 1956), tem seu l ugar .

65
quer dizer, em primeira lugar, que suas raízes históricas estão
firmemente plan tad as no m étodo de pesquisa histórico-crí tico.” Sua
segunda raiz histórica eneontra-se em sua associação à teologia
dialética nos anos 20, particularmente Karl Barth e F. Gogarten.
Disto surgiu um catalisador poderoso para sua colocação da questão
teol ógica. B ultm ann não estava sati sfeit o com a qu estão histórica, isto
é, “ o ato d e pe n sa r” .53 Ele e outros que o ante ced eram (p or exemplo,
A. Schlatter) acreditavam que os escritos do NT "têm algo a dizer ao
presente” .54 Esta pressuposição brota de sua com preensão da H istó 
ria, que já fo i am plam ente descrita n a intro du çã o de seu livro
intitulado Jesus, escrito em 1926,56 que dá base ao seu famoso
H isto ry o f Synoptic Traditio n (1921 ).56 B ultm ann pre ten dia “ evitar
tudo que estivesse para além da História e encontrar um posiciona
mento pa ra mim dentro da História... Pois o essencial da História não
é, na realidade, nada de s«£>er-histórico, mas acontecimentos ocor
ridos no tem po ” .57 Sua com preen são d a História e da ex ist ência
humana levaram-no a incorporar a seu sistema o existencialismo
heideggeriano,58 em cuja base ele é o mais inflexível proponente de
uma “interpretação existencialista”. Bultmann combina a reconstru
ção hi stórica com a “ inte rp reta çã o existen cialista” .59
A “interpretação existencialista” está intimamente ligada ao seu
program a de dem itização.60 A literatura e o escopo de program a de
B ultm an n de dem itizaçã o do NT são tão complexos e volum osos61 que

52 Corretamente
Bultmanns” enfatizado
Geschichtepor
undseu aluno G. 1Bornkamm,
Glaube “Die Theologie
(Munique, 1968), p. 157 e s.Rudolf
53 Bultmann, The ol ogy o f t he N T , II, p. 250 e s.
54 P. 251.
55 R. Bultmann, Jesus (Berlim, 1926), p. 7-18. Trad. ingl. Jesus a n d th e W o rd
(Lond res, 1934; 2 .a ed ., 1958), p. 11-19.
56 R. Bultmann, D ie G esc h ich te d e r syn o p tisch e n T ra ditio n (Gõttingen, 1921).
Trad. ingl. The H ist ory o f t he S ynoptic Tradit ion (New York, 1963); 2.a ed. 1976).
57 Bultmann, Jesus a n d th e W o rd , p. 14.
58 A importância da análise da existência de Heidegger e a própria filosofia da his
tór ia de B ultm ann se expressam nas “G ifford Lectures” , de B ultm ann , de 1955,
publicadas com o título dc H isto ry a n d E sc h a to lo g v: Th e P resen ce o f E te rn ity
(New York, 19 57 ; 2 .a ed ., 1962) .
59 R. Bu ltma nn , “Forew ord” , em I. M acquarrie, A n E x isten cia íist T h eology ÍHarpy
Torchbook ed.; New York, 1965), p. vi i, dec la ra: “ ...o princí pio herm enêutico
que subjaz minha interpretação do Novo Testamento brota da análise existencial
do s er do hom em , dada por M arti n H eidegger em sua obra B eing a n d Tim e. ”
60 Ver as notas de rodapé do Cap. 1, n.° 256 e s. e 261. Ver também, sobre este as
sunto, J. Macquarrie, The Scope o f D em ythologizi ng Bu lt m ann and H is Cri tics
(New York, 1960); R. Marle, In tro d u c tio n to H e rm en eu tics (New York, 1967),
p. 32-66.
61 Um e xcelente exame de cer ca d e 50 0 pub licações sobr e a herm enêutica e a teolo
gi a de Bultmann é ofe reci do pel o pós- bultm anniano G . B ornkamm , “D ie Th eolo
gie Bultmanns
p. 33-14 in der neueren
1, reimpresso Diskussion”,
i n Bornkam m , GeschichteTheologische
und G la uhe /, p. 173-275.29 (1963),
Rundschau

66
nos limitaremos, sob o risco de uma exposição unilateral, a algumas
poucas observações tiradas do ensaio origin al de B ultm ann, de 1941,
intitulado Novo Testam ento e M itologia e seu mais recente Jesus
Chris t a nd M ytol ogy (1958). Bultmann define: “A demitização é um
método hermenêutico, isto é, um método de interpretação, de exege
se ."62 A dem itização como m étodo de i nte rp reta çã o é necessária

porque “ a cosmologia
mente mítico. O mundo édovisto
Novo T esta
como umam ento temdeum
estrutura trêscará te r essencial
andares,
com a te rra no centro, o céu ac im a e o inferno ab aix o” .63 E sta vis ão
do mundo, tomada como correta, “é inacreditável para o homem
inoderno, pois ele está convicto de que a visão mítica do mundo é
ob soleta” .64 Assim, só existem dois cam inhos a seguir na perspectiva
bultm anniana: ou se espera que o homem m oderno aceite a im agem
do evangelho e com ela a visão mítica do mundo ou “a teologia deve
assumir a tarefa de despir o querigma de sua estrutura mítica, de

‘de
submtrair
itizá-lo’ ” .65 Isto
ou elimina nãodoqu
r al go quererig
dizer , p “ara
m a.66 B ultm
Nossa tare an
fan,é usar
quea crítica
se deve
para in terpretá-lo” ,67 a saber, “ exis tencialm ente.” 68
O conceito bultmanniano de “reconstrução” e “interpretação” é
básico para o e ntendim ento de sua Teologia do Novo Testamento, Ele
declara:
A apresentação da teologia do Novo Testamento oferecida neste
livro está, por um lado, dentro da tradição das escolas histórico-
crítica e da história das religiões, e busca, por outro lado, evitar o
seu erro, que consiste em separar o ato do pensamento do ato da
vida e, conseqüentemente, o fracasso em reconhecer o significado
dos pr on un ciam en tos teol ógicos.6 5
A “reconstrução” dos escritos do NT segue, portanto, os cânons do
método histórico crítico e a escola da história das religiões, mas não
p ara reconstruir um retrato do cristianism o primitiv o com o um fenô
meno do passado histórico. “A reconstrução está a serviço da inter
preta ção dos escritos do Novo Testa m ento sob a pressuposição de que

62 K. Bultmann, Jesu s C hris t a n d M yth o lo g y (Londres, 1960); New York, 1958),


p. 45.
63 R. B ultm ann, “ New Testam ent and M ythology1 ’, K eryg m a a n d M yrh , e d .
H. W. Bartseh (New York. 196Ü, p. 1 .
64 P. 3.
65 Ihid .
66 P. 9.
67 P. 12.
68 P. 10.
69 Bultmann, Theo lo gy o f th e N T , II, p. 250 es.

(>7
têm algo a nos dizer.”70 “Interpretação” quer dizer explicar “os
pensam ento s teológicos do Novo T estam ento em sua ligação com o
‘ato da vida’ isto é, como uma explicação da autocompreensào
cristã.” Na opinião de Bultmann, isto quer dizer que a “tarefa da
exposição da teologia do Novo Testamento" é “esclarecer esta
autocom preensão crist ã em sua referência ao q u er igm a" .71 B ultm ann
explica aqui que a coordenação entre “reconstrução” e “interpreta
ção” é a chave para o entendimento de sua teologia do NT. Escolhe
mos tratar da teologia do NT de Bultmann sob o título de “Aborda
gem Existencialist a” p orqu e su a exposi ção, como esperam os já have r
mostrado, faz parte daquelas teologias que são condicionadas por um
determinado sistema filosófico,72 a saber, o existencialismo de Hei
de gg er .73
Com base neste conhecimento, podemos alcançar uma apreciação
da estrutura da The olog y o f the New Testam ent de Bultmann. A Par
te I se intitula “Pressuposição e Temas da Teologia do Novo Testa
m ento ” , e contém capítulos sobre “ A M ensagem de Jesus” ,74 “ O
Querigma da Igreja Primitiva” ,75 e “ O Q uerigm a da Ig reja G rega à
Pa rte de P au lo” .76 A pa rte II nos le va ao centro d a exposição de
B ultm ann , com “A Teologia de Pa ulo ” ,77 com capítulos sobre “ O Ho
mem Antes da Revel ação da F é” ,78 em que tr a ta de con cei tos an tro 
pológicos, inclu in do o corpo, a vida, a m ente , a consciência, o
coração, a carne, o pecado, o mundo; e sobre “O Homem sob a
Fé” ,79 que s e divi de em seções sobre a ju sti ça de D eus, a graç a, a fé e
a liberdade. A Parte III é independente da teologia de Paulo, com
“ A Teologia do Evan gelho de João e as Ep ístolas Jo an ina s” ,80 com
capítulos sobre. “ O rien taç ão ” , “ D ualism o Jo an ino ” , “A ‘ K risis ’ do
M un do” e “ Fé ” . A Par te I V, conclusóri a, se intitula “ Progr ess o
Rum o à Igre ja A n tig a" ,8' que s e divide em ordem da Igreja, dou trina,
desenvolvimento e vida cris tã.
Este procedimento metodológico da apresentação da teologia do

70 P. 251.
71 I b id .
72 N. A . Dahl, “Die Theologie des Neuen Testaments”, Theologische Rundschau 22
(1954 ), p. 25.
73 Ver J. M . Ro binso n e John B. C obb, Jr. , The La ter Heide gger and Theology , “ New
Frontier s i n Theo logy I" (New Y ork, 1963) .
74 Bultmann, The ol og y ofth e N T, I, p. 3-32.
75 P. 33-62.
76 P. 63-183.
77 P. 185-352.
78 P. 190-269.
79 P. 270-352.
80 Vol. II, p. 3-92. N o srcinal alem ào esta é aind a a Parte IIÍ.
81 P. 95-23 6.

68
NT revela im edia ta m ente sua dív id a ao program a de W . Wredc*2 e,
mais diretamente, ao Kyrios Chrístos,83 de W . Bousset, cuja divisão
ele seg ue com os t ítulos de “ O Q uerigm a da Ig reja A ntiga ", “ O Q ue
rigma da Igreja Grega”, “A Teologia de Paulo” e “A Teologia de
João” como expoen tes do querigm a da Igrej a Grega.
Bultmann abre sua teologia do NT com a seguinte frase provoca
tiva: “A m ensagem de Jesus é mais um a pressuposição pa ra a teo logia
do Novo Testamento
Provavelmente, ninguémdo que uma
declarou partea esta
o oposto da frase
teologia emimpli
e suas si.’’84
cações mais entusiasticamente do que Stephen Neill, em sua
recente teologia do NT: “Toda teologia do Novo Testamento tem que
ser um a teol ogia de Jesus — ou não é abso lutam ente n a d a .” 85 Tem-se
registrado co rreta m ente 86 que o enunciad o-chav e de Bu ltm an n cor
responde à dem and a de F. C. B aur pa ra a exposi ção da mensagem de
Je su s.87 A fo rm a dos estu do s críticos de B ul tm an n, dos S inóp ticos88 e
seu livro sobre Jesus, de 1926, formam a base para a exposição da
mensagem de Jesus. Em outras palavras, a mensagem de Jesus é
reconstruída com metodologias críticas a partir do querigma sobre
Jesus Cristo, o crucificad o e ressu scitad o.
A reação crítica à teologia de Bultmann, da qual sua teologia do
NT é o clímax, tem chegado de várias partes. As opiniões de
B ultm an n sobre o Jesus históri co e o C rist o querigm ático são a s bases
do debate atual sobre este aspecto da teologia do NT. No capítulo
anterior descrevemos a insatisfação com as opiniões de Bultmann
entre seus próprios alunos, tais como E. Kãsemann, G. Bornkamm,
H. B raum , J. M. Rob inson, E. Fuch s e G. E be ling ,89 que são geral
mente chamados de “pós-bultmannianos”. Pode-se considerar que
eles pertencem ao centro da crítica de Bultmann. Eles se empenha
ram na “nova busca” do Jesus histórico, para explorar a questão da
co ntinu idad e en tre o Jesus h istórico e o Cristo qu erig m ático .90
Há tam bé m os “ crít icos de direita ” ,91 como K. B arth , J. Schn ie-

82 Ver, acima, o n,° t.


8 3 W . Bousset, K yrio s C hrís to s. G esch ic h te des C h ristu sglau ben s von den A nfàn gen
dTrad.
es Cingl.
h ristcKn tu m ss Cbhrís
yrio is Iren a eu s (Gõttingen,
to s (Nashville, 1970). 1913, 6.a ed.; Darmstadt, 1967).
84 Bultmann, Theol ogy o f the N T, J, p. 3 (os gr ifos são de le).
85 S. Neill, Jesus Through M an y Eyes, In tro d u c tio n to th e T h eolo gy o f th e N ew T es
ta m en t (Filadélfia, 1976), p. 10.
86 O, Merk, B ib lis ch e T h eolo g y , p. 254.
87 Ver F. C. Baur, Vorl esu ngen übe r neu testam entliche Theologie, ed. F. C. Baur
(Leipzig, 1864), p. 45-127.
88 Ve r , ac im a o n .D 56 .
89 Literat ura significativa citad a nas nota s n .° 257, 272 -276, no C apítulo 1 acima.
90 Ver a críti ca de N. Perrin, R eâ isco v erin g th e T ea ch in g o f J esu s (2 .a ed,; New York,
1976), p. 233 es .
91 H. Fu ller, The N ew Testamen t in C urre nt Study (New York, 1962), p. 16.
wind, J. Jeremias, E. Ellwein, E. Kinder, W. Künneth, H. Diem,
H. T hielicke e P. A ltha us .92 Os críti cos da o rtodox ia lu teran a acusam
Bultmann de negar a realidade objetiva de eventos redentores como a
encarnação, expiação, ressurreição, ascensão c segunda vinda. Nor-
man Perrin, que faz uma distinção entre “conhecimento da Histó
ria ” , “ conhe cimen to histórico” e “ conh ecim ento da fé’ , assinala que
...o ataque de direita à posição de Bultmann procura estabelecer
laços mais íntimos do que Bultmann permitiria entre o conheci
mento histórico e o conhecimento da fé... A ala de direita pressu
põe que a E ncarnação ou o conceito bíblico do Deus agente na His
tória ou a visão tradicional do cristianismo ligado a certos eventos
revelatórios na História ou coisas do gênero exige um relaciona
m ento real e íntimo e ntre o conhec imen to hist órico e o conhecime n
to da fé, e que jus tiça tem que s er feita em nossa discussão da qu es
tão do Jesus h istó ric o.93

É evid ent e que aqui há um a divisão de águas entre a herm enêu tica
exist encia lista bu ltm an nia na da correlação entre reconstrução e inter
pretação e a dos “ críticos de direita” .
Entre os “críticos de esquerda” estão o teólogo liberal suíço Fritz
Buri, o filósofo existencialista alemão Karl Jaspers e o teólogo ameri
cano Schubert M. Ogden.94 Buri sugere que Bultmann não foi muito
longe em seu programa de demitização. Ele deixou o ato de Deus
perm anecer como rem anescente da m itologia. O ato de Deus em Jesus
Crist o preci sa ser “ desqu erigm atizado” . Há inconsi stênci a na prop os

92 K. Bar th, “ Rudolf Bultmann — An A tt empt t o U nderstand-H im” . K ery g m a a n d


M yth II, ed. H. W. Bartsch (Londres, 1962), p. 83-132; J. Schniewind, “A Reply
to Bultmann, K er y g m a a n d M yth I, ed. H. W. Bartsch (New York, 1961),
p. 45-101; J. Jeremias, The Problem of lhe Historical Jesus (Filadélfia, 1964);
F.. Ellwein, “ R. Bu ltma nn's Interpret ation of the K erygm a” , K ery g m a a n d H is -
to iy , eds. C. E. Braaten c R. A. Harrisville (New York, 1962), p. 25-54; E. Kinder,
"Hist ori cal Criti ci sm and D em ythologizing", ibid., p. 55-85; W . K ünneth, “ Bul t-
m ann’s Philosoph y and the Rcali ty of Salva tion” , ibid., p. 86:119; H. Diem,
"The Earthly Jesus and the Christ of Faith", ibid., p. 197 211; H. T hielicke ,
"The R est atement of New T est am ent M ythol ogy” , K er y g m a a n d M y th I, p. 138-
174; P. Althaus, F aith a n d F a c t in lh e K e ry g m a T oday (Filadélfia, 1959). Deve-se
observar que F. Gogarten, D e m y th o lo g izin g a n d H isto ry (Londres, 1955). vem a
defender Bultmann contra os "críticos de direita”.
93 Perrin, R ed isco verin g th e T each in g o f Je s u s , p. 239.
94 F. Buri, ‘‘Entm ythologis ierung oder E ntkerygm atizi erung?” , K ery g m a un d
M y th o s II, ed. H. W . B a n sch (Ha m burgo, 1954), p. 85 e ss. ; idem , “T heologie de r
E xistenz” , K e r y g m a un d M yth o s III , ed. H. W. Bartsch (Hamburgo, 1955), p. 81
e ss.; K. Jaspers, R. Bultmann, D ie F rage d e r E n tm yth o lo g isieru n g (Munique,
1954); idem, P h ih s u p h ic a l F ait h an d R eve la tio n (New York, 1967), p. 287 e 324
e s.; idem, e R. Bultmann, M yth a n d C h ristia n ity (New York, 1958); S. M. Ogden,
Christ W it hout M yth (New York, 1961) .

70
ta d e B ultm ann no que e le enten de a fé cristã co mo u m a transi ção da
existência inautêntica para a autêntica, mas mantém incoerentemen
te com a primeira um elo necessário com o Jesus histórico neslc
processo. Jaspers condena B ultm ann por introduzir um fato r objetivo
num movimento existencialista, onde não há lugar para a manuten
ção de um elo com o Jesus histórico. Ogden condena Bultmann
porque “ ele anula com pleta m ente sua própria proposta construtiva
em favor de uma solução para o problema teológico contemporâ
neo” ,95 no que ele faz um a d isti nção inconsistente en tre “ possibilida
de de pr inc ípio” e “ possibilidade de fato ” .96 Og den su sten ta que a
possib ilid ade de prin cíp io é sem pre um a possib ilid ade de fato, o que
signi fic a o ab an do no de pa rtic ula rid ad e da f é cri stã .97 B ultm ann
respondeu a estas críticas ao questionar se a acusação de inconsistên
cia não é o “caráter legítimo e necessário do que o Novo Testamento
ch am a de obs tácu lo” .98 O argu m en to cu ja prova o s “ crí ticos de
esquerda” tentaram apresentar consiste na convicção de que, mesmo
que possamos falar de Deus ou do transcendente de maneira signifi
cativa, "a relatividade essencial de todos os eventos históricos signifi
ca que não podemos pensar em termos de um conhecimento de Jesus
que seja diferente em espécie do conhecimento que podemos ter de
outros per son ag ens históricos” .99 Isto q uer d izer que Jesus é na da
mais que um exemplo suprem o capaz, de s er i m itado (Buri, Jaspers),
ou a “manifestação decisiva” do que também é conhecido em outras
parte s (O gden).
A apresentação feita por Bultmann da teologia paulina é correta
mente entendida como o centro de sua teologia do NT. Ele considera
Pau lo “ o fu nd ad or da teologi a cristã” .100 Ist o q ue r dizer que, “ em
comparação com a pregação de Jesus, a teologia de Paulo é uma
estrutura nova e que não indica nada mais que Paulo teve seu lugar
dentro do cristianism o greg o” .10’ Esta discriminaçã o parece refletir
por que a teologia do NT de B ultm ann em prega am plam ente o
método descritivo, ao tratar dos tópicos da Parte I de sua obra,
enquanto nas Partes II e III, com a apresentação das teologias de
Paulo e de João , usa a inte rp re taç ão an tro po ló gi ca .102 No que di z

respeito a Paulo, Bultmann resume: “A teologia de Paulo pode ser


95 Ogden, Christ Without Myth, p. 215.
96 P. 111 e ss.
97 P. 143,151, 156 e 160.
98 R. Bultmann, “Review of S. M. Ogden, Chris t W it hou t M vth ", Journal o f R eli
gio n 4 2 (1 9 6 2 ) , p. 22 6.
99 Perrin, R ed isc a vertn g th e T eachin g o f J esu s, p. 239 ( o grifo é dele).
100 Bultmann, Theol ogy o f th e N T, I, p. 191.
101 P. 189.
102 Stendahl, ID B , I, p. 420 es.; C. E. Cox, “R. Bultmann: Theology of the New Tes-
tament", R e sto ra tio n Q u a rterly 17 (1974), p. 157.

71
melhor tratada como sua doutrina do homem: primeiro, o homem
anterior à revelação da fé e, segundo, o homem sob a fé, pois deste
modo a orientação antropológica e soteriológica da teologia de Paulo
é ap re se n tad a.” 103 A conversão do pró prio Pa ulo é interp re tad a, em
categorias existencialistas da primeira fase de Heidegger, como uma
rendição de “seu entendimento anterior de si mesmo, isto é, ele abriu
mão do que até en tão havia sid o a no rm a e o signifi cado de sua v id a...
Sua conversão não foi uma conversão de arrependimento, ...era uma
submissão obediente ao juízo de Deus, tornado público na cruz de
Cristo, sobre todas as realizações e ostentações humanas. É assim que
sua conversão se reflete em sua teologia".lü" Bultmann considera
“ a teol ogia de Pa ulo ao m esmo tem po um a an trop olo gia ” .105 O m é
todo empregado para explicar este ponto de vista predeterminado é
uma análise terminológica das palavras usadas por Paulo, tais como
corpo, alma, espírito, mundo, lei, morte, justiça, graça, fé e liber
dade.
As reações a esta tentativa de uma interpretação antropológica ou
existencialista de Paulo variam. M. Barth descreve o resultado final
dos métodos de Bultmann na exposição da teologia paulina assim:
“Bultmann descreve Paulo como o apóstolo da verdadeira autocom-
preensão e existência, em resumo, com o um apósto lo de existência
autêntica. Paulo é transformado num existencialista entre os apósto
los. Mas Paulo se chama a si mesmo incansavelmente de apóstolo de
Jesus C ris to ." 106 B arth ac ha que ain da que as mesm as c artas conside

radas inau
censes, I-II têntica s por
Timóteo, B ultm
Tito) ann incluídas
fossem (Efés ios,noCol oss ens es, II PauUnum,
Corpus Tess aloni -
nem assim a exposição feita por Bultmann, da teologia paulina,
m uda ria d e direçã o, porq ue el e se empe nha n a “ crí tica do conteúdo"
Sachkritik ,107 em cuja ba se as d ecla raç õe s pau lin as a re spe ito do

103 Bultmann, Theol ogy o f th e N T , I, p. 191.


104 P. 188.
105 Bultmann, Theologie des NT, p. 187. A trad. ingl. “Paul’s theology can be best
tre ate d as bis doctri ne of m an ” ( A teologi a de Paulo p ode ser melhor tratada como
sua Barth.
106 M. dout ri“Die
na doMethode
homem von), emBultmanns
The ol og 'Theologie
y ofth eN Tdes , I,Neuen
p. 191, Testaments"',
é imprecisa.
Theologische Z eitschrif t 11 (1955), p. 15.
107 Ver R. B ultmann , Glauben und verstehen / ( 4 . a ed. ; G õtti ngen, 1961) , p. 38- 64;
ide m, “Th e Probl em of a Th eological E xegesis” , th e B egin n in g o f D ia le c tic a l
Theology, ed. J. M. Robinson (Richmond, Va., 1968), I, p. 236-256; idem, "Is
Exegesis Without Pressupositions Possible?” E x isten ce a n d F aith : S h o rte r W r it -
ing s o f R ud olf Bult m ann, ed. S. M. Ogden (New York, 1960), p. 289-296. A no
ção bu ltman niana dc “crí ti ca do con teúd o” é discuti da por J. M. Ro binson, “ He r-
ineneutic Si nce B arth” , The New H ermeneuti c. “ New Frontie rs in T heology I I” ,
eds. J. M . Ro binso n e J. B. C obb, J r. (New Y ork. 1964), p. 31-34; W . Sch m ithals,
D ie T h eolo gie R u d o lf B u ltm a n n s: E in e E in fü h ru n g (2.a ed.; Tübingen, 1967),
p. 251; W. G. Doty, Contemporary New Testament Interpretation (Englewood
Clif fs , N .J ., 1972) , p. 21 e s.

72
Espírito Santo, da ressurreição, do segundo Adão, do pecado srcinal
e do conhecimento são eliminadas . 'm Este procedimento cn minha dc
mãos dad as com o conceito bultm an nia no de p ree nte nd im cn lo1"'' e
interpretação: “Não há nenhuma interpretação simples do ‘que
existe’, mas de algum modo... a interpretação do texto sempre
caminha de mãos dadas com a interpretação de si mesmo do
e x eg eta ."110 O círculo her m enê utico pa rece im plica r m ais subjet ivi
da de do que de ve ria ,111 B ar th conclui: “ É prováve l qu e a pen as um
método de pesquisa e exposição seja adequado para Paulo, se o
testemunho do apóstolo a respeito de Cristo (e não sua filosofia de
vida ) for colocado no cen tro do qu estio na m en to e da des cr içã o".112
Barth deseja colocar o ponto de vista cristológico no centro do palco,
que é ocupado pela antropologia no sistema de Bultmann. Isto não
deixa de ter algo a ver com a tentativa do discípulo católico de
Bultmann, H. Schlier, que talvez tenha ido mais longe que o profes
so r.113 Schlier diz: “ Na m inh a op inião , a teologia do Nov o T es tam en 
to, ao tratar de São Paulo, desenvolverá sua teologia [de Paulo] como
uma função do evento em cujas características básicas ele vê com
preendidas a histó ria e a existê ncia da h um anidade. E sta é a
ressurreição de Jesus Cristo, o Senhor crucificado, que foi exaltado
perante sua vinda, de m odo que sua ascensão foi um ato final ou
escatológico.’’114 Contrariando Bultmann, Schlier argumenta por
uma apresentação da teologia dos Sinópticos lado a lado com as
teologias de Paulo e João.lls Em vez de fazer da teologia paulina a
base da teologia do NT (conform e B ultm ann), Schlier se propõe a
fazer das fórmulas confessionais dos cristãos primitivos a base da
teol ogia do NT, poi s “ elas são o pr on un ciam en to srcinal da rev elaçã o
de Jesus Cristo, conform e de cla ra do ” . 116 Seg und o E. Kâsem ann ,
Schlier “girou suas idéias [de Bultmann] ou, como geralmente se
diz, c olocou-as de ca be ça p ara ba ixo ’’.117

108 Barth, "D ie M etho de ” , p. 1 5.


109 Bultmann. E xis ten ce a n d F a it h , p. 289-296.
110 Bultmann, The B eginn in gs <>/D ia le e tic a l T h eo logy, 1, p. 242.
111 Ver a crítica de E. Bctti, D ie H e rm eiieu lik ais a llg e m ein e M e th o d ik d er
Geisteswissensehuften (T übingen, 1962) .
112 Barth, “D ie M etho de ” , p. 15 e s.
11 3 H. Sctdi cr. “U bcr Sinn und Aufgabe einer Th eologie des Neuen Testam ents” ,
B ib li sch e Z e itsc h rift 1 (1957), p . 6- 23; reimpress o em P T N T , p. 323-344. Trud.
ingl. em D o g m a tic vs. B ih li ea l T h eology, ed. H. Vorgrimler, (Baltimore, 1964),
p. 87-113.
114 Schlier. D o g m a tic vs. B ih lie a l T h eolo gv, p. 90.
115 P. 99.
116 Ib id .
117 H. Kãsemann, “The Problem of
p. 240. a New Testament Thcnlogy", N T S 19 (19731.

7.1
O ex-aluno de B ultm an n, H . B ra u n ,118 levantou a q uestão d a
possibilidade de um a teologia do NT, pois o NT é n ada mais que um a
série de enunciados discrepantes sobre os principais assuntos teoló
gicos. Ele expõe sua opinião por meio de discussões de assuntos como
a cristologia, a soteriologia, lei, escatologia e a doutrina dos sacra
mentos. A tese de Braun é a seguinte: “Os autores do Novo Testa
mento
Deus, fazem
coisas declarações a respeito
que não podem da em
entrar salvação e de sua
harmonia relação
entre si e com
que
provam, através de suas discrepâncias, que sua m até ria de estu do não
é o que declaram, expressis verbis, em con tra diç ão m ú tu a .’' 11'’ A so
lução para estes problemas é uma interpretação antropológica de
Deus mais radical. “De qualquer forma, Deus não seria entendido
como aquele que existe por si, como uma espécie que só seria
compreensível sob esta palavra. Deus, então, significa muito mais o
porquê de m inha inquietação.” 12u Braun, em seu livro Jesu s, 121 levou
aaparição
uma conclusão
de Jesus consistente
e do NT. L.aGoppelt
sua interpretação
classifica oantropológica da
antropocentrismo
de Braun, em sua tese e em seu livro, como “um seguir até o fim o
caminho do historicismo, no qual se desiste da teologia do NT;
...em termos de história da pesquisa, ele marca o fim de uma
ép oc a.” 122 Até mesmo n a visão do pó s-b ultm an nian o K ãsem ann
“este tipo de misticismo [de Braun] significa falência, e dever-se-ia
protestar, em nom e da honestidade in tele ctu al, qu ando o hum anism o
é um a m oda que tom ou posse do cristianism o” .123
N enhum
qualquer erudito
teologia do da
NT.escola pós-bultm
Isto não anniana
quer dizer produziu,
que esteja morto até
o agora,
interesse neste assunto. J. M. Robinson voltou a ele num provocante
ensaio,124 que foi discutido no capítulo anterior. Robinson pretende
trab alh ar a “ nova herm enê utica” e suas pr essup osi ções na fil osofia da
linguagem, e trocar a interpretação antropológica de Bultmann por
um movimen to “p ara dentro da li nguage m, que pos sa ser interp reta

118 H. Braun,
Beihelit "Die Problematik
2 (1961), einer Theologie
p. 3-18, reimpresso des Neuen Testaments",
em H. Braun, Gesammelte Studien zumZ T h K
N euen T e sta m e n t u n d sein er U m w e lt (Tübingen, 1962), p. 325-341, e em PTNT,
p. 405-424. Trad. ingl. "The Problems of a New Testament Theology”, Th e B ult
m ann S c h o o l o f B ib lic a l In te rp re ta tio n s: N ew D ire tc tio n s? ed. R. W. Funk (New
York, 1965), p. 169-183.
119 Braun, "T he Problem of a N T T he olog y” , p. 169.
120 P. 182 e ss.
12 1 H. B ra u n, Jesu s. D e r M a nn a u s N a za re th u n d sein e Z e it (Stuttgart Berlim, 1969).
122 L. Goppelt, Theol ogi e des Neue n Te stam en ts, ed. J . R oloff (G õtting en , 1975), 1 ,
p. 38. Ver também sua opinião sobre o livro de Braun, J esu s, em ThLZ 95 (1970),
p. 744-747.
12 3 K ãseman n, “T he Proble m of a New Testam ent Theo logy", p. 2 41.
12 4 Ver o Ca pítulo 1, nota de rodapé n .° 3.

74
do nos termos das alternativas no mundo moderno, ampliando-as
‘teologicamente’, ‘ontologicamente’, ‘cosmologicamente’, ‘polilka-
m ente’, e tc ,.. ” 125 Robinson que r p erm an ece r com a correlação cn liv
“reconstrução” e “interpretação” ou, como ele o chama, “o histórico
e o no rm ativo ” . 126 Algum as teses de E. K ãse m an n volt am-se tota l
mente contra Robinson. Ele (Kãsemann) não fala do duplo aspecto
da “reconstrução” e da "interpretação” dentro da tradição bultman-
niana. Explica, porém, que “a teologia do Novo Testamento é..., ne
cessa riam ente, um a disciplina hi stó ric a. ..” 127 “ No qu e se refere ao
método, os diferentes aspectos e perspectivas da escatologia fornecem
as diretrizes para a teologia do Novo Testamento. Quanto ao conteú
do, eles oferec em o pan o de f und o pa ra seu s tem as princ ipais em seus
suce ssivos estágios de desen volvim ento.” 128 K ãsem ann não e nt ra em
detalhes a respeito da elaboração real de uma teologia do Novo
Testamento.
N orm an Perrin movia-se cada vez mais em direção ao te rreno
pós-bultm annia no e p ara longe de seu professor J. Jerem ias.119 Perrin
critica Bultmann, por não elaborar nenhuma teologia do Novo
Testamento, mas apenas uma teologia de Paulo e de João. “Simples
mente não é verdade que tudo antes de Paulo e João seja uma
preparação p ara eles, e que tu do depois deles seja um a apostasia de
suas rea liz aç õe s.” 1-10 Pe rrin, co ntu do , fin alm en te conc ord a com
Bultmann (e com Conzelmann) que Jesus é “a pressuposição do Novo
Te stam ento” . ' 11 A pre ocupação dc um a te ologi a do NT é, por
tanto, não o Jesus histórico, isto é, a “mensagem memorial de
Jes us ” , mas a “ im age m de fé de Je su s” 132 pó s-r es su rre içã o, isto
é, o Cristo histórico. Isto quer dizer que Perrin não pode se
guir Jeremias, Kümmel, Goppelt, Neill e outros que iniciam sua
exposição da teologia do NT com o Jesus histórico. Nem segue o

12 5 Robinson, “ The Futur e of N T Theology ", p. 22.


126 P. 20.
12 7 Kãsem ann, “Th e Probl em of a NT Th eology” , p. 242 .
128 P. 244.
129 Isto está evidente em suas recentes publicações; observar especialmente o seu
R ed isco verin g lh e Teachin g o f Jesus (2.a ed.; New York, 1976) ; N. Perr in,
The New Testament' An Intr oducti on (New York, 1974); idem, A M o d e m P ilg ri-
m a ge in N ew T esta m e n t C hris tology (New York, 1974); idem, Jesus a n d th e Lan-
guage o f th e K in g d o m (New York, 1976).
130 N. Perrin, "Jesus and the Theology of the New Testament", discurso não publica
do. lido na Catholic Biblical Association (Denver, Colo., 18-21 de agosto de 1975)
p. 6.
131 Perrin, The NT: A n Introduction, p. 5 e 277-302 ,
132 Perrin, R edisco verin g th e Teachin g o f J esu s, p. 243-248. Independentemente de
Perrin, o americano Van A. Harvey desenvolveu, em seu livro The Historian and
th e B eliever (New York, 1966), p. 265-281, a desi gnação “ imagem perspecti va” ,
que é igual à “ ima gem da fé” de Perrin, um a des igna ção para o Cristo históri co.
75
“ m étodo herm enê utico i m perfe ito” 113 de dem itização de B ultm ann .
O que Bultmann designava como mitologia apocalíptica judaica é
o simboli smo apocalípt ico judaico . P errin segu e aqu i, p articu larm en
te, as teo ria s do sí mbo lo 13* de P aul Ric oeur135 e d e P. W heelw right.136
Segundo Perrin, uma genuína teologia do NT pós-bultmanniana
baseia-se na obra filosófica sobre a natureza e fu nção dos signos e

dos símbo
lábios los. Pcomo
de Jesus, errin umjá assinalara
símbolo queque entend através
funciona e “ rei no
dade D eus” , nos
evocação
de um mito, o mito do Deus ativo dentro da história de todo o seu
povo em seu nom e.137 A tese de Perrin é que “ a teologia do Novo
Testamento pode ser concebida enquanto seguimos a função do
Jesus-personagem, Jesus-matéria, Jesus-história dentro dos diferentes
sist emas teológ ico s r ep rese ntad os pelos escrit os apoca lípticos cristãos
prim itivos e pelos Evangelhos Sinópticos e A to s” . 138 Perrin acha que
“uma pesquisa semelhante dos sistemas teológicos representados por

Paulo,
fe ita .139João
O fae toda
r uliteratura
nif ica nte do“ écatolicismo emergente” de
a figura simbólica pode ser que é
Jesus,
constante em todos os sistemas teológicos desenvolvidos no Novo
Te stam ento” . 140 A lcançaria Pe rrin um a “ interp reta çã o” rad icalm en
te diferente daquela de Bultmann? Ele mesmo previu que provavel
mente também chegaria a uma posição próxima à de Bultmann, no
que diz respeito à interpretação da mensagem de Jesus no século XX,
mas, “baseando-se numa compreensão e interpretação do uso feito
por Jesus da ‘linguagem sim bólica’, e não n um a herm enêutica de
de m itizaç
tização ão ...”então
do mito, 141 SePerrin
B ultmconstruiu
ann co nstruiu sua her mna
sua hermenêutica en decifra-
êutica na de m i
ção do símbolo. Se a teologia do NT de Bultmann deve ter como
característica a demitização do mito, então espera-se que a teologia
do NT pós-bultm ann iana proposta por Perri n se em penhe na deci fra-
ção do símbolo. Se o uso da filosofia da linguagem na teologia do NT
tornar-se-á ou não um campo de batalha como a filosofia existencia
lista, ainda não se sabe.

133 Perrin, “Jesus and the Th eology of the N T ” , p. 14.


134 N. Perrin, “Eschatology and Hermeneutics: Reilections on Method in the Inter-
pretat ion of the New Testam ent", JB L 93 (1974), p. 3-14.
135 P. Ricoeur, The Sy mbali sm o f Evii (Bo ston, 1960) ; ver agora “ Paul R icoeur on
Bibli cal Herm eneutics", Semeia 4 (197 5), p. 1-148.
136 P. W heelwright, M e ta p h o r u n d R e a lity (Bloomington, 1962).
137 Isto é esclarecido em detalhe por Perrin, em seu recente trabalho Jesu s a n d th e
L an guage o f th e K in g d o m .
13 8 Perrin, "Jesus and the T heo logy of the NT ", p . 26.
139 P. 26.
140 P. 15.
141 P. 14.

76
2. H ans C onzelm ann. Conzelmann é o único discípulo dc Hull-
mann que publicou uma teologia do NT; sua obra tem por tílulo
Grundriss der Theologie des Neuen Testaments e foi publicada cm
1967 .142 De fato, esta é a pr im eira teologia p ro te st an te do NT a
aparecer na Alemanha desde a publicação dã teologia do NT do
próprio B ultm ann. E m bora geralm ente se concorde que em conteú
do ele não faça nenhum progresso significativo para além de
B u ltm an n ,143 há algu m as m ud anç as d istintas n a m etodologia que já
se tornam aparentes, pelo menos até certo ponto, na estrutura de sua
obra. A "In tro d u ç ã o "144 tra ta do pro blem a de um a teol ogia do No vo
Testamento do ambiente grego e judaico. Segue-se a Parte I, intitu
lada “O Querigma da Comunidade Primitiva e da Comunidade
G reg a” 145 e a P a rt e II, "O Q uerigm a S in óp tico ".146 C onzelm ann trata
da “ Teologia de Pa ulo ” na Pa rte I I I ,147 m as, ao co ntrá rio de
B ultm ann , a P ar te IV tra ta do “ Desenvolvi mento Após P aulo ” ,148 e
entã o segu e-se a teolog ia de Jo ão .149
A estru tura da teo logi a do NT de Conzel mann, qu and o co m parada
à de Bultmann — da qual ele diz que “permanecerá o fundamento
ainda por muito tempo, e o esboço aqui apresentado traz sua dívida
para com ele em inúm eras p a rte s " '50 — revela três grandes m odifica
ções, que têm um significado metodológico distinto: (1) “A mensa
gem de Jesus", que é, para Bultmann, a “pressuposição para a
teologia do Novo Testamento, em vez de uma parte da teologia do
Novo T estam ento em si” , 151 é to ta lm ente om itid a por Conzelm ann.
Ele insiste “que o ‘Jesus histórico' não é um tema da teologia do Novo

142 H. Conzelmann, Grundriss der Theologie des Neuen Testaments (Munique,


1967). Trad. ingl. da 2.a ed. de 1963 A n O u tli n e o f th e T h eology o f th e N ew
Testament (New York, 1969).
14 3 Ver as reações de W. G . K üm m el, “D ie E xegetische Erforschung des NT in dies em
Jahrhundert", D a s N eu e T e s ta m e n t im 20. Jah rh u n d ert (Stuttgarl, 1970), p. 123
e s.; G. F. Hasel, “Review of H. Conzelmann, Grun dris s der Theologi e des N T ”,
A U S S 8 (1970), p. 86-89; P. Stuhlmacher, “Neues vom Neuen Testament", P as-
to ra lt h eo log ie 58 (1969), p. 424 e s.; H. Küng, M en sch w erd u n g G o tle s (Freiburg,
1970), p. 588; E. Güttgemanns, "Literatur zur neutestamentlichen Theologie",
Verkündigung und Forschung 15 (1970), p. 47-50; M. Bouttier, “Théologie et
Philosophie du NT", E lu d e s T h éo logiqu es et R elig ieu ses 45 (1970). p. 188-194,
esp. p. 189 e s.; W. J. Harrington, “New Testament Theology. Two Recent
Approaches", B T B 1 (1970), p. 173-184; Merk, B ib li sch e T h eologie, p. 258 e s.;
Kásemann, “The Problem of a NT Theology", p. 241; Robinson, “The Future
of NT T heology", p. 19 e s .
144 Conzelmann, A n O u tlin e o f N T T h eolog y, p. 1-25,
145 P. 29-93.
146 P. 97-152.
147 P. 155-286.
148 P. 289-317.
14 9 P. 321 -358.
150 P.Bultmann,
151 xv. The ol ogy o f the N T , I , p. 3.

77
Testamento", no que concorda com Bultmann, mas discorda dele em
não considerá-lo uma pressuposição da teologia do NT. Ele o faz em
função da “consciência metodológica e como resultado da base
exegéti ca de minh a ab or da ge m ” .152 “ O p rob lem a bási co d a teol ogia
do Novo Testamento não é como o proclamador, Jesus de Nazaré,
tornou-se o Messias anunciado, o Filho de Deus, o Senhor? É, pelo
contrário: Por que é que a fé manteve a identidade daquele que foi
exaltado com Jesus de Nazaré depois das aparições da ressurrei
çã o? ” 153 (2) Co nze lm ann reserva a seqüên cia de d ua s últim as par tes
conforme comparadas com a obra de Bultmann. Supõe-se várias
razões para isso: (a) Evitar o julgamento ético de que o movimento
rumo à igreja primitiva era um retrocesso; (b) a associação especial
de literatura paulina; e (c) o fato de que as eras “apostólica” e
“pós-apostólica” não são tanto uma pressuposição quanto um ingre
diente da teologia ” .164 Isto qu er dizer que C on zelm ann pr ocu ra ser
consistente em sua exposição da teologia do NT ao eliminar ou
reclassificar as pressuposições da teologia do NT. Se ele luta pela
coerência, então que base lógica tem a sua primeira parte, que
reconstrói o querigma das comunidades judaicas e grega? (3) Con
zelmann avança mais notavelmente além de Bultmann em sua
inclusão do conteúdo dos Evangelhos Sinópticos como parte do
conceito de teologia do NT. Este é o resultado direto dos estudos
críticos da red aç ão feitos na p es qu isa do E va ngelh o,155 de que o
próprio Conzelm ann foi o pioneiro.156 Infelizm ente, “ seu ceticismo
histórico quase n ega o re su lta do ” .157
Ao lado destas mudanças refletidas pela estrutura ou plano da
teologia do NT de Conzelmann há as questões-chaves adicionais, que
levam diretamente à metodologia na teologia do NT. Conzelmann
faz, até ce rto po nto , o qu e Sch lier dizia ser ne ce ssá rio ser f eito ,158
isto é, ele procura, com base no método da Traditionsgeschichte
(história da tradição), reconstruir “os textos srcinais da fé, as mais
antigas formulações da d o utr ina ” . 159 Ao contrário da abo rdag em de

152 Conzelmann, A n O u tli n e o / N T Th eology, p. xvii.


153 P. xviii.
154 P. xvi.
155 Ver especialmente J. Rohde, D ie red a k ti o n sg esch ich tU ch e M e th o d e (Hamburgo,
1966). Trad. ingl. R ed isc o v erin g th e T each in g o f lh e E van g elis ts (Filadélfia,
1969); N. Perrin, W hat is Redacrion C riii cism? (Londres, 1960).
156 Ver H. Conzelmann, D ie M itte d e r Z e it (Tübingen, 1953). Trad. ingl. The Theo
lo gy o f St. Luk e (Londres, 1960).
157 Harrington, "New Testam ent Th eology” , p. 183.
158 Schlie r, “A Th eology oi t he N T ” , p. 99-101.
159 Conzelmann, A n O u tlin e o f N T T h eo log y, p. xv. Ver também H. Conzelmann,
Theologie ais Sehriftauslegung. Aufsátze zum NT (M un iqu e, 197 4), p. 1Oõ-119,
131-151.

78
Schlier, Conzelmann supõe uma doutrina cristã primitiva e se recusa
a fazer qualquer concxão entre ela e os Sinópticos. Isto lhe dá a
possib ilidade de retornar à posição de B ultm ann, “ isto é, de conside
rar as fórmulas confessionais a objetivação da autocomprcensão
cristã, que no processo subseqüente da interpretação é parcialmente
elucidado, parcialmente mais uniformizado e parcialmente distorci
do’’.160 De várias partes são lançadas objeções à reconstrução de uma
doutrina cristã primitiva. E. Güttgemanns fala da reconstrução da
doutrina como uma “empresa perigosa, que é muito arriscada diante
da natureza fragmentária da literatura do cristianismo primitivo e da
pobrem ente docum entada his tória do cristianism o primitivo, que se
esconde nas trevas da história antiga (F. Overbeck), especialmente
quando esta reconstrução é transformada na fundação da unidade
dos kerygmuta " , 161 Kãse m ann enu ncia u m a restrição sem elhante:
“Em minha opinião, uma doutrina cristã primitiva já está excluída
pela varie dade de doutrin as existentes. Até o perío do pós-paulino,
até mesmo nele, um tanto raramente, não podemos verdadeiramente
dizer que os autores do Novo Testamento vêem sua tarefa com o
esclarecim ento da co nfiss ão.” 162 A que stão em jogo é se as do utrin as
confessionais são consideradas objetivaçòes da autocompreensão da
fé ou se a cristologia substitui a autocompreensão da fé enquanto
ponto focal. Schlier procura um a base mais am pla ao in clu ir os
Sinópticos na tradição definitiva e pensa em fazê-lo anteriormente à
procla m ação da encarnação, paix ão e ressurreição.163 Nas linhas
anteri ores observa mos como Conzelmann conse gue re torn ar à posi ção
de Bultmann, apesar de seu ponto de partida diferente. No todo,
perm anece verdadeiro ta m bém p a ra Conzelm ann que a teologia não
fala objetivamente a respeito de Deus e do mundo; a teologia é
antropologia. A fé revela um novo auto-entendimento. Harrington
declara: “Tudo isto é Heidegger, através de Bultmann; não é nem
Paulo, n em J oão — nem Je su s.” 164 Em qu alq ue r caso, Co nzelma nn
com partilha da interpretação exi stencial ist a de B ultmann . Mas estará
ele tão excessivamente orientado para a interpretação coino
Bultmann?
Conzelmann reve la um a m uda nça na correl ação entre reconstrução
e interpretação, isto é, o histórico, em vez do normativo. Contra a
época de. B ultmann , na qual havia um a necessidade de um a fort e
ênfase sobre a “interpretação do sentido do que foi dito e da

16 0 K ãseman n. “T he Prob le m o f a NT Theology", p. 24 1.


161 G üttgem anns, "Lite rat ur zur ne uteitam entlich enT heo logie" , p. 49.
162 Kliseman n, “Th e Problem of a NT Theology ", p. 241.
163 Schlier. "A T he olo gy of the NT ", p. 101 e s.
164 Harrington, The Paih o f Bibli ca! Theology. p. 197; idem, “New Testament Theo
logy", p. 184.
79
mensagem dos textos” , Co nzelm ann sente que “ as perspect ivas
m u d a ra m ".165 Hoje há “ um a nova tend ên cia rum o ao pos itivismo
histórico e ao relativismo. A tendência ascendente em que a erudição
bíb lica se deleitou durante décadas m ostrou-se um tanto escapista —
para dentro do histó ric o” . 166 C onzelm ann p rocura conte r esta tendên
cia rumo ao positivismo histórico e relativismo através de uma tática
que se opunha a Bultmann, que enfatiza a “interpretação", isto é, o
que a reconstrução significa para o homem moderno conforme
traduzida através do meio filosófico do existencialismo. Conzelmann
acentua “a reconstrução histórica, isto é, a apresentação do universo
de pensamento do Novo Testamento segundo o condicionamento de
sua ép oc a” .167 E sta g uin ad a em d ireção ao h istórico é significat iva
para Conzelm ann, que perm anece totalm ente com prom etido com a
correlação bu ltm an nia na da “ recon strução” e da “in terp reta çã o” . 168
Conzelmann parece ter o apoio de Kãsemann, que considera a teolo
gia do NT “ um a d isciplina histó rica” .169 E stas m ud an ça s no terren o
bultm anniano revelam que a teologia do NT se encontra em um a con
dição de fluxo mesmo entre aqueles que são conhecidos por serem a
favo r da abord agem exist encial ist a.
Não se deve passar por alto que as abordagens existencialistas,
tanto de Bultmann como de Conzelmann, fracassam na representa
ção das perspectivas do NT como um todo. A abordagem existencia
lista só pode tratar das partes do NT que são acessíveis à interpreta
ção existencialista. As partes do NT que não se prestam a esta
abordagem estão sofrendo uma “crítica de conteúdo” ou são todas
deixadas fora de questão. As abordagens existencialistas de
Bultmann e de Conzelmann parecem considerar documentos como
Hebreus, I e II Pedro, Tiago, Judas e Apocalipse como enteados, que
não merecem atenção. Isto levanta outras questões a respeito da
adequação da abordagem existencialista.

C. A Abordagem Histór ica


1. Werner G. Kümmel. Não poderia haver nada mais profunda
mente diferente da tese de Conzelmann — “O problema básico da
teologia do Novo Testamento não é como o proclamador, Jesus de
N azaré, to rnou-se o M essias anunciado, o Filho de Deus, O Se
nh or ” 170 — do qu e a teologi a de K üm m el, pu blic ad a dois ano s mais

165 Conzelmann, A n O u tlin e u f N T T h eo lo g y, p. xiii (o grifo é dele).


166 I b id .
167 P. xiv.
168 Robinson, "T he Fulure of NT Theology", p. 19.
169 K ãseman n, “T he Prob lem of a NT Theology", p. 2 42.
170 Conzelmann, A n O u tlin e o f N T T h eo lo gy , p. xviii.

80
tard e (196 9).171 Kü mmel não p erten ce à escola de B ultm an n; pelo
contrário, ele representa a corrente histórico-moderna da pesquisa c
procura fazer precisam ente o que Conzelm ann acredita va não ser o
proble m a básico da teologia do NT.
Kümmel estabelece sua tarefa com palavras concisas: “Tentarei
manifestar a pregação de Jesus, a teologia de Paulo à luz da comuni
dade primitiva, e a mensagem de Cristo no Evangelho de João, em
suas características essenciais, e, com base nesta apresentação,
ind ag ar sobre a unidade ex posta n estas formas de pro cla m aç ão .” 172
A es tru tu ra de seu l ivro reflet e su a inc um bên cia.*73 O C ap ítulo I tra ta
da “Proclamação de Jesus Segundo os Três Primeiros Evange
lhos” ,174 em que a m ensag em de Jesus é co nsc ientem ente coloca da no
início da teologia do NT, a fim de mostrar como o Proclamador se
tornou o Anunciado. O Capítulo II volta-se para “A Fé da Comuni
dade C ristã P rim itiv a" ,175 que vê as coisas sob nova luz, po r ca us a do
event o da ressu rreição . “ A Teo logia d e Pau lo” , no Ca pítulo I I I ,176
coloca-se na transição da comunidade apostólica palestina para a
poste rio r com unid ade cris tã gentia. Paulo é “ o prim eiro teólogo do
cristianismo ge ntio” , ma s en tre e le e a pessoa e pregaç ão do Je sus
terreno há não apenas um relacionamento histórico, mas também
su bst an ci al .177
Küm mel dif ere r adicalm ente em su a resposta à questão de “P aulo e
Jes us ” ,178 em qu e B u ltm ann 179 (e Con zelm ann ) vê um hia to, ju n to
com W, W red e.180 K üm m el sus tenta que Paulo é um a testem un ha e
intérprete idôneo de Jesus. Isto não quer dizer, naturalmente, que

171 W. G. Kümmel, D ie T h eolo gie des N euen T e sta m en ts nach sein en H a u p tzeu g e n :
J esu s-P aulu s-Joh annes (Gõttingen, 1969; 2.a ed., 1972). Trad. ingl. The Theology
o f th e N ew T e sta m e n t A cc o rd in g to its M a jor W itn esses: Jesus-P aui- John (Nash
ville, 1973).
172 Kümmel, Theo lo gy o f the N T , p. 18 .
173 Ver as reações de M. Hengel, “Theorie und Praxis im Neuen Testament?”
E van gelisch e K o m m e n ta re 3 (1970), p. 744 e 745, esp. p. 744; Güttgemanns,
“Luteratur zur neutestamentlichen Theologie'', p. 44-46: Küng, M en sch w erd u n g
Gotles, p. 588 e 591; Merk, B ib li sch e T h eolo gie, p. 259-261; Lohse, Grundriss
d er n e u te sta m e n tlic h e T h eo log ie, p. 12.
174 Kümmel, Th eo log y ofth eN T , p. 22-95.
1 7 5 P .96-13 6.
176 P. 137-254.
177 P. 244-254.
178 Ver H. Riderbos, P au l a n d Jesus (Grand Rapids, Mich., 1957); E. E. Ellis,
P a u l a n d I lis R ec e n t In te rp re ters (Grand Rapids, Mich., 1961), p. 26-34;
H. Ridderbos, P a u l A n O u tl in e o f H is Th eology (Grand Rapids, Mich., 1975),
p. 13-43. Também A. Schweilzer, P a u l a n d H is In te rp re ters (New York, 1964),
p. 24 4 c s.
179 R. Bu ltma nn, “Jesus and P au l’' , E x is ten ce a n d F a ith , p. 183-201.
180 W. Wredi', P uuhts (Tübingen, 1904) (reimpresso cm K. H. Rcngsloií e U. Luck,
D as P a u lu sb ild in d e r neueren de u ts ch en F orsch un g (Tübingen, 1964), p. 1 e ss.).
Trad. ingl. P u u l (Londres, 1908).

81
não há diferenças entre eles, mas elas não são, em essência, apenas
periféricas. Conclui-se que “Jesus e Paulo são testem unhas da mesma
verdade histórica, mas Paulo só aponta para o passado e em direção
ao futuro par a a salvação trazi da p or Jesus e esp era da de Jes us” .181
A teol ogia d os escrit os joan inos é abo rd ad a no cap ítulo IV, intitulado
“A Mensagem Joanina do Cristo no Quarto Evangelho e nas Epísto
las” .182 Os escrit os joa nin os ap re se nta m a ob ra e a preg ação de Jesus
Cristo “deliberadamente e consistentemente a partir da perspectiva
da fé da comunidade do último período do cristianismo primiti
vo” .183 João “u ne rigo rosa m en te nã o só a pessoa de Jesus, más
também a salvação forjada por Jesus e sua salvação como evento
salvífico escato lóg ico” .184 No cap ítulo fina l, Küm mel inte rro ga a
respeito da unidade da mensagem de Jesus, Paulo e João, sob o titulo
de “Jesu s-Pau lo-João : O Ce ntro do Novo T es tam en to ” . 185 Kü mmel
afirma que há uma evolução do pensamento e que não há uma
continuidad e em linha reta em t odos o s aspe ctos do pensam ento, mas
que os principais testemunhos do Novo Testamento proclamam daí
uma mensagem comum, de que em Jesus Deus, o Senhor do
mundo, chega até nós. Mas esta vinda de Deus só pode tornar-se
uma realidade pessoal para nós se nos permitirmos ser arrebatados
pelo am or de Deus, que veio a nós em Jesus Cristo, que nos tran s
forma em novas pessoas, que deixa nossa luz resplandecer (sic)
“ dian te do s home ns pa ra que v ejam as vos sas boa s o bras e glorifi-
quem a vosso Pa i, que está nos céu s” (M at. 5 :1 6 ),186
Küm mel nos o fere ce a prim eira teologia do NT dest e sécu lo, na qual
a dem an da de A. D eis sm an n187 — e de mod o algo distinto, a de G . L.
B au er188 — vem p ara a linha de fren te, a sab er, a q ues tão da u nida de
do NT. E m bora Küm mel não cons iga responder à quest ão da uni dade
do NT inteiro, porque sua teologia do NT se limita ao testemunho
prin cip al de Jesus, Paulo e João, é seguido, neste proceder, por
E. Lohse, que conclui seu Grundriss der neutestamentlichen Theolo
gie (1974) também com um capítulo sobre “A Unidade do Novo

T es tam en to” .189


181 Kümmel, The ol og y ofth e N T, p. 254.
182 P. 255 -321 .
183 P. 321.
184 íbid.
185 P. 322-333.
186 P. 333.
187 A. Deissmann, "Zur Methode der biblischen Theologie des Neuen Testaments”,
P T N T , p. 79.
188 Merk, B ib lisch e T h eologie, p. 260.
189 Lohsc, Grundriss der neuiestamentlichen Theologie. p. 161-164.
Estará Kümmel comprometido com a correlação entre “reconslru-
ção” e “interpretação” conforme a encontramos na abordagem
existencialista da teologia do NT? Kümmel responde: “O interesse
cient ifico na com preensão do Nov o Testam ento tem que, precisam en
te, quando seguido no contexto da Igreja e a partir da pressuposição
da fé, levar em conta o fato de que podemos também chegar a uma
audiência crente da mensagem do Novo Testamento apenas de um
modo: a saber, procurando tornar compreensíveis os pronunciamen
tos dos antigos autores do Novo Testamento, exatamente conforme
seus leitores e/ou ouvintes contemporâneos podem e têm que enten-
dê -los ."150 E nq ua nto pa ra Bu ltman n e Co nzelman n a “ interp reta 
ção'' está separada da reconstrução e a ser atingida por meio do
existencialismo, Kümmel reúne a reconstrução e a interpretação de
modo que a segunda é aliada da primeira, pois “muito depende de se
quem se dedica a tal pesquisa o faz sem envolvimento e desapego
consciente ou o faz internamente envolvido e por isso lhe dá ouvidos
ab erta m en te” .191 Pare ce ev idente que Küm m el está ba sicam ente in
teressado em oferecer uma reconstrução crítica moderada, que
freqüentemente se aproxima das colocações de O, Cullmann e que
aba nd on a totalme nte a interp reta çã o.192
2. Joachim Jeremias. O primeiro representante da corrente de
pesquisa “ histórico-positiv a” é o erudito conhecido in te rnacionalm en
te, da Universidade de Gõttingen, J. Jeremias. Ele se tornou um dos
prim eiros críticos da te ntativ a de B ultm ann de fazer da teologia do
NT um a “ teologia querigm ática” 193 e desenvolveu um “ anticriticis-
mo histórico i ntens ivo” ,194 no qu al E. K ãse m an n no tou q ue a
tendênci a an teri orm ente “ pietist a” tornara- se histori cam ente orienta
da e que a anteriormente “puramente histórica” está engajada na
teolo gia .195 A pesq uisa de Jerem ias p ro cu ra servir à verdad e h istóric a
e pro tege r a Pa lav ra da e vap oraç ão do eeta .19*’ Ele já hav ia alcan çado
reconhecimento internacional com seu trabalho sobre as parábolas
e seus estudos sobre as palavras eucarísticas de Jesus e o embasamen

190 Kümmel, Theo lo gy o f the N T, p. 16.


191 Ih id , Ver também Merk, B ib lis ch e T h eo lo g ie, p. 260 e s.
192 Goppelt, The ol ogi e des N T , I, p. 44.
19 3J. S . Stewart oferece um a apreciação crítica em "The Christ of Fa ith” , The New
Testament in Historical and Comemporary Perspective. Essays in Memory of
G. H. C. Maegregor (Oxford, 1965), p. 261-280,
194 Goppelt, Theol ogy des N T , I, p. 43.
195 E. Kãsemann, E x eg etisch e V ersuche u n d B esin n u n gen (Gõttingen, 1964), II.
p. 32-41.
196 J. Jeremias, "The Present Position in the Controversy Coneeming the Problem
of the Historical Jesus". ET 59 (1958), p, 333 e ss.; idem, The Problem of the
H isto rica l Jesu s (Filadélfia, 1964).

83
to aramaico da logia de Jesus.197 Nisto tudo estava ele interessado na
ipsissima vox Jesu (mesmíssima voz de Jesus),196 a fim de permitir ao
homem de nosso tempo ouvir a voz de Jesus como os contemporâneos
de Jesu s a ou vira m .199 U m a com pree nsão deste q ua dro no cenário da
erudição contemporânea é vital para a apreciação e avaliação da
magnun opus de Jerem ias.
Em 1971 Jeremias publicou simultaneamente na Alemanha e na

JInglaterra
Teil: Dieo Verkündigung
primeiro volume de ,100
J esu suado qualNjá
eutesta
se temmdito
entlic
quehe“pode
Theologie
se
provar ser o mais im portante livro escrito a respeito do Novo T esta
mento nos últimos cin qü en ta a no s” .201 Pode-se dizer sem he sitaç ão
que nes te trab alho de Jeremias não há a correl ação entre reconstrução
e interpretaçã o do t ipo conhecido de B ultma nn e s ua escola. A “ inte r
pretação” é, quando m uito, a siste m atização da procla m ação de
Jesus, ob tida por meio d a reconstru ção de suas pa lavr as, o que é feito
com uma metodologia crítica.202 Isto quer dizer que, em essência,
temos aquiãouma
na tra diç de Sabordagem próxima da “teologia descritiva do NT”
ten d ah l.203
O Capítulo I leva o título de “Até Onde É Confiável a Tradição das
Declarações de Jesus?”20'’ Este capítulo ocupa-se do problema do
Jesus histórico, o mesmo assunto considerado por Bultmann como a
pressuposição da teologia do NT e que C onzelm ann decla rou não
fazer, em absoluto, parte da teologia do NT. Jeremias está interessado
em investigar "se nossas fontes são suficientes para nos capacitar a

197 J. Jeremias, The Parables of Jesus (3.a ed.; Londres, 1972); idem, The Eu charisti c
W únl s o f Jes us (2.a ed.; Londres, 1966); idem, A h b a S tu d ien z u r n c u te s to m e n t-
lichen Theologie und Zeitgeschichte (Gõuíngen, 1966); idem, The Centrai Mes-
sage o f th e N ew T e sta m e n t ( New York, 1965).
198 Jeremias escreve o seguinte, em The Parables o f Jesus , p. 9: “Espera-se que o
leitor perceba que o objetivo da análise crítica contida na segunda parte deste
livro nào é nada menos que um retorno, o mais fundamentado possível, às pró
pri as pal avras de Jes us. Som ente o Filho do H om em e sua palavra pod em inv est ir
nossa mensagem de autoridade total,”
199 Jeremias, The Parable s o f J esu s, p. 114: “Nossa fé é retornar à viva voz verdadeira
de Jesus. Qu ão eno rm e será o l ucro, se obtivermos su cesso em redescobrir, aqui e
ali, por detrás
encontrá-lo dossozinho,
pode, véus, asdar
características
força à nossadopregação."
Filho do Homem! O simples fato de
200 J. Jeremias, N e u te sta m e n tlic h e T h eologie / , Tei l: Die Verkü ndigung J esu (Güt-
ters loh, 1971; 2 .a ed ., 1 973). T rad. ingl. N ew T e sta m e n t Th eology: T h e P roclu-
m ati on o f Jesus (New York, 1971 ).
201 S. Neill, Jesus T h rou gh M a n y E yes. In tr o d u c tio n to th e T h eo log y o f th e N ew Tes-
ta m e n i (Filadélfia, 1976), p. 169.
202 Harrington, P a th , p. 201, não alcança a i ntenção re al da m etodolog ia da N T T h eo
logy de jeremias, em sua avaliação de que ele “é um corretivo terrivelmente neces
sár io par a o ceticis m o da perspectiv a e xistencialista” .
203 Siendahl, I D B , I,p.422.
204 Jeremias, N T T h eology, p. 1-41. Deve-se observar que este título não está estrutu
rado n a forma de u m a pergunta no srci nal alemão .

84
apresentar as idéias básicas da pregação de Jesus com algum grau dc
probabilidade” ,20Ão que significa a reconstrução histó ric a da “ lindi
ção pr é-P ás co a” .106 Isto deve ser alcan çad o por meio de (1) "m éto do
comparat ivo ” ( “religionsvergleichende Methode"),w que cmpreg;i
basicam ente o “ critério da desigualdade” , com base no qual “ unia
declaração ou um tem a” pode ser t estado se prové m do “judaísm o ou
da igreja pr im itiv a” ;208 e (2) o “ exa me d a linguagem e do estilo"

("sprachlich-stilistiche Tatbestünde").109
zem resultados moderadamente Estesuma
corretos e permitem doisreconstru
métodos produ
ção da ipsissima voxJesu.2'0 No que diz respeito aos Sinópticos, “é a
inautenticidade, e não a autenticidade das declarações de Jesus, que
deve ser demonstrada'’.211
O Ca pítulo II tr at a da “ M issão de Jes us” ,212 com os sub títulos de
“Jesus e João Batista”, “O Convite de Jesus”, “Passando Adiante a
Revelação”, “Aba Como um Endereçamento a Deus” e “Sim à
M issão” . Em ca da ca so ele segue o m étodo d e inves tigar as fontes, o

conteúdo, o significado
não é seguido ou sentido
nos Capítulos III e IV,doque
respectivo item.
tratam da Este padrão
proclamação de
Jesus, com os títulos “A Aurora da Era da Salvação”213 e “O Período
da Graça”,214 respectivamente. Jeremias concluí; “O tema central da
procla m ação pública de Jesus era o majesto so rein o de D eus.” 215
O Capítulo V descreve o apelo pessoal da mensagem de Jesus, que
leva à form açã o do “ Novo Pov o de D eu s” 216 como com un idad e
remanescente da fé, que adora a Deus sem cessar. Jeremias demons
tra sua metodologi a no Capít ulo VI, “ O T estem unho de Jesus Jun to à
Sua M issã
bewusst sei no”Je,217
su "cujo título
, no qu alem ãoque
al mostra-se é mais preenciso:
Jes us tendia‘ ser
Das“ oHoheits-
po rta 
dor da salvação”.218 Jeremias argumenta que o uso enfático da
pala vra ego não tem paralelo no mundo de Jesus, e, portanto,
sustenta uma cristologia implícita.219 “Filho do homem c o único

205 P. l.
206 P. 3.
207 P. 2.

208
209 P.I b3.
id .
210 P. 29-37 . Ver t am bém J , Jere m ias, The P rayer o f Jes us (SBT 2/6; Londres, 1967),
p. 108-115.
211 Jeremias. N T T h eologv, p. 37.
212 P. 42-75.
213 P. 76-121.
214 P. 122-158.
215 P. 96.
216 P. 159-249.
217 P. 250-299.
218 P. 250-257.
219 P. 254 e s.

H5
título aplicado por Jesus a si mesmo, cuja autenticidade deve ser
levada a serio."220 Ele remonta a Daniel 7:13. Jeremias argumenta,
contra a conclusão de seus próprios alunos, que o título tem srcem
na mitologia de Canaã, assinalando que “diante do enorme lapso de
tempo entre os textos de Kas Shamra e o livro de Daniel, isto é quase
impossível”.22' A compreensão dc Jesus de sua paixão é reconstruída.
“Jesus viu sofrimento iminente claramente e o anunciou antecipada
mente... Jesus havia considerado a questão da necessidade de sua
morte e encontrado a resposta nas Escrituras, basicamente em
Isaías 53, o capítulo sobre o servo sofredor, mas também em outras
passagens, tais como Z acaria s 13:7".222 As alusões mais im porta nte s
ao sofrime nto de Jesus são as palavr as eu ca rístic as .223
No capítulo fin al, "A Mais A ntiga Tradiç ão e a M ais A ntiga Inter
pretação” ,224 Jerem ia s vai além da procla m ação de Jesus em sua
tentativa de relaciona r a proc lam ação de Jesus com a Pásco a, a saber,
a ressurreição. A segunda edição alemã contém um acréscimo
pequeno, porém significativo, no qual Jeremias revela o que entende
por rela cio nam ento entre a procla m ação de Jesus e teste m unho da
Tgreja:
Ambas as coisas, a proclamação de Jesus e o testemunho da fé da
igreja, as mensagens pré-Páscoa e pós-Páscoa, estão indissoluvel-
mente ligadas... relacionam-se entre si como convite ao responsó-
rio. A oferta graciosa da salvação — na forma das palavras e
obras de Jesus, sua morte na cruz e sua exaltação — é o convite
de Deus
tanto ao mundo;
formal o testemunho
como material, o coro da
de Igreja — emlínguas
incontáveis multiplicidade
que can-
tam louvores a seu nome e que o confessam perante o mundo —
é o respo nsório lavrad o pelo Esp írito S an to p ara o co nv ite.225
As últi ma s frase s resumem , nu m a linguagem soberba, o intento de
Jerem ias: “ O convi te e stá acim a da re spos ta, pois Jesu s é o Kyrios, e o
Kyrios está acima dc seus mensageiros. O Kyrios acima é o início e o
fim, o cen tro e a m edid a de tod a a teologia c ri stã ." 226
A primeira
mente parteo da
tudo o que Teologia
tornou do NTUma
conhecido. de Jeremias reúne magistral
crítica recente resumiu-o
dizendo: “Poucos eruditos do NT poderiam haver escrito este li

220 P. 258.
221 P .2 6 8 ,n .u 1.
222 P, 286.
223 P. 288-292 .
224 P. 300 311.
225 Jeremias, N e u te sta m en tlic h e T h e o lo g ie , I, p. 295.
226 I b id .

86
vro.”227 Jeremias aparece novamente como um crítico conservador,
que insiste que há uma conexão entre todos os temas importantes do
NT e a procla m ação de Jesus. A igreja pós-Páscoa respondeu ao
convite de Jesus, mas não se engajou no tipo de criatividade atribuída
a ela por aqueles que não vêem, ou virtualmente não vêem, nenhuma
conexão entre o querigm a da Igreja e o Jesus hi stór ico, O. W erk assi
nala que n a obra dc Jerem ias a diferença entre os evangeli stas recu a à

sua formação
Jesus. a favorto,daJerem
Neste aspec reconstrução
ias se apdaroxforma e daG.mensagem
im a de L, B auer.de228 Aind a
não se sabe até onde o segundo volume da teologia de NT de Jeremias
tra ta d a teologia dos evangelist as. Nos ter mos do método com parativo
empregado por ele, L. Goppelt, que tenta mostrar os elos entre o
Jesus histórico e a proclamação da Igreja, lamenta que o princípio da
analogia a respeito do ambiente judaico transforme Jesus num
fenômeno pu ram en te ju d e u .229 “ O crit ério de desigu aldad e” , que
Jeremias adota de N. Perrin para a demonstração da autenticidade,
tem
ria é seus
a quepróprios problemas.230
diz respeito ao silêncioAexasperante
questão metodológica
por parte demais primá
Jeremias
na questão da justi ficação, por apre sen tar a proclam ação de J esu s
como parte da teologia do NT. Diante da situação do debate sobre
esta questão metodológica (Bultmann, Conzelmann, Perrin) não se
sabe por que Jeremias não usou nenhuma palavra que sugerisse uma
ju stific ativa p a ra seu procedim ento metodológico ou que indicasse
que o faria no volume seguinte. Será evidente que a proclamação de
Jesus constitui a fundação e a base da teologia do NT?

D. A A bordagem da H ist ória d a Sal vaç ão (“ Heilsgesehicht e” )


1. Oscar Cu llm ann. O conheci do professor em érit o da U niversi da
de da Basiléia e da Sorbonne, em Paris, O. Cullmann, não escreveu
nenhum livro com o título de Teologia do NT,23' Ele deve ser incluído

227 C. E. Ca rlston, “ Review of J. Jerem ias, N ew T e sta m e n t T heology: T h e P raclam a-


tion o f Jesu s". JBL 91 (1972), p. 260-262, esp. p. 261.
228 Merk, B ib li sch e T h eologie, p. 262.
229 Goppelt, Theologi e des NT , í, p. 44.
230 H. K oeste r, '‘ The Histori cal Je sus : Som m e Do m m ents and Thoug hts o n N om ian
Perrin's R e d is c o w rin g th e T eaeh in g o f J esus" , C h risto logy a n d a M o d e m Pilg ri-
m a g e . ed. H. D. Betz(Filadélfia, 1971), p. 123-136.
231 K. Frõhlich, "Die Mitte des Neuen Testaments. Oscar Cullmanns Beitrag zur
Theologie der Gegenwart", Oikonom iu: Heils geschichte ais Thema der The ol ogi e.
F estsch rif t fü r O. C ullm an n (Stuttgart, 1967), p. 203-219, esp. p. 213, assinalou
que outros eruditos dão o título de “Teologia do Novo Testamento” ao tipo de
livro que Cullmann publicou com o título de D ie C hristo logy des N euen T e s ta
m en ts (Tübingen, 1957). Trad. ingl. The Christol ogy o f the New Testament
(2.a ed.; Filadélfia. 1967).

87
na discussão da metodologia na disciplina da teologia do NT, porque
é o prim eiro re pr es en tan te da ab or da ge m h istórico-salvífica2 32 do N T
neste século. A introdução à "história da salvação" do NT dç
Cullmann foi publicada em 1946, sob o título Cristus und die Zeit,233
seguido pelo profundo estudo H eil ais G eschichte , publicado pela
prim eira vez em 1965.1,4 Esta s obras cria ram um debate acalorado.235
Em seu pri meiro est udo, Cu llm ann tentou tr aç ar um esboç o bá sico

edasua
hi stóri a da salção
interpreta vação do sti
no cri NTanismo
atravésprimiti
de um vo,a recon
como strução do t empo
um a época plena
de tensão entre o “já ” e o “ ainda nã o” . Crist o é o “cen tro do tem po ”
ou o “ po nto ce ntr al” do tem po ,236 o que dev e ser enten did o como um a
concepção linear do tempo. Não é, contudo, “uma linha reta, mas
uma linha flutuante , que pode m os trar u m a am pla v ariaç ão” .237
Deve-se entender claramente que a abordagem histórico-salvífica de
Cullmann não de ve ser i gua lada nem com as anteri ores, que também
tinham este nom e, dos erud itos dos sécul os XV II ao XIX, nem com as
que usa m o term o “ no m au se ntido de ‘positivo’, ‘san to’, ‘b ea to ’ ou
‘não-crítico’”.238 Para Cullmann, a abordagem da história da salva
ção significa um£ “luta por nada mais que a resposta à velha
pergunta: ‘O que é o cris tia nis m o?’ ” .239

232 Este escritor prefere a tradução “história da salvação” para H eils gesch ich te e
“históricosalvííi ca" par a h eilsg e sc h ic h llich , ein ve z de "história redent ora", a f im
de evi tar a im pressã o de qne a H istória em si tem o poder redentor.
233 O. Cullmann, Ch ris tus und die Zei t. D ie urchrist li che Ze it un d G eschicht sauffas-
su n g (Zurique, 1946; 3.a ed., 1962). Trad. ingl. Christ an d T ime (Londres, 1951;
2.a cd., 1962).
234 O. Cullmann, Hei! ais G esch ic h te: H e ih g e s ck lc k tllc h e E x is te m im N eu en T esta-
m e n i (Tübingen, 1965: 2.a ed., 1967). Trad. ingl. Salvation in H istory (New York ,
1967).
235 Ver especialmente a reação do próprio Cullmann a críticos como Bultmann,
E. Fuchs, F. Buri, J. Komer, H. Conzelmann, K. G. Steck e J. Barr, em Christ
a n d T im e (2.a ed.), p. xv-xxxi. Entre os mais importantes tratamentos recentes
das perspectivas de Cullmann estão: Stcndahl, ID E , 1, p. 42Ü e s.; Frõhlich, “Die
Mitte des NT", p. 203-219; D. Braun, "Heil ais Geschichte", E vT h 27 (1967),
p. 57-76; Kraus, B ib lisch e T h eo log ie, p. 185-188; Bouttier, “Theologie et Philo-
sophie d u N T ” , p. 188 e s .; E. G üttgem ann s, ‘‘Liter atur zur neutestam entlichen

FTheologie.
orschungRandglossen
1 2(1 96 7), zu
p. ausgewâhlten
38-87 , e sp. Neuerscheinungen”,
44- 49; Harrington, "New Testam Verkündigung
ent Tund
he o
logy” , p. 184-189; i dem , P u th , p. 197-201; G. Klein, “Bibel und Heilsgeschichte.
Die Fragwürdigkeit einer Idce", Z N W 62 (1971), p. 1-47; J. T. Clemons, “Critics
and Criticism of Salvation History”, R elig io n in L ife 41 (1972), p. 89-100; G. E.
Ladd, “The Search Perspective”, I n te rp r e ta tio n 25 (1971), p. 41-62; K. Schubert,
"GeschichteundHeilsgeschichte ”,Keiros 15 (1973), p. 89-101; I. G. Nicol, “Event
and Interpretation. O. Cullmann’s conception of Salvation History”, Theology 77
(1974), p. 14-21.
236 Cullmann, Chri st and Tim e, p. 121-174.
237 Cullmann, Salvation in History, p. 15 ( o grifo é dele).
23 8 P .11 .
23 9 P .19 .

88
É no sso propósito organizar um a peq uen a pesquisa do conteúdo da
magnum opus de Cullmann, H eil ais G eschichte, antes que questio
nemos como ele entende o funcionamento da história da salvação.
A Pa rte I contém os “ Prolegôm enos” .240 Faz u m a pe squ isa a respeit o
do gnosticismo do século II, escatologia no século XX, hermenêutica,
no que se relaciona à história da salvação, e fornece uma definição de
história da salvação. A Parte II leva o título ‘‘Gênese da Abordagem

da História da
interpretação, da Salva
fé dasção” .2"1 Seu conteúd
testemunhas bíblicas, odotraconstante
ta do evee nto
a e da
contingência, e da consolidação dos excertos histórico-salvíficos no
NT. As "C aracterís tic as Fenom enoló gicas” 242 são tra tad as na Parte
III, com ênfase sobre História e mito, história da salvação e História,
e a tensão entre o “j á ” e o “ ain da n ão ” , Na Pa rte V, chegamos ao
âmago do livro, em seu tratamento histórico-salvífico dos “Tipos
Principais do N ovo T esta m en to” ,143 a saber, os prim órd ios da história
da salvação com Jesus,244 o seu período intermediário245 e o Evangelho
de
“ UmJoão
Esb246
oçoe da
a história
TeologiadaSist
salvação.247
em ática eFinalmente,
a História da oParte V oferece
Dogma: Históri a
da Sa lvação e o Períod o Pó s-B íblico ” .248 Este es tu do revela de
imediato que Cullmann procura a história da salvação como a
estrutura fundamental dos testemunhos do NT e propõe um desafio à
abordagem exist enciali sta da Teologi a do NT, conform e m anifestada
por B ultm ann e seus seguidores.
Dentro dos limites de nosso propósito, será impossível tratar
adequadamente dos ricos e frutíferos estímulos oferecidos por
Cullmann.
da salvaçãoTen taremos
conforme escl arec
entendida porercic,
rapidam ente
antes de nosa nvoltarmos
atureza para
da hist óri a
as questões metodológicas. Cullmann não entende a história da
salvação “como uma história ao longo da História...; ela se revela na
História e neste sen tido pe rtenc e a ela ” .249 O aspe cto in teg ral da
história da salvação bíblica é que certos eventos “historicamente
controláveis” estão “abertos à investigação histórica... eventos per
tencentes à história secular, que estão colocados numa conexão
defin ida não desco berta pela H istória em si” ,250 “ Os even tos perte n

240 P. 19-83.
241 P. 84-13 5.
242 P. 136-185.
243 P. 186-291.
244 P. 187-236.
245 P. 236 -248.
246 P. 248-268 .
247 P. 268 291.
248 P. 292-338.
249 P. 153.
250 P. 139es.

89
centes à história secular" recebem uma interpretação histórico-salví
fica. Admite-se livremente uma dependência de Cullmann das opi
niões de G. von Rad,-'5 1 um a persp ectiva q ue tem p rob lem as distin 
tos .252 A resp eito do movim ento de evento e int er pre taç ão , C ullm an n
escreve: "A história da salvação não surge através de uma simples
soma de eventos reconhecidos na fé como salvíficos. É melhor dizer
que empreendem-se correções da interpretação de eventos salvíficos
passados à luz dos novos eventos.”25J O processo de evento e
interpretação é complexo. “O ato da interpretação... é tido como
pertencente à histó ria da salvação em s i." 254 Cullm ann resume sua
persp ectiva dessas questões com plexas enfatizando três aspectos
distintos: “ ...p rim eir o, o ‘evento n u ’ [nackte Ereignis], do qual o
profeta deve ser te stem unha ocula r e que é percebido ta m bém por
não-crentes, que são incapazes de enxergar qualquer revelação nele;
segundo, a revelação de um plano divino que se descortina ao profeta
no evento com o qual ele se alinha na fé; terceiro, a criação de uma
associação a revelações histórico-salvíficas mais antigas, dadas a
conhecimento de outros profetas na reinterpretação destas revela
ções” . J e s u s “se inc lui no even to que oco rre no lugar o nde s e
encontra. Mas a nova revelação era coerente ao proclamá-lo como o
heus decisivo de toda a história da salvação.256 Pode-se afirmar, com
toda justiça, que a perspectiva de Cullmann da revelação, conforme
exposta acima, tanto 110 evento como na interpretação, contém

ambigüidades.2”
Tem-se observado que Cullmann adota a posição de von Rad, que
entende m os como seguidor “ das li nhas da história da salvação ” ,2SH a
saber, “a reinterpretação progressiva das velhas tradições de Israel é
co ns tante m en te de sp erta da pelos novos eventos no pre se nte ” .259
Enquanto Cullmann fala 110 “evento nu” [nackte Ereignis],160 von
Rad nega sua existência: “Não existem brut a fac ta em absoluto; só
possuím os história na fo rm a da inte rpretação, som ente na refle
xão,’’261 É decisi vo p ara a ar gum en taç ão dc von R ad qu e no q ua dr o

251 P. 54 e 88.
252 Hasel, O T Theolo gy, p. 57-75.
2 5 3 Cullmann, Salvation in History , p. 88 ( o grifo é dele).
254 P. 89.
255 P. 90.
256 P. 117.
257 Ver especialm ente Nicol, “ Evcnt an d Inte rpretati on” , p. 18- 21.
258 Cullmann, Salvati on in H ist ory, p, 54.
259 I b id .
260 P. 90.
26 1 Co nclusão de G . v on Ra d, “A ntwort auf C onzelm ann ’s Fra gen” . E v T H 24 (1964),
p. 393, num a discussão com H. C onzelma nn, “ Fragen an Gerhard von Rad ” ,
E vT h 24(1964), p. 113-125.
90
histórico-crítico da história de Israel nenhuma premissa da fé ou tia
revelação seja levada em conta, visto que o método histórico-crítico
tra b alh a sem um a hipótese de D eu s.262 Israei, co ntud o, “ só po de ria
compreender sua história como uma estrada ao longo da qual viajava
guiada por Javé. Para Israel, a História só existia onde Javé se
revelara através de at os e pa lav ra s” .zw Von R ad reje ita a escolha
alternativa de se considerar o quadro querigmático como não-históri-
co e o qua dro históri co-críti co como históri co. Ele discute que “ o q u a 
dro querigmático também... se funda na história real e não foi
inventado”. Não obstante, ele fala das “experiências históricas”
prim itiv as da história antig a em term os de “ poesia histó ric a” ,
“ lend a” , “ sag a” e “ histórias poéticas” ,264 que contêm anacronis-
m os.265 O im po rtan te p ar a von Rad não é o núcleo histórico esta r
enco berto pela “ ficção” , m as a experiência do hori zonte da fé do
próprio narrador, confo rme interpretada dentro da saga, ser “ histó ri
ca”266 e resultar num enriquecimento do conteúdo teológico da saga.
Tudo isto faz parte do método da história das tradições. Ele declara:
“O processo pelo qual se srcinou a perspectiva da história da
salvação não é mais totalmente compreensível em todo o Novo Testa
mento. Em primeiro lugar, as ocasiões históricas para as srcens e
futuro desenvolvimento das mais antigas tradições não podem ser
sempre relatadas com certeza, especialmente quando tradições orais e
kerygmata orais estão envolvidos, os quais são então publicados em
fórmulas confessionais litúrgicas... Somente nos grandes sistemas
históricos... podemos nos tornar mais familiarizados com a srcem
das interpretações e reinterpretações da história da salvação.”267 A dí
vida de Cullmann para com o método histórico-tradicional dc von
Rad, que ele reelabora em sua abordagem histórico-salvífica, com a
constante interpretação do dito “evento nu” e reinterpretação poste
rior da " tra diçã o histórico-salvífica” ,26K levan ta a q uestão de ser a
aborda gem de Cullm ann realmente capaz de sup erar o s problem as re
lacionados com o total das questões da História e da história da tradi
ção, com seus dois quadros da História, a saber, a estabelecida pelo
método histórico-crítico e a apresentada pelo querigma dos testemu

262 G. von Rad. O ld Test am ent Theol ogy (Edimburgo, 1965), II, p. 417.
263 G. von Rad, "Offene Fragen im Umkreis síner Theologie des AT”, ThLZ 88
(1963), p. 409. O prohlema do relacionamento entre palavra e evento, palavra e
atos. etc.. é o assunto de um ensaio de G. F. Hasel, “The Problem of History in
OT Th eology” . A U SS 8 (1970), p. 32-46.
264 Von Rad , O T Theol ogv , I, p. 108 e s.
265 Vol. II , p. 421 c s .
266 P. 421.
267 Cullmann, Salvation in H istorv, p. 89.
268 P. 90.
91
nhos bíblicos.269 Cullmann expressou sua opinião a respeito da crítica
de W. E ich rod t e F. Hess e a von R ad, onde o qu erigm a é posto no lu
gar da “história real”, ao sugerir que “na realidade existe um acordo
maior entre estes eruditos do que talvez eles mesmos pensam”.270
E nq ua nto isso, torna -se claro que não é este o ca so .271 Cullm an n
assinala enfaticam ente que “ o que disti ngue a H istória da história da
salvação é o papel que a revelação representa nesta, tanto na
experiência das eventos e fatos como na apropriação dos relatos e sua
interpretação {‘querigma’) por intermédio da fé. Aqui os eventos são
experimentados como revelação divina, e desse modo os relatos e
interpretações são atribuídos à revelação divina”.272 A revelação é o
critério distintivo, de modo que “o processo histórico da salvação é o
cen tro de toda a H istória , incl usive da p rim itiva e da escatoló gica” .273
A revelação atua na classificação do processo histórico total, “a sele
ção de eventos” contida na história da salvação que se determina no
plano de D e u s" .174 Em toda esta história da salvação está a categoria
classificatória, dentro da qual estão incorporados vários esquemas
bíblicos. A tipolo gia “ pressupõe a perspectiva da história da salva
ção ” .285 O esqu em a de “ prom essa e cu m prim en to” tem relação com a
história da salvação, porque “o cumprimento, dentro da estrutura
bíb lica, nunca é com pleto . A história da salvação continua se
desenvolvendo. Embora Deus permaneça fiel à sua promessa, ela se
cumpre de um modo difícil de se examinar detalhadamente e de uma
maneira que não se encontra, de uma vez por todas, ao alcance do
conhec imento hu m an o ” .276 Credita-se a Cu llma nn a exposição de um
program a cuidadosam ente pensado “ da histó ria da salvação, en q u an 
to rep res en tan te da essência da m ensagem do N ovo T es ta m en to ...” 277
Ele o faz durante conversas com as principais cabeças do cenário
teológico e se refere aos principais críticos da história da salvação.278
Em 1962, K. Stendahl sugeriu, em Chri st and Tim e, que Cullmann

269 Ver H asel, O T Theol ogy , p. 57-75.


270 Cullmann, Salvation in History, p. 54.
27 1 F. H esse, A b s c h ie d von d e r H eils g esch ic h te (Zurique, 1971). Ver também J. Barr,
"Story and History in Biblical Theology”, J o u rn a l o f R elig ion 56 (1976), p. 1 e ss.
272 Cullmann, Salvation in H istory, p. 151 es.
273 P. 148.
274 P. 154.
275 P. 133.
276 P. 124.
277 P. 150.
278 Por exem plo, K. G . Steck, D ie Id ee d e r H eik g e sc h ic h te. H o fm a n n -S ch la tte r-
Cullmann (Zurique, 1959); G. Kiein, “Offenbarung ais Geschichte? Marginalien
zu einem theologischen Programm”, M o n a issc h rift f ü r P a sto ra lth eo lo g ie (1962),
p. 65 e ss.; G. Fohrer, "Prophetic und Geschichte”, ThLZ 24 (1964), p. 481 e ss.,
etc.

92
“ rec ap turo u o modo de pe ns ar dos escrit ores do NT, e aí perm anece o
tempo suficiente para elaborar as implicações dos diferentes aspectos
do pe nsam ento do N T ” .279 Stenda hl tem u m a po stu ra positi va em
relação à questão metodológica da teologia do NT conforme levanta
da por Cullmann. Ele sugere que a abordagem de Cullmann continua
“descritiva”. O. Merk percebe que é uma “reconstrução” da com
preensão do te m po dos cristãos prim itiv os.2S0 Cullm ann não se
empenha na "interpretação”, isto é, na transformação ou tradução
do entendimento religioso da história da salvação do NT numa
estru tura ad eq ua da ao homem m ode rno.2 81 Será que Cullmann
considera tal "interpretação” ou “o que quer dizer” arbitrária ou
anti-historicista nos dias de hoje? Cullmann fornece agora uma
resposta parcial. Está convencido, juntamente com Bultmann, que o
NT cobra uma decisão: “ O evento divino, ju n to com sua interpreta
ção revelada aos profetas e apóstolos... exige de mim uma decisão...
de ajustar minha existência à história concreta a mim revelada com
tal seqü ênc ia de ev en tos .” 282 “ Se a decisão da fé inten cio na da no
Novo Testa m ento nos ped e que nos ajustemo s à seqüência de eventos,
então a seqüência de eventos não pode ser demilizada, de-historiza-
da ou desobjetivizada. Ao contrário da demitização de Bultmann,
que reinterpreta existencialmente a escatologia, despindo-a de sua
temporalidade, isto é, transformando a riqueza do querigma do NT
numa “escatologia pontual” no aqui e agora, temos a alternativa de
Cullmann, que argumenta que a tensão histórico-salvífica entre o
“já” e o "ainda não” é a chave da compreensão do NT. “Toda a
teologia do Novo Testamento, inclusive a pregação de Jesus, está
contida nesta tensão.”28'1O homem de hoje vive o “período interme
diári o da história da sal vação” , um “ estágio interm ed iário en tre dois
pólos: o do período bíblico e o do final dos te m pos” .285 Cullm ann nos
lembra: "Crucial para a teologia histórico-salvífica é a sua relação
com o presente.”786 Parece que a tarefa descritiva é, para Cullmann,
decisiva. Ele se recusa a transportar para o presente a história da
salvação por meio do existencialismo, do platonismo287 ou de qual
quer outro sist ema.
2. George E. L ad d. O Prof. G. E. Ladd é o mais famoso erudito

279 Stendahl, I D B , I, p. 421.


280 Merk, B ib li sch e T h eologie , p. 253.
281 Ro binson, “Th e Future o f NT T heolog y” , p. 19 .
282 Cullmann, Salvation in History, p. 69.
283 P. 70 (o gri fo é dele).
284 P. 172.
285 P. 293.
286 P. 308, n.“ 2.
287 P. 204.

93
evangélico do continente norte-americano,188 cuja erudição tem o
reconhecimento inclusive de outras escolas de pensamento. Ele é um
dos dois americanos que publicaram uma teologia do NT completa
após o silêncio dc cerca de sete décadas por parte dos eruditos
am eric an os sobre o ass u n to .28* A magnum opus de Ladd se intitula
A Theology o f the New Testam ent (1974) c pertence totalmente à
abordagem da história da salvação na teologia do NT.
A intenção do livro de Ladd é “familiarizar os estudantes dos
seminários com a disciplina conhecida como Teologia do Novo
Testamento”.190 Ladd não faz diferença entre teologia bíblica e
teologia do NT, como B. S. Childs,291 pois define a História e o
método hi stór ico com base em diferent es pressupostos. “ As pressu po 
sições de qualquer indivíduo podem influenciar diretamente a pers
pectiva com que estu da e encara os fato s."292 A veracid ade da histó ria
bíb lica é a questã o em desta que. “ As pressuposições sobre a natureza

da história bíblica...
mensagem têm continuamente
Os eruditos sido inseridas
adeptos de umnamétodo
reconstrução da
histórico,
cujas pressuposições são secularistas, não vêem lugar para homens
divinos na História. Conseqüentemente, atrás do relato da pessoa de
Jesus nos Evangelhos deve ocultar-se um Jesus histórico.”293 A pres
suposição da História como um círculo fechado de causas e efeitos
horizon tais não pode tr a ta r com a realidade expressa na Bíbl ia. Logo,
qua lquer abordagem , p ara que sej a ade qu ad a ao conte údo da Bíbl ia,
tem que estar em harmonia com as pressuposições dela tiradas e com

288 As seguintes obras c estudos são particularmente importantes: G. E. Ladd, Cru


cia l Q u estion s A b o u t th e K in g d o m o f G o d (Grand R apids, M ich., 1973) , id em,
Jesu s a n d th e K in g d o m . The E sch a to lo g y o f B ib lic a l R ea lis m (2.a ed.; Waco,
Tex., 1970); idem, The New Testament and Criticism (Grand Rapids, Mich.,
1967); idem, “Why Not Prophetic-Apocalyptic?", JB L 81 (1962), p. 230-238;
idem, "Histor y and Th eology in Biblical Ex ege sis” , I n te rp r e ta tio n 20 (1966),
p. 54-64; idem, “The Problem of History in Contemporary NT Interpretation”,
Studia Evangéli ca 5 (196 8), p. 88-100; idem “T he Seareh for Perspective” , I n te r
p r e ta i io n 25(1971), p. 41-62.
289 Em 1906, G. B. Stevens, da Yale University, publicou a segunda ediçào de sua
Theology o f the N ew 'I 'es tament ( l . a ed.; Edim burgo, 1901). O s l iv ros de F. Stagg,
N ew T e sta m e n t T h eology (Na shville, 1962 ) e R. K nud sen, Theology in the New
Testamen t. A Basis fo r Ch ri st ian Faith (Chicago/Los Angeles, Calif., 1964). fo
ram escritos para leigos e não fingem ser teologias do NT maduras. O outro
trabalho em escala total foi escrito por outro erudito da tradição evangélico-con-
servadora, a saber, C. K. Lehman, B ib lic a l T h eology 2: N ew T e sta m e n t (Scottda-
le, Pa., 1974).
290 G. E. Ladd, A T h eology o f the N ew T e sta m e n t (Grand R apids, M ich., 1974 ),
p. 5. Trad. ver a port. Teol ogi a do Novo Testam ento (Rio de Janeiro, JUERP,
1985).
291 Ver, acim a, p. 70 e s.
292 Ladd, Teol ogi a do Novo T estam ento , p. 5.
293 P. 25.

94
a realidade total nela expressa. “Uma vez que a teologia bíblica
preocupa-se com a auto -revelação de Deus e com a redenção dos
homens, a própria idéia da revelação e redenção envolve certas
pressuposições que estão im plícitas por to da parte e com freqüência
explícitas na Bíblia. Essas pressuposições são: Deus, o homem e o
p ecado.” 294 Elas im plicam em que a “ histó ria bíblica" não deve ser

reconstruída
“ H istória” . do
E mmesmo modoiaque
bora a Bíbl os historiadores
represente Deus emreconstroein a do s
ação atr avés
eventos históricos “ordinários”, “Deus tem estado ativo redentora
mente em um fluxo da História de um modo particular em que não
esteve na história geral; ela [a Bíblia] demonstra estar cônscia de que
em certos pontos Deus atuou na História de modo que transcende a
experiência histórica ordinária”.255 A ilustração mais vivida da ação
divina na H istória é a ressurreição de Jesus Cristo. “ Do pon to de vi sta
da crítica históri co-científi ca, a ressurreição não pode ser “ históric a” ,

pois
eventotrata-se de e,
histórico, umconseqüentemente,
evento que não não
foi causado por qualquer
tem analogia. Deus, e outro
unicamente Deus, é a causa da ressurreição... Na realidade, a sua
própria ofensa à crític a histó rico-cie ntífica é um a espécie de apoio
negati vo com relação ao seu ca ráte r s o br en atu ra l” ,296 A verdad eira
questão é uma questão teológica. "Eventos revelatórios não são
produzid os pela H istó ria , mas através do Senhor da História, que está
acima da História e age dentro da História, para a redenção das
criaturas históricas.”297 A ação de Deus em eventos singulares da
H ist
A ória f az pa rte
perspectiva de Lda históri a daa hsalv
add sobre açã o.da sal vação é diferente da de
istória
Cullmann, pois ele não a liga à história da tradição. A história da
salvação, que Ladd designa imprecisamente de “história da reden
ção” ou “ história sag rad a” ,298 é m on tad a a p ar tir de um a sé rie de
eventos nos quais Deus se revelou como em nenhum outro. Aqui ele
segue C. F. H. Henry. Em sua descrição da história da salvação como
um “fluxo de história revelatória”299 Ladd não segue o sistema de
Cullmann, da “reinterpretação” de interpretações anteriores ou
“correções”
em preg a a li de interpretações
nguag em de G. E.histórico-salvíficas anteriores,
W rig h t,300 ao af irm masestá no
ar que o NT

294 Ib id .
295 P. 28.
296 P. 29. Ver também G. E. Ladd, I B eliev e in th e R essu rre ctio n o f Jesu s (Grand
Rapids, Mich., 1975).
297 Ladd, Teologia doNT, p. 29.
298 P. 27.
299 P. 27.
300 G. E. Wright, God Who Acts. Biblical Theology as Recital (SB T 8; 8 .a ed.;
Londres, 1966).

95
fluxo da história da salvação e que “a teologia do Novo Testamento...
cons iste prim ariam ente na recitação do que D eus reali zou em Jesu s de
N azaré” .31" A substância da proclam ação cristã é do mesm o m odo
“ a recitação dos atos de D eus n a H istória” .302
Será o método da teo logia do No vo T estam ento u m a “ rena rração ”
ou “recitação” do que foi relatado nos documentos do NT? Será
“recitação” a forma
Testamento? mais legítima
Isso significa que do
o discurso
teólogo teológico sobre o apenas
ou o pregador Novo
“recita” o que o NT disse, sem “traduzir” ou “decodificar" ou
“interpretar” teologicamente para o homem moderno? Ladd o expli
ca da seguinte maneira: "A tarefa da teologia bíblica é de expor a
teologia encontrada na Bíblia em seu contexto histórico, com seus
principais term os, cate goria s e form as de p ensam ento .” 303 E ain da
especifica melhor: “A teologia do Novo Testamento deve ser prima
riamente uma disciplina descritiva.”304 Aqui ele segue K. Stendahl,
mas
“ primqualifica a definição
ariam ente” de Stendahl
, que parece si gnipor
ficarintermédio
“ não-excldousiva
advérbio
mente” . P a 
rece haver uma espécie de conflito em sua descrição da metodologia
p ara a teologia do NT, por causa do qualific ador “ prim ariam ente” e
outros enunciados que permanecem obscuros, como o seguinte:
“Ela [teologia bíblica] constitui-se basicamente na descrição e inter
pretação de atividade divina no contexto do cenário d a histó ria
humana, procurando a redenção do homem.”305 Será que ele real
mente quer di zer que al ém de se oc up ar d a “ descrição” , isto é, da
tarefa descritiva, o teólogo do NT (ou bíblico) também precisa
em penhar-se na “ interpretaçã o” , isto é, na tarefa t eol ógi ca de dar um
significado à mensagem do NT? Do mesmo modo que o advérbio
“primariamente” é intencionalmente exasperador, acontece com um
outro advérbio, quando Ladd continua a definir mais acuradamente.
A teologia bíblica “não está inicialmente preocupada com o significa
do último dos ensinos da Bíblia ou com a sua relevância para os dias
atu ais. E sta é a ta re fa da teologia siste m áti ca ’’.306 Se a t eologia bíblica
e, por isso, a teologia do NT não está “primariamente” e nem
“ inicial m ente” envolvi da c om a interp retaçã o do signi fic ado da Bíb lia
para a atualidade, entã o ela o está “ secundariam ente” e “ por
últim o” . O que é que ist o que r dizer, no que concerne à noção de
“recitação”? Estas questões metodológicas cruciais pedem maior

301 Ladd, Teol ogi a do Novo Testam ento, p. 27,


302 Ib id .
303 P. 25.
304 P. 5. “ A teol ogia bíbli ca é primariam ente um a disci plina descri tiva' ” , p. 24.
305 P. 25.
306 P. 25.

96
iilrnçao. Por outro lado, parece que a tarefa “descritiva” envolve,
p;u.i I a dd, ao mesmo te m po, a interpretação.307
1 .idd estruturou sua teologi a do NT em s eis gr andes partes, cada
uma subdividida em capítulos. Cada um destes capítulos, por sua vez
divididos em subseções, contém uma valiosa bibliografia da mais
recente literatura em língua inglesa. A Parte I trata de “Os Evange
lhos Sinóp ticos” ,308 e com eça com um cap ítulo ins trutivo sobre a
história e a natureza da teologia do NT. (Esta introdução à disciplina
Teologia do NT deveria, realmente, ser colocada como uma seção
introdutória em separado, antes da primeira parte.) Infelizmente,
Ladd não nos proporciona o estudo da teologia de Mateus, Marcos e
Lucas que sc esperava, mas oferece uma interseção temática, da qual
oito capítulos tratam de aspectos do reino segundo a pregação de
Jesus, e cinco de aspectos dos conceitos cristológicos. Toda esta
prim eira parte é de certo modo abru ptam ente introduzida por um
capitulo sobre João Batista. É surpreendente que não haja nenhum
capítulo equivalente sobre o pr óp rio Jesu s.
A Parte II tra ta de “ O Quarto Ev ange lho” .309 L add ab re esta pa rte
com um capítulo sobre os problemas críticos que expõem o seu
objetivo: “procurar descobrir até que ponto ele é semelhante ou
diferen te dos ...S in óp tico s” .310 Fá-lo ad m irav elm en te nos capítulos
sobre o dualismo joanino, cristología, vida eterna, a vida cristã, o
Espírito Santo c a escatologia. Não está claro por que Ladd pôde
declarar que “os Evangelhos registram as obras e palavras de
Jes us” 311 c tra ta r, na P ar te I, o s Sinóp ticos como fontes his torica m en -'
te confiáveis da vida de Jesus,312 e, mais adiante, sustentar que
“obviamente não é o intento dos Evangelhos Sinópticos dar um
registro da ipsissima verba de Jesus...”313 Se o segundo enunciado de
Ladd estiver correto, então não devemos tratar os Sinópticos teolo
gicamente como o Evangelho de J oão ? Em que no s basearíam os p ara
tra ta r os Sinópti cos de mod o diferent e?
A Parte III incumbe-se da teologia do livro de Atos, sob o título
“ A Igreja P rim iti va” .314 O prim eiro c apítu lo defende a con fiabili dade

307 Por exem plo, o significado de im inênc ia (p. 193), o significado da ress urrei ção de
Jesus (p. 306), o significado da ascensão de Jesus (p. 316), o significado da con
versã o de Pau lo (p , 344), o si gn ificado da visão pau lina da revelação (p. 3 62), ele.
308 P. 13-196.
309 P. 199-292.
31Ü P. 207.
311 P. 27.
312 P. 166-167: "Outras evidências fortalecem o ponto de vista de que a tradição do
evangelho é histori cam ente co rr et a ...[e] que a I gre ja possui um a mem óri a corr et a
ao relatar as palav ras e atos de Cristo.”
313 P. 207.
314 P. 295-335.

97
históri ca essencial do l ivro de Ato s, no q ue enc on tra agora apoio, com
maior erudição, de W. W. Gasque.315 Os capítulos sobre a ressurrei
ção, o querigma escatológico e a Igreja resumem a teologia de Atos.
A teologia de Paulo, conforme explicada na Parte IV,316 forma,
junto à teologia do Evangelho de Joâo, um dos ponto s altos da
teologia do NT de Ladd. Paulo era um homem dos universos
judaic o, grego e cristão.317 “ Paulo estava preparado, como teólogo
ju deu, p ara pensar, sob a orientação do E spírito Santo , nas im plica
ções do fato de que o Jesus de N aza ré c ruc ificado era de fato o M essias
e o Filho de Deus ressurrecto e elevado ao céu. Isto o levou a muitas
concl usõe s rad icalm en te di ferentes da qu elas qu e m a n tin h a ...” -’18
Isto significava "uma modificação radica) da visão de Paulo da
Heilsgeschichte , que é uma partida radical do judaísmo."319 Visto
que ahis tóri a da salvação envolve um conceit o un ili can te, Ladd con side
ra o centro da teologia paulina, junto com W. D. Davies, "a realiza
ção da nova era de redenção, através da obra de Cristo... O centro
u nif ica do ré... a obra reden tora de Crist o co mo o centro da hist ória da
redenção [Heilsgeschichte]" .3M Esta perspectiva difere da de
H. N. Ridderbos, conforme exposta em seu monumental Paul: An
Outline ofHis Theology .32‘ Ladd usa todas as treze epístolas canôni
cas de Paulo (como Ridderbos) em sua elucidação da teologia
pau lin a.322 Ele cham a a atenção p a ra o fato de poderm os falar de
teologia pau lina. “ Será a ‘teologia’ ape na s um a disciplina des cri tiva
do que acre ditavam os prim eiros cristãos o u terá Deu s se sati sfeito em
usar Pau lo como o instrum ento indivi dual d estacado na igr eja antiga,
para com unicar aos hom ens a verdade perem ptória e lib ertado ra?”
O que Paulo fala é teologicamente normativo: “Há poucas dúvidas a
respeito de como Paulo responderia a esta pergunta, pois suas cartas
refletem um senso de autoridade, à luz da qual tem-se que ler todo o

315 W. W. Gasque, A H isto ry o f th e C rit icism o f A c ls o f t h e A p o stle s (Grand Rapids,


Mich., 1976).
316 Ladd, Teologia do Novt> Testamento , p. 339-525.
317
31 8 P.P .341
340. .
319 P. 348.
320 P. 3 51 -352.
321 H. Ridderbos, Pau l; A n O u tlin e o f H is T h eo logy (Grand Rapids, Mich.. 1975).
p. 39: “O tema dominante da pregação de Paulo é a atividade salvadora de Deus
e o advento e a obra, particularmente na morte e na ressurreição de Cristo. Esta
atividade é, por um lado, o cumprimento da obra de Deus na história da nação de
Israel, logo o cumprimento da Escritura: por outro lado, alcança a consumação
final da paro usia de Cristo e a vinda do reino de D eu s. 6 a grande estrutura his -
tórico-redentoraC/ieíVigraí/íiWií/ic/i] dentro da qual... todas as suas partes subor
dinadas recebem seus lugares e se combinam organicamente.”
322 Ladd, Teol ogi a do N T, p. 353-355.
pensam ento de P au lo .” 323 Isto nos deixa com a nítid a im pre ssão dt*
que Ladd entende as tarefas descritivas em seu todo como iu h tiuiliviis
para o homem m oderno.324 A in te rpretação do “ significado últim o
dos ensinos da Bíblia ou a sua relevância para os dias atuais.,, é 8
tarefa d a teologi a s iste m átic a” .325
A Parte V tem como título “As Epístolas Gerais”3"'' e ía/ um
resumo da teologia de Hebreus, Tiago, I Pedro, II Pedro, Judas r ics
epístolas joaninas. Não fica claro por que Ladd não trata conjunta
mente as epístolas e o Evangelho de João, pois considera se que
provêm do mesmo autor. D a m esma form a, um a teologia de 1'edm
poderia te r sido organiz ada a p artir de I e II Pedro e do(s) dilu(-,j
discurso(s) de Pedro em Atos. Ou, conforme G. B. Steveus, us
epístolas gerais, com exceção das de João, poderiam se incorporur tia
Parte III, “A Igreja Primitiva”. Infelizmente, Ladd não nos oferece
uma estrutura lógica. Isto novamente se aplica à sua última seçrto.
Pa rte VI, “ O A poc alipse” .’27
A abordagem metodológica histórico-salvífica de Ladd eonlém
fraquezas que já foram apontadas repetidas vezes e não precisam ser
novamente citadas. Sua abordagem se presta a uma unidade concei
tua i que, con tudo, não se realiza. Sua te ologi a do NT, por o utro lado,
trata de todos os documentos do NT, inclusive as teologias dos
enteados da disciplina, a saber, Hebreus, Tiago, Judas, I e II Pedro,
etc. A abordagem histórico-salvífica também o levou a explicar os elos
entre o NT e sua teologia com a do AT. Saiu-se melhor em sim
descrição dos conceitos constituintes das teologias paulina e joiuiina
ao cunhar palavras-chave, títulos, expressões, frases, etc., cotn
grande discernimento. E o faz de maneira não tão diferente de mil
m inidicionár io. De ste modo , ele nos ofere ce algo co mo u m a “ leologln
bíb lica conceitu ai” ,328 isto é, um estu do dos conceitos bíblicos
distintos expressas por intermédio de extensos estudos de palavni*,
que sã o incorp orad as e expressam a história d a sal vação.

323 P. 35b.
324 Ladd, Jesu s a n d th e K in g d o m , p. xiii: "O Realismo Bíblico designa o esíoivn ein
entender os escritos do Novo Testamento a partir de dentro da mente <los iiitlores,
posicionar -se ond e os escritores bíblicos se pos icionaram , em vez dc to rç a r u m en
sagem bíbli ca a entrar nas fo rmas de pensam ento m oder no... C ontudo, e slc esfor
ço interpretativoCde interpretar a Bíblia em termos que tenham algum sÍKnitii'«<1o
para o homem moderno] não pode resultar em uma estruturação da rm-iiMinem
bíblica numa estrutura moderna, alheia à Bíblia, e que, portanto, distorce n pen
peetiva bíblica."
325 Ladd, Teologia do Novo Testamento, p, 25.
326 P. 529 -569.
327 P. 573-584.
328 No meu entender,
Scripture esta Theol
in Ree ent designação foi inventada
ogy (Filad por5),D.p. H.
élfia, 197 24, Kelscy,
29 e s. e 37 e s. lh e nf

99
3. Leonhard G oppelt. O Prof. Goppelt, antes de sua morte súbita
em 1973, lecionava na Universidade de Munique (e antes em Ham
burgo). D urante to da um a década trab alh ara incessante m ente num a
teologia do NT, que foi publicada postumamente em dois volumes,
em 1975 e 1976, respectivamente, por seu aluno J. Roloff. Goppelt
já era fam oso devido a vários estudos,329 mas a sua Theologie des
N euen Testam ents também merece uma tradução em língua inglesa.
Goppelt fornece, nesta sua obra citada, a mais detalhada e infor
mativa seção sobre “História e Problemas da Disciplina” de todas as
teologi as do NT escritas até h oje.” 0 Nela, ele traça o contorno das
várias posições, particularmente desde cerca de 1900, e se posiciona
nas amplas abordagens histórico-salvíficas de G. von Rad e O.
Cullmann. Contudo, ele aponta, contra Cullmann, que o NT não
conhece “a história da salvação como plano de uma história univer
sal, mas somente a correlação entre promessa e cumprimento. Por
exemplo, as perspectivas histórico-salvíficas de Romanos 4 e 5 não
podem se reunir num contexto total; desig nam , cada um a, que a fé ou
o Crist o é (respectivamente) a prom essa cu m p rid a” .331 G op pe lt limita
sua definição histórico-salvífica primariamente ao esquema de pro
messa e cumprimento. A história da salvação não é uma história
separada da história comum “nem por sua natureza milagrosa nem
pela continuidade dem onstrável. A his tória da salvação é m uito mais
uma seqüência de processos históricos que são finalmente caracteri
zados entre si, e por intermédio dela é preparada a demonstração
final de Deus em Jesus, quando então Jesus assume seu lugar entre
ele s" .3-’2 G op pe lt não coloca a h istória da salvação ac im a do métod o
históri co-críti co. Ele proc ura “ levar a um diál ogo crít ico o s princípios
do método histórico-crítico de pesquisa bíblica, isto é, a crítica, a
analogia e a correlação, com a au toco m pree nsão do N T” .333 E m ter
mos de metodologia, o “diálogo crítico” leva a sério ambas as
conexões históricas, a saber, a histórico-tradicional e a histórico-reli-
giosa, e as histórico-salvíficas. Com respeito ao relacionamento entre
Jesus e João Batis ta, isto que r dizer que um é “ relativo ” , e o outro ,
“exclusivo”. “A conexão histórico-tradicional e a histórico-religiosa

329 L. Goppelt, Typos. Die typologische Deutung des Alten Testaments im Neuen
(Gü tersloh, 193 9; 3 .a ed.; Dar m stadt, 1969); i dem , D ie a p a stn li sch e un d nacha-
p o sto lisch e Z e it 1.2,a ed.; Gõttingen, 1966). Trad. ingl. The Apostolic and Posr-
A p o sto lic T im es (Filadélfia, 1962).
330 L. Goppelt, Theologie des Neuen Testtiments . E rs te r Teil: Jesu W ir ken in sein er
iheol o/i isc heii Bed eulu ng (Gòttingen, 1975). p. 19-51.
331 P. 49. Ver também L. Goppelt, “Paulus und die Heilsgcschichte", Christologie
undEthik (Gõttingen, 1968), p. 202 e ss.
332 Goppelt,
333 P. 50. Theol ogi e des N T, I, p. 82.

100
entre Jesus e João Batista é relativa, a histórico-salvífica e exclusi
va .” 334 Es te diál ogo de co nfro nto dos testem un ho s do NT a respeito dc
João Batista com a situação histórica tenta esclarecer o background
imediato de Jesus e, em conjunto com as investigações histórico-reli-
giosas, lev a a um a apresen tação da autoco m preensão de Jes us.
Goppelt define a meta da teologia do NT como uma tentativa de
“extrair, dos escritos ou grupos de escritos [do NT], quadros mate
rialmente ordenados
maçã o e do e relacionados
ut rin a da igreja pr im da
itivobra de Além
a” .335 Jesus ou da procla
disso, a teologia do
NT “ reflete mais distintam ente as posições dos teólogos modernos,
com seu respec tivo enten dim ento total e suas pressuposições, do que é
possível nas in te rpreta ções de antologias p articu lares” .336 G oppelt
não se limita à reconstrução ou à tarefa descritiva. O homem e a
sociedade modernos não têm que se deparar meramente com a
“ letra” do testem unh o do NT. “ Am bas a s partes, o NT e o ho mem de
hoje, têm que ser conduzidos a um diálogo crítico.”337 Mesmo que tal
“diálogo
uma crítico”dasseja
exposição basicamente
múltiplas a tarefa
tentativas da teologia
eruditas, sistemática,
na interpretação e
suas pressuposições, “permite ao leitor participar do diálogo da
pesquisa e possib ilita a form ação de sua própria opiniã o” .338
Cada um dos dois volumes de Goppelt se dedica a uma parte
principal. O Volume I leva o subtítu lo de “ Os Significados Teológi
cos da Atividade de Jesus” e se dedica totalmente ao conteúdo
indicado no título. O primeiro capítulo discute as questões histórica e
teológica relativas à questão do ponto de partida da teologia do NT.
O
doestNT
udoé exo egé tico t emdam Páscoa,
querigma ostrado que
que,“ segundo
o pon to adetradição
pa rtid acristã
d a teologi a
prim itiv a, foi responsável pela form ação das igrejas cristã s e da contí
nua influên cia de Jes us ” .339 A base da teologi a do NT era, não
obstante, o relato da atividade terrena de Jesus, de modo que a
teologia do NT, com base em sua própria estrutura, tem que indagar
pelo Jesus te rreno. Ao contrário da “ velha busca” , não é para se te r o
“ Jesu s histórico” ; “ a teol ogia do NT, con tudo, inda ga po r Jesus
conforme se mostrou a si mesmo a seus seguidores em seu período
ter
Aorelado
no ,da
e épró
estep ria
ta mestru
bém tura
o Jesu
dosNT,
q uea teve
falta in
defluanalogi
ên ci a has
is tódericpersona
a” .340eli
341

334 P. 82.
335 P. 17.
336 Ib id .
337 P. 18.
338 P. 17.
339 P. 56.
340 Os adjetivos gesch ich tlich th is to r is c h são t raduzi dos c omo “ hist órico”.
341 P. 58.

101
dades contemporâneas para a influência contínua de Jesus “oferece
razões históricas que fazem mais apropriado começar uma apresenta
ção da teologia do NT com a ativid ad e e o ca m inh o de Je su s” .342
A fim de fazê-lo, Goppelt desenvolve sua “própria análise crítico-tra-
dicional”, em cuja base os Evangelhos Sinópticos fornecem o mate
rial para “a apresentação de Jesus, a teologia da igreja cristã
prim itiv a e, fin alm ente , a teologia dos evangelistas".343 C o ntraria
mente à opinião crítica, o Evangelho de João “também oferece
informação crítico-tradicional para a atividade terrena de Jesus".344
Após uma breve discussão da “estrutura histórica" da atividade de
Jesus345 e “do ponlo de partida histórico-salvífico de João Batista”346
Goppelt dedica oito capítulos à proclamação de Jesus.
O C apítulo II com eça com “ A vinda d a Re gência de D eu s” ,347
porque o centro da doutrina de Jesus é o rein o de D eus.346 O procedi
mento normal de G oppelt c des cre ver rapidam ente o sist ema term ino
lógico e seus correlatos nos Evangelhos. Fornece, então, um estudo
sucinto de seu fundo histórico no AT, no judaísmo e no helenismo, e
também discute a história da pesquisa. Finalmente, elucida seu
próprio ente ndim ento dos dados do NT, em contraste ou concordân
cia com outras opiniões. Isto, além de extremamente informativo, é
altamente esti m ulante e con vida a um a interação de pensam ento.
A questão da “conversão” enquanto exigência de Jesus e dádiva da
regência divina é Iratada nos Capítulos III e IV.349 O Capítulo V,
“A Ação Salvadora de Jesus Como Expressão da Renovação Escato-
lógica” , ocu pa-se dos m ilagres como p ar te da ativid ad e de Jes us .350
A autoconsciência messiânica é o assunto do Capítulo VI. “O Auto-
E nlen dim en to de Jesu s” 351 de m on stra que Jesus usava p a ra si pel o
menos a desi gnação d e “ Fil ho do Hom em ” . A me ta da ativi dade de
Jesus é trata d a no C apítulo V II, “ Jesus e a Igre ja” .352 O último
capítulo ocupa-se do “Fim de Jesus” e contém sua paixão, morte,
ressurreição e ascensão.353
O segundo vol ume da teol ogia do N T de G op pelt foi pu blica do em
1976 e leva o subtítulo de “Multiplicidade e Unidade dos Testemu

342 P. 62.
343 P. 65.
344 P. 67.
345 P. 70-83.
346 P. 83-93.
347 P. 94-127.
34 8 P. 9 4 e 1 0 1 .
349 P. 128-188.
350 P. 189-206.
351 P. 207-253.
352 P. 254-270.
353 P. 271-299 .

102
nhos Apostóli cos Pa ra Cristo” . Contém o des envolvimento pós-pente-
costal segundo a igreja primitiva, dividido em três partes: Parte II,
“A Igreja Primitiva (A Igreja no Seio de Israel)”, com capítulos sobre
“O Discipulado de Jesus Como Igreja” e “Os Primórdios da Cristo
logia” .354 O p rincípio teol ógico utilizad o é “ a co rrelaçã o dialógi ca
entre a formulação da tradição-de-Jesus e a explicação do querigma
pascoal... na procla m ação e doutrina da igreja p rim itiv a ...” 355 Este
prin cíp io de correlação dia ló gica é a resposta ao desenvolvim ento da
mais antigacristologia (contra K. Koester).356 A Parte III, “Paulo e o
Cristi anismo G rego” ,357 começa com um a introd uçã o sobre o proble
ma do cristianismo grego e um capítulo sobre as pressuposições da
teologia paulina. Centraliza-se na teologia paulina, particularmente
na cristologia, o evento da proclamação, justiça e a Igreja. O centro
da teol ogia pau lina é o conceito de justiça, que não é nem m ist ici smo
de Cristo (W. Wrede, A. Schweitzer) nem um conceito puramente
forense (R. Bultmann, H. Conzelmann) nem, primariamente, o
aspecto subjetivo da natureza de Deus (A. Schlatter, E. Kãsemann,
P. Stuhlmacher). Goppelt combina uma ênfase forense, a saber,
"D eus col oca o homem no relaci onam ento justo consi go” , com a sub
jetiva pela qual “ o hom em vive neste relacio nam ento” .
A Par te IV, “ A Teolog ia dos Es critos Pó s-P au linos ” ,358 é est ru tu 
ralmente incompleta. O primeiro capítulo trata tanto da teologia de
I Pedro, sob o título “A Responsabilidade dos Crentes em Sociedade
Segundo I Pedro”, como da teologia do Apocalipse, com o título

“Os Crentes
Apocali na João”
pse de Sociedade
. O Pós-Cristo
segundo cadopítulo
Fim dosju nTempos
ta a teolSegundo
ogi a de o Tia go,
isto é, uma teologia do império, à teologia de Mateus, sob o título
“O Significado do Aparecimento de Jesus em Mateus”. O Capítu
lo III dedica-se à teologia de Hebreus, seguida pela de Lucas, o
teólogo da história da salvação. A separação dos tratamentos da
teologia do Evangelho de Lucas daquela de Atos é ímpar. O capítulo
final é sobre a teologia joanina e não está totalmente desenvolvido.
O editor nos informa que a Parte IV da teologia de Goppelt foi

recolhida
de de um
suas aulas do manuscrito usado
verão de 1973. Istopara aulas
pode ser elevado
de uma
emfita gravada
consideração
no caso de algum formato estrutural inusitado. Sente-se falta de
estudos a respeito da teologia de Marcos, das ditas epístolas deutero-

354 L. Goppelt, Theologie des Neuen Testaments. Zweiter Teil . Vielfalt und Einheit
des a p o sto li sch en C h ris tu szeu g n isses (Gõttingen, 1976), p. 325-255.
355 P. 353.
356 P. 354 . Ver H. K oester e J. M. R obinson , Trajectoriea Through Early Christianity
(Filadélfia, 1971).
357 Goppelt, Theol ogi e des N T. p. 356-479.
358 P. 480-643.

103
paulin as, inclusive Efésios, as Epísto la s Pastorais e II Pedro e Judas.
Será que elas não se ajustaram à abordagem da história da salvação
conforme entendida por Goppelt, ou será que outras questões causa
ram a não-incl usão delas em sua o bra?

Observações Finais
Nosso estu do das quatro maio res abordagens à teologia do NT
esclareceu o fato de não haver concordância entre os principais
p raticantes da teologia do NT no to cante à questã o da metodologia.
A complexidade das questões está ligada aos aspectos mais funda
mentais da metodologia. Indicaremos alguns deles na conclusão deste
capítulo.
1. A aborda gem tem ática cam inha de mãos dadas com o métod o
da interseção, em que um ou mais temas principais são tratados
longitudinalmente. Os estudiosos do NT passaram a levar a sério que
h á inevit avelmente um eleme nto subjet ivo em tod a p esq uisa histórica.
A subjetividade particular da abordagem temática é a questão da
seletividade. O teól ogo do NT que se em pe nh a no método d a interse
ção ao longo de um único tema principal ou muitos temas simples
deve ser conduzido por um princípio de seleção. Intimamente ligado
ao primeiro, está o princípio da congenialidade. O princípio da
seleção leva o teólogo do NT a eleger um tema principal do NT ou de
ambos, o NT e o AT, como, por exemplo, o pacto ou o reino de Deus,
o princípio cristológico, etc. O princípio da congenialidade se refere a
todos os outros temas, motivos ou conceitos congeniais ao tema
princip al. M as aqui as diferentes limitações desta abordagem já se
fazem sentir. Primeiro, sobre que base objetiva funciona o princípio
de seleção? Funcionará ele, como no caso de Schelkle, com base na
ordem Deus-Homem-Salvação da dogmática? Se é assim, então
podem-se apresentar questões p a ra as quais o N T pode dar apenas as
respostas mais acidentais ou respostas obtidas de questões nas quais o
NT não tem inte resse. Segundo, o prin cíp io da congenia lidade só
pode funcionar com rela ção ao te m a ou te m as escolhidos. Isto im plica
em que outros temas, motivos ou conceitos importantes no NT são
negligenciados ou forçados a adaptar-se a um molde que não lhes
cabe. Terceiro, se o princípio de seleção for usado de um modo não
relacionado ao tema principal, sobre que base senão a subjetiva
(o problema de Richardson) pode-se incluir ou omitir alguns temas?
Poderá o universo do pensamento do NT ou a fé ser sistematizada
dest e mo do? Será algum tema sufici enteme nte vast o a ponto de poder
englobar dentro de si todas as variedades de pensamento do NT (ou
bíblico)? A riqueza da natureza diversificada do m aterial bíblico
requ er uma abo rdage m equivalente a o m aterial do qual trata.

104
2. Vimos que um dos maiores prob lem as metodológicos da teol o
gia do NT é a questão do lugar de Jesus dentro dela. Será “a mensa
gem de Jesus... uma pressuposição para a teologia do Novo Testa
mento, em vez de uma parte da própria teologia", para usar as
famosas palavras de Bultmann? Este julgamento tem recebido, como
vimos, o apoio de Conzelmann, na Alemanha, e mais recentemente de
Perrin, nos Estados Unidos. Por outro lado, seus mais ferrenhos
opositores são Jeremias, Kümmel, Goppelt e Neill, entre outros. Eles
p rocuram dem onstrar historicam ente que o Procla m ador (Jesus)
tornou-se o Proclamado (Cristo). Toda essa questão é, entre outras
coisas, primariamente um problema da compreensão moderna da
História e de seu método. Por definição, o método histórico-crítico
funciona com base nos princípios da correlação, analogia e crítica
(E. Troeltsch), dentro de um círculo fechado de causas e efeitos
natu rais, em que não há espaço p ar a um a hipótese- de-Deus ou caus as
sobrenaturais. Assim, história e fé são consideradas antônimas e uma
não pode sustentar a outra. O método histórico-crítico da pesquisa do
Evangelho é severamente criticado. O. A. Piper declara: “Não há
nenhum método satisfatório pelo qual os registros dos Evangelhos
possam chegar a um acordo com as m odernas perspectivas id ealistas
ou positivistas da História.”-'59 Há muito tempo, M. Kahler escreveu
um importante ensaio, no qual se dirigia à diferença entre o “Jesus
histórico” e o “Cristo histórico” da Bíblia.360 Diz-se que “o Jesus
histórico [ historische} é a criação do método histórico-crítico — um
H olzw eg, um caminho que não conduz a parte alguma... A rejeição
da descrição bíblica de Jesus em favor de um Jesus histórico hipotético
e o esforço de estabelecer estágios entre os dois não é o resultado de
nenhum estudo indutivo e de mente aberta com relação às nossas
fontes, mas de pressuposições filosóficas a respeito da natureza da
H istó ria” .361 E m bo ra isto possa ser verd adeiro , não coloca a qu estão
para aqueles que aceitam tal pressuposiç ão como válida. C ontinua
sendo um a das ques tõe s metodol ógica s principais da erud ição bíbli ca
crítica. Remontará a fé cristã ao próprio Jesus ou será um construto
da igreja primitiva? Essa questão continuará a exercitar os teólogos
do NT ainda por algum tempo.
3. A que stão m etodo lógica inda ga se a teologia do NT exist e ou s e
o estudo histórico do NT e do seu universo não deveria se chamar,
como W. Wrede sugeriu em 1897, “História da Religião Cristã
Primitiva”. Este problema está entre nós com força total. H. Koester
e J. M. Robinson são os mais fortes partidários de um retorno à
359 O. A. Piper, “Ch rist ology and History” , Theol ogy Tod ay 19(1962), p. 333.
360 M. Kahler, The So-Called Históri ca/ Jesus an d the H ist orie B ibli cal C hrist . trad.
por O. E.
361 Ladd, Braaten
Teol (Filadélfia,
ogi a do N T, p. 1964).
168.

105
abordagem da história das religiões.362 Exatamente como a teologia
dialética no período após a Primeira Grande Guerra trouxe consigo
um renascimento da oposição entre teologia e religião, os anos 70
estão marcados por uma tentativa de um retorno da teologia à
religião. Um aspecto importante deste problema é a questão de a
teologia do NT estar limitada aos escritos canônicos. Do ponto de
vista histórico, os escritos do Novo Testamento não são mais que uma
parte da literatu
que validade ra produzida
e significado pelos
existem noscristã os prim
escritos itiv os do
canônicos e a NT.
questão é
A que stão é, po r um lado , se o NT é pro du to da Igreja, ou se a Igreja é
produto do NT, e, por outro la do, se a in clu são de docum ento s no
cânon investe particular autoridade a estes documentos da Igreja ou
se a Igreja incluía documentos particulares no cânon, por causa de
seu reconhecimento da autoridade inerente a estes documentos. Nem
mesmo o apelo de B. S. Childs por uma nova teologia bíblica dentro
do contexto do cânon cristão365 foi atendido,364 por inúmeras razões,
podendo-se
um fato que oentã o concordar
Novo Testamentofacilm
não é ente com Perrin:
uma entidade, “ C ontin ua sendo
que, enquanto
entidade, representou e ainda representa um grande papel na história
do cristianismo, e não estou preparado para decompô-la em outra
coi sa s em fund am entos m ais f ort es do que as am bigüidade s h ist óricas
do processo de formação do cânon... Uma história da religião do
cristianismo primitivo seria muito bem-vinda, mas, do ponto de vista
das comunidades cristãs, uma teologia do Novo Testamento é uma
necessidade urgente.”365 Será a teologia do NT uma disciplina
descritiva ou teológica?
metodológica central. Isto nos conduz ao problema final da questão
4. Um dos problem as meto dol ógi cos mais fun dam entais pa ra a
teologia do NT é a questão da reconstrução histórica e da interpre
tação teológica. O programa de demitização de Bultmann é parte e
parcela do processo de despir a semente de sua casca e traduzir o
querigm a pa ra o homem m oderno c om a ajud a da fil osof ia exist encia
lista. O fardo mais pesado recai, no caso de Bultmann, sobre a
interpretação existencialista. J. M. Robinson está pronto a declarar
que “naturalmente, Jesus, Paulo ou João não poderiam nunca
compreender a terminologia da demitização ou do existencialis-
m o” .’“ O m ais fiel segui dor d e Bultma nn, H. Conzelmann, expres sa
a tendência atu al e o peso d e sua p róp ria diretriz, a saber, “ a recons
trução histórica, isto é, a apresentação do universo de pensamento do

362 Ver aci ma, o n .° 356.


363 B. S. Childs, B ib lic a l T h eolo gy in C m is (Filadélfia, 1970), p. 91-148.
364 J. Barr , "B iblical T heolo gy" , lüB Su p . (Nashville, 1976), p. 1L0 e s.
365 Perri n, “ Jes us and t he Th eolog y of the N T" , p. 3.
366 Robinson, "T he Future of New Testam ent Th eology", p. 20 .

106
Novo T esta m ento confo rm e condic io nado por seu tem po” .347 A re
construção histórica está estreitamente ligada ao que K. Stendahl
ch am a de “ m étodo descritivo” ,348 com sua rigorosa diferenciação
entre “ o que que ria dizer” e “ o que qu er dize r” . Exis.tem vári as
m ane iras364' em que a ab or da ge m histó rica e descritiva de “ o que
queria dizer” — devemos sempre lembrar que isto também é uma
interpretação — se a relaciona com a abordagem teológica e interpre-
lat iva de “ o que qu er dizer” . Prim eiro, pode-se decidir que a
abordagem descritiva que procura determinar “o que queria dizer”
por in te rm édio de quais quer métodos de investigação estabelecidos é
cons iderada idêntica a “ o que quer dizer” . Segundo, pode-s e deci dir
que “o que quer dizer” contém proposições, idéias, etc., que devem
ser decodificadas e traduzidas sistematicamente e explicitadas, e que
isto é o “ que que r di zer” , mesm o que estas explic ações possam nunca
ter ocorrido aos autores o riginais e possa m ter si do rejeitada s po r el es.
Terceiro, pode-se decidir que “o que queria dizer” é uma maneira
arcaica de falar, dependente de sua própria cultura e tempo, que
precisa ser redescrilo no modo conte m porâneo de falar dos mesmas
fenômenos e que esta redescrição c “ o que q uer d izer” . “ Ist o supõe
que o teólogo tem acesso aos fenômenos independente da Bíblia e de
‘o que queria dizer’, de modo que possa verificar a descrição arcaica
a ter u m a base p ar a a sua p ró p ria .” 370 Q uar to, pode-se decidir que
“o que queria dizer” refere-se ao modo como os cristãos primitivos
usavam os textos bíblicos e que “o que quer dizer” é simplesmente o
modo como são usados pelos crentes modernos. Neste caso, há uma
relação genética. D. H. Kelsey observa: “Nenhuma destas decisões
pode ser validada pelo estu do exegético do texto, pois o que está em
questão é precisamente como o estudo exegético está relacionado
ao ato de faz er te olo gia .371 Se ist o se dá, en tão pod e-se p er gunta r
sobre que base se faz um julgam en to te oló gic o a favor de uma e con tra
a outra dela s ou outros modos de relacionar o “ o que queria dizer” ao
“o que quer di zer” .
Críticas da distinção entre “o que queria dizer" e “o que quer
dizer” , isto é, entre a re con strução e a interp reta ção ou o que é
histórico e objetivo e o que é teológico e normativo têm sido feitas por
várias pessoas. Por exemplo, B. S. Childs372 se opõe ao método
descritivo, devido à sua natureza limitada. A tarefa descritiva não
367 Conzelmann, A n O u tlin e o f N T T h eology, p. xiv.
368 Stendahl, ID B , I, p. 418-432; idem. "Method in the Study of Biblical Theology’',
The Bibl e i n M odern Sch olarship, ed. J. P. Hyatt, (Nashville, 1965). p. 196-209.
369 Eles são sucintamente enunciados por D. H. Kelsey. The Uses o f Scripture in
R ec e n t T h eology, p. 202 e s., n.° 18, mas formulados de maneira ligeiramente
diferente.
370
371 P.Ihid
203.
.

107
pode ser vista como um estágio neutro, que conduz à genuína
interpretação teológica posterior. O texto, segundo Childs, é “um tes
temunho além de si mesmo, para o propósito divino de Deus”. Tem
que haver “a mudança de nível do testemunho para a realidade em
si” .373 Sten da hl a ceita que a tare fa desc ritiva “ pode descrever o s
textos bíblicos apontando para além de si... em sua intenção e sua
função através dos tempos...374 Mas nega que a explicação desta
realidade faça parte da tarefa do teólogo bíblico. Childs, contudo,
insiste que “o que o texto ‘queria dizer’ é amplamente determinado
por sua re lação com aquele a quem se dirig e” . Ele argum enta que
“ qua ndo vi sto a pa rtir do context o do cânon, tan to a indagaçã o sob re
o que o texto queria dizer como a sobre o que quer dizer estão
inseparavelmente unidas e ambas pertencem à tarefa da interpretação
da Bíbli a co mo E sc ritu ra ” .375 A. Dulles tem opinião p are cid a qu and o
fal a do “ desc onfor to diante de um a separa ção rad ical... entre o que a
Bíbl ia queria di zer e o que que r dizer” . E nq ua nto Stendahl atribui
um valor normativo à tarefa do que a Bíblia quer dizer, Dulles
sustenta que este valor normativo deve ser atribuído também ao que a
Bíblia queria dizer. Se este for o caso, então a dicotomia estará
seriamente enfraquecida, por causa da “possibilidade de uma abor
dagem descritiva ‘objetiva’ ou descompromissada, e assim... uma das
características mais atraentes do posicionamento de Stendahl torna-
se nulo.376 R. A. F. Mackenzie, C. Spicq e R. de Vaux chegaram a
conclusões se m elh an tes .377 Com o pod e o m étod o d escriti vo não -nor-

372 "Interpretati on i n Fai th: The The olog ieal Resp onsib ilit y of an OT Co m m entary1 ’,
In te rp re ta tio n 18(1964), p. 432-449.
373 P. 437, 440 c4 44 .
374 The Bibie in M odern S cho larship, p. 203, n.° 13.
375 B ib lica l T h eolo gy in C ris is , p. 141.
37t> "R esponse to Kris ter Sten dah l's M ethod in the Study of B iblical The ology ” ,
The Bible in Modern Scholarship, p. 210 e s . Stendahl, naturalmen te, sustenta
que não há "objetividade absoluta” a ser alcançada ( I D B , I, p. 422: The Bible
in Modern Scholarship, p. 202). Ele está completamente certo ao enfatizar que a
relatividade da objetividade humana não dá uma desculpa para “nos excedermos
em preconceitos” , mas também não n os dá, insist imos, a possibili da de de f aze r
u m trabalho puramente descritivo.
377 R. A. F. Mackenzie, "The Concept of Biblical Theology”, Theology Today, 4,
(1956), p. 131-135. esp. p. 134: “A objetividade friamente científica — no sentido
racionalista — é totalmente incapaz até mesmo de perceber, muito menos de ex
plorar, os valores religiosos da Bíblia. É preciso haver primeiro o compromisso, o
reconhecimento, pela fé, da srcem e autoridade divinas do livro; o crente pode
devidamente e lucrativamente aplicar todas as técnicas mais conscienciosas das
ciências subordinadas, sem o menor risco de infringir sua devida autonomia ou
ser desleal ao ideal cien tífico” . C. Sp icq, confor m e citado por J. Harvey, "T he N ew
Diachroni c Theology of th e O T (1960 -1970)” . B T B 1 (1971). p. 18 e s.; R.
De Vaux,
dern S c h"Method
o la r s h ipin
, p.the15.17;
Study“Peut-on
of Earlyéerire
HebrewuneHistory", emde 1' AT’”?The Bibl e Bi nibM
‘theologie le oe t
Orient (Paris, 1967), p. 59-71.

108
mativo, com sua ênfase histórica limitada, levar-nos à totalidade da
realidade teológ ica con tida no t exto? Por defini ção e pressuposição, o
método histórico-descritivo limita-se de tal forma que a realidade
teológica total do texto não se mostra por inteiro. Precisar-se-á
restringir a teologia do NT a nada mais que um “primeiro capítulo”
da te ologi a hist órica? S erá que a t eol ogi a do NT pod e ter tam bém um
valor normativo, com base no reconhecimento de que o que a Bíblia
qu eria dizer é norm ativo em si? Poderá a teologi a do NT tra ça r seus
próprio s prin cíp io s de apresentação e organiz ação a p a rtir dos
documentos que compõem o NT, em vez de a partir das doutrinas
eclesiásticas ou da tradição escolástica ou da filosofia moderna?
Não seria um a das tarefas da teologia do N T (e do AT) um a luta
corporal com a n ature za dos text os bí bli cos, com o se projetassem u m a
meta para além de si mesmos, enquanto teológicos e ontológicos em
sua intenção e função através dos tempos, sem definir antecipada
mente a n atureza da reali dade bíblica?
109
3

dOoCentro
N T e a Unidade da Teologia
A. A Questão
Uma das questões de debate mais acalorado nos estudos do NT é a
indagação a respeito do centro e da unidade do N T .1 Esta questão

1 O s seguintes estudo s s ão particularm ente signif icativos: A. M. Hu nter, The Unity


o f th e N ew T e sta m e n t (Londres, 1943); idem, D ie E in h e it des N eu en T e sta m en ts
(Munique, 1952); E. Kãsemann, "Begründet der neutestamentliche Kanon die
Einheit der Kirche?'' E vT h 11 (1951/52); rcimpresso em D a s N eu e T e sta m e n t
ais K a n o n , ed. E. Kãsemann (Gõttingen, 1970), p. 124-133; B. Reicke, “Einheit-
lichkeit oder verschiedene ‘Lehrbegriffe' in der neutestamentlichen Theolo
gie” , Theologische Zeitschrift 9 (1953), p. 401-415; H. H. Rowley, The Unity of
th e B ib le (4 .a ed.; Londres, 1968) ; G. E. Ladd, “ Esch atology and the U nity of
New Testament Theology", E x p o sito ry T im es 68 (1956/57), p. 268-273;
W . K ünn eth, “ Zur Frage nach de r Mitte der Sch rift” , D a n k an P. À lth a u s, eds.
W. Kiinneth e W. Joest (Gütersloh, 1957), p. 121-140; H. Braum, "Die Pro-

3blematik
18 . einer
Trad.Theologie
ingl . "Tdes
he Neuen Testaments”,
Problem of a New T estam ZentT hTh Beinheft ,2 (set.
K eology” J o ude
rn1961),
al fo r T h eo
logy and Church 1 (1965), p. 169-185; F. Mussner, "Die Mitte des Evangeliums
in neutestamentlicher Sicht”, Catholica 15 (1961), p. 271-292; R. Schnacken-
burg, N ew T e sta m e n t T h eology T oda y (Londres, 1963), p. 22 e s.; K. Frôhlich,
“Die Mitte des Neuen Testaments; O. Cullmanns Beitrag zur Theologie Ge-
genwart” , Oikonomia. Heilgeschichte ais Thetne der Theologie Festschrift für
O. Cullmann (Hamburgo-Bergstadt, 1967), p. 203-219; K. Haacker, “Einheit
" und Vie lf al t i n de r Theologi e de s Neue n Testaments", The melios 4 (1968),
p. 27-44; A. Kümmel, “Mitte des Neuen Testaments”, L ’E van gile, H ie r e t A u -
jo u r d ’hui. M ela n g es o fferts au F.-J. L e e n h a rd t (Genebra, 1968), p. 71-85;
A. Stock, E in h eit des N euen T e sta m e n ts (Zurique, 1969); R. Smend, D ie M itte
des A lie n T e s ta m e n ts (Zurique, 1970); I. Lõnning, “Kanon im Kanon". Zum
d o g m a n tisch en G ru n d la g e n p ro b le m des n eu testa m en tlic h e n K a n o n s (Oslo/ Mu
nique, 1972); A. T. Nikolainen, “Om Planlãggningens problem i en totalframs-
tâlíning av Nya teslumentets teologi”, Svensk Exegetisk Arsbok 37/38 (1972/73),
p. 310-319; H. R iesenfel d, "R eflecíi ons on the Unity of the New Te stam ent” ,
R eligio n 3 (1973), p. 35-51; U. Luz, “Theologia crucis ais Mitte der Theologie im
Neuen Testament”, E vT h 34 (1974), p. 116-141; E. Lohse, "Die Einheit des Neuen
Testaments ais theologische Problem. Uberlegungen zur Aufgabe einer Theolo
gi e des Neuen Testam ents” , E vT h 35 (1975), p. 139-154; W. Schrage, “Die Frage
nach der Mitte und dem Kanon im Kanon des Neuen Testament iii der neueren
Diskussion", R e c h tfe rtig u n g F ests ch rift f ü r E. K ã sem a n n , eds. J. Frisdrich,
W. Pühlmann e P. St uhlmacher (T üb ingen /G ottingen , 1976) , p. 415-442 .
110
está, em muitos aspectos, no próprio âmago do debate atual sobre a
na turez a da teolo gia do NT. O problem a do centro do NT está l igado
à questão da apresentação de uma teologia do NT com base num
único ou múltiplos centros, não importando como ele é definido.
O problema da unidade do NT não pode se divorciar daquele do
centro, porque este último é habitualmente tido como a chave do
próprio
do N T ouNT.
s e o ÊNTafinal a indagação
pro duz se se icidade
u m a tal m ultipl pode encon trar
de teol ums aqueteologia
ogia não
se p ode chegar a nenh um a unidade.
Não é necessário in vestigar o desenvolvim ento desta questão nos
dois últimos séculos, durante os quais surgiram exposições bastante
diferentes da teologia bíblica.1 O problema do centro do AT, no
debate atual sobre a teologia do AT, não deixa de ter relação com os
da t eologia d o N T .3 A questão lev antad a de m odo ím pa r desde os
anos 50 é até que grau o NT é homogêneo, se é que o é.4 Devemo-nos
lembrar,
convite à entretanto,
tarefa de seque já em com
discernir, 1787base
J. P.
em Gabler havia feito
seus próprios um
critérios,
entre “os diferentes autores e as formas particulares de discurso que
cada um usou, segundo sua época e localização... Há que se escolher
cuidadosamente as concepções dos autores individuais e ordená-las
cada uma segundo sua localização... A partir da época das novas
formas de doutrina [do NT] deve-se recolher as concepções de Jesus,
Paulo, Ped ro, João e T iag o’’.5 O co njunto dessas “ concep ções” dos
diferentes autores do NT deve perscrutar por detrás delas, na mente
dos que
no escri aquele
tor es doque
NT,for
a f central
im de e poderá
nco ntrarse um a u niform
distinguir do idade
que com
tor base
perifé rico. E sta abordagem apela à “ crític a do conteúdo” (Sachkri-
tik ), que se encontra na linha de frente da questão atual. K. Haacker
observa que is to i m plica em su as pressuposi ções no m étodo prop osto
p o r G abler: (1) a possib ilid ade de discernir, por in te rm édio da razão
humana, entre o divino e o humano, o transcendental e o histórico e
relativo. A autoridade da Bíblia para interpretação foi substituída
pela razão, como verdadeira fonte da revelação, porque ela decide o
que é a revelação. (2) É oportuno indagar as “concepções” dos
autores individuais, que levam a uma síntese eclética, sem nenhuma

2 Ver, acim a, o Ca pítul o 1 e part icular m ente Sm end, D ie M itte d es A T , p. 7, 27-46.


3 G. F. Hasel, “The Problem of the Center in the OT Theology Debate", Z A W 86
(1974), p. 65-82; idem, O T The ol ogy . p. 77-103.
4 P. Grech, “Contemporary Methodologicai Problems in New Testament Theo
logy” , B T B 2 ( 19 72), p. 264 e s.
5 J. P. Gabler, “Oratio de iusto discrimine theologiae biblicae et dogmaticae",
Gableri Opuscula Acadêm ica II (Ulm, 1831), p. 187. Trad. alemã em O. Merk,
B ib lisch e T h eo lo g ie d es N eu en T e sta m e n ts in ih re r A n fa n g sz e it (Marburgo, 1972),
p. 285 e s.

111
autorida de dog m ática.6 O resultado dist o e das pres suposi ções as
sociadas parece estar entre as causas da ênfase contemporânea sobre
a diversidade e a disparidade do NT. E. Lohse colocou esta questão
nos seguintes termos: “A exegese histórico-crítica dos escritos do NT
nos força a concluir que eles... não revelam uma doutrina unificada,
mas oferece m diferentes expos içõ es teológicas.” 7 E. K ãsem ann tem
enfat izado constantem ente que o NT cont ém “ um a m ult ipl ici dade de
concei tos divergentes” ,8 e que no NT, “ de modo gera l, não há
coerência interna. Os conflitos generalizados resultam, às vezes, em
con tradiçõ es” ,9 a sabe r, “ contradições teol ógica s irreconciliávei s” .10
A. Stock nos lembra que a ênfase sobre as contradições e a diversi
dade no NT é o resu ltado das tendê ncias do critici smo h istó ric o.11
‘‘O problema [das divergências] torna-se particularmente agudo
através da resistência da Bíblia a esta crítica, com base em sua
própria re ivin dicação de autoridade. E sta autoridade im plica um a
unidad e, não im po rta como ela sej a en ten did a.” 12 Vários erudit os
têm afirmado que há unidade na diversidade, mas tal unidade é
concebida ao longo de diferentes linhas e adquirida com abordagens
contraditórias.
É imp erati vo fazer um a distinção du pla a respei to do centro do NT.
(1) o problema do centro e da unidade do NT em si, isto é, a questão
a respeito da existência de algo que apareça como um sustentáculo,
podendo-se, com base nele, descobrir a unidade apesar de to da
diversidade, e (2) a questão do centro como princípio organizador da
teologia do NT, por um lado, e como critério para a “crítica do
conteúdo”, que afirma, de qualquer forma, um “cânon dentro do
câno n” . A segunda impli ca num a antí tese, tal co mo “ autorid ade /de-
sintegração” , ‘‘totalida de /sele çã o” e “ objetividad e/sub jetividade” .13
Será neces sár io haver um centr o pa ra a apres entação do NT? Esta
pergunta não é facilm ente respondida. J. B arr fala de um a “ p lu rali
dade de ‘ce ntr os ’” , qu e fazem os arr an jos mais diferen tes pos síveis.1 4

6 H aacker, "E inheit and Vielfalt in der T heo logie des N T ", p. 30 e s.
7 Lohse, "D ie Einhe it des N T t heologisehes Pro blem ” , p. 148.
8 E. Kãsemann, E x eg e tisc h e V ersuche u n d B esin n u n gen I I , (Gõttingen, 1964)
p. 27 e 205.
9 E. Kãsemann, "The Problem of a New Testament Theology”, N T S 19 (1973),
p. 242; idem, E xeg etisch e V ersuche u n d B esin n un gen I (2.a ed.; Gõttingen,
1960), p. 218: a multiplicidade “é tão ampla no NT, que não temos apenas con
flitos significativos, mas temos que reconhecer as contradições teológicas irrecon-
ciliáveis”.
10 Kãsemann, E x eg etisch e V ersuche u n d B esin n u n gen I, p. 218.
11 Stock, E in h e it d e s N T , p. 9 e s.
12 P. 10.
13 Lõnning, "Kanon im Kanon ”, p. 214-272.
14 J. Bar r, “T rends and Prosp ects i n B iblical T he olog y” , Jou rn al o f T h eo lo gica l
Studies 25 (1974), p. 272.

112
Para a organização e estrutura de uma teologia do NT, nenhum dos
centros tem que “necessariamente reivindicar direitos exclusivos
contra qualquer outra possibilidade... Para mim, a teologia bíblica,
pelo menos em alg uns níveis, p articipa da natureza de um a arte, em
vez da natu re za de um a c iênc ia” .15 Isto é um recon hecim ento im plí
cito de que o problema da "objetividade/subjetividade” pende para o
lado da subjetividade, tanto na seleção de um centro determinado
entre vários possíveis como no fato de que a disciplina da teologia do
NT é conhecid a como um a “ a rte ” . Fin alm ente , a questã o a respeito
do centro mais adequado ao NT permanece, bem como a questão a
respeito da necessidade de um centro para a apresentação de uma
teologia do NT.

B. A Bu sca do Centr o do NT

1. Antr opologia. R. Bultmann e seu aluno H. Braun optaram


ambos pe la antropo logia como o cen tro do N T .16 A recon strução
crítica de B ultm an n do NT ser ve à inter pre taç ão e xis ten cia l.17 Ele é
guiado pela “pressuposição de que eles [os escritos do NT] têm algo
a dize r ao pres ente” .18 Co nseqüentem ente, a tarefa de um a ap resen 
tação da teologia do NT significa, para Bultmann, “tornar claro esta
autocompreensão crente em sua referência ao querigma... Este
esclarecimento ocorre diretamente na análise da teologia de Paulo e
de João ” .19 B ultm an n afirm a: “ T od a declaração a respeit o de Deus é,
simultaneamente, uma declaração a respeito do homem e vice-versa.
Por esta razão e neste sentido, a teologia de Paulo é, ao mesmo
tempo, uma antropologia... Logo, a teologia de Paulo pode ser
melhor entendida como a sua doutrina do homem.”20 O mesmo
acontece com a teologia de João, também tratada antropologica-
mente.
Será o cen tro antropológico das t eol ogia s de Pau lo e João a deq ua do
à estruturação de uma teologia do NT? Bultmann acha que sim. Mas
devemos nos lembrar que ele recorreu à “crítica do conteúdo”,
conform e recom end ado por M. B a rth ,21 ao chega r às ex pre ssõ es

15 íbid.
16 Ver, acima , o C apítu lo 2, p. 82-94.
17 R. Bultmann, Theology of the New Testament (Londres, 1965), II, p. 251:
"A reconstrução está a serviço da interpretação dos escritos do Novo Testa
mento...”
18 íbid.
19 íbid.
20 Bultmann, Theo lo gy o f th e N T , I, p. 191.
21 M. Barth, "Die Methode von Bultmann’s Theologie des Neuen Testaments",
Theologi sche Z eitschrift 11 (1955), p. 15.

113
paulinas como o E spírito Santo , a ressurreiç ão, o segundo A dão, o
pecado orig in al e o conhecim ento . E ste s não se enquadravam no
centro antropológico. O centro escolhido por Bultmann impossibili
tou o tra tam en to de Rom anos 9-11.2 2 E. Lohse observa que o centro
da antropologia querigmática forçou Bultmann a colocar em segun
do plano alguns escritos do NT, tais como os Sinópticos, Atos, as
Ep ístolas Católi cas e o A poc alipse.2 3 E sta rá a an trop olog ia qu erigm á
tica, enq uan to centro do NT, m ostrando-se m uito restrit iva e estrei ta?
Não será um a categoria determ inada pela in terpretação existencial,
um veículo predeterminado, que leva, a seu modo, ao “cânon dentro
do câ n on ’’?
H. Braun, um dos discípulos de Bultmann, dirigiu-se várias vezes
à questão da unidade do NT. A exegese histórico-crítica divide o NT
em sua multiplicidade de aspectos e camadas, de modo que “o Novo
Testamento... não tem, em suas partes mais centrais, uma unidade
de expressão (Aussage-Einheit) com referência aos artigos da fé”.24
Ele discute conceitos como a lei, escatologia, igreja e ofício, cristolo
gia, soteriologia e sacramentos,25 e conclui que são doutrinas dís
pares” .26 Ele re sume:
O Novo Testamento abriga dentro de si idéias díspares; esclare
cemo-las para nós mesmos em termos de cristologia, soteriologia,
atitudes para com a Tora, escatologia e doutrina dos sacramentos.
Estas diversidades referem-se, por sua vez, a um problema ainda
mais profundo dentro dos enunciados do Novo Testamento: Deus
como d ado e palpáve l e Deus como não palpáve l e da do .27
Parece que Braun é o erudito que levou a extremos de disparidade
total a diversidade do NT. Não obstante, ele mesmo indaga se estas
doutrinas díspares e camadas diversas negam um “centro interno, do
qual se pode colher as partes essenciais, se não o todo [do NT]”.18
Braun responde afirmativamente: “A unidade encontra-se nos três
grandes blocos da proclamação de Jesus, Paulo e o Quarto Evange
lho... no modo como o homem é visto em sua posição diante de

D eu s.” 29 A “ co ntrad ição m ú tu a” 30 dos autores do NT é, segu ndo


22 H.-J. Kraus, D ie B iblis ch e T h eolo gie (Neukirchen-Vluyn, 1970). p. 191.
23 Lohse, "D ie Einheit d es NT ais theologisches Problem ", p. 15 0.
24 H. Braun, “Hebl die neutestamentlich-exegelische Forschung dcn Kanon auf?”
G esamm el te St udi en zum Neuen T est am ent und s ei ner U mw eh (Tübim>en. 1%21,
p. 314.
25 P. 314-319.
26 P. 320.
27 Braun, “ The Problem of a NT Th eology” , p. 18 2.
28 Braun, Gesumm el le Stud ien . p. 320.
2 9 Ib id .
30 Braun, “Th e Proble m of a NT Th eology” , p. 169 .

114
Brau n, sup erad a por me io da antropologi a teol ógic a. “ A antropologi a
é. .. a co nsta nte; a cristologia é a var iáv el."31 “ Só posso fa lar de Deu s
onde fal o do homem , e, po rtanto , antropologicam ente. Pos so falar de
Deu s qua nd o o meu ‘eu devo’ po de ser con tra dito pelo ‘eu p osso’, e,
portanto, sote rio lo gic am ente ... Deus seria entã o um tipo definido de
rel acionamento co m um com panheiro ( M itm enschlichkeit )” ,3Z
O “centro interno" do NT, segundo Braun, é a antropologia
teológica. O próprio Braun reconhece que este “centro interno” não
pode conte r todos os escritos ou blocos de escritos do NT. Logo, ele
afirm a o princípio do “ câno n d entro do cân on” .33 A. Stock assinala
que “a unidade do NT entra em círculo para Braun tanto quanto a
m ensa gem do ‘eu posso' e ‘ você deve’ pode ser ou vida por ele nu m a
form a pu ra ” .34 Ele observa que t am bém aqu i a subjetividade é a
cha ve no centro de B raun da antropologia teo lóg ica.
R. B ultm ann afir m ava que sua intenção havia sido mai s consi sten-
temente levada a cabo por Braun, cujo conceito de unidade com a
constante da autoeompreensão do crente é explicitamente aceito por
ele.35 C on traria m en te à aceit ação de B ultm ann , vários pós-b ultm an-
nianos se opuseram. E. Kãsemann fala do “centro interno” da teolo
gia antropológica de Braun como um “tipo de misticismo [que] signi
fica falência, e [que] dever-se-ia levantar um protesto em nome da
honestidade intelectual, quando o humanismo se encontra nesta
m oda as sum ida pe lo cristian ism o” .36 E. Lohse acusa B raun de
“ reducionismo ra dic al” .37 Ao passo que a teol ogia do NT de B ult
mann “apresenta a antropologia”, por intermédio de Braun a teolo
gia se “dissolve em antropologia”.38 Lohse assinala que, se ao NT
falta uma cristologia unificada, então deve-se observar que falta-lhe
tam bém um a antro polo gia un ifica da .39 G. E beling s e opõe a o pr inc í
pio de unidade de B raun porque falta-lh e até algo de cristã o. Na
verdade, a antropologia teológica de Braun é a tentativa de definir a
natureza do cristianismo sem falar de Deus e de Jesus Cristo. Ebeling
se opõe, dizen do q ue Deus n ão é “u m a cifra ininteligível” 40 e qu e a

31 Braun, Gesam m el te Stud ien. p. 272.


32 Braun, “T he Problem of a NT The olog y", p. 183.
33 Braun, Gesamm el te S tudien , p. 227 e 229 232.
34 Stock, E in h eit d e s N T , p. 32.
35 R. B ultma nn, “T he Prim iti ve Christi an K erygma and the Historical Jesus” ,
The H ist orical Jesus and The K erygm atic C hrist, eds. C. E. Braaten e R. A. Har-
risville (Nashville, 1964), p. 35 e s.
36 Kãsem ann, “ Th e Problem of a NT Theology", p. 241.
37 E. Lohse, G rundriss der neutest am entl ichen Theolo gie (Stuttgart, 1974), p. 13.
38 Lohse, “Die Einheit des NT ais theologischen Problem”, p. 152; idem; Grundriss
d e r n tl. T h e o lo g ie , p. 13.
39 Lohse, Gru ndriss der ntl . Theologie, p. 13 e s. e 163.
40 G. Ebeling, Theol ogy an d Proclam ati vn (Filadélfia, 1966), p. 76.

115
“cristologia é , na verdade, variável no modo em que se expressa (no
seu Como), mas não no fato de que se expressa (no seu Que). Não há
escolha — e isto por causa do auto-entendimento da fé — entre... o
qu erig m a cris tológico e o não -cristológico ” .41 “ A co nsta nte do auto-
entendimento da fé", afirma Ebeling, não é a antropologia, mas que
“que a fé é fé em Jesus Cristo, isto é, a fé que é endereçada ao
querigma cristológico, e que aceita esse querigma em sua própria
co nfiss ão” .42 E stas con tribuiç õe s críticas à ques tão do centro do NT,
conforme sustentadas por Braun e que têm o apoio de Bultmann,
revelam as questões fundamentais. Tanto a “antropologia querigmá-
tica” (Bultmann) como a “antropologia teológica” (Braun) deixam a
desejar qua nd o a qu estão é o centro do NT.
2. História da salvação. Nossa discussão da abordagem histórico
salvífica conforme representada por O. Cullmann, G. E. Ladd e
L. Goppelt mostrou que, sob o mesmo nome, uma variedade de
exposições de dife ren tes raízes e objetivos teológicos p od e s urg ir. 43
O erudito que mais se empenhou na pesquisa da história da salvação
(Heilsgeschichte) neste século foi O. C ullm ann . Ele se opõ e veem ente
mente àqueles que sentem uma “alegria sádica ao enfatizar a dispari
dade e se enfurecem c on tra aquel es que ten tam de m on strar um elo de
ligação em um dado assunto”.44 Parece que F. C. Grant segue
Cullmann, em sua tentativa de elucidar a história da salvação, e
declara que a “história do NT é a ‘história da salvação’ (Heils-
geschichte )" ,45 G ra n t tam bém se opõe ao atua l “p erigo ... de superes
timarmos a diversidade, ignorando a unidade”.46 “Há uma unidade
real na exposição da religião cristã, feita no Novo Testamento, com
toda sua diversidade, em sua visão de Deus, de sua revelação, da
sal vação, da fina lidad e e do po de r abso luto de C risto .” 47 E nq ua nto
G ran t identif ica unida de na divers idade e afirm a a história sal vífica.
diverge de Cullm an n, como outros ta m b ém ,48 em abster-se de
em pregar a hist ória da salva ção como o centro unificado r do NT.
Em seu livro Christ and Time , Cullmann traçou seu entendimento
de Cristo como o centro do t emp o, c onform e descrito po r Jesus, Paulo

41 P .48.
42 Ibid .
43 Ver, acim a, o C apítulo 2, p. 57.
44 O. Cu llman n, Chris to logi e des N eues Testam ents, p. 67.
45 F. C. G rant, A n In tro d u ctio n to N ew T e sta m e n t T h ou gh t (Nashville, 1950), p. 41.
46 P. 42.
47 P. 29 .
48 G. E. Ladd, A Theology of fhe New Testament (Grand Rapids, Mich., 1974).
Trad. port. Teologia do Novo Testamento (Rio de Janeiro, JUERP, 1985);
L. Goppelt, Theologie des Neuen Testaments, 2 vols. (Gõttingen, 1975/76);
A. M. Hunter, In tro d u e in g N ew T e sta m e n t T h eology (2 .a- ed.; L on dr es,-1963).

116
e Jo ão .4* P ara C ullm ann , Crist o é o centro do tem po , m as não do NT.
Já no s anos 50, C ullman n confe ssa q ue, “ pa rtindo de di ferent es ân gu 
los, sempre chego novamente às mesmas conclusões, a saber, que o
verdadeiro centro da fé cristã e do pensamento cristão primitivo é a
história da redenção [salvífica] (Heilsgeschichte)" ,50O que isto quer
dizer está explícito em seu ‘‘Christology of the New Testament ”
(2.a ed., 1967), em que ele sugere que o NT não está interessado nas
questões da natureza e do ser, mas apenas na “cristologia funcio
n a r ’.51 A magnum opus de Cullmann, intitulada “Salvation in
H istory" (1967 ), te n ta “ livrar dos abusos o term o ‘salvação’ ” .52
Procura demonstrar a evidência de que os principais modelos do NT
da história da salvação estão em Jesus, no cristianismo primitivo, em
Paulo e no Q ua rto E va ng elho .53 Isto qu er dizer que a “ perspe ctiva
históri co-salvífica” se aplica a “ todas as áreas da fé, do pen sam ento e
da ati vidade cristã prim iti va” .54
Deve-se observar que a “história da salvação” é, no pensamento de
Cullmann, a base de que depende o cânon da Bíblia, tanto do AT
como do N T .55 “ Parece que é impos sível ju stif ic ar o cân on fora da
história da salvação e não é acidentalmente que sua justificativa seja
ine vit avel mente questionada , qu and o q uer que a história da sal vaç ão
sej a re jeita d a." 56 A “ mais pr ofu nd a essência da Bíbli a em si” é a
“história da salvação”, de modo que “tanto a idéia de um cânon
como o mo do de sua reali zação serão um a parte crucial da história da
salvação da Bíblia ” .57
Cullmann fala do problema “do cânon dentro do cânon”, isto é, o
problem a de um a norm a ou critério dentro da Bíblia, com o qual se
possa fazer um a seleção de m ate ria l. Sua oposição ao proble m a
luterano do “cânon dentro do cânon” é explícita. “Qualquer seleção
de um critério está de stina da a ser subjetiva e arb itrá ria . Se levarmos
a sério a idéia de um cânon que compreende ambos os testamentos,
então temos que dizer que só pode ser a história da salvação que
constitui a unidade da Bíblia... pois ela pode conter todos estes
livros” .58
Deve mos da r a Cu llman n o crédito por haver lev ado a sér io o cânon
total da Bíblia. Ele se recusa, pelo menos a priori, a ceder à tentação

49 O. Cullmann, Christ and Time (3.a ed.; Londres, Í962),p. xx.


50 O. Cullmann, The Early Church (Filadélfia, 1956), p. xxi.
51 O. Cu ll m ann, Christology ofthe AT (Fila dé l[ia, 1959) , p. 326 e s.
52 Cullmann, Christ an d Tim e, p. xxiv.
53 O. Cullmann, Sa lvation i n History (New York, 1967), p. 186-291.
54 P. 15.
55 P. 55.
56 P. 294.
5 7 P.íbid.
58 298. (o grifo é dele) .

117
de um princípio seletivo. Procura evitar “um cânon dentro do cânon”
como concentração sobre uma determinada parte do todo, por meio
da q ual o todo será julgado . O intere sse de C ullm ann não só po r todo
o NT, mas também por toda a Bíblia, se equipara ao dos melhores
entre o s erudi tos do NT da E urop a C ontinental .
De vários lugares nos chegam as reações ao “centro” ou “essência”
da Bíblia dasegundo
“história Cullmann.
salvação” C. F. Evans
no pensamento acha que “éa que
de Cullmann falhaelada
pressupõe uma espécie de canal do evento sagrado ou ação divina
fluindo dentro das fronteiras da história do mundo, com as definições
e demarcações duvidosas conseqüentes, que vão determinando onde
est e canal de ve ser enco ntra do ” .59 A prim eira re ação de C ullm an n ao
conceito da Heilsgeschic hte de Cullmann foi que “ele transforma a
teologia do Novo Testamento numa filosofia cristã da História”.60
Também se pode dizer isto a respeito de New Testam ent Theology,
de E.ria
histó Stauffer,
da salvqueaçãtoma
o.61 como princípio
O utr os er ud itodes62
organização
ap oia ra mo atema da ção de
ac usa
Bultmann de que Cullmann transformou a “história da salvação”
nu m a “fil oso fia cristã da História” . A isto B ultm ann acrescentou que
nem Jesus nem Paulo nem João pensavam num processo de salvação
em andam ento, mas que Crist o era, p ar a o últ imo, o fim dos tempos,
e não o seu centro.63 Nisto, Bultmann foi apoiado por E. Fuchs e
W. K rec k,74 que vêe m C rist o como o f im d a H istória. Cu llman n
respondeu que a “história da salvação” não é uma filosofia cristã da
História, imde po
inadvertido E. sta de foraquanto
Kãsemann p a raà questão
cima do N T .65não
de Cristo Elesertem
o fimo apoio
da História na teol ogia d e Paul o: “ Pau lo não pod e e não quer fa lar de
um fim da História que já aconteceu, mas menciona que o tempo do
fim est á pr óx im o.” 66 De ste modo, a tese básica de Cullm ann de q ue a
“história da salvação” é o princípio da unidade do NT, e até mesmo
da Bíbl ia, parece con tinua r intato.

59 C. F. E va ns, As “Ho /y Scr ipture " Christi an ? (Londres, 1971), p. 59.


60 R. Bultmann, “History of Salvation and History", E x isten ce u n d F aith (Cleve-
land/New York, 1960), p. 233; idem, ‘‘Heilsgeschichte und Geschichte. Zu O.
Cullmann, Chri sl us un d die Z e it" , PT N T, p. 301.
61 Ver acim a, o Ca pítulo 1, p, 41.
62 Por exe m plo, K. G. Steck. D ie Id e e d e r H eils gesch ic h te: H o fm a n n -S ch la tte r-
Cullmann (Zurique, 1959),
63 Bu ltma nn, “ History of Salvation and H istory’' , p . 237; P T N T , p. 306.
d4 E. Fuch s, “Christus d as End e der G esch ich te” . Z u r Frage nach d em histo ri.schen
Jesu s (Tübingen, 1960), p. 79 e ss.; W. Kreck, D ie Z u k u n ft des G e k o m m e n e n
(1961).
65 Cullmann, Chrisi and Time. p. xviii-x.xi; idem, Salvation in History, p. 44-47, 56
e s. e 62 e s.
66 E. Kãsemann, “On the Topic of Primitive Christian Apocalyptic", Jo u rn a l f(>r
Theol ogy a nd Churc h 6 (1969), p. 129.

118
Foi o aluno de Bultmann, H. Conzelmann, que produziu seu
estudo crítico do Evangelho de Lucas, sob o título de Die M itte der
Z eit (O Centro do T em po ),67 que tom ou em pre stad o de Cullm ann.
Ele tentou mostrar que Lucas é o teólogo da história da salvação.
Conzelmann sustentava o que Bultmann afirmara anteriormente, a
saber, que “é um exagero flagrante dizer que o Novo Testamento
pressupõe um a concepção unific ada da histó ria da salvação” .68
Segundo Cullmann, Conzelmann “queria esclarecer que toda a
construção não é a perspectiva do Novo Testamento, mas a de Lucas
— ou m elh or, é um a disto rção de Lucas. Com sua his tó ria da
salvação, Lucas abandonou a essência da escatologia de Jesus... fê-lo
com seu esq ue m a de ‘perío dos ’ da história d a sa lva çã o...” 69 A pesq ui
sa da teol ogia de Luc as continua . A tualmente o con traste entre L ucas
e Jesus e entre Lucas e Paulo não é mais visto conforme retratado por
Conzelmann. As avaliações recentes indicaram que Lucas não “deses-
catologizou a tradição sem restrições”70 e que a história da salvação
de Lucas “ con tém de ntro de si a esp era nça de um fim im inen te” .71
Enquanto Conzelmann enfatiza que a história da salvação é o
esquema básico de Lucas-Atos, outros acentuam para Lucas-Atos ou
a sal vação (I. H. M arsha ll) ou a eclesi ologi a (J. Jervell) ou a or todox ia
(C. H. T al b er t).72 Neste caso, o ata qu e à tes e de Cu llm ann não foi t ão
bem-sucedid o como B ultm ann pensara a prin cíp io . H.-J. K raus
defende a visão cullmanniana da H eilsgeschichte contra as questões
levan tadas por K. G . S teck .73
Também já se observou que Cullmann é um dos raros eruditos do
Continente [Os ingleses, por habitarem numa ilha, fazem alusão
ao restante da Europa como sendo o “Continente”. N do T . ]
67 II. Conzelmann. D ie M in e d e r Z e it (Tübingen, 1953). Trad. ingl. The Theology of
St. Luke (Londres, 1961).
68 B ultm ann , "Hist ory of Salvati on and History", p. 23 5; P T N T , p. 303.
69 Cullmann, Salvation in History. p. 46. Conzelmann (An O utline o f the Theology
o f t h e N T . p. 149-152) tem afirmado, ultimamente, que a teologia dc Lucas não é
uma partida para o cris tianismo primiti vo.
70 A . J. Hultgren, “ Inlerpreting t he Go spel of Luke", In te rp reta tio n 30 (1976),
p. 364; cf. S. Brown. A p a sta sy a n d P ersevera n ce in th e T h eolo gy o f L u k e (Roma,
1969); I. H. Marshall, L u ke: H is to ria n a n d TheologUin (Londres. 1970); J. Jervell,
L u k e a n d th e P e op le a f G o d (M inne ap olis. 19 72) ; C. H. T albert, L iterary P a tte n is.
rheíilo tf ic ul T h em es un d th e G enre o f L u k e -A c ts (M issoula, 197 4) ; E. Fran klin.
Christ the Lord: A Study in the Purpose and Theology of f.tike-Aets (Londres,
1975 ); S . G. W ilson, The Gentiles and the Gentile Mission in Luke-Acti (Cam-
bridgc, 1973); H, Fiender. St . Luke, Theol ogi an o f H edem prir e History (Londres.
1967); W. G. Kümmel, "Current Theological Accusations against Luke", A ndo-
ver Newum Qitunerly 16 (19 75 ), p. 131-145; C. H. Ta lber t, "Sh ifting Sands;
The Reeent Study of the Gospel of Luke", interpretation 30 (1975), p. 381-395.
71 Talbert . '‘ Sh ifting Sa n ds ” , p. 387.
72 Ver , acima, n° 70.
73 Kraus, D ie b ib lisch e T h eologie. p. 352-35S.

119
que tentou encontrar um tema unificador de toda a Bíblia, de ambos
os Testamentos. Ele demonstrou que a história da salvação, fora a
questão de como é concebida, é um conceito bíblico importante.
A questão con tudo perm anece sendo se e ste é de fato o tema unifican-
te. Cullmann ainda precisa provar que todos os documentos do AT
testi ficam e tem como tem a bási co a história da salvação. O mesmo se
apli ca aos docum entos do NT. Ainda que a pró pr ia história da sal va

éção
umesteja sujeita
conceito a uma
bási variedade
co na B íblia,7de4 definições, deve-se
sem trans form á-loadmitir que unifi
no centro
cado r e em pregand o-o como o princípi o o rgan izador de um a teologi a
do NT.
3. Pacto, Amor e Outras Propostas. O conceito de pacto (ou
prom essa divina) da Bíblia veio p a ra a linha de frente dos estu dos
bíblicos nos últim os ano s.75 Um dos gigantes da teolo gia do AT
empregava o conceito de pacto como princípio sistemático da organi
zação do AT. W, Eichrodt optou por um tratamento de interseção
sistemá tica do AT com base no conceit o do p a c to .76 Vários erud itos
têm suger ido que o pac to pode tam bém ser vir de princípio un ifi cador
p ara o NT. O. Loretz 77 estava a favor e F. C. Fensham esboçou um a
teol ogia ba se ad a no pa cto em um ensaio p ro gr am átic o.78 O fato é que
nem todas as partes do NT estão diretamente ou mesmo indiretamen
te relacionadas ao pacto. Logo, o conceito de pacto pode, na melhor
das hipóteses, leva r a uni m étodo de inter seç ão 79 da teologia do NT,
pois não é sufic ie nte m ente am plo p a ra conte r em si toda a riqueza e

varie dadaos
justiça e dote stem
pen sa m en to(bíblicos
unhos do N T .80
e) Pa
do rec
N Te pque é teimposs
o r in ível"
rm édio defazer
um a
abordagem linear, seja por meio de temas como conceitos, ou temas

74 E. Kãsemann, P e rsp e c tiv e s on Pau! (Filad élfia, 1971), p. 63; "Eu até diria que é
impossível entender a Bíblia em geral ou Paulo em particular sem a perspectiva da
hist ória da sa lva ção .” Este juízo nã o lev a K ãsem ann a transform á-lo num centro
unificador, que ele vê na m ensage m de Paulo da justificação .

75 Ver espec ialm


Opinitms ente D. J1972);
íRichmond, . McCarthy,
E. Kutsch,O ld T estament Coveund
Verheissung nuntGesetz
: A Survey(Berlim/New
o f Curr ent
York, 1973).
7h W. Eichrodt, Theol ogy nf the O ld T estam ent , 2 vols. (Filadélfia, 1965-67).
77 ü . I.orcl/. D ie W uhrheit d e r B ib e l (Freiburg, 1964) .
7S C. Fens ham , "C ovenant, Promisc and E xpe ctation in the B ible” , Theologische
Z eits ch rift 23 (1967), p. 305-322. O tema da promessa divina do NT tem sido
lambúm acen tuad o por D . R. H il lers , Covenu nt: The Hist ory ' o f a B iblica l Idea
(Halümove, 19t>9), p. 178-18&.
79 Ver Hasel. <)T Theol ogy: Basic Jss ues t n the C urrent D eb ate , p. 43-46.
80 iam bé m W. W;irn ae' i. A y.i pe . D ie L ieb e ais G ru n d tn o tif d e r n e u te sta m e n tlich en
Ih co lo g ie (Düsseldorf. 1951); C. Spicq. •‘Nouvelles réílcxions sur la théologie bi
blique". R evu e des S cien ces P h ilosttp h iqu es e t th eologitj u es 42 (1958). p. 212 e s.

120
como a auto rid ad e de D eus, 81 o reino de D eu s,82 o dom ínio de De us e
a com unh ão en tre Deus e o H om em ,8J ou pr om es sa .84 Podem os nos
arriscar a acrescentar que até um conceito central como a ressurrei
ção85 não fa rá justiç a à riqueza do pen sam ento do NT p a ra se escre ver
uma teologia do NT. Ao tocarmos no tema da ressurreição no NT, já
estamos no domínio da cristologia, a que devemos dar atenção agora.
4. Cristologia. Sob o título de “Cristologia” podemos discutir uma
variedade de propostas a respeito do centro do NT, que são, de um
modo ou de outro, relativas a Jesus Cristo. A sugestão de B. Reicke
nos conduz ao começo dos anos 50 e pode ser um ponto de partida
adeq uad o p ara as propo stas de um centro cr istológ ico. Ele suge re que
“no evento de Cristo... [existe] a unidade material do Novo Testa
m en to” .86 To do s os escritos do NT se referem ao mesm o Jesus C risto e
indicam o mesm o event o ligado a el e, mesm o que se possa re conhec er
que "n os Sinópticos, João e Paulo e em p ar te entre os outros escri tore s
dos livros do NT Jesus é apresentado em aspectos cristológicos diver
gen tes” .87 F. C. G ra nt expressa sua opinião d e m odo sem elhante, ao
afirm ar que o NT “ é gen uina m ente cristocên trico” .88 P. R obertson
vê no “tema cristológico” o fator que pode “unificar toda a teologia
do N T ... ” 89 M uitos eruditos prote stan tes e cat óli cos reconhecem em

81 II. Seebass, “Der Beitrag des AT zum Entwurf einer biblischen Theologie",
Wort und Diensí 8 (196 5), p. 2 0-49, esp. p. 30 e ss.
82 G. Klein, ‘"Rcieb Gottes' ais biblischer Zentralbegriff” E vT h 30 (1970) p. 642-
670, sugere esi e com o o cenlro de ambos os Testam entos.

83 G. Fohrer,
gisch “Der
e Z e itsc Mittelpunkt
h rift 24 (1968),einer Theologie
p. 161 des Alten que
e ss.. argumenta Testamcnts”.
o seu conceito dual faz Theolo
ju stiç a a a m b o s, o A T c o N T .
84 W. C. Kaiser, "The Centre of Old Teslament Theology: The Promise", 1'heme-
lios 10 (197 4). p. 1-10, considera a "prom essa" " um a chavc univers al para as
Escrituras. suficiente para encerrar a grande variedade <le livros, temas e concei
tos bíbli cos" (p . 9).
85 W. Künneth, Ostergedanken (Lahr, 1963), p. 18; idem, "Zur Frage nach der
M itte d er Sch rift” , p. 130, sugere que o centro e a un idad e do NT (e do A T ta m
bém) é a ressurreição de Jesus Cristo. Para uma exposição do centro de Künneth,
da ressurreição, ver M. Kwiran, The Resurrecti on n f lhe Dead . Exegesi s o f I Cor .
15 in German P rotestam Theol ogy from F. C. Baur t o W. K ünn eth (Basiléia.
1972), p. 335-357. Entre outros eruditos que têm a ressurreição como o cenlro do
NT estão R. Baumann, M itte u n d N o rm des C hritl ic h en. E m e A u sle g u n g von
I K o r. 1, 1-3,4 (Münster, 1968). J. Guillet. “Die Mitte der Botschaft; Jesus To
und Auferstehung", In tern a ti o n a le kath oU sche Z e itsc h rift 2 (1973), p. 225-230;
e F. Courth , “ D er hist orisc he Jesus ai s A uslegun gsnon n des G lauben s?” M u nch e-
n e r th eo lo g isch e Z e itsc h rift 25(1974), p. 301-316. esp. p. 306es.
86 R eicke, “ E lnheitlichk eit oder ve rschiedene ‘ Lehrb egriffe’ in der ntl. T he olog ie” ?
p. 405.
87 P. 406.
88 Grant, In tro d u c tio n to N T T h o u g h t, p. 56.
89 P. Robertson, “The Outlook for Biblical Theology". Toward a Theology of the
F u tu re , eds. D. P. Wells e C. H. Pinnock (Carol Stream, III., 1971). p, 65-91,
esp. p. 80.

121
Jesus Cristo o centro do NT.90 A. L. Moore é grande adepto da
história da salvação enquanto concepção básica do NT, mas acentua
que “a partir do centro, Jesus Cristo, a linha da história da salvação
corre para trás, passando pelo pacto à criação e mais além, e para a
frente, pa ssan do da Ig reja e sua m issão à paro us ia e mais a lé m ''.91
Sem negar a concepção histórico-salvífica do NT, “a unidade cristo-
lógica” é a chave do N T .92 Pode-se d izer qu e G. E. Lad d es tá tão
com prom eti do com a históri a da sal vação qua nto C ullmann , mas, em
oposição a este, Ladd se recusa, contra sua antiga opinião, a deixar
que a est ru tu ra histórico-salvífica ou esca tológ ica93 for ne ça a síntese
p ara a organiz ação da teologia do NT. Ele acredita que a teologia do
NT, escrita do ponto de vista de um únic o prin cíp io organizador, só
pode ser feita assim com base num a “ grande p e rd a ” . “ H á grande
riqueza na variedade encontradiça na teologia do Novo Testamento,
que não deve ser sacrificada.’’94
W. Schrage não se opõe à centralização do NT em Jesus Cristo.
Pelo contrário, ele argumenta que aqueles que pararam, ao dizer que
Jesu s Cris to é o cen tro do NT, p ar ar am m uito ced o.95 Perspectiva
semelhante é a de M. Hengel, que afirma um “centro cristológico”,
mas suger e que há u m a variedade dc fórm ulas, tai s como “ ‘sol us
Christus', ‘sola gratia’ e ‘iustificatio impii’, por intermédio das quais
pode-se descrevê-lo” .96 Pelo menos duas desta s fórm ula s tê m tido
fortes adeptos. Antes que nos voltemos para este assunto, parece
aconselhável citar as várias outras sugestões em que o centro cristo
lógico é mais am pla m en te definido.
H. Riesenfeld, da Universidade de Uppsala, levanta a questão
sobre como poderia ter acontecido que os “elementos díspares da fé
[no NT], cujo único denom inado r comum era que, de a lgum modo, se
refer iam a um hom em cha m ado Jes us, que supu nha-s e haver ressus ci

90 Por exemplo. H. Schlier, B esin n un g a u f d e s N eu e T e sta m e n t (Freiburg, 1964),


p. 69; H. U. von Ba llhasa r, ‘ ‘E inig un g in C hristu s” , F reib u rg er Z e it sc h rif t fü r
P h ib s o p h ie u n d Theologie 150968), p. 171-189, esp. p. 187; A. Vògtle, “Kirche
und Schriftprinzip nach dem Neuen Testament*', B ib e l u n d Leben 12 (1971),
p. 153-162, esp. p. 157; K. H. Schelkle, Theologie des Neuen Testaments, III.
p. 17; H. von Campenhausen. D ie E n tste h u n g d er christlie h en B ib e l (Tübingen,
1968), p. 378; W. Marxsen, D er “F rü h k a th o U zizsm u s" im N euen T esta m en t
(Neukirchen-Vluyn, 1958), p. 67; Ladd, A T h eology o f th e N ew T e s ta m e n t , p. 33;
Lohse. “D ie Einheit de s NT ais theolog ische s Prob lem", p. 152-154: Hancker.
“ Hinhci t und V ielfalt i n der T heo logie des N T’' , p. 40 o s .; K üm m el, The Theologv
o f th e N T . p. 332; e outros.
91 A. L. M oore . The Parousia in the New Testament (Leidcn. 1966). p. 89 e s.
92 P. 172.
93 Ladd, “L schatology and t he Un ity o f NT Theology''. p. 273.
94 Ladd, Teologiu do Novo Testamento, p. 32.
95 Schrage, “ Die Frage nach de r Mitte und dem K anon i m K anon des NT ” , p. 438.
96 M. Hcngel, “Historische Methoden und theologischen Àuslegung des Neuen
Testaments”. K ery g m a u n d D o g m a 19 (197 3). p. 85-90. esp. p . 90.

12 2
tado dentre os mortos, tinham sido recolhidos, integrados e consi
derados homogêneos em tão surpreendentemente curto espaço de
tem po ?” 97 Um “ mero querigm a que proc lam a a fé na ressurr eição de
uma pessoa chamada Jesus, e agora considerada o Senhor celestial,
não será suficiente para explicar por que havia uma variedade de
títulos cristológicos e de fórmulas teológicas, mas apenas uma igreja
c ri stã ...” 98 Por fim, só a autoco nsciência de Jesus p ode respo nde r à
questão. “ Em último recurso, o sent ido e a cons ist ência estrutura l do
querigm a proclam ado pela i greja primiti va dep end em do fa to de que,
durante o período de seu ministério público, Jesus atribuíra à sua
pessoa obras e atos — de modo alg um ao seu sofrim ento e morte —
uma importância decisiva para a vinda e realização do reino de
Deus.”99 Isto fica claro no uso feito por Jesus do título de Filho do
Homem, que é típico do padrão de pensamento da cristologia
do NT.100 Riesenfeld parece argumentar que o querigma de Jesus
continha uma cristologia “explícita”, e não meramente “implícita”.
W. Beilner sugere que é tarefa da teologia do NT mostrar como o
Jesus histórico t orn ou- se o Cristo pro cla m ad o.101 Ele a ch a que “ a teo
logia do NT deve ser entendida como unidade a partir de dois
aspectos básicos, a saber, do Jesus proclamado como o Cristo e o
locus da proclamação, a existência da Igreja. Estes dois elementos
compõem o parêntese de todas as diferentes teologias do NT ou
ca m ad as de exp ress ão ” .102 Isto qu er dizer, p a ra Beilner e seu co lega
católico Schelkle, “que a unidade do NT tem seu fundamento na
Ig re ja” .103 “ F. M uss ne r tem um a visão difere nte da un ida de do NT;
sua tese é que “ ‘o centro do Evangelho’ é, segundo o NT, a aurora da
era es catológica da salvação em Jesus C risto ” . 104 E sta me nsage m
"forma, em determinado sentido, o parêntese unificador no cânon
dentro do cânon”. Ele previne, entretanto, que não se deve elevar um
“ determ inado q ue rigm a... a um lugar central d o evan gel ho ou mes mo
transformá-lo num único evangelho”, porque, “funciona facilmente
como um a carga expl osi va de ntro do câno n do N T, como a H istóri a o
to rn a ev iden te” .105

97 R iesenfeld. “ Keflections on l he U nity of tl ie N T ” , p. 41.


98 P. 49.
99 íbid.
100 P. 5 0 cs .
101 W . Beilner. “ N eu testam entlie he T heo logie . M elho dise hc B eNÍnnun )>". D ieii st un d
Lelire (Viena. 1%5), p. 145-165. esp. p. 159.
102 P. 15S.
103 Schelkle, Theologie des NT. III. p. 16; Beilner. “NcuieslanieiitlÍL'he Tlicologie"
p. 160.
10 4 F. M ussner , " D ic M itte des Kvangelium s in ntl. Sicht" , p. 27 1 e 290.
105 F. Mussner. P ru esem ia Sa/u ris (Munique. 1967), p. 174 e ss.

123
W. Beilner, K. H. Schelkle e F. Mussner são significativos exem
plos de teólogos católicos que argum entam a favor d a unid ade
do N T106 sem tran sfo rm ar, nece ssariam ente, os cent ros prop ostos em
um princípio orga niza do r, com base e m que a teol ogia do NT deva ser
construí da. Do l ado protes tante, podemos mencionar, pa rti cularm en
te, W. G. K üm me l e E. Lohs e, ambos os quais org anizaram teol ogi as
do NT. W. G. Kümmel observa que “o interesse na teologia do Novo
Te stam ento enc ontra-se desde o início em confli to c om o problem a da
diversi dade e un ida de no N ovo Te stam en to” .107 Com g ran de discer
nimento, ele sugere “que a apresentação e a organização de uma
‘teologia do Novo Testamento’ só pode acontecer como resultado de
um traba lho , com as diver sas f ormas d a proc lama ção do No vo Te sta
m en to” . 108 Em outras palavras, n enh um centro pred eterm inad o pode
funcionar como princípio organizador (pace Bultmann, Braun,
Cullmann, etc.) para a apresentação de uma teologia do NT. Na
“Conclusão” de sua teologia do NT, Kümmel retorna à questão do
“ cen tro do Novo T es tam en to ” .109 Sua hipótes e é que o centro do NT
encontra expressão “em sua mais pura versão” na (1) “mensagem e
figura d e Jesus , q uan do se torn aram percept ívei s a n ós na mais antiga
tradição dos Evangelhos Sinópticos; e então (2) na proclamação da
com unidade p rim itiva...; e (3) na p rim eira refl exão t eol ógi ca de Paulo
sobre esta proc lam açã o” .110 Com base nestes três blocos, Kü m m el
suger e que o seguinte asp ecto duplo acerca de Jesus C rist o con stitui o
centro d o NT: “ ... D eu s fez com que sua sal vação prom etida p ar a o
fim do mundo começasse em Jesus Cristo, e, neste evento de Cristo,
Deus entrou em contato conosco e pretende nos contatar como o Pai
que pro cura nos livrar d e um aprisionam ento no m und o e no s libertar
p ara o am or diligente .” 1" Visto que Küm m el acha que esta “ m ensa
gem comum... pode ser rotulada como fundamental e por ela a
mensagem do resto do No vo T esta m en to ser ava liada” , 112 temos que
reagir levantand o um a questão. Que critér ios obj etivos pode Küm mel
citar pa ra sua escol ha das tradições sinóptica s m ais antigas acerca de
Jesus , o querigm a da com unidade prim itiva e a proc lam ação de Paulo
como bl ocos d e m até ria do NT qu e revela m o seu cen tro, com o qu al o
restante do NT pode ser avaliado? Kümmel, como teólogo luterano,
106 Outra? vives católicas são revistas por A, Kümmel, ‘'Mitte des Neuen Testa-
ments", p. 79 c s.
107 W. G. Kümmel, The Thrology o f the N ew Testunient Accurdinp to it s M ajor
W ii m sses: Jv\us-Pau l .h /hn (Nashville, 1973), p. 15.
108 P. 17.
109 Infelizme nte o termo alem ão M itte é traduzido como "coração" (“heart"), em ve/
de com o o costum eiro "centro", na Theo lo gv o f t he N T de Kümmel. p, 322-33.1.
110 P. 324.
111 P. 332 .
112 P. 324.

124
se compromete com o princípio material do “cânon dentro do câ-
no n” ,113 mas, ap es ar disso, n ão conseguiu ju stif ica r a seleção do s
critérios escolhidos. E. Lohse está, do mesmo modo. comprometido
com o pri ncípio do “cânon dentro do cânon ” , que funciona t anto
como princípio de seleção quanto como princípio de juízo dentro do
NT. Ele não está expondo seus próprios critérios para um centro do
NT na form a de certos blocos de escritos com a exclusão de outros.
Ele segue o pri ncípi o luterano “ o que Cri sto ma nifesta” (‘ k s Chris-
tum treibet")"4 e afirma que “a teologia dos testemunhos do NT só
pode ser desvelada a partir da cristo lo gia ” .115 Inclu so aí está o fato de
a antropologia só poder ser definida por incio da cristologia. Lohse
insiste, corretamente, em nossa avaliação, que a multiplicidade das
concepções teológicas do NT não pode ser reunida através de um
simples conceito unificador, como a história da salvação (pace
Cullmann) ou a antropologia (pace Bra u n ). 116 O cen tro e a u nid ad e
da m ulti plici dade das expr ess ões do NT encontram -se defi niti vam en
te no evento de Cristo na cruz, em que foi manifestado o amor de
Deu s p elo m und o.117 Não será Jesus Cr isto o ce ntr o d o N T ?llfi
Em concordância com a ênfase dos grandes reformadores, alguns
eruditos colocam a idéia paulina da justificação dos ímpios (iustifica-
tio impii) como o centro do NT. E. K ãsem ann n ão desej a ap ena s ver a
mensagem da justificação dos ímpio s com o o centro da teol ogi a
p a u lin a ,119 mas, sustentando o princíp io do "cânon dentro do câ
no n” ,120 sugere que este é o cen tro de todo o N T .m Aq ui, Kãse
mann se separa de seu professor, Bultmann, cuja antropologia
qu erig m ática servi a como ce n tro .122 K ãse m an n afirm a que “ o Novo
Testamento quer, na realidade, ser entendido em seu todo como um
testem unh o de C risto” . 12’ As diferentes cristologias do NT são

113 W. G. Kümmel. "Notwendigkeil und Gren/e des neutestamentlichen Kanons",


Z 77 i á ' 47(1950), p. 277-313.
114 Lo hse, “ D ie Einheit des NT ai s theolog isches Pr oblem ", p. 153.
115 Lohse, Grun driss der neu iest am entli cheti Theologi e, p. 14.
11 6 P. 162 e s .
1 17 P .164 .
118 Ver também E. Sehweizer, Jesus C h ris tu s im vie lf ultin gen Z eugn is des N euen
Testaments (StuUgart, 1968). P. Stuhlmacher, Scliri/t tausleg un tí au f dem YVege
zu r b ib lis ch en Th eolo gie (G õttingen , 1975), p . 178, fala da “ m ensagem da recon
ciliação como um centro decisivo da Sagrada Escritura.”
119 E. Kãsemann, “Gottes Gerechtigkeit bei Paulus", E x egeti sch e Ve.rsm he a n d
B esin n ungen , II, p. 181-193.
120 E. Kãsemann, "Kritische Atialyse'', D as N eue T e sta m e n t ais K a n o n , ed. E.
Kãsem ann (Gõttingen, 1970) , p. 369.
121 Ver Stock, E inh eit des N T , p. 13-24, para uma exposição detalhada da unidade
conceitua) de Kãsemann dentro de sua teologia.
122 Stock, E in h eit des N T , p. 62-65, oferece um resumo das objeções de Kãsemann
cont ra B ult m ann.
123 Kãsemann, D as N T ais K a n o n , p. 404.

125
“adequadas para enfatizar claramente o que manifesta Cristo. Por
que, desta maneira, a justificação dos ímpios é o centro de toda a
procla m ação cristã, e, logo, ta m bém da B íb lia ...’-124 Ele explica
enfaticamente que “para mim, a mensagem da justificação e a sola
scriptura são idên ticas, a fórm ula teológi ca d a justificaçã o dos ímpi os
contém, em meu entendimento, toda a Bíblia, inclusive o Antigo
Testamento, visto que ele tem verdadeiramente a ver com Jesus

Cristo”
lação com.125aE m bo ra
crist es ta “ ,fórm
ologia” ula teológica”
é anterio r a el a, deva
pois ser vistera em
q ua lqu crist“ologi
correa
real “ deve se o rie n ta r.. . na jus tificaç ão dos ím p io s" ,126 que “ como
cânon d entro do câ n o n ... é o critéri o pa ra o t est e dos espíritos, mesmo
com refe rên cia à do utr ina cristã no pass ad o e no pre se nte ” . 127
W. Joest concorda: “A proclamação paulino-reformadora da justifi
cação [serve], dc fato, como uma interpretação central da Palavra de
Deus...”12" O aluno de Kãsemann, W, Schrage, também salienta o
mesmo ponto de Kãsemann. Para Schrage, “iustificatio impii
(Rom. 4:5) .l2'
paulinas” é -o’ Ele
centro e o tema-chave
encontra da bém
seu eco tam proclamação e daparte
cm outras teologia
s do NT, tal
como nas ditas epístolas dêutero-paulinas, I Pedro, I João e no
Apocalipse.130
Chega-nos de U. Luz uma reação indireta à “ fórmula teológica”
da justificação dos í mpios co mo o centro do NT, até mesm o de toda a
Bíblia. Ele argumenta pela “teologia da cruz (theologia crucis) como
o cen tro do Novo T es tam en to” . 131 Luz ac ha que os teólogos do NT da
“teologia da cruz" são, p a r exce.Uen.ce, Mar co s e P a u lo ,1'12 mas que

boutros documentos,
reu s,133 como
I P ed ro ,134 o Quartoente
e possivelm Evangelho,
outros, oa Apocalipse,
contêm. AsHe-
seguintes
pala vras resum em a proposta de Luz:
A teologia da cruz (1) entende a cruz como o fundamento da salva
ção, num sentido exclusivo, com o qual todos os outros eventos da

124 F. 405 .
125 P. ,170.
126 P. 405.
127 I b id .
128 W. Joest, “Die Frage des Kanons in der heutigen evangelischen Theologie",
Wux hei.ssi Auslegung der Heihgen Schrifi? eds. W. Joest, F. Mussner. a ut.
(Regensburg, 1966), p. 198; idem. “Erwiigungen /ur Kanonisehen Bedeuuing des
Neuen T estaments” , D a s N eue Testa m enrx u h K a n o n . p. 258-281, esp. p. 276.
129 Schrage, “Die Frage nach der Mitte und dem Kanon im Kanon des NT”, p. 440.
130 P. 441.
131 U . Lu/ ., “T heologia cr ucis ai s M iue de r Th eologie des Neuen Testam ents" E vT h
34(1974), p. 116-141.
132 P. 121-131, sobre Paulo, e p. 131 -139, s obre Marcos.
133 P. 118.
134 P. 128.

126
salvação (is to é, a ressu rreição, a paro usia) estão relaci onados e
são com preend idos... (2 ) considera a cruz de Crist o o ponto de pa r
tida p ar a a t eol ogi a no senti do de que não exis te n en hu m a d outrina
de Deus indepen dente da d ou trina da cru z... ( 3) a cruz de ve se r e n 
tend ida como o ponto de orientação para a teologia, de onde se ori
ginam os pontos de pa rtid a p ar a a antropologia, a fi losofia da H is
tór ia, a eclesio logia, a éti ca , e tc .135

Luz inicia sua busca do centro do NT com Paulo, mas chega a um


aspecto cris tol ógic o d iferente de Kã sem ann e de seus segui dores.
O NT é cris tocênt ric o. E sta crist ocentrali zação tem um a variedade
de aspectos interligados. A ênfase exclusiva sobre um ou outro
aspecto corre o risco de minimizar ou maximizar um em detrimento
do outro. Os vários aspectos precisam ser cuidadosamente investiga
dos, expostos e vistos em relação a cada um dos outros. F. Mussner
obse rva que “ a do utrina pau lina da j usti ficação revel a imed iatamente
que a iustificatio impii pela graça sozi nha se baseia n a morte exp iató
ria substitutiva de Jesus na cruz, em que a justiça redentora de Deus
‘se revela’ no ‘agora’. A justificação do homem é, na visão do
apóstolo, fundamentada num fact um hi st ori cum” .136 E. Lohse, como
teól ogo luteran o, não está menos interessado do que K ãsem ann e seu s
seguidore s no concei to d a justificação . Ele recorre ao próp rio Lutero,
a fim de sustentar sua conclusão de que “a doutrina a respeito da
justific ação tem que se fund am entar somente na cristo lo gia ” .137
H. Diem se opõe, baseando-se em outros fundamentos. A justificação
não é mais que um aspecto parcia l da Bíblia, por intermédio do qual
outro s aspectos são inju stam en te critic ad os.138
Não se chegou a nenhum consenso a re speito d a questão do centro
do Novo Testamento. As razões são muitas, como já demonstrou a
discussão do debate. Devemos dar uma parada, para algumas
considerações básicas. Tem-se observado incessantemente que um
dos propósitos da busca do centro do NT é proporcionar uma base
para sua unidade, por um lado, e p ara a exposição siste m ática ou
estrutura de uma teologia do NT, por outro. Parece que a erudição do
NT está, neste ponto, no controle de um a pressuposição especulativa
teológica e filosófica, que declara que o material multiforme e
múltiplo do NT, em toda sua rica multiplicidade, se adaptará e
poderá ser siste m aticam ente ordenado e organiz ado por in termédio
de um centro. Aqui emerge uma das questões fundamentais para a
tarefa da teologia do NT. Poderá algum centro do NT ser suficiente

135 P. 115-
136 Mussner. “Die Mitte des Evangeliums in ntl. Sichi". p. 282.
13"7 Loh se, {jrundriss der neutesiantentlichen Theologie , p. 14.
138 H. Diem, “Die einheit der Schrift", E vT h 13 (1953), p. 391 es., 3^7 e 400.
127
mente amplo, e, portanto, adequado para elaborar uma sistematiza
ção do material do NT numa unidade estrutural formulada? O fato
da proliferação dos centros propostos para o NT indica que isto não
parece possível. Tornou-se evidente que mesmo os centros mais
cuidadosamente elaborados, seja na forma de um esquema, fórmula,
conceito, tema ou idéia, mostraram-se finalmente unilaterais, inade
quados e insuficientes, e, portanto, levam, inevitavelmente, a con
cepções errôneas qu an to à variedade, m ulti plici dade e riquez a do NT.
O fenômeno do número constantemente crescente de novas sugestões
para o que constitu i o centro do NT e como esse aum ento contrib ui
para se escrever um a teologia do NT é, em si, um a testem unha oral da
evidente ineficácia dos respectivos esquemas, fórmulas, concepções,
temas ou idéias para a tarefa em questão. Com base nestas inegáveis
limitações do s vári os centros, alguns teól ogos têm ap rese ntad o outros,
mais longos em definição e/ou maiores em escopo. Pode-se dizer que
até mesm o a “ histó ria da salvaçã o’’ se esticou pa ra além de seus
limites no que se refere à sua capacidade de servir como um guarda-
chuva, sob o qual pode-se con duzir a riquez a de todo o NT,
Não estam os negando a legitim id ade da busca de um centro do NT
(ou do AT). Mas, como estamos negando que qualquer estrutura
externa baseada em categorias de pensamento alheias ao NT (ou à
Bíblia) possa ter permissão para se sobrepor ao pensamento bíblico,
isto é, ao esquema Deus-Homem-Salvação (Teologia-Antropologia-
Soteriologia) emprestado da dogmática, estamos também convenci
dos de que nenhum centro do NT (ou da Bíblia) é suficientemente
amplo, profundo e vasto para fazer justiça ao todo do NT canônico
quan to à su a capacidade de servir como princípio organizad or. A bu s
ca do centro do NT (e do AT), se baseada nos mais profundos teste
m unhos bíbl icos , é totalm ente justi ficável. P arece-nos ine gável que o
NT seja cristo cêntric o do início ao fim. Jesus Cristo é o centro
dinâmico unificador do NT. A atividade salvadora graciosa de Deus
revela-se na vida e na ação, no sofrimento, na morte e na ressurreição,
bem como no min isté rio celestial de Jesus Cristo. Jesus Cristo é o
prin cíp io , o meio e o fim do NT. A cristo centralização do NT não
pode se transform ar num a e stru tu ra com base em que um a teologia
do NT possa ser escrita.

C. O Centr o do N T e o Cânon De ntro do Cânon


O atual debate a respei to do cent ro do NT est á intim am ente ligado
ao problema da crítica do cânon. A discussão anterior revelou que
a questão do centro do NT está entrelaçada com a questão do “cânon
dentro do cânon”. Não é nosso propósito aqui fazer uma retrospectiva

12 8
da rica lite ra tu ra que exist e sobr e este a ss u n to .139 Te m os observado
diversas vezes que o centro do NT é freqüentemente usado como fita
métrica para se distinguir o que é e o que não é o verdadeiro
evangelho. O problema não é absolutamente novo, pois o princípio
luterano “was Christum treibet” implica o critério do “cânon dentro
do câ non ” 1,10 e é um a chave en tre as ori gens da “ crise do cân on no
protestantism o m oderno” . MI
É surpreendente observar que os eruditos modernos de confissão
(luterana), todos fortemente comprometidos em sua utilização do
método histórico-crítico e também comprometidos com o princípio do
“cânon dentro do cânon”, são incapazes de concordar em qual é este
centro do NT que d eve fun cion ar c omo “um câno n d entro do cânon ” .
Vimos que alguns deles, por exemplo, argumentam pela “justifica
ção dos ím pio s” (K ãse m an n, Joe st, Sc hra ge )142 ou pela “ teologia da
cr uz ” (L u z) ,143 e ou tros ex trae m seus crit érios c ríti cos da m ensag em
do Jesu s his tóri co ( Jer emias ) ou de um a com binação da mensagem de
Jesus co m o mais antigo que rigm a (Kü m m el, M arx sen )144 ou a pa rtir

13 9 Em acréscim o aos vár io s ensa ios já citad os na nota n .° 1 deste cap ítulo, os segu in
tes estudos, desde 1965, são particularmente significativos: R. M. Grant, The For-
m a tio n o f th e N ew T e sta m e n t (New York, 1965); R. L. Morgan. "Let's Be Honest
about the Canon: A Plea to Reconsider a Question the Reformers Failed to
Answer”, Christian Century 84 (1967). p. 717-719; A. C. Sundberg, "Toward a
Revised History of the New Testament Canon", Studia Evangélica 4 (1968),
p. 452-461; idem, “Canon of the NT", I D B Su p. (1976), p. 136-140; C. S. C.
W ill iam s, “T he Hist ory o f the Text and Canon of the Ne w Testam ent to Jer omc",
Cam
p. bridgeE,HKàmann,
27-53; ist ory ofed,,
t he BibleD as, Ned.eu eG.T eWsta. mH.e nLampe
t ais K a(New York, 1969)
n o n (Gõttingen, , II ,
1970);
K.-H. Ohlíg, Wuher nimtnt die Bibel ihre Autoritàt? Zum Verhaltnis von
Schriftkanan, K irche und Jes us (Düsseldorf, 1970); I. Frank, D er Sin n d e r K a-
m m b ild u n g (Freiburg, 1971); E. Kalin, "The Inspired Community: A Glance at
Canon History", Cancardia Theological Monthly 42(1971), p. 541-549; H. F. von
Campenhausen, D ie E n tste h u n g d er ch ristl ic h en B ib e l (Tübingen, 1968). Trad.
ingt. The Fortnat ion o f the C hris ti an B ible (Filadélfia, 1972); H. Burkhart,
“Grenzen des Kanons — Motive und Masstãbe”, Theologis che Beitrãge 1 (1970),
p, 153- 160; G. M aie r, " Kan on im K anon — oder di e ganze Schri ft?" Theologische
B eitrã g e 3 (1972), p. 21-31; D. E. Groh, “H. von Campenhausen on Canon.
Positions and Problems", In te rp re ta tio n 28 (1974). p. 331-343; 1. Barr, The Bible
in t he M odem W orl d (New York, 1973); D. L. Dungan, "The New Testament
Canon in Recent Study”, I n te rp re ta tio n 29(1975), p. 339-351.
140 Ver K. Barth, "Das Schriftprinz.ip der reformierten Kirche”, Z eic hen d e r Z e it 3
(1925), p. 223; H. Strathmann, “Die Krise des Kanons der Kirche”, D a s N T ais
K a n o n s , p. 41, declara que Lutero descobriu, em Rom. 1:17, “um cânon dentro
do cânon ” . Cullmann, Salvation in History , p. 297 e s.
141 Lõn ning, "Kan on im Kanon ” , p. 39-49.
142 Ve r, ac im a, o s n .,:,s 123 e 128 e s.
14 3 Ver , acima , o n .° 131.
144 W. G. Kümmel, “Notwendigkeit und Grenze des neutestamentlichen Kanons",
D a s N T ais K a n o n , p. 62-97, esp. p. 94; e, acima, os n.°s 107-112; W. Marxsen.
"D as Probl em des neutestam entlichen K anons aus de r Sícht des Exegeten",
D as N T ais K a n o n s . p. 233-246. esp. p. 246.

129
de dete rm ina do s blocos de escritos (H. B ra u n ). 145 Es te fato evidente
conduz a uma conclusão: “Qualquer seleção de critério [de unidade]
desti na-se a ser subjeti va e a rb itr á ria .” 146 Ad m ite-se, na tura lm en te,
que a busc a de um centro e d e um crit ério pa ra a unida de não dev e ser
confundida com um absolutismo de aspectos simples ou com idéias
teol ógicas fav or itas.1 47 M as ter-se-á que ad m itir tam bém que a su bje
tividade com que se faz uma seleção a partir do todo e com base em
que o todo está sujeito à crítica do conteúdo chama à questão a
objetividade do método em si e todo o procedimento. O abrangente
estudo de I. Lõnning de toda a questão do "cânon dentro do cânon”,
a pa rtir da R eforma até o presente, que chega a conc lus ões sem elhan
tes às de seu professor Kâsemann, acrescenta a notável censura:
“Não podemos transformar o ‘cânon dentro do cânon’ em um
cânon.”148
O famoso si stem ata católi co H. K üng. cuja posi ção teol ógica é, em
vários aspectos, semelhante à de Kãsemann, se opõe ao programa do
“cânon dentro do cânon”, porque "não pretende nada além de ser
mais bíblico do que a Bíblia, mais neotestamentário do que o NT,
mais evangélico que o evangelho e até mais pa ulin o do que Pau lo ” .149
Ele se opõe a um dado preentendímento com base em que se deve
testar os espíritos... Paulo nunca aplicou o princípio do teste dos
espíritos ao cânon do AT. Assim, não temos o direito de usar este
prin cíp io p ara o cânon do N T .1S0 Ele observa que tal preente ndim ento
não s e fu nd am en ta no NT, mas na tradiçã o luteran a. Logo , pergun ta:
“Não será essa uma posição para a qual não se pode oferecer razões
que evitariam que outro erudito fizesse uma outra escolha, com base
em um outro preentendimento tradicional para um outro centro, e
assim encontrar apoio exegético para um outro eva ng elh o? ” 151 Fin al 
mente, qualquer fórmula, princípio, idéia, etc. que se transforme no
centro do NT com base em que se em penh e na crít ica do cânon com o
prin cípio seletivo do “ cânon dentro do cânon” é a “ arbitrariedade
subjet iva” , 152 porqu e “ um dado pre enten dim ento sobre a n ature za da

14 5 H. Braun, “H ebt d ie heutige neutestam entlich-exegetische Forschung den Kanon


auf ?" D as N T ais K a n o n , p. 228 e s .; cf ., acim a, o n.° 28 c s.
146 Cullmann, Salvation in History, p. 298.
14 7 D o m esm o m odo, corretamente, Schrage, “ D ie Frage nach de M itt e und dem
Kanon im Kanon des NT", p. 418.
148 Lõnning, "Kanon im Kanon ", p. 271.
149 H. Küng. ‘‘Der Frühkatholizismus im NT ais kontroverstheologisches Problem”.
D a s N T ais K a n o n , p. 175-204, esp. p. 192.
150 P. 190.
151 P. 191 (o grifo é dele ).
152 I1957),
b id \ também
p. 206. H. Diem, Theologie ais Kirchliche Wissenchaft (2.3 ed.; Munique,

130
fé crista se lança de volta ao NT como um cânon crítico dentro do
câ non” .153
O reducionismo inevitável é outra restrição feita a respeito de um
centro que s irva como “ cânon de ntro do cân on ” , empregad o com o
propósito de um a crítica ou crític a do câ n o n .154 O NT considerado
como um todo contém “ a verdade em sua p le n itu d e ''.155 O pri ncípio
do “cânon dentro do cânon" não pode fazer justiça à totalidade do
NT. Q ualquer centro destinado a este propósito te nde em direção a
uma concentração em um único aspecto. “Em que consiste essa
conc entração ? C onsi ste no redu cion ism o.” ' 54 Este é o caso por que
est á base ad a num p rocesso de s eleçã o. K üng a rg um en ta que a sel eção
a partir da totalidade do cânon do NT leva a uma multiplicidade de
denom inações e à heresia. Som ente q uan do se leva a sér io o cânon do
NT em sua tota lid ade é que se pode esperar um a igreja.157 O erudito
católico H. Schlier, ex-aluno de Bultmann, também tem reservas
quanto à redução de todo o evangelho do NT por intermédio do
“ cânon d entro do câ no n” . “ Se se desej a preservar a posi ção d a fé de
Lutero... então se é forçado a anular o cânon da Bíblia. A Bíblia é a
Bíblia. Qualquer paulinismo maior ou abstrato... finalmente declara
quase to do o co nteú do d a Bíblia como não o brig ató rio .” 158
Vários teólogos protestantes têm também levantado sérias questões
a respeito do princípio de seleção como se revela ao conceito do
“ cânon den tro do câno n” . E. Schwei zer obse rva que a Bíbli a é sempre
“ Bíblia em fu nç ão ". Logo , ele rejeita o “c ân on de ntro do câ no n” . 159
As opiniões do sistem ata luteran o H. D iem e s eu “ N ão” categóri co ao
“ câno n d en tro do câ non” 160 ex er cit ara m vários eru dito s do N T .101
Semelhantemente, G. Ebeling recusa-se a afirmar “um cânon dentro
do cân on ” . P ar a ele, tal princ ípio corre o r isco de se r arb itrár io. Ele
fala de um a “ visão legal do câ no n... que se refer e à un idade da Bíb lia
como a unidade de um sistema doutrinário dogmático. Tal visão só
pode ser levada a efeito até sua conclusão lógica ou fazendo-se o que a
Igreja Católica faz, a saber, recaindo na função hermenêutica da

153 Stock, E in h eit d es N T , p. 70.


154 H. Küng, D ie K irc h e (Freiburg, 1967), p. 151.
155 K. H. Sehelkle, D ie P etru sb riefe. D e r J u d a sb rie f (2 .a ed.: Freib urg. 1964). p. 245.
156 H. Küng, Struktur en der Kirche (Freiburg, 1962), p. 151; idem, D ie K irc h e . p. 27.
157 Küng, "D er Frü hk atho li/ ism us im NT a is kontroverstheologi sches Prob lem” .
p. 188 es.
158 H. Schlier, D ie Z e it d e r K irch e ( 2 .0 e d .: Freibu rg, 1958), p, 311.
15 9 E. Schweizer, “ K ano u? ” E vT h 31 (1971), p. 339-357, csp. p. 354 e s.
160 Ve r particularm ente o seu “D ie Einheit der Sehrift” , p. 3 85-405 , e seu ensaio
"D as Problem des Schrif tkanon s” . D as N T ais K a n o n , p. 159-174.
161 Ver. por exemplo, as reações dc Kiisemann, D a s N T ais K an ou . p. 359-371;
e Schrage, "Die Frage nach der Mitle und dem Kanon im Kanou des NT", p. 421
424. Um bom resumo da posição de Diem é oferecido p o r Stock, E in heit des N T,
p. 36-38 e 100-11 2. incluindo reações de protestantes e católi cos.

131
tradição ou, de maneira aparentemente arbitrária, estabelecendo um
cânon den tro do câno n na form a de um corpo de escr itos esp ecíf ico o u
de uma do utrin a espec ífica , como pad rão de crít ica” . '62 Ebeling faz
esta sugestão porque nenhuma tradição única da diversidade e da
variedade do NT “pode ser apontada como a traditum tradentum
[tradição a ser passada adiante]; mas é isto que aponta para o fato
decisivo de que o conteúdo da traditum tradendum c... a própria
pessoa de Jesus como Pala vra de Deus en carnada, dando sua
au torida de ao ev an ge lho ...” 163
G. M aier está entre os vári os crít icos do princíp io do “cân on dentro
do câ no n” . Seu assunto princ ipal é o fracasso da busca de “ um cânon
dentro do cân on ” . Ela duro u duzent os anos. ma s fracassou, poi s se
baseia num a subje tivid ade descontrola da. N inguém foi capaz de
convencer o que seria tal “ cân on de ntro do cân on ” .164
A variedade de problemas que os eruditos têm apontado em suas
discussões sobre o centro do NT, entre eles a que funciona como
“cânon dentro do cânon” e que serve como princípio material da
crítica do cânon, são aparentemente insuperáveis. Uma abordagem
da teologia do NT que procura ser adequada à totalidade do NT não
pode sustentar a arb itrariedad e (K üng, Ebeling, Diem ), a subje tivi
dade (Cullmann, Maier) e o reducionismo (Küng) inerentes na
escol ha de um p rincípio selet ivo na form a de um centro sej a de for a da
Bíblia (tradição) ou de dentro dela, na base em que são feitos os
juízos de valor a respeito do conte údo d a Bíblia como um todo ou em
suas partes. Poderá a natureza auto-autenticatória do NT e da Bíblia
como um todo166 ceder espaço a um princípio seletivo ou externo
como sua norm a?

162 G. Ebeling, The W ord of G od and Truditi tm (Filadélfia, 1968), p. 144.


163 P. 146. A questão a ser levantada, entretanto, 6 se o conteúdo do NT permanece
aber to por causa da ênfase s obre a “Pessoa Jesus” . Ve r t am bém Stoek. E in hcii des
N T , p. 24-28 e 82-88.
164 ü. Maier, “Kanon im Kanon — oder die ganze Schrift?”, p. 21-31; idem, D as
Ende, d e r h islo ris ch -k rit isc h en M v th o d e (2.a ed.; Wupperhd. 1975). p. 10 e s. e 44.
Trad. ingl. Th e E nd o f lhe H ktorica l Cri ti ca! M eihnd (St. Louis, 1977). p. 12 e ss.
165 Ver F. M iklenberg er, ‘' l he U nity, Tru th and Validitv of lhe B ible’', In terpreiu -
tinn 29(1975), p. 391-405. esp. p. 399.

132
4
A Teologia do N T e o A T
A teologia do NT se separou da teologia do AT desde 1800, quando
o primeiro dos quatro volumes da Bib lische Theologie des N enen
Testamento, de Georg Lorenz Bauer, foi publicado. Embora alguns

poucos
publicadoslivros,
nos tratando de am
últim os anos, bos,o otítulo
com AT de
e o“ Teolo
NT, gia
te nham sido, 1
Bíb lica”
não se trata de falta de interesse no assunto da relação entre os
T esta m en tos.2 G. Ebeling nos f az lem brar novam ente que tem-se qu e

1 Ver M. Burrows, A n O u tlin e o f Bíb lica! Th eolo gy (Filadélfia, 1946); G. Vos,


B ib lic a l T h eology (Grand R apids, M ich., 1948 ); J. Blenkinsopp , A S k e tc h b v o k o f
B ib lic at T h eology (Londres, 1968).
2 Ver os seguintes estudos e m acréscim o aos do s n .°s 70 e 80, abaixo: A . A . van
Ruler, The Christian Church and the OT, trad. de G. W. Bromiley (Grand
R apid s, M ich ., 197 1) ; S . Am sler, L 'A T dan s Vég lise (Neuchâtel, 1960); J. D.
Smart, Th e Interpretati on o f Scri pture (Filadélfia, 1961); P. Grelot, Sens ch rétie n
d e l ' A T (T ourn ai, 1962 ); B. W. A nderson , ed ., The O T an d Chri st ia n F ai th (New
York, 1963; daqui para a frente citado como OTCE); C. Westermatin, The OT
a n d J esu s C hris t (Minneapolis, 1970); R. E. Murphy, “The Relationship Between
the Testaments1’, C B Q 26 (1964), p. 349-359; "Christían Understanding of the
OT", Theology Digest 18 (1970), p. 321 e s.; F. Hesse, D as A T ais B uch d e r
K irch e (Giitersíoh, 1966); K. Schswarzwãller, D as A T in C h ris tu s (Zurique, 1966) ;
“D as Verhãltnis AT -NT im Licht e d er gegenwãrtigen Bestim m ung en” , E vT h 29
(1969), p. 281-307; P. Benoit e R. E. Murphy, eds., H ow D oe s th e C hris tian Con-
fr o n t th e O T ? (New York, 1967); A. H . J. G unn ew eg, "Ü ber dic Prãd ikabilit ãt
altte stam entlicherTexte” . Z T h K 65 (1968), p. 389-413; N. Lohfink, The Christian

M e a n inder
digung f th e O T ,(MD ileu
g oKirche” watsch
ukee,
es P1968
fa rre);rbHla. ttD .63Preus s, “D
(1968), as AT Kraus,
p. 73-79; in de r Verkün-
D ie b i
blisch e Th eologie , p. T93-305; E. CFDoherty, “The (Jnity of the Bible*', The Bible
Today 1 (19 62 ), p. 53-57; C. Larcher, L 'A c tu a litê ch rêtien n e d e VAncie n T e sta m e n t
d 'a p res le N o u vea u T esta m e n t (Paris, 1962); W. Neil, “The Unity of the Bible",
The N ew Testam ent i n Histori cal and Con tempo rary Pers pecti ve, Ess ays in M e
m ory o f G. f í . C. M a c g re g o r , eds. H. A nderson e W . Barclay (Ox ford , 1965),
p. 237-259; Stock, E in h eit d es N T , p. 160-170; P. A. Verhoef, “The Relationship
Betwee n the O ld and New T estamen ts”, N ew P e rsp e c tiv es on th e O ld T e s ta m e n ts ,
ed. J. B. P& yne (W aco/L ond res, 1970), p. 208-30 3; F. Ha hn, “ Da s Probl em
‘Schrif t und Tradition' im U rchristentum ” , E vT h 30 (1970), p. 449-468; F. Lang,
“ Christ uszeugni s und biblisc he T heologie” , £V Th 29(1969), p. 523-534; H. Gese,
“E rwágungen zur Einheit der biblisc hen T heo logie” , Vom Sinai zum Zion (Muni-

133
estudar a interligação entre os Testamentos e “tem-se que fazer uma
avaliação do entendimento da Bíblia como um todo, isto é, acima de
todos o s prob lem as teol ógi cos que surgem da investi gação da unid ade
inter na do m últiplo teste m un ho d a Bíblia’'.3 As ref lexões teológi cas
fundamentais do erudito do NT de Tübingen, P. Stuhlmacher,
levam-no a afirmar que a teologia bíblica do NT “pode c deve estar
aberta ao Antigo Testamento como o fundamento decisivo da forma
ção c da tradição
a questão do Novo eTestamento
da continuidade descontinuidade" e.AEstas observações
se 16 somente do ATlevantam
ao
NT, ou do NT retornando ao AT, ou recip rocam ente do AT ao NT e
do NT ao AT. O que é básico ao total da questão não é meramente
uma articulação do problema teológico da inter-relação entre os dois
Testamentos, mas também uma investigação da natureza desta união
e desunião, seja ela uma linguagem, forma de pensamento ou
conteúdo. A fim de facilitar nossa tentativa de estudo das questões aí
envolvidas, podemos limitar-nos a discutir as tentativas recentes
consideradas significativas
ou que refletem para a luta
os mais importantes com as questões
posicionamentos nesterelacionadas
século.

A. Padrões de Desunião e Descontinuidade


No século II apareceu M arcion,5 que, sob o im pacto do gnosticis-
mo,6 ace ntu ou a total d esu nião entr e o AT e o NT, en tre Israe l e a
Igreja, e enlre o Deus do AT e o Pai de Jesus. O Deus do AT era o
Demiurgo-Criador, um Deus da lei inferior, vingativo, que não tem
nada a ver com o De us do NT , que é o Pai de Jesus, um De us de amor,
graça e misericórdia. Assim, Marcion rejeitou completamente as
Escrituras Hebraicas (AT) e também qualquer coisa no NT que se
aproximasse das Escrituras Hebraicas (AT) ou de seu pensamento,
conforme entendido por ele. Isto levou o cristianismo a tratar da
questão de o que é a verdade cristã e a decidir-se a respeito da questão
do cânon .

que, 1974), p. 11-30; H. Gross e F. Mussner, "Die Einheit von Altem und Neueti

Testament”
Fensham, “The In tern a tioasn aGiving
Covenant le k a th o lisc h e to
Expression Z eThe h rift 3 (1974),
itse Relationship p. 544-555;
Between Old F. C.
and New Testament’’, 'Tyndale Bullet in 22(1 97 1), p. 82-94; J. Sanders, Torali und
Canon (2.a ed.; Filadélfia, 1974); idem, “Torah and Christ", In terp r eta tio n 29
(1975), p. 372-390.
3 G. Ebeling, W ord and Fait h (Filadélfia, 1963), p. 96.
4 P. Stuhlm acher, Schrif tausl egung au fde m Wege zu r bi bti schen Th eol ogi e (Gõttin-
gen, 1975), p. 127.
5 A. von Harnack, M arcio n , D a s E va n g eliu m vom fr e m d e n G o it (2.a ed.; Leipzig.
1924); J. Knox, M a rc io n a n d th e N ew T e sta m e n t (Chicago, 1942); E. C. Blackmaij,
M a rcio n a n d H is In flu en ee (Londres, 1948).
6 R. M. Grant, A S h o rt H isto ry o f th e In te rp r e ta tio n o f th e B ib le (2.a ed.; New
York, 1966), p. 60-65.

134
1. Sii perval oriz ação do N T / Desvalorização do A T . Existiu duran
te muito tempo no cristianismo uma tendência marcionista, com a
superioridade do todo ou de partes principais do NT, e ela se refletiu
cm A. von Harnaek (1851-1930), cujo famoso tema se resume nesta
Frase amplamente divulgada: “Ter deixado de lado o Antigo Testa
mento no século II foi um erro que a Igreja corretamente rejeitou;
havê-lo retomado no século XVI foi o fato que a Reforma não foi
capaz de evitar; porém mantê-lo ainda após o século XIX como
docum ento canôni co d entro do protestantism o é conseqüência d e um a
paralisia religiosa e ecle siá stica” .7 A mesma tendência m arcio nista
está evidente em Friedrich Delitzch (1850-1922), que foi uma figura
importante na controvérsia Babel-Bíblia no começo deste século.s
"Em raras ocasiões foi o Antigo Testamento sujeito a ofensa mais
grave do que neste livro [The Great Deception].''9 O grande erudito
do NT Emanuel Hirsch publicou um estudo sobre The OT and the
Pre aching o f the N T em 1936, em que enfatiza a diferença fundamen
tal entre o AT e o NT, na qual ambos os Testamentos são vistos num
perm anente “ conflito antitético” .10 E m bora H irsch não dispense o
AT do cânon cristão, seu acento recai distintamente sobre uma
descontinuidade radical. H.-J. Kraus observa que “deve-se perceber
com surpresa que Rudolf Bultmann, em seus ensaios sobre o Antigo
Testamento, procura uma solução para o problema bíblico ao longo
das m esm as diretrize s” .11
Não é tã o im portante se a postura negativa de B ultm ann a respeito
do AT deve- se ou não à de clara ção da te nd ênc ia m arc ion ista 12 den tro
dele. O im po rtan te é que ele busc a um a conexão entre os Testam entos
no curso factua l da H istó ria.1-1M as B ultm ann de term ina esta conexã o
de tal modo que a história do AT é uma história de fracasso. A apli
cação da distinção luterana entre lei/evangelho e um tipo moderno de
cristo m on ism o'4 leva-o a ver o AT como um “ nau frág io f Scheitern]
7 Von Harnaek, M a rcio n , p. 221 e s.
8 F. Delitzsh, D ie G rosse Tau sch u n g , 2 vols. (Stuttgart, 1920-21).
9 J. Bright, Th e Autkori iy ofth e O ld Test ament (Nashville, 1967), p. 65.
!0 E. Hirsch, (Tübingen,
1936), p. 27. 59D eas83.A lte T esta m e n t u n d die P re d ig t d e s E van geliu m s
11 H.-J. Kraus, Geschiehte der historich-kritischen Erforschung des Alten Testa
m e n ts (2 .a ed.; Neukirchen-VIuyn, 1969), p . 43 1 e s.
12 J. Bright, Th e Authuri ty o f the O T, p. 69-72; E. Voegelin, “History andünosis”,
OTCE, p. (>4-89. que chama Bultmann de pensador gnóstico. C. Michalson,
“Is the Old Testament the Propaedeutie to Christian Faíth?" OTCF, p. 64-89,
defende B ultmann ferv oros amente contra t al acusação.
13 Bultmann . “ Prophecy and Fulfill m ent” , E ssays on O T H e rm en eu tics, ed. Clatis
Westermann (Richmond, Va.. 1963), p. 73 (daqui para a frente citado como
E O T H ). Cf. J. Barr, “The Old Testament and the New Crisis of Biblical Autho-
rity” , I n te rp re ta tio n 25(1971), p. 30-32.
14 Bultmann, in E O T H , p. 50-75; e OTCF, p. 8-35. Ver a crítica de G, E. Wright,
e m Th e O T and Theo lo gy (New York, 1969), p. 30-38.

135
da História”, que somente através deste desastre se transforma numa
espéc ie de p ro m es sa .'5 “ P ar a a fé cristã, o Anti go Testam ento não é
mais reve laç ão, como o fora e ainda é p ar a os ju d eu s." Pa ra o crist ão,
“ a história de Israel n ão é a histó ria da r ev ela çã o ".16 “ Assim, o
Ant igo Testam ento é a pres supos ição do N ov o" ,'7 nad a m ais, nada
menos . Bu ltm ann argu m enta pel a completa desconti nuidade te ológi 
ca entre o AT e o NT. O relacionamento entre os dois Testamentos
“ não é teol
história tem,ogicamente
segundo ele,relum
evant e empromissor
carátcr a b so lu toprecisamente
".18 Não obstante,
por est a
que, com o fracasso das esperanças concentradas no conceito da
prom essa divina, no fracasso da autoridade de Deus e seu povo,
torna-se clar o q ue “ a si tuação do hom em justi ficado só se ergue com
base neste naufrágio \Sch eitem ]’ ’ Em r espo sta a este po sicion a
mento, Walter Zimmerli perguntou corretamente se para o NT
“as esperanças e a história de Israei são realmente simplesmente frus
trad as ” . “ Não haverá cum prime nto aqui, mesmo em meio a fru stra 
ções?” Eletransforma-se
frustração reconhece no claramente
meio peloque
qualoBultmann
conceito pôde
de “elevar
fracassoa ou
mensagem de Cristo puramente para fora da História, na interpreta
ção e x is te n c ia l..Z im m e rli sug ere, não sem raz ão, qu e o c on cei to de
uma pura quebra da história de Israel tem que, necessariamente,
levar a uma concepção a-histórica do evento de Cristo, a saber, a um
“ novo mito de C rislo” .20 Ele assinala que h á um aspecto da f ru str a
ção presente mesmo no AT, onde os próprios profetas rendem teste
munho à libertação de Javé, para “legitimamente interpretar sua
promessa
pode estar através
cheia dedesurpresas,
seu cum prim
até ento
mesm , eo apara
in terpretação [p or Javé]
o próprio profeta” .21
W. Pannemberg observa que a razão por que Bultmann não encontra
continuidade entre os Testamentos "está certamente ligada ao fato de
ele começar c om as prom essas e sua estrutu ra, que p ar a Israel eram o
fundamento da História... promessas que assim perseveram precisa
ment e na m u d an ça ".22
A convicção de Friedrich Baumgãrt^l partilha com Bultmann a
ênfa se sobre a desco ntinuidad e entre o s Testam en tos.2,1 Mas Baum-

15 Bultmann, E O T H , p. 73: "...o naufrágio da História se deve, na realidade, a uma


promessa.” Ver, sobre isto, Barr, O ld and New in Interpretat ion, p. 162 e s.
16 Bultmann, E O T H , p. 31.
17 OTCF, p. 14.
18 P. 13. Cf. a crítica de W esterm an n, m E O T H , p. 124-128.
19 Bultmann, E O T H , p. 75.
20 ‘‘Promisse and Fulfillment’’, E O T H , p. 118-120.
21 P. 107.
22 Pannenb erg, “R edem ptive Event and Histo ry", E O T H , p . 325 e s.
23 F. Baumgartel, Verhei ss ung. Zu r Frage des evangelischen Verstándnisses des
A lte n T e sta m e n ts (Gü tersl oh, 1 952), p. 92.

136
yftitel não conse gue segui r a tese bultm an nia na de um frac asso total.
F!r supõe um “pacto básico [ Grundverheissung ]” eterno.24 Todas as
pio m essas (promissiones) do AT “ não tem realm ente nenhum a rele-
vflin in pa ra nós ” ,25 exce to a ete rn a pro m es sa b ás ica {promissum ): “Eu
si H1 0 .Senhor teu D eu s.” 26Ele ab an do na com pletam ente a pr ova d ap ro -
fç< t.i nm io inace itável p ara no ssa con sciê nc ia histó ric a. Além diss o,
H>nini)>;tvtel vê o sentid o d o AT ap en as no q ue su a “ hi stó ria da salvação
drMislrosa”
<ujilrm umexemp “ testemlifiuncahoo ca
demum
inhao rel
do igi
homãoem
ex sob a lei.
terior ao Como t al, o AT
evangelho” .27
"I marado historicamente, tem um outro lugar além da religião
i i ht;' t.”2S Aqui, B au m gã rtel se ap rox im a da posiç ão de B ultm an n, ao
irliidonar os Testamentos entre si nos termos da dicotomia luterana
In /ev an ge lho .29 Log o, ele afirm a qu e a h istoricidade de J esus Cristo
iiíin es(á fundamentada no AT, mas somente na encarnação.30 Reco-
lilu tc-se como, em tal a bord age m , “ a histo ricidad e de Jesus Cri sto
rsii qu and o a história de Israel cai” .'*1 C. W este rm an n ass inala que

vH.mmg&rtel
iu o Antigo finalmente
Te stam enadmite
to” .32“que
Von aRIgreja
ad atacpoderia
a a co também
ncepção viver
não-hist ó-
liea t ia “ promessa bási ca” , caracteri zando a separação de tal pro
messa única das promessas e profecias particulares realizadas histo
ricamente como “ transgre ssão pre sun ço sa” .33 L. Sch m idt esfor çou-
*■, recentemente, para desembaraçar as questões do relacionamento
rnlie o AT e o NT no prolongado debate entre von Rad e Baumg&r-
IH 1,1c conclui que a concepção de B aum gãrtel d a “ prom essa b ás ica ”
é ina de qu ad a.35
O ex-aluno
1'ásica de Baumgãrtel,
das m últipla s pro m essFranz Hesse,
as a um fazess
a prom a amesma
b ás icaredução
.36 No AT as
pro messas fracassaram . Isto se deve à mão severa de Deus, que fez
Israel endurecer seu coração. Ao transformar em seu oposto as
palavras de Deus, é um aviso e um teste m unho dialético da atividade
de Deus em Israel, que tem seu ponto culm inan te na cr uz de C risto.3 7

’4 !-. Bau m gãrtel, "The Herm etieutical Prublem of t he O T ", E O T H , p. 151.


,’S P. 132.

.'7 P. 151.
1S6.
.'K P. 1 35; c f. ThLZ, 86(1961), p. 806.
30 P .15 6 .
31 Pannenberg, E O T H , p. 326.
32 "Ob servaçõ es Sob re a s T eses dc Bultmann e Ba um gãrtel” , E O T H , p. 133.
33 “Ve rheissung” , E vT h , 13 (1953), p. 410. Ver também a crítica incisiva de Gun-
neweg, Z T h K 65 ( 1968), p. 398-400.
34 L. S chm idt, “ Die E inheit zwischeu Alten und Neuen Testam ent im Strei t zwis chen
Fri edri ch B aum gãrtel und G erha rd v on R ad” E vT h 35 (1975), p. 119-138.
,15 E sp . p. 135 e s.
3 6 D as A T a h B uch d e r K ir c h e , p. 82.
37 " l he Evaluation and Authorit y of the O T T ex ts” , E O T H , p. 308-313.

137
Hesse pron un cia as mais adeq ua da s rest rições t eol ógi cas ao AT, com
base em que certo s dados históricos suposta m ente não com binam
com os fatos.38 Logo, o AT só pode ter algum significado para os
crist ãos ac ena ndo em direção à sal vação que se en co ntra no N T .39
A crítica contra Baumgârtel também se aplica a Hesse. Não será
suficiente, como aconteceu tantas vezes no caso de F. D. E. Schleier-

m ac he
gum r40 ed ain
entos da de
o NT, acocum
nteceprim
comento
B audamprofeci
gâ rte l41a,e ex
Hecet
sseo,42 dis cuum
como tira os
apoa r

log ia antijuda ica, rel evant e a pen as pa ra o período do N T .43 Ê um erro
acreditar, como Bultmann, que o significado da “prova da Bíblia”
tem como propó sito “ prov ar” o que só pode ser alcançad o p ela fé ou
abordar e criticar o método de citações do NT do ponto de vista da
m oder na crítica liter ária .'' 4 C on tra esta posição limitad a, deve-se
sustentar que as citações do NT pressupõem a unidade da tradição e
indicam palavras-chave e temas e conceitos de importância, a fim de

record
2. arDesvalorização
um contexto mais d oam
N Tplo dentro do AT.
/ Supervalo rização do A T . Do outro lado
do espectro estão as tentativas que postulam uma desunião ou
descontinuidade entre os Testamentos, supervalorizando o AT, em
detrimento do NT. Alguns eruditos transformam o AT em todo-
importante teológica e historicamente. O falecido dogmatista holan
dês A. A. van Ruler tentou colocar o AT em um nível superior ao do
NT, no que diz respeito ao pensam ento e do utrina cristãos. A tese de
van Ruller se resume nestas frases: “O Antigo Testamento é e
perm aneceexplanatório
“glossário a verdadeira[Wõrterverzeichnis]’’.46
B íblia” .45 O NT nadaEmmdialética
ais é que o seu
estrita,
“o Novo Testamento interpreta o Antigo Testamento, do mesmo
modo qu e o Antigo o Novo” .4’ O interess e ce ntral em toda a Bíbli a
não é a reconcili ação e a redenção , m as o reino de De us. Po r isso o AT
é de especial importância; traz legitimidade, fundamentação, inter
preta ção, ilustração, histo ricid ade e escato lo gic id ade.48 Van Ruler,
desse modo, reduz a relação entre os Testamentos ao denominador

38 P. 293-299.
39 P. 313.
40 The Christian Faiih (2 vo)s.; New York, 1963).
41 Verhnissung, p. 75 c ss .
42 D a s A T ais B u rh d e r K ir c h e , p. 82 e ss.
43 Pannenberg. E O T H , p. 324.
44 Bultmann, E O T H , p. 50 -55 e 72-75.
45 Van Ruler, The Chri st ian Church and the O T , p. 72.
46 P. 74, nM 5.
47 P. 82.
48 P. 75 98.

138
espiritua l único do reino de D eu s,49 lendo o AT u nila ter alm en te, sem
reconhecer a d iferença en tre teocracia e esca tolog ia.50
Em vista da superioridade dada ao AT por van Ruler, cabe aqui
considerarmos um ponto importante em seu argumento. No seu
segundo capítulo é tra ta d a a seguint e questão: Será que o AT so zin ho
já vê Cristo? Ao tra ta r desta questão, van Rule r é essencialm ente
crítico iti uatura. Dá proeminência ao que enfatiza a descontinuidade
entre os Testamentos. Um dos pontos principais é que 110 AT o

Messias é um homem, no NT, o próprio Deus; conseqüentemente, a


deidadc de Cristo não pode se srcinar do prim eiro .’1 Um a das noções
prin cip ais de todo o livro se resum e no seguin te enuncia do: “ Se posso
dizê-lo em poucas palavras, Jesus Cristo é uma medida de emergência
que Deus adiou o máximo possível (cf. Mateus 21:33-46). Logo, não
temos que tentar encontrá-lo completamente no Antigo Testamento,
muito embora como teólogos cristãos investiguemos o Antigo Testa
men to em direção a D eu s.” 52 J. J. Stam m assinalou que v an Ruler
relata os fatos do AT inacurada e impropriamente, por causa do
co ntra ste .53 É corre to que van R uler le va em co nta so mente a
natureza do rei israelita, e não, ao mesmo tempo, a posição autoritá
ria relacionada com o ofício. Se se toma em consideração também a
natureza autoritária do ofício, “pode-se, então, certamente, dizer
simplesmente que no AT e no NT o Messias é divino, ali, per
adoptionem , aqui, ex srcine”.5* Van Ruler não encontrou nenhum
seguidor, ao chamar Jesus de meramente “uma medida de emergên
cia de De us".
Outro teólogo sistemático holandês que tende a transformar o AT
em tod o-im po rtante é K. H. M isko tte.55 E m bo ra com pare o AT com o
NT, através do esquem a le i/evangelh o, som bra/realidad e e prom es
sa/cu m prim ento, ele sustenta que o AT contém um “ exc esso” contr a
o NT. O “excesso" do AT expressa-se em quatro pontos, sobre os
quais o NT é praticamente silente: ceticismo, revolta, erotismo e
política. E m bora a religio sid ade e a ética do AT contenham elementos
de alegria de viver, de apreciação dos bens mundanos, que parecem

por demais
mente atraentes
estabeleceria os aovários
homem moderno,
aspectos a ética cristã
da teocracia , que sim ples
ou costumes
matrimoniais do AT como o padrão ao qual o homem moderno ou a
Igreja teriam que se adaptar, sem compará-los com a cruz de Cristo,

49 P. 95-98.
50 V erT h. C. Vriezen, “T heocracy and So ter iot ogy” , E O T H , p. 221-223.
51 Van Ruler, The Chri st ian Chur ch an d the O T, p. 51 e s.
52 P. 69.
53 J. J . Stam m , “Jesus Chris t i n t he Old T estam ent", E O T H , p. 200-210.
54 P. 208.
55 K. H. Miskotte, When the Gòds are Silem (New York, 1967).

139
evidentemente fracassaria em seu dever. Podemos concordar com a
declaração de Th. C. Vriezen de que “a Cruz não é simplesmente um
elemento da mensagem bíblica, mas uma fonte de luz no centro, que
lança sua graç a sobre todos o s outros ele m en tos .. ." 56
O erudito bíblico reformador W. Vischer se sobressai entre os
teólogos bíblicos por sua adoção de uma abordagem cristológica
completa do AT.57
ser interpretada à luzEle afirma
de sua que a Bíblia,
verdadeira inclusive
intenção, o AT,
seu tema tem que
verdadei
ro. Este tema verdadeiro é Cristo: “A Bíblia é a Escritura Sagrada
somente na medida em que fala de Cristo Jesu s.”6* Vischer, logo,
interpreta o AT por seu testemunho de Cristo. Ele acha que o AT
oferece, em todas as suas partes, testemunhos de Cristo — não no
sentido de que ele deva ser diretamente encontrado no AT, mas no
sentido em que o AT, em todas as suas partes, aponta para ele e sua
crucificação. Vischer explica que o AT nos diz o que Cristo é e o NT
quem ele é.59 Se
reconheceremos não entendermos
e confessaremos Jesusocomo
que oo Cristo.60
Cristo do AT é, nunca
Com base nestes princípios, Vischer oferece interpretações total
mente cristológicas do AT. Ele afirma que o AT, como um todo, não
só apon ta para Crist o e lhe dá testem unho , mas que em cad a m íni mo
detalhe o olho do crente pode reconhecer Cristo. “Não entendemos
um a única palavra em toda a Bíbl ia s e não encon trar m os Jes us n est a
palavra” .61 As pala vras “ H aja lu z" (G ên. 1:3) se referem à “gló ria de
Deus n a fac e de C risto” .62 O sinal de C aim , em Gên esis 4:15, é a
cru z.6-’ Oe pa
de Jesus tria rc ressurreição.64
anterior a Eno qu e e suaA ascensão ap que
profecia de on tam p a ra a ascensão
Jafé “habitaria
nas ten das de Sem ” é cu m pr ida n a igreja dos gentios e dos ju d eu s. 65
Falando da Presença noturna com quem Jacó lutou no Jaboque
(Gên. 3 2), Vischer pe rgu nta quem era essa pessoa e responde que era
Jesus Cristo.66
Vischer tem sido alvo de muitas criticas, até de críticas injustas e
desdenhosas. Ele acha que uma exegese puramente histórica do AT
não é suficiente, pois faria do AT um documento de uma religião

56 Th. C. Vriezen. A n O u tlin e o f O ld T e s ta m e n t Theology (2,fl ed.; Newton, Mass..


1970), p. 98.
57 W. Vischer, Th e W it nes s o f the O T t o C hrist , 2 vols. (Filadélfia, 1949).
58 Vo l. 1, p. 14.
59 P. 7.
60 P. 12 e 26
61 Vischer, conform e citado por W. Hertzberg, ThLZ 4(1949), p. 221.
62 Vischer, T h e TViVflayjo f th e O T to C h r ist , I, p. 44.
63 P. 75 e s.
64 P. 87 e s.
65 P. 104 e s.
6 6 P .15 3 .

140
antiga e de pouca relevância aparente para os cristãos. Vischer é
conhecido como um erudito extremamente competente, que insiste
numa abordagem histórica e filológica da Bíblia.67 Há muitas coisas,
na abordagem de Vischer, que não deveriam ser rejeitadas tão
facilmente. Ao mesmo tempo, Vischer dá a impressão de que
extrapolou em algumas limitações de sua abordagem, Ele escreve:
“A história da vida de todos estes homens[do AT] são parte de sua
Ide Jesus] história. Logo, são escritas com pouco interesse biográfico
para com os indiv íd uos. O que está escrito sobre eles está , na
realidade, escrito como uma parte da biografia daquele por intermé
dio de que m e em direção a qu em eles vivem.” 68 Par ece que V ischer
.sente-se numa posição de reconstruir uma biografia de Jesus a partir
do AT. Se isto fosse possível, seria difícil perceber por que o AT fala
em primeiro lugar de Abraão, Moisés, etc. Por que não fala logo de
Jesus? Falaria dele apenas de uma forma misteriosa? Vischer inter

preta
AT devaseu
o AT consiste
próprio nte m ente
testemunho ao la do
distinto? Nãodohaverá
NT. Será queuma
também ele priv a o
corrente de vida fluindo do AT para o NT? Não obstante, podemos
concordar com John Bright que “Vischer certamente merece agrade
cimentos por estar entre os primeiros a nos lembrarem que não
podemos nos contentar com um a com preensão puram ente histó ric a
do AT , mas devemos te n ta r vê-lo em seu significado cr is tã o ".69
A tendência em direção ao marcionismo, com sua ênfase sobre a
descontinuidade e a desunião entre os Testamentos, está totalmente

presente
Friedrich em A. H arnack,
Delitszch, que oreivindicou
para quem AT era uma livro
dispensa do AT, e em
não-cristão.
Uma tendência marcionista atenuada manifesta-se em E. Hirsch,
para quem os Testa m ento s encontram -se num “ conflito antité tic o”
entre si, e, em m enor grau , em B ultm an n, B aum gãrtel e H esse.70
O extremo oposto transforma o AT em todo-importante histórica e
teologicamente para os crentes. Aparece numa variedade de formas
em van Ruler, Miskotte e Vischer. Em outras palavras, de um lado
estão aqueles que acentuam a diversidade entre os Testamentos até o

67 Á metodologia exegética de Vischer fo i recentemente dem onstrada clar am ente em


sou “La Methode de 1'exegese biblique", R evu e d e ih eolo g ie et de p h ilo so p h ie 10
(1960), p. 109-123.
68 W. Vischer, D ie B ed e u iu n g des A T f iir das ch ris tlich e L eben (Zurique. 1947).
p. 5.
69 Bright, The Au thority o f the O 7\ p. 88.
70 Os seguintes estudos criticam esta posição a partir de perspectivas bem diferen
tes: U. Mauser, G ottesbil d und Menschwerdung. Em e Unters uchung ztir Einhci t
d es A lte n und N enen T e sra m em s (Tübingen, 1971); G. Siegwalt, L e L o i. chemin
du Su/u t. È iu d e su r ía xigni.fico.tion d e la kn d e T A T (NeuehâteL 1971);
W. Zimmerli. D ie W eh lic h k e it des A T (Gõ ttingen, 1971); J , D . S m arí, The Stran-
g e S ilen ce o f th e B tb le in th e Church (Londres, 1970); J. Bright, The Authority of
th e 0 7 ’(Nashville, 1967) , p. 58-79.

141
ponto da tota l desuniã o e com pleta descontinuid ade entre o AT e o
NT, enquanto do outro la do estão aqueles que supervalorizam o AT e
relegam o NT a segundo plano. A ênfase cristológico-teocrática de
van Ruler e Vischer, por exemplo, propõe dificuldades especiais,
porque am plific am e elimin am virtu alm ente as m ultip licid ades de
testemunhos bíblicos. Sofrem de um reducionismo da multiplicidade
do pen sam ento do AT, o que s e torna sim plesm ente um pálido reflexo
do Messias por vir. Aqui o brado, de certa forma agudo, do “cristo-
m on ism o” 71 tem um objetivo. G. E. W rig ht, J. B ar r e R. E. M urp hy 72
enfati zam a ab ordagem trinitária, que v ai ao encon tro das necessida
des de delinear melhor a relação entre os Testamentos. Esta aborda
gem preserva o sensus literalis do testemunho do AT e evita o
desenvolvimento de um método hermenêutico baseado simplesmente
no uso feito pelo NT dos textos do AT. Uma vez alcançado o
verdadeiro significado de Cristo dentro do contexto da Trindade,
pode-se, entã o, dizer que Cristo é o destin atário e, ao mesmo tem po,
o guia para a verdadeira compreensão do AT. W. Vischer colocou
uma vez a questão, que permanece critica: "Estará correta a inter
preta ção que lê todo o A T com o um te stem unho do M essias Jesus, ou
será que v iola os escrit os do A T? ” 71 L. G op pe lt ap on tou p ar a o po nto
critico com exatidão ao assinalar que “o tema de Cristo e do Antigo
T esta m en to... é um a questão-chave pa ra a t eologi a co mo um todo ” .74
Nenhum teólogo cristã o pode evitar esta questã o.

B. Padrões dc Unidad e e Continuida de


No começo de nossa discussão, levantamos a questã o a respeito de
devermos ou não ler a partir do AT para o NT, ou do NT para trás,

71 WriglU. Th e O T und Thenl ogy, p. 13-38. Ele protesta contra a resolução do con
flito entre o AT e o NT em termos de um “Novo tipo de monoteísmo baseado em
Cristo” ("Historical Knowledge and Revelation", U nderstanding an d Trans lat ing
th e O T , p. 302).
72 Wrighl. IJndvrsiu ndin g a n d Tr un.síatinf: th e O T , p. 301-303: Barr, O ld and Ne w
in Inlerpretuiion , p. 151-154; Murphy, Theolo gy D igesl (1970), p. 327.
7 3 Christitszvugnis. p. 32. Naturalmente. Vischer dá uma resposta afirmativa à
questão. E le desig na J esus com o o “ signif icado oc ulto dos eserilos do A T" (p. 33) .
Em sen livro D ie H edeutu n g d e s A T f i i r d as ch ristlich e L eben (Zurique. 1947),
p. 5, ele escreve: "Todos os movimentos de vida a que se refere o AT movem-se
dele [Jesus] c em direção a ele. As histórias da vida de todos estes homens são
part e da históri a de sua vida. Logo, são escritas com tão peq uen o interesse biog rá
fico pelos indivíduos. O que se escreveu a respeito deles é, na realidade, pane da
biografia daquele por meio de quem e para quem vivem." Isto significa que não
poderíamos reconstituir uma biografia de Jesus a partir do AT. Se a posição de
Vischer estivesse correta, seria difícil perceber por que o AT fala em primeiro lu
gar a respeito de Abraão e Moisés. Por que não fala logo de Jesus e por que só
74 L.fala dele de forma
Goppelt, tãoogi
Theol “ocu
e de s Nlta"?
T (Goitingen, 1976), II. p. 388.

142
íiti- <1 AT, ou, reciprocamente, do AT para o NT e do NT para o AT.
Muitos teólogos famosos têm-se dirigido a esta questão. Como
exemplos, podemos citar H. H. Rowley, que nos lembra que o
"Antigo Testamento olha continuamente para a frente, para algo
ulóin de si mesmo; O Novo T estam ento olha con tinu am en te p ar a trás,
liara o A ntig o".75 Dois do s mais famosos teólogos do A ntigo T es ta
mento deste século têm afirmado que ambos os Testamentos ilumi
nam um ao outro em suas relações mútuas. W. Eichrodt declara:
"Hm acréscimo a este movimento histórico do Antigo Testamento
para o Novo há um a corrente de vida que flui em direção inversa, do
Novo T esta m ento p a ra o Antigo. E ste relacio nam ento reverso
também esclarece o significado total do domínio do pensamento do
Antigo Testamento.”7®Semelhantemente, G. von Rad acentua que o
conte xto m ais am plo do A T é o NT, e vice -ve rsa .77 H. W . Wolff
sug ere que “ o signif ica do total d o Anti go Tes tam en to” é “ rev elado no
Novo T estam ento” .78 Este s estudiosos apo ntam p a ra um a rela ção
recíproca entre os Testamentos. H. H. Rowley lembra-nos que “existe
uma unidade fundamental, de modo que, com toda sua diversidade,
eles [os Testamentos] se pertencem um ao outro tão intima m ente que
o Novo Testam ento n ã o - pode ser com preendido sem o Anti go,
nem pode o Antigo Testamento ser compreendido totalmente sem o
N ovo”.79 Está claro que a ênfase destes teólogos está colocada sobre
as chaves internas, que abrem as portas de ambos os Testamentos.
O AT parece um corpo sem membros sem o NT e o NT é um prédio
que não tem alicerces sem o A T .80
Não é nosso propósito oferecer um esquem a am plo das vária s linhas

75 H. H. Rowley, The U nit y o f the Bib le , p. 95.


76 W. Eichrodt, The ol ogy of t he O ld Test ament (Filadélfia, 1961), I, p. 26.
77 G. von Rad, Old Testament Theology (Edimburgo, 1965), II, p. 369 (daqui para
{rente citado como QTT)\ "O contexto mais amplo dentro do qual temos que
colocar os fenômenos do Antigo Testamento, se devem ser significativamente
apreciados, não é, contudo, um sistema geral de valores religiosos e ideais, mas o
limite de uma história específica, que foi posta em movimento pelas palavras
e atos de Deus e que, como o vê o Novo Testamento, encontra sua meta na vinda
de Cristo, Somente neste evento vale a pena procurar pelo que é análogo e compa
rável. E é tão-somente neste modo de encarar o AT e o Novo Testamento que as
correspond ências e analogias ent re o s dois aparecem sob luz próp ria.”
78 H. W. W olf f, "The Herm eneuti cs of th e Old T estam ent", E O T H , p. 181.
79 Rowley, The Unity of the B ible, p. 94 (o grifo é dele).
80 Entre os estudos ligados ao assunto da unidade dos Testamentos, os seguintes
oferece m u m a contribuição especial , em acréscimo aos citados nas notas n .° 2 e 70
deste capítulo: A. S. B. Higgins, The Christi an Signifi cance o f the O T (Londres,
1949): P. Auvray et al.. L'AT et les chrétiens (Paris, 1951); F. V. Filson, ‘‘The
Unit y of the Q T and the NT: A Bibliographic al Surve y". I n te rp re ta tio n 5 (1951),
p. 134-152: H. H. Rowley, The Unity of t he Bible (Londres. 1953); D, E. Ni-
neham, ed., The Chu rchs Use of t he Bible (Londres, 1963); H. Seebass, "Der Bei-
trag des AT ztim Entwurf einer biblischen Theology", Wart und Dienst 8 (1965),
p. 20- 49; H. Ca zelles, ‘‘Th e Unity of the B ible and the Peop le of God" , Scriptu-

143
de conexão para as quais a erudição bíblica tem apontado nas
rece nte s dis cuss ões. Limit ar-nos- emos aos padrõ es de u nidad e den tro
da diversidade, que, em nossa opinião, são os que m ais se sobressae m
e os mais promissores nas discussões acadêmicas atuais. Tudo isto
reflete u m a reciprocidade esse ncia l entre os Testam entos.
1. Conexão H istórica . Enquanto tentam chegar a um acordo na
questão da unidade entre ambos os Testamentos, os eruditos geral
mente enfatizam a natureza histórica da história essencial da Bíblia.
A marca comum do AT e do NT é a história contínua do povo de
Deus. O AT é visto como um a pre pa raçã o históri ca pa ra o NT. A H is
tória é proe m inente n a Bíbl ia. O intere sse prim ário na Bíbl ia é a açã o
de Deus em nome da redenção de seu povo e suas nações. Assim, a
unid ade entre o AT e o NT re sulta do fato de que a B íbl ia s e pre ocu pa
“ inteiram ente c om Deus e com seu tratam en to com a h um an ida de ” 81
por meio de um e mesmo Deus trin o, que está presente e ativo na
história do antigo Israel, em Jesus Cristo e na vida guiada pelo
Espíri to e testemu nho da Igreja d o NT.
Para o antigo Israel, esta história é o contato com o seu Deus.
“A própria idéia de que a História é um processo com início, meio e
fim é src inária de I sra el.” 82 É o pro pós ito e a vontad e de D eus que
unificam o processo histórico. A carreira histórica de Israel ê
conduzida pela vontade de Deus para cumprir seus desígnios. Estes
desígnios são cada vez mais descobertos durante os tempos do AT e
do NT. O Israel espiritual está em linha direta de co ntinuidad e com o
Israel Temporal, estando o primeiro ligado ao segundo, comparti
lhan do das m esma s m etas e obje tivos.
2. Dependência E scriturai. U m a das li gações t eológi cas entre o AT
e o NT são as citações no NT de passagens do AT. Vários teólogos se
ref erem a esta conexão co mo “ prova esc riturai” .83 Tem -se enfatizado
que a “idéia da prova é im po rtante po rqu e as cit ações estão colocad as
no contexto de um argu m ento e s ão feit as co mo pa rte da prom ulgação

re 18(1966), p. 1-10; F. N. Jasper, “The Relation of the OT to the New", E x p osi-


tory T im es 78 (1967/68), p. 228-232 e 267-270; F. Lang, ‘‘Christuszeugnis und
bibli sche T heologie” , E vT h 29 (1969), p. 523-534; A, H. van Zyl, "The Relation
Bet ween O T and N T ” , H erm en eu tica (1970), p. 9-92; M, Kuske, D a s A T ais B uch
mm C h risiu s (Gôttingen, 1971); S. Sidel, “Da.s A!te und das NT, Ihre Versehie-
denh eit und E inhe it’ ’, Tüb ingerPrakti sche Q uartal schrif i , 119(1971), p. 314-324;
J. Wenham, Christ and the Bible (Chicago, 1972); F. F. Bruce, The N T Deve -
lopm ent of O T Themes (Grand Rapids, Mich., 1973); Harrington, The Path of
B ib lic a l T h eolo gy (Dublim, 1974), p. 260-336.
81 F. V. Fílson, “The Unity Between the T estam ents” , The Interpreter's One-Volu-
m e C o m m e n ta ry on th e B ib le (Nashville, 1971), p. 992.
82 J. L. McKenzie, “Aspects of Old Testament Thought", The Jerome Bihlieal
Commentary, eds. R. E. Brown, J. A. Fitzmvere R. E. Murphy(Englewood Cliffs,
N. J., 1968), p. 755.
83 Sobre o todo, ver R . T. Fran ce, Jesus a n d th e O ld T e s ta m e n t (Londres, 1971).

144
' I'' eva nge lho” .04 O fato e o núm ero destas citações pod em ser
Im ilmente o btidos folhean do-se o NT grego de N estle-A land, que
marca 257 pass agen s como citações ex plícitas .85
I po nto de vist a histórico -crítico m ode rno , alg um as dessas cita-
>,>Vs não estão de ac ord o co m o sign ificado a pare nte m en te r eco lhido
ilus lextos do AT. Isto tem levantado sérias objeções contra a visão de

uma linha
>>.is de ligação
mútuas. legítima
Certamente, as entre os Testamentos
citações do AT feitasem
no suas
NT referên-
requerem
uma investigação mais completa. É difícil aceitar a idéia de uma
i ' Irrencia esc riturai a rb itrá ria somen te c om a finalidad e de obter
muierial p ar a ilustraçõe s.86 Não podem os co nco rda r com B ultm ann ,
i |\ h - diz que o uso do AT pode ser melhor explicado como uma
projeção das convicções dos escritores do N T .87 A solução segundo a
qual o uso que o NT faz do AT pode ser explicada em termos de
.immodação à técnica dos métodos de exegese rabínicos con-
irm po
náu rân eo sentre
distingue só oé objetivo
útil atée ocerto
escopop das
o nto .88 Esterabínicas
exegeses po nto e de
de vist a
<.>umran, por um lado,89 e a perspectiva sem igual do uso que o NT
Ia/. do AT, p or ou tro. P. A. V erhoef assinalou que “ co ntra as opi niões
críticas afirmamos que o Novo Testamento, ao citar o Antigo Testa
ment o, em nenhum lugar pressupõe um a fenda funda m ental entre o s
Testamentos” .90 Ist o correspon de totalm ente à a ceitação do cânon de
ambos os Testamentos pela Igreja Cristã. É verdade que as referên
cias ao AT não foram feitas de modo sistemático, mas isto não
diminui
3. oVocabulário.
significado de Um
um aprocedimento
ou tra li nha de
de citações
cone xãoextensivo.
entre o s Testamentos
sc enco ntra na relação do voc abu lário ou pa lav ras d a B íblia .91 Jesus
84 Verhoef, "The R elati onship Between t he Old and t he New T estam ent” . p. 28 2.
85 R. Nieole. "New Testament Views of the Old Testament”, R evelati an a n d the
B ib le , ed. C. F. Henry (1958), p. 137, conta pelo menos 295 referências dis
tintas. das quais 224 são citações diretas, apresentadas por meio de uma certa
fórmula definida. K. Grobel, “ Q uotations” , I DB (Na shvill e, 1962) , III, p . 977,
escreve que o AT “é explicitamente citado somente 150 vezes e tacitamente umas
1. 100 vez es m ais” .
86 Hesse,
87 R. D as “Prophecy
Bultmann, A lte T e staand t ais B uch d e r K ir cEhOe T, p.
m e nFulfillment”, H 38.
, p. 50-75, que foi criticado por
C. Westermann, E O T H , p. 124-128.
88 E. E. Ellis. Pau l's U se o f th e O ld T e sta m e n t (Grand Rapids, Mich., 1957), p. 143;
ver o estudo detalhado de R. Longenecker, B ib lic a l E xegesis in th e A p o sto lic
P erio d (Grand Rapids, Mich., 1975).
89 F. F. Bruce. B ib lica l E x egesis in th e Q u m ran T exts (Grand Rapids, Mich., 1959),
p. 66-77; R. H. Gundry, Th e Us e of the Old Testament i n St . M ath ew s G ospel
(Leiden, 1967); J. A. Fítzmyer, “The Use of ExpHcit Old Testament Quotations
in Qum ran and in t he New T est am ent", N T S 7 (1960-6 1), p. 297-333.
90 Verhoef, “The Relationshi p Between t he Old and New T estam ent” , p. 284.
91 Ist o é partic ularmente acentuado por J. L. M cK enzie, "Aspects of O T T ho ug ht” ,
The Jerome Biblical Commentary , eds. R. E. Brown, et. aI. (Englewood Cliffs,
N .J ., 196 8) , p. 767.

145
e os apóstolos usavam termos familiares. Em outras palavras, a
linguagem teológica que Jesus e os apóstolos usavam era a linguagem
conhecida por eles e por seus ouvintes. Esta linguagem impregnada
teologi cament e era produ to d e longa tradição. "Sem um em basam en
to do AT e da fé israelita, a mensagem de Jesus teria sido ininteligí
vel.” Reconhece-se que “quase toda palavra-chave teológica do Novo
Testamento provém de alguma palavra hebraica que teve uma longa
história de uso e de desenv olvi mento no Antigo T es tam en to” .92
A erudição tem dado m uita atenção à investi gação do hist óri co das
pala vras do NT e suas origens no A T .93 Há vários modos de apareci
mento das palavras. Finalmente, cada contexto individual determina
o significado neste mesmo contexto. Não obstante, a variedade de
usos de palavras únicas esclarece bastante as ordens semânticas do
significado. Há muito poucas palavras-chave no AT que não tenham
sido enriquecidas no NT. Apesar de sabermos que a mesma palavra
expressa diferentes significados, não existe apenas uma palavra para
cada idéia ou tema distintos. Teremos que alcançar a linha de
conexão entre as “palavras gregas e seus significados hebraicos”,94
isto é, e nt re o A T e o NT.
4. Temas. J. B right a val iou a u nida de dos tem as teol ógic os bási cos
do AT e do NT da segui nte m aneira: “C ada um dos mais im portan tes
temas do AT tem seu correspondente no NT, e é de algum modo
retom ado e respo ndido ali.” 95 Po r meio deste fato, constrói- se um a
ponte herm enêutica entre os Testa m ento s, que nos perm ite o acesso a
cada um dos text os do A T e define p ar a nós o proce dim ento a segui r,
na tentativa de int erpretá-los em seu signif icado cri stão.
É imposs ível fornecer um a lista d os m uitos tem as que ligam os dois
T esta m en tos.96 Pensa-se de im ediato em criação , p rom essa, fé,
eleição, justiça, amor, pecado, perdão, juízo, salvação, escatología,
messianismo, povo de Deus, remanescente e muitos outros. Um dos
temas que recentemente foi acentuado por dar expressão ao relacio
nam ento en tre os Te stam ento s é o pa cto (ou pro m essa divina ).97
Mas mesmo o tema do pacto como tema simples não possui a chave

9 2 I b id .
93 G. R. Kittel e G. Friedrich, eds., Tkeulogieal Dictiunury of the New Testament
(1962-1975), 8 vols.; L. Coenen et. ai., Theologisckes Begriffsiexikon zun> Neuen
Testument (3.a ed.; Wuppertal, 1972), 3 vols.; X. Leon-Dufour, D ic tiu n ury o f
B ih liea l T h eology (New York, 1968); C. Brown, ed., The New Internacional Dic-
tion ary o f N ew T e sta m e n t T h eology (1975 -78), 3 v ols .
94 D. Hill, Greek W ards an d H ebrew M eani ngs: Studies in the Sem antic s of Soter io-
logical Terms (Londres, 1961); idem, B ih lie a l W ords f o r T im e (Londres, 1962).
95 Bright, The Au thority o f the OT> p. 211.
96 J, Guillet, Themes o f the Bibl e (South Bend.. 1960); F. F. Bruce, N e w Testament
D e v e lo p m e n t o f O ld T e sta m e n t T h em es {Grand Rapids, Mich., 1969).
97 Fensham, "The Covenant as Giving Expression to the Relationship Between Old
and New T estam ent” , p. 86-94.

146
ilomada que revela todos os mistérios da relação entre os Testa
mentos.
5. Tipologia. Um modo proeminente de ligar os dois Testamentos
win ;io outro é o estudo das pessoas, instituições ou eventos no AT em
'.eu relacionamento tipológico com o NT.98 Numa tal perspectiva, os
111>i>s de scr itos no AT s ão vistos com o mod elo s ou pr ot ót ip os de
pessoas, instituições ou eventos no AT. A tipologia se desenvolve ao
Inngo de linhas verti cai s e h o riz o n tais ."
A discussão sobre a tipologia recebeu uma nova força de W.
r u hro dt100 c de G. von R a d .101 E ich ro dt usa a tip olo gia “ como
desi gnação de um modo pe culiar de v er a Histó ria” . Os tipos "s ão
pessoas, instituições e eventos do Antigo T estam ento , que são vistos
como modelos divinamente estabelecidos ou pré-representações das
realidades correspondentes na história da salvação do Novo Testa
m en to” .102 Sua exposição pare ce con co rda r com as opiniões trad icio 
nais do cristianismo antigo. Mas suas opiniões divergem das de von
Kad, cuja premissa básica é que o “Antigo Testamento é um livro de
I n st óri a” .103 É a h istó ria do povo de De us e d as ins tituiç õe s e
profecias dentro dele, que fornecem os protó tipos p ara os antítipos do
NT dentro do dom ínio to ta l da História e da escato lo gia .104 Von R ad
está amplamente fundamentado, como se pode inferir por haver
relaci onado Jo sé a Cris to co mo tipo pa ra an títip o .'"5
Alguns eruditos rejeitam completamente a abordagem tipológi-
c a .106 Contud o, a im po rtân cia de sta ab ord ag em tipológica não deve

48 Entre a literatura principa l sobre o assun to da tipolog ia e. sl ão os segu intes:


t.. Goppelt, Typt js : Die typotogi sche D eutung des Alten Testam ents (2.a cd..
Darmstadl, 1966),• idem, "Tvpos", Thei ihi gi eal Dicti onary o f the New Testam ent 8
(1972), p. 246-259; A. Schultz, Nachfolgen Und Nachahmen (Munique, 1962),
p. 309-331; Ellis, PuuTs U se o f th e O T , p. 126:139; Lurcher, L u e tu a lité ckret. de
!'AT, p. 489-513; G. W. H. Lampe e 1. J. Woolcombe, E ssays on T yp olo gy
(Londres, 1957); P. Fairbaim, The Typology of Scripture (Grand Rapids, Mich.,
s. d.) ; W . Eichrod t, “ Is T ypo logical Exegesis an Appropriate M ethod?" EOTH .
p, 224-245; G . von Rad "Typologyc al Interpr etat ion of the Old T estam ent” ,
E O T H , p. 17-39; idem, Old Testament Theology, II, p, 364-374: P. A. Verhoef,
■ 'So me Notes on Typ ologic al E xegesis” . N ew L ight on S om e O T P ro b le m s (Praeto-
ria, 1962), p. 58-63; H, D. Hummel, “The OT Basis of Typological Interpreta-
tion'\ B ib lic u l R esearch 9 (1964), p. 38-50; J. H. Stck, “Biblical Typology Yester-
da y and T oday” , Calvin Theological Journal 5 (1970), p. 133-162; N. H. Ridder-
bos , "T ypologie” , Vox Theologica 31 (1960/61), p. 149-159-
99 Hu m m el. '' The OT Basi s of Typological Interpretati on” , p. 40-50.
10 0 "I s T ypo logical Exegesis an Appropriate Method"? E O T H , p. 224-245.
101 "Typ ological Int erpretation of the N T ” , E O T H , p. 17-39; OTT, II, p. .364-374.
102 E O T H , p. 225.
103 E O T H , p. 25; cf. OTT, II, p. 357.
104 OTT, II, p. 365.
105 OTT, II, p. 372.
106 F. Baumgãrtel,
of Method ThLZ 86 (1961), p. 809-897e
in OT Hermeneutics”. 901-906.Review
The Dunwoodie R. Lucas,
6 “Considerations
(1966), p. 35; ''A ti-

147
ser negada, quando não é desenvolvida num método hermenêutico
aplicado a todos os textos como se fosse uma varinha de condão.
A correspondência tipológica tem que ser rigidamente controlada,
com base no relacionamento direto entre vários elementos do AT e
seus correlativos do NT, a fim de que opiniões pessoais fortuitas não
se insin uem na exe ges e.107 Deve-s e ter m uito cu ida do p a ra nã o c air n a
armadilha de aplicar a tipologia como o único plano teológico
defi nido pelo qu al se estabelece a unid ad e dos Te stam ento s. A defe sa
da unidade tipológica entre os Testamentos não está primariamente
interessada em encontrar uma unidade de fatos históricos entre os
protó tipos do AT e sua co n trap artid a do N T ,108 em bora isso não deva
ser totalmente negado. Ela preocupa-se mais em reconhecer a
conexão em termos de uma semelhança estrutural entre tipo e
antítipo. Ê inegável que a analogia tipológica começa com uma
relação que ocorre na História. Por exemplo, a analogia tipológica
en tre Moisés e Cristo em II Coríntios 3:7 e ss. e He bre us 3:1-6 começa
com um a relação que ocorre na H istória; mas o int eress e não está em
todos os detalhes da vida e do ofício de Moisés, e. sim, primariamente
em seu “ministério” e “glória”, na primeira passagem, e em sua
“fidelidade" enquanto líder e mediador na dispensação divina, na
segunda passagem. É igualmente verdadeiro que o antítipo do NT va i
além do tipo d o A T ."’9 M esm o send o corre to, pelo men os a té certo
ponto , que o curso da história que une tipo e antítipo ressalta a
diferença entre eles, enquanto a conexão é primariamente descoberta
em sua analogia estrutural e correspondência, isto não deve ser usado
como argum ento c on tra a tipol ogia, a n ão ser que ela se ja vista ape nas
em termos de um processo histórico,"0 O meio conceituai da corres-
pologia sc ressente da /alta daquele critério que estabeleceria tanto sua limitação
como sua validade... É uma teologia dos textos bíblicos. Deixa para trás o Antigo
Testamento, em última análise, e descobre seu significado fora e além de seu tes
temunho histórico.” Murphy, Theology Digest 18 (1970), p. 324, ach a qu e a tipo
log ia não ( em criat ivi dade suficiente para as possibilidades da teologia e , em com
paração com a i gre ja pri mitiva, “ é si m plesm ente me nos atraent e ao temperam ento
moderno”. Ver também Barr, Old and New in Interpretation, p. 103-148. que
não d esej a separar a tipologia da alegoria.
107 Ver também, a respeito de um uso apropriado da tipologia, as observações de
H. W. Wolf, “The Hermeneutics of the OT", E O T H , p. 181-186; e Vrezen,
A n O u tl in e o f O T T h eo lo g y , p. 97 e 136 e s.
108 Von Rad, E O T H , p. 17-19, advoga que a abordagem tipológica procura "readqui
ri r referê ncia aos f atos atestados no Novo Testa m ento" , isto é, d escobrir a cone xão
no processo histórico.
109 Eichrodt, E O T H , p. 225 e s.
110 Ê aí que Pannenberg, E O T H , p. 327, se perde. Para ele, a única analogia que
tem algum valor é a histórica. Pannenberg adota o esquema de “promessa e cum
primento" sem imaginar que esta "estrutura" (p. 325), como ele a cliama
repetidam ente, funciona, em sua própr ia apres entação, com o um a outr a instânci a
do princípio at emporal, sendo emp regad o par a substitui r a H istóri a. Pannenb erg
enfatiza que a liberdade, a criatividade e imprevisibilidade são centrais para a

148
poudência tipológica. tem seu lugar distinto em sua expressão da
ijualificação do evento de Cristo, mas não pode em si expressar
com pletam ente o evento de C risto em term os de histó ria do AT. I.o^o,
íiUordagens adicionais serão necessárias para complementar a tipo
Ingica. A Bíblia é muito rica em relações entre Deus e o homem para
que elas se confinem a uma conexão especial. Considerando que

tomos quecada
definidos, hesitar em aceitar
tentativa de ver oastodo
referências tipológicas
a partir de um único em casos
ponto de
vista deve acautelar-se quanto ao desejo de explicar cada detalhe cm
termos deste úrtico aspecto e impor um quadro geral sobre a
variedade de relações possíveis. Embora o contexto do AT tenha que
ver preservado de sua prefiguração, de modo que os significados do
NT não sejam extraíd os som ente dos textos do AT, parece que um a
indicação clara doNT é necessária, de modo que as fantasias imagi
nat ivas e as analogias ti pológi cas arb itrária s p ossa m ser evitadas. Isto

quer dizer não


tipológica quedeve
a questão de um caráter
ser suprimido. a posteriori da abordagem
6. Promessa-Cumprimento. Padrão de continuidade extremamen
te significativo entre os Testamentos é o esquema de promessa-cum-
prim ento . E sta esquem a recebeu especial ate nção por p arte de
W ester m ann, W . Zimmerli , G. von Rad e o u tro s. " 1Dest e modo, o
cum prim ento possui um a passagem ab er ta em direção ao fu tu ro .112
liste aspecto escat ológi co está presen te em am bos os 1 estam entos.
Westermann observa: “A promessa e o cumprimento constituem um
evento
da integral,
Bíblia.” relatado
Em vista tanto nomúltiplo
do caráter Antigo do
como no Novo Testamento
relacionamento entre os
Testamentos, W esterm ann adm ite que s ob a idéia única de pr omessa-
cumprimento “não é possível resumir tudo na relação do Antigo

História, mas acha que este aspecto central da História se preserva somente no
que o cumprimento freqüentemente acarreta um “colapso” da profecia como
"interpretação legítima", uma “transformação do conteúdo da profecia", que se
cumpre de outro modo, e não do modo co m o os receberiores da palavra profética
esperavam (p. 326).
bilidade entre Aqui, Pannenberg,
a História inconscientemente,
e sua estrutura. Assim, mesmoadmitiu a incompati
na posição de Pan
nenberg, a estrutura e a construção tendem a substituir a História e transformam
o uso dele da estrutura de prom essa e cum prim ento em a-históri co.
U t Th e O T an d Jes us Ckris t (Minneapolis, 1970); W. Zimmerli, “Prnmise and Ful-
fillment”, E O T H , p. 89-122; G. von Rad, “Verheí.ssung", EvTh 13 (1953),
p. 406-413; R. E. Murphy, “The Relationship Between tlie Testaments", CD Q 26
(1964), p, 349-359; iilem. "Christian Undcrstundinj; of the OT", Thrologv
D ig esi 18(1970), p. 321-332.
112 Este conflito entre promessa e cum primento e uma caracterí sti ca di nâmica do AT.
Visto que é um tipo básico de história interpretada que os próprios AT e NT nos
apresentam, a tentativa de J. M. Robinson (OTCE. p. 129) dc dispensar a
categoria de promessa e cumprimento como uma estrutura imposta à história bí
blica a partir do exterior é abortiva.

149
Testam ento com Cristo” . " 3 Em escal a mai s am pla, temos que
admitir que o esquema promessa-cumprimento não resume toda a
relação entre os Testamentos. Fundamental e frutífera como é a
abordagem promessa-cumprimento, não é por si mesma capaz de
descrever a natureza múltipla do relacionamento entre os Testa
mentos.
Se levantarmos a questão de como o AT pode se relacionar
adequadamente com o NT, temos que nos decidir quanto a uma
base a priori de que ambos estão de algum modo ligados entre si.
Temos que estar conscientes dessa decisão, que sempre conduz nosso
questionamento do material do AT. Esta decisão a prio ri não é fácil.
Isto é verdadeiro especialmente quando o AT é visto do mesmo modo
que von Rad o vê, a saber, que “o Antigo Testamento só pode ser
interpretado como um livro de expectativa sempre crescente”.1'4
Esta afirmação pressupõe uma compreensão particular da história da
tradição do AT, isto é, a que desde o começo focaliza a transição
p ara o NT. A perspectiva de von R ad só encontra sua ju stific ativa em
termos de uma linha de conexão direta, que se movimenta do
testemunho da ação inicial de Deus em direção ao juízo e prossegue
p ara a esperança na ação renovada de Deus, em que ele prova seu
caráter divino. É surpreendente ver como Israel nunca permitiu que
uma promessa resultasse em nada, como expandiu ao infinito a
prom essa de Javé e como, não colocando absolutam ente nenhum
limite sobre o poder de Deus ainda a se realizar, transmitia as
prom essas ainda não cum pridas às gerações futuras. Devem os, entã o,
perguntar, com von Rad: "N ão será fictício, do ponto de vista cristão,
o modo como a religião comparativa assimila o Antigo Testamento
em teoria, como um objeto que pode ser adequadamente interpretado
sem referência ao Novo T es tam en to? ” 115 Po r outro lado, nã o há na da
de misterioso em nos esforçarmos quanto à questão do relacionamen-
to entr e os Testam entos. Inici almente, p ortan to, n ão começam os co m
o NT c suas múltiplas referências ao AT. Este método tem sido
freqüentemente adotado, mais recentemente por B. S. Childs, como
observamos acima. Tem também levado com freqüência à compara
ção entre os Testamentos, com uma sagacidade que não faz justiça à
grande flexibilidade hermenêutica do relacionamento entre eles.
O m étodo ade qua do seri a, então, inici almente, um a tentativa de
mostrar os meios característicos pelos quais o AT leva ao NT. O NT
pode, deste m odo, com base nesta abordagem inicial, esclarecer o
conteúdo do AT.

113 Tin- O íu iu ljeM is Ch risi . p. 78.


114 OTT. 11. p. 319.
115 OTT. II. p. 321.

150
7. História da salvação. Alguns dos padrões unificadores entre os
i'estamentos não podem se separar do padrão da história da salva-
i, , i o . u ó de que já falamos b as tan te nos capítulos an teriore s. Tivemos a
oportunidade de assinalar que nem mesmo a história da salvação é a
i liave dourada que abre as portas a todos os mistérios no relaciona
mento entre os Testamentos. A história da salvação não deve ser
d es ca rta d a,'17 po rque " a afirmação do NT de que J esus é o Mess ias
implica a unidade da História sob um único plano divino de salva-
A história da salvação aponta para uma unidade de
perspectiva.119
Unidade de Perspectiva. Muitos eruditos importantes concor
dam que existe uma perspectiva apontando para o futuro, que une o
AT ao NT. Th. C. Vriezen coloca-o deste modo: “O verdadeiro centro
de am bo s os Testa m en tos é , p or tan to, a pers pec tiva e sca tológ ica.” 120
II. H. Rowley escreve o seguinte: “A consumação total das esperan
ças do Antigo Testamento jaz ainda no futuro distante... Tampouco
talha o Novo Testamento em percebê-lo... Ele ainda localiza a glória
linal no fu tu ro .” 121 Exa tam en te como o crente do AT, o cren te em
<'risto “se dirige a um novo caminho, sob um arco de tensão entre a
promessa e o cu m p rim en to ...” 122 Todas as súplicas pelo cum prim en
to, na congregação da Nova Promessa Divina, se fundam num único
apelo: "Vem, Senhor Jesus.” (Apoc. 22:20; I Cor. 16:22). Assim,
dentro do arco da promessa e cumprimento, o propósito redentor de
Deus , sua história da salva ção s e rev ela do AT p ar a o NT e p ar a além
ilo fim dos tempos.
O AT rela ta dc fato um a história da sal vação incom um , po is é
iruneada. O Messias esperado não veio nos tempos do AT. Neste
sentido, o AT é um livro incompleto, apontando para além de si
mes mo, que t erm ina num a po stura de espera. Até sua ú ltima página,
fala de um cumprimento da promessa no futuro. O Deus que atuou
na criação, no êxodo, na conquista, guiando seu povo, atuará
novamente um dia. A conclusão desta história da salvação incomple
ta é uma preocupação primária do NT. O ponto decisivo de toda a
História aconteceu em Jesus Cristo. O Deus que atuou na história de
Israel, atuou decisivamente na história humana, através de Jesus

116 Ver as teologias du NT mencionadas sob o límio de "Abordagem da História da


Salv ação ” no Capítulo 2, p. 10 6- 12 5.
117 A ssim , D. Br rtun , “ Heil ais G ese hi eh te” , E vT h 27 (1967), p. 57^76. Paru unia
avaliação apreciativa da história da salvação, ver Kraus, B ibli sch e Thuofa gie ,
p. 185-187.
118 M eK eruie. “A spects of O T Th eology" , p . 76b .
I 19 Ver esp. Verh oef, "R da tions hip Between Old and New T estam ent''. p. 2 92 e s.
120 Vriezen, A n Q u ü in e o f O ld T esiu m en t T h e o lo g y , p. 123.
121 Zimmerli,
122 Rowley, The
E OUnit
T H y, op.f 114.
the Bible, p. 109 e s.

151
Cristo. Este é o centro da mensagem do NT. O NT completa o
incompleto do AT e ainda vai mais além do eschaton final. Do AT ao
NT e m ais além, não há um movim ento contin uo em direção ao
eschaton, a chegada do Dia do Senhor. De fato, toda a história do
Apocalipse constitui uma peregrinação, que espera a cidade cujo
arquiteto e edificador é Deus (Heb. 11:10). Nesta peregrinação há
muitas paradas, muitas realizações iniciais, mas cada uma delas se
transforma num ponto de partida novamente, até que todas as pro
messas sejam finalmente cumpridas no fim dos tempos. Assinalou-se,
corretamente, que o NT contém uma escatologia futurista. As predi-
ções a respeito dos últimos dias nos Evangelhos Sinópticos'e nos
outros escrit os do N T d ão con tinuidad e às expectativas do A T .123
A unidade entre o AT e o NT é também uma unidade de sua
perspectiva, pla no e propósito com uns p ara os homens e da ação
contínua de Deus para sua realização.124 O AT fala da história de
Israel em termos da história da salvação e prepara e conduz para a
vinda de Jesus, o Cristo de Israel e o Salvador de todos os homens.
Deve-se, certamente, admitir que nem tudo no AT pode ser resumido
sob a ru br ica d a histó ria da salv açã o,125 pois er a um a histó ria que
conduzia a Cristo e igualmente à rejeição de Cristo. Ã guisa de
esclarecimento, deve-se assinalar que temos na Bíblia não só a
revelação de Deus, mas também a reação dos homens. Temos que
reconhecer que a reação dos homens não é normativa, não faz parte
de todo o esquema do relacionamento entre os Testamentos. A "his
tória” da reação de Israel e do judaísmo, que levam à rejeição de
Cristo, não po deria ter sido um a pa rte da h istória da salva ção .126
Apesar das repetidas frustrações do plano e do propósito de Deus
p ara os hom ens, Deus ainda encarregou-se das prom essas excepcio 
nais a realizarem-se por seu intermédio no futuro. Toda a Bíblia,
então, dirige-se para a consumação de todas as coisas, no céu e na
terra. “Este é o tema penetrante tanto do Antigo como do Novo
T es tam en to.” 127 A ob ra de Cristo tem co ntinu idad e no E spírito Santo
e se com pletará n a consu m ação de toda s as c oisas .
Em vista dessas considerações, parecer-nos-ia que o único modo
adequado de nos empenharmos na natureza múltipla do relaciona
mento entre os Testamentos é optar por uma abordagem múltipla.
Tal abordagem deixa espaço para indicação da variedade de conexões
entre os Testamentos e evita, ao mesmo tempo, a tentação de explicar
os múltiplos testemunhos em detalhe através de um único ponto de

323 Verhoef, “ R elati onship Between the Old and New T estam ent” , p. 293.
124 FiJson, Th eInterp reter’ s One-Volume C om m entar y\ p. 992.
125 Bright, Th e Author ity o f the O T , p. 196.
126 M. Meinertz, Theologi e des Neuen Tesiam ents (1950), I, p. 54.
127 Verhoef, “ Relationship Bet ween Old and New T estam ent” , p. 293.

152
vista ou abordagem e assim impor uma única estrutura a testemu
nhos que depõem sobre outra coisa. Uma abordagem múltipla levará
ao reconhecimento do semelhante e do diferente, do velho e do novo.
<i;i continuidade e da descontinuidade, etc., sem ao menos distorcer o
Irstemunho histórico srcinal e o sentido literal nem falhar na
mlenção e contexto querigmáticos mais amplos, pelo que o próprio
AT testific a e o NT supõe.
Não é de surpreender que o debate atual acerca da natu reza
complexa da relação entre os Testamentos tenha se tornado crítico.
' >próprio vo n Rad fala do “ context o m ais am plo, a qua l pertence um
fuiô m en o especí fico do Antigo T est am en to ,..’’ 128 Ele reflete o inter es 
se de H. W. Wolff, que afirma que “no Novo Testamento encontra-se
n contexto do Antigo, que, como meta histórica, revela o significado
(otal do Antigo T e st a m e n to ..." 129 O teólogo sistemático H erm ann
Diem se expressa da seguinte maneira: "Para a interpretação moder
na da Escritura não é questão que precise de julgamento, quer a
interpretação siga o testemunho apostólico e interprete o AT através
dos seus (dos apóstolos) olhos qu er seja li do sem pressup osições, o que
significaria uma leitura de um fenômeno da história geral da reli
gião,.,’’130 De modo semelhante, Kurt Frõr sustenta que “o cânon
forma o contexto compulsório e dado de todos os livros dos dois
I esta m en to s".131 A idéia de “ co m plex o” n ão deve se lim itar ao
relacionamento mais simples de uma antologia, nem mesmo à
conexão dentro de um livro ou de uma obra histórica. No que diz

respeito
recebe um às aconexões
rel evânci mais
a hermamplas, o cânon,
enêu tica. como umpasso,
“ O primeiro fato dado,
no caminho
da continuação da auto-interpretação do texto, é dar ouvidos aos
testem unh os bíbli cos re m an es ce nte s." 1'12 Hans-J oac him K raus ca pto u
o que E ichr od t quer ia di zer, q uan do est e enfatizou que “ somente
onde este relacionamento recíproco entre o Antigo e o Novo Testa
mentos é entendido é que encontramos uma definição correta dos
proble mas da teologia do AT e do m étodo pelo qual é possível
reso lvê-los ” .133 Q ua nto a Kr au s, sua con tribu ição à que stão do

contexto
dos textosmostra que "a
e temas. Istoquestão do paracontexto
significa o AT, a éempresa
decisivadapara a conexão
exegese
Icológico-bíblica: Como se referem o Antigo e o Novo Testamentos a
certas i ntenções querigm áticas a pare ntes n um tex to?” ''5''
128 0 7 7 ', I[ , p, 369.
129 E O T H , p. 181,
130 H. Diem, Theolngic ah k irch li ch e Wtssenschafi (GiHcrsloli, 1951), I, p. 75;
cf. seu W as heisst sch rit igem ass? Gütcrsloh, 1958). p. 38 e s.
131 B ib lis ch e H ertyiencatik (3 .Aed. ; Munique. 1%7). p, bS.
132 Diem, Was keissi schriftgemüxs? p. 38.
133 Eichrodt, The ol ogy ofth e O T, I, p. 2ò.
134 Kraus. D ie bib Ü sche T hcologie, p. 381 (o grifo é dclc).

15 3
Nesta conexão, é de grande im portância esclarecer o que significt
a teologia do NT — c também a teologia do AT — estar vinculada àl
conexões dadas no texto do cânon. Alfred Jepsen escreve que “a inter
preta ção do Antigo Testa m ento , sendo a in terpreta ção do cânon da
Igreja, é determinada por sua conexão com o Novo Testamento ej
pelas questões que se seguem disto ” .’J5 Tem os que acentuar forteme-
mente que os eventos e significados bíblicos não devem ser examina
dos por de trás, p or baix o ou por ci ma dos textos ,IJ- ma s dentro dos
textos, pois os atos e palavras divinas deles receberam sua forma e
expressão. A interpretação teológico-bíblica tenta estudar as passa
gens dentro dc seu contexto histórico srcinal, o Sitz im Leben, em
que se disse uma palavra ou uma ação ocorreu, e também a
localização e as relações e conexões contextuais nos materiais mais
recentes, como também o Sitz im Leb en no contexto dado do livro em
que é preservado e a intenção querigmática mais ampla. Nisto tudo o
contexto dado de ambos os Testamentos tem seu suporte na inter
p retação .137 Assim , a questão do conte xto dado nas relações próxim as
e nas distantes, dentro de ambos os Testamentos, terá sempre um
suporte decisivo para a interpretação bíblico-teológica e para a tarefa
dos teólogos b íblico s de f az er teolo gia do N T .1-’8
Um dos pontos críticos 110 interesse atual na teologia do NT é a
reflexão sobre o inter-relacionamento entre os Testamentos. Tem-se
visto começos frutíferos que forçosamente apontam para 0 fato de os

Testamentos oferecerem testemunho a múltiplos relacionamentos.


W. Eichrodt assinalou que há um relacionamento recíproco entre os
Testamentos, a saber, “em acréscimo a este movimento histórico do
13 5 The Sciem ific Study of the O T ” , E O T H , p. 265.
136 E des te m od o que He.sse , K ery g m a u n d IV (195 8), p. 13, procura asseg u
rar uma realidade que eJc sente que não está ali. F. Mildenbcrger, Goties Tat im
W o n (Gütersloh, 1964). p. 93 c ss., argumenta pela unidade do cânon como regra
de entendim ento, mas re vi ve um novo ti po de exeges e pn eum ática.
137 Childs. tíib iiv o l Thwrfo gy in C ris is , p. 99 e s.s., desenvolveu a relevância do “con-
lexlo canônico mais amplo" como horizonte adequado para a teologia bíblica e
aplica-o à sua própria abordagem metodológica.
138 Apesar da ênfase de von Rad sobre a interpretarão eari.smátieo-querigmática.
sua abordagem segue as linhas da H e ik g e s c h k h le . Sua enfade sobre a tipologia
lí. p. 323 e ss.) pressupõe um alicerce histórico-salvífico mais amplo e
une dois pontos nesse embasamento, como acontece com o renascimento atual
da interpretação üpológica. Sobre o relacionamento entre a tipologia e a história
ria salvação. ^er Cullmami, Sal vun on m H iston \ p. 132,
138 A reação nega tiva d e G. Fohrcr contra a noçã o d a história da salvaç ão (“ Pro phetie
und Geschichie'\ THLZ 89 (1964). p. 481 e s.sj baseia-se em que tanto a salva
rão como a condenado fazem parle da história da salvação. Grande parte da
história da salvação é uma história de desastre. Mas mesmo aqui a continuidade
se preserva, porque mais tarde a proclamação da salvação acontece sem ligavão
com o desa parec ime nto da pregação da mensage m do juízo , A tese de Fohre r, de
que oseobjetivo
não opõe hda ação dc
história daDeus é o comando
salvação, de Deus
sendo uma parte sobre o mundodae amesma.
característica natureza,

154
^ntiwo l esta m en to pa ra o Novo, há um a corre nte dc vid a que flui
em inversa, do Novo Tes tam en to par a o A ntigo. Este relacio-
tiamn iin inv ers o escl arece tam bé m o signi fic ado c om pleto do dom íni o
1'm sa n ien to d o AT” . Segue -se en tão a declaração notável de que
“somente onde este duplo relacionamento entre o Antigo e o Novo
'JrU.imriitos c entendido encontramos uma definição correta do
junlilctna da teologia do AT e do método pelo qual é possível revolvê-
If ‘ 1" A enfase do G. von Rad sobre o contexto bíbli co m ais amp lo do
4 l M" lem o ap oio de H. W. W oif f,1'' H.-J. K rau s,M2 B. S. C hilds14-’
« ili uulro s que s e esforçam po r um a teol ogia b íb lic a ." '1
Vnatureza complexa do inter-rclacionamcnlo entre os Testamen-
ti irijuer um a abordagem m últi pla. N ão se pode esp erar que um a
ijuirn categoria, concepção ou esquema possa esgotar todas as
jm v.ihilidades de inter-relacionam ento.145 E ntre os padrões de rela-
clniiamento histórico e teológico entre os Testamentos estão os
st (.'inntes: (1) Um asp ec to com um a am bo s os T es tam en tos são a
hlMitria contínua do povo de Deus e o retrato dos Iratos de Deus com
a hu m an id ad e.1''6 (2) Tem -se da do um a nova ênfase à conexão entre
I es tam en tos , com bas e nas ci ta ções .147 (3) En tre estes inte r-rela-
>.iuiiaine ntos ap ar ec e o us o com um de pa lav ra s-c ha ve teo ló gi ca s,148
Unasc ioda palavra-chave teológica do Novo Testamento se srcina
dr alguma palavra hebraica que teve uma longa história de uso e

I **> T id iro d t. Theol ogy o f the O T, I. p. 26.


I In Von Rad , OTT, II. p. 320-325.
Ml Wolff, E O T H . p. 181: "No Novo Testamento encontra-se o contexto do Antigo,
qnc, com o meta hist órica, revel a n significado total do Antigo Testam ento” .
M* Kraus, D ie bib h sch e Thenla gie , p. 33-36, 279-281, 344-347 e 380-387.
I I l C h il d s. B ib lic a l Tfu-olog? in Crises, p. 99-107.
I II Tan to na erud ição católica com o na protestante, há um ma rcante aum ento do
número de vo/es que pedem unia teologia bíblica: F. V. Filson, "Biblische Theolo-
i;ic in Amerika", ThLZ, 75 (1950), p. 71-80; M . Burrows, A n O m li/ie o f B ib lic a l
Theology (Filadélfia 1946); G. Vos, B ib lic a l Theolo gy (Grand Rapids, Mich.,
1948 ); C, Spieq, "L'avcmcnt de ia T héolog ic B iblique ” . K evue B ib liq u e 35
(195 1), p . 561-574; F. M. B raun, “ La T héolog ie Biblique" , R evue T h am is te 61
(19 53 ), p. 221-253 ; K. d e Vaux, “ A propos de l a Théologie B ibliqu e" , Z A W 68
(1956), p. 225-227; P. Robertson, "The Outlook for Biblical Theology", p. 65-91;
Harrington, The Path o f Bibl ical Theology, p. 260-335 e 371 -377.
I 1;i Nest e aspecto conc ordam os com W. H. S chm idt, '" T heo logie de .s Ncuen Tcst a-
inents’ vor und naeh Gerhard von Rad", Verkiindigung und Forshung (Beiheft
m v E v T k 17; Munique, 1972), p. 24.
I4(i f-\ V. Filson, “ Th e Unity Between th e T estam cnts ’' , The Interpreter's One-Voiu-
m e C o m m e n ta ry on Th e B ib le , p. 992.
1)7 Childs. B ib lic a l T h eolo gy in C ris is , p. 114-118; Verhoef, “The Relationship
Between the O ld and New T estam cnts” . p. 282 ; R. H. Gund ry. The Use of the
O T in St . M ii tt fmw s G ospel (L eiden , 1967); R. T. F rance . Jesu s a n d The O T
(Londres, 1971).
148 Assim
D o g m também
a tik . eds.H.J. Haag,
Feiner cm
e M. LohrM(1965),
ysteriuI,mp. Salu tis. G ru n d ris s h eilsgesch ich tlieh er
440-457.

155
desenvolvimento no Antigo Testamento.’'14'’ Como ocorre os outros
elos de ligação, a un idad e não signif ica unifo rm idad e, mesmo ond e'se
fala das “ pala vr as g regas e seus sig nificad os he bra ico s” . 150 (4) A in-
ter- relação entre os Testam entos tam bém se reve la atr avés da u nidad e
essencial dos temas principais. “Cada um dos temas principais do
Antigo [Testamento] tem seu correspondente no Novo, e está, de uma
forma ou de outra , res um ido e res po nd ido a li. ” 151 Tem as com o o
governo de Deus, o povo de Deus, a experiência do êxodo, eleição e
pacto, ju íz o e salvação, escravidão e redenção, vida e m orte , cria ção e
nova criação, etc. se apresentam para consideração imediata. (5) Um
uso circunspecto e reservado da tipologia é indispensável para uma
metodologia adequada que tente se enredar com o contexto do AT e
sua rela ção com o N T .’52 A tipologia deve estar com ple tam en te
sep ara da da aleg oria ,153 poi s é essenc ialmen te um a categ oria histórica
e teológica entre os eventos do AT e do NT. A alegoria tem pouca
afinidade com o caráter histórico do AT. (6) A categoria de promes
sa/profecia e cumprimento esclarece um outro aspecto da interliga
ção dos Testamentos. Esta interligação é fundamental e decisiva não
apenas para a unidade interna do AT e compreensão do relaciona
mento en tre o AT e Jesus Cri sto, m as t am bém p ar a o rel acionam ento
entre os Testamentos. Mesmo sendo tão importante como esta
categoria é, ele não esgota o relacionamento total entre o AT e
o NT. (7) O conceito da história da salvação constitui uma liga
ção entre ambos os Testamentos. A história secular e a história da
salvação não devem ser consideradas duas realidades separadas.
Os eventos particulares da História têm um significado mais profun
do, percebido através da revelação divina; tais eventos são atos
divinos na história humana. (8) Finalmente, temos a unidade de
perspectiva, aquela orie nta ção p ara o futuro inerente a ambos os
Testamentos. O NT preenche as lacunas do AT e ainda vai além do
eschaion final.
Devidamente considerados, estes inter-relacionamentos múltiplos
entre os Testamentos podem ser tomados como elementos-chave na

eluci
de aosdaçã o da Untestemunhos
diversos idade dos Testam
bíblicos.entos se m dos
Nenhum forçarTestamentos
um a u niformida
é

149 J. L. McKenzie, “Aspecis of OT Thought", The Jerome Biblical Commentary,


p. 767.
150 D. Hill, Greek W ords and Hebrew Muani ngs: Studies in the S em antic s o f Sot e-
rio log ico l Term x; cf. J. Barr, The Sem antic s nf BiblicalLangu age.
151 J. Bright, The A uthorit y n f th e O T, p. 211. Cf. F. F. Bruce, Th e N T D evel opment
o f O T T h em es.
152 Ver nota n .° 98, acima.
153 Esta separação básica foi atacada por Barr, Old and New in Interpretation,
p.ssays
E 103-111,
on mT y pas corretamente
o lo g y , p. 30-35;defendida por Eichrodt.
e F ra nc e,./ejus a n d th e O ET O, p.
TH 4 0, p.
e s 227
. e s; Lampe,

156
monocromático em si, nem deve ser o relacionamento entre ambos
visto de maneira monocromática. Qualquer tentativa em direção a
uma teologia do NT deve refletir a natureza policromática do NT;
uma verdadeira teologia do NT revelará um relacionamento policro
mático com o AT. Espera-se que o espectro total das cores revele uma
lusão compatível, e não uma dolorosa colisão.
157
5
Propostas Básicas Para uma
Teologia do NT: uma Abordagem
Múltipla
Nossa te nta tiva de focalizar as mais im portantes questões ainda
sem solução que estão no centro dos problemas atuais da teologia do
NT revelou que h á um a crise básica1 nas m etodologias e abordagens
atuais. A questão que inevitavelmente surgiu é: A partir daqui, para
onde vamos? Nossa crítica dos caminhos já trilhados mostrou que
deve-se des envol ver uma ab ordagem mais ad eq ua da . Parece q ue um a
das maneiras mais produtivas para se seguir está nas seguintes
proposta s básicas p ara um a teologia do N T :
1. Deve-s e en ten de r a teol ogia bíblica como um a disciplina hist óri
co-teológica. Isto é, o teólogo bíblico empenhado tanto na teologia do
Antigo como na do Novo Testamento tem que afirmar que sua tarefa
é desco brir e descrever o que o texto queria dizer e também esclarecer
0 que e!e quer dizer para a atualidade. O teólogo bíblico tenta
“ volt ar pa ra lá ” ,J isto é, el e qu er abo lir o laps o tem poral construindo
uma ponte no tempo entre os seus dias e os dos testemunhos bíblicos,
atr avés do est udo da história do s do cum entos bíb licos. A na ture za dos
documentos bíblicos, no entanto, visto que são eles mesmos testemu
nhos do eterno propósito de Deus, conforme manifesto por meio dos
atos divi nos e das palav ras de juízo e salvação na H istória, r eq ue r um a
mudança do nível da investigação histórica da Bíblia para a teológi
ca/ Os próprios testemunhos bíblicos não são apenas testemunhos

1 J. M . R obinson , "K erigm a and History i n the New T estam ent" , The Bible in
M o dern S c h o h r s h ip , ed. J. P. Hyatt (Nashville, 1965), p. 144-150, esp. p. 117, fala
de um a Gnindlagenkrise.
2 Esta frase vem de G. E. Wright, "The Theologioai SUidy of the Bible", The Inter-
p r e te r s O n e-V o lu m e C o m m en ta ry on th e B ib le (Nashville, 1971), p. 983.
3 H. G. Wood, "The Present Position of New Testament Theology: Retrospect and
Prospect "New Testament Studies 4 (1957/58), p. 169; "A teologia do Novo Testa
mento deve ser a matéria de uma pesquisa histórica objetiva, mas como somos
crist ãos, nosso inte resse pela matéri a não é nem exclusivam ente nem pred om inante
mente histórico.”
158
históricos no sentido de haverem se srcinado em determinadas
épocas e em determinados lugares; são, ao mesmo tempo, testemu
nhos teoiógicos na medida em que depõem como a palavra de Deus
para a ativid ade e realidade divinas, como ela se insin ua na história
do homem. Assim, a tarefa do teólogo bíblico é interpretar as
Escrituras inteligivelmente, com o uso cuidadoso dos instrumentos
adequados da pesquisa histórica e filológica, tentando entender e
descrever, “voltando para lá”, o que o testemunho bíblico queria
dizer, e esclarecer o que o testemunho bíblico quer dizer ao homem
moderno em sua pró pria sit uação hist órica pa rtic ula r.4
O teólogo do NT deve retirar suas categorias, temas, assuntos e
conceitos dos próprios textos bíblicos. No passado, ele os extraía
freqüentemente dos “conceitos-de-doutrina” (LehrbegriffeY ou do
esquema Deus-Homem-Salvação (Teologia-Antropologia-Soteriolo-
gia), na dependência da dogmática ou de ambos. A situação recente
da teologia do NT revela que a introdução da filosofia contemporâ
nea, de uma forma ou de outra, na disciplina tem substituído o
proble m a mais antigo. A aparente substitu iç ão dos a prioris filosófi
cos modernos pelos a prio ris da antiga dogmática, a favor da inter
preta ção, não parece te r resolvido o proble m a. A. Dulles aponta um
dos riscos modernos da teologia bíblica; "Quaisquer teologias supos
tam ente bíblicas no s dias de ho je estão tão gravem ente infectad as pelo
pensam ento personalista , existe ncia lista ou histó ric o conte m porâneo
que levantaram -se altas suspeitas qu an to à sua base bíblica ” .6 Em

nossa investigação
vimos o res ulta do das
a que várias teol ogias
isto levou. Na ddo NT dosdprin
isciplina cip ais escritores,
a teologia do NT, os
autores do NT são freqüentemente examinados diagonalmente, “com
base na filosofia m oderna ou na dogm ática m oderna. Em muitos
casos é possível obter respostas dos autores interrogados, mas não
está claro se eles realmente pensaram nos assuntos sobre que
queremos que falem’1.’ J. Munck prossegue, sugerindo, corretamen
te, que “seria uma saudável mudança, se tentássemos encontrar e

4 F.einBeisser, "Irrwege
vorschlag und Wege
z.ur Reform des der historisch-kritischen Bibelwissenschaft.
Theologiestudiums”, N eu e Z e its cAuch
h rif t f ü r system a -
rische Th enlo gie u n d R etig io n sp h il o so p h ie 15 (1973), p. 192-214, lembra-nos os
seguintes: "Todos sabem que os.escritos bíblicos não pretendem ser meramente
relatos históricos, mas em primeiro lugar testemunhos da fé... Com esta pressupo
sição Cda f é j a exegese não pode nunca se satisf azer com o objeti vo de des cre ve r
como foi o passado . E m toda invest igação exegética, p ortanto, passa para o prim ei
ro plano a questão: O que é que aquilo que foi descoberto significa para a fé?"
(p. 214).
5 V ero Capitulo 1, p. 35-36.
6 A. Dulles. “ Respon se to Kri st er Sten daW s 'Method i n t he Study of Bibl ical T he o
lo gy ’ ” , The Bibl e i n M ode m Scholars hip , p. 210-216, esp. p. 214.
7 J. M unck , "Pa uline Research Since Schw eitzer ", The Bible in M odern Scholarship,
p. 166-177, esp. p. 175.

159
expressar os pensamentos dos autores do NT sem a ajuda de uma
dogm ática m od erna ou de um a fil osof ia po pu lar” .8 A teo log ia do NT
não tem que ser dominada por normas externas, venham elas da
dog m ática ou de um a de term inad a fi los ofi a. D este modo a te ologi a do
NT pode dizer algo a am bas e le vantar suas próprias questõ es. A teo
logia do NT deve usar as categorias, temas e conceitos do NT.

Freqüentemente,
demais sugestivasestas categorias,
e dinâmicas para temas, etc.,a rica
expressar bíblicos são por
revelação dos
profundos m isté rio s de Deus no NT,
O método adequado para a teologia do NT (e do AT) tem que ser
tanto teológico como histórico desde o ponto de partida. Esta é a
correlação necessária p ar a a elaboração da teologi a do NT (e do AT )
como uma disciplina teológico-histórica. Uma teologia do NT pressu
põe um trabalho exegético min ucio so, baseado em princíp io s e
procedim ento s sólidos. A exegese, por sua vez, precisa da teologia do

NT. U m a nãoexegét
interpretação podeicaexistir semlmente
pode faci a outra.
ficarSem
com aprom
teologia
etida, do NT, oa
isoland
do todo os textos ou unidades individuais. Os vários escritos do NT
são conjuntos amplos, construídos a pa rtir de um a sé rie de unidade s.
Estas unidad es, por sua vez, são con struídas a pa rtir de um a séri e de
sentenças ou cláusulas que consistem de palavras ligadas umas às
outras, a fim de expressar determinado pensamento ou partes de um
pensam ento m ais am plo ou toda um a cadeia de pensam entos. Cada
uma dess as partes contribui p ara um entendim ento do pro du to fi nal :
omento
NT, conforme
do produto preservado para nós.
final contribui paraAoo mesmo tempo, das
entendimento o entendi
suas
partes. A exegese cuid adosa, escla recid a e sólida poderá sempre
veri fica r a teol ogia do NT , e a te ologia do NT p od erá sem pre info rm ar
os procedimentos exegéticos. Que a teologia do NT permanece sendo
a coroa dos estudos do NT é um truí sm o.
Neste ponto , temos que fazer um a pausa p a ra observar o lembrete
de H.-J. Kraus de que “uma das questões mais difíceis no que
concerne à teol ogia bíblica hoj e é o po nto de p a rtid a , o signifi cado e a
função da pesq uisa histórico-crítica” .9 O debate atual sobre a nature-
8 P. 176.
9 Kraus, D ie b ib tisc h e T h eologie, p. 363; cf. a p. 377. Sobre este assunto, Childs
escreve: "O método histórico-crítico é inadequado para o estudo da Bíblia como
Escritura da Igreja, porque não trabalha a partir do contexto necessário... Quando
vistas do contexto do cânon, tanto a questão do que o íexto queria dizer como a do
que quer di zer estão inseparav elmen te unidas e ambas pertencem à t areia da inter
pretação da Bíbtia como Escritura. Até onde o uso do método crítico coloca uma
cortina de ferro entre o passado e o presente, é um método inadequado para o es
tudo da Bíblia como Escritura da Igreja.” Sobre a inadequação do método histô-
rico-critico com respeito à nova busca do Jesus histórico, ver G. E. Ladd, “The
Search f or Perspective” . I n te rp re ta tio n 26 (1971), p. 41-62.

160
*a r a funç ão do m étod o h istóric o-c rítico,1 0 qu e hav ia recebido de
F. T roe ltsch1 1 sua form ulaçã o cl ássica na virad a do século, revel a que
há m uita insa tisfação qu anto à sua adequação. O método é prati cado
ilr formas tão diver sas, que é mesmo dif íci l fa lar do m étodo hist óri co-
Vl í(ÍL' 0.a
von Rad, um dos mais importantes teólogos do AT, captou, de
iiinnci ra pers picaz, u m dos pro blem as e sug eriu que o teó logo do AT,
r1podemos acrescentar o teólogo do NT, não pode se movimentar no
utminho de um “mínimo criticamente assegurado” se ele estiver
Irritando realmente alcançar “as camadas mais profundas da expe-
i iénci a histó rica, onde a pes qu isa histórico-crítica nâo consegue pen e
irar ” .13 A razã o da inca pa cid ad e do m étodo h istóri co-crítico em
nlcançar as camadas mais profundas da experiência histórica, isto é,
m unidade in terna do fat o e do signif icado , baseand o-se na invasão da
11anscendêncía na história como a realidade final para a qual os
textos bíblicos oferecem testemunho, jaz em sua limitação para
estudar a história com base em suas próprias pressuposições. O eru
dito do NT W. Wink falou recentemente sobre a falência do método
histórico-crítico.MO novo livro de G. Maier anuncia o fim do método
hist óric o crític o.15 De to das as p artes chegam ata qu es viol ento s con tra
o m étodo hist órico-crít ico, p oré m os mais sever os vêm dos que foram
educados nest e m étod o.16 Alguns apo ntam a inad equ ação do princí
pio da analogia,17 um dos três pilares do m éto do, enquanto outros
lêm atac ad o seu a ntr op oc en trism o,18 sua falta de dim ensão fu tu ra 19
c outros problemas inerentes.20 Tem-se assinalado que o método
hist órico- crí tico está limitado pela sua p ró pr ia concepção de com pre

10 A li teratura pertinente é citada no Capítulo 1, notas 32-35.


11 E. Troeltsch, Ü ber hi stori sche und d ogm atis che M ethode in der Th eologi e" (1898),
reimpresso em Theologie ais Wissenschaft, ed. G. Sauter (M uniqu e, 1971 ),
p. 105-127.
12 Beisser , “ trrwege und Weg e der historisch-kritischen B ibelw issensch aft” , p. 19 2.
13 G. von Rad, Old Testament Theology. I, p. 108.
14 W. Wink, The B ibl e in Hum an Transf ormatio n: Toward a New P aradigm for
B ib lica l S tu d y (Filadélfia, 1973), p. 1-18. Ele sugere um paradigma dialético, com
fort e ênfas e sobre a sociologia e a psicaná lise.
15 G. Maier, The E nd o f the H ist orical -Crit ical M etho d (St. Louis, 1977), Ele fala de
um “ m étodo histórico- bíblico" para substit uir o "m étodo h ist órico- crít ico” .
16 E. Krentz, The H ist oric al-Cri ti cal M ethod (Filadélfia, 1975), p. 81.
17 T. Peters, “Th e Use of An alogy in His tóri ca! Metho d", CBQ 35 (1973), p. 473-482.
18 Ver esp. Pann enberg, B a sic Q u estio n s in Th eology (197 0), 1, p. 39-50.
19 F. Hahn, “Probleme historischer Kririk", 7.NW 63 (1972), p. 1-17, esp. p. 15-17.
20 Ver P. Stulhmacher, “Krítischer müssten mir die Historisch-Kritischen Sein",
Theologie Quartalschrift 153 (1973), p. 244-251; Schriftauslegung, p. 23 e s., 33,
98 e 120-126. J. H. Leitb, "The Bible and Theology”, In te rp r e ta tio n 30 (1976),
p.
dos227-241,
métodosescreve: ‘‘A influência
resultaram das pressuposições
numa história de conclusões da crítica e a conflitantes”
e resultados precariedade
(p. 238).

161
ensão e que ele está, p ortan to, confinado p or suas pró prias limitaçõ es
de ar gu m en taç ão .21 "A crítica históric a tra z à Bíblia um conceito de
verdade que não consegue abrir caminho para um acesso total da
re al ida de na H i s t ó r i a . A razã o para e stas l imi taç õe s e para sua
incapacidade de alcançar as camadas mais profundas da experiência
e da realidade históricas em sua totalidade está no entendimento da
História, auto-im posta pelo m étodo.
O métod o hist órico-crítico prov ém do i lum inism o.23 Te m u m a visão
própria do entendim ento histó ric o,24 ilustrada no prin cíp io de cor
relação de Troeltsch. A História é vista como um círculo fechado,
uma cadeia de causas e efeitos em que não há espaço para a trans
cendência.25 Isto quer dizer “(1) que nenhum historiador crítico
poderia fazer uso da inte rvenção sob renatural como prin cíp io da
explanação histórica, porque isto destruiria a continuidade do nexo
causai, e (2) que nenhum evento poderia ser considerado uma
revelação final do absoluto, visto que toda manifestação de verdade e
de valor seria relativa e historica m ente con dicio na da ” .26 Se “ o his to
riador não po de pressupo r a inter venção sob renatura l no nex o causai
como base de seu tra b a lh o ",27 po der á ele tr at ar a deq ua da m en te do
texto bíbl ico, que com unica justam en te tal intervenção? U m a respos
ta negativa está prestes a aparecer, pois o método histórico-crítico
não consegue tratar da realidade total da História. P. Stuhlmacher,
por exemplo, afirm a que o método histó rico-crític o levará ou a
“um conflito entre a intenção teológica e a tendenciosidade do
método ou introduzirá o criticismo histórico no pensamento teológico
como elemento p er tu rb ad o r ou de stru ido r” .28 Isto s e deve às pr ess u
posições e prem issas filosóficas acerca da natureza da H istó ria . C. E.

21 Stuhlmacher, Schriftauslegung, p. 19.


22 Krentz, The H ist orical -Crit ical M ethod, p. 86.
23 Ebeling, W or d and Fa it h , p. 42 e s. Krentz, The Histori cal-Cri ti cal M ethod, p. 85,
chama o método histórico-crítico ou criticismo histórico de “filho do iluminismo
c do historicismo, que ainda é dominado pelos princípios de Troeltsch (crítica siste
m ática, analogia e correlação universal)” .
24 Stuhlmacher, Schriftauslegung, p. 14 e s. e 18.
25 Von Rad, Old Testament Theology, H, p. 418: “Para Israel, a História consistia
apenas da auto-revelação de Javé através da palavra e da ação. Neste ponto, o con
flito com a visão moderna da História seria mais cedo 011 mais tarde inevitável, pois
ela acha que é perfeitamente possível construir um retrato da História sem Deus.
Acha que é muito difícil supor que existe uma ação divina na História. Deus não
te m um lugar natural neste esquem a."
26 Van Harvey, The Histor ian an d the Believer (2.a ed.; New York, 1969), p. 31 e s.
27 R. W. Funk, "The Hermeneutical Problem and Historical Criticism”. The New
Henneneutic, ed. J. M. Robinson e J. B. Cobb, Jr. (New York, 1964), p. 185.
Cf. R. Bultmann, E x iste n c e a n d F aith (Cleveland, 1960), p. 291.
28 P. Stuhlmacher, ‘‘Zur Methoden-und Sachproblematik einer interkonfessionellen
Auslegung de s Neuen Testam em s", E v a n g e lisc h -k a th o lis c h e r K o m m e n ta r zu m N T .
Vorarbeiten, H eft 4 (Neu kirchen-V luyn, 197 3), p. 11- 65, esp. p. 46.

162
Braaten refere-se incisivamente a este problema: “O historiador
sempre começa afirmando que conduz sua pesquisa puramente com
objetividade, sem pressuposições, e (crmina sub-repíicjanienfe in
troduzindo um conjunto de pressuposições cujas raízes estão profun
damente enterr adas num a Weltanschauung an ticris tã” .29 U m a teolo
gia do NT que repouse sobre uma visão da História baseada num
círculo fechado de causas e efeitos não pode fazer justiça à visão
bíb lica d a Histó ria e da revelação nem ao apelo à verdade da
E scr itura .30 Von R ad reconhece que “ um m étodo hist órico-cr íti co
consistentemente aplicado [não] poderia realmente fazer justiça ao
apelo à verdad e da esc ritura do A nti go T es tam en to” .31 O que von
Rad declarou sobre o AT se aplica, do mesmo modo, ao NT. O que
precisa ser enfaticam ente reforçado é que existe um a dim ensão trans
cendente ou divina, na história bíblica, com que o método histórico-
crítico é incapaz de tratar. “Se todos os eventos históricos têm, por
definição, que ser explicados por causas históricas suficientes, então

não há espaço para


personagem históos
ricatos de Se
o” .32 Deus
se na História,
te m um a pois
visãoDeus
da não é um
H istó ria que não
pode adm itir a in tervenção divina por meio de ato e pala vra na
História, então não se pode tratar adequada e devidamente com o
testemu nho da E scritu ra. Logo, somos levados a concluir que a cri se a
respeito da História, nas teologias do AT e do NT, não é conseqüên
cia do estudo científico das evidências, mas se srcina da própria
crise33 do método histórico-crítico e de sua inadequação para tratar
do pap el da tran sce nd ên cia na H istória, devi do a prem issas fil osóf ica s
a respeito da anatureza
testemunho da História.
uma dimensão Se a realidade que
supra-histórica, do texto bíblico dá
transcende as
limitações auto-impostas do método histórico-crítico, então tem-se
que empregar um método que possa levar em conta esta dimensão e
possa sondar as cam adas mais profundas da experiê ncia histó ric a e
tra ta r ad eq ua da e devidamente d o ap elo à verdade da E sc ritur a.34

29 C. E. Braaten, "Revelation History and Faith in Martin Kãhler", em M. Kãhler,


The S o-Ca lled Históri ca! Jesus an d the H ist orie B ibli cal Chris t (Filadélfia, 1964),
p. 22.
30 D. W allace, “ Biblical Th eology. Past and Future", Thealogische Zeitschrift 19
(1963), p. 90; ef. Barr, “Revelation through History", p. 201 e s.
31 Von Ra d, O ld Test am ent Theolog y, II, p. 417.
32 Ladd, “The Search for Perspective", p. S0.
33 Krentz, The H ist orical -Crit ical M ethod, p. 84, fala do criticismo histórico como
estando numa "crise metodológica".
34 Von Rad Old Testament Theology, I, p. 108. E. Osvvald, “Geschehene und
geglaubte Geschichte’’, W iss enschaft Zeitschrift der U niversit at Jcna 14 (1965),
p. 71 1: “C om o auxíl io da ciência crí tica não se pode, seguram ente, fa ze r nenhum a
declaração a respei to de D eus, pois não há ca m inho qu e leve d a ciêíi cia objetiva dora
da História a uma expressão teológica real. O processo racional do conhecimento
da Hist óri a perman ece li m it ado à dim ensão espa ço-tem por al.. .”

163
Afirmamos que o método adequado à teologia bíblica é ser
teológico e histórico desde o começo. Supõe-se freqüentemente que a
exe ges e usa a funç ão histórico-crítica, p ar a e lab or ar o si gnificado dos
textos simples , e que a teologia do NT (ou do AT), a tarefa de unir a
reconstrução à interpretação dentro do todo teológico, a saber, um
procedim ento seqüencial. H.-J. K raus tem , correta m ente, procurado
por “ um processo de interpretação biblico-teológic a” em que a
exeg ese, desde o poanto
Se acrescentarmos de aspecto
este p arti d a,que
é deum
or ien taç ão bib
método lico-teo elógic a.15
apropriado
adequado de pesquisa do texto bíblico precisa levar em conta a
realidade de Deus e de sua participação na História,36 pois os textos
bíblicos te stific am a dim ensão transcendente na realid ade histórica,37
então teremos a base sobre a qual as interpretações histórica e
teológica podem caminhar de mãos dadas desde o início, sem a
necessidade de serem artificialmente separadas dentro dos processos
seqü enc iais.3 8 Basean do-se nisto, pode-se “ voltar p a ra lá ” , p a ra o
m undo do escri tor bíbli co, construi ndo um a pon te tem poral e cultu
ral, e pode-se tentar entender histórica e teologicamente o que o texto
queria dizer. É então pos sível expressar mais ad eq ua da e abran gente-
mente o que o texto quer dizer ao homem no mundo moderno e na
situação histórica.
Este proced imen to metodológi co não pro cu ra om itir a História, em
beneficio da teologia. O teólogo bíb lico que tra b alh a com o m étodo

3 5 D ie b ib lisch e T h éo lo g ie , p. 377.
36 Conclusão a que chega também Floyd V. Filson, "How I Interpret the Bible”,
In te rp re ta tio n 4 (1950), p. 186: “Trabalho com a convicção de que somente o mé
tod o do es tudo realmente objet ivo le va em con ta a reali dade de D eus e de sua obra
e que qualquer outr o pon to de vista está c arregado de pressuposições que realmen
te, mesmo de forma sutil, contêm uma negação implícita da fé cristã em sua tota
lidade.'’
37 Troeltsch esc reve : “ O meio at ravés do qual a críti ca tom a-se a princíp io possível é
a aplicação da analogia... Esta onipotência da analogia implica a identidade no
princípio de todo acontecimento histórico” (Uber historische und dogmatische
M ethode i n de r T héo logie” , p. 108). Von Rad oferece aqui uma observação inci si va
a respei to do curso da Históri a conform e apresentado pelo m étodo histór ico- crít ico,
e m Theol ogi e des Alt en Testam ents (Munique, 1960), II, p, 9: “Ê a História inter
pretada cos n base nas pressuposições histôri co-fil osóficas, que não permite nen hum
reconhecimento possível da ação de Deus na História, pois só o homem é notoria
mente considerado cria dor d a H istória.” M ildenberger, G ottes Tat im W ort, p. 31,
n.° 37, concorda com von R ad e acrescenta que a críti ca hist órica "pressupõe um a
relaç ão fechad a da realidade que não pod e ofere cer causas ‘ sobr enatu rais'".
38 Sobre este asp ecto, von R ad, Tkeol ogi e des A T , II, p. ld, fez a seguinte observação:
“A interpretação teológica dos textos do AT não começa realmente quando o exe-
geta, edu cado dentro da crít ica lit erária ou da H ist ória ( um a ou o utral), ter minou
o seu trabalho, como se tivéssemos dois processos exegéticos: primeiro, o histórico-
crítico e então o ‘teológico’. Uma interpretação teológica que procura apreender
um enunciado acerca de Deus no texto é ativa desde o próprio início do processo
do entendimen to, ”

164
que é tanto histórico como teológico reconhece completamente a
relatividade da objetividade humana.39 Conseqüentemente, ele está
ciente de que não deve nunca permitir que sua fé o faça modernizar
seu material com base na tradição e na comunidade de fé onde se
encontra. Ele tem que interrogar o texto bíblico em seus próprios
termos; abre um espaço para que a sua tradição e o conteúdo de sua
fé possam ser desafiados, guiados, vivificados e enriquecidos pelas
suas descobertas. Ele reconhece também que uma abordagem pura
mente filosófica, lingüística e histórica nunca é suficiente para
descerrar o significado total de um texto histórico. Podemos aplicar
todos os instrumentos exegéticos da pesquisa histórica, lingüística e
filosófica disponíveis e nunca alcançar o ponto central do assunto, a
não ser que nos subm etam os à experiência bá sica d a qu al os escri tore s
bíblicos falam , a saber, a fé. Sem tal subm issão, dificilmente
chegaremos ao reconhecimento da realidade total que se expressa no

test em unhopretendemos
tampouco bíbl ico. Nãodescartar
queremosa trans formdos
exigência ar alivros
f é nu mbíblicos,
método nem
como documentos do passado, de serem traduzidos o mais objetiva
mente possível, por meio do emprego cuidadoso dos métodos de
inter pretação adequa dos. Mas queremos d izer que a interpretação da
Bíblia deve tornar-se parte de nossa própria experiência real. A inter
preta ção te ológico-histórica deve estar a serviço da fé, se pretende
sondar todas as camadas da experiência histórica e penetrar no
significado total do texto e da realidade nele expressa. Temos,

portanto,
declarações que afirm ar que
e depoimentos que,testemunhem
quando a a inautomanifestação
terpretação procura
de por
Deus como o Senh or do temp o e dos fatos, que escolheu se r evelar em
acontecimentos reais e datáveis da história humana através de atos e
pala vras de julg am ento e salvação, entã o o pro cesso de com preensão
de tais declarações e depoimentos tem que ser, desde o início,
histórico e teológico em natureza, a fim de apreender totalmente a
realidade completa que se expressou.
2. O teólogo bíbl ico em pe nh ad o na teol ogia do NT tem seu assunto
indicado
Novo de m
Testa antemão, visto
ento . Ela estáque seu esforço
fundada é por uma
sobre matérias teologia
extraídas do
do NT.
O NT chega até ele por intermédio da igreja cristã como parte das
Escrituras inspiradas. A introdução ao NT procura esclarecer os
est ági os e form as pré-literários dos livros do NT, traç an do sua história
e formação, como também as formas dos textos e a canonização do
NT. A histó ria do cristianism o prim itiv o é estudada no contexto da
história da antiguidade, com especial ênfase sobre as culturas perifé
ricas, das quais temos muitos textos e onde a arqueologia tem sido
39 Assim lambem Stendahl, J D B , I, p. 422.

165
inútil em proporcionar os cenários histórico, cultural e social para a
Bíblia.
A teologia do N T interroga os vários livros ou blocos de escritos do
NT quanto à sua teologia .40 Pois o NT é composto de escritos cuja
srcem, conteúdo, formas, intenções e significado são bem diversos.
A natureza destas questões torna imperativo examinar o material
disponível à luz do contexto, que é primário para nós, a saber, a
forma em que os encontramos enquanto estrutura verbal de uma
parte integrante de um todo literário.41 Vista deste m odo, a teologia
do NT não será um a “ história d a religião”4 2 ou um a “h istóri a da
transm issão d a trad içã o ” 43 ou qu alq ue r ou tra coisa.4 4 U m a teol ogia
do NT fornece, primariamente, uma interpretação sumária e uma
explanação de cada documento do NT ou blocos de escritos do NT,

40 Isto foi acentuado para a teologia do NT especialmente por Heinrich Schlier


("The M eaning and Function of a Theology of the NT ” , D o g m a tic vs. B ib lic a l
Theology, ed. H. Vorgrimler (Baltimore, 1964) p. 88-90); para a teologia do AT de
Kraus (Die biblische Tkeologie , p. 364), de D. ]. McCarthy (“The Theology of
Leadership in Joshua 1-9 " .B iblica 52 (1971), p. 166). e com sua própria ênfase por
Ch ilds ( B ib lica l T h eology in C ris is . p. 99-107).
41 Os críticos literários (não-bíblicos) contemporâneos dão ênfase especial à “nova
crítica", que os alemães chamam de Werkinterpretation. Cf. W. Kaiser, D as
spra ch lic h K u n s tw e r k (I0.a ed.; Berna-Munique, 1964); Emil Staiger, D ie K u n s i
der I n te rp re ta tio n (4.3 ed.; Zurique, 1963); Horst Enders, ed., D ie W erk -in terp re-
lution (Darmstadt, 1967). O interesse primário, segundo os praticantes da “nova
crítica”, é ocupar-se com o estudo de uma peça literária completa, A “nova crítica"
insiste na integridade formal da peça literária como obra de arte, a k u n stw e rk .

Tal trabalho
tentativa deve ser apreciado
de descobrir sua srcem,emé sua totalidade;
irrelevante. A olhar
ênfasepara
está seu passado,
sobre numa
o produto
literário final c/uu obr a d e art e. U m crescente número d e er uditos do N T tem ad eri
do à "nova crítica". Entre eles, estão: Z. Adar, The Biblical Narrative (Jerusalém,
395 9); S. Ta lmo n. "W isdom ’ in the Book of E sther", Vetus Testamentum 13
(1%3). p- 419-455; M. Weiss, “Wege der neueren Dichtungswissenschaft in ihrer
Arwendun auf <Jic Psalmenforschung’’. B ib lica 42 (1961), p. 225-302; "Einiges
über die Bauformen des Erzâhlens in der Bibel", Vetus Testamentum 13 (1963),
p. 455-475; "W eiteres übe r die Ba úform en des Erzâh lens i n der B ibel” , B ib lica 46
(196 5), p. 18 1 206. O s eruditos do NT até agora ainda não a deriram a este procedi-
menlo. Certos aspectos da abordagem existencialista parecem conduzir-nos na
direção da maior ênfase sobre a forma final dos documentos do NT.
42 Pode-se recordar o redirecionamento e renomeação da disciplina teologia do NT
feito por W. W rcde. Ver o cap. 1, p. 26-31.
43 Para a teologia do AT, o método diacrônico adotado por G. von Rad é um exem plo
tí pico; ver Ha sel, O T Theol ogy , p. 46-49. H. Gese aplica igualmente ao AT e ao NT
uma história da transmissão da tradição cm Vom Sinai zum Zion (Munique, 1974),
p. 13-30.
44 Kraus, D ie bib lisch e T h eo lo g ie , p. 365; “A ‘teologia bíblica' deve ser teologia
b ib lica porque aceita o cânon nas conexões textuais dadas como a v erd a d e h is tó ri
ca que necessita de explicação, cuja forma final precisa ser apresentada por meio
da interpretação e do resumo. Esta deveria ser a tarefa real da teologia bíblica.
Qualquer tentativa feita por meio de um procedimento diferente não seria teologia
bíblica, mas ‘história da revelação’, ‘história da religião’ ou mesmo ‘história da
trad içã o’ " (os grifos são dele).

166
com vi stas a pe rm itir que seus concei tos, ternas e assu ntos ap areç am e
revelem seus parentescos mútuos. O procedimento básico de explana
ção da teologia dos livros ou blocos de escritos do NT em sua forma
íinal como es trutu ras verbai s dos conjuntos literári os tem a vantagem
de reconhecer as similitudes e as diferenças entre os vários livros ou
blocos de escritos. Isto quer dizer, por exemplo, que as teologias dos
Evangelhos individuais se sustentarão independentemente junto às
outras. Cada voz pode ser ouvida em seu testemunho da atividade de
Deus e da automanifestação divina. Uma outra vantagem desta
abordagem, decisiva para toda a empresa da teologia do NT, é que
não se impõe nenhum esquema sistemático, padrão de pensamento
ou abstração extraposta ao material do NT. Visto que nenhum tema
simples, esquema ou assunto é suficientemente abrangente para
conter todas as diversidades de pontos de vista do NT, devemos nos
abster de usar um determinado conceito, fórmula, idéia básica, etc,
como o centro do NT, por meio de que se obtém uma sistematização
dos testemunhos múltiplos e variados do NT. Por outro lado, temos
que afirmar que, como Deus é o centro do AT,45 Jesus Cristo é o
cent ro d o NT. '"5 Procuram os nos abs ter da sistematização baseada
num único tema, esquema, assunto, etc., e as razões para isto já
for am enunciadas anter iormente.
3. U m a aprese ntação da teol ogi a do NT pode com eçar melhor com
a mensagem de Jesus, visto que ela está em todos os documentos do
N I’. Nisto, supõe-se que é possível reunir aos poucos a mensagem de
Jesus a partir dos respectivos Evangelhos e das poucas citações
existentes nos outros documentos do NT. Pode-se então prosseguir
com as teologias de Mateus, Marcos e Lucas-Atos. Neste tipo de
avaliação, reconhecer-se-á que os vários Evangelhos têm seu próprio
pro pósito distinto , tanto na seleção como na apresenta ção do m ate ria l
preservado.
Pode-se alcançar a teoiogia paulina descrevendo-se a teologia das
diferentes epístolas de Paulo e sua comunidade, como também na
disti nção dos tem as e assuntos. A ch ave pa ra a teol ogia pa ulin a não é
fácil de ser alc an ça da , como ind icam as várias tentativa s rec en tes.47
Pode ser que alguns escolham apresentar a teologia de Pedro antes
da de Paulo, como também as teologias de outros documentos do NT
que testificam a pregação e a doutrina do cristianismo primitivo.

45 G. F. Hasel, “'lhe Problem of the Center in the OT Theology Debate", Z A W 86


(1974), p. 65-82,
46 Ver o Ca pítulo 3.
47 Ver J. Jere m ias, D er S ch lü sse l z u r Th eologie des A p o ste is P au lu s (Gütersloh. 1971);
G. Eichholz, D ie T h eologie d es Pa u lus im U m ris s (Gòttingen, 1972); H. Ridderbos.
Paul. An O u ili n e o f H is Th eology (Grad Rapids, M ich., 1975) .
167
Aqui, as datas dos respectivos escritos do NT tornar-se-ão o fator da
seqüência da ap resen tação da teol ogia d o NT.
A teologia joanina, conforme obtida no Quarto Evangelho e nas
Epístolas, parece vir por último, com exceção da teologia do Apoca
lipse , que dá a impressão de pertencer a u m a categoria própria, entre
as teol ogia s do NT, e pode ser apre se nta da p or último.
4. Alivros
vários teol ogia
ou do NT não
grupos de pescritos;
ro cu ra ela
ap ena s conhtenta
também ecer areunir
teol ogia
e do s
apre sen tar os tem as m ais im po rtantes do NT. A fim de pô r em pr ática
o seu nome, a teologia do NT tem que permitir que seus temas,
assuntos e conceitos se formem para ela por meio do próprio NT.
A gama de temas, assuntos e conceitos do NT impor-se-á sempre,
visto que fazem com que os do teólogo se calem, uma vez que as
perspectivas teológicas do NT sejam realm ente assim iladas. Em
prin cíp io , um a teologia do NT deve pender em direção aos temas,
assuntos e econceitos
diversidade tod as ase l imitações
tem que imp
ser apresentada
ostas a el es com toda rio
pel o próp a sua
NT.
A apresentação destas perspectivas longitudinais dos testemunhos
do NT só pode ser obtida com base num tratamento variado. A ri
queza dos testemunhos do NT pode ser alcançada por meio desta
abordagem múltipla, pois ela é compatível com a natureza do NT.
Esta abordagem múltipla com o tratamento variado dos temas
longitudinais liberta o teólogo bíblico da noção de uma abordagem
unilinear artificial e forçada, determinada por uma única concepção
estru tural, seja ela o pacto, a comu nhão, o rei no de D eus ou qu alque r
outra, à quai todos os testemunhos, pensamentos e conceitos no NT
sej am forçad os a s e referir o u a nela se en q u ad ra r.
5. Quando se interroga o NT a respeito de sua teologia, ele
responde, em primeiro lugar, revelando várias teologias, a saber, as
dos livros individuais ou grupos de escritos, e então revelando as
teologias dos vários temas longitudinais. Mas o nome de nossa disci
plina, como teologia do NT, não está interessado em apresentar ou
explicar a variedade de teologias. O conceito prognosticado pelo
nome da discipli na tem um a teologia em vista, a saber, a teologia do
NT.
O objetivo final da teologia do NT é demonstrar a unidade que
reúne as várias teologias e temas, conceitos e assuntos longitudinais.
Esta é uma empresa extremamente difícil, que contém muitos
perigos. Se existe um a realidade divina únic a por detrás da experiê n
cia daqueles que nos deixaram as Esc rituras do NT, en tão parece-nos
que, por detrás de toda a variedade e diversidade da reflexão
teológica, existe uma unidade dentro dos escritos do NT. O objetivo
fundamental de uma teologia é, então, tirar a unidade o máximo
possível de seu esconderijo e torná-la transparente.

168
A tarefa de alcançar este objetivo não deve ser executada precipita
dam ente. A tent ação constant e de encon trar unidade nu m úni co tema
ou conceito estrutural deve ser evitada. Aqui pode aparecer uma
cert a apreensão, não apen as porq ue a teol ogi a do NT seria reduzida a
um desenvolvimento de interseção ou de outro tipo de desenvolvi
mento de um úni co t ema ou conceit o, mas p orq ue a verdadeira tar efa
perder-se-ia de vista, que é precisam ente não subestim ar ou ig norar
as diversas e variadas teologias e, ao mesmo tempo, apresentar e
articular a unidade que aparentemente une, de modo oculto, os
testemunhos divergentes e múltiplos do NT. Pode-se de fato falar de
uma tal unidade em que os pronunciamentos e testemunhos teológi
cos divergentes fundamentalmente se relacionam intrinsecamente
entre si, do ponto de vista teológico, com base na pressuposição de
que pr ovêm da inspiração e canonicidade do NT co mo E scritura.
Um modo aparentem ente bem -suc edi do de luta r co m a questão da
unidade é tomar os vários temas e conceitos longitudinais mais
importantes e explicar onde e como as diversas teologias se relacio
nam intrinsecamente entre si.48 Deste modo, pode-se iluminar o
vínculo subjacente da teologia do NT. Na busca de descobrir e
explicar a unidade, devemos nos abster de transformar a teologia de
um livro ou grupo de livros em norma do que é a teologia do NT.
Vimos que isto tem acontecido freqüentemente. Alguns eruditos
Iransformaram a teologia de Paulo ou um determinado aspecto dela
na norma ou “cânon dentro do cânon” da fé cristã primitiva, com
base no que as outras parte s são critic adas. O procedim ento proposto
aqui procura evit ar est e método. Ele tamb ém abre espaço às freqü en 
temente rejeitadas teologias de certos escritos do NT, tais como
Hebreus, Tiago, Judas e outros, p ar a se enc on trarem lado a lado co m
outras teologias. Elas dão suas contribuições especiais à teologia do
NT em iguald ade com aquela s mais reconhecid as, pois são ta m bém
expressões das realidades do NT. A questão da unidade implica
tensão, mas tensão não significa, necessariamente, contradição.
Parece que onde a unidade conceituai dá a impressão de ser
impossível, a tensão criativa desse modo produzida revelar-se-á mais
frutí fera pa ra a teol ogia do NT.
6. O teól ogo bíbli co en ten de a teologia do NT como pa rte de um
conjunto mais amplo. O nome “teologia do Novo Testamento”
implica contexto mais amplo da Bíblia, elaborado por ambos os
Testamentos. Uma teologia integral do NT encontra-se num relacio
nam ento básico com o AT e a teol ogia do AT. P ar a o teól ogo crist ão,

48 A. Deissmann, “Zur Methode der biblischen Theologie des NT", P T N T , p. 78-80,


j á h a v ia s u g e r id o a a p r e s e n t a ç ã o da te o lo g ia c r is tã p r im it iv a to t a l c o m o ta r e fa p r in
cipal da teologia do NT .

169
o NT t em o ca ráte r da Es critura e refl eti r-se- á co nstantem ente no que
isto signi fica particu larm en te em relação a o outro T estam ento,
Estas propostas indicam uma abordagem múltipla da teologia do
NT. E sta abordagem procura fazer justiça aos vários escritos do NT e
tenta evitar uma explanação dos múltiplos testemunhos através de
uma única estrutura, pontos de vista unilineares ou mesmo uma
abordagem composta de natureza limitada. A abordagem que esbo
çamos acima tem a vantagem de permanecer fiel à rica variedade de
pensam ento do NT, tanto no que diz respeito à sim iiitude quanto no
que se refira à dissimilaridade, como também ao velho e ao novo, sem
a menor distorção dos testemunhos históricos srcinais do texto, em
seu sentido literal, e no contexto bíblico mais amplo a que pertence o
NT. Perm ite que apareça a unidade dentro de toda a diversidade e
multiplicidade, sem forçá-la a se adaptar à uniformidade. Não será
um trabalho simples apresentar uma teologia do NT baseada nas
linhas aqui traçadas, mas espera-se que este seja um desafio que
alcan ce a vi tória acima de qua lquer tentação de procu rar um caminho
mais fácil.
170
Bibliografia Selecionada
(Nota: A seguinte lista contem, primariamente, uma seleção das obras escritas nos
últimos 100 anns, Deu-se preferência, onde possível, às obras que representam vários
pontos de vist a e /o u têm , de um a forma ou de outra, con tribuído pa ra o debate atual.)
Adeney, W. F. The Theol ogy of th e New T estam en t. Londres, 1894.
/Ub ert? ., M . Die. B ozsch aft des N euen T e s ta m c n ts . Vol. I, p. 1, Berlim, 1946; Vol. I,
p. 2, Zollikon Zu rique, 1952; Vo l. I I, p. 1, Zn llikon-Z uriq ue, !954; Vol. II,
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de Autores
Aehtemeier, F. J., 47 Braaten, C. E., 45, 163
Adar, Z., 166 Braun, D ., 88, 15 1
Albertz , M ., 55-56 Braun . F.-M ., 5 2, 155
Althaus, P., 88 Braun, H., 45, 69, 74, 110, 114-116,
Amman, C. F. von, 20 124, 125. 130
Amslcr, S., 133 Briggs , K . C .,2 7
An derson. B. W ., 1 33 Bright, J., 141, 146, 152, 156
Astruc, J., 18 Brown, C., 146
Au lén, G ., 45 Brown. R. E., 51
Auvray, P., 143 Brown, S., 119
Balthasar, H. U. von, 122 • Bruce, F. F.. 65, 144, 145, 156
Baier, J.-W ., 1 6 Büchsel. F., 31, 52
Bames, W. E., 45 Bultmann, R., 10, 27, 32, 33, 37, 42, 45,
Bam ikal , E ., 2 6 48, 55. 56, 60, 65-76, 77, 79, 81, 83,
Barr, J., 15, 57, 88, 92, 106, 112. 129, 87,88, 93. 103, 105. 113-115, 118,
136, 142, 148, 156,163 119. 124, 125, 13 5-13 7, 138, 141, 145,
Barth, K., 44, 69, 129 16 2
Barth , M ., 72 , 11 3 Buri. F., 70. 88
Bartsch. H .-W ., 45, 67. 70 Burkhardt, H., 129
Bauer, G. L., 13. 15, 20, 21, 26, 27, 37, Burrows, M .. 65. 133, 15 5
63, 82, 87, 133 Büsching, A. F., 18
Baumann, R., 121 Cajetan, 14
Baumgãrtel, F., 136, 141, 147 Calovius, A., 16
Baumgartel-Crusius, L. F. O.. 28 Campenhausen, H. von, 122. 129
Baumgartner, S. J., 17 Carlston. C. E.. 45
Baur, F. C., 15, 24, 26, 30. 32, 33, 37, Cazdles. H., 143
39,42,55. 69 Cerfau.x, L., 50
Beck, J. T., 31 C hilds, B. S .. 57, 106, 107. 150, 155, 166
Beilner, F.,W18,
Beisser, ., 12 3 161
159, Christmann,
Chubb, T., 17W. J., 16
Benoit, P. 133 C lemons. J. T .. 88
Benson. E. J., 17 Cobb. J. B., 46. 47, 68, 72
Betz, O., 13, 87 Cülln, D. G. C. von, 20, 26
Beysehlag. W ., 30, 5 2 Ginzchiiami, H.. 9. 10. 45. 46, 47, 59.
Blac-kman, E. C., 134 97-81. 83. 87. 88, 103, 105, 106, 119
Blenkinsopp, J., 65, 133 Cnpcrnito, N.. 25
Bociin. J., 23 Cnn lcro, M. G ., 9, 5 2
Bonsirven, J., 51 Courlh. F., 15. 121
Bornkamm, G., 45, 47, 66, 69 Cox. C. i:., 71
Bousset. W., 33, 42, 56, 69 Ciaií;, C. T., 44
Ctanicr, D. I... 2N
Bouttier, M ., 8 8

187
Cullmann, O., 53, 56, 83, 88, 93, 100, Gould.E. P.,31,52
116, 124, 125, 129, 132, 154 Grant, F. C., 53, 116. 121
Dahl, N. A.. 68 Gr ant. R. M ., 23, 129, 134
Davies, W, D., 98 Grech, P., 52, 111
Deissmann, A., 22, 37, 56, 62, 82, 169 Grelot, P., 133
Deützsch, F., 135, 141 Griesbach, J. J., 18
Dentan, R. C., 16, 18, 19, 20, 25, 43 Grobel, K., 145
Descamps, A., 52 Groh, D. E., 129
Descartes, R., 23 Grosi, H., 134
Deutschmann, J., 17 Guillet, J., 121, 146
Dibelius,
Diem, H.,M.,70,38, 45 131, 132, 153
127, Gundry, R. H.
Gunneweg, H.,H.,145.
133,155
137
Diest, H. A,, 16 Güttgemanns, E., 45, 88, 77, 79, 81
Dot y, W. G ., 4 7 ,48 , 7 2 Haacker. K., 110, 111, 122
Duíles, A,. 108, 159 Haag, H., 155
Dungan, D. L.., 129 Halin, F., 14, 18, 133, 161
Eb eli ng, C ., 14 , 16, 1 7,4 7, 69, 115, 132, Hahn, G. L., 29, 30
134, 162 Harnack. A. von, 32, 56, 134, 141
E ss , G .. 35 Haroutunian, 1. 176
Eid iholz, G ., 16 7 Han-ington, W., 13,33, 36,50,52,54,
Eichhorn, í. G., 18, 21 56, 58, 65. 77, 78, 79, 84. 88. 144, 155
Eichrod t, W ., 34, 92, 120, 143, 147, Harrisville, R. A., 45
148,153 Harvey, J., 108
Eissfeld, O., 34 Harvey, V. A., 45, 162
Ellis, E. E., 81, 145, 147 HascI, G. F., !0, 15, 16, 18, 22, 92, 120,
Elhvcin. H,, 70 166
Ernesti, J. A., 19 Haufe, G., 65
Evans, C. F., 118 Hayes. J. A ., 56
Fairbairn, P., 147 Haymann, C.. 17
Fasclier, E., 56 H eidegger, M ., 46, 47, 66, 72, 79
Feinc. P., 30, 31. 52 Henge), M ., 18, 81, 122
Fcnsharn. F. C., 120, 134, 146 Henning, G., 14
Filson. F. V., 143, 144, 152, 155, 164 He n r y , C .F .H ., 9 5
Fiseher, A., 16 Hesse, F., 92, 133, 137, 141, 145, 154
Fil/myer, J. A., 52. 145 Higgins, A. J. B., 143
Flender, H., 119 Hill. D., (46, 156
Fohrer. G., 92. 121. 154 Hillers, D. R., 120
France. R. T.. 144, 155, 156 Hill m an, W ., 52
Frank, 1., 129 Hirsch, E., 135, 141
Franklin. E., 119 Hodgsun, P. C., 26
Frey, H.. 18 Hofmann, J.C. K., 31, 32,56
Fries, J. F., 25 Hnll, K., 14,42
Frühlich. K.. 88, 110 Holtzmann, H. I., 37, 39
Frõr, K,, 153 Hooykaas, R., 22
Fryc, R, M ., 1 8 Horning, G., 19
F ud is, E., 45, 47, 69, 88 Hübner, J., 22
Fnller, R. H., 45. 69 Hufnagel, W. F ., 2 0
Fn hler
Ga nk, R., .1W
. P.,., 35,
20, 47,
21. 74.
22 162
, 26 , 37 , 38, 58, Hiilsema
Hultgren, A.nn,J.,
J. 119
, 16
62.63. 111 Hummel, H. D., 147
Gadamer. H. G., 44 Hunter, A. M., 54, 110
Galilei, Galileo, 22 Hyatt, J. P., 60
Gusque, W. W., 98 Iber, G., 45
Geiger, W., 26 Jasper. F. N., 144
Gese, H., 49, (33, 166 Jaspers. K., 70, 71
Glail. O., 16 Jepsen, A., 154
Gogarten, F., 66. 70 Jeremias, .1. 9, 11,55, 70, 75. 83,87,
Goppoll. L., 9. 13. 28. 31. 32. 33. 36. 129, 167
42. 43, 49, 56, 74, 75, 83, 87. 100-104, Jervell, J., 119
116. 142, 147
Joest, W., 126, 129
188
Kaflan, J., 42 Lossius, M. F. A., 28
Kãhler, M ., 44, 47, 105 Lucas, R., 147
Kaiser, G. P. C., 25, 28 Lührmann. D., 45
Kaiser, W. C.. 121 Lutero. M ., 14, 15, 129
Kalin, E., 129 Luz, U.. 110, 126
Kant, I., 20, 25 MacKenzie, R. A. F., 108
Karpp, H., 22 Macquarrie, J., 46, 66
Kàsemann, E., 10. 15, 47, 49, 69, 74, Maier, G., 17, 129, 132, 161
75, 79, 80, 83, 103, 110, 112, 115, Marle, R., 66
120 . A.,12365,1 26 , 12 9, 130 ,131
Kayscr, Marshall,
M arxsen, LWH., 11912 9
., 18,
Keck, L. E., 45, 61 Mathers, D., 180
Kee, H. C. 47 Mauser, U., 141
Kelsey, D. H., 99, 107 McCarthy, D. J., 120, 166
Kepler, J. , 22 McKenz.ie, J. L., 145, 151, 156
Kinder, E.. 45, 70 McKnight, E. V., 56
Klassen, W ., 1 6 M einert/, M ., 50, 152
Klein, G., 47, 88, 92, 121 Menken, G ., 3 1
Knox, J.. 134 Merk, O., 13, IS, 20. 22, 25, 26, 27, 28,
Knudsen, R. E., 54, 94 29, 33. 46, 53, 56, 60, 65, 69, 82, 83,
Kohls. E. W ., 1 4 87,93, 111
Komer. J., 88 Mcssner, H., 29, 30
Kões te r, H .,4 5 ,8 7 , 105 , 1 0 3 Miehaelis, J. D., 17, 55
Kra eling, E. G .. 17 9 M ichael is , W ., 5 5
Kraus, H.-J., 13, 16, 17, 19. 20. 23, 24, Mildenbcrger, F., 132, 154, 164
2 5,2 8, 30, 31. 32, 36, 38, 40. 41, 56, 88, Miskottc, K. H., 139-141
114, 119, 133, 135, 151, 153, 155, 160, Moore, A. L., 122
164, 166 Morgan, R. L., 10, 15, 33, 36, 37. 38.
Kreck, W ., 11 8 39, S8.62, 129
Krente. E., 18, 22, 24, 161, 162, 163 Munck, J., 159
Krüger, G., 40 Murphy, R. E.. 52, 133, 142, 148. 149
Kümmel, A., 15, 110 Mussner, F., 110. 123, 126. 127, 134
Kümmel, W. G., 9, 11, 14, 17, 19, 20. Neander, A., 29. 30
22, 24, 27, 30, 32, 38, 40, 43. 53, 55, Neil, W., 133
75,77,80,81,83,
Küng, H., 77, 81, 119, 122, 132
129-131, 124, 129 Neill, S., 9, 11. 69. 75, 40, 84
Newport. J., 181
K ünne th, W ., 45, 70, 110, 12 1 Nicol, 1, G., 88, 90
Kuske, M ., 14 4 Nicole. R., 145
Kuss, O., 13, 50 N ikolainen, A. T ., 9, 110
Kutsch, F.., 120 Nitschke, A., 18
Kwiran, M ., 12 1 North, C. R., 44
Ladd, G. E., 9, 18, 45, 56, 57, 88, 93-99,
105,110, 116, 122, 160, 163 Oberman, H., 14
Lampe, G. W. H., 129, 156 0'Doherty, E., 133
Larig, F., 133, 144 Ogden, S. M., 45, 70, 71
Langford, J, J., 22 Ohlíng, Kr-H., 129
Osswald, E., 163
Larcher,
Lehmann,C.,C. 133
R-, 9, 56, 94 Ott, H., 45
Lehmann, K., 18, 94 Overbeck, F., 43, 79
Leith, J. H ., 161 Pa nn enb erg, W ., 1 8. 35, 136, 137, 13 8,
Lemonnyer, A., 50 148,161
Lessing, G. E ., 18, 2 0 Perrin, N., 9, 10, 48, 69, 70, 71, 75-76,
Lipensius, M ., 1 6 78, 87, 106
Loeke, J., 17 Peters, T ., 1 61
Lohfink, N., 133 Piepenbring, C., 36
Lohse.E.,9, 11,55.81,82, 110, 112, Piper, O. A., 105
114,115,122,124,125,127 Pôhlmann, W., 15
Longenecker, R., 145 Prenter, R., 45
Lõnning, 1., 110, 112, 129, 130 Preuss, H. D ., 133
Loretz, O., 22, 120 Rad, G. von, 49. 90, 91, 100, 137, 143,

189
147, 148. 149. ISO, 153. 154, 15S, 71,84.88.92.96, 107, 108, 165
IM. Ih2, 163. 164. 166 Stevens, G . B ., 31. 52, 94, 99
Kedlich. F. B.. 45 Stewart, J. S., 83
Keicke. B.. 121 Stock. A.. 15, 112. 115, 116. 125. 131.
Rohde. .1.. 78 132
Ricoeur, P, 76 Strathmann, H., 129
Richardso.i, A.. 22 Strauss, D. F., 26
Ridderhos. H. N., 81. 98, 167 Slrecker. G., 10. 13, 15,20.25.38,47
Riesenfcíd. H., 110. 122. 123
Rigaux. B., 27 Stuhlmacher. P..134.161.162
77. 103, 125, 15. 18. 22, 49, 50, 65.
Ritschl. A., 39 Simdherg. A. C., 129
Rnherlson. P.. 121, 155 Surburg. R., 18
Ho>ijns l in. J. M .. 10. 13, 44 , 45 . 46, 48, Talbert. C. H., 119
50, n«. 69. 72. 74. 75. 77. 80. 93. 103, Talmon, S., 166
106.149. 158 Tavior, V.. 59
Rolnff. J., 100 Th ieli eke, H ., 70
Rowlev. H. H.. 143, 151 Tindal, M .. 17
Rnler, A. A. van. 133. 138 139. 141 Toland, J,, 17
Sanders, J., 134 Troeltsch. E.. 24, 26, 39, 43, 105, 162,
Schelklc. K. H., 9. 52. 62, 65, 122, 123 16 4
Shempp. P., 14 Turrctini, J. A., 17, 23. 24
Schenkel, D., 15 Vadian, J.. 23
Schlatter, A., 33-36, 43. 56. 66. 103 Valia. L.. 14
Shlier. H. 52. 53. 73, 78. 79, 122, Vawter, B., 52
131, 166 Vau x, R. D .. 60. 108, 155
Schlingensiepen, H., 14 Verhoef, P. A., 133, 145, 147, 151, 152
Schmiti, C. F., 29, 30 Vielhauer, P., 47
Schmidt, K. L., 45 V ischer, W ., 140, 1 41
Schmidt. L.. 137 Vo gtlc, A ., 52, 122
Schmidt, S., 16 Vos, G.. 133
Schmithals, W.. 47, 72 Vriezen, T. C., 60, 139. 140, 151
Schnackenburg. R.. 13. 52, 56, 110 Wallace, D., 163
Schniewind, J., 69, 70 Warnaeh. V., 120
Scholder,
Schrage, K.,W., 17, 15,
22, 23
110, 122, 126. 130, 131 Weidner,
Weincl, H.,J. 43,
C., 50
17, 31, 52
Schreiner, J.. 18 Wcismann, E., 16
Schubcrt, K,, 45. 70. 88 Weiss, B., 30, 39, 52, 55
Schulz, S.. 147 Wciss, H., 45
SchwarzwHller. K.. 1.33 Weiss. M., 166
Schwei/.er. A., 27, ,37, 81. 103, 131 Weizsãcker, C. F. von, 22
Selnveit/er, E., 125 Wenham, J.. 144
Seebass, H., 121. 143 Westermann, C., 133, 136, 137
Semler, J. S., 17. 18, 20, 24 Wette, W. M. L. de, 25, 26, 28
Sidel, S., 144 Wheelwright, P., 76
Siegwalt. G., 14 1 Wilckens, U., 17, 24
Smart, J. D.. 133. 141 Williams, C. S. C., 129
Smenri, R., 20, 44, 25, 58, 110 Wilson, S. G., 119
Spcner, P. J., 16. 17 W ink, W ., 1 61
Spicq. C., 52, 108, 154, 155 Witter, J. B., 18
Spinoz.a, B. de, 23 Wolff, H. W., 143, 148, 153, 158
Stachcl, G., 4 7 Wood. H. G., 158
Stagg, F., 54, 94, Woolcombe, I. J., 147
Staiger, E., 166 W rede, W ., 10, 15, 33. 34, 39, 43, 46.
Stamm. J. J., 139 58, 62, 63, 69, 103, 105, 106
Stanl ey, D. M ., 52 Wri gh t, G .E .,9 5 , 142 , 1 58
Staufíer, E., 45. 52, 53, 118 Zachariã, G. T., 19, 20
Stock, K. G ., 31. 88, 92, 118, 11 9 Za hn , T .,32 ,33 , 5 6
Stein, K. W .. 2 6 Zeller, J. H., 17
Stek, J. A., 147 Zimm erli , W ., 49 ,1.36, 141, 149, 1 51
Slendahl, K., 15, 25, 46, 53, 60, 61, 63, Zy!, A. H. van, 144

190
índice dos Assuntos
Adão, segundo, 73 cristandade, 38
anabalistas, 15-16 primitiva, 41, 43, 50. 51, 53, 59, 78
anacronismo , 9 1 grega, 42, 59, 68.77. 103
analogia, principio dc, 39, 87, 105 cristianismo, 38, 40
antropocentrismo, 74, 161 Cristo, 21, 38, 50, 69, 75
antropologia, 62, 71-73, 79, 113, 116, cristocêntrico, 53, 64, 121. 127. 128
125,128 cristologia. 37. 43, 74. 85, 97, 103, 114,
apocalíptico. 76 115.121-126
ciistomonismo, 135, 142
arqueologia, 165 72
arrependimento, critica, 39, 51. 67, 72, 100. 105
arte. 113 bíblica. 51, 52; \e.ja também
ascensão, 70, 102 método histórico-crítico.
ateísmo. 33 cte redação. 78. 119
ato(s), 95 do cânon. 128. 130, 132
aulocompreetisão, 46, 68, 72, 79, 100, do conteúdo, 72. 80. 111. 112, 113,
101, 113,115 131
auto-interpretação, 32, 39, 153 histórica. 39. 44. 55. 161
autoria, 36 literária. 18, 138
autoridade, 21, 23, 106, 111, 112. 132 cru/, 126
biblieismo, 36 culto, 42
b ru ta f u c la , 9 0 cumprimento. 32, 92, 100. 136, 139,
cânon, 13, 19, 30, 32, 37, 38, 39, 41. 53, 149. 151, 156
63, 106, 117, 123, 128-132, 134, 153. deísmo, 29
16 9 demitização, 45, 46, 55, 66-67, 70, 75,
“cânon dentro do cânon", 15, 112, 115, 93.106
117, 123, 125, 128-13 2 descontinuidade, 134, 138, 139. 141, 153
catolici sm o, 27 desquerium ati/ .açâo, 70
centro. 11, 26, 49, 71, 86, 92, 98, Deus, 38" 70, 71, 79, 95, 103, 108, 121
110-132, 167 hipótese de. 91, 105
ceticismo. 139 deuses mitológicos. 42
ciência, 22, 113 Dia do Senhor, 152
círculo fechado, 35, 105, 162 disparidade, 112, 114, 116
compreensão, 24, 66, 161-162, 165 díssimilaridade, 87. 153, 170

' conceitos, 41
conceitos-de-doutrina. 27, 28, 30, 37, diversidade,
114, 116, 29,
124,35,170
38. 54, 112, 113,
38, 39, 55 dogmatísmo, 13, 16, 18, 24, 26, 28, 29.
conhecimento, 70, 71, 73, 114 30,39,41,51, 104
consciência. 38 doutrina, 21,28, 31,39, 41,48. 72
conservatismo, 30 efeito, 35
continuidade, 69, 100, 134, 137, 142-157 eleição, 146
contradição, 23, 74, 112, 169 encarnação, 70,79, 137
conversão, 72, 102 escatologia, 31, 37, 46, 51, 73, 74, 89,
correlação, 39, 43, 64. 100, 105 93,97, 114, 119, 138, 146, 147,
cosmo logi a, 67 151-152
cosmovisão, 33 consistente, 45
191
futurista. 152 pregação de, 41. 71, 81, 85, 93
Escola bultmantiuna, 46-50. 65-80 proclamação dc, 10, 59, 80, 81, 87,
Escola de Tübingen, 26, 29, 39 11 4
esperança, 40, 119. 136 querigma de. 69
Espírito Santo, 32, 44, 98, 114 religião de, 42
ética(s). 37, 42 teologia de, 69
evangelho, 38. 67. 119, 130, 137, 139, João Batista, 32, 50, 85, 97, 100. 102
14 5 ju d a ís m o , 2 5 -2 6 , 2 8 , 3 5 . 4 3 . 5 3 , 8 5 , 9 8 ,
evcnto(s), 71, 73. 89, 91, 93, 95 102
exaltação,
exegese, 73, 19,8630, 112, 145 jj uu íz
s tioç, a72
, 3, 814
, 1603 , 14 6
existência, 66, 71, 73 j u s t i f ic a ç ã o , 1 2 5 -1 2 8
existencialismo, 46, 47, 66, 76, 79, 83 K erig m u U i, 79, 91
existencialista lei, 37, 74. 114, 137. 139
abo rdag em , 65 , 68, 84, 89 lenda, 91
interpretação, 66-68, 70, 72, 80, 106, liberalismo, 35, 36, 44, 57
114,136 liberdade, 72
expia vão, 70 logia , 84
Fé, 23, 25. 34. 35, 40, 41, 42, 47, 49, 51, luteranismo, 49
59,64.68,71.72,78.91,93. 104, mareionismo, 141
105, 114, 116, 122, 146,165 messianismo, 102
Filho do Homem, 102, 123
filosofia, 21, 23, 25. 43, 46. 48, 68, 73, método,
104 metodologia, 11, 19, 29, 60, 62,
76, 109. 159 ateístico, 33
forma, 24 atomístico, 37
crítica da, 45. 55-56, 69 bíblico-exegético, 19
gnosticismo. 89, 134 comparativo, 84
graça, 56 confessional, 60
hebraísmo. 25-26 da história das religiões. 11, 25, 36,
hegclianismo, 27. 28, 37, 42 39, 40, 41, 42, 43, 55, 63, 67, 100,
hcirieggerianismo, 66 153, 166
hclcnixmo, 43, 102 de conceito-de-doutrina, 38
hermenêuticaís). 14. 19,48,49.76 de interseção, 32, 38, 97, 120, 169
História, 31, 32. 35. 41, 66. 70, 73, 74, descritivo, 21, 25, 30, 60, 63, 96
89, 91. 94, 105, 161, 162 de(exto-prova, 32
história da salvação, 25. 31-33. 43, 50 histórico-gramatical, 25, 28, 30
história da tradição, 78, 91, 100 genético, 53
historieismo, 44-74 histórico, 41, 43, 45
homem, 37, 38, 159 histórico-crítico, 17, 20, 21, 26, 29,
humanismo, 74, 115 39,40, 55-66, 67,91, 100, 105, 112,
Iluminismo. 17, 22, 55 114, 160-163
inconsciência, 42 histórico-descritivo, 51, 54, 57, 60, 84,
inspiração, 18-19. 24-25, 31, 39, 44, 169 93, 96,106
interpretação, 24, 30. 34. 36, 42, 44, 46. temático, 50, 51-52, 59-66, 104, 169
49. 54. 63. 66, 69. 7), 73. 74. 85. 90, misticismo, 37, 74, 103, 115
93, 97. 107, 197, 154. 164 mito. 46, 55, 67, 76, 89, 136
biblico-teológica,
pós-crítica, 44-45 153-155 m itol ogia, 45,
modernismo, 46, 55, 67 36, 86
modernista,
ipsissima verba, 41, 97 moral, 23, 51
ips ixs ima vo xJesu , 85 motivo(s), 61, 10 4
Jesus, 21, 42-43, 50, 59, 82, 97, 101, M ovimento Teulógico B íbl ico, 57
105.123 .$> multiplicidade, 142
auto-entendimento de, 102 mundo, 68, 79
de fé, 47 neo-ortodoxia, 44
doutrina de, 26, 27, 28, 29, 30 neutro, neutralidade, 34
histórico, 47, 69-71, 75, 77, 82, 87, norma, normativo, 107
101.123 nova hermenêutica, 48, 74
mensagem de, 10, 28, 50, 60, 68-69, objeto, 40
77, 87, 104-124, 167
pessoa de, 50, 124 objetividade,
165 34, 43, 61, 79, 108, 112,

142
ortodoxia. 35, 70 tema(s). 61. 65, 104
protestante, 16 tempo, 88
racional, 23 teocracia, 26, 139
pacto, 63, 120. 146, 168 íeologia. 41. 42. 51
parousia, 122 biblica, 13, 14. 15, 18-21, 29 31. 40.
Paulo, ver teologia de Paulo, 49, 57, 65. 169
pecado, 68 de J e s us , 1 0.4 1 ,50 , 5 3 ,5 4 .8 ). 102.
Pentateuco, 23 167
pietismo, 16-17, 18, 49 de João, 41. í3, 54, 64, 68. 71. 73, 75,
platonismo,
política, 13993 de 97,99. 102.tos,
Luc as-A 103.10113-117.
.3, 167 167-168
pós bultmanniano(s). 47-49, 66, 69-81, de Paulo. 10, 41, 51, 53. 54. 64, 68,
11 5 71-73. 75. 77, 81, 98. 113-117
positivismo, 80 de Pedro, 54, 'W. 103. l<r-lt>8
predição, 32; ver também promessa, dialética. 43-47. 66
preentendimento, 73. 130 do AT. 10, 11. 65, 169
pressuposição, 10, 35, 43, 46, 48, 60, 66, do conceito bíblico, 99
69, 70, 75, 78,83, 101, 104. 105, 111, dogmática. 16. 25. 64
127. 136. 161, 162 do cristianismo (primitivo). 50-51. 102
proclamação, 10, 96 dos Sinópticos, 53. 64, 73, 97-98. 102.
promessa, 92. 100 16 7
protestantismo, 36 filosófica. 20. 48
psique, 42 histórico-crítica, 24
querigma, 47, 59. 62. 67. 77, 78, 87, 91, liberal. 44, 57, 70
92, 101, 113, 116, 123 sistemática, 17. 96, 99
questão do Jesus histórico, 47, 69-70 teologia, NT.
racionalismo, 17. 18, 22, 25. 34 canônica, 34, 37. 63. Ui6
razão, 17, 22, 23. 111 conceitos de doutrina de, 37. 38
realidade, 33, 35, 82. 108, 162 confessional. 60
reali smo b íblico, 99 conservadora, 31
recitação, 96 história da(s) religião(ões). 36. 40. 41,
reconstrução, 42, 46, 54. 64, 66-68, 75. 48
79. 83 , 87 , 101. 106, 1 64 hist ói ico-m odern a, 55, 81
rede nção, 37 , 42 ,13 8 nome da. 40
Reforma. 13 histórico-positiva. 28. 37-38, 83
reino de Deus, 102 positua-moderna. 29. 30, 50, 52
reinterpretação. 46. 59, 90, 95 puramente histórica, 26-27. 28, 31,
relatividade. 71. 80. 111 33, 34, 38, 43, 50, 63. 65
religião, 24, 39, 41 hislórico-tcológiea. 158-170
remanescente, 85. 146 textovprova, 20. 31, 32
ressurreição, 59. 73. 78, 86, 95, 98, 102, tipologia. 147-149, 156
114, 122-123 Tora, 114
revelação, 17. 23, 32, 35. 37, 44, 50, 63. totalidade. 112
69. 72. 73, 91, 94. 111. 116. 160 tradição, 14, 36, 49, 91, 150. 165
Suchkrilik ,7 2 , 111 crítica da. 42, 49
saeram ento(s), 42. 74, 11 4 historiada, 78, 91, 100
saga, 91 38, 74. 116
salvação. tradução,
transcendência,lradii7Índo.
35, 49,93,
71. 96,
163107
história da, 31-34, 43, 49-50, 53, 56, Trindade. 142
87-88, 116-120, 151 unidade. 15. 2ó. 29, 35, 38. 50. 53, 54.
sentimento, 25 57,62. 64, 7ti, 82. 98, 99, 102,
simbolismo, 76 110-127, 156, 168, 170
sinópticos, 22, 27, 69, 73, 78, 85. 97. uniformidade, 38, 111, 156, 170
114. 167 verdade, 23, 40, 51
sistemas de doutrina, 17 vida, 64
so lu S c r ip iu r a , 14, 126 visão do mundo, 43, 49. 56, 67
soteriologia, 62, 72, 74. 114, 115. 128 Weltanschauung, 33. 163
subjetividade, 61.104, 112, 115, 130,132 Z e itg e is t, 43, 56
supernatural (ismo), 17, 25, 105. 162
193
“Como introdução à teologia do Novo Testamento, este livro não
te m igua l. ”
Geor ge Eldon La dd
Fuller Theological Sem inar y

Gerhard F. H asel

Questões Fundamentais no Debate Atual


Os últimos anos têm testemunhado uma grande quantiaade de
material sobre a teologia do Novo Testamento. Muitos teólogos,
incapazes de concordar q uan tc,à natureza, função, m étodo e e scopo
da disci plina, têm ofere cidos uas próp rias int erpretaçõ es do assunto.
Infelizmente, esta variedade crescente de abordagem resultou em
conflit o e con fusão entre os eru ditos e os alunos.
Gerhard Hasel se dirge a esta situação com uma discussão
profunda das questõ es básic as do debate. Começa com tim a análise
abrangente da aparição e do desenvolvimento da teologia do Novo
Testamento durante os últimos dois séculos. A partir desse exame,
discerne a s várias questões qu e* cu lm ina ram no atu al es tado crít ico
desta área de estudo. O Prof. Hasel a valia as questões com relação à
metodologia, à unidade do Novo Testamento e ao relacionamento
entre o N ovo e o Antigo Te stam entos. E nc erra o presen te livro com
algumas propostas básicas para se fazer teologia a partir de um
m étodo histórico e teol ógic o que p roc ur a ser f iel ao -p nte ria l bíbli co.
GERHARD F. HASEL é professor de Antigo Testamento e
Teologia Bíblica na Andrew s Universi ty. E ste li vro é o com plem ento
de seu volume anterior- Teologia do Antigo Testamento: Questões
Fundamentais no Debate A tual.