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FICHAMENTO

MACIEL, Daniela Terezinha Esteche (UEPG) . OLIVEIRA, Rita de Cássia da Silva


(Orientadora/UEPG). A IMPLANTAÇÃO DA LÍNGUA ESPANHOLA NO ENSINO MÉDIO
PÚBLICO: CONQUISTAS E DESAFIOS. Seminário Pesquisa PPE. Universidade
Estadual de Maringá. 2011
Por: Janice Macêdo da Matta Simões1
Especialista em Mídias na Educação
E-mail: jani_teacher_psicopedag@yahoo.com.br

O problema:

Questões: Como interpretar esse dado? Como explicálo? Como as teorias da educação
se posicionam diante dessa situação?

Neste momento político-econômico pelo qual passa o país, é reconhecida a importância


da língua espanhola para as escolas brasileiras. A relação estabelecida pelos países do
MERCOSUL foi um dos aspectos que favoreceu a implantação da Lei 11.161 em agosto
de 2005, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de língua espanhola no ensino
médio. Este artigo tem o objetivo de refletir sobre um desafio que se apresenta urgente
e requer uma solução rápida: o cumprimento do prazo para implantação efetiva da
língua nas escolas, que como consta em lei é de cinco anos. Destacamos ao longo do
texto alguns gargalos para a questão, como a falta de professores devidamente
habilitados e ainda a escassez de material didático nessa área. Ao final, sugerimos a
abertura de novos cursos em nível de graduação na área de Letras, como estratégia
para garantir uma formação e ensino de qualidade.

Palavras-chave: Ensino de língua estrangeira, língua espanhola, Lei 11.161, formação


docente.

ABSTRACT: In the political-economic moment that the country faces nowadays, it is


recognized the importance of Spanish language to Brazilian schools. The relation
established by MERCOSUL countries was one of the aspects that favor the
implementation of the Law 11.161 in August 2005, which states obligatoriness of
Spanish language teaching in Brazilian high schools. This paper aims to debate the
1
Supervisora do Pibid – Projeto Espanhol. Professora Especialista em Educação Especial/Licenciada em Letras
Vernáculas/ Bacharel em Administração de Empresas – UEFS /http://lattes.cnpq.br/0818469022287768
chalenge that presents itself as urgent and requires a solution quickly, which is to follow
the deadline to implement Spanish teaching in schools, the Law states five years for
that. We discuss along the text some issues regarding it, as the lack of trained teachers
and also the lack of textbooks and other materials. We also suggest that new graduate
courses be opened, as a strategy to assure quality in teachers training and teaching-
learning.

Keywords: Foreign language teaching, Spanish language, Law 11.161, teachers training.

Ao analisar o quadro evolutivo da presença do espanhol como língua estrangeira na


história do ensino de LE nos institutos especializados e nas escolas públicas brasileiras,
a impressão que se tem é a de que este idioma sempre ocupou pouco ou nenhum
espaço no panorama do ensino e aprendizagem de línguas do país, sendo preterido
pelo inglês, francês e alemão ao longo dos últimos 15 anos.

Com o advento do MERCOSUL, o espanhol passou a disputar com a língua de


Shakespeare, se não a mesma importância, pelo menos um lugar de destaque na
aquisição de uma LE, já que o Tratado de Assunção estabelecido entre os componentes
desse bloco sul-americano visa ao fortalecimento desses países, exigindo que os de
origem hispânica se expressem em português e que os brasileiros, por sua vez, o façam
em castelhano, sem que haja nessa orientação mútua para aprendizagem de línguas
nenhum direcionamento puramente comercial.

Em 05 de agosto de 2005, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou na Lei


11.161 o Projeto de Lei 3.987, de 2000, de autoria do Deputado Átila Lira (PSDB/PI),
tornando obrigatória a presença do Espanhol no ensino médio das escolas brasileiras.

Com a aprovação dessa lei, o Governo não fez mais do que passar a oferecer aos
estudantes do sistema público de educação as mesmas condições das quais vêm
desfrutando os do sistema privado, já que estes têm contado, há algum tempo, com a
oferta do Espanhol em suas escolas.

À época da promulgação da Lei, o então Ministro da Educação Tarso Genro declarou


que “o Ministério da Educação está há tempos desenvolvendo estudos para a
implantação do ensino obrigatório do Espanhol nas escolas, dada a importância que
tem o espanhol, não somente no Mercosul, mas em todo o mundo'.

Reconhecida a importância da língua espanhola para as escolas brasileiras neste atual


momento político-econômico pelo qual passa o país, e iniciada de fato a implantação da
Lei, outro problema se apresenta e requer uma solução rápida: a falta de professores
devidamente habilitados para pôr em prática o ensino do idioma, bem como a
existência de pouco material didático nessa área. O tempo de que dispõe o Governo
para fazer valer a lei é pouco: cinco anos apenas a partir de 2005. Se levarmos em conta
a população estudantil e os profissionais existentes para dar início a essa árdua tarefa,
veremos que há uma preocupante incompatibilidade de números.

Segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), há condições para se


levar adiante a implantação do espanhol como língua estrangeira obrigatória em apenas
11 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará, que fazem fronteira com países
que falam a língua em questão. Será necessário um número expressivo de 1.411
professores nessas regiões, sendo que, estes, por sua vez, darão aulas para, no
máximo, aproximadamente 10 grupos de alunos em 20 horas de regência por semana.

O Ministério da Educação tem tomado iniciativas como a de examinar a produção de


materiais didáticos que possam apoiar o sistema de ensino médio, tarefa que envolve
conseqüentemente o Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio e o
Programa Nacional de Biblioteca Escolar. Teve início em outubro de 2005 um processo
de licitação para aquisição de um livro, uma gramática e dois dicionários que serão
distribuídos aos professores das escolas públicas de ensino médio que ofereçam
Espanhol. O programa do Governo Pró-Licenciatura, que atua na área de capacitação de
professores, também passará a atuar na formação de professores para o ensino do
Espanhol. Com essa meta, a diretora da Secretaria de Educação Básica – SEB, Lúcia
Lodi, informou, à época, que já estavam sendo marcadas reuniões com os pró-reitores
de graduação das instituições de ensino superior, visando ampliar o número de vagas
nos cursos de licenciatura e, conseqüentemente, o número de professores com
formação adequada para cumprir os requisitos da Lei n° 11.161.

Em artigo publicado no Portal MEC, em 08 de dezembro de 2005, a jornalista Ionice


Lorenzoni revela os quatro livros selecionados para o professor, baseados na Portaria
SEB n° 28/2005: El Arte de Leer español; Síntesis: Curso de Lengua Española; Español
Ahora e Hacia el Español. As duas gramáticas são: Gramática Didáctica del Español e
Gramática de Español Paso a Paso. Os cinco dicionários monolíngües são: Nuevo
Diccionario de la Lengua Española; Diccionario Salamanca de la Lengua Española; Gran
Diccionario Usual de la Lengua Española; Diccionario del Estudiante e Diccionario de
Español para Extranjeros. Os dois dicionários bilíngües são: Diccionario para la
Enseñanza de la Lengua Española para Brasileños e Dicionário Larousse
Espanhol/Português e Português/Espanhol: Essencial.
Em Brasília, já se tem notícia da abertura de novos cursos em nível de graduação para a
formação de professores de espanhol, depois de se ter assistido ao encerramento do
curso em licenciatura dupla de Letras Português/Espanhol do UNICEUB, um dos
pioneiros nessa modalidade da capital.
De acordo com os dados colhidos durante o censo escolar de 2004, realizado pelo
Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC), o ensino
médio, no país, conta com um número de 9,1 milhões de matrículas, sendo que, desse
total, 8 milhões estão nas escolas públicas e 1,1 milhão, no sistema privado de
educação.

Francisco Moreno, em entrevista ao El País, em 20 de agosto de 2000, faz uma projeção


de que pelo menos seis milhões de alunos deveriam estudar espanhol no ensino médio,
a partir da implantação da Lei, para o que seriam necessários mais de 200.000
professores.

Caberá ao Governo capacitar os professores para que possam assumir essa importante
tarefa, o que não será fácil, se levarmos em conta a já conhecida formação precária a
que se sujeitam nossos professores, que, na maioria das vezes, chegam ao curso de
Letras com pouca ou nenhuma competência lingüística na língua em que pretendem se
graduar. Nesse aspecto, o país correria o risco de ver instalada em suas escolas
públicas a oficialização de uma interlíngua que pode acudir às primeiras necessidades
básicas do cotidiano, mas que dificilmente será aceita em contextos que exijam uma
postura mais formal do falante.