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NOME DA UNIDADE DE ATENDIMENTO: Atendimento Educacional Especializado –

AEE/Misto
NOME DA ESCOLA: EEF Sagrado Coração de Jesus
E-MAIL: eebscj@sed.sc.gov.br
TELEFONE: 47 3622-2746/3622-8698
MUNICÍPIO: Canoinhas/SC
NOME DO GESTOR: James Luis Brey
NOME DA ASSESSORA: ArleteMaria WunscheJungles
NÚMERO TOTAL DE ALUNOS: 1107
NUMERO TOTAL DE PROFESSORES: 66
NÚMERO TOTAL DE PROFISSIONAIS DA EQUIPE TÉCNICO PEDAGÓGICO: 9
(pedagógico, administrativo, diretor e assessora).
Título: Minha história na Educação Especial
Professora: Renata de Lurdes Silva de Souza

Tudo começou com a escolha da minha formação acadêmica. Sempre sonhei em ser
professora da Educação Especial, mas em minha cidade não existia esse curso. Então fui em
busca nas cidades vizinhas onde consegui me graduar em Pedagogia com Habilitação em
Educação Especial e Pós-Graduada em Educação Inclusiva, pois somente essa graduação me
possibilitaria atuar nessa área e me ajudaria identificar as necessidades especiais dos
educandos. Dessa forma seria possível definir e implementar respostas educativas as
necessidades especiais dos alunos, bem como, apoiar os professores de outras classes de
ensino e atuando nos processos de desenvolvimento e aprendizagem, desenvolvendo
estratégias de flexibilização, adaptação curricular e práticas pedagógicas alternativas.
Assim, iniciou a minha trajetória em prol do trabalho com as pessoas com
necessidades especiais no âmbito da educação. Minha primeira experiência foi na Escola
Especial Santa Rita de Cássia no munícipio de Três Barras/SC, onde permaneci por 5 anos.
Antes de iniciar o trabalho na instituição, realizava trabalhos voluntário beneficentes. Com
isso, facilitou a minha adaptação na escola, pois já tinha contato com a comunidade escolar.
Encontrei dificuldades em relação aos temas sobre as deficiências específicas de cada criança
que precisava saber e, na elaboração do planejamento específico para as turmas na qual iria
trabalhar. Essas dificuldades foram sanadas ao longo dos anos através de leituras, conversas,
trocas de experiências em reuniões com pais e professores, seminários e capacitações na área.
No ano de 2001, realizei o concurso do estado de Santa Catarina para Salas de
Recursos (S.R.), onde me efetivei. No ano seguinte iniciei o trabalho na EEB Professor
Balduíno Cardoso no município de Porto União/SC e a sala era destinada a educandos com
Deficiência Auditiva.
O objetivo dessa sala era(se a sala ainda existir o verbo É tem que estar aqui)
desenvolver ações específicas voltadas à garantia da inclusão do educando com necessidades
especiais na rede regular de ensino, como cita a Política de Educação Inclusiva (POLÍTICA
DE SANTA CATARINA, FCEE, 2001).
Quando assumi esse trabalho fiquei assustada, pois, desconhecia totalmente a Língua
Brasileira de Sinais (LIBRAS), bem como o trabalho a ser desenvolvido com os Surdos. Mas,
com o incentivo e apoio da integradora de educação especial, colegas das outras salas de
recursos e pedido dos pais, enfrentei esse novo desafio. No começo das aulas sentia-me inútil,
pois não conseguia me comunicar com os alunos. Perseverei, porem sempre sentindo-me
frustrada, e com medo de não conseguir desenvolver o trabalho que foi a mim designado. Para
meu fortúnio havia uma professora Surdaoralizada, que me auxiliava na sala e foi com ela que
comecei a aprender falar com as mãos. Ela era muito exigente, mostrava os sinais e me dava
tarefa de casa, estudar a Apostila Falando com as Mãos e no dia seguinte cobrava tais
aplicações antes que os alunos chegassem. Minha comunicação com os alunos era através da
escrita no português, gestos e da leitura labial.
Durante esses anos minha trajetória de trabalho foi árdua, uma vez que tive muitas
dificuldades em me comunicar com os alunos, também como prestar subsídio aos membros da
unidade escolar. Assim, visto minhas necessidades, fui encaminhada para realizar
capacitações em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina, com a
Fundação Catarinense de Educação Especial e com a Gerência de Educação, entre outras,
assim como busquei na rede mundial de computadores conhecimento para enriquecer o saber
sobre a inclusão e as metodologias para a atuação do trabalho.
Após essas capacitações comecei a fazer reuniões com os professores, informando-os
de como fazer as adaptações didáticas pedagógicas e as avaliações para os alunos Surdos, em
razão de que os professores tinham muitas dificuldades em relação a esses temas e na
efetuação da comunicação com os aprendizes. Havia também, resistência de muitos
professores na aceitação do educando surdo na escola, dizendo que eles deveriam estudar em
uma escola apropriada, assim como queriam que escrevessem o português corretamente.
Foram muitas as explicações constantemente para que os professores entendessem como era a
forma de seus registros.
Com o passar dos anos, isso foi amenizando quando a comunidade escolar passou a
entender como é a pessoa Surda. Foram muitas orientações e informações repassadas aos
professores e aos colegas nas turmas, onde os alunos Surdos estavam inserido, ensinando-os
como se comunicar com eles através da LIBRAS, e como acontece a sua aprendizagem.
Realizei com as turmas várias estratégias com dinâmicas, jogos e brincadeiras em LIBRAS,
onde todos participavam com interesse e entusiasmo em aprender, para depois podê-los ajudar
na sala de aula nos conteúdos estudados no ensino regular.
Outra experiência marcante, foi no ano de 2005 onde fui agraciada com o trabalho em
classe bilíngue com alunos Surdos, acompanhando-os desde a 2ª série até a 4ª série do Ensino
Fundamental, juntamente com o trabalho de uma instrutora de Libras. Esse trabalho foi mais
tranquilo, não tive dificuldades devido eu saber falar em LIBRAS. Trabalhávamos as
disciplinas acadêmicas explicadas em LIBRAS com o ensino da Língua Portuguesa na
modalidade escrita e as atividades eram todas adaptadas. Em 2006, participamos de um
evento que marcou as nossas vidas, o Projeto Paca em parceria com a empresa Rigesa, hoje
denominada WestRock, onde desenvolvíamos o projeto com o tema: Os peixes, o rio e a água
questão de vida, sendo que esse tinha o objetivo de conscientizar os alunos da preservação do
rio para a diversidade biológica da qualidade da água e de seu curso para a afirmação da vida
da população de Porto União.
A explanação foi no Iº Fórum de Educação Ambiental de Canoinhas, onde
participaram muitas escolas da rede estadual de ensino. As falas foram realizadas pelos
próprios alunos e interpretadas por mim. Os alunos ficaram muito felizes por terem
participado e mostrado suas potencialidades e conhecimentos adquiridos na sala bilíngue.
Grande foi a admiração de todos os presentes.
Após, essa turma toda foi para a 5ª série, onde os professores ficaram assustados,
surgiram questionamentos por parte dos docentes sobre como iriam trabalhar com tantos
Surdos na sala de aula. Contudo sempre tiveram meu apoio na escola, e continuei fazendo as
orientações necessárias cabíveis, entre cursos de aperfeiçoamento, para a comunidade escolar
e a sociedade contribuindo com a inclusão dos alunos e a educação. Nesse período do trabalho
eu contava com o apoio do setor de educação especial, com os profissionais de orientação e
supervisão da escola.
Em seguida foi apresentado nas escolas a Política de Educação Especial e o Programa
Pedagógico elaborado pela FCEE em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, o qual
tem por objetivo traçar as diretrizes dos serviços de educação especial. Essas diretrizes estão
direcionadas à qualificação do processo de ensino e aprendizagem dos educandos com
deficiência, condutas típicas e com altas habilidades, matriculados no ensino regular e no
Serviço de Atendimento Educacional Especializado – SAEDEs, designados por sua área de
intervenção, com o objetivo de complementar, apoiar e suplementar o processo de ensino e
aprendizagem, não configurando ensino particular ou reforço escolar.
Nessa mesma instância foi instituído pelo Estado os seguintes profissionais para
atuares com os alunos com deficiência: o Segundo Professor de Turma, o Professor Guia-
Intérprete, o Professor Bilíngue, o Professor Intérprete e o Instrutor de Libras.(SANTA
CATARINA, Política de Educação do Estado de Santa Catarina, São José: FCEE, 2009).
Assim, segue a minha caminhada na educação nas seguintes escolas: EEB Professor
Germano Wagenfuhr no município de Porto União, na EEB Colombo Machado Salles em
Três Barras e na EEF Sagrado Coração de Jesus no município de Canoinhas. Contribuindo
nessas Unidades de Ensino com assessorias e informações sobre o trabalho a ser desenvolvido
no SAEDE e explicações sobre as especificidades de cada educando, aos educadores, pais e
comunidade escolar.
Observa-se ainda que as dificuldades encontradas são as mesmas de todos os
professores em como se comunicar com os alunos, desenvolver as atividades pedagógicas e
avaliações, devido a muitos alunos ainda não saberem escrever, ler e interpretar questões
relevantes as disciplinas acadêmicas. Como também, a falta de interesse de alguns professores
do ensino regular em buscar conhecimentos e especializações na área da educação especial.
Partindo disso, em reuniões com a Unidade de Atendimento de Canoinhas – Setor de
Educação Especial, apoio de colegas de trabalho e do setor pedagógico, elaboramos projetos
sobre a Inclusão e o ensino da Língua Brasileira de Sinais nas escolas para a comunidade
escolar incentivando a interação de todos. Entre, orientações sobre adaptações e intervenções
pedagógicas necessárias para o ensino aprendizagem dos educandos. Organizamos também
reuniões para os pais, para trocas de experiências e estudos sobre as deficiências e aulas de
LIBRAS para efetivação da comunicação entre os pais e seus filhos.
No atendimento em SAEDE, as atividades são desenvolvidas com foco nas funções
psicológicas superiores do educando, para a auto regulação de sua estrutura cognitiva
desenvolvendo a sua à autonomia, às diferentes formas de linguagens, à concentração,
atenção, memória, organização, análise e síntese, classificação, comparação, orientação
espacial e temporal, resolução de problemas e textualidade, mediante investigação de
estratégias pedagógicas que possibilitem avanços processo de aprendizagem. Para isso,
usamos os mais variados recursos pedagógicos disponíveis na escola para a efetivação da
aprendizagem, assim como materiais adaptados para alunos com deficiência sensorial.
Nesse sentido o trabalho na educação especial é continuar a desafiar o educando a
superar suas dificuldades cognitivas, e também conscientizar as famílias a dar o apoio a seus
filhos, a comunidade escolar entender a inclusão como algo necessário e, principalmente a
escola e professores que o trabalho integrado deve ser uma meta buscada incessantemente.
Por esse viés, desafio é a palavra chave para quem está no dia a dia com aluno com
necessidade especial, por isso a motivação vem das capacitações, das famílias, dos educandos,
da escola e professores. E por outro lado, a expectativa da superação individual do aluno a
cada ano agrega estímulo ao meu trabalho, mesmo com as deficiências do SAEDE (em
questões atreladas a infraestrutura, ainda muito precária).