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Estudos Amazônicos 9º ano

O capitalismo na Amazônia

A expansão do capitalismo na Amazônia

A economia da região amazônica em geral e do Pará em particular, tem como principal característica de sua
base produtiva o peso do extrativismo mineral e vegetal. Desde os séculos XV e XVI, quando teve suas terras
disputadas por aventureiros de diversas nacionalidade, o Pará na calha do gigantesco rio Amazonas e, em
seguida pelas outras trilhas e localidades colonizadas ao longo da teia de rios da região, ofereceu recursos
naturais fartos, que pouco exigiam além do esforço da coleta para a acumulação de bens a serem
comercializados para as mais diversas nações da época.

Assim foi com a castanha, que de tão abundante e


característica acabou batizada em todo o país com o
sobrenome de sua origem, Castanha-do-Pará, e com a
borracha, que de tão pródiga e valiosa deu aos
amazônidas a impressão de que se tratava do verdadeiro
e eterno ouro do Eldorado. Os ciclos extrativistas
acabaram de forma melancólica, quase tão rápido quanto
começaram, provando aos amazônidas que a riqueza da
região não será alcançada com a simples sangria da
floresta, sem que haja o esforço da transformação por
parte do homem, incorporando valor aos bens matérias.

O desafio da região amazônica é o da transformação de sua base produtiva, em que o extrativismo vegetal
cede lugar ao extrativismo mineral, realizado não por estruturas empresariais primitivas que escravizam o
caboclo da região, mas através de grandes empresas de capital nacional e internacional, que criam ilhas de
riqueza, porém, com pouca ou nenhuma relação interativa com a economia global, praticamente sem
industrializar aqui o produto mineral, sem induzir a formação de cadeias produtivas geradoras de renda e
ocupação, lucrando com o produto de suas escavações e pouco deixando em pagamento de tributos, graças a
uma generosa política de incentivos fiscais.
Dos quatro principais polos de modernidade da Amazônia, dois estão no Pará: o Triângulo de Carajás e o Polo
Agropecuário do Sudeste Amazônico. Os outros dois são a Zona Franca de Manaus e o Polo Agrícola de
Rondônia. Estas ilhas são o que restou de maciços investimentos do governo federal na infraestrutura da
região durante as décadas de 1960 e 1970, o que gerou uma dinâmica econômica fortemente dependente
dos incentivos oficiais, e que ficou órfã deste apoio com a crise econômica dos anos 80, quando o país viveu
junto com a região, um período de estagnação.
Com a estabilização econômica, a partir da implantação do plano real, o governo federal voltou a investir em
infraestrutura, privilegiando eixos nacionais de integração e desenvolvimento, que tem na Amazônia as
hidrovias como espinha dorsal. A energia elétrica e diversificação da mineração colocaram a região em posição
vantajosa, em termos de oportunidade de investimentos, em relação às outras regiões do país. Com a
aproximação da frente agrícola do Cerrado, a Amazônia receberá cada vez mais agricultores do Centro-Oeste

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em busca de novas terras para plantar, novos mercados consumidores e canais para escoamento da produção,
dinamizando eixos como a Belém-Brasília, Santarém-Cuiabá, Cuiabá-Porto Velho, Porto Velho-Manaus,
Manaus-Boa Vista e Transamazônica.

O próprio eixo nacional da produção mineral estará cada


vez mais deslocado para a Amazônia, onde está previsto
a conclusão de projetos de extração de caulim, cobre,
ferro e manganês em Carajás e os polos metalúrgicos da
Albrás-Alunorte, além de mais mineração de alumínio no
rio Trombetas e a expansão do gás e do petróleo em
Urucu, no Amazonas. Para tal, será indispensável criar
uma base científica e tecnológica e qualificar os
recursos humanos, o que depende em grande parte de
um poder público consciente e com visão de futuro,
capaz de compreender a importância da biotecnologia
para uso sustentável dos recursos naturais. Assim, o
Refinaria Alunorte controlada pela Norsk Hydro que ocorre no espaço amazônico está em relação direta
com movimento da economia brasileira e, por via desta,
com as transformações na ordem capitalista mundial. A Amazônia se torna cada vez mais um símbolo da
responsabilidade global em manter intocados alguns ecossistemas, com reservas futuras de qualidade de vida
para a humanidade, e que deverão permanecer preservados como santuários.
No entanto, será inevitável que a Amazônia continue a abrigar migrantes de todas as regiões do país, pelo
próprio esgotamento dos espaços e das reservas nessas regiões, constituindo-se em nova fronteira agrícola,
mineral e industrial, recebendo investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros, com a obrigação de gerar
empregos e renda, com qualidade de vida.

Noções de capitalismo

Quase todos os dias se ouve falar que o Brasil é um país capitalista, que o sistema que predomina no Brasil
e no mundo é o capitalismo. Vamos tentar explicar o que isso significa.
O capitalismo é um sistema econômico que se desenvolveu entre o século XV e XVIII e foi se consolidando.
Ele é caracterizado pela aquisição de capital proveniente do comércio e apropriação do trabalho
humano (escravo ou assalariado). O capitalismo está voltado para a fabricação de produtos comercializáveis,
denominados mercadorias, com o objetivo de obter o lucro. Esse sistema está baseado na propriedade privada
dos meios de produção, ou seja, todos os utensílios, ferramentas, matérias-primas e edificações utilizados
na produção pertencem a alguns indivíduos (os capitalistas).
Nas sociedades capitalistas, o elemento central da economia é o capital, que pode ser entendido como o
dinheiro que é investido no processo produtivo, com o objetivo de gerar lucro. Diferencia-se do dinheiro que
se destina à satisfação das necessidades pessoais dos indivíduos. O capital é aplicado em instalações,
máquinas, mão-de-obra, entre outros elementos ou agentes de produção.

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Como no capitalismo a produção se destina ao mercado, ou seja, à comercialização, dizemos que os países
capitalistas adotam a economia de mercado. É em função das necessidades do mercado que se desenvolvem
a produção, a circulação (ou sistema de distribuição para o mercado consumidor) e o consumidor dos
produtos. Essas etapas caracterizam o chamado ciclo de reprodução do capital.
Para produzir e comercializar suas mercadorias, os proprietários contratam empregados, os não-
proprietários, que nessa relação também estão vendendo uma mercadoria: sua força de trabalho.
Até o início do século XX, podia-se analisar o sistema capitalista pela oposição de duas classes sociais: a
burguesia detentora do capital, e o proletariado, formado pelos trabalhadores. Cada vez mais, porém, as
transformações econômicas, sociais, tecnológicas e o aprofundamento da divisão social, tecnológicas e o
aprofundamento da divisão social do trabalho têm inserido elementos novos na sociedade capitalista, de modo
que hoje é preciso considerar fatores como o surgimento de novas atividades e novas práticas profissionais
necessárias para atender às exigências de um mercado cada vez mais diversificado.
Aspectos como o poder da mídia sobre a opinião pública, a manipulação exercida pela indústria da propaganda,
o acesso à cultura e à tecnologia a especialização do trabalho, a terceirização da mão-de-obra e a redução
da oferta de empregos ganham cada vez mais destaque.

A Amazônia na divisão nacional e internacional do trabalho

Divisão Territorial do Trabalho (D.T.T.)

A colonização europeia do século XV e, mais recentemente, o imperialismo do século XX, impuseram as


diferentes nações do mundo a economia capitalista. Definiu-se assim, o que cada território deveria produzir,
orientando-se a política econômica desses países. A partir de então, cada nação passou a ter um papel
específico na produção econômica internacional. Esse processo é chamado de Divisão Internacional do
Trabalho, que passou a ocorrer em nível mundial e que, neste caso, é chamada de Divisão Internacional do
Trabalho (D.I.T.). A produção econômica dos países passou a ser diferente, intensificando ainda mais a
circulação de mercadorias, ou seja, o comércio. Isto ocorre porque nenhum país é capaz de suprir sozinho
suas necessidades internas, precisando, portanto, comprar no exterior o que não produz.
A D.I.T. proporciona o enriquecimento dos países centrais e o empobrecimento dos países periféricos. A
razão é que o tipo de relacionamento estabelecido entre os países aumenta a dependência e a desigualdade
entre os mesmos, como também divide os países em exploradores e explorados, ou seja, países centrais,
também chamados de primeiro mundo ou desenvolvidos, que lideram a economia mundial, como os Estados
Unidos, Alemanha e Inglaterra e países periféricos, também chamados de terceiro mundo ou
subdesenvolvidos, como é o caso de Brasil, México e Filipinas, que voltam a sua produção para atender o
mercado externo, a saber, os países centrais, sendo explorados por estes.

O papel da Amazônia na D.T.T.

Neste contexto, qual o relacionamento da Amazônia com as outras regiões do Brasil e do resto do mundo?
A Amazônia no contexto internacional, exerce o papel de fornecedora de matérias-primas, destinadas à venda
ao mercado externo. Os principais produtos importados pela região amazônica (produtos eletrônicos,

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caldeiras, produtos musicais e produtos químicos) ultrapassam os valores dos produtos exportados (madeira,
caulim, hematita, castanha-do-Pará, mesmo que as exportações aconteçam em maior volume, o que demonstra
a desvalorização dos produtos exportados pela Amazônia.
Vejamos agora para onde foram esses produtos. Países como Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido são
os campeões de exportações. Quanto as importações, países como Japão, Estados Unidos e Venezuela são
os que mais se destacam. A Amazônia, a cada ano, tem que aumentar a exploração de produtos naturais, pois
o país precisa arrecadar recursos financeiros que se destinam, por exemplo, ao pagamento de sua dívida
externa.
Devemos lembrar que, desde a época colonial, a
Amazônia já tinha ligação comercial direta com o
exterior. Exportava drogas do sertão para atender à
produção farmacêutica e servir de condimento à
alimentação europeia e, em troca, recebia produtos
manufaturados. Esse processo se intensificou ainda
mais com a exploração da borracha. Não é de hoje que a
Amazônia se especializou em exportar determinados
produtos naturais para o mercado internacional.
Portanto, o seu papel na Divisão Internacional do
Trabalho já foi estabelecido desde a época da colonização europeia.
A partir de 1960, a Amazônia se integrou, efetivamente, ao mercado nacional e melhor definiu seu papel no
contexto brasileiro, através de um volume maior de exportação também de produtos naturais (borracha,
madeira, peles, etc.) para o centro-sul do país. Outro papel que a Amazônia que tem assumido com o restante
do país é o de receber grande quantidade de imigrantes de outras regiões que estão densamente povoadas
e com sérios problemas sociais, desse modo, aumentando os já existentes na região.
Também não podemos deixar de citar o papel que a Amazônia tem para os investidores do Centro-Sul, que
compram terras tentando ampliar seu capital. Porém, por outro lado, a aquisição de terras representa também
uma garantia de empréstimos bancários e, ainda seve como fonte de extração de recursos naturais. Esses
relacionamentos da Amazônia com as outras regiões do Brasil e do mundo tem demonstrado a exploração
contínua de seus recursos naturais. Isso assegura o enriquecimento de alguns grupos econômicos nacionais
e internacionais e não permite que a população local seja beneficiada, causando, assim, insatisfação que gera
graves conflitos sociais.

Interferência do Estado na economia do Pará

1964: a política no Pará e a Integração Nacional

O Movimento militar de 1964, deflagrado na noite de 31 de março de 1964, em Minas Gerais, sob o comando
do general Olímpio Mourão Filho, contra o governo instituído do presidente João Goulart, marcou
profundamente a vida política e social do Brasil. Apoiado por empresários, proprietários rurais e setores da
classe média, o movimento reagiu principalmente às “reformas de base” propostas pelo governo com o apoio
de partidos de esquerda, acusando o presidente de pretender estabelecer uma “república sindicalista”. O

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período caracteriza-se pelo autoritarismo, supressão de direitos constitucionais, perseguição policial e militar,
e utilização da tortura para obter a confissão dos presos e sequestrados que se opunham ao regime. A
liberdade de expressão nos meios de comunicação foi suprimida mediante a adoção da censura prévia. Foi de
extrema importância para os governos militares o papel desempenhado pelo Serviço Nacional de Informação
(SNI), criado pelo general Golbery do Couto e Silva.
Chegando ao poder, os militares realizaram profunda alteração constitucional, promulgaram o Ato Institucional
nº 1 — que cassou mandatos, suspendeu a imunidade parlamentar e direitos políticos — e promoveram a
eleição, pelo Congresso Nacional, de um novo presidente, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco,
que governou até 1967. Os partidos políticos foram abolidos e instalado o bipartidarismo.
No campo econômico foi definido um modelo baseado no binômio desenvolvimento/segurança. O planejamento
centralizado contribuiu para a estatização da economia, desempenhando o Estado atividades de gerenciamento
da produção. Como ocorreu em outros países, a crise mundial da década de 1970 agravou o problema
econômico brasileiro, acentuando a concentração de renda e os problemas das populações mais pobres.

A política durante a ditadura no Pará

Em março de 1964 os acontecimentos apanharam de surpresa os governantes estaduais e territoriais e os


próprios militares no Pará. A noite de 31 de março de 1964, com o levante liderado pelo general Mourão
Filho, provocou grande surpresa entre os paraenses; durante a noite, a hesitação; no dia 1º de abril, a adesão.
No Pará, tanto Aurélio do Carmo quanto Moura Carvalho estavam ausentes, pois juntamente com outros
líderes pessedistas, tinham ido ao Rio de Janeiro, participar da convenção nacional do PSD – Partido Social
Democrático. Os comandantes militares eram: general Orlando Ramagem (que fora chefe da Casa Militar do
governo de Juscelino Kubitschek), comandante militar da Amazônia (na época o comando era em Belém);
brigadeiro-do-ar Armando Serra de Menezes, da 1ª Zona Aérea; e capitão-de-mar-e-guerra Boris Markenson,
no 4º Distrito Naval (interinamente).
Em 1º de abril, o governador em exercício, Newton Burlamaqui de Miranda, e os comandantes militares
assinaram e publicaram uma nota oficial que apoiava o movimento militar. A fidelidade da tropa, porém, ao
golpe, estava assegurada, com destaque ao 26º BC, sob o comando do então coronel Oscar Jansen Barroso,
à 5ª Companhia de Guardas, comandada pelo capitão Douglas Farias de Souza, à Companhia de Fuzileiros
Navais, comandada pelo capitão-tenente Cunha, e à Flotilha do Amazonas, que obedecia ao comando do
capitão-de-fragata Eugênio Frazão.
No dia 21 de maio era o general Ernesto Bandeira Coelho designado para a presidência da Comissão de
Investigação Sumária e nomeava escrivão dessa comissão o tenente-coronel José Lopes de Oliveira. Com o
início dos trabalhos da comissão, vários secretários de Estado foram detidos e levados para os quartéis.
O jornalista Hélio Gueiros, diretor-geral do jornal O Liberal, e que era deputado estadual e líder da bancada
do PSD na Assembleia Legislativa, protestou e também foi preso, sendo recolhido à 5ª Companhia de Guardas.
Concretizada as cassações, o deputado Dionísio Bentes de Carvalho assumiu o governo do Estado, enquanto
a Assembleia Legislativa não elegia os novos governador e vice. Os deputados que apoiavam a revolução
tinham o seu candidato a governador: o coronel Jarbas Passarinho; o comando revolucionário também indicou
o seu nome. Moura Carvalho conseguiu que Hélio Gueiros fosse solto. No dia 9 de junho, enquanto procuravam
compor tudo para a eleição de Jarbas, a escolha dos candidatos a prefeito e vice de Belém já estava

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sacramentada. O prefeito seria o major Alacid da Silva Nunes, por indicação do próprio Jarbas; e o vice seria
o vereador Irawaldir Rocha, indicação de Alacid.
Foi pacífica a eleição de Jarbas e Agostinho Monteiro pela Assembleia Legislativa. A posse de ambos
aconteceu na manhã de 15 de junho. Desta forma, Jarbas Passarinho fora eleito indiretamente pela
Assembleia Legislativa para governador do Estado do Pará.
Com a extinção dos antigos partidos que apoiavam o movimento se concentraram na Aliança Renovadora
Nacional, Arena; e a oposição ficou com o pequeno Movimento Democrático Brasileiro, MDB, que abrigava
todas as correntes que se opunham ao poder dos militares.

A política de soberania nacional: colonização e integração do Pará

A partir da década de 1960, o Estado do Pará entrou em um período de mudanças significativas que eram
resultado da política de soberania nacional do governo militar. Na verdade, tudo já havia começado com a
construção da rodovia Belém-Brasília, inaugurada em 1961, que unira o Pará e Brasília, a nova capital do
País, inaugurada no ano anterior.
A BR-010, conhecida como Rodovia Belém-Brasília, é uma rodovia federal radial do Brasil. Seu ponto inicial
fica na cidade de Brasília (DF), e o final, em Belém (PA). Passa pelo Distrito Federal e pelos estados de
Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará.
Contudo, a região cruzada pela Belém-Brasília tinha uma densidade populacional muito baixa, construída
basicamente por aldeias indígenas distantes uma das outras. Pouco tempo depois da construção, novas
formas de presença humana surgiram nos entroncamentos da região.

Texto e Contexto

Marcado pelo “subpovoamento regional” (...) a região norte se constitui, assim, no maior espaço do país a
povoar (...) O fator principal deste subpovoamento deve ser procurado na marginalização da ocupação e
valorização da Amazônia quanto à economia do Brasil.

(SUDAM. Subsídios ao Plano Regional de Desenvolvimento (1972-1974). O potencial humano. Belém-Pará,


1971. pp. 30-31.)

O objetivo de ligação do Pará com as regiões mais dinâmicas do país era ocupar a região, trazendo pessoas
para desenvolver em atividades diversas, como ocupação da terra, exploração da floresta, garimpagem e
poderosos projetos industriais. Neste contexto, milhares de pessoas chegaram para conseguir terras no
Pará. O grande deslocamento de migrantes nordestinos para a região na época é um exemplo. As ocupações
ocorreram através de pequenos colonos, no qual o Governo havia instalado pequenas propriedades de
agricultores; a ocupação com capital de empresas, no qual uma grande parte das terras haviam sido ocupadas
por pessoas que dispunham de capital; a ocupação por fazendeiros, em sua maioria pecuaristas provenientes
da região de outros estados; e as ocupações espontâneas por parte dos posseiros, que tomavam posse das
terras, mas não possuíam o título de propriedade da mesma.

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Texto e Contexto

As conquistas essenciais, quanto à Amazônia, proposta


pelo Governo Federal, referem-se à utilização de uma
“estratégia que promova o progresso de novas áreas e
a ocupação de espaços vazios”, e a “integração do
desenvolvimento do Nordeste com a estratégia da
ocupação econômica da Amazônia”.

(SUDAM. Plano de Desenvolvimento da Amazônia (1972-


1974). Capítulo 1. Objetivos e Estratégias. Belém-Pará,
1971. p. 13.)

A Rodovia Transamazônica (BR-230) foi projetada


durante o governo do presidente Emílio Garrastazu
Médici (1969 a 1974) sendo uma das chamadas "obras
faraônicas" devido às suas proporções gigantescas, realizadas pelo regime militar, é a terceira maior rodovia
do Brasil, com 2.300 km de comprimento, cortando os
estados brasileiros do Piauí, Maranhão, Pará e
Amazonas. Nasce na cidade de Cabedelo na Paraíba. É
classificada como rodovia transversal. Em grande parte,
a rodovia não é pavimentada.
Planejada para integrar melhor o Norte brasileiro com o
resto do país, foi inaugurada em 30 de agosto de 1972.
Inicialmente projetada para ser uma rodovia pavimentada
com 8 mil quilômetros de comprimento, conectando as
regiões Norte e Região Nordeste do Brasil com o Peru
e o Equador, não sofreu maiores modificações desde
sua inauguração.
Com a inauguração da Transamazônica (BR-230) a
colonização da região continuou. Contudo a vida das
pessoas instaladas na região não foi fácil. O Governo
Federal não resgatou o compromisso social assumido Obras na Transamazônica, 1973.
com os colonos assentados, pois as áreas não dispunham
dos serviços públicos essenciais, tais como luz elétrica, água encanada, telefone, etc. O atendimento
educacional e a assistência médica eram extremamente deficientes e, no inverno, a estrada ficava
intransitável.

Texto e Contexto

Para a Amazônia, especificamente, o programa de Integração Nacional apresentava, como projetos

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prioritários, a construção das rodovias Transamazônica e Cuiabá-Santarém, com vasto plano de colonização
das terras marginais dessas estradas, visando a desafogar áreas superpovoadas, notadamente do Nordeste.

(SUDAM. Amazônia: política e estratégia de ocupação e desenvolvimento. Capítulo II, Desenvolvimento.


Belém-Pará: Sudam/Divisão de Documentação, 1973. p. 8.)

Houve também a construção da Cuiabá-Santarém (BR-163) que liga a capital do Mato Grosso, Cuiabá, a
Santarém, no Pará. A estrada atravessa uma das regiões mais ricas do País em recursos naturais e potencial
econômico, sendo marcada pela presença de importantes biomas brasileiros, como a Floresta Amazônica e o
Cerrado e áreas de transição entre eles, além de bacias hidrográficas importantes, como a do Amazonas, do
Xingu e Teles Pires-Tapajós.
A abertura da BR 163, a rodovia Cuiabá-Santarém, ou Santarém-Cuiabá como preferem os paraenses, no ano
de 1973, representou uma oportunidade de integração nacional e expansão das atividades econômicas para
uma região até então praticamente desabitada.

Durante mais de 25 anos, a colonização da região


paraense foi marcada profundamente pela concentração
fundiária. Os estabelecimentos pequenos receberam
pouca, ou quase nenhuma, ajuda governamental,
ocupavam uma pequena proporção das terras (20%). No
entanto, as políticas públicas facilitavam a concentração
de terras por grandes proprietários.
Esta onda de colonização e integração do Pará estava
intimamente ligada à política de soberania nacional do
governo militar que possuía todo um interesse em
proteger a soberania brasileira sobre a Amazônia contra
Estradas no Pará, saída de Altamira para leste. interesses estrangeiros, em um momento em que havia
todo um interesse da comunidade internacional (ONU,
FAO) pela Amazônia, seja no sentido de proteger a floresta e os índios nativos, seja pela luta por terras
livres por países que não dispunham mais de terras livres para a sua agricultura. Assim, havia o medo de um
controle internacional da Amazônia, segundo os militares que governavam o país com poderes absolutos, a
partir de 1964. O assunto se tornou matéria de segurança nacional. A palavra oficial foi: ‘Integrar (a Amazônia
ao resto do país) para não entregar (a Amazônia a potências estrangeiras) ’.

Texto e Contexto

Como já referi, a Amazônia não apresenta efetivo humano proporcional à vastidão de seu território. Todavia,
embora seja comum e generalizado o conceito de Amazônia como um vazio demográfico, a verdade é que sua
população se distribui de modo muito irregular, apresentando núcleos populacionais por vezes bastantes
densos, separados entre si por grandes espaços praticamente desabitados.

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A distância e o isolamento têm sido os principais óbices à difusão do progresso e dos benefícios da civilização
entre as populações interioranas da Amazônia.
(SUDAM. A Amazônia e seus problemas. Elemento Humano. Belém-Pará: Sudam/Divisão de Documentação,
1972. pp. 13-14.)

A ideia do Presidente era ocupar os espaços considerados como vazios para manter a Amazônia brasileira,
não considerando a própria existência de índios e caboclos da região. Em 1970, a Política de ufanismo pós
1964, estratégia de propaganda política elaborada pela Assessoria Especial de Relações Públicas (Aerp) do
governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, tinha como grandes objetivos os grandes projetos
econômicos e a integração do país. O Presidente Médici declarou a região sob estado de calamidade pública;
criou, assim, o Programa de Integração Nacional (PIN), cujo lema era o de oferecer as: “Terras sem homens
(na Amazônia) para homens sem terra (do Nordeste). ” Médici buscou também integrar a Amazônia ao
Nordeste e ao Centro e Sul do Brasil, através de rodovias.

Desta forma, o governo federal, tanto na esfera civil


quanto na esfera militar, desejava que a região fosse
ocupada e integrada, para não ser mais um “vazio
humano” e, assim, alvo da cobiça internacional. Contudo,
tanto no Brasil como fora do país, houve fatos que
fizeram a ocupação possível. No Brasil, a população
crescia muito: ela passou de 52 milhões em 1950 a 120
milhões em 1980. Esta nova geração precisava de
espaço e empregos urbanos.

O espaço Amazônico de hoje

Depois da crise da borracha, somente na década de 1950


é que os grandes empresários brasileiros e estrangeiros
começaram a se organizar para, mais uma vez, tentar
ocupar a nossa região. Não pense você que eles estavam
preocupados com os nossos problemas, com a nossa
realidade. Muito pelo contrário, o que eles queriam e
ainda querem, sobretudo, hoje, é apenas explorar nossas
Abertura da Belém-Brasília
riquezas e mão-de-obra. A ocupação recente da
Amazônia tem sido caracterizada pela implantação de grandes projetos públicos ou particulares, resultado da
união do governo com grandes empresas de capital nacional e internacional. O primeiro passo dado neste
sentido foi a criação da SPVEA – Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia – em 1953. A partir
dessa iniciativa, outras foram tomadas, sempre objetivando facilitar a apropriação de nossas riquezas pelos
grandes empresários. Evidentemente, profundas transformações vão ocorrer no espaço geográfico
amazônico.

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SUDAM e SUFRAMA: ocupação com o auxílio dos incentivos fiscais

Os governos militares que chegaram ao poder, após o golpe de 1964, tiveram papel fundamental nas
transformações verificadas no espaço geográfico amazônico, pois tornaram prioridade máxima a ocupação da
região através da denominada “Operação Amazônia”. Vejamos como isso aconteceu.
Vários mecanismos foram criados para atrair investimentos. A SUDAM e a SUFRAMA, por exemplo, foram
órgãos criados pelo governo federal com o objetivo de facilitar e agilizar a exploração de nossa região.

Criada em 1966 em substituição a SPVEA, a SUDAM –


Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia –,
tem como objetivos coordenar e supervisionar os
programas e planos destinados a Amazônia Legal, assim
como decidir a respeito da distribuição de incentivos
fiscais e creditícios.
Com a criação da SUDAM, inúmeras empresas se
instalaram na região, atraídas por seus incentivos.
Essas empresas foram beneficiadas com o não
pagamento de vários impostos (incentivos fiscais), além
de terem recebido recursos públicos (incentivos
Sede da SUDAM em Belém creditícios) para viabilizar suas plantações. O dinheiro
que poderia ter sido investido em saúde, educação,
saneamento básico, segurança pública, alimentação, entre outras coisas, foi desviado pelo governo para
auxiliar essas empresas. Em contrapartida, contando com o apoio dos governantes, a maioria delas jamais
investiu na região, promovendo o chamado golpe dos incentivos.
Outro órgão criado foi a SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus –, voltada para atuar na
Amazônia Ocidental, sobretudo em Manaus, através do incentivo as atividades agropecuárias, comerciais e
industriais. Esses dois órgãos só têm beneficiado alguns grupos, que são exatamente os que receberam e
ainda recebem os seus incentivos, em prejuízo da sociedade como um todo.

POLAMAZÔNIA: um novo estilo de exploração

Com o total apoio do governo, vários projetos agropecuários e minerais foram sendo instalados na região. O
POLAMAZÔNA – Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia – Foi um programa que
estabeleceu 15 polos de crescimento para a região. Ao tentar promover o aproveitamento da potencialidade
agrícola, pecuária, mineral, industrial e florestal, em algumas áreas da Amazônia, facilitou-se a entrada do
médio e grande empresário na região, gerando, em consequência disto, inúmero e violentos conflitos.
Você já ouviu falar da riqueza mineral existente em nossa região? Foi exatamente essa riqueza que mais
atraiu os interesses dos grandes e gananciosos empresários para a Amazônia. Várias empresas e projetos
ligados à extração e à industrialização de minérios se instalaram, desencadeando profundas transformações
na geografia da região. O símbolo maior desta nova fase de produção do espaço amazônico foi o PGC –
Programa Grande Carajás.

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PGC: a exploração integrada das riquezas naturais amazônicas e a interferência do capital nacional e
internacional privado

Para que o PGC foi criado? Este programa, como os demais, tem como objetivo facilitar o processo de
exploração dos recursos naturais existentes na Amazônia, sobretudo, na Amazônia Oriental, a fim de que
essa exploração ocorra de forma integrada e em grande escala. Para o funcionamento deste programa, outros
projetos foram postos em prática, a saber:

 Usina Hidrelétrica de Tucuruí


 Projeto Ferro Carajás
 Projeto Albrás-Alunorte
 Mineração Rio do Norte

Na sua área de atuação – que corresponde a 895.265 km² e abrange terras pertencentes aos estados do
Pará, Maranhão e Tocantins – incentivaram-se além dos grandes projetos minerais, outras atividades ligadas
a exploração vegetal e à agropecuária.

Grandes Projetos: "desenvolvimento e progresso” – A Amazônia torna-se uma região-programa

A partir da década de 1950 houve, no Brasil, a consciência de que o Pará e a Amazônia não deviam mais ficar
isolados do resto do país. A Amazônia, por sua enorme riqueza natural, começou a ser cobiçada por alguns
países, que defendiam a tese de que a Amazônia era um patrimônio extraordinário, não explorado, e que
devia ser internacionalizada: desta forma, um conjunto de países poderia supostamente gerenciar os
recursos naturais da Amazônia. É assim que o Governo Federal teve a ideia de implantar um desenvolvimento
planejado para a região.
A criação da SUDAM, neste sentido, serve para desenvolver a Amazônia, marcar a presença do governo
federal na região e protegê-la da cobiça internacional. Foi a primeira experiência no país de um plano
governamental visando a valorização de uma região. Com o Primeiro Plano Quinquenal (1955-59), o governo
federal queria constituir uma economia rentável e estável na região e converter a população extrativista numa
sociedade assentada em uma economia de base agrícola. O governo não cogitou, de fato, de explorar a riqueza
da floresta e dos rios da Amazônia, embora este propósito estivesse no Primeiro Plano Quinquenal:

1 – Produção de alimentos, em uma proporção pelo menos equivalente as suas necessidades de consumo;

2 – Produção de matérias-primas e produtos alimentares necessários à economia nacional e que o país


precisa importar;

3 – Exploração das riquezas extrativistas e minerais;

4 – Conversão da economia extrativista e comercial numa economia agrícola, industrial e pecuária;

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5 – Aperfeiçoamento dos transportes;

6 – Elevação do nível de vida e da cultura política e técnica de sua população.

O plano do governo federal possuía de fato diversos equívocos. A maior riqueza da região conhecida na época
eram a floresta e os rios. Mas o plano visava dominar o meio de forma agressiva, isto é, derrubar a floresta
a fim de produzir a agricultura e a pecuária, após a derrubada ou a queimada da mesma. Nesse período
verifica-se o desenvolvimento do setor madeireiro que teve como consequência a derrubada de grandes
extensões de mata, sem qualquer preocupação com o reflorestamento. A produção de matérias-primas estava
voltada para serem exportadas, ou seja, gerando lucros no exterior. De fato, o governo federal não aprendera
a lidar com a Amazônia.
Nesse período criaram-se as universidades e centros de pesquisa científica como a Universidade Federal do
Pará - UFPA, a Faculdade de Ciências Agrárias do Pará - FCAP (atualmente UFRA – Universidade Federal
Rural da Amazônia) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Estado do Pará – EMBRAPA, em
Belém. Em Manaus foi criado o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA.

Os Grandes Projetos

O Estado do Pará, pelo seu potencial energético e mineral, passou a ser foco de atenção. No Pará houve
instalação de Grandes Projetos econômicos voltados para o mercado internacional ou destinados à produção
de insumos para indústrias localizadas em outras regiões do país.
A década de 1970 no Brasil irá marcar um momento em que emerge no âmbito político e econômico brasileiro
um novo padrão de desenvolvimento baseado na ocupação territorial, comandado pelo Estado e pelos Grandes
Projetos, postos em ação no âmbito dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs). Isto surge inicialmente
no governo do general Emilio Garrastazu Médici (1970-1974).
A estratégia de desenvolvimento do governo Médici, que buscava a recuperação econômica e a superação do
subdesenvolvimento do Brasil, pretendia realizar isto através de uma política nacional que visava transformar
o país em “nação desenvolvida” dentro de uma geração.

Texto e Contexto

“O objetivo síntese da política nacional é o ingresso do Brasil, até o fim do século, no mundo desenvolvido.
Para isso, construir-se-á, no País, uma sociedade efetivamente desenvolvida, democrática e soberana,
assegurando-se, assim, a viabilidade econômica, social e política do Brasil como grande potência. ”

(SUDAM. Amazônia: política e estratégia de ocupação e desenvolvimento. Política Nacional. Belém-Pará:


Sudam/Divisão de Documentação, 1973. p. 5.)

Médici foi sucedido, em 1974, pelo general Ernesto Geisel (1908-1996). O presidente Geisel, o quarto

12
Estudos Amazônicos 9º ano
presidente da República (1974-1979) do ciclo militar, governou com dificuldades econômicas devido à crise
mundial do petróleo.
Porém, Geisel optou por ampliar os programas de modernização econômica para consolidar a base industrial,
energética e tecnológica do país.
Neste contexto, um conjunto de medidas começou a transformar a economia regional a fim de fomentar o
tão pretendido desenvolvimento regional na Amazônia, tendo com um de seus marcos iniciais a criação
do Banco da Amazônia (BASA), em substituição ao antigo Banco de Crédito da Amazônia e da já citada SUDAM.
Estruturas estas subordinadas diretamente à tecnocracia dos Ministérios e à ação do poder central. Com
isto pretendia-se afastar a influência do poder local no tocante à tomada de decisões; isto mais um dos
exemplos do autoritarismo do regime militar imposto à região.
A ação de desenvolvimento econômico para a região amazônica adotada pelo governo Geisel e consolidada
no II Plano Nacional de Desenvolvimento e no II Plano de Desenvolvimento da Amazônia destacou ênfases ao
processo de desenvolvimento e modernização da economia regional, através da estrutura industrial
juntamente com a preocupação da exploração dos recursos naturais. A finalidade desses planos era
intensificar a integração da Amazônia na economia do país e promover a ocupação territorial e a elevação do
nível de segurança na área por meio do alargamento da fronteira econômica e, com isto, realizar a manutenção
de altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
De fato, a Amazônia era vista como uma região marcada negativamente pelo “rudimentarismo” de suas forças
produtivas que a deixavam “à margem da evolução econômica” do país.

Texto e Contexto

Durante três séculos e meio, o eixo econômico da Amazônia se desenvolve em torno do rio, em cujas margens
se instalaram as cidades e as comunidades rurais. Durante três séculos e meio, com a mentalidade dominante
voltada quase exclusivamente para o extrativismo vegetal, dependendo tradicionalmente da coleta da
borracha, da castanha, das madeiras, das peles de animais silvestres, a região se manteve à margem da
evolução econômica brasileira.

(SUDAM. A Amazônia e seus problemas. Economia. Belém-Pará: Sudam/Divisão de Documentação, 1972. p.


16.)

Os Planos de Desenvolvimento para a região amazônica faziam parte da ideologia da ditadura militar no Brasil;
uma “ideologia do desenvolvimento”. Traçaram e sustentaram as estratégias e os planos de crescimento
nacional e regional marcado por uma euforia desenvolvimentista para preservar e legitimar a própria ditadura.
Desempenharam um papel essencial na cantata “Brasil Grande”, “Brasil Potência”, e pela busca da manutenção
do “Milagre Econômico Brasileiro”.
Em termos de realização de Grandes Projetos, os principais empreendimentos produtivos que se instalaram
na região amazônica foram estes: a Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT), sobre o rio Tocantins; o
da Mineração Rio do Norte (MRN), de exploração de bauxita metalúrgica, a noroeste do Estado, no município
de Oriximiná; o da Albrás e Alunorte de produção de alumínio e alumina, respectivamente, localizados nas

13
Estudos Amazônicos 9º ano
proximidades de Belém, no município de Barcarena; o Projeto de Ferro Carajás (PFC), no sudeste do Estado,
no município de Parauapebas.

Algumas informações:

1 – Bauxita: esta rocha é a matéria-prima para a produção de alumínio (ela é o minério que dá origem ao
alumínio);

2 – Celulose: matéria-prima retirada da madeira e usada na produção de papel;

3 – Caulim: argila necessária para a fabricação de papel;

4 – Bauxita refratária: utilizada para tijolos de altos-fornos que funcionam com temperatura superior a 1
500 graus, onde o tijolo comum não resistiria;

5 – Alumina: obtida da bauxita; é a base da fabricação do alumínio;

6 – Alumínio: metal utilizado na fabricação de panelas, aviões, estruturas metálicas, janelas, etc.;

7 – Silício metálico: amplamente utilizado em eletrônica (chips de computadores, etc.);

8 – Minério de ferro: rocha que contém uma grande proporção de ferro;

9 – Ferro-Gusa: ferro simples;

10 – Ferro-Liga: ferro aliado ao manganês; fica mais resistente que o ferro;

11 – Cobre: metal muito utilizado em material elétrico;

12 – Manganês: metal utilizado em ligas metálicas;

A Amazônia brasileira se insere no contexto da ideologia de desenvolvimento regional e segurança nacional


do regime militar. Era um período marcado pelo autoritarismo, repressão, perseguição policial e militar,
supressão de direitos constitucionais e da liberdade de expressão nos meios de comunicação mediante a
adoção da censura prévia. Porém, contraditoriamente, foi um momento também marcado por uma euforia
desenvolvimentista.
A construção da rodovia Transamazônica e a implantação de Grandes Projetos industriais e infraestruturais,
como a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, tinham de certa forma um estreito relacionamento; faziam parte da
estratégia geopolítica militar para a região. Isto representou um processo expansionista profundamente
idealizado que buscava atingir o objetivo de ocupar os “espaços vazios” da região amazônica. As

14
Estudos Amazônicos 9º ano
consequências sobre o meio ambiente, a rica biodiversidade regional e seus recursos naturais, e sobre o
homem, em uma região de povos e culturas diversificadas, eram vistas como parte de um projeto maior.

Projeto ALBRAS-ALUNORTE

O Projeto Albrás/Alunorte localiza-se no município de Barcarena e está voltado para a produção industrial
de alumínio a partir das jazidas de bauxita do rio Trombetas (município de Oriximiná, Estado do Pará).
A origem dos projetos está na descoberta da jazida de bauxita no rio Trombetas, entre as melhores do
mundo. O minério encontrava-se quase na superfície. Era retirada do estéril (as rochas sem valor) com uma
“drag-line”, máquina que retira 8 milhões de toneladas por ano. O início da implantação da
ALBRÁS/ALUNORTE foi dirigido pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) que comunicou ao governo do Pará
sobre o projeto destinado à produção de alumina e alumínio tendo como sócios empresários japoneses que
investiram no projeto.

Bauxita Alumina

15
Estudos Amazônicos 9º ano

O projeto Albrás/Alunorte, criado durante o período do


regime militar, inserido em um contexto de busca pelo
desejado desenvolvimento regional, crescimento
econômico e segurança nacional, gerou (e gera) graves
danos ao meio ambiente e a população existente nas
proximidades deste grande empreendimento industrial.
Na região de influência do Projeto Albrás-Alunorte, nas
redondezas do município de Barcarena, ocorre com
frequência danos ao meio ambiente, como os casos de
poluição do rio Murucupi, situado no município de
Barcarena, que geraram envenenamento em suas águas,
em decorrência de poluição provocada pela Alunorte, o
que atingiu diretamente o meio ambiente e pescadores e
ribeirinhos e suas relações de trabalho, a pesca, já que
Lingotes de Alumínio na Albrás. provocou a morte de várias espécies de peixes no rio.

Área de recomposição de rejeito da bauxita da Alunorte Na época de chuvas intensas no Pará, é comum está área
transbordar e provocar poluição em sua área de influência (ver em Texto Complementar).

Projeto Ferro-Carajás.

A Serra dos Carajás, serra do estado do Pará, ficou logo famosa pela imensa riqueza mineral, principalmente
ferro, cujo volume foi cubado em 5.000.000 de toneladas. Formada de rochas cristalinas, corresponde a um
planalto residual que tem expressão no setor meridional dos estados do Amazonas e Pará. Os planaltos
residuais da Amazônia correspondem a um agrupamento de relevos interpenetrados pela superfície
pediplanada da depressão amazônica. Em 1967, ricas jazidas de ferro foram descobertas na serra dos
16
Estudos Amazônicos 9º ano
Carajás pela Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel Corporation. A
importância da descoberta originou o interesse da participação da Companhia Vale do Rio Doce, tendo sido
criada, em 1970, a Amazônia Mineração S/A para desenvolver o Projeto Carajás. Outras reservas foram
descobertas: cobre, manganês, bauxita, níquel, estanho e ouro. Na região, logo se deu muitos conflitos pela
posse de terras.
O Projeto Ferro-Carajás corresponde a exploração da
região, localizada no Brasil, muito significativa em
termos de riquezas minerais; uma das mais importante
do mundo. Abrange o sudoeste do Pará, o norte de
Tocantins e o oeste do Maranhão. A área tem potencial
hidrelétrico, amplas florestas e condições que permitem
o reflorestamento para produção de celulose e carvão
vegetal. É cortada pelos rios Tocantins, Araguaia e
Xingu. Foi em 1967, ano em que foram descobertas suas
riquezas minerais, que a região se tornou extremamente
valiosa. Essas riquezas, estimadas em aproximadamente
20 bilhões de toneladas, consistem em jazidas de cobre,
estanho, ouro, bauxita, manganês e níquel, e são

Jornal O Globo, 07/07/1974.


passíveis de exploração por meio de tecnologia
simples, o que significa baratear o custo.
O minério de ferro, extraído na mina da Serra de
Carajás, era então transportado para o Maranhão.
Lá fazia-se os lingotes de ferro, que são
exportados pelo porto de Itaqui. O ferro ocupava,
na época do início da implantação do projeto, o
terceiro lugar na pauta dos produtos de exportação
do Brasil. Daí vem a importância de Carajás e da
sua Estrada de Ferro Carajás; esta última
construída na década de 80, uma obra de 900 km,
através da floresta. Projeto Ferro Carajás na Serra dos Carajás.

17
Estudos Amazônicos 9º ano
A Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT)

A Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT) foi construída pela Eletronorte no rio Tocantins, na mesorregião do
Sudeste Paraense, a treze quilômetros de Tucuruí e a cerca de 350 quilômetros de Belém.

Texto e Contexto

O Governo Federal procurando evitar e superar todos os pontos de estrangulamento que retardam o
desenvolvimento harmônico da área amazônica envidará, no triênio 1972/74, todos os esforços no sentido
de dotar o setor Energia de um complexo compatível com as reais necessidades.

(SUDAM. Plano de Desenvolvimento da Amazônia (1972-1974). Capítulo 4, Serviços Básicos. Belém-Pará,


1971. p. 65.)

O objetivo de construir a Usina de Tucuruí foi para gerar energia elétrica para atender os projetos de extração
mineral e a industrialização, principalmente, ao Distrito Industrial de Alumínio em Barcarena e ao Projeto de
Ferro em Carajás.

Rio Tocantins antes da formação do lago (16/06/1984). Rio Tocantins após a formação do lago
Imagem do Satélite Landsat. (22/06/1992). Imagem do Satélite Landsat.

18
Estudos Amazônicos 9º ano
Texto e Contexto

A construção dessa usina permitirá a criação de um polo industrial com base na metalurgia do alumínio a
partir da bauxita do rio Trombetas. Marginalmente, contribuirá para a exploração do minério de ferro da
Serra dos Carajás, não somente nos aspectos relacionados à lavra, terminais e siderurgia, como,
especialmente, no tocante ao transporte ferroviário, com a eletrificação da ferrovia ligando a mina a Itaqui,
no Maranhão.

(SUDAM. II Plano Nacional de Desenvolvimento; programa de ação do governo para a Amazônia (1975-1979).
Capítulo 7, Ação programada do Governo Federal para a Amazônia. Belém, 1976. p. 75.)

A Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Tucuruí, Pará. A Barragem da UHE de Tucuruí no Rio Tocantins.
Imagem de satélite do Google Earth.

A construção de grandes empreendimentos hidrelétricos provoca muitos impactos sociais e ambientais


negativos. Pode gerar a desaparição de espécies devido ao alagamento de florestas.
Movimentos migratórios de peixes podem ser interrompidos, gerando o desaparecimento de algumas
espécies, o que pode atingir a relação de trabalho da população local.
Um dos impactos sociais mais negativos diz respeito ao remanejamento das populações atingidas pelo
alagamento causado pelos reservatórios de barragens, pois pode implicar em perda de qualidade de vida e
em ameaças à existência de vários grupos sociais.
As sociedades indígenas Parakanã, Asurini (ambos grupos Tupi) e os chamados “Gaviões da Montanha” (um
grupo local dos Parkatêjê, Jê-Timbira) foram diretamente afetados com a construção e operação da Usina
Hidrelétrica de Tucuruí.
Esses grupos indígenas perderam parte de suas terras devido o alagamento das mesmas pelas águas do
reservatório da Usina de Tucuruí. As terras desses grupos indígenas passaram a ser invadidas com
frequência, principalmente por madeireiros que realizam a retirada ilegal de madeira e provocam queimadas
nas florestas.

19
Estudos Amazônicos 9º ano
A população da região de Tucuruí também foi afetada devido ao enchimento do reservatório da Usina de
Tucuruí, sendo que muitas foram remanejadas de suas casas, aproximadamente 1.500 famílias foram
desabrigadas.

Aspectos administrativos e econômicos dos grandes


projetos

Todos os grandes projetos foram decididos fora do Pará,


a nível nacional (governo federal) e internacional
(empresas transnacionais de mineração). A sociedade
local pouco pôde interferir nas negociações.
Todos tratam de produção extrativa de minerais e de
produção de energia elétrica e, no caso da bauxita, da
primeira transformação do minério. Esses projetos todos
visavam à exportação. Não há indústria de transformação
dos minérios em produtos manufaturados (de consumo).
Não há, no caso dos minerais, empreendimento que não
seja do interesse de outros países: o Pará continua a
importar produtos manufaturados de ferro e alumínio.
Foi o mesmo no caso da borracha e da madeira.
Todos utilizam tecnologia que faz uso intensivo de capital
Arca - boletim do movimento dos desapropriados pela e poupa mão-de-obra. Assim, geram poucos empregos.
Eletronorte, 1983 Os países estrangeiros dominam o mercado da produção,
de compra e venda dos minérios, através de empresas
multinacionais que operam na região no mercado internacional, controlando os preços e a própria produção.
Finalmente, parecem poucas vantagens para o Estado do Pará e os municípios da região.

Aspectos humanos dos grandes projetos

Praticamente todos os projetos provocaram uma grande mobilização de mão-de-obra durante a sua
implantação. Contudo, economizaram trabalhadores na fase de funcionamento. Na fase de negociação, foram
previstos 100.000 empregos na mineração e na metalurgia, mas, após a implantação foram gerados somente
2.000 pela Alunorte e Albrás e 8.000 pelo Projeto Ferro-Carajás.
Alguns projetos tiveram efeitos piores para as famílias que antes viviam em Barcarena, onde foram
construídas as fábricas dos projetos metalúrgicos e na região que foi inundada pelo lago da represa de
Tucuruí, provocando a desapropriação de cerca de 10.000 famílias de pequenos agricultores e o
deslocamento de povos indígenas, como os Pacuruí e os Parakanã.

O surto da garimpagem

Até os anos 60, menos de 10.000 homens garimpavam no Pará. O número subiu até 150.000 nos anos 80

20
Estudos Amazônicos 9º ano
(a metade do país), e cerca de 400.000 no começo da década de 90. Foi a corrida de garimpeiros vindos
de muitos Estados pelas rodovias.
Desde o século XVI, os portugueses tiveram grande interesse em encontrar ouro no Brasil, para isso
organizando-se as entradas e bandeiras. A produção aurífera expandiu-se até 1760, quando a diminuição dos
veios, a baixa tecnologia e o contrabando provocaram uma contínua decadência.
No século XIX novas tecnologias permitiram a retomada, mais modesta, da produção e no século XX
descobriram-se novas reservas auríferas em outros estados, como a de Serra Pelada, no Pará.
Foi início dos anos 80 correu a notícia de ouro em Serra Pelada. Caminhões de paus-de-arara chegavam à
região, principalmente do sudoeste do Maranhão, uma das regiões mais miseráveis do país. O Pará chegou a
possuir mais de 800 garimpos em atividade. Em termos numéricos o Vale do Tapajós detinha a maior parte.
Lá os garimpos eram flutuantes, isto é, feitos sobre balsas.

A extração de ouro é feita através de balsas ancoradas


no meio dos rios e que servem de base para as máquinas
de sucção. Estas extraem o cascalho do fundo dos rios.
O trabalhador principal aí é o mergulhador. Surdez,
morte por afogamento são fatos corriqueiros. Mas isto
é inexpressivo se comparado com a contaminação por
mercúrio.
De fato, o grande surto da garimpagem trouxe grandes
consequências negativas para a região. O uso de
mercúrio no tratamento do ouro criou uma situação
nunca vivida pela região em termos de poluição química.
Serra Pelada, em 1982. São 80.000 garimpeiros
O mercúrio causa danos renais e sobretudo
com sacos de terra para extrair o ouro. neurológicos. A maioria das pessoas lesionadas por
mercúrio ficavam definitivamente inválidas. A lesão
neurológica é irreversível. Os peões “brabos” eram comumente usados no serviço de tratamento do ouro e,
quando adoecem, são despedidos e quase sempre retornam a seu lugar de origem. As espécies animais
expostas ao mercúrio produzem crias com deformidades congênitas. Os peixes de regiões contaminadas não
podem ser consumidos.

Novos caminhos para ocupar a Amazônia

Além dos rios, que sempre tiveram importância na circulação dos produtos e mercadorias amazônicos, o
espaço da circulação sofre transformações, a partir da construção de rodovias como a Belém-Brasília (BR-
010) e a Cuiabá-Porto Velho (BR-364). Com a criação do PIN – Programa de Integração Nacional – novas
rodovias são construídas atravessando a região em todas as direções, fato marcante dessa nova política de
ocupação regional. A entrada de mercadorias produzidas no Centro-Sul do Brasil estava facilitada, assim
como a saída de matérias-primas e a apropriação de terras pelos grupos econômicos.
O transporte fluvial, tradicional meio de circulação, não perde sua importância. Além dos trapiches abundantes
em quase todas as localidades existentes na região, são construídos novos portos com a finalidade de escoar

21
Estudos Amazônicos 9º ano
nossas riquezas. A rede ferroviária ressurgiu através dos grandes projetos instalados. A ferrovia Carajás-
Itaqui é a mais expressiva, sendo responsável pelo escoamento da produção de ferro da Serra dos Carajás
(PA) até o porto de Itaqui (MA). As ferrovias existentes em porto Trombetas (PA) e a extração de manganês
pela ICOMI – Indústria e Comércio de Minérios S. A.
A nova ocupação exigiu também a interligação da região com o resto do país e do mundo, através das
telecomunicações. Os sistemas de telefonia e televisão foram modernizados com a implantação das
comunicações via satélite, o que permitiu a penetração de novos valores e ideias que provocaram profundas
mudanças em diferentes setores, como por exemplo, na cultura, economia e política. Como você pode ver, a
Amazônia está totalmente aberta para a exploração nacional e internacional.

Integrando e entregando

Você percebeu quantas transformações ocorreram e estão ocorrendo na Amazônia? Todas essas mudanças
refletiram e refletem as ideias criadas e divulgadas sobre a nossa região. Mas quais são essas ideias? Como
elas surgiram? A Amazônia, no final da década de 50, era a porção do território que apresentava o mais
baixo índice demográfico e era quase totalmente isolada das demais regiões do país. Essas duas
características vão ser utilizadas pelo governo e pelos empresários para justificar a nova fase de ocupação
regional. Para esconde o real interesse de exploração, cria-se o discurso de promover o povoamento e a
integração da Amazônia. Assim sendo, em nome da “segurança e do desenvolvimento social”, governo e
empresários promoveram o mais completo processo de ocupação e exploração verificado durante toda a
história regional. Era a política do “integrar para não entregar. ”
O governo militar também se apropriou de territórios pertencentes a diferentes estados e municípios da
região, sob o pretexto de promover a distribuição das terras para camponeses nos programas de colonização.
A frase que marcou e justificou esta medida foi “Amazônia: Terra sem homens para homens sem terra”.
Através também do discurso de segurança e desenvolvimento nacional, tão cultivado pelos militares
brasileiros, foi criado o projeto Calha Norte – consiste em uma política governamental de ocupação da
Amazônia Setentrional. Nesse sentido, visa a criação de bases militares, postos de fiscalização de fronteiras
e aeroportos na área. O governo justificou a implantação do projeto alegando a necessidade de proteger as
fronteiras, os minérios existentes, as comunidades indígenas e a floresta, no entanto, o que se percebe é
um processo desordenado de ocupação e exploração das fronteiras, o que provocou conflitos entre Brasil e
Venezuela, entre garimpeiros e povos indígenas, além da devastação da mata para a implantação de garimpos,
campos de pousos para aeronaves ilegais, bem como a extração de madeira por serrarias clandestinas.
Foram identificados três espaços distintos na área: faixa de fronteira, faixa ribeirinha à calha do rio
Solimões/Amazonas e faixa interior, denominada hinterlândia – situada entre as duas primeiras. Foi dada
prioridade à faixa de fronteira, a qual apresentava as seguintes características:

- Extremamente carente de infraestrutura básica (saúde, educação, transporte, saneamento, comunicações,


etc.);
- Baixíssima densidade populacional permeada por imensos vazios demográficos;
- Problemas com narcotráfico e contrabando;
- Problemas com garimpos ilegais;

22
Estudos Amazônicos 9º ano
- Fronteira com cinco países: Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa;
- Grande parte da região com inexpressiva, ou até mesmo ausência, da presença governamental.

As metas

Para facilitar e conseguir realizar o trabalho numa região imensa, o Exército criou metas e objetivos a serem
atingidos pelo Calha Norte;

- Aumentar a presença brasileira na área, com o fortalecimento das estruturas governamentais de oferta de
serviços, de modo a criar estímulos para o desenvolvimento sustentável da região;

- Ampliar as relações entre os países limítrofes, particularmente com o apoio de rede consular, visando ao
fortalecimento dos mecanismos de cooperação, dos fatores de produção e das trocas comerciais;

- Fortalecer a infraestrutura de energia e telecomunicações, insumos básicos para o desenvolvimento da


região;

- Expandir a infraestrutura viária, no sentido de complementar a vocação natural na Amazônia, que tem no
transporte fluvial o mais importante fator de integração regional;

- Fortalecer a ação dos órgãos governamentais de Justiça, Polícia Federal, Receita Federal e Previdência
Social na região, como fatores de inibição da prática de ilícitos, decorrentes da insuficiente presença do
Estado

- Intensificar as atividades visando à perfeita demarcação da fronteira, comportando inspeção, restauração


de marcos danificados e assentamento de novos outros;

- Promover a assistência e proteção às populações indígenas, delimitando e demarcando suas terras e


estimulando o seu desenvolvimento.

23
Estudos Amazônicos 9º ano
Mas recentemente o governo federal deu início à
implantação do SIVAM – Sistema de Vigilância da
Amazônia – cujo objetivo seria propiciar um maior e
melhor controle do tráfego aéreo dos 5,2 milhões de km²
da Amazônia. O projeto contaria com 17 radares fixos, 6
moveis e 8 aviões equipados com sensores. Os dados
produzidos serão reunidos em 300 plataformas de
coleta de dados e enviados a Manaus, Belém e Porto
Velho, escolhidos como centros regionais de controle de

informações. Com uma estimativa de custo


aproximada de 1,4 bilhões de dólares, o projeto
SIVAM tem sido questionado pela sociedade
brasileira devido às denúncias sobre
irregularidades no processo de licitação para sua
instalação. Além do mais, questiona-se a não
utilização de tecnologias nacionais e de menor
custo, a sua não discussão pela sociedade
brasileira e o destino das informações que serão
coletadas.
Como você pode perceber, as transformações ocorridas no espaço amazônico estão ligadas a interesses
diversos, que não incluem as necessidades da população local e muito menos a sua participação. Em função
disso, vários discursos e ideias são construídos para justificar a exploração dos recursos naturais da região
que vem ocorrendo desde os primeiros momentos da colonização.

24
Estudos Amazônicos 9º ano
Projeto Jari

Projeto Jari é o nome de uma fábrica existente às


margens do Rio Jari, para a produção de celulose e
outros produtos, que teve início em 1967.
O projeto foi idealizado pelo bilionário norte-
americano Daniel Keith Ludwig e seu sócio Joaquim
Nunes Almeida. Ele mandou construir uma fábrica
de celulose no Japão, na cidade de Kobe, usando
tecnologia finlandesa da cidade de Tampere, foram
construídas duas plataformas flutuantes com uma
unidade para a produção de celulose e outra para a
produção de energia. A unidade de energia produzia
55 megawatts e era alimentada por óleo BPF a base
de petróleo com opção para consumo de cavacos de
madeira.
Foto aérea da fábrica de celulose.

Histórico

Ludwig adquiriu em 1967, na fronteira entre os estados do Pará e Amapá (então Território Federal) uma
área de terra de tamanho pouco menor que a do estado de Sergipe, ou equivalente ao estado norte-americano
do Connecticut, para a instalação do seu projeto agropecuário. Ao longo do programa de instalação, enfrentou
as desconfianças do governo e de algumas parcelas da sociedade que temiam pela soberania brasileira sobre
a área inabitada de florestas onde o Jari seria instalado. A "ameaça" rendeu, em 1979, a criação de uma CPI
para "apurar a devastação da floresta amazônica e suas implicações" Entretanto, o relatório da Comissão não
faz qualquer alusão direta a este projeto.
A área adquirida por Ludwig fez com que fosse provavelmente o maior proprietário individual de terras no
Ocidente. A grandiosidade do Jari acentuava-se por ser a região totalmente desprovida de qualquer
infraestrutura; foi necessária a construção de portos, ferrovia e nove mil quilômetros de estradas. Ali Ludwig
planejava instalar um projeto de reflorestamento com árvores de crescimento rápido (gmelina), antevendo o
aumento da necessidade mundial por celulose. Além disto, pretendia estender as atividades para a mineração,
pecuária e agricultura, atraindo críticas de ambientalistas.
Uma usina termelétrica e a própria fábrica de celulose foram rebocadas do Japão, num percurso de 25 mil
quilômetros, que durou 53 dias a ser concluído. Além das instalações, todo o projeto ocupava uma área de
16 mil km², a construção de uma cidade para a moradia dos trabalhadores, além de hospital e escolas na
sede, chamada Monte Dourado. A fábrica e implementos custaram em torno de 200 milhões de dólares. Em
1982, ano de sua venda, a população do Jari alcançou a marca de trinta mil habitantes.
Neste ano, sem apresentar resultados, Ludwig abandonou o projeto. As negociações envolveram o homem
forte do regime militar, general Golbery do Couto e Silva, e cogitou-se na venda para o Banco do Brasil, para

25
Estudos Amazônicos 9º ano
um pool de empresas e para o empresário Augusto de Azevedo Antunes. Até o começo dos anos 1980 Ludwig
declarava haver gasto no Jari 863 milhões de dólares, atualizados em 1981 para 1,15 bilhão.
No ano 2000 passou a ser controlado pelo Grupo Orsa, de modo que a Jari Celulose não somente tornou-se
economicamente viável, como também mostrou-se sustentável, recebendo certificação em 2004 pelo Forest
Stewardship Council.
Entenda o que foi o Projeto Jari
A fábrica, que hoje ocupa 42 propriedades de terra, plantou eucaliptos na área, uma árvore que possui
crescimento rápido, mas não é nativa da região. E, de acordo com o diretor técnico de ordenamento territorial
do Instituto do Meio Ambiente do Amapá, Pedro Paulo Bosque, também danosa para o meio ambiente.

O denominado Projeto Jari está edificado em zona de


floresta de várzea e densa de terra firme. No estado do
Pará fica a fábrica de celulose e, no Amapá, a floresta
de eucalipto. Nesse sentido, Bosque ressalta as
consequências ambientais para a região, onde o meio
ambiente foi prejudicado pela monocultura. “Existem
espécies de insetos e pássaros que não gostam de
eucalipto, perdem seu habitat de floresta nativa”, diz.
Segundo ele, essa floresta homogênea espanta a fauna
silvestre.
Eucalipto é a base na fabricação da celulose O diretor conta que dois vilarejos começaram a crescer
por conta do desenvolvimento do projeto e, no final da
década de 80 e 90 foram reconhecidos como municípios. O antigo Beiradão se tornou, em 1987, Laranjal do
Jari e, a antiga Vila Beiradinho foi transformada, em 1994, no município Vitória do Jari. “Ambos surgiram
em função do projeto e, concentram hoje a mão de obra trabalhadora da empresa”, explica Bosque.
A administração americana durou 13 anos e ficou até a entrada dos anos 80, quando o projeto foi entregue
ao Brasil. Segundo Bosque, a administração ficou sob comando de um pool de empresas até 2000, quando o
Grupo Orsa assumiu o controle da gestão do projeto. O grupo assumiu suas dívidas e conseguiu transformar
a experiência falida.
De acordo com Bosque, a empresa possui 18 mil empregos diretos na gestão atual, dos quais 13 mil são
terceirizados e 5 mil fixos. O diretor ressalta que a mão de obra vem de trabalhadores menos qualificados,
que são os moradores da região. “Os dois municípios dependem do Projeto Jari por causa do trabalho”,
afirma.

26
Estudos Amazônicos 9º ano
Numa das plataformas estava
instalada a fábrica de celulose, com
capacidade nominal de 220.000
toneladas de celulose branqueada de
fibra curta por ano; na outra uma
usina de força a vapor para gerar 55
megawatts de energia elétrica e o
vapor necessário ao processo
industrial.
Para os efluentes gasosos e líquidos
da operação foi projetado um
sofisticado sistema de tratamento e
controle, incluindo uma lagoa de
estabilização de 184 hectares, por
onde os líquidos industriais
percorrem 12 km, antes de
desaguarem outra vez no rio,
portanto sem causarem nenhuma
poluição.
Paralelo a este empreendimento foi
construída também uma planta de beneficiamento de
caulim de alta qualidade, cujas jazidas foram
encontradas a poucos quilômetros da fábrica, rio
acima, na margem oposta, caulim este que serviria para
branqueamento do papel, cuja fábrica seria construída
numa segunda fase.
Como atividades agrícolas Ludwig desenvolveu o
plantio de arroz nas áreas alagadas de várzea a jusante
da fábrica, no rio Jari próximo à sua foz no Amazonas,
complexo este totalmente mecanizado, aproveitando o
sistema de marés que atingem o Amazonas e o rio Jari
para encher e esvaziar as áreas plantadas.
Também desenvolveu uma pecuária de alta qualidade,
com experimentos de inúmeros cruzamentos genéticos
Vale do Jari
industriais, inclusive uma grande criação de búfalos, que
geraram uma tecnologia totalmente desconhecida no mundo, e que hoje é modelo para várias áreas tropicais
e até temperadas, tendo aumentado a sua capacidade reprodutiva de cerca de 60 a 70%, como era conhecida,
para até 98%, através do conhecimento do estro das búfalas.

27
Estudos Amazônicos 9º ano
Amazônia – Violência e devastação

Contextualizando

O debate acerca da Amazônia vem sofrendo uma inflexão,


sobretudo a partir dos anos setenta. Desde então a
problemática ecológica entra na agenda complexificando
ainda mais o debate acerca dos destinos da região. A
internacionalização que, desde sempre, marca a
formação geográfica da Amazônia se vê, agora, acrescido
Fábrica vista do Rio Jari
desta problemática nova. Se, por um lado, esse novo
agendamento vem sido imposto a partir de uma escala supranacional, ela ganha consistência interna quando
se observa a mudança radical no padrão sócio-político de organização do espaço geográfico da Amazônia a
partir dos anos 1960, com o projeto geopolítico que envolveu a mudança da capital federal do Rio de Janeiro
para Brasília. A partir de então, a geografia da Amazônia deixa de se organizar exclusivamente em torno dos
rios, o que a caracterizava desde o período colonial, e, cada vez mais, passa a ser conformada a partir das
estradas e toda logística associada aos grandes projetos de exploração mineral, sobretudo na sua porção
meridional – de Rondônia à Amazônia Oriental (o leste paraense e o oeste do Maranhão) passando por todo
o norte de Mato Grosso e Tocantins.
Todo esse processo não pode ser compreendido sem que se leve em conta o caráter ditatorial que comandou
todo esse processo de ocupação, sobretudo pós 1964, que, geopoliticamente, procurava interligar a capital
de cada unidade da federação a Brasília, assim como, sobretudo pós-anos setenta, com a interligação
rodoviária entre o nordeste do país à Amazônia, com a Transamazônica, quando se procurava ligar uma região
de homens sem-terra, o nordeste brasileiro, a outra região de terra sem homens, a Amazônia, conforme a
frase famosa atribuída ao ditador de então Emílio Garrastazu Médici. Todo esse processo, diga-se de
passagem, foi embalado pelo “mito do desenvolvimento” em que a mídia cumpriu um papel protagônico quando
revistas e cadernos especiais não cansaram de louvar a epopeia da ocupação da Amazônia. Enfim, se a
Amazônia era o futuro do Brasil pelos imensos recursos que abrigava, o futuro parecia ter chegado. (O que
não é qualquer coisa quando se sabe que o Brasil é o país do futuro). A censura oficial, em parte, impediu
que a sociedade brasileira tivesse o necessário contraponto crítico, muito embora houvesse uma adesão
voluntária dos grandes meios de comunicação em grande parte financiado pelos interessados e implicados
diretamente no novo processo de ocupação. O mito do desenvolvimento e do progresso, invocado num contexto
de guerra fria por um regime ditatorial civil-militar conformado por uma forte ideologia anticomunista,
aparecia como salvação e redenção do país e, ainda, como resposta à miséria e ao subdesenvolvimento que,
como se dizia à época, “era o solo fértil para o desenvolvimento de ideologias espúrias”. A guerrilha do
Araguaia serviu de pretexto para reforçar todo o mito salvacionista do progresso e do desenvolvimento com
o que os maiores beneficiários desse processo procuravam justificar a repressão e, assim, trazendo enormes
dificuldades para qualquer forma de organização dos setores subalternos na região, o que não os impediu de
lutar pela terra. Uma observação feita à época pelo sociólogo José de Souza Martins é sintomática da nova
dinâmica do processo de ocupação quando afirmava que o primeiro contato com a modernidade de muitos

28
Estudos Amazônicos 9º ano
camponeses da região foi o choque elétrico da tortura. Como se vê, a violência institucionalizada deixou
raízes profundas grafando a região (geografando-a).
Não ‘esqueçamos, ainda, que todo esse processo contou com apoio de instituições multilaterais, como o Banco
Mundial, que financiaram grandes projetos logísticos (rodovias, portos, hidrelétricas), assim como grandes
investidores internacionais souberam tirar proveito de toda a violência institucionalizada com uma ditadura
que, como tal, não contava com o aval democrático da sociedade brasileira. O Estado além de garantir as
condições gerais para esse novo padrão de acumulação de capital para e pelos setores privados, ainda agiu
por meio de suas próprias grandes empresas, com destaque para a Companhia Vale do Rio Doce no Projeto
Grande Carajás. Um setor da burguesia nacional que mais se beneficiou, em particular, da “ajuda
internacional” e do regime ditatorial foi o da construção civil, onde grandes empreiteiras se arrogaram o
papel de “novos bandeirantes” com a construção de grandes projetos de engenharia (estradas e
hidrelétricas). Até hoje são enormes as implicações sociais, políticas e ambientais engendradas pelo bloco
de poder que conformou todo esse padrão de organização do espaço geográfico.

A Dinâmica sociogeográfica nacional-regional pós-anos 60/70

A interligação logística da Amazônia ao resto do país por meio do desenvolvimentismo de caráter mítico, pró-
empresarial e antipopular do “milagre brasileiro” substituiu a reforma agrária pela colonização e, por meio
de subsídios aos grandes fazendeiros e a liberalidade do estado com seu patrimonialismo para com a
apropriação das terras públicas por meio da grilagem de terras, favoreceu a chegada de grandes fazendeiros
do centro-sul do país, assim como toda uma vaga de sem-terra expropriados pelo modelo concentrador de
terras e de capital da modernização conservadora do campo brasileiro. Assim, a região sudeste do Pará viria
se caracterizar pela tensão de territorialidades distintas, a saber: (1) camponeses expropriados de todo o
país; (2) fazendeiros também de todo o país, sobretudo do centro-sul, mas também de fazendeiros da própria
região que deixaram as atividades tradicionais de extrativismo e se associaram aos recém-chegados nas
ações de apropriação ilegal das terras públicas para exploração de madeira, derrubada da mata e criação de
gado e; (3) os povos da floresta e ribeirinhos cujas terras e demais recursos passam a ser disputados.
Enfim, a partir da década de 1970 uma dinâmica sociogeográfica nacional-regional se instaura no sudeste do
Pará conformada por essa tensão de territorialidades acima esboçada onde a expropriação/grilagem,
exploração madeireira, queimadas e estabelecimento de grandes fazendas de gado onde a violência foi fator
estruturante de todo o processo, sobretudo contra a resistência dos povos tradicionais da região e dos
camponeses nacionalmente expropriados e que buscavam se re-territorializar num contexto que era, para
eles, completamente adverso.

A Dinâmica sociogeográfica global-regional Pós-anos 80

Um dos impactos imediatos do segundo pico da crise do petróleo dos anos 1970 foi a reconfiguração da
divisão internacional do trabalho, sobretudo das indústrias eletro-intensivas. O Japão, por exemplo, fechou
todas as suas 145 fábricas de alumínio. O seu capital deslocou-se para Barcarena, a mais de 20 mil
quilômetros do Japão nas cercanias de Belém. “Hoje a fábrica da Albrás, garantindo 15% do consumo japonês

29
Estudos Amazônicos 9º ano
de alumínio, é a 8ª do mundo e a maior consumidora individual de energia do Brasil, respondendo por 1,5%
de toda a demanda nacional”.
A partir dos anos oitenta, com a implantação do Projeto Grande Carajás, – outro enclave explorando o maior
complexo minerometalúrgicos do mundo – se instaura e, com ele, uma nova dinâmica sociogeográfica na região
que viria agravar, ainda mais, o padrão socialmente injusto e ambientalmente devastador que já estava em
curso na região. Trata-se de uma dinâmica que se sobrepõe a acima descrita – nacional-regional – e que bem
pode ser caracterizada como sendo uma dinâmica sociogeográfica global-regional. Esclareça-se que essa nova
dinâmica complexifica a dinâmica sociogeográfica já em curso, posto que agrega novos processos aos já
existentes tendo muito de continuidade nessa descontinuidade do novo padrão sociogeográfico que se instaura
a partir dos anos 80. Apesar do alerta de várias entidades nacionais como a OAB – Ordem dos Advogados
do Brasil -, a ABI – Associação Brasileira de Imprensa – e a AGB – Associação dos Geógrafos Brasileiros –
e de várias entidades e movimentos sociais da região que apoiadas em análises científicas sobre os danos
que esse grande projeto traria para a região, sobretudo com o agravamento da derrubada da floresta para
fazer carvão vegetal para purificar o ferro a ser exportado, não foi suficiente para evitar a dilapidação
daquele enorme patrimônio de recursos naturais. O desmatamento na região em apreço atingiu níveis
alarmantes e até mesmo uma significativa mudança climática regional se faz notar com períodos secos mais
prolongados apontando para um clima cada vez mais tropical em lugar do clima subequatorial que a
caracterizava. As mudanças no regime hídrico da região podem ser observadas nos córregos, igarapés e rios
que, simplesmente, deixaram de existir. O nível de umidade relativa do ar vem caindo a níveis semelhantes
a regiões desérticas facilitando a auto propagação do fogo como, recentemente, em setembro de 2007,
pudemos apreciar em Colina – MA, o triste espetáculo de famílias fugindo do fogo desesperadas lembrando
as cenas de vietnamitas fugindo do bombardeio de napalm. Sem sombra de dúvida a transformação dessa
fantástica biomassa em carvão, o consumo elevadíssimo de água na transformação do minério de ferro, assim
como a barragem do rio Tocantins para fazer a hidrelétrica de Tucuruí, alimentaram a purificação do ferro
para exportação, agora sob o tacape da “crise da dívida externa”, dívida essa que, diga-se de passagem, foi
contraída, em grande parte, para construir a logística desse mesmo processo de ocupação feito à revelia da
sociedade brasileira, sobretudo dos seus setores subalternos.
Ainda hoje, “todos os dias o trem, o maior trem de minérios do planeta, recebe 700 mil toneladas, que são
transportadas, por quase 900 quilômetros até o porto da Ponta da Madeira, na ilha de São Luís, no litoral
do Maranhão. Daí o mais puro minério de ferro do mercado segue para o mundo; 60% dele rumo à China e
ao Japão, os maiores compradores, a 20 mil quilômetros de distância”. Segundo o mesmo autor, a mina N4,
“projetada para operar com até 25 milhões de toneladas anuais de minério de ferro (…), vai atingir 100
milhões de toneladas neste ano (2007) e chegará a 130 milhões em 2008, quase metade da produção
recorde que a CVRD está planejando para todo país, de 300 milhões de toneladas”, conforme o jornalista
Lucio Flavio Pinto.
É interessante observar como a dinâmica nacional-regional, mais antiga, e a global-regional, mais recente, se
sobrepõe pela complementaridade dos novos interesses com os antigos. A grilagem de terras é o fenômeno-
chave para entender a violência estrutural que se configura na região conformando um padrão de organização
do espaço geográfico que se reproduz por meio de atividades como a exploração ilegal de madeira, a produção
de carvão com a queima da floresta para purificar o ferro e a formação de pastos para pecuária. Um estudo
realizado em 2004 pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM – e pelo Museu Emílio Goeldi,

30
Estudos Amazônicos 9º ano
assinala que só no Estado do Pará ainda há 30 milhões de hectares de terras grilados e 67% das terras não
têm registro ou têm registro fraudulento. Trata-se de um modo de produção/reprodução de uma estrutura
de classes sociais profundamente desigual, a começar pela estrutura fundiária extremamente concentrada,
conformando um Complexo de Violência e Devastação cuja dinâmica regional de reprodução é funcional à sua
integração à divisão internacional do trabalho enquanto “uma geografia desigual dos rejeitos e dos proveitos”.
A violência, vê-se, é estruturante das relações sociais e de poder.
Nesse contexto, até mesmo as heroicas conquistas de terra sob a forma de assentamentos têm pouca opção
no contexto desse Complexo de Violência e Devastação, haja vista (1) o desconhecimento da dinâmica daquele
ecossistema pela maior parte desses camponeses que ali procuram se re-territorializar e (2) o pífio
desempenho dos órgãos de pesquisa agropecuária que, apesar da enorme contribuição que vêm dando na
tropicalização de espécies de regiões temperadas para exportação, como a contribuição da Embrapa na
aclimatação da soja, não consegue dialogar com as demandas de uma população que só em assentamentos
soma mais de 80.000 famílias assentadas na região. Muitas dessas famílias, por absoluta falta de opção,
acabam por derrubar a floresta para fazer carvão e passam a criar gado e, assim, alimentam todo o complexo
de devastação e violência que vimos analisando. Enfim, o projeto de exploração mineral do Grande Carajás
se ajustou como uma luva aos interesses dos grandes grileiros-madeireiros-Gueiros-pecuaristas do complexo
de violência e devastação ao se configurar como um novo atrator. Hoje, em São Paulo e Rio de Janeiro, se
consome carne bovina proveniente de mais de 4.000 quilômetros de distância, vindos do Pará com caminhões
frigoríficos com custos energéticos e ambientais que só fazem aumentar a própria demanda de energia.

A reprodução ampliada do Complexo de Violência e Devastação pela nova dinâmica nacional-globalizada na região
sudeste do Pará

Uma nova articulação de interesses está em curso nesse momento cujos efeitos tendem a alimentar, e
agravar ainda mais, esse perverso Complexo de Devastação e Violência na região conformando uma nova
dinâmica nacional/globalizada protagonizada pelos mesmos poderosos interesses que vêm operando na região.
Tal como nos anos 1970, é a questão energética que vai reconfigurar a divisão internacional do trabalho, seja
pela redistribuição espacial das atividades de mineração, seja pelas implicações geográficas da expansão do
plantio da cana e da soja e o remanejamento espacial do rebanho bovino.
Confira o histórico de ocupação e devastação do maior bioma do Brasil.

1494 – Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas, conforme esse documento os portugueses
ficam com a porção leste do território brasileiro e os espanhóis com a poção oeste, o qual coloca a floresta
Amazônica para os espanhóis.

1540 – Os portugueses descobrem a Amazônia, desbravadores lusitanos chegam à região para impedir a
invasão de ingleses, franceses e holandeses, que cobiçavam a floresta.

1637 – Portugal encomenda a primeira grande expedição à região, com cerca de 2 mil pessoas. A exploração
de frutos como o cacau e a castanha ganham uma forte conotação comercial.

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Estudos Amazônicos 9º ano
1750 – Os reis de Portugal e Espanha assinam o Tratado de Madri - por meio deste, quem usava e ocupava
a terra teria direito a ela. Com isso, os portugueses conseguem direito sobre a Amazônia. Deu-se início ao
estabelecimento da fronteira do território brasileiro na região Amazônica.

Fim do século XIX – Inicia-se o ciclo da exploração da borracha brasileira na Amazônia, motivado pela
Revolução Industrial, as fábricas inglesas importam a matéria prima em grandes quantidades. Entre 1870 e
1900, aproximadamente 300 mil nordestinos migraram para a região para trabalharem nos seringais.

1940 – O então presidente Getúlio Vargas, inicia uma política para a ocupação do oeste brasileiro, a chamada
Marcha para o Oeste.

1960 – Com o intuito de integrar a Amazônia com o resto do País, os militares pregam a unificação do País
e a proteção da floresta contra a “internacionalização”. Utilizando um discurso nacionalista, os militares
realizam várias obras em infraestrutura para a ocupação da região, a principal é a Transamazônica. É a
política "Integrar para não Entregar".

1970 – A população da Amazônia Legal atinge a quantia de 7 milhões de habitantes, reflexo das políticas
públicas para a ocupação do território, no entanto, os problemas ambientais gerados são desastrosos, a área
desmatada da Amazônia chega a 14 milhões de hectares.

1980 – Os problemas ambientais na Amazônia, rotulada como “pulmão do mundo”, geram repercussões
internacionais. O assassinato do líder sindical Chico Mendes, em 1988, agrava ainda mais as pressões
internacionais em relação às políticas desenvolvidas no Brasil para a preservação da Amazônia.

1990 – Se intensifica o desmatamento na região para a


produção de soja, estima-se que a extensão territorial
desmatada atinja 41 milhões de hectares.

2000 – Conforme dados do Instituto de Geografia e


Estatística (IBGE), a população da Amazônia é de 21
milhões de pessoas. A pecuária passa a ser a grande vilã
e principal responsável pelo desmatamento. O rebanho
bovino é de cerca de 64 milhões de cabeças. Plantação de soja na Amazônia

2005 – 2009 - O assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang agrava ainda mais os problemas
ambientais na região. A área desmatada chega à incrível marca de 70 milhões de hectares.

32
Estudos Amazônicos 9º ano
Sabe-se que, atualmente, a fronteira agrícola no Brasil
encontra-se na região amazônica, mais especificamente
nos estados do Pará, Rondônia, Mato Grosso e
Maranhão. Nesses locais, observa-se uma intensa
destruição da floresta amazônica, processo realizado,
na maioria das vezes, de forma ilegal e clandestina.
Pode-se dizer que a ocupação da Amazônia ocorre desde
os tempos coloniais, mas foi ao longo do século XX que
ela se intensificou, principalmente nas décadas de 1970
e 80. Nos anos 1990 houve um pequeno recuo da
ocupação e do desmatamento, que voltaram a se
intensificar nos anos 2000.
Por se tratar de uma área extremamente vasta, Missionária assassinada em 2005
fiscalizar toda a área é muito difícil, fato que se agrava
em virtude do baixo número de fiscais e da ausência de equipamentos adequados de trabalho. Atualmente,
estima-se que, a cada ano, o desmatamento destrói entre 11 mil e 25 mil km² de florestas, áreas maiores
que alguns estados e até mesmo alguns países.
O saldo disso é uma vasta área desmatada. Não existem definições precisas sobre o tamanho da floresta que
já foi destruído. As estimativas mais otimistas colocam que 15% da floresta original foi perdida, as mais
pessimistas elevam esse quantitativo para 30%.
Os motivos da ocupação do território da Floresta Amazônica são, sobretudo, econômicos. Milhares de
hectares vão ao chão para a produção de monoculturas exportadoras, como a soja, e para a prática pecuarista.
Outro fator bastante frequente é a especulação, em que pessoas ou empresas ocupam determinadas áreas
da floresta aguardando uma valorização futura para a venda.
Outra questão é a instalação de usinas hidrelétricas. Em razão do potencial hidráulico dos afluentes do Rio
Amazonas e do fato de se tratar de uma região plana, o governo já estuda a instalação de algumas usinas de
produção de energia.
Um dos projetos é a usina de Tapajós, que seria composta por sete grandes hidrelétricas. Outro é o da Usina
de Belo Monte, que está sendo construída no Rio Xingu, no Pará, e que deve ser concluída em 2015. Essa
usina vem sendo alvo de muitos protestos e críticas de ambientalistas e das populações tradicionais da
região.

As consequências da destruição – mesmo que parcial – da Amazônia são graves. Dentre elas, podemos
enumerar:

a) redução da biodiversidade e extinções;

b) empobrecimento dos solos;

c) interferências climáticas;

33
Estudos Amazônicos 9º ano
d) aumento da produção de gás carbônico (CO2) em virtude das queimadas;

e) expulsão de comunidades tradicionais e destruição de reservas indígenas;

f) aumento do número de homicídios em razão das disputas territoriais nas zonas da fronteira agrícola.

As atuais formas de ocupação da Amazônia revelam-se muitas vezes agressivas em razão dos interesses
privados se sobreporem às necessidades da sociedade e da natureza como um todo.

Amazônia Ameaçada. Plano de Ocupação dos Estrangeiros.

Este documento faz parte de uma entrevista retirada do Jornal Diário da Manhã – Goiânia -Go– Caderno
Especial – Edição e texto de Javier Godinho

Em outubro de 2004 o comandante e general-de-brigada Marco Aurélio Costa Vieira recebeu o jornalista
Javier Godinho para uma discussão:

A Internacionalização da Amazônia.

O General Marco Aurélio demonstrou através de


documentos, imagens, e informações do exército
brasileiro que confirmam plenamente que o Brasil
corre o risco de perder 56% de seu território, e
justamente a maior riqueza intacta mineral,
petrolífera, fauna e flora e principalmente água
potável que será o grande problema mundial daqui
alguns anos.
Da água potável ainda existente no planeta, 11% corre
nos 23 mil quilômetros de rios navegáveis da maior
bacia hidrográfica do mundo, responsável por dois
terços do potencial hidrelétrico do Brasil.

Como seria o Brasil sem a Amazônia? Veja os


números…

O general Marco Aurélio demonstrou um mapa


mostrando como seria o Brasil sem a Amazônia. Já
pensarem nisso algum dia?

Então veja: de um lado 5,2 milhões de quilômetros


quadrados perdidos, o mais promissor do presente

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Estudos Amazônicos 9º ano
e o mais rico do futuro desse país, atualmente semiabandonados pelos governos e pela população, com apenas
4 habitantes por quilômetro quadrado, 12% da representação política e US$ 2.059,00 de renda per capita.
Do outro, horrível no formato, os 3,4 milhões de quilômetros quadrados que nos sobrariam, com 40
habitantes por quilômetro quadrado, 88% da representação política e US$ 4.955,00 de renda per capita.
Dentro da Amazônia brasileira cabem nada mais nada menos de 17 países europeus dentre eles – Bélgica,
Alemanha, Eslováquia, Áustria, Albânia, Portugal, Itália, Bósnia, Inglaterra, França, Espanha, República Tcheca
Holanda e a Suíça.
Com certeza, grupos suspeitos, cada vez maiores, de várias dessas nações já se estabelecera, se
movimentando e realizando ações escusas no território amazônico.

“Eles Levam Nossas Riquezas”

O general Marco Aurélio, que viveu 5 anos no Comando Militar da Amazônia, não acredita ainda que exista
mesmo um movimento organizado para tomar a Amazônia. Mas destaca que há grandes interesses de
potências econômicas, pois já atuam individualmente. Há grande número de estrangeiros dentro de nossa
Amazônia. São mais de 600, entre ONGs, instituições religiosas, cientificas e culturais.
Este levantamento foi feito pelo exército brasileiro. Tais instituições atuam entre a população branca pobre
e os índios. E o mais grave: estão levando nossa riqueza de todo o tipo.
É inacreditável que estão nos cercando 20 bases militares dos Estados Unidos, a título de combater o
narcotráfico e a guerrilha.
Depois desta reportagem você acredita que estão combatendo mesmo o narcotráfico ou estão de olho nesta
região?
Na operação Timbó, realizada pelas forças armadas, foi detectado um contrabando de mogno realizado por
representantes de empresas estrangeiras, que para tanto, usam caboclos e índios brasileiros para marcar
as melhores árvores, e a seguir arrancadas por tratores as arrastavam para o território peruano.
Um dado importante mostra sem dúvida a presença marcante de estrangeiros no nosso território: O governo
da Guiana Francesa paga um salário por criança nascido no Brasil, que ali seja registrada, para retornar ao
nosso país, mas com cidadania daquele departamento ultramarino da França.
O general destaca o trabalho dos pelotões de fronteira, praticamente única presença brasileira na área.
Essas unidades militares são procuradas para por índios e caboclos em busca de assistência de todo tipo,
inclusive médica.

O Brasil Inteiro Contra o Mundo

O general Marco Aurélio busca com muita apreensão despertar a consciência nacional para a necessidade de
ocupação racional, de fato, pelos brasileiros, da Amazônia, onde a cobiça estrangeira cada vez mais estende
seus tentáculos.
Dos seus documentos, imagens e de sua experiência como Comandante Militar da Amazônia por 5 anos,
contam opiniões manifestadas por vários “donos do mundo” que passaram pelas nações mais ricas da Terra
sobre a posse da Amazônia pelo Brasil.

35
Estudos Amazônicos 9º ano
Vejamos tais declarações dos “donos do mundo”:

Margareth Thatcher, primeira ministra do Reino Unido (Inglaterra) em 1983:

“Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas,
seus territórios e suas fábricas. ”

John Major, Primeiro ministro sucessor de Thatcher, líder do Partido Conservador inglês, em 1992:

“ As nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas
ecológicas sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandista para dar início a uma fase operativa,
que pode definitivamente engajar intervenções militares sobre a região. ”

François Mitterrand, primeiro socialista presidente da França em 1989:

“O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia”.

Mikhail Gorbachev, estadista que liderou o fim do regime comunista e a volta do mundo socialista à economia
de mercado:

“O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes.

Patrice Hughes, chefe do órgão central de informações das Forças Armadas Americanas:

“Caso o Brasil resolva fazer um uso da Amazônia que ponha risco o meio ambiente nos
Estados Unidos, temos de estar prontos para interromper esse processo imediatamente”.

Al Gore, vice-presidente Americano:

“A Amazônia não é dos brasileiros”.

A CIA – Agência de Investigação Criminal Americana – Está na Região desde 1996

A opinião dos Estados Unidos pode ser encontrada nesta fala de Henry Kissinger, diplomata que foi assessor
da Casa Branca e secretário de Estado, prêmio Nobel da Paz em 1973:

“Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua
disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e
constrangimentos garantidores da consecução de seus direitos”.

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Estudos Amazônicos 9º ano
Em 1996, Madaleine Albright, secretária de Estado dos Estados Unidos, revelou:

“Atualmente, avançamos em uma ampla gama de políticas, negociações, e tratados, em colaboração com
programas da ONU, diplomacia bilateral e regional, distribuição de ajuda humanitária aos países necessitados
e crescente participação da CIA em atividades de inteligência ambiental”

Ao bom entendedor já está claro que a CIA está na Amazônia, onde as ONGs e tantas outras instituições com
rótulos de cientificas e culturais e defensoras do meio ambiente atuam de mil e uma maneiras.

A História Não Deixa Mentir

No começo do século 20 a então poderosa Alemanha comunicou ao Barão de Rio Branco:


“Seria conveniente que o Brasil não privasse o mundo das riquezas naturais da Amazônia”

A competência desse diplomata brasileiro extraordinário e patriota maior ainda abortou as tentativas de
invasões estrangeiras, disfarçadas sob o argumento de que o Brasil não teria condições de explora-la e a
humanidade não poderia se privar de desfrutar da Amazônia.
O Brasil já repeliu a tentativa do Hudson Institute de junta as águas dos maiores rios do mundo para formar
o Grande Lago Amazônico.
O Racista notório americano general James Watson Webb, ministro de Washington, elaborou um plano para
que a Amazônia fosse destinada aos negros norte-americanos, evitando que se repetissem as condições
socioeconômicas que levaram o pais à Guerra de Secessão.
A companhia Amazon River Corporation tinha a finalidade de colonizar a Amazônia.
No princípio do século 20, o Presidente Epitácio Pessoa ouviu, estarrecido, em Genebra a proposição do
presidente americano Wilson um plano de Internacionalização da Amazônia.
No Japão vicejou a tese de que filhos de soldados americanos com japonesas durante a 2ª guerra mundial
deveriam ser mandados para a Amazônia.
O presidente Eurico Gaspar Dutra rechaçou as propostas norte americanas de enviar para a Amazônia
excedentes populacionais de Porto Rico e 200 mil refugiados árabe da palestina.
O general Juarez Távora denunciou as escandalosas concessões pretendidas pela Amazon Corporation of
Delaware e a The Canadian Amazon Corporation de extrair as riquezas nacionais amazônicas.
Em 1993 o ex-presidente José Sarney denunciava a concentração de tropas norte americanas na Guiana, no
Suriname e na Venezuela. Hoje, é público e notória a presença de militares dos EUA no Equador, Peru,
Paraguai e na Colômbia, a título de combater o narcotráfico e a guerrilha.
É um cinturão de 20 bases que se encomprida e se alarga, fechando o cerco.
E quem pensa que essa ambição internacional é típica do governo, da qual estão isentas as instituições que
afirmam agir na Terra em nome dos Céus, oferecemos mais um quadro, o Conselho Mundial de Igrejas Cristãs,
que em 1981, manifestou o seguinte em Genebra:

“A Amazônia é um patrimônio da humanidade. A posse dessa área pelo Brasil, Venezuela, Equador e Colômbia,
é meramente circunstancial”.

37
Estudos Amazônicos 9º ano

Pior do isso só o cartão muitas vezes encontrado até em forma de guardanapo de papel em restaurantes em
Londres, cuja tradução do inglês é esta:

“Lute pela floresta. Torre um brasileiro. ”

A Amazônia é de todos?

O texto abaixo, falará sobre a internacionalização da Amazônia, que é um fato que vem sendo discutido a
partir dos meados da década de 80, quando alguns políticos de países de primeiro mundo, discutindo sobre
o pagamento da dívida externa do Brasil, pensaram no pagamento com reservas naturais, indústrias, etc. Foi
mais fortemente discutida no final dos anos 90, inclusive pelo ex-presidente do EUA George W. Bush, que
falou sobre a Internacionalização da Amazônia em alguns de seus discursos para presidência. Estamos
passando por um caso que muitos acham incorreto, como brasileiros, mas outros têm uma opinião contrária,
de que a Amazônia seja um patrimônio de todo mundo, que todos deveriam comandá-la.
Na medida em que a Amazônia ia sendo revelada ao Brasil através dos inúmeros inventários e levantamentos
de seus recursos naturais, minerais e energéticos, a década de 80 e 90 assistia à entrada em operação de
inúmeros projetos de impacto, no setor de mineração e eletricidade. O projeto Trombetas, pela Companhia
Vale do Rio Doce, para exploração da bauxita; da Grande Carajás, para exploração do minério de ferro; da
Albrás-Alunorte, em Vila do Conde, para produção de alumina e alumínio metálico; de Tucuruí, no rio
Tocantins, para produção de cerca de 4 milhões de quilowatts; e o das hidrelétricas de Balbina, no rio
Uatumã, e de Samuel, no rio Jamari.
Esse panorama que contribuiu para a expansão demográfica e da fronteira agrícola, pecuária, mineral e
industrial, deu origem, também, às tensões sociais, conflitos de terras, disputas de posse e invasões de
áreas indígenas.
A situação engendrou também, pelo atraso de uma política nacional de preservação, o quadro atual
caracterizado pela atuação de madeireiras predatórias, poluição fluvial, garimpeiros clandestinos, falsos
missionários, contrabando das riquezas da biodiversidade florestal e pelo narcotráfico, favorecido pelos 1600
km de fronteira de uma linha imaginária, com insignificante presença civil ou militar – a fronteira aberta à
guerrilha, ao narcotráfico, ao contrabando de armas e à biopirataria.
Esse último tema foi assunto da Conferência Ministerial de Defesa das Américas que se encerrou com uma
declaração de apoio ao combate às drogas ilícitas e atividades criminosas transfronteiriças. Apesar de não
ter sido incluído na pauta do encontro, o polêmico Plano Colômbia de combate ao narcotráfico, com o apoio
dos Estados Unidos, foi discutido quando abordados questões de ameaças internacionais à segurança dos
países participantes.
A segurança da Amazônia brasileira se encontra na pauta de prioridades do governo brasileiro. Com o
agravamento da crise entre o governo e a internacionalização da guerra civil na Colômbia, associada ao
narcotráfico, o Brasil intenciona investir até US$ 10 bilhões de dólares na modernização das Forças Armadas,
buscando garantir a integridade da Amazônia.
Os efetivos militares no Rio de Janeiro são superiores a 44 mil homens; na continental região amazônica,
que se espalha por dois terços do nosso território, apenas 22 mil. A proporção está invertida. De Manaus a

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Estudos Amazônicos 9º ano
Tabatinga são três horas e meia em voo direto em Boeing. Sete estados do Sul e do Nordeste cabem no
Amazonas.
Há alguns anos, uma rede eletrônica de mensagens compartilhadas por um grupo da Internet retratou-se, no
meio virtual, por ter veiculado o que depois seria comprovado como boato completamente sem fundamento.
O boato versava sobre a existência de mapas escolares norte americanos nos quais a Amazônia brasileira
seria mostrada como “área de preservação internacional” e destacada do território brasileiro.
No entanto, o governo federal construiu uma possibilidade de internacionalização indireta, sob concessão de
gerência ambiental de áreas do território nacional, quando promulgou a Lei 9.985. Por tal lei seriam
constituídas Unidades de Conservação Ambiental, de Proteção Integral ou de Uso Sustentado – por decreto
lei.
Nas Unidades de Uso Sustentável são fixadas categorias de dimensões continentais: são as chamadas “Áreas
de Proteção Ambiental”, que de acordo com a própria lei, em seu artigo 15, “área em geral extensa, com um
certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais, especialmente
importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas”, com o objetivo de “proteger
a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos
naturais”.
Mas a lei, em seu artigo 30, estabelecendo que “as Unidades de Conservação podem vir a ser geridas por
organizações da sociedade civil de interesse público com objetivos afins aos da unidade, mediante
instrumento a ser firmado com o órgão responsável por sua gestão”, abre, segundo Dr. Luiz Augusto Germani,
diretor-jurídico da Sociedade Rural Brasileira, uma condição inconstitucional que possibilita a materialização
da até então fantasiosa internacionalização: a de que o poder público possa transferir a uma organização não-
governamental, nacional ou internacional, funções exclusivas suas que são sustentáculos da própria soberania
sobre tal área.

Histórico – O Planalto se Rende e Entrega a Amazônia?

Feito jiboia em bezerro novo, a sanha privatizante começou sobre Furnas, prenunciando o que acontecerá ao
que restou do sistema hidrelétrico nacional. Já se foram os monopólios do petróleo, do gás canalizado, das
telecomunicações e da navegação de cabotagem, como se privatizou o subsolo, a telefonia, os satélites, a
petroquímica, a siderurgia, o sistema financeiro. Tudo para abater a dívida externa, que se multiplicou, e
para melhorar os serviços, que pioraram. Faltam a Petrobras, já retalhada em unidades estanques, deglutidas
feito mingau quente, pelas bordas; o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, que segundo empresas estrangeiras
de assessoria dá prejuízo desde 2003. Depois, será a vez da Amazônia. Depois? Cobiçam a região como
mulher alheia.
Há comerciais institucionais transmitidos pela televisão do primeiro mundo, inclusive a CNN, onde a repórter
Marina Mirabella mostra as maravilhas da fauna e da flora amazônicas para, em seguida, apresentar cenas
de devastação, sujeira e imundície, e concluir: “São os brasileiros que estão fazendo isso! Até quando? A
Amazônia pertence à humanidade e o Brasil não tem competência para preservá-la! ” O pior é quando essas
investidas partem de nós. As deputadas Vanessa Grazziotin e Socorro Gomes, solicitaram do general-chefe
da Secretaria de Segurança Institucional informações sobre o Programa Nacional de Florestas, obra do
ironicamente amazônico Ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney.

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Estudos Amazônicos 9º ano
Para quê? Para transformá-las em propriedades privadas, “de modo a disponibilizar matéria-prima para as
indústrias (as madeireiras internacionais) de forma permanente, contínua, regular e balanceada, em função
das exigências do mercado”. Mas não era para manter a Amazônia intocada?

Conclusão

Vimos, que esse fato de que a Amazônia é de todos têm muitas opiniões, no entanto, é fato que não seria
correto distribuir um patrimônio florestal internacional situado no Brasil. Ao início, falam de um salvamento
da Amazônia e da economia brasileira. Porém, sabemos que mão é esse o caso. No caso de a Amazônia ser
internacionalizada, poderá ocorrer uma imensa destruição ambiental, pois muitos desses países procuram
apenas a exploração da Amazônia, como os Portugueses fizeram com toda a riqueza ambiental brasileira na
época da colonização.
Esse ainda é um fato a muito ser discutido, mas certamente, praticamente todos os brasileiros devem ter
uma opinião negativa a esse caso.

EXERCÍCIOS

1 - As medidas que visavam ao desenvolvimento da Amazônia não tiveram o sucesso tão propagandeado pelo
governo federal, no sentido do desenvolvimento econômico e social da região. Dentre essas medidas, coloca-
se a criação de órgãos federais com objetivos diversos como:

1- Integrar a porção ocidental da Amazônia mediante a isenção de impostos e a criação de centros industriais
e agropecuários.
2- Coordenar e supervisionar programas e planos regionais e decidir sobre a distribuição de incentivos fiscais
na chamada Amazônia legal.
3- Executar a estratégia de distribuição controlada da terra, através de projetos de colonização.

Os objetivos 1, 2 e 3 correspondem, respectivamente, aos seguintes órgãos.

A) SUFRAMA, SUDAM e INCRA


B) SUDAM, INCRA e SUFRAMA
C) SUFRAMA, INCRA e SUDAM
D) SUDAM, SUFRAMA e INCRA
E) INCRA, SUFRAMA e SUDAM

2 - Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa que contém todas as corretas em relação aos 30 anos
de intervenção intensiva do Governo Federal na Amazônia, através da SUDAM.

1- A ocupação foi baseada, preferencialmente, em grandes projetos agropecuários e agroindustriais.


2- Após o desmatamento e o empobrecimento do solo, foi comum o abandono de tais projetos.
3- Os problemas agrários do Sul do Para" foram resolvidos através da reforma agrária.;

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Estudos Amazônicos 9º ano
4- Os recursos públicos sob forma de incentivos fiscais foram utilizados para o assentamento dos sem-terra.
5- Com os projetos integrados de colonização evitou-se o êxodo rural para a Amazônia ocidental,
6- Lucraram com esse tipo de desenvolvimento parte da burguesia regional, empresas nacionais e
multinacionais e o Estado brasileiro que dominou, política e economicamente, a região.

A) 1, 3, 4
B) 2, 4, 5
C) 1,2,6
D) 4, 5, 6
E) 1,2, 3e6

3 - "Foi-se o tempo — As entidades que congregam garimpeiros têm demonstrado sua preocupação com a
gradual queda de produção do ouro, especialmente em áreas da Amazônia que, tradicionalmente, fizeram
“bamburrar” muita gente".

(Fonte: Noticia publicada no Jornal "Diário do Para", 15/12/96)

O fato em destaque pode ser associado:

A) ao esgotamento do minério de ouro em "Serra pelada", devido a um longo período de exploração mecanizada
feita pelos garimpeiros.
B) a liberação pela CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) das áreas de reservas auríferas para garimpagem,
inclusive as minas de recém descoberta Serra Leste.
C) aos acordos feitos pelos garimpeiros e empresas mineradoras, entre elas a CVRD, com o intuito de divisão
igualitária do lucro
D) à decadência da exploração com lavra manual na maioria das áreas de garimpagem, em especial “Serra
Pelada”, o minério localizado no fundo das cavas só pode ter exploração mecanizada.
E) a fiscalização do governo na maioria dos garimpos da Amazônia, que procura controlar o uso do mercúrio
nesta atividade.

4 - Um empresário desejoso de criar gado de corte, sem derrubar florestas, precisaria de área de campos
naturais. Pelas características fitogeográficas, qual a melhor área da Amazônia para tal atividade:

A) Sul do Para
B) Ilha do Marajó
C) Zona Bragantina
D) Oeste do Para
E) Vale do Rio Madeira

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Estudos Amazônicos 9º ano
5 - Em novembro de 1996, o Jornal "O Liberal" publicou um caderno especial sobre a economia do Para nas
Últimas décadas. Nele, nosso Estado e chamado de "pobre Estado rico". O uso da expressão pode ser
justificado.

A) devido a crescente pobreza urbana, principalmente em Belém, onde as áreas de invasão proliferam nas
periferias.
B) porque o Para continua como fornecedor de matéria prima, embora tenha todos os fatores que
favoreceriam a industrialização, em especial uma excelente rede de transportes rodoferroviário.
C) porque mesmo predominando em seu território solos ricos e férteis, possui uma agricultura incipiente
voltada apenas para o abastecimento do próprio Estado.
D) pela extrema contradição de ser o segundo produtor de minérios do país, possuir uma vastíssima província
mineral e adotar um modelo extrativista numerador e exportador, que gera concentração de renda,
desemprego, miséria e conflitos fundiários,
E) porque apesar da exuberante floresta com grande diversidade botânica, possui reduzida produção extrativa
vegetal que se destina apenas ao mercado interno.

6 - Os solos em um dos recursos naturais de fundamental importância na organização do espaço econômico de


uma região. No caso Amazônico...

A) os solos denominados de "terra firme", localizados distantes dos cursos fluviais, são de formação mais
recente que os de várzea e considerados bastante férteis, daí serem propícios ao cultivo de vegetais de
ciclo curto.
B) os solos de várzeas são de formação recente, aluviões quaternários, estão situados as margens dos rios
possuem boa fertilidade por receberem um processo de adubação natural, por esse motivo permitem a
atividade agrícola com excelentes rendimentos.
C) predominam os solos de origem basáltica, sobretudo os chamados "terra roxa", que possibilitam cultivo de
varies cereais, dentre eles a soja.
D)a maioria dos solos são de extrema fertilidade, fato comprovado pela exuberância e diversidade da floresta
equatorial, considerada o maior banco genético do planeta.
E) embora os solos de várzea sejam os mais férteis da região, sua utilização e limitada por fatores como: as
grandes cheias e a reduzida área dos mesmos, já que a rede hidrográfica e inexpressiva.

7 - Sobre a recente ocupação do espaço Amazônico são fatos a destacar.

A)o desmatamento que ocorre no sul e sudeste do Para\ para fabricação de carvão vegetal, destinado ao
abastecimento da siderurgia do Projeto Grande Carajás.
B) a pecuarização de Roraima, com a destruição de áreas de antigos seringais para a criação de gado de
corte.
C) a implantação de projetos de colonização integrada, feita pelo INCRA no Norte do Para e Amapá.
D)a chegada de grandes contingentes de migrantes gaúchos e paranaenses para a dedicam a atividade
agroindustrial.

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Estudos Amazônicos 9º ano
E) a proliferação de garimpos no nordeste do Pará (região bragantina e do salgado), que tem provocado uma
corrida de nordestinos principalmente do Maranhão e Piauí.

8 - "Rica em recursos naturais. Pobre quanto ao desenvolvi mento econômico e social". A citação acima reflete
a contradição que caracteriza a realidade amazônica. Analisando as raízes dessa contradição, pode-se afirmar;

A) as atividades extrativas, desenvolvidas na região desde o período colonial são responsáveis pelo seu
empobrecimento, visto que apresentam baixa produtividade e grandes danos ambientais.
B) os Grandes Projetos visam ao aproveitamento industrial de nossos recursos naturais, o que permitirá o
desenvolvimento regional, gerando empregos e divisas a população local.
C)a migração nordestina e sulista ocorrida em direção a Amazônia durante o período militar, causou
desemprego e desestruturação social, contudo serviu para solucionar os problemas fundiários existentes
nestas regiões.
D)a retirada dos recursos naturais - das drogas do sertão ao (erro de Carajás - visando a exportação, têm
sido a principal característica da exploração da região, cujos resultados são expressos em graves problemas
sociais e ambientais sofridos pela maioria da população.
E) o projeto de Integração Nacional, implementado nos anos 40, marcou a passagem da economia extrativa
a urbano-industrial, o que possibilitou o desenvolvimento socioambiental de nossa região.

9 - Há alguns anos os colonos dos Estados meridionais do Brasil viviam sitiados pela grande lavoura; hoje estão
sitiados pelo grande capital e migram rumo a Amazônia Ocidental em busca de terras para retomarem, em um
novo espaço, as velhas tradições de produção familiar. Neste contexto, e VERDADEIRO afirmar que:

A) os migrantes sulistas expropriados de suas pequenas propriedades transformaram-se, na maioria das


vezes, em grandes latifundiários e proprietários de empresas agroexportadoras.
B) esses migrantes vão constituir mão-de-obra especializada, para os grandes projetos agropastoris,
favorecendo uma diminuição dos conflitos fundiários.
C)os migrantes sulistas aclimatam-se facilmente a Amazônia e conseguem em um curto período, uma
significativa produção agrícola devido as políticas públicas existentes para o setor.
D) a causa de atração para a Amazônia Ocidental e a fertilidade dos solos nessa área, o que vai facilitar a
atividade agrícola e a adaptação desses lavradores.
E)os lavradores sulistas raramente conseguem recriar suas condições originais e sua antiga condição social
de pequeno proprietário; os pequenos sítios existem em número reduzido no Acre e em Rondônia.

10 - Nas últimas décadas foram planejadas e construídas grandes hidrelétricas na Amazônia, cujo objetivo
principal era o abastecimento energético dos grandes projetos de investimentos que se implantaram
desigualmente no espaço amazônico. A esse respeito e correto afirmar.

A) a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a segunda do pais, está localizada no rio Tapajós, na região oeste do
Estado do Para.

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Estudos Amazônicos 9º ano
B) a Usina Hidrelétrica de Samuel, a terceira em tamanho da Amazônia, está localizada no rio Purus, na
região Sudeste do Estado do Amazonas.
C) a Usina Hidrelétrica de Balbina, a primeira usina a entrar em operação na Amazônia, está localizada no rio
Amazonas, na região oeste do Para.
D) a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a primeira genuinamente brasileira, está localizada no rio Tocantins, na
mesorregião do Sudeste Paraense.
E) a Usina Hidrelétrica do Paredão, a terceira a entrar em operação, localiza-se no rio Araguari, na região
norte do Estado de Roraima.

11 - "Laraia, R. & Da Malta, R., em 1978, referindo-se à cidade de Tucuruí (Pa) na década de 60, acentuava:
"a cidade está dividida em duas zonas, uma onde se encontram as instalações da estrada de ferro e outra onde
se localizam o mercado, casas, igreja, comercio e o porto. As diferenças existentes entre estas duas zonas
são bem nítidas, tanto no que se refere aos aspectos urbanísticos quanto a situação socioeconômica dos
moradores de cada uma. Quando a noite chega, pode-se notar uma verdadeira delimitação de cada zona:
enquanto a primeira e iluminada peia energia elétrica fornecida pela estrada de ferro, a segunda fica
mergulhada na escuridão…". Sobre essa dicotomia socioespacial e correto afirmar.

A) embora o texto refira-se as peculiaridades da idade de Tucuruí na década de 60, revela a atualidade da
contradição socioespacial dessa cidade e de outras da Amazônia, sob os efeitos dos grandes projetos.
B) a realidade retratada no texto, há muito foi excluída da realidade urbana das cidades da Amazônia. O
desenvolvimento e o progresso nas relações entre os grandes projetos e seu entorno, alteraram e aboliram
essa dicotomia.
C) desde o final dos anos oitenta que a dicotomia socioespacial - cidade da companhia versus cidade
pioneira — foi superada com a incorporação da primeira pela administração municipal de Tucuruí (Pa).
D) o texto evoca uma realidade do passado que não se reproduz no presente. Certamente, após 1970, as
políticas públicas implantadas na Amazônia produziram uma nova realidade, mais igualitária e extensiva a
todos os cidadãos.
E) essa realidade dicotômica somente se reproduz na cidade de Tucuruí (Pa). A maioria das cidades em que
foram implantados grandes empreendimentos não expressa essa segregação socioespacial.

12 - Habitado em terras localizadas em ambos os lados da fronteira Brasil e Venezuela, os índios Ianomâmis
constituem o maior grupo indígena entre os que mantém seu modo de vida tradicional, A recente chacina desse
grupo indígena, têm suas causas na política governamental, através:

1- Do projeto ferrovia Norte-Sul, que com a 'lebre do ouro", atraiu levas de garimpeiros para explorar a área,
envenenando os rios com mercúrio.
2- De projetos que estimulam a exploração e formação de assentamentos de imigrantes, em terras desses
índios.
3- Do programa de integração nacional que incentivou a ida de colonos e garimpeiros para aquela região.
4- Do projeto calha norte que incentivou a colonização do norte do país.
5- Do Projeto Trombetas, que instalou suas bases na terra Ianomâmis, com o apoio total do governo.

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Estudos Amazônicos 9º ano
A) 1,2,3
B)2,3,4
C) 1,4,5
D)2,3,5
E) 1,3,5

13 - A região Amazônica e vista, por grupos nacionais e internacionais, como área de fácil penetração e
implantação de projetos que visam a exploração de seus recursos naturais e a produção de energia na área.
Foi instituído pelo governo um regime de incentives para implantação desses projetos na região, que trouxe
consequências ambientais e sociais para a população. Assim...

1- Com a construção do projeto Albrás-Alunorte, em Barcarena, os habitantes da região tiveram suas vidas
estruturadas pela geração de empregos para a população.
2- Com a construção da barragem de Tucuruí' muitos morreram: fauna, flora e homem.
3- A implantação de grandes projetos na Amazônia e questionado pela opinião pública devido ao violento
desmatamento que causa prejuízos incalculáveis para a flora e fauna locais.
4- E constante, hoje, nessa região o apossamento de terras, por grandes empresários, que, ao longo dos
anos, vinham sendo ocupadas pela população nativa.
5- Com a construção da hidrelétrica de Tucuruí houve o alargamento dos principais rios, tornando-os
navegáveis em trechos mais estreitos, facilitando a vida dos ribeirinhos.

A) 1,2,3
B)3,4,5
C) 1,2,5
D)2,3,4
E) 1,4,5

14 - "No Sugar em que havia mata, hoje há perseguição grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro, já viraram até peão afora os que já morreram como ave de arribação Zé da Nana tá
de prova, naquele lugar têm cova gente enterrada no chão: pois mataram índio, que matou grileiro, que matou
posseiro disse um castanheiro para um seringueiro que matou um estrangeiro roubou seu lugar."

("saga" da Amazônia, Vital farias)

Os versos acima destacam personagens que fazem parte da realidade atual do espaço amazônico. Nesse
sentido, afirma-se que:

A) Grileiro e posseiro são os principais personagens dos conflitos no espaço rural: o primeiro sendo
proprietário legal da terra e o segundo apenas ocupante.
B) Os posseiros são agricultores que cultivam pequenas parcelas de terra e que não possuem os títulos de
propriedade das mesmas; incluem-se nessa categoria os indígenas.

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Estudos Amazônicos 9º ano
C) Os grileiros, também chamados de "gatos", são pessoas responsáveis por recrutar trabalhadores ou peões
para os projetos agropecuários da região.
D) Os peões são trabalhadores recrutados para realização de atividades diversas, em geral por baixos salários
e sem registro em carteira.
E) Castanheiros e seringueiros, também chamados de "paulistas", são pessoas que adquirem extensas
propriedades para a exportação dos castanhais ou seringais nativos.

15 - "A recente ocupação da Amazônia deve ser vista no contexto da acumulação de capital e da modernização,
e não em termos de desenvolvimento, pois a apropriação recente de seus recursos naturais renováveis e não-
renováveis, pelo capital nacional e internacional, resultou numa destruição maciça de seu patrimônio natural e
na marginalização da maioria das populações locais" (DIEGUES, 1999). Neste contexto, é correto afirmar que:

A) A biodiversidade da Amazônia é um fator determinante para o desenvolvimento de biotecnologias,


considerando que 85% das espécies são utilizadas como fármacos.
B) Apesar dos altos índices de investimentos, a Amazônia não constitui uma fronteira econômica, social e
política com potencial para novas oportunidades.
C) A ocupação da Amazônia está relacionada à concentração fundiária, porém as disputas pela posse da terra
na região são praticamente inexistentes.
D) Os focos de modernidade, na região, são exemplificados pela presença da Zona Franca de Manaus e pelos
grandes projetos minerometalúrgicos,
E) A criação de reservas e parques na Amazônia tem proporcionado a melhoria da qualidade de vida para o
conjunto da população regional.

16 - Leia o seguinte texto

A preocupação de que os efeitos do Plano Colômbia respinguem no Brasil levou o exército brasileiro a reforçar
sua presença na fronteira da Amazônia, diz o 'The New York Times" de ontem, O jornal cita uma frase de
Mauro Sposito, chefe da força brasileira na fronteira: "Sabemos que quando os gringos reforçarem a mão do
Exército lá, podemos ser atingidos também ". (...) Segundo o jornal, a campanha é "só, o sinal mais visível de
que está a caminho uma militarização em larga escala da Amazônia, enquanto a guerra da Colômbia ameaça
atingir seus vizinhos ". O repórter Larry Rohter afirma que o projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia)
ganhou importância militar para vigiar as fronteiras com a Colômbia. Segundo ele, em outubro o país fez um
acordo para dividir dados coletados pelo Sivam com países vizinhos e os EUA.

Folha on-line - Brasil - Amazônia está sendo militarizada.


Da Folha de S. Paulo (31/10/2000),

A partir dos estudos sobre questões amazônicas e com o apoio do texto, podemos afirmar que

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Estudos Amazônicos 9º ano
A) o reforço militar que está sendo firmado para a Amazônia conta com o apoio dos EUA, para salvaguardar
as intensas relações comerciais existentes no norte brasileiro com este país, e especificamente, para eliminar
a rota do narcotráfico existente na Amazônia.
B) o projeto SIVAM, conforme foi citado no texto, ainda está firmando suas bases de vigilância aérea na
Amazônia, porém o Brasil está encontrando sérios problemas diplomáticos, bem como forte concorrência
armamentista e tecnológica com países fronteiriços, como é o caso da Colômbia, Venezuela e Suriname.
C) o Plano Colômbia existente na fronteira entre Brasil e Colômbia, manifesta a forte resistência do cartel
do narcotráfico à implantação do SIVAM e evidencia seu interesse por proteção da rota do narcotráfico
existente na Amazônia.
D) a garantia de instalação do projeto SIVAM substitui os demais projetos de controle militar sobre as áreas
fronteiriças da Amazônia - a exemplo do Projeto Calha Norte - já que aquele apresenta maiores recursos
bélicos, científicos e tecnológicos para garantir a integridade territorial brasileira na região.
E) o projeto SIVAM visa criar uma rede integrada de comunicações, utilizando aviões, radares fixos e
satélites para a manipulação de dados e informações destinados ao controle do tráfego aéreo, objetivando
detectar e coibir o contrabando e o narcotráfico, identificando focos de queimadas e facilitando,
evidentemente, a ação Norte-Americana sobre as riquezas naturais da região Amazônica.

17 - Quando se pensava que as descobertas sobre a nascente do rio Amazonas estavam finalizadas, cientistas
brasileiros anunciaram a localização de uma outra nascente deste rio, demonstrada no mapa a seguir. Esta
descoberta pode ser estratégica para países da América do Sul drenados pela bacia amazônica, quanto a
presença de água doce em seus territórios.
De acordo com o texto, com os seus conhecimentos e com a representação do mapa, é possível afirmar que

A) a partir da descoberta da nova nascente, o rio Amazonas ultrapassa o rio Nilo quanto a extensão territorial,
entretanto esta descoberta não implica no aumento do potencial de água doce no Brasil, considerando que a
nascente já existia.
B) a antiga nascente do rio Amazonas, localizada no lago Titicaca, dava ao Brasil o destaque de possuir a
maior reserva de água doce do planeta. Com a descoberta da nova nascente, o rio Amazonas passa a destacar-
se no contexto mundial como o mais extenso.
C) a descoberta da nova nascente do rio Amazonas aumenta o seu potencial de água doce, colocando o Brasil
em uma posição privilegiada como detentor de um recurso estratégico ao desenvolvimento do país.
D) com a descoberta da nova nascente do rio amazonas, este passa a englobar na sua bacia o lago Titicaca
caracterizando-se como um rio flúvio-lacustre, contribuindo para a integração da Bolívia e do Peru ao
Mercosul.
E) a nova nascente do rio Amazonas provoca a modificação no seu aspecto fisiográfico, o qual passa a ser
um rio de planalto e navegável em toda a sua extensão, contribuindo para o aumento dos fluxos comerciais e
migratórios entre Bolívia, Peru e Brasil.

18 - A Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM - é o órgão encarregado de gerir, em sua


política financeira, os incentivos fiscais para atrair investimentos na Região. Antes de sua criação, vários

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Estudos Amazônicos 9º ano
Projetos foram desenvolvidos na Amazônia. Que alternativa apresenta correia relação entre o projeto, sua
finalidade é consequência, e a época de criação da SUDAM?

A) A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída para escoar a produção de cacau, é hoje utilizada para
desenvolver o ecoturismo.
B) A Zona Franca de Manaus, criada com o objetivo de desenvolver um polo industrial na Amazônia, trouxe
benefícios sociais para a região, como a diminuição da taxa de desemprego, a melhoria de capacitação
profissional, os salários mais elevados, a assistência à saúde, etc.
C) A ICOMI, instalada para extração e exportação do manganês de Serra do Navio, contribuiu para aumentar
o superávit na balança comercial do Brasil, fazendo retomar grandes lucros para o Amapá.
D) O Fordlândia foi um projeto de plantação de seringueiras que fracassou por desrespeitar as condições
ecológicas.
E) O Projeto Grande Carajás, destinado a explorar a maior mina de ferro do mundo, transformou Marabá na
"capital da violência rural".

19 - "A devastação obedece a um padrão geográfico. Para definir esse padrão, foi criada a expressão "arco do
desflorestamento ", que indica a faixa de terras submetidas a profunda interferência humana."

MAGNOU, Demétrio. Conhecendo o Brasil Região Norte. São Paulo: Moderna, 2000.

O texto expressa a problemática da degradação ambiental na Amazônia. Marque a alternativa que indica
consequências do desmatamento na qualidade do meio ambiente.

A) a perda do banco genético composto por inúmeras espécies animais e vegetais ainda desconhecidas e o
desequilíbrio no clima, alterando o regime das chuvas e provocando secas ou inundações na floresta e
nas áreas vizinhas.
B) o desequilíbrio na produção de oxigênio, já que é nas florestas que ocorre a maior produção de oxigênio
e a eliminação da maior reserva genética existente no planeta, com importância na economia, na medicina, na
alimentação e na indústria.
C) o impacto negativo sobre o solo e sobre a floresta, já que a ausência da vegetação aumenta o humo,
camada superficial pobre em nutrientes, provocando o empobrecimento do ecossistema.
D) a alteração nas condições climáticas, provocando o desequilíbrio entre a produção de oxigênio e de
fotossíntese e a alteração da biodiversidade, com redução de espécies vegetais e aumento das espécies
animais.
E) a redução generalizada dos índices pluviométricos, provocando secas localizadas e a diminuição da
quantidade de gás carbônico na atmosfera, provocado principalmente pelo aumento da temperatura.

21 - Leia o texto abaixo:

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Estudos Amazônicos 9º ano
“ O desmatamento para a criação de grandes latifúndios agropecuários substituiu a floresta por pastagens e
empobreceu grandes extensões de solo. Projetos como o Grande Carajás e Jarí, a exploração mineral e
hidrelétrica são fontes de grandes impactos ambientais de âmbito regional” (Adaptado de ROSS, 1995)
De acordo com texto e com os seus conhecimentos, associe a coluna superior com a inferior, indicando as
consequências para a destruição provocada pelos grandes projetos implantados na Amazônia.

I – Degradação da Biodiversidade
II – Destruição do solo
III – Mudanças Climáticas
IV – Estresse e doenças

( ) A retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem dos nutrientes, ficando desprotegido
da ação da erosão da chuva e tornando-se improdutivo.
( ) O desmatamento elimina de uma só vez grande contingente de espécies ainda desconhecidas pela
ciência e homogeneíza o ecossistema quando se implanta a monocultura.
( ) As monoculturas implantadas na Amazônia são mais sensíveis ao ataque de pragas e parasitas que
são combatidas com agrotóxicos, os quais destroem, por sua vez, a diversidade dos ecossistemas.
( ) As florestas são responsáveis pela umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora de
vapor d’água na atmosfera e, ao mesmo tempo, diminui a captura do CO2 atmosférico.

A associação correta, pela ordem, é:

A) I, II III e IV
B) II, IV, I e III
C) IV, II, III e I
D) III, I, II e IV
E) II, I, IV e III

22 - Nos últimos anos, as taxas de crescimento urbano da Amazônia foram bastante elevadas. Segundo o Censo
2000 (IBGE), 70% da população da região vive em núcleos urbanos.
Entre as causas que melhor justificam esse crescimento, é correto citar:

a) A instalação da zona franca de comércio em Manaus e a construção da Rodovia Transamazônica.


b) O esgotamento da capacidade de absorção de mão-de-obra dos grandes centros da Região Sudeste e a
migração de suas indústrias para a área de Carajás.
c) As altas taxas de natalidade no meio rural, que obrigam parte dos filhos dos agricultores a procurar meios
de sobrevivência nas cidades de mineração.
d)As políticas de ocupação da Amazônia, a ampliação da fronteira agropecuária e a adoção do modo
agroindustrial de produção.
e) O fato de o solo da região amazônica ser pobre e incapaz de produzir altas quantidades de alimentos, o
que obriga as pessoas a migrar para as cidades.

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Estudos Amazônicos 9º ano

23 - No Brasil, têm se identificado focos de tensões em áreas indígenas, causadas pelo extrativismo mineral
e vegetal, bem corno pela invasão das reservas por posseiros para transformá-las em áreas agrícolas. O
complexo regional e o Estado que centralizam o maior número de conflitos são, respectivamente,

a) Nordeste e Rio Grande do Norte.


b) Norte e Rio Grande do Norte.
c) Amazônia e Pará.
d) Nordeste e Piauí.
e) Amazônia e Ceará.

24 - O grande problema ambiental causado pela produção de ferro-gusa que se concentra na área do Projeto
Carajás, na Amazônia, é:

a) A formação de ilhas de calor no sul do Pará e norte da Região centro-oeste, diante da crescente ur-
banização na região.
b) A ocorrência de chuvas ácidas, uma vez que ao redor desse projeto ocorreu a formação de uma densa
complementaridade industrial.
c) O desmatamento de várias áreas para a obtenção do carvão vegetal, ainda utilizado nos fornos siderúrgicos
da região.
d) A contaminação dos afluentes e subafluentes da margem esquerda do Rio Amazonas por metais pesados,
que ali são despejados devido às atividades de siderurgia.
e) A destribalização e o quase extermínio dos primitivos habitantes - os indígenas - que ocupavam a região.

25 - No ano de 2003, o desmatamento na Amazônia brasileira superou a marca dos 21 mil km, conforme se
observa na tabela acima, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente.
A principal causa do avanço desse desmatamento, nos estados onde o índice é maior, é:

a) a intensificação da extração mineral, que desde o período colonial norteou a ocupação humana e econômica
dessa região.
b) a expansão exclusivamente da pecuária bovina de corte, uma vez que as condições de relevo e de clima
são ideais para essa prática econômica.
c) uma conjugação de fatores, como a boa fase dos agronegócios, a grilagem de terras públicas e a exploração
predatória de madeira.
d) a necessidade do crescimento da área para o cultivo da cana-de-açúcar, respondendo ao aumento da
produção de automóveis movidos a álcool na última década.
e) a implantação da política de descentralização econômica, que tem levado à região atividades do setor
secundário e aliviado as tensões nos estados do Centro-Sul do país.
26 - A figura mostra a área da reserva Raposa-Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares e pouco habitada, no
norte do Brasil.

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Estudos Amazônicos 9º ano
Sobre essa área, pode-se afirmar que é uma reserva:

a) de garimpeiros, localizada no Estado de Rondônia, limitada pela Venezuela e Guiana.


b) indígena, localizada no Estado de Rondônia, limitada pela Venezuela e Guiana.
c) de garimpeiros, localizada no Estado de Roraima, limitada pela Venezuela e Suriname.
d) indígena, localizada no Estado de Roraima, limitada pela Venezuela e Suriname.
e) indígena, localizada no Estado de Roraima, limitado pela Venezuela e Guiana.

27 – (adaptada)
No cinturão de máxima diversidade biológica do planeta (...) a Amazônia se destaca pela extraordinária con-
tinuidade de suas florestas, pela ordem de grandeza de sua principal rede hidrográfica e pelas sutis variações
de seus ecossistemas.

AB’SABER, A. Os domínios da natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê, 2003.

Analise agora as seguintes frases:

I. A Amazônia, domínio das florestas ombrófilas (pluviais), tem como um dos seus limites naturais a porção
oriental dos Andes e ocupa áreas da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, além do Brasil.
II. A presença da floresta prende-se, prioritariamente, à alta incidência de energia solar, à entrada de massas
de ar úmido e à baixa amplitude térmica, determinadas pela sua posição geográfica.
III. O regime do rio Amazonas, principal eixo da rede hidrográfica da Amazônia, é predominantemente pluvial,
embora suas nascentes estejam relacionadas ao regime nival.
Qual (ou quais) das frases está (estão) correta (s)?

a) Apenas 1.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e III
e) Todas.

28 - O avanço da produção de soja na Amazônia Legal tem levado a um significativo aumento dos problemas
ambientais. Por outro lado, seu cultivo vem contribuindo para a incorporação de vastas áreas ao espaço
econômico nacional. Essa expansão ocorreu sobretudo em ecossistemas originalmente adversos ao plantio da
soja, como o cerrado e, mais recentemente, a floresta equatorial.
Dentre os fatores que viabilizaram esse processo de expansão podemos citar:

a) Declínio da produção em outras áreas do país e redução do protecionismo norte-americano.


b) Aplicação de políticas de estímulo ao pequeno proprietário e manutenção de mão-de-obra barata.
c) Investimento em pesquisas na área de biotecnologia e crescente demanda no mercado internacional.

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Estudos Amazônicos 9º ano
d) Existência de uma boa rede de transporte e estabelecimento de acordos de livre comércio com a União
Europeia.

29 - Cerca de uma dezena de bacias sedimentares estão situadas na Amazônia Legal Brasileira, perfazendo
quase 2/3 dessa área territorial. Três delas - bacias do Solimões, Amazonas e Paranaíba -são as mais impor-
tantes, não só pelo tamanho (juntas ocupam aproximadamente 1,5 milhão de km), mas principalmente pelo seu
potencial.

Fonte: Amazônia legal, 2003

O texto refere-se à existência, nessas bacias sedimentares, de expressivos depósitos de:

a) Níquel e minério de ferro.


b) Ouro e diamantes.
c) Manganês e estanho,
d) Petróleo e gás natural.
e) Urânio e tório

30 – A Região Norte foi a mais transformada nas últimas décadas, seja no seu quadro econômico, seja em sua
demografia e até na sua divisão administrativa. Grandes projetos, embora muitos dos quais severamente
criticados pelos ambientalistas, produziram sensíveis mudanças na sua dinâmica espacial.
Que afirmativa, entre as selecionadas, pode ser considerada CORRETA, como transformadora do espaço
amazônico?

a) A construção de projetos rodoviários como a Transamazônica e a rodovia Cuiabá-Santarém.


b) A implantação de projetos urbanos que transformaram a região naquela de maior densidade demográfica.
c) Aprimoramento na qualidade de vida da população ribeirinha, além das melhorias nas condições sociais dos
chamados amazônidas.
d) Implantação de uma forte reforma agrária que eliminou os conflitos de terra na região.

31 – A Amazônia brasileira possui atributos físicos que a individualizam no território brasileiro a tornam
atraente a investimentos externos. Descreva as características físicas que a tornaram um importante destino
de investimentos de capital estrangeiro nas décadas de 60, 70 e 80.
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32 – A região norte vem sofrendo, nas últimas décadas, um forte processo de integração nacional, através de
projetos financiados pelos governos estaduais e federais. Um deles que recebe destaque é o Projeto Carajás,
como mostra a imagem abaixo:

Sobre o assunto, destaque quais as principais características desse empreendimento?


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33 – Em relação ao plano de integração física da Amazônia com o restante do Brasil, podemos afirmar que a
principal etapa foi a:

a) Abertura de estradas, ferrovias e hidrovias


b) Instalação de energia elétrica
c) Criação de Aeroportos
d) Instalação de Metrô

34 - De que forma a charge ao lado explica o funcionamento da D.I.T. na


Amazônia?
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35 - A Amazônia passa por um período onde é necessário haver um aumento na sua exploração de seus
produtos naturais. Por que a Amazônia precisa aumentar a exploração de produtos naturais?
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36 – Por que o papel da Amazônia na DIT já foi estabelecido desde o período colonial?
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37 – A imagem ao lado exemplifica o funcionamento da política de ocupação na Amazônia colonial. Baseado na


imagem e no conteúdo visto em sala de aula, explique o funcionamento desta política?
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38 – De acordo com a historiadora Maria Liege Freitas, da UFCG, na Paraíba, Getúlio Vargas é o primeiro
presidente brasileiro a ver na Amazônia uma "importância estratégica". Por conta disso, ele promoveu o (a)
chamado (a):

a) Marcha para o oeste


b) Exercito amazônico
c) Patrocínio as faculdades e universidades amazônicas
d) Privatização das empresas amazônicas

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Estudos Amazônicos 9º ano
39 – O início da ditadura (1964) também deixa suas marcas na ocupação da Amazônia. Dentro de um discurso
nacionalista, os militares pregam a unificação do país. Além disso, alegam que era preciso proteger a floresta
contra a:

a) Exploração dos indígenas


b) Estatização das transnacionais
c) Dívida externa
d) Internacionalização da Amazônia

40 – A partir dos anos 2000, percebeu-se uma nova fase na política de ocupação na Amazônia brasileira. Este
período ficou caracterizado pelo (a):

a) Crescimento dos rebanhos bovinos na Amazônia


b) Invasões estrangeiras na fronteira norte do Brasil
c) Diminuição dos investimentos governamentais na região
d) Popularização dos produtos importados na região amazônica

41 – A Amazônia se integrou, efetivamente, ao mercado nacional e melhor definiu seu papel no contexto
brasileiro. Isto foi verificado, principalmente através do (a):

a) Aumento da presença e n atuação de ONG’s na região amazônica


b) Aumento dos investimentos privados na conservação da floresta
c) Transferência de multinacionais para os estados de Roraima e Tocantins
d) Maior volume de exportação de produtos primários para o centro-sul do país

42 – O êxodo rural verificado nas cidades amazônicas alvos dos Grandes Projetos é justificado pela:

a) Grande oferta de emprego.


b) Devastação e queimadas nestes municípios.
c) Conflitos rurais.
d) Grande oferta de mão-de-obra.
e) Incentivos do governo federal

43 – O conceito de especulação imobiliária é:

a) Compra e venda de terras.


b) Desapropriação de casas construídas próximas aos Grandes Projetos.
c) Doação de terras para empresas que investissem nos Grandes Projetos.
d) Formação de estoque de imóveis na expectativa de que seu valor aumente no futuro.
e) Compra de terras pertencentes a empresas privadas.

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Estudos Amazônicos 9º ano
44 – Os militares viram seu poder centralizador e autoritário diminuir drasticamente na década de 1980.
Entre outros fatores, isso ocorreu por conta da:

a) Pressões por parte das mineradoras instaladas na Amazônia.


b) Promulgação da Constituição de 1988.
c) Brigas internas pelo poder.
d) Esgotamento dos Grandes Projetos.
e) Pressão da população.

45 – Qual o principal incentivo fiscal dado pelo governo militar às empresas que se instalassem na Amazônia
a época dos grandes Projetos?

a) Redução de multas por poluição e desmatamento.


b) Isenção de impostos sobre os lucros por 10 anos.
c) Descontos nos abastecimentos de combustíveis.
d) Redução nas taxas de energia elétrica e água.
e) Isenção dos royalties.

46 – Dentre os danos causados pela empresa ICOMI quando esta encerrou suas atividades na Serra do Navio,
é incorreto afirmar que uma delas foi:

a) Propagação de doenças.
b) Desorganização econômica e espacial.
c) Rejeição do governo municipal quanto a sua instalação.
d) Esgotamento das reservas de manganês.
e) Falta de apoio governamental.

47 – Leia o texto abaixo: “Os desmatamentos para a criação de grandes latifúndios agropecuários substituíram
a floresta por pastagens e empobreceu grandes extensões de solo. Projetos como o Grande Carajás e Jarí, a
exploração mineral e hidrelétrica são fontes de grandes impactos ambientais de âmbito regional” (Adaptado de
ROSS, 1995)

De acordo com texto e com os seus conhecimentos, associe a coluna superior com a inferior, indicando as
consequências para a destruição provocada pelos grandes projetos implantados na Amazônia.

I – Degradação da Biodiversidade
II – Destruição do solo
III – Mudanças Climáticas
IV – Estresse e doenças

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( ) A retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem dos nutrientes, ficando desprotegido
da ação da erosão da chuva e tornando-se improdutivo.
( ) O desmatamento elimina de uma só vez grande contingente de espécies ainda desconhecidas pela
ciência e homogeneíza o ecossistema quando se implanta a monocultura.
( ) As monoculturas implantadas na Amazônia são mais sensíveis ao ataque de pragas e parasitas que
são combatidas com agrotóxicos, os quais destroem, por sua vez, a diversidade dos ecossistemas.
( ) As florestas são responsáveis pela umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora de
vapor d’água na atmosfera e, ao mesmo tempo, diminui a captura do CO2 atmosférico.

A associação correta, pela ordem, é:

a) I, II III e IV
b) II, IV, I e III
c) IV, II, III e I
d) III, I, II e IV
e) II, I, IV e III

48 – A partir da década de 60, tem sido o lugar de intensas transformações na ocupação do território. A
organização do espaço regional modifica-se sob os impactos da abertura de grandes eixos rodoviários,
favorecendo sua integração às demais regiões do País, a construção de usinas hidrelétricas, implantação de
grandes projetos agropecuários, de mineração e indústrias, assim como pela atração exercida por projetos de
colonização".

O texto se refere à seguinte região do Brasil:

a) ( ) Norte.
b) ( ) Nordeste.
c) ( ) Norte.
d) ( ) Centro-Oeste.
e) ( ) Sul

49 – Considere os textos a seguir.

I. Na Amazônia têm-se dois grandes problemas, que permanecem atuais: os projetos públicos ou particulares
que foram desenvolvidos principalmente depois da criação da SUDAM e os conflitos pela posse da terra.
II. Os principais projetos desenvolvidos pela SUDAM são a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
e a mineração da Serra do Navio.
III. A Serra do Navio, no Amapá, é uma rica reserva mineral de manganês. Sua exploração é feita pela ICOMI,
associação de empresários nacionais e estrangeiros, e sua exportação é feita basicamente pelo porto de
Santana-Macapá.

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Estudos Amazônicos 9º ano
Pode-se afirmar que

a) apenas I é correto.
b) apenas II é correto.
c) apenas I e III são corretos.
d) apenas II e III são corretos.
e) I, II e III são corretos.

50ª – Para apoiar os novos empreendimentos a serem implantados na região amazônica, foram criados esses
dois órgãos: a SUDAM E O BASA.
Com base na afirmação acima e nos seus conhecimentos sobre as instituições criadas na Amazônia pós-1960,
responda:

a) Quais eram as funções da SUDAM e do Basa na região?


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b) Cite e explique um grande empreendimento apoiado por esses órgãos.


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51ª – Você já deve ter visto a


imagem ao lado em algum
produto eletrônico, que foi
produzido no polo industrial de
Manaus. Com base nisso e na
imagem ao lado, responda:

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a) Em que consiste o PIM – Polo Industrial de Manaus?
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b) Explique uma consequência da criação do PIM para a cidade de Manaus.


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c) Qual o órgão federal que administra o PIM?


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52ª – “A construção de grandes rodovias pelo governo militar, a partir dos anos 1960, interiorizou a ocupação
não indígena, que até então se concentrava ao longo dos principais rios, e mudou a feição do Bioma Amazônico.
(...)
Em 1975, a Amazônia Brasileira tinha 29,4 mil quilômetros de estradas, dos quais 5,2 mil quilômetros
asfaltados. Em 2004, a extensão da malha rodoviária multiplicou-se quase dez vezes e passou para 268,9 mil
quilômetros (menos de 10% pavimentados).4 Parte significativa dessas vias é construída de forma irregular,
sem os estudos de impacto ambiental e as licenças exigidas por lei, em terras públicas e áreas protegidas.
Como outros projetos de infraestrutura, as estradas são importantes para estimular a economia, integrar locais
distantes e prover acesso a serviços públicos, como escolas e hospitais. Quando não são acompanhadas de
políticas de desenvolvimento sustentável, no entanto, podem ser indutoras da devastação (...)
Na Amazônia, nenhum outro tipo de empreendimento de infraestrutura é tão responsável pelo desmatamento:
75% dele ocorre em uma faixa de até 100 quilômetros ao redor das rodovias, segundo o Inpe.5 Um estudo
calculou que o desflorestamento associado a obras viárias planejadas para a região, em 2000, poderia ser de

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Estudos Amazônicos 9º ano
até 180 mil quilômetros quadrados ao longo dos próximos 25 ou 35 anos. O asfaltamento aumentaria ainda o
risco de incêndios florestais. ”

CARNEIRO FILHO, Arnaldo; SOUZA, Oswaldo Braga de. Atlas de pressões e ameaças à terras indígenas na
Amazônia brasileira. São Paulo: Instituto Socioambiental, nov. 2009, p.14

Com base no texto acima e nas informações desta apostila, desenvolva as questões a seguir:

a) Qual a importância socioeconômica das rodovias para a região Norte?


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b) Cite duas consequências causadas pela construção das rodovias na Amazônia


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