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A fé Bíblica e a História Americana – R. J. Rushdoony


Willian Po rto

O Passado
A f é Bíblica, primeiro que tudo, começa com o Deus
soberano Que, em Sua graça e misericórdia, redime ao
homem por meio da obra expiatória de Jesus Cristo. Visto
que Deus é soberano, Sua obra de salvação é um ato de
graça soberana. Qualquer coisa que careça disto não é
bíblico: é outra religião, não importa sua f orma
aparentemente cristã. Jesus não pode ser nosso
Salvador se Ele não é nosso Senhor.

Segundo, visto que Deus é o Deus total e soberano,


nossa f é não pode ser somente um assunto espiritual. O
Deus totalmente soberano é Senhor sobre cada aspecto
da vida. Todas as coisas são criadas, predestinadas,
governadas e julgadas por Ele. Como resultado, a Bíblia
legisla sobre cada área da vida, igreja, estado, escola,
f amília, ciências, artes, economia, vocações, coisas
espirituais e coisas materiais. Contudo, o neoplatonismo,
considerava o mundo material como inf erior e irrelevante
à religião. Assim, cada vez que o neoplatonismo evidencia-se, a f é Cristã é reduzida a
uma religião espiritual.
Neoplatonismo na igreja

Santo Agostinho, a quem a Igreja deve muito por sua ênf ase na predestinação de Deus, f oi
inconsistente quando se af astou de Deus para o mundo. Seu neoplatonismo tomou o controle, e
entregou nas mãos do inimigo o mundo e a história. A obra de Cristo f oi substancialmente reduzida
a uma, salvar almas. Como escreveu Tuveson sobre Agostinho, “Ele entendia essencialmente a
religião como uma experiência individual, um contato transf ormador imediato da alma com a verdade
e a graça divina [1]“. Esta ênf ase, em Agostinho e em todos seus sucessores até o presente, trouxe
uma releitura da Bíblia como um livro de consolo espiritual para a alma. Seja interpretando as leis de
Êxodo, Levítico e Deuteronômio, ou o Livro de Apocalipse, tudo f oi espiritualizado e transf ormado em uma
mensagem para a alma. As cores usadas no tabernáculo, e os números citados nas prof ecias, trouxeram
mensagens espirituais de grande importância, enquanto os signif icados mais simples eram considerados
(e passados por alto) como carnais e destinados a uma geração carnal.

A inf luência de Agostinho na escatologia prevaleceu por mil anos, e está novamente conosco. Com a
decadência do neoplatonismo, houve um avivamento do pós-milenismo. Uma de suas consequências f oi a
grande era da exploração. Há muitas indicações de que os Americanos f oram “descobertos” repetidas
vezes ao longo dos séculos, por Europeus e Asiáticos, por Fenícios e Árabes do Oriente Médio, por
Chineses, Escandinavos e quem sabe outros Europeus. Nada surgiu destes “descobrimentos”. O
pensamento dos tempos não f azia de uma nova terra algo signif icativo. Somente quando o pos-milenismo
começou a aparecer, e com o novo sentido da Grande Comissão, os homens, verdadeiramente,
propuseram-se a explorar e exercer domínio. A maior parte dos exploradores, desde Colombo, qualquer
que f ossem seus def eitos, tinham uma motivação pos-milenista e missionária, bem como econômica. O
interesse econômico, de f ato, era um aspecto de um sentido renovado do mandamento da criação de
exercer domínio e subjugar a terra.
Todas as áreas da vida começavam a ser vistas nos termos Bíblicos. No início da história da igreja, o
f ortemente Helênico Orígenes tinha se castrado para escapar da carne, somente para descobrir que a
luxuria reside na mente e no coração do homem. Na Idade Média, o Cantar dos Cantares de Salomão f oi
espiritualizado e convertido em um sem sentido. Teólogos Puritanos como Willian Gouge e outros
ref eriam-se a ele como uma f onte de instrução do perf eito amor dentro do marco do matrimônio. Um texto
Puritano f avorito era Gênesis 26:8, que conta sobre Isaque acariciando sua esposa Rebeca. Os Puritanos
usavam este texto para atacar a abstinência estoica e o celibato sacerdotal, do qual Gouge disse que era,
“Uma disposição de nenhuma maneira ordenada pela Palavra”. T homas Gatker, em um sermão matrimonial
de 1620, atacou a ideia de que a f é Bíblica é indif erente às coisas f ísicas ou que está desinteressadas nos
deleites matrimoniais. Este quadro f also da f é Bíblica, declarava ele, é:

Uma ilusão de Satanás, com a qual geralmente persuade às Gregas f elizes do mundo: Que se dedicam-se
ao Serviço de Jesus Cristo, então, devem dar uma eterna despedida a toda alegria e deleite; que então,
todos seus dias de f elicidade terão ido; que no reino de Cristo; não há nada exceto suspirar e lamentar, e
jejuar e orar. Mas aqui há o oposto: também no reino de Cristo, e em sua Casa, há matrimônio e entrega
em matrimônio, beber vinho, celebração e regozijo sobre a mesma f ace de Cristo [2].

Erasmo f alou do matrimônio como ref inando-se por meio da abstinência das relações sexuais. O
proeminente Puritano Elizabethiano Henry Smith declarou que 1 Corintios 7:3 é “[Um] mandamento para
renunciar a este direito [as relações sexuais], e é legal proclamá-lo como um mandamento; e não f azê-lo é
um não cumprimento do mandamento.” William Whately disse que nem o marido nem a esposa poderiam
“negá-lo sem grave peado” quando o outro desejasse à relação. Gouge f alou do sexo conjugal como “um
dos atos mais próprios e essenciais do matrimônio.” Em Massachussets, na Corte do Candado de
Middlesex em 1966, Edmund Pinson queixava-se de que Richard Dexter tinha o dif amado ao dizer que
Pinson quebrou o coração de sua esposa com muita dor porque “estaria separado dela por três semanas
completas enquanto ele estava em casa, e que nunca se aproximaria, e coisas similares. [3]”

Apenas algumas gerações anteriores, a abstinência no matrimônio era uma marca de santidade, agora era
uma calúnia ser acusado disto. A mudança f oi grande e dramática. Contudo, a mudança não esteve limitada
ao matrimônio. Em todas as áreas da vida, o homem deveria deleitar-se na salvação de Deus, os gozos da
vida do pacto, f ísica e espiritual, e de avançar com conf iança para exercer domínio e subjugar a terra. O
mundo material agora era importante porque Deus o criou, e porque Deus exigiu que o homem o
subjugasse, que exercesse domínio sobre ele, e que regozijasse nele perante ao Senhor.

A Missão dos Puritanos Americanos

Desta maneira, o Puritanismo Americano conscientemente deu-se à taref a de estabelecer a Nova Sião de
Deus sobre a terra, e f azer da América a base de onde o mundo ia ser conquistado. Um resultado f oi o
grande movimento missionário do século dezenove e a primeira parte do vinte. Em 1954, o Capitão Edward
Johnson publicou em Londres sua Uma História da Nova Inglaterra, ou a Maravilhosa Providência do
Salvador de Sião com o propósito de recrutar Cristãos para colonizar o novo mundo, declarando:

Jesus Cristo, com a intenção de manifestar seu Oficio Real para suas Igrejas muito mais
plenamente do que viram até agora os Filhos dos Homens, incita seus servos como Arautos de
um Rei para fazer esta Proclamação por Voluntários da Seguinte maneira.

Oh, Sim! Oh, Sim! Todos vocês, o povo de Cristo, que estais aqui oprimidos, aprisionados e
caluniosamente difamados, reuni-vos, vossas esposas e vossos pequenos, em resposta a seus
muitos nomes, que são enviados para seu serviço, no Mundo Ocidental, e mais
especificamente, para plantar as Colonias unidas da nova Inglaterra; onde vocês se ocuparão
no serviço do Rei dos Reis, na divulgação desta Proclamação pelos seus Arautos em armas.

Poderia, César, ter listas tão rapidamente de novas forças para mobilizar da Europa a Asia?
Quanto mais Cristo que criou todo o poder, convocará por sua vontade esta liga Oceânica
formada por 900 pessoas, instrumentos que ele pensa reunir para fazer uso deste lugar. Sabe-
se que este é o lugar onde o Senhor criará um novo Céu, e uma nova Terra, em novas Igrejas,
e juntas uma nova Comunidade [4].

Os puritanos tinham um projeto para o “novo Céu, e uma Nova Terra, em novas Igrejas e uma nova
Comunidade” que o Senhor planejava construir na América. Este projeto era a Bíblia. Tuveson observou:

Os ingleses, disseram que, verdadeiramente, são o povo de um livro: a Bíblia. O resultado, não
menos importante, de sua preocupação com a Palavra, foi que eles, o mesmo que seus
companheiros Protestantes em outros países, chegaram a ter um estreito contato com uma
filosofia da história muito mais sofisticada, muito mais universal e ainda mais flexível que
qualquer um que tenha fornecido algumas das grandes tradições clássicas [5].

Ainda mais, os Americanos converteram-se no povo do livro, e na tremenda energia expansiva de ambos
povos, Ingleses e Americanos. A vitalidade escatológica de ambos vinha da f é pos-milenista que, por um
tempo, dominara o pensamento em ambos os países.

O Novo Modelo

Portanto, não f oi surpreendente, visto a dedicação Puritana à Escritura, que olhavam à Bíblia em busca de
um novo modelo, não somente para a igreja, mas também para o estado. A partir deste mesmo princípio, as
colônias, especialmente na Nova Inglaterra, f ixaram seus olhos na Bíblia em busca de suas leis. Pelo
senhorio real, no que concernia aos estatutos coloniais, uma certa quantidade de lei real Inglesa também
f oi retira para evitar conf litos com a roa. Mas os puritanos queriam essencialmente um novo modelo, um
baseado na Escritura, para todas as áreas da ida; temos o Novo Modelo do Exército de Cromwell; temos
igrejas com novos modelos; caso após caso, as coisas f oram remodeladas nos termos da Escritura.

Segundo uma f alácia moderna, criada pelo antinomianismo, a Escritura é lei somente parcialmente, e essa
lei pode ser dividida em cerimonial, civil e moral. Tal distinção, primeiro que tudo, deixa muito pouco da Bíblia
como lei. Segundo, a divisão é artif icial. A assim chamada lei cerimonial é intensamente moral: trata com o
f ato do pecado e o plano de expiação de Deus; a lei civil também é moral como qualquer lei pode ser, já que
trata com o roubo, o assassinato, o f also testemunho, o adultério, o crime e o castigo em todas as
f ormas.

Esta f alácia tem suas raízes em alguns Puritanos antinominianos, mas a opinião mais comum dos
Puritanos era ver toda a Escritura como a lei de Deus. Eles assumiam corretamente que o único tipo de
palavra que o Deus soberano pode f alar é uma palavra soberana, uma palavra-lei, já que é uma palavra
com caráter obrigatório. Um Deus soberano não pode f alar uma palavra incerta ou hesitante. Como
resultado, os Puritanos examinavam a Escritura em busca de direção em todas as áreas da vida, pois a
Escritura para eles era, na verdade, a palavra obrigatória e inf alível de Deus.

Assim, não devemos nos surpreender que voltaram para e usaram a lei Bíblica. Foi [assim] até que os
Platonistas de Cambridge introduziram o neoplatonismo no Puritanismo, minando-o assim, que cessaram
de mostrar interesse na lei Bíblica. Era o meio ordenado por Deus para edif icar Sua Nova Sião na América e
de usar a América como um meio para conquistar o mundo inteiro.

O pregador Medieval buscava alegorias na Escritura, e signif icados não históricos e espirituais. O Puritano
buscava leis para viver, mandamentos para a vida pessoal, f amiliar, a vida na igreja, estado, área vocacional
e social. Seu propósito era tanto prático como teológico, para estabelecer a Nova Sião de deus na
América.

Como resultado, uma acusação característica começou a marcar o púlpito Americano desde a segunda
geração nascida na Nova Inglaterra até toda América nos dias de hoje, a lamúria. A lamúria é o lamentar-se
de que a nação é inf iel para com o Senhor . Assume uma responsabilidade particular, por parte do povo
Americano, de ser f iel para com o Senhor, por terem sido particularmente abençoados por Ele. Enquanto na
França a apelação à renovação nacional é humanista e cita “a glória da França” como o impeto, na América
o ímpeto é muito mais, normalmente, religioso, e é teológico em seu interesse e ênf ase.

Assim, o marco da vida Americana f oi teológico. Podemos encontrar def eitos no desenvolvimento dessa
teologia, e desvios dela, mas o contexto teológico da América é muito real. De maneira que, qualquer coisa
que possamos dizer sobre O Hino de Batalha da República, este verá claramente a missão da América,
incluindo, se não é que enf aticamente, a justiça e o juízo de Deus. A chegada dos Exércitos é identif icada
com a chegada do Senhor em juízo. Seu coro é um hino triunf ante de louvor, uma doxologia: “Glória, glória,
Aleluia, Nosso Senhor marchando está!”. No século vinte, também os não Cristãos f alavam
voluntariamente e livremente sobre “a missão da América”. A corrente Puritana é ainda f orte, ainda que,
entre eles, a rejeitem.

O Presente
Não podemos começar a entender a condição presente dos Estados Unidos separada da decadência da
Fé Ref ormada. A guerra de Independência f oi um triunf o para o pós-milenismo Puritano, mas também f oi
um f ator importante para sua decadência. A f é Puritana sof reu em dois sentidos. Primeiro, pela guerra
estar identif icada tão proximamente com o Puritanismo, e especialmente com os Presbiterianos
Escoceses-Irlandeses, todos os pastores Puritanos, de qualquer af iliação eclesiástica, estiveram muito
ativos na capelania. As igrejas sof reram, em algum grau, por esta perda. Segundo, e mais importante,
muitas de suas igrejas f oram destruídas, queimadas deliberadamente pelas f orças Escocesas. Isto
constituiu uma perda importante e devastadora para um povo algumas vezes já empobrecido. O
Puritanismo nunca se recobrou plenamente deste revés. Em vez de aparecer diante do povo em tempos de
paz com uma posição imponente, o Puritanismo surgiu da guerra com perdas desastrosas e em
organização.

Ao mesmo tempo, enquanto a f é Agostiniana no decreto de deus estava declinando, estava f lorescendo
um desespero Agostiniano. Em vez da esperança na conf iança de que o reino de Deus prevaleceria, existia
uma nova crença, f ortalecida pela Revolução Francesa, que o homem, o homem ímpio, antes que Cristo,
teria o comando nas nações. Como resultado, a ideia medieval de que a igreja é a única esperança do
homem este mundo, e que a igreja deve ser um convento ou monastério que os Cristãos se retiram,
capturaram a América. O resultado f oi o avivamentalismo [6].

O flagelo do avivamento

Com o avivamentalismo aconteceram mudanças dramáticas. Alexandre Hamilton, vendo a inércia da ênf ase
cristã, planejou antes da sua morte começar uma nova entidade política chamada Partido Constitucional
Cristão. Com o novo espírito monástico tal ideia f oi impossível. Deixou-se a política aos políticos; os
Cristãos estavam decididos em secularizar a ordem política. Os sermões sobre eleições e o antigo
interesse Puritano com o governo civil, transf ormaram-se, agora, em algo obsoleto, e, também, vistos
como evidência de mundanalidade.

O mesmo termo mundanalidade assumiu um signif icado monástico. Não signif icava um interesse ímpio no
mundo, mas qualquer interesse genuíno no mundo.

Uma mudança similar e de amplos alcances aconteceu na educação. Anteriormente, toda educação tinha
sido Cristã; somente existiam escolas e colégios Cristãos. Após alguns anos, depois que começara o
avivamentalismo, encontrava-se já no caminho o movimento pelo controle estatal da educação. Alguns
pregadores e prof essores de avivamentos denunciaram as escolas Cristãs como ímpias e insuportáveis.
Sustentaram que as escolas Cristãs tinham substituído a experiência de avivamento com conhecimento e
preparação para a regeneração. Sustentavam que ocorria uma experiência mais clara de conversão se a
mente de uma pessoa não estava atestada com o conhecimento das Escrituras. Devemos recordar que, o
movimento de avivamento inaugurado por Charles G. Finney, também considerava que a leitura da Bíblia
nas reuniões de avivamento tinha um ef eito ruim, de resf riamento ou como água f ria, sobre aqueles que
estavam presentes.

O termo e a ênf ase chave era salvar almas. Mas isto não é tudo. Os pregadores de avivamentos atuavam
como se virtualmente não houvesse almas salvas até que eles apareceram, como se todos os que haviam
precedido não f oram pastores ou guias espirituais, mas lobos. Além disso, o mesmo termo, salvar vidas,
assumiu um novo signif icado. A alma na Escritura signif ica de maneira comum a vida de um homem, de
maneira que a salvação da alma nos termos Bíblicos enf oca a vida e o ser total do homem, e a salvação do
alma signif ica a regeneração do homem total. A salvação estava agora, por implicação, limitada a um lado
do homem, sua alma ou espírito, e a salvação tinha um signif icado interno em vez de um signif icado total e
cósmico.

O resultado f oi um retiro do mundo, e da vida total do homem, essa alma interior redef inida. Jesus Cristo
como Salvador estava, agora, limitado em Sua f unção de ser simplesmente um salvador da alma. Não é de
se surpreender que, para o século vinte, o Rev. Carl McIntire insistira logicamente em negar o mandamento
da criação, e que a Universidade Bob Jones negara o Senhorio de Jesus antes do reino milenar. A lógica do
Arminianismo requeria uma rendição do reinado de Cristo e uma redução de Seu papel àquele de um
Salvador. Também este papel era diminuído pela negação da graça soberana. O homem era, de f ato, o
salvador; o homem escolhia ou negava a Cristo; o homem tomou a decisão e o decreto. A predestinação
f oi transf erida de Deus para homem.

O flagelo do Arminianismo

Assim, pois, o Arminianismo transf eriu o governo dos homens de Cristo ao dos homem. Isto signif ica que
não há evangelismo Bíblico para a sociedade, mas apenas um evangelho humanista ou social. O
modernismo era um produto do avivamentalismo, e alguns eruditos Arminianos estão f elizes de mostrou
que o avivamentalismo produziu o nascimento do evangelho social. O f undamentalismo Arminiano e o
evangelho social modernistas são nascidos de uma linhagem comum, a negação da graça soberana. Não
surpreende, pois, que exista uma crescente receptividade do f undamentalismo Arminiano para com o
evangelho social.

Quando Pilatos disse a Jesus: “A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim.”, sendo
Ele seu rei (João 18:33-35), Jesus deixou claro que Ele não era um Rei cujo reinado vinha dos homens:
“Meu reino não é desde mundo” (João 18:36), p.ex., não se deriva deste mundo, mas está sobre este
mundo, e é “Meu reino”.

O arminianismo coloca o reino de Cristo ou no f uturo (o milênio) ou f ora deste mundo. Os Barthianos, por
exemplo, insistem em trabalhar por uma ordem socialista, mas são enf áticos ao declarar que Deus é
“totalmente Outro”, totalmente longe e f ora deste mundo, de maneira que não tem nenhuma relevância
real para nosso mundo hoje. O pregador de avivamentos olha para o reino somente no milênio, ou no
mundo mais longe da Segunda Vinda.

Os resultados da tal teologia encontram-se aqui conosco. Em um país onde mais da metade das pessoas
são membros de igrejas, esta atitude conventual ou monástica sobre o reinado de Cristo conduziu a uma
rendição do mundo ao homem. O problema real nos Estados Unidos é o Arminianismo, que é uma f orma de
incredulidade modif icada. O arminianismo propõe a crença em Jesus Cristo, mas atua baseando-se na
crença no homem. O resultado de tal prof issão [de f é] é exatamente o que temos hoje nos Estados
Unidos.

Assim, nosso problema central não é o ateísmo aberto ou o humanismo aberto, ainda que ambos são,
claramente, sérios problemas. É a f alsa teologia, o Arminianismo. Na maior parte dos países Ocidentais o
humanismo aberto é operante ou é religião nominal com humanismo tácito. Nos Estados Unidos, é o
Arminianismo; ainda que o Arminianismo é semelhante e pertence a f amília do humanismo, é ainda
dif erente, e apresenta uma f achada Cristã. É importante que desde a década de 50 até a década de 70, o
homem nos Estados Unidos que seguiu sendo a f igura pública mais signif icativa e sumamente considerada
é o pregador do avivamento [7], o Rev. Billy Graham. Durante esses mesmos anos, quando um ministro
recebeu o status nacional mais alto em Washington, D.C, que jamais f oi concedido a algum ministro, os
Estados Unidos também sof reram a mais desintegração moral. Legalizou-se o aborto, a pena de morte f oi
virtualmente abolida, a revolução sexual segue em caminho, o socialismo está adquirindo o controle
rapidamente, a ideia da benef icência social segue veloz, e o hedonismo é corrente.

A coincidência destes dois f atores não é acidental. Onde os homens adotam uma redenção tão organizada
dos direitos reais do Rei Jesus sobre o mundo, necessariamente isto deve ter consequências práticas. A
redenção do mundo coincide com o crescimento de uma f alsa espiritualidade.

A Constituição dos Estados Unidos, em suas cláusulas monetárias, mostra claramente a inf luência do Rev.
John Witherspoon, cujo dinheiro sólido, os princípios padrões do outro deixaram sua marca na América.
Hoje, alguns pastores denunciam o interesse no ouro ou na prata, no campo econômico, como algo não
espiritual. A brecha entre Withrspoon e o presente é muito grande, e a razão daquela brecha é o
Arminianismo.

O único remédio, portanto, é a Fé Ref orma, a proclamação de Deus soberano, Sua graça soberana, e Sua
lei soberana.

Parte 3 : O Futuro
No início do século vinte, os radicais Americanos, agudamente conscientes da irrelevância das igrejas,
caricaturaram f erozmente seu papel e sua mensagem, e algumas vezes a f izeram de maneira blasf ema. A
mais popular de tais caricaturas f oi o hino, “No Doce Adeus”, que converteu-se em ” Bolos no Céu, Adeus,
Adeus”. Os f undamentalistas, unicamente, tornaram-se mais monásticos, enquanto que os modernistas
adaptaram mais o socialismo dos radicais.

O resultado líquido f oi que a Fé Bíblica f oi negada por ambos, e a Fé f oi f eita algo irreal. As igrejas
cresceram numericamente, mas, enquanto isto, declinavam tanto em f orça quanto em ef etividade. A
mudança entre os f inais das décadas de 40 e 70 f oi ilustrada dramaticamente por uma enf ermeira, que
depois de alguns anos de ausência da prof issão, regressou ao hospital onde tinha começado sua carreira.
Estava em uma cidade do sul, bem no Cinturão da Bíblia, onde quase todos f requentam à Igreja, e a maior
parte das igrejas são f undamentalistas. Em princípio, os pacientes da emergência que vinham ao hospital
oravam e solicitavam a presença do pastor. Nas décadas de 70, depois de dois anos de experiência,
descobriu que somente uma pessoa mencionou ao menos uma vez ao Senhor no momento de crise. O
resto estava satisf eito com o dia seguinte quando seu pastor chamava, mas sua f é prof essada não era
essencial para eles. Visto que Deus é soberano e absoluto, nossa f é n’Ele irá governar cada área da vida,
do pensamento e ser, ou f inalmente Ele será negado em todas. Não podemos ter a metade de Deus: a
religião Bíblica é uma proposição de tudo ou nada. Mas os homens querem a f orma de piedade, mas não a
Deus. Tentar usar a igreja como um esconderijo de Deus. São Paulo adivertiu a Timóteo sobre tais
pessoas, que são homens ”Tendo aparência de piedade, mas negando a ef icácia dela. Destes af asta-te.”
(2 Timóteo 3:5). Contudo, a igreja moderna, modernistas e f undamentalistas, está empenhada em
satisf azer os tais em vez de se af astarem deles.

O resultado é a religião barata, a religião muito popular, pois promete ao homem o céu sem nenhum custo.
É religião antinomiana: não exige produção de f ruto para o Senhor, não há dízimo, não crescimento,
unicamente uma “decisão” por Cristo, que é esperada agradecida e conscientemente do homem, o
soberano. Tal religião é como a semente semeada em terreno pedregoso, que a tribulação ou a
perseguição destrói com rapidez (Mt 13:18-22). Tem um presente muito promissor, mas não tem f uturo.

Então, qual é o f uturo da f é Cristã na América? A crescente crise nos Estados Unidos, um aspecto da
maior crise mundial que o mundo conheceu, é a crise do humanismo e sua irmã, o Arminianismo. A crise
criada pelo humanismo e o Arminianismo agora começa a destruí-los. Os homens trabalham para adiar o
juízo, para criar soluções provisórias e colocar f itas adesivas sobre o câncer da civilização, mas isto
nunca f uncionará.
Ou o mundo entrará miseravelmente em uma Era Obscura de caráter selvagem, ou será conquistado pela
Fé Bíblica. Não há outras alternativas.

Esta crise coloca uma grande responsabilidade sobre os campeões da graça soberana. Sua f é deve ser
mais que igrejismo: pelo contrário, deve ser a declaração dos direitos reais do Rei Jesus em todas áreas
da vida. Cristo, o Rei, deve governar a pessoa, a igreja, o estado, a escola, a f amília, as vocações, as
artes e as ciências, e todas as demais coisas. Ele deve ser servido pelo homem onde quer que esteja e
com todo seu coração, mente e ser.

Isto é possível? Podem os pequenos números de homens da graça soberana triunf ar f rente a um inimigo
tão grande? A resposta simplesmente é esta: é impossível para o Deus soberano não conquistar. Seu
propósito em todas estas coisas é abalar todas as coisas que podem ser abaladas, de maneira que
somente permaneça o que não pode ser abalado (Hb 12:25-29).

Além disto, as Escrituras são claras em [dizer] que o poder do inimigo, apesar de ser aparentemente
grande e estar bem enraizado, é um assunto de curto prazo. Davi, que viu os malvados prosperaram e
persegui-lo como se f osse um animal selvagem, ainda assim podia declarar, “O ímpio tem muitas dores,
mas àquele que conf ia no Senhor a misericórdia o cercará.” (Salmos 32:10). Novamente declara, “Pois os
braços dos ímpios se quebrarão, mas o Senhor sustém os justos” (Salmos 37:17). Certamente, “os
mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz” (Salmos 37:11, cf . v.10).

Asaf e declara, “Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se
desviam de ti” (Salmos 73:27). Salomão deixa clara o propósito de Deus:

Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela.


Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22

Nosso Senhor conclui Seu Sermão do Monte declarando que toda “casa”, ou seja, pessoa, vida,
instituição, igreja ou nação, que estiver edif icada sobre a areia perecerá nos juízos que Deus de maneira
regular envia à terra, enquanto que somente as pessoas, instituições e nações que estejam estabelecidas
sobre a Rocha, o mesmo Jesus Cristo, resistirá aos abalos e as provas (Mt. 7:24-27).

Nos estamos enf rentando um tempo de julgamento. Todas as outras casas cairão e serão varridas pelos
ventos da história e das correntes do juízo. Somente aqueles que edif iquem sobre Cristo, o Senhor, irão
perdurar.

Então, este é um tempo para edif icar, para edif icar sobre o f undamento de Jesus Cristo. As escolas
Cristãs, as igrejas, os seminários, as agências políticas, as empresas econômicas, as operações
vocacionais e muitas, muitas outras devem ser iniciadas, de maneira sábia e cuidadosa, mas também com
entusiasmo como uma oportunidade para apresentar e estabelecer os direitos reais de Cristo, o Rei.

Isto já começou. Somente em uma área o mundo está assustado por nosso êxito. As escolas Cristãs
estão crescendo em um ritmo constante e se tornando destaques inclusive para os não crentes. Aqueles
que há poucos anos criam que a Fé Ref ormada estava morta, agora, estão sendo desaf iados por ela em
todos os ângulos. Estão aparecendo novas igrejas, e a causa da graça soberana está se expandindo
rapidamente. Estamos à beira do maior crescimento tanto em alcance como em poder, da Fé
verdadeiramente Bíblica que o mundo jamais viu.

O lema do Estado de Nevada é adequado para nossa causa: “Nascido para a Batalha”. Na parábola do
semeador, o calor do sol e da adversidade, f azem que a f alsa semente pereça, pelo terreno pedregoso de
seu ser. A adversidade f ortalece unicamente ao piedoso. Nascidos na batalha, crescem na adversidade e
voltam homens f ortes em Cristo. Assim, o f uturo é nosso em Cristo, pois “Do SENHOR é a terra e a sua
plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmos 24:1). Estamos pelejando em terreno conhecido
sob Cristo, o Rei. Com São Paulo devemos dizer, “ Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos
8:31)

Rev. R. J. Rushdoony
Novembro, Dezembro 2001. Janeiro 2002

Fonte em Espanhol: Contra-Mundum

1- Ernest Lee Tuveson, Millennium and Utopia (Gloucester, MA: Peter Smith [1964], 1972), 15.

2 – T homas Gataker y William Bradshaw, Dois Sermões sobre o Matrimônio(Londres, 1620), 14, citados
por Roland M. Frye, “O Ensino do Puritanismo Clássico sobre o Amor Conjugal,” em Arnold Stein, ed., Sobre
a Poesia de Milton (Greenwich, CT: Fawcett Publications, 1970), 104.

3- ibid., 105ss.

4 – Albert Bushnell Hart, A História Americana relatada por seus contemporâneos, vol. 1 (Nueva York:
Macmillan,1897), 366ss.

5 – Tuveson, op. cit., 4.

6 – Nota do Tradutor: Por “avivamentalismo” deve-se entender o movimento centrado no homem e apenas
em sua conversão, sendo assim, não há relações com os movimentos puritanos que obtiveram grande
êxito como Jonathan Edwards.