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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
COSMETOLOGIA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

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CURSO DE
COSMETOLOGIA

MÓDULO II

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dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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MÓDULO II

6.10 APÊNDICES EPIDÉRMICOS

Compreendem os apêndices epidérmicos os seguintes grupos:


 Aparelho pilossebáceo;
 Glândulas cutâneas;
 Unha.

As glândulas sebáceas (FIGURA 20) são anexas dos folículos capilares e


estão inseridas na derme e hipoderme. São predominantes no rosto, pescoço e
parte superior do corpo. Elas secretam por secreção holócrina, na qual a célula
secretora morre e torna-se o próprio produto de secreção da glândula. As células
mortas são repostas por mitose na periferia da glândula. A secreção é o sebo, uma
mistura de triglicérides e colesterol tipo cera. Funciona como um agente protetor e
mantém a textura da pele e a flexibilidade do cabelo.

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FIGURA 20 - GLÂNDULA SEBÁCEA, MÚSCULO ERETOR DO PELO, PELO E
GLÂNDULA SUDORÍPARA ÉCRINA

FONTE: Arquivo pessoal do autor

Composição do sebo:
 Triglicerídeos 43%
 Ácidos graxos Livres 15%
 Ceras 23%
 Escalenos 15%
 Colesterol 4%

A secreção sebácea é estimulada pelos andrógenos, sendo o

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DHT4 o hormônio ativo. Isto se dá devido à abundância de vascularização
nas proximidades das glândulas sebáceas.
A função do sebo se confunde com a da emulsão epicutânea, da qual é um
dos constituintes. Para os animais o sebo serve como proteção para os mamíferos e
para engraxar as plumas dos pássaros, já no homem seu efeito como protetor é
restrito. Ele também contribui para manutenção da água na camada córnea. Devido
à presença de lipídeos, que são diversos sobre o ponto de vista químico,
desempenham papel no odor específico de cada indivíduo. E por fim, contribui para
minimizar os efeitos da radiação ultravioleta.
As glândulas sudoríparas écrinas (FIGURA 21) são glândulas tubulares em
espiral, estão na camada profunda da derme ou sobre a hipoderme e estão
presentes em todo o corpo. A sua função primária é o resfriamento por evaporação
(transpiração).

FIGURA 21 - GLÂNDULA SUDORÍPARA ÉCRINA.

FONTE: Arquivo pessoal do autor

A secreção écrina consiste de um líquido aquoso, fino e inodoro, que a ação


microbiana não consegue degradar. São controladas por fibras colinérgicas do
Sistema nervoso autônomo pelo estímulo térmico e fatores psicogênicos.
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DHT: Dihidroxitestosterona. Os créditos pela queda e afinamento do cabelo masculino é
responsabilidade deste hormônio.

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As glândulas sudoríparas apócrinas (FIGURA 22) são glândulas tubulares que
desembocam nos folículos pilosos nas axilas e regiões urogenitais. A secreção é
uma mistura de proteínas, carboidratos e íons férricos que não possui odor, porém
torna-se fétida após ação de bactérias comensais da pele. São mais numerosas nas
mulheres e na raça negra. São sensíveis aos hormônios androgênicos e reguladas
por nervos adrenérgicos em resposta ao atrito, agentes farmacológicos e fatores
emocionais.

FIGURA 22 - GLÂNDULA APÓCRINA, GLÂNDULA SEBÁCEA E PELO

FONTE: Arquivo pessoal do autor

O cabelo ou pelo é composto por células epidérmicas mortas que passaram


por um processo de queratinização incluindo a expressão diferencial de queratinas
específicas. É derivado dos folículos capilares ou pilosos, que são invaginações que
se projetam da derme ou hipoderme. Os músculos eretores do pelo tornam os pelos
arrepiados para uma melhor insulação5.

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Insular: tornar semelhante a uma ilha; tornar solitário; afastar da sociedade, da convivência; isolar.

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As unhas (FIGURA 23) são lâminas epidérmicas, queratinizadas, duras,
semitransparentes e rosadas situadas no dorso da terceira falange dos dedos e se
diferenciam da pele por não serem descamativas. São constituídas por uma matriz
(responsável pelo crescimento), lâmina (corpo da unha), leito ungueal (porção que a
unha se apoia), eponíquio ou cutícula (proteção da unha) e hiponíqueo
(engrossamento da epiderme sobre a superfície da unha no ponto em que se torna
livre). Função principal da unha é proteger as extremidades dos dedos, mas também
aumentam a capacidade de pressão e facilitam movimentos finos e de precisão.

FIGURA 23 - ESTRUTURA DA UNHA

FONTE: Arquivo pessoal do autor

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A figura acima mostra a estrutura da unha. Na imagem (A) apresenta-se o
leito e corpo da unha e lúnula (área de cor branca); na (B) a matriz, borda ungueal,
sulco ungueal, eponíco (cutícula), corpo e leito da unha, margem livre.

O crescimento diário da unha é em média 0,1mm, mas este valor pode


variar de acordo com a nutrição, idade, atividade individual de cada pessoa. Calcula-
se que levamos, aproximadamente, seis meses para um crescimento total das
unhas. Os principais fatores que afetam o crescimento são:

 Mecânicos: microtraumatismos repetidos como datilógrafas, pianistas e


onicofagia6.

 Nutricionais: o crescimento é mais rápido em pessoas com ingestão


contínua e normal de aminoácidos, principalmente os que contêm enxofre e
vitaminas (A, complexo B, C, D, E e H).

O tratamento de unhas danificadas consiste basicamente em vasodilatação,


reposição de aminoácidos, amaciamento ou emoliência, hidratação e cicatrização
que juntos promoverão a regeneração da lâmina e cutícula.

6.11 CABELO

A estrutura do cabelo

 As raízes: estão protegidas na derme, dentro do folículo piloso, onde o


cabelo é gerado e colorido (FIGURA 24).

6
Onicofagia: Hábito de roer unhas.

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 A papila dérmica: o folículo piloso é o resultado de uma associação e
interação dos componentes dermal e epidermal. Localizada a 4 mm abaixo da pele
(FIGURA 24), a papila dérmica é formada por tecido conectivo que secreta grandes
quantidades de matriz extracelular (ver Seção 6.4). Altamente vascularizada, a
papila é a força real que dirige o folículo, provendo toda informação necessária para
a multiplicação e diferenciação das células da matriz e, deste modo, regulando o
ciclo de vida do cabelo.

 A glândula sebácea: o folículo tem uma ou mais glândulas sebáceas


que, por sua vez, contêm uma grande quantidade de células, os sebócitos, que são
preenchidos por lipídios (FIGURA 24). A glândula libera seus lipídios na forma de
uma substância gordurosa, o sebo. Em quantidades normais, o sebo é essencial
para a lubrificação e proteção da fibra capilar mantendo sua flexibilidade e brilho.
Controlado por hormônios, o correto funcionamento da glândula sebácea pode se
tornar irregular, produzindo muito ou pouco sebo, o que acaba prejudicando o
cabelo. Se produzido em excesso, pode tornar o cabelo oleoso e pesado. Por outro
lado, a falta de sebo pode tornar os cabelos danificados, secos ou opacos.

 Os queratinócitos: os queratinócitos do folículo piloso são células que


se multiplicam numa taxa muito maior do que os queratinócitos da pele (FIGURA
24). Além disso, eles se diferenciam para formar as diferentes estruturas do cabelo.
A produção e armazenamento de queratina, um processo denominado
queratinização, causa um endurecimento destas células, levando à desintegração de
seus núcleos e consequente morte.

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FIGURA 24 - RAIZ DE UM FIO DE CABELO

FONTE: Arquivo pessoal do autor

 Os melanócitos: os melanócitos (FIGURA 25) são células grandes


presas no topo da papila dérmica (FIGURA 24), que produzem o pigmento melanina
e o transferem aos queratinócitos, que formam o córtex da fibra capilar. Os
melanócitos usam seus dendritos para injetar os pequenos grânulos de pigmento.
Deste modo, o cabelo é incolor no início. Diferentemente da pele, os melanócitos do
folículo piloso não precisam da luz do sol para produzir melanina. Os melanócitos
produzem as melaninas em organelas especializadas chamadas de melanossomos.
A transferência dos melanossomos dos melanócitos para os queratinócitos ocorre
por um processo ainda não totalmente esclarecido. As hipóteses são de que o
melanossoma é injetado diretamente no queratinócito ou ainda que ocorre
fagocitose da organela na extremidade dendrítica do melanócito. É interessante
notar que a melanina produzida por uma célula da pele consegue suprir até 40
queratinócitos, enquanto que uma do cabelo, apenas quatro ou cinco. As diferenças

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de coloração são devidas às diferenças no número, tamanho e arranjo dos
melanossomos.

FIGURA 25 - MELANÓCITOS E MELANOSSOMOS

FONTE: Arquivo pessoal do autor

- Coloração natural do cabelo

A pigmentação do cabelo é conferida pela atividade do melanócito. Estas


células, que se acham dispostas entre a papila dérmica e o epitélio da raiz pilosa,
sintetizam a melanina e a fornecem às células da raiz e córtex do cabelo. A
melanina existe na forma de dois pigmentos: eumelanina e feomelanina. Eumelanina
é na verdade um polímero que ocorre em grânulos dentro dos melanossomos em
forma semelhante a um grão de arroz e sua coloração varia de vermelho escuro a

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preto. Ela é gerada a partir da tirosina, por ação da tirosinase. Feomelanina ocorre
em melanossomos com uma forma menos precisa e pode ser vista na forma de
pontos difusos. Sua coloração varia de amarelo para vermelho. Difere da
eumelanina, porque, além da tirosina, outro aminoácido, a cisteína, está envolvido
em sua produção. As cores diferentes do cabelo são proporcionadas pelas
combinações pigmentares, em diferentes proporções, entre a eumelanina e a
feomelanina.
A proporção destas duas melaninas determina a coloração do cabelo.
Porém, é fácil entender que o cabelo negro dos japoneses contém virtualmente
somente eumelanina e que o cabelo ruivo dos irlandeses seja rico em feomelanina.
É mais surpreendente descobrir que o cabelo loiro dos escandinavos é formado por
eumelanina e não feomelanina. Isto está ligado à imensa quantidade de misturas
possíveis destes dois pigmentos. Por isso, a distribuição de melanina, determinada
pela herança genética, oferece uma paleta infinita de cores, do loiro mais claro ao
negro mais escuro.

Canície - Cabelo grisalho

Canície é o nome dado à despigmentação capilar, que surge gradualmente


após a terceira década de vida culminando com a idade avançada, mas que, no
entanto, pode estar presente desde muito cedo. A palavra grisalha de vem de gris,
no francês cinza, nos cabelos corresponde a uma ilusão de ótica com a mescla com
os cabelos normais.
A canície pode ser do tipo racial e hereditária. Na raça branca surge em
torno dos 30 anos quando que na negra em torno dos 40 anos, pois essa sintetiza
maior quantidade de melanócito ao mesmo tempo em que tem maior capacidade de
prolongar a manutenção do mesmo. O fator hereditário que é o mais importante
sofre influência importante de fatores ambientais. Na Síndrome de Werner, também
conhecida como Pangéria, a despigmentação costuma ocorrer antes dos 20 anos e
tem uma progressão rápida.

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A aparência grisalha do cabelo é somente um produto de uma ilusão de
ótica, produzido pela mistura de um cabelo colorido e cabelo branco. O
“embranquecimento” do cabelo pode ser explicado por uma incapacidade de alguns
melanócitos em produzir pigmentos e de outros em transferir o pigmento aos
queratinócitos. No entanto, dado que após receberem a melanina para sua
coloração ocorre morte celular dos queratinócitos, para que o cabelo continue com
sua cor natural é preciso que haja uma constante renovação dos mesmos. Isso é
feito por meio das chamadas células tronco, capazes de se diferenciar em várias
outras, inclusive em melanócitos. Desse modo, cientistas da Universidade de
Harvard e do Hospital Infantil de Boston descobriram recentemente que a perda
gradual dessas células não diferenciadas está, literalmente, na raiz do cabelo
grisalho. Mais especificamente, no folículo capilar, estrutura que “ancora” o cabelo
na pele.
Experimentos em camundongos comprovaram a descoberta de que existe
um gene, o Bcl2, que é fundamental para proteger as células-tronco no momento em
que o folículo capilar está em estado de dormência, sem crescimento de cabelo
(algo que ocorre em cerca de 10% a 15% dos fios em qualquer momento). Portanto,
problemas com esse gene podem estar associados ao caso de pessoas que ficam
com os cabelos brancos prematuramente. Os estudos com camundongos também
revelaram uma relação clara entre a idade do animal, o número de células-tronco e a
quantidade de pelo grisalho.
A tirosinase é uma enzima cobre-dependente e por um excesso deste metal,
por acúmulo no organismo - não por deficiência, que é difícil de ocorrer - o excesso
relaciona-se com sua inativação. Há também o alfa-MSH (hormônio estimulante dos
melanócitos) que pode ser bloqueado sendo o determinante da inativação
melanogênica capilar. O cobre, um metal de transição, sendo o propiciador do
aparecimento dos radicais livres no bubo. A síntese de melanina, que é um varredor
de radicais livres, paralisando, possibilita que os radicais livres ataquem as
estruturas celulares, lesando o material nuclear e liberando fatores citotóxicos. A
geração de outros radicais livres como o superóxido e o peróxido de hidrogênio,
também pode ser desencadeada pela reação de oxidação da DOPA, catalisada pela
própria tirosinase, dando origem a DOPA-quinona. Normalmente, os radicais livres

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formados ou espécies reativas são satisfatoriamente varridos pelos scavengers
usuais bem como pela melanina.
Apesar de a inatividade melanocítica ter sido dada como irreversível, ou seja,
uma vez despigmentado, o cabelo permanecerá assim, evidências recentes, têm
comprovado a repigmentação ao normal. Porém, para que isso ocorra, os
melanócitos devem não ter perdido sua integridade totalmente, quer dizer, devem
estar na fase inicial do embranquecimento.
Doenças infecciosas, metabólicas, como a diabetes e hipertireoidismo,
anemia, desnutrição e o estresse prolongado podem levar a esse estado.
Algumas substâncias têm sido capazes de reativar a melanogênese no bulbo
piloso, repigmentando o fio de cabelo, fazendo voltar à sua cor original. Começando
pelas vitaminas, o ácido fólico, o ácido pantotênico e também a vitamina B12,
administradas em doses ortomoleculares e os antiinflamatórios não hormonais, têm
demonstrado bons resultados. Estudos recentes demonstraram ser a L-glutationa, a
CoQ10, o ácido lipoico, o minoxidil, de grande utilidade como antioxidantes dos
radicais livres formados em nível do bulbo capilar.

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FIGURA 26 - DIFERENTES ESTRUTURAS QUE COMPÕEM UM FIO DE
CABELO

FONTE: Disponível em: < http://www.iq.usp.br/bayardo/bioqbeleza/bioqbeleza.pdf > Acesso


em: 06 Mar. 2012.

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A figura acima mostra as diferentes estruturas que compõem um fio de
cabelo. Na (A) são imagens de microscopia eletrônica de varredura de um fio de
cabelo e na imagem (B) esquema de um fio de cabelo.

 A cutícula: é o envelope externo da fibra do cabelo (FIGURA 26). As


células que a formam se chamam “escamas” e são extremamente pequenas e
incolores. Elas são unidas por um cimento intercelular rico em lipídios, sobrepondo-
se umas às outras como telhas, formando camadas de três a dez células. Como as
extremidades livres das células estão orientadas para a ponta do cabelo, elas
podem exercer seu papel principal que é proteger o córtex. A cutícula é à parte do
cabelo sujeita aos ataques diários e as propriedades cosméticas dos produtos para
cabelo dependem de seu estado.

 O córtex: é o corpo real da fibra (FIGURA 26). Representando 90% de


seu peso total, ele é formado por células preenchidas por queratina e é esta
organização que dá à fibra suas propriedades marcantes. Ao longo da maturação do
cabelo, estas células corticais se tornam alongadas e chegam a atingir cerca de 100
micrômetros. Arranjadas ao longo do cabelo, elas são mantidas por uma substância
intercelular composta por queratina flexível, rica em lipídios. E é também no córtex
que os grãos de melanina que dão cor ao cabelo são encontrados. A sua única
forma de proteção é uma fina camada de sebo e a cutícula.

 A medula: ou canal medular está situada no centro da fibra e sua


presença ao longo do cabelo, geralmente, é descontínua ou até ausente (FIGURA
26). Parece que as células que a compõem rapidamente degeneram, deixando
espaço para bolhas de ar. Em humanos, o seu papel ainda é desconhecido, porém,
em alguns animais, esta estrutura alveolar parece possuir um papel essencial na
termorregulação.

Estrutura microscópica e molecular (FIGURA 27)

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O componente primário da fibra do cabelo é a queratina, uma proteína
mecanicamente dura. Está presente em todos os vertebrados superiores, em unhas,
pelos, chifres e penas. Existem mais de 50 genes para queratina que são expressos
de modo tecido-específico.

FIGURA 27 - ESTRUTURA MICROSCÓPICA E MOLECULAR DO CABELO

FONTE: Disponível em: < http://www.iq.usp.br/bayardo/bioqbeleza/bioqbeleza.pdf > Acesso


em: 06 Mar. 2012.

Na figura acima, é demonstrado a estrutura microscópica e molecular do


cabelo. O (A) representa o cabelo típico que possui ~20 μm de diâmetro e é
constituído de células mortas. Cortando um fio de cabelo, podemos ver a disposição
das longas células corticais (1) envolvidas por uma substância intercelular rica em
lipídios e proteínas (2). Em (B), dentro de cada célula cortical, há uma série de
macrofibrilas (~2000 Å de diâmetro) de queratina (3) dispostas na mesma direção da
célula. Pequenos grânulos de melanina (4) também podem ser visualizados. Em (C)
em aumento maior, podemos ver que cada macrofibrila é composta por inúmeros
elementos menores, as microfibrilas (~80 Å de largura) (5). Em (D) cada microfibrila
aparece como um arranjo de elementos menores denominados protofibrilas (6). Em
(E) aumentando ainda mais, é possível visualizar as quatro cadeias de queratina
formando uma alfa-hélice (7). (F) E, por último, a estrutura molecular de uma das
cadeias de queratina (8).

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Dentro do córtex, a queratina é organizada em protofibrilas e composta por
quatro cadeias polipeptídicas. Esta estrutura é mantida por ligações entre os átomos
das diferentes cadeias. Estas ligações podem ter forças variáveis: fracas como as
pontes de hidrogênio ou fortes como as ligações iônicas ou pontes dissulfeto. Os
lipídios representam 3% da composição do cabelo. Eles são produzidos no bulbo
capilar e formados a partir de esteroides, ácidos graxos e ceramida. Estão presentes
essencialmente no cimento intercelular do córtex e na cutícula e conferem ao cabelo
certa impermeabilidade, garantindo a coesão da fibra capilar. A mistura de lipídios
produzidos pela glândula sebácea forma um filme na superfície da pele e lubrifica o
fio de cabelo, preservando assim sua flexibilidade e brilho. A melanina, pigmento
responsável pela cor natural do cabelo, representa apenas 1% da composição total
do cabelo. A água constitui, em condições normais, 12 a 15% da composição do
cabelo. Alguns dos outros elementos são provenientes do ambiente e estão
presentes em pequenas quantidades. Outros elementos vêm diretamente do
organismo. Como a raiz do cabelo possui uma boa irrigação sanguínea, substâncias
trazidas pelo sangue podem ser incorporadas no cabelo durante sua formação.

Estrutura molecular – o filamento de queratina

A queratina faz parte de um grupo de proteínas de fibras do citoesqueleto de


eucariotos denominado “Intermediate Filament Proteins (IF)”. A principal função
dessas proteínas é estrutural, dando suporte mecânico para a membrana plasmática
quando esta entra em contato com outras células ou com a matriz extracelular.
Dentro deste conjunto de proteínas filamentosas, a queratina corresponde ao tipo I –
queratina ácida – e II – queratina básica. Elas são expressas apenas em células
epiteliais, associando-se numa razão de 1:1, formando heterodímeros. Portanto, não
existe nenhum filamento de queratina formado por homodímeros.
As queratinas compõem a classe de proteínas IF com maior diversidade,
com um grande número de isoformas diferentes. Em tecidos epiteliais “duros”
existem aproximadamente dez tipos de queratinas diferentes (mais especificamente

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unhas, cabelo, lã) e mais 20 tipos denominados citoqueratinas, que são geralmente
encontradas revestindo cavidades internas do corpo.
As proteínas filamentosas não apenas compartilham a característica de
possuir filamentos de 10 nm de diâmetro, mas também possuem um domínio
estrutural em comum: uma estrutura de α-hélice central. Este domínio, que é
conservado em todas as proteínas IF, consiste de quatro longas α-hélices,
separadas por três regiões não helicoidais, que possuem posição altamente
conservada evolutivamente (FIGURA 28). Essa estrutura é flanqueada por domínios
globulares das regiões N- e C- terminais, que variam muito em peso molecular e
sequência entre as diferentes proteínas IF.

FIGURA 28 - NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO E MACROESTRUTURA DAS


PROTEÍNAS IF

FONTE: FONTE: Disponível em: < http://www.iq.usp.br/bayardo/bioqbeleza/bioqbeleza.pdf >


Acesso em: 06 Mar. 2012.

A imagem acima demonstra um esquema sobre os níveis de organização e


macroestrutura das proteínas IF. Elas formam hetero ou homodímeros com um
domínio central de a-hélice altamente conservado flanqueado por estrutura não
helicais, que variam em tamanho e sequência. O domínio central contém quatro

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elementos espaçadores não helicais (“spacers”). A partir daí, há a formação de um
tetrâmero por dímeros idênticos dispostos anti-paralelamente. Estes tetrâmeros
ainda se agregam ponta-a-ponta, formando um protofilamento e pares destes se
associam lateralmente, formando uma protofibrila. A associação lateral de quatro
protofibrilas é que vai formar um filamento cilíndrico de 10 nm de diâmetro.

Proteínas Associadas à Queratina

As proteínas KAPs constituem uma matriz proteica, onde as proteínas IFs se


encontram depositadas. Elas podem ser divididas em três grandes grupos, de
acordo com sua composição proteica: (i) grupo das glicina-tirosina; (ii) grupo
sulfúrico; (iii) grupo ultrahigh sulfúrico. Esses grupos são codificados por sequências
gênicas diferentes.

Diferenças étnicas

Forma do cabelo Independente do fato de ser liso, ondulado, crespo ou


encaracolado, um cabelo é sempre um cabelo. Sua composição básica de queratina
é sempre a mesma.
Por outro lado, a forma do cabelo varia. As diferenças dependem em grande
parte da secção transversal do cabelo e de como ele cresce. Estudos indicam que
estes dois elementos estão intimamente relacionados à forma do folículo piloso e
sua posição no couro cabeludo.
A secção transversal de um cabelo é uma elipse que pode tender mais ou
menos para um círculo (FIGURA 29). Uma analogia com outros materiais mostra
como a secção transversal pode influenciar na aparência do cabelo no espaço: nas
mesmas condições de tamanho, uma faixa fina se enrola muito mais facilmente do
que uma corda cilíndrica. Por isso, os asiáticos possuem cabelo com uma secção
transversal mais grossa e cilíndrica, enquanto que os africanos possuem uma

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secção transversal achatada e fina, formando o cabelo crespo e encaracolado com
anéis de até poucos milímetros de diâmetro. Caucasianos possuem uma secção
transversal muito mais variada, porém sendo mais ou menos elíptica. O cabelo dos
caucasianos vai desde ondulado até bastante cacheado.

FIGURA 29 - ESTRUTURA DO CABELO EM DIFERENTES ETNIAS

FONTE: Disponível em: < http://www.iq.usp.br/bayardo/bioqbeleza/bioqbeleza.pdf > Acesso em: 06


Mar. 2012.

TABELA 3 - DIFERENÇAS DE CABELOS ENTRE RAÇAS

Raça\Cabelo Crescimento Densidade Característica


Asiáticos 1,3 cm / mês + O modo como o folículo
está implantado faz com
que o cabelo cresça
reto, perpendicular ao
couro cabeludo.
Africanos 0,9 cm / mês ++ Como o cabelo cresce
quase paralelo ao couro
cabeludo, ele cresce
enrolado nele mesmo.

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Caucasianos 1,2 cm / mês +++ Cresce num ângulo
oblíquo ao couro
cabeludo e é levemente
curvado.

Ciclos do cabelo

Possuímos em torno de 120.000 folículos capilares determinados


geneticamente. A implantação do cabelo na derme se dá por invaginação da
epiderme, constituindo o folículo capilar, tendo uma dilatação terminal, o bulbo
capilar, contendo no centro a papila dérmica, recobrindo a papila, estão às células
que formam a raiz do cabelo. O crescimento do cabelo é feito pela proliferação
basal, ou seja, existe aposição de queratina (uma escleroproteína) na base do fio e
consequente extrusão deste para fora do folículo. Então, a parte externa do fio, que
apresenta um crescimento aparente, não se modifica em toda a sua extensão.
São três as fases de crescimento do cabelo (FIGURA 30):
- Anagênese: que dura aproximadamente de dois a cinco anos e cresce 0,4
mm por dia;
- Catagênese: também chamada de fase de repouso, que dura poucas
semanas, quando então, se dá a sua separação da papila e tem inicio a terceira
fase.
- Telogênese: a fase de repouso total. Dura cerca de 3 meses. Ao final da
fase telógena, os fios caem. Mas antes disso ocorrer, um novo fio de cabelo na fase
anágena usualmente começa a crescer.

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FIGURA 30 - CICLO DO CABELO

FONTE: Arquivo pessoal do autor.

7 ABSORÇÃO CUTÂNEA E PROBLEMAS DA PELE

7.1 PERMEABILIDADE CUTÂNEA

É a capacidade que a pele tem de deixar passar, seletivamente, certas


substâncias em função de sua natureza química ou de determinados fatores.
Sabe-se que a epiderme é praticamente impermeável a todas as
substâncias não gasosas. É esta uma característica de sua função protetora. Se não
fosse assim seria possível provocar fenômenos de sensibilização pela aplicação de
algumas ou seria fácil à penetração de microorganismos por meio dessa barreira
que é a pele.

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7.2 PERMEABILIDADE CUTÂNEA EM FUNÇÃO DA NATUREZA QUÍMICA DAS
SUBSTÂNCIAS

A pele é:

 Permeável, de modo geral, aos gases verdadeiros e a substâncias


voláteis. O mecanismo pelo qual a pele permite esse fenômeno é o da difusão e
segue pelas leis da física.

 Relativamente permeável a determinadas substâncias lipossolúveis


como hormônios esteroides, vitamina D e provavelmente a vitamina A. Também
derivados fenólicos são absorvidos em graus variados.

 Praticamente impermeável a eletrólitos, proteínas e carboidratos. A


penetração de sais é desprezível, a menos que sejam ionizados. No caso de
proteínas e carboidratos a penetração se deve ao tamanho de suas moléculas e a
pouca lipossolubilidade. Porém sua pouca solubilidade pode ser contornada se o
peso molecular (PM) for reduzido por meio de reações de hidrólise e subsequente
ionização.

A pele apresenta barreiras que impedem ou dificultam a penetração das


substâncias externas. Na sua constituição existem:

 O manto hidrolipídico, constituído pela emulsão epicutânea rica em


sebo cutâneo;

 A epiderme pelos queratinócitos e os cimentos intracelulares, que


completam a barreira lipídica;

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 Uma camada hidrofílica, permeável à água e na qual poderão difundir as
substâncias hidrofílicas (derme e hipoderme);

 Órgãos anexos: os folículos pilosos, as glândulas sebáceas e as glândulas


sudoríparas.

7.3 FATORES QUE AFETAM A PENETRAÇÃO DE PELE

Biológicos/ Fisiológicos

 Espessura de epiderme – na pele hiperqueratósica, por exemplo, a


permeabilidade é dificultada.

 Idade – devido ao espessamento da capa córnea e a falta de hidratação, em


indivíduos idosos a penetração de ativos é mais difícil.

 Fluxo sanguíneo – quando hiperêmica, a pele se torna mais permeável. Por


exemplo, a massagem, além de certos ativos, pode estimular a absorção da
pele pela ativação da circulação.

 Hidratação – quanto mais hidratada a pele, melhor é a permeabilidade.

 Região da pele – mucosas e regiões com grande número de orifícios


pilossebáceos ou muito vascularizadas são mais permeáveis.

 Capacidade de associação a outras substâncias da pele.

 pH da pele – o pH normal é aproximadamente 5,0, portanto ácido. A


alcalinidade aumenta a permeabilidade.

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66
O estado de hidratação da camada córnea é um fator muito importante na
penetração percutânea. Com efeito, a hidratação da camada aumenta, grandemente
a sua permeabilidade.
A hidratação pode ser aumentada, como já foi comentado, impedindo a
perspiração insensível e a evaporação do suor. Para o efeito, poderão ser utilizados
os produtos oclusivos.
Também a hidratação da pele, por vapor de água, tem efeito importante na
absorção dos produtos colocados sobre a epiderme.
O desengorduramento superficial da pele, por solventes orgânicos (álcool),
ou tensoativos (sabão-detergente), pode melhorar a absorção percutânea, pois retira
barreira lipídica natural.

Físicos/ químicos

Melhoram a penetração cutânea:


 Peso molecular baixo;

 Emulsões O/A;

 Estado de ionização do produto a ser aplicado (princípio da


ionoforese);

 Concentração do ativo;

 pH alcalino;

 Temperatura elevada;

 Clima quente e úmido.

A iontoforese é uma técnica que permite aumentar a penetração percutânea


de substâncias ionizáveis. Consiste na passagem percutânea de corrente elétrica

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contínua, de fraca intensidade, entre um eletrodo colocado em contato com a região
a tratar e outro na região oposta. Esse método é muito eficaz e foi demonstrado,
cientificamente, que a capacidade de passagem poderia ser aumentada por dez
vezes.

Princípio Ativo

 O coeficiente de partição, óleo em água: se o princípio ativo apresentar


solubilidade em óleos e, simultaneamente, relativa hidrossolubilidade, terá
possibilidade acrescida de ser absorvido. É o caso de alguns estrógenos e
dos inseticidas organofosforados;

 O estado de ionização do princípio ativo depende do pH do meio. A variação


de duas unidades de pH pode multiplicar por dez a absorção instantânea de
um princípio específico;

 O estado de dissolução do princípio ativo no seu veículo;

 A concentração do princípio específico no excipiente.

Fatores Dependentes do Veículo

 O pH do veículo (ionização do princípio específico);

 Poder solubilizante do veículo em relação ao princípio específico;

 Viscosidade;

 Poder lipossolvente, que está relacionado ao fator de desengorduramento da


epiderme;

 Emulsões do tipo O/A (oferecem fator superior de penetração).

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7.4 VIAS DE PENETRAÇÃO

Três vias principais são possíveis (FIGURA 31):

 Via transepidérmica: esta via de penetração é muito lenta, mas atendendo à


superfície, tem uma importância considerável;

 Via transfolicular ou transanexial: a passagem se dá pelos apêndices


epidérmicos Às glândulas sudoríparas, parecem ter um papel mínimo na
penetração percutânea. Os aparelhos pilo-sebáceos (folículos pilosos e
glândulas sebáceas) são considerados como as zonas de maior facilidade de
penetração, pois a camada epidérmica fica mais fina constituída, às vezes,
por uma simples camada de células vivas. Se o princípio específico for
emulsionável, ele poderá ser transportado para regiões, em que a absorção
será virtualmente mais intensa.

 Via intracelular: por esta via a passagem ocorre pelos espaços entre as
células, em comparação com a via transepidérmica é mais rápida, porém é
mais lenta em comparação com a via transfolicular.

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FIGURA 30 - ABSORÇÃO VIA TRANSEPIDÉRMICA E VIA INTRACELULAR

FONTE: Disponível em: < http://erikalizfarma.files.wordpress.com/2011/02/aula-3-e-4-


absorc3a7c3a3o-cutc3a2nea-e-problemas-da-pele.pdf> Acesso em: 06 Mar. 2012.

7.5 PROBLEMAS DE PELE

A pele é o maior órgão do corpo humano e também o afetado pelo maior


número de doenças, cerca de 400. Algumas doenças da pele, unhas e cabelos:

 Acne (cravos e espinhas)  Balanite xerótica obliterante


 Acne rosácea  Bromidrose (cecê, chulé)
 Acne solar  Brotoeja
 Alopécia androgênica (calvície,  Carcinoma basocelular
queda de cabelos)  Carcinoma espinocelular
 Alopécia areata (pelada)  Ceratoacantoma
 Angiodermite pigmentar  Ceratose actínica ou solar
 Angiomas  Ceratose folicular ou pilar

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 Ceratose seborreica  Granuloma anular
 Cisto dermoide
 Granuloma piogênico (carne
 Cisto mixoide esponjosa)
 Cisto pilonidal
 Hanseníase (lepra)
 Cistos (cisto sebáceo)
 Hemangiomas
 Cloasma gravídico (manchas de
 Herpes
gravidez)
 Herpes genital
 Condiloma acuminado (crista de
 Herpes zoster (cobreiro)
galo, verrugas genitais)
 Hidradenite ou hidrosadenite
 Craurose vulvar
 Hiperidrose (excesso de suor)
 Dermatite atópica ou eczema
 Ictiose vulgar
atópico
 Impetigo
 Dermatite de contato
 Intertrigo (frieira)
 Dermatite seborreica (caspa,
 Larva migrans (bicho
seborreia)
geográfico)
 Dermatose papulosa nigra
 Leucodermia gutata (sarda
 Disidrose
branca)
 Doença de Mucha-Habermann
 Lipoma
 Eczema de contato
 Líquen escleroatrófico
 Eczema de estase
 Líquen plano
 Eczema numular
 Lupus eritematoso
 Eflúvio telógeno (queda de
 Lupus pérnio (sarcoidose)
cabelos)
 Mancha vinho do porto
 Erisipela
 Melanoma maligno
 Escabiose (sarna)
 Melanose solar (mancha senil)
 Esclerodermia
 Melasma (manchas na face)
 Estrias
 Micose da virilha
 Fitofotomelanose (manchas de
 Micose das unhas
limão)
 Micoses superficiais da pele
 Fogo selvagem
(impingem, pé de atleta, etc.)
 Foliculite
 Miíase furunculoide (berne)
 Furúnculo e furunculose
 Miliária (brotoeja)

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71
 Milium  Pitiríase versicolor (micose de
 Molusco contagioso praia, pano branco)
 Nevo Azul  Psoríase
 Nevo de Ito  Queloide
 Nevo de Ota  Rosácea
 Nevo displásico  Sarcoidose
 Nevo halo  Sardas
 Nevo melanocítico ou nevo  Sarna
pigmentado  Siringoma
 Nevo spilus  Tungíase ("bicho de pé")
 Parapsoríase em placas  Úlcera venosa ou úlcera de
 Pelo encravado estase (úlcera de perna)
 Pênfigos  Unha encravada
 Piolhos  Urticária
 Pitiríase alba  Verrugas virais
 Pitiríase liquenoide  Vitiligo
 Pitiríase rósea  Xantelasma
 Pitiríase rubra pilar  Xeroderma pigmentoso

ACNE

Akhne - Palavra de origem grega - eflorescência (erupção da pele) na


superfície do corpo. Denominação genérica de várias doenças da pele, provenientes
de inflamação das glândulas sebáceas. Doença da pele caracterizada por espinha
comprometendo a face, as regiões anteriores e posteriores do tórax.
Áreas anatômicas ricas em glândulas sebáceas, originando-se por uma
alteração no processo de queratinização da epiderme, com a deposição de lâminas
e fragmentos de queratina dentro do infundíbulo folicular (que é a região mais
superficial do folículo), dificultando a drenagem da secreção produzida pela glândula
sebácea, que vai se acumulando no folículo, constituindo o comedão.

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O sebo é extremamente ácido, o que ajuda a corroer o tecido, forma uma
espécie de rolha, que causa o processo inflamatório.

Características:
 Patologia dermatológica benigna;
 Acomete folículos pilossebáceos;
 Resulta bloqueio de secreção;
 Pode ser com ou sem inflamação.

Tipos:

 Acne juvenil ou vulgar: dermatose banal que começa por volta da


puberdade e evolui por surtos, entre 12 e os 25 anos, desenvolvendo-se à custa do
folículo pilosebáceo. Aparece principalmente nas peles seborreicas. Caracteriza-se
pela presença de comedões (cravos), pápulas eritematosas, pústulas e nas formas
mais graves, por cistos, abscessos e cicatrizes em graus variáveis;

 Acne Rosácea: dermatose observada principalmente nas mulheres,


entre 40 e 50 anos de idade, caracterizada pelo aparecimento de papulopústulas
sobre um fundo rosa difuso (eritrose) e acompanhada de teleangectasias. Costuma
ocorrer em peles com característica seca.

 Comedão: filamento seborreico do canal folicular, contaminado por


germes e fungos. Produto da queratinização anormal que, associada ao sebo, forma
uma massa no interior do canal pilossebáceo que acompanha o seu formato.
Podemos chamar também, acne comedoniana ou de 1° grau.

As lesões da acne são decorrentes da obstrução com ou sem inflamação


dos folículos pilossebáceos, envolvendo os seguintes fatores. Origem da patologia:

 Aumento da secreção sebácea;


 Hiperqueratinização com obstrução do folículo pilossebáceo - ceratose
do folículo;

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 Retenção sebácea;
 Alteração da flora bacteriana da pele - proliferação bacteriana, uma vez
que a bactéria se alimenta do sebo;
 Reação inflamatória local;
 Fatores individuais.

Aumento da secreção sebácea. A composição química do sebo é constituída


basicamente de uma mistura dos seguintes elementos: triglicérides, ácidos graxos e
colesterol com seus ésteres e o esqualeno, cuja proporção varia de uma pessoa
para outra.
A secreção sebácea depende da ação dos hormônios androgênicos
(testosterona - DHT) de origem gonadal e/ou, é por isso que na puberdade - período
em que ocorre aumento repentino das gonadotrofinas da hipófise anterior e
consequentemente elevação dos níveis de andrógenos circulantes e tissulares -
observa-se à hipertrofia da glândula sebácea e o aumento de sua secreção.
Hiperqueratinização com obstrução dos condutos pilossebáceos. Nisto reside
o mecanismo principal de formação dos comedões que podem ser abertos (cravos
pretos) ou fechados (cravos brancos). Este distúrbio, que parece obedecer a uma
influência genética ou a um defeito congênito, induz a uma hiperqueratinização na
porção infrainfundibular do folículo pilossebáceo, cujo acúmulo de escamas
aderentes obstrui a drenagem normal, preparando a formação do comedão. A
influência genética explicaria o caráter familiar observado com frequência na acne
vulgar.
Alteração e participação da flora bacteriana da pele. Os principais
microrganismos isolados da superfície cutânea e dos ductos pilossebáceos nos
pacientes com acne são: os propionibacterium acnes, propionibacterium granulosun
e propionibacterium avidum (difteroides anaeróbios), o sthaphylococcus epidermides
(coagulase negativo) e o pityrosporum ovale (levedura). Desses, o primeiro é o mais
importante na patogenia da acne, por possuir esterases com capacidade de
hidrolisar os triglicérides das glândulas sebáceas, promovendo a liberação de ácidos
graxos livres, cuja difusão pelos folículos pilossebáceos provoca irritação e
inflamação. Os demais microrganismos apresentam também atividade lipolítica,
porém em menor escala.

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Classificação universal da acne:

 Grau I: predominância de comedões sem reações inflamatórias.


 Grau II: predominam lesões papulopustulosas com reações inflamatórias.
 Grau III: presença maior de nódulos, cistos, abscessos e intensa inflamação.
 Grau IV: presença de cicatrizes profundas; severa reação inflamatória e todas
as lesões anteriormente citadas. Em alguns casos coexistem lesões
queloidianas inestéticas e permanentes.

Essa classificação é de grande importância para a conduta terapêutica,


variável conforme o grau de comprometimento.
Embora na acne vulgar a idade de comprometimento seja o período da
adolescência, não é raro estender-se até os 30 anos ou mais, principalmente em
mulheres.

Fatores que podem piorar a acne:

 O uso sistêmico de determinadas drogas, como a cianocobalamina, ácido


paraminossalicílico, hidantoína, derivados halogenados (iodo, bromo, cloro),
hormônios tireoidianos, hormônios com ação androgênica e altas doses de
corticosteroides por tempo prolongado.

 O uso tópico de cosméticos pastosos, corticosteroides fluorados e sabonetes


em excesso, manipulação indiscriminada da pele, como espremer as lesões.

 Período pré-menstrual e/ou menstrual, havendo cólicas e irregularidade do


ciclo.

 Alimentos tipo chocolate, gordura e carboidratos, produtos do mar,


refrigerantes tipo "cola" e bebidas alcoólica podem agravar um quadro já
existente.

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 Tensão emocional: dados de observação revelam que estados de tensão
emocional podem agravar o quadro clínico.

Fatores que podem melhorar a acne:

 Exposição aos raios solares ou aos raios ultravioleta: atua favoravelmente,


quando moderada e gradativa, sobretudo para pessoas de pele clara. Explicar
que a exposição excessiva e indiscriminada pode levar ao agravamento das
lesões (por um aumento da corneificação e da formação sebácea de
comedões; é a acne estival). Devemos lembrar que o uso de protetor solar e
indispensável.

 Limpeza de pele: pelo uso tópico de base ativa ou pela extração manual de
comedões, seguida por orientação da profissional esteticista.

Cuidados Básicos

 Não cutucar, manipular a pele, pois o resultado será uma ruptura do saco
folicular que contém a secreção sebácea em excesso, proveniente da
glândula sebácea patológica e acneica. Em seguida, o sebo vai se espalhar
pela derme subjacente, onde se comportará como corpo estranho,
provocando uma reação inflamatória. Vale a pena ressaltar, que a acne não é
contagiosa.

 Evitar cabelos sobre a face, pois além de evitar uma respiração da pele,
contém bactérias que podem contribuir no processo inflamatório.

 Procurar fazer a higienização da pele diariamente e utilizar os produtos


adequados a seu tipo de pele de acordo com a recomendação do
especialista.

 Cuidado com exposição excessiva ao sol.

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 Procure manter uma boa alimentação e ingerir muita água.

CALVÍCIE

A maioria dos homens e mulheres tem queda de cabelos ao envelhecer,


sendo que, aos 60 anos, a maioria dos homens já tem algum grau de calvície. É um
fato normal, afetando algumas pessoas mais do que outras, principalmente se há
história familiar de calvície. Entretanto, pode ocorrer perda repentina ou anormal dos
cabelos por:

 Utilização de determinados medicamentos (como alguns usados no


tratamento de câncer, doenças circulatórias, úlceras e artrite);

 Dieta alimentar muito rigorosa;

 Alterações hormonais (como na menopausa e no pós-parto);

 Doença crônica ou grave;

 Estresse

A perda de até 100 fios de cabelo por dia é considerada normal. Existe um
fator hormonal que está ligado à hereditariedade. A calvície masculina é responsável
por cerca de 90-95% de todos os casos de queda de cabelos. Pode afetar homens
ou mulheres, sendo nos homens o acometimento mais severo. O hormônio
masculino testosterona é convertido para outra forma que é a di-hidrotestosterona,
pela ação da enzima 5-alfa-redutase e sabemos que esse hormônio (DHT) é
responsável pelo processo de atrofia que ocorre no folículo piloso.

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Alguns problemas de saúde provocam queda dos cabelos e precisam de
tratamento:

 Hipotiroidismo;
 Micose (infecção por fungo que ataca o couro cabeludo e/ou os
próprios fios de cabelo);
 Areata, que provoca queda de tufos de cabelo em algumas áreas, sem
afetar o couro cabeludo.

Dicas de autocuidado:

Para evitar cabelos danificados e sua queda:

 Evite manipular seus cabelos com técnicas como permanente, tranças,


tinturas, alisamento, reflexo, descolorimento, uso de rolos de cabelo ou de secador.

 Use xampu neutro e condicionador suave.

 Seque os cabelos com a toalha ou ao ar livre.

 Se o cabelo estiver danificado, corte-o curto ou mude para um tipo de


corte que exija menos manipulação do cabelo (escova, etc.)

 Adote medidas para reduzir a ansiedade (por exemplo: ioga, técnicas


de relaxamento) se ela estiver provocando a queda de cabelos.

 Não acredite em tratamentos milagrosos, que prometem acabar com a


queda de cabelos com fórmulas vitamínicas, massagens com óleos, loções ou
pomadas.

 Se a queda de cabelo estiver relacionada ao uso de um determinado


medicamento, pergunte ao seu médico se é possível substituí-lo.

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Tipos de calvície:

 Calvície - Alopécia Androgenética: é a diminuição progressiva dos


cabelos levando a calvície que ocorre frequentemente nos homens e nas mulheres
com distúrbios hormonais ou após a menopausa. É uma doença hereditária cuja
herança se manifesta com intensidade variada. É causada pela ação destrutiva do
hormônio masculino sobre o folículo piloso das áreas geneticamente predispostas.

 A Alopecia Areata, também chamada de "pelada": é uma doença


relativamente frequente que se caracteriza pela perda rápida e completa de cabelos
ou pelos em áreas redondas ou ovais, geralmente no couro cabeludo, na área da
barba, sobrancelhas, cílios e mais raramente em outras áreas pilosas. Apresenta
distribuição universal, afetam ambos os sexos e ocorre principalmente entre os 20 e
50 anos. Sua causa ainda é desconhecida, mas consideram-se importantes os
fatores genéticos, imunológicos e o estresse emocional. A associação com focos
infecciosos dentários ou sinusais também deve ser considerada. O quadro
apresenta início brusco. As placas são redondas ou ovais, únicas ou múltiplas, de
tamanhos variados, lisas e brilhantes. Na sua periferia os pelos são retirados com
facilidade. Alterações nas unhas podem estar presentes especialmente nos casos
mais graves. Em relação à evolução, na maioria dos casos há repilação (volta dos
cabelos) espontânea em alguns meses. Outras vezes o processo evolui podendo
atingir todo couro cabeludo (alopécia total) ou todo corpo (alopécia universal). O
prognóstico é menos favorável quando há ocorrências repetidas, comprometimento
de outras áreas fora do couro cabeludo e quando surge antes da puberdade.

 Queda de cabelos - Eflúvio Telógeno: o cabelo normal apresenta três


fases no seu desenvolvimento: (1) fase anágena, (2) fase catágena e (3) fase
telógena. O Eflúvio Telógeno é a perda precoce e excessiva de cabelos a partir de
folículos normais do couro cabeludo, desencadeada por algum estímulo. Essa queda
decorre da aceleração da fase anágena em direção a telógena e dura cerca de dois
a quatro meses. É uma perda difusa de mais de 120 fios por dia (em média)
acompanhada do aparecimento de vários fios novos. Raramente o couro cabeludo
apresenta alguma alteração. As causas mais comuns incluem febre alta de qualquer

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origem, pós-parto, medicamentos, dietas alimentares drásticas, hipo e
hipertireoidismo, cirurgias, anemia, estresse psicológico, doenças crônicas e
infecções. Dependendo da história e do quadro clínico de cada paciente podem ser
necessários exames complementares.

MICOSE

Micose é o nome dado a doenças causadas por fungos. Existem mais de 230
mil tipos de fungos, mais apenas 100 causam micose. Como eles estão em toda
parte, praticamente todas as pessoas ficam expostas a eles. Quando encontram
condições favoráveis, como umidade e calor excessivos, os fungos se reproduzem e
podem desencadear a infecção.
Nas micoses superficiais, os fungos ficam na camada externa da pele, ao
redor de pelos ou nas unhas, alimentando-se de uma proteína chamada queratina.
Cerca de 30% da população mundial tem problemas causados por micoses
superficiais.
Nas micoses profundas, os fungos disseminam-se por meio da circulação
sanguínea e linfática. Podem infectar a pele e órgãos internos, como pulmões,
intestinos, ossos ou sistema nervoso.

Tipos de micose:

 Micose dos pés: pode ser interdigital, escamosa, vesícula e placa margarida.
Interdigital pé-de-atleta ou frieira: atinge a pele entre os dedos, provocando
coceira, descamação, fissuras e placas esbranquiçadas e pode vir
acompanhada por uma infecção bacteriana. Escamosa: atinge a região da
planta e da lateral do pé e causa descamação, coceira e mau cheiro.
Vesícula: começa com bolhas que provocam coceira e vermelhidão,
resultando em ressecamento e descamação da pele. Placa margarida: tipo

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mais raro de micose provoca lesões avermelhadas e elevadas com bordas
acentuadas.

 Micose do corpo: atinge o tronco e os membros. As lesões são avermelhadas


e arredondadas, coçam e podem descamar. A cura se inicia pelo centro da
lesão, formando um anel.

 Micose crural: manifesta-se na virilha, ao redor dos órgãos genitais e do ânus,


com lesões escamosas, bordas acentuadas e coceira. É mais comum nos
homens e em clima quente.

 Micose das mãos: as palmas das mãos descamam e ficam grossas. Atingem
com mais frequência pessoas que lidam muito com água.

 Micose do couro cabeludo: é mais comum em crianças. Atinge basicamente o


couro cabeludo, mas pode se alastrar para as sobrancelhas, cílios e
pálpebras.

 Micose de unha ou onicomicose: os sintomas são a deformação e o


esfarelamento da unha, que se descola do dedo. Atinge a unha de três
maneiras: sob a borda, que fica espessa e partida; na base, iniciando-se na
cutícula e deteriorando a sua superfície, forma placas brancas sobre a unha,
atingindo toda a área.

 Pitiríase versicolor: provoca manchas esbranquiçadas, especialmente nas


costas do peito, e pode se alastrar para os membros.

Como se pega

Os fungos podem ser encontrados no chão, em animais e no próprio homem.


O contato com os fungos é inevitável e a transmissão se dá de várias formas.

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CELULITE

A celulite recebe vários nomes científicos como: lipodistrofia ginoide,


lipodistrofia edemato, fibroesclerótica, lipoesclerose ou paniculopati. lipodistrofia,
significa gordura com crescimento anormal; ginoide é referência ao sexo feminino;
paniculopatia é doença do tecido gorduroso embaixo da pele; edemato
fibroesclerótica significa inchaço, retração e endurecimento e aparece no tecido
conjuntivo dérmico normalmente após a puberdade.
O tecido gorduroso fica embaixo da epiderme e sobre os músculos. A
reserva de gordura do organismo se dá quando se come demasiadamente e
erroneamente, fazendo com que as células aumentem seu tamanho e quantidade.
Como reação de defesa própria, o organismo procura guardar o alimento
dentro do corpo, pois caso falte comida, a pessoa que tem este acúmulo, suportará
por mais tempo sem alimento.
Como sabemos, a composição da epiderme, derme e hipoderme são
bastante complexas, uma vez que observamos a presença em sua estrutura de
elementos como: células, fibras, substância fundamental, vasos sanguíneos e
linfáticos e nervos.
O acúmulo de gordura está presente na região da hipoderme, que é um
tecido especial com funções de sintetizar, renovar, estocar e distribuir substâncias e
nutrientes dependendo das estruturas ou órgãos em que este tecido se coloca.
Envolvendo ou sustentando estruturas ou participando do metabolismo orgânico, o
tecido adiposo pode sofrer alterações devido à instalação da celulite.
No processo de aumento de volume gorduroso, ocorrem alterações da
microcirculação, assim como uma modificação da rede fibrosa (espessamento de
fibras e polimerização molecular), aparecendo à chamada celulite (FIGURA 32).
Podemos citar entre os principais sinais de celulite a presença de irregularidades na
região acometida em que se observa à dilatação dos folículos pilossebáceos
caracterizando o aspecto "casca de laranja".

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FIGURA 32 - CAMADAS DA PELE

FONTE: Arquivo pessoal do autor

A parte amarelada da figura acima representa o tecido adiposo.

Etiologia

 Fatores genéticos: de caráter familiar (ex.: gêmeos idênticos


apresentam a mesma estrutura genética, portanto têm as mesmas tendências);

 Fatores emocionais: há química de armazenamento lipídico devido à


liberação de tensão;

 Não balanceamento energético – a taxa de lipose baixa (lipose =


enzima que age na gordura) – triglicérides (inatividade física ou superalimentação na
infância);

 Fatores metabólicos (hipertensão arterial, hipotireoidismo, maior


armazenamento adiposo);

 Hábitos (dieta, vestuário, posição preferencial).

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Onde se localiza a celulite

A celulite é uma alteração do tecido gorduroso mais comum nas mulheres e


atinge tanto as mulheres magras quanto obesas.
Ela pode se localizar em várias regiões do corpo (FIGURA 33), porém com
uma predileção pela região glútea, região lateral (ou externa) da coxa, a face interna
e posterior da coxa, o abdômen, parte posterior lateral dos braços e a face interna
dos joelhos.

FIGURA 33 - LOCAIS DE PREVALÊNCIA DA CELULITE

FONTE: Disponível em: < http://www.unirio.br/ccbs/revista/cadbra2001/clinica%20medica.htm >


Acesso em: 06 Marc. 2012.

São considerados quatro estágios de evolução da celulite.

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 1º Estágio: acontece um aumento de volume das células do tecido
gorduroso na região acometida, ocasionado por acúmulo de gordura dentro da
célula. Há uma hipertrofia da camada de tecido adiposo, sendo característico de
uma predisposição ao problema. A pele nas coxas e glúteos é lisa, tanto na posição
deitada como na posição em pé.

 2º Estágio: começam a surgir alterações antiestéticas, principalmente


em mulheres magras. Ocorre uma distermia zonal, uma hipotermia. Uma discreta
parestesia, como um formigamento. O aumento do volume das células provoca
alteração circulatória por provocar a compressão das microveias e vasos linfáticos.
O sangue e a linfa (líquido aquoso que banha as células) ficam represados. Ocorre
então um maior "inchaço" das células gordurosas e detritos tóxicos, que deveriam
ser eliminados, começam a ficar acumulados. Na pele já é possível se observar
irregularidades à palpação e ainda não existe dor.

 3º Estágio: este estágio pode estar presente tanto em mulheres magras


quanto obesas, uma desordenação do tecido e aparecimento dos nódulos. Vemos a
pele lisa somente na posição de descanso, mas mostra ondulação na posição em
pé. Há uma alteração do relevo, lesão de fibras conjuntivas, pele frequentemente
com hipotonia, sensibilidade aumentada. Começa a existir uma fibrose, que é o
endurecimento do tecido de sustentação (onde estão as fibras) e a circulação fica
ainda mais comprometida. Podem aparecer as teleangectasias. A pele tem o
aspecto parecido com "casca de laranja". Ocorre a sensação de peso e cansaço nas
pernas.

 4º Estágio: há hipotonia cutânea, a palpação é dolorosa e a dor é


espontânea. O inchaço desordenado das células gordurosas é acentuado, o tecido
de sustentação se torna mais endurecido (fibroesclerose) e a circulação de retorno
está muito comprometida. Nesse estágio, a celulite é dura e a pele fica "lustrosa",
cheia de depressões, bem visível em qualquer posição. As pernas ficam pesadas,
inchadas, doloridas e a sensação de cansaço está frequentemente presente, mesmo
sem esforço.

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ESTRIAS

Defeito de pele, que tem a aparência de tiras ou linhas, associado ao seu


rápido esticamento, certas doenças ou outras condições. Denominações
alternativas: estria atrófica, marca de esticamento, striae distensae.
Considerações: estrias são cicatrizes internas na pele, consequência da
ruptura da derme. São fibras elásticas na camada profunda da pele onde estão os
fibroblastos; célula que produz fibras elásticas e colágenas. Na epiderme, hipertrofia
de todas as camadas, com hiperceratose, hipergranulose, hiperacantose. A causa
não é conhecida. Várias hipóteses para explicar sua origem não foram confirmadas.
É afecção benigna, porém rebelde ao tratamento. As estrias podem aparecer
quando houver esticamento da pele. Elas estão normalmente associadas ao
aumento abdominal na gravidez. Podem ser encontradas em crianças que tenham
se tornado rapidamente obesas. Também podem ocorrer durante a puberdade
precoce, em meninos e meninas.
As estrias são mais comumente localizadas nos seios, quadris, coxas,
bumbum, abdômen e cintura. Estrias atróficas caracterizam-se por serem lesões
atróficas lineares paralelas, em geral obedecendo às linhas de clinagem da pele.
Elas surgem numa tonalidade semelhante ao vermelho e na região, a pele é fina e
brilhante, tornando-se esbranquiçadas, algumas vezes com até 30 cm de
comprimento, com aspecto de cicatriz. As estrias podem ser mais suaves e ter
apenas uma textura um pouco diferente da pele normal.
Podem ocorrer também, na gravidez. Em muitos casos, parece haver
comprometimento hormonal, má formação do colágeno, ou de medicamentos ou
produtos que interfiram na formação do colágeno, na síndrome de Cushing, é
caracterizado pelo aumento de glicocorticoides. O uso prolongado de corticoides em
dosagem de 20 a 25 mg equivalentes a prednisona por dia pode produzir numerosas
alterações da pele.

Causas comuns
 Gravidez

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 Puberdade
 Obesidade
 Síndrome de Cushing
 Síndrome iatogênica de Cushing
 Uso tópico excessivo de corticoides
 Síndrome de Prader-Willi
 Síndrome de Laurence-Moon-Biedel
 Síndrome de Ehlers-Danlos

Observação

Pode haver outras causas para estria. Esta lista não é completa, e as causas
não estão apresentadas em ordem de probabilidade. As causas desse sintoma
podem incluir doenças e medicamentos considerados improváveis. Além disso, as
causas podem variar conforme a idade e sexo da pessoa afetada, bem como as
características específicas dos sintomas, tais como a localização, grau de evolução,
fatores agravantes, fatores atenuantes e queixas do paciente, que possam estar
relacionadas aos sintomas. Opte pela análise de sintomas, para explorar as causas
possíveis para as estrias, que ocorrem isoladamente ou combinadas com outros
problemas.

DERMATITE SEBORREICA

A dermatite seborreica é uma doença inflamatória comum, crônica,


recorrente e não contagiosa. Atinge as áreas da pele com maior número de
glândulas sebáceas e às vezes áreas de dobras. Acomete mais os homens, têm
predisposição familiar e apresenta formas características nas diferentes fases da
vida.
Sua causa não está bem estabelecida, mas sabe-se que há um distúrbio na
secreção de sebo. Alguns autores relacionam a doença com o fungo pityrosporum
ovale. Entre os fatores que agravam ou desencadeiam a dermatite seborreica estão:

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stress, tensão emocional, diabetes, obesidade, alcoolismo, algumas medicações,
calor, umidade, uso de água quente e roupas que retenham sebo e calor (lã, flanela,
seda e tecidos sintéticos). Nenhum alimento está comprovadamente relacionado à
doença, mas a ingesta excessiva de açúcares e alimentos condimentados pode
agravar as lesões.
As lesões iniciam-se avermelhadas e descamativas, com escamas oleosas,
formando placas de aspecto e intensidade variáveis. O quadro pode passar por
períodos de remissão e exacerbação, raramente generalizando-se por toda a pele.
Pode acometer o couro cabeludo e a orla ao redor deste, a zona T da face (testa,
sobrancelhas e entre estas, cílios, laterais do nariz e queixo), região da barba,
orelhas e atrás destas, região média do tórax, entre as mamas e abaixo destas, nas
costas entre as escápulas, nas axilas, ao redor do umbigo, na virilha e no sulco entre
as nádegas.

FIM DO MÓDULO II

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