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REFORÇO ESTRUTURAL: COMPARATIVO ENTRE TÉCNICAS DE

REFORÇO CONVENCIONAL E REFORÇO COM PILAR-PAREDE

André Aimberê Moraes e Silva1; Francisco Gaiz Pelegrino1; Tiago Souza Lima1;
Rodrigo Antonio Toffoli2

RESUMO

Neste trabalho foram estudados os deslocamentos horizontais excessivos causados


por efeitos adicionais atuando numa estrutura localizada na região da grande Vitória,
sujeita a instabilidade global e a efeitos de 2ª ordem. O objetivo foi demonstrar a
eficiência técnica do reforço com pilares-parede de concreto comparado a métodos
convencionais de reforço aplicados a grandes edifícios (residenciais ou comerciais)
já em uso. Através dos programas Revit® BIM, Autodesk Robot Structural Analysis
PRO 2019 e Ftool, foi criado um modelo computacional para simular os
deslocamentos em função de variações das seções transversais de vigas e pilares.
Observou-se que a redução dos deslocamentos ficou abaixo do limite estabelecido
em 4 casos. Ficou demonstrada a eficiência do reforço com pilares parede favorecer
a arquitetura e as áreas das unidades, com baixo consumo de concreto.

Palavras-chave: Reforço estrutural, Estabilidade global, Deslocamentos laterais.

1 INTRODUÇÃO

A necessidade de atender às condições de uso e funcionamento de uma edificação,


contemplando os requisitos ambientais e as exigências de manutenção definidas em
projeto ou em normas específicas, para garantir o desempenho do imóvel durante
sua vida útil determinada no projeto e assente nos normativos vigentes, compele o
engenheiro a verificar parâmetros de estabilidade global e efeitos adicionais que
tendem a reduzir a estabilidade global e aumentar os deslocamentos horizontais,
(PEREIRA, OLIVEIRA e DAVI, 2015).

Com evolução dos métodos de cálculo e dimensionamento, das técnicas


construtivas e a progressiva redução dos espaços urbanos disponíveis para
construção, tornou-se possível e necessário projetar edifícios cada vez mais altos,
com estrutura cada vez mais esbelta e com redução do número de elementos

1
1
Acadêmico do Curso de Engenharia Civil da Faculdade Brasileira – Multivix Vitória
2
Engenheiro Civil, docente na Faculdade Brasileira – Multivix Vitória
estruturais empregados, fazendo com que as edificações assumam formas e alturas
cada vez mais desafiadoras (PASSOS et al, 2016).

Com o intuito de evitar problemas na estrutura causados pelas ações horizontais e


dos ventos, é preciso grande atenção no momento de se analisar as estruturas altas
e esbeltas, conforme estabelecido pela NBR 6123, (ABNT, 1998). Além de uma
análise criteriosa, é imprescindível a elaboração de um projeto adequado às
condições do local de implantação da edificação.

Autores como OLIVEIRA et al (2017), MONCAYO (2016), RIBEIRO e OLIVEIRA


(2018) e FREITAS, LUCHI e FERREIRA (2016), afirmam que o acentuado processo
de verticalização das edificações e o desenvolvimento tecnológico na área de
engenharia e de sistemas computacionais da última década, torna viável a
construção de edifícios extraordinariamente mais esbeltos, fazendo-se inevitável a
realização da verificação da estabilidade global das construções. Nesse decurso, a
ação do vento sobre a estrutura pode causar efeitos relevantes, aplicando sobre a
edificação acréscimo de esforços juntamente com as outras ações já atuantes na
estrutura (OLIVEIRA et al, 2017).

A verificação da estabilidade global é um requisito fundamental nos projetos de


edifícios de concreto armado para que estes não sofram problemas futuros que
afetem a sua segurança e, consequentemente, aumentem o risco de colapso. Os
edifícios mais altos e esbeltos são, geralmente, mais sensíveis aos deslocamentos
laterais e os projetistas devem considerar estes efeitos (FREITAS, LUCHI e
FERREIRA, 2016).

Destaca-se o ocorrido do Edifício Millenium Palace em Balneário Camboriú, que


sofreu deslocamentos laterais, sem, contudo, chegar ao colapso, pois os efeitos de
segunda ordem foram respeitados durante o projeto da estrutura (SARAIVA, 2018).
Assim como o caso do Edifício Millenium Palace, em que foi garantida a rigidez da
estrutura para reduzir o deslocamento lateral da edificação, este trabalho propõe o
reforço de uma edificação com pilar-parede, de forma a reduzir os deslocamentos da
edificação, atendendo, assim, a NBR 8681 (ABNT, 2003).

2 DESENVOLVIMENTO

Desde o momento em que a degradação das estruturas recebeu mais atenção, a


engenharia tem desenvolvido formas de prevenir e tratar as patologias inerentes a

2
esse fenômeno, indo desde as patologias químicas (carbonatação, oxidação, ataque
de sulfatos e cloretos) até as físicas (fissuração, lixiviação, desgaste por abrasão,
fadigamento e deslocamentos excessivos em edificações de grande porte),
desenvolvendo assim métodos de projeto, construção, reparo e reforço das
edificações.

TAKEUTI (1999) afirma que a construção civil tem buscado cada vez mais a
qualidade e a durabilidade das estruturas de concreto armado. Mesmo assim,
algumas patologias persistem, uma vez que os métodos existentes não são
definitivos. Para TOMAZELI e MARTINS (2008), diversas edificações sofrem, já
sofreram ou sofrerão algum tipo de manifestação patológica durante a sua vida útil,
seja por projetos inadequados ou por qualquer deficiência nas etapas seguintes, e
facilmente encontrados no dia a dia.

Ao identificar patologias nas estruturas de concreto, deve-se buscar o reparo ou o


reforço, a fim de recuperar o elemento de forma estética ou estrutural. A progressão
das patologias na estrutura leva-a a não atender os requisitos normativos, podendo
causar desconforto para o usuário ou até mesmo chegar à ruptura.

FREITAS, LUCHI e FERREIRA (2016) apud CANOVAS (2014), afirmam que reforço
de estruturas consiste em melhorar as condições de suporte da estrutura seja por
deficiência de projeto, falha de execução, desgaste da estrutura e/ou alteração no
uso da edificação. Os autores afirmam que recuperação consiste na busca por
restituir as condições de projeto em uma estrutura que possa ter sofrido dano.

CORREIA E SANTOS (2018), afirmam que o sistema construtivo que utiliza o


sistema de paredes de concreto é racional e traz inúmeras vantagens de produção,
Visto que a estrutura e a vedação formam um único elemento e o ciclo produtivo
muito se assemelha a um ciclo industrial.

De acordo com a NBR 16055 (ABNT, 2012), paredes de concreto são elementos
autoportantes, feitas no local, possuindo comprimento dez vezes maior que sua
espessura e que suporta cargas no mesmo plano. Já na NBR 6118 (ABNT, 2014),
pilares parede são elementos de superfície plana, geralmente feitos na vertical e
suportam esforços de compressão.

MONCAYO (2011), afirma que, atualmente, a análise de 2ª ordem tornou-se


indispensável, graças à possibilidade de se fabricar concretos que ultrapassam os

3
50 MPa, e que possibilitam ao projetista a idealização de estruturas cada vez mais
esbeltas. Ele, assim como CORELHANO (2010), ainda diz que ao analisar a
estabilidade das estruturas é necessário levar em conta as ações horizontais que
são formadas pelas ações do vento e por imperfeições geométricas.

As ações horizontais possuem grande importância no dimensionamento da estrutura


de uma edificação, pois elas podem gerar ações de 2ª ordem, causando
deslocamentos horizontais excessivos, trazendo desconforto ao usuário, bem como,
desgaste prematuro da estrutura graças ao deslocamento dos carregamentos
verticais, podendo em casos extremos chegar a ruina da estrutura.

Através do presente trabalho, busca-se desenvolver um novo método de reforço de


estrutura com a finalidade de reduzir deslocamentos horizontais excessivos,
momentos de 2ª ordem aumentando assim a estabilidade da estrutura de
edificações de grande porte, assim como aumentar a sensação de segurança do
usuário.

O método proposto consiste no uso de pilares-parede externamente a estrutura, a


fim de reduzir o efeito das ações horizontais na edificação e principalmente diminuir
o deslocamento horizontal, vale ressaltar ainda que este trabalho não pretende
comparar custo entre o tipo de reforço proposto e outros existentes na literatura.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

Em edifícios altos e esbeltos, os esforços adicionais gerados pelo vento, associados


às demais cargas atuantes na estrutura, provocam determinados efeitos que
influenciam diretamente a segurança de suas estruturas. Esses efeitos estão
relacionados com a perda da capacidade resistente da estrutura, causada pelo
aumento das deformações (LACERDA et al, 2014).

Esses efeitos merecem grande atenção. Quando tornam a estrutura instável, suas
repercussões precisam ser combatidas, sendo o reforço da estrutura uma das
formas de combatê-las.

3.1 Estabilidade global e efeitos de 2ª ordem

O aumento das deformações está diretamente ligado ao sistema de


contraventamento da estrutura, ou seja, sua rigidez. A NBR 6118:2014 preconiza
que as subestruturas que possuem grande rigidez a ações horizontais (vigas),

4
resistem à maioria dos esforços decorrentes dessas ações. Por outro lado,
edificações sem vigas (lajes protendidas) tendem a ser mais flexíveis, uma vez que a
formação de pórticos é inviabilizada, sendo necessário o emprego de outras técnicas
construtivas para garantir a estabilidade global (LORENCI, 2010 apud EMERICK,
2005).

Em concordância com LACERDA et al (2014), FEITOSA e ALVES (2015) e PASSOS


et al (2016), pode-se definir a estabilidade global das estruturas como sua
sensibilidade quando submetida a efeitos de 2ª ordem, sendo esta interação
inversamente proporcional. Assim, quanto maior a reação da estrutura aos efeitos de
2ª ordem, menor será a sua estabilidade.

MOREIRA e MARTINS (2018) resumem o conceito de estabilidade global


fundamentalmente como um processo que avalia os efeitos de segunda ordem nas
edificações a partir do comportamento não linear físico e geométrico da estrutura em
seu estado deformado. Segundo os autores, a análise da estabilidade global
antecede ao dimensionamento das estruturas, sendo uma avaliação aproximada.

O pré-dimensionamento das estruturas deve ser realizado a partir da avaliação da


estabilidade global, levando-se em conta os efeitos de segunda ordem. Segundo
LACERDA (2014), “uma estrutura que não está dimensionada corretamente em
função da estabilidade global pode não ser segura, ocasionando deslocamentos
horizontais excessivos e aumento considerável das solicitações em seus elementos.”

Ainda LACERDA (2014) afirma que os esforços são determinados por meio do
equilíbrio da estrutura indeformada, durante a análise linear geométrica ou de
primeira ordem. LACERDA (2014) acrescenta que uma estrutura submetida a cargas
horizontais, como a ação do vento, fica sujeita a deslocamentos horizontais que
podem desencadear efeitos adicionais ou efeitos de segunda ordem, que devem ser
determinados por meio de análise não linear física e não linear geométrica.

Os efeitos de segunda ordem são divididos em efeitos globais, efeitos locais e


efeitos localizados. Os efeitos globais de segunda ordem podem ser desprezados se
esses forem inferiores a 10% dos respectivos esforços de primeira ordem. Neste
caso, a estrutura pode ser classificada como de nós fixos. A estrutura é classificada
como de nós móveis quando ocorre o contrário – efeitos globais de segunda ordem

5
superiores a 10% dos de primeira ordem (OLIVEIRA et al, 2017 apud ABNT NBR
6118:2014).

Os efeitos locais de 2ª ordem surgem, conforme a NBR 6118:2014, da não-


linearidade dos respectivos eixos das barras de estrutura – como um lance de pilar.
A primeira vista, os efeitos locais afetam especialmente os esforços solicitantes ao
longo das barras. A mesma norma define os efeitos de 2ª ordem localizados. Em
pilares-parede (simples ou compostos) pode-se ter uma região que apresenta não
retilineidade maior do que a do eixo do pilar como um todo. Nessas regiões surgem
efeitos de 2ª ordem maiores, chamados de efeitos de 2ª ordem localizados. O efeito
de 2ª ordem localizado, além de aumentar nessa região a flexão longitudinal,
aumenta também a flexão transversal, havendo a necessidade de aumentar a
armadura transversal nessas regiões.

Ainda a NBR 6118:2014 estabelece que “efeitos de 2ª ordem são aqueles que se
somam aos obtidos em uma análise de primeira ordem [...], quando a análise do
equilíbrio passa a ser efetuada considerando a configuração deformada”.

Segundo PASSOS et al (2016) a análise de 1ª ordem considera a estrutura com sua


composição geométrica indeformada quando da análise estrutural. Surgem
solicitações suplementares no sistema estrutural designadas efeitos de 2ª ordem,
que são responsáveis pelo comportamento não linear da estrutura.

Caso a análise da estrutura apresente efeitos de 2ª ordem, deve-se obrigatoriamente


garantir que, na realização das combinações mais desfavoráveis das ações de
cálculo, não haja redução ou perda da estabilidade nem desgaste da capacidade
resistente de cálculo (NBR 6118, 2014).

3.2 Parâmetros de instabilidade

3.2.1 Parâmetro de Instabilidade Alfa (α)

Este coeficiente tem como finalidade fornecer valores para que o projetista possa
estimar o quanto a estrutura é sensível aos efeitos de segunda ordem. São
considerados para o cálculo os esforços característicos (verticais) e a rigidez integral
da seção, conforme equação 1:

√ (1)

6
sendo, é a altura total da estrutura, é o somatório de todas as cargas
verticais atuantes no edifício (a partir do nível considerado para o cálculo de )
com seu valor característico, representa o módulo de rigidez da estrutura do
edifício equivalente a um pilar de seção constante engastado na base e livre no topo
(CHINEM, 2010).

Segundo ; MONCAYO (2016) apud NBR 6118:2014, “os efeitos de 2ª ordem devem
ser considerados caso , sendo para estruturas compostas somente
por pórticos”.

3.2.2 Coeficiente Gama-Z ( )

COVAS (2016) apresenta o coeficiente de estabilidade global Gama-z ( ) como


sendo um parâmetro que entrega um número por meio do qual se verifica se a
proposta estrutural é estável ou não.

Para CHINEM (2010), o coeficiente é um método simples de verificação da


estabilidade global e dos efeitos de 2ª ordem, sendo definido como um majorador
dos esforços de 1ª ordem para resultar em esforços finais. Se , a NBR 6118
(2014) classifica a estrutura como de nós fixos, podendo-se dispensar a análise de
2ª ordem. Entretanto, se , os efeitos de 2ª ordem devem ser considerados,
sendo a estrutura classificada como de nós móveis, o é calculado pela equação 2.

(2)

sendo, é a soma dos produtos das forças verticais de cálculo atuantes pelos
respectivos deslocamentos de 1ª ordem; é o momento de tombamento de
cálculo.

De acordo com MONCAYO (2016) apud NBR 6118:2014, valores acima de


indicam que a estrutura tem alto grau de instabilidade. Por outro lado, indica
incoerência, ou seja, a estrutura é completamente instável. O limite para projeto com
resultados satisfatórios é . Acima desse limite, utiliza-se o P-Delta.

3.2.3 P-Delta (P-Δ)

Distintamente dos parâmetros e , P-Delta não é um parâmetro de estabilidade. É


simplesmente um processo de análise não linear geométrica, depois da qual é feita
a avaliação da estabilidade global (MONCAYO, 2016).

7
CHINEM (2010) delineia que o processo P-Delta tem como fundamento o estudo do
equilíbrio da estrutura deformada após a análise de 1ª ordem, simulando o efeito não
linear por meio de carregamentos horizontais hipotéticos aplicados à estrutura.

FEITOSA e ALVES (2015) tratam P-Delta como “um procedimento iterativo [...] em
que o efeito dos deslocamentos laterais sucessivos é transformado em forças
horizontais equivalentes”. Trata-se de um método mais preciso de cálculo dos
efeitos de 2ª ordem (deslocamentos adicionais) causados pelo peso próprio e pelas
sobrecargas. De modo simplificado, P-Delta é um processo que relaciona a carga
axial com o deslocamento horizontal (LACERDA et al, 2014).

3.3 Ação do vento

A intensidade do vento não tem relação direta com a estabilidade de um edifício.


Uma variação da velocidade do vento de 30 𝑚/𝑠 a 50 𝑚/𝑠 não interfere na
estabilidade. Isso significa que o valor de 𝑧 deverá ser o mesmo para um edifício
analisado com diferentes velocidades (MONCAYO, 2016).

O vento deve ser representado na estrutura como um perfil de velocidade que incide
sobre uma edificação, sendo que, as propriedades e efeitos por ele gerados na
edificação dependem da geometria da construção, do local, da topografia e dos
obstáculos, (TAPAJOS, 2016).

RIBEIRO e OLIVEIRA (2018) afirmam, com base em normativos, que no país, a


ação horizontal é a principal, ocasionado pelos ventos.

3.4 Fatores que influenciam a estabilidade global

Há numerosos fatores que interferem na estabilidade global de estruturas.


Destacam-se como fatores mais relevantes os carregamentos solicitantes
(horizontais e verticais) e a rigidez dos elementos estruturais (lajes, vigas, pilares e
caixa do elevador). CHINEM (2010) ressalta que outros fatores são praticamente
desprezíveis, pois influenciam minimamente na estabilidade global.

Os deslocamentos laterais dos nós da estrutura, oriundos de carregamentos


solicitantes verticais e horizontais, são fatores que podem causar o surgimento de
efeitos de 2ª ordem.

8
3.5 Técnicas de reforço estrutural

A estabilidade global da estrutura está diretamente ligada à rigidez dos elementos


estruturais. Nesse sentido, os principais elementos que irão trabalhar para garantir a
estabilidade de uma estrutura composta por pilares, vigas e lajes, são os dois
últimos (FREITAS, LUCHI e FERREIRA, 2016).

A NBR 6118:2014 apresenta valores de rigidez aproximada para as lajes, que é de


30% do módulo de rigidez da estrutura, valor inferior ao das vigas e pilares. Na
análise da estabilidade global, as lajes exercerão o papel do diafragma rígido, uma
vez que conciliam os deslocamentos em todos os pontos do seu plano. Para isso,
elas são admitidas como elemento rígido no seu plano.

Segundo FREITAS, LUCHI e FERREIRA (2016), os núcleos rígidos nos edifícios são
frequentemente compostos por pilares de grandes dimensões, executados em
formato de “C”ou “U”. São locados nas escadas ou elevadores. Na análise dos
parâmetros da estabilidade e deslocamentos horizontais, este tipo de estrutura de
elevada rigidez à flexão, contribui significativamente. (FREITAS, LUCHI e
FERREIRA, 2016)

De acordo com CORELHANO (2010) apud ANTUNES, MORI e SOUSA (1995), os


núcleos estruturais são essenciais para a estabilidade das edificações de múltiplos
andares, pois sua conexão com os diversos sistemas estruturais confere à estrutura
global um acréscimo de rigidez considerável. Possuem dimensões bastante
elevadas em relação aos demais elementos de contraventamento e são
encarregados por grande parte da rigidez global da estrutura por conta da sua
rigidez à flexão (CORELHANO, 2010 apud MATIAS, 1997).

O desempenho do núcleo de rigidez beneficia o contraventamento, contribuindo para


a redução das translações horizontais dos pavimentos e contribuindo para na
redução dos esforços internos nos demais componentes da estrutura
(CORELHANO, 2010).

Quando se trata pilares e as vigas, MONCAYO (2011) os define como elementos de


grande importância na avaliação da estabilidade, enquanto que lajes podem ter sua
influência minorada através da redução da sua rigidez à flexão, conforme estabelece
a NBR 6118:2014.

9
TAKEUTI (1999) apresenta o reforço por encamisamento que consiste em aumentar
a seção transversal do pilar pelo acréscimo de uma camisa de reforço. Com esse
processo a resistência lateral da estrutura aumenta, sendo uma alternativa para
reforço de estrutura.

No caso de edifícios de lajes protendidas, FEITOSA e ALVES (2015) afirmam, por


conta da inexistência de vigas, ser impossível a formação de um sistema de
contraventamento por pórticos que resistam às solicitações laterais de vento. Para
contornar essa ausência, as lajes protendidas são executadas com espessuras que
ultrapassam os dezoito centímetros – conforme o item 13.2.4 da NBR 6118:2014,
garantindo o efeito do diafragma rígido que promove o travamento dos pilares.

4 METODOLOGIA E MÉTODO DA PESQUISA

Para objeto de estudo deste trabalho foi idealizada uma estrutura teórica
simplificada, concebida para ter deslocamentos excessivos. Para isso foram
adotadas dimensões limites para a relação base x altura estabelecida na tabela 4 da
NBR6123. A estrutura inicialmente não possuirá vigas e terá somente duas linhas de
pilares em um de seus eixos. A estrutura possui 10m de largura, 20m de
comprimento e 20 pavimentos com pé direito de 3m, totalizando 60m de altura. A
estrutura possui 5 pilares de 1,10m x 0,30m e um pilar “C” que acomoda o fosso do
elevador, como pode ser visto na figura 1.

Figura 1. Forma do pavimento tipo. Fonte: Autores

Para o cálculo das forças de vento foram feitas as seguintes considerações: adotou-
se que a edificação se localiza na região da grande Vitória, onde a velocidade

10
básica de vento é de acordo com a isopleta da velocidade básica da ordem de
32m/s, que a edificação se situa em terreno plano com o fator topográfico S 1 = 1,
que a edificação terá alto fator de ocupação S3 = 1, que a edificação se enquadra na
categoria III, em que a cota média do topo dos obstáculos é considerada igual a 3m
e por fim que a edificação se enquadra na classe C, pois uma de suas dimensões
excede 50m. A partir das considerações os valores de S 2 foram extraídos da tabela
2 da NBR 6123:1988 e estão relacionados na tabela 1.

Tabela 1 – Fator S2, categoria III, Classe C, 𝑧 𝑚.

Z (m) ≤5 10 15 20 30 40 50 60

S2 0,82 0,88 0,93 0,96 1,00 1,04 1,06 1,09

Para o carregamento da edificação foram considerados o peso próprio dos


elementos construtivos, acrescidos de uma sobrecarga de 1 kN/m² e uma carga
acidental de 2kN/m². Como o objetivo maior deste trabalho é a verificação dos
deslocamentos laterais provocados pelo vento, seguiu-se a normativa da tabela 13.3
da NBR6118, na qual o movimento lateral máximo permitido para uma estrutura não
deve exceder 1/1700 da sua altura, e que a ação do vento deve ser obtida por uma
combinação frequente de serviço tendo como fator de redução frequente para o
estado limite de serviço ψ1 = 0,3, conforme a equação 3:

[3]

A modelagem da estrutura foi feita em versões educacionais dos softwares Revit®


BIM, (design da estrutura), que depois foi vinculado ao Autodesk Robot Structural
Analysis PRO 2019, (processo de análise). A verificação do módulo de rigidez
equivalente EIeq e dos deslocamentos pelo método da associação plana de painéis
foi feita no Ftool, (programa educacional para a análise estrutural de pórticos
planos), utilizando-se, para isso, as notas de aula do Prof. Dr. Romel Dias Vanderlei.

Foram sugeridas soluções de reforço para a edificação base com o intuito de


diminuir o seu deslocamento lateral, sendo esta a construção de vigas de diferentes
seções, o encamisamento de pilar, a situação mista de construção de vigas com o
encamisamento de pilar e por fim a construção de um grande pilar-parede para
compensar o lado de menor inércia. Após as análises foram gerados gráficos com o

11
intuito de ilustrar qual foi o sucesso de cada uma das soluções estruturais a fim de
diminuir o excesso de deslocamento lateral do edifício.

As soluções aqui apresentadas têm apenas caráter didático e não serão levados em
consideração aspectos construtivos como custos ou dificuldade de execução,
apenas comportamento mecânico. Foram divididas em casos, conforme a quadro 1.

Elemento Seção transversal


Casos Tipo de intervenção
estrutural (cm)
0 Estrutura sem reforço - -
1 Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 20 x 80
2 Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 20 x 90
3 Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 20 x 100
4 Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 30 x 80
5 Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 30 x 90
6 Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 30 x 100
Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 20 x 80
7
Encamisamento de pilar Pilar 150 x 50
Instalação de vigas de concreto moldado in loco Viga 20 x 80
8
Encamisamento de pilar Pilar 160 x 50
Instalação de viga de concreto moldado in loco Viga 20 x 80
9
Encamisamento de pilar Pilar 170 x 50
Instalação de viga de concreto moldado in loco Viga 20 x 80
10
Encamisamento de pilar Pilar 170 x 50
11 Encamisamento de pilar Pilar 170 x 60
12 Execução de pilar-parede nas laterais do edifício Pilar-parede 20 x 1000
Quadro 1 – Casos, intervenções e variação da seção transversal dos elementos estruturais.

5 RESULTADOS

5.1 Levantamento das cargas de vento

Dada a velocidade básica ; as cargas de vento na direção do eixo Y serão:

Tabela 2 – Levantamento das cargas lineares de vento ( ) no eixo y.


⁄ ⁄ ⁄ ⁄
5 26,24 0,42 12,17 30 32,00 0,63 18,09
10 28,16 0,49 14,01 40 33,28 0,68 19,57
15 29,76 0,54 15,65 50 33,92 0,71 20,33
20 30,72 0,58 16,67 60 34,88 0,75 21,50

12
Sendo: é a altura da edificação analisada; é a velocidade característica do
vento ( ); q é a pressão dinâmica do vento ( ); é
carga linear de vento linear; é a velocidade básica do vento (NBR 6123:1988).

Através da utilização do ábaco da figura 4 (Coeficiente de arrasto Ca) da NBR 6123,


para edificações paralelepídicas em vento de baixa turbulência – baseado nas
relações altura/largura e largura/comprimento, foi obtido o valor do coeficiente de
arrasto para cada eixo, sendo 1,44 para o eixo Y e 1,1 para o eixo X. Foi possível
calcular as forças horizontais de vento atuando nos nós do modelo analítico. Os
resultados são apresentados na tabela 3:

Tabela 3 – Forças horizontais de vento no eixo y.


Hv1 (kN) 18,25 Hv6 (kN) 48,48 Hv11 (kN) 56,49 Hv16 (kN) 60,99
Hv2 (kN) 36,50 Hv7 (kN) 50,02 Hv12 (kN) 58,71 Hv17 (kN) 60,99
Hv3 (kN) 42,03 Hv8 (kN) 54,28 Hv13 (kN) 58,71 Hv18 (kN) 64,49
Hv4 (kN) 44,49 Hv9 (kN) 54,28 Hv14 (kN) 59,85 Hv19 (kN) 64,49
Hv5 (kN) 46,95 Hv10 (kN) 54,28 Hv15 (kN) 60,99 Hv20 (kN) 32,244

O mesmo foi calculado para o eixo X:

Tabela 4 – Levantamento das cargas lineares de vento ( ) no eixo x.


H (m) Vk (m/s) q (kN/m²) V (kN/m) H (m) Vk (m/s) q (kN/m²) V (kN/m)
5 26,24 0,42 4,65 30 32,00 0,63 6,91
10 28,16 0,49 5,35 40 33,28 0,68 7,47
15 29,76 0,54 5,98 50 33,92 0,71 7,76
20 30,72 0,58 6,37 60 34,88 0,75 8,21

Tabela 5 – Forças horizontais de vento no eixo x.


Hv1 (kN) 6,97 Hv6 (kN) 18,52 Hv11 (kN) 21,58 Hv16 (kN) 23,29
Hv2 (kN) 13,94 Hv7 (kN) 19,11 Hv12 (kN) 22,42 Hv17 (kN) 23,29
Hv3 (kN) 16,05 Hv8 (kN) 20,73 Hv13 (kN) 22,42 Hv18 (kN) 24,63
Hv4 (kN) 16,99 Hv9 (kN) 20,73 Hv14 (kN) 22,86 Hv19 (kN) 24,63
Hv5 (kN) 17,93 Hv10 (kN) 20,73 Hv15 (kN) 23,29 Hv20 (kN) 12,32

Os valores aqui encontrados foram inseridos no modelo estrutural para as devidas


combinações de ações.

Os cálculos aqui apresentados seguem a recomendação da tabela 13.3 da NBR


6118 – Movimento lateral de edifícios provocados pela ação do vento – Combinação
frequente de serviço Ψ1=0,30.

As distâncias citadas abaixo são os deslocamentos extremos considerando todas as


possíveis combinações. Foram calculadas quatro situações diferentes para o vento

13
(0°, 90°, 180º e 270°) haja vista que a falta de simetria na sua inércia causaria
diferentes respostas ao vento.

Caso 0: Na análise utilizando o processo não linear p-delta com o auxílio dos
softwares da estrutura teórica básica em combinação frequente de serviço, o
deslocamento no topo do edifício quando submetido aos carregamentos foi de Ux=
8,564 cm (deslocamento da estrutura no eixo X) e Uy= 19,63 cm (deslocamento no
eixo Y). Estes deslocamentos são maiores do que o recomendado na tabela 13.3 da
norma técnica NBR 6118, em que Ui ≤ H/1700, que para esta edificação é de 3,5cm.

Apenas para critério de informação, já que não está no escopo deste trabalho tratar
especificamente dos parâmetros de estabilidade global, como previsto esta estrutura
pode ser considerada como de nós móveis e é instável. Ao se analisar os
parâmetros alfa = 0,674 para x e alfa = 0,722 para y, sendo alfa > alfa 1 = 0,6 e
Gama Z = 1,118 para X e 1,136 para Y, valores maiores que os considerados para
uma estrutura de nós indeslocáveis.

Para a verificação da estabilidade global, foi utilizado o método de associação plana


de painéis bidimensionais para determinação da rigidez equivalente (EIeq), na
direção dos eixos X e Y, conforme ilustrado nas Figuras 2A e 2B.

(A) na direção do eixo X (B) na direção do eixo Y


Figura 2. Associação plana de painéis. Fonte: Ftool

Quando aplicado o carregamento genérico de P = 1kN no topo da edificação a


mesma respondeu com um deslocamento de a = 0,02678 cm. E a mesma tendo sua
altura H= 60m = 600 cm, sendo definido pela equação 4:

⁄ (4)
14
𝑚 para o eixo X e 𝑚 para o
eixo Y. Sendo determinado pela fórmula 15.5.2 da NBR 6118:2014 (conforme
equação 1)

Sendo o peso do edifício: 33976,2 KN, sua altura total H= 60 m e já encontrado o


valor de sua rigidez equivalente: para o eixo X e
para o eixo Y.

Caso 1: Considerando a estrutura inicial com deslocamentos superiores aos


limites, foi analisada a instalação de vigas (20 x 80) em suas laterais a fim de
eliminar estes deslocamentos:

Após a análise obtivemos os seguintes resultados Ux =3,3 cm e Uy = 6,0 cm. Sendo


o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 = 3,52 cm. Os deslocamentos
diminuíram, mas ainda no eixo é maior que o recomendado. Apenas para fins de
comparação com os outros métodos que serão adotados, o volume de concreto
necessário para a construção dessas vigas é 224 m³.

Caso 2: Considerando a estrutura inicial agora foi feita a análise do


comportamento da edificação quando instaladas vigas (20 x 90) em suas
laterais: os deslocamentos encontrados foram de Ux = 2,9 cm e Uy = 5,6 cm. O
volume de concreto necessário para a construção dessas vigas é 252 m³.

Caso 3: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (20 x 100)


em suas laterais: os deslocamentos encontrados foram Ux = 2,6 cm e Uy = 5,3 cm.
O volume de concreto necessário para a construção dessas vigas é 280 m³.

Caso 4: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (30 x 80) em


suas laterais: os deslocamentos encontrados foram de Ux = 1,8 cm e Uy = 5,6 cm.
Sendo o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 = 3,52 cm. O volume de
concreto necessário para a construção dessas vigas é 336 m³.

Caso 5: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (30 x 90) em


suas laterais: Ux = 1,6 e Uy = 5,4 cm. O volume de concreto nessa situação é de
378m³.

Caso 6: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (30 x 100)


em suas laterais: Ux = 1,4 e Uy = 5,3 cm. O volume de concreto nessa situação é
de 420m³.

15
Ao observar os resultados, percebe-se que chega um instante em que não é
eficiente aumentar as dimensões da viga, pois esta se torna indeformável do ponto
de vista global, necessitando trabalhar a partir deste ponto com os demais
elementos que também interferem na estabilidade global, como o Fck, orientação e
dimensões dos pilares, etc.

Caso 7: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (20 x 80) em


suas laterais e encamisamento de pilar 1,5m x 0,5m: Ux =1,5 cm e Uy = 2,2 cm.
Sendo o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 = 3,52 cm. O volume de
concreto necessário para a construção dessas vigas é de 224 m³, e o volume
necessário para o encamisamento dos pilares é 126 m³. Total: 350m³ de concreto.

Caso 8: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (20 x 80) em


suas laterais e encamisamento de pilar 1,6 x 0,5: Ux =1,5 cm e Uy = 2,0 cm.
Sendo o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 = 3,52 cm. O volume de
concreto necessário para a construção dessas vigas é de 224 m³, e o volume
necessário para o encamisamento dos pilares é de 141 m³. Total: 365m³.

Caso 9: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (20 x 80) em


suas laterais e encamisamento de pilar 1,70 x 0,5: Ux =1,5 cm e Uy = 1,9 cm.
Sendo o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 = 3,52 cm. O volume de
concreto necessário para a construção dessas vigas é de 224 m³, e o volume
necessário para o encamisamento dos pilares é de 141m³. Total: 365m³.

Caso 10: Considerando a estrutura inicial com a instalação de vigas (20 x 80)
em suas laterais e encamisamento de pilar 1,7 x 0,6: Ux =1,4 cm e Uy = 1,4 cm.
Sendo o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 = 3,52 cm. O volume de
concreto necessário para a construção dessas vigas é de 224 m³, e o volume
necessário para o encamisamento dos pilares é de 207m³. Total = 431m³.

Caso 11: Considerando a estrutura inicial apenas com encamisamento de pilar:


Ux =6,77 cm e Uy = 14,62 cm. Sendo o deslocamento limite = H/1700 = 6000/1700 =
3,52 cm. O volume de concreto necessário para a construção desse pilar é 207m³.

Caso 12: Considerando a estrutura inicial construído pilar parede em suas


laterais: Ux=1,1cm e Uy=2,0cm. Sendo o deslocamento limite H/1700= 6000/1700 =
3,52 cm. O volume de concreto necessário para a execução do pilar é 240m³.

16
Tabela 6 – Forças horizontais de vento no eixo x.
Vol.
con- ↑ ↑ ↑ ↑

Massa
Casos

Ix* Iy* Iz* Ux Uy


creto inércia inércia Inércia massa
(cm) (cm)
reforço Ix* (%) Iy* (%) Iz* (%) (%)
3
(m )
0 820,2 888,0 121,0 2,6 0,000 - - - - 8,564 19,63
1 996,9 1081,0 156,2 3,2 224 21,54 21,73 29,10 21,10 3,3 6
2 1019,0 1105,1 160,6 3,3 252 24,23 24,45 32,75 23,73 2,9 5,6
3 1041,1 1129,3 165,0 3,3 280 26,93 27,17 36,39 26,37 2,6 5,3
4 1085,2 1177,5 173,8 3,5 336 32,31 32,60 43,65 31,64 1,8 5,6
5 1118,4 1213,7 180,4 3,6 378 36,35 36,68 49,12 35,60 1,6 5,4
6 1151,5 1249,9 187,1 3,7 420 40,39 40,75 54,59 39,56 1,4 5,3
7 1188,5 1299,4 205,2 3,8 350 44,91 46,33 69,58 43,77 1,5 2,2
8 1200,8 1313,9 208,9 3,8 365 46,40 47,96 72,66 45,21 1,5 2
9 1213,1 1328,5 212,6 3,9 380 47,90 49,60 75,75 46,66 1,5 1,9
10 1254,9 1377,8 225,3 4,0 431 52,99 55,15 86,24 51,57 1,4 1,4
11 989,8 1088,2 172,5 3,2 207 20,67 22,54 42,60 19,92 6,77 14,62
12 1223,2 1362,4 2300,9 4,0 240 49,13 53,42 1801,6 50,89 1,1 2

A construção do pilar-parede produziu a melhor relação entre volume de concreto e


diminuição do movimento lateral. Tendo em vista que terá outros benefícios, pois
será executado na parte externa da edificação, logo terá uma execução mais fácil,
além do reaproveitamento da fôrma que não precisa ser desmontada, somente içada
para os pavimentos superiores. Também não é necessário quebrar paredes ou lajes
para sua construção, apenas fixação com dispositivos específicos de ancoragem.

6 CONCLUSÃO

Analisando os casos da estrutura reforçada e possível perceber que com exceção


do caso 10, todos os reforços propostos reduziram o deslocamento na direção X
para menos do que o limite calculado ela NBR 6118 (2017), mas também e possível
perceber que apenas os casos 7, 8, 9 e 11 reduziram nos dois eixos o deslocamento
abaixo do limite especificado. A Figura 3 apresenta um gráfico do deslocamento em
relação à técnica de reforço estudada.

Com o uso dos modelos estruturais 3D, também foi possível avaliar o consumo de
concreto de cada caso, e concluiu-se que, dos 4 casos que passaram no critério de
deslocamento, apenas o caso 9 e o caso 11 possuem consumo de concreto menor
no caso de uma execução, conforme ilustra a Figura 4.

17
21,00
19,50
18,00
16,50
DESLOCAMENTOS (cm)

15,00
13,50
12,00
10,50
9,00
7,50
6,00
4,50
3,00
1,50
0,00
CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO CASO
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
TÉCNICAS DE REFORÇO
DESLOCAMENTO X (cm) DESLOCAMENTO Y (cm) DESLOCAMENTO LIMITE (cm)

Figura 3. Gráfico Deslocamento horizontal x Técnica de reforço. Fonte: Excel

500,00
450,00
CONSUMO DE CONCRETO (m³)

400,00
350,00
300,00
250,00
200,00
150,00
100,00
50,00
0,00
CASO 0 CASO 1 CASO 2 CASO 3 CASO 4 CASO 5 CASO 6 CASO 7 CASO 8 CASO 9 CASO CASO CASO
10 11 12
TÉCNICA DE REFORÇO

Figura 4. Gráfico Consumo de concreto (m³) x Técnica de reforço. Fonte: Excel

Sugerimos também o mesmo comparativo para reforços utilizando a técnica de


paredes de concreto armado, conforme a NBR 16055 (ABNT, 2012), e também um
estudo sobre os parâmetros de estabilidade de cada caso estudado neste artigo
bem como os parâmetros de estabilidade do reforço usando parede de concreto
armado.

18
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro: 2014.

_____. NBR 8681: Ações e segurança nas estruturas - Procedimento, Rio de


Janeiro: 2004.

_____. NBR 6123: Forças devidas ao vento em edificações, Rio de Janeiro: 1988.

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19
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20