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LIÇÃO 13

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 13ª LIÇÃO DO 1º TRIMESTRE DE


2019 – DOMINGO, 31 DE MARÇO DE 2019

ORANDO SEM CESSAR

Texto áureo

“Orai sem cessar.” (1 Ts 5.17)


LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – Mateus 6. 5-13.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Meus Distintos e nobres Amigos Leitores; finalmente chegamos a 13ª Lição


deste trimestre, desta feita com o tema: Orando sem Cessar. Foram semanas muito
abençoadas, proporcionadas pelo estudo aplicado e contundente da Palavra de
Deus. Que o Bom Deus continue lhes abençoando rica e poderosamente na
presença do Senhor Jesus.

Destarte, nesta ultima Lição, apresentaremos o conceito de Oração;


Refletiremos a respeito da oração no Sermão do Monte; e, Compreenderemos o
significado da oração modelo do Pai-Nosso.

Portanto, distinto amigo leitor - boa leitura e bons estudos!

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I – A ORAÇÃO

Pois bem, o que significa a palavra Oração?

Etimologicamente, Oração vem do latim oratĭo,ōnis, e significa: “discurso,


linguagem, palavra, prece”.

Segundo alguns estudiosos, o latim “orare” tinha o sentido de pronunciar uma


fórmula ritual, uma súplica, um discurso, pedir, rogar, pleitear, advogar. Estas duas
últimas acepções estão presentes nos cognatos “oração” (lat. “oratione”) e orador,
da linguagem jurídica.

Mas o verbo, por influência do latim da Igreja, especializou-se no sentido de


suplicar a Deus, rezar. “Recitare”, ler em voz alta, recitar, ler, além da forma erudita
“recitar”, com o mesmo sentido, deu-nos a forma popular “rezar”, cujo sentido se
especializou como recitar ou ler orações.

1. Definição.

Segundo o Pr. Esequias Soares, a Declaração de Fé das Assembleias de


Deus, em sua definição de oração, trás em seu bojo a acepção consciente, de uma
pessoa ao se dirigir a Deus. Nesta mesma definição (já proposta na presente lição
estudada), este dirigir-se a Deus se dá através de uma comunicação em vias de se
buscar ajuda “por meio de palavra ou pensamento”.

Logo, se depreende que este comunicar parte de uma interação consciente


entre duas pessoas, não com vãs repetições de vocábulos preestabelecidos, mas
um transbordar de sentimentos interpretados por palavras direcionadas ao próprio
Deus.

Segundo o Pr. Gordon Lindsay, “orar não é um recurso extremo a que alguém
recorra em uma emergência. Orar é parte integrante da nossa vida cotidiana.
Quando aprendemos o segredo de orar, a vida se converte em uma sequência de
milagres”.1

1
Em Prayer That Moves Mountains. (Oração que Transporta Montes). Rio de Janeiro, Graça, 2002.
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2. Exemplos bíblicos.

Assim como nos dias atuais – ou pelo menos deveria ser –, a oração no
Antigo Testamento era um canal permanente de comunicação entre Deus e o seu
povo.
Vejamos, a seguir, exemplos de oração que impactaram o Antigo Testamento.

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3. Jesus e a prática da oração (Mt 14. 23).

Ficar a sós consigo mesmo, por alguns momentos, era uma importante
prioridade para Jesus (v. 13). Ele, de certo, encontrava tempo em sua ocupada
agenda para estar a sós com o Pai.

Destarte, passar um tempo com Deus em oração é vital para um


relacionamento agradável com Ele, e claro, nos prepara para enfrentar os desafios e
as lutas da vida.

Procuremos, portanto, praticar a disciplina de ficar algum tempo somente com


Deus. Certamente, isso nos ajudará a crescermos espiritualmente e a tornarmos
cada vez mais semelhante com Cristo.

II – A ORAÇÃO NO SERMÃO DO MONTE

1. Oração nas praças e nas sinagogas (v.5).

Alguns, sobretudo os líderes religiosos, queriam ser vistos como santos, e a


oração em público era um modo de chamarem a atenção para esse intento.

Porém Jesus enxergou a intenção deles de se promoverem e ensinou que a


essência da oração não é a justificação em público, mas a comunicação particular
com Deus.

Sempre existirá um lugar para a oração em público, mas quando alguém


deseja orar onde os outros o notarão, com atitude suspeita, percebe-se que a
pessoa não está se dirigindo verdadeiramente a Deus.

2. A oração em secreto (v.6).

Como bem expressou William Barclay:


Nenhuma nação teve jamais um ideal mais elevado da oração que a dos
judeus; nenhuma religião colocou jamais a oração em uma escala mais alta
entre as prioridades da piedade que a religião judia. “Grande é a oração”,
diziam os rabinos, “maior que toda boa obra”. Uma das mais belas
expressões que jamais se usaram para referir-se à adoração familiar é o
dito rabínico: “Aquele que ora em sua casa, é rodeado por um muro que é
mais forte que o ferro.” A única coisa da qual se lamentavam os rabinos era
de que não se podia estar orando durante todo o dia.

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3. As vãs repetições (v.7).

Com é sabido, repetir as mesmas palavras várias vezes como se fosse um


mantra não é a maneira de assegurar que Deus ouvirá a oração. Claro, não é errado
se dirigir a Deus muitas vezes com os mesmos pedidos. Jesus encoraja a
persistência na oração, mas reprova e condena as vãs repetições de palavras, que
não são oferecidas com um coração sincero.

Os rabinos diziam que era impossível orar se o coração não estava em


atitude de oração. Estabeleciam que para uma autêntica oração era necessária pelo
menos uma hora de preparação silenciosa e particular, e uma hora de meditação
depois. Mas o sistema judeu de oração se prestava à ostentação e a hipocrisia,
quando o coração do homem estava cheio de vaidade.

4. Entendendo o ensino de Jesus.

Certo erudito insiste na afirmação de que:

“sempre devemos recordar que o Deus a quem oramos é um Deus de


amor, que está mais disposto a nos ouvir do que nós a orar. Não é
necessário extrair pela força os dons de sua graça. Não nos chegamos até
um Deus que precisa ser coagido a nos dar o que lhe pedimos. Vamos a
alguém cujo principal desejo é dar. Quando lembramos disso, é suficiente
que ao orar nosso coração exale o suspiro do desejo, e que nossos lábios
pronunciem as palavras ‘Seja feita a Tua vontade’.”

III – O PAI NOSSO

1. O nosso Deus.

Antes de iniciarmos nosso comentário sobre a oração do Pai Nosso, quero lhe
convidar a refletir nas palavras de William Barclay, sobre referido tema:

Devemos assinalar, acima de tudo, que esta é uma oração que


Jesus ensinou a seus discípulos. Mateus localiza a totalidade do
Sermão da Montanha no contexto social da comunidade dos
discípulos (Mateus 5:1), e Lucas diz que Jesus ensinou esta oração
em resposta ao pedido de um de seus discípulos (Lucas 11:1).

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Esta oração é frequentemente chamada de “Oração do Senhor”, pois Jesus –
o Mestre por Excelência a ensinou aos seus discípulos, logo, também se refere a
nós, seus discípulos longinquamente daqueles idos.

Destarte, ela pode e deve ser um padrão para as nossas orações diárias.
Primeiro devemos louvar a Deus e pedir que seu Reino seja ampliado aqui na terra,
depois apresentar nossas reais necessidades e solicitar ajuda para nossas lutas e
enfrentamentos cotidianos.

A bela e sonora frase latina “Pater noster qui in caelis es” (Pai nosso, que
estás nos céus, v. 9), indica que Deus não é apenas majestoso e santo, mas
também pessoal e amoroso. A primeira proposição desta oração modelo é uma
declaração de louvor e um compromisso de honrar e respeitar o nome santo de
Deus. Como bem nos diz Barclay:

“As primeiras três têm que ver com Deus e com a glória de Deus; as
últimas petições (três também) têm que ver conosco e nossas
necessidades. Quer dizer, Deus recebe, em primeiro lugar, o lugar
supremo, e só então nos voltamos para nossas necessidades e desejos.
Somente quando se dá a Deus seu lugar próprio todo o resto passa a
ocupar o lugar que lhe corresponde. A oração nunca deve ser um intento
de mudar a vontade de Deus para adequá-la aos nossos desejos. A
oração, quando é autêntica, sempre é um intento de submeter nossa
vontade à vontade de Deus”.

Logo, quando oramos (v. 10) “Seja feita a sua vontade”, não nos estamos
entregando ao destino, mas orando para que o propósito perfeito de Deus se
cumpra tanto neste mundo como no vindouro.

Ainda, neste mesmo décimo versículo, a frase primeira “Venha o teu Reino”, é
uma referência ao reinado espiritual de Deus, não à libertação de Israel do domínio
de Roma, ainda que escatologicamente falando, tenha que ver com a preservação e
liberação da nação de Israel de seus inimigos físicos. O Reino de Deus foi
anunciado na aliança com Abraão (Mt 8.11; Lc 13.28), está presente no reinado de
Cristo no coração dos crentes ( Lc 17.21) e será completamente estabelecido
quando todo o mal for destruído e Deus designar um novo céu e uma nova terra (Ap
21.1). Logo, ouçamos Barclay:

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Estar no Reino é obedecer a vontade de Deus. Imediatamente percebemos
que o Reino de Deus não tem que ver primordialmente com as nações, os
reino e os países deste mundo. É algo que tem que ver com cada um de
nós. O Reino é o mais pessoal que há sobre a Terra. O Reino exige a
submissão de minha vontade, de meu coração, de minha vida. Só quando
cada um de nós tomou a decisão pessoal de submeter-se à vontade de
Deus, vem o Reino. Os cristãos chineses repetiam freqüentemente uma
oração que chegou a ser bem conhecida de muitos: "Senhor, reavive Tua
Igreja. começando por mim." E poderíamos parafrasear estas palavras
dizendo: "Senhor, traz o Teu Reino, começando por mim." Orar pelo Reino
de Deus é orar pela submissão total de nossa vontade à vontade de Deus.

2. As nossas necessidades (v. 11).

Ao orarmos “Panem Nostrum” de cada dia nos dá hoje, estamos


reconhecendo que Deus é quem nos sustenta e supre nossas necessidades. É uma
concepção errada pensar que provemos a nossa própria subsistência. Devemos,
portanto, confiar em Deus a provisão diária do que Ele sabe que precisamos. Logo,
eis a reflexão de Barclay sobre este ensino:

“Os filhos de Israel morriam de fome no deserto e Deus lhes enviou


o maná, o pão do céu; mas ao mesmo tempo lhes impôs uma
condição – somente recolheriam o que necessitavam para satisfazer
suas necessidades mais imediatas. Se procuravam juntar mais do
que o necessário, e guardá-lo, decompunha-se e deviam jogar fora.
Deviam satisfazer-se com o que necessitavam dia a dia. Como disse
um rabino: “Cada dia a porção do dia, porque o Criador do dia
também tinha criado o sustento de cada dia.” E outro rabino declara:
“Quem tem para comer hoje e se pergunta ‘o que comerei amanhã?’,
é um homem de pouca fé”.Esta petição nos ensina a viver dia a dia.
Proíbe a preocupação ansiosa que é tão característica da vida que
não aprendeu a confiar em Deus”.

3. O livramento dos perigos (v. 13).

Às vezes, Deus permite que sejamos tentados (provados). Como discípulos,


devemos orar para que sejamos guardados nos tempos difíceis e para que Ele nos
livre de Satanás, “o maligno”, e de seus enganos.

Portanto, não nos livre apenas do mal, mas, sobretudo, do Maligno. Ouçamos
Barclay mais uma vez:

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É evidente que esta petição não deveria traduzir-se: “Livra-nos do mal”, mas
sim como na versão Hispano-americana, “Livra-nos do Maligno”. A Bíblia
não concebe o mal como um princípio abstrato, como uma força imaterial,
mas sim como um poder ativo e pessoal, que se opõe a Deus. É muito
interessante repassar o desenvolvimento da idéia de Satanás na Bíblia. Em
hebreu a palavra Satanás significa simplesmente adversário. Pode ser
aplicada aos seres humanos. O adversário de alguém é seu satanás. Os
filisteus, por exemplo, têm medo de que Davi se converta em seu satanás (1
Samuel 29:4). Salomão declara que Deus lhe deu tanta prosperidade e paz
que não resta satanás algum (1 Reis 5:4). Davi considera que os filhos de
Zeruia são seus "satanases" (2 Samuel 19:22). Em todos estes casos
nossas Bíblias traduzem Satanás por adversário ou inimigo. Posteriormente,
a palavra "Satanás" passou a significar “aquele que acusa a alguém ante os
tribunais”. Só então a palavra, por dizê-lo de uma maneira gráfica, levanta
vôo, e passa ao céu. Os judeus acreditavam que no céu havia um anjo cuja
tarefa era acusar aos homens ante Deus, agindo como promotor do tribunal
eterno; e esse anjo era Satanás, porque cumpria a função de um “satanás”
(acusador).

CONCLUSÃO

Portanto, como bem escreveu o comentarista da Lição: “Note que Jesus não
está mandando ninguém orar no discurso do Sermão do Monte. Ele disse: ‘quando
orardes’ (v.5); isso revela que a oração já era hábito do povo israelita, costume
preservado desde o Antigo Testamento (Sl 55.17; Dn 6.10)”.

Assim, bendizemos ao Senhor Jesus com este lindo coro – extraído do Hino
de número 296 da nossa Harpa Cristã –, tendo por certo “que a oração deve ser
uma prática contínua dos cristãos”.

Com Jesus a minh´alma deseja estar


No jardim, em constante oração;
Quando a noite chegar, e o mal me cercar,
Quero estar em constante oração.

[Jairo Vinicius da Silva Rocha. Professor. Teólogo. Tradutor. Bacharel em


Biblioteconomia – Presbítero, Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia
de Deus no Pinheiro.]
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Maceió, 29 de março de 2019.