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Universidade do Sul de Santa Catarina

Análise Macroeconômica
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça
UnisulVirtual
2011
Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina – Campus UnisulVirtual – Educação Superior a Distância
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Ailton Nazareno Soares Coordenação Luana Tarsila Hellmann e Desenvolvimento de Karine Augusta Zanoni
Maria de Fátima Martins (Assistente) Luíza Koing  Zumblick Materiais Didáticos Marcia Luz de Oliveira
Vice-Reitor Fabiana Lange Patricio Maria José Rossetti Márcia Loch (Gerente)
Tânia Regina Goularte Waltemann Marilene de Fátima Capeleto Assuntos Jurídicos
Sebastião Salésio Heerdt Ana Denise Goularte de Souza Bruno Lucion Roso
Patricia A. Pereira de Carvalho Desenho Educacional
Chefe de Gabinete da Paulo Lisboa Cordeiro Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD) Marketing Estratégico
Coordenadores Graduação Silvana Souza da Cruz (Coord. Pós/Ext.)
Reitoria Adriano Sérgio da Cunha Paulo Mauricio Silveira Bubalo Rafael Bavaresco Bongiolo
Rosângela Mara Siegel Aline Cassol Daga
Willian Máximo Aloísio José Rodrigues Ana Cláudia Taú Portal e Comunicação
Ana Luísa Mülbert Simone Torres de Oliveira
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Pró-Reitor de Administração Catia Melissa S. Rodrigues Lamuniê Souza (Coord.) Gislaine Martins Rafael Pessi
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Diva Marília Flemming Daniel Lucas de Medeiros Jaqueline de Souza Tartari Gerência de Produção
Pró-Reitor de Ensino Fabiano Ceretta Eduardo Rodrigues João Marcos de Souza Alves Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
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Mauri Luiz Heerdt Horácio Dutra Mello Josiane Leal
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Joel Irineu Lohn Renato André Luz (Gerente) Marina Cabeda Egger Moellwald
Jorge Alexandre N. Cardoso Ana Luise Wehrle Anne Cristyne Pereira
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Grande Florianópolis José Gabriel da Silva Daniel Contessa Lisboa Daiana Ferreira Cassanego
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Diretor José Humberto D. Toledo Naiara Jeremias da Rocha Pâmella Rocha Flores da Silva
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Rafael Araújo Saldanha Frederico Trilha
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Roseli Aparecida Rocha Moterle Jordana Paula Schulka
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Diretora Sabrina Paula Soares Scaranto Nelson Rosa
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Moacir Heerdt (Gerente) Patrícia Fragnani de Morais
Moacir Fogaça Aracelli Araldi Acessibilidade
Nélio Herzmann Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Multimídia
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Reconhecimento de Curso Sérgio Giron (Coord.)
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Diretora Adjunta Rogério Santos da Costa Diane Dal Mago
Patrícia Alberton Vanderlei Brasil Avaliação da aprendizagem Cleber Magri
Rosa Beatriz M. Pinheiro Fernando Gustav Soares Lima
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Secretaria Executiva e Cerimonial Gabriella Araújo Souza Esteves
Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Valnei Carlos Denardin Extensão Conferência (e-OLA)
Roberto Iunskovski Jaqueline Cardozo Polla Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.)
Marcelo Fraiberg Machado Maria Cristina Veit (Coord.) Thayanny Aparecida B.da Conceição
Tenille Catarina Rose Clér Beche Bruno Augusto Zunino
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Assessoria de Assuntos Sergio Sell Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC) Gerência de Logística Produção Industrial
Internacionais Mauro Faccioni Filho(Coord. Nuvem) Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente) Marcelo Bittencourt (Coord.)
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Aloisio Rodrigues Pós-Graduação Logísitca de Materiais Gerência Serviço de Atenção
Assessoria de Relação com Poder Bernardino José da Silva Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.) Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.)
Público e Forças Armadas Abraao do Nascimento Germano Integral ao Acadêmico
Carmen Maria Cipriani Pandini Maria Isabel Aragon (Gerente)
Adenir Siqueira Viana Daniela Ernani Monteiro Will Biblioteca Bruna Maciel
Walter Félix Cardoso Junior Salete Cecília e Souza (Coord.) Fernando Sardão da Silva André Luiz Portes
Giovani de Paula Carolina Dias Damasceno
Karla Leonora Nunes Paula Sanhudo da Silva Fylippy Margino dos Santos
Assessoria DAD - Disciplinas a Renan Felipe Cascaes Cleide Inácio Goulart Seeman
Distância Leticia Cristina Barbosa Guilherme Lentz
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Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Luiz Otávio Botelho Lento Holdrin Milet Brandão
Carlos Alberto Areias Rogério Santos da Costa Gestão Docente e Discente Pablo Varela da Silveira
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.) Rubens Amorim Jenniffer Camargo
Cláudia Berh V. da Silva Roberto Iunskovski Juliana Cardoso da Silva
Conceição Aparecida Kindermann Thiago Coelho Soares Yslann David Melo Cordeiro
Capacitação e Assessoria ao Jonatas Collaço de Souza
Luiz Fernando Meneghel Vera Regina N. Schuhmacher Docente Avaliações Presenciais Juliana Elen Tizian
Renata Souza de A. Subtil Simone Zigunovas (Capacitação) Graciele M. Lindenmayr (Coord.) Kamilla Rosa
Gerência Administração Alessandra de Oliveira (Assessoria)
Assessoria de Inovação e Acadêmica Ana Paula de Andrade Maurício dos Santos Augusto
Qualidade de EAD Adriana Silveira Angelica Cristina Gollo Maycon de Sousa Candido
Angelita Marçal Flores (Gerente) Alexandre Wagner da Rocha
Denia Falcão de Bittencourt (Coord) Fernanda Farias Cristilaine Medeiros Monique Napoli Ribeiro
Andrea Ouriques Balbinot Elaine Cristiane Surian Daiana Cristina Bortolotti Nidia de Jesus Moraes
Carmen Maria Cipriani Pandini Secretaria de Ensino a Distância Juliana Cardoso Esmeraldino Delano Pinheiro Gomes Orivaldo Carli da Silva Junior
Iris de Sousa Barros Samara Josten Flores (Secretária de Ensino) Maria Lina Moratelli Prado Edson Martins Rosa Junior Priscilla Geovana Pagani
Giane dos Passos (Secretária Acadêmica) Fabiana Pereira Fernando Steimbach Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Assessoria de Tecnologia Adenir Soares Júnior Fernando Oliveira Santos Scheila Cristina Martins
Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Tutoria e Suporte
Alessandro Alves da Silva Claudia Noemi Nascimento (Líder) Lisdeise Nunes Felipe Taize Muller
Felipe Jacson de Freitas Andréa Luci Mandira Marcelo Ramos Tatiane Crestani Trentin
Jefferson Amorin Oliveira Anderson da Silveira (Líder)
Cristina Mara Schauffert Ednéia Araujo Alberto (Líder) Marcio Ventura Vanessa Trindade
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Fabricio Botelho Espíndola Francine Cardoso da Silva Fabiano Ceretta (Gerente)
Coordenação Cursos Felipe Wronski Henrique Joice de Castro Peres Relacionamento com o Mercado
Coordenadores de UNA Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Karla F. Wisniewski Desengrini
Indyanara Ramos Eliza Bianchini Dallanhol Locks
Diva Marília Flemming Maria Aparecida Teixeira
Marciel Evangelista Catâneo Janaina Conceição Mayara de Oliveira Bastos Relacionamento com Polos
Roberto Iunskovski Jorge Luiz Vilhar Malaquias Patrícia de Souza Amorim Presenciais
Juliana Broering Martins Schenon Souza Preto Alex Fabiano Wehrle (Coord.)
André Luís da Silva Leite

Análise Macroeconômica
Livro didático

Revisão e atualização de conteúdo


Valdemar Hahn Junior

Design Instrucional
Leandro Kingeski Pacheco
Melina de la Barrera Ayres

2ª edição

Palhoça
UnisulVirtual
2011
Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Edição – Livro Didático


Professor Conteudista
André Luís da Silva Leite

Revisão e atualização de conteúdo


Valdemar Hahn Junior (2ª ed. revista e atualizada)

Design Instrucional
Leandro Kingeski Pacheco
Melina de la Barrera Ayres (2ª ed. revista e atualizada)

ISBN
978-85-7817-146-9

Projeto Gráfico e Capa


Equipe UnisulVirtual

Diagramação
Diogo Silva

Revisão
Amaline B. I. Mussi

339
L55 Leite, André Luís da Silva
Análise macroeconômica : livro didático / André Luís da Silva Leite ; revisão
e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Junior ; design instrucional
Leandro Kingeski Pacheco, Melina de la Barrera Ayres. – 2. ed. – Palhoça :
UnisulVirtual, 2011.
169 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-146-9

1. Macroeconomia. 2. Política monetária. 3. Comércio internacional. I.


Hahn Júnior, Valdemar. II. Pacheco, Leandro Kingeski. III. Ayres, Melina de la
Barrera. IV. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul


Sumário

Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Palavras do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

UNIDADE 1 - Introdução a macroeconomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17


UNIDADE 2 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado
de bens e serviços - consumo, poupança e investimento. . . . . . . . . . . . . . . . 47
UNIDADE 3 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado
de bens e serviços - o papel do Governo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
UNIDADE 4 - Moeda e política monetária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
UNIDADE 5 - Economia internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159


Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
Sobre os professores conteudistas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação. . . . . . . . . . . . . . 165
Biblioteca Virtual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Apresentação

Este livro didático corresponde à disciplina Análise


Macroeconômica.

O material foi elaborado com vista a uma aprendizagem


autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e
relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem
didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância,
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a
um aprendizado contextualizado e eficaz.

Lembre que sua caminhada nesta disciplina será acompanhada


e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da
UnisulVirtual. Neste sentido, a “distância” fica caracterizada
somente como a modalidade de ensino por que você optou para
a sua formação. É que, na relação de aprendizagem, professores e
instituição estarão sempre conectados com você.

Então, sempre que sentir necessidade, entre em contato.


Você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso
tais como: telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de
Aprendizagem, que é o canal mais recomendado, pois tudo o
que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle
e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior
prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal
objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual

7
Palavras do professor

Caro(a) aluno(a),

A economia é o espaço onde ocorrem as decisões estratégicas


que nos afetam diretamente.

O estudo da economia é divido em duas partes: a


microeconomia (objeto da disciplina Análise Microeconômica)
e a macroeconomia (tratada neste livro didático).

A macroeconomia trata dos elementos econômicos de maior


escopo, como as taxas de juros, a gestão da economia pelo
Estado, a moeda, entre outros.

Nesta disciplina, você aprenderá os principais elementos de


macroeconomia. Ou seja, como se forma a renda nacional,
o que é inflação, as políticas fiscal e monetária, além da
economia internacional. Trata-se de temas econômicos
relacionados com o cotidiano, cujo complemento importante
é encontrado na leitura atenciosa dos jornais e das revistas
especializados.

Espero que aproveite o conteúdo selecionado. Caso tenha


alguma dúvida, entre em contato com o professor.

Bom estudo!

Prof. André Luís da Silva Leite


Plano de estudo

O plano de estudos visa a orientá-lo/a no desenvolvimento


da disciplina. Possui elementos que o/a ajudarão a conhecer o
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva


em conta instrumentos que se articulam e se complementam,
portanto a construção de competências ocorre sobre a
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de
ação/mediação.

São elementos deste processo:

„„ o livro didático;
„„ o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);
„„ as atividades de avaliação (a distância, presenciais
e de autoavaliação);
„„ o Sistema Tutorial.

Ementa
Introdução a macroeconomia. O modelo keynesiano de
determinação da renda. A função consumo. Investimento e
poupança. A demanda do governo. A oferta de moeda e o
papel do Banco Central. Inflação. Introdução à economia
internacional.
Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos

Geral
Iniciar o estudante no estudo da teoria econômica, possibilitando
a utilização de uma ferramenta útil à sua vida acadêmica e
profissional. Ao final da disciplina, deverá ser capaz de analisar
e compreender questões referentes às políticas econômicas
nacionais e internacionais, no âmbito macroeconômico.

Específicos
„„ Compreender o funcionamento de um sistema
econômico através do estudo da macroeconomia,
conhecendo os agregados macroeconômicos e suas
contribuições para a formação da Renda Nacional (RN).
„„ Aprender o processo de determinação da Renda Nacional
e do Produto Nacional a partir das relações das variáveis
macroeconômicas: consumo; poupança e investimento.
„„ Entender o papel do governo na formação da Renda
Nacional (RN).
„„ Compreender os tipos de políticas monetárias adotadas
pelo governo através da emissão de moeda, da expansão e
controle do crédito.
„„ Compreender o funcionamento do Balanço de
Pagamentos (BP) através do comércio internacional e
suas influências sobre o comércio interno de um país.

Carga Horária
A carga horária total da disciplina é de 60 horas/aula.

12
Análise Macroeconômica

Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação.

Unidades de estudo: 5

Unidade 1 – Introdução a macroeconomia


Na primeira unidade da disciplina, você conhecerá os elementos
básicos que compõem o estudo da macroeconomia e sua
importância para o sistema econômico. Ao final da leitura,
você compreenderá de que modo ocorre a formação do Produto
Interno Bruto (PIB) e a Renda de um país.

Unidade 2 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado


de bens e serviços - consumo, poupança e investimento
Nesta unidade, você estudará como se forma a Renda Nacional
(RN) no mercado de bens e serviços, destacando-se as variáveis
macroeconômicas: consumo; poupança e investimento em bens
de capital.

Unidade 3 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado


de bens e serviços - o papel do Governo
Esta unidade retoma a discussão iniciada na unidade 2, com
ênfase no papel do governo e na política fiscal, importante
ferramenta para a busca da estabilidade econômica.

13
Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade 4 – Moeda e política monetária


Nesta unidade, você aprenderá o conceito de moeda, suas
funções, sua utilidade e importância para a população como meio
de pagamento. Estudará a política monetária que é realizada pelo
Banco Central, conforme determinação da equipe econômica do
governo e o funcionamento do sistema financeiro e de crédito.
Conhecerá, também, os diversos tipos de inflação, suas causas e
consequências para a economia dos países em geral e, do Brasil,
em particular.

Unidade 5 – Economia internacional


Na unidade 5, você estudará a teoria do comércio internacional
desde a sua origem, compreenderá por que ocorre o comércio
entre diversos países e conhecerá o balanço de pagamentos,
sua importância e necessidade para o registro e controle das
transações comerciais de um país com os demais países.

14
Análise Macroeconômica

Agenda de atividades/ Cronograma

„„ Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar


periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da
realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação
com os seus colegas e tutor.
„„ Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.
„„ Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas
ao desenvolvimento da disciplina.

Atividades obrigatórias Data

Demais atividades (registro pessoal) Data

15
1
UNIDADE 1

Introdução a macroeconomia

Objetivos de aprendizagem
„„ ompreender como são formados a renda e o produto
C
de uma nação.
„„ onhecer e compreender o significado dos agregados
C
macroeconômicos.
„„ onhecer o processo de medição da atividade
C
econômica de uma economia.
„„ onhecer e compreender a aplicabilidade da
C
contabilidade social.
„„ E ntender o significado dos conceitos renda nacional
e PIB.

Seções de estudo
Seção 1 A análise macroeconômica

Seção 2 Contabilidade social

Seção 3 Examinando e medindo a atividade econômica

Seção 4 Os agregados macroeconômicos


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Caro(a) aluno(a),

nesta unidade você estudará contabilidade social. Para tanto,


veremos uma breve introdução à análise macroeconômica e à
política macroeconômica. No decorrer da disciplina, veremos a
contabilidade social propriamente dita e como examinar e medir
a atividade econômica.

Também estudaremos o conceito de valor adicionado, os


agregados macroeconômicos e o sistema econômico real. Estes
temas estão assim dispostos para que você compreenda como
são formados a renda e o produto de uma nação, assim como o
significado dos conceitos de renda nacional e de PIB.

Seção 1 – A análise macroeconômica


Esta seção aborda, de forma introdutória, a análise
macroeconômica e o surgimento da contabilidade social.

Macroeconomia é a parte da economia que estuda o conjunto das


decisões dos agentes econômicos. É a parte da ciência econômica
que focaliza o estudo do comportamento do sistema econômico
como um todo.

A macroeconomia tem como objetivo principal


determinar os fatores que interferem no nível total
da renda e do produto de uma economia. Ou seja,
estuda as decisões conjuntas dos consumidores, das
empresas e do governo. A macroeconomia estuda a
economia como um todo, analisando a determinação
e o comportamento dos grandes agregados
macroeconômicos, tais como: renda e produto
nacional, nível geral de preços, emprego, moeda
e taxa de juros, balanço de pagamentos e taxa de
câmbio.

18
Análise Macroeconômica

Ao estudar os grandes agregados, a macroeconomia não leva


em conta o comportamento das unidades individuais (empresas
e consumidores) e de mercados em geral, temas estes da
microeconomia.

A macroeconomia permite uma abordagem mais global e


genérica. Esta abordagem permite maior compreensão das
interações entre os agentes econômicos, representando assim
um importante instrumento para a política e a tomada de
decisão do governo.

Para medir a produção, o consumo, a renda, os investimentos e


a capacidade de poupança – ou seja, a atividade econômica – a
análise macroeconômica utiliza-se da Contabilidade Social ou
Contabilidade Nacional.

Você sabe por que os economistas se preocupam em


medir a produção realizada por um determinado país?

A resposta pode ser dividida em duas partes:

„„ A primeira, o fato de a escassez de recursos constituir


o problema fundamental da economia. Por essa razão,
eles devem ser empregados de forma adequada, de modo
que se consiga a maior quantidade possível de bens e
serviços – o que nos remete à questão da eficiência do
sistema produtivo. Esta eficiência, que consiste na maior
produção possível a partir de certa quantidade de fatores
da produção, precisa ser constantemente avaliada. Daí a
necessidade de se ter registros da atividade econômica,
considerada em seu conjunto, os quais permitam este tipo
de análise.
„„ A segunda parte nos remete a um fato histórico.
Quase todas as pessoas já ouviram falar da grande
crise econômica de 1929, que consistiu na redução
das atividades econômicas, ocasionando, entre outros
problemas, o desemprego. Tivemos, também, as duas
grandes guerras mundiais, que envolveram diversos
países e tiveram grande repercussão na economia.

Unidade 1 19
Universidade do Sul de Santa Catarina

A partir dessa época e com a presença mais acentuada do


Estado como regulador (gerente) das atividades econômicas,
os economistas passaram a sentir necessidade de criar meios
que lhes permitissem medir e avaliar as atividades econômicas
desenvolvidas pela sociedade. Assim surgiu a contabilidade social
ou nacional, com o objetivo de auferir e registrar a medição
de toda a atividade econômica de um país, possibilitando que a
macroeconomia atinja seus objetivos de determinação da renda e
do nível de bem-estar social da população.

É através do registro contábil próprio, da contabilidade


social, que a macroeconomia alcança a movimentação
dos valores finais dos componentes dos agregados
macroeconômicos, o que possibilita calcular o valor
do PIB (Produto Interno Bruto), de um país em um
determinado período de tempo.

Os primeiros estudos realizados no campo da contabilidade


nacional datam do ano de 1920, com o economista norte-
americano Simon Kuznets, que passou a realizar um
levantamento sistemático da renda nacional do seu país,
levantamento só aplicado, de forma efetiva, após a crise
econômica de 1929.

Com a presença mais acentuada do Estado como regulador das


atividades econômicas, os economistas sentiram a necessidade de
criar meios padronizados que lhes permitissem medir e avaliar as
atividades econômicas desenvolvidas pela sociedade.

A contabilidade nacional é um sistema de agregados


estatísticos que registra a atividade econômica global
de um país em um determinado período de tempo,
geralmente de um ano.

O registro contábil é efetuado através do método das partidas


dobradas, de tal maneira que os agregados são apresentados
duas vezes: a débito de uma conta, e a crédito de outra. Ao
débito, corresponde uma despesa ou um pagamento; ao crédito,
corresponde um fundo originário da produção interna do país ou
procedente do estrangeiro.

20
Análise Macroeconômica

Desta forma, a contabilidade nacional mede a atividade


econômica a partir de sua expressão mais genérica – o produto
da economia – para, a partir dela, introduzir novos conceitos
e assim se observar a atividade econômica. Tais conceitos são
chamados de agregados e recebem esta denominação pelo fato
de não representarem simplesmente uma soma de parcelas que se
expressam da mesma forma e na mesma unidade de medida, mas
sim uma soma de coisas diferentes (bens e serviços) cujo volume
físico é expresso em unidades de medidas diferentes. Esses bens
e serviços podem ser adicionados, quando traduzidos numa
unidade comum de medida, ou seja, a Moeda.

O Sistema Econômico é a forma organizada de uma estrutura


econômica. Engloba o tipo de propriedade, a gestão da economia,
os processos de circulação das mercadorias, o consumo e os níveis
de desenvolvimento tecnológico e de divisão do trabalho.

O sistema econômico de um país mantém relações com outros


sistemas, isto é, com o resto do mundo, através da exportação
e da importação de bens e serviços. Além disso, nesse sistema,
a presença do setor público, ou seja, do governo, é bastante
importante.

Com relação às empresas e aos proprietários dos fatores de


produção, não é mais necessário que eles gastem toda a sua
renda em bens e serviços de consumo. Essa parte da renda que
não é consumida recebe o nome de Poupança, que, definida
formalmente, é a diferença entre a renda e o consumo das
pessoas. Consequentemente, se toda a renda não é consumida,
uma parte da produção das empresas não será vendida, o que
possibilitará a formação de estoques nessa economia.

Do ponto vista econômico, a formação de estoques na economia


significa investimento, o que nos leva à igualdade fundamental da
macroeconomia, de que Poupança (S) é igual a Investimento (I):

S=I

O Investimento, entretanto, não significa apenas a variação nos


estoques. Ele também é formado pelas despesas realizadas pelos
empresários para aumentar a atividade produtiva de suas empresas.

Unidade 1 21
Universidade do Sul de Santa Catarina

Desta forma, verificamos a importância da contabilidade


nacional e seus registros para a macroeconomia, pois estes
oportunizam ao governo, em nível nacional, os dados
necessários a que o mesmo saiba quais são as áreas em que há
necessidade de maior atuação e possa promover o crescimento
das mesmas – e, consequentemente, a continuidade do
Questões conjunturais crescimento econômico do país como um todo.
são as questões que
caminham juntas: o Assim, política macroeconômica almeja os seguintes objetivos:
sucesso de uma depende
do sucesso de outra.
Desta forma, podemos „„ alto nível de emprego;
dizer que nível de
emprego e estabilidade „„ estabilidade de preços;
de preço são questões
conjunturais, pois „„ melhoria da distribuição de renda; e
têm entre si total
dependência: o sucesso „„ crescimento econômico.
de uma vai alavancar e
promover o sucesso de
outra, o que deve ocorrer
As questões relativas ao nível de emprego e estabilidade de preços
em curto prazo.
(controle da inflação) são consideradas conjunturais, isto é, de
curto prazo. As questões conjunturais são preocupações centrais
das chamadas políticas de estabilização. Já as questões referentes
à distribuição de renda e ao crescimento econômico são aspectos
de longo prazo, ou seja, estruturais.
Questões estruturais
são as questões que
devem estar interligadas
entre si: trata-se de
questões de longo
prazo. Por exemplo, a
distribuição de renda de
forma equitativa e que
apresente real aumento
Seção 2 – Contabilidade social
da renda da população
está interligada ao Nesta seção, abordaremos o conceito de contabilidade social, os
crescimento econômico
do país, ou seja, sistemas de contabilidade social e os princípios básicos das contas
somente ocorrerá nacionais. A teoria macroeconômica, como visto anteriormente,
aumento de renda, se estuda a determinação e o comportamento dos agregados
ocorrer aumento real da
economia. econômicos nacionais.

A contabilidade social se insere na moderna macroeconomia,


A teoria macroeconômica que nos fornece os meios para a análise do conjunto da
moderna procura explicar economia de uma sociedade. Ela nos mostra o desempenho
os pânicos financeiros,
os ciclos de crescimento global de uma economia.
e estagnação e as
atividades dos negócios
em geral.

22
Análise Macroeconômica

Vasconcellos e Garcia (2004, p. 97) definem


contabilidade social como sendo o registro contábil
da atividade produtiva de um país ao longo de um
determinado período (normalmente um ano).

A análise do comportamento dos agregados macroeconômicos


é o foco da análise macroeconômica: volta-se à evolução desses
agregados e ao modo como o governo pode influenciá-los através
de políticas econômicas.

Sistemas de contabilidade social


Antes de tratarmos de sistemas de contabilidade social, note
que a produção é contínua no tempo e que os bens e serviços
são produzidos e consumidos, sendo necessário produzi-los
novamente: grande parte das necessidades humanas exige um
consumo contínuo, como é o caso da alimentação, a qual precisa
ser satisfeita diariamente.

Os agregados macroeconômicos são definidos com


base em um sistema contábil que trata o país como se
fosse uma empresa a qual produz um único produto, o
Produto Nacional Bruto (PIB). O PIB representa a soma
de tudo o que é produzido em um país.

Para se medirem os agregados, é preciso, em primeiro lugar,


estabelecer um período de tempo para medir o total de bens e
de serviços produzidos. Atualmente, esse período é de um ano e
corresponde, no Brasil, ao ano civil, que vai de janeiro a dezembro.

Também é necessário estabelecer uma unidade de medida


comum, pois os bens e serviços têm unidades de medida
diferentes: o petróleo é medido em barris; o leite, em litros; a
energia elétrica, em quilowatts, e assim por diante. A maneira
encontrada para poder somar, ou agregar, a totalidade de bens
e de serviços produzidos é medi-los em termos monetários, ou
seja, por seu preço. Isto porque todos os bens e serviços podem
ser expressos em dinheiro, que equivale ao preço de mercado
multiplicado pela quantidade produzida.

Unidade 1 23
Universidade do Sul de Santa Catarina

Uma vez estabelecido o período que servirá de base para medir a


produção, bem como a unidade de medida em que será expressa
essa grandeza, resta o último problema, referente à ótica segundo
a qual será medida a produção econômica.

Acerca desta ótica, há dois sistemas principais de contabilidade


social adotados em quase todos os países:

„„ o sistema de contas nacionais, que é aplicado da


seguinte forma:
ƒƒ utiliza-se do método das partidas dobradas;
ƒƒ consideram-se apenas os bens finais produzidos.

„„ a matriz de relações intersetoriais, que é aplicada da


seguinte forma:
ƒƒ incluem-se as transações intermediárias;
ƒƒ permite analisar as relações econômicas entre
os setores.

A vantagem deste sistema é que inclui transações intersetoriais; a


desvantagem é que exige dados mais detalhados, obtidos nos censos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta modelos


manuais desses sistemas que orientam os institutos de pesquisas
na medição dos agregados nacionais.

Assim como na contabilidade privada, o sistema de


contas nacionais utiliza o método das partidas dobradas,
Você lembra o que são discriminando as transações dos setores da economia: famílias,
partidas dobradas? governo, empresas e setor externo. Porém, não são consideradas
Reveja este conceito na as transações com bens e serviços intermediários (insumos e
primeira seção de estudo
matérias-primas).
desta unidade.
No Sistema de Contabilidade, também denominado de Método
de Veneza, os registros são colocados simultaneamente no Ativo e
no Passivo, sendo que a soma dos elementos do primeiro deve ser
igual à soma dos elementos do segundo.

24
Análise Macroeconômica

Este método constitui a base do sistema contábil moderno, no


qual todas as transações de uma empresa são decompostas em O primeiro livro a
dois elementos: descrever este sistema
foi publicado no ano
1. a origem dos recursos; de 1494, pelo frade
franciscano Luca Paccioli
2. o destino dos recursos. (Summa de Arithmetica
Geometria Proportioni et
Proportionalitá).
Já no Sistema de Contas Nacionais, o registro contábil é
efetuado através do método das partidas dobradas, de tal
maneira que os agregados são apresentados duas vezes:
a débito de uma conta e a crédito de outra. Ao débito,
corresponde uma despesa ou um pagamento; ao crédito,
corresponde um fundo originário da produção interna do
país ou procedente do estrangeiro.

Princípios básicos das contas nacionais


É importante considerar alguns princípios básicos que devem
ser observados no levantamento e medição dos agregados
econômicos (lembre que os agregados econômicos são: renda e
produto nacional, nível geral de preços, emprego, moeda e taxa
de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio, entre outros).
Para a sua análise:

„„ apenas transações com bens e serviços finais devem


ser considerados, não sendo computados bens e
serviços intermediários (matérias-primas, componentes
e insumos). Os custos de produção referem-se à
remuneração dos fatores de produção (salários, juros,
aluguéis e lucros);
„„ apenas a produção corrente do próprio período é
medida. Não é levado em conta o valor das transações
com bens produzidos em períodos anteriores (carros e
apartamentos usados, por exemplo). Porém observe que,
como o setor de serviços é um importante componente
da economia, a atividade comercial é um serviço
corrente. Assim, o salário de um vendedor é considerado
como parte do produto corrente, mesmo tendo ele
vendido um objeto usado;

Unidade 1 25
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ as transações referem-se a um fluxo, ou seja, são


definidas ao longo de certo período de tempo.
Normalmente, considera-se um ano, mas, no Brasil, há
algumas amostras trimestrais, que são parciais;
„„ a moeda é neutra, ou seja, é apenas medida de valor, um
padrão para permitir que possamos mensurar o valor dos
bens e serviços;
„„ os valores de transações puramente financeiras não
são considerados, dado que não representam acréscimos
no produto real da economia. Esses agregados são
considerados apenas transferências entre aplicadores e
tomadores de empréstimos.

Os princípios básicos de Sistemas de Contas Nacionais aqui


apresentados são os utilizados pelas equipes econômicas do Brasil
desde o ano 1947, através do levantamento da renda nacional,
pela equipe da Fundação Getúlio Vargas, com assimilação a
partir de 1953 e adaptação do Sistema de Contas Nacionais
proposto pela ONU a partir de 1945.

Seção 3 – Examinando e medindo a atividade


econômica
Nesta seção, você estudará a atividade econômica sob a ótica da
produção e da despesa, além da ótica da renda. Complementando
este estudo de análise da atividade econômica, trataremos ainda
do produto nacional e da despesa nacional.

A ótica da produção e da despesa

O produto de uma economia é a soma dos valores


monetários dos bens e dos serviços voltados para
o consumo final e produzidos em um determinado
período de tempo.

26
Análise Macroeconômica

Assim, ao se medir a atividade econômica a partir da ótica do


produto, considera-se o preço e a quantidade produzida dos bens
e dos serviços, mas apenas daqueles voltados para o consumo
final, como mencionado anteriormente.

Vamos supor uma economia onde existam apenas


três empresas. A empresa A produz trigo, a empresa B
produz a farinha de trigo (tendo comprado a matéria-
prima da empresa A); e a empresa C produz pão e o
vende aos consumidores.
Suponhamos que as empresas tenham os seguintes
balancetes:
Empresa A

Despesas Receitas
Salário ........ 80 Venda de trigo
Juros ........ 30 para a empresa B ........ 140
Aluguéis ........ 20
Lucros ........ 10
Total ........ 140 Total ........ 140

Empresa B

Despesas Receitas
Compra de trigo da Venda de farinha
empresa A ........ 140 para a empresa C ........ 245
Salário ........ 50
Juros ........ 10
Aluguéis ........ 15
Lucros ........ 30
Total ........ 245 Total ........ 245

Empresa C
Despesas Receitas
Compra de trigo da Venda de
empresa B ........ 245 pão para os
Salário ........ 60 consumidores ........ 390
Juros ........ 20
Aluguéis ........ 30
Lucros ........ 305
Total ........ 390 Total ........ 390

Unidade 1 27
Universidade do Sul de Santa Catarina

Analise primeiramente o balancete da empresa A.


Na coluna esquerda, estão as despesas necessárias
para a produção de $140 de trigo. Neste caso, por
simplificação, ela não paga matéria-prima. Note
também que o lucro, na contabilidade social, é
interpretado como a remuneração da capacidade
gerencial ou empresarial, que é a diferença entre a
receita e o pagamento pelos insumos.
Assim, no caso da empresa A, tem-se:
ƒƒ Produto = $140 de trigo (produto final);
ƒƒ Renda = $140 (remuneração dos fatores de
produção);
ƒƒ Despesa = $140 (despendida por B na aquisição
de trigo).

Vejamos outro exemplo para o entendimento do funcionamento


da Ótica do Produto:

Para a produção de um automóvel são empregados


inúmeros bens e serviços, tais como: chapas de aço,
pneus, serviços de pintura, etc. Entretanto eles não são
computados no cálculo do produto da economia, pois
se trata de bens e serviços intermediários. Apenas a
quantidade de automóveis produzidos, multiplicados
pelo seu preço, é que vai entrar nesse cálculo, para
evitar o problema da dupla contagem, pois o preço
dos bens e serviços intermediários está incluído no
preço final do automóvel.

A ótica da renda
Segundo esta ótica, pode-se medir a atividade econômica em função
da renda. A renda dos agentes econômicos é a soma da remuneração
paga aos fatores da produção durante o processo produtivo.

28
Análise Macroeconômica

Renda é a remuneração de cada um dos fatores de


produção, logo a renda de uma economia é a soma da
renda de cada fator de produção.

Podemos representar esta fórmula do seguinte modo:

Renda de Economia = Σ Renda dos Fatores de Produção

Assim, para se obter a renda de um país num determinado


período, somam-se os salários, os aluguéis, os juros e os lucros, que
são os pagamentos feitos aos fatores produtivos, ao longo do ano.

Consolidando os balancetes das três empresas do exemplo citado


anteriormente, tem-se que o produto da economia é $390.

Vamos analisar mais detalhadamente, a seguir.

Produto nacional

O produto nacional (PN) de uma economia é expresso


em termos monetários, multiplicando-se a quantidade
de bens e de serviços pelos respectivos preços.

Esta é a fórmula para o cálculo do produto nacional:

PN = Σ pi . q i

Onde:
PN = produto nacional
Pi = preço unitário dos bens e serviços finais
Qi = quantidade produzida dos bens e serviços finais

Unidade 1 29
Universidade do Sul de Santa Catarina

Voltando ao nosso exemplo anterior, note que, como o pão é o


único bem final, o produto nacional corresponde a $390.

Despesa nacional (DN)

A despesa nacional é o gasto dos agentes


econômicos com o produto nacional.

No exemplo anterior, a despesa nacional é representada apenas


pelo consumo (C) das famílias. Mas a fórmula completa de
cálculo de DN é:

DN = C + I + G + X – M

Onde:
C = despesas das famílias com bens de consumo
I = despesas das empresas com investimentos
G = despesas do governo
X = exportações (despesas dos outros países)
M = importações (despesas brasileiras)

Neste sentido, decorre que o produto nacional é vendido para quatro


agentes: os consumidores, as empresas, o governo e o setor externo.

Ainda neste contexto, pode-se considerar o produto como sendo


o total das vendas num determinado período de tempo mais os
estoques avaliados a preço de mercado. Esta fórmula expressa o
significado do produto em relação às vendas, o tempo e os estoques:

Produto = $ total das vendas / período de tempo + $ estoques

Com a receita obtida através da venda de seus produtos, os


empresários remuneram os fatores da produção empregados:
salários para os trabalhadores, juros para o capital, aluguéis

30
Análise Macroeconômica

para os proprietários e lucros para eles próprios, pois o lucro é a


remuneração do empresário.

Seguindo este entendimento, pode-se dizer que as receitas, ou o


produto da economia, foram direcionadas para a remuneração dos
fatores de produção. Ao se chamar o total de pagamentos feitos
aos fatores de produção de renda, chega-se a uma identidade
fundamental na teoria macroeconômica: a de que renda é igual
ao produto.

Assim, a identidade de renda igual a produto só é válida para


um sistema econômico simples, constituído de empresas e
consumidores. Além disso, observe que há a condição de que as
pessoas gastem toda sua renda na aquisição de bens e de serviços,
ou seja, não façam poupança.

Valor adicionado
O valor adicionado (ou valor agregado) é o que se adiciona
ao produto em cada estágio de produção. Somando o valor
adicionado em cada estágio de produção, tem-se o produto final
da economia. Na tabela 1.1, mostra-se o valor adicionado em
cada estágio de produção.

Tabela 1.1 – Aplicação do Valor Agregado Bruto – aplicado sobre o


exemplo da produção de pão
Custos dos bens
Estágio Vendas ($) Valor adicionado
intermediários ($)
A 140 0 140
B 245 140 105
C 390 245 145
VA 390
Fonte: Elaboração do autor, 2007.

Note que a soma do valor agregado em cada estágio de produção


é igual ao valor do bem final. Logo os institutos de pesquisa (o
IBGE, no caso brasileiro) não necessitam pesquisar os dados de
cada bem intermediário, bastando verificar o preço dos bens e
serviços finais.

Unidade 1 31
Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 4 – Os agregados macroeconômicos


A contabilidade nacional mede a atividade econômica a partir
de sua expressão mais genérica, o produto da economia, para,
em seguida, e a partir dele, introduzir novos conceitos e assim
observar a atividade econômica. Vejamos, na sequência, alguns
dos principais conceitos.

Os agregados
Existem termos econômicos que são chamados de agregados
e recebem esta denominação pelo fato de não corresponderem
simplesmente a uma soma de parcelas que se expressam da
mesma forma e na mesma unidade de medida, mas sim uma
soma de coisas diferentes (bens e serviços), cujo volume físico,
conforme você aprendeu, é expresso nas mais diferentes
unidades de medida. No entanto esses bens e serviços podem
ser adicionados, agregados, quando traduzidos numa unidade
comum de medida, ou seja, a moeda. Os principais agregados
macroeconômicos são:

„„ PIB;
„„ Renda pessoal.

Produto interno bruto (PIB)


O PIB corresponde ao produto da economia, ou seja, à soma dos
valores monetários dos bens e dos serviços finais, produzidos a
partir dos fatores de produção que estão dentro das fronteiras
geográficas do país.

Neste caso, há a interferência do Estado na economia,


desempenhando o papel de dois agentes econômicos: de
Consumidor e de Produtor.

O Estado adquire o que é necessário ao funcionamento das


repartições públicas, tais como: material de escritório e veículos.
Contrata empresas para construções de edifícios, estradas, etc.

32
Análise Macroeconômica

Fornece à população os chamados serviços públicos, tais como:


transporte, correios, assistência médica, educação, etc.

Para desempenhar o papel de produtor, o Estado necessita de


dinheiro, que é conseguido mediante a tributação – os impostos –
que incide sobre determinadas atividades econômicas.

Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são


pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do
produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto é denominado
de Imposto Indireto. Por outro lado, o setor público muitas vezes
pretende que determinados produtos tenham um preço mais
baixo para o consumidor final e concede às empresas que os
produzem os chamados Subsídios, estímulos que visam diminuir
o custo de produção de um bem ou de um serviço.

Componentes do PIB
Podemos mostrar o PIB através da equação abaixo:

PIB = C + I + G + X – M

Onde:
C = consumo das famílias
I = investimento
G = gastos do governo
X = exportações
M = importações

Em suma, o PIB é igual ao conceito de despesa nacional


mostrado anteriormente:

Produto = renda = despesas

Considerando a presença do Estado nas atividades econômicas,


há duas maneiras de se medir o Produto Interno Bruto (PIB) de
uma economia:

Unidade 1 33
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ PIB a preços de mercado: é a soma dos valores


monetários dos bens e serviços produzidos,
computando-se os impostos indiretos e
subtraindo-se os subsídios;
„„ PIB a custo de fatores: é a soma dos valores
monetários dos bens e serviços produzidos,
subtraindo-se os impostos indiretos e somando-se
os subsídios.

Como você aprendeu, a presença do governo num sistema


econômico tem a possibilidade de modificá-lo através do
seu efeito sobre o preço dos bens e dos serviços e sobre a
remuneração dos fatores de produção.

Vamos supor um Sistema Econômico Z, onde, em um


exercício, acusou o PIB a preços de mercado no valor
de 250 bilhões. Para obter o PIB a custo de fatores,
ou seja, descontando-se os impostos indiretos (que
são os impostos pagos pelas pessoas físicas, de
forma indireta no preço dos produtos) e os subsídios
(que são benefícios oferecidos pelo governo para
incrementar a produção de determinados bens),
teremos:
250 bilhões (Produto Interno Bruto a preços
de mercado)
-50 bilhões (Impostos Indiretos)
+40 bilhões (Subsídios)
= 240 bilhões (Produto Interno Bruto a custo
de fatores)

Produto Interno Líquido (PIL)


Durante o processo produtivo, as máquinas, equipamentos e
instalações desgastam-se. Sofrem o processo de depreciação
e necessitam ser reparados ou substituídos com certa
regularidade, para não diminuir a capacidade produtiva de
um Sistema Econômico.

34
Análise Macroeconômica

A parcela do produto que se destina à reposição ou


reparos dos equipamentos denomina-se Depreciação.

Para a obtenção do Produto Interno Líquido: subtraímos do


PIB a custo de fatores a parcela correspondente à depreciação e
obteremos o Produto Interno Líquido (PIL) a custo de fatores,
agregado que determina a Renda Interna Líquida disponível ao
Sistema Econômico.

Continuando com o exemplo anterior:


240 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de fatores)
-50 bilhões (Depreciação)
= 190 bilhões (Produto Interno Líquido a custo de
fatores ou Renda Líquida)

Produto Nacional Líquido (PNL)


Para a obtenção do Produto Nacional Líquido subtraímos do
Produto Interno Líquido a custo de fatores a Renda Enviada
ao Exterior (renda enviada pelos funcionários de empresas
multinacionais residentes no país, ou funcionários de embaixadas)
e somamos a Renda Recebida do Exterior (renda recebida do
exterior por residentes nacionais de fora do país – o inverso da
renda enviada) obtendo-se assim o Produto Nacional Líquido a
custo de fatores (PNL cf ), ou Renda Nacional Líquida a custo de
fatores ( RNL cf ), também denominada Renda Nacional (RN).

Considerando o exemplo anterior:


190 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de
fatores)
-20 bilhões (Renda Enviada ao Exterior)
+15 bilhões (Renda Recebida do Exterior)
= 185 bilhões (Produto Nacional Líquido a
custo de fatores, ou Renda Nacional Líquida a
custo de fatores, ou Renda Nacional (RN).

Unidade 1 35
Universidade do Sul de Santa Catarina

Consumo das famílias


A variável consumo refere-se aos gastos que as pessoas fazem
com bens de consumo, tais como: alimentos, roupas, remédios,
supérfluos, etc.

Investimento
A variável investimento refere-se aos investimentos feitos pelas
empresas com o objetivo de aumentar a produção.

Quando uma empresa compra uma nova máquina,


consideramos que houve um investimento.

Gastos do governo
Os gastos do governo referem-se às diversas despesas deste.

O pagamento de funcionários públicos, a construção


de novas escolas e hospitais são alguns dos gastos do
governo.

Exportações e importações
Ao nos referirmos às exportações e importações, queremos
enfatizar que o comércio exterior também interfere na formação
do PIB de um país. Note que, na fórmula de cálculo do PIB,
a variável importações (M) é a única com o sinal negativo,
significando que, quando aumentam, há uma redução no PIB
(caso não ocorra variação em nenhuma outra variável).

Veja no quadro abaixo como estas variáveis contribuíram para a


formação do PIB brasileiro nos anos de 2007 e 2008.

36
Análise Macroeconômica

Tabela 1.2 – Componentes do PIB em 2007 e 2008 pela Ótica da Despesa


Ano de 2007 - Valores Ano de 2008 - Valores
Especificação Correntes (R$ milhões) Correntes (R$ milhões)
Despesas de Consumo 1.579.616 1.753.414
das Famílias
Despesas de Consumo da 517.287 584.408
Administração Pública
Formação Bruta de 455.213 548.757
Capital Fixo
Exportações de 355.399 414.257
Bens e Serviços
Importações de Bens e 315.362 409.427
Serviços (-)
Variação de Estoques 5.459 (-) 1.690

Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 fev. 2010.

Agora, veja na tabela seguinte como cada um dos setores


(primário, secundário e terciário) contribuiu para o PIB brasileiro
nos mesmos anos.

Tabela 1.3 – Componentes do PIB em 2007 e 2008 pela Ótica da Despesa.


Setores: Primário, Secundário, Terciário
Ano de 2007 - Valores Ano de 2008 - Valores
Especificação (%) (%)
Correntes (R$ milhões) Correntes (R$ milhões)
Agropecuária 133.015 5,98 163.536 6,87

Indústria 623.721 28,05 682.497 28,66

Serviços 1.466.783 65,97 1.535.021 64,47

Total 2.223.519 100,00 2.381.054 100,00


Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 fev. 2010.

Analisando-se os quadros apresentados, no que diz respeito


à composição do PIB Brasileiro, através das variáveis
macroeconômicas e suas composições e a participação de cada um
dos setores da economia, aponta-se:

Unidade 1 37
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ há um crescimento nas despesas de consumo das


famílias, na proporção de 11,00%; há um crescimento
das despesas de consumo da administração pública na
proporção de 12,98%; há um crescimento da formação
bruta do capital fixo em 20,55%; assim como há um
aumento da exportação de bens e serviços de 16,56%
e um crescimento da importação de bens e serviços na
ordem de 29,82%, porém há um decréscimo na variação
de estoques na ordem de 130,9581%;
„„ verifica-se, também, um crescimento da produção
agropecuária na ordem de 22,95%; um aumento da
produção industrial na ordem de 9,42%; refletidos no
crescimento do setor de serviços na ordem de 7,08%.

Renda pessoal (RP)


A renda pessoal é o agregado macroeconômico destinado aos
consumidores residentes no país. Considere, mais uma vez, a
intervenção do Estado na economia. Se subtrairmos da renda
nacional os lucros retidos pelas empresas, os impostos diretos
das empresas (imposto de renda) e as contribuições feitas à
previdência social, e se somarmos as transferências do governo
(ou seja, as despesas do governo com inativos, pensionistas,
salário-família e outros benefícios pagos pela previdência social
mais os juros pagos), então teremos a renda pessoal (RP).

Seguindo com o exemplo apresentado sobre Os


Agregados Macroeonômicos do sistema econômico Z:

ƒƒ vamos subtrair: os impostos pagos de renda


sobre o faturamento real pago pelas empresas
e as contribuições das mesmas para a
previdência social;
ƒƒ vamos somar: os benefícios pagos pelo
governo aos aposentados e pensionistas, os
juros pagos pelo governo pela ocupação do
capital privado.

38
Análise Macroeconômica

Do resultado obteremos a Renda Pessoal do


sistema econômico
Vejamos os cálculos:
185 bilhões (Produto Nacional Líquido a custo
de fatores)
-70 bilhões (Imposto de Renda das empresas e
contribuições à previdência social)
+50 bilhões (Benefícios pagos pela
previdência social)
+50 bilhões (Juros Pagos pelo governo)
= 170 bilhões (Renda Pessoal)

Renda pessoal disponível (RPD)


Se você subtrair da renda pessoal os impostos diretos pagos pelas
pessoas, ou seja, imposto de renda, chegará ao conceito de Renda
Pessoal Disponível (RPD), que é a quantia que permanece em
poder das pessoas para ser consumida ou poupada.

Note que a produção realizada por um sistema econômico é


destinada à satisfação das necessidades das pessoas. Esse sistema
econômico não permanece estável no decorrer do tempo, ele se
modifica, cresce e atravessa crises, tudo isso com consequências
sobre as pessoas que o integram.

Finalizando o exemplo do sistema econômico Z,


vamos subtrair o imposto de renda das pessoas físicas
pelos seus rendimentos anuais, alcançando, assim, a
renda pessoal disponível ao alcance da população.
Vejamos os cálculos:
170 bilhões (Renda Pessoal)
-30 bilhões (Imposto de Renda pago pelas
pessoas)
= 140 bilhões (Renda Pessoal Disponível)

Unidade 1 39
Universidade do Sul de Santa Catarina

Tabela 1.4 – Demonstração do Cálculo da Renda Pessoal Disponível,


aplicado ao Sistema Econômico Z
(+) PIB pm 250
(-) Impostos Indiretos 50
(+) Subsídios 40
(=) PIB cf 240
(-) Depreciação 50
(=) PIL cf 190
(-) Renda Enviada ao Exterior 20
(+) Renda Recebida do Exterior 15
(=) PNL cf 185
(-) Imposto de Renda das Empresas e Contribuições à Previdência Social 70
(+) Benefícios pagos pela Previdência Social 50
(+) Juros Pagos pelo Governo 5
(=) Renda Pessoal 170
(-) Imposto de Renda Pago pelas Empresas 30
(=) Renda Pessoal Disponível 140
Fonte: SILVA; Luiz, 2007, p. 54 a 58.

Tabela 1.5 - Quadro Demonstrativo Completo dos Agregados


Macroeconômicos
(+) PIB pm
(-) Impostos Indiretos
(+) Subsídios
(=) PIB cf
(-) Depreciação
(=) PIL cf
(-) Renda Enviada ao Exterior
(+) Renda Recebida do Exterior
(=) PNL cf
(-) Lucros Retidos Pelas Empresas
(-) Aluguéis Pagos ao Governo
(-) Imposto de Renda das Empresas
(-) Contribuições à Previdência Social
(+) Transferências do Governo ( benefícios, aposentadorias, etc ).
(+) Juros Pagos pelo Governo
(=) Renda Pessoal
(-) Imposto de Renda Pago pelas Familias
(=) Renda Pessoal Disponível
Fonte: SILVA; Luiz, 2007, p. 54 a 58.

40
Análise Macroeconômica

Vimos que a produção realizada por um Sistema Econômico,


medida através da contabilidade nacional, é destinada à satisfação
das necessidades das pessoas, sendo também um dos campos de
interesse dos economistas, ou seja, o bem-estar dos habitantes
do país. O cálculo da Renda Pessoal Disponível através dos
agregados macroeconômicos possibilita obter o valor da mesma
e verificar o nível de bem-estar da população de um sistema
econômico.

As taxas de crescimento do produto e da renda de uma economia


refletem-se na Renda Per Capita de um país, ou seja, é a renda
de um país, em um determinado período de tempo, dividida pela
população do país no mesmo período de tempo.

A Renda Per Capita é dividida em:

„„ Distribuição interregional de renda: forma como a


renda nacional de um país, em um período de tempo, é
distribuída entre as regiões desse país;
„„ Distribuição funcional de renda: forma como a renda
de um país, em um período de tempo, é distribuída entre
os fatores trabalho e capital.

O cálculo da distribuição de renda envolve diferentes aspectos,


os quais dificultam conclusões a respeito do bem-estar de um
país e de seus habitantes. Se os fatores de produção estão mais
concentrados em uma região, é de esperar que a renda per capita
dos habitantes dessa região seja maior do que a renda per capita dos
habitantes das demais regiões do país. A forma como é efetuado
o cálculo da distribuição de renda não leva em consideração a
concentração populacional de uma região, em detrimento de outra.
Outro fator importante que se deve considerar é a remuneração
do capital, que vai para o seu proprietário, o capitalista, que é
uma pessoa residente no país, portanto o proprietário do capital
“receberá” uma parcela maior da renda do que aquela que lhe é
atribuída pelo conceito de renda per capita.

O aumento do nível da renda per capita pode indicar que


aumentou o nível do bem-estar social do país como um todo,
porém, de forma individual, não apresenta esta indicação, pois,
em algumas regiões, a população não tem acesso a serviços de
saúde, transporte, educação e saneamento básico, por exemplo.

Unidade 1 41
Universidade do Sul de Santa Catarina

A distribuição de Renda Per Capita será válida quando


conseguir representar uma distribuição que ocorre de
forma completa e equitativa.

Um dos campos de interesse dos economistas e, também, do


governo é o nível de bem-estar dos habitantes de um país. Esse
nível de bem-estar, apesar de ser um conceito subjetivo, pode
ser aproximado através da quantidade de bens e de serviços
disponíveis, por um período de tempo, para as pessoas.

Se a quantidade de bens e serviços disponíveis aumentou de um


ano para outro, mais do que o aumento da população, pode-
se dizer que aumentou o bem-estar das pessoas desse país.
Isso aconteceria, de fato, se o aumento do produto (lembre que
produto é renda) tivesse sido distribuído igualmente entre as
pessoas.

As observações acima nos permitem concluir que há virtudes


e limitações nos agregados macroeconômicos. Como virtude,
destacamos que:

„„ os agregados servem para o estudo e acompanhamento


da evolução do sistema econômico no decorrer do tempo;
„„ através dos seus vários conceitos, é possível avaliar o
papel do governo, do setor externo e das empresas na
economia.

Você deve notar, contudo, que há uma limitação da contabilidade


nacional como instrumento de análise. A contabilidade nacional
não nos diz de que forma o produto é distribuído entre os
habitantes do país. Assim, uma economia pode apresentar taxas
de crescimento elevadas de seu produto, mas isto não quer dizer
que o crescimento seja igualmente distribuído entre as pessoas.

Nesse caso, fica difícil dizer alguma coisa a respeito do nível


de bem-estar, pois o bem-estar de algumas pessoas aumentou,

42
Análise Macroeconômica

mas, o de outras, não. Veja o caso do Brasil, o qual representa


um exemplo clássico da limitação da contabilidade nacional para
avaliar como a produção é distribuída entre os brasileiros.

De qualquer forma, a contabilidade nacional tem-se mostrado


útil para analisar o funcionamento do sistema econômico como
um todo, pois fornece ao governo elementos que permitem dirigir
as medidas de política econômica para os objetivos estabelecidos.

Síntese

Nesta unidade, você aprendeu alguns dos principais


conceitos macroeconômicos e conheceu os seus agregados. A
macroeconomia, através da contabilidade social, efetua o cálculo
da renda e do produto de uma economia, permitindo, assim, uma
maior compreensão das interações entre os agentes econômicos.

Conheceu também o conceito de PIB (Produto Interno Bruto),


sua formação e composição e o conceito de Renda Per Capita, sua
fórmula de cálculo e a forma de análise de sua composição.

Nas próximas unidades, você aprenderá mais sobre a


macroeconomia, especificamente, sobre a importância do
consumo e da poupança e suas contribuições para a formação dos
investimentos e a participação do governo na economia de um país.

Unidade 1 43
Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação

Caro(a) aluno(a), leia cada enunciado com atenção e responda às


questões que seguem.
1. Por que é importante estudar a contabilidade nacional?

2. Nesta unidade, você aprendeu o conceito de PIB.

Descreva-o e responda: Por que você considera que é importante para um


empresário conhecer o PIB da região onde pretende montar uma nova
empresa?
3. Por que dizemos que a renda é igual ao produto?

44
Análise Macroeconômica

Saiba mais

Você pode saber mais sobre o assunto, visitando o site do Instituto


Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 27 fev. 2011.

Consulte também:

SILVA, César Roberto L.; SINCLAYR, Luiz. Economia e


mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 1996.

TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à


economia. ed. rev. e atual. São Paulo: Makron Books, 2009.

MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura


econômica: entendendo a economia no dia-a-dia. Campo
Grande: Editora Oeste, 2001.

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.

Você também pode estudar o livro Conjuntura econômica, ao


acessá-lo gratuitamente no site <www.qualimetria.ufsc.br>.

Unidade 1 45
2
UNIDADE 2

Determinação da renda e do
produto nacional: o mercado
de bens e serviços – consumo,
poupança e investimento

Objetivos de aprendizagem
„„ Entender a relação entre consumo e poupança, no
processo de formação da renda.
„„ ompreender o significado de investimentos, no
C
sentido macroeconômico.

Seções de estudo
Seção 1 Contexto histórico

Seção 2 Consumo das famílias

Seção 3 Poupança

Seção 4 Investimentos
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Esta unidade e a seguinte tratam da determinação da renda
e do produto nacional. Nesta unidade, faremos uma breve
introdução ao estudo da macroeconomia. Após, estudaremos
dois agentes econômicos: as famílias (que consomem e poupam)
e as empresas (que investem para aumentar sua capacidade
produtiva). Na unidade seguinte, damos continuidade ao assunto
ao introduzirmos o governo e suas políticas na nossa análise.

Seção 1 – Contexto histórico


Até 1930, os economistas acreditavam que o livre mercado se
encarregaria de equilibrar o fluxo econômico, conduzindo a
economia, naturalmente, ao pleno emprego de recursos. Porém a
crise econômica atingiu todo o planeta a partir de 1929, quando
ocorreu a quebra da bolsa de Nova Iorque. Esta crise implicou
uma significativa queda da atividade econômica, aumento do
desemprego e da capacidade ociosa. O evento evidenciou que o
mercado, por si, não tem condições de conduzir a economia ao
pleno emprego.

Com isso, em 1936, o economista britânico John Maynard


Keynes desenvolveu sua teoria no livro Teoria Geral do
John Maynard Keynes nasceu Emprego, dos Juros e da Moeda (1936), cuja ideia central
na Inglaterra, em 1883, e é
considerado o mais célebre
se baseia no pressuposto de que a intervenção do governo
economista da primeira metade é necessária para regular a atividade econômica e levar a
século XX, pai da macroeconomia. economia ao pleno emprego.
As suas ideias revolucionárias
levaram à adoção de políticas O governo, por meio de seus gastos, é um elemento fundamental
intervencionistas do Estado,
a fim de criar estímulos ao para eliminar o quadro recessivo e de desemprego. É que, ao
desenvolvimento econômico. aumentar seus gastos, o governo estaria aumentando a demanda
A sua teoria macroeconômica, agregada e, consequentemente, o nível de produção, o que irá
desenvolvida em plena permitir que as empresas ocupem sua capacidade ociosa e elevem
depressão econômica dos anos
30, previa que uma economia a demanda de mão de obra.
poderia permanecer abaixo da
sua capacidade, com taxas de A tabela 2.1 mostra a situação nos Estados Unidos entre 1929 e
desempregos altas.
1934, auge da crise econômica.

48
Análise Macroeconômica

Tabela 2.1 – Situação econômica dos Estados Unidos entre 1929 e 1934
Anos
Indicadores de desempenho
1929 1933 Var%
NÍVEL GERAL DE PREÇOS: IPC 1929 = 100 100 75,4 -24,6%

Procura agregada em US$ bilhões

Dispêndios de consumo das famílias 77,5 45,9 -40,8%

Investimento das empresasw 16,7 1,7 -89,8%

Dispêndios do governo 8,6 7,9 -8,1%

Procura externa líquida 0,4 0,1 -75,0%

Produto Nacional Bruto 103,2 55,6 -46,1%

Taxa de desemprego (% sobre força de trabalho) 3,2 24,9 679,1%


Fonte: BAUMOL, 1994, p.136.

Note que todos os indicadores sofreram variações negativas.


Apenas a variável desemprego aumentou, mostrando claramente
que a situação nos EUA era de crise significativa.

Desde Keynes, o paradigma da teoria macroeconômica tem sido


o debate sobre o grau de intervenção do Estado na economia.
Esta parte do estudo é chamada de teoria da determinação do
equilíbrio da renda nacional, ou modelo keynesiano básico.
Há duas abordagens neste estudo: o lado real (mercado de bens
e serviços e mercado de trabalho) e o lado monetário (mercado
de moedas e títulos). Nesta unidade e na seguinte, analisaremos o
lado real. Na unidade 4, o lado monetário.

Conceitos importantes
Dois conceitos básicos são importantes para você compreender a
teoria da determinação do equilíbrio da renda nacional, ou modelo
keynesiano básico: o de oferta agregada e o de demanda agregada.

Oferta Agregada (OA) – A oferta agregada, também conhecida


como oferta de mercado ou oferta global, é a quantidade (da
produção) de bens e serviços finais que o conjunto de ofertantes
produz e oferece no mercado, ou seja, são colocados à disposição da

Unidade 2 49
Universidade do Sul de Santa Catarina

sociedade em um dado período. É o próprio produto real, ou PIB.


A oferta agregada varia em função da disponibilidade de fatores
de produção (terra, capital e trabalho). Determina-se a oferta
agregada, somando-se as ofertas individuais a cada nível de preço.

Há dois tipos de oferta agregada:

Oferta agregada efetiva – refere-se à produção que é de fato


colocada no mercado. Esta depende de todos os fatores que
influenciam a oferta individual, além do número de ofertantes no
mercado (ou seja, para que se torne efetiva, há a necessidade do
emprego de todos os fatores de produção.

Oferta agregada potencial – refere-se à quantidade máxima que


a economia pode produzir quando todos os fatores de produção
estão sendo empregados (ou seja, no pleno emprego).

Como a análise da teoria keynesiana é uma análise de curto


prazo, ela supõe que a oferta agregada potencial permanece
constante no curto prazo. A oferta agregada potencial só se
altera se houver uma mudança na quantidade física dos fatores de
produção ou no grau de tecnologia.

Outro conceito importante é o de demanda Agregada (DA).


A demanda agregada é a soma das demandas dos quatro agentes
macroeconômicos: despesas das famílias com bens de consumo
(C), investimentos das empresas (I), gastos do governo (G),
exportações (X) e importações (M). Podemos representar esta
relação do seguinte modo:

DA = C + I + G + X - M

Como a oferta agregada potencial não se altera no curto prazo,


dados os estoques de fatores de produção, as alterações do nível
de renda e do produto nacional devem-se exclusivamente às
variações na demanda agregada de bens e serviços. Ou seja,
as flutuações na demanda agregada são as responsáveis pelas
variações do produto e da renda nacional a curto prazo.

Assim, as políticas fiscais adotadas pelo governo, através da


política monetária (determinação da taxa de juros) e a política fiscal

50
Análise Macroeconômica

(determinação das alíquotas dos impostos e gastos do governo),


influenciam a demanda agregada, com o intuito de alcançar metas
de crescimento e emprego, pois refletem no consumo das famílias
e, consequentemente, nos investimentos empresariais.

Seção 2 – Consumo das famílias


Pense no caso de uma pessoa que recebe seu salário, que é
a remuneração do seu trabalho, no final do mês. Com esse
salário, que é sua renda pessoal disponível, ela realizará
uma série de gastos necessários para a sua sobrevivência e a
satisfação de suas necessidades.

A Renda Disponível (RD) é a Renda Bruta menos os


descontos como impostos e contribuições sociais.

Podemos representar esta relação assim:

Renda disponível (RD) = renda bruta - descontos

Há estudos empíricos que mostram que a decisão de consumo


de uma população é influenciada fundamentalmente pela renda
nacional disponível (RND).

Assim, temos que:

C = f (RND)

Onde:
C = consumo agregado;
RND = renda nacional disponível.

Unidade 2 51
Universidade do Sul de Santa Catarina

Um conceito importante criado por Keynes, relativo ao consumo


das famílias, é o de propensão marginal a consumir (PMgC).
Este conceito refere-se à variação esperada no consumo dada uma
variação na renda disponível. Por outras palavras, designa a parte
da renda que é despendida para o consumo. O total que uma
comunidade gasta em consumo depende:

do montante de sua renda;

de várias circunstâncias objetivas, tais como as variações nas


unidades salariais e o nível de distribuição e os controles
governamentais;

das necessidades subjetivas, inclinações psicológicas e hábitos dos


indivíduos.

Resumidamente, é a propensão que as pessoas têm ao consumo,


dada uma variação na renda. Matematicamente, tal relação é
expressa pela seguinte equação:

∆C
PMgC =
∆RND

Onde:
PMgC = propensão marginal a consumir;
∆C = consumo;
∆RND = renda nacional disponível.

Os gastos com consumo podem ser divididos em três


componentes, dependendo da natureza do bem ou do serviço
que for adquirido. Acompanhe-os a seguir.

„„ Bens de consumo não duráveis. São bens cuja vida


útil é relativamente curta, como alimentos, roupas e
combustível.
„„ Serviços de consumo. Compreendem as despesas feitas
com aluguel, médicos, barbeiro, cinemas, transporte, etc.
O que distingue os bens não duráveis dos serviços de
consumo é o fato de que, no segundo caso, a pessoa não

52
Análise Macroeconômica

está comprando um objeto com existência física própria,


mas um serviço prestado por outra pessoa ou por um
equipamento.
„„ Bens de consumo duráveis. Como eletrodomésticos em
geral, automóveis, móveis, etc. Estes bens têm vida útil
maior do que os bens não duráveis de consumo.

O nível do bem-estar ou desenvolvimento econômico de um


país ou região pode ser medido através do consumo dos bens
ofertados e consumidos. Um elevado consumo de bens duráveis
indica que o nível de renda das famílias aumentou ou está em
crescimento. Da mesma forma, o aumento do uso de serviços
de saúde particulares e gastos em entretenimento, como viagens
e idas ao cinema, indica aumento de renda e uso da mesma não
apenas em bens de consumo duráveis: há um aproveitamento
maior da renda familiar.

Segundo Keynes, os principais fatores que influenciam a


propensão a consumir são:

„„ A unidade de salário. Para o autor,

[...] se a unidade de salário varia, o gasto em consumo


correspondente a certo nível de emprego variará, assim
como os preços, na mesma proporção, ainda que, em
certas circunstâncias, tenhamos que levar em conta as
possíveis consequências sobre o consumo agregado de
uma mudança na distribuição de renda real entre os
empresários e os rentiers, provocada por uma variação na
unidade de salário. (KEYNES, 1985, p.72). O termo francês  Rentiers
designa as pessoas que
„„ A variação na diferença entre renda e renda líquida. vivem de rendimentos
Segundo Keynes: provenientes de juros de
títulos governamentais, ou
da posse de capitais
É a renda líquida que o indivíduo tem em mente, antes de
mais nada, quando decide a escala de seu consumo. Em
determinada situação pode existir certa relação estável
entre ambos os conceitos, no sentido de que haverá uma
função relacionando de maneira biunívoca os diversos
níveis de renda aos correspondentes níveis de renda líquida.
Entretanto, se não for o caso, a parte da variação da renda
que não afete a renda líquida, deve ser negligenciada, pois
não influi sobre o consumo e, de forma semelhante, deve
ser levada em conta a variação na renda líquida que não
reflita na renda. (KEYNES, 1985, p.73).

Unidade 2 53
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ Variações imprevistas nos valores de capital. O autor


afirma que,

Estas variações têm importância muito maior para


modificar a propensão a consumir por não guardarem
nenhuma relação estável ou regular com o montante da
renda. O consumo das classes proprietárias de riqueza
pode ser extremamente suscetível às variações imprevistas
no valor nominal de seus bens. Este fator deve ser
considerado entre os mais importantes daqueles capazes
de ocasionar variações de curto prazo na propensão a
consumir. (KEYNES, 1985, p.73).

„„ Variações na taxa internacional de desconto,

[...] isto é, na relação de troca em ter os bens presentes


e os bens futuros. A influência deste fator sobre a
propensão em que se gasta determinada renda está sujeita
a muitas dúvidas. Para a teoria clássica da taxa de juros,
que se baseia na ideia de ser a taxa de juros o fator de
equilíbrio entre a oferta e a procura de poupança, era
conveniente supor que as despesas de consumo, cet.
par., variassem na razão inversa das variações na taxa de
juros, de maneira que qualquer elevação da taxa de juros
diminuiria consideravelmente o consumo. (KEYNES,
1985, p.73).

„„ Variações na política fiscal. Conforme o autor,

À medida que o incentivo do indivíduo para poupar


depender dos futuros rendimentos que espera, ele
evidentemente dependerá não só da taxa de juros, como
também da política fiscal do Governo. [...] Se a política
fiscal for usada como um instrumento deliberado para
conseguir maior igualdade na distribuição das rendas,
seu efeito sobre o consumo da propensão a consumir será,
naturalmente, tanto maior. (KEYNES, 1985, p.73)

„„ Modificações das expectativas acerca da relação entre os


níveis presentes e futuros de renda. Keynes afirma que
este fator pode “[...] afetar consideravelmente a propensão
a consumir de um indivíduo, é provável que, quando se
trata da comunidade como um todo, seus efeitos tendem
a compensar-se.” (1985, p. 74).

54
Análise Macroeconômica

Assim, partindo destas afirmações de Keynes, chega-se à


conclusão de que poderemos considerar a propensão a consumir
como uma função relativamente estável, desde que tenhamos
eliminado as variações na unidade de salário em termos de
moeda. As demais variáveis, tais como, flutuações imprevistas nos
valores de capital, variações na taxa de juros e na política fiscal,
afetam a propensão a consumir, não devendo ser desprezadas
mesmo que se apresentem sem importância em circunstâncias
consideradas comuns. (KEYNES, 1985).

Não podemos esquecer que os gastos com consumo dependem


do volume de produção e do emprego, porém os demais fatores
devem ser considerados para justificar e compor a propensão
a consumir, porque possuem a característica de variação de
percentuais e a renda agregada, que é medida em unidades de
salário e a principal variável de que depende o componente de
consumo da função procura agregada.

Seção 3 – Poupança
Conforme você aprendeu, as pessoas podem com a sua renda
consumir bens não duráveis, e serviços e bens duráveis. Mas as
pessoas também podem consumir todos os produtos que acharem
necessários durante o mês, e ainda pode restar uma parte da
renda. Essa parte da renda que não é consumida chama-se
poupança. Esta relação entre renda, consumo e poupança pode
ser representada do seguinte modo:

Sendo a

Renda = Consumo + Poupança,

então

Poupança = Renda - Consumo

Unidade 2 55
Universidade do Sul de Santa Catarina

Esta identidade também pode ser expressa da seguinte forma:

S=Y-C

Onde:
S = poupança (Saving em inglês);
Y = renda (Yield em inglês);
C = consumo (consumption em inglês).

Desta forma, há apenas duas coisas que as pessoas podem fazer


com suas rendas: consumir ou poupar. Em outras palavras,
significa dizer que a renda é composta pelo consumo e pela
poupança. Segundo Keynes:

A igualdade entre a poupança e o investimento é


uma consequência natural, em resumo: renda é igual
ao valor da produção, que é igual ao consumo mais
investimento; poupança é igual a renda menos o
consumo; portanto, poupança é igual ao investimento.
A equivalência entre a quantidade de poupança e
a quantidade de investimento decorre do caráter
bilateral das transações entre o produtor, de um lado,
e o consumidor ou o comprador de equipamento de
capital de outro lado. A renda cria-se pelo excedente
do valor que o produtor obtém da produção que
vendeu sobre o custo de uso, mas a totalidade desta
produção deve ter sido vendida, obviamente, a um
consumidor ou a outro empresário, e o investimento
corrente de cada empresário é igual ao excedente
sobre o próprio custo de seu uso do equipamento
que comprou a outros empresários. Portanto, em
conjunto, o excedente da renda sobre o consumo,
a que chamamos poupança, não pode diferir da
adição a equipamento de capital, a que chamamos
investimento. (1985, p. 53-54)

56
Análise Macroeconômica

Saiba mais sobre a importância de saber poupar!


Poupar é uma arte. E, já está provado, traz significativos
resultados para os poupadores em longo prazo. E
é justamente quando falamos de tempo que está o
problema da poupança.
Nos manuais de economia, poupança é definida como
sendo o consumo futuro. Ou seja, uma compra que
adiamos hoje com o intuito de comprar algo no futuro.
Como comprar ou consumir dá prazer a muitas pessoas,
é difícil adiar o prazer de hoje pensando num prazer
futuro. É preciso deixar claro que, quando falo em
poupança, não me refiro especificamente às cadernetas
de poupança, mas a toda e qualquer forma de
economizar dinheiro, seja aplicando em ações, títulos
do governo, fundos de renda fixa, dentre outros.
Mas não fosse a arte de poupar e a mágica dos juros
compostos, jamais poderíamos comprar produtos
que, à vista, não temos condições de fazê-lo. Uma
pequena parcela poupada a cada mês pode, ao final
de um grande período, render bons frutos para quem
for disciplinado.
E não é simples pensarmos em um período longo
de tempo, porque sempre há aquela pessoa que diz:
“Aproveite a vida! Por que fazer amanhã o que pode
fazer hoje?” E é realmente uma arte resistir às tentações
consumistas do mundo moderno.
Os americanos são conhecidos como grandes
gastadores, e nós brasileiros não ficamos atrás. No
entanto é preciso lembrar que lá a taxa de juros bem
reduzida é um convite ao consumo, enquanto aqui juros
elevados clamam pelo aumento das taxas de poupança.
Portanto poupar exige disciplina e um objetivo futuro.
Sem um objetivo, seja ele um carro, uma viagem, um
apartamento, dificilmente poupamos. Mas vale a pena.

Unidade 2 57
Universidade do Sul de Santa Catarina

A poupança também está diretamente relacionada à renda


disponível. Define-se também a propensão marginal a poupar
(PMgS) como a variação da poupança quando ocorre uma
variação na renda. Essa variável é muito importante para a
política econômica, pois estudos empíricos mostram que os países
mais pobres apresentam propensão marginal a poupar menor
que os países mais ricos. O que implica dizer que as populações
dos países mais pobres tendem a gastar quase a totalidade de sua
renda em bens de consumo.

Em um determinado sistema econômico, os registros


dos agregados macroeconômicos apontaram as
seguintes situações em um período de tempo de sete
meses:
ƒƒ Renda – Poupança – Consumo (1.000 $)
ƒƒ Sistema Econômico Z – Ano H

Tabela 2.2 – Agregados macroeconômicos do Sistema Econômico Z

Renda (Y) Consumo (C) Poupança (S)


0 10 - 10
25 30 -5
50 50 0
75 70 5
100 90 10
125 110 15
150 130 20
Fonte: Dados Fictícios.

Verifica-se que uma renda inicial é igual a 0 unidade


e a necessidade de consumo é de 10 unidades. A
propensão marginal para poupar será negativa,
inicialmente de -10; à medida que se eleva a renda,
ocorre o aumento do consumo e a possibilidade de
aumento da propensão marginal a poupar, o que eleva
os níveis de satisfação da renda do sistema econômico.
A equação da função poupança linear se obtém
através da diferença da função consumo, sendo
representada por:

S=Y–C
S = Y – (a + bY)

58
Análise Macroeconômica

Em nosso exemplo, as propensões marginais para


consumir e poupar são respectivamente:
1° Calculamos as variações (∆).
Variação do Consumo e Variação da Renda:
ƒƒ Variação do Consumo: ∆C = Cf – Ci = 30 – 10 = 20
ƒƒ Variação da Renda: ∆Y = Yf – Yi = 25 – 0 = 25

PMgC = ∆C/∆Y = 20/25 = 4/5 = 0,80 (Propensão


Marginal a Consumir).
Desta forma, se a propensão marginal para consumir
é igual a 0,80 então a propensão correspondente à
poupança será necessariamente 0,20.

Aplicando a fórmula:

∆C/∆Y + ∆S/∆Y = 1

Onde:
∆S/∆Y = 1 - ∆C/∆Y
PMgS = 1 – PMgC = 1 – 0,80 = 0,20

A equação da poupança será:

S = Y – a – by

Calculando, teremos:
S = Y – 10 – 0,80y
S = - 10 + 0,20Y

Para a renda igual a 150, teremos:


S = - 10 + (0,20 X 150)
S = - 10 + 30
S = 20

Agora você deve estar pensando: o que se faz com a poupança? Para
poder responder a essa pergunta adequadamente, é necessário
antes acompanhar algumas considerações sobre o lado real do
sistema econômico.

Unidade 2 59
Universidade do Sul de Santa Catarina

Até agora foi apresentado o fluxo monetário do sistema


econômico, o lado da renda. Lembre, ainda, que o fluxo real,
ou lado real da economia, corresponde aos bens e serviços
produzidos em determinado período de tempo.

Você também já aprendeu que o lado real é igual ao lado


monetário, ou seja, a renda é igual ao produto. Esta igualdade
indica que o total dos bens e serviços produzidos em um período
de tempo é vendido, para que a receita das vendas remunerasse
os fatores de produção. Já se pode, portanto, concluir que a renda
disponível é o principal determinante do consumo.

Uma parte do produto, isto é, dos bens e serviços produzidos, não


será vendida, havendo uma variação, num determinado período
de tempo, nos estoques do sistema econômico.

Como o estoque de uma economia é formado pelos bens que não


foram vendidos, no período de tempo em que foram produzidos,
mais o estoque no início do período, você pode considerar que a
variação de estoques em um período de tempo é igual à poupança
no mesmo período.

Do ponto de vista real do sistema econômico, a


formação de estoque significa investimento.

Vejamos, então, maiores detalhes sobre o investimento, na


seção a seguir!

Seção 4 – Investimentos

Você sabe o que é investimento?

Investimento é o acréscimo em estoque de capital que leva ao


acréscimo da capacidade produtiva (construções, instalações,
máquinas, etc.) (VASCONCELLOS; GARCIA, 2004).

60
Análise Macroeconômica

Ou seja, investimento é a aplicação de recursos


em empresas (novas empresas ou ampliação das
empresas já existentes). Tais investimentos devem, ao
final de um período, gerar lucro para o empresário.

Conforme o Dicionário de Economia (SANDRONI, 1992),


investimento é a aplicação de capital em meios que levam ao
aumento da capacidade produtiva, ou do produto.

Para investir, as empresas precisam de capital. Este capital está


disponível para elas nos bancos. Mas o capital ou dinheiro que
está nos bancos pertence às pessoas e famílias que guardam seu
dinheiro. E é justamente esse dinheiro que os bancos emprestam
às empresas.

Investimentos são compras de bens de Capital,


bens utilizados na fabricação de outros bens, mas
que não se desgastam totalmente no processo
produtivo. É o caso de máquinas, equipamentos
e instalações. Este conceito também pode ser
aplicado, por exemplo, a um carro de passeio,
quando este é utilizado por um taxista. Ou seja,
um bem pode ser um bem de consumo, se for para
consumo próprio; ou bem de capital, caso seja
utilizado para gerar renda para seu proprietário.

Neste sentido, pode-se dizer que a poupança é igual ao


investimento, no mesmo período. Isto nos leva à igualdade
fundamental da macroeconomia, representada por:

S=I

Onde:
S = poupança;
I = investimento.

Em resumo, podemos dizer que o investimento se manifesta de


três maneiras:

Unidade 2 61
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ construção de novas fábricas e máquinas para as


empresas;
„„ construção de novas casas residenciais;
„„ variação dos estoques.

O estudo dos investimentos é de suma importância para a atividade


econômica, pois são as empresas que, ao investir, geram empregos
e renda para a população. Entretanto a variável investimento
apresenta grande instabilidade, pois seu comportamento é de
difícil previsão, por depender não apenas de fatores econômicos, mas
também das expectativas em relação ao futuro.

Você sabe quais são os principais determinantes do


investimento?

„„ A taxa de rentabilidade esperada ou taxa de retorno:


A taxa de rentabilidade ou taxa de retorno é calculada
a partir da estimativa do retorno líquido esperado pela
aquisição do bem de capital. Esses valores são calculados
em matemática financeira, por meio do valor presente
ou valor atual dos retornos futuros. Ou seja, da renda
esperada ao longo da vida útil do bem de capital,
descontando-se a inflação futura, custos de manutenção
e depreciação. A taxa de rentabilidade esperada é
denominada na literatura econômica como eficiência
marginal do capital. Assim, quanto maior a rentabilidade
esperada dos projetos, maiores serão os investimentos das
empresas na ampliação da capacidade produtiva.

„„ Taxa de juros de mercado:


O investimento tem uma relação inversamente
proporcional à taxa de juros. Se a empresa já dispõe de
capital próprio, a taxa de juros representará o quanto a
empresa ganharia se, no lugar de investir em máquinas
e equipamentos, aplicasse o dinheiro no mercado

62
Análise Macroeconômica

financeiro. Caso a empresa precise tomar recursos


emprestados no mercado financeiro para realizar seus
investimentos, a taxa de juros representará o custo
do empréstimo para a empresa. Em suma, podemos
enunciar que, quanto maior a taxa de juros de mercado,
menores serão os investimentos em bens de capital.

Assim, para a tomada de decisão sobre o investimento, as


empresas comparam estas duas taxas:

„„ se a taxa de retorno superar a taxa de juros de mercado,


as empresas investirão em bens de capital e na ampliação
da capacidade de produção;
„„ se a taxa de retorno for inferior à taxa de juros de
mercado, as empresas não investirão, e preferirão aplicar
seus recursos no mercado financeiro.

O multiplicador keynesiano dos gastos


Um dos principais conceitos criados por Keynes foi o de
multiplicador de despesas ou gastos. Ele mostra que, quando
uma economia está com desemprego de recursos, um aumento na
demanda agregada provocará um aumento na renda nacional mais
que proporcional ao aumento da demanda. Isto porque, quando
uma economia está em desemprego, qualquer aumento nas despesas
provoca um efeito multiplicador nos vários setores da economia.

O aumento na renda de um setor implica que os trabalhadores


desse setor gastarão sua renda em outros setores (por exemplo,
alimentos, diversão, vestuário, transporte, etc.), e assim por diante.

Suponha que o governo resolva construir uma


usina hidrelétrica. Ele contratará construtoras que
aumentarão a produção da construção civil e, assim,
a renda dos trabalhadores e empresários deste
ramo. Esta renda será gasta em outros setores,
movimentando a economia.

Unidade 2 63
Universidade do Sul de Santa Catarina

∆RN
K=
∆DA

O multiplicador de despesa ou gastos keynesiano (k) costuma ser


expresso genericamente como:

Onde:
RN = variação da renda nacional;
DA= variação da demanda agregada.

Os mais conhecidos multiplicadores keynesianos são o de gastos


de investimentos (ki) e o de gastos do governo (kg).

Relacionando os conceitos estudados até agora com o sistema


econômico como um todo, podemos concluir que:

„„ o consumo do sistema econômico é a soma das despesas


de consumo realizadas por todas as pessoas, em um
período de tempo;
„„ a soma das poupanças das pessoas é igual à poupança do
sistema econômico;
„„ a poupança da economia é igual ao investimento, que é
formado pela variação nos estoques e pelos gastos dos
empresários para aumentar a capacidade produtiva da
economia.

Multiplicador de Investimentos:
Vamos supor que, para seis períodos, as estruturas de
consumo, ou seja, a PMgC sejam as seguintes: 0,90;
0,80; 0,70; 0,60; 0,50 e 0,40.
Aplicando-se a fórmula de forma integral, teremos:

k = 1/1-∆C/∆Y

64
Análise Macroeconômica

Tabela 2.3 – Multiplicador de investimentos

Fórmula
PMgC =∆C/∆Y Multiplicador
1/1 - ∆C/∆Y
0,90 1/1- 0,90 10,00
0,80 1/1 – 0,80 5,00
0,70 1/1 – 0,70 3,33
0,60 1/1 . 0,60 2,50
0,50 1/1 – 0,50 2,00
0,40 1/1 – 0,40 1,66
Fonte: Dados fictícios.

Assim, quanto mais alta a propensão marginal para


consumir, maior será o multiplicador (k). Isto significa
que, em países ou regiões onde a propensão marginal
para consumir é baixa, é alta a propensão marginal
para poupar, o multiplicador é mais fraco; por outro
lado, quando a estrutura econômica apresentar uma
elevada propensão marginal para consumir, o efeito
multiplicador de novos e continuados investimentos
autônomos tende a ser elevado, provocando
acentuado incremento nos níveis de renda.

Convém lembrar que os empresários são pessoas e que os gastos


em investimentos são feitos, em parte, com suas poupanças,
sendo o restante do investimento feito com a poupança do
sistema econômico. Mais tarde, quando você estudar o Mercado
de Capitais, entenderá como a poupança das pessoas é transferida
para os investimentos.

Unidade 2 65
Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Nesta unidade, você aprendeu a importância de algumas variáveis


como o consumo (que é a parcela da renda utilizada na compra de
bens e serviços) e a poupança (que é a parcela da renda guardada
para ser consumida no futuro, como para se comprar um carro ou
viajar, por exemplo).

Você também aprendeu que a poupança feita pelas pessoas é


canalizada para os investimentos empresariais, pois é no banco
que os empresários contraem empréstimos para abrir novas
empresas ou expandir aquelas já existentes.

Na próxima unidade, você estudará a intervenção do governo


na economia, que é de suma importância, pois o governo é o
principal agente do sistema econômico.

Atividades de autoavaliação

A partir de seus estudos, leia com atenção e resolva as atividades


programadas para a sua autoavaliação.
1. O que são bens de capital? Bens de consumo duráveis? E bens não
duráveis?

66
Análise Macroeconômica

2. Por que poupança é igual a investimento?

3. Quais as consequências para a economia de um aumento da taxa de


juros?

Saiba mais

Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade,


consultando as seguintes referências:

BAUMOL, W. Macroeconomics. New York: McGrawHill,


1994.
TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à
economia. São Paulo: Makron Books, 2009.
WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura
econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo
Grande: Editora Oeste, 2001.

Unidade 2 67
3
UNIDADE 3

Determinação da renda e do
produto nacional: o mercado
de bens e serviços – o papel do
Governo

Objetivos de aprendizagem
„„ Entender o papel do Governo ou Estado em uma
economia de mercado.
„„ Conhecer os principais instrumentos que o governo
utiliza para intervir na economia.

Seções de estudo
Seção 1 As funções do setor público

Seção 2 Os instrumentos do governo

Seção 3 Equilíbrio macroeconômico


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Esta unidade dá continuidade à unidade 2. Aqui introduziremos
o governo como agente econômico. Você verá quais são as
funções do governo na economia e de quais instrumentos ele
dispõe para otimizar o desempenho da economia. No fim da
unidade, você também aprenderá o que é política fiscal e por que
ela é um dos principais instrumentos para o controle do ritmo da
atividade econômica.

Seção 1 – As funções do setor público


O Governo é o principal agente econômico. Além de atuar
por meio de seus gastos, o governo é o formulador da política
econômica. É, então, responsável pelo crescimento econômico. O
setor público é considerado em suas três esferas: União, Estados
e Municípios. Neste sentido, é importante aprender as principais
funções do setor público.

Você sabe quais são as principais funções do setor


público?

As principais funções do governo são:

„„ fiscalizadora: estabelece as alíquotas dos impostos e


taxas e promover suas arrecadações;
„„ reguladora: regula a atividade econômica através de
leis e disposições administrativas. o governo pode
controlar preços (gasolina, por exemplo) e impedir a
formação de cartéis;
„„ provedora de bens e serviços: através das empresas
estatais, pode prover os bens públicos (defesa, saúde,
educação) e bens econômicos (água, energia, telefonia);

70
Análise Macroeconômica

„„ redistributiva: o governo pode distribuir melhor a renda


entre as pessoas, regiões, ou estados, procurando torná-
las mais igualitária (por exemplo: o salário mínimo);
„„ estabilizadora: controla os agregados econômicos, para
evitar recessões.

Política econômica
A Política Econômica é o conjunto de medidas tomadas pelo
governo de um país com o objetivo de atuar e influir sobre os
mecanismos de produção, distribuição e consumo de bens e
serviços. A política econômica obedece a critérios de ordem
política e social, na medida em que determina quais segmentos
da sociedade serão beneficiados com as diretrizes econômicas
emanadas do Estado.

Você sabe quais são os objetivos da política


econômica?

A política econômica tem três grandes objetivos:

„„ maior nível de emprego possível;


„„ estabilidade dos preços, ou seja, controle da inflação;
„„ crescimento da economia.

A participação do Estado na economia

Como o Estado participa na economia?

O Estado participa de um sistema econômico através dos


governos Federal, Estadual e Municipal, desempenhando o papel

Unidade 3 71
Universidade do Sul de Santa Catarina

de dois agentes econômicos: o de consumidor e o de produtor,


conforme ilustrado através da figura a seguir:

Figura 3.1 – Papel do estado na economia


Fonte: Elaboração do autor, 2007.

Quando atua como produtor, o Estado desenvolve ações através


de obras de infra estrutura (nos setores de transporte, educação,
energia e saúde). Estas obras, geralmente, requerem um elevado
investimento e somente geram retorno de capital a longo prazo,
porém promovem bem-estar social e acesso para população de
faixas de renda mais baixas.

72
Análise Macroeconômica

Quando age como consumidor, o Estado adquire a totalidade


de material de expediente necessário para a atuação e o
funcionamento de seus diversos órgãos e repartições públicas e
a contratação de serviços para a manutenção de suas edificações
(tais como unidades escolares, hospitais) e dos bens de uso comum
da população (tais como rodovias, ferrovias, pontes, etc.). Ao
atuar como consumidor, o Estado exerce sua função provedora,
promovendo o consumo de bens e a circulação de valores, mas,
para isto, necessita arrecadar recursos, os quais obtém através de
sua função fiscalizadora de arrecadação de impostos.

Seção 2 – Os instrumentos do governo


Para alcançar seus objetivos e garantir uma melhor qualidade de
vida para a população, o governo utiliza a política econômica.
Esta é feita, normalmente, através de instrumentos de política
fiscal e política monetária:

„„ Política Fiscal: refere-se às decisões do governo sobre


seus gastos e os impostos que arrecada;
„„ Política Monetária: refere-se ao controle da quantidade
de dinheiro que existe em uma economia.

Para sistematizar os seus estudos, esta seção, vai se concentrar


somente na política fiscal.

A política fiscal é um dos instrumentos do governo


para alterar o dinamismo da economia, seja para
reduzir a inflação ou para aumentar o nível de
emprego.

A política fiscal pura é a aplicação de políticas tributárias ou de


gastos governamentais. Ela pode ser aplicada para aumentar o
ritmo de crescimento da economia ou para frear este ritmo. A
política fiscal (lida) opera com as receitas (impostos) e os gastos
do governo.

Unidade 3 73
Universidade do Sul de Santa Catarina

Receita Pública
A receita ou arrecadação fiscal do governo constitui-se dos itens
postos a seguir.

„„ Impostos diretos: incidem sobre as pessoas físicas


e jurídicas, como o imposto de renda. Seu valor é
alcançado através da aplicação de alíquotas sobre a
renda do trabalhador durante o período de um ano, e
sobre o faturamento bruto das empresas no momento da
apuração do resultado do seu exercício fiscal.
„„ Impostos indiretos: incidem sobre transações com bens
e serviços, como o ICMS ou o IPI. Quando ocorre a
transação comercial de venda de produtos e prestação
de serviços, sobre o valor final oferecido ao cliente, as
empresas, e profissionais liberais mediante alíquotas de
tributação impostas pelo Estado, incluem seus valores
nos preços dos produtos e dos serviços. Desta forma,
quem realmente paga o imposto é o consumidor; as
empresas, repassam, recolhem para o governo.
„„ Taxas: percentual pago por um serviço oferecido pelo
Estado.
„„ Contribuições à previdência social: de empregados
e empregadores. São tributos recolhidos aos cofres
públicos, para a previdência social, sobre o salário do
empregado e o capital social registrado das empresas.
Mediante alíquotas estipuladas pelo governo através de
Lei Específica.

Você sabe qual é a diferença entre imposto direto e


subsídios?

Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são


pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do
produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto, que é transferido
do produtor para o consumidor, é chamado de imposto direto.

Por outro lado, o setor público muitas vezes tem interesse em que
determinados produtos apresentem um preço mais baixo para

74
Análise Macroeconômica

o consumidor final. Neste sentido, o governo pode conceder às


empresas que produzem tais produtos os chamados subsídios,
os quais constituem estímulos que visam diminuir o custo de
produção de um bem ou de um serviço.

Tecnicamente os subsídios podem ser definidos como:


1. Benefícios a pessoas ou a empresas, pagos pelo
governo, sem contrapartidas em produtos e
serviços;
2. Despesas correspondentes à transferência de
recursos de uma esfera do governo em favor
de outra;
3. Despesas do governo, visando à cobertura de
prejuízos das empresas (públicas ou privadas), ou
ainda, para financiamentos de investimentos;
4. Benefícios a consumidores na forma de preços
inferiores que, na ausência de tal mecanismo,
seriam fixados pelo governo;
5. Benefícios a produtores e vendedores mediante
preços mais elevados, como acontece com a
tarifa aduaneira protecionista;
6. Concessão de benefícios pela via do Orçamento Autarquia: Serviço Estatal
Público ou outros canais. descentralizado e com
autonomia econômica,
tutelado pelo poder
público. Classificam-se em:
Um exemplo prático de subsídio é o que costuma ser aplicado econômicas; industriais,
ao trigo, ao álcool, ao açúcar e, às vezes, ao petróleo e seus creditícias, assistenciais,
derivados, para cobrir as sucessivas desvalorizações cambiais que corporativas e culturais.
não são repassadas, de imediato, ao consumidor. Por exemplo: Instituto de
Pesquisas Tecnológicas;
Caixa Econômica Federal;
Instituto Nacional de
Gastos do Governo (G) Seguridade Social;
Ordem dos Advogados
Nas contas nacionais, há três tipos de gastos: do Brasil e Conselho
Nacional de Pesquisas,
„„ Gastos dos ministérios e autarquias: neste caso, as respectivamente.
receitas provêm de dotação orçamentária. Como os
serviços do governo (justiça, educação, segurança
pública e defesa do país, etc.) não são transacionados no
mercado, o produto gerado pelo governo é medido por
suas despesas correntes ou de custeio (salários, compras

Unidade 3 75
Universidade do Sul de Santa Catarina

de materiais para a manutenção da máquina do governo)


e despesas de capital (construção de estradas, prisões,
usinas, etc.).

A dotação orçamentária é toda e qualquer verba


prevista como despesa em orçamentos públicos
e destinada a fins específicos. Os gastos previstos
pelo governo para fazer frente às suas despesas são
previstos no Orçamento Geral, da União, dos Estados
Empresas Públicas:
e dos Municípios, ao final de cada exercício, previstos
Organizações que se destinam
a garantir a produção de bens para o exercício do ano seguinte. Assim, qualquer
e de serviços fundamentais tipo de pagamento que não tem dotação específica
à coletividade (transporte, só pode ser realizado se for criada uma verba nova ou
energia elétrica, combustíveis, dotação nova para cobrir a despesa.
etc.) Criadas por lei, são de
responsabilidade do Estado.
Os contratos, a organização
da empresa, os métodos A dotação orçamentária é toda e qualquer verba prevista como
de financiamento, de
contabilidade, etc., seguem despesa em orçamentos públicos e destinada a fins específicos. Os
as normas do direito privado, gastos previstos pelo governo para fazer frente às suas despesas
o que lhes permite agir de
acordo com os princípios são previstos no Orçamento Geral, da União, dos Estados e dos
comerciais. Em geral, a Municípios, ao final de cada exercício, previstos para o exercício
empresa pública é dirigida
a atividades que requerem
do ano seguinte. Assim, qualquer tipo de pagamento que não
investimentos muito elevados tem dotação específica só pode ser realizado se for criada uma
e apresentam retorno lento, verba nova ou dotação nova para cobrir a despesa.
sendo pouco atrativas para a
iniciativa particular.
Gastos das empresas públicas e sociedades de economia
mista: suas receitas são provenientes da venda de bens e serviços
Sociedade de Economia no mercado. Assim, elas são consideradas nas contas nacionais
Mista: É uma sociedade na
qual há colaboração entre
como pertencentes ao setor produtivo, do mesmo modo como as
o Estado e particulares, empresa privadas.
ambos reunindo recursos
para a realização de uma Gastos com transferências e subsídios: transferências são
finalidade, sempre de
objetivo econômico. É doações, pensões. E subsídios são estímulos que visam reduzir os
uma pessoa jurídica de custos e incentivar um determinado setor da economia. Ambos
direito privado e não se
beneficia de isenções fiscais
não são computados como parte da renda nacional.
ou de foro privilegiado.O
Estado poderá ter uma O conhecimento dos valores das receitas e gastos das empresas
participação majoritária públicas e das sociedades de economia mista assim como
ou minoritária; entretanto
mais da metade das ações das transferências (benefícios pagos pelo governo para os
com direito a voto devem aposentados, pensões e doações) são de suma importância, pois
pertencer ao Estado.
estes valores são computados no valor final da Renda Nacional,
um dos agregados macroeconômicos estudados na unidade 1.

76
Análise Macroeconômica

O orçamento do governo
O orçamento do governo é uma descrição do plano de gastos e
de como ele financiará esses gastos. O orçamento do Governo
é o resultado das Receitas Públicas menos os Gastos Públicos,
conforme a seguinte fórmula:

Orçamento do Governo = Receitas Públicas - Gastos Públicos

Vejamos cada um dos elementos desta fórmula.

„„ O orçamento: é a previsão das quantias monetárias


que, em um período determinado, devem entrar e sair
dos cofres públicos. Modernamente, o orçamento é
considerado uma técnica vinculada ao planejamento
econômico e social.

O orçamento pode ser definido como a previsão das


contas nacionais e o planejamento que necessitam
para as suas realizações, oferecendo os fins e os
objetivos para cuja realização se requerem os fundos
públicos; prevê os custos das atividades propostas
para alcançar estes fins e os dados quantitativos que
medem as realizações e as tarefas executadas dentro
de cada uma dessas atividades.

„„ Receita pública, também chamada receita fiscal ou


receita tributária, é a receita que o governo (União,
Estado e Município) obtém pela cobrança de impostos,
taxas e contribuições.
„„ Os gastos são efetuados pelo governo para promover o
bem-estar social da população. Entre eles, destacam-se
os pagamentos de salários do funcionalismo público,
investimento em obras de infraestrutura e os juros
contraídos para rolagem de suas dívidas.

Acompanhe as seguintes relações fundamentais do orçamento


do governo:

Unidade 3 77
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ se as receitas do governo forem maiores que seus gastos,


haverá um superávit orçamentário;
„„ por outro lado, se os gastos do governo forem maiores do
que a arrecadação (situação comum nos diversos níveis
de governo no Brasil), haverá um déficit orçamentário;
„„ e o orçamento estará em equilíbrio, quando a receita
pública for igual aos gastos públicos.

Assim, as medidas expansionistas (aumento dos


gastos do governo ou redução dos impostos) podem
criar déficit no orçamento, enquanto as medidas
restritivas terão o efeito contrário.

Um aumento do déficit em razão da diminuição dos impostos


ou aumento dos gastos do governo provocará a elevação do valor
do capital ou empréstimo contraído através dos empréstimos e,
consequentemente, a elevação dos valores dos juros aplicados para
o financiamento destes gastos.

Excluindo-se os juros da dívida pública, interna e externa, como


mostram Vasconcellos e Garcia (2004), tem-se o conceito de
superávit (ou déficit) primário ou fiscal. Quando são incluídos
os juros nominais sobre a dívida, tem-se o conceito de superávit
(ou déficit) total ou nominal. Se forem considerados apenas os
juros reais (excluindo-se a taxa de inflação e a variação cambial),
tem-se o conceito de superávit (ou déficit) operacional.

Para o entendimento desta questão, é importante ter claros os


conceitos de Juro Nominal e Juro Real.

Juro Nominal: é o juro correspondente a um


empréstimo ou financiamento, incluindo a correção
monetária do montante emprestado. Quando a
inflação é zero, inexistindo correção monetária, o juro
nominal é equivalente ao juro real.

Juro Real: é o juro cobrado ou pago sobre um empréstimo ou


financiamento, descontada a inflação do período.

78
Análise Macroeconômica

Nos acordos do Brasil com o Fundo Monetário Internacional


(FMI), o conceito relevante é o de superávit fiscal ou primário.

Para o FMI, um país que apresenta superávit primário,


mesmo que apresente déficit nominal ou total, está
com suas contas relativamente equilibradas e mostra
condições de honrar seus compromissos futuros,
apresentando mais credibilidade para negociar sua
dívida externa, com juros menores e prazos maiores.

O déficit e seu financiamento


Desde a crise de 1929, assim como em muitos países, o
governo aumenta gradativamente sua participação na atividade
econômica. É importante você atentar para o fato de que o
crescimento econômico do Brasil ocorreu fortemente amparado
no Estado. Ou seja, o Brasil se desenvolveu graças à presença
forte do governo. Exemplos são as empresas estatais, como as
distribuidoras de energia ou as companhias de água e esgoto.

Essa forte presença do Estado aumentou a necessidade de


financiamentos. Para atender a essa necessidade, o governo tem
três alternativas:

„„ os impostos;
„„ a criação de dinheiro;
„„ a emissão de dívida pública.

Os impostos são a alternativa natural para se financiar o déficit


público. Porém, quando existe déficit, significa que os impostos
são insuficientes para fazer frente aos gastos.

Uma alternativa possível é a criação de dinheiro. O Banco


Central, que é a instituição do governo responsável pela emissão
de dinheiro, através da Casa da Moeda do Brasil, poderia
recorrer a este procedimento e atender o governo. A emissão de
moeda está atrelada à quantidade de bens e serviços oferecidos no
mercado consumidor. Mas isto não é tão simples, pois, ocorrendo
emissão de moeda acima da quantidade ofertada e produzida de

Unidade 3 79
Universidade do Sul de Santa Catarina

bens e serviços, provocará inflação (como você verá na unidade 4,


quando estudaremos a inflação).

Uma terceira possibilidade é emitir dívida pública. Neste caso, o


Estado emite, ou seja, vende títulos de renda fixa, por exemplo.
Os títulos são vendidos No entanto tal fato tem o perverso efeito de deslocar a poupança
no mercado financeiro, das pessoas para o setor público. Lembre: na unidade 2, você
para arrecadar valores aprendeu que poupança deve gerar novos investimentos. Observe
e disponibilizá-los
que o governo, neste caso, desvia os recursos do setor empresarial
para investimentos das
empresas. para o setor público, e não gera investimento, gasta para pagar
uma dívida.

A colocação e emissão de novos títulos no mercado influencia


fortemente todo o mercado financeiro. Emitindo títulos com
vencimentos variáveis, as autoridades econômicas influenciam
na liquidez geral. Quanto menor for o prazo de vencimento,
maior liquidez terá um título e, portanto, mais rapidamente se
converterá em dinheiro.

O equilíbrio orçamentário
Para não ter que aumentar impostos (o que seria uma medida
extremamente impopular), não emitir dinheiro (que, como você
verá na próxima unidade, causa inflação) e não aumentar a dívida
(o que implica a necessidade de aumento da taxa de juros), o
governo deve equilibrar o seu orçamento. Ou seja, o governo,
assim como qualquer outro agente da economia, não pode gastar
mais do que arrecada.

Em resumo, o equilíbrio orçamentário pressupõe a seguinte


fórmula básica:

Receitas do Governo = Gastos do Governo

Este equilíbrio aumenta gradativamente no Brasil desde o ano


de 2000, com a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade
Fiscal. Esta lei, como nos mostra o Ministério do Planejamento,
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, é:
Orçamento e Gestão.

80
Análise Macroeconômica

Um código de conduta para os administradores


públicos que passarão a obedecer às normas e
limites para administrar as finanças, prestando
contas sobre quanto e como gastam os recursos
da sociedade. Este é um importante instrumento
de cidadania para o povo brasileiro, pois todos os
cidadãos terão acesso às contas públicas, podendo
manifestar abertamente sua opinião, com o objetivo
de ajudar a garantir sua boa gestão.

Ou seja, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como objetivo


garantir que os governantes não gastarão mais do que
arrecadam, tornando a gestão dos recursos públicos mais
disciplinada e responsável.

Seção 3 – Equilíbrio macroeconômico


Antes de detalhar a política fiscal, é importante atentarmos
para alguns conceitos. A importância do conhecimento
destes conceitos diz respeito ao objetivo do estudo e análise da
Macroeconomia, ou seja, determinar o nível total de renda e do
produto do sistema econômico, necessários para a estabilidade
econômica, através da geração de empregos nas empresas e o
bem-estar social dos indivíduos.

Um conceito muito utilizado pelos economistas é o de renda de


pleno emprego, que vem a ser a renda nacional quando todos os
recursos produtivos estão sendo empregados e a economia está
produzindo com plena capacidade.

A renda de equilíbrio, ou renda efetiva, é determinada quando


a oferta agregada (OA) iguala a demanda agregada (DA). Isso
pode ocorrer abaixo do pleno emprego, significando que a
produção agregada, apesar de abaixo da capacidade potencial,
atende às necessidades da economia. É o que Keynes denominava
de equilíbrio macroeconômico com desemprego, ou equilíbrio
abaixo do pleno emprego.

Unidade 3 81
Universidade do Sul de Santa Catarina

Assim, o objetivo da política econômica é encontrar o


equilíbrio a pleno emprego, ou seja, fazer o equilíbrio
entre oferta e demanda agregadas coincidir com a
renda ou produto de pleno emprego.

Já que a oferta agregada é estática no curto prazo, a política


econômica deve concentrar-se em aumentar a demanda agregada
por meio de instrumentos que propiciem aumento dos gastos
em consumo (C), investimentos (I), gastos do governo (G) e
balança comercial positiva (X>M), lembrando que (X) se refere às
exportações e (M) às importações.

Com efeito, a situação de equilíbrio macroeconômico pode


ser ilustrada através de um gráfico. Ao contrário da teoria
microeconômica, na análise macroeconômica os valores nos
eixos cartesianos são valores agregados: nível geral de preços e
produto real, conforme demonstra gráfico a seguir.

Gráfico 3.1 – Oferta e demanda agregadas.


Fonte: Elaboração do autor, 2007.

Como na microeconomia, a curva de demanda agregada (DA0)


mostra que há uma relação inversa entre produto (renda) real e
nível geral de preços.

82
Análise Macroeconômica

Já o formato da curva de oferta agregada depende da


hipótese sobre o nível de produto corrente da economia.

Economia com desemprego de recursos, ou seja,


ineficiência na utilização de, por exemplo, terras férteis
livres, mão de obra desocupada, ou capital ocioso (equivalente
ao trecho horizontal no gráfico 3.1): nesta situação, a
economia está operando com capacidade ociosa. Caso haja
algum estímulo da política econômica, a demanda agregada
se deslocará de DA0 para DA1 e as vendas de RN0 para
RN1, mas os preços permanecerão constantes, conforme o
gráfico abaixo.

Gráfico 3.2 – Aumento da demanda agregada com economia e desemprego.


Fonte: Elaboração do autor, 2007.

Economia com pleno emprego de recursos: nesta situação, as


empresas operam com plena capacidade, há a utilização ideal de
recursos naturais e da mão de obra especializada e a aplicação
correta do recurso capital. Caso a demanda agregada aumente
de DA3 para DA4, ocorrerá apenas um aumento no nível geral
de preços (P3 para P4), como mostra gráfico 3.3. Note que a
oferta agregada é rígida no curto prazo, já que não há recursos
ou fatores de produção disponíveis.

Unidade 3 83
Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 3.3 – Equilíbrio com pleno emprego.


Fonte: Elaboração do autor, 2007.

A conquista e a manutenção de um nível de pleno emprego são


importantes fatores de crescimento econômico, acompanhadas da
elevação do padrão de vida da população.

Os governos podem aplicar políticas de pleno emprego por


meio de recursos fiscais, como, por exemplo, incentivos e
empreendimentos geradores e multiplicadores de emprego e a
destinação de forma correta e adequada das verbas de crédito
destinadas a estes incentivos.

Economia com desemprego de recursos


O modelo keynesiano básico preocupa-se mais quando a
economia está com desemprego de recursos, ou seja, abaixo
de seu potencial. Esta situação também é chamada de hiato
deflacionário, que significa a insuficiência de demanda
agregada em relação à produção de pleno emprego. Ou seja, a
estratégia do governo é tirar a economia desta situação.

Como a oferta agregada não se altera no curto prazo, cabe à


política econômica influenciar a demanda agregada. Neste caso,
a política fiscal deve aumentar a demanda agregada, como vimos

84
Análise Macroeconômica

no gráfico 3.2 (da seção anterior). Este tipo de política chama-se


política fiscal expansionista.

A política fiscal expansionista fundamenta-se nas seguintes relações:

Aumento dos Gastos Públicos  (implica) Aumento de demanda Agregada


ou
Redução da alíquota dos impostos  (implica) Aumento da Demanda Agregada

Conforme estas relações, com o aumento dos gastos ou


investimentos públicos em obras de infraestrutura (transportes,
saúde, educação, energia), ocorre o aumento da renda dos
trabalhadores empregados através das empresas contratadas para
a realização destas obras. Consequentemente, ocorrerá o aumento
do consumo, aumento da produção industrial e geração de novos
empregos e renda.

Já, com a redução da alíquota dos impostos, provocará queda


nos preços de bens de consumo final, duráveis e não duráveis.
Consequentemente, as empresas necessitarão contratar
novos trabalhadores para o novo nível de produção e atender
a demanda. Desta forma, teremos geração de empregos e
aumento de renda.

Em ambos os casos, se aplica uma política fiscal expansionista.

Economia com inflação ou economia com pleno emprego de recursos

A economia com pleno emprego de recursos é


aquela que utiliza os seus recursos naturais e mão
de obra especializada, aplicando corretamente o
recurso capital.

O arcabouço teórico criado por Keynes baseava-se numa situação


de economia com desemprego, mas pode também ser utilizado
para uma situação de pleno emprego de recursos.

Denominamos essa situação de hiato inflacionário, que ocorre


quando a demanda agregada supera a capacidade produtiva
da economia (trecho vertical da curva de oferta agregadas, nos

Unidade 3 85
Universidade do Sul de Santa Catarina

gráficos 3.1, 3.2 e 3.3). Ou seja, a demanda está muito aquecida


e a oferta agregada não tem condições, no curto prazo, de
acompanhá-la, o que leva a aumento dos preços. Esta situação é
conhecida na literatura econômica por inflação de demanda.

Neste caso, a política fiscal está preocupada em reduzir o ritmo


de expansão da demanda agregada, ou seja, praticar uma política
fiscal recessiva ou restritiva.

A Política fiscal recessiva fundamenta-se nas seguintes relações:

Redução dos Gastos Públicos  (implica) Redução da Demanda Agregada


ou
Aumento de impostos  (implica) Redução do consumo privado

Na primeira relação, a redução dos gastos ou investimentos


públicos em obras de infraestrutura (transportes, saúde, educação,
energia) provocará a diminuição da renda dos trabalhadores
empregados através das possíveis empresas que seriam
contratadas para a realização destas obras. Consequentemente,
provocará a queda no consumo, diminuição da produção
industrial e o desemprego.

Na segunda relação, o aumento da alíquota dos impostos


provocará alta nos preços de bens de consumo final, duráveis e
não duráveis. Consequentemente, as empresas não necessitarão
contratar novos trabalhadores, pois a demanda estará em baixa,
não ocorrendo geração de empregos e aumento de renda.

O objetivo do estudo da macroeconomia é o equilíbrio


macroeconômico através do aumento da demanda agregada e da
oferta agregada, que elevam o nível de renda e bem- estar social
dos indivíduos e da produção industrial.

Um sistema econômico é considerado em equilíbrio quando todas


as variáveis permanecem imutáveis em determinado período,
ou seja, se as condições de oferta e de demanda permanecem

86
Análise Macroeconômica

imutáveis, os preços tendem a permanecer estáveis, o que


poderá proporcionar a realização de novos empreendimentos
e investimentos governamentais, de modo a promover novos
aumentos da demanda através da geração de novos empregos e
aumento de renda dos trabalhadores.

O equilíbrio macroeconômico interno é fundamental para o


equilíbrio das Contas Nacionais de um sistema econômico, bem
como a manutenção de superávit em sua balança de pagamentos,
como veremos nas próximas unidades.

Síntese

Nesta unidade, você conheceu as funções essenciais do setor


público no que diz respeito à gestão da economia. É lícito
concluir que o governo é o principal agente em uma economia e,
como tal, é o maior responsável pela solução dos problemas a ela
inerentes, quer seja desemprego quer seja inflação.

Você aprendeu, também, que um dos instrumentos que o governo


tem à sua disposição é a política fiscal. Embora se trate de um
instrumento ‘pouco’ importante, este tipo de política fiscal é pouco
dinâmico e seus efeitos são sentidos no longo prazo. No caso
brasileiro, por exemplo, a decisão de gastos (orçamento) é feita
no ano anterior ao ano de exercício. E, quando o governo quer
aumentar tributos, tal decisão só passa a vigorar no primeiro dia
útil do ano seguinte àquele em que o governo baixou a medida.

Logo a política fiscal é pouco eficaz para solucionar problemas


de curto prazo. A política mais eficaz e, consequentemente, mais
utilizada pelos governos é a política monetária, tema de nossa
próxima unidade.

Unidade 3 87
Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação

Leia com atenção os enunciados seguintes e resolva as atividades


programadas para a sua autoavaliação.
Nesta unidade, você conheceu o papel do Governo e sua participação nas
atividades econômicas de uma economia, colaborando na determinação
na determinação da Renda Pessoal Disponível. (Partindo do que você
aprendeu) Aplicando seus conhecimentos adquiridos, responda aos
questionamentos:
1. Quais são as funções fundamentais do setor público?

2. Como o governo pode promover uma política fiscal expansionista ou


expansiva?

3. Quando o governo incorre em déficit público?

88
Análise Macroeconômica

Saiba mais

Aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade, ao consultar as


seguintes referências:

SILVA, Fábio G.; JORGE, Fauzi T. Economia aplicada à


administração. 2.ed. São Paulo: Futura, 1999.

MANKIW, N. G. Introdução à economia. 2. ed. Rio de


Janeiro: Campus, 2001.

MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura


econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo
Grande: Editora Oeste, 2001.

SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados:


introdução à economia. 18. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2001.

VASCONCELOS, M. A.; GARCIA, M. Fundamentos de


economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.

Também consulte os seguintes sites:

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em:


<http://www.ipea.gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2011.

Ministério da Fazenda. Disponível em: <http://www.fazenda.


gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2011.

Unidade 3 89
4
UNIDADE 4

Moeda e política monetária

Objetivos de aprendizagem
„„ Entender a importância da moeda para o sistema
econômico como um todo.
„„ Compreender o papel do Banco Central.
„„ Compreender a importância da política monetária e
seus instrumentos.
„„ Compreender o conceito e as causas da inflação.
„„ Conhecer os diferentes tipos de inflação.

Seções de estudo
Seção 1 A moeda: sua história e funções

Seção 2 Oferta e demanda de moeda

Seção 3 Instrumentos de política monetária

Seção 4 Sistema financeiro e de crédito

Seção 5 Teorias da inflação

Seção 6 A inflação no Brasil


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Caro(a) aluno(a),

nesta unidade você estudará a moeda e política monetária.


Conhecerá a evolução histórica da moeda, desde as trocas diretas
de mercadorias através do escambo até o sistema de trocas
mais atual e moderno. Saberá de que forma ocorre a oferta e
a demanda por moeda e a influência deste mecanismo para as
economias. Aprenderá os instrumentos de política monetária
utilizados pelos governos para a emissão de moeda e a forma
como a emissão da mesma poderá provocar a inflação.

Também entenderá o sistema financeiro, o seu funcionamento,


reconhecendo a importância do crédito para o perfeito
funcionamento deste sistema e, consequentemente, para a
economia do país.

Conhecerá a teoria inflacionária, identificando os diversos


tipos de inflação, suas causas, consequências e a forma como
os governos procuram a sua estabilidade, evitando, assim,
transtornos para o sistema econômico.

Finalizando a unidade, você aprenderá um pouco sobre a inflação


no Brasil, a forma como ela é medida ao longo dos períodos
através dos diversos índices e institutos.

Seção 1 – A moeda: sua história e funções

Você sabia que, nas economias mais rudimentares,


não havia moeda ou dinheiro?

Havia, sim, trocas diretas. As trocas diretas recebem o nome de


escambo. No escambo, as trocas são realizadas sem dinheiro.

92
Análise Macroeconômica

Se uma pessoa dispusesse de uma quantidade excedente de uma


dada mercadoria, poderia trocar esta sobra por outra mercadoria de
que necessitasse. Por exemplo, supondo um alfaiate e um agricultor.
Caso o alfaiate desejasse se alimentar, ele teria que dar roupas para o
agricultor. Mas, e se o agricultor não necessitasse de roupas?

A troca realizada através do escambo tem sérios inconvenientes.


Primeiro, exige que cada pessoa encontre alguém disposto a
adquirir precisamente o que essa pessoa tem para trocar. Em
outras palavras, o escambo exige uma coincidência de desejos.
O segundo problema refere-se à dificuldade em determinar
um valor para alguns bens. Ou seja, trata-se do problema da
divisibilidade dos bens. No caso anterior, quantas peças de roupa
poderiam ser trocadas por um quilo de alimento?

Estes dois inconvenientes fazem com que o escambo seja inviável


e permitem a introdução da moeda no sistema de trocas. Para
minimizar os conflitos existentes nas transações comerciais, surgiu
a ideia de utilizar uma mercadoria intermediária nas trocas, uma
mercadoria que fosse amplamente aceita devido à sua utilidade.

Então, a moeda é na verdade um bem como outro qualquer, mas


com uma característica especial: todos aceitam a moeda em
troca de uma mercadoria.

O escambo ainda existe. Apesar de hoje possuirmos um sistema


monetário altamente especializado e sofisticado, saiba que, na
nossa sociedade, algumas trocas ainda ocorrem via escambo.

É comum, quando você lê o jornal, ver um anúncio do


tipo “troca-se terreno na praia por automóvel.”

A grande diferença do escambo atual é o fato de que a moeda


funciona como padrão comum de valores ou de referências.
Ou seja, através do uso de moedas, podemos trocar quaisquer
produtos, pois temos assim um mecanismo fácil de comparação
dos valores.

Deste modo, em princípio qualquer mercadoria pode ser


utilizada como moeda. Historicamente, as primeiras formas de
moeda foram: sal, trigo, gado. Com eram ineficientes, surgiu a

Unidade 4 93
Universidade do Sul de Santa Catarina

moeda metálica (durabilidade), e, logo, com o objetivo de evitar


falsificações, a moeda metálica cunhada.

Os últimos séculos assistiram a duas importantes inovações:


papel-moeda e a moeda escritural:

„„ o papel moeda surgiu aos poucos, como simples


certificado de depósito nos bancos comerciais. Em
seguida, como certificado transferível de depósito
(moeda-papel). E, finalmente, como certificado
inconversível (papel-moeda). A moeda vale, portanto,
pela sua capacidade de adquirir outras mercadorias (não
tem valor pelo seu uso direto);
„„ a moeda escritural surgiu com o desenvolvimento
dos bancos comerciais. É representada pelos depósitos
bancários à vista, os quais possuem liquidez equivalente à
moeda legal.

Quais são os meios de pagamento na economia


moderna?

Os meios de pagamento em uma economia moderna são:

„„ o papel moeda em poder do público (saldo do papel


moeda emitido menos os encaixes em moeda corrente
dos bancos): corresponde ao volume total de dinheiro
em circulação na economia, subtraindo-se do volume
depositado nos bancos comerciais o percentual referente ao
encaixe bancário (reservas de um banco mantidas na forma
de papel-moeda para fazer frente aos descontos diretos
de cheques em dinheiro e porcentagem determinada pelo
Banco Central que não pode ser emprestada);
„„ e os depósitos à vista do público na rede bancária:
corresponde ao volume de dinheiro depositado por
pessoas físicas e jurídicas nos bancos comerciais.

Portanto qualquer papel moeda emitido, que não se encontra em


posse do setor bancário da economia (Banco Central e bancos
comerciais), é o que está, então, em poder do público (governo
federal, população em geral e instituições financeiras não bancárias).

94
Análise Macroeconômica

Funções, característica e tipos de moeda


A moeda possui três funções:

„„ meio ou instrumento de troca: utilizada para comprar


bens e serviços. É a mais importante função da moeda.
Afinal, a moeda como um meio de troca permitiu que a
economia aumentasse sua eficiência, pois, sem um meio
de troca de padrão único, as economias modernas não
poderiam existir;
„„ padrão comum de valores: a moeda permite que sejam
expressos em unidades monetárias os valores de todos
os bens e serviços de uma economia. É um padrão de
medida;
„„ reserva de valor: a posse da moeda representa liquidez
para quem a possui, e pode, então, ser guardada para a
aquisição de um bem ou serviço no futuro.

Características da moeda
As características mais relevantes da moeda são:

„„ indestrutibilidade e inalterabilidade: a moeda deve


ser suficientemente durável, ou seja, deve durar para ser
manuseada em um grande número de trocas;
„„ homogeneidade: duas moedas distintas e com o mesmo
valor devem ser exatamente iguais, ou seja, devem ter o
mesmo valor de compra;
„„ divisibilidade: a moeda deve possuir múltiplos e
submúltiplos para permitir a realização de todas as
transações em diversos valores;
„„ facilidade de manuseio e transporte: a moeda deve ser
facilmente transportável, caso contrário, sua utilização
seria dificultada;
„„ transferibilidade: a moeda deve circular na economia
sem barreiras, facilitando o comércio.

Unidade 4 95
Universidade do Sul de Santa Catarina

Tipos de moeda
Os tipos de moeda são os seguintes:

„„ moeda metálica: emitidas pelo Banco Central (Bacen),


visam facilitar as operações de pequeno valor e/ou com
unidades fracionárias;
„„ papel-moeda: também emitido pelo Bacen,
representa a maior parte da quantidade de moeda
em poder do público;
„„ moeda escritural ou bancária: são os depósitos à vista
(em conta corrente) nos bancos comerciais.

O conhecimento a respeito da evolução histórica da moeda,


suas funções, suas modalidades, a quantidade disponível para
circulação e características, é fundamental para o entendimento
da sua oferta e da sua demanda, as quais, juntas, movimentam o
mercado monetário de um sistema econômico.

Seção 2 – Oferta e demanda de moeda


Nesta seção, você estuda o conceito de meios de pagamento,
as classificações da moeda em função da liquidez, assim como
vê um aprofundamento do conceito de liquidez. Você também
aprende como se determina a taxa de juros de equilíbrio e como
esta taxa pode variar, além de estudar a função do mercado
monetário e do Banco Central em relação à moeda.

Como qualquer mercadoria, a moeda tem demanda


e oferta. A oferta de moeda é o suprimento para
atender às necessidades da população.

96
Análise Macroeconômica

Meios de pagamento
A moeda também é chamada de meios de pagamento, os quais
constituem o total de moeda à disposição do setor privado não
bancário, de liquidez imediata.

Liquidez é a capacidade que um ativo tem de estar


totalmente disponível e aceito para as mais diversas
transações. Logo, a moeda é a liquidez por excelência.

Os meios de pagamento são dados pela soma da moeda


em poder do público mais os depósitos à vista nos bancos
comerciais. Ou seja, é a soma da moeda manual (moedas
metálicas e papel-moeda) e da moeda escritural. Enfim, meios de
pagamento equivalem à moeda que não está rendendo juros, pois
não está aplicada em contas ou ativos remunerados.

O conceito econômico de moeda diz respeito à moeda


que se encontra no setor privado não bancário.

Isto é, não estão incluídas as moedas que estão em poder dos


bancos comerciais e das autoridades monetárias. Os depósitos à
vista ou em conta corrente não constituem dinheiro dos bancos,
mas do público. O dinheiro que pertence aos bancos são seus
encaixes (caixa dos bancos comerciais) e suas reservas (quantia
dos bancos depositada no Banco Central).

As classificações da moeda em função da liquidez


Em função da liquidez, a moeda pode ser classificada de acordo
com as seguintes especificações:

„„ M1 = é a soma do papel moeda em poder do público e


dos depósitos à vista.

M1 representa os meios de pagamento de liquidez imediata, que


não rendem juros. Os meios de pagamento classificados como M1
também são chamados de ativos ou haveres monetários.

Unidade 4 97
Universidade do Sul de Santa Catarina

Entretanto existem outras aplicações financeiras com menor


liquidez, e, em ordem de liquidez, é possível estabelecer outra
classificação:

„„ M2 = M1 + depósitos de poupança + títulos


privados (depósitos a prazo, letras cambiais,
hipotecárias e imobiliárias).
„„ M3 = M2 + fundos de renda fixa + operações
compromissadas registradas no SELIC.
„„ M4 = M3 + títulos públicos federais, estaduais
e municipais.

A principal diferença entre M1 e os agregados M2, M3 e M4 é


que M1 não tem rentabilidade.

O Banco Central (Bacen ou também BC), através do controle do


M4, que envolve os ativos monetários e não monetários, procura
controlar a oferta global de moeda na economia, já que a oferta
de dinheiro está vinculada aos preços.

Desta forma, o Banco Central visa impedir a violação ao


princípio segundo o qual a limitação do volume de dinheiro em
circulação no país é uma condição necessária para que a moeda
mantenha o seu valor.

A liquidez
Um dos conceitos mais importantes ao se tratar de mercado
financeiro é o conceito de liquidez.

A liquidez se refere à capacidade de um ativo ser


convertido em moeda.

Liquidez = capacidade de um ativo ser


convertido em moeda.

Certas aplicações financeiras não podem ser prontamente


sacadas. À medida que não se pode fazer dinheiro de imediato,
tais aplicações são ditas de liquidez baixa.

98
Análise Macroeconômica

Considere os seguintes exemplos:

ƒƒ Um apartamento - ativo (bem próprio/direito) é


de baixa liquidez quando o proprietário demora a
vendê-lo, para fazer dinheiro dele.
ƒƒ A poupança tem menor liquidez que um depósito à
vista, mas tem maior liquidez que um apartamento
(investimento imobiliário).
ƒƒ Os depósitos bancários a prazo (aplicações
financeiras que impõem um prazo para os saques
– 30 dias/60 dias, etc.), em princípio, não são de
liquidez imediata, pois se deve respeitar um prazo
para convertê-los em dinheiro (não se pode pedir o
vencimento antecipado).

Determinação da taxa de juros de equilíbrio


Para poder compreender o funcionamento da oferta e demanda
por moeda, é necessário conhecer a determinação da taxa de juros
de equilíbrio, que ocorre quando a oferta e a demanda por moeda
ficam iguais.

A taxa de juros de equilíbrio é determinada no mercado


monetário, onde se encontram a oferta e a demanda de moeda. O
processo é idêntico ao que determina o preço de uma mercadoria
no mercado de bens e serviços, pois a taxa de juros é o preço da
moeda, isto é, do dinheiro.

Portanto a taxa de juros de equilíbrio é determinada no


mercado pela oferta e pela demanda de moeda. Com base nessa
taxa é que são realizadas as transações financeiras na economia.

Você sabe como a taxa de juros é estabelecida?

A oferta de moeda é determinada pelo governo, e é com


a quantidade por ele emitida que o sistema econômico vai

Unidade 4 99
Universidade do Sul de Santa Catarina

trabalhar. Assim, se houver uma procura muito grande de moeda,


como resultado do crescimento das atividades econômicas, por
exemplo, ela se tornará escassa e as pessoas estarão dispostas a
pagar um preço maior para poder adquiri-la.

Esse é o princípio que explica o aumento da taxa de juros. Por


outro lado, se a procura de moeda diminuir, por qualquer razão,
ela se tornará abundante, fazendo com que seu preço, a taxa de
juros, diminua.

Variação da Taxa de juros de equilíbrio


É claro que, da mesma forma que o preço das mercadorias, a
taxa de juros sofre variações no decorrer do tempo, causadas
por modificações na oferta ou na demanda de moeda. Por isso,
fica clara a importância do governo no mercado monetário.
Se as autoridades monetárias resolverem expandir os meios de
pagamento, ou seja, a oferta de moeda, haverá uma queda na taxa
de juros, pelo fato de haver mais dinheiro no mercado.

O comportamento inverso do governo determinaria um aumento na


taxa de juros, uma vez que a moeda se tornaria relativamente escassa.

Mercado monetário
O mercado monetário desempenha um papel fundamental
no desenvolvimento do sistema econômico. É no mercado
monetário que se encontram a oferta e a demanda por moeda,
é onde se determina a taxa de juros, ou o preço da moeda,
elemento fundamental no sistema financeiro, que você irá estudar
ainda nesta unidade.

O mercado monetário, de forma geral, designa o setor


do mercado financeiro que opera a curto prazo.

Compõe-se da rede de entidades ou órgãos financeiros


que negociam títulos e valores, concedendo empréstimos a

100
Análise Macroeconômica

empresas ou particulares, a curto ou curtíssimo prazo, contra o


pagamento de juros.

Além dos bancos comerciais e das empresas financeiras de


crédito, o mercado monetário compreende, também, o mercado
paralelo e o mercado de divisas. O movimento financeiro a longo
prazo caracteriza outro segmento, o do mercado de capitais.

Demanda de moeda
A demanda de moeda pelo público corresponde à quantidade de
moeda que o setor privado não bancário está disposto a reter. São
três as razões pelas quais o público demanda moeda:

„„ Demanda de moeda para transações: as pessoas


e empresas necessitam de dinheiro para as diversas
transações do dia a dia, como alimentação, transporte,
supermercado, etc.
„„ Demanda de moeda por precaução: o público e as
empresas precisam ter certa reserva monetária para
cumprir obrigações imprevistas ou emergenciais.
„„ Demanda de moeda por especulação: os investidores
em suas carteiras deixam uma parcela para a moeda,
observando o comportamento da rentabilidade dos vários
títulos, para fazer algum novo negócio. Ou seja, embora
a moeda não apresente rendimentos, tem a vantagem da
liquidez imediata e pode viabilizar novas aplicações.

O Banco Central

O Banco Central (Bacen) é o órgão responsável pela


política monetária e cambial do país.

Seu principal objetivo é regular o montante de moeda, crédito,


taxas de juros e o equilíbrio do balanço de pagamentos. Compete
ao Bacen cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são

Unidade 4 101
Universidade do Sul de Santa Catarina

atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo


Conselho Monetário Nacional (CMN).

O CMN e o Bacen desempenham o papel de autoridade


monetária. A lei n. 4.595, de 31/12/1964, a qual criou os dois
órgãos, deu ao CMN as principais funções decisórias e, ao Bacen,
as funções executivas de supervisão e fiscalização bancária,
cabendo-lhe cumprir as decisões do CMN.

As principais funções do Bacen são:

„„ emissor de papel-moeda: é o Banco Central quem, com


exclusividade, emite ou autoriza a emissão de papel
moeda no país;
„„ banqueiro depositário das reservas internacionais e do
Tesouro Nacional: é o responsável pela guarda das
reservas internacionais em ouro ou moeda estrangeira do
governo;
„„ banqueiro dos bancos comerciais: provê empréstimos
exclusivos aos membros do sistema financeiro, a
fim de regular a liquidez ou mesmo evitar falências
que poderiam causar uma reação em cadeia de
falências bancárias. Ele também mantém os depósitos
compulsórios dos bancos comerciais, regulando, assim, a
multiplicação da moeda escritural no mercado finaceiro.

A emissão de moeda em um sistema econômico deve estar


atrelada à produção de bens e serviços ofertados em sua
economia, seguindo os parâmetros necessários para esta ação,
de acordo com as suas funções, características e necessidades
do aumento dos meios de circulação, sua oferta, sua demanda,
e a determinação da taxa de equilíbrio. Além disto, deve seguir
as normas editadas e baixadas pelo Banco Central do Brasil, a
fim de que o Sistema Financeiro Nacional possa funcionar de
forma adequada, sem prejuízo à economia interna ao Balanço de
Pagamentos do país.

102
Análise Macroeconômica

Seção 3 – Instrumentos de política monetária


Nesta seção, você estudará os instrumentos da política monetária
e a política monetária na prática, além do caráter restritivo e
expansivo desta política. Você também verá os bancos comerciais
e o modo pelo qual ‘criam’ e ofertam dinheiro.

O governo intervém na economia através da política fiscal. Porém


ele também tem outra ferramenta importante, que é a política
monetária.

Assim, política monetária é a política do


governo que controla a oferta de moeda e,
consequentemente, as taxas de juros, para
garantir a liquidez ideal de cada momento.
Por consequência, a política monetária também
determina as condições de crédito.

A taxa de juros determinada pelo Banco Central é a taxa SELIC


(Sistema Especial de Liquidação e Custódia).

É o sistema em que são registradas as operações com os títulos


públicos. Mas, na verdade, as taxas de juros cobradas pelos
bancos são ainda maiores que a taxa SELIC básica. Isto ocorre,
porque a taxa SELIC é apenas a taxa pela qual o Banco Central
está disposto a pagar para as pessoas que compram títulos
públicos.

A taxa SELIC é a taxa calculada pelo Banco Central,


considerando a média das taxas que o governo paga
aos bancos que lhe emprestam dinheiro, comprando
títulos da dívida interna ou por meio de outros
mecanismos. Essa média, denominada Taxa Over-Selic,
é utilizada como referência para todas as demais taxas
de juros, e, por esta razão, é também chamada de Taxa
Básica de Juros.

Os instrumentos clássicos de política monetária são:

a) depósito compulsório;
b) redesconto ou empréstimo de liquidez;

Unidade 4 103
Universidade do Sul de Santa Catarina

c) mercado aberto (open-market);


d) emissão de moedas.

Instrumentos de política monetária


Veja cada um destes instrumentos de política monetária
separadamente.

a) Depósito compulsório
Exigido por regulamentação do Bacen, o depósito
compulsório é um percentual dos depósitos à vista e
a prazo. Ou seja, os bancos comerciais devem depositar
certa quantia do seu caixa nos cofres do Banco Central.
Desta forma, o Bacen tem um mecanismo importante
de controle da oferta de moeda, pois pode imobilizar
um percentual maior ou menor dos depósitos bancários
e os recursos de terceiros que neles circulem (títulos de
cobrança, tributos recolhidos, garantias de operações
de crédito), restringindo ou alimentando o processo de
expansão da oferta de moeda.
Os cheques sacados contra um banco pelos seus
depositantes são canalizados para a câmara de
compensação do Banco do Brasil de cada cidade,
acarretando um débito na conta de reservas do Bacen
(respectivo ao Banco sacado). À medida que estas
retiradas deixem de ser contrabalançadas por depósitos, o
banco perde reservas.
O banco também perde reservas, quando faz
empréstimos ou compra títulos; e ganha reservas através
da venda de títulos de sua emissão, da cobrança de títulos
ou do recolhimento de tributos.
Para compensar eventuais perdas de reservas, recorrem ao
mercado interbancário ou, em último caso, ao redesconto
do Bacen, mediante títulos de sua emissão com garantia
colateral de títulos do governo ou ativos representados por
seus créditos em empréstimos concedidos.

104
Análise Macroeconômica

b) Redesconto ou empréstimo de liquidez


Neste tipo de instrumento de política monetária do
Bacen, três operaç ões se destacam. Analise-as.
„„ Redescontos de Liquidez: este é um instrumento
de política monetária que consiste na concessão
de assistência financeira de liquidez aos bancos
comerciais. O Bacen, como banco dos bancos,
desconta títulos dos bancos comerciais a uma taxa
prefixada, com a finalidade de atender às suas
necessidades momentâneas de caixa. Uma elevação
da taxa de redesconto faz com que os bancos tenham
que aumentar suas reservas voluntárias no Bacen,
aumentando as reservas dos bancos e reduzindo os
meios de pagamento.
„„ Redescontos Especiais: refinanciamentos que o
Bacen faz aos Bancos comerciais para financiamentos
a produtos agrícolas, exportação, pequenas e médias
empresas(PME), etc.
„„ Aplicações em Títulos: o Bacen permite que parte
do depósito compulsório seja mantido em títulos
da dívida pública, o que os bancos preferem, por
renderem juros e correção monetária. Títulos do
Bacen ou Bônus do Banco Central (BBC) + NTN
(Notas do Tesouro Nacional) são usados nas operações
de open-market e como depósitos voluntários pelos
bancos comerciais. Funcionam como um quase caixa,
pois possuem alta liquidez e vencem a curtíssimo
prazo, além de render juros.

c) Mercado aberto (open-market)


O mercado aberto é o mais ágil instrumento da política
monetária de que dispõe o Bacen, pois, através dela são,
permanentemente, regulados a oferta monetária e o custo
primário do dinheiro na economia, referenciado na troca
de reservas bancárias por um dia, através das operações
denominadas de overnight.
Estas operações de mercado aberto permitem:

Unidade 4 105
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ o controle permanente do volume de moeda ofertada


no mercado;
„„ a manipulação das taxas de juros de curto prazo;
„„ às instituições financeiras bancárias, que realizem
aplicações a curto e curtíssimo prazo de suas
disponibilidades monetárias ociosas;
„„ a garantia de liquidez para os títulos públicos.

Os dois primeiros objetivos são alcançados no mercado


primário, no qual o Bacen negocia diretamente com as
instituições financeiras, alterando a posição de reservas
dos bancos comerciais, bem como o volume e o preço
do crédito.

d) Emissão de moedas
Este instrumento é somente utilizado quando o Bacen
decide aumentar a quantidade de moeda em circulação
na economia. Cabe ao Bacen determinar a necessidade
de novas emissões e seus respectivos volumes.

A Política monetária na prática


Além do Banco Central, há outra entidade chamada Comitê
de Política Monetária (COPOM) que, de fato, é o responsável
por determinar a taxa de juros.

As reuniões do COPOM são atentamente acompanhadas, já


que indicam a tendência da taxa de juros naquele período e nos
períodos futuros. As atas destas reuniões são divulgadas após sua
realização e são importantes fontes de consulta sobre a opinião das
autoridades monetárias a respeito do rumo da economia brasileira.

Você também pode fazer o acompanhamento através


da imprensa ou pelo site <www.bcb.gov.br>.

106
Análise Macroeconômica

Assim, podemos fazer um pequeno esquema sobre a


política monetária.

COPOM

Banco Central

Sistema Bancário

Oferta de Moeda

Taxa de juros e condições de crédito

Demanda
Consumo
Investimento
Figura 4.1 – A política monetária
Fonte: TROSTER; Mochon, 1999, p. 259.

Vejamos, na sequência, cada um dos componentes e suas funções


na política monetária.

O COPOM reúne-se para determinar a nova taxa SELIC a ser


aplicada no mercado financeiro. Oficialmente definida, repassa
a nova alíquota da taxa para o Banco Central, órgão do governo
responsável pela normatização da política monetária adotada no
nosso país.

O Banco Central divulga de forma oficial a nova alíquota no


Sistema Bancário Brasileiro, o qual, de posse da nova alíquota,
promoverá a oferta de moeda no Sistema Financeiro Nacional, a
fim de promover as operações de crédito, ofertando seus serviços
através da nova taxa de juros e condições propostas na normativa

Unidade 4 107
Universidade do Sul de Santa Catarina

emitida pelo Banco Central. A nova taxa de juros, através das


operações de oferta de moeda e de abertura de crédito, deve
influenciar de forma direta as operações de Demanda, Consumo
e Investimento em produtos e serviços, promovendo a circulação
destes bens e serviços para o consumo da população.

Assim, a política Monetária é o conjunto de medidas adotadas


pelo governo com vista a adequar os meios de pagamentos
disponíveis às necessidades da economia do país. Essa adequação
geralmente ocorre por meio de uma ação reguladora, exercida
pelas autoridades sobre os recursos monetários existentes, de tal
maneira que estes sejam plenamente utilizados e tenham um
emprego tão eficiente quanto possível.

A política monetária pode ser de dois tipos: restritiva ou


expansiva:

„„ a Política Monetária Restritiva refere-se à redução da


oferta de moeda, e, por consequência, aumenta a taxa de
juros, o que encarece o crédito;
„„ a Política Monetária Expansiva é a política econômica
que aumenta a quantidade de moeda à disposição e reduz
as taxas de juros, tornando o crédito mais barato.

Os bancos comerciais
Os bancos comerciais são as instituições financeiras responsáveis
por receber o depósito de seus clientes e conceder empréstimos às
famílias, às empresas e ao governo.

Os bancos comerciais surgiram devido à necessidade das pessoas


protegerem seu dinheiro. Afinal, à medida que as pessoas vão
acumulando dinheiro, através de sua poupança, aumenta a
necessidade de guardar esse dinheiro em algum lugar seguro,
sendo esse um dos objetivos da atividade bancária.

Você sabe quais são os tipos de depósitos que os


bancos comerciais aceitam?

108
Análise Macroeconômica

Os tipos de depósitos que os bancos comerciais aceitam são os


seguintes:

„„ Depósitos à vista: são os depósitos que estão sempre


disponíveis para o titular da conta;
„„ Depósitos de poupança: dispõem de quase todas as
operações dos depósitos à vista, mas não dispõem de
cheques e têm rendimentos de 0,5% a cada mês mais a
correção da inflação do mês;
„„ Depósitos a prazo: são os fundos tomados por um prazo
fixo e que não podem ser retirados sem algum tipo de
penalidade.

A criação de dinheiro pelos bancos comerciais


Considerando seus estudos até aqui, você percebeu que o
responsável pela emissão de moeda é o Banco Central.

Mas você sabia que é possível aos bancos comerciais também


criarem moeda? Veja como.

O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da


moeda, e que também tem implicações na taxa de juros, consiste
na multiplicação dos meios de pagamento através dos bancos
comerciais.

Com efeito, os bancos observaram que, por uma questão de


cálculo de probabilidade, era possível emprestar parte dos
depósitos à vista recebidos, pois era altamente improvável que
todos os depositantes sacassem seus fundos ao mesmo tempo.
Assim, começou a surgir esse fenômeno da multiplicação.
Os bancos passaram a manter encaixes bem inferiores aos seus
depósitos e, com isso, os meios de pagamento tornaram-se várias
vezes superiores ao saldo de papel moeda emitido.

Quando os bancos comerciais recebem depósitos à vista, eles


devem garantir aos seus clientes que, em qualquer momento, a
quantia depositada estará à disposição dos mesmos.

Unidade 4 109
Universidade do Sul de Santa Catarina

Mas, com o passar do tempo, os bancos descobriram que não


precisavam manter todo o dinheiro depositado pelos clientes
em seu caixa.

A prática bancária mostra que o uso de cheques e cartões


significa que, a cada dia, somente uma pequena parte dos
depósitos à vista é retirada dos caixas dos bancos. Isso sem contar
a quantia de dinheiro que será novamente depositada nos bancos.

Desta forma, os bancos primeiramente constituem as


chamadas reservas.

As reservas são legalmente requeridas, e todos os


bancos devem mantê-las por exigência do Banco
Central.

Perceba que, se, em um dado momento, todos os clientes de


um banco quisessem retirar seus depósitos, então o banco não
poderia atender à demanda, por maior e melhor administrado
que fosse. Isso ocorre, porque os bancos comerciais mantêm
líquida (ou seja, dinheiro vivo) apenas uma pequena parte dos
seus depósitos.

Oferta de moeda pelos bancos comerciais


Suponha que os bancos comerciais, através de sua experiência,
descubram que as retiradas das contas correntes são de, em
média, 10%. Consequentemente, podem manter 10% dos
depósitos em caixa e emprestar os 90% restantes.

Assim, suponha, também que, após a leitura desta unidade, você


ganhe R$100.000 na loteria. É claro que você não sairá à rua
com tal quantia. Você provavelmente depositará esta quantia de
dinheiro em um banco.

Porém o banco não manterá esses R$100.000 extras em dinheiro


em seu caixa forte. O banco empregará seu dinheiro na concessão
de empréstimos e créditos a seus clientes, o que gerará mais
depósitos bancários.

110
Análise Macroeconômica

Se, como mencionado, os bancos necessitam manter apenas 10%


em reservas, então podem emprestar os R$90.000 restantes.
Começa, assim, um ciclo virtuoso. Os bancos emprestam os
R$90.000 restantes, que serão novamente depositados nos
bancos, pois os tomadores de empréstimos não ficarão com esse
dinheiro em mãos.

Ou seja, o dinheiro é redepositado. Agora, os bancos dispõem de


mais R$90.000 em caixa. Como devem reter 10%, os bancos têm
R$81.000 extras para emprestar e R$9.000 devem ser guardado
em caixa.

Observe, através da tabela abaixo, como isso ocorre na prática.

Tabela 4.1 – Exemplo demonstrativo da evolução de depósitos –


empréstimos e reservas nos bancos comerciais

Posição do Banco Novos depósitos Novos empréstimos Novas reservas

Banco (fase 1) 100.000 90.000 10.000

Banco (fase 2) 90.000 81.000 9.000

Banco (fase 3) 81.000 72.900 8.100

Banco (fase 4) 72.900 65.610 7,290

Banco (fase 5) 65.610 59.050 6.560

Soma das cinco fases 409.510 368.560 40.950


Fonte: Elaboração do autor, 2007.

De acordo com a tabela do exemplo, o sistema bancário foi capaz


de expandir seus depósitos em R$309.510 mediante a concessão
de novos créditos e empréstimos, sustentados pelos 100.000
iniciais que você depositou.

Note, assim, que o sistema bancário também é responsável


por aumentar (ou diminuir) a quantidade de moeda em uma
economia, concedendo mais (ou menos) crédito às empresas e
às pessoas.

Unidade 4 111
Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 4 – Sistema financeiro e de crédito


Nesta seção, trataremos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Ele é importante, pois é através do sistema financeiro que as
empresas captam recursos para fazer face às suas necessidades e
obrigações. Ou seja, para realizar seus planos de investimentos,
as empresas necessitam de recursos financeiros.

Vejamos, a seguir, os componentes do sistema financeiro.

Operações de Crédito
Considerando-se a economia como um todo, verifica-se a
existência de agentes econômicos superavitários e agentes
econômicos deficitários, em determinados períodos de tempo.
Significa que, em algum momento, alguns agentes possuem
despesas maiores do que suas rendas, ou seja, gastam mais do
que recebem como renda, tornando-se deficitários, enquanto
que outros, não gastam toda a sua renda, apresentando-se como
superavitários.

Os agentes superavitários com o auxílio e intermediação do


sistema financeiro, possibilitam as operações de crédito, as quais
tornam-se importantes para a economia, pois promovem o
financiamento de compra de bens e serviços por parte dos agentes
deficitários.

São basicamente três as operações de crédito oferecidas pelo


Sistema Financeiro às pessoas e às empresas:

„„ Empréstimos: são operações realizadas sem


necessidade de comprovação da aplicação dos
recursos. Por exemplo: empréstimos para capital de
giro, empréstimo pessoal;
„„ Financiamentos: são operações realizadas com
necessidade de comprovação da aplicação do
recurso. Por exemplo: financiamentos de máquinas
e equipamentos, financiamento da casa própria,
financiamento para compra de um automóvel;
„„ Títulos Descontados: são operações nas quais se
descontam títulos, ou seja, se pagam os títulos.

112
Análise Macroeconômica

A Bolsa de Valores
Além de captar empréstimos nos bancos, as empresas têm a
opção de se financiarem através da Bolsa de Valores.

Você sabe o que é bolsa de valores?

Bolsa de valores é um mercado onde são transacionados títulos


e ações de empresas (valores). Numa economia de mercado,
elas têm fundamental importância, uma vez que permitem a
canalização rápida e veloz das poupanças para os investimentos.

A bolsa, então, é uma instituição através da qual as empresas,


para captarem recursos financeiros, vendem parte do seu
patrimônio líquido (ações). Por isso, quem tem ações é conhecido
como acionista, pois é também sócio da empresa. Na medida em
que a empresa tem lucros, o patrimônio líquido se valoriza e as
ações aumentam de valor.

Por isso, a bolsa de valores representa uma forma de captação de


capital barata, pois as empresas captam recursos dos poupadores
e o preço desta captação é o rendimento (ou seja, a valorização da
empresa, ou do seu patrimônio líquido).

No Brasil, a principal bolsa é a Bolsa de Valores de São Paulo


(Bovespa), pequena em relação a outras bolsas do mundo, como a
de Londres e a de Nova Iorque.

Aplicações financeiras
Para terminarmos esta unidade, vamos falar de algumas
modalidades de aplicações financeiras que os bancos comerciais
oferecem a seus clientes.

Tais aplicações financeiras são de suma importância para o seu


estudo, pois estas modalidades norteiam a atividade bancária.
Neste sentido, incumbe ao banco comercial, além de suas
atribuições, administrar com responsabilidade o dinheiro dos
correntistas, seus clientes.

Unidade 4 113
Universidade do Sul de Santa Catarina

Fundos de Investimento
Fundo de investimento é uma forma de aplicação financeira
formada pela união de vários investidores, os quais se unem para
realizar um investimento financeiro, organizados sob a forma de
pessoa jurídica.

Imagine o fundo de investimento tal qual a forma


de um condomínio, onde, visando um determinado
objetivo ou retorno, cada morador divide as
receitas geradas e as despesas necessárias para o
empreendimento.

Cada investidor possui uma cota do patrimônio do fundo, com


direitos e obrigações estipuladas ao firmarem e aceitarem o seu
contrato de criação. Os fundos, geralmente, são administrados
por uma instituição financeira, a qual tratará dos aspectos legais
e jurídicos, da estratégia de montagem da carteira de ativos,
com vista ao maior lucro possível com o menor nível de risco. A
instituição financeira cobrará uma taxa por este serviço e para a
manutenção do mesmo enquanto empreendimento.

O trabalho das instituições financeiras reside em


escolher as melhores alternativas de aplicação. A
rentabilidade é a mesma para qualquer aplicador,
independendo da quantia aplicada.

Conheça, na sequência, os tipos de fundos.

„„ Fundos de Renda Fixa: Como o nome diz, são


fundos onde o cliente sabe, antecipadamente, ou não, a
rentabilidade do seu investimento. Por isso, são fundos
com menor risco. Estes fundos normalmente são
compostos por certificados de depósito bancário (CDB),
letras de câmbio e títulos do governo.
„„ Fundos de Renda Variável: Como o nome diz, os
ganhos dos clientes podem variar, por isso têm maior
risco. São compostos por investimento em ações e outros
títulos de maior risco.

114
Análise Macroeconômica

„„ Mistos ou Multimercados: mix de investimentos,


ou seja, compostos de títulos de renda fixa, títulos do
governo e ações. Estes fundos podem ser abertos ou
fechados. Aberto significa que o público tem acesso, e o
saque ocorre a qualquer tempo. Fechado refere-se àqueles
destinados a grupos de investidores selecionados, sendo
que o tempo de maturação pode levar anos.

Veja os seguintes exemplos de alguns fundos brasileiros (a


sua composição pode mudar de acordo com regulamento do
Banco Central):

FIF – Fundo de Investimento Financeiro;


FAC – Fundo de Aplicação em Cotas:

1) Fundo de Renda Fixa 30 dias (FIF 30 dias):


apresenta liquidez diária após 30 dias de aplicação.
Composto por títulos de médio e longo prazo como
título de renda fixa (CDB), letras de câmbio, títulos
públicos. O depósito compulsório que incide é de 05%
do patrimônio líquido.
2) Fundo de Renda Fixa 60 dias (FIF 60 dias):
apresenta liquidez após 60 dias. Não incide depósito
compulsório. Composto pelos mesmos títulos de 30
dias. Rentabilidade: 14,44%.
3) FIF de curto prazo: veio substituir o fundão. Tem
liquidez diária, o que permite a aplicação e o resgate
automáticos. Compulsório: 50%. Rentabilidade baixa.
4) Fundo mútuo de investimentos em ações (FMIA):
é uma forma de aplicar em ações, sem ter de ficar
acompanhando o mercado. Os recursos captados são
aplicados em carteira diversificada de ações (51%),
debêntures conversíveis e uma parte em títulos do
governo e fundos de renda fixa. Sua rentabilidade
depende da composição de ações.
5) Fundos imobiliários: são fundos para investimento
em imóveis, sejam prédios de apartamentos ou
comerciais, shopping centers, etc., através da criação
de cotas de investimento, vendidas em um mercado
ou a um grupo selecionado de pessoas (empresas ou
investidores institucionais).

Unidade 4 115
Universidade do Sul de Santa Catarina

6) Fundos de Pensão: os cotistas vão constituindo


um patrimônio ao longo dos anos, garantindo sua
aposentadoria. Estes são aplicadores de fundos de
investimento.
7) Fundos de renda fixa – capital estrangeiro: são
fundos que atraíram os investidores estrangeiros para
as nossas altas taxas de juros. As cotas só podem ser
adquiridas por pessoas jurídicas domiciliadas ou com
sede no exterior. Têm seus recursos direcionados
para ativos financeiros de renda fixa emitidos por
instituições sediadas no país. Sua carteira deve ter,
no mínimo, 35% destinados a títulos de emissão do
Tesouro Nacional.
8) Fundo de Privatização – capital estrangeiro:
criado para atrair recursos externos para a
privatização. A carteira deve ser composta por ações
de empresas desestatizadas.

ƒƒ Operações Cambiais: referem-se à aquisição de


moeda estrangeira. Por força de lei, somente às
autoridades monetárias é permitido reter moeda
estrangeira. Assim sendo, o BC se obriga a comprar
(ou vender) todo o fluxo de moeda estrangeira
que entra (ou sai) no país a cada ano, quando o
resultado do Balanço de Pagamentos é positivo
(ou negativo).
ƒƒ Letras de Câmbio: títulos ao portador, emitidos
por Financeiras. As Sociedades de Crédito,
Financiamento e Investimento são sociedades
anônimas que financiam bens e serviços no
mercado interno, captando recursos através das
letras de câmbio. Estas sociedades não podem
ter conta corrente nem fundos de investimento.
Considere o seguinte exemplo: toda grande loja/
montadora de veículos tem uma financeira: a
loja fatura à vista ao cliente que é financiado pela
Financeira. (Se a loja financiasse diretamente, teria
que embutir os encargos no valor da nota fiscal,
pagando mais imposto.) A financeira abre um
crédito ao cliente, mediante contrato. O cliente
emite contra a financeira, letras de câmbio, já que
é credor. A financeira aceita as letras e as coloca no

116
Análise Macroeconômica

mercado. Vai haver um comprador destas letras


que, no vencimento, resgata-a na financeira. A taxa
de juros paga ao investidor deve ser inferior à taxa
utilizada no financiamento, sendo que o spread
obtido é o lucro da Financeira. Taxa adicional de risco
ƒƒ CDB – Certificado de Depósito Bancário: são cobrada no mercado
títulos emitidos por bancos comerciais que têm internacional, varia
como lastro os depósitos à vista na instituição conforme a liquidez e as
emissora. São emitidos com o objetivo de obter garantias do tomador
recursos para as instituições financeiras. O público do empréstimo e o
alvo é constituído tanto por pessoas físicas quanto prazo do resgate.
jurídicas. As taxas se modificam diariamente e são
cotadas ao ano para o prazo de 30 dias.
ƒƒ RDB – Recibo de Depósito Bancário: são
depósitos a prazo feitos em Bancos comerciais, de
forma pré-fixada ou pós-fixada.
ƒƒ CDI – Certificado de Depósito Interbancário:
criado na década de Oitenta para atender ao
fluxo de recursos demandados pelas instituições
financeiras. A instituição que, no final do dia, tenha
necessidade de fechar seu caixa pode emitir um
título contra outra instituição que esteja em uma
situação credora (sobrando recursos em caixa). As
operações são realizadas fora do âmbito do Banco
Central.
ƒƒ Hot Money: operação de empréstimo de curtíssimo
prazo para financiamento do saldo de caixa
negativo das empresas.
ƒƒ IOF: imposto sobre operações financeiras. Imposto
cobrado pela Receita Federal sobre as operações de
empréstimo efetuadas por empresas e bancos.

Os fundos mútuos de investimentos são a principal forma de


aplicação financeira no Brasil, com considerável crescimento nos
últimos anos. Eles são importantes na análise macroeconômica,
porque promovem o incremento e a circulação dos meios de
pagamento. Através deste instrumento, canaliza-se a poupança
que financia o governo através da aquisição dos títulos públicos.

Unidade 4 117
Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 5 – Teorias da inflação


Todos já vivenciamos os efeitos da inflação, sabemos que ela se
reflete nas empresas, nas pessoas e no governo. Neste sentido,
ela é entendida como sendo um fenômeno macroeconômico,
dinâmico e de natureza monetária, caracterizada por uma
elevação apreciável e persistente do nível geral de preços.

Em outras palavras, inflação é o aumento contínuo,


persistente e generalizado dos preços, envolvendo
o conjunto da economia e do qual resulta perda de
poder aquisitivo.

Outra forma de conceituar a inflação é defini-la simplesmente


como a perda do poder aquisitivo da moeda.

Caro(a) aluno(a),
você estuda agora algumas teorias que explicam as causas e os
efeitos da inflação. Entre estas teorias, destacamos a inflação de
demanda, a inflação de custos, além das teorias estruturalistas e
inercialista da inflação.

A inflação de demanda
A teoria da inflação de demanda (também chamada de teoria
quantitativa) pode ser considerada a mais antiga das teorias sobre
inflação.

A inflação de demanda é impulsionada pela elevação das


quantidades de bens e serviços que os consumidores estão
dispostos e aptos a adquirir em função dos níveis de preços
existentes. Se a essa elevação não corresponder uma expansão da
oferta global, os preços tendem a ser pressionados para cima, por
taxas inflacionárias. Em suma, existe um excesso de moeda em
relação aos bens e serviços disponíveis.

118
Análise Macroeconômica

Considere as seguintes relações básicas: quando há elevada taxa de


desemprego (condição de baixa demanda agregada), um aumento
da demanda agregada provocará um aumento da produção. Porém,
com baixo desemprego, qualquer variação na quantidade de
demanda agregada, resultará em variação de preços.

A inflação também é impulsionada quando a produção real


cresce em decorrência de três fatores:

„„ as empresas são forçadas a contratar trabalhadores


menos produtivos e há necessidade de preços maiores,
para que possa ser coberto o custo da perda da
produtividade da mão de obra;
„„ os índices salariais tendem a aumentar à medida que as
firmas percebem que, para evitar o custo mais elevado
dos trabalhadores não qualificados, precisam manter
os trabalhadores qualificados, ou estes últimos devem
ser trazidos de outras empresas sob a atração de índices
salariais mais altos;
„„ algumas empresas possuem força de mercado, isto
é, uma falta de concorrentes mais eficazes, e podem
elevar a margem de lucro quando a procura por seus
produtos for elevada.

Veja as seguintes causas que podem conduzir à expansão


continuada da demanda agregada:

„„ mudanças em impostos;
„„ subsídios ou gastos do governo em custeio e
investimento;
„„ e mudanças na quantidade ou velocidade de
circulação da moeda.

Considere os seguintes exemplos que explicitam o modo pelo


qual essas causas podem conduzir à expansão continuada da
demanda agregada:

Unidade 4 119
Universidade do Sul de Santa Catarina

ƒƒ uma redução de impostos, por exemplo,


gera um aumento da renda disponível, e, por
consequência, aumenta a Demanda Agregada
(DA), principalmente se a população tem uma
alta propensão marginal a consumir;
ƒƒ um aumento dos gastos públicos, através
da utilização de fundos não utilizados
anteriormente, aumentará a DA, e este aumento
tenderá a ser persistente, sobretudo se, a
partir de certo ponto, os gastos do governo
passarem a ser financiados por expansão da
oferta monetária. Caso o governo, para financiar
seu déficit orçamentário, recorra a emissões,
as pressões inflacionárias serão estimuladas
por novos componentes localizados no setor
monetário da economia (o mesmo pode ocorrer
devido à entrada de capitais – divisas externas
conversíveis). Aumentando a oferta monetária e
baixando a taxa de juros, haverá uma expansão
da renda, havendo uma pressão inflacionária;
ƒƒ aumento do gasto da poupança da população,
implica uma preferência por ativos mais líquidos;
ƒƒ expansão da oferta monetária nominal, ainda
que temporária, converte-se em aumento da
demanda nominal (as pessoas pagarão mais pela
mesma quantidade de produtos existentes na
economia), provocando pressões inflacionárias, na
hipótese de haver uma curva de oferta inelástica.

Frente a estes fatores, perceba que alguns se referem ao setor


real da economia, outros a fatores monetários. A inflação pode
ter origem em ambos.

Sua magnitude dependerá de quanto foi a pressão sobre


a demanda agregada e, ainda, das medidas que foram
utilizadas para controlá-la.

120
Análise Macroeconômica

A inflação de custos

A Inflação de custos ocorre, quando, devido a


aumento nos custos de produção, as empresas
repassam tais aumentos para seus preços.

O tratamento teórico da inflação de custos – embora se reconheça


que a persistência e propagação de qualquer inflação dependam,
em última instância, da expansão do suprimento monetário –
admite que as causas iniciais do processo se encontram no
âmbito da oferta agregada, cujos deslocamentos resultam de
mudanças nos salários, nos custos de matérias-primas ou da
tentativa de aumentar os lucros. A magnitude da inflação de
custos e a dinâmica de propagação dependem da estrutura de
mercado da indústria.

Se as indústrias responsáveis por maior volume de emprego


estiverem em situação monopolista ou oligopolista, o efeito
inflacionário dos acréscimos salariais que excedam os ganhos de Monopólio: forma de
produtividade será mais rápido, comparativamente com situações organização de mercado
em que as indústrias que absorvem a maior parcela da força ativa nas economias capitalistas,
em que apenas uma
de trabalho estiverem inseridas em mercados mais competitivos.
empresa domina a oferta
de determinado produto
Além de ser explicada pela variação de taxas salariais, a inflação ou serviço, para o qual não
de custos pode ainda resultar de acréscimos nos preços de há substituto satisfatório.
matérias-primas de alta participação na estrutura de custos das
principais indústrias da economia. Oligopólio: Tipo de
estrutura de mercado
nas economias
Quando há aumento no valor do dólar norte- capitalistas, dominado
americano, muitos setores da economia são afetados por um pequeno grupo
negativamente, pois têm custos expressos nesta de empresas, oferecendo
moeda, e há uma tendência, nem sempre confirmada, bens diferenciados, porém
de repassar este aumento para os preços dos bens/ substitutos entre si.
serviços finais.

Unidade 4 121
Universidade do Sul de Santa Catarina

As teorias estruturalistas
Estas teorias afirmam que as pressões inflacionárias têm origem
em causas estruturais, relacionadas com o subdesenvolvimento
econômico.

É uma teoria essencialmente latino-americana, desenvolvida no


âmbito da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina).
Não nega as outras teorias, mas dá ênfase ao subdesenvolvimento
como uma das causas da inflação. Essencialmente, a concentração
de renda estimula a formação de um mercado reduzido e que tem
condições de repassar aumentos de preços.

A teoria inercialista
Esta teoria (também chamada de teoria keynesiana) explica a
inflação a partir de forças de realimentação, como a indexação da
economia. Ou seja, parte-se do princípio de que a inflação presente
existe em função da inflação passada. Neste caso, a inflação decorre
de tentativas de se consumirem mais bens e serviços finais do que
aqueles de que o sistema econômico pode dispor.

A teoria inercialista origina-se da ideia de que há certa tendência


dos preços em permanecerem elevados. Neste caso, o grande
vilão é a indexação, ou seja, o reajuste das parcelas de contratos
pela inflação do período passado.

Seção 6 – A inflação no Brasil


Muitas vezes, indo ao supermercado ou ao shopping, nos
assustamos ao notar que certos produtos tiveram um expressivo
aumento de preço. O mesmo acontece, quando chegam as contas
dos serviços públicos, como água, luz e telefone.

Mesmo assim, a situação atual é bem mais confortável do que


aquela de alguns anos atrás. Através da tabela a seguir, pode-se
verificar a evolução da inflação no Brasil, medida pelo Índice de

122
Análise Macroeconômica

Geral de Preços – Disponibilidade Interna IGP-DI da Fundação


Getúlio Vargas, de 2000 até 2010.

Tabela 4. 2 – Inflação no Brasil – Índice Geral de Preços (acumulado)


Anos Porcentagem (%)
2000 9,95
2001 10,37
2002 25,30
2003 8,69
2004 12,42
2005 1,20
2006 3,84
2007 7,74
2008 9,80
2009 -1,71
2010 11,20
Fonte: Disponível em:<http://www.portalbrasil.net/index.php/layout/indices-financeiros>.
Acesso em: 22 fev. 2011.

No Brasil, há várias formas de se mediar a inflação. A inflação


é medida por institutos de pesquisa que analisam o quanto as
famílias, nos diversos extratos sociais, gastam com aluguel,
vestuário, alimentos, saúde, transporte, educação, lazer,
comunicações e outras despesas. Alguns dos principais índices
do país são:

IGP (Índice Geral de Preços) – calculado pelo IBGE (Instituto


Brasileiro de Geografia e Estatística – www.ibge. gov.br) desde
1947, compara variações mensais de preços em 18 capitais. Há
três grupos de preços: produtos no atacado, preços ao consumidor
e preços da construção civil;

IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) – também


calculado pelo IBGE, serve para corrigir os contratos bancários.
É aplicável no dia 30 de cada mês, pois é calculado medindo-se
as variações de preços entre o dia 20 de um mês e o dia 20 do
mês subsequente;

Unidade 4 123
Universidade do Sul de Santa Catarina

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) – também


calculado pelo IBGE, baseia-se em consumidores com até
quarenta (40) salários mínimos de renda mensal.

Conheça alguns dos diversos institutos que calculam


taxas de inflação:
FIPE – Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da
Universidade de São Paulo (www.fi pe.org.br);
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (www.dieese.org.br);
FGV – Fundação Getúlio Vargas (www.fgv.br).

Desde 1999, o Brasil adota o regime de metas de inflação.


Neste regime, o Banco Central – que é o executor da Política
Monetária – define uma taxa de inflação ideal para o período
dos próximos doze meses e, com base nesta meta, conduz a
política monetária.

Ou seja: se o Bacen nota, no decorrer do ano, que a inflação está


crescendo rapidamente e se aproximando muito rápido da meta,
então ele aumenta as taxas de juros (política monetária restritiva).

O aumento das taxas de juros é o principal remédio no


combate à inflação.

Por outro lado, se o Bacen percebe que a inflação está crescendo


lentamente, e há espaço para aumento da demanda, então ele
reduz as taxas de juros (política monetária expansiva).

A inflação é definida como uma situação em que há um aumento


contínuo e generalizado de preços. Essas características de
generalidade e continuidade fazem com que a inflação seja
um processo, e não uma ocorrência passageira. Isto pode levar
algumas pessoas a pensarem que a inflação não é um problema
muito grave, ou é um problema dos governantes, uma vez que a
economia acaba por se ajustar a esse processo.

124
Análise Macroeconômica

Entretanto devemos analisar e pensar que a inflação não é algo


simples, pois uma economia com alta inflacionária provoca uma
série de problemas graves para um sistema econômico, com
consequências e efeitos muito mais graves sobre a distribuição de
renda e o bem-estar social da população (com a perda do poder
aquisitivo, efeitos sobre as expectativas de investimento dos
empresários e sobre o balanço de pagamentos).

Durante o processo inflacionário, os preços dos bens e serviços


produzidos no país estão em constante elevação e, inversamente,
os preços dos produtos estrangeiros (em uma economia sem
inflação) tendem a ficar mais baratos a curto prazo. Desta forma,
pode ocorrer aumento das importações, provocando déficit na
balança comercial.

Em razão deste fato, os países que enfrentam


processos inflacionários tributam de forma pesada
as importações, como uma forma de evitar este
desequilíbrio que provoca graves consequências para
a economia do país.

As equipes econômicas trabalham com a necessidade do


equilíbrio macroeconômico através da estabilização da economia,
com planos de ação de combate e controle da inflação.

Foram muitas as tentativas de estabilização de nossa economia


ao longo de muitos anos, foram vários planos econômicos,
principalmente na década de 80, porém seus objetivos não foram
alcançados, visto possuírem combinações de instrumentos de
política econômica e diagnósticos errôneos, o que permitia que a
inflação retornasse e, com mais força do que a inflação observada
no período anterior ao plano.

Somente a partir do ano de 1994, com a implantação do


Plano Real e adoção de política econômica rígida e de forma
abrangente, foi possível ao país controlar a inflação, obtendo
índices mais baixos, o que levou a um crescimento consistente e
expressivo da nossa economia.

Unidade 4 125
Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Nesta unidade, você conheceu o conceito de moeda e pôde


perceber como ela é importante para o bom funcionamento do
sistema econômico. Também foi possível compreender que o
controle da quantidade de moeda na economia é uma ferramenta
importantíssima de política econômica, que é a política
monetária.

Além disto, você aprendeu o conceito de inflação e suas


principais causas. As causas para a inflação da economia brasileira
são diversas e dependem do momento histórico e, como visto,
esse fenômeno pode ser interpretado através da teoria inercial,
de custos, de demanda ou estruturalista. A pior consequência da
inflação é a perda de poder aquisitivo do dinheiro.

Atividades de autoavaliação

Leia com atenção os enunciados seguintes e resolva as atividades


programadas para a sua autoavaliação.
Nesta unidade, você aprendeu as principais funções da moeda, a
importância da determinação da taxa de juros e a influência da inflação
no nosso dia a dia. Partindo disto, responda:

1. Por que a moeda é importante na economia moderna?

126
Análise Macroeconômica

2. Como se determina a taxa de juros de equilíbrio?

3. Qual é o principal objetivo da política monetária?

4. Como a inflação afeta o cotidiano das pessoas?

5. Por que ocorre inflação de demanda?

Unidade 4 127
Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Aprenda mais sobre moeda e política monetária, ao consultar as


seguintes referências:

MANKIW, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro:


Campus, 2008.

MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura


econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo
Grande: Editora Oeste, 2001.

TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à


economia. São Paulo: Makron Books, 2009.

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.

Também consulte o site do Banco Central do Brasil.

Disponível em: <http://www.bcb.gov.br>. Acesso em 28 fev.


2011.

128
5
UNIDADE 5

Economia Internacional

Objetivos de aprendizagem
„„ Conhecer as principais teorias de comércio
internacional.
„„ Identificar a metodologia de registro das transações
com o exterior.
„„ onhecer os principais conceitos de balanço de
C
pagamentos.
„„ onhecer os componentes do balanço de
C
pagamentos.

Seções de estudo
Seção 1 Mercantilismo

Seção 2 Teoria das vantagens

Seção 3 Balanço de pagamentos


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Você provavelmente já se perguntou o porquê de as nações
comercializarem. Os professores Maria Carvalho e César Silva
(2007, p.3) respondem a esta questão afirmando que “o bom
senso nos leva a crer que as nações comerciam porque podem
obter vantagens.”

Estas vantagens são mostradas na Teoria Clássica do Comércio


Internacional, que é o principal tema desta unidade. Bom estudo!

Seção 1 – Mercantilismo

Você sabe o que foi o mercantilismo?

O período mercantilista compreendeu os séculos XV a meados


do século XVIII. A doutrina mercantilista resultou da expansão
do comércio iniciada no final da Idade Média e teve seu apogeu
após o descobrimento da América e do caminho marítimo para
as Índias.

O mercantilismo como sistema econômico é uma reação à


ordem medieval, opondo-se simultaneamente ao poder local
do nobre rural e ao poder universal da Igreja Católica. As
ideias mercantilistas expressavam os interesses do Estado
e da burguesia. A política comercial mercantilista reforçava o
poder do monarca absoluto, defendendo a unificação econômica
e o poder nacional, para permitir a sobrevivência do Estado-
Nação contra ameaças externas. A contrapartida política do
mercantilismo era o absolutismo e o nacionalismo.

130
Análise Macroeconômica

Esta conjunção de fatores fazia com que a coroa tivesse que gerar
receitas para manter-se no poder. A origem dessas receitas era
o comércio interno e externo. Os mercantilistas defendiam a
unificação econômica doméstica e a liberdade de comércio no
interior do território nacional. Por um lado, houve restrições às
aduanas e aos pedágios impostos por nobres feudais, e, por outro
lado, os mercantilistas também defendiam a unificação do regime
monetário, a racionalização do sistema de pesos e medidas,
promovendo, assim, a liberdade comercial.

Saiba mais sobre o pensamento mercantilista!


As palavras de Thomas Mun, um comerciante inglês,
em 1644, mostram o pensamento mercantilista da
época em relação ao comércio exterior:
A forma mais comum [...] de aumentar nossa riqueza
e nosso tesouro é através do Comércio exterior, por
isso devemos observar sempre esta regra: todo ano,
vender mais aos estrangeiros do que consumimos deles.
Suponhamos que este Reino tenha abundância de tecidos,
chumbo, estanho, ferro, peixe e outros bens nativos e nós
exportemos anualmente o excesso para outros países
por 2,2 milhões de libras. Assim, há condições de comprar
bens estrangeiros para nosso consumo no valor de dois
milhões de libras. Sendo essa ordem devidamente mantida
em nosso comércio, permanece a certeza de que o Reino
enriquecerá seus cofres a cada ano com duzentas mil
libras, quantia que será colocada no Tesouro, pois a parte
que não nos for devolvida em bens terá de ser trazida para
casa na forma de tesouro.

No mercantilismo, as exportações consistiam em uma maneira de


incrementar o volume de metais preciosos do país, pois os pagamentos
internacionais eram feitos em ouro e prata. Tinha-se, portanto, a visão
de que o país devia ser superavitário comercialmente (exportações
maiores que as importações) para tornar-se mais rico.

Estado tinha como função estimular as exportações e


desestimular as importações.

Unidade 5 131
Universidade do Sul de Santa Catarina

A Espanha extraía metais preciosos (ouro e prata) dos incas.


A Inglaterra, França e outros países extraíam ouro e prata da
Espanha através do comércio exterior.

Para os mercantilistas, o aumento da produção


e do comércio doméstico depende, além do
estoque dos meios de pagamento, da unificação
econômica e da liberdade de comércio no interior
das fronteiras nacionais.

E o crescimento do estoque de meios de pagamento de um


país depende da produção de minas nacionais ou do superávit
na balança comercial. Portanto, para um país sem minas, uma
política comercial baseada no protecionismo e na promoção da
exportação é a única estratégia compatível com o aumento do
poder nacional. (GONÇALVES, 1998).

Você sabe por que a concepção de comércio exterior


dos mercantilistas estava errada?

Porque se todos os países fechassem suas economias, não haveria


comércio. As exportações tenderiam a zero. Como consequência,
o país teria de produzir internamente tudo que precisasse. Outra
forma de ver a questão é a seguinte: um país que exporta mais
do que importa tende a aumentar a oferta monetária. Como
consequência, há aumento de preços.

O aumento dos preços internos faz com que o país perca


competitividade no mercado internacional, levando a que
as exportações diminuam e que as importações aumentem.
Baseados nesses argumentos, os economistas clássicos se
opuseram aos mercantilistas, enfatizando que o governo não
deveria intervir no comércio internacional.

132
Análise Macroeconômica

Seção 2 – Teoria das vantagens


Você conhece a teoria das vantagens? Nesta seção, vamos apresentar
duas teorias: a das vantagens absolutas e a das vantagens
comparativas.

Teoria das vantagens absolutas


A vantagem absoluta é a condição em que determinado produto
ou serviço pode ser oferecido com preço de custo inferior
ao dos concorrentes. Esta situação, em geral, é criada pela
especialização, porém, para os produtos agrícolas, por exemplo, a
condição climática favorável é fundamental. O uso deste tipo de
vantagem pode sofrer restrições no comércio internacional.

A visão clássica econômica não convergia com os interesses


da coroa, mas sim com os interesses dos súditos da coroa. Os
economistas que defendiam a teoria das vantagens absolutas, os
economistas clássicos, argumentavam que a exportação era um
meio para a aquisição de produtos importados, não ouro e prata.

Você sabia?
Escola Clássica
Linha de pensamento econômico que tem seu início marcado pela
publicação do livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, em 1776, e
o seu final pelo texto Princípios de Economia Política, de John Stuart
Mill, de 1848. Outro texto central para este pensamento é a obra de
David Ricardo, Princípios de Economia Política e Tributação, de 1817.
Com os representantes da Escola Clássica, a economia adquiriu
caráter científico integral quando passou a centralizar a abordagem
teórica na questão do valor, cuja única fonte original era identificada
pelo trabalho em geral.
Esta abordagem fazia uso do método dedutivo, do materialismo
e da preocupação em simplificar e generalizar as proposições
econômicas. Baseava-se nos preceitos filosóficos do liberalismo e
do individualismo, firmando os princípios da livre concorrência. É
caracterizada por enfatizar a produção, relegando o consumo e a
procura ao segundo plano.

Unidade 5 133
Universidade do Sul de Santa Catarina

De acordo com Smith, quando um produto de qualquer ramo


da indústria excede a demanda interna de um país, o excedente
deve ser mandado para o exterior e trocado por alguma coisa
que tenha demanda interna. Para ele, sem tal exportação, uma
parte do trabalho produtivo de um país deve cessar, e o valor de
sua produção anual diminuir. O autor também argumenta que o
excedente do produto importado, pago com excedente doméstico,
pode ser trocado mais uma vez por um produto demandado
domesticamente.

Outra contribuição de Smith foi entender que os metais preciosos


são um produto como qualquer outro. Portanto um país grande
produtor de metais preciosos seria naturalmente exportador deste
produto, porque o preço dos outros produtos cotados em ouro
e prata, no país com minas, seria mais alto do que no país sem
minas. (GONÇALVES, 1998).

Mais tarde, a teoria da vantagem absoluta foi aperfeiçoada por


David Ricardo, um dos seguidores de Adam Smith, que criou a
teoria das vantagens comparativas.

Saiba mais sobre a visão clássica referente à


economia internacional!
De acordo com Adam Smith (1776, 377), dar o
SMITH, Adam. A riqueza monopólio do mercado interno ao produto da
das nações: investigação indústria nacional, em qualquer arte ou manufatura
sobre a sua natureza em particular, de certa formam é o mesmo que
e suas causas. São definir o que cada pessoa deve fazer com o seu
Paulo: Abril Cultural, capital, sendo, em quase todos os casos, uma regra
1983 (Coleção os inútil ou prejudicial [...] O princípio de qualquer
Economistas). chefe de família prudente é nunca tentar fazer
em casa algo que lhe custe mais para produzir do
que para comprar. O alfaiate não procura fazer os
próprios sapatos, ele os compra do sapateiro. O
sapateiro não tenta fazer as suas próprias roupas, ele
contrata um alfaiate [...] Aquilo que é prudente na
condução de qualquer família dificilmente poderia
ser insensato na condução de um grande reino. Se
outro país puder nos fornecer um bem por preço
menor do que o necessário para que nós mesmos
o produzamos, é mais sensato comprar dele com
parte da produção da nossa própria indústria,
empregada de modo a nos trazer certa vantagem[...]

134
Análise Macroeconômica

Teoria das vantagens comparativas


A teoria de David Ricardo, conhecida como Teoria das
Vantagens Comparativas, tem como argumento principal que o
comércio entre dois países cujas estruturas de produção

são diferentes é sempre vantajoso em relação ao não comércio.

A principal consequência prática desta concepção teórica é que


cada país deve dedicar-se, ou especializar-se naquelas áreas onde
os custos comparativos sejam menores.

Relacionando-se a produção de (dois) bens A e B, de


dois países distintos X e Y, os custos do produto A
são expressos em relação aos custos de produção do
produto B. Possui vantagem comparativa o país em
que for menor a relação dos custos de produção dos
produtos A e B.

Apresentando e utilizando como exemplo o vinho e o tecido,


produzidos por Portugal e Inglaterra, Ricardo afirmava que se
Portugal tivesse que dividir seu capital na produção de vinhos
e tecidos, certamente perderia em relação à possibilidade
de realizar o comércio com a Inglaterra. O comércio com a
Inglaterra lhe proporcionaria mais tecidos e de melhor qualidade.

Para melhor descrever o raciocínio de Ricardo (1985, p. 56),


vejamos um exemplo:

Para Inglaterra são necessários 100 homens, por um


ano, para produzir uma determinada quantidade de
tecido; e são necessários 120 homens, por um ano,
para produzir uma determinada quantidade de vinho.

Para Portugal são necessários 90 homens, por


um ano, para produzir a mesma quantidade de
tecido; e são necessários 80 homens, por um ano,
para produzir a mesma quantidade de vinho –
que a Inglaterra.

Unidade 5 135
Universidade do Sul de Santa Catarina

Embora Portugal tenha uma vantagem absoluta


na produção de vinhos e tecidos, pela teoria das
vantagens comparativas, Ricardo afirmava que
seria vantajoso Portugal realizar comércio com
a Inglaterra. Neste caso, a Inglaterra se dedicaria
à produção de tecidos, enquanto Portugal se
dedicaria à produção de vinhos.
Com o comércio entre os dois países, a Inglaterra
compraria os vinhos (que custaram o trabalho
de oitenta homens) e venderia os tecidos (que
custaram o trabalho de cem homens), mas ela
poderia obtê-los a um preço mais baixo do que
ela pagaria internamente (120 homens). Por
outro lado, Portugal pagaria pelos tecidos (que
lhe custariam 90 homens) o equivalente em
vinho, que lhe custa 80 homens. Desta forma, os
dois países têm vantagens comparativas com o
comércio internacional.

Assim, segundo a Teoria das Vantagens Comparativas de David


Ricardo, seria mais vantajoso para Portugal concentrar toda a
mão de obra na produção de vinho, onde ele é mais eficiente,
vendendo esse produto para a Inglaterra. Em contrapartida, seria
mais vantajoso para Inglaterra só produzir tecido, onde ela é
mais eficiente, vendendo-o para Portugal. Ou seja, os dois países
seriam beneficiados pelo comércio, já que cada um produziria
aquilo que lhe é mais vantajoso.

Portanto, as teorias de comércio internacional mostram que o


protecionismo, o isolamento, é prejudicial aos países.

Quanto maior a abertura do comércio, mais progresso


econômico o mundo alcançará.

Mas Adam Smith já alertava sobre a dinâmica de um processo de


abertura econômica. Segundo ele, a abertura deve ser lenta, para

136
Análise Macroeconômica

que haja tempo para a economia adaptar-se às novas condições


e então redistribuir os recursos de um setor para o outro. Essa
é a grande dificuldade com que a Organização Mundial do
Comércio se depara neste século XXI. Todas as transações
que um país realiza com o exterior, incluindo o comércio
internacional, devem ser registradas na contabilidade do país
(tema que será abordado na seção seguinte).

Comércio exterior

Comércio internacional e câmbio


Quando se pensa em termos de comércio internacional e as
transações efetuadas aí, duas questões são de fundamental
importância para o entendimento desta relação e a superação das
dificuldades que podem surgir:

„„ a primeira refere-se ao motivo pelo qual os países


comercializam entre si, apesar de toda uma série de
dificuldades, tais como, moedas diferentes e a distância
que os separa;
„„ a segunda refere-se à forma como são escolhidos os bens
e serviços que farão parte deste fluxo de mercadorias.
É necessário identificar, por exemplo, por que um país
exporta produtos agrícolas e manufaturados e importa
máquinas e equipamentos pesados.

As respostas para estas questões estão na Teoria das Vantagens


Comparativas, elaborada por Adam Smith e aperfeiçoada por
David Ricardo. Economistas clássicos que viveram nos séculos
XVIII e XIX, respectivamente.

Como vimos anteriormente, esta teoria parte do princípio de que


os países que comercializam entre si aumentam o nível de seu
bem-estar social, colocando uma quantidade maior de produtos à
disposição de sua população.

Unidade 5 137
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Para que dois países diferentes, que possuem moedas


diferentes, possam comercializar entre si, é necessário
identificar a proporção de valor entre suas moedas, a
fim de que seja possível a realização da troca de bens
e de serviços.

Buscando resolver esta situação, a Economia Internacional criou


a taxa de câmbio, que é a medida pela qual a moeda de um país
pode ser convertida na moeda de outro país.

A taxa de câmbio é o preço das divisas, das moedas


estrangeiras. Esta taxa é determinada pela oferta
e pela procura de divisas, o que cria o mercado de
divisas, ou seja, onde ocorre o encontro da oferta e da
demanda por divisas, que determina a taxa de câmbio.

Para o entendimento do regime cambial adotado por um


determinado país, é necessário o entendimento da razão por que
o dólar norte-americano é a moeda internacional das trocas.

Em julho de 1944, reuniram-se em Bretton Woods (New


Hampshire, Estados Unidos), representantes de 44 países, na
O Brasil participou da conferência que ficou conhecida como Conferência Monetária
conferência de Bretton e Financeira das Nações Unidas. Esta conferência teve
Woods, tornando-se como objetivo o planejamento e a estabilização da economia
membro fundador
internacional e das moedas nacionais prejudicadas pela II
do Fundo Monetário
Internacional (FMI) e Guerra Mundial.
do Banco Internacional
para Reconstrução e A comissão brasileira era formada por Euvaldo Lodi, João Daudt
Desenvolvimento (BIRD). de Oliveira e outros técnicos do governo do nosso país.

Os acordos assinados nesta conferência, tiveram validade para o


conjunto das nações capitalistas lideradas pelos Estados Unidos,
resultando na criação do Fundo Monetário Internacional e a
definição do dólar norte-americano como a moeda internacional
das trocas, pois, naquele momento histórico, os Estados Unidos,
além vencedores do conflito, eram uma economia em franca
aceleração de crescimento.

Após o abandono do Padrão Ouro em 1971, os regimes cambiais


praticados pelos diversos países são diversos. Analise-os na sequência.

138
Análise Macroeconômica

„„ Câmbio Administrativo com regime de bandas. O


Bacen administra a cotação da moeda nacional em
relação a uma moeda forte dentro de uma faixa de
flutuação denominada banda cambial, a qual pode ser
mais ou menos estreita. Esse regime requer alto volume
de reservas e está sujeito a movimentos especulativos,
quando existe ameaça de que a cotação da moeda
nacional possa ultrapassar o teto da banda.
„„ Livre Flutuação – Regime adotado no Brasil – A taxa
de câmbio é definida inteiramente pelo mercado. Esse
regime requer a robustez do setor externo (inexistência
de grandes déficits) e solidez na área fiscal, tributária
e monetária. Qualquer debilidade destes fundamentos
pode levar a bruscas elevações da taxa de câmbio.
„„ Flutuação Suja. O câmbio é formalmente livre, porém,
diante de alterações inesperadas, o Bacen pode intervir
sem aviso prévio. Este regime tem os mesmos problemas
da Livre Flutuação e requer grande capacidade dos
operadores do Bacen.
„„ Comitê da Moeda. O câmbio é atrelado a uma moeda
forte, como o dólar norte-americano, por exemplo, sendo
a conversibilidade plena e a emissão de moeda nacional
condicionada ao aumento das reservas. Esse regime
elimina grande parte da especulação cambial, provoca
um rebaixamento da taxa de juros, mas torna a política
monetária e fiscal excessivamente rígida e provoca perda
de soberania do país que a pratica.

O regime cambial adotado no Brasil é o câmbio flutuante. Ou


seja, quanto maior a quantidade de dólar em circulação no país
(seja por investidores, turistas, etc.) menor a cotação do dólar. Se
os investidores retirarem os seus dólares do mercado do país, a
cotação do dólar vai subir.

O Bacen compra o dólar, a fim de evitar um excesso da moeda


circulando na economia, pois esta situação pode desvalorizar
o dólar e provocar uma valorização do real, gerando, assim, a
queda na taxa de juros, aumento das importações e diminuição
das exportações, o que, por sua vez, poderá ocasionar déficit na
balança de pagamentos.

Unidade 5 139
Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 - Balanço de pagamentos

O Balanço de pagamentos de um país representa


o resumo contábil das transações econômicas que
esse país faz com o resto do mundo, durante um
determinado período de tempo.

Com base nesse balanço, é possível avaliar a situação econômica


internacional do país. (LOPES; VASCONCELLOS, 1998).

Outro modo de pensar o balanço de pagamentos é considerá-


lo como o registro sistemático das transações entre residentes
e não residentes de um país durante um período de tempo.
(SIMONSEN; CYSNE, 1995). Entendem-se residentes como
os indivíduos que vivem permanentemente no país (incluindo
os estrangeiros com residência fixa), os funcionários fora do país
em viagens de turismo, negócios, educação, etc. Consideram-
se também residentes as pessoas jurídicas de direito privado
ou público sediadas no país, inclusive as filiais de empresas
estrangeiras.

No Brasil, o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo


Banco Central e, para o registro contábil, utiliza-se a
regra de partidas dobradas: o débito em determinada
conta corresponde a um crédito em outra.

No caso brasileiro, toda transação que cria um direito constitui


um crédito. As exportações, por exemplo, são lançadas como
crédito. Por outro lado, as importações são lançadas a débito,
assim como juros pagos ao exterior. Os créditos entram com
sinal positivo e os débitos entram com sinal negativo. De modo
geral, considera-se que toda entrada de divisas corresponde a um
crédito e toda saída a um débito, conforme os exemplos indicados
no quadro a seguir:

140
Análise Macroeconômica

Quadro 1 - Exemplos de Lançamentos no Balanço de Pagamentos

Crédito Débito
Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços
Recebimento de doações e Pagamento de doações e
indenizações de terceiros indenizações a Estrangeiros
Recebimento de empréstimos Pagamentos de capital emprestado
de estrangeiros por estrangeiros
Recebimento de reembolso de Reembolsos de capital a
capital do estrangeiro estrangeiros
Vendas de ativos para Compras de ativos de
estrangeiros estrangeiros
Recebimento de Fretes Pagamentos de Fretes
Fonte: LOPES e VASCONCELLOS, 1998, p.29.

Considere alguns exemplos, apresentados por Simonsen e Cysne


(1995, p. 19), de lançamento, cujas operações são liquidadas em
moeda ou títulos de curto prazo.

ƒƒ um país exporta uma mercadoria, recebendo


pagamento à vista em moeda estrangeira –
credita-se à conta “Exportações” e debita-se na
conta “Haveres de Curto Prazo no Exterior”;
ƒƒ um país importa mercadorias, pagando-se
à vista em moeda nacional – debita-se em
“Importações” e credita-se em “Capitais de
curto prazo”;
ƒƒ um país paga em ouro monetário a amortização
de um empréstimo externo – débito de
“Amortizações” e crédito em “Ouro Monetário”.

Se a transação não envolve pagamento em moeda, ela é concebida


como resultado de duas operações, a primeira envolvendo uma
entrada e a segunda uma saída, conforme os exemplos:

Unidade 5 141
Universidade do Sul de Santa Catarina

ƒƒ um país recebe um donativo do exterior em


mercadorias – débito em “Importações” e crédito
em “Transferências Unilaterais”;
ƒƒ um país permuta mercadorias com o exterior
– crédito em “Exportações” e débito em
“Importações”;
ƒƒ um equipamento estrangeiro é adquirido pelo
país com financiamento externo – crédito em
“Financiamento”, débito em “Importações”.

A Estrutura do Balanço de Pagamentos


As transações na balança de pagamentos dividem-se
em transações autônomas (ou espontâneas) e transações
compensatórias (ou induzidas).

As transações autônomas são realizadas normalmente e


acontecem por si mesmas. Essas transações são motivadas
pelos interesses dos agentes (empresas, consumidores,
governo) e referem-se às transações da Balança de
Transações Correntes e da Balança de Capitais, como
mostrado o quadro 5.1.

As transações compensatórias têm como objetivo


financiar o saldo final das transações autônomas. Acabado
um determinado período, não pode existir igualdade entre
crédito e débito quanto às transações autônomas. Com base
nesse superávit (ou déficit), o governo é induzido a realizar
uma série de transações (compensatórias) com o intuito de
equilibrar (ou zerar) as contas do Balanço de Pagamentos.

A estrutura do Balanço de Pagamentos é apresentada a seguir:

142
Análise Macroeconômica

A. BALANÇA COMERCIAL (mercadorias)


- Importações FOB (débito)
- Exportações FOB (crédito)

B. BALANÇO DE SERVIÇOS (saldos de contas: podem apresentar tanto débitos como


créditos.
- Viagens Internacionais (turismo, negócios)
- Transportes (fretes)
- Seguros
- Rendas de capitais (juros, dividendos e lucros, inclusive lucros reinvestidos)
- Serviços Diversos (royalties, assistência técnica, aluguéis de equipamentos, etc.)
- Serviços Governamentais (embaixadas, consulados, representações no exterior)

C. TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (podem ser doações de mercadorias, como trigo,


armas ou doações monetárias – também conhecidas como Donativos).

D. BALANÇO DE TRANSAÇÕES CORRENTES (ou SALDO EM CONTA CORRENTE DO BALANÇO DE


PAGAMENTOS) (Resultado líquido de A + B + C)

E. MOVIMENTO DE CAPITAIS AUTONÔMOS (ou BALANÇO DE CAPITAIS AUTONÔMOS)


(Capitais Financeiros)
- Investimentos diretos líquidos (instalação de empresas estrangeiras no país)
- Reinvestimentos (reinvestimentos de empresas estrangeiras já instaladas no país)
- Empréstimos e Financiamentos (financiamentos de bancos estrangeiros de curto e longo prazos)
- Amortizações (amortizações de empréstimos e financiamentos)
- Outros Capitais (capitais especulativos, de curto prazo, aplicados no mercado financeiro)

F. ERROS E OMISSÕES

G. SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS (resultado líquido de D + E + F)

H. FINANCIAMENTO DO RESULTADO (Ou FINANCIAMENTO OFICIAL COMPENSATÓRIO, ou


ainda MOVIMENTO DE CAPITAIS OFICIAIS)
- Haveres e obrigações no exterior (ou variação de reservas)
- Operações de regularização
- Atrasados comerciais
Quadro 5.2 – Estrutura do Balanço de Pagamentos
Fonte: VASCONCELOS, 2010, p. 370.

Unidade 5 143
Universidade do Sul de Santa Catarina

Acompanhe, a seguir, a descrição de cada item da estrutura do


balanço de pagamentos.

A. Balança Comercial
A balança comercial inclui basicamente as importações e
exportações. Sendo que:

Exportações  Importações = Superávit Balança Comercial

Quando, em um determinado período de tempo, um sistema


econômico exporta um determinado valor de mercadorias maior
do que o volume de suas importações, ocorre um superávit
na balança comercial. Isto proporciona o pagamento de
compromissos anteriormente assumidos, investimentos do país
no exterior e aumento de suas reservas.

Importações  Exportações = Déficit Balança Comercial

Quando, em um determinado período de tempo, um sistema


econômico importa um determinado valor de mercadorias (para
satisfazer suas necessidades internas) maior do que o volume
em valor de suas exportações, ocorre um déficit na balança
comercial. Isto implica contrair empréstimos no exterior; contrair
investimentos externos no país ou diminuir as reservas do país
(esta decisão estará a cargo da equipe econômica do governo, com
respaldo da presidência da república e seus poderes).

As Exportações e Importações podem ser contabilizadas como:

FOB – Free on Board (de graça até a No conceito FOB, as despesas incluídas no valor
mercadoria estar a bordo do navio) das mercadorias são as incorridas até o embarque
da mercadoria.
CIF – Cost, Insurance and Freight As exportações CIF são as que incluem, além do
(Custo, seguros e frete) custo, o valor do frete e do seguro do transporte
da mercadoria até o destino.

144
Análise Macroeconômica

Para efeito do Balanço de Pagamentos, utilizam-se as


exportações e as importações FOB, já que as despesas com
seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços.

B. Balança de Serviços
A balança de serviços mostra as negociações internacionais
dos chamados bens invisíveis ou intangíveis, e os rendimentos
de investimentos. Contabilizam-se como serviços as seguintes
operações:

„„ transportes e seguros – corresponde ao saldo das


receitas e das despesas efetuadas com fretes e prêmios de
seguros efetuados;
„„ viagens internacionais – representa o saldo das receitas
e das despesas com turistas;
„„ rendas de capital – refere-se a rendimentos de capital
auferidos ou pagos pelo país. Nesta conta, estão incluídos
os juros pagos ou recebidos do exterior por empréstimos
ou financiamentos recebidos ou concedidos por não
residentes em momento anterior. Também são incluídos
nesta conta os lucros enviados por empresas nacionais no
exterior – crédito – e os lucros remetidos pelas empresas
estrangeiras no país – débito. Inclui os lucros reinvestidos
por empresas estrangeiras no país – crédito;
„„ diversos – incluem-se aqui todos os gastos com
representações diplomáticas no exterior e transferências
dos demais países para os gastos de suas representações
diplomáticas no país. Incluem-se também: recebimentos
e pagamentos referentes a royalties, patentes, assistência
técnica, comissões, aluguel de equipamentos, filmes, etc.

C. Transferências Unilaterais

As transferências unilaterais se referem aos pagamentos


sem contrapartida de um país para outro. São consideradas
transferências unilaterais: as remessas feitas por empregados
migrantes para suas famílias no país de origem, as doações feitas
por um governo para outro, as reparações de guerra, etc.

Unidade 5 145
Universidade do Sul de Santa Catarina

D. Balanço de Transações Correntes


O seguinte esquema descreve as relações da Balança de
Transações Correntes:

Balança de Transações Correntes (BTC)

Resume a diferença entre o total das Exportações e


Importações, tanto de mercadorias como de serviços,
sendo também incluído o saldo de transferências
unilaterais (donativos), executadas durante o período.

BTC superavitário significa que o país está recebendo BTC deficitário implica a necessidade de:
recursos que podem ser utilizados:
(a) contrair empréstimos no exterior (aumentando
(a) no pagamento de compromissos assumidos o endividamento do país);
anteriormente (diminuição do endividamento externo);
(b) contrair investimentos estrangeiros no país;
(b) para investimento do país no exterior (aumento do
controle do país sobre empreendimentos no exterior); (c) diminuir as reservas do país.

(c) para aumentar as reservas do país.

Poupança Externa Negativa Poupança Externa Positiva


Representa a transferência de bens Em termos reais (não financeiros) significa a absorção
e serviços para o resto do mundo. de recursos reais do resto do mundo, que permitem o
financiamento do consumo e dos investimentos do país.

E. Movimento de capitais autônomos - Balança de Capitais


Considere aqui as contas que representam modificações nos
direitos e obrigações de residentes no país para com não
residentes. As contas de capitais são as seguintes:

„„ investimentos diretos – referentes ao capital de


não residentes no país aplicados no país, sejam esses
investimentos diretos ou em carteira, assim como os
investimentos feitos por residentes do país aplicados
no exterior;
„„ reinvestimentos – refere-se aos investimentos de
empresas estrangeiras localizadas no país;

146
Análise Macroeconômica

„„ empréstimos e financiamentos a longo e médio prazo


– refere-se a empréstimos e financiamentos de longo e
médio prazo;
„„ empréstimos de curto prazo – inclui os empréstimos
recebidos do exterior e concedidos a outros países, tanto
para governos, como para empresas e indivíduos, além
dos financiamentos obtidos na importação e concedidos
na exportação. Os empréstimos de médio prazo
referem-se aos de um a cinco anos. Os de longo prazo
referem-se aos superiores a cinco anos. Os empréstimos
de curto prazo são inferiores a um ano;
„„ amortizações – registra os pagamentos do principal
referentes a empréstimos e financiamentos tomados no
exterior, e os pagamentos do principal feitos por não
residentes referentes a empréstimos e financiamentos
concedidos pelo país ao exterior;
„„ capitais a curto prazo – constituem-se de capitais
especulativos, como aplicações no mercado financeiro e
de alta volatibilidade.

F. Erros e Omissões
Várias contas são registradas com valores estimados, o que
impede a equivalência entre os créditos e débitos. Como uma
forma de cobrir os erros estatísticos cometidos, bem como as
transações não registradas, surge esta conta de resíduo chamada
de “Erros e Omissões”.

Erros e Omissões é o item do balanço de pagamentos onde são


computados os erros e omissões cometidos durante o ano de
registro das operações das várias contas desse balanço.

Em 1997 o governo brasileiro anunciou um déficit na


balança comercial de 8,536 bilhões de dólares. No início de
1998, constatou um erro e uma omissão que reduziram o
déficit para 8,372 bilhões. O erro foi cometido no registro
de uma operação de 91 mil dólares, que foi computada
como 90 bilhões de dólares. E a omissão foi devida ao
cancelamento de Declarações de Importação, no valor de
73 milhões de dólares, não utilizadas pelas empresas na
segunda quinzena de dezembro de 1997.

Unidade 5 147
Universidade do Sul de Santa Catarina

Somados todos os saldos das contas mencionadas (Transações


O DES é um tipo de correntes, Transações de capital e erros e omissões), tem-se o
reserva ou moeda resultado do balanço de pagamentos, que pode ser superavitário
internacional criada em ou deficitário.
1967, na Conferência
do Fundo Monetário
Internacional realizada
no Rio de Janeiro, G. Saldo do balanço de pagamentos: é o resultado líquido
para substituir o ouro de D + E + F.
como o principal
meio de liquidação de
transações financeiras
H. Financiamento do resultado ou Transações
internacionais, e, por
essa razão, também Compensatórias ou Financiamento Oficial: As transações
denominada de ouro- compensatórias são de sinal contrário ao resultado do balanço
papel. Cada país pode de pagamentos. Se o balanço for positivo (indicando entrada de
saldar os déficits de seu recursos), a conta de transações compensatórias será deficitária.
balanço de pagamentos
Quando o balanço de pagamentos for deficitário, a conta
com DES, ouro ou com
moedas fortes. Os DES de transações compensatórias será credora. As transações
foram criados para compensatórias são as que seguem.
aliviar as tensões criadas
pela escassez de ouro „„ Variação de reservas (conta caixa) – as reservas
e de outros tipos de internacionais registram a variação nos haveres em
reservas em face de um moeda estrangeira (ou haveres de curto prazo no
comércio internacional exterior) e ouro, possuídos como reservas pelo país, mais
em expansão. a variação nos Direitos Especiais de Saque (DES) e na
posição de reservas no FMI.
Quando há déficit no balanço de pagamentos, ele poderá
ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país.
Ou seja, ocorrerá uma variação negativa no volume de
reservas do país, indicado por uma conta credora no
item variação de recursos. Se o balanço for superavitário,
haverá, então, uma entrada de divisas ou ouro, ou seja,
uma variação positiva de reservas, indicada por um
débito no item variação de reservas.

Uma observação importante a ser feita aqui se refere às


desvalorizações e às valorizações e à monetização e à
desmonetização. Vejamos cada um destes conceitos.

‚‚ Desvalorização: Redução oficial do valor real da


moeda de um país em relação a moedas estrangeiras,
com o objetivo de eliminar o déficit acumulado no
balanço de pagamentos por meios de mecanismos de

148
Análise Macroeconômica

depreciação cambial. Torna mais caras as importações


e tende a produzir fortes pressões inflacionárias.

‚‚ Valorização: Elevação do preço de uma mercadoria


acima daquele que seria determinado pela livre
interação da oferta e da procura. Em geral, a
valorização é consequência de intervenções no
mercado, principalmente por meio da retenção de
estoques.

‚‚ Desmonetização: Retirada de circulação de uma


forma específica de moeda por determinação
governamental. Aplica-se a cédulas ou moedas
metálicas que passam a ser declaradas sem valor,
perdendo, assim, qualquer obrigação de curso focado.
Significa que um determinado metal (especialmente o
ouro ou a prata) deixa de ser cunhado como moeda.

‚‚ Monetização: Processo de transformação de um


metal (ouro, prata, cobre, etc.), em moeda, por meio da
cunhagem. A monetização pode também significar a
emissão de papel-moeda, ou a transformação de títulos
de crédito em dinheiro e poder liberatório imediato.

Como o balanço é contabilizado em dólares e parte


das reservas é mantida em euro, uma valorização do
euro em relação ao dólar levará a um lançamento
negativo na conta de haveres de curto prazo, porque o
saldo desses haveres avaliados em dólares aumentou;
e, em contrapartida, faz-se um lançamento positivo
na conta de valorizações e desvalorizações. O mesmo
acontece com as valorizações ou desvalorizações
do ouro e dos Direitos Especiais de Saque (DES).
A monetização e a desmonetização se referem às
seguintes operações: se o Banco Central compra ouro
no mercado interno, há um lançamento a débito
na conta “Ouro Monetário”, com lançamento em
contrapartida para Monetização/Desmonetização.
O mesmo acontece se ocorre uma alocação ou
cancelamento dos DES.

Unidade 5 149
Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ Operações de regularização – referem-se a


operações realizadas com instituições internacionais,
como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Quando há déficit no balanço de pagamentos,
recorre-se a empréstimos dessas instituições para
cobrir esses déficits.
„„ Atrasados comerciais – são contas vencidas e
não pagas no exterior. Quando um empréstimo é
vencido e não pago, debita-se da conta amortizações
(exatamente como se ele fosse pago) e credita-se para
atrasados comerciais. Quando o pagamento é feito,
debita-se na conta atrasados e credita-se na conta
caixa (reservas internacionais).

Contabilizando no Balanço de Pagamentos

Suponha que, durante um determinado ano, tenham


sido realizadas na economia as seguintes transações
entre residentes e estrangeiros:
1. Alguns comerciantes importaram
microcomputadores no valor de R$ 35 milhões,
pagando a vista;
2. Uma empresa importou equipamentos para
hidrelétrica no valor de R$ 5 milhões, financiados
a longo prazo;
3. Uma empresa multinacional fez ingressar no
país R$ 2 milhões em equipamentos para
investimentos diretos em suas instalações;
4. Alguns vendedores de sapato exportaram este
produto no valor de R$ 40 milhões e receberam o
pagamento a vista;
5. O governo pagou a vista R$ 5 milhões de frete
a uma empresa de navegação estrangeira pelo
transporte de equipamentos para hidroelétrica;

150
Análise Macroeconômica

6. A empresa Coconut-Cola enviou aos seus


acionistas estrangeiros, em dinheiro, R$
1 milhão de lucros, enquanto o Governo
enviou, também em dinheiro, aos banqueiros
internacionais, R$ 2 milhões para pagamento
de juros e R$ 3 milhões para amortizações
relativas a um empréstimo anterior;
7. Alguns residentes receberam R$ 1 milhão de
donativos na forma de remédios;
8. No final do ano, o governo recebeu em
dinheiro um empréstimo compensatório do FMI,
no valor de R$ 3 milhões, para a regularização do
provável déficit do Balanço de Pagamentos.

Em cada operação, devemos lançar o seu valor em dois lugares


do balanço de pagamentos, um débito e um crédito, devido ao
método das partidas dobradas.

Na operação1, precisamos identificar inicialmente as duas


contas. Os termos “importaram” e “microcomputadores”
indicam que o item importações da balança comercial se
altera, enquanto a expressão “pagando a vista” indica que o
item divisas do demonstrativo de resultados está envolvido.
As importações de mercadorias devem ser lançadas a débito.
Portanto lançamos -35 no item importações; e, por resíduo,
+35 no item divisas.

Observe que o Bacen entrega divisas aos importadores


de microcomputadores e, assim, elas se reduzem. A
redução de divisas é lançada a crédito (+), como de fato
tinha sido feito.

Os lançamentos estão no quadro do Balanço de Pagamentos de


forma simplificada abaixo:

Unidade 5 151
Universidade do Sul de Santa Catarina

Tabela 5.1 – Balanço de pagamento


BALANÇO DE PAGAMENTOS SIMPLIFICADO
IDENTIFICAÇÃO VALORES $
I - BALANÇA COMERCIAL Resultado final (=) (-)3
- Exportações (+) 40
- Importações (-35) + (-)5 + (-2) + (-) 1 = (-) 43
II – BALANÇA DE SERVIÇOS Resultado Final (=) (-)8
- Viagens 0
- Fretes (-) 5
- Lucros (-) 1
- Juros (-) 2
- Serviços Diversos 0
III – TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (=) (+) 1
IV – CONTA CORRENTE ( I + II + III) = (-) 10
V – CONTA DE CAPITAIS (=) (+) 4
- Investimentos Diretos (+) 2
- Empréstimos e Financiamentos (+) 5
- Amortizações (-) (-)3
- Outros Capitais 0
VI – ERROS E OMISSÕES 0
VII – SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS ( IV + V + VI ) = (-) 6
VIII – DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS (-VII) (=) (+) 6
- Divisas (+35) (-40) (+5) (+6) (-3) = (+3)
- Empréstimos de regularização (+) 3
- Atrasados
Fonte: Elaboração do autor, 2011.

Fechando o Balanço de Pagamentos


Após totalizarmos os lançamentos, verificamos, através do
quadro balanço, que a Balança Comercial fechou o ano com o
déficit de R$ 3 milhões, enquanto a balança de serviços incorreu
no déficit de R$ 8 milhões.

Após somarmos o déficit da balança comercial com o da balança


de serviços e com o superávit em transferências unilaterais, de R$ 1
milhão, encontramos o déficit em conta corrente de R$ 10 milhões.

152
Análise Macroeconômica

A conta de capitais fechou o ano com superávit de R$ 4 milhões,


indicando que os capitais que entraram no país não foram
suficientes para compensar o déficit em conta corrente de R$ 10
milhões. Desta forma, o balanço de pagamentos do país fechou
o ano com déficit de R$ 6 milhões. Este déficit foi financiado
com as reservas de divisas do Bacen e com um empréstimo de
regularização do FMI.

O total do demonstrativo de resultados (+) 6 foi a contrapartida


do saldo do balanço de pagamentos (-) 6, devido ao método das
partidas dobradas.

O método das partidas dobradas foi criado pelo Frei


Lucca Paccioli em 1492 na Itália, e diz que, para débito,
deve haver um crédito de igual valor.

Vamos retomar o Balanço de Pagamentos à luz de nossas


vivências. O Brasil, no início do Plano Real, em 1994, apresentou
uma valorização monetária (Real valorizado em relação ao dólar).

Isso estimulou a importação de bens e serviços. Houve aumento


na compra de bens de consumo e de produtos intermediários,
e brasileiros viajaram muito para o exterior. Contudo o Brasil
não exportava o suficiente para pagar toda essa conta. Como
resultado, o país tinha que compensar essas operações com o
movimento de capitais. E foi isso que ocorreu. Na época, o
país atraiu muito capital externo como forma de investimento
externo direto (IED) e, também, capitais de curto prazo. O
IED entrou principalmente para a compra das empresas estatais
que estavam sendo privatizadas. O capital de curto prazo sentia-
se atraído pelas altas taxas de juros brasileiras. Essa entrada de
capitais mantinha, portanto, a moeda valorizada.

O problema adveio com as crises internacionais do final da


década de noventa. Os capitais de curto prazo fugiram dos
países emergentes, como o Brasil. A questão que ficou, portanto,
era: Como financiar o déficit em conta corrente? A saída de curto
prazo foi a desvalorização do real em 1999. A desvalorização da
moeda, à medida que aumenta a remuneração para o exportador,
permite que ele abaixe o preço do produto brasileiro no exterior,
estimulando as exportações e inibindo as importações, que ficam

Unidade 5 153
Universidade do Sul de Santa Catarina

mais caras para os brasileiros.

O problema dos déficits em conta corrente cobertos por capitais


externos é que tal procedimento implica transferências de rendas
futuras para o exterior, sob a forma de remessa de juros e lucros,
gerando um efeito bola de neve. Logo, os capitais estrangeiros
recebidos do exterior deveriam vir, predominantemente, na forma
de IED que gerassem exportações ou queda de importações,
como modo de compensar o envio de juros e lucros para o
exterior.

Os déficits permanentes na Balança de Pagamentos (BP) podem


ser corrigidos por alguma das medidas postas a seguir.

„„ Desvalorizações das taxas de câmbio: é a perda de


VALOR da taxa de câmbio.

A frase "o real se desvalorizou frente ao dólar" quer


dizer que, agora, deveremos gastar mais reais para
cada dólar comprado.

„„ Redução do nível de atividade econômica: é a redução da


produção e oferta de bens no mercado consumidor.
„„ Restrições tarifárias ou quantitativas às importações:
uma das formas clássicas de protecionismo é a imposição
de tributos à importação. Outra forma alternativa de
protecionismo é a imposição pelos governos de quotas de
importação, que se traduzem em quantidades máximas
de um determinado produto que podem ser legalmente
importadas. Dentre as barreiras não tarifárias, podemos
citar: restrições quantitativas, fixação de quotas e
contingentes, exigência de licenças prévias, restrições
quanto à importação/exportação de determinados
produtos, etc.
„„ Subsídios às exportações: é um benefício concedido
a uma empresa por um governo dependente de
exportações. O subsídio doméstico é um benefício não
diretamente vinculado a exportações.

154
Análise Macroeconômica

„„ Aumento da taxa interna de juros: este aumento provoca


uma contenção da liquidez geral e contenção ao crédito e,
consequentemente, uma redução do consumo.
„„ Controle da saída de capitais e de rendimentos para o
exterior: é o controle de compras efetuadas no exterior,
controle de produtos importados e de rendimentos pessoais
ou de empresas multinacionais enviados ao exterior.

A adoção de algumas dessas saídas depende da conjuntura


econômica de cada país. Apelar para o protecionismo econômico
significa ter problemas com parceiros comerciais, dificultando
o desenvolvimento de longo prazo do comércio internacional e
gerando a necessidade de o país explicar-se junto à Organização
Mundial do Comércio (OMC).

Para finalizar esta seção, vale lembrar que o balanço de


Pagamentos é o registro contábil das transações existentes
entre os mais diversos países. As transações registradas no
Balanço de Pagamentos dizem respeito à movimentação
de produtos, serviços e transferências de valores entre dois
sistemas econômicos.

Qualquer transação, envolvendo ou não pagamento financeiro,


entre residentes e não residentes, deverá ser registrada no balanço
de pagamento dos dois países (sistemas econômicos) envolvidos.
Assim, o balanço de pagamentos demonstra o estágio da situação
financeira e econômica do sistema econômico, permitindo
identificar se o mesmo se encontra em superávit ou em déficit.

Unidade 5 155
Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Nesta unidade, você conheceu a evolução do Comércio


Internacional desde o período do Mercantilismo, até os dias
atuais, e aprendeu que as teorias de comércio internacional
condenam o protecionismo, e consideram que o isolamento é
prejudicial aos países. Quanto maior a abertura do comércio,
mais progresso econômico o mundo alcançará.

Conheceu a Teoria das Vantagens Absolutas de Adam Smith,


aperfeiçoada por David Ricardo, transformando-a em Teoria
das Vantagens Comparativas. Esta teoria tem como argumento
principal que o comércio entre dois países, cujas estruturas de
produção não sejam similares, é sempre vantajoso em relação ao
não comércio. Também aprendeu que a balança de pagamentos
representa o resumo contábil das transações econômicas que um país
faz com o resto do mundo, durante determinado período de tempo.

Atividades de autoavaliação

A partir de seus estudos, leia os enunciados com atenção e resolva as


atividades programadas para a sua autoavaliação.
1. Por que os países devem manter o comércio internacional? Explique a
teoria das vantagens comparativas.

156
Análise Macroeconômica

2. O que significa déficit em transações correntes no balanço de pagamentos?


Indique duas medidas que o país pode adotar para cobrir esse déficit.

Saiba mais

Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade,


consultando as seguintes referências:

CARVALHO, M. A.; SILVA, C. L. Economia internacional.


Saraiva: São Paulo, 2000.

GONÇALVES, R. A nova economia internacional: uma


perspectiva brasileira. São Paulo: Campus, 1998.

LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. (org).


Manual de macroeconomia: nível básico e nível intermediário.
São Paulo: Atlas, 1998.

KENEN, P. Economia internacional: teoria e política. São


Paulo: Campus, 1998.

SIMONSEN, M. H.; CYSNE, R. P. Macroeconomia. São


Paulo: Atlas, 1995.

Unidade 5 157
Para concluir o estudo

Caro(a) aluno(a),

nesta disciplina você conheceu a macroeconomia, estudou


o comportamento dos agregados econômicos (família,
empresas, governo e o resto do mundo), aprendeu de que
forma a riqueza de um país aumenta e que ferramentas
o governo tem à disposição para gerenciar a economia.
Também aprendeu o que é inflação e por que há comércio
internacional.

Espera-se que a disciplina tenha cumprido seu objetivo


e fornecido uma importante ferramenta para a sua vida
profissional e pessoal.

Como é de nosso interesse sempre aprimorar este trabalho,


você está convidado/a a enviar suas críticas e sugestões.

Um grande abraço e sucesso!


Referências

BAUMOL, W. Macroeconomics. New York: McGraw Hill, 1994.


BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. Rio de Janeiro:
Campus, 1999.
CARVALHO, M. A.; SILVA, C. L. Economia internacional. Saraiva:
São Paulo, 2007.
GONÇALVES, R. A nova economia internacional: uma
perspectiva brasileira. São Paulo: Campus, 1998.
KENEN, P. Economia internacional: teoria e política. São Paulo:
Campus, 1998.
KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e
da moeda. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. (org). Manual de
macroeconomia: nível básico e nível intermediário. São Paulo:
Atlas, 1998.
MANKIW, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro:
Campus, 2001.
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica:
entendendo a economia no dia a dia. Campo Grande: Editora
Oeste, 2001.
RICARDO, David. Princípios de economia política e tributação.
Coleção Os economistas. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados:
introdução à economia. 18. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2001.
SILVA, Fábio G.; JORGE, Fauzi T. Economia aplicada à
administração. 2. ed. São Paulo: Futura, 1999.
SIMONSEN, M. H.; CYSNE, R. P. Macroeconomia. São Paulo:
Atlas, 1995.
SMITH, Adam. A riqueza das nações, v.1. Lisboa: Edições Calouste
Gulbenkian (1999 [1776]).
TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à economia. São
Paulo: Makron Books, 2009.
VASCONCELOS, M. A.; GARCIA, M. Fundamentos de economia. 2. ed. São
Paulo: Saraiva, 2004.
VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia micro e macro. 5.
ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.

162
Sobre os professores conteudistas

André Luis da Silva Leite


Possui Graduação em Ciências Econômicas pela
Universidade Federal de Santa Catarina (1996),
Mestrado em Engenharia de Produção - Departamento
de Engenharia de Produção (1998) e Doutorado em
Engenharia de Produção pela Universidade Federal de
Santa Catarina (2003).
Desde 1997, é professor da Unisul. Tem experiência
na área de Economia, com ênfase em Organização
Industrial e Estudos Industriais, atuando principalmente
nos seguintes temas: setor elétrico, competitividade,
internacionalização de empresas, regulação e competição.

Valdemar Hahn Junior (2. ed. revista e atualizada)


Possui Graduação Superior em Ciências Econômicas
pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL)
e Pedagogia pela FAED/UDESC, Pós-graduação em
Gerência da Qualidade dos Serviços Contábeis, pela
UNISUL.
Desde 1988 é professor Efetivo nível Mag-10-E da Rede
Pública do Estado de Santa Catarina, e, desde 1998,
é professor Universitário da UNISUL. Desempenha-
se também como Analista Técnico em Gestão do
Desenvolvimento Regional na 22ª Secretaria de Estado
do Desenvolvimento Regional Araranguá. Gestor
responsável pela produção dos Boletins de Execução
Orçamentária; Sicop - Sistema Integrado de Controle
de Obras Públicas do Departamento Estadual de
Infraestrutura e E-Sfinge - Sistema de Fiscalização
Integrada de Gestão do Tribunal de Contas do Estado
de Santa Catarina.
Respostas e comentários das
atividades de autoavaliação

Unidade 1
1. É importante estudar a contabilidade social, porque
ela permite entender como é formada a renda de
uma nação. Do ponto de vista da política pública,
ela permite entender quais setores da economia
estão gerando mais renda e quais estão gerando
menos renda, o que propicia ao governo corrigir tais
distorções e otimizar o funcionamento da economia.

2. PIB refere-se a tudo o que é produzido em um país


em um determinado período de tempo. Para um
empresário, é uma informação muito valiosa, pois
permite que ele consiga analisar o real poder de
compra de uma dada população.

3. Podemos dizer que renda é igual a produto, pois o


que é produzido (e vendido) gera renda para quem o
produziu, já que a economia é um ciclo.

Unidade 2
1. Bens de capital são bens destinados à produção de
outros bens, como máquinas e equipamentos. Bens
de consumo duráveis são aqueles que podem ser
consumidos mais de uma vez, como carros, geladeiras
e sapatos. Bens não duráveis são consumidos uma
única vez, como os alimentos e bebidas.
Universidade do Sul de Santa Catarina

2. Dizemos que poupança é igual a investimento, pois os


investimentos que as empresas fazem são originados nas
poupanças das pessoas. As empresas podem utilizar sua
própria poupança ou captar recursos no mercado financeiro
(neste caso, utilizando a poupança dos clientes dos bancos).

3. Se as taxas de juros aumentam, os investimentos diminuem. Do


mesmo modo, o consumo também tende a diminuir.

Unidade 3
1. As funções fundamentais do governo são redistributiva,
fiscalizadora, reguladora, provedora de bens e serviços e
estabilizadora.

2. O governo promove uma política fiscal expansionista, quando


há desemprego na economia, por meio de aumento de seus
gastos e/ou redução de tributos.

3. Há déficit público, quando os gastos do governo são maiores


que suas receitas.

Unidade 4
1. A moeda é importante, pois permite as trocas, permite que se
façam comparações entre os valores dos diversos bens/serviços
e opera como reserva de riqueza.

2. A taxa de juros de equilíbrio é determinada pelo encontro


da demanda de moeda e oferta de moeda, e esta taxa é
monopólio do Banco Central.

166
Análise Macroeconômica

3. O principal objetivo da política monetária é, por meio do


controle da base monetária, aumentar a renda nacional
(quando há desemprego) e controlar inflação (por meio do
aumento nos juros).

4.A inflação afeta o cotidiano das pessoas, pois implica aumentos


no nível geral de preços e, consequentemente, perda de
compra da moeda.

5. A inflação de demanda ocorre, porque a oferta agregada


não consegue, no curto prazo, acompanhar o aumento na
demanda agregada.

Unidade 5
1. (Há) O comércio internacional, torna-se fundamental para o
desenvolvimento das economias internas, porque os países
têm diferentes dotações de fatores de produção e são mais
produtivos na produção de alguns bens e menos produtivos na
produção de outros. Logo, é mais vantajoso ao país concentrar-
se na produção daqueles produtos nos quais tem maior
vantagem comparativa.

2. Déficit em transações correntes significa que o país enviou


mais recursos para fora (em importações de bens e compra de
serviços estrangeiros) do que recebeu. Para resolver o problema,
o governo pode desvalorizar a moeda doméstica ou recorrer a
empréstimos de organizações internacionais, como o FMI.

167
Biblioteca Virtual

Veja a seguir os serviços oferecidos pela Biblioteca Virtual aos


alunos a distância:

„„ Pesquisa a publicações online


www.unisul.br/textocompleto
„„ Acesso a bases de dados assinadas
www. unisul.br/bdassinadas
„„ Acesso a bases de dados gratuitas selecionadas
www.unisul.br/bdgratuitas
„„ Acesso a jornais e revistas on-line
www. unisul.br/periodicos
„„ Empréstimo de livros
www. unisul.br/emprestimos
„„ Escaneamento de parte de obra*

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9610/98) pode-se reproduzir até 10% do total de páginas do livro.

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