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Respondendo sobre imortalidade

da alma
Explicando as 3 visões antropológicas sobre o homem:

Monismo: Acredita que o homem é um monobloco, uma coisa só – morreu o


corpo, tudo está morto ou extinto.
Dicotomia ou Tricotomia: Acredita que o homem tem mais que uma parte
física, ou seja, o homem é composto de no mínimo duas partes – uma física e
outra espiritual ou etérea.

1) Como era a mentalidade dos judeus da época de Cristo com relação a


imortalidade da alma?

Vamos usar teólogos adventistas e jeovistas para responder a esta pergunta:


“Pelos escritos judaicos, é evidente que os fariseus e vários outros (judeus), nos
dias de Cristo, criam no estado consciente do homem após a morte”. Questões
Sobre Doutrina, Pag 379, ed Casa.

“A doutrina de um estado consciente de existência entre a morte e a


ressurreição era mantida por muitos dos que ouviam as palavras de
Cristo…”. Livro Parábolas de Jesus, EG White, Pag. 263.

“No primeiro século depois de Cristo, os essênios e os fariseus, que eram duas
seitas judaicas bem importantes, ensinavam que a alma continua vivendo depois
que morremos.” – https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2017126

2) Quantos tipos de mortes existem?

Temos três tipos de mortes: morte física, morte espiritual e morte eterna ou
segunda morte.

A morte física pode ser definida como: “perda de contato com o meio físico ou
biológico”.

Morte espiritual tem a ver com a condição espiritual do homem diante de Deus,
veja: E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados. (Ef 2.1). Ou seja,
o homem está separado de Deus ou morto. E se este homem morrer neste
estado, ele vai à morte eterna.
Veja o caso de Adão e Eva, eles comeram do fruto, mas não caíram mortos
imediatamente, pois se passou mais 930 anos para que ambos morressem (Gn
3) – então o que eles perderam primeiro? Perderam a comunhão com Deus na
virada do dia (Gn 3.8).

Morte Eterna é a condenação eterna daqueles que morreram fisicamente


estando eles mortos espiritualmente. O destino desses será no lago de fogo ou
na geena eterna: E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e
enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão
atormentados para todo o sempre. E vi um grande trono branco, e o que estava
assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar
para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e
abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram
julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E
deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que
neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o
inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. Ap 20.10-14

3) Se a alma é imortal, qual a necessidade de haver ressurreição?


De acordo com a Bíblia, a alma é sim imortal – confira Mateus 10.28:

 E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes
aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.
“A questão é que em I Co 15 Paulo não trata da ressurreição da alma, mas da
ressurreição do corpo, por isso Paulo escreveu que o corpo perece na sepultura e
não a alma (I Co 15.18). A imortalidade do corpo ocorrerá por ocasião da
ressurreição dos mortos, assim como ocorreu com Cristo, o qual foi constituído a
Primícias dos que dormem (I Co 15.23). A Bíblia nunca fala sobre a necessidade
da ressurreição da alma, pois quando morremos, morremos corporalmente. A
alma, como Jesus ensinou, continua existindo de forma consciente: Mt 10.28;
17.1-3; Lc 16.19-31, 7.59; II Co 5.1-8; Fl 1.23; Ap 6.9-11. Por tanto, mesmo a
alma sendo imortal, a ressurreição será necessária ao corpo para que este se
torne receba a imortalidade”. (Livro Perguntas difíceis de responder: sobre
imortalidade, Pg 221, 1º edição)
A verdade é que o estado intermediário é bíblico (II Pe 2.4-9; Lc 16.19-31) e que
as almas são imortais (Mt 10.28). A ressurreição se dará para que os salvos
desfrutem plenamente a glória do céu com um corpo glorificado (I Co 15) e os
perdidos serão ressuscitados para serem penalizados plenamente em sua
totalidade na Geena eterna (I Ts 5.23; Ap 20).

4) Pode se afirmar com certeza que I Co 15 trata somente da ressurreição do


corpo?

Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em


corrupção; ressuscitará em incorrupção. 1 Co 15.42

Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há


também corpo espiritual. 1 Co 15.44

5) Não é injusto um ladrão de Galinhas sofrer no inferno o mesmo tempo que


Hitler – como explicar isso?

No inferno teremos diferenças de densidade de castigo: Ai de ti, Corazim, ai de


ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em
vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam
arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que
para vós. Lc 10.13,14

6) No aniquilacionismo, o ímpio é ressuscitado pra queimar um período de


tempo na Geena (Ap 20) e depois ele volta a ser aniquilado – qual o problema
com esta teoria?

O problema é que se o pecador pagou pelo tempo do seu pecado, ele deveria
ser inserido no céu e não aniquilado novamente, pois não resta mais motivos
para sua condenação: Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o
pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Tg 1.15

Grudem diz o seguinte: “O curto período de castigo imaginado pelos


aniquilacionistas paga de fato todo o pecado e satisfaz a justiça de Deus? Se
não, então a justiça de Deus não foi satisfeita, e o incrédulo não deve ser
aniquilado. Mas se a resposta for sim, então o incrédulo deve receber permissão
para entrar no céu e não deve ser aniquilado. Em qualquer caso, o
aniquilacionismo não é necessário e nem correto” (Teologia Sistemática,
Grudem, Vida Nova, Pg 984).

7) A crença na imortalidade da alma ou no estado intermediário é totalmente


infundada? O Céu é o inferno são vizinhos hoje?

Citação do livro “Céu e Inferno: Pra onde vão os que morre?”: Hoje o paraíso ou
seio de Abraão está debaixo do altar de Deus (Ap 6.9), pois Ele levou cativo o
cativeiro: “Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos
homens. Ora, isto ele subiu que é, senão que também antes tinha descido às
partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu
acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas”. Ef 4.8-10

8) O inferno é ilógico?

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe
parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente. 1 Co 2.14
A Doutrina sobre a existência do Inferno é teologicamente visível em toda a
Bíblia, mostrando assim que esta doutrina nunca foi contra a Bíblia, mas
corroborada por ela. Leiamos: Dt 32.22; Jó 22.6; Am.9.2; II Pe. 2.4, 9; Pv. 27.20;
II Tes. 1.7-9; Ap. 14.9-11; Mc.9.47-48; Mt.22.33; Lc.16.22-23; Mt. 25.47-46

9) O que aprendemos sobre o HADES em Lc 16.19-31?

 No inferno há um tormento eterno (Lc. 16.23 e Ap. 14.11)


 No inferno há fogo do juízo em forma de chamas (Lc. 16.24).
 No inferno o homem tem consciência do que está acontecendo, pois o seu
espírito é imortal (Lc. 16.23).
 No inferno há memória (Lc. 16.25 e 28).
 No inferno não se perde a razão (Lc. 16.27 – 30).
 No inferno é lugar de justiça (Lc. 16.25).

10) Por que é importante a doutrina do aniquilacionismo para os adventistas?

Na doutrina adventista os mortos precisam estar inconscientes e aniquilados,


pois se eles já estiverem conscientes, salvos no céu ou perdidos no hades, toda
a doutrina do Juízo Investigativo cai por terra, pois: “Começando pelos que
primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração
sucessiva, finalizando com os vivos. Todo o nome é mencionado, cada caso
minuciosamente investigado. Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes. “(O
Grande Conflito, p. 486)

11) Por que a doutrina do aniquilacionismo é problemático para a Cristologia?


Bem, Jesus é 100% Deus (Jo 1.1) e 100% homem (I Tm 2.5) e como homem ele
morreu. Agora, imaginemos a 2º pessoa da Trindade sendo aniquilada por 3 dias
– como ficaria essa questão? Ou seja, pra quem acredita na doutrina da
Trindade, negar a imortalidade da alma, compromete gravemente a Cristologia!

Autor: Pr. João Flávio Martinez


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