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MARINA LOBO VIANA DE RESENDE

TRAUMATOLOGIA FORENSE

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL


CAMPO GRANDE, MS
18 DE JUNHO, 2009.
MARINA LOBO VIANA DE RESENDE

TRAUMATOLOGIA FORENSE
Trabalho apresentado com fim avaliativo ao
professor da disciplina de Medicina Legal.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL


CAMPO GRANDE, MS
18 DE JUNHO, 2009.
• A Traumatologia Forense estuda os aspectos médico-jurídicos das
lesões causadas pelos agentes lesivos

• Trauma é o resultado da ação vulnerante que possui energia capaz


de produzir a lesão

• Estudo das lesões São consideradas:


1. pela distância de disparo do alvo
2. pelas características de seus orifícios:
1. de entrada
2. de saída
3. pela sua trajetória (ou trajetos)

LESÕES PÉRFUROCONTUSAS
• Lesões que causam
– perfuração e
– ruptura dos tecidos

• Características do ferimento
– bordas irregulares
– predomínio da profundidade
– caráter penetrante ou transfixante

• Ao atingir o corpo, o projétil provoca
– rompimento na pele, formando um orifício em forma
tubular no qual se enxuga de seus detritos (orla de enxugo)
– arrancamento da epiderme (orla de contusão)

• Ao se formar o túnel de entrada


pequenos vasos se rompem formando equimoses em torno do
ferimento (orla equimótica
ORIFÍCIO DE ENTRADA
• ORLA DE CONTUSÃO: a pele se invagina e se rompe devido à
diferença de elasticidade de derme e epiderme

• ORLA EQUIMÓTICA: zona da hemorragia oriunda da ruptura de


pequenos vasos

• ORLA DE ENXUGO: zona de cor escura que se adaptou às faces


do projétil, limpando-os dos resíduos da pólvora
• ZONA DE TATUAGEM: é resultante da impregnação de
partículas de pólvora incombusta que alcançam o corpo
• ZONA DE ESFUMAÇAMENTO: é produzida pelo depósito de
fuligem da pólvora ao redor do orifício de entrada

• ZONA DE CHAMUSCAMENTO: tem como responsável a ação


superaquecida dos gases que atingem e queimam o alvo
TRAJETO/TRAJETÓRIA
• Trajeto: é o caminho percorrido pelo projétil dentro do corpo da
vítima
– pode ser
• transfixante
• não transfixante (projétil retido)
• Trajetória: é o caminho percorrido pelo projétil fora do corpo (da
arma até a superfície atingida)
– por ser
• trajeto simples: resultante de projétil único
• trajeto múltiplo: resultante de projéteis múltiplos

Agentes de Ordem Física


Frio, calor, pressão, eletricidade, veneno, intoxicação
alimentar

Lesões
a) Lesões Leves (pena de até 1 ano)
Não implica em grandes conseqüências para a vítima
O conceito de lesão corporal de natureza leve é estabelecido por
exclusão, uma vez que as tipificações de agravantes da lesão estão
contidas nos parágrafos 1º, 2º e 3º do Art. 129 do CPP
Danos superficiais aos tecidos – ex: ferimentos em tecidos moles,
escoriações, hematomas, equimoses, contusões, edemas, luxações,
fraturas dentárias de pequena extensão, entre outros
Lesões de menor monta que não comprometam as funções de caráter
permanente e que não acarretem maiores riscos ou recuperação
demorada

a) Lesões Graves (pena de até 5 anos)


• Incapacidade (física ou psíquica) para ocupação habitual por mais
de 30 dias
– não exige incapacidade absoluta
– em 30 dias deverá ser reavaliada a necessidade de um
período maior, para o retorno da vítima às suas ocupações
habituais
– atividade profissional ou social (passeio, escola: não
somente o trabalho - conceito funcional e não econômico )

• Perigo de vida
– Deve ser atestado mediante sintomas, como perda de
consciência, desaparecimento do reflexo
– As lesões com maior probabilidade de colocar em risco a
vida da vítima são: feridas penetrantes do abdômen e do
tórax, hemorragias abundantes, estados de choque,
queimaduras generalizadas, fraturas do crânio e da coluna
vertebral, traumatismo crânioencefálico, infecções

a) Lesões Gravíssimas (pena de até 8 anos)

a) Lesões Seguidas de Morte (pena de até 12 anos)

TRAUMATOLOGIA FORENSE

Conforme asseveram William Douglas, Abouch V. Krymchantowki &


Flávio Granato Duque, na obra Medicina Legal à luz do Direito Penal e Processual
Penal, 2ª edição. Rio de Janeiro: Impetus, 2001: “A Traumatologia Forense estuda os
traumas, lesões, instrumentos e ações vulnerantes, visando elucidar a dinâmica dos
fatos. Trauma é o resultado da ação vulnerante que possui energia capaz de
produzir a lesão, como ensina Roberto Blanco. Lesão nada mais será que o dano
tecidual temporário ou permanente, resultante do trauma.”

“Nas contusões ativas, o instrumento vulnerante vem de encontro à


superfície corpórea . Ex.: soco. Nas contusões passivas, a superfície corpórea (a vítima)
vai de encontro ao instrumento vulnerante. Ex.: a pessoa cai e bate a cabeça no solo.
Assim, a atuação pode ser ativa/direta, passiva/indireta ou mista (a combinação de
ambas)”.

Os agentes mecânicos através da alteração da inércia se dividem


em simples:
a) contundente: todo objeto rombudo capaz de agir batendo
traumaticamente no organismo da vítima (pau, pedra, martelo, barra de ferro e nossa
jurisprudência inclui os próprios membros do corpo humano como as mãos, pés,
cotovelo e outros);
b) cortante: todo objeto dotado de lâmina apresentando fio, lume ou corte:
(navalha, faca, gilete, canivete, louça, papel, vidro, folha de flandres, plástico e outros);
c) perfurante: todo aquele que possui uma haste cilíndrico-cônica dotada
de ponta que afasta as fibras dos tecidos do corpo do ofendido (pequeno calibre-
raramente mortais: alfinete, agulha, prego, espinhos palmeira, etc; médio- podem ser
mortais: espeto de churrasco, furador de gelo ou de carne, etc; grande: florete, estacas e
outros).

Os mistos resultam da combinação das primeira, podendo ser:

a) corto-contundente: objeto pesado com superfície de corte


impulsionado pelo membros do agressor. Ex.: machado, facão, foice, enxada, dentes
(segundo Flamínio Fávero) etc;
b) perfuro-cortante: instrumento formado de uma lâmina com um ou mais
gumes cortantes e ponta na extremidade que perfura associando as duas ações.
Exs.:peixeira, facão, punhal, canivete etc;
c) pérfuro-contundente: instrumento que atua sobre o alvo contundindo e
perfurando partilhando as duas características. Melhores exemplos são os projéteis de
arma de fogo,(PAF), chumbo das espingardas e também pontas de grades de ferro,
guarda chuva.

Diferença entre as características dos orifícios de entrada e saída de


PAF:
ORIFÍCIO DE ENTRADA ORIFÍCIO DE SAÍDA
a) regular a) dilacerado
b) invaginado b) evertido
c) proporcional ao projétil c)desproporcional ao
projétil (maior)
d) com orlas e zonas d) sem orlas e zonas
Devem ser analisadas a localização e a forma das lesões, para
elucidação de cada caso e, ainda as lesões podem ser “intra vitam” com a vítima
viva quando cobrem-se de camada sero-albuminosa, sangue, crosta etc e ou “post
mortem” quando não apresentam mais os sinais vitais. Resultando nas escoriações,
por exemplo o fenômeno do pergaminhamento como couro ou pergaminho.