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Linhas de transmissão planares

Prof. Cássio Gonçalves do Rego

- Departamento de Engenharia Eletrônica

G A P T EM

G A P T EM
Grupo de Antenas, Propagação
G A P T EM e Teoria Eletromagnética

http://www.cpdee.ufmg.br/~gaptem
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e Teoria Eletromagnética
1. Introdução
Linhas de transmissão planares se constituem de fitas de metal paralelas assenta-
das sobre substratos dielétricos. Este tipo de estrutura conduz campos eletromag-
néticos que se propagam em modos quasi-TEM.

Circulador

Filtro passa-faixas

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• Microstrip:
substrato
W
y

x
2H
H
plano terra
W
Os parâmetros da microstrip são determinados a partir de sua geometria e de uma
constante dielétrica efetiva:
Z c  Z c  e ,W , H . (1)

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• Linha coplanar:
Este tipo de estrutura permite uma fácil conexão de componentes em série ou em
paralelo.
plano terra plano terra

• Linha de fitas coplanares:

Linhas planares para operação nas frequências de microondas têm pequenas di-
mensões e podem ser construídas a partir de técnicas usuais para a confecção
de circuitos integrados.

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• Stripline:
Este tipo de estrutura está mais imune a interferências externas, tendo um comporta-
mento similar ao de um cabo coaxial.

plano terra

2H
W
plano terra

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Os dielétricos utilizados têm as seguintes propriedades:
• São bons condutores térmicos, pois não viável o uso de dissipadores,
• Podem apresentar anisotropia na direção y,
• Têm constante dielétrica maior do que 2 e baixas tangentes de perdas.
Material r y tan d
A tangente de perdas é deter-
PTFE 2,84 2,45 0,001
minada a partir da permissivi-
CuFlon 2,1 2,1 0,0004 dade complexa:
Duroid 5880 2,26 2,2 0,001     - j . (2)
Duroid 6006 6,36 6 - Para frequências de microondas:
Epsilam 10 13 10,3 -      
tan d   . (3)
Silício 12 12 0,002   
Germânio 16 16 -
Alumina 10 10 0,0005
GaAs 12,9 12,9 0,0005
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2. Stripline

plano terra

b
W
plano terra

O stripline ou linha de fita admite soluções TEM. No entanto, a solução exata não é
expressa em uma representação matemática simples. Sendo assim, vamos apresen-
tar expressões aproximadas para as características deste tipo de linha de transmis-
são, bem como uma solução eletrostática.

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2.1. Constante de propagação, atenuação e
impedância característica
A velocidade de fase, a constante de propagação e a impedância característica de um
modo TEM são expressas, respectivamente, por

1 c
vp   , ( 4a )
 0 R  0 R

    0 R 0  k0  R , (4b)
vp
L 1
Z0   , ( 4c )
C v pC
onde L e C são, respectivamente a indutância e a capacitância por unidade de com-
primento na linha.

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Uma expressão aproximada para a impedância característica, que reproduz curvas
obtidas pela solução exata é

b 30
Z0  , (5)
 R We  0,44b
 W
 0,  0,35;
We W  b
 - 2 (6)
b b  0,35 - W  , W  0,35;
 
b b
onde We é a largura efetiva do condutor central. Estas expressões são válidas quan-
do se considera que a fita central tem espessura nula.

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A constante de atenuação associada às perdas em dielétricos é obtida da aproxima-
ção para pequenas perdas:

  0 R  0
d  tan d , (7)
2
enquanto que constante de atenuação associada às perdas em condutores é

 2,7 10 -3 Rs R Z 0


 30 (b - t ) A, Z 0  R  120;
c   (8)
0,16 Rs
 B, Z 0  R  120.
 Z 0b
 0
Rs  . (9)
2

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Na equação (8) temos

2W 1 b  t  2b - t 
A  1  ln , (10a)
b-t  b-t  t 
b  0,414t 1  4W 
B  1  0,5   ln , (10b)
0,5W  0,7t  W 2  t 
onde t é a espessura do condutor central.

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2.2. Síntese de striplines

plano terra

b
W
plano terra
Quando se projeta linhas de fita deseja-se saber a largura da linha dadas suas carac-
terísticas. Isto equivale à inversão de (5) e nos leva a

 30
 - 0,441, Z 0  R  120;
W  Z0  R
 (11)
b 0,85 - 0,6 - 30
- 0,441, Z 0  R  120.
 Z0  R
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2.3. Solução eletrostática aproximada

y a  b
b R
W
-a 2 0 a2 x
Considere a geometria da figura acima que aproxima a linha de fita. Nesta situação,
o potencial escalar elétrico satisfaz à equação de Laplace:
2  2  2 a
 t  x, y   2  2  0, x  , 0  y  b; (12)
x y 2
com as condições de contorno
 a 
  , y    x,0   x, b   0, (13a)
 2 
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 
 
   b    b 
lim -  R 0 t  x, -     0 t  x,      s . (13b)
 0  2   2 
     
  b 
- D x, - 
 2 
 b 
D x,  
 2 


A solução da equação de Laplace tem a forma

   nx   ny  b
  An cos a  senh  a , 0  y  2 ;
 ímpar n 1
  x, y     (14)
 Bn cos nx  senh  n b - y , b  y  b.
 n 1  a   a  2
 ímpar

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A continuidade do potencial escalar em y = b/2 faz com que
An  Bn . (15)
O campo elétrico é

E y x, y  - 
y
 
 n   nx   ny  b
 -  An  a  cos a  cosh  a , 0  y  2 ;
 ímpar n 1
  (16)
 An  n  cos nx  cosh  n b - y , b  y  b.
 n 1  a   a   a  2
 ímpar

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A densidade de carga elétrica superficial é obtida de (13b) e (16):

 n   nx   nb 

 s ( x)  2 0 R  An   cos  cosh  , (17)
n 1  a   a   2a 
ímpar

e é representada por uma série de Fourier em x. Os coeficientes quem aparecem


em (17) são determinados a partir do conhecimento de s . Assume-se

1, x  W ;
 s ( x)   (18)
0, x  W ;
e podemos usar as propriedades das séries de Fourier para obter
 nW 
2a sen  
An   2a  . (19)
 nb 
n   0 R cosh  
2

 2a 
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A tensão entre o condutor central e o condutor inferior é
b2   n   ny 
E y 0, y dy  -  
b2
V  An   cosh  dy 
0 0
n 1  a   a 
ímpar

 n  b 2  ny 

 - An    cosh  dy 
n 1  a  0
 a 
ímpar

 nb 

  An senh  . (20)
n 1  2a 
ímpar

A carga por unidade de comprimento no condutor central é


W 2 W 2
Q  s ( x)dx   dx  W . (21)
-W 2 -W 2

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De posse de V e Q é possível determinar a capacitância por unidade de comprimento
e a impedância característica da stripline:

Q W
C  , (22)
 nW   nb 

2a 1

V
sen   tanh  
 R 0 n 1 n 2
 a   2 a 
ímpar

R
 R 2a  1  nW   nb 
Z0 
cC
 
cW  R 0 n 1 n 2
sen 
 a 
 tanh 
 2a 
. (23)
ímpar

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3. Microstrip

d
plano terra

O microstrip tem soluções quasi-TEM. A solução exata para os campos que se pro-
pagam no ar e no dielétrico é bastante complexa, por isso se usam aproximações
estáticas.

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3.1. Constante dielétrica efetiva, constante
de propagação e impedância característica
A velocidade de fase, a constante de propagação e a impedância característica de um
modo TEM são expressas, respectivamente, por
  k0  ef , (24a)
c
vp  , (24b)
 ef
onde a constante dielétrica efetiva é

 r 1  r -1 1
 ef   . (25)
2 2 12d
1
W

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Uma expressão aproximada para a impedância característica é

 60  8d W  W
 ln  ,  1;
 ef  W 4d  d

Z0   120 W (26)
 ,  1.
W W  d

 ef   1,393  0, 667  1, 44 
 d d 
A expressão para a síntese do microstrip é

 8e A W
 ,  2;
W  e -2 d
2A
 (27)
2  
d  B - 1 - ln2 B - 1  R - 1  0, 61  W
 ln B - 1  0,39 - ,  2;
  2 R   R  d

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onde

Z0  r  1  r -1 0,11 
A   0,23  , (28a )
60 2  r  1 r 
377
B . (28b)
2Z 0  r
A constante de atenuação associada às perdas em dielétricos é obtida de

k0 R  ef - 1 tan d
d  , (29)
2  ef  R - 1
e a constante de atenuação dos condutores é

Rs
c  . (30)
Z 0W
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3.2. Solução eletrostática aproximada

y
W
d R
-a 2 0 a2 x
Considere a geometria da figura acima que aproxima a microfita. Nesta situação,
o potencial escalar elétrico satisfaz à equação de Laplace:

2  2  2 a
 t  x, y   2  2  0, x  , 0  y  ; (31)
x y 2

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onde temos as condições de contorno:

 a 
  , y    x,0   x,    0, (32a)
 2 
   
lim-  R 0 t  x, d -     0 t  x, d      s . (32b)
 0        
 
 - D  x ,d -   D  x ,d    
A solução da equação de Laplace tem a forma

  nx   ny 
 An cos a  senh  a , 0  y  d ;
 ímpar
n 1
  x, y    ny (33)
  Bn cos nx e a , d  y  .
 -

 n 1  a 
 ímpar
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O potencial deve ser contínuo na fronteira que separa o ar do dielétrico, então
nd
 nd  -
An senh    Bn e a
, (34)
 a 
e

  nx   ny 
 An cos a  senh  a , 0  y  d ;
 ímpar
n 1
  x, y     n  y - d  (35)
  An cos nx e a , d  y  .
-

 n 1  a 
 ímpar

Os coeficientes em (35) são obtidos da carga superficial em (32b).

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O campo elétrico é

E y  x, y   - 
y
 n   nx   ny 


 -  An  
cos
 a   a 
 cosh 
 a 
, 0  y  d ;
 n 1
   ímpar n  y - d  (36)
 An  n  cos nx  senh  nd e a , d  y  ;
-

 n 1  a   a   a 
 ímpar
e a densidade de carga elétrica superficial é obtida de (32b) e (36):

 n   nx    nd   nd 



 s ( x)   0  An   cos  senh     R cosh  . (37)
n 1  a   a   a   a 
ímpar

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A carga é representada por uma série de Fourier em x. Os coeficientes quem apare-
cem em (37) são determinados a partir do conhecimento de s . Assume-se mais u-
ma vez

1, x  W ;
 s ( x)   (38)
0, x  W ;
e podemos usar as propriedades de ortogonalidade das séries de Fourier para obter

 nW 
2a sen  
An   2a  . (39)
nd   nd 
n 2  0 senh  
 R cosh  
  a   a 

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A tensão entre o condutor central e o plano terra é
 nd 

V  -  E y 0, y dy   An senh 
d
. (40)
0
n 1  a 
ímpar

A carga por unidade de comprimento no condutor central é


W 2 W 2
Q  s ( x)dx   dx  W , (41)
-W 2 -W 2

e de posse de V e Q é possível determinar a capacitância por unidade de compri-


mento e a impedância característica da microstrip:
Q W 0
C  , (42)
V  n W   n d 
 sen   senh  
4a 
1  a   a 
n 1 n   nd   nd 
2
ímpar senh     R cosh  
 a   a 
 ef
Z0  . (43)
cC
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4. Referências bibliográficas

[1] David M. Pozar, Microwave Engineering, 3rd Edition, John Wiley , 2005, Capítulo 3.

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