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SIMPÓSIO TEMÁTICO 54: ORIENTAÇÕES SEXUAIS, NORMATIVIDADES E IDENTIDADES

DE GÊNERO NO ENSINO MÉDIO: DESCONSTRUIR CERTEZAS E PRODUZIR NOVAS


PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO. Coordenação: Profª Dra. KarinePereira Goss (IFSC) e Profº
Dr. Fernando José Taques (IFC)

O COLORIDO DAS NENÚFARES NO SEMBLANTE DISCENTE DE UM


INSTITUTO EM SL-MA: homofobia e silenciamento no espaço escolar.

Gerson Carlos P. Lindoso1


NENÚFARES

Livre não sou, que nem a própria


vida.
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia.
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas queria a liberdade.


Trago-a dentro de mim como um
Destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua.
Entre Nenúfares de serenidade
Depois de ter a Lua!
Miguel Torga

1.INTRODUÇÃO

É muito valorosa a Literatura, a arte da construção de textos, o edificar por


meio das palavras com efeitos e significados múltiplos, que falam, denunciam e
ao mesmo tempo resvalam entre os dedos dos (as) poetas. É através dela que
podemos, hoje, tratar de tema tão delicado e frágil, que infelizmente de modo
negativo tem crescido dentro das instituições educacionais brasileiras (escolas,

____________________________
1-Mestre em Ciências Sociais-Antropologia, Especialista em Gênero e Diversidade Ètnico-
Racial na Escola-GDE (UFMA); Professor EBTT-IFMA SL-CH.
universidades, faculdades, etc.): a homofobia no espaço escolar.
Com pesar que afirmamos que o Maranhão é uma das referências em termos
de práticas homofóbicas, com resultados pavorosos de violência física e
simbólica, como atesta o Grupo Gay da Bahia (2013, p. 5) ao identificar na
primeira metade do século XVII (1613) nesse Estado o primeiro crime
homofóbico no Brasil com a execução de um “Tibira”, índio homossexual
assumido, por um grupo de capuchinhos franceses. A intenção desse
assassinato foi de “purificar essas terras de suas maldades”, condenando o
índio pela sua identidade à própria morte, sendo este amarrado na boca de um
canhão e executado como um espúrio bandido pela prática da sodomia,
revelando prova cabal de fundamentalismo e intolerância homofóbica por parte
dos missionários franceses.
No dia 10 de dezembro de 2013, na cidade de São Luís-Maranhão foi realizado
um evento alusivo a esse triste fato relacionado ao índio Tibira, a celebração do
IV Centenário da Execução de São Tibira do Maranhão, no qual a memória
desse índio foi comemorada como um mártir. A figura dele ganhou um painel de
azulejos no mesmo local em que foi condenado à morte pelos capuchinhos,
autoridades civis e militares franceses, além de uma exposição de gravuras
sobre sua história e martírio, contando na época com a participação de um dos
fundadores do Grupo Gay da Bahia-GGB, o antropólogo Luiz Mott.
E como tratar de questões tão tenras, causadoras de furor e explosões de
sentimentos variados, especialmente por quem está sujeito no dia a dia escolar
a sofrer bullying, homofobia, intolerância e toda sorte de desrespeito as suas
orientações, identidades, comportamentos e visões de mundo, preferências,
enfim por um jeito específico de ser...? É de uma complexidade acentuada, é
como estar submerso no jardim aquático do maior vulto da história do
Impressionismo, o pintot Claude Monet (1840-1926).
Para destacarmos a pluralidade em oposição à singularidade solitária da
homofobia e da intolerância, elegemos o multicolorido da vegetação,
particularmente das flores, dos ‘Nenúfares ou Ninféias’ dos jardins de Monet,
que ainda hoje estão localizados na residência em que ele morou nas suas
últimas décadas de vida (1883-1926) em Giverny-França. O termo Ninfeias se
refere à categoria científica ‘Nymphaea’ dessa planta aquática perene, que
apresenta grandes rizomas e folhas com formato de coração, com uma imensa
variedade de espécies, cerca de mil e setecentas, constituindo o seu coletivo
floral uma diversidade em cores inigualável.
Nas palavras do célebre Adolfo Correia da Rocha (1907-1995), pseudônimo
‘Miguel Torga’, um dos grandes poetas e escritores portugueses do séc. XX no
texto poético acima explicitado “Nenúfares”, a perseguição à liberdade é uma
das molas propulsoras do eu-lírico, como algo questionador, e será que a vida
pode proporcionar essa liberdade? É como um Nenúfar ou um adolescente a
desabrochar para a vida, brigando pelo seu espaço, na tentativa de ser ou se
tornar o que deseja ser, de percorrer vários caminhos, adquirir novas
experiências e descobertas, na conquista de respeito, especialmente no
universo das relações de gênero e sexualidade.
A trilha dos jovens com orientações e até mesmo identidades LGBTTQ’S
(lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, transexuais, queers, simpatizantes) é
bastante extensa, cheia de pedras e de grilhões presos a seus corpos, e suas
vitórias são ultrapassar os obstáculos do cotidiano (a homofobia, a intolerância,
a violência física e simbólica, etc.). Sonhar é uma máxima muito desejada, é
preciso ser quem é em meio a imensidão do ceú até se chegar a lua!
O presente artigo tem como fonte inspiradora a nossa pesquisa sobre
diversidade de gênero e sexualidades no ambiente escolar, que no ano de
2005 resultou no estudo monográfico intitulado “Campus Rosa:
representações sociais e estereótipos sobre diversidade de gênero e
sexualidade no IFMA, Campus São Luís-Centro Histórico” (LINDOSO,
2015) que serviu para concluir a Especialização em Gênero e Diversidade
Étnico-racial na Escola, através do Departamento de Educação II, Universidade
Federal do Maranhão-UFMA. Inclusive apresentamos parte dos resultados
dessa pesquisa na primeira edição do congresso Desfazendo Gênero,
realizado no período de 04 a 07 de setembro de 2015 em Salvador-Bahia.
Para essa segunda edição do Desfazendo Gênero na cidade de Campina
Grande-Paraíba, tivemos como intuito focalizar a temática da homofobia, como
produto de relações sociais conflituosas frente à diversidade de gênero e das
sexualidades no espaço institucional. Pretendemos analisar um caso de
homofobia, que aconteceu no IFMA no presente ano de 2017, envolvendo
professor-aluno em sala de aula, produzindo uma situação de conflito, a partir
de um conjunto de sentidos e significados que de maneira instável se
movimentaram mais uma vez como em uma escala cartográfica, que mede a
relação de proporção entre o ‘grau real do acontecimento’ e sua
‘representação’, dentro da escola, por exemplo.
Como objetivos específicos, observamos as possíveis agravantes que
contribuíram para gerar um processo de silenciamento/ esquecimento do caso
de homofobia na escola. A metodologia utilizada foi pautada na História
Cultural, que traz reflexões teóricas multidisciplinares importantes sobre
aspectos culturais dos comportamentos humanos, a partir da década de 70,
como centro privilegiado de conhecimento histórico, exemplificamos trabalhos
sobre gênero, minorias étnicas e religiosas, hábitos e costumes, etc. (BURKE,
2008,p.8).
Dentre os resultados, pudemos perceber a elaboração de ‘estratégias’ criadas
no ‘jardim das flores’ (escola) pelo conjunto das ‘flores raras’ (gestores/as) para
que o ‘caso de homofobia’, após sofrer um processo de silenciamento fosse
apaziguado e totalmente esquecido. Por fim soou como uma espécie de
‘desentendimento às avessas’ ou um categórico ‘mal entendido entre as
partes’, passível de ser contornado, que reverberou tanto na maior parte da
comunidade docente, administrativa, prestadores (as) de serviços terceirizados
(as) e discente.
Compreendemos que a temperatura de mais um caso de homofobia no espaço
escolar e que se desenrolou nesse mesmo jardim de flores apresentou
algumas medidas interessantes: 1) a explosão do acontecimento- o
despedaçar das pétalas do Lírio de Água; 2) Pedaços de Flores por todos os
lados- frentes de ataque e defesa; 3) O silenciamento de uns e a falação de
outros (as) 4) a mediação- façam as pazes! 4) O esquecimento.
Dividimos o presente artigo em algumas partes elucidativas para o
desenvolvimento das discussões; na introdução apresentamos os objetivos e
explicitamos o problema da pesquisa; o primeiro item localiza de maneira atual
o espaço do conflito “O jardim de muitas Flores”, a instituição em si e suas
práticas frente as questões de gênero e a sexualidade na escola; já o item 2 é
intitulado ‘Flor do Diabo brigou com Lírio D’Agua’, analisa o conflito em si;
Intitulado ‘Nenúfares de Plástico Não Morrem’, finalizamos com o item 3,
apontando questões relacionadas à resistência e possíveis formas combativas
de homofobia e intolerância por flores sensíveis à essas causas. O que fazer?
Com um viés figurativo faremos uma mistura de elementos textuais literários (a
partir das figuras de linguagem, das metáforas) e não-literários dentro desse
artigo, como uma forma de omitir nomes, cargos, funções de domínio real.

2. O JARDIM DAS FLORES: do campus, rosas, nenúfares, raras

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão-IFMA em


sua totalidade é um grande jardim de variadas flores, que desde o século
passado teve demarcada a sua criação e vem passando por paulatinas
transformações ao longo do tempo, de ordem estruturais, físicas, políticas,
sociais, econômicas e também culturais, a partir de uma renovação de seu
quadro de servidores (as), principalmente com o advento do projeto de
expansão da Rede Federal de Educação, Ciência e Tecnologia no antigo
governo Lula. A história do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
do Maranhão – IFMA, criado pela Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008,
mediante integração do Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão
e das Escolas Agrotécnicas Federais de Codó, de São Luís e de São
Raimundo das Mangabeiras, começou a ser construída no século passado. No
dia 23 de setembro de 1909, por meio do Decreto nº 7.566, assinado pelo
então presidente Nilo Peçanha foram criadas as Escolas de Aprendizes
Artífices nas capitais dos Estados. As Escolas foram criadas com o intuito de
proporcionar às classes economicamente desfavorecidas uma educação
voltada para o trabalho, sendo a do Maranhão, instalada em São Luís no dia 16
de janeiro de 1910. (PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL-PDI
2014-2018)
A Educação Profissional no Brasil, desde sua origem, por atender à hegemonia
das classes dominantes, sempre esteve vinculada ao discurso da inclusão, no
sentido assistencialista. Segundo o MEC, nos Referenciais Curriculares
Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnico, “os primórdios da
formação profissional no Brasil registram apenas decisões circunstanciais
especialmente destinadas a ‘amparar os órfãos e os demais desvalidos da
sorte’, assumindo um caráter assistencialista que tem marcado toda sua
história” (MEC, 2000, p.78). Na verdade, nesse discurso está implícita a
chamada “dualidade estrutural” que sempre permeou os caminhos da
educação técnica no país – uma escola propedêutica para a elite dirigente e
uma escola profissionalizante para os filhos dos trabalhadores.
De acordo com o histórico dos institutos no Brasil, e especialmente no
Maranhão, observamos uma série de mudanças, que vão a cada década
propondo transformações à nível pedagógico e estrutural até, que no ano de
2008, houve um projeto macro com dimensões estratosféricas, que alargou a
Rede Federal de Educação, Ciência e Tecnologia no Brasil, com a
multiplicação do número de If’s em todo o país. Só no Maranhão, atualmente,
temos 29 campi espalhados e em funcionamento em todo o Estado,
oferecendo os mais diversos cursos técnicos profissionalizantes nas
modalidades (integrado, subsequente e concomitante), além de Educação à
distância, Cursos superiores, Cursos de Pós-Graduação à nível Stricto Sensu
(mestrado) e Lato Sensu (Especialização), entre outras formas de ensino-
aprendizagem por meio da pesquisa e extensão.
O campus estudado, IFMA São Luís-Centro Histórico foi autorizado pelo MEC e
começou a funcionar em 31 de janeiro de 2008 em salas emprestadas do
antigo campus Monte Castelo, no bairro de mesmo nome na cidade de São
Luís-Maranhão e, somente no ano seguinte, de 2009, que começou a funcionar
no centro da cidade em um casarão emprestado, idealizado de início por sua
primeira diretora, Denise Bogéa, para ser o ‘Campus das Artes’. Essa unidade
é dividida ou organizada atualmente por eixos de atuação, que são eles:
Produção Cultural e Design, Saúde e Meio-Ambiente, Turismo, Hospitalidade e
Lazer e Controle e Processos Industriais.
Cada um desses eixos concentra seus respectivos cursos que são oferecidos,
de acordo com um planejamento e a demanda institucional de atendimento
pelo alunado. Usualmente, temos três cursos, que tem sido constantemente
oferecidos nos últimos anos, dentre eles: Artes Visuais, Meio-Ambiente e mais
recente o Curso de Mecânica e Processos Industriais, que funciona no Eixo-
Itaqui Bacanga, bairro próximo ou vizinho ao casarão, que está localizado no
centro histórico de São Luís-Ma.
Muitos são os formatos, as cores, as mentalidades, os perfumes dessas flores
que constituem esse grande jardim, entretanto, há de se considerar que desde
a última década do séc. XX as escolas vêm sido obrigadas a incorporar
debates sobre a cidadania estendidos aos diversos segmentos sociais, nos
quais os conflitos tendem a se movimentar a partir de várias temáticas e áreas,
da exclusão de classe até àquelas que dizem respeito à etnia, raça, geração,
sexo, gênero e também acesso à informação.
No Brasil, esse processo pode ser observado, desde que o conceito de
‘cidadania’ abarcou diferentes categorias, identificadas por classe social, sexo,
raça, idade e orientação sexual. De acordo com a professora Guacira Lopes
Louro (2007, p. 57), desde as suas origens a escola entende muito bem alguns
sentidos de alguns conceitos (diferenças, distinções e desigualdades),
aplicando-os a seu modo:

Diferenças, distinções, desigualdades... A escola entende disso. Na


verdade, a escola produz isso. Desde seus inícios, a instituição
escolar exerceu uma ação distintiva. Ela se incumbiu de separar os
sujeitos-tornando aqueles que nela entravam distintos dos outros, os
que a ela não tinham acesso. Ela dividiu também, internamente, os
que lá estavam, através de múltiplos mecanismos de classificação,
ordenamento, hierarquização. A escola que nos foi legada pela
sociedade ocidental moderna começou por separar adultos de
crianças, católicos de protestantes. Ela também se fez diferente para
os ricos e para os pobres e ela imediatamente separou os meninos
das meninas (LOURO, 2007, p. 57).

Consideremos então que a professora Louro (Id Ibid) descreve uma escola
criada para receber somente ‘alguns’, mas não ‘todos’, segregando as
pessoas, olhando com distinção mesmo, sendo lentamente requisitada ao
longo de sua história por aqueles (as) as/ aos quais havia sido negada. Muitos
de seus elementos criados dentro do próprio sistema de gestão/ administração
escolar contribuíram para a produção das diferenças entre os sujeitos, tais
como: organização, currículos, prédios, docentes, regulamentos, avaliações (Id
Ibid).
Aqui, estamos diante de um paradoxo, pois na constituição das instituições
educacionais temos a escola como atuante na promoção das distinções e
segregação dos indivíduos e ao mesmo tempo indiferente a essas mesmas
‘diferenças’. Observando os símbolos escolares, como os seus quadros,
crucifixos, santas ou esculturas, aponta aqueles (as) que serão eleitos (as)
como modelos e também se reconheçam dentro desses modelos.
Achamos interessante um dos argumentos da professora Louro quando a
mesma trata sobre a ‘escolarização dos corpos e das mentes’, diz que “o
prédio escolar informa a todos (as) sua razão de existir. As marcas, os
símbolos e arranjos arquitetônicos “fazem sentido”, instituem múltiplos
sentidos, constituem distintos sujeitos” (LOURO, 2007, p. 58).
Ainda dando vazão para essa categoria apresentada por Louro (Id Ibid)
‘escolarização dos corpos’, é inegável a assertiva de que os institutos federais
(If’s) no país, que passaram por todo um conjunto de mudanças ao longo de
suas histórias (Escolas Técnicas> Centros Federais> Institutos Federais)
tentam ainda conservar características e práticas disciplinares escolares
diferenciadas, compondo um rígido modelo de regras e normas que devem ser
seguidas à risca em consonância com os colégios militares e as escolas
técnicas estaduais. São muitas essas regras e normas padrões, dentre elas: a
pontualidade, o uniforme impecável, uma padronização da aparência (corte de
cabelo, cor do cabelo, tamanho, cores das unhas, etc.), dos comportamentos, é
proibido andar de mãos dadas, carícias e amassos entre casais heterossexuais
e com mais rigor os homossexuais.
E todo esse universo de práticas normativas disciplinares estabelecidas nessas
escolas em grande parte das vezes são avaliadas como ‘positivas’ em face dos
resultados ou dados numéricos relacionados ao ENEM (Exame Nacional do
Ensino Médio) nas quais essas instituições educacionais de regime disciplinar
militar muitas vezes alcançam resultados favoráveis (PORTAL BRASIL, 2017).
Outro argumento é de que essas instituições educacionais em seus históricos
não apresentam apenas a disciplina rígida como um fator determinante para o
sucesso de parte considerável de seu alunado no ENEM, mas o diferencial
intelectual dessa ‘elite discente’, pois os (as) mesmos (as) são rigorosamente
selecionados em um concurso de admissão para fazerem parte desses
espaços (ROCHA & AQUINO, 2012).
Contrariando o ditado popular ‘Mas nem tudo são flores’, invertendo-o, ou
melhor, ‘tudo acabou em uma grande festa perfumada por uma flor’, que
no ano de 2016, o aluno Tales de Oliveira Farias, aluno do Curso de
Engenharia do Instituto de Tecnologia Aeronaútica (ITA) em São José dos
Campos (São Paulo) fez um protesto durante a sua colação de grau. Ao longo
da cerimônia, Talles entrou trajando roupas femininas, estampadas com
palavras de protesto em prol de maior igualdade de gênero e diversidade
dentro daquela instituição educacional de bases militares, definida por ele
como: machista, elitista e meritocrática (CASEMIRO, 2017).
Ao falarmos da instituição pesquisada, afirmamos que esse rigor disciplinar de
inspiração militar não deixa de causar insatisfação no corpo discente, que
muitas vezes se sente sufocado diante de tanta rigidez em face das regras e
normas, que atingem inclusive uma determinada padronização para os (as)
servidores (as), docentes em específico.

3. CABEÇA DO DIABO BRIGOU COM LÍRIO D’AGUA...

Cabeça do diabo brigou com Lírio D’Agua,


Dentro da sala de Aula.
Cabeça do Diabo, enfurecido,
Lírio D’Agua despedaçado.

Cabeça do Diabo muito invejoso,


Porque não podia na escola se maquiar.
Atacou e xingou o aluno,
Até a flor (menino) se desesperar.

Lírio D’Agua muito ferido,


Para seu algoz clamou punição.
Intolerância e Homofobia:
‘Na escola, não é coisa boa Não’!

Cabeça do Diabo foi defendido,


E o caso silenciado.
Lírio D’Agua, desiludido,
Acabou muito inconformado!

Parafraseando o poema de domínio popular ‘O Cravo Brigou com a Rosa’,


fizemos algumas modificações para se coadunarem com a situação descrita ou
o caso de homofobia, que aconteceu no instituto pesquisado. Como
ferramentas metodológicas para o desenvolvimento dessa pesquisa, utilizamos
as conversas informais (diálogos) e formais (entrevistas gravadas) com alguns
interlocutores, dentre eles: a vítima (o aluno-Lírio D’Agua); alguns alunos (as)
-nenúfares de várias cores; um docente (flor do beijo) e pedagoga (flor de Lis).
É importante destacar que elaborar e registrar esse trabalho envolveu uma
atmosfera de complexidades em face dos acontecimentos de cunho sócio-
político por qual passou essa escola no ano de 2016, frente a onda de
protestos em todo o país contra as medidas emergenciais e sem nenhum
diálogo no setor da educação, promovidas pelo governo golpista do atual
presidente da república Michel Temer, dentre elas: Reforma do Ensino Médio
e Projeto Escola Sem Partido.
A escola foi ocupada pelos alunos (as) por um período de dois meses (19 de
outubro a 19 de dezembro), tomando o prédio, e se alojando em suas
dependências, organizando programações diversas (aulões, minicursos,
oficinas, palestras, apresentações artístico-culturais-performances, danças,
etc.), contrariando todas as opiniões e expectativas do grupo das flores
gestoras (diretores/ as, chefias, coordenações, etc.). As flores gestoras
manifestavam explicitamente contra toda e qualquer manifestação que fizesse
menção à ocupação do prédio e questionasse/ invertesse o modelo de
educação formal, desenvolvido pela escola, sendo inadmissível suspensão de
aulas por causa de ‘ocupação’ (um dos motes de suas falas!).
Um outro pequeno grupo do qual fizemos parte, ‘os outros (as) outras’,
apoiaram de modo muito intrínseco o projeto #ocupaIFMA levado em frente
pelos alunos (as), que teve em seguida o apoio da instância maior da
instituição, o reitor em exercício Roberto Brandão, que emitiu uma carta aberta
sendo favorável ao movimento, direcionada à toda comunidade do instituto. Na
verdade, queremos apenas abrir parênteses a esse fato, pois ele de alguma
forma se relaciona com os ares institucionais na atualidade, pois ele foi um
‘delineador’, estabelecendo e demarcando de modo mais visível a estrutura da
escola em grupos: o grupo da gestão; os do contra a gestão; e o dos não tô
nem aí- não me envolvo!
Como somos classificados pelos (as) gestores (as) como fazendo parte do
segundo grupo, é necessária uma atenção redobrada com relação ao campo
das disputas políticas, das reivindicações e de nosso trabalho educacional
pautado na inclusão, no combate aos racismos, discriminações, homofobia e
intolerâncias. Falar ou não falar, desse assunto? O que mais me inquietou não
foi a questão de falar, mas de como falar e publicizar esse fato, que a gestão
educacional do campus, fez questão de construir um ‘pacto de silêncio’ e de
‘esquecimento’, pois envolvia uma pessoa-docente-, membro de seu grupo
político.
O prédio da escola por não ser tão grande e por apresentar também outros
prédios externos que constituem o campus, as notícias ou ‘fofocas’ correm
rápido e chegam em um curto espaço de tempo, especialmente pelas redes
sociais ou ferramentas de mensagens do facebook e os ‘famigerados’ grupos
de wahttsapp da escola, além das mensagens pessoais e os velhos
telefonemas. No mesmo dia do ocorrido, soubemos desse repetitivo caso de
homofobia cometido mais uma vez por esse mesmo docente-Cabeça do diabo,
agora em relação a outro aluno- o Lírio D’Agua. De acordo com Toni Reis
(2015, p. 27), o termo ‘homofobia’ apresenta alguns sentidos e significados,
dentre eles a aversão, discriminação e violência baseada em diferenças de
orientação e identidade de gênero sendo a grosso modo, conhecidas como
comportamentos de homofobia, usualmente direcionados à população de
lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).
Frisamos que em nosso trabalho monográfico (LINDOSO, 2015, p. 45),
abordamos em um dos capítulos a questão da homofobia sofrida anteriormente
por um outro aluno, vítima desse mesmo docente-Cabeça do Diabo, aqui
analisado. O pacto de silêncio e o processo de esquecimento foi acionado
naquele momento para resguardar cabeça do diabo de alguma punição, sendo
uma das estratégias comuns no espaço escolar (GÊNERO E DIVERSIDADE
NA ESCOLA, 2009, p. 48-49).
A sensação diante de um caso desses é estarrecedora, principalmente, nós
que somos militantes e apoiadores dessa causa e lutamos por uma educação
inclusiva e em prol das diferenças na escola. Naquele momento, elaboramos
um textão de palavras e mais palavras de conforto e de solidariedade ao aluno
atacado, que estava completamente confuso e sem saber o que fazer e como
agir e a quem realmente confiar e recorrer.
Tudo ocorreu na primeira semana de janeiro de 2017, não era um início de
período ou semestre, porque a escola tinha que reconstruir seu calendário em
face das aulas ditas ‘perdidas’ com o movimento de ocupação. Foi uma manhã
de segunda-feira em mais uma aula de Cabeça do Diabo, que esticava
apresentações orais (seminário) dos alunos (nenúfares) em sala de aula...
Finalmente, a equipe de Lírio D’Agua iria apresentar...era chegada a sua
vez...seminário cancelado... não temos mais tempo!!!
Lírio D’Agua compreensível se dirigiu a frente para jogar um papel na lixeira,
mas ao passar do lado da mesa de cabeça do diabo, sem querer esbarrou no
aparelho de data-show, que não chegou a cair, deixando Cabeça do Diabo,
furioso e descontrolado, causando o alvoroço (ENTREVISTA COM ALUNO-
LÍRIO D’AGUA, 2017):

Eu acho que ele explodiu, porque foi uma somatória de várias


coisas, porque naquela época eu tava mais viado do que
nunca! E a cada dia eu tô mais viado...E todo o dia eu vinha de
batom e teve um dia, que eu tava com a peruca na aula dele! E
também teve um dia que eu tava andando de salto na aula
dele! E ele só olhando aquilo... E no dia tava acontecendo a
apresentação de trabalho e ele como sempre ficava em um
assunto tediante sobre o filho dele e sobre as nossas
responsabilidades que a gente tinha sobre o ENEM... Todo dia
era isso!!! Ninguém aguentava mais... Isso atrapalhava a aula,
porque ele se atrasava em comparação aos outros
professores...E ele tava passando e tava nas apresentações,
era o último dia de aula dele, e aí no penúltimo grupo ele disse
que não ia mais dar para apresentar...Ele ia arranjar outro
horário e tudo bem...Nisso eu tava na porta da sala, que eu
tinha ido jogar um papel na lixeira e eu esbarrei no data-show,
e o data-show ameaçou cair e eu corrí para pegar. Quando eu
peguei o data-show, ele começou a esturrar e me xingar e que
se eu quebrasse aquela PORRA, eu ia ter que pagar... e
começou a me chamar de VAGABUNDO e de PORRA. E aí eu
perguntei para ele, eu disse: DESCULPAS. Por ter derrubado o
data-show e que não foi intenção minha de derrubar aquilo e
que ele não tinha direito de estar me xingando; muito menos de
me tratar da forma como se fôsse um animal e nem animal era
tratado daquela forma. E aí eu falei a verdade que todo mundo
queria falar para ele, que o seminário já estava se
desenrolando há muito tempo e ele, enrolando...Ele me retirou
de sala. (ENTREVISTA ALUNO-LÍRIO D’AGUA, 2017).

Como característica do corpo discente do jardim das flores estudado, podemos


citar a diversidade de estilos, modos de ser, de vestir, de se paramentar com
determinados acessórios de parte dos jovens dessa escola e da sociedade em
geral, por conseguinte, o que ainda desperta atenção são os estilos visuais que
contestam as normas-padrões. Por exemplo: a menina da turma ‘X’ de cabelo
roxo, o menino da turma ‘Y’ que usa maquiagem e que apresenta muitos
trejeitos femininos; a menina da turma ‘Z’ que só anda e gosta de outras
meninas...
Judith Butler (1999, p. 54) afirma que as sociedades constroem normas que
regulam e materializam o sexo dos sujeitos e que essas “normas regulatórias”
precisam ser regularmente repetidas e reiteradas para que tal materialização
se concretize. Essa filósofa pontua que esses corpos não se conformam,
nunca, completamente, às normas pelas quais sua materialização é imposta.
De acordo com Louro (2015, p. 45) ao enfatizar essas ideias de Butler (Id Ibid)
diz que as normas regulatórias do sexo, tem, portanto, caráter performativo,
isto é tem poder continuado e repetido de produzir aquilo que nomeiam, as
normas do gênero na ótica heterossexual.
Depois de Lírio D’Agua ser expulso da sala de aula por Cabeça do Diabo, e
com o término da aula, os outros nenúfares correram para contar para seu
colega, que após ele sair da turma, Cabeça do Diabo estava tirando sarro do
aluno por ele usar ‘maquiagem’, por usar peruca e andar de salto
(ENTREVISTA ALUNO-LÌRIO D’AGUA, 2017):

Fiquei lá fora e quando eu saio, o pessoal da sala me conta


que ele tava tirando sarro de mim, pelo fato de eu usar
maquiagem, de eu usar peruca, andar de salto e outras coisas.
E aí quando ele saiu, eu tava conversando com as meninas
sobre o ocorrido e ele veio gritar comigo dizendo que eu era
muito ABUSADO! E eu fui lá em cima dele e perguntei: qual o
problema de eu usar maquiagem e de eu usar salto sendo que
tudo, sou eu que compro! Aí ele surtou: e começou a repetir a
mesma frase! “É tu que compra a tua maquiagem”?! “É tu
que compra a tua maquiagem?! Eu não estava entendendo
por que ele estava gritando daquele modo... Aí eu disse: sou!
Ele cessou e abusou do poder dele na frente de todo mundo e
disse que eu estava REPROVADO na matéria dele. Pois bem,
eu vou ver se estou reprovado e começou a me xingar na
frente de todo mundo. Do lado de fora, me xingando de
SAFADO. E depois disso, eu fui a um dos departamentos de
ajuda ao aluno, e lá eu contei tudo e nessa hora eu estava
muito nervoso, porque quando acontece isso a gente nunca
está preparado para essas coisas...E é uma coisa que marca
muito a gente!!! (ENTREVISTA ALUNO-LÌRIO D’AGUA, 2017).

Conforme o relato de Lírio D’Agua o dia do conflito ou do ataque homofóbico


desferido por Cabeça do Diabo foi dividido em partes- dentro e fora da sala de
aula, sendo que do lado de fora da sala acabou se estendendo até o setor de
ajuda de alunos (as). Nesse espaço de atendimento de alunos (as), Lírio
D’Agua tentou expor o caso para algumas flores que lá trabalham, mas foi mais
uma vez interrompido por Cabeça do Diabo, que invadiu a sala e
repetidamente gritava: É tu que compra a tua maquiagem?! e mais uma vez
a confusão foi contida e Cabeça do Diabo afastado e depois saiu.
Bem, uma aura de mistério pairou no jardim das flores sobre o que poderia
acontecer diante de mais um dos escândalos cometidos por essa flor
inescrupulosa, que desrespeita, discrimina e trata com intolerância tanto flores
(alunos/ as) e outros (as) servidores (as). Entendemos que casos como esse,
independente do espaço apresentam vários desdobramentos muito prejudiciais
para a vítima (REIS, 2015), podendo variar desde a agressão verbal e
psicológica, a exclusão, a agressão física, o assassinato e o suicídio
(BLUMENFELD, 2007; BORRILLO, 2001, 2009; MOTT, 2009).
Ao sintetizarmos o caso, houve ainda tentativas de organização de algumas
movimentações de protesto contra Cabeça do Diabo, a partir de manifestações
dos alunos/ as da sala de Lírio D’Agua; foi levantada a possibilidade do caso
ser tratado em outras instâncias judiciais fora da escola e do professor ser
processado, mas nada vingou. Diante disso questionamos vários alunos (as),
dentre eles, orquídea negra, da mesma sala de Lírio D’Agua, que afirmou que
eles, os alunos (as) se acomodaram e deixaram o tempo passar e não fizeram
o que tinha que ser feito (eles/ as tinham em mente implantar um evento que
discutisse questões de diversidade de gênero e sexualidade na escola).
E a contrapartida da escola, dos (as) gestores (as) foi apenas de elaborar um
‘pacto de silêncio’/ esquecimento em torno do caso, após organizar uma
reunião de ‘conciliação’ entre as partes, que segundo o aluno não foi
comunicada previamente e que apenas resultou em constrangimentos para o
mesmo, pois teve que ficar diante mais uma vez do seu algoz e,
posteriormente, continuar a vê-lo nas aulas.

4. NENÚFARES DE PLÁSTICO NÃO MORREM...

E de que modo são construídas as formas de resistência e de combate aos


racismos, preconceitos, discriminações, homofobias e intolerâncias dentro do
espaço escolar?! É inteiramente desanimador olhar para os desdobramentos
desses casos ou os seus possíveis resultados negativos para quem sofreu a
pior das humilhações e violências frutos de homofobia.
Concordamos com TORRES (2010, p. 66) ao dizer que muitas das vezes, as
pessoas humilhadas e discriminadas não recebem o apoio necessário da
comunidade escolar e isso precisa mudar. Essa luta é intensa e muito delicada
sendo de extrema necessidade o reconhecimento de contextos não formais de
educação que analisem e/ ou lutem pelo reconhecimento da população LGBT.
No Ifma em sua totalidade podemos apontar ações muito compartimentalizadas
ou mesmo fragmentadas, quando pensamos sobre as discussões das questões
de gênero, diversidade e sexualidades no âmbito escolar. Em grande parte das
vezes as nobres iniciativas relacionadas a tais temáticas aparecem vinculadas
em eventos que tem como bojo a saúde e/ ou seus aspectos biologizantes, a
exemplo do ano de 2013 em que a Semana da Saúde no IFMA, Campus São
Luís Centro Histórico teve como tema ‘Sexualidade-Mitos, Verdades e
Preconceitos’; além de pequenas discussões ilustrativas em semanas
pedagógicas; ou mesmo palestras isoladas em alguns eventos do calendário
escolar.
Até o presente momento, em quase uma década de vínculo institucional, não
presenciamos nenhum curso de formação/ capacitação continuada para
educadores (as) e também alunos (as) sobre essas questões, oferecidos em
âmbito geral pela instituição com o intuito de preparar/ qualificar melhor seus
servidores (as) e docentes para trabalhar com uma educação mais
humanizada, de inclusão e de combate aos racismos, preconceitos,
intolerâncias e homofobias. Educar Educadores (as) pelo que aparenta não é
um forte da nossa instituição, principalmente quando requer que esses (as)
mesmos (as) educadores (as) passem por um processo de desconstrução
contínua.
Os padrões heterossexistas nos institutos federais do Maranhão e no campus
estudado ainda são muito fortes e as diferentes expressões das sexualidades
com suas diversas identidades não reguladas pelo modelo heterossexual ainda
são vistas a grosso modo, rechaçadas ora silenciosamente ora
desgovernadamente. É histórico que no Ocidente, dois discursos foram
poderosos, o religioso e o médico, ao definirem um padrão único de
sexualidade (a heterossexual) como única possibilidade, combatendo todas as
outras formas, o que chamamos de diversidade sexual.
Essas questões não se encerram aqui, de modo algum, pois com um pouco
mais de seis meses do ocorrido esperamos por dias melhores, pela retomada e
vigor de políticas públicas governamentais para as populações LGBTTQS, pois
somente através da educação e de uma ampla discussão nas instituições
educacionais podemos enfrentar de maneira mais enérgica e combater toda
sorte de homofobia, preconceitos, racismos, discriminações e intolerâncias. O
pacto do silêncio está em andamento na escola pesquisada gerando o
‘esquecimento’ para a maioria, entretanto, de modo incisivo e corajoso ao
retomarmos essas questões, trazendo-as para a discussão ampla reforçamos a
ideia e mais uma vez parafraseamos a o título da música do grupo brasileiro
Titãs, ‘Flores de Plástico Não Morrem’, ou melhor nos transformamos e nos
blindamos em plástico e não morreremos... ‘Nenúfares de plástico não
morrem’.

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