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Charles Haanel

A Chave-Mestra

Tradução: Diogo Chaves


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Introdução
A Natureza impele-nos a mover através da vida. Por mais que o desejás-
semos não conseguiríamos permanecer estáticos. Qualquer pessoa de bom
senso deseja, não só mover-se através da vida como uma planta sã e ambu-
lante, mas também desenvolver-se – melhorar – e continuar a desenvolver-
se mentalmente até ao término da sua vida física.

Este desenvolvimento ocorre apenas através do melhoramento da qualida-


de dos pensamentos individuais e dos ideais, acções e condições que sur-
gem como consequência. Portanto é da maior importância para todos nós o
estudo dos processos criativos do pensamento e o seu modo de aplicação.
Este conhecimento é o meio pelo qual a evolução da vida humana na Terra
pode ser acelerada e elevada.

A Humanidade busca intensamente a Verdade e explora todos os caminhos


para a encontrar. Neste processo produziu literatura específica que abran-
ge toda a gama de pensamentos, desde o trivial ao sublime – desde a Adi-
vinhação, através de todas as Filosofias, até à grandiosa Verdade da “Cha-
ve-Mestra”.

A “Chave-Mestra” é aqui revelada ao mundo como um meio de sondar a


grande Inteligência Cósmica e atrair dela tudo o que corresponde às ambi-
ções e aspirações de cada leitor.

Todas as coisas e instituições que vemos à nossa volta, criadas por agentes
humanos, tiveram a sua primeira existência no pensamento de alguma
mente humana. O pensamento é, portanto, construtivo. O pensamento
humano é o poder espiritual do Cosmos a operar através do Homem, a
Criação. A “Chave-Mestra” ensina ao leitor o modo de usar esse poder, tan-
to construtiva como criativamente. As coisas e condições que desejamos
que se tornem realidades têm de ser criadas primeiro no pensamento. A
“Chave-Mestra” explica e orienta este processo.

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Os ensinamentos da “Chave-Mestra” foram publicados sob a forma de um
curso por correspondência com 24 lições, recebendo os estudantes uma
lição por semana, durante 24 semanas. O leitor, que recebe agora as 24
lições de uma só vez, é advertido a não ler o livro como um romance mas
tratá-lo como um curso para ser estudado, interiorizando conscientemente
o significado de cada parte – lendo e relendo apenas uma parte por semana
antes de prosseguir com a próxima. De outra forma, as últimas partes ten-
derão a ser mal-entendidas e o leitor estará a desperdiçar tempo e dinhei-
ro.

Usada da forma aconselhada, a “Chave-Mestra” criará no leitor uma maior


e melhor personalidade, equipada com um novo poder de alcançar qual-
quer propósito pessoal digno e uma nova capacidade de gozar a beleza e as
maravilhas da vida.

F.H.BURGESS

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Prefácio
Alguns homens parecem atrair sucesso, poder, riqueza e posses com muito
pouco esforço consciente; outros obtêm-nos com grande dificuldade; e
outros fracassam completamente em realizar as suas ambições, desejos e
ideais. Porque é que isto acontece? Porque há homens que realizam facil-
mente as suas ambições, outros que as realizam com dificuldade e outros
que não as realizam de todo? A causa não pode ser física, senão o Homem
mais perfeito fisicamente seria aquele com maior sucesso. A diferença deve
ser, portanto, mental – deve estar na mente; assim, a mente deve ser a for-
ça criativa, deve ser o que constitui a única diferença entre os homens. É a
mente, portanto, que determina o ambiente e permite vencer todos os obs-
táculos que cruzam o caminho dos homens.

Quando o poder criativo da mente for plenamente compreendido, o seu


efeito será maravilhoso. Mas tais resultados não se obtêm sem a aplicação,
a determinação e a concentração correctas. O estudante descobrirá que as
leis que governam o mundo espiritual e mental são tão fixas e infalíveis
como aquelas que governam o mundo material. Para alcançar os resulta-
dos desejados, é necessário conhecer e agir em concordância com a lei. A
correcta concordância com a lei produzirá o resultado desejado, com uma
exactidão invariável. O estudante que aprende que o poder nasce no inte-
rior, que é fraco apenas porque sempre dependeu de ajuda do exterior e
que, sem hesitação, se lança dentro do seu próprio pensamento, subita-
mente ergue-se, caminha direito, assume uma atitude dominante e produz
milagres.

É, portanto, evidente que aquele que não investigar totalmente e não tirar
partido deste progresso que está a ocorrer nesta derradeira e grandiosa
ciência, estará tão ultrapassado como o Homem que se recusa reconhecer e
aceitar os benefícios dados à humanidade pelo conhecimento das leis da
electricidade.

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É claro que a mente cria também condições negativas desfavoráveis.
Quando, consciente ou inconscientemente, visualizamos qualquer forma de
carência, limitação ou discórdia, estamos a criar essas mesmas condições;
isto é o que muitos estão a fazer a todo o momento, sem se darem conta
disso.

Esta lei, tal como qualquer outra lei, não discrimina ninguém, está cons-
tantemente em actividade e traz implacavelmente a cada indivíduo aquilo
que ele próprio criou; por outras palavras, “O Homem irá colher tudo aqui-
lo que semear.”

Portanto, a Abundância depende de um reconhecimento das leis da Abun-


dância e do facto de que a Mente é não só criativa, como criadora de tudo
quanto existe. É certo que nada pode ser criado antes de sabermos que
pode ser criado e antes de aplicarmos o esforço adequado. Não existe hoje
no mundo mais electricidade do que a que existia há 50 anos, mas até
alguém ter reconhecido a lei pela qual ela nos pode servir, não obtínhamos
qualquer benefício; agora que a lei é compreendida, quase todo o mundo é
iluminado pela electricidade. Assim acontece com a lei da Abundância; só
aqueles que reconhecem a lei e se colocam em harmonia com ela é que
podem partilhar os seus benefícios.

O espírito científico domina actualmente todos os campos de trabalho, por-


tanto, as relações de causa e efeito são agora reconhecidas.

A descoberta de uma área de conhecimento regida por leis marcou uma


época do progresso humano. Eliminou o elemento de incerteza e de capri-
cho da vida dos homens, substituindo-o pela lei, razão e certeza.

Os homens compreendem agora que para qualquer resultado existe uma


causa definida e adequada, de modo que quando um determinado resulta-
do é desejado, procuram as condições exclusivas pelas quais este resultado
pode ser alcançado.

A base sobre a qual todas as leis assentam foi descoberta através do pen-
samento indutivo, que consiste na comparação de um determinado número
de acontecimentos separados até ser revelado o factor comum que lhes dá
origem.

É a este método de estudo que as nações civilizadas devem grande parte da


sua prosperidade e a parte mais valiosa do seu conhecimento; prolongou a
vida, mitigou a dor, permitiu cruzar rios, iluminou a noite com o esplendor
do dia, aumentou o alcance de visão, acelerou o movimento, aniquilou a
distância, facilitou a comunicação, permitiu aos homens descer ao fundo do

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mar e subir até ao céu. Que surpresas aguardam então aqueles que em
pouco tempo tentarão aplicar as dádivas deste sistema de estudo ao seu
próprio método de pensamento, de forma que quando se tornar completa-
mente evidente que certos resultados resultam de um determinado método
de pensamento, é apenas necessário depois classificar estes resultados.

Este método é científico e é o único método pelo qual nos é permitido reter
o grau de liberdade que determinámos como direito inalienável, pois uma
pessoa apenas está segura em casa e no mundo se o seu ambiente nacional
se reflectir num excedente de cuidados de saúde, numa eficácia acumulada
das empresas públicas e privadas de todo o tipo, no avanço contínuo das
ciências e das artes e no crescente e dominante esforço de fazer com que
todos estes e outros aspectos do desenvolvimento nacional sejam centrais e
que perspectivem uma vida em ascensão, tanto individual como colectiva,
para a qual a ciência, a arte e a ética fornecem orientação e propósito.

A Chave-Mestra é baseada na verdade científica absoluta, revela as possi-


bilidades que existem adormecidas no indivíduo e ensina o modo como
podem ser postas em acção, como podem aumentar a capacidade efectiva
da pessoa, trazendo um aumento de energia, discernimento, vigor e elasti-
cidade mental. O estudante que compreender o alcance das leis mentais
que se seguem, possuirá uma capacidade de garantir resultados nunca
antes sonhados e recompensas que dificilmente se traduzem em palavras.

Explica o correcto uso dos elementos receptivos e activos da natureza men-


tal, ensina o aluno a reconhecer oportunidades; fortalece a vontade e a
capacidade racional, ensina a cultivar e a melhorar o uso da imaginação,
desejos, emoções e capacidades intuitivas. Fornece iniciativa, tenacidade,
sabedoria nas decisões, inteligência e uma profunda satisfação pela vida
em níveis mais elevados.

A Chave-Mestra ensina a usar o Poder Mental, o verdadeiro Poder Mental


e não uma das suas perversões ou substitutos; nada tem a ver com Hipno-
tismo, Magia ou qualquer outra ilusão mais ou menos fascinante, através
das quais muitos são levados a pensar que alguma coisa se pode obter a
partir do nada.

A Chave-Mestra cultiva e desenvolve o entendimento que lhe permitirá


controlar o corpo e a saúde. Melhora e fortalece a Memória. Desenvolve a
Perspicácia, aquele tipo de Perspicácia rara que é o traço distintivo de
todos os homens de negócios de sucesso, do tipo que permite aos homens
ver as possibilidades e as dificuldades de cada situação, do tipo que permi-
te vislumbrar a oportunidade quando esta aparece. Milhares fracassam em
ver oportunidades que estão quase ao seu alcance enquanto trabalham

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industriosamente em situações onde não existe nenhuma possibilidade de
realizar qualquer retorno substancial.

A Chave-Mestra desenvolve o Poder Mental, o que significa: que outros


reconhecerão instintivamente que você é uma pessoa de força, de carácter
– eles desejarão fazer aquilo que você deseja que eles façam; que você atrai
pessoas e coisas a si; que é aquilo a que algumas pessoas chamam de “um
homem de sorte”; que as coisas lhe “caem no colo”; que ganhou um enten-
dimento das leis fundamentais da Natureza e se colocou em harmonia com
elas; que está agora sintonizado com o Infinito; que compreende agora a lei
da atracção, as leis do crescimento natural e as leis psicológicas sobre as
quais repousam todos os benefícios do mundo social e empresarial.

O Poder Mental é poder criativo, dá-lhe a capacidade de criar para si pró-


prio; não significa a capacidade de tirar alguma coisa de alguém. A Natu-
reza não trabalha dessa maneira. A Natureza permite que duas folhas de
relva cresçam onde antes crescia apenas uma, e o Poder Mental permite
aos homens fazer o mesmo.

A Chave-Mestra desenvolve perspicácia e sagacidade, maior independên-


cia, capacidade e disposição para ser prestável. Destrói a desconfiança, a
depressão, o medo, a melancolia e qualquer forma de carência, limitação ou
fraqueza, incluindo a dor e a doença; desperta talentos adormecidos, forne-
ce iniciativa, força, energia, vitalidade – desperta um novo apreço pela
beleza na Arte, na Literatura e na Ciência.

Mudou a vida de milhares de homens e mulheres ao substituir métodos


vagos e incertos por princípios definidos – princípios fundamentais sobre
os quais repousam todos os sistemas eficientes.

O presidente da Corporação do Aço dos Estados Unidos, Elbert Gary, disse


que “Os serviços dos conselheiros, monitores, especialistas de gestão são
indispensáveis à maioria das empresas de grande dimensão, mas eu
defendo que o reconhecimento e adopção dos princípios correctos é ainda
mais importante.”

A Chave-Mestra ensina os princípios correctos e sugere métodos de aplica-


ção prática desses princípios; nisto difere de qualquer outra matéria de
estudo. Ensina que qualquer princípio apenas tem valor através da sua
aplicação. Muitos lêem livros, fazem cursos em casa, assistem a palestras
sem nunca terem a capacidade de demonstrar o valor dos princípios envol-
vidos. A Chave-Mestra sugere métodos pelos quais os princípios ensinados
podem ser demonstrados e colocados em prática diariamente.

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Está a ocorrer uma mudança no pensamento do mundo. Esta mudança
alastra-se silenciosamente à nossa volta e é mais importante do que qual-
quer outra que o mundo já assistiu desde a queda do Paganismo.

A presente revolução nas opiniões de todas as classes de homens, desde os


mais cultos e distintos à classe trabalhadora, não tem comparação na his-
tória do mundo.

O mundo da Ciência fez tais descobertas, revelou uma tal infinidade de


recursos, mostrou tais possibilidades e forças nunca antes vistas, que os
homens da ciência cada vez mais hesitam em afirmar certas teorias como
estabelecidas e indubitáveis, ou em negar outras teorias como absurdas ou
impossíveis, permitindo assim o nascimento de uma nova civilização; os
costumes e credos estão a desaparecer; a visão, a fé e o serviço estão a
tomar os seus lugares. As limitações das tradições da Humanidade estão a
desintegrar-se e à medida que as impurezas do materialismo são consumi-
das, o pensamento liberta-se e a verdade ergue-se majestosamente perante
uma multidão estupefacta.

O mundo inteiro está à beira de uma nova consciência, de um novo poder e


de um novo reconhecimento dos recursos dentro do ser. O último século viu
os maiores progressos materiais da história. O presente século produzirá o
maior progresso no poder mental e espiritual.

A Ciência Física dividiu a matéria em moléculas, as moléculas em átomos,


os átomos em energia e Sir Ambrose Fleming, num discurso perante a
Royal Institution, atribuiu esta energia à mente. Disse: “Na sua essência,
a energia é algo incompreensível, excepto se tomada como uma operação
directa daquilo a que chamamos Mente ou Vontade.”

Vejamos quais as forças mais poderosas na Natureza. No mundo mineral


tudo é sólido e fixo. No mundo animal e vegetal tudo está num estado de
fluxo, em constante mudança, sempre a ser criado e recriado. Na atmosfe-
ra encontramos calor, luz e energia. Cada reino torna-se mais subtil e espi-
ritual à medida que vamos passando do visível ao invisível, desde o mais
rude ao mais delicado, do baixo potencial ao alto potencial. Quando che-
gamos ao invisível encontramos energia no seu estado mais puro e volátil.

Da mesma forma que as forças mais poderosas da Natureza são invisíveis,


a força mais poderosa do Homem é também ela uma força invisível, a sua
força espiritual. A única forma desta força espiritual se manifestar é atra-
vés do processo de pensamento. Pensar é a única actividade que o espírito
possui, o pensamento é o único produto do acto de pensar.

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A adição e subtracção são, portanto, transacções espirituais; raciocinar é
um processo espiritual; as ideias são concepções espirituais; questões são
lanternas espirituais e a lógica, argumentação e filosofia são a maquinaria
espiritual.

Todo o pensamento activa um determinado tecido físico, uma parte do


cérebro, seja nervo ou músculo. Isto produz uma mudança física na consti-
tuição desse tecido. Portanto, é apenas necessário ter um determinado
número de pensamentos sobre um determinado assunto de modo a criar
uma mudança completa na organização física de um homem.

Este é o processo pelo qual o fracasso se transforma em sucesso. Pensa-


mentos de coragem, poder, inspiração e harmonia substituem pensamentos
de fracasso, desespero, carência, limitação, discórdia. À medida que aque-
les pensamentos se enraízam, o tecido físico altera-se e o indivíduo vê a
vida com uma nova luz, as coisas antigas desaparecem, tudo se torna novo,
ele renasce, renasce do espírito, a vida tem um novo significado, ele está
reconstruído e pleno de alegria, confiança, esperança, energia. Ele vê opor-
tunidades de sucesso para as quais anteriormente estava cego. Reconhece
possibilidades que dantes não tinham qualquer significado. Os pensamen-
tos de sucesso com os quais está impregnado irradiam para aqueles à sua
volta, que por sua vez o ajudam a prosseguir e a erguer-se mais alto; ele
atrai a si novos e bem-sucedidos associados, o que altera o seu ambiente;
assim, através do simples exercício do pensamento, um homem muda não
só o seu ser, como também o seu ambiente, circunstâncias e condições.

Você verá, terá de ver, que estamos na alvorada de um novo dia; que as
possibilidades são tão maravilhosas, tão fascinantes, tão ilimitadas que
quase nos desorientam. Há um século atrás um homem com uma arma
Gatling poderia aniquilar um exército inteiro, equipado com os materiais
de guerra da altura. Assim é no presente. Qualquer Homem com o conhe-
cimento das possibilidades contidas na Chave-Mestra possui uma vanta-
gem inconcebível sobre a multidão.

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Parte Um

É meu privilégio entregar a Parte Um da Chave-Mestra. Desejaria trazer


mais poder à sua vida? Obtenha-o conscientemente. Mais saúde? Obtenha-a
conscientemente. Mais felicidade? Obtenha-a conscientemente. Viva no
espírito destas coisas até se tornarem suas por direito. Será então impossí-
vel retirarem-nas de si. As coisas no mundo são fluidas a um poder dentro
do Homem, um poder que as comanda.

Você não precisa de adquirir este poder. Você já o possui. Mas precisa de
compreendê-lo; precisa de o usar; precisa de o controlar; precisa de se
impregnar com ele, para que possa seguir em frente e levar o mundo inteiro
consigo.

Dia após dia, à medida que avança, que ganha balanço, que a sua inspira-
ção se torna mais profunda, que os seus planos se cristalizam, que alcança
conhecimento, chegará à conclusão de que este mundo não é apenas uma
pilha de pedras mortas e madeira, mas uma coisa viva! É feita dos corações
vivos da Humanidade. É algo que possui vida e beleza.

É evidente que é necessária compreensão para trabalhar com material des-


ta natureza e aqueles que adquirem este entendimento são inspirados por
uma nova luz, uma nova força, ganham confiança e um novo poder a cada
dia que passa, realizam os seus sonhos e esperanças, a vida tem um signifi-
cado mais profundo, mais pleno e mais claro do que alguma vez teve.

E agora, a Parte Um.

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Parte Um

1. É verdade em qualquer plano de existência que ganhos atraem mais


ganhos e perdas atraem mais perdas.

2. A Mente é criativa, as condições, ambientes e todas as experiências na


vida resultam das nossas atitudes mentais habituais ou predominantes.

3. A necessária atitude de mente depende daquilo em que pensamos.


Assim, o segredo de todo o poder, de toda a conquista e de toda a posse
depende da nossa forma de pensamento.

4. Isto é verdade porque devemos “ser” antes de “fazer”, apenas podemos


“fazer” dentro do alcance daquilo que “somos” e aquilo que “somos” depen-
de daquilo em que “pensamos”.

5. Não é possível expressarmos um poder que não possuímos. A única


maneira pela qual podemos adquirir poder é tornando-nos conscientes des-
se poder, e nunca poderemos ganhar essa consciência de poder até apren-
dermos que todo o poder existe apenas no interior.

6. Existe um mundo interior – um mundo de pensamento, sentimento e


poder; de luz, vida e beleza e embora invisível, a sua força é poderosa.

7. O mundo interior é governado pela mente. Quando descobrirmos este


mundo, encontraremos a solução para qualquer problema, a causa para
todos os efeitos; e dado que o mundo interior está sob o nosso controlo,
todas as leis que regem esse poder e posse estão também sob o nosso con-
trolo.

8. O mundo exterior é um reflexo do mundo interior. O que parece estar


fora é encontrado sempre no interior. No mundo interior encontramos a
Sabedoria infinita, o Poder infinito, Recursos infinitos de tudo aquilo que é
necessário e que está à espera de ser revelado, desenvolvido, expresso. Se

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formos capazes de reconhecer estas potencialidades no mundo interior,
elas ganharão forma no mundo exterior.

9. A harmonia que existir no mundo interior reflectir-se-á no mundo exte-


rior através de condições harmoniosas, ambientes agradáveis, o melhor de
tudo. É o fundamento da saúde e a essência de toda a grandeza, poder,
aquisição, conquista e sucesso.

10. Harmonia no mundo interior significa a capacidade de controlar os


nossos pensamentos e de determinar para nós próprios o modo como qual-
quer experiência nos afecta.

11. Harmonia no mundo interior resulta em optimismo e afluência; afluên-


cia interior resulta em afluência exterior.

12. O mundo exterior reflecte as circunstâncias e condições da consciência


interior.

13. Se descobrirmos sabedoria no mundo interior, seremos capazes de dis-


cernir as possibilidades maravilhosas que estão latentes neste mundo e
ser-nos-á dado o poder de manifestar estas possibilidades no mundo exte-
rior.

14. À medida que nos tornamos conscientes da sabedoria do mundo inte-


rior, mentalmente tomamos posse desta sabedoria e ao fazê-lo, acabamos
por obter efectivamente o poder e a sabedoria necessários para manifestar
a essência do nosso mais completo e harmonioso desenvolvimento.

15. O mundo interior é o mundo prático no qual os homens e as mulheres


de poder geram coragem, esperança, entusiasmo, confiança e fé, pelos
quais recebem a inteligência subtil que lhes permite ter visão e a capaci-
dade prática com a qual tornam essa visão real.

16. A vida é um desenvolvimento, não uma acumulação. O que vem até nós
no mundo exterior é o que já possuímos no mundo interior.

17. Qualquer posse é baseada na consciência. Todo o ganho é o resultado


de uma consciência acumulativa. Toda a perda é o resultado de uma cons-
ciência dispersa.

18. A eficácia mental depende de harmonia; discórdia significa confusão;


portanto, quem desejar adquirir poder deve estar em harmonia com a Lei
Natural.

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19. Nós relacionamo-nos com o mundo exterior através da mente objectiva.
O cérebro é o órgão desta mente, o sistema de nervos cerebro-espinal põe-
nos em contacto consciente com o resto do corpo. Este sistema de nervos
responde a qualquer sensação de luz, calor, odor, som e sabor.

20. Quando esta mente pensa correctamente, quando compreende a verda-


de, quando os pensamentos enviados através do sistema nervoso cérebro-
espinal para o resto do corpo são construtivos, criam-se sensações agradá-
veis, harmoniosas.

21. O resultado disto é que construímos no nosso corpo força, vitalidade e


outras forças construtivas, mas é também através da mesma mente objec-
tiva que toda a ansiedade, doença, carência, limitação e qualquer forma de
discórdia e desarmonia são aceites nas nossas vidas. É, portanto, através
da mente objectiva, através de pensamentos errados, que nos relacionamos
com todas as forças destrutivas.

22. Relacionamo-nos com o mundo interior através da mente subconscien-


te. O plexo solar é o órgão desta mente; o sistema nervoso simpático presi-
de a todas as sensações subjectivas tais como alegria, medo, amor, emoção,
respiração, imaginação e todos os outros fenómenos subconscientes. É
através do subconsciente que estamos ligados à Mente Universal e às Infi-
nitas forças construtivas do Universo.

23. O grande segredo da vida é a coordenação e a compreensão das funções


destes dois centros do nosso ser. Com este conhecimento conseguimos levar
a mente objectiva e subjectiva a uma cooperação consciente e assim coor-
denar o infinito com o finito. O nosso futuro está inteiramente dentro da
nossa capacidade. Não está à mercê de nenhum capricho ou de forças
externas incertas.

24. Todos concordarão que existe apenas um Princípio ou Consciência em


todo o Universo, ocupando todo o espaço, sendo em essência, a mesma
substância em qualquer lugar. É Omnipotente, Omnisciente e Omnipre-
sente. Todos os pensamentos e coisas estão contidos em si. É o todo no
Todo.

25. Existe apenas uma consciência no Universo com a capacidade de pen-


sar; quando pensa, os seus pensamentos tornam-se coisas objectivas. Como
esta Consciência é Omnipresente, tem de estar dentro de cada indivíduo;
cada indivíduo tem de ser uma manifestação dessa Consciência Omnipo-
tente, Omnisciente e Omnipresente.

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26. No Universo só existe uma Consciência capaz de pensar, segue-se
necessariamente que a sua consciência é idêntica à Consciência Universal,
ou por outras palavras, a mente é apenas uma. Não há como escapar a esta
conclusão.

27. A consciência que se concentra nas suas células cerebrais é a mesma


que se concentra nas células cerebrais de qualquer outro indivíduo. Cada
indivíduo é apenas a individualização do Universal, da Mente Cósmica.

28. A Mente Universal é energia estática ou potencial; é, simplesmente;


manifesta-se apenas através do indivíduo e o indivíduo manifesta-se ape-
nas através do Universal. Eles são um.

29. A capacidade de pensar do indivíduo corresponde à sua capacidade de


actuar no Universal e de o manifestar. A consciência humana consiste
apenas na capacidade de pensar do Homem. A própria mente é considera-
da como uma forma subtil de energia estática, da qual surgem as activida-
des denominadas “pensamentos” que são a fase dinâmica da mente. A
mente é energia estática, o pensamento é energia dinâmica – duas fases da
mesma coisa. O pensamento é, portanto, a força vibratória formada pela
conversão da mente estática em mente dinâmica.

30. Como todos os atributos estão contidos na Mente Universal que é


Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente, estes atributos estão presen-
tes a todo o momento no indivíduo, na sua forma potencial. Assim, quando
o indivíduo pensa, esse pensamento é compelido naturalmente a manifes-
tar-se objectivamente numa condição correspondente à sua origem.

31. Cada pensamento é, portanto, uma causa e qualquer condição é um


efeito; por este motivo é essencial que controle os seus pensamentos de
modo a manifestar apenas condições desejáveis.

32. O poder é sempre interior e está totalmente sob o seu controlo; surge
através do conhecimento e do exercício voluntário de princípios exactos.

33. Deverá ser claro que quando adquirir um profundo conhecimento desta
lei e tiver a capacidade de controlar o seu pensamento, poderá aplicá-la a
qualquer condição; por outras palavras, estará em perfeita cooperação
consciente com a lei Omnipotente que é a base fundamental de todas as
coisas.

34. A Mente Universal é o princípio de vida de qualquer átomo da Criação;


cada átomo está em esforço contínuo para manifestar mais vida; todos pos-

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suem inteligência e todos procuram realizar o propósito para o qual foram
criados.

35. A maioria dos seres humanos vive no mundo exterior; poucos encontra-
ram o mundo interior e é este que cria o mundo exterior; é criativo, tudo
aquilo que encontra no mundo exterior foi criado por si no mundo interior.

36. Este sistema torná-lo-á consciente de um poder que será seu quando
compreender esta relação entre o mundo exterior e o mundo interior. O
mundo interior é a causa, o mundo exterior é o efeito; para mudar o efeito
tem de primeiro mudar a causa.

37. Você aperceber-se-á de que esta é uma ideia radicalmente nova e dife-
rente; a maioria dos homens tenta mudar os efeitos actuando sobre eles.
Não compreendem que estão apenas a trocar uma forma de distúrbio por
outra. Para eliminar a discórdia, temos de eliminar a causa e esta causa
apenas pode ser encontrada no mundo interior.

38. Todo o crescimento tem origem no interior. Isto é claro em toda a Natu-
reza. Qualquer planta, qualquer animal, qualquer ser humano é um tes-
temunho vivo desta grande lei. O erro de todas as eras foi o de procurar a
força e o poder no exterior.

39. O mundo interior é a fonte Universal dos recursos, o mundo exterior é o


local de descarga desses recursos. A nossa capacidade de receber depende
do nosso reconhecimento desta Fonte Universal, desta Energia Infinita, da
qual cada indivíduo é um canal de descarga e assim uno com todos os
outros indivíduos.

40. O reconhecimento é um processo mental, assim, a acção mental é a


interacção do indivíduo com a Mente Universal e como esta é a Inteligência
que abrange todo o espaço e anima todas as coisas vivas, esta acção e reac-
ção mental corresponde à lei da causalidade, ainda que o princípio da cau-
salidade não resida no indivíduo mas na Mente Universal. Não é uma
capacidade objectiva, mas um processo subjectivo, cujos resultados podem
ser vistos numa variedade infinita de condições e experiências.

41. Para que a vida se expresse, tem de existir mente; nada pode existir
sem a mente. Tudo quanto existe é uma manifestação desta substância
básica a partir da qual e pela qual todas as coisas foram criadas e estão
constantemente a ser recriadas.

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42. Vivemos num insondável oceano de substância mental plástica. Esta
substância está sempre viva e activa. É sensível ao mais alto grau. Ganha
forma de acordo com as exigências da mente. O pensamento forma o molde
ou a matriz pela qual a substância se expressa.

43. Lembre-se que o valor reside apenas na aplicação do princípio e que um


entendimento prático desta lei irá substituir a pobreza por abundância, a
ignorância por sabedoria, a discórdia por harmonia e a tirania por liberda-
de. Decerto não há maior dádiva que esta, a partir de uma perspectiva
material e social.

44. Agora aplique-a: Escolha um quarto onde possa estar sozinho e sosse-
gado; sente-se direito, confortavelmente, mas sem sonolência; deixe os seus
pensamentos vaguearem à vontade mas mantenha-se imóvel entre quinze
e trinta minutos; repita-o durante três ou quatro dias ou durante uma
semana, até ter pleno controlo do seu ser físico.

45. Para muitos será extremamente difícil; outros consegui-lo-ão com faci-
lidade, mas é essencial alcançar um pleno controlo do corpo antes de pro-
gredir. Na próxima semana receberá instruções relativamente ao próximo
passo; entretanto já deverá ter dominado este exercício.

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Perguntas de estudo com Respostas

1. O que é o mundo exterior relativamente ao mundo interior?


- O mundo exterior é um reflexo do mundo interior.

2. De que depende toda a posse?


- A posse é baseada na consciência.

3. Como se relaciona o indivíduo com o mundo objectivo?


- O indivíduo relaciona-se com o mundo objectivo através da mente objecti-
va; o cérebro é o órgão da mente.

4. Como se relaciona com a Mente Universal?


- Relaciona-se com a Mente Universal através da mente subconsciente; o
Plexo Solar é o órgão desta mente.

5. O que é a Mente Universal?


- A Mente Universal é o princípio que dá vida a todos os átomos da exis-
tência.

6. Como pode o Indivíduo actuar sobre o Universal?


- A capacidade de pensar do indivíduo é o que lhe permite actuar sobre o
Universal e de o manifestar.

7. Qual é o resultado desta acção e interacção?


- O resultado desta acção e interacção é causa e efeito; cada pensamento é
uma causa e cada condição, um efeito.

8. Como são conseguidas condições harmoniosas e desejáveis?


- Condições harmoniosas e desejáveis são alcançadas através do pensa-
mento correcto.

9. Qual a causa de toda a discórdia, desarmonia, carência e limitação?


- Discórdia, desarmonia, carência e limitação resultam do pensamento
incorrecto.

10. Qual é a fonte de todo o poder?


- A fonte de todo o poder é o mundo interior, a Fonte Universal dos Recur-
sos, a Energia Infinita da qual cada indivíduo é um canal de descarga.

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20
Parte Dois

As nossas dificuldades devem-se principalmente a ideias confusas e à igno-


rância do nosso verdadeiro interesse. A grande tarefa é descobrir as leis da
natureza às quais nos devemos ajustar. O pensamento claro e a perspicácia
moral possuem, portanto, um valor incalculável. Todos os processos, mesmo
os do pensamento, repousam em fundações sólidas.

Quanto maior a sensibilidade, mais apurado é o julgamento, mais delicado


é o paladar, mais refinados são os princípios morais, mais subtil a inteli-
gência, mais altas as aspirações – mais puras e intensas são as gratifica-
ções que a existência oferece. É por isto que o estudo do melhor que foi pen-
sado no mundo nos dá um prazer supremo.

O poder, o uso e as possibilidades da mente sob novas interpretações são


incomparavelmente mais maravilhosos do que as conquistas mais extrava-
gantes ou sonhos de progresso material.

Pensamento é energia. Pensamento activo é energia activa; pensamento


concentrado é energia concentrada. O pensamento concentrado num deter-
minado propósito torna-se poder. Este é o poder que é usado por aqueles que
não acreditam na virtude da pobreza ou na beleza da auto-negação. Para
eles, isto são conversas dos fracos de espírito.

A capacidade de receber e de manifestar este poder depende da capacidade


de reconhecer a Energia Infinita que continuamente habita no Homem, que
cria e recria constantemente o seu corpo e mente, e que está sempre pronta
para se manifestar a qualquer momento através dele, de qualquer forma
necessária. A vida exterior do indivíduo manifesta-se na exacta proporção
do reconhecimento desta verdade.

A Parte Dois explica o método pelo qual isto é alcançado.

21
22
Parte Dois

1. As operações da mente são produzidas por dois modos paralelos de acti-


vidade, um consciente e outro subconsciente. O Professor Davidson diz:
“Aquele que pensa iluminar toda a área da acção mental com a luz da sua
consciência, é semelhante àquele que tenta iluminar todo o universo com
uma lanterna.”

2. Os processos lógicos do subconsciente são executados com uma tal certe-


za e regularidade que seriam impossíveis caso houvesse a menor possibili-
dade de erro. A nossa mente organiza por nós as mais importantes funda-
ções da cognição, ainda que não tenhamos o menor entendimento do seu
modo de acção.

3. A alma subconsciente, como um benévolo estranho, trabalha e provê


sempre para nosso benefício, colocando no nosso colo apenas os frutos
maduros; assim, uma análise dos processos de pensamento mostra que o
subconsciente é o palco dos mais importantes fenómenos mentais.

4. Foi através do subconsciente que Shakespeare se apercebeu, sem esfor-


ço, de grandes verdades que estão escondidas da mente consciente do alu-
no; que Fídias talhou o mármore e o bronze; que Rafael pintou Madonnas;
e que Beethoven compôs sinfonias.

5. A facilidade e a perfeição dependem inteiramente do grau em que dei-


xamos de depender da consciência; tocar piano, esquiar, escrever à máqui-
na, dependem do processo da mente subconsciente para a sua perfeita exe-
cução. A capacidade de tocar uma brilhante peça ao piano enquanto se
mantém uma conversa acesa ao mesmo tempo, mostra a grandeza dos nos-
sos poderes subconscientes.

6. Todos temos noção do quanto estamos dependentes do subconsciente e


quanto melhores, mais nobres e mais brilhantes forem os nossos pensa-
mentos, mais óbvio se torna para nós que a origem reside para além das

23
nossas capacidades. Encontramo-nos dotados de tacto, instinto, sentido do
belo na arte, musica, etc., cujas origens ou fonte desconhecemos completa-
mente.

7. O valor do subconsciente é enorme; inspira-nos, avisa-nos, fornece-nos


nomes, factos e cenas do nosso armazém da memória. Orienta os nossos
pensamentos, gostos e executa tarefas tão intricadas que nenhuma mente
consciente seria capaz de fazer, mesmo que tivesse poder para tal.

8. Você pode andar à sua vontade; pode erguer o braço sempre que quiser;
conseguimos dar atenção a qualquer coisa através do olho ou do ouvido.
Por outro lado, não conseguimos parar o bater do coração nem a circulação
do sangue, ou o crescimento físico, ou a formação dos tecidos nervosos e
musculares, nem o crescimento dos ossos ou tantos outros processos vitais.

9. Se compararmos estes dois modos de acção, um decretado pela vontade


do momento, o outro actuando com um majestoso curso rítmico, sem vaci-
lar e sempre constante, rendemo-nos à grandiosidade do segundo e pedi-
mos que nos seja revelado este mistério. Vemos claramente que estes são
processos vitais da nossa vida física e chegamos à conclusão que estas
importantes funções estão propositadamente afastadas do domínio da nos-
sa vontade exterior, sujeita a variações e transições, e colocadas sob a
direcção de um poder permanente e confiável dentro de nós.

10. Destes dois poderes, o exterior e mutável é chamado de “Mente Cons-


ciente” ou “Mente Objectiva” (que lida com objectos exteriores). O poder
interior é chamado de “Mente Subconsciente” ou “Mente Subjectiva” que,
além do trabalho que exerce no plano mental, controla as funções regula-
doras que tornam possível a vida física.

11. É necessário ter um entendimento claro das funções respectivas dentro


do plano mental, bem como de outros princípios básicos. Ao percepcionar e
trabalhar através dos cinco sentidos físicos, a mente consciente lida com
impressões e objectos da vida exterior.

12. Possui a capacidade de discriminar, detendo assim a responsabilidade


da escolha. Tem o poder do raciocínio – quer indutivo, dedutivo, analítico
ou silogístico – que pode ser desenvolvido a um grau bastante elevado. É a
origem da vontade, com todas as energias que daí derivam.

13. Não só consegue imprimir outras mentes, mas também é capaz de


orientar a mente subconsciente. Desta forma, a mente consciente torna-se

24
o soberano e guardião responsável pela mente subconsciente. É esta gran-
diosa função que permite reverter totalmente as condições da sua vida.

14. É verdade que condições de medo, preocupação, pobreza, doença,


desarmonia e quaisquer outras perversidades dominam-nos devido a
sugestões falsas, aceites pela mente subconsciente desprotegida. Tudo isto
pode ser evitado pelo treino da mente consciente, através da sua acção pro-
tectora e vigilante. Poderá mesmo ser chamada de “sentinela do portão” do
grande domínio do subconsciente.

15. Certo escritor expressou a grande distinção entre estas duas fases da
mente da seguinte forma: “A mente consciente é a vontade racional. A
mente subconsciente é o desejo instintivo, resultado de uma vontade racio-
nal passada.”

16. A mente subconsciente tira conclusões precisas e equilibradas de pre-


missas fornecidas por fontes exteriores. Quando a premissa é verdadeira, a
mente subconsciente chega a uma conclusão infalível, mas se a premissa
ou a sugestão estiverem erradas, toda a estrutura falha. A mente subcons-
ciente não entra no processo de discernir. Confia inteiramente na mente
consciente, “a sentinela do portão”, para a proteger de impressões erradas.

17. Ao receber qualquer sugestão como verdadeira, a mente subconsciente


entra em acção em todo o domínio da sua tremenda área de trabalho. A
mente consciente pode sugerir tanto a verdade como o erro. Se sugere erro,
será em prejuízo do estado de todo o ser.

18. A mente consciente deve estar de guarda durante todas as horas em


que estiver desperta. Quando a “sentinela” está “de folga” ou quando o seu
discernimento adequado é suspenso devido a uma variedade de circuns-
tâncias, a mente subconsciente fica desprotegida e à mercê de sugestões de
qualquer origem. Momentos de grande pânico, um acesso de raiva, impul-
sos de uma multidão irresponsável ou qualquer momento de uma emoção
incontrolável são as condições mais perigosas. A mente subconsciente fica
exposta a sugestões de medo, ódio, egoísmo, ganância, auto depreciação e
outras forças negativas vindas de pessoas e circunstâncias envolventes. O
resultado é extremamente prejudicial à saúde, com efeitos que podem con-
tinuar a afectar durante um longo período de tempo. É, portanto, da maior
importância proteger a mente subconsciente de impressões falsas.

19. A mente subconsciente percepciona através da intuição. Logo, os seus


processos são rápidos. Não espera pelos lentos métodos da razão conscien-
te. De facto, nem os consegue aplicar.

25
20. A mente subconsciente nunca dorme, nunca descansa, tal como o seu
coração ou o seu sangue. Foi descoberto que ao simplesmente afirmar à
mente subconsciente coisas específicas que devem ser executadas, dá-se
início a forças que levam ao resultado desejado. É aqui que reside a fonte
do poder que nos põe em contacto com a Omnipotência. Aqui reside um
profundo princípio que vale todo o esforço do nosso mais dedicado estudo.

21. É interessante o modo como esta lei opera. Aqueles que a colocam em
acção descobrem que quando se vão encontrar com uma pessoa com quem
prevêem ter um encontro difícil, algo esteve lá antes deles e dissolveu as
supostas diferenças; tudo se altera; tudo se harmoniza; eles descobrem que
quando qualquer dificuldade ou problema se lhes apresenta, podem dar-se
ao luxo de o adiar e algo sugere a solução mais adequada; tudo fica correc-
tamente tratado; de facto, aqueles que aprenderam a confiar no subcons-
ciente, descobriram que possuem recursos infinitos à sua disposição.

22. A mente subconsciente é onde residem os nossos princípios e aspira-


ções. É a fonte dos nossos ideais artísticos e altruístas. Estes instintos
apenas podem ser derrubados através de um processo gradual de sabota-
gem dos princípios inatos.

23. A mente subconsciente não é capaz de contrariar. Assim, se aceitou


sugestões erradas, o método correcto de as eliminar é através do uso de
fortes sugestões contrárias, repetidas frequentemente e que a mente deve-
rá aceitar, formando assim novos e saudáveis hábitos de pensamento e de
vida, pois a mente subconsciente é a morada do hábito. Aquilo que fazemos
vezes sem conta torna-se mecânico; deixa de ser um acto racional, passan-
do a estar enraizado na mente subconsciente. Isto é-nos favorável se o
hábito for saudável e correcto. Se for prejudicial e errado, a cura está em
reconhecer a omnipotência da mente subconsciente e sugerir libertar-se no
momento presente. O subconsciente, sendo criativo e uno com a nossa fon-
te divina, criará de imediato a liberdade sugerida.

24. Em suma: As funções normais do subconsciente, a nível físico, estão


relacionadas com processos vitais e reguladores, com a preservação da vida
e restauro do estado saudável; com a procriação, que inclui um desejo ins-
tintivo de preservar toda a vida e de melhorar as condições em geral.

25. Do lado mental, é o armazém da memória; guarda os maravilhosos


mensageiros do pensamento que trabalham livres do tempo e do espaço; é
a fonte da iniciativa prática e das forças construtivas da vida; é a morada
do hábito.

26
26. Do lado espiritual, é a fonte dos ideais, das aspirações, da imaginação;
é o canal através do qual reconhecemos a nossa Fonte Divina e quanto
mais a reconhecermos, mais ganhamos entendimento sobre a fonte do
poder.

27. Alguns poderão perguntar: “Como pode o subconsciente mudar as con-


dições?” A resposta é: o subconsciente é parte da Mente Universal e a parte
tem de ser do mesmo tipo e qualidade que o todo; a única diferença é o
grau em que se manifesta. O todo, como sabemos, é criativo, na verdade, é
o único criador que existe, logo, percebemos que a mente é criativa e como
o pensamento é a única actividade que a mente possui, segue-se que o pen-
samento tem de necessariamente ser também criativo.

28. Mas existe uma grande diferença entre simplesmente pensar e direc-
cionar o nosso pensamento de forma consciente, sistemática e construtiva;
quando o fazemos, a nossa mente harmoniza-se com a Mente Universal,
colocamo-nos em sintonia com o Infinito, pomos em marcha a força mais
poderosa da existência, o poder criativo da Mente Universal. Este poder,
tal como tudo o resto, é regido pela lei natural, esta lei é a “Lei da Atrac-
ção”, afirmando que a Mente é criativa e que se relacionará automatica-
mente com o seu objecto, manifestando-o.

29. Na semana passada dei-lhe um exercício com o propósito de controlar o


seu corpo físico; se já o dominou, está pronto para prosseguir. Desta vez
começará por controlar o seu pensamento. Use sempre o mesmo quarto, a
mesma cadeira e a mesma posição, se possível. Nalguns casos não é possí-
vel usar a mesma divisão, de qualquer forma, tire o melhor partido das
condições que tiver à disposição. Mantenha-se perfeitamente imóvel, mas
desta vez iniba qualquer pensamento; isto dar-lhe-á a capacidade de con-
trolar todos os pensamentos de preocupação, ansiedade, medo e de consi-
derar apenas os pensamentos que deseja. Repita este exercício até o conse-
guir dominar.

30. Conseguirá fazê-lo apenas durante alguns momentos em cada repeti-


ção, mas o exercício é valioso, pois é uma demonstração prática dos inúme-
ros pensamentos que estão constantemente a tentar entrar no seu mundo
mental.

31. Na próxima semana receberá instruções para um exercício que será um


pouco mais interessante, mas é necessário que domine este primeiro.

A causa e efeito são tão absolutos e inescapáveis tanto no reino oculto do


pensamento, como no mundo visível da matéria. A mente é o mestre tecelão,

27
tanto do tecido interior do carácter como do tecido exterior da circunstân-
cia.

James Allen

28
Perguntas de estudo com respostas

11. Quais são os dois modos de actividade mental?


- Consciente e subconsciente.

12. De que dependem a facilidade e a perfeição?


- Dependem inteiramente do grau no qual deixamos de depender da mente
consciente.

13. Qual o valor do subconsciente?


- É enorme; guia-nos, avisa-nos, controla os processos vitais e é a morada
da memória.

14. Que função tem a mente consciente?


- Possui a capacidade de discriminação; o poder de raciocinar; é a morada
da vontade e imprime o subconsciente.

15. Como foi expressa a distinção entre o consciente e subconsciente?


- “A mente consciente é a vontade racional. A mente subconsciente é o
desejo instintivo, resultado de uma vontade racional passada.”

16. Qual o método necessário para imprimir a mente subconsciente?


- Afirmar mentalmente aquilo que se deseja.

17. Qual será o resultado?


- Se o desejo estiver em harmonia com o movimento progressivo do Todo,
começarão a operar forças que manifestarão o resultado.

18. Qual é o resultado da acção desta lei?


- O nosso ambiente reflectirá condições que correspondem à atitude mental
predominante que temos.

19. Qual o nome atribuído a esta lei?


- Lei da Atracção.

20. Como se define a lei?


- O pensamento é energia criativa e relacionar-se-á automaticamente com
o seu objecto, manifestando-o.

29
30
Parte Três

Tomou já conhecimento de que o Indivíduo pode actuar sobre o Universal e


de que o resultado desta acção e interacção é de causa e efeito. O pensamen-
to é a causa e as experiências com que se depara na vida são os efeitos.

Elimine então qualquer possível tendência para se queixar da maneira


como as condições se lhe apresentam, pois tem a capacidade de as alterar e
de as transformar naquilo que desejaria que fossem.

Oriente o seu esforço no reconhecimento dos recursos mentais que estão


sempre à sua disposição, dos quais provém todo o seu poder real e duradou-
ro.

Persista nesta prática até chegar à conclusão de que não poderá haver fra-
casso em alcançar qualquer objectivo na vida se compreender o poder e per-
sistir nesse mesmo objectivo, pois as forças da mente estão sempre prontas a
actuar quando há uma vontade concentrada, esforçando-se para cristalizar
o pensamento e o desejo em acções, eventos e condições.

O início de cada função de vida e de cada acção é resultado do pensamento


consciente, depois as acções habituais tornam-se automáticas e o pensamen-
to que as controla passa para o reino do subconsciente; ainda assim man-
têm o mesmo grau de inteligência. É necessário que se torne automático, ou
subconsciente, de modo a que a mente consciente se concentre noutros
assuntos. As novas acções irão, no entanto, tornar-se habituais, depois
automáticas e depois subconscientes, de modo a que a mente possa de novo
ser libertada destes pensamentos e prosseguir para outras actividades.

Quando se aperceber disto, descobrirá uma fonte de poder que lhe permite
resolver qualquer situação que se possa desenvolver na sua vida.

31
32
Parte Três

1. A interacção necessária da mente consciente e subconsciente requer


uma interacção semelhante entre os sistemas de nervos correspondentes.
O Juiz Troward explica o belo método em que esta interacção ocorre, ele
diz: O sistema cerebrospinal é o órgão da mente consciente, o sistema sim-
pático é o órgão do subconsciente. O sistema cerebrospinal é o canal atra-
vés do qual recebemos a percepção consciente dos sentidos físicos e onde
exercemos controlo sobre os movimentos do corpo. Este sistema de nervos
tem o seu centro no cérebro.”

2. O Sistema Simpático tem o seu centro numa massa ganglionar na zona


posterior do estômago, conhecida como Plexo Solar, e é o canal das acções
mentais que suportam inconscientemente as funções vitais do corpo.

3. A ligação entre os dois sistemas é feita pelo nervo vago, que passa pela
região do cérebro, fazendo parte do sistema voluntário, até ao tórax, rami-
ficando ao coração e pulmões e finalmente passando pelo diafragma, per-
dendo aí o seu revestimento e juntando-se aos nervos do Sistema Simpáti-
co, onde forma uma ligação entre os dois. Isto torna o Homem uma “enti-
dade una”, fisicamente.

4. Vimos já que cada pensamento é recebido pelo cérebro, o órgão do cons-


ciente; aqui, fica sujeito ao nosso poder racional. Quando a mente objectiva
assume a veracidade do pensamento, este é enviado para o Plexo Solar, ou
o cérebro da mente subjectiva, para se tornar na nossa carne e manifestar-
se no nosso mundo como uma realidade. Neste ponto não é susceptível de
qualquer tipo de contrariedade. A mente subconsciente não é capaz de
argumentar; apenas age. Aceita fielmente as conclusões da mente objecti-
va.

5. O Plexo Solar foi comparado ao Sol do corpo, pois é um ponto central de


distribuição da energia que o corpo gera constantemente. Esta é uma ener-
gia bem real e este Sol é um sol real. A energia está a ser distribuída por

33
nervos reais a todas as partes do corpo e irradiada numa atmosfera que
envolve o corpo.

6. Se esta radiação for suficientemente forte, a pessoa é vista como magné-


tica; diz-se estar cheia de magnetismo pessoal. Essa pessoa pode conter um
enorme poder de fazer o bem. As mentes confusas, com as quais ela contac-
ta, sentir-se-ão tranquilizadas apenas pela sua presença.

7. Quando o Plexo Solar opera activamente e irradia vida, energia e vitali-


dade a todas as partes do corpo e a todos os que encontra, as sensações são
agradáveis, o corpo está pleno de saúde e todos aqueles com quem contacta
experimentam uma sensação agradável.

8. Se houver alguma interrupção desta radiação, as sensações serão desa-


gradáveis, a corrente de vida e energia é interrompida nalguma parte do
corpo e esta é a causa de toda e qualquer doença da raça humana, quer
física, mental ou ambiental.

9. É física porque o Sol do corpo não gera energia suficiente para vitalizar
todas as partes do corpo; mental porque a mente consciente depende da
mente subconsciente para lhe dar a vitalidade necessária que suporta o
pensamento; e ambiental porque é interrompida a ligação entre a mente
consciente e a mente Universal.

10. O Plexo Solar é o ponto no qual a parte se encontra com o Todo, onde o
finito se torna Infinito, onde o Incrível se cria, onde o Universal se torna
individualizado e o Invisível se torna visível. É o ponto onde a vida surge e
não há limite para a quantidade de energia que um indivíduo é capaz de
geral deste centro Solar.

11. Este centro de energia é Omnipotente porque este é o ponto de contacto


de toda a vida e de toda a inteligência. Pode, portanto, alcançar qualquer
coisa que se proponha alcançar e aqui reside o poder da mente consciente;
o subconsciente levará consigo todos e quaisquer planos e ideias sugeridos
pela mente consciente.

12. O pensamento consciente é, portanto, o regente deste centro Solar, do


qual fluem a vida e a energia de todo o corpo; a qualidade do pensamento
em que persistimos, determina a qualidade do pensamento que este Sol irá
irradiar; o carácter do pensamento em que a nossa mente consciente per-
siste, determina o carácter do pensamento que este Sol irá irradiar; e a
natureza do pensamento em que a nossa mente consciente persiste, deter-

34
mina a natureza do pensamento que este Sol irá irradiar, consequente-
mente determinando a natureza da experiência resultante.

13. É, portanto, evidente que tudo o que temos de fazer é deixar a nossa
luz brilhar; quanto mais energia conseguirmos irradiar, mais rapidamente
seremos capazes de transformar condições indesejáveis em fontes de pra-
zer e benefício. A questão essencial é, então, como fazer com que esta luz
brilhe; como gerar esta energia.

14. Pensamentos desprovidos de resistência expandem o Plexo Solar; pen-


samentos resistentes contraem-no. Pensamentos agradáveis expandem-no;
pensamentos desagradáveis contraem-no. Todos os pensamentos de cora-
gem, poder, confiança e esperança produzem um estado correspondente,
mas o grande arqui-inimigo do Plexo Solar que deve ser absolutamente
eliminado, para que alguma luz possa brilhar, é o medo. Este inimigo deve
ser totalmente destruído; deve ser expulso para sempre; ele é a nuvem que
cobre o sol; que causa uma sombra eterna.

15. É este demónio pessoal que faz os homens recearem o passado, o pre-
sente e o futuro; recearem-se a si próprio, os amigos e os inimigos; recea-
rem tudo e toda a gente. Quando o medo é efectiva e completamente des-
truído, a sua luz brilhará, as nuvens dispersarão e terá encontrado a fonte
de todo o poder, energia e vida.

16. Quando descobrir que você é uno com o poder Infinito e quando reco-
nhecer conscientemente este poder através de uma demonstração prática
da sua capacidade de superar qualquer condição adversa com o poder do
seu pensamento, não terá nada a recear; o medo terá sido destruído e esta-
rá na posse do poder que é seu por direito desde a nascença.

17. É a nossa atitude mental face à vida que determina as experiências


que encontramos; se não esperarmos nada, não receberemos nada; se dese-
jarmos muito, receberemos uma grande porção. O mundo é cruel apenas
porque falhamos em defender aquilo que afirmamos. O criticismo do mun-
do é amargo apenas para aqueles que não criam espaço para as suas
ideias. É o medo deste criticismo que faz com que muitas ideias não che-
guem a ver a luz do dia.

18. Mas o Homem que reconhecer que tem um Plexo Solar, não receará o
criticismo ou qualquer outra coisa, pois estará demasiado ocupado a irra-
diar coragem, confiança e poder; através da sua atitude mental antecipará
o sucesso; destruirá obstáculos e saltará sobre o abismo da dúvida e da
hesitação que o medo coloca no seu caminho.

35
19. O conhecimento da nossa capacidade de conscientemente irradiarmos
saúde, força e harmonia dar-nos-á a certeza de que não há nada a recear,
pois estamos em contacto com a Força Infinita.

20. Este conhecimento é alcançado apenas através da aplicação prática


desta informação. Aprendemos ao fazer; através da prática, o atleta torna-
se poderoso.

21. Como a afirmação seguinte é de uma importância considerável, colocá-


la-ei de diversas maneiras para que não lhe escape o seu completo signifi-
cado. Se tiver uma forte vertente religiosa, direi para deixar a sua luz bri-
lhar. Se a sua mente se foca mais nas ciências físicas, direi para despertar
o seu Plexo Solar; se preferir uma interpretação puramente cientifica, direi
para imprimir a sua mente subconsciente.

22. Já referi qual o resultado desta impressão. É o método de o fazer que


agora lhe interessa. Já aprendeu que o subconsciente é inteligente, criativo
e reactivo à vontade da mente consciente. Qual é então a forma mais natu-
ral de fazer a impressão desejada? Concentre-se mentalmente no objecto
que deseja; quando se concentra, está a imprimir o subconsciente.

23. Esta não é a única forma, mas é uma forma simples e eficaz, a mais
directa e, consequentemente, a forma de alcançar os melhores resultados.
É o método que produz resultados tão extraordinários que a muitos pare-
cem ser milagres.

24. É o método pelo qual todos os grandes inventores, financeiros e estadis-


tas conseguiram converter a subtil e invisível força do desejo, fé e confian-
ça em factos reais, tangíveis e concretos no mundo objectivo.

25. A mente subconsciente é parte da Mente Universal. O Universal é o


princípio criativo do Universo e uma parte tem de ser do mesmo tipo e qua-
lidade do todo. Isto significa que este poder criativo é absolutamente ilimi-
tado; não está sujeito a nenhum tipo de precedência e, consequentemente,
não possui qualquer padrão pré-existente pelo qual aplique o seu princípio
construtivo.

26. Descobrimos que a mente subconsciente reage à nossa vontade cons-


ciente, o que significa que o poder criativo e ilimitado da Mente Universal
está ao alcance da mente consciente do indivíduo.

27. Quando fizer uma aplicação prática deste princípio, de acordo com os
exercícios dados nas lições subsequentes, é bom lembrar que não é neces-
sário descrever o método pelo qual o subconsciente produz os resultados

36
que deseja. O Infinito não informa o finito. Você simplesmente afirma
aquilo que deseja, não o modo como o obtém.

28. Você é o canal pelo qual o indiferenciado se torna diferenciado e esta


diferenciação é alcançada através de apropriação. Requer apenas reconhe-
cimento para colocar em marcha as causas que criarão resultados concor-
dantes com o seu desejo, isto acontece porque o Universal actua apenas
através do indivíduo e o indivíduo actua apenas através do Universal; eles
são um.

29. Como exercício desta semana, pedir-lhe-ei que vá um pouco mais longe.
Quero que esteja perfeitamente imóvel, iniba qualquer pensamento o
melhor que puder, mas relaxe, abandone-se, deixe os músculos tomarem o
seu estado normal; isto retirará qualquer pressão sobre os nervos e elimi-
nará aquela tensão que frequentemente produz cansaço físico.

30. O relaxamento físico é um exercício voluntário da vontade e o seu exer-


cício é de grande valor, pois permite que o sangue circule livremente do
cérebro para o corpo e vice-versa.

31. As tensões levam à inquietação mental e a uma actividade mental


anormal; produz preocupação, medo e ansiedade. O relaxamento é, portan-
to, uma necessidade absoluta para que as faculdades mentais se exercitem
de uma forma livre.

32. Pratique este exercício da forma mais exaustiva e completa que lhe for
possível, determine mentalmente que irá relaxar todos os músculos e ner-
vos, até se sentir tranquilo, descansado e em paz consigo e com o mundo.

33. O Plexo Solar estará então em condições de funcionar e você ficará sur-
preendido com o resultado.

37
Perguntas de estudo com Respostas

21. Que sistema de nervos é o órgão da Mente Consciente?


- Cerebrospinal.

22. Que sistema de nervos é o órgão da mente subconsciente?


- Simpático.

23. Qual é o ponto central de distribuição da energia que o corpo gera cons-
tantemente?
- O Plexo Solar.

24. Como pode ser interrompida esta distribuição?


- Através de pensamentos de resistência e discordância, mas principalmen-
te de medo.

25. Qual é o resultado de tal interrupção?


- Qualquer doença que afecte a raça humana.

26. Como pode esta energia ser controlada e direccionada?


- Através do pensamento consciente.

27. Como pode o medo ser totalmente eliminado?


- Através de um entendimento e reconhecimento da verdadeira fonte de
todo o poder.

28. O que determina as experiências que encontramos na vida?


- A nossa atitude mental predominante.

29. Como podemos despertar o plexo solar?


- Concentrando-nos mentalmente na condição que desejamos ver manifes-
tada nas nossas vidas.

30. Qual é o princípio criativo do Universo?


- A Mente Universal.

38
Parte Quatro

Entrego-lhe agora a Parte Quatro. Esta parte mostrará porque é que aquilo
que pensa, faz ou sente é indicativo daquilo que você é.

O pensamento é energia, energia é poder e é devido ao facto de todas as


religiões, ciências e filosofias, com as quais o mundo se tornou familiariza-
do se terem baseado na manifestação desta energia em vez da própria ener-
gia, que o mundo tem estado limitado a efeitos enquanto as causas são
ignoradas ou incompreendidas.

É por estar razão que temos Deus e o Demónio na religião, o positivo e o


negativo na ciência, o bem e o mal na filosofia.

A Chave-Mestra reverte este processo; o seu interesse é apenas na causa. As


cartas dos alunos contam uma história maravilhosa; indicam conclusiva-
mente que estão a descobrir a causa pela qual são capazes de alcançar saú-
de, harmonia, abundância e tudo o mais necessário para o seu bem-estar e
felicidade.

A vida é expressão e a nossa tarefa é expressarmo-nos harmoniosa e cons-


trutivamente. Desgosto, miséria, infelicidade, doença e pobreza não são
necessidades, portanto, temos de as eliminar.

Este processo de eliminação consiste em erguermo-nos acima e para além


de qualquer tipo de limitações. Aquele que fortaleceu e purificou o seu pen-
samento não precisa de se preocupar com micróbios; e aquele que com-
preendeu a lei da abundância vai directamente à fonte dos recursos.

É desta forma que o destino e a sorte são controlados da mesma forma que
um capitão controla o seu barco, ou um maquinista controla o seu comboio.

39
40
Parte Quatro

1. O seu “Eu” não é o corpo físico; isso é simplesmente um instrumento que


o “Eu” usa para cumprir o seu propósito; o “Eu” não pode ser a Mente, pois
a mente é simplesmente outro instrumento que o “Eu” utiliza, com a qual
pensa, raciocina e planeia.

2. O “Eu” tem de ser algo que controla e orienta tanto o corpo como a men-
te; algo que determina o que fazem e como o fazem. Quando tomar cons-
ciência da verdadeira natureza deste “Eu”, desfrutará de uma sensação de
poder como nunca sentiu antes.

3. A sua personalidade é feita de inúmeras características, peculiaridades,


hábitos e traços de carácter individuais; eles são o resultado da sua ante-
rior forma de pensamento, mas nada têm a ver com o verdadeiro “Eu”.

4. Quando diz “Eu penso”, o “Eu” diz à mente o que ela irá pensar; quando
diz “Eu vou”, o “Eu” diz ao corpo físico para onde ir; a verdadeira natureza
deste “Eu” é espiritual e é a fonte do poder real atribuído aos homens e
mulheres quando reconhecem a sua verdadeira natureza.

5. O maior e mais maravilhoso poder com que este “Eu” foi dotado é o
poder de pensar e como poucas pessoas sabem pensar construtivamente ou
correctamente, alcançam assim resultados que lhes são indiferentes. A
maioria das pessoas permite que os seus pensamentos se dispersem em
propósitos egoístas, resultado inevitável de uma mente infantil. Quando a
mente amadurece, compreende que o germe da derrota reside em cada
pensamento egoísta.

6. A mente treinada sabe que qualquer transacção deve beneficiar todas as


pessoas relacionadas com a transacção e qualquer tentativa de beneficiar
através da fraqueza, da ignorância ou da necessidade de outro, acabará
inevitavelmente em prejuízo.

41
7. A razão é que o Indivíduo é uma parte do Universal. Uma parte não
pode contrariar outra parte, antes pelo contrário, o bem-estar de cada par-
te depende do reconhecimento do interesse do todo.

8. Aqueles que reconhecem este princípio, possuem uma grande vantagem


nas diversas áreas da vida. Eles não se consomem. São capazes de eliminar
pensamentos errantes com facilidade; de se concentrarem ao mais alto
nível em qualquer assunto. Eles não desperdiçam tempo ou dinheiro em
objectos onde não há qualquer benefício possível.

9. Se não é capaz de fazer estas coisas, é porque não fez o esforço necessá-
rio. O momento de fazer esse esforço é agora. O resultado será exactamen-
te proporcional ao esforço despendido. Uma das afirmações mais fortes que
pode usar para fortalecer a vontade e reconhecer o seu poder é, “Eu posso
ser aquilo que a minha vontade deseja.”

10. De cada vez que o repetir, reconheça quem e o que é este “Eu”; tente
chegar a um profundo entendimento da verdadeira natureza do “Eu”; se o
conseguir, será invencível; isto é, desde que os seus objectivos e propósitos
sejam construtivos e em harmonia com o princípio criativo do Universo.

11. Se decidir usar esta afirmação, use-a continuamente, à noite, de manhã


e sempre que se lembrar dela durante o dia. Continue a fazê-lo até se tor-
nar uma parte de si; crie o hábito.

12. Se não o fizer desta forma, mais vale nem sequer começar, pois a psico-
logia moderna diz-nos que quando começamos alguma coisa e não a termi-
namos ou fazemos uma resolução e não a cumprimos, estamos a criar o
hábito de fracasso; fracasso absoluto e vergonhoso. Se não tiver intenção de
fazer alguma coisa, não a comece; se a começar, assegure-se de que a aca-
ba, nem que o céu lhe caia na cabeça; se decidir fazer alguma coisa, faça-a;
não deixe nada nem ninguém interferir; o seu “Eu” determinou, está deci-
dido; a sorte está lançada, não há mais discussão.

13. Se persistir nesta ideia, começando com coisas pequenas que sabe
poder controlar e gradualmente for aumentando o esforço sem deixar que o
seu “Eu” seja subjugado em nenhuma circunstância, descobrirá que é
capaz de se controlar a si próprio. Muitos homens e mulheres descobriram,
para seu desgosto, que é mais fácil dominar um reino que a eles próprios.

14. Mas quando tiver aprendido a controlar-se, terá encontrado o “Mundo


Interior” que controla o mundo exterior; tornou-se irresistível; pessoas e
coisas acederão a todos os seus desejos sem qualquer esforço aparente da
sua parte.

42
15. Isto não é tão estranho ou tão difícil como possa parecer se se lembrar
que o “Mundo Interior” é controlado pelo “Eu”, que este “Eu” é uma parte,
una com o “Eu” Infinito, com a Energia ou Espírito Universal, normalmen-
te referido como Deus.

16. Não é uma mera afirmação ou uma teoria feita com o propósito de con-
firmar ou estabelecer uma ideia, é um facto aceite tanto pelas maiores cor-
rentes religiosas, como pelas maiores correntes científicas.

17. Herbert Spender disse: “Dentre todos os mistérios que nos rodeiam,
nada é mais certo do que o facto de estarmos sempre na presença de uma
Energia Infinita e Eterna da qual todas as coisas surgem.”

18. Lyman Abbott, num discurso perante os alunos do Seminário de Teolo-


gia de Bangor, disse: “Estamos a começar a pensar em Deus como algo que
habita o Homem em vez de algo que actua no Homem a partir de fora.”

19. A ciência percorre o mesmo caminho e bloqueia. A ciência descobre esta


Energia Eterna, mas a Religião descobre o Poder por detrás da energia e
localiza-o no Homem. Esta descoberta não é nova; a Bíblia diz exactamente
a mesma coisa e o discurso é igualmente simples e convincente: “Não
sabeis que sois o templo do Deus vivo?” Aqui está, portanto, o segredo do
maravilhoso poder criativo do “Mundo Interior”.

20. Este é o segredo do poder, da mestria. Superar não significa renunciar


às coisas. A auto negação não é sucesso. Não podemos dar se não receber-
mos; não podemos ser prestáveis se não formos fortes. O Infinito nunca
está em falência e nós, que somos os representantes do poder Infinito, nun-
ca iremos à falência; se queremos ser prestáveis aos outros, temos de ter
poder e mais poder, mas para tê-lo temos de o dar; temos de prestar servi-
ço.

21. Quanto mais dermos, mais receberemos; devemo-nos tornar num canal
pelo qual o Universal expressa a sua actividade. O Universal está constan-
temente à procura de expressão, à procura de ser útil e procura o canal
mais activo para o fazer, onde pode fazer o maior bem, onde pode oferecer o
melhor benefício à humanidade.

22. O Universal não se pode expressar através de si enquanto estiver ocu-


pado com os seus planos, com os seus propósitos; tranquilize os sentidos,
procure inspiração, foque a actividade mental no interior, mergulhe na
consciência da sua unidade com a Omnipotência. “As águas tranquilas

43
residem nas profundezas”; contemple as inúmeras oportunidades a que
tem acesso espiritual, através da Omnipotência do poder.

23. Visualize os acontecimentos, as circunstâncias e as condições que estas


ligações espirituais podem ajudar a manifestar. Reconheça o facto de que a
essência e a alma de todas as coisas são espirituais e que o espiritual é o
real, a vida de tudo aquilo que existe; quando o espírito desaparece, a vida
desaparece, morre, deixa de existir.

24. Estas actividades mentais pertencem ao mundo interior, ao mundo da


causa; as condições e circunstâncias resultantes são o efeito. É desta forma
que você se torna um criador. Esta é uma importante tarefa, quanto mais
altos, mais ambiciosos, mais grandiosos e mais nobres forem os ideais que
conseguir conceber, mais importante será o trabalho.

25. O excesso de trabalho, de execução e de actividade corporal de qualquer


tipo produzem condições de apatia e estagnação mental que tornam impos-
sível que se faça o importante trabalho que permite o reconhecimento do
poder consciente. Devemos, portanto, procurar frequentemente o Silêncio.
O Poder surge do repouso; é no Silêncio que relaxamos e quando relaxa-
mos, conseguimos pensar e o pensamento é o segredo para alcançarmos o
que queremos.

26. O pensamento é uma forma de movimento e é transportado segundo a


lei da vibração da mesma forma que a luz ou electricidade. As emoções
dão-lhe vida, através da lei do amor; ganha forma e expressão através da
lei do crescimento; é um produto do “Eu” espiritual, logo, é de natureza
Divina, Espiritual e criativa.

27. Dado isto, é evidente que de modo a manifestar poder, abundância ou


qualquer outro propósito construtivo, as emoções deverão ser chamadas
para dar sentimento ao pensamento, para que este tome forma. Como pode
ser conseguido? Este é o ponto essencial; como conseguir desenvolver a fé,
a coragem, o sentimento que resulta nessa manifestação?

28. A resposta é: através do exercício; a força mental é assegurada exacta-


mente da mesma forma que a força física, ou seja, pelo exercício. Pensamos
em algo, talvez com alguma dificuldade ao início; pensamos nessa coisa
outra vez e torna-se mais fácil; pensamos uma e outra vez até se tornar
num hábito mental. Continuamos a pensar na mesma coisa; finalmente
torna-se automático; não conseguimos deixar de o pensar; temos agora cer-
teza do que pensamos; não há qualquer dúvida em relação a isso. Estamos
certos; sabemos.

44
29. Na semana passada pedi-lhe que relaxasse, que se abandonasse fisi-
camente. Esta semana vou pedir-lhe que se abandone mentalmente. Se
praticou o exercício dado na semana passada durante quinze ou vinte
minutos por dia, de acordo com as indicações dadas, de certeza que já con-
segue relaxar fisicamente; quem não o conseguir fazer conscientemente, de
forma rápida e completa, não tem domínio sobre si próprio. Não alcançou a
liberdade; é ainda um escravo das condições. Assumirei que dominou o
exercício e que está já pronto para tomar o próximo passo, a liberdade
mental.

30. Esta semana, depois de tomar a sua posição habitual, elimine toda a
tensão, relaxando completamente. Abandone-se mentalmente de todas as
condições adversas, como ódio, raiva, preocupação, ciúme, inveja, desgosto,
problemas ou desilusões de qualquer espécie.

31 Poderá dizer que não consegue “abandonar-se” de todas estas coisas,


mas consegue; consegue fazê-lo ao determinar que o quer fazer, através de
uma intenção voluntária e persistente.

32. O motivo pelo qual alguns não o conseguem é porque permitem ser con-
trolados pelas emoções em vez do seu intelecto. Aqueles que se guiam pelo
intelecto alcançarão o sucesso. Não o conseguirá à primeira tentativa, mas
a prática leva à perfeição, aqui e em qualquer outra coisa. Primeiro deverá
ser bem-sucedido em ignorar, eliminar e destruir completamente estes
pensamentos negativos e destrutivos; eles são a semente de tudo aquilo
que está constantemente a criar todo o tipo de condições discordantes.

Não há nada mais verdadeiro do que o facto de a qualidade do pensamento


em que persistimos se relacionar com certos elementos do mundo exterior.
Esta é a Lei da qual não se pode escapar. E foi esta Lei, esta relação do
pensamento com o seu objecto que levou as pessoas a acreditar, desde os
tempos mais remotos, numa Providência Divina.

Wilmans

45
Perguntas de estudo com Respostas

31. O que é o pensamento?


- Energia espiritual.

32. Como é transportado?


- Segundo a lei da vibração.

33. Como ganha vitalidade?


- Pela lei do amor.

34. Como ganha forma?


- Pela lei do crescimento.

35. Qual é o segredo do seu poder criativo?


- É uma actividade espiritual.

36. Como conseguimos desenvolver a fé, a coragem e o entusiasmo que


resultam na manifestação do que queremos?
- Através do reconhecimento da nossa natureza espiritual.

37. Qual é o segredo do Poder?


- Serviço.

38. Porquê?
- Porque recebemos aquilo que damos.

39. O que é o Silêncio?


- Tranquilidade física.

40. Qual o seu valor?


- É o primeiro passo para o autocontrolo, autodomínio.

46
Parte Cinco

Junto encontrará a Parte Cinco. Após estudar atentamente esta parte, verá
que qualquer força, facto ou objecto concebível é o resultado da mente em
acção.

A mente em acção é pensamento e o pensamento é criativo. Os homens estão


a pensar agora como nunca pensaram antes.

Esta é, portanto, uma época criativa e o mundo está a atribuir as mais


ricas recompensas aos pensadores. A matéria é impotente, passiva, inerte. A
mente é força, energia, poder. A mente dá forma e controla a matéria.
Qualquer forma que a matéria tome é apenas a expressão de algum pensa-
mento pré-existente.

Mas o pensamento não produz transformações mágicas; obedece a leis


naturais; põe em marcha forças naturais; liberta energias naturais; mani-
festa-se na sua conduta e nas suas acções que, por sua vez, reagem sobre os
seus amigos, conhecidos e eventualmente sobre o todo do seu ambiente. Você
produz pensamentos e como os pensamentos são criativos, você pode criar
para si próprio as coisas que deseja.

47
48
Parte Cinco

1. Pelo menos noventa por cento da nossa vida mental é subconsciente,


portanto, aqueles que se recusam a usar este poder mental, vivem dentro
de limites muito estreitos.

2. O subconsciente pode resolver e resolverá qualquer problema por nós, se


soubermos como direccioná-lo. Os processos subconsciente estão sempre
activos; a questão é, seremos nós simplesmente receptores passivos desta
actividade ou podemos conscientemente orientar a sua acção? Será que
devemos ter uma visão do destino a alcançar e os perigos a evitar ou dei-
xamo-nos simplesmente à deriva?

3. Vimos já que a mente está espalhada por todas as partes do corpo físico
e é sempre possível direccioná-la ou dar-lhe impressões vindas da mente
objectiva ou dominante.

4. A mente, que impregna o corpo, é em grande parte resultado da heredi-


tariedade, o que por sua vez é simplesmente o resultado de todos os
ambientes de todas as gerações passadas sobre as reactivas e dinâmicas
forças de vida. Uma compreensão deste facto permite-nos usar a nossa
autoridade quando vemos manifestar-se um traço de carácter indesejável.

5. Podemos conscientemente usar todas as características desejáveis que


nos foram atribuídas e podemos reprimir ou impedir as indesejáveis de se
manifestarem.

6. Uma vez mais, a mente que impregna o nosso corpo físico não só é o
resultado de tendências hereditárias, mas também é o resultado do
ambiente doméstico, laboral e social, onde milhares de impressões, ideias,
preconceitos e pensamentos semelhantes são recebidos. Muitos são recebi-
dos por outros, resultado de opiniões, sugestões ou afirmações; muitos são
resultado do nosso próprio pensamento, embora a maioria seja aceite com
pouca ou nenhuma consideração ou avaliação.

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7. Se a ideia pareceu ser plausível, a consciência aceitou-a e passou-a ao
subconsciente, onde foi assimilada pelo Sistema Simpático e daí passou a
fazer parte do nosso corpo físico. “A palavra tornou-se carne”.

8. Esta é a forma como estamos consistentemente a criar e a recriarmo-


nos; somos hoje o resultado do nosso pensamento passado e seremos aquilo
que pensamos agora. A Lei da atracção não nos traz as coisas que gosta-
ríamos, que desejamos ou que outro tenha, traz-nos apenas as “nossas” coi-
sas, as coisas que nós criamos através do nosso processo de pensamento,
quer tenhamos ou não consciência disso. Infelizmente, muitos de nós criam
estas coisas inconscientemente.

9. Se algum de nós estivesse a construir uma casa própria, quão cuidado-


sos seríamos com os planos; estudaríamos todo e qualquer detalhe; procu-
raríamos o material e escolheríamos apenas o melhor de casa coisa; e no
entanto, somos demasiado descuidados quando se trata de construir a nos-
sa Casa Mental, infinitamente mais importante que a nossa casa física,
pois tudo aquilo que entra nas nossas vidas depende da qualidade do
material usado na construção da nossa Casa Mental.

10. Em que consiste este material? Já vimos que é o resultado de impres-


sões que se acumularam no passado, guardadas na nossa Mentalidade
subconsciente. Se estas impressões foram de medo, preocupação, ansieda-
de, se foram descuidadas, negativas, duvidosas, então a textura do mate-
rial que tecemos agora será da mesma qualidade negativa. Em vez de con-
ter em si algum valor, será bolorento e podre e trazer-nos-á apenas mais
trabalho, preocupação e ansiedade. Estaremos eternamente ocupados a
tentar remendá-lo e a dar-lhe uma aparência no mínimo elegante.

11. Mas se guardámos apenas pensamentos de coragem, se fomos optimis-


tas, positivos e deitámos qualquer tipo de pensamento negativo no lixo,
recusando identificarmo-nos com ele ou associarmo-nos a ele, qual será o
resultado? O nosso material mental é agora da melhor qualidade; podemos
tecer o que quer que seja; podemos dar-lhe a cor que desejamos; sabemos
que a textura é firme, que o material é sólido, que não se quebrará, não
temos medo ou ansiedade relativamente ao futuro; não há nada a esconder
e não há buracos a remendar.

12. Isto são factos psicológicos; não há qualquer teoria ou enigma acerca
destes processos de pensamento; não têm nada de oculto; de facto, são tão
claros que qualquer um os compreende. O que é preciso é ter uma empre-
gada doméstica mental, tê-la a trabalhar todos os dias e manter a casa

50
limpa. A limpeza mental, moral e física é indispensável, se desejarmos
algum tipo de progresso.

13. Quando este processo de limpeza doméstica estiver terminado, o mate-


rial que sobrar será o adequado para a criação do tipo de ideais ou de ima-
gens mentais que desejamos manifestar.

14. Existe uma propriedade distinta à espera de ser reclamada. Vastos


hectares com colheitas abundantes, água corrente e excelente madeira,
estendendo-se até onde a vista alcança. Tem uma mansão espaçosa e ale-
gre, com quadros raros, uma livraria recheada, lustres majestosos, com
todos os confortos e luxos. Tudo o que o herdeiro tem que fazer é tomar
posse da sua herança e usar a propriedade. Ele tem de a usar, não a pode
deixar apodrecer; o uso é a única condição pela qual ele a pode possuir.
Negligenciá-la é perder a posse.

15. Nos domínios da mente e do espírito, nos domínios do poder prático,


essa propriedade pertence-lhe. Você é o herdeiro! Você pode assumir-se
como herdeiro e tomar posse, usufruir desta rica herança. Um dos frutos é
o poder sobre as circunstâncias; saúde, harmonia e prosperidade são bens
que lhe pertencem. Este poder concede-lhe repouso e paz. Só exige de si o
trabalho de conhecer e recolher os seus vastos recursos. Não exige qual-
quer sacrifício excepto o de perder as suas limitações, as suas servidões, as
suas fraquezas. Este poder veste-o honradamente e coloca-lhe um ceptro
nas suas mãos.

16. Para receber esta propriedade, são necessários três processos: Deve
verdadeiramente desejá-la. Deve reivindicá-la. Deve tomar posse.

17. Tem de admitir que não são condições difíceis.

18. Decerto está familiarizado com o conceito de hereditariedade. Darwin,


Huxley, Haeckel e muitos outros cientistas físicos acumularam inúmeras
provas de que a hereditariedade é uma lei que regula a criação progressi-
va. É a hereditariedade progressiva que dá ao Homem a sua atitude erec-
ta, a sua capacidade de movimento, os órgãos de digestão, circulação san-
guínea, força nervosa, força muscular, estrutura óssea e inúmeras outras
faculdades físicas. Existem factos ainda mais impressionantes relativos à
hereditariedade da força mental. Todos estes constituem aquilo a que se
pode chamar a sua hereditariedade humana.

19. Mas existe um tipo de hereditariedade sobre a qual os cientistas físicos


não se debruçaram. É mais antiga e mais profunda que todas as pesquisas
feitas. Esta hereditariedade divina é vista no seu máximo esplendor nas

51
alturas em que estes cientistas levam as mãos à cara em desespero, dizen-
do que não são capazes de explicar aquilo que vêem.

20. É a força benigna que decreta a criação primária. Uma vibração que
desce directamente do Divino a todos os seres criados. Dá origem à vida, o
que o cientista não fez, nem nunca fará. É a maior de todas as forças, inal-
cançável. Nenhuma hereditariedade humana pode aproximar-se dela.
Nenhuma hereditariedade humana se lhe compara.

21. Esta Vida Infinita flui através de si; é você. As portas desta vida são as
faculdades que a sua consciência compreende. Manter abertas estas portas
é o Segredo do Poder. Não vale a pena fazer o esforço?

22. O facto principal é o de que a fonte de toda a vida e de todo o poder está
no interior. Pessoas, circunstâncias e eventos podem sugerir necessidades
e oportunidades, mas a perspicácia, a força e o poder para responder a
estas necessidades encontra-se no interior.

23. Afaste-se de falsificações. Construa fundações firmes para a sua cons-


ciência, sobre forças que fluem directamente da fonte Infinita, da Mente
Universal da qual você é a imagem e a semelhança.

24. Aqueles que tomam posse desta herança nunca mais serão os mesmos.
Tomam posse de um sentimento de poder apenas sonhado. Nunca mais
serão tímidos, fracos, vacilantes ou medrosos. Estão indissoluvelmente
ligados à Omnipotência. Algo neles foi despertado; subitamente, descobri-
ram que possuem uma tremenda capacidade latente que até então desco-
nheciam totalmente.

25. Este poder é interior, mas não o receberemos até o termos dado. O uso
é a condição pela qual recebemos a herança. Nós somos apenas o canal por
onde o poder Omnipotente se diferencia em forma; se não dermos, o canal
fica obstruído e não receberemos nada. Isto é verdadeiro em qualquer nível
da existência, em qualquer área de trabalho e em qualquer desafio na vida.
Quanto mais dermos, mais receberemos. O atleta que deseja ser mais forte
tem de usar a força que tem e quanto mais der, mais irá receber. O empre-
sário que deseja ganhar dinheiro tem de usar o dinheiro que tem, pois
apenas usando-o pode receber mais.

26. O comerciante que não escoar os seus produtos não receberá mais
nenhuns; a empresa que não é capaz de prestar um serviço eficaz, em pou-
co tempo ficará sem consumidores; o advogado que não mostrar resultados
ficará sem clientes e assim sucessivamente, em tudo; o poder está condi-
cionado ao uso adequado do poder que temos ao nosso alcance; aquilo que é

52
verdadeiro em qualquer campo de acção, em qualquer experiência de vida,
é verdadeiro acerca do poder que é a fonte de todo o poder conhecido pelo
Homem – o Poder Espiritual. Retire-se o espírito e o que sobra? Nada.

27. Se o espírito é tudo o que existe, a capacidade de manifestar qualquer


poder, quer físico, mental ou espiritual, depende apenas do reconhecimento
deste facto.

28. Qualquer tipo de posse é resultado da atitude acumulativa da mente,


ou consciência monetária; esta é a varinha mágica que lhe permitirá rece-
ber a ideia e que criará as circunstâncias a cumprir; e sentirá tanto prazer
na execução destas circunstâncias, como no momento em que alcança aqui-
lo que deseja.

29. Agora dirija-se ao seu quarto, na mesma cadeira, na mesma posição de


sempre e, mentalmente, visualize um local que tenha associações agradá-
veis. Faça um retrato mental completo, veja os edifícios, o chão, as árvores,
amigos, tudo. Ao início pensará em tudo o que lhe vem à cabeça em vez de
se concentrar no ideal que deseja. Não deixe que isso o desanime. A persis-
tência trará frutos, mas persistir significa que deve praticar estes exercí-
cios todos os dias, sem falta.

53
Perguntas de estudo com Respostas

41. Quanto da sua vida mental é subconsciente?


- Pelo menos noventa por cento.

42. Este armazém mental é utilizado regularmente?


- Não

43. Porquê?
- Porque poucos compreendem ou dão valor ao facto de que é uma activida-
de que podem comandar conscientemente.

44. De onde é que a mente consciente recebeu as tendências que a gover-


nam?
- Hereditariamente – o que significa que é o resultado de todos os ambien-
tes de gerações passadas.

45. O que é que a lei da atracção nos traz?


- As coisas que já são ‘nossas’.

46. Que coisas são ‘nossas’?


- Aquilo que somos, resultado do nosso pensamento passado, tanto cons-
ciente e inconsciente.

47. Em que consiste o material com o qual construímos a nossa casa men-
tal?
- Nos pensamentos em que persistimos.

48. Qual é o segredo do Poder?


- O reconhecimento da omnipresença da Omnipotência.

49. Qual a sua origem?


- Toda a vida e todo o poder nascem no interior.

50. De que é que depende a posse do poder?


- Depende do uso adequado do poder que está ao nosso alcance.

54
Parte Seis

Envio-lhe agora a Parte Seis. Esta parte dar-lhe-á um claro entendimento


do mais belo mecanismo alguma vez criado. Um mecanismo pelo qual pode
criar para si próprio Saúde, Força, Sucesso, Prosperidade e qualquer outra
condição que deseje.

Necessidades são desejos, os desejos criam acção e acções criam resultados.


O processo de evolução está constantemente a criar o amanhã a partir de
hoje. O desenvolvimento Individual, tal como o desenvolvimento Universal,
deve ser gradual, sempre com um aumento de capacidade e de volume.

O reconhecimento de que se negarmos os direitos dos outros, nos tornamos


moralmente incorrectos e acabamos por criar problemas em qualquer passo
que dermos, deve ser indicativo de que o sucesso depende das ideias morais
mais elevadas, ou seja, “O maior bem para o maior número de pessoas”.
Aspirações, desejos e relações harmoniosas que se mantenham constantes e
persistentes, trarão resultados. Os maiores obstáculos são ideias erradas e
obsessivas.

Para estarmos sintonizados com a verdade eterna, devemos ter tranquili-


dade e harmonia interior. De modo a receber inteligência, o receptor deve
estar sintonizado com o transmissor.

O pensamento é um produto da Mente e a Mente é criativa, o que não quer


dizer que o Universal mudará o seu modo operacional para se ajustar a nós
ou às nossas ideias, significa antes que podemos criar uma relação harmo-
niosa com o Universal e ao tê-la alcançado, poderemos pedir tudo aquilo a
que temos direito; e o caminho tornar-se-á claro.

55
56
Parte Seis

1. A Mente Universal é tão bela que é difícil compreender os seus poderes,


possibilidades e efeitos ilimitados.

2. Sabemos já que esta Mente não só compreende toda a inteligência, como


também toda a matéria. Como é que então a diferenciamos em forma?
Como conseguimos assegurar o efeito que desejamos?

3. Pergunte a qualquer electricista qual é o efeito da electricidade e ele


responderá que “a Electricidade é uma forma dinâmica, que o seu efeito
depende do mecanismo ao qual está ligada.” Depende deste mecanismo o
facto de recebermos calor, luz, energia, música ou qualquer outra belíssima
manifestação de poder onde esta energia vital foi canalizada.

4. Que efeito pode ser produzido pelo pensamento? A resposta é que o pen-
samento é mente em movimento (tal como o vento é ar em movimento) e o
seu efeito dependerá inteiramente do “mecanismo ao qual está ligado”.

5. Este é o segredo de todo o poder mental; depende inteiramente do meca-


nismo que lhe ligarmos.

6. Que mecanismo é este? Você conhecerá certamente os mecanismos que


foram inventados por Edison, Bell, Marconi e outros génios da electricida-
de, através dos quais lugares, espaço e tempo tornaram-se apenas figurati-
vos, mas alguma vez parou para pensar que o mecanismo que lhe foi dado
a si para transformar o Universal, ou Poder Potencial Omnipresente, foi
inventado por alguém maior que Edison?

7. Estamos habituados a examinar os mecanismos dos aparelhos que usa-


mos para trabalhar a terra e tentamos compreender o mecanismo do
automóvel que conduzimos, mas a maioria permanece ignorante quanto ao
maior mecanismo alguma vez criado, o cérebro humano.

57
8. Examinemos as maravilhas deste mecanismo; talvez assim tenhamos
um melhor entendimento dos vários efeitos que causa.

9. Em primeiro lugar, existe um grande mundo mental no qual vivemos,


nos movemos e ao qual devemos a nossa existência; este mundo é omnipo-
tente, omnisciente e omnipresente; responderá aos nossos desejos na pro-
porção da nossa fé e propósito; este propósito deverá estar em concordância
com a lei do nosso ser, isto é, deve ser criativo ou construtivo; a nossa fé
deve ser suficientemente forte, de modo a gerar uma corrente com energia
suficiente para manifestar o nosso propósito. “Ser-te-á dado de acordo com
a tua fé”, esta afirmação é cientificamente exacta.

10. Os efeitos produzidos no mundo exterior resultam da acção e da inte-


racção do indivíduo sobre o Universal; corresponde ao processo a que cha-
mamos pensamento; o cérebro é o órgão através do qual este processo é
realizado; pense o quanto isto é maravilhoso! Será que gosta de música,
flores, literatura ou se sente inspirado pelo pensamento de um génio actual
ou antigo? Lembre-se, para cada porção de beleza à qual reage, tem de
haver um elemento correspondente no seu cérebro para que a possa apre-
ciar.

11. Não existe uma única virtude ou princípio no armazém da Natureza


que o cérebro não consiga expressar. O cérebro é um mundo embrionário,
pronto para se desenvolver a qualquer momento, se necessário. Se com-
preender que esta é uma verdade científica e uma das belíssimas leis da
Natureza, ser-lhe-á mais fácil entender o mecanismo pelo qual estes resul-
tados extraordinários estão a ser conseguidos.

12. O sistema nervoso foi comparado a um circuito eléctrico com uma bate-
ria onde a força é criada, e a matéria branca comparada a fios por onde a
corrente passa; é através destes canais que cada impulso ou desejo é
transportado através do mecanismo.

13. A espinha dorsal é o grande motor e veículo sensorial pela qual as


mensagens são transportadas de, e para o cérebro; depois, temos a reserva
de sangue, correndo pelas veias e artérias, renovando a nossa força e ener-
gia, uma perfeita estrutura organizada da qual depende todo o corpo físico
e, finalmente, a bela e delicada pele, vestindo todo o mecanismo com um
manto de beleza.

14. Este é o “Templo do Deus vivo” que o “Eu” individual é capaz de contro-
lar, assim, qualquer resultado dependerá do grau de entendimento que o
“Eu” possui acerca do mecanismo que está sob o seu controle.

58
15. Cada pensamento activa células cerebrais; inicialmente, a substância
para a qual o pensamento é direccionado não responde, mas se o pensa-
mento for suficientemente refinado e concentrado, a substância finalmente
cede e expressa-se na perfeição.

16. Esta influência da mente pode ser exercida em qualquer parte do cor-
po, eliminando assim qualquer efeito indesejado.

17. Em qualquer transacção de negócios, é de um valor inestimável o


entendimento perfeito das leis que governam o mundo mental, pois desen-
volve a capacidade de discernimento, dando uma compreensão e apreensão
mais claras dos factos.

18. O Homem que olha para dentro em vez de olhar para fora, usará sem-
pre adequadamente as forças poderosas que eventualmente determinarão
o rumo da sua vida, colocando-o no nível de vibração de tudo o que de
melhor, mais forte e mais desejável existe.

19. A atenção, ou concentração, é provavelmente o elemento mais impor-


tante no desenvolvimento da cultura mental. Os resultados de uma aten-
ção adequadamente direccionada são tão inquietantes que dificilmente
pareceriam credíveis a quem fosse estranho a estas matérias. O cultivo da
atenção é a característica que distingue todos os homens e mulheres de
sucesso e corresponde à mais alta conquista pessoal que se pode ter.

20. O poder da atenção pode ser melhor compreendido se comparado com


uma lupa onde se focam os raios do sol; não possuem nenhuma força em
especial quando a lupa está em movimento; mas se mantivermos a lupa
imóvel e os raios de sol focados num ponto durante algum tempo, o efeito
torna-se claro.

21. Assim é com o poder do pensamento; nenhum resultado nasce se o


poder estiver dissipado, o pensamento dispersado em vários objectos; mas
se focar este poder através da concentração, ou atenção, num único objecti-
vo durante algum tempo, nada é impossível.

22. Alguns poderão dizer que é uma solução muito simples para uma
situação demasiado complexa. Muito bem, aqueles que nunca tiveram a
experiência de concentrar o pensamento num propósito ou objecto definido,
que o tentem. Escolha um objecto e concentre a sua atenção nele com um
determinado propósito apenas por dez minutos; não o consegue; a mente
vagueará dezenas de vezes, será necessário trazê-la sempre de novo ao
propósito original; de cada vez ter-se-á perdido o efeito e ao final dos dez

59
minutos não terá ganho nada, pois não foi capaz de manter o pensamento
firme no seu propósito.

23. Mas é através da atenção que finalmente será capaz de ultrapassar


obstáculos de qualquer tipo que apareçam no seu caminho. A única forma
de adquirir este incrível poder é através do uso – a prática leva à perfeição,
aqui e em tudo o resto.

24. De modo a cultivar o poder da atenção, leve consigo uma fotografia


para o quarto habitual e sente-se no mesmo lugar, na mesma posição.
Examine-a atentamente durante dez minutos, repare na expressão dos
olhos, na forma das feições, na roupa, no penteado; repare em todos os
detalhes da fotografia. Agora tape-a, feche os seus olhos e tente vê-la men-
talmente; se conseguir ver todos os detalhes na perfeição e for capaz de
criar uma boa imagem mental da fotografia, está de parabéns; senão, repi-
ta o processo até o conseguir.

25. Este passo tem o objectivo de preparar o terreno; na próxima semana


estaremos prontos para lançar a semente.

26. É através deste tipo de exercícios que conseguirá controlar as suas dis-
posições mentais, a sua atitude, a sua consciência.

27. Grandes homens de negócios estão a aprender a retirar-se cada vez


mais das multidões para que tenham mais tempo para planear, pensar e
gerar as correctas disposições mentais.

28. Empresários de sucesso demonstram constantemente o facto de que


compensa manter o contacto com o pensamento de outros empresários de
sucesso.

29. Uma simples ideia pode valer um milhão de dólares e estas ideias ape-
nas surgem naqueles que estão receptivos, que estão preparados para as
receber, que estão num enquadramento mental de sucesso.

30. Os homens estão a aprender a colocar-se em harmonia com a Mente


Universal; estão a aprender a unicidade de todas as coisas; a aprender os
métodos e princípios básicos do pensamento, resultando em diferentes
condições e multiplicando os resultados.

31. Estão a descobrir que as circunstâncias e o ambiente seguem a forma


do progresso mental e espiritual; que o crescimento segue o conhecimento;
que as acções seguem a inspiração; que a oportunidade segue a percepção;

60
que o espiritual vem sempre primeiro e depois segue-se a transformação
nas possibilidades ilimitadas e infinitas da conquista.

32. Como o indivíduo é apenas o canal para a diferenciação do Universal,


estas possibilidades são necessariamente inesgotáveis.

33. O pensamento é o processo pelo qual absorvemos o Espírito do Poder e


mantemos o resultado na nossa consciência interior até se tornar parte da
nossa consciência habitual. O método para o conseguir, através da prática
persistente de alguns princípios fundamentais explicados neste Sistema, é
a chave mestra que abre o armazém da Verdade Universal.

34. As duas grandes fontes do sofrimento humano actual são: as doenças


físicas e a ansiedade mental. Podem ser facilmente relacionáveis com o
desrespeito de alguma Lei Natural. Isto deve-se, sem dúvida, ao facto de
que até agora o conhecimento tem-se mantido parcial, mas as nuvens
negras que se têm acumulado desde há muito tempo estão a começar a dis-
sipar-se, assim como muitos dos mistérios que conhecíamos de forma
imperfeita.

A conclusão de qualquer mente desperta, relativamente ao poder do correcto


pensamento em acções construtivas, é que um homem tem a capacidade de
se mudar, de se melhorar, de se recriar, de controlar o seu ambiente e de
comandar o seu próprio destino.

Larsen

61
Perguntas de estudo com Respostas
51. Quais são alguns dos efeitos que podem ser produzidos pela electrici-
dade?
- Calor, luz, energia, música.

52. De que dependem estes efeitos?


- Do mecanismo que estiver ligado à electricidade.

53. Qual o resultado da acção e da interacção da mente individual sobre o


Universal?
- As condições e experiências que encontramos.

54. Como podem estas condições ser alteradas?


- Mudando o mecanismo através do qual o Universal se diferencia em for-
ma.

55. Que mecanismo é este?


- O cérebro.

56. Como se pode mudar?


- Através daquilo a que chamamos pensamento. Pensamentos produzem
células cerebrais e estas células respondem ao correspondente pensamento
do Universal.

57. Que valor tem o poder da concentração?


- É a mais alta conquista pessoal que se pode ter e é a característica que
distingue todos os homens e mulheres de sucesso.

58. Como se consegue esse poder?


- Através da prática persistente dos exercícios deste Sistema.

59. Porque é que isto é tão importante?


- Porque nos permite controlar os nossos pensamentos e como os pensa-
mentos são causas, as condições terão de ser efeitos; se controlarmos a
causa, controlamos também o efeito.

60. O que é que está a mudar as condições e a multiplicar resultados no


mundo objectivo?
- O facto de os homens estarem a aprender os métodos básicos do pensa-
mento construtivo.

62
Parte Sete

Desde sempre, o Homem acreditou num poder invisível através do qual e


pelo qual todas as coisas foram criadas e estão continuamente a serem
recriadas. Podemos personalizar este poder e chamar-lhe Deus, ou podemos
pensá-lo como a essência ou o espírito que permeia todas as coisas, mas em
qualquer dos casos, o efeito é o mesmo.

No que diz respeito ao indivíduo, o lado objectivo, físico, visível é o pessoal,


aquilo que pode ser conhecido pelos sentidos. Consiste no corpo, cérebro e
nervos. O subjectivo é o espiritual, o invisível, o impessoal.

O lado pessoal é consciente, por ser uma entidade pessoal. O impessoal, por
ser do mesmo tipo e qualidade em todo o Ser, não tem consciência de si
próprio e por isso foi designado subconsciente.

O lado pessoal, ou consciente, tem a faculdade da vontade e da escolha,


podendo por isso seleccionar os métodos através dos quais irá resolver as
dificuldades.

O impessoal, ou espiritual, sendo parte ou uno com a fonte, com a origem de


todo o poder, não tem capacidade de escolha mas possui Infinitos recursos à
sua disposição. Tem a capacidade de produzir resultados através de meios
que a mente humana, ou individual, é incapaz de conhecer.

Verá então que é uma decisão sua, depender da vontade humana, com
todas as suas limitações e incompreensões, ou utilizar as potencialidades do
Infinito, dando uso à mente subconsciente. Aqui está a explicação científica
do maravilhoso poder que foi colocado nas suas mãos, basta apenas com-
preendê-lo, apreciá-lo, reconhecê-lo.

A Parte Sete descreve um método para utilizar conscientemente este poder


omnipotente.

63
64
Parte Sete

1. A Visualização é o processo de criar imagens mentais, essas imagens são


o molde ou o modelo daquilo que irá definir o padrão do seu futuro.

2. Faça desse padrão algo claro e bonito; não tenha medo; faça-o grandioso;
lembre-se que nenhuma limitação lhe pode ser imposta, excepto se for
imposta por si próprio; não existem limitações de custo ou materiais; retire
do Infinito aquilo de que precisa, construa-o na sua imaginação; terá de
estar lá antes de poder aparecer em qualquer outro sítio.

3. Crie uma imagem clara e bem definida, segure-a com força na sua men-
te e começará a aproximá-la de si, de forma gradual e constante. Você pode
ser “aquilo que a sua vontade deseja”.

4. Este é outro facto psicológico bem conhecido mas, infelizmente, ler sobre
isso não trará qualquer resultado que tenha em mente; nem o ajudará a
formar a imagem mental e muito menos manifestá-la. É necessário traba-
lho – um árduo trabalho mental, um grau de esforço que poucos estão dis-
postos a conceder.

5. O primeiro passo é a idealização. É igualmente o passo mais importante,


pois trata-se da fundação sobre a qual vai construir a imagem. Deve ser
sólida; deve ser permanente. Quando o arquitecto projecta um edifício de
30 andares, cada linha e cada detalhe são planeados cuidadosamente. O
engenheiro, ao construir uma ponte, primeiro certifica-se da força necessá-
ria para juntar milhões de peças independentes.

6. Eles visualizam o objecto final antes de darem o primeiro passo; da


mesma forma, você deve formar a imagem mental daquilo que quer; está a
lançar a semente, mas antes de lançar a primeira, tem de saber aquilo que
quer colher. Trata-se de Idealização. Se tem dúvidas, volte para a cadeira
todos os dias até a imagem se tornar clara; ela revelar-se-á gradualmente;
de início, o plano geral será difuso, mas eventualmente ganhará forma, o

65
contorno e os pormenores ficarão definidos e gradualmente desenvolverá o
poder através do qual será capaz de formular os planos que se materializa-
rão no mundo objectivo. Saberá o que o futuro lhe reserva.

7. Segue-se o processo de visualização. Irá começar a ver a imagem cada


vez mais completa e em pormenor e à medida que se revelam os pormeno-
res, revelam-se também os modos e os meios de a manifestar. Uma coisa
levará à outra. O pensamento levará à acção, a acção desenvolve-se em
métodos, os métodos trazem amigos, os amigos trarão circunstâncias e terá
alcançado finalmente o terceiro passo, a Materialização.

8. Todos reconhecemos que o Universo deve ter sido pensado antes de se


ter tornado numa forma física. E se seguirmos a linha de pensamento que
subjaz a este Grande Arquitecto do Universo, descobriremos que os nossos
pensamentos ganham forma da mesma maneira que o universo tomou a
sua forma específica. É a mesma mente a operar através do indivíduo. Não
há diferença de tipo ou de qualidade, a diferença reside apenas no grau de
expressão.

9. O arquitecto visualiza o seu edifício, vê-o segundo o seu desejo. O seu


pensamento torna-se um molde de plástico a partir do qual o edifício surgi-
rá, poderá ser alto, baixo, bonito ou simples, a sua visão toma forma no
papel, o material necessário é utilizado e o edifício fica construído.

10. O inventor visualiza a sua ideia sempre da mesma maneira. Nikola


Tesla, por exemplo, que possuía um intelecto gigantesco, um dos maiores
inventores de sempre, o homem que manifestou realidades fantásticas,
visualizava sempre as suas invenções antes de trabalhar nelas. Ele não se
apressou a dar-lhes forma para depois gastar o seu tempo a corrigir os
erros. Tendo construído a ideia na sua imaginação, manteve-a como ima-
gem mental para que fosse reconstruída e melhorada no pensamento.
“Desta forma”, escreve no Electrical Experimenter, “consigo rapidamente
desenvolver e aperfeiçoar a concepção sem tocar em nada. Quando consigo
dotar a invenção do melhor que possa pensar e ver que não há erros em
lado nenhum, começo então a dar forma ao produto da minha mente. Inva-
riavelmente, o meu conceito funciona tal como eu o pensei; em vinte anos
não houve uma única excepção.”

11. Se for capaz de seguir estas orientações de forma consciente, desenvol-


verá a Fé, aquele tipo de Fé que é a “Substância das coisas desejadas, a
prova daquilo que não se vê”; desenvolverá confiança, o tipo de confiança
que lhe dá perseverança e coragem; desenvolverá o poder de concentração
que lhe permite excluir todos os pensamentos, excepto os que estiverem
relacionados com o seu objectivo.

66
12. A lei diz que o pensamento se manifesta na forma e apenas aquele que
souber ser o pensador divino dos próprios pensamentos poderá tomar o
lugar do Mestre e falar com autoridade.

13. A clareza e precisão são obtidas apenas quando se retém a imagem na


mente. Cada acção repetida concede à imagem mais clareza e precisão que
a anterior e a manifestação exterior será proporcional a essa clareza e pre-
cisão da imagem. Tem de a construir firmemente e retê-la no seu mundo
mental, o mundo interior, antes de poder ganhar forma no mundo exterior,
pois nunca conseguirá construir nada de valor, nem sequer no mundo men-
tal, se não tiver o material adequado. Quando tem o material, pode cons-
truir aquilo que desejar, por isso assegure-se do material que usa. Não se
pode tecer um pano fino a partir de trapos.

14. Este material será trazido por milhões de trabalhadores mentais silen-
ciosos e será montado com a forma da imagem que tem em mente.

15. Pense nisso! Você tem mais de cinco milhões destes trabalhadores
mentais a postos e em actividade; chamam-se células cerebrais. Além des-
tes, existe outra força de reserva com pelo menos a mesma quantidade,
pronta a ser chamada à acção à mais pequena necessidade. O seu poder de
pensar é praticamente ilimitado, isto significa que o seu poder de criar o
tipo de material necessário para construir para si próprio qualquer
ambiente que deseje é praticamente ilimitado.

16. A somar a estes milhões de trabalhadores mentais, você tem biliões de


trabalhadores mentais no corpo, cada um dotado de inteligência suficiente
para compreender e actuar sobre qualquer mensagem ou sugestão dadas.
Estas células estão constantemente ocupadas a criar e recriar o corpo e
também dotadas de actividade psíquica, pela qual são capazes de atrair a
si próprias a substância necessária para um desenvolvimento perfeito.

17. Elas fazem-no através da mesma lei e da mesma maneira que qualquer
outra forma de vida ao atrair a si mesma o material necessário para o seu
crescimento. O carvalho, a rosa, o lírio, todos precisam de certos materiais
para a sua expressão mais perfeita e conseguem-no através de uma exi-
gência silenciosa, a Lei da Atracção, a maneira mais segura de receber
aquilo que deseja para o seu desenvolvimento mais completo.

18. Construa a Imagem Mental; torne-a clara, distinta, perfeita; segure-a


firmemente; os modos e os meios seguir-se-ão; a oferta seguirá a procura;
você será levado a fazer a coisa certa, no momento certo, da maneira certa.
Um Intenso Desejo trará uma Expectativa Confiante que deverá ser refor-

67
çada por uma Exigência Firme. Estes três trarão inevitavelmente a Reali-
zação, pois o Intenso Desejo é sentimento, a Expectativa Confiante é o
pensamento e a Exigência Firme é a vontade e, como já vimos, o sentimen-
to dá vitalidade ao pensamento e a vontade segura-o firmemente, até a lei
do Crescimento o manifestar.

19. Não é maravilhoso que o Homem possua um tal poder dentro de si, que
possua faculdades transcendentes das quais não tinha qualquer conheci-
mento? Não é estranho terem-nos ensinado desde sempre a procurar a for-
ça e o poder no “exterior”? Foi-nos ensinado a procurar em todo o lado,
menos no “interior” e sempre que este poder se manifestava nas nossas
vidas, era-nos dito ser algo sobrenatural.

20. Muitos já reconheceram este poder maravilhoso, esforçam-se de forma


séria e consciente para criar saúde, poder e ainda assim falham. Parecem
não ser capazes de colocar a Lei em prática. Na maioria dos casos deve-se
ao facto de estarem a lidar com elementos externos. Eles querem dinheiro,
poder, saúde, abundância, mas não conseguem reconhecer que estes são
efeitos que surgem apenas quando é encontrada a verdadeira causa.

21. Aqueles que não prestarem atenção ao mundo exterior, tenderão a


encontrar a verdade, a sabedoria e descobrirão que esta sabedoria revelará
a fonte de todo o poder, que se manifestará através do pensamento, criando
as condições exteriores desejadas. Esta verdade expressar-se-á em propósi-
tos nobres e acções corajosas.

22. Crie apenas ideais, não pense nas condições externas, faça do mundo
interior algo belo e opulento e este expressará e manifestará a condição
que existe no interior de si. Você reconhecerá o seu poder em criar ideais e
estes ideais projectar-se-ão no mundo dos efeitos.

23. Por exemplo, um homem possui uma dívida. Está constantemente a


pensar na dívida, concentrando-se nela. Como os pensamentos são causas,
o resultado é que não só se torna mais identificado com ela, como cria mais
dívidas. Ele está a colocar em prática a Lei da Atracção que produz sempre
resultados constantes e inevitáveis – Perda atrai mais Perda.

24. Qual é então o princípio correcto? Concentrar-se nas coisas que quer,
não nas coisas que não quer. Pense em abundância; idealize os métodos e
planos de colocar em prática a Lei da Atracção. Visualize a condição que a
Lei da Atracção cria; isto resultará em manifestação.

25. Se a lei opera na perfeição quando traz pobreza, carência e qualquer


forma de limitação àqueles que constantemente se concentram em pensa-

68
mentos de carência e de medo, também funcionará com a mesma precisão
em trazer condições de abundância e opulência àqueles que se concentram
em pensamentos de coragem e poder.

26. Este é um problema difícil para muitos; estamos demasiado ansiosos;


manifestamos ansiedade, medo, inquietação; queremos sempre fazer
alguma coisa; queremos ajudar; somos como uma criança que acabou de
plantar uma semente e que a cada quinze minutos mexe na terra para ver
se cresceu. Em tais circunstâncias, a semente nunca germinará e é exac-
tamente o que muitos de nós fazemos no mundo mental.

27. Devemos plantar a semente e deixá-la crescer. Isto não significa que
nos sentemos sem fazer nada, nada disso; estaremos a trabalhar mais e
melhor do que alguma vez trabalhámos, pois novos canais aparecerão
constantemente, novas portas se abrirão; tudo o que é preciso é ter uma
mente aberta e estar pronto a agir quando chegar o momento.

28. O poder do pensamento é o meio mais poderoso de obter conhecimento


e se estiver concentrado num determinado objecto, resolverá o problema.
Nada está para além do poder da compreensão humana, mas é necessário
trabalhar para dominar a força do pensamento e dar-lhe o rumo que dese-
ja.

29. Lembre-se que o pensamento é o fogo que cria o vapor que faz girar a
roda da fortuna, da qual dependem as suas experiências.

30. Coloque a si próprio algumas questões e depois, reverentemente,


aguarde a resposta; não reconhece e sente o ser dentro de si? Você coman-
da este ser ou segue a maioria? Lembre-se que as maiorias são sempre
dirigidas, nunca dirigem. Foi a maioria que lutou, com unhas e dentes,
contra a máquina a vapor, o tear mecânico e todos os outros avanços ou
melhoramentos propostos.

31. Como exercício para esta semana, visualize um amigo, veja-o exacta-
mente como o viu pela última vez, veja a sala, a mobília, relembre a con-
versa; agora veja a sua cara, olhe-a claramente; agora fale com ele sobre
algum assunto de interesse mútuo; veja as mudanças na sua expressão,
veja-o sorrir. Consegue fazê-lo? Muito bem, consegue; agora desperte o seu
interesse, conte-lhe uma história de aventura, veja os seus olhos brilharem
de surpresa e excitação. Consegue fazer isto tudo? Se sim, tem uma boa
imaginação e está a fazer excelentes progressos.

69
Perguntas de estudo com Respostas

61. O que é a visualização?


- É o processo de criar imagens mentais.

62. Qual o resultado deste método de pensamento?


- Ao mantermos a imagem na nossa mente, trazemos essa imagem para
perto de nós, de forma gradual e inevitável. Podemos ser aquilo que dese-
jamos ser.

63. O que é a Idealização?


- É o processo de idealizar ou visualizar os planos que eventualmente se
materializarão no nosso mundo objectivo.

64. Porque são necessárias, clareza e precisão?


- Porque “ver” cria o “sentir” e “sentir” cria o “ser”. Primeiro o mental,
depois o emocional e depois as possibilidades ilimitadas da realização.

65. Como são conseguidas?


- Cada acção repetida concede a cada imagem mais precisão do que a ante-
rior.

66. Como é assegurado o material de construção da sua imagem mental?


- Através de milhões de trabalhadores mentais. Chamam-se células cere-
brais.

67. Como são asseguradas as condições necessárias para materializar o seu


ideal no mundo objectivo?
- Através da Lei da Atracção - A lei natural pela qual todas as condições e
experiências se manifestam.

68. Quais os três passos necessários para colocar esta Lei em prática?
- Intenso Desejo, Expectativa Confiante e Exigência Firme.

69. Porque é que tantos falham em consegui-lo?


- Porque se concentram na perda, na doença e na desgraça. A lei opera na
perfeição; as coisas que receiam recaem sobre eles.

70. Qual é a alternativa?


- Concentre-se nos ideias que deseja manifestar na sua vida.

70
Parte Oito

Nesta parte descobrirá que pode escolher livremente aquilo em que pensa,
só que o resultado desse pensamento é regido por uma lei imutável! Não é
um pensamento maravilhoso? Não é maravilhoso saber que as nossas vidas
não estão sujeitas a caprichos ou variações de qualquer género? São regidas
segundo uma lei. Esta estabilidade representa a nossa oportunidade, pois
ao agirmos segundo a lei, podemos assegurar o efeito desejado com uma
precisão absoluta.

É a Lei que faz do Universo um enorme hino de Harmonia. Se não fosse


esta Lei, o Universo seria Caos em vez de Cosmos.

É este o segredo da origem do bem e do mal, pois contém em si todo o bem e


todo o mal que alguma vez existiu ou que venha a existir.

Deixe-me ilustrá-lo. O pensamento resulta em acção, se o seu pensamento


for construtivo e harmonioso, o resultado será bom; se o seu pensamento é
destrutivo ou desarmonioso, o resultado será mau.

Há, portanto, apenas uma lei, um princípio, uma causa, uma Fonte de
Poder. O bem e o mal são apenas palavras usadas para indicar o resultado
da nossa acção ou da nossa concordância ou discordância com a lei.

A importância disto está bem ilustrada nas vidas de Emerson e Carlyle.


Emerson amava o bem e a sua vida era uma sinfonia de paz e harmonia;
Carlyle odiava o mal e a sua vida era uma constante discórdia e desarmo-
nia.

Temos aqui dois grandes homens, ambos pretendendo chegar ao mesmo


ideal, mas um deles faz uso de pensamentos construtivos e está assim em
harmonia com a Lei Natural, o outro usa pensamentos destrutivos e, por-
tanto, atrai a si todo e qualquer tipo de discórdia.

71
É, portanto, evidente que não devemos odiar nada, nem mesmo o “mal”,
pois o ódio é destrutivo e leva-nos à conclusão de que ao persistirmos em
pensamentos destrutivos, estamos a semear “ventos” e, portanto, iremos
colher “tempestades”.

72
Parte Oito

1. O pensamento contém em si um princípio vital, o princípio criativo do


Universo que, pela sua natureza, irá combinar-se com outros pensamentos
semelhantes.

2. Como o único propósito da vida é o crescimento, todos os princípios que


subjazem à existência devem contribuir para esse efeito. Assim, o pensa-
mento ganha forma, sendo manifestado a seu tempo pela lei do crescimen-
to.

3. Você pode escolher livremente aquilo em que pensa, mas o resultado do


seu pensamento é regido por uma lei imutável. Qualquer pensamento em
que persistir produz inevitavelmente um resultado no carácter, na saúde e
nas circunstâncias do indivíduo. É por isso da maior importância encontrar
os métodos pelos quais conseguimos substituir hábitos de pensamento des-
trutivo que produzem apenas efeitos indesejados, por hábitos de pensa-
mento construtivo.

4. Todos sabemos que não é uma tarefa fácil. Hábitos mentais são difíceis
de controlar, mas podem ser alcançados. A maneira de o fazer é começar
imediatamente a substituir pensamentos destrutivos por pensamentos
construtivos. Crie o hábito de analisar cada pensamento. Se este pensa-
mento for necessário, se a sua manifestação trouxer benefício ao objectivo,
não apenas para si, mas para todos os que possam ser afectados por ele,
guarde-o; estime-o bem; é de grande valor; está em sintonia com o Infinito;
irá crescer, desenvolver-se e produzir uma multiplicidade de frutos. Por
outro lado, guarde na memória esta citação de George Matthews Adams,
“Aprenda a manter a porta fechada, mantenha fora da sua mente, fora do
seu escritório e fora do seu mundo qualquer elemento que não possua
nenhum benefício específico.”

73
5. Se o seu pensamento foi crítico ou destrutivo, se teve como resultado no
seu ambiente alguma condição de discórdia ou desarmonia, será necessário
cultivar uma atitude mental que o oriente para pensamentos construtivos.

6. A imaginação é de uma grande ajuda para esta atitude mental; cultivar


a imaginação leva ao desenvolvimento do ideal a partir do qual o seu futu-
ro irá emergir.

7. A imaginação reúne o material com o qual a Mente produz o tecido que o


seu futuro irá vestir.

8. A imaginação é a luz com a qual podemos penetrar em novos mundos de


pensamento e de experiência.

9. A imaginação é o poderoso instrumento que todos os descobridores e


inventores usaram para abrir o caminho entre o precedente e a experiên-
cia. O precedente diz, “Não pode ser feito”; a experiência diz, “Está feito”.

10. A imaginação é um poder plástico que molda os elementos dos sentidos


em novas formas e ideais.

11. A imaginação é a forma construtiva de pensamento que deve preceder


qualquer forma construtiva de acção.

12. Um empreiteiro não pode construir uma estrutura até ter recebido os
planos do arquitecto e este recebe-os da sua imaginação.

13. Um chefe industrial não pode criar uma corporação gigantesca, que
inclua centenas de pequenas corporações e milhares de trabalhadores, e
usar milhões de dólares de capital sem antes ter criado tudo isso na sua
imaginação. Os objectos do mundo material são como o barro nas mãos do
oleiro; as coisas reais são criadas na Mente Universal e é através da ima-
ginação que a tarefa é cumprida. De modo a cultivar a imaginação, deve-
mos exercitá-la. O exercício é essencial tanto aos músculos mentais como
aos físicos. Devem ser alimentados, senão não há crescimento.

14. Não confunda Imaginação com Fantasia ou com qualquer outra forma
de devaneio em que algumas pessoas gostam de se perder. O devaneio é
uma forma de dispersão mental que pode levar ao desastre.

15. A Imaginação construtiva significa trabalho mental, considerado por


alguns como o mais duro tipo de trabalho, mas se assim for, promete os
maiores resultados, pois as grandes coisas da vida foram alcançadas por

74
homens e mulheres que tiveram a capacidade de pensar, de imaginar e de
tornar os seus sonhos realidade.

16. Quando estiver completamente consciente do facto de que a Mente é o


único princípio criativo, que é Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente,
e quando for capaz de conscientemente colocar-se em harmonia com esta
Omnipotência através do seu poder de pensamento, terá dado um enorme
passo na direcção certa.

17. O próximo passo é colocar-se na posição de receber este poder. Como é


Omnipresente, tem de estar dentro de si. Sabemo-lo, porque todo o poder
vem do interior mas precisa de ser desenvolvido, despertado, cultivado; de
forma a fazê-lo, devemos primeiro estar receptivos e esta receptividade é
adquirida da mesma forma que se obtém força física, ou seja, através de
exercício.

18. A lei da atracção irá trazer a si, de forma precisa e sem qualquer erro,
as condições, o ambiente e as experiências de vida que corresponderem à
sua atitude mental predominante e habitual. Não interessa aquilo que
pensa ocasionalmente, quando vai à Igreja ou quando lê um bom livro, é a
sua atitude mental predominante que interessa.

19. Você não pode esperar que dez minutos por dia de pensamentos positi-
vos e criativos manifestem condições harmoniosas e belas, se durante dez
horas tiver pensamentos negativos, maldosos, fracos.

20. O verdadeiro poder nasce no interior. Todo o poder que qualquer pes-
soa possa vir a usar, está dentro do Homem à espera de se manifestar,
primeiro através do reconhecimento desse poder e depois afirmando-o
como seu, fixando-o na consciência até se tornar uno com ele.

21. As pessoas dizem desejar uma vida abundante e realmente desejam-


na, mas pensam que para isso precisam de exercitar os seus músculos,
respirar de forma científica, comer certos alimentos de determinada
maneira, beber um número de copos de água a uma certa temperatura
todos os dias ou afastarem-se das correntes de ar. O resultado de todos
estes métodos é irrelevante. No entanto, quando o Homem desperta para a
Verdade e afirma a sua unidade com toda a Vida, tudo se torna claro, com
o vigor da juventude; ele descobre a fonte de todo o poder.

22. Todo o erro nasce da ignorância. A obtenção de conhecimento e do


poder consequente é o que determina o crescimento e a evolução. O reco-
nhecimento e a demonstração de conhecimento é o que constitui poder,

75
este poder é espiritual, é o poder que reside no âmago de todas as coisas; é
a alma do Universo.

23. Este conhecimento resulta da capacidade de pensar do Homem; o pen-


samento é, portanto, o embrião da evolução consciente do Homem. Quando
o Homem deixa de evoluir nos seus pensamentos e ideais, as suas forças
começam imediatamente a desintegrar-se e a sua vida acaba por manifes-
tar gradualmente estas novas condições.

24. Os homens de sucesso persistem firmemente nas condições ideais que


desejam realizar. Visualizam constantemente o próximo passo necessário
do ideal que desejam alcançar. Os pensamentos são o material com que
constroem e a imaginação é a sua oficina mental. A Mente é a força dinâ-
mica com que determinam as pessoas e as circunstâncias necessárias para
construir a sua estrutura de sucesso e a imaginação é a matriz na qual
todas as coisas são dispostas.

25. Se se manteve fiel ao seu ideal, ouvirá o chamamento quando as cir-


cunstâncias materializarem aquilo que planeou e os resultados correspon-
derem exactamente ao seu ideal. A persistência firme no ideal é o que pre-
determina e atrai as condições necessárias à realização do mesmo.

26. É desta forma que você pode entrançar o fio do espírito e do poder na
teia da sua existência; que pode ter uma vida encantada e estar para sem-
pre protegido de qualquer mal; que se pode tornar numa força positiva,
através da qual atrai a si condições de opulência e de harmonia.

27. Esta é a causa latente que vai gradualmente permeando a consciência


geral e é grandemente responsável pelas condições de inquietação eviden-
tes à nossa volta.

28. Na última parte criou uma imagem mental, trouxe-a do invisível ao


visível; esta semana quero que pegue num objecto e descubra a sua origem,
em que é que ele realmente consiste. Ao fazê-lo, irá desenvolver a imagina-
ção, a perspicácia, a percepção, a sagacidade que não se obtêm pela obser-
vação superficial da multiplicidade, mas através de uma precisa observa-
ção analítica, capaz de olhar para além da superfície.

29. São poucos os que possuem o conhecimento de que as coisas que vêem
são apenas efeitos e que compreendem as causas pelas quais estes efeitos
se manifestam.

30. Coloque-se na mesma posição que anteriormente e visualize um navio


de guerra; veja o temível monstro a flutuar no mar; não parece haver vida

76
em lado algum; você tem a noção de que a maior parte do navio se encontra
debaixo de água, fora do alcance do olhar; você sabe que o navio é tão
grande tão pesado como um arranha-céus; que há centenas de homens
prontos para tomarem os seus lugares a qualquer momento; que cada
departamento tem a seu cargo oficiais treinados e capazes, que provaram
ser competentes para dominar esta incrível estrutura mecânica; que embo-
ra não pareça, tem olhos que conseguem ver a enormes distâncias, nada
escapa à sua poderosa visão; que embora pareça imóvel, submisso e ino-
cente, está preparado para lançar um projéctil de aço, pesando milhares de
quilos, a um qualquer inimigo que possa estar a muitos quilómetros de dis-
tância; você consegue, sem grande esforço, trazer estas imagens à sua
mente e muito mais. Mas como é que o navio de guerra chegou onde está
agora, como é que lhe foi dada existência? Você será capaz de o saber, se
for um bom observador.

31. Siga as grandes placas de aço através das fundições, veja os milhares
de homens envolvidos na sua produção; vá ainda mais atrás e veja o miné-
rio a ser extraído da mina, a ser carregado em contentores ou camiões, a
ser derretido e devidamente tratado; recue ainda mais, veja o arquitecto e
os engenheiros que planearam o navio; deixe que o seu pensamento o leve
ainda mais atrás e descubra a razão do planeamento desse navio; você verá
agora que está tão recuado no tempo, que o navio é neste momento algo
intangível, não existe, é apenas um pensamento na mente do arquitecto;
mas de onde surgiu a ordem para planear o navio? Provavelmente do
Secretário da Defesa; mas, ainda assim, este navio deve ter sido planeado
antes de se pensar em guerra; o Congresso teve de aprovar o dinheiro para
a sua construção; possivelmente, houve alguma oposição, discursos a favor
e contra essa aprovação. Quem representam esses congressistas? Repre-
sentam-no a si e a mim, pelo que esta linha de pensamento começa no
navio de guerra e termina connosco, descobrindo assim que o nosso próprio
pensamento é responsável por esta e muitas outras coisas em que rara-
mente pensamos e que, com um pouco mais de reflexão, chegamos à mais
importante conclusão de todas, a de que se ninguém tivesse descoberto a
lei pela qual esta tremenda massa de ferro e aço é capaz de flutuar sobre a
água em vez de se afundar imediatamente, o navio de guerra nunca chega-
ria a existir.

32. Esta lei diz que “a gravidade específica de qualquer substância é o peso
do seu volume comparado com um igual volume de água.” A descoberta
desta lei revolucionou todo o tipo de viagem oceânica, seja comercial ou
belicosa e tornou possível a existência do navio de guerra, do porta-aviões e
dos navios de cruzeiro.

77
33. Estes exercícios possuem um valor incalculável. Quando o pensamento
é treinado para olhar abaixo da superfície, tudo ganha uma nova aparên-
cia, o insignificante torna-se significativo, o desinteressante torna-se inte-
ressante; as coisas que julgamos não terem a menor importância acabam
por ser as únicas realmente essenciais da existência.

Olhe bem para este dia pois ele é a Vida, a verdadeira Vida da Vida. Na
sua breve passagem, repousam todas as Verdades e Realidades da sua
existência; a Alegria do Crescimento; a Glória dos Actos; o Esplendor da
beleza; pois o Ontem foi apenas um Sonho e o Amanhã é apenas uma
Visão; mas o dia de Hoje, bem vivido, faz com que o Ontem seja um Sonho
de Felicidade e o Amanhã uma Visão de Esperança. Por isso, observe bem
este Dia.

Retirado do Sânscrito

78
Perguntas com respostas

71. O que é a imaginação?


- Uma forma de pensamento construtivo. É a luz pela qual entramos em
novos mundos de pensamento e de experiência. É o poderoso instrumento
pelo qual qualquer inventor ou explorador abriu caminho do precedente à
experiência.

72. Qual é o resultado da imaginação?


- O cultivo da imaginação leva ao desenvolvimento do ideal, de onde o seu
futuro irá surgir.

73. Como pode ser cultivado?


- Pelo exercício; deve ser alimentado, senão não é capaz de sobreviver.

74. Como se distingue imaginação de devaneio?


- Devaneio é uma forma de dispersão mental, imaginação é uma forma de
pensamento construtivo que deve preceder qualquer acção construtiva.

75. Em que consistem os erros?


- São resultado da ignorância.

76. O que é o conhecimento?


- É o resultado da capacidade de pensar do Homem.

77. Que tipo de poder permite aos homens construir o seu sucesso?
- A mente é a força dinâmica com a qual eles determinam as pessoas e as
circunstâncias necessárias para realizarem os seus planos.

78. O que é que predetermina o resultado?


- O ideal firmemente estabelecido na mente atrai as condições necessárias
para a sua realização.

79. Qual é o resultado de uma profunda observação analítica?


- O desenvolvimento da imaginação, perspicácia, percepção e sagacidade.

80. A que levam estes conceitos?


- À abundância e harmonia.

79
80
Parte Nove

Nesta parte irá aprender a usar as ferramentas com as quais pode cons-
truir para si qualquer condição desejada. Se desejar mudar qualquer con-
dição, terá primeiro de se mudar a si próprio. Os seus caprichos, desejos,
fantasias e ambições podem ser derrubados a qualquer momento, mas os
seus pensamentos mais profundos manifestar-se-ão e isto é tão certo como a
flor nascer da semente.

Vamos supor que desejamos mudar determinadas condições, como o pode-


remos fazer? A resposta é simples: Através da lei do crescimento. A causa e
efeito são igualmente absolutos e precisos, tanto no reino oculto dos senti-
dos, como no mundo material.

Retenha na sua mente a condição desejada; afirme-a como um facto existen-


te. Isto confere-lhe o valor de uma afirmação poderosa. Através da repetição
constante, torna-se uma parte de nós próprios. Estamo-nos a mudar; esta-
mo-nos a tornar naquilo que queremos ser.

O carácter não aparece por acaso, é resultado de um esforço contínuo. Se é


tímido, hesitante, cauteloso ou se é demasiado ansioso e assombrado por
pensamentos de medo ou de perigos constantes, lembre-se do axioma que
diz que “duas coisas não podem existir ao mesmo tempo no mesmo sítio.”

O mesmo é verdadeiro no mundo mental e espiritual; assim, a solução é


simplesmente substituir os pensamentos de medo, carência e limitação por
pensamentos de coragem, força e confiança.

A maneira mais fácil e natural de o fazer é escolher uma afirmação que se


adeqúe ao seu caso em particular.

O pensamento positivo irá destruir o negativo e isto é tão certo como a luz
destruir a escuridão. Os resultados serão igualmente contrastantes.

81
A acção é o florescer do pensamento e as condições são o resultado da acção,
de maneira que você está constantemente na posse das ferramentas através
das quais poderá, certa e inevitavelmente, criar-se e destruir-se, tendo como
recompensa alegria ou sofrimento.

82
Parte Nove

1. Existem apenas três coisas que podem ser desejadas no “mundo exte-
rior” e cada uma delas pode ser encontrada no “mundo interior”. O segredo
para as encontrar é simplesmente aplicar o “mecanismo” adequado ao
poder omnipotente a que todo o indivíduo pode aceder.

2. As três coisas que toda a Humanidade deseja e que são necessárias para
a sua mais alta expressão e completo desenvolvimento são Saúde, Riqueza
e Amor. Todos admitirão que a Saúde é essencial; ninguém pode ser feliz
se o corpo físico estiver em sofrimento. Nem todos irão admitir que a
Riqueza é necessária, mas todos concordarão que um proveito suficiente o
será e o que é considerado suficiente para alguns pode ser uma extrema
carência para outros; como a Natureza não produz apenas o suficiente mas
produz de forma abundante, excessiva e pródiga, concluímos que qualquer
carência ou limitação deve-se apenas à limitação criada por um método
artificial de distribuição.

3. Alguns admitirão que o Amor é o terceiro, outros dirão que será a pri-
meira coisa de que necessitamos para a felicidade da humanidade; de
qualquer das formas, aqueles que possuem os três, Saúde, Riqueza e Amor,
não encontrarão mais nada que possa ser adicionado à sua taça de felici-
dade.

4. Já foi referido que a substância Universal contém “Toda a Saúde”, “Toda


a Substância” e “Todo o Amor” e que o mecanismo através do qual nos
podemos conscientemente ligar a esta oferta Infinita é a nossa forma de
pensamento. Pensar correctamente é entrar no “Mais Elevado Lugar
Secreto”.

5. Em que iremos pensar? Se o soubermos, teremos encontrado o mecanis-


mo adequado que nos ligará a “Tudo aquilo que desejarmos”. Este meca-
nismo poderá parecer demasiado simples quando o revelar, mas não desis-
ta; descobrirá que é na verdade a “Chave-Mestra”, a “Lâmpada de Aladi-

83
no”, se quiser; descobrirá que é a fundação, a condição imperativa, a lei
absoluta do bem-fazer ou do bem-estar.

6. Para pensar correctamente e de forma precisa, temos de conhecer a


“Verdade”. A Verdade é o princípio básico de qualquer relação social ou
laboral. É uma condição que precede qualquer acção correcta. Saber a Ver-
dade, ter certezas e confiança, confere uma satisfação incomparável; é o
único ponto de terra firme num mundo de dúvida, conflito e perigo.

7. Saber a Verdade é estar em harmonia com o poder Infinito e Omnipo-


tente. Saber a Verdade é, portanto, ligar-se a um poder irresistível que
fará desaparecer qualquer tipo de discórdia, desarmonia, dúvida ou erro,
porque a “Verdade é poderosa e prevalecerá”.

8. Até o intelecto mais humilde é capaz de prever o resultado de qualquer


acção quando sabe que esta é baseada na Verdade. Por outro lado, o inte-
lecto mais poderoso, a mais profunda e penetrante mente falhará o seu
objectivo e não será capaz de prever qualquer resultado quando as suas
esperanças forem baseadas numa falsa premissa.

9. Qualquer acção que não esteja em harmonia com a Verdade, por igno-
rância ou por intenção, resultará em discórdia e em eventuais perdas que
serão proporcionais à sua magnitude e carácter.

10. Como podemos então conhecer a Verdade, de modo a podermos ligar-


lhe este mecanismo que nos permite relacionar com o Infinito?

11. Nunca nos enganaremos se tomarmos consciência de que a Verdade é o


princípio vital da Mente Universal e de que é Omnipresente. Por exemplo,
se desejar saúde, a noção do facto de que o “EU” dentro de si é espiritual e
que todo o espírito é uno e que onde estiver uma parte tem de estar o todo
também, trará condições de saúde, porque todas as células do corpo têm de
manifestar a verdade como é vista por si. Se vir doença, elas manifestarão
doença; se vir perfeição, elas manifestarão perfeição. A afirmação “Eu sou
íntegro, perfeito, forte, poderoso, amável, harmonioso e feliz” atrairá condi-
ções harmoniosas. A razão disto é porque a afirmação está em absoluta
concordância com a Verdade e quando a Verdade surge, qualquer forma de
erro ou discórdia têm necessariamente de desaparecer.

12. Já sabe que o “EU” é espiritual e por isso terá necessariamente de ser,
no mínimo, perfeito. A afirmação “EU sou íntegro, perfeito, forte, poderoso,
amável, harmonioso e feliz” é, portanto, uma afirmação científica precisa.

84
13. O pensamento é uma actividade espiritual e o espírito é criativo, logo, o
resultado de reter um pensamento na consciência é o de manifestar condi-
ções que estejam em harmonia com esse pensamento.

14. Se deseja Riqueza, a noção de que o “EU” dentro de si é uno com a


Mente Universal que contém toda a substância e é Omnipotente, ajudá-lo-
á a colocar em prática a lei da atracção, que o colocará na mesma vibração
das forças que conduzem ao sucesso e que atraem condições de poder e
influência, na mesma proporção do carácter e propósito da sua afirmação.

15. A visualização é o mecanismo necessário para o fazer. A visualização é


um processo diferente da visão; ver é um processo físico, está, portanto,
relacionado com o mundo objectivo, o “mundo exterior”, a Visualização é
um produto da Imaginação e é, portanto, um produto da mente subjectiva,
do “mundo interior”. Como tal, possuindo vitalidade, crescerá. A coisa
visualizada manifestar-se-á. O mecanismo é perfeito, foi criado pelo Mestre
Arquitecto que “faz tudo de forma perfeita”. Ainda que algumas vezes
aquele que o opera possa ser inexperiente ou ineficaz, a prática e a deter-
minação dar-lhe-ão a mestria necessária.

16. Se deseja Amor, deve compreender que a única forma de receber amor
é dar, que quanto mais der, mais receberá de volta e a única maneira de o
dar é encher-se de amor até se tornar magnético. O método foi explicado
numa anterior lição.

17. Aquele que aprendeu a colocar as grandes verdades espirituais em con-


tacto com as chamadas coisas menores da vida, descobriu o segredo da
solução do seu problema. O indivíduo torna-se mais astuto, mais conscien-
cioso quando está próximo de grandes ideias, de grandes acontecimentos,
de grandes fenómenos naturais e de grandes personalidades. Diz-se que
Lincoln provocava em todos os que se aproximavam dele um sentimento
semelhante ao de nos aproximarmos de uma grande montanha. Este sen-
timento ganha ainda mais força quando temos consciência de que ele sem-
pre se guiou por aquilo que é eterno, pelo poder da Verdade.

18. É muitas vezes inspirador ouvir alguém que colocou estes princípios
em prática, alguém que os demonstrou na própria vida. Uma carta de Fre-
derick Andrews conta o seguinte:

19. Tinha cerca de treze anos, quando o falecido Doutor T.W. Marsee disse
à minha mãe: “Não há qualquer esperança, Sra. Andrews, eu perdi o meu
filho da mesma forma depois de ter feito tudo o que era possível. Realizei
um estudo acerca destes mesmos casos e sei que não há qualquer hipótese
de melhorias.”

85
20. Ela virou-se para ele e disse: “Doutor, o que é que faria se ele fosse o
seu filho?”, ao que ele respondeu, “Eu lutaria e continuaria a lutar enquan-
to houvesse um sopro de vida naquele ser.”

21. Este foi o início de uma longa batalha com muitos altos e baixos. Os
médicos concordavam todos que não havia qualquer cura possível, embora
nos encorajassem e motivassem o melhor que podiam.
22. Mas finalmente a vitória foi alcançada e eu passei de um rapaz peque-
no, retorcido, aleijado, que caminhava sobre as mãos e os joelhos, para um
homem alto, erecto e bem constituído.

23. Eu sei que neste momento deseja saber a fórmula e eu dar-lha-ei da


forma mais breve e rápida que for capaz.

24. Eu defini para mim próprio uma afirmação, contendo as qualidades de


que mais precisava e repeti-a vezes sem conta. “Eu sou íntegro, perfeito,
forte, poderoso, amável, harmonioso e feliz”. Mantive sempre esta afirma-
ção, sem nunca variar, até dar por mim a acordar a meio da noite a repeti-
la. “Eu sou íntegro, perfeito, forte, poderoso, amável, harmonioso e feliz”.
Era a última coisa nos meus lábios à noite e a primeira coisa pela manhã.

25. Não só a afirmava para mim próprio, mas também para outros que
precisavam. Quero enfatizar este ponto: o que quer que deseje para si pró-
prio, afirme-o para os outros e ajudá-los-á a todos. Nós colhemos aquilo que
semeamos. Se enviarmos pensamentos de amor e saúde, eles regressarão
como o pão lançado na água; mas se enviarmos pensamentos de medo,
preocupação, inveja, raiva, ódio, etc., colheremos os resultados disso na
nossa própria vida.

26. É costume dizer-se que um ser humano se recria totalmente em sete


anos, mas alguns cientistas afirmam agora que nos recriamos a todos os
onze meses; por isso, na verdade temos apenas onze meses de idade. Se
recriamos também os defeitos nos nossos corpos, ano após ano, os únicos
culpados disso seremos nós próprios.

27. O Homem é a soma total dos seus pensamentos; portanto, a questão é


como conseguimos ocupar-nos apenas de bons pensamentos e rejeitar os
maus? Ao início, não conseguimos impedir os maus pensamentos de apare-
cerem, mas conseguimos impedir que eles se mantenham. A única forma
de o fazer é esquecendo-nos deles – o que significa substitui-los por outros
pensamentos. É aqui que entra a afirmação definida anteriormente.

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28. Quando surge algum pensamento de raiva, inveja, medo ou preocupa-
ção, repita a sua afirmação. A maneira de dominar as trevas é com a luz;
de combater o frio é com calor; e de combater o mal é com o bem. Pessoal-
mente, a negação nunca me ajudou em nada. Afirme o bem e o mal desa-
parecerá. – Frederick Elias Andrews.

29. Se necessita de alguma coisa, será certamente do seu interesse fazer


uso desta afirmação, pois não pode ser melhorada. Use-a tal como está;
leve-a consigo para o silêncio até estar bem enterrada no seu subconscien-
te, para que a possa usar em todo o lado, no escritório e em casa; esta é a
vantagem dos métodos espirituais, eles estão sempre disponíveis. O espíri-
to é omnipresente, sempre activo; tudo o que é preciso é o reconhecimento
da sua omnipotência e uma vontade ou desejo em ser o receptor dos seus
efeitos benéficos.

30. Se a nossa atitude mental predominante for de poder, coragem, amabi-


lidade e simpatia ou se for fraca, crítica, invejosa e destrutiva, veremos que
em qualquer dos casos o nosso ambiente reflectirá condições corresponden-
tes com estes pensamentos.

31. Os pensamentos são causas, as condições são efeitos. Esta é a explica-


ção da origem do bem e do mal. O pensamento é criativo e relacionar-se-á
automaticamente com o seu objecto. Esta é uma lei Cosmológica (uma lei
universal), a Lei da Atracção, a lei da Causa e Efeito; o reconhecimento e a
aplicação desta lei determinarão tanto o princípio como o fim; esta é a lei
pela qual, em todas as épocas, as pessoas foram levadas a acreditar no
poder da oração. Outra maneira melhor de o dizer é, “Que seja feito segun-
do a vossa fé”.

32. Esta semana visualize uma planta; escolha uma flor, a que gostar
mais, traga-a do invisível ao visível, plante a pequenina semente, regue-a,
cuide dela, coloque-a num local onde apanhe os primeiros raios de sol da
manhã, veja a semente rebentar; é agora uma coisa viva, algo que possui
vida e começa a procurar meios de subsistência. Veja as raízes penetrarem
na terra, veja-as a crescer em todas as direcções, lembre-se de que são
células vivas a dividir-se e a multiplicar-se; que em pouco tempo serão
milhões; que cada uma delas é inteligente, sabe o que quer e como obtê-lo.
Veja o caule a elevar-se, a furar a superfície da terra, a dividir-se e a for-
mar ramos, veja como são perfeitos e simétricos, veja as folhas a começa-
rem a formar-se, os pequenos caules, cada um segurando um botão e á
medida que vai observando, o botão começa a abrir e a sua flor preferida
aparece; e se se concentrar profundamente, tomará consciência de uma
fragrância; a fragrância percorre o ar à medida que a brisa suavemente faz
ondular a maravilhosa criação que acabou de visualizar.

87
33. Quando for capaz de tornar a sua visão clara e completa, terá conse-
guido entrar no espírito do objecto da visão; tornar-se-á extremamente
real; aprenderá a concentrar-se e o processo é o mesmo, quer se trate de
saúde, uma flor preferida, um ideal, uma difícil proposta de trabalho ou
qualquer outro problema da vida.

34. Todo o sucesso foi alcançado através de uma persistente concentração


no objecto visualizado.

88
Perguntas de estudo com respostas

81. Qual é a condição imperativa do bem-estar?


- Bem-fazer.

82. Qual é a condição que precede toda a acção correcta?


- O pensamento correcto.

83. Qual é a condição necessária, subjacente a qualquer transacção de


negócios ou relação social?
- O conhecimento da Verdade.

84. Qual é o resultado do conhecimento da Verdade?


- Podermos prever o resultado de qualquer acção baseada numa premissa
verdadeira.

85. Qual é o resultado de uma acção baseada numa falsa premissa?


- Não somos capazes de prever os resultados que daí advêm.

86. Como podemos conhecer a Verdade?


- Reconhecendo que a Verdade é o princípio vital do Universo e é, portanto,
omnipresente.

87. Qual é a natureza da Verdade?


- É espiritual.

88. Qual é o segredo para a solução de todos os problemas?


- A aplicação da Verdade espiritual.

89. Qual é a vantagem dos métodos espirituais?


- Estão sempre disponíveis.

90. Quais são os requisitos necessários?


- Um reconhecimento da omnipotência do poder espiritual e um desejo de
ser o receptor dos seus efeitos benéficos.

Pensamento significa vida, portanto, num sentido real ou mais elevado,


todos os que não pensam não vivem. O pensamento faz o Homem.

A.B. Alcott

89
90
Parte Dez

Através de um estudo aprofundado da Parte Dez, aprenderá que nada


acontece sem uma causa específica. Será capaz de formular os seus planos
de acordo com um conhecimento exacto. Saberá controlar qualquer situa-
ção, criando as causas adequadas. Assim, quando ganhar, o que acontecerá
certamente, saberá exactamente porquê.

O Homem comum, que não possui um conhecimento específico sobre causas


e efeitos, vive governado pelos seus sentimentos e pelas suas emoções.

Ele preocupa-se demasiado em justificar a sua acção. Se fracassar como


homem de negócios, dirá que a sorte está contra ele. Se não gostar de músi-
ca, dirá que é um luxo demasiado caro. Se for incompetente no escritório,
dirá que teria mais sucesso num trabalho ao ar livre. Se lhe faltarem ami-
gos, dirá que a sua individualidade é demasiado fina para ser apreciada.

Nunca vai ao fundo dos seus problemas. Em suma, não sabe que cada efeito
é o resultado de uma causa específica, consolando-se com explicações e des-
culpas. Pensa apenas em autodefesa.

Pelo contrário, o Homem que compreende que não existe um efeito sem uma
causa adequada, pensa impessoalmente. Cinge-se aos factos sem pensar em
consequências. É livre de seguir o trilho da verdade onde quer que esta o
possa levar. Ele vê todo o problema de forma clara, cumprindo os requisitos
na perfeição e o resultado é receber do mundo tudo aquilo que este tem para
lhe dar, na forma de amizade, honra, amor e aprovação.

91
92
Parte Dez

1. A abundância é uma lei natural do Universo. A prova desta lei é eviden-


te, vemo-la por todo o lado. Em qualquer parte, a Natureza é generosa,
gastadora, extravagante. A economia nunca está presente nas coisas cria-
das. Tudo se manifesta abundantemente. Os milhões e milhões de árvores,
plantas, flores, animais, o vasto esquema de reprodução pelo qual o proces-
so de criação e recriação se perpetua, tudo isto é prova da generosidade
com que a Natureza abastece o Homem. É evidente que existe abundante-
mente para todos, mas também é evidente que muitos fracassam em apro-
veitar esta abundância; ainda não tomaram consciência da Universalidade
de toda a substância, nem do facto de a mente ser o princípio activo pelo
qual nos relacionamos com as coisas que desejamos.

2. Toda a riqueza nasce do poder; as posses têm valor enquanto conferirem


poder. Os acontecimentos são significativos quando afectam o poder; todas
as coisas representam determinadas formas e graus de poder.

3. O conhecimento do fenómeno da causa e efeito presente nas leis que


governam a electricidade, a química e a gravidade, permite ao Homem
planear corajosamente e executar de forma implacável. Estas leis têm o
nome de Leis Naturais porque governam o mundo físico, mas nem todo o
poder é físico; existe também o poder mental, moral e espiritual.

4. O poder espiritual é superior, pois existe num plano mais elevado. Per-
mite ao Homem descobrir a lei pela qual estas maravilhosas forças da
Natureza podem ser dominadas de maneira a produzir trabalho equivalen-
te ao de centenas e milhares de homens. Permite ao Homem descobrir leis
pelas quais o tempo e espaço são suprimidos e a lei da gravidade domina-
da. O modo de operação desta lei depende do contacto espiritual ou, como
Henry Drummond disse:

5. “Do que conhecemos no mundo físico, existe o orgânico e o inorgânico. O


inorgânico, ou mundo mineral, está completamente separado do mundo

93
vegetal ou animal; a passagem entre os dois está hermeticamente selada.
Estas barreiras nunca foram quebradas. Nenhuma mudança de substân-
cia, alteração de ambiente, processo químico, electricidade, forma de ener-
gia, ou evolução de qualquer tipo podem alguma vez conceder vida a qual-
quer átomo do mundo mineral.”

6. “A única forma destes átomos mortos receberem qualquer propriedade


vital é fazer descer a este mundo morto algum tipo de forma viva; sem este
contacto com a vida, eles permanecem presos para sempre na esfera inor-
gânica. Huxley diz que a doutrina da Biogénese (ou da vida apenas a partir
do que é vivo) triunfa em todos os aspectos e Tyndall diz: ‘Eu afirmo que
não existe qualquer testemunho fiável que prove alguma vez ter surgido
vida independente de formas de vida antecedentes.’

7. “As leis físicas poderão explicar o mundo inorgânico, a Biologia explica e


expõe o desenvolvimento do mundo orgânico, mas a Ciência é muda acerca
do ponto de contacto entre os dois. Uma distinção semelhante existe entre
os mundos Natural e Espiritual; esta passagem está hermeticamente sela-
da pelo lado Natural. A porta está fechada; nenhum Homem a pode abrir,
nenhuma mudança orgânica, energia mental, esforço moral ou qualquer
tipo de progresso permitem a qualquer ser humano entrar no mundo Espi-
ritual.”

8. Mas tal como a planta desce até ao mundo mineral, concedendo-lhe o


mistério da Vida, a Mente Universal desce até à mente Humana, atribuin-
do-lhe qualidades novas, incríveis e maravilhosas. Todos os homens e
mulheres que conquistaram algo no mundo da indústria, comércio ou arte,
conseguiram-no devido a este processo.

9. O pensamento é o elo de ligação entre o Infinito e o finito, entre o Uni-


versal e o individual. Vimos já que existe uma barreira inultrapassável
entre o orgânico e o inorgânico e que a matéria apenas se desenvolve se for
impregnada com vida; à medida que a semente desce ao mundo mineral e
se começa a desenvolver e a rebentar, a matéria morta ganha vida, milha-
res de dedos invisíveis começam a tecer o ambiente adequado a esta nova
vida, a lei do crescimento começa a fazer efeito, observamos um processo
contínuo até a Vida finalmente aparecer e nem “Salomão, em toda a sua
glória, foi adornado como qualquer uma destas [riquezas].”

10. Da mesma forma, um pensamento é vertido na substância invisível da


Mente Universal, a substância onde todas as coisas são criadas e à medida
que enraíza, a lei do crescimento começa a fazer efeito. Assim, percebemos
que as condições e ambientes são apenas a forma objectiva do nosso pen-
samento.

94
11. A lei diz que o Pensamento é uma forma activa e vital de energia
dinâmica, que possui o poder de se relacionar com o seu objecto, e de o tra-
zer da substância invisível onde todas as coisas são criadas, para o mundo
visível e objectivo. Esta é a lei pela qual e através da qual todas as coisas
se manifestam; é a Chave-Mestra com a qual você entra no Mais Elevado
Lugar Secreto e lhe é “concedido o domínio sobre todas as coisas”. Através
de um entendimento desta lei, você pode “decretar uma coisa e ela se esta-
belecerá diante de si.”

12. Não poderia ser de outra forma; se a alma do Universo, tal como o
conhecemos, é o Espírito Universal, então o Universo é simplesmente a
condição que o Espírito Universal determinou para si próprio. Somos ape-
nas espírito individualizado, criando as condições do nosso crescimento
exactamente da mesma forma.

13. Este poder criativo depende do nosso reconhecimento do poder poten-


cial do espírito ou da mente e não deve ser confundido com Evolução. A
Criação é trazer à existência aquilo que não existe no mundo objectivo.
Evolução é simplesmente o desenvolvimento das potencialidades das coisas
que já existem.

14. Ao tirar partido das maravilhosas possibilidades que nos são dadas por
esta lei, devemo-nos lembrar que não contribuímos em nada para a sua
eficácia ou, como disse o Grande Mestre: “Não sou eu que faço a obra, mas
o Pai que habita em mim, Ele é que faz a obra”. Devemos tomar exacta-
mente a mesma posição; não podemos fazer nada para ajudar algo a mani-
festar-se, simplesmente obedecemos à lei e a Mente que Tudo cria traz o
resultado.

15. O grande erro nos dias que correm é a ideia de que é o Homem que cria
a Inteligência que o Infinito usa para manifestar um determinado resulta-
do. Não é verdade; nós podemos depender totalmente da Mente Universal
para nos revelar os modos e os meios de criar qualquer manifestação
necessária. Temos, no entanto, de criar o ideal e este ideal deverá ser per-
feito.

16. Sabemos que as leis que governam a Electricidade foram formuladas


de tal maneira que este poder invisível pode ser controlado e usado para
nosso benefício e conforto de milhares de formas diferentes. Sabemos que
devido à Electricidade, mensagens podem ser transportadas por todo o
mundo, máquinas poderosas fazem o que lhes é pedido e praticamente todo
o mundo está iluminado, mas sabemos também que se conscientemente ou
ignorantemente violarmos a lei ao tocar num cabo que não esteja isolado, o

95
resultado será desagradável e possivelmente desastroso. A falta de com-
preensão das leis que governam o mundo invisível produz o mesmo resul-
tado e muitos sofrem constantemente as consequências disso.

17. Já foi dito que a lei da causalidade depende da polaridade, portanto,


tem de existir um circuito; este circuito forma-se apenas quando estamos
em harmonia com a lei. Como poderemos estar em harmonia com a lei se
não soubermos o que ela é? Como poderemos saber o que a lei é? Através
do estudo, da observação.

18. Vemos, por todo o lado a lei em actividade; toda a Natureza é testemu-
nha da expressão da lei, operando de forma silenciosa e constante, através
da lei do crescimento. Onde há crescimento, tem de haver vida; onde há
vida, tem de haver harmonia, de maneira que tudo o que possui vida está
constantemente a atrair a si as condições e a provisão necessárias para a
sua completa expressão.

19. Se o seu pensamento estiver em harmonia com o Princípio criativo da


Natureza, está em sintonia com a Mente Infinita e fechará o circuito, não
regressará a si vazio; mas é possível que tenha pensamentos que não estão
em sintonia com o Infinito, então se não houver polaridade, o circuito não
se fecha. Qual será então o resultado? Qual é o resultado quando se inter-
rompe o circuito de um dínamo que está a gerar electricidade? O dínamo
pára.

20. Consigo acontecerá exactamente da mesma forma se tiver pensamentos


que não estejam de acordo com o Infinito. Desta forma, não se poderá pola-
rizar; não existe circuito, está isolado, os pensamentos estão agarrados a
si, assediam-no, preocupam-no e, finalmente, manifestam doença e possi-
velmente a morte; o médico poderá não diagnosticar exactamente desta
forma, ele poderá dar-lhe um nome vistoso, criado para as várias doenças
que são resultado de pensamentos incorrectos, ainda assim a causa será a
mesma.

21. O pensamento construtivo é necessariamente criativo e o pensamento


criativo deve ser harmonioso, assim, deve eliminar qualquer pensamento
destrutivo ou competitivo.

22. A sabedoria, a força, a coragem e todas as condições harmoniosas são o


resultado de poder e vimos já que todo o poder nasce no interior; da mesma
forma a carência, a limitação ou qualquer condição adversa são o resultado
de fraqueza e a fraqueza é simplesmente ausência de poder; nasce do nada,
não é nada – a solução é simplesmente desenvolver poder, da forma que
qualquer poder se desenvolve, ou seja, através de exercício.

96
23. Este exercício consiste na aplicação do seu conhecimento. O conheci-
mento não se aplicará por si só. Deve aplicá-lo. A abundância não lhe che-
gará do céu nem cairá ao seu colo, apenas o entendimento consciente da lei
da atracção, a intenção de a usar para um propósito específico e a vontade
de manifestar este propósito materializarão o seu desejo através de uma
lei natural de transferência. Se estiver em negócios, poderá manifestar-se
em canais regulares, possivelmente abrir-se-ão canais de distribuição
novos ou pouco usuais; quando a lei estiver totalmente operacional, desco-
brirá que as coisas que procura estão também à sua procura.

24. Esta semana, a partir do sítio de onde normalmente se senta, escolha


uma zona vazia da parede ou de qualquer outro sítio e, mentalmente,
desenhe uma linha preta horizontal com cerca de vinte centímetros. Tente
ver a linha tão definida como se estivesse pintada na parede; agora dese-
nhe mentalmente duas linhas verticais ligadas à horizontal pelas respecti-
vas pontas; desenhe mais uma linha horizontal ligada às verticais; tem
agora um quadrado. Tente vê-lo na perfeição; quando o conseguir fazer,
desenhe um círculo no seu interior; coloque um ponto no centro do círculo;
faça com que esse ponto se aproxime de si cerca de trinta centímetros; ago-
ra tem um cone sobre uma base quadrada; lembre-se que este trabalho foi
todo feito a preto; mude-o para branco, vermelho e amarelo.

25. Se o conseguir fazer, está a ter excelentes progressos e em pouco tempo


será capaz de se concentrar em qualquer problema que tenha em mente.

Quando qualquer objecto ou propósito está claramente definido no pensa-


mento, a sua precipitação em formas visíveis e tangíveis é apenas uma
questão de tempo. A visão precede e determina sempre a realização.

Lillian Whiting

97
Perguntas de estudo com respostas

91. O que é a Riqueza?


- A riqueza é o resultado do poder.

92. Qual é o valor das posses?


- As posses têm valor apenas quando conferem poder.

93. Qual é o valor do conhecimento da causa e efeito?


- Permite que o Homem planeie corajosamente e execute de forma impla-
cável.

94. Como tem origem a vida no mundo inorgânico?


- Apenas através da introdução de alguma forma viva. Não há outra
maneira.

95. Qual é o elo de ligação entre o Infinito e o finito?


- O pensamento.

96. Porquê?
- Porque o Universal manifesta-se apenas através do indivíduo

97. De que depende a causalidade?


- Da polaridade; o circuito deve ser fechado; o Universal é o lado positivo
da bateria da vida, o indivíduo é o negativo e o pensamento forma o circui-
to.

98. Porque é que tantos falham em criar condições harmoniosas?


- Não compreendem a lei; não há polaridade; não formaram o circuito.

99. Qual é a solução?


- Um reconhecimento consciente da lei da atracção e a intenção de a usar
com um propósito definido.

100. Qual é o resultado?


- O pensamento relaciona-se com o objecto e manifesta-o, pois o pensamen-
to é um produto do Homem espiritual e o espírito é o Princípio criativo do
Universo.

Um pensamento vívido contém em si o poder de se manifestar; a força da


sua projecção será proporcional à profundidade da sua origem.
- Emerson

98
Parte Onze

A sua vida é governada por leis – por princípios reais e imutáveis que nun-
ca variam. As leis operam em todo o lado, a toda a hora. Todas as acções
humanas estão submetidas a leis fixas. Por esta razão, os homens que con-
trolam indústrias gigantescas são capazes de determinar com uma precisão
absoluta qual a percentagem de pessoas que irão responder a um dado con-
junto de condicionamentos.

No entanto, é bom lembrar que enquanto cada efeito é resultado de uma


determinada causa, esse efeito por sua vez torna-se uma causa que cria
outros efeitos que, por sua vez, criam ainda outras causas; portanto, quan-
do coloca a lei da atracção em acção deve lembrar-se de que está a iniciar
um encadeamento de causas, tanto para o bem como para o mal, contendo
em si possibilidades infinitas.

Ouvimos dizer frequentemente, “Apareceu na minha vida uma situação per-


turbadora que não pode ter sido o resultado do meu pensamento, pois nun-
ca persisti em nenhum pensamento que pudesse originar tal resultado.”
Esquecemo-nos de que no mundo mental um pensamento atrai sempre o seu
semelhante, que os pensamentos em que persistimos atraem a nós certas
amizades e companhias de vários tipos que, por sua vez, atraem as condi-
ções e o ambiente responsável por aquilo de que nos queixamos.

99
100
Parte Onze

1. Chamamos raciocínio indutivo ao processo realizado pela mente objecti-


va pelo qual comparamos elementos separados até encontrarmos um factor
comum que os une.

2. A indução resulta da comparação de factos; esta forma de estudar a


natureza resultou na descoberta de inúmeras leis e marcou uma época do
progresso humano.

3. É a linha que separa a superstição da inteligência; eliminou os elemen-


tos de incerteza e de capricho das vidas dos homens, substituindo-os por
lei, razão e certeza.

4. É o “Guardião do Portão” mencionado numa lição anterior.

5. Devido a este princípio, o mundo a que os sentidos estavam acostumados


sofreu uma revolução; o sol foi travado do seu percurso, a terra aparente-
mente plana foi moldada numa bola e posta a rodar à volta do sol; a maté-
ria inerte foi convertida em elementos activos e o Universo apresentou-se
pleno de força, de movimento e de vida, para onde quer que se dirigisse o
telescópio ou microscópio; e com isto somos obrigados a perguntar quais os
meios que permitem que as delicadas formas de organização que aqui exis-
tem se mantenham ordenadas e capazes de se regenerar.

6. Os pólos e forças semelhantes repelem-se ou permanecem impenetráveis


umas nas outras. Esta causa parece ser, de um modo geral, suficiente para
determinar os lugares e as distâncias relativamente às estrelas, aos
homens e às forças. Tal como homens com virtudes distintas entram em
sociedades, assim os pólos opostos se atraem; elementos que não têm
nenhuma propriedade em comum, como ácidos ou gases, ligam-se uns aos
outros preferencialmente, criando-se uma troca equilibrada entre o excesso
de oferta e a procura.

101
7. Da mesma forma que o olho procura e recebe satisfação de cores com-
plementares às que são dadas, assim a necessidade, a carência e o desejo
induzem, guiam e determinam a acção.

8. É um privilégio nosso ter consciência deste princípio e agir de acordo


com ele. Cuvier descobre um dente pertencente a uma raça extinta de
animais. Este dente precisa de um corpo para executar a sua função e por
si só define o tipo de corpo com tal precisão que Cuvier é capaz de recons-
truir a imagem deste animal.

9. Observam-se perturbações nos movimentos de Úrano. Leverrier precisa


de outro corpo num determinado sítio para manter em ordem o Sistema
Solar. Neptuno aparece no local e hora determinados.

10. As necessidades instintivas do animal e as necessidades intelectuais de


Cuvier, as necessidades da Natureza e as da mente de Leverrier eram
semelhantes e por isso os resultados assemelham-se; primeiro, os pensa-
mentos de uma existência, depois, a existência daquilo que se pensou. A
razão de ser das mais complexas operações da Natureza traduz-se numa
necessidade bem definida e ordenada.

11. Ao registarmos correctamente as respostas dadas pela Natureza, ao


alargarmos o espectro dos nossos sentidos e ao agarrarmos com as duas
mãos as alavancas que movem a terra, tornamo-nos conscientes de um
contacto tão próximo, tão variado e tão profundo com o mundo exterior que
percebemos que as nossas necessidades e objectivos estão identificados com
as operações harmoniosas desta vasta organização, da mesma forma que a
vida, a liberdade e a felicidade do cidadão estão identificadas com a exis-
tência do respectivo governo.

12. Tal como os interesses do indivíduo são protegidos pelos braços do seu
país para além dos seus próprios braços; tal como as suas necessidades
dependem de uma certa quantidade de oferta à medida que são sentidas de
forma mais universal e firme; assim a cidadania consciente na República
da Natureza protege-nos dos incómodos dos agentes subordinados, através
da aliança com poderes superiores; e através do conhecimento das leis fun-
damentais da resistência ou causalidade presentes nos agentes mecânicos
e químicos, distribuímos o trabalho a ser executado entre estes e o Homem,
da forma mais eficaz que o inventor for capaz de conceber.

13. Se Platão tivesse visto as imagens do Sol conseguidas pelo fotógrafo, ou


centenas de outras ilustrações semelhantes daquilo que o Homem faz
através da indução, talvez se lembrasse da profusão intelectual do seu
Mestre e tivesse criado na sua mente a visão de uma Terra onde todo o

102
trabalho manual e mecânico estaria a cargo do poder da Natureza, onde as
nossas necessidades seriam satisfeitas apenas por operações mentais, pos-
tas em acção pela vontade, onde a oferta seria criada pela procura.

14. Essa Terra pode parecer muito distante, mas a indução ensinou aos
homens a caminhar na sua direcção e permitiu rodeá-los de benefícios que
são ao mesmo tempo as recompensas da fidelidade do passado e os incenti-
vos para uma devoção ainda mais assídua.

15. É também uma ajuda à concentração e ao fortalecimento das nossas


capacidades, oferecendo-nos soluções a problemas individuais e universais
apenas através de meras operações mentais nas suas formas mais puras.

16. Aqui encontramos um método que defende que para conseguirmos


aquilo que procuramos, devemos acreditar que já está realizado. É um
método defendido pelo mesmo Platão que, fora da sua esfera de conheci-
mento, nunca descobriu como é que as ideias se tornam realidade.

17. Este conceito é também defendido por Swedenborg na sua doutrina por
correspondência; e outro grande mestre disse ainda, “Quando rezares,
acredita que estás a receber tudo aquilo que desejas e tudo isso será teu.”
(Marcos 11:24). É de notar as distinções entre os tempos verbais da cita-
ção.

18. Devemos primeiro acreditar que o nosso desejo está já realizado, a sua
manifestação seguir-se-á. Esta é uma forma concisa de dar uso ao poder
criativo do pensamento, impressionando a Mente subjectiva Universal com
aquilo que desejamos na qualidade de um facto existente.

19. Estamos assim a pensar no plano do absoluto e a eliminar qualquer


consideração relativamente a condições ou limitações. Estamos a plantar
uma semente que se não for perturbada, irá finalmente crescer no exterior.

20. Em suma: o raciocínio indutivo é o processo da mente objectiva através


do qual comparamos elementos distintos até encontrarmos o factor comum
que os une. Vemos pessoas em todos os países civilizados do mundo a obte-
rem resultados por processos que aparentemente não compreendem e aos
quais atribuem um certo grau de mistério. A Razão é-nos dada com o pro-
pósito de reconhecer a lei pela qual estes resultados são obtidos.

21. A operação deste processo de pensamento pode ser vista naquelas pes-
soas mais afortunadas que possuem tudo aquilo que outros devem adquirir
por esforço. Estas pessoas nunca lutam com a própria consciência, pois
agem sempre correctamente, nunca agem senão com tacto, aprendem tudo

103
facilmente, terminam com alegria tudo o que começam, vivem em eterna
harmonia com eles próprios sem nunca mostrarem muito o que fazem nem
passarem por dificuldades ou esforço.

22. O fruto deste pensamento é uma dádiva dos deuses, mas uma dádiva
que poucos ainda apreciam ou compreendem. É de extrema importância o
reconhecimento do maravilhoso poder que a mente possui sob condições
adequadas e o facto de que este poder pode ser utilizado, direccionado e
disponibilizado para resolver qualquer problema humano.

23. A Verdade é sempre a mesma, seja afirmada em termos científicos


modernos ou na linguagem de tempos apostólicos. Existem muitas almas
tímidas que não reconhecem que é preciso várias afirmações para se
conhecer toda a Verdade – nenhuma fórmula humana mostrará todas as
faces da Verdade.

24. A mudança, a ênfase, as novas linguagens, as novas interpretações, as


perspectivas não familiares não são indícios de um afastamento da Verda-
de, antes pelo contrário, são provas de que a Verdade está a ser apreendida
através de novas relações com as necessidades humanas e a ser compreen-
dida de uma forma mais abrangente.

25. A Verdade tem de ser contada de formas diferentes e novas a cada


geração e a cada pessoa, de modo que quando o Grande Mestre diz, “Acre-
dita que estás a receber e ser-te-á dado”, ou quando Paulo diz, “A fé é a
substância das coisas desejadas, a prova daquilo que não se vê”, ou quando
a ciência moderna diz, “A lei da atracção é a lei pela qual o pensamento se
relaciona com o seu objecto”, cada uma destas afirmações, quando analisa-
da, contém exactamente a mesma verdade. A única diferença reside na
forma de apresentação.

26. Encontramo-nos no limiar de uma nova era. O Homem aprendeu agora


os segredos da mestria e está a preparar o caminho para uma nova ordem
social, melhor do que qualquer coisa até hoje sonhada. O conflito da ciência
moderna com a teologia, o estudo comparativo das religiões, o poder tre-
mendo dos novos movimentos sociais, tudo isto abre caminho para uma
nova ordem. Podem ter destruído formas tradicionais que se tornaram
antiquadas e impotentes, mas nada de valor se perdeu.

27. Nasceu uma nova fé, uma fé que exige uma nova forma de expressão e
que está a tomar forma numa profunda consciência de poder, que começa a
manifestar-se na actual actividade espiritual presente em todos nós.

104
28. O espírito que está adormecido no mineral, que respira no vegetal, que
se move no animal e que atinge o seu maior desenvolvimento no Homem é
a Mente Universal. Esta impele-nos a conquistar o fosso entre ser e fazer,
entre a teoria e a prática, manifestando o nosso entendimento do domínio
que nos foi dado.

29. De longe, a maior descoberta de todos os séculos foi o poder do pensa-


mento. A importância desta descoberta tem chegado de uma forma lenta à
consciência geral, mas chegou e está a ser demonstrada em todos os cam-
pos de investigação.

30. Em que consiste o poder criativo do pensamento? Consiste na criação


de ideias que se objectivam através da apropriação, invenção, observação,
discernimento, descoberta, análise, governação, combinação e aplicação de
matéria e força. Tem a capacidade de fazer isto tudo porque é um poder
criativo e inteligente.

31. O pensamento atinge a sua maior actividade quando é lançado à sua


maior e misteriosa profundidade; quando quebra a estreita realidade do
“Eu” e passa de verdade em verdade até à região da luz eterna onde tudo
aquilo que é, foi ou será se funde em harmonia.

32. Deste processo de autocontemplação nasce a inspiração, que é inteli-


gência criativa e inegavelmente superior a qualquer elemento, força ou lei
da Natureza, pois pode compreendê-los, modificá-los, dominá-los e aplicá-
los em qualquer uso ou propósito e pode, portanto, possuí-los.

33. A Sabedoria nasce com o amanhecer da Razão e a Razão não é mais do


que o entendimento dos princípios pelos quais podemos conhecer o verda-
deiro significado das coisas. A Sabedoria é, portanto, Razão iluminada que
nos orienta para a humildade, pois esta ocupa uma grande parte da Sabe-
doria.

34. Todos nós já vimos muitos que alcançaram o aparentemente impossí-


vel, que realizaram sonhos de vida, que mudaram tudo incluindo eles pró-
prios. Ficámos muitas vezes maravilhados com a demonstração de um
poder aparentemente irresistível que parece estar sempre disponível
quando se precisa dele. Mas agora tudo se torna claro. Tudo o que se exige
é o entendimento de certos princípios específicos e da sua aplicação.

35. O seu exercício esta semana é concentrar-se na citação retirada da


Bíblia, “Quando rezares, acredita que estás a receber o que desejas e isso
ser-te-á dado”; repare que não existe qualquer limitação, “O que quer que
desejas” é bastante explícito e implica que a única limitação que possuímos

105
reside na nossa capacidade de pensar, de corresponder à ocasião, de nos
elevarmos à emergência, de nos lembrarmos que a Fé não é uma sombra
mas uma substância, “a substância das coisas desejadas, a prova daquilo
que não se vê.”

A morte é o processo natural pelo qual todas as formas materiais são lan-
çadas na fornalha, para que novas formas sejam criadas.

106
Perguntas de estudo com respostas

101. O que é o raciocínio indutivo?


- É o processo da mente objectiva pelo qual comparamos elementos separa-
dos até encontrarmos o factor comum que os une.

102. O que é que este método de estudo permitiu descobrir?


- Resultou na descoberta de um conjunto de leis que marcaram uma época
do progresso humano.

103. O que é que orienta e determina a acção?


- A necessidade, a carência e o desejo em larga medida induzem, orientam
e determinam a acção.

104. Qual é a fórmula para resolver qualquer problema individual?


- Devemos acreditar que o nosso desejo está já realizado; a sua manifesta-
ção seguir-se-á.

105. Que grandes Mestres o defenderam?


- Jesus, Platão, Swedenborg.

106. Qual é o resultado deste processo de pensamento?


- Por pensarmos no plano do absoluto, ao plantarmos uma semente e a dei-
xarmos imperturbável, ela germinará para o exterior.

107. Porque é que isto é cientificamente exacto?


- Porque é a Lei Natural.

108. O que é a Fé?


- “Fé é a substância das coisas desejadas, a prova daquilo que não se vê.”

109. O que é a Lei da Atracção?


- A Lei pela qual a Fé se manifesta.

110. Qual é a importância do entendimento desta lei?


- Leva à eliminação dos elementos de incerteza e capricho da vida dos
homens, substituindo-os por leis, razão e certeza.

107
108
Parte Doze

Junto encontra a Parte Doze. No quarto parágrafo encontrará a seguinte


afirmação: “Primeiro deverá ter o conhecimento do seu poder; segundo, a
coragem para arriscar; terceiro, a fé para o fazer.” Se se concentrar nos pen-
samentos dados, se lhes der total atenção, encontrará um mundo de signifi-
cados em cada frase, atrairá a si outros pensamentos em harmonia com eles
e em pouco tempo terá apreendido o pleno significado do conhecimento vital
em que se está a concentrar.

O conhecimento não se aplica por si só; como indivíduos devemos aplicá-lo,


fertilizando o pensamento com um propósito dinâmico.

O tempo e o pensamento que a maioria das pessoas desperdiça em esforços


inúteis alcançaria maravilhas se fossem bem orientados para um objectivo
específico. Para o fazer é necessário concentrar a sua força mental num
pensamento específico e segurá-lo, ao ponto de excluir todos os outros pen-
samentos. Se alguma vez olhou através do óculo de uma câmara, já reparou
que quando o objecto não está focado, a impressão torna-se difusa e imper-
ceptível. Mas quando se encontra o foco adequado, a imagem torna-se clara
e distinta. Isto ilustra o poder da concentração. Se não for capaz de se con-
centrar no objecto em vista, encontrará apenas um contorno difuso, indife-
rente, vago, indistinto e esborratado do seu ideal. O resultado que obtiver
corresponderá à sua imagem mental.

109
110
Parte Doze

1. Não existe qualquer propósito na vida que não possa ser alcançado atra-
vés do conhecimento científico ou do poder criativo do pensamento.

2. Este poder do pensamento é comum a todos. O Homem é, porque pensa.


O poder do pensamento do Homem é ilimitado, consequentemente, o seu
poder criativo é ilimitado.

3. Sabemos que o pensamento está a construir e a trazer para perto de nós


aquilo em que pensamos, ainda assim, temos dificuldade em banir o medo,
a ansiedade ou a falta de coragem, também elas poderosas forças de pen-
samento que continuamente afastam de nós as coisas que desejamos. Por-
tanto, frequentemente damos um passo em frente mas dois passos para
trás.

4. A única forma de impedir que tornemos atrás é continuar sempre em


frente. O preço do sucesso é a eterna vigilância. Existem três passos, cada
um é essencial. Primeiro deverá ter o conhecimento do seu poder; segundo,
a coragem para arriscar; terceiro, a fé para o fazer.

5. Com esta afirmação como fundação, você pode construir um negócio


ideal, uma casa ideal, amigos ideais e um ambiente ideal. Você não está
limitado quanto ao material ou ao custo. O pensamento é omnipotente e
possui a capacidade de retirar do Infinito banco de matéria-prima tudo
aquilo de que necessita. Tem, portanto, à sua disposição recursos Infinitos.

6. Mas o seu ideal tem de ser claro, distinto, definido; ter hoje um ideal,
outro amanhã e ainda um terceiro na próxima semana significa dispersar
as suas forças sem alcançar o que quer que seja; o resultado será uma
combinação caótica e inútil de desperdícios.

7. Infelizmente, este é o resultado que muitos obtêm e a causa disso é evi-


dente. Se um escultor começasse a trabalhar com um pedaço de mármore e

111
um cinzel e mudasse o seu ideal a cada quinze minutos, o que é que obte-
ria? E porque é que você haveria de ter um resultado diferente ao moldar a
maior e mais plástica de todas as substâncias, a única substância real?

8. A consequência desta indecisão e deste pensamento negativo encontra-


se, frequentemente, na perda de riqueza material que exigiu muitos anos
de trabalho e de esforço e que subitamente desaparece. Muitas vezes des-
cobre-se que afinal o dinheiro e a propriedade não são independentes.
Antes pelo contrário, a única independência consiste no conhecimento prá-
tico do poder criativo do pensamento.

9. Este conhecimento prático não surgirá até você aprender que o único
verdadeiro poder que pode possuir é o de se ajustar aos princípios Divinos
e imutáveis. Você não pode alterar o Infinito, mas pode compreender as
leis Naturais. A recompensa deste entendimento consiste num reconheci-
mento consciente da sua capacidade de ajustar os seus pensamentos com o
Pensamento Universal que é Omnipresente. A sua capacidade em cooperar
com esta Omnipotência determinará o grau de sucesso que encontrará.

10. Existem muitas falsificações do poder do pensamento que podem até


ser bastante fascinantes, mas os resultados são prejudiciais em vez de
benéficos.

11. É claro que a preocupação, o medo e todos os pensamentos negativos


produzem uma colheita da mesma espécie; aqueles que acolhem este tipo
de pensamentos irão inevitavelmente colher aquilo que semearam.

12. Por outro lado, existem os que procuram Fenómenos, que devoram as
provas e as demonstrações obtidas em sessões espíritas. Estes abrem as
suas portas mentais e ensopam-se nas mais venenosas correntes que
podem ser encontradas no mundo psíquico. Não compreendem que é a ten-
dência para se tornarem negativos, receptivos, passivos e esgotados da sua
força vital que permite que se manifestem vibrações de pensamento cor-
respondentes.

13. Há também os seguidores do Hinduísmo, que vêem uma fonte de poder


na materialização de fenómenos feitos pelos chamados adeptos, esquecen-
do ou nunca reconhecendo que a partir do momento que a vontade é reti-
rada, as formas murcham e as forças vibratórias que as compõem desapa-
recem.

14. A telepatia, ou transferência de pensamentos, tem recebido uma aten-


ção considerável, mas como requer um estado mental negativo da parte do
receptor, é uma prática prejudicial. Um pensamento pode ser enviado com

112
a intenção de ouvir ou ver, mas obtém-se de volta a penalidade da inversão
do princípio envolvido.

15. Em muitos casos, o hipnotismo é perigoso, tanto para o sujeito como


para o hipnotizador. Ninguém que esteja familiarizado com as leis que
governam o mundo mental pensaria tentar dominar a vontade de outrem,
pois ao fazê-lo iria gradualmente (mas efectivamente) esgotar o seu próprio
poder.

16. Todas estas perversões têm a sua satisfação temporária e para alguns
são um grande fascínio, mas é infinitamente mais fascinante a verdadeira
compreensão do mundo do poder interior, um poder que aumenta com o
uso; que é permanente em vez de temporário; que não só é um poderoso
remédio para curar os erros passados devidos a pensamentos incorrectos,
mas também um agente profiláctico que nos protege de todas as formas e
tipos de perigos; que é uma força criativa eficaz com a qual podemos cons-
truir novas condições e novos ambientes.

17. A lei diz-nos que o pensamento se relaciona com o seu objecto e se


manifesta no mundo material de forma correspondente à coisa pensada ou
produzida no mundo mental. Assim vemos a absoluta necessidade de
entender que cada pensamento contém em si o gérmen da Verdade, que se
manifesta através da lei do crescimento na direcção do bem, pois apenas o
bem possui um poder permanente.

18. O princípio que dá ao pensamento o poder dinâmico de se relacionar


com o seu objecto e, portanto, dominar qualquer experiência humana
adversa é a lei da atracção, a que também se pode chamar de Amor. Este é
um princípio eterno e fundamental, inerente a todas as coisas, a todos os
sistemas Filosóficos, a todas as Religiões e a todos os ramos da Ciência.
Não há maneira de escapar à lei do Amor. É o sentimento que concede
vitalidade ao pensamento. Sentimento é desejo e desejo é Amor. Um pen-
samento impregnado de Amor torna-se invencível.

19. Encontramos esta verdade onde quer que o poder do pensamento seja
reconhecido. A Mente Universal não só é inteligente, como também é subs-
tância e esta substância é a força atractiva que aproxima os electrões atra-
vés da lei da atracção para que formem átomos; os átomos, por sua vez,
aproximam-se para formar moléculas; as moléculas tomam formas objecti-
vas; e assim percebemos que a lei do amor é a força criativa por detrás de
cada manifestação não só dos átomos, mas do mundo, do Universo, de tudo
aquilo que a imaginação pode conceber.

113
20. É a operação desta maravilhosa lei da atracção que levou os homens de
todas as épocas a acreditar que deveria haver algum ser que respondia aos
seus pedidos e desejos e que manipulava os acontecimentos de forma a cor-
responderem aos seus requisitos.

21. É a combinação de Pensamento com Amor que forma a força irresistí-


vel a que chamamos de Lei da Atracção. Todas as Leis Naturais são irre-
sistíveis. A lei da Gravidade, Electricidade ou qualquer outra operam com
uma exactidão matemática. Não há variações; apenas o canal de distribui-
ção é que pode conter imperfeições. Se uma ponte cai, não atribuímos o
colapso a alguma variação da lei da gravidade. Se uma luz se apaga, não
podemos concluir que as leis que governam a electricidade deixaram de ser
fiáveis. Da mesma forma, se a lei da atracção parece ser imperfeitamente
demonstrada por uma pessoa inexperiente ou desinformada, não podemos
concluir que a maior e mais infalível lei sobre a qual todo o sistema de
criação depende desapareceu. Devemos concluir que é necessário um maior
entendimento da lei, pois a solução de um difícil problema Matemático
nem sempre se obtém de forma rápida e fácil.

22. Todas as coisas são criadas primeiro no mundo mental ou espiritual,


antes de aparecerem como acções ou acontecimentos. Através do simples
processo de controlarmos hoje as nossas forças de pensamento, estamos a
ajudar a criar os acontecimentos que ocorrerão nas nossas vidas no futuro,
ou mesmo amanhã. O desejo controlado é o meio mais poderoso de colocar
a lei da atracção em acção.

23. O Homem está constituído de forma a primeiro criar as ferramentas ou


meios pelos quais obtém o poder de pensar. A mente só consegue com-
preender uma ideia completamente nova quando existe uma célula cere-
bral de vibração correspondente preparada para a receber. Isto explica
porque é tão difícil para nós receber ou apreciar uma ideia inteiramente
nova; não há nenhuma célula cerebral capaz de a receber; ficamos, portan-
to, incrédulos; não acreditamos.

24. Se não está familiarizado com a Omnipotência da Lei da Atracção e


com o método científico pelo qual a podemos colocar em acção, ou se não
está familiarizado com as possibilidades ilimitadas que a lei concede àque-
les que forem capazes de tirar partido dos recursos que oferece, comece
agora a criar as células cerebrais que lhe permitam compreender os pode-
res ilimitados que podem ser seus se cooperar com a Lei Natural. Isto é fei-
to através da concentração e da atenção.

114
25. A intenção governa a atenção. O poder nasce do repouso. É através da
concentração que surgem todos os pensamentos profundos, todos os discur-
sos sábios e todas as forças de grande potencial.

26. É a partir do Silêncio que você entra em contacto com o poder Omnipo-
tente da mente subconsciente da qual todos os outros poderes se desenvol-
vem.

27. Aquele que deseja sabedoria, poder ou sucesso de qualquer tipo encon-
trá-lo-á apenas no interior; é algo que se revela. Alguns poderão pensar
que o silêncio é algo muito simples e fácil de obter, mas deve ser recordado
que só em absoluto silêncio é que se pode entrar em contacto com o Divino;
que se pode compreender a lei imutável e abrir os canais onde a prática
persistente e a concentração conduzem à perfeição.

28. Esta semana vá para o mesmo quarto, na mesma cadeira, na mesma


posição; certifique-se de que está relaxado, deixe-se ir, tanto mentalmente
como fisicamente; faça sempre isto; nunca tente fazer qualquer trabalho
mental sob pressão; certifique-se de que não há músculos ou nervos em
tensão, de que está perfeitamente confortável. Agora reconheça a sua uni-
dade com a Omnipotência; entre em contacto com este poder, obtenha um
profundo entendimento, apreciação e compreensão do facto de que a sua
capacidade para pensar é a faculdade que lhe permite agir sobre a Mente
Universal para que esta se manifeste; reconheça que ela satisfará todo e
qualquer requisito; reconheça que você tem exactamente a mesma capaci-
dade potencial que qualquer outro indivíduo alguma vez teve ou terá, pois
cada um é uma expressão ou manifestação do Uno, tudo é parte do todo,
não há diferença no tipo ou na qualidade, a única diferença está no grau de
expressão.

O pensamento não pode conceber nada que não se possa manifestar. Aquele
que o falou pode ter apenas sugerido, mas chegará sempre aquele que o
fará.

Wilson

115
Perguntas de estudo com Respostas

111. Como pode ser realizado qualquer propósito na vida?


- Através de uma compreensão científica da natureza espiritual do pensa-
mento.

112. Quais são os três passos essenciais?


- O conhecimento do nosso poder, a coragem para arriscar e a fé para fazer.

113. Como é assegurado o conhecimento prático?


- Através do conhecimento das Leis Naturais.

114. Qual é a recompensa do entendimento destas leis?


- O reconhecimento consciente da nossa capacidade de nos ajustarmos ao
princípio Divino e imutável.

115. O que determinará o grau de sucesso que encontraremos?


- O grau de compreensão do facto de que não podemos mudar o Infinito,
mas que devemos cooperar com ele.

116. Qual é o princípio que confere poder dinâmico ao pensamento?


- A Lei da Atracção, que actua através de vibrações que, por sua vez,
actuam através da lei do Amor. O pensamento impregnado de Amor torna-
se invencível.

117. Porque é que esta lei é irresistível?


- Porque é uma Lei Natural. Todas as Leis Naturais são irresistíveis e
imutáveis, e actuam com uma exactidão matemática. Não há quaisquer
desvios ou variações.

118. Porque é então difícil por vezes encontrar a solução para os nossos
problemas na vida?
- Pela mesma razão porque é por vezes difícil encontrar a solução correcta
para um exigente problema matemático. O indivíduo é inexperiente ou mal
informado.

119. Porque é que é impossível para a mente absorver uma ideia totalmen-
te nova?
- Não possuímos células cerebrais de vibração correspondente para receber
essa ideia.

120. Como obtemos sabedoria?


- Através de concentração; é algo que se revela; nasce do interior.

116
Parte Treze

A ciência física é a responsável pela maravilhosa era de progresso em que


vivemos, mas a ciência espiritual só agora está a ser desenvolvida, contendo
em si possibilidades que ninguém pode prever.

A ciência espiritual tem sido banalizada pelo homem inculto, pelo supersti-
cioso, pelo místico, mas agora o interesse foca-se em encontrar métodos
definitivos e factos demonstráveis.

Sabemos já que o pensamento é um processo espiritual, que a visão e a


imaginação precedem a acção e o acontecimento, que chegou a era dos
sonhadores.

Relativamente a esta entidade, a seguinte citação do Sr. Herbert Kaufman é


de grande interesse:

“Eles são os arquitectos da grandeza, a sua visão repousa nas suas almas,
eles vêem para além da névoa da dúvida e destroem as paredes do Tempo
futuro. Fazedores de Impérios, eles lutaram por coisas maiores do que
coroas e lugares mais elevados que tronos. As vossas casas estão colocadas
na Terra que os sonhadores descobriram. As imagens nas paredes são
visões da alma de um sonhador. Eles são os escolhidos – os batedores do
caminho. Paredes desmoronam-se e Impérios caem, a grande onda mari-
nha destrói a fortaleza pelas suas fundações. Nações apodrecidas caem dos
ramos do Tempo, apenas perduram as coisas criadas pelos sonhadores.”

A Parte Treze que se segue, explica porque é que os sonhos dos sonhadores
se realizam. Explica a lei da causalidade pela qual os sonhadores, invento-
res, autores, financeiros, realizam os seus desejos. Explica a lei, pela qual
tornamos nossa, a coisa imaginada na nossa mente.

117
118
Parte Treze

1. Tem sido uma tendência e uma necessidade por parte da ciência, procu-
rar uma explicação para os factos do dia-a-dia através de uma generaliza-
ção de outros factos menos frequentes que formam as excepções. Desta
forma, a erupção do vulcão manifesta o calor que existe no interior da Ter-
ra e à qual esta deve grande parte da configuração.

2. Também o relâmpago revela uma força subtil que constantemente pro-


duz mudanças no mundo inorgânico. Línguas que outrora dominaram o
mundo hoje mal se ouvem, da mesma forma, um dente gigante encontrado
na Sibéria ou um fóssil enterrado nas profundezas da terra não só regis-
tam a evolução das eras passadas, como também nos revelam a origem dos
montes e dos vales que hoje habitamos.

3. Assim, a generalização de factos que são raros, estranhos ou que for-


mam a excepção, tem sido a agulha magnética que orienta todas as desco-
bertas da ciência indutiva.

4. Este método baseia-se na razão e na experiência e, portanto, destruiu a


superstição, o precedente e a convencionalidade.

5. Há já trezentos anos que Lord Bacon recomendou este método de estudo,


ao qual as nações civilizadas devem grande parte da sua prosperidade e a
mais valiosa parte do seu conhecimento; fez com que as mentes expulsas-
sem os seus limitados preconceitos e falsas teorias; através de experiências
surpreendentes e com mais sucesso do que demonstrando a própria igno-
rância, virou a atenção dos homens, do céu para a terra; educou as capaci-
dades inventivas através da perspectiva de descobertas úteis acessíveis a
todos.

6. O método de Bacon capturou o espírito e o objectivo dos grandes filósofos


gregos e deu-lhe uma utilização prática, através de novos meios de obser-
vação; gradualmente, revelou um incrível campo de conhecimento no infi-

119
nito espaço da Astronomia, no ovo microscópico da Embriologia e no incer-
to mundo da Geologia; permitiu descobrir uma ordem que nem a lógica de
Aristóteles poderia revelar e permitiu analisar separadamente os ante-
riormente desconhecidos elementos da matéria, o que nem a dialéctica ou a
escolástica conseguiriam fazer.

7. Este método prolongou a vida, eliminou a dor, acabou com doenças,


aumentou a fertilidade do solo, deu maior segurança ao marinheiro, permi-
tiu atravessar grandes rios com pontes de formas desconhecidas dos nossos
antepassados, guiou o relâmpago do céu para a terra, iluminou a noite com
o esplendor do dia, aumentou o alcance da visão humana, multiplicou o
poder dos músculos humanos, acelerou o movimento, aniquilou distâncias,
facilitou a comunicação, a correspondência entre amigos ou empresas,
permitiu aos homens descer às profundezas do mar, voar pelos céus, pene-
trar com segurança nas entranhas da Terra.

8. Esta é a verdadeira natureza e objectivo da indução. E quanto maior é o


sucesso alcançado pelos homens através da ciência indutiva, mais o teor
dos seus ensinamentos e exemplos nos imprimem a necessidade de cuida-
dosa e pacientemente, com precisão, e com todos os instrumentos e recur-
sos à nossa disposição, observar os factos individuais antes de nos aventu-
rarmos na afirmação de leis gerais.

9. Que sejamos corajosos como Franklin e, sob a forma de um papagaio,


coloquemos às nuvens a questão da natureza do relâmpago, para que pos-
samos determinar o comportamento da faísca criada pelo motor eléctrico
em quaisquer circunstâncias. Que tenhamos a ousadia de perguntar à lua
acerca da força que a prende à Terra para que, com a precisão de Galileu,
possamos determinar a maneira como os corpos caem.

10. Em suma, através do valor que atribuímos à verdade da nossa espe-


rança num progresso estável e universal, não permitamos que um precon-
ceito tirânico negligencie ou mutile factos indesejados, mas apoiemo-nos na
superstrutura da ciência, sobre uma base imutável, onde toda a atenção é
dirigida tanto ao fenómeno mais isolado, como ao mais frequente.

11. Através da observação reunimos cada vez mais matéria, mas os factos
acumulados possuem diferentes valores relativamente à explicação da
Natureza e, tal como nós valorizamos mais as qualidades humanas que são
raras, da mesma forma a filosofia natural filtra os factos e atribui uma
especial importância à classe de elementos que não podem ser recolhidos
através da observação diária habitual.

120
12. Se encontrarmos, então, aquelas pessoas que parecem possuir um
poder fora do vulgar, o que poderemos concluir? Primeiro diríamos que não
pode ser, o que é simplesmente o reconhecimento da nossa falta de infor-
mação, já que qualquer investigador honesto admite que existem muitos
fenómenos estranhos e inclassificáveis a ocorrerem constantemente. No
entanto, aqueles que se familiarizam com o poder criativo do pensamento,
nunca mais os considerarão inclassificáveis.

13. Em segundo diríamos que são produto de uma interferência sobrenatu-


ral, embora um entendimento científico das Leis Naturais convencer-nos-á
de que não existe nada sobrenatural. Todos os fenómenos resultam de uma
causa específica, sendo esta um princípio ou lei imutável que opera com
uma precisão invariável, quer a lei tenha sido colocada em acção de forma
consciente ou inconsciente.

14. Em terceiro diríamos que estamos em “terras proibidas”, que há coisas


que não deveríamos saber. Este argumento foi usado contra todos os pro-
gressos do conhecimento humano. Todos os indivíduos que alguma vez
avançaram com uma ideia nova, Colombo, Darwin, Galileu, Fulton ou
Emerson, foram sujeitos a humilhações e perseguições, pelo que este
argumento nunca deveria ser tomado em séria consideração; antes pelo
contrário, deveríamos considerar cuidadosamente cada facto que nos cha-
ma a atenção. Ao fazê-lo, determinaremos com mais precisão a lei sobre a
qual se baseia.

15. Isto revela que o poder criativo do pensamento é a causa de qualquer


condição ou experiência física, mental ou espiritual.

16. O pensamento manifestará condições em exacta correspondência com a


atitude mental predominante. Portanto, se recearmos um fracasso e como
o medo é uma forma de pensamento poderosa, o resultado desse pensa-
mento será sem dúvida na forma de fracasso. É esta forma de pensamento
que frequentemente deita abaixo o resultado de muitos anos de trabalho e
esforço.

17. Se formos capazes de pensar nalguma forma de riqueza material,


somos capazes de a conseguir. Através do pensamento concentrado mani-
festamos as condições e o esforço necessários, o que resultará na manifes-
tação das circunstâncias necessárias para realizar os nossos desejos. Mas
muitas vezes, quando recebemos as coisas que pensávamos desejar, elas
não produzem o efeito que esperávamos. Ou seja, a satisfação é apenas
temporária ou possivelmente o inverso daquilo que esperávamos.

121
18. Qual é, então, a maneira correcta de proceder? O que é que devemos
pensar de modo a conseguir o que realmente desejamos? Aquilo que você e
eu desejamos, aquilo que todos desejam, que todos procuram é Felicidade e
Harmonia. Se formos realmente felizes, teremos tudo aquilo que o mundo
pode oferecer. Se formos realmente felizes, podemos fazer os outros felizes
também.

19. Mas não seremos felizes enquanto não possuirmos saúde, força, ami-
gos, um ambiente agradável, proveito suficiente não só para dar conta das
nossas necessidades, mas para o conforto e luxo a que temos direito.

20. A velha maneira ortodoxa de pensamento dizia que devíamos ser “um
verme”, contentando-nos com a nossa porção da existência. Mas a ideia
moderna é a de saber que temos direito ao melhor de tudo, que o “Pai e Eu
somos um” e que o “Pai” é a Mente Universal, o Criador, a Substância Ori-
ginal da qual todas as coisas procedem.

21. Admitindo que em teoria tudo isto é verdade, que tem sido ensinado
durante dois mil anos e que é a essência de todos os sistemas de filosofia e
religião, como o tornamos uma prática nas nossas vidas? Como obter resul-
tados tangíveis, aqui e agora?

22. Em primeiro lugar, temos de colocar o nosso conhecimento em prática.


Nada pode ser alcançado de outra forma. O atleta pode ler livros e ter
lições durante toda a vida sobre treino físico, mas até começar a entregar
força através de trabalho, ele nunca receberá mais força de volta. Ele rece-
berá exactamente aquilo que dá, mas primeiro tem de dar. Acontece exac-
tamente o mesmo connosco, receberemos exactamente o que dermos, mas
primeiro teremos de dar. E o que recebermos virá em multiplicado, pois
dar é simplesmente um processo mental, dado que os pensamentos são
causas e as condições são efeitos. Assim, ao darmos pensamentos de cora-
gem, inspiração, saúde ou ajuda de qualquer espécie, estamos a dar início
às causas que produzirão os respectivos efeitos.

23. O pensamento é uma actividade espiritual e é, portanto, criativo, mas


não se iluda, o pensamento não criará nada enquanto não for direccionado
de forma consciente, sistemática e construtiva e esta é a diferença entre
um pensamento ocioso, que é simplesmente uma dissipação de esforço e
um pensamento construtivo, que possui um alcance praticamente ilimita-
do.

24. Sabemos já que tudo aquilo que recebemos chega através da Lei da
Atracção. Um pensamento feliz não pode existir numa consciência infeliz,
portanto, a consciência tem de mudar e à medida que muda, todas as con-

122
dições necessárias à nova consciência terão de gradualmente mudar, de
modo a corresponderem aos requisitos da nova situação.

25. Ao criarmos uma Imagem Mental ou um Ideal, estamos a projectar um


pensamento na Substância Universal de onde todas as coisas são criadas.
Esta Substância Universal é Omnipresente, Omnipotente e Omnisciente.
Teremos nós o direito de informar o Omnisciente acerca do canal adequado
a ser usado para materializar o nosso pedido? Pode o finito aconselhar o
Infinito? Esta é a causa do fracasso, de todos os fracassos. Nós reconhece-
mos a Omnipresença da Substância Universal, mas falhamos em reconhe-
cer que esta substância é também Omnipotente e Omnisciente e, conse-
quentemente, dará início a causas sob formas que nos são totalmente des-
conhecidas.

26. A melhor maneira de conservarmos os nossos interesses é através do


reconhecimento do Poder e Sabedoria Infinitos da Mente Universal, sendo
desta forma um canal pelo qual o Infinito realiza o nosso desejo. Isto signi-
fica que o reconhecimento se traduz em materialização, portanto, para o
seu exercício desta semana use este princípio, reconheça o facto de que
você é uma parte do todo e que uma parte tem de ser do mesmo tipo e qua-
lidade que o todo, a única diferença reside no grau de expressão.

27. Quando este tremendo facto começar a permear a sua consciência,


quando realmente começar a reconhecer que você (não o seu corpo, mas o
seu Ego), o Eu, o espírito que pensa é uma parte integrante do grande
Todo; que é da mesma substância em qualidade e em tipo; que o Criador
não poderia ter criado nada de diferente para Si próprio, também você
poderá dizer, “O Pai e Eu somos um” e reconhecerá a beleza, a grandeza e
as oportunidades transcendentes que foram colocadas à sua disposição.

Faz aumentar em mim aquela sabedoria que revela os meus verdadeiros


interesses, fortalece a minha determinação, para que possa executar aquilo
que a sabedoria ordena.

Franklin

123
Perguntas de estudo com Respostas

121. Qual é o método, pelo qual os filósofos naturais obtêm e aplicam o seu
conhecimento?
- Observando factos individuais de forma cuidadosa, paciente, precisa,
usando todos os instrumentos e recursos de que dispõem, antes de estabe-
lecerem leis gerais.

122. Como nos podemos assegurar de que este método é correcto?


- Não permitindo que um preconceito tirânico negligencie ou mutile factos
indesejados.

123. Quais são as classes de factos mais valorizadas?


- Aquelas que não podem ser recolhidas pela observação diária e habitual
da vida.

124. Sobre que princípio está estabelecido?


- Sobre a razão e a experiência.

125. O que é que permite destruir?


- A superstição, o precedente e a convencionalidade.

126. Como foram descobertas estas leis?


- Através da generalização de factos estranhos, raros, que formam as
excepções.

127. Como é que podemos justificar muitos dos fenómenos estranhos e até
então inexplicáveis que ocorrem constantemente?
- Acontecem devido ao poder criativo do pensamento.

128. Porque é que é assim?


- Porque quando passamos a conhecer um facto, podemos ter a certeza de
que é resultado de uma causa específica e que esta causa opera com uma
precisão invariável.

129. Qual é o resultado deste conhecimento?


- Explica a causa de qualquer possível condição, seja física, mental ou espi-
ritual.

130. Como é que o nosso melhor interesse é conservado?


- Através do reconhecimento do facto de que o conhecimento da natureza
criativa do pensamento nos põe em contacto com o poder Infinito.

124
Parte Catorze

Até este ponto, o seu estudo permitiu-lhe conhecer que o pensamento é uma
actividade espiritual e possui, portanto, poder criativo. Isto não significa
que apenas alguns pensamentos são criativos, mas que todo o pensamento é
criativo. O mesmo princípio pode ser posto em acção de forma negativa,
através do processo de negação.

O consciente e o subconsciente são apenas duas fases de acção ligadas a


uma única mente. A relação entre o subconsciente e o consciente é seme-
lhante àquela que existe entre o cata-vento e a atmosfera.

A mais pequena pressão da atmosfera causa uma reacção no cata-vento, da


mesma forma, o mais pequeno pensamento em que a mente consciente per-
siste produz na sua mente subconsciente uma acção, na exacta proporção
da profundidade do sentimento que caracteriza esse pensamento e com a
intensidade do próprio pensamento.

Segue-se então que se negar condições insatisfatórias, está a retirar-lhes o


poder criativo do pensamento. Está a eliminá-las pela raiz. Está a retirar-
lhes a sua vitalidade.

Lembre-se que a lei do crescimento governa todas as manifestações objecti-


vas, portanto, a negação de condições insatisfatórias não manifestará uma
mudança imediata. Uma planta permanecerá visível durante algum tempo
depois de se lhe terem cortado as raízes, mas irá gradualmente esmorecer e
eventualmente desaparecer. Portanto, ao fazer com que o pensamento deixe
de contemplar condições insatisfatórias, essas condições irão gradualmente
desaparecer.

Irá ver que este é o caminho oposto daquele que estaríamos inclinados a
tomar.

125
Irá, portanto, ter um efeito oposto daquele que é habitualmente obtido. A
maioria das pessoas concentra-se intensamente nas condições insatisfató-
rias, dando a essas condições a medida de energia e vitalidade necessárias
para permitir um vigoroso crescimento.

126
Parte Catorze

1. A Energia Universal, da qual todo o movimento, luz, calor e cor têm ori-
gem, não possui as limitações dos efeitos que causa, é superior a eles. Esta
Substância Universal é a fonte de todo o Poder, Sabedoria e Inteligência.

2. Reconhecer esta Inteligência é familiarizar-se com a faculdade cognitiva


da Mente e, através dela, mover-se na Substância Universal, manifestan-
do-a em relações harmoniosas.

3. Isto é algo que nem o mais especializado cientista físico tentou fazer – é
um campo de descoberta sobre o qual ainda não se lançou: de facto, apenas
algumas escolas materialistas captaram o primeiro raio desta luz. Parece
não ter ainda despertado neles o facto de que a sabedoria está tão presente
em todo o lado, como o estão as forças e as substâncias.

4. Alguns dirão que se estes princípios são verdadeiros, porque não os


demonstramos? Se o princípio fundamental está obviamente correcto, por-
que é que não obtemos os resultados adequados? A verdade é que obtemos.
Obtemos resultados de acordo com o nosso entendimento da lei e de acordo
com a nossa capacidade de a aplicar adequadamente. Não fomos capazes
de obter qualquer resultado das leis que governam a electricidade, até
alguém ter formulado a lei e nos ter mostrado como aplicá-la.

5. Isto coloca-nos numa posição completamente nova relativamente ao nos-


so ambiente, abrindo possibilidades até então sonhadas, basta apenas a
correcta aplicação da lei que envolve naturalmente a nossa atitude mental.

6. A Mente é criativa e o princípio sobre o qual esta lei é baseada é são e


legítimo, inerente à natureza das coisas; este poder criativo não tem ori-
gem no indivíduo mas no Universal, que é a origem e fonte de toda a ener-
gia e substância, o indivíduo é apenas o canal de distribuição desta ener-
gia. O indivíduo é o meio pelo qual o Universal produz as várias combina-
ções que resultam na formação de fenómenos.

127
7. Já sabemos que os cientistas dividiram a matéria numa imensidão de
moléculas; estas moléculas foram divididas em átomos e os átomos em
electrões. A descoberta de electrões em tubos de vidro em vácuo indica con-
clusivamente que estes electrões ocupam todo o espaço; existem por todo o
lado, são omnipresentes. Preenchem todos os corpos materiais e ocupam
tudo aquilo que chamamos de espaço vazio. Esta é, portanto, a Substância
Universal de onde todas as coisas têm origem.

8. Os electrões permaneceriam electrões se não fossem orientados para


formarem átomos e moléculas e o que os orienta é a Mente. Um número de
electrões girando em torno de um centro de atracção constitui um átomo;
os átomos unem-se em relações matemáticas absolutamente regulares e
formam moléculas, estas unem-se para formar uma multiplicidade de
compostos que por sua vez se unem para formar o Universo.

9. O átomo mais leve que se conhece é o de hidrogénio, que é 1,700 vezes


mais pesado que um electrão. Um átomo de mercúrio é 300,000 vezes mais
pesado que um electrão. Os electrões são pura electricidade negativa e
como possuem a mesma velocidade potencial que qualquer outra forma de
energia cósmica, tal como o calor, luz, electricidade e pensamento, não se
toma em consideração o factor tempo ou espaço. O modo como a velocidade
da luz foi determinada é interessante.

10. A velocidade da luz foi determinada pelo astrónomo dinamarquês


Roemer em 1676, ao observar os eclipses das luas de Júpiter. Quando a
Terra estava mais próxima de Júpiter, o eclipse acontecia oito minutos e
meio mais cedo que o calculado e quando a Terra estava mais afastada de
Júpiter, acontecia oito minutos e meio mais tarde. Roemer concluiu que a
razão era por serem necessários 17 minutos para que a luz percorresse a
distância do diâmetro da órbita da Terra, o que determinava as diferenças
das distâncias entre a Terra e Júpiter. Este cálculo tem sido verificado
desde então e prova que a luz viaja a cerca de 300,000 quilómetros por
segundo.

11. No corpo, os electrões manifestam-se nas células e possuem inteligên-


cia suficiente para executar as suas funções na anatomia física do ser
humano. Qualquer parte do corpo é composta por células, algumas operam
independentemente, outras em comunidade. Algumas estão ocupadas a
reconstruir tecidos, enquanto outras produzem as várias secreções neces-
sárias ao corpo. Algumas operam como transportadoras de materiais;
outras são como cirurgiões, cujo trabalho é reparar os danos; outras são
varredoras, eliminando o desperdício; outras estão em constante alerta

128
para repelir invasores ou quaisquer intrusos indesejáveis da família dos
germes.

12. Todas estas células movem-se com um propósito comum e cada uma
não só é um organismo vivo, como possui inteligência suficiente para exe-
cutar as suas tarefas. Possui também inteligência suficiente para conser-
var energias e perpetuar a própria vida. Assegura, portanto, uma alimen-
tação suficiente e foi já descoberto que possui poder de escolha relativa-
mente à selecção de tais alimentos.

13. Cada célula nasce, reproduz-se, morre e é absorvida. A manutenção da


nossa saúde e da própria vida depende da regeneração constante destas
células.

14. Podemos dizer então que existe uma mente em todos os átomos do cor-
po; esta mente tem um carácter negativo e o poder de pensar do indivíduo
torna-o positivo, de maneira que possa controlar esta mente negativa. Esta
é a explicação científica para as curas metafísicas e permite a qualquer um
compreender o princípio sobre o qual repousa este fenómeno notável.

15. Esta mente negativa que está contida em todas as células do corpo foi
chamada de mente subconsciente, porque actua sem o nosso reconheci-
mento consciente. Vimos já que esta mente subconsciente reage à vontade
da mente consciente.

16. Todas as coisas têm a sua origem na mente e as aparências são resul-
tado do pensamento. Portanto vemos que as coisas por si só não têm qual-
quer origem, permanência ou realidade, já que são produzidas pelo pensa-
mento, logo, podem ser apagadas através do pensamento.

17. Tal como na ciência natural, estão a ser feitas experiências relativa-
mente à ciência mental e cada descoberta aproxima o Homem do seu pos-
sível objectivo. Vemos que cada indivíduo é o reflexo do pensamento que
manteve durante toda a sua vida. Este facto está gravado na sua cara, na
sua forma, no seu carácter, no seu ambiente.

18. Por detrás de cada efeito reside uma causa e se seguirmos o trilho até
ao ponto de partida, descobriremos o princípio criativo do qual esse efeito
nasceu. Existem já tantas provas desta afirmação, que esta verdade é
geralmente aceite.

19. O mundo objectivo é controlado por um poder invisível e até agora


inexplicável. Nós personalizámos este poder e chamámos-lhe Deus. No

129
entanto, aprendemos agora a vê-lo como a essência ou o Princípio que
permeia tudo o que existe – o Infinito ou Mente Universal.

20. A Mente Universal, sendo infinita e omnipotente, possui recursos ilimi-


tados ao seu dispor e se nos lembrarmos que é também omnipresente, não
podemos fugir à conclusão de que nós temos que ser também uma expres-
são ou manifestação dessa Mente.

21. O reconhecimento e entendimento dos recursos da mente subconsciente


indicarão que a única diferença entre o subconsciente e o Universal reside
no grau de expressão. Diferem apenas como uma gota de água difere do
oceano. São do mesmo tipo e qualidade, a diferença reside apenas na
dimensão.

22. Será que consegue apreciar o valor deste facto extremamente impor-
tante; reconhece que o entendimento deste facto tremendo coloca-o em con-
tacto com a Omnipotência? Sendo a mente subconsciente o elo entre a
Mente Universal e a mente consciente, não é evidente que a mente cons-
ciente pode sugerir pensamentos que a mente subconsciente coloca depois
em acção e como o subconsciente é uno com o Universal, não é evidente que
é impossível impor limites à sua actividade?

23. Um entendimento científico deste princípio explica os resultados mara-


vilhosos que são obtidos através do poder da oração. Os resultados obtidos
desta forma não surgem devido a alguma providência especial, antes pelo
contrário, são resultado da operação de uma lei perfeitamente natural.
Não há, portanto, nada de religioso ou de misterioso nisso.

24. No entanto, muitos não estão ainda prontos para adoptar a necessária
disciplina de pensar correctamente, mesmo sendo evidente que o pensa-
mento incorrecto só lhes trouxe fracassos.

25. O pensamento é a única realidade; as condições são apenas manifesta-


ções exteriores; quando o pensamento muda, todas as condições materiais
e exteriores têm de mudar, de forma a permanecerem em harmonia com o
seu criador, o pensamento.

26. Mas o pensamento tem de ser claro, firme, fixo, definido, inalterável;
você não pode dar um passo para a frente e dois para trás, nem pode pas-
sar vinte ou trinta anos da sua vida a construir condições negativas como
resultado de pensamentos negativos e depois esperar que tudo se desvane-
ça com quinze ou vinte minutos de pensamentos correctos.

130
27. Se adoptar a disciplina necessária para manifestar uma mudança radi-
cal na sua vida, deverá fazê-lo deliberadamente, depois de o ter considera-
do de forma cuidadosa, de maneira a não permitir que nada interfira com a
sua decisão.

28. Esta disciplina, esta mudança de pensamento, esta atitude mental, não
só manifestará as coisas materiais necessárias para o seu melhor e mais
elevado bem-estar, mas manifestará saúde e condições gerais harmoniosas.

29. Se deseja condições harmoniosas na sua vida, deve desenvolver uma


atitude mental harmoniosa.

30. O seu mundo exterior será um reflexo do seu mundo interior.

31. Esta semana concentre-se na Harmonia e quando digo concentre-se,


refiro-me a tudo o que a palavra implica; concentre-se de forma profunda e
dedicada, de maneira que mais nada senão a harmonia ocupe a sua cons-
ciência. Lembre-se que aprendemos, fazendo. Apenas ler estas lições não o
leva a lado nenhum. O valor delas reside na aplicação prática.

Aprenda a manter a porta fechada, mantenha fora da sua mente e fora do


seu mundo qualquer elemento que pretenda entrar e que não possua algum
propósito benéfico.

George Matthew Adams

131
Perguntas de estudo com Respostas

131. Qual é a fonte de toda a Sabedoria, Poder e Inteligência?


- É a Mente Universal.

132. Qual a origem do movimento, da luz, do calor e da cor?


- É a Energia Universal, que representa uma manifestação da Mente Uni-
versal.

133. Qual a origem do poder criativo do pensamento?


- É a Mente Universal.

134. O que é o pensamento?


- Mente em movimento.

135. Como é que o Universal se diferencia em formas?


- O indivíduo é o meio pelo qual o Universal produz as várias combinações
que resultam na formação dos fenómenos.

136. Como é isto conseguido?


- O poder de pensar do indivíduo representa a sua capacidade de actuar
sobre o Universal e de o manifestar.

137. Qual é a primeira forma que o Universal toma?


- Electrões, que ocupam todo o espaço.

138. A que se deve a origem de todas as coisas?


- À Mente.

139. Qual é o resultado de uma mudança no pensamento?


- Uma mudança nas condições.

140. Qual o resultado de uma atitude mental harmoniosa?


- Condições harmoniosas na vida.

O pensamento, ainda que imaterial, é a matriz que dá forma à matéria da


vida. A mente tem estado activa em todos os campos, durante este século
proveitoso, mas é na ciência que devemos procurar os pensamentos que
deram forma a toda a Humanidade.

132
Parte Quinze

Experiências feitas com parasitas e plantas, indicam que até as formas de


vida mais inferiores são capazes de tirar partido das leis naturais. Esta
experiência foi feita por Jacques Loch, M.D, Ph.D., membro do Instituto
Rockefeller.

“De forma a obter os elementos de pesquisa, é colocado um vaso com uma


planta numa sala em frente a uma janela fechada. Se as plantas forem dei-
xadas a murchar, os pulgões (parasitas), que anteriormente não tinham
asas, tornam-se insectos alados. Depois de a metamorfose estar concluída,
os animais deixam as plantas, voam para a janela e trepam o vidro.”

É evidente que estes insectos descobriram que as plantas em que se alimen-


tavam estavam mortas e que não conseguiriam obter dali mais nada para
comer ou beber. O único método pelo qual poderiam escapar à morte era
desenvolverem asas e voar, que foi o que fizeram.

Experiências como estas indicam que a Omnisciência e a Omnipotência são


omnipresentes e que a mais pequena forma de vida pode tirar partido disso,
em caso de emergência.

A Parte Quinze dir-lhe-á mais acerca da lei segundo a qual vivemos. Expli-
cará que estas leis operam para nosso benefício; que todas as condições e
experiências que nos aparecem têm como objectivo o nosso bem; que
ganhamos força na proporção do esforço despendido e que a nossa felicida-
de é melhor alcançada através da cooperação consciente com as leis natu-
rais.

133
134
Parte Quinze

1. As leis segundo as quais vivemos existem unicamente para nosso benefí-


cio. Estas leis são imutáveis e não podemos fugir à sua influência.

2. Todas as grandes e eternas forças operam num silêncio solene, mas está
nas nossas mãos colocarmo-nos em harmonia com elas, expressando assim
uma vida de paz e felicidade.

3. As dificuldades, desarmonias e obstáculos indicam que ou estamos a


recusar soltarmo-nos do que já não precisamos, ou a recusar aceitar aquilo
de que precisamos.

4. O crescimento é obtido através da troca do velho pelo novo, do bom pelo


melhor; é uma acção recíproca ou condicional, pois cada um de nós é uma
entidade completa de pensamento e esta plenitude faz com que recebamos
apenas segundo o que dermos.

5. Se nos agarrarmos ao que temos, não conseguiremos obter aquilo que


nos falta. Seremos capazes de controlar conscientemente as nossas condi-
ções quando sentirmos o propósito daquilo que atraímos e formos capazes
de extrair de cada experiência apenas aquilo de que precisamos para o
nosso posterior crescimento.

6. A capacidade de nos apropriarmos do que precisamos para o nosso cres-


cimento, aumenta à medida que alcançamos planos mais elevados e visões
mais abrangentes e quanto maior for a nossa capacidade de saber o que
precisamos, mais certezas teremos acerca de como encontrá-lo, de como
atraí-lo e absorvê-lo. Só atraímos aquilo que é necessário para o nosso
crescimento.

7. Todas as condições e experiências surgem para nosso benefício. As difi-


culdades e obstáculos continuarão a aparecer até termos absorvido a sua
sabedoria e termos recolhido deles o essencial para o nosso crescimento.

135
8. É uma certeza matemática, o facto de que colhemos aquilo que semea-
mos. Adquirimos forças permanentes na proporção exacta do esforço
requerido para ultrapassar as dificuldades.

9. A lei do crescimento diz-nos que exercemos o maior grau de atracção por


aquilo que está em perfeita concordância connosco. A nossa maior felicida-
de será obtida através do entendimento e da cooperação consciente com as
leis naturais.

10. Para que possua vitalidade, o pensamento tem de estar impregnado de


amor. O amor é um produto das emoções. É, portanto, essencial que as
emoções estejam controladas e orientadas pelo intelecto e pela razão.

11. É o amor que concede vitalidade ao pensamento e que permite que ele
germine. A lei da atracção, ou lei do amor, pois são uma e a mesma coisa,
recolherá o material necessário para o seu crescimento e amadurecimento.

12. A primeira forma que o pensamento toma é a linguagem, ou palavras;


isto determina a importância das mesmas; são a primeira manifestação do
pensamento – os navios onde o pensamento é transportado. Elas apro-
priam-se do éter e ao colocá-lo em movimento, reproduzem aos outros o
pensamento sob a forma de sons.

13. O pensamento pode levar a qualquer tipo de acção, mas a acção, qual-
quer que seja, representa sempre uma tentativa do pensamento em
expressar-se de forma visível. É, portanto, evidente que se desejamos con-
dições agradáveis, só nos podemos dar ao luxo de ter pensamentos agradá-
veis.

14. Isto leva à conclusão inevitável de que se desejamos expressar abun-


dância nas nossas vidas, só nos podemos dar ao luxo de pensar em abun-
dância e como as palavras são apenas pensamentos a ganhar forma, temos
de ter muito cuidado para usar apenas uma linguagem construtiva e har-
moniosa que, quando finalmente cristalizada em formas objectivas, nos
sirva de forma benéfica.

15. Nós não conseguimos escapar das imagens que constantemente foto-
grafamos na nossa mente e este registo fotográfico de conceitos errados é o
que é feito pelo uso das palavras quando usamos uma forma de linguagem
que não se identifique com o nosso bem-estar.

16. Manifestamos cada vez mais vitalidade à medida que o nosso pensa-
mento se clarifica e alcança planos mais elevados. Isto é alcançado mais

136
facilmente quando usamos palavras claramente definidas, sem as concep-
ções menos elevadas normalmente associadas a elas.

17. É através de palavras que devemos expressar os nossos pensamentos,


e se desejamos tirar proveito de níveis mais elevados da Verdade, devemos
usar apenas o material que foi cuidadosa e inteligentemente seleccionado
com este objectivo em vista.

18. Esta maravilhosa capacidade de vestir os pensamentos sob forma de


palavras é o que diferencia o Homem do resto dos animais; o uso da pala-
vra escrita permitiu olhar para os séculos passados e ver as cenas que cria-
ram a sua actual herança.

19. Permitiu que comungasse com os maiores escritores e pensadores de


todos os tempos, sendo que o registo combinado que possuímos hoje é a
expressão do Pensamento Universal à procura de se manifestar através da
Mente do Homem.

20. Sabemos que o Pensamento Universal tem como objectivo a criação da


forma, sabemos que o pensamento individual está também constantemente
à procura de se expressar em formas e sabemos também que a palavra é
uma forma de pensamento, que uma frase é uma combinação de formas de
pensamento, portanto, se desejamos que o nosso ideal seja belo e forte,
temos de nos assegurar que as palavras com que este templo será criado
sejam precisas, reunidas cuidadosamente, pois a precisão na construção de
palavras e frases é a forma mais elevada de arquitectura da civilização e
um passaporte para o sucesso.

21. As palavras são pensamentos e são, portanto, um poder invisível e


invencível que se objectivará na forma que lhe for dada.

22. As palavras podem tornar-se lugares mentais que permanecerão para


sempre ou podem tornar-se barracas que ruirão à mais pequena brisa.
Podem deliciar o olho, bem como o ouvido; podem conter todo o conheci-
mento; nelas encontramos a história do passado e a esperança do futuro;
são mensageiras vivas que dão origem a toda a actividade humana e sobre-
humana.

23. A beleza da palavra consiste na beleza do pensamento; o poder da


palavra baseia-se no poder do pensamento e o poder do pensamento
baseia-se na própria vitalidade. Como identificamos um pensamento vital?
Quais são as suas características distintas? Tem de existir um princípio.
Como identificamos esse princípio?

137
24. Existe um princípio para a Matemática, mas nenhum para o erro; exis-
te um princípio para a saúde, mas nenhum para a doença; existe um prin-
cípio para a verdade, mas nenhum para a desonestidade; existe um princí-
pio para a luz, mas nenhum para a escuridão e existe um princípio para a
abundância, mas nenhum para a pobreza.

25. Como podemos saber que isto é verdade? Porque se aplicarmos correc-
tamente o princípio matemático, saberemos prever os resultados com toda
a certeza. Onde houver saúde, não haverá doença. Se soubermos a Verda-
de, não seremos iludidos com a mentira. Se deixarmos a luz entrar, não
haverá escuridão e onde houver abundância, não haverá pobreza.

26. Estes factos são evidentes, mas é frequentemente desvalorizada a Ver-


dade que afirma que um pensamento que contém um princípio, possui vita-
lidade, contém vida, enraíza-se e, eventualmente mas com toda a certeza,
expulsará os pensamentos negativos que pela sua própria natureza não
contêm nenhuma vitalidade.

27. Este é um facto que lhe permitirá destruir todas as formas de discór-
dias, carências e limitações.

28. Não há dúvida de que aquele que “é suficientemente sábio para com-
preender”, reconhecerá prontamente que o poder criativo do pensamento
coloca uma arma invencível nas suas mãos e torna-o senhor do seu destino.

29. No mundo físico existe uma lei da compensação, que é a de que “o apa-
recimento de uma dada quantidade de energia em qualquer sítio significa
o desaparecimento dessa mesma quantidade de energia noutro sítio”,
assim vemos que só recebemos aquilo que damos; se iniciarmos uma
determinada acção, temos de estar preparados para assumir a responsabi-
lidade do desenvolvimento dessa acção. O subconsciente não é capaz de
raciocinar. Apenas leva-nos para o nosso mundo; pedimos alguma coisa e
agora iremos recebê-la; fizemos a nossa cama, agora deitamo-nos nela; a
matriz foi criada; os fios tomarão o padrão que nós criámos.

30. Por esta razão, a Intuição deve ser exercitada de modo a que o pensa-
mento em que persistimos não contenha nenhum germe mental, moral ou
físico que não queiramos ver manifestado nas nossas vidas.

31. A Intuição é uma capacidade da mente pela qual somos capazes de


examinar factos e condições a longas distâncias, uma espécie de telescópio
humano; permite-nos compreender as dificuldades e as possibilidades de
qualquer empreendimento.

138
32. A Intuição permite-nos estar preparados para os obstáculos que encon-
trarmos; podemos assim ultrapassá-los antes que tenham qualquer opor-
tunidade de nos causar danos.

33. A Intuição permite-nos planear a nossa vantagem e orientar o nosso


pensamento e atenção na direcção certa em vez de percorrerem canais que
não produzem qualquer retorno.

34. A Intuição é, portanto, essencial para o desenvolvimento de qualquer


grande acontecimento e com ela podemos entrar, explorar e apropriarmo-
nos de qualquer campo mental.

35. A Intuição é um produto do mundo interior e desenvolve-se no Silêncio,


através da concentração.

36. Como exercício desta semana, concentre-se na Intuição; vá para a sua


posição habitual e foque o seu pensamento no facto de que ter conhecimen-
to do poder criativo do pensamento não significa possuir a arte do pensa-
mento. Deixe o pensamento perder-se no facto de que o conhecimento não
se aplica sozinho; que as nossas acções não são governadas pelo conheci-
mento mas pelo costume, pelo precedente e pelo hábito; que a única manei-
ra de aplicar o conhecimento é através de um esforço consciente e determi-
nado. Tome consciência do facto de que o conhecimento que não é usado
desaparece da mente, que o valor da informação reside na aplicação do
princípio. Permaneça nesta corrente de pensamento, até obter intuição
suficiente para formular um programa de aplicação deste princípio ao seu
problema específico.

Pensem de forma verdadeira e os vossos pensamentos saciarão a fome do


mundo; falem de forma verdadeira e cada palavra vossa será uma semente
fértil; vivam de forma verdadeira e a vossa vida será nobre e grandiosa.

Horatio Bonar

139
Perguntas de estudo com Respostas

141. O que determina o grau de harmonia que obtemos?


- A nossa capacidade de nos apropriarmos, em cada experiência, daquilo
que necessitamos para o nosso crescimento.

142. O que indicam as dificuldades e obstáculos?


- Que são necessárias para a nossa sabedoria e crescimento espiritual.

143. Como podemos evitar estas dificuldades?


- Através do entendimento e cooperação consciente com as leis Naturais.

144. Qual é o princípio pelo qual o pensamento se manifesta em formas?


- A Lei da Atracção.

145. Como é assegurado o material que permite o crescimento, desenvol-


vimento e amadurecimento de uma ideia?
- Através da lei do amor, que é o princípio criativo do Universo e que atri-
bui vitalidade ao pensamento, depois, a lei da atracção reúne a substância
necessária através da lei do crescimento.

146. Como são asseguradas as condições desejáveis?


- Através da persistência em pensamentos desejáveis.

147. Como se manifestam as condições indesejáveis?


- Através do pensamento, da discussão e da visualização de condições de
carência, limitação, doença, desarmonia e discórdia de quaisquer tipos.
Estas impressões de conceitos errados são apropriadas pelo subconsciente,
fazendo com que a lei da atracção, inevitavelmente, as cristalize em formas
objectivas. É cientificamente exacta a afirmação de que colhemos aquilo
que semeamos.

148. Como podemos ultrapassar qualquer tipo de medo, carência, limita-


ção, pobreza e discórdia?
- Substituindo o erro pelo princípio.

149. Como reconhecemos o princípio?


- Através do entendimento consciente do facto de que a Verdade, invaria-
velmente, destrói o erro. Não temos que esforçadamente expulsar a escuri-
dão; tudo o que é necessário é ligar a luz. O mesmo princípio aplica-se a
todas as formas de pensamentos negativos.

140
150. Que valor tem a Intuição?
- Permite-nos compreender o valor de aplicar o conhecimento que recebe-
mos. Muitos pensam que o conhecimento aplica-se automaticamente, o que
não é de modo nenhum verdadeiro.

A todo o Homem se abre um caminho, a alma elevada toma o cami-


nho elevado, a alma inferior toma o caminho inferior; E no meio,
nas planícies enevoadas, as restantes deambulam na incerteza.
Mas a todo o Homem se abre um caminho elevado e um caminho
inferior e todo o Homem decide o caminho que a sua alma irá
tomar.

141
142
Parte Dezasseis

As actividades vibratórias do Universo planetário são governadas por uma


lei de periodicidade. Tudo o que vive, possui períodos de nascimento, cres-
cimento, frutificação e declínio. Estes períodos são governados pela Lei dos
Setes.

A Lei dos Setes governa os dias da semana, as fases da lua, as harmonias


do som, da luz, do calor, da electricidade, do magnetismo e da estrutura
atómica. Governa a vida dos indivíduos e das nações, domina as activida-
des do mundo comercial.

A vida é crescimento e o crescimento é mudança, cada período de sete anos


leva-nos a um novo ciclo. Os primeiros sete anos correspondem ao período
da infância. O período seguinte corresponde à juventude, representando o
início da responsabilidade individual. Os sete anos seguintes correspondem
à adolescência. O quarto período assinala o máximo crescimento. O quinto
período é o período construtivo, quando os homens começam a adquirir
propriedades, posses, um lar e família. O próximo, de 35 a 42 anos, é um
período de reacções e mudanças e que por sua vez é seguido por um período
de reconstrução, ajustamento e recuperação, como se estivesse a preparar
um novo ciclo de setes, começando com o quinquagésimo aniversário.

Muitos acreditam que o mundo está prestes a terminar o sexto período; que
em breve entrará no sétimo, o período de reajustamento, reconstrução e
harmonia; este período é frequentemente referido como o Milénio.

Aqueles que estiverem familiarizados com estes ciclos não ficarão incomo-
dados quando as coisas parecerem estar a caminhar na direcção errada,
mas poderão aplicar o princípio descrito nestas lições, tendo a certeza abso-
luta de que uma lei mais elevada invariavelmente controlará todas as
outras e que através do entendimento e do uso consciente das leis espiri-
tuais, podemos converter qualquer aparente dificuldade numa bênção.

143
144
Parte Dezasseis

1. A riqueza é um produto do trabalho. O capital é um efeito, não uma cau-


sa; um servo, não um mestre; um meio, não um fim.

2. A definição mais comummente aceite de riqueza é a de que consiste em


todas as coisas úteis e concordantes que possuam valor de troca. A caracte-
rística predominante da riqueza é este valor de troca.

3. Quando consideramos o pequeno acréscimo produzido pela riqueza à


felicidade de quem a tem, descobrimos que o verdadeiro valor consiste, não
na sua utilidade, mas na troca.

4. Este valor de troca torna-a um meio de assegurar as coisas de valor real


pelas quais realizamos os nossos ideais.

5. A riqueza nunca deve ser desejada como um fim, simplesmente como um


meio de atingir um fim. O sucesso depende de um ideal mais elevado do
que a simples acumulação de posses e aquele que aspira a um tal nível de
sucesso deve formular um ideal pelo qual está disposto a lutar.

6. Com um tal ideal em mente, os caminhos e os meios poderão e serão


concedidos, mas não se pode cair no erro de substituir o fim pelos meios.
Deve haver um propósito definido e fixo, um ideal.

7. Prentice Mulford disse: “O homem de sucesso é aquele que possui o


maior entendimento espiritual, pois todas as grandes fortunas nascem de
um poder superior e verdadeiramente espiritual.” Infelizmente, há quem
não seja capaz de reconhecer este poder; esquecem-se de que a mãe de
Andrew Carnegie teve de ajudar a suportar a família quando vieram para
a América, que o pai de Harriman era um pobre trabalhador com um salá-
rio de apenas 200 dólares por ano, que Sir Thomas Lipton começou com
apenas 25 cêntimos. Estes homens não tinham mais nenhum poder de que
pudessem depender, ainda assim, este poder não os deixou ficar mal.

145
8. O poder criativo depende inteiramente do poder espiritual; existem três
passos: Idealização, visualização e materialização. Qualquer chefe de
indústria depende exclusivamente deste poder. Num artigo da Everybody’s
Magazine, Henry M. Flagler, o multimilionário da Standard Oil, admitiu
que o segredo do seu sucesso era a sua capacidade de ver uma coisa na sua
plenitude. A seguinte conversa com o repórter revela a sua capacidade de
idealização, concentração e visualização, tudo poderes espirituais:

9. “Era realmente capaz de ver tudo de uma vez? Quer dizer, era mesmo
capaz de fechar os olhos e ver as linhas? E os comboios a andar? E ouvir os
apitos? Chegou a esse ponto?” “Sim”. “Com quanta clareza?”. “Muita clare-
za.”

10. Aqui, é-nos dada uma visão da lei, vemos “causa e efeito”, vemos que o
pensamento necessariamente precede e determina a acção. Se formos
sábios, compreenderemos o tremendo facto de que em nenhum momento
pode existir qualquer condição arbitrária e que a experiência humana é o
resultado de uma sequência ordenada e harmoniosa.

11. O homem de negócios bem-sucedido é, frequentemente, um idealista


que constantemente aspira a ideais cada vez mais altos. A vida é consti-
tuída pelas subtis forças do pensamento à medida que se cristalizam nos
nossos estados de espírito diários.

12. O pensamento é o material plástico com o qual determinamos as ima-


gens que produzirão o crescimento do nosso ideal de vida. O uso determina
a sua existência. Tal como em tudo o resto, a condição necessária para a
realização consiste na nossa capacidade de reconhecer e usar adequada-
mente esse material.

13. A riqueza prematura é o prenúncio da humilhação e do desastre, pois


não podemos reter permanentemente algo que não mereçamos ou que não
tivéssemos ganho.

14. As condições com que nos iremos deparar no mundo exterior corres-
pondem às condições que encontramos no mundo interior. Isto acontece
devido à lei da atracção. Então, como determinamos aquilo que deve entrar
no nosso mundo interior?

15. O que quer que entre na mente através dos sentidos ou da mente objec-
tiva irá imprimi-la e resultar numa imagem mental, criando um padrão
para as energias criativas. Estas impressões são maioritariamente resul-
tado do ambiente, do acaso, de pensamentos passados e de outras formas

146
de pensamento negativo, pelo que devem ser submetidas a uma análise
cuidadosa antes de lhes ser permitida a entrada. Por outro lado, podemos
formar as nossas próprias imagens mentais através dos nossos processos
interiores de pensamento, independentemente dos pensamentos dos
outros, das condições exteriores, de qualquer tipo de ambiente e é através
do exercício deste poder que controlamos o nosso destino, o nosso corpo,
mente e alma.

16. É através do exercício deste poder que retiramos o nosso destino das
mãos do acaso e conscientemente criamos as experiências que desejamos,
pois quando reconhecemos conscientemente uma condição, essa condição
eventualmente manifestar-se-á nas nossas vidas; é, portanto, evidente que
em última análise o pensamento é a única grande causa da vida.

17. Assim, controlar o pensamento é controlar as circunstâncias, as condi-


ções, o ambiente e o destino.

18. Como controlamos o pensamento? Qual é o processo? Pensar é criar um


pensamento, mas o resultado desse pensamento dependerá da sua forma,
da sua qualidade e da sua vitalidade.

19. A sua forma depende das imagens mentais das quais surge; o que, por
sua vez, dependerá da profundidade da impressão, da predominância da
ideia, da clareza da visão, da precisão da imagem.

20. A sua qualidade depende da substância, que depende do material de


que a mente é composta; se este material foi tecido com pensamentos vigo-
rosos, fortes, corajosos e determinados, o pensamento possuirá estas quali-
dades.

21. Finalmente, a vitalidade depende do sentimento que impregna o pen-


samento. Se o pensamento for construtivo, possuirá vitalidade; possuirá
vida, irá crescer, desenvolver-se, expandir-se, será criativo; atrairá a si
mesmo tudo o que for necessário para o seu completo desenvolvimento.

22. Se o pensamento for destrutivo, conterá dentro de si o germe da sua


própria dissolução; morrerá, mas o processo da sua morte será acompa-
nhado por enfermidades, doenças e quaisquer outras formas de discórdia.

23. A isto chamamos o mal e quando o manifestamos na nossa direcção,


alguns de nós atribuem essas dificuldades a um Ser Supremo, embora este
Ser Supremo não seja mais do que a Mente em processo de equilíbrio.

24. Não é bom, nem é mau. É, simplesmente.

147
25. A nossa capacidade de o diferenciar em formas é a mesma que manifes-
ta o bem e o mal.

26. Portanto, o bem e o mal não são entidades, são simplesmente palavras
que usamos para indicar o resultado das nossas acções, sendo que estas
acções são, por sua vez, pré-determinadas pelo carácter do nosso pensa-
mento.

27. Se o nosso pensamento for construtivo e harmonioso, manifestaremos o


bem; se for destrutivo e discordante, manifestaremos o mal.

28. Se deseja manifestar um ambiente diferente, o processo consiste em


simplesmente reter esse ideal na sua mente até a sua visão se tornar real;
não pense em pessoas, lugares ou coisas; não há lugar para eles no absolu-
to; o ambiente que deseja contém tudo o que é necessário; as pessoas e as
coisas certas aparecerão nas alturas e lugares certos.

29. Nem sempre é claro o modo como o carácter, a habilidade, a realização,


o ambiente e o destino podem ser controlados através do poder da visuali-
zação, mas isto é um facto científico.

30. Você verá que aquilo em que pensamos determina a qualidade da men-
te e essa qualidade, por sua vez, determina a nossa habilidade e capacida-
de mental, assim entende-se perfeitamente que o desenvolvimento das
nossas capacidades será naturalmente acompanhado por um aumento nas
concretizações e por um maior controlo das circunstâncias.

31. Assim, torna-se evidente que as Leis Naturais trabalham de forma per-
feitamente natural e harmoniosa; tudo parece simplesmente “acontecer”.
Se quiser alguma prova deste facto, compare os resultados dos seus esfor-
ços na sua vida, quer tenham sido motivados por ideais elevados ou por
motivos egoístas ou secundários. Não precisará de quaisquer outras pro-
vas.

32. Se quiser concretizar um desejo qualquer, forme na sua mente uma


imagem mental de sucesso, visualizando conscientemente o seu desejo;
desta forma estará a atrair o sucesso e a exteriorizá-lo na sua vida através
de métodos científicos.

33. Você só vê aquilo que já existe no mundo objectivo, mas aquilo que
visualizamos já existe no mundo espiritual. Esta visualização é um teste-
munho substancial daquilo que um dia aparecerá no mundo objectivo se
nos mantivermos fiéis ao nosso ideal. A explicação é simples: A visualiza-

148
ção é uma forma de imaginação e este processo de pensamento cria
impressões na mente que, por sua vez, formam conceitos e ideais que cons-
tituem os planos com os quais o Mestre Arquitecto constrói o futuro.

34. Os psicólogos chegaram à conclusão de que existe apenas um sentido, o


do sentimento e que todos os outros sentidos não são mais do que formas
alteradas deste sentido único; a ser verdade, explica a razão de o senti-
mento ser a fonte do poder, de as emoções dominarem tão facilmente o
intelecto e de termos que atribuir sentimento aos nossos pensamentos se
desejarmos obter resultados. O pensamento e o sentimento formam uma
combinação irresistível.

35. A visualização deve, como é óbvio, ser direccionada pela vontade;


devemos visualizar exactamente aquilo que queremos; devemos ser cuida-
dosos e não deixar que a imaginação se perca sem rumo. A imaginação é
um bom servo, mas um mau mestre e se não for controlada, pode facilmen-
te levar-nos a todo o tipo de especulações e conclusões sem qualquer fun-
damento. Qualquer tipo de opinião plausível é passível de ser aceite sem
qualquer exame analítico, sendo que o resultado inevitável é o de caos
mental.

36. Devemos portanto construir imagens mentais que sabemos serem cien-
tificamente verdadeiras. Sujeite todas as ideias a uma profunda análise e
não aceite nada que não seja cientificamente exacto. Ao fazê-lo, só iniciará
aquilo que sabe ser capaz de concretizar e o sucesso coroará os seus esfor-
ços; isto é o que o homem de negócios chama ver em perspectiva; é seme-
lhante à Intuição e é um dos grandes segredos do sucesso de todos os
empreendimentos importantes.

37. Como exercício desta semana, tente tomar consciência do importante


facto de que a harmonia e a felicidade são estados de consciência e não
dependem da posse de determinadas coisas; que as coisas são efeitos e
aparecem como consequência de correctos estados mentais. Assim, se dese-
jamos possuir materialmente qualquer coisa, a nossa maior preocupação
deverá ser a de adquirir a atitude mental que manifesta o resultado dese-
jado. Esta atitude mental surge através do reconhecimento da nossa natu-
reza espiritual e da nossa unidade com a Mente Universal, que é a subs-
tância de todas as coisas. Este reconhecimento manifestará tudo aquilo
que for necessário para o nosso perfeito bem-estar. Isto é pensar cientifi-
camente ou correctamente. Quando conseguimos produzir esta atitude
mental, é relativamente fácil assumir o nosso desejo como um facto concre-
tizado; quando o conseguimos, teremos descoberto a “Verdade” que nos
“liberta” de qualquer forma de carência ou limitação.

149
Um homem pode enquadrar ou libertar uma estrela, pode fazê-la percorrer
a sua órbita e ainda assim não terá feito nada tão memorável, perante
Deus, como aquele que faz com que um pensamento em forma de esfera
dourada percorra as gerações do tempo.

H.W. Beecher

150
Perguntas de estudo com Respostas

151. De que depende a riqueza?


- Depende da compreensão da natureza criativa do pensamento.

152. Em que consiste o seu verdadeiro valor?


-No seu valor de troca.

153. De que depende o sucesso?


- Do poder espiritual.

154. De que depende este poder?


- Do uso; o uso determina a sua existência.

155. Como retiramos o nosso destino das mãos do acaso?


- Ao reconhecermos conscientemente as condições que desejamos ver mani-
festadas nas nossas vidas.

156. Qual é então a grande actividade da vida?


- Pensar.

157. Porquê?
- O pensamento é espiritual e portanto, criativo. Controlar conscientemen-
te o pensamento é controlar as circunstâncias, as condições, o ambiente e o
destino.

158. Qual é a fonte de todo o mal?


- Pensamento destrutivo.

159. Qual é a fonte de todo o bem?


- Pensamento científico e correcto.

160. O que é o pensamento científico?


- Um reconhecimento da natureza criativa da energia espiritual e da nossa
capacidade de o controlar.

Os maiores acontecimentos de uma era são os seus melhores pen-


samentos. Faz parte da natureza do pensamento encontrar o cami-
nho para a acção.

Bovee

151
152
Parte Dezassete

O estado intelectual do Homem é indicado pelo tipo de divindade que cons-


ciente ou inconscientemente adora.

Pergunte ao índio acerca de Deus e ele descreverá um poderoso soberano de


uma tribo gloriosa. Pergunte ao pagão e ele descreverá um Deus do fogo,
um Deus da água, um Deus disto e daquilo.

Pergunte ao Israelita acerca de Deus e ele falar-lhe-á do Deus de Moisés,


que domina através de medidas coercivas; daí os Dez Mandamentos. Ou de
Josué que levou os Israelitas à guerra, a confiscar propriedades, assassinar
prisioneiros e arruinar cidades.

Os chamados pagãos idolatravam as imagens dos seus Deuses a quem


estavam acostumados a venerar, mas para os mais inteligentes, estas ima-
gens eram apenas as formas visíveis através das quais eram capazes de
concentrar mentalmente as qualidades que desejavam exteriorizar nas suas
vidas.

No século vinte veneramos, em teoria, um Deus do Amor, mas na prática


idolatramos a “Riqueza”, o “Poder”, a “Moda”, o “Costume” e a “Convencio-
nalidade”. “Ajoelhamo-nos” perante eles e veneramo-los. Concentramo-nos
neles e dessa forma exteriorizam-se nas nossas vidas.

O leitor que domine os conteúdos da Parte Dezassete não confundirá os


símbolos com a realidade; estará mais interessado nas causas do que nos
efeitos. Concentrar-se-á nas realidades da vida e não ficará desapontado
com os resultados.

153
154
Parte Dezassete

1. É-nos dito que o Homem é capaz de “exercer domínio sobre todas as coi-
sas”; este domínio é estabelecido pela Mente. O Pensamento é a actividade
que controla todos os princípios abaixo do mesmo. O princípio mais eleva-
do, devido à sua essência e qualidade superior, necessariamente determina
as circunstâncias, os aspectos e as relações de tudo o que encontra.

2. As vibrações das forças mentais são as mais refinadas e, consequente-


mente, as mais poderosas de toda a existência. Para aqueles que se aper-
cebem da natureza e da transcendência da força mental, todos os poderes
físicos se tornam insignificantes.

3. Estamos acostumados a ver o Universo através de uma lente com cinco


sentidos e é destas experiências que surgem os conceitos antropomórficos.
Mas os verdadeiros conceitos são assegurados apenas através da percepção
espiritual. Esta percepção requer uma aceleração das vibrações da Mente,
que é assegurada apenas quando a mente está continuamente concentrada
numa dada direcção.

4. Concentração contínua significa uma corrente de pensamento estável e


inquebrável, resultado de um sistema bem regulado, paciente, persistente
e perseverante.

5. As grandes descobertas resultam de investigações de longa duração. A


ciência da matemática requer anos de esforço concentrado para ser domi-
nada e a maior das ciências – a da Mente – revela-se apenas através de
esforço concentrado.

6. Existe uma ideia errada de concentração; parece estar associada a uma


ideia de esforço ou de actividade, quando é o contrário. A grandeza de um
actor reside no facto de ele se esquecer de si mesmo quando representa um
personagem, tornando-se tão identificado com ele que a audiência é arre-
batada pelo realismo da interpretação. Isto dar-lhe-á uma boa ideia da

155
verdadeira concentração; você deve estar tão interessado no seu pensa-
mento, tão absorto no assunto que deixa de ter consciência de tudo o resto.
Um tal nível de concentração leva a uma percepção intuitiva e imediata da
natureza do objecto em que se concentra.

7. Todo o conhecimento é resultado de um tal nível de concentração; é des-


ta forma que os segredos do Céu e da Terra se revelam; é desta forma que
a mente se torna num íman onde o desejo de saber aproxima o conheci-
mento, atrai-o de forma irresistível, torna-o seu.

8. O desejo é normalmente subconsciente; o desejo consciente raramente


alcança o seu objectivo quando este está fora do alcance imediato. O desejo
subconsciente desperta as faculdades latentes da mente, fazendo com que
problemas difíceis pareçam resolver-se por si próprios.

9. Através da concentração, a mente subconsciente pode ser despertada e


colocada em acção em muitas direcções, servindo quaisquer propósitos. A
prática da concentração requer o controlo do ser físico, mental e psíquico;
todos os modos de consciência, quer sejam físicos, mentais ou psíquicos,
devem estar controlados.

10. A Verdade Espiritual é, portanto, o factor de controlo; esta permite-lhe


ir além do alcance condicionado e atingir um ponto onde será capaz de tra-
duzir modos de pensamento em carácter e consciência.

11. A concentração não significa uma mera actividade de pensamento, mas


a transmutação destes pensamentos em valor prático; o indivíduo comum
não entende o significado de concentração. Existe sempre o desejo de “ter”,
mas nunca o desejo de “ser”; não entende que não pode haver um sem o
outro, que primeiro deve encontrar o “reino”, para depois “as coisas lhe
serem acrescentadas”. O entusiasmo momentâneo não possui qualquer
tipo de valor; o objectivo é alcançado apenas através de uma autoconfiança
inabalável.

12. A mente pode colocar o objectivo demasiado alto e falhar a concretiza-


ção; pode tentar voar com asas destreinadas e em vez de voar, cai por ter-
ra; mas não é por isso que não se deve tentar de novo.

13. A fraqueza é a única barreira para a concretização mental; atribua a


sua fraqueza a limitações físicas ou incertezas mentais e tente de novo; a
mestria e perfeição alcançam-se com a repetição.

14. O astrónomo centra a sua mente nas estrelas e elas revelam-lhe os


seus segredos; o geólogo centra a sua mente na construção da Terra e

156
obtemos a Geologia; e assim é com todas as coisas. O Homem centra a sua
mente nos problemas da vida e o resultado é notório na vasta e complexa
ordem social diária.

15. Todas as descobertas e concretizações mentais resultam de desejo mais


concentração; o desejo é o modo de acção mais forte que existe; quanto
mais persistente for o desejo, maior é a revelação. O desejo unido à concen-
tração arrancará qualquer segredo da Natureza.

16. Ao realizar grandes pensamentos e ao viver grandes emoções que cor-


respondem a grandes pensamentos, a mente está num estado onde é capaz
de apreciar o valor das coisas mais elevadas.

17. Um momento de intensa concentração e vontade de ser e de alcançar o


que se deseja, pode levá-lo mais longe que anos de trabalho lento e forçado;
deitará abaixo a prisão da descrença, da fraqueza, da impotência e da des-
valorização pessoal e dar-lhe-á consciência da alegria da conquista.

18. O espírito de originalidade e iniciativa desenvolve-se através da persis-


tência e continuidade do esforço mental. O trabalho empresarial ensina o
valor da concentração e encoraja a um carácter decidido; desenvolve uma
perspicácia prática e rapidez de decisão. O elemento mental, em qualquer
empreendimento comercial, é o factor de controlo dominante, sendo o dese-
jo a força predominante; todas as relações comerciais são a exteriorização
do desejo.

19. Muitas das virtudes firmes e substanciais são desenvolvidas em


empregos relacionados com o comércio; a mente está estabilizada e direc-
cionada; torna-se eficiente. O factor mais importante é o fortalecimento da
mente de modo a poder elevar-se acima das distracções e impulsos exterio-
res da vida instintiva e assim sair vitoriosa do conflito entre o ser mais
elevado e o menos elevado.

20. Todos nós somos dínamos, mas o dínamo por si só não é nada; a mente
deve trabalhá-lo; só então se torna útil e a sua energia pode ser definiti-
vamente concentrada. A mente é um motor com uma força inimaginável; o
pensamento é uma força em trabalho constante. É o regente e criador de
todas as formas e de todos os acontecimentos que ocorrem no mundo físico.
A energia física não é nada, comparada com a omnipotência do pensamen-
to, pois o pensamento permite que o Homem domine sobre todos os poderes
naturais.

21. A vibração é pensamento em acção; é a vibração que é lançada para


atrair o material necessário para criar e construir. Não há nada de miste-

157
rioso relativamente ao poder do pensamento; a concentração implica sim-
plesmente que a consciência pode ser focada num ponto, identificando-se
com o objecto da sua atenção. Da mesma forma que a comida, ao ser absor-
vida, se torna a essência do corpo, a mente absorve o objecto da sua aten-
ção, dando-lhe vida e existência.

22. Se você se concentrar nalguma matéria importante, o poder intuitivo


será colocado em acção e a ajuda chegará sob a forma de informações que o
levarão ao sucesso.

23. A Intuição chega a conclusões sem a ajuda da experiência ou da memó-


ria. Frequentemente, a intuição resolve problemas que estão para além da
capacidade do poder racional; surge com uma rapidez perturbadora; revela
a verdade que procuramos, de forma tão directa que parece vir de um
poder mais alto. A Intuição pode ser cultivada e desenvolvida; para o fazer,
ela deve ser reconhecida e valorizada; se ao visitante intuitivo for dada
uma recepção majestosa, ele voltará de novo; quanto mais cordial for a
recepção, mais frequentes serão as visitas, mas se for ignorado ou negli-
genciado, fará cada vez menos aparências.

24. A Intuição chega normalmente nos momentos de Silêncio; as grandes


mentes procuram com frequência a solidão; é aqui que são trabalhados
todos os grandes problemas da vida. Por este motivo, todos os empresários
possuem um escritório privado onde não sejam incomodados; se não puder
ter um escritório privado, procure um lugar onde possa estar sozinho
durante alguns minutos por dia para treinar o pensamento, de acordo com
os princípios que lhe permitirão desenvolver aquele poder invencível,
necessário à realização.

25. Lembre-se que o subconsciente é omnipotente; não há limite para as


coisas que pode fazer quando lhe é dado poder para agir. O grau do seu
sucesso é determinado pela natureza do seu desejo. Se a natureza do seu
desejo estiver em harmonia com a Lei Natural, ou Mente Universal, gra-
dualmente emancipará a mente e conceder-lhe-á a si uma coragem inven-
cível.

26. Cada obstáculo ultrapassado, cada vitória obtida, dar-lhe-ão mais fé no


seu poder e desenvolverá uma maior capacidade para ganhar. A sua força
é determinada pela sua atitude mental; se esta atitude for de sucesso e
permanentemente fixada num propósito inabalável, você atrairá a si, des-
de os domínios do invisível, as coisas que silenciosamente reclama.

158
27. Mantendo o pensamento na mente, este ganhará uma forma tangível.
Um propósito bem definido põe em movimento causas que se originam no
mundo invisível e que reúnem o material necessário para o servir.

28. Você poderá estar a perseguir os símbolos do poder em vez do próprio


poder. Poderá estar a perseguir a fama em vez de honra, riqueza material
em vez de abundância, estatuto em vez de serviço; em cada caso, você verá
que se transformam em cinzas mal os alcança.

29. O estatuto ou a riqueza prematuros não podem ser mantidos, pois não
foram conquistados; recebemos apenas consoante aquilo que damos e aque-
les que tentam receber sem dar, descobrem sempre que a lei da compensa-
ção equilibra-se de forma implacável.

30. A batalha tem sido sempre pelo dinheiro ou por outros meros símbolos
de poder, mas com um entendimento da verdadeira fonte de poder podemo-
nos dar ao luxo de ignorar os símbolos. O homem que possui uma conta
bancária avultada acha desnecessário encher os seus bolsos de ouro; da
mesma forma, o Homem que descobriu a verdadeira fonte de poder deixa
de se interessar pelas imitações e pretensões.

31. O pensamento direcciona-se sempre para o exterior em direcções evolu-


tivas, mas pode ser orientado para dentro, onde tomará posse dos princí-
pios básicos das coisas, do espírito das coisas. Quando você alcança o âma-
go das coisas, é relativamente fácil compreendê-las e comandá-las.

32. Isto deve-se ao facto de que o Espírito da coisa é a coisa em si, a parte
vital dela, a substância real. A forma é simplesmente a manifestação exte-
rior da actividade espiritual interior.

33. Como exercício desta semana, concentre-se o mais que puder de acordo
com o método descrito nesta lição; não permita qualquer esforço ou activi-
dade consciente associada ao seu propósito. Relaxe completamente e evite
qualquer tipo de ansiedade relativamente ao resultado. Lembre-se que o
poder nasce do repouso. Deixe que o pensamento se perca no seu objecto
até estar completamente identificado com ele, até perder a consciência de
tudo o resto.

34. Se deseja eliminar o medo, concentre-se em coragem.

35. Se deseja eliminar a carência, concentre-se em abundância.

36. Se deseja eliminar a doença, concentre-se em saúde.

159
37. Concentre-se sempre no ideal como sendo um facto existente; esta é a
semente, o princípio de vida que é lançado e que põe em marcha as causas
que guiam, orientam e criam as relações necessárias que eventualmente
tomarão forma.

O pensamento pertence àqueles que o conseguem dominar.

Emerson

160
Perguntas de estudo com Respostas.

161. Qual é o verdadeiro método de concentração?


- Ficar tão identificado com o objecto do seu pensamento que perde cons-
ciência de tudo o resto.

162. Qual é o resultado deste método de pensamento?


- São postas em movimento forças invisíveis que atraem condições corres-
pondentes com o seu pensamento.

163. Qual é o factor que controla este método de pensamento?


- A Verdade Espiritual.

164. Porquê?
- Porque a natureza do nosso desejo tem de estar em harmonia com a Lei
Natural.

165. Qual é o valor prático deste método de concentração?


- O pensamento é transformado em carácter e o carácter é o íman que cria
o ambiente do indivíduo.

166. Qual é o factor que controla todos os empreendimentos comerciais?


- O elemento mental.

167. Porquê?
- Porque a Mente é a criadora de toda a forma e de todos os acontecimentos
que ocorrem no mundo físico.

168. Como funciona a concentração?


- Através do desenvolvimento dos poderes da percepção, sabedoria, intui-
ção e sagacidade.

169. Porque é a intuição superior à razão?


- Porque não depende da experiência ou da memória e porque, através de
meios de que não temos qualquer conhecimento, revela a solução dos nos-
sos problemas.

170. Qual é o resultado de perseguirmos o símbolo da realidade?


- Frequentemente transformam-se em cinzas mal os alcançamos, pois o
símbolo é apenas a forma exterior da actividade espiritual interior, portan-
to, se não possuirmos a realidade espiritual, a forma desaparece.

161
162
Parte Dezoito

Para que possamos crescer temos de obter, através da lei da atracção, tudo
o que for necessário para esse crescimento. Este é o único princípio pelo
qual o indivíduo se diferencia do Universal.

Pense por um momento o que seria um homem se não fosse marido, pai ou
irmão, se não se interessasse pelo mundo social, económico, político ou reli-
gioso? Seria apenas um ego abstracto, teórico. Ele existe, portanto, apenas
na sua relação com o todo, na sua relação com os outros, na sua relação
com a sociedade. Esta relação constitui todo o seu ambiente.

É, portanto, evidente que o indivíduo é simplesmente a diferenciação da


Mente Universal “que iluminou todos os homens que vieram a este mundo”
e que a chamada individualidade ou personalidade consiste apenas na
maneira como o indivíduo se relaciona com o todo.

A isto chamamos o seu ambiente, que se manifesta através da lei da atrac-


ção. A Parte Dezoito que se segue, tem algo mais a dizer relativamente a
esta importante lei.

163
164
Parte Dezoito

1. Está a ocorrer uma mudança no pensamento do mundo. Esta mudança


alastra-se silenciosamente entre nós e é mais importante do que qualquer
outra que o mundo tenha passado desde a queda do Paganismo.

2. Estas actuais revoluções das opiniões de todas as classes de pessoas,


desde a mais alta e culta à classe trabalhadora, não têm comparação na
história do mundo.

3. A ciência fez já tantas descobertas, revelou uma tal infinidade de recur-


sos, tantas e enormes possibilidades e forças ocultas que cada vez mais os
homens da ciência hesitam em afirmar certas teorias como definitivas e
sem margem para dúvidas ou em negar outras teorias como absurdas ou
impossíveis.

4. Está a nascer uma nova civilização; os costumes, credos e precedentes


estão a desaparecer; no seu lugar está a surgir visão, fé e serviço. As cor-
rentes da tradição estão a desfazer-se e à medida que as impurezas do
materialismo se consomem, o pensamento está a ser libertado e a verdade
está a erguer-se, vestida a rigor, perante uma multidão atónita.

5. O mundo inteiro está à beira de uma nova consciência, de um novo


poder e de um novo entendimento do ser.

6. A Ciência Física dividiu a matéria em moléculas, as moléculas em áto-


mos, os átomos em energia e foi J.A.Fleming, que num discurso perante a
Royal Institution, traduziu a energia em mente. Ele disse, “Na sua essên-
cia, a energia é algo incompreensível para nós excepto como uma demons-
tração da operação directa daquilo a que chamamos de Mente ou Vontade”.

7. Esta mente é o permanente e o absoluto. É inerente à matéria e ao espí-


rito. É o Espírito do Universo que sustém, dá energia e permeia tudo.

165
8. Todas as coisas vivas são sustentadas por esta Inteligência omnipotente
e a diferença das vidas individuais é, grosso modo, medida pelo grau em
que manifestam esta inteligência. É o grau de inteligência que coloca o
animal num plano mais elevado que as plantas, que coloca o Homem num
plano mais elevado que os animais. Apercebemo-nos assim que este acrés-
cimo de inteligência é determinado pelo poder do indivíduo em controlar os
modos de acção e em ajustar-se conscientemente ao seu ambiente.

9. É este ajustamento que ocupa a atenção das grandes mentes e que con-
siste apenas no reconhecimento de uma ordem existente na Mente Univer-
sal, pois é sabido que esta mente obedecer-nos-á exactamente no mesmo
grau em que primeiro lhe obedecemos.

10. Foi o reconhecimento das Leis Naturais que nos permitiu aniquilar o
tempo e o espaço, voar pelos ares e fazer com que o ferro flutuasse, portan-
to, quanto maior for o grau de inteligência, maior será o nosso reconheci-
mento destas Leis Naturais e maior será o poder que conseguiremos alcan-
çar.

11. É o reconhecimento do Eu como individualização desta Inteligência


Universal que permite ao indivíduo controlar as formas de inteligência que
ainda não alcançaram este nível de auto-reconhecimento; que não sabem
que esta Inteligência Universal permeia todas as coisas que aguardam ser
chamadas à acção; que não sabem que ela é reactiva a qualquer pedido e
que estão, portanto, unidos à lei do seu próprio ser.

12. O pensamento é criativo e o princípio no qual a lei se baseia é legítimo


e inerente à natureza das coisas; este poder criativo não tem origem no
indivíduo mas no Universal, que é a fonte e a fundação de toda a energia e
substância; o indivíduo é simplesmente o canal de distribuição desta ener-
gia.

13. O indivíduo é simplesmente o meio pelo qual o Universal produz as


várias combinações que resultam na formação de fenómenos de acordo com
a lei da vibração, pela qual diferentes taxas de velocidade de movimento da
substância primária formam novas substâncias, segundo relações numéri-
cas exactas.

14. O pensamento é o elo invisível pelo qual o indivíduo contacta o Univer-


sal, o finito contacta o Infinito, o visível contacta o Invisível. O pensamento
é a magia pela qual o humano se transforma num ser que pensa, que sabe,
que sente e que age.

166
15. Da mesma forma que os instrumentos adequados permitiram que o
olho descobrisse mundos infinitos a distâncias enormes, com o entendi-
mento adequado, o Homem é capaz de comunicar com a Mente Universal,
a fonte de todo o poder.

16. O entendimento que é comummente expresso é tão útil como um tele-


fone sem cabos ou uma estação central; de facto, não é mais do que uma
“crença”, o que não significa nada. Os selvagens das Ilhas Canibais acredi-
tam nalguma coisa, mas isso não prova nada.

17. A única crença à qual toda a gente atribui valor é aquela que foi posta
à prova e demonstrada como um facto; deixa então de ser uma crença e
passa a representar a Fé ou a Verdade.

18. Esta Verdade foi posta à prova por milhares de pessoas e manifesta-se
na exacta proporção da capacidade do instrumento que usaram.

19. Um indivíduo não pode esperar ser capaz de localizar estrelas a


milhões de quilómetros de distância sem que tenha um telescópio suficien-
temente potente, por esta razão a Ciência está continuamente empenhada
em construir telescópios maiores e mais potentes e está consequentemente
a ser recompensada por um acréscimo de conhecimento relativamente aos
corpos celestes.

20. Assim é com o entendimento; o Homem está continuamente a fazer


progressos nos métodos que usa para comunicar com a Mente Universal e
com as suas infinitas possibilidades.

21. A Mente Universal manifesta-se no mundo objectivo através do princí-


pio da atracção que qualquer átomo tem por outro átomo, numa infinitude
de graus de intensidade.

22. É devido a este princípio de combinação e atracção que as coisas se


formam. Este princípio aplica-se universalmente e é o único meio pelo qual
a existência cumpre o seu propósito.

23. A expressão do crescimento é demonstrada de uma belíssima forma,


através da instrumentalização deste Princípio Universal.

24. De forma a crescermos, temos de obter o que é necessário para esse


crescimento, mas como somos uma entidade de pensamento completa, esta
plenitude apenas permite que recebamos na medida em que dermos; o
crescimento está então condicionado a uma acção recíproca. Assim, desco-

167
brimos que no plano mental o semelhante atrai-se, que as vibrações men-
tais respondem apenas a níveis vibratórios semelhantes.

25. É portanto claro que pensamentos de abundância responderão apenas


a pensamentos semelhantes; a riqueza do indivíduo está onde ele estiver.
A afluência interior é o segredo da atracção de afluência exterior. A capa-
cidade de produzir é a verdadeira fonte de riqueza do indivíduo. É por esta
razão que quem deposita a alma naquilo que faz, terá um sucesso ilimita-
do. Irá dar de forma continuada; e quanto mais der, mais irá receber.

26. Os grandes financeiros de Wall Street, os chefes de indústrias, os


homens de estado, os grandes advogados empresariais, os inventores, os
físicos, os autores – com que é que eles contribuem para a soma da felici-
dade humana, senão com o poder dos seus pensamentos?

27. O pensamento é a energia que faz operar a lei da atracção e que se


manifestará em abundância.

28. A Mente Universal é Substância estática em equilíbrio. É diferenciada


em formas através da nossa capacidade de pensar. O pensamento é a fase
dinâmica da mente.

29. O poder depende da consciência do poder; a não ser que o usemos, per-
demo-lo, a não ser que tenhamos consciência dele, não o poderemos usar.

30. O uso deste poder depende da atenção; o grau de atenção determina a


nossa capacidade em adquirir conhecimento, que é outro nome para poder.

31. A atenção é a marca que distingue o génio. O desenvolvimento da aten-


ção depende da prática.

32. O incentivo à atenção é o interesse; quanto maior o interesse, maior a


atenção; quanto maior a atenção, maior o interesse, acção e reacção; come-
ce por prestar atenção; daí a pouco tempo terá despertado o interesse; este
interesse atrairá mais atenção e esta atenção produzirá mais interesse e
por diante. Esta prática permitir-lhe-á cultivar o poder da atenção.

33. Esta semana, concentre-se no seu poder criativo; procure a intuição, a


percepção; tente encontrar uma base lógica para a fé que existe em si. Dei-
xe o pensamento percorrer o facto de que o Homem físico vive, move-se e
deve a sua existência ao ar orgânico vital que tem de respirar para viver.
Depois deixe o pensamento repousar no facto de que o Homem espiritual
também vive, move-se e deve a sua existência a uma energia semelhante,
mais subtil, da qual a sua vida também depende e que tal como no mundo

168
físico, nenhuma forma de vida se manifestará até uma semente ter sido
plantada e que nenhum fruto nasce que seja mais elevado do que aquele
que lhe deu origem; da mesma forma, no mundo espiritual nenhum efeito
se produzirá até a semente ser plantada e o fruto dependerá da natureza
da semente, de modo que o resultado que obtém depende da sua percepção
da lei no vasto domínio da causalidade, no domínio mais evoluído da cons-
ciência humana.

Não existe nenhum pensamento na minha mente que não se converta rapi-
damente num poder e não se organize uma imensidão de meios.

Emerson

169
Perguntas de estudo com Respostas

171. Como é medida a diferença das vidas individuais?


- Pelo grau de inteligência que manifestam.

172. Qual é a lei pela qual o indivíduo controla outras formas de inteligên-
cia?
- O reconhecimento do eu como uma individualização da Inteligência Uni-
versal.

173. Onde se origina o poder criativo?


- No Universal?

174. Como é que o Universal cria a forma?


- Através do Indivíduo.

175. Qual é o elo de ligação entre o Indivíduo e o Universal?


- O pensamento.

176. Qual é o princípio pelo qual a existência cumpre o seu propósito?


- A Lei do Amor.

177. Como se manifesta este princípio?


- Através da lei do crescimento.

178. De que condição depende a lei do crescimento?


- De acção recíproca. O indivíduo é completo em todos os momentos, o que
faz com que receba na medida em que dá.

179. O que é que damos?


- Pensamentos.

180. O que recebemos?


- Pensamento, que é substância em equilíbrio e que está constantemente a
ser diferenciada em formas por aquilo em que pensamos.

170
Parte Dezanove

O medo é uma poderosa forma de pensamento. Paralisa os centros nervosos,


afectando a circulação sanguínea.

Isto, por sua vez, paralisa o sistema muscular. Portanto, o medo afecta todo
o ser, corpo, cérebro e nervos a nível físico, mental e muscular.

A maneira de ultrapassar o medo é, claro, tornarmo-nos conscientes do


poder. O que é esta força vital misteriosa a que chamamos poder? Não
sabemos, mas também não sabemos o que é a electricidade.

O que sabemos é que ao obedecermos aos requisitos da lei que governa a


electricidade, ela servir-nos-á de forma obediente, iluminando as nossas
casas, as nossas cidades, activará as nossas máquinas e servir-nos-á de
muitas outras formas úteis.

Assim é também com esta força vital. Embora não saibamos o que é e possi-
velmente nunca saberemos, sabemos que é uma força primária que se mani-
festa através de corpos vivos, que ao obedecermos às leis e aos princípios
que a governam, podemo-nos abrir a uma corrente mais abundante desta
energia vital e assim expressar o mais alto grau possível de eficiência men-
tal, moral e espiritual.

Esta parte descreve uma maneira simples de desenvolver esta força vital. Se
praticar o método descrito nesta lição, em pouco tempo desenvolverá o sen-
tido de poder que tem sido a marca de distinção da genialidade.

171
172
Parte Dezanove

1. A procura da Verdade já não é uma aventura casual, mas um processo


sistemático com uma operacionalidade lógica. Todo o tipo de experiência
dá-nos indicações sobre como alcançá-la.

2. Ao procurarmos a Verdade, estamos a procurar a causa última; sabemos


que todas as experiências humanas são efeitos; assim se descobrirmos a
causa, se descobrirmos que a podemos controlar conscientemente, o efeito
ou a experiência estarão também dentro do nosso controlo.

3. A experiência humana deixará de ser a bola de jogo do destino; o


Homem deixará de ser um filho do acaso mas da certeza. O destino e a sor-
te serão controlados de forma tão precisa quanto o capitão controla o seu
navio ou o maquinista controla o seu comboio.

4. Todas as coisas podem ser reduzidas ao mesmo elemento e como são


transmutáveis umas nas outras, têm de estar constantemente em relação e
nunca em oposição mútua.

5. No mundo físico há inúmeros contrastes e por uma questão de conve-


niência, definem-se por nomes distintos. Existem tamanhos, cores, som-
bras e limites para todas as coisas. Existe um Pólo Norte, um Pólo Sul, um
interior e um exterior, o visível e o invisível, mas estas expressões servem
apenas para colocar os extremos nos seus lugares.

6. São nomes dados a duas partes diferentes da mesma quantidade. Os


dois extremos são relativos; não são entidades separadas, mas duas partes
ou aspectos do todo.

7. No mundo mental encontramos a mesma lei; falamos de conhecimento e


ignorância, mas a ignorância é apenas uma falta de conhecimento e é, por-
tanto, apenas uma palavra que exprime a ausência de conhecimento; não
possui um princípio próprio.

173
8. No mundo moral encontramos também a mesma lei; falamos do bem e
do mal, mas o Bem é uma realidade, algo tangível, enquanto o Mal é sim-
plesmente uma condição negativa, uma ausência do Bem. O Mal é muitas
vezes considerado como uma condição real mas não possui nenhum princí-
pio, nenhuma vitalidade; sabemo-lo, pois pode sempre ser destruído pelo
Bem; tal como a Verdade destrói o Erro e a luz destrói a escuridão, assim o
Mal desaparece quando surge o Bem; existe, portanto, apenas um princípio
no mundo moral.

9. A mesma lei aparece no mundo espiritual; falamos de Mente e de Maté-


ria como entidades separadas, mas uma análise mais cuidada torna evi-
dente que existe apenas um princípio operativo, que é a Mente.

10. A Mente é o real e eterno. A Matéria muda constantemente; ao consi-


derarmos as eras da história, cem anos parecem apenas um dia. Se esti-
vermos numa grande cidade e repousarmos o olhar nos inúmeros edifícios
grandes e magníficos, na vasta gama de automóveis modernos, nas luzes
eléctricas e em todas as outras utilidades da civilização moderna, lembra-
mo-nos de que nada daquilo estava ali há cem anos e se pudermos estar
naquele sítio daqui a cem anos, veremos que, provavelmente, pouca coisa
permanece igual.

11. No reino animal encontramos também essa lei de mudança. Milhões de


animais nascem e morrem, possuindo períodos de vida de apenas alguns
anos. No mundo vegetal a mudança é ainda mais rápida. Muitas plantas e
praticamente todas as ervas surgem e desaparecem no espaço de um ano.
Quando passamos para o mundo inorgânico, esperamos encontrar algo
mais substancial, mas quando observamos o aparentemente sólido conti-
nente, é-nos dito que este emergiu do oceano; quando vemos a gigante
montanha, é-nos dito que o lugar onde ela se encontra era dantes um lago;
quando olhamos com admiração para os grandes penhascos do Vale de
Yosemite, podemos facilmente adivinhar o percurso dos glaciares que
arrastavam tudo consigo.

12. Estamos na presença de mudanças contínuas, sendo estas mudanças a


evolução da Mente Universal, o grandioso processo pelo qual todas as coi-
sas são recriadas. Sabemos também que a matéria é apenas uma forma
que a Mente toma, sendo, portanto, uma condição. A Matéria não possui
um princípio; a Mente é o único princípio.

13. Chegamos então à conclusão de que a Mente é o único princípio que


opera no mundo físico, mental, moral e espiritual.

174
14. Sabemos também que a Mente é estática, existe em repouso e que a
capacidade de pensar do indivíduo corresponde à capacidade de actuar
sobre a Mente Universal e de a converter em Mente dinâmica, Mente em
movimento.

15. De modo a fazê-lo, tem de haver um combustível sob a forma de comi-


da, pois o Homem não pode pensar sem comer, portanto, mesmo uma acti-
vidade espiritual como pensar não pode ser convertida em fontes de prazer
e proveito sem o uso de meios materiais.

16. É preciso algum tipo de energia para reunir electricidade e para a con-
verter num poder dinâmico, é preciso que os raios de sol forneçam a ener-
gia necessária para sustentar a vida vegetal e é preciso também energia
sob a forma de comida para que o indivíduo pense e possa actuar sobre a
Mente Universal.

17. Você poderá ou não saber que o pensamento está constantemente e


eternamente a tomar forma, a procurar expressar-se, mas é um facto que
se o seu pensamento for poderoso e construtivo, este será perfeitamente
evidente no estado da sua saúde, no seu trabalho e no seu ambiente; se o
seu pensamento for fraco, crítico, destrutivo e geralmente negativo, mani-
festar-se-á no seu corpo como medo, preocupação e nervosismo, nas suas
finanças como carência e limitação e em condições discordantes no seu
ambiente.

18. Toda a riqueza descende do poder; as posses só têm valor enquanto


conferirem poder. Os acontecimentos são significativos enquanto atribuí-
rem poder; todas as coisas representam determinadas formas e graus de
poder.

19. O conhecimento das causas e efeitos das leis que governam o vapor, a
electricidade, a afinidade química e a gravitação permite que o Homem
planeie corajosamente e execute destemidamente. Estas leis são chamadas
de Leis Naturais, pois governam o mundo físico. Mas nem todo o poder é
físico; existe também poder mental, moral e espiritual.

20. O que são as nossas escolas e universidades, senão centrais de poder


mental, lugares onde o poder mental está a ser desenvolvido?

21. Da mesma forma que existem muitas fontes que aplicam energia a
pesada maquinaria, onde a matéria-prima é reunida e convertida nas
necessidades e confortos da vida, assim as centrais de poder mental reú-
nem a matéria-prima, cultivando-a e desenvolvendo-a num poder que é

175
infinitamente superior a todas as forças da natureza, por mais belas que
possam ser.

22. O que é este material que está a ser reunido nas milhares de centrais
de poder mental em todo o mundo e transformado num poder que clara-
mente controla todos os outros? Na sua forma estática é Mente – na sua
forma dinâmica é Pensamento.

23. Este poder é superior porque existe num plano mais elevado, porque
permitiu ao Homem descobrir a lei pela qual estas maravilhosas forças da
Natureza foram dominadas, substituindo a força de milhares de homens.
Permitiu ao Homem descobrir as leis pelas quais o tempo e espaço foram
eliminados e a lei da gravidade foi dominada.

24. O pensamento é a força ou a energia vital que tem sido cultivada e que
tem produzido resultados impressionantes nos últimos cinquenta anos,
manifestando um mundo inconcebível para o Homem de há 50, ou mesmo
25 anos atrás. Se estes resultados foram obtidos pela organização destas
centrais de poder mental em 50 anos, o que poderemos esperar dos próxi-
mos 50 anos?

25. A substância da qual todas as coisas são criadas é infinita em quanti-


dade; sabemos que a luz viaja a 300,000 quilómetros por segundo, que
existem estrelas tão distantes que a sua luz leva 2,000 anos a chegar até
nós, que existem estrelas igualmente longínquas em todas as partes do
céu; sabemos também que a luz chega através de ondas, portanto, se o éter
no qual estas ondas viajam não fosse contínuo, a luz não nos alcançaria;
chegamos então à conclusão que esta substância, éter ou matéria-prima,
está universalmente presente.

26. Então, como se manifesta em forma? Na ciência eléctrica, uma bateria


forma-se ligando os pólos opostos de zinco e cobre, o que causa um fluxo de
corrente de um ao outro, fornecendo energia. O mesmo processo repete-se
relativamente a qualquer polaridade e como toda as formas dependem da
taxa de vibração e das consequentes relações entre os seus átomos, se qui-
sermos mudar a forma de manifestação, temos de mudar a polaridade.
Este é o princípio da causalidade.

27. Como exercício desta semana, concentre-se e quando eu uso a palavra


concentrar, refiro-me a tudo o que a palavra implica; fique de tal modo
absorvido com o objecto do seu pensamento que perde consciência de tudo o
resto. Faça-o por alguns minutos, todos os dias. Se você leva um determi-
nado tempo a comer de modo a que o corpo fique bem nutrido, porque não
levar algum tempo a assimilar a sua alimentação mental?

176
28. Deixe o pensamento repousar no facto de que as aparências iludem. A
Terra não é plana nem estacionária; o céu não é uma cúpula, o Sol não se
move, as estrelas não são pequenos pontos luminosos e a matéria, que dan-
tes se suponha ser estática, existe num perpétuo estado de fluxo.

29. Tome consciência de que se aproxima o dia – a madrugada já está a


chegar – em que os modos de pensamento e de acção deverão ser ajustados
a um crescente conhecimento da operação dos princípios eternos.

O pensamento silencioso é afinal o mais poderoso agente humano.


Channing

177
Perguntas de estudo com Respostas

181. Como se contrastam os extremos?


- Através de nomes distintos, tal como interior e exterior, cima e baixo, luz
e escuridão, bom e mau.

182. São entidades separadas?


- Não, são partes ou aspectos do Todo.

183. Qual é o único princípio criativo no mundo físico, mental e espiritual?


- A Mente Universal, ou Eterna Energia, da qual todas as coisas surgem.

184. Como nos relacionamos com este Princípio criativo?


- Através da nossa capacidade de pensar.

185. Como é que este Princípio criativo fica operacional?


- O pensamento é a semente que resulta em acção e a acção resulta na
forma.

186. De que depende a forma?


- Da taxa de vibração.

187. Como pode a taxa de vibração ser alterada?


- Através de acção mental.

188. De que depende a acção mental?


- Da polaridade, da acção e reacção entre o indivíduo e o Universal.

189. A energia criativa tem origem no indivíduo ou no Universal?


- No Universal, mas o Universal manifesta-se apenas através do indivíduo.

190. Porque é necessário o indivíduo?


- Porque o Universal é estático e necessita de energia para iniciar o movi-
mento. A comida converte-se em energia, o que permite ao indivíduo pen-
sar. Quando o indivíduo pára de comer, pára de pensar; então deixa de
actuar sobre o Universal; consequentemente, deixa de haver acção ou reac-
ção; o Universal é, portanto, mente pura em forma estática – mente em
repouso.

178
Parte Vinte

Há já muitos anos que existe uma interminável discussão acerca da origem


do mal. Os teólogos têm-nos dito que Deus é Amor e que é omnipresente. Se
isto é verdade, não há sítio onde Deus não esteja. Onde estão então o Mal,
Satanás e o Inferno?

Vejamos:
Deus é Espírito.
O Espírito é o princípio criativo do Universo.
O Homem é criado à imagem e semelhança de Deus.
O Homem é, portanto, um ser espiritual.
A única actividade que o espírito possui é o poder de pensar.
Pensar é, portanto, um processo criativo.
Toda a forma é então resultado do processo de pensamento.
A destruição da forma deverá também ser resultado do processo de pensa-
mento.
As representações fictícias da forma, como o hipnotismo, são resultado do
poder criativo do pensamento.
As representações aparentes da forma, como o espiritualismo, são resultado
do poder criativo do pensamento.
O trabalho inventivo, organizacional e construtivo de qualquer tipo, como a
concentração, é resultado do poder criativo do pensamento.
Quando o poder criativo do pensamento se manifesta para o benefício da
humanidade, chamamos-lhe Bem.
Quando o poder criativo do pensamento se manifesta de forma destrutiva
ou negativa, chamamos-lhe Mal.

Isto indica-nos a origem do bem e do mal; são simplesmente palavras que


indicam a natureza do resultado do processo criativo ou processo de pen-
samento. O pensamento necessariamente precede e predetermina a acção; a
acção precede e predetermina a condição.

A Parte Vinte trará mais luz a este importante tema.

179
180
Parte Vinte

1. O espírito de uma coisa é a parte real da própria coisa; é fixo, imutável e


eterno. O Espírito de si é – o “Eu” real; sem o espírito você não seria nada.
Você activa-se através do reconhecimento das suas próprias possibilidades.

2. Você pode possuir todas as riquezas do Cristianismo, mas a não ser que
as reconheça e lhes dê uso, não terão qualquer valor; assim é com a sua
riqueza espiritual; a não ser que a reconheça e lhe dê uso, não terá valor. A
única condição do poder espiritual é o uso ou reconhecimento.

3. Todas as grandes coisas surgem através do reconhecimento; o ceptro do


poder é a consciência, o pensamento é o seu mensageiro e este mensageiro
está constantemente a moldar as realidades do mundo invisível em condi-
ções e ambientes do seu mundo objectivo.

4. O verdadeiro empreendimento da vida é pensar, tendo como resultado o


poder. Você lida constantemente com o poder mágico do pensamento e da
consciência. Que resultado poderá obter se permanecer alheio ao poder que
foi colocado ao seu alcance?

5. Enquanto assim for, você limita-se a condições superficiais, tornando-se


num animal de carga daqueles que pensam, dos que reconhecem o seu
poder; os que sabem que a não ser que estejamos dispostos a pensar, tere-
mos de trabalhar e que quanto menos pensarmos, mais teremos de traba-
lhar e menos receberemos por esse trabalho.

6. O segredo do poder é um entendimento perfeito dos princípios, forças,


métodos e combinações da Mente, um entendimento perfeito do nosso rela-
cionamento com a Mente Universal. É bom relembrar que este princípio é
imutável; se não fosse, não seria fiável; todos os princípios são imutáveis.

181
7. Esta estabilidade representa a sua oportunidade; você é o seu atributo
activo, o canal da sua actividade; o Universal actua apenas através do
individual.

8. Quando se começa a aperceber que a essência do Universal está dentro


de si – é você – começa a fazer coisas; começa a sentir o seu poder; é o com-
bustível que despoleta a sua imaginação; que acende a tocha da inspiração;
que dá vitalidade ao pensamento; que lhe permite ligar-se a todas as forças
invisíveis do Universo. É este poder que lhe permite planear destemida-
mente e executar com mestria.

9. Mas a percepção surge apenas no Silêncio; esta parece ser a condição


exigida para todos os grandes propósitos. Você é uma entidade visualiza-
dora. A imaginação é a sua oficina. É aqui que o seu ideal deve ser visuali-
zado.

10. Como o entendimento perfeito da natureza deste poder é uma condição


primária para a sua manifestação, visualize todo o método, uma e outra
vez, para que o possa usar sempre que necessário. A infinitude da sabedo-
ria reside na utilização do método pelo qual recebemos a inspiração da
omnipotente Mente Universal, sempre que o quisermos.

11. Nós podemos não reconhecer este mundo interior e assim excluí-lo da
nossa consciência, mas não deixa de ser o factor base de toda a existência;
quando aprendemos a reconhecê-lo, não só em nós próprios mas em todas
as pessoas, acontecimentos, coisas e circunstâncias, teremos descoberto o
“Reino dos Céus” que nos é dito estar “dentro” de nós.

12. Os nossos fracassos são resultado da operação dos mesmos princípios; o


princípio é imutável; a sua operação é precisa, não há qualquer desvio; se
pensarmos em falta, limitação, discórdia, encontraremos os seus frutos em
todo o lado; se pensarmos em pobreza, infelicidade e doença, os mensagei-
ros do pensamento transportarão essas ordens tão rapidamente como
qualquer outro pensamento e o resultado será igualmente preciso. Se
receamos uma calamidade iminente diremos, como Job, “a coisa que eu
receava veio até mim”; se pensarmos de forma desagradável ou ignorante,
atrairemos a nós o resultado da nossa própria ignorância.

13. Este poder do pensamento, se for entendido e correctamente usado, é o


maior instrumento de trabalho alguma vez criado, mas se não for entendi-
do ou correctamente usado, o resultado será provavelmente desastroso,
como já vimos; com a ajuda deste poder, você pode confiantemente
empreender acções que aparentam ser impossíveis, pois este poder é o
segredo de toda a inspiração, de toda a genialidade.

182
14. Inspirar-se significa sair do caminho trilhado, sair dos sulcos repassa-
dos, pois resultados extraordinários exigem medidas extraordinárias.
Quando reconhecemos a Unidade de todas as coisas e reconhecemos que a
fonte de todo o poder está no interior, canalizamos a fonte da inspiração.

15. A inspiração é a arte da absorção, a arte da auto-realização; a arte de


ajustar a mente individual à Mente Universal; a arte de acoplar o meca-
nismo adequado à fonte de todo o poder; a arte de diferenciar o informe em
forma; a arte de nos tornarmos um canal de passagem da Sabedoria Infini-
ta; a arte de visualizar a perfeição; a arte de reconhecer a omnipresença da
Omnipotência.

16. O reconhecimento e apreciação do facto de que o poder infinito é omni-


presente e que existe tanto no infinitamente pequeno, como no infinita-
mente grande, permitem-nos absorver a sua essência; um entendimento
ainda mais profundo do facto de que este poder é espírito e portanto indis-
sociável, permite-nos reconhecer a sua presença em todo o lado e toda a
hora.

17. A compreensão destes factos, primeiro intelectualmente e depois emo-


cionalmente, permite-nos beber deste oceano do poder infinito. A com-
preensão intelectual não basta; as emoções têm de ser postas em acção; o
pensamento sem sentimento é frio. A condição exigida é pensamento mais
sentimento.

18. A inspiração vem de dentro. É necessário Silêncio, os sentidos devem


ser acalmados, os músculos relaxados, o repouso deve ser cultivado. Quan-
do se tiver apropriado de um estado de repouso e de poder, estará pronto
para receber a informação, inspiração ou sabedoria que poderão ser neces-
sárias para o desenvolvimento do seu propósito.

19. Não confunda estes métodos com os do clarividente; não existe nada em
comum. A inspiração é a arte de receber, está orientada para tudo o que há
de melhor na vida; o seu propósito na vida é o de compreender e comandar
estas forças invisíveis em vez de deixar que elas o comandem e dominem.
O poder implica serviço; a inspiração implica poder; compreender e aplicar
o método da inspiração é tornar-se num super-homem.

20. Podemos viver mais abundantemente a cada respiração se consciente-


mente respirarmos com essa intenção. O SE é uma condição muito impor-
tante neste caso, já que a intenção governa a atenção e sem atenção, você
apenas assegura os mesmos resultados que todos os outros. Isto é, uma
oferta igual à procura.

183
21. De modo a obter uma oferta maior, a sua procura deve ser aumentada
e à medida que conscientemente for aumentando a procura, a oferta
seguir-se-á e você estará a ir ao encontro de uma oferta cada vez maior de
vida, energia e vitalidade.

22. Não é difícil entender a razão de ser disto, mas é outro dos mistérios
vitais da vida que parecem ser geralmente incompreendidos. Se se apro-
priar dele, tornar-se-á uma das grandes realidades da vida.

23. É-nos dito que “Nele vivemos, nos movemos e devemos a nossa existên-
cia” e também que, “Ele” é o Espírito, que “Ele” é Amor, de forma que cada
vez que respiramos, respiramos esta vida, este amor, este espírito. Esta é
Energia Prânica ou Éter Prânico, não viveríamos um único momento sem
ele. É Energia Cósmica; é a Vida do Plexo Solar.

24. De cada vez que respiramos, enchemos os nossos pulmões de ar e ao


mesmo tempo vitalizamos o nosso corpo com este Éter Prânico, a própria
Vida, dessa forma fazendo uma ligação consciente com Toda a Vida, com
Toda a Inteligência e com Toda a Substância.

25. O reconhecimento da sua relação e unidade com este Princípio que


governa o Universo e com o método simples pelo qual você conscientemente
se identifica com ele, confere-lhe o entendimento científico de uma lei que o
pode libertar de qualquer tipo de doença, de carência ou de limitação; de
facto, permite que o “sopro da vida” encha as suas narinas.

26. Este “sopro de vida” é uma realidade supra consciente. É a essência de


“Eu sou”. É o puro “Ser” ou Substância Universal, a nossa união consciente
com ele permite-nos localizá-lo e assim exercitar os poderes desta energia
criativa.

27. O pensamento é vibração criativa e as qualidades das condições criadas


dependerão da qualidade do nosso pensamento, pois não podemos expres-
sar poderes que não possuímos. Temos de “ser” antes de podermos “fazer” e
apenas podemos “fazer” dentro do alcance daquilo que “somos”, portanto, o
que “fazemos” coincide necessariamente com o que “somos” e o que “somos”
depende do que “pensamos”.

28. Cada vez que pensa está a dar início a uma corrente de causalidade
que criará condições em perfeita concordância com a qualidade do pensa-
mento que o originou. O pensamento que estiver em harmonia com a Men-
te Universal resultará em condições correspondentes. O pensamento que
for destrutivo ou discordante produzirá resultados correspondentes. Você

184
pode usar o pensamento de forma construtiva ou destrutiva, mas a lei imu-
tável não lhe permitirá plantar um pensamento de uma espécie e colher o
fruto de outra. Você tem toda a liberdade para usar este maravilhoso poder
criativo da forma que lhe aprouver, mas será sempre o responsável pelas
consequências.

29. Este é o perigo daquilo que é chamado de Força de Vontade. Há quem


pense que pela força de vontade pode contornar esta lei; que pode semear
sementes de um tipo e através da “Força de Vontade” colher frutos de
outro tipo, mas o princípio fundamental do poder criativo encontra-se no
Universal, portanto, a ideia de forçar uma concordância com os nossos
desejos através da vontade individual é uma acepção inversa que pode
parecer funcionar durante algum tempo, mas que está destinada ao fra-
casso – pois antagoniza o próprio poder que procura usar.

30. Isto é o indivíduo a tentar coagir o Universal, o finito em conflito com o


Infinito. O nosso bem-estar permanente será mais bem conservado através
de uma cooperação consciente com o contínuo movimento para a frente, do
Grande Todo.

31. Como exercício desta semana, entre no Silêncio e concentre-se no facto


de que a afirmação, “Nele vivemos, nos movemos e devemos a nossa exis-
tência” é literal e cientificamente exacta! Que você É porque Ele É e se Ele
é Omnipresente, Ele tem de estar em si. Se Ele é tudo em tudo, você tem
de estar n’Ele! Ele é Espírito e você é feito à “Sua imagem e semelhança”, a
única diferença entre o Seu espírito e o seu reside no grau de expressão,
pois uma parte tem de ter a mesma qualidade e do mesmo tipo que o todo.
Quando compreender isto claramente, terá descoberto o segredo do poder
criativo do pensamento, terá encontrado a origem do bem e do mal, terá
descoberto o segredo do poder maravilhoso da concentração, terá encontra-
do a chave para a solução de todos os problemas, quer físicos, financeiros
ou ambientais.

O poder de pensar de forma consecutiva, profunda e clara é um inimigo


letal para o erro, o azar, a superstição, para as teorias não fundamentadas,
crenças irracionais, entusiasmo descontrolado e o fanatismo.

Haddock

185
Perguntas de estudo com Respostas

191. De que condição depende o poder?


- Do seu reconhecimento e uso.

192. O que é o reconhecimento?


- Consciência.

193. Como nos tornamos conscientes do poder?


- Pelo pensamento.

194. Qual é a verdadeira actividade da vida?


- O pensamento científico correcto.

195. O que é o pensamento científico correcto?


- A capacidade de ajustarmos os nossos processos de pensamento à vontade
do Universal. Por outras palavras, uma cooperação com as Leis Naturais.

196. Como é conseguido?


- Através de um perfeito entendimento dos princípios, forças, métodos e
combinações da Mente.

197. O que é a Mente Universal?


- O factor base de toda a existência.

198. Qual é a causa de toda a carência, limitação, doença e discórdia?


- Deve-se à operação da mesma lei, a lei opera indiscriminadamente, mani-
festando constantemente condições em correspondência com o pensamento
que as originou ou criou.

199. O que é a inspiração?


- A arte de reconhecer a omnipresença da Omnisciência.

200. De que dependem as condições com que nos deparamos?


- Da qualidade do nosso pensamento. Aquilo que fazemos depende do que
somos e o que somos depende do que pensamos.

186
Parte Vinte e Um

É um privilégio entregar a Parte Vinte e Um. No parágrafo 7 ser-lhe-á dito


que um dos segredos do sucesso, um dos métodos de planear vitórias, uma
das concretizações da Grande Mente é pensar grandes pensamentos.

No parágrafo 8, ser-lhe-á dito que tudo aquilo que mantemos na nossa


consciência durante algum tempo fica impresso no nosso subconsciente,
criando um padrão que a energia criativa transportará para a sua vida e
para o seu ambiente. Este é o segredo do maravilhoso poder da prece.

Sabemos que o Universo é governado por uma lei; que para cada efeito tem
de existir uma causa e que a mesma causa, nas mesmas condições produzi-
rá invariavelmente o mesmo efeito.

Consequentemente, se a prece alguma vez foi atendida, ela será sempre


atendida se forem respeitadas as condições adequadas. Isto tem de ser ver-
dadeiro, senão o Universo seria caos em vez de cosmos. A resposta à prece
está, portanto, submetida à lei e esta lei é precisa, exacta, científica, tal
como as leis que governam a gravitação e a electricidade. O entendimento
desta lei retira a fundação do Cristianismo do reino da superstição e da
credulidade, colocando-a na rocha firme do conhecimento científico.

Infelizmente, poucos são aqueles que sabem realmente como rezar.

Compreendem que existem leis que governam a electricidade, a matemática


e a química, mas por alguma razão inexplicável nunca lhes ocorreu que
existem também leis espirituais que são também definitivas, exactas e cien-
tíficas e que operam com uma precisão imutável.

187
188
Parte Vinte e Um

1. O verdadeiro segredo do poder é a consciência do poder. A Mente Uni-


versal é incondicional, portanto, quanto mais conscientes nos tornarmos da
nossa unidade com esta Mente, menos conscientes estaremos das nossas
condições e limitações e à medida que nos emancipamos ou nos libertamos
das condições, mais nos apercebemos do incondicional. Libertamo-nos!

2. Logo que tomemos consciência do poder inesgotável do mundo interior,


começamos a drenar este poder, usando-o e desenvolvendo-o para as gran-
des possibilidades que este entendimento desvelou, pois tudo aquilo de que
nos tornamos conscientes, manifesta-se no mundo objectivo, é expresso
numa forma tangível.

3. Isto deve-se ao facto de a Mente Infinita, que é a fonte de onde originam


todas as coisas, ser una e indivisível e ao facto de cada indivíduo ser um
canal por onde esta Energia Eterna se está a manifestar. A nossa capaci-
dade de pensar é a mesma que nos permite actuar sobre esta Substância
Universal, logo, aquilo em que pensamos é criado ou produzido no mundo
objectivo.

4. O resultado desta descoberta é, no mínimo, maravilhoso e significa que a


mente é de uma qualidade extraordinária, uma quantidade ilimitada e
contém possibilidades infinitas. Tornar-se consciente deste poder é trans-
formar-se num cabo ligado à corrente; tem o mesmo efeito de colocar um fio
em contacto com outro fio por onde passa corrente. O Universal é este fio
carregado. Transporta energia suficiente para todas as situações que sur-
jam na vida de todos os indivíduos. Quando a mente individual toca a
Mente Universal, recebe todo o poder de que necessita. Isto é o mundo
interior. Todas as ciências reconhecem a realidade deste mundo e todo o
poder depende do nosso reconhecimento deste mundo.

5. A capacidade de eliminar condições imperfeitas depende da acção men-


tal e a acção mental depende da consciência do poder; portanto, quanto

189
mais conscientes nos tornarmos da nossa unidade com a fonte de todo o
poder, maior será o nosso poder em controlar e dominar qualquer condição.

6. As grandes ideias tendem a eliminar as mais pequenas, de modo que é


importante reter ideias suficientemente grandes para contrabalançarem e
destruírem todas as tendências mais pequenas e indesejáveis. Isto remove-
rá inúmeros obstáculos mesquinhos e incomodativos do seu caminho. Tor-
nar-se-á também consciente de um maior mundo de pensamento, aumen-
tando assim a sua capacidade mental e colocando-o em posição de alcançar
algo de valor.

7. Este é um dos segredos do sucesso, um dos métodos de planear vitórias,


um dos feitos da Grande Mente. Pensar sempre em grande. Para as ener-
gias criativas da mente é indiferente lidar com grandes ou pequenas situa-
ções. A Mente está igualmente presente, tanto no Infinitamente grande,
como no Infinitamente pequeno.

8. Quando tomamos consciência destes factos relativos à mente, compreen-


demos como podemos criar qualquer condição, criando as respectivas con-
dições na nossa consciência, pois tudo o que for mantido na consciência
durante tempo suficiente, ficará eventualmente impresso no subconscien-
te, criando assim um padrão que as energias criativas manifestarão na
vida e no ambiente do indivíduo.

9. É desta forma que as condições se produzem e que percebemos que as


nossas vidas são simplesmente o reflexo dos nossos pensamentos predomi-
nantes, da nossa atitude mental; vemos então que a ciência do pensamento
correcto é a única ciência e inclui todas as outras.

10. A partir desta ciência aprendemos que cada pensamento deixa uma
impressão no cérebro, estas impressões criam tendências mentais que
determinam o carácter, capacidades, propósitos e que a acção combinada
de carácter, capacidades e propósitos determina as experiências que encon-
traremos na vida.

11. Estas experiências chegam-nos através da Lei da Atracção; pela acção


desta lei, encontramos no mundo exterior as experiências que correspon-
dem ao nosso mundo interior.

12. O Pensamento ou a atitude mental predominante é o íman, a lei diz


que “tudo atrai o seu semelhante”, consequentemente, a atitude mental
atrairá invariavelmente as condições que correspondem à própria nature-
za.

190
13. Esta atitude mental é a nossa personalidade, composta pelos pensa-
mentos que temos vindo a criar na nossa mente; portanto, se desejarmos
uma mudança das condições, precisamos apenas de mudar o nosso pensa-
mento; isto por sua vez mudará a nossa atitude mental, que mudará a nos-
sa personalidade e que, finalmente, mudará as pessoas, coisas, condições e
experiências que encontraremos na vida.

14. No entanto, não é tarefa fácil mudar a atitude mental, mas pode ser
conseguido através de um esforço persistente; a atitude mental é padroni-
zada pelas imagens mentais que foram fotografadas pelo cérebro; se não
gostar das imagens, destrua os negativos e crie novas; isto é a arte da
visualização.

15. Logo que o tenha feito, começará a atrair coisas novas que correspon-
dem às novas imagens. Para o fazer: imprima na mente uma imagem per-
feita daquilo que deseja ver objectivado e mantenha essa imagem em men-
te até os resultados serem alcançados.

16. Se o desejo exige determinação, habilidade, talento, coragem, poder ou


qualquer outro poder espiritual, estes devem ser uma parte essencial da
imagem; inclua-os nela; constituem a parte vital da imagem; são o senti-
mento que se combina com o pensamento e cria o irresistível poder magné-
tico que puxa até si aquilo que reclama. Dão vida à sua imagem, e vida
significa crescimento, mal ela comece a crescer, o resultado ficará pratica-
mente assegurado.

17. Não hesite em aspirar ao nível mais elevado de tudo aquilo que
empreender, pois as forças mentais estão sempre disponíveis para serem
usadas por uma vontade determinada, de forma a cristalizar os seus mais
altos ideais em actos, conquistas e acontecimentos.

18. Uma ilustração de como estas forças mentais operam encontra-se no


método pelo qual todos os nossos hábitos se formam. Fazemos uma coisa,
fazemo-la de novo, de novo e de novo até se tornar fácil e talvez quase
automática; a mesma regra aplica-se à quebra de quaisquer maus hábitos;
paramos de fazer uma coisa, evitamo-la uma e outra vez até estarmos
completamente libertos dela; e se falharmos alguma vez, não é motivo para
perder a esperança, pois a lei é absoluta e invencível e recompensa-nos por
cada esforço e cada sucesso, mesmo que estes sejam intermitentes.

19. Não há limite para o que esta lei pode fazer por si; tenha a ousadia de
acreditar na sua ideia; lembre-se que a Natureza é plástica ao nível do
ideal; pense no ideal como um facto alcançado.

191
20. A verdadeira batalha da vida ocorre ao nível das ideias; está a ser tra-
vada pela minoria contra a maioria; de um lado está o pensamento criativo
e construtivo, do outro, o pensamento destrutivo e negativo; o pensamento
criativo é dominado por um ideal, o pensamento destrutivo é dominado
pelas aparências, Dos dois lados existem homens de ciência, de letras e de
negócios.

21. Do lado criativo estão homens que passam o seu tempo em laborató-
rios, com microscópios e telescópios, lado a lado com os homens que domi-
nam o mundo comercial, político e científico; do lado negativo estão
homens que passam o seu tempo a investigar leis e precedentes, que con-
fundem teologia com religião, homens de estado que confundem a força
com o poder e todos os milhões que parecem preferir o precedente ao pro-
gresso, que estão constantemente a olhar para trás, que vêem apenas o
mundo exterior e não sabem nada acerca do mundo interior.

22. Em última análise, existem apenas estas duas classes; todos terão de
tomar o seu lugar num lado ou no outro; terão de seguir em frente ou
andar para trás; não é possível estar parado num mundo onde tudo é
movimento; é esta tentativa de permanecer quieto que concede alguma for-
ça a leis arbitrárias e desequilibradas.

23. A inquietação aparente que se vê a toda a volta evidencia que estamos


num período de transição. As queixas da humanidade são como um ribom-
bar da artilharia celeste, começando com notas baixas e ameaçadoras,
aumentando até o som ser enviado de nuvem em nuvem e o raio separar a
terra e o ar.

24. As sentinelas que patrulham os postos mais avançados do mundo


Industrial, Político e Religioso chamam ansiosamente umas pelas outras.
Torna-se cada vez mais evidente o perigo e a insegurança da posição que
ocupam e que tentam segurar. O nascer de uma nova era declara que a
actual ordem das coisas não pode permanecer por muito mais tempo.

25. A questão do velho e do novo regimes, cerne do problema social, pren-


de-se exclusivamente com a convicção nas mentes das pessoas relativa-
mente à natureza do Universo. Só quando tomarem consciência de que a
força transcendente do espírito e da mente do Cosmos está dentro de cada
indivíduo é que será possível determinar leis que considerem a liberdade e
os direitos da maioria, em vez dos privilégios das minorias.

26. Enquanto as pessoas considerarem o poder Cósmico como algo não


humano e estranho à humanidade, será relativamente fácil a suposta clas-
se privilegiada dominar por direito Divino, apesar do sentimento de pro-

192
testo social. O verdadeiro interesse da democracia é exaltar, emancipar e
reconhecer a divindade do espírito humano. Reconhecer que todo o poder
vem do interior. Que nenhum ser humano tem mais poder que outro,
excepto sobre aquele que o delegar por consentimento. O velho regime fez-
nos acreditar que a lei estava acima dos que a determinavam; este é o pon-
to essencial do crime social, existente em qualquer forma de desigualdade
pessoal ou de privilégios, a institucionalização da doutrina fatalista da
eleição Divina.

27. A Mente Divina é a Mente Universal; não abre excepções, não tem
favoritos; não actua por mero capricho ou por raiva, inveja ou ira; nem
pode ser elogiada, adulada ou mendigada para dar ao Homem algo que ele
acha ser necessário para a sua felicidade e existência. A Mente Divina não
abre excepções para favorecer o indivíduo; mas quando o indivíduo com-
preende e sente a sua Unidade com o princípio Universal, parecerá estar a
ser favorecido, pois descobriu a fonte da saúde, da riqueza e do poder.

28. Esta semana concentre-se na Verdade. Tente compreender que a Ver-


dade o libertará, isto é, nada pode permanecer no caminho do seu perfeito
sucesso quando aprende a aplicar os métodos e princípios do pensamento
cientificamente correcto. Reconheça que está a exteriorizar no seu ambien-
te as potencialidades inerentes da sua alma. Reconheça que o Silêncio lhe
dá uma oportunidade sempre disponível e quase ilimitada de despertar o
mais alto ideal de Verdade. Tente compreender que a Omnipotência é
silêncio absoluto, tudo o resto é mudança, actividade, limitação. A concen-
tração silenciosa do pensamento é o verdadeiro método de alcançar, des-
pertar e expressar o maravilhoso poder do mundo interior.

O treino do pensamento abre possibilidades infinitas, consequências eter-


nas, ainda assim, poucos se esforçam em orientar o seu pensamento para
canais que lhes serão benéficos, em vez disso, deixam tudo ao acaso.

Marden

193
Perguntas de estudo com Respostas

201. Qual é o verdadeiro segredo do poder?


- A consciência do poder, pois tudo aquilo de que tivermos consciência
manifestar-se-á no mundo objectivo, expressando-se em formas tangíveis.

202. Qual é a fonte deste poder?


- A Mente Universal, de onde todas as coisas provêm e que é una e indivi-
sível.

203. Como se manifesta este poder?


- Através do indivíduo, cada indivíduo é um canal pelo qual esta energia se
diferencia em formas.

204. Como nos podemos ligar a esta Omnipotência?


- A nossa capacidade de pensar é a forma de actuar sobre esta Energia
Universal, aquilo em que pensamos é o que é produzido ou criado no mun-
do objectivo.

205. Qual é o resultado desta descoberta?


- O resultado é, no mínimo, maravilhoso, abre oportunidades ilimitadas e
sem precedentes.

206. Como podemos então eliminar condições imperfeitas?


- Tornando-nos conscientes da nossa Unidade com a fonte de todo o poder.

207. Qual é uma das características das Grandes Mentes?


- Possuir grandes ideias, manter ideias suficientemente grandes para con-
trabalançar e destruir todos os obstáculos mesquinhos e incomodativos.

208. Como nos chegam as experiências?


- Através da lei da atracção.

209. Como é que esta lei opera?


- Através da nossa atitude mental predominante.

210. A que se deve a questão entre o novo e o velho regimes?


- À convicção acerca da natureza do Universo. O velho regime tenta agar-
rar-se à doutrina fatalista da eleição Divina. O novo regime reconhece a
divindade do indivíduo, a democracia da humanidade.

194
Parte Vinte e Dois

Na Parte Vinte e Dois encontrará escrito que os pensamentos são sementes


espirituais que quando plantadas na mente subconsciente tendem a reben-
tar e a crescer, embora o fruto não seja sempre aquele que nós desejamos.

As várias formas de inflamações, paralisia, nervosismos e condições doen-


tias em geral são as manifestações do medo, da preocupação, do cuidado,
da ansiedade, da inveja, do ódio e de outros pensamentos semelhantes.

Os processos da vida são conduzidos por dois métodos distintos; primeiro, a


recolha e uso do material nutritivo necessário para a construção de células;
segundo, a destruição e excreção do desperdício.

Toda a vida é baseada nestas actividades construtivas e destrutivas e como


a comida, a água e o ar são os únicos requisitos necessários para a constru-
ção de células, a questão de prolongar a vida indefinidamente não deveria
ser difícil de responder.

Por mais estranho que possa parecer, é a segunda actividade, ou a destruti-


va, a causa de toda a doença, salvo raras excepções. O desperdício acumu-
la-se e satura-se nos tecidos, causando auto-intoxicação. Isto pode ocorrer
parcialmente ou de forma geral. No primeiro caso, o distúrbio será local; no
segundo, afectará todo o sistema.

O problema da cura da doença reside então no aumento do fluxo e da dis-


tribuição de energia vital por todo o sistema, o que apenas pode ser feito
eliminando os pensamentos de medo, preocupação, cuidado, ansiedade,
inveja, ódio e outros pensamentos destrutivos que tendem a destruir os ner-
vos e as glândulas que controlam a excreção e eliminação de matéria vene-
nosa e inútil.

“Comida nutritiva e tónicos fortificantes” não prolongam a vida, pois são


apenas manifestações secundárias de vida. A manifestação primária de

195
vida e o modo como entra em contacto com ela serão explicados na Parte
que tenho o privilégio de entregar.

196
Parte Vinte e Dois

1. O conhecimento possui um valor incalculável, pois ao aplicarmos o


conhecimento, fazemos do nosso futuro aquilo que desejamos. Quando
reconhecemos que o nosso actual carácter, ambiente, capacidade e a nossa
actual condição física resultam de modos passados de pensamento, come-
çamos a ter algum entendimento do valor do conhecimento.

2. Se o nosso estado de saúde não é aquele que seria desejável, então exa-
minemos o nosso modo de pensamento; lembremo-nos de que todos os pen-
samentos produzem uma impressão na mente; cada impressão é uma
semente que se afundará no subconsciente e formará uma tendência; a
tendência será a de atrair outros pensamentos semelhantes e, sem darmos
por isso, teremos um campo pronto a ser colhido.

3. Se estes pensamentos contêm germes de doença, colheremos doença,


decadências, fraqueza e fracasso; a questão é, em que estamos a pensar, o
que estamos a criar, qual vai ser a colheita?

4. Se existir alguma condição física que exija uma mudança, o uso da lei
que governa a visualização será eficaz nesse sentido. Produza uma imagem
mental de perfeição física, mantenha-a na mente até ser absorvida pela
consciência. Muitos, através deste método, eliminaram condições crónicas
em poucas semanas e milhares ultrapassaram e eliminaram todo o tipo de
distúrbios físicos em poucos dias, por vezes até em poucos minutos.

5. É através da lei da vibração que a mente exerce este controlo sobre o


corpo. Sabemos que cada acção mental é uma vibração e sabemos que toda
a forma é simplesmente um modo de movimento, um nível vibratório. Por-
tanto, qualquer vibração recebida modifica imediatamente todos os átomos
do corpo, todas as células são afectadas, ocorrendo uma mudança química
geral em todos os grupos de células.

197
6. Tudo no Universo é o que é em virtude do seu nível de vibração. Mude
esse nível de vibração e mudará a natureza, a qualidade e a forma. O vasto
panorama da Natureza visível e invisível está constantemente a ser alte-
rado por mudanças de níveis de vibração e como o pensamento é uma
vibração, podemos também exercer este poder. Podemos mudar a vibração
e assim produzir qualquer condição que desejemos manifestar nos nossos
corpos.

7. Estamos a todo o momento a usar este poder. O problema é que muitos


de nós estão a usá-lo inconscientemente, produzindo resultados indesejá-
veis. A questão é usá-lo inteligentemente e produzir apenas resultados
desejáveis. Isto não deverá ser difícil, pois já tivemos experiências suficien-
tes para saber o que produz vibrações agradáveis no corpo, e sabemos tam-
bém as causas que produzem sensações desagradáveis e discordantes.

8. É apenas necessário consultarmos a nossa própria experiência. Sempre


que nosso pensamento foi elevado, progressivo, construtivo, corajoso,
nobre, amável ou de qualquer outra forma desejável, colocámos em acção
vibrações que trouxeram certos resultados. Quando o nosso pensamento foi
carregado de inveja, ódio, criticismo ou qualquer uma das mil e uma for-
mas de discórdia, colocámos em acção certas vibrações que trouxeram
resultados de natureza diferente e cada uma destas vibrações, sempre que
foi mantida, cristalizou-se em formas físicas. No primeiro caso, o resultado
foi de saúde mental, moral e física, no segundo, discórdia, desarmonia e
doença.

9. Podemos assim entender um pouco melhor o poder que a mente possui


sobre o corpo.

10. A mente objectiva produz certos efeitos no corpo que são rapidamente
reconhecíveis. Alguém lhe diz qualquer coisa que lhe soa hilariante e você
ri, possivelmente até todo o seu corpo se mexer, o que mostra que o pensa-
mento possui controlo sobre os músculos do seu corpo; ou alguém diz qual-
quer coisa que o emociona e os seus olhos enchem-se de lágrimas, o que
mostra que o pensamento controla as glândulas do seu corpo; ou alguém
lhe diz qualquer coisa que o enfurece e o sangue acorre à sua face, o que
mostra que o pensamento controla a circulação sanguínea. Estas experiên-
cias, além do facto de serem resultado de uma acção da mente objectiva
sobre o corpo, possuem uma natureza temporária; rapidamente passam e
deixam tudo como estava inicialmente.

11. Vejamos como diferem as acções da mente subconsciente sobre o corpo.


Você fere-se; milhares de células começam imediatamente o processo de
cura; em alguns dias ou semanas o trabalho fica completado. Pode fractu-

198
rar um osso. Nenhum cirurgião no mundo pode soldar as partes (não me
refiro à inserção de elementos que fortaleçam ou substituam os ossos). Ele
pode apenas recolocar o osso, depois a mente subjectiva começa imediata-
mente a soldar as partes e em pouco tempo o osso fica tão sólido como
sempre foi. Você pode engolir veneno; a mente subjectiva rapidamente des-
cobrirá o perigo e fará esforços violentos para o eliminar. Pode ficar infec-
tado com um perigoso vírus; a mente subjectiva começará logo a criar uma
parede à volta da área infectada e destruirá a infecção, absorvendo-a atra-
vés dos glóbulos brancos que o corpo envia para o efeito.

12. Estes processos da mente subconsciente normalmente ocorrem sem o


nosso conhecimento ou orientação pessoais e desde que não interfiramos, o
resultado é sempre perfeito, mas ainda que estes milhões de células pos-
suam inteligência e respondam ao nosso pensamento, elas frequentemente
paralisam e tornam-se impotentes devido a pensamentos de medo, dúvida
e ansiedade. São como um grupo de trabalhadores prontos para começar
um trabalho importante, mas sempre que começam, surge uma greve ou os
planos mudam até que perdem a coragem e desistem.

13. O segredo da saúde reside na lei da vibração, que é a base de toda a


ciência e é colocada em acção pela mente pelo “mundo interior”. É uma
questão de esforço e de prática individual. O nosso mundo de poder está no
interior; se formos sábios, não desperdiçaremos tempo e esforço em lidar
com os efeitos que encontramos no “mundo exterior”, estes são apenas
reflexos.

14. Encontraremos sempre as causas no “mundo interior”; ao mudarmos a


causa, mudamos o efeito.

15. Todas as células do seu corpo são inteligentes e respondem à sua orien-
tação. As células são criadoras e criarão de forma exacta o padrão que você
lhes fornecer.

16. Assim, quando imagens perfeitas são colocadas perante a mente sub-
jectiva, as energias criativas criarão um corpo perfeito.

17. As células cerebrais são construídas da mesma forma. A qualidade do


cérebro é governada pelo estado de espírito ou atitude mental, de maneira
que se forem sugeridas à mente subjectiva atitudes mentais indesejáveis,
estas serão depois transferidas para o corpo; assim podemos ver que se
desejamos que o corpo manifeste saúde, força e vitalidade, estes devem ser
os pensamentos predominantes.

199
18. Sabemos que todos os elementos do corpo humanos resultam de um
determinado nível de vibração.

19. Sabemos que a acção mental contém um determinado nível de vibra-


ção.

20. Sabemos que um nível de vibração mais elevado governa, modifica,


controla ou destrói níveis de vibração mais baixos.

21. Sabemos que o nível de vibração é controlado pelo carácter das células
cerebrais e, finalmente,

22. Sabemos como criar estas células cerebrais; portanto,

23. Sabemos como produzir no corpo qualquer mudança física que deseje-
mos e tendo conhecimento do poder da mente a este nível, reconhecemos
que não há limitações que possam ser colocadas à nossa capacidade de nos
harmonizarmos com a lei natural que é omnipotente.

24. Esta influência ou controlo da mente sobre o corpo está a ser cada vez
mais reconhecida e muitos médicos estão a dar-lhe uma atenção mais cui-
dada. O Dr. Albert T. Shofield, que escreveu vários livros importantes
sobre a matéria, diz que “O assunto da terapêutica mental é ainda geral-
mente ignorado pelo trabalho médico. Nos nossos estudos fisiológicos, não
há quaisquer referências ao poder central de controlo que governa o corpo
para o seu próprio bem, portanto, o poder da mente sobre o corpo é rara-
mente mencionado.”

25. Não há dúvida de que muitos médicos tratam doenças nervosas de ori-
gem funcional, de forma sábia e correcta, mas aquilo que defendemos é que
o conhecimento que eles mostram não foi ensinado em nenhuma escola,
por nenhum livro, é intuitivo e empírico.

26. Isto não deveria ser assim, O poder da terapêutica mental deveria ser
sujeito a um ensino cuidadoso, especial e científico em todas as escolas de
medicina. Podemos aprofundar o assunto das práticas incorrectas, da falta
de tratamentos ou descrever resultados desastrosos de casos negligentes;
mas é uma tarefa inútil.

27. Não há qualquer dúvida de que poucos pacientes têm consciência do


quanto podem fazer por si mesmos. O que podem fazer e as forças que
podem colocar em acção são-lhes desconhecidas. Tendemos a acreditar que
são maiores do que muitos possam imaginar e que serão cada vez mais
usadas. A terapêutica mental pode ser orientada pelo próprio paciente, de

200
modo a acalmar a excitação da mente, despertando sentimentos de alegria,
esperança, fé e amor; sugerindo outras acções, executando um trabalho
mental regular, eliminando os pensamentos de doença.

28. Como exercício desta semana, concentre-se nas belas palavras de


Tennyson: “Fale com Ele, pois Ele ouve e o seu espírito encontra-se com o
Dele. Ele está mais próximo do que a respiração, do que as mãos ou os
pés”. Depois tente reconhecer que quando você “fala com Ele”, está em con-
tacto com a Omnipotência.

29. O reconhecimento deste poder omnipresente destruirá rapidamente


qualquer forma de doença ou de sofrimento, substituindo-as por harmonia
e perfeição. Depois lembre-se de que há quem pense que a doença e o
sofrimento são enviados por Deus; se assim fosse, qualquer cirurgião,
médico ou enfermeiro da Cruz Vermelha estariam a desafiar a vontade de
Deus e os hospitais e sanatórios seriam lugares de revolta em vez de casas
de misericórdia. Claro que rapidamente reconhecemos o absurdo desta
ideia, mas são muitos os que ainda a defendem.

30. Depois deixe o pensamento repousar no facto de que até há pouco tem-
po a Teologia tentou passar a imagem de um Criador impossível, que cria
seres capazes de pecar e que depois deixa que estes sejam eternamente
punidos pelos seus pecados. Claro que o objectivo de tal extraordinária
ignorância era o de criar medo em vez de amor e, portanto, depois de dois
mil anos deste tipo de propaganda, a Teologia está agora activamente
empenhada em desculpar-se pelo Cristianismo.

31. Assim poderá valorizar o Homem ideal, o Homem feito à imagem e


semelhança de Deus e poderá valorizar também a Mente que tudo cria,
que forma, suporta e sustenta tudo quanto existe.

Tudo são partes de um incrível Todo que tem a Natureza como corpo e Deus
como alma.

A oportunidade segue a percepção, a acção segue a inspiração, o crescimen-


to segue o conhecimento, a eminência segue o progresso. O espiritual está
sempre primeiro, seguido da transformação nas infinitas e ilimitadas pos-
sibilidades de realização.

201
Perguntas de estudo com Respostas

211. Como pode a doença ser eliminada?


- Colocando-nos em harmonia com a Lei Natural, que é omnipotente.

212. Qual é o processo?


- O reconhecimento de que o Homem é um ser espiritual e de que este espí-
rito é perfeito.

213. Qual é o resultado?


- O reconhecimento consciente desta perfeição – primeiro, intelectualmen-
te, depois, emocionalmente – produz manifestações desta perfeição.

214. Porque é assim?


- Porque o pensamento é espiritual e, portanto, criativo e correlaciona-se
com o seu objecto, manifestando-o.

215. Que Lei Natural é colocada em actividade?


- A Lei da Vibração.

216. Porque é que esta lei é poderosa?


- Porque um nível mais elevado de vibração governa, modifica, controla e
destrói vibrações mais baixas.

217. Este sistema de terapêutica mental é geralmente reconhecido?


- Sim, existem literalmente milhões de pessoas neste país que de alguma
forma a usam (e obviamente muitas mais por todo o mundo).

218. Qual é o resultado deste sistema de pensamento?


- Pela primeira vez na história do mundo, a mais alta capacidade da razão
do Homem pode ser revelada por uma Verdade demonstrável que está ago-
ra a espalhar-se por todo o mundo.

219. Este sistema é aplicável a outras formas de manifestação?


- Vai ao encontro de todas as exigências e necessidades humanas.

220. Este sistema é científico ou religioso?


- Ambos. A verdadeira ciência e a verdadeira religião são irmãs gémeas,
onde uma vai, a outra segue.

202
Parte Vinte e Três

Nesta Parte, que eu tenho a honra de lhe poder transmitir, encontrará


escrito que o dinheiro entrelaça-se por toda a trama da nossa existência;
que a lei do sucesso é o serviço; que recebemos consoante damos e por esta
razão devemos considerar como um privilégio o facto de sermos capazes de
dar.

Sabemos já que o pensamento é a actividade criativa por detrás de cada


empreendimento construtivo. Assim, de tudo o que podemos dar, o pensa-
mento é o que possui o maior valor prático.

O pensamento criativo requer atenção e como já vimos, o poder da atenção é


a arma do super-homem. A atenção desenvolve a concentração, que por sua
vez desenvolve o Poder Espiritual e o Poder Espiritual é a força mais pode-
rosa da existência.

Esta é a ciência que abarca todas as outras. É a arte mais relevante da vida
humana. Na mestria desta ciência e arte reside a oportunidade para um
progresso interminável. A perfeição nesta arte não se alcança em seis dias,
seis semanas ou seis meses. É o trabalho de uma vida. Não andar para a
frente significa andar para trás.

É inevitável que a retenção de pensamentos positivos, construtivos e altruís-


tas produza um efeito de longo alcance para o bem. A compensação é a cha-
ve do Universo. A Natureza está constantemente à procura de um equilí-
brio. Quando alguma coisa é enviada, algo tem de ser recebido; senão for-
mar-se-ia um vácuo.

Tomando consciência desta regra, você lucrará sempre de modo a justificar


o esforço.

203
204
Parte Vinte e Três

1. A consciência monetária é uma atitude mental; é a porta aberta para as


vias do comércio. É a atitude receptiva. O desejo é a força atractiva que
coloca o fluxo em movimento e o medo é o grande obstáculo que faz parar
ou reverter esse fluxo na direcção contrária.

2. O medo é o exacto oposto da consciência monetária; é consciência da


pobreza e como a lei é imutável, recebemos sempre consoante damos; se
receamos, recebemos aquilo de que receamos. O dinheiro entrelaça-se em
toda a trama da nossa existência; despoleta os melhores pensamentos das
melhores mentes.

3. Criamos dinheiro criando amizades e alargamos o nosso círculo de ami-


zades criando dinheiro para eles, ajudando-os, servindo-os. A primeira lei
para o sucesso é o serviço, que por sua vez é construído sobre integridade e
justiça. O Homem que não for justo nas suas intenções é simplesmente
ignorante; não compreendeu a lei fundamental de toda a permuta; falhará
com toda a certeza; ele pode não o saber; pode pensar que está a ganhar,
mas está destinado à derrota certa. Ele não pode enganar o Infinito. A lei
da compensação exigirá dele “olho por olho, dente por dente”.

4. As forças da vida são voláteis; são compostas pelos nossos pensamentos


e ideais, que depois são moldados em formas; o nosso desafio é manter uma
mente aberta para constantemente alcançarmos coisas novas, reconhecer-
mos oportunidades, interessarmo-nos mais pela corrida do que pela meta,
pois o prazer reside na busca e não na posse.

5. Você pode tornar-se num íman de dinheiro, mas para o fazer, primeiro
tem de perceber como pode criar dinheiro para outras pessoas. Se possuir
intuição suficiente para perceber e utilizar as oportunidades e condições
favoráveis, reconhecendo o seu valor, pode colocar-se em posição de extrair
benefícios delas, ainda que o seu maior sucesso virá da capacidade de aju-
dar os outros. O que beneficia um tem de beneficiar todos.

205
6. Um pensamento generoso está carregado de força e de vitalidade, um
pensamento egoísta contem o germe da destruição; desintegra-se e desapa-
rece. Os grandes empresários são apenas canais de distribuição de riqueza;
enormes montantes vão e vêm e é tão perigoso travar a entrada como a
saída desse dinheiro; ambas as portas devem permanecer abertas; assim, o
nosso maior sucesso surge quando reconhecemos que é igualmente impor-
tante dar e receber.

7. Se reconhecermos o poder omnipotente que é a fonte de toda a abundân-


cia, ajustaremos a nossa consciência para esta abundância de tal modo que
atrairá constantemente tudo o que é necessário e ganharemos consciência
de que quanto mais dermos, mais recebemos. Neste sentido, dar implica
serviço. O banqueiro dá o seu dinheiro, o comerciante dá os seus bens, o
autor dá o seu pensamento, o trabalhador dá a sua habilidade; todos têm
algo para dar, quanto mais derem, mais recebem e quanto mais receberem,
mais serão capazes de dar.

8. O empresário recebe muito porque dá muito; ele pensa; raramente deixa


que alguém pense por ele; ele deseja saber como assegurar os resultados;
você deve mostrar-lhe; ao fazê-lo, está a dar-lhe os meios pelos quais cen-
tenas ou mesmo milhares poderão ser beneficiados. Morgan, Rockefeller,
Carnegie e muitos outros não enriqueceram por perderem dinheiro para
outras pessoas; antes pelo contrário, foi por terem criado dinheiro para
outras pessoas que se tornaram nos homens mais ricos do país mais rico do
mundo.

9. A pessoa vulgar é incapaz de qualquer pensamento profundo; aceita


ideias de outros e repete-as tal como o papagaio; isto é bem ilustrado
quando compreendemos o método usado para formar uma opinião pública
e esta atitude dócil por parte de uma maioria que aparentemente deixa
que outros pensem por eles, é o que permite a alguns homens em muitos
grandes países, usurpar todas as vias de poder e subordinar milhões. O
pensamento criativo requer atenção.

10. O poder da atenção chama-se concentração; este poder é orientado pela


vontade; por esta razão, devemo-nos concentrar ou pensar apenas nas coi-
sas que desejamos. Muitos concentram-se constantemente em mágoas,
perdas e discórdias de todo o tipo; como o pensamento é criativo, segue-se
que este tipo de pensamento leva a mais mágoa, mais perda e mais discór-
dia. Como poderia não o ser? Por outro lado, quando nos deparamos com
sucesso, ganho ou qualquer outra condição desejável, naturalmente con-
centramo-nos nos seus efeitos e assim criamos mais. Daí que muito leva
sempre a mais.

206
11. O modo como o entendimento deste princípio pode ser utilizado no
mundo dos negócios, está bem ilustrado por um associado meu:

12. “O Espírito, o que quer que seja, deve ser considerado como a Essência
da Consciência, a Substância da Mente, a realidade que subjaz ao Pensa-
mento. Como todas as ideias são fases da actividade da Consciência, da
Mente ou do Pensamento, segue-se que no Espírito e apenas nele reside o
Facto Último, a Coisa Real, ou Ideia.”

13. Admitindo isto, não parece razoável que uma verdadeira compreensão
do Espírito e da sua lei de manifestação é o que existe de mais “prático”
que uma pessoa “prática” pode desejar? Não parece óbvio que se os homens
“práticos” deste mundo tomassem consciência deste facto, cairiam em si
mesmos e acorreriam ao lugar onde poderiam obter um conhecimento de
tais leis espirituais? Estes homens não são ignorantes; apenas precisam de
agarrar este facto fundamental, de forma a moverem-se na direcção daqui-
lo que é a essência de toda a concretização.

14. Deixe-me dar-lhe um exemplo concreto. Conheço um homem em Chica-


go que sempre considerei ser bastante materialista. Obteve vários sucessos
na vida; e também alguns fracassos. Na última vez que lhe falei, ele estava
praticamente “fracassado” em comparação com o seu anterior negócio.
Parecia ter “esticado o elástico” ao máximo, pois ele estava já na meia-
idade e as ideias surgiam-lhe de forma mais lenta e menos frequente do
que em anos anteriores.

15. Resumidamente, disse-me: “Eu sei que nos negócios tudo aquilo que
funciona é resultado do Pensamento; qualquer pessoa sabe isso. Mas agora
parece que estou sem bons pensamentos ou ideias. Se este ensinamento
sobre a Mente é verdadeiro, deveria ser possível ao indivíduo estabelecer
uma ‘ligação directa’ com a Mente Infinita; e na Mente Infinita existe todo
o tipo de boas ideias que um homem com a minha coragem e experiência
pode colocar em prática no mundo dos negócios, alcançando grandes suces-
sos. Parece-me bem, vou aprofundar esse pensamento.”

16. Isto foi há alguns anos. Há uns dias voltei a ouvir falar deste homem.
Em conversa com um amigo, disse: “O que é feito do nosso velho amigo X?
Já saiu da cepa torta?” O meu amigo olhou-me espantado. “O quê? Não
sabes do grande sucesso do X? Ele tem um cargo muito importante na
Empresa Y (empresa que alcançou um enorme sucesso nos últimos dezoito
meses devido à sua exposição, tanto dentro do país, como internacional-
mente). Foi ele quem lançou a Grande Ideia para aquela empresa. Rendeu-
lhe já meio milhão e está a caminho da marca milionária; tudo no espaço

207
de dezoito meses.” Eu não relacionei este homem com a empresa mencio-
nada, embora tivesse conhecimento deste maravilhoso sucesso alcançado.
Investigações mostrarão que a história é real e que nenhum dos factos
mencionados foi exagerado.

17. O que pensa disto? Para mim, significa que este homem estabeleceu
mesmo uma “ligação directa” com a Mente Infinita – com o Espírito –
fazendo com que esta trabalhasse para ele. Ele “usou-a no seu negócio.”

18. Isto soa-lhe a sacrilégio ou a blasfémia? Espero que não; não pretendo
que o seja. Retire da concepção de “Infinito”, a implicação de Personalidade
ou de Natureza Humana Aumentada e sobra-lhe a ideia de um Poder-
Presença Infinito, a Quintessência da Consciência – o Espírito. Em última
instância, este homem deve ser considerado como uma manifestação do
Espírito; não há nada de sacrílego na ideia de que ele, sendo Espírito e
estando harmonizado com a sua Origem e Fonte, seja capaz de manifestar
o mais pequeno grau do seu Poder. Todos o fazemos em maior ou menor
grau quando usamos a nossa mente na direcção do Pensamento Criativo.
Este homem fez mais, ele dirigiu o pensamento de uma forma intensamen-
te “prática”.

19. Ainda não o consultei acerca do método que utilizou, embora tenha
intenção de o fazer logo que possível. Ele não só retirou da Abundância
Infinita as ideias de que necessitava (e que foram a semente do seu suces-
so), como também usou o Poder Criativo do Pensamento para construir
para si próprio o Padrão Ideal daquilo que ele desejava manifestar em
forma, que foi sendo aumentado, alterado e melhorado ao longo do tempo –
procedendo desde o esboço geral até ao mais pequeno detalhe. Eu julgo
serem estes os factos subjacentes à causa do seu sucesso, não só devido à
memória da conversa que tivemos há uns anos, mas também por já ter
comprovado a veracidade deste método nos casos de outros homens proe-
minentes que manifestaram de forma semelhante o Pensamento Criativo.

20. Aqueles que se acanham perante a ideia de aplicar o Poder Infinito


para ajudar alguém no seu trabalho, devem lembrar-se que se o Infinito
discordasse deste método mesmo ao mais pequeno grau, nada aconteceria.
O Infinito sabe cuidar de si mesmo.

21. A “Espiritualidade” é “prática”, muito “prática”, intensamente “práti-


ca”. Ensina-nos que o Espírito é a Coisa Real, o Todo e que a Matéria é
apenas uma substância que possui plasticidade, capaz de ser moldada,
criada, manipulada e enformada pelo Espírito à sua vontade. A Espiritua-
lidade é a coisa mais “prática” do mundo – a única coisa realmente e abso-
lutamente “prática” que existe!

208
22. Esta semana, concentre-se no facto de que o Homem não é um corpo
com um espírito, mas um espírito com um corpo e é por esta razão que os
seus desejos nunca serão plenamente satisfeitos em algo que não seja espi-
ritual. O dinheiro não possui qualquer valor excepto o de nos trazer as
condições que desejamos, condições que serão necessariamente harmonio-
sas. As condições harmoniosas necessitam de uma oferta suficiente de
modo que se parece haver alguma carência, devemos tomar consciência de
que a ideia ou a alma do dinheiro reside no serviço, portanto, à medida que
este pensamento for ganhando forma, os canais da abundância abrir-se-ão
e você receberá a satisfação de saber que os métodos espirituais são total-
mente práticos.

Descobrimos que o pensamento ordeiro e premeditado acerca de um propó-


sito amadurece esse propósito em formas fixas, assim, podemos estar abso-
lutamente seguros do resultado da nossa experiência dinâmica.

Francis Larimer Warner

209
Perguntas de estudo com Respostas

221. Qual é a primeira lei do sucesso?


- Serviço.

222. Como podemos prestar o maior serviço?


- Tendo uma mente aberta; estar mais interessado na corrida do que na
meta; mais interessado na busca do que na posse.

223. Qual é o resultado do pensamento egoísta?


- Contém em si o germe da destruição.

224. Como é alcançado o nosso maior sucesso?


- Através do reconhecimento do facto de que é igualmente importante dar e
receber.

225. Porque é que os empresários obtêm tanto sucesso?


- Porque pensam por si mesmos.

226. Porque é que a maioria permanece dócil e aparentemente instrumen-


talizada pelas minorias?
- Porque deixam que estas minorias pensem por eles.

227. Qual é o resultado de nos concentrarmos em mágoas e perdas?


- Mais mágoas e mais perdas.

228. Qual é o resultado de nos concentrarmos em ganhos?


- Mais ganhos.

229. Este princípio é utilizado no mundo dos negócios?


- É o único princípio que alguma vez foi usado ou que venha a ser usado.
Não existe outro princípio. O facto de poder ser usado inconscientemente,
não altera a situação.

230. Qual é a aplicação prática deste princípio?


- O facto de que o sucesso é um efeito e não uma causa e que se desejarmos
garantir o efeito, devemos determinar a causa, ideia ou pensamento pelo
qual esse efeito é criado.

Alimente a sua mente com grandes pensamentos; acreditar no


heroísmo cria heróis.
Disraeli

210
Parte Vinte e Quatro

Junto envio a Parte Vinte e Quatro, a sua última lição deste curso.

Se praticou cada um destes exercícios durante alguns minutos todos os dias


como sugerido, saberá que pode extrair da vida tudo aquilo que deseja,
colocando primeiro na vida aquilo que deseja. Decerto concordará com o
estudante que disse: “Esta ideia é extremamente arrebatadora, vasta, dis-
ponível, exacta, razoável e prática.”

O fruto deste conhecimento é uma dádiva dos Deuses; é a “verdade” que


liberta os homens não só de qualquer forma de carência ou limitação, mas
liberta-os da mágoa, preocupação, medo e é maravilhoso reconhecer que
esta lei não discrimina ninguém, não interessa que hábito de pensamento
possa ter, o caminho já está preparado.

Se você tiver inclinações religiosas, o maior mestre religioso que o mundo já


conheceu tornou o caminho tão simples que qualquer pessoa o pode tomar.
Se prefere as ciências físicas, saiba que a lei opera com um rigor matemáti-
co. Se estiver mais virado para a filosofia, Platão ou Emerson podem ser os
seus mestres, mas em qualquer dos casos existe sempre a possibilidade de
alcançar níveis de poder aos quais é impossível determinar um limite.

O entendimento deste princípio, a meu ver, é o segredo que os antigos


Alquimistas buscaram em vão, pois explica como o ouro da mente pode ser
transmutado em ouro no coração e nas mãos.

211
212
Parte Vinte e Quatro

1. Quando os cientistas puseram o Sol no centro do Sistema Solar e fize-


ram a Terra rodar à sua volta, houve grande surpresa e consternação. A
ideia era claramente falsa; nada era mais certo do que o movimento do Sol
ao longo do céu e toda a gente era capaz de o ver descer no ocidente e afun-
dar-se no mar; os académicos enfureceram-se, os cientistas rejeitaram a
ideia como sendo absurda, mas ainda assim a ideia tornou-se uma convic-
ção clara nas mentes de todos.

2. Consideramos um sino um “corpo sonante”, embora saibamos que a úni-


ca coisa que o sino é capaz de fazer é produzir vibrações no ar. Quando
estas vibrações atingem o valor de dezasseis por segundo, produzem um
som audível pela mente. A mente é também capaz de ouvir vibrações até
38,000 ciclos por segundo. Quando o valor é mais elevado, tudo se torna de
novo silencioso; por isso sabemos que o som não está no sino, está na nossa
própria mente.

3. Falamos e pensamos no Sol como algo que “dá luz”, mas sabemos que
simplesmente emite energia sob a forme de vibrações no éter com valores
de quatrocentos triliões de ciclos por segundo, criando aquilo a que se
chamam ondas luminosas, por isso o que chamamos luz é simplesmente
uma forma de energia e a única luz que existe deve-se à sensação causada
na mente pelo movimento das ondas. Quando este valor aumenta, a luz
muda de cor, sendo cada cor causada por vibrações cada vez mais curtas e
rápidas; assim, embora vejamos uma rosa como sendo vermelha, a relva
verde ou o céu azul, sabemos que as cores existem apenas nas nossas men-
tes e que as sensações são o resultado da vibração de ondas luminosas.
Quando as vibrações decrescem dos quatrocentos triliões de ciclos por
segundo, deixam de nos afectar como luz mas sentimo-las como calor. Por-
tanto, não podemos depender da evidência dos sentidos relativamente à
informação sobre a realidade das coisas; se dependêssemos, acreditaríamos
que o Sol se move, que a Terra é plana e não esférica, que as estrelas são
pontos de luz e não gigantescos sóis.

213
4. Assim, o vasto espectro da teoria e prática de qualquer sistema metafísi-
co depende do conhecimento da Verdade em relação ao indivíduo e ao
mundo em que vive; depende do conhecimento de que, de forma a expres-
sar harmonia, você deve pensar em harmonia; de forma a expressar abun-
dância, você deve pensar em abundância; para o fazer, você não pode
depender da prova dada pelos sentidos.

5. Quando tomar consciência que qualquer forma de doença, carência ou


limitação é simplesmente o resultado de uma forma errada de pensamento,
terá conhecido a “Verdade que o libertará”. Descobrirá como mover monta-
nhas. Se estas montanhas consistirem apenas em dúvida, medo, descon-
fiança ou outras formas de desencorajamento, não são por isso menos reais
e devem não só ser removidas, como “lançadas ao mar”.

6. O seu verdadeiro trabalho consiste em convencer-se a si próprio da ver-


dade destas afirmações. Quando o tiver conseguido, não terá dificuldade
em pensar apenas de forma verdadeira e, como já vimos, a Verdade contém
um princípio vital com capacidade de manifestação.

7. Aqueles que curam doenças através de métodos mentais já conhecem


esta verdade, demonstram-na diariamente nas suas vidas e nas dos outros.
Eles sabem que a vida, a saúde e a abundância são Omnipresentes, preen-
chem todo o espaço e sabem que aqueles que permitem que doenças ou
quaisquer formas de limitação se manifestem não compreenderam ainda
esta grande lei.

8. Como todas as condições são construções do pensamento e por isso


totalmente mentais, a doença e a carência são simplesmente condições
mentais nas quais a pessoa fracassa em ver a verdade; mal o erro seja
removido, a condição é removida.

9. O método de remover o erro é procurar a Verdade no Silêncio; como


todas as mentes são uma só, você pode fazê-lo para si ou para qualquer
pessoa. Se já aprendeu a formar imagens mentais das condições desejadas,
isto será a forma mais fácil e rápida de assegurar resultados; se ainda não
aprendeu, os resultados podem ser obtidos através de argumentação, con-
vencendo-se absolutamente da verdade da sua afirmação.

10. Lembre-se e esta é uma das mais difíceis mas mais maravilhosas afir-
mações a reter… Não interessa o grau de dificuldade, não interessa onde,
não interessa quem poderá implicar, não existe ninguém a tratar senão de
si mesmo; não há nada mais a fazer do que convencer-se a si mesmo da
verdade que deseja ver manifestada.

214
11. Esta é uma afirmação científica imutável, de acordo com todos os sis-
temas Metafísicos que existem e não é possível obter resultados de qual-
quer outra forma.

12. Todas as formas de concentração, formando Imagens Mentais, Argu-


mentando e Auto-sugerindo, são simplesmente métodos pelos quais você se
apercebe da Verdade.

13. Se deseja ajudar alguém ou destruir alguma forma de limitação, carên-


cia ou erro, o método correcto não é pensar na pessoa que deseja ajudar;
basta a intenção de o ajudar, pois isso é suficiente para o colocar em con-
tacto mental com essa pessoa. Depois retire da sua mente qualquer ideia
de carência, limitação, doença, perigo, dificuldade ou o que quer que possa
ser o problema. Quando o tiver conseguido, o resultado será alcançado e a
pessoa libertada.

14. Mas lembre-se que o pensamento é criativo e que, consequentemente,


todas as vezes que permitir que o seu pensamento repouse em condições
adversas, deve tomar consciência que essas condições são apenas aparen-
tes, não possuem realidade, pois o espírito é a única realidade e esta nunca
pode ser menos que perfeita.

15. Todo o pensamento é uma forma de energia, um nível de vibração, mas


o pensamento Verdadeiro possui o grau de vibração mais elevado que exis-
te e, consequentemente, destrói qualquer forma de erro exactamente da
mesma maneira que a luz destrói a escuridão; nenhuma forma de erro
pode permanecer quando a Verdade aparece, logo, todo o seu trabalho
mental consiste em conformar-se com o entendimento da Verdade. Isto
permitir-lhe-á ultrapassar qualquer forma de carência, limitação ou doen-
ça.

16. Não conseguimos obter nenhum entendimento sobre a Verdade a partir


do mundo exterior, pois é apenas relativo; a Verdade é absoluta. Devemos,
portanto, encontrá-la no “mundo interior”.

17. Treinamos a mente para que veja apenas a Verdade, para que expresse
apenas condições verdadeiras, sendo que a nossa capacidade de o fazer
será indicativa do nosso progresso.

18. A verdade absoluta é que o “Eu” é perfeito e completo; o verdadeiro


“Eu” é espiritual e nunca pode ser menos que perfeito; não pode possuir
qualquer tipo de carência, limitação ou doença. O impulso do génio não se
origina no movimento molecular do cérebro; é inspirado pelo ego, o “Eu”

215
espiritual que é uno com a Mente Universal e é na nossa capacidade em
reconhecer esta Unidade que reside toda a inspiração, toda a genialidade.
Estes resultados têm um longo alcance e um efeito que cobre gerações; são
os pilares do fogo que marca o caminho seguido por milhões.

19. A Verdade não resulta do treino lógico, da experimentação ou da obser-


vação; é o produto de uma consciência desenvolvida. A Verdade em César
manifesta-se no seu comportamento, na sua vida e na sua acção; na sua
influência sobre as formas sociais e o progresso. Portanto, a sua vida, as
suas acções e a sua influência no mundo dependerão do grau de Verdade
que você compreende, pois a verdade não se manifesta nas crenças mas na
conduta.

20. A Verdade manifesta-se no carácter e o carácter de um homem deve ser


a interpretação da sua religião ou daquilo que é verdadeiro para ele e isto,
por sua vez, é expresso através do carácter daquilo que possui. Se um
homem se queixa da deriva da sua fortuna, está a participar numa activi-
dade tão inútil como a de negar a verdade racional, ainda que esta se man-
tenha patente e irrefutável.

21. O nosso ambiente e as inúmeras circunstâncias e acidentes das nossas


vidas existem já na personalidade subconsciente que atrai a si mesma o
material físico e mental que corresponde à própria natureza. Daí que o
nosso futuro seja determinado pelo nosso presente e caso exista uma apa-
rente injustiça nalguma característica ou fase do nosso presente, devemos
procurar a causa no interior, tentar descobrir o facto mental responsável
pela manifestação exterior.

22. É esta a Verdade que o liberta e é o entendimento consciente desta


Verdade que lhe permitirá ultrapassar qualquer dificuldade.

23. As condições que você encontra no mundo exterior são invariavelmente


o resultado de condições criadas no mundo interior, portanto, segue-se que
(e com uma precisão científica) ao manter o ideal perfeito na mente, você
manifesta condições ideais no seu ambiente.

24. Se você vê apenas o incompleto, o imperfeito, o relativo ou o limitado,


estas condições manifestar-se-ão na sua vida; mas se treinar a sua mente a
ver e a reconhecer o ego espiritual, o “Eu” que é eternamente perfeito e
completo, verá manifestar-se na sua vida apenas condições saudáveis e
harmoniosas.

25. Como o pensamento é criativo e sendo a Verdade a forma mais elevada


e mais perfeita de pensamento que alguém pode ter, é perfeitamente evi-

216
dente que pensar na Verdade é criar aquilo que é verdadeiro e é também
evidente que quando a Verdade aparece, o que é falso tem de desaparecer.

26. A Mente Universal consiste na totalidade de todas as mentes da exis-


tência. O Espírito é Mente, pois possui inteligência. As palavras são, por-
tanto, sinónimas.

27. A dificuldade com que você tem de lidar é a de que a mente não é indi-
vidual. É omnipresente. Existe em todo o lado. Por outras palavras, não
existe lugar onde não esteja. É Universal.

28. Os homens usaram, de forma geral, a palavra “Deus” para indicar este
princípio criativo Universal; mas a palavra “Deus” não possui o significado
correcto. A maioria das pessoas entende que esta palavra significa algo
fora delas, quando o contrário é que é verdadeiro. É a nossa própria vida.
Sem ela, estaríamos mortos. Deixaríamos de existir. No instante em que o
espírito deixa o corpo, passamos a não ser nada. O Espírito é, portanto,
tudo o que existe de nós.

29. Assim, a única capacidade que o Espírito possui é o poder de pensar,


portanto, o pensamento deve ser criativo, pois o Espírito é criativo. Este
poder criativo é impessoal e é na sua capacidade de pensar que reside o
poder de o controlar e de o usar para seu benefício e dos outros.

30. Quando reconhecer, compreender e apreciar a verdade desta afirmação,


terá tomado posse da Chave-Mestra, mas lembre-se que só os que são sufi-
cientemente sábios para compreender, suficientemente perspicazes para
avaliar as evidências, suficientemente firmes para seguir o próprio julga-
mento e suficientemente fortes para fazer o sacrifício exigido é que poderão
entrar e participar.

31. Esta semana tente reconhecer que este mundo em que vivemos é real-
mente maravilhoso, que você é um ser maravilhoso, que muitos estão a
despertar para o conhecimento da Verdade e que à medida que despertam
e contactam com este conhecimento das “coisas que lhes foram prepara-
das”, também eles reconhecem que “Os olhos não viram, nem os ouvidos
ouviram, nem entrou nos corações dos homens” os esplendores que existem
para aqueles que se encontram na Terra Prometida. Atravessaram o rio do
julgamento e chegaram ao ponto em que se discrimina a verdade da menti-
ra, descobriram que tudo aquilo que alguma vez desejaram ou sonharam
era apenas um vago conceito da deslumbrante realidade.

Ainda que se possa legar uma herança de hectares de terra, o mes-


mo não se pode fazer com uma herança de conhecimento e de sabe-

217
doria. O homem rico pode pagar aos outros para trabalharem por
ele, mas é impossível fazer com que alguém pense por ele ou que lhe
seja adquirido qualquer tipo de conhecimento.

S. Smiles

218
Perguntas de estudo com Respostas

231. Sobre que princípio repousa a teoria e prática de que depende qual-
quer sistema Metafísico existente?
- Sobre o conhecimento da “Verdade” sobre si mesmo e sobre mundo em
que vive.

232. Qual é a “Verdade” acerca de si mesmo?


- O Verdadeiro “Eu”, ou ego, é espiritual e nunca pode ser menos que per-
feito.

233. Qual o método para destruir qualquer forma de erro?


- Reconhecer absolutamente a “Verdade” relativamente à condição que
deseja ver manifestada.

234. Podemos fazê-lo em relação a outros?


- A Mente Universal, na qual “vivemos, nos movemos e devemos a nossa
existência” é una e indivisível, sendo, portanto, igualmente possível ajudar
outros.

235. O que é a Mente Universal?


- A totalidade de todas as mentes da existência.

236. Onde está a Mente Universal?


- A Mente Universal é Omnipresente, existe em todo o lado. Não há lugar
onde não esteja. Está dentro de nós. É o “Mundo interior”. É o nosso espíri-
to, a nossa vida.

237. Qual a natureza da Mente Universal?


- É espiritual e, consequentemente, criativa. Procura expressar-se em for-
mas.

238. Como podemos actuar sobre a Mente Universal?


- É na nossa capacidade de pensar que reside a capacidade de actuar sobre
a Mente Universal e de a manifestar para nosso benefício e dos outros.

239. O que se entende por pensar?


- Possuir pensamentos claros, decididos, calmos, deliberados, permanentes,
com um fim definido em vista.

240. Qual é o seu resultado?


- Será também capaz de dizer, “Não sou eu que faço a obra, mas o Pai que
em mim habita, Ele cria a obra”. Saberá que o “Pai” é a Mente Universal e
que Ele habita realmente e verdadeiramente em si, por outras palavras,

219
saberá que as maravilhosas promessas feitas na Bíblia não são ficção e
podem ser demonstradas por alguém que possua um entendimento sufi-
ciente.

Os templos possuem as suas imagens sagradas e vemos a influência


que elas exerceram sobre grande parte da Humanidade; mas na
verdade, as ideias e imagens nas mentes dos homens é que são as
forças invisíveis que constantemente os governam; e é a elas que
eles prestam, universalmente, uma pronta submissão.

Jonathan Edwards

220