Você está na página 1de 548

Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil

Lygia Terra, Regina Araujo, Raul Borges Guimarães


Moderna
Página 1

Lygia Terra
Licenciada em Geografia pela Universidade de São Paulo. Professora de Geografia na rede pública estadual de
São Paulo.

Regina Araujo
Doutora em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo.
Professora de Geografia do Ensino Médio e Superior.

Raul Borges Guimarães


Doutor em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo.
Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Conexões
Estudos de Geografia Geral e do Brasil

3
Ensino Médio

Componente curricular: GEOGRAFIA

MANUAL DO PROFESSOR
3ª edição

São Paulo, 2016

Editora Moderna
Página 2

Coordenação editorial: Fernando Carlo Vedovate


Edição de texto: Alice Kobayashi, Ligia Cantarelli, Roberta Oliveira Stracieri, Silvia Ricardo, Tatiana Pavanelli Valsi
Assistência editorial: André dos Santos Araújo
Gerência de design e produção gráfica: Sandra Botelho de Carvalho Homma
Coordenação de produção: Everson de Paula
Suporte administrativo editorial: Maria de Lourdes Rodrigues (coord.)
Coordenação de design e projetos visuais: Marta Cerqueira Leite
Projeto gráfico: Marta Cerqueira Leite, Otávio dos Santos, Rafael Mazzari
Capa: Mariza de Souza Porto
Foto: Manifestantes curdos protestam contra os ataques do Estado Islâmico
(Reino Unido, 2014). © Guy Corbishley/Alamy/Glow Images
Coordenação de arte: Wilson Gazzoni Agostinho
Edição de arte: Daniele Fátima Oliveira
Editoração eletrônica: Casa de Ideias
Edição de infografia: Luiz Iria
Coordenação de revisão: Adriana Bairrada
Revisão: Ana Maria C. Tavares, Cecília Setsuko Oku, Denise Ceron, Leandra Trindade
Coordenação de pesquisa iconográfica: Luciano Baneza Gabarron
Pesquisa iconográfica: Camila D’Angelo, Tempo Composto
Coordenação de bureau: Américo Jesus
Tratamento de imagens: Denise Feitoza Maciel, Marina M. Buzzinaro, Rubens M. Rodrigues
Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira, Fabio N. Precendo, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto, Vitória Sousa
Coordenação de produção industrial: Viviane Pavani
Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Terra, Lygia
Conexões : estudos de geografia geral e do Brasil / Lygia Terra, Regina Araujo, Raul Borges Guimarães. — 3. ed. — São Paulo : Moderna, 2016.
“Componente curricular: Geografia”.
Obra em 3 v.
Bibliografia.
1. Geografia – Estudo e ensino I. Araujo, Regina. II. Guimarães, Raul Borges. III. Título.
16-01819 CDD-910.7

Índices para catálogo sistemático:


1. Geografia geral : Estudo e ensino 910.7

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Todos os direitos reservados

EDITORA MODERNA LTDA.


Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho
São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904
Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510
Fax (0_ _11) 2790-1501
www.moderna.com.br

2016

Impresso no Brasil

1 3 5 7 9 10 8 6 4 2
Página 3

Apresentação

E studar Geografia é estudar o espaço, uma importante dimensão da vida social. Afinal, a dinâmica das
sociedades está inscrita na constituição do espaço geográfico, ou seja, no espaço produzido pelos seres
humanos, em suas diversas escalas. Assim como a sociedade, o espaço geográfico tem história, é
dinâmico, vivo e aberto ao futuro.

No mundo contemporâneo, espaços nacionais dotados de economias prósperas que dominam o jogo
político global distinguem-se dos espaços nacionais marcados pela pobreza, que ocupam um papel
periférico no sistema internacional. No entanto, existem lugares de extrema pobreza também nos
países desenvolvidos, do mesmo modo que há lugares de riqueza e ostentação nos países mais
miseráveis. A produção da riqueza e a disseminação da pobreza são processos sociais conectados. O
espaço geográfico é profundamente desigual, mas também é constituído por diversas formas de
interações e justaposições.

Aprender Geografia pode e deve ser uma aventura. Afinal, trata-se de um processo de descobrimento:
de conceitos, de movimentos sociais, de paisagens, de estruturas econômicas e de relações entre o que
acontece no mundo e o que acontece nos lugares.

Esta obra convida você a desvendar as marcas que as sociedades mundial e brasileira imprimiram no
território ao longo de sua história e a participar do processo de construção de dinâmicas socioespaciais
mais justas e solidárias.

Bom trabalho!

Os autores
Página 4

Organização deste volume


Esta é uma obra composta de dez capítulos, distribuídos em três unidades temáticas.

Conheça, agora, as seções deste livro.

Abertura de unidade

Uma imagem e um pequeno texto introduzem o assunto a ser desenvolvido na unidade, que reúne capítulos
subordinados a um tema mais amplo.

Abertura de capítulo

Cada capítulo é composto de temas, que desenvolvem os conteúdos de forma clara e organizada. A página de
abertura do capítulo apresenta a ideia central de cada tema, além de oferecer ferramentas de análise dos
fenômenos geográficos (fotos, mapas, gráficos) sempre contextualizados com a temática que será estudada a
seguir.

As questões propostas instigam a curiosidade para o tema a ser tratado e, ao mesmo tempo, examinam os
conhecimentos prévios acerca do que será estudado.

Um ícone do Enem indica as competências e habilidades trabalhadas no capítulo.


Página 5

Abertura de tema

No início de cada tema, há uma lista com os termos e conceitos mais importantes do tema tratado.

O glossário apresenta explicações sobre palavras ou termos destacados no texto.

Transversalidades

Fatos e temas relacionados com o conteúdo dos capítulos. São privilegiadas questões de ética, pluralidade cultural,
gênero, meio ambiente, construção da cidadania, direitos humanos e cultura da paz.

Cartografia em foco

Seção que desenvolve a expressão cartográfica e oferece novos e importantes elementos de análise do espaço
geográfico e articulação de diferentes escalas.
Diálogo interdisciplinar

Contempla textos que apresentam análises e conceitos vindos de outras áreas do conhecimento e contribuem para
a compreensão do espaço geográfico.
Página 6

Questões de revisão

São atividades de revisão de conteúdo, diretas e objetivas, ao final de cada tema.

Sugestões de sites, livros e filmes que aprofundam e complementam os temas explorados no capítulo.

Fotos, mapas, gráficos e tabelas são explorados por meio de breves questões, estimulando a troca de ideias e a
participação dos alunos em sala de aula.

Infográfico

A obra também contempla um infográfico, que é um recurso gráfico-visual em que imagens integradas a textos
concisos sintetizam diversos dados e informações.
Página 7

Atividades

Esta seção está subdividida em Para além do texto, com questões reflexivas e de ampliação de conteúdo, e
Leituras cartográficas, com exercícios de leitura, análise e interpretação cartográfica.

Exames de seleção

No final de cada capítulo, encontram-se questões do Enem e dos mais variados concursos e vestibulares nacionais.

Pesquisa e ação

A seção apresenta atividades práticas que envolvem a pesquisa e a elaboração de um produto final, a ser
compartilhado com a turma.
Página 8

Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas


Tecnologias - ENEM
C1
Competência de área 1
Compreender os elementos culturais que constituem as identidades.

H1 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura.

H2 Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.

H3 Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.

H4 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

H5 Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em


diferentes sociedades.

C2
Competência de área 2
Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e
culturais de poder.

H6 Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

H7 Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.

H8 Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no
enfrentamento de problemas de ordem socioeconômica.

H9 Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconômicas em escala


local, regional ou mundial.

H10 Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da


coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica.

C3
Competência de área 3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as
aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais.

H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.

H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.

H13 Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou rupturas em
processos de disputa pelo poder.
H14 Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre
situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas.

H15 Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da
história.
Página 9

C4
Competência de área 4
Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no
desenvolvimento do conhecimento e na vida social.

H16 Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da
vida social.

H17 Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da
produção.

H18 Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações


socioespaciais.

H19 Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e
apropriação dos espaços rural e urbano.

H20 Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à
vida social e ao mundo do trabalho.

C5
Competência de área 5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da
democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.

H21 Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.

H22 Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas legislações ou nas
políticas públicas.

H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades.

H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.

H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social.

C6
Competência de área 6
Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos
históricos e geográficos.

H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida
humana com a paisagem.

H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração
aspectos históricos e/ou geográficos.

H28 Relacionar o uso das tecnologias com os impactos socioambientais em diferentes contextos
histórico-geográficos.
H29 Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionando-os
com as mudanças provocadas pelas ações humanas.

H30 Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas.
Página 10

Sumário
UNIDADE 1 | GEOPOLÍTICA 12

Capítulo 1 Estado-Nação, território e poder 14


Estados territoriais e Estados nacionais 16
Além do Estado: as fronteiras estratégicas 20
❚ Atividades 27
❚ Exames de seleção 29

Capítulo 2 Conflitos regionais na ordem global 30


Poder estadunidense 32
Islã e política 35
Busca pela paz 39
❚ Atividades 43
❚ Cartografia em foco | Projeção cartográfica e geopolítica 44
❚ Exames de seleção 46

Capítulo 3 Uma geografia dos conflitos armados 48


Os conflitos e a fragilidade dos Estados 50
❚ Diálogo interdisciplinar | O monopólio da violência legítima 50
Os conflitos no Grande Oriente Médio 54
❚ Diálogo interdisciplinar | Médicos Sem Fronteiras 57
❚ Atividades 59
❚ Exames de seleção 61
❚ Pesquisa e ação | Infográfico 63

UNIDADE 2 | GLOBALIZAÇÃO E EXCLUSÃO 64

Capítulo 4 Formação da economia global 66


Colonialismo e integração mundial 68
A Terceira Revolução Industrial e a globalização 76
❚ Transversalidades | Cidadania | Redes sociais e atuação política 78
❚ Diálogo interdisciplinar | Economia global: rumo à grande tempestade? 84
❚ Atividades 85
❚ Cartografia em foco | Cartas isarítmicas na análise econômica 86
❚ Exames de seleção 87

Capítulo 5 Economia global e trocas desiguais 88


Inserção desigual dos países na economia mundial 90
Interesses econômicos e comércio internacional 97
Os blocos econômicos 101
❚ Diálogo interdisciplinar | O Estado enjaulado 105
Brasil: fluxos de mercadorias — comércio exterior e a integração global 106
❚ Atividades 108
❚ Exames de seleção 109

Capítulo 6 Desigualdade e exclusão social 110


Pobreza e desenvolvimento humano 112
❚ Transversalidades — Cidadania | O Movimento ElesPorElas (HeForShe) 114
Fronteira da pobreza e da exclusão 119
Pobreza e exclusão social no Brasil 127
❚ Transversalidades — Cidadania | Música como inclusão social 129
❚ Atividades 132
❚ Cartografia em foco | Mapeamento de indicadores sociais 133
❚ Exames de seleção 135
❚ Pesquisa e ação | Elaboração de um jornal mural 137

UNIDADE 3 | Espaços regionais na ordem global 138

Capítulo 7 Polos da economia mundial 140


Polos da economia mundial e os Estados Unidos: a potência americana 142
❚ Transversalidades | Direitos humanos | O racismo nos Estados Unidos 144
Europa 150
❚ Diálogo interdisciplinar | Crise na Europa 154
Japão 161
❚ Atividades 167
❚ Cartografia em foco | Esboço de paisagem 168
❚ Exames de seleção 169

Capítulo 8 Países emergentes: China, Índia e Rússia 172


China 174
Índia 180
Rússia 186
❚ Infográfico — Onde está o dinheiro? 190
❚ Atividades 192
❚ Exames de seleção 193
Página 11

Capítulo 9 América Latina: perspectivas 194


América: uma história em comum 196
Industrialização na América Latina 203
Integração econômica na América Latina 210
❚ Atividades 214
❚ Cartografia em foco | Mapas-modelos: representação de estruturas espaciais elementares 215
❚ Exames de seleção 217

Capítulo 10 Ascensão da África 218


A África dividida: diversidade natural, cultural e econômica 220
❚ Diálogo interdisciplinar | O referencial absoluto 224
A África nos séculos XX e XXI 229
❚ Transversalidades | Gênero e cidadania | Mulheres africanas surpreendem mercado mundial 235
A África no mundo globalizado: rumos do desenvolvimento 236
❚ Atividades 240
❚ Exames de seleção 242
❚ Pesquisa e ação | Organização de um atlas 243

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 244


Página 12

UNIDADE 1 Geopolítica
Capítulos
1 Estado-Nação, território e poder, 14
2 Conflitos regionais na ordem global, 30
3 Uma geografia dos conflitos armados, 48

D urante a Guerra Fria, havia grande rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética pela
hegemonia mundial. A queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética marcaram o fim dessa lógica
bipolar, mas não geraram um sistema de Estados mais estável. O mundo contemporâneo é palco de
uma multiplicidade de conflitos nacionais e civis, que desafiam os equilíbrios de poder regionais e as
fronteiras políticas, além de atingir duramente a economia dos países afetados e colocar em risco a vida
de milhões de pessoas.

ED JONES/AFP

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o antigo território coreano foi ocupado pelo Japão. Após a derrota japonesa no
conflito, a península foi dividida em Coreia do Norte e Coreia do Sul, a porção do norte da península ficou sob controle soviético e
a do sul, sob o domínio estadunidense. A Coreia do Norte, país governado por uma dinastia desde o fim da Segunda Guerra
Mundial, está sujeita a sanções impostas por diversos organismos internacionais em virtude de seu programa nuclear. Na foto,
vista geral de parada militar comemorativa do 65º aniversário da Coreia do Norte, fundada em 1948, em Pyongyang (Coreia do
Norte, 2013).
Página 13

FIGURA EM PÁGINA DUPLA COM A PÁGINA ANTERIOR


Página 14

CAPÍTULO 1 Estado-Nação, território e poder


As fronteiras políticas internacionais demarcam Estados soberanos. As fronteiras estratégicas resultam
de alianças e pactos firmados entre Estados como forma de defesa.

Estados territoriais e Estados nacionais

O Estado territorial teve origem no Renascimento, quando os monarcas passaram a exercer soberania sobre
um território definido. O Estado nacional é herdeiro da Revolução Francesa e dos ideais de cidadania.

Os Estados se organizam de diferentes formas políticas e com ordenamentos jurídicos diversos.

Além do Estado: as fronteiras estratégicas

O sistema de pactos e alianças firmados entre Estados soberanos configura as fronteiras estratégicas.

ENEM
C2: H7, H9
C3: H15

HORST PUSCHMANN/GETTY IMAGES

Vista noturna do Castelo de Edimburgo (Escócia, 2013).


DAVID MOIR/REUTERS/LATINSTOCK

Em plebiscito realizado em 2014, a maioria da população votou pela permanência da Escócia como membro integrante do Reino
Unido. Parte dos escoceses reivindicava a emancipação do país como um Estado totalmente soberano. Na foto, manifestantes
pró-independência em Edimburgo (Escócia, 2012).
Página 15

THOMAS IMO/PHOTOTHEK/GETTY IMAGES

O Muro de Berlim foi uma fronteira imposta por questões geopolíticas e estratégicas após a Segunda Guerra Mundial, durante o
período conhecido como Guerra Fria. Construído em 1961, dividia Berlim entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental,
separando os espaços e os habitantes da cidade. Em 1989, diversas manifestações de protesto pediam a reunificação alemã,
resultando na queda do muro em novembro desse mesmo ano. Berlim (Alemanha Ocidental, 1989).

1. Estabeleça uma relação entre as manifestações populares ocorridas na Escócia e em Berlim, em épocas distintas.

As duas manifestações diziam respeito aos limites territoriais dos Estados. A de Berlim pretendia a derrubada do Muro de Berlim e a reunificação da
Alemanha. A da Escócia pleiteava a independência do país.

2. Você conhece outros países ou regiões que recentemente se tornaram Estados independentes ou nos quais
existam movimentos separatistas que questionem as atuais fronteiras políticas?

Resposta pessoal. Como exemplo do primeiro caso, o aluno poderia citar o Sudão do Sul. No segundo caso, Kosovo, Chechênia, Ossétia do Sul,
Curdistão.
Página 16

Estados territoriais e Estados nacionais

TERMOS E CONCEITOS
• fronteira
• território nacional
• Estado territorial
• Estado nacional
• Estado unitário
• organização federativa
• organização confederativa
• república
• monarquia

As fronteiras definem a extensão geográfica da soberania do Estado. No espaço que delimitam, ou seja,
no território nacional, o poder do Estado é soberano. É ele que estabelece as divisões internas, realiza
os censos, organiza as informações sobre a população e as atividades econômicas e formula estratégias
de desenvolvimento ou de proteção desse território.

A noção política de fronteira foi elaborada pelo Império Romano. O limes — uma linha demarcatória
dos limites do império — separava os romanos dos “bárbaros”. As célebres legiões romanas protegiam
o império, guarnecendo o limes. Estar no interior do espaço demarcado pelo limes era fazer parte da
civilização romana. Estar no exterior desse espaço equivalia a ser bárbaro, termo depreciativo que
englobava em um único conjunto uma infinidade de povos.

A noção contemporânea de fronteira política internacional, separando Estados soberanos, porém,


surgiu no final da Idade Média, com os Estados territoriais.

Durante a Idade Média, o poder político não estava unificado geograficamente, mas encontrava-se
fragmentado em um mosaico de principados, condados, ducados e domínios eclesiásticos, cada um com
as suas leis, tributos e regras. Cada uma das grandes linhagens aristocráticas possuía seu próprio
exército. Alguns desses exércitos eram maiores que o do rei.

O poder político nessa época não era territorial, mas pessoal. No auge do feudalismo europeu, as leis
escritas foram substituídas pelas tradições locais, interpretadas pelo senhor de terras. Casamentos entre
a nobreza de linhagens diferentes unificavam domínios, reorganizando o poder político segundo as
ligações familiares.
JARROLD PUBLISHING/THE ART ARCHIVE/AFP

A Muralha de Adriano, localizada na região da fronteira entre Escócia e Inglaterra, foi construída pelos romanos em 122 e visava
impedir que os povos bárbaros, que viviam na atual Escócia, invadissem seus territórios. Trecho da muralha em Northumberland
(Inglaterra, 2014).
Página 17

Estado territorial

O Estado territorial originou-se na Europa do Renascimento, quando o poder político foi unificado
pelas monarquias e ganhou uma base geográfica definida, passível de ser delimitada por fronteiras
lineares. Nessa época, foram criados exércitos regulares sob as ordens do rei e corpos estáveis de
funcionários burocráticos, que, entre outras coisas, organizavam a coleta dos impostos. Algumas cidades
tornaram-se capitais permanentes, residência fixa do monarca e sede do aparelho administrativo.

O Estado territorial correspondeu à monarquia absolutista. Nele, o território era patrimônio do


monarca, fonte de toda a soberania. Os súditos, ou seja, todos aqueles que viviam nos territórios
unificados pela soberania do monarca, deviam-lhe obediência e lealdade. O poder total dos monarcas
foi sintetizado na frase célebre atribuída ao rei da França, Luís XIV: “O Estado sou eu”.

SENG CHYE TEO/GETTY IMAGES

O luxuoso palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, foi sede da monarquia francesa de 1682 a 1789, período em que abrigou a
corte. Em 1837, foi transformado em museu (França, 2013).

Estado nacional

A Revolução Francesa de 1789 assinalou um momento-chave da transformação do Estado territorial


absolutista em Estado nacional. A revolta da burguesia contra o poder absoluto do monarca e contra os
privilégios da nobreza explodiu em 20 de junho de 1789, quando seus representantes exigiram que o rei
convocasse uma Assembleia Constituinte. Depois da Queda da Bastilha, a Assembleia Constituinte
revogou os privilégios da nobreza e do clero, como servidão, dízimo, monopólios, isenções de impostos
e tribunais especiais. Em 26 de agosto daquele ano, era divulgada a Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão. Esse documento estabelecia princípios e garantias fundamentais, como a liberdade, a
segurança e a propriedade, e o direito à rebelião contra a tirania. A soberania era retirada das mãos do
rei e transferida para o povo, ou seja, para os cidadãos.

Queda da Bastilha: A Bastilha, forte medieval situado no lado leste de Paris, foi transformada em prisão e em símbolo do poder
absolutista no século XVII. A Queda da Bastilha, ou seja, a tomada da antiga prisão pelas forças populares, ocorrida em 14 de julho
de 1789, transformou-se em marco simbólico da Revolução Francesa.
Pouco depois, o novo Estado encontrou sua moldura jurídica. A Constituição francesa de 1791 adotou a
doutrina dos Três Poderes, de Montesquieu, estabelecendo a separação entre os poderes básicos do
Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Em 1792, a Revolução derrubou a monarquia e proclamou a
república. Uma convenção nacional, eleita por sufrágio universal, reunia os representantes do povo.
Definia-se, assim, o formato do Estado nacional contemporâneo.

Montesquieu: Filósofo iluminista do século XVIII, autor de O espírito das leis, obra que sistematiza a teoria dos Três Poderes.

O Estado-Nação, ou seja, uma comunidade de cidadãos organizada em Estado, foi uma criação europeia
que se disseminou por todos os outros continentes. Nos Estados Unidos, a ideia de distinção entre a
esfera pública (res publica) e a esfera privada se manifestou na Revolução Americana de 1776. Já na
América do Sul — à exceção do Brasil, marcado pelo peso do escravismo —, a noção de cidadania
alimentou as guerras de independência.
Página 18

A organização do Estado nacional

A Geografia Política dedica-se ao estudo das relações entre o Estado e o espaço geográfico. O poder do
Estado é exercido por um conjunto de instituições governamentais, executivas, legislativas ou
judiciárias. Essas instituições regulam a vida política da sociedade instituída no território. A Constituição
é a norma jurídica que ordena as relações entre as instituições do Estado e define os direitos e deveres
dos cidadãos. A sede do poder político é a capital, uma cidade que tem a função especial de abrigar os
órgãos centrais do Estado.

A diversidade das formas de organização do Estado reflete diferentes opções de distribuição do poder
político. Do ponto de vista territorial, as formas mais difundidas de organização são o Estado unitário, a
Federação e a Confederação.

Estado unitário

O Estado unitário não admite a partilha da soberania. As unidades regionais não possuem legislação
própria, e seus dirigentes limitam-se a exercer funções administrativas. A maior parte das monarquias
constitui Estados unitários. A França e a Bolívia figuram entre os raros exemplos de república unitária.

Organização federativa

A organização federativa oferece um elevado grau de autonomia política para as unidades regionais
(chamadas estados, províncias, cantões ou repúblicas). Os governos das unidades federadas decidem
sobre assuntos de política econômica e social com base em legislação própria. Mas a legislação
autônoma das unidades federadas subordina-se à Constituição Federal, que reserva ao governo central
o controle sobre as esferas mais importantes do exercício do poder, tais como o controle sobre as
Forças Armadas, a emissão de moeda e as relações internacionais. As repúblicas, como Estados Unidos,
Brasil, Argentina, Alemanha, Rússia e Índia, organizam-se sob a forma federativa.
EVAN GOLUB/DEMOTIX/CORBIS/LATINSTOCK

A Casa Branca é a sede do Poder Executivo e residência oficial do presidente dos Estados Unidos. Washington, D.C. (Estados
Unidos, 2012).
Página 19

Organização confederativa

A organização confederativa baseia-se no princípio da reunião de entidades políticas soberanas. O


Estado consiste em um contrato político que pode ser legalmente desfeito, com a separação das partes
constitutivas. Cada uma das repúblicas confederadas possui sua Constituição e pode até mesmo emitir
moeda e manter Forças Armadas próprias. O governo confederado conserva apenas os poderes a ele
atribuídos pelo contrato entre as repúblicas, como o de representá-las nas instituições internacionais.
Entre os raros exemplos de confederação, encontra-se a Bósnia-Herzegovina, que, após violentos
conflitos entre sérvios e bósnios, se tornou um Estado com duas unidades político-territoriais.

Repúblicas e monarquias

Do ponto de vista do ordenamento jurídico-político, as formas de organização do Estado compreendem


diversos tipos de república e de monarquia. Nas repúblicas, o chefe de Estado é escolhido pelos
cidadãos ou, no caso das ditaduras, imposto pelas Forças Armadas, pela elite política dirigente (caso da
China, de Cuba ou da Coreia do Norte) ou pela cúpula religiosa (caso do Irã). Nas monarquias, o chefe
de Estado pertence a uma linhagem dinástica.

KCNA/REUTERS/LATINSTOCK

A Coreia do Norte é um Estado unipartidário, ou seja, governado por um sistema de partido único. Na foto, o líder norte-coreano
Kim Jong-un em um encontro militar na capital do país, Pyongyang (Coreia do Norte, 2015).

As repúblicas são presidencialistas quando o presidente acumula as funções de chefe de Estado e chefe
de governo. É o que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, no Brasil, na Argentina e na África do
Sul. Nas repúblicas parlamentaristas, o presidente é apenas chefe de Estado, pois a chefia de governo é
exercida pelo primeiro-ministro, que representa a maioria parlamentar. Esse sistema é adotado na
Alemanha, na Itália e na Índia, entre outros países. Há ainda sistemas mistos, nos quais o presidente
divide as funções de chefe de governo com o primeiro-ministro, como ocorre na França.

As monarquias democráticas adotam regimes de governo parlamentaristas, como ocorre no Reino


Unido, na Espanha, na Suécia e no Japão. Nas monarquias autoritárias, o soberano (rei, sultão, emir ou
príncipe) exerce as funções de chefe de governo, seguindo regras tradicionais ou legislação religiosa.
Entre os exemplos desse tipo de regime encontram-se Arábia Saudita, Butão e Marrocos.
TOBY MELVILLE/REUTERS/LATINSTOCK

Rainha Elizabeth II na abertura do Parlamento, no Palácio de Westminster, em Londres (Inglaterra, 2013).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. O que é o Estado unitário? No que ele se distingue de uma federação?

2. Como se dá a organização confederativa do Estado?


Página 20

Além do Estado: as fronteiras estratégicas

TERMOS E CONCEITOS
• fronteira estratégica
• sistema multipolar
• sistema bipolar
• Guerra Fria
• Europa Ocidental
• Europa Oriental
• economia de mercado

A soberania do Estado está circunscrita ao território delimitado pelas fronteiras nacionais. No plano
internacional, não existe um poder geral, um “governo mundial”, capaz de submeter os Estados às suas
leis e regras. O sistema internacional de Estados é formado por unidades geopolíticas soberanas que
cooperam ou conflitam de acordo com o que definem ser seus interesses particulares. Cada um dos
Estados, em tese, desconfia de todos os demais e experimenta uma permanente sensação de
insegurança, justamente pela ausência de um poder geral.

Um dos meios de redução da insegurança é a ampliação do próprio poder, concebido em termos


econômicos, territoriais, demográficos, estratégicos, militares ou culturais. Por isso, os Estados
protegem da concorrência externa setores da economia considerados vitais, financiam a pesquisa e a
produção de arsenais de armas modernas, difundem por meios oficiais a sua língua e os seus valores.

Outro instrumento para a redução da insegurança é a participação em instituições mundiais, como a


Organização das Nações Unidas (ONU), e regionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA).
As instituições internacionais geram compromissos entre os seus participantes e criam áreas
estratégicas especiais, caracterizadas por um conjunto de regras aceitas pelos integrantes. Os limites de
cada uma dessas áreas são fronteiras estratégicas, que separam os Estados “de dentro” dos “de fora”
da organização.

A Guerra Fria

No século XVII, configurou-se na Europa um sistema de equilíbrio econômico, militar e político entre as
principais potências, como Grã-Bretanha, França, Prússia, Áustria e Rússia. Tratava-se de um sistema
multipolar, ou seja, constituído por vários polos de poder.

Entretanto, as guerras mundiais do século XX mudaram esse panorama. Antes de terminar a Primeira
Guerra Mundial, em 1917, a Rússia viveu uma revolução socialista. Em 1922, formou-se a União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que chegou a reunir 15 repúblicas do Leste Europeu e da Ásia.
No final da Segunda Guerra Mundial, o sistema multipolar havia deixado de existir. Em seu lugar,
emergia um sistema bipolar, com base na rivalidade entre duas superpotências: os Estados Unidos e a
União Soviética.

A partir de 1947, os Estados Unidos consolidaram sua influência no mundo. Dessa maneira, após a
Segunda Guerra Mundial, o centro de poder havia se deslocado. Dois blocos antagônicos disputavam a
hegemonia mundial: o capitalista e o socialista, cada qual representado por uma potência emergente.

A rivalidade entre as novas superpotências do pós-guerra ultrapassou o âmbito estratégico e


diplomático para se expressar também como contraposição de modelos de organização social e
econômica.
No pós-guerra, a URSS preocupou-se em reconstruir-se e visava também à expansão do socialismo para
além de suas fronteiras. Os Estados Unidos, por sua vez, buscavam manter os mercados mundiais e
assegurar a expansão do capitalismo.

Para navegar
Alô Escola
<www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/index.htm>
O portal educativo Alô Escola, projeto da TV Cultura, oferece na forma de textos os conteúdos de diversos
programas educativos produzidos pela emissora. No link História, é possível acessar os conteúdos dos episódios
“Guerra Fria”, “Cenas do século XX” e “Anos de chumbo”, que tratam dos conflitos bélicos ocorridos na primeira
metade do século XX.

Para navegar
Domínio público
<www.dominiopublico.gov.br>
O portal do governo federal disponibiliza ao público excelente acervo audiovisual de circulação irrestrita. Entre as
opções de vídeos, há um passeio virtual pela exposição “Herança dos czares”, que trouxe ao Brasil importantes
registros da história da Rússia czarista.
Página 21

No plano estratégico, o sistema bipolar enfatizava a capacidade militar, materializada nos arsenais
nucleares. A posse de arsenais capazes de reduzir o mundo a escombros tornou-se uma marca das
superpotências. A paz era impossível, mas a guerra significaria a aniquilação mútua das superpotências
e, por consequência, da população mundial, já que os alvos das suas armas atômicas, e até biológicas, se
espalhavam por diversas partes do planeta.

A Guerra Fria foi a expressão desse “equilíbrio do terror”. Nesse período, apesar de não ter havido um
enfrentamento direto, ocorreram diversas guerras e revoluções financiadas pelas duas potências, como
as guerras da Coreia (1950-1953) e do Vietnã (1961-1975).

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: El atlas de Le Monde Diplomatique II. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2006. p. 52.

Análise cartográfica

Em termos nucleares, que bloco tinha maior arsenal atômico?

O Bloco ocidental, visto que além dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Israel e Paquistão também possuíam as suas armas atômicas.

As áreas de influência

Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa perdeu a condição de centro do poder internacional, mas foi
o principal cenário de confrontação das superpotências e alinharam-se a elas. Na parte ocidental do
continente, formou-se um bloco de países aliados dos Estados Unidos. Na parte oriental, constituiu-se
um bloco de Estados-satélites da União Soviética.

Conferências de Yalta e Potsdam


Na Conferência de Yalta (fevereiro de 1945), as potências ocidentais aceitaram a exigência soviética de
governos comandados pelos comunistas na Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária,
Iugoslávia e Albânia. O Leste Europeu tornou-se uma área de influência soviética.
Página 22

A Conferência de Potsdam (julho de 1945) concentrou-se na reorganização administrativa do território


alemão. A Alemanha derrotada foi dividida em quatro zonas provisórias de ocupação militar,
subordinadas aos chefes das forças estadunidenses, britânicas, francesas e soviéticas. Um Conselho
Interaliado assumiu a gestão do conjunto do território até a “desnazificação” e a convocação de eleições
gerais. Em Berlim, a velha capital situada na zona soviética, foi aplicado um esquema semelhante, com a
criação de quatro setores de ocupação militar.

O início da Guerra Fria

A Guerra Fria foi deflagrada em 1947, com a Doutrina Truman, que fixava como prioridade da política
externa estadunidense a “contenção” do expansionismo soviético, atribuindo aos Estados Unidos a
liderança sobre a Europa Ocidental. O Plano Marshall, concebido pelo secretário de Estado
estadunidense George Marshall, envolveu a transferência de 17 bilhões de dólares destinados a
reerguer a economia dos países europeus arrasados pela Segunda Guerra, em especial, Reino Unido,
França, Itália e Alemanha Ocidental. Voltado para a reconstrução das economias europeias, funcionava
como instrumento privilegiado da “contenção” e da base para a formação de uma Europa Ocidental
estrategicamente vinculada aos Estados Unidos.

Entre 1947 e 1949, os regimes dos países do Leste Europeu deram lugar a sistemas de partido único. Os
partidos comunistas assumiram o monopólio do poder, sustentados pela presença das tropas soviéticas.
Em 1948, a Iugoslávia rompeu com Moscou, instaurando um “socialismo não alinhado”, com base
também no partido comunista. Logo depois a Albânia foi pelo mesmo caminho e se isolou
internacionalmente.

Em 1948-1949, a reforma monetária nas zonas ocidentais da Alemanha, que sustentava a aplicação do
Plano Marshall, desencadeou a crise do Bloqueio de Berlim. O resultado da crise foi a divisão geopolítica
da Alemanha em dois Estados: a República Federal da Alemanha (RFA), aliada ao bloco ocidental
capitalista, com capital em Bonn, e a República Democrática Alemã (RDA), ligada ao bloco comunista,
com capital em Berlim Leste.

Bloqueio de Berlim: Bloqueio de todas as estradas e ramais ferroviários que abasteciam os setores ocidentais de Berlim, ordenado
pelo governo soviético em junho de 1948. Até maio de 1949, enquanto durou o bloqueio, todos os suprimentos destinados aos
setores de Berlim ocupados pelas tropas britânicas, estadunidenses e francesas foram enviados exclusivamente via transporte
aéreo.
FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: BONIFACE, Pascal (Dir.). Atlas des relations internationales. Paris: Hatier, 2003. p. 70.

Para assistir
The day after (O dia seguinte)
Direção: Nicholas Meyer.
País: Estados Unidos.
Ano: 1983.
Um filme que mostra como seriam trágicas as consequências de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União
Soviética, na década de 1980, durante o período da Guerra Fria. Na história, uma família do Kansas enfrenta o
drama da guerra após a invasão de Berlim Ocidental pelo exército russo, deflagrando o conflito entre as duas
potências da época.

REPRODUÇÃO
Página 23

O Muro de Berlim

A Guerra Fria gerou a divisão geopolítica da Europa que perdurou até 1989, com a queda do Muro de
Berlim, que dividia a cidade desde 1961. Esse muro foi construído pelos alemães orientais com o
objetivo de frear o êxodo de trabalhadores que se dirigiam para o lado ocidental em busca de trabalho,
em razão do êxito do Plano Marshall.

A fronteira estratégica, denominada pela expressão Cortina de Ferro, passou a separar dois espaços
antagônicos: o Ocidente, organizado em torno da economia de mercado e liderado pelos Estados
Unidos, e o Leste, reestruturado pela planificação central da economia e subordinado à União Soviética.

As alianças estratégicas

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar criada em 1949, e as organizações
econômicas europeias (a Comunidade Europeia e a Associação Europeia de Livre-Comércio)
funcionaram como pilares da Europa Ocidental.

Associação Europeia de Livre-Comércio: Organização criada em 1958 com o objetivo de agrupar países da Europa Ocidental que
não aderiram ao tratado que criou a Comunidade Europeia. Hoje, apenas Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein pertencem a
essa organização.

O Pacto de Varsóvia, aliança militar fundada em 1955, e o Conselho Econômico de Assistência Mútua
(Comecon), estabelecido em 1949, funcionaram como pilares da Europa Oriental. Com exceção de
alguns Estados neutros de economia capitalista e da Iugoslávia (e, depois, da Albânia), todos os demais
países do continente colocaram-se à sombra das superpotências.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA


Fonte: FOUCHER, Michel (Dir.). Fragments d’Europe: atlas de l’Europe médiane et orientale. Paris: Fayard, 1993. p. 11 e 53.

Análise cartográfica

Em 1961, os EUA colocaram mísseis na Turquia, e a URSS exigiu que eles fossem retirados. Qual foi a razão da atitude soviética?

Os mísseis estavam muito próximos ao seu território, deixando a URSS mais vulnerável a possíveis ataques militares.
Página 24

O espaço europeu depois da Guerra Fria

Em 9 de novembro de 1989, sob intensas manifestações populares nas maiores cidades do país e a
pressão das reformas do líder soviético Mikhail Gorbachev, o regime comunista da Alemanha Oriental
anunciou a abertura da fronteira interalemã de Berlim. Essa fronteira, brutalmente materializada no
Muro de Berlim, simbolizava a divisão da Alemanha e a bipartição geopolítica do continente.

A queda do Muro de Berlim assinalou o encerramento da Guerra Fria. Nos meses anteriores, um
movimento popular havia derrubado os regimes de partido único do bloco soviético na Europa Oriental.
Nos dois anos seguintes, dissolveram-se o Pacto de Varsóvia e o Comecon que cimentavam o espaço
geopolítico da Europa Oriental. Paralelamente, desenrolou-se a reunificação alemã, sob a forma da
incorporação da RDA pela RFA. Em dezembro de 1991, a própria União Soviética completou sua
implosão, fragmentando-se em 15 Estados, formalmente independentes.

O fim da Guerra Fria desencadeou o processo de mudanças de fronteiras e estabelecimento de novos


Estados na Europa Centro-Oriental.

Em 1999, concluiu-se a primeira fase de expansão da Otan, com a adesão de três países da Europa
Central (Polônia, República Tcheca e Hungria). Em uma segunda fase, encerrada em 2004, ingressaram
Bulgária, Romênia, Estônia, Lituânia, Letônia, Eslováquia e Eslovênia. Em 1º de abril de 2009, Croácia e
Albânia aderiram oficialmente à aliança militar. Apesar da oposição da Rússia, logo depois os dirigentes
da organização decidiram que Geórgia e Ucrânia passariam a fazer parte da Otan, na condição de
parceiros.

O alargamento do bloco ocidental aprofundou a influência estratégica estadunidense no continente


europeu. Simultaneamente, cresceu a influência da Alemanha como principal parceiro econômico dos
ex-países socialistas. Os investimentos diretos alemães reconstituíram, na periferia imediata formada
por Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria e Eslovênia, um espaço centro-europeu que tinha
sido desfeito pela Cortina de Ferro.
PATRICK PIEL/GAMMA-RAPHO/GETTY IMAGES

O Muro era o símbolo da Guerra Fria, da divisão entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental e da disputa entre as
superpotências. Sua queda significou o fim de uma era. Na foto, a população alemã comemora a queda do Muro de Berlim
(Alemanha, 1989).

Para assistir
Adeus, Lenin!
Direção: Wolfganger Becker.
País: Alemanha.
Ano: 2003.
Pouco antes da queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, uma socialista convicta entra em coma e, quando
desperta, Berlim Oriental está sensivelmente modificada. Seu filho, temendo pela sua saúde, fará de tudo para
manter as aparências de uma ilusória Alemanha socialista após a queda do Muro de Berlim.

REPRODUÇÃO
Página 25

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: L’atlas du monde diplomatique 2012: mondes émergents. Paris: Le monde diplomatique, 2012. p. 135.
Página 26

O fim da URSS e a transição para o capitalismo

Em 1985, teve início na URSS uma onda de profundas mudanças políticas democratizantes (glasnost) e
econômicas (perestroika) com a finalidade de adotar práticas da economia capitalista. A partir de 1991,
com a fragmentação da URSS, formou-se a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), reunindo 12
Estados independentes, incluindo a Federação Russa (ou Rússia).

Nesse processo, outros países do Leste Europeu também abandonaram o modo de produção socialista,
adotando, entre outras práticas, a propriedade privada e a economia de mercado. Mas o caminho
escolhido apresentava muitas dificuldades. Esses países passaram por crises políticas que culminaram
com o abandono brusco do socialismo e a busca de integração à economia mundial de forma bastante
desorganizada. Em alguns desses países, como na Iugoslávia, guerras e conflitos sangrentos resultaram
na fragmentação, da qual surgiram sete países independentes. Com a desintegração do bloco socialista,
terminava o período da Guerra Fria.

A partir de 1989, os países socialistas entraram em uma fase de transição para o capitalismo, adotando
medidas como a privatização de empresas estatais e a liberalização econômica. Nesses países,
importantes indústrias públicas foram vendidas para grandes transnacionais europeias ou para grupos
nacionais formados por novos milionários. Todo esse processo de desorganização econômica levou a
transferências ilegais e pilhagem de recursos, provocando desemprego em massa, crescimento da
pobreza e da marginalização e aumento da criminalidade. A recessão econômica aumentou as
desigualdades na maioria desses países.

Os países socialistas seguiram caminhos diferentes. China e Vietnã mantiveram o regime de partido
único e avançaram para o desenvolvimento de uma economia capitalista interna e para sua integração
ao mercado mundial. Em três décadas, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo e uma
potência industrial.

Alguns países, como Polônia, Hungria e República Tcheca, conquistaram um regime democrático. Outros
experimentaram fases de instabilidade política. Em todos eles, porém, a transição teve um enorme
custo social, na forma de desemprego, inflação elevada e desestruturação dos serviços públicos. Embora
a população desses países convivesse com a falta de liberdade política e com baixos padrões de
consumo, ela, em geral, dispunha de garantia quase plena de emprego, assistência médica e
aposentadoria, que deixaram de existir.

VLADIMIR SIMICEK/SME/ISIFA/GETTY IMAGES


Embarcações no rio Danúbio, às margens da cidade de Bratislava (Eslováquia, 2013).

Para assistir
A leste de Bucareste
Direção: Cornelius Porumboiu.
País: Romênia.
Ano: 2006.
Com muito humor, o filme aborda a queda do ditador Nicolae Ceausescu, que presidiu a Romênia com o aval do
regime soviético de 1965 a 1989, a partir dos eventos ocorridos numa pequena cidade situada a leste da capital.

REPRODUÇÃO

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. O que foi o Plano Marshall?

2. O que significou a ordem bipolar?

3. Qual foi a importância da queda do Muro de Berlim?


Página 27

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Até hoje, o direito internacional distingue a “fronteira natural”, aquela que segue o curso de um rio ou as linhas de crista de uma
montanha, da “fronteira artificial”, traçada independentemente dos marcos naturais. A fronteira política é um fato natural? Por
quê?

2 Explique a diferença entre Estados territoriais e Estados nacionais.

3 Discuta a origem e o significado das “fronteiras estratégicas” que dividiram o espaço europeu durante os anos da Guerra Fria.

4 Na Europa, desde o final da Guerra Fria, assiste-se ao alargamento das fronteiras estratégicas do bloco ocidental na direção do
leste. Dê exemplos que comprovem essa afirmação.

5 Caracterize as mudanças econômicas e sociais que se seguiram ao fim do socialismo nos países do Leste Europeu.

6 Observe os cartazes a seguir, produzidos durante a Guerra Fria por estadunidenses e soviéticos. O que eles têm em comum?

THE ADVERSTISING ARCHIVES/EASYPIX BRASIL

O iceberg vermelho, cartaz da década de 1960.


FINE ART IMAGES/HERITAGE IMAGES/GETTY IMAGES

Não brinque conosco!, de 1948.

7 A Guerra Fria tinha como característica a disputa entre as duas maiores potências do mundo naquele período. A União Soviética
controlava ou exercia forte influência sobre uma parte do mundo, enquanto os EUA exerciam controle sobre a outra parte do
globo. Poucos países deixaram de se alinhar com um dos dois lados.

Com base no exposto acima:

a) Explique o papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do Pacto de Varsóvia no equilíbrio de forças entre os
dois países.

b) Dê dois exemplos de países comunistas que não se alinharam à União Soviética.

c) Explique a expressão “Cortina de Ferro”.


Página 28

Leituras cartográficas

8 Analise o mapa a seguir e faça o que se pede.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 90.

a) Onde se concentra o desenvolvimento econômico europeu?

b) Qual é a situação econômica dos ex-países socialistas em relação à Europa Ocidental?

9 O mapa abaixo representa a distribuição mundial das armas nucleares em 2010. Estabeleça uma relação entre essa distribuição
e a Guerra Fria.
FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: La documentation française. Disponível em: <www.ladocumentationfrancaise.fr/cartes/securite-defense/c001282-


proliferation-et-desarmement-nucleaire-en-2010>. Acesso em: mar. 2016.
Página 29

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (Uece, 2014) Após o fim do conflito da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), emergiram como superpotências antagônicas os
Estados Unidos da América – EUA – e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS –, ambas vitoriosas sobre o eixo. A
disputa entre os EUA, representante do mundo capitalista e a URSS, líder do bloco socialista, ia desde aspectos ideológicos,
políticos e econômicos, até conflitos regionais em que cada superpotência apoiava um dos lados envolvidos como forma de
afirmar sua superioridade. Essa época de enfrentamento durou até o início da década de 1990 quando a URSS passou por
profundas transformações de ordem política e econômica. No que diz respeito à disputa entre os EUA e a URSS, neste período da
História do século XX, identifique a afirmação verdadeira.

a) A disputa entre as duas superpotências foi chamada de Guerra Fria, pelo fato de não ter ocorrido nenhum conflito em que
ambas tenham-se envolvido, mesmo isoladamente.

b) Dentre as principais manifestações de disputa entre as potências capitalista e socialista estavam a corrida armamentista
nuclear e a corrida espacial.

c) Na Guerra da Coreia (1950-1953), os EUA deram apoio ao governo marxista-leninista norte-coreano, liderado por Kim Il-Sung;
hoje a Coreia do Norte é governada por seu filho, Kim Jong-il.

d) O apoio soviético aos insurgentes muçulmanos, chamados de mujahidin, no Afeganistão, levou-os a derrubar o regime
comunista no país.

2 (Fuvest, 2013) O que acontece quando a gente se vê duplicado na televisão? (...) Aprendemos não só durante os
anos de formação mas também na prática a lidar com nós mesmos com esse “eu” duplo. E, mais tarde, (...) em
1974, ainda detido para averiguação na penitenciária de Colônia-Ossendorf, quando me foi atendida, sem
problemas, a solicitação de um aparelho de televisão na cela, apenas durante o período da Copa do Mundo, os
acontecimentos na tela me dividiram em vários sentidos. Não quando os poloneses jogaram uma partida fantástica
sob uma chuva torrencial, não quando a partida contra a Austrália foi vitoriosa e houve um empate contra o Chile,
aconteceu quando a Alemanha jogou contra a Alemanha. Torcer para quem? Eu ou eu torci para quem? Para que
lado vibrar? Qual Alemanha venceu?

Gunter Grass. Meu século. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 237. Adaptado.

O trecho acima, extraído de uma obra literária, alude a um acontecimento diretamente relacionado:

a) à política nazista de fomento aos esportes considerados “arianos” na Alemanha.

b) ao aumento da criminalidade na Alemanha, com o fim da Segunda Guerra Mundial.

c) à Guerra Fria e à divisão política da Alemanha em duas partes, a “ocidental” e a “oriental”.

d) ao recente aumento da população de imigrantes na Alemanha e reforço de sentimentos xenófobos.

e) ao caráter despolitizado dos esportes em um contexto de capitalismo globalizado.

3 (PUC-GO, 2012) Apesar do acúmulo de riqueza durante o século XX, o problema da pobreza e da forme no mundo continua
atingindo milhões de pessoas. Especialmente no período após a Segunda Guerra Mundial, ao invés de se atenuarem as
contradições econômicas entre os países, elas ficaram mais acentuadas, dividindo-os entre os ricos do norte e os pobres do sul.
Acerca desse processo, identifique a alternativa correta:

a) O Plano Marshall, realizado pelos Estados Unidos da América para ajudar a Europa ocidental do pós-guerra, tinha por meta
principal torná-la novamente uma potência econômica mundial, auxiliando o governo norte-americano na administração dos
países subdesenvolvidos.
b) O investimento global no setor militar, no período pós-guerra, continuou alto, contrapondo-se ao pequeno orçamento dos
países ricos destinado a erradicar a pobreza no mundo.

c) A Guerra Fria foi criada, no período pós-guerra, com o intuito de “esfriar” a situação revolucionária e a instabilidade social que
se irradiava pelos países do Terceiro Mundo.

d) A organização Internacional do Trabalho (OIT) surgiu no período pós-guerra para ajudar a erradicar o desemprego e combater a
pobreza em países africanos, latinos e asiáticos.

4 (Udesc, 2013) Leia o trecho abaixo:

“Os 45 anos que vão do lançamento das bombas atômicas até o fim da União Soviética não formam um período
homogêneo único na História do Mundo. Apesar disso, a História desse período foi reunida sob um padrão único
pela situação internacional peculiar que dominou até a queda da URSS: o constante confronto das duas
superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial na chamada ‘Guerra Fria’.”

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Cia. das Letras, 1995. p. 223.

Sobre o exposto pelo historiador Eric Hobsbawm, é correto afirmar:

a) A URSS citada pelo historiador foi um dos polos do mundo bipolarizado, e o seu adversário no campo político e ideológico, no
período, foram os Estados Unidos.

b) Durante o período citado, ocorreram conflitos significativos, como a Guerra da Coreia e a Queda da Bastilha.

c) A Guerra Fria ainda é uma realidade, pois a Rússia se recusa a entrar para a OTAN e ainda há o perigo crescente de uma guerra
entre russos e americanos.

d) O Atentado contra as torres gêmeas em Nova York, em setembro de 2001, pôs fim à Guerra Fria.

e) Uma das duas potências que emergiram como resultado da Segunda Guerra, como cita Hobsbawm, foi a Alemanha.
Página 30

CAPÍTULO 2 Conflitos regionais na ordem


global
Na ordem internacional pós-Guerra Fria, os Estados Unidos mantém-se como a maior potência militar
do planeta. Porém, além do jogo político entre os Estados-nações, a globalização gerou diferentes tipos
de atores, que procuram impor interesses políticos e econômicos, como grandes empresas
transnacionais, redes religiosas e grupos terroristas.

Poder estadunidense

Com diversas intervenções diretas ou indiretas em outros países, desde os tempos da Guerra Fria, os Estados
Unidos tentaram assegurar suas conquistas econômicas, impondo-se como o centro do capitalismo mundial.
A estratégia militar adotada por eles tem sido constantemente questionada com a disseminação de vários
focos de resistência à hegemonia estadunidense, como no mundo islâmico.

Islã e política

Do ponto de vista das grandes religiões monoteístas, a vida social deve ser regida pelos preceitos contidos em
seus livros. A maioria das sociedades ocidentais separaram a política (que se realiza na esfera pública) e a
religião (que pertence à esfera privada). No mundo islâmico, contudo, essa separação não se efetivou em
muitos países, como o Irã, que é uma República Islâmica.

Busca pela paz

A ONU é uma organização que deveria cuidar da segurança global e decidir quais países poderiam representar
uma ameaça à paz. No entanto, ela muitas vezes tem servido de ferramenta para legitimar as ações das
grandes potências.

ENEM
C2: H7, H8, H9, H10
C3: H15
STAFF/AFP

O Pentágono, inaugurado em 1943, é a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Exército, Marinha e Aeronáutica).
Washington, Estados Unidos, 2011.
Página 31

ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fonte: Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). TRENDS IN WORLD MILITARY EXPENDITURE, 2013. Disponível em:
<http://books.sipri.org/files/FS/SIPRIFS1404.pdf>. Acesso em: maio 2016.

1. Considerando os dados do gráfico, justifique a superioridade global dos Estados Unidos em capacidade militar.

De acordo com o gráfico, os Estados Unidos são responsáveis por 37% dos gastos militares globais, o que explica sua capacidade militar.

2. Exemplifique uma consequência dessa superioridade estadunidense.

Espera-se que os alunos relacionem a influência geopolítica e o papel preponderante dos Estados Unidos no sistema internacional com a sua imensa
capacidade militar.
Página 32

Poder estadunidense

TERMOS E CONCEITOS
• força militar
• Doutrina Bush
• liderança global

Os Estados Unidos são o país mais poderoso do planeta. Segundo dados do Banco Mundial, cerca de um
quarto da riqueza mundial está em bancos estadunidenses, negociado em suas Bolsas de Valores ou faz
parte do patrimônio de suas empresas. O país produz 14% de toda a energia consumida no planeta.
Além disso, suas Forças Armadas são as mais modernas e equipadas do mundo.

Sem formar um império colonial como as potências europeias do século XIX, os Estados Unidos
constituíram uma força militar com alcance e poder jamais vistos. Com diversas intervenções diretas ou
indiretas em outros países, desde os tempos da Guerra Fria, os estadunidenses tentaram assegurar as
conquistas econômicas, impondo-se como o centro do capitalismo mundial.

A partir da década de 1990, os Estados Unidos expandiram as bases militares para todos os continentes,
englobando um vasto complexo de bases navais, aéreas, instalações militares e postos estratégicos.
Dessa maneira, puderam realizar diversas intervenções e ações militares. Com autorização da ONU,
envolveram-se na Guerra do Golfo (1991), na guerra civil da Somália (1992-1995), no Haiti (1993-2000 e
2004), na Bósnia (1993), em Kosovo (1999), no Afeganistão (2001) e em outros conflitos.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL


Fonte: SCIENCES PO. Atelier de Cartographie, 2013. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/fr/tats-unis-interventions-
militairesext-rieures-1798-2010>. Acesso em: abr. 2016.

Para navegar
TV Cultura – Alô Escola
www2.tvcultura.com.br/aloescola
Neste site é possível encontrar diversos vídeos sobre temas como geopolítica, a nova ordem mundial, a Guerra Fria,
entre outros.
Página 33

Doutrina Bush

Os atentados terroristas contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono,
em Washington, no dia 11 de setembro de 2001, foram o estopim da “guerra ao terror” declarada pelo
então presidente George W. Bush. No ano seguinte, o presidente divulgou o documento “A estratégia
de segurança nacional dos Estados Unidos”, que ficou conhecido como Doutrina Bush.

Baseando-se no pressuposto de que os Estados Unidos, como superpotência, têm o papel de proteger o
mundo contra possíveis ameaças de grupos terroristas, essa doutrina abriu a possibilidade de
intervenções preventivas e ataques a países considerados hostis e suspeitos de proteger ou abrigar
esses grupos ou de desenvolver armas químicas, biológicas ou nucleares.

SUPERSTOCK RM/DIOMEDIA

Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, conduzidos pela rede Al-Qaeda, liderada pelo saudita Osama Bin Laden, foram
o estopim da “guerra ao terror”.

Em 2003, com base na Doutrina Bush, os Estados Unidos invadiram o Iraque, sob a acusação de que esse
país teria armas de destruição em massa e representaria uma ameaça. Essa ação unilateral não contou
com o apoio da ONU e, portanto, violou a Carta das Nações Unidas, que admite apenas ações militares
realizadas em legítima defesa e somente após o Conselho de Segurança ter tomado medidas de
manutenção da paz. Além disso, as suspeitas dos Estados Unidos se mostraram infundadas, pois não
foram encontradas armas proibidas por acordos internacionais no Iraque.
GORAN TOMASEVIC/REUTERS/LATINSTOCK

Os Estados Unidos bombardearam diversos pontos da capital iraquiana, sobretudo os mais importantes, como o palácio de
Saddam Hussein, o presidente iraquiano, localizado em Bagdá (Iraque, 2003).

Segundo a Doutrina Bush, existiriam áreas de “elevada tirania”, como o Irã e a Coreia do Norte, e países
considerados hostis e preocupantes, como a Síria e a Venezuela.

A Coreia do Norte insiste no direito de dispor de uma indústria nuclear e anunciou em 2003 ter uma
bomba atômica, retirando-se do Tratado de Não Proliferação Nuclear e contrariando as posições de
Washington. Com isso, a Coreia do Norte tornou-se um adversário que oferece risco, o que foi
comprovado em 2006, quando o governo norte-coreano anunciou ter testado sua primeira bomba
nuclear e, em 2016, quando ameaçou atacar os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

Tratado de Não Proliferação Nuclear: tratado firmado em 1970 e assinado por 188 países, proibindo o uso, a produção e a
comercialização de armas nucleares.

A zona de forte instabilidade para os interesses estadunidenses concentra-se no Oriente Médio e se


estende de Israel até a Ásia Central (Afeganistão e Paquistão). Com fortes sentimentos nacionalistas e
anticolonialistas, muitos países árabes nacionalizaram seus recursos naturais, colocando-se na esfera de
preocupações geopolíticas das grandes potências.

Para assistir
Fahrenheit 9/11
Direção: Michael Moore.
País: Estados Unidos.
Ano: 2004.
O documentário é uma análise de fatos que levaram os Estados Unidos a se tornarem alvo de ataques terroristas.
Critica severamente o governo George W. Bush a partir, principalmente, dos trágicos eventos de 11 de setembro de
2001 e da guerra contra o Iraque.

REPRODUÇÃO
Página 34

A estratégia militar dos Estados Unidos nessa região de grande instabilidade foi realizada por meio de
um jogo de alianças com determinadas facções políticas. Tirando proveito da heterogeneidade étnica da
região, dividindo as facções e oferecendo benefícios para certos grupos, o governo estadunidense
conseguiu consolidar sua presença nos planos político e militar em países como a Arábia Saudita e o
Paquistão.

Com grandes reservas de petróleo, o Iraque e o Irã são exemplos típicos dessa política. Em 1979, o
Iraque tinha um governante, Saddam Hussein, apoiado pelos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, no Irã,
o governante, que era favorecido pelos Estados Unidos, foi deposto e uma nação islâmica foi
constituída. Ainda nesse ano, o Iraque, com o apoio estadunidense, iniciou uma guerra contra o Irã, que
se estendeu até 1988, deixando um saldo de mais de 700 mil mortos.

Em 1990, o Iraque invadiu o Kuait, provocando uma reação internacional. A ONU autorizou o uso da
força, e uma coligação liderada pelos Estados Unidos iniciou a Guerra do Golfo. Dessa maneira, o Iraque
passou de aliado a inimigo do governo estadunidense, o que contribuiu para que fosse invadido em
2003.

A eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, em 2008, coincidiu com a crise
econômica que atingiu proporções alarmantes com elevados índices de desemprego, contribuindo para
tirar o foco das questões relacionadas à política internacional. A oposição republicana acusou Obama de
enfraquecer a liderança global estadunidense. Uma fonte de desgaste foi o crescimento do
autodenominado Estado Islâmico, também conhecido como EI, formado por grupos rebeldes que
tomaram grandes faixas territoriais da Síria e do Iraque.

Para ler
Globalização, democracia e terrorismo
Eric Hobsbawm. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
Coletânea de dez palestras e conferências em que o historiador britânico Eric Hobsbawm faz um balanço dos
principais temas da política internacional atual. O livro trata de assuntos como o imperialismo, a democracia, o
poderio bélico das nações e a influência social da mídia, além de futebol e cultura contemporânea.

REPRODUÇÃO

Mudanças na política externa

Em maio de 2011, o governo dos Estados Unidos anunciou a morte de Osama Bin Laden após ataque das
forças especiais estadunidenses ao seu esconderijo no Paquistão. Nesse mesmo ano, Barack Obama
concretizou a retirada das tropas estadunidenses do Iraque. Em 2014 e 2015, estabeleceu intenso
diálogo com o Irã e Cuba, promovendo uma distensão entre os países.
Apesar de mostrar-se disposto a estabelecer o diálogo e a exercer seu poder de forma mais indireta, são
crescentes os focos de resistência à pretensão hegemônica dos Estados Unidos, como ocorre no mundo
islâmico.

Essas ações do governo Barack Obama representaram uma forma diferente de exercer o poder
hegemônico dos Estados Unidos. Enquanto a Doutrina Bush era baseada no poder coercitivo do Estado,
impondo seu domínio pela força bélica, Barack Obama optou pelos mecanismos de persuasão,
exercendo o poder de convencimento (soft power) para envolver diversos países no engajamento a
temas estratégicos, como a não proliferação de armas nucleares e a contenção da ameaça de grupos
extremistas violentos e das redes transnacionais de tráfico de drogas.

MANDEL NGAN/AFP

Pela primeira vez desde 1956, Estados Unidos e Cuba restabelecem relações diplomáticas. Na foto, os presidentes de Cuba, Raul
Castro, e dos Estados Unidos, Barack Obama, participaram da VII Cúpula das Américas na Cidade do Panamá, nos dias 10 e 11 de
abril de 2015, marcando o advento de uma nova era nas relações entre os dois países após o fim da Guerra Fria.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Explique a importância da força militar dos Estados Unidos na manutenção de sua hegemonia política.

2. Quais são os principais fundamentos da Doutrina Bush?

3. Compare a política externa dos governos Bush e Obama, considerando o equilíbrio entre o poder coercitivo
e persuasivo do Estado.
Página 35

Islã e política

TERMOS E CONCEITOS
• islamismo
• muçulmanos
• sunitas
• xiitas
• revolução islâmica
• jihad

O islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Existe, aproximadamente, um bilhão de islâmicos
ou muçulmanos espalhados por dezenas de países.

Islamismo: termo oriundo do árabe islám, que significa resignação e submissão a Deus. Trata-se de uma religião monoteísta que
reúne fé religiosa e organização sociopolítica. O islamismo foi fundado pelo profeta árabe Maomé (570 ou 580-632), que registrou
sua doutrina no Corão (ou Alcorão), livro sagrado da fé muçulmana (ou islâmica).

Para os muçulmanos, a peregrinação à Meca é o acontecimento mais importante do ano. Ela expressa a
unidade dos fiéis e é uma oportunidade para o intercâmbio de notícias e ideias trazidas de todas as
partes do mundo. Para aqueles que conseguem visitar Meca, o centro das atenções é a área sagrada, o
haram, onde se encontra a Caaba, o prédio retangular onde Maomé pregava. A Pedra Negra,
transformada num símbolo da tradição islâmica, está incrustada numa de suas paredes.

Outra prática comum entre os muçulmanos é a do jejum, no mês do Ramadã. Comemora-se na ocasião
a revelação das palavras de Alá (“Deus” em árabe), escritas no Corão, livro sagrado que sintetiza as leis
da vida religiosa, política e social do povo islâmico.

A peregrinação a Meca e o jejum do Ramadã fazem parte de deveres rituais que vêm sendo obedecidos
desde o século VII pelos seguidores do profeta Maomé. São demonstrações públicas de amor a Alá.

Faz parte da doutrina islâmica a ideia de que o muçulmano deve expandir sua fé pelo mundo. Foi por
isso que o poder religioso transformou-se rapidamente em poder político e as tribos árabes existentes
na península Arábica foram unificadas em torno da fé em Alá.

AMR ABDALLAH DALSH/REUTERS/LATINSTOCK

Todos os anos milhões de peregrinos dirigem-se a Meca e visitam o haram (Arábia Saudita, 2012).
WEETOON/CC BY-SA 2.0/FLICKR

A Grande Mesquita de Caiurão representada na foto, foi reconstruída no século IX e constitui um dos principais monumentos do
Islã, além de ser uma obra-prima da arquitetura mundial (Tunísia, 2013).
Página 36

Divisão do Islã

Desde a morte de Maomé, no ano de 632 d.C., os muçulmanos passaram a viver um dilema. Como se
deveria escolher o califa, o sucessor do profeta Maomé? Se ele agisse injustamente, deveria ser
desobedecido ou deposto?

Califa: sucessor do profeta como chefe da nação e líder da comunidade de muçulmanos.

Os sunitas não consideram o califa nem profeta nem intérprete infalível da fé. Ele deve ser um chefe
com a tarefa de manter a paz e a justiça na comunidade e ter profundos conhecimentos da lei religiosa.

Os xiitas não concordam com essa interpretação. Para eles, somente pode ser líder aquele que
pertença à estirpe do profeta: um descendente direto do profeta certamente é uma pessoa especial,
fonte de conhecimento e sabedoria.

Segundo eles, o último homem que reuniu tais qualidades foi Husayn, segundo filho de Ali e neto de
Maomé. Ele morreu em 680, numa emboscada de guerreiros sunitas. Inconformados com o assassinato
de Husayn, seus seguidores formaram um movimento político chamado Xiat Ali — o Partido de Ali, o
mesmo que xiita.

Os xiitas pleiteiam a instauração de uma sociedade regida pela lei do Corão, a charia, excluindo
qualquer tipo de referência a legislações estranhas ao mundo muçulmano e ao livro sagrado. Para eles,
o islamismo é concebido ao mesmo tempo como religião, sistema jurídico e Estado. Por isso, os xiitas
buscam a criação do que consideram os Estados islâmicos “puros”, sob o comando dos aiatolás,
doutores das leis muçulmanas.

UNKNOWN CALLIGRAPHER/WIKIMEDIA FOUNDATION

Al-Fatiha (A Abertura), surata (capítulo) de abertura do Corão, é primordial na oração islâmica. Recitada no início de toda oração,
ela contém a essência do livro sagrado.

Durante séculos, as cidades sob domínio do Islã estiveram entre os principais centros comerciais do
mundo, mantendo o mercado de diversos produtos, como: pimenta e outras especiarias, pedras
preciosas, marfim e ouro, tecidos finos e porcelanas provenientes da Índia e da China, peles do norte da
Ásia. Tudo o que se podia imaginar ou desejar do comércio de longas distâncias era possível encontrar
em algum desses centros urbanos.

Os árabes se estabeleceram nas regiões conquistadas como classe dominante, ostentando sabedoria e
riqueza. Mas geralmente não destruíam a cultura do povo dominado. Deixavam-no viver com certa
liberdade, praticar a própria religião e seus costumes. Aos poucos, acabavam convertendo grande parte
para o islamismo e absorvendo muitos de seus conhecimentos.

O Islã, hoje

A religião islâmica originou-se na península Arábica. No entanto, nem todo muçulmano é árabe. A
Indonésia é o maior país muçulmano, com mais de 200 milhões de pessoas, mas sua população é de
origem malaia ou javanesa. Os iranianos são de origem persa. Os turcos, por sua vez, também foram
islamizados e criaram um império regido pelas leis do Islã. A Índia conta com mais de 100 milhões de
muçulmanos, enquanto a China tem uma comunidade de cerca de 50 milhões.

Apesar da expansão acelerada do islamismo, é possível delimitar um mundo predominantemente


islâmico, que se estende do norte da África ao Sudeste Asiático.

Nos Estados Unidos, residem pelo menos 7 milhões de muçulmanos. Somente na Inglaterra são mais de
1 milhão de pessoas, originadas principalmente do Paquistão e de Bangladesh. O islamismo é a segunda
maior religião da França, congregando mais de 4 milhões de pessoas, provenientes em sua maioria de
países do norte da África.

Os muçulmanos são maioria da população em muitos países africanos e asiáticos.

SHARIQ SIDDIQUI/ALAMY/LATINSTOCK

No território britânico, existem pelo menos 500 mesquitas. Em Londres estão o minarete e a cúpula dourada, além do Centro
Cultural Islâmico (Reino Unido, 2012).
Página 37

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: LE MONDE Diplomatique. Disponível em: <www.mondediplomatique.fr/cartes/mondearabe>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Cite dois Estados muçulmanos da África e da Ásia que não são árabes.

Da África podem ser citados: Nigéria, Níger, Senegal, Mali, Guiné, Serra Leoa. Da Ásia vários países podem ser citados, como Indonésia, Bangladesh,
Malásia e Cingapura.

Disputa pela liderança

A Arábia Saudita e o Irã disputam, com estratégias diferentes, a liderança do mundo islâmico.

A Arábia Saudita é a sede do principal santuário muçulmano, Meca, para onde todo fiel deve peregrinar
pelo menos uma vez na vida. Constrói mesquitas, hospitais e escolas muçulmanas em toda parte,
principalmente na África, continente em que o islamismo mais cresce e onde esse tipo de ação é muito
eficaz.

O islamismo que a Arábia Saudita difunde é o sunita, que é a corrente majoritária da religião em todo o
mundo, com mais de 80% de adeptos. O país adota a lei islâmica. Bebidas alcoólicas são proibidas, e é
vedada a prática de qualquer outra religião. Mas o governo do país procura se aproximar cada vez mais
dos Estados Unidos e das demais potências da comunidade internacional.

O Irã, por sua vez, busca a expansão do islamismo xiita, que representa cerca de 10% dos muçulmanos
do mundo. No Irã, assim como no Azerbaijão e no Iraque, os xiitas são a maioria da população.

Revolução islâmica no Irã

A República Islâmica do Irã foi instaurada em 1979, quando uma revolução derrubou o governo pró-
Estados Unidos do xá Reza Pahlevi. O país encontrava-se aberto ao contato com a cultura ocidental. As
músicas tocadas no rádio eram estadunidenses, os filmes eram de Hollywood, as mulheres
conquistavam direitos iguais aos dos homens.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas de la mondialisation. Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 76.
Página 38

Os xiitas deram amplos poderes ao aiatolá Khomeini. Ele recuperou as instituições e os costumes da
tradição islâmica e modificou a vida cotidiana dos iranianos. Sob o rígido controle do aiatolá, as
mulheres foram obrigadas a usar o tradicional chador (véu para cobrir o rosto). As músicas ocidentais
foram proibidas nos rádios, e as festas passaram a obedecer ao calendário religioso. Para os xiitas, a
revolução islâmica iraniana deve servir de modelo para a formação de novas repúblicas no mundo
muçulmano.

GABRIEL DUVAL/AFP

Depois de quinze anos no exílio, o líder religioso aiatolá Khomeini voltou ao país e tornou-se o líder supremo da recém-instaurada
República Islâmica do Irã (Irã, 1979).

Difusão da fé

Para o Islã todo muçulmano deve estar atento para que a ordem social corresponda aos princípios
islâmicos. Jihad, é o dever de disseminar a fé muçulmana e defender o Islã.

Alguns grupos islâmicos fundamentalistas radicais pregam uma jihad violenta e, por vezes, enfrentam,
de armas em punho, aqueles que são considerados por eles inimigos de sua fé. No entanto, muitos
especialistas assinalam que o Corão não autoriza ou estimula as ações violentas, o que leva a crer que
diversos grupos extremistas se baseiam em interpretação distorcida do livro sagrado dos muçulmanos.
Diversos desses grupos já estiveram envolvidos em atividades de terrorismo e de perseguição política
aos seus opositores. O escritor indiano Salman Rushdie, por exemplo, foi obrigado a viver como fugitivo,
pois uma de suas obras foi considerada ofensiva ao Profeta e aos muçulmanos. Os atos de violência de
fundamentalistas radicais atingem muitos intelectuais, jornalistas e artistas do mundo islâmico.

Fundamentalismo: denominação atribuída aos movimentos religiosos que acreditam que as relações humanas, incluindo as
familiares e políticas, devam ser regidas por preceitos religiosos. Esses grupos existem tanto entre os muçulmanos quanto entre os
cristãos e os judeus, para citar apenas alguns exemplos.

O autodenominado Estado Islâmico do Iraque ou do Levante, ou simplesmente Estado Islâmico, foi


proclamado por jihadistas sunitas em junho de 2014. Para eles, trata-se apenas do núcleo inicial de um
califado que se expandirá com a destruição dos outros estados ao seu redor, especialmente no território
sunita existente na Síria. As pessoas que vivem nas áreas sob domínio desse emergente califado são
obrigadas a se converter ao islamismo. O grupo é particularmente violento contra os cristãos armênios e
muçulmanos xiitas e foi condenado pela ampla maioria da comunidade muçulmana do mundo.

REPRODUÇÃO

O escritor de origem indiana Salman Rushdie foi jurado de morte pelos fundamentalistas muçulmanos por ter escrito, em 1988, a
obra Os versos satânicos, que, segundo eles, ataca o Islã.

Para assistir
Táxi em Teerã
Direção: Jafar Panahi.
País: Irã.
Ano: 2015.
O cineasta que em 2010 foi proibido pelo governo de seu país de filmar e dar entrevistas vem burlando a proibição,
produzindo filmes que enfocam sua própria condição de artista censurado. E assume o papel de um motorista de
táxi que circula por Teerã e conversa com os passageiros sobre os mais variados aspectos da vida nacional, incluindo
a censura imposta pelo regime de orientação islâmica.

REPRODUÇÃO

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Por que a doutrina islâmica aproxima religião e política?

2. Explique a diferença entre sunitas e xiitas.

3. Nem todo jihadista pode ser considerado um fundamentalista. Explique por quê.
Página 39

Busca pela paz

TERMOS E CONCEITOS
• Organização das Nações Unidas (ONU)
• Conselho de Segurança
• embargo econômico

O trabalho desenvolvido por diversos organismos internacionais vinculados à Organização das Nações
Unidas (ONU) pode ter um papel fundamental se oferecer segurança e novas oportunidades materiais
para os grupos mais atingidos pela guerra. Além do desarmamento e da diminuição de gastos militares,
há outras ações que podem favorecer a paz. Entre elas estão o reconhecimento da existência de grupos
étnicos diversos nas várias regiões de cada país e a garantia de direitos fundamentais, como a
participação política e a liberdade religiosa. As políticas de redução da exclusão socioeconômica e das
desigualdades (entre os países e dentro deles) são também fundamentais para a construção de um
mundo mais justo e menos violento.

Legitimada por toda a comunidade internacional, a ONU deveria ser o principal organismo para cuidar
da segurança global e decidir quais países ou movimentos políticos poderiam representar uma ameaça à
paz.

O nascimento da ONU tem relação direta com o final da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos e a
União Soviética tiveram um papel decisivo na sua fundação. Os governos desses países buscavam uma
fórmula para evitar a repetição de conflitos armados envolvendo muitos países, como ocorreu na
Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

Desde o início a ONU opera por meio de comissões econômicas e programas especiais. As primeiras
comissões criadas foram as de caráter regional, como a Cepal (Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe). Elas desenvolvem estudos e elaboram programas com o intuito de melhorar as
condições de vida da população da região em que atuam. Porém, na maior parte dos casos, não
conseguiram mudar o cenário de desigualdade social encontrado em muitos países.

Os programas patrocinados pela ONU são variados, podendo ser dirigidos à educação de crianças, à
conservação do ambiente, aos direitos das minorias e à melhor distribuição dos alimentos com o
objetivo de eliminar a fome. Para cada programa é definida uma sede, onde trabalham técnicos e
ocorrem reuniões de especialistas de todas as partes do mundo.
EDUARDO MUNOZ/REUTERS/LATINSTOCK

Assembleia da ONU de 2015 com o pronunciamento do primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu em Nova York, Estados Unidos.

Para navegar
Nações Unidas no Brasil
https://nacoesunidas.org
Site da Organização das Nações Unidas no Brasil. Nele, é possível acessar links de suas agências especializadas
(Pnud, Unesco, Acnur, entre outras), bem como os principais documentos e princípios da organização.
Página 40

Agências da ONU

A ONU conta com agências voltadas para temas específicos, como saúde, trabalho etc. As principais
agências e suas funções são:

• Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que atua em programas de saúde, nutrição e bem-
estar infantil;

• FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), que desenvolve programas
para aumentar a produção e a produtividade agrícola e pesqueira;

• Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que aplica programas
educacionais e estimula a cooperação científica internacional;

• OIT (Organização Internacional do Trabalho), que elabora regras internacionais para aprimorar as
condições de trabalho e para combater o desemprego;

• OMS (Organização Mundial da Saúde), que propõe convenções, acordos, regulamentações,


recomendações e práticas de saúde.

Entre as atividades da FAO estão o combate a pragas e programas de aumento de produtividade


agrícola.

RIJASOLO/AFP

A FAO desenvolveu uma ação conjunta com o governo de Madagascar, em 2014, para eliminar peste agrícola (gafanhotos) que
colocou em risco a segurança alimentar de 13 milhões de pessoas. Cerca de 40% das plantações no sul do país estão em perigo por
causa dos gafanhotos.

A Secretaria Geral administra a execução dos programas desenvolvidos pelas comissões, agências e
conferências. Ela faz chegar aos mais longínquos países os milhares de mapas, relatórios técnicos e
estudos produzidos nos programas. Por outro lado, recebe e organiza todas as informações que os
países enviam para a ONU.

Entre as atividades da Unesco está a de promover a identificação, a proteção e a preservação do


patrimônio cultural encontrado no mundo, considerado de grande valor para a humanidade. O
Patrimônio Cultural da Humanidade é formado por monumentos, grupos de edifícios ou sítios que
tenham um enorme e universal valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou
antropológico.

C. SAPPA/DE AGOSTINI/GETTY IMAGES

A cidade de Bosra, construída por volta do século XIII, foi definida como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1980 pela Unesco
(Síria, 2014).
Página 41

Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança é o principal órgão da ONU. Ao contrário dos demais, que apenas
recomendam aos governos que sigam orientações, as decisões do Conselho têm de ser implementadas.
Os países-membros são obrigados a fazê-lo, como prevê a Carta das Nações Unidas, que todos
assinaram.

Dos mais de 150 países-membros, somente quinze participam do Conselho de Segurança. Desse total,
dez são escolhidos pela Assembleia Geral, a cada dois anos. A China, os Estados Unidos, a França, o
Reino Unido e a Rússia (na época de criação da ONU, era a União Soviética) são membros permanentes
e apenas eles têm poder de vetar qualquer decisão no Conselho. Em termos práticos, significa que esses
países podem vetar decisões que contrariem seus interesses ou de seus aliados.

O poder desses cinco países é enorme, já que de sua decisão dependem as resoluções a serem
implementadas pela ONU. A aprovação de uma medida exige, no mínimo, nove votos. Ou seja, quatro
países entre os eleitos, a cada dois anos, devem votar em conjunto com os membros permanentes.

PACOME PABANDJI/AFP

Atualmente, a ONU conta com aproximadamente 9.000 soldados trabalhando em missões de paz. Parte deles têm atuado nas
áreas urbanas de Bangui (República Centro-Africana, 2014).

O grande papel do Conselho de Segurança é discutir e tomar decisões sobre conflitos entre países. A
intervenção da ONU — por meio do envio de tropas conhecidas como Forças de Paz — para tentar pôr
em prática as decisões do Conselho é uma das formas de resolver os conflitos. Em geral, os boinas azuis,
como são chamados os militares das forças armadas das Nações Unidas, não chegam a lutar contra os
povos em conflito. Na maioria dos casos sua ação se limita a ocupar as zonas da paz. Nem sempre essa
estratégia alcançou resultados. Em muitos países africanos, como em Angola, durante a década de 1980,
e na Somália, na década seguinte, a presença das tropas da ONU não foi suficiente para resolver os
conflitos.
Página 42

Embargo econômico e Assembleia Geral

Outro tipo de decisão que pode ser tomada pelos membros do Conselho é o embargo econômico.
Nesse caso, os países integrantes da ONU ficam proibidos de comprar e vender para o país que sofre o
embargo.

Um exemplo desse tipo de ação ocorreu em março de 2016, quando o Conselho de Segurança da ONU
impôs um pacote de sanções à Coreia do Norte, em resposta a testes nucleares e de mísseis feitos sem a
aprovação da ONU. Por essa resolução a Coreia do Norte ficou proibida de exportar matérias-primas
como carvão, ferro, ouro, titânio e terras raras.

Estabelecer acordos de paz e zonas livres de conflito militar também são medidas aprovadas pelo
Conselho de Segurança. Além disso, é ele que aprova e recomenda à Assembleia Geral o ingresso de
países na ONU. Alguns países desejam aumentar o número de membros permanentes, que, no novo
arranjo, perderiam seu poder de veto.

A Assembleia Geral da ONU ocorre anualmente com a participação de representantes de todos os


países-membros. Nela são debatidas questões internacionais e decide-se a aceitação de novos
integrantes. Embora conte com a participação de países seja maior, suas decisões têm menos impacto
do que as do Conselho de Segurança.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: SCIENCES PO. Atelier de Cartographie, 2010. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/fr/opera-es-de-paz-


multilaterais-1948-2010>. Acesso em: abr. 2016.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Por que o Conselho de Segurança é considerado o principal órgão da ONU?


2. Quais são os membros permanentes do Conselho de Segurança? Por que esses países têm muito poder na
ONU?
Página 43

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Leia o excerto abaixo.

Sem fronteiras, sem unidade

Gilberto Dupas analisa dilemas da economia globalizada

“Os três grandes atores do mundo contemporâneo são, para Dupas, o capital, representado pelas grandes
corporações e seus acionistas; a sociedade civil, expressa em diversas instâncias, como as organizações não
governamentais; e o Estado (principalmente em suas facetas política e jurídica). Ele acredita ainda que, após o 11 de
Setembro, o terrorismo também deve ser levado em conta, ainda mais quando se discute soberania e nacionalismo.

Dupas enfatiza como, nesse jogo global, as grandes corporações buscam se livrar do estigma de destruidoras do
meio ambiente e de redutoras do mercado de trabalho global. Como as relações entre os atores principais não são
estáveis como costumavam ser no passado, a nova dinâmica exige muita habilidade de cada um dos protagonistas
do jogo político para movimentar as peças numa realidade muitas vezes perversa.

[...] Em síntese, Dupas acredita que as ações dos atores econômicos contemporâneos padecem de legitimidade e
credibilidade e só poderão ser outorgadas pela sociedade por meio da prática política. Segundo o economista,
Estados e movimentos sociais organizados de modo transnacional podem ser futuros atores importantes se
desenvolverem a capacidade de se relacionar com as corporações econômicas numa convivência que resgate os
valores sociais da humanidade, atualmente perdidos nas frestas do lado sombrio da globalização.”

Portal Unesp. Disponível em: <www.unesp.br/aci/jornal/200/fronteiras.php>. Acesso em: abr. 2016.

a) De acordo com o texto, os Estados devem ter um papel importante no resgate dos valores sociais da humanidade. Explique por
quê.

b) Por que o terrorismo deve ser levado em conta no jogo político internacional?

c) Os vínculos entre a riqueza de recursos naturais e os conflitos não são obrigatórios, mas muitas vezes tornam-se “uma maldição
em lugar de uma bênção”. Explique a afirmação e dê exemplos.

2 Você concorda com o trecho do artigo abaixo? Justifique.

“A ascensão de forças transnacionais e atores não estatais, sem falar de potências emergentes como a China, indica
que no horizonte se alinham grandes mudanças, mas continua a haver razões para acreditar que, pelo menos na
primeira metade deste século, os Estados Unidos conservarão sua primazia em matéria de recursos de poder e
continuarão desempenhando um papel fundamental no equilíbrio mundial.”

NYE, Joseph S. El País. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/12/opinion/1426179135_134644.html>. Acesso em: abr. 2016.

3 Qual a importância da revolução islâmica para o mundo muçulmano?

Leitura cartográfica

4 Observe o mapa abaixo.


ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: SCIENCES PO. Atelier de cartographie. Disponível em: <http://cartographie.sciences-


po.fr/sites/default/files/maps/101_Adhesion_onu_1945-2012-01_3.jpg>. Acesso em: abr. 2016.

a) Cite pelo menos três países que foram admitidos na ONU entre 1950 e 1970.

b) Cite pelo menos três países que foram admitidos na ONU entre 1990 e 2011. Relacione com o fim da União Soviética.
Página 44

Cartografia em foco
Projeção cartográfica e geopolítica
Diversas projeções cartográficas foram desenvolvidas para representar a Terra numa superfície plana,
sempre gerando alguma espécie de distorção. Confeccionar um planisfério significa optar por aquilo que
se quer representar ou ressaltar. Mapas elaborados em projeção azimutal equidistante representam
sem distorções as distâncias (por isso, equidistantes), assim como as direções exatas (azimutes) dos
pontos cartografados em relação ao ponto central do mapa. Ao privilegiar as distâncias e direções, nessa
projeção não são preservadas as formas e áreas dos continentes.

A projeção azimutal é bastante empregada em geopolítica. Como ela expressa, como nenhuma outra,
uma visão do mundo a partir de um ponto central, cada Estado-nação tem elaborado o seu próprio
planisfério, estabelecendo o seu território como centro geométrico. Essa é a lei que rege o olhar
geopolítico.

REPRODUÇÃO

Fonte: ONU. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/>. Acesso em: abr. 2016.

O símbolo oficial da ONU é um planisfério em projeção azimutal equidistante centrada no Pólo Norte, rodeada por dois ramos de
oliveira, que simbolizam a paz entre os povos.

Questões

Responda no caderno.

1. Elaborado com mapa em projeção azimutal equidistante centrada no Polo Norte, o emblema da ONU (figura 1)
simboliza o que realmente ocorre na organização e no exercício do poder mundial. Explique por quê.

2. Suponha que você tenha sido contratado pela ONU para elaborar um outro símbolo da entidade, enfatizando a
igualdade dos povos e valorizando o pluralismo cultural, sem preconceito de gênero ou discriminação étnica. Para
isto, você precisa escolher um novo mapa dos países-membros com base em duas opções de projeção cartográfica
(figuras 2 e 3).
Página 45

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: Buckminster Fuller, 1946. Extraído de: <http://www.genekeyes.com/FULLER/BF-1-intro.html>. Acesso em: abr. 2016.

Projetando a esfera terrestre sobre um poliedro (sólido geométrico cuja superfície é formada por faces, arestas e vértices), Fuller
gerou um mapa com todas as distorções (área, forma, direções), mas diluiu o erro pela superfície, permitindo a visualização dos
continentes sem corte ou hierarquia Norte-Sul.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em: <www.wm7d.net/azproj.shtml>. Acesso em: abr. 2016.

a) Copie num papel transparente o contorno do mapa escolhido.

b) Pinte o mapa e/ou acrescente outros elementos visuais para representar o símbolo conforme o que foi solicitado.

c) Escreva no seu caderno a justificativa da sua escolha de projeção cartográfica e uma breve explicação da sua proposta.

d) Organize com os seus colegas uma exposição com os resultados obtidos pela turma.
Página 46

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (Enem, 2011)

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: LÉVY, Jacques et al., 1992 (atualizado).

“[...] o espaço mundial sob a ‘nova des-ordem’ é um emaranhado de zonas, redes e ‘aglomerados’, espaços
hegemônicos e contra-hegemônicos que se cruzam de forma complexa na face da Terra. Fica clara, de saída, a
polêmica que envolve uma nova regionalização mundial. Como regionalizar um espaço tão heterogêneo e, em
parte, fluido, como é o espaço mundial contemporâneo?”

HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C. W. A nova des-ordem mundial. São Paulo: Unesp, 2006. p. 134.

O mapa procura representar a lógica espacial do mundo contemporâneo pós-União Soviética, no contexto de avanço da
globalização e do neoliberalismo, quando a divisão entre países socialistas e capitalistas se desfez e as categorias de ‘primeiro’ e
‘terceiro’ mundo perderam sua validade explicativa.

Considerando esse objetivo interpretativo, tal distribuição espacial aponta para

a) a estagnação dos Estados com forte identidade cultural.

b) o alcance da racionalidade anticapitalista.

c) a influência das grandes potências econômicas.


d) a dissolução de blocos políticos regionais.

e) o alargamento da força econômica dos países islâmicos.

2 (Fuvest, 2014) Observe o mapa da distribuição dos drones (veículos aéreos não tripulados) norte-americanos na África e no
Oriente Médio.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: O Estado de S. Paulo, 24 maio 2013 (adaptado).

Em suas declarações, o governo norte-americano justifica o uso dos drones, principalmente, como

a) proteção militar a países com importantes laços econômicos com os EUA, principalmente na área de minerais raros.

b) necessidade de proteção às embaixadas e outras legações diplomáticas norte-americanas em países com trajetória comunista.

c) meio de transporte para o envio de equipamentos militares ao Irã, com a finalidade de desmonte das atividades nucleares.

d) um dos pilares de sua estratégia de combate ao terrorismo, principalmente em regiões com importante atuação
tribal/terrorista.

e) reforço para a megaoperação de espionagem, executada em 2013, que culminou com o asilo de Edward Snowden na Rússia.

3 (Uerj, 2014)

ILUSTRAÇÕES: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: Militaryphotos.net (adaptado).

O gasto militar é um dos indicadores do poder dos países no cenário internacional em um dado contexto histórico.
Página 47

Com base na análise dos dois gráficos, pode-se projetar a seguinte alteração na atual ordem geopolítica mundial:

a) eliminação de conflitos atômicos.

b) declínio da supremacia europeia.

c) superação da unipolaridade bélica.

d) padronização de tecnologias de defesa.

4 (UFF, 2010) Choque de civilizações é o título do livro de autoria do cientista norte-americano Samuel Huntington, no qual são
identificados conjuntos civilizacionais e seus possíveis enfrentamentos, conforme ilustrado no mapa abaixo.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: BONIFACE, Pascal e VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

Com base na análise do mapa, outro título adequado às ideias de Samuel Huntington é:

a) “O mundo Ocidental em risco”.

b) “A ascensão dos nacionalismos periféricos”.

c) “O triunfo global do mundo africano”.

d) “O fim da história e da ideologia”.

e) “O declínio das religiões imperiais”.

5 (UEM, 2010) A ONU (Organização das Nações Unidas) desenvolve importantes ações no mundo todo, por meio dos organismos
que a compõem. Identifique a(s) alternativa(s) que, corretamente, corresponde(m) aos órgãos da ONU e respectivas funções.

(01) FMI (Fundo Monetário Internacional): empréstimos a países em dificuldades com sua balança de pagamentos.
(02) BIRD (Banco Internacional de Recursos ao Desenvolvimento Florestal): preservação do meio ambiente, proteção à flora e à
fauna.

(04) FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura): incentivo ao desenvolvimento agrícola.

(08) OMS (Organização Mundial de Saúde): melhoria dos serviços de saúde pública.

(16) OMC (Organização Mundial do Café): proteção ao comércio, industrialização e consumo do café.
Página 48

CAPÍTULO 3 Uma geografia dos conflitos


armados
A primeira metade do século XX foi marcada por devastadoras guerras entre Estados. Após a Segunda
Guerra Mundial, o número de conflitos internacionais foi drasticamente reduzido, porém os conflitos
armados se disseminaram no mundo inteiro e se tornaram ainda mais intensos após o final da Guerra
Fria.

Os conflitos e a fragilidade dos Estados

A maior parte dos conflitos armados atuais ocorre em países em desenvolvimento, caracterizando-se como
consequência e, ao mesmo tempo, como causa da fragilidade econômica e política de diversos Estados
contemporâneos.

Os conflitos no Grande Oriente Médio

Uma zona de forte instabilidade se concentra no Grande Oriente Médio, estendendo-se de Israel até a Ásia
Central (Afeganistão e Paquistão). Os conflitos na região prolongam-se desde a segunda metade do século
XIX.

ENEM
C2: H7; H8
C3: H15
ALI HSAN OZTURK/ANADOLU AGENCY/GETTY IMAGES

Refugiados sírios no Líbano. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mulheres e crianças
representavam cerca de 80% dos 2,8 milhões de sírios registrados como refugiados em 2015.
Página 49

IMPACTOS DE CONFLITOS EM HOMENS E MULHERES

Impactos diretos Impactos indiretos


Homens • Taxas mais altas de morbidade • Risco de envolvimento de ex-
e mortalidade em razão da combatentes em atividades
participação em batalhas criminosas ou ilegais; dificuldade
de encontrar trabalho
• Maior probabilidade de serem
presos ou desaparecerem • Maior prevalência de outras
formas de violência,
• Violência sexual e de gênero: especialmente a doméstica
massacres seletivos com base no
sexo; alistamento ou
recrutamento forçado; tortura,
estupro e mutilação; coerção
para cometer violência sexual
contra terceiros

• Taxas mais altas de


incapacidade causada por
ferimentos
Comuns • Depressão, trauma e desgaste • Perda de bens e renda
emocional
• Maior tendência à migração

• Alteração dos padrões de


casamento e fertilidade

• Perda das redes familiares e


sociais, incluindo mecanismos de
proteção

• Educação interrompida

• Deterioração do bem-estar,
principalmente por más
condições de saúde e
incapacidade por causa da
pobreza e da má nutrição
Mulheres • Maior probabilidade de serem • Problemas de saúde
desalojadas e refugiadas reprodutiva

• Violência sexual e de gênero: • Papéis de reprodução e cuidado


vulnerabilidade a estupros, das mulheres sob estresse
tráfico e prostituição; casamento
e gravidez forçados • Alteração da participação no
mercado de trabalho em razão da
morte de familiares e “efeito
trabalhador adicional”
• Maior incidência de violência
doméstica

• Possibilidade de maior
participação política

• Maior participação na
economia em decorrência da
alteração nos papéis do homem e
da mulher durante o conflito

Fonte: FUNDO DE POPULAÇÃO das Nações Unidas. Situação da população mundial 2015: abrigo da tempestade — uma agenda
transformadora para mulheres e meninas em um mundo propenso a crises. Nova York: UNFPA, 2015. p. 21. Disponível em:
<www.unfpa.org.br/Arquivos/swop2015.pdf>. Acesso em: mar. 2016.

• De acordo com a ONU, os conflitos armados atingem de forma diferente homens e mulheres: enquanto os
primeiros são a maioria dos mortos nas batalhas, as mulheres morrem ou são duramente afetadas por causas
indiretas. Com base no quadro acima, procure explicar os impactos diretos e os indiretos que atingem
principalmente a população feminina em áreas de conflitos.

Os impactos diretos são aqueles que resultam diretamente dos enfrentamentos armados, como os que obrigam as mulheres a deixar suas casas ou
seu país ou que as expõem à violência sexual. O aumento da violência doméstica, o incremento de problemas de saúde reprodutiva e a
desorganização geral do mercado de trabalho podem ser citados como efeitos indiretos dos conflitos na vida das mulheres.
Página 50

Os conflitos e a fragilidade dos Estados

TERMOS E CONCEITOS
• nação
• guerra civil
• desigualdade vertical
• desigualdade horizontal
• índice de Estados Frágeis

O poder do Estado se exerce por meio das leis e dos aparelhos judiciais e policiais destinados a controlar
sua aplicação e reprimir as transgressões. Assim, no interior de suas fronteiras, o Estado detém o
monopólio sobre a violência legítima. As forças armadas nacionais constituem os instrumentos para a
proteção da inviolabilidade das fronteiras e para a defesa do Estado.

A maior parte dos Estados reflete a identidade política de uma nação. Nação é o agrupamento social
unido por um passado histórico comum, que gerou identidade cultural e consciência nacional. Na
identidade nacional, são compartilhadas crenças e costumes, valores ou língua, tradições ou religião e,
principalmente, o projeto de um futuro histórico comum.

Porém, nem sempre Estado e nação coincidem territorial e geograficamente. Há Estados que abrigam
diversos grupos nacionais e há nações dispersas por territórios sob soberania de diversos Estados. O
conflito entre diferentes grupos nacionais ou entre o Estado e um grupo nacional separatista gera
diversos focos de violência do mundo contemporâneo.

Diálogo interdisciplinar
O monopólio da violência legítima

De acordo com o sociólogo Max Weber, o Estado é a instituição social que dispõe do monopólio do
emprego da violência legítima sobre determinado território. Dessa forma, o Estado possui o direito de
recorrer à violência para impor suas decisões ou para manter a ordem.

“Se inexistissem estruturas sociais fundadas na violência teria sido eliminado o conceito de Estado e
emergiria uma situação que mais adequadamente designaríamos como anarquia, no sentido específico
da palavra. Naturalmente, a força não se constitui no meio único do Estado — ninguém jamais o
afirmaria —, porém a força constitui-se num elemento específico do Estado. Na época atual, as
associações tão diferenciadas — começando pela família — utilizaram como instrumento de poder a
força física como algo inteiramente normal. Entretanto, atualmente, devemos dizer que um Estado é
uma comunidade humana que se atribui (com êxito) o monopólio legítimo da violência física, nos limites
de um território definido. Observem que o território constitui uma das características do Estado. No
período contemporâneo, o direito ao emprego da coação física é assumido por outras instituições à
medida que o Estado o permita. Considera-se o Estado como fonte única do direito de recorrer à força.
Consequentemente, para nós, política constitui o conjunto de esforços tendentes a participar da divisão
do poder, influenciando sua divisão, seja entre Estados, seja entre grupos num Estado.”

WEBER, Max. A política como vocação. Brasília: Universidade de Brasília, 2003. p. 7.

Questão

Responda no caderno.
• Você concorda com a afirmação de Weber de que o Estado detém o monopólio legítimo da violência física?
Explique sua resposta.
Página 51

A natureza dos conflitos

O século XX foi o mais violento da história da humanidade: o número de mortos em guerras e conflitos
armados nesse período foi três vezes maior do que nos quatro séculos anteriores.

A Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, ambas ocorridas na primeira metade do século XX, ainda
assombram pela devastação que provocaram. Aproximadamente 50 milhões de pessoas morreram na
Segunda Guerra Mundial, o maior conflito do mundo moderno. No contexto da Guerra Fria, muitos
conflitos regionais foram manipulados pelas superpotências (Estados Unidos e União Soviética). Além
disso, o enfrentamento entre as potências coloniais europeias e os movimentos de libertação nacional
ajudaram a disseminar a violência na África e na Ásia.

Na última década do século XX, o fim da Guerra Fria resultou na diminuição do número de conflitos
entre Estados. Essa tendência de diminuição das guerras tradicionais, ou seja, do enfrentamento
armado entre Estados soberanos, prosseguiu na primeira década do século XXI.

ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fonte: FUNDO DE POPULAÇÃO das Nações Unidas. Situação da população mundial 2015: abrigo da tempestade — uma agenda
transformadora para mulheres e meninas em um mundo propenso a crises. Nova York: UNFPA, 2015. Disponível em:
<www.unfpa.org.br/Arquivos/swop2015.pdf>. Acesso em: mar. 2016.

No entanto, o número de conflitos no interior dos Estados, chamados de guerras civis, aumentou. A
violência ganhou novas formas e passou a atingir vítimas diferentes.

Na primeira década do século XXI, mais de 90% dos mortos e feridos nos conflitos do mundo eram civis,
enquanto a maior parte dos mortos e feridos nas duas guerras mundiais eram militares, ou seja,
membros de exércitos regulares.
FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: UNESCO. Una crisis encubierta: conflitos armados y educación. Paris: Unesco, 2011. p. 160.
Página 52

Índice de fragilidade dos Estados

Em geral, as guerras civis decorrem da existência de Estados frágeis, ou seja, incapazes de conter as
tensões entre os grupos nacionais, prover segurança, defender seu território ou proteger a sua
população em caso de desastres naturais.

A fragilidade política costuma ser associada à fragilidade econômica. Embora nem todos os países
pobres vivam em guerra e muitos países ricos enfrentem situações de tensão, a pobreza e as
desigualdades sociais certamente contribuem para o acirramento da violência. As desigualdades
verticais, que se baseiam em diferenças de rendimento entre os indivíduos de uma sociedade,
geralmente ocasionam problemas sociais, altos índices de marginalidade e de insegurança, que muitas
vezes contribuem com as desigualdades horizontais, aquelas existentes entre regiões ou grupos com
diferenças étnicas, religiosas e culturais, como estopim de conflitos ou guerras civis.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) emite a cada ano uma lista
com o Índice de Estados Frágeis, que demonstra a vulnerabilidade de países a conflitos e desastres em
cinco dimensões: nível de violência; nível de acesso à justiça; efetividade, inclusão e responsabilidade
das instituições nacionais; nível de estabilidade econômica; nível de resiliência para suportar impactos e
desastres sociais, econômicos e ambientais, e se adaptar a eles.

Em 2015, foram identificados cinquenta Estados frágeis, nos quais viviam 1,4 bilhão de pessoas, cerca de
20% da população mundial. Embora a fragilidade se manifeste de diversas formas e em países com
qualquer nível de renda, a maioria apresentava baixa renda. No conjunto, esses Estados abrigavam 43%
das pessoas do mundo que dispunham de menos de 1,25 dólar ao dia para viver. A condição de pobreza
torna essas pessoas especialmente vulneráveis aos efeitos de conflitos.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: OCDE. States of fragility 2015. Disponível em: <www.oecd-


ilibrary.org/docserver/download/4315011e.pdf?expires=1456861638&id=id&accname=guest&checksum=B5F0184CEA5685F17ED
4B180BAC708F2>. Acesso em: mar. 2016.
Página 53

A ascensão do terror

Uma parcela crescente da violência no mundo pode ser atribuída aos grupos terroristas, que se valem
das tecnologias de informação e gerenciam suas atividades em redes, que envolvem recrutamento de
pessoal, locais de treinamento e estratégias de comunicação.

Definir o terrorismo não é tarefa fácil, já que não há consenso sobre o tema. O Instituto de Economia e
Paz (IEP), que publica anualmente o Índice do Terrorismo Global, considera que “o terrorismo consiste
na ameaça ou no uso de força ou violência de maneira ilegal, com a finalidade de atingir um objetivo
político, econômico, religioso ou social por meio do medo, da coerção ou da intimidação”.

De acordo com o Índice do Terrorismo Global 2015, entre 2000 e 2014 foram realizados cerca de 61 mil
ataques terroristas no mundo, custando a vida de aproximadamente 140 mil pessoas.

Apenas em 2014, houve cerca de 3.500 mortes, mais da metade delas resultante da ação de apenas dois
grupos terroristas: o autodenominado Estado Islâmico (EI) e o Boko Haram.

O Estado Islâmico é um grupo terrorista baseado na Síria e no Iraque, que provavelmente surgiu das
fileiras do grupo Al-Qaeda, com o qual rompeu formalmente em 2014. Sua aspiração é criar um califado
e controlar uma ampla região que inclui áreas de Israel, Jordânia, Líbano e Síria.

Califado: área ou território governado pelo califa, o líder na religião islâmica.

O Boko Haram, cujo nome pode ser traduzido como “a educação ocidental é proibida”, pretende
estabelecer um Estado islâmico na Nigéria, e declarou, em 2010, estar em guerra santa com os governos
nigeriano e estadunidense. O grupo se tornou tristemente célebre pela prática de sequestro e
escravização de estudantes do sexo feminino.

DAVID WOLFF – PATRICK/GETTY IMAGES

Em 13 de novembro de 2015, o EI realizou uma série de ataques coordenados em Paris (França), deixando um saldo de mais de
uma centena de mortos.
STR/AFP

Meninas que escaparam do sequestro praticado pelo Boko Haram, em Chibok (Nigéria, 2014).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Por que a violência contra civis nos conflitos recentes tem aumentado?

2. Qual é a diferença entre as desigualdades verticais e as desigualdades horizontais?


Página 54

Os conflitos no Grande Oriente Médio

TERMOS E CONCEITOS
• Grande Oriente Médio
• força de ocupação

Uma das zonas de instabilidade se concentra no Grande Oriente Médio, estendendo-se do Marrocos,
no norte da África, até o Afeganistão e o Paquistão, na Ásia. Essa região, na qual Ásia, Europa e África se
conectam, vem sendo afetada por uma série de enfrentamentos envolvendo israelenses, árabes, grupos
terroristas e as grandes potências mundiais.

Questão Palestina

A região da Palestina foi ocupada e conquistada por muitos povos, entre eles os judeus. No século VI
a.C., o povo judeu iniciou sua primeira dispersão pelo mundo (deslocamento que recebeu o nome de
diáspora).

Nas últimas décadas do século XIX, surgiu na Europa o movimento sionista, que revindicava um Estado
hebreu na Palestina, então povoada pelos árabes. Em 1947, a ONU aprovou a criação de um Estado
nacional para o povo judeu e, em 1948, votou a divisão da Palestina, até então sob controle britânico,
em dois Estados: ao Estado de Israel (judeu) coube 56% do território, enquanto a Palestina (árabe) ficou
com os 44% restantes. A cidade de Jerusalém permaneceria sob administração internacional.

MAPAS: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M.L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 103.

Análise cartográfica

1. O primeiro mapa apresenta a partilha da ONU em 1947. Compare-o com o mapa de 1949.
Em 1949, Israel já havia invadido e ocupado territórios palestinos ao sul e ao norte, parte de Jerusalém e da Cisjordânia. A Jordânia havia ocupado a
Cisjordânia e parte de Jerusalém, e o Egito, a Faixa de Gaza.

2. Qual era a situação de Israel em relação aos territórios ocupados, em 1967, na Guerra dos Seis Dias?

Israel passou a ocupar o Sinai (Egito), as colinas de Golan (Síria) e a Cisjordânia (Estado árabe).

3. Observando o mapa de 1967 e o gráfico, podemos dizer que os conflitos ultrapassam fronteiras? Explique.

Sim, por causa do envolvimento de diversos países no conflito e pela grande quantidade de refugiados palestinos em outros países do Oriente
Médio.

Para navegar
Conflito no Oriente Médio
www.bbc.com/portuguese/topicos/orientemedio
Este portal especial da BBC apresenta, em português, as notícias atualizadas sobre o conflito no Oriente Médio
entre judeus e palestinos.
Agência da ONU para Refugiados — Acnur
www.acnur.org/t3/portugues
O site da Agência para Refugiados das Nações Unidas apresenta notícias, estatísticas e publicações sobre os
conflitos e seus refugiados.
Página 55

Os povos que habitavam a região da Palestina, reunidos na Liga Árabe, não aceitaram a decisão da ONU,
o que deu origem a uma série de conflitos. Em 1948, Israel declarou sua independência, dissolvendo o
Estado árabe-palestino, incorporando ao seu território as terras palestinas conquistadas e iniciando uma
série de guerras com os países vizinhos — Síria, Líbano, Egito e Jordânia.

Muitos árabes-palestinos foram expulsos de seu território, formando o maior contingente de refugiados
do mundo (5 milhões de pessoas), espalhados por vários territórios e países.

A população árabe-palestina passou a lutar pela configuração de novas fronteiras e pelo


reconhecimento de um Estado palestino independente. Em 1964, exilados no Líbano fundaram a
Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Em 1988, proclamaram o estabelecimento de um
Estado palestino independente.

Depois de muitas guerras e de duas intifadas (rebeliões palestinas), os acordos de paz assinados entre
os países, desde 1993, afirmaram a autonomia dos palestinos na Faixa de Gaza e em parte da
Cisjordânia. Também como parte dos acordos, foi criada a Autoridade Nacional Palestina (ANP), uma
organização concebida para ser um governo de transição até o estabelecimento do Estado palestino
independente.

Embora Israel tenha retirado seus colonos e forças militares da Faixa de Gaza em 2005, todos os
acessos, incluindo o marítimo e o aéreo, à Faixa de Gaza ainda são controlados pelas forças israelenses.

Apesar de ter sido considerado ilegal pela Assembleia Geral da ONU, em 2007, Israel concluiu a
construção de um muro na Cisjordânia com mais de 9 m de altura, controlando a entrada de não judeus
em território israelense. Esse paredão, anexou áreas palestinas a Israel e impediu a circulação normal de
pessoas na cidade de Jerusalém. Além disso, existem centenas de colônias israelenses na Cisjordânia.
Em consequência, o Estado palestino independente ainda não se concretizou e os palestinos estão
separados, de Israel e entre si, em 21 enclaves. Essa situação afetou todas as atividades econômicas:
decorridos mais de 60 anos, os territórios palestinos ocupados apresentam grande deterioração
econômica e baixa qualidade de vida.

Em 2012, a Palestina tornou-se Estado observador não membro da ONU, um estatuto semelhante ao do
Vaticano. Dessa forma, a Palestina pode participar dos debates da Assembleia Geral e buscar admissão
em outras organizações internacionais, embora não tenha direito a voto.

Para ler
Palestina: uma nação ocupada
Joe Sacco. São Paulo: Conrad, 2000.
A narrativa deste livro é construída com base na viagem do autor ao Oriente Médio. Utilizando dados coletados em
entrevistas com judeus e palestinos da região, narra, em quadrinhos, uma história ocorrida em uma das mais
atormentadas regiões do planeta. Palestina: na Faixa de Gaza, de 2003, é a continuação da primeira obra, porém
trata de maneira mais específica da ocupação militar do Estado de Israel na Faixa de Gaza.
REPRODUÇÃO

A Guerra do Golfo e os curdos

Na guerra que envolveu o Irã e o Iraque entre 1980 e 1988, os Estados Unidos utilizaram a estratégia
de se aliar a determinadas facções políticas desses dois países — que contam com expressivas reservas
de petróleo e gás, de grande interesse para a economia estadunidense.

Em 1990, o Iraque invadiu o Kuait por motivos expansionistas e para se apropriar de suas valiosas
reservas petrolíferas. A ONU instaurou um embargo contra o Iraque e autorizou o uso da força para
expulsar o invasor. Uma coligação liderada pelos Estados Unidos — que contava com países árabes,
como a Arábia Saudita e o Egito — iniciou a Guerra do Golfo, em virtude da importância estratégica do
domínio sobre a área e do controle de exploração comercial da região.

Para assistir
Lemon Tree
Direção: Eran Riklis.
País: Israel.
Ano: 2008.
Uma mulher sobrevive na Cisjordânia fazendo compotas dos limões colhidos em seu pomar, até que o Ministro de
Defesa de Israel muda-se para a casa ao lado e os limoeiros tornam-se um problema de segurança nacional.

REPRODUÇÃO
Página 56

Essa guerra culminou com a retirada das tropas iraquianas do Kuait, em 1991, mas as forças da coalizão
internacional não conseguiram atingir o objetivo de capturar o presidente iraquiano Saddam Hussein.
Em 2003, alegando que o Iraque possuía armas químicas e, por isso, constituía sério perigo para o
mundo, os Estados Unidos e as forças aliadas invadiram novamente o Iraque. O país foi ocupado e
devastado pelos invasores mas nenhuma arma química foi encontrada.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 100.

Os curdos são a maior etnia sem Estado do mundo (por volta de 26 milhões de pessoas), e parte dessa
população forma uma minoria no Iraque. Com a derrota iraquiana, essa minoria se rebelou, e a
repressão que se seguiu provocou o êxodo em massa dessa população para o Irã e para a Turquia.

Culturalmente distintos dos povos dos países onde vivem, os curdos reivindicam um Estado próprio,
prometido desde a Primeira Guerra Mundial. Majoritariamente sunitas — um dos ramos do islamismo
—, os curdos vivem, em sua maioria, na Turquia e extrapolam as fronteiras desse país, ocupando áreas
do Iraque, Irã, Síria, Armênia e Azerbaijão. Os conflitos entre curdos e o governo da Turquia já deixaram
um saldo de 30 mil mortos, a maioria de curdos.

A guerra da Síria

Desde 2011, a Síria vive uma sangrenta guerra civil. Bashar al-Assad assumiu o governo sírio em 2000,
sucedendo seu pai — que exerceu o poder por trinta anos —, e manteve o país em estado de
emergência, com limitação das liberdades civis.

Os opositores de Bashar Al-Assad desejavam maiores liberdades democráticas iniciaram uma revolta
armada. A reação do governo foi tratá-los como terroristas. O conflito se ampliou e a oposição juntou
diferentes forças. Os Estados Unidos e seus aliados apoiaram a oposição ao governo de Bashar al-Assad;
porém, entre os insurgentes se destacava o autodenominado Estado Islâmico, que também era
combatido pelas potências ocidentais. Por sua vez, a Rússia apoiou o regime sírio, como forma de
manter sua influência no Oriente Médio, o que dificultou ainda mais as negociações de paz. Enquanto
isso, desde o início do conflito na Síria, 12 milhões de pessoas, mais da metade da população do país,
foram forçadas a deixar suas casas e fugir para sobreviver.
AHMED JADALLAH/REUTERS/LATINSTOCK

As tropas curdas têm sido essenciais para conter o avanço do Estado Islâmico no norte do Iraque. Na foto, combatentes curdos
comemoram a retomada da aldeia Buyuk Yeniga (Iraque, 2014).
Página 57

Diálogo interdisciplinar
Médicos Sem Fronteiras

Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional, fundada em 1971, que oferece
cuidados de saúde a populações afetadas por conflitos armados, epidemias e desastres.

“[...] Em seu trabalho de campo, equipes de MSF são constantemente frustradas pela falta de
tecnologias adequadas para oferecer um tratamento de qualidade aos pacientes. [...] Em nosso
trabalho, enfrentamos dois grandes desafios: o alto custo dos medicamentos existentes e a falta de
tratamento para muitas das doenças que afetam nossos pacientes.

Prioridades da Campanha de Acesso de MSF

• Garantir que todas as pessoas vivendo com doenças como HIV/aids e hepatite C tenham acesso a
tratamentos de qualidade, a preços acessíveis, incluindo medicamentos novos.

• Pressionar pelo desenvolvimento e a disponibilização ampla de tratamentos mais efetivos, curtos e


toleráveis para a tuberculose resistente.

• Pressionar pela redução do preço de vacinas essenciais e pela produção de vacinas mais resistentes a
variações de temperatura, de modo que alcance os 22 milhões de crianças com menos de um ano de
idade que anualmente não recebem o pacote básico de vacinas essenciais.

• Estimular o estabelecimento de um sistema mais justo e eficiente de Pesquisa & Desenvolvimento,


capaz de superar lacunas e promover o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e tratamentos que
respondam a necessidades urgentes de saúde dos países onde MSF atua.

Principais barreiras no acesso a medicamentos em países em desenvolvimento

• Muitos medicamentos, em especial os relativamente novos, são muito caros. A proteção patentária
contribui para os altos preços. Uma patente permite que uma empresa farmacêutica detenha o
monopólio de um medicamento por no mínimo 20 anos, bloqueando a produção de versões genéricas
mais baratas.

• Quando novos tratamentos são desenvolvidos, pode levar um longo tempo até que eles se tornem
realmente disponíveis aos pacientes e para que estejam adaptados a locais com infraestrutura precária.

• Pesquisa e desenvolvimento (P&D) não são orientados pelas necessidades das populações dos países
em desenvolvimento. Medicamentos e métodos de diagnóstico são desenvolvidos em função dos
mercados consumidores mais abastados e não pelas necessidades dos pacientes.

Principais mudanças e melhoras no acesso a medicamentos nos últimos dez anos

• A ampliação do acesso ao tratamento de HIV/aids com antirretrovirais tornou-se uma realidade e uma
prioridade internacional, devido à intensa mobilização de pacientes, ativistas, profissionais de saúde e
alguns governos. Essa mobilização abriu espaço para uma grande redução dos preços dos
medicamentos, em virtude da concorrência dos medicamentos genéricos. O custo do tratamento com
antirretrovirais de primeira linha passou de 10 mil dólares para menos de 70 dólares por paciente por
ano. Além disso, também foi possível mostrar que o tratamento em países em desenvolvimento era
possível. No entanto, os medicamentos mais novos, urgentemente necessários, continuam muito mais
caros.

• Mais atenção para a urgência de se desenvolver novos tratamentos para as doenças mais
negligenciadas, como doença do sono, leishmaniose e doença de Chagas. Medicamentos que estavam
fora do mercado por não serem rentáveis, como a eflornitina — para combate à doença do sono —,
voltaram a ser produzidos por pressão internacional.

• Maior reconhecimento do impacto negativo da proteção patentária para a saúde pública nos países
em desenvolvimento. Países como Brasil, Tailândia e Índia recorreram a uma cláusula prevista em
acordos globais que permite contornar a proteção patentária em nome da proteção à saúde pública.
Com isso, aumentaram o acesso a alguns medicamentos. Mas isso não exclui o fato de que a maioria dos
novos tratamentos estará patenteada nos países em desenvolvimento.

• O reconhecimento internacional de que o atual sistema de P&D é falho para atender às necessidades
das populações que mais precisam de inovações médicas. Governos têm negociado no âmbito da
Organização Mundial da Saúde (OMS) formas de mudar as prioridades e o apoio à P&D.”

MÉDICOS Sem Fronteiras. Campanha de Acesso. Disponível em: <www.msf.org.br/o-que-fazemos/campanha-de-acesso>. Acesso em: maio 2016.
Texto revisado pela instituição Médicos Sem Fronteiras especialmente para esta edição.

Questão

Responda no caderno.

• Qual a importância dos Médicos sem Fronteiras?


Página 58

Afeganistão

No Afeganistão os conflitos duram mais de três décadas. De 1979 a 1989, diferentes facções étnicas,
apoiadas pelo Ocidente, uniram-se na luta contra a invasão soviética desse país. Após a expulsão das
forças de ocupação, divergências e luta pelo poder entre os grupos étnicos armados (milícias) foram
responsáveis pelo reinício dos enfrentamentos.

Em 1995, uma facção talibã (milícia sunita da etnia patane) passou a dominar 90% do país,
transformando-o em uma teocracia fundamentalista, propondo a instauração de um Estado islâmico, o
resgate das tradições e a aplicação da charia (lei islâmica) para o exercício do poder do Estado.

Teocracia: Sistema de governo no qual o poder político está fundamentado no poder religioso.

Em 2001, os atentados nos Estados Unidos e o suposto abrigo dado pelo Afeganistão a Osama Bin
Laden, líder da organização árabe Al Qaeda, motivaram a invasão desse país pela coalizão liderada pelo
governo estadunidense. A milícia talibã foi derrotada, mas o governo local, aliado dos Estados Unidos,
não tem conseguido estabilizar o país fragmentado e em guerra civil. Além disso, milhares de civis
afegãos tiveram de abandonar suas casas, dirigindo-se, principalmente, para o Paquistão.

A guerrilha continua graças ao apoio do Paquistão e à impopularidade das forças estrangeiras no país. O
Afeganistão passou a ser considerado por muitas instituições como um narco-Estado — ou seja, Estado
em que grande parte da riqueza nacional provém da produção ou distribuição de drogas ilícitas —,
reativando a produção de ópio, o contrabando e ampliando a corrupção.

NOORULLAH SHIRZADA/AFP

Em 2014, o cultivo do ópio bateu recorde no Afeganistão. O total da área cultivada no país, de 224 mil hectares, apresentou nesse
ano um aumento de 7% em relação a 2013. Na foto, agricultores trabalham na colheita da seiva do ópio em um campo de
papoulas na província de Nangarhar, próximo a Jalalabad (Afeganistão, 2015).

TON KOENE/ALAMY/LATINSTOCK

Vista panorâmica do centro da capital e mais populosa cidade afegã, Kabul (Afeganistão, 2012).
ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fontes: DEPARTAMENTO de Defesa dos Estados Unidos. Disponível em: <www.defense.gov.br>. Acesso em: mar. 2016. Contagem
de corpos no Iraque. Disponível em: <www.iraqbodycont.org>. Acesso em: mar. 2016. Missão de Assistência das Nações Unidas no
Afeganistão (Unama). Afghanistan Annual Report Protection of Civilians in Armed Conflict, 2008, 2009, 2011. Disponível em:
<http://unama.unmissions.org>. Acesso em: mar. 2016.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Qual é a principal causa do conflito entre palestinos e israelenses?

2. De que forma a ascensão do Estado Islâmico modificou o jogo de alianças na Guerra da Síria?
Página 59

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Analise o gráfico.

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas 2010. Paris: Armand Colin, 2009. p. 119.

Agora, faça o que se pede.

a) Cite pelo menos um exemplo de cada tipo de conflito representado no gráfico.

b) Comente o tipo de conflito predominante na segunda metade do século XX.

2 Explique por que a maior parte dos conflitos da atualidade ocorre em países em desenvolvimento.

3 Com base na figura abaixo, explique o que poderia acontecer se os 21 países representados cortassem parte de seu orçamento
militar para investir na educação primária.
ILUSTRAÇÕES: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: UNESCO. A crise oculta: conflitos armados e educação (Relatório conciso). Paris: Unesco, 2011. p. 27.
Página 60

4 Observe as imagens a seguir e responda às questões.

CARL COURT/GETTY IMAGES

Acampamento de refugiados em Suruc (Turquia, 2015).

FRED DUFOUR/AFP

Acampamento de refugiados em Bangui (República Centro-Africana, 2013).

a) Como será o cotidiano nesses campos de refugiados?

b) Os campos de refugiados são uma das piores consequências dos conflitos civis. Explique a afirmação.

c) Que nacionalidade terá uma criança nascida em um campo de refugiados assentado em um país vizinho ou próximo ao país
natal de seus pais? Qual é a consequência disso?

Leitura cartográfica

5 Observe os mapas a seguir.


MAPAS: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas de la mondialisation. Paris: Presses de Sciences Po, 2013. p. 89.

a) Os dois mapas indicam uma concentração de conflitos em algumas regiões do mundo entre 2010 e 2011. Quais são elas?

b) Cite três exemplos de países nos quais havia, naqueles anos, ao mesmo tempo, conflito armado interno e disputa de poder no
nível nacional.

c) Os dois mapas se complementam. Explique por quê.


Página 61

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (Enem, 2011) Em discurso proferido em 20 de maio de 2011, o presidente dos EUA, Barack Obama, pronunciou-se sobre as
negociações relativas ao conflito entre palestinos e israelenses, propondo o retorno à configuração territorial anterior à Guerra
dos Seis Dias, ocorrida em 1967. Sobre o contexto relacionado ao conflito mencionado é correto afirmar que

a) A criação do Estado de Israel, em 1948, marcou o início de um período de instabilidade no Oriente Médio, pois significou o
confisco dos territórios do Estado da Palestina que existia até então e desagradou o mundo árabe.

b) A Guerra dos Seis Dias insere-se no contexto de outras disputas entre árabes e israelenses, por causa das reservas de petróleo
localizadas naquela região do Oriente Médio.

c) A Guerra dos Seis Dias significou a ampliação territorial de Israel, com a anexação de territórios, justificada pelos israelenses
como medida preventiva para garantir sua segurança contra ações árabes.

d) O discurso de Obama representa a postura tradicional da diplomacia norte-americana, que defende a existência dos Estados de
Israel e da Palestina, e diverge da diplomacia europeia, que condena a existência dos dois Estados.

2 (ESPM, 2013)

O PKK prometeu abandonar a luta armada em troca de concessões políticas e uma solução dialogada para o
conflito, informou nesta segunda-feira, 17, a agência Firat. No comunicado, a organização armada pede ao governo
turco que inicie um processo de diálogo para pôr fim às mais de duas décadas de enfrentamentos entre o PKK e as
forças de segurança turcas.

O Estado de S. Paulo, 22 mar. 2013.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 49.

A organização mencionada na matéria luta para que a área mapeada seja reconhecida como um Estado dos

a) cipriotas.
b) turcos.
c) palestinos.
d) curdos.
e) armênios.

3 (ESPM, 2010) Sobre a conjuntura geopolítica da região abaixo, em 2009:


FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 47.

a) as tropas norte-americanas retiraram-se do Iraque.

b) o movimento uigur rebelou-se e foi fortemente reprimido.

c) o grupo Taleban retomou o poder nas eleições no Paquistão.

d) as eleições reafirmaram Mamhmud Ahmadinejad na presidência iraniana.

e) as eleições recolocaram os fundamentalistas hindus no poder na Índia.

4 (UFMG, 2009) Analise este mapa.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 49.
Página 62

Envolvido, desde sua fundação, em conflitos na região, o Estado de Israel completou, em maio de 2008, 60 anos de existência.

Considerando-se as disputas territoriais entre árabes e israelenses e outros conhecimentos sobre o assunto, é correto afirmar
que

a) a Autoridade Nacional Palestina controla os territórios de Gaza e do sul do Líbano e, em 2006, com o auxílio da Organização das
Nações Unidas (ONU) e da União Europeia, garantiu a soberania sobre essas regiões.

b) a cidade de Jerusalém, considerada sagrada por três religiões, foi ocupada por Israel em 1949, ao final da Primeira Guerra
Árabe-Israelense, e, depois dos Acordos de Oslo, foi reconhecida pela ONU como capital do país.

c) a região das colinas de Golã, rica em fontes de água e ocupada por Israel durante a Segunda Guerra Árabe-Israelense, foi
devolvida à Síria em 2000, como parte dos tratados de paz firmados entre os dois países.

d) o Governo de Israel promoveu, em 2005, a retirada de colonos judeus da Faixa de Gaza, no entanto, apesar de pressões de
organismos internacionais, manteve assentamentos judaicos no território da Cisjordânia.

5 (UFRR, 2009)

Em pleno século XXI, as religiões continuam tendo grande influência no contexto social e cultural de diversos países
e em amplas regiões do planeta. O poder da fé é de tal magnitude que é capaz de influir em aspectos políticos,
sociais e econômicos de nações cujas autoridades, leis ou fronteiras são fortemente delimitadas por questões
religiosas. Além disso, variados conflitos no mundo nos últimos tempos têm sua origem em divergências religiosas.
[...] Jerusalém é a cidade sagrada de três grandes religiões [...]. Os três credos têm em Jerusalém marcos básicos de
sua doutrina e de sua história.

Atlas geográfico mundial: para conhecer melhor o mundo em que vivemos. Barcelona: Editorial Sol 90, 2005. Vol. 1: Mundo.

O texto acima apresenta Jerusalém como a cidade sagrada de três religiões. São elas:

a) judaísmo, hinduísmo e islamismo.

b) judaísmo, cristianismo e islamismo.

c) judaísmo, budismo e islamismo.

d) judaísmo, confucionismo e islamismo.

e) judaísmo, xintoísmo e islamismo.

6 (UFG, 2007) Leia o texto a seguir.

Os dois aviões de passageiros que terroristas islâmicos lançaram, há cinco anos, contra as torres gêmeas do World
Trade Center se tornaram um marco na história contemporânea. Lidos em conjunto com a extinção do bloco
socialista na esfera da União Soviética, no início dos anos 1990, os atentados da Al Qaeda em Nova York demarcam
um “antes” e um “depois”.

Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 set. 2006, p. A2.

O depois, de acordo com o texto, caracteriza-se

a) pela ação dos Estados Unidos em combater o terrorismo mundial mediante acordos bilaterais intermediados pela ONU.

b) pela disseminação mundial da ação de grupos terroristas ligada às questões políticas e/ou religiosas.

c) pela emergência de governos populistas, na América Latina, dificultando as ações antiterroristas do governo estadunidense.
d) pelo estímulo à implantação de barreiras alfandegárias, para proteger os interesses nacionais.

e) pelo surgimento das estruturas protecionistas do Estado de bem-estar social, visando melhorar a qualidade de vida da
população.

7 (Ufop, 2008)

Acabaram a União Soviética e a Guerra Fria e todos suspiramos aliviados. Mas em vez de espíritos desarmados
proliferaram novos fantasmas nucleares e perdemos até a primeira condição para um tranquilizador equilíbrio de
terror que é saber de que lado virão os mísseis. A crise atual no mundo é uma crise de nitidez (...). Os que insistem
em reduzir tudo a um choque de civilizações querem, na verdade, reduzir tudo a outra Guerra Fria, recuperar a
simplicidade de um confronto entre potências com a simplificação adicional de que desta vez só um lado é uma
potência...

Luis Fernando Verissimo. O Globo, 13 ago. 2006.

As características da atual geopolítica mundial que justificam o ponto de vista expresso pelo autor são:

a) assimetria política – corrida espacial – dispersão mundial do poder bélico

b) sectarismo religioso – corrida armamentista – constituição de blocos militares

c) bipolaridade cultural – proliferação nuclear – militarização dos países islâmicos

d) multipolaridade econômica – unipolaridade militar – multiplicação dos conflitos regionais

8 (UEM, 2007) Identifique a alternativa correta sobre o Afeganistão.

a) O Afeganistão apresenta um relevo plano e baixo, abrangendo a antiga Mesopotâmia, com rios navegáveis e muitas cavernas.

b) Dentre os países do Oriente Médio, o Afeganistão apresenta os melhores índices de desenvolvimento humano (IDH), com
baixas taxas de mortalidade infantil e altos valores de expectativa de vida.

c) A religião predominante é o hinduísmo, embora os grupos islâmicos xiitas sejam muito ativos.

d) A principal atividade econômica do país é a policultura, que ocupa as planícies do leste.

e) Na guerra contra o terrorismo internacional no início do século XXI, o Afeganistão, então refúgio de Osama bin Laden e de sua
rede Al-Qaeda, foi o primeiro alvo.
Página 63

Pesquisa e ação
Infográfico
Ferramenta de comunicação visual que combina diversas linguagens, o infográfico pode apresentar
simultaneamente textos, gráficos, mapas e fotografias a fim de transmitir informações selecionadas
sobre determinado tema.

A proposta desta atividade é elaborar um conjunto de infográficos que sintetize informações sobre a
violência no Brasil e apresente iniciativas governamentais e da sociedade civil voltadas para sua
redução. De acordo com o Mapa da violência do Brasil 2013, considerando apenas as mortes por armas
de fogo, a violência provocou mais mortes no Brasil do que nos principais focos de conflitos do mundo
(observe a tabela).

Os infográficos elaborados deverão sintetizar diversos aspectos dessa triste realidade e divulgar as
iniciativas voltadas para seu enfrentamento. É fundamental que as informações selecionadas sejam
organizadas de forma que facilitem a compreensão do assunto em foco.

MORTALIDADE EM CONFLITOS ARMADOS NO MUNDO

País/conflito Natureza do conflito Período Nº de mortes Nº de mortes por ano


Brasil Mortes por armas de 2010 38.892 38.892
fogo
Chechênia/Rússia Movimento 1994-1996 50.000 25.000
emancipatório/étnico
Etiópia/Eritreia Disputa territorial 1998-2000 50.000 25.000
Guatemala Guerra civil 1970-1994 400.000 16.667
Argélia Guerra civil 1992-1999 70.000 10.000
El Salvador Guerra civil 1980-1992 80.000 6.667
Timor Leste Independência 1974-2000 100.000 3.846
Curdos Disputa 1961-2000 120.000 3.076
territorial/movimento
emancipatório
Angola Guerra civil/Unita 1975-2002 550.000 20.370
Israel/Palestina Disputa 1947-2000 125.000 2.358
territorial/religiosa

Fonte: WALSELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da violência 2013. Mortes por armas de fogo. Cebela/Flacso Brasil, 2013. p. 43. Disponível
em: <http://mapadaviolencia.org.br/pdf2013/MapaViolencia2013_armas.pdf>. Acesso em: mar. 2016.

Procedimentos

1. Reúna-se a alguns colegas e selecionem um entre os temas abaixo para a montagem de um infográfico.

• O jovem e a violência homicida no Brasil.

• O Brasil nas estatísticas internacionais de mortalidade por armas de fogo.

• A geografia da violência brasileira.

• A sociedade civil e a promoção da cultura da paz.


• A campanha do desarmamento: objetivos e resultados.

2. Pesquisem o tema em publicações impressas ou na internet e selecionem imagens e dados estatísticos.

3. Elaborem gráficos, tabelas e/ou mapas com base nas informações obtidas.

4. Escolham um título para o infográfico, façam um pequeno texto introdutório, elaborem legendas
explicativas para cada imagem selecionada e indiquem a fonte das informações.

5. Montem o infográfico organizando seus elementos em uma folha de cartolina, ou no computador, de


modo que sua leitura seja clara e que seu aspecto estético seja atrativo. Ilustrações e fotos relacionadas ao
tema poderão ser adicionadas para enriquecer o trabalho. Lembrem-se de escrever a legenda para as fotos.

6. Exponham os trabalhos na classe ou em murais da escola.

7. Troquem de trabalhos com outros grupos para ver a diversidade de informações obtida na realização da
tarefa.
Página 64

UNIDADE 2 Globalização e
exclusão
Capítulos
4 Formação da economia global, 66
5 Economia global e trocas desiguais, 88
6 Desigualdade e exclusão social, 110

A globalização é um processo em expansão pelo mundo, atingindo de diversas maneiras todos os


países. Os maiores beneficiados foram os países desenvolvidos, que incrementaram significativamente
suas trocas comerciais e atividades econômicas, dominando o avanço tecnológico.

A maioria dos países, no entanto, ficou excluída desses benefícios, principalmente os mais pobres, que
continuaram com altos índices de pobreza e economias fracas e dependentes. A nova fase de
acumulação não melhorou a vida dos mais pobres.

OLIVIER POLET/CORBIS/LATINSTOCK
Antiga comunidade em Mumbai, que tem como elemento comum a profissão: os moradores são lavadores de roupas (Índia,
2010).
Página 65

FIGURA EM PÁGINA DUPLA COM A PÁGINA ANTERIOR.


Página 66

CAPÍTULO 4 Formação da economia global


As Grandes Navegações e o colonialismo, as revoluções industriais e a revolução da informação foram
momentos cruciais no processo de integração entre países, regiões e lugares do mundo.

Colonialismo e integração mundial

A expansão colonial iniciada no século XVI corresponde a uma etapa importante da formação da economia
global, na medida em que conectou a Europa e a América e estabeleceu uma primeira divisão internacional
do trabalho.

A Terceira Revolução Industrial e a globalização

A Revolução Informacional, iniciada nas últimas décadas do século XX, intensificou os laços de dependência e
integração entre as economias que fundamentam a globalização contemporânea.

ENEM
C4: H17, H18, H20

PHOTO ART BY MANDY/GETTY IMAGES

O moderno edifício da Prefeitura (em primeiro plano) de Londres, uma das mais importantes cidades globais da atualidade, fica
localizado às margens do rio Tâmisa; à sua esquerda, está a Tower Bridge (Ponte da Torre). Quando foi inaugurada, em 1894, a
Tower Bridge foi considerada a maior e mais sofisticada ponte basculante do mundo (Inglaterra, 2012).
IMAGINECHINA/CORBIS/LATINSTOCK

Posto da Sinopec, uma das maiores transnacionais do mundo, em Qingdao (China, 2014).
Página 67

DEZ MAIORES TRANSNACIONAIS DO MUNDO, SEGUNDO A REVISTA FORTUNE — 2014


1. Walmart
2. Royal Dutch Shell
3. Sinopec
4. China National Petroleum
5. Exxon Mobil
6. British Petroleum
7. State Grid
8. Volkswagen
9. Toyota Motor
10. Glencore

Ramo de atividade e país de origem das empresas citadas no quadro:


1. Walmart — comércio varejista (Estados Unidos).
2. Royal Dutch Shell — petrolífera (Países Baixos).
3. Sinopec — petrolífera (China).
4. China National Petroleum (China).
5. Exxon Mobil — petrolífera (Estados Unidos).
6. British Petroleum — petrolífera (Inglaterra).
7. State Grid — distribuição de energia elétrica (China).
8. Volkswagen — indústria automobilística (Alemanha).
9. Toyota Motor — indústria automobilística (Japão).
10. Glencore — mineradora (Suíça).

Fonte: UOL Economia. Disponível em: <http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/07/07/sete-brasileirasaparecem-em-


lista-da-fortune-das-500-maioresempresas.htm>. Acesso em: abr. 2016.

1. Com base na foto, explique por que as margens do rio Tâmisa revelam a força econômica da cidade de Londres
desde a formação da economia industrial.

Às margens do rio Tâmisa foram construídas sofisticadas obras de engenharia, como a Ponte da Torre, no final do século XIX, até o ousado edifício da
Prefeitura da cidade. Pode-se mencionar que próximo dali está a City de Londres (maior distrito financeiro da Europa) e a Galeria Tate Modern, que
ocupa o lugar de uma antiga central elétrica.

2. A globalização da economia tem como efeito a divisão das sedes das maiores empresas por diversos países.
Analise a importância de Londres na economia globalizada, considerando os dados da tabela.

Dentre as dez maiores empresas transnacionais, apenas a British Petroleum está localizada em Londres. Isso não diminui a importância da cidade na
economia contemporânea, mas a tabela revela a importância de outros centros urbanos, localizados principalmente nos Estados Unidos e na China,
com destaque para as empresas petrolíferas.
Página 68

Colonialismo e integração mundial

TERMOS E CONCEITOS
• mercantilismo
• Primeira Revolução Industrial
• Segunda Revolução Industrial
• fordismo
• taylorismo
• imperialismo
• socialismo
• liberalismo
• keynesianismo

Poucas sociedades se desenvolveram em total isolamento. A maior parte delas conheceu algum grau de
integração com outras sociedades, por meio do intercâmbio de produtos, técnicas e culturas.
Entretanto, durante a maior parte da história humana, esses intercâmbios foram relativamente escassos
e não tinham um alcance verdadeiramente planetário. A integração mundial, que atualmente conecta
os povos e os lugares do mundo, resultou de um processo de longa duração.

As Grandes Navegações, ocorridas entre os séculos XV e XVI, foram um momento crucial desse
processo. Nessa época, a expansão comercial impulsionou potências como Portugal, Espanha,
Inglaterra, França e Holanda para a busca de matérias-primas fora dos limites do mundo conhecido
pelos europeus.

ANN RONAN PICTURES/PRINT COLLECTOR/GETTY IMAGES - NATIONAL MARITIME MUSEUM (GREENWICH)

Naus ibéricas invadiram o Novo Mundo e trouxeram os colonizadores que exploraram as colônias americanas. Autor
desconhecido, pintura do século XVI.

Mercantilismo

Na época dessas navegações, as monarquias renascentistas europeias seguiam a doutrina econômica


conhecida como mercantilismo, segundo a qual os metais preciosos eram a medida de riqueza de um
Estado. Assim, a meta de política econômica consistia na acumulação de ouro e prata.

Uma das maneiras de acumular riqueza era manter uma balança comercial favorável, ampliando o
valor das exportações ao máximo e reduzindo o das importações ao mínimo. Mas o jeito mais rápido era
descobrir e explorar novas jazidas.
O mercantilismo orientou a colonização europeia na América. Segundo as regras do exclusivo colonial
ou pacto colonial, cada colônia só podia fazer comércio com a sua metrópole, para a qual fornecia
principalmente metais preciosos e produtos agrícolas tropicais, valiosos nos mercados europeus.

Metrópole: nesse caso, refere-se ao país colonizador.

Estabeleceu-se assim uma primeira divisão internacional do trabalho (DIT). As colônias vendiam seus
produtos a preços baixos e compravam produtos da metrópole a preços elevados. Com exceção dos
produtos de consumo local, as colônias forneciam somente o que era necessário às metrópoles, como
café, algodão, açúcar e metais preciosos.

Tudo que pudesse ser vendido e gerasse lucro era transformado em mercadoria. Dessa forma, o tráfico
de africanos escravizados tornou-se um dos negócios mais lucrativos da época.

O colonialismo foi essencial para o desenvolvimento da economia mundial, pois permitiu o acúmulo de
capitais e criou condições para que ocorresse a Revolução Industrial. Entretanto, as colônias tiveram
suas populações nativas praticamente dizimadas e mantiveram-se por séculos subordinadas ao pacto
colonial, atreladas à economia metropolitana. Mesmo depois da independência das colônias, esse
modelo socioeconômico permaneceu.

GRANGER, NYC/GLOW IMAGES - COLEÇÃO PARTICULAR

Nas colônias da América, a mão de obra escravizada foi amplamente utilizada. A cena acima representa espanhóis
supervisionando o trabalho escravo em uma mina de ouro da América do Sul. Gravura de Théodore de Bry, Escravos sul-
americanos, 1596.
Página 69

Desenvolvimento tecnológico e internacionalização

A internacionalização da economia e a interdependência econômica entre os países se acentuaram nos


séculos XIX e XX, períodos marcados por intensas mudanças tecnológicas: as revoluções industriais.

Iniciava-se uma época em que as descobertas e as inovações alteravam não só o modo de produção,
mas também a vida cotidiana e a paisagem: ferrovias, eletricidade, automóveis, telefones, aviões e
computadores começaram a fazer parte desse novo mundo.

Primeira Revolução Industrial

A Primeira Revolução Industrial foi um período de grandes inovações técnicas que ocorreram entre
meados dos séculos XVIII e XIX.

Esse período se caracterizou pela substituição do trabalho artesanal ou manufatura pela maquinofatura
e se distingue pela produção em larga escala e pela especialização do trabalho.

Manufatura: estágio intermediário entre o artesanato e a maquinofatura. Caracteriza-se pela utilização de trabalho manual e de
máquinas manuais simples. Nesse estágio, já ocorre a divisão do trabalho. O artesão transforma-se em assalariado, trabalhando
em uma oficina para um patrão.

Um complexo quadro de mudanças econômicas e sociais pode ser associado à incorporação crescente
de novas tecnologias, como ocorreu com as diferentes fontes de energia para movimentar as máquinas,
especialmente na Inglaterra. Ela foi pioneira na introdução de inovações na maneira de produzir e, por
isso, industrializou-se antes dos demais países. Com capital e mão de obra disponíveis, um vasto império
colonial que lhe fornecia diversas matérias-primas essenciais, como o algodão, e possibilitava a
estabilidade política, a Inglaterra pôde investir cada vez mais em equipamentos e inovações.

Com a substituição da energia hidráulica pelo vapor produzido com a queima do carvão, foi possível
movimentar máquinas e locomotivas. As linhas férreas e os navios a vapor agilizaram o transporte de
pessoas e mercadorias. O vapor utilizado como energia para movimentar máquinas substituiu o trabalho
anteriormente feito à mão por centenas de pessoas ou animais, como o cavalo. Com a introdução da
maquinofatura em diversos ramos (têxtil, naval), a produção passou a se concentrar nas fábricas.

Leitura de imagens

As figuras abaixo nos dão ideia do processo de substituição de ferramentas manuais por máquinas e da força humana pela motriz.
Qual é a importância desse processo?

As figuras mostram o início da Revolução Industrial, momento de uma evolução tecnológica de grande impacto, que permitiu maior agilidade na
produção.
Esquerda: HULTON ARCHIVE/GETTY IMAGES; direita: SCIENCE MUSEUM/SSPL/KEYSTONE BRASIL

A transformação na produção têxtil: à esquerda, um tecelão opera tear manual em sua oficina (França, 1762, gravura, autor
anônimo); à direita, trabalhadores de uma indústria abastecem teares mecânicos (Inglaterra, 1835, autor anônimo).
Página 70

Assim, a Revolução Industrial iniciada em meados do século XVIII representou um marco na história das
técnicas, pois imprimiu um novo padrão de velocidade e intensidade à oferta dessas inovações. O
barateamento dos produtos industrializados e a ampliação do mercado exigiram investimentos
contínuos na infraestrutura (estradas, ferrovias, armazéns, iluminação pública, distribuição de água
encanada), especialmente nas grandes cidades.

Os grandes centros industriais atraíram mais trabalhadores e se tornaram os espaços privilegiados de


grandes manifestações do proletariado por melhores condições de trabalho e maiores salários.

Segunda Revolução Industrial

A partir de 1850, as novas mudanças no modo de produzir estenderam-se aos Estados Unidos, ao Japão,
à França e à Alemanha. As máquinas foram aperfeiçoadas e a produção tornou-se maior e mais veloz.
Iniciava-se a Segunda Revolução Industrial.

Taylorismo e fordismo

O empresário Henry Ford introduziu em suas fábricas, nos Estados Unidos, a produção em série
(produtos padronizados e em grande quantidade) e a divisão da produção (cada trabalhador realiza
apenas uma tarefa específica), com o objetivo de produzir mais em um tempo menor.

Houve a separação do trabalho intelectual do manual. Esse processo adotado por outras fábricas ficou
conhecido como regime fordista.

Essas inovações foram inspiradas nas propostas do engenheiro mecânico Frederick Taylor, que visavam
gerenciar o trabalho fabril a fim de garantir maior produtividade. Entre essas propostas, figuram a
execução de tarefas em tempo cronometrado e a fixação do trabalhador no seu posto de serviço (as
peças passaram a ser movidas por uma esteira). Essa última medida permitiu poupar o tempo que os
operários gastavam para troca de atividade ou de ferramenta. Por causa da incorporação das ideias de
Taylor, alguns autores preferem chamar esse regime de fordista/taylorista.

Para dominar os mercados, as empresas agregaram tecnologia ao processo produtivo e criaram ofertas
superiores à demanda, tendo início, assim, o consumo em massa. Simultaneamente, criava-se a
necessidade de rápida substituição dos produtos por outros novos, mais modernos, alimentando a
economia capitalista.

SSPL/GETTY IMAGES
Percorrendo maiores distâncias, com mais rapidez e levando maior quantidade de carga e de passageiros, as ferrovias
proporcionaram mobilidade regular, revolucionando o sistema de transportes. Pintura a óleo de Cuthbert Ellis, feita em 1951, de
ferrovia do século XIX (1845), na Inglaterra.
Página 71

Consolidação do capitalismo mundial

O período da Segunda Revolução Industrial é acompanhado por mudanças importantes que


consolidaram o sistema capitalista mundial. A indústria necessitava de liberdade tanto para importar
matérias-primas a preços baixos quanto para exportar sem restrições. Nascia assim a proposta do livre-
comércio.

Padrão-ouro

A partir de 1850, os países europeus foram pouco a pouco aderindo ao livre-comércio e estabeleceram
o chamado padrão-ouro, um sistema no qual todos os países cotavam sua moeda em ouro e se
comprometiam a trocá-la pelo metal a qualquer momento. Logo foram seguidos por outros países fora
da Europa. O padrão-ouro facilitou muito o intercâmbio comercial, pois era como se houvesse uma
única moeda no mundo: o ouro, uma vez que todas as moedas poderiam ser trocadas livremente por
ele.

O predomínio europeu

A Inglaterra era o centro do livre-comércio. Lá estavam os bancos financiadores, os navios de carga, as


seguradoras e boa parte da indústria. A Alemanha, a França, a Bélgica e a Holanda, no entanto, também
exportavam produtos industriais. Os países da América tornaram-se grandes exportadores agrícolas.

Em razão da grande integração comercial e financeira dos países, muitos economistas consideram o
período entre 1871 e 1914 uma nova fase da integração mundial. A riqueza mundial cresceu muito, mas
essa fase foi negativa para muitos, principalmente para os agricultores da Europa e para a indústria dos
países exportadores de produtos agrícolas.

Nos países exportadores de produtos agrícolas, como o Brasil e a Argentina, o livre-comércio penalizava
a indústria nascente, que não tinha condições de competir com os produtos europeus.

Nos países industriais, os operários melhoravam aos poucos seu nível de vida, mas o cenário era muito
difícil. A maior parte dos lucros da industrialização ficava com os industriais e os banqueiros, e os
operários praticamente não possuíam direitos trabalhistas como férias e regulamentação da jornada.
Muitos eram submetidos a condições insalubres de trabalho.
HERITAGE IMAGES/GETTY IMAGES

No início do século XX, os bancos se tornaram cada vez mais responsáveis pelas transações financeiras, fornecendo créditos e
financiamentos. Banco South Western, em Londres (Inglaterra, 1912).

MANSELL/THE LIFE PICTURE COLLECTION/GETTY IMAGES

Hyde Park, em Londres, no século XIX, era um dos lugares onde a alta sociedade passeava e exibia seu modo de vida confortável a
todos. James Valentine, Rotten Row, cartão-postal, 1894.
Página 72

Oligopólios

No fim do século XIX, a disputa pelos mercados e pelo domínio econômico do mundo levou as potências
a uma política de expansão e de conquista de novos territórios. Além de necessitar de matérias-primas e
de mercados para os produtos que produziam em suas indústrias, esses países procuravam expandir o
capital excedente de suas empresas. O principal alvo foram as áreas dos continentes asiático e africano.
Essa fase ficou conhecida como imperialismo.

A partir da segunda metade do século XIX, outros países – como Alemanha, Itália, Bélgica, Japão, França
e Estados Unidos – se industrializaram. Nessa época, o comércio mundial já englobava todos os
continentes e havia alterado o modo de vida tradicional da população de lugares antes isolados.

A disputa acirrada por mercados consumidores levou as grandes empresas a procurar constantes
inovações e aperfeiçoamentos técnicos; as pequenas empresas industriais, que não podiam arcar com
essas despesas, foram à falência. Muitas empresas uniram-se e formaram verdadeiros impérios.

A situação em que uma única empresa ou país detém o mercado de um produto, determinando seu
preço, recebe o nome de monopólio. O oligopólio ocorre quando um grupo pequeno de empresas
domina o mercado de um tipo de produto ou serviço.

Algumas formas de oligopólio são os trustes, os cartéis e as holdings.

Truste: junção de empresas do mesmo ramo ou de ramos diferentes (desde a matéria-prima até a venda) para dominar o
mercado e eliminar a concorrência.

Cartel: acordo firmado por empresas (ou países) para dominar a oferta de um produto ou serviço ou defender interesses comuns
de um setor, como a imposição de preços.

Holding: empresa que detém o controle de um grupo de empresas mediante a posse majoritária de ações, com o objetivo de
facilitar o domínio sobre determinado produto ou serviço.

Embora considerados ilegais, os trustes e os cartéis são praticados. No caso dos cartéis, estes podem ser
formados até por acordos entre países.

BIBLIOTECA NACIONAL DA FRANÇA, PARIS

Reprodução da capa de uma edição do Le Petit Journal, de 1911, que mostra a imagem de uma mulher que simboliza a chegada
da civilização francesa a Marrocos, na África.
Crise no capitalismo: recessão econômica

Em 1917, uma revolução comunista na Rússia retirou o país da esfera econômica mundial com o
objetivo de construir um novo sistema econômico: o socialismo. Nesse sistema, o controle da economia
passou para o Estado.

Após um longo período de euforia financeira, em 1929 ocorreu a quebra da Bolsa de Nova York,
provocando pânico nos mercados financeiros mundiais, falências bancárias e grande desemprego.

Começava um período de recessão conhecido como Grande Depressão, que se alastraria pelo mundo
inteiro. O excesso de produção e as especulações com ações foram alguns dos motivos dessa crise. A
consequência foi a falência de muitas empresas.

Começando pelos Estados Unidos, os países adotaram medidas protecionistas contra as importações. O
comércio mundial retrocedeu e os preços dos produtos primários despencaram, deixando em má
situação os países exportadores. O Brasil foi bastante afetado pela queda do preço do café.

Nos Estados Unidos, a economia recuperou-se após a intervenção do governo. Em 1933, o presidente
Franklin Roosevelt aplicou a política do New Deal, um plano de combate à crise que propunha a
realização de obras públicas a fim de reativar a economia e acabar com o desemprego.
Página 73

Liberalismo e keynesianismo

O papel do Estado começou a mudar nessa época. A doutrina que melhor correspondia aos anseios da
burguesia no século XVIII era o liberalismo econômico, que defendia a liberdade individual, a livre
iniciativa e o direito à propriedade privada como princípios para assegurar o progresso. Segundo um
desses princípios, o do laissez-faire, o Estado não deveria mais atuar nem intervir na economia, mas
apenas garantir a livre concorrência entre as empresas.

Na primeira metade do século XX, diante das constantes crises geradas por esse sistema econômico,
muitos economistas começaram a defender a intervenção do Estado como centralizador e regulador da
economia. O economista John Maynard Keynes sintetizou essas ideias propondo uma intervenção
estatal que conduzisse ao incremento da produção, dos investimentos públicos e dos empregos. Suas
ideias ficaram conhecidas como keynesianismo. Além de regular a economia e intervir em crises
econômicas, o Estado passou a desenvolver a infraestrutura necessária para assegurar as atividades das
grandes empresas. Foram feitas grandes obras estratégicas que exigiam capitais vultosos, como
hidrelétricas, estradas de ferro etc.

Sem interferir na autonomia das empresas privadas, o Estado capitalista tornou-se responsável pelo
crescimento e pela promoção de alguns benefícios sociais, o chamado Estado de bem-estar social.

A Grande Depressão, porém, deixou consequências políticas graves na forma da ascensão de regimes
como o nazismo na Alemanha. Entretanto, o retrocesso da integração dos mercados mundiais e as
sequelas da Primeira Guerra deixaram o ambiente pronto para a Segunda Guerra, que começaria em
1939. A retomada do processo de integração da economia mundial só ocorreria a partir do final dessa
guerra, em 1945.

FOTOSEARCH/GETTY IMAGES
Fila de desempregados aguardando para receber sopa gratuita durante a Grande Depressão, em Nova York (Estados Unidos,
1930).

Para assistir
Tempos modernos
Direção: Charles Chaplin.
País: Estados Unidos.
Ano: 1936.
Retrata a vida urbana nos Estados Unidos, logo após a crise de 1929, quando a depressão levou grande parte da
população ao desemprego e à fome. O filme é uma crítica à vida da sociedade industrial, à produção com base no
sistema de linha de montagem e ao tratamento desumano dispensado ao trabalhador.

REPRODUÇÃO
Página 74

Bretton Woods e a retomada da internacionalização econômica

Quando a Segunda Guerra estava para terminar, o governo estadunidense convocou uma conferência
para reorganizar a economia mundial. A Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944 nos Estados
Unidos, estabeleceu novas regras financeiras e comerciais mundiais.

Após a guerra, europeus e japoneses, com seus territórios e economias devastados, não teriam
condições de voltar ao padrão-ouro do século XIX. Apenas os Estados Unidos tinham condições de
manter uma moeda com valor fixado em ouro e conversível no metal. Ficou estabelecido que o dólar
teria uma paridade fixa com o ouro e seria conversível no metal. A substituição do padrão-ouro pelo
padrão dólar-ouro (1944-1971) na Conferência de Bretton Woods fez do dólar dos Estados Unidos a
moeda de referência mundial, e as moedas europeias (e futuramente também a japonesa) teriam um
câmbio estável com o dólar, podendo flutuar no máximo 2% para cima ou para baixo. Para a retomada
da integração mundial, essa medida foi tão eficiente quanto o antigo padrão-ouro, pois todos
conheciam o valor do dólar e sabiam que as outras moedas não podiam flutuar muito em relação a ele.

MONDADORI/LATINSTOCK

As potências europeias terminaram a Segunda Guerra Mundial arrasadas, com grande parte de sua infraestrutura destruída.
Acima, tropas estadunidenses caminham por escombros na cidade de Colônia (Alemanha, 1945).
Página 75

Crise do padrão dólar-ouro

Na segunda metade do século XX, o capitalismo retomou o crescimento sobre novas bases tecnológicas.
Iniciava-se o ciclo da eletrônica, caracterizado pela intensa utilização de produtos eletrônicos (uso de
circuitos formados por componentes elétricos e eletrônicos) e pelo vertiginoso crescimento da indústria
petroquímica.

RAINER W. SCHLEGELMILCH/GETTY IMAGES

Entre a grande lista de avanços da Segunda Revolução Industrial, estão a descoberta de novas técnicas de produção de energia
elétrica, a utilização do petróleo, o desenvolvimento de novos métodos de fabricação do aço e a modernização da indústria
automobilística. Na foto, reprodução de carro esportivo de luxo exposta em Frankfurt (Alemanha, 1995).

Em 1971, pressionados por seus grandes gastos, entre eles as despesas com a Guerra do Vietnã, os
Estados Unidos já não tinham como manter sua moeda conversível em ouro. Nesse ano, o então
presidente Richard Nixon comunicou ao mundo que o dólar não mais seria conversível, pondo fim ao
acordo de Bretton Woods.

Todas as moedas começaram então a flutuar livremente, e nenhuma delas tinha mais paridade com o
ouro ou qualquer outro metal ou produto. Em 1979, foi estabelecido o padrão financeiro de câmbio
flutuante, adotando-se o sistema de taxas de câmbio flutuantes entre divisas. Houve um temor de que,
pela falta de uma moeda de referência, a internacionalização econômica alcançada dentro do bloco
liderado pelos Estados Unidos pudesse dar outro passo atrás. Entretanto, os acontecimentos foram em
outra direção, pois a economia dos países capitalistas renovou-se por meio de uma revolução
tecnológica.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Cite ao menos duas consequências da Primeira Revolução Industrial nas cidades.

2. Qual foi a importância da produção em série para a consolidação do capitalismo?


3. Por que o descarte em massa dos produtos industrializados foi intensificado na Segunda Revolução
Industrial?
Página 76

A Terceira Revolução Industrial e a globalização

TERMOS E CONCEITOS
• Terceira Revolução Industrial
• toyotismo
• transnacional
• globalização
• neoliberalismo

Nas três últimas décadas do século XX, a produção em série do modelo fordista já se mostrava rígida e
ineficiente para atender às demandas dos novos tempos. Por causa da inflexibilidade desse processo,
que adota a divisão da produção em tarefas especializadas, o resultado era uma produção padronizada
e em massa. Esse modelo não acompanhava as constantes e aceleradas mudanças tecnológicas. Para
oferecer novos produtos, eram necessárias novas máquinas e a reestruturação da linha de montagem.

Nos anos 1970, iniciou-se o que viria a ser conhecido como a Terceira Revolução Industrial ou
Informacional. Embora essa revolução tenha ficado visível nos anos 1990, com o surgimento do
computador pessoal e da internet, as mudanças nos processos produtivos começaram muito antes. A
robótica, as máquinas programáveis com controles digitais e as novas invenções, como os aparelhos de
fax, permitiram uma revolução nos processos produtivos e gerenciais e tornaram a produção mais
flexível. Esses avanços tecnológicos trouxeram ainda maior rapidez nas informações, acelerando o ritmo
dos transportes e diminuindo tempo e distâncias em uma escala jamais alcançada.

Robótica: ciência ou técnica voltada à criação e utilização de robôs.

Na última década do século XX, as novas tecnologias de informação permitiram a formação de redes
digitais e a programação por computador da produção e dos serviços, provocando transformações no
sistema capitalista e na organização do trabalho. Os custos e os preços caíram, tornando acessíveis
produtos até então difíceis de serem adquiridos por uma parcela da população.

Para assistir
Eu, robô
Direção: Alex Proyas.
País: Estados Unidos.
Ano: 2004.
Inspirada na clássica coleção de contos de Isaac Asimov, essa produção apresenta um mundo no qual seres
humanos e máquinas convivem lado a lado.

REPRODUÇÃO

Flexibilização da produção e dos processos produtivos


As modificações na produção industrial começaram a ser introduzidas com base em um sistema
desenvolvido no Japão que depois passou a ser adotado no mundo por muitas empresas. Para aumentar
a competitividade no pós-guerra, desde 1950, a Toyota vinha conseguindo maior flexibilidade na
produção de veículos e mais agilidade na organização do trabalho. Esse novo modelo ficou conhecido
como pós-fordista ou toyotista. Com ele foi possível baratear custos sem comprometer a qualidade e
agilizar significativamente o processo produtivo. Aliado a novas tecnologias, trouxe também a
possibilidade da flexibilização da produção, ou seja, mais chances de adaptação às finalidades
propostas.

KAZUHIRO NOGI/AFP

O modelo toyotista trouxe o barateamento dos custos e agilizou a produção, que se tornou ainda mais eficaz com a incorporação
de novas tecnologias. Na foto, linha de montagem robotizada de uma indústria automobilística em Toyota (Japão, 2014).

Vejamos algumas características que distinguem o modelo toyotista do fordista:

• Em oposição à massificação fordista, os novos métodos — mais flexíveis — tornaram possível fabricar
produtos mais adequados à demanda, individualizados e variados segundo as necessidades do mercado
e do consumidor (customização).

• Os materiais que compõem o produto chegam no momento da montagem (just in time), o que
permite eliminar despesas com estoque (estoque zero) e produzir somente a quantidade necessária
para atender à demanda.
Página 77

• A eliminação dos estoques leva ao corte de parte dos postos de trabalho e, consequentemente, reduz
custos, aumenta a produtividade e disponibiliza capital.

• Máquinas de ajuste rápido e flexível geram produção variada e mais adaptada às constantes
mudanças tecnológicas e às exigências da demanda.

• Os operários, sempre atualizados, são polivalentes e multifuncionais, cumprem tarefas racionalizadas


e são preparados para operar diversas máquinas ou realizar funções diferentes e adaptar-se à
flexibilidade necessária.

• Para alcançar maior produtividade e eficiência, as empresas adotam um processo de reestruturação,


conhecido como reengenharia, que implica, entre outras medidas, maior qualificação dos funcionários e
demissão dos menos capacitados. Nessa nova forma de gestão, os funcionários fixos são envolvidos no
processo produtivo. Valoriza-se o trabalho coletivo, o espírito de cooperação e a sincronização da
equipe. Medidas como a elevação do moral fazem com que a participação dos empregados seja efetiva:
eles questionam tarefas e sugerem correções de falhas. Os empregados controlam uns aos outros, são
responsáveis pela qualidade das partes do produto e cobram o bom desempenho de todos a fim de
garantir a qualidade do produto. Elimina-se, dessa forma, o dispendioso controle de qualidade do
sistema fordista.

LIANG XIAOPENG/COLOR CHINA PHOTOS/ ZUMA PRESS/GLOW IMAGES

Trabalhadores de uma fábrica têxtil praticam ginástica laboral em Qingdao (China, 2011).

As modificações propostas pelo sistema toyotista, como a substituição de funcionários menos


adaptados a mudanças, a utilização de braços mecânicos e a informatização das empresas, reduzem
postos de trabalho em atividades operacionais e aumentam o número de vagas nas áreas de
gerenciamento e coordenação da produção, bem como no desenho de novas tecnologias. Entretanto, os
novos postos de trabalho exigem mão de obra mais qualificada, deixando de fora grande parcela dos
trabalhadores desempregados.

Muitos funcionários e parte das atividades menos essenciais da empresa passaram para o regime
terceirizado de trabalho (parceria com empresas ou pessoas para transferência e execução de tarefas).

Para o trabalhador, esse quadro de insegurança, competição, substituições, desemprego, redução de


postos fixos e aumento de trabalhos temporários debilita sua organização e enfraquece o poder sindical.
O desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação permitiu a formação de redes digitais. Como o
fluxo das informações passou a ser quase instantâneo, as distâncias encurtaram-se. Grande parte da
produção e dos serviços passou a ser programada por computador, provocando transformações na
produção e na organização do trabalho. Com a internet, muitos empregados passaram também a ter
mais flexibilidade de horário e local de trabalho, executando determinados projetos fora da empresa ou
em casa, o que acarreta mudanças frequentes de empregador.

Não somente as esferas econômicas como também as sociais e políticas têm sofrido grandes
modificações, com o predomínio da Terceira Revolução Industrial e do ciclo da informática.

Para navegar
Inovação tecnológica
www.inovacaotecnologica.com.br
Site especializado em divulgação científica e tecnológica com informações sobre Inovação Tecnológica, Ciência e
Tecnologia e Pesquisa e Desenvolvimento.

Para navegar
Organização Internacional do Trabalho — Escritório no Brasil
www.oitbrasil.org.br
Nesse site há informações relativas a trabalho e sociedade, entre elas a história da organização, documentos
nacionais e internacionais, publicações, normas trabalhistas ratificadas e não ratificadas pelo Brasil, vídeos e temas
variados, como emprego juvenil, trabalho infantil e trabalho escravo.
Página 78

Transversalidades

Cidadania

Redes sociais e atuação política


“Foi aprovada hoje (24/6) [2015] pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a nova
regulamentação que estabelece que todos os produtos alimentícios informem de maneira clara em seus
rótulos se possuem em sua composição algum dos 17 alimentos considerados de alto risco para pessoas
que sofrem com alergias. São eles: trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas); crustáceos;
ovos; peixes; amendoim; soja; leite de todos os mamíferos; amêndoa; avelã; castanha de caju; castanha-
do-pará; macadâmia; nozes; pecã; pistaches; pinoli; castanhas; e látex natural.

A aprovação da resolução junto à Anvisa é uma vitória do movimento Põe no Rótulo, formado por um
grupo de famílias mobilizadas, que conseguiu o apoio de milhares de pessoas nas redes sociais e na
mídia com sua campanha para que a presença de alérgenos ganhasse destaque na embalagem dos
produtos. Em menos de 6 meses de campanha, foram mais de 4.500 assinaturas pedindo pela
regulamentação. O debate público, promovido pela Anvisa no ano passado, recebeu mais de 3.500
contribuições.

Agora as indústrias têm 12 meses, a partir da publicação da norma no Diário Oficial, para se adequarem
à nova regulamentação. O texto diz que os rótulos são obrigados a ressaltar os alergênicos em caixa alta,
em negrito, com fonte de no mínimo 2 milímetros.

A Anvisa estabeleceu ainda que quando houver o risco da chamada “contaminação cruzada de
alimentos”, ou seja, a presença de um alérgeno não adicionado intencionalmente, o fabricante tem
obrigação de alertar o consumidor com a seguinte frase: Alérgicos: Pode conter (nomes comuns dos
alimentos que causam alergias alimentares).

Só nos Estados Unidos, onde há estatísticas mais precisas sobre este grave problema, que passa
despercebido em muitos consultórios médicos, os pesquisadores estimam que 15 milhões de
americanos sofram com alergias alimentares. Naquele país, de cada 13 crianças com menos de 18 anos,
uma possui algum tipo de restrição a certo alimento. A cada três minutos, uma pessoa alérgica é
internada no pronto-socorro – são mais de 200 mil internações por ano.

Quem sofre alergias alimentares pode apresentar sintomas leves, como coceiras pelo corpo, até os mais
graves, como um choque anifilático, que pode levar à morte. Nestes casos, informação é essencial e
pode salvar muitas vidas: #poenorotulo já!”.

CAMARGO, Suzana. Aprovada norma que obriga informação sobre alergênicos nos rótulos. 24. jun. 2015. Disponível em:
<http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2012/05/populacao-usa-redes-sociais-e-muda-decisoes-politicas-nointerior-de-sp.html>.
Acesso em: abr. 2016.

ARMANDINHO
ALEXANDRE BECK

Cartaz da campanha vitoriosa “Põe no rótulo”.

Questões

Responda no caderno.

1. Qual foi a importância das redes sociais na aprovação da regulamentação dos rótulos de produtos
alimentícios potencialmente alergênicos?

2. Qual sua opinião sobre a importância das redes sociais na mobilização em questões políticas e sociais?
Justifique sua resposta.
Página 79

A flexibilidade geográfica das empresas

Desde o final do século XIX, formaram-se grandes empresas a partir dos trustes e oligopólios com sede
nas metrópoles e filiais em diversos países, chamadas de multinacionais. Esse modelo, em geral,
reproduzia tecnologias oriundas da sede, garantia a localização próxima às fontes de obtenção de
matérias-primas e assegurava a venda de produtos industrializados. Nos principais centros industriais do
mundo — como os Estados Unidos, os países da Europa Ocidental e o Japão —, desde o final do século
XIX, formaram-se esses grandes grupos empresariais. Esse processo foi favorecido por dois fatores: a
concentração e a centralização. O processo de concentração envolveu a eliminação das firmas
concorrentes do mesmo ramo de atividade. A centralização ocorreu com a formação de grandes
conglomerados, que passaram a operar em diferentes e complementares ramos de atividade de uma
mesma cadeia produtiva, formando redes geográficas de alcance global.

Mais recentemente as multinacionais ficaram conhecidas como transnacionais, termo mais apropriado,
pois adotaram novos procedimentos, como a especialização das filiais em fases específicas do processo
de produção, mudança ou divisão da sede, distribuindo-a por diversos países, deslocamento de
unidades produtivas em busca de rentabilidade e a criação de centros de pesquisas e desenvolvimento
de tecnologias inovadoras nas filiais. Suas atividades produtivas, mercantis e administrativas
ultrapassam fronteiras, estendendo-se a diversos países. Os vínculos especiais com o país de origem
diminuem à proporção que aumenta seu poder independente em um mercado globalizado e sem
fronteiras. Essas corporações se espalharam pelo mundo e assumiram a hegemonia na economia
mundial. O processo que permitiu essa expansão, como já vimos, foi o da extrema competição por meio
de inovações em seus produtos e da eliminação dos concorrentes. Com enorme faturamento, acelerado
a partir da década de 1990, essas megaempresas controlam todos os setores da economia: agricultura,
indústria, comércio e serviços.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 54.

Análise cartográfica

Quais são os três grandes polos de concentração de transnacionais?


América do Norte, Europa Ocidental e Japão.
Página 80

O poder das transnacionais

Com as novas facilidades de comunicação e de transporte, as transnacionais puderam flexibilizar sua


localização, instalando unidades produtoras em países onde os custos são mais baixos. Isso aumentou a
integração de muitos países à economia mundial, como os chamados Tigres Asiáticos e, posteriormente,
a China, o Vietnã, entre outros.

GAVIN HELLIER/JAI/CORBIS/LATINSTOCK

A partir da década de 1970, Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan iniciaram um processo acelerado de industrialização
que resultou em grande crescimento econômico, ficando conhecidos como Tigres Asiáticos. Mais tarde, juntaram-se ao bloco
Tailândia, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã. Na foto, Seul (Coreia do Sul, 2012).

As partes de um mesmo produto podem ser fabricadas em diferentes países e montadas em outro.
Muitas transnacionais nem sequer fabricam mais seus produtos: cuidam de projetos e da manutenção
da marca. O processo de produção de componentes é realizado por indústrias localizadas em países em
que existem condições atraentes (como mão de obra barata). A montagem do produto final segue o
mesmo padrão em todas as partes do mundo. Com essa descentralização da produção, os produtos não
possuem mais origem definida, o chamado made in.

A soma de bens e serviços finais produzidos em um lugar durante determinado tempo é expressa pelo
Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, o volume de vendas de muitas transnacionais ultrapassa o PIB
de muitos países. Ainda que parte dos lucros seja usada para reforçar a posição das unidades espalhadas
pelo mundo, grande parte do lucro das empresas é remetida aos seus países de origem.

Por essa razão, as transnacionais contam com os governos dos países-sede (potências como Estados
Unidos, Alemanha, Japão e França) para apoiá-las e defender seus interesses. E, dessa forma, acabam
exercendo também enorme poder sobre a economia e as decisões políticas dos países que as acolhem.
A integração desigual

Nas últimas décadas do século XX, a nova flexibilidade dos processos produtivos colocou as economias
do bloco socialista em grandes dificuldades.

No sistema socialista, o Estado teria a função de distribuir os bens e serviços para os cidadãos de acordo
com suas necessidades. Conselhos e assembleias (chamados de sovietes, na União Soviética) passaram
a controlar o Estado e a planificar a economia, administrando e distribuindo a produção.

A industrialização desses países foi conduzida pelo Estado, com foco nas indústrias de base e na
produção para fins militares. O sistema de produção era previsto em planos estatais de vários anos (em
geral cinco) e, portanto, era rígido e necessariamente baseado no estilo fordista.

Indústria de base: responsáveis pelo processamento de matérias-primas brutas, sendo a base para outros ramos industriais

A indústria socialista não se adaptava facilmente aos padrões da nova economia flexível, que exigia
produtos customizados, produção com estoques baixos e equipes multifuncionais em constante
processo de adaptação. Havia muita dificuldade para produzir bens finais apreciados pelos
consumidores, como eletrodomésticos, aparelhos de som e vídeo, cosméticos, perfumes e automóveis.
Como as metas eram quantitativas, nem sempre havia incentivos para que os produtores prestassem a
devida atenção à qualidade dos produtos.
Página 81

Na Rússia, por exemplo, a transição da economia planificada para a de mercado tem buscado a
modernização visando colocar o país em condições de responder aos novos imperativos da
globalização. Entretanto, permanecem ainda muitos problemas da época anterior.

As economias socialistas não participaram, inicialmente, da Terceira Revolução Industrial, a não ser de
forma marginal. Apesar do grande avanço da ciência na União Soviética e em outros países do seu bloco,
havia muita dificuldade em desenvolver aplicações econômicas para esse conhecimento. Nas economias
capitalistas, contudo, a concorrência entre as empresas fazia que cada conquista científica virasse
rapidamente um novo produto gerador de novos lucros. Não havia esse incentivo para as empresas
estatais socialistas, cujos preços e lucros já estavam predeterminados no planejamento estatal.

Muitos desses países que viveram sob o sistema socialista vêm colhendo bons resultados econômicos na
transição para o capitalismo, como a República Tcheca, a Hungria e o Vietnã. Diversos países do Leste
Europeu se integraram às redes geográficas e cadeias produtivas globais por meio de fusões ou joint
ventures, como a Polônia e a Romênia.

As economias emergentes

Alguns países se destacaram no processo de globalização, em especial aqueles chamados de economias


emergentes. Esses países, que dispõem de certa infraestrutura industrial, têm recebido grandes
investimentos estrangeiros e apresentado acelerado crescimento econômico. Além disso, contam com
disponibilidade de mão de obra barata e sua produção volta-se para o mercado externo. Nesse
contexto, destacaram-se Brasil, Rússia, Índia e China – os chamados Bric, depois Brics, com a entrada da
África do Sul.

Outros países também passaram a ser conhecidos como emergentes: México, Turquia, Indonésia, entre
outros.

A China tornou-se a “fábrica” da economia global, crescendo a taxas superiores a 7% ao ano. A Índia
também vem apresentando acelerado crescimento econômico; os dois países, juntos, somam
populações com mais de 2,6 bilhões de pessoas.

Assim, desde 1990 acentuou-se a tendência de formação de um único espaço econômico no qual os
países integraram suas economias.

Índia e Rússia são países de economia emergente que fazem parte do Brics, formado por cinco países: Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul.
JTB/UIG/GETTY IMAGES

Vista do centro comercial de Bangalore (Índia, 2013)

OLEG DOROSHIN/SHUTTERSTOCK

Praça Vermelha e Catedral de São Basílio, em Moscou (Rússia, 2014).


Página 82

Reformas econômicas: a fase da política neoliberal

Também nas economias capitalistas a nova economia flexível reclamava mudanças na forma de atuação
dos governos com relação à política econômica. Com a finalidade de reestruturar as economias,
surgiram novas doutrinas que correspondiam melhor a essa fase do capitalismo.

Desde 1980, tanto os Estados Unidos como o Reino Unido vinham adotando um estilo de política
econômica que ficou conhecido como neoliberalismo. Os impostos sobre as empresas e sobre os mais
ricos foram reduzidos, alegando-se que isso seria um fator de incentivo ao investimento e ao progresso
econômico. As regulamentações sobre as atividades econômicas e financeiras foram reduzidas ao
mínimo. Empresas públicas foram privatizadas e os gastos públicos, diminuídos.

O neoliberalismo tornou-se um modelo de política econômica para ser seguido, inclusive, pelos ex-
países socialistas e países menos desenvolvidos que buscavam integrar-se à economia mundial.
Propunha-se que os Estados realizassem reformas estruturais e estabelecessem a mais ampla
liberalização possível de seus mercados tanto de bens como financeiros.

Muitas dessas regras básicas, formuladas em 1989 por economistas de instituições financeiras, ficaram
conhecidas como Consenso de Washington. Essas normas passaram a ser recomendadas para o
estabelecimento de uma agenda neoliberal de reformas nos países em desenvolvimento.

Vejamos algumas das mudanças do papel do Estado nessa fase. Este passou a:

• restringir sua ação sobre a economia, só intervindo em grau mínimo e em setores essenciais. Esse
modelo é conhecido como Estado mínimo;

• promover a desregulamentação da economia, ou seja, eliminar regulamentos que pudessem impedir


a liberdade de ação das empresas e dos bancos;

• fazer reformas econômicas, como o ajuste fiscal (gastar menos do que é arrecadado), o controle da
inflação, a redução dos gastos públicos e a liberação das importações;

• privatizar empresas estatais (venda para grupos privados) com a finalidade de garantir ingresso de
capital a curto prazo.
VICTOR J. BLUE/BLOOMBERG/GETTY IMAGES

Nas bolsas de valores são negociadas ações, que representam frações do capital de uma empresa pública ou privada. O mercado
de ações é oscilante, podendo gerar lucro para os investidores, em caso de alta, ou prejuízo, em caso de queda. Na foto,
operadores na Bolsa de Valores de Nova York (Estados Unidos, 2014).

Desregulamentação e expansão dos mercados financeiros

Desde a década de 1970, o setor financeiro vem se expandindo. A desregulamentação promovida pela
política neoliberal e as novas tecnologias que facilitaram as comunicações foram os fatores que
permitiram essa expansão. O poder econômico concentrou-se cada vez mais nas mãos dos grandes
grupos econômicos, financeiros e bancários. Estes passaram a ter grande controle sobre o setor
produtivo, o fluxo internacional de capital e todo o mecanismo de empréstimos e juros.
Página 83

Grande parte do capital produtivo destinado à ampliação, melhoria ou instalação de unidades


produtoras, à compra de equipamentos e ao aumento da capacidade de produção passou a ser
destinada à especulação financeira. O capital especulativo, capital volátil ou de curto prazo é aplicado
em bolsas de valores buscando lucros rápidos. O capital especulativo não gera lucros por meio da
produção, apenas se acumula e, portanto, não gera empregos como o capital produtivo.

Os avanços na informática facilitaram muito as transações financeiras e permitiram maior liberdade de


investimentos, além de encurtar o espaço e o tempo. Os mercados integrados gerenciam o capital em
tempo real, realizando transações de milhões de dólares em segundos. Enormes somas, ao menor sinal
de instabilidade ou falta de confiança, são transferidas (fuga de dólares), provocando pânico nos
mercados e desequilíbrios mundiais. Em poucas horas, moedas, papéis e ações perdem valor, e a
economia é abalada.

Os países menos desenvolvidos tendem a sofrer mais com essas crises. Muitas vezes, a fuga de capitais
de um país é muito rápida, e isso se denomina ataque especulativo. Na verdade, mais do que um
ataque, é uma fuga desenfreada, na qual ninguém quer ficar por último, por temer a forte
desvalorização das ações, dos títulos ou da moeda do país.

Em 2007, iniciou-se uma crise financeira nos Estados Unidos que começou no setor imobiliário,
espalhou-se rapidamente para os setores financeiro e automobilístico e, daí, para toda a economia. Em
2008, essa crise tomou proporções globais, atingindo particularmente a União Europeia, em especial
Portugal, Espanha, Grécia e Itália. Nesses países, o desemprego alcançou níveis altíssimos e o
crescimento econômico despencou.

ANDREA COMAS/REUTERS/LATINSTOCK

Manifestantes seguram faixas e cartazes de protesto em Madri contra as medidas de austeridade do governo (Espanha, 2015).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Qual é o papel da tecnologia na globalização contemporânea?

2. Como se explica a volatilidade do capital financeiro na globalização?


Página 84

Diálogo interdisciplinar
Economia global: rumo à grande tempestade?

“A consequência de três frentes de mau tempo convergentes seria algo parecido com uma tempestade
perfeita em alto-mar. Três tendências econômicas globais significativas começaram a se intensificar e a
convergir nos últimos meses: (1) uma desaceleração da economia da China junto com uma instabilidade
financeira crescente em seu sistema bancário paralelo [shadow banking system]; (2) um colapso das
moedas dos mercados emergentes (Índia, Brasil, Turquia, África do Sul, Indonésia etc.) e suas
respectivas desacelerações econômicas; (3) um desvio contínuo rumo à deflação nas economias da zona
do euro, liderado pelo aumento de problemas na Itália e pela estagnação econômica que atinge até a
França, a segunda maior economia da zona do euro.

Além disso, os problemas nessas três áreas fundamentais da economia global deram início a uma
retroalimentação. Desde o início de fevereiro de 2014, os mercados de ações dos Estados Unidos
começaram um grande ajuste e queda. Os efeitos de curto e médio prazo sobre a economia real e
política dos EUA também começaram a aparecer, como mostram os dados mais recentes do
enfraquecimento dos setores de construção, indústria, criação de empregos e vendas de automóveis em
janeiro.

[...] A economia global está entrando em uma terceira fase da crise econômica contínua. Essa fase, que
surge em 2014, é caracterizada pela intensificação dos efeitos da retroalimentação, ou amplificação
mútua, entre os diversos blocos da economia global. Na segunda fase, durante os anos de 2010 e 2013,
os efeitos da amplificação mútua entre os setores globais diminuíram. A economia norte-americana
estabilizou-se em uma taxa de crescimento de recuperação baixa a estagnada; a China e os mercados
emergentes se recuperaram de forma rápida e robusta; e a Europa caiu em uma crise bancária
silenciosa própria e em uma recessão de queda dupla moderada.

No entanto, 2014 e a terceira fase podem ser diferentes, com mais semelhanças com a primeira fase,
2007-2009, do que com a segunda. Este ano pode registrar o retorno dos efeitos da amplificação mútua
na economia global. A China começou a desacelerar economicamente e a experimentar uma
instabilidade financeira crescente. Pode ficar comprovado que a desaceleração e a instabilidade serão
muito piores do que o previsto. Caso uma das opções acorra, o efeito da China no restante da economia
global pode ser considerável, e especificamente para os outros dois setores mais fracos: as economias
da zona do euro e dos mercados emergentes. Uma economia já muito frágil na zona do euro pode cair
facilmente em uma recessão, com efeitos negativos de retroalimentação na China e nos mercados
emergentes. Porém a crise nos mercados emergentes que está surgindo pode demonstrar-se a mais
desestabilizadora de todas, com seus efeitos de retroalimentação possivelmente ainda maiores. Todos
os três setores podem provocar, por meio de suas interações, um resultado global muito mais grave. O
modo como a economia dos EUA responderá à tempestade global perfeita que está se formando será
algo interessante, para dizer o mínimo.”

RASMUS, Jack. Outras Palavras. abr. 2014. Disponível em: <http://outraspalavras.net/posts/economia-global-rumo-a-grande-tempestade>. Acesso
em: abr. 2016.

Questões

Responda no caderno.

1. A crise na economia global, desencadeada em 2007-2008 nos Estados Unidos está longe de um fim. Explique por
quê.
2. No contexto de uma crise financeira global, qual é a importância da análise dos rumos da economia dos Estados
Unidos e da China?
Página 85

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Leia o trecho a seguir e avalie os argumentos dos países colonizadores europeus em relação às atividades exploratórias que
realizaram na América.

“De acordo com o relatório de Colombo, o Conselho de Castela resolveu tomar posse de um país cujos habitantes
estavam fora do estado de se defender. O piedoso propósito de convertê-los ao cristianismo santificou a injustiça
do projeto. Mas a esperança de extrair tesouros foi o verdadeiro motivo da decisão do empreendimento. [...] Todos
os outros empreendimentos dos espanhóis no Novo Mundo, posteriores aos de Colombo, parecem ter tido o
mesmo motivo. Foi a sede sacrílega de ouro.”

SMITH, Adam. Citado em BEAUD, Michel. História do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 20-21.

2 Aponte a diferença entre as propostas mercantilista e liberal para o comércio exterior.

3 Entre 1944 e 1971, os países capitalistas viveram o chamado sistema monetário de Bretton Woods. Responda:

a) Que padrão monetário esse sistema propunha?

b) Procure explicar por que ele ajudou na integração das economias.

c) Quando e por que esse sistema acabou?

4 Apresente e comente duas características que distinguem o modelo de produção fordista/taylorista do toyotismo.

5 O Consenso de Washington estabeleceu uma agenda neoliberal de reformas. Cite três mudanças realizadas pelos Estados nessa
fase.

6 Leia o texto e explique, com base nele, a característica de uma empresa global.

“Apesar de ter sua sede empresarial em Portland, nos Estados Unidos, a Nike não produz tênis nesse país. A Nike
vende tênis no mundo todo, mas não tem uma só fábrica nem emprega nenhum operário. Ela compra os calçados
de indústrias instaladas principalmente no leste asiático.”

Folha de S.Paulo, 2 fev. 1997. Caderno especial Globalização.

7 Observe a charge a seguir. Que crítica ela faz à globalização?


© MOISÉS

Leitura cartográfica

8 Analise o mapa a seguir e responda à questão.

A taxa de desemprego é um bom indicador para avaliar de que forma a crise econômica afetou os países europeus de forma
desigual? Explique por quê.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: DINHEIRO VIVO. Disponível em: <www.dinheirovivo.pt/graficos/interior.aspx?content_id=3883594>. Acesso em: fev. 2016.
Página 86

Cartografia em foco
Cartas isarítmicas na análise econômica
Ao unir pontos de igual valor, formando linhas na superfície do mapa (isolinhas), obtemos uma
representação cartográfica denominada carta isarítmica. Tal procedimento de definição de isolinhas a
partir de dados quantificados em diferentes pontos é muito utilizado nos estudos do relevo, da
hidrografia e do clima. Mas as cartas isarítmicas também são utilizadas na representação de fenômenos
sociais, por exemplo, os ligados à economia. Nesse caso, as isolinhas são formadas a partir de variáveis
econômicas.

Uma forma de representação isarítmica de características econômicas são os mapas que simulam alto-
relevo ao representar a variação da riqueza numa determinada superfície. Os mapas esquemáticos A e
B, por exemplo, representam a concentração por quilômetro quadrado da produção econômica nos
Estados Unidos e no Japão.

MAPAS: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: BANCO MUNDIAL. World development report 2009: reshaping economic geograpphy. Washigton, D.C.: The World Bank,
2009, p. XX.
Fonte: BANCO MUNDIAL. World development report 2009: reshaping economic geograpphy. Washigton, D.C.: The World Bank,
2009, p. XIX.

Questões

Responda no caderno.

1. O que são mapas isarítmicos e como eles podem ser utilizados na análise econômica?

2. Compare a geografia econômica dos Estados Unidos e do Japão.


Página 87

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (UFF, 2009) A Revolução Industrial ocorrida ao longo do século XVIII está vinculada à história da Inglaterra no seu nascedouro.
Entretanto, à medida que o capitalismo foi se consolidando, a ideia de Revolução Industrial começou a ser associada a um
conceito universal e ganhou vários sinônimos, dentre os quais:

a) republicanização, que orientava os novos processos de organização da política, a intervenção no mercado e a Revolução
Francesa;

b) modernização, que indicava a manutenção da economia mercantilista, a centralização do Estado e o crescimento das camadas
médias;

c) industrialização, que significava a alteração nos processos de produção, a concretização da economia de mercado e a ascensão
da burguesia;

d) maquinização, que mostrava a crescente expansão do artesanato, da agricultura e da fisiocracia como modelos de crescimento;

e) tecnificação, que definia o processo industrial como dependente das modificações na agricultura e também do agrarismo,
sendo controlado politicamente pela nobreza urbana.

2 (Fuvest, 2008) “O livre-comércio é um bem – como a virtude, a santidade e a retidão – a ser amado, admirado,
honrado e firmemente adotado, por si mesmo, ainda que todo o resto do mundo ame restrições e proibições, que,
em si mesmas, são males – como o vício e o crime – a serem odiados e detestados sob quaisquer circunstâncias e
em todos os tempos.”

The Economist, em 1848.

Tendo em vista o contexto histórico da época, tal formulação favorecia particularmente os interesses

a) do comércio internacional, mas não do inglês.

b) da agricultura inglesa e da estrangeira.

c) da indústria inglesa, mas não da estrangeira.

d) da agricultura e da indústria estrangeiras.

e) dos produtores de todos os países.

3 (Uerj, 2010) Andy Warhol (1928-1987) é um artista conhecido por criações que abordaram valores da sociedade de consumo;
em especial, o uso e o abuso da repetição. Esses traços estão presentes, por exemplo, na obra que retrata as latas de sopa
Campbell’s, de 1962.
THE ANDY WARHOL FOUNDATION FOR THE VISUAL ARTS, INC./AUTVIS, BRASIL, 2016 - MUSEU DE ARTE MODERNA DE NOVA YORK

O modelo de desenvolvimento do capitalismo e o correspondente elemento da organização da produção industrial representados


neste trabalho de Warhol estão apontados em:

a) taylorismo – produção flexível

b) fordismo – produção em série

c) toyotismo – fragmentação da produção

d) neofordismo – terceirização da produção

4 (Centro Paula Souza, 2014) Para preparar uma caixa de telefone celular com carregador de bateria, fone de ouvido e
dois manuais de instrução, o empregado da fábrica dispõe de apenas seis segundos. Finalizada essa etapa, a
embalagem é repassada ao funcionário seguinte da linha de montagem, o qual tem a missão de escanear o pacote
em dois pontos diferentes e, em seguida, colar uma etiqueta. Em um único dia, a tarefa chega a ser repetida até
6.800 vezes pelo mesmo trabalhador.

Disponível em: <blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/08/12/>. Acesso em: 12.08.2013 (adaptado).

Refletindo sobre a situação exposta no texto, é correto afirmar que essa fábrica se organiza pelo sistema de produção conhecido
como

a) toyotismo, no qual a mecanização do trabalho leva à divisão equitativa dos lucros entre os operários.

b) toyotismo, no qual os trabalhadores controlam os meios de produção e produzem no seu próprio ritmo.

c) fordismo, no qual cada um dos trabalhadores realiza todas as etapas do processo produtivo nas fábricas.

d) fordismo, no qual a livre iniciativa do trabalhador determina o ritmo das fábricas e o volume da produção.

e) fordismo, no qual há uma divisão do trabalho, e a mecanização da produção leva à repetição de tarefas.

5 (Enem, 2013) Um trabalhador em tempo flexível controla o local do trabalho, mas não adquire maior controle sobre o processo
em si. A essa altura, vários estudos sugerem que a supervisão do trabalho é muitas vezes maior para os ausentes do escritório do
que para os presentes. O trabalho é fisicamente descentralizado e o poder sobre o trabalhador, mais direto.

SENNETT, R. A corrosão do caráter: consequências pessoais do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999 (adaptado).

Comparada à organização do trabalho característica do taylorismo e do fordismo, a concepção de tempo analisada no texto
pressupõe que

a) as tecnologias de informação sejam usadas para democratizar as relações laborais.

b) as estruturas burocráticas sejam transferidas da empresa para o espaço doméstico.

c) os procedimentos de terceirização sejam aprimorados pela qualificação profissional.

d) as organizações sindicais sejam fortalecidas com a valorização da especialização funcional.

e) os mecanismos de controle sejam deslocados dos processos para os resultados do trabalho.


Página 88

CAPÍTULO 5 Economia global e trocas desiguais


É possível identificar grandes conjuntos de países de acordo com suas atuações na economia global. A
desigualdade entre eles, na participação no comércio mundial, relaciona-se sobretudo à quantidade de
valor agregado às mercadorias exportadas. No caso do Brasil, o comércio exterior é multidirecional: as
exportações são estruturadas sobre vários eixos, com base na formação de diversas parcerias.

Inserção desigual dos países na economia mundial

Grande parte do comércio mundial é monopolizada pelos países mais desenvolvidos. Atualmente, a crescente
participação dos países em desenvolvimento na exportação de manufaturados está mudando essa situação.

Interesses econômicos e comércio internacional

A Organização Mundial do Comércio (OMC) regulamenta o comércio mundial visando diminuir barreiras
comerciais. Os países menos desenvolvidos reivindicam o fim das subvenções e do protecionismo às
exportações agrícolas praticados pelos mais ricos, fato que limita as vendas dos produtos dos países em
desenvolvimento e acentua as desigualdades no comércio mundial.

Os blocos econômicos

A intensificação do comércio mundial provocou maior integração econômica regional. Entre os principais
blocos econômicos internacionais, destacam-se o Nafta, a UE e a Apec.

Brasil: fluxos de mercadorias – comércio exterior e a integração global

O Brasil tem mantido relações comerciais mais sólidas com países latino-americanos por meio de diversos
acordos e da participação em organizações regionais. Além disso, a China é hoje o nosso principal parceiro
comercial.

ENEM
C2: H6, H7, H9, H18
EDWARD TIAN/GETTY IMAGES

Cingapura tem apresentado grande crescimento econômico e aumento de participação no mercado mundial. Entre suas principais
exportações estão alguns produtos que agregam alta e média tecnologia, incluindo máquinas elétricas e mecânicas. Na foto, vista
noturna do Porto de Cingapura, o segundo mais movimentado do mundo, com fortes conexões de centenas de outros portos
(2014).
Página 89

PAUL SMITH/BLOOMBERG/GETTY IMAGES

Nos últimos anos, a Colômbia teve um crescimento econômico elevado, com média superior a 4%, segundo dados do Banco
Mundial. Assim mesmo, suas exportações concentram-se em produtos de baixo valor agregado: petróleo, carvão, esmeraldas,
níquel e flores.

JOHANNES MANN/CORBIS/LATINSTOCK

Automóveis, máquinas mecânicas e instrumentos de precisão respondiam, em 2014, a 61,4% da pauta de exportações do Japão,
produtos com alto valor no mercado. Nesse ano, o país era a quarta potência do comércio mundial. Vista aérea noturna de Tóquio
(Japão, 2013).

1. As imagens mostram três países que estão inseridos de formas diferentes no mercado globalizado. Explique por
quê.

Cingapura exporta produtos que agregam alta e média tecnologia, como máquinas elétricas e mecânicas; a Colômbia exporta produtos primários
com baixa tecnologia agregada; o Japão exporta produtos com alto valor de troca no mercado mundial e é uma potência comercial.

2. Em 2012, a pauta exportadora brasileira era composta de produtos básicos agropecuários e minerais (46,8%),
manufaturados (37,4%), semimanufaturados (13,6%) e outros (2,2%). Por que, apesar do recorde de exportação de
muitos desses produtos, nesse ano o Brasil participou apenas com 1,3% do comércio mundial?

A pauta exportadora brasileira inclui muitos produtos com baixo valor agregado e menor valor comercial. Isso explica a baixa participação do país no
comércio mundial.
Página 90

Inserção desigual dos países na economia mundial

TERMOS E CONCEITOS
• países desenvolvidos
• países em desenvolvimento
• países do Norte
• países do Sul
• G-20
• Brics

Os países não se inserem no cenário econômico mundial da mesma maneira. O atraso e o


desenvolvimento econômico dos países resultam de um mesmo processo histórico, que nos últimos
séculos se confunde com a própria história do sistema capitalista, já que desde o século XVI existia uma
especialização da produção e da comercialização de produtos por grupos de países, conhecida como
Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Naquela época, os países europeus produziam grande parte
dos produtos manufaturados e ficavam com a maior parcela da riqueza, e cabia às colônias fornecer
matéria-prima e contribuir para a acumulação de capital nas metrópoles.

A economia capitalista se desenvolveu concentrando riqueza e poder nas mãos das elites,
principalmente dos países dominantes, que ficaram conhecidos, depois da metade do século XX, como
países desenvolvidos; em contrapartida, países com baixo índice de industrialização foram chamados de
subdesenvolvidos.

Esse último termo tem sido questionado, porque a maior parte dos países subdesenvolvidos foi colônia,
o que dificultou o crescimento econômico e o desenvolvimento social dessas nações. Ou seja, ao longo
do mesmo processo histórico, alguns países obtiveram crescimento econômico com base no atraso de
outros.

Na atualidade, as desigualdades econômicas e sociais têm sido utilizadas para dividir o mundo em dois
grandes grupos: o dos países desenvolvidos, mais industrializados, com menos problemas sociais, e o
dos países em desenvolvimento, menos industrializados, com elevada concentração de renda.
Entretanto, os países que integram esses grupos apresentam grandes diferenças.

SEAN PAVONE/SHUTTERSTOCK

Em 2013, o governo chinês estabeleceu uma zona de livre comércio em Xangai, visando estimular a economia, aumentar o
consumo interno e reajustar o modelo econômico bastante dependente de exportações (China, 2014).
Grandes conjuntos de países

Diversas concepções teóricas deram origem a várias denominações que agrupavam os países, todas
insuficientes para apreender a complexidade das realidades nacionais e globais.

Os países desenvolvidos e os em desenvolvimento já receberam diversas denominações. Uma delas,


usada na década de 1980, referia-se à localização geográfica, embora os critérios estivessem
relacionados muito mais com a formação histórica e econômica. Os mais desenvolvidos ficaram
conhecidos como países do Norte, porque a maioria deles está situada nesse hemisfério. É o caso dos
Estados Unidos, Japão, Canadá e dos países da Europa. Austrália e Nova Zelândia, embora estejam
situadas no Hemisfério Sul, fazem parte desse grupo, pois as características econômicas e sociais são
semelhantes às dos demais países desenvolvidos.

Já os países em desenvolvimento, localizados majoritariamente no hemisfério Sul, ficaram conhecidos


como países do Sul (países da América do Sul, da África e da Ásia). Também compõem esse grupo
alguns países localizados ao norte do Equador, como o México e os países da América Central, alguns
países do norte da África e do sul e sudeste da Ásia.
Página 91

O processo de globalização rompeu com o esquematismo dessas classificações, pois muitos países em
desenvolvimento passaram a contar com produção e exportação de mercadorias industriais nacionais.

Alguns desses países, como a China, a Índia, o Brasil e a Rússia, também são chamados de mercados
emergentes, porque, nesta fase de globalização, oferecem um grande potencial de mercado e uma
grande população consumidora. Além disso, esse grupo de países destacou-se no cenário econômico
internacional pelo rápido processo de modernização de seu parque industrial e pelo rápido crescimento
de suas economias.

Outra classificação comumente utilizada divide os países em três grupos: centrais, semiperiféricos e
periféricos.

Mudanças no comércio internacional

Desde o final do século XX, têm ocorrido algumas mudanças nos padrões da divisão da produção e do
comércio internacional, com o crescimento da participação dos países em desenvolvimento nas
exportações de manufaturados.

No início do século XX, diversos países menos desenvolvidos, incluindo o Brasil, eram
predominantemente agroexportadores. Suas economias estavam assentadas principalmente na
exportação de matérias-primas ou produtos primários (agropecuários, extrativos, minerais) para os
países desenvolvidos. Em contrapartida, os países menos desenvolvidos recebiam dos países
desenvolvidos produtos do setor secundário (industrializados) e do setor terciário (comércio, capital,
tecnologia).

Na produção industrial e no uso intensivo de tecnologia estão os produtos de maior valor agregado, ou
seja, com maior quantidade de riqueza incorporada. Por isso, os produtos exportados pelos países em
desenvolvimento têm menor valor que os exportados pelos países desenvolvidos.

As mercadorias que circulam entre os países podem ser classificadas em:

• commodities primárias: mercadorias em estado bruto ou produtos primários que sofrem pouca ou
nenhuma transformação, como café, soja, carnes, óleos vegetais e minérios.

• produtos com intenso uso de mão de obra e de recursos naturais: produtos de baixa intensidade
tecnológica que utilizam tecnologia manual, incluindo, por exemplo, os têxteis de algodão (intensivos
em trabalho), o papel e a celulose (intensivos em recursos naturais) e os calçados.

• produtos de média baixa intensidade tecnológica: borracha e produtos plásticos, derivados do


petróleo e outros combustíveis.

• produtos de média alta tecnologia: equipamentos mecânicos, produtos químicos, automóveis e


máquinas elétricas.

• produtos de alta intensidade tecnológica: mercadorias que exigem mão de obra mais qualificada,
como aparelhos eletrônicos, de informática, produtos da indústria farmacêutica e aviões.

O êxito no mercado internacional não ocorre apenas pela produção e exportação de grande volume de
mercadorias. O importante é o valor agregado à mercadoria. Em geral, os países que mais agregam alta
tecnologia à produção são os países desenvolvidos.
LUIZ RUBIO

Fonte: ORGANIZACIÓN Mundial del Comercio. Informe sobre el comercio mundial 2013: factores que determinan el futuro del
comercio. Genebra: OMC, 2013. p. 54.

Análise cartográfica

Analise a evolução da participação dos produtos nas exportações mundiais e escreva suas conclusões.

O comércio de manufaturas cresceu significativamente durante o período, enquanto os produtos agrícolas tiveram sua participação bastante
reduzida.
Página 92

Comércio nos países centrais

Os países centrais ou desenvolvidos atualmente fabricam e exportam sobretudo produtos de alta


intensidade tecnológica, da indústria de ponta (informática, aeroespacial e outras), que agregam alta
tecnologia. Direcionam grandes investimentos para os setores tecnológicos (robótica, cibernética e
outros), de pesquisa e inovações visando novos métodos de produção. Grande parte do setor
secundário desses países se deslocou para países em desenvolvimento. É o caso dos Estados Unidos, de
países da Europa Ocidental (como Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Países Baixos, Bélgica, Suíça e
Suécia), além do Japão e do Canadá.

Os países centrais também são aqueles nos quais a população possui, em geral, elevadas condições de
vida.

Os principais polos industrial, comercial e financeiro da economia mundial são os Estados Unidos, o
conjunto de países da Europa Ocidental — especialmente Alemanha, França e Reino Unido — e o Japão,
conhecidos como Tríade.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: EL ORDEN Mundial en el S. XXI. Disponível em: <http://elordenmundial.com/relaciones-internacionales/cambio-orden-


economico/>. Acesso em: abr. 2015.

Análise cartográfica

1. Descreva duas mudanças na ordem econômica mundial de 2005 para 2010.

Em 2005 os países da Tríade participavam com 74,2% do PIB mundial, enquanto os Bric representavam apenas 13%. Já em 2010 os Bric
representavam 28% do PIB mundial e a Tríade diminuiu para 54,5%.

2. Qual é a importância da China e da Índia no panorama econômico mundial?

Além de serem novas potências emergentes, a China e a Índia somadas têm 37% da população mundial, enquanto o Ocidente possui 14%.
Para assistir
Diamante de sangue
Direção: Edward Zwick.
Países: Estados Unidos/Alemanha.
Ano: 2007.
Uma guerra civil em Serra Leoa, na década de 1990, confronta grupos armados com forças governamentais. O filme
aborda o trabalho forçado nos campos de extração de diamantes, o trabalho infantil, o recrutamento de crianças
soldados e o contrabando de diamantes e de armas. É uma importante denúncia do comércio que financia conflitos.

REPRODUÇÃO

Os países semiperiféricos

Os países semiperiféricos ou em desenvolvimento formam um grupo muito diversificado, e parte deles


tem pouca porcentagem de participação nas exportações de produtos manufaturados, dependendo das
exportações de commodities, a exemplo dos grandes exportadores de petróleo, como Arábia Saudita,
Emirados Árabes Unidos e Catar, onde o setor petrolífero tem impulsionado o crescimento e o setor
industrial é pouco expressivo.

Outros países desse grupo são grandes agroexportadores, mas participam da arena global com
commodities que resultam de uma agropecuária altamente modernizada, intensiva em tecnologia e
muito produtiva, além de exportar produtos industrializados, agregando principalmente baixa e média
tecnologia. Dentre eles, destacam-se México, Brasil e Argentina.
Página 93

O processo de globalização da produção valoriza frações de território em diversos países, não só pela
mão de obra barata, mas também pela densidade das tecnologias de informação e comunicação (TICs),
infraestrutura e concessões de incentivos fiscais. Esse processo provocou o crescimento industrial e
comercial em países emergentes, como os Tigres Asiáticos e os Novos Tigres Asiáticos.

Nesse grupo a China e a Índia têm aumentado sua capacidade tecnológica e vêm se destacando na
produção de mercadorias de alta complexidade, sendo grandes produtoras de computadores,
eletrônicos e outros produtos de alto valor agregado. Esse avanço tecnológico, aliado ao grande peso
demográfico que pode originar um importante mercado consumidor interno, contribuirá para, em curto
prazo, elevar esses dois países à condição de grande potência mundial.

Entre 1980 e 2011, os países em desenvolvimento desempenharam um papel cada vez mais importante
no comércio mundial: aumentaram a participação nas exportações mundiais de 34% para 46% e a
participação nas importações de 29% para 42%, enquanto as economias desenvolvidas diminuíram a
participação nas exportações mundiais de 66% para 54%.

Os países periféricos

Os países periféricos são aqueles que têm suas economias com forte base agrária ou mineral, com uso
de pouca tecnologia e sem equipamentos modernos na produção. Exceção feita, em países tropicais, às
grandes e modernas propriedades agrícolas voltadas para a exportação. Na maior parte dos países
periféricos, as indústrias são escassas e suas exportações concentram-se em produtos primários de
baixo valor agregado. Nesses países, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é baixo — serviços de
saúde e de educação são precários, e a renda per capita é baixa. Sudão, Tanzânia, Iêmen e Nepal são
exemplos de países periféricos.

ILUSTRAÇÕES: LUIZ RUBIO

Fonte: ORGANIZACIÓN Mundial del Comercio. Informe sobre el comercio mundial 2013: factores que determinan el futuro del
comercio. Genebra: OMC, 2013. p. 58.

Análise cartográfica

Cite três países que tiveram maior aumento de participação nas exportações mundiais, entre 1980 e 2011.
Os países asiáticos tiveram maior aumento de participação no comércio mundial entre 1980 e 2011. Os países que tiveram maiores aumentos foram
China, Coreia do Sul, Rússia e Cingapura.
Página 94

Desde as últimas décadas do século XX, os países em desenvolvimento têm encontrado algumas
possibilidades de produzir e colocar os produtos manufaturados no comércio mundial. No entanto, em
grande parte, ainda exportam produtos que agregam apenas tecnologia tradicional.

Com o objetivo de obter maior participação no comércio e na economia mundial, os países em


desenvolvimento organizaram, em 1999, o G-20, composto de 19 países desenvolvidos e em
desenvolvimento, paralelamente ao G-8 (grupo de nações mais industrializadas). O Brasil foi um dos
países que organizaram esse grupo. Entre os objetivos do grupo, estão: o desenvolvimento da
cooperação econômica e financeira entre os países, o debate de propostas de modelos de crescimento e
estabilidade econômica e a correção de desequilíbrios macroeconômicos internacionais.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: SCIENCES PO. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/sites/default/files/maps/E13c_G20_2012-01.jpg>. Acesso


em: abr. 2016.

Em 2014, a Rússia foi suspensa do G-8 por ter anexado a Crimeia, ex-região autônoma da Ucrânia. O referendo realizado na
Crimeia em 2014 aprovou sua anexação à Rússia; entretanto, a votação foi considerada ilegal pelos países do G-8 e as sanções
contra a Rússia persistiam em 2016.

A maior parte do aumento da participação dos países em desenvolvimento no mercado de bens


manufaturados provém da Ásia Oriental e do Pacífico. Mas somente um pequeno grupo desses países
participa das exportações de alta e média tecnologia (China e Taiwan, Coreia do Sul, Malásia, Cingapura
e Índia, além do México, na América Latina). O mesmo acontece com as exportações de manufaturados
com utilização de baixa tecnologia, nas quais se destacam China, Taiwan, Coreia do Sul, México e Índia.

Em 2010, a China ultrapassou os Estados Unidos nas exportações mundiais e se tornou a primeira
potência comercial do mundo. Os Tigres Asiáticos constituíram uma indústria nacional voltada para o
mercado internacional, abastecendo-o com produtos de tecnologia avançada (computadores,
automóveis e aparelhos eletrônicos). Os investimentos feitos na educação produziram mão de obra
qualificada, gerando grande desenvolvimento socioeconômico.
Página 95

ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fonte: OMC. Informe sobre el comercio mundial, 2014. p. 36. Disponível em:
<www.wto.org/spanish/res_s/booksp_s/world_trade_report14_s.pdf>. Acesso em: abr. 2015.

Análise cartográfica

Quais eram as 10 maiores economias exportadoras em 2013?

China, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Países Baixos, França, Coreia do Sul, Reino Unido, Hong Kong (China) e Rússia. Nessa base de dados, o Brasil
ocupa a 22ª posição, com pouco mais de 1,3% do comércio mundial.

Recentemente, os Novos Tigres Asiáticos — conjunto de países formado por Malásia, Indonésia,
Filipinas e Tailândia — procuraram o crescimento econômico aumentando a produção e a exportação
dos manufaturados. Esses países se industrializaram na década de 1970, na mesma época da
industrialização de Chile, Egito, Turquia, Ilhas Maurício, Venezuela, Colômbia, Peru, Argélia e Marrocos.

Entre os países semiperiféricos ou emergentes, os exportadores mais dinâmicos, que respondem por até
80% das exportações dos países em desenvolvimento, de baixa, média e alta tecnologia, são apenas
sete: China, Coreia do Sul, Malásia, Cingapura, Taiwan, México e Índia.

A China e a Índia são economias que têm crescido de forma muito acelerada e estão integradas ao
esquema de produção e comercialização, ao fabricar computadores, carros, entre outros. Contando com
um terço da população mundial e grandes taxas de crescimento econômico, apesar de apresentarem
grandes problemas sociais, uma aliança entre essas duas potências emergentes poderia redefinir o
poder mundial.

Integração comercial entre os países do Sul

Os países do Sul, além de estarem interligados globalmente, estão bastante interligados entre si. A
integração no comércio global desses países pode ser constatada pelo crescimento de suas vendas e
pela variedade de parceiros e produtos.
Especialistas em economia dizem que no final da primeira metade do século XXI será impossível ignorar
a sigla Brics — iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa). Esses países são
considerados a elite dos mercados emergentes, com crescente importância na economia global.
Página 96

ILUSTRAÇÕES: LUIZ RUBIO

Fonte: ONU. Relatório do desenvolvimento humano 2013: a ascensão do Sul, progresso humano num mundo diversificado. Nova
York: Pnud, 2013. p. 16.

Análise cartográfica

1. Analise a evolução do número de países do Sul que mantêm relações comerciais com mais de 100 parceiros.

Entre 1995 e 1996, apenas seis países do Sul mantinham relações comerciais com mais de 100 parceiros. Já entre 2010 e 2011, esse número era de
15 países.

2. Cite cinco países do Sul que mantêm relações comerciais com mais de 100 parceiros.

Entre eles: China, Tailândia, Índia, Brasil, Malásia, Indonésia e África do Sul.

Países periféricos

Os países periféricos (parte dos asiáticos, dos latino-americanos e a maioria dos africanos) participam
marginalmente do mercado mundial, e fornecem principalmente produtos primários.

Na África, recebem destaque as exportações de cacau (Costa do Marfim), tabaco (Zimbábue) e minérios,
como o diamante (Botsuana e Namíbia) e o cobre (Zâmbia e Namíbia). Na América Central e na América
do Sul, países como Jamaica e Suriname exportam bauxita; a Bolívia, gás natural. Na Ásia, o Sri Lanka
depende das exportações de chá.
As cotações das commodities são fixadas pelos países ricos, que, muitas vezes, definem preços
inferiores ao seu preço real. Além disso, eles mantêm um conjunto de barreiras protecionistas e de
subsídios agrícolas, que trazem ainda mais prejuízo aos países periféricos.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Explique por que alguns países do Sul são chamados de mercados emergentes e cite dois exemplos.

2. Explique a diferença de valor agregado entre as commodities primárias e os produtos de alta intensidade
tecnológica.

3. Qual é o papel dos países em desenvolvimento no mercado de produtos manufaturados?


Página 97

Interesses econômicos e comércio internacional

TERMOS E CONCEITOS
• Rodada de Doha
• comércio extrarregional
• trocas intrarregionais

Pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial, a Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944
nos Estados Unidos, estabeleceu novas regras financeiras e comerciais mundiais. O Fundo Monetário
Internacional (FMI), um dos organismos criados nessa conferência, visava garantir a estabilidade do
sistema financeiro para favorecer a expansão e o desenvolvimento do comércio internacional.
Posteriormente, esse organismo passou a supervisionar as dívidas externas dos países e a fornecer
empréstimos para países em dificuldades financeiras.

Também como resultado da Conferência de Bretton Woods foi criado o Banco Mundial, em 1945, que
financiou a reconstrução da Europa no pós-guerra. Atualmente realiza empréstimos para países
periféricos ou semiperiféricos. Uma das principais instituições que compõem o Banco Mundial é o
Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird).

Na fase da globalização financeira, a partir da década de 1980, o FMI impôs programas de reajuste
estrutural aos países periféricos, como equilíbrio fiscal, redução de gastos públicos e privatizações, com
o objetivo de liberalização do comércio externo.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas 2013. Paris: Vuibert, 2012. p. 39.

Análise cartográfica

O direito de voto no Banco Mundial depende do poder financeiro. Analise as proporções de votos e de população dos blocos
econômicos no Banco Mundial.

O G-8 e a União Europeia (30 países), com um total de apenas 16% da população mundial, são responsáveis por 59% dos votos, enquanto os 157
países restantes, que contam com 84% da população mundial, são responsáveis por apenas 41% dos votos no Banco Mundial.

Outro organismo que estabelece regras para o comércio internacional, visando diminuir barreiras
comerciais, é a Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995, em substituição ao Acordo
Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), de 1947. Em diversas negociações, esse organismo tem favorecido os
países mais industrializados, como na Rodada do Uruguai (1986 e 1994); na Rodada do Milênio (1999); e
na Rodada de Doha (em 2001 e ainda em curso em 2016).

A União Europeia e os Estados Unidos sempre exportaram seus produtos industriais e serviços a taxas
aduaneiras mais baixas que as de outros países, também frequentemente ofereceram subvenções e
créditos protecionistas às suas exportações agrícolas — limitando a venda desses produtos pelos países
em desenvolvimento. Isso acentuou a desigualdade de condições dos países no comércio mundial.
Em 2015, após 14 anos de reuniões e negociações na OMC discutindo regras para tornar mais ágil o
comércio mundial, os países em desenvolvimento conseguiram alguns resultados da Rodada de Doha.
Na questão agrícola, os países desenvolvidos atenderam a uma reivindicação histórica dos menos
desenvolvidos e se comprometeram a abolir os subsídios às exportações agrícolas. Entretanto, o
encontro, realizado em Nairóbi (Quênia), não conseguiu abolir as barreiras comerciais globais, por meio
de isenção crescente das tarifas alfandegárias para os produtos procedentes dos países menos
desenvolvidos (ajuda ao desenvolvimento) ou facilitação de intercâmbios com redução da burocracia
nas fronteiras.

Para assistir
A batalha de Seattle
Direção: Stuart Townsend.
Países: Estados Unidos/Canadá/Alemanha.
Ano: 2007.
Em 1999, milhares de pessoas foram às ruas de Seattle, nos Estados Unidos, protestar contra a OMC. O filme relata
os cinco dias em que os manifestantes contestaram pacificamente as decisões da OMC, transformando o ato em um
importante movimento antiglobalização. Os manifestantes foram combatidos pela polícia de Seattle e pela Guarda
Nacional. Esse movimento deu origem ao Fórum Social Mundial, local de discussão antiglobalização, que tem como
lema: “Um outro mundo é possível”.

REPRODUÇÃO
Página 98

Por considerar discriminatórias as políticas da OMC, os países em desenvolvimento apoiam-se em


outras organizações para negociar com os países desenvolvidos e aumentar seu poder político. Esse é o
caso da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que, desde
1964, presta auxílio técnico aos países em desenvolvimento para a integração no comércio mundial.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) também é um bom exemplo de


organização paralela de defesa de interesses.

NOOR KHAMIS/REUTERS/LATINSTOCK

Para o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC, a abolição dos subsídios às exportações agrícolas pelos países
desenvolvidos é o resultado mais significativo na história da OMC. Rodada de Doha, em Nairóbi (Quênia, 2015).

Crise nos Estados Unidos e a economia global

Desde 1980, o comércio internacional tem apresentado crescimento acelerado, embora


momentaneamente interrompido pela crise financeira dos Estados Unidos, no final de 2008.

O mercado imobiliário estadunidense passou por uma fase de expansão acelerada desde 2001,
estimulado pela queda gradativa de juros e a incorporação de segmentos da sociedade de renda mais
baixa. Para financiar os imóveis, houve excesso de empréstimos subprime, ou seja, de risco, para
pessoas com dificuldade de comprovar sua capacidade de pagamento de débitos. Esses fatos
incentivaram o mercado de títulos de maior risco até gerar uma reação em cadeia de endividamento e
inadimplência, o que acabou por quebrar o mercado de créditos imobiliários, as redes financeiras e os
bancos. Num efeito dominó, a crise atingiu instituições financeiras de todo o mundo. Apesar de os
bancos terem sido socorridos pelos governos dos países, essa crise imobiliária provocou uma crise mais
ampla no mercado financeiro estadunidense e afetou bruscamente o desempenho da economia
mundial.

Por causa dessa crise, as principais economias do mundo encolheram e o desemprego também
aumentou nesses países e atingiu patamares acima de 8%. O comércio mundial tem apresentado um
crescimento lento, mas, em contrapartida, nos Brics, a crise teve um impacto menor. As economias em
desenvolvimento da Ásia apresentaram melhor desempenho nas exportações mundiais de mercadorias.
ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fonte: OMC. Informe sobre el comercio mundial 2014, p. 21. Disponível em:
<www.wto.org/spanish/res_s/booksp_s/world_trade_report14_s.pdf>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Compare o desempenho dos Estados Unidos e da Extra-UE com o das economias em desenvolvimento da Ásia quanto às
exportações de mercadorias.

As economias em desenvolvimento da Ásia vêm apresentando aumento nas exportações, ultrapassando os Estados Unidos e a União Europeia.
Página 99

Regionalização na globalização

O comércio internacional tem sido um dos principais impulsionadores da globalização, fundamental


para o aumento da interdependência dos países.

Como vimos, grande parte do comércio mundial é monopolizado pelos países desenvolvidos.

Entretanto, desde a década de 1990, o aumento de acordos preferenciais entre países tem levado à
regionalização do comércio. O comércio extrarregional (fora da região) apresentou grande
crescimento. Por outro lado, as trocas intrarregionais (no interior de uma região) já representavam 54%
das exportações mundiais totais em 2009. Os países europeus, em 2011, realizavam 71% das
exportações entre os países-membros e essas trocas internas representavam quase 29% do comércio
mundial. Na Ásia, o comércio intrarregional, também em 2011, representava 52% do comércio asiático;
na América do Norte, a porcentagem era de 48%; na América Central e do Sul, 26%; e de apenas 12% na
África.

ILUSTRAÇÕES: LUIZ RUBIO

Fonte: ORGANIZACIÓN Mundial del Comercio. Informe sobre el comercio mundial 2013: factores que determinan el futuro del
comercio. Genebra: OMC, 2013. p. 76.

Análise cartográfica

Descreva brevemente o desenvolvimento das regiões em relação ao comércio intrarregional e extrarregional.

A Ásia, a Europa e a América do Norte apresentaram grande aumento percentual no comércio intrarregional e ainda se destacam em números
absolutos no comércio extrarregional, embora todas as regiões tenham crescido nesse último tipo de comércio.

A tendência na globalização de dispersão industrial por países que apresentam vantagens locacionais e a
posterior integração da cadeia produtiva para montagem do produto em determinado país têm
incentivado as trocas internacionais e absorvido grande parte do comércio intrarregional. É o que
acontece com a China, que centraliza a montagem de produtos intermediários oriundos de outros
países asiáticos. Esses últimos transformam os produtos e os enviam para a China, de onde são
exportados para os mercados internacionais.
Página 100

O comércio intratransnacional está por trás de grande número de transações comerciais, pois a
dispersão industrial de importações e reexportações envolve o comércio entre as transnacionais e suas
filiais ou com firmas prestadoras de serviços.

Comércio intratransnacional: relações comerciais entre empresas transnacionais.

A globalização e o peso das transnacionais no comércio internacional têm propiciado o aumento dos
serviços que representavam 20% do total do comércio mundial, em 2010. Os produtos manufaturados
comercializados se compõem principalmente de produtos químicos, equipamentos de
telecomunicações, produtos da indústria automotiva, entre outros. Os produtos agroalimentares têm
diminuído sua participação em valor no comércio mundial, ao mesmo tempo que aumenta o volume
comercializado.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Nota: A parte dos produtos manufaturados parece estável, mas ela aumenta de ano a ano pelo fenômeno da
importação-reexportação de produtos fabricados em etapas sucessivas em diferentes países.

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas 2013. Paris: Vuibert, 2012. p. 57.

Análise cartográfica

Qual é a natureza e a participação dos bens comercializados?

Os produtos manufaturados têm a maior participação no conjunto dos bens comercializados, seguidos por energia, agroalimentares e minérios.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Cite duas organizações que prestam auxílio técnico aos países em desenvolvimento para a integração no
comércio mundial.
2. Exemplifique de que forma a dispersão das indústrias e a posterior integração da cadeia produtiva para
montagem do produto em certo país incentivam o comércio intrarregional.

3. Qual é o papel do comércio intratransnacional no comércio mundial?


Página 101

Os blocos econômicos

TERMOS E CONCEITOS
• megabloco
• Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)
• União Europeia
• Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec)

Por meio da internacionalização da economia, apesar de persistirem as fronteiras e as diferenças


nacionais, muitos países se uniram para formar blocos econômicos, comerciais e políticos.

Existem diversos tipos de associação entre países. A integração econômica reúne países com o objetivo
de ampliar os mercados nacionais. A zona de livre comércio objetiva eliminar ou reduzir taxas
alfandegárias. A união aduaneira propõe, além dos benefícios da área de livre comércio, a criação de
regras comuns para trocas com países exteriores ao bloco e a abertura de mercados internos. O
mercado comum, além das vantagens das fases anteriores, libera o fluxo comercial, de capitais, de mão
de obra e de serviços entre os países do bloco. A união monetária inclui ainda a coordenação de
políticas econômicas, a defesa e a utilização de moeda única.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: Ferreira, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico. São Paulo: Moderna, 2011. p. 78.

Análise cartográfica

Quais são os três tipos de blocos comerciais apresentados no mapa? Cite dois exemplos de cada.

Acordo de livre comércio: Nafta e Asean; Acordo de integração econômica: Caricom, Mercosul; União aduaneira: CAN e MCCA.

Os megablocos

Nas últimas décadas do século XX consolidaram-se três grandes centros econômicos internacionais
liderados pelos principais polos capitalistas (Estados Unidos, União Europeia e Japão). A disputa pelo
mercado global regionalizou-se a partir da formação de grandes blocos econômicos ou megablocos
liderados por esses polos.
Nafta

O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), assinado em 1988, visava aumentar a
integração entre os países da América do Norte. Mas são os Estados Unidos que lideram esse bloco.

O Nafta começou a vigorar em 1994, ajudando os Estados Unidos a enfrentar a concorrência dos países
europeus e do Japão.

ADÃO ITURRUSGARAI

Análise de imagem

Observe a charge sobre o Nafta. Qual é a visão do autor sobre o tratado?

Resposta pessoal. Espera-se que os alunos observem que, nas trocas comerciais do Nafta, Estados Unidos e Canadá fornecem, via de regra, produtos
de maior valor agregado, enquanto o México oferece principalmente mão de obra barata.
Página 102

Se as economias dos Estados Unidos e do Canadá se complementam, a aliança com o México tem
caráter geopolítico, na medida em que as crises nesse país atingem os Estados Unidos — especialmente
por aumentarem o contingente de imigração ilegal. Outra vantagem dessa integração é que o México
fornece mão de obra barata aos complexos industriais desses países, além de possuir um atraente
mercado consumidor em potencial.

A divisão de trabalho continua deixando ao México tarefas intensivas em mão de obra e a produção de
mercadorias que agregam baixa tecnologia, enquanto os produtos que agregam tecnologia avançada
são produzidos nos Estados Unidos e no Canadá.

A expansão das exportações mexicanas se deve principalmente a produtos feitos nas diversas zonas
francas. Nesses locais se estabeleceram indústrias montadoras, as maquiladoras, que importam peças,
montam o produto final e exportam com isenção de impostos. Assim, a maior parte do conteúdo das
exportações mexicanas não é nacional. Nos Estados Unidos, a desconcentração espacial de empresas
em direção ao México reduziu a oferta de empregos.

Soma-se a esses problemas o fato de que, por causa dos subsídios agrícolas, o milho, alimento básico
dos mexicanos, passou a ser importado dos Estados Unidos a preços mais baixos, desarticulando a
economia rural mexicana e provocando êxodo rural, pressão nas cidades e aumento das migrações.
Desde a década de 2000, a utilização do milho estadunidense para produção de etanol e a consequente
elevação do preço do produto acentuou ainda mais a crise no México.

TOMAS BRAVO/REUTERS/LATINSTOCK

Uma reforma no sistema fiscal mexicano, aprovada em 2013, procura, entre outras medidas, aumentar a arrecadação tributária
eliminando regalias fiscais para as empresas, incluindo as maquiladoras. Investindo em vantagens sociais, a reforma pretende
reduzir a imigração. Trabalhadores em fábrica maquiladora de fio de aço inoxidável em Tlaxcala (México, 2013).

União Europeia

A criação de blocos econômicos com a finalidade de fortalecer e ampliar mercados nacionais já era uma
realidade na Europa desde meados do século XX. Em 1944, a Bélgica, os Países Baixos e Luxemburgo
formaram o Benelux, que tinha como objetivo eliminar as barreiras alfandegárias entre esses países.

O Mercado Comum Europeu (MCE), criado em 1957, foi o embrião da União Europeia (UE). Originada
do Tratado de Maastricht, assinado em 1992, a UE promoveu relações econômicas privilegiadas entre os
países-membros. Em 2015, o bloco reunia 28 países europeus.
Página 103

A União Europeia, além de ter estabelecido um mercado comum e políticas internas comuns, como
agrícolas e de transportes, propõe-se a gerir domínios até então considerados internos e soberanos aos
Estados europeus, como a política externa e de segurança, ou assuntos internos, como a imigração.

Diferenças na União Europeia

Em 1999, foi implantada na União Europeia a união monetária, com o estabelecimento de uma moeda
única, o euro. Nem todos os países aderiram à moeda única. Em 2015, 19 estados-membros faziam
parte da zona do euro.

ILUSTRAÇÕES: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: Ferreira, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 78.

Fonte: UNIÃO EUROPEIA. Disponível em: <http://europa.eu/about-eu/countries/index_pt.htm>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Quais são as principais economias da UE em termos de PIB e população, e quais países adotam o euro como moeda?

Alemanha, França, Reino Unido e Itália. O euro é adotado pelos seguintes países: Bélgica, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Itália, Letônia,
Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Portugal, Finlândia, Grécia, Eslovênia, Chipre, Malta, Eslováquia e Estônia.

Apesar de a consolidação desse novo eixo econômico ter propiciado efeitos positivos nas economias
europeias, ainda há muitos obstáculos para a unificação efetiva da Europa. Diferenças econômicas,
oposição de setores em diversos países e conflitos seculares impedem a formação de um verdadeiro
Estado supranacional.

Para navegar
União Europeia
http://ec.europa.eu/archives/publications/index_pt.htm
Esse site de publicações escolares integra o portal da União Europeia em língua portuguesa. Nele, há artigos e
mapas sobre a história e o funcionamento das instituições que compõem o bloco.

Bloco econômico asiático

A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) tornou-se um bloco econômico em 1993, na


Conferência de Seattle, nos Estados Unidos, englobando 21 países asiáticos, americanos e da Oceania.

O objetivo do bloco é promover o desenvolvimento da economia da região da Ásia e do Pacífico, por


meio do incremento do comércio, da cooperação econômica e da redução de barreiras alfandegárias,
estabelecendo uma zona de livre comércio. No entanto, esse bloco é formado por economias muito
distintas do ponto de vista político, econômico e cultural. Dele fazem parte o Japão e o Canadá, ao lado
de países em desenvolvimento, como o Chile e o México.
Página 104

Os Estados Unidos têm participação vantajosa nessa área de livre comércio, fornecendo produtos
industrializados e importando matéria-prima e produtos primários. A liderança cabe ao Japão, que se
recuperou dos efeitos das guerras e consegue apresentar condições socioeconômicas melhores que as
da China.

Os Tigres Asiáticos e os Novos Tigres Asiáticos também têm apresentado grande crescimento econômico
em consequência das exportações de média e alta tecnologia. Seu desenvolvimento trouxe melhoria no
nível socioeconômico da população graças a investimentos em educação, promovendo a chamada
economia do conhecimento. Segundo essa linha de pensamento, os índices econômicos positivos de um
país têm estreita relação com o desenvolvimento de setores do conhecimento (educação, pesquisa,
informática e comunicações).

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: APEC. Disponível em: <http://statistics.apec.org/>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Em quais continentes se situam os países-membros da Apec?

A Apec abrange a América do Norte, alguns países da América Central e do Sul, da Ásia e da Oceania.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Explique a diferença entre zona de livre comércio e mercado comum.


2. Apresente dois obstáculos para a unificação efetiva da Europa com base na União Europeia.

3. Qual é a composição da Apec do ponto de vista econômico?


Página 105

Diálogo interdisciplinar
O Estado enjaulado

“[...] A aprovação preliminar do Tratado Transpacífico, TPP na sigla em inglês, representa uma renúncia
sem precedentes ao poder dos Estados nacionais em favor das empresas privadas.

O acordo de comércio, patentes e direitos autorais inclui Estados Unidos, Japão, México, Canadá,
Austrália, Nova Zelândia, Malásia, Cingapura, Vietnã, Brunei, Chile e Peru, com 40% do PIB mundial e
população total de 792 milhões de habitantes.

Acertado entre representantes empresariais e de governos, agora depende das aprovações dos
Parlamentos para entrar em vigor. Nada está garantido. ‘A Nova Zelândia contestou a política do Canadá
e dos Estados Unidos para o setor de laticínios. A Austrália não gosta da condução do comércio de
açúcar pelo México e os EUA. Os americanos repelem a política de comércio de arroz do Japão. Esses
setores têm o apoio de significativos contingentes de eleitores nos seus respectivos países’, contabiliza o
Nobel de Economia Joseph Stiglitz.

As dissonâncias têm a ver com a condução do processo, à margem da sociedade. ‘O acordo foi decidido
pelas transnacionais, Wall Street e advogados. Os Estados, isto é, a sociedade será obrigada a
compensar quaisquer perdas de lucros resultantes de regulações das nações’, resume o economista
Robert Reich, da Universidade da Califórnia.

‘Qualquer empresa poderá desafiar regulações do governo, sob alegação de redução injusta dos seus
lucros, mesmo se os seus produtos forem inseguros, provocarem emissões tóxicas e prejuízos para os
trabalhadores.’ [...]

‘Há extrema preocupação com os perigos das negociações conduzidas por cinco anos sob sigilo, sem
supervisão da mídia, do público e dos Parlamentos’, diz Lori Wallach [...]. Parte da documentação foi
divulgada pelo site de denúncias WikiLeaks.

‘O texto vazado revela que o TPP expandirá o sistema de tribunais para estabelecimento de disputas
extrajudiciais investidor versus Estado. [...]’

[...] o economista John Miller [...] aponta exemplos de processos extrajudiciais hoje esporádicos que se
tornariam corriqueiros sob o tratado. A Philip Morris processou os governos da Austrália e do Uruguai
sob alegação de queda dos lucros em consequência de campanhas antitabagismo.

[...] Segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde, ‘as propostas do TPP poderão permitir a
apropriação de um grande número de patentes de medicamentos e tecnologias médicas e isso criará
mais barreiras para a produção de genéricos’.

Caso seja adotado, ‘terá grandes implicações para a saúde pública e o acesso aos medicamentos.
Interesses comerciais terão precedência sobre a proteção da saúde e o desenvolvimento humano’. [...]“

DRUMMOND, Carlos. O Estado enjaulado. Carta Capital on-line, São Paulo, out. 2015. Disponível em:<www.cartacapital.com.br/revista/871/o-
estado-enjaulado-4905.html>. Acesso em: abr. 2016.

Questões

Responda no caderno.
1. Por que o autor do texto considera que “a aprovação preliminar do Tratado Transpacífico, TPP na sigla em inglês,
representa uma renúncia sem precedentes ao poder dos Estados nacionais em favor das empresas privadas”?

2. Cite um exemplo do que pode ocorrer com o desenvolvimento humano após a aprovação do tratado.
Página 106

Brasil: fluxos de mercadorias — comércio exterior e a integração global

TERMOS E CONCEITOS
• superávit
• global trader
• Mercado Comum do Sul (Mercosul)

O Brasil, apesar do crescimento das exportações, do nível da industrialização e da grande produção de


alimentos e matérias-primas, ocupava a 22ª posição no comércio internacional, participando, em 2013,
dos fluxos comerciais globais com 1,3% do total. É possível dizer que o país ainda se encontra em uma
posição pouco vantajosa no comércio internacional.

Essa modesta porcentagem, em grande parte, é resultante da elevada participação de mercadorias de


baixo valor agregado na pauta de exportações brasileiras. Ampliar o conteúdo tecnológico das
exportações é um grande desafio para o Brasil contemporâneo.

NELSON ALMEIDA/AFP

O porto de Santos, o maior da América Latina, tem batido recordes de movimentação de cargas, com destaque para os grãos. Foi
responsável por 26,4% do comércio brasileiro entre 2014 e 2015 (SP, 2013).

Em 2014, os produtos básicos, sobretudo algumas commodities agropecuárias e minerais (minério de


ferro, petróleo bruto e soja), representavam quase a metade da pauta de exportações. O Brasil exporta
também produtos industrializados com baixa tecnologia (papel, celulose, têxteis, artigos de couro e
sapatos). Os produtos de alta intensidade tecnológica, como aviões, representam por volta de 2,5% das
exportações brasileiras.

O país tem apresentado saldo positivo no comércio exterior, por 13 anos consecutivos, entre 2001 e
2013. Esse saldo pode ser explicado pelo superávit (arrecadação maior que as despesas) nas
exportações de commodities primárias (que tiveram cotações elevadas no período citado) e de outros
produtos, compensando, desse modo, os gastos com a importação de produtos de alta intensidade
tecnológica.

O intercâmbio multidirecional

O comércio exterior brasileiro é multidirecional: as exportações e importações são estruturadas sobre


vários eixos com base no estabelecimento de diversas parcerias. Nesse sentido, o Brasil pode ser
considerado um global trader, um parceiro global, assim como a China, o Chile, o Japão e outros.
Apesar de o Brasil depender dos mercados europeu e estadunidense para expandir as exportações, o
governo brasileiro tem procurado incrementar o intercâmbio com os “países continentais”. Esse é o
caso principalmente da China, da Rússia e da Índia.

Para ler
Comércio exterior brasileiro
José Lopes Vazquez. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
Livro que aborda o comércio na economia global, a rapidez e a agilidade dos intercâmbios na era digital, a formação
de blocos regionais e a disputa pelo mercado mundial. Trata também do comércio exterior brasileiro e inclui o
Mercosul.

REPRODUÇÃO
Página 107

Durante muitos anos, os Estados Unidos foram o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2009, porém,
a China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou nosso principal parceiro comercial, mantendo-se
nessa posição. As exportações para a China são compostas basicamente de commodities, como minério
de ferro, soja e celulose. Desse país importamos veículos e tratores, eletrônicos, aparelhos
transmissores e receptores, ou seja, produtos de média alta e de alta tecnologia.

Em 2013, os 12 maiores parceiros comerciais do Brasil eram China, Estados Unidos, Argentina,
Alemanha, Países Baixos, Japão, Coreia do Sul, Itália, Nigéria, França, Índia e México. Os maiores déficits
comerciais ficaram com os Estados Unidos e a Alemanha, e o maior saldo, com a China. A África ganha
importância com a Nigéria em virtude das importações de petróleo. Na América do Sul, nosso principal
parceiro é a Argentina.

Para navegar
Ministério das Relações Exteriores
www.mre.gov.br
O site do Ministério das Relações Exteriores traz informações sobre os acordos bilaterais do Brasil e do Mercosul
com diversas regiões do mundo. Além disso, pode-se acessar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a
Organização dos Estados Americanos (OEA).

Mercosul: problemas e perspectivas

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado em 1991, por meio da assinatura do Tratado de
Assunção. Os países integrantes são Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O Chile é membro
associado ao Mercosul desde 1996; em 2003 também o Peru associou-se ao bloco; Colômbia e Equador
em 2004, seguidos por Guiana e Suriname desde 2013. A Bolívia está em processo de adesão desde
dezembro de 2012. A Argentina e o Brasil são os países com maior peso econômico no bloco. O
Mercosul conta com uma população superior a 295 milhões de habitantes (2015), representando um
grande mercado.

Inicialmente, essa região era uma área de livre comércio sem uma política comercial comum. Em 1995,
entrou em vigor a união aduaneira, com tarifas externas comuns para todos os países signatários.

O Mercosul tem promovido negociações com a União Europeia, importante parceiro comercial do bloco.
Desde 2004, o Mercosul negocia o acesso de produtos da agroindústria ao mercado europeu. No
mercado internacional, os europeus acenam com mais concessões, se comparados aos Estados Unidos
nas tratativas sobre esse mesmo tema.

ILUSTRAÇÕES: ERICSON GUILHERME LUCIANO


Fonte: MINISTÉRIO das Relações Exteriores. Disponível em:
<www.investexportbrasil.gov.br/sites/default/files/publicacoes/indicadoresEconomicos/ComExtMercosulAssociados.pdf>. p. 5.

Análise cartográfica

Qual era a participação dos três principais países importadores e exportadores do Mercosul em 2013?

Nas exportações, o Brasil participava com 38,6%, o Chile com 12,3% e a Argentina com 12,2%. No que se referia às importações, o Brasil participava
com 40,3%, o Chile com 13,4% e a Argentina com 12,3%.

Para navegar
Mercosul
www.mercosul.gov.br
O Portal Oficial do Mercosul oferece o histórico completo do organismo, documentos oficiais, publicações, notícias
e outras informações referentes a seus países-membros.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Qual é a importância do Mercosul nos planos econômicos regional e mundial?

2. Caracterize o comércio entre o Brasil e a China.


Página 108

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Observe o gráfico a seguir e compare a evolução da produção industrial dos cinco países do Brics.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: Centro de Estudos e Pesquisas — Brics. Disponível em:


<http://bricspolicycenter.org/homolog/uploads/indicadores/17/2046234270.jpg>. Acesso em: abr. 2016.

2 Em sua opinião, investimentos em educação e pesquisa em um país o tornam mais competitivo no mercado internacional?
Justifique.

3 Explique duas causas e duas consequências da crise financeira de 2008 nos Estados Unidos.

4 Nas últimas décadas do século XX consolidaram-se três grandes blocos econômicos ou megablocos liderados pelos principais
polos capitalistas. Quais são esses polos e seus megablocos?

5 Apesar de exportar principalmente commodities agropecuárias e minerais, o Brasil apresentou saldo positivo no comércio
exterior no período de 2001 a 2013. Dê duas explicações para esse resultado.

6 Classifique os seguintes produtos exportados pelo Brasil em indústria de alta tecnologia, de média alta tecnologia, de média
baixa tecnologia e produtos não industrializados.

café, derivados do petróleo, aeronáutica e aeroespacial, equipamentos elétricos, equipamentos de rádio, TV e


comunicações, veículos, derivados da madeira

Leitura cartográfica

7
FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: LES GRANDS Dossiers de Diplomatie n. 8. Géopolitique du Brésil. Paris: Areion Group, 2012.

a) Analise o mapa e explique por que o Brasil pode ser considerado um global trader.

b) Analise a legenda do mapa e cite dois países com os quais o Brasil obteve um saldo muito positivo e um muito negativo.
Página 109

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (UFMG, 2013) Há expectativas quanto ao desempenho atípico dos países emergentes na situação de crise que a economia
mundial vem enfrentando.

Esse fato, por si, já se constitui em novidade, pois essa categoria de países — os emergentes — nem sequer foi contemplada
quando, ao final da Guerra Fria, se propôs a substituição da divisão do mundo em países de primeiro, segundo e terceiro mundos
pela divisão em países centrais, semiperiféricos e periféricos.

As características demográficas das populações dos países denominados emergentes já foram interpretadas como obstáculos ao
desenvolvimento de suas economias. Hoje, essas características demográficas são consideradas vantagens em relação aos países
desenvolvidos da Europa mais duramente atingidos pela queda do poder de compra do mercado internacional.

Considerando essas informações

a) cite dois países que, como o Brasil, compõem o grupo dos emergentes. Identifique o continente em que cada um deles está
localizado.

b) responda: em que categoria de países se incluem os emergentes: centrais, semiperiféricos ou periféricos? Apresente duas
razões que justificam sua resposta.

c) cite uma característica demográfica de populações dos países emergentes que esteja se constituindo em vantagem para os
mesmos. Explique como se dá o impacto dessa característica sobre a economia.

2 (Uece, 2014) Produtos de base, em estado bruto, considerados como matéria-prima, provenientes de cultivo ou extração são
conhecidos como

a) bens duráveis.

b) bens estratégicos.

c) commodities.

d) recursos energéticos.

3 (Enem, 2010) “O G-20 é o grupo que reúne os países do G-7, os mais industrializados do mundo (EUA, Japão,
Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), a União Europeia e os principais emergentes (Brasil, Rússia, Índia,
China, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia). Esse grupo de
países vem ganhando força nos fóruns internacionais de decisão e consulta.”

ALLAN, R. Crise global. Disponível em: <http://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br>. Acesso em: jul. 2010.

Entre os países emergentes que formam o G-20, estão os chamados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), termo criado em 2001 para
referir-se aos países que

a) apresentam características econômicas promissoras para as próximas décadas.

b) possuem base tecnológica mais elevada.

c) apresentam índices de igualdade social e econômica mais acentuados.

d) apresentam diversidade ambiental suficiente para impulsionar a economia global.

e) possuem similaridades culturais capazes de alavancar a economia mundial.


4 (Enem, 2014)

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Na imagem, é ressaltado, em tom mais escuro, um grupo de países que na atualidade possuem características político-econômicas
comuns, no sentido de

a) adotarem o liberalismo político na dinâmica dos seus setores públicos.

b) constituírem modelos de ações decisórias vinculadas à social-democracia.

c) instituírem fóruns de discussão sobre intercâmbio multilateral de economias emergentes.

d) promoverem a integração representativa dos diversos povos integrantes de seus territórios.

e) apresentarem uma frente de desalinhamento político aos polos dominantes do sistema-mundo.

5 (UFJF, 2013) Leia o texto a seguir.

“Uma organização internacional criada para promover a estabilidade monetária e financeira no mundo, oferece
empréstimos a juros baixos para países em dificuldades financeiras. Em troca, exige desses países que se
comprometam na perseguição de metas macroeconômicas, como equilíbrio fiscal, reforma tributária,
desregulamentação, privatização e concentração de gastos públicos em educação, saúde e infraestrutura.”

Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/organizacoes-internacionais-conheca-as-principais-instituicoesmultilaterais.htm>.


Acesso em: 23 out. 2012 (adaptado).

Essa organização foi criada em 1944, atualmente tem mais de 180 países-membros e tem como sigla:

a) ONU.

b) OEA.

c) FMI.

d) Bird.

e) Otan.

6 (Uece, 2014) O Mercosul tem um importante papel no contexto econômico e político latino-americano. Recentemente, o
Paraguai, um dos países que compõem este bloco econômico, teve a sua atuação suspensa. Dentre as causas que levaram a esta
suspensão está

a) a cassação do então presidente Fernando Lugo, pelo senado paraguaio.

b) o descumprimento do acordo de importação e exportação firmado com os demais países do Mercosul.

c) a falta de fiscalização dos produtos paraguaios nas zonas de fronteira dos países do Mercosul.

d) a ausência das autoridades paraguaias nas duas últimas reuniões com os chefes de Estado dos países que compõem o
Mercosul.
Página 110

CAPÍTULO 6 Desigualdade e exclusão social


O descompasso entre a produção da riqueza e sua distribuição é muito antigo, mas, com o
desenvolvimento do capitalismo, a concentração econômica ganhou novas formas e acentuou ainda
mais as desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres. Os problemas gerados pela desigualdade
podem ser analisados em diferentes escalas: na escala planetária, entre os diversos países; na escala
nacional, entre diferentes regiões; e também na escala local, entre o campo e a cidade ou entre bairros
e comunidades.

Pobreza e desenvolvimento humano

Apesar das desigualdades social e econômica crescentes, vivemos em uma sociedade em que a consciência
dos direitos humanos tornou-se cada vez mais forte. Por isso, é impossível falar em desenvolvimento sem
levar em conta a superação das condições de pobreza geradas pelo crescimento econômico e o respeito às
diferenças étnicas, culturais e de gênero.

Fronteira da pobreza e da exclusão

A distribuição de renda é um fator importante na diminuição da desigualdade, mas a pobreza gerada pelo
capitalismo atual é estrutural, o que exige compreender as múltiplas facetas da exclusão daqueles que
ficaram à margem dos ganhos de bem-estar gerados pelo crescimento econômico. Identificar as condições de
pobreza nas diferentes regiões e encontrar formas de superá-las é um grande desafio.

Pobreza e exclusão social no Brasil

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Apesar dos enormes avanços nas políticas públicas de
inclusão social e distribuição de renda, as distâncias sociais e culturais entre os mais ricos e os mais pobres
ainda são imensas, o que pode ser observado não só comparando as regiões do país, mas também entre as
Unidades da Federação de uma mesma região ou mesmo no interior das cidades.

ENEM
C2: H7, H8, H9, H15
CORBIS CORPORATION/FOTOARENA

Milhares de mulheres fazem marcha contra a discriminação e a violência no Dia Internacional da Mulher, em Ancara (Turquia,
2015).
Página 111

ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fonte: UNITED Nations Women. Progress of the world´s women 2015-2016. p. 29.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: SCIENCES PO. Atelier de Cartographie. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/fr/participa-o-das-mulheres-


nosparlamentos-2011>. Acesso em: abr. 2016.

1. Apesar de as mulheres constituírem um pouco mais da metade da população mundial, a participação delas na
atividade política ainda é muito desigual em relação aos homens. Analise a fotografia e o mapa e depois responda
às questões.

a) A proporção de mulheres na representação política é um bom indicador de desigualdade social de gênero, o que tem gerado
manifestações no mundo inteiro. Explique por quê.

As mulheres representam mais da metade da população mundial e, na média mundial, não chegam nem a 20% dos parlamentares em atividade. Essa
situação revela uma condição de desigualdade social decorrente da diferença de gênero, o que é considerado discriminação contra as mulheres.

b) Cite três países nos quais as mulheres representam mais de 50% dos políticos em atividade no Parlamento.
Sugestões de resposta: Canadá, Argentina, Bolívia, Equador, África do Sul, Angola, Moçambique, Sudão, Austrália, Nova Zelândia, Espanha,
Alemanha, Noruega, Finlândia e Suécia.

c) Analise a situação do Brasil em relação à participação das mulheres na política.

O Brasil situa-se no grupo de menor participação política das mulheres (até 10% dos parlamentares).

2. De acordo com o gráfico desta página, entre os direitos humanos, quais são as garantias legais mais difíceis de
serem conquistadas pelas mulheres?

De acordo com o gráfico, a maior dificuldade está nas leis contra a violência doméstica.
Página 112

Pobreza e desenvolvimento humano

TERMOS E CONCEITOS
• pobreza
• exclusão social
• Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
• desigualdade de gênero

Medida da desigualdade

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é considerada um marco histórico. Proclamada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas (Agnu), realizada em Paris, em 10 de dezembro de 1948,
representa o compromisso com a universalidade dos direitos de todos os povos e seres humanos à
existência, à vida, à integridade física e moral da pessoa e à não discriminação étnica ou de gênero.

Apesar de ser o documento com o maior número de traduções no mundo (mais de 400 línguas) e ter se
transformado na principal referência de diversas convenções e tratados internacionais, houve pouca
mudança quanto à desigualdade de condições de vida entre os seres humanos. Pelo contrário, inúmeras
formas de discriminação e desigualdade ainda persistem e se tornaram ainda mais acentuadas,
contrastando com os princípios dos direitos humanos estabelecidos há mais de sessenta anos, como é o
caso da extrema concentração da riqueza e da permanente pobreza da maioria da população.

Um grande desafio tem sido encontrar maneiras de mensurar a pobreza e a exclusão social. Pobreza e
exclusão expressam ideias diferentes. Sucintamente, a pobreza pode ser definida pela falta de satisfação
das necessidades consideradas mínimas para se ter uma vida digna e adequada na sociedade em que se
vive. Geralmente, a pobreza se expressa pela insuficiência de renda dos indivíduos, mas é determinada
também pela falta de condições básicas (saúde, habitação, educação etc.). Ou seja: os limites da
pobreza não são os mesmos em todo o mundo, podendo haver uma defasagem muito grande de
situações entre os países. Uma pessoa considerada “pobre” na Alemanha dificilmente seria assim vista
nos países da África Subsaariana, por exemplo.

A exclusão social, originalmente, não está associada à ideia de pobreza. Trata-se de um termo que
surgiu na luta de grupos sociais da sociedade francesa contra a injustiça social ou a falta de igualdade
plena de direitos. Entre esses grupos sociais, destacam-se, por exemplo, os imigrantes africanos e os
praticantes de outras religiões, como os muçulmanos, que souberam pautar no debate político da
França, desde a década de 1970, suas reivindicações por maior inclusão social. Por causa da importância
da representação francesa nas comissões temáticas da União Europeia, a questão da exclusão social se
espalhou pela Europa e ganhou força nos organismos internacionais.

No entanto, as medidas de desigualdade na distribuição da riqueza sempre foram os indicadores mais


utilizados para a comparação entre os países.

O Produto Interno Bruto (PIB) é um dos mais tradicionais indicadores de comparação do desempenho
da economia nacional. Para calculá-lo, são considerados os bens produzidos dentro das fronteiras
nacionais (produtos agrícolas, minérios, eletrodomésticos, automóveis etc.), além das atividades
comerciais e de serviços. Por sua vez, o Produto Nacional Bruto (PNB) leva em consideração também os
rendimentos recebidos e os enviados ao exterior. Atualmente, muitos países recebem grandes remessas
de dinheiro do exterior em forma de ajuda internacional ou por meio de pessoas que vivem em outros
países e enviam dinheiro às famílias de origem, ou ainda de empresas localizadas no exterior, tornando
o PNB mais significativo que o PIB.
Página 113

LUIZ RUBIO

Fonte: WORLD BANK. Disponível em:


<http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.CD/countries/1W?order=wbapi_data_value_2014%20wbapi_data_value%20
wbapi_data_valuelast&sort=asc&display=default>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Analise o gráfico e verifique a relação de proporcionalidade entre os PIBs dos países.

Espera-se que os alunos reconheçam a hierarquia dos países dentro da economia mundial, conforme seu PIB, em ordem decrescente: Estados
Unidos, China e Japão.

O Produto Nacional Bruto, porém, é insuficiente para medir a desigualdade entre os países. Por
exemplo, o PNB da China, que tem mais de 1,3 bilhão de habitantes (dados de 2016), é pouco mais de
duas vezes o PNB do Japão, cuja população é de 127 milhões. Evidentemente, a riqueza social
proporcionada pela economia japonesa é muito maior que a proporcionada pela economia chinesa.

Por causa dessa dificuldade, o PNB dos países passou a ser dividido pela população, e foi estabelecido
como base de comparação da desigualdade mundial o PNB per capita. Essa operação revela distâncias
imensas entre os países. Usando os mesmos países como exemplo, o PNB per capita da China gira em
torno de 7,4 mil dólares, enquanto o do Japão é de quase 42 mil dólares.

Como o PNB per capita representa uma média, isto é, a parcela ideal da renda nacional para cada
habitante está muito longe de representar a parcela real da renda dos habitantes de um país. Grande
parte da riqueza nacional encontra-se na forma de capital das corporações financeiras e industriais e de
infraestruturas públicas.

Com o objetivo de ampliar a visão do desenvolvimento humano, além da dimensão econômica, a ONU
passou a adotar desde 1993 o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), baseado no cálculo conjunto
do PIB per capita, nível de instrução e expectativa de vida.

Outros índices

Nos últimos anos, a maioria dos países apresentou avanços no desenvolvimento humano: aumento na
expectativa de vida, melhorias na saúde, mais instrução e maior acesso a bens e serviços. No entanto, as
desigualdades têm aumentado, dentro de um mesmo país e entre os países. Por esse motivo, tornou-se
muito importante a inclusão no IDH de novas medidas que registram as diferenças entre gêneros e a
desigualdade multidimensional.

O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) identifica as privações sobrepostas nas áreas da saúde e
da educação e no padrão de vida. Um país é considerado multidimensionalmente pobre se mais de
33,3% da sua população sofre privações, ao mesmo tempo, de saúde, educação e renda. Os países com
privações entre 20% e 33,29% estão vulneráveis, ou em risco de também se tornarem
multidimensionalmente pobres. A ONU calculou, com base no Relatório do desenvolvimento humano de
2014, que mais de 15% da população mundial vive em situação de pobreza multidimensional.
Página 114

O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) é uma medida que registra as disparidades entre gêneros.
Segundo a ONU, apesar dos progressos, as mulheres ainda sofrem discriminação na educação, no
emprego e na participação política. A participação das mulheres nas decisões políticas fica abaixo da dos
homens em todos os países, em especial na África Subsaariana, no sul da Ásia e nos países árabes. Mas a
saúde reprodutiva é um fator de grande contribuição para a desigualdade de gênero. Serviços básicos
de saúde reprodutiva (assistência competente no parto, pré-natal, nutrição adequada) ainda não estão
ao alcance de todas as mulheres, tornando a mortalidade materna elevada em muitos países. Gravidez
arriscada e precoce traz grandes riscos para a saúde e pode restringir a qualificação e a colocação das
jovens mães no mercado de trabalho.

Transversalidades

Cidadania

O Movimento ElesPorElas (HeForShe)


Criado pela ONU Mulheres em 20 de setembro de 2014, a entidade das Nações Unidas para a igualdade
de gênero e o empoderamento das mulheres, o movimento ElesPorElas (HeForShe, da denominação em
inglês) é um esforço global para envolver homens e meninos na remoção das barreiras sociais e culturais
que impedem as mulheres de atingir seu potencial, bem como ajudar homens e mulheres a modelar
juntos uma nova sociedade. O texto a seguir traz os objetivos e as estratégias principais do movimento.

“[…]

Objetivo – O movimento ElesPorElas (HeForShe) tem como objetivo engajar homens e meninos para
novas relações de gênero sem atitudes e comportamentos machistas. Para a ONU Mulheres, a voz dos
homens é poderosa para difundir para o mundo inteiro que a igualdade para todas as mulheres e
meninas é uma causa de toda a humanidade.

Nesse sentido, ElesPorElas quer ampliar o diálogo sobre os direitos das mulheres e acelerar os
progressos para alcançar a igualdade de gênero. Isto será obtido através de uma reformulação da
igualdade de gênero, fazendo que esta deixe de ser uma questão das mulheres para se tornar uma
questão que exige a participação de homens e mulheres, beneficiando toda a sociedade nos âmbitos
social, político e econômico.

Estratégia global – O movimento ElesPorElas está organizado nos seguintes princípios:

Atenção: educação, sensibilização e conscientização

Homens que se identifiquem com as questões da igualdade de gênero, reconhecendo o papel


fundamental que eles podem desempenhar para acabar com a desigualdade enfrentada por mulheres e
meninas em todo o mundo, em suas próprias vidas e também em níveis mais estruturais em suas
comunidades.

Argumentação: impacto através de políticas e planejamento

Apoia a agenda de políticas e planejamento da ONU Mulheres, envolvendo homens e meninos na


realização de seus objetivos estratégicos: Empoderamento Econômico das Mulheres; Fim da Violência
Contra as Mulheres; Governança e Liderança; e Paz e Segurança.
Ação: captação de recursos e outras ações

Diretrizes de implementação abrangentes, possibilitando a mobilização social de indivíduos, governos,


ONGs, agências das Nações Unidas, universidades e empresas. O programa-piloto ‘Impacto 10×10×10’ é
uma proposta para o envolvimento de governos, empresas e universidade.”

ONU Mulheres. Disponível em: <http://www.onumulheres.org.br/elesporelas/>. Acesso em: abr. 2016.

Questões

Responda no caderno.

1. Por que a ONU criou o movimento ElesPorElas?

2. Quais ações você considera mais importantes e viáveis de serem realizadas na escola onde você estuda
para promover a igualdade de gênero?
Página 115

Desenvolvimento humano

Elaborado pelo economista paquistanês Mahbud Ul Haq, com a colaboração do economista indiano
Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) teve por base um conceito ampliado de
desenvolvimento humano, considerando a satisfação de necessidades básicas de educação, saúde e
renda como garantia de as pessoas viverem com autonomia.

O IDH era construído com base em três grandes indicadores: a expectativa de vida ao nascer (duração
média da vida, em anos); o nível de instrução, representado pela taxa de alfabetização e pela taxa de
matrícula; e o PIB per capita. Os resultados dos três indicadores recebem pesos iguais por terem a
mesma importância, formando um índice que varia de 0 a 1, de forma que, quanto mais próximo do
valor máximo, maior é o desenvolvimento humano. Entretanto, a composição desses indicadores, por
ser uma média, não revelava aspectos fundamentais das imensas desigualdades de desenvolvimento
humano existentes no interior de um mesmo país. Nesse sentido, o IDH podia ser visto como um índice
potencial, passível de ser alcançado se não existissem desigualdades.

Para corrigir as imperfeições do IDH, a partir de 2010 foram introduzidas três novas medidas que
passaram a registrar as disparidades de gênero (Índice de Desigualdade de Gênero), as privações no
nível individual quanto à educação, à saúde e ao padrão de vida (Índice de Pobreza Multidimensional) e
as desigualdades multidimensionais (IDH Ajustado às Desigualdades ou IDHAD). Esta última medida
leva em conta as desigualdades nas três dimensões básicas do desenvolvimento humano consideradas
no IDH.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: PNUD. Human development report 2014. Sustaining human progress: reducing vulnerabilities and building resilience. Nova
York: Pnud, 2014. p. 220-223.

Análise cartográfica

Em quais continentes há predomínio de países com IDH muito elevado e com IDH baixo?
No continente europeu, há o predomínio de países com IDH muito elevado. Em contrapartida, o continente africano abriga a maior parte dos países
com IDH baixo.
Página 116

Expectativa de vida

A expectativa de vida é um dos principais indicadores que revelam as condições de vida de uma
população. As pessoas que se alimentam de maneira saudável, vivem em regiões dotadas de condições
sanitárias adequadas e com acesso a um serviço médico de boa qualidade têm chances muito maiores
de ter uma vida longa.

FOTO24/GALLO IMAGES/GETTY IMAGES

A mais alta expectativa de vida do mundo é a do Japão. Em 2014, a expectativa de vida das mulheres japonesas ficou em 86,7 anos
e a dos homens, em 80,2 anos. Na foto, grupo de idosos em aula de percussão na província de Miyagi (Japão, 2012).

Desde a Segunda Guerra Mundial, a expectativa de vida vem aumentando em quase todo o mundo,
principalmente devido aos avanços no campo da medicina preventiva e das condições sanitárias nos
países em desenvolvimento. A média mundial de longevidade saltou de 59,9 anos para 69,8 anos entre
1970 e 2011.

Mortalidade infantil

A expectativa de vida é tributária do nível de mortalidade infantil: em países como Congo, Chade e
Serra Leoa — onde, em cada mil nascimentos, mais de 190 crianças morreram em 2013 antes de
completar 5 anos de idade, de acordo com Relatório Anual 2014 do Banco Mundial —, é
estatisticamente impossível que a expectativa de vida seja elevada. Embora a mortalidade infantil
apresente uma regressão constante desde meados do século XX, ainda se encontram exemplos de taxas
altíssimas, especialmente na África Subsaariana.

A mortalidade infantil precoce (crianças com menos de sete dias) e a neonatal (de sete dias a um mês)
estão associadas a problemas de formação congênita e complicações no parto. Por isso, a melhoria das
condições hospitalares produz uma diminuição acentuada dos índices. No conjunto dos países
desenvolvidos, a cada mil crianças que nascem vivas, apenas seis morrem antes de completar 1 ano.

No caso da mortalidade pós-neonatal (um a doze meses), as causas residem na disseminação de


doenças em grupos sociais atingidos pela subalimentação e pela insalubridade. Por isso, a mortalidade
infantil é um indicador muito sensível dos níveis de vida da população.
Página 117

Redução nas taxas de mortalidade

Globalmente houve redução significativa nas taxas de mortalidade infantil. O número anual de mortes
de crianças com menos de 5 anos caiu de estimados 12,6 milhões em 1990 para aproximadamente 6,3
milhões em 2013, segundo a ONU. Isso não significa, no entanto, que esses índices não sejam altos em
determinadas regiões do mundo, como na África Subsaariana e no sul da Ásia.

ERICSON GUILHERME LUCIANO

Fonte: UNICEF. Committing to child survival: a promise renewed progress report 2014. Nova York: Unicef, 2014. p. 13.

As diferenças entre as menores e as maiores taxas de mortalidade infantil (abaixo dos 5 anos) no mundo
são enormes. As taxas da Irlanda e da Finlândia estão entre as menores do mundo, 3 e 4 por mil,
respectivamente; as maiores estão em Angola (167 por mil) e Serra Leoa (161 por mil).

Essas diferenças nas taxas de mortalidade infantil entre países também ocorrem com crianças menores.
O óbito infantil antes de elas completarem 1 ano expressa as condições socioeconômicas e de
infraestrutura do lugar onde as famílias residem. Por sua vez, a mortalidade de recém-nascidos, avaliada
pelo número de óbitos de bebês de zero a seis dias de vida (taxa de mortalidade neonatal precoce),
reflete a baixa qualidade da assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido.

LUIZ RUBIO
Fonte: UNICEF. Committing to child survival: a promise renewed progress report 2014. Nova York: Unicef, 2014. p. 98.
Página 118

Nível de instrução

As alarmantes taxas de analfabetismo ainda vigentes em muitos países refletem a grave situação de
exclusão cultural, social e econômica que atinge grande parte de suas populações. De acordo com as
estatísticas da Unesco, ainda existem cerca de 750 milhões de adultos analfabetos no mundo. Estima-se
que cerca de 60 milhões de crianças estavam fora da escola primária em 2013, concentradas na África
Subsaariana e no Sul da Ásia. Esse é o caso de Níger, onde apenas 19,2% dos adultos são alfabetizados, e
também de Burkina Fasso (36%), Benin (38%), Chade (40%) e de vários outros países da África
Subsaariana.

Para o cálculo da taxa de escolarização, considera-se a porcentagem de crianças e jovens em idade


escolar que estejam efetivamente matriculados em um dos três níveis de ensino, ainda que seja dado
maior peso ao ensino fundamental. Também nesse caso existem grandes diferenças mundiais.

Nos países desenvolvidos, a taxa de matrícula no ensino fundamental equivale a quase 100% das
crianças na faixa etária correspondente, e a porcentagem de matrículas no ensino médio é superior a
90% na maioria deles. Esses números indicam que as populações desses países estão mais bem
preparadas para o mercado de trabalho, para o exercício de profissões de melhor remuneração e,
sobretudo, para a participação na vida política e cultural.

O número de crianças que frequenta o ensino fundamental tem aumentado, constituindo grande êxito
dos últimos anos em todas as regiões do mundo. Entretanto, a situação é ainda precária nos países de
IDH baixo, onde aproximadamente três em cada dez crianças não estão matriculadas no ensino
fundamental.

CEM GENCO/ANADOLU AGENCY/GETTY IMAGES

O ensino fundamental de um país também pode ser avaliado pelas condições que oferecem para o trabalho dos alunos e
professores. Em alguns países, ainda é frequente a falta de material e mobiliário escolar adequado para os estudos. Na foto,
alunos usam pedaços de madeira para escrever, em Nairóbi (Quênia, 2014).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Os índices mais baixos de IDH estão localizados em que parte do mundo?


2. Por que a taxa de mortalidade infantil é um indicador do nível de desenvolvimento humano de um país?
Página 119

Fronteira da pobreza e da exclusão

TERMOS E CONCEITOS
• linha de pobreza
• linha nacional de pobreza

O IDH fornece uma medida bastante sensível das condições de vida nos países pesquisados e ajuda a
identificar as regiões mais carentes do globo. Para medir a incidência de pobreza no interior dos
diversos países e regiões do mundo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
utiliza o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM). Mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem em
estado de pobreza multidimensional, excedendo a estimativa de 1 bilhão de pessoas que vivem com o
máximo de 1,25 dólar por dia, a maioria na África: Níger (65%), Chade (62,7%), Sudão do Sul (61,7%),
Guiné-Bissau (61,6%) e Somália (61,1%). A maior população, no entanto, em termos absolutos, está no
sul da Ásia, somando mais de 650 milhões de pessoas.

STUART KELLY/ALAMY/LATINSTOCK

Na Índia, quase 500 milhões de pessoas vivem em estado de pobreza multidimensional, ou seja, com 1,25 dólar por dia. Isso
representa quase metade de sua população de 1,2 bilhão de habitantes. Na foto, população sem-teto vive em barracas ao longo
de linha de trem em Mumbai (Índia, 2012).

Privações ambientais

Além das tradicionais dimensões utilizadas para obter o IPM (saúde, educação e padrão de vida), o Pnud
passou a considerar, a partir de 2010, as privações ambientais, que englobam a falta de saneamento, de
água potável e de combustível melhorado para cozinhar. A disponibilidade desse combustível é muito
importante, podendo reduzir a pobreza e a degradação ambiental, além de aumentar a produtividade.
Por exemplo, em muitos países, a substituição da lenha por gás ou eletricidade para cozinhar diminuiu
as pressões ambientais. Além da redução dos problemas respiratórios, o tempo gasto para apanhar a
lenha pode ser utilizado para trabalhar e estudar, até mesmo à noite.

A falta de saneamento e de água potável prejudica as condições de vida. Dados de 2013 da ONU
indicam que, nos países de IDH baixo, 884 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável
e mais de 2,6 bilhões não dispõem de instalações sanitárias adequadas. As consequências para a saúde
são inevitáveis: cerca de 2 milhões de mortes de crianças até os 5 anos são atribuídas a doenças
relacionadas a essas privações, como a diarreia. Apenas considerando o saneamento e o acesso à água
potável, poderiam ser salvos 2,2 milhões de crianças por ano, ou cerca de 5.500 por dia. A subnutrição
também torna a saúde das crianças mais vulnerável e dificulta a recuperação em caso de doenças, além
de prejudicar o desempenho escolar e limitar as oportunidades de colocação no mercado de trabalho e
de um futuro melhor.
Página 120

MAMUNUR RASHID/ALAMY/LATINSTOCK

A falta de saneamento básico é causa direta de muitas doenças, como diarreia, cólera, tifo, entre outras. As condições de vida na
favela de Agargaon, em Dacca, são precárias, expondo principalmente a saúde de crianças (Bangladesh, 2015).

O Pnud sugere uma linha de pobreza cuja medida internacional é a porcentagem da população que vive
com menos de 1,25 dólar por dia. Estabelece, também, a linha nacional de pobreza, ajustada a
determinado país pelas autoridades.

Concentrações demográficas da Ásia

Na Ásia, a miséria e as precárias condições de vida andam lado a lado, com elevada pressão demográfica
sobre as terras cultiváveis. As planícies do Indo (no Paquistão), do Ganges e do Brahmaputra (na Índia e
em Bangladesh), do Mekong (na península da Indochina), do Sikiang, Yang-Tsé e Hoang-Ho (na China) e
ainda as ilhas de Java (na Indonésia) e de Luzon (nas Filipinas) formam as áreas de mais elevadas
densidades populacionais no meio rural do planeta.

A base produtiva dessas regiões repousa há séculos no cultivo do arroz, realizado pouco depois do início
das chuvas intensas do verão. Trata-se de uma agricultura de trabalho intensivo, ou seja, baseada na
grande utilização de força de trabalho e insignificante aplicação de capital. O regime climático, com a
rígida divisão entre a estação das chuvas e a estação da seca, é responsável pela sazonalidade muito
pronunciada do trabalho agrícola. Entre fevereiro e maio, quase não há trabalho para realizar nas
plantações. A partir de junho, a força de trabalho é empregada intensivamente no plantio, nos tratos na
cultura e na colheita de arroz.
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 71.

Análise cartográfica

Quais são os países da Ásia que apresentam as densidades demográficas mais elevadas?

China, Índia e Paquistão.


Página 121

Pobreza na Ásia

Na Ásia, as grandes concentrações de pobreza estendem-se por um meio geográfico mais ou menos
homogêneo, em terras úmidas e quentes, superpovoadas e dominadas pelo cultivo secular do arroz.

Agricultura de jardinagem

Nessas planícies e vales dominados pelo cultivo de subsistência, com altas densidades de população
rural, há um excessivo parcelamento da terra, isto é, uma estrutura de propriedades muito pequenas, as
quais ocupam os estoques disponíveis de solo. A enorme população rural precisa sobreviver,
exclusivamente, com os rendimentos agrícolas proporcionados pela quantidade limitada de terras
disponíveis.

O crescimento da população rural foi acompanhado pela expansão insuficiente da produção agrícola,
reproduzindo e agravando o ciclo de pobreza ancestral.

Sul da Ásia

Desde a década de 1970, o desenvolvimento econômico tem assumido ritmos divergentes no


continente asiático. A Ásia Meridional permaneceu uma das regiões mais pobres e menos urbanizadas
do mundo, com cerca de 68% da população vivendo na zona rural. Grande parte da população sobrevive
com menos de 1,25 dólar por dia no Nepal (55,1%), em Bangladesh (49,6%) e na Índia (41,6%). Cerca de
44% da população do Paquistão não é alfabetizada, e o Afeganistão é o país com menor IDH de todo o
continente.

DUY DO/SHUTTERSTOCK
Uso intensivo de mão de obra em cultivo de flores em Tien Giang (Vietnã, 2015).
Página 122

Situado no delta do rio Ganges, Bangladesh tem mais de 150 milhões de habitantes e é um dos países
mais povoados do mundo, com mais de 900 habitantes por quilômetro quadrado. Cerca de 75% da
população vive na zona rural. A maior parte depende exclusivamente do cultivo de arroz, e o número de
camponeses sem terra não para de aumentar — calcula-se que existam mais de 40 milhões deles no
país. A subnutrição ainda prevalece, atingindo 18% da população. Aproximadamente 56% da população
adulta é analfabeta.

Sudeste da Ásia

A Ásia Oriental, por sua vez, experimentou uma trajetória de ruptura da situação de pobreza secular. No
conjunto da região, o PIB per capita quintuplicou entre 1975 e 2000, e a porcentagem de pessoas que
vivem com menos de 1 dólar por dia foi reduzida a menos de 15%.

Inseridos cada vez mais na produção global, estão Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Vietnã. O
avanço industrial nesses países tomou o lugar das velhas plantations como foco da economia e das
exportações. A agricultura, desde então, tem passado por uma diversificação e mecanização cada vez
maiores. Os níveis de vida da população têm melhorado lentamente, apesar da permanência de imensas
áreas de pobreza em países como Laos e Camboja.

Na China, que abriga mais de 70% da população da região, o notável crescimento econômico das últimas
décadas, a queda rápida do crescimento vegetativo e os importantes progressos na mecanização
agrícola coincidiram com investimentos elevados na saúde pública, no saneamento e na educação, o
que resultou numa notável evolução do IDH do país.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: ONU/PNUD. Relatório do desenvolvimento humano de 2010. A verdadeira riqueza das nações: vias para o
desenvolvimento humano. Nova York: Pnud, 2010. p. 157.
MOHAMMAD ASAD/PACIFIC PRESS/LIGHTROCKET/GETTY IMAGES

Em período de chuva de monções, os moradores da capital Dacca convivem com os alagamentos frequentes das ruas (Bangladesh,
2014).
Página 123

Problemas africanos

Na África Subsaariana, as grandes concentrações de pobreza localizam-se desde as terras semiáridas do


Sahel até as terras tropicais e equatoriais que se estendem do golfo da Guiné ao leste do continente. As
causas da pobreza também são bastante diversificadas.

O IDH sintetiza os problemas de desenvolvimento humano que assolam a África Subsaariana. Entre os
28 países com pior IDH, 27 estão situados nesse continente, a expectativa de vida é em média de 54,4
anos e quase 40% da população adulta é analfabeta. Além disso, cerca de 26% dos subnutridos crônicos
do mundo vivem ao sul do Saara.

Sahel e Magreb: degradação ambiental e miséria

Sahel significa “orla”, em árabe. Trata-se da faixa de terras semiáridas que emoldura o sul do Saara,
desde o Senegal e a Mauritânia, a oeste, até o Chade, a leste.

O modo de vida tradicional do Sahel consistiu, durante séculos, numa adaptação precária às duras
condições do meio. O nomadismo pastoril consistia na transferência sazonal dos rebanhos pouco
numerosos para os lugares onde a chuva era abundante e o pasto crescia. Os agricultores praticavam a
rotação de terra, de forma a permitir a recomposição dos solos após a colheita.

Rotação de terra: forma de cultivo utilizada para evitar o esgotamento do solo. A parcela da terra cultivada fica em pousio
(descanso) no ano seguinte.

A região noroeste da África, que abrange Marrocos, Saara Ocidental, Argélia e Tunísia, é conhecida
como Magreb, o que significa em árabe “lugar onde o Sol se põe”. A identidade cultural desses povos
vem dos antepassados berberes que povoaram a região. Grande parte do território desses países situa-
se no deserto do Saara.

JOE PENNEY/REUTERS/LATINSTOCK

O pastoreio sobrevive no Sahel, apesar das condições adversas aumentarem. Na foto, animais para serem vendidos em mercado
de rua em Nyamei (Níger, 2013).

Análise de imagem

Qual é a mais importante consequência ambiental do pastoreio intensivo no Sahel africano?

A possibilidade do avanço da desertificação.


ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: GALLIMARD. L’atlas Gallimard Jeunesse. Paris: Gallimard Jeunesse, 2002. p. 122-123.

FRANCESCO FIONDELLA/ALAMY/LATINSTOCK

Agricultor prepara o solo para a semeadura de milho em Diouna (Mali, 2012).


Página 124

Desertificação

A economia do Sahel passou a enfrentar uma crise causada pelo avanço do deserto, onde as terras
áridas são sensíveis, com pouca capacidade de adaptação à agricultura. Na África Subsaariana, 22% da
população vive em terras degradadas.

As causas desse processo são essencialmente sociais e políticas: a pressão demográfica e a exploração
das terras férteis sem os devidos cuidados converteram terras aráveis em desertos. O avanço da
desertificação restringiu as migrações dos nômades, que optaram, em sua maioria, por estabilizar os
rebanhos, expondo os solos à pastagem excessiva. O parcelamento da propriedade da terra dos
agricultores ocasionou a substituição da rotação tradicional de cultivos pela monocultura. Os períodos
de pousio foram reduzidos, e não há recomposição da fertilidade original das terras.

Nessas condições, as secas excepcionais de 1972 a 1974 tiveram consequências muito mais trágicas do
que em períodos anteriores igualmente secos. Os pastores do norte migraram para o sul, invadindo as
terras de culturas. Os agricultores do semiárido moveram-se na direção das savanas à medida que suas
colheitas fracassavam. Os velhos laços econômicos que sustentavam a economia pastoril e camponesa
se romperam. A fome devastou toda a região. A ajuda alimentar internacional impediu um desastre
maior, mas não tocou nas causas profundas da tragédia.

As migrações continuaram nas décadas seguintes. Milhares de pessoas deixaram seus países, rumo às
plantações tropicais do golfo da Guiné ou às plataformas petrolíferas do golfo Pérsico. O antigo universo
social e econômico do Sahel entrou em profunda crise.

DEAGOSTINI/GETTY IMAGES

Os efeitos da crescente escassez de água podem ser observados na vegetação do Sahel (2014).
Página 125

Herança colonial

Na maioria dos países da África Subsaariana, porém, a pobreza é também uma herança do colonialismo
europeu, que partilhou a África, fazendo desse continente uma sucessão de colônias de países europeus
que se industrializavam rapidamente. Desde o final do século XIX, a ocupação progressiva das melhores
terras para o cultivo de produtos tropicais de exportação em sistema de plantation provocou a
desestruturação da economia ancestral, tribal e de autoconsumo, que mantinha a população nativa nos
limites estritos da subsistência. Submetidas às demandas do mercado internacional, vastas regiões na
África Subsaariana transformaram-se em centros exportadores de minérios ou de produtos agrícolas
tropicais e importadores de alimentos.

Autoconsumo: produção organizada para o consumo dos próprios produtores. Nesse caso, os produtos são comercializados
apenas quando há excedentes.

No plano econômico, a economia exportadora passou a competir com a economia tribal de subsistência,
apropriando-se das terras férteis e úmidas e de parcelas crescentes da força de trabalho adulta. No
lugar da produção de alimentos para o autoconsumo, os camponeses passaram a produzir cacau,
amendoim, café ou algodão para o consumo dos países desenvolvidos. Tornando-se empregados das
plantações exportadoras, passaram a depender dos salários em dinheiro para adquirir no mercado os
gêneros de subsistência.

SIA KAMBOU/AFP

O Centro Mundial Agroflorestal na região de Bondoukou procura desenvolver uma produção de cacau de forma diferenciada,
disseminando o conhecimento e fortalecendo a capacidade da comunidade local para produzir e comercializar o cacau com
autonomia (Soubré, Costa do Marfim, 2014).

No plano espacial, a implantação da economia de mercado gerou migrações temporárias das áreas
ainda dominadas pela subsistência tribal para as áreas de agricultura exportadora, especialmente nos
períodos de colheita, quando cresce a demanda por trabalho. No plano social, a unidade dos sistemas
familiares e das linhagens de parentesco das velhas tribos vergou sob o peso das migrações e do
assalariamento de parte da população. A introdução das religiões europeias (o protestantismo, na África
britânica e holandesa, e o catolicismo, na África francesa, belga e portuguesa) e dos métodos europeus
de educação escolar desorganizou os sistemas de crenças, mitos e valores culturais tradicionais.
Página 126

Causas da pobreza e da privação extremas

As crises agudas de fome que vêm atingindo países africanos nas últimas décadas coincidiram com
conjunturas climáticas ou políticas adversas, ou com uma combinação das duas. Quando ocorrem
estações secas prolongadas, guerras civis ou conflitos separatistas, desencadeia-se uma onda de fome
de vastas proporções.

Os fatores estruturais da pobreza residem na combinação de elevadas taxas de incremento populacional


com a retração conjunta das exportações agrícolas e minerais e da produção de alimentos para o
mercado interno. O incremento demográfico explosivo não tem sido acompanhado por um crescimento
proporcional da produção de alimentos: no conjunto da África Subsaariana, a produção agrícola per
capita é hoje inferior à registrada em 1970. A desintegração da velha economia de subsistência tribal
deixou um vácuo que não foi preenchido.

O aumento da dependência da importação de alimentos não foi compensado por um incremento das
receitas das exportações. Na verdade, apesar do aumento do volume das exportações agrícolas ou
minerais, registrou-se queda generalizada do valor das exportações, pois os produtos primários
sofreram forte desvalorização no mercado internacional.

As receitas decrescentes das exportações e a necessidade de importações cada vez maiores geraram
desequilíbrios profundos na balança comercial das nações africanas. O endividamento externo
aumentou em todo o continente.

Além das guerras regionais e das crises econômicas, a epidemia de HIV nos países da África Subsaariana
contribui para um declínio no IDH. No Lesoto e na Suazilândia, a taxa de HIV superior a 15% da
população adulta reduziu a esperança de vida. Nesse cenário, a pobreza avança rapidamente em muitos
países da região, onde se encontra a mais elevada incidência de pobreza multidimensional. Apesar de
ter havido alguns progressos, como na Etiópia, em Burkina Fasso, em Botsuana e em Benin, em outros
países houve retrocesso, como no Congo, na Zâmbia e no Zimbábue, países que em 2001 tinham um IDH
mais baixo do que em 1970. Desse modo, a África Subsaariana chegou a 2013 com aproximadamente
500 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema, vivendo com menos de 1,25 dólar por dia. As
crises devastadoras de fome continuam longe de ser resolvidas, mesmo com ações de órgãos
internacionais.
ABDURASHID ABIKAR/AFP

Mulheres recebem ajuda alimentar em centro de distribuição na cidade de Mogadíscio (Somália, 2011).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Explique as razões históricas que desencadearam a situação de pobreza extrema na região subsaariana.

2. O que são as denominadas privações ambientais e por que a ONU começou a analisá-las?
Página 127

Pobreza e exclusão social no Brasil

TERMOS E CONCEITOS
• combate à pobreza e à fome
• pobreza urbana
• Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)

No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, a exclusão social deve ser associada à
pobreza. Afinal, a forma mais ampla de exclusão é a econômica. O aumento da pobreza implica um
reforço da exclusão, uma vez que os direitos do cidadão (vaga na escola, atendimento médico, casa para
morar, entre outros), ainda que previstos na Constituição federal, não estão totalmente garantidos na
prática.

Em 1990, 44% da população brasileira encontrava-se abaixo da linha da pobreza; em 2013, totalizava
18% da população, segundo o Relatório do desenvolvimento humano 2014. Embora tenha havido uma
redução considerável da pobreza nesse período, as principais características da estrutura político-
econômica permaneceram.

O Brasil foi apontado pela ONU como um dos países que mais fez progressos no combate à pobreza e à
fome, segundo dados de 2014. Apesar disso, o país ainda tem mais de 16 milhões de pessoas vivendo na
pobreza: 8,4% da população brasileira vive com menos de 2 dólares por dia.

Características estruturais da pobreza

A incidência de pobreza é mais acentuada nas áreas rurais do que nas áreas urbanas: cerca de 47% da
população extremamente pobre no Brasil encontra-se em áreas rurais, e a população rural representa
apenas 15,6% da população total do país. Para cada quatro moradores do campo, um está em situação
de extrema pobreza. A pobreza no Brasil tem forte componente regional: enquanto no Nordeste 17,8%
da população é extremamente pobre (4,9 milhões de pessoas), na Região Sul esse contingente é de 3,1%
(400 mil).

Os contrastes são ainda mais evidentes quando comparamos os estados: em Alagoas e no Maranhão, a
pobreza representa 30%; em Santa Catarina, atinge menos de 2%.

A pobreza no Nordeste tem raízes na economia colonial. A coexistência do latifúndio com o minifúndio
bloqueou o desenvolvimento regional. A maior parte da população rural ficou marginalizada do
mercado consumidor.

Entre as décadas de 1970 e 1990, o processo de urbanização recente da população regional não foi
acompanhado por um movimento vigoroso de industrialização. O crescimento urbano dependeu da
absorção da força de trabalho pelo setor terciário (transporte, educação, saúde, serviços financeiros,
imobiliários etc.).

Os centros industriais das metrópoles nordestinas (Salvador, Recife e Fortaleza) basearam-se em


investimentos de empresas estatais ou grupos privados do Sudeste. Como resultado, o setor secundário
(atividades industriais, mineradora e construção civil) nordestino passou a absorver uma parcela muito
restrita da mão de obra. Os novos investimentos industriais são atraídos pela oferta de mão de obra
barata existente na região.

No Sudeste, o elevado nível de urbanização e o dinamismo industrial incorporaram a maior parte da


população no mercado de consumo. A expansão e a modernização das atividades terciárias asseguraram
o crescimento da renda familiar dos trabalhadores e a configuração de uma classe média urbana
relativamente ampla. Além disso, nas últimas décadas, as pressões dos movimentos sociais resultaram
na difusão de serviços públicos básicos para a periferia das grandes e médias cidades, o que reduziu a
incidência da pobreza.

Para assistir
Estamira
Direção: Marcos Prado.
País: Brasil.
Ano: 2004.
O documentário trata do cotidiano difícil de uma mulher que sobrevive catando objetos em um lixão.
O filme discute temas que retratam as condições precárias da saúde pública e a miséria no Brasil, como também o
grave problema dos aterros sanitários a céu aberto, comuns nas cidades brasileiras.

REPRODUÇÃO
Página 128

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Apesar de o Sudeste apresentar apenas 3,8% da população em situação de extrema pobreza, em números absolutos esse
contingente é o segundo maior do país (1,5 milhões), distribuídos principalmente pelas maiores cidades da região.

Fonte: IPEA Data, 2014. Disponível em: <www.ipeadata.gov.br>. Acesso em: abr. 2016.

A Região Sul tem os mais baixos níveis de pobreza da população rural. Historicamente, o Brasil
meridional distingue-se pela constituição de um mercado consumidor abrangente, capaz de integrar a
maior parte da população no circuito de trocas entre o campo e a cidade. Nas áreas de planaltos, onde a
apropriação da terra foi impulsionada pela imigração europeia, surgiu uma economia rural baseada no
trabalho familiar e na policultura associada à criação. Sobre essa base, desde cedo se desenvolveu uma
vasta classe média rural, particularmente nas áreas de colonização italiana, alemã e eslava.

No Sul, a industrialização se deu por meio de capitais acumulados na própria região. As fábricas
disseminaram-se pelas cidades médias, estabelecendo nexos produtivos com o meio rural. As atividades
terciárias expandiram-se sobre a base de um mercado consumidor amplo e razoavelmente dinâmico.

As transformações recentes da economia rural sulista — com a mecanização acelerada da produção


agrícola e a concentração da propriedade da terra — romperam parcialmente o equilíbrio social
tradicional. Em algumas áreas, como a Campanha Gaúcha, a prolongada estagnação econômica e a
concorrência com a agropecuária argentina atingiram dramaticamente a qualidade de vida da
população. Esse é o caso da chamada “metade sul” do Rio Grande do Sul.
IANO ANDRADE/CB/D.A PRESS

Criança brinca com pipa em uma favela da Ceilândia, considerada a segunda maior do Brasil (DF, 2011).
Página 129

Transversalidades

Cidadania

Música como inclusão social


“Com cinco anos de atividade, a Orquestra Sinfônica de Paraisópolis inicia neste ano dois novos cursos:
educação musical infantil, para crianças a partir de cinco anos, e coral. Segundo o maestro Paulo
Rydlewski, 58 anos, idealizador da orquestra e orientador do projeto, o foco é iniciar mais
precocemente a ‘musicalização’ das crianças e ter mais atividades, além do curso de instrumentos que
iniciou o projeto.

A orquestra comemora os frutos de encaminhamento de alunos. Neste ano, quatro deles entraram em
faculdades de música, enveredando para a carreira.

Acácio Reis, 22 anos, é um deles. Há quatro anos na orquestra, ele conta que tocava percussão em
escola de samba. Desde os 12 anos pensava em ser músico, mas não sabia ler partituras.

Antes de se iniciar na orquestra, já tinha trabalhado em restaurante, como servente e como pegador de
bolinhas em quadra esportiva. Agora, Reis celebra o ingresso no curso de licenciatura em música. ‘A
orquestra me trouxe o interesse e a oportunidade de me formalizar como profissional de música’, diz.

Atualmente, são 180 alunos, orientados por 15 professores. Segundo Rydlewski, eles vêm não só da
comunidade de Paraisópolis e dos bairros vizinhos — como Vila Sônia, Capão Redondo e Vila das Belezas
— como também de outras regiões da cidade e de municípios vizinhos, como Itapevi.

Os alunos ganham os instrumentos e têm aulas teóricas e práticas. Para o curso de instrumentos, é
necessário apenas ser alfabetizado.

O maestro conta que o violino é o instrumento mais popular: cerca de 30% dos inscritos têm interesse
em aprender a tocá-lo. ‘Muitos mudam de ideia depois que tomam contato com os outros
instrumentos’, afirma.”

METRO. Orquestra de Paraisópolis abre curso infantil e coral. Disponível em: <www.metrojornal.com.br/nacional/foco/orquestra-de-paraisopolis-
abre-curso-infantil-e-coral-171867>. Acesso em: abr. 2016.

Questões

Responda no caderno.

1. Como a música mudou a vida de jovens que moram em comunidades como Paraisópolis?

2. Por que o título da seção é “Música como inclusão social”?


LEONARDO WEN/FOLHAPRESS

O maestro Paulo Rydlewski, um dos idealizadores do projeto “Música no Paraíso”, do qual derivou a Orquestra Sinfônica de
Paraisópolis, na cidade de São Paulo (SP, 2009).
Página 130

Pobreza urbana

A pobreza rural tem características bastante diferentes das da pobreza urbana. No setor primário
(agricultura, pecuária, pesca e extrativismo), expressiva parcela da população ativa não tem
rendimentos, pois frequentemente os filhos jovens e as mulheres trabalham como ajudantes do chefe
da família na própria roça ou nas colheitas das fazendas. Nas cidades, praticamente a totalidade da
população ativa tem rendimentos e, por isso, a linha de pobreza é definida em patamares de
rendimento superiores aos do meio rural.

No entanto, o custo de vida nas cidades é mais elevado, pois todos os itens que compõem as
necessidades indispensáveis para o indivíduo exigem dispêndios monetários. No campo, em muitos
casos, roças familiares fornecem uma parte dos produtos de alimentação e, de modo geral, os custos
com habitação e transportes são reduzidos.

IDH do Brasil

A pobreza encontra-se disseminada por todo o país. Mas, ao mesmo tempo, há uma geografia da
pobreza muito nítida, que se exprime sob a forma das desigualdades regionais. A comparação entre os
valores de IDH dos estados brasileiros sintetiza essas desigualdades.

ROGÉRIO REIS/PULSAR IMAGENS

A instalação de cisternas (canto inferior direito da foto) possibilitou o acesso à água potável em muitas residências rurais
brasileiras, melhorando a condição de vida da população, como no Sertão do Pajeú, em Flores (PE, 2011).
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 3.

Análise cartográfica

1. De que forma é possível relacionar a foto e o mapa?

A casa mostrada na foto está localizada em Pernambuco, um estado com baixo IDH. As melhorias de infraestrutura em residências rurais, como a
cisterna, ainda que importantes, são insuficientes para melhorar a posição do estado no ranking do IDH.

2. O que poderia explicar a diferença de IDH entre as regiões brasileiras?

O IDH de cada uma das regiões é resultado do processo histórico e dos investimentos estatais feitos em cada uma das regiões. O crescimento
industrial e urbano é uma das causas de o Sudeste e o Sul apresentarem um IDH mais elevado atualmente.

As regiões Sul e Sudeste têm a maioria dos municípios concentrada na faixa de Alto Desenvolvimento
Humano. No Centro-Oeste e no Norte, a maioria situa-se no grupo de Médio Desenvolvimento Humano.
No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste não há nenhum município na faixa de Muito Baixo
Desenvolvimento Humano. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste não contam com nenhum
município na faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano.

Para navegar
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)
www.ibase.org.br
O conteúdo dessa página está vinculado a relatórios, programas e outros projetos que visam combater
desigualdades e estimular a cidadania ativa.
Página 131

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) brasileiro considera as mesmas três


dimensões do IDH usado para classificar os países: longevidade, educação e renda. Além disso, está
adequado à realidade brasileira, visto que os indicadores avaliam melhor o desenvolvimento dos
municípios e das regiões metropolitanas brasileiras.

MAPAS: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: PNUD. Índice de desenvolvimento humano municipal brasileiro. Brasília: Pnud/Ipea/FJP, 2013. p. 43.

Análise cartográfica

Compare o mapa do IDHM de 1991 e o de 2010. Quais foram as mudanças mais significativas?

Houve uma melhora significativa em termos nacionais em relação ao IDHM. Poucos municípios ainda apresentam IDHM muito baixo.

Para assistir
Sábado
Direção: Ugo Giorgetti.
País: Brasil.
Ano: 1995.
Uma comédia irônica a respeito de como os excluídos são observados e tratados na cidade paulista pelos
“moradores comuns”. A história se desenrola em um edifício localizado no centro da cidade de São Paulo, o qual
serve de cenário para a realização de um comercial.
Entretanto, um elevador quebrado obriga equipe e moradores a repartir o mesmo espaço. Nessa experiência, vivida
entre os componentes desse grupo humano heterogêneo, surgem pequenos acasos que revelam algumas
tendências e alguns sentimentos mais íntimos de cada um.

REPRODUÇÃO

Questões de revisão

Responda no caderno.
1. Qual é a diferença entre pobreza e exclusão social?

2. Compare a Região Sul com a Região Nordeste quanto à pobreza rural.

Cerca de 74% dos municípios brasileiros se encontram nas faixas de Médio e Alto Desenvolvimento. O
restante, 25%, está entre aqueles que apresentaram Baixo ou Muito Baixo Desenvolvimento Humano,
um total de 1.431. Na Região Nordeste estão concentrados o maior número de municípios com Baixo
Desenvolvimento Humano (61,3%), enquanto na Região Norte cerca de 40,1% dos municípios têm Baixo
Desenvolvimento Humano. Os municípios com maior IDHM são: São Caetano do Sul (SP), com 0,854;
Águas de São Pedro (SP), com 0,854; Florianópolis (SC), com 0,847; Balneário Camboriú (SC), com 0,845;
e Vitória (ES), com 0,845.

HANS VON MANTEUFFEL/OPÇÃO BRASIL IMAGENS

Palafitas na favela Ilha de Deus, em Recife (PE, 2014).


Página 132

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 O PIB per capita é um indicador adequado para avaliar o nível de vida da população de determinado país? Justifique sua
resposta.

2 Sobre o IDH, responda:

a) Por que ele foi criado?

b) Em quais indicadores básicos ele se baseia?

c) Qual é a importância de cada um dos indicadores básicos?

d) A partir de 2010 foram introduzidas no IDH três novas medidas. Quais são elas e o que registram?

3 O gráfico a seguir mostra uma grande discrepância de IDH entre países que apresentam PIB per capita semelhantes. Procure
explicar por que essa discrepância acontece.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fontes: BANCO MUNDIAL. World development indicators 2008. Disponível em


<https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/11855>. Acesso em: abr. 2016; Relatório do desenvolvimento humano
2007/2008. Coimbra: Almedina, 2007.

4 De acordo com o Relatório do desenvolvimento humano publicado em 2014, a grande maioria dos países do Sahel africano
apresenta IDH considerado baixo. Explique as causas desse fato.

Leitura cartográfica

5 Observe o mapa e responda às questões sobre o desenvolvimento da educação no Nordeste.

O trabalho da ONU para gerar os índices de desenvolvimento humano tem sido aprofundado por suas agências do Pnud,
espalhadas por diversos países. No caso do Brasil, a sede do Programa está localizada em Brasília e há um escritório em Salvador.
A equipe brasileira do Pnud elaborou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e os diversos atlas de regiões
metropolitanas. Com base nesses produtos, é possível discutir a desigualdade e a exclusão social no país, em suas diversas escalas
de análise.
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: PNUD. Índice de desenvolvimento humano municipal brasileiro. Brasília: Pnud/ Ipea/FJP, 2013. p. 67.

a) Como está o desenvolvimento da educação na Região Nordeste, segundo o mapa do IDHM?

b) Em que parte da Região Nordeste estão concentrados os melhores índices da educação?


Página 133

Cartografia em foco
Mapeamento de indicadores sociais
O escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil reúne em um
atlas o mapeamento de vários indicadores de desenvolvimento humano dos municípios e estados
brasileiros, utilizando dados extraídos dos censos demográficos de 1991, 2000 e 2010.

Assim como na elaboração do IDH Global, utilizado para comparar as condições de vida dos países, o
Pnud calcula o IDH Municipal, utilizando um índice composto dos seguintes indicadores: expectativa de
vida ao nascer, escolaridade da população e renda per capita. Para saber mais sobre o Atlas do
Desenvolvimento Humano no Brasil, consulte: <www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/o_atlas/idhm/> (acesso
em: abr. 2016).

Questões

Responda no caderno.

O atlas do Pnud possui mais de duzentos indicadores, que podem ser utilizados pelos gestores de políticas públicas
e pela sociedade civil para refletir sobre os rumos do desenvolvimento humano no país. Vamos aprender a utilizar
esses indicadores para elaborar mapas temáticos.

No exemplo a seguir, escolhemos os dados dos municípios da região metropolitana de Salvador de dois indicadores
de vulnerabilidade (% de pessoas de 18 anos ou mais sem Ensino Fundamental completo e em ocupação informal;
% de crianças extremamente pobres), conforme a tabela.

REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR

Indicadores de vulnerabilidade dos municípios — 2010

Município Indicador 1 Indicador 2


Camaçari 32,01 9,63
Candeias 33,18 10,32
Dias D’Ávila 33,88 13,42
Itaparica 41,66 20,58
Lauro de Freitas 23,64 6,28
Madre de Deus 28,29 16,36
Salvador 22,51 7,32
São Sebastião do Passé 41,39 18,37
Simões Filho 33,68 11,83
Vera Cruz 46,93 19,23

• Indicador 1 – % de pessoas de 18 anos ou mais sem Ensino Fundamental completo e em ocupação informal.

• Indicador 2 – % de crianças extremamente pobres.

Fonte: PNUD. Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. Disponível em: <www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/consulta/>. Acesso
em: abr. 2016.
Página 134

1. Copie a tabela acrescentando duas colunas com a classificação de cada município em relação aos indicadores de
vulnerabilidade apresentados. Para indicar a classificação de cada município, tenha em vista os intervalos de classe
considerados alto, médio ou baixo para cada indicador, de acordo com os dados das tabelas a seguir.

INDICADOR 1: % DE PESSOAS DE 18 ANOS OU MAIS SEM FUNDAMENTAL COMPLETO E EM OCUPAÇÃO


INFORMAL

Classes
Alto 39,82 a 46,93
Médio 33,68 a 38,87
Baixo 22,51 a 33,18

INDICADOR 2: % DE CRIANÇAS EXTREMAMENTE POBRES

Classes
Alto 16,36 a 20,58
Médio 11,83 a 14,38
Baixo 6,28 a 10,32

2. Copie o mapa a seguir em uma folha de papel vegetal e pinte os municípios conforme indicado na legenda. Para
isso, utilize os seguintes parâmetros:

ILUSTRAÇÕES: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: PNUD. Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. Disponível em: <http://www.atlasbrasil.org.br>. Acesso em: abr. 2016.
Legenda do mapa que você deve elaborar.

a) Alta vulnerabilidade: municípios classificados como alto nos indicadores 1 e 2.

b) Média vulnerabilidade: municípios classificados como alto/médio, médio/médio, alto/baixo ou médio/baixo nos
indicadores 1 e 2, respectivamente.

c) Baixa vulnerabilidade: municípios classificados como baixo nos indicadores 1 e 2.

3. Com base no mapa que você elaborou, escreva um comentário destacando quais são os municípios que
apresentam a pior classificação no indicador de vulnerabilidade. Apresente outros dados da realidade social dos
municípios que você considera relevantes para a indicação de vulnerabilidade.
Página 135

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (Ufal, 2014)

LUIZ RUBIO

Fonte: IPEA. Políticas sociais: acompanhamento e análise. v. 1. Brasília: Ipea, 2000. p. 53. Disponível em:
<www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/politicas_sociais/bps_21_completo.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2013.

O programa Bolsa Família brasileiro mais que dobrou o número de beneficiários nos últimos anos. Ele tem servido de modelo para
vários outros países e se caracteriza por ser a principal ação governamental de

a) distribuição de renda e combate a pobreza e a miséria.

b) formação de mão de obra para o mercado rural.

c) incentivo ao aumento da escolaridade e da busca por emprego.

d) diminuição de despesas com a previdência social.

e) criação de novos empregos e de inserção no mercado de trabalho.

2 (UFGD, 2013) Analise o gráfico a seguir.


LUIZ RUBIO

Fonte: BRASIL. Ministério da Fazenda. Disponível em:


<www1.fazenda.gov.br/spe/publicacoes/conjuntura/informativo_economico/2013/2013_09/emprego_renda/IE%202013%2009%
2027%20-%20PNAD%202012.pdf>. Acesso em: mar. 2012.

De acordo com as informações apresentadas, é correto afirmar que

a) as disparidades regionais do Brasil foram completamente superadas no que se refere aos indicadores educacionais, pois as
taxas de analfabetismo ficaram abaixo de 10% em todas as regiões brasileiras.

b) as menores taxas de analfabetismo concentram-se em regiões onde existem os maiores níveis de desenvolvimento econômico
e social, demonstrando que ainda há diferenças significativas entre o Sudeste-Sul e Norte-Nordeste no Brasil.

c) as maiores taxas de analfabetismo concentram-se nas regiões Centro-Oeste e Norte devido ao fato de serem áreas com
reduzida presença da infraestrutura necessária para o crescimento econômico.

d) a maior taxa de analfabetismo encontra-se na Região Nordeste pelo fato de essa região também possuir a maior concentração
populacional do Brasil.

e) a taxa de analfabetismo na Região Norte é a menor das regiões brasileiras devido à presença reduzida de população nessa área.

3 (Uece, 2011) O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dado utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para
analisar a qualidade de vida de uma determinada população. Em 2009, o Brasil apresentou IDH de 0,813, valor considerado alto.
Para definição desse índice são utilizadas três variáveis básicas que fazem parte do nosso dia a dia.

Para responder, considere os itens:

I. Expectativa de vida

II. Renda per capita

III. Taxa de Exportação

IV. Taxa de Importação

V. Educação

As três variáveis básicas que compõem o IDH são as dos itens:

a) I, III e V.

b) I, II e IV.

c) I, II e V.
d) II, III e V.
Página 136

4 (UPE, 2014) De acordo com os resultados dos mapas apresentados abaixo, sobre o Índice de Desenvolvimento Humano
Municipal (IDHM) do Brasil, analise os itens a seguir.

MAPAS: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fontes: PNUD. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro. Brasília: Pnud/Ipea/FJP, 2013. p. 43.

I. O IDHM é um índice divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), composto pelo conjunto de
três indicadores de desenvolvimento humano: a longevidade, a educação e a renda dos municípios.
II. Apesar da evolução do IDHM no Brasil, o Nordeste ainda tem 95% dos municípios na faixa de “muito baixo” desenvolvimento
humano, e a Região Norte já apresenta 80% das cidades na classificação “alto” e “muito alto”.

III. Em 20 anos, 85% dos municípios do Brasil saíram da faixa de “alto para o desenvolvimento humano” para “muito alto”,
segundo a classificação criada pelo Pnud. A categoria que mais encolheu entre as décadas de 1990 e 2010 foi a de “médio
desenvolvimento”.

IV. Os municípios das regiões brasileiras Sul e Sudeste estão concentrados, em sua maioria, na faixa de “alto desenvolvimento
humano”. No Centro-Oeste, os resultados ainda apresentam a maioria dos municípios na categoria “médio desenvolvimento”.

Está correto o que se afirma em:

a) I, apenas.

b) II, apenas.

c) III e IV, apenas.

d) I e IV, apenas.

e) I, II, III e IV.


Página 137

Pesquisa e ação
Elaboração de um jornal mural
O jornal mural tem a finalidade de comunicar ou informar sobre algum assunto de interesse da
atualidade. Para que ele tenha característica jornalística e seja de fácil entendimento, deve ser
produzido com artigos curtos e pode conter entrevistas e reportagens, além de recortes, ilustrações,
fotos e desenhos.

Nesse jornal mural, trabalharemos o tema da pobreza e da exclusão/inclusão no município e estado em


que você mora.

Forme um grupo com os colegas para pesquisar a falta ou a dificuldade de acesso aos serviços básicos e
a consequente exclusão de alguns grupos sociais.

WERNER RUDHART/KINO

Favela de palafita no igarapé São Raimundo em Manaus (AM, 2011).

Procedimentos

1. Cada grupo escolhe um dos temas abaixo.

• Falta de alimentação ou desnutrição;

• Moradias precárias e moradores de rua;

• Problemas de atendimento ou precariedade na área de saúde;

• Qualidade do ensino público e problemas no sistema educacional (situação salarial dos professores e dos
prédios em que funcionam as escolas públicas, na maioria das vezes muito precários, violência nas escolas);

• Falta de igualdade de direitos em grupos excluídos socialmente.

2. Em revistas, jornais impressos e na internet, pesquisem sobre a existência de núcleos de pobreza e de


grupos excluídos em seu município e estado e as soluções dadas a esses problemas.

3. Coletem entrevistas, reportagens e fotos sobre os problemas das pessoas e as experiências positivas
encontradas nos temas que vocês escolheram.
4. Pesquisem imagens ou elaborem ilustrações, charges, quadrinhos ou poemas sobre os temas tratados.

5. Façam legendas para as imagens selecionadas.

6. Com base nas informações obtidas, façam pequenas redações para relatar e formular uma conclusão para
o tema.

7. Montem um jornal mural com os materiais selecionados dos diversos grupos e as conclusões de forma
criativa. Utilizem letras visíveis e legíveis para todos lerem o jornal mural. Indiquem também as fontes
utilizadas nas pesquisas: nome do autor, nome da publicação (revista, jornal, livro, site), local, editora, data e
página.

8. Exponham o jornal mural em um local combinado com o professor.

O jornal mural poderá ser exposto em um corredor, para que possa ser visto por todos os alunos da escola.
Página 138

UNIDADE 3 Espaços regionais na


ordem global
Capítulos
7 Polos da economia mundial, 140
8 Países emergentes: China, Índia e Rússia, 172
9 América Latina: perspectivas, 194
10 Ascensão da África, 218

N a atualidade, as trocas comerciais estão centradas nos países desenvolvidos, bem como as mais
importantes regiões industriais e grande parte da geração de tecnologia. Estados Unidos, Japão, Reino
Unido e França se destacam como grandes potências. Entretanto, o cenário das relações internacionais
tem sofrido alterações com a relevância de países com economias emergentes, como China, Índia e
Rússia.

FAT (ADAM) TONY (TAYLOR)/AURORA PHOTOS/CORBIS/LATINSTOCK


As Torres Petronas, em Kuala Lumpur, estão entre os edifícios mais altos do mundo e resultam do crescimento econômico de
regiões em desenvolvimento da Terra (Malásia, 2014).
Página 139

FIGURA EM PÁGINA DUPLA COM A PÁGINA ANTERIOR.


Página 140

CAPÍTULO 7 Polos da economia mundial


Apesar da crescente importância da economia emergente da China, os Estados Unidos, a Europa e o
Japão formam uma “tríade” que domina grande parte da produção e da distribuição da riqueza mundial.

Polos da economia mundial e os Estados Unidos: a potência americana

Os países da “tríade” são importantes polos estruturadores da economia mundial e exercem também a
hegemonia financeira global.

O poder econômico dos Estados Unidos tem origem na riqueza gerada pela formação territorial do país.

Europa

Apesar das características culturais e políticas comuns na Europa, grandes diferenças econômicas separam os
países desse continente. A Alemanha, o Reino Unido e a França são os países mais importantes no comércio
regional e nas relações econômicas com os Estados Unidos e o Japão.

Japão

A modernização tecnológica e a reestruturação da organização industrial no pós-guerra garantiram um lugar


de destaque para o Japão na economia mundial.

ENEM
C2: H7
C4: H17, H18, H19
TITAN AEROSPACE

Drone (veículo aéreo não tripulado, guiado por controle remoto) estadunidense movido a energia solar.

JIJI PRESS/AFP

Trem japonês de levitação magnética (Maglev), ainda em fase de testes, que atingiu a velocidade de 603 km/h, um recorde
mundial (Japão, 2015).
Página 141

BALINT PORNECZI/BLOOMBERG VIA GETTY IMAGES

A França desenvolveu tecnologia de ponta e se destaca na indústria aeroespacial. Empresa fabricante de aviões em Toulouse
(França, 2014).

1. Com relação à utilização de tecnologia, por que os objetos das imagens diferem de outros produtos
industrializados, como os têxteis e máquinas elétricas?

São produtos que utilizam alta tecnologia e mão de obra bastante qualificada.

2. Por que Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido e França são países produtores de alta tecnologia?

Esses países investem muito em pesquisa e desenvolvimento (tecnopolos), e fabricam e exportam produtos de alta intensidade tecnológica da
indústria de ponta (informática, aeroespacial, entre outros).
Página 142

Polos da economia mundial e os Estados Unidos: a potência americana

TERMOS E CONCEITOS
• países da Tríade
• Manufacturing Belt
• Cinturão do Sol (Sun Belt)

Os Estados Unidos, os países desenvolvidos da Europa Ocidental — com destaque para Reino Unido,
França e Alemanha — e o Japão despontam no cenário econômico mundial por causa de três fatores
fundamentais: a importância na produção industrial, a intensidade das trocas comerciais em todo o
mundo e o controle sobre os mercados financeiros. Em conjunto, esses países da Tríade dominam
grande parte da produção e da distribuição das riquezas em escala global.

Em relação à produção industrial, o peso da Tríade está no controle que ela tem sobre as tecnologias
inovadoras e a elevada produtividade das empresas industriais. Estados Unidos, países desenvolvidos
da Europa Ocidental e Japão concentram tanto a produção quanto o consumo de produtos de alta
intensidade tecnológica, como robôs, aeronaves, equipamentos de informática e fármacos.

Esses países são polos do comércio mundial, já que dominam o mercado, apesar da participação
crescente de economias emergentes como a China e a Índia.

Por fim, a Tríade também exerce hegemonia financeira global, ao controlar fluxos de capitais, e nela
estão situadas as principais bolsas de valores do mundo, como a Bolsa de Nova York, líder absoluta no
comércio mundial de ações, a de Tóquio e a de Londres.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: ORGANIZACIÓN Mundial del Comercio. Informe sobre el comercio mundial 2013: factores que determinan el futuro del
comercio. Genebra: OMC, 2013. p. 99.

Análise cartográfica

Cite duas economias emergentes que se destacam na participação do PIB mundial.

Índia e China.
Estados Unidos

O processo de colonização e expansão dos Estados Unidos se deu à custa de conflitos, genocídio ou
aculturação dos povos ameríndios que lá viviam. Inicialmente foram fundadas 13 colônias inglesas na
América do Norte, situadas entre os montes Apalaches e o oceano Atlântico. O processo de expansão
territorial para o Oeste teve início após a independência, em 1776, envolvendo guerras, que resultaram
na compra e na anexação de territórios britânicos, franceses, espanhóis e mexicanos.
Página 143

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: BERTIN, Jacques; VIDAL-NAQUET, Pierre. Atlas histórico. Lisboa: Círculo de Leitores, 1990. p. 223.

Em meados do século XIX, os Estados Unidos completaram o processo de expansão territorial e


definiram suas fronteiras nacionais.

Entretanto, internamente, ainda era um país desarticulado. Nas colônias do norte, o trabalho livre e as
propriedades familiares estruturavam uma economia próspera, fundamentada na indústria nascente e
no mercado interno em expansão. As colônias do sul, que adotavam o sistema escravista, organizavam-
se em torno de grandes fazendas monocultoras (plantation), voltadas para a exportação. O sistema
escravista deixou fortes sequelas de segregação racial, que sobrevivem até os dias de hoje.

A vitória das tropas da União, que representavam os estados do norte, na Guerra de Secessão (1861-
1865) destruiu o poder político da aristocracia rural do sul e unificou o país em torno das elites
comerciais e financeiras. Esse processo levou o país a um rápido crescimento nos setores agrícola e
industrial, e o governo federal instaurou políticas para integrar as duas partes do país.

Em 1862, a abertura das terras do oeste à colonização oficial, conhecida como Homestead Act,
precedeu e preparou a construção de grandes ferrovias intercontinentais. Subdivididas, loteadas e
vendidas aos imigrantes europeus recém-chegados, a venda das terras financiavam as ferrovias. A
colonização particular se tornava um negócio lucrativo e começava a expandir fronteiras demográficas e
a abrir novas áreas para a agropecuária.

Além disso, o país adotou uma tarifa alfandegária bastante elevada, que protegia as novas indústrias
estadunidenses da concorrência europeia. Dessa forma, os Estados Unidos formavam um sistema
bancário nacional, que permitia a implantação centralizada de políticas monetárias e cambiais.

Para assistir
E o vento levou
Direção: Victor Fleming.
País: Estados Unidos.
Ano: 1939.
Esse clássico do cinema mundial conta a saga de Scarlet O’Hara, uma jovem criada em uma fazenda de algodão na
Geórgia, no sul dos Estados Unidos, até que irrompe a Guerra Civil americana. Seus amores e desventuras se
passam no decorrer da guerra, até a vitória das forças dos estados do norte.
REPRODUÇÃO

Para assistir
Doze anos de escravidão
Direção: Steve McQueen.
País: Estados Unidos.
Ano: 2014.
História de um homem do norte dos Estados Unidos liberto da escravidão que é sequestrado, novamente
escravizado e levado para trabalhar em fazendas no sul do país. O filme mostra a vida cotidiana e os maus-tratos
sofridos pelos escravizados, tratados e vendidos como mercadorias, para servir e trabalhar para o senhor.

REPRODUÇÃO
Página 144

Transversalidades

Direitos humanos

O racismo nos Estados Unidos


Seis décadas após o início dos movimentos pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, o país ainda é
marcado pela violência e a tensão racial.

Em 2008, a eleição do primeiro presidente negro no país foi considerada o início de uma nova era nas
relações raciais norte-americanas.

Contudo, os discursos que celebravam uma era pós-racial nos Estados Unidos logo perderam a força
diante da repercussão de atos de racismo. Seis anos após a eleição de Barack Obama, em 2014, um
jovem negro de 18 anos chamado Michael Brown foi alvejado e morto por um policial branco na
periferia da cidade de Ferguson, no estado do Missouri. Michael estava desarmado. O caso deu origem a
uma série de protestos contra a segregação racial e a violência policial contra os negros no país.

O período pós-abolição

A democracia nos Estados Unidos foi comprometida por uma hierarquia racial estruturada desde o
período da escravidão e que ganhou novos contornos no período pós-abolição. Apesar das tentativas de
inclusão da população negra no período da Reconstrução (1865-1877) — logo após a Guerra Civil e a
abolição —, forças políticas orientadas pela ideia de supremacia branca procuraram marginalizá-la,
definindo uma cidadania de segunda classe para os negros.

Em 1896, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos consolidaria o processo de segregação na
sociedade norte-americana. O resultado do caso Plessy vs. Ferguson deu força à interpretação de que a
separação de negros e brancos no espaço público não violava a igualdade de direitos garantida pela 14ª
Emenda da Constituição. O argumento era o de que a segregação seria justa desde que cada grupo
racial desfrutasse de serviços públicos da mesma qualidade, oficializando a doutrina “separados, mas
iguais”, que vigorou até a ascensão do Movimentos pelos Direitos Civis na década de 1950.

A institucionalização do movimento negro nos Estados Unidos

“[...] Em 1955, em Montgomery, no Alabama, Rosa Parks negou-se a ceder o seu banco a um cidadão
branco, desafiando a cultura segregacionista do sul. A ativista foi encarcerada, provocando indignação
da população negra, que, posteriormente, tomou a decisão de boicotar o sistema de transporte da
cidade. Esse ato foi um dos eventos que precipitaram a ascensão do Movimento pelos Direitos Civis, que
mobilizou setores populares e incorporou ao amplo repertório de protesto negro as estratégias de não
violência.

Martin Luther King emergiu como figura proeminente do movimento, após liderar o boicote de
Montgomery. Por meio da Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC), King demonstrou sua
capacidade como articulador e orador, lançando mão de recursos do discurso religioso e explorando
símbolos da identidade nacional norte-americana, como a Constituição e as figuras dos pais fundadores
da nação. A sua posição integracionista, que se reportava a valores democráticos atribuídos aos Estados
Unidos, inspirou não somente os negros, mas uma parcela de progressistas da população branca. [...]
O assassinato de Martin Luther King, em 1968, reforçou as posições de organizações como os Panteras
Negras, que defendiam a autonomia dos negros em relação aos brancos, revivendo uma tradição de
separatismo negro que teve Marcus Garvey e Malcolm X como figuras importantes.
Página 145

A era pós-direitos civis

A radicalização do movimento negro quebrou aliança com os setores mais progressistas entre a
população branca, freando avanços na integração racial. [...]

Em 1980, o republicano Ronald Reagan assumiu a presidência com a promessa de corte de gastos,
atingindo os programas sociais associados aos democratas. Paralelamente à ofensiva às políticas do
bem-estar social, que teve impacto negativo sobre as populações negra e pobre, foram criadas as
condições para uma guerra ao tráfico de drogas. [...]

Nesse contexto, no qual as leis de segregação racial haviam sido eliminadas, o aparato repressivo
estruturado para coibir o tráfico de drogas acabou reforçando a marginalização dos negros, assegurando
a existência da hierarquia racial norte-americana. Ainda que os brancos fossem maioria dos traficantes e
usuários, os negros das zonas urbanas se transformaram no grande alvo. Na década de 1980, inicia-se o
encarceramento em massa de homens negros e latinos, com a polícia desempenhando uma função
primordial. [...]”

FRANCISCO, Flavio Thales Ribeiro. O racismo nos Estados Unidos. Disponível em: <www.cartaeducacao.com.br/aulas/medio/o-racismo-nos-estados-
unidos>. Acesso em: abr. 2016.

UNDERWOOD ARCHIVES/GETTY IMAGES

A ativista negra Rosa Parks em ônibus recém-integrado, em 1956, após boicote do movimento negro ao sistema de
transporte segregado da cidade de Montgomery.

Questões

Responda no caderno.

1. Qual era a diferença entre a posição de Martin Luther King e a de Malcolm X e dos Panteras Negras?

2. Segundo o texto, os problemas raciais dos Estados Unidos foram resolvidos? Justifique sua resposta.
Página 146

Dinâmicas territoriais

As indústrias nos Estados Unidos estão concentradas em áreas geográficas conhecidas como belts
(cinturões). Desde o final do século XIX, a região do Manufacturing Belt se tornou uma área dinâmica,
urbana e industrial. Em seu entorno, estabeleceu-se uma periferia baseada na agropecuária: as imensas
Planícies Centrais, drenadas pelo Mississípi e seus afluentes, e o oeste semiárido, que sofreu um rápido
processo de povoamento.

O desenvolvimento industrial, inicialmente, foi protegido pela política alfandegária e financiado pelas
exportações agrícolas.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 75.

Análise cartográfica

As setas indicam os fluxos de população em direção aos centros urbanos de destaque e áreas de atração econômica. De onde vêm
e para onde são direcionados?

As setas informam que os fluxos saem dos polos de decisão e comando de influência mundial, o Manufacturing Belt, para se dirigirem aos novos
espaços atrativos do Sun Belt.

O desenvolvimento agropecuário

No sul, o tabaco dos estados da Virgínia e da Carolina e o algodão cultivado nas áreas entre o estado da
Geórgia e o do Texas continuavam a abastecer os mercados externos. Já nas grandes planícies dos rios
Mississípi e Missouri estavam os campos de trigo do Kansas, Oklahoma e Nebraska, além dos cultivos de
milho, de Indiana a Iowa, voltados para o mercado interno e internacional. No oeste semiárido, por sua
vez, do Texas a Montana, predominavam as fazendas de gado. Na vasta periferia dessas produções, os
centros comerciais e portuários eram estabelecidos, como Los Angeles e San Francisco, na Califórnia, e
Nova Orleans, na Louisiana.

Cinturão do Sol (Sun Belt)


Após a Segunda Guerra Mundial, os investimentos industriais foram direcionados para o sul e para o
oeste, o que levou à formação de novas regiões produtivas: o Cinturão do Sol (Sun Belt). A
reorganização espacial tomou impulso com a emergência de um novo ciclo industrial, assentado em
tecnologias de ponta e intensa automação. Os ramos industriais emergentes buscavam novas
localizações, que estivessem distantes tanto das tradicionais fontes de matérias-primas como das
metrópoles e seus problemas, além das reivindicações das organizações sindicais.
Página 147

A partir da década de 1960, o centro da economia começou a se deslocar do setor secundário para o
setor terciário, ou seja, da produção industrial para o desenvolvimento dos serviços e do sistema
financeiro. Enquanto o emprego fabril diminuía, crescia o emprego na área do comércio e dos serviços.
As tradicionais cidades industriais dos Grandes Lagos mergulhavam na crise, como o que aconteceu no
empobrecimento de Detroit e das “cidades do automóvel” vizinhas.

A ascensão dos Estados Unidos como potência

Com a eclosão das guerras mundiais, a indústria estadunidense (principalmente a bélica) se desenvolveu
fornecendo armamentos, produtos industrializados e maquinários, além de alimentos e combustíveis,
para países europeus como França e Reino Unido.

A entrada estratégica do país no final da Segunda Guerra Mundial o consolidou também como potência
econômica e militar.

O capital estadunidense dirigido para a reconstrução da Europa no pós-guerra teve, entre outros
objetivos, o de expandir suas empresas, o de impulsionar a economia do país, barrar o avanço do
socialismo e consolidar o capitalismo no mundo. Se, por um lado, com o advento da Guerra Fria,
ocorreram diversas intervenções militares estadunidenses diretas e indiretas, fortalecendo ainda mais o
avanço tecnológico e bélico do país e colocando-o no centro do capitalismo mundial, por outro, as
guerras tiveram alto custo social e econômico.

Com o final da Guerra Fria, houve a retomada do crescimento dos países europeus e do Japão, e o
intercâmbio comercial entre os países se tornou intenso, aumentando com a globalização. A inclusão de
outros atores globais nesse cenário abalou a hegemonia estadunidense.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas 2013. Paris: Vuibert, 2012. p. 101.

Para ler
Rumo a uma nova guerra fria: política externa dos EUA, do Vietnã a Reagan
Noam Chomsky. Rio de Janeiro: Record, 2007.
Importante pensador dos Estados Unidos, Noam Chomsky analisa a política externa desse país, passando pelas
guerras da Indochina, Vietnã, Oriente Médio e Timor Leste. Descreve os métodos de propaganda e de manipulação
da opinião pública e a cumplicidade da mídia para encobrir o lado obscuro da política externa estadunidense.
REPRODUÇÃO

Crise e problemas sociais nos Estados Unidos

Apesar de ainda ser a maior economia do mundo, os Estados Unidos já foram ultrapassados pela China
no que se refere à participação no comércio mundial, pois a economia estadunidense tem apresentado
um quadro de crises políticas e econômicas, além da recessão e do declínio da produção e do consumo.
Página 148

A colaboração entre os países da América do Norte (México, Canadá e Estados Unidos) por meio do
Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) tem incentivado a complementação industrial
entre os Estados Unidos e o México pela instalação de indústrias montadoras na fronteira entre esses
países, as chamadas maquiladoras.

IVAN PIERRE AGUIRRE/AP PHOTO/GLOW IMAGES

As indústrias maquiladoras são uma forma de baixar os custos de produção das companhias estadunidenses. Na foto, trabalhador
de empresa, localizada em Ciudad Juárez, monta uma impressora (México, 2013).

PHILIP GOULD/CORBIS/LATINSTOCK

Muitos imigrantes ocupam postos que não exigem qualificação profissional e são mal remunerados. Na foto, imigrantes latinos na
colheita de morangos na Louisiana (Estados Unidos, 2012).

Dessa forma, as empresas aproveitam as isenções de tarifas e o baixo custo da mão de obra mexicana.
Os produtos montados são exportados para os Estados Unidos com preços mais vantajosos do que
aqueles produzidos no país. Entretanto, os subsídios para a agricultura nos Estados Unidos têm
repercutido fortemente na produção agrícola do México, pois o baixo custo do milho estadunidense —
base da alimentação mexicana — tem forçado o êxodo rural de camponeses empobrecidos, a pressão
sobre as cidades e o aumento da imigração para os Estados Unidos.
Página 149

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 73.

Um dos principais problemas sociais dos Estados Unidos é a imigração ilegal de centro-americanos e
mexicanos, embora as fronteiras sejam vigiadas e fortalecidas com muros, cercas e vigilância eletrônica.
Os imigrantes que conseguem passar pela fronteira e se estabelecer, ao conseguir trabalho, muitas
vezes em postos que requerem pouca qualificação profissional e com baixa remuneração, enviam
importantes remessas de dólares para o país de origem, para familiares que lá permaneceram.

A crise imobiliária de 2008 nos Estados Unidos repercutiu no setor financeiro mundial e levou à falência
de bancos (muitos em concordatas fraudulentas) e de seguradoras. Internamente, o governo
estadunidense socorreu muitos bancos, mas sem intervir na continuidade da política financeira privada
de empréstimos subprime.

Empréstimo subprime: empréstimos imobiliários concedidos a clientes que não tinham boa avaliação de crédito nos Estados
Unidos.

Por causa da crise, o desemprego aumentou. A transferência de grande parte da produção industrial
(terceirização) para países com mão de obra barata acentuou o desemprego e diminuiu o poder
aquisitivo e, consequentemente, o consumo. Uma parcela da população migrou para países como o
Canadá, em busca de oportunidades de trabalho. Desde a crise de 2008, o país vem apresentando um
crescimento significativo da população sem teto. Em 2015, somente em Nova York, que conta com uma
população de 8,4 milhões de habitantes, havia 57 mil pessoas nessa situação, enquanto na cidade de
São Paulo, com quase 12 milhões de habitantes, esse número era 356% menor, com 16 mil pessoas.

Para ler
História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI
Luiz Estevam Fernandes, Marcus Vinícius de Morais, Sean Purdy e Leandro Karnal. São Paulo: Contexto, 2007.
O livro trata da formação histórica dos Estados Unidos, da incorporação de imigrantes em sua cultura e de sua
evolução até se tornar uma grande potência. Aborda também as contradições de uma ideologia capaz de, por um
lado, provocar ódio e protestos por uma parte da sociedade mundial e, por outro lado, influenciar a cultura, os
padrões de beleza e a política mundial. Analisa ainda a posição geopolítica dos Estados Unidos, que defendem a
democracia, mas atentam contra ela em guerras injustas.
REPRODUÇÃO

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Cite três setores em que a Tríade exerce liderança mundial.

2. Descreva dois fatores responsáveis pelo desenvolvimento do Sun Belt.

3. Identifique duas causas e duas consequências do crescimento do desemprego nos Estados Unidos depois
de 2008.
Página 150

Europa

TERMOS E CONCEITOS
• Eurásia
• Reino Unido
• França
• Alemanha

Na Antiguidade, os gregos batizaram de Europa as terras que se estendiam ao norte da região banhada
pelo mar Mediterrâneo e chamaram de Ásia as terras orientais, situadas na direção do Sol nascente.

Até hoje, consideramos a Europa e a Ásia “continentes” distintos, apesar de sabermos que eles integram
uma única e imensa massa continental denominada Eurásia. Dois países, a Rússia e a Turquia, possuem
terras nos dois continentes.

Paisagens europeias

A Europa apresenta uma enorme diversidade de paisagens, e o relevo é um dos elementos que mostram
essa variedade. As cadeias e os maciços do norte do continente, por exemplo, foram formados em eras
geológicas muito antigas e sofreram um longo processo de desgaste e erosão. Os Alpes Escandinavos e
os Montes Peninos, no norte da Grã-Bretanha, são exemplos desse tipo de formação. Em muitas regiões
da Europa setentrional, principalmente na Finlândia e na Suécia, o gelo esculpiu os milhares de lagos
que marcam a paisagem.

As cadeias montanhosas do sul e do sudeste do continente se constituíram em eras geológicas mais


recentes. Assim, apresentam grandes elevações, como os Alpes, os Pireneus, os Apeninos, os Cárpatos e
os Bálcãs. Muitos dos rios que drenam as grandes planícies europeias, como o Reno e o Danúbio, têm
suas nascentes nas cadeias montanhosas do sul.
AZAM JEAN-PAUL/HEMIS/ CORBIS/LATINSTOCK

Fronteira natural entre a Espanha e a França, os Pireneus se estendem do Atlântico até o mar Mediterrâneo, entre picos nevados
e vales (França, 2014).
Página 151

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 89.

Análise cartográfica

Quais são os mares e os oceanos que banham a Europa?

Ao norte: oceano Glacial Ártico, mar Báltico, mar do Norte. A oeste e noroeste: oceano Atlântico. Ao sul: mares Cáspio, Negro e Mediterrâneo.

Nas planícies, grande parte do comércio e, mais tarde, da indústria se desenvolveu com forte
dependência do sistema de vias naturais formado pelos mais importantes cursos fluviais do continente.

O rio Reno, que nasce nos Alpes Suíços e corta importantes cidades industriais da Alemanha, é um dos
mais importantes deles. Um vasto sistema de canais o torna navegável em quase toda sua extensão e
facilita o transporte de grãos, minerais e produtos industrializados.

O rio Danúbio, que nasce na Floresta Negra alemã e atravessa sete países até desaguar no mar Negro, é
também uma via necessária para a comunicação entre os países da Europa.
KARL THOMAS/JAI/CORBIS/LATINSTOCK

O rio Danúbio é uma importante via fluvial europeia que corre no sentido oeste-leste, cortando capitais da Europa central e do
leste, como Budapeste (Hungria, 2014).
Página 152

Diversidade cultural e econômica

A pequena extensão da Europa, que, do ponto de vista físico, poderia ser considerada uma península do
grande continente asiático, contrasta com a sua importância cultural e econômica.

O início da civilização ocidental ocorreu nas cidades-Estados gregas e, ganhando importância durante a
expansão do Império Romano por meio da disseminação da cultura greco-romana na Europa.

No século XV, o continente foi o berço do Renascimento, um importante movimento cultural que
retomou aspectos da cultura clássica grega e contribuiu para a difusão dos elementos culturais no
período.

A Revolução Francesa e a Revolução Industrial, responsáveis, respectivamente, pela formação dos


Estados nacionais modernos e pelo desenvolvimento do capitalismo, também ocorreram no continente
europeu.

Apesar dessas características culturais e políticas comuns, reforçadas pela organização e pela expansão
da União Europeia (UE), existem grandes diferenças econômicas que separam os países europeus.
Muitos países convivem com variáveis regionais de desenvolvimento: o norte da Itália conta com um
importante triângulo industrial, formado pelas cidades de Turim, Gênova e Milão, mas, em
contrapartida, o sul do país apresenta fraco desenvolvimento industrial e índices de pobreza bem
elevados.

A Alemanha, por exemplo, é uma das maiores potências industriais do mundo e abriga um parque
produtivo bastante diversificado, no qual se destacam as indústrias siderúrgica, mecânica, química e
farmacêutica. A França e o Reino Unido também sobressaem como centros industriais da Europa, com
destaque nas áreas de alta tecnologia. Mas, em sentido contrário, a indústria é menos moderna e
diversificada em países como Irlanda, Grécia e Portugal.

SIMONE LOMBARDO/ZUMA PRESS/GLOW IMAGES


Na Itália, a pobreza absoluta se concentra principalmente no sul e atingia, em 2012, 4,8 milhões de pessoas (Nápoles, Itália, 2012).
Página 153

Problemas econômicos e sociais na Europa

Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa iniciou um processo de integração que culminou na formação
da União Europeia e a transformou numa região competitiva e moderna. Entretanto, a crise imobiliária
de 2008, iniciada nos Estados Unidos, repercutiu fortemente no sistema financeiro e na economia
mundial, afetando a União Europeia.

Além da crise, países com economias mais frágeis, como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha,
apresentaram um aumento descontrolado nos gastos públicos e um grande endividamento e, por isso,
chegaram a uma dívida pública de mais de 50% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

O agravamento da crise obrigou esses países a recorrer à União Europeia e ao FMI, que impuseram uma
política de austeridade, ou seja, de redução das políticas sociais e investimentos produtivos, diminuição
dos direitos dos trabalhadores, aumento de impostos, apoio ao setor agroexportador, corte de gastos,
entre outras medidas. Como consequência, os investidores se afastaram desses países.

MARIO PROENCA/BLOOMBERG VIA GETTY IMAGES

O desemprego em Portugal era o quinto mais elevado da União Europeia. Na foto, fila na entrada de um centro de emprego em
Sintra (Portugal, 2013).

Em 2013, a crise que ainda persistia na Europa havia alcançado outros países, como a Holanda e a
França. Segundo a Comissão Europeia, todos os países em crise da Zona do Euro apresentaram
estagnação ou diminuição do PIB.

A UE reluta em resolver os problemas econômicos em conjunto e, assim, enfrenta o dilema entre


continuar com a unificação (com a inclusão de novos membros e ajudando os países em dificuldades) ou
reforçar as economias nacionais.

Entretanto, até o momento as ajudas concedidas visaram apenas proteger o euro, que tem sofrido
desvalorizações com a crise, e injetar capital nas instituições financeiras. Com todos esses problemas
econômicos, o desemprego aumentou consideravelmente, o consumo diminuiu, e esses fatores se
refletiram na produção industrial e em toda a economia.
Para navegar
Portal da União Europeia
http://europa.eu/index _pt.htm
Este site esclarece o funcionamento institucional da União Europeia (UE) por meio de documentos, tratados,
legislação e textos jurídicos, além de oferecer informações sobre os Estados-membros e a história da UE.
Página 154

Diálogo interdisciplinar
Crise na Europa

“’Economia é uma coisa demasiadamente séria para se deixar apenas aos economistas’. A partir dessa
máxima, José Manuel Pureza, professor de Relações Internacionais na Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra, em Portugal, em entrevista ao Jornal Hoje, aponta uma agenda partilhada por
governos e produtores do conhecimento econômico como causa da crise que assola o continente.

Anos de euforia nas economias europeias teriam levado a investimentos malconduzidos. Para Pureza,
como justificativa para resolver a crise, implantou-se um discurso de matriz liberal que justifica toda
uma lógica de austeridade, de cortes em gastos sociais, em que se vende a ideia de cortes das ‘gorduras
do Estado’.

Responsáveis governamentais, como o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, indicam o
aprofundamento das medidas de austeridade, que geram recessão, e, consequentemente, o aumento
da dívida pública em países como Grécia, Portugal e Espanha. ‘Só havendo uma aposta política no
crescimento, e, portanto, no emprego, que haverá condições para que a Europa, como um todo, volte a
ser um projeto mobilizador’, afirma o professor.

‘Hoje, há uma questão que as opiniões públicas da Europa estão a colocar com muita inteligência: por
que nós temos que recapitalizar os bancos e não recapitalizamos as pessoas? Essa escolha que se está a
fazer é a de que o sistema financeiro vem primeiro que as pessoas, que o sistema financeiro tem que ser
salvo a todo custo, mesmo que o custo seja a degradação da vida da grande maioria da sociedade’,
conclui.”

MABILIA, Adriana. Professor aponta erros e soluções na condução da crise europeia. G1. Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-
hoje/noticia/2012/06/professoraponta-erros-e-solucoes-na-conducao-da-crise-europeia.html>. Acesso em: abr. 2016.

JUNIÃO

Questão
Responda no caderno.

• Na opinião do professor citado no texto, a medida europeia de recapitalizar os bancos não soluciona a crise.
Explique por quê.
Página 155

No plano político e social, explodiram manifestações, principalmente de jovens, em diversos países em


crise. A xenofobia (atitude racista de intolerância e preconceito ao que vem de fora) aumenta, pois a
pressão dos migrantes e refugiados que têm chegado aos milhares na Europa, vindos de países menos
desenvolvidos, principalmente da África e da Ásia, tem sido contestada por causa da concorrência por
empregos. Muitos manifestantes também saem às ruas indignados com o crescimento da intolerância
racial e defendendo a igualdade entre as pessoas.

O Reino Unido, a França e a Alemanha são os países europeus mais importantes no comércio regional e
nas relações econômicas com os Estados Unidos e o Japão. Vejamos por quê.

GEORG WENDT/DPA/CORBIS/LATINSTOCK

Com o crescimento de atitudes hostis aos refugiados que chegam em massa à Europa, aumentaram as manifestações contra o
xenofobismo e de solidariedade a eles em várias cidades europeias, como em Hamburgo (Alemanha, 2014).

Reino Unido

A formação do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte é resultado de um longo processo de


conflitos e disputas pelo território das Ilhas Britânicas. As Ilhas Britânicas foram ocupadas pelos celtas
até 55 a.C., quando caíram sob o domínio romano. A partir do século VIII, estiveram sob o controle dos
vikings e, posteriormente, dos normandos, a partir de 1066.

A Grã-Bretanha começou a ganhar as feições atuais quando os nobres ingleses limitaram os poderes do
rei e fortaleceram o Parlamento, a partir de 1215. As disputas pela coroa cessaram somente com a
formação do Reino Unido, em 1707, que agrupou Inglaterra, Escócia e País de Gales. A Irlanda do Norte
se integrou ao Reino Unido em 1801.

A Inglaterra está localizada na porção centro-sul da Grã-Bretanha. A Escócia se situa ao norte da Grã-
Bretanha e o País de Gales, a sudoeste. A Irlanda do Norte abrange a parte nordeste da Ilha da Irlanda,
que pertence ao Reino Unido.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido não ficou sob o domínio da Alemanha e se
transformou no principal aliado dos Estados Unidos, o que acentuou ainda mais sua diferença em
relação ao restante da Europa. Essa aliança se intensificou e ganhou importância nas últimas décadas, já
que a economia do Reino Unido está intimamente ligada à economia estadunidense.

As principais e recentes intervenções militares conjuntas entre Estados Unidos e Reino Unido foram em
Kosovo (1999), acompanhadas pela mobilização da Otan, e no Iraque (2003), quando os Estados Unidos
enviaram tropas para destituir Saddam Hussein sob a alegação de que ele detinha armas de destruição
em massa, o que depois não foi comprovado.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: UNIÃO EUROPEIA. Disponível em: <http://europa.eu/about-eu/countries/member-


countries/unitedkingdom/index_en.htm>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Aponte o país que não integra o Reino Unido e o país do Reino Unido que não está localizado na Grã-Bretanha.

A Irlanda (Eire) não faz parte do Reino Unido; a Irlanda do Norte não se localiza na Grã-Bretanha.
Página 156

O espaço econômico

Desde o final da Segunda Guerra, a economia do Reino Unido tem íntima ligação com a estadunidense,
com grandes trocas comerciais. A Bolsa de Valores de Londres é o principal centro financeiro europeu e
a maior porta de entrada dos investimentos das empresas estadunidenses na Europa. Por causa disso,
as atividades econômicas sob o comando das empresas localizadas em Londres são as principais
responsáveis pela integração do Reino Unido na economia europeia. Mas as diferenças regionais são
muito acentuadas no país.

Em alguns centros industriais mais antigos, prevalece um modelo econômico com base na localização
das riquezas naturais, como o carvão mineral e outras matérias-primas. É também o caso da região
central do país, onde está localizada a cidade de Leeds. Já as novas regiões industriais estão se
desenvolvendo tanto no sudoeste da Inglaterra, ao redor da cidade de Bristol, quanto em Glasgow, na
Escócia. Nesses casos, o que prevalece são empresas que incorporam a ciência e a tecnologia e
participam das cadeias produtivas globalizadas.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 65.
COMMISSION AIR/ALAMY/ LATINSTOCK

A cidade de Bristol, às margens do rio Avon, apresenta-se como importante centro de produção aeronáutica desde o pós-guerra
(Reino Unido, 2014).
Página 157

França

A França é o maior país da Europa Ocidental, com extensão territorial de 543.965 km 2. Com saída para o
mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, está localizada estrategicamente entre os seguintes países:
Espanha, Reino Unido, Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália. O maciço central, porção centro-sul do país, é o
divisor de águas das principais bacias hidrográficas, com destaque para os afluentes do rio Ródano, rio
Sena e rio do Loire.

A França é um país de regime político laico e democrático, que exerceu o papel de difusor de valores
culturais baseados na igualdade, na liberdade e na fraternidade desde a Revolução Francesa, ocorrida
em 1789. Esse papel político foi reforçado durante as décadas de 1960 e 1970, quando o país recebeu
exilados políticos que viviam em países sob ditadura militar, como Brasil, Chile e Argentina.

Assim como o Reino Unido, a França teve um imenso império colonial, que foi destruído depois da
Segunda Guerra Mundial. Ainda hoje, o país possui territórios em diferentes regiões do mundo, com
diferentes graus de autonomia política.

As empresas francesas atuam na América, em especial nos países da América Latina. O Brasil, por
exemplo, tem recebido investimentos de grupos franceses, desde o final dos anos 1990, como os do
setor automobilístico, que já atuavam em outros países da América do Sul.

A internacionalização da economia francesa tem provocado enormes transformações no espaço


econômico do país. A região metropolitana de Paris é o centro econômico e industrial da França, e a
desconcentração industrial está promovendo a parceria entre as empresas francesas e as dos países
vizinhos. É o caso da região polarizada entre Montpellier (França) e Barcelona (Espanha), além das
cidades como Lyon (França), Milão (Itália), Stuttgart e Munique (Alemanha).

A indústria aeroespacial, de telecomunicações, de biotecnologia e a atividade agrícola garantiram à


França o posto de sexta economia mundial em 2015. As regiões de Bordeaux e Rennes concentram
grandes produtores de vinho, queijo e outros gêneros alimentícios.

GÉRARD LABRIET/PHOTONOSTOP/AFP
Área cultivada no vale do rio Normandia, afluente do rio Sena (França, 2013).
Página 158

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 65.

Análise cartográfica

Qual é a importância da cidade de Paris no espaço econômico francês e europeu?

Paris é uma metrópole mundial situada no espaço de economia dinâmica da França e se integra por meio dos eixos de circulação e trocas com as
principais cidades francesas e outras importantes cidades europeias.

Alemanha

A Alemanha ocupa posição central na Europa, com extensão territorial de 356.733 km2 (a terceira do
continente), e possui a segunda maior população europeia. Os principais rios do país nascem na região
dos Alpes, ao sul do território. É o caso das bacias hidrográficas do rio Reno e do rio Danúbio. Os
planaltos centrais, assim como as planícies ao norte, são drenados pelos rios da bacia hidrográfica do
Elba.

Em termos demográficos, o território da Alemanha é densamente povoado, principalmente na porção


ocidental, ao longo da bacia do Reno, onde estão importantes zonas industriais ao redor de cidades
como Frankfurt e Stuttgart. Munique é a principal cidade do sul da Alemanha, e Hamburgo, localizada na
foz do rio Elba, no extremo norte, tem o principal porto do país.

Diferentemente do Reino Unido e da França, a Alemanha nunca teve um extenso império colonial, o que
acabou levando o país ao confronto bélico com potências mundiais. A derrota na Segunda Guerra
Mundial custou aos alemães o isolamento do sistema internacional por muitos anos. Além de pagar
pesadas indenizações aos países vizinhos, teve o território dividido entre a República Democrática
Alemã (ou Alemanha Oriental), sob influência da União Soviética, e a República Federal da Alemanha (ou
Alemanha Ocidental), sob influência dos Estados Unidos.
RUDY BALASKO/SHUTTERSTOCK

Berlim, a capital da Alemanha, teve a área no entorno do muro reurbanizada e sua economia está voltada principalmente para o
setor de serviços, com destaque para os setores de comunicação e informação (foto de 2014).
Página 159

Mas a Alemanha demonstrou enorme capacidade de recuperação econômica. Com o desenvolvimento


científico e tecnológico, principalmente nas áreas química e farmacêutica, expandiu seus negócios para
várias partes do mundo.

Após unificação da Alemanha Ocidental e da Oriental, a partir de 1990, a Alemanha passou a ocupar
lugar de destaque no mundo em termos do valor do Produto Interno Bruto, ficando, em 2014, atrás
somente dos Estados Unidos, da China e do Japão, afirmando-se como a principal potência europeia. A
organização do espaço econômico nacional tem sofrido profundas transformações nos últimos 25 anos,
depois do estabelecimento dos eixos de desenvolvimento em direção à antiga Alemanha Oriental.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 65.

Análise cartográfica

Segundo as informações do mapa, os fluxos de investimentos alemães são dirigidos para que áreas? Procure explicar o porquê.

Para os países do Leste Europeu. O mapa mostra a expansão da área de influência alemã na Europa.

Ainda que o processo de unificação do país tenha custado caro, em função dos ajustes necessários tanto
no funcionamento da economia como na equiparação dos direitos sociais dos cidadãos residentes na
porção ocidental e oriental do país unificado. A Alemanha tem assumido um papel de liderança no
continente europeu e no mundo.

A economia alemã enfrentou a crise financeira que abalou a Europa, em especial a Zona do Euro, melhor
que os demais países. Entre os fatores que explicam seu desempenho está a competitividade de seus
produtos no mercado internacional, o que permitiu diversificar seus parceiros comerciais.
Muitas empresas transnacionais alemãs têm investido nos países da América, com destaque para os
setores industriais, como o automobilístico, o farmacêutico e o petroquímico. Brasil, Argentina e México
foram os países da América Latina que mais receberam investimentos das empresas alemãs nas últimas
décadas.

JULIAN STRATENSCHULTE/DPA/CORBIS/LATINSTOCK

Fábrica de veículos utilitários em Hanover (Alemanha, 2013).


Página 160

A liderança alemã

A Alemanha, assim como a França, teve um papel decisivo no sucesso da adoção do euro, a moeda da
União Europeia. Por causa disso, a Bolsa de Valores de Frankfurt apresentou grande crescimento e
consolidou-se como o centro financeiro dos negócios com a moeda europeia. Além disso, por causa da
proximidade com os países do Leste Europeu, que estiveram sob a influência da União Soviética, a
Alemanha tem ampliado os investimentos nos países do antigo bloco socialista.

DPA/CORBIS/LATINSTOCK

Praça da prefeitura de Frankfurt, com os prédios e o entorno arrasados pelos bombardeios dos aliados na Segunda Guerra
Mundial (Alemanha, 1945).

GAVIN HELLIER/JAI/CORBIS/LATINSTOCK

Após a reconstrução, Frankfurt se tornou o principal centro financeiro da Alemanha. Na foto acima, o prédio da prefeitura
reconstruído (foto de 2012).

A Alemanha vem tomando a liderança na União Europeia, principalmente desde a crise de 2008, que
abalou de maneira profunda as economias periféricas desse bloco econômico. Sua relativa estabilidade
econômica, em um quadro altamente recessivo, foi um dos principais motivos para que sua ascensão
político-econômica se consolidasse.
Diante da grave questão dos refugiados, a Alemanha foi o país que mais acolheu essas pessoas, tendo
recebido, em 2015, cerca de 800 mil deles. Essa política tem provocado reações na direita nacionalista,
xenófoba e contra a imigração. Países como Hungria, porta de entrada de refugiados, e mesmo outros
da União Europeia criticaram a postura do governo alemão em abrir a União Europeia aos refugiados.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Explique a posição do Reino Unido em relação aos Estados Unidos.

2. Cite dois exemplos da internacionalização da economia francesa.

3. Explique duas consequências da derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

4. Cite duas medidas de recuperação da Alemanha após a guerra.


Página 161

Japão

TERMOS E CONCEITOS
• xogunato
• Era Meiji
• zaibatsu
• just in time

O Japão é conhecido como “o país do Sol nascente” por situar-se no Extremo Oriente. Em seu território,
composto de mais de 3.400 ilhas, predomina o relevo montanhoso por causa das forças orogênicas
recentes. O país está localizado numa área de encontro das placas tectônicas e, por isso, ocorrem
inúmeros vulcões, muitos deles ativos, e também terremotos com certa frequência. Os ventos frios e
secos que vêm da Rússia e as correntes marítimas frias mantêm as temperaturas mais baixas na parte
norte das ilhas, ou seja, nas áreas de maiores latitudes. Essa configuração natural dificulta a agricultura,
mas explica a importância da atividade pesqueira, que se estende além do mar japonês.

O Japão é um país de civilização milenar. As planícies litorâneas e planaltos, que ocupam apenas 20% do
território, apresentam altas densidades populacionais.

O primeiro governo centralizado do Japão foi instituído somente por volta do século IV e unificou
diversos reinos autossuficientes. No entanto, os conflitos entre os reinos continuaram. Os samurais, que
eram guerreiros recrutados nos diversos clãs para defender o território, passaram a ocupar cada vez
mais os cargos de confiança e progressivamente se instalaram no poder. Dessa forma, formou-se a
classe do xogunato (guerreiros de maior confiança do imperador), e desde o século XII alternaram-se
períodos de governo imperial e militar, que algumas vezes coexistiram.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 106.
BIGGABIG/SHUTTERSTOCK

O templo budista de Kinkaku-ji foi construído em 1397, durante o xogunato Ashikaga. Ele está localizado na cidade de Kyoto, que
durante séculos foi a capital imperial do Japão (foto de 2015).
Página 162

Do século XVII ao XX

Em 1641, medidas de reconstrução do país após diversas guerras incluíram a expulsão dos estrangeiros
do arquipélago e o fechamento dos portos a navios estrangeiros (exceto chineses e holandeses). Até o
século XIX, o Japão evitou a interferência das potências estrangeiras e permaneceu bastante isolado.

A economia capitalista, em expansão no mundo, necessitava de mercados. Em 1853, a pressão das


potências estrangeiras para a abertura dos portos no Japão provocou uma crise, que resultou na
derrubada definitiva do xogunato e no fortalecimento do poder do imperador.

Entre 1868 e 1912, o jovem imperador Matsuhito alcançou o poder e marcou o início da Era Meiji. Sem
abrir mão da cultura milenar, o Japão imperial se abria para o Ocidente e iniciava processos de
unificação, reestruturação e modernização política e social do país. Foram efetuadas mudanças radicais,
que incluíram a extinção dos domínios feudais, a criação de infraestrutura industrial e uma reforma
cultural e educacional.

Ao iniciar-se a Primeira Guerra Mundial, o Japão conquistou importantes mercados dos países europeus
debilitados pelo conflito, principalmente nos setores da indústria naval, química, têxtil, de adubos e de
medicamentos.

Muitas indústrias e grandes bancos se fortaleceram nessa época, graças ao enriquecimento de famílias
tradicionais de comerciantes, donos de terras e de manufaturas. Formaram-se grandes grupos
empresariais (holdings), chamados zaibatsu.

Japão nas duas guerras mundiais

Após a Primeira Guerra Mundial, os produtos japoneses já não tinham o mesmo espaço no mercado. A
quebra da Bolsa de Nova York em 1929 e as campanhas militares na China pelo controle da Manchúria
afetaram mais ainda a economia japonesa. Após uma década, os Estados Unidos suspenderam a venda
de matérias-primas para o Japão, que, em 1941, declarou guerra aos Estados Unidos.

A Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, e o fim foi particularmente trágico para o Japão, que
sofreu um ataque por bomba atômica dos Estados Unidos que destruiu as cidades de Hiroshima e
Nagasaki. Houve também outras consequências, como a dissolução dos zaibatsu, a ocupação do
território japonês e o controle das atividades econômicas pelos estadunidenses até 1951.
UNIVERSAL HISTORY ARCHIVE/UIG/GETTY IMAGES

O Japão se rendeu aos aliados na Segunda Guerra Mundial, após o bombardeio nuclear das cidades de Hiroshima e Nagasaki, em
agosto de 1945. Foto aérea de Hiroshima, logo após o lançamento da bomba atômica pelos Estados Unidos em 1945.

KAZUHIRO NOGI/AFP

O edifício antigo (em segundo plano), transformado em Memorial da Paz, resistiu ao impacto nuclear em Hiroshima (Hiroshima,
Japão, 2012).
Página 163

Reconstrução japonesa

Para retomar o desenvolvimento econômico, depois da destruição do parque industrial e da proibição


da produção de armamentos, o país investiu em infraestrutura e contou com financiamentos externos.

Juntamente com os termos de renúncia da guerra, foi obrigado a aceitar a assistência e a cooperação
dos Estados Unidos. Por causa da posição estratégica do Japão no continente asiático, o país cedeu
territórios às bases militares estadunidenses, que procuravam locais para instalá-las e para deter
militarmente eventual avanço do comunismo pelos países da Ásia.

Na década de 1960, mesmo com o mercado interno reduzido, os produtos japoneses já eram bem-
aceitos no mercado internacional. Os investimentos na melhoria da qualidade dos produtos, as novas
tecnologias e o aumento de produtividade, com o objetivo de eliminar desperdícios no processo
industrial, permitiram que as mercadorias e bens fabricados no Japão ultrapassassem os dos Estados
Unidos em qualidade e invadissem as lojas estadunidenses.

Na década de 1980, o Japão já fazia parte das principais economias industriais do mundo.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA


Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas 2013. Paris: Vuibert, 2012. p. 113.

Análise cartográfica

Após observar o mapa, cite dois motivos importantes para que os Estados Unidos mantenham bases militares no Japão.

As bases estadunidenses estão localizadas perto de países que desafiaram os Estados Unidos na Guerra Fria e ainda preocupam o país, como China,
Rússia e Coreia do Norte.

Para assistir
Cartas de Iwo Jima
Direção: Clint Eastwood.
País: Estados Unidos.
Ano: 2006.
O filme aborda a Batalha de Iwo Jima, travada em 1945 numa ilha do Pacífico, envolvendo soldados do império
japonês e do exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Além de questionar a validade das
guerras e o sacrifício de jovens, o filme considera o ponto de vista dos soldados japoneses que participaram do
conflito.

REPRODUÇÃO
Página 164

Reestruturação econômica do Japão

No final do século XX, o Japão estava novamente integrado no processo de globalização econômica.

A modernização tecnológica, os novos métodos de trabalho e a reestruturação da organização industrial


garantiram o sucesso dos produtos japoneses. Já a qualificação dos trabalhadores foi conseguida com
investimentos em educação e produção de boa qualidade. O governo organizou a economia com
investimentos, isenções fiscais, reorganização dos zaibatsu e incentivo à poupança interna para
obtenção de recursos.

Os modelos de produção fordista-taylorista já não podiam atender às novas exigências da produção


japonesa. A inspeção de qualidade desses modelos aumentava os custos do produto e não conseguia
atingir seu objetivo com êxito. Dessa forma, foram desenvolvidos novos métodos, técnicas e
ferramentas que serviriam para eliminar peças defeituosas, reduzir erros e atingir qualidade máxima.

Para navegar
Embaixada do Japão no Brasil
www.br.emb-japan.go.jp
O site apresenta dados sobre o Japão, sua economia, sociedade e cultura. Apresenta também uma programação de
eventos e atrações especiais da cultura japonesa em várias partes do país.

Toyotismo

O modelo tomado como base era desenvolvido na fábrica da Toyota, depois da Segunda Guerra
Mundial. O toyotismo empregava um modelo enxuto de produção. Ou seja, combatia todo o
desperdício no transporte, na produção e no estoque de produtos. Para tanto, propunha o estoque zero
e o lote unitário, entre outras medidas. As atividades e o fluxo de mercadorias e de valor passaram a ser
rigorosamente mapeados e controlados para o cumprimento dos objetivos.

A reorganização do processo produtivo incluiu a preocupação com os prazos, o uso de máquinas de


ajuste rápido e flexível e o emprego do sistema just in time. A produção, o transporte e a venda devem
ser feitos por demanda. Nesse sistema, tanto o produtor quanto o cliente saem ganhando, já que o
consumidor pode escolher o produto, de acordo com suas preferências, enquanto o produtor
economiza na compra de matérias-primas.

Dessa forma, os produtos são montados em pouco tempo, após a venda, e em poucas unidades, além
de trabalhar com um estoque mínimo de matérias-primas. Os funcionários fixos, por sua vez, são
constantemente treinados para cumprir suas funções com agilidade.

As relações estreitas com os parceiros comerciais, a seleção dos fornecedores, a proximidade geográfica
das grandes unidades fabris com as pequenas e médias empresas fornecedoras e a manutenção de
pequenos lotes garantem a eficiência do sistema just in time.

O modelo toyotista foi adotado por outras empresas japonesas e também por grande parte da
comunidade empresarial mundial, que viu nele a possibilidade de modificar o gerenciamento da
produtividade e alcançar maior competitividade nos mercados.
KAZUHIRO NOGI/AFP

Fábrica japonesa de automóveis na província de Aichi, baseada no modelo de produção toyotista (Japão, 2014).

Para ler
A organização do trabalho no século 20
Geraldo Augusto Pinto. São Paulo: Expressão Popular, 2007.
O autor explica de maneira didática as características que diferenciam os sistemas produtivos taylorista, fordista e
toyotista e aponta os impactos resultantes da adoção desses sistemas para os trabalhadores.

REPRODUÇÃO
Página 165

Parceiros comerciais e produção industrial do Japão

A produção em larga escala japonesa se expandiu com a fabricação de bens de consumo duráveis,
conquistando mercados nos Estados Unidos, na Europa e, em especial, na Ásia.

Durante a Guerra Fria, o Japão realizou investimentos nos Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Hong
Kong e Cingapura) e nos Novos Tigres (Malásia, Indonésia, Filipinas e Tailândia) para conter o avanço
comunista. Dessa forma, esses países passaram a complementar a economia japonesa, constituindo-se
em plataformas de exportação. A indústria mais qualificada e complexa, além da pesquisa em tecnologia
de ponta, permaneceu no Japão.

Em troca de transferência de indústrias japonesas, de tecnologia e de equipamentos, os Tigres e os


Novos Tigres Asiáticos oferecem vantagens como mão de obra mais barata e facilidades fiscais, entre
outras.

Os principais complexos industriais japoneses encontram-se nas planícies, próximos aos portos do
Pacífico, para minimizar os custos de transporte e facilitar a recepção de matérias-primas e recursos
energéticos (dos quais o Japão é dependente) e a exportação dos produtos industrializados. Os
principais centros industriais são Tóquio, Nagoya, Osaka e Kobe, além de Sapporo e Nagasaki. Os
diversos tecnopolos, como os localizados em Tsukuba, Miyasaki, Ube, Hiroshima e Nagaoka, atestam a
importância tecnocientífica japonesa e produzem inovações nos ramos da eletrônica, da robótica e da
química.

EDU VISION/ALAMY/LATINSTOCK

Tsukuba é um dos principais tecnopolos do país. A cidade conta com universidade e diversos centros de pesquisa de tecnologia de
ponta. É um dos locais mais procurados para a instalação de novas empresas (Ibaraqui, Japão, 2012).

Japão atual

Durante a década de 1990, o Japão enfrentou uma grave crise. O excesso de capitais tornou atrativos os
investimentos na bolsa de valores e no mercado imobiliário, e essa grande demanda provocou o
aumento irreal dos preços. Aos primeiros sinais de crise, a venda das ações e dos imóveis ocasionou a
queda de preços. Além da quebra do setor bancário, o PIB japonês apresentou baixo crescimento e
houve estagnação econômica, endividamento público e empresarial, além de queda nas exportações.

As medidas adotadas pelo governo foram insuficientes para reativar o crescimento econômico das
décadas anteriores e a recessão adentrou o século XXI, apresentando frequentes oscilações no PIB.
Segundo os dados da embaixada japonesa, a taxa de desemprego, que era de apenas 2,1% em 1990,
subiu para 4,2% em 2012.

Em 2011, um maremoto seguido de um tsunami, na costa Nordeste do Japão, deixou milhares de


mortos e destruiu cidades inteiras. Um dos maiores danos foi o vazamento de material radioativo dos
reatores na usina de Fukushima.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: LE MONDE.FR. Disponível em: <www.lemonde.fr/economie/article/2014/02/17/croissance-japonaise-decevanteau-4e-


trimestre_4367691_3234.html>. Acesso em: abr. 2016.
Página 166

Questão energética

O Japão, pobre em recursos energéticos, depende do petróleo e do gás natural da Rússia, além do
petróleo dos países do Oriente Médio.

Após o tsunami de 2011, o Japão foi desativando progressivamente seus 50 reatores nucleares. Por
causa da crescente utilização do petróleo, carvão e gás para obtenção de eletricidade, o Japão
aumentou o volume da importação e a dependência dessas fontes, contrariando, assim, os
compromissos assumidos no Protocolo de Kyoto, que previa a redução de emissão de CO 2.

O preço da eletricidade aumentou de 15% a 20%, entre 2010 e 2012. Em 2014, muitos setores da
sociedade insistiam em reiniciar as operações de muitos reatores. Apesar de o Japão investir e subsidiar
a construção de novas usinas de fontes renováveis, como a solar, em final de 2015 dois reatores da
usina de Sendai foram religados, e a previsão é de que mais 25 sejam reativados no país.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: EIA – US. Energy Information Administration – United States. Disponível em:
<www.eia.gov/todayinenergy/detail.cfm?id=10391>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Qual foi o acontecimento importante que provocou mudança na matriz energética japonesa? Qual foi essa mudança?

O evento foi um maremoto, seguido de tsunami. A diminuição da utilização de energia nuclear.

Potência regional

Ao lado da projeção econômica (industrial, científica e tecnológica), o Japão sobressaiu no campo


geopolítico e se tornou influente na grande área de prosperidade econômica do Sudeste Asiático.
Entretanto, o desenvolvimento econômico chinês e sua projeção econômica em escala regional e
mundial já ultrapassaram a supremacia japonesa na Ásia.

Ressentimentos do Japão com a China, com a Coreia do Norte e com a Rússia persistem desde os
tempos dos conflitos do final do século XIX, ou originados no século XX em situações como a Segunda
Guerra e a Guerra Fria. Desde então, o Japão se equilibra num jogo geopolítico: depende da proteção
dos Estados Unidos, enquanto tenta manter relações comerciais com a China.
Já em relação à Coreia do Norte, a preocupação se deve à realização de testes nucleares que desafiam
até mesmo a comunidade internacional e aumentam as tensões na região.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Apesar de ter sido vencido na Segunda Guerra Mundial, o Japão conseguiu se recuperar economicamente.
Cite duas medidas que possibilitaram a retomada do crescimento industrial do país.

2. Cite ao menos duas características do toyotismo e explique-as.

3. Comente um problema japonês no século XXI de ordem natural, um de ordem econômica e um de ordem
ambiental.
Página 167

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Descreva o processo de formação territorial dos Estados Unidos.

2 Explique por que os novos ramos industriais dos Estados Unidos não se concentram no polo industrial da região dos Grandes
Lagos.

3 Com base na leitura deste capítulo, descreva as transformações recentes dos espaços econômicos da Grã-Bretanha, da França e
da Alemanha.

4 Quais foram as razões históricas da aliança política e econômica entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos?

5 Identifique uma vantagem e uma desvantagem da unificação alemã para a economia e a política da Alemanha.

6 Observe o gráfico ao lado.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: MIDDLE East Institute. <www.mei.edu/content/japan%E2%80%99s-new-energy-future-and-middle-east>. Acesso em: mar.


2016.

Faça dois comentários sobre a situação energética do Japão.

Leitura cartográfica

7 Observe e analise o mapa abaixo. Em seguida, realize as atividades.


FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas du Monde Diplomatique: un monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2009. p.
76-77.

a) Identifique os principais parceiros comerciais da Alemanha.

b) Identifique o parceiro comercial com o qual a Alemanha mantém uma aliança estratégica para o desenvolvimento da União
Europeia.

c) Do ponto de vista alemão, qual é a importância do estreitamento nas relações com a Rússia e a Ásia Central?
Página 168

Cartografia em foco
Esboço de paisagem
Ao observar uma paisagem sempre é possível identificar alguns dos principais elementos geográficos:
extensão das construções humanas, diversidade e singularidade de formas naturais, transformações em
marcha, entre outros. É por isso que um simples desenho dos principais traços da paisagem pode se
transformar numa representação de interesse cartográfico para a Geografia, denominada de esboço de
paisagem.

Para elaborar um esboço o cartógrafo-desenhista pode observar esses principais elementos


diretamente na paisagem, traçando-os numa folha de papel. A comparação de fotos de diferentes
épocas também é recurso valioso para a escolha das informações que devem ser representadas.

Questões

Responda no caderno.

Vamos elaborar um esboço de paisagem da cidade de Seattle, com base em fotografias de diferentes
épocas.

Seattle, localizada no estado de Washington, na costa pacífica dos Estados Unidos, próxima à fronteira
com o Canadá, é um bom exemplo do impacto social provocado pelo período da Grande Depressão que
sucedeu à Crise de 1929. A primeira fotografia representa a cidade vista de Hooverville, na área
portuária. Esse local ficou mundialmente famoso e tornou-se símbolo de luta popular, pois, no auge da
crise, seus moradores resistiram à tentativa de desocupação da área pela polícia local.

GRANGER/FOTOARENA

Vista da cidade de Seattle (Estados Unidos, 1933).


JOEL W. ROGERS/CORBIS/FOTOARENA

Vista da cidade de Seattle (Estados Unidos, década de 1990).

1. Sobreponha a primeira fotografia com um papel transparente e trace com um lápis preto: a) a linha do
horizonte; b) a linha divisória entre os edifícios, a fábrica e o bairro com as habitações precárias; c) desenhe a
fábrica e os principais edifícios.

2. Em seguida, sobreponha o mesmo papel transparente na segunda fotografia e trace com um lápis vermelho: a)
uma hachura no pátio com o depósito de contêineres; b) os principais edifícios.

3. Cole o seu esboço de paisagem no caderno e escreva um comentário sobre as transformações da paisagem de
Seattle entre 1937 e o início da década de 1990.
Página 169

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (Uerj, 2014)

© 2004 MATT WUERKER/DIST. BY UNIVERSAL UCLICK

Disponível em: <http://nycop.com> (adaptado).

As consequências do processo de globalização e da atual crise econômica nos Estados Unidos têm levado norte-americanos a
procurar oportunidade de trabalho em outros países, como o Canadá. Na charge, a pergunta irônica do empresário expõe a
seguinte contradição da atuação das empresas globais nos EUA:

a) criação de rede planetária de transportes − limite à exportação de capitais.

b) expansão de produção terceirizada − consumo dependente de empregabilidade.

c) prioridade de investimento no setor industrial de base − concentração financeira na Ásia.

d) política de ampliação dos benefícios trabalhistas − restrição à mobilidade espacial de imigrantes.

2 (Uece, 2011) Os acontecimentos manifestados com a aguda crise financeira no setor dos empréstimos hipotecários nos Estados
Unidos fizeram crescer uma ansiedade dos responsáveis econômicos pelo setor privado face à sua incapacidade de prever o
conteúdo, a abrangência e a amplitude das instabilidades econômicas neste começo de século XXI.

Sobre esse tema, identifique a opção que contém uma afirmativa falsa.

a) A potencialidade da crise em propagar seus efeitos sobre o sistema financeiro mundial surpreendeu a comunidade de
investidores e operadores, e o resultado foi uma grande divulgação dos acontecimentos na mídia internacional, perplexa diante
das falências de importantes bancos de investimentos e das maiores seguradoras do mundo.

b) As concordatas fraudulentas, a manipulação dos balanços das empresas e as revelações sobre as remunerações de dirigentes
cujas competências se mostraram duvidosas aumentaram a desconfiança dos grandes operadores e investidores do mercado
financeiro.
c) A necessidade de encontrar novas saídas de ampliação para os lucros fez com que investidores cada vez mais recorressem a
especulações financeiras, como aquelas que caracterizam os mercados de ações e negócios fraudulentos e as hipotecas subprime.

d) Após a crise econômica, um forte sistema de regulação por parte dos Estados passou a exigir mais responsabilidade de bancos
e instituições financeiras e as atividades mais lucrativas começaram a respeitar rigorosamente um conjunto de regras que protege
o “mundo financeiro” de novas fraudes.

3 (UFPR, 2010) A fronteira do México com os Estados Unidos tem protagonizado distintos processos de natureza social,
econômica e espacial. Sobre essa realidade, considere as seguintes afirmativas:

1. Observa-se um intenso processo migratório ilegal do México com destino aos Estados Unidos, desencadeando ações radicais
por parte do governo americano, como a construção de um muro para marcar a fronteira e dificultar o ingresso de migrantes
clandestinos nos EUA.

2. Há uma importante relação industrial entre os dois países, sobretudo por meio da ação das maquiladoras, indústrias
americanas instaladas do lado mexicano que se aproveitam de isenções tarifárias, importam componentes dos Estados Unidos,
executam a montagem dos produtos utilizando-se do baixo custo da mão de obra mexicana e exportam os produtos acabados
para os EUA, com preços normalmente abaixo daqueles praticados pelas indústrias que produzem em território americano.

3. Os problemas existentes entre ambos os países podem ser atribuídos à separação física estabelecida por essa fronteira: o
México compõe a América Central e os Estados Unidos a América do Norte.

4. A importância da fronteira entre EUA e México em relação à migração e ao processo de localização das maquiladoras se
justifica pelo fato de as maiores cidades mexicanas estarem localizadas na região de fronteira, inclusive a capital, Cidade do
México.

5. As remessas de dólares que os imigrantes fazem para suas famílias no país de origem contribuem com expressiva parcela da
economia mexicana.

Identifique a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas 2, 3 e 5 são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas 1, 2 e 5 são verdadeiras.


Página 170

4 (PUC-RJ, 2012)

MAPAS: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 90.

Em relação às diferentes divisões territoriais da região da Europa selecionada, identifique a única opção que apresenta a
sequência corretamente nomeada:

Reino Unido – Inglaterra – Ilhas Britânicas – Grã Bretanha

a) D – C – A – B.

b) A – B – D – C.

c) D – B – A – C.

d) A – C – D – B.

e) B – A – C – D.

5 (Enem, 2015)

Até o fim de 2007, quase 2 milhões de pessoas perderam suas casas e outros 4 milhões corriam o risco de ser
despejadas. Os valores das casas despencaram em quase todos os EUA e muitas famílias acabaram devendo mais
por suas casas do que o próprio valor do imóvel. Isso desencadeou uma espiral de execuções hipotecárias que
diminuiu ainda mais os valores das casas. Em Cleveland, foi como se um “Katrina financeiro” atingisse a cidade.
Casas abandonadas, com tábuas em janelas e portas, dominaram a paisagem nos bairros pobres, principalmente
negros. Na Califórnia, também se enfileiraram casas abandonadas.

HARVEY, D. O enigma do capital. São Paulo: Boitempo, 2011.

Inicialmente restrita, a crise descrita no texto atingiu proporções globais, devido ao (à)

a) superprodução de bens de consumo.

b) colapso industrial de países asiáticos.

c) interdependência do sistema econômico.


d) isolamento político dos países desenvolvidos.

e) austeridade fiscal em países em desenvolvimento.

6 (UFG, 2012) Nos últimos anos, países como França, Inglaterra, Espanha e Itália viram se agravar os seus conflitos internos, em
alguns casos com manifestações violentas e confrontos entre manifestantes, a maioria envolvendo jovens e forças policiais. Esses
acontecimentos ocorreram por causa

a) da intensificação dos movimentos antiglobalização que se prolongam desde o final da década de 1990 e tiveram como fato
marcante a grande manifestação durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle, nos Estados Unidos.

b) dos movimentos pontuais que acontecem na Europa em protestos contra a União Europeia e a imposição aos países do euro
como moeda única, fator que teria ampliado o desemprego.

c) da luta da juventude pela paz mundial, principalmente contra a participação de seus países em missões militares no Afeganistão
e Iraque, ao lado dos Estados Unidos.

d) do crescimento da migração de populações de outros países, envolvidos em guerras ou catástrofes ambientais, aliado à falta de
emprego para a juventude, em virtude da extensão da crise econômica.

e) da determinação da juventude que luta por reforma educacional e por maior participação do Estado no ensino superior com a
finalidade de ampliar a gratuidade desse ensino.

7 (UPE, 2009) Identifique, na coluna I, as afirmativas verdadeiras e, na coluna II, as falsas.

Vários foram os fatores responsáveis pela expressiva reconstrução do Japão após a derrota sofrida por este país asiático na
Segunda Guerra Mundial. Identifique-os.

I II
0 0 A posição geopolítica estratégica do país o transformou num “parceiro” importante dos Estados
Unidos para conter o avanço do comunismo na região.
1 1 A proibição de investimentos em forças militares de ataque, imposta pelos Estados Unidos,
acabou resultando em maiores investimentos do país em relação à melhoria da infraestrutura
nacional.
2 2 O apoio oferecido pelo Japão ao Vietnã do Norte atraiu maior investimento dos Estados Unidos,
sobretudo na indústria naval.
3 3 A URSS, para neutralizar a influência dos Estados Unidos, investiu fortemente na indústria de
eletrodomésticos e, posteriormente, na mineração de carvão.
4 4 O Japão, que possuía um mercado interno reduzido, apostou nas exportações, sobretudo para o
mercado norte-americano, impulsionando, assim, o crescimento industrial.
Página 171

8 (UFBA, 2012)

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: MOREIRA, I. Construindo o espaço mundial. São Paulo: Ática, 1998. p. 242 (adaptado).

“Por sua localização no extremo leste da Ásia, o Japão é conhecido como ‘terra do sol nascente’. Formado por
quatro ilhas principais (Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu), é bastante montanhoso, o que dificulta a agricultura.
A pequena quantidade de terra arável e a extensa zona costeira levam ao desenvolvimento da maior frota de pesca
do mundo em tonelagem. Em função da sua posição geográfica, aliada às características geológicas, o país é afetado
por inúmeros desastres naturais.

Após a derrota da nação na Segunda Guerra Mundial, as instituições foram reconstruídas em moldes ocidentais.
Muito da tradição milenar, no entanto, se mantém. O país é um dos mais competitivos exportadores de produtos
eletrônicos e de automóveis, o que o transformou em uma das grandes potências econômicas globais. Contudo, a
nação vive longo período de instabilidade econômica, agravado com a eclosão da crise financeira mundial.”

JAPÃO. Almanaque Abril 2011. São Paulo: Abril, ano 37, 2011. p. 511 (adaptado).

Considerando-se o mapa, as informações do texto e os conhecimentos sobre a situação geográfica e geológica, características
físicas, humanas e econômicas e problemas atômicos que deixaram marcas no espaço territorial japonês, é correto afirmar:

(01) A “terra do Sol nascente” situa-se geologicamente na zona de contato de placas tectônicas — destacando-se por intensa
atividade vulcânica e sísmica — e tem sua tipologia climática ligada à localização geográfica na zona temperada do norte, à
extensão latitudinal e à ação das correntes marítimas.

(02) Os primeiros contatos do Japão com os países ocidentais só ocorreram no período entre a Primeira e a Segunda Guerra
Mundial, ocasião em que missionários católicos jesuítas desenvolveram trabalhos educativos com crianças e jovens japoneses
pobres.

(04) As cidades de Hiroshima e Nagasaki foram destruídas pela bomba atômica, marcando o fim da Segunda Guerra Mundial,
enquanto o terremoto que atingiu o país em março de 2011 foi provocado pelo movimento de placas tectônicas na região
conhecida como Falha do Japão.

(08) Os abalos sísmicos e as consequentes ondas gigantes ocorridos em 2011 causaram danos à Usina Nuclear de Fukushima,
localizada, aproximadamente, a mais de duzentos quilômetros ao norte de Tóquio.
(16) Os principais parques industriais que transformaram o Japão em grande potência econômica situam-se próximo ao litoral do
Pacífico, na costa leste, em razão da grande dependência externa de matéria-prima — uma vez que seu espaço territorial é muito
pobre em recursos minerais e energéticos — e para minimizar os custos dos transportes.

(32) A diversificada atividade agrícola japonesa ocupa amplas planícies costeiras e está voltada para o mercado interno e externo,
enquanto a pesca é restrita ao mar territorial, que acompanha costas pouco recortadas.

Soma: ______

9 (UFRGS, 2009) Identifique a alternativa correta sobre a formação dos blocos econômicos no século XX.

a) A criação do Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) em 1947 representou um atraso nas relações internacionais, superado
apenas em 1995 com a criação da OMC (Organização Mundial do Comércio).

b) O Alca (Acordo de Livre Comércio entre as Américas) foi criado em 1995 para fortalecer a economia da América Latina,
abrangendo todos os países latino-americanos.

c) A União Europeia, fundada em 1991, visava à criação de uma moeda única, o euro, para facilitar as transações comerciais entre
os países-membros.

d) O Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), que entrou em vigor em 1994, abrange o Canadá, os Estados Unidos e o
México e visa à livre circulação de mercadorias e trabalhadores entre os países-membros.

e) Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção, em 1991, visando a uma aliança comercial para o
fortalecimento da região.

10 (Fuvest, 2008)

“A União Europeia (UE), composta por 27 países, apresenta um sistema político historicamente único, que vem evoluindo há mais
de 50 anos”.

Adaptado de Pascal Fontaine, 2007.

a) Cite duas nações, membros da UE, que não aderiram à moeda única, o Euro. Explique o porquê dessa não adesão.

b) Outros países europeus estão reivindicando sua entrada para a UE. Cite um desses países e explique um motivo para tal
reivindicação.

c) Cite uma exigência para um país ser aceito no bloco da UE. Explique.
Página 172

CAPÍTULO 8 Países emergentes: China, Índia e


Rússia
A China está entre as maiores potências mundiais e faz parte do Brics com Brasil, Rússia, Índia e África
do Sul. Juntos, esses países são considerados potências emergentes, tanto pelo peso de suas economias
quanto pela forte influência que exercem nos cenários regional e global.

China

Com um crescimento econômico extraordinário e um significativo aumento na participação da economia


mundial, a China tornou-se a primeira potência comercial da atualidade, apesar das grandes desigualdades
regionais. Depois de ter passado por um processo de coletivização dos meios de produção, a recente abertura
econômica provocou grandes transformações na economia do país.

Índia

A longa convivência entre os diferentes povos que habitam o território hoje pertencente à Índia produziu a
identidade desse país. Com o processo de descolonização e de independência, a Índia obteve um acelerado
desenvolvimento econômico e destaque no comércio global. O país lidera as vendas externas de produtos de
informática.

Rússia

O país atingiu o maior desenvolvimento econômico de todas as ex-repúblicas soviéticas ao exercer influência
econômica e estratégica sobre elas. Por causa da reestruturação econômica e do crescimento, muitos
problemas surgiram depois de 1985. O petróleo e o gás são os principais produtos na pauta de exportações
desse país.

ENEM
C2: H7, H8, H9, H10
C3: H11, H14, H15
ROLF BRUDERER/CORBIS/LATINSTOCK

Templo de Bahai, em Nova Délhi (Índia, 2008).


Página 173

ILUSTRAÇÕES: DANIEL RODA

Fonte: RIA Novosti. Disponível em: <http://ria.ru/infografika/20150323/1053966117.html>. Acesso em: maio 2016.

1. Observe a foto do templo de Bahai, em Nova Délhi, na Índia. No país, atualmente convivem a modernidade e as
antigas tradições. O que você sabe sobre isso?

Resposta pessoal. A Índia vem se modernizando e tem aumentado sua participação na produção industrial mundial. Ao mesmo tempo, sua
população é formada por um mosaico de etnias e religiões.

2. Segundo o infográfico, qual a principal característica das economias da China, da Índia e da Rússia? Compare com
a do Brasil.

Enquanto a China possui um poderoso setor industrial, a Índia possui recursos intelectuais baratos e a Rússia, vastos recursos minerais. Já o Brasil se
destaca na produção agrícola.

3. Dentre os países do Brics, qual possui o maior PIB? A que se deve esse fato?

A China possui o maior PIB dentre os países do Brics, devido a seu poderoso setor industrial.
Página 174

China

TERMOS E CONCEITOS
• coletivização dos meios de produção
• economia planificada
• Região Administrativa Especial
• abertura econômica
• Zonas Econômicas Especiais (ZEE)
• diáspora chinesa

O extenso território chinês é delimitado por um litoral bastante recortado, com mais de 5 mil ilhas a
leste, por enormes montanhas a oeste, no Tibete, e pelo deserto de Gobi, ao norte. Pelas extensas
planícies centro-orientais sopram os ventos de verão dos mares do sul, que levam as chuvas torrenciais
das monções.

Nesse território, além da majoritária etnia han (91,6% da população), há muitos grupos étnicos
diferentes: ramos da família sino-tibetana (miao-iao, zuang-dong e daí), do grupo tibeto-birmanês e das
etnias de línguas uralo-altaicas, como turcos, mongóis e tungues.

TOMOHIRO OHSUMI/BLOOMBERG/ GETTY IMAGES

Oficialmente, o governo chinês reconhece 56 grupos étnicos diferentes (Xangai, China, 2015).

Estabelecimento do governo socialista

Desde 1949, ano em que ocorreu a revolução liderada por Mao Tsé-Tung, a China adotou o regime
socialista e passou a ser governada pelo Partido Comunista. Com base na experiência soviética, os
chineses realizaram a coletivização dos meios de produção, ou seja, passaram para o controle do
Estado as empresas e as terras agrícolas. Além disso, o país adotou uma economia planificada, em que
um órgão central determina o que deve ser produzido, e proibiu a entrada de produtos estrangeiros.
Dessa forma, somente mercadorias autorizadas pelos governantes, como armamentos e produtos para
a tecnologia, poderiam entrar no país.

Nesse período, a área ao longo do Vale do rio Azul (Yang Tsé-Kiang), de Sichuan a Xangai, transformou-
se no eixo econômico de maior dinamismo do país. Nesse local foram desenvolvidos vários tipos de
produção, desde atividades siderúrgicas e petroquímicas até a produção de aviões e computadores.

A economia e as regiões da China

Pequim (Beijing), a capital do país, é uma das portas de acesso ao mundo chinês, além de ponto de
contato entre a civilização chinesa e os povos mongóis. Localizada na borda da Grande Planície da China
do Norte, no sopé dos maciços montanhosos ocidentais, é uma área de ocupação muito antiga. As
marcas dessa história podem ser vistas na Cidade Proibida, onde foi construído o monumental palácio
imperial das dinastias Ming e Qing e a Grande Muralha da China, que passa 75 quilômetros ao norte de
Pequim.

IMAGINECHINA/CORBIS/LATINSTOCK

Em Pequim está a Cidade Proibida — um conjunto de palácios que foram habitados pelos imperadores chineses e hoje é um
museu aberto à visitação (China, 2013).
Página 175

A província de Hebei, demarcada ao norte pela Grande Muralha e, ao sul, pelo rio Hoang-Ho (Amarelo),
é a principal produtora de algodão da China. A extração de carvão mineral, que é a importante fonte
energética que impulsiona o desenvolvimento industrial regional, também recebe destaque.

Na Grande Planície, localizam-se as províncias Henan, Shandong e Heilongjiang, as maiores produtoras


de cereais do país, em 2014. Essa região tem sofrido profundas transformações, por causa dos
investimentos na mecanização agrícola e do incremento no uso de fertilizantes químicos. Essas
iniciativas garantiram um aumento significativo na produção de cereais no país.

Em 2014, a China era o segundo maior produtor de cereais do mundo (milho, trigo, arroz e soja). Porém,
esse processo de modernização da agricultura gerou desemprego entre os trabalhadores rurais, que
precisaram ser absorvidos por outros setores da economia, além de ter causado diversos problemas
sociais. Afinal, mais de 20 anos atrás, o país empregava na agricultura quase 80% de sua população
economicamente ativa.

No extremo norte da China está localizada a Manchúria, na fronteira entre a Rússia, a Coreia do Norte e
a região chinesa da Mongólia Interior. Trata-se de uma área de floresta de taiga, a principal zona de
extração de madeira do país. Dotada de importantes reservas de recursos minerais e situada próxima a
Pequim, a Manchúria abrigou o primeiro parque industrial chinês, construído nos moldes soviéticos.
Nesse parque, o complexo siderúrgico é alimentado pelo carvão mineral e pelo ferro extraídos na
região, e o petróleo produzido é utilizado na produção de têxteis sintéticos e transportado por
oleodutos até Pequim.

Xangai e Guangzhou (Cantão) são províncias que se desenvolveram voltadas para o mundo ocidental.
Cantão foi o grande porto da China imperial e objeto de disputa na Guerra do Ópio, propagada em 1839,
depois de os chineses tentarem conter o tráfico praticado pelos ingleses. A droga, produzida na Índia,
disseminava o vício na China e representava um rombo nas reservas de prata do país.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 104.
Para ler
O tigre branco
Aravind Adiga. São Paulo: Nova Fronteira, 2008.
Nesse romance, um trabalhador busca justificar seu crime (assassinar o próprio patrão para subir na vida) ao
primeiro-ministro chinês por meio de cartas que revelam traços do comportamento e da cultura do país.

REPRODUÇÃO

Análise cartográfica

Onde se desenvolve a cultura intensiva de arroz, trigo, soja e milho na China?

A cultura intensiva desses produtos agrícolas desenvolve-se principalmente no leste, no nordeste e nas áreas centrais do território chinês.
Página 176

Tratado de Nanquim

Três anos depois da derrota da China na Guerra do Ópio, foi assinado o Tratado de Nanquim (Nanjing),
que estabelecia Hong Kong como possessão do Reino Unido. Até 1912, quando houve a proclamação da
República, o país, enfraquecido pelo conflito, foi obrigado a conceder territórios a diversos países, como
Estados Unidos, França, Japão, Rússia e Alemanha.

Cantão e Xangai se tornaram os centros de “negócios da China”, onde só os estrangeiros levavam


vantagens, pois controlavam as ferrovias, os portos e toda a extensão do rio Azul, de Xangai a Nanquim,
além da desembocadura do rio Si-Kiang, em Cantão.

Dinâmicas territoriais do século XX na China

Hong Kong, que foi devolvida à China em 1997, transformou-se num elo entre a China e o mercado
internacional, com um dos maiores e mais bem equipados portos do mundo e grande centro financeiro.

A reintegração de Hong Kong levou o governo comunista de Pequim a se comprometer em manter o


sistema capitalista e a autonomia da antiga colônia britânica por cinquenta anos. A China tornou-se
responsável pelas questões de defesa e política externa do território, que passou a se chamar Região
Administrativa Especial de Hong Kong.

Em 1999, a China incorporou mais uma área ao território como Região Administrativa Especial: Macau,
que esteve sob domínio português por muitos séculos. Se Hong Kong representava o moderno, com
edifícios elevados e uma importante bolsa de valores, Macau, com praias e cassinos, inseriu a China no
circuito de turismo internacional.

O Tibete é conhecido como o “Teto do Mundo”. Localiza-se em um planalto encaixado na cordilheira do


Himalaia, 4.000 metros acima do nível do mar aproximadamente, onde faz frio o ano inteiro e é local de
nascente de diversos rios chineses. A principal atividade econômica é a pecuária, realizada por pastores
nômades que se dedicam à criação de iaques (espécie de bovino).

Trata-se de uma região estratégica porque faz fronteira com países em litígios. Em 1949, o Tibete foi
anexado à China. Os monges budistas tibetanos passaram a ser perseguidos e muitos mosteiros foram
fechados ou destruídos. Desde 1959, Dalai Lama, soberano e líder religioso do Tibete, mantém um
governo no exílio, na tentativa de sensibilizar a opinião pública internacional pelo direito de
independência do Tibete.

Em 2005, ao considerar os vultosos investimentos chineses na dinamização econômica do Tibete, Dalai


Lama passou a defender a aproximação com o governo chinês. Ele estaria disposto a reconhecer a
autoridade do governo chinês, desde que a cultura budista e o status de região autônoma do Tibete
fossem preservados. Em 2015, a China continuava a acreditar que essa atitude abriria caminho para a
independência do Tibete e não retomou o diálogo com o líder tibetano.

A Mongólia foi dividida e controlada por russos e chineses. No século XIII, o poderoso imperador dessa
região, Gengis Khan, manteve sob seu domínio um grande império que teve curta duração. Ainda nesse
mesmo século, a Mongólia foi dividida numa série de comunidades tribais. Atualmente, os mongóis
vivem na República Popular da Mongólia, que esteve durante setenta anos sob a tutela da União
Soviética, e na chamada Mongólia Interior, que pertence à China.
DEAGOSTINI/GETTY IMAGES

Lhasa, a capital tibetana, é um importante centro religioso, onde se reúnem monges praticantes do lamaísmo, uma derivação do
budismo. Na foto, Palácio de Potala, do século XVII, residência de Dalai Lama e patrimônio mundial da Unesco (Tibete, 2014).

Para navegar
Embaixada da República Popular da China no Brasil
http://br.china-embassy.org/por
O site revela algumas posições do governo chinês relativas às questões de Taiwan e do Tibete e oferece
informações sobre o intercâmbio econômico e a cooperação científica entre Brasil e China.
Página 177

Transformações econômicas na China

A ascensão de Deng Xiaoping ao comando do país e a aproximação com o mundo capitalista (sem se
distanciar do socialismo), em 1976, levaram a China à abertura econômica, com a criação de uma
economia de mercado. O governo organizou um plano de modernizações em quatro setores básicos:
indústria, agricultura, ciência e tecnologia e forças armadas. Deng Xiaoping começou pela reorganização
do meio rural, devolvendo a propriedade das terras às famílias camponesas e transformando as oficinas
comunitárias em pequenas fábricas de processamento dos produtos agrícolas movidas pelo lucro. Com
essa prática, a produção agrícola aumentou vertiginosamente.

Nas últimas quatro décadas, o governo chinês manteve as reformas econômicas, que permitiram o
estabelecimento de um comércio ativo com outros países e a instalação de fábricas de transnacionais
em solo chinês. Aproveitando-se da mão de obra barata e da oferta abundante de matéria-prima e
energia, a abertura econômica acelerou o crescimento econômico.

Zonas Econômicas Especiais (ZEE)

No início dos anos 1980, foram criadas as Zonas Econômicas Especiais (ZEE), áreas com economia de
mercado, no litoral chinês.

Apesar da forte vigilância estatal, o objetivo das ZEE era atrair empresas e capital estrangeiros que
trariam tecnologia, experiência administrativa e, principalmente, acesso aos mercados da Europa e dos
Estados Unidos. Em troca, a China oferecia mão de obra abundante, disciplinada e barata, proveniente
da descoletivização agrícola. Empresas estatais foram progressivamente privatizadas, e os
investimentos, aplicados na industrialização.

Inicialmente, o país transformou-se em uma importante plataforma exportadora, em especial no ramo


de calçados e vestuário, e tornou-se a principal produtora mundial de fios e tecidos de algodão.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL


Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 105.

Para assistir
Nenhum a menos
Direção: Zhang Yimou.
País: China.
Ano: 1999.
Narra a história de uma jovem professora de um remoto povoado rural que realiza uma verdadeira peregrinação
para a cidade grande em busca de um aluno, revelando as imensas disparidades que marcam o território chinês.

REPRODUÇÃO
Página 178

A moderna economia industrial chinesa

No final do século XX, Xangai cresceu muito com o intenso êxodo rural, tornando-se o maior centro
industrial da China. Cantão desenvolveu a indústria eletrônica e uma complexa rede de hotéis, centros
comerciais e restaurantes, atraindo mais migrantes e turistas estrangeiros. A região entre Pequim,
Xangai, Cantão e Hong Kong tornou-se o principal polo econômico chinês. Em 2014, a China contava
com rede de estradas e, ao final desse ano, passou a ter a maior rede de ferrovias de alta velocidade do
mundo. Em 2015, a China estava entre as maiores economias do planeta. Ao aumentar sua produção
industrial, incorporar tecnologia estrangeira e agregar valor à produção, expandiu a indústria de alta
tecnologia e ultrapassou sua plataforma de exportação para a comercialização de produtos
industrializados próprios de alta qualidade, como máquinas elétricas e mecânicas, instrumentos de
precisão, computadores, além da instalação de unidades de sua indústria automobilística em outros
países.

XU XIAOLIN/CORBIS/LATINSTOCK

Vista aérea do centro financeiro e comercial da moderna Xangai, cidade chinesa mais populosa, que contava em 2016 com mais de
24 milhões de habitantes (China, 2014).

Problemas sociais na China

As províncias próximas ao litoral crescem duas vezes mais do que a média nacional chinesa, e as do
interior do país crescem três vezes menos. A modernização da produção agrícola e a reestruturação da
atividade industrial vêm aumentando o desemprego no campo e na cidade, provocando o êxodo rural.
No final de 2011, a população urbana ultrapassou a rural. Atualmente, os trabalhadores oriundos do
campo estão concorrendo no mercado de trabalho com os operários das cidades. As migrações para
frentes pioneiras do oeste, áreas pouco povoadas, também têm sido intensas. Essa situação, associada à
reestruturação econômica do país, estabelece a oposição entre China Oriental e China Ocidental. Outro
problema é a falta de liberdades civis, a censura na internet e a perseguição de ativistas que contestam
o regime.
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 105.

Análise cartográfica

Observe a legenda do mapa e apresente uma característica da China do Leste e da China do Oeste quanto à economia.

A China do Leste apresenta polos de crescimento regional e periferia densamente povoada e industrializada. A China do Oeste é uma periferia
marginalizada, pouco povoada e com expansão das frentes pioneiras.
Página 179

Participação da China na economia mundial

Em 2001, a China ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC) e passou a obedecer às regras
do comércio internacional, assim como a diminuir os subsídios à produção agrícola e a negociar a
redução de tarifas de importação dos produtos.

Ao longo dos últimos vinte anos, o crescimento econômico da China foi extraordinário. Em 2015, o país
foi responsável por 17% das exportações mundiais e tornou-se o maior exportador do planeta. Por ser o
país mais populoso do mundo, tem grande potencial para desenvolver seu mercado consumidor interno
e atrair o interesse de grandes investidores.

© PARESH

Análise de imagem

Como o autor da charge vê os Estados Unidos em relação às exportações chinesas?

A China “inunda” o mercado estadunidense com suas mercadorias, e o inverso não é verdadeiro. Os estadunidenses têm muita dificuldade em
colocar seus produtos no mercado chinês.

Parceria com os Estados Unidos

Embora tenham um passado de conflitos, com origem na Guerra Fria, China e Estados Unidos se
aproximaram diplomaticamente em 1971.
Com a globalização, as reformas econômicas na China e a abertura para o comércio exterior, não só as
trocas comerciais tornaram-se inevitáveis como também os investimentos recíprocos. Os Estados
Unidos transferiram tecnologias para a China e os produtos chineses invadiram o mercado
estadunidense. Em 2015, a China era o principal parceiro comercial dos Estados Unidos e vice-versa.

Apesar de o maior fluxo de imigrantes ainda se dirigir aos Estados Unidos, a chamada diáspora chinesa
(deslocamento populacional) se estende para a Austrália e todo o Sudeste Asiático. Constituindo grupos
solidários no exterior e utilizando redes de informações para estender e facilitar os negócios para
familiares, os chineses realizam empreendimentos empresariais (comerciais, bancários, setor
tecnológico) em diversos países, tendo havido grande afluência para os países do Sudeste Asiático.

BRIAN FAIRBROTHER/LATITUDE STOCK/GETTY IMAGES

A comunidade chinesa em Melbourne comemora a chegada do Ano Novo, segundo o calendário chinês, a mais importante festa
para os chineses (Austrália, 2013).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Na década de 1970, com a abertura econômica, a China criou uma economia de mercado. Cite duas
consequências desse fato na produção rural e industrial.

2. Indique dois objetivos da criação das ZEE na China.

3. Cite três problemas sociais da China atualmente.


Página 180

Índia

TERMOS E CONCEITOS
• Himalaia
• Thar
• Planalto de Decã
• Gates oriental e ocidental
• sistema de castas
• desobediência civil

A Índia é o segundo país mais populoso do mundo. Em 2014, tinha uma população de mais de 1,2 bilhão
de habitantes.

O país apresenta grande variedade de paisagens e climas, que vai desde o frio de montanha ao clima
tropical, sob influência dos ventos de monções (que alterna uma estação seca e outra chuvosa), além do
clima desértico, muito árido.

Divisão natural

A Índia pode ser dividida em cinco grandes regiões naturais: o Himalaia, a planície do Ganges, a região
do Thar, o Decã e os Gates oriental e ocidental.

A região do Himalaia, ao norte, é o domínio das terras altas. Recortada por estradas acima de 5 mil
metros de altitude, essa região abriga uma população esparsa, agrupada em pequenos vilarejos,
constituída principalmente de refugiados expulsos do Tibete no final da década de 1950, após a invasão
chinesa.

Ao sul da grande cordilheira localizam-se as planícies aluviais, formadas pelos sedimentos dos principais
rios indianos: Ganges, Indo e Brahmaputra. Essas planícies são as áreas agrícolas mais densamente
povoadas. Dois centros urbanos importantes comandam a economia regional: Délhi, a Noroeste, e
Calcutá, a capital do país, a sudeste. Mais a oeste, na fronteira com o Paquistão, localiza-se Thar, o
grande deserto.

O Planalto de Decã, cercado pelos sistemas montanhosos Gates oriental e ocidental, ocupa a maior
parte do território nacional e concentra os maiores bolsões de pobreza. A porção sul do sistema
montanhoso apresenta grande variedade de altitudes e recebe as chuvas das monções de verão. Como
resultado, abriga grande diversidade de formações vegetais. Na porção noroeste do Himalaia dominam
as florestas temperadas. Nas encostas mais próximas das planícies, principalmente nas vertentes
orientais, predominam as florestas subtropicais e tropicais. No Planalto do Decã, predominam as
savanas, que tendem a se adensar mais ao Norte, onde se desenvolvem bosques de bambus.
ONLY FRANCE/ONLY WORLD/AFP

A oeste do estado de Rajastão, caravanas atravessam o deserto de Thar, na parte onde predominam dunas sem vegetação rasteira
(Índia, 2013).

PAUL PANAYIOTOU/ALAMY/LATINSTOCK

Região habitada mais alta do mundo. Ao fundo, a cordilheira do Himalaia, vista de Leh (Índia, 2015).
Página 181

Diversidade étnica e religiosa na Índia

A civilização indiana é marcada pela diversidade de povos e de culturas. No país são reconhecidos mais
de 400 idiomas e dialetos. O mais importante é o hindi, a língua oficial, e logo em seguida vem o inglês.

Quanto à religião, o hinduísmo é praticado por 80% da população. A segunda religião mais expressiva é
o islamismo, praticado por 10% da população, o que corresponde a mais de 100 milhões de pessoas,
tornando a Índia o quarto país em número de habitantes muçulmanos do mundo.

A longa história de convivência (nem sempre pacífica) entre esses povos produziu sua identidade, que
sobreviveu aos mais diferentes arranjos do poder político, dominada por grandes imperadores ou
fragmentada em inúmeros pequenos reinos.

A cultura e as práticas religiosas hinduístas se espalharam por toda a península indiana, sempre
difundindo a força dos sacerdotes brâmanes, da escrita sânscrita e das línguas indo-arianas.

Foi dessa matriz cultural que teve origem o sistema de castas, cuja diferenciação hierárquica social é
definida por funções diferentes de cada segmento social (sacerdotes, políticos e militares, comerciantes,
agricultores, operários). Por causa da incorporação de novos povos e da crescente divisão do trabalho, o
número de castas admitidas pelos hindus chegou a cerca de 2.400. Apesar de terem sido oficialmente
extintas após a independência e por diversas leis mais recentes, a divisão de trabalho por castas ainda
persiste na Índia, constituindo-se em um sistema segregacionista.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 101.

Análise cartográfica

Em que regiões está concentrada a religião hindu na Índia?

No centro e no norte do país.


PATRICIA CAMPOS/FOLHAPRESS

Na Índia, pessoas que pertencem a castas baixas encontram dificuldade para arrumar emprego. Estima-se que ainda haja 1,3
milhão de catadores de excrementos humanos retirados manualmente dos banheiros (Farrukh Nagar, Índia, 2014).
Página 182

Os muçulmanos começaram a chegar à península indiana no século VII. No século XIII, eles dominaram
militarmente vastas extensões do norte do país, comandados pelos sultões sediados na cidade de Délhi.
No século XIV, dois grandes sultanatos dividiam a península indiana, separados por um reino hindu.

CHANDAN KHANNA/AFP

Devotos muçulmanos na Mesquita Jama Masjid, em Nova Délhi (Índia, 2014).

Domínio britânico e formação territorial e econômica

Dominada pelos britânicos desde 1858, a Índia se originou do processo de descolonização do antigo
Império Britânico das Índias, após 1947. Esse domínio colonial se estendia desde o Sri Lanka, ao sul, até
a Cordilheira do Himalaia, que separa o subcontinente indiano da Ásia Central. O processo de
independência do Império Britânico resultou na formação de vários estados independentes: Índia e
Paquistão (1947) e Sri Lanka (1948). Em 1971, o Paquistão Oriental se tornou um país independente,
processo que deu origem a Bangladesh. Nepal e Butão, principados localizados no Himalaia, sempre
mantiveram certa autonomia em relação à Coroa britânica e completam esse contexto geopolítico.

A formação territorial da Índia provocou uma das maiores tragédias da era moderna. Nos meses que se
seguiram à independência, pelo menos 5 milhões de hindus que habitavam a província de Punjab,
dividida ao meio, foram expulsos do recém-criado Paquistão Ocidental e tiveram de emigrar para a
Índia. O mesmo aconteceu com outros tantos milhões de muçulmanos que habitavam regiões que
passaram a pertencer à Índia. As populações expulsas tanto da Índia quanto do Paquistão entraram em
guerra aberta quando se encontraram no caminho, enquanto sangrentos conflitos religiosos irrompiam
nas principais cidades dos novos países.
Página 183

Disputa por territórios

Essa violência alimentou ódios nos milhões de muçulmanos que ficaram na Índia e nos hindus. Além
disso, logo começaram as disputas territoriais entre eles. A região da Caxemira, por exemplo, de maioria
muçulmana, ficou para a Índia e, até hoje, o Paquistão reivindica direitos dessa área.

O Paquistão Oriental era habitado pelo povo bengali, também muçulmano, mas distinto étnica e
culturalmente dos povos do Paquistão Ocidental. Em 1971, os bengalis declararam sua independência e
fugiram para a Índia, que enviou seu exército como apoio. Nascia um novo Estado independente na
região: Bangladesh, cuja capital é Dacca.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 101.

Análise cartográfica

Desde a independência, a Índia mantém disputas territoriais com países limítrofes. Cite as quatro áreas de litígio indicadas no
mapa e os países envolvidos.

A região de Azad, na Caxemira, está sob controle do Paquistão e é reivindicada pela Índia. Jammu, na Caxemira, está sob controle da Índia e é
reivindicada pelo Paquistão. Aksai Chin, também na Caxemira, está sob controle da China e é reivindicado pela Índia. Arunachal Pradesh, na Índia, é
reivindicado pela China.

Crescimento econômico e luta pela independência

Os britânicos construíram extensa rede de ferrovias na Índia, integrando as zonas produtivas aos portos
exportadores. Às margens, cresciam centros urbanos, como Nova Délhi, com casas de comércio e
instituições administrativas. No século XX, a indústria moderna surgia nesses centros urbanos, em
especial em Calcutá, sede da metalurgia, e em Ahmadabad e Bombaim, centros da indústria algodoeira.
A Índia tornou-se o centro estratégico do Império Britânico. A exploração e o comércio de seus recursos
e produtos ajudaram a manter as riquezas da corte imperial.

Com o sistema de coleta de impostos organizado pelos britânicos, muitos camponeses pobres acabaram
perdendo suas terras, e o país viveu um dramático processo de concentração fundiária durante a
colonização. Ao mesmo tempo, uma parcela crescente das terras férteis passou a ser ocupada com
culturas de exportação para abastecer mercados europeus, o que diminuiu bastante a área destinada ao
cultivo de alimentos. Nos últimos anos do século XIX, crises catastróficas de fome mostravam os
resultados dessa inversão.

A luta pela independência


Desde o século XIX, surgiram diversos movimentos sociais e nacionalistas na Índia. No início do século
XX, esses movimentos cresciam incentivados pelas elites locais descontentes e por intelectuais hindus.
Com o enfraquecimento britânico no pós-Segunda Guerra, entre os vários movimentos, o de
desobediência civil, liderado por Mahatma Gandhi, cresceu. Ele pregava a não violência, propunha
boicote aos produtos britânicos e o não pagamento de impostos — uma resistência pacífica à
dominação inglesa, resultando na independência da Índia, em 1947.

Para assistir
Gandhi
Direção: Richard Attenborough.
País: Reino Unido.
Ano: 1982.
O filme conta a história do líder político e espiritual da Índia, Mahatma Gandhi, desde sua formação, na África do
Sul, até o movimento de resistência pacífica ao colonialismo britânico em seu país.

REPRODUÇÃO
Página 184

A industrialização moderna na Índia

Após longo processo de independência, em meados do século XX, os primeiros governos nacionais
procuraram promover o crescimento econômico por meio de uma política de substituição de
importações. Apoiado em um planejamento estatal centralizado e que protegia a indústria nacional da
concorrência externa por meio de altos impostos e tarifas aduaneiras para os produtos importados, essa
política gerou um primeiro período de crescimento, beneficiando principalmente as camadas médias da
população urbana.

Esse modelo, porém, não teve sustentabilidade devido ao desequilíbrio entre as políticas econômicas
interna e externa. Por um lado, o crescimento da produção industrial gerou a necessidade de aumento
das importações, principalmente de maquinários e de recursos energéticos. Ao mesmo tempo, a
produção nacional não era suficientemente produtiva para competir no mercado externo, gerando um
déficit na balança comercial.

O aumento crescente do preço do petróleo na década de 1970 e a elevação dos juros da dívida externa
dos países mais pobres pelos bancos credores na década de 1980 agravaram ainda mais os problemas
econômicos do país, o que levou a uma mudança na conjuntura política. Na fase da globalização, entre
1989 e 2004, o governo promoveu amplas reformas econômicas.

Nesse período, a Índia recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e renegociou sua dívida externa
em troca da adesão a um plano de ajuste estrutural, que visava diminuir o controle do Estado sobre a
economia e facilitar os investimentos estrangeiros no país. Para isso, empresas públicas foram
privatizadas e empresas estrangeiras puderam abrir filiais na Índia, adquirindo o controle acionário de
empresas indianas e forçando reduções drásticas nas taxas de importação. Como resultado, entre 2006
e 2014, as exportações da Índia, em geral, aumentaram.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: TRADING economics. Disponível em: <http://pt.tradingeconomics.com/india/exports>. Acesso em: maio 2016.

Nos últimos dez anos, com o desenvolvimento na área de tecnologia, o aumento do número de
patentes e a adequação da produção nacional aos padrões estabelecidos pela Organização Mundial do
Comércio para os produtos de tecnologia da informação, a Índia tornou-se responsável por 1/5 das
exportações mundiais de programas de computadores. Embora a participação chinesa nas exportações
mundiais seja superior à da Índia, a participação indiana em alguns serviços globalizados (supervisão,
suporte técnico, consultoria de informática etc.) supera a da China.

Patente: registro de uma invenção ou descoberta que permite o uso e a exploração exclusivos do bem ou serviço criado.
Para ler
Índia: da miséria à potência
Patrícia Toledo de Campos de Mello. São Paulo: Planeta, 2008.
O livro apresenta a Índia como um país que tem alterado suas estruturas econômicas, mas mantém os valores
culturais. Aborda as medidas do governo e dos empresários a fim de construir a imagem para o mundo de um país
competitivo na economia e democrático nas instituições.

REPRODUÇÃO

Para assistir
Quem quer ser um milionário?
Direção: Danny Boyle.
Países: Estados Unidos/Reino Unido.
Ano: 2008.
É possível conhecer parte da cultura local indiana por meio dos relatos de um adolescente pobre, que revê sua
história pessoal ao participar de um programa de TV que pode torná-lo rico.

REPRODUÇÃO
Página 185

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: WORLD Trade Organization. International trade statistics 2012. Genebra: WTO, 2012. p. 135-186.

Análise cartográfica

Comente a evolução da participação da China e da Índia na exportação mundial de serviços entre 2001 e 2011.

Em 2001, juntas, China e Índia eram responsáveis por 3,3% das exportações mundiais de serviços; em 2011, esse percentual havia subido para 7,7%.

A indústria indiana se concentra no Oeste, principalmente em Mumbai, Ahmadabad, e no Sul, em


Madras e Bangalore. A presença de grande número de mão de obra não qualificada e também o
investimento em mão de obra qualificada (proveniente das universidades), que trabalha na indústria de
ponta, oferece à Índia grande competitividade industrial. A Índia também possui uma indústria
cinematográfica reconhecida mundialmente, a Bollywood.

Desigualdades sociais

Entre 1990 e 2008, o PIB indiano cresceu a uma taxa média de 8% ao ano. Em 2013, o país era a décima
primeira economia do mundo. Por outro lado, persistiram grandes desigualdades sociais.

Em 2014, segundo a ONU, a Índia tinha o maior número de população rural do mundo com 857 milhões
de pessoas, ou seja, 68% dos indianos ainda habitavam as áreas rurais. Grande parte desse contingente
é constituída de pequenos proprietários que vivem em condições de extrema pobreza. O trigo e,
principalmente, o arroz, cultivos alimentares, continuam dividindo o espaço agrícola com as culturas
industriais e de exportação, principalmente o algodão, a cana-de-açúcar, o amendoim e o chá.
NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores et al. Índia: comércio exterior. Disponível em:
<http://www.investexportbrasil.gov.br/sites/default/files/publicacoes/indicadoresEconomicos/INDIndia.pdf>. Acesso em: maio
2016.

Análise cartográfica

Segundo o gráfico, quais os seis principais produtos exportados pela Índia?

Combustíveis, ouro e pedras preciosas, automóveis, máquinas mecânicas, químicos orgânicos e produtos farmacêuticos.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 101.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Cite uma região natural da Índia que apresenta pequeno povoamento. Explique por quê.

2. Explique o sistema de castas da cultura hinduísta e as suas implicações na Índia atual.

3. Qual foi o papel do movimento de desobediência civil na luta de independência na Índia?


Página 186

Rússia

TERMOS E CONCEITOS
• Revolução Socialista de 1917
• União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
• combinat
• corrida espacial
• perestroika
• Comunidade dos Estados Independentes (CEI)

A Revolução Socialista de 1917 levou à abolição da propriedade privada, e os organismos do Estado


(Parlamento, Governo e Forças Armadas) passaram a ser controlados e subordinados ao Partido
Comunista. Entre 1917 e 1991, o governo da União Soviética, centralizado em Moscou, assumiu o
controle dos recursos naturais, das fábricas e fazendas do país.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fundada em 1922, ampliou essa estrutura política
e econômica para as catorze repúblicas federadas à Rússia: nos Estados Bálticos — Estônia, Letônia,
Lituânia; no Leste Europeu — Bielorússia, Moldávia e Ucrânia; no Cáucaso — Armênia, Azerbaijão e
Geórgia; na Ásia Central — Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão.

SOVFOTO/UIG/GETTY IMAGES

A União Soviética exibe seu poder militar em um desfile em Moscou (Rússia, 1982).

O modelo econômico soviético

Na URSS, as atividades econômicas eram planejadas. A indústria pesada, por exemplo, foi implantada
próxima às fontes de energia e às reservas de matéria-prima, formando parques industriais com
diversos tipos de indústrias complementares entre si. Nesses combinats, indústrias siderúrgicas utilizam
as abundantes reservas de carvão mineral, ferro e manganês para produzir aço. Já nas indústrias
metalúrgicas, instaladas nos arredores, essas matérias-primas semiprocessadas, como lâminas de aço ou
vigotas, são utilizadas na fabricação de bens de consumo. Assim, os combinats formam complexas
cadeias produtivas: a do aço, a do alumínio etc. Um dos maiores combinats é o de Donbass, na Ucrânia,
grande produtora de carvão mineral.
O planejamento econômico e territorial não se restringiu à indústria pesada. A União Soviética fez
enormes investimentos na agricultura e na formação de complexos agroindustriais, nos quais os
produtos da agricultura e da pecuária passaram a ser processados.

Nas áreas produtoras de linho de Belarus, por exemplo, foram construídas indústrias têxteis. Já nas
áreas produtoras de uva de Moldova, a produção de vinho foi incentivada. Procurou-se também
expandir a atividade agrícola nas áreas semiáridas do Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão, por
meio da agricultura irrigada.

Desenvolvimento social na URSS

É inegável que os feitos da Revolução Socialista foram enormes, ainda que exista grande polêmica sobre
o significado do socialismo soviético. Em 1917, a Rússia era praticamente um país agrário, e boa parcela
da população, analfabeta. Os sucessivos governos comunistas construíram um imponente parque
industrial e fizeram muitos investimentos na educação.

Em 2014, quase toda a população russa era alfabetizada (99,7%) e houve grande aumento no número
de cientistas. Muitos matemáticos e físicos russos passaram a ser procurados por universidades e
centros de pesquisa de diversos países.

Durante 70 anos do regime soviético, desenvolvimento foi sinônimo de novas habitações, novas fábricas
e mais empregos.
Página 187

Desenvolvimento da indústria bélica na URSS

Somente um setor da União Soviética poderia competir industrialmente com os Estados Unidos: a
produção bélica. Gastando em média 4% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB), o país conseguiu
produzir foguetes intercontinentais, chegando a manter cerca de 7 mil ogivas nucleares em mísseis
localizados em pontos estratégicos do território, 3.500 ogivas em submarinos e, aproximadamente, 900
ogivas em aviões bombardeiros.

Outro setor privilegiado pela URSS foi o aeroespacial — e, nesse caso, também concorreu com os
Estados Unidos. A corrida espacial, como ficou conhecida, consistiu no desenvolvimento de tecnologias
aeroespaciais, como foguetes, satélites e o envio de missões tripuladas ao espaço sideral.

Enquanto a URSS aumentava a produção de armamentos e bens manufaturados da indústria pesada,


aquela que produz maquinários e matérias-primas semiprocessadas para outras indústrias, os outros
países industrializados desenvolveram novos materiais para substituir o aço e novas formas de gestão
das empresas, o que dispensaria a mão de obra e diminuiria os custos.

O poderio bélico custou muito caro para a União Soviética. Não era mais possível sustentar o
desenvolvimento bélico à custa de problemas sociais cada vez maiores. Na década de 1980, a economia
soviética já apresentava problemas. As exportações caíam, o desemprego atingia 10 milhões de pessoas,
a produção de petróleo e a safra de grãos haviam parado de crescer e a oferta de bens de consumo
básico (alimentos, calçados, roupas) não era suficiente para atender à população. As filas para
abastecimento faziam parte do cotidiano do país.
SOVFOTO/UIG/GETTY IMAGES

Estação espacial soviética Salyut 7, acoplada à nave espacial Soyuz, orbita a Terra. (Foto de 1986.)

Reformas econômicas e o fim da URSS

Para tentar solucionar a crise, a partir de 1985, o governo soviético procurou desenvolver um programa
de reformas econômicas no país denominado perestroika (palavra que significa reestruturação). Por
meio desse programa, o governo tentou dar uma nova direção às atividades econômicas, que se
voltaram para a produção de bens de consumo e de alimentos.

Entretanto, em pouco tempo, ficou visível que essas medidas vieram tarde demais. Os outros setores da
economia não acompanharam o ritmo de desenvolvimento tecnológico dos países industrializados. O
desperdício era imenso e a baixa produtividade imperava no setor industrial soviético.

Em 1991, ocorreu a dissolução da União Soviética. As 15 repúblicas que a compunham se tornaram


independentes. O principal país formado foi a Federação Russa. Ainda no mesmo ano, foi criada a
Comunidade dos Estados Independentes (CEI), composta, em 2015, de 12 das ex-repúblicas soviéticas.
A CEI não é um bloco econômico (não há legislação comercial comum). Trata-se de uma confederação
que preserva a soberania de cada estado, além de propor a coordenação política e econômica, a
centralização das forças armadas e a adoção de políticas externas e de defesa comuns.
Página 188

O Tratado Federal de 1992 procurou desenhar a estrutura territorial da recém-criada Federação Russa,
mas teve de ser imposto, uma vez que a autoridade de Moscou era contestada no interior da própria
federação. Na República da Tartária e na Chechênia, por exemplo, a luta pela independência já esteve
na origem de violentos conflitos armados.

A transição para a economia de mercado (capitalismo) foi marcada por muitos problemas como
inflação, recessão, desemprego, queda dos indicadores sociais, já que houve aumento das
desigualdades e da marginalidade, além do sucateamento de empresas e do surgimento de diversos
conflitos étnicos.

Com o colapso da União Soviética, a situação econômica da Rússia deteriorou-se gravemente. Entre
1992 e 1995, o salário dos trabalhadores foi reduzido à metade e a mortalidade aumentou com a crise
estatal da saúde. O país teve de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para navegar
Embaixada da Federação da Rússia no Brasil
http://brazil.mid.ru/pt_BR/web/brasil_pt
O site apresenta a visão e a posição oficial do país sobre os conflitos no mundo atual e, principalmente, sobre os
conflitos separatistas que ocorrem no interior da fronteira russa. Além disso, traz informações sobre a parceria
estratégica Brasil-Rússia.

A formação da Federação Russa

Em 2014, a Federação Russa reunia 21 repúblicas, nove distritos e uma região autônoma, além de duas
cidades com administração especial — Moscou e São Petersburgo —, representando 75% do território
da ex-URSS e metade da população.

Desenvolvimento econômico recente da Rússia

Entre as ex-repúblicas soviéticas, a Rússia é a que teve maior crescimento econômico e detém o
segundo maior arsenal nuclear do planeta, contando com forte poderio estratégico.

Tornou-se um dos maiores produtores mundiais de petróleo e gás. Ali, há reservas de carvão mineral,
cobre, ferro, bauxita e manganês. Nos arredores dos montes Urais foram construídas grandes
hidrelétricas, garantindo o desenvolvimento das indústrias siderúrgicas e de alumínio. Na região de
Moscou, estão as indústrias mais tradicionais, como a têxtil. A Sibéria Ocidental também possui um
combinat importante, com a cadeia produtiva do aço, do alumínio e de produtos petroquímicos.
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 99.

Análise cartográfica

1. Com base na legenda do mapa, pode-se concluir que a região militar-industrial está em processo de reconversão para fins civis.
Identifique uma diferença entre essa região e a região central.

A região central é urbanizada e apresenta indústrias diversificadas. Já a região militar industrial está em reconversão para fins civis e conta com
indústrias especializadas.

2. Aponte um elemento que seria obstáculo para a navegação marítima na Rússia. Explique por quê.

A presença de banquisas de inverno. Porque, quando congeladas, impedem a navegação.


Página 189

A Rússia também desenvolveu o transporte fluvial ao interligar os mares Negro e Cáspio, além de ter
herdado uma extensa rede ferroviária, predominante no país, cortando-o da capital à costa Leste e à
Ásia.

Superação e desenvolvimento na Rússia

As crises econômicas na Federação Russa começaram a ser superadas no início do século XXI. A
estrutura produtiva herdada do período soviético passou a ser dirigida por poderosos conglomerados
industriais privados, que contam com amplo estoque de recursos naturais e grande contingente de
trabalhadores qualificados.

Em 2014, os bens com alto valor agregado eram predominantes entre as importações da Rússia. As
máquinas mecânicas (computadores, elevadores de carga, motores de êmbolo e bombas)
representaram 18,1% do total, automóveis, 11,7%, e máquinas elétricas, 11,1%. Em contrapartida, a
Rússia se transformou numa grande exportadora de produtos primários e metalúrgicos. Os produtos
primários (principalmente petróleo e gás natural) foram responsáveis por cerca de 59,5% das vendas
externas do país no mesmo ano.

Ainda em 2014, a Rússia tinha a oitava maior reserva de petróleo do mundo e a segunda maior reserva
de gás natural, isto é, 16,8% do total. O principal destino das exportações desses produtos é a Europa,
para onde seguem por gasodutos e oleodutos.

A Europa procura novas fontes de gás, por exemplo, no Turcomenistão, no Cazaquistão e no Azerbaijão
para depender menos do gás da Rússia. Entretanto, o custo desse tipo de projeto é muito alto e,
portanto, difícil de ser realizado.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores et al. Rússia: comércio exterior. Disponível em:
<www.investexportbrasil.gov.br/sites/default/files/publicacoes/indicadoresEconomicos/INDRussia.pdf>. Acesso em: maio 2016.

Análise cartográfica

Além dos combustíveis, cite três produtos minerais exportados pela Rússia.

Ferro, aço, ouro, pedras preciosas, adubos e máquinas mecânicas

Questões de revisão
Responda no caderno.

1. O que são os combinats? Cite um exemplo.

2. Cite dois problemas econômicos e dois sociais que provocaram a dissolução da União Soviética.

3. Como o espaço da União Soviética foi organizado depois da desintegração, em 1991?


Página 190

Infográfico
Onde está o dinheiro?
A lista das maiores transnacionais das últimas décadas reflete a própria dinâmica da economia global, com o
claro predomínio dos países ricos.

Empresas transnacionais dos Estados Unidos, do Japão e de países ricos da União Europeia dominaram
por décadas as primeiras posições dos rankings mundiais de faturamento, refletindo o poderio desse
seleto grupo, responsável pela geração de mais da metade do PIB mundial (71 trilhões de dólares, em
2013). A entrada de transnacionais chinesas demonstra mudanças no cenário econômico global.

ILUSTRAÇÕES: MÁRIO KANNO

Fontes: FORTUNE. Global 500, 1995, 2000, 2005, 2010, 2014; THE BUREAU of National Affairs. Multinational Corporations. Disponível em:
<www.ey.com/Publication/vwLUAssets/EYthe-changing-headquarters-landscape-for-fortune-global-500-companies/$FILE/EY-the-changing-headquarters-landscape-for-
fortune-global-500-companies.pdf>; IBGE. Classificação nacional de atividades econômicas. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. Disponível em: <www.cnae.ibge.gov.br/>; BANCO
MUNDIAL. Disponível em: <www.worldbank.org>. Acessos em: dez. 2015.
Página 191

Questões

Responda no caderno.

1. Que categoria de empresas ocupa as primeiras colocações entre 2000 e 2014?

2. Analise a ascensão das empresas japonesas, estadunidenses e europeias.

3. Analise a situação da China desde que passou a fazer parte do ranking das dez maiores transnacionais do
mundo.
Página 192

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Identifique a alternativa verdadeira sobre as regiões chinesas.

a) A China garantiu um aumento significativo na produção de cereais nas províncias Henan, Shandong e Heilongiang ocupando
intensivamente mão de obra e atraindo trabalhadores.

b) Pequim (Beijing), a capital do país, é uma área de ocupação mongol, povo que construiu a Cidade Proibida e a Grande Muralha.

c) A região entre Pequim, Xangai, Cantão e Hong Kong transformou-se no principal polo econômico da China.

d) Hong Kong mantém um governo no exílio e procura sensibilizar a opinião pública pelo direito de independência.

e) O Tibete foi devolvido à China em 1997 e passou a se chamar Região Administrativa Especial do Tibete.

2 Explique de que forma a China deixou de ser uma plataforma exportadora e se transformou numa grande potência industrial do
planeta.

3 Leia o texto e responda à questão.

A produção de lixo eletrônico na Índia

“[...] Os especialistas do Pnuma [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente] estimam que, até 2020, o
volume de resíduos procedentes de computadores abandonados crescerá 500% na Índia em relação a 2007, e 400%
na China e África do Sul.

Nesse mesmo ano, a quantidade de telefones celulares abandonados na Índia e na China seria 18 e 7 vezes maior
que a atual, respectivamente, enquanto as televisões e geladeiras sem uso em ambos os países se multiplicariam
por pelo menos dois.

A China é um dos maiores lixões internacionais de resíduos de origem eletrônica, apesar de ter proibido a
importação de tais produtos. [...]

O relatório, intitulado ‘Reciclando — Do lixo eletrônico a recursos’, aponta que a maioria dos eletrodomésticos e
aparelhos comuns em casas e empresas contém dezenas de peças perigosas. [...]

‘Temos que chegar às pessoas prejudicadas por esses produtos químicos e apresentar soluções aos líderes locais,
nacionais e regionais que representem uma diferença’, assinalou Donald Cooper, especialista em resíduos perigosos
do Pnuma.”

PALOP, Juan. Geração de lixo eletrônico cresce a 40 mi de toneladas por ano, diz ONU. Folha de S.Paulo Online, 22 fev. 2010. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2010/02/697099-geracao-de-lixoeletronico-cresce-a-40-mi-de-toneladaspor-ano-diz-onu.shtml>. Acesso
em: maio 2016.

De acordo com o texto, qual é o impacto da expansão de equipamentos eletrônicos na Índia e na China?

4 Compare os modelos esquemáticos da figura abaixo e escreva um texto sobre a formação territorial russa.
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: GENTELLE, Pierre (Dir.). Géopolitique du monde contemporain: états, continents, puissances. Paris: Nathan, 2008. p. 150.

5 Por que a China é conhecida hoje como a “fábrica do mundo”?

Leitura cartográfica

6 Com base na leitura do mapa a seguir e nos conhecimentos adquiridos no capítulo, faça o que se pede.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: UNITED STATES Department of Agriculture. Disponível em: <www.fas.usda.gov/data/northeast-china-prospects-


usagricultural-exports>. Acesso em: maio 2016.

a) Quais as áreas que concentram os maiores e os menores PIBs?

b) Relacione as Zonas Econômicas Especiais (ZEE) e os PIBs da porção litorânea do território chinês.
Página 193

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (UFG, 2010) Há cinco décadas, a China enfrenta protestos que fazem parte da luta pela independência do Tibete. Essa região,
ilustrada a seguir, tem forte importância geoestratégica e uma marcante influência dos monges budistas. Baseando-se nessas
informações, explique um fator geopolítico, condicionado por questões naturais, que torna essa região importante
estrategicamente para o Estado chinês.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: HISTORIANET. Disponível em: <www.historianet.com.br>. Acesso em: abr. 2015 (adaptado).

2 (Unifesp, 2009) Observe o mapa.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: SIMIELLI, Maria E. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2007 (adaptado).

Conflitos políticos, de matriz religiosa, geram contestações fronteiriças entre os países I e II, que são, respectivamente,

a) Paquistão e Índia.

b) China e Índia.

c) Afeganistão e Paquistão.
d) Bangladesh e China.

e) Bangladesh e Afeganistão.

3 (UFRJ, 2010)

China e Estados Unidos são hoje protagonistas na condução de grandes temas globais. O presidente da China, Hu
Jintao, listou uma vasta coleção de temas em relação aos quais ele e o presidente americano, Barack Obama, estão
dispostos a atuar em benefício mútuo.

ROSSI, Clóvis de. Folha de S.Paulo, 18/11/2009 (adaptado).

© DAMIEN GLEZ

Apresente dois fatores que têm levado a uma aproximação cada vez maior entre os Estados Unidos e a China.

4 (Uerj, 2010)

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: TERRA, L. et al. Conexões: estudos de Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Moderna, 2008 (adaptado).

No gráfico, é possível observar uma alteração na dinâmica demográfica russa, a partir do final dos anos 1980.

Essa alteração pode ser associada ao seguinte contexto:

a) fim da economia planificada.

b) implantação de regime ditatorial.

c) planejamento do controle migratório.


d) eliminação do sistema previdenciário.
Página 194

CAPÍTULO 9 América Latina: perspectivas


A América Latina é fruto da herança colonial ibérica e atualmente está configurada pelas similaridades
dos aspectos econômicos e sociais entre os diferentes países.

América: uma história em comum

Os atuais Estados nacionais latino-americanos originaram-se da independência das colônias americanas,


desde o início do século XIX.

Industrialização na América Latina

No início do século XX, Brasil, México e Argentina conheceram um primeiro surto industrial. No período pós-
guerra, a instalação de filiais de grandes corporações transnacionais reforçou a dependência das economias
nacionais em relação ao capital externo. Hoje, a América Latina está inserida de forma periférica na
globalização.

Integração econômica na América Latina

Entre os projetos de infraestrutura integrada na América Latina, destacam-se os eixos da Iniciativa para a
Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa) e o Projeto Mesoamérica. No setor energético, as
principais iniciativas envolvem o Brasil, a Bolívia, a Venezuela e o Paraguai.

ENEM
C2: H7; H8; H9
C3: H15
MICHELE FALZONE/JAI/CORBIS/LATINSTOCK

Na América espanhola, o local mais importante nas cidades era a Praça de Armas, onde se situavam a igreja e as residências dos
colonizadores mais ilustres. A foto mostra a Catedral de Cuzco, Praça de Armas (Peru, 2014).
Página 195

KAVEH KAZEMI/GETTY IMAGES

O café é o item mais significativo das exportações colombianas. Na foto, fazenda de café, com trabalhadores fazendo a colheita
em Pereira (Colômbia, 2014).

GEORGE STEINMETZ/CORBIS/LATINSTOCK

A mina de estanho em Huanuni, explorada desde o século XIX, é a maior do país. O estanho é importante produto de exportação
boliviana (Bolívia, 2008).

1. Até hoje o espaço urbano das cidades da América fundadas pelos espanhóis preserva a memória da presença
europeia no continente. Destaque as marcas da colonização espanhola no Peru com base na análise da imagem da
Praça de Armas de Cuzco.

Essa praça está localizada no centro da cidade, onde foi erguida uma catedral, simbolizando o poder da Igreja Católica no processo de colonização. O
nome, Praça de Armas, revela também a importância do poder militar dos colonizadores na dominação dos povos nativos.

2. O que as fotos da Colômbia e da Bolívia nos indicam sobre a economia desses países?

As imagens informam que as commodities têm grande importância na pauta de exportações desses países.

3. Em quais produtos se centravam as economias da América espanhola e portuguesa?

Na exportação de produtos agrícolas tropicais e minérios para suas metrópoles. É preciso ressaltar que as economias guardam semelhanças do
período colonial e hoje. Porém, atualmente há produtos semimanufaturados e manufaturados na pauta de exportação de países latino-americanos.
Página 196

América: uma história em comum

TERMOS E CONCEITOS
• América hispânica
• América portuguesa
• colônia de exploração
• colônia de povoamento
• América Latina
• América Anglo-saxônica

Apesar de tanta diversidade e da singularidade das culturas produzidas pelos vários grupos sociais que
formaram a América Latina, os povos americanos têm muitos pontos em comum, pois compartilham
uma história mais ampla, em que os processos de mercantilização e de expansão marítima europeia
tiveram significativa influência para a configuração atual dessa parte da América.

O continente americano atraiu a cobiça das potências europeias, que iniciaram uma disputa pelos novos
territórios. Diversas partes da América foram colonizadas e se mantiveram conectadas com as
respectivas metrópoles, em conformidade com os interesses mercantis da época. Assim, pode-se dizer
que foram criadas diversas “Américas”.

A América hispânica, por exemplo, é formada pelas terras colonizadas pelos espanhóis, como parte da
América do Norte, a quase totalidade da América Central e parte da América do Sul. Nessas colônias, era
comum a exploração de metais preciosos, por meio do uso compulsório da mão de obra ameríndia. A
América portuguesa, por sua vez, foi constituída com base nas plantations de cana-de-açúcar sob o
regime de escravidão e com o trabalho de inúmeros africanos escravizados, assim como pela
exploração do ouro nas Minas Gerais e expansão da fronteira em direção à Floresta Amazônica e Bacia
Platina.

Essa variação no processo de ocupação das colônias acentuou as diferenças étnicas e culturais do
continente. Na América hispânica, predominaram as sociedades mestiças com base nos povos europeus
e indígenas; no território português, predominou a mestiçagem entre africanos e europeus.
SUNSINGER/SHUTTERSTOCK

Cerca de 45% dos 30 milhões de habitantes do Peru são ameríndios. Na foto, pessoas vestidas com roupas tradicionais no carnaval
de Cuzco (2014).
Página 197

Colônias de exploração e de povoamento

Em relação à forma de colonização, as colônias espanholas e portuguesas na América constituíam


colônias de exploração. As metrópoles estavam interessadas principalmente nas riquezas naturais, na
extração de matérias-primas e nos produtos tropicais que atendessem às demandas de outros países. O
comércio externo, monopolizado pelas metrópoles, visava ao lucro. Os colonizadores (90% de homens)
vinham atrás de enriquecimento rápido, na maioria das vezes, com intenção de retornar à Europa.

A colonização inglesa na América teve um caráter ocupacional e formou colônias de povoamento. Os


colonizadores eram dissidentes religiosos, ou seja, pessoas que fugiam de perseguições e guerras ou
que vinham colonizar as terras com o objetivo de reconstruir o modo de vida que eles tinham na
Europa.

LÖTSCHER CHLAUS/PRISMA/GLOW IMAGES

As grandes plantações de cana-de-açúcar ainda existentes em Cuba tiveram sua origem nas grandes fazendas das colônias de
exploração voltadas para atender o mercado externo (2014).

América Anglo-saxônica e América Latina

De modo mais amplo e com base nos elementos culturais e históricos, o continente americano pode ser
dividido entre América Anglo-saxônica e América Latina.

A América Latina engloba países que, em sua maioria, foram colonizados por portugueses e espanhóis.
Por isso, a língua oficial dessas nações são línguas latinas. Segundo esse critério, as antigas colônias
holandesas (Suriname, Curaçao, Aruba e outras pequenas ilhas) e as inglesas (Jamaica, Barbados,
Trinidad e Tobago e Guiana) não seriam consideradas parte da América Latina, porque o holandês e o
inglês não são línguas latinas.

Atualmente, o que melhor caracteriza e identifica os países latino-americanos são as características


econômicas e as dificuldades de desenvolvimento, comuns desde a época da colonização — além da
forte diversidade cultural. Já a América Anglo-saxônica reúne os Estados Unidos e o Canadá que,
diferentemente dos demais países americanos, tornaram-se plenamente desenvolvidos.
FRANS SELLIES/MOMENT/GETTY IMAGES

Os vestígios da colonização holandesa estão muito presentes em Willemstad, em edificações do século XVII, como as
representadas na foto (Curaçao, 2013).

INTI OCON/AFP

As lavouras de exportação de tabaco estão presentes há séculos na Nicarágua (2014).


Página 198

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fontes: Elaborado com base em CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e sièle 2010. Paris, Nathan, 2009. p. 188; CIA. The World
Factbook. Disponível em: <www.cia.gov>. Acesso em: mar. 2016.

Análise cartográfica

Identifique na América do Sul os países ou as possessões em que são faladas línguas diferentes do português e do espanhol.

No Suriname, o idioma falado é o holandês; na Guiana Francesa, o francês; na Guiana, o inglês.


MICHAEL RUNKEL/ROBERT HARDING/AFP

São Cristóvão e Nevis é o menor país das Américas, formado por duas ilhas (Ilha de Nevis, 2013).

A formação dos países latino-americanos

A constituição dos Estados nacionais latino-americanos foi um processo ligado à independência das
colônias, no início do século XIX. A América portuguesa se constituiu em um império único, enquanto a
América hispânica se fragmentou em diversas repúblicas. Já as colônias do Caribe formaram diversos
microestados insulares.

Além das mudanças políticas e sociais que ocorriam em cada nação para que obtivessem independência,
havia um grande apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos para que isso ocorresse. Para a Inglaterra, em
plena Revolução Industrial, essas nações recém-emancipadas representavam novos mercados
consumidores.

As novas nações continuaram a ser fornecedoras de matérias-primas e compradoras de artigos


industrializados. Assim, as elites latino-americanas se aliaram à Inglaterra e depois aos Estados Unidos, e
novas formas de dependência foram estabelecidas.

Na América hispânica, a multiplicidade dos interesses regionais impediu a configuração de uma unidade
política — como no caso da independência estadunidense — e, por isso, acabou sendo dividida em
diversos países.

Para ler
As veias abertas da América Latina
Eduardo Galeano. Porto Alegre: L&PM, 2010.
O livro trata do processo de formação da América Latina. Destaca a espoliação desde sua origem, com a atuação das
coroas ibéricas, passando pela atuação imperialista britânica e estadunidense.
REPRODUÇÃO
Página 199

Multiculturalismo e reflexos da colonização

Calcula-se que no século XVI, quando os primeiros europeus chegaram ao continente americano,
existiam na região 50 milhões de pessoas distribuídas entre diferentes culturas e etnias.

Desde então, o quadro populacional da América passou a ser formado pelas diversas etnias ameríndias
pré-colombianas, pelos grupos europeus, que vieram colonizar as terras americanas, além dos grupos
trazidos da África.

Maias, incas e astecas

Entre os grupos pré-colombianos, algumas regiões socioculturais merecem destaque. Os povos maia,
inca e asteca, por exemplo, formaram impérios e cidades, tendo sua organização econômica voltada
para as práticas agrícolas e do comércio. Os grupos indígenas das regiões baixas da Amazônia e as
diversas culturas guaranis formavam sociedades seminômades de caçadores e agricultores.

Os principais grupos de ameríndios concentravam-se na região asteca (cerca de 25 milhões de


ameríndios) e nos Andes incaicos (10 a 30 milhões).

No século XVII, o número foi reduzido para 10 milhões. Além das guerras e dos maus-tratos, o principal
motivo do genocídio foram as doenças transmitidas pelos colonizadores europeus. Os maias e os
astecas viviam no território mesoamericano e, os incas, nas áreas da cordilheira dos Andes (áreas dos
atuais países Peru, Equador, Bolívia e Chile). Essas sociedades apresentavam significativa organização
política e econômica relativamente desenvolvida, além de serem estratificadas socialmente.

Estratificação: forma de organização social em que uma população é dividida em grupos sociais. Cada um desses grupos exprime
valores culturais e políticos que muitas vezes também expressam a hierarquia social de um grupo.
ENRIQUE CASTRO-MENDIVIL/REUTERS/LATINSTOCK

Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas (Peru, 2014).

RUSSELL BOYCE/REUTERS/LATINSTOCK

A cidade de Tenochtitlán, construída em uma ilha, era capital do império asteca e, no século XVI, contava com cerca de 300 mil
habitantes (México, 2014).

CRIS BOURONCLE/AFP

Tulum, antiga cidade e porto maia, situado na península de Yucatã, teve grande importância por volta de 1400 (México, 2010).
Página 200

Grupos indígenas atuais

Estima-se que havia 30 milhões de indígenas distribuídos entre 671 grupos reconhecidos oficialmente na
América Latina.

No Brasil, há grupos indígenas que vivem isolados em florestas, outros, em regiões mais afastadas das
cidades e há alguns que vivem em grandes centros urbanos. Mas a população indígena é pequena se
comparada a outros países, como a Bolívia e a Guatemala, em que os povos indígenas formam mais da
metade da população.

Esses grupos enfrentam, em toda a América Latina, problemas como marginalidade, exclusão e pobreza,
mas também desafios, entre os quais a preservação e difusão de seus saberes, sua linguagem e seus
hábitos.

DAVID MERCADO/REUTERS/LATINSTOCK

Venda de variedade de quinoa, grão andino cultivado em altitudes elevadas, em Oruro (Bolívia, 2013).

EDSON SATO/PULSAR IMAGENS

Aldeia de grupo Yanomami, em Barcelos (Amazonas, 2012).

Africanos escravizados
A chegada dos primeiros africanos escravizados ao continente americano ocorreu em 1502, em São
Domingos, no mar do Caribe. A vinda forçada dos africanos é explicada pelos lucros decorrentes do
tráfico negreiro e pela necessidade de força de trabalho na economia colonial, principalmente nas
culturas de cana-de-açúcar do Brasil e das Antilhas, na cultura do cacau e do café da Venezuela, e nas
plantações de café, algodão e tabaco da Colômbia.

Em 2012, nos países da América Central, a população afrodescendente representava uma parte
significativa do total: no Haiti (100%), na República Dominicana (84%), em Cuba (35%), entre outros.

Na América do Sul, a Colômbia tem 18% de negros e mulatos e 58% de mestiços (indígenas e brancos), e
o Brasil tem mais de 50% de sua população formada por afrodescendentes. O Brasil é o país com maior
população afrodescendente da América Latina em números absolutos, contando com um total de mais
de 96 milhões de negros e pardos.

Dessa forma, na América Latina há uma multiplicidade de povos afrodescendentes.

PATRICK FARRELL/MIAMI HERALD/TNS/GETTY IMAGES

A população haitiana é formada 100% por afrodescendentes, uma exceção na América Latina. Na foto, pescadores consertam
embarcação usada como instrumento de trabalho na costa sul do país (Haiti, 2014).
Página 201

Podemos dizer que os grupos afro-latinos compartilham uma história de escravização, de inserção no
modelo colonial e de várias lutas por liberdade, com destaque para a formação de quilombos e para
rebeliões que culminaram em diversas mudanças, como a independência do Haiti, em 1791 — a
primeira colônia a se emancipar politicamente. As populações afrodescendentes remodelaram a própria
cultura nesses novos territórios e criaram formas de expressão locais numa tentativa de manter a
história cultural dos grupos.

Países como México, Peru, Guatemala e Bolívia — com grande porcentagem da população de origem
indígena — guardam traços e influências de culturas pré-colombianas, como a dos astecas, maias e
incas.

Incidência de pobreza

A elevada incidência de pobreza nos países da América Latina tem raízes na economia colonial. A
existência de latifúndios na maioria dos países bloqueou o desenvolvimento regional porque o poder da
terra, assim como o da produção, ficou nas mãos de poucas pessoas, que obtinham maiores ganhos.
Desse modo, grande parte da população ficou marginalizada do mercado consumidor.

Assim, as desigualdades sociais vistas atualmente são resultado das relações de dominação e exploração
econômica a que essas populações foram submetidas desde a chegada dos europeus.

Uma população urbana

O desenvolvimento da indústria e as transformações do meio rural, para atender as demandas


crescentes da economia mundial, aceleraram o processo de urbanização na América Latina. Em 2012, a
maioria da população latino-americana (cerca de 80%) vivia nas grandes ou médias cidades. Conforme
projeções da ONU para 2050, a população urbana dessa região será ainda maior (89%).

Apesar de a vida na cidade facilitar o acesso aos serviços públicos, isso não significa que houve
diminuição da desigualdade social, mantendo-se elevadas as taxas de exclusão da população do
mercado de consumo. Não é por acaso que quatro cidades latino-americanas compõem a lista das
maiores aglomerações urbanas do mundo, as chamadas megacidades. São elas: Cidade do México, no
México; Buenos Aires, na Argentina; São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil.

OMAR TORRES/AFP
No México há forte contraste econômico e social. Na foto, favela na Cidade do México em área próxima à zona residencial de
classe média alta (México, 2012).

Análise de imagem

Observe a foto da Cidade do México e comente a frase: “Com a globalização, as grandes cidades dos países em desenvolvimento
se tornam semelhantes”.

As grandes cidades dos países em desenvolvimento passam por processos parecidos e enfrentam problemas parecidos, como grandes contrastes
sociais: de um lado uma pequena população muito rica e, de outro, grande parte da população pobre.
Página 202

América Latina: Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Muitos países da América Latina apresentavam, em 2013, bons indicadores sociais, como Chile,
Argentina, Uruguai, México e Cuba. Outros, como Honduras, Nicarágua, Guatemala e Haiti,
apresentavam indicadores sociais mais baixos, sendo o Haiti o país com os piores indicadores entre os
países latino-americanos.

MAPAS: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: ONU/PNUD. Relatório do desenvolvimento humano 2014: sustentar o progresso humano. Nova York: PNUD, 2014. p. 168-
169.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Diferencie colônia de povoamento da colônia de exploração.

2. Cite duas consequências provocadas pela colonização na população ameríndia.


3. Por que e em quais circunstâncias foram trazidos africanos para a América?
Página 203

Industrialização na América Latina

TERMOS E CONCEITOS
• substituição de importação
• investimento estrangeiro
• financeirização

Desde o início do século XIX, a economia dos países recém-independentes era em grande parte
dominada pela exploração dos metais preciosos e pela produção agropecuária, sempre voltada aos
mercados externos. Assim, os jovens países latino-americanos passaram a ser identificados por sua
produção, que os conectava ao mercado mundial.

Os países da América Central, por exemplo, especializaram-se no fornecimento de produtos tropicais.


No Brasil e na Colômbia, destacava-se o café; em Cuba, o açúcar; na Argentina e no Uruguai, a carne, a
lã e o trigo; na Bolívia, o estanho; no Chile, o cobre; e no Peru, a prata e os pescados.

BOB DEWEL/ONLY WORLD/ONLY FRANCE/AFP

A pecuária nos pampas é uma atividade econômica que remonta ao período colonial (Argentina, 2011).

Industrialização

O processo efetivo de industrialização na América Latina teve início no intervalo entre as duas grandes
guerras mundiais.

A dificuldade de importação de produtos manufaturados durante a Primeira Guerra Mundial e a


recessão econômica que atingiu os principais mercados mundiais na década de 1930 produziram o
contexto político-econômico que explica o surgimento dos primeiros parques industriais. Esse modelo
de industrialização recebeu o nome de substituição de importações.

Com a utilização de investimentos estatais, principalmente em infraestrutura, energia e transporte,


Brasil, Argentina e México saíram à frente na industrialização, e assim tiveram vantagem em relação aos
demais países latino-americanos. Nas décadas de 1950 e 1960, seus parques industriais começaram a
receber investimentos estrangeiros, com instalação de filiais de empresas transnacionais, como as da
indústria automobilística. Desde então, esses três países ampliaram a participação na divisão
internacional do trabalho, e passaram a abastecer o mercado mundial também com produtos
manufaturados, principalmente de bens de consumo duráveis e não duráveis.
CLAUDIO TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

A industrialização não significou o aumento da autonomia das economias latino-americanas. Pelo contrário, a expansão da
atividade industrial exigia a importação de tecnologias sofisticadas e acabava por reforçar a situação de dependência econômica.
No Brasil, em 1962, o automóvel Karmann-ghia, da alemã Volkswagen, passou a ser montado no país.

Endividamento externo

Na década de 1980, com a aguda crise econômica que atingiu a maioria dos países da América Latina,
resultante sobretudo da explosão das taxas de juros cobradas sobre a dívida externa, a maior parte
desses países foi obrigada a aplicar ajustes estruturais e a rever seus modelos de desenvolvimento. A
consequência mais evidente foi a diminuição dos investimentos nos setores de infraestrutura e em
políticas sociais.

Nesse contexto, a agenda pública voltou-se prioritariamente para a promoção das privatizações e para
o controle do gasto público, ações que integram um conjunto de medidas denominado Consenso de
Washington.

Nessa situação, os países latino-americanos não conseguiram romper a dependência externa e gerar
tecnologia própria, embora alguns deles tenham aumentado seus parques industriais.

Para assistir
Memória do saqueio
Direção: Fernando Solanas.
País: Argentina/França/Suíça.
Ano: 2004.
O documentário apresenta os resultados políticos e econômicos do neoliberalismo na Argentina desde o fim da
ditadura militar.

REPRODUÇÃO
Página 204

Inserção global

A partir da década de 1990, a redução das taxas de juros internacionais, a renegociação de dívidas
externas e a manutenção dos saldos comerciais positivos vêm servindo de base para a formação de
reservas internacionais que sustentam uma política de atração do capital estrangeiro, por meio de altas
taxas de juros e da valorização das moedas nacionais.

Esse processo, chamado de financeirização, tem gerado o sucateamento de segmentos industriais,


como o de bens de capital. Ele requer a geração de superávits comerciais e a transferência de parte dos
setores público e privado nacionais para o capital internacional. O menor ritmo de crescimento fez cair a
participação do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina no PIB mundial, entre 1980 e 2015. Nesse
período houve perda relativa, especialmente em virtude da ascensão das economias asiáticas, lideradas
pela China.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 71.

Análise cartográfica

Identifique as principais áreas industriais da América Latina.

Monterrey, Guadalajara e Cidade do México no México; Bogotá, na Colômbia; Caracas, na Venezuela; Valparaíso e Santiago, no Chile; Buenos Aires e
Rosário, na Argentina; São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil.

A América Latina e a economia globalizada

As transformações territoriais impostas pela globalização atingem de forma diferenciada cada um dos
países. Enquanto no México houve um rápido processo de valorização dos estados do norte, com a
industrialização por maquiladoras e o crescimento de cidades médias, a inserção do Chile no mercado
internacional reforçou as especializações produtivas de todas as regiões do país. A tradicional região
mineradora do norte recebeu investimentos estrangeiros e aumentou sua participação no comércio
mundial de cobre, enquanto a fruticultura tornou-se ainda mais sofisticada no sul.
Na Argentina e no Brasil, comandadas sobretudo pelas grandes corporações internacionais, foram
recriadas as velhas redes extravertidas de transportes, facilitando a integração com os mercados
mundiais, em detrimento das iniciativas de integração nacional. Ao que tudo indica, o padrão de
inserção periférica da América Latina no mercado global ganhou novas roupagens, mas continua igual
em sua essência.

Extravertido: voltado para fora. No caso da rede de transportes, refere-se à sua configuração voltada para o escoamento da
produção destinada à exportação.
Página 205

Pobreza e desigualdade

Segundo a ONU, a América Latina foi a região onde houve a maior redução de pobreza e da
desigualdade nos últimos anos. Esse fato, no entanto, não foi suficiente para superar a pobreza e a
diferença de renda entre os países em desenvolvimento. Segundo os critérios da ONU, os cidadãos em
pobreza extrema são os que recebem até nove reais por dia. Estudos mostram que em 2000, cerca de
189,9 milhões de latino-americanos estavam nessa situação, o que correspondia a 41,7% de uma
população de 454,9 milhões de pessoas. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe
(Cepal) estimam que, em 2014, 28% dos latino-americanos viviam na pobreza. Isso significa que 167
milhões de pessoas encontravam-se em tal situação, dos quais 71 milhões viviam na indigência, no
limite da subsistência, situado em dois dólares por dia.

As condições econômicas adversas como o desemprego, as péssimas condições de trabalho nas áreas
rurais e os baixos salários provocam grande emigração da população de muitos países latino-americanos
para países da Europa ou para os Estados Unidos.

ORLANDO SIERRA/AFP

Em Tegucigalpa, capital de Honduras, um dos países mais pobres do continente, milhares de catadores vivem da coleta de lixo. Na
foto, centenas deles estão numa fila para conseguir comida de uma instituição de caridade (Honduras, 2014).
LEO RAMIREZ/AFP

Vista aérea da favela de Las Minas, em Caracas (Venezuela, 2012).


Página 206

A diminuição da desigualdade

A diminuição da desigualdade entre as famílias latino-americanas, desde 2003, foi muito significativa e
sem registro na história recente. Ela pode ser medida pelo ganho dos salários, que se deu
primordialmente pelo aumento na escolaridade no conjunto da população, o que permitiu reduzir as
diferenças entre os mais e os menos instruídos. Apesar disso, os investimentos públicos em educação
subiram pouco, sendo de 3,4% do PIB, nos anos 1990, e de 5,4%, em 2014.

IVAN PIERRE AGUIRRE/AP PHOTO/GLOW IMAGES

Em maquiladoras mexicanas do norte do país, operários fabricam componentes e peças para empresas do país vizinho, os
Estados Unidos (Ciudad Juárez, México, 2013).

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: GONZÁLEZ, Alicia. A luta contra a pobreza perde fôlego na América Latina. El País. 31 jan. 2015. Disponível em:
<http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/30/internacional/1422643328_842941.html>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

1. Cite os três países com maior número de indigentes ou pobres em 2012 ou 2013.

Bolívia, México, Equador.

2. Que países apresentaram maior progresso na diminuição da pobreza?


Bolívia, Peru e Argentina.

Crescimento econômico e informalidade

Apesar de o crescimento econômico médio latino-americano ter ficado próximo dos 5% nos últimos
anos, a informalidade ainda representa entre 60% e 70% da economia. Isso significa que 130 milhões de
pessoas estão de forma permanente, ou durante grandes períodos de suas vidas, na informalidade, o
que implica que sua contribuição por meio do sistema fiscal é muito baixa ou inexistente em muitos
casos. Embora não sejam classificadas como pobres, recebem remuneração muito baixa e são bastante
vulneráveis às mudanças na economia.

OSTILL/SHUTTERSTOCK

Venda de artesanato nas ruas de Cuzco (Peru, 2013).


Página 207

Desenvolvimento da economia

Nos países da América Central e do Caribe com industrialização incipiente, a agricultura para exportação
ainda emprega a maioria da população que cultiva banana, cana-de-açúcar, algodão e tabaco. O turismo
tem se expandido na região.

ERIKA SANTELICES/AFP

Dos países caribenhos, a República Dominicana é a que recebe mais turistas. Na foto, Punta Cana, uma das mais movimentadas
praias da ilha do mar do Caribe (2012).

JAIME RAZURI/AFP

O gás, levado por gasoduto, está entre os principais itens da pauta de exportação da Bolívia, sendo o Brasil, um dos seus maiores
parceiros comerciais (2014).

Os produtos minerais (cobre, estanho, manganês, ferro, zinco, chumbo, alumínio, prata e ouro) e
combustíveis fósseis (gás natural e petróleo) ainda desempenham um papel relevante nas economias do
México, dos países andinos e do Brasil.

Os países mais industrializados, com economia e mercados mais diversificados, como o Brasil, a
Argentina, o México e os que mantêm laços mais fortes com as economias asiáticas (Chile e Peru), têm
mostrado maior estabilidade econômica que os demais latino-americanos. Contam com bancos centrais
autônomos (exceto o Brasil), taxas de câmbio flexíveis, programas de metas para o índice de inflação e
processos fiscais sólidos.
MICHELE FALZONE/JAI/CORBIS/LATINSTOCK

Buenos Aires, o grande centro industrial argentino e capital do país (Argentina, 2014).

CRESCIMENTO ECONÔMICO (2003-2012)*

Países Média de crescimento (% do PIB) Média de crescimento (% das


exportações de bens e serviços)
Peru 6,47 7,14
Uruguai 5,23 8,69
Colômbia 4,73 5,88
Equador 4,54 4,73
Bolívia 4,46 6,79
Chile 4,45 4,29
Brasil 3,58 5,20

*Em % do PIB e das exportações de bens e serviços de algumas economias sul-americanas.

Fonte: FIORI, José Luís. A retórica da comparação. Carta Maior. Disponível em: <www.cartamaior.com.br/?/Coluna/A-retorica-da-
comparacao/31503>. Acesso em: abr. 2016.

Para navegar
Centro de Informações Digitais sobre a América Latina
http://lanic.utexas.edu/
A Universidade do Texas reúne um extenso conjunto de endereços eletrônicos da América Latina organizados por
país e temas. Por meio desse portal é possível encontrar os sites de famosos cartunistas latino-americanos, museus
e jornais, além de conhecer mais sobre arte, alimentação e cultura latino-americana.
Página 208

Crescimento econômico

Em 2014, o crescimento do PIB da América Latina ficou em 1,1%, abaixo da média mundial, que quase
atingiu 3%. Os que mais se destacaram foram Panamá e República Dominicana, que cresceram 6%, e
Bolívia, com 5,2%, enquanto o Brasil só cresceu 0,2% no período e a Argentina teve crescimento
negativo de 0,2%.

NATHÁLIA TANBELLINI

Fonte: ECODEBATE. Cidadania & Meio Ambiente. Disponível em: <www.ecodebate.com.br/2015/01/21/argentina-brasil-e-


america-latina-perdem-posicao-relativa-no-pib-mundialartigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves>. Acesso em: abr. 2016.

RODRIGO ARANGUA/AFP
O Panamá vem apresentando grande crescimento econômico e modernizando sua capital, Cidade do Panamá (2014).
Página 209

MAPAS: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas du Monde Diplomatique: un monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2009. p.
55.

Análise cartográfica

1. Compare a situação do Brasil, do México e da Argentina no que diz respeito aos principais indicadores econômicos.

O Brasil lidera na população e nas reservas bancárias. Porém, a renda per capita no México e na Argentina supera a brasileira. Entre os três países, o
México se destaca por direcionar suas principais exportações para os Estados Unidos.

2. Quais são os principais parceiros comerciais dos latino-americanos?

Países latino-americanos e Estados Unidos.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. A América Latina é uma região fortemente industrializada? Justifique sua resposta.


2. Segundo a ONU, a América Latina fez grandes avanços em relação à diminuição das desigualdades
econômicas e sociais nos últimos anos. Comente essa afirmação.

3. Como vem se dando o processo de inserção da América Latina na globalização?

Para assistir
Pachamama
Direção: Eryk Rocha.
País: Brasil.
Ano: 2008.
Pesquisadores partem do Brasil para a Bolívia e o Peru mostrando as condições em que se organizam algumas
comunidades tradicionais amazônicas e andinas, historicamente excluídas do processo político de seus países.

REPRODUÇÃO
Página 210

Integração econômica na América Latina

TERMOS E CONCEITOS
• Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa)
• integração energética

A integração econômica entre os países sul-americanos é uma das prioridades da política externa
brasileira desde meados do século XX. Um dos fatores essenciais para que esse processo se consolide é
a construção de uma infraestrutura moderna e integrada de energia, transportes e comunicações.

Os eixos de integração

A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), criada em 2000, busca
suprir essa deficiência. Criada na Primeira Reunião de Presidentes da América do Sul, realizada em
Brasília, a Iirsa tem como meta integrar a infraestrutura de transportes, energia e comunicações entre
os doze países signatários: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru,
Suriname, Uruguai e Venezuela. Para tanto, foram estabelecidos dez eixos prioritários de integração
viária. Entre eles, destacam-se os que conectam o Sul e o Sudeste do Brasil aos países da América do Sul.

• Eixo Mercosul-Chile: liga São Paulo, Rio de Janeiro, Montevidéu, Buenos Aires, Santiago e termina no
porto chileno de Valparaíso. Concentra os mais importantes fluxos comerciais da América do Sul.

• Eixo Interoceânico Central: estabelece conexão do Brasil com Bolívia, Paraguai, Peru e Chile.

• Eixo do Escudo das Guianas: destaca-se a ligação rodoviária entre Manaus e Caracas, na Venezuela, e
a ligação entre Manaus e Suriname, em projeto.

• Eixo do Amazonas: conecta a navegação fluvial amazônica a portos do Peru e do Equador.

• Eixo Peru-Brasil-Bolívia (engloba a Rodovia Interoceânica): abre uma alternativa para o escoamento
da soja e de outros grãos produzidos no Centro-Oeste brasileiro.
MAPAS: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: IIRSA — Iniciativa para a Integração Regional Sul-Americana. Disponível em: <www.iirsa.org/Page/Detail?menuItemId=68>.
Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Os eixos de integração previstos pela Iirsa são importantes para integrar o Brasil à costa pacífica sul-americana? Justifique sua
resposta.

Sim, pelo menos cinco desses eixos envolvem a conexão entre o Brasil e os países sul-americanos voltados para o Pacífico, como Chile, Peru e
Equador.
Página 211

Além dos projetos de integração viária, estão em andamento importantes iniciativas para a integração
energética. Uma delas é a expansão do gasoduto Bolívia-Brasil, que deverá atravessar o Rio Grande do
Sul e integrar-se à rede de gasodutos da Argentina, já conectada com a do Chile e a da Bolívia. Em
grande parte por causa da integração da rede de gasodutos sul-americanos, Argentina e Brasil possuem
as maiores frotas de veículos movidos a gás natural no mundo.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado. Disponível em:
<www.abegas.org.br/Site/?page_id=842>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Destaque pelo menos duas obras prioritárias para a consolidação de uma rede internacional de gasodutos na América do Sul.

A interligação das redes brasileiras e dessas com as redes argentinas.

Projeto Mesoamérica

Assim como o Iirsa, o Projeto Mesoamérica é uma proposta de desenvolvimento intensivo de


infraestrutura regional da América Central.

O Projeto Mesoamérica tem como membros países da América Central, Caribe e América do Sul: Belize,
Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e República Dominicana,
além do México, da América do Norte. Juntos, esses países abrigam uma população de cerca de 212
milhões de pessoas, e ocupam cerca de 3,65 milhões de quilômetros quadrados.

Em 2014, um dos planos do projeto, o Sistema de Interconexão Elétrica para os Países da América
Central (Siepac), contava com 95% das obras concluídas. A instalação de uma linha de transmissão
elétrica unindo Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala tem o objetivo de
reforçar as redes de transmissão nacionais e desenvolver um mercado atacadista regional para
transações de energia elétrica. Em tese o plano contempla o desenvolvimento social, o uso sustentável
dos recursos naturais, a prevenção de desastres, o combate à pobreza e a proteção ambiental.

Entre as críticas feitas ao projeto está a distribuição orçamentária: 85,2% do orçamento total dos 28
megaprojetos se concentram em estradas e 11,1% em interconexão elétrica. Apenas 1,3% foi destinado
à promoção do turismo, 0,8% ao desenvolvimento social e 0,4% ao desenvolvimento sustentável.
Página 212

Rede Internacional de Rodovias Mesoamericanas

O sistema viário criado, batizado como Rede Internacional de Rodovias Mesoamericanas (em espanhol,
Red Internacional das Carreteras Mesoamericanas — Ricam), permitirá a ligação dos Estados Unidos ao
Panamá, beneficiando o primeiro país, além do alto potencial hidrelétrico da região e a construção de
represas que poderão atender ao mercado estadunidense. Entre as obras do projeto estão a do
Corredor do Pacífico, uma rodovia de 3.200 km que constitui o caminho terrestre mais curto entre o
Panamá e o México. A presença da Colômbia no Projeto Mesoamérica contribui para a articulação e
convergência desta iniciativa regional com a estratégia de integração na América do Sul conduzida pela
Iirsa — contribuindo para a integração latino-americana.

Diversos movimentos sociais contestam o projeto, alegando que ele vai resultar em perdas de terras e
direitos para a população mais pobre, sobretudo para os indígenas.

O planejamento de corredores terrestres do Projeto Mesoamérica promove a integração urbano-


regional atendendo às necessidades de comercialização e transporte de mercadorias no processo de
globalização.

Os novos corredores vão proporcionar a infraestrutura necessária para a instalação de indústrias


maquiladoras, que funcionam como linhas de montagem, importando peças, montando os produtos e
exportando com isenções de impostos. As indústrias montadoras, controladas por transnacionais,
aproveitam-se da mão de obra não qualificada, pagam baixos salários e são frequentemente acusadas
de violar direitos trabalhistas.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: PROYECTO MESOAMÉRICA. Proyecto Mesoamérica: avances y perspectivas. Disponível em:


<www.proyectomesoamerica.org/joomla/index.php?option=com_content&view=article&id=179&Itemid=108>. Acesso em: abr.
2016.
Página 213

A integração energética

Para o Brasil, a integração energética sul-americana já é uma realidade, apesar de ainda existirem
muitos obstáculos a solucionar.

A Usina Binacional de Itaipu, pioneira na integração energética da América do Sul, é um exemplo. O


Brasil compra quase toda a energia que cabe ao Paraguai, mas os paraguaios reclamam que a tarifa paga
a eles é muito menor que os valores de mercado. O preço pago pelo Brasil pela energia foi triplicado em
2011, mas a controvérsia prossegue, já que o Paraguai alega que essa energia deveria ser usada para o
desenvolvimento do próprio país. A cooperação energética acabou por se transformar em tensão
diplomática envolvendo a Argentina, que também possui uma hidrelétrica em comum com o Paraguai.

Outro exemplo importante é o do gás natural boliviano, que o Brasil importa desde 1999. Em 2006, o
governo da Bolívia nacionalizou todas as empresas que exploram hidrocarbonetos nesse país, inclusive
as refinarias da Petrobras, também provocando tensão diplomática entre os dois países.

Entre os principais projetos de integração física e energética já concluídos na América do Sul, destacam-
se:

• o Gasoduto Bolívia-Brasil, por meio do qual as reservas de gás natural de Santa Cruz de la Sierra, na
Bolívia, abastecem indústrias e termelétricas localizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;

• a Rodovia Brasil-Venezuela (BR-174), com extensão de 2.331 quilômetros, que ajuda a escoar os
produtos da Zona Franca de Manaus até os países do Caribe e da América do Norte;

• a Linha de transmissão de Guri, de 780 quilômetros, que liga a Hidrelétrica de Guri, na Venezuela, a
Boa Vista, em Roraima.

DELFIM MARTINS/PULSAR IMAGENS


Vista aérea da usina binacional de Itaipu em Foz do Iguaçu (PR, 2009).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Qual é a importância do gasoduto Brasil-Bolívia para o Brasil?

2. A integração energética entre Brasil e Paraguai, consolidada pela usina de Itaipu, é muito criticada pelo
vizinho Paraguai. Por quê?
Página 214

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Explique por que a Inglaterra e os Estados Unidos apoiaram a independência política das nações latinas.

2 Dados da ONU indicam que em 2011 a América Latina contava com 79,1% de sua população em áreas urbanas, o que a tornava
uma das regiões mais urbanizadas do planeta. Cite ao menos uma característica da urbanização latino-americana.

3 Em relação à desigualdade econômica na América Latina é correto afirmar que:

a) diminuiu de forma significativa na América do Sul.

b) ainda é muito grande nessa porção da América.

c) vem diminuindo de forma acelerada.

d) ainda é grande na zona rural, e quase não há nas zonas urbanas.

4 O que é o processo de financeirização e quais são as consequências dele para os países latino-americanos?

5 Comente o impacto da globalização nos territórios:

a) do México;

b) do Chile;

c) da Argentina.

6 Leia o texto a seguir, acerca da polêmica do Tratado de Itaipu.

Como a represa de Itaipu foi construída na divisa entre o Brasil e o Paraguai, foi preciso um acordo entre os dois
países tanto no que se refere aos custos com a realização da obra como à exploração energética. Em 2009 surgiu a
polêmica entre os países: o governo paraguaio argumentava que o tratado fora assinado durante o período de
regimes ditatoriais e que o documento estabelecia uma relação desigual entre eles para exploração da energia
gerada na usina; para o governo brasileiro, o Paraguai ainda tinha dívidas a saldar.

Tratado de Itaipu

“Tratado entre a República Federativa do Brasil e a República do Paraguai para o Aproveitamento Hidrelétrico dos
Recursos Hídricos do Rio Paraná, pertencentes em Condomínio aos dois Países [...].

Artigo III As altas Partes Contratantes criam, em igualdade de direitos e obrigações, uma entidade binacional
denominada Itaipu, com a finalidade de realizar o aproveitamento hidrelétrico a que se refere o Artigo I.

Parágrafo 1º — A Itaipu será constituída pela Eletrobrás e pela Ande, com igual participação no capital, e reger-se-
á pelas normas estabelecidas no presente Tratado, no Estatuto que constitui seu Anexo A e nos demais Anexos.

Parágrafo 2º — O Estatuto e os demais Anexos poderão ser modificados de comum acordo pelos dois Governos.
[...].
Artigo X — As altas Partes Contratantes, conjunta ou separadamente, direta ou indiretamente, na forma que
acordarem, darão à Itaipu, por solicitação desta, garantia para as operações de crédito que realizar. Assegurarão,
da mesma forma, a conversão cambial necessária ao pagamento das obrigações assumidas pela Itaipu [...].

Artigo XIII — A energia produzida pelo aproveitamento hidrelétrico a que se refere o Artigo I será dividida em partes
iguais entre os dois países, sendo reconhecido a cada um deles o direito de aquisição, na forma estabelecida no
Artigo XIV, da energia que não seja utilizada pelo outro país para seu próprio consumo.

Parágrafo Único — As altas Partes Contratantes se comprometem a adquirir, conjunta ou separadamente, na forma
que acordarem, o total de potência instalada.”

Senado Federal. Decreto legislativo nº 23, de 1973. Disponível em: <http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=121681>.


Acesso em: abr. 2016.

a) Por que a construção de Itaipu exigiu um acordo binacional?

b) Considerando os termos do Tratado, a energia não utilizada pode ser vendida para um terceiro país?

c) Considerando os termos do Tratado, o Paraguai pode deixar de vender a energia excedente para o Brasil?

7 Apresente pelo menos um ponto em comum entre a Iirsa e o Projeto Mesoamérica.

8 Destaque um ponto positivo e um negativo na integração em curso na América Latina.

Leitura cartográfica

9 Analise o mapa a seguir da rodovia Transoceânica.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: MELO, Liana. Com caminho asfaltado, Brasil alcança Pacífico via Transoceânica. Disponível em:
<http://noblat.oglobo.globo.com/noticias/noticia/2011/07/com-caminho-asfaltado-brasil-alcanca-pacifico-viatransoceanica-
395590.html>. Acesso em: abr. 2016.

Qual é a importância para o Brasil da rodovia Transoceânica que liga o Acre a três portos peruanos?
Página 215

Cartografia em foco
Mapas-modelos: representação de estruturas espaciais elementares
O mapa-modelo é uma figura cartográfica elaborada a partir da identificação e representação de
estruturas espaciais elementares. A elaboração desses modelos gráficos, por um grupo de geógrafos
franceses coordenados por Roger Brunet, é considerada um método inovador de análise geográfica,
uma vez que representa graficamente uma explicação da organização espacial.

Diferente dos mapas tradicionais, o objetivo de elaborar um mapa-modelo não é representar de forma
minuciosa e fiel a realidade, mas favorecer a compreensão de vários assuntos de interesse dos estudos
da Geografia. Sua leitura exige o conhecimentos dos componentes do território, assim como capacidade
de análise e de síntese das combinações das estruturas elementares em cada lugar. Por causa disso, o
mapa-modelo é cada vez mais utilizado.

ILUSTRAÇÕES: FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: THÉRY, H. ; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. 1. ed. São Paulo: Edusp, 2005.
Página 216

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: CONFINS. Revista Franco-Brasileira de Geografia. Argentine – Chili: une si longue frontière. Disponível em:
<https://confins.revues.org/6095>. Acesso em: mar. 2016.

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: CONFINS. Revista Franco-Brasileira de Geografia. Argentine – Chili: une si longue frontière. Disponível em:
<https://confins.revues.org/6095>. Acesso em: mar. 2016.

Questões

Responda no caderno.
1. Analise o mapa de eixos de integração da América do Sul e estabeleça relações entre os modelos elementares
litoral/interior e frente pioneira.

2. Com base no modelo gráfico dos eixos de integração, identifique as estruturas elementares que tornam possível
os eixos de integração da América do Sul. Explique por quê.
Página 217

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (Fuvest, 2009) Qual das características mais se aplica ao processo de industrialização que ocorre em certos países não
desenvolvidos da América Latina, como Brasil, México e Argentina.

a) Industrialização com base no processo de substituição de importação de manufaturados.

b) Predomínio de capitais europeus e asiáticos.

c) Processo de plataforma de exportação.

d) Processo voltado para a produção de bens industrializados, de investimentos em indústrias de bens de capital.

2 (Uerj, 2011)

O sistema produtivo das maquiladoras

As maquiladoras no México, as fábricas da Zona Franca de Manaus e as firmas localizadas em zonas de


processamento de exportação são exemplos de um novo modelo de organização das atividades industriais que
surgiu nas últimas décadas.

Um traço comum desse modelo é a criação de regras especiais, distintas das existentes no restante dos territórios
nacionais.

Cite dois exemplos de regras associadas a esse modelo.

3 (PUC-SP, 2009) O movimento de emancipação política da maioria dos países de colonização espanhola da América não
significou a quebra das estruturas sociais e econômicas. Daí se verificou que:

a) A dominação dos proprietários rurais foi garantida por novas incorporações territoriais.

b) As diferenças entre as várias classes da população foram superadas pelo desejo de união nacional.

c) O fortalecimento do poder político pessoal deu origem ao caudilhismo.

d) Os intelectuais apoiaram-se nas ideias libertárias para defender propostas de igualdade social.

e) A atuação da Igreja foi importante para garantir as reivindicações populares.

4 (Enem, 2009)

“Na América espanhola colonial, a primeira prioridade dos invasores foi extrair riquezas dos conquistados. Essa
extração foi realizada mediante a apreensão direta de excedentes previamente acumulados de metais ou pedras
preciosas. Isso tomou a forma de saques e pilhagens, uma maneira oficialmente aceita de pagar soldados ou
expedicionários voluntários.”

MACLEOD, Murdo J. Aspectos da economia interna da América espanhola colonial. In: BETHELL, Leslie. História da América. São Paulo: Edusp;
Brasília: Funag, 1999, v. II, p. 219-220.

Tendo em vista as características citadas, conclui-se que a América espanhola colonial começou como uma sociedade

a) fundada na lógica da conquista, ao se fazer uso da violência contra a população indígena para a apropriação de riquezas.
b) centrada na extração e beneficiamento mineral de recursos como ouro, prata e pedras preciosas, ali encontrados.

c) voltada para o cultivo da cana-de-açúcar, produto bastante valorizado, tal como se verificou nas colônias portuguesas.

d) escolhida para representar o espírito da modernidade europeia na América.

e) engajada no comércio do qual provinham especiarias para serem distribuídas na Europa.

5 (Unesp, 2012) Na Idade Moderna, o processo de colonização europeia das regiões do continente americano não foi uniforme.
Pode-se distingui-las em áreas de:

a) colônia de povoamento, ocupada por contingentes de escravos africanos, e de colônia de exploração indígena.

b) colônia de exploração, baseada na escravidão e na grande propriedade agrícola, e de colônia de povoamento.

c) produção e de exportação de mercadorias manufaturadas e de importação de matérias-primas europeias.

d) domínios políticos, com a submissão local, e de domínios econômicos, sendo garantida a liberdade indígena.

e) exploração econômica de recursos naturais e de catequese das populações nativas por missionários cristãos.

6 (Fuvest, 2006) O aumento da dívida externa na América Latina, evidenciado no gráfico, ocorreu, principalmente, devido:

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Fonte: Banco Mundial, 2002.

a) à ampliação das trocas comerciais entre países.

b) ao desequilíbrio comercial em relação aos países ricos.

c) ao importante incremento do capital especulativo.

d) à queda do PIB e à valorização das commodities.

e) ao aumento das taxas de juros externos.


Página 218

CAPÍTULO 10 Ascensão da África


Desde os anos 2000, mais da metade dos países africanos manteve um forte ritmo de crescimento
(acima de 6% ao ano), embalados pela grande demanda por matérias-primas no mercado internacional.
Apesar disso, parte da população passa fome e precisa da ajuda dos organismos internacionais para
enfrentar o quadro de miséria.

A África dividida: diversidade natural, cultural e econômica

Podem-se distinguir dois grandes conjuntos culturais no continente: a África do Norte e a África Subsaariana.
Após séculos de exploração da mão de obra e das riquezas naturais controladas pelos interesses de potências
estrangeiras europeias, ainda persistem muitas instabilidades políticas no continente.

A África nos séculos XX e XXI

Apesar do contexto de baixo dinamismo econômico e dos bolsões de pobreza, o continente africano mantém
acelerado crescimento demográfico. Atraída pelos novos negócios da economia globalizada, a população
migra para os grandes centros urbanos.

A África no mundo globalizado: rumos do desenvolvimento

Novos desafios foram impostos pela economia globalizada ao desenvolvimento africano. A crise financeira de
2008 derrubou os preços das commodities no mercado internacional, gerando desemprego e fuga de capitais
nos países mais dependentes da exportação de matérias-primas. Por essa razão, diversos organismos de
desenvolvimento regional procuram unir os países africanos no enfrentamento dessas dificuldades.

ENEM
C2: H6, H7, H8, H9
C3: H13, H15
C6: H26, H27, H29
BLAINE HARRINGTON III/CORBIS/FOTOARENA

Vista geral das pirâmides construídas no planalto de Gizé, onde se desenvolveram sociedades complexas que praticavam a
agricultura nas margens férteis dos rios. Essas pirâmides foram construídas por volta de 2550 a.C., época em que o Egito, no Norte
da África, firmava-se como um poderoso império. Foto do Cairo (Egito, 2009).

HARRY HOOK/GETTY IMAGES

Habitações decoradas com pinturas típicas de Tiebele. Essa arte é realizada pelas mulheres que, por volta do século XVI, após o
período das chuvas, repintam suas moradas dando às habitações uma identidade única, preservando técnicas e conhecimentos
antigos (Burkina Fasso, 2014).
Página 219

LUIZ RUBIO

Fonte: THE ECONOMIST. One among many. 17 jan. 2015. Disponível em: <www.economist.com/news/middle-east-and-
africa/21639554-chinahas-become-big-africa-now-backlash-oneamong-many>. Acesso em: abr. 2016.

PIUS UTOMI EKPEI/AFP

Lagos é a maior cidade nigeriana e integra a maior área metropolitana do continente africano (Nigéria, 2014).

1. Observando as fotos, cite três aspectos que mostram a grande variedade cultural africana.

As pirâmides do Egito evidenciam o desenvolvimento de uma civilização milenar que constituiu um grande império. A grande aglomeração urbana de
Lagos, na Nigéria, mostra o crescimento recente da urbanização da África. A pequena vila em Burkina Fasso revela a permanência de uma cultura que
perdura por séculos.

2. Qual é o papel de países europeus que mantiveram colônias no continente africano, como a França e o Reino
Unido, no comércio com a África?

Esses países ainda mantém comércio com a África devido aos laços criados desde a época colonial.

3. Explique o papel de países emergentes como a China no comércio africano.

A China cresce em ritmo acelerado, necessitando de diferentes matérias-primas, o que explica sua importância no comércio africano como principal
país comprador.
Página 220

A África dividida: diversidade natural, cultural e econômica

TERMOS E CONCEITOS
• África do Norte
• África Subsaariana
• Sahel
• Congresso de Berlim
• pan-africanismo
• pan-arabismo
• territorialidade
• apartheid

O continente africano apresenta extensas superfícies cratônicas com rochas cristalinas muito resistentes
(magmáticas ou metamórficas) de tectônica estável e ricas em recursos minerais, ainda que muito
desgastadas pela erosão. Parte dessas estruturas cratônicas foram recobertas por camadas de
sedimentos, que deram origem a plataformas sedimentares. Sedimentos de origem marinha formaram
as jazidas petrolíferas do Saara.

Cratônica: referente a crátons, blocos de rochas muito antigos e estáveis, divididos em escudos cristalinos e plataformas.

Em consequência do intenso processo erosivo das rochas mais antigas, grande parte do continente
africano apresenta altitudes médias inferiores a 1.500 metros. No entanto, cordilheiras montanhosas de
formação recente também estão presentes na África.

No extremo norte, paralela ao litoral do mar Mediterrâneo, destaca-se a Cadeia do Atlas. Os picos mais
altos do continente situam-se nas elevações que emergiram nos planaltos da África Oriental. Esse é o
caso do Monte Quilimanjaro, ponto culminante do continente, com 5.895 metros de altitude e, do
Monte Quênia, com 5.199 metros. Vulcões ativos e inativos formam essas elevações, comprovando a
existência de intensa atividade geológica na região.

A distribuição das principais formações vegetais na África está bastante relacionada com a variação
climática latitudinal. A faixa de clima equatorial é dominada pelas florestas equatoriais; à medida que o
clima se torna mais seco, observa-se uma sucessão de savanas, estepes e desertos. Tanto no extremo
norte como no extremo sul, há a ocorrência de vegetação mediterrânea arbustiva e arbórea.
NICOLAUS CZARNECKI/ZUMA PRESS/ CORBIS/LATINSTOCK

O pico do Uhuru, com 5.895 metros de altitude, é o ponto mais elevado da África, situado no topo do monte Quilimanjaro
(Tanzânia, 2013).
Página 221

Diversidade cultural da África

A ocupação da África é tão antiga quanto a história da humanidade. De acordo com a maioria das
pesquisas realizadas sobre a origem da espécie humana, nossos ancestrais mais antigos viveram no
continente africano. Talvez por isso haja tanta diversidade humana na África e seja tão difícil conhecer
todos os grupos étnicos, culturais e linguísticos que ali vivem.

A análise das línguas faladas no continente ajudam a compreender como a população primitiva se
dispersou pelo continente.

Apesar da enorme diversidade econômica, cultural e étnica da África, a ONU utiliza para dados
estatísticos a divisão do continente africano em dois grandes conjuntos separados pelo Saara: a África
do Norte e a África Subsaariana. Além das diferenças naturais, essas duas regiões têm trajetórias
históricas específicas.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fontes: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 81.
SPL/LATINSTOCK

Composição de imagem de satélite em que podem ser observadas as massas líquidas, em azul, a vegetação, em verde, e as áreas
áridas, como o deserto do Saara, em marrom-claro.

África do Norte

O norte da África fez parte da história das culturas que se desenvolveram na bacia do mar Mediterrâneo
desde a Antiguidade. Nessa região, desenvolveram-se importantes civilizações, como o Império Egípcio.
Por volta do século XV a.C., o Império Egípcio alcançou sua maior extensão de domínios, abarcando
desde a foz do rio Nilo para o sul, cerca de dois terços de seu curso, cobrindo praticamente toda a costa
norte do mar Vermelho e parte da costa oeste do Mediterrâneo, até a Líbia, e a leste o norte da
península Arábica até a Síria.

O deserto do Saara, maior deserto do mundo, localiza-se ao norte da África. Por sua grande extensão
(cerca de 7.500.000 km2), era um obstáculo para os viajantes vindos do mar Mediterrâneo. Entretanto,
estabeleceu-se um tráfego para o interior do continente, composto de caravanas de beduínos —
comunidades nômades que detêm até hoje o conhecimento sobre a sucessão de dunas de areia, vales e
maciços montanhosos saarianos.
Página 222

A região denominada África do Norte permaneceu integrada à Europa mediterrânea e ao Oriente Médio
durante grande parte de sua história, recebendo, portanto, as mais variadas influências culturais. Na
Antiguidade, esteve sob o domínio do Império Romano. Entre os séculos VII e VIII, foi conquistada pelos
árabes. Atualmente, nessa parte do continente africano, predomina a população árabe e de religião
islâmica. Essa região é a mais rica em petróleo e gás natural da África.

África Subsaariana

As semelhanças de estrutura e vocabulário entre as línguas da grande maioria dos povos ao sul do Saara
não deixam dúvidas de uma origem étnica comum na região. Essa população, que até hoje fala as
chamadas línguas bantas, deve ter se dispersado a partir das bacias dos rios Congo e Zambeze,
formando diversos subgrupos que foram se diversificando na economia e na organização política,
cultural e social.

A África Subsaariana situa-se ao sul do Saara, onde ocorrem áreas semiáridas de transição entre o
deserto e as savanas tropicais. Nas áreas úmidas centro-africanas, desenvolve-se a exuberante floresta
equatorial; ao sul, com a presença do deserto de Kalahari, a vegetação torna-se novamente escassa.

O principal corredor sempre foi o Nilo, cuja navegação permitia a circulação entre a costa mediterrânea
e o sul do Saara, estabelecendo-se o contato com os povos dessa região. Foi dessa forma que povos não
árabes tomaram contato com o islamismo, que se difundiu na borda meridional do Saara, onde
atualmente a população muçulmana predomina.

Partindo do norte da África, o islamismo chegou à zona tropical no século XI. A colonização africana
pelos europeus teve início no século XV com Portugal intensificou-se no século XIX e disseminou o
cristianismo na África Subsaariana. O catolicismo foi difundido pela França e por Portugal e o
protestantismo, pela Inglaterra.

ISS EXPEDITION 25 CREW/NASA EARTH OBSERVATORY

Nesta imagem de satélite de 2010, observa-se que a população está quase toda concentrada ao longo do vale do rio Nilo, que
aparece iluminado atravessando o deserto do Saara e desembocando em delta no mar Mediterrâneo. A área metropolitana do
Cairo, capital do Egito, forma uma mancha brilhante, ao centro.
REBECCA BLACKWEL/AP PHOTO/GLOW IMAGES

Oração reúne milhares de muçulmanos na cidade de Dakar (Senegal, 2014).


Página 223

EVANS HABIL/DEMOTIX/CORBIS/LATINSTOCK

O grupo étnico massai vive no Quênia e no norte da Tanzânia. Embora tenham contato com outros grupos étnicos, tentam manter
tradições de seus ancestrais. Na foto, mulheres massais preparam-se para ritual de iniciação de jovens guerreiros (morans) em
uma comunidade de Nairóbi (Quênia, 2012).

No século XV, quando os europeus desembarcaram no continente, os povos da África Subsaariana não
conheciam a roda nem o arado: a enxada e o machado eram os principais instrumentos para a prática
agrícola. A irrigação era pouco praticada na agricultura que se desenvolvia com a criação de animais.
Atividades manuais produziam um rico e diversificado artesanato que coexistia com a caça, a pesca, a
navegação e um comércio bem desenvolvido.

Na maior parte da África ao sul do Saara, também tiveram impérios organizados, como o Mali (1218-
1600) e o Songhai (séculos XV e XVI). Vestígios arqueológicos atestam a existência de grandes cidades
com até 140 mil habitantes, número considerável para a época, ou aldeias com até 10 mil habitantes,
que poderiam fazer parte de reinos ou impérios maiores e organizados, porém dispersos.

A escrita só existia em algumas regiões da costa do oceano Índico, introduzida pelos povos islâmicos. É
por isso que as tradições orais, transmitidas pelos griôs (contadores de histórias), sempre foram muito
importantes para a preservação dos conhecimentos acumulados pelas sociedades da África Subsaariana.

Indicadores sociais na África Subsaariana

Dados da ONU de 2014 indicam que a África Subsaariana apresentou o mais baixo IDH de todas as
regiões do mundo, com um índice de 0,502, quando o valor global médio foi de 0,702. Também
apresentou a mais baixa esperança de vida, de 50,5 anos, enquanto a média global era de 61,75 anos.
Nessa região, residem 24,7 milhões de pessoas portadoras do vírus HIV, e 40% dos trabalhadores vivem
em famílias cuja renda diária é inferior a 1,25 dólar por pessoa.

A região do Sahel (costa do deserto) é uma faixa de transição semiárida, com vegetação de estepe,
entre o deserto do Saara e as áreas úmidas do centro africano e se estende do oceano Atlântico ao mar
Vermelho. Por causa da intensa utilização pela agricultura e pecuária extensivas em região semiárida e
da retirada das formações arbustivas, a desertificação avança nessa área, provocando grandes
problemas socioambientais e intensa migração. Aí se encontram territórios de alguns dos países mais
pobres do planeta. Crises de fome e guerras civis ocorrem constantemente na região.

PHOTO BY DEAGOSTINI/GETTY IMAGES

As zonas semiáridas do Sahel são afetadas por processos de desertificação que provoca a perda anual de milhares de hectares de
terras agrícolas. Na foto, área em processo de desertificação (Mauritânia, 2014).
Página 224

Diálogo interdisciplinar
O referencial absoluto

“[...] As mais frequentes e graves conspirações e revoltas de escravos, que representavam a forma
última da luta para se libertar da escravidão, ocorreram geralmente nas regiões com uma importante
densidade de escravos negros. Na Guiana britânica, por exemplo, os escravos chegaram a constituir até
90% da população total. Eram também muito numerosos na Jamaica, no Brasil e em São Domingos
(Haiti), e em menor escala, em Cuba. [...]

Se excluirmos aquelas de São Domingos, as mais graves revoltas de escravos africanos ocorridas nas
Américas foram as que ocorreram na Jamaica e na Guiana. A primeira foi a guerra dos marrons, que
estourou na Jamaica em 1725 e na qual grupos de escravos fugiram pelas montanhas para fundar ali sua
própria comunidade. No ano de 1739, os ingleses foram obrigados a firmar um tratado com o capitão
Cudjoe, oriundo da Costa do Ouro, que aceitou entregar todos os fugitivos em troca do direito à
autonomia e à isenção de impostos.

A Guiana, formada pelas regiões de Essequibo, Berbice e Demerara, sofreu uma série de grandes
revoltas nos séculos XVIII e XIX, as quais atingiram seu ápice em 1823. [...]

Entretanto, antes da revolta de São Domingos, foi no Brasil que a luta armada teve maior relevância, em
termos de amplitude e duração. Revoltas de pequeno alcance sempre marcaram a história da
escravidão no Brasil; porém, foi no Estado de Palmares que se manteve, durante quase todo o século
XVII (de 1605 a 1695), uma comunidade africana autônoma estimada em vinte mil membros, em sua
maioria bantos oriundos de Angola e Congo. Tentaram organizar a comunidade segundo os padrões de
sua sociedade de origem e resistiram tanto aos holandeses quanto aos portugueses, até serem
finalmente derrotados em 1695.

Tais lutas de libertação testemunham o despertar do nacionalismo no seio da diáspora africana do


Caribe e da América Latina. Para os africanos, não se tratava apenas de uma necessidade de vingança ou
de fuga nas montanhas, mas também, e sobretudo, de criar zonas politicamente autônomas,
permitindo-lhes defenderem-se contra seus inimigos. Nessas lutas, as religiões africanas, tal como o
obeah e o culto vodu, constituíram um importante fator de organização. O Islã desempenhou um papel
semelhante, principalmente na Bahia, onde contribuiu em unir haussas e iorubás.

Na mesma época, na América do Norte, os africanos fomentaram também uma série de complôs,
desencadeando assim várias insurreições. Uma grande parte das plantações encontrava-se longe de
zonas propícias à rebelião, tais como as montanhas da Jamaica ou a selva da Guiana. No entanto, muitos
escravos das colônias meridionais da América do Norte resolveram se esconder junto aos índios ou em
outras comunidades. [...]

Todavia, os africanos da diáspora não puderam livrar-se da influência do ambiente físico e social do
lugar onde haviam sido transplantados. Sua língua e seus costumes mudaram, seus valores e objetivos
transformaram-se. Sua ideia do mundo, de eles próprios e dos outros foi modelada por vários séculos de
impregnação da cultura euro-americana e a lembrança de sua herança africana, ainda que firmemente
ancorada neles, acabou se ofuscando, velada por anos de ausência e afastamento. Na Europa e na
América, os africanos da diáspora tornaram-se, assim, intermediários culturais entre os africanos
autóctones e os euro-americanos.”

Diáspora: a diáspora africana é um fenômeno sociocultural e histórico ocorrido na África, ocasionado pela imigração forçada para
a América como mão de obra escrava.
Autóctone: o mesmo que nativo.

MAZRUI, Ali A.; WONDJI, Christophe (Ed.). História geral da África. v. VIII. Brasília: Unesco, 2010. p. 142-153. Disponível em:
<www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/general_history_of_africa_collection_in_portuguese-1/#.Vr9ljLQrKUl>.
Acesso em: abr. 2016.

Questões

Responda no caderno.

1. Cite dois exemplos de luta de resistência dos escravizados africanos na América? Qual é o objetivo dessas
revoltas?

2. De que forma os africanos da diáspora influenciaram e foram influenciados pela cultura euro-americana?
Página 225

A África dividida

A presença europeia na África rompeu de maneira dramática o isolamento da África Subsaariana. Desde
o século XVI, a região integrou-se ao mundo como fornecedora de quantidades crescentes de
escravizados para as plantations americanas e para outras atividades. Estima-se que, entre os séculos
XVI e XIX, 15 milhões de africanos tenham sido forçados a deixar a África e que cerca de 3 a 5 milhões
tenham sido trazidos para a América portuguesa.

O decréscimo populacional na África foi muito significativo: calcula-se que de 600 milhões de pessoas,
no século XVI, restaram pouco mais de 130 milhões, no início do século XX. A grande resistência à
escravização provocava enorme quantidade de mortes durante os ataques para a captura, no
deslocamento para os portos, em revoltas nos embarques, nas travessias e nos desembarques. Os
prisioneiros sucumbiam também à fome, às doenças e aos maus-tratos. Como consequência, ocorreu a
desorganização econômica e político-administrativa dos reinos e tribos africanos: com agricultura e
pecuária destruídas, muitos fugitivos ficaram reduzidos à subsistência. Nas colônias isso não foi
diferente.

No final do século XIX, iniciou-se uma segunda fase da dominação europeia, que envolveu também a
África do Norte. Dessa vez, os europeus cobiçavam o território e as riquezas naturais. A Europa se
industrializava e precisava de uma quantidade crescente de matérias-primas.

Para ler
História Geral da África
Brasília: Unesco, Cecade/MEC, Ufscar, 2010. 8 vols.
Coleção em oito volumes que trata da história da África desde a riqueza de sua pré-história, descrevendo as
civilizações antigas da África, o advento do Islã, os impérios africanos na Idade Média, como Mali e Songhai, o
tráfico de escravizados a partir do século XVI, a dominação colonial do século XIX ao início do XX e a África no século
XX e início do XXI.

REPRODUÇÃO

A partilha da África

Em 1885, durante o Congresso de Berlim, foi decidido que o território africano seria partilhado entre as
principais potências coloniais europeias: Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Portugal e Reino
Unido. Cada uma delas tinha de ocupar seu espaço o mais rápido possível, sob pena de perder a
possessão. O território africano foi inteiramente retalhado: só a pequena Libéria e a Abissínia (atual
Etiópia) continuaram independentes.

Como as fronteiras coloniais foram traçadas de acordo com o poderio de cada potência, e não de acordo
com as realidades culturais existentes na África, muitas vezes elas separaram uma mesma etnia em dois
ou três territórios controlados por potências diferentes ou unificaram inimigos históricos em uma
mesma colônia, gerando instabilidades políticas.
ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. Atlas historique. Paris: Perrim, 1992.

Análise cartográfica

Que países europeus exerciam maior domínio colonial sobre a África em 1914?

A França e o Reino Unido.


Página 226

A descolonização

Com a Europa enfraquecida pelas guerras mundiais, iniciou-se o processo de descolonização da África.
As fronteiras dos países foram traçadas considerando os limites estabelecidos pelas potências coloniais
europeias, que haviam ignorado as diferenças e rivalidades entre as etnias nativas. A formação dos
novos Estados no continente reuniu, muitas vezes, diferentes grupos étnicos, com poucos traços
culturais em comum. Apenas na África Oriental, na região dos Grandes Lagos, Burkina Fasso e Mali
(antigos reinos) serviram de base para a formação dos territórios nacionais.

A maioria dos grupos étnicos, organizados em economias de subsistência e comandados por


autoridades de um dos clãs desses territórios, foi submetida a transformações de suas práticas religiosas
e substituição das tradições orais pela cultura letrada, adotando a língua do colonizador, seus hábitos e
sua cultura. Essas imposições que geraram grandes transformações na vida dos africanos tornaram-se as
principais bandeiras na luta pelos direitos desses povos durante o processo de descolonização, o que
veio a fortalecer o movimento do pan-africanismo.

Tanto o movimento pan-africano (que reivindicava liberdades civis e igualdade de condições entre
negros e brancos) como o pan-arabismo (que aglutinou forças de oposição aos governos locais)
contribuíram para que, em grande parte dos casos, a independência dos Estados africanos fosse
negociada. Mas também ocorreram violentos conflitos armados, como na Argélia, em Angola e em
Moçambique.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: CHALIAND, Gerard; RAGEAU, Jean-Pierre. Atlas stratégique: géopolitique des rapports de forces dans le monde. Bruxelas:
Complexe, 2013. p. 46.

Para ler
Muito longe de casa: memórias de um menino-soldado
Ishmael Beah. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
Narra as memórias do autor sobre a guerra civil de Serra Leoa, na década de 1990. Após vivenciar matanças e
atrocidades, o garoto fugiu para a Guiné.

REPRODUÇÃO

Análise cartográfica

Cite três países que se tornaram independentes após a década de 1970.

Angola, Moçambique e Namíbia.


Página 227

Descolonização e instabilidades sociais e políticas

A instabilidade política e as guerras civis que se alastram em muitos países africanos são também uma
herança do descompasso entre as territorialidades produzidas pela colonização e as territorialidades
locais.

Desde a década de 1960, o continente foi castigado por mais de cem golpes de Estado e por milhares de
episódios de guerra entre povos diferentes. Como resultado, milhões de refugiados vagam pela região,
fugindo de guerras e perseguições.

MAPAS: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011. p. 64.

Análise cartográfica

Em que região da África a desnutrição crônica é mais intensa e que países contam com maior número de deslocados internos?
Os países mais atingidos pela desnutrição crônica são da África Subsaariana, e os maiores fluxos são provenientes da República Democrática do
Congo, do Sudão e do Sudão do Sul.

Para assistir
Hotel Ruanda
Direção: Terry George.
Países: Estados Unidos/ Itália/África do Sul.
Ano: 2004.
Paul Rusesabagina, gerente de um luxuoso hotel em Kigali, capital de Ruanda, arrisca-se para abrigar centenas de
refugiados durante a guerra civil que desorganizou o país em 1994. O contexto histórico retratado no filme oferece
base para reflexão sobre os conflitos étnicos que persistem na África há algumas décadas.

REPRODUÇÃO
Página 228

O apartheid

A África do Sul é um exemplo dessas instabilidades. Colonizada por holandeses desde 1652, passou a ser
disputada pelos ingleses a partir de 1795.

De 1948 a 1994, foi estabelecido pelo Partido Nacional, dominado pelos africâners (descendentes de
holandeses e franceses), o regime do apartheid. Essa política segregacionista legalizada forçava os
negros (grande maioria da população) a viver em áreas especiais (chamadas de bantustões),
equivalentes a 13% do território sul-africano.

Além de não terem direito a voto, os negros eram obrigados a apresentar passaporte para se locomover
pelo país. Nas cidades, a população negra vivia em guetos, nas periferias das cidades.

Gueto: núcleos habitados por comunidades étnicas ou nacionais em situação de exclusão social e econômica e segregação
espacial.

Diversas manifestações internas, nas quais se destacaram líderes como Desmond Tutu e Nelson
Mandela, além de protestos e pressões internacionais (como boicote aos produtos sul-africanos),
levaram ao fim do apartheid em 1994.

STEPHANE DE SAKUTIN/AFP

Em 1994, Nelson Mandela (ao fundo) foi eleito presidente da África do Sul, após passar mais de 27 anos na prisão (África do Sul,
2013).

Mesmo após a queda do regime segregacionista, com a eleição de Nelson Mandela para presidente da
República, em 1994, ainda permeia na sociedade sul-africana resquício desse passado violento. Apesar
das ações afirmativas adotadas pelos governos pós-apartheid, o abismo social permanece grande no
país, sendo as populações negras mais pobres as mais prejudicadas.

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Indique um elemento natural e um cultural que diferenciem a África do Norte da África do Sul ou
Subsaariana.
2. De que forma o Congresso de Berlim, em 1885, pode explicar as instabilidades políticas ocorridas até hoje
na África?

3. Explique duas formas de luta anticolonialista na África, no século XX.

Para assistir
Mandela — Luta pela liberdade
Direção: Bille August.
Países: Alemanha/França/Bélgica/África do Sul/Itália/Luxemburgo/Reino Unido.
Ano: 2007.
O filme aborda a segregação racial na África do Sul a partir da narrativa de James Gregory, carcereiro de Nelson
Mandela desde a década de 1960 até os anos 1990. A convivência de ambos documenta o drama social vivido pelo
país até o final do século XX.

REPRODUÇÃO
Página 229

A África nos séculos XX e XXI

TERMOS E CONCEITOS
• Organização da Unidade Africana
• intangibilidade da fronteira colonial
• plantation tropical
• agricultura de subsistência
• estresse hídrico

O atual mapa político da África mantém praticamente inalterados os limites e as fronteiras


estabelecidos no período colonial. Mas a formação dos atuais países do continente foi um processo
difícil e com muitas contestações, principalmente entre 1956 e 1963.

Em 1963, a Organização da Unidade Africana (OUA) foi fundada sob o princípio do direito internacional
conhecido como intangibilidade das fronteiras coloniais, que permitia aos países signatários da carta
da OUA reivindicar a recuperação dos territórios perdidos pelas guerras e contestados pelos vizinhos,
respeitando os limites do período colonial.

Aos poucos, a vida política desses países passou a ser exercida com base nas alianças de clãs e
diferentes grupos étnicos, promovendo a africanização do Estado. Em vários países, nomes impostos
pelos europeus foram substituídos por denominações da língua local: a Costa do Ouro passou a se
chamar Gana, a República Democrática do Congo mudou seu nome para Zaire, entre outros.

Um problema mais complexo foi a decisão quanto às línguas oficiais, uma vez que os países africanos
são formados por numerosas comunidades linguísticas. Esse impasse foi a principal razão para a
manutenção, em diversos casos, da língua dos colonizadores como língua oficial do país.

A formação dos Estados nacionais africanos

Tendo em vista a enorme diversidade étnica dos países africanos, o federalismo tem sido a forma
predominante de gestão política, já que nesse sistema político as unidades federadas mantêm
autonomia.

Ainda que as contestações quanto à divisão territorial africana sejam pouco numerosas, cabe destacar a
mudança do mapa político do continente com o processo de independência da Eritreia, que se separou
da Etiópia em 1993. Trata-se de um retorno à situação existente até 1962, quando a antiga colônia
italiana deixou de ser tutelada pelo Reino Unido e foi anexada pela Etiópia. A independência da Eritreia
foi respeitada pelos etíopes, mas essas divergências fronteiriças romperam com o princípio da
intangibilidade e geraram fortes conflitos após a ocupação da região de Badme pelas tropas da Eritreia,
em 1998.

Outra questão aberta no mapa político da África é a do Saara Ocidental (ex-Saara espanhol), que, em
2015, ainda tinha parte do território ocupado pelo Marrocos e estava em disputa com um governo
formado no exílio, na Argélia, e apoiado por esse país. O conflito obrigou milhares de pessoas a viver em
campos de refugiados na fronteira com a Argélia.
PAUL THOMPSON/CORBIS/LATINSTOCK

Contando com grande população muçulmana e com grande tradição em comércio, a negociação faz parte da cultura marroquina.
Na foto, restaurante e loja de artesanato em um mercado (Marrocos, 2009).
Página 230

A região Nordeste do continente: o Chifre da África

A vitória dos separatistas no referendo realizado na região sul do Sudão, em janeiro de 2011, pode ser
considerada uma mudança fundamental no processo de formação territorial dos estados africanos.
Cerca de 99% da população se manifestou a favor da independência, mesmo sem nunca ter sido objeto
de uma delimitação colonial. Dessa forma, foi criado um novo Estado, o Sudão do Sul.

Desde sua independência em relação ao Império Britânico, em 1956, o Sudão é um país dividido do
ponto de vista étnico e cultural. A região norte do país é majoritariamente árabe e muçulmana. Por sua
vez, a população do sul manteve suas práticas religiosas animistas ou optou pela conversão ao
cristianismo durante o período colonial. Essas diferenças históricas geraram tensões e conflitos entre o
norte e o sul, incluindo a eclosão de duas guerras civis.

Com a descoberta de imensas reservas de petróleo na porção meridional do país, na década de 1980, o
governo tentou intervir na área das reservas fechando o parlamento do território autônomo do sul,
localizado em Juba. Essa intervenção provocou uma revolta que eclodiu em 1983, liderada pelo Exército
Popular de Libertação do Sudão (EPLS). O novo ciclo de guerra civil deixou um saldo de pelo menos 2
milhões de mortos e 4 milhões de refugiados.

Contudo, a fronteira entre os dois países ainda não foi definitivamente traçada. As áreas reivindicadas
por ambas as partes são ricas em petróleo, o que gera instabilidade, visto que o sul dispõe da maior
parte das reservas, mas não possui saídas marítimas e depende do norte para exportar o petróleo. Em
2015, o Sudão e o Sudão do Sul continuavam seu processo de pacificação.

© PARESH

Análise de imagem

1. Segundo a charge, qual é o principal problema entre o Sudão e o Sudão do Sul?

O controle sobre a zona petrolífera.

2. Por que a guerra aparece como intermediadora entre os dois países?

Porque a disputa entre eles já gerou sangrentas guerras e o caminho diplomático é árduo. A possibilidade de uma nova guerra está sempre presente.
A Somalilândia declarou sua independência da Somália em 1991, mas, embora tenha um governo
próprio e tenha conseguido alguns progressos, como eleições livres e diminuição da violência, não foi
reconhecida internacionalmente por nenhum país.

Na região conhecida como Chifre da África destacam-se o Egito, a Etiópia e o Sudão. Nessa região, o
principal aliado dos Estados Unidos é Djibuti, onde se localiza a única base militar desse país no
continente africano. A proximidade das reservas de petróleo do Oriente Médio torna o local estratégico.
Conflitos internos, principalmente na Eritreia, na Somália, na Etiópia, no Sudão e no Sudão do Sul,
tornam a região muito instável e a principal emissora de imigrantes e refugiados da África.
Página 231

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: L’atlas du Monde Diplomatique: un monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2013. p. 156.

Análise cartográfica

Indique três áreas de conflitos na região do Chifre da África.

Somália, fronteiras do sul, norte e oeste do Sudão do Sul, fronteira entre Etiópia e Sudão.

África: economia e recursos naturais

Desde o período colonial, o continente africano se transformou em grande fornecedor de produtos


agrícolas e minerais para o mercado mundial. Até hoje, grande parte dos países que se formaram na
África vive das exportações primárias. Na África Ocidental, em especial na Nigéria, em Gana, na Costa do
Marfim e no Senegal, as plantations tropicais, baseadas na monocultura de exportação, substituíram a
tradicional agricultura de subsistência nas terras mais férteis. Esses países são grandes exportadores de
produtos agrícolas, principalmente cacau, café, algodão e amendoim, mas dependem de importações
para obter alimentos que, em geral, são insuficientes para atender à população.

Quase metade das terras cultiváveis da África está localizada na faixa tropical. Nas áreas de floresta
tropical, a agricultura de subsistência caracteriza-se pelas práticas tradicionais de rotação de terras por
meio das queimadas e de cultivo dos solos pouco férteis das matas. Nas savanas, produz milho, sorgo e
inhame. Nas margens úmidas dos grandes rios, desenvolve-se a agricultura irrigada do arroz.
KWASI KPODO/REUTERS/LATINSTOCK

O cacau é a principal fonte de rendimentos em Gana e abastece as indústrias de chocolate da Europa e dos Estados Unidos (Gana,
2012).
Página 232

À medida que o ambiente se torna mais árido, nas bordas dos desertos do Saara e do Kalahari, a relação
entre o total de habitantes e o volume da produção de alimentos é ainda mais crítica, gerando pressão
demográfica sobre os recursos e estresse hídrico (disponibilidade inferior a 1.700 m3 de água ao ano
por habitante).

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fontes: SNÉGAROFF, Thomas (Dir.). Atlas mondial: 100 cartes pour comprendre le monde d’aujourd’hui. Paris: Ellipses, 2010. p.
51; FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. São Paulo, Moderna, 2011. p. 64.

Análise cartográfica

Cite um país que apresenta setor agrícola diversificado e com alto rendimento e dois com forte potencial agrícola.

O país que apresenta setor agrícola diversificado e com alto rendimento é a África do Sul. Os países com forte potencial agrícola são Angola,
Moçambique, Sudão do Sul, Nigéria etc.

Riquezas minerais

A África tem o maior potencial energético do planeta em termos hidrográfico, térmico, solar e eólico. As
riquezas minerais do continente representam 8% do total da produção mundial. Muitos dos produtos
minerais comercializados no mercado global dependem da produção africana: platina (90%), cobalto
(60%) e ouro (40%).

O imenso potencial energético da África vem se transformando em forte componente para o


desenvolvimento econômico do continente, que concentra 9,5% das reservas mundiais de petróleo e
gás natural, além de 6% das reservas de carvão mineral, 20% das de urânio e 33% do potencial
hidrelétrico. A indústria extrativa mineral exerce papel importante em quase todos os países africanos.
Muitos deles têm suas economias baseadas no petróleo, como Nigéria e Angola, os dois maiores
produtores do continente. Diversas atividades econômicas implicam em variados níveis de
processamento de matérias-primas, uso de tecnologias e agregação de valor aos bens produzidos.
Página 233

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: KHOSLA, Simran, GlobalPost, apud CIA. The world factbook. Disponível em:
<www.globalpost.com/dispatch/news/business/global-economy/140502/world-commodities-exports-map>. Acesso em: abr.
2016.

Análise cartográfica

Cite três produtos africanos que agregam valor em sua produção.

Derivados do petróleo, vestuário e outros produtos têxteis, sapatos e sucos concentrados.

População e urbanização na África

Apesar do baixo dinamismo econômico, a África apresentou, a partir da década de 1950, uma enorme
explosão demográfica: em 50 anos a população quadruplicou. Em 2015, o continente africano possuía
mais de 1,1 bilhão de habitantes (quase 16% da população mundial).

A taxa de crescimento populacional da África é a mais elevada do mundo: 2,3% ao ano. Nesse ritmo, a
população africana deverá dobrar até 2050, segundo estimativas.
A taxa de fecundidade elevada é o principal fator da manutenção do crescimento vegetativo (diferença
entre o número de nascimentos e mortes que representa o crescimento natural da população local) e da
grande quantidade de jovens presentes nos países africanos. Todavia, a elevada urbanização já começa
a alterar esse quadro, porém, de maneira desigual. A concentração da população nas grandes cidades
possibilita a elevação do nível escolar, o acesso à informação e a métodos contraceptivos, além de
propiciar uma melhor qualidade de vida.
Página 234

A urbanização na África

Em 2014, segundo a ONU (Perspectivas da Urbanização Mundial, 2014), a África era o continente menos
urbanizado, com 40% de sua população vivendo em cidades. A população rural, inclusive a que vive em
tribos, ainda predomina, mas o ritmo acelerado do crescimento da população urbana tende a alterar
esse perfil nas próximas duas décadas. As cidades africanas são os locais onde estão surgindo novos
negócios que reforçam a integração da África com a economia global, e é para lá que está migrando a
população, principalmente os jovens. Se na década de 1970 apenas quatro cidades africanas tinham
mais de 1 milhão de habitantes, atualmente o continente tem mais de trinta cidades nessa situação.

FREDERIC SOLTAN/CORBIS/LATINSTOCK

O Cairo está entre as mais populosas cidades do mundo, com mais de 20 milhões de habitantes (Egito, 2014).

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: ONU. Department of Economic and Social Affairs. World urbanization prospects: the 2014 revision. Nova York, ONU, 2014.
p. 9. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/Highlights/WUP2014-Highlights.pdf>. Acesso em: abr. 2016.

Análise cartográfica

Indique as três megacidades africanas em 2014 e os respectivos países onde estão localizadas.
Cairo, no Egito; Kinshasa, na República Democrática do Congo; e Lagos, na Nigéria.

Embora as cidades ofereçam mais oportunidades de acesso à educação, à saúde e a empregos, a


pressão demográfica aumenta a carência de moradias e infraestrutura. Dessa forma, o crescimento das
favelas é um fenômeno cada vez mais amplo na África, e quase 300 milhões de pessoas vivem nessa
condição. Em 2014, somente 30% dessa população tinha acesso à eletricidade, 19% tinham acesso à
rede de água e 7% tinham acesso à rede de esgoto.

Apesar das precárias condições de vida, esses ambientes urbanos reúnem movimentos sociais que,
impulsionados pelas expressões artísticas dos jovens, procuram formar uma nova identidade cultural e
social nas maiores cidades do continente.

Na África, subsistem grandes disparidades de gênero. As mulheres têm menor remuneração que os
homens, menos liberdade, menor participação política, menos oportunidades e autonomia. Nas áreas
da saúde e da educação também se manifesta a desigualdade entre os gêneros.

Para ler
Os transparentes
Ondjaki. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
Nesse romance, os personagens moram na cidade de Luanda, capital de Angola, e compartilham suas memórias,
seus problemas afetivos e familiares, revelando os contrastes culturais da vivência no país e a difícil opção entre os
valores tradicionais em oposição aos novos e modernos valores impostos pelo mundo globalizado.

REPRODUÇÃO
Página 235

MOHAMMED ELSHAMY/ANADOLU AGENCY/GETTY IMAGES

Milhares de pessoas vivem em áreas sujeitas a constantes alagamentos, como a favela Makoko, em Lagos (Nigéria, 2014).

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Explique o processo de separação do Sudão do Sul, tendo em vista a etnia e as riquezas minerais existentes
na região.

2. Qual é o papel das riquezas minerais africanas no comércio mundial?

Transversalidades

Gênero e cidadania

Mulheres africanas surpreendem mercado mundial


“O índice de empreendedorismo feminino é maior na África do que em qualquer outra região do
mundo, segundo o Banco Mundial [...]

‘Na África, você vê as mulheres trabalhando muito’, observa Markus Goldstein, economista do
Departamento de Gênero do Banco Mundial, em Washington. Segundo dados do Banco Mundial, quase
dois terços das mulheres africanas participam da força de trabalho.

Na África do Sul, Sibongile Sambo foi uma pioneira da aviação feminina e hoje dirige uma empresa de
voos fretados. No Quênia, Ory Okolloh, 23, participou da criação do Ushahidi, um software colaborativo
para monitorar situações de emergência em tempo real, que é utilizado pelo Google. Na Nigéria,
Adenike Ogunlesi construiu do nada um império regional da moda infantil – ela começou vendendo
pijamas no porta-malas do seu carro.

Em Uganda, país banhado por um grande lago, Lovin Kobusingya lançou uma salsicha de peixe. ‘Eu
sempre soube que era uma empresária’, diz Kobusingya, 29, mãe de dois filhos. ‘Quando eu estava no
colégio, já vendia doces. Eu ganhava dinheiro com isso’. Sua empresa, a Kati Fish Farms, vende 500 kg de
salsichas por dia e usa oito toneladas de peixe por semana. Ela se diz ‘muito feliz e orgulhosa por ser
uma empreendedora. ‘Quando eu era jovem, diziam: ‘Mulher é mulher – um homem deve cuidar de
você’. Mas as mulheres na verdade estão contribuindo bem mais do que os homens. Sempre acabamos
fazendo múltiplas tarefas’, disse ela, que se divide entre o trabalho e a família. ‘Se isso pudesse ser
equacionado em termos de moeda, seria 80% da economia’.”

KRON, Josh. Mulheres africanas surpreendem mercado mundial. Folha de S.Paulo, 22 out. 2012, Mundo. Disponível em:
<www1.folha.uol.com.br/mundo/1172277-mulheres-africanassurpreendem-mercado-mundial.shtml>. Acesso em: abr. 2016.

Questão

Responda no caderno.

• De acordo com o texto, qual é a importância do empreendedorismo feminino para o desenvolvimento


econômico da África?
Página 236

A África no mundo globalizado: rumos do desenvolvimento

TERMOS E CONCEITOS
• Primavera Árabe
• Brics
• União Africana

A aceleração do processo de independência e a formação dos Estados nacionais, depois da Segunda


Guerra Mundial, não representaram nenhuma mudança significativa na situação de dependência da
maioria dos países africanos. Pelo contrário, o período de 1960 a 2000 representou uma queda
gradativa da participação da África na economia global.

Em 1960, os países africanos movimentavam 14% do comércio internacional. Após 40 anos, apesar do
crescimento de 9% para 14% de sua participação na população mundial, a África reduziu para menos de
2% sua parcela no comércio mundial. Em 2012, segundo dados da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), o continente africano participava com 3,5% das exportações
mundiais. Os combustíveis e minérios representavam 69,5% da pauta de exportações africanas.

A economia africana no século XXI

A demanda mundial por matérias-primas e o caminho para uma estabilidade política fizeram a
economia africana apresentar crescimento econômico superior ao dos países da América Latina em
2014. Mas as estatísticas podem esconder disparidades significativas entre as regiões e os países. Em
2014, alguns países se destacavam na economia do continente, como a Nigéria, a África do Sul e o
Sudão.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL


Fonte: L’atlas du Monde Diplomatique: un monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2009. p. 165.

Para ler
África: terra, sociedades e conflitos
Nelson Bacic Olic e Beatriz Canepa. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2012.
Pela análise dos países africanos, os autores evidenciam a diversidade cultural, a riqueza dos recursos naturais e as
dificuldades políticas e econômicas herdadas dos processos de independência que encerraram o período colonial na
África.

REPRODUÇÃO

Análise cartográfica

Quais são os países de influência direta da Nigéria, da África do Sul e do Sudão?

Vizinhos mais próximos da Nigéria: Gana, Togo, Benin, Burkina Fasso, Costa do Marfim; da África do Sul: Ruanda, Moçambique, Zimbábue, Botsuana,
Namíbia e Angola; do Sudão: Chade, Libéria, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Eritreia.
Página 237

Economia e problemas sociais na Nigéria

A Nigéria apresenta taxa de crescimento econômico superior a 6% ao ano desde 2006, tendo atingido
12% em 2013 e 7,2% em 2014, passando à frente da África do Sul, considerada a principal economia
emergente africana da década de 2000.

Apesar de o petróleo ainda ser importante na economia do país, representando 97% das exportações
em 2013 (Brasil Export, 2014), a Nigéria tem se desenvolvido e diversificado sua economia investindo no
setor de telecomunicações. Entretanto, enfrenta muitos problemas sociais, como desigualdade,
corrupção e violência. Dados da ONU (Relatório do desenvolvimento humano 2014) indicam que a
Nigéria ocupava a 152ª posição no IDH dos 187 países listados, com quase 68% da população vivendo
com menos de 1,25 dólar por dia, uma taxa de analfabetismo entre adultos de quase 50% e taxa de
desemprego de 23,9%.

A existência de grupos extremistas desestabiliza o país. No norte e nordeste da Nigéria (onde a


população islâmica é majoritária), o grupo islâmico Boko Haram entende que a educação ocidental
(principalmente a feminina) não condiz com seus preceitos religiosos fundamentados no islamismo e
tenta impor um governo baseado no código islâmico, a sharia.

Com base nesses princípios, o grupo sequestra meninas com a finalidade de corrigir o que entendem por
vícios, realizam ataques às escolas e aldeias cristãs, a cidades, estradas e instalações do país. Em 2015,
diversas cidades do norte da Nigéria estavam em poder dos extremistas.

MAHMOUD KHALED/AFP

Entre as diversas manifestações que ocorreram nos países árabes, a da foto aconteceu no Cairo, em apoio a um referendo
constitucional (Egito, 2012).

O norte da África

O norte da África, que já foi o polo mais dinâmico do continente, vem perdendo importância no cenário
africano.

A Primavera Árabe, iniciada na Tunísia em 2010, foi uma onda de protestos e levantes populares
estimulados, entre outras mídias, pelas redes sociais. O movimento se alastrou para diversos países do
norte da África, como Argélia, Djibuti, Mauritânia, Marrocos, Sudão e Saara Ocidental. Na Tunísia e no
Egito, os protestos se transformaram em revolução e na Líbia, em guerra civil. Esses fatos ocorreram
também em países do Oriente Médio.
Entre outros motivos, os manifestantes protestavam contra as condições econômicas dos países, o
desemprego, a repressão de governos ditatoriais ou monárquicos, a condição das mulheres e a censura
na internet.

Apesar de alguns governos terem sido derrubados (Tunísia, Líbia e Egito, na África), a democracia não foi
amplamente instalada. Em 2015, já haviam surgido governos ainda mais repressivos, como no Egito. Na
Tunísia, uma eleição democrática trouxe novamente ao poder grupos do antigo regime.

As incertezas políticas e sociais derrubaram o PIB de muitos países. A Líbia teve queda do PIB de 12,1%
em 2014, em consequência das convulsões sociais e da interrupção do fornecimento de petróleo.

A África do Sul

A África do Sul teve uma elevação do seu PIB na década de 2000. As riquezas minerais e o
desenvolvimento industrial em setores de ponta, como tecnologia nuclear e armamentos, asseguram à
África do Sul uma posição de destaque entre as principais lideranças diplomáticas e econômicas do
continente.

A África do Sul proporciona maior inserção da África na economia globalizada, pois seus principais
parceiros comerciais são os Estados Unidos, a Europa e a China, países centrais na economia global.
Além disso, as relações comerciais com Brasil e Índia reforçam os laços econômicos Sul-Sul.

Para navegar
Casa das Áfricas
<www.casadasafricas.org.br>
O centro de pesquisas divulga fotografias, mapas, eventos, estudos e notícias sobre a África. Na sede da
organização, em São Paulo, ocorrem cursos, mostras e palestras sobre as sociedades africanas. Em “Sobre a África”,
o site disponibiliza uma série de textos para download e apresenta uma seleção de vídeos disponíveis na web que
mostram diversos aspectos da cultura africana.
Página 238

A África do Sul e o Brics

Entre os países africanos, a Nigéria e o Sudão representam alguma ameaça aos interesses diplomáticos e
econômicos da África do Sul, seguidos de Angola, Etiópia e Uganda.

Sabemos que são as empresas localizadas nas grandes cidades africanas que comandam as atividades de
inovação econômica. O acesso às tecnologias de informação e comunicação começa a fortalecer as
relações dessas empresas com diferentes regiões do continente, assim como dos países africanos com
outras regiões do mundo. Essa foi a razão que estimulou a entrada da África do Sul no Bric, bloco até
então formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Com o ingresso da África do Sul (South Africa, em
inglês), o bloco passou a se chamar Brics.

BLAINE HARRINGTON III/CORBIS/LATINSTOCK

A Cidade do Cabo é uma das regiões mais industrializadas da África do Sul (2015).

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: LE MONDE Diplomatique. L’atlas 2013. Paris: Vuibert, 2012. p. 115.


Análise cartográfica

Cite quais são os fortes laços econômicos que a África do Sul mantém fora do seu continente.

A África do Sul mantém fortes laços econômicos com os Estados Unidos, o Brasil, a Índia, a China, a Europa e os Emirados Árabes Unidos.
Página 239

Novos parceiros comerciais na África

O forte aumento das exportações de petróleo em alguns países africanos tem atraído investidores
estrangeiros. Esse é o caso da Índia e, principalmente, da China.

A presença econômica da China na África é cada vez maior, sendo inferior apenas à dos Estados Unidos
e do Reino Unido. O crescente aumento do comércio com os países africanos ocorre por causa do
interesse da China nas reservas de matéria-prima, minerais e fontes energéticas do continente africano,
já que importa bens primários desse continente.

A China — economia que mais tem crescido no planeta — também tem investido na África,
especialmente nos setores de mineração, manufaturados e construção civil. Aumentando sua influência
política e econômica no continente, a China financia, além de obras de infraestrutura (que facilitam a
exportação de bens), serviços básicos e outros projetos nas áreas de saúde e educação.

XINHUA/LI QIHUA/AFP

É crescente o interesse pelo ensino da língua chinesa, dado o aumento da influência da China na África (Pretória, África do Sul,
2013).

Relações comerciais com o Brasil

Nas relações comerciais com o Brasil, os países africanos representam uma possibilidade de parceria na
exportação de serviços e tecnologias em setores específicos, como é o caso da pesquisa agropecuária e
da produção de biocombustíveis. Na África Subsaariana, o Brasil atua em cinco áreas principais:
agricultura tropical, medicina tropical, ensino técnico, energia e proteção social.

Organismos de integração

As transformações econômicas recentes do continente africano exigiram a criação de organismos para


melhor integrar os esforços de desenvolvimento. Em 2002, surgiu a União Africana (UA), em
substituição à Organização da Unidade Africana (OUA), fundada em 1963. Esse novo organismo regional
de desenvolvimento exerce um papel diplomático, como a sua predecessora, mas atua nos problemas
do comércio e da segurança, intervindo diretamente nos conflitos e guerras civis.

Para navegar
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
<www.cplp.org/id-2595.aspx>
O site congrega todos os países de língua portuguesa do mundo, entre eles Portugal, Brasil e os países africanos
que falam português: Angola, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Traz informações, possui acervo histórico, biblioteca, portal de notícias. Trata de temas como cultura, educação,
saúde, turismo, economia e negócios, dentre outros.

Para ler
África e Brasil africano
Marina de Mello e Souza. São Paulo: Ática, 2006.
Nessa obra ricamente ilustrada, a autora aborda a história e a influência das diversas culturas africanas na
composição cultural brasileira. O tema da escravidão permeia a obra, sendo visto pelas perspectivas dos dois lados
do Atlântico.

REPRODUÇÃO

Questões de revisão

Responda no caderno.

1. Cite dois problemas sociais na Nigéria que dificultam seu desenvolvimento.

2. Indique duas áreas de interesse da China na África: no campo do comércio e no de financiamento.

3. Em quais áreas prioritárias o Brasil atua na África Subsaariana?


Página 240

ATIVIDADES
Responda no caderno.

Para além do texto

1 Analise os gráficos e responda à questão.

ILUSTRAÇÕES: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: GOLAZ, Valérie et al. L’Afrique, un continent jeune face au défi du vieillissement. Population & societies, n. 491, p. 2, jul.-
ago. 2012. Disponível em: <www.ined.fr/fichier/s_rubrique/19159/pesa491.en.pdf>. Acesso em: abr. 2016.

O que indicam as projeções das pirâmides etárias da Argélia e da Etiópia sobre as médias de idade e a população com mais de 60
anos?

2 Por que podemos afirmar que a distribuição das principais formações vegetais da África está relacionada com a variação
climática latitudinal?

3 Ao sul do Saara, uma enorme faixa semiárida contorna o continente de oeste para leste. Essa porção de terras é considerada
uma zona de transição entre o deserto e as áreas mais úmidas do centro do continente. Apresenta clima semiárido e vegetação de
estepes.

Qual é a região comentada no texto, por que nela ocorre intenso processo de desertificação e quais são as consequências desse
processo?

4 De acordo com o capítulo, de que forma os povos africanos não árabes tomaram contato com o islamismo?

5 Analise a tabela e responda às questões.

MAIORES CRESCIMENTOS ECONÔMICOS (MÉDIA ANUAL DO PIB)


PAÍS 2001-2010 % PAÍS* 2011-2015 %
Angola 11,1 China 9,5
China 10,5 Índia 8,2
Mianmar 10,3 Etiópia 8,1
Nigéria 8,9 Moçambique 7,7
Etiópia 8,4 Tanzânia 7,2
Cazaquistão 8,2 Vietnã 7,2
Chade 7,9 Congo 7,0
Moçambique 7,9 Gana 7,0
Camboja 7,7 Zâmbia 6,9
Ruanda 7,6 Nigéria 6,8

* Projeção

Fonte: THE ECONOMIST. Disponível em: <www.economist.com/blogs/dailychart/2011/01/daily_chart>. Acesso em: abr. 2016.

a) O que explica a presença de países subsaarianos entre os maiores crescimentos econômicos do mundo entre 2000 e 2010?

b) Por que as projeções indicavam maior participação dos países subsaarianos na composição das dez economias que mais
deveriam crescer no mundo no período de 2011 a 2015?

6 Analise a evolução do comércio na África com os parceiros selecionados.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Fonte: Perspectivas econômicas em África 2014: as cadeias de valor globais e a industrialização de África. Paris/Túnis/ Nova York.
OECD, African Development Bank, United Nations Development Programme, 2014. p. 83.
Página 241

Leitura cartográfica

7 Compare os dois mapas e identifique os principais pontos de conectividade da África com a economia globalizada.

Fonte: SCIENCES PO. Atelier de cartographie. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/fr/afrique-principaux-ports-de-


marchandises-2009>. Acesso em: abr. 2016.

MAPAS: ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL


Fonte: SCIENCES PO. Atelier de cartographie. Disponível em: <http://cartographie.sciences-
po.fr/sites/default/files/b04_cables_sousmarins_afrique_2010.jpg>. Acesso em: abr. 2016.
Página 242

EXAMES DE SELEÇÃO
Responda no caderno.

1 (UFRN, 2013) Os países localizados na região denominada África do Norte apresentam características que os diferenciam dos
países situados na África Subsaariana. Entre as características dos países da África do Norte, destaca-se a

a) existência dos mais baixos indicadores socioeconômicos do continente.

b) economia em que prevalece a exportação de produtos agrícolas.

c) diversidade étnica e predomínio de religiões que cultuam a natureza.

d) predominância da população árabe e adepta da religião islâmica.

2 (PUC-RJ, 2013)

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Disponível em: <www.saltonsea.sdsu.edu>. Acesso em: 30 jul. 2012.

Das características da região destacada no cartograma acima, está correta a afirmação de que nela:

a) as doenças endêmicas estão sob controle público.

b) as savanas e florestas são predominantes.

c) as crises de fome são menos regulares.

d) os fluxos migratórios são intensos.

e) os rios de planalto são perenes.

3 (UFRGS, 2014)

A África começou a ser mais intensamente explorada pelas nações europeias nos fins do século XIX, por liderança
do rei Leopoldo II, da Bélgica, em busca dos produtos da floresta tropical. Ao sul, metais nobres e diamantes
motivaram a forte presença da colonização inglesa, que se arrastou por quase todo o século XX.

O texto diz respeito:


a) ao processo de descolonização do continente africano.

b) ao momento mais intenso da escravização.

c) ao processo da partilha do continente africano.

d) ao domínio luso-espanhol no continente africano.

e) à integração do continente africano ao processo de industrialização.

4 (UFRGS, 2014)

Considere as afirmações a seguir, sobre o regime do apartheid, vigente na África do Sul entre 1948 e 1994.

I. Foi estabelecido em 1948, pelo Partido Nacional, vinculado aos brancos descendentes de holandeses, e teve por característica
principal a rígida segregação racial entre brancos e negros.

II. Teve como principal força de oposição o Congresso Nacional Africano (CNA), liderado por Nelson Mandela, considerado
culpado de traição pelo regime em 1963 e, por isso, preso até 1991.

III. Ocupou e transformou Angola em um protetorado, durante a guerra civil naquele país.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e II.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

5 (UFRN, 2013)

O Sudão, maior país da África, enfrentou uma guerra civil que começou na década de 1950, devido à rivalidade entre os árabes
muçulmanos – grupo majoritário no norte do país – e a população negra do sul do país, onde os cristãos e os animistas são
maioria. No dia 8 de julho de 2011, a divisão do país foi efetivada. A população do Sudão do Sul celebrou a sua independência,
resultado de um referendo realizado no início do mesmo ano. A situação do Sudão ilustra a dinâmica que diz respeito à
delimitação territorial de países africanos e à persistência de conflitos existentes em suas fronteiras. Em relação ao continente
africano, explique por que alguns países continuam a enfrentar problemas de instabilidade em suas fronteiras.

6 (Ufes, 2013)

A onda de protestos, revoltas e revoluções populares contra governos de países árabes, conhecida como “Primavera Árabe”, tem
provocado a queda de alguns governos ditatoriais.

a) Cite 4 (quatro) países árabes onde ocorreram as manifestações referidas.

b) Explique como as redes sociais (Facebook, Twitter) e os meios de comunicação têm contribuído para o desenvolvimento dos
conflitos em países árabes de governos ditatoriais.

7 (FGV-SP, 2013)

Os investimentos diretos estrangeiros no continente africano aumentaram exponencialmente ao longo da primeira década do
século XXI. Sobre esse tema, responda:

a) Qual a origem da maior parte desses investimentos?


b) Para quais setores produtivos eles foram direcionados em sua maior parte?
Página 243

Pesquisa e ação
Organização de um atlas
Um atlas é uma coleção de documentos cartográficos, que podem ser apresentados em diferentes
escalas e projeções.

A maior parte dos atlas utilizados no ambiente escolar reúne, além de planisférios, mapas que
representam os mais diferentes fenômenos, usualmente separados por grandes conjuntos territoriais.
Fotografias, imagens de satélites e pequenos textos explicativos costumam ser usados como suporte à
documentação cartográfica, para incrementar a comunicação visual.

A proposta desta atividade não é produzir documentos cartográficos originais, mas reunir um conjunto
de mapas que representem temas e fenômenos diversos dentro de um único conjunto territorial: o
continente africano.

Nesta atividade, vamos empregar a cartografia para representar a diversidade africana.

Sugerimos que sejam selecionados mapas em diferentes escalas, a fim de destacar também fenômenos locais, regionais, nacionais ou mundiais.

Procedimentos

1. Formem grupos. Cada grupo deverá se responsabilizar pela pesquisa de mapas africanos escolhendo um
dos seguintes temas:

• Economia

• Cidades e urbanização

• Natureza

• Cultura

• Conflitos

• Formação territorial/fronteiras

2. Selecionem pelo menos dois mapas relativos a cada tema, de preferência em escalas diferentes.

3. Digitalizem os mapas ou façam reproduções manualmente em folhas de papel vegetal.

4. Elaborem um pequeno texto explicativo para cada um deles.

5. Montem cada uma das seções temáticas do atlas com os mapas e as indicações das respectivas fontes, e a
inserção dos textos e de outras imagens, como fotografias e gráficos, que possam compor uma visão geral
sobre o tema. Essa etapa pode ser realizada de forma digital ou por meio de colagens. Cada grupo deverá
produzir ao menos duas páginas.

6. Elaborem coletivamente o sumário e a capa do trabalho, com a identificação da escola, do grupo de alunos
e do professor envolvido na compilação.
7. Montem o produto final e o disponibilizem na biblioteca da escola para consulta dos outros estudantes.

HARVEPINO/SHUTTERSTOCK

Imagem de satélite feita pela Nasa, com destaque para o norte da África.
Página 244

Referências bibliográficas
BEGG, G. C. et al. The lithospheric architecture of Africa: seismic tomography, mantle petrology, and tectonic
evolution. Geosphere, v. 5, n. 1, fev. 2009.

BERTIN, Jacques; VIDAL-NAQUET, Pierre. Atlas histórico. Lisboa: Círculo de Leitores, 1990.

BEYHAUT, G. Dimensão cultural da integração na América Latina. Estudos Avançados, São Paulo, v. 18, n. 20,
jan./abr. 1994.

BONIFACE, Pascal (Dir.). Atlas des relations internationales. Paris: Hatier, 2003.

BOUVET, Christian; MARTIN, Jacques (Dir.). Géographie: terminales. Paris: Hachette, 1995.

BRICS MONITOR. A entrada da África do Sul no Bric. Rio de Janeiro: PUC-RJ, 2011.

CAMPOS, Flávio de; DOLHNIKOFF, Miriam. Atlas: História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1993.

CAPAZZOLLI, Ulisses. Amazônia: a floresta e o futuro. São Paulo: Duetto, 2008.

CEPAL. Panorama social de América Latina 2012. Santiago: ONU, 2012.

CHALIAND, Gerard; RAGEAU, Jean-Pierre. Atlas stratégique: géopolitique des rapports de forces dans le
monde. Bruxelas: Complexe, 1988.

CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle 2010. Paris, Nathan, 2009.

DESMICHELLE, Marguerite. Référendum au Sud-Soudan. Carto: le monde en cartes, n. 3, dez. 2010-jan. 2011.

DIAS, Leila; SILVEIRA, Rogério L. L. da (Org.). Redes, sociedades e territórios. 2. ed. Santa Cruz do Sul: Edunisc,
2007.

DIMANTAS, Hernani; MARTINS, Dalton. Multidões inteligentes e a transformação do mundo. Biblioteca Diplô,
18 fev. 2008.

DIPLOMATIE. Atlas géoestratégique 2011: un monde de richesses. Paris: Areion. Série 14. dez. 2010-jan.
2011.

DUBY, Georges. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987.

DUMONT, Gérard-François. Mitos da população mundial. Le Monde Diplomatique. 1º jul. 2011.

DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas de la mondialisation. Paris: Presses de Sciences Po, 2008.

________. El atlas de Le Monde Diplomatique II. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2006.

EL FASI, M. (Ed.). História geral da África III: África do século VII ao XI. Brasília: Unesco, 2010.

FELLET, João. Indígenas desafiam fronteiras e se unem contra grandes obras na América Latina. BBC Brasil, 23
abr. 2012.
FERNANDES, Luiz Estevam et al. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto,
2007.

FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013.

________. Moderno atlas geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2011.

FOLHA DE S.PAULO. Atlas da história do mundo. 4. ed. São Paulo: The Times, 1995.

________. Caderno especial Globalização. 2 fev. 1997.

FOUCHER, Michel (Dir.). Fragments d’Europe: atlas de l’Europe médiane et orientale. Paris: Fayard, 1993.

GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

GALLIMARD. L’atlas Gallimard Jeunesse. Paris: Gallimard Jeunesse, 2002.

GENTELLE, Pierre (Dir.). Géopolitique du monde contemporain: états, continents, puissances. Paris: Nathan,
2008.

GOLAZ, Valérie et al. L’Afrique, un continent jeune face au défi du vieillissement. Population & sociétés, n.
491, p. 1-4, jul.-ago. 2012.

HACKETT, James (Ed.). The military balance 2007. Londres: The International Institute for Strategic Studies,
2007.

HAROLDO, Castro. Tanzânia: cratera de Ngorongoro é refúgio para 25 mil mamíferos. Época, 11 nov. 2010.

HERRERO, Thaís. O drama da Mata Atlântica. Página 22, 31 maio 2012.

HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. Atlas historique. Paris: Perrim, 1992.

HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem: do feudalismo ao século XXI. São Paulo: LTC, 2011.

HUERTAS, D. M. Da fachada atlântica à imensidão amazônica: fronteira agrícola e integração territorial. São
Paulo: Annablume, 2009.

IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012.

________. Classificação Nacional de atividades econômicas. Rio de Janeiro: IBGE, 2007.

IPEA. Políticas sociais: acompanhamento e análise. v. 1. Brasília: Ipea, 2000.


Página 245

ISTITUTO Geografico De Agostini. Atlante geografico metodico De Agostini. Novara: Istituto Geografico De
Agostini, 2002.

________. Calendario atlante De Agostini 2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2011.

KAPLAN, Robert. A vingança da Geografia: a construção do mundo geopolítico a partir da perspectiva


geográfica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

KRON, Josh. Mulheres africanas surpreendem mercado mundial. Folha de S.Paulo, 22 out. 2012.

LACOSTE, Yves. Atlas géopolitique. Paris: Larousse, 2009.

LE MONDE Diplomatique. El atlas de las religiones. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2009.

________. El atlas de Le Monde Diplomatique II. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2006.

________. L’atlas 2010. Paris: Armand Colin, 2009.

________. L’atlas 2013. Paris: Vuibert, 2012.

________. L’atlas du Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2009.

________. L’atlas du Monde Diplomatique: mondes émergents. Paris: Le Monde Diplomatique, 2012.

________. L’atlas du Monde Diplomatique: un monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2009.

________. L’atlas du Monde Diplomatique: un monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2013.

LES GRANDS Dossiers de Diplomatie n. 8. Géopolitique du Brésil. Paris: Areion, 2012.

LÉVY, J. (Dir.). L’invention du monde: une géographie de la mondialisation. Paris: Presses de Sciences Po,
2008.

LIBAUT, Andre. Geocartografia. São Paulo: Nacional- Edusp, 1975.

MARIN, Cécile. Frontex, une communication volontairement illisible?. Em: Carto: le monde en cartes. Paris. n.
3. dez. 2010-jan. 2011.

MELLO, Patrícia Toledo de Campos. Índia: da miséria à potência. São Paulo: Planeta, 2008.

MOREIRA, I. Construindo o espaço mundial. São Paulo: Ática, 1998.

NATIONAL GEOGRAPHIC. Atlas National Geographic: África I. Portugal: RBA, 2005.

NIANE, D. T. História geral da África IV: África do século XII ao XVI. 2. ed. Brasília: Unesco, 2010.

OECD. Perspectivas econômicas em África 2014: as cadeias de valores globais e a industrialização de África
(versão condensada). Paris/Túnis/Nova York: OECD/African Development Bank/United Nations Development
Programme, 2014.

_______. States of Fragility 2015: Meeting Post-2015 Ambitions. Paris: OECD Publishing, 2015.
OLIVIER, Dabène. Atlas de l’Amérique Latine: les révolutions en cours. Paris: Autrement, 2009.

ONU. Department of Economic and Social Affairs. World urbanization prospects: the 2014 revision. Nova
York: ONU, 2014.

_______. International Migration 2013. Graphs and maps from the 2013 Wallchart. Nova York: ONU, 2013.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2013. A ascensão do Sul: progresso humano num mundo
diversificado. Nova York: Pnud, 2013.

_______. Situação da população mundial 2007: desencadeando o potencial de crescimento urbano. Nova
York: Fundo de População das Nações Unidas, 2007.

ONU/ACNUR. Un año de crisis: tendencias globales 2011. Genebra: Acnur, 2012.

ONU/PNUD. Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. Brasília: Ipea/Fundação João Pinheiro/Pnud, 2006.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2005: cooperação internacional numa encruzilhada. Lisboa:
Unipessoal, 2005.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2007/2008. Combater as alterações climáticas: solidariedade


humana num mundo dividido. Coimbra: Almedina, 2007.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2009. Ultrapassar barreiras: mobilidade e desenvolvimento


humano. Coimbra: Almedina, 2009.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2010. A verdadeira riqueza das nações: vias para o
desenvolvimento humano. Nova York: Pnud, 2010.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2011. Sustentabilidade e equidade: um futuro melhor para
todos. Nova York: Pnud, 2011.

_______. Relatório do desenvolvimento humano 2013. Nova York: Pnud, 2013.


Página 246

ONU/PNUD. Relatório do desenvolvimento humano 2014. Sustentar o progresso humano: reduzir as


vulnerabilidades e reforçar a resiliência. Nova York: Pnud, 2014.

_______. World population policies 2009. New York: United Nations Publications, 2010.

ORGANIZAÇÃO Mundial do Comércio. Informe sobre el comercio mundial, 2014. Genebra: OMC, 2014.

ORGANIZACIÓN Mundial del Comercio. Informe sobre el comercio mundial 2013: factores que determinan el
futuro del comercio. Genebra: OMC, 2013.

PALOP, Juan. Geração de lixo eletrônico cresce a 40 mi de toneladas por ano, diz ONU. Folha de S.Paulo
Online, 22 fev. 2012.

PICKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.

PLACID, Delphine. Atlas de la mondialisation: comprendre l’espace mondial contemporain. Paris: Presses de
Sciences Po, 2009.

PNUD. Índice de desenvolvimento humano municipal brasileiro. Brasília: Pnud/Ipea/FJP, 2013.

RITTER, Daniel. América do Sul discute 30 projetos de integração. Valor Econômico, 28 nov. 2011.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.

_______. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record,
2000.

SASSEN, Saskia. As cidades na economia mundial. São Paulo: Nobel, 1996.

SIQUEIRA, Lucília. O nascimento da América portuguesa no contexto imperial lusitano: considerações teóricas
a partir das diferenças entre a historiografia recente e o ensino de História. História [on-line], São Paulo, v.
28, n. 1, 2009.

SMITH, Adam apud BEAUD, Michel. História do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1987.

SMITH, Dan. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007.

SNÉGAROFF, Thomas (Dir.). Atlas mondial: 100 cartes pour comprendre le monde d’aujourd’hui. Paris:
Ellipses, 2010.

THE TIMES. Atlas of the world. Londres: Times Books, 1998.

THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo:
Edusp, 2005.

TREVISAN, Cláudia. Avanços e retrocessos da China. O Estado de S. Paulo, 10 out. 2010.

UESSELER, R. Guerra como prestação de serviços: a destruição da democracia pelas empresas militares
privadas. Tradução de Marco Casanova. São Paulo: Estação Liberdade, 2008.

UNESCO. Una crisis encubierta: conflictos armados y educación. Paris: Unesco, 2011.
UNFPA. Estado de la población mundial 2011. Nova York: Fondo de Población de las Naciones Unidas, 2011.

UNIÃO EUROPEIA. Uma nova solidariedade entre gerações face às mutações demográficas. União Europeia:
Bruxelas, 2005.

UNICEF. Committing to child survival: a promise renewed progress report 2014. Nova York: Unicef, 2014.

UNITED NATIONS. Economic & International Migration Report 2013. Nova York: Desa, 2013.

WALSELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da violência 2013. Mortes por armas de fogo. Cebela/Flacso Brasil, 2013.

_______. Mapa da violência 2014. São Paulo: Instituto Sangari, p. 25.

WEBER, Max. A política como vocação. Brasília: Universidade de Brasília, 2003.

WORLD BANK. World development report 2009: reshaping economic geograpphy. Washigton, D.C.: The World
Bank, 2009.

WORLD Trade Organization. International trade statistics 2012. Genebra: WTO, 2012.

_______. Relatório sobre o desenvolvimento mundial 2009: a geografia econômica em transformação.


Washington D.C.: Banco Mundial, 2008.

Bases eletrônicas

Apec: http://statistics.apec.org

Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado: www.abegas.org.br

Carta Capital: www.cartacapital.com.br

Carta Educação: www.cartaeducacao.com.br

Carta Maior: www.cartamaior.com.br

Centro de Estudos e Pesquisas — Brics: http:// bricspolicycenter.org/homolog

Confins — Revista Franco-Brasileira de Geografia: https://confins.revues.org

Dinheiro Vivo: www.dinheirovivo.pt

Ecodebate: www.ecodebate.com.br
Página 247

EIA-US: www.eia.gov

El Orden Mundial em el S. XXI: http://elordenmundial.com

El País: http://brasil.elpais.com

Folha de S.Paulo: www.folha.uol.com.br

Fortune: http://fortune.com

G1: http://g1.globo.com

IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: www.ibge.gov.br

________. Base de dados agregados: www.sidra.ibge.gov.br

Iniciativa para a Integração Regional Sul-Americana — Iirsa: www.iirsa.org

Ipea: www.ipea.gov.br

Ipea Data: www.ipeadata.gov.br

La documentation française: www.ladocumentationfrancaise.fr

Le Monde Diplomatique: www.monde-diplomatique.fr

Le Monde Diplomatique Brasil: www.diplomatique.org.br

Mapa da violência: http://mapadaviolencia.org.br

Médicos Sem Fronteiras: www.msf.org.br

Metro: www.metrojornal.com.br

Middle East Institute: www.mei.edu

Ministério da Fazenda: www1.fazenda.gov.br

Ministério das Relações Exteriores: www.investexportbrasil.gov.br

Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão — Unama: http://unama.unmissions.org

OCDE — Organisation for Economic Co-operation and Development: www.oecd.org

O Estado de S. Paulo: www.estadao.com.br

O Globo: www.oglobo.globo.com

ONU: https://nacoesunidas.org/
ONU/ESA — Department of Economic and Social Affairs: http://esa.un.org

ONU Mulheres: www.onumulheres.org.br

ONU/Pnud — Organização das Nações Unidas/Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento:
www.pnud.org.br

Outras Palavras: http://outraspalavras.net

Portal Unesp: www.unesp.br

PRI – Public Radio International: www.pri.org

Proyecto Mesoamérica: www.proyectomesoamerica.org

Revista Fapesp: www.revistapesquisa.fapesp.br

RIA Novosti: http://ria.ru

Sciences Po: http://cartographie.sciences-po.fr/fr/cartotheque

Senado Federal: http://legis.senado.gov.br

Stockholm International Peace Research Institute (Sipri): www.sipri.org

The Economist: www.economist.com

The World Factbook: www.cia.gov

UNFPA — Fundo de População das Nações Unidas: www.unfpa.org.br/novo/index.php

União Europeia: http://europa.eu/index_pt.htm

United Nations Women: www.unwomen.org/en

United States Department of Agriculture — Usda: www.fas.usda.gov

UOL Notícias: http://noticias.uol.com.br

World Bank: www.worldbank.org

World Resources Institute: www.wri.org

World Trade Organization — WTO: www.wto.org


Página 248
Página 249

SUPLEMENTO DO PROFESSOR
Página 250
Página 251

CARO PROFESSOR

É com satisfação que apresentamos este suplemento do professor, com o objetivo de fornecer um
material de apoio efetivo para o trabalho em sala de aula. Muito mais do que um simples caderno de
respostas das atividades propostas aos alunos, o colega poderá encontrar neste suplemento os
pressupostos teóricos e metodológicos que embasaram a coleção, a explicação do modo como foram
organizados os principais conteúdos e conceitos, a sugestão de atividades complementares e os
subsídios para o processo de avaliação do ensino-aprendizagem da Geografia. Dessa maneira,
esperamos que encontre nestas páginas a oportunidade de dialogar com os autores da obra, tendo em
vista a necessidade de reflexão a respeito da nossa prática docente.

Sabemos que um dos maiores desafios da educação nas últimas décadas tem sido romper com o saber
conteudista e fragmentado, o qual não responde mais às demandas do século XXI. Cabe a nós,
professores, desenvolvermos em nossos alunos a capacidade de estabelecer relações entre temas
aparentemente desconexos, construindo uma leitura mais adequada do mundo contemporâneo. Para
isso, é necessário que também assumamos uma atitude de questionamento, dúvida e curiosidade,
instrumentalizando-nos conceitualmente para que possamos envolver nossos alunos no grande desafio
de pensar o mundo a partir do conhecimento produzido pela Geografia.

Os autores
Página 252

SUMÁRIO
Apresentação geral

1. Pressupostos teóricos da obra 254


1.1. A contribuição da Geografia para os jovens aprendizes 255

2. Estrutura da obra 257


2.1. Distribuição temática 258
2.2. Atividades propostas na coleção 258

3. Propostas de avaliação 260

Encaminhamentos didático-pedagógicos

UNIDADE 1 GEOPOLÍTICA, 261

1. Leituras transversais dos capítulos 261

2. Abordagem interdisciplinar 262


2.1. Atividade complementar 262

3. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 262


Situação de aprendizagem — A ordem política e econômica mundial 262

4. Sala do professor 263


4.1. Bate-papo com os autores 263
4.2. Boxe de leitura 263
4.3. Indicações de leitura 264
4.4. Sites interessantes para o professor 264

5. Comentários e orientações das atividades dos capítulos 264


Capítulo 1 Estado-Nação, território e poder 264
Capítulo 2 Conflitos regionais na ordem global 265
Capítulo 3 Uma geografia dos conflitos armados 266

UNIDADE 2 GLOBALIZAÇÃO E EXCLUSÃO, 268

1. Leituras transversais dos capítulos 268

2. Abordagem interdisciplinar 269


2.1. Atividade complementar 269

3. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 269


Situação de aprendizagem — Comparação de fotos 269

4. Sala do professor 269


4.1. Bate-papo com os autores 269
4.2. Boxe de leitura 270
4.3. Indicações de leitura 270
4.4. Sites interessantes para o professor 270
Página 253

5. Comentários e orientações das atividades dos capítulos 271


Capítulo 4 Formação da economia global 271
Capítulo 5 Economia global e trocas desiguais 272
Capítulo 6 Desigualdade e exclusão social 273

UNIDADE 3 ESPAÇOS REGIONAIS NA ORDEM GLOBAL, 276

1. Leituras transversais dos capítulos 276

2. Abordagem interdisciplinar 277


2.1. Atividade complementar 277

3. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 277


Situação de aprendizagem — Processo de independência e união americana 278

4. Sala do professor 278


4.1. Bate-papo com os autores 278
4.2. Boxe de leitura 278
4.3. Indicações de leitura 279
4.4. Sites interessantes para o professor 279

5. Comentários e orientações das atividades dos capítulos 279


Capítulo 7 Polos da economia mundial 279
Capítulo 8 Países emergentes: China, Índia e Rússia 281
Capítulo 9 América Latina: perspectivas 282
Capítulo 10 Ascensão da África 283

Referências bibliográficas 286


Página 254

APRESENTAÇÃO GERAL
1. Pressupostos teóricos da obra

Uma importante referência teórica de nossa coleção é a obra do geógrafo Milton Santos. Segundo ele, o
mundo contemporâneo é marcado pela aceleração dos fluxos e pelo elevado conteúdo de ciência e
tecnologia nos processos produtivos, impondo uma ordem e racionalidade na escala global (Santos,
1985).

Essa racionalidade atinge desigualmente os territórios nacionais, as regiões e os lugares. De acordo com
Milton Santos, “a ordem global busca impor, a todos os lugares, uma única racionalidade. E os lugares
respondem ao mundo segundo os diversos modos de sua própria racionalidade [...]. A ordem global
funda as escalas superiores ou externas à escala do cotidiano. Seus parâmetros são a razão técnica e
operacional, o cálculo da função, a linguagem matemática. A ordem local funda a escala do cotidiano, e
seus parâmetros são a copresença, a vizinhança, a intimidade, a emoção, a cooperação e a socialização
com base da contiguidade [...]. Cada lugar é, ao mesmo tempo, objeto de uma razão global e de uma
razão local, convivendo dialeticamente” (Santos, 1996, p. 272-273).

Tendo como referência o pensamento de Milton Santos, partimos do pressuposto de que o espaço,
objeto de estudo da Geografia, não é meramente um substrato sobre o qual as dinâmicas sociais se
desenrolam: é uma dimensão viva dessas dinâmicas. Ele é formado pela articulação entre os objetos
técnicos e os elementos da natureza, animados por fluxos de matéria e informação. Assim, foi preciso
considerar no planejamento da sequência de conteúdos da nossa obra o inter-relacionamento de
diferentes contextos geográficos, visando à compreensão dos territórios nacionais, das regiões e dos
lugares, em múltiplas escalas.

Não se deve achar com isso que os estudos de Geografia organizados nesta coleção estejam embasados
apenas na obra de Milton Santos. Outros geógrafos ofereceram importantes subsídios teóricos para o
seu planejamento, como David Harvey e Georges Bertrand.

Assim como para Milton Santos, o espaço não é visto por Harvey (1992) como algo dado, mas como
construção humana. Contudo, para esse geógrafo britânico, é fundamental compreender as formas de
representação do espaço, uma vez que o modo como representamos o espaço afeta a maneira como
interpretamos e agimos no mundo. Isso não é possível sem levar em conta as duas maiores categorias
do pensamento geográfico: o espaço e o tempo.

Para David Harvey, os sentidos de tempo e espaço são distintos em cada sociedade, tornando precisa a
análise dos espaços percebidos e imaginados pelos sujeitos. Isso vem apontando para a necessidade de
abordar as estratégias de sobrevivência de diversos atores sociais na disputa pelo poder, ou no processo
de elaboração do entendimento das mudanças que estão ocorrendo na vida das pessoas e nas práticas
humanas (Harvey, 2004).

Em vista dessas referências, nossa coleção procurou valorizar o estudo da diversidade cultural e da
construção de identidades coletivas. Afinal, em consonância com os novos rumos do próprio
conhecimento científico, mais preocupado com a diversidade e a flexibilidade do pensamento, o que
está posto para os educadores é o desenvolvimento de propostas pedagógicas que respeitem a
diversidade cultural e os valores específicos de cada comunidade.

Não se deve achar que os estudos de Geografia excluem a imaginação e a criatividade. Pelo contrário,
não se pode perder de vista a perspectiva integrada e interdisciplinar, procurando-se respostas às
indagações tanto no campo de reflexão do saber geográfico quanto na sua fronteira com outros campos
do conhecimento por meio do domínio de múltiplas linguagens.
Página 255

Por causa dessas características do mundo contemporâneo e dos desafios impostos aos jovens para o
entendimento de suas próprias vidas, talvez o estudo da Geografia nunca tenha sido tão imprescindível
como nos dias de hoje. Cabe ao professor conduzir o aluno em direção a inúmeras descobertas de
caráter científico, rompendo com percepções ainda alinhadas ao senso comum.

O pensamento de Georges Bertrand, dentre outros geógrafos que desenvolveram a abordagem


geossistêmica, também foi importante para a organização dos capítulos da coleção. Afinal, diversos
temas de interesse da Geografia exigem estudar tanto a sociedade quanto as forças da natureza.

Dessa forma, a visão sistêmica desenvolvida pelas teorias de Fritjof Capra, assim como os fundamentos
da teoria da complexidade do filósofo Edgar Morin, nos fazem acreditar na necessidade de romper com
uma visão de ensino cartesiana e positivista. O jovem estudante necessita ampliar seu rol de abordagens
para compreender a forma como o espaço de seu tempo é construído, compreendido e apropriado.
Nesse sentido, buscamos elaborar esta coleção didática como uma espécie de laboratório dos
conhecimentos geográficos, estabelecendo com o nosso leitor (o seu aluno) uma postura ativa de
observação dos fenômenos de interesse geográfico, numa abordagem relacional entre o todo e as
partes, além de desenvolver algumas noções antes de estabelecê-las como conceitos plenos.

Essas experiências são fundamentais para a formação da consciência de si e do mundo em que vivem,
desenvolvendo condições cognitivas e afetivas para se organizar espacialmente, localizar-se com base
em indicadores espaciais reais ou representados, ou para estabelecer relações com objetos externos.

1.1. A contribuição da Geografia para os jovens aprendizes

O ensino de Geografia tem como objetivo central a formação de cidadãos críticos, capacitados a
entender a sociedade por meio de sua dimensão espacial, envolvendo a problematização e o
aprofundamento dos conteúdos fundamentais da realidade social. Para isso, é preciso criar
oportunidades para que o jovem desenvolva sua capacidade de avaliar questões a partir de seus
próprios valores, manipulando dados e informações de forma metódica, dinâmica e numa visão
prospectiva.

Uma das grandes tarefas do ensino de Geografia é contribuir em dois sentidos relacionados:
disponibilizar informações relevantes aos estudantes e favorecer o desenvolvimento de estratégias de
pensamento desse sujeito crítico. Ao aprender a pensar o mundo a partir do espaço geográfico, os
alunos se apropriam do conhecimento científico para formular suas próprias hipóteses e aplicar os
métodos de investigação para encontrar respostas às questões que os inquietam.

Dessa maneira, acreditamos que o ensino da Geografia deve estar centrado na construção do conceito
de espaço geográfico, o que não se desenvolve apenas na leitura de um capítulo do livro didático ou por
meio da exposição desses pressupostos pelo professor. Trata-se de um longo percurso de ensino-
aprendizagem que teve seu início nos primeiros anos escolares e tem como coroamento as experiências
a serem desenvolvidas pelos alunos, com a orientação do professor, no decorrer do Ensino Médio.

Nesse sentido, inúmeros conceitos trabalhados no decorrer da coleção podem articular-se a um


processo mais amplo de construção da leitura e problematização do mundo, ou seja, de
desencadeamento de novas formas de pensar, novas formas de perguntar pelos fatos e de duvidar
deles, novas formas de posicionamento, que, em última análise, constituem a aprendizagem
significativa. Assim, acreditamos contribuir com os estudos de Geografia dos jovens estudantes e, ao
mesmo tempo, dividir com você, nosso colega professor, o enorme compromisso de disseminação do
conhecimento científico, de forma que se propiciem aos estudantes oportunidades para formular suas
próprias hipóteses e aplicar os métodos de investigação a fim de encontrar respostas às questões que os
inquietam.
Página 256

Concordando com Oliva (2003), conjuga-se a essa preocupação a urgência de explicar a realidade
contemporânea a partir de sua dimensão espacial. O conjunto de direitos fundamentais; o acesso à
moradia, à saúde e ao emprego; a igualdade étnica e de gênero; a preservação e a conservação da
biodiversidade; os conflitos nacionais e internacionais; as influências da economia-mundo no local e no
global; as influências das novas tecnologias no cotidiano do cidadão são elementos cruciais para a
compreensão dos dilemas da contemporaneidade. Assim, a Geografia transita pelas diversas áreas do
conhecimento como componente para a construção da identidade do ser social, sujeito de sua própria
história, ator de seu próprio tempo.

Isso exige do professor, por um lado, familiaridade com os problemas e as questões da nossa disciplina
e, por outro, ousadia no planejamento das atividades didáticas. Esses são elementos fundamentais para
despertar nos alunos a inquietação e, ao mesmo tempo, a segurança diante de novos conhecimentos,
ampliando o repertório da leitura e da escrita do educando. É por isso que a leitura dos textos desta
coleção deve ser entendida não como um exercício mecânico, mas como produção de significados. Não
como mera recepção das ideias produzidas pelo autor, mas, ao contrário, como um processo ativo e
criativo, onde autor e leitor estão em interação.

Tendo em vista as considerações apresentadas, pensamos que o papel do livro didático não é o de um
manual, conforme as características do modelo científico convencional que pretensamente fornece os
subsídios para o desenvolvimento do pensamento, mas o de um material de apoio, que procura facilitar
a interação do conhecimento do aluno e do conhecimento científico. Em virtude disso, a proposta da
coleção visa contribuir para o crescimento da participação ativa e para o processo de conhecimento dos
múltiplos aspectos da vida social.

Por essa razão, tomamos como medida que o repertório e a linguagem do aluno são elementos
fundamentais dessa nova pedagogia. Até onde eles forem facilitadores do desenvolvimento das
habilidades cognitivas e não se apresentarem como obstáculo ao aprendizado ou induzirem ao erro,
serão considerados atentamente tanto no desenvolvimento das atividades propostas quanto na
avaliação do trabalho dos alunos.

Esta coleção oferece aos professores um material de apoio ao ensino da Geografia, transformado em
ferramenta de leitura da realidade contemporânea, com base no conhecimento científico acumulado
pela ciência geográfica. Nessa perspectiva, referências importantes para o seu planejamento foram
encontradas na Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Unesco, 1990), nas Matrizes
Curriculares de Referência para o Saeb (Brasil, 1997), nos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil,
1998), no documento básico da Matriz de Referência do Enem (Brasil, 2015) e numa extensa bibliografia
que subsidia a reforma do ensino básico no Brasil (Coll, 1998; Perrenoud, 1998; Zabala, 1998; Zabala,
1999; Hernández, 1998; entre outros). A coleção também tomou como referência o debate na
comunidade geográfica sobre o papel da Geografia escolar na formação dos jovens aprendizes (Carlos,
1996; Oliveira, 1998; Cavalcanti, 1998 e 2012; Castellar, 2005; Schaffer et. al., 2011, entre outros).

O desafio maior foi estruturar a obra tendo em vista as competências, operações mentais que o sujeito
utiliza para estabelecer relações entre objetos, situações, fenômenos e pessoas. Essas modalidades
estruturais da inteligência transformam-se em habilidades no plano do “saber fazer” — seja no processo
de leitura, seja na realização das atividades propostas no livro — e podem ser categorizadas em três
níveis distintos de relações, que se estabelecem entre o sujeito e o objeto do conhecimento:

1º) nível básico de operações mentais, que torna presente o objeto do conhecimento para o sujeito por
meio das ações de identificar, indicar, localizar, descrever, discriminar, apontar, constatar, nomear, ler,
observar, perceber, posicionar, reconhecer, representar;
2º) nível operacional de relações com e entre os objetos, que reúne os procedimentos necessários para
associar, classificar, comparar, conservar, compreender, compor, decompor, diferenciar, estabelecer,
estimar, incluir, interpretar, justificar, medir, modificar, ordenar, organizar, quantificar, relacionar,
representar e transformar;

3º) nível global, que envolve as operações mais complexas de aplicação de conhecimento e de
resolução de problemas inéditos, o que exige as atividades de analisar, antecipar, avaliar, aplicar,
abstrair, construir, criticar, concluir, supor, deduzir, explicar, generalizar, inferir, julgar e prognosticar.
Página 257

A partir desses parâmetros, as competências e habilidades exigidas e desenvolvidas nos livros da


coleção podem ser representadas pelo esquema a seguir.

Os conceitos são as ideias mais gerais que organizam teoricamente as unidades. Os conteúdos
procedimentais orientam a compreensão dinâmica (relacional e gradativa) dos fatos geográficos.
Finalmente, as atitudes envolvem conhecimentos e crenças (valores éticos), sentimentos e preferências
(atitudes) e ações e declarações de intenção (normas ou regras de convívio social).

2. Estrutura da obra

A obra é composta de 3 volumes, cada um subdividido em unidades, capítulos e seções. Os


componentes didático-pedagógicos são apresentados da seguinte maneira:

• Abertura de unidade — Traz o tema de cada unidade e a lista dos capítulos.

• Abertura do capítulo — Cada capítulo é composto de seções que abordam itens do tema tratado. Na
abertura do capítulo há uma apresentação sucinta de cada seção. Com base em fotos, gráficos, tabelas e
mapas, os temas são contextualizados com a temática que será estudada, acompanhados de questões
que exploram o repertório dos alunos sobre o assunto. Destacam-se também as competências e
habilidades em desenvolvimento no capítulo, de acordo com a matriz de referência do Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem).
• Abertura de seção — No início de cada seção, são enumerados os termos e conceitos mais
importantes do tema tratado.
Página 258

2.1. Distribuição temática

Os temas trabalhados nas unidades buscam desenvolver a compreensão das relações e conexões
econômicas, geopolíticas e sociais em escala global, fazendo as devidas articulações entre as escalas
nacionais e locais. Os principais conteúdos da coleção foram divididos conforme a distribuição temática
do quadro a seguir.

Distribuição temática da coleção

Volumes Unidades Capítulos


Volume 1 Unidade 1 O mundo em rede 1. Geografia: conceitos e práticas

2. O mundo contemporâneo

3. O Brasil na era das redes

4. A informação geográfica e a Cartografia


Unidade 2 População e território 5. Dinâmicas demográficas

6. Migrações internacionais

7. Brasil: diversidade cultural e migrações

8. Brasil: dinâmicas territoriais


Unidade 3 Os seres humanos e as 9. Tempo da sociedade e tempo da natureza
dinâmicas da natureza
10. Estrutura geológica e formas de relevo

11. Dinâmica da atmosfera


Unidade 4 Domínios da natureza 12. A esfera da vida

13. A água no planeta: escassez e gestão

14. Domínios morfoclimáticos do Brasil


Volume 2 Unidade 1 Natureza, energia e 1. O meio ambiente global
políticas ambientais
2. A questão energética mundial e no Brasil

3. Políticas ambientais no Brasil


Unidade 2 Indústria e transporte 4. Geografia da indústria

5. O espaço industrial brasileiro

6. Fluxos e sistemas de transporte


Unidade 3 O futuro urbano 7. Urbanização mundial

8. Cidades e redes urbanas no Brasil

9. Direito à cidade
Unidade 4 O espaço rural e suas 10. Agropecuária no mundo
transformações
11. Agropecuária no Brasil

12. Questão agrária e sustentabilidade


Volume 3 Unidade 1 Geopolítica 1. Estado-Nação, território e poder

2. Conflitos regionais na ordem global

3. Uma geografia dos conflitos armados


Unidade 2 Globalização e exclusão 4. Formação da economia global

5. Economia global e trocas desiguais

6. Desigualdade e exclusão social


Unidade 3 Espaços regionais na 7. Polos da economia mundial
ordem global
8. Países emergentes: China, Índia e Rússia

9. América Latina: perspectivas

10. Ascensão da África

2.2. Atividades propostas na coleção

Tendo em vista o desenvolvimento da autonomia intelectual e a valorização do protagonismo dos


jovens, o aluno é convidado a exercitar sua capacidade de questionamento e argumentação sobre os
temas tratados nos capítulos, relacionando os fatos com contextos geográficos e explorando diferentes
linguagens. Para que isso seja viável, a obra apresenta um conjunto de atividades diversificadas,
conforme a descrição a seguir.
Página 259

• Análise de imagem — Algumas imagens são exploradas por meio de breves questões que estimulam a
troca de ideias acerca dos conteúdos tratados. Assim, as imagens não são consideradas apenas
ilustrações, mas complementos importantes do texto, exigindo o exercício da intertextualidade.

• Atividades interdisciplinares — Visando à valorização da integração da Geografia com outros


componentes curriculares da área de Ciências Humanas e de outras áreas do conhecimento, foram
planejados diferentes tipos de exercício. Em Transversalidades, foram selecionados textos
complementares que enfocam explicitamente questões relacionadas à construção da cidadania, valores
éticos, meio ambiente, questão de gênero e diversidade étnica. Por sua vez, em Diálogo interdisciplinar,
o aluno tem acesso a textos de outras disciplinas, que complementam o assunto estudado,
proporcionando com preensão integrada dos fenômenos naturais e sociais. Para facilitar o
planejamento de atividades em conjunto com outras disciplinas da grade curricular, essas atividades
estarão destacadas na seção Comentários e orientações das atividades dos capítulos de cada unidade,
na parte Encaminhamentos didático-pedagógicos deste suplemento do professor.

• Questões de revisão — Destaca os principais assuntos de cada seção do capítulo por meio de
questões de aplicação dos conhecimentos estudados em situações concretas.

• Atividades — Bateria de atividades ao final de cada capítulo, com questões de ampliação dos
conteúdos estudados e interpretação cartográfica.

• Pesquisa e ação

A seção apresenta diferentes atividades práticas de realização em grupo relacionadas com o tema
estudado, envolvendo a pesquisa e a elaboração de um produto final, a ser compartilhado com a turma.
Essas atividades possibilitam a aplicação dos conhecimentos pelos alunos em situações práticas,
reforçando o protagonismo dos jovens aprendizes no desenvolvimento de projetos que envolvem o
trabalho coletivo.

As atividades planejadas no volume 3 são:

• Unidade 1 — Infográfico

• Unidade 2 — Elaboração de um jornal mural

• Unidade 3 — Organização de um Atlas

Esse conjunto de atividades da seção Pesquisa e ação valoriza a sistematização e a exposição de


informações de diversas fontes, expressas em diferentes linguagens (croquis e mapas esquemáticos,
painéis fotográficos e pequenas reportagens). Assim, os alunos terão oportunidade de problematização
de situações reais, desenvolvendo maior autonomia intelectual.

• Exercícios de cartografia

Entre as diferentes linguagens e instrumentais de análise da Geografia, a coleção foi planejada com
atenção especial à linguagem cartográfica, que é desenvolvida e utilizada a todo instante. No decorrer
da leitura dos capítulos, os alunos são convidados a complementar as informações do texto com a
interpretação de mapas e gráficos em Análise cartográfica. Alguns temas também são tratados em
Infográficos, recursos gráfico-visuais em que imagens são integradas a textos concisos, sintetizando
diversas informações. Na seção Para além do texto, há exercícios de Leitura cartográfica, nos quais os
alunos podem aplicar seus conhecimentos para o aprofundamento de diferentes aspectos dos
conteúdos estudados.

Há também a seção especial Cartografia em foco, planejada para o domínio progressivo da análise do
espaço geográfico por meio de ferramentas da cartografia temática. Ela envolve exercícios de leitura,
análise ou produção gráfica.

• No decorrer dos capítulos, são apresentadas sugestões de vídeos, sites interessantes e livros que
aprofundam e complementam os conteúdos estudados, possibilitando mais uma vez a intertextualidade
e a visão interdisciplinar.
Página 260

3. Propostas de avaliação

Entendemos que o livro didático é um material de apoio ao trabalho pedagógico desenvolvido em sala
de aula. Além de facilitar o conhecimento de fatos e permitir a ampliação do vocabulário específico da
disciplina, ele deve propiciar a compreensão de conceitos científicos fundamentais e a análise das
limitações do conhecimento científico, despertando o interesse e o espírito crítico dos estudantes.

Em função dessas preocupações, a diversidade de atividades planejadas para a coleção pode ser
utilizada para a avaliação do processo de aprendizagem, verificando-se como os alunos selecionam
informações, posicionam-se diante de situações-problema e elaboram suas próprias hipóteses no
processo contínuo de aprendizagem.

Com base nessas avaliações, as competências e habilidades desenvolvidas no uso do material foram
concebidas na perspectiva do currículo em espiral, segundo o qual o aluno é um sujeito ativo e
construtor de seus próprios conhecimentos e o professor não é apenas o fornecedor de respostas
prontas, mas um agente que desafia o raciocínio, estimulando a dúvida e a crítica. Se pudéssemos
representar esses componentes pedagógicos da obra em um modelo, talvez o que melhor representaria
a coleção fosse uma espiral de aprendizagens significativas, conforme a figura a seguir.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Segundo esse modelo em espiral, quanto mais o aluno se envolve no processo de aprendizagem dos
conteúdos procedimentais, atitudinais e conceituais da Geografia, maior é o seu domínio conceitual e
sua capacidade de utilizar essas aprendizagens como instrumentos de análise da realidade,
estabelecendo com autonomia suas próprias conexões dos conceitos, linguagens, políticas e articulações
escalares.

Sabemos que a forma em espiral possui duas dimensões: a angular e a radial. Os ângulos da curva
representam o grau de desenvolvimento do processo de aprendizado, nos níveis básico, operacional e
global. O raio diz respeito aos tipos de conexão que estão sendo exigidos em termos de linguagens,
políticas, escalas e conceitos.

Entendemos que o detalhamento desse modelo para cada unidade pode servir de subsídio para o
processo de avaliação de maneira mais global e sistêmica. Tanto os conteúdos conceituais quanto os
conteúdos procedimentais e atitudinais são utilizados e compreendidos no processo pelo qual o
conhecimento é desenvolvido, mantendo uma interação recíproca. Ou seja, embora esses aspectos do
conhecimento sejam apresentados separadamente, deve-se reconhecer que, na avaliação, sempre
haverá a combinação dos três conteúdos mencionados. Retomaremos essa discussão no comentário
pedagógico de cada uma das unidades da obra.
Página 261

ENCAMINHAMENTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS
UNIDADE 1 Geopolítica

O trabalho a ser desenvolvido nesta unidade introdutória do volume envolverá, principalmente,


aprendizagens significativas em política. Os alunos deverão analisar o arranjo geopolítico mundial,
associando e diferenciando sistemas político-econômicos com base no estudo da formação dos Estados
nacionais e da ordem econômica e política mundial. Por sua vez, as aprendizagens significativas de
linguagem, de escala e de conceitos mobilizarão relações entre os aprendizes e o conhecimento no nível
operacional, principalmente por meio da aplicação de conhecimentos adquiridos em diferentes
situações.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

1. Leituras transversais dos capítulos

Por meio de leituras, discussões em sala de aula e resolução dos exercícios propostos, os alunos terão a
oportunidade de refletir sobre o sistema político internacional, desde as origens dos estados nacionais
até o contexto geopolítico mundial após a Guerra Fria. Espera-se que os estudantes também
compreendam por que os conflitos civis disseminaram-se pelo mundo e tornaram-se mais intensos após
o fim da Guerra Fria.

Conteúdos temáticos, procedimentos e atitudes mobilizados na unidade

Conceitos Conteúdos temáticos Procedimentos Atitudes


estruturadores
• Território e poder • Soberania • Expressar-se • Respeitar as diferenças
corretamente, entre os povos e as
• Estado territorial comparando os termos opiniões alheias
geográficos com os de
• Estado nacional outras ciências e • Ter disposição para
discernindo-os manusear, interpretar e
• Hegemonia produzir informações
• Empregar diferentes
• Guerra civil figuras cartográficas na • Posicionar-se pela paz
correlação entre mundial
informações
• Conflitos nacionais
Página 262

O estudo do capítulo 1 oferece aos alunos a oportunidade de refletir a respeito da formação dos
Estados nacionais. Para isso, destacamos o ideário da Revolução Francesa e a importância do processo
de independência e expansão territorial dos Estados Unidos. No capítulo 2, dedicamos atenção ao
contexto geopolítico mundial após o período da Guerra Fria. Por fim, no capítulo 3, são analisadas as
novas formas de violência geradas por guerras civis e outros conflitos armados e os problemas
econômicos e sociais delas decorrentes.

2. Abordagem interdisciplinar

Nesta unidade estão previstas duas seções que exigem uma abordagem interdisciplinar dos temas
estudados. O trabalho com essas seções, articulado com as leituras e os exercícios propostos nos
capítulos, deve proporcionar o desenvolvimento das competências e habilidades previstas no Enem para
a área de Ciências Humanas, envolvendo, principalmente, a comparação de diferentes pontos de vista e
a interpretação histórico-geográfica das relações de poder no espaço mundial.

No capítulo 3, na seção Diálogo interdisciplinar intitulada “O monopólio da violência legítima”, os


alunos vão refletir sobre a concepção de Estado e de seu papel na manutenção da ordem social. Como
se trata de um conceito desenvolvido por Max Weber para a compreensão da instituição do Estado, é
uma boa oportunidade de integração entre a Sociologia e os conteúdos estudados em Geografia. Na
seção Diálogo interdisciplinar, intitulada “Médicos Sem Fronteiras”, os alunos poderão analisar por que
essa organização humanitária internacional recebeu, em 1999, o Prêmio Nobel da Paz, por causa de sua
atuação em áreas de conflitos armados, epidemias e desastres ambientais.

2.1. Atividade complementar

Caso o professor avalie ser necessário o aprofundamento do estudo dos conteúdos desta unidade,
apresentamos uma sugestão de pesquisa e trabalho em grupo, que pode envolver a participação de
professores de outras disciplinas. A sugestão não foi incluída no corpo da obra a fim de não prejudicar a
flexibilidade do planejamento escolar. Deixamos aqui nossa contribuição para o desenvolvimento de
estratégias interdisciplinares.

A indústria cinematográfica

O mercado cinematográfico mundial é dominado pelas produções estadunidenses. Essa é uma realidade
geral: embora existam diferenças significativas no grau de controle dos mercados nacionais pelos filmes
de Hollywood, mesmo indústrias cinematográficas do porte da francesa ou da italiana dependem da
proteção e dos subsídios oficiais.

A indústria cinematográfica de Hollywood é uma poderosa fonte de difusão de imagens, símbolos e


valores associados à cultura estadunidense. Uma investigação conjunta com os professores de Língua
Portuguesa e de Arte pode contribuir para revelar como ocorre essa difusão. Para isso, uma sugestão
consiste em selecionar alguns filmes de grande bilheteria produzidos em Hollywood e submetê-los a
uma análise crítica. Que valores e princípios éticos são realçados pela narrativa? No filme há
julgamentos de valor sobre a sociedade estadunidense e outras sociedades? Que imagens são
associadas a outras nações e países? Que tipos de locais são utilizados para gravar as cenas?

3. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem


Ao término da unidade, sugerimos que o professor retome a espiral de aprendizagens significativas,
assim como o conceito estruturador, os procedimentos e as atitudes listados na página 261. Havíamos
previsto que as habilidades mais complexas seriam aquelas que envolvem a Geografia política. O próprio
assunto também exigiu um posicionamento mais crítico diante de situações vividas em diferentes
regiões do mundo.

Nesse caso, cabe perguntar:

• Os alunos apresentaram dificuldade ao trabalhar com informações de diferentes fontes?

• A turma conseguiu correlacionar situações ocorridas em diferentes regiões e na escala de tempo da


longa duração?

• Os alunos apresentam mais dificuldade na elaboração de conceitos ou no encaminhamento de


procedimentos adotados nas atividades?

• Que temas despertaram mais interesse e curiosidade na turma?

De acordo com as competências e habilidades sugeridas para a unidade (espiral de aprendizagens


significativas, na página 261 deste suplemento), propomos uma nova situação de aprendizagem que
pode auxiliar os alunos na elaboração de conceitos e nos procedimentos de análise de informações
expressas em diferentes linguagens.

Situação de aprendizagem — A ordem política e econômica mundial

Sugerimos ao professor que proponha aos alunos com mais dificuldade a elaboração de uma linha do
tempo. Para isso, eles precisam ordenar os acontecimentos do mais antigo até o mais atual e definir o
intervalo de tempo a ser representado em um segmento. Veja a seguir um modelo de linha do tempo da
formação dos Estados Nacionais e suas interações na ordem mundial, que envolve os seguintes termos e
conceitos trabalhados na unidade: Estado territorial, monarquia absolutista, Revolução Francesa,
Revolução Americana, Estado nacional, sistema bipolar, sistema multipolar. Para a distribuição dos fatos
sequenciais, os alunos precisam
Página 263

respeitar as distâncias proporcionais. Para cada século, pode ser estabelecido um segmento de 7
centímetros. Como o intervalo de tempo adotado no modelo foi de 400 anos e a maior parte dos
acontecimentos listados ocorreram no século XX, um recurso sugerido aos alunos é que façam um
trecho da linha do tempo pontilhada, encurtando a distância dos intervalos entre os séculos XVI e XVIII
na folha de papel.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

4. Sala do professor
4.1. Bate-papo com os autores

Nesta seção, no formato de uma entrevista, os autores da coleção expõem um pouco do que pensam a
respeito do trabalho desenvolvido na elaboração desta obra. Leia os principais trechos da entrevista.

Editora: Na estrutura da coleção, o debate sobre geopolítica ficou concentrado no volume 3. Vocês
consideram esse tema adequado para uma síntese final do Ensino Médio?

Autores: Sim, pois se trata de um debate que mobiliza conceitos e informações sobre a realidade
contemporânea que estão presentes em toda a coleção, como os de Estado, nação e poder. Com base
na análise que fizemos das propostas curriculares para o Ensino Médio em diversos estados brasileiros,
observamos que esses conceitos e informações são estruturadores dos conteúdos priorizados no país.
Eles também têm cada vez mais importância nos exames vestibulares e, principalmente, no Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem).

Editora: Como esse tema deve ser abordado?

Autores: Optamos por uma abordagem que privilegia uma análise mais estrutural, destacando as
mudanças no sistema internacional de Estados desde a Guerra Fria e o papel da ONU e, sobretudo,
relacionando os focos de conflito do mundo atual com a fragilidade dos Estados, mensurada por
diversas organizações internacionais. Dessa maneira, o tema é visto por uma ótica mais geográfica do
que jornalística, centrada em conceitos, com o objetivo de fornecer aos alunos instrumentos para a
compreensão das dinâmicas territoriais e políticas que explicam as zonas de instabilidades que
frequentam os noticiários.

4.2. Boxe de leitura

O pensamento do geógrafo britânico Halford John Mackinder (1861-1947) influenciou a política externa
das potências mundiais no entreguerras, quando propôs a divisão das potências em terrestres e
marítimas. No texto a seguir, apresentado numa conferência em 1911, ele destaca qual deveria ser a
abordagem do ensino de Geografia política pela ótica do império britânico.

O ensino de Geografia sob a ótica imperial e os usos que podem ser feitos da instrução visual
“[...] ao invés de um interesse meramente romântico sobre o passado, devemos transmitir um sentido histórico às
questões do presente. Além disso, há uma razão prática a favor deste percurso: nestes dias, quando questões
internacionais tornaram-se mundiais, é preciso que os grandes contrastes humanos resultantes da história universal
sejam conhecidos em seu conjunto e que — tomando apenas um único exemplo a título de ilustração — a distinção
entre cristãos, muçulmanos, hinduístas e budistas seja operada essencialmente sob algum grau de perspectiva
histórica. Entretanto, nos limites do Ensino Fundamental, não há tempo para outra matéria, especialmente para
algo tão vasto quanto a história mundial. Mesmo a narrativa nacional da Inglaterra começa a perder sua
simplicidade e sua força dramática nas fases posteriores, quando as histórias da Irlanda, Escócia, Canadá, Índia e
França devem, em certa medida, ser incorporadas àquela. Falo por experiência no momento em que expresso
minha convicção de que é possível transmitir o essencial não só da Geografia, mas também da história universal,
começando nosso ensino geográfico pela Pátria, aprendendo a ler o alfabeto geográfico para, a partir de então,
prosseguir através dos espaços do mundo de tal ordem que a história episódica recaia mais ou menos em sua
sequência cronológica. Assim, primeiramente, eu descreveria a geografia do Egito e, depois, sucessivamente,
digamos: Palestina, Grécia, Roma, Constantinopla, Meca, Itália, terras oceânicas da Europa, Índias Orientais, Índias
Ocidentais. Uma longa odisseia mundial, por assim dizer. Em cada caso, primeiro seriam nitidamente visualizados o
relevo terrestre e a dinâmica do ar e da água sobre o relevo para, então, indicar os vivos contrastes e os movimen-
Página 264

tos históricos ocorridos a partir daí. A própria narrativa nacional da Grã-Bretanha será mais clara e proveitosamente
alcançada se edificada à luz de uma vívida imagem mental das Ilhas Britânicas. Mentalmente, vamos antes ver que
ouvir acerca da fértil várzea próxima ao continente, conquistada sucessivamente por romanos, saxões e normandos
e, em seguida, das regiões montanhosas da margem oceânica ainda povoadas por gaélicos e bretões. Mesmo no
interior da planície da Inglaterra, vamos perceber o contraste entre cidade e campo, entre Londres e os Condados,
pois a história inglesa até a época da Revolução Industrial foi, essencialmente, a história de uma única cidade e de
um único campo. Meu outro tópico correlato diz respeito à inutilidade — tal como eu penso — de prescrever, para
um tema de ensino ou exame, a Geografia do Império Britânico. ‘Quem conhece apenas a Inglaterra pouco sabe da
Inglaterra’. De forma ainda mais verdadeira, pode-se dizer: quem conhece somente o Império pouco sabe do
Império Britânico. A Inglaterra é cercada por poderes externos ambientais e humanos, mas o Império Britânico está,
por assim dizer, costurado a outros poderes assim como a trama de um tecido. […] De início, ensinamos as crianças
a ler o mapa e a pensar geograficamente para, então, direcionar e ampliar sua imaginação através de campos cada
vez mais amplos até que, finalmente, elas possam discernir o mundo no contexto de uma reflexão, situando
determinado detalhe em sua configuração mundial. [...]”

MACKINDER, Halford John. O ensino de geografia sob a ótica imperial e os usos que podem e devem ser feitos da instrução visual. Geographia, v. 17,
n. 35, 2015. Disponível em: <www.uff.br/geographia/ojs/index.php/geographia/article/view/698/416>. Acesso em: maio 2016.

4.3. Indicações de leitura

Selecionamos artigos relacionados aos temas da unidade e de interesse do professor do Ensino Médio
em revistas acadêmicas brasileiras de ensino de Geografia.

RIBEIRO, Guilherme. Geografia, fronteira do mundo: ensaio sobre política, epistemologia e história da
Geografia. Geographia, v. 17, n. 34, p. 39-73, 2015. Disponível em:
<www.uff.br/geographia/ojs/index.php/geographia/article/viewFile/614/584>. Acesso em: maio 2016.

ALBUQUERQUE, Edu Silvestre. 80 anos da obra Projeção continental do Brasil, de Mário Travassos.
Revista do Departamento de Geografia — USP, v. 29, p. 59-78, 2015. Disponível em:
<www.revistas.usp.br/rdg/article/view/102081/100500>. Acesso em: maio 2016.

MONDARDO, Marcos. O território como ferramenta analítica no ensino de Geografia: dos dispositivos
de controle à produção de multi/transterritorialidades. Revista Brasileira de Educação em Geografia.
Campinas, v. 5, n. 9, p. 122-139, jan./jun. 2015.

Disponível em: <www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/view/218/153>.


Acesso em: maio 2016.

ROSSI, Rodrigo. A Geografia política da “encruzilhada”: uma entrevista com Raquel (Lucas) Platero.
Revista Latino-Americana de Geografia e Gênero. Ponta Grossa, v. 6, n. 1, p. 241-247, jan./jul. 2015.
Disponível em: <www.revistas2.uepg.br/index.php/rlagg/article/view/6968/pdf_167>. Acesso em: maio
2016.

4.4. Sites interessantes para o professor

• Porta Curtas

http://portacurtas.org.br/

Neste site de curtas-metragens, é possível assistir a filmes sobre diversos assuntos trabalhados nesta
unidade.

• Nações Unidas no Brasil


https://nacoesunidas.org/

Neste site da Organização das Nações Unidas no Brasil, é possível acessar links de suas agências
especializadas, como Pnud, Unesco, Acnur, além dos principais documentos e princípios da Organização.

5. Comentários e orientações das atividades dos capítulos


CAPÍTULO 1 Estado-Nação, território e poder

Questões de revisão p. 19

1 O Estado unitário não admite a partilha da soberania. As unidades regionais não apresentam legislação própria e seus dirigentes
limitam-se a exercer funções administrativas. A federação, por sua vez, oferece um grau elevado de autonomia política para as
unidades regionais (estados, províncias, cantões ou repúblicas). Os governos das unidades federadas decidem sobre assuntos de
política econômica e social, com base em legislação própria, porém subordinando-se à Constituição Federal.

2 A organização confederativa baseia-se no princípio da reunião de entidades políticas soberanas. O Estado consiste em um
contrato político que pode ser legalmente desfeito, com a separação das partes constitutivas. Cada uma das repúblicas
confederadas tem sua Constituição e pode até mesmo emitir moeda e manter Forças Armadas próprias. O governo confederado
conserva apenas os poderes a ele atribuídos pelo contrato entre as repúblicas, como o de representá-las nas instituições
internacionais.

Questões de revisão p. 26

1 O Plano Marshall foi concebido pelo secretário de Estado estadunidense George Marshall, que envolveu a transferência de 17
bilhões de dólares destinados a reerguer a economia dos países europeus destruídos pela Segunda Guerra, como forma de
estancar o avanço socialista na Europa.
Página 265

2 A ordem bipolar significou a disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética pela hegemonia mundial; na realidade, uma
disputa entre capitalismo e socialismo.

3 A queda do Muro de Berlim marca o fim da Guerra Fria.

Atividades p. 27

1 As fronteiras políticas não são um fato natural, pois elas delimitam a extensão geográfica da soberania de um Estado nacional,
ou seja, são uma criação da sociedade, que exerce domínio sobre determinado território e estabelece seus limites, podendo,
eventualmente, usar marcos naturais para melhor identificá-lo.

2 No Estado territorial, o território pertencia ao monarca e em torno dele se constituía a soberania. Nos Estados nacionais, o
poder pertence ao conjunto da nação, ou seja, aos cidadãos.

3 As fronteiras estratégicas tiveram origem no pós-guerra, quando o centro de poder já havia se deslocado para os Estados Unidos
— nação que adotava o modo de produção capitalista — e emergira uma nova potência, a União Soviética — cujo modo de
produção era o socialista. Esta pretendia expandir seu modo de produção e sua influência para outros países, ao passo que os
Estados Unidos desejavam ampliar sua participação no mercado mundial, além de ampliar a área de influência do capitalismo.
Essa disputa entre ambos para influenciar política e economicamente outros países constituiu as chamadas “fronteiras
estratégicas” da Guerra Fria.

4 Pode ser citada a adesão cada vez maior dos países que pertenciam ao bloco oriental-socialista à Organização do Tratado do
Atlântico Norte (Otan) e à União Europeia (UE), além da expansão da influência estadunidense política e econômica.

5 Os países do Leste Europeu abandonaram o modo de produção socialista, adotando, entre outras práticas, a propriedade
privada e a economia de mercado. Porém, passaram por crises políticas que culminaram no abandono brusco do socialismo e na
busca de integração à economia mundial de forma bastante desorganizada. Em alguns desses países, como na Iugoslávia, guerras
e conflitos sangrentos resultaram na fragmentação do território, da qual surgiram sete países independentes. Com a
desintegração do bloco socialista, terminava o período da Guerra Fria.

6 Os cartazes eram uma das formas de propaganda feitas pelas superpotências, na tentativa de mostrar o lado inimigo como o
grande vilão no cenário internacional da paz mundial. Os dois expressam preocupação e hostilidade.

7 a) Os dois blocos, Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o Pacto de Varsóvia, estruturavam-se de acordo com seus
sistemas políticos e trabalhavam para a manutenção e a ampliação de sua área de influência, desenvolvendo, para isso,
equipamentos de guerra cada vez mais sofisticados.

b) Albânia e Iugoslávia.

c) “Cortina de ferro” foi a designação dada à fronteira estratégica que separava o espaço do Ocidente, organizado em torno da
economia de mercado e liderado pelos Estados Unidos, e o Oriente, reestruturado pela planificação central da economia e
subordinado à União Soviética.

8 a) Na Europa Ocidental.

b) Estão aquém em termos econômicos.

9 Em 2010, a Rússia, herdeira da União Soviética, e os Estados Unidos figuravam como as maiores potências nucleares do planeta.
Esse controle sobre o armamento nuclear é uma herança do equilíbrio da tensão que caracterizou a Guerra Fria.

Exames de seleção p. 29

1B

2C

3B
4A

CAPÍTULO 2 Conflitos regionais na ordem global

Questões de revisão p. 34

1 A força militar tem garantido a manutenção dos interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos. Se não é possível exercer
o poder indiretamente, há muitas situações em que os Estados Unidos fazem uso da força.

2 A Doutrina Bush parte do pressuposto de que os Estados Unidos têm o dever de proteger o mundo contra o terrorismo, abrindo
a possibilidade de ataques a supostos inimigos, sem respeitar as fronteiras internacionais.

3 Espera-se que os alunos reconheçam que a Doutrina Bush é um bom exemplo do exercício do poder hegemônico por meio da
força. Ainda que Barack Obama tenha autorizado bombardeios no Iraque, sua prioridade foi a distensão no campo da política
externa.

Questões de revisão p. 38

1 De acordo com a doutrina islâmica, os muçulmanos devem expandir sua fé pelo mundo, sendo a política um instrumento dessa
missão.

2 A diferença entre sunitas e xiitas tem sua origem no século VII, com a morte de Maomé e a discussão sobre sua sucessão. Para
os xiitas, o sucessor deve ser alguém que tenha descendência direta de Maomé. Os sunitas não concordam com esse preceito.
Para eles, o califa deve ser um professor conhecedor das escrituras sagradas e um líder político. A Arábia Saudita é um dos
principais centros políticos dos sunitas, e o Irã é o grande centro político de difusão dos preceitos xiitas.

3 Todo muçulmano deve ser ativo na luta pela disseminação da religião islâmica, praticando a jihad ou a chamada guerra santa.
Apenas uma parte dos grupos islâmicos interpretam esse preceito muçulmano de maneira fundamentalista, uma vez que pregam
a obediência às escrituras como uma lei acima de todas as outras, defendendo uma guerra santa violenta e o uso das armas para a
expansão da revolução islâmica.

Questões de revisão p. 42

1 Porque, de acordo com o regimento geral da ONU, as deliberações do Conselho de Segurança precisam ser cumpridas pelos
países-membros.

2 Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia. As decisões do Conselho de Segurança da ONU devem ser
Página 266

tomadas por consenso dos membros permanentes. Se um deles vetar alguma decisão do Conselho, a decisão não poderá ser
implementada.

Atividades p. 43

1 a) São os Estados e os movimentos sociais organizados de modo transnacional que poderão se relacionar com as grandes
empresas transnacionais, estabelecendo limites de convivência além do capital.

b) Desde os ataques ocorridos nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, o terrorismo colocou em xeque a soberania dos
Estados, tornando-se um ator global importante na nova ordem mundial.

c) Os conflitos em países pobres estão associados, sobretudo, à disputa pelo controle dos recursos naturais e pelo controle do
Estado. Petróleo, ouro, madeira, gás natural, diamantes, outras pedras preciosas e diversos recursos motivaram pelo menos 16
conflitos, desde a segunda metade do século XX, em países como Afeganistão, Angola, Camboja, Serra Leoa e Sudão.

2 Resposta pessoal. Espera-se que os alunos considerem não apenas o poderio militar, mas também o poderio econômico e
cultural dos Estados Unidos ao elaborar a resposta.

3 A revolução islâmica serviu de exemplo para os grupos que desejam implantar um governo baseado nas leis do Corão, como foi
feito na República Islâmica do Irã em 1979.

4 a) Argélia, Tunísia e Marrocos, países que se formaram após a descolonização.

b) Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão, países que se formaram após o fim da URSS.

Cartografia em foco p. 44

1 Resposta pessoal. Espera-se que os alunos concluam que as nações mais poderosas, especialmente os Estados Unidos, assim
como os países que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU, estão localizados na parte central do mapa, enquanto os
países pobres situam-se na periferia, em sua maioria no hemisfério Sul.

2 Sugerimos que o professor discuta com os alunos a escolha da nova projeção cartográfica, considerando a demanda: criação de
um novo símbolo da ONU, representando a igualdade dos povos e valorizando o multiculturalismo. Espera-se que a turma conclua
que, das duas opções, a melhor é a figura 2, uma vez que o planisfério de Fuller quebra a hierarquia norte-sul e possibilita a visão
de todos os continentes. Apesar de a projeção azimutal equidistante centrada no Atlântico Sul dar visibilidade a vários países
pouco valorizados no atual símbolo da ONU, sua utilização geraria outro problema, uma vez que os continentes mais distantes do
ponto central estão muito distorcidos. Na confecção do novo símbolo da ONU, os alunos deverão ser livres para criar e usar cores,
colagens de gravuras e outros elementos que possam representar um mundo livre de preconceitos e discriminação.

Exames de seleção p. 46

1C

2D

3C

4B

5 01 + 04 + 08 = 13

CAPÍTULO 3 Uma geografia dos conflitos armados

Diálogo interdisciplinar — O monopólio da violência legítima p. 50

Max Weber considera legítima apenas a violência exercida pelo Estado ou por ele autorizada.
Questões de revisão p. 53

1 Porque tem diminuído o número de guerras tradicionais de Estado contra Estado e aumentado o de guerras civis.

2 As desigualdades verticais se baseiam nas diferenças de rendimento entre os indivíduos de uma sociedade e geralmente
ocasionam problemas sociais, altos índices de marginalidade e de insegurança. Já as desigualdades horizontais são aquelas
existentes entre regiões ou grupos com diferenças étnicas, religiosas e culturais, frequentemente associadas a conflitos e guerras
civis.

Diálogo interdisciplinar — Médicos Sem Fronteiras p. 57

Médicos Sem Fronteiras é uma organização internacional que chega a lugares onde, muitas vezes, não há nenhum tipo de
assistência médico-hospitalar, como zonas de conflito, regiões de miséria e fome. Eles procuram qualificar o atendimento médico-
hospitalar às populações carentes dos países em desenvolvimento.

Questões de revisão p. 58

1 A ausência de um Estado Palestino, o que contraria a determinação da ONU de criar um Estado de Israel e um da Palestina.

2 O Estado Islâmico é inimigo tanto das potências ocidentais quanto do regime sírio e seus aliados. Quando o governo sírio passou
a combater diretamente o Estado Islâmico, a pressão internacional sobre ele diminuiu sensivelmente.

Atividades p. 59

1 a) Guerra civil: dissolução da antiga Iugoslávia (Bósnia-Herzegovina, Croácia, Sérvia e Kosovo); guerra civil internacionalizada:
Libéria, Serra Leoa e Guiné; conflito de descolonização: Angola e Moçambique; conflito entre Estados: questão palestina, guerra
do Golfo (Irã e Iraque), Caxemira (Índia e Paquistão).

b) Os conflitos regionais foram predominantes na segunda metade do século XX. Muitos estavam inseridos no contexto da Guerra
Fria e foram incentivados e manipulados pelos Estados Unidos e pela União Soviética.

2 Os conflitos em países pobres estão associados, sobretudo, à disputa pelo controle de recursos naturais e pelo controle do
Estado. Diamantes, petróleo, ouro, madeira, gás natural, pedras preciosas e outros recursos motivaram pelo menos 16 conflitos,
desde a segunda metade do século XX, em países como Afeganistão, Angola, Camboja, Serra Leoa e Sudão.

3 Caso isso fosse feito, 9,5 milhões de crianças poderiam ser diretamente beneficiadas.
Página 267

4 a) A vida nos campos de refugiados é muito precária; não há infraestrutura urbana, e as pessoas vivem com o mínimo
necessário para a sobrevivência.

b) Milhares de pessoas deixam suas casas, trabalho e tudo o que possuem para viver de maneira extremamente precária.

c) Ela será apátrida, sem nacionalidade e não terá documentos nem passaporte.

5 a) África Mediterrânea e Central, Oriente Médio e Ásia Central.

b) Os alunos poderão citar os seguintes países: Tunísia, Argélia, Mauritânia e Afeganistão.

c) Apesar de os mapas representarem os conflitos mais importantes de anos diferentes (2010 e 2011), observa-se uma
superposição de situações de conflitos em localidades/regiões semelhantes, principalmente na África e na Ásia. Pode-se concluir
também que as guerras provocam um número maior de vítimas.

Exames de seleção p. 61

1C

2D

3D

4E

5B

6B

7D

8E

Pesquisa e ação — Infográfico p. 63

Nesta unidade, foram estudados os conflitos regionais que atravessam o mundo contemporâneo e as repercussões da violência
desses conflitos nas populações civis de diferentes países.

Nessa seção, o enfoque sobre o tema recai sobre a escala nacional. O Brasil não enfrenta disputas territoriais ou guerra civil
declarada; ainda assim, é um dos países mais violentos do mundo, e uma parcela significativa dessa violência vitimiza os mais
jovens. A elaboração dos infográficos é uma oportunidade de analisar essa realidade, em seus diversos aspectos, e de divulgar as
importantes iniciativas voltadas para o desarmamento e para a cultura da paz. Se for bem apropriada e utilizada pelos alunos, a
ferramenta de comunicação escolhida poderá ampliar o potencial de compreensão deles e dos demais sobre esse tema, de forma
que subsidie a reflexão e a ação social mais informada. Os mapas da violência elaborados por Julio Jacobo Walselfisz, assim como
as estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS), disponíveis on-line, são uma excelente fonte para esse trabalho, principalmente
no que diz respeito aos três primeiros temas. A internet também contém um vasto repertório de informações sobre a cultura da
paz e a campanha do desarmamento. É importante que os alunos utilizem dados e referências confiáveis, para, com base neles,
elaborar os próprios gráficos.
Página 268

ENCAMINHAMENTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS

UNIDADE 2 Globalização e exclusão

A globalização é um processo em expansão pelo mundo, atingindo de modo diferenciado os países. Os


maiores beneficiados foram os países desenvolvidos, que incrementaram significativamente suas trocas
comerciais e atividades econômicas, dominando o avanço tecnológico. A maioria dos países, no entanto,
ficou excluída desses benefícios, principalmente as nações menos desenvolvidas, que continuaram com
altos índices de pobreza e economias fracas, dependentes tecnologicamente.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

A nova fase de acumulação não melhorou a vida dos mais pobres. Para isso ocorrer, será preciso
dominar conceitos geográficos e compreender políticas de Estado para o posicionamento diante de
situações reais (nível global do domínio conceitual e do exercício da cidadania). Fazendo uso de
informações geográficas expressas em diferentes linguagens, os alunos serão convidados a relacionar
fenômenos que se manifestam em diversas escalas (nível operacional do domínio das linguagens e na
articulação de escalas).

1. Leituras transversais dos capítulos

Por meio de leituras, discussões em sala de aula e resolução dos exercícios propostos, o domínio
conceitual deverá ocorrer pela articulação entre diferentes escalas de análise e do estabelecimento de
relações entre textos com diferentes linguagens. Dessa forma, os alunos terão a oportunidade de
relacionar os conceitos geográficos de rede e território, assim como desenvolver uma visão integrada da
dinâmica econômica global na escala da longa duração (desde o Mercantilismo e as revoluções
industriais até o período da globalização).

Conteúdos temáticos, procedimentos e atitudes mobilizados na unidade


Conceitos Conteúdos temáticos Procedimentos Atitudes
estruturadores
• Território • Mercantilismo • Estabelecer relações • Ter disposição para
entre conceitos da manusear, interpretar e
• Rede • Primeira, Segunda e Geografia e áreas afins produzir informações
Terceira Revolução
Industrial • Extrair informações de • Realizar, com
mapas e diferentes tipos organização e disciplina,
• Países desenvolvidos e de texto as atividades orientadas
países em pelo professor
desenvolvimento • Aplicar conhecimentos
na interpretação das • Valorizar o diálogo e a
• Países centrais e transformações reflexão em sala de aula
periféricos econômicas recentes

• Comércio extrarregional

• Megablocos

• Globalização

• Pobreza e exclusão
social

• Discriminação de
gênero
Página 269

O capítulo 4 tem por eixo central o processo de consolidação do capitalismo mundial, considerando as
transformações espaciais desde o mercantilismo até a desregulamentação do mercado financeiro e a
expansão do capital especulativo. No capítulo 5, o foco são as trocas desiguais entre os principais
conjuntos de países da economia global. Por fim, no capítulo 6, os alunos terão a oportunidade de
analisar o aumento da desigualdade e da pobreza mundiais com base na elaboração e no mapeamento
do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em diferentes escalas geográficas.

2. Abordagem interdisciplinar

Nesta unidade estão previstas três seções que exigem uma abordagem interdisciplinar dos temas
estudados. O trabalho com essas seções, articulado com as leituras e os exercícios propostos nos
capítulos, deve proporcionar o desenvolvimento das competências e habilidades previstas no Enem para
a área de Ciências Humanas, envolvendo, principalmente, a análise do impacto das novas tecnologias na
produção e circulação de riquezas no espaço mundial.

No capítulo 5, a seção Diálogo interdisciplinar intitulada “O Estado enjaulado” possibilita a discussão da


relação entre os Estados Nacionais e as empresas privadas.

No capítulo 6, em Transversalidade: cidadania, os alunos são desafiados a refletir a respeito de ações


da ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero e empoderamento das
mulheres. Na seção Transversalidades: cidadania intitulada “Música como inclusão social”, os alunos
poderão refletir sobre a importância das políticas públicas por meio da análise de uma situação
concreta.

2.1. Atividade complementar

Além das situações de aprendizagem que o professor avaliar que podem complementar o processo de
ensino-aprendizagem, nesta seção apresentamos uma sugestão de pesquisa e trabalho em grupo que
pode envolver a participação de professores de outras disciplinas. Essa sugestão não foi incluída no
corpo da obra a fim de não prejudicar a flexibilidade do planejamento escolar. Deixamos aqui a nossa
contribuição para o desenvolvimento de estratégias interdisciplinares.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na América Latina

Os países da América Latina apresentam grande diversidade no que diz respeito às condições de vida de
suas populações. Um trabalho interdisciplinar com o professor de História pode ser orientado a fim de
desvendar os fatores que condicionam essa diversidade. Que países latino-americanos apresentam IDH
baixo, de acordo com os critérios da ONU? Que relações podem ser estabelecidas entre o IDH desses
países e sua história colonial e recente? Quais deles se enquadram na categoria de alto
desenvolvimento humano? Eles apresentam características comuns? Quais?

3. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem

Ao término da unidade, sugerimos que o professor retome a espiral de aprendizagens significativas,


assim como os conceitos estruturadores, os procedimentos e as atitudes listados na página 268.
Conforme previsto, as habilidades mais complexas envolvem a aplicação de conceitos geográficos na
compreensão da dinâmica econômica, estabelecendo relações entre textos em diferentes linguagens.

Para a avaliação do rendimento dos alunos e o diagnóstico das dificuldades de aprendizagem da turma,
seria preciso identificar a existência de alunos:
• com dificuldades de aplicação de conceitos na compreensão de situações concretas;

• que, apesar do domínio conceitual, têm dificuldades de estabelecer relações entre textos em
diferentes linguagens.

Entendemos que essa reflexão do processo de ensino-aprendizagem vai subsidiar o planejamento das
atividades complementares que o professor considerar necessárias para a conclusão da espiral das
aprendizagens significativas. Propomos, a seguir, uma atividade complementar que pode facilitar o
trabalho de fechamento dos estudos da unidade 2.

Situação de aprendizagem — Comparação de fotos

Peça aos alunos que revejam as fotografias dos capítulos desta unidade e pesquisem na internet ou em
meios impressos outras fotografias que, na opinião deles, representam a desigualdade socioeconômica
entre os países. Oriente-os a justificar as escolhas.

O objetivo desta atividade é desafiar os alunos a observar o material iconográfico dos capítulos. Solicite
a exposição das imagens e dos motivos das escolhas, estimulando o debate em sala de aula.

4. Sala do professor
4.1. Bate-papo com os autores

Nesta seção, no formato de uma entrevista, os autores da coleção expõem um pouco do que pensam a
respeito do trabalho desenvolvido na elaboração desta obra. Leia os principais trechos da entrevista.

Editora: Por que vocês deram destaque para alguns países, como os Estados Unidos, Japão e China, para
desenvolver a análise dos impactos da globalização no espaço mundial?
Página 270

Autores: O enfoque dessa unidade é a Geografia econômica. A escolha desses países se explica pela
importância deles nos circuitos da economia flexível, permeáveis às inovações e múltiplas articulações
do mundo globalizado.

Editora: Mas essa escolha não deixa incompleta a análise da economia mundial?

Autores: Entendemos que uma coleção de livros didáticos não é uma enciclopédia, que procura tratar
exaustivamente os temas da disciplina. Pela contrário, o foco central deve estar nos conceitos da
Geografia econômica, possibilitando ao aluno o desenvolvimento da capacidade de análise das inúmeras
situações particulares. Esse é um grande desafio do ensino de Geografia no Ensino Médio. Esperamos
que a nossa obra sirva de suporte ao trabalho do professor no desenvolvimento dessa capacidade
analítica.

4.2. Boxe de leitura

A geógrafa María Laura Silveira, da Universidade de Buenos Aires, foi orientanda e colaboradora do
professor Milton Santos nas pesquisas na Universidade de São Paulo acerca das características
geográficas do mundo contemporâneo. No encontro sobre o pensamento de Milton Santos, realizado na
Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 2009, a palestra dela tratou da importância do
conceito de território para a compreensão das transformações econômicas no período da globalização.

Globalização: variáveis, tendências e crises

“Ao longo da história, as nações conheceram tensões entre o externo e o interno, o Estado e o mercado, o passado
já instalado como presente e o futuro querendo realizar-se, cujas manifestações empíricas foram conflitos advindos
do comércio, das relações internacionais, dos discursos, das lutas de classes e das divisões do trabalho. Dir-se-ia que
esses elementos têm sido e são registrados de forma ativa pelo território e pela sociedade como um todo.

O Estado nacional buscou regular essas tensões. Testemunha e ator, o território foi normado e normativo na
procura de uma certa noção de ‘equilíbrio’ entre relações externas e internas. Contudo, tal ‘equilíbrio’ nunca foi tão
inatingível como hoje. A aceleração contemporânea é realmente um dado novo do território, submetendo-o a
crises permanentes que, como a atual, impõem modificações súbitas de conteúdos, alterando todas as relações
mantidas dentro de um país, já que o território é unitário. [...]

O motor que comanda esses processos é a finança, responsável por um movimento crítico que alcança, como forma
ou nexo, como realidade ou tendência, todos os agentes e os lugares do planeta. Não há dúvidas de que poderosos
agentes do sistema financeiro, como fundos de investimento, fundos de pensão e outros menos conhecidos como
os denominados ‘fundos escuros’ — uma espécie de bolsa que garante o anonimato e se institui como cenário das
grandes operações — constituem as feições mais puras de tal motor. Mas é mormente a lógica de reprodução do
capital financeiro que se torna onipresente, impregna e subordina o resto da sociedade. Contudo, ‘a vontade de
homogeneização do dinheiro global é contrariada pelas resistências locais à sua expansão’ e, por isso, os processos
são diferentes segundo os lugares (Santos, 2000, p. 102). […]”

SILVEIRA, María Laura. O lugar defronte os oligopólios. Em: DANTAS, Aldo; TAVARES, Matheus Augusto Avelino (Orgs.). Lugar-mundo: perversidades
e solidariedades. Natal: Editora da UFRN, 2009.

4.3. Indicações de leitura

Selecionamos artigos relacionados aos temas da unidade e de interesse do professor do Ensino Médio
em revistas acadêmicas brasileiras de ensino de Geografia.

BUQUE, Suzete Lourenço. A contribuição da teoria histórico cultural para o ensino da disciplina de
Geografia. Revista de Geografia, Universidade Federal de Pernambuco. v. 31, n. 1, p. 197-205, 2014.
Disponível em: <www.revista.ufpe.br/revistageografia/index.php/revista/article/view/583/546>. Acesso
em: maio 2016.

MADEIRA, Paulo M.; VALE, Mário. Desigualdade e espaço no capitalismo contemporâneo: uma questão
de (in)justiça territorial?. Geousp — espaço e tempo, v. 19, n. 2, p. 196-211, ago. 2015. Disponível em:
<www.revistas.usp.br/geousp/article/view/102771>. Acesso em: maio 2016.

MAIA, Alexandre G.; BUAINAIN, Antônio M. Pobreza objetiva e subjetiva no Brasil. Confins — Revista
franco-brasileira de Geografia, n. 13, 2011. Disponível em: <https://confins.revues.org/7301?lang=pt>.
Acesso em: maio 2016.

SANTOS, Elizete de Oliveira. Segregação ou fragmentação socioespacial? Novos padrões de estruturação


das metrópoles latino-americanas. GeoTextos, v. 9, n. 1, p. 41-70, jul. 2013. Disponível em:
<www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/view/6767>. Acesso em: maio 2016.

4.4. Sites interessantes para o professor

• Blog da Boitempo

http://blogdaboitempo.com.br

O blog apresenta publicações diárias de textos originais de diversos temas: Filosofia, História,
psicanálise, Economia, política e Literatura, entre
Página 271

outros. Conta também com publicação quinzenal com sugestões de leituras, vídeos e eventos.

• Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — Pnud

www.pnud.org.br

O site oferece informações sobre a rede de desenvolvimento global da ONU. O Pnud Brasil tem como
objetivo contribuir para o desenvolvimento humano, o combate à pobreza e o crescimento do país.

5. Comentários e orientações das atividades dos capítulos

CAPÍTULO 4 Formação da economia global

Questões de revisão p. 75

1 A Primeira Revolução Industrial acelerou o êxodo rural, provocando a concentração populacional nas áreas urbanas e ampliando
o número de cidades, que receberam mais investimentos (iluminação pública, ruas, distribuição de água encanada etc.). Também
causou o aumento dos problemas urbanos, como a proliferação de moradias precárias (cortiços e favelas).

2 A produção em série não consolidou o capitalismo. Foi apenas um processo de produção adotado nas indústrias.

3 O descarte em massa (obsolescência planejada) não é exatamente uma novidade; apenas foi fortemente intensificado pelo
papel das inovações na concepção e produção de bens e serviços em telecomunicações, informática, microeletrônica, entre outros
setores da economia.

Transversalidades Cidadania

Redes sociais e atuação política p. 78

1 Resposta pessoal. Aproveitando a discussão das questões pelos alunos, sugerimos destacar o papel das redes sociais e da
internet na participação política.

2 Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam que as redes sociais permitem a veiculação de informações e opiniões
livres, articulando pessoas com os mesmos objetivos e que podem interferir nos rumos da política e da economia.

Questões de revisão p. 83

1 A tecnologia foi, e ainda é, o fator fundamental para a globalização na medida em que revolucionou as telecomunicações e os
transportes, além de dominar a indústria de ponta dos países desenvolvidos.

2 Com o avanço das telecomunicações, as transações financeiras ficaram muito mais fáceis de ser executadas e os investimentos
são feitos sempre em busca da maior rentabilidade. Ao menor sinal de instabilidade ou falta de confiança, os investimentos são
transferidos (fuga de dólares) para locais considerados mais seguros.

Diálogo interdisciplinar — Economia global: rumo à grande tempestade? p. 84

1 No mundo globalizado, a crise econômica em um conjunto de países provoca efeitos em outros. Desde 2007 verifica-se uma
espécie de efeito em cascata, demonstrando a retroalimentação da crise entre três blocos principais: Estados Unidos, zona do
euro e países emergentes.

2 Espera-se que os alunos concluam que se trata das duas maiores economias mundiais. Os efeitos da crise global sobre esses
países têm consequências para todos os outros. A recuperação econômica dos Estados Unidos, desde a crise de 2007/2008, tem
sido mais lenta do que o esperado. A China tem dados sinais de desaceleração econômica, o que puxa para baixo a economia dos
países emergentes e também a zona do euro.
Atividades p. 85

1 Resposta pessoal. Os alunos devem identificar o conteúdo religioso da justificativa usada por Portugal e Espanha na exploração
e na ocupação do continente americano. As principais iniciativas dos colonizadores europeus em relação aos nativos americanos e
ao uso do território colonial eram sustentadas por interesses econômicos exploratórios.

2 O mercantilismo propunha a intervenção do Estado na economia e a acumulação de riquezas por meio da estruturação do
comércio mundial e da formação de colônias (busca de matérias-primas e expansão do mercado). Já o liberalismo econômico
defendia a livre-iniciativa e o direito à propriedade privada. O Estado não deveria mais atuar nem intervir na economia, mas
apenas garantir a livre concorrência entre as empresas.

3 a) O sistema estava baseado no dólar estadunidense. Essa moeda tinha uma paridade fixa com o ouro, e as outras moedas
podiam flutuar contra o dólar, subindo ou caindo no máximo 2%.

b) Ele ajudou a integração das economias porque estabeleceu um padrão para os preços: o padrão dólar-ouro.

c) O sistema acabou em 1971, quando os Estados Unidos não conseguiram mais manter a conversibilidade do dólar em ouro.

4 O toyotismo propõe métodos flexíveis que permitem a elaboração de produtos individualizados e variados mais adaptados à
demanda, segundo as necessidades do mercado e do consumidor (customização); os materiais que compõem um produto chegam
no momento da montagem (just in time), eliminando-se despesas com estoques (estoque zero); utilizam-se máquinas de ajuste
rápido e flexível; os operários devem estar atualizados e ser polivalentes e multifuncionais, com tarefas racionalizadas; há o
autocontrole dos empregados, que adquirem responsabilidade pela qualidade das partes do produto, eliminando-se, dessa forma,
o controle de qualidade do sistema fordista/taylorista.

5 O Estado restringiu sua intervenção na economia, só agindo em grau mínimo e em setores essenciais (Estado mínimo);
promoveu a desregulamentação da economia, ou seja, eliminou regulamentos que pudessem impedir a liberdade de ação das
transnacionais e do capital internacional; fez reformas econômicas; realizou privatizações de empresas estatais, com a finalidade
de garantir o ingresso de grande quantidade de recursos em curto prazo.
Página 272

6 Essa é uma característica essencial de uma empresa global: a identificação de locais onde existam condições mais atraentes para
as suas operações. A produção de componentes de um produto pode ser feita em países diferentes, pondo fim à identidade
nacional dos produtos, o made in.

7 A charge critica a desigualdade entre os países. Nela, a globalização é representada como algo que trouxe enormes benefícios
para os países ricos, enquanto os pobres foram excluídos.

8 Os países que mais sofreram com a crise econômica foram justamente aqueles que apresentam maiores taxas de desemprego,
como Portugal, Espanha e Grécia.

Cartografia em foco p. 86

1 São mapas cujos dados pontuais foram unidos em linhas de igual valor (isolinhas). Utilizando variáveis econômicas de diferentes
localidades (valor do solo, renda, uso dos serviços, etc.), podem-se obter representações isarítmicas econômicas.

2 Espera-se que os alunos concluam que nesses dois países desenvolvidos há forte concentração da produção econômica em um
ponto do território e que as cartas isarítmicas possibilitam essa comparação. No Japão, principalmente em Tóquio e Osaka. Nos
Estados Unidos, apesar de observamos muitos pontos de alta concentração da produção econômica, destacam-se quatro mais
importantes: Nova York, Washington, Los Angeles e Chicago.

Exames de seleção p. 87

1C

2C

3B

4E

5E

CAPÍTULO 5 Economia global e trocas desiguais

Questões de revisão p. 96

1 Países como China, Índia, Brasil e Rússia são chamados de mercados emergentes porque, nessa fase de globalização, oferecem
um grande potencial de mercado e uma grande população consumidora. Além disso, esse grupo de países destacou-se no cenário
econômico internacional pelo rápido processo de modernização de seu parque industrial, pela diversificação de suas pautas de
exportações e pelo rápido crescimento econômico, conquistando maior poder de voz no G20.

2 As commodities primárias são mercadorias em estado bruto ou produtos primários que sofrem pouca ou nenhuma
transformação, com baixo valor agregado. Os produtos de alta intensidade tecnológica têm maior riqueza incorporada, pois
exigem mão de obra mais qualificada e alta tecnologia.

3 A maior parte do aumento da participação dos países em desenvolvimento no mercado de bens manufaturados provém da Ásia
Oriental e do Pacífico. Destacam-se nas exportações de alta e média tecnologia: China, Taiwan, Coreia do Sul, Índia, além do
México, na América Latina. Nas exportações de manufaturados com utilização de baixa tecnologia se destacam China, Taiwan,
Coreia do Sul, México e Índia.

Questões de revisão p. 100

1 Por considerar discriminatórias as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC), os países em desenvolvimento apoiam-
se na Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio (Unctad) para negociar com os países desenvolvidos. A Organização dos
Países Exportadores de Petróleo (Opep) também é um exemplo de organização paralela de defesa de interesses.
2 É o que acontece com a China, que centraliza a montagem de produtos intermediários oriundos de outros países asiáticos. Esses
últimos transformam os produtos e os enviam para a China, de onde são exportados para os mercados internacionais.

3 A nova categoria de dispersão da cadeia produtiva, de importações e reexportações, envolve o comércio entre as transnacionais
e suas filiais ou com empresas prestadoras de serviços. Esse comércio incentiva também as trocas de serviços em virtude da maior
necessidade organizacional das empresas.

Questões de revisão p. 104

1 A zona de livre comércio objetiva eliminar ou reduzir taxas alfandegárias. O mercado comum propõe também a criação de
regras comuns de comércio com países exteriores ao bloco e a abertura de mercados internos e libera o fluxo comercial, de
capitais, de mão de obra e de serviços entre os países do bloco.

2 Diferenças econômicas, oposição de setores em diversos países, Estados divididos por motivos de guerras e/ou de conflitos
seculares impedem a formação de um verdadeiro Estado supranacional e a unificação efetiva da Europa.

3 Esse bloco é formado por países muito distintos do ponto de vista político, econômico e cultural. Dele fazem parte a próspera
economia do Japão e a do Canadá, ao lado de países em desenvolvimento, como o Chile e o México.

Diálogo interdisciplinar — O Estado enjaulado p. 105

1 Porque as empresas poderão contestar regulações dos governos no caso de redução de seus lucros, mesmo se seus produtos
forem inseguros ou tóxicos ou causarem danos a trabalhadores.

2 Segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde, “as propostas do TPP poderão permitir a apropriação de um grande
número de patentes de medicamentos e tecnologias médicas e isso criará mais barreiras para a produção de genéricos”. Caso seja
adotado, “terá grandes implicações para a saúde pública e o acesso aos medicamentos. Interesses comerciais terão precedência
sobre a proteção da saúde e o desenvolvimento humano”.

Questões de revisão p. 107

1 No plano regional, o Mercosul reforça o comércio entre os países-membros com a vigência de uma união aduaneira e tarifas
externas comuns. No plano internacional, tem promovido negociações com outras organizações diante de eventuais restrições
impostas pelos megablocos econômicos.

2 As exportações para a China são compostas basicamente de commodities primárias, como minério de ferro, soja
Página 273

e celulose. Do país asiático importamos peças de veículos e tratores, aparelhos eletrônicos, aparelhos transmissores e receptores,
ou seja, produtos de média alta e alta tecnologias.

Atividades p. 108

1 A China apresentou evolução mais positiva, com queda a partir de 2007 e retomada em 2009. A Índia, apesar das oscilações,
conseguiu retomar seu crescimento após 2008. Brasil, Rússia e África do Sul apresentaram grande retomada dos índices a partir de
2009.

2 Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam que os investimentos em educação e pesquisa, além de formarem mão de
obra qualificada, possibilitam o desenvolvimento científico e a produção autônoma de tecnologia.

3 Houve um excesso de empréstimos subprime para financiamento de imóveis destinados a pessoas com dificuldade de
comprovar sua capacidade de pagamento de débitos. Uma reação em cadeia de endividamento e inadimplência quebrou o
mercado de créditos imobiliários, financeiras e bancos. Num efeito dominó, a crise atingiu instituições financeiras no mundo,
afetando o desempenho da economia mundial.

4 Os Estados Unidos lideram o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta); os países da Europa Ocidental formam a União
Europeia (UE) e o Japão exerce grande influência na Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec).

5 O saldo positivo do Brasil no comércio exterior entre 2001 e 2013 pode ser explicado pelo superávit (arrecadação maior que as
despesas) nas exportações de commodities primárias (que tiveram cotações elevadas no período citado) e de outros produtos,
compensando, desse modo, os gastos com a importação de produtos de alta intensidade tecnológica.

6 Indústria de alta tecnologia: aeronáutica e aeroespacial, equipamentos de rádio, TV e comunicações. Indústria de média alta
tecnologia: equipamentos elétricos, veículos. Indústria de média baixa tecnologia: derivados do petróleo. Indústria de baixa
tecnologia: derivados da madeira. Produtos não industrializados: café.

7 a) Porque realiza intercâmbio comercial (exportação e importação) significativo com países da América, Europa, Ásia e África.

b) Muito positivo: Argentina, China, Peru e Colômbia. Muito negativo: Estados Unidos, Canadá e Índia.

Exames de seleção p. 109

1 a) Índia (Ásia), China (Ásia) e África do Sul (África).

b) São países semiperiféricos. Primeira razão: fabricam e exportam produtos industrializados utilizando principalmente baixa e
média tecnologias, mas também exportam produtos agrícolas, matérias-primas minerais e vegetais.

Segunda razão: apresentam economia industrializada e diversificada e, por isso, não podem ser enquadrados como periféricos.

c) Esses países vêm passando por transição demográfica, ou seja, sofrem queda na natalidade e aumento na expectativa de vida.
Grande parcela da população se encontra na faixa adulta. A predominância da população nessa faixa etária aumenta a
disponibilidade de mão de obra, provocando diminuição nos custos de produção e consequente aumento da competitividade.
Além disso, os gastos públicos são relativamente baixos, o que contribui para investimentos produtivos.

2C

3A

4C

5C

6A
CAPÍTULO 6 Desigualdade e exclusão social

Transversalidades Cidadania

O Movimento ElesPorElas (HeForShe) p. 114

1 Para disseminar o valor da igualdade de gênero, que não é apenas uma questão das mulheres, mas de toda a sociedade.

2 A resposta a essa questão envolve reflexão pessoal e coletiva sobre a desigualdade de gênero na escola. Comparando as
respostas dos alunos, o professor poderá discutir com a turma formas de participação na campanha da ONU, aproximando o tema
do capítulo da realidade local.

Questões de revisão p. 118

1 Na África Subsaariana.

2 Porque revela os cuidados que as crianças recebem nos primeiros anos de vida, quando necessitam muito de cuidados médicos,
boa alimentação e atenção da família.

Questões de revisão p. 126

1 A região subsaariana é formada numa faixa de transição, ao sul do deserto, bastante frágil, por causa da escassez de água. A
população tradicional que se estabeleceu naquela região soube se adaptar a essas condições, mantendo o pastoreio nômade
como principal forma de sustento das comunidades locais. O processo de colonização e de partilha da África pelos europeus
rompeu com esse equilíbrio. O crescimento populacional nessas regiões empobrecidas agravou a situação criada pelos
colonizadores.

2 Privações ambientais são a falta de saneamento, de água potável e de combustível renovável e não poluente para cozinhar.
Trata-se de variáveis importantes que diminuem o impacto ambiental e promovem a melhoria das condições de saúde da
população.

Transversalidades Cidadania

Música como inclusão social p. 129

1 Ela permitiu que crianças e jovens tivessem perspectivas diferentes das que o cotidiano impõe à maioria dos moradores dessas
comunidades e também gerou possibilidade de se profissionalizarem.

2 Porque aborda as atividades da Orquestra Sinfônica de Paraisópolis, que permitem que as crianças e os jovens da comunidade
tenham oportunidades que normalmente não teriam porque costumam ser reservadas à parte da população com maior poder
aquisitivo.
Página 274

Questões de revisão p. 131

1 A pobreza pode ser definida como a falta de acesso à satisfação das necessidades consideradas mínimas para se ter uma vida
digna e adequada na sociedade em que se vive. Geralmente, a pobreza se expressa pela insuficiência de renda dos indivíduos, mas
também pela falta de condições básicas (saúde, habitação, educação etc.). A exclusão social, originalmente, não está associada à
ideia de pobreza. Trata-se de um termo que surgiu na luta de segmentos da sociedade francesa contra a injustiça social ou mesmo
a falta de igualdade plena de direitos.

2 A elevada incidência da pobreza no Nordeste tem raízes na economia colonial. A estrutura de propriedade da terra, marcada
pela coexistência do latifúndio com o minifúndio, bloqueou o desenvolvimento regional: a maior parte da população rural ficou
marginalizada do mercado consumidor. Na Região Sul, nas áreas de planalto, a apropriação da terra foi impulsionada pela
imigração europeia, com uma economia rural baseada no trabalho familiar e na policultura associada à criação. Sobre essa base,
desde cedo se desenvolveu uma vasta classe média rural.

Atividades p. 132

1 Não. O PIB per capita é a divisão da riqueza nacional pela população. O resultado é uma fração ideal, que não exprime as
desigualdades na distribuição da renda.

2 a) O IDH é resultado de um esforço para compreender a desigualdade social de maneira mais ampla, considerando outras
variáveis, além da renda da família. Foi criado pela ONU para servir como referência comparativa das condições de vida das
populações dos países-membros.

b) O IDH baseia-se em três grandes indicadores, aos quais são atribuídos pesos iguais: expectativa de vida, nível de instrução e
PNB per capita.

c) A expectativa de vida é um indicador sensível à situação da saúde da população e às condições ambientais e de infraestrutura
das comunidades locais. O nível de instrução está diretamente relacionado com a inclusão dos cidadãos no universo da cultura e
nos circuitos da sociedade informacional. A renda per capita é uma medida comparativa entre os países, considerando a relação
entre a riqueza nacional e o total de habitantes. O cruzamento da renda com os indicadores de saúde e educação torna possível
avaliar a relação entre a riqueza e sua distribuição no conjunto da população.

d) As três novas medidas são: Índice de Desigualdade de Gênero, que registra as disparidades de gênero; Índice de Pobreza
Multidimensional, que registra as privações em nível individual quanto a educação, saúde e padrão de vida; e IDH Ajustado às
Desigualdades ou IDHAD, que leva em conta as desigualdades nas três dimensões básicas do desenvolvimento humano
consideradas no IDH.

3 A composição do IDH não considera apenas a variável econômica, mas também a escolarização da população e as condições de
saúde. Os países representados no gráfico são bons exemplos da distância que há entre PIB per capita e IDH. Essas discrepâncias
refletem as desigualdades na distribuição da renda familiar e na difusão dos serviços públicos de saúde e educação.

4 A pauperização da população do Sahel africano está ligada à desertificação das terras, que resulta das transformações
socioeconômicas ocorridas nessas sociedades em razão da enorme pressão demográfica e da exploração dos solos férteis sem os
devidos cuidados, levando ao avanço da desertificação, cujas principais consequências são a intensificação do uso da terra como
pasto e a substituição das técnicas tradicionais pela monocultura.

5 a) De modo geral, pode-se dizer que o índice de educação na Região Nordeste é baixo, visto que a maior parte da região
apresenta municípios com baixo ou muito baixo IDHM em educação.

b) Os melhores índices relacionados à educação estão na parte norte da Região Nordeste, na área correspondente ao estado do
Ceará.

Cartografia em foco p. 133

Região Metropolitana de Salvador


Indicadores de vulnerabilidade dos municípios — 2010
Município Indicador 1 Indicador 2 Indicador 1 Indicador 2
Classificação Classificação
Camaçari 32,01 9,63 baixo baixo
Candeias 33,18 10,32 baixo baixo
Dias D’Ávila 33,88 13,42 médio médio
Itaparica 41,66 20,58 alto alto
Lauro de Freitas 23,64 6,28 baixo baixo
Madre de Deus 28,29 16,36 baixo alto
Salvador 22,51 7,32 baixo baixo
São Francisco do Passé 38,87 8,50 médio baixo
Simões Filho 33,68 11,83 médio médio
Vera Cruz 46,93 19,23 alto alto
Página 275

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

3 Espera-se que os alunos indiquem diferentes situações de vulnerabilidade: condição de habitação, destino do lixo,
analfabetismo, gravidez precoce etc. Os municípios que apresentam a pior classificação no indicador de vulnerabilidade são
Itaparica e Vera Cruz.

Exames de seleção p. 135

1A

2B

3C

4D

Pesquisa e ação — Elaboração de um jornal mural p. 137

A confecção de um jornal mural possibilita aos alunos a ampliação de competências comunicativas, no caso, por meio do contato
com o gênero jornalístico. A comunicação jornalística, facilitada por artigos curtos, ilustrações, fotos, esquemas, gráficos, títulos
significativos e chamativos, leva a um maior interesse por notícias atuais. O texto ao lado contribui para esclarecer a importância
de um jornal mural.

“[...] A leitura diária de um jornal, seja impresso, on-line ou em mural, desenvolve a capacidade interpretativa do
aluno em diferentes gêneros sociais e também, de certa forma, sua inserção na sociedade em que vive. Isso porque,
a partir da leitura de charges, reportagens, notícias e artigos a respeito de acontecimentos de seu bairro na sua
cidade, o aluno adquire informações, argumentos e conhecimento sobre tais fatos e é capaz de criar sua própria
opinião sobre eles. Desse modo, aprende a ser crítico diante desses acontecimentos, podendo argumentar com
relevância e conhecimento perante diferentes situações comunicativas.

Desenvolver a produção de um jornal na escola, com textos de gêneros jornalísticos, reais, colabora com essa
construção de opinião e leitura crítica do aluno, pois, seus textos terão leitores ‘reais’ que, certamente, desejam ler
algo pertinente e atrativo. [...]”

COSTA, J. M. da; GONÇALVES, L. I.; RANGEL, E. de F. M. Alunos leitores e redatores: o jornal-mural em sala de aula. II Seminário Interdisciplinar
Pibid/Unifra. Disponível em: <www.unifra.br/eventos/seminariopibid2012/Trabalhos/3843.pdf>. Acesso em: maio 2016.
Página 276

ENCAMINHAMENTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS

UNIDADE 3 Espaços regionais na ordem global

Nesta unidade, há uma continuidade no desenvolvimento das aprendizagens significativas de escalas e


conceitos, com ampliação da visão da formação territorial a partir do enfoque regional. Os alunos são
desafiados a analisar as transformações econômicas recentes no mundo sem perder de vista a escala da
longa duração, o que favorece olhar para o espaço geográfico como um imenso mosaico formado pela
diversidade etnocultural dos povos e pelas configurações territoriais específicas produzidas por esses
povos no lugar em que vivem. Também trabalhamos para desenvolver o domínio das linguagens e da
capacidade de expressão oral e do pensamento lógico, atendendo à autonomia de julgamento e de ação
dos alunos diante de situações-problema enfrentadas na análise do espaço geográfico dos Estados
Unidos (linguagens e políticas no nível operacional).

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

1. Leituras transversais dos capítulos

As leituras e discussões em sala de aula deverão proporcionar a reflexão a respeito do futuro urbano da
humanidade, envolvendo relações analíticas entre a capacidade de governança das cidades e a
participação dos cidadãos no enfrentamento dos desafios da inclusão social e da conquista da qualidade
de vida.

Conteúdos temáticos, procedimentos e atitudes mobilizados na unidade

Conceitos Conteúdos temáticos Procedimentos Atitudes


estruturadores
• Território e região • Estados Unidos • Expressar-se • Ter disposição para
corretamente, manusear, interpretar e
• Europa comparando os conceitos produzir informações
geográficos com os de
outras ciências humanas • Respeitar as diferenças
• Japão
e discernindo-os entre os povos e as
opiniões alheias
• China
• Empregar diferentes
figuras cartográficas na • Posicionar-se pela paz e
• Índia correlação entre pela solidariedade entre
informações os povos
• Rússia
• Articular diferentes
• América Latina escalas de espaço e
tempo para explicar
• África padrões e processos
geográficos
Página 277

O capítulo 7 é dedicado à análise dos principais polos da economia mundial, com destaque para os
Estados Unidos, países europeus e Japão. No capítulo 8, abordamos a importância crescente da Índia e
da China na ordem mundial, assim como as transformações sociais e econômicas recentes na Rússia. O
capítulo 9 oferece aos alunos a oportunidade de refletir a respeito da formação da América Latina,
assim como das principais características da economia latino-americana, destacando-se as estruturas
econômicas herdadas da colonização europeia, os efeitos da industrialização tardia e o impacto da
globalização na economia regional. No capítulo 10, os alunos são desafiados a ampliar sua visão a
respeito da Geografia africana aprofundando o estudo do patrimônio e da diversidade cultural dos
povos do continente e analisando criticamente a geopolítica dos conflitos gerados pela ocupação da
África pelos colonizadores europeus. O capítulo também dá destaque para as igualmente importantes
transformações econômicas recentes da África, que tornam insuficiente a divisão convencional entre o
norte da África e a África Subsaariana.

2. Abordagem interdisciplinar

Nesta unidade, estão previstas quatro seções que exigem uma abordagem interdisciplinar dos temas
estudados. O trabalho com essas seções, articulado com as leituras e os exercícios propostos nos
capítulos, deve proporcionar o desenvolvimento das competências e habilidades previstas no Enem para
a área de Ciências Humanas, envolvendo, principalmente, a análise da produção da memória coletiva e
de manifestações políticas e culturais por meio de diferentes fontes de pesquisa.

No capítulo 7, a seção Transversalidades: direitos humanos permite aos alunos refletir acerca dos
problemas raciais dos Estados Unidos, estabelecendo interfaces entre Geografia e História. No Diálogo
interdisciplinar “Crise na Europa”, a proposta é de aprofundamento da análise da crise econômica de
países europeus, suscitando o debate sobre as opções políticas adotadas.

No capítulo 10, a seção Diálogo Interdisciplinar intitulada “O referencial absoluto” possibilita aos alunos
relacionar a imigração forçada de africanos escravizados com aspectos culturais e políticos que
influenciaram a formação dos países na América. Por sua vez, na seçãoTransversalidade: gênero e
cidadania, os alunos podem analisar o protagonismo das mulheres africanas no mercado de trabalho.

2.1. Atividade complementar

De acordo com as competências e habilidades previstas para a unidade (espiral de aprendizagens


significativas), sugerimos que o professor proponha aos alunos com mais dificuldade a elaboração de
quadros sinóticos.

Eixos de integração

Para desenvolver uma visão de conjunto dos principais projetos de integração econômica entre os
países sul-americanos, os alunos podem elaborar um quadro sinótico. Para isso, sugerimos organizar em
linhas e colunas os dados dos principais aspectos estudados no capítulo 9 sobre os quatro eixos mais
significativos da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana — Iirsa (páginas
210 e 211) —, conforme o modelo a seguir.

Nome do eixo Interligação Principais obras


Mercosul-Chile São Paulo, Rio de Janeiro, Montevidéu, Buenos Estradas
Aires, Santiago
Interoceânico Central Brasil, Bolívia, Paraguai, Peru e Chile Estradas, pontes, gasodutos
Amazonas Navegação fluvial amazônica aos portos do Peru e Estradas
Equador
Escudo das Guianas Manaus, Caracas e Suriname Estradas e pontes

3. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem


Assim como na unidade anterior, sugerimos que o professor retome a espiral de aprendizagens
significativas, assim como o conceito estruturador, os procedimentos e as atitudes listados na página
276. No estudo da unidade 3, as habilidades mais complexas são aquelas que envolvem os conceitos e
as escalas. O estudo da formação territorial da América Latina e a situação do Brasil nesse contexto
regional também exigem dos alunos um posicionamento crítico e uma postura ativa no
desenvolvimento das atividades.

Dessa forma, caberia descobrir:

• Que temas despertaram mais interesse e curiosidade da turma?

• As principais dificuldades da turma foram na formulação de conceitos ou no encaminhamento de


procedimentos adotados nas atividades?

A atividade a seguir pode complementar o trabalho em sala de aula, facilitando o desenvolvimento das
competências e habilidades indicadas na espiral de aprendizagens significativas pelos alunos que
apresentaram dificuldade.
Página 278

Situação de aprendizagem — Processo de independência e união americana

Os principais fatos que marcaram a formação política da América Latina podem ser ordenados numa
linha do tempo, facilitando a visão de conjunto. Para isso, os alunos podem ordenar os países pelo ano
de independência, incluindo nessa linha do tempo os fatos que marcaram a união desses países até a
formação da Organização dos Estados Americanos (OEA). Veja o modelo a seguir.

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

4. Sala do professor
4.1. Bate-papo com os autores

Nesta seção, no formato de uma entrevista, os autores da coleção expõem um pouco do que pensam a
respeito do trabalho desenvolvido na elaboração desta obra. Leia os principais trechos da entrevista.

Editora: O conceito de território é abordado em diversas unidades desta coleção. Qual é o enfoque
nessa última unidade?

Autores: Para nós, a obra do geógrafo Milton Santos foi uma referência importante na elaboração desta
coleção. Assim, o conceito mais geral que fundamenta a análise geográfica é o de espaço geográfico.
Mas, para compreender essa ordem mais geral, é fundamental que os alunos compreendam a formação
territorial dos Estados modernos. Existe aí um raciocínio geográfico muito importante, desenvolvido na
obra de Milton Santos, que considera as racionalidades impostas pela ordem global
(“desterritorializada”) e, ao mesmo tempo, as respostas no interior de cada território nacional das
determinações vindas de fora.

Editora: Vocês consideram suficiente para desenvolver esse raciocínio geográfico a opção de estudar
Estados Unidos, Europa, Japão, China, Índia, Rússia, América Latina e África?

Autores: Assim como na unidade anterior, nosso objetivo não foi organizar uma enciclopédia, mas uma
coleção de livros didáticos que ofereça o suporte necessário para o professor do Ensino Médio trabalhar
o raciocínio geográfico com os alunos. Para isso, é preciso selecionar alguns exemplos e recortes
empíricos significativos para o estudo. Daí a escolha desses países e regiões.

4.2. Boxe de leitura

O geógrafo Roberto Lobato Corrêa, professor de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
considera o espaço um conceito fundamental para a compreensão das conexões entre cultura, política e
economia.

Cultura, política, economia e espaço

“[…] Os lugares classificados, tanto no plano nacional como mundial, com patrimônios culturais, derivam, em
grande parte, de relações entre política cultural e economia, envolvendo ressignificações e lucros. Formas residuais,
que trazem à tona uma memória seletiva (Berdoulay, 2012) e estimulam a imaginação de um passado que muitos
ignoram, aceitando o que lhes é descrito, os patrimônios são objetos de interesse econômico. Visitar uma cidade ou
bairro histórico, com formas do passado conservadas ou inventadas, não constitui apenas um ato cultural, mas
também econômico, envolvendo uma rede de agentes econômicos, muitas vezes de grande porte. O crescente
número de cidades históricas, patrimônios culturais racionais ou da humanidade, criadas nos últimos 40 anos,
associa-se à expansão do turismo, evidenciando a força da relação entre economia e cultura. Com base em
Hobsbawm e Ranger (2002), afirma-se que a invenção de tradições lucrativas é parte do processo de
mercantilização de todas as esferas da vida, incluindo o passado e a memória.

Há lugares que não são patrimônios nacionais, mas que exibem uma paisagem construída que não é original,
simulando um ambiente cultural que, se não é estranho ao lugar, não foi gerado no passado ou foi totalmente
reconstituído. A paisagem é o foco dessa construção. Trata-se de simulação, criando-se um quadro cênico atraente
para a atividade turística, para turistas ávidos em consumir paisagens diferentes, que se reportam ao passado ou ao
presente exótico. As transformações na paisagem do centro da cidade de Blumenau [Santa Catarina] constituem
excelente exemplo da relação entre economia e cultura. Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo,
e Gramado, na Serra Gaúcha, são outros
Página 279

possíveis exemplos. Serão elas transformadas, no futuro, em patrimônios?

Os setores de amenidades localizados em áreas aprazíveis, com microclima ameno, proximidade do mar, lagos e
montanhas com floresta, constituem lugares valorizados, com condomínios fechados, vias expressas e shopping
centers. São habitados por uma população de alto status social que foi atraída para esses lugares para os quais sua
renda monetária permite. Esses setores de amenidades associam-se à ressignificação da natureza e do modo de
vida, assim como a massivos investimentos de capital provenientes dos setores público e privado. Trata-se da
cultura da elite de uma alta classe média e de sua paisagem cultural que se transforma em valor de uso e valor de
troca. Esse quadro social e paisagístico, cultural e econômico, insere-se na relação entre cultura e economia, entre
cultura, valorização fundiária e promoção imobiliária. […]”

CORRÊA, Roberto Lobato. Cultura, política, economia e espaço. Espaço e Cultura, Uerj, n. 35, p. 33-34, jan./jun. 2014. Disponível em: <www.e-
publicacoes.uerj.br/index.php/espacoecultura/article/view/18903/13701>. Acesso em: maio 2016.

4.3. Indicações de leitura

Selecionamos artigos relacionados aos temas da unidade e de interesse do professor do Ensino Médio
em revistas acadêmicas brasileiras de ensino de Geografia.

QUEIROZ, Thiago Augusto Nogueira. O tema África e a Geografia escolar: uma experiência no Ensino
Fundamental II. Revista Brasileira de Educação em Geografia. Campinas, v. 5, n. 9, p. 164-185, jan./ jun.
2015. Disponível em:
<www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/viewFile/172/155>. Acesso em: maio
2016.

LIMA, Romise Inez; TONINI, Ivaine Maria. Olhares sobre a África na sala de aula. Pesquisar — Revista de
Estudos e Pesquisas em Ensino de Geografia. v. 1, n. 1, p. 300-320, out. 2014. Disponível em:
<http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/pesquisar/article/view/3204/4221>. Acesso em: maio
2016.

NOVAES, André Reyes; LAMEGO, Mariana. Visões sobre a Geografia e o pós-colonianismo: conversas
com Felix Driver, David Harvey e Paul Claval. Espaço e Cultura, n. 34, p. 231-258, jul./dez. 2013.
Disponível em: <www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/espacoecultura/article/view/12879/9947>.
Acesso em: maio 2016.

4.4. Sites interessantes para o professor

• União Europeia

http://europa.eu/abc/index_pt.htm

O site apresenta farto material sobre a história da União Europeia, além de dados gerais e links para os
países-membros.

• Centro de Estudos Afro-orientais

www.afroasia.ufba.br

Site da revista do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, voltada para a
divulgação de estudos de populações africanas, asiáticas e seus descendentes no Brasil e no mundo.
• Africanidades

http://afrologia.blogspot.com

André Bueno, professor de História e Filosofia, mantém um blog sobre a história e as tradições culturais
africanas, que contém um vasto acervo de indicações bibliográficas e links sobre o tema.

5. Comentários e orientações das atividades dos capítulos

CAPÍTULO 7 Polos da economia mundial

Transversalidades Direitos humanos

O racismo nos Estados Unidos p. 144

1 Martin Luther King, líder da SCLC, recorria a um discurso religioso, explorando símbolos da identidade nacional estadunidense. A
sua posição integracionista, que se reportava a valores democráticos atribuídos aos Estados Unidos, inspirou não somente os
negros, mas também uma parcela de progressistas da população branca. Já os Panteras Negras e Malcolm X defendiam a
autonomia dos negros em relação aos brancos, revivendo uma tradição de separatismo negro.

2 Não, pois o aparato repressivo estruturado para coibir o tráfico de drogas acabou reforçando a marginalização dos negros,
assegurando a existência da hierarquia racial estadunidense. Ainda que os brancos fossem maioria dos traficantes e usuários, os
negros das zonas urbanas se transformaram no principal alvo.

Questões de revisão p. 149

1 Em relação à produção industrial, o peso da “tríade” se revela no controle sobre as tecnologias inovadoras e na elevada
produtividade das empresas industriais. Os países da “tríade” também funcionam como polos estruturadores do comércio
mundial e exercem a hegemonia financeira global, controlando os fluxos de capitais, os mercados de câmbio e os empréstimos
bancários.

2 Os ramos industriais emergentes buscavam novas localizações, que estivessem distantes tanto das tradicionais fontes de
matérias-primas como das metrópoles e seus problemas, além das reivindicações das organizações sindicais.

3 Causas do desemprego: a crise imobiliária de 2008 e a transferência de grande parte da produção industrial (terceirização) para
países com mão de obra barata. Consequências: diminuição do poder aquisitivo e
Página 280

do consumo e migração de uma parcela da população para países como o Canadá, em busca de oportunidades de trabalho.

Diálogo interdisciplinar — Crise na Europa p. 154

Segundo o economista, “Só havendo uma aposta política no crescimento, e, portanto, no emprego, que haverá condições para
que a Europa, como um todo, volte a ser um projeto mobilizador”. Essa medida evitaria a degradação da vida das pessoas.

Questões de revisão p. 160

1 Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido não ficou sob o domínio da Alemanha e se transformou no principal aliado
dos Estados Unidos, acentuando ainda mais sua diferença em relação ao restante da Europa. Essa aliança tornou-se ainda mais
importante nas últimas décadas, visto que a economia do Reino Unido está intimamente ligada à economia estadunidense.

2 A desconcentração industrial está promovendo a parceria entre empresas de países vizinhos. Esse é o caso da região polarizada
entre Montpellier (França) e Barcelona (Espanha). O mesmo se verifica na região interfronteiriça entre Lyon (França), Milão (Itália),
Stuttgart e Munique (Alemanha).

3 Essa derrota custou aos alemães o isolamento do sistema internacional, o pagamento de pesadas indenizações aos países
vizinhos, a divisão do território entre a República Democrática Alemã (ou Alemanha Oriental), sob influência da União Soviética, e
a República Federal da Alemanha (ou Alemanha Ocidental), sob influência dos Estados Unidos.

4 O desenvolvimento científico e tecnológico e o estabelecimento de eixos de desenvolvimento em direção à antiga Alemanha


Oriental.

Questões de revisão p. 166

1 Financiamentos externos, incentivo à poupança interna para obtenção de recursos, adoção de novas tecnologias, aumento de
produtividade visando eliminar desperdícios no processo industrial, modernização tecnológica, novos métodos de trabalho,
qualificação dos trabalhadores, investimento em educação, incentivos fiscais e reorganização dos zaibatsu.

2 O toyotismo desenvolveu um modelo enxuto de produção, combatendo todo o desperdício no transporte, na superprodução e
no estoque de produtos. A reorganização da produção incluiu a utilização de máquinas de ajuste rápido e flexível e o emprego do
sistema just in time, com produtos montados após a venda, em pequenos lotes.

3 Ordem natural: riscos de catástrofes naturais (terremoto, maremoto que causa tsunami), por encontrar-se em região de
encontro de placas geológicas. Ordem econômica: escassez de recursos energéticos, crise financeira. Ordem ambiental:
vazamento radioativo de usinas nucleares.

Atividades p. 167

1 Quando conquistaram a independência, os Estados Unidos possuíam um território equivalente à área original das treze colônias,
situadas entre os montes Apalaches e o oceano Atlântico. Nas décadas seguintes, a jovem república incorporaria territórios
britânicos, franceses, espanhóis e mexicanos, estendendo seu território até o golfo do México, ao sul, e o Pacífico, a oeste.

2 Os novos ramos industriais estadunidenses, marcados pelo elevado conteúdo de ciência e tecnologia, são menos dependentes
de fontes de matéria-prima e energia que os ramos industriais tradicionais. Por isso, os empresários desses setores buscaram
novas localizações, especialmente no sul e no oeste do país.

3 Na Grã-Bretanha, a emergência de indústrias de alta tecnologia se relaciona à formação de novos polos industriais. Isso ocorre,
por exemplo, na região de Bristol, no sudoeste da Inglaterra. Na França, vem ocorrendo um nítido processo de desconcentração
industrial, com destaque para o surgimento de polos industriais nas regiões fronteiriças, nas quais as empresas francesas operam
em parceria com empresas dos países vizinhos (em especial, Alemanha, Itália e Espanha). Na Alemanha, os novos eixos de
desenvolvimento industrial localizam-se, sobretudo, na antiga Alemanha Oriental.

4 A parceria entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos consolidou-se por meio de uma aliança militar estabelecida por ocasião da
Segunda Guerra Mundial. Firmada no plano militar, a parceria estratégica estendeu-se para os planos econômico e político, dados
os fortes laços que unem as economias britânica e estadunidense.
5 A unificação ampliou o potencial do mercado interno, ajudando a tornar o país a maior potência econômica da Europa. Em
contrapartida, o processo envolveu grandes investimentos na modernização das infraestruturas da antiga Alemanha Oriental.

6 O Japão, pobre em recursos energéticos (petróleo, gás), depende, para seu abastecimento, do petróleo dos países do Oriente
Médio, do Sudeste Asiático e da Europa e da Rússia.

7 a) Reino Unido, França, Países Baixos, Itália, Espanha e Turquia.

b) França.

c) Espera-se que os alunos destaquem a importância estratégica das relações comerciais da Alemanha com a Rússia e os países da
Ásia Central, garantindo o acesso a recursos energéticos e novos mercados de exportação em potencial.

Cartografia em foco p. 168

Ao comparar os esboços de paisagem feitos pelos alunos, sugerimos que o professor destaque as profundas transformações que
ocorreram em Seattle em razão do desenvolvimento econômico dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Espera-se que eles reflitam sobre isso com base no esboço da paisagem, comentando as transformações ocorridas na cidade. O
local onde existiu Hooverville era, na década de 1990, um pátio para o depósito de contêineres, carrocerias metálicas que podem
ser transportadas por navios, trens e caminhões.
Página 281

Exames de seleção p. 169

1B

2D

3E

4A

5C

6D

7 Verdadeiras: 0, 1, 4 Falsas: 2, 3.

8 01 + 04 + 08 + 16 = 29.

9E

10 a) Entre os países que não aderiram ao euro estão Dinamarca, Suécia e Reino Unido. Para eles, a manutenção da moeda
própria é uma forma de garantir a autonomia.

b) Turquia, Macedônia, Sérvia e Croácia são países que estão reivindicando a entrada na União Europeia. Para esses países, a
entrada é uma oportunidade de abrir seus mercados para os 27 países que compõem o bloco, de receber investimentos da União
Europeia e ainda de se estabilizar política e economicamente.

c) Para fazer parte da União Europeia, é necessário que o país seja uma democracia, respeite os direitos humanos e cumpra as
metas econômicas estabelecidas, como o controle da inflação. Dessa forma, a União Europeia pretende que os países integrantes
apresentem regimes políticos, econômicos e sociais semelhantes e que estejam, assim, de acordo com os preceitos da união
econômica e monetária.

CAPÍTULO 8 Países emergentes: China, Índia e Rússia

Questões de revisão p. 179

1 No meio rural: devolução da propriedade das terras às famílias camponesas, transformação de oficinas comunitárias em
pequenas fábricas de processamento dos produtos agrícolas e aumento da produção agrícola. Na indústria: instalação de fábricas
transnacionais em solo chinês, surgimento de serviços e oportunidades de negócios.

2 As ZEE são áreas com economia de mercado, no litoral do território da China comunista. Foram criadas com o objetivo de atrair
empresas e capital estrangeiros a fim de obter tecnologia, experiência administrativa e, principalmente, acesso aos mercados da
Europa e dos Estados Unidos. Em troca, a China ofereceu mão de obra abundante, disciplinada e barata, proveniente da
descoletivização agrícola.

3 Acirramento das desigualdades regionais. As províncias localizadas no interior do país apresentam um ritmo de crescimento três
vezes menor que o das regiões próximas ao litoral. A modernização da produção agrícola e a reestruturação da atividade
industrial, visando à maior produtividade, estão gerando desemprego no campo e na cidade. Esse problema está provocando o
êxodo rural.

Questões de revisão p. 185

1 Duas regiões naturais na Índia que apresentam população esparsa são o Himalaia (por ser domínio das terras altas) e Thar (por
ser um grande deserto).
2 O sistema de castas adota a diferenciação hierárquica social, que define funções diferentes para cada segmento social
(sacerdotes, políticos e militares, comerciantes, agricultores e operários). Apesar de as castas terem sido oficialmente extintas
após a independência e por diversas leis mais recentes, a divisão de trabalho por castas ainda persiste na Índia, constituindo um
sistema segregacionista.

3 Com o enfraquecimento britânico, após a Segunda Guerra Mundial, o movimento de desobediência civil, liderado por Mahatma
Ghandi, cresceu. Esse movimento pregava a não violência, propunha o boicote aos produtos britânicos e a recusa do pagamento
de impostos; enfim, uma resistência pacífica à dominação inglesa.

Questões de revisão p. 189

1 Os combinats são parques industriais com diversos tipos de indústria complementares. A indústria pesada foi implantada
próximo às fontes de energia e às reservas de matéria-prima. Os combinats formam complexas cadeias produtivas: a do aço, a do
alumínio etc. Um exemplo de combinat é o de Donbass, na Ucrânia.

2 Econômicos: a União Soviética aumentava sua produção de armamentos e bens manufaturados da indústria pesada; as
exportações caíram; a produção de petróleo e a safra de grãos pararam de crescer. Sociais: o desemprego atingia 10 milhões de
pessoas; a oferta de bens de consumo básico (alimentos, calçados, roupas) não era suficiente para atender à população.

3 As quinze repúblicas que compunham a União Soviética tornaram-se independentes. O principal país formado foi a Federação
Russa. Foi criada a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), composta de doze das ex-repúblicas soviéticas, uma
confederação que preserva a soberania de cada estado e propõe a coordenação política e econômica, a centralização das forças
armadas, a adoção de políticas externas e de defesa comuns.

Infográfico — Onde está o dinheiro? p. 190

1 As empresas de energia e mineração, que, na realidade, petrolíferas; em seguida, as indústrias automotivas. O Walmart é o
único varejista no ranking.

2 Apesar da desaceleração da economia do Japão, suas empresas em 1995 ainda dominavam a lista com quatro das cinco maiores
empresas. Já em 2000, em razão da estagnação da economia japonesa, os Estados Unidos passaram a dominar a lista das maiores
empresas: das cinco primeiras, quatro eram estadunidenses. A consolidação do euro em 2005 elevou as empresas europeias no
ranking, contando com três empresas entre as seis maiores.

3 Em 2010, as estatais chinesas já figuravam com três empresas entre as dez maiores do mundo. Em 2014, a China ocupava a 3ª, a
4ª e a 7ª posições, participando com duas empresas entre as cinco maiores.

Atividades p. 192

1C
Página 282

2 Com as reformas econômicas, inicialmente a China era importante plataforma exportadora, principalmente no ramo de calçados
e vestuário. Em 2015, o país já estava entre as maiores economias industriais do mundo. Aumentando sua produção,
incorporando tecnologia estrangeira e agregando valor, a China expandiu a indústria de alta tecnologia e passou a comercializar
produtos industrializados próprios de alta qualidade, como máquinas elétricas e mecânicas.

3 Os equipamentos eletrônicos possuem várias peças perigosas e será preciso desenvolver políticas de monitoramento e controle
dos problemas decorrentes desse tipo de lixo.

4 Espera-se que os alunos explorem os elementos da figura para explicar que a formação do território russo teve sua origem na
expansão do Império Russo, a leste dos montes Urais, para a Ásia e para o sul, em direção ao Cáucaso, desde o século XVII. Com o
esfacelamento da União Soviética, o território russo sofreu um processo inverso, de retração.

5 Porque a China concentra atualmente a maior produção manufatureira do globo, em virtude de sua abundante mão de obra, da
disponibilidade de matérias-primas e de um imenso parque industrial com a presença de transnacionais.

6 a) No oeste da China concentram-se as regiões com os menores PIBs do país, como o Tibete e Xinjiang, por serem regiões de
deserto, pouco produtivas ou com criação extensiva de ovinos. No leste e no nordeste estão as regiões com maiores PIBs, por
serem as mais industrializadas e polos econômicos da China.

b) As ZEEs estão localizadas nas regiões que correspondem aos maiores PIBs da China.

Exames de seleção p. 193

1 A rica hidrografia da região, sendo nascente dos principais rios que abastecem a China (Huang-Ho, Mekong e Yang-Tsé). Ou: Por
ser uma região de fronteira com países litigiosos (Índia, Nepal), o Planalto Tibetano, onde se situa a maior cordilheira montanhosa
do mundo, a do Himalaia (e, nele, o Monte Everest), assume uma importante posição estratégica.

2 I, III e V.

3 Nas relações econômicas entre Estados Unidos e China que explicam a aproximação cada vez maior desses países, incluem-se:

• a compra pela China de títulos do tesouro estadunidense;

• os investimentos diretos chineses nos setores bancário e industrial dos Estados Unidos;

• a compra maciça de produtos chineses pelos Estados Unidos;

• os investimentos produtivos dos Estados Unidos na China;

• a transferência de tecnologia dos Estados Unidos para a China.

4A

CAPÍTULO 9 América Latina: perspectivas

Questões de revisão p. 202

1 As colônias espanholas e portuguesas na América eram colônias de exploração; a metrópole interessava-se principalmente por
suas riquezas ou pela produção de matérias-primas e produtos tropicais que atendessem aos interesses externos. O comércio
externo, monopolizado pelas metrópoles, visava ao lucro. Nas colônias de povoamento as pessoas tinham intenção de fixar
moradia.

2 A população ameríndia sofreu com as doenças trazidas pelos povos europeus e foi levada a incorporar, em certa medida,
aspectos culturais da sociedade europeia.

3 Os africanos foram escravizados para ser mão de obra em trabalhos domésticos, monoculturas e outras atividades.
Questões de revisão p. 209

1 A América Latina não é uma região fortemente industrializada. Grande parte dos países latino-americanos tem a economia
centrada nas exportações de produtos primários, sendo poucos os que apresentam um diversificado parque industrial, como
Brasil, Argentina e México.

2 Sim. A América Latina fez substanciais progressos na diminuição da pobreza e das desigualdades econômicas e social. Apesar
disso, nessa parte do continente, esses avanços não foram suficientes para erradicar a pobreza e a miséria, que continuam altas.

3 O padrão de inserção periférica da América Latina no contexto global ganhou novas roupagens, mas continua igual em sua
essência de fornecedor de matérias-primas e consumidor de produtos de alto valor agregado para as economias desenvolvidas.

Questões de revisão p. 213

1 Ele traz combustível fóssil (gás natural) diretamente da Bolívia para o Brasil, que necessita de fontes de energia para sustentar
seu parque industrial.

2 O Brasil compra quase toda a energia que cabe ao Paraguai, mas paraguaios reclamam que a tarifa paga a eles é muito menor
que os valores de mercado. O preço pago pelo Brasil pela energia foi triplicado em 2011, mas a controvérsia prossegue, já que o
Paraguai alega que essa energia deveria ser usada para o desenvolvimento do próprio país.

Atividades p. 214

1 A Inglaterra (principal envolvida na guerra com a França napoleônica) e os Estados Unidos apoiaram a independência política
das nações latinas. Para a Inglaterra, em plena Revolução Industrial, as nações recém-emancipadas representavam novos
mercados consumidores. Se, por um lado, todo o pacto colonial havia ruído, por outro, as novas nações permaneciam como
fornecedoras de matérias-primas e compradoras de artigos indus-
Página 283

trializados. As elites latino-americanas logo se aliaram às novas potências capitalistas, primeiro à Inglaterra e depois aos Estados
Unidos, estabelecendo, assim, novas formas de dependência.

2 Uma característica da urbanização latino-americana é a rede urbana concentrada, marcada pela presença de quatro das maiores
aglomerações urbanas do mundo, as chamadas megacidades. São elas: Cidade do México, no México; Buenos Aires, na Argentina;
São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil.

3C

4 É um processo que se estende desde a década de 1990, com a redução das taxas de juros internacionais, a renegociação de
dívidas externas e a manutenção dos saldos comerciais. Esse processo tem servido de base para a formação de reservas
internacionais que sustentam uma política de atração do capital estrangeiro, por meio de altas taxas de juros e da valorização das
moedas nacionais. Também tem gerado o sucateamento de segmentos industriais que se desenvolveram quando estava em vigor
o modelo de substituição de importações, como o de bens de capital. Ele culmina na necessidade de geração de significativos
superávits comerciais e na transferência de parte dos setores público e privado nacionais para o capital internacional.

5 a) No México, vizinho dos Estados Unidos, observa-se um rápido processo de valorização dos estados situados ao norte, com a
industrialização por maquiladoras e o crescimento de cidades médias.

b) A inserção do Chile no mercado internacional reforçou as especializações produtivas de todas as regiões do país. A tradicional
região mineradora do norte, por exemplo, recebeu investimentos estrangeiros e aumentou sua participação no comércio mundial
de cobre, enquanto o sistema produtivo da fruticultura tornou-se ainda mais sofisticado no sul.

c) Na Argentina, assim como no Brasil, as novas políticas territoriais, comandadas, sobretudo, pelas grandes corporações
internacionais, recriam as velhas redes de transportes, facilitando a integração com os mercados mundiais em detrimento das
iniciativas de integração nacional. Entretanto, esses países têm mostrado maior estabilidade econômica que os demais países
latino-americanos. Contam com bancos centrais autônomos, taxas de câmbio flexíveis, programas com metas para o índice de
inflação e processos fiscais sólidos.

6 a) Como a represa de Itaipu foi construída na divisa entre os dois países, a realização da obra exigia o consentimento das duas
partes.

b) Não; apenas os países signatários têm direito à aquisição.

c) Sim, desde que use essa energia no próprio território.

7 Ambos foram concebidos com o propósito de integrar a infraestrutura física e energética dos países signatários.

8 A integração sul-americana pode, por um lado, contribuir de muitas formas para o desenvolvimento econômico e social do
continente. Por outro, de acordo com seus críticos, o processo de integração em curso está sendo comandado por grandes
empresas ligadas ao capital internacional, que estão assumindo o controle sobre uma parcela cada vez mais significativa do
patrimônio ambiental sul-americano.

9 Através dessa rodovia, o Brasil atinge o oceano Pacífico, o que facilita muito o comércio com a Ásia e a Oceania.

Cartografia em foco p. 216

1 Espera-se que os alunos concluam que a estrutura elementar “frente pioneira” representa um processo de expansão e
ocupação do Brasil central em direção à Amazônia, o que pode atenuar as disparidades existentes entre o litoral e o interior.

2 As estruturas elementares que tornam possíveis os eixos de integração da América do Sul são os portos e as metrópoles, que
formam pontos de conexão entre os eixos de integração.

Exames de seleção p. 217

1A
2 Entre as regras associadas ao modelo das maquiladoras, temos: isenção de taxas alfandegárias de importação sobre
componentes industriais; isenção de impostos sobre a exportação dos produtos finais; isenção de impostos sobre a produção
industrial; flexibilização de leis trabalhistas.

3C

4A

5B

6E

CAPÍTULO 10 Ascensão da África

Diálogo interdisciplinar — O referencial absoluto p. 224

1 Na Guerra dos Marrons, na Jamaica, em 1725, grupos de pessoas escravizadas fugiram pelas montanhas para fundar ali sua
própria comunidade. No Brasil, destacou-se Palmares, que se manteve, durante quase todo o século XVII (de 1605 a 1695), uma
comunidade africana autônoma com cerca de vinte mil membros, em sua maioria bantos oriundos de Angola e do Congo. Eles
procuravam organizar a comunidade segundo os padrões de sua sociedade de origem.

2 A herança africana marcou, mais ou menos segundo as regiões, as maneiras de sentir, pensar, sonhar e agir de certas nações do
hemisfério ocidental. Do sul dos Estados Unidos ao norte do Brasil, passando pelo Caribe e pela costa do Pacífico, as contribuições
culturais herdadas da África são visíveis por toda parte. Por outro lado, a língua e os costumes dos africanos mudaram, seus
valores e objetivos se transformaram. Sua ideia do mundo, deles próprios e dos outros, foi modelada por vários séculos de
impregnação da cultura euro-americana, e a lembrança de sua herança africana, ainda que firmemente ancorada neles, acabou se
ofuscando, velada por anos de ausência e afastamento.

Questões de revisão p. 228

1 África do Norte: localizada no deserto do Saara, com predomínio de população árabe e islâmica. África Subsaariana: região em
que há predomínio de população
Página 284

de língua banta. Situa-se ao sul do Saara, onde ocorrem áreas semiáridas de transição entre o deserto e as savanas tropicais e
floresta equatorial.

2 As fronteiras coloniais definidas no Congresso de Berlim foram traçadas de acordo com o poderio de cada potência colonial, e
não de acordo com as realidades culturais africanas. Por isso, muitas vezes essas fronteiras separaram a região habitada pelo
mesmo povo em dois ou três territórios controlados por potências diferentes ou unificaram inimigos históricos na mesma colônia,
gerando posteriormente instabilidades políticas.

3 Tanto o movimento pan-africano (que reivindicava liberdades civis e igualdade de condições entre negros e brancos) como o
pan-arabismo (que aglutinou forças de oposição aos governos locais) contribuíram para que, em grande parte dos casos, a
independência dos Estados africanos fosse negociada. Mas também ocorreram violentos conflitos armados, como na Argélia, em
Angola e em Moçambique.

Questões de revisão p. 235

1 A região Norte do Sudão é majoritariamente árabe e muçulmana, e a população da região Sul é voltada a práticas religiosas
animistas ou se converteu ao cristianismo durante o período colonial. Essas diferenças históricas geraram diversas tensões e
conflitos entre o Norte e o Sul, que contribuíram para a eclosão de duas guerras civis. Áreas reivindicadas por ambas as partes são
ricas em petróleo, o que gera instabilidades.

2 As riquezas minerais da África representam 8% do total da produção mundial: platina (90% da produção mundial), cobalto (60%)
e ouro (40%). Esse imenso potencial pode se transformar em forte atrativo para o desenvolvimento econômico do continente. A
África abriga 9,5% das reservas mundiais de petróleo e gás natural, além de 6% das de carvão mineral, 20% das de urânio e 33% do
potencial hidrelétrico.

Transversalidade Gênero e cidadania

Mulheres africanas surpreendem mercado mundial p. 235

Com base no texto, o empreendedorismo feminino na África é o maior do mundo. Dois terços da população feminina participa da
força de trabalho no continente, e muitos novos negócios têm as mulheres como líderes.

Questões de revisão p. 239

1 Desigualdade social: quase 68% de sua população vive com menos de 1,25 dólar por dia; a taxa de analfabetismo em adultos é
de quase 50%, e a taxa de desemprego, de 23,9%. Corrupção e violência: a existência de grupos extremistas como o grupo Boko
Haram desestabiliza o país.

2 Comércio: importação de matéria-prima, minerais e fontes energéticas. A China financia obras de infraestrutura (que facilitam a
exportação de bens), serviços básicos e projetos nas áreas de saúde e educação.

3 Na África Subsaariana, o Brasil atua em cinco áreas principais: agricultura tropical, medicina tropical, ensino técnico, energia e
proteção social.

Atividades p. 240

1 As pirâmides indicam estreitamento da base (queda das taxas de fecundidade) e alargamento do topo (aumento da esperança
de vida). Entre 2010 e 2050, a média de idade passará de 26,2 anos para 42,0 na Argélia e de 18,7 anos para 32,5 na Etiópia. A
população com mais de 60 anos passará de 2,4 milhões de pessoas para 12,2 milhões na Argélia e de 4,3 milhões para 17,7
milhões na Etiópia.

2 A faixa de clima equatorial é dominada pelas florestas equatoriais; à medida que o clima se torna mais seco, observa-se uma
sucessão de savanas, estepes e desertos. Tanto no extremo Norte como no extremo Sul, há a ocorrência de vegetação
mediterrânea arbustiva e arbórea.

3 Trata-se da região do Sahel, habitado por povos nômades que se dedicam à criação de gado. Essa região semiárida se encontra
em processo de desertificação por causa da intensa utilização pela agricultura e pela pecuária extensivas e da retirada das
formações arbustivas, provocando graves problemas socioambientais e intensa migração. Lá se encontram alguns dos países mais
pobres do planeta. Crises de fome e guerras civis ocorrem constantemente na região.

4 O Norte da África esteve sob domínio árabe entre os séculos VII e VIII, passando a integrar o mundo islâmico. Apesar das
dificuldades de contato com os povos subsaarianos em razão da travessia do deserto, o intercâmbio entre os africanos árabes e
não árabes sempre foi intenso, principalmente pelo corredor do rio Nilo e pelas caravanas de camelos que cortavam o Saara. Foi
desse contato que o islamismo se desenvolveu na borda meridional do Saara.

5 a) A África vem recebendo grandes investimentos estrangeiros principalmente pelo seu rico subsolo, o que vem dinamizando
sua economia.

b) Porque os investimentos tendem a aumentar, bem como os negócios com outros países.

6 A União Europeia ainda era a principal parceira da África em 2012. O comércio com a China e o intra-africano vêm crescendo,
enquanto o com os Estados Unidos está diminuindo.

7 Seja por meio do comércio marítimo ou de cabos submarinos, a economia africana encontra-se conectada com os principais
centros da economia globalizada na União Europeia, na América do Norte e na Ásia. Os portos de Tanger Med (Marrocos), Port
Said (Egito) e Djibuti (Etiópia) participam mais intensamente desse intercâmbio. Destaca-se também a conexão submarina dos
países do Golfo da Guiné com a rede de informações do Mediterrâneo e do norte da Europa e a ligação da África do Sul e da costa
leste africana com os países da bacia petrolífera do golfo Pérsico.

Exames de seleção p. 242

1D

2D

3C

4C

5 A instabilidade das fronteiras dos países africanos está relacionada com os processos de colonização e independência política.
No período da colonização, vários grupos étnicos ficaram sob o domínio de uma metrópole europeia (ou país europeu),
contrariando a organi-
Página 285

zação social até então existente. Com a independência após a Segunda Guerra Mundial, os países mantiveram as fronteiras
herdadas do colonialismo, que, ao serem traçadas, não respeitaram as diferenças e as particularidades dos povos africanos e,
assim, uniram, pela força, povos diferentes, por vezes até rivais, separando outros que viviam juntos. Dessa forma, com a
independência política, foram acirradas as rivalidades étnicas e culturais que estão na base dos conflitos existentes, envolvendo
disputas pelo poder e por territórios no interior desses países.

6 a) Argélia; Líbia; Egito; Jordânia; Iêmen; Arábia Saudita; Líbano; Síria; Omã; Mauritânia; Marrocos; Djibuti; Barein; Iraque; Kuait,
entre outros.

b) As redes sociais têm sido utilizadas na mobilização da população e na organização de protestos. A rede de TV Al Jazeera tem
sido usada na cobertura e na divulgação dos movimentos.

7 a) Boa parte dos investimentos vem de países emergentes, em especial dos integrantes do Brics. O principal país que promove
esse novo deslocamento de investimentos é a China, que vê no continente africano um grande potencial de ampliação e de
aplicação de capital.

b) São direcionados aos setores de infraestrutura, principalmente, e à produção de itens carentes para o crescimento da
economia chinesa, como extração mineral, combustíveis fósseis e itens agrícolas.

Pesquisa e ação — Organização de um atlas p. 243

Esta proposta de trabalho envolve a pesquisa de documentos cartográficos que representem aspectos da Geografia do continente
africano para a organização coletiva de um material de referência para os colegas. Além dos atlas e dos materiais didáticos
existentes na escola, os alunos poderão realizar a pesquisa também em sites que disponibilizam mapas, como o do IBGE
(<http://atlasescolar.ibge.gov.br>) e o da instituição francesa Science Po (<http://cartographie.sciences-po.fr/fr/cartotheque>),
que contém diversos mapas em português. Os mapas que integram a coleção História Geral da África, publicada em português
pela Unesco (<www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-
office/singleview/news/general_history_of_africa_collection_in_portuguese-1/#.Va-baKRViko>), também são uma excelente
fonte para o trabalho dos grupos, especialmente daqueles responsáveis pelos temas cultura e formação territorial. O projeto
Cartografare il Presente, do Comitê Internacional de Bolonha para a Cartografia e Análise do Mundo
(<http://cartografareilpresente.org/chi_siamo>), disponibiliza vasta documentação cartográfica sobre as transformações do
mundo contemporâneo, incluindo valiosos mapas sobre as dinâmicas geográficas recentes na África, em inglês, italiano e francês.
O professor de inglês pode ajudar os alunos a explorar esse material.

Sugerimos que, além dos mapas, os textos e recursos visuais utilizados sejam analisados pelo professor antes da montagem do
atlas, para garantir a qualidade do trabalho. Por fim, o produto final encadernado, disposto em uma pasta-catálogo ou mesmo
grampeado, poderá ser disponibilizado na biblioteca da escola para a consulta dos colegas de outras turmas.
Página 286

Referências bibliográficas

BERTRAND, Claude; BERTRAND, Georges. Uma geografia transversal e de travessias: o meio através dos
territórios e das temporalidades. Maringá: Massoni, 2007.

BRASIL. MEC/INEP. Matriz de referência Enem. Brasília: MEC/Inep, 2015.

______. Matrizes curriculares de referência para o Saeb. Brasília: MEC/Inep, 1997.

______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares


nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental — introdução aos parâmetros curriculares
nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BUQUE, Suzete Lourenço. A contribuição da teoria histórico cultural para o ensino da disciplina de
Geografia. Revista de Geografia, Universidade Federal de Pernambuco. v. 31, n. 1, p. 197-205, 2014.
Disponível em: <www.revista.ufpe.br/revista-geografia/index.php/revista/article/view/583/546>.
Acesso em: maio 2016.

CAPRA, Fritjof. Ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 2012.

______. Teia da vida. São Paulo: Cultrix, 2012.

CARLOS, Ana Fani A. O espaço urbano: novos escritos sobre a cidade. São Paulo: FFLCH, 2007.

______ (Org.). A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1996.

CASTELLAR, S. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Contexto, 2005.

CAVALCANTI, L. de S. Geografia, escola e construção do conhecimento. Campinas: Papirus, 1998.

______. O ensino de Geografia na escola. Campinas: Papirus, 2012.

COLL, Cesar. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes.


Porto Alegre: Artmed, 1998.

CORRÊA, Roberto Lobato. Cultura, política, economia e espaço. Em: Espaço e Cultura, Rio de Janeiro,
Uerj, n. 35, p. 27-39, jan.-jun. 2014. Disponível em: <www.e-
publicacoes.uerj.br/index.php/espacoecultura/article/view/18903/13701>. Acesso em: maio 2016.

HARVEY, David. Condição pós-moderna. 5. ed. São Paulo: Loyola, 1992.

______. Espaços de esperança. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004.

HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre:


Artmed, 1998.

GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. São Paulo: Peirópolis, 2000.


LIMA, Romise Inez; TONINI, Ivaine Maria. Olhares sobre a África na sala de aula. Pesquisar — Revista de
Estudos e Pesquisas em Ensino de Geografia, v. 1, n. 1, p. 300-320, out. 2014. Disponível em:
<http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/pesquisar/article/view/3204/4221>. Acesso em: maio
2016.

MACKINDER, Halford John. O ensino de Geografia sob a ótica imperial e os usos que podem e devem ser
feitos da instrução visual. Geographia, v. 16, n. 31. 2014.

MADEIRA, P. M.; VALE, M. Desigualdade e espaço no capitalismo contemporâneo: uma questão de


(in)justiça territorial?. São Paulo, Geousp — Espaço e Tempo (on-line), v. 19, n. 2, p. 196-211, ago. 2015.
Disponível em: <www.revistas.usp.br/geousp/article/view/102771>. Acesso em: maio 2016.

MAIA, Alexandre Gori; BUAINAIN, Antônio Márcio. Pobreza objetiva e subjetiva no Brasil. Confins —
Revista Franco-Brasileira de Geografia, n. 13, 2011. Disponível em:
<https://confins.revues.org/7301?lang=pt>. Acesso em: maio 2016.

MONDARDO, M. O território como ferramenta analítica no ensino de Geografia: dos dispositivos de


controle à produção de multi/transterritorialidades. Revista Brasileira de Educação em Geografia.
Campinas, v. 5, n. 9, p. 122-139, jan.-jun. 2015. Disponível em:
<www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/view/218/153>. Acesso em: maio
2016.
Página 287

MORIN, Edgar. O problema epistemológico da complexidade. São Paulo: Europa-América, 1996.

______. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.

NOVAES, André R.; LAMEGO, Mariana. Visões sobre a Geografia e o pós-colonianismo: conversas com
Felix Driver, David Harvey e Paul Claval. Espaço e Cultura, n. 34, p. 231-258, jul.-dez. 2013. Disponível
em: <www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/espacoecultura/article/view/12879/9947>. Acesso em:
maio 2016.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. O campo no século XXI: território de vida, de luta e de construção da
justiça social. São Paulo: Casa Amarela, 2004.

______ (Org.). Para onde vai o ensino da Geografia?. São Paulo: Contexto, 1998.

PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1998.

QUEIROZ, Thiago Augusto Nogueira. O tema África e a Geografia escolar: uma experiência no Ensino
Fundamental II. Revista Brasileira de Educação em Geografia. Campinas, v. 5, n. 9, p. 164-185, jan.-jun.
2015. Disponível em: <www.revistaedu-geo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/view/172>.
Acesso em: maio 2016.

RIBEIRO, Guilherme. Geografia, fronteira do mundo: ensaio sobre política, epistemologia e história da
Geografia. Geographia, v. 17, n. 34, p. 39-73, 2015. Disponível em:
<www.uff.br/geographia/ojs/index.php/geographia/article/viewFile/614/584>. Acesso em: maio 2016.

ROSSI, Rodrigo. A geografia política da “encruzilhada”: uma entrevista com Raquel (Lucas) Platero.
Revista Latino-Americana de Geografia e Gênero. Ponta Grossa, v. 6, n. 1, p. 241-247, jan.-jul. 2015.
Disponível em: <www.revistas2.uepg.br/index.php/rlagg/article/view/6968/pdf_167>. Acesso em: maio
2016.

SANTOS, E. O. Segregação ou fragmentação socioespacial?. Novos padrões de estruturação das


metrópoles latino-americanas. GeoTextos, v. 9, n. 1, p. 41-70, jul. 2013. Disponível em:
<www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/view/6767>. Acesso em: maio 2016.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.

______. Espaço e método. São Paulo: Nobel, 1985.

______. Técnica, espaço e tempo: globalização e meio técnico-científico informacional. São Paulo:
Edusp, 1994.

SCHAFFER, N. O. et al. Um globo em suas mãos: práticas para a sala de aula. Porto Alegre: UFRGS, 2011.

SILVEIRA, María Laura. O lugar defronte os oligopólios. Em: DANTAS, Aldo; MATHEUS A. A. Tavares
(Orgs.). Lugar-mundo: perversidades e solidariedades. Natal: UFRN, 2009.

UNESCO. Declaração mundial sobre educação para todos: satisfação das necessidades básicas de
aprendizagem. Jomtien: Unesco, 1990.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.
______ (Org.). Como trabalhar os conteúdos procedimentais em aula. Porto Alegre: Artmed, 1999.
Página 288