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Kerk in Actie – A Igreja em

Acção

Conservative Bible Project


Click here for the latest
Conservative Bible
compilations

Word Analysis of Bible

Completed:

Old Testament:
Genesis • Obadiah • Haggai
New Testament:
Matthew • Mark • Luke • 1 Timothy • Philemon • Jude • 2 John
3 John • Revelation
4

Incomplete:
Old Testament:
Exodus • Leviticus • Numbers • Deuteronomy • Joshua
Judges • Ruth • 1 Samuel • 2 Samuel • 1 Kings • 2 Kings

1 Chronicles • 2 Chronicles • Ezra • Nehemiah • Esther • Job • Psalms

Proverbs • Ecclesiastes • Song of Solomon • Isaiah • Jeremiah

Lamentations • Ezekiel • Daniel • Hosea • Joel • Amos

Jonah • Micah • Nahum • Habakkuk • Zephaniah

Zechariah • Malachi

PAUSA PARA ORAR


New Testament:
John • Acts • Romans • 1 Corinthians • 2 Corinthians
Galatians • Ephesians • Philippians • Colossians • 1 Thessalonians

2 Thessalonians • 2 Timothy • Titus • Hebrews

James • 1 Peter • 2 Peter • 1 John

- » LIVE YOUNG TV: http://trutv.ip-


fernsehen.net/
http://www.cuatro.com/noticias/
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http://regeneracaomonergistica.blogspot.com/search/label/O%20Romance%20do%20Irm
%C3%A3o%20Armando%20-%20%22O%20Homem%20que%20Casou%20com%20uma
%20Alma%20do%20Outro%20Mundo%22
Atenção este romance vai passar permanentemente para: http://www.scribd.com/magcal, mas
vai poder aceder a ele com toda a facilidade aqui:
http://regeneracaomonergistica.blogspot.com/2010/10/o-irmao-armando-iemp-ibp-escreveu-
um.html

COM VÓS A HEMEROTECA TRAILER:


“Quando chegou junto de mim, abriu a boca tal como os cães quando lutam, para me apanhar
com os seus terríveis dentes. Rapidamente, saquei da minha mukonda e enfiei-a pela boca
dentro saindo pela nuca. [...]

REALIDADE HODIERNA
OS ÍDOLOS

Os ídolos, em todo o mundo são iguais. São figuras representativas de


seres humanos. Têm boca mas não falam; têm olhos mas não vêm; ouvidos e não
ouvem. A diferença é que uns são feitos de ouro, outros de prata, bronze, ferro,
etc.... Mas em África... A REALIDADE É OUTRA!!!
Os ídolos dos bailundos são feitos de madeira e não têm um ídolo superior, como a
Diana dos Efésios conforme é citado nas Escrituras. Entre os bailundos os ídolos
são propriedade privada a que eles dão o nome de iteka e fazem parte das feitiçarias.
Todo aquele que possuir os iteka é considerado feiticeiro.
Os ídolos dos outros povos, como os europeus, são muitas vezes considerados como
deuses, e são venerados, adorados, ao contrário dos ídolos dos bailundos. Entre
estes há uma série de ídolos que são mantidos em grande segredo, e entre eles
destacam-se os seguintes: Kalupokopoko, Samemba, Kandundo, Mechamecha, etc.
Kalupokopoko é o ídolo da vingança e mata sem piedade. Poucos feiticeiros o têm.
Quando eu era criança, com seis ou sete anos de idade, a mulher de um servente do
meu pai, chamado Serrote, tinha sido violada por alguém. Num domingo, depois desse
Serrote ter varrido a loja, foi ter com um feiticeiro que vivia do outro lado do rio, e
pediu-me que o acompanhasse. Quando chegamos à cubata do feiticeiro, Serrote disse-
lhe algumas palavras que eu não entendia por ser criança. Depois o feiticeiro entrou
na sua casa e trouxe de lá um boneco com forma humana, dizendo que se de facto o
homem acusado violou a sua mulher, cometera um ignóbil acto, o ídolo não pouparia a
sua vida e o mataria sem piedade. Depois de ter pronunciado aquelas palavras, o
boneco, ou seja Kalupokopoko, saiu dali como se fosse um raio, diringindo-se para o
acusado. Mas antes que ele partisse, o feiticeiro prendeu uma galinha num dos
cantos da casa para que, no caso do acusado ser inocente, aquele boneco em vez de
ir contra o feiticeiro fosse contra a galinha. Depois de algum tempo passado, como o
Kalupokopoko não voltava, era o sinal evidente de que o acusado era culpado.
Mais tarde o feiticeiro instruiu o Serrote no sentido de ir ao velório do criminoso,
queixando-se de que via homens do tamanho de formigas, que o afligiam com agulhas,
alfinetes e faquinhas. O mais curioso é que só o doente os via. Tais seres têm o nome de
Inganji.
Samemba, é o ídolo aceitável entre os bailundos; é o deus da caça e da carne. Este
ídolo estava sempre presente nas embalas. Quando alguém vai ao soba queixar-se
contra outrem, tanto o queixoso quanto o acusado são obrigados a entregar um
porco ao soba. Os dois animais são mortos, a sua carne dividida pelas pessoas, e o seu
sangue é utilizado para untar a boca dessa escultura.
A ideia prevalecente é a de que quando Samemba tiver sangue na boca, fará com que
haja mais queixas, e por consequência mais carne na Embala.
Na minha meninice, com doze anos de idade, fui uma vez à floresta com o filho do
nosso cozinheiro, e montamos mais de quarenta armadilhas para apanhar ratos. No
dia seguinte, quando lá voltamos, surpresos vimos que nenhum rato tinha caído nas
armadilhas, e isto prolongou-se durante vários dias. Foi então que o meu pai do meu
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amigo nos aconselhou a fazer uma Samemba. Arranjamos um pedaço de madeira e


esculpimos um boneco na forma da samemba. Espetamos um pauzinho no ânus do
boneco, e espetamos a outra extremidade na terra; depois fizemos com que o boneco
ficasse virado de frente para a floresta onde tinhamos montado as armadilhas. No
dia seguinte voltamos ao mesmo local mas encontramos apenas um rato. Depois de o
termos esfolado, pusemos um pouco do seu sangue na boca do boneco Samemba. Na
manhã seguinte encontramos mais de vinte ratos nas armadilhas, e assim continuou
nos dias seguintes. Todos os dias apanhavamos dezenas de ratos, ao ponto de não os
conseguirmos comer todos, pelo que depois os trocamos por milho. Três ratos
correspondiam a um prato cheio de milho, graças ao boneco Samemba.
Em relação aos outros ídolos desconheço as suas histórias, estórias e legendas.

OS REMOINHOS DE VENTO
Na visão dos bailundos, quando as pessoas de bom coração morrem, vão para Suku que é D-us.
Uma das primeiras coisas que dele recebem, são os meios de transporte chamados Ochipepe,
que são os remoinhos de vento. Os remoinhos, de acordo com qualquer dicionário, são a
massa de água ou de ar em movimento espiral. Mas na mitologia dos bailundos é uma alma
penada que viaja nesse meio de transporte que foi concedido por D-us. Só resta saber se é o
mesmo remoinho que levanta do chão as folhas secas, os papéis, que abana as árvores, que
tira o capim das cubatas, etc.
Diz-se entre os bailundos, que os que vão para kalunga voltam à terra através dos remoinhos
a fim de visitarem os seus familiares, ou para fazerem vingança no caso de serem almas de
pessoas mortas por feiticeiros.
Também é usual ouvir-se dizer que fulano hoje foi chicoteado por um ochipepe. Contudo, este
é susceptível de mudar de comportamento, e irrita-se se alguém cantar a seguinte canção:
Yuvila, yuvila w atava?
Hti, vimo um mbala?
Okambia, kihemba
Kua k asile konele yiko?
Kuafile?
(Toma, toma remédio, aceitaste?
Quando disseste que te doia a barriga?
Não deixaste a panelinha de remédio ao lado do fogo?
Acabando por morrer?)
Uma das possíveis explicações para a irritação do ochipepe, tem a ver com o facto de em vida e
no auge da sua doença, a alma penada ter sido alvo de zombaria, e ter estado numa esteira ao
lado da fogueira1.

Lembro-me de um dia, em pequeno, termos ido pescar com o filho do nosso cozinheiro.
Estavamos na estação seca e as matas estavam todas queimadas, as campinas apresentavam
uma cor escura devido às queimadas, e as árvores tinham as folhas secas por causa do fogo.
Era o tempo dos remoinhos andarem de um lado para, pois esse fenómeno é muito raro e
inexistente no tempo das chuvas.
Enquanto pescavamos vimos um remoinho passar distante de nós. Entretanto o meu amigo
começou a cantar a canção antes referida, zombando da alma que ia naquele ochipepe. De
súbito fomos envolvidos pelo mesmo ochipepe, que pegou o meu amigo e o atirou para o lugar
mais fundo do riacho, que para a sua infelicidade, a faca que trazia na mão se lhe espetou na
boca. Como se não bastasse, o mesmo remoinho continuou irritado e começou a abanar
fortemente as árvores que estavam no seu caminho, levando muitas folhas secas para o ar e
produzindo muita poeira.
Num quimbo havia um professor ambulante chamado Afonso, que numa ocasião fora pelo
catequista desse quimbo para que devolvesse o dinheiro das propinas que havia cobrado aos
alunos. Ao chegar à casa do catequista e na sua presença, pôs-se a contar o dinheiro
colocando-o no chão. Às duas por três começaram a discutir, meios zangados, pois o docente
dizia que o dinheiro era insuficiente e que não chegava para nada, e foi nesse momento que
surgiu um remoinho de vento que arrebatou o dinheiro para o ar e o fez desaparecer para
sempre.
Havia um homem que tinha por hábito violar a mulher de um outro. Por várias vezes tinha sido
apanhado e julgado na embala, onde pagava elevadas multas. Tempos depois o marido daquela
mulher faleceu. Quando o violador soube do acontecido, resolveu ir aos pais da viúva que
consentissem o seu relacionamento com ela. Desta forma convidou os seus familiares a o
acompanharem à casa dos pais da viúva. Pelo caminho passaram perto do cemitério onde
estava sepultado o falecido marido dessa mulher. O homem desviou-se, aproximou-se do túmulo
do seu rival e disse:
– Tu que estás dentro desta sepultura, fica a saber que a mulher pela qual me
obrigavas a pagar multas na presença do soba, vai agora ser minha. Estou a caminho
da casa dos seus pais para a pedir em casamento. Se és homem, levanta-te daí e repete
o que fazias contra mim.
Quando se retirou do cemitério, apenas percorreu uma pequena distância, e viu que
alguém ateava fogo na floresta onde ele e os familiares passavam. Subitamente, o
fogo foi tomado por um grande remoinho de nome Kanyongo. O homem viu fagulhas de
fogo passarem-lhe por cima, e cercado pelas chamas viu-se impotente e sem uma

1 Geralmente, cada doente dormia numa esteira ao lado do lume, onde numa panelinha de barro
ferviam remédios de raízes de plantas medicinais.
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brecha por onde escapar. Como se estava na estação seca, o capim ardeu
rapidamente, e em pouco tempo o Kanyongo atingiu o homenzinho que morreu com a
boca aberta.
Em 1947, quando terminei o curso no instituto da Igreja Evangélica Congregacional,
fui à Missão Evangélica do Bailundo, onde soube de um pastor de nome António Chico,
colocado no Centro Evangélico de Zoar-Panda, o qual era perseguido pelos seus
próprios discípulos. Porém, também se soube que quem liderava esta perseguição
eram os diáconos, Israel e Tito, com mais o organista do centro, de nome Paulino
Chinjambela. Durante as conferências anuais da igreja, estes três homens
apresentavam depoimentos hostis contra o clérigo que, ao fim e ao cabo, não
passavam de calúnias. Apesar disso, o ministro saia-se sempre impune, pois sempre
tinha razão.
Como a Igreja não tinha motivos para condenar o oficial eclesiástico perante as
falsa acusações, como por exemplo a do seu gado ter estragado as sementeiras, os
denunciantes por recorrer à feitiçaria. A primeira vez mandaram-lhe uma praga de
animais ferozes que dizimaram mais de metade da criação, e depois mandaram um
cazumbi dentro de um remoinho de vento. Na altura a esposa do pastor estava doente
encontrando-se na cama no seu quarto, e foi nesse preciso momento que o grande
remoinho, Kanyongo, invandiu o quarto pondo a senhora descoberto, levando os
cobertores até ao teto, prendendo-os numa asna. Depois ouviu-se um grande
estrondo como quase o dum canhão.
Este acontecimento assustou o reverendo que resolveu mudar o Centro para outro
local. Foi então para um outro quimbo chamado Cheta. Falou com os habitantes que
apoiavam a sua iniciativa, e assim arranjou uma cubata com quartos grandes, um dos
quais servia para ser a casa dos cultos.
O pastor transportou tudo o que tinha para o novo centro, à excepção dos porcos.
Quando concluiu que o novo lugar reunia as condições mínimas, mandou lavar os
cobertores, e durante a tarde desse dia, conseguindo uma carroça decidiu ir em
busca dos porcos. Depois dos cobertores serem lavados, foram estendidos perto de
uma árvore frondosa conhecida por Omanda. Quando faltava pouco tempo para a
partida de volta ao centro, o remoinho que havia atirado os cobertores da cama da
sua esposa voltou novamente; tomou os cobertores e enrolou-os nos ramos mais
altos da árvore, e tal como tinha acontecido da primeira vez, ouviu-se de novo um
grande estrondo. Depois de retirarem os cobertores da Omanda com a ajuda duma
escada, iniciaram a viagem de regresso na carroça. Chegaram a Zoar-Panda quase ao
anoitecer. Dormiram um pouco, e no dia seguinte, muito cedo, retomaram a viagem que
os levaria ao novo centro. Depois de calcorrearem uma certa distância, os porcos
foram morrendo, sucumbindo o último animal ainda nem tinham percorrido o último
quilómetro.
Como não era muito aconselhável viajar com porcos para o Centro, o ministro
amaldiçoado decidiu passar ali o dia todo de forma a extrair a gordura dos animais e
vender a sua carne, evitando assim ter muito prejuízo.
Por volta das dezassete horas, o organista paulino Chinjambela, que pareceu
arrependido aos olhos do pastor, que tinha seguido o pastor no seu novo múnus
pastoral, tocou o sino para o culto vespertino, mas o pastor não pôde assistir e
oficiar ao serviço devido a estar ocupado na venda da carne dos porcos. Quando o
culto divino terminou já era noite. O organista, então, viu que à volta do edifício do
templo congregacional existia muito capim alto e seco, de modos que resolveu queimá-
lo. Toda a congregação e os demais convidados ajudou nessa limpeza. Ora no meio do
capim havia muitos gafanhotos, e os rapazitos começaram a apanhá-los para os
comerem. O filho mais novo do reverendo também fazia parte do grupo, apanhando os
insectos. De repente surge novamente o remoinho de vento, pela terceira vez, e que
acaba por envolver o benjamim do pastor. O fogo da queimada era tanto que fez
pasmar os presentes, os quais se puseram aos gritos: “Peya Kanyongo, peya
Kanyongo! (Foi para lá um Kanyongo, foi para lá um kanyongo!) 2
O moço tentou fugir do fogo que o cercara, mas a tentativa foi vã, e depois de o fogo o
ter calcinado, ouviu-se, tal como das vezes anteriores, um grande estrondo como o
de um canhão. A criança estava tão desfigurada que quando as pessoas se
aproximaram dela estava irreconhecível.
Entretanto o nosso ministro congregacional, após ter realizado o seu labor
urgente, esperava pelo seu rebento, já na casa pastoral. A dado momento soube que
tinha morrido um menino, e imediatamente dirigiu-se ao local, e ao reparar na cicatriz
que a criança tinha no braço quase intacto, logo reconheceu que era o seu filho.
Levou-o então para o sepultar. Apesar da angústia em que o clérigo vivia, os seus
adversários, sabendo do sucedido, não se deram ainda por vencidos, e foram à Missão
acusando-o de ter consultado um feiticeiro a quem levara uma porção de terra do
local onde o filho morrera, a fim de saber quem era o responsável pela sua morte
Estas acusações foram aceites na missão, e como consequência o anjo da
congregação foi impedido de exercer as suas funções ministeriais ad aeternum.

2 http://www.elielbatista.com/2010/10/confissoes.html
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A ADORAÇÃO A D-US E O KALITANGUI, O SUPOSTO


J-SUS
O sistema religioso dos bailundos, antes do contacto com a religião cristã, cingia-se a
súplicas que faziam a D-us por intermédio dos seus parentes já falecidos. Cada família tinha
um pequeno templo, numa cubata circular com mais ou menos metro e meio de diâmetro. Nessa
cubata, que em umbundu se designa por Etambo, o chefe da família apresentava-se,
reverentemente, todas as manhãs com o propósito de falar com os seus bisavós, avós, pais e
tios já falecidos. A intenção era sempre a mesma. Pedir-lhes que intercedessem por eles
perante D-us, pois os bailundos acreditavam que todos os que em vida tivessem praticados
boas acções, quando morressem iriam habitar junto de D-us no KALUNGA. Aqueles que em vida
se tivessem portado mal, não eram venerados no Etambo, uma vez que os bailundos criam que,
pelos seus actos, haviam sido lançados no ONJEMBO, o inferno. Os Etambos eram tratados e
limpos constantemente; engalanavam-nos com pratos de porcelana, cobertores novos, e
vasos que compravam em benguela aos brancos em troca de borracha.
O chefe de família ia ao Etambo todas as manhãs, e as suas primeiras palavras eram as
seguintes: “Nunca fiz mal a ninguém; considero o filho do meu vizinho como meu; trato com
amor e carinho os animais do meu vizinho...”, e assim por diante. Referia-se a todos os actos
que mostravam a sua solidariedade com os outros bem como a sua rectidão. Depois disto, pedia
aos parentes já falecidos para lhes concederem saúde e outras coisas mais que
necessitassem. Mesmo para aquelas situações em que um dos familiares pretendia viajar, o
chefe da família ia ao etembo pedir que a viagem corresse bem; se houvesse um doente também
suplicavam pelo seu restabelecimento.
KALITANGUI
Segundo uma profecia, haveria de nascer uma uma pessoa que se desembaraçaria de D-us,
chamado Kalitangui (significa envolver-se, desdobrar-se). De modo que todas as raparigas
bailundas desejariam ter esse filho. Até que um dia uma rapariga ficou grávida sem que se
soubesse quem era o progenitor3, e esta gravidez durou cinco anos. Ao dar à luz, primeiro
veio ao mundo o Akuenje velombe (exército); depois o Eyemba (palácio real), e depois
nasceram bois, cabras e galinhas, para no fim ver ao mundo o Kalitangui, que fazia milagres
tais como os que fizera Jesus.
De acordo com a tradição dos bailundos, existira em tempos remotos um personagem de nome
Kalitangui que fazia grandes milagres, cujo nome completo Kalitangui wa li tangle la Suku.
Curava doentes, expulsava demónios, exortava os indivíduos de raça negra no sentido de
obterem o perdão de D-us, por lhe terem desobedecido aquando da saída das caldeiras. Para
mim tratava-se de uma lenda, mas para os bailundos foi um acontecimento real.
Eis, pois, um exemplo de um dos seus milagres:
Num certo quimbo havia uma família que vivia em grandes dificuldades; o que colhiam nas suas
lavras (terras de cultivo) mal chegava para o seu sustento. Por isso, trabalhavam nas lavras
dos outros a fim de obterem algum milho.
Aconteceu que um dia, apareceu naquele quimbo um indivíduo enfezado, cheio de bitacaias
(pulgas que penetram nos dedos e das mãos, onde se transformam em bolinhas do tamanho de
ervilhas, produzindo ovos que se lançam fora um a um) e piolhos, sujo, mal arranjado e
desprezado por toda a gente. Chegou ao quimbo completamente molhado pela chuva que
havia caído torrencialmente naquele dia, e tiritando de frio. Bateu a várias portas pedindo
agasalho e abrigo, mas ninguém o assistiu nem agasalhou devido às bitacaias que tinha.
Ao anoitecer chegou na casa a que nos referimos anteriormente, cujos moradores acabavam
de chegar do trabalho. Pediu para se hospedar (por caridade) e que foi aceito com muito
agrado. Deixaram-no entrar na cubata, e como estava com muito frio, acenderam o lume para
que o indigente se aquecesse, deram-lhe uma manta para se cobrir pois estava quase nu,
mataram uma galinha para lhe dar de jantar, tomaram do milho que haviam ganho nesse dia e
o reduziram a farinha no almofariz para fazer pirão, para que o estranho comesse com carne
de galinha.
Como aquele “hóspede” estava muito cansado, conduzira-no à tulha onde lhe estenderam uma
esteira para o deitar, deram-lhe o melhor cobertor para que se cobrir, e assim adormeceu
profundamente.
No dia seguinte, de manhãzinha, fizeram-lhe uma outra refeição, novamente com pirão e carne
da galinha. Depois dele se ter alimentado, resolveu continuar a sua viagem. Esta família
acompanhou-o até a uma certa distância onde se despediram dele, dizendo-lhe que se voltasse
a aparecer naquela aldeia, não hesitasse em os procurar pois seria sempre bem acolhido.
Momentos depois o estranho desaparecia da vista deles.
De regresso a casa prepararam alguma coisa para comer, pois iam ter de procurar trabalho
para aquele dia, e por isso necessitavam de recuperar as forças físicas.
Depois da refeição estar pronta, a mãe pediu a um dos filhos que fosse à tulha buscar os
pratos que o hóspede havia utilizado. O moço quando lá chegou, tentou abrir a porta mas não
o conseguiu. Foi então dizer ao pai que a porta não abria, e o pai estranhando dirigiu-se lá, e
só depois de muito esforço dispendido, inutilmente, verificou que a tulha estava cheio de
milho até ao teto, e como se não bastasse, o montão de milho não parava de aumentar.

3 http://magcalcauvin.wordpress.com/2010/10/13/d-us-significa-ele-elaela-ele-d-us-como-uma-
triade-na-historia-judaica/
9

Toda a gente do quimbo foi ver, admirados por aquele milagre, e diziam que aquele
acontecimento só podia vir do Kaltangui wa li litangele la Suku, o homem que se desembaraça
de D-us, que se disfarçou de mendigo, ou seja, um ser desprezível aos olhos de todos.
A partir daquele dia, aquela família que havia recebido em casa o Kalitangui, alcançou tudo o
que desejava, e nunca mais voltou a trabalhar nas lavras dos outros, pelo contrário, muitos
vinham pedir-lhes trabalho a eles. As suas lavras produziram abundantemente, e em pouco
tempo tornaram-se os mais ricos daquela terra, só pelo facto de terem hospedado o
Kalitangui em casa.

A CHEGADA DO EVANGELHO
AOS BAILUNDOS
O evangelho chegou aos bailundos graças à Junta Cristã Americana, American Board, com
sede em Boston, a qual resolveu enviar alguns missionários para o sul de angola e daí até ao
bailundo.
Era um grupo de três missionários: Drs. Revs. Sanders e Bagster, e um missionário negro
chamado Miller, os quais chegaram a Benguela no dia 11 de Novembro de 1880, onde
permaneceram durante algum tempo, de modo a preparar a viagem para o interior. Refira-se
que naquela altura havia grande dificuldade de deslocação, visto não haver estradas nem
meio de transporte, a não ser os puxados por animais, para pessoas, sendo as cargas
transportadas às costas de humanos. Estes três missionários organizaram uma grande
comitiva de carregadores, que transportaram as bagagens às costas ou na cabeça, comitiva
essa composta de 95 pessoas, homens e mulheres, com ainda mais um boi e sete burros, todos
carregados de mercadorias para as missões do interior que tencionavam instalar.
Sanders e Miller viajavam nas tipóias, enquanto Bagster caminhou a pé desde Benguela até
ao Bailundo, e por esse motivo os carregadores que os acompanhavam diziam: “Oku enda o
kela ño (“Esmaga tudo o que cruzar no caminho”)”, dando-lhe a alcunha de Sachikela.
10

A viagem foi muito longa, e apenas chegaram aos bailundos em Maio de 1881.

Logo que ali chegaram, foram imediatamente ter com o soba da área chamado Ekuikui II, que
tinha a sua embala (capital) no cume do morro Mbalundu.

Os missionários faziam-se acompanhar de um intérprete de uma tribo da região de Benguela


chamada Quissanje, cujo povo fala também a língua umbundu, embora com algumas
diferenças. Quando os missionários ali chegaram havia uma altercação entre o soba,
Tulumba e Lucamba por causa de um boi. No meio da discussão viram uns brancos que se
aproximavam do Epandavelo (entrada da capital que tem um guarda) a quem pediram uma
audiência ao rei, o qual interrompeu o julgamento para os receber.

Os missionários, postos diante do rei, ofereceram-lhe alguns presentes. Pelo que se sabe,
Eluikui não se mostrou muito satisfeito com os presentes, por não ter visto aguardente nem
pólvora.

Com a ajuda do interprete, Sanders explicou ao rei os motivos da sua viagem, dizendo que
estavam ali para transmitir a mensagem de Deus, para que as pessoas vivessem em irmandade,
amando-se umas às outras. De seguida citou os mandamentos de Moisés: Não matar, não
roubar, não ser mentiroso, não adulterar, etc.
11

Explicou que as pessoas que praticassem tais actos, ao morrerem, as suas almas eram
lançadas num fogo ardente que se encontrava num lugar chamado “inferno” (devem

»»»»»» aceder a
informação adicional através dos seguintes links: http://vejamso.com.br/programas.php
12

http://yaohushua.antares.com.br/mortos01.htm;
http://yaohushua.antares.com.br/mortos02.htm;
http://magcalcauvin.wordpress.com/2010/09/30/2327/). Ao ouvi-lo o soba disse:

“Se eu estou sentado neste banco é precisamente por esse motivo. Todos os que pratiquem
esses actos são sempre severamente castigados aqui na Embala”.

Assim os missionários, vendo que aqueles mandamentos já eram observados ali, decidiram
falar de Jesus Cristo, o que agradou sobremaneira ao rei Ekuikui, pensando que eles se
referiam ao Kalitangui/Kalitangi/J-sus (http://www.uel.br/revistas/boitata/volume-2-
2006/artigo%20Ana.pdf, página 7).

Desta forma o rei, todo satisfeito com tal mensagem chamou os rapazes da corte e ordenou-
lhes que conduzissem os missionários para um lugar mais seguro denominado Chilume (lugar
seguro rodeado de homens fortes) onde poderiam construir a Missão.

1. Perto daquela localidade há uma nascente de onde brota água potável. Trata-se
de local com um lindo panorama paisagístico, de onde se avista a serra de
Lumbandanga e aquém dela dois rios – Kulele e Kukai.

Hemeroteca: O Romance do Irmão Armando –


“O Homem que Casou com uma Alma do Outro
Mundo” (3)
13

Mais Recente

»» Dizem que os missionários cristãos protestantes conservadores apreciaram muito aquele


lugar, mas no entanto não tardou que as complicações surgissem.
Assim que se criaram as condições para a construção da Missão, um português chamado
Braga, que traficava escravos, foi ter com o soba Ekuikui que lhe disse o seguinte:
- Ó soba, tu és o chefe supremo desta terra, mas aceita o conselho que te vou dar: expulsa
imediatamente os americanos das tuas terras, pois se os não expulsares, em breve virão com
máquinas, e num instante o outeiro onde tens a tua capital será destruída, e destruído serás
tu e todos os que aqui vivem.
O soba, perante esta advertência ordenou a todos os rapazes da corte para irem saquear os
missionários e expulsá-los do seu território. Diz-se que um dos rapazes ao ver uma garrafa
com medicamentos líquidos, pensou que se tratava aguardente e a tomou. Um dos
missionários teve de intervir imediatamente tirando-lhe o frasco das mãos, explicando-lhe
que era veneno.
Durante aquele assalto os missionários nada fizeram em sua defesa, e não tiveram outra
alternativa senão voltarem para Benguela. Passados que foram alguns meses um outro
missionário, chamado Frederico Stanley Arnot, chegava às terras do Bailundo. Depois foi ter
com Ekuikui explicando-lhe que fora incorrecto ao expulsar os missionários, uma vez que eles
vinham para o bem do povo. Assim o rei, arrependido, enviou a Benguela um grande grupo
de carregadores a fim de trazerem os missionários de volta.
Quando os missionários regressaram de novo ao Bailundo, o rei foi ter com eles,
desculpando-se por ter sido enganado por um português. Levou-os até ao Chilume, e para
que nunca mais fossem expulsos, selou com eles um pacto plantando uma mulemba (árvore
doméstica). A par disto cooperou com os missionários dando-lhes mão-de-obra e liberdade
para evangelizarem as pessoas que habitavam nas suas terras.
Os missionários foram objecto de manifestações de afectos por parte das populações, pois
eram diferentes dos outros estrangeiros, como os portugueses que por ali passavam, e por
14

isso deram-lhes o nome Afulu, que significa bons e mansos como as pombas. Não
compravam escravos e nem vendiam pólvora, não bebiam e nem fumavam. O seu objectivo
era apenas propagar o Evangelho e o Nome de Cristo, a fim de que todos os bailundos se
amassem uns aos outros como se fossem filhos de um só Pai/Mãe. Recorde-se que os
bailundos atribuiam aos Evangelhos a designação de Afulu e aos seus membros de Vakuafulu
(Santos, sem mácula).
Infelizmente, dois anos depois o missionário Bagster faleceu vítima da picada de um insecto.
No local onde foi sepultado construiu-se o primeiro templo.
Em 1954, um missionário japonês, chamado Thomas Massagi Okuma, decidiu transladar os
restos mortais deste missionário falecido para outro lugar, onde também estavam sepultados
outros missionários.
Eu estive presente aquando das escavações do túmulo de Bagster, e para surpresa de todos
nada se encontrou lá nem sequer um osso, apenas dois parafusos. Então retiraram a terra
presa aos parafusos, e meteram-na num caixão de luxo, voltando a enterrá-lo no cemitério
juntamente com outros missionários falecidos no bailundo. No mesmo cemitério, à direita,
estão dois túmulos de missionários, que diziam ser de ingleses falecidos no mesmo dia. Pelo
que se sabe, tinham saído da Missão para evangelizar numa área chamado Utalamo, onde
tinham comido carne de porco que os vitimou. Nas suas lápides, em ferro fundido, o
primeiro tem a seguinte inscrição:
In loving memory of
Thomas Henry Morris of London
Who fell a sleep in Jesus
At Utalamo, 19th Oct. 1989.
Aged 36
If we believe that Jesus died & rose again
Even so, them also which sleep in Jesus
Will go again bring him
I ths: 14
A outra lápide dizia o seguinte:
Richard B. Gall
Who fell a sleep in Jesus
19th Oct. 1889
Aged 32 years
Till death comes
O terceiro túmulo é de uma criança, sem lápide. O quarto é o de Bagster, trasladado
recentemente, cuja inscrição na lápide se encontra completamente apagada, tendo apenas
em português: FALECEU EM 1982. É um túmulo em pedra mármore.
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O quinto túmulo, também em mármore, é de uma criança, em cuja lápide se lê em seguinte:


Mable Means Stover
Born May 26, 1888
Died January 14, 1892
Sem mais qualquer indicação. O sexto túmulo é de uma missionária, tendo gravado na lápide
em português, e também em ferro fundido, a seguinte inscrição:
À saudosa memória
de
Clara wilkes curri
Missioneira pioneira Candiana
faleceu no Bailundo
em 21 de Setembro de 1882
Para mim o Viver é Cristo e o Morrer é Ganho
O sétimo túmulo volta a ser outra criança, sem qualquer outra inscrição. O oitavo tem uma
lápide escrita em francês. É uma sepultura de criança, filha provavelmente de algum
missionário chamado Neipp, e a lápide diz o seguinte:
Louis Joseph Neipp
1900
Au revoir
Matt. 19:14
Quando o Evangelho chegou aos bailundos, muitos dos hábitos tradicionais foram postos de
lado; já não comia no onjango; os feiticeiros deixaram de ser queimados; muitos
apresentavam as suas feitiçarias à Igreja; os que tinham duas três ou três mulheres ficaram
apenas com uma; como a “religião evangélica” proibia fumar, muitos fumadores levavam os
seus cachimbos para serem queimados; os nomes africanos das pessoas eram substituídos
por nomes bíblicos, como Mateus, Lucas, Paulo, Jonas, Neemias, etc. Os quimbos também
passaram a ter nomes da Bíblia, como Damasco, Jericó, Jope, Samaria, etc.
Todos procuravam viver em função do que a Bíblia dizia. No dia-a-dia, se alguém falasse ou
precedesse mal, os outros diziam: isto não se encontra no Evangelho ou não é bíblico.
Muitas noites acendiam-se fogueiras às portas dos catequistas para se aprender a palavra de
Deus. Também construíam capelas a que se davam o nome de Osicola (escola), porque ali
também se aprendia a ler e a escrever.
Os quimbos passaram a ser construídos de outra maneira: as casas alinhadas e feitas de
adobes; em todas as aldeias havia ruas bem alinhadas a que eles davam o nome de Olokolo
(ruas das aldeias). Era o começo de uma grande civilização entre os Bailundos.
Quando tudo estava em bom andamento, e o Evangelho tinha atingido uma área de alguns
trezentos quilómetros de raio, começaram a surgir alguns contratempos com a Igreja
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Católica. Tudo começou depois dos católicos se instalarem também no Bailundo em 1890
com um padre francês chamado Leconte. Após o começo desta desta Missão Católica todo o
trabalho evangélico transtornou-se. Todos os documentos passados por esta Igreja, como as
certidões de nascimento e de casamento tinham validade perante o estado português.
Porém, qualquer acto oficial realizado pelos evangélicos era considerado nulo, mesmo até os
casamentos. De modo que, todos quantos se casassem na Missão Protestante eram
considerados solteiros.
O governo português via com maus olhos a construção de qualquer Missão protestante,
incentivando a proliferação de Missões Católicas. Também advertia aos fiéis católicos sobre o
risco que correriam em casar os não católicos. Desfazia-se o casamento, e o rapaz, se fosse
protestante, era imediatamente enviado para o trabalho forçado. O povo que era muito
unido por causa do Evangelho, agora tinha-se desunido. A rivalidade entre as duas Igrejas era
grande e os quimbos eram separados. Havia quimbos exclusivamente católicos e quimbos
protestantes. Tinham-se tornado inimigos, e muitas vezes até havia violência.
Uma vez vi um grupo de fiéis evangélicos irem para a Mesa do Senhor, a Santa Ceia, cujo
caminho passava por um quimbo católico. Os habitantes desse quimbo, então, saíram das
suas casas armados com paus, agredindo os protestantes, alegando:
- Va pita posikola kavopileko ochapeu (“Passaram pela escola [capela] e não tiraram os
chapéus”).
Em 1925 o governo português proibiu a realização de cultos evangélicos em todos os
quimbos. Para o efeito constituiu uma rede de espiões oriundos das aldeias católicas. Se
algum protestante fosse visto a cantar um hino da sua igreja ou orar, era logo apresentada
uma queixa ao padre, que levava o assunto às autoridades portuguesas, sendo o
prevaricador preso e enviado para o trabalho forçado onde permanecia durante um ano. Esta
situação levou a que os missionários fossem a Luanda ter com o Governador-Geral de angola,
pedindo autorização para poderem realizar os seus cultos nos quimbos. Apesar dessa
autorização, os problemas não terminaram. Muitas vezes os chefes dos postos
administrativos enviavam cipaios, aos Domingos, para apanharem as pessoas e as levarem
ao posto, onde algumas delas eram levadas ao trabalho forçado e outras obrigadas a
trabalhar no posto.
No Bailundo havia muitos brancos com grandes fazendas agricolas, em que colhiam arroz,
trigo, grão-de-bico, e outros produtos, mas forçavam os indígenas a trabalharem nas
fazendas e sem direito a alimentação; e a maior parte dessa mão-de-obra era dos quimbos
protestantes.
A fazenda da Gandarinha, no Mungo, e que eu conheci pessoalmente, produzia arroz, trigo,
batata, etc. O seu proprietário era um português a quem deram o nome de Kambuka
(homem muito baixo). Centenas de pessoas eram arrebanhadas dos quimbos e levadas para
esse trabalho, e ali ficavam durante uma semana, sendo substituidas depois por outras, e
onde permaneciam presas durante a noite para não fugirem. No dia seguinte, muito cedo,
tocava o apito e todas saiam das prisões, levadas para as formaturas para serem contadas.
Depois eram substituídas pelos diversos afazeres onde, sob chicote, cavavam a terra. Quem
se espreguiçasse era imediatamente agredido, chegando a maior parte dos casos, a morrer.
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Quando isto acontecia, cavavam um buraco no terreno já trabalhado onde o enterravam.


Depois tratava-se aquele terreno, semeava-se nele sem deixar vestígios do morto.
Como entre os bailundos os trabalhadores despertavam muito cedo, criou-se a segunte
canção:
Lomue o N’Denda la
Lomue o N’Denda la
Ndimola onganga we.
Lomue N’Denda la yele
Citeketeke omele opito ya sika
Lomue o N’Denda la
Citeketeke omele opitoya sika
Lomue o N’Denda la-
TRADUÇÃO:
Ninguém me rende
Ninguém me rende
Sou filho de um feiticeiro
Ninguém me rende.
Logo pela manhã cedo o apito toca
Ninguém me rende
Logo pela manhã cedo o apito toca
Ninguém me rende
Esta canção tem uma linda melodia e cantavam-na à medida que iam trabalhando. Ao meio-
dia o apito tocava outra vez e largavam o trabalho, indo preparar a comida que levavam das
suas casas.
Às 14 horas voltavam ao trabalho e só o largavam quando começasse a cair a noite. Depois
de jantarem, eram enclausurados nas prisões com as portas fechadas por fora. As prisões
não tinham casas de banho, tendo as pessoas de fazer as suas necessidades nas suas próprias
panelas.
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Entretanto a Igreja Evangélica começou novamente a desenvolver-se. Em 1930 reallizou o seu


primeiro Jubileu que teve grande sucesso. Participaram nele mais de 30 mil pessoas, e se
prolongou durante uma semana.

(Continua)

1. Instituto Currie do Dondi: http://bungonline.org/imagens/buginform/Dasep.pdf