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Constituição portuguesa

A Constituição Política da Monarquia Portuguesa, aprovada em 23 de Setembro de 1822 é a


primeira lei fundamental portuguesa, o primeiro documento constitucional da História do país, o
qual marca uma tentativa de pôr fim ao absolutismo e inaugura em Portugal uma Monarquia
constitucional
Precedentes
É resultado dos trabalhos das cortes gerais Extraordinárias e constituintes da Nação Portuguesa de
1821-1822, eleitas pelo conjunto da Nação Portuguesa • a primeira experiência parlamentar em
Portugal, nascida na sequência da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820, no Porto. As Cortes
Constituintes - ruja função principal, como o próprio nome indica, era elaborar uma Constituição,
iniciaram as sessões em Janeiro de 1821 e deram os seus trabalhos por encerrados após o juramento
solene da Constituição pelo rei João VI de Portugal em Outubro de 1822 (o qual, no entanto, foi
recusado pela rainha Carlota Joaquina, e por outras figuras contra-revolucionárias de grande
nomeada, como o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Carlos da Cunha c Menezes).
Características do texto constitucional
Definida como sendo bastante progressista para a época, inspirou-se, numa ampla parte, no modelo
da Constituição Espanhola de Cádis, datada de 1812, bem como nas Constituições Francesas de .
1794,1793 e 1795, sendo marcante pelo seu espírito: amplamente liberal, tendo ab-rogado inúmeros
velhos privilégios feudais, característicos do regime absolutista. Estava dividida em seis títulos e
240 artigos, tendo por princípios fundamentais os seguintes:
a consagração dos direitos e deveres individuais de todos os cidadãos Portugueses (dando primazia
aos direitos humanos, nomeadamente, a garantia da liberdade, da igualdade perante a lei, da
segurança, e da propriedade);
• a consagração da Nação (união de todos os Portugueses) como base da soberania nacional, a ser
exercida pelos representantes da mesma legalmente eleitos - isto é, pelas Cortes, nas quais incide a
soberania de facto c dc jure, já que os seus elementos têm a legitimidade do voto dos cidadãos;
e a definição do território da mesma Nação (Continente, Ilhas Adjacentes, Reino do Brasil e
Colónias na África, Ásia e Oceânia);
• o não reconhecimento de qualquer prerrogativa ao clero e à nobreza;
a independência dos três poderes políticos separados (legislativo, executivo c judicial), o que
contrariava os princípios básicos do absolutismo que concentrava os três poderes na figura do rei);
• a existência de Cortes eleitas peia Nação, responsáveis pela actividade legislativa do país,
• a supremacia do poder legislativo das Cortes sobre os demais poderes;
• a emanação da autoridade régia a partir da Nação;
• a existência, como forma de Governo, de uma Monarquia. Constitucional com os poderes do Rei
reduzidos;
• a União Real com o Reino do Brasil
• a ausência de liberdade religiosa (a Religião Católica era a única religião da Nação Portuguesa).
O poder legislativo passou a ser da competência das Cortes, assembleia unicameral que elaborava
as leis, e cujos deputados eram eleitos de dois em dois anos pela Nação. A preponderância do poder
legislativo sobre o poder executivo é uma característica dos regimes demo4iberais mais
progressistas, por oposição as chamadas Cartas Constitucionais, de cariz aristocrático e outorgadas
pelo Rei.
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O poder executivo era exercido pelo REI , competindo-lhe a chefia do Governo, a execução das leis
e a nomeação e demissão dos funcionários do Estado. No entanto, o Rei tinha apenas veto
suspensivo sobre as Cortes, podendo suspender a promulgação das leis de que discordava, mas
sendo obrigado a promulgá-las desde que as Cortes assim o voltassem a deliberar. Não lhe era
concedido o poder de suspender ou dissolver as Cortes.
Em ocasiões especiais, o Rei era aconselhado pelo Conselho de Estado, cujos membros eram eleitos
pelas Cortes, e coadjuvado pelos secretários de Estado, directamente responsáveis pelos actos do
Governo. Apesar de tudo, a sua pessoa era considerada inviolável.
O poder judicial pertencia, exclusivamente, aos juízes, que o exerciam nos Tribunais.
Quanto ao corpo eleitoral, e de acordo com o artigo 34.° da Constituição, podiam votar, para eleger
os representantes da Nação (deputados), os varões maiores de 25 anos que soubessem ler e escrever.
Tratava-se, pois, de um sufrágio universal e directo, de que, no entanto, estavam excluídos as
mulheres, os analfabetos, os frades e os criados de servir, entre outros.
Vigência
Com a aprovação desta Constituição tem início em Portugal a Monarquia Constitucional; o
processo da sua consolidação, porém, viria a ser difícil e demorado. Contudo, a temeridade das suas
propostas foi de certa maneira o impulso para uma reacções mais exacerbada das facções
conservadoras da sociedade portuguesa, que logo viriam a pôr fim à sua vigência.
Com efeito, a Constituição de 1822 esteve vigente durante apenas dois efémeros períodos: um
primeiro período entie 23 de Setembro de 1822 altura em que foi aprovada, e 3 de Junho de 1823,
ocasião em que D João VI a suspendeu por ocasião da Vilafrancada, com a promessa não cumprida
de a substituir por outra; um segundo período entre 10 de Setembro de 1836 quando ocorreu a
revolução de Setembro, e 20 de Março de 1838, momento em que foi aprovada a nova Constituição
de 1838. De facto, foram dois dos períodos mais fecundos em termos de produção legislativa
destinada a acabar com o Portugal Velho a que se referiram, entre outros, Alexandre Herculano ou
Oliveira Martins.

Apesar de tudo, a Constituição de 1822 fica no entanto como um marco fundamental para a História
da democracia em Portugal, e qualquer estudo sobre o constitucionalismo terá que a ter como
referência nuclear.
Carta Constitucional portuguesa
A Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826 foi a segunda Constituição Portuguesa.
Teve o nome de Carta Constitucional por ter sido outorgada peio rei D. Pedro IV (1). Pedro I do
Brasil) e não redigida e votada por Cortes Constituintes eleitas pela Nação, tal como sucedera com
a anterior Constituição de l822.
Precedentes
Durante o curto reinado de oito dias de D. Pedro IV (26 de Abril a 2 de Maio de 1826), o imperador
brasileiro viria a tomar duas medidas de grande alcance político - a outorga de uma nova
constituição (em 29 de Abril de 1826), muito menos radical que a Constituição de 1822, que tinha
sido elaborada pelos representantes da Nação e imposta ao rei, mantendo, embora, os princípios
fundamentais do Liberalismo (procurando dessa forma sanear os diferendos políticos entre liberais e
absolutistas), e a decisão de abdicar dos seus direitos ao trono em sua filha D. Maria da Glória (no
dia 2 de. Maio, que data o final do seu reinado).
A regência portuguesa, confiada desde a morte de D. João VI à irmã do rei D. Isabel Maria logo se
encarregou de proceder à eleição de Cortes, que de imediato juraram o novo texto constitucional.
Influências e objectivos
Redigido por D. Pedro IV no Brasil, teve a influência em muitos aspectos não só da Constituição
brasileira de 1824 como também da carta.Constitucional francesa de 1814 e, naturalmente, do texto
predecessor português de 1822
Contudo, a Carta era muito mais moderada que a Constituição vintista em certos aspectos, pois D.
Pedro considerava o excessivo radicalismo do texto de 1 822 como um mal que contribuía para a
desunião da sociedade portuguesa. Assim, pela sua natureza moderada, a Carta representava um
compromisso entre os liberais defensores da Constituição de 1822, e os Absolutistas partidários do
retorno do regime autocrático, tendo por objectivo, precisamente unir lodos os Portugueses em
torno da mesma.
Esta medida de D. Pedro não teve o efeito desejado, e em vez de unir, apenas contribuiu para dividir
Liberais e Absolutistas, e mais tarde, após o triunfo definitivo do Liberalismo, dividir os defensores
da Constituição de 1822 e os da Carta de 1826.
Características do texto constitucional
A Carta estava organizada cm 145 artigos, e tinha por princípios básicos os seguintes:
• soberania passava a residir no rei e na Nação.
• o Rei passava a deter a supremacia politica.
• garantiu-se se a existência de uma nobreza hereditária , com todas as regalias e privilégios.
• preservava-se o principio da separar ao dos poderes.
• os direitos e deverei individuais dos cidadãos, no tocante à liberdade, à segurança individual e à
propriedade, já consagrados na Constituição de 1822, foram mantidos praticamente inalterados
(embora, ao contrário da grande genialidade das Constituições, tossem relegados para o final do
diploma).
• mantinha se, como forma de governo, a Monarquia Constitucional e Hereditária.
• manteve-se inalterado o principio da ausência de liberdade religiosa (de novo se definiu a religião
Católica como religião de Estado).
A Carta reconhecia a existência de quatro poderes políticos: o legislativo, o executivo, o moderador
(uma novidade, com a função de velar pelo equilíbrio entre os demais poderes), e o judicial.
O poder legislativo cabia às Cortes, sendo as suas medidas sancionadas pelo Rei. De acordo com a
orgânica da Caria Constitucional as Cortes eram formadas por duas câmaras a Câmara dos
Deputados, de base electiva e censitária, e a Câmara dos Pares, composta por membros vitalícios e
hereditários, nomeados pelo Rei (de entre a nobreza e o clero, contando ainda com a presença do
príncipe herdeiro e dos infantes) e sem número fixo. As sessões das Cortes podiam agora ser
convocadas, adiadas ou suspensas pelo Rei, e este podia também aceitar ou vetar as decisões ali
tomadas.
O poder executivo estava nas mãos do Rei sendo exercido em conjunto com os ministros de
Estado, directamente responsáveis pelos actos do Governo. O Conselho de Estado que apoiava o
Rei nos assuntos graves, era, ao contrário do que sucedia com a Constituição de 1822, de nomeação
régia.
O poder moderador era da exclusiva competência do Rei, enquanto chefe supremo da Nação, para
que este velasse pela Independência da mesma, bem como pelo equilíbrio e harmonia entre os
demais poderes políticos. Enquanto detentor deste poder, competia ao Rei a convocação das Cortes;
a nomeação dos Pares do Reino; a dissolução da Câmara dos Deputados; a nomeação e demissão do
Governo; a suspensão dos magistrados; a concessão de amnistias e perdões; o veto definitivo sobre
as decisões emanadas das Cortes.
Por fim, o poder judicial competia aos jurados e juízes, que o exerciam nos Tribunais.
O sufrágio era indirecto e censitário, ou seja, a massa de cidadãos activos elegia em assembleias
paroquiais os eleitores de província, e estes, por sua vez, elegiam os representantes da Nação, só
podendo eleger e ser eleitos os que tivessem um certo rendimento (100 mil réis para os eleitores e
400 mil réis para os deputados).
Constituição portuguesa 1838
A Constituição Política Monarquia Portuguesa de 1838 foi o terceiro texto constitucional
português.
Após a Revolução de Setembro, em 10 de Setembro de 1836, a Carla foi abolida e em seu lugar
resposta em vigor, a título provisório, a Constituição de 1822, lendo sido convocadas Cortes
Constituintes destinadas a redigir uma nova constituição, a qual viria a ser concluída e jurada em 4
de Abril de 1838 por D. Maria II.
Foi como que uma síntese de textos de 1822 e 1826 ocupando um lugar intermédio. Foi
influenciada pelos textos anteriores, e ainda pela constituição belga (relativamente à organização do
senado) e pela Constituição espanhola de 1817 (pelo seu espírito conciliatório duas formas as
extremas de constitucionalismo monárquico). As suas características fundamentais são o princípio
clássico da tripartida dos poderes, o bicameral das Cortes (Câmara dos Senadores e Câmara dos
Deputados), o veto absoluto do rei e a descentralização administrativa. Esta Constituição reafirma a
soberania nacional, restabelece o sufrágio universal directo e elimina o poder moderador.
Contudo, foi efémera a sua vigência - em 10 de Fevereiro de 1842, Costa Cabral é saudado com
vivas à Carta na sua chegada ao Porto, e ao regressar a Lisboa procede a um golpe de Estado e
restaura a Carta Constitucional de 1826.
A constituição Política da .República Portuguesa de 1911 foi a quarta constituição Portuguesa, e a
primeira constituição republicana do país.
Precedentes
Em 11 de Março de 1911, o Governo Provisório da República Portuguesa procedeu à publicação de
uma
nova lei eleitoral (destinada a substituir a lei do governo de Hintze Ribeiro de 1895, conhecida
como a «ignóbil porcaria»), tendo em vista a realização de eleições para a Assembleia Nacional
Constituinte (ANC), o que se verificaria em 28 de Maio de 1911.
Foram eleitos 226 deputados, na sua grande maioria afectos ao Partido Republicano Português, o
grande obreiro do 5 de Outubro, tendo a Assembleia iniciado os seus trabalhos em 19 de Junho de
1911, sob a presidência do venerando Anselmo Braamcamp Freire; na sessão inaugural, declarou
abolida a Monarquia e reiterou a proscrição da família de Bragança; sancionou por unanimidade a
Revolução de 5 de Outubro e declarou beneméritos da Pátria os que combateram pela República;
conferiu legalidade a todos os actos políticos do Governo Provisório, elegendo de seguida uma
Comissão que ficou encarregada de elaborar um Projecto de Bases da Constituição, constituída por
João Duarte de Menezes, José Barbosa, José de Castro, Correia de Lemos e Magalhães Lima (este
último como relator da Comissão).
Influências e objectivos
As Constituições Monárquicas Portuguesas de 1822 e de 1838 (sobretudo a primeira, a mais
radical), a Constituição da República Brasileira de Fevereiro de 1891, bem como o programa do
P.RP. foram as fontes da primeira Constituição da República Portuguesa. Pelo seu radicalismo
democrático, pode-se bem afirmar que a Constituição de 3911 é um retorno ao espírito
VICENTISTA nomeadamente com a consagração do sufrágio directo na eleição do Parlamento, a
soberania reside na Nação e a tripartição dos poderes políticos.
Entretanto, foram apresentados à ANC doze propostas para a nova Constituição, entre as quais
avultam as de Teofilo Braga, Basílio Teles, Machado Santos, do jornal «A Lucta» (de Brito
Camacho) ou da loja maçónica Grémio Montanha, embora nenhum deles em nome do P.R.P. ou do
Governo Provisório.
A discussão que precedeu a aprovação da Constituição foi bastante larga, incidindo principalmente
sobre o problema do presidencialismo, presente no esboço da Comissão a que presidia Magalhães
Lima (orientação que viria a ser rejeitada, ainda que por uma pequena margem de votos), e sobre a
questão da existência de uma ou duas Câmaras (já que o princípio da supremacia parlamentar se
tornara relativamente consensual), prevalecendo esta última hipótese.
Apesar disso, o novo texto constitucional foi redigido num tempo recorde <k (tês meses, lendo sido
aprovada em 18 de Agosto de 1911, e entrado em vigor no dia 21 desse mesmo mês. O texto foi
assinado por Anselmo Braamcamp Freire, como Presidente, e por Baltazar Teixeira e Caslro hemos,
como societários.
Características do texto constitucional
A Constituição Política da República Portuguesa de 1911, diploma regulador da vida política da I
República, destaca-se por ser consagrado um novo regime político da República), para além de ser
o mais curto texto da história constitucional portuguesa tem apenas 87 artigos, agrupados por sete
títulos, a saber:
• Da forma do Governo e do território da Nação Portuguesa;
• Dos direitos e garantias individuais;
• Da Soberania e dos Poderes do Estado;
• Das Instituições locais administrativas;
• Da Administração das Províncias Ultramarinas;
• Disposições Gerais;
• Da Revisão Constitucional.
Embora ao longo dos quase cem anos de existência da República em Portugal, muitos historiadores
tenham afirmado peremptoriamente que «a única originalidade da Constituição de 1911 foi a
substituição do Rei pelo Presidente}) ' (o que, só poi si, acarreia ou lias mudanças, como a
substituição da sucessão hereditária pela eleição política do Chefe do Estado), uma análise sumária
da Constituição permite demonstrar o contrário, verificando-se vários aspectos importantes.
Direitos e garantias
A Constituição consagrava, no seu Título II (Dos direitos e garantias individuais), os direitos
garantias individuais tipicamente liberais, já inclusos nas anteriores Constituições e na Carta
Constitucional. Com efeito, ao longo dos trinta e oito números do art.° 3.°, são consagrados um
vasto leque de direitos, dos quais se destacam a liberdade (n.° 1) - definida pela fórmula «ninguém
pode ser obrigado afazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da Lei» - a igualdade
civil (n.° 2) - traduzida no princípio «a Lei é igual para todos» - o direito de propriedade (n.° 25),
ou o direito de resistência a quaisquer medidas tendentes a deprimir as garantias individuais
legalmente salvaguardadas (n.° 37).
A estes juntaram-se novos direitos caracteristicamente republicanistas. e a afirmação plena de
outros, como a igualdade social (n 0 3) entre todos os cidadãos - preceito resultante da negação de
qualquer privilegio de nascimento, dos foros da nobre/a, e ainda da supressão dos títulos
nobiliárquicos das dignidades do pariato e dos conselheiros, e até das ordens honoríficas
Tradicionais (o que, como é evidente, não remetia para uma igualdade económica, algo que a
República nunca conseguiu realizar, não Lendo encontrado meios para eliminar as precárias
condições de vida da grande massa da população) , ou ainda as liberdades de expressão e de
pensamento (n.° 13), de reunião e de associação (n.° 14), c o direito à assistência pública (n.°
29).
Por fim, também o laicismo se tornou um direito constitucional, postulado através da liberdade de
crença e de consciência (n.° 4), da igualdade de lodos os cultos religiosos (n.° 5), da secularização
dos cemitérios (n.°9), da laicização do ensino (n.° 10), da inadmissibilidade em Portugal das
congregações religiosas e da Companhia de Jesus (n.° 12) e da obrigatoriedade do registo civil (n,°
33), Cumpria-se assim, após as Leis emanadas do Governo Provisório, o programa de laicização e
secularização que havia sido um dos pontos mais acentuados na propaganda republicana.
Já algumas propostas de tendência mais socialista (ou pelo menos socializante), defendidas entre
outros, por Afonso Costa ou Magalhães Lima, foram rejeitadas, e embora já tivesse sido
anteriormente decretado o direito à greve (Dezembro de 191,0), tal não foi consagrado como um
direito constitucional.
A Constituição de 1911 afastou ainda o sufrágio censitário, vigente durante a Monarquia; contudo,
também não consagrou o sufrágio universal, pois não conferiu capacidade eleitoral às mulheres, aos
analfabetos e, em parte, aos militares. Ao mesmo tempo, foi também a primeira constituição
portuguesa que estabeleceu a prestação do serviço militar obrigatório (art.0 68.°).
Organização política do Estado
De acordo com a Constituição de 1911, a soberania, cabia única e exclusivamente à,(Nação (art.°
5.°), exercendo-se através dos três poderes tradicionais: o, executivo da competência do Presidente
da República e do Governo, o legislativo - detido pelo congresso República -, e o judicial -
executado pelos Tribunais (art. 6.°)
O Congresso
O poder legislativo detinha a supremacia entre eles, sendo exercido pelo Congresso da República
(art.° 7.°), uma assembleia que tinha uma estrutura bicameral, formada pela câmara dos deputados
(à qual competia a iniciativa dos actos de maior significado político) e pelo, senado ou câmara dos
Senadores,. (que representava fundamentalmente os distritos administrativos c as províncias
ultramarinas); ambas eram eleitas por sufrágio directo (art.0 8.°), afastando-se assim o princípio de
uma Câmara Alta eleita por sufrágio indirecto ou nomeação do poder executivo (como sucedia na
Câmara dos Pares) Os deputados eram eleitos de três em três anos (correspondentes à duração de
uma legislatura), de entre cidadãos com idade mínima de 25 anos (art.0 7.°, § 3.°). Por seu turno, só
podiam candidatar-se ao cargo de senador cidadãos com um mínimo de 35 anos, sendo a eleição
realizada de seis em seis anos (duração de uma legislatura senatorial). Contudo, metade dos
elementos do Senado era renovada sempre que ocorressem Eleições para a Câmara dos Deputados
(art. 24.° e seu §). Cada sessão legislativa tinha a duração de quatro meses, prorrogáveis por
deliberação do Congresso (art.23.°, alínea f).
As iniciativas de lei pertenciam indistintamente aos. Deputados ou aos Senadores, ou ainda ao
Governo, excepto no tocante a projectos de Lei versando determinadas matérias, previstas no texto
constitucional, da competência exclusiva da Câmara dos Deputados (art.0 26.° e 28.°).
Era o Congresso o órgão superior da soberania da República. Contudo, tal supremacia parlamentar
era levada ao extremo. elegia (art." 26.°, n.° 19) e podia destituir o Presidente da República, desde
que esta medida fosse aprovada por 2/3 dos seus membros (art 26.°, n.° 20 e art.46). Eram ainda as
duas Câmaras que, através da votação de moções» de confiança ou desconfiança, se pronunciavam
sobre a política governamental. Sempre que o Governo não obtivesse a confiança das duas
Câmaras, seria obrigado a demitir-se.
O Presidente
O Presidente da República, eleito pelo Congresso para um mandato de quatro anos não renovável
no quadriénio subsequente (art.° 38.° e 42), tinha funções meramente honorificas e representativas,
cabendo lhe representar o Estado Português (art.° 37 ° e 46). Não linha qualquer autoridade sobre o
Congresso da República (que podia, como foi referido, demiti-lo por uma maioria de dois. terços) -
na versão original da Constituição, não o podia dissolver ou prorrogar as suas sessões -, limitando-
se a promulgar obrigatoriamente as leis que nele fossem votadas (art.° 33.°). Não podia exercer o
direito de veto, nem sequer suspensivo (estava mesmo previsto urna forma de promulgação tacita,
no caso de o Chefe de Estado não se pronunciar no prazo de 15 dias -art °31). Por fim, a sua eleição
estava condicionada a alguns formalismos, alguns dos quais ainda hoje perduram -eram apenas
elegíveis para o cargo os cidadãos portugueses com mais de 35 anos de idade e que estivessem no
gozo pleno dos seus direitos cívicos (art.° 39.°), sendo afastados da eleição os descendentes dos
Reis de Portugal e os parentes do Presidente da República que cessava o mandato (art.° 40.°).
O Governo
O Governo, detentor do poder executivo, era composto por um conjunto de Ministros solidários
entre si, que escolhiam de entres eles um Presidente de Governo, que chefiava o mesmo, geralmente
em acumulação com uma ou mais pastas (art.° 53.°). Embora fosse nomeado pelo Presidente da
República (art.° 46.°, n.° J), o Governo era politicamente responsável apenas ante o Congresso
(tendo a obrigação constitucional de assistir às suas sessões), e só por este último poderia ser
exonerado, mediante os votos de confiança ou de censura das respectivas câmaras (art.° 52.°).
Outras disposições
A Constituição estabelecia ainda um regime de descentralização administrativa, adequado a cada
colónia (art.° 67.°). Por fim, eslava ainda prevista uma revisão ordinária do texto constitucional de
10 em 10 anos, podendo esta ser antecipada em 5 anos se assim o resolvessem dois terços dos
membros do Congresso, em sessão conjunta (art.° 82, § l . ° e 2.°).
Desta forma, a Constituição de 1911 instituía em Portugal um regime parlamentarista, ou seja, em
que o Parlamento e o poder legislativo detinham a supremacia ao nível político. Essa é uma das
principais causas apontadas para a instabilidade política do regime, já que o Congresso se imiscuía
em todos os actos governativos, exigindo constantes explicações aos ministros, chagando mesmo a
enveredar pela via dos ataques pessoais e dos insultos. Foi neste desequilíbrio na articulação dos
poderes políticos que residiu, em última análise, uma das causas da queda do regime.
Vigência
A Constituição de 1911 vigorou no nosso País entre 21 de Agosto de 1911 (data da sua entrada em
vigor) e 9 de Junho de 1926 (data da publicação do decreto ditatorial que dissolveu oficialmente o
Congresso da República, altura em que cessou de facto a vigência da mesma, vindo apenas a ser
substituída pelo facto constitucional que entraria em vigor sete anos mais tarde, após plebiscito tau
11 de Abril de 1933).
Revisões e suspensões
Á Constituição foi suspensa durante a breve ditadura de Pimenta de Castro, em Maio de 1915, e
sofreu a sua primeira revisão em 1916 (Lei n.° 635, de, 28 de Setembro), tendo sido reintroduzida a
pena de morte no teatro de guerra.
Em 1918, na sequência do triunfo do golpe de Sidónio Pais, a legalidade constitucional foi quebrada
de uma forma mais perdurável Sidónio publicou ditatorialmente o decreto n.° 3997 de 30 de Março
de 1918 (não foi, pois. uma revisão do texto constitucional), o que significava, de facto, uma
ruptura com o anterior texto constitucional já que veio a instituir uma orientação presidencialista,
anti parlamentar e acentuadamente autocrática na República; para além disso, este decreto
estabelecia ainda uma segunda Câmara parcialmente corporativa (passaram a ter nela assento os
representantes de diversas categorias profissionais agricultura,
indústria, comércio, serviços públicos, profissões, liberais e artes e ciências). Este decreto instituía
também o sufrágio universal, concedido a todos os cidadãos do sexo masculino maiores de 21 anos,
independentemente da sua situação de económica ou de alfabetização, c possibilitava ainda a
eleição directa do Presidente da República pelo voto popular.
Esta tão grande revolução operada ponto de vista institucional e constitucional leva alguns
historiadores a chamar cm mesmo a este decreto ditatorial «Constituição de 1918», ressalvando, no
entanto, as devidas diligencias face a uma verdadeira Constituição.
Por sua morte, o Congresso repôs cm vigor o statu quo anterior, impondo a Constituição de 1911 e
revogando todas as disposições relativas ao presidencialismo e corporativismo, bem como à
natureza do sufrágio (Lei n.° 833, de 16 Dezembro 1918).
A Constituição sofreria ainda mais algumas alterações, estabelecidas através de quatro sucessivas
Leis de revisão constitucional, numa tentativa desesperada de obter mecanismos auto-reguladores
do sistema político democrático:
• foi instituída a remuneração dos membros do Congresso (Lei n.° 834, de 20 de Agosto de 1919);
• foram aumentados os poderes constitucionais do Presidente da República, através da concessão do
direito de dissolução do Congresso, embora condicionado à prévia audiência do conselho
Parlamentar, unia órgão consultivo do Presidente da República, formado por pelo menos dezoito
membros, eleitos pelo Congresso e reflectindo por tanto a sua composição partidária (lei n.° 891, de
22 de_ Setembro de 1919);
• procedeu-se à aprovação das bases gerais da descentralização da administração ultramarina, no
sentido da concessão de uma larga autonomia às províncias de além-mar (Lei n" 1005, de 7 de
Agosto de 1920);
• por fim, foram delimitados os poderes das Câmaras e do Presidente da República, bem como
regulamentadas as atribuições do Governo durante o período de dissolução do Congresso (Lei
n.°1154, de 27deAhril de 1921).
Constituição portuguesa de 1933
 Constituição Política da República Portuguesa de 1933 foi elaborada por um grupo de
professores de Direito convidados por Salazar para o efeito, tendo sido promulgada a 22 de
Fevereiro e aprovada em plebiscito em 19 de Março de 19.33. Esta Constituição foi posta à
aprovação dos portugueses, através de uma votação.
Foi o documento fundador do Estado Novo tendo vigorado, com várias emendas, até 25 de Abril de
197/l.
De cariz presidencialista (mas na realidade o Presidente do Conselho de Ministros, o chefe do
Governo, era o detentor do poder e eia ele que decidia os assuntos do Estado), admitia a existência
de uma Assembleia Nacional e de uma ('amara Corporativa compostas ambas por elementos
próximos do regime escolhidos por um simulacro de eleições.
Tendo como principais influências a Constituição de ]9j 1 (poi oposição), a Carta Constitucional de
1826 e as Constituições alemãs de 1871 c 1919, a Constituição de 1933 representou a concretização
dos ideais de Salazar, inspirados no corporativismo, na doutrina sócia) da Igreja o nas concessões
nacionalistas. A figura do Chefe de listado encontrava se subalternizada, efectivando se a confiança
politica ao contrário no disposto na Constituição: na prática, era o Presidente da República que
respondia perante o Presidente do Conselho, Oliveira Salazar. Assim, não e de estranhar que a partir
de 1959, ano de divisões à Consumição, a eleição do Presidente da República passasse a ser por
sufrágio indirecto. Deste modo, havia um único partido, a União Nacional, sendo todos os outros
abolidos.
Os principais pontos da Constituição eram:
• Depor os governadores-gerais e unificar todas as Colónias em uma só Nação e assim, expandir o
território nacional;
• estabelecer um Governo de ideologia nacionalista, e centralizar o poder nacional nas Forças
Armadas;
• Criar uma Assembleia Nacional de partido único em moldes nacionalistas para haver igualdade
dos poderes e para promover uma representação popular maior nas Leis;
• Juntar a Presidência com o Conselho de Ministros dando ao Poder executivo uma "força
gigantesca";
• Dar à Presidência da República o poder de legislar por força de Decretos-lei;
• Militarizar os órgãos públicos, lixando as Forças Aunadas no poder do controlo nacional;
• Criar uma Câmara Corporativa para fixar as ideologias nacionais.
Assim, o tipo de Estado era uma República Corporativa de forma unitária regional, incorporando as
"províncias ultramarinas", ou seja. as colónias portuguesas, consagrando o ideal de Salazar de
preseivar o império português "do Minho a Timor". Na revisão de 1951 foi incorporado na
Constituição o Acto Colonial.
Constituição portuguesa de 1976
A Constituição da República Portuguesa de 1976 (CRP) é a actual constituição portuguesa. Foi
redigida pela Assembleia constituinte eleita na sequência das primeiras eleições gerais livres no país
em 75 de Abril de 1975 1º aniversário da Revolução dos Cravos Os seus deputados deram os
trabalhos por concluídos em 2 de Abril de 1976, tendo a Constituição entrado em vigor a 75 de
Abril de 1976.
Sofreu sucessivas revisões constitucionais em 1982, .1989, 1992, 1997, 20.01, 2004 e 2005,
Direito de petição à Assembleia da República
A Constituição da República Portuguesa consagra o direito a qualquer cidadão, apresentando de
forma colectiva ou individual, de peticionar perante os órgãos de soberania ou quaisquer
autoridades que devem responder a mesma em prazo razoável.
Qualquer petição, para efeito de apresentação na Assembleia da República, tem de ser assinada por
pelo menos 2000 cidadãos e publicada em Diário da Assembleia da República