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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense

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17) ESCOAMENTO DE LÍQUIDOS

17.1) Unidades básicas

a) Força (F):
• Sistema métrico: kgf
• Sistema internacional: N 1kgf = 9,81 N

b) Pressão (P):
• Sistema métrico: kgf/cm²
• Sistema internacional: Pa (N/m²) 1 kgf/cm² = 98100 Pa

c) Massa específica (ρ):


• Sistema internacional: kg/m³

d) Peso específico (γ):


• Sistema métrico: kgf/m³
• Sistema internacional: N/m³ 1kgf/m³ = 9,81 N/m³

17.2) Propriedades dos fluidos

17.2.1) Massa específica (ρ)

A massa específica de uma substância é a razão entre a quantidade de massa e


um volume unitário ocupado por ela.

ρ=m/V

17.2.2) Volume específico (v)

O volume específico de uma substância é definido como o volume ocupado pela


unidade de massa. É o inverso da massa específica.

v=1/ρ v=V/m

17.2.3) Peso específico (γ)

O peso específico de uma substância é a razão entre o seu peso e o volume


unitário.

F = m.g γ = m.g / V γ = ρ.g

17.2.4) Densidade (d)

A densidade de uma substância é a razão entre a sua massa específica e uma


massa específica de uma substância de referência, em condições padronizadas.

- Substâncias de referência:
• Para os gases: ar
• Para os líquidos e sólidos: água

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- Condições para a água:


• Pressão: atmosférica ao nível do mar
• Temperatura: 15,6ºC (60ºF)

- Outras referências:
• 4ºC – maior peso específico (39,2ºF)
• 20ºC – recomendada pela ISO (68ºF)
• 15ºC – padrão API (59ºF)

- Observação: existe uma relação entre a densidade de um óleo e a sua classificação


API, que é dada por:

ºAPI = (141,5 / d60/60) – 131,5

• Onde: ºAPI => Classificação API do óleo.


d60/60 => Densidade do petróleo a 60ºF (ρágua = 60ºF)

• Exemplo: um óleo com 20 ºAPI tem d = 0,934

17.2.5) Pressão (P)

O conceito de pressão é definido para os fluidos líquidos ou gasosos em


equilíbrio, sendo dado como:

P=F/A onde: A = área sob atuação da força.

A pressão exercida por uma coluna de líquido é dada por:

P=γ.h onde: h = a altura da coluna líquida.

- Nomenclatura usual das medidas de pressão

• Pressão atmosférica (Patm) => pressão exercida pela camada de ar

• Pressão relativa (Prel) => diferença entre a pressão absoluta e


atmosférica (Pabs - Patm)

• Pressão absoluta (Pabs) => soma da pressão relativa e atmosférica (Prel


+ Patm).

Pabs (+)

Prel (+) > Patm


Patm

Prel (-) < Patm (vácuo)


Pabs (-) Patm

0 abs

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- Unidades de pressão e suas correlações:

1 atm = 101325 Pa = 101,325 kPa


1 atm = 1,033 kgf/cm2 = 1,033 x 10 4 kgf/m2
1 atm = 14,696 psi (lbf/in2)
1 bar = 10 5 Pa = 100 kPa = 0,1 MPa
1 psi (lbf/in2) = 6894,757 Pa
1 kgf/cm2 = 14,22 psi (lbf/in2)

17.2.6) Viscosidade absoluta ou dinâmica (μ)

A viscosidade dinâmica de um líquido é a resistência imposta ao escoamento


pelas camadas líquidas, devido ao atrito entre as camadas.

F
Δv

Δx

F α A . (Δv/Δx) => F = μ . A . (Δv/Δx)

τ = μ . Δv/Δx

onde: τ - tensão de cisalhamento.


Δv/Δx - taxa de cisalhamento ou de deformação.
μ - viscosidade dinâmica.

17.2.7) Comportamento dos fluidos quanto ao escoamento

a) Fluidos newtonianos
Os fluidos newtonianos obedecem a equação: τ = μ . Δv/Δx. Existe
proporcionalidade entre a tensão de cisalhamento e a taxa de cisalhamento

b) Fluidos não newtonianos


Os fluidos não newtonianos obedecem a equação τ = k . (Δv/Δx)u.

Onde: k – índice de consistência do fluido (k ≠ 0);


u – índice de comportamento de fluxo (u ≠ 0).

• Observações:

1) Para u > 1, chamamos o fluido de dilatante.


2) Para u < 1, chamamos o fluido de pseudoplástico.

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Os fluidos não newtonianos podem ser classificados como: dilatante ou


pseudoplástico.

• Dilatante - a viscosidade aparente aumenta conforme o aumento da tensão de


cisalhamento.

• Pseudoplástico - a viscosidade aparente diminui conforme o aumento da tensão


de cisalhamento.

Alguns fluidos apresentam comportamento particular. Até um determinado valor


limite da tensão de cisalhamento (τ), esses fluidos não escoam, se comportam como
sólidos. Acima desse valor limite, se comportam como fluidos newtonianos, isto é,
apresentam proporcionalidade entre a tensão de cisalhamento e a taxa de cisalhamento
ou de deformação. Esses fluidos são conhecidos como Plástico de Bingham.

- Exemplos comuns:
• Dilatantes: suspensões de amido e areia movediça.
• Pseudoplástico: polpa de frutas e tintas a base de látex.
• Plástico de Bingham: creme dental e fluidos usados na perfuração de
poços de petróleo.

- Gráfico: tensão de cisalhamento – taxa de cisalhamento.

Plástico de Bingham
τ
Pseudoplástico
Newtoniano

Dilatante

Δv/Δx

- Gráfico: viscosidade absoluta – taxa de cisalhamento.

Dilatante

Newtoniano

Pseudoplástico

Δv/Δx

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• Unidades (μ):

1 Poise = 100 cP
1 Pa.s = 1000 cP
1 cP = 0,001 Pa.s

17.2.8) Viscosidade cinemática (ν)

A viscosidade cinemática é dada pela razão entre a viscosidade dinâmica ou


absoluta e a massa específica do fluido.
ν=μ/ρ
• Unidades (ν):

1 Stoke = 1 cm²/s
1 Stoke = 100 cSt
1 cSt = 10-6 m²/s

17.2.9) Pressão de vapor (Pv)

É a pressão situada abaixo do ponto crítico, onde coexistem as fases de líquido e


de vapor.
A relação pressão – fase está representada no gráfico – p x v - abaixo.

p
Ponto crítico

Líq + vap

Líquido Vapor

• Líquido saturado => sobre a curva, a esquerda do ponto crítico.


• Vapor saturado => sobre a curva, a direita do ponto crítico.
• P < Pv => fase vapor.
• P = Pv => fases vapor + líquido.
• P > Pv => fase líquido.

17.3) Escoamento de fluidos em tubulações

17.3.1) Classificação quanto ao regime de fluxo

a) Escoamento laminar
Esse regime de fluxo é caracterizado por um movimento ordenado do fluido, em
forma de lâminas. As lâminas ou filetes são paralelos e a velocidade de escoamento é
constante.

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Se considerarmos um ponto ou partícula no escoamento, sua trajetória será


retilínea, num plano horizontal, com velocidade constante.

b) Escoamento turbulento
Esse regime de fluxo se caracteriza pelo movimento desordenado do fluido, as
linhas de fluxo não são paralelas.

Se considerarmos um ponto ou partícula no escoamento, sua trajetória será


tridimensional e a sua velocidade variável.

O escoamento laminar é típico dos casos onde a velocidade é excessivamente


baixa e (ou) o líquido apresenta viscosidade muito elevada. Na maioria das instalações
industriais o escoamento é do tipo turbulento. O tipo de escoamento é definido em
função do número de Reynolds (Re), que é um valor adimensional, dado pela expressão:

Re = D.V.ρ / μ ou Re = V.D / ν

Onde: V - velocidade de escoamento.


D - diâmetro interno da tubulação.
ν - viscosidade cinemática.
ρ - massa específica.
μ - viscosidade dinâmica ou absoluta.

• Re < 2000 - Regime laminar.


• 2000 < Re < 4000 - Regime de transição.
• Re > 4000 - Regime turbulento.

17.3.2) Classificação quanto ao número de fases

a) Escoamento monofásico
O fluido se apresenta apenas numa fase. Exemplos: gás, líquido e emulsão.
Observação:
- Emulsão é uma mistura entre dois líquidos imiscíveis, sendo que um deles (a fase
dispersa) encontra-se na forma de finos glóbulos no seio do outro líquido (a fase
contínua), formando uma mistura estável.

b) Escoamento bifásico
O fluido se apresenta em duas fases distintas. Exemplos: óleo e gás; óleo e água.

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c) Escoamento multifásico
O fluido se apresenta em três ou mais fases. O óleo bruto produzido nos poços
de petróleo é um exemplo clássico de escoamento multifásico: óleo + água + gás +
areia.

17.3.3) Classificação quanto ao perfil de pressão em função do tempo de escoamento

a) Regime permanente
A vazão é constante ao longo do duto ou tubulação. Não há alteração do perfil
de pressão ao longo do comprimento da tubulação com o decorrer do tempo de
escoamento.

b) Regime transiente ou transitório


A vazão de entrada e saída são diferentes. A causa mais freqüente é atuação de
uma válvula de bloqueio ou controle na entrada ou saída do duto, tendo como
conseqüência, o empacotamento ou estocagem do fluido dentro da tubulação, variando a
pressão interna. Neste tipo de regime há alteração do perfil de pressão ao longo do
comprimento da tubulação com o decorrer do tempo de escoamento.

17.4) Equação da continuidade

Consideremos um tubo de secção variável que escoa um líquido, conforme o


esquema abaixo.

- Onde:
• ν1 e ν2 – volumes que passam pelas secções A1 e A2.
• A1 e A2 – áreas das secções do tubo.
• V1 e V2 – velocidade de escoamento nas secções do tubo.
• x1 e x2 – espaço percorrido no escoamento.

ν2
ν1
A1 A2
V1 V2

x1
x2

- Como os líquidos são incompressíveis, temos:


ν1 = ν2
- Dividindo pelo tempo de escoamento (Δt) teremos uma grandeza chamada de vazão
em volume ou vazão volumétrica.
ν1 = ν2 => Q1 = Q2 => Mas, v1 = A1. x1 e v2 = A2. x2 => Então:
Δt Δt

A1. x1 = A2. x2 => Mas, x1/Δt = V1 e x2/Δt = V2 => Logo:


Δt Δt
A1 V1 = A2 V2 (Equação da continuidade)

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17.5) Conservação de energia nos sistemas hidráulicos

A energia num sistema hidráulico se apresenta de três formas:


• Energia relacionada à elevação do fluido (potencial).
• Energia relacionada à velocidade de escoamento (cinética).
• Energia relacionada à pressão do fluido (energia de pressão).

Num sistema hidráulico as parcelas de energia podem ser convertidas em outras


parcelas (formas) ordenadas de energia. Por exemplo, a energia potencial pode ser
convertida em energia de pressão e a energia de pressão pode ser convertida em
cinética.
Para um sistema ideal, a soma das três parcelas de energia (carga) se mantém
constante, ao longo do escoamento. Para um sistema ideal, onde consideramos os
efeitos da viscosidade do fluido, do turbilhonamento e do atrito do fluido com as
paredes do tubo, parte dessa energia é “perdida”, ou melhor, é transformada numa
parcela não ordenada de energia (calor, por exemplo). Essa parcela de “energia perdida”
recebe o nome de perda de carga.

17.6) Equação de Bernoulli

A equação de Bernoulli estabelece uma relação entre as parcelas de energia de


um sistema hidráulico e a carga total.

x1

V1 x2
F1
V2
F2
A1

A2
h1
h2

- Onde:
• h1 e h2 – altura dos centros das secções de escoamento (A1 e A2).
• A1 e A2 – área das secções do tubo.
• V1 e V2 – velocidade de escoamento nas secções do tubo.
• x1 e x2 – espaço percorrido no escoamento.
• F1 e F2 – forças de pressão exercidas pelo fluido restante, sobre o fluido contido
no tubo.

- Considerando o balanço de energia num sistema ideal, temos:

WF1 + WF2 = ΔEc + ΔEp

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- Desenvolvendo a equação, temos:

(F1.x1) + (F2.x2) = (m.V2² - m.V1²) + (m.g.h2 – m.g.h1) ........ (1)


2 2

- Mas, F = P.A ..........(2) e ρ = m / ν => m = ρ.ν ........ (3)

- Substituindo (2) e (3) em (1), temos:

P1.A1.x1 – P2.A2.x2 = (ρ.ν.V2² - ρ.ν.V1²) + (ρ.ν.g.h2 – ρ.ν.g.h1)


2 2

P1. ν1 – P2. ν2 = (ρ.ν.V2² - ρ.ν.V1²) + (ρ.ν.g.h2 – ρ.ν.g.h1)


2 2

- Dividindo por (ρ.ν.g), temos:

P1 – P2. = V2² - V1² + h2 – h1


γ γ 2g 2g

- Assim, temos:

P1 + V1² + h1 = P2 + V2² + h2 (Equação de Bernoulli)


.γ 2g γ 2g.........

17.6.1) Equação de Bernoulli para líquidos reais

A equação demonstrada no item anterior, não considera os efeitos do atrito, da


viscosidade e do turbilhonamento, no fluxo do líquido. Portanto, esta equação deve ser
adequada para aplicação em sistemas reais, introduzindo-se um termo para a
compensação das parcelas de energia que são “perdidas” durante o escoamento. Para
isso, introduzimos um termo chamado perda de carga (hf) que representa a soma dessas
parcelas “perdidas”.

- Assim, temos:

P1 + V1² + h1 = P2 + V2² + h2 + hf (Equação de Bernoulli para líquidos reais)


.γ 2g γ 2g....... ...... .

17.7) Perda de carga

A perda de carga pode ser dividida em dois tipos diferentes, a perda de carga
normal e a perda de carga localizada. A perda de carga normal ocorre em trechos retos
da tubulação, enquanto que a perda de carga localizada ocorre nos acidentes ou
acessórios (conexões, válvulas, instrumentos, etc).

17.7.1) Definições

a) Semelhança hidráulica
O número de Reynolds define a semelhança hidráulica para sistemas distintos.

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b) Rugosidade (ε)
A rugosidade é determinada pelo tipo de material e acabamento interno da
tubulação.

c) Rugosidade relativa (ε/d)


É um termo adimensional que determina a razão entre a rugosidade de um tubo e
os eu diâmetro interno.

d) Coeficiente de atrito de Moody (f)

O coeficiente de atrito pode ser calculado, ou obtido através de um ábaco


específico.

- Regime laminar:
• f = 64 / Re

- Regime turbulento:
• Ábaco de Moody (através de consulta direta ao ábaco).
ε 
• Equação de Colebrook: 1
= −0,86 ln  D +
2,51 
f  3,7 Re f 
 

17.7.2) Cálculo da perda de carga normal no regime turbulento

A perda de carga no regime turbulento é dada pela equação de Darcy –


Weisbach.

• hf = f.(L/D).(V²/2g) (para altura)

• hf = f.(L/D).(ρ.V²/2) (para pressão)

Onde:
V - velocidade de escoamento.
D - diâmetro interno da tubulação.
f - fator de atrito de Moody.
ρ - massa específica.
L - comprimento equivalente.
g - aceleração da gravidade

17.7.3) Cálculo da perda de carga normal no regime laminar

A perda de carga no regime laminar é dada por:

hf = f.(L/D).(V²/2g) ........ (1)

- Mas, para o regime laminar:

f = 64 / Re ........ (2) => Re = V.D / ν ........ (3)

- Substituindo (2) e (3) em (1), temos:

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• hf = 32.ν.V.L (fórmula de Poiseuille)


. ......... gD²....
Onde: V - velocidade de escoamento.
D - diâmetro interno da tubulação.
ν - viscosidade cinemática.
g - aceleração da gravidade.
L - comprimento equivalente.

17.7.4) Cálculo da perda de carga localizada

Como já foi visto, a perda de carga localizada é causada por acidentes ou


acessórios de tubulação, que provocam distúrbios locais no fluxo. São exemplos de
elementos causadores de perda de carga localizada: conexões, válvulas, filtros de linha,
instrumentos, medidores de vazão, etc. A perda de carga localizada pode ser calculada
ou obtida em tabelas.

a) Método direto (cálculo):


No método direto podemos calcular a perda localizada, através da fórmula
abaixo:
hfL = k.(V²/2g)
Onde:
k – fator experimental que caracteriza o acidente ou acessório de tubulação.
Observação: a perda de carga total será dada pela soma da perda de carga normal com a
perda localizada.

b) Método do comprimento equivalente (tabelas):

Neste método determinamos um comprimento reto de tubo, que equivale ao


mesmo efeito produzido pelo acidente ou acessório de tubulação. Esses valores são
encontrados em tabelas específicas e são fixados em função do diâmetro e do tipo de
acessório.
Este método costuma ser mais usado do que o método do cálculo direto. Neste
caso, todos os comprimentos equivalentes dos acidentes ou acessórios são somados com
o comprimento dos trechos retos de tubo. Em seguida, a perda de carga total é
calculada, utilizando o comprimento equivalente nas equações do respectivo regime,
laminar ou turbulento, conforme for o caso estudado.

17.8) Exercícios

1) Um tubo com 100 mm de diâmetro interno, apresenta uma descarga líquida de 6,0
litros por segundo. Determine a velocidade média de escoamento?
Resposta: V = 0,764 m/s

2) Calcular o diâmetro de uma tubulação para conduzir um líquido que apresenta uma
vazão de 100 litros por segundo, sabendo-se que a velocidade média do líquido não
pode ser superior a 2,0 m/s.
Resposta: D = 252 mm

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3) Um fluido escoa por uma tubulação a uma velocidade de 3m/s e apresenta uma
pressão de 350 gf/cm² no eixo do tubo. A altura de referência adotada é de 4,5 metros.
Calcular a carga total (m), quando o fluido for:
a) água (d = 1)
b) óleo (d = 0,8)
Resposta: a) Ha = 8,46 m b) Ho = 9,33 m

4) Um vacuômetro está instalado na tubulação de sucção de uma bomba, numa posição


1,2 metros abaixo do eixo do seu bocal. O vacuômetro acusa uma depressão de 178 mm
de Hg. O diâmetro interno da tubulação é de 100 mm e sua descarga de óleo é de 33
litros por segundo. Calcular a carga total (m) para uma coluna de óleo (d = 0,85) e para
uma coluna de água, no ponto considerado (utilizar como referência o eixo do bocal de
sucção da bomba).
Resposta: a) Ha = - 2,719 m b) Ho = - 3,146 m

5) Uma tubulação de 300 mm de diâmetro interno apresenta uma vazão de 170 litros por
segundo. Seu eixo está 9,0 metros acima do plano de referência e se encontra sob uma
carga total de 4,5 m.c.a. Calcule a pressão absoluta no tubo, considerando uma pressão
atmosférica de 10 m.c.a.
Resposta: Ptabs = 5205,20 kgf/m²

6) Uma tubulação horizontal transporta água com uma vazão de 850 litros por segundo.
Num ponto inicial em relação ao fluxo, o diâmetro é de 450 mm e a pressão de 0,7
kgf/cm². Numa posição adiante, o diâmetro é de 900 mm e a pressão de 0,763 kgf/cm².
Calcule a perda de carga entre os dois pontos.
Resposta: hf = 0,729 m

7) Para o escoamento do sistema abaixo, calcule a perda de carga admissível e


determine o diâmetro da tubulação para os parâmetros apresentados.

Resposta: hf = 3,53 m e Di = 12”

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8) O escoamento entre dois vasos de pressão (V-101 e V-102) é feito por uma
tubulação, conforme o esquema abaixo. Sabendo-se que a tubulação que interliga os
vasos é de 6” (154 mm), e que a pressão mínima na entrada do V-102 (ponto 2) deve ser
de 7,0 kgf/cm², determine a pressão requerida no V-101 (ponto 1).

Resposta: P1 = 10,90 kgf/cm²

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