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«Planeta dos Macacos: A Guerra» -

Nota: 4 estrelas

Depois de «Planeta dos Macacos: A Origem» (2011), realizado por Rupert Wyatt, de «Planeta
dos Macacos: A Revolta» (2014), realizado por Matt Reeves, é o seu mais recente filme que vem
fechar, com chave de ouro, a trilogia iniciada em 2011.

Will Rodman ( ) é um jovem cientista que desenvolveu um fármaco capaz de fazer regredir os
danos neurológicos que a doença de Alzheimer provocou no seu pai; porém, este efeito positivo
desapareceu num curto espaço de tempo. Antes da administração do químico em humanos,
foram os símios as cobaias de experimentação. Inesperadamente, os macacos que foram
injectados com o fármaco, evidenciaram um fenómeno de neurogénese que lhes provocou um
ganho intelectual substancial, elevando-os a um novo nível de inteligência.

O cariz político que estes filmes apresentam é claro e isso enriquece-os. Vejo a ficção-científica
não como um género escapista, que cria fantasias para melhor nos entreter, mas como um
estimulante a uma visão mais clara da nossa realidade, onde a fantasia é uma carga simbólica
necessária que contrasta com essa realidade e que provoca uma intensificação do nosso
pensamento.

Esta trilogia não é mais de que uma inteligente lição política de emancipação e, por mais incrível
que possa parecer, de igualdade de inteligências – que ironicamente só é dada a ver desde uma
desigualdade. Quando César toma contacto com a realidade da instituição, nota duas coisas que
desconhecia antes: a primeira é o lado violento e repressivo do ser humano no seu esplendor; a
segunda é que aquela violência humana é exercida pela ideia de desigualdade quando esta se
torna um princípio ético, ou seja, é a ideia de uma inferioridade do Outro que legitima o exercício
de violência. César, que aprendeu o amor e o ódio com os humanos, aprende assim o valor da
igualdade e começa agir segundo esse princípio.

Esta espécie de epifania política de igualdade leva-o a uma primeira recção violenta – talvez
dentro daquilo que Walter Benjamin chamou de violência divina -, primeiro libertando a sua
espécie e depois, liderando-a no sentido de se emanciparem do domínio humano e alcançarem
a sua independência – conseguiriam eles a sua libertação de forma pacífica, contra uma espécie
que coloca a violência como primeira forma de assegurar e conservar o seu domínio sobre toda
a natureza através de uma ideia determinista de desigualdade? Esta reacção não é desde o ódio
como uma vontade de extermínio ou genocídio, é um simples sacudir-se das garras humanas
que lhes aprisionam o corpo – é um habeas corpus dado pela soberania da natureza, ainda não
contaminada pela luxuria sanguinária dos humanos, nem por um corpo impotente e subjugado,
incapaz de reagir, criado pela religião cristã. Os símios em revolução apenas querem alcançar
as sequoias, um lugar onde possam formar a sua comunidade e viver com as suas novas
singularidades: um espírito que aprendeu a igualdade, pela desigualdade dos humanos, e que
cria um código com a regra fundamental de que “macaco não mata macaco”.

No segundo filme, uma gripe símia dizimou uma grande percentagem da população humana. É
dentro de um cenário pós-apocalíptico que tudo acontece
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