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OS TECELÕES DE MANCHESTER

O POBRE TECELÃO
DE QUATRO TEARES DE ALGODÃO
I

Eu sou um tecelão de quatro teares, como todo mundo sabe


Não tenho nada para comer e me visto em trapos
Meus tamancos estão quebrados e nem tenho meias
E você não liga para a minha situação
II

O velho Billy O 'Bent, ele estava nos falando


Estaríamos em melhor situação se parássemos de reclamar
Bem, eu fechei minha boca até quase me sufocar
E sinto que em breve eu morrerei
III

Eu sou um tecelão de quatro teares, como todo mundo sabe


Não tenho nada para comer e me visto em trapos
O velho Billy estava certo, mas ele nunca passou fome
Ele nunca teve escolha em sua vida
IV

Nós resistimos por semanas achando que cada dia seria o último
E aguentamos firmes nesse jejum
Comendo mato e ervas que conseguíamos encontrar
E um mingau aguado era nossa melhor refeição
V

Nossa amiga Margaret falou que se tivesse uma roupa decente


Iria até Londres ver nosso grande rei
E que se as coisas não melhorassem depois da visita
Ela juraria lutar até a morte
VI

Eu sou um tecelão de quatro teares, como todo mundo sabe


Não tenho nada para comer e me visto em trapos
Já não tenho meias nem teares para trabalhar
Eu teci e teci até o meu fim
DANIEL HESTER canta FOUR LOOM WEAVER
Que outras palavras se aplicam
à canção popular “Pobre Tecelão”?
PROTESTO – DEMONSTRAÇÃO
EXPRESSÃO – MANIFESTO – MANIFESTAÇÃO
RECLAMAÇÃO – REIVINDICAÇÃO
SOLICITAÇÃO – MAL-ESTAR
INSATISFAÇÃO – INCÔMODO
A música representa a situação social dos
tecelões da região de Manchester, Inglaterra,
nos anos de 1800, região que foi o berço da
revolução industrial, e onde se iniciou a
utilização dos teares à vapor.
Nessa época o liberalismo imperava, e não havia
nenhuma seguridade social aos tecelões, os quais
já tinha se desvinculada da vida rural e não mais
plantavam ou criavam animais. Dependiam única e
exclusivamente do seu ganho no tear.
Isso, aliado à instabilidade do mercado internacional
comprador de tecido da época,
gerava graves crises sociais.

A guerra de independência americana fez


com que cessassem as importações inglesas;
o cerco continental de Napoleão impediu
a exportação da Inglaterra para mercados
como o da Alemanha.
E assim surge o fenômeno social do tecelão pobre,
dos tecelões pobres, à míngua, famintos.
Um problema social.

E qual era a reação dos tecelões?

Sem escolha, se reuniam, para com seus pares, que


estavam passando pela mesma situação, fazer um protesto
público.

Em 1819, tecelões de toda a região de Lancaster, se


reuniram na praça central de Manchester a fim de
solicitarem ao rei a melhoria de sua situação.
A repressão à reunião foi brutal. A cavalaria de guerra,
vinda da vitória sobre Napoleão na Batalha de Waterloo,
partiu para cima dos manifestantes, dando espadadas, e
matando vários deles.

Antes, diversas leis e avisos foram feitos pelo governo


proibindo a reunião.

Porém, depois do que ficou conhecido como o “Massacre


de Peterloo”, uma alusão à batalha napoleônica, o
governo fez diversas reformas sociais, que resultaram em
um alívio aos tecelões.
Foi o início de uma história de muitas lutas, não só na
Inglaterra, mas no mundo inteiro, já que o sistema
industrial foi espalhado pelos quatro cantos do planeta,
levando consigo o fenômeno da miséria dos
trabalhadores, e o consequente protesto e união dos
mesmos.
Neste anos de 2019, completam-se duzentos anos do
massacre de Peterloo, e para a comemoração foi
produzido um filme, o qual assistiremos.
Percy Shelley
O poeta Shelley não era um tecelão. Passou por
dificuldades financeiras em sua breve vida, porém não
conheceu a miséria.

Herdeiro de um nobre inglês, recusou-se a assumir o


castelo da família, e em troca foi viver a vida como
escritor. Declarou seu ateísmo em público, o que lhe valeu
a expulsão da universidade antes que se graduasse.
Separou-se da esposa e de sua filha porque o amor entre
os dois acabou. Viveu em união com Mary Shelley, filha
de William Godwin, filósofo pioneiro do anarquismo.
Shelley, após ter notícias sobre o massacre de Peterloo,
fez seu mais famoso poema:

“A MÁSCARA DA ANARQUIA”
Vamos lê-lo.