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MALOWVICH &

NEONEOCONCRETA
(PASSEIO NAS ELÉTRIKAS)

Atualizado 31/03/2019
MALOWVICH & NEONEOCONCRETA,
PASSEIO NAS ELÉTRIKAS (2019)
Patrícia Teles

Instalação-Cênica
Dimensões: 3,80m larg. x 4,80m comp. x 2,40m alt.
Materiais: fios brancos, 16 painéis de LED, adaptadores de
tomada, placa eletrônica e sensores

NECESSIDADES TÉCNICAS
- tomada 110v ou 220v
- ambiente escuro

MONTAGEM
3 painéis fixados em alturas e paredes distintas.
Os demais painéis e emaranhados de fios devem ser
suspensos no teto.

Projeto de Residência Artística


II Prêmio Vera Brant | Casa Niemeyer - Brasília, 2019
Curadoria: João Angelini
Curadoria Geral: Rogério Carvalho

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MALOW... o quê mesmo?
O título apresenta mais uma camada de significação do trabalho, é inspirado
no suprematista russo Kazimir Malevich e no movimento Neoconcreta
brasileiro.

Malowvich é uma referência direta aos quadrados pictóricos de Malevich,


com uma pequena adaptação semântica para contemplar o low tech.

Por sua vez, Neoneoconcreta - ademais da referência conceitual que


evoca a participação nas artes, a irrupção das formas geométricas no
espaço, entre outras prerrogativas do movimento - reforça na repetição
do ´neo´ seu caráter contemporâneo de apropriação, da ´reprogramação´
de obras existentes. Tentativa de “inscrever a obra de arte em uma rede
de signos e significados, em vez de considerá-la como forma autônoma ou
original” (BOURRIAUD, 2009, p.13).

Por sua vez, Passeio nas Elétrikas é um convite à usufruição do trabalho.


No qual a disposição dos quadrados istauram um ´lugar-outro´ dentro do
cubo branco da galeria.

Suprimida a funcionalidade doméstica dos objetos (painéis de LED), resta


apenas sua condição de forma, uma moldura branca e iluminada que flutua
no espaço, sem sentido a priori, a não ser o de ´ser o que se é´.

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*BOURRIAUD, Nicolas. Pós-produção. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
MEMORIAL DESCRITIVO
O projeto experimental desenvolvido na residência Desta maneira, a participação se articula por duas frentes:
fundamenta-se em quatro pontos-chave: participação, imersão,
performatividade e tecnologia, o PIMP Tecnológico.
1. no penetrar do público no ´rizoma´, onde xs visitantes são
convidadxs a ´passear nas elétrikas´. Consequentemente, os
O PIMP surge da apropriação de paradigmas do pensando
corpos que transitam tornam-se parte da composição, e, portanto,
neovanguardista a respeito da produção artística, entre eles:
significantes da obra.
a abordagem fenomenológica do espaço; a relação arte-vida;
a valorização das experiências sensoriais em detrimento do
O ´passeio´ leva em consideração a percepção do entorno e
comportamento meramente contemplativo do público; e o caráter
das formas geométricas ´flutuantes´, cujos enquadramentos se
efêmero, processual e precário em oposição ao objeto de arte
transformam de acordo com o deslocamento dxs visitantes no
único e intocável.
espaço;
A primeira demanda do projeto foi a construção de um
ambiente imersivo, que consiste em um circuito elétrico 2. no diálogo humano-máquina, onde a interface tecnológica media
suspenso, composto por um emaranhado de fios brancos que a relação com xs interactores. Logo, para além de suporte da obra
sustentam painéis de LED quadrados, com fundos vazados, (fios e LEDs), a tecnologia transcende a sua matéria tangível e é
distribuídos no salão expositivo. responsável por agenciar transformações sensíveis no ambiente a
partir da participação do público.
Trata-se de uma instalação aberta, sem entradas ou saídas
definidas, um perímetro demarcado por uma organização caótica Durante as experimentações na residência, diversos sensores
de fios onde se pode emergir por pontos distintos. foram acoplados a interface: sensor de toque, de som, de presença
e de pulso cardíaco. Assim, cada sensor foi programado para
Nessa estrutura rizomática, o ´dentro´ e ´fora´ são subjetivos e alterar a qualidade da luz em resposta à ações específicas, como a
variam segundo a perspectiva de quem observa a si mesmo e aos intensidade da voz, do toque ou dos batimentos cardíacos.
outros.

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Desta maneira, a interface tecnológica foi propulsora de
transformações comportamentais nos residentes – que passaram
a brincar com a estrutura – o que reforça a ideia de que a
obra não é a instalação em si, mas a experiência que ela
promove.

É a performatividade dos corpos que ativa a estrutura e a


faz performar junto. Deste modo, corpo e suporte tecnológico
tornam-se um organismo só, agenciado pelo sistema de
retroalimentação.

Outro ponto de investigação da tecnológica é a estética da


gambiarra. Ou seja, de assumir o emprego da baixa tecnologia
com um discurso periférico sobre o tecnológico, pautado na
ressignificação de objetos do cotidiano e no seu caráter político,
desfetichizante, hackeante e de subversão da ordem tecnológica
hegemônica.

O maquinário mágico e ilusório se dilui em uma estrutura aberta,


com suas entranhas à mostra, passíveis de panes e curtos. Por
conseguinte, adiciona-se o ´erro´ como parte da experiência.

Por fim, os quatro eixos que modulam o projeto estão imbricados


e formam uma cadeira indissolúvel, enraizada na vivência de cada
um. Por outro lado, PIMP não é uma categoria artística, portanto,
onde localizar o trabalho?

Instalação? Performance? Cenário? Cena?


O viés processual possibilita categorizações múltiplas.

Patrícia Teles
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Patrícia Teles
patriciateles86@gmail.com 6
cargocollective.com/patriciateles