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O CUIDADO EM ÁLCOOL E DROGAS NO BRASIL: O APERFEIÇOAMENTO DA

ATENÇÃO COM O EMPREGO DA REDUÇÃO DE DANOS EM CONTRAPONTO


AO PROIBICIONISMO.1

CARE IN ALCOHOL AND DRUGS IN BRAZIL: THE IMPROVEMENT OF


ATTENTION WITH THE USE OF HARM REDUCTION IN CONTRARY TO
PROHIBITION.

Felipe Mota Araújo2

RESUMO

O consumo de entorpecentes sempre acompanhou a constituição da civilização. Na


modernidade, passou a ser encarado como problema, e então, foram adotadas
medidas no campo do proibicionismo, ancorados em modelos morais baseados na
esfera criminal. Estes modelos começam a ser questionados, tendo em vista não só
o aumento significativo do consumo de drogas pelo mundo, como também, a
incidência de doenças adquiridas pelos usuários. Como alternativa, após a
implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a lei da reforma psiquiátrica, surge
a Política de Atenção Integral a usuários de álcool e outras drogas, a qual apresenta
como uma de suas diretrizes a Redução de Danos (RD), passando a servir como
estratégia de produção de saúde, a permitindo a integralidade do cuidado em
dependência química. Diante disso, este estudo foi desenvolvido a partir da
pesquisa bibliográfica qualitativa, de modo que partiu da análise de livros, artigos
científicos, portarias e leis federais que fundamentam o tratamento direcionado aos
dependentes químicos no Brasil. Desta forma, este artigo pretende apresentar o
percurso das políticas públicas direcionadas aos usuários de drogas no Brasil, e
também discorrer sobre a potência da Redução de danos como ferramenta de
promoção em saúde e qualificação no cuidado direcionado aos dependentes
químicos, evidenciando suas vantagens em relação aos modelos do proibicionistas.

Palavras-chave: Proibicionismo, redução de danos, dependência química, políticas


públicas.

1
Artigo apresentado à Faculdade UnYLeYa – Pós Graduação à Distância – como parte dos requisitos
para obtenção do título de Especialista em Psicopatologia e Dependência Química, sob a orientação
da Profª Luciana Raposo dos Santos Fernandes, Brasília/DF, janeiro de 2018.
2
Psicólogo, formado pelo Instituto Porto Alegre (IPA), desde sua formação atuando como Psicólogo
clínico, atualmente residindo na cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.
ABSTRACT

The consumption of narcotics always accompanied the constitution of civilization. In


modernity, came to be seen as a problem, and so, measures were adopted in the
field of prohibitionism, anchored in moral models based on the criminal sphere.
These models begin to be questioned, not only in view of the significant increase in
drug consumption in the world, but also in the incidence of diseases acquired by
users. As an alternative, after the implantation of the Unified Health System (SUS)
and the law of psychiatric reform, the Policy of Integral Attention to users of alcohol
and other drugs, which presents as one of its guidelines the Harm Reduction (HR),
which started to serve as a health production strategy, allowing the integrality of care
in chemical dependence. Therefore, this study was developed based on the
qualitative bibliographical research, starting from the analysis of books, scientific
articles, ordinances and federal laws that base the treatment directed to chemical
dependents in Brazil. In this way, this article intends to present the course of public
policies directed to drug users in Brazil, and also to discuss the power of Harm
Reduction as a tool for health promotion and qualification in the care directed to
chemical dependents, showing their advantages in relation to the models of the
prohibitionists.

Key words: Prohibitionism, harm reduction, chemical dependency, public policies.

INTRODUÇÃO

A dependência química é um dos maiores desafios da atualidade no que tange à


saúde mental, considerando-se não só os números alarmantes de prevalência, como
também o impacto causado na saúde pública devido à crescente demanda por
tratamento especializado.

O consumo de entorpecentes sempre acompanhou a constituição da civilização,


seja por rituais e condutas religiosas, seja por aumentar a capacidade de
estabelecimento de relações sociais. A droga ao longo do tempo foi sendo utilizada
por diferentes motivos, desde o uso terapêutico como remédio, em que era usada
com o intuito de eliminar dores e outros sintomas, até o uso recreativo, de modo a
produzir o aumento da excitação. Frente a isso, o seu consumo foi sendo avaliado
de diferentes maneiras de acordo com as características históricas de cada tempo.
Na modernidade, o uso de entorpecentes passou a ser encarado como problema, e
foram adotadas medidas no campo do proibicionismo, ancorados em modelos
morais baseados na esfera criminal, a chamada “ guerra contra as drogas”. Tais
estratégias visavam produzir uma sociedade livre de drogas, com intervenções
baseadas no isolamento, direcionando o cuidado apenas para as pessoas que se
encontravam abstinentes. Este modelo começa a ser questionado tendo em vista
não só o aumento significativo do consumo de drogas pelo mundo, como também a
incidência de doenças adquiridas pelos usuários - os quais se encontram em
situação de vulnerabilidade e deveriam ser assistidos, mesmo que na vigência da
adição. (MACHADO; BOARINI, 2013).

No Brasil, com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a promulgação


da lei da reforma psiquiátrica, ocorre a ampliação da proteção e dos direitos das
pessoas portadoras de transtornos mentais e problemas decorrentes do uso de
substâncias psicoativas, e além disso, redireciona o modelo assistencial em saúde.
Com o advento do SUS e a proposta do trabalho em rede, surge uma nova dinâmica
de tratamento para a adicção, o que implica discutir não só as questões orgânicas e
psicológicas envolvidas, mas também os aspectos sociais, políticos, econômicos,
legais e culturais inerentes a esse fenômeno, além das consequências físicas,
psíquicas e sociais da mesma. (OCCHINI; TEIXEIRA, 2006).

A partir desta visão, surgem as Políticas de Atenção Integral para Usuários de Álcool
e Outras Drogas, como uma nova estratégia de cuidado, que pretende contemplar
as diversas esferas que a droga atinge, ampliando o espectro de tratamento e
reconhecendo a complexidade e singularidade de cada caso. Deste modo, o cuidado
deixa de ser pautado unicamente pela abstinência e passa a utilizar também a lógica
da Redução de Danos (RD). O que é corroborado pela visão de Machado e Boarini
(2013), ao considerarem que:

A estratégia de redução de danos pode ser definida como mais de uma


maneira de se abordar o usuário de drogas, descentrando o foco do
problema da erradicação e da abstinência e privilegiando o direito à saúde
de todos e o respeito à liberdade individual daquele que não deseja ou não
consegue interromper o uso de drogas. (MACHADO; BOARINI, 2013, p.
584).

Sendo assim, a RD passa a ser uma estratégia de ação para encarar a dependência
química, respeitando a singularidade de cada caso e entendendo que saúde é um
direito de todos, independentemente de estar ou não em estado de abstinência.
Diante da complexidade que envolve o contexto de tratamento em dependência
química, faz-se necessário aprofundar e avaliar as estratégias de cuidado, tendo em
vista que muitas pessoas e profissionais de saúde se colocam contra a RD, mesmo
sem saber ao certo seus preceitos, bem como defendem o proibicionismo sem
avaliar os seus resultados em termos de saúde. Dessa forma, este artigo pretende
não apenas apresentar o percurso das políticas públicas direcionadas aos usuários
de drogas no Brasil, mas principalmente discorrer sobre a potência da RD como
ferramenta de promoção em saúde e qualificação no cuidado direcionado aos
dependentes químicos, evidenciando suas vantagens em relação ao modelo do
proibicionismo.

O artigo em questão se desenvolverá através da pesquisa bibliográfica, de modo


que o estudo foi feito através da pesquisa em portarias e leis federais que
fundamentam a organização e o tratamento direcionado aos dependentes químicos
no Brasil. Além disso, se utilizará de livros, artigos científicos, monografias e
publicações em revistas científicas, afim de discorrer sobre as características
históricas do uso de substância, assim como sobre o modo com que foi tratada ao
longo do tempo. Segundo Chiara, et al, (2008), a pesquisa bibliográfica é feita com o
intuito de levantar um conhecimento disponível sobre teorias, a fim de analisar,
produzir ou explicar um objeto sendo investigado. A pesquisa bibliográfica visa então
analisar as principais teorias de um tema, e pode ser realizada com diferentes
finalidades. (CHIARA, KAIMEN, et al, 2008).

O estudo será realizado em caráter qualitativo, tendo em vista que se propõe a


pesquisar sobre as estratégias de cuidado aos usuários de drogas, evidenciando as
características dos períodos históricos que antecederam a visão posta em prática
atualmente. Tal fato vai ao encontro de Maanen (1979), ao defender que o
desenvolvimento de um estudo de pesquisa qualitativa supõe um corte temporal-
espacial de determinado fenômeno por parte do pesquisador. Esse corte define o
campo e a dimensão em que o trabalho desenvolver-se-á, isto é, o território a ser
mapeado. (MANNING, 1979, p.668).
CAPÍTULO1 - PROIBICIONISMO: A GUERRA CONTRA AS DROGAS

O emprego histórico do vocábulo droga - assim como a sua conotação -, passou por
trajetória evolutiva e delimitatória no transcorrer das diferentes épocas. De acordo
com Escohotado (2007), na Grécia antiga, a palavra pharmakon significava remédio
e veneno sem delimitação entre benefício e prejuízo, abarcando ambos valores
contraditórios sem conotação negativa e diferenciação, senão através do padrão e
níveis de uso.

Contudo, conjunturas históricas e sociais levaram à utilização do termo para referir-


se a substâncias com efeitos psicoativos, destacando-se o uso do vocábulo na Idade
Média para designar poder sedativo e indução de sono, delimitando de certa forma o
entendimento da palavra. No entanto, foi no início do século XX, em meio à
sociedade conservadora estadounidense, que o termo adquiriu conotação pejorativa,
ao associar a droga à delinquência e à ilegalidade, visto que a palavra narcotics
passou a abranger todo psicotrópico proscrito pelas autoridades governamentais.

Entretanto, apesar das modificações históricas do significado do vocábulo desde os


primórdios da civilização, o uso de drogas para fins diversos é anterior a própria
sociedade e remete ao Período Paleolítico, no qual - de acordo com pesquisadores,
baseados em evidências encontradas em sítios arqueológicos -, os seres humanos
primitivos já tinham contato com substâncias psicoativas.

Com o surgimento e evolução das civilizações, destacam-se outros achados


relacionados ao uso de drogas - há descrições de épocas anteriores a cristo
evidenciando que sociedades antepassadas se utilizavam de substâncias
psicoativas em cultos e rituais religiosos com o objetivo de ter contato com deuses e
seres espirituais.

Nesse contexto, o uso de plantas e ervas que alteravam a consciência era visto
como uma fórmula mágica de se alcançar a sabedoria para se comunicar com
instâncias tidas como soberanas à condição humana.
De acordo com Soccal (2012), a mudança de paradigma da concepção do uso de
drogas, baseia-se em pontos primordiais como o surgimento da farmacologia e da
química moderna, no início do século XIX, que levou ao surgimento e ao refinamento
de novos princípios ativos, – os fármacos puros – de distintas plantas, em uma
sucessão que começou com a morfina (1806), prosseguindo com a estricnina
(1817), cafeína (1820), nicotina (1828), codeína (1832), cocaína (1860), heroína
(1883) e barbitúricos (1903), entre muitos outros. A partir de tais descobertas, a
indústria passou a investir e a difundir a fabricação de compostos estimulantes, a
exemplo, a mundialmente conhecida até os dias de hoje, coca-cola.
(SOCCAL,2012).

De fato, a proibição do consumo de drogas, inicia no século XX, com uma tentativa
do governo chinês de equilibrar a balança econômica, ao proibir inicialmente o
tabaco e, por conseguinte o ópio, a medida em que a população recorreu a outra
droga para suprir a necessidade da inicialmente proibida.

No entanto, tal fato gerou problemas no comércio internacional que culminaram na


Guerra do Ópio e, consequentemente, levantaram a necessidade de discussão
acerca do uso de tal substância. Dessa forma, em 1909 ocorre a Conferência de
Xangai, na qual, conforme Silva (2013), foram agregados elementos que impactaram
de diversas formas nas políticas sobre drogas iniciais, uma vez que coexistiam
preocupações de cunho humanitárias e interesses econômicos, ações
governamentais proibicionistas justificadas pela moral cívil, e adoção de medidas
simples e imediatas sem análise do impacto a longo prazo.

O esforço em favor à restrição do uso de drogas seguiu com a realização da


Convenção de Haia (1912), primeiro tratado internacional de controle de drogas, que
serviu de subsídio à política proibicionista ao regulamentar a fabricação, uso e
comércio de substâncias como a cocaína, ópio e seus derivados. Assim, determinou-
se restrição à produção e estabeleceu-se os fins medicinais como única forma lícita
de uso das drogas, vedando outras finalidades. Tal definição serviu como base para
a política americana de proibicionismo e adicionada à pressão de grupos sociais que
defendiam uma sociedade moral e livre de vícios - representados pelo álcool e
outras drogas emergentes como a morfina e a cocaína, acabou deflagrando o início
da repressão às drogas nos Estados Unidos (EUA). Com a criação da Lei Seca
Americana, o proibicionismo ganhou força e passou a abranger outras substâncias
inicialmente permitidas.

Na década de 30, apesar de certa resistência internacional, os EUA conseguiram


através de tratados o estabelecimento do controle sobre o comércio internacional de
drogas, ao criminalizar a posse, venda e consumo de tais substâncias. Apesar da
vitória no âmbito mundial, a sociedade americana se deparou com uma
consequência catastrófica do proibicionismo: o tráfico clandestino de bebidas
alcóolicas.

A criminalidade crescente e o controle por gangster levaram à pressão popular


contra os governantes e, consequentemente à liberação da venda de bebidas
alcoólicas, diferentemente das outras drogas psicoativas, as quais foram cada vez
mais reprimidas através de encontros internacionais como a Convenção Única de
Narcóticos, promovida pela ONU em 1961, bem como através de políticas como “A
Guerra às drogas”, de Richard Nixon, promulgada em 1971 nos EUA.

Assim, em decorrência da influência política e da supremacia econômica dos EUA,


ocorreu a difusão da política conservadora e proibicionista que embasa - em muitos
países, em especial, o Brasil - o modelo vigente de controle às drogas. (SOCCAL,
2012).

Fato é que o Brasil não fazia parte das potências e países ativos nos debates
internacionais sobre o uso de substâncias, tendo adotado a postura de alheamento
durante praticamente todo o século XX. (SILVA, 2013). Especificamente, o percurso
do proibicionismo no Brasil se inicia em 1912 após a convenção de Haia, momento
em que houve o comprometimento de se consolidar a vigilância sobre o uso de Ópio
e cocaína, devido ao aumento da incidência de uso entre diferentes instâncias da
sociedade, fato que acarretava a disseminação das substâncias pelas cidades.

Deste modo, apesar de isolados, foram emergindo algumas medidas pontuais ainda
que sem muitas repercussões sociais. Em 1921, surge a primeira lei restritiva ao uso
de drogas, a qual determinou que todo o consumo não medicinal era passível de
punição.

De acordo com Laikovski (2015), a partir de 1930, o uso de maconha é totalmente


proibido, e em 1933, ocorreram as primeiras prisões no país (no Rio de Janeiro) por
uso da droga.

Em 1936, foi criada a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes para


tratar do tema da drogadição, mesmo ano no qual o país assinou pela primeira vez
um acordo internacional sobre drogas. Então, como citado anteriormente, em 1961,
com A convenção de Drogas e Narcóticos das Nações Unidas, ocorreu o
entendimento entre os países participantes no sentido de que as drogas deveriam
ser proibidas em decorrência dos malefícios causados a saúde, e também pelo seu
potencial de adicção.

A partir desse momento, adota-se postura sinérgica à política de guerra contra as


drogas americana, e aprova-se, em 1976, no Brasil, uma lei sobre medidas de
prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes
ou que determinem dependência física ou psíquica.

Contextualiza-se que até então, tanto os usuários como os traficantes eram vistos
como iguais, sendo atribuído a ambos julgamentos baseados na esfera moral e
criminal. A partir da promulgação da Lei 6.368/1976, os usuários são diferenciados
dos traficantes e passam a ser vistos como portadores de uma patologia de ordem
biológica, e para tanto, deveriam ser tratados como doentes. (BRASIL, 1976). Este
modelo prevê que os usuários sejam reabilitados de maneira isolada, através de
regimes de internações hospitalares que primam pela abstinência. Sendo assim, a
abstinência passa a ser o cerne do tratamento, e consequentemente, passa a não
ser aceito nenhum tipo de padrão de uso. Sob o prisma do proibicionismo, de acordo
com Marlatt (1999):
A abstinência é quase sempre pré-requisito para o tratamento, uma vez que
a maioria dos programas de tratamento de dependência química recusa-se
a admitir pacientes que ainda estejam usando drogas. A exigência de que o
indivíduo deve primeiro abster-se a fim de receber o tratamento que visa
manter a abstinência exemplifica uma abordagem de “alta
exigência”(MARLATT ,1999, p.58).
A repressão nacional ao uso de substância prosseguiu com a criação, em 1980, do
Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão de Entorpecentes e do
Conselho Nacional de Entorpecentes (CONFEN), órgão colegiado normativo e
instância máxima para a determinação das políticas nacionais antidrogas e de todas
as iniciativas, internas e externas, naquela esfera. De acordo com Silva (2013), a
inserção do Conselho na estrutura do Ministério da Justiça refletiu o enfoque
prioritariamente repressivo que o governo pretendia dar à questão, vista então da
perspectiva do aumento do tráfico e da criminalidade. (SILVA, 2013).

Isto posto, é possível perceber que as intervenções e políticas praticadas no


passado – e que seguem enraizadas na política nacional -, eram fundamentadas no
medo e desenvolvidas em caráter de proibição e punição, baseadas em modelos
morais.

Fato é que, analisando-se o contexto de aceitação ou refutação ao uso de


substâncias durante a evolução da civilização e modernidade, encontra mais
substrato em questões econômico-comerciais e sócio-morais que propriamente a
preocupação com a saúde pública e/ou impacto dos malefícios do consumo
indiscriminado de drogas. Exemplo maior constitui-se no apelo e na não proibição do
uso de drogas como o álcool e o tabaco - comprovada e amplamente nocivas ao
organismo do ser humano -, a medida em que a indústria e o lucro proveniente da
comercialização sobrepõem-se à aceitação do ônus que representa no orçamento
do sistema de saúde pública, considerando-se as inúmeras patologias, internações e
intervenções decorrentes da utilização em larga escala das drogas lícitas.

CAPÍTULO 2 - A REDUÇÃO DE DANOS NO BRASIL: DA AÇÃO À POLÍTICA.

O conceito de redução de danos começou a ganhar repercussão no Brasil a partir da


década de 90, em meio ao crescimento da epidemia da Síndrome de
Imunodeficiência Adquirida (AIDS). O primeiro passo foi direcionado aos grupos que
possuíam “maior vulnerabilidade”, como os homossexuais e os usuários de drogas
injetáveis, consistindo na entrega de kits de redução de danos, os quais continham
seringas, garrotes, preservativos, agulhas, além de materiais de conscientização
sobre o uso seguro das substâncias. Os profissionais responsáveis pelas entregas
eram os chamados de Agentes Redutores de Danos, e deveriam possuir a
capacidade de trabalhar em lugares de difícil acesso, geralmente em periferias, e ter
a facilidade de criar vínculos com as pessoas que ali se apresentavam.

Contextualizando, as primeiras ações brasileiras foram desenvolvidas na cidade de


Santos devido a grande quantidade de casos de HIV/AIDS; posteriormente na Bahia,
sendo considerado o primeiro programa de redução de danos brasileiro, já que além
da troca de seringas, promovia a educação e a prevenção. Logo em seguida, foi
implementado em Porto Alegre/RS, e assim, a expansão de Programas de Redução
de Danos foi se disseminando nos estados brasileiros a partir da divulgação de
resultados exitosos dos programas piloto até então desenvolvidos.

No entanto, é importante salientar que não foi desenvolvido de maneira universal,


tendo em vista a baixa sustentabilidade do mesmo. Em 2003, mais de 150
Programas de Redução de Danos estavam em funcionamento no Brasil, todos
apoiados pelo Ministério da Saúde, que também financiava total ou parcialmente
muitos deles. (INGLEZ-DIAS et al, 2014).

Ocorre que, em paralelo ao crescimento dos programas de redução de danos, surge


o Sistema Único de Saúde (SUS), o qual instituiu, entre outras coisas, o direito à
saúde a todas as pessoas que estiverem em território Brasileiro, bem como atribuiu
ao Estado o dever de promovê-la. (BRASIL, 1990). Diante disso, ocorre uma
mudança não só na organização em termos de saúde e cuidado, mas principalmente
na lógica de fazer saúde, a qual passa a considerar não apenas a recuperação, mas
também a proteção e a promoção da saúde, através de estratégias que englobam
inclusive políticas econômicas e sociais.

Em abril de 2001, é promulgada a lei 10.216, a qual, conforme o Ministério da Saúde


(2001), garante aos usuários de serviços de saúde mental – e, consequentemente,
aos que sofrem por transtornos decorrentes do consumo de álcool e outras drogas -
a universalidade de acesso e direito à assistência, bem como a sua integralidade.
Ainda, valoriza a descentralização do modelo de atendimento ao determinar a
estruturação de serviços mais próximos do convívio social de seus usuários,
configurando redes assistenciais mais atentas às desigualdades existentes,
ajustando de forma equânime e democrática as suas ações às necessidades da
população. (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001, pp. 5-6).

Neste contexto, há uma grande mudança na relação saúde-doença, uma vez que
anteriormente o cuidado era pautado unicamente pela dimensão biológica, em que o
sujeito era visto de forma fragmentada e tratado apenas pelos sintomas manifestos,
a nova perspectiva passa a encarar o sujeito na sua totalidade, de maneira
biopsicossocial. Desta forma, segundo Mendes (1996, apud PRATTA; SANTOS,
2009, p. 208), a saúde deixa de ser vinculada única e exclusivamente a dimensões
biológicas, e passa a considerar outros aspectos que envolvem os sujeitos e suas
vivências cotidianas, como trabalho, educação, lazer, alimentação e outras.

Em decorrência desta ampliação do olhar sobre o sujeito, consequentemente se


produz uma alteração na relação saúde-doença e discute-se a ineficácia dos
modelos para a população usuária de drogas baseados apenas no proibicionismo.
Assim, emerge através da PORTARIA Nº 2.197/GM em 14 de outubro de 2004, a
Política de Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas, a qual apresenta
como uma de suas diretrizes, a Redução de Danos, passando a servir como
estratégia de produção de saúde, de modo a permitir a integralidade do cuidado em
dependência química. (BRASIL, 2004).

Diante disso, a Política de Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas


surge então preconizando um cuidado livre de julgamentos e estereótipos, com
vistas a um tratamento baseado em ideias de valorização da vida, respeitando os
sujeitos e as suas singularidades. Esta política inclusive vai ao encontro das
diretrizes da Lei 10.216, ao instituir serviços direcionados ao cuidado, desde a
atenção básica até os setores especializados. Além disso, engloba os diversos
aspectos envolvidos no tratamento em dependência química, considerando não só
os serviços de saúde, como também diferentes instâncias da sociedade civil como
pertencentes ao processo de reabilitação.

Portanto, a Redução de Danos surge como uma diretriz integrada a Política de


Atenção a Usuários de álcool e Outras Drogas, até que a portaria N° 1028 de 1° de
Julho de 2005 finalmente regulamenta as ações de redução de danos sociais e de
saúde decorrente do uso de substâncias que causam dependência. A portaria
determina que as ações sejam direcionadas para as pessoas que não querem, não
podem ou não conseguem interromper o uso, tendo em vista que objetivo é respeitar
as necessidades, a aumentar a qualidade de vida e reduzir os riscos associados ao
consumo. Além disso, pretende aconselhar e educar os usuários sobre condutas
mais seguras com relação ao uso, assim como fornecer insumos para que isto seja
realizado, sempre com respeito e valorização da liberdade individual de cada
indivíduo. (Brasil, 2005).

Nesse sentido, é que a Redução de Danos é tomada como uma estratégia, a qual
parte da promoção em saúde como modo de interferir no processo de drogadição,
divulgando a prevenção e ações educativas. Por outro lado, no caso de o indivíduo
já ter se tornado dependente, tal política pretende agir no sentido de possibilitar um
entendimento mais amplo sobre a situação e a relação que cada usuário estabelece
com o uso da droga.

Capítulo 3 - A REDUÇÃO DE DANOS EM CONTRAPONTO AO PROIBICIONISMO

Analisando os acontecimentos históricos, podemos perceber que o objetivo das


estratégias proibicionistas nunca estiveram centrados na condição de saúde das
pessoas, e sim, no ideal utópico de uma sociedade livre de drogas. Ao criminalizar o
usuário e tratá-lo como doente com condutas baseadas no isolamento exigindo a
abstinência, estaremos afastando a pessoa do processo terapêutico, e isto me
parece um erro crasso, tendo em vista que a evolução do tratamento depende
diretamente da corresponsabilidade no processo.

A capacidade de ouvir os usuários e colocar em prática a corresponsabilidade no


tratamento, sem julgamentos morais, respeitando as escolhas pessoais e
características de cada caso, reflete não só na melhora em termos de tratamento e
atenção à saúde, como também possibilita que os usuários sejam assistidos a partir
das suas necessidades pessoais.
Frente a isso, a Redução de Danos se torna uma ferramenta potente na busca por
um atendimento integral e efetivo, já que segundo Conte et al (2004),

O conceito de Redução de Danos é a flexibilidade no contato com o usuário,


o que significa estabelecer vínculo, facilitar o acesso às informações e
orientações, estimular a ida ao serviço de saúde (quando necessário),
utilizando propostas diversificadas e construídas com cada usuário e sua
rede social. Para tanto, consideram-se o desejo e a demanda dos usuários,
assim como as possibilidades para compor um acompanhamento com
combinações em comum acordo, chamado de plano terapêutico. (CONTE et
al., 2004, p. 64).

A partir desta perspectiva, corrobora-se a proposta da Redução de Danos de


canalizar ao sujeito um olhar sobre a sua totalidade. Ação que possibilita ao usuário
participar do seu processo terapêutico, horizontalizando assim a parceria, sem
introduzir padrões culturais ou religiosos inerentes à relação que se estabelece no
aqui agora, independente se estiver em abstinência ou não. Tal contexto pode vir a
criar um vínculo mais forte entre os usuários e os serviços destinados à manutenção
do tratamento, acarretando em uma melhora na qualidade de vida, na adesão ao
tratamento, bem como em uma diminuição das vulnerabilidades destes usuários que
optam por não parar o uso. Ideia que dialoga com Cruz et al (2003), ao afirmar que
“a utilização deste tipo de abordagem possibilita que muitos usuários se vinculem
aos profissionais e à instituição, iniciando um tratamento que pode progressivamente
trazer modificações importantes na forma de lidarem consigo mesmo e com o
mundo à sua volta”. (CRUZ et al, 2003, p. 360).

Neste raciocínio, os programas de redução de danos são caminhos possíveis de


produção de saúde a pessoas já envolvidas com o uso de drogas, além de
possibilitarem que estes usuários acessem os serviços de saúde por outra porta -
que não a emergência - em momentos de intoxicação aguda. Concordando com
Carlini-Marlatt et al (2003), a proposta de redução de danos desvia a atenção do uso
de drogas em si para as consequências ou para os efeitos do comportamento
aditivo.

Tais efeitos são avaliados principalmente em termos de serem prejudiciais ou


favoráveis ao usuário de drogas e à sociedade como um todo, e não pelo
comportamento ser considerado, em si, moralmente certo ou errado. Além disso, em
contraste com o modelo de doença – que vê a dependência como uma patologia
biológica/genética e promove a redução da demanda como meta primordial da
prevenção e a abstinência como única meta aceitável de tratamento, a Redução de
Danos oferece uma ampla variedade de políticas e de procedimentos que visam a
reduzir os efeitos prejudiciais do comportamento aditivo.

Compreende-se que uma potente abordagem a usuários de drogas, com vistas à


redução do sofrimento individual e coletivo, se daria na utilização de uma estratégia
livre de preconceitos e baseada no pragmatismo[3] [Nascimento] 2010). A lógica da
Redução de Danos representa uma relevante intervenção a ser aplicada em
dependentes químicos, uma vez que adequa a necessidade do tratamento à prática
do usuário, tendo em vista que, se a finalidade maior consiste na
manutenção/melhoria da saúde, o aspecto primordial a ser acessado é essa
condição do usuário e não a imposição da cessação abrupta da adição.

Nesse contexto, não é cabível depender da abstinência do usuário para realizar o


tratamento, já que a questão é justamente a dependência. É possível que a política
de Redução de Danos denote mais ganhos que a estratégia da abstinência a médio
e longo prazo, pois consiste numa abordagem gradual e adaptada à visão e
realidade do paciente-usuário. O aspecto da exigência da abstinência como critério
de acesso ao tratamento é difícil de ser abordado, considerando que, segundo
Forteski e Faria (2013), o padrão de tratamento que só inclui os usuários na
condição de doentes tendo a abstinência como critério de acesso aos serviços,
representa a manutenção de mecanismos de exclusão e estigmatização.

O agravante é que este fato contribui para que os usuários se distanciem dos
serviços de saúde, já que a recaída passa a ser apenas um sinal de fraqueza e
frustração, não sendo encarada como parte do processo de tratamento, que deve
ser entendida e trabalhada de modo a diminuir a incidência novos episódios. Defesa
também realizada por Alves (2009, p. 2312), ao afirmar que “a exigência do
abandono imediato e total do uso de drogas colabora com as censuras feitas ao

3
derivado do grego prágma, significa ‘fazer’, denota ação, ato ou caso. Na antropologia pragmática
de Kant, é a ética prática. Na definição kantiana, o horizonte pragmático representa a adaptação do
conhecimento à finalidade moral, aos fins da vida prática, do agir.
usuário em casos de reincidência, fazendo com que estas instituições de saúde
sejam territórios reprodutores de estigmas”. (ALVES, 2009, P. 2312).

Diferentemente da ideia dos que defendem a sua não-utilização, a lógica da


Redução de Danos não induzirá o usuário ao consumo, pelo contrário, irá instrui-lo
no sentido de prevenção a recaída e diminuição de agravos. Todavia, de modo a
criar um vínculo, permitindo que em um momento de recaída o serviço de saúde
seja um lugar em que suas escolhas sejam respeitadas e o sujeito saiba que pode
acessá-lo sendo acolhido em todos os níveis, sem ser julgado e estigmatizado.

Concordando com Stronach (2004), a Redução de Danos não incentiva nem fecha
os olhos para o uso de drogas, pois reconhece que existem danos e consequências
envolvidas. Ainda, não existe uma oposição da Redução de Danos ao uso de
estratégias clínicas que pressupõem a abstinência, mas uma reprovação do
posicionamento dos dispositivos de atenção em saúde que defendem a abstinência
como único objetivo do tratamento. Então, não se trata de desprezar a relevância da
abstinência para o tratamento de muitos usuários, mas sim de entendê-la como
apenas uma possibilidade entre as várias existentes (SOUZA, 2007; CRUZ et al,
2003).

Analisa-se que ainda há uma falta de compreensão sobre a lógica da Redução de


Danos, o que implica não apenas em entraves na sua adoção e realização, mas
principalmente na qualidade de vida e saúde dos usuários de drogas, tornando a
política ineficiente e insuficiente. Nesse cenário, de fato, cabe esclarecer a estratégia
da Redução de Danos à população e também aos próprios profissionais de saúde, a
fim de que compreendam a distinção entre estímulo ao uso de drogas e prevenção
em saúde no contexto de adição. Além disso, deve-se fomentar o entendimento de
que a estratégia visa diminuir a vulnerabilidade do usuário ao ambiente que é
exposto ao buscar as substâncias, já que isso repercute na sua saúde, colocando-o
em risco de vida.

No entanto, o aspecto primordial na implementação da estratégia com vistas à


eficiência do programa reside na mudança do olhar em relação ao dependente
químico que, com efeito, deve ser entendido e tratado da mesma forma que outros
usuários com necessidades em saúde mental. O que significa tratá-lo como um ser
humano, sem qualquer tipo de julgamento moral ou social, a fim de que o tratamento
ocorra de forma integral e sem estigmatização, respeitando o direito universal à
saúde preconizado pelo SUS.

4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os argumentos apresentados no presente estudo, fez-se possível


analisar as características históricas das estratégias proibicionistas e de redução de
danos direcionadas ao cuidado em dependência química no Brasil. Diante disso,
evidenciou-se a potencialidade da Redução de Danos em contraponto às estratégias
proibicionistas, no que tange a qualificação e a ampliação do tratamento para
adicção. Ainda, o artigo apresentou um breve percurso sobre as políticas de atenção
direcionados aos usuários de drogas no país.

Ao analisar as estratégias proibicionistas, atenta-se para o fato de que em nenhum


momento foram pensadas como ferramenta de produção de saúde, mas sim, como
forma de erradicar o problema social e econômico que envolve o uso de
entorpecentes. Na verdade, tratam- se de lógicas e condutas desenvolvidas há mais
de um século, e durante este tempo - em contraponto à idealização inicial - ao invés
da diminuição, ocorreu o aumento do número de dependentes químicos,
comprovando a fragilidade deste modelo. Além disso, exigir que o usuário esteja
abstinente para obter atendimento contribui para um maior risco de desfechos
negativos, tendo em vista que a recaída é o momento em que os usuários se
encontram mais vulneráveis.

Frente a isso, a política de redução de danos emerge como uma alternativa


essencial na busca por um atendimento efetivo, já que fundamenta-se nos Direitos
Humanos e converge à tendência atual de posição ética e compreensiva proposta
pela saúde coletiva. Baseando-se no cuidado centrado no usuário, tal iniciativa
engloba todos os aspectos envolvidos na vida e cotidiano dos dependentes
químicos, considerando as demandas e opiniões particulares com vistas à criação
de estratégias singulares com ênfase na integralidade do cuidado. Ainda, busca
identificar e minimizar fatores de risco, bem como potencializar fatores de proteção,
o que implica uma maior adesão ao tratamento devido a melhor adequação e
aceitação do usuário à terapêutica estabelecida.

Com efeito, pensa-se na Redução de Danos para além de uma estratégia,


transpondo-a para uma ética de cuidado, tendo em vista que sua aplicação não se
reduz apenas à dependência química, já que abrange contextos sociais e culturais,
os quais demandam ações com respeito às singularidades e à valoração da vida.
Dito de outra forma, a política de Redução de Danos integrada e articulada aos
demais níveis tecnológicos direcionados ao cuidado em dependência química,
possibilitam não só a aproximação dos usuários aos serviços, mas
consequentemente, a diminuição das vulnerabilidades já apontadas.

Em consequência disso, é de suma importância que as ações e condutas sejam


direcionadas ao indivíduo como um todo, levando em consideração os aspectos
biológicos, psicológicos e sociais, abordando assim questões mais amplas, que não
reduzam os usuários apenas aos sintomas/doença. É fundamental que a otimização
dos processos em saúde mental no tratamento da dependência química considere a
complexidade da questão, bem como todas as consequências políticas e
socioeconômicas envolvidas no contexto de adicção. Nesse sentido, a Redução de
Danos pode vir a ser uma alternativa potente na produção de saúde para pessoas
que fazem uso disfuncional de substâncias psicoativas, já que engloba prevenção,
promoção e recuperação da saúde.

Contudo, isso não significa que seja uma solução única para a dependência de
drogas, e sim que se trata de uma estratégia possível a outras ações, ao incluir
intervenções com maior comunicação e articulação entre os atores envolvidos no
processo de cuidado dos usuários, com vistas a viabilizar a integralidade e a correta
funcionalidade da atenção em saúde para os dependentes químicos.
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