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1.

O Principado
1.1 Otaviano e o prinicipado
1.2 O que é o principado
1.3 Provincias romanas no principado
1.4 As Instituições políticas da República no Principado
1.5 O princeps
1.6 Fontes do Direito no Principado

2. O Dominato
2.1 Dioclesiano e a implantação do Dominato
2.2 A divisão do Império Romano
2.3 Instituições Políticas
2.4 Fontes do Direito
3. Corpus Iuris Civilis
Otaviano e o início do principado

Em 31 a.C. Otaviano vence Marco Antônio na batalha de Ácio e se torna o único


detentor do poder em Roma, pondo fim ao segundo triunvirato e a uma feroz guerra civil.
Estava aberto o caminho para o surgimento de uma nova instituição em Roma, que alteraria
profundamente os rumos daquela civilização.
Nos anos seguintes, o Senado, em reconhecimento aos serviços prestados por este
general, agraciou-o com vários títulos e poderes extraordinários, até que, em 27 a. C, nascia
o principado, quando Otaviano, em frente ao Senado, abdicou de seus poderes absolutos
como governante, para voltar a ser um cidadão comum. O Senado suplicou que voltasse
atrás dessa decisão, com o que ele concordou, porém, após colocar dois pontos que
restringissem seu poder: que as províncias romanas fossem divididas entre senatoriais e
imperiais (as consideradas mais perigosas) e que o exercício de suas funções como
governante se limitasse a dez anos.
Quatro anos depois Otaviano renunciou ao consulado, que já vinha exercendo há 7
anos, e recebe o imperium proconsulare (proconsulado), que lhe conferia o comando sobre
todos os exércitos romanos e a potestas, que lhe garantia inviabilidade pessoal e o poder de
veto frente ao Senado, sendo investido com o título de princeps universorum, o primeiro
dentre todos os cidadãos, com vontade suprema sobre toda a vida da Cidade.

O Principado
O Principado, também conhecido como Alto Império, é em Roma, nada menos do
que uma monarquia mais leve, suave, pois o princeps é o “primeiro cidadão, que respeita e
ainda divide algum poder com as instituições políticas da antiga República” 1. Temos uma
diarquia, com o princeps e o Senado atuando na administração do poder.
Este período, o mais glorioso de da história romana, pode ser entendido também
como sendo uma transição da República para a monarquia absolutista, em que o princeps
foi progressivamente concentrando poderes em suas mãos, o que posteriormente resultaria
ao Dominato.
As províncias romanas no Principado, se dividem em províncias senatoriais e imperiais.
Nas senatoriais as funções são exercidas pelos procônsules e nas imperiais, que eram a
maioria, os administradores eram os “legati sugusti”, que eram nomeados pelo imperador.

No Principado, as magistraturas, assim como as outras instituições políticas da


República, tiveram suas atribuições reduzidas. O Consulado, função de destaque na época
anterior, teve seus poderes civis limitados pela potestas tribunicia do princeps e acabou por
ter seu mandato reduzido, passando de magistratura, para bimestral no Principado. O pretor
urbano e o pretor peregrino continuaram a existir e a exercer a jurisdição civil, perdendo
porém a autonomia para elaborar seus editos. Surgiu ainda uma nova pretura, o praetor
tutelaris, com a função de nomear tutores. As funções do Tribunato da plebe são mantidas
durante esse período, porém sua jurisdição passa para o imperador, que detêm a potestas
tribunicia. Os censores tiveram seus poderes esvaziados, com a transferência de suas
funções mais importantes para o imperador. As atribuições da questura ficaram muito
reduzidas, limitando-se a cuidar do calçamento das ruas e da organização dos jogos de
gladiadores. Por fim, os edis curuis e da plebe tiveram suas atribuições transferidas para
outros funcionários do império, até desaparecerem por volta do ano 240.

O Senado

O Senado teve papel de destaque durante o Principado. Os senadores eram eleitos


entre os ex-magistrados e o processo eleitoral contava com a influência do princeps, o que
lhe garantia que este fossem seus homens de confiança do princeps. A eles eram confiadas e
atribuídas funções de alta responsabilidade, de Estado, tanto políticas, como econômicas e
jurídicas.

O Princeps

Consideramos ser o princeps a figura principal do Principado. Nessa época ele era o
primeiro cidadão em Roma, com sua vontade superior à dos demais cidadãos e nas
província era considerado monarca, com poderes praticamente absolutos.
Como a expansão dos limites do império e a maior concentração de poderes nas mãos do
princeps, este sentiu a necessidade de nomear funcionários para auxiliá-lo, distribuindo-os
em uma hierarquia. Eram eles os legado (seus lugares-tenentes na administração provincial,
comandando suas legiões), prefeitos (representantes do próprio princeps), procuradores
(cuidavam de seus interesses administrativo-financeiros privados) e auxiliares inferiores.

Nos primórdios do principado, para que um novo princeps assumisse o poder, ele
deveria ser escolhido por seu antecessor ainda em vida (não era necessário o critério da
hereditariedade), entretanto, como o exército romano adquiriu grande prestígio, este passou
a exercer papel determinante na nomeação de um novo princeps (aclamação pelas tropas)..

Dentre os poderes do princeps destacamos: poder a paz e a guerra; fundar colônias;


assinar tratados; cunhar moedas de ouro e de prata; possuía jurisdição civil e criminal para
atuar; e o poder de convocar o Senado, quando julgasse necessário.

Fontes do Direito

Nesse período, temos como fontes de Direito o costume, com imortância menor do
que nos períodos anteriores, as leis comiciais, fonte essa que entra em decadência, passando
a ter cada vez menos relevância e os editos dos magistrados, que com o Edictum
Perpetuum, editado pelo imperador Adriano, tiveram seu texto sistematizado e fixado,
impossibilitando-os de criar direitos sem a autorização do princeps ou do Senado. São
fontes também os senatus consultos, frutos da deliberação do Senado sobre as proposições
do princeps, constituições imperiais, que não eram um ato formal de criação de direitos,
mas que na prática tinham força de lei, e as respostas dos jurisconsultos, que também
achamos interessante chamar de jurisprudência, já que entendemos por esta, o produto das
decisões dos jurisconsultos, que de posse do jus respondendi, manifestavam suas opiniões
gerais sobre casos concretos em audiências públicas ou privadas, as quais vinculavam os
juízes, desde que fossem unânimes entre os jurisconsultos.

O Dominato

O Dominato foi implantado em Roma com a ascensão de Dioclesiano ao poder, que


se deu em 284 d. C. No Dominato ou Baixo Império temos a monarquia absoluta, que
mudou a face do Império Romano. Dioclesiano achou que para melhor administrar o
império romano, era necessário dividi-lo administrativamente entre Oriental e Ocidental,
onde para cada parte existia um Augusto e um César, numa tetrarquia).
Com Constantino reunificou o império, convertendo-o ao cristianismo e
promovendo reformas, na tentativa de conter as crises econômica, social e administrativa
que se arrastavam desde o fim do período anterior. Essa separação só voltaria a existir
quando da morte do imperador Teodósio I, tornando-se definitiva, pois cada um de seus
filhos ficou com uma parte, Honório com o Ocidente e Arcádio, com o Oriente..
O Império do Ocidente teve seu fim no ano de 477 d. C., bem antes do Império do
Oriente, que ainda resistiria até 1453 d. C., ano da tomada de Constantinopla pelo sultão
turco Maomé II. E foi justamente na porção oriental do império que surgiu Justinianus, o
qual através de sua obra Corpus Júris Civilis eternizaria o Direito Romano, transmitindo-o
para as gerações posteriores.

Instituições Políticas

Nota-se durante o Dominato uma grande burocratização administrativa. Existiam


muitos funcionários do monarca submetidos à uma rígida hierarquia classificadossegundo
suas dignitates, as da corte e as do Estado.

Das magistraturas originárias da República, temos o consulado, a pretura e o


tribunato da plebe, porém com poderes e atribuições drasticamente reduzidos, sendo que o
ultimo acaba por desaparecer no decorrer desse período.
O Senado, nessa época estritamente absolutista, não tem grande expressão. Existem
dois Senados, atuando como Conselhos Municipais em Roma e em Constantinopla, que é a
agora a nova capital do Império Romano.

Fontes de Direito

Só existe mesmo uma fonte formal de direito neste período, que é a constituição
imperial (constitutione), com o costume podendo ser utilizado como fonte alternativa de
Direito, nos casos de lacunas nos textos jurídicos.
O Dominato foi um período de estagnação da produção jurisprudencial, marcado
principalmente pela ausência de grandes jurisconsultos e, devido ao grande número de
normas em vigor, tanto antigas, como novas, nota-se uma grande preocupação em se
realizarem compilações, que dentre as quais destacam-se os códigos Gregoriano,
Hermogeniano e Teodosiano.

Leis Bárbaro-romanas

Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 477 d. C., seu território foi
dividido entre as nações bárbaras invasoras. Com o objetivo de estabilizá-los, foram
produzidas, com eficácia plena sobre os cidadãos romanos e os bárbaros, normas jurídicas
contendo disposições em matéria de Direito Público, Penal e Privado sobre a organização
dos novos reinos. Foi o caso da Lex Romana Visigothorum, também conhecida como
Breviarium Alaricianum (Breviário de Alarico), criada pelos visigodos para o Reino dos
Francos , e da Lex Romana Burgundiorum, criada pelos borgúndios.
Corpus Iuris Civilis

Não pretendemos aqui diminuir a importância do Corpus Iuris Civilis, porém para
simplificarmos, iremos apontar como seus principais componentes o Código de Justinianus,
o Digesto, Institutas, Novelas ou Autênticas.
Com a ascensão de Justinianus, em 527 d.C., tinha início o último período de glórias
conhecido pelo Império Romano. Ao pretender reestabeecer o antigo império, ele
empreendeu uma série de campanhas militares, chegando a conquistar, alguns anos antes
de sua morte, a península itálica em sua totalidade.
Mas foi por sua grandiosa obra jurídica, que Justiniano ficou conhecido. No ano de
528, convocou uma comissão, com o objetivo de compilar e sistematizar as constituições
em vigor, a fim da confusão que existia dado o grande número destas. Esta comissão,
composta por sete integrantes e tendo Triboniano com seu presidente, deveria produzir um
novo código, abrangendo a legislação em vigor, presente nos Códigos Gregoriano,
Herogeniano e Teodosiano e as constitutiones posteriores, podendo, para tal, eliminar o que
estivesse em desuso ou fosse contraditório e modificar o texto destas leis. Isso daria origem
ao Código de Justinianus (Novuus Codex Iustinianus).
Após publicar este Código, Justiniano prosseguiu com sua obra, expedindo
cinqüenta Constituições a fim de resolver uma série de controvérsias e contradições entre
os textos dos jurisconsultos antigos (iuras), as quais ficaram conhecidas como
Quinquaginta Constitutiones.
Justinianus segue com seu trabalho de compilação e codificação, dando novamente a
Triboniano, a incumbência de copilar e reunir o direito existente nas iura. Foi reunida uma
ova comissão, desta vez com 16 integrantes, para analisar cerca de dois mil livros de
juristas clássicos e compilá-los, adaptando-os e modificando-os no que fosse necessário,
para produzir uma obra sistematizada e organizada. Essas alterações denomina-se
interpolações. Dessa compilação resultou o Digesto, que de acordo com uma previsão
inicial do próprio Justinianus, deveria ficar pronto num período de dez anos, mas, que
graças aos esforços dos membros da comissão, foi concluído em pouco mais de três anos.
Antes da promulgação do Digesto, Justinianus julgou ser prudente produzir uma
espécie de “guia” do Digesto, que serviria como um manual para os estudantes de Direito
das Escolas de Constantinopla. Tribonianno e mais dois outros compiladores, foram
incumbidos de produzir tal guia, o qual recebeu o nome de Institutas e que foi entrou em
vigor, juntamente com o Digesto, no ano de 533.
A publicação do Digesto gerou uma série de conflitos entre este, os textos presentes
no primeiro Código e as leis que entraram em vigor neste meio tempo, as quais precisavam
ser resolvidas.
Justinianus nomeou então uma nova comissão, de cinco membros, para atualizar o
Novuus Codex, que produziu um segundo Código, que recebeu o nome de Codex
Iustinianus repetitae praelectionis, promulgado no ano de 534, composto, como o anterior,
por doze livro e versando sobre Direito administrativo, público, eclesiástico, privado e
penal.
Justinianus ainda a intenção de compilar as constituições, promulgadas por ele após
a publicação do segundo código, porém faleceu antes de concluir seu intento. Mais tarde,
particulares o fizeram, dando o nome a esta compilação de Novelas (Novellae).
O imperador, julgando ser sua obra completa e perfeita, proibiu expressamente que
a ela se fizessem quaisquer alterações ou comentários, permitindo somente a sua tradução
literal, visando com isso, manter a pureza desta e dos ideais cristãos que a inspiraram.
Após a morte Justiniano, o Direito Bizantino, por diferenças culturais e idiomáticas
se distanciou o antigo Direito Romano, fazendo com que o Corpus Júris Civilis caísse em
desuso, para ser novamente resgatado durante a Idade Média, pela Escola de Bologna.

Vandick L. da Nóbrega – Compêndio de Direito Romano, vol. 1, Liraria Freitas Bastos


S.A., São Paulo, 1997.