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Lindb - Lei de Introdução às Normas do Direito


Brasileiro - Resumo
01 - Resumo para Concurseiros
Publicado por Dr Thiago dos Santos Souza

Hoje iremos abordar sobre um dos primeiros temas estudados em sala de aula, a
famosa "LINDB".

Afinal, qual o seu conceito ?


LINDB significa LEI de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (antiga LICC -
Lei de Introdução ao Código Civil.

É considerada uma norma jurídica que visa regulamentar as demais normas,


especificando a sua aplicação e o seu entendimento no tempo e no espaço.

Embora seja anexa ao Código Civil, caracteriza-se por ser autônoma e aplica-se a
todos os ramos do Direito, salvo se o referido tema tiver a sua aplicação própria
vide lei específica.

Segundo o brilhante Carlos Roberto Gonçalves:

"LINDB é um conjunto de normas sobre normas, visto que disciplina as próprias


normas jurídicas, determinando o seu modo de aplicação e entendimento, no
tempo e no espaço.”

Vigência, Validade, Eficácia e Vigor das Normas


1 - Validade da norma: Trata-se de sua identificação como compatível ao sistema
jurídico que integra. O descumprimento das regras de validade importará ao
reconhecimento da inconstitucionalidade ou ilegalidade da norma estabelecida,
considerando-a não pertinente ao sistema. A validade pode ser:
a) Formal: observância das normas referentes a seu processo de criação.
b) Material: se houve observância da matéria passível de normatização por parte
das entidades federativas.
2 - Vigência: Dispõe sobre o período de validade da norma, ou seja, ao lapso
temporal que vai do momento em que ela passa a ter força vinculante até a data
em que é revogada ou que se esgota o prazo prescrito para sua duração (leis
temporárias).
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3 - Eficácia: Baseia-se na qualidade da norma que se refere à possibilidade de


produção concreta de efeitos. A eficácia pode ser:
a) Social: produção concreta de efeitos, porque presentes as condições fáticas
exigíveis para seu cumprimento.
b) Técnica: produção de efeitos, porque presentes as condições técnico-
normativas exigíveis para sua aplicação.
A eficácia, no sentido técnico, tem a ver com a aplicabilidade das normas no
sentido de uma aptidão mais ou menos extensa para produzir efeitos. Para aferir o
grau da eficácia, no sentido técnico, é preciso verificar quais as funções da eficácia
no plano de realização normativa (funções eficaciais):
a) Função de bloqueio: é o caso das normas que visam a impedir ou cercear a
ocorrência de comportamentos contrários a seu preceito. Ex.: normas punitivas e
proibitivas.
b) Função de programa: é o caso de normas que visam à realização de um
objetivo do legislador. Observam um interesse público relevante.
c) Função de resguardo: é o caso de normas que visam a assegurar uma
conduta desejada. Ex.: direito autorais.

4 - Vigor (força da norma): diz respeito à força vinculante da norma, à


impossibilidade de os sujeitos subtraírem-se ao seu império. É possível a norma
ser válida, mas ainda não vigente (caso da vacatio legis).

Aplicação de normas jurídicas

Quando determinado fato individual se enquadrar perfeitamente no conceito


abstrato da norma, estará o aplicador realizando o que se convencionou chamar de
subsunção do fato à norma, o que impõe uma adequada interpretação do conteúdo
normativo.

Nem sempre é possível encontrar uma norma aplicável ao caso concreto, devendo
o juiz valer-se das fontes do Direito para, nos casos de lacunas da lei, realizar a
integração normativa.

A finalidade da interpretação normativa é:


a) revelar o sentido da norma;
b) fixar o seu alcance.

Formas de interpretação
a) Literal (gramatical): exame de cada termo utilizado na norma, isolada ou
sistematicamente, de acordo com as regras do vernáculo.
b) Lógico: utilização de raciocínios lógicos para a análise metódica da norma em
toda a sua extensão, desvendando seu sentido e alcance.
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c) Sistemático: análise da norma a partir do ordenamento jurídico de que é parte,


relacionando-se com todas as outras com o mesmo objeto, direta ou indiretamente.
d) Histórico: análise da norma a partindo da premissa dos seus antecedentes
históricos, verificando-se as circunstâncias fáticas e jurídicas que lhe antecederam,
bem como o próprio processo legislativo correspondente.
e) Finalístico (teleológico): análise da norma tomando como parâmetro a sua
finalidade, adaptando-a às novas exigências sociais.

Outra forma de classificação de interpretação:

- quanto à origem: pode ser - doutrinária, jurisprudencial, autêntica (realizada pelo


próprio legislador por meio de lei interpretativa).
- quanto aos resultados: declarativa (declara o alcance da norma); extensiva
(estende o alcance da norma); restritiva (restringe o alcance da norma) e ab-
rogante (reconhece que o preceito interpretado é inaplicável).

Nenhum desses métodos se impõe necessariamente sobre o outro. Dispõe o art.


5º, LINDB: Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e
às exigências do bem comum.

Quando inexiste lei a aplicar diretamente ao caso, deve o juiz se valer das outras
fontes do Direito para encontrar a regar que efetivamente deve disciplinar a relação
jurídica submetida à sua apreciação (Art. 4º, LINDB: Quando a lei for omissa, o juiz
decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de
direito). A essas fontes somam-se a doutrina, a jurisprudência e a equidade.

Para que uma lei seja aplicada, em regra, é necessário que esteja vigente. A
publicação da lei no D. O. enseja a presunção de que todos a conheçam (Art. 3º,
LINDB: Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece).

Art. 1º, LINDB: Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país
quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. § 1º. Nos Estados
estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três
meses depois de oficialmente publicada. Para que a lei vigore de imediato é
preciso que conste expressamente em sua redação.

A vacatio legis é o período em que a lei, embora publicada, aguarda a data de


início de seu vigor, em função de três hipóteses:
I – ter sido fixada uma data posterior para o momento de início de seus feitos;
II – deva entrar em vigor 45 dias após publicada, em face de omissão de norma
explícita;
III – estar pendente de regulamento, explícita ou implicitamente (normas de
eficácia limitada).
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Se uma lei for republicada, os direito adquiridos com a redação anterior são
respeitados, produzindo a disposição corrigida os mesmos efeitos de uma lei nova,
levando-se em consideração a boa-fé do agente (art. 1º, LINDB - § 3º: Se, antes de
entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o
prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova
publicação. § 4º. As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova).
Em um ordenamento jurídico, as normas podem perder a sua vigência, deixando
de pertencer ao sistema, fato que é denominado revogação.

Dispõe o art. 2º, da LINDB:

Art. 2º. Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a
modifique ou revogue.§ 1º. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente
o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a
matéria de que tratava a lei anterior.§ 2º. A lei nova, que estabeleça disposições
gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei
anterior.§ 3º. Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter
a lei revogadora perdido a vigência (repristinação).
A revogação pode ser:
- quanto à forma:
a) Expressa: quando a nova norma enuncia a revogação dos dispositivos
anteriores.
b) Tácita: quando a nova norma disciplina a matéria de forma diferenciada da
regra original, tornando ilógica a sua manutenção.
- quanto à abrangência:
a) Total: ab-rogação;
b) Parcial: derrogação.

Regras reguladoras da revogação:


1) Lex superior: a norma que dispõe forma e materialmente, sobre a edição de
outras normas prevalece sobre estas.
2) Lex posterior: se normas do mesmo escalão estiverem em conflito, deve
prevalecer a mais recente.
3) Lex specialis: a norma especial revoga a geral no que esta dispõe
especificamente.

Conflito de normas no tempo (Direito Intertemporal)


Art. 6º, LINDB: A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.§ 1º. Reputa-se ato jurídico perfeito o
já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.§ 2º.
Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele,
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possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou
condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.§ 3º. Chama-se coisa
julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.

As leis civis não têm retroatividade, uma vez que esbarram no ato jurídico perfeito,
no direito adquirido e na coisa julgada (art. 5º, XXXVI, CF). Nem mesmo o Estado
pode retroagir os efeitos de uma nova lei para atingir situações definitivamente
constituídas.

Aplicação espacial de normas


A norma deve ser aplicada dentro dos limites territoriais do Estado que a editou
(Soberania) – Princípio da territorialidade.

No entanto, a extraterritorialidade é a admissão de aplicabilidade, no território


nacional, de leis de outro Estado, segundo princípios e convenções internacionais.
Assim, a lei nacional deve ser aplicada ordinariamente a todas as relações
travadas em seu âmbito espacial de incidência, embora, no caso de interferirem
estrangeiros sobre relações jurídicas constituídas no território nacional ou de
nacionais terem bens ou negócios jurídicos em território estrangeiro, possam surgir
exemplos de extraterritorialidade ou de aplicação extraterritorial do Direito.

Conflito de normas no espaço


a) Sobre o começo e fim da personalidade, nome, capacidade e direito de família,
aplica-se a lei do país de domicílio da pessoa (art. 7º).

b) Sobre a qualificação e regulação das relações concernentes a bens, deve ser


aplica a lei do país onde estiverem situados (art. 8º).

c) Sobre obrigações, deve ser aplicada a lei do país onde foram constituídas,
reputando-se constituída no lugar em que residir o proponente (art. 9º, § 2º).

d) Sobre sucessão por morte (real ou presumida), deve ser aplicada a lei do país
de domicílio do de cujus, ressalvando-se que, quanto à capacidade para suceder,
aplica-se a lei do domicílio do herdeiro ou legatário. Se a sucessão incidir sobre
bens do estrangeiro situados no Brasil, aplica-se a lei brasileira em favor do
cônjuge brasileiro e dos filhos do casal, sempre que não lhes for mais favorável a
lei do domicílio do falecido (art. 10 §§ 1º e 2º).

e) Sobre empresas estrangeiras no Brasil, devem elas obedecer à lei do Estado


em que se constituíram (art. 11, caput).Para aplicação do Direito estrangeiro no
Brasil, deve o juiz exigir de quem o invoca prova do seu texto e vigência, no forma
do art. 14, LINDB e art. 376, CPC.
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Art. 13, LINDB: A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei
que nele vigorar quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os
tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. É competente a
autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver
de ser cumprida a obrigação, sendo que somente ela poderá conhecer ações
relativas a imóveis situados no Brasil (art. 12, § 1º = art. 8º).

Compete ao Superior Tribunal de Justiça, não mais ao Supremo Tribunal


Federal, a homologação das sentenças estrangeiras e a concessão do exequatur
às cartas rogatórias (art. 105, i, i, CF)– redação dada pela emenda
constitucional 45/2004.

Art. 15, LINDB: Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que
reúna os seguintes requisitos:
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a
execução no lugar em que foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (conforme emenda
constitucional 45/2004).

Sendo concedido o exequatur, a autoridade brasileira as cumprirá segundo a forma


estabelecida na lei brasileira, observando, porém, a lei do país estrangeiro quanto
ao objeto das diligências.

Na aplicação da lei estrangeira, deve o juiz se limitar ao seu conteúdo


isoladamente, não sendo possível considerar qualquer remissão feita a outras leis
(art. 16).

Ao casamento realizado no Brasil será aplicada a lei brasileira quanto aos


impedimentos dirimentes e às formalidade de celebração. Vale lembrar que o § 6º,
do artigo 7º, foi modificado pela Lei 12.036/09, visando adequar a sua redação
à Constituição Federal, ficou assim redigido: “§ 6 O divórcio realizado no
estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido
no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido
antecedida de separação judicial por igual prazo, caso em que a homologação
produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia
das sentenças estrangeiras no país.

O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá


reexaminar, a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de
homologação de sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que
passem a produzir todos os efeitos legais.”
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Art. 18, LINDB: Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades


consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro
Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de
brasileiros ou brasileiras nascidos no país da sede do consulado.A
extraterritorialidade da lei pode ser limitada, pois atos, sentenças e leis de países
estrangeiros não serão aceitos no Brasil quando ofenderem a soberania nacional,
a ordem pública e os bons costumes (art. 17).

INTRODUÇÃO DE DEZ ARTIGOS NA LINDB. O QUE


MUDA?
No dia 25 de abril foi sancionada a Lei 13.665/2018, que alterou a Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro, nome da antiga Lei de Introdução ao
Código Civil, introduzindo dez novos artigos.

O artigo 20 exige, nas esferas administrativa (órgãos da administração direta), de


controle (tribunais de contas e outros) e judiciais (todos os ramos e órgãos de
qualquer instância do Judiciário), que se abstenham de justificar suas decisões
com valores jurídicos abstratos sem ter em consideração os efeitos práticos da
decisão.

Genericamente, valores humanos são “valores morais que afetam a conduta das
pessoas. Esses valores morais podem também ser considerados valores sociais e
éticos e constituem um conjunto de regras estabelecidas para uma convivência
saudável dentro de uma sociedade”.[i]

No âmbito jurídico, ensina Alexandre Marques da Silva, citando Miguel Reale, que
o valor maior é o ser humano e os outros dele dependem, acrescentando que suas
“necessidades são representadas em cinco valores fundamentais: o verdadeiro, o
belo, o útil, o santo e o bem”.[ii]

Mas, então, o que seria um valor jurídico abstrato? Ao meu ver seriam conceitos
genéricos não ligados ao caso concreto, que poderiam justificar tudo a qualquer
tempo, sem relação com a realidade fática.

Vejamos um exemplo. Com base no princípio da dignidade da pessoa humana,


uma decisão judicial concede algo não previsto em lei, como uma licença
maternidade de um ano. Ora, tal tipo de decisão, por mais simpática que possa
parecer, poderá ter consequências junto a um modesto empregador, despreparado
financeiramente para suportar o encargo. Agora o artigo 20 exige que a autoridade
judiciária avalie o porte da empresa, seus custos, número de empregados, se tem
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condições de suportar a ausência da empregada por seis meses e outras


circunstâncias.

Se o artigo 20 fala em avaliação das circunstâncias, o 21 é o passo seguinte,


porque determina que a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma
administrativa deverá indicar as consequências. Portanto, motivar a decisão.
Imagine-se que autoridade administrativa suspenda o pagamento de refeições
dadas aos presos, porque há denúncia de descumprimento das condições do
contrato. Tal decisão deve indicar expressamente as consequências, que poderão
ser graves. Para que isto seja evitado, o parágrafo único reclama que a
regularização ocorra de modo proporcional e equânime.

O artigo 22 dispõe que, na interpretação de normas sobre gestão pública, serão


considerados os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das
políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados. O que
se quer evitar, com razão, é que ao gestor sejam impostas ações de cumprimento
impossível. O melhor exemplo disto são as determinações na área da saúde, onde,
por vezes, a uma só pessoa é concedido um direito que consome todo o
orçamento de um município. Portanto, agora a decisão deverá inteirar-se da
situação do gestor e ter em conta a realidade, não bastando a alegação genérica
que a ele cabe dar efetividade a políticas públicas.

O artigo 23 exige que a decisão que estabelecer orientação nova deve prever
regime de transição. Correta a mudança. Mudanças administrativas dependem de
atos complexos, por vezes licitações que não se fazem em dez dias. Imagine-se
uma ordem judicial que determina a retirada de famílias de área de risco.
Certamente o município terá que realocar as pessoas e isto não se faz com
facilidade. Assegurar prazo para que a transição seja feita é medida de bom senso
e agora de lei.

O artigo 24 lembra a necessidade de as decisões administrativas que revisem atos


anteriores levarem em conta as orientações gerais da época. A providência é
adequada, porque o administrado não pode ser surpreendido pela proibição de
algo anteriormente permitido. Por exemplo, na área ambiental, por força de
exigências do Código Florestal, são comuns ações judiciais que buscam a
demolição de moradias construídas há décadas. Criam-se situações, por vezes, de
flagrante injustiça.

É preciso que haja respeito à boa-fé nos atos administrativos, é necessário que o
administrado possa confiar no administrador. José Guilherme
Giacomuzzi[iii] considera a boa-fé uma decorrência do princípio da moralidade
estampado no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Egon Bockmann Moreira,
afirma de forma enfática:
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“A boa-fé impõe a supressão de surpresas, ardis ou armadilhas. Ao contrário, a


conduta administrativa deve guiar-se pela estabilidade. Não se permite qualquer
possibilidade de engodo – seja ele direto e gratuito; seja indireto, visando à
satisfação de interesse secundário da Administração. Caso comprovada a má-fé, o
ato será nulo, por violação à moralidade administrativa.”[iv]

O artigo 26 permite que a administração, nas situações irregulares, incertas ou


litigiosas, celebre compromisso com os interessados. Os Termos de Ajustamento
de Conduta são cada vez mais utilizados. Sua utilidade é flagrante e a
administração em geral, agora, ganha fundamento legal para poder adotá-los.

O artigo 27 faculta ao administrador impor compensação por benefícios indevidos


ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta dos
envolvidos. O dispositivo busca corrigir situações em que o erro é irreversível,
valendo-se a autoridade da compensação como forma de alcançar o interesse
público.

A propósito, observa Marçal Justen Filho que “em todos os ramos do direito, o
decurso do tempo pode acarretar a consolidação de situações fáticas e jurídicas,
inclusive gerando a extinção de faculdades, direitos e obrigações. Mas a questão
apresenta especial relevância para o direito administrativo”.[v]
O artigo 28 atribui responsabilidade pessoal ao agente público em caso de dolo ou
erro grosseiro. Esta responsabilização pessoal, contudo, não retira a
responsabilidade do Estado por atos de seus agentes, conforme prevê o
artigo 37, § 6º da Constituição.
O artigo 29 dá mais um passo em direção a uma tendência na administração
pública, qual seja, a de ouvir a comunidade. A consulta pública por ele facultada
faz parte da chamada governança participativa.

Finalmente, o artigo 30 recomenda às autoridades em geral que aumentem a


segurança jurídica, apontando, para tanto, medidas diversas, como súmulas
administrativas. Nada mais necessário.

Em suma, a insegurança hoje reinante afasta investidores das atividades


econômicas, gerando consequências sociais graves. A nova redação da Lei de
Introdução às normas do Direito Brasileiro, traz ao Brasil maior responsabilidade
aos atos do Poder Público e às relações entre a administração e o administrado,
evitando medidas fora da realidade que, por vezes, nem são possíveis de
cumprimento.
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Questões sobre LINDB para fixação

1 - Dentre as afirmações que seguem, quais estão CORRETAS?


I - A Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro consiste em legislação
anexa a este Código, mas é autônoma.
II - A LINDB deve ser aplicada apenas à legislação civil
III - A LINDB tem, como uma de suas funções, regular a vigência e eficácia das
normas jurídicas.
a) Apenas a afirmação I está correta.
b) Apenas as afirmações I e II estão corretas.
c) Apenas as afirmações I e III estão corretas.
d) Apenas as afirmações II e III estão corretas.

2 - Dentre as fontes do direito que seguem, além dos princípios gerais de


direito, quais também são consideradas formais?
I - Lei; II - Analogia; III - Doutrina; IV - Costume; V - Jurisprudência.

a) I, II, III, IV e V.
b) I, III e V.
c) I, II e IV.
d) I, II e III.

3 - Dentre as afirmações que seguem, quais estão CORRETAS?


I - As normas cogentes não podem ser derrogadas pela vontade dos interessados.
II - As normas cogentes dividem-se em mandamentais e proibitivas.
III - As normas mandamentais impõe uma abstenção.
IV - As normas não cogentes distinguem-se em permissivas e supletivas.
a) I, II e III.
b) I, II e IV.
c) II, III e IV.
d) II e IV.
e) I e III.

4 - Quanto à hierarquia, as normas classificam-se em:


I - Normas constitucionais. II - Leis federais. III - Leis estaduais. IV - Leis ordinárias.
V - Medidas provisórias.
a) I, II, III, IV e V.
b) II, III e IV.
c) I, II e III.
d) I, II, IV e V.
e) I, IV e V.

5 - Complete a lacuna corretamente. Salvo disposição contrária, a lei começa a


vigorar em todo o país ____________ dias depois de oficialmente publicada.
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a) quinze.
b) trinta.
c) quarenta e cinco.
d) sessenta.
e) noventa.

6 - Quanto aos costumes, assinale a opção CORRETA.


I - Os costumes são fontes supletivas do direito.
II - São elementos dos costumes a prática reiterada de um comportamento e a
convicção de sua obrigatoriedade.
III - Existem três espécies de costumes:" secundum legem "," praeter legem e
contra legem ".
a) Todas as afirmações estão corretas.
b) Apenas as afirmações I e II estão corretas.
c) Apenas as afirmações I e III estão corretas.
d) Apenas as afirmações II e III estão corretas.
e) Apenas a afirmação II está correta.

7 - São meios de interpretação:


I - Gramatical. II - Racional. III - Sistemático. IV - Histórico. V - Sociológico.
a) I, II e III.
b) III, IV e V.
c) I, II, III, IV e V.
d) II, IV e V.
e) I, II e IV.

8 - Complete a lacuna corretamente.


Nos Estados estrangeiros a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se
inicia __________ depois de oficialmente publicada.
a) seis meses.
b) três meses.
c) dois meses.
d) trinta dias.
e) quinze dias.

9 - Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação do texto da lei,
destinada a correção, o prazo para sua entrada em vigor:
a) não sofrerá alteração alguma, não se interrompendo.
b) será alterado para quinze dias, contados da nova publicação.
c) será computado integralmente, após a nova publicação.
d) será alterado para trinta dias, contados da nova publicação.
e) Nenhuma das alternativas está correta.

10 - Dentre as afirmações que seguem, quais estão CORRETAS?


I - As correções de texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
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II - Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a
modifique ou revogue.
III - Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei
revogadora perdido a vigência.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas a I e II estão corretas.
c) Apenas a I e III estão corretas.
d) Apenas a II e III estão corretas.
e) Apenas a I está correta.

AGRADECIMENTOS

Após todo o exposto sobre o tema de hoje, agradeço a possibilidade de


compartilhar conhecimento, bem como fico à total disposição para sanar
dúvidas.

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A sua dúvida pode ser a mesma do seu colega!


Grande abraço!!!

Dr Thiago dos Santos Souza


Thiago dos Santos Souza, advogado. Membro da Comissão do Meio Ambiente da
Ordem dos Advogados do Brasil. Professor do cursinho preparatório Exponencial
Concursos. Palestrante em Direito Ambiental; Atuante na área cível; penal e
consumidor. Autor de artigos jurídicos semanais. Utiliza o instagram
@dr.thiagosouza para disponibilizar conteúdo gratuito aos estudantes; profissionais
da área e demais interessados. @dr.thiagosouza 11 970405594
thiago.oabsp@gmail.com