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O IMPÉRIO ESCRAVOCRATA E A AURORA BURGUESA

1850-1889

CAPÍTULO 16

EVOLUÇÃO AGRÍCOLA

No séc. XIX, o Brasil inicia um período de grandes transformações, principalmente à


partir da segunda metade do século. Geograficamente falando, há uma inversão da força
econômica: do Norte e Nordeste, para o Centro-sul. Tal inversão é conseqüência da
decadência das lavouras tradicionais do Brasil: cana-de-açucar, algodão, tabaco, e o
surgimento de uma cultura de até então, pouca importância: o café.
As lavouras tradicionais sofrem uma concorrência externa muito forte, principalmente
a cana, cujos países importadores do nosso açúcar a substituem pelo da beterraba. Outro fator
que contribuiu para a decadência do Norte foi o término do tráfico de escravos, seu único
fornecedor de mão-de-obra.
Mas o que fez a balança pender definitivamente a favor do Sul, foi o aclimatamento do
cafeeiro ao clima do Sudeste. Introduzido em 1727 para consumo interno nas fazendas, sua
produção é pequena.
O surgimento de uma potência no consumo do café, os EUA, muda a sorte do país.
Livres da Inglaterra, buscam no Brasil, um fornecedor livre da influência britânica.
Primeiramente nas montanhas fluminenses, aos poucos se espalha para Minas Gerais e São
Paulo. É sobretudo neste último estado, que o café mais se adapta, a ponto do interior ser
chamado de mar-de-café.
Seguindo a tradicional agricultura brasileira, de grandes extensões de terra de um
único produto (plantation), baseada na mão-de-obra escrava, substituídos depois por
assalariados importados.
Por 75 anos, o café é o responsável por uma grande transformação social e política no
Brasil. Depois dos Senhores de Engenho, e dos mineradores, é a vez dos grandes plantadores
de café influenciarem a política nacional. A política dos paulistas e do rei-café.

CAPÍTULO 17

NOVO EQUILÍBRIO ECONÔMICO

O café trouxe equilíbrio à balança comercial brasileira. Um fato inédito no Brasil até
então. Para um melhor escoamento de sua produção, surgem estradas de ferro, pontes, portos,
mecanização da indústria rural, bancos, etc., graças também a um retorno da Inglaterra e de
seus investidores ao país, inclusive com empréstimos ao estado.
Por outro lado, o café reforça a estrutura tradicional da nossa economia, baseada no
latifúndio escravista. Essa situação perdura até 1850, quando é finalmente interrompido o
tráfico de escravos. Mais um fator que contribui para equilibrar nossa balança comercial, já
que a importação de trabalhadores da África, representava quase 50% das nossas importações.
Outra medida dura do governo brasileiro: elevação das tarifas alfandegárias de
importação. Apesar dos veementes protestos da Inglaterra, esta pula de 15% para 30%, e
depois para 50%. Como conseqüência da melhora da arrecadação, o país aumenta seu poder
de investimento e desafoga a nascente indústria nacional da concorrência inglesa.
Apesas desses progressos, o trabalho servil permanece.