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GeoZine

Uma revista que vai mudar os seus conceitos sobre geotecnologia. Número: 0.1
16 de agosto de
GeoLivre.org.br 2007

A revolução do software Editorial


livre no setor de ▶ Editor-chefe: Helton Nogueira
geotecnologias ▶
Uchoa
Editores: Paulo Roberto
No começo, as grandes empresas acreditavam que era um Ferreira e Luiz Carlos Teixeira
movimento meramente acadêmico. Atualmente, o software livre Coelho Filho
causa grande perda de receitas das empresas que vendem soluções ▶ Colaborador: Luigi Castro
proprietárias e isto é só o começo. Cardeles
●●●●●●●●●●
GIS Corporativo com Software Livre
Nesta edição, inicia uma Sumário
série de cases que
 Notícias do GeoLivre.org.br
mostram porque o  A revolução do software livre no
software livre é a melhor setor de geotecnologias
opção para um projeto  MapGuide Open Source no projeto
de GIS corporativo. de florestas urbanas de San
Conheça os segredos da Francisco
implantação de um GIS  Geoprocessamento – uma visão
corporativo através de corporativa
matérias escritas por  GIS Corporativo com Software Livre
empresas e profissionais – Estudo de caso em Segurança
Pública
que dominam o assunto.
 Tutorial: instalação do MapServer no
Fedora

Tutorial ●●●●●●●●●●

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O conteúdo desta revista está licenciado de acordo com a licença Creative Commons: Atribuição, Uso Não-comercial e Compartilhamento pela Mesma
Licença. As traduções seguem o licenciamento de acordo com o artigo na língua original.
GeoZine – nº 0.1 – 16/08/2007
Uma revista que vai mudar os seus conceitos sobre geotecnologia

Boas-vindas aos leitores


É com grande satisfação que iniciamos um novo canal de
comunicação dedicado ao software livre para geotecnologias. Mais
do que falar sobre a maior tendência de mercado atual, a GeoZine
buscará ser uma referência para os profissionais que buscam artigos
com alto teor técnico.
A GeoZine é um esforço em criar uma publicação que dissemine
novos conceitos e novas tecnologias que possibilitem a implantação
de soluções de geoprocessamento evitando os gastos desnecessários
de licenças. Você pode até não saber, mas atualmente os softwares
livres para GIS apresentam mais recursos e maior performance que os
sistemas proprietários, porém pouca gente fala disso. É bom saber que os países mais
desenvolvidos estão adotando amplamente os softwares livres. É algo bem estranho que o Brasil
continue comprando tanto software proprietário, quando os países mais ricos já estão no
caminho oposto.
Lendo a GeoZine você verá que o software livre não é só uma questão de economia, mas
também é o caminho para o país atingir a soberania tecnológica no seguimento de software.
Anualmente são enviados para o exterior um enorme montante de dinheiro devido às licenças
dos sistemas proprietários que, no caso do segmento de geotecnologia, é dominado por
soluções estrangeiras, em especial, dos americanos.
Esperamos conduzir este novo projeto com a mesmo espírito colaborativo dos projetos
anteriores. Desta forma, os profissionais que desejarem colaborar enviando artigos de
qualidade, teremos o maior prazer em publicá-los. Sei que existem muitos profissionais na nossa
comunidade que podem colaborar com este projeto.
Esta revista chega num momento em que o nível das publicações na área de
geotecnologia deixa muito a desejar. Muito mais do que a comunidade de software livre, o
próprio mercado brasileiro já estava demandando por publicações mais técnicas e menos
comerciais. É buscando colocar para os profissionais de língua portuguesa (os portugueses
também são árduos consumidores das nossas publicações) uma nova opção de leitura que a
nossa equipe técnica espera que, em pouco tempo, a GeoZine se torne uma das mais
populares revistas de geotecnologias do país.
Assim como de praxe nos novos projetos em software livre, começaremos numerando a
revista de 0.1 a 0.9 para deixar claro que é um projeto em desenvolvimento. A idéia é que, a
partir da versão 1.0, já tenhamos uma versão impressa da revista disponível para assinatura,
mantendo a versão digital livre para comunidade.

Um grande abraço a todos e uma boa leitura.

Helton Nogueira Uchoa


Engenheiro Cartógrafo
Editor-chefe da GeoZine

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Uma revista que vai mudar os seus conceitos sobre geotecnologia

Notícias do GeoLivre.org.br

gvSIG ganha inúmeros módulos com o projeto pela empresa OpenGEO. O projeto está em
SEXTANTE fase inicial, mesmo assim tem sido baixado por
usuários do mundo inteiro e atraído a atenção
O projeto SEXTANE
(http://www.sextantegis.com/) turbinou o gvSIG de profissionais interessados em soluções
com um conjunto de 161 extensões (plug-ins). baseadas em tecnologias e padrões abertos.
Agora o gvSIG passa a ser um concorrente de A revista está disponível para download
peso na área de Desktop GIS apresentando gratuito:
recursos superiores aos principais sistemas http://gisdevelopment.net/magazine/years/200
proprietários. Cada vez mais, a aquisição de 7/april/GISDEV_april2007.pdf
licenças para projetos de Geoprocessamento
passa a ser considerada um desperdício de Google cria projeto para repositório de scripts
dinheiro. para o GMap
O Google cria projeto que visa estruturar um
Nova versão do gvSIG (1.0.2) repositório de scripts para o GMap. Com isso,
Já está disponível para download a nova será possível centralizar diversos componentes
versão do gvSIG (http://www.gvsig.gva.es) que estão sendo desenvolvidos sobre o API do
com correções de bugs e novos recursos. GMap.
Entre as melhorias, está o aprimoramento do Com esta inciativa do Google, a comunidade
suporte ao formato DWG, facilitando a poderá ter acesso a novos componentes para
integração com projetos relacionados com o atender aplicações mais específicas que não
CAD. estão implementadas no kernel do API do
GMap.
Projeto brasileiro é destaque na mais Mais informações podem ser consultadas no
importante revista de GIS da Ásia link: http://code.google.com/p/gmaps-utility-
O projeto Open 3D GIS que é conduzido por library/
desenvolvedores brasileiros (Helton Uchoa,
Paulo Roberto, Luiz Coelho e Luigi Cardeles) Criada lista da OSGeo Brasil
ganhou destaque na GIS Development Já está disponível a lista do capítulo brasileiro
(www.gisdevelopment.net). Esta revista é da OSGeo. Todos os interessados em participar
publicada na Índia e circula no continente desta lista podem acessar o link:
asiático e africano. O Open 3D GIS http://lists.osgeo.org/mailman/listinfo/brasil
(www.open3dgis.org) é um projeto que integra
conceitos modernos de GIS e tecnologias Também existe um wiki com informações
abertas para criar uma solução Web 3D GIS iniciais do capítulo brasileiro no link:
totalmente livre. Este projeto é patrocinado http://wiki.osgeo.org/index.php/Brasil

Torne-se o profissional mais desejado do


mercado de geotecnologias
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A revolução do software livre no setor de


geotecnologias
O começo do software livre PostGIS em aplicações mais simples que
envolviam análises espaciais mais básicas.
Há alguns anos atrás começamos a observar
uma revolução que se seguiu após a revolução No ano passado, foi criada a Fundação Open
da Internet. O software livre (SL) surgiu para Source GeoSpatial (www.osgeo.org - OSGeo)
disseminar uma filosofia voltada à para apoiar o SL para GIS. A criação desta
colaboração. Ainda hoje muitas pessoas falam Fundação contou com o apoio financeiro da
sobre software livre, mas não implementam, na Autodesk que, de imediato, disponibilizou
prática, a filosofia por trás do movimento. Este alguns dos próprios projetos como software livre
movimento foi criado pelo americano Richard como, por exemplo, o MapGuide Open
Stallman. Ele formalizou o conceito de SL Source.
através das seguintes liberdades: Atualmente os principais projetos FOSS (Free
● A liberdade de executar o programa, and Open Source Software – Sistema Livre e de
para qualquer propósito (liberdade no. 0) Código Aberto) GIS estão sendo conduzidos
pela OSGeo.
● A liberdade de estudar como o
programa funciona, e adaptá-lo para as Apesar dos softwares proprietários estarem
suas necessidades (liberdade no. 1). sendo desenvolvidos há bem mais tempo que
Acesso ao código-fonte é um pré- os softwares livres, a velocidade do
requisito para esta liberdade. desenvolvimento dos principais FOSS GIS é
bem maior que os sistemas proprietários. Isto
● A liberdade de redistribuir cópias de
significa que em pouco tempo o reino dos
modo que você possa ajudar ao seu
softwares americanos começou a ser
próximo (liberdade no. 2).
ameaçado por uma opção sem custo de
● A liberdade de aperfeiçoar o programa, licença.
e liberar os seus aperfeiçoamentos, de
modo que toda a comunidade se
beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao O impacto no mercado
código-fonte é um pré-requisito para Depois que os sistemas livres atingiram a
esta liberdade. mesma qualidade dos sistemas proprietários,
uma grande dúvida apareceu: como justificar
a compra de licenças quando existem
A evolução do software livre
softwares sem custo que fazem exatamente a
Em pouco tempo o SL foi tomando os diversos mesma coisa? Analisando a situação pelo lado
segmentos de tecnologia. Algumas grandes técnico, observamos que, em 99% dos casos, o
empresas (IBM, HP, Sun, etc) passaram a apoiar software livre é a opção correta. Porém o
o SL e este começou a ganhar não somente software proprietário continua tendo o domínio
adeptos, mas também grandes mercados. do mercado. Existem alguns motivos que
Foi por volta do ano de 2001, que as primeiras explicam esta situação:
aplicações livres para GIS começaram a ● O maior consumidor de geotecnologia
ganhar força. Eu me lembro que neste ano o ainda são as instituições públicas. Em
MapServer já possuía uma boa quantidade de muitos casos, o que prevalece no órgão
recursos. Em 2002, já era possível utilizar o público é a decisão política.

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● Praticamente todos os profissionais do vantagem pois a customização pode ser feita


mercado de geotecnologia foram em qualquer nível, enquanto que, nas soluções
formados em tecnologias proprietárias. proprietárias, o acesso ao código-fonte não é
Desta forma, possuem uma certa permitido.
“inércia” para mudança de paradigma Se fizermos uma comparação com o ritmo de
e ficam mais à vontade em indicar algo crescimento do mais popular software livre o
que já conhecem. GNU/Linux, teremos mais de 50% do mercado
● A marca tem um peso na decisão do de soluções corporativas de GIS já sob o
gestor. Algumas vezes isto é mais forte do domínio do software livre até 2011. Ou seja, a
que qualquer análise técnica. revolução só está começando e quem não se
adaptar poderá ficar fora do mercado.
A disseminação de informações sobre os
softwares livres e, principalmente, dos casos de
sucesso está mudando este cenário. Autores:
O fato é que o crescimento do mercado de Helton Nogueira Uchoa
FOSS GIS no Brasil é bem acentuado e a Engenheiro Cartógrafo formado no IME, atualmente é
demanda por profissionais mais flexíveis cresce consultor da OpenGEO e membro do conselho da
no mesmo ritmo. Fundação Open Source GeoSpatial.

Analisando tecnicamente, identificamos que a uchoa@opengeo.com.br


superioridade do FOSS GIS é notória, mas o Paulo Roberto Ferreira
mercado brasileiro, ao contrário do europeu,
Geógrafo Mestre em Transportes pela COPPE,
ainda não teve esta percepção. Nas soluções atualmente é consultor da OpenGEO.
mais complexas, o software livre leva imensa
roberto@opengeo.com.br

Se a sua empresa precisar de muito espaço,


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12cm

20 cm

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MapGuide Open Source no projeto de florestas


urbanas de San Francisco
Open Source Mapping ajuda a cidade a ver a floresta através das árvores

Resumo também inseridas.


A cidade e condado de San Francisco, a ONG Segundo a melhor estimativa da BUF, a cidade
sem fins lucrativos Amigos da Floresta Urbana tem cerca de cem mil árvores plantadas em
(Friends of the Urban Forest – FUF) e a Autodesk lugares públicos. Mas o número de árvores e
lançaram o projeto de mapeamento urbano concessões gravadas na base de dados
das florestas de San Francisco, que usa a equivale a ligeiramente menos da metade de
tecnologia MapGuide Open Source como sua tal valor, enquanto FUF estima que tem dados
plataforma central para um mapa online de 41 mil árvores plantadas.
dinâmico de dezenas de milhares de árvores É claro para ambas as organizações que um
em San Francisco. inventário mais amplo e acurado da floresta
A FUF primeiramente plantou as sementes para urbana da cidade poderia ajudar BUF e FUF a
uma iniciativa de mapeamento de florestas melhor atingir seus objetivos compartilhados.
que iria engajar o público e fomentar o Desse modo, o sistema de gerenciamento
envolvimento da comunidade nas florestas florestal urbano compreende uma base de
urbanas. O projeto evoluiu para responder ao dados integrada, uma ferramenta de
interesse da cidade em plantio estratégico que mapeamento e aplicações funcionando num
maximize os benefícios ambientais e minimize ambiente híbrido de softwares proprietários e
custos e trabalho associado com cuidado das de código aberto.
árvores, manutenção e substituição. O projeto “Usando um modelo mesclado de código
de mapeamento florestal urbano dá suporte aberto e tecnologias proprietárias, fomos
ao plantio e gerenciamento através do capazes de criar um sistema que preencheu
Escritório de Florestas Urbanas (Bureau of Urban todas as necessidades de desenvolvimento e
Forestry – BUF) e também através da FUF e está operacionais”, disse Greg Braswell, gerente de
dando partida no processo de uso de TI e SIG do Escritório de Engenharia do
informação geoespacial em outras iniciativas Departamento de Obras Públicas de San
de cidades. Francisco. “Com MapGuide Open Source,
recebemos um nível avantajado de
ferramentas de colaboração e suporte para
Mapas Dinâmicos Integram Dados Espaciais e
bases de dados e geocodificação a partir da
Muito Mais
comunidade de desenvolvimento em código
Tanto BUF como FUF previamente gerenciaram aberto além do que os vendedores de
dados florestais em sistemas separados, ambos software comercial (proprietário) podem
altamente dependentes de mapas em papel, oferecer”. O novo mapa urbano-florestal de
os quais tornaram difícil compartilhar San Francisco acessa um repositório
informação. Os funcionários de BUF no campo centralizado de dados do inventário de
registraram a localização de cada árvore em florestas urbanas através da web. Uma
papel, e tais dados foram inseridos num banco estrutura de base de dados compartilhados
de dados juntamente com informações sobre acomoda dados integrados de BUF e FUF, bem
licenças para árvores mantidas pelo público como atualizações em tempo real feitas pelo
privado. Atualizações seriam coletadas pela pessoal de BUF e FUF.
pelo pessoal de manutenção rotineira e

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Sistema combina Tecnologia Open Source e melhorias para o sistema permitirão usuários
Proprietária para atingir as necessidades da autorizados a corrigir erros de geocodificação
cidade. ao mover pontos de árvores para lugares mais
acurados. Ao sobrepor uma imagem de
Os atributos e os dados espaciais pontuais das
satélite ao mapa, usuários podem achar uma
árvores são ambos armazenados num servidor
discrepância entre uma árvore geocodificada
Microsoft SQL. Os atributos são acessados
e sua localização real numa imagem de
usando ASP.NET C#, enquanto as locações de
satélite.
pontos são mapeadas diretamente a partir da
base de dados usando a tecnologia Open
Source FDO do MapGuide Open Source. O
pessoal de BUF e FUF que já conhece a
plataforma Microsoft não precisa de
treinamento adicional para manter o sistema.
Ao mesmo tempo, BUF e FUF reconheceram
que o desenvolvimento da solução no
ambiente de aplicação .NET poderia contribuir
para o conhecimento sobre desenvolvimento
de aplicativos a código aberto pela indústria
geoespacial. O projeto está aproveitando
outros esforços da comunidade de código
aberto também. Como a cidade usa MrSID
para compressão de imagens de satélite, a
equipe do projeto de mapeamento de
florestas urbanas usou a extensão raster do Figura 1: O sistema de mapeamento urbano
MapGuide, criada por Frank Warmerdam para florestal de San Francisco mapeia rapidamente
dar suporte a tal formato proprietário. as árvores de todas as organizações
responsáveis, baseando-se numa busca por
Os dados espaciais das florestas urbanas e os
endereços.
detalhes do inventário são combinados com a
base cartográfica (de San Francisco) de ruas,
lotes, tipos de solo e outros mapas para criar Regras de lógica e negócios foram
um mapa baseado na web e interativo. O programadas usando ASP.NET C# para definir e
projeto também ofereceu uma boa controlar a atividade das aplicações de
oportunidade para tirar vantagem da acordo com o usuário, o papel do usuário e
performance do aplicativo obtida ao se usar o para rastrear o histórico de edição. Enquanto
formato SDF do MapGuide Open Source – um todos os usuários dividem alguma
formato espacial de arquivo desenvolvido para funcionalidade ao trabalhar com a aplicação,
ambientes via web. As camadas de base, que outros usuários autorizados têm maior
requerem menos atualizações que os pontos funcionalidade a eles oferecida. Por exemplo,
das árvores, são armazenadas como arquivos usuários do público geral podem realizar
SDF, enquanto informações de árvores, mais buscas em florestas urbanas, observando
dinâmicas, são geocodificadas e armazenadas dados de árvores de acordo com vários
numa base de dados. Ao fazê-lo, torna-se critérios (por exemplo: endereço, vizinhança e
possível que outras aplicações na organização espécies). O público em geral pode também
acessem os dados das árvores e façam realizar zoom, pan e seleção de vistas para
atualizações. Tais atualizações são então vistas exibição, além de adicionar árvores com
em tempo real no aplicativo web. Futuras informações relevantes, tais como: endereço,

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fotos, comentários e contato. Usuários O uso de tecnologia open source pode


autorizados têm um maior conjunto de alcançar além das copas das árvores de San
funcionalidades oferecido e podem editar e Francisco. A equipe espera que o programa
atualizar dados relativos a árvores. seja reaproveitado por outras cidades,
condados e organizações de obras públicas
para mapeamento e gerência não somente
O projeto de mapeamento incrementa o valor de árvores, mas de outros bens urbanos. A
dos dados Figura 1 mostra árvores ao redor da Prefeitura.
Espera-se que o projeto de mapeamento Para mais informações sobre o Projeto de
florestal urbano de San Francisco economize Mapeamento Florestal Urbano de San
verba da cidade ao prover meios para Francisco, visite
inventariar e mapear localizações de árvores http://www.urbanforestmap.org
no passado, no presente e no futuro; calcular
custos e benefícios da floresta urbana como
um todo ou em áreas específicas, identificar Autores:
estratégias efetivas para plantio de árvores e Alex Fordyce
manutenção, e processos como os
requerimentos de licença. Futuras melhorias do Fundador e desenvolvedor SIG senior, Online Mapping
Solutions LLC
sistema têm a esperança de ajudar a facilitar o
planejamento urbano ao permitir a gerentes afordyce@ix.netcom.com
de florestas modelar e calcular um uma análise Charlie Crocker
completa de custo e benefício e direcionar Gerente de Produto senior, Geospatial Solutions,
uma abordagem estratégica para máxima Autodesk
vantagem em muitos dos microclimas de San
charlie.crocker@autodesk.com
Francisco.
De semelhante modo, FUF e as lideranças da
cidade também visam a usar a ferramenta Tradução:
para engajar a comunidade de San Francisco Luiz Carlos Teixeira Coelho Filho
em iniciativas de florestas urbanas e esforços Engenheiro Cartógrafo formado no IME e mestre em
de reflorestamento. A comunidade pode Ciência da Computação pela UFAM, atualmente é
adicionar árvores ao mapa; esta informação é consultor da OpenGEO e desenvolvedor do projeto e-
capturada em uma base separada para Foto.
validação. Quando a informação é luizcoelhof@opengeo.com.br
confirmada, tais árvores são adicionadas à
base de florestas urbanas.

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Geoprocessamento – Uma visão corporativa


A visão do mercado sobre Geoprocessamento coisas estão evoluindo, tudo converge para
um ambiente integrado, onde não existe limites
Em diversos clientes que tenho visitado, a
para a comunicação.
palavra geoprocessamento tem virado
sinônimo de alto “gasto” de dinheiro. Em No mercado de geotecnologias, as mudanças
especial, os gestores (diretores, governadores, ocorrem em ritmo altamente acerelado e
prefeitos, secretários, etc) possuem uma idéia, muitos profissionais simplesmente não
cada vez mais comum, de que projeto de acompanham esta revolução.
geoprocessamento é para consumir muito Vamos analisar um fato interessante nesta área
dinheiro sem resultados que justifiquem o que foi a evolução do segmento de
investimento. sensoriamento remoto. Numa época em que o
Quando comecei a observar a massificação levantamento aerofotogramétrico custava
deste conceito (geoprocessamento = “gasto uma “pequena fortuna”, os produtos de
de dinheiro”) comecei a analisar quais os sensores como o LANDSAT apareceram como
fatores que estariam gerando tal distorção no uma grande revolução. Porém a extração de
mercado. Observei que um dos maiores informação requeria um conjunto de técnicas
problemas estava nos conceitos trazidos do e algoritmos específicos e, conseqüentemente,
meio acadêmico pelos técnicos responsáveis profissionais capacitados para isso. Então
pelos projetos de geoprocessamento nas observamos um “boom” dos cursos de
empresas e instituições públicas. sensoriamento remoto (especializações,
mestrados, etc). Depois que estes profissionais
Os ensinamentos do meio acadêmico
se qualificaram e ficaram prontos para atender
A primeira curiosidade que tive sobre o a uma nova demanda que aparecera,
problema dos projetos de geoprocessamento surgiram as imagens de alta resolução
foi saber o que os técnicos destas instituições (IKONOS, QuickBird, etc) e tudo mudou
compreendiam por este conceito. A definição novamente.
identificada, normalmente trazida do meio
Alguns acreditaram que mesmo com o
acadêmico, foi: “geoprocessamento é o
surgimento das novas imagens de alta
conjunto de ferramentas e técnicas utilizadas
resolução, ainda haveria uma grande
na aquisição, armazenamento,
demanda para os produtos de menor
gerenciamento, (...) de dados e informações
resolução. Ledo engano, pois quem dita a
geográficas”. Eu tive que abreviar a definição,
regra é o mercado e existe uma grande
pois ela é bem longa (mais um exemplo que
dificuldade na venda de produtos de média e
tamanho não é documento).
baixa resolução: o resultado é um produto
A dinâmica do mercado gerado por “procedimentos abstratos”
Uma importante revolução que está fazendo (algoritmos estatísticos) para a maioria dos
parte do nosso cotidiano é a convergência gestores. Desta forma, o produto final acabava
tecnológica. Hoje as grandes empresas não sendo uma “mancha” na qual o gestor deveria
oferecem um tipo de produto, elas vendem um acreditar que possuía utilidade prática. Deixo
“pacote” completo. Vejamos o caso das claro que eu não estou afirmando que este
telefonias, você pode comprar um pacote que tipo de produto não possui utilidade; a minha
envolve telefone fixo, internet e celular. O afirmação é que existe uma grande
celular pode navegar na Internet e sincronizar dificuldade em convencimento da utilidade do
a agenda com o seu computador. E assim as mesmo.

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Basta observarmos as vagas ofertadas na área geoprocessamento implantado nesta cidade


de geotecnologias, para concluímos que a possibilitou o seguinte:
demanda pelo especialista em sensoriamento ● Estruturação/otimização do processo de
remoto ficou num lugar remoto da história (o licenciamento ambiental com análise de
trocadilho até que deu certo). Conversando dados georeferenciados;
com alguns futuros Engenheiros Cartógrafos
que estão fazendo estágio numa empresa ● Implantação de sistemas para
focada em imagens de alta resolução, eu fiscalização com análise de
soube que o trabalho deles se resume a utilizar desempenho dos fiscais (controle de
um programa para pesquisar num banco de metas) e distribuição espacial
dados de imagens para atender a demanda sistematizada das áreas a serem
de um determinado cliente. fiscalizadas;
Quando achávamos que as imagens de alta ● Sistemas gerenciais com consolidação
resolução iriam tomar o lugar, até mesmo, das de dados em tempo real de simples
fotos aéreas devido ao custo muito inferior, as acesso através da visualização de
empresas do setor se adaptaram. A mudança mapas temáticos dos trabalhos
de estratégia resultou em vender o realizados.
aerolevantamento por preços bem menores Neste cenário, o gestor passaria a ter total
para tornar o produto mais competitivo e controle sobre uma situação crítica do seu
garantir a própria sobrevivência do negócio. governo e poderia responder a qualquer
Não vou tratar aqui de questões técnicas, pois questionamento e efetivamente analisar o
o enfoque do artigo não é esse. sucesso das ações para corrigir o problema.
Os novos conceitos Será que este gestor vai considerar que a
solução de geoprocessamento foi cara?
Este artigo não seria nada construtivo se eu
apenas apontasse que os conceitos “clássicos” Qualificação com visão gerencial
estão errados. Desta forma, vou apresentar Um dos erros mais comuns dos profissionais é
uma definição de geoprocessamento que acreditar que o domínio de uma determinada
realmente pode colaborar para o sucesso na tecnologia é o principal pré-requisito para estar
implantação deste tipo de projeto. preparado para os desafios do mercado.
“Geoprocessamento é o conjunto de ações Muitos procuram fazer cursos de
que possibilita a inclusão de inteligência especialização em geotecnologia na busca de
geográfica aos processos de uma instituição.” aumentar as suas possibilidades de conseguir
um bom emprego. Isto é realmente uma
Apesar de curta, esta definição vai direto ao grande ilusão.
ponto, solucionando a seguinte questão: por
que os gestores acreditam que o projeto de À medida que os gestores tomam consciência
geoprocessamento é caro? de que os inúmeros investimentos em
“geoprocessamento” não renderam um real
A resposta disso está na “palavra mágica”: retorno na melhoria da sua gestão, o mercado
processos. Vou apresentar um exemplo prático começa a passar por uma nova adaptação.
da importância em “otimizar processos”. Num momento no qual as informações
Vamos supor que um prefeito assuma uma espaciais são colocadas na Internet permitindo
cidade na qual a imprensa local todo mês massivo acesso a informações antes somente
publique uma reportagem falando da manipuladas pelos “especialistas em
degradação ambiental e da ineficiência do geoprocessamento”, um novo perfil de
poder público em contê-la. Suponhamos profissional começa a ser exigido pelo
também que um projeto de mercado.

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Uma revista que vai mudar os seus conceitos sobre geotecnologia

Uma vez um prefeito me perguntou por que ele “clássico”). Este diretor, com o qual conversei,
precisaria me contratar para implantar um informou que não tinha verba para investir em
banco de dados geográfico se todas as consultoria e que nós tínhamos que apresentar
informações sobre a cidade dele já estavam um produto, ou seja, um “pacote”. Pensar em
no Google Earth. Uma questão realmente “pacote” é outro fator que frequentemente
interessante; o que você responderia? Em leva ao fracasso da solução de
resumo, tive que explicar que não adianta ter geoprocessamento, pois não é um produto
acesso a um grande conjunto de informações que, por “um passe de mágica”, fará tudo
se elas não estão organizadas de forma a funcionar. O sucesso depende de um enorme
otimizar os processos da instituição. Um grande trabalho de modelagem e aperfeiçoamento
repositório de dados que não esteja integrado dos processos e sistemas.
aos processos pode acabar caindo no Podemos concluir de tudo isso, que existe uma
esquecimento e isto tem sido um dos motivos grande carência de profissionais com
da falência dos projetos de capacidade de entenderem o real benefício
“geoprocessamento”. do geoprocessamento no contexto da
Este é um problema que ocorre também em otimização de processos numa instituição. O
grandes corporações privadas que se enfoque dos cursos atuais levam a uma
preocupam, muitas vezes, em implantar um formação com base tecnológica normalmente
ERP (Enterprise Resource Planning), mas tratam direcionada a um produto específico,
o geoprocessamento como um “setor/módulo” deixando de lado, fatores importantes em
a parte. Eu já tive uma reunião com um Diretor projetos corporativos como a definição de
de TI de uma grande empresa de padrões e a modelagem de processos com
telecomunicações que, ao saber que eu inteligência espacial.
desejava conversar sobre geoprocessamento, Somente veremos um grande salto na
ele informou que sabia que possuía isso, mas qualidade dos projetos de
não sabia dar detalhes, por isso chamou a “geoprocessamento” quando tivermos cursos
pessoa encarregada do “setor”. Ora, numa estruturados no formato de MBA, ou seja, com
empresa de telecomunicações, o enfoque gerencial. Por enquanto, temos que
geoprocessamento deveria estar integrado a continuar acompanhando esta “metamorfose
praticamente todos os sistemas corporativos: ambulante” que é o mercado de
marketing, vendas, atendimento ao cliente, geotecnologia para não perdermos o “bonde
gerencia de recursos tecnológicos (rede de da história”.
transmissão), gerência de recursos humanos,
etc. Se realmente existe esta integração, o Autor:
pessoal de TI estaria com o total domínio do Helton Nogueira Uchoa
geoprocessamento, pois não existiria uma
Engenheiro Cartógrafo formado no IME, atualmente é
“fronteira” separando uma base tecnológica consultor da OpenGEO e membro do conselho da
da outra. Ou seja, até nas grandes empresas Fundação Open Source GeoSpatial.
privadas, o geoprocessamento é tratado de uchoa@opengeo.com.br
maneira totalmente equivocada (conceito

?
Se a resposta for “a”,
O que o seu projeto de a) Corporativo fale com os nossos
b) Caro consultores.
Geoprocessamento quer c) Complexo (21) 2518-6233
ser quando crescer d) Ineficiente (21) 2283-1235
www.opengeo.com.br

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GeoZine – nº 0.1 – 16/08/2007
Uma revista que vai mudar os seus conceitos sobre geotecnologia

GIS Corporativo com Software Livre


Estudo de caso em Segurança Pública

Introdução
Quando se trabalha desenvolvendo soluções Depois de analisado o caso, os Engenheiros da
corporativas que irão envolver sistemas de OpenGEO chegaram às seguintes conclusões:
missão crítica, o projeto simplesmente não A) O prazo era curto demais e qualquer
pode falhar. O planejamento e a estratégia de problema durante a execução do
implantação necessitam ser minuciosamente mesmo, resultaria em atraso inevitável.
estudados. Exatamente neste contexto, o Esta informação foi passada para o
projeto SIGO (Sistema Integrado de Gestão cliente para que ele tivesse a
Operacional) foi apresentado aos Engenheiros consciência da existência deste risco;
da OpenGEO para o desenvolvimento do
módulo de GIS. B) Para se conseguir espacializar os dados
em tempo real, a base deveria estar
Os requisitos/exigências iniciais apresentados geocodificada, ou seja, todos os
pelo cliente foram: seguimentos de arruamentos deveriam
1) O prazo para desenvolvimento era de 6 possuir, no mínimo, número inicial e final
dias (o projeto tinha que ficar pronto a de cada lado da rua. A base obtida na
tempo de ser demonstrado num evento Prefeitura de Campo Grande atendia a
de Segurança Pública que iria ocorrer esta especificação;
em 6 dias); C) A arquitetura utilizada iria ser composta
2) Rodar em plataforma Windows 2003 pelo PostgreSQL/PostGIS e pelo
Server com IIS; MapServer, porém, algum “framework”
deveria ser utilizado para acelerar o
3) Rodar com servidor Zend (PHP);
desenvolvimento da aplicação visando
4) Possuir performance compatível com os cumprir o prazo. Neste caso, a opção foi
demais módulos do sistema, ou seja, pelo Chameleon, que na realidade se
processar em tempo real (retorno em constitui num conjunto de componentes
poucos segundos) um grande volume de (“widgets”) que podem ser utilizados
informações; para o rápido desenvolvimento de
5) O módulo GIS deveria se integrar de aplicações com o MapServer. O SIGO
maneira transparente ao restante do utilizava o MS SQL Server para
sistema, com interface 100% Web armazenamento dos dados e a inclusão
(código em PHP); do PostgreSQL iria resolver 2 problemas:
(1) Iria possibilitar a construção de
6) A principal função desta primeira versão análises espaciais através do módulo
do módulo GIS seria espacializar os PostGIS, tendo em vista que o MS SQL
eventos relacionados a Segurança Server não possuía módulo equivalente.
Pública armazenados pelo SIGO, (2) Iria evitar que as instabilidades no MS
gerando mapas temáticos em tempo SQL Server que, por ventura, ocorressem
real; no futuro fossem relacionadas ao módulo
7) Todo o desenvolvimento deveria ser de GIS, ou seja, isto evitaria que a
baseado em FOSS (Free and Open OpenGEO fosse “culpada” por esta
Source Software) evitando qualquer tipo instabilidade;
de custo de licenciamento.

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D) Uma importante estratégia na PostgreSQL. Neste dia, toda a concepção do


implementação deste módulo foi definir projeto já tinha que ser definida para iniciar a
que uma das metas a ser cumprida era preparação dos algoritmos. A estratégia de
modificar a menor quantidade possível desenvolvimento foi definida em comum
do código-fonte original do SIGO na fase acordo com o cliente. Ficou, então,
final de integração. Com isso, esperava- estabelecido que a prioridade do
se reduzir a possibilidade de bugs que desenvolvimento deveria focar 2 tipos de
eventualmente poderiam causar mapas:
instabilidade num sistema de missão ● Pontos indicando a localização dos
crítica (isso seria péssimo!!!). Desta forma, eventos gerados pelo sistema: assaltos,
definiu-se que a inteligência espacial se assassinatos, furtos, etc;
concentraria totalmente no banco
através de rotinas implementadas em ● Mapa temático indicando os bairros com
Pl/PgSQL. maior incidência de determinado
evento.
A base de logradouros da PCG exigiu um
A incrível jornada de 6 dias trabalho específico para possibilitar o
desenvolvimento dos algoritmos de
geocodificação. Um dos problemas era a
1º Dia
denominação do tipo de logradouro (rua,
Tudo começa com o cliente apresentando os avenida, travessa, etc). A padronização da
detalhes técnicos da solução implantada. base do SIGO era totalmente diferente da
Neste momento, sempre acabamos padronização da prefeitura, com isso foi
concluindo que o projeto será mais difícil do gerado um novo campo contendo o nome do
que realmente pensávamos no início. Este é um logradouro sem a denominação do tipo do
bom momento para entrar em desespero, mas mesmo. Para fazer isso de maneira simples,
um bom Engenheiro tem que confiar no seu lançamos mão de um recurso denominado
planejamento. Já no primeiro dia, também foi expressão regular. Este recurso está presente
feito o levantamento das bases cartográficas e em diversos softwares livres (sistemas
a preparação do banco de dados geográfico operacionais, linguagens de desenvolvimento,
no ambiente de desenvolvimento (instalação SGBDs, etc) através, principalmente, da
do MapServer e do PostgreSQL no sistema biblioteca Regex. Para nossa sorte, o
Windows). PostgreSQL também implementa este recurso.
2º Dia No exemplo abaixo, podemos ver a expressão
(alguns chamam de “mágica”) que foi
Iniciou-se o processo de importação das bases utilizada para retirar a primeira palavra (tipo)
da Prefeitura de Campo Grande (PCG) para o do nome do logradouro.
projetosigo2=# select substring (rua from '\ +(.*)') as nova_rua, rua from eixo_ruas2;

nova_rua | rua
--------------------------------------+----------------------------------------
JOAQUIM NABUCO | R JOAQUIM NABUCO
OVIEDO | R OVIEDO
CONSOLACAO | AV CONSOLACAO
CASALVASCO | TV CASALVASCO
COLORADO | R COLORADO
LIMA | R LIMA
| VE
| VE
TEOFILO OTONI | R TEOFILO OTONI
CINCO | AV CINCO

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ACARA | TV ACARA
CURIO | R CURIO
EW TRES | EST EW TRES
URUANA | R URUANA
CORSIGUA | R CORSIGUA
MARAJOARA | R MARAJOARA
JEQUITA | R JEQUITA
FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO | R FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO
FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO | R FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO
FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO | R FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO
FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO | R FRANCISCA GONCALVES FIGUEIREDO
CRUZ DE LORENA | AV CRUZ DE LORENA
Código 1 – Exemplo de expressão regular no PostgreSQL
3º Dia pouco do poder do PostgreSQL combinado
com o PostGIS. Na listagem apresentada, a
Depois de preparar a base de logradouros
função recebe o nome da rua (avenida,
(arruamentos) da PCG, chegou a hora dos
travessa, etc) e o número onde ocorreu o
algoritmos para geocodificar os eventos
evento e retorna a coordenada X do mesmo.
através do endereço, ou seja, temos que
A obtenção da coordenada Y segue a mesma
“transformar” o endereço numa coordenada
(X e Y). Para isso, utilizamos algumas funções do lógica. Os atributos “fromleft”, “toleft”,
PostGIS dentro do próprio código Pl/PgSQL. No “fromright” e “toright” representam as
numerações iniciais e finais do lado esquerdo e
algoritmo a seguir, podemos observar um
direito do logradouro respectivamente.
CREATE FUNCTION x_geocode(rua varchar, numero int) RETURNS DOUBLE PRECISION AS $$
DECLARE
gid_geom eixo_ruas3.gid%TYPE := -1;
my_toleft eixo_ruas3.toleft%TYPE;
my_toright eixo_ruas3.toright%TYPE;
my_fromleft eixo_ruas3.fromleft%TYPE;
my_fromright eixo_ruas3.fromright%TYPE;
my_x DOUBLE PRECISION;
p1 DOUBLE PRECISION;
p2 DOUBLE PRECISION;
p3 DOUBLE PRECISION;
p4 DOUBLE PRECISION;

BEGIN
-- identifica se o numero entrado e par ou impar para depois identificar o segmento
IF (numero % 2 = 0) THEN
SELECT INTO gid_geom gid FROM eixo_ruas3 as r WHERE rua=r.rua1 AND ((numero > r.fromleft
AND numero < r.toleft AND r.toleft % 2 = 0) OR (numero > r.fromright AND numero < r.toright AND
r.toright % 2 = 0));
ELSE
SELECT INTO gid_geom gid FROM eixo_ruas3 as r WHERE rua=r.rua1 AND ((numero > r.fromleft
AND numero < r.toleft AND r.toleft % 2 = 1) OR (numero > r.fromright AND numero < r.toright AND
r.toright % 2 = 1));
END IF;
-- calcula parciais
SELECT INTO my_toleft toleft FROM eixo_ruas3 WHERE gid=gid_geom;
SELECT INTO my_toright toright FROM eixo_ruas3 WHERE gid=gid_geom;
SELECT INTO my_fromleft fromleft FROM eixo_ruas3 WHERE gid=gid_geom;
SELECT INTO my_fromright fromright FROM eixo_ruas3 WHERE gid=gid_geom;
-- calcula a regra de tres
IF (numero % 2 = my_toleft % 2) THEN
IF (my_toleft-my_fromleft != 0) THEN
SELECT INTO p1 my_toleft-numero;
SELECT INTO p2 my_toleft-my_fromleft;
SELECT INTO p3 p1/p2;
SELECT INTO p4 1-p3;
SELECT INTO my_x X(line_interpolate_point ((select the_geom from eixo_ruas3 as r
where r.gid=gid_geom),p4));

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END IF;
ELSE
IF (my_toright-my_fromright != 0) THEN
SELECT INTO p1 my_toright-numero;
SELECT INTO p2 my_toright-my_fromright;
SELECT INTO p3 p1/p2;
SELECT INTO p4 1-p3;
SELECT INTO my_x X(line_interpolate_point ((select the_geom from eixo_ruas3 as r
where r.gid=gid_geom),p4));
END IF;
END IF;
RETURN my_x;
END;
$$ LANGUAGE plpgsql;
Código 2 – Algoritmo (Pl/PgSQL) de geocodificação (cálculo da coordenada X)
Em resumo, este algoritmo faz uma regra de O primeiro mapa é apenas um conjunto de
três simples combinada com a função do pontos indicando a localização dos eventos,
PostGIS line_interpolate_point para determinar ou seja, basta armazenar a saída dos
a coordenada X da posição do evento. Como algoritmos de geocodificação em uma tabela
resultado, em poucas linhas, fazemos uma de pontos e depois passar para o MapServer
operação relativamente complexa se tornar apresentar, trivial.
trivial. Depois de algum tempo configurando os
4º Dia arquivos do Chameleon para preparação da
interface gráfica com o usuário, finalizamos o
Passamos da metade do projeto e chegou a
primeiro mapa. Na figura a seguir, é possível
hora de colocar o MapServer para funcionar.
observar o resultado.

Figura 1 – Pontos relacionados aos eventos (roubo, furto, sequestro, etc).

Com estes clientes, fica fácil entender


porque a OpenGEO é líder em
Ministério das Empresa Brasileira de Indústria Brasileira de soluções corporativas de
Cidades Correios e Telégrafos Material Bélico geoprocessamento com software livre.
(21) 2518-6233
Prefeitura de Prefeitura do Prefeitura de
(21) 2283-1235
Fortaleza Recife Arraial do Cabo
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5º Dia PostgreSQL/PostGIS. Vejamos então o nosso


problema: “mapa temático indicando os
Chegamos num momento crítico, pois o
bairros com maior incidência de determinado
próximo mapa a ser gerado já exige um
evento”. Descrevendo o problema de uma
trabalho um pouco maior. A princípio,
forma diferente, chegamos a conclusão que o
devemos acreditar que qualquer problema
cerne da questão é contar o número de
envolvendo análise espacial/topológica pode
eventos nos bairros. Desta forma, a query que
ser traduzido numa query no
faz esta “mágica” é a seguinte:
UPDATE bairro SET contador=(select count(*) from bairro as b, pontos2 where within(pontos2.the_geom,
bairro.the_geom) = 't' AND b.gid=bairro.gid)
Código 3 – Query para contagem de eventos em cada bairro

Figura 2 – Mapa temático indicando a maior concentração de eventos por bairro.

Na figura 2, podemos ver o mapa temático Para variar, a Lei de Murphy que não havia
que procuramos. atuado nos dias anteriores, deixou para
aparecer exatamente no último dia: a DLL do
6º Dia
MapServer apresentou algum tipo de
No último dia do prazo estabelecido pelo incompatibilidade com a combinação do
cliente, temos que integrar os componentes IIS+Zend. A solução mais rápida foi colocar o
desenvolvidos ao SIGO e colocar tudo para Apache numa outra porta e alternar o controle
funcionar no ambiente de produção. do sistema do IIS+Zend para o Apache no

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momento de chamar as funções do equivalentes proprietários e sobram recursos


MapServer. Com isso, o problema foi resolvido para qualquer tipo de implementação. Não
atendendo todas as expectativas do cliente. existe problema que não possa ser resolvido
com o MapServer e o PostgreSQL/PostGIS, o
único limite é a sua criatividade. Desta forma, a
Conclusão preferência por alguma solução proprietária
Na época que eu participava de Olimpíadas não pode ser justificada por motivos técnicos.
de Matemática (há muito tempo atrás), Mesmo o Brasil contando com soluções para
aprendi que num tempo infinito qualquer Segurança Pública como o SIGO, em muitos
problema pode ser solucionado. Dentro do estados os gestores insistem em trabalhar da
contexto de desenvolvimento de sistemas, forma “tradicional”: pouca tecnologia, muita
existem algumas importantes considerações a burocracia e falta de integração. Um exemplo
fazer sobre esta idéia. Para um gestor, a disso é o Rio de Janeiro, onde estive várias
solução do problema não é a única vezes em reunião com a Secretaria de
preocupação, o tempo no qual será dada a Segurança Pública e observei de perto o gasto
solução é muito importante. Já para os exagerado na aquisição de hardware e
técnicos, a preocupação se concentra, em nenhum investimento no item de maior
geral, somente em questões de como fazer o importância: uma solução de gestão para
projeto. Por isso, acredito que a melhor área de Segurança Pública. As informações
estratégia para um projeto é definir o escopo e liberadas na imprensa sugerem que esta
o prazo para a posterior contratação de uma situação vai mudar depois do Pan Americano,
empresa para executá-lo. Tenho observado dizem que a solução milionária contratada sem
que muitos órgãos públicos ainda preferem licitação para o Pan vai resolver todos os
trabalhar com pessoas físicas através de problemas de segurança do Rio. Você
“escopos obscuros”. O resultado disso, são acredita nisso?
meses de desenvolvimento de um produto que
poderia ser desenvolvido em poucos dias e,
quase sempre, projetos que não contemplam Autor:
todas as demandas do cliente. Helton Nogueira Uchoa
Atualmente a combinação MapServer e Engenheiro Cartógrafo formado no IME, atualmente é
PostgreSQL/PostGIS é amplamente utilizada em consultor da OpenGEO e membro do conselho da
projetos corporativos que envolvem FOSS GIS Fundação Open Source GeoSpatial.
ao redor do mundo. Estes sistemas apresentam uchoa@opengeo.com.br
performance, em média, 25% superior aos

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Tutorial: instalação do MapServer no Fedora


Parte 1
2.2.3.tar.bz2
Introdução $ wget http://dl.maptools.org/dl/gdal/gdal-
1.4.0.tar.gz
Neste tutorial, você irá aprender alguns $ wget
segredos para configuração avançada do http://postgis.refractions.net/download/postgis-
MapServer numa das distribuições Linux mais 1.2.1.tar.gz
$ wget http://cvs.gis.umn.edu/dist/mapserver-
populares: o Fedora. Provavelmente esta 4.10.0.tar.gz
metodologia deve funcionar nas variantes do $ wget http://dl.maptools.org/dl/proj/proj-
4.5.0.tar.gz
Fedora e do RedHat Enterprise. Já para as $ wget
outras distros, você terá que testar. http://dl.maptools.org/dl/geotiff/libgeotiff/libgeo
tiff-1.2.3.tar.gz
Um dos importantes pontos deste tutorial é que $ wget
http://internap.dl.sourceforge.net/sourceforge/ming
buscamos utilizar, ao máximo, os pacotes do /ming-0.3.0.tar.gz
próprio Fedora e compilamos os fontes que $ wget
http://www.pdflib.com/binaries/PDFlib/700/PDFlib-
realmente estão associados aos recursos mais Lite-7.0.0p3.tar.gz
específicos do MapServer. Uma preocupação
é garantir uma instalação o mais estável
possível, evitando “mexer” na estrutura básica Verificando as bibliotecas que já devem estar
do Fedora, como, por exemplo, o pacote do instaladas no Fedora
PHP. Por isso, em certos momentos, utilizaremos $ rpm -q libjpeg
libjpeg-6b-37
algumas “mágicas” do ambiente Linux. $ rpm -q curl
curl-7.15.5-1.fc6
Antes de iniciar a instalação, foi feita a $ rpm -q curl-devel
atualização do Fedora, isso pode ser curl-devel-7.15.5-1.fc6
$ rpm -q gd
executado com o up2date, o yum ou outro gd-2.0.33-9.3.fc6
aplicativo que você achar mais conveniente. $ rpm -q gd-devel
gd-devel-2.0.33-9.3.fc6
Tente seguir os passos na ordem que são $ rpm -q libtiff
libtiff-3.8.2-6.fc6
apresentados, pois existe a questão da
dependência de bibliotecas do Linux. Por isso,
já organizamos o tutorial para contemplar esta Configurações adicionais no Linux
questão.
Quando compilamos as bibliotecas, o diretório
Utilizaremos as seguintes aplicações e versões padrão onde as mesmas serão instaladas é
neste tutorial: /usr/local/lib. Para que o Linux identifique este
● MapServer 4.10 local, vamos executar alguns procedimentos:

● PostgreSQL 8.2.3 1. Crie o arquivo mapserver-i386.conf no


diretório: /etc/ld.so.conf.d com o
● PostGIS 1.2.1 seguinte conteúdo:
/usr/local/lib
/usr/local/pgsql/lib
Baixando os fontes
O wget é o “canivete suíço” do Linux para 1. Depois de criado o arquivo, deve-se
download: executar o seguinte comando (como
$ wget root):
http://wwwmaster.postgresql.org/redir?ftp%3A%2F%2Ff
tp.br.postgresql.org%2Fpub%2Fmirrors%2Fpostgresql%2 $ ldconfig
Fsource%2Fv8.2.3%2Fpostgresql-8.2.3.tar.bz2
$ wget http://geos.refractions.net/geos-

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$ make
Instalando a PROJ4 $ make install (executar como root)
Estra biblioteca é responsável pelo tratamento
das projeções no MapServer e em diversos To be continue...
outros softwares livres e proprietários.
[$ tar xvzf proj-4.5.0.tar.gz Na próxima edição, continuaremos com o
$ cd proj-4.5.0 tutorial dando seqüência com a instalação do
$ ./configure
$ make
PostgreSQL.
$ make install (executar como root)

Instalando a Libgeotiff Autores:


Estra biblioteca é responsável pelo tratamento
das imagens GEOTiff (dá para deduzir pelo Helton Nogueira Uchoa
nome). Ela possui dependência da Libtiff que Engenheiro Cartógrafo formado no IME, atualmente é
já verificamos anteriormente. consultor da OpenGEO e membro do conselho da
$ tar xvzf libgeotiff-1.2.3.tar.gz Fundação Open Source GeoSpatial.
$ cd libgeotiff-1.2.3
$ ./configure uchoa@opengeo.com.br
$ make
$ make install (executar como root)
Paulo Roberto Ferreira
Geógrafo Mestre em Transportes pela COPPE,
atualmente é consultor da OpenGEO.
Instalando a GEOS
roberto@opengeo.com.br
Estra biblioteca é responsável por funções
avançadas envolvendo análises espaciais e Luigi Cardeles
topológicas utilizadas pelo PostGIS. Consultor da OpenGEO (programa de Trainee).
Graduando em Engenharia Cartográfica do IME.
$ tar xvjf geos-2.2.3.tar.bz2
$ cd geos-2.2.3 luigi@opengeo.com.br
$ ./configure

Não importa qual a distribuição Linux ou qual


sistema operacional que a sua empresa
trabalha, a OpenGEO tem a melhor solução
de GEOPROCESSAMENTO.
(21) 2518-6233
(21) 2283-1235
www.opengeo.com.br

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Na próxima edição, mais novidades.


Cadastro Técnico Multifinalitário em 3D
Prepare-se para entender a
revolução que o CTM está
promovendo principalmente
nos centros urbanos. Serão
apresentados novos conceitos
e tecnologias que estão
envolvidos com esta revolução.
Neste artigo, você verá
também que o Google Earth é
bem mais que uma ferramenta
para visualizar imagens e outras
coisas interessantes na Web.

Projeto Prefeitura Livre – Uma revolução de conceitos e sistemas


A partir da próxima edição, daremos um enfoque especial num novo projeto que vai abalar a
forma de gestão municipal. Os nossos leitores serão os primeiros a conhecer as novidades sobre
este projeto com artigos escritos pelos próprios criadores do projeto. Simplesmente imperdível.

Esta edição contou com o apoio das seguintes empresas:

Você também pode participar da revista:


Para enviar sugestões, matérias ou críticas, utilize o e-mail: uchoa@geolivre.org.br
Divulgue os seus projetos e ajude a aumentar a comunidade de software livre.

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