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SUMÁRIO: 1. Introdução; 2. Competência; 3. Ação penal; 4. Oferecimento da
denúncia; 5. Procedimento em juízo; 6. Regras de aplicação subsidiária; 7. Últimas
considerações.

1. Introdução

Foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União no dia 9 de fevereiro de 2005,
a Lei nº 11.101, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do
empresário e da sociedade empresária, por isso conhecida como ³Nova Lei de
Falência´.

Entre outras coisas, conforme o disposto em seu artigo 200, pela nova lei ficam
revogadas as disposições dos artigos 503 a 512 do Decreto -Lei nº 3.689, de 3 de
outubro de 1941, o Código de Processo Penal, que tratam ³do processo e do
julgamento dos cri mes de falência´.

Por força do que estabelece seu artigo 201, a nova lei entrará em vigor em 120 (cento
e vinte) dias após sua publicação, vale dizer, em 09 de junho de 2005, observada a
regra do §1º do art. 8º da LC 95/98, não havendo que se cogitar, po r aqui, da
aplicação do princípio da incidência imediata estatuído no art. 2º do CPP.

A matéria penal e processual penal vem regulada no Capítulo VII. Deste, a Seção I,
que compreende os artigos 168 a 178, cuida ³Dos crimes em espécie´ e ³fraude a
credores´; a Seção II, onde estão os artigos 179/182, traz as ³Disposições Comuns´, e,
por fim, a Seção III, nos artigos 183 a 188, cuida ³Do procedimento penal´, sendo este
o objeto das reflexões que buscaremos expor nas linhas seguintes, cumprindo
anunciar, desde logo, a inexistência de qualquer pretensão no sentido de esgotar a
matéria nos estreitos limites deste trabalho.

2. Competência

Conforme a norma geral do Código de Processo Penal, art. 70, a competência


jurisdicional será, de regra, determinada pel o lugar em que se consumar a infração,
ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

Em se tratando de crime falimentar, mesmo sob a regulamentação do Dec. -Lei n.


7.661/45, a antiga ³Lei de Falência´, ³o foro compete nte para o propositura da ação
penal é o juízo onde foi declarada a falência´. É o juízo da quebra.
Segundo Fernando Capez: ³Recebida a denúncia ou queixa, os autos serão remetidos
ao juízo criminal competente, para prosseguimento da ação, de acordo com o
procedimento ordinário, seja o crime apenado com detenção, seja com reclusão.
Ocorre que em São Paulo, por força da Lei Estadual n. 3.947/83, firmou -se a
competência do juízo universal da falência para o julgamento dos crimes falimentares´.
E arremata: ³Essa lei estadual constitui norma de organização judiciária, de simples
divisão de competência, não ofendendo assim, a Constituição Federal. O Código
Judiciário do Estado dispõe que a mesma competência firmada para a capital aplica -
se no interior´.

É certo que o art. 504 do CPP determina que ³a ação penal será intentada no juízo
criminal, devendo nela funcionar o órgão do Ministério Público que exercer, no
processo de falência, a curadoria da massa falida´, entretanto, ensina Damásio E. de
Jesus com a inteligência de sempre e o costumeiro acerto que: ³Embora a disposição
determine que a ação penal por delito falimentar deva ser intentada no juízo criminal,
os arts. 109, § 2º, e 194 da Lei de Falências afirmam que ela é iniciada no juízo da
falência, excepcionalmente podendo ter início no juízo criminal´.

Nos precisos termos do art. 183 da ³Nova Lei de Falência´: ³Compete ao juiz criminal
da jurisdição onde tenha sido decretada a falência, concedida a recuperação judicial
ou homologado o plano de recuperaç ão extrajudicial, conhecer da ação penal pelos
crimes previstos nesta Lei´.

Referindo-se ao ³juiz criminal´ da jurisdição onde tenha sido decretada a falência, a lei
afasta qualquer dúvida e retira do ³juízo universal da falência´, que é de natureza
extrapenal, a competência para o processo e julgamento dos delitos falimentares.

Lembrando que a ³nova lei´ não prevê a possibilidade de concordada preventiva ou


suspensiva, uma vez decretada a quebra, concedida a recuperação judicial, ou,
homologado plano d e recuperação extrajudicial, competente para as questões penais
eventualmente surgidas será o juiz criminal da jurisdição onde tais atos se derem,
aplicando-se quanto ao mais, para a fixação da competência, no caso de pluralidade
de juízes igualmente compe tentes, as regras gerais do Código de Processo Penal
(art.s 70 e seguintes).

3. Ação penal

Porquanto essencialmente público o bem jurídico tutelado na esfera penal, como se


verifica na grande maioria dos casos, em regra a ação penal será pública
incondicionada, e somente nos casos especialmente destacados na lei ela será de
outra natureza, vale dizer: pública condicionada ou privada, em qualquer de suas
modalidades.

Segundo o artigo 503 do CPP: ³Nos crimes de falência fraudulenta ou culposa, a ação
penal poderá ser intentada por denúncia do Ministério Público ou por queixa do
liquidatário ou de qualquer credor habilitado por sentença passada em julgado´.
A previsão contempla, em se tratando de falência fraudulenta ou culposa, as
possibilidades de aç ão penal pública incondicionada, por denúncia de iniciativa do
Ministério Público, e ação penal privada, por queixa a ser ofertada pelo liquidatário ou
qualquer credor habilitado por sentença passada em julgado.

Tal regra, que continuará a ser aplicada a té que entre em vigor a ³nova lei´, sofreu
modificação visceral.

Foi excluída a possibilidade de ação penal privada em se tratando de crime falimentar,


pois, consoante dispõe o art. 184 do novo diploma ³os crimes previstos nesta Lei são
de ação penal púb lica incondicionada´.

Afastado qualquer interesse particular primário na persecução penal, subsiste,


expressamente, apenas a ação penal de iniciativa do Ministério Público, por denúncia.

Há que se considerar, entretanto, a possibilidade de ação penal p rivada subsidiária da


pública, prevista no art. 5º, LIX, da Constituição Federal, e também nos arts. 29 do
CPP e 100, § 3º, do CP.

Evidentemente, observados os princípios da hierarquia e da verticalidade das normas,


o disposto no caput do art. 184 não te m força suficiente para retirar do ordenamento a
regra de base constitucional. Aliás, nem foi esse o propósito do legislador, tanto assim
que no parágrafo único cuidou de estabelecer: ³Decorrido o prazo a que se refere o
art. 187, § 1º, sem que o represent ante do Ministério Público ofereça denúncia,
qualquer credor habilitado ou o administrador judicial poderá oferecer ação penal
privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 (seis) meses´.

Quanto à decadência e o prazo para o oferecim ento da queixa subsidiária, a regra


reproduz o que está disposto no art. 38 do CPP.

Assim, verificada a absoluta inércia do órgão Ministerial, qualquer credor habilitado ou


o administrador judicial poderá intentar a ação penal nos moldes da regulamentaçã o
normativa, cumprindo observar, quanto ao mais, as disposições gerais do Código de
Processo Penal.

4. Oferecimento da denúncia

Dispõe o art. 508 do CPP que: ³O prazo para denúncia começará a correr do dia em
que o órgão do Ministério Público receber os papéis que devem instruí -la. Não se
computará, entretanto, naquele prazo o tempo consumido posteriormente em exames
ou diligências requeridos pelo Ministério Público ou na obtenção de cópias ou
documentos necessários para oferecer a denúncia´.

O art. 187 da ³nova lei´ cuidou da matéria nos seguintes termos: ³Intimado da
sentença que decreta a falência ou concede a recuperação judicial, o Ministério
Público, verificando a ocorrência de qualquer crime previsto nesta Lei, promoverá
imediatamente a compete nte ação penal ou, se entender necessário, requisitará a
abertura de inquérito policial´.

Em outras palavras, porém, com o mesmo objetivo, cuidou a lei de estabelecer,


mantendo as linhas do regramento anterior, que a ação penal não poderá ser iniciada
sem que exista prévia sentença de decretação da quebra, e também agora,
concedendo a recuperação judicial.
Fica mantida, portanto, a discussão a respeito da natureza jurídica da sentença
declaratória da falência, onde também se insere, a partir da nova lei, a natureza da
decisão que concede recuperação judicial.

No particular assunto, entendemos que a melhor lição é aquela apresentada por


Damásio E. de Jesus, que assim se expressa: ³Pensamos que nos delitos
falimentares, conforme a figura penal, a declaraç ão da falência constitui condição de
procedibilidade ou elemento do tipo. A diversidade da natureza jurídica da declaração
da quebra depende dos elementos contidos no tipo penal. Quando a figura
incriminadora não contém a declaração da falência como elemen tar, ela configura
condição de procedibilidade´. E arremata no notável jurista: ³Quando, entretanto, a
definição do crime contém a declaração da quebra, esta constitui elemento do tipo.
Sem ela o fato a atípico´.

Nos termos do caput do art. 187, intimado da sentença que decreta a falência ou
concede a recuperação judicial, o Ministério Público, verificando a ocorrência de
qualquer crime previsto na lei, promoverá imediatamente a competente ação penal,
prescindindo da instauração de inquérito policial, por quanto dispensável, apesar de
sua inquestionável utilidade e necessidade na esmagadora maioria dos casos.

Se o material probatório disponível não for suficiente para a formação de uma


convicção segura e responsável acerca dos fatos sob análise, o represe ntante do
Ministério Público deverá requisitar a abertura de inquérito policial.

Com ou sem inquérito, seguindo as linhas do § 1º do art. 187 do novo regramento, ³o


prazo para oferecimento da denúncia regula -se pelo art. 46 do Decreto -Lei nº 3.689,
de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal)´.

De forma saudável, a lei adota como regra geral a ser observada, a adoção dos
prazos regulados no art. 46 do CPP. Vale dizer: 5 (cinco) dias estando o investigado
preso, e 15 (quinze) dias se o investigado estiver solto.

Há, entretanto, uma ressalva. Em determinados casos o representante do Ministério


Público poderá ³decidir´, a juízo exclusivamente seu, portanto, sem ingerência ou
fiscalização judicial anômala, por aguardar a exposição circunstanciada de que trata o
art. 186 da ³nova lei´, devendo, em seguida, oferecer a denúncia em 15 (quinze) dias,
conforme dispõe a parte final do art. 187.

De tal hipótese somente se poderá cogitar em se tratando de investigado solto.


5. Procedimento em juízo

De início é preciso anotar que apenas o crime do art. 178 é punido com detenção, de 1
a 2 anos, e multa. Todos os demais são punidos com reclusão, de 2 a 4 anos, e multa,
exceção feita em relação aos crimes dos arts. 168 e 176, para os quais o legislador
estabeleceu pena de reclusão, de 3 a 6 anos, e multa, em relação ao primeiro, e de
reclusão, de 1 a 4 anos, e multa, quanto ao último.

Como se vê, é bastante reduzida a hipótese de aplicação dos institutos da suspensão


condicional do processo e da transação p enal (Leis 9.099/95 e 10.259/01) em se
tratando de ³crimes falimentares´, e a fixação da pena de reclusão para a maioria dos
ilícitos, somada ao patamar mínimo alcançado por ocasião da individualização formal
da pena, bem demonstra a intenção de se punir c om maior rigor as condutas
tipificadas.

Se por um lado o novo diploma é claro quanto à intenção acima destacada, e se até
merece algum aplauso por ter pretendido maior celeridade aos processos criminais em
se tratando de ³delitos falimentares´, como deix a entrever, por outro é digno do mais
forte repúdio ao estabelecer no art. 185 que, ³recebida a denúncia ou a queixa,
observar-se-á o rito previsto nos arts. 531 a 540 do Decreto -Lei nº 3.689, de 3 de
outubro de 1941, Código de Processo Penal´.

Para que se esclareça mais uma vez, é preciso lembrar que a única queixa que pode
ser recebida em tais hipóteses é a queixa subsidiária, portanto, instauradora de ação
penal privada subsidiária da pública.

Superada a questão com o simples esclarecimento em termos de complementação, o


que resta é espanto e desalento, além da certeza de que o legislador realmente está
despreparado para o enfrentamento das questões penais e processuais penais, o que,
aliás, já nos ocupamos de escrever outras tantas vezes.

Com efeito. O procedimento regulado nos art. 531 a 540 do CPP é o procedimento
sumário, e vários dos dispositivos que cuidavam da matéria já foram revogados, sendo
recomendada para a perfeita compreensão do assunto consulta aos ensinamentos de
Damásio E. de Jesus, em sua consagrada obra ³Código de Processo Penal anotado´,
onde a matéria se vê abordada em toda sua amplitude e, bem por isso, esgotada.

Pela nova lei, indistintamente, o procedimento a ser aplicado é aquele previsto para os
crimes punidos com detenção.

Não se desconhece que em outras hipóteses o Código de Processo Penal prevê a


aplicação de um só procedimento para crimes punidos com detenção e reclusão,
dando tratamento isonômico. É o que ocorre, por exemplo, nos casos de crimes contra
a honra, nos te rmos regulados no art. 519 do CPP. De ver -se, entretanto, que por aqui
estamos diante de procedimento especial, inclusive e notadamente em razão do
disposto no art. 520 do mesmo ³Codex´, realidade que não se confunde com a
indicada pela nova lei de falênci a.
É certo que o novo tratamento procedimental dispensado, de certa maneira também
pode ser nomeado de especial, entretanto, tal reconhecimento decorreria
exclusivamente do fato de se ter determinado a aplicação de um procedimento próprio
para delitos punidos com detenção a delitos que basicamente são punidos com
reclusão, sem qualquer regra ³especial´, diferenciadora do procedimento (ao contrário
do que ocorre, p. ex., na hipótese do art. 520 do CPP).

A especialidade, aqui, é bastante simples, e resume -se ao fato de se ter escolhido


normativamente, para crimes punidos com reclusão, um procedimento próprio para
delitos mais brandos.

A incompatibilidade que disso decorre é preocupante e chega aos limites de um


questionamento fundado em base constituciona l, na medida em que se esbarra no
princípio da ampla defesa, pois é cediço que uma das formas básicas de se permitir o
exercício deste princípio é estabelecer uma maior amplitude procedimental para os
crimes combatidos com maior rigor punitivo no plano for mal.

Deve haver uma co-relação; uma congruência; e, sempre, uma coerência entre a pena
formalmente fixada e o procedimento a ser aplicado na persecução em juízo.

Para os delitos mais brandos, com conseqüências menos sensíveis, os procedimentos


mais céleres e menos formais. Para os delitos mais graves, punidos com reclusão, os
procedimentos mais amplos, com maior amplitude de defesa e formalismo.

Não é, entretanto, o que se vê na normatização sob comento, onde apenas um delito é


punido com detenção e o procedimento previsto para o processo em relação a todos
os crimes é o mais brando previsto no Código de Processo Penal.

O descompasso é flagrante, tanto quanto o equívoco da opção adotada pelo órgão


legiferante.

6. Regras de aplicação subsidiária

Como soldado de reserva cuidou a ³nova lei´ de estabelecer em seu art. 188, quando
nem precisava, que ³aplicam -se subsidiariamente as disposições do Código de
Processo Penal, no que não forem incompatíveis com esta Lei´.

7. Últimas considerações

É absolutamente inadmissível que, após mais de uma década de tramitação, venha


para o universo jurídico uma lei com tamanha incompatibilidade.

A evolução do conhecimento científico; a realidade prática experimentada todos os


dias nas mais variadas Instâncias judiciárias nitidamente estranha aos olhos do Poder
Legiferante, bem como o prestígio que se quer dar ³Justiça brasileira´, estão por
merecer melhor atenção; mais respeito, o que determina a necessidade de um
intransigente conhecimento do sistema normativ o em sentido amplo, e da técnica de
elaboração legislativa. No particular, era de se esperar especial atenção na ³escolha´
do procedimento penal a ser adotado em juízo, rendendo -se homenagem, inclusive,
ao princípio constitucional da ampla defesa.

Fonte:
MARCÃO, Renato Flávio. Procedimento penal na nova Lei de Falência . Jus
Navigandi, Teresina, a. 9, n. 590, 18 fev. 2005.

Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual


seu artigo 5.º, XXVII, protegendo o chamado direito imaterial.
O assunto é tratado também pelo Código Penal brasileiro em seu art. 184 e §§,
que será
melhor analisado a contento.
2. Breves considerações acerca da origem do instituto e sua evolução histórica
no Brasil
Há quem afirmou, como é o caso de Vittorio Scialoja , que o direto romano já
tratava do
direito autoral (pelo caráter moral que esse tema possui) quando defendia os
interesses da
personalidade intelectual, mediante a actio iniurarum.
É que os jurisconsultos romanos não aceitavam a idéia de que um autor
pudesse reclamar a
propriedade dos produtos ³intelectuais´ que criava.
De acordo com o professor Paulo José da Costa Jr. , ³O direito autoral, como
direito
subjetivo, remonta a menos de três séculos. Com a invenção da imprensa no
século XV, os
livreiros buscaram determinados privilégios, junto ao príncipe, para eliminar a
concorrência
de outros editores. O primeiro estatuto de que se tem notícia é o English
Copyright Act of
Queen Anna, de 10 de abril de 1710. Depois, surgiram os copyrights dos
Estados norteamericanos
de Connecticut, Massachussetts e Maryland. A seguir, com a Revolução
Francesa, de 1989, forma promulgadas as leis da Constituinte, de 1791, e as
da Convenção
subseqüente, onde se vislumbrou pela primeira vez o moderno direito autoral´.
A proteção aos direitos autorais, conforme visto, começara a ganhar força,
efetivamente,
com a invenção da imprensa no século XV.
Após esse período inúmeras leis e decretos regulamentaram, cada qual ao seu
modo, o tema
em apreço. Hoje, a Lei n.º 9.610, de 19/02/98 regul a a matéria.
3. Conceito
A propriedade intelectual engloba tudo aquilo que se oriunda da inteligência
humana,
independentemente dos escopos por ela visados (artístico, empresarial,
educacional etc.),
excluindo-se, por óbvio, os de caráter imoral, bem como os que contrariam os
interesses
coletivos.
O direito autoral, segundo Julio Fabbrini Mirabete ³pode ser conceituado como
sendo os
direitos que o criador detém sobre sua obra, fruto de sua criação, e os que lhe
são conexos
(...) Direitos conexos ao direito de autor são os direitos dos artistas, intérpretes,
ou
executantes da obra literária ou artística, dos produtores fonográficos e das
empresas de
radiodifusão´.
O crime de violação de direito autoral encontra -se definido no art. 184, caput,
do Código
Penal, verbis:
³Violar direito de autor e os que lhe são conexos:
Pena ± detenção, de três meses a um ano, ou multa.´
Trata-se, como se pode observar, de norma penal em branco, pois é o Direito
Civil que
conceitua o direito autoral por meio da Lei n.º 9.61 0/98 (Lei dos Direitos
Autorais).
4. Objetividade jurídica e seus aspectos penais
É a proteção do direito autoral.
O núcleo do tipo é violar, ou seja, infringir, transgredir, divulgar abusivamente
etc.
A violação do direito autoral dá -se com a publicação ou reprodução abusiva
(denominada
contrafação e plágio, respectivamente).
Deste modo, não há que se falar em violação aos direitos do autor quando
ocorre a
reprodução, em periódicos, por exemplo, a citação em revistas, jornais ou
livros, com
objetivos de estudo e nas demais hipóteses previstas nos arts. 46 a 48 da Lei
dos Direitos
Autorais.
O crime é qualificado pelo meio de execução, nos termos do § 1.º do art. 184
do Código
Penal, ipsis verbis:
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, c om intuito de lucro
direto ou
indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação,
execução ou
fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou
executante, do
produtor, conforme o caso, ou de quem os represente : (Redação dada pela Lei
nº 10.695, de
1º.7.2003)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei
nº 10.695, de
1º.7.2003)
Para que se configure a hipótese desse parágrafo, necessário se torna,
conforme expresso,
que o sujeito pratique a conduta descrita para fins de comércio, de modo que
se a
reprodução se realizar e o agente não tenha o intuito de lucro, o fato é atípico.
Por sua vez, o § 2.º, do artigo em comento, prevê de forma alternativa vários
núcleos, tais
como vender, ocultar, trocar etc., e exige, também, o elemento subjetivo do
injusto, isto é, o
dolo específico, que, nesse caso, se traduz no intuito de lucro, sendo certo,
portanto, que
sem tal finalidade a conduta será atípica.
Confira-se o teor do dispositivo:
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou
indireto,
distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem
em depósito,
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do
direito de
autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de
fonograma,
ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a
expressa
autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. (Reda ção
dada pela Lei nº
10.695, de 1º.7.2003)
São incriminadas, destarte, condutas posteriores que tenham por objeto
original, cópia
produzida ou reproduzida sem autorização dos titulares dos direitos de autor e
conexos.
O § 3.º está redigido da seguinte form a:
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra
ótica, satélite,
ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da
obra ou
produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por
quem formula
a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa,
conforme o
caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma,
ou de quem
os represente: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº
10.695, de
1º.7.2003)
Como se pode perceber, o objetivo do legislador, em face das grandes
mudanças
tecnológicas do mundo moderno foi o de ampliar a proteção do direito autoral e
dos
conexos, contra sua crescente violação.
Da mesma forma do previsto nos §§ anteriores, para a configuração desse
delito é de se
exigir o intuito lucrativo do agente.
A Lei n.º 10.695/03, além da alterações que fez nos parágrafos 1.º, 2.º e 3.º,
acrescentou o §
4.º ao art. 184, assim disposto:
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção
ou limitação
ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto
na Lei nº
9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou
fonograma, em um só
exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto.
(Incluído
pela Lei nº 10.695, e 1º.7.2003)
Coadunando com o magistério do professor Mirabete entendemos que a
presente regra é, a
rigor, desnecessária, tendo em vista que se há exceção ou limitação legal ao
direito do autor
não ocorre a sua violação, sendo, ademais, o fim do lucro expressamente
previsto nos
parágrafos anteriores como elemento do tipo penal.
5. Sujeito ativo
Por se tratar de crime comum, a violação ao direito autoral pode ser praticada
por qualquer
pessoa, sendo possível a co -autoria e a participação, como por exemplo, o
editor do livro
plagiado.
6. Sujeito passivo
Segundo o professor Damásio E. de Jesus , ³Su jeito passivo é o autor ou o
terceiro titular
do direito autoral sobre a obra intelectual. Os direitos do autor podem ser total
ou
parcialmente cedidos a terceiros. Se a transmissão é total, nela se
compreendem todos os
direitos do autor, salvo os de natur eza moral (Lei n.º 9.610/98, art. 49, I).
Portanto, sujeito
passivo é o titular do direito violado com a conduta criminosa, podendo ser o
autor ou
terceiros´.
A pessoa jurídica de direito privado ou de direito público também podem ser
titular dos
direitos autorais de outrem, desde que tais direitos estejam previstos em
contrato, ocasião
em que tais entes poderão ser sujeitos passivos do crime em tela.
Vale lembrar que, na ausência do autor da obra, os sujeitos passivos serão os
herdeiros ou
sucessores.
Para a proteção de seus direitos, ao autor da obra intelectual é conveniente
registrá-la,
conforme o caso, na Biblioteca Nacional, na Escola de Música, na Escola de
Belas-Artes da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Instituto Nacional do Cinema, entre
outros.
Podem ainda ser sujeitos passivos os artistas interpretes (atores, cantores,
músicos etc.)
quando se tratar de violação de direitos conexos com os do autor.
7. Consumação e tentativa
A consumação varia conforme a modalidade em que a conduta é praticada. A
tentativa é
possível em qualquer das hipóteses, pois trata -se de crime plurissubsistente.
8. Da ação penal cabível
Para a espécie de ação penal a ser utilizada, conforme o caso, devem ser
observadas a
regras delineadas no art. 186 do Código Pe nal, in litteris:
Art. 186. Procede-se mediante: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de
1º.7.2003)
I - queixa, nos crimes previstos no caput do art. 184; (Incluído pela Lei nº
10.695, de
1º.7.2003)
II - ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do
art. 184;
(Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
III - ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de
entidades de
direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou
fundação
instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
IV - ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no
§ 3o do art.
184. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
9. Conclusão
Diante de todo o exposto, é de se co ncluir que a reprodução/utilização de obra
intelectual
está condicionada, salvo as exceções legais, à autorização de seus autores,
pois, ao
contrário, estará o agente sujeito a incorrer nas penas acima estudadas, sem
prejuízo das
responsabilidades de âmbit o civil.
novembro de 2005
BIBLIOGRAFIA
 CAPEZ, Fernando. Curso de processo penal. 3ª ed., São Paulo: Ed.
Saraiva,
1999.
 COSTA JÚNIOR, Paulo José da. Comentários ao Código Penal ± ed.
atual. ±
São Paulo: Saraiva, 2002.
 JESUS, Damásio E. de. Direito penal ± 25.ª ed. São Paulo: Saraiva,
2002.
 MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de direito penal ± 22.ª ed. ± São
Paulo:
Atlas, 2004.
 SCIALOJA, Discorso nell¶ultima seduta plenaria della conferenza
diplomatica di
Roma del 1928 per la revisione della convenzione di Berna, Actes de la
conférence, Berna,
1929.
*Acadêmico do 4º ano do Curso de Direito da UNIFEOB; Presidente do
Diretório Central
Estudantil (D.C.E.) da UNIFEOB; Ex-Presidente do Diretório Acadêmi co da
Faculdade de
Direito da UNIFEOB; membro efetivo do Conselho Universitário da UNIFEOB;
estagiário
‡ OS AUTOS SÃO O CORPO DO PROCESSO, O MEIO PELO QUAL SE
CONCENTRAM TODAS AS PROVAS PRODUZIDAS E TODOS OS ATOS
PRATICADOS E PELO QUAL É POSSÍVEL VERIFICAR AS
REGULARIDADES DESSES ATOS E A GARANTIA DA AMPLA DEFESA E
DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.

‡ AUTOS PROCESSUAIS PODEM SER DESTRUÍDOS OU EXTRAVIADOS:


TANTO POR ACIDENTE OU FORÇA MAIOR, QUANTO POR ATOS
VOLUNTÁRIOS DOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO, OU ATÉ MESMO POR
TERCEIRO.

‡ DOLO OU CULPA

‡ HAVENDO DOLO OU CULPA, AQUELE QUE COMETEU O ATO SERÁ


RESPONSABILIZADO POR ELE DENTRO DAS TIPIFICAÇÕES PENAIS
EXISTENTES.

‡ FINALIDADE DA RESTAURAÇÃO DE AUTOS

‡ ESTE PROCEDIMENTO TEM POR FINALIDADE ÚNICA A RESTAURAÇÃO


DOS AUTOS QUE SUBSTITUIRÃO OS ORIGINAIS, E NÃO TEM A FUNÇÃO
DE IDENTIFICAR O CULPADO PELA PERDA OU EXTRAVIO.

‡ REAPARECIMENTO DOS AUTOS ORIGINAIS

‡ SE NO DECORRER DO PROCESSO DE RESTAURAÇÃO, O PROCESSO


ORIGINAL FOR ENCONTRADO, A AÇÃO PENAL SEGUIRÁ NO ORIGINAL,
APENSANDO-SE OS AUTOS DA RESTAURAÇÃO AO ORIGINAL. MESMO
APÓS CONCLUÍDA A RESTAURAÇÃO, SE LOCALIZADOS OS ORIGINAIS,
O PROCESSO SEGUIRÁ NESTE, SALVO SE JÁ TENHA SE REALIZADO
ALGUM ATO PROCESSUAL NOS AUTOS RESTAURADOS.

‡ ART. 541 ± CPP-OS AUTOS ORIGINAIS DE PROCESSO PENAL


EXTRAVIADOS OU DESTRUÍDOS, EM PRIMEIRA OU SEGUNDA
INSTÂNCIA, SERÃO RESTAURADOS.

‡ § 1º - SE EXISTIR E FOR EXIBIDA CÓPIA AUTÊNTICA OU CERTIDÃO DO


PROCESSO, SERÁ UMA OU OUTRA CONSIDERADA COMO ORIGINAL.

‡ O PROCESSO DE RESTAURAÇÃO DE AUTOS DESTRUÍDOS OU


EXTRAVIADOS DEVE SER INICIADO DE OFÍCIO PELO JUIZ OU A
REQUERIMENTO DE QUALQUER DAS PARTES.

‡ NA FALTA DE CÓPIA AUTÊNTICA OU CERTIDÃO DO PROC ESSO, O JUIZ


MANDARÁ, DE OFÍCIO, OU A REQUERIMENTO DE QUALQUER DAS
PARTES, QUE:

‡ A) O ESCRIVÃO CERTIFIQUE O ESTADO DO PROCESSO, SEGUNDO A


SUA LEMBRANÇA, E REPRODUZA O QUE HOUVER A RESPEITO EM
SEUS PROTOCOLOS E REGISTROS;
‡ B) SEJAM REQUISITADAS CÓPIAS DO QUE CONSTAR A RESPEITO NO
INSTITUTO MÉDICO-LEGAL, NO INSTITUTO DE IDENTIFICAÇÃO E
ESTATÍSTICA OU EM ESTABELECIMENTOS CONGÊNERES,
REPARTIÇÕES PÚBLICAS, PENITENCIÁRIAS OU CADEIAS;

‡ C) AS PARTES SEJAM CITADAS PESSOALMENTE, OU, SE NÃO FOREM


ENCONTRADAS, POR EDITAL, COM O PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS, PARA O
PROCESSO DE RESTAURAÇÃO DOS AUTOS.

‡ B) SEJAM REQUISITADAS CÓPIAS DO QUE CONSTAR A RESPEITO NO


INSTITUTO MÉDICO-LEGAL, NO INSTITUTO DE IDENTIFICAÇÃO E
ESTATÍSTICA OU EM ESTABELECIMENTOS CONGÊNERES,
REPARTIÇÕES PÚBLICAS, PENITENCIÁRIAS OU CADEIAS;

‡ C) AS PARTES SEJAM CITADAS PESSOALMENTE, OU, SE NÃO FOREM


ENCONTRADAS, POR EDITAL, COM O PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS, PARA O
PROCESSO DE RESTAURAÇÃO DOS AUTOS.

‡ SERÁ MARCADA AUDIÊNCIA PARA QUE AS PARTES SEJAM OUVIDAS,


TENDO AS MESMAS A OBRIGAÇÃO DE COLABORAR COM A
RESTITUIÇÃO. NESSA AUDIÊNCIA, SERÃO REDUZIDO -A TERMO OS
PONTOS QUE AS PARTES DE COMUM ACORDO RECORDEM, BEM COMO
A EXIBIÇÃO DAS CERTIDÕES, DOCUMENTOS E REPRODUÇÕES JÁ
LEVANTADAS.

‡ DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS

‡ NESTE ATO PROCESSUAL, DEVERÁ AINDA CADA UMA DAS PARTES


APRESENTAR DOCUMENTOS E CÓPIAS QUE POSSUAM DOS AUTOS E
TAMBÉM LEVANTAR SUAS LEMBRANÇAS SOBRE OS AUTOS ORIGINAIS,
SENDO QUE AS LEMBRANÇAS COMUNS SERÃO DEVIDAMENTE
REGISTRADAS NO TERMO DE AUDIÊNCIA.

‡ DA SENTENÇA PROFERIDA

‡ EM JÁ HAVENDO SENTENÇA PROFERIDA, MAS QUE NÃO TENHA SIDO


DEVIDAMENTE REGISTRADA, JUNTARÁ O JUIZ CÓPIA QUE POSSUA
AUTENTICANDO-A.

‡ DA OITIVA DAS PARTES

‡ NO DIA DESIGNADO, AS PARTES SERÃO OUVIDAS, MENCIONANDO -SE


EM TERMO CIRCUNSTANCIADO OS PONTOS EM QUE ESTIVEREM
ACORDES E A EXIBIÇÃO E A CONFERÊNCIA DAS CERTIDÕES E MAIS
REPRODUÇÕES DO PROCESSO APRESENTADAS E CONFERIDAS.

‡ O JUIZ DETERMINARÁ AS DILIGÊNCIAS NECESSÁRIAS PARA A


RESTAURAÇÃO, PROCEQGUINDO-SE NOS DEMAIS ATOS PROCESSUAIS
NA FORMA DO PROCEDIMENTO DETERMINADO POR LEI.
‡ CASO AINDA NÃO TENHA SIDO PROFERIDA A SENTENÇA, REINQUIRIR -
SE-ÃO AS TESTEMUNHAS PODENDO SER SUBSTITUÍDAS AS QUE
TIVEREM FALECIDO OU SE ENCONTRAREM EM LUGAR NÃO SABIDO;

‡ OS EXAMES PERICIAIS, QUANDO POSSÍVEL, SERÃO REPETIDOS, E DE


PREFERÊNCIA PELOS MESMOS PERITOS;

‡ A PROVA DOCUMENTAL SERÁ REPRODUZIDA POR MEIO DE CÓPIA


AUTÊNTICA OU, QUANDO IMPOSSÍVEL, POR MEIO DE TESTEMUNHAS;

‡ - PODERÃO TAMBÉM SER INQUIRIDAS SOBRE OS ATOS DO PROCESSO,


QUE DEVERÁ SER RESTAURADO, AS AUTORIDADES, OS
SERVENTUÁRIOS, OS PERITOS E MAIS PESSOAS QUE TENHAM NELE
FUNCIONADO;

‡ O MINISTÉRIO PÚBLICO E AS PARTES PODERÃO OFERECER


TESTEMUNHAS E PRODUZIR DOCUMENTOS, PARA PROVAR O TEOR DO
PROCESSO EXTRAVIADO OU DESTRUÍDO.

‡ DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS

‡ REALIZADAS AS DILIGÊNCIAS QUE, SALVO MOTIVO DE FORÇA MAIOR,


DEVERÃO CONCLUIR-SE DENTRO DE 20 (VINTE) DIAS, SERÃO OS
AUTOS CONCLUSOS PARA JULGAMENTO.

‡ SOLICITAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS

‡ NO CURSO DO PROCESSO, E DEPOIS DE SUBIREM OS AUTOS


CONCLUSOS PARA SENTENÇA, O JUIZ PODERÁ, DENTR O EM 5 (CINCO)
DIAS, REQUISITAR DE AUTORIDADES OU DE REPARTIÇÕES TODOS OS
ESCLARECIMENTOS PARA A RESTAURAÇÃO.

‡ DAS TAXAS JUDICIÁRIAS

‡ OS SELOS E AS TAXAS JUDICIÁRIAS, JÁ PAGOS NOS AUTOS ORIGINAIS,


NÃO SERÃO NOVAMENTE COBRADOS.

‡ OS CAUSADORES DE EXTRAVIO DE AUTOS RESPONDERÃO PELAS


CUSTAS, EM DOBRO, SEM PREJUÍZO DA RESPONSABILIDADE
CRIMINAL.

‡ DO JULGAMENTO DOS AUTOS DA RESTAURAÇÃO

‡ JULGADA A RESTAURAÇÃO, OS AUTOS RESPECTIVOS VALERÃO PELOS


ORIGINAIS.

‡ DO APARECIMENTO DOS AUTOS ORIGINAIS

‡ SE NO CURSO DA RESTAURAÇÃO APARECEREM OS AUTOS ORIGINAIS,


NESTES CONTINUARÁ O PROCESSO, APENSOS A ELES OS AUTOS DA
RESTAURAÇÃO.

‡ DOS EFEITOS DA DECISÃO


‡ ATÉ À DECISÃO QUE JULGUE RESTAURADOS OS AUTOS, A SENTENÇA
CONDENATÓRIA EM EXECUÇÃO CONTINUARÁ A PRODUZIR EFEITO,
DESDE QUE CONSTE DA RESPECTIVA GUIA ARQUIVADA NA CADEIA OU
NA PENITENCIÁRIA, ONDE O RÉU ESTIVER CUMPRINDO A PENA, OU DE
REGISTRO QUE TORNE A SUA EXISTÊNCIA INEQUÍVOCA.

‡ PRAZO PARA SENTENÇA E RECURSO

‡ O JUIZ TERÁ O PRAZO DE DEZ DIAS PARA PROFERIR SUA DECISÃO


NÃO SOBRE O MÉRITO DA CAUSA, MAS SIM SOBRE A RESTAURAÇÃO
OU NÃO DOS AUTOS, CABENDO DESSA DECISÃO APELAÇÃO. UMA VEZ
RESTAURADOS OS AUTOS, A AÇÃO PENAL RETOMA SEU CURSO
NORMAL.

‡ DA RESTAURACÃO DE AUTOS EM SEGUNDA INSTÂNCIA

‡ O PROCEDIMENTO ADOTADO EM SEGUNDO GRAU DE JURISDIÇÃO É O


MESMO DOS PROCESSOS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.

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PROCESSO JUDICIAL ELETRÔNICO - LEI 11.419/06
ALGUNS POSSÍVEIS IMPACTOS DECORRENTES DE SUA ADOÇÃO

Publicado no Documento Técnico 1 - FGV - TRT 2ª Região

Fausto Bernardes Morey Filho

O Projeto de Lei 5.828 que dispunha sobre a informatização do processo judicial tramitou no
Congresso Nacional por vários anos. Em 16 de dezembro de 2006, a Lei 11.419 foi
promulgada tendo entrado em vigor no dia 19 de março de 2007. Ela alterou ainda a Lei 5.869 -
Código de Processo Civil de 11 de janeiro de 1973, possibilitando modificação importante na
organização da prestação de serviços jurisdicionais.

Apesar da Lei não ter natureza impositiva, ela estabeleceu as condições necessárias à
modificação do rito processual com vistas à utilização plena dos recursos tecnológicos hoje
disponíveis, propiciando uma oportunidade única ao Poder Judiciário nacional para melhorar o
atendimento ao público e o seu desempenho. O objetivo deste artigo é tratar, de maneira não
intensiva, alguns dos possíveis impactos decorrentes de adoção da Lei.

Contexto

A Reforma da Gestão Pública de 1995/98 estabeleceu um novo princípio para o funcionamento


dos órgãos do Poder Público com a introdução do sistema de responsabilização gerencial que
inclui o controle por resultados, a busca pela excelência e o controle social por organizações da
sociedade civil e pela mídia (Bresser Pereira, 2005).

Os gestores públicos devem atender aos princípios de organização burocrática do Estado e


seus controles clássicos de supervisão, regulamentação detalhada, auditoria e também de
respeito às leis, impessoalidade, estruturação subordinativa com prefixação de atribuições e
controle ” priori” Porém, com a introdução de sistema de responsabilização gerencial, os
gestores devem adotar a administração por objetivos e resultados definidos em função dos
usuários, com controles ” priori” e ” posteriori”

Os Tribunais de Contas ± TC, quando da análise da prestação de contas dos órgãos públicos,
tradicionalmente têm focado a sua atuação no exame exaustivo da legalidade dos atos, no
cumprimento das formalidades e no cumprimento de aspectos burocráticos. Recentemente
(2006), o Tribunal de Contas da União ± TCU passou a exigir também a prestação de contas
sobre os planos e resultados dos órgãos, fato que aparentemente, com o tempo, será adotado
de forma universal.

A conjugação deste dois modelos é a principal novidade conceitual a ser incorporada pelo
Poder Público contemporâneo. A responsabilização gerencial torna-se compulsória aos
administradores públicos que, além de seguirem as leis e as regras burocráticas, devem
simultaneamente buscar os resultados para os usuários e os contribuintes.

No âmbito do Judiciário, surgiram assuntos urgentes a serem cuidadosamente tratados pelos


responsáveis de seu funcionamento. Entre outros, são:

- Celeridade e efetividade da prestação de serviço jurisdicional;

- Acessibilidade da população à Justiça;

- Transparência, controle e coordenação administrativa, e

- Eficiência.
A busca pela celeridade e acessibilidade deve ser pautada pelo controle e coordenação
administrativa e pela busca intencional e permanente da eficiência[1] nos termos do art. 37 da
Constituição Federal. A administração gerencial está inserida no âmbito de um processo de
transformação que deu origem à Reforma do Estado. O principio da Eficiência passou a vigorar
como preceito constitucional, com missão precípua de internalizar um novo paradigma de
atuação pública.

Quando são analisadas as séries temporais de dados e informações[2] obtidas junto à Justiça
Federal, Trabalhista e Estadual é possível constatar que os índices médios de eficiência da
Justiça têm decrescido sistematicamente nos últimos anos.Na maioria das unidades
jurisdicionais o tempo de tramitação de processos tem subido concomitantemente com o
crescimento do seu custo de tramitação[3].

Isto pode ser observado tanto com relação aos cálculos de médias gerais quanto aos de
médias por competência. No geral e em termos reais, o volume da prestação de serviços
jurisdicionais cresce a uma taxa proporcionalmente inferior à observada com relação aos
recursos aplicados.

A Presidente do Supremo Tribunal Federal Ministra Ellen Gracie, em pronunciamento proferido


no Congresso de Inovação e Informática do Judiciário - CONIP JUD, realizado em Brasília em
setembro de 2006, tratou de importantes temas e questões relativas ao funcionamento da
Justiça no Brasil. Suas declarações, apresentadas a seguir, constituem um diagnóstico preciso
sobre a atual realidade do Poder Judiciário no Brasil.

” um senso de urgênci nos impelir p r o congr  mento de esforos Nosso p ssivo j
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mont nte de dem nd , com dedic o inexcedível de um m gistr tur e de um corpo
funcion l sudimension dos p r seguirmos utiliz ndo metodologi tr dicion l

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revis mos nossos métodos de tr  lho ou enc r remos invi ilid de”

São muitos os desafios a serem enfrentados pela Justiça Brasileira nos próximos anos, alguns
deles decorrentes da necessária revisão do seu atual modelo de gestão e métodos de trabalho.
Outros, mais complexos e profundos, são decorrentes da difícil tarefa de contornar as barreiras
culturais estabelecidas nas arraigadas rotinas cotidianas de trabalho, aprendidas e
consolidadas por décadas de prática. A extensão territorial e a abrangência das competências
legalmente atribuídas aos entes do Poder Judiciário são alguns dos elementos que
demonstram, do ponto de vista finalístico, administrativo e operacional, a complexidade do
funcionamento da Justiça.

Parece não ser mais possível obter o incremento da eficiência no Poder Judiciário Brasileiro
apenas pela simples ampliação de efetivo - Magistrados e servidores ou de suas estruturas de
funcionamento.

Diante das crescentes limitações orçamentárias, entre outras, parece improvável que o Poder
Judiciário possa seguir adotando a metodologia tradicional para o atendimento de seus
grandes desafios. Não cabe aqui tratar da recorrente discussão que envolve as questões legais
ligadas ao rito processual, mas olhar para o interior da organização e buscar a melhoria
significativa de desempenho por meio da mudança e aperfeiçoamento da prestação de
serviços jurisdicionais.

Padrão ou modelo tecnológico

Claramente, parte da metodologia tradicional citada pela Presidente do Supremo Tribunal


Federal, Ministra Ellen Gracie, está relacionada ao atual "padrão ou modelo tecnológico -
P.M.T." empregado pela maioria dos órgãos do Poder Judiciário Brasileiro e diz respeito ao
conjunto de conhecimentos, técnicas e ferramentas utilizadas pela organização na produção de
bens ou serviços aos seus "clientes" ou usuários.

O P.M.T. atualmente em uso pela Justiça é composto por autos ou pasta do processo, capas
de cartolina ou de plástico, fitas adesivas coloridas, livros e fichas de registro, carimbos,
carrinhos para transporte de autos, sovelas[4], prateleiras para arquivamento de pastas,
máquinas de escrever, computadores e sistemas informatizados de apoio, entre outros
recursos.

Também fazem parte do atual P.M.T., as atuais habilidades e conhecimentos dos magistrados
e servidores, os padrões de operação, as políticas, regras e critérios adotados para seu
funcionamento e a estruturação das atividades para prestação de serviço jurisdicional, entre
outros componentes.

A utilização de recursos de informática está aquém de seu potencial e o nível de modernidade


do atual P.M.T. é baixo e não uniforme. Os sistemas de administração e controle de tramitação
de processos judiciais foram desenvolvidos de maneira isolada e, portanto, diferentes em cada
um dos entes do Poder Judiciário e, principalmente entre as diferentes instâncias da Justiça.

A adoção do Processo Judicial Eletrônico previsto na nova legislação pode contribuir


significativamente para o incremento e modernização do modelo tecnológico empregado na
Justiça Brasileira.

A Lei 11.419 introduz a possibilidade de alterações significativas no funcionamento da Justiça e


permite a radical mudança do P.M.T. vigente. Resumidamente, as principais mudanças
previstas são[5]:

- Rompimento com a formulação do processo tradicional;

- Os atos processuais passam a ser praticados diretamente no sistema pelo magistrado,


promotor, procurador, advogado, defensor e pela própria parte, mediante a assinatura digital
certificada e sem a intervenção de servidores de cartórios ou ofícios;

- A assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora


credenciada entra em vigor;

- As fases e eventos dos processos são unificados, havendo um único registro de todos os atos
processuais;

- Interação completa de todos os atores do processo por meio do sistema;

- A juntada de documentos e expedição de certidões é automatizada eliminando a burocracia;

- Possibilidade de Consulta e Controle, em tempo real e de maneira remota, do andamento dos


processos pelos envolvidos;

- Maior rapidez na distribuição, processamento e julgamento de todo tipo de processo ou


recurso, pois a petição, entre outros atos, pode ser realizada de forma totalmente eletrônica;

- Acesso instantâneo aos dados dos processos;

- Publicação de atos no Diário da Justiça Eletrônico, de maneira totalmente eletrônica e


assinada digitalmente, entre outros.

Para a adoção do processo judicial eletrônico e sua operação estão previstos mecanismos
técnicos que deverão ser implementados previamente, quais são:
Documentos Eletrônicos - são considerados originais para todos os efeitos legais e os
digitalizados têm a mesma força probante dos originais;

Assinatura Eletrônica - Assinatura digital baseada em certificado digital emitido por


Autoridade Certificadora credenciada. Válida para petições, recursos e todos os atos
processuais (Padrão ICP-Brasil);

Protocolo Eletrônico ± O Poder Judiciário fornecerá protocolo eletrônico dos atos processuais
realizados em meio eletrônico, no dia e hora do seu envio ao sistema;

Diário da Justiça Eletrônico - Publicação eletrônica substituindo, para quaisquer efeitos


legais, outro meio ou publicação oficial à exceção dos casos que, por lei, exigem intimação ou
vista pessoal. O conteúdo das publicações deve ser assinado digitalmente com base em
certificado emitido por Autoridade Certificadora;

Portal Próprio - A Intimação eletrônica deverá ser em portal próprio da Justiça e dispensa a
publicação no órgão oficial. A intimação eletrônica é considerada intimação pessoal, inclusive
para a Fazenda Pública. A consulta do intimando deve ser certificada eletronicamente nos
autos;

Intervenção Direta ± A distribuição de petição inicial, a juntada de contestação, a juntada de


recurso e juntadas em geral poderão ser praticadas diretamente pelos advogados públicos e
privados, sem intervenção do cartório judicial, devendo se dar autuação automática;

Governança de processos - Acesso instantâneo aos dados dos processos pelos magistrados,
advogados públicos e privados, procuradores, partes, e Ministério Público, atentando para as
cautelas nas situações de sigilo e segredo de justiça e garantindo a integridade dos dados e
andamentos.

Considerando que as leis podem suscitar diferentes interpretações por parte dos variados
atores envolvidos na sua aplicação, é esperado que os profissionais da área busquem o
entendimento sobre a sua aplicação e efeito diretamente no texto da Lei e nas eventuais
análises jurídicas proferidas por entidades técnicas como a OAB.

Cada Tribunal deverá, por previsão legal, regulamentar Lei. Este ato oferecerá novos subsídios
para o completo entendimento de sua abrangência.

Alguns possíveis impactos

A efetiva aplicação da Lei possibilitará, nos próximos anos, a introdução de modificações


significativas no funcionamento da Justiça, com profundo impacto nas rotinas de trabalho e nas
atribuições dos servidores, principalmente de escreventes[6] e oficiais de justiça, mas inclusive
de magistrados.

Serão afetadas também as estruturas físicas dos próprios Fóruns, a forma de realizar o
atendimento ao público, a gestão de pautas trabalho típicose audiências, entre outros. A
seguir veremos alguns impactos.

1.Nos processos de trabalho típicos

O processo digital exige uma reinvenção total dos processos de trabalhos de prestação de
serviços jurisdicionais para a 1ª, 2ª Instância e Instância Superior. A adequada aplicação da
[7]
nova Lei e dos novos sistemas, tais como o SUAP / JT , permitirão que muitas das atividades
realizadas hoje pelos servidores e magistrados possam ser cumpridas de maneira automática e
completamente distinta da atual, porém, a regulamentação da Lei não deverá corresponder à
mera automação do processo de trabalho judiciário nos termos de seu funcionamento atual,
mas também considerar a sua completa reformulação.
Não se trata de informatizar a "burocracia e
as atuais rotinas de trabalho" mas, ao
contrário, é a busca por sua mais radical
modificação possível.

A reinvenção dos processos de trabalho deverá incorporar as expectativas da Sociedade, dos


Jurisdicionados, do Poder Judiciário e considerar todas as modificações e possibilidades
técnicas previstas na Lei. Deveria inspirar a concepção de idéias, premissas e diretrizes para o
re-projeto radical do funcionamento dos Fóruns, Turmas, Câmaras, Ofícios ou Varas
eletrônicas visando à construção do Poder Judiciário do futuro.

Citamos como exemplo, o plano que a Justiça Trabalhista adotou para a sua modernização.
Durante o ano de 2006, o Tribunal Superior do Trabalho - TST estabeleceu os requisitos e as
definições para o desenvolvimento do seu novo sistema informatizado e unificado
nacionalmente, o SUAP / JT. A implantação de Ofícios e Fóruns digitais, bem como o início de
operação de tal rito em unidades que já possuem processo tramitando em papel, deve ser
precedida por criteriosa análise da estrutura física, capacitação das pessoas nos novos
processos de trabalho e sistemas, além do adequado dimensionamento dos impactos do novo
rito sobre os magistrados e servidores.

A complexidade e extensão do processo de trabalho típico da esfera judiciária é um obstáculo


concreto que pode tornar esta tarefa mais difícil e demorada.

2.Nas atribuições dos envolvidos

A aplicação da nova Lei conjugada com a implantação dos novos sistemas informatizados
propiciará, num futuro próximo, mudanças importantes no escopo do trabalho dos servidores,
nas rotinas das unidades judiciárias e em suas estruturas organizacionais. A mudança do
ferramental tecnológico utilizado para a realização dos trabalhos afetará as atribuições dos
servidores, em decorrência, por exemplo:

- Da substituição de autos físicos (pastas de processo), livros de registro, fichas e carimbos,


entre outros, por processos eletrônicos,

- Das decorrentes modificações na tramitação processual com a eliminação da necessidade de


intervenção de servidores, como por exemplo, no processamento de petições iniciais,
intimações e publicações.

- Do fato que muitas intimações e notificações serão realizadas pelo Portal da Justiça, entre
outros.

Os servidores do futuro terão atividades muito mais próximas às de um assessor técnico de


Desembargadores e Juízes, com conhecimento em tecnologia de informação e gestão
administrativa, pois muito da responsabilidade pelo desempenho da unidade será sua
atribuição. As atividades hoje desenvolvidas por eles são predominantemente de caráter
manual, tais como, juntada de petições, registros em livros e em fichas de controle.

Modificações nas atribuições constantes no plano de cargos e carreiras tornam-se necessárias


em função da aplicação da Lei e de outras mudanças no funcionamento da Justiça, que se
tornarão cada vez mais constantes.As novas contratações de pessoal deverão ser precedidas
por estes ajustes.

3.Na carga de trabalho

O processamento eletrônico dos autos previsto na Lei 11.419 representará uma significativa
redução da atual carga de trabalho dos profissionais envolvidos[8]. Esta redução implicará em
modificações no dimensionamento e na distribuição dos recursos humanos pelas unidades
judiciárias e estas questões deverão ser consideradas quando da regulamentação da Lei pelos
entes da Justiça.

4.Nas atividades das seções e serviços de distribuição

A Lei 11.419 permite que as partes peticionem diretamente no sistema, inclusive a petição
inicial. Com o passar do tempo, a estrutura organizacional e as atribuições dos Ofícios /
Seções de Distribuição deverão ser reavaliadas, pois suas atribuições serão esvaziadas, dado
que não haverá mais processo em papel e os sistemas cuidarão automaticamente das regras e
critérios pertinentes ao assunto.

5.Nas rotinas de trabalho dos magistrados

A adoção do processamento eletrônico de autos acarretará modificações nas rotinas trabalho


dos magistrados podendo, inclusive, ampliar-lhes a carga de trabalho num primeiro
momento.Não se pode dimensionar precisamente o impacto decorrente da aplicação da Lei e
nem utilizar o atual trâmite processual em papel como referência. Será necessário estudar os
efeitos práticos nas atividades desenvolvidas e, num segundo momento, empreender os
ajustes necessários que poderão determinar uma eventual mudança relativa entre o número de
magistrados e servidores e na celeridade da tramitação do processo, entre outros.

6.Nas instalações físicas

A aplicação da Lei culminará na eliminação gradual e quase total dos processos em papel,
exceção feita ao processo de competência criminal. Assim, pode-se esperar uma redução
progressiva da necessidade de espaços físicos hoje destinados ao armazenamento de
processo nas instalações da Justiça.

Mudanças do "Padrão ou Modelo Tecnológico", incluindo as facilidades previstas pela Lei,


terão como conseqüência a necessidade de adaptação do uso das instalações físicas das
unidades, adaptando-se à conseqüente diminuição do fluxo de pessoas nas instalações da
Justiça. A titulo de ilustração, citamos os seguintes serviços passíveis de realização pela
pnternet

- Vista ao processo pelos envolvidos;

- A distribuição de feitos e petições;

- Publicações eletrônicas em diários oficiais;

- A citação ou notificação, entre outros.

4.No atendimento ao público

Os recursos tecnológicos previstos pela Lei poderão ser utilizados para melhorar e modificar a
forma como é realizado o atendimento ao público.

O uso intensivo da pnternet levará a uma significativa redução do fluxo de pessoas pelas
unidades da Justiça, resumindo-se esta necessidade apenas para o caso das audiências.
Porém, mesmo neste caso, está em discussão a autorização legislativa para a realização de
tele-audiência, prevista inicialmente para o atendimento aos detentos, que não mais serão
deslocados de suas unidades prisionais.

A eliminação de espaços físicos de armazenagem de processos, a instalação de equipamentos


de auto-atendimento, a diminuição do fluxo de atendimento no protocolo de atos, entre outros,
indica que haverá a necessidade de re-projetar todas as instalações físicas dos Fóruns e
também suas rotinas de atendimento ao público. Aqui cabe o exemplo das agências bancárias.
À medida que ampliavam sua informatização e ofereciam mais recursos de auto-atendimento
em suas instalações ou por meio da pnternet, foram modificando as suas instalações para
atender às novas demandas de seus usuários

Ò.Na integração entre os entes do Poder Judiciário

O Poder Judiciário tem se mobilizado para a padronização da nomenclatura utilizada nas


cortes. Este trabalho de taxonomia associado à padronização que poderá ser obtida por
ocasião da regulamentação da Lei 11.419 pelos vários entes da Justiça poderá resultar em um
sistema judiciário completamente integrado e mais ágil, facilitando, não só o trâmite processual
entre a 1ª e 2ª Instância, mas entre estas e as superiores.

A padronização da nomenclatura e o processo judicial eletrônico podem contribuir para a


integração do Poder Judiciário com os sistemas informatizados de outros órgãos públicos, em
patamares substancialmente superiores aos hoje existentes, atendendo ao objetivo de
aumentar a eficiência e a eficácia na prestação de serviços jurisdicionais.

Hoje, por exemplo, há um acordo conhecido como BACEN/JUD celebrado entre Tribunais e o
Banco Central que permite aos magistrados acesso às contas bancárias de devedores através
do CPF ou CNPJ e o conseqüente bloqueio dos saldos ali existentes para fazer frente ao
pagamento à parte. No futuro, convênios desta natureza poderão ser celebrados visando
integrar, por exemplo, a Justiça com os cartórios de registros de imóveis, de registros de
patentes e com DETRANs, entre outros.

Convênios com as secretarias de administração penitenciária, delegacias e até mesmo com a


Empresa de Correios e Telégrafos permitirão a troca de informações digitais certificadas,
propiciando substancial mudança na forma da Justiça operar, com ganhos de eficiência e
celeridade.

9.Na coleta e no tratamento de descritores estatísticos e indicadores de desempenho

Dentre as rotinas de trabalho das unidades do Poder Judiciário existe uma em especial que
demanda muito esforço: obter dados e descritores estatísticos para o apoio à gestão dos
tribunais e para atender à determinação da Resolução no 15 do CNJ.

A modernização dos sistemas informatizados deve adicionar funcionalidades relativas à


automação da coleta e tratamento de dados sobre a administração dos processos. O SUAP /
JT já tem tais funcionalidades previstas em sua especificação. A incorporação de
funcionalidades estatísticas no sistema, além de propiciar a redução de trabalho nas unidades
judiciais, poderá facilitar a adoção de um modelo de gestão que considere os indicadores de
desempenho no processo de tomada de decisão administrativa.

10.Nas rotinas de trabalho de profissionais envolvidos com o Poder Judiciário

Considerando que trabalhos burocráticos típicos, hoje realizados pelos escritórios de


advocacia, poderão ser totalmente realizados por meio eletrônico. É possível prever que
ocorrerão significativas mudanças na rotina destes escritórios, dos advogados públicos e
privados e, até mesmo, das partes e do público em geral.

Mesmo antes da promulgação da Lei, muitos Tribunais, como o Tribunal Regional do Trabalho
- 2ª Região - Varas da Capital de São Paulo, já haviam adotado o pré-cadastramento de
petição inicial pela pnternet Porém, antes da entrada em vigor da Lei 11.419, o advogado
necessitava deslocar-se até a unidade de atendimento do TRT para dar entrada nos
documentos em papel. Este procedimento poderá ser completamente abolido.

A tradicional atividade de "fazer o fórum", realizada geralmente por estagiários do direito, será
radicalmente mudada ou mesmo extinta. É possível especular como seriam as réplicas e
tréplicas dos advogados no Tribunal do Júri, sem que eles tivessem as pastas de processo em
suas mãos para consultá-las ou mostrá-las aos jurados...

Poderá ocorrer ainda, a necessidade de modificação no currículo dos cursos de direito visando
possibilitar a adequada preparação para que os alunos possam atuar no novo padrão
tecnológico e rito processual.

11.Outras considerações

Certos aspectos decorrentes da adoção e aplicação dos processos eletrônicos previstos pela
Lei merecem atenção especial.

Regulamentação

A Lei 11.419 prevê no artigo 18 que os órgãos do Poder Judiciário deverão, para permitir a sua
aplicação, regulamentá-la, no que couber, no âmbito de suas respectivas competências. A
regulamentação a ser definida por cada um dos entes do Poder Judiciário deverá levar em
conta o estágio do processo de informatização em curso em cada unidade, mas também os
avanços proporcionados pela aplicação da própria Lei.

Recentemente o TST concluiu a regulamentação da Lei. Ele levou em consideração aspectos


decorrentes da disponibilidade incremental e evolutiva já planejada para os seus recursos e
sistemas informatizados e que deverá ser adotada nacionalmente.

Normas de trabalho

Será necessário adaptar as Normas de Trabalho Judiciárias de Primeira e Segunda Instância


com o objetivo de permitir que a informatização seja realizada em um ambiente livre dos
excessos burocráticos e considerando o processamento eletrônico de feitos nos termos da Lei
11.419, evitando informatizar a burocracia.

Observações

O texto tratou alguns dos possíveis impactos da aplicação da Lei 11.419 com foco,
principalmente, nos aspectos organizacionais e operacionais. Outros aspectos poderão ser
discutidos e aprofundados considerando o ponto de vista técnico e profissional dos
magistrados, servidores da Justiça, advogados, procuradores e membros do Ministério Público,
entre outros.

Referência bibliográfica

- AGUILAR CORTEZ Luís Francisco. Estudos sobre os Serviços de Execução Fiscal do


Tribunal de Justiça de São Paulo.

- BRESSER-PEREIRA, L.C. Reforma da Gestão e avanço social em uma economia semi-


estagnada in LEVY, E. e DRAGO, P.A. (org), Gestão Pública no Brasil Contemporâneo,
edições FUNDAP 2005.

- CALHAO, A.E.P. O princípio da eficiência na administração da Justiça, Edição RSC Editora,


2007. p. 88.

- MOREY FILHO, F.B., Os imp ctos oper cion is d Lei 1119/06 no funcion mento d
Justi in LIMA GONÇALVES, J.E (org) A construção do novo Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo ± V.II, Editora Plêiade, 2007.
- MODESTO, PAULO, Notas para um Debate sobre o Princípio da Eficiência. Revista de Direito
Administrativo & Constitucional, Ano 2, n. 7, p. 40

[1] "O princípio da eficiência, além disso, pode ser percebido também como uma exigência
inerente a toda atividade pública. Se entendermos a atividade de gestão pública como
necessariamente racional e instrumental, voltada a servir ao público, na justa proporção das
necessidades coletivas, temos de admitir como inadmissível juridicamente o comportamento
administrativo negligente, contra-produtivo, ineficiente. Não se trata de uma extravagância
retórica. Raciocínio semelhante vem sendo adotado há anos pela doutrina alemã, que chega a
afirmar ser o princípio da eficiência um princípio constitucion l estrutur l pré-d do ou, como
parece melhor, uma decorrência necessária da cláusula do Estado Social".

[2] Em especial as constantes da resolução 15 do Conselho Nacional de Justiça ± CNJ.


Ressalva-se que o CNJ ainda estáaprimorando seu sistema de estatísticas, o que inclui a
definição e nomenclatura dos descritores estatísticos e a padronização da obtençãodos dados.

[3]Dado atualizado pelo IPC.

[4] Instrumento longo e afilado de metal utilizado para alinhar as perfurações existentes em
processos em papel.

[5] Conforme explanação do Juiz Federal Sérgio Renato Tejada Garcia, Secretário-Geral do
Conselho Nacional de Justiça, no CONIP Judiciário em setembro de 2006.

[6]A nomenclatura do cargo possui outras denominações em diferentes unidades da Justiça


tais como: analistas ou técnicos judiciários.

[7] Sistema Unificado de Administração de Processos ± SUAP / JT será a principal ferramenta


para a integração digital e a informatização do processo judicial na Justiça do Trabalho.
(TST).O sistema absorverá os sistemas e-DOC, e-JUS, Cálculo Trabalhista Rápido, Carta
Precatória Eletrônica e AUD (de informatização de salas de audiência) e outros sistemas hoje
em funcionamento nos Tribunais trabalhistas.

Observação: Há uma proposta da parceria entre o CSJT e o CNJ para usar a "coluna vertebral"
do SUAP como ponto de partida para a criação do processo eletrônico para o Poder Judiciário.
± FONTE (Carmem Feijó)- Assessoria de Comunicação Social - Tribunal Superior do Trabalho.

[8] Analistas, Técnicos Judiciários e Escreventes, entre outros.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/15852/1/A-Lei-1141906-e-o-Processo-Judicial-
Eletronico/pagina1.html#ixzz13KrE6V9P
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