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A GÊNESE DA IDEALIDADE DAS UNIDADES DE SENTIDO NAS SÍNTESES ATIVAS E PASSIVAS E

A CONSTITUIÇÃO EIDÉTICA DO ATO EGÓICO

The genesis of the ideality of the units of sense in the active and passive synthesis and
the eidetic constitution of the egoic act
Artur Scavone1
Resumo
A proposta deste estudo é examinar as características eidéticas distintivas da
formação de sentido nas sínteses passivas e nas ativas, conforme as descrições de
Husserl dos diferentes modos de afecção sobre o fluxo da consciência, e as
características distintivas da sua idealidade bem como a gênese de suas formações.
Trata-se de compreender a formação das unidades de sentido na passividade pela
presentação (Gegenwärtigung) e a significação (Bedeutung) constituinte das formações
objetuais (gegenständlich) pela presentificação (Vergegenwärtigung)2, investigando o
caráter da idealidade dessas unidades de sentido em cada caso. Pretende-se relacionar a
idealidade dos significados na constituição das unidades de sentido com a temática da
aporia da passividade, examinando as diferentes posições de comentadores que tratam
do paradoxo da afecção passiva do ego e trabalhando com a hipótese de que há dois
modos de ser da consciência, distintos e combinados: o primordial e o categorial, este
último modo constituído de atos egóicos3 cuja característica eidética fundamental é a
presentificação de objetualidades sobre o fluxo da consciência. Este estudo parte de uma
hipótese de trabalho mais geral de que a linguagem poderia ser descrita como o extrato
eidético superior da consciência de cujas idealidades de essência derivam as unidades de
significação que promovem a proeminência de uma objetualidade sobre o fluxo da
consciência segundo uma tematização que reconstitui retenções de forma ordenada,
afetada pela habitualidade da passividade secundária, por meio de entrelaçamentos
associativos categoriais, tornando a consciência capaz de direcionar seu rememorar e
tornando essa operacionalidade o fundamento da racionalidade.
Abstract
The proposition of this study is to examine the distinctive eidetics characteristics
of the sense formation in the passive and active synthesis, following Husserl’s
description of the different modes of affection in the stream of consciousness, and the
distinctive characteristics of their ideality, as well as the genesis of their formation. It is
a matter of understanding the formation of sense unities in passivity through the
presentation (Gegenwärtigung) and the meaning (Bedeutung) constitutive of the
objectlike formations (gegenständlich) through the presentification (Vergegenwärti-

1
Projeto de Mestrado em História da Filosofia Contemporânea, 2018 – Pós Graduação – Universidade de
São Paulo, Brasil – artur.scavone@usp.br
2
O conceito Presentificar segue a interpretação de BICEAGA (2010): §3.2 Memory as Reproductive
Presentification. Também conforme a interpretação de SERRA (2009) sobre a obra Fantasia (Phantasie,
Bildbewusstsein, Erinnerung, 1898-1925): a presentificação (Vergegenwärtigung) se distingue da fantasia
e consciência da imagem pelo caráter de posicionalidade (Positionalität) que constitui a imagem
lembrada de uma referência a um vivido passado, diferentemente da neutralidade (Neutralität).
3
O uso da expressão “ato egóico” tem por objetivo distinguir do rememorar espontâneo decorrente de
associações constituídas por afecções imanentes ou transcendentes que não têm a característica do ato
egóico em senso estrito, tal como Husserl destaca no §6 das suas palestras sobre sínteses ativas e passivas
(HUSSERL, 2001, p.20).
1
gung), investigating the character of the ideality of these unities of sense in each case.
The intention is to correlate the ideality of meanings in the constitution of sense unities
with the theme of the aporia of passivity, examining the different positions of distinct
commentators that discuss the paradox of passive affection of the ego, based on the
hypothesis that there are two modes of being of the consciousness, distinct and
combined: the primordial and the categorial, the latter constituted of egoic acts whose
fundamental eidetic characteristic is the presentification of objectlike formations in the
stream of consciousness. This study is based on a more general hypothesis that language
could be described as the superior eidetic layer of consciousness from whose idealities
of essence derive the unities of sense that promotes the prominence of a objectlike
formation in the stream of the consciousness according to a thematization that
reconstitutes retentions in a ordered form, affected by the habituality of the secondary
passivity, through categorial associative interlacing, making the consciousness capable
of directing its remembering and making this operability the foundation of rationality.

1. A constituição eidética do ato egóico


Este estudo parte da compreensão que o conceito afecção do ego deve ser
entendido como proeminência de um vivido no fluxo perceptual da consciência, não
importando se essa objetidade é transcendente ou imanente. Ser proeminente no fluxo
perceptual implica que o material hylético percepcionado sofre associações – sínteses –
porque a condição de ser de uma objetidade é a constituição de sentido intencional.
Portanto o material hylético percepcionado é sintetizado na passividade para se
constituir em uma objetidade carregada de sentido que constituirá o fluxo perceptual e
poderá chegar à condição de uma tematização. A aporia de que se tratará neste estudo
demanda compreender a formação de sentido na passividade e a passagem entre o
compor simplesmente o fluxo perceptual – que é uma pré-doação – e chegar à condição
de uma tematização, ou seja, chegar à proeminência total, o ato egóico na sua forma
superior de consciência elevada. Os comentadores estudados referem-se
sistematicamente ao conceito de ego como polo do qual as objetidades “recebem
atenção”. Evitar a antropomorfização de conceitos – um cuidado extremo notável na
metodologia de Husserl – é uma preocupação fundamental para a descrição
fenomenológica, porque, se sua utilização dá às construções teóricas uma maior força
compreensiva, ela pode ocultar questões fundamentais tais como formulações que
possam pressupor uma substancialização do ego.
É preciso então compreender as características de essência que fundamentam o
ego ativo e examinar como Husserl descreve a gênese das proeminências do fluxo
perceptual, considerando, entre outros elementos, a habitualidade da passividade
secundária. A evolução das investigações de Husserl sobre o ato egóico deve ser
examinada a partir dos estudos de 1901, nas Investigações Lógicas, em que Husserl
descreve o ato simples como resultante da intencionalidade espontânea egóica que
focaliza uma percepção constante do fluxo de doações perceptivas transcendentes,
enquanto o ato fundado está constituído por atos simples transformados em objetuais.
As percepções singulares não estão carregadas pela doação de significado, não há uma
intervenção do ego que busque um preenchimento de sentido. Os atos sintéticos
configuram-se como uma nova classe, ligada ao entendimento e edificados sobre a
sensibilidade. Esses atos objetivantes, para se constituírem membros de uma relação que
produzirá uma síntese, se alteram fenomenologicamente no que diz respeito à matéria
intencional: a função intelectiva afeta as representações, enformando-as de novo
2
categorialmente, porém deixando inalterado seu teor sensível. Os atos sintéticos estão
fora da esfera da sensibilidade e entram na esfera do “entendimento” (HUSSERL, 1985,
§47).
Nas suas investigações em 1920, sob a metodologia genética, destaca-se uma
característica descritiva do ato egóico: o vivido tético, que é percepcionado em
diferentes níveis de atenção, poderá ser rememorado por meio de um ato egóico, isto é,
um “agir em sentido restrito” ou um ato com “uma forma distinta de execução”,
conforme sua conceituação nas palestras sobre as sínteses ativas e passivas (ACPAS 4,
§6). Esse vivido rememorado, então, será doado à consciência como objetidade
imanente, como uma objetualidade. Esse vivido é acrescido de características relativas à
temporalidade e aos atos intencionais correlatos ou a entrelaçamentos associativos
categoriais. Um estudo mais específico da relação entre rememorar e a atenção está no
artigo de Serra, Do sentido da lembrança em Edmund Husserl, em que são destacadas
três modalidades de rememoração “que implicam uma relação intrínseca com a
atenção” (SERRA, 2009, p.6): o lembrar através de um ato intencional, a ocorrência da
lembrança antes do ato atencional e a possibilidade de haver o desvio da atenção por um
choque indesejado. A lembrança possui diferentes graus de completude, segundo as
palestras sobre as sínteses ativas e passivas: em primeiro plano vêm as lembranças
nítidas que se apresentam de forma intensiva (anschaulicher Erinnerung); em segundo
vêm as com menor nitidez e maior incerteza (Nebel der Unklarheit); por fim as
lembranças vazias (leere Erinnerungen) que configuram principalmente a possibilidade
do despertar de uma lembrança na retenção. Destaca a autora que “a retenção é um
fenômeno para o qual concorre um eu passivo”, citando ACPAS e a obra Coisa e
Espaço. Se a retenção é um processo em que uma percepção torna-se um vivido tético e,
portanto, constituído de sentido e com um poder latente de afecção, em que há um ego
passivo atuante, a aporia dessa síntese passiva demanda uma confrontação com a
gênese do ato egóico em que há uma participação efetivamente ativa do ego para
examinar como Husserl trata essa distinção.
Husserl descreve o ato egóico no processo da percepção como um fluxo de
doações de sentido constituídas de um vazio de indeterminação determinável: na vida da
consciência há uma constante transformação de modalidades de execução porque, à
medida que se deslocam por diferentes vividos, os atos egóicos transformam aqueles
vividos intencionais pela ação de julgar, comparar, negar etc, acrescentando à sua
objetualidade uma nova temporalidade, além de novas inter-relações resultantes desses
atos. São atividades reflexionantes que intencionam as objetidades imanentes ou
transcendentes e as transformam adquirindo novas qualidades sem que perca seu
correlato intencional. Descreve a afecção como momento fundamental da associação,
quando um objeto dado à consciência exerce uma tração peculiar sobre o ego,
destacando-se sobre o todo sensível. No capítulo 2 de suas palestras em Análises sobre
sínteses passivas e ativas, “O fenômeno da afecção”, Husserl afirma: “por afecção
entendemos a atração exercida sobre a consciência, a tração peculiar que um objeto
dado à consciência exerce sobre o ego” (ACPAS, p.196). Mas há uma particularidade
que deve ser considerada fundamental nesta descrição definidora da afecção: pode ser
uma tração que provoca sua atenção para progredir num esforço por uma intuição auto
doadora que descortina o ser do objeto, realizando dessa forma um esforço por
aquisição de conhecimento, em direção a uma visão mais precisa do objeto. Se a

4
Para facilitar as citações, ACPAS refere-se a HUSSERL, Edmund. Analyses concerning passive and
active syntheses. Ed. Kluwer Academic Publishers. 2001.
3
afecção pode ser um esforço por aquisição de conhecimento, a ponto de ser uma
decorrência do descortinar do ser do objeto doado, qual o limite aqui quando se fala de
categorialidade ou de um simples evento tético?
Quando Husserl discute a tematização da consciência, particularmente no §53, é
possível acompanhar a evolução da sua descrição para os patamares superiores do
conhecer, em que a abstração pura irá abrir espaço para a lógica. Pode-se aí novamente
examinar os momentos conexos entre o sensível e o categorial. Husserl define tema:
quando o objeto se torna um substrato e centro de uma unidade de interesse, quando o
ego se dirige ao objeto integralmente no modo atencional, quando seu interesse
cognitivo é formado por doações enriquecedoras. Não se percebe simplesmente um
objeto, mas tem-se a atenção totalmente tomada por ele, de tal forma que todas as
visadas progridem sucessivamente, buscando apreender o objeto integralmente. É uma
apreensão ativa, afirma Husserl: enquanto nada mais acontece o objeto é o
indeterminado da intuição empírica naquele momento. Se não houvesse uma
modalidade serial de apreensão, essa intencionalidade do ego se tornaria simplesmente
uma sequência de apreensões percepcionais simples, téticas. Mas, ao contrário, essa
modalidade de atenção constitui uma unidade politética que tem uma propriedade
particular: o objeto é dado à consciência em um tal caminho que ele tem sua própria
proeminência, sua própria afecção. Neste ponto Husserl frisa que se trata da consciência
elevada ou de nível mais elevado.
Quando Husserl trata das interconexões do julgamento, no §60, discute as
diferentes constituições de objetidades a depender do caráter da ação egóica. Continua-
se no limiar do sensível e do categorial: um conjunto objetual não possui o mesmo
caráter de uma formação objetal sensível, que são pré-constituídas na passividade. Ao
contrário, estas formações se dão no campo da atividade categorial a partir de uma
síntese coalescente de objetos separados tomados tematicamente. Não importa por quais
motivos, mas por onde passar o interesse temático por distintos objetos haverá uma
síntese coalescente, uma nova formação objetual se constituirá e Husserl as denomina
objeto intelectual, ou objeto categorial. Essas formações têm dois estágios
constitutivos. A síntese S1 e S2 e S3 é noeticamente uma unidade de consciência, afirma
Husserl, mas ainda não uma unidade de um objeto efetivamente, ainda não um
collectivuum, não ainda uma tematização. De um ponto de vista temático é possível
perceber S1, S2 e S3 isoladamente na consciência, porém não como objeto constituído de
vários membros. “O coligar [de S1, S2 e S3] é uma realização sintética através da qual
esse collectivuum é essencialmente pré-constituído”. Sua transformação em objeto
temático exige uma apreensão temática que tornará essa objetidade pré-constituída um
objeto em sentido pleno, afirma Husserl. Contrastando com a sensibilidade pré-
constituída está a intelectualidade pré-constituída, que unifica objetos temáticos
sinteticamente de diferentes maneiras, trazendo assim uma realização categorial pré-
constituída. Trata-se de uma possibilidade a priori de fazer – por meio de uma
apreensão reversa – uma formação objetual pré-constituída em um novo tema, um novo
objeto que possui em si muitos termos e aponta para a ação categorial precedente com
todos os membros e forma. Estas são as formações objetuais categoriais sintéticas, ou
formações objetuais judicativas, em contraste com formações objetuais categoriais que
não são sintéticas porque não envolveram a conjunção de outras, não envolveram uma
atividade objetivante.
Esta é a descrição do ponto alto da consciência, um ato egóico, um “agir em
sentido restrito” ou um ato com “uma forma distinta de execução” quando se alcança a
tematização e a constituição de uma formação objetual categorial sintética, descrição
4
que contrasta radicalmente com objetidades da percepção tética que, no entanto, são
necessariamente constituídas de sentido na passividade sem a concorrência do ego ativo.

2. A aporia da passividade
O primeiro movimento deste estudo, portanto, será analisar a aporia das sínteses
passivas, relacionado centralmente ao tema da afecção e da formação de sentido. Bruce
Bégout, em La généalogie de la logique, tem por objeto examinar as relações entre
passividade e atividade, para entender o limiar desses estados. Sua proposta é
compreender as descrições de Husserl, sintetizando duas formas possíveis de apreensão.
O eu passivo pode não responder à excitação passiva, seja porque ela é muito fraca, seja
porque outra afecção mais forte lhe atrai (BÉGOUT, 2000, pp. 180-2). Somente certas
afecções particulares são apreendidas, e esse é o momento da “conversão” do eu à
afecção. Discriminam-se então duas formas possíveis. Na primeira, o eu pode se deixar
viver na afecção passiva sem responder diretamente, abandonando-se a ela,
correspondendo a um não agir. Na segunda forma o eu pode eventualmente se voltar à
afecção numa “atenção tematizante”, conforme Husserl, porque encontra na afecção um
elemento particular que suscita seu interesse. Esse interesse formaria o primeiro
momento de uma tomada de conhecimento verdadeira do objeto que afeta e, como
consequência toda conversão do eu a uma afecção é sempre sustentada por um interesse
que o eu descobre no afectante. Além desta abordagem, Bégout considera que Husserl
compreende o campo da consciência cindido em um primeiro plano e um plano
secundário, como se fosse “entre um tema e um horizonte, entre uma consciência
explícita e uma consciência implícita”, campos que não coabitam a mesma
simultaneidade temporal da consciência, mas que possuem uma organização perceptiva
(Ibid., p.21). Desta constatação o autor investiga onde está a linha de demarcação entre
o eu passivo e o eu ativo, surgindo aqui um questionamento forte: o acolher das
objetidades afectantes pelo eu não é uma forma de receptividade? Se a passividade não
é senão do âmbito da afecção, porque Husserl persiste em nomear o eu receptivo de eu
passivo? Bégout considera difícil compreender porque motivos o eu puramente afetado
seja já um eu espontâneo, mesmo sob uma forma inferior. Daí porque Husserl usaria o
conceito de pré-ego, uma antecâmara do ego.
Steinbock, por sua vez, em seu trabalho Home and Beyond Generative
Phenomenology after Husserl, descreve o problema da afecção comparando a situação
em que algo se torna proeminente para o ego antes de ser tematizado: haveria uma
neutralidade dessa objetidade aguardando a atenção do ego? Ou essa objetidade já
exerceria alguma influência sobre o ego atraindo sua atenção? Steinbock resume: “Posto
de maneira simples, a força de afecção pressupõe proeminência ou a proeminência
pressupõe a força de afecção?” A continuação das considerações do autor leva ao
dilema: se a constituição de sentido pressupõe a afecção, a constituição de sentido não
pressuporia de alguma forma, paradoxalmente, que o sentido já estaria constituído para
poder exercer a força de afecção sobre o ego para poder ser constituído? (STEINBOCK,
p. 154).
John Hartmann, em seu paper “The Aporia of Affection in Husserl’s Analyses
Concerning Passive and Active Synthesis”5, compara as interpretações de Steinbock e
Bégout sobre a afecção porque considera que esse conceito é crucial no fenômeno
passivo da associação e na constituição de sentido. Em sua análise destaca que deve
haver algum tipo de distinção entre o que está carregado para produzir afecção, mas não
5
Esse trabalho pode ser encontrado em https://philpapers.org/s/john%20hartmann
5
está tematizado através da atenção egóica, e o que está sob atenção através da sua
proeminência e força afectiva. Hartmann trabalha sobre a circularidade das descrições
de Husserl: se a constituição de sentido pressupõe afecção, em que medida também a
afecção pressupõe a constituição de sentido. Seu texto não pretende ser conclusivo, mas
coloca a aporia da afecção como um tema-limite da fenomenologia, não esclarecido e
sem perspectivas de esclarecimento. Analisa as posições de Bégout e Steinbock para
terminar considerando se não seria a crítica de Emmanuel Levinas em “Autrement qu'
être ou au-dela de l'essence” o caminho para ultrapassarmos a aporia. Mas o que
importa para este estudo, além do alinhamento das posições de Bégout e Steinbock, é
sua proposição de que a compreensão da doação de sentido e da afecção na passividade
deve ser analisada desde uma metodologia genética para observar que a retenção e a
protensão dependem da presentação de elementos na intencionalidade horizontal da
progressão do fluxo da temporalidade da consciência primordial e da constituição de
sentido.
A citação clássica referente da aporia está no §34 do ACPAS, p. 210, quando
Husserl considera uma contradição afirmar a divisão entre a constituição de objetos de
um nível superior como oposta aos objetos que são constituídos em uma singuralidade
original, porque é incompreensível que a fusão deva ser gerada antes através da unidade
de afecção. Husserl responde que é a realização da passividade em seu nível inferior que
formata um campo constante de pré-doações de formações objetuais para o ego. É
importante, no entanto, destacar a nota de rodapé 129, em que Husserl descreve essa
contradição desde que estejamos tratando de um fluxo perceptual com objetos concretos
aí constituídos. Este estudo partirá da suposição de que Husserl não trataria esta mesma
aporia para idealidades ou objetidades imanentes por que essa aporia não se aplica às
presentificações das formações objetuais, já que estas têm uma constituição de sentido
intrínseca à sua própria condição sintética. A aporia então parece tratar de objetidades
transcendentes cujo material hylético vem imediatamente das sínteses passivas e está
concentrada na correlação entre formação de sentido e afecção.

3. Idealidade e essência
O segundo movimento destas considerações, portanto, será compreender essa
formação de sentido na passividade e quando há a concorrência do ego ativo, buscando
a descrição genética distintivas das idealidades que compõem ambas as formações, sob
a hipótese de que há dois modos de ser da consciência, primordial e categorial.
Biceaga6, analisando o conceito de passividade em Husserl, considera que há dois
diferentes tipos de gêneses: a gênese ativa se refere à produção egóica original de
objetos através de sínteses ativas; a gênese passiva traz articulações sintéticas de
significados que não são resultados de uma atividade egóica. Das suas observações se
conclui que Husserl descreve o material hylético da passividade – cuja síntese em
primeiro nível dá à consciência os vividos não mais na sua pureza perceptiva – como
uma sedimentação de presentações identificáveis. As sínteses ativas, por sua vez, com a
doação de sentido na significação (Bedeutung), constituem as formações objetuais que
compõem o campo da categorialidade. Portanto, a afecção do ego se dá por pelo menos
dois modos: a presentação (Gegenwärtigung) da percepção originária ou a
presentificação (Vergegenwärtigung) de objetualidades, sendo que este último modo é
constituído necessariamente sobre o material hylético da passividade. Como a doação de
sentido é característica fundamental de qualquer formação de afecção sobre o ego, é

6
Biceaga, Victor. The Concept of Passivity in Husserl’s Phenomenology, p. XV
6
preciso compreender a gênese da idealidade da essência intencional dessas formações
no âmbito das objetualidades e da passividade originária.
Woodruff e McIntyre7 consideram que tanto nas Investigações Lógicas quanto
em Ideias, Husserl trata o conteúdo intencional como ideal, mas em Ideias há uma
alteração no conceito de noema. Se inicialmente o noema era portador de uma essência
intencional com um caráter de universal, em Ideias o noema é uma entidade abstrata,
porém não universal. Segundo os autores, a interpretação do noema precisa abarcar o
conjunto da elaboração madura de Husserl para que não se constitua uma interpretação
equivocada, já que nessa obra noema e noesis são componentes ou fases da experiência,
sendo a noesis a fase “real” (reelle) enquanto o noema é a fase “intencional”, o lado
“não-real”. Na versão madura de Husserl noesis é o conteúdo fenomenológico real de
um ato e o noema seu conteúdo intencional ou ideal, afirmam os autores. Há uma nova
terminologia com substantivas mudanças conceituais quando Husserl introduz o termo
fase noética (noetischen Moment) da experiência no §85 de Ideias que exclui toda fase
que não seja ela mesma intencional. Portanto, argumentam os autores, a noesis de um
ato são todas as suas fases cuja presença na experiência faz a experiência intencional.
Mas a noção de noesis em Ideias incorpora duas importantes alterações: em primeiro
lugar Hussel enfatiza que noesis e noema devem ser estudados somente numa atitude
transcendental, distinta de uma abordagem empírica; em segundo, Husserl caracteriza o
papel fundamental da noesis em virtude de que sua presença em um ato o torna
intecional com a doação de sentido (Sinngebung) para a experiência.
Os autores destacam então que o sentido (Sinn) que a noesis doa é o principal
constituinte do conteúdo intencional do ato, o noema do ato. Mas essa doação não é
uma instanciação de sentido já que Husserl não concebe o conteúdo intencional como
uma essência.
“Nas Investigações o conteúdo intencional de um ato é a ‘essência intencional’ do ato.
Conteúdos intencionais de um ato são então um tipo de universais, espécies ideais ou
tipos de consciência instanciadas em atos, assim como a vermelhidade (redness) é uma
propriedade instanciada em coisas vermelhas. Em Ideias, no entanto, as noemata não
são essências-de-atos ou universais, mas entidades abstratas de um tipo diferente (...)
Sinne são um tipo de particulares abstratos;” (WOODRUFF..., p. 124).
Para reforçar sua linha interpretativa, Woodruff e McIntyre citam o §57 da
Lógica Formal e Transcendental, quando Husserl menciona “a idealidade de
significados e a idealidade diferente de essências universais ou espécies...” (grifo dos
autores).
Mohanty8 trata o mesmo tema, indicando que o conceito de significado evolui
para idealidades que são unidades na multiplicidade, meios de referência e não objetos
de referência. Nenhuma outra tese de Husserl sobre a filosofia do significado, afirma o
autor, foi mais criticada que a visão de que significados são entidades ideais, embora
suas investigações tenham buscado capturar esse momento essencial da experiência
humana com significados. Mohanty estrutura os elementos que devem fundamentar uma
teoria dos significados e procura mostrar que a fenomenologia husserliana equaciona
essa problemática: em primeiro lugar o discurso lógico requer que significados
retenham uma identidade no meio de variados contextos; em segundo, significados

7
Um estudo detalhado dessas alterações está em Husserl and Intentionality, de Woodruff e McIntyre, no
item 2.3. Husserl's Mature Conception of Content: Noesis and Noema, pgs. 119-121.
8
Mohanty discute a idealidade do significado e a evolução desse conceito na coletânea Readings on
Edmund Husserl’s Logical Investigations, no artigo Husserl’s thesis of the ideality of meaning.
7
podem ser comunicados entre pessoas e podem ser compartilhado; por fim, em
diferentes atos de fala e em diferentes contextos o mesmo orador ou diferentes oradores
podem sempre retornar ao mesmo significado. Mohanty critica as teorias que reduzem o
significado à experiência privada porque não explicam a comunicação e o
compartilhamento da experiência privada, argumentando que não se podem separar
significados das experiências concretas de falar, intencionar, entender etc. Propõe então
quais seriam os fatos que devem ser explicados por uma teoria do significado alinhando
quatro grandes características: 1. significados são caracterizados por um tipo de
identidade que é independente de contexto, compartilháveis e comunicáveis na
intersubjetividade, o que torna legítimo dizer que são objetivos; 2. permanecem
internamente relacionados à vida mental das pessoas envolvidas; 3. apesar do seu tipo
de identidade, que sugere não pertencerem à ordem real de eventos individuados
temporalmente, não obstante servem como meio de referência para coisas, eventos,
pessoas, lugares e processos no mundo; 4. estão encarnados em expressões físicas,
palavras e sentenças que, de um ponto de vista, são signos convencionais e assim
exteriores aos signos, e de outro, unidos aos significados eles significam de tal maneira
que ambos formam um notável tipo de totalidade (MOHANTY, p 77).
Este último ponto característico aborda a dualidade essencial dos modos de ser
do significado: é uma idealidade que se constitui em individualidade no seu modo de ser
enquanto ato. Para sustentar essa interpretação o autor informa que Husserl faz
afirmações com caráter ontológico nas Investigações Lógicas quando divide os seres em
real e ideal – sendo a característica do real a temporalidade – e classifica os objetos
ideais entre os que são significados e os que não são. Essa posição é amadurecida ao
longo das suas investigações evoluindo para conceituar os significados como ideais,
mas eles não são objetos de referência e sim meios de referência, porque sua idealidade
é unidade na multiplicidade. Portanto, para Husserl, significados não podem ser também
objetos e quando se constituem em objetos cessam de ser significados e passam a ser
referidos através de outros significados. As essências husserlianas não são significados,
afirma o autor, tomando o exemplo do significado de vermelhidade (redness) e a
essência da vermelhidade. Mohanty cita o §64, item D, de Experience and Judgment
para destacar que a irrealidade das objetidades do entendimento não deve ser
confundida com universalidade genérica, ou seja, não são gerais do modo das essências,
tal como ocorre com a linguagem. Somente o que é irreal pode individualizar-se pela
locação espaço temporal e manter a identidade na multiplicidade. Para evitar
interpretações equivocadas dos exemplos de Husserl, o autor afirma que o significado é
sempre um significado de um ato, de uma experiência intencional, é o correlato
intencional que acompanha um ato assim como um percebido acompanha um ato de
perceber, mas não é parte real de um ato nem um particular privado. Os atos
constitutivos de significado não são somente atos de entendimento, mas também atos de
interpretação.
“Assim como em relação à árvore ou ao lápis, minha experiência perceptual é uma
‘presentação’, mas em relação ao dado sensorial é uma ‘interpretação’, de forma que no
caso de significados meu ato de entendimento é ambos, uma apreensão intuitiva e um
ato de interpretação” (MOHANTY, p. 82).
O presentar é característica própria da percepção originária, tal como remarca
Husserl em sua nota de rodapé no texto que trata da aporia da afecção (ACPAS, p. 210
nota 129), mas o entendimento é constituído de um “ato de interpretação”. É possível
reforçar estas conclusões tomando o §44 da Sexta Investigação quando Husserl afirma
que um vivido tético se diferencia de uma objetualidade porque a característica de ser
8
objetual é estar constituído de conteúdos que permitem as generalizações. O conceito de
ser (no sentido de cópula, conforme Husserl) não está na reflexão mas no próprio
preenchimento de juízo, porque o fundamento da abstração que realiza o conceito está
nos objetos dos atos de juízo: “Ser vivido não é o mesmo que ser objetual”. (HUSSERL,
1985, p.108).
Estas conclusões implicam compreender que há uma doação de sentido em
ambas as situações, porque a percepção originária demanda uma doação de sentido para
que se constitua o fluxo perceptual, mas a interpretação tal como desenhada por
Mohanty, implica em uma doação de sentido sobre uma vivido já percepcionado, ou
seja, é um presentificar. A inovação do autor está em buscar compreender a idealidade
do significado e fundamentar a tese da idealidade no modo de ser individualidade na
multiplicidade, quando constitui um ato de sentido. Qual a gênese da derivação das
idealidades das suas essências em seu modo de ser individualidade na multiplicidade?

4. Os atos signitivos e as sínteses passivas


Nessa linha de investigação o abandono do conceito de atos signitivos
(signitiven Acte) – criado por Husserl na Sexta Investigação – ao longo de suas
elaborações posteriores, pode ser um elemento esclarecedor da evolução das descrições
sobre a formação da unidade de sentido e as relações entre idealidades e essências. Os
atos signitivos foram descritos como a conexão entre o pensar significativo e a
intencionalidade intuitiva, uma relação estimulada por entrelaçamentos associativos
(associativen Verflechtungen) que não são doadores de sentido. Examinando o intuitivo
e o significativo como atos doadores de sentido em que operam a espontaneidade da
consciência e sua capacidade de significação, Husserl afirma que os atos signitivos não
se enquadram em nenhum dos anteriores. Sua importância para este estudo está em que
eles aparentam conectar o pensar significativo e a intencionalidade intuitiva, quando não
há a clareza das sínteses de significação nem propriamente a recepção do sensível. Essa
descrição se dá a partir do §9 (HUSSERL, 1985), quando Husserl afirma haver quatro
componentes na unidade do conhecimento: a expressão verbal, o ato de significar, o de
intuir e o preenchimento. Husserl mostra que descrever tão somente a expressão verbal
e a intuição unidas pelo nomear cognitivo, ao invés dessa estrutura integral, terminaria
por excluir o ato de significar, eliminando a possibilidade de distinguir o caráter
cognitivo e a intuição preenchedora. No §13 Husserl descreve dois tipos distintos de
atos objetivantes, os atos de intenção de significação e os atos de preenchimento de
significação, relacionando os primeiros ao pensar e os segundos ao intuir. Neste ponto
Husserl estabelece que há atos de outra espécie que não são, nem podem ser, doadores
de sentido e só chegam a ter expressão “quando as intenções significativas que se
prendem às palavras vêm a ser preenchidas por meio das percepções ou imaginações
que são dirigidas para esses atos a exprimir, enquanto objetos” (Ibid., p. 43). Ele irá
tratar desses atos como intenções signitivas descritas no §15, relativas à possibilidade
do conhecer não associado às palavras, os casos de conhecer não verbal que são
preenchimentos de intenções de significação que “fenomenologicamente falando,
desligaram-se dos conteúdos signitivos que habitualmente lhes pertencem”, são atos
semelhantes aos de significação, mas que estão desligados de toda e qualquer expressão.
O autor associa esse modo de preenchimento às reflexões que se dão nos
encadeamentos típicos do pensar científico, quando pensamentos avançam excitados por
“imagens intuitivas ou por seus próprios entrelaçamentos associativos”. Husserl
descreve como signitivos os atos que estão entre o intuitivo e significativo, atos
inadequados que não são intuições primárias nem tampouco formações sintéticas
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constituídas sobre as intuitivas (Ibid., p.50). À representação signitiva falta qualquer
preenchimento, que só é dado pela intuição; a intenção signitiva tão somente indica o
objeto, enquanto a intuitiva traz a intenção à sua plenitude objetiva (Ibid., p.61). Esses
atos se caracterizam quando a expressão verbal excede o que deveria ser dado
intuitivamente para uma adequação da expressão cognoscente, porque as imagens
verbais têm por característica a facilidade de reprodução e assim suscitar pensamentos
simbólicos sem as intuições que lhes correspondem. Ocorre inversamente, quando a
expressão verbal fica aquém dos pensamentos excitados pelas intuições
correspondentes. Formam-se então as expressões inadequadas que não se ajustam nem
às intuições primárias nem às formações sintéticas constituídas efetivamente sobre elas
e excedem amplamente o que é dado.
Se a hipótese deste estudo estiver correta encontra-se aqui a relação dinâmica
entre os extratos primordial e categorial da consciência, em que as idealidades das
unidades de sentido são constituídas sobre vividos téticos alcançando o patamar do que
Husserl irá denominar consciência elevada ou de nível mais elevado. Aí operam a
intuição sensível e a linguagem, relação estimulada por “entrelaçamentos associativos”
que ainda não são doadores de sentido, mas derivados da colisão espontânea entre os
atos intencionais significativos e os intuitivos. De um lado há o pensar significativo
produzindo torrentes de associações intencionando o fluxo de vividos. De outro, as
intuições primárias sucedem-se excitando o pensar significativo em um turbilhão que
não é plenamente correspondido. Trata-se da descrição de momentos que prenunciam a
produção de novos conhecimentos a partir de associações de diferentes origens, mas
ainda inadequados, ainda desvinculados de uma significação intencional. A descrição
das sínteses passivas que Husserl irá fazer a partir de 1920, fundada no método
genético, pode estar prenunciada nestas considerações realizadas em profundidade sobre
os atos signitivos, conceito que foi abandonado em suas obras posteriores. Se esta
hipótese for verdadeira, é possível dizer que a descrição das intenções signitivas
percorre um caminho não totalmente esclarecido das relações entre esses diferentes
extratos da consciência, porém mostrando que atos significativos e os atos intuitivos se
co-relacionam de uma maneira específica: os atos significativos, quando intencionam
vividos intencionais, os transformam produzindo do vivido original uma objetualidade,
isto é, uma objetidade própria para o trato do pensar categorial que, no entanto, não
perde seu vínculo com a intencionalidade originária.

5. Consideração final
O tema da aporia da afecção e da significação na passividade transpassa todas
estas observações anteriores e se soma à aparente não explicitação das distinções
genéticas das formações de sentido na passividade e na atividade egóica, deixando por
esclarecer as condições em que as idealidades não universais das unidades de sentido se
relacionam com as essências das idealidades universais da linguagem. Ainda que tendo
abordado de forma limitada aspectos específicos do trabalho de cada autor aqui citado, é
possível destacar que de Bégout, Steinbock e Hartmann se extrai o questionamento da
passividade do ego e a consciência cindida em um primeiro plano e um secundário,
como se houvesse uma consciência implícita e uma explícita, campos que não coabitam
a mesma simultaneidade temporal da consciência. Todos destacam o dilema da
constituição de sentido e a força de afecção para questionar como é possível a afecção
ter constituição de sentido sem o ego ativo. Hartmann propõe alguns caminhos como
solução numa perspectiva pós-husserliana, mas lembra a importância da metodologia
genética para buscar compreender a aporia. A partir de Biceaga, Woodruff e McIntyre, e
10
Mohanty observa-se a constatação de dois tipos de gênese – ativa e passiva – sendo que
a afecção se dá de diferentes modos, destacando-se a importância da doação de sentido
formadora das condições de afecção. Woodruff e McIntyre apontam a característica
ideal do noema e da noesis e sua relação com as essências universais e Mohanty, por
fim, afirma que as essências husserlianas não são significados e que o presentificar
implica um ato de interpretação. São duas problemáticas imbricadas, que tratam
especificamente da aporia da afecção e da doação de sentido na passividade, e da
estrutura eidética das idealidades dos significados e sua gênese. A relação entre ambas é
evidente, à medida que se considere a necessidade da descrição fenomenológica da
gênese da doação de sentido na passividade e o caráter da idealidade aí constituída, já
que idealidades universais de essência pertencem ao extrato categorial da consciência, a
instância típica do ego ativo. Portanto, é necessário examinar qual é a gênese desse
processo de formação de sentido das afecções na “passividade do ego” no extrato
primordial da consciência, buscando uma descrição fenomenológica do processo
constitutivo das proeminências das objetividades no fluxo perceptual tético – sem dar ao
conceito “ego” uma transcendência implícita, tal como Sartre criticou em A
transcendência do Ego – para contrastar com a descrição da gênese da doação de
sentido no extrato categorial, tendo por objetivo esclarecer a constituição da idealidade
das unidades de sentido que são individualidades na multiplicidade que guardam relação
com idealidades universais de essência. Reforça a importância deste estudo o exame da
suposição aqui levantada de uma possível evolução do conceito “ato signitivo” nas
Investigações Lógicas e sua passagem para a notável conquista de Husserl com suas
descrições sobre as sínteses passivas.

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Bibliografia básica

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