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RESINA ACRÍLICA: Propriedades e aplicações em prótese odontológica.

Prof. Carlos Eduardo E. Rezende.

Introdução:

As resinas acrílicas são compostas de poli-metacrilato de metila (PMMA), o


qual é derivado do monômero metacrilato de metila. As resinas acrílicas são um tipo de
polímero, portanto, tratam-se de materiais formados por reações químicas de
polimerização, as quais convertem um grande número de moléculas de baixo peso
molecular em moléculas grandes, com peso molecular muito alto e cadeia longa.

Histórico:

As resinas acrílicas começaram a ser utilizadas na odontologia em 1936 como


material para bases de próteses totais. Nesta época a resina acrílica era processada pelo
calor, ou seja, era termicamente ativada. A partir do meio da década de 1940 foram
desenvolvidos metacrilatos polimerizados à temperatura ambiente, ou seja, ativados
quimicamente. Este fato permitiu que fossem realizadas restaurações diretamente em
boca, ampliando o uso das resinas acrílicas para coroas parciais e totais.

Indicação em Prótese Odontológica:

- Bases de Próteses Totais e PPRs

- Dentes artificiais (dentes de estoque)

- Moldeiras individuais

- Confecção de padrão de fundição para núcleo metálico

- Coroas e pontes provisórias

- Placas de Bruxismo / Placas miorrelaxantes.

Requisitos das Resinas para uso Odontológico:

Devem ser mecanicamente resistentes, fisicamente estáveis, facilmente


manipuláveis, ter excelente qualidade estética, ser quimicamente estáveis,
biocompatíveis e de custo acessível. Apesar de alguns polímeros odontológicos se
aproximarem de tais requisitos, nenhum material os cumpre totalmente.
Propriedades Mecânicas e Físicas:

Devem ser resistentes e resilientes o suficiente para suportar as forças


mastigatórias. Além disso, devem apresentar tenacidade e resistência à fratura e à fadiga
para manter a forma e a função por muitos anos. Deve ser dimensionalmente estável sob
todas as condições independente das alterações térmicas ou de carregamento. Em
próteses totais deve apresentar baixa densidade para não deixar a base da prótese
pesada.

Manipulação:

A resina não deve produzir gases nem poeiras tóxicas durante a manipulação,
deve ser fácil de misturar, conformar e polimerizar. O tempo de presa deve ser
relativamente curto. Deve ser o menos sensível possível a variação nos procedimentos
de manipulação. Deve ser fácil de polir e passível de reparo.

Propriedades estéticas:

Deve possuir coloração, translucidez e transparência compatível com os tecidos


orais que está substituindo.

Estabilidade Química:

O material não deve sofrer degradação nas condições presentes na boca.

Biocompatibilidade:

As resinas não devem apresentar gosto ruim, mau odor, nem toxicidade. Não
devem irritar os tecidos orais. Deve ser insolúvel em saliva ou em fluidos possivelmente
ingeridos.

Resina Acrílica – PMMA:

É a mais largamente utilizada na odontologia. A mistura do monômero do


metacrilato de metila (Líquido) com o polímero metacrilato de metila (pó) para resultar
em uma massa modelável que permite a confecção de bases de próteses, coroas e pontes
provisórias, pinos e placas.

A polimerização pode acontecer em diferentes condições, mas normalmente são


ativadas quimicamente. Para acrilização de bases de próteses pode-se utilizar a
polimerização termo-ativada, para isso utiliza-se um líquido específico e as condições
do ambiente de polimerização são controladas em laboratório.

Para a polimerização química (auto-polimerização) pode haver variação do grau


de polimerização conforme as condições de polimerização (humidade e temperatura
ambiente; proporção de pó e líquido). Durante a polimerização há uma contração
volumétrica do material que pode alterar a adaptação da peça protética.

O PMMA é uma resina acrílica translúcida, com boa dureza, resistência a tração
de 60 Mpa, densidade relativamente baixa (1,19 g/cm3) e módulo de elasticidade de 2,4
GPa. É também estável quimicamente, porém tem a temperatura de amolecimento em
125°C. É fácil de manipular, tenaz, resistente ao desgaste, passível de polimento,
biologicamente seguro e durável. Como todas as resinas acrílicas, o PMMA sofre
embebição, ou seja, absorção de água quando imerso em saliva por exemplo. O
armazenamento em água pode reduzir a dureza do material, oque seria uma
desvantagem.

Mistura Pó-Líquido:

A relação monômero (líq.)/ polímero (pó) adequada para que se tenha menor
alteração dimensional e melhores propriedades físicas seria de 1:3. Essa proporção é
suficiente para molhar as partículas de pó sem que resulte em excesso de monômero,
assim a contração volumétrica pode ser reduzida, ficando em torno de 7%. A absorção
de água pelo polímero compensa em parte essa contração.

Reação de Polimerização do PMMA:

A mistura do pó (polímero) com o líquido (monômero) resulta em uma massa


trabalhável que passa por 5 estágios ou fases distintas:

1) Arenosa – nessa fase ainda não houve interação entre monômero e polímero,
assim a massa se encontra com consistência cremosa e granulosa.

2)Pegajosa – nessa fase o monômero começa a atacar a superfície das partículas


de polímero e algumas cadeias poliméricas ficam dispersas no meio de líquido. Essa
fase se caracteriza pela pegajosidade e pela formação de fios quando manipula-se o
material com uma espátula.

3) Plástica – há um aumento de cadeias poliméricas, com monômeros e


polímeros dissolvidos. A massa de resina se comporta como uma massa de modelar, ela
não gruda mais na base do pote nem na espátula de mistura. Esta é a fase de maior
facilidade de manipulação da resina, mais fácil de ser modelada.
4) Borrachóide – nessa fase o monômero está sendo dissipado por evaporação e
por absorção pelas esferas de polímero restantes. A massa retorna a sua forma original
quando comprimida ou esticada, como se fosse uma borracha. Nessa fase não é mais
possível modelar a massa, há dificuldade na sua manipulação.

5) Rígida – após a total evaporação do monômero há o enrijecimento da massa,


tornando-a endurecida, resistente á deformação.

Normalmente todo este processo de polimerização ocorre em menos de 10


minutos. A reação de polimerização é exotérmica, ou seja, libera calor durante a reação,
por isso, durante a confecção de próteses provisórias deve-se ter cuidado para não
lesionar a mucosa do paciente.

Referências:

- Anusavice KJ et al; Phillips Materiais Dentários. 12ª ed. Rio de Janeiro; Elsevier;
2013 (Caps 6 e 19).

- Garcia-Lopez et al. Estabilidade dimensional de uma resina acrílica para coroas


provisórias em função de diferentes técnicas de processamento ao longo do tempo. Rev
Odontol UNESP. 2013 May-Jun; 42(3): 1-8.

- Nicodemo et al. Micro-hardness of acrylic resin utilized for provisional crowns: Effect
of different polymerization techniques and pH-Cycling. Braz Dent Sci 2013
Abr/Jun;16(2): 44-50.

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