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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

MÔNICA CANDÉO IURK

MEIO AMBIENTE EM PAUTA:


ANÁLISE DE NARRATIVAS TELEJORNALÍSTICAS PELA
PERSPECTIVA DA LÓGICA DA MÍDIA

CURITIBA

2017
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

MÔNICA CANDÉO IURK

MEIO AMBIENTE EM PAUTA:


ANÁLISE DE NARRATIVAS TELEJORNALÍSTICAS PELA
PERSPECTIVA DA LÓGICA DA MÍDIA

Dissertação apresentada como requisito parcial à


obtenção de grau de Mestre pelo Programa de
Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens –
Linha de Pesquisa: Processos Mediáticos e
Práticas Comunicacionais, da Universidade Tuiuti
do Paraná.

Orientação: Profa. Dra. Mônica Cristine Fort.

CURITIBA

2017
Dados Internacionais de Catalogação na fonte
Biblioteca "Sydnei Antonio Rangel Santos"
Universidade Tuiuti do Paraná
I92 Iurk, Mônica Candéo.
Meio ambiente em pauta: análise de narrativas telejornalísticas
pela perspectiva da lógica da mídia / Mônica Candéo Iurk;
orientadora Profª. Drª. Mônica Cristine Fort.
128f.

Dissertação (Mestrado) – Universidade Tuiuti do Paraná,


Curitiba, 2017.

1. Jornalismo ambiental. 2. Quadro problema. 3. Lógica da


mídia. 4. Narrativa telejornalística. 5. Análise de conteúdo.
I. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em
Comunicação e Linguagens/ Mestrado em Comunicação
Linguagens. II. Título.
CDD – 070.4493042
FOLHA DE APROVAÇÃO

MÔNICA CANDÉO IURK

MEIO AMBIENTE EM PAUTA: ANÁLISE DAS NARRATIVAS


TELEJORNALÍSTICAS PELA PERSPECTIVA DA LÓGICA DA MÍDIA

Esta dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre no


Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti
do Paraná.

Curitiba, 03 de maio de 2017.

____________________________________________________________

Programa de Mestrado em Comunicação e Linguagens


Universidade Tuiuti do Paraná.

___________________________
Orientadora: Profª Drª Mônica Cristine Fort
Universidade Tuiuti do Paraná

___________________________
Prof. Dr. Carlos Eduardo Marquioni
Universidade Tuiuti do Paraná

___________________________
Prof. Dr. José Carlos Fernandes
Universidade Federal do Paraná
AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Carlos e Célia, agradeço pelo amor, disponibilidade e suporte
em toda a vida. Ao meu avô João, pessoa com infinita sabedoria de vida e a minha
avó Altiva que mesmo não estando aqui, está comemorando comigo a finalização
desse processo. Ao meu sempre namorado (agora noivo), Alex, muito obrigada por
todo o apoio, paciência e amor durante esse período. Agradeço a minha família que
participou de algum momento desse período. Obrigada à minha família estendida: os
meus amigos de fé e irmãos camaradas, que mesmo sem compreender a minha
ausência e distanciamento seguem firmes com a nossa amizade.
Na condição de aprendiz, agradeço com todo o carinho e respeito à
professora e minha orientadora Mônica Cristine Fort. Que, para além da relação
institucional, demonstrou amizade e parceria nos melhores e nos mais difíceis
momentos dessa caminhada ‘dissertativa’, muito obrigada Mônica.
Às monikets: Ana, Malu, Selma, amigas de trajetória e companheiras de
orientação, agradeço pelo apoio mútuo e incentivo consolador nas situações
complicadas e pelas alegrias compartilhadas na comemoração das etapas
concluídas. Agradeço também à Fabi, minha irmã gêmea, pelo companheirismo nas
atividades divididas, à Criselli, primeira amizade constituída em 2015 nas aulas do
programa e aos demais companheiros de programa: obrigada.
Agradeço também aos professores da banca, José Carlos Fernandes nas
atenciosas e detalhadas indicações para a amplificação e aprofundamento do
estudo e ao professor Marquioni pela destreza e olhar precioso aplicado ao texto na
qualificação. Muito obrigada ao Programa de Mestrado em Comunicação e
Linguagens da UTP, aos professores Álvaro, Rafael, Denise, Geraldo e a Erla, da
secretaria, com quem pude compartilhar algum momento desse período. Obrigada
também pela possibilidade de ter atuado, aprendendo muito, no trabalho da Revista
Interin. Ao CNPQ registro um agradecimento especial pela bolsa de pesquisa
concedida.
À Faculdade Secal, agradeço pela flexibilidade nos momentos necessários.
And I would like to thank to professor PhD David L. Altheide for the attention
and generosity to send me the book Media Logic and articles on the subject which
studies.
O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.
Cora Coralina
RESUMO

Questões relacionadas ao meio ambiente, como as catástrofes ambientais, as


consequências da alteração climática, a beleza da natureza e tantos outros fatos e
ocorrências são, cotidianamente, pautados pelo jornalismo. Mas como e de que
maneira essas ocorrências são apresentadas pelo jornalismo? O presente estudo
analisa as narrativas de reportagens com temática ambiental, veiculadas no
telejornal Jornal Nacional, da Rede Globo. Como forma de composição de conceitos
sobre o Jornalismo Ambiental, fez-se uso de uma compilação de registros
cronológicos a respeito do meio ambiente e a comunicação com a inserção de
marcos importantes como a contaminação por material radioativo, fundação das
instituições internacionais com propósito de preservar o meio ambiente e regular o
uso dos recursos naturais. Com autores como Wilson da Costa Bueno (2007a,
2007b e 2008), Leonel A. Aguiar (2005) e Roberto Villar Belmonte (2015)
apresentam-se as características do Jornalismo Ambiental. Aborda-se, inclusive, a
perspectiva de Ulrich Beck sobre a Sociedade de Risco através da percepção da
forma dos fatos apresentados pela mídia através de três tipos: riscos, ameaças e
incertezas fabricadas. Outros elementos que compõem o referencial teórico da
presente dissertação são o conceito de problem frame, de David L. Altheide, os
formatos e a gramática da mídia que possibilitam a construção de narrativas
inseridas no funcionamento da Lógica da Mídia (ALTHEIDE; SNOW, 1979). Para a
aplicação empírica, utiliza-se como método de pesquisa a análise de conteúdo
(BARDIN, 1995) a partir de uma articulação de técnicas que mesclam a leitura da
imagem em movimento (ROSE, 2002; COUTINHO, 2005) com seis categorias
destacadas de elementos do problem frame: estrutura narrativa, valores morais
universais, localização e tempo, conteúdo inequívoco, foco desordenado e
ressonância/repetição cultural. A baliza temporal para a seleção do material foi
estipulada tendo como parâmetro a realização da COP 21, realizada em Paris entre
os dias 30 de novembro e 11 de dezembro do ano de 2015. Para a seleção das
reportagens foram verificados dez dias antes, os dez dias de realização e dez dias
depois do evento, ou seja, 27 dias de garimpo que resultaram na seleção inicial de
106 arquivos, totalizando 227 minutos, de materiais em audiovisual veiculados no
telejornal noturno. A compilação inicial passou por quatro recortes resultando no
corpus de 15 reportagens com gancho sobre o meio ambiente. Nas interpretações
dos resultados tende-se considerar que as narrativas são produzidas a partir do
problem frame que transforma as notícias em questões problemáticas através de
recursos textuais e audiovisuais.

Palavras-chave: Jornalismo Ambiental. Quadro problema. Lógica da Mídia.


Narrativa Telejornalística. Análise de Conteúdo.
ABSTRACT

Issues related to the environment, such as environmental disasters, the climate


change consequences, the beauty of nature and so many other factors and events
are daily guided by journalism. But how and in which way are these occurrences
presented by journalism? This study analyzes the narratives of environmental -
related reports, published in the Jornal Nacional, Rede Globo. As a way of
composing concepts about Environmental Journalism there is a compilation of
chronological records regarding the environment and communication with the
insertion of important milestones such as the contamination by radioactive material,
foundation of the international institutions with purpose to preserve the environment
and regulate the use of natural resources. With authors of Wilson da Costa Bueno
(2007a, 2007b and 2008), Leonel A. Aguiar (2005) and Roberto Villar Belmonte
(2015) present the characteristics of Environmental Journalism. It also addresses
Ulrich Beck's perspective on the Society of Risk through the perception of the form of
the facts presented by the media through three types: risks, threats and uncertainties
manufactured. Other elements that make up the theoretical framework of this
dissertation are David L. Altheide's concept of problem frame, the formats and the
grammar of the media that enable the construction of narratives inserted in the
workings of the Media Logic (ALTHEIDE, SNOW, 1979). For the empirical
application, the content analysis (BARDIN, 1995) is used as a research method
based on a combination of techniques that combine the reading of the moving image
(ROSE, 2002; COUTINHO, 2005) with six outstanding categories of elements of the
problem frame: narrative structure, universal and moral, specific time and place,
unambiguous, focus is disorder and culturally resonant. The temporal beacon for the
selection of material was stipulated having as a parameter the accomplishment of the
COP 21, held in Paris between November 30 and December 11 of the year 2015. For
the selection of the reports were verified ten days before the ten days of the event
and ten days after the event, that resulted as 27 days in the initial selection with 106
files, totaling 227 minutes, of audiovisual materials broadcast on the nightly
newscast. The initial compilation went through four cuts resulting in the corpus of 15
stories with hook on the environment. In the interpretations of the results it is tended
to consider that the narratives are produced from the problem frame that transforms
the news into problematic issues through textual and audiovisual resources.

Keywords: Environmental Journalism. Frame problem. Media Logic. TV Newscast


Narrative. Content analysis.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 - FOTO DE HIROSHIMA DEPOIS DO ATAQUE A BOMBA ATÔMICA ............. 22


FIGURA 2 - VISTA DE VOLTA REDONDA .................................................................... 23
FIGURA 3 - IMAGEM DA TRANSMISSÃO PELA TELEVISÃO DO PRONUNCIAMENTO DE
MIKHAIL GORBACHEV SOBRE O DESASTRE EM CHERNOBYL .................................. 28
FIGURA 4 - URSO POLAR RETRATADO NA REGIÃO DO ÁRTICO ............................... 35
FIGURA 5 - COLAGEM COM FOTOGRAFIAS DE URSOS POLARES............................. 35
FIGURA 6 - QUADRO PROBLEMA DE ALTHEIDE ........................................................ 55
FIGURA 7 - SAPATOS POSICIONADOS NO LOCAL DA MANIFESTAÇÃO ..................... 66
FIGURA 8 - GRÁFICO REFERENTE À PROPORÇÃO DOS TEMAS DO CONTEÚDO DAS
EDIÇÕES ESTUDADAS............................................................................................... 69
FIGURA 9 - GRÁFICO REFERENTE À PROPORÇÃO DOS TEMAS DO CONTEÚDO DAS
EDIÇÕES ANALISADAS .............................................................................................. 71
FIGURA 10 - PESCADOR NO RIO AGONIZANTE ......................................................... 76
FIGURA 11 - IMAGEM DE ARQUIVO DO JN ................................................................. 78
FIGURA 12 - REPÓRTER VERIFICANDO A PROVA IRREFUTÁVEL .............................. 80
FIGURA 13- BENTO RODRIGUES ANTES DO DESASTRE ........................................... 82
FIGURA 14 - O REPÓRTER ENTREGANDO O FILHOTE FUJÃO ................................... 84
FIGURA 15 - REPÓRTER INDICANDO A SEPARAÇÃO DA A LAMA E A ÁGUA LIMPA ... 86
FIGURA 16 - IMAGEM DA TARTARUGA SENDO MONITORADA ................................... 88
FIGURA 17 - OS LÍDERES DOS PAÍSES EM APOIO AO ACORDO DO CLIMA ............... 89
FIGURA 18 – MINISTRA FALA SOBRE A ABERTURA DOS EUA EM RELAÇÃO AO
ACORDO .................................................................................................................... 92
FIGURA 19 - IMAGEM DO LIXO NO RIO DE JANEIRO .................................................. 94
FIGURA 20 - IMAGEM AÉREA DE REGIÃO DE INCÊNDIO ............................................ 98
FIGURA 21 - AL GORE COMEMORANDO O ACORDO DE PARIS ................................. 99
LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – COLETA INICIAL DE PRODUÇÕES .......................................................... 68


TABELA 2 - REPORTAGENS PARA ANÁLISE .............................................................. 71
TABELA 3 - CATEGORIAS DO PROBLEM FRAME ....................................................... 72
TABELA 4 - PROTOCOLO DA REPORTAGEM 1 ........................................................... 74
TABELA 5 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 1 .............................. 74
TABELA 6 - PROTOCOLO REPORTAGEM 2 ................................................................ 76
TABELA 7 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 2 .............................. 77
TABELA 8 - PROTOCOLO REPORTAGEM 3 ................................................................ 78
TABELA 9 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 3 .............................. 79
TABELA 10 - PROTOCOLO REPORTAGEM 4 .............................................................. 80
TABELA 11 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 4 ............................ 81
TABELA 12 - PROTOCOLO REPORTAGEM 5 .............................................................. 82
TABELA 13 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 5 ............................ 83
TABELA 14 - PROTOCOLO REPORTAGEM 6 .............................................................. 84
TABELA 15 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 6 ............................ 85
TABELA 16 - PROTOCOLO REPORTAGEM 7 .............................................................. 86
TABELA 17 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 7 ............................ 87
TABELA 18 - PROTOCOLO REPORTAGEM 8 .............................................................. 88
TABELA 19 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 8 ............................ 89
TABELA 20 - PROTOCOLO REPORTAGEM 9 .............................................................. 90
TABELA 21 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 9 ............................ 90
TABELA 22 - PROTOCOLO REPORTAGEM 10............................................................. 91
TABELA 23 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 10........................... 91
TABELA 24 - PROTOCOLO REPORTAGEM 11............................................................. 92
TABELA 25 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 11........................... 93
TABELA 26 - PROTOCOLO REPORTAGEM 12............................................................. 94
TABELA 27 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 12........................... 95
TABELA 28 - PROTOCOLO REPORTAGEM 13............................................................. 95
TABELA 29 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 13........................... 96
TABELA 30 - PROTOCOLO REPORTAGEM 14............................................................. 96
TABELA 31 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 14........................... 97
TABELA 32 - PROTOCOLO REPORTAGEM 15............................................................. 98
TABELA 33 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 15........................... 99
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11

1 O MEIO AMBIENTE COMO PAUTA .............................................................. 16

1.1 O SER HUMANO, A NATUREZA E A SOCIEDADE ............................................. 16

1.2 PANORAMA DA COMUNICAÇÃO E JORNALISMO AMBIENTAL ......................... 19

1.3 CARACTERÍSTICAS DO JORNALISMO AMBIENTAL ......................................... 37

2 A LÓGICA DA MÍDIA ..................................................................................... 45

2.1 LÓGICA DA CULTURA DA MÍDIA ...................................................................... 45

2.2 FORMATO E GRAMÁTICA PARA UMA LÓGICA DA MÍDIA ................................. 47

2.3 CARACTERÍSTICAS DA LÓGICA NO TELEJORNALISMO .................................. 49

2.4 O PROBLEM FRAME ........................................................................................ 53

2.5 O JORNAL NACIONAL COMO ARENA MIDIÁTICA ............................................. 55

2.5.1 O texto e a linguagem no JN – um diálogo com o público .............................. 59

2.5.2 A pauta ambiental na Rede Globo .................................................................. 60

3 AS NARRATIVAS AMBIENTAIS EM FOCO ................................................. 63

3.1 CONTEXTO EMPÍRICO .................................................................................... 64

3.1.1 COP 21 ........................................................................................................... 65

3.1.2 Rompimento da barragem da mineradora Samarco ....................................... 66

3.2 PERCURSO METODOLÓGICO ......................................................................... 67

3.2.1 Seleção inicial de dados ................................................................................. 67

3.3 CATEGORIZAÇÃO E ANÁLISES DOS VÍDEOS .................................................. 72

3.3.1 Análise do corpus: 15 reportagens ................................................................. 73

CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 101

REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 104

ANEXOs.................................................................................................................. 110
ANEXO 1 – DADOS ENVIADOS POR JUAN CRISAFULLI – DURAÇÃO DAS 27 EDIÇÕES
DO JORNAL NACIONAL SOLICITADAS AO GLOBO UNIVERSIDADE.......................... 110

ANEXO 2 - TABELA COM OS REGISTROS DA SELEÇÃO TOTAL DO MATERIAL


JORNALÍSTICO EXTRAÍDO DO JORNAL NACIONAL.................................................. 112
11

INTRODUÇÃO

As catástrofes ambientais, as consequências da alteração climática, a


beleza da natureza, a geração de energia limpa, a degradação ambiental, a poluição
e tantos outros fatos e ocorrências que estão ligados à questão ambiental são,
cotidianamente, transformados em pautas na cobertura jornalística pelos diferentes
meios de comunicação (televisão, rádio, impresso e sites de notícias).
A televisão, como um dos meios de comunicação mais populares, exerce
diferentes funções na sociedade, tais como: informativa e entretenimento. De acordo
com a Pesquisa Brasileira de Mídia 20161, que investigou os hábitos de consumo de
mídia pela população brasileira, a função informativa da televisão é utilizada, com
prioridade, por 63% da população no país2. Essa identificação destaca o espaço da
mídia televisiva dos principais meios de informação da população e coloca a
televisão em um “espaço central na sociedade brasileira como a primeira, a mais
barata e mais cômoda informação que os cidadãos e as cidadãs recebem”. (VIZEU;
SIQUEIRA, 2010, p. 83). E entre os programas televisivos, o gênero jornalístico é
aquele que tem um dos maiores índices de audiência. O jornalismo, que atua como
um elemento de mediação entre os fatos e o público, seleciona os acontecimentos
que serão conhecidos pelas pessoas e auxilia na construção das suas realidades,
verdades, opiniões e experiências. Os temas que ganham destaques nos produtos
jornalísticos se tornam pauta para além da tela e repercutem entre as pessoas,
instigando dúvidas, questionamentos e amplificando sensações e emoções. Entre os
assuntos dessa pauta na cobertura jornalística estão questões ambientais,
consideradas como temática de interesse público 3 . A difusão ou dispersão de
notícias entre as conversas cotidianas é a base da teoria da comunicação agenda-
setting. Em tal teoria, criada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de

1
Disponível em: <https://goo.gl/VfJ7J9>. Acesso em: 15 jan. 2017.
2
Embora esse número tenha reduzido em 16 pontos da pesquisa realizada no ano anterior, a
televisão ainda é o meio de comunicação que a maioria da população utiliza para se informar.
3
De acordo com a pesquisa da Pew Research Centre, divulgada pelo jornal digital El País em agosto
de 2015, o maior temor de 46% das pessoas entrevistadas nos 40 países é a mudança climática. O
brasileiro é uma das nações que teme mais a alteração do clima que o Estado Islâmico ou a
instabilidade econômica, que apareceram respectivamente em segundo e terceiro lugares. A
pesquisa foi realizada entre março e maio de 2015, com mais de 45 mil pessoas pelo mundo. Pediu-
se que classificassem alguns dos maiores problemas do nosso tempo. As opções para cada item
eram “muito preocupado”, “preocupado”, “não muito preocupado” ou “nada preocupado”. Disponível
em: <https://goo.gl/KDs7Ac>. Acesso em: 10 jan. 2016.
12

70, “as evidências sugerem fortemente que as pessoas pensam sobre o que lhes
dizem, mas, em nenhum nível, pensam o que lhes dizem” (TRENAMAN; MCQUAIL,
1961, apud MCQUAIL, 2013, p. 482).
O jornalismo ambiental - ou a abordagem jornalística sobre a questão
ambiental - é um tema que transpassou a curiosidade da pesquisadora na
graduação em Comunicação Social/Jornalismo, na especialização e na vida
profissional. A percepção sobre uma abordagem limitada e não processual das
situações referentes ao meio ambiente no jornalismo, instiga as seguintes questões:
como a lógica da mídia (ALTHEIDE, 1979) opera nas produções telejornalísticas
sobre o meio ambiente? Em que medida a abordagem jornalística sobre o meio
ambiente no Jornal Nacional pode ser causa de incertezas futuras4? O telejornalismo
pode auxiliar na construção do conhecimento sobre a temática ambiental? Como
consequente questionamento, a pesquisadora buscou compreender como é o
tratamento da temática ambiental nas reportagens no Jornal Nacional (JN).
Com essas inquietações, as definições sobre o que e como pesquisar foram
construídas juntamente com a professora orientadora do trabalho, Dra Mônica
Cristina Fort, ao longo do programa do mestrado. Para buscar esclarecimento sobre
essa questão, a proposta da presente pesquisa é analisar a sistemática das
narrativas das produções televisivas ligadas à temática ambiental do programa
jornalístico Jornal Nacional, da Rede Globo. O JN foi escolhido por ser o produto
jornalístico de televisão com maior tempo de veiculação 5 , por disponibilizar seu
conteúdo integralmente no site 6 , viabilizando assim a coleta de dados sem o
acompanhamento do fluxo de transmissão do telejornal nas datas selecionadas e
por ser o telejornal de maior audiência7. Outros dois aspectos considerados para
definição do telejornal da Rede Globo foram: a qualidade técnica de produção e a
estrutura de coberturas internacionais. A Rede Globo tem cobertura internacional
com correspondentes atuando em diferentes países e escritórios para produção
jornalística em Nova Iorque e Londres.

4
Incertezas futuras conceituadas por Beck (2011), e citadas no primeiro capítulo da dissertação são
manifestadas, de acordo com o autor, em três formas: riscos ameaças e incertezas fabricadas.
5
O Jornal Nacional estreou em 1º de setembro de 1969. Informação disponível em:
<https://goo.gl/nFzjgq>. Acesso em: 15 set. 2016.
6
Site do Jornal Nacional. Disponível em: <https://goo.gl/E59mpm>. Acesso em: 10 out. 2015.
7
Fonte: Media Workstation - IBOPE Media/Universo: Total Domicílios com TV 100% =
21.746,006/Índices de Audiência Domiciliar/Média 2014 - PNT. Disponível em:
<https://goo.gl/poSDQZ>. Acesso em: 05 mai. 2017.
13

O presente trabalho está estruturado em três capítulos. O Meio ambiente


como pauta é a primeira parte da dissertação. Nesse capítulo constam as
informações sobre a relação entre o homem, a natureza e a sociedade e a
comunicação e o jornalismo ambiental. Definiu-se por um registro cronológico a
respeito do meio ambiente e a comunicação. Toma-se por conceito de meio
ambiente o que aponta Bueno como “o complexo de relações, condições e
influências que permitem a criação e a sustentação da vida em todas as suas
formas.” (BUENO, 2008, p. 163), para exemplificar ocorrências que foram noticiadas
e fazem parte do agendamento jornalístico. Situações e ocorrências mundiais, como
as bombas de Hiroshima e Nagasaki, a explosão do reator atômico e consequente
contaminação da cidade de Chernobyl e as catástrofes ambientais naturais, como
tsunamis também estão neste espaço.
A constituição de órgãos internacionais para a preservação e organização de
resoluções mundiais demonstram o crescimento da preocupação com as questões
relacionadas ao meio ambiente em âmbito global. Em relação às Conferências das
Partes e outros encontros do gênero tem destaque a Rio 92. Foi para a cobertura
jornalística dessa edição da Conferência das nações Unidas sobre o Meio Ambiente,
no Brasil, que ocorreu a preparação de jornalistas para o início das grandes
coberturas da mídia no gênero. Avançando no tempo, outro aspecto que está
abordado na presente dissertação é a crescente visibilidade e engajamento de
personalidades públicas. O documentário An Inconvenient Truth, de Al Gore, foi um
marco na divulgação de informações e previsões em relação às mudanças
climáticas. Os autores Wilson da Costa Bueno (2007a, 2007b e 2008), Leonel A.
Aguiar (2005) e Roberto Villar Belmonte (2015) auxiliam na construção do estudo
sobre o jornalismo ambiental. De Bueno apresentam-se funções e as síndromes que
o autor detectou durante os seus anos de estudo. Para a composição do presente
texto foram citadas as funções informativa, pedagógica e política. Entre as diversas
síndromes que Bueno aborda como desafios para o jornalismo ambiental, destaca-
se a latellização das fontes, do muro alto, do zoom ou do olhar vesgo, das
indulgências verdes e a da baleia encalhada.
O segundo capítulo, Lógica Jornalística, aborda aspectos sobre as lógicas em
que a mídia se apresenta e conduz o leitor para um entendimento sobre os formatos
e a gramática conceitos de Altheide e Snow (1979) que dão suporte ao que os
autores denominam a Lógica da Mídia. Pelos escritos de Altheide (1997) apresenta-
14

se a existência de um quadro problema 8 em que seis elementos presentes em


reportagens direcionam para que os tema sejam transformados em problemas. Os
elementos indicados por Altheide que compõem o problem frame são: estrutura
narrativa, valores morais universais, localização e tempo, conteúdo inequívoco, foco
desordenado e ressonância/repetição cultural. Além disso, consta no capítulo dois o
objeto da pesquisa, o Jornal Nacional como arena midiática. Nesse espaço estão
abordados aspectos da produção, da linguagem e das narrativas no JN, assim como
exemplos de reportagens de destaque sobre a temática ambiental.
Finalizando a estrutura textual do trabalho, no capítulo três está a empiria da
pesquisa: As narrativas ambientais em foco. O percurso metodológico da presente
dissertação está explanado nesta etapa. Para trazer elementos da memória do
período estudado a autora concluiu ser necessário um subcapítulo denominado
Contexto Empírico em que estão presentes dois fatos relevantes para a pesquisa: a
COP 21 e o rompimento da barragem da mineradora Samarco. Para a análise das
15 reportagens selecionadas do Jornal Nacional definiu-se como método a análise
de conteúdo (BARDIN, 1995) a partir de uma articulação de técnicas que mesclam a
leitura da imagem em movimento (ROSE, 2002; COUTINHO, 2005). Entende-se
necessária essa articulação de técnicas, pois, “O telejornal predominantemente
trabalha com dois discursos, ambos densos; a linguagem imagética, que tende a ser
uma sucessão de cenas fragmentadas, e o texto verbal oral, marcado por uma
fruição rápida e contínua” (TEMER, 2014, p. 212). O período de coleta de materiais
jornalísticos foi definido tendo como baliza temporal a data da realização do evento
Conferência das Partes 21 realizado em Paris entre os dias 30 de novembro e 11 de
dezembro de 2015, bem como os dez dias antes e dez dias após a ocorrência da
COP. No total foram 27 edições do telejornal, ou 1.254 minutos e seis segundos,
avaliados para a seleção inicial. Na primeira triagem foram 106 arquivos separados,
contabilizando 227 minutos de material em download. Na sequencia, os critérios
seguidos foram: seleção de reportagens jornalísticas com a presença do repórter no
local do fato tema da produção; meio ambiente como gancho da reportagem; e
exclusão de chamadas para demais produções da Rede Globo e mapa do tempo
das 27 edições. Sendo assim, o corpus analisado totalizou 34 minutos e 52

8
Problema frame no original.
15

segundos de reportagens, ou aproximadamente 3% da produção veiculada pelo


Jornal Nacional no período da coleta de dados.
A interpretação dos resultados demonstra que as narrativas são produzidas
com aspectos do problem frame e, portanto são apresentadas como questões
problemas. Além disso, a produções tendem a amplificação da sensação de
insegurança pela produção de incertezas futuras (BECK, 2011).
16

1 O MEIO AMBIENTE COMO PAUTA

A percepção da relação entre o homem e ambiente foi sendo modificada no


percurso da história humana. Em certos momentos a memória resgata os
ensinamentos nos primeiros anos de escola, em que o meio ambiente é identificado
como recurso natural abundante. Em outros, através de autores como Cole (1974),
como causa de patologias já registradas no século XII. E, também, como um sistema
complexo em que o ser humano é parte. A partir da década de 40, no período Pós
Segunda Guerra Mundial, a problematização e preocupação consequentes das
interferências no meio ambiente começaram a ser mais divulgadas. Tendo como
base o conceito de meio ambiente de Wilson da Costa Bueno em que:

Meio ambiente é o complexo de relações, condições e influências que


permitem a criação e a sustentação da vida em todas as suas formas. Ele
não se limita apenas ao chamado meio físico ou biológico (solo, clima, ar,
flora, fauna, recursos hídricos, energia, nutrientes, etc.), mas inclui as
interações sociais, a cultura e expressões/manifestações que garantem a
sobrevivência da natureza humana (política, economia, etc.). (BUENO,
2008, p. 163),

neste capítulo, objetiva-se apresentar aspectos da relação entre o homem, o meio


ambiente e o jornalismo. Percebe-se que a identificação do ambiente como um bem
comum e escasso é recente e dicotômica. Embora pesquisas demonstrem que a
natureza está sendo dizimada, as pessoas mantêm os seus padrões de consumo o
que onera o uso dos bens naturais, como a água, por exemplo: é o chamado
Paradoxo de Giddens (2010). Além dos conceitos, neste espaço estão indicados, de
maneira cronológica, pontos referenciais sobre os espaços na mídia relacionados ao
meio ambiente.
Para apresentar os conceitos e discutir a relação homem, meio ambiente,
sociedade e mídia, recorre-se a autores da sociologia como Ulrich Beck (2011) e
Anthony Giddens (2010), e de outras áreas, como das ciências naturais e sociais.
Na Comunicação e Jornalismo Ambiental fez-se uso do conhecimento de Wilson da
Costa Bueno (2007a, 2007b e 2008), Leonel A. Aguiar (2005) e Roberto Villar
Belmonte (2015) para compor a apresentação sobre o tema dessa pesquisa.

1.1 O SER HUMANO, A NATUREZA E A SOCIEDADE


17

Por um longo período de vida no planeta, o ser humano se viu como o centro
do universo. No período do antropocentrismo9 era ele – homem - o responsável por
gerir o planeta e seus recursos naturais sem questionamentos. Até o século XIX, o
uso da natureza ocorreu de forma incansável e irracional10, tendo como suporte a
ideia da infinitude do ambiente. Todavia, registros apontam que quando ocorre o
despertar racional sobre o ambiente, este já é reportado com questões
problemáticas tendo como consequências patologias em humanos. LaMont C. Cole
(1974) cita registros do século XII que indicam a existência da poluição e,
referenciando Oto de Freising na obra Chronincon, demonstram o cenário europeu
do verão de 1167: “As lagoas, cavernas e lugares arruinados em torno da cidade
exalavam vapores venenosos e o ar em toda a circunvizinhança tinha-se tornado
pesadamente carregado de pestilência e morte” (COLE, 1974, p. 10). A visão de que
a natureza era algo externo e separado da vida humana foi identificada por questões
que envolveram consequências do mau uso do ambiente, tais como as doenças e
enfermidades.
O uso dos recursos naturais para a sobrevivência faz parte da evolução do
próprio ser humano e das sociedades. O homem percebia como seus os recursos de
toda a natureza disponível e o a utilização foi evoluindo concomitantemente à
evolução tecnológica, desde a época neolítica, com o uso do fogo como ferramenta
“(...) principalmente, talvez para levantar a caça e depois para abrir áreas florestadas
para a criação e gado – [com isso] o homem vem alterando a face de todos os
continentes em que tem vivido” (COLE, 1974, p. 11, sem grifo no original).
Com o crescimento e desenvolvimento das sociedades, os aspectos culturais
influenciaram o modo de vida de cada povo em diferentes lugares do planeta. David
Drew, em Processos Interativos Homem-Meio Ambiente, explica que a percepção do
meio ambiente pelo homem se difere, em muito, pelas culturas orientais e
ocidentais.

O homem, como elemento da natureza constitui uma noção relativamente


recente no pensamento ocidental, em parte como consequência do
darwinismo, que não o descrevia senão como outra forma de vida sobre a
Terra. Alterações prejudiciais ao ambiente, resultantes das atividades
humanas, acabaram por redundar a atual concepção "ecológica", na qual o

9
O período Antropocêntrico se deu entre os séculos IV aC e IV dC.
10
Ressalvas sobre poucos registros de pesquisadores que apontavam o perigo sobre a
irracionalidade à exploração ao meio ambiente.
18

homem não passa de um mero componente do ecossistema geográfico.


(DREW, 1998, p. 3).

A partir da percepção de que o ecossistema, no qual está inserido também o


homem, é amplo e frágil do ponto de vista natural, a sociedade toma conhecimento,
então, que está em dependência do meio ambiente e não em situação de controle
sobre a natureza. Nesse sentido, André Trigueiro conceitua o meio ambiente como
“um conjunto de fatores naturais, sociais e culturais que envolvem um indivíduo e
com os quais ele interage, influenciando e sendo influenciado por ele” (TRIGUEIRO,
2003, p.77).
A evolução dos estudos sobre o meio ambiente vai além das ciências da
terra como na sociologia, por exemplo, Ulrich Beck e Anthony Giddens ponderam
sobre os reflexos da alteração da natureza sobre a vida do homem. Ulrich Beck
(2011) indica que vivemos em uma sociedade de risco. Sociedade esta que é
consequência de condições as quais o planeta foi submetido. O autor indica que a
sociedade passou por uma fase de latência referente aos riscos em relação à
natureza e, nessa fase, as ameaças, que antes eram invisíveis, passaram à
visibilidade:

Os danos e destruições infligidos à natureza já não se realizam apenas na


esfera inverificável das cadeias de efeitos químico-físicos-biológicos, mas
aguilhoam de modo cada vez mais pungente os olhos, o nariz e ouvidos.
Apenas os fenômenos mais chamativos: a esqueletização das florestas que
avança a passos largos, as águas interiores e os mares cobertos de
espuma, carcaças de animais besuntadas de óleo, smog, erosão
arquitetônica de edifícios e monumentos decorrentes da poluição, a
sucessão de acidentes, escândalos e catástrofes causadas por materiais
tóxicos, assim como a respectiva cobertura da mídia a respeito. (BECK,
2011, p. 66, grifos no original).

O sociólogo sugere que após a fase de latência da sociedade surgem dois


lados: o risco e a percepção pública do risco. “Nunca fica claro se foram os riscos
que se aguçaram ou se foi o olhar sobre eles” (BECK, 2011, p. 67, grifo no original).
O pensamento de Beck direciona para a caracterização da sociedade de risco
organizada e apresentada através de incertezas futuras que interferem na vida das
pessoas. Tais incertezas, de acordo com o autor, se apresentam em três tipos:
riscos, ameaças e incertezas fabricadas. Para Beck, risco “não significa catástrofe;
significa antecipação da catástrofe” (BECK, 2011, p. 362, grifo no original), e
pressupõe decisões humanas. As ameaças são algo independente da ação humana
19

e podem ser atribuídas à natureza ou a Deus, enquanto as incertezas fabricadas são


situações que dependem da decisão e da criação da humanidade para ocorrer
(BECK, 2011).
Como um reflexo da sociedade, questões referentes ao meio ambiente são
pautadas pela mídia, em especial no jornalismo. Na sequencia do texto, como forma
de apresentar o tema, estão indicados pontos referenciais sobre a comunicação e a
temática ambiental.

1.2 PANORAMA DA COMUNICAÇÃO E JORNALISMO AMBIENTAL

Entendendo que a “Comunicação Ambiental incorpora todas as atividades


voltadas para a divulgação/promoção da causa ambiental (e até mesmo o
Jornalismo Ambiental)” (BUENO, 2008, p. 162), esta etapa do trabalho contempla
fatos e momentos referenciais sobre o tema e produtos comunicacionais
relacionados ao meio ambiente que podem ser jornalísticos ou não.
Além de referências à natureza, como citados anteriormente Cole (1974) e
Drew (1998), são registradas ocorrências em relação à temática ambiental que
demonstram denúncias ou envolvimento de políticas públicas por serem
considerados pela autora da presente dissertação como fatores importantes na
constituição da tríade: tempo - localização – circunstância para um trabalho de
pesquisa. Entende-se que a comunicação tem uma relação de dependência com os
acontecimentos e a amplitude destes, porém, a comunicação “não é o centro do
social, não é o motor fundamental da evolução da sociedade, é um componente
importante, em relação de dependência, de instâncias superiores (a organização
política, econômica, a articulação das relações sociais)” (MORAN, 1993, p. 50).
Loose complementa a forma de compreensão da comunicação “como um processo
de interação/mediação entre pessoas e grupos nas mais diversas instâncias”
(LOOSE, 2016, p. 40)11.

11
A autora, em sua tese de doutoramento intitulada ‘Riscos climáticos no circuito da notícia local:
percepção, comunicação e governança’, faz um resgate sobre a alteração da visão da comunicação
como ferramenta e campo/área de estudo. Com auxílio de outros autores, Loose indica que o campo
da Comunicação constitui-se de disciplinas ou atividades profissionais específicas, como Jornalismo,
Publicidade, Relações Públicas, etc., e adota o Jornalismo como um subcampo, ‘tendo em vista seu
conjunto de teorias próprias que, de modo algum, o especifica dentro do campo da Comunicação’
(LOOSE, 2016, p.40).
20

No período pós Revolução Industrial, no século XVIII, as preocupações com a


manutenção do meio ambiente são apresentadas e publicitadas por meio de
relatórios e ensaios. Segundo Anthony Giddens, no livro A Política da Mudança
Climática (2010), a publicação de um ensaio registra a percepção da exploração da
natureza.

O ensaio Nature, de Ralph Waldo Emerson, foi publicado em 1836.


Emerson fez um protesto fluente (embora sem qualquer efeito imediato)
contra a exploração da madeira que vinha devastando as florestas. Na
indústria moderna, argumentou, a natureza figura como um objeto obrigado
a servir à produção de mercadorias. Devemos procurar recuperar a relação
não mediada de que nossos ancestrais desfrutavam com a natureza, e que
é a fonte de experiência estética e moral. (GIDDENS, 2010, p. 75).

De acordo com Giddens o ensaio de Emerson apresenta o questionamento


sobre o, então, desenvolvimento tecnológico e a exploração não planejada das
florestas para extração da madeira. Fato que permanece preocupante no século
atual.
Igualmente no século XVIII, Henry Thoreau se tornou conhecido por ter vivido
sozinho por dois anos na floresta próxima ao lago Walden, em Massachusetts nos
Estados Unidos. Durante o período de isolamento, e o trabalho solitário para a
sobrevivência, Thoreau formulou reflexões como “De que serve uma casa, se não
tem um planeta tolerável para coloca-la?” (THOREAU, apud GIDDENS, 2010 p. 75),
que demonstram a preocupação com a dependência e a permanência da existência
da vida do ser humano em relação ao ambiente.
Contemporaneamente, no ano de 1892, também nos Estados Unidos e com
influências de Emerson e Thoreau, John Muir funda a organização não
governamental Sierra Club, considerada a primeira ONG ambientalista no mundo
(GIDDENS, 2010). Essa instituição está em atividade até a data da presente
pesquisa e desde 1989 premia indivíduos ou organizações não governamentais que
não sejam norte-americanos e atuem pela proteção ao meio ambiente com a
honraria denominada Chico Mendes Adwards 12 .

12
Informações adicionais aos escritos de Giddens foram extraídas do site da fundação Sierra Club.
Consta no site da ONG que em 1989 a instituição se uniu a outras organizações e pressionaram o
Banco Mundial para a não efetivação de um empréstimo de U$ 500 milhões ao Brasil que seria o
aporte financeiro para construção de 147 novas barragens na Bacia Amazônica. Disponível em:
<http://www.sierraclub.org/about>. Acesso em: 15 jan. 2017.
21

Nas primeiras décadas do século XX, segundo Giddens (2010), o movimento


13
verde ou ecológico crescia e novas bandeiras eram levantadas. Fato curioso que o
autor apresenta e que, para ele, não consta nos registros históricos do movimento
verde, é que os nazistas eram vegetarianos e promoviam a conservação e a
agricultura orgânica. “A Lei de Proteção da Natureza do Reich, aprovada em 1935,
juntamente com outros preceitos legais, teve como finalidade prevenir danos ao
meio ambiente em áreas não desenvolvidas, proteger florestas e animais e reduzir a
poluição do ar” (GIDDENS, 2010, p. 76).
Nos Estados Unidos, na década de 40, o jornal St. Louis Post-Dispatch, do
estado de Missouri, “chegou a ganhar duas vezes o Prêmio Pulitzer, na categoria
Serviço Público, em 1941 e 1948, com reportagens sobre a poluição do ar e a
contaminação ocasionada pela mineração do carvão, respectivamente”
(BELMONTE, 2015, p. 2).
Em agosto de 1945, as ofensivas dos Estados Unidos a Hiroshima e
Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial, marcaram os primeiros ataques
nucleares da história da humanidade. As bombas mataram milhares de pessoas14 e
acabaram com as duas cidades. Na Figura 1, é possível conferir uma imagem do
poder devastador do ataque à cidade de Hiroshima. Além da destruição dos prédios,
a contaminação das áreas atingidas foi imediata, porém, a forma de dissolução dos
componentes radioativos foi extremamente rápida e as duas cidades foram
reconstruídas poucos anos depois.

13
Os verdes eram as pessoas que defendiam a proteção do meio ambiente, os ecologistas,
ambientalistas e conservacionistas, muitas vezes vistos como radicais. Com o movimento dos
‘verdes’ na Alemanha, em 1980 foi fundado o Partido Verde que deu origem a várias outras
articulações políticas com a bandeira de defesa e proteção da natureza espalhadas pelo mundo. A
primeira representante ‘verde’ foi eleita em 1983, Marieluise Beck, para a câmara baixa do
Parlamento alemão. Disponível em: <https://goo.gl/m8Utm4>. Acesso em: 7 fev. 2017.
14
A estimativa varia entre 200 e 300 mil mortos nas duas cidades japonesas.
22

FIGURA 1 - FOTO DE HIROSHIMA DEPOIS DO ATAQUE A BOMBA ATÔMICA

15
FONTE: site da revista Time

Com as consequências e a instabilidade após a Segunda Guerra Mundial,


havia a manifestação de representantes de muitos países sobre a vontade de
encontrar uma forma para regular a paz entre as nações. Como efeito dessas
preocupações, em 24 de outubro de 1945 é registrada a fundação da instituição
16
Organização das Nações Unidas (ONU) , que unificou e agregou outras
organizações com objetivos de buscar a paz mundial, e que demonstravam
preocupação com a segurança, a justiça e a economia17 no planeta.
No Brasil, em Volta Redonda, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)
começava o seu funcionamento em 1946 com exploração e manufatura de aço e
ferro, assinalando o início da chegada das grandes indústrias no país.

15
Disponível em: <http://time.com/4346336/atomic-bombs-1945-history/>. Acesso em: 20 fev. 2017.
16
Registros no site da ONU indicam que a Liga das Nações, evento realizado no ano de 1919, deu
início às discussões que tiveram como ponto alto a criação da Organização das Nações Unidas em
1945. No encontro da Liga, em meio à Primeira Guerra Mundial, a pauta da reunião era promover a
paz mundial. Porém, o encontro não obteve êxito. Os Estados Unidos não participaram da reunião da
Liga, mas depois, juntamente com a Inglaterra iniciaram o que denominaram de a nova ordem
mundial. Disponível em:<https://nacoesunidas.org/conheca/>. Acesso em: 7 fev. 2017.
17
Com o passar dos anos, outros temas foram integrados às pautas da ONU e atualmente são mais
de 30 organizações – entre agências especializadas, fundos e programas - ligadas e geridas pelo
secretariado. O secretariado tem como chefia o Secretário-Geral da ONU, ou o porta-voz oficial da
instituição. O Secretário-Geral é nomeado por meio de eleição de representantes das nações em
Assembleia Geral, que segue recomendações do Conselho de Segurança da organização. Disponível
em: http: <//www.un.org/en/index.html>. Acesso em: 7 fev. 2017.
23

FIGURA 2 - VISTA DE VOLTA REDONDA

18
FONTE: blog Moleskineletronico

Na Figura 2, verifica-se a proximidade das chaminés das indústrias e a área


urbana da cidade. No blog Moleskineletronico consta a legenda para a fotografia:
“Posto Zero Hora, localizado em frente ao principal acesso à Usina Presidente
Vargas. Nossa, quanta poluição, não é à toa que leucopenia ainda é tão comum em
VR”. No Brasil e em outros países, o desenvolvimento tecnológico crescia e novas
técnicas para o plantio eram aplicadas, novas formas de tratamento de matérias-
primas para a produção tomavam conta das fábricas e indústrias.
Entre as décadas de 50 e 60 Cubatão foi outra cidade que recebeu grande
quantidade de empreendimentos.

Na década de 1960, Cubatão contava com 18 grandes indústrias, sendo


uma refinaria, uma siderúrgica, sete de fertilizantes e nove de produtos
químicos. A construção delas aconteceu de forma indevida e invasiva ao
meio ambiente. Em 15 anos cerca de 60 Km² de Mata Atlântica havia
sofrido a degradação, formando uma clareira que podia ser vista por quem
19
descesse a Serra do Mar. (PENSAMENTO VERDE, 2014, online).

18
Disponível em: <https://goo.gl/AHQmyx>. Acesso em: 8 de fev. 2017.
19
Informações extraídas do site Pensamento Verde. Disponível em: <https://goo.gl/xYtRDE>. Acesso
em: 20 fev. 2017.
24

Facilmente se presume que com a alta demanda de matéria-prima e


produção, a exploração não regulada dos recursos e a poluição geravam problemas
relacionados ao ambiente e a saúde da população. Cubatão, por exemplo, ficou
conhecida como o Vale da Morte por ser considerada pela ONU como a cidade mais
poluída do mundo na década de 8020.
Em 1962, Rachel Carson publicou Primavera Silenciosa, livro no qual
denunciou o uso de agrotóxicos e pesticidas que contaminaram a água e o solo nas
plantações dos Estados Unidos. Na obra, a autora aponta de maneira clara aspectos
científicos sobre a contaminação, manejo da terra, poluição dos solos e proliferação
de insetos. Carson finaliza a obra com o pensamento “O ‘controle da Natureza’ é
frase concebida em espírito e arrogância, nascida da idade ainda neandertalense da
Biologia e da Filosofia, quando se pressupunha que a Natureza existia para a
conveniência do Homem” (CARSON, 1969, p. 305). O sucesso da obra foi enorme:

Dezenas de jornais republicaram trechos do trabalho e o comentaram;


senadores e deputados falaram sobre ele no Congresso; o presidente John
Kennedy instituiu uma comissão para estudar o assunto a partir do que
Carson concluíra a respeito dele; a primeira edição do volume com a íntegra
do texto, publicado pela Houghton Mifflin, vendeu 600 mil cópias em um
21
ano. (SILVA, 2012, online).

Com a obra Carson deu visibilidade e fortaleceu o movimento ecológico, já


em desenvolvimento, na década de 60. Nesse período os ‘verdes’ atuavam contra o
consumismo e em busca da valorização e proteção da natureza.
Em Paris, no ano de 1968, aconteceu a primeira Conferência da Biosfera,
evento que teve como objetivo principal a ampla discussão científica. Mas foi além.
O encontro marcou o reconhecimento de problemas ligados à natureza de maneira
global. No mesmo ano, em Roma, ocorreu um encontro organizado pelo industrial
italiano Aurelio Peccei e o cientista escocês Alexander King. Embora a reunião,
denominada Clube de Roma 22 , tenha sido considerada um fracasso pela baixa
audiência – apenas 30 pessoas entre cientistas, economistas e empresários da
20
A reportagem Cubatão, uma tragédia brasileira, publicada pela revista Exame em agosto de 1985
recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, na categoria Revista do ano de 1985.
Disponível em: < https://goo.gl/nPfLJZ >. Acesso em 12 mai. 2017.
21
O livro completo foi publicado meses depois de a revista The New Yorker publicar os capítulos
separadamente entre junho e julho de 1962. Disponível em: < https://goo.gl/q6doaE>. Acesso em: 7
fev. 2017.
22
Aurelio Peccei e Alexander King iniciaram a discussão sobre o desenvolvimento econômico e a
degradação ambiental um ano antes, em 1967. Disponível em: <https://goo.gl/sMjRcf>. Acesso em: 7
fev. 2017.
25

Europa compareceram – os relatos registrados no evento foram a base de


informações para um relatório que foi publicado23 dois anos mais tarde.
Naquela época, em 1969 na França, o jornalista Pierre Pellerin fundou a
primeira instituição dedicada ao jornalismo ambiental denominada Association des
Journalistes-écrivains pour la Nature et l’Écologie (Associação dos Jornalistas-
escritores para a Natureza e a Ecologia) (BELMONTE, 2015)24, que se mantém em
atividade até a data do presente estudo. O objetivo da associação é organizar e
distribuir materiais para auxiliar no maior entendimento sobre as questões
ambientais.
No Brasil, contemporaneamente, o jornalismo ambiental surgia em parceria
com movimentos ambientalistas e simultaneamente ao jornalismo científico
(OLIVEIRA, 2002). Em grupos e redes, os comunicadores trocavam informações
com ativistas e, paralelamente a outras atividades laborais, reportavam
voluntariamente fatos que envolviam o meio ambiente. Sobre essa forma de
organização, individual por questões coletivas em busca de políticas públicas e
mudanças da sociedade, Beck (2012), quando aborda a vocação como ação
política, aponta que os chamados grupos vocacionais “possuem a inteligência
produtiva e o poder para dispor as coisas na sociedade. [...] Alguns contribuem para
o bem-estar político em uma política de pequenos passos, outros conduzem a
política de saúde e outros ‘melhoram o mundo’” (BECK, 2012, p.81).
Entre as décadas de 60 e 70, em várias partes do mundo, discussões sobre a
preservação do meio ambiente afloravam e grupos se institucionalizavam para
buscar soluções aos problemas industriais, à falta de uma política voltada ao
ambiente e à poluição que interferia na saúde das populações. Foi nessa época, em
1971, que um pequeno grupo de ativistas partiu do Canadá para o Ártico na ânsia de
evitar testes nucleares na Ilha Amchitka. Os primeiros testes aconteceram e foram
chefiados pelos Estados Unidos, mas devido à visibilidade que o grupo de ativistas
conseguiu, os testes foram suspensos naquele local. Estes ativistas fundaram então
o Greenpeace25, que até o desenvolvimento desta pesquisa continua em atuação
com ações noticiadas pela mídia. No ano de 1972, ocorreu a Conferência das

23
Os Limites do Crescimento, ou The Limits to Growth, é o nome do relatório.
24
Mais informações da associação podem ser consultadas no site <https://goo.gl/mxCZhN>. Acesso
em: 7 fev. 2017.
25
Mais informações podem ser consultadas no site da ONG. Disponível em: <https://goo.gl/QXiYCx>.
Acesso em: 20 jan. 2017.
26

Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, na Suécia, também


denominada como Conferência de Estocolmo. O evento marcou o início da agenda
ambiental mundial, o começo das coberturas jornalísticas mundiais para o
tratamento de assuntos ligados a problemas ambientais globais, bem como

[...] a necessidade da inserção da sociedade na solução do problema


ambiental. A partir deste marco [inauguração de uma agenda ambiental]
propõem-se a inclusão da Educação Ambiental na grade curricular do
ensino fundamental, com objetivos de estabelecer fundamentos filosóficos e
pedagógicos, que foi difundida pela Unesco por meio de diversos
seminários em todo ocidente. (RASLAN FILHO; BARROS, 2008, p. 7, sem
grifo no original).

Outro acontecimento que teve impacto na Conferência de Estocolmo foi o


lançamento do Relatório Os Limites do Crescimento26. O documento, produzido a
pedido do Clube de Roma, repercutiu e alarmou os representantes mundiais. De
acordo com Oliveira, o documento trazia projeções catastróficas sobre o futuro do
planeta, “indicava a fome, a poluição e o crescimento demográfico como vilões de
um futuro sombrio, ressaltava a importância da contenção do crescimento e
proclamava a adoção da política do ‘crescimento zero’ para todos os países”
(OLIVEIRA, 2012, p. 78). Embora posteriormente muitos estudos tenham sido
publicados contestando ou reforçando a tese do relatório, “após 40 anos, ‘Limites do
Crescimento’ ainda se apresenta como leitura importante para a compreensão da
problemática ambiental contemporânea e por que não, do próprio século XX”
(OLIVEIRA, 2012, p. 89).
No jornalismo, a pauta ambiental aparecia através de coberturas de fatos
isolados. No Brasil, o jornalista Randau Marques, considerado um dos primeiros
jornalistas especializados em meio ambiente no país (BELMONTE, 2015),
denunciava a contaminação com chumbo em gráficos e sapateiros, num jornal do
interior de São Paulo. Marques questionava também o uso do termo "defensivos"
agrícolas, visto que dados mostravam a intoxicação de agricultores e a mortandade
de peixes pelos agrotóxicos e, por ser maléfico à saúde, não seria correto utilizar
algo que pudesse remeter a benefícios, como a defesa de algo.

Em 1968, o jovem repórter Randau Marques foi o primeiro jornalista


brasileiro a se especializar em meio ambiente. Randau foi considerado
subversivo na época porque escreveu em um jornal da cidade paulista de

26
O documento foi traduzido em 1973 para o Português. Título em inglês The Limits to Growth.
27

Franca reportagens sobre a contaminação de gráficos e sapateiros com


chumbo. Mais tarde, pelo Jornal da Tarde, ele cobriu, em Porto Alegre (RS),
a primeira polêmica ambiental envolvendo uma grande indústria. O
fechamento da fábrica de celulose Borregaard, do dia 6 de dezembro de
1973 até 14 de março de 1974, atraiu a atenção de jornalistas de outros
estados e do exterior. (FERIGATO; ALVARES, 2014).

Embora Randau lutasse para a veiculação de reportagens do gênero, o


espaço na época era reduzido.
Em 1973 foi instituído pela ONU um dos programas que abrange maior
destaque entre as organizações relacionadas ao meio ambiente, o Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que concentra, até o ano deste
trabalho, projetos e planos mundiais sobre a área ambiental. Também em 1973, no
Brasil, foi constituída a Secretaria Especial do Meio Ambiente ligada ao governo
federal: “seus objetivos incluíam examinar as implicações do desenvolvimento
científico e tecnológico nacional sobre o meio ambiente; proporcionar ajuda a órgãos
responsáveis pela realização das resoluções diretamente ou em parceria com outras
entidades” (DUARTE, 2003, p. 23). Na década de 1970, as notícias sobre a floresta
Amazônia ganhavam mais espaço na mídia por denúncias de desmatamento e a
ameaça aos povos indígenas. Era crescente também o interesse para a exploração
comercial demonstrada pela ocupação de equipes de cientistas e empresários de
fora do país. Belmonte cita que o correspondente do jornal O Estado de S. Paulo,
Elson Martins, “criou no Acre em 1978 o jornal alternativo Varadouro onde registrou
o início da luta de Chico Mendes. Uma nova narrativa ambiental surgia no Brasil”
(BELMONTE, 2015, p. 4).
Nos anos 80 cresciam de um lado o consumo de bens, como carros e
equipamentos domésticos e combustíveis fósseis e de outro, as emissões de gases
de efeito estufa e a devastação das florestas. Mas foi no ano de 1986, em 26 de
abril, na cidade de Pripyat que ocorreu o maior desastre radioativo, registrado até o
ano vigente, envolvendo pessoas e o ambiente. Um reator da usina de Chernobyl27,
na Ucrânia, explodiu e disseminou o material radioativo por milhares de quilômetros.
Cientistas afirmaram que a capacidade de contaminação pelo material que explodiu
é 100 vezes superior ao das bombas de Hiroshima e Nagasaki. Porém, somente
após 18 dias a informação sobre o desastre foi divulgada pelo presidente da União

27
Informações disponíveis em: <http://chernobylgallery.com/>. Acesso em: 20 jan. 2017.
28

Soviética28, Mikhail Gorbachev. Durante esse período, cientistas de países vizinhos


identificavam níveis radioativos acima da média e questionavam de onde seria
proveniente a radiação.

FIGURA 3 - IMAGEM DA TRANSMISSÃO PELA TELEVISÃO DO PRONUNCIAMENTO DE MIKHAIL


GORBACHEV SOBRE O DESASTRE EM CHERNOBYL

FONTE: frame da reportagem de Álvaro Pereira Júnior para o programa Fantástico da Rede Globo

Depois da declaração de Gorbachev, cerca de 116 mil pessoas foram


retiradas das suas casas e, um ano depois do desastre, mais 230 mil pessoas foram
deslocadas das áreas antes consideradas seguras. Decorridos mais de 30 anos
após o desastre em Chernobyl ainda há um impasse sobre o número de pessoas
que foram contaminadas e que desenvolveram, ou ainda podem desenvolver,
patologias variadas.

De acordo com testes realizados por encomenda da organização


[Greenpeace], a contaminação geral por isótopos perigosos como o césio-
137 e o estrôncio-90 diminuiu um pouco, mas ainda está presente,
especialmente em locais como as florestas. ‘Está no que eles comem e
bebem. Está na madeira que usam na construção e queimam para se
aquecer’, afirma o relatório do Greenpeace divulgado em março [2016].
29
(PEREIRA JÚNIOR, 2016, sem grifos no original) .

28
A União Soviética, ou União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou ainda URSS, existiu entre
1922 e 1991. Foi comandada pelo Partido Comunista e reunia as repúblicas: Rússia, Ucrânia,
Bielorrússia, Transcaucásia, Estônia, Lituânia, Letônia, Moldávia, Georgia, Armênia, Azerbaijão,
Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguizão e Tadjiquistão.
29
Trecho extraído da reportagem Chernobyl: desastre nuclear na Ucrânia completa 30 anos, do
programa Fantástico, da Rede Globo, exibida em 26/04/2016. Disponível em: <
http://glo.bo/1Uedx3g>. Acesso em: 20 jan. 2017.
29

A explosão em Chernobyl foi coberta por veículos de comunicação de


diferentes partes do mundo 30 . E, diferentemente de Hiroshima e Nagasaki, a
contaminação do solo ainda não permite que a região volte a ser habitada.
No Brasil, a legislação avançava e, em 1986, o Conselho Nacional de Meio
Ambiente (Conama) instituiu a necessidade de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e
Relatório de Impacto Ambiental (Rima). Os dois documentos são preliminares à
instalação de empreendimentos que tenham potencial para alterar algum fluxo
socioambiental da região em que se pretende operar31.
Em 1987, o relatório Nosso futuro comum, também chamado Relatório
Brundtland, atrai a atenção da população mundial com informações sobre a ruptura
da camada de ozônio e projeções para desastres ambientais. É nessa época que as
alterações do clima começam a fazer parte da pauta científica e ambiental mundial
(DUARTE, 2003). O documento trouxe ao conhecimento não só dados alarmantes,
mas, também, termos e conceitos até então desconhecidos, como o
desenvolvimento sustentável, e teve como essência, a proposta de “conciliar o
desenvolvimento econômico com o uso mais eficiente dos recursos naturais”
(GIDDENS, 2010, p. 86).
Em 1988 o documentário Balbina, Destruição e Morte, recebeu o Prêmio
Especial Vladimir Herzog32. O vídeo com duração de aproximadamente 26 minutos
foi produzido pela Câmera 4 e apresentou a situação das comunidades afetadas
pela hidrelétrica de Balbina localizadas na cidade de Presidente Figueiredo no
estado do Amazonas. A liberação da obra e as consequências sociais e ambientais
que a usina trouxe não estão esquecidas. Em reportagem publicada pelo jornal O
Globo, em 2015, sob o título Construção de hidrelétrica na Amazônia provocou
extinção de animais33 o tema foi apresentado ao leitor novamente.
Com objetivo de melhorar a condição de entendimento sobre o tema
ambiental por parte dos jornalistas brasileiros para a cobertura da Conferência Rio
92, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) organizou o Seminário Para
Jornalistas sobre População e Meio Ambiente, em 1989. Belmonte observa que
30
Imagens de telejornais da época podem ser consultadas na reportagem especial Chernobyl:
desastre nuclear na Ucrânia completa 30 anos do Fantástico exibida em 26/04/2016. Disponível em:
<http://glo.bo/1VT5Am9>. Acesso em: 20 jan. 2017.
31
Alguns empreendimentos que têm a necessidade de apresentar os estudos são usinas geradoras
de energia, usinas de extração de minérios, ferrovias e portos. A resolução Conama 001/1986 está
disponível em:< https://goo.gl/ggJSDy>. Acesso em: 25 fev. 2017.
32
Disponível em: <https://goo.gl/Yho5JN>. Acesso em: Acesso em 12 mai. 2017.
33
Disponível em: <https://goo.gl/URmCmp>. Acesso em: 14 mai. 2017.
30

“Apesar da pequena participação, apenas 60 jornalistas, o evento realizado pela


Fenaj em 1989 inspirou a formação de uma série de núcleos regionais de jornalistas
interessados na área ambiental na véspera da realização da Conferência Rio 92”
(BELMONTE, 2015, p. 5).
Ainda que a mídia jornalística começasse a se articular, era pequeno e restrito
o espaço de publicações e investimentos em investigações referentes ao tema. A
Gazeta Mercantil foi o primeiro jornal de grande circulação a criar, em 1988, uma
página de meio ambiente. O jornal de economia, direcionado ao público de
empresários e investidores, mantinha uma página com assuntos relacionados ao
meio ambiente com questões sobre negócios. Embora o jornal tenha sido o primeiro
a destinar um espaço para o meio ambiente, Belmonte (2015) aponta dados da
análise de Wladymir Ungaretti (1998) e indica que mesmo o jornal sendo
vanguardista na editoria meio ambiente, o conteúdo não ultrapassava o perfil
editorial. Os assuntos abordados eram de economia, possiblidades de lucro e “das
questões relativas à sustentabilidade, compreendida não mais como custo, mas
como oportunidade de aumentar a competitividade e participar de um crescimento
econômico limpo através de instrumentos baseados no mercado” (BELMONTE,
2015, p. 8).
Até os anos 90, o cenário mundial era de investimentos e desenvolvimento
acelerado visando o crescimento econômico, sendo o meio ambiente a matéria-
prima, com recursos naturais. Nesse período, em 1990, nos Estados Unidos, surgiu
outro importante movimento dedicado ao jornalismo ambiental mundial, a Society of
Environmental Journalists (JNE).
Paralelamente, no sul do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, em 1990, foi
constituído o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJRS 34), e está ativo
até o ano dessa pesquisa. Um dos objetivos iniciais do Núcleo foi preparar
jornalistas para a cobertura do evento Eco 92. Outro acontecimento prévio à Rio 92
foi a primeira edição do Green Press, dias antes do evento no Rio de Janeiro. Esse
encontro reuniu aproximadamente mil jornalistas de 30 países que estavam no Brasil
para cobrir a Conferência da ONU e juntos elaboraram uma carta com princípios
éticos e recomendações sobre a cobertura do tema meio ambiente. O documento
partia da essência de “Que a Comunicação Social é o principal instrumento para

34
O NEJRS auxiliou a organização da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, criada em 1998.
31

compreender uma emergente comunidade global, interligada e interdependente”


(GREEN PRESS, 1992), e foi levada até a Rio 92 para divulgação entre os
profissionais da mídia35.
Com toda a movimentação de profissionais da mídia voltados à Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, Eco 92 ou Rio 92, que foi realizada na
cidade do Rio de Janeiro entre os dias 3 e 14 de junho, torna-se perceptível e
mensurável a crescente cobertura jornalística em meio ambiente. Fica claro perceber
tal crescimento com a comparação feita por Ramos:

[...] enquanto em Estocolmo participaram cerca de mil jornalistas, para a


Conferência do Rio foram cadastrados mais de 7 mil jornalistas, fotógrafos e
técnicos, representando agências de notícias, redes de TV, jornais e
revistas de todas as partes do mundo; um sofisticado aparato técnico foi
montado para permitir a transmissão de dados e imagens via satélite,
possibilitando que as informações sobre a Conferência pudessem ser
transmitidas simultaneamente para diferentes lugares do planeta durante 24
horas por dia. (RAMOS, 1995, p. 39-40).

A cobertura jornalística sobre a Eco 92 marcou a primeira participação em


grande escala da mídia sobre os problemas ligados ao meio ambiente. Foi naquele
momento que iniciou a divulgação ampla de dados sobre a camada de ozônio, o
efeito estufa e as alterações no clima, além da discussão de conceitos como
sustentabilidade, energia limpa e mercado de carbono. A partir desse encontro,
realizado na cidade do Rio de Janeiro, foram produzidas, entre outras resoluções, a
Convenção sobre Diversidade Biológica, a Convenção sobre Mudanças Climáticas e
a Agenda 2136. Com tamanha cobertura na Rio 92 a temática ambiental conquistou
uma agenda mundial no período de realização do evento.
Em 1997 o Protocolo de Quioto 37 foi firmado entre representantes de 175
países. O documento é um compromisso de cada nação em reduzir as emissões de
gases que causam o efeito estufa. Outro momento importante da pauta mundial
relacionada ao meio ambiente foi o encontro que ocorreu em Joanesburgo, em
2002, em que se reuniram representantes da Cúpula Mundial sobre

35
O conteúdo está disponível em:< https://goo.gl/2Y8Ha9>. Acesso em: 18 fev. 2017.
36
A Agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de
sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção
ambiental, justiça social e eficiência econômica. Fonte: Ministério do Meio Ambiente. Disponível em:
<https://goo.gl/HwGDnN>. Acesso em: 20 jan. 2016.
37
O termo Protocolo de Quioto se refere à cidade onde o documento foi assinado e pode ser
encontrado em duas formas: Protocolo de Quioto e Protocolo de Kyoto. Nesse estudo foi utilizada a
grafia de Quioto conforme consta nos documentos oficiais do Ministério do Meio Ambiente brasileiro.
32

Desenvolvimento Sustentável. Cinco anos mais tarde, em 2007, o Painel


Intergovernamental de Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate
Change – IPCC) foi lançado em evento realizado na França. Nesse encontro, mais
de 500 especialistas estiveram presentes e divulgou-se o relatório do IPCC que
apresentou os impactos do aquecimento global no planeta, considerados
irreversíveis pelos cientistas e pesquisadores. Entre outras reuniões periódicas
sobre o meio ambiente que divulgam dados referentes às mudanças climáticas, uma
das mais importantes e que reúne chefes de governo de diversos países é a
Conferência das Partes, ou COP.
Pode-se perceber que, assim como a cronologia sobre a questão ambiental, a
cobertura jornalística é pautada pela divulgação de normativas, resoluções,
catástrofes e tendências apontadas por estudos científicos. De acordo com Aguiar:

Em resumo, a crise ambiental é, assim, representada nos meios de


comunicação de massa: nos anos 60 – como uma crise de participação; nos
anos 70 – uma crise de sobrevivência; anos 80 – crise cultural ou crise de
civilização. A partir da década de 90, com a Conferência Rio-92, a
representação social dos problemas ambientais materializada nas
linguagens jornalísticas da grande imprensa assume o significado de uma
crise dos riscos globais. (AGUIAR, 2005, p. 13).

A sociedade recebe informações e dados relacionados ao meio ambiente de


múltiplos canais. Há programas especializados sobre a temática, jogos, campanhas
publicitárias, políticas públicas, ações de marketing e medidas relacionadas à
educação. Outras questões relacionadas ao ambiente estão em pauta na mídia pelo
agendamento38 de datas comemorativas e eventos factuais. O dia da árvore e do
meio ambiente são dois exemplos em que instituições se mobilizam para realizar
ações pontuais que muitas vezes são pautadas pela mídia.
A produção cultural com a temática ambiental, como filmes que valorizam e
despertam o interesse das pessoas para o ambiente. No ano de 2006, o
documentário An Inconvenient Truth (Uma verdade inconveniente) repercutiu na
mídia por seu conteúdo denso e informativo, o documentário foi destaque em
bilheteria nos Estados Unidos e também em premiações: recebeu dois Oscares
naquele ano, melhor documentário em longa-metragem e melhor canção original. O
apresentador-narrador da produção, Albert Arnold Al Gore Jr., ou Al Gore como ficou

38
A hipótese da Agenda Setting indica que há três agendas diferentes operando na sociedade: as
prioridades da mídia, do público e das políticas (MCQUAIL, 2013).
33

mais conhecido, relata informações que alarmaram o mundo sobre o aquecimento


global. As previsões sobre as mudanças climáticas e as consequências nas
condições de vida quando as temperaturas aumentarem indicam o caos para o
planeta. Além do tema sensacional do documentário, outro elemento atrai o
interesse por ser o apresentador uma pessoa pública.

Al Gore se valeu do conhecimento científico acumulado até então para, em


primeiro lugar, estabelecer o consenso sobre os impactos das mudanças
climáticas e eliminar as controvérsias que tentavam emergir e, em segundo
lugar, firmar posições em um país que tratava esse assunto em banho-
maria, já que o ex-vice-presidente dos Estados Unidos se propunha a
batalhar pela aprovação de medidas que pudessem salvar os norte-
americanos dos tormentos climáticos.
(...) De imediato, o Inconvenient Truth gerou um livro homônimo que em
julho e agosto de 2006 ocupou o primeiro lugar na lista de best-sellers do
jornal New York Times (Al Gore já havia incursionado pelo ambientalismo
com Earth in the Balance: Ecology and the Human Spirit, livro de 1992 que
também chegou à lista dos mais vendidos do New York Times). O filme é
também a base de uma página da internet que oferece uma lista de
evidências do aquecimento global e algumas possibilidades de
ação, ao alcance de qualquer pessoa, como reduzir emissões de gás
carbônico, valorizar o uso de energias renováveis e proteger as florestas.
Quem entrar no site pode até mesmo calcular quantas toneladas de
carbono consome por ano e, a partir daí, verificar o quanto contribui para a
elevação da temperatura no planeta. (FIORAVANTI, 2008).

Em 2007 Al Gore, juntamente com o Painel Intergovernamental para


Mudanças Climáticas, recebeu o Prêmio Nobel da Paz como reconhecimento da luta
pela preservação do meio ambiente e divulgação dos efeitos das mudanças
climáticas. Al Gore tem formação jornalística e foi vice-presidente dos Estados
Unidos nas duas gestões de Bill Clinton, de 1993 a 2001. Na eleição de 2000, foi
candidato à presidência dos EUA, mas não obteve êxito, perdendo o pleito para
George W. Bush.
O século XXI apresenta-se, na questão ambiental, com desastres como os
tsunamis 39 que ocorreram: em 2004 no Oceano Índico (e atingiu Indonésia, Sri
Lanka, Índia, Tailândia, Somália e outros dez países); em 2011 no Japão e em 2013
um outro tsunami foi registrado nas Ilhas Salomão (no Oceano Pacífico). Como os
tsunamis, que são os abalos que têm direção do mar para a terra, os terremotos são
também abalos terrestres mas que têm o seu epicentro nos continentes. Entre os
mais recentes, o terremoto que ocorreu no Haiti, em 2010, ainda tem impactos no

39
Pode ser definido como “Onda ou sucessão de ondas gigantescas, causadas por maremoto,
erupções vulcânicas, etc”. (BECHARA, 2009, p. 883).
34

país. Em situações como essas a ajuda humanitária através de organizações não


governamentais é mobilizada e auxilia na reconstrução das localidades.
As alterações climáticas, e as suas consequências, entram em pauta da
mídia e mostram-se mais próximas às populações a cada novo relatório divulgado.
Temer (2014) atenta para o fato da mudança de espaço para a temática abordando
o caráter dinâmico dos valores-notícias, “Um exemplo disso [da mudança no valor-
notícia dado ao fato] é a cobertura das questões ambientais, que era quase
insignificante nos anos 1960 e 1970, e tem progressivamente ganhado relevância”
(TEMER, 2014, p. 150, sem grifo no original). Além dos critérios sobre os valores-
notícias pode-se avaliar a ampliação e atualização da temática ambiental pela mídia
através da hipótese da Agenda-setting. Em estudos sobre campanhas eleitorais,
desenvolvido por McCombs e Shaw (McQuail, 2013), os autores descrevem “A ideia
central [na Agenda-setting] é de que a mídia indica ao público quais são as
principais questões do dia e isso se reflete no que ele percebe como questões
principais” (MCQUAIL, 2013, p. 482, sem grifo no original).
Em 2015, imagens circularam na mídia sobre o derretimento das calotas
polares e consequente impacto na vida de animais da região e, no Brasil, outro
acontecimento que teve amplo espaço na midiática foi a seca em São Paulo. Essas
duas situações foram tratadas por alguns pesquisadores como consequências das
mudanças climáticas. E, embora a ciência tenha argumentado de forma
contundente, muitas pessoas não acreditam nas alterações do clima ou se
comportam com o padrão do Paradoxo de Giddens40. Nessas condições torna-se
visível o chamado “efeito de enciclopédia” de McCombs: “uma verdadeira avalanche
informacional que, na maioria das vezes inclusive, nos leva ao conhecido processo
41
de entropia , ou seja, um excesso de informações que, não trabalhadas
devidamente pelo receptor, se perdem ou geram situações inusitadas”
(HOHLFELDT, 1997, p. 44). O questionamento em relação a veracidade das
informações sobre o clima pode ser exemplificada pela situação reportada pela
fotógrafa Kerstin Langenberger.

40
Embora pesquisas demonstrem que a natureza está sendo dizimada, as pessoas mantêm os seus
padrões de consumo o que onera o uso dos bens naturais, como a água, por exemplo. (GIDDENS,
2010).
41
“Medida da quantidade de desordem num sistema”. (FERREIRA, 2008, p.355)
35

FIGURA 4 - URSO POLAR RETRATADO NA REGIÃO DO ÁRTICO

42
FONTE: HuffPost UK

A fotógrafa registrou a imagem (Figura 4) e postou em sua página no


Facebook em 20 de agosto de 2015. A foto foi amplamente divulgada pela mídia e
Langenberger recebeu muitas críticas e questionamentos sobre a veracidade da
imagem e a situação dos animais.

FIGURA 5 - COLAGEM COM FOTOGRAFIAS DE URSOS POLARES

FONTE: página do Facebook da fotógrafa Kerstin Langenberger.

Em outubro de 2016, também por meio da sua página pessoal no Facebook,


Kerstin publicou uma montagem com fotos (Figura 5) acompanhada de um texto43 no

42
Disponível em:< https://goo.gl/zYjwTT>. Acesso em: 20 fev. 2017.
43
Do you remember my image of the starving polar bear? Many people opposed me when I dared to
make a connection between the animal's body condition and climate change. Comments were made
about “my” bear being a rare exception, and that I would be exaggerating the situation.
36

qual defende que está certa de que a alteração no habitat dos ursos polares é
consequência do aquecimento global e que a luta contra as mudanças do clima é
urgente. (LANGENBERGER, 2016). Situações como a grande exposição e
repercussão das imagens da fotógrafa possibilitam a ampliação do debate sobre as
alterações do clima.
Em 2015, a 21ª edição da Conferência das Partes, ou COP 21, em Paris foi
comemorada pela participação massiva dos chefes de estado. Porém, o resultado
da Conferência foi considerado insatisfatório pela mídia internacional 44 , pois os
líderes mundiais assumiram compromissos sem metas específicas e sem a
responsabilização da efetiva atuação. Neste episódio a então presidente Dilma
Roussef fez o discurso de abertura do evento e citou o desastre ocorrido em Minas
Gerais, na usina mineradora Samarco em cinco de novembro de 2015. Assim como
um dos indicativos da pesquisa de Ramos (1995), que analisou as publicações da
Rio 92, o questionamento da mídia que reverberou pós evento foi sobre a forma de
financiamento das propostas ou, em linguagem mais coloquial, quem vai pagar a
conta?.
Sob outro aspecto, Sousa indica que as informações e a consciência sobre o
meio ambiente e, especificamente, a mudança climática, devem se estender para
além da mídia e dos governantes: “Um dos factores responsáveis pela
popularização mediática dos temas ambientais foi o empenho demonstrado por
certas figuras públicas nessas causas” (SOUSA, 2008, p. 77). Personalidades em
destaque e celebridades que atuam, e são reconhecidas por suas ações, na
preservação ao meio ambiente auxiliam na visibilidade do tema. No ano de 2015 o

So in summer 2016, I photographed every single polar bear which I encountered during my time on
Svalbard, and I am now able to not only to tell but also to show you that, no, last year's skinny bear
was not a rare exception. Of course: there is still plenty of “normal” and even fat bears around the
archipelago, especially on the pack ice, which is their prime habitat. But with the decline in sea ice,
more animals become stranded on land and are having a hard time finding food. Svalbard seems to
experience a very drastic reduction in sea ice right now, with the ice disappearing much faster than
anyone expected, whilst the temperatures are climbing to new records nearly every month. It's
downright scary how fast changes are happening up there! That, I believe, is the main reason why I
saw thin bears on a regular basis, and even came across two dead ones. So I've made this collage of
hungry bears: in their prime age, seemingly healthy - but just far too thin. I am convinced that climate
change has a lot to do with their condition, and that it is more urgent than ever to fight global warming
- on a national and international level as well as at home in our every day life! Disponível em:
<https://goo.gl/Bor69u>. Acesso em: 20 fev. 2017.
44
Informação extraída do relato da pesquisadora Anabela Carvalho em evento realizado em Curitiba
no ano de 2016.
37

Vaticano divulgou a encíclica45 Laudato Si’, redigida pelo Papa Francisco, que tratou
da questão ambiental. O ator Leonardo DiCaprio é uma das pessoas conhecidas
mundialmente que trabalham para ancorar o tema em situações estratégicas. Uma
das suas ações foi um trecho do seu discurso ao receber o Oscar 2016, publicado
pelo jornal El Pais no site do periódico noticioso “A mudança climática é real, está
acontecendo agora mesmo. É a ameaça mais urgente que a nossa espécie precisa
enfrentar. Precisamos trabalhar juntos e deixar de procrastinar”. (O DISCURSO,
2016).

1.3 CARACTERÍSTICAS DO JORNALISMO AMBIENTAL

O cuidado com o tratamento das informações e o respeito em relação à


audiência são premissas do jornalismo em todas e qualquer editoria. Por isso,
considera-se que “O Jornalismo Ambiental é, antes de tudo, jornalismo (que é
substantivo, o núcleo da expressão) e deve ter compromisso com o interesse
público, com a democratização do conhecimento, com a ampliação do debate”
(BUENO, 2007a, p. 36). A profissão jornalista, de acordo com o Decreto 83.284 de
1979, contempla, entre atividades distribuídas em onze tópicos, “a redação,
condensação, titulação, interpretação, correção ou coordenação de matéria a ser
divulgada, contenha ou não comentário”; e “entrevista, inquérito ou reportagem,
escrita ou falada” (BRASIL, 1979). Porém, para além da técnica, o jornalismo tem,
como uma das funções, de acordo com McQuail (2013, p. 493), “fazer um alerta
público com relação a possíveis perigos e riscos”. Dessa forma, as informações e
dados reportados são tratados de maneira tal para que o leitor conheça,
compreenda, entenda e, se necessário, possa refletir, discutir e repercutir o
conteúdo apresentado.
O jornalismo ambiental é uma área especializada do jornalismo que, por sua
vez faz parte da área da comunicação. Wilson da Costa Bueno (2007a) defende que
embora a temática ambiental seja enorme,

[...] não pode afastar o comunicador e o jornalista ambientais de uma visão


dita sistêmica, ou seja, eles precisam ter presente que as pessoas, a
natureza, o meio físico e biológico, a cultura e a sociedade estão

45
O documento completo está disponível neste site: <https://goo.gl/a5KjCy>. Acesso em: 07 mai.
2017.
38

umbilicalmente conectados. Fica claro, quando se assume esta perspectiva,


que é a adequada para se tratar a questão ambiental, que não se pode (ou
melhor, não se deve) privilegiar as partes em detrimento do todo. Como
sistema, a alteração em uma determinada unidade (seja um ser vivo ou um
meio físico – água, solo, ar, clima) provoca impactos em todas as outras e
pode romper o equilíbrio que permite a manutenção da vida. (BUENO,
2007a, p. 35).

Bueno defende que o jornalista ambiental tenha a visão ampla, para além do
factual, e que acrescente o contexto da situação na reportagem. Que siga as
técnicas da profissão, mas seja comprometido com a sua audiência. “Ele [jornalista
ambiental] precisa ter uma visão mais abrangente do tema (ou pelo menos buscar
tê-la sempre) porque caso contrário, irá fechar o seu foco, restringir as suas fontes e
ficar à mercê de informações ou dados que servem a determinados interesses”.
(BUENO, 2007b, p. 37, sem grifo no original). Nessas condições, Ramos indica o
que pode ocorrer quando o jornalismo ambiental não é praticado com idoneidade. O
autor aponta que os meios de comunicação de massa têm a responsabilidade sobre
a difusão de informações, assim como pela omissão e “o que é mais grave, muitas
dessas mensagens, de forte apelo persuasivo, refletem interesses meramente
corporativos e não coletivos, como se deveria supor, uma vez que o meio ambiente
engloba toda a coletividade” (RAMOS, 1996, p. 30). Assim, a mensagem
transformada em notícia através da narrativa veiculada pela

[...] comunicação de massa se institucionaliza como um referencial do


mundo exterior, um sistema de representações que interage com o
conhecimento pessoal direto, adquirido pelo indivíduo por meio de sua
formação cultural, convivência social e experiência própria. É a partir dessa
interação que se consolidam opiniões sobre o mundo, a sociedade e o meio
ambiente. (RAMOS, 1996, p. 26).

Embora Ramos (1996) aponte a responsabilidade do jornalista ambiental


sobre a visão de mundo apresentada pela mídia à audiência, pesquisadores
apresentam desafios sobre a produção jornalística em relação ao meio ambiente.
Shinar (2008) considera que o que normalmente se torna pauta é o estranho, o
diferente, o exótico ou ainda fatos com ocorrência de mortes e perdas materiais,
como as catástrofes ambientais de forma factual. Shinar (2008) se aprofunda sobre
o espaço que a mídia coloca o meio ambiente, para o autor, o tema se torna
atraente quando ocorrem desastres ou curiosidades, algo excepcional e fora do
comum “como na ocasião sem precedentes, quando, em Janeiro de 2004 nevou em
39

Bagdá, pela primeira vez na História da civilização. Isso levou a mídia a abrir aquela
janela periférica para citar o aquecimento global” (SHINAR, 2008, p. 26). E, portanto,
para Shinar “A mídia, dificilmente trata dos problemas ambientais com profundidade
na pauta das discussões públicas. As exceções são frutos de um esforço pessoal e
isolado” (SHINAR, 2008, p. 26). Além de Shinar (2008), Nosty (2008), Carvalho
(2016), Trigueiro (2003) e Girardi (2012) indicam que a não inclusão do meio
ambiente na pauta do jornalismo diário se deve à dificuldade em cumprir os critérios
de valor-notícia46 do jornalismo.
Diferentes estudos sobre o Jornalismo Ambiental convergem para
questionamentos sobre como abordar temas complexos para quem tem pouco
conhecimento e como falar nos meios de comunicação de massa sobre assuntos
complicados. Uma das pesquisadoras que discute a questão na temática científica,
envolvendo o meio ambiente no jornalismo científico, é Denise Siqueira (1999), no
livro A ciência na televisão: mito, ritual e espetáculo sobre a divulgação da ciência47,
em que estudou o programa da Rede Globo Fantástico,

Se, com a especialização na área científica, ‘o homem comum’ tem cada


vez menos acesso às últimas descobertas, os meios de comunicação de
massas têm a possibilidade de promover a divulgação da ciência a um
público muito mais vasto. O problema que se coloca é que a interlocução
entre cientista e receptor é tão ‘mediatizada’ que o conteúdo veiculado
perde suas caraterísticas originais de objetividade e ganha outras difusas,
menos precisas, o que compromete a divulgação da ciência e seu objetivo
esclarecedor. (SIQUEIRA, 1999, p. 20).

A forma de mediatizar a que a autora cita remete ao que Andreas Hepp


aborda no artigo O que a cultura das mídias (não) é, em que apresenta, com
diversos autores, a cultura da mídia em diferentes abordagens. Hepp defende que
“os meios técnicos são constitutivos de realidade” (HEPP, 2015, p. 16). Ou seja, de
acordo com o que Siqueira coloca como problema, a forma mediada da informação
em 1999, Hepp avalia como parte da cultura da mídia através das construções de

46
De acordo com Gislene Silva (2005, p. 97), valores-notícia são “atributos que orientam
principalmente a seleção primária dos fatos – e, claro, que também interferem na seleção hierárquica
desses fatos na hora do tratamento do material dentro das redações”.
47
Há autores que abordam o jornalismo ambiental inserido no jornalismo científico e, outros justificam
que o jornalismo ambiental é uma especialização do jornalismo que aborda temáticas científicas,
como por exemplo, as emissões de gases de efeito estufa. Fabíola Oliveira, no livro Jornalismo
Científico, defende que o jornalismo ambiental surgiu em parceria com movimentos ambientalistas,
mas unido ao jornalismo científico.
40

realidades nos meios de comunicação de massa. Hepp parte do contexto da


Indústria Cultural e a padronização de produtos para a mídia.
Em síntese, apresentada por Belmonte (2015), entende-se que

A partir de sua história, é possível entender o jornalismo ambiental a partir


de um conceito descritivo e normativo. Trata-se de uma especialização
temática, consolidada no Brasil na última década do século XX,
comprometida com uma qualidade de vida planetária e com a construção
social de uma realidade mais justa e ecológica. Entre suas características
estão: a contextualização socioambiental, a relação risco/limite, os
processos longos, a incerteza científica e a complexidade técnica. Para
puxar e interpretar todos estes fios com uma abordagem transversal que vai
além das consequências em busca das causas e soluções, uma diversidade
de fontes é sempre necessária. Assim como um profundo comprometimento
ético com a profissão. Profissionalismo e engajamento andam juntos, em
permanente tensão. (BELMONTE, 2015, p. 12).

Antônio Teixeira de Barros (2012), utilizando os escritos de Ricardo Garcia


(2004), elenca quatro elementos do Jornalismo Ambiental:

A ênfase ao risco – contribui para dar força à matéria, devido ao teor


dramático e apelo emocional. Afinal, quanto maior o potencial de risco,
maior visibilidade e destaque ao fato, o que faz manter o tema na agenda
dos media e nas instâncias de debate público.
A duração indeterminada do processo – acentua o teor dramático, ao
gerar suspense entre os receptores e despertar interesse para acompanhar
o desenrolar dos fatos. Em muitos casos, o noticiário segue quase a
estrutura dos enredos de teledramaturgia, com a divulgação das notícias em
formato de sequências ou episódios, com deixas de suspenses para os
capítulos seguintes.
A incerteza científica – como há diversidade de interpretações por parte
dos especialistas com acesso aos media, esse elemento provoca debate,
com opiniões divergentes, o que acentua o interesse da opinião pública e
prolonga a permanência do tema na agenda pública.
A complexidade técnica – esse fator pode ser desfavorável à cobertura,
ao afastar o público leigo, além de representar um dos principais desafios
para os jornalistas da área ambiental: como transmitir informações técnicas
sobre áreas especializadas, como energia nuclear, eco-epidemias e outros
que exigem conhecimento prévio do receptor? (BARROS, 2012, p. 149,
grifos no original).

Belmonte (2015) considera que as quatro características ou elementos


apontados por Garcia “são incompatíveis com uma abordagem apressada e à
distância, exigindo uma interpretação intensiva da atualidade em profundidade”
(BELMONTE, 2015, p. 8). Outra contribuição de Belmonte nesse aspecto é sobre a
necessidade de investimento financeiro e de tempo para o trabalho no Jornalismo
Ambiental.
41

Sob outra ótica, Wilson da Costa Bueno (2008) trata das inúmeras funções
do Jornalismo Ambiental. O autor destaca três delas: a informativa compete ao dia a
dia dos cidadãos, o autor indica ser importante que a pessoa saiba o impacto
referente aos hábitos de consumo, tenha conhecimento sobre os processos como o
efeito estufa e conheça os modelos econômicos produtivos vigentes. A segunda
função elencada por Bueno é a pedagógica, que “diz respeito à explicitação das
causas e soluções para os problemas ambientais e à indicação de caminhos (que
incluem necessariamente a participação dos cidadãos) para a superação dos
problemas ambientais” (BUENO, 2008, p. 165-166). A função política é a terceira
selecionada pelo autor e refere-se à mobilização das pessoas para a defesa de
locais em decorrência do impacto de empresas e alerta para uma vigilância
constante em relação à letargia sobre alguns assuntos que, por conta do
comprometimento e/ou omissão dos governantes a interesses pessoais-
empresariais, “não elaboram e põem em prática políticas públicas que contribuem,
efetivamente, para reduzir a degradação ambiental. (BUENO, 2008, p. 165-166).
Para atuar nas funções elencadas acima, o Jornalismo Ambiental, de acordo
com Bueno (2007a) precisaria transpor algumas síndromes. Abordando as fontes, o
que se apresenta comum na visão de Bueno é denominada como síndrome da
lattelização48 das fontes. Nessa condição, o Jornalismo Ambiental reduz as fontes
aos produtores de conhecimento especializado, silenciando o diretamente afetado
pela situação. Giddens (2012, p. 80) denomina as fontes especializadas como
guardiões da racionalidade. Outra síndrome, caracterizada por Bueno e que opera
associada à da lattelização é a síndrome do muro alto. “Ela respalda o discurso das
elites e busca excluir os cidadãos comuns e mesmo determinados segmentos da
sociedade civil do processo de tomada de decisões, defendendo a competência
técnica como critério exclusivo de autoridade” (BUENO, 2007a, p. 37). Há a
síndrome do zoom ou do olhar vesgo que “tem a ver com o fechamento do foco da
cobertura, a fragmentação que retira das notícias e reportagens ambientais a sua
perspectiva inter e multidisciplinar” (BUENO, 2007a, p. 37), a síndrome das
indulgências verdes, que indica o cinismo de empresas que operam o marketing
verde buscando a promoção das suas imagens e, por último, a síndrome da baleia
encalhada que está relacionada à “espetacularização da tragédia ambiental, com a

48
O termo lattelização refere-se ao currículo lattes. Plataforma de dados ligada ao CNPq em que
pesquisadores cadastram os dados de seus trabalhos acadêmicos e profissionais.
42

procura do inusitado e do esotérico e o recurso ao sensacionalismo” (BUENO,


2007a, p. 37).
Bueno (2007a) trata sobre aspectos que o Jornalismo Ambiental precisa se
atentar: “deve incorporar uma visão inter e multidisciplinar”, “deve construir um ethos
próprio”, “deve propor-se política, social e culturalmente engajado”, “precisa ser
trabalhado nas escolas e nas redações junto aos profissionais de imprensa do
futuro”, e deve ainda pluralizar e diversificar as fontes que “devem ser todos nós e
sua missão será sempre compatibilizar visões, experiências e conhecimentos que
possam contribuir para a relação sadia e duradoura entre o homem (e suas
realizações) e o meio ambiente” (BUENO, 2007a, p. 36). Como negativas, Bueno
enfatiza que o Jornalismo Ambiental não pode ser isento. “Não deve admitir-se
utópico porque fundado na realidade concreta, na luta pela qualidade do solo, do ar,
da água, da vida enfim” (BUENO, 2007a, p. 36).
Sob outro aspecto, Nosty (2008) apresenta um exemplo do que denomina
tabloidização nas coberturas televisivas sobre as mudanças climáticas, ligadas ao
Jornalismo Ambiental:

As grandes correntes generalistas não abordam o problema da mudança


climática ou outras questões relacionadas à ciência, mediante o recurso de
fontes relevantes. Costumam buscar titular chamativo (por exemplo:
‘Segundo um estudo de uma universidade australiana, 80% da superfície do
planeta se transformará em deserto antes de 2080’) e, depois que adorná-lo
de elementos retóricos de alarme, ou submetem o tema ao debate de dois
polemistas populares ou o reconduzem a uma pesquisa andarilha de prós e
contras, na qual sobressaem as respostas mais polarizadas, sejam elas
dramáticas ou divertidas. (NOSTY, 2008, p. 46).

O que Nosty relata é uma repetição de termos, ocorrências e pesquisas que


ocorre nos jornais e em muitos casos, abordados de maneira sensacional,
dramáticas, contrariando o que outros autores indicam como deve ser o Jornalismo
Ambiental. Como exemplo, insere-se aqui um pequeno resumo de um artigo
produzido pela autora e a orientadora da presente pesquisa a partir da análise de
uma reportagem veiculada no dia 26 de outubro de 2015 sob a chamada do editor-
chefe e apresentador do Jornal Nacional, Wilian Bonner: Um estudo que envolveu
cientistas de duas universidades americanas concluiu que uma região do planeta
pode se tornar simplesmente inabitável até o fim deste século49. A reportagem, com

49
Título de chamada na página do Jornal Nacional no G1. Disponível em: < https://goo.gl/3nc1f2 >.
Acesso em: 28 out. 2015.
43

duração de 1’57” foi construída com a narrativa alarmante, sensacional e de maneira


que confunde os telespectadores. Além das informações apresentadas de formas
desconexas, a fonte máxima da pesquisa que embasou a reportagem não foi
referenciada ao seu local de pesquisa e o texto do repórter foi coberto com
imagens de pessoas caminhando em alguma rua não identificada nem indicada no
material jornalístico.
Retomando as funções do Jornalismo Ambiental apontadas por Bueno e
compreendendo o espaço jornalístico como uma forma de conhecimento50, a função
pedagógica da prática converge para um caminho possível para o conhecimento e
consequente esclarecimento sobre os temas relacionados ao ambiente. Adorno e
Horkheimer contribuem para a reflexão sobre o esclarecimento e o Jornalismo
Ambiental. Os autores apresentam o conceito e a função do esclarecimento no
pensamento ocidental no processo de transição das narrativas míticas até a
consolidação do discurso científico. Adorno indica que “o esclarecimento tem
perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e de investi-los na
posição de senhores” (ADORNO, 1985, p. 19). Na mesma linha de reflexão,
utilizando as palavras de Kant, em Respostas à pergunta: O que é esclarecimento?
é possível entender que o esclarecimento é um processo no qual o indivíduo deixa a
posição de menor (minoridade, as palavras do autor), de ignorante, para conhecedor
ou dono do saber sobre algo.
A falta de clareza e os aspectos silenciados nas reportagens jornalísticas
dominam o conhecimento dos indivíduos. Adorno indica que:

A universalidade dos pensamentos, como a desenvolve a lógica discursiva,


a dominação na esfera do conceito, eleva-se fundamentada na dominação
do real. É a substituição da herança mágica, isto é, das antigas
representações difusas, pela unidade conceptual que exprime a nova forma
de vida, organizada como base no comando e determinada pelos homens
livres. (ADORNO, 1985, p. 28).

O processo do esclarecer-se perpassa pela busca das informações concretas


e fundamentadas, da responsabilidade dos indivíduos, enquanto leitor/consumidor
de noticiário jornalístico, mas também pela responsabilidade do emissor, do produtor
e gerador das reportagens. “O saber que é poder não conhece nenhuma barreira,
nem na escravização da criatura, nem na complacência em face dos senhores do

50
MEDISCH, (1977).
44

mundo” (ADORNO, 1985, p. 20). Seria essa, então, uma das posições que o
jornalismo poderia ocupar: tornar os indivíduos mais conhecedores, mais
esclarecidos e consequentemente mais poderosos em relação ao mundo das
informações e das decisões?
Como forma de compreensão das produções midiáticas, em especial no
telejornalismo, na sequencia desse estudo o assunto abordado é a Lógica
Jornalística. Para tanto se discute a Lógica da Mídia (ALTHEIDE; SNOW, 1979) e a
arena social51 o telejornal Jornal Nacional, da Rede Globo.

51
Termo utilizado por John A. Hannigan (1997) em relação aos meios de comunicação. A metáfora
faz referência ao local espacial em que pode ocorrer o questionamento e esclarecimento.
45

2 A LÓGICA DA MÍDIA

O jornalismo opera com alguns sistemas produtivos e, para os autores


Altheide e Snow (1979), há uma lógica para a operação das mídias. Neste capítulo é
apresentado o conceito de Lógica da Mídia, assim como a possibilidade de outras
lógicas que interferem na mídia como aponta McQuail (2013). Nesse mesmo espaço
estão as características da lógica da mídia e a forma de operação no telejornalismo.
Os formatos e a gramática que, de acordo com os autores da lógica da
mídia, moldam e organizam os temas na produção e veiculação jornalística foram
incluídos neste capítulo.

2.1 LÓGICA DA CULTURA DA MÍDIA

Considerando que a cultura envolve as relações interpessoais e


comunicacionais, pensar sobre como a mídia opera os eventos e acontecimentos
reportados através dos meios de comunicação integra a lógica da mídia. Altheide e
Snow (1979) apresentam a Lógica da Mídia como a forma de comunicação e o
processo de como cada mídia apresenta e transmite as informações. Esta lógica
opera através de formatos que podem ser interpretados como a estrutura
(framework) ou a perspectiva apresentada para o espectador. (ALTHEIDE, SNOW,
1979). Andreas Hepp, no artigo As configurações comunicativas de mundos
midiatizados: pesquisa da midiatização na era da “mediação de tudo” (2014) no qual
apresenta que “a mediação é o conceito para teorizar o processo de comunicação
como um todo; midiatização, diferentemente, é um termo mais específico para
teorizar a mudança relacionada à mídia” (HEPP, 2014, p. 47, grifos no original),
esclarece:

Apesar de Altheide e Snow não terem eles próprios usado o termo


midiatização, e sim o conceito mais amplo de mediação, seus argumentos
se tornaram um importante ponto de referência para o desenvolvimento da
tradição institucionalista na pesquisa da midiatização. Kent Asp (1990) foi
um dos primeiros que relacionaram a midiatização – ou, como ele escreveu:
midialização – à proposta de uma lógica da mídia. Precisamente, ele
defende que, para analisar o papel da mídia em uma sociedade é
necessário considerar três “campos separados de influência” (Asp, 1990:
48). Sendo o primeiro campo o do mercado, o segundo o campo da
ideologia e o terceiro é o campo de “sistemas de normas que envolvem os
processos de produção da mídia” (Asp, 1990: 48). Esse terceiro campo – e
aqui Asp se refere explicitamente a Altheide e Snow – pode ser descrito
46

com mais propriedade como o campo da lógica da mídia. Este último é para
ele um termo guarda-chuva, compreendendo a dramaturgia, os formatos, as
rotinas e as racionalidades da mídia (massiva). (HEPP, 2014, p. 48, grifos
no original).

Outras formas de lógicas no sistema de mídia foram estudadas. Denis


McQuail (2013) aborda a estrutura das organizações de comunicação de massa e
menciona o conceito de lógica da cultura da mídia, indicando que as organizações
midiáticas são influenciadas por um sistema com três lógicas: a econômica, a
tecnológica e a cultural. Partindo da visão do autor, a lógica econômica delimita a
amplitude e a forma da produção de materiais. A escassez de recursos reflete
diretamente na estrutura de materiais tecnológicos e recursos humanos para as
equipes de produção. John H. McManus (apud MCQUAIL, 2013, p. 310) realizou um
estudo sobre as notícias produzidas para telejornais e concluiu que “quanto menores
forem o orçamento e a equipe, maior a proporção de notícias ‘descobertas’ de forma
‘passiva’ e não ‘ativa’ (ou seja, dependendo de materiais de outros veículos,
agências e relações públicas, falta de iniciativa ou de investigação)”.
Por sua vez, a lógica tecnológica é altamente dinâmica, uma vez que a
evolução dos equipamentos eletrônicos está em processo contínuo. A mobilidade,
agilidade e efeitos produzidos por equipamentos, tais como câmeras com alto
alcance, alta qualidade de imagem e som, refletem na experiência do telespectador
e consequentemente na sua preferência por um específico produto midiático. “Os
meios de comunicação têm um apetite insaciável por novidades (...)” (MCQUAIL,
2013, p.470), e uma consequência é a apropriação da produção jornalística pelos
mesmos equipamentos de maneira rápida. Um exemplo recente do uso de aparatos
tecnológicos para captação de imagens é a utilização de drones, ou veículos aéreos
não tripulados (Vants), em produções jornalísticas. Esses equipamentos facilitaram a
mobilidade e possibilitaram economia de tempo para captar imagens com visão do
alto e que mostram o contexto do quadro em destaque. Antônio Simões (2016), em
estudo sobre a produção jornalística e a captura de imagens por Vants, afirma que

O uso depende da criatividade e das estratégias para aproveitar o alcance


de um Vant (Veículo Aéreo NãoTripulado) para ir aonde os olhos humanos
não são capazes, permitindo a captura de imagens e vídeos (em guerras,
manifestações, desastres naturais) considerado como uma ferramenta
capaz de trazer “novo olhar” para a notícia. (SIMÕES, et al., 2016).
47

Equipamentos, como os Vants, são incorporados à técnica de produção,


tornando-se ferramentas de uso comum. Porém, conforme Simões, a criatividade e a
estratégia são aspectos que determinam a possibilidade de levar o olhar do
jornalista além do acesso pessoal.
Unindo as duas lógicas: a econômica e a tecnológica indicadas por McQuail
(2013),e, acrescentando outros elementos, apresenta-se a lógica da cultura da
mídia, que envolve aspectos narrativos, contextuais, temporais que perpassam a
técnica de produção. Desse modo, a mídia atua no tratamento da informação e
produção de sentidos e, consequentemente, efeitos da forma de apresentação do
fato. O conceito de Lógica, entendido por McQuail vai ao encontro do que
apresentaram Altheide e Snow (1979), os primeiros autores a conceituar essa forma
sistemática que envolve os meios de comunicação como lógica da mídia.

Os elementos desta forma [de comunicação] incluem as várias mídias e


formatos usados por elas. Os formatos consistem, em parte, na forma como
o material é organizado, o estilo em que é apresentado, o foco ou ênfase
[...] e a gramática de comunicação da mídia. (ALTHEIDE; SNOW, apud
MCQUAIL, 2013, p. 310, sem grifo no original).

A produção, e reprodução, das notícias pela mídia a partir dos fatos é


composta por características que se repetem e indicam uma sistemática que forma,
pelo conjunto, uma narrativa complexa. Essa forma de comunicação corrobora para
a construção social da realidade, ou “como um agente capaz de participar, por um
lado, na modelação e na reconstrução sucessiva (e na mudança) da realidade social
e, por outro lado, na construção de referentes para a acção individual” (SOUSA,
2008, p. 91)

2.2 FORMATO E GRAMÁTICA PARA UMA LÓGICA DA MÍDIA

Altheide e Snow (1979) explicam que os formatos são a forma de


organização do material, o estilo de edição, o foco e as nuances destacadas em
determinados comportamentos e uma das consequências disso é que as pessoas se
tornaram tão familiarizadas com os formatos e formas das produções que identificam
com facilidade distintos programas de televisão, como noticiário, comédia, ficção. Os
formatos e gêneros elementares da gramática da mídia são como um guia, um
template, para a produção jornalística, de acordo com os autores. Os conteúdos,
48

espaço de fala, recursos linguísticos e mesmo o recorte do fato, eliminando alguns


aspectos e valorizando outros, fazem parte dessa gramática que compõem a lógica
da mídia. Como essa pesquisa estuda produções jornalísticas veiculadas na
televisão, os aspectos e características desse tipo de material terão aprofundamento
no texto.
Os elementos que Altheide e Snow (1979) indicam para compor a lógica da
mídia constroem, em conjunto, a narrativa e auxiliam no direcionamento das
emoções, e amplificações dessas pela audiência. As características que envolvem a
lógica formam a “gramática da mídia” que estipula normas e regras para o
tratamento das informações (Altheide, 2004, McQuail, 2013). Operar a mídia nessa
lógica é direcionar “como o tempo deve ser usado, como se devem sequenciar os
itens de conteúdo e quais dispositivos de conteúdo verbal e não verbal devem ser
usados” (MCQUAIL, 2013, p. 311). Pode-se entender como gramática da mídia, as
características da produção, roteirização e definição da localização e espaço dos
produtos jornalísticos. Essas características, a gramática da lógica da mídia, podem
ser técnicas, objetivas e também ideológicas ou sociais.
Sobre o entendimento de que a lógica da mídia atua com os formatos através
de uma gramática e que tem como possível template operando na condução das
reportagens, Stig Hjarvard reitera que

O termo lógica da mídia refere-se ao modus operandi institucional, estético


e tecnológico dos meios, incluindo as maneiras pelas quais eles distribuem
recursos materiais e simbólicos e funcionam com a ajuda de regras formais
e informais. A lógica da mídia influencia a forma que a comunicação
adquire, como, por exemplo, a maneira da política ser descrita nos textos
dos veículos de comunicação (Altheide & Snow, 1979); a lógica da mídia
também influencia a natureza e a função das relações sociais, bem como os
emissores, o conteúdo e os receptores da comunicação. (HJARVARD,
2012, p. 64-65, grifos no original).

Altheide, Snow (1979) explicam que a gramática é definida como uma série
de regras que organizam a forma de uso e aplicação das palavras, assim como a
gramática específica de cada língua. Além das palavras, os autores abordam a
gramática através do caminho que a câmera percorre, para eles, variações como a
velocidade do movimento, ângulos e recortes do ambiente e o uso de elementos
gráficos na imagem para a televisão.
49

2.3 CARACTERÍSTICAS DA LÓGICA NO TELEJORNALISMO

As características da lógica da cultura da mídia são compostas pelos


elementos que embalam a informação, moldam o produto e direcionam a narrativa
da linguagem audiovisual, são os formatos indicados por Altheide e Snow (1979).
Para aproximar o espectador e conquistar a sua fidelidade, os produtores em
televisão fazem uso de recursos que transitam entre o real e o imaginário. A
narrativa é construída a partir de versões dos fatos, com informações e dados com
qualidade agregada. Tais qualidades podem ser a dramatização ou o sensacional,
por exemplo. A construção da narrativa é realizada através de recursos no texto,
pela repetição, a hipérbole, a supressão de dados e recursos na fala com ênfases,
silêncios, com a encenação, gestos, expressões faciais e olhares, como recursos
tecnológicos no vídeo, uso da infografia, dos recortes de imagens e áudio, cores e
trilha. (MORAN, 1993). Esses elementos fazem parte do processo produtivo das
reportagens e são de natureza técnica, tecnológica e subjetiva. A subjetividade está
presente nas escolhas: das palavras para compor o texto, das pessoas indicadas
como fonte de informação, das imagens capturadas e na seleção e edição das
imagens.
A narrativa jornalística, formada pela configuração da situação no texto,
elenca cada palavra para compor aquele próprio material e produzir sentidos em
função do entendimento da audiência. Como suporte de produtos da cultura de
massa, a televisão é vista como sistema complexo (SANTAELLA, 1996), por reunir
linguagens de diferentes mídias: palavras do impresso, sons do rádio, imagens da
fotografia, movimentos e luzes do cinema. Cada elemento da narrativa, da gramática
da mídia, é composta por qualidades a ele empregado. As narrativas são
compreendidas a partir das qualidades decodificadas presentes no repertório da
audiência. O repertório individual do espectador é elemento primordial, porém, no
jornalismo a clareza do todo sobre o tema é premissa para que o leitor/espectador
possa assimilar as notícias. Tomando o conceito de um dos autores dos Estudos
Culturais, porém sem se aprofundar nesse aspecto, a relação sobre o repertório
individual é o que trata o autor Stuart Hall (2003) como codificação e decodificação,
explicando a relação de efeito e sentido para o discurso televisivo:
50

Antes que esta mensagem possa ter um ‘efeito’ (qualquer que seja sua
definição), satisfaça uma ‘necessidade’ ou tenha um ‘uso’, deve primeiro ser
apropriada como um discurso significativo e ser significativamente
decodificada. É esse conjunto de significados decodificados que ‘tem um
efeito’, influencia, entretém, instrui ou persuade, com consequências
perceptivas, cognitivas, emocionais, ideológicas ou comportamentais muito
complexas. (HALL, 2003, p. 389).

Para que a mensagem seja decodificada, o repertório do espectador deve ser


considerado, pois o texto funciona como âncora direcionando as interpretações das
imagens exibidas (TEMER, 2010). Williams 52 (2016) alerta para como o fato é
reportado. Para o autor, a apresentação visual, em alguns casos, altera o conteúdo
verdadeiro. “Em certos tipos de reportagem, parece haver uma diferença absoluta
entre o relato escrito ou falado e o registro visual com comentário” (WILLIAMS, 2016,
p. 59). Ou seja, a versão reportada sobre o fato é conturbada, não ficando clara para
o espectador o que realmente ocorreu. Abordando a forma de construção das
notícias, mas sobre outro ponto de vista, as condições para a produção, a
pesquisadora Mônica Cristine Fort, no livro Televisão educativa: a responsabilidade
pública e as preferências do espectador, reflete sobre o que Noblat indica como os
“males do oficialismo e da superficialidade”.

O rádio e a televisão são meios de comunicação de massa dinâmicos e


ágeis. É possível transmitir a cobertura de um evento em tempo real devido
às características técnicas desses dois tipos de mass media. Mas as
notícias não são apuradas em sua amplitude total. Se um episódio envolve
cinco ou seis elementos fica difícil ter a versão de todos eles em uma
cobertura jornalística de televisão ou até mesmo de rádio. O ouvinte e o
espectador tendem a prestar mais atenção no episódio e não nas
entrevistas que o comprovem. (FORT, 2005, p. 52-53).

Clóvis Rossi53 aponta para a predileção do trabalho do cinegrafista e repórter


no momento da produção da reportagem. O autor afirma que na televisão, ao
contrário do que se pensava pela possibilidade da câmera de registrar os sons e as
imagens de forma ‘real’, há filtros que mediam o fato e a versão:

52
Raymond Williams, que assim como Stuart Hall faz parte dos estudiosos ligados aos Estudos
Culturais, publicou a obra Televisão: tecnologia e forma cultural (em 1974, porém foi publicada em
português no Brasil apenas em 2015), e entende-se importante mencionar que no presente estudo o
autor não é utilizado de maneira condutora ou norteadora. Foram extraídos alguns trechos da obra
que complementam o raciocínio da autora.
53
Embora o texto de Rossi seja de 1988, toma-se como base o conceito. Entende-se que, mesmo
que a tecnologia tenha evoluído e transformado em ritmo e qualidade, o processo de produções de
notícias, as escolhas e definições nessa etapa do trabalho permite, ainda, a tomada de decisão por
parte de profissionais com as suas escolhas pessoais e subjetivas.
51

Câmeras e microfones não têm emoções, nem formação cultural, nem


background, nem opiniões – logo, poderiam reproduzir objetivamente o que
está acontecendo. Ocorre, entretanto, que, no caso do telejornalismo, a
mediação entre o fato e a versão dele que é levada ao ar multiplicou-se. O
trabalho do repórter e do cinegrafista passa por uma quantidade de filtros
que depuram sons e imagens dos aspectos considerados inconvenientes
pelos diretores da estação. (ROSSI, 1988, p. 13, grifos no original).

A mediação ou as escolhas são os filtros aplicados no material e fazem parte


da lógica da mídia. É a partir das escolhas dos materiais coletados e da formatação
dos produtos jornalísticos em televisão que a gramática da mídia é aplicada. Rossi
destaca ainda que “isso também acontece nos jornais e revistas, mas, na TV,
reveste-se de cuidados excepcionais, ante o notório impacto que tem uma imagem,
comparada à palavra escrita” (ROSSI, 1988, p. 13).
Nesse contexto, pode-se entender como forma da produção a teoria do
Gatekeeper. Pamela Shoemaker explica que “O processo de gatekeeping determina
o modo como definimos nossas vidas e o mundo ao nosso redor;
consequentemente, o gatekeeping afeta a realidade social de todas as pessoas”
(SHOEMAKER, 2011, p. 14). Na teoria do Gatekeeper os portões que o produtor
ultrapassa são os filtros que moldam a notícia. Portanto, “A informação que
atravessa todos os portões pode se tornar parte da realidade social das pessoas, ao
passo que o mesmo não ocorre normalmente com informações que param em
algum dos portões” (SHOEMAKER, 2011, p. 14 -15).
A lógica da mídia é estabelecida e utilizada pelos meios de comunicação de
massa, em produções jornalísticas e de entretenimento. O uso desse aparato de
elementos que compõem as narrativas audiovisuais está baseado na própria
experiência do ser humano. É o que afirma José Manuel Moran:

A culpa não é do audiovisual de hoje. Na história da humanidade a maioria


limita-se à experiência baseada na evidência, no senso comum, no
imediatismo de uma reflexão precariamente generalizadora. Baseava-se na
própria experiência, na transmissão oral de relatos concretos dos
antepassados, na fixação em imagens, objetos concretos, monumentos,
esculturas...relatos escritos em capítulos (novelas, seriados, almanaques...).
54
(MORAN, 1993, p. 24).

54
Ainda que Moran tenha publicado em 1993, “Segundo dados do IAB Brasil, conteúdos audiovisuais
já são acessados por 24,8 milhões de pessoas em site de vídeo no Brasil, representando 68% dos
usuários ativos em domicílios.” (TEMER, 2010), o que demonstra a predileção por materiais em vídeo
mesmo fora da televisão.
52

Muito embora os índices de audiência da televisão apontem decréscimo em


relação ao acesso aos telejornais, como ponderou Marquioni (2016), destaca-se a
preferência pelo que Becker (2005) chama de jornalismo audiovisual

As narrativas jornalísticas audiovisuais, tanto na TV, quanto na internet são


aqui nomeadas práticas de jornalismo audiovisual porque ao identificar
transformações nas narrativas dos telejornais e apontar características
discursivas do webjornalismo audiovisual observa-se que essas distintas
narrativas têm sofrido influências mútuas e passam por um processo de
hibridização mediadas pelas tecnologias digitais. (BECKER, 2005, p. 97).

Com a aproximação e interesse pelo audiovisual, o jornalismo televisivo tem


poder de atração e sensibilização por apresentar imagens em movimento e criar a
narrativa envolvente. Eugênio Bucci (1997) menciona a dramatização no jornalismo
brasileiro. Segundo o autor, ao jornalismo não basta informar, mas também chamar
a atenção, surpreender e assustar.

Os produtos jornalísticos são produtos culturais e, nessa condição, fazem o


seu próprio espetáculo para a plateia. Como se fossem produtos de puro
entretenimento, buscam um vínculo afetivo com o freguês. Mas o que se dá
na televisão é mais que isso – e na televisão brasileira é duas vezes mais.
(BUCCI, 1997, p. 29).

A dramatização, assim como outras formas de simular o real são estratégias


da lógica da mídia operadas no telejornalismo. O sensacional e o espetacular são
elementos que constituem a construção de uma narrativa apelativa empregada ao
fato. Para McQuail (2012), em Atuação da mídia, o sensacionalismo “geralmente
caracteriza-se por um alto nível de personalização, sentimentalismo e dramatização
do conteúdo.” (MCQUAIL, 2012, p. 242). Para o autor, o jornalismo faz uso de
diferentes formatos, formatações e edições da informação “para prender a atenção
da audiência: uso de manchetes longas, ilustrações fotográficas, materiais em vídeo,
som e música dramática etc.” (MCQUAIL, 2012, p. 242). Fort alerta sobre o risco que
os jornalistas incorrem ao optar por uma narrativa sensacional:

O sensacionalismo muda o significado do assunto abordado. Essa alteração


de sentido de uma mensagem pode ser estudada a partir da Semiótica.
Muitos jornalistas brincam com as palavras, utilizam ironia, praticam a
metalinguagem sem saber o perigo ou sem se preocupar com a ética
profissional. Sem saber, manipulam os signos do cotidiano. (FORT, 2005, p.
56-57).
53

Com elementos e condições da narrativa que podem alterar ou amplificar as


sensações, Altheide (1997) apresenta uma compilação de elementos que denomina
problem frame que integra a Lógica da Mídia e, de acordo com o autor, opera na
comunicação de massa.

2.4 O PROBLEM FRAME55

Altheide (1997) indica que há uma máquina do medo, o problem frame, ou


quadro problema, instituída nas produções noticiosas. O autor apresentou o problem
frame a partir de estudos realizados com produções jornalísticas na área de
violência e política, contudo, nesta pesquisa sobre jornalismo ambiental é utilizado o
conceito apresentado por Altheide para verificar em que medida as narrativas
apresentadas no Jornal Nacional estão operando no quadro problema.
A comunicação de massa pode ser entendida como um conjunto de
“instrumentos tecnológicos de sistemas que transportam as mensagens e colocam
em circulação as mercadorias culturais” (MORAN, 1993, p. 36). Os instrumentos
tecnológicos responsáveis pelo caminho da mensagem são, também, responsáveis
pela adequação e formatação das mercadorias culturais que chegam à audiência.
A formatação e organização dos fatos e informações fazem parte do processo
de produção do jornalismo, parte do campo da comunicação de massa e, de acordo
com David L. Altheide e Robert P. Snow, estão na lógica da cultura da mídia. Sendo
que a lógica “é uma maneira de ver e interpretar questões sociais” (ALTHEIDE;
SNOW, apud MCQUAIL, 2013, p. 311). O problem frame instiga os espectadores a
direcionarem seu raciocínio para onde o produtor de notícias tende a sugerir. Fort
(2006) aborda o tema através do sensacionalismo, para a autora:

O discurso jornalístico, com ou sem intenção, quando explora o


sensacionalismo é falacioso. Torna-se compreensível, portanto, a distorção
de informações, o confronto com a realidade, a manipulação de notícias que
irá provocar a manipulação da opinião pública. A mídia oferece as
premissas, o público conclui. E outras vezes a imprensa conclui para o
público que recebe a informação e nem mesmo tem tempo de refletir sobre
ela, acaba aceitando-a, pois parece ser absolutamente verdadeira (FORT,
2005, p. 56).

55
Compreende-se aqui como quadro problema o que o autor indica como problem frame, pois nos
textos de Altheide são indicados como uma seleção de registros limitados por uma borda identificável
e que pode ser aplicado em outras situações.
54

Compreendendo que a narrativa é organizada por enunciados e elementos


que a transformam em sentidos quando recebida pelo espectador, a repetição, o uso
de imagens de apelo visual e a identificação de características fazem com que o
espectador entenda como real o que está recebendo como informação. Schmidt
(apud Hepp, 2014) elaborou uma teoria da cultura das mídias em que a cultura é,
junto com a cognição, meios e comunicação, uma das quatro instâncias no processo
circular da construção da realidade.

Nossa avaliação do que nós conscientemente tratamos como conhecimento


não é feita por meio de uma comparação com a ‘realidade’, mas é
alcançada através de ação e comunicação. O conhecimento é, portanto,
verificado em relação a outro conhecimento que nós alcançamos através da
ação e comunicação. Nós aceitamos o que é viável, executável e bem
sucedido, não o que é (ontologicamente) verdadeiro. Em outras palavras,
uma construção de realidade é validada por outras construções de
realidade. (SCHMIDT, 1992, apud HEPP, 2014).

Altheide (1997) explica que os jornais criam causa e efeito sobre


determinados assuntos. Essa forma de produção é instituída por alguns elementos e
tornam-se experiências não vividas, mas que trazem a sensação sobre os fatos de
forma constante e próximos ao cotidiano. O autor aborda as narrativas que criam e
amplificam o medo no artigo The News Media, the Problem Frame, and the
Production of Fear, publicado em 1997. Altheide esclarece que utiliza os termos
Frame – theme – discours (quadro – tema – discurso) para abordar os formatos
indicados pela Lógica da Mídia. Para ele, o Frame é o principal elemento, que baliza
a forma de reportar algum evento.
A Figura 6 indica a forma de operação do quadro problema, apresentada por
Altheide. As seis características essenciais são: Estrutura narrativa, Valores morais
universais, localização e tempo específicos, Conteúdo inequívoco / sem
ambiguidade, Foco desordenado e Ressonância/repetição cultural56.

56
Tradução livre.
55

FIGURA 6 - QUADRO PROBLEMA DE ALTHEIDE

FONTE: David L. Altheide (1997)

Para o autor, as notícias são reportadas com essas seis características e


produzidas para vender (ALTHEIDE, 1997, p. 653), utilizando formatos compatíveis
aos de produções para o entretenimento. Compreendendo que a mídia atua sob
uma lógica, a busca nesse trabalho dissertativo é entender como a lógica da mídia
(ALTHEIDE, 1979) opera nas produções telejornalísticas sobre o meio ambiente.
Tendo a produção do telejornal Jornal Nacional como o objeto de estudo, o
próximo espaço da pesquisa pretende indicar aspectos que demonstrem o espaço
destinado à temática ambiental no JN e a forma de produção de notícias do
telejornal da Rede Globo.

2.5 O JORNAL NACIONAL COMO ARENA MIDIÁTICA

O primeiro telejornal em rede do país começou a ser veiculado em 1º de


setembro de 1969 ao vivo e de forma simultânea para o Rio de Janeiro, São Paulo,
Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. Do início das transmissões até o
ano de 1996, a bancada do Jornal Nacional era composta por Cid Moreira e outro
apresentador, eles não eram jornalistas, mas sim comunicadores que não
participavam da produção do noticiário, faziam a leitura do texto produzido pela
equipe de jornalismo. Em 1996 uma mudança no visual humano do telejornal: dois
jornalistas, agora uma mulher e um homem apresentam as notícias mais importantes
do dia para todo o país. “A Globo buscava dar maior credibilidade às notícias e
dinamizar as coberturas” (MEMÓRIA GLOBO, online). Por dois anos William Bonner
56

dividiu a bancada com Lilian Witte Fibe. Em 1998 quem assume a posição feminina
é Fátima Bernardes, que permaneceu até 2011, sendo substituída por Patrícia
Poeta. Desde 2014, quem divide o cenário e a ancoragem do JN com Bonner é a
jornalista Renata Vasconcellos.
Por trás das câmeras, a equipe de produção cuidava desde o início da
história do telejornal do que a emissora denominou o conceito de noticiário nacional:

Uma série de critérios foi então formulada para servir de guia na seleção e
na hierarquização das notícias.
As matérias deveriam ser de interesse geral e não regionais ou
particularistas. Os assuntos tinham que chamar a atenção tanto do
telespectador de Manaus quando de Porto Alegre. Era necessário não
superdimensionar uma região em detrimento de outra, pensar sempre em
como determinada nota poderia repercutir em estados diferentes.
(MEMÓRIA GLOBO, 2005, p. 39).

Os critérios da época são os atuais Princípios editoriais das Organizações


Globo, organizados e disponibilizados online com atributos para uma informação de
qualidade e procedimentos para o jornalista diante de fontes, do público, dos
colegas e da empresa para a qual trabalha. Com o foco no jornalismo, um dos
Princípios indica que “Em resumo, portanto, jornalismo é uma atividade cujo
propósito central é produzir um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas”
(MEMÓRIA GLOBO, online). O telejornal tem como objetivo, segundo o âncora e
editor-chefe William Bonner, “mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no
Brasil e no mundo todos os dias” (BONNER, 2009, p.18).
De acordo com Bonner, o JN é um programa de televisão que apresenta
temas comuns aos outros veículos de comunicação e busca transmitir de maneira
apropriada a mensagem para o público “com um texto claro, para ser compreendido
ao ser ouvido uma única vez, ilustrado por imagens que despertem interesse do
público por eles – mesmo que não sejam temas de apelo popular imediato”,
(BONNER, 2009, p.13). Becker e Mateus (2010), esclarecem que “o ‘JN’ deixa clara
a preocupação de criar um perfil de defensor de causas e dos direitos públicos, até
mesmo quando se dirige à audiência, associada a um investimento constante na
conquista da credibilidade”. (BECKER; MATEUS, 2010, p. 150).
Em 2017, a produção atual do JN é veiculada entre segunda-feira e sábados
entre as 20h30 e 21h15 e as edições se aproximam ao que Bonner descreveu no
livro Jornal Nacional: modo de fazer, “Uma edição do Jornal Nacional, em média,
57

tem 33 minutos líquidos. [...] E nesse tempo têm que caber mais ou menos 25
assuntos, de variadas maneiras” (BONNER, 2009, p. 22). O telejornal é dividido em
blocos e inserido na grade de programação entre duas telenovelas, a que antecede
o JN é de temática mais leve e a que o sucede tem uma essência mais densa, com
discussões mais profundas sobre questões sociais. O horário 57 em que o JN vai ao
ar é considerado nobre58, com inserções comerciais de valores mais caros. Isso é
resultado de pesquisas de audiência, pois ainda é o período do dia em que mais
pessoas estão à frente da televisão. Embora as pesquisas, como da Secom 201659,
apontem a queda de audiência da televisão, ainda é comum considerar um horário
nobre na televisão comercial aberta no aspecto comercial.
A temática do telejornal é factual e de atualidades.

Qualquer produto jornalístico se apoia sobre duas pernas: a dos temas


factuais (que aconteceram depois da última edição do jornal – e que têm
necessidade urgente de publicação) e a dos temas ditos ‘de atualidade’
(que não ocorreram apenas desde a última edição, mas têm ocorrido, estão
ocorrendo, e que podem ser publicados hoje, como poderiam ter sido
divulgados ontem, e não perderiam sentido se fossem exibidos amanhã ou
depois porque são atuais, mas não urgentes. (BONNER, 2009, p. 19).

A esse propósito, entende-se que há no telejornal uma mistura de temas


sem uma marcação definida como fim de um assunto e o início de outro. Por
exemplo: num mesmo bloco do programa em que é exibida uma reportagem sobre
exportação de flores, é também apresentada outra produção sobre mortos em
conflito no Oriente Médio. Esse mosaico de conteúdos em um mesmo produto
decorre-se da intenção em atingir um maior número de pessoas com interesses e
características diversas, e segue o que Bonner (2009) indica como o objetivo
básico60 do JN. Temer (2010), indica que:

O conteúdo do telejornal é limitado pela necessidade de atingir um público


diversificado e pelo alto custo de produção, obrigando os editores a

57
Em horário semelhante, outras emissoras de canais abertos como Record, Band e Sbt veiculam o
mesmo formato de produção. Marquioni (2016, p.44) indica que há uma “espécie de padrão tácito
entre as emissoras de televisão aberta que operam em formato broadcasting”. Tal padrão, segundo o
autor, é utilizado como programa referência e por assim ser, se torna inspiração para os chamados
programas equivalentes , ou seja, das emissoras concorrentes.
58
Esse tipo de informação não contempla a audiência fora do fluxo da televisão aberta, como o
público que assiste aos vídeos pelo site do JN através de dispositivos móveis como smartphones e
tablets ou computadores.
59
Disponível em: <https://goo.gl/VfJ7J9>. Acesso em: 15 jan. 2017.
60
“Mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo todos os dias” (BONNER,
2009, p.18).
58

trabalhar com imagens obtidas por outros veículos, por agências de notícias
e até mesmo por amadores. Como consequência o telejornalismo é
normalmente um conjunto sem unidade aparente, eventualmente com
informações contraditórias, um mosaico de formas, conteúdos e,
provavelmente, de intenções. (TEMER, 2010, p. 110).

Definir quais são os conteúdos que farão parte do mosaico de uma edição
do JN é uma das atribuições do editor-chefe. Ele responde pela edição que vai ao
ar. Ou seja, é tarefa de Bonner “avaliar e reavaliar a relevância de notícias para
determinar se e como serão publicadas; decidir o melhor ordenamento das notícias,
de modo a facilitar a compreensão dos fatos pelo público” (BONNER, 2009, p. 127,
grifos no original). Além da avaliação da relevância, Temer (2014) apresenta outro
critério de seleção de pautas:

De forma geral o telejornalismo privilegia assuntos que tenham boas


imagens, ou que possam render boas imagens. A imagem cinética – o
movimento, a ação, o conflito é sempre um recurso poderoso para atrair o
telespectador e uma possibilidade concreta de ilustrar (dar movimento) ao
texto informativo. (TEMER, 2014, p. 205, grifos no original).

Embora a relação direta entre o telejornalismo e a necessidade de imagem,


há alguns formatos para reportar os fatos que são produzidos sem imagens, são as
notas61 lidas pelo apresentador.
A Rede Globo transmite o JN e a sua programação para 5.479 municípios
(através de emissoras repetidoras e via satélite). Esse número indica que 99,37% da
população pode ter acesso aos programas da emissora 62 . Para chegar a essa
abrangência, a emissora é estruturada por uma central e afiliadas que produzem
conteúdos locais e transmitem em rede programas televisivos como o Jornal
Nacional. A equipe de produção do JN, chefiada por Bonner no Rio de Janeiro é
reduzida 63 (Bonner, 2009), mas “Em todo o Brasil, 600 equipes [de jornalismo]
completas, todos os dias, trabalham, potencialmente, para o Jornal Nacional”
(BONNER, 2009, p. 48). O que o editor-chefe comenta é a disponibilidade que as
equipes de emissoras afiliadas têm para produção de materiais para o telejornal

61
Paternostro conceitua os dois tipos de notas: “Nota pé: nota ao vivo, lida pelo apresentador no final
de uma matéria, com informações complementares à reportagem.
Nota pelada ou nota ao vivo: notícia lida pelo apresentador do telejornal sem qualquer imagem de
ilustração. Nota simples. (PATERNOSTRO, 2006, p. 212).
62
Dados retirados do Atlas de cobertura Globo disponíveis em: <https://goo.gl/QVV6dy>. Acesso em:
15 set. 2016.
63
Aproximadamente 20 pessoas segundo o que consta no site do JN. Disponível em:
<https://goo.gl/dWRqqT>. Acesso em: 15 dez. 2016.
59

nacional. Além da produção nacional, o JN conta com os escritórios internacionais


em Londres e Nova Iorque e correspondentes internacionais. Com todo esse
aparato de produção, geração e distribuição de produções jornalísticas ou não, a
hipótese de McCombs e Shaw, a agenda-setting, retoma ao desenvolvimento dessa
dissertação. Embora os meios de comunicação sejam “capazes de, a médio e longo
prazo, influenciar sobre o que pensar e falar” (HOHLFELDT, 1997, p. 44), uma vez
que “dependendo dos assuntos que venham a ser abordados – agendados – pela
mídia, o público termina, a médio e longo prazos, por incluí-los igualmente em suas
preocupações” (HOHLFELDT, 1997, p. 44), faz-se necessário pensar o porquê o
agendamento das questões ambientais e a construção de narrativas para o
telejornalismo que aproxime o conhecimento ainda não é contemplado como editoria
fixa na produção da emissora Globo.

2.5.1 O texto e a linguagem no JN – um diálogo com o público

O texto para o telejornal deve ser uma conversa, precisa ser uma linguagem
coloquial e deve seguir um padrão para fortalecer a imagem do produto jornalístico.
O jornalista precisa lembrar que é criador de narrativas. Porém, Vera Paternostro,
em O texto para TV alerta que o jornalista é um contador de histórias, “Mas não um
romancista ou um ficcionista. O jornalista deve ‘contar’ os acontecimentos do
cotidiano de uma maneira que toda a sociedade entenda, como se estivesse
conversando com uma pessoa” (PATERNOSTRO, 2006, p. 94).

Quanto mais as palavras (ou o texto como um todo) forem familiares ao


telespectador, maior será o grau de comunicação.
As palavras e as estruturas das frases devem ser o mais próximo possível
de uma conversa. Devemos usar palavras simples e fortes, elegantes e
bonitas, e apropriadas ao significado e à circunstância da história que
queremos contar. (PATERNOSTRO, 2006, p. 95, grifos no original).

A linguagem da televisão é uma composição de áudio, através do texto lido


ou falado e visual, com as imagens em vídeo ou fotografia e recursos ilustrativos.
Essa união de elementos é a linguagem audiovisual e, com isso a mescla do texto
com o produto visual torna uma produção elaborada e geradora de sentidos nos
produtos para televisão. Um elemento que perpassa a forma de compreensão do
audiovisual é explicado por Paternostro:
60

Ao ritmo da melodia se dança. Ao ritmo do texto o telespectador capta a


mensagem, apreende a informação. O ritmo favorece a concentração de
quem está assistindo à TV. Não deve ser contundente ou agressivo; mas
também não deve ser monótono ou lento. (PATERNOSTRO, 2006, p. 80-
81).

Soma-se à composição da linguagem para a televisão que “todo objeto


significante é produzido num dado contexto histórico, circula no meio social e é
consumido real e simbolicamente” (PINTO, 1995, apud, BECKER; MATEUS, 2010),
ou seja, é preciso que ocorra o entendimento sobre o repertório daquela
comunidade para que a mensagem seja completada. Dessa forma, cada palavra é
definida para compor um texto e produzir sentidos em função do entendimento da
audiência. O repertório individual é elemento primordial, porém, no jornalismo a
clareza do todo sobre o tema é premissa para que o leitor possa assimilar as
notícias.
Bonner aponta que há o cuidado sobre as coberturas locais, nacionais e
internacionais em relação aos repórteres. Embora o editor-chefe do JN acrescente
que não há repórter exclusivo do Jornal Nacional, percebe-se que alguns repórteres
das emissoras afiliadas de diferentes estados se destacam nas participações em
rede nacional.

Se a nossa preocupação, na Rede Globo, é a de mostrar a sua região com


profissionais da sua região, nós queremos mostrar o mundo aos brasileiros
com os olhos de brasileiros. E é o que o Jornal Nacional tem feito em todos
os maiores acontecimentos internacionais. (BONNER, 2009, p. 38, grifos no
original).

Mostrar a sua região com profissionais da sua região remete aos


regionalismos e sotaques diversos espalhados pelo Brasil. Entretanto, para Temer
(2014) no que se refere à linguagem televisiva “o conteúdo da fala é sempre claro e
simples, com o uso restrito da variedade linguística (são evitadas palavras difíceis ou
elitizadas, estrangeirismos, regionalismo e até mesmo sotaques)” (TEMER, 2014, p.
201, grifo no original).

2.5.2 A pauta ambiental na Rede Globo


61

O JN é um produto televisivo com conteúdo variado, ou seja, não há um tema


específico que norteia a produção. Os assuntos são elencados pela equipe de
produtores e produzidos para serem veiculados em diferentes editorias (política,
economia, cultura, ciência e tecnologia, saúde, meio ambiente e esporte), e, como
diferentes materiais jornalísticos: reportagens, notas cobertas e notas peladas.
Desde que o JN foi ao ar pela primeira vez, produções voltadas ao meio
ambiente são registradas. Entre os temas de maior relevância citados no livro Jornal
Nacional: a notícia faz história, destacam-se:

1. O processo de queimadas e desmatamento no Brasil. Os registros de


reportagens sobre o tema são entre 1970 a 1997. Porém, é sabido que
depois da publicação do livro esse tema retomou a produção do telejornal.
2. Os registros sobre o aquecimento global. Pelo menos em dois momentos
o Jornal Nacional veiculou reportagens sobre as alterações do clima e o
efeito estufa. Em 1983 e 1988. Também é possível afirmar que depois de
1988 o tema foi abordado em vários momentos, seja pela agenda
ambiental de eventos internacionais ou pela seca, por exemplo, de São
Paulo em 2015.
3. O assassinato de Chico Mendes em 1988 resgata a luta do ativista pela
proteção ao meio ambiente.

Na década de 90 a Globo deu espaço para a pauta ambiental no programa


Globo Ecologia. A produção teve 23 temporadas e permaneceu no ar por 24 anos.
Nesse semanário eram abordados temas como educação ambiental e ecologia com
uma linguagem direta. Vários apresentadores estiveram a frente do Globo Ecologia
e todos eram atores da emissora.
Outro exemplo de cobertura relacionada ao meio ambiente, produzido e
veiculado em 2010 pela a Rede Globo, foi a série especial Terra, que Tempo é
Esse? A produção foi desenvolvida por Sônia Bridi e Paulo Zero e tem como tema
central os efeitos visíveis do aquecimento global. A dupla de jornalistas passou por
12 países (Bolívia, Peru, Estados Unidos, Dinamarca, Inglaterra, Itália, Tanzânia,
China, Butão, Austrália, Vanuatu e Brasil) e a série foi exibida no Fantástico em nove
reportagens. O conteúdo foi transformado em dvd e a jornalista lançou o livro Diário
do Clima a partir das anotações do período de produção do programa
62

Embora o Jornalismo Ambiental já tenha sido abordado no capítulo 1 dessa


pesquisa, entende-se ser importante trazer à tona a opinião de André Trigueiro,
jornalista da Rede Globo responsável pelo programa Cidades e Soluções, veiculado
pela Globo News, sobre a forma de especialização e espaço do jornalismo
ambiental:

Não considero importante a multiplicação de editorias de meio ambiente nas


redações, mas, antes, a possibilidade de cada editoria perceber a dimensão
ambiental em suas respectivas áreas de cobertura. Os valores da
sustentabilidade alcançam indistintamente todas as áreas do conhecimento,
privilegiando os esforços na direção de um novo projeto de
desenvolvimento, que incorpore uma relação de equilíbrio com a natureza e
justiça social. (TRIGUEIRO, 2003, p. 117).

A perspectiva de Trigueiro, de que não seria necessária a criação ou


fatiamento das produções para inserir a editoria de meio ambiente, mas sim a
aplicação de uma abordagem de forma sistêmica e processual, vai ao encontro do
pensamento de Bueno (2007a), já citado anteriormente, e Girardi (et al, 2012):

[...] entendemos que o jornalismo ambiental extrapola a ideia de ser uma


cobertura centrada nos assuntos de meio ambiente. A concepção é outra,
independente, baseada na pluralidade de vozes e na visão sistêmica, para
além da cobertura factual ou programada. (GIRARDI, et al, 2012, p. 137).

A visão sistêmica, centrada na possibilidade de narrativas mais completas no


sentido de informações processuais e não somente em fatos, compete ao
jornalismo, e ao jornalista, complexificar sem complicar os relatos jornalísticos.
63

3 AS NARRATIVAS AMBIENTAIS EM FOCO

Esta etapa da dissertação é composta pelas análises empíricas. Além disso,


foi incluído neste capítulo o que se denomina como o contexto empírico. Esse
contexto é o cenário da época que envolve o marco temporal da coleta de dados da
pesquisa, a COP 21, e as variáveis circunstanciais que podem ter alterado a
composição do espelho do JN nas datas selecionadas a partir do critério de
relevância da notícia no contexto. A modificação do espelho do telejornal por
variáveis circunstanciais foi exemplificada por Bonner (2009) com a morte do então
prefeito de Campinas, Toninho do PT, e os atentados ao World Trade Center, ambos
os fatos ocorridos em 11 de setembro de 2001. “o Jornal Nacional que se desenhava
logo cedo teve de ser absolutamente reformulado. O crime que tirou a vida de
Toninho do PT teria, sim, cobertura. Mas menor” (BONNER, 2009, p. 101).
O planejamento e a execução para o desenvolvimento deste estudo
compreenderam o levantamento bibliográfico sobre a teoria da lógica da cultura da
mídia, o telejornalismo, jornalismo ambiental e aspectos da sociologia ambiental.
Foram identificados livros, artigos científicos, teses e dissertações que pudessem
contribuir com a elaboração do referencial teórico dessa pesquisa. De maneira
ampla, tomou-se a obra do autor estadunidense David L. Altheide como linha para o
embasamento da pesquisa. Os escritos de Altheide e Snow (1979) e Altheide (1996,
1997, 2002, 2004 e 2013) foram utilizados no referencial teórico deste estudo. Com
a lógica da mídia entende-se que aspectos da produção dos materiais jornalísticos
como os formatos e a gramática constituem um quadro problema64. Para a análise
dos materiais jornalísticos definiu-se como método a análise de conteúdo (BARDIN,
1995) a partir de uma articulação de técnicas que mesclam a leitura da imagem em
movimento de Rose (2002) e Coutinho (2005).
Entende-se necessária essa articulação de técnicas, pois, “O telejornal
predominantemente trabalha com dois discursos, ambos densos; a linguagem
imagética, que tende a ser uma sucessão de cenas fragmentadas, e o texto verbal
oral, marcado por uma fruição rápida e contínua” (TEMER, 2014, p. 212).
As categorias de análise do conteúdo são as características do problem
frame:

64
Problem frame nas palavras de Altheide (1997).
64

 Estrutura narrativa
 Valores morais universais
 Localização e tempo
 Conteúdo inequívoco
 Foco desordenado
 Ressonância/Repetição cultural

De forma sequencial, o espaço da pesquisa empírica está organizado em


quatro etapas:
1. A seleção de materiais jornalísticos do Jornal Nacional relacionados ao
meio ambiente no período estabelecido;
2. Composição do corpus a partir de recortes da seleção total;
3. Categorização das reportagens a partir de fragmentos do discurso dos
textos oral e visual;
4. Análise do conteúdo.

3.1 CONTEXTO EMPÍRICO

Entende-se que a produção jornalística envolve aspectos como a agenda


pública, situações factuais (ou não planejadas), atualidades e temas de interesse
geral. Itânia Maria Mota Gomes, no texto Questões de método na análise do
telejornalismo: premissas, conceitos, operadores de análise aponta que “As
circunstâncias do fazer [jornalismo] se referem às condições empíricas nas quais o
jornalismo se realiza e diz respeito aos constrangimentos econômicos, políticos,
técnicos sociais [...]” (GOMES, 2007, p. 7, grifos no original). Para a autora:

As técnicas cognitivas de conteúdo definem para o jornalista o que será


objeto do processo de produção da notícia, e implicam uma abertura em
relação ao fato (o conhecimento das áreas temáticas de cobertura noticiosa)
e em relação aos indivíduos (conhecimento das expectativas dos
receptores). (GOMES, 2007, p. 7).

Com o que aponta Gomes, destaca-se o tratamento que o fato recebe. A


forma de discorrer e de contar a história faz parte do que o jornalista conhece sobre
tal, ou seja, o seu contexto. Para identificar as características das narrativas
relacionadas à temática ambiental, definiu-se como objeto da pesquisa reportagens
65

do telejornal da emissora Rede Globo Jornal Nacional. Foram selecionadas para


este trabalho produções audiovisuais jornalísticas relacionadas ao meio ambiente, à
Conferência das Nações Unidas – COP 21 e ao rompimento da barragem de rejeitos
da Samarco, em Mariana, Minas Gerais.
O período foi delimitado tendo como baliza temporal a Conferência das
Nações Unidas – COP 21, pois se entendia que nesse período a questão ambiental
estaria na agenda midiática. A coleta do material de análise compreendeu o período
de realização da COP (início em 30 de novembro e final no dia 11 de dezembro),
dez dias antes e dez dias depois, ou seja, entre os dias 20 de novembro de 2015 e
21 de dezembro de 2015. Foram inseridos os períodos anterior e posterior ao evento
por compreender que o assunto pautado para a cobertura jornalística envolve a
preparação e a repercussão da Conferência e outros temas decorrentes. Faz-se
necessária uma justificativa. Inicialmente, o planejado para a coleta de dados era
baseada na COP 21. Porém, um acontecimento factual, de relevância e interesse
público, ocorreu dias antes do início da coleta dos materiais: o rompimento da
barragem de rejeitos da Mineradora Samarco.

3.1.1 COP 21

A 21ª Conferência do Clima aconteceu entre os dias 30 de novembro e 11 de


dezembro de 2015 em Paris, na França. No período pré-evento a cidade entrou em
estado de emergência e teve o planejamento logístico e de policiamento alterado
como consequência da série de atendados ocorridos na cidade. No período da noite
de 13 de novembro de 2015, enquanto acontecia um jogo de futebol entre as
seleções da França e da Alemanha no Stade de France e um show na boate
Bataclan, localizada próxima ao estádio, tiroteios e explosões deixaram 130 mortos.
Grupos jihadistas assumiram a responsabilidade dos atentados. Essa situação
alterou a forma como foi conduzida a COP. Em vários momentos do evento oficial
ocorreram homenagens às vítimas, mas a mudança aconteceu também fora dos
limites físicos da conferência. Movimentos ambientalistas e preservacionistas que
atuam em massa em eventos como a COP, foram obrigados a recuar os planos de
manifestações em áreas públicas e abertas, com isso, reduziu a visibilidade da
cobertura internacional sobre os pontos críticos discutidos na Conferência. Durante
os 12 dias da COP, ocorreram manifestações silenciosas como flores espalhadas
66

pela cidade referenciando as vítimas dos atentados. A marcha pela Mobilização


Mundial pelo Clima foi realizada de maneira simbólica (ver Figura 7). Na legenda da
foto abaixo, as seguintes informações: “Na véspera do início da COP 21, milhares de
sapatos cobrem hoje (29) a praça parisiense de onde sairia uma marcha pelo clima,
cancelada devido aos recentes atentados na capital francesa”.

FIGURA 7 - SAPATOS POSICIONADOS NO LOCAL DA MANIFESTAÇÃO

65
FONTE: site da Agência EBC

O ponto chave do evento em 2015 era sedimentar um novo acordo entre os


representantes de 195 países para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e
para tentar reduzir o aquecimento global. Com os níveis de emissão de gases
propostos pelos pesquisadores o aumento previsto da temperatura chegaria a 2ºC
até o ano 2100. Para que essa hipótese seja validada, todos os países trabalhariam
juntos pela estabilização das alterações relacionadas ao clima.

3.1.2 Rompimento da barragem da mineradora Samarco

Em 5 de novembro de 2015 a barragem de Fundão da mineradora Samarco,


empresa ligada à Vale e a BHP Billton, rompeu levando abaixo 40 milhões de metros
cúbicos de rejeitos de minério de ferro. O material, considerado tóxico, destruiu o
distrito de Bento Gonçalves, deixando 19 mortos66, muitos feridos e desabrigados e
se misturou à água do Rio Doce, em Minas Gerais. O mar de lama 67 destruiu a

65
Disponível em: <https://goo.gl/7Z9BF6>. Acesso em: 25 fev. 2017.
66
Há uma divergência no número de mortos. O Greenpeace trata como 21 mortos no desastre ou em
decorrência dele. O Ministério Público Federal indica 19 mortes no processo judicial.
67
Metáfora aplicada nas produções jornalísticas indicando que o volume de lama foi imenso.
67

vegetação no caminho que percorreu e a água poluída atingiu o mar nos estados do
Espírito Santo e Rio de Janeiro. No período dessa pesquisa, até abril de 2017, o
processo judicial ainda estava em andamento. Vinte e uma pessoas, entre diretores
da empresa Samarco, da Vale e da BHP, e representantes de empresas que
prestaram serviço de consultoria à Samarco, foram indiciadas pelas mortes e pelos
crimes ambientais.

3.2 PERCURSO METODOLÓGICO

“A necessidade da pesquisa surge quando temos consciência de um


problema e nos sentimos pressionados a encontrar sua solução.” (FACHIN, 2006,
p.139). Para a autora do presente estudo, a escolha e a definição do tema passaram
por diversas etapas de níveis e naturezas distintas. Entende-se que a pesquisa
científica é resultado da vida humana diante do mundo e como parte integrante
desse (FACHIN, 2006), as escolhas e delimitações do tema de pesquisa ocorreram
pelo interesse e inquietação da autora.
A pesquisa foi desenvolvida com a análise de conteúdo (BARDIN, 1995) a
partir de técnicas para análise de textos e imagens em movimento (ROSE, 2002 e
COUTINHO, 2005) empregadas nas reportagens. Lopes (2003) indica que a
organização da pesquisa pelo autor “é propor um método que visa apreender a
construção da estrutura das obras científicas. Essa construção é feita à base de
opções, seleções, combinações, etc., cujo resultado é a produção do conhecimento
científico” (LOPES, 2003, p. 116). Sendo assim, a pesquisadora seguiu algumas
etapas até chegar na categorização dos materiais e análise demonstradas neste
texto dissertativo.

3.2.1 Seleção inicial de dados

Para acessar os conteúdos do ano de 2015, fez-se uso do site da emissora


Rede Globo no espaço destinado ao Jornal Nacional 68 . E, a partir das datas
mencionadas (entre os dias 20 de novembro de 2015 e 21 de dezembro de 2015),
foram realizadas consultas nos arquivos em vídeos disponibilizados no site. Em

68
O site do JN pode ser acessado pelo endereço: <https://goo.gl/6HDuT6>. Acesso em: 10 abr. 2016.
68

todos esses 27 dias de garimpo, apenas um vídeo não estava disponível; a previsão
do tempo do dia 16 de dezembro de 2015.
Os materiais selecionados têm como temática o meio ambiente e subtemas:
a queda da barragem da Samarco, desdobramentos (jurídicos, repercussão
internacional e pessoas direta e indiretamente afetadas pela contaminação da água),
evento COP 21, políticas públicas, desastres ambientais (terremotos, queimadas,
alagamentos, desmoronamento de terra) e irregularidades na extração de minérios,
além das previsões do tempo. Nas 27 edições selecionadas e verificadas do Jornal
Nacional, somando um total de 1.254 minutos e seis segundos, a coleta inicial
contabilizou 106 arquivos69, 225 minutos e 40 segundos, de material em vídeo.
Entre esses arquivos estão reportagens (incluídas as cabeças dos
materiais), notas cobertas, notas peladas, previsão do tempo, entradas ao vivo, e
chamadas para o programa Fantástico com tema relacionado à temática ambiental
(Ver Tabela 1).

TABELA 1 – COLETA INICIAL DE PRODUÇÕES


Quantidade Tema / assunto
44 Samarco
27 Mapa do tempo
15 Deslizamentos, alagamentos, enchentes, poluição
10 COP 21
03 Política pública (legislação/ licenciamento ambiental)
02 Chamada Fantástico
01 Declaração política (cenário COP)
01 Declaração do Papa sobre a África
01 Estudo científico – qualidade da água – Baía de Guanabara
01 Explosão – navio – ES
01 Extração ilegal de minério
FONTE: a autora

Com os dados acima tabulados, sugere-se que durante esse período os


temas ocuparam oito minutos e quarenta segundos de cada edição. Isso indica que
aproximadamente 18,5% do tempo dos programas veiculados abordaram assuntos
relacionados ao meio ambiente, considerando a duração média de 46 minutos e 44

69
Tabela com os dados completos nos anexos.
69

segundos de uma edição do JN no período estudado70. É importante lembrar que o


rompimento da barragem da Samarco foi o assunto mais agendado pela mídia
naquele período. Os desdobramentos e aspectos relacionados ao processo judicial,
voluntariado, desaparecidos, estão nesse agrupamento de materiais. Portanto, não
seria real e verdadeiro apontar que quase um quinto das edições do telejornal
abordaram assuntos relacionados ao meio ambiente.

FIGURA 8 - GRÁFICO REFERENTE À PROPORÇÃO DOS TEMAS DO CONTEÚDO DAS EDIÇÕES


ESTUDADAS

FONTE: a autora

Realizada a leitura flutuante71 e a visualização de ao menos três vezes cada


uma das produções buscando elementos para a seleção, foram realizados recortes
no grupo de 106 arquivos para a composição do corpus para a análise. Para essa
nova seleção os critérios seguidos foram:
1. Reportagens, ou seja, os materiais com uma narrativa que tem o repórter
como mediador a partir do local do fato narrado. A presença do jornalista
no local do fato é a experiência vivida pelo jornalista e experimentada
pelo espectador72 através da narrativa em primeira pessoa 73. Portanto,
todas as notas foram excluídas;

70
Dados enviados via email por Juan Manuel Guadelis Crisafulli, da Globo Universidade. O conteúdo
do email consta nos anexos da dissertação.
71
A leitura flutuante é uma terminologia conceituada por Bardin (1995) como: “A primeira actividade
consiste em estabelecer contacto com os documentos a analisar e em conhecer o texto deixando-se
invadir por impressões e orientações” (BARDIN, 1995, p. 96).
72
Exemplo para esse corte é a reportagem sobre um deslizamento de terra na China, do dia 21 de
dezembro de 2015. Na produção, o off do jornalista Mário Gomes narra o ocorrido com imagens do
70

2. O meio ambiente74 75 como o gancho76 da matéria;


3. Foram excluídas as chamadas para o programa Fantástico;
4. Foram excluídos os materiais ‘mapa do tempo’.

A definição de algumas reportagens em detrimento a outras certamente


deixa fora elementos que compõem o enredo contextual do período estudado. Rose
explica que “Existirão sempre alternativas viáveis às escolhas feitas, e o que é
deixado de fora é tão importante quanto o que está presente” (ROSE, 2002, p. 343).
Seguindo as etapas de recortes, o corpus ficou composto pelas 15
reportagens elencadas na tabela 2, totalizando aproximadamente 34 minutos e 52
segundos o que representa 3% do material inicialmente coletado para o presente
estudo (Figura 9).

local do deslizamento, porém, na passagem, momento em que o jornalista aparece, ele está em
Tóquio. Disponível em: <https://goo.gl/feF3Qt>. Acesso em: 10 abr. 2016
73
“O autor-jornalista é aquele que exerce a função autoral na dimensão mais adequada à
epistemologia do jornalismo como expressão do conhecimento através da experiência mediada e não
da experiência em si” (COUTINHO; MATA, 2013).
74
Uma reportagem sobre a alteração do Código de Mineração, do dia 20 de novembro de 2015, com
a jornalista Cláudia Bomtempo, apresenta informações sobre as propostas para a mudança na lei,
percentual de royalties e cita o termo socioambiental mas não se aprofunda no assunto. A mesma
reportagem traz informações sobre recebimento de doação indevida de um dos parlamentares
envolvidos na proposta de lei. Disponível em: <https://goo.gl/NUYrE8>. Acesso em: 10 abr. 2016
75
Outra reportagem excluída foi sobre um tornado que passou pelo Paraná. Na matéria veiculada no
dia 20 de novembro de 2015, a repórter Malu Mazza é deslocada até Marechal Cândido Rondon,
local que mais foi afetado pelo fenômeno natural. Entretanto, a repórter relata os danos materiais e de
destruição do tornado. Não há citações ou falas sobre o processo desencadeante do fenômeno ou
informações sobre a recuperação da região afetada. Disponível em:<https://goo.gl/K9Tx1j>. Acesso
em: 10 abr. 2016
76
Paternostro conceitua gancho como: “a atualidade de um assunto que justifica a reportagem. O
gancho da matéria é quase sempre o lead da matéria” (PATERNOSTRO, 2006, p. 206).
71

FIGURA 9 - GRÁFICO REFERENTE À PROPORÇÃO DOS TEMAS DO CONTEÚDO DAS EDIÇÕES


ANALISADAS

FONTE: a autora

TABELA 2 - REPORTAGENS PARA ANÁLISE


Tempo
Nº Data 77 Repórter Título da matéria no site do JN
duração
Marcos Lama chegou a cidade do ES que está a 50 quilômetros do
1 20/11 2’59”
Losekann mar
Mário Maré cheia ajuda lama a não avançar mais para o mar no
2 23/11 3’07”
Bonella Espírito Santo
Marcos Biólogos alertam para consequências gravíssimas no Rio
3 23/11 2’56”
Losekann Doce
Ismar Pesquisadores seguem poluição para avaliar danos
4 24/11 4’00”
Madeira ambientais em Minas
Mário Biólogos tentam evitar que tartarugas sigam para o mar de
5 26/11 2’15”
Bonella lama no ES
André
6 27/11 3’52” JN mostra o encontro da lama com o mar no Espírito Santo
Trigueiro
Mário Novas barreiras são construídas no Espírito Santo para
7 28/11 1’47”
Bonella tentar conter lama
Roberto Representantes de 195 países se reúnem em Paris para a
8 30/11 2’13”
Kovalick COP 21
Maria Julia Especialista explica importância de limitar aquecimento do
9 30/11 1’13”
Coutinho planeta em 2°C
Roberto Líderes do planeta tentam chegar a um acordo sobre o
10 01/12 1’25”
Kovalick clima
André Poluição nas águas do Rio é maior do que se imaginava,
11 02/12 2’36”
Trigueiro diz pesquisa
Maria Julia Pesquisadores apresentam projeto sobre território
12 02/12 1’01”
Coutinho brasileiro na COP 21
Maria Julia Rascunho final do acordo que pode sair da COP 21 é
13 05/12 1’10”
Coutinho divulgado em Paris
Fabiano Tempo seco causa incêndios florestais em 17 municípios
14 11/12 2’20”
Villela do Pará
Pedro Conferência do Clima da ONU em Paris termina com
15 12/12 1’58”
Vedova acordo histórico
FONTE: a autora

77
Foram excluídos os segundos iniciais, as cabeças das reportagens, em que os apresentadores
chamam a matéria.
72

3.3 CATEGORIZAÇÃO E ANÁLISES DOS VÍDEOS

As produções audiovisuais “são um amálgama complexo de sentidos,


imagens, técnicas, composição de cenas, sequencia de cenas e muito mais” (ROSE,
2002, p. 343). Porém, encontrar um caminho para estudar o audiovisual é um
desafio (Altheide, 1996). A etapa empírica do trabalho demanda atenção e
concentração. Por isso a categorização e a análise foram realizadas com cuidado,
de forma lenta e detalhada. A cada etapa a pesquisadora verificava se havia seguido
o caminho que mais fazia sentido. Assim, a organização das categorias ocorreu de
acordo com o que indica Bardin (1995):

As categorias, são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de


elementos (unidades de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um
título genérico, agrupamento esse efectuado em razão dos caracteres
comuns destes elementos. (BARDIN, 1995, p.117).

As seis categorias foram delimitadas a partir das características do quadro


problema de Altheide (1997): Estrutura narrativa, Valores morais universais,
Localização e tempo, Conteúdo inequívoco, Foco desordenado e
Ressonância/Repetição cultural. Foram estabelecidos indicadores para cada uma
das categorias (ver tabela 3), que estão apresentados em cada uma das
reportagens com as palavras: presente, ausente ou parcialmente presente.
Entendeu-se necessário, também, a inserção e uma amostra descritiva que
representa as características elencadas.

TABELA 3 - CATEGORIAS DO PROBLEM FRAME


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
Liberdade
Provas
Justiça Aqui
Situação Comprovação Problema
Generosidade Agora Informação
Processo Ciência Quem é responsável
Amor Aconteceu disseminada
Enredo Pesquisas Caos
Paz agora Divulgação
Contexto Fontes oficiais Tragédia
Solidariedade Momento
Imagens
Honestidade
FONTE: a autora
73

A análise da amostra dos vídeos teve como primeiro passo uma espécie de
decupagem 78 em partes de cada material selecionado na amostra para um
protocolo, inspirado no modelo desenvolvido por Atlheide (1996), detalhado no
próximo item desse estudo.

3.3.1 Análise do corpus: 15 reportagens

O material utilizado para os registros das reportagens teve como base o


protocolo 79 indicado por Altheide (1996) no livro Qualitative media analysis. Na
formatação para a coleta de dados pré-analítica são registrados no protocolo: título
da matéria disponível online, data da veiculação, tempo de duração, fontes, tópicos
gerais (frases, expressões e palavras-chave), recursos visuais e link de acesso à
reportagem. Na etapa de decupagem detalhada em partes para o registro das
imagens, Rose aponta que o processo de transcrição do visual para o texto é uma
forma de transladar e, em cada momento transladado há a exigência de escolhas e
cortes. “A escolha, dentro de um campo múltiplo, é especialmente importante
quando se analisa um meio complexo onde a transladação irá, normalmente, tomar
a forma de simplificação” (ROSE, 2002, p. 343). Sobre a mesma prática, Coutinho
(2005) lembra que quando a análise de imagem é realizada, o analista assume o
risco do imperialismo da língua, o que implica a redução dos “significados possíveis
em uma imagem, já que o número de representações linguísticas é reduzido em
oposição às possibilidades narrativas visuais” (COUTINHO, 2005, p. 334).
Além do protocolo, a autora inseriu uma sinopse de cada reportagem e na
sequencia a tabela com as características do problem frame identificadas em cada
material. Nessa tabela, abaixo de cada categoria estão as palavras presente ou
ausente que indicam se há ou não a característica na reportagem. Além de presente
ou ausente, estão frases ou termos que complementam a avaliação. Após a

78
O termo decupagem aplicado ao cinema tem como função a ordenação do roteiro para a produção,
de acordo com Aumont e Marie (2003, p. 71) em Dicionário teórico e crítico de cinema. No sentido
aplicado neste trabalho, utiliza-se o significado de listagem ou organização do material pós-produção,
para indicar através dos registros textuais o que há no material gravado.
79
O protocolo apresentado por Altheide (1996) é composto por duas etapas. Na primeira etapa
constam os dados: evento/acontecimento, data da veiculação, numeração, emissora, programa,
tópicos gerais (expressões e palavras-chave) e tempo total. A segunda etapa do protocolo do autor
organiza os vídeos em segmentos menores, em segmentos de dois a três minutos e para cada
segmento foram registrados: tópico, tema, metáforas, fontes (não nominais, mas a função, a
qualidade agregada àquela pessoa).
74

segunda tabela a autora indica, em texto, registros relacionados ao referencial


teórico sobre o jornalismo ambiental e detalhes que chamaram a atenção da
pesquisadora.

TABELA 4 - PROTOCOLO DA REPORTAGEM 1


Título da matéria Lama chegou a cidade do ES que está a 50 quilômetros do mar

Data da veiculação 20 de novembro de 2015

Tempo de duração 2’59”

Repórter / Administrador da fazenda / Pescador não identificado /


Fontes
Professora /

Rio de lama / rastro de tristeza / O que vem pela frente, as


consequências, ainda ninguém sabe ao certo / A principal economia
Tópicos gerais dessa região está ameaçada pela lama / efeitos dessa tragédia / o
pesadelo virou realidade / rio agonizante / realidade do Rio Doce agora
é amarga

Vista aérea / Sobreposição de mapa e imagem do vídeo / Placa com a


Recursos visuais frase: Sou vida e gero vida Deixe-me viver RIO DOCE / fonte
chorando, triste / Pescador recolhendo os materiais de pesca

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/lama-chegou-
Link
cidade-do-es-que-esta-50-quilometros-do-mar.html

FONTE: a autora

A primeira reportagem analisada, Lama chegou a cidade do ES que está a


50 quilômetros do mar, apresenta o relato do repórter Marcos Losekann sobre a
chegada da água contaminada com a lama até o município de Linhares, distante 600
km da barragem. É uma guerra entre os que não podem fazer nada: os moradores,
a água limpa e animais e a água contaminada ou o ‘rio de lama’.

TABELA 5 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 1


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

O repórter A narrativa Estamos Provas: Problemas para os Todas as


contextualiza aborda a sobrevoando o imagem do rio produtores e pessoas que
a questão do questão ponto exato (...) contaminado, pescadores. tem espaço de
rompimento judicial e o e a água fala estão
da barragem problema das Estamos agora marrom, está A narrativa reporta e envolvidas com
com texto e pessoas que sobrevoando próximo ao amplifica, com a questão
imagens. dependem do (...) outro rio. adjetivos, as central da
rio para a questões da reportagem e se
sobrevivência Ali existe um Fala do dono reportagem. mostram
75

e tem grande estuário da pousada Informadas e


elementos que (...) A reportagem utiliza sabem da
demonstram múltiplos aspectos da contaminação.
solidariedade Terminaram questão e o que fica
de maneira hoje (...) evidente é a
apelativa com preocupação com
o texto e as quem não tem de
imagens ao onde retirar água
final do para o plantio, pasto
material. ou não tem como
pescar.
FONTE: a autora

A reportagem 1 utiliza a temática ambiental, mas não pode ser enquadrada


como Jornalismo Ambiental tendo como pressuposto o que os autores apontam.
Para ter a abordagem indicada como Jornalismo Ambiental, o processo poderia ter
sido incluído na narrativa, assim como as funções indicadas por Bueno (2007a):
pedagógica, informativa e, principalmente nesta situação, a política. Uma vez que a
função política da reportagem ambiental é a informação para mobilização no
enfrentamento e, quando necessário, solicitação de apoio para políticas públicas.
Sobre as fontes, na qualidade de suas funções sociais, aparecem com fala na
reportagem: um administrador da fazenda, um pescador e uma professora. O
pescador não é identificado, nem com nome e nem com a sua profissão. A
pesquisadora desse trabalho assim o adequou porque na fala ele diz que pescou.
Essa forma de apresentar as fontes remete ao que Bueno (2007a) aborda sobre a
lattelização. Embora nessa reportagem as pessoas fontes de fala não sejam
pesquisadores ou cientistas, quem foi nominado tem maior qualificação do que o
pescador, que ficou sem apresentação.
A forma de contar que o repórter conheceu, tem referência na síndrome da
baleia encalhada que está relacionada “espetacularização da tragédia ambiental,
com a procura do inusitado e do esotérico e o recurso ao sensacionalismo” (BUENO,
2007a, p.37), em especial ao final da reportagem, espaço que em tom de voz mais
sóbrio o repórter encerra “No rio agonizante, o pescador sente que não resta mais
nada a fazer. É cobrir o motor, recolher o leme e se resignar. A realidade do Rio
Doce agora é amarga” (LOSEKANN, 2015a). Neste trecho final da reportagem, o
repórter parece narrar o que o pescador está fazendo.
76

FIGURA 10 - PESCADOR NO RIO AGONIZANTE

80
FONTE: print da imagem da reportagem

São 15 segundos de narrativa com tom sensacional, buscando a emoção do


espectador. Um frame desse momento está na Figura 8.

TABELA 6 - PROTOCOLO REPORTAGEM 2


Maré cheia ajuda lama a não avançar mais para o mar no Espírito
Título da matéria
Santo

Data da veiculação 23 de novembro de 2015

Tempo de duração 3’03”

Repórter / gerente comercial / dono de pousada / Ministra do Meio


Fontes
Ambiente / Comitê Bacia Foz do Rio Doce / Representante Samarco

tentar conter os rejeitos de minério / maré alta atrapalha / falas


Tópicos gerais contraditórias das fontes / arquivo – atualização / fonte oficial poder de
Estado

Vista aérea / imagem do encontro do rio com lama e o mar / duas


sequencias de imagens de arquivo / fonte fala sobre a tristeza / placa
sinalização proibido banhistas / fonte fala sobre a morte do sonho /
Recursos visuais fonte fala sobre a forma de contaminação – técnica / fonte sobre a não
eficácia da barreira (arquivo) / fonte fala sobre o monitoramento –
técnico e contradiz o que a fonte anterior fala (arquivo) / água com
lama no reservatório

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/mare-cheia-ajuda-
Link
lama-nao-avancar-mais-para-o-mar-no-espirito-santo.html

FONTE: a autora

A reportagem de Mário Bonella mostra a lama de poluição chegando ao mar


no Espírito Santo. Além dessa informação, a narrativa contém a atualização de dois
dias anteriores com imagens e sonoras de arquivo sobre o monitoramento da água e

80
Disponível em: <https://goo.gl/LJ4Bx1>. Acesso em: 10 abr. 2016.
77

o abastecimento das cidades. A guerra entre a lama e a água limpa segue nessa
reportagem, como na primeira.

TABELA 7 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 2


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

Já no início da Nessa Agora nos Provas: Problemas para os A consequência


reportagem o reportagem estamos (...) imagem do moradores de do fato ocorrido,
jornalista consta a fala encontro da municípios que rompimento da
apresenta o da então Ela fica para água captam a água para barragem, é a
rio de lama na Ministra do aqui (...) contaminada consumo. contaminação
imagem Meio Ambiente com a água da água que
aérea, de que aborda a Ali existe um sem atinge as
dentro do preocupação grande estuário contaminação. pessoas dos
helicóptero. com a (...) municípios,
Durante o vt a qualidade da Fontes: falas inclusive de
narrativa água para uso Terminaram contraditórias; Colatina.
contextualiza e consumo. hoje (...) do
a questão e ambientalista
os Uma das e do
desdobramen- fontes aborda representante
tos com texto a tristeza em da empresa
e imagens. ver a água Samarco
daquela forma.
FONTE: a autora

A reportagem tem como gancho a contaminação da água em Colatina.


Porém, para chegar até lá o repórter sobrevoou o rio com a água contaminada e
atualizou as informações sobre o percurso da lama. O VT apresenta o que está
acontecendo no momento da captação das imagens, explica como está ocorrendo a
tentativa de contenção da contaminação e mostra, por outro lado, a negativa do
ambientalista. Embora o repórter explique como a prefeitura de Colatina está
trabalhando na purificação da água, não indica como é o processo ou apresenta
pessoas da comunidade que tenham utilizado a água. Também não informa sobre
as análises, deixando as funções do Jornalismo Ambiental de lado. A reportagem
está com informações encadeadas em processo compreensível e complexo. Embora
esse material seja próximo ao Jornalismo Ambiental, a maior parte da produção é de
arquivo (ver Figura 10) e a novidade é a fala da Ministra do Meio Ambiente.
É possível relacionar essa reportagem aos elementos indicados por Garcia
(apud Barros, 2012): A duração indeterminada do processo e a A incerteza
científica.
78

FIGURA 11 - IMAGEM DE ARQUIVO DO JN

81
FONTE: print da imagem da reportagem

Sobre as fontes, na qualidade de suas funções sociais, aparecem com fala na


reportagem: o dono de pousada, a Ministra do Meio Ambiente, um representante do
Comitê Bacia Foz do Rio Doce e um Representante da Samarco. Uma outra fonte,
um gerente comercial, atua ali como ‘usuário’ do Rio, não pela sua função social,
mas pela sua atuação em relação ao rio. Da mesma forma como ocorreu na
reportagem número 1, a apresentação das fontes remete ao que Bueno (2007a)
aborda sobre a lattelização. Uma das fontes faz uma fala em forma de protesto ou
apelo, Robson Barros que é identificado como ‘dono de pousada’ ‘Acabou o turismo
e acabou o surf aqui. A minha fonte de renda foi cortada, mataram o meu sonho, e
tão tirando a minha vida’.
TABELA 8 - PROTOCOLO REPORTAGEM 3
Título da matéria Biólogos alertam para consequências gravíssimas no Rio Doce

Data da veiculação 23 de novembro de 2015

Tempo de duração 2’56”

Repórter / analista ambiental / vice-pres. Comitê Bacia Foz do Rio


Fontes
Doce /

Praias de ondas marrons / pontinha do iceberg / didática / questiona a


Tópicos gerais consequência / incerteza sobre a contaminação / mudança já
registrada

Imagem do mar com lama / urubus / biólogos próximo ao rio /


Recursos visuais infografia mostrando a cadeia alimentar / repórter e analista ambiental
mostram uma prova irrefutável de rejeitos /

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/biologos-alertam-
Link
para-consequencias-gravissimas-no-rio-doce.html

FONTE: a autora

81
Disponível em: <https://goo.gl/vJv7JA>. Acesso em: 10 abr. 2016.
79

O repórter Marcos Losekann inicia a reportagem com a constatação dos


indícios de morte pela presença de urubus. Durante a narrativa, Losekann (2015b)
dá espaço para uma aula sobre a cadeira alimentar. Na sequencia, aparece próximo
à beira do rio e como uma das fontes da reportagem, explica o que ele enfatiza
como uma prova irrefutável da contaminação pelos rejeitos de minério. O tema
dessa reportagem não é mais o acidente, mas as consequências dele.

TABELA 9 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 3


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE AUSENTE PRESENTE PRESENTE AUSENTE AUSENTE

As imagens Rio morto, imagens Embora o


Narrativa dessa Nós entramos Palavras da de várias espécies contexto e a
contextualiza reportagem aqui nesse narrativa: mortas são situação sejam
a situação de sensibilizam igarapé (...) técnicos, mostradas no vídeo. de
morte no rio. para o alto biólogos, conhecimento
índice de pesquisadores. A situação foco da população,
mortes de Estamos desse material é a não há
diferentes exatamente na Fontes: consequência da participação de
espécies. barra do Rio pesquisadores. consequência. Ou fontes não
Doce (...) seja, a consequência especializadas
Prova do rompimento da nesse material e
irrefutável: barragem foi a as poucas
pesquisador contaminação e a pessoas que
‘mostra’ a consequência da aparecem
contaminação. contaminação é a mesmo sem
morte das espécies. espaço de fala
são indicadas
como
pesquisadores e
biólogos.
FONTE: a autora

A reportagem aborda aspectos adequados ao Jornalismo Ambiental,


apresenta o fato (já ocorrido, a lama depositada e seus riscos) e explica com
recursos visuais processos complexos de forma coloquial. Sobre as fontes, são dois
entrevistados que participam dessa reportagem. O analista ambiental é didático e
explica o que ocorre com a cadeia alimentar na falta de plâncton. Na sequencia a
mesma fonte explica a prova irrefutável de contaminação daquela região. A outra
fonte, que se repete na reportagem número 2, analisada nesse trabalho, traz a
incerteza e a imprevisibilidade da situação em relação à contaminação e a morte de
espécies. Nesse material ocorre na totalidade o que Bueno (2007a) denominou de
lattelização.
80

A reportagem contém muitos elementos do Jornalismo Ambiental e, dessa


forma, pode ser considerada como uma produção que informa, pois apresenta a
situação; e pedagógica, porque explica a função do plâncton na cadeia alimentar; e
política. Além disso, apresenta-se a cientificidade com provas e indícios visuais da
contaminação e consequente morte das espécies no Rio Doce.
O repórter utiliza recursos de narrativa sensacionalista para construir a
reportagem: uma prova irrefutável (com ênfase e ao final) da contaminação (Figura
11).

FIGURA 12 - REPÓRTER VERIFICANDO A PROVA IRREFUTÁVEL

82
FONTE: print da imagem da reportagem

Ao fim, Losekann (2015b) questiona: ‘Mas quais serão as consequências


dessas alterações? Quanto tempo elas vão durar? Por enquanto, só a natureza e o
tempo têm as respostas.’ Ficando no ar e deixando o telespectador refletir sobre o
que será da vida no Rio Doce. Nesse momento entende-se que o Paradoxo de
Guiddens pode ser compreendido aqui também. As pessoas assistem, pensam um
pouco e na sequencia surge uma nova notícia que apaga a questão problemática.
Assim, como na questão da mudança climática, está fora do meu alcance então não
tenho como ajudar ou auxiliar na redução do problema.

TABELA 10 - PROTOCOLO REPORTAGEM 4


Pesquisadores seguem poluição para avaliar danos ambientais em
Título da matéria
Minas

Data da veiculação 24 de novembro de 2015

Tempo de duração 4”00”

82
Disponível em: < https://goo.gl/CMPPgG >. Acesso em: 10 abr. 2016.
81

Repórter / Coord. Projeto Manuelzão / Google (com imagens) /


Fontes
Subtentente Corpo de Bombeiros /

Pesquisadores avaliam danos / previsão da recuperação / resgate do


Tópicos gerais rompimento da barragem / passeio pelo local (antes e depois) /
valorização da imagem com detalhes / processo judicial /

Água com lama em correnteza / mapa sobreposto à imagem do vídeo /


passeio por Bento Rodrigues (antes e depois) / casa mais alta / maior
Recursos visuais
prédio / aéreas mostrando a extensão da barragem / limpeza das ruas /
fachada da Samarco

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/pesquisadores-
Link
seguem-poluicao-para-avaliar-danos-ambientais-em-minas.html

FONTE: a autora

Embora o gancho da reportagem seja a pesquisa para avaliar danos, em


apenas 1”20” do material o tema está presente. Em uma narrativa que resgata a
memória através de imagens do Google, o repórter passeia pelo distrito de Bento
Rodrigues e aponta os locais destruídos e aparece na tela a imagem antiga, com as
construções inteiras.

TABELA 11 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 4


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE AUSENTE

As imagens Contaminação. Embora o


A destruição dessa Nesse trecho do Pesquisadores contexto e a
do distrito de reportagem Rio Doce (...) e outros Destruição do distrito. situação sejam
Bento sensibilizam representantes Imagens mostram de
Rodrigues. pela oficiais antes e depois da conhecimento
comparação Esse é o trecho apresentam situação. da população,
de imagens mais alto(...) dados. não há
antes e depois participação de
do rompimento Prova: fontes não
auxiliada pela imagens do especializadas
narrativa do Google de nessa matéria.
repórter. dois anos
antes do
rompimento da
barragem.
FONTE: a autora

A reportagem tem aspectos sobre o meio ambiente, mas o tema geral é o


desastre e a situação em que se encontra o local. No início mostra a coleta de
material para análise da água e na sequencia as imagens e a narrativa são todas
produzidas no distrito de Bento Rodrigues. A descrição das imagens do Google,
82

produzidas antes do desastre, é rica em detalhes. O repórter se posiciona nos locais


com lama e descreve o que tinha ali, na tela aparece a imagem anterior. É um apelo
emocional pela presença resgatada do que já não existe.

FIGURA 13- BENTO RODRIGUES ANTES DO DESASTRE

83
FONTE: Print da imagem da reportagem

A fala em off do repórter enquanto são apresentadas as imagens antigas tem


apelo emocional, da memória efetiva. “Uma casa chamava a atenção: toda cercada
com bambu, plantas no jardim e uma escadaria de pedra que levava a uma
lavanderia cheia de roupas.”

TABELA 12 - PROTOCOLO REPORTAGEM 5


Título da matéria Biólogos tentam evitar que tartarugas sigam para o mar de lama no ES

Data da veiculação 26 de novembro de 2015

Tempo de duração 2’15”

Fontes Repórter / coordenadora do Projeto Tamar / bióloga do Projeto Tamar

Tartarugas tem várias ameaças / mar de lama / lama não tinha hora
Tópicos gerais
pior para chegar / tentativa de salvamento /

mapa sobreposto à imagem do vídeo / imagem da foz do rio antes e


Recursos visuais
depois (contraste) / operação tática contra a lama / salvando tartarugas

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/biologos-tentam-
Link
evitar-que-tartarugas-sigam-para-o-mar-de-lama-no-es.html

FONTE: a autora

Na reportagem 5 o jornalista trabalha com um enredo de guerra, é uma


batalha das tartarugas com auxílio do Projeto Tamar para conseguir sobreviver.

83
Disponível em: <https://goo.gl/wxcE93>. Acesso em: 10 abr. 2016.
83

Enquanto narra, ainda no início, o repórter simula a participação na operação: “olha


aqui ó, tem um fujão” (BONELLA, 2015b) e entrega o filhote de tartaruga à equipe de
resgate.

TABELA 13 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 5


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE AUSENTE PRESENTE

Salvamento O cuidado O mar aqui Pesquisadores Contaminação Todas as


dos ovos de com os estaria com e outros visível. pessoas
tartarugas animais, lama (...) representantes envolvidas
para que o solidariedade oficiais são as O foco não é no estão cientes do
nascimento e e amor pela Olha aqui ó, tem fontes que rompimento. O fato e a ligação
o contato preservação. um fujão (...) complementa destaque, o foco, é com o projeto
inicial com a m as para a migração dos possibilitam a
água informações ovos de tartarugas difusão da
aconteça sobre para que o ocorrência.
longe da o fato. nascimento e
contaminação primeiro contato com
a lama. Prova: a água seja com a
imagens de água limpa.
arquivo antes
do rompimento
da barragem e
como está no
momento da
captação as
imagens para
a reportagem.
FONTE: a autora

O repórter conta a história e quem introduz elementos pedagógicos ou mais


informativos são as fontes da matéria. Ocorre a explicação da desova e como esse
processo natural está sendo alterado para prevenir o encontro da lama e dos filhotes
de tartaruga. Entre as características elencadas por Bueno, e demais autores, essa
reportagem cumpre o que exige o Jornalismo Ambiental porque o fato é abordado de
maneira contextual. Há, também, a ênfase ao risco e a duração indeterminada do
processo (GARCIA, apud BARROS, 2012). A coordenadora do Projeto reforça a
ameaça em sua fala e as imagens que seguem demonstram que é uma operação
coordenada. As fontes são todas especialistas, reforçando o que aponta Bueno
sobre a lattelização (2007a).
84

FIGURA 14 - O REPÓRTER ENTREGANDO O FILHOTE FUJÃO

84
FONTE: print da imagem da reportagem

O repórter indica que é tudo muito urgente, todos correm contra o tempo, não
poderia ter sido em hora pior a chegada da lama. E, assim como na reportagem 3 de
Losekann, o repórter participa do fato, do resgate das tartaguras, e atua como um
dos pesquisadores no salvamento das tartarugas bebês.

TABELA 14 - PROTOCOLO REPORTAGEM 6


Título da matéria JN mostra o encontro da lama com o mar no Espírito Santo

Data da veiculação 27 de novembro de 2015

Tempo de duração 3’52”


85
Repórter / comandante do navio / biólogo e pesquisador UFES /
Fontes 86
pesquisador IEAPM / mergulhador e cinegrafista

Navio: ‘espião’ para analisar a água / contaminação da água do mar /


Tópicos gerais operação próxima de militar / operação de guerra / escoltado por
golfinhos / não há dúvida / participação do repórter na história

Detalhes do navio / imagens dos equipamentos e das pessoas na


Recursos visuais operação de guerra / mapa sobreposto à imagem do vídeo / equipe
toda dentro do barco na água com lama /

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/jn-mostra-o-
Link
encontro-da-lama-com-o-mar-no-espirito-santo.html

FONTE: a autora

A reportagem de André Trigueiro mostra dois diferentes modos do trabalho de


equipes de pesquisadores para identificar como está a qualidade da água no litoral
do Espírito Santo. A narrativa faz menção a elementos de guerra, operações,

84
Disponível em: <https://goo.gl/x8FXs7>. Acesso em: 10 abr. 2016.
85
Universidade Federal do Espírito Santo.
86
Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.
85

equipamentos militares são alguns dos recursos utilizados no texto. O destaque na


primeira parte é o navio e os pesquisadores da Marinha e no segundo momento uma
equipe do Projeto Tamar.

TABELA 15 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 6


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE AUSENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

Esse navio de Pesquisadores O foco não é o Todas as


Mostrar a Está presente pesquisa da e outros rompimento, não é pessoas
pesquisa a esperança marinha (...) representantes somente a envolvidas
sobre a na fala da oficiais são as contaminação, mas estão cientes do
contaminação última fonte da Nessa fontes que sim o contingente fato e a ligação
da água no reportagem. embarcação complementa que se apresenta com o projeto
litoral do (...) m as para fazer o possibilitam a
Espírito Santo informações levantamento de difusão da
decorrente do Nesse trecho do sobre dados. ocorrência.
rompimento mar (...) o fato.
da barragem
de rejeitos. Nesse ponto, Prova:
olha só (...) imagens Da
água
contaminada
ao lado da
água ainda
limpa do mar.
FONTE: a autora

A localização e o deslocamento do repórter indicam a mudança de


posicionamento da situação. Na parte inicial da reportagem, até 2’45”, é mostrada a
operação militar em combate à lama. A partir da entrada em cena da equipe do
Projeto Tamar, a situação é de esperança e ‘tempos melhores’. O repórter está
atuante, acessa os ambientes do navio, está no mesmo barco de onde partem os
mergulhadores e pode indicar (Figura 14) a linha que separa a água limpa da água
marrom, contaminada. Dessa forma, o contexto da pesquisa se apresenta aos
telespectadores pois estão juntos na coleta de materiais e no mergulho na água
barrenta. As fontes que têm espaço de fala no navio falam cientificamente e no
barco mergulhador/cinegrafista fala ‘Que foi positivo [o mergulho] porque o mar
parece que tá vivo ainda. Ela tá cobrindo o mar, mas ele ainda está vivo.’ Enquanto
o cientista explica como a análise será feita, o mergulhador/cinegrafista, que é um
leigo, fala da aparência do mar: ‘está vivo’. Este material pode ser tomado como
exemplo do que Garcia indica apontado nessa dissertação por Barros (2012): é dada
86

ênfase ao risco, o processo está sem prazo de duração, existe uma incerteza
científica e a situação é bastante complexa.

FIGURA 15 - REPÓRTER INDICANDO A SEPARAÇÃO DA A LAMA E A ÁGUA LIMPA

87
FONTE: print da imagem da reportagem

A narrativa de Trigueiro é semelhante ao de enredo de ficção. Há um


problema, desenvolve a história e depois o ponto de virada e tudo acaba bem. A fala
da fonte no encerramento com a imagem do rio com água e lama contradiz pela
imagem, mas efetiva-se pelo testemunho ocular do mergulhador ter acessado a
água abaixo da lama. E a fala do repórter “O impacto é inevitável, a luta do mar
contra a lama vai ser longa e difícil. Mas há esperança.”

TABELA 16 - PROTOCOLO REPORTAGEM 7


Título da matéria Novas barreiras são construídas no Espírito Santo para tentar conter
lama

Data da veiculação 28 de novembro de 2015

Tempo de duração 1’47”

Fontes Repórter / moradora não identificada / veterinário

Ameaça da chegada da água / resgate à outra localidade e a situação


Tópicos gerais
atual /

mapa sobreposto à imagem do vídeo /paisagem bonita / tartaruga


Recursos visuais
colocando ovos a noite /

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/novas-barreiras-
Link
sao-construidas-no-espirito-santo-para-tentar-conter-lama.html

FONTE: a autora

87
Disponível em: <https://goo.gl/9ioiFa>. Acesso em: 10 abr. 2016.
87

A narrativa apresentada por Bonella (2015c) fala da ameaça da lama atingir


mais uma localidade e um outro rio. Aborda também a possiblidade de construção
de uma barragem para contenção para a água com lama. O repórter muda o rumo
da narrativa e resgata informações de outras localidades para atualização da
situação e então cita o acompanhamento das tartarugas.

TABELA 17 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 7


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE AUSENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

Ela pode chegar Pesquisadores Entende-se que não Moradores da


Mostrar até aqui(...) e a população há um foco nessa região, que tem
questões falam sobre a reportagem. Há espaço de fala,
ligadas à Nesse ponto, preocupação muitos enfoques e não são
contaminação exatamente com a água. apresentados através indicam a
pela lama. onde (...) de situações preocupação de
As imagens da passadas e em uma população
água diferentes maior.
contaminada e localidades.
os animais
sendo
atendidos
pelos
pesquisadores
FONTE: a autora

O repórter reporta ao menos três diferentes aspectos nesse material: a lama


chegando até outro rio, a possibilidade de construção de uma barragem para impedir
a chegada da lama ao mar e a ameaça de contaminação de animais. Porém, são
diferentes ocorrências e a construção da narrativa fica superficial e confusa em
relação ao local em que Bonella está abordando. Alguns elementos do Jornalismo
Ambiental identificados nesse material são: ênfase ao risco, duração indeterminada
do processo, participação de fontes especializadas, porém o contexto é confuso.
Uma das fontes, uma moradora, emocionada, fala da perda do rio e o veterinário
explica o processo que ocorre com a contaminação e as medidas de
acompanhamento que serão realizadas pela equipe de trabalho.
88

FIGURA 16 - IMAGEM DA TARTARUGA SENDO MONITORADA

88
FONTE: print da imagem da reportagem

A imagem da tartaruga colocando os ovos (Figura 15) chama a atenção e a


informação extraordinária de que um jacaré apareceu no meio da lama. Pela ênfase
do repórter, entende-se que isso é um fato inusitado.

TABELA 18 - PROTOCOLO REPORTAGEM 8


Título da matéria Representantes de 195 países se reúnem em Paris para a COP 21

Data da veiculação 30 de novembro de 2015

Tempo de duração 2’13”

Repórter / presidente Dilma / presidente Obama / presidente da China


Fontes
Xi Jinping /

Nunca ouve tantos líderes mundiais olhando na mesma direção /


Tópicos gerais grande operação na COP e fora, na cidade / referência ao desastre da
Samarco /

Grande número de pessoas com ternos e trajes formais, os líderes das


nações / Obama cumprimentando outros chefes de governo / recursos
Recursos visuais
gráficos para indicar a queda no desmatamento / a representante da
Noruega falando / imagens de arquivo de desmatamento /

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/representantes-de-
Link
195-paises-se-reunem-em-paris-para-cop-21.html

FONTE: a autora

O repórter faz uma introdução sobre a conferência, situa o espectador no


tema e apresenta três pontos na notícia: a fala da presidente Dilma, o acordo entre
os líderes e a possibilidade de dar certo. As imagens de arquivo ilustram de forma a
resgatar na memória, situações em flagrante do desmatamento no Brasil.

88
Disponível em: <https://goo.gl/mefn9S>. Acesso em: 10 abr. 2016.
89

TABELA 19 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 8


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE AUSENTE PRESENTE

Na narrativa não Os dados e as Fala sobre a É a cúpula


A condução Nações há marcação da informações assinatura e como mundial,
do acordo do buscam juntas localização, mas são provas de está acontecendo a representada
clima. condições na passagem do que o clima negociação para por seus
para o bem repórter, em está mudado. concretizar o acordo. mandatários,
estar das segundo plano envolvida em
populações está um painel um tema.
através de um em que é
acordo sobre o possível deduzir
clima. que o repórter
está na
Conferência.
FONTE: a autora

Embora a fala da presidenta Dilma Roussef sobre a Samarco, indicando que


as políticas públicas serão revistas, a narrativa do repórter não aborda o fato com
maior profundidade. Kovalick explica o acordo, as negociações para que ele
aconteça e indica a tênue linha de tensão entre os representantes. Os três
presidentes com espaço de fala indicam o engajamento dos dois maiores poluidores
e Estados Unidos e China.

FIGURA 17 - OS LÍDERES DOS PAÍSES EM APOIO AO ACORDO DO CLIMA

89
FONTE: print da imagem da reportagem

“Esses poderosos ainda têm muitas diferenças”, indica o repórter. “O planeta


agradece se chegarem mesmo a um acordo”. A imagem de todos os líderes remete
à agenda ambiental que se formou desde os anos 90. Todos os que ali estão
legitimam o acordo e demonstram apoio à luta contra o clima.

89
Disponível em: <https://goo.gl/MDU9jP>. Acesso em: 10 abr. 2016.
90

TABELA 20 - PROTOCOLO REPORTAGEM 9


Especialista explica importância de limitar aquecimento do planeta em
Título da matéria
2°C

Data da veiculação 30 de novembro de 2015

Tempo de duração 1’13”

Fontes Repórter / Sec. Exec. Observatório do Clima

Estado febril / explicação do porque da conferência / porque os dois


Tópicos gerais
graus / convulsão do planeta

Imagens de arquivo servem de referência ao que a fonte fala / repórter


Recursos visuais
ao lado de uma placa do evento

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/especialista-explica-
Link
importancia-de-limitar-aquecimento-do-planeta-em-2c.html

FONTE: a autora

A repórter explica que o planeta está febril. Levanta um questionamento e


quem responde é a fonte, um especialista. Uma nova passagem e a repórter
complementa as informações com o fechamento ‘É por isso que na COP 21,
representantes dos governos estão tentando fechar um acordo para evitar que a
Terra aqueça mais que dois graus até o fim do século, ou seja, para evitar que do
estado febril o planeta passe por uma convulsão.’

TABELA 21 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 9


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE AUSENTE PRESENTE PRESENTE AUSENTE AUSENTE

O pesquisador Através da narrativa


Responder a Aqui na COP 21 narra os fatos a reportagem explica
pergunta: (...) ocorridos e as o porque de limitar a
porque dois imagens dois graus o aumento
graus o limite legitimam o da temperatura.
do acordo da que ele indica.
COP?
FONTE: a autora

O relato da repórter traz informações de forma didática sobre o aquecimento


de 1ºC e sobre a previsão do que ocorre se a temperatura média aumentar em 2ºC.
A narrativa consegue dar conta do questionamento inicial na fala do especialista. As
imagens de arquivo auxiliam na busca por eventos citados pela fonte. É uma
91

reportagem curta, construída de maneira didática, pedagógica, informa e mostra as


consequências do aquecimento global e o porquê de limitar em dois graus. A
repórter utiliza termos como “estado febril” e “convulsão do planeta”, que dão ênfase
ao risco.

TABELA 22 - PROTOCOLO REPORTAGEM 10


Título da matéria Líderes do planeta tentam chegar a um acordo sobre o clima

Data da veiculação 01 de dezembro de 2015

Tempo de duração 1’25”

Fontes Repórter / presidente dos Estados Unidos / Ministra do Meio Ambiente

Todos estamos juntos / decisões legalmente vinculantes / Quem vai


Tópicos gerais
pagar a conta?

Imagens de arquivo da poluição na China / mapa na COP / auditório


Recursos visuais
com muitas pessoas / presidente dos EUA / ministra

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/lideres-do-planeta-
Link
tentam-chegar-um-acordo-sobre-o-clima.html

FONTE: a autora

A narrativa de Kovalick nessa reportagem aponta que a poluição é ruim e que


todos precisamos fazer algo para mudar a situação. Indica ameaça caso os acordos
não sejam cumpridos. Aponta que todos os representantes dos países aceitaram o
acordo. O dia não tem luz e a foto sem sorriso. O repórter apresenta outros
elementos nesse material, as questões sobre a legalidade da responsabilidade das
nações e de onde virá o dinheiro para financiar os projetos nos países pobres se
misturam aos outros detalhes. Em relação ao Jornalismo Ambiental esse material
relaciona a discussão em Paris com a condição atual da China. Essa visão
transversal é uma das indicações de Girardi para o jornalismo ambiental, embora
nesse material as questões processuais não estejam aprofundadas.
As duas fontes que aparecem são representantes oficiais, ou seja, mais um
exemplo da latellização apontada por Bueno (2007a).

TABELA 23 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 10


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
92

PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

Questões Justiça para Aqui em Paris Imagens de A narrativa aborda a Embora a


problemas e a toda a (...) arquivo poluição, a tentativa conferência
tentativa de população do mostrando do acordo, levanta a ocorra em Paris,
acordo sobre planeta. poluição questão sobre o a preocupação
o clima. visível pela financiamento de é com o
fumaça. ações para ‘frear o território
clima e a reportagem mundial.
encerra com a fala da
Ministra em relação a
adesão dos EUA no
acordo.
FONTE: a autora

A reportagem está construída com imagens do evento em Paris e imagens


externas da China. O texto que compõem a narrativa inclui os extremos: o dia não
tem luz e a foto não tem sorriso; enchente e seca no Brasil. Kovalick questiona: Só
temos esse Planeta, mas como fazer algo para conter as mudanças climáticas?

FIGURA 18 – MINISTRA FALA SOBRE A ABERTURA DOS EUA EM RELAÇÃO AO ACORDO

90
FONTE: print da imagem da reportagem

A reportagem aborda vários aspectos e não tem um foco definido. No início


aborda a relação da poluição e o acordo global e encerra com a ministra Izabella
Teixeira falando sobre a participação dos Estados Unidos na discussão sobre o
acordo do clima (Figura 17).

TABELA 24 - PROTOCOLO REPORTAGEM 11


Título da matéria Poluição nas águas do Rio é maior do que se imaginava, diz pesquisa

Data da veiculação 02 de dezembro de 2015

Tempo de duração 2’36”

90
Disponível em: < https://goo.gl/5gpPe8>. Acesso em: 10 abr. 2016.
93

Repórter / coordenador da pesquisa / gerente de sustentabilidade do


Fontes
Comitê Rio 2016

Testes sobre a qualidade da água Rio de Janeiro / locais de prova dos


Tópicos gerais
Jogos Olímpicos /

Sujeira na água / imagem google mapa e indicação de pontos / pontos


Recursos visuais
de referência no Rio de Janeiro

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/poluicao-nas-aguas-
Link
do-rio-e-maior-do-que-se-imaginava-diz-pesquisa.html

Fonte: a autora

A reportagem de André Trigueiro contextualiza o telespectador sobre os jogos


antes de entrar na novidade do assunto, a contaminação da água nos locais em que
acontecerão os Jogos Olímpicos. Uma nova pesquisa foi divulgada indica que a
água está muito contaminada.

TABELA 25 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 11


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

Contexto da Honestidade O repórter fala Dados de O foco é a A divulgação da


preparação em relação da praia e referência e de contaminação da pesquisa foi
para a aos depois de uma pesquisas água. A confusão ampla.
realização dos resultados. A ilha de edição. recentes. está na metodologia
Jogos questão de das análises.
Olímpicos no preservar a Pesquisador
Rio de Janeiro saúde dos como fonte da
ea demais em reportagem.
contaminação relação aos
da água perigos
apresentada apresentados
por uma nova nos resultados
pesquisa. da pesquisa.
FONTE: a autora

O repórter conta os fatos de maneira encadeada, explica o porquê da


pesquisa e indica o que ela afeta. Isso é reiterado pela primeira fonte, que informa
sobre como foi desenvolvida a pesquisa e o perigo em relação ao resultado. Após a
fala da fonte ligada ao comitê das Olimpíadas indica que a metodologia considerada
pela Organização Mundial de Saúde não é a mesma utilizada na pesquisa
apresentada e, com isso, desqualifica o resultado e afirma que a situação está sob
controle. O apresentador complementa a reportagem com informações de outros
94

integrantes do comitê das Olimpíadas sem indicar qual é a possibilidade efetiva de


contaminação.

FIGURA 19 - IMAGEM DO LIXO NO RIO DE JANEIRO

91
Fonte: print da imagem da reportagem

A forma como o repórter direciona a narrativa é espetacular. Ele fala dos


riscos e aponta a pesquisa que legitima o perigo e as imagens iniciais são chocantes
porque apresentam muito lixo.

TABELA 26 - PROTOCOLO REPORTAGEM 12


Título da matéria Pesquisadores apresentam projeto sobre território brasileiro na COP 21

Data da veiculação 02 de dezembro de 2015

Tempo de duração 1’01”

Repórter / coordenador do projeto MapBiomas/Obs. do Clima /


Fontes
engenheira do Google

Tópicos gerais Proposta de recurso para mostrar como está o solo / apoio do google /

Imagens de arquivo do Brasil / tecnologia referenciada por


Recursos visuais
computadores e telas / pessoas olhando as imagens de mapas

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/pesquisadores-
Link
apresentam-projeto-sobre-territorio-brasileiro-na-cop-21.html

Fonte: a autora

Maria Júlia Coutinho conta que uma espécie de fotografia desenvolvida por
brasileiros pretende fazer o registro cronológico sobre o uso do solo. E que, com
esse recurso, será possível o melhor planejamento de ocupação do território. As

91
Disponível em: < https://goo.gl/rvupr8 >. Acesso em: 10 abr. 2016.
95

duas fontes da reportagem falam com entusiasmo sobre a proposta. Os dois são
‘guardiões da racionalidade’, ou exemplos da lattelização do jornalismo. O gancho
da reportagem é o lançamento tecnológico. A repórter não exemplifica com questões
ambientais o que pode ser melhorado em relação direta à alteração climática.

TABELA 27 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 12


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE AUSENTE PRESENTE AUSENTE AUSENTE PRESENTE

Apresenta a (...) aqui na É uma O foco é o É uma novidade


novidade, o Conferência do novidade, lançamento do tecnológica que
mapeamento Clima (...) ainda não projeto MapBiomas. traz maior
do Brasil e as comprovada, acompanhamen
possibilidades apenas com to das questões
futuras desse possibilidades. de ocupação e
novo aparato. uso do território
Indica como e poderá ser
será feito o ampliado o uso
uso e que por outros
pode ser locais.
expandido
para outros
locais.
FONTE: a autora

A reportagem aborda os detalhes do lançamento do projeto MapBiomas e


enfatiza que é uma proposta brasileira. Não há questão problemática indicada nesse
material.

TABELA 28 - PROTOCOLO REPORTAGEM 13


Rascunho final do acordo que pode sair da COP 21 é divulgado em
Título da matéria
Paris

Data da veiculação 05 de dezembro de 2015

Tempo de duração 1’10”

Fontes Repórter / dois homens [especialistas] sem identificação

A divulgação do rascunho do acordo do clima / dívidas e incertezas


Tópicos gerais
sobre quem vai pagar a conta?

Recursos visuais Imagens de arquivo de diversos locais indicando poluição, seca, água

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/rascunho-final-do-
Link
acordo-que-pode-sair-da-cop-21-e-divulgado-em-paris.html

Fonte: a autora
96

A produção tem o foco no rascunho do texto do Acordo do Clima e destaca o


artigo que aborda a questão financeira. Sem explicar detalhes, a repórter aborda a
questão da responsabilidade pelos pagamentos e não o que ou como serão
realizados os programas e ações para reduzir o aumento de temperatura. As duas
fontes, mais uma vez inseridas na síndrome da lattelização, de Bueno (2007a),
explicam sobre a responsabilização dos países e a interpretação do texto já
elaborado. Não há elementos para denomina-la como uma produção de jornalismo
ambiental.

TABELA 29 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 13


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

Abordagem Questão Aqui em Paris O foco é o Embora aborde o Como serão


sobre a preocupante e (...) conteúdo do Acordo do Clima, o organizados os
elaboração do que resulta no Acordo e a conteúdo não é projetos e ações
texto do bem estar da Encerro minha questão em explicado. A em países
Acordo do população participação por destaque é o reportagem se limita signatários?
Clima. mundial. aqui (...) financiamento a questão financeira Quem vai ser
das ações. reiterada pelas duas responsável?
fontes. Quem será o
patrocinador?
FONTE: a autora

A narrativa da repórter aborda o rascunho do Acordo do Clima. Faz menção


ao artigo seis do texto e enfatiza que é a questão problema para os países porque
trata de dinheiro. Os dois entrevistados falam sobre a parte econômica para a
viabilização do acordo, reiterando o conteúdo apresentado pela jornalista. Não é
explicado o ‘como’ o acordo vai acontecer, indica que é um problema sem falar mais
detalhes.

TABELA 30 - PROTOCOLO REPORTAGEM 14


Título da matéria Tempo seco causa incêndios florestais em 17 municípios do Pará

Data da veiculação 11 de dezembro de 2015

Tempo de duração 2’20”

Repórter / moradora não identificada / morador não identificado /


Fontes veterinária UFRA / secretária de meio ambiente / chefe da
meteorologia do Sipam.
97

Os incêndios estão em vários locais no estado / ameaça de chega a


Tópicos gerais
pontos como aeroporto / região urbana

Poluição do ar na cidade / imagem de arquivo do rio / vista aérea do


Recursos visuais incêndio / fumaça / mapa sobre a imagem do vídeo / animais
machucados

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/tempo-seco-causa-
Link
incendios-florestais-em-17-municipios-do-para.html

Fonte: a autora

A narrativa é factual e está construída a partir dos focos de incêndio de


maneira fragmentada. O repórter explica o ocorrido, demonstra que há focos em
vários locais do estado e por último abre espaço para o especialista explicar que
isso pode ser efeito do El Niño.
Duas fontes não são identificadas: uma moradora que fala sobre a dor nos
olhos e um rapaz que está apagando o fogo e afirma que ‘perdeu tudo’ em relação
aos pés de açaí que estão queimando. As outras três pessoas refletem a lattelização
das fontes, uma é veterinária, outra secretária de meio ambiente e o terceiro chefe
da meteorologia.

TABELA 31 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 14


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE AUSENTE PRESENTE PRESENTE AUSENTE PRESENTE

Mostrar a A questão é Aqui no Pará É possível ver O foco são as Todas as


situação de saúde, (...) o fogo da consequências das pessoas
complicada preservação e imagem queimadas: questão envolvidas
pela fumaça falta de captada com de saúde, estão de uma
em cidades cuidado das helicóptero e preservação do meio forma ou outra
no Pará. pessoas em também a ambiente, não sendo
relação as visão da cumprimento de leis. impactadas pela
queimadas. amplitude com consequência
a arte que das queimadas.
insere o mapa
sobre a
imagem real.

FONTE: a autora

O repórter poderia ter construído a narrativa contextualizando os focos de


incêndio a partir do fenômeno do El Niño. Nessas condições, a narrativa seria direta,
da causa para o efeito e não inversa como foi apresentada.
98

FIGURA 20 - IMAGEM AÉREA DE REGIÃO DE INCÊNDIO

92
Fonte: print da imagem da reportagem

Embora a reportagem apresente os animais em recuperação, enfatize que é


grande a área já afetada pelo fogo e as consequências, a narrativa poderia ter outra
construção para ser considerada como jornalismo ambiental. A explicação de como
é a influência do El Niño na escassez de chuva, a influência na dinâmica da vida dos
animais poderiam ser elementos informacionais citados na reportagem.

TABELA 32 - PROTOCOLO REPORTAGEM 15


Título da matéria Conferência do Clima da ONU em Paris termina com acordo histórico

Data da veiculação 12 de dezembro de 2015

Tempo de duração 1’58”

Repórter / Ministra do Meio Ambiente / diretora do Instituto Clima e


Fontes
Sociedade

Emocionado presidente da COP / vararam madrugada / sotaque do


Tópicos gerais Brasil / comemoração pela assinatura do acordo / martelo verde /
França entregou um acordo ao mundo

Auditórios lotados / pessoas em trajes formais indicando que são os


Recursos visuais
representantes dos países /

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/conferencia-do-
Link
clima-da-onu-em-paris-termina-com-acordo-historico.html

FONTE: a autora

O repórter organizou a narrativa de forma direta com elementos do


vocabulário relacionado às alterações do clima e referências na linguagem coloquial.
Apresenta a grandeza da assinatura do termo com a comemoração dos
participantes, entre eles pessoas influentes como Al Gore.
92
Disponível em: <https://goo.gl/GYDt4c>. Acesso em: 10 abr. 2016.
99

FIGURA 21 - AL GORE COMEMORANDO O ACORDO DE PARIS

93
Fonte: print da imagem da reportagem

As duas fontes falam em tom otimista sobre a situação: a Ministra do Meio


Ambiente e a diretora do Instituto Clima e Sociedade. A narrativa contempla o
assunto de maneira clara. Não deixa de citar que embora o acordo tenha sido
firmado, não fala como e nem quando as ações serão tomadas. Nas imagens, a
referência de Al Gore demonstra o apoio de pessoas reconhecidas em relação ao
tema e que tem (ou tiveram) influência na mídia.

TABELA 33 - ELEMENTOS PROBLEM FRAME NA REPORTAGEM 15


VALORES
ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO CONTEÚDO FOCO RESSONÂNCIA
MORAIS
NARRATIVA E TEMPO INEQUÍVOCO DESORDENADO CULTURAL
UNIVERSAIS
PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE PRESENTE

É um resumo É um termo A imagem do O fato é o O assunto é o termo Envolve


do evento de documentado repórter indica Acordo assinado, mas o representantes
Paris com para benefício que a assinado e as repórter aborda os de quase 200
informações mundial em localização é próximas assuntos pré e pós países em todo
sobre o relação ao Paris. ações. As documento. Indica o mundo.
Acordo aquecimento imagens que os problemas
firmado e as global e suas reiteram a podem ser
possíveis consequências comemoração complicadores de
preocupações . da assinatura vida em ilhas, por
para do termo. exemplo.
cumprimento
dos
compromissos
FONTE: a autora

A linguagem utilizada pelo repórter atrai a atenção: martelo verde, a França


entregou um acordo climático ao mundo. Embora o gancho da reportagem seja a
assinatura do termo, meta previamente definida pela ONU, a reportagem mostra que

93
Disponível em: <https://goo.gl/qNz3Fs>. Acesso em: 10 abr. 2016.
100

é um problema sério tendo em vista o comprometimento de cinco anos para a


revisão das ações de redução de emissões. Os elementos que compuseram essa
narrativa são do problem frame, considerando que a produção apresenta as
informações do Acordo assinado, que seria uma vitória, e, por outro lado, aponta as
fragilidades do termo.
101

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo da comunicação demanda mais do que tempo e dedicação,


demanda a compreensão sobre as relações humanas, sobre as formas da
sociedade e o desenvolvimento da mesma. Demanda, ainda, o olhar crítico sobre o
que se pesquisa e o como organizar o estudo. Avaliando a caminhada nessa
dissertação, compreende-se que havia muitas possibilidades, mas a pesquisa é feita
de escolhas e a partir delas o que se apresenta é analisado. Sendo assim, as
observações, indicações e tendências redigidas nessa etapa do trabalho consideram
todas as escolhas feitas durante o percurso do processo de pesquisa e escrita da
dissertação.
Com os indicativos encontrados através da análise das 15 reportagens, se
torna viável pensar a lógica da mídia (Altheide, 1979) operando em narrativas
telejornalísticas. Os formatos e a gramática do jornalismo identificados no período
estudado refletem além da narrativa, demonstram que alguns repórteres, como
Marcos Losekann ou André Trigueiro relacionam os fatos ao contexto de maneira
mais clara e, com isso a história narrada se apresenta com mais coesão. Os
recursos como o repórter ser integrante ou participante do fato o qual narra trazem
mais elementos de legitimidade às narrativas.
Nas reportagens com tempos maiores de dois minutos, como Lama chegou a
cidade do ES que está a 50 quilômetros do mar (reportagem 01), a narrativa segue
um enredo com início, meio e fim com dramaticidade. Outra reportagem que
apresenta o mesmo aspecto, Biólogos alertam para consequências gravíssimas no
Rio Doce (reportagem 03) a narrativa é encadeada com recursos linguísticos que
demonstram os riscos e as incertezas fabricadas geradas a partir do fato narrado.
Nessa mesma produção, aspectos como a ênfase na prova irrefutável e a
participação do repórter na verificação do que a fonte explica legitimam os dados e
as informações apresentadas. Afinal, o repórter está lá, testemunhando e contando
o que viu.
Nas reportagens sobre a Conferência do Clima em Paris, indicadas pelos
números 8, 9, 10, 12, 13 e 15, três diferentes repórteres atuaram. Roberto Kovalick
que apresentou a COP no dia 30 de novembro e demonstrou a tensão entre países
que não estavam, ainda, comprometidos com a assinatura do termo. Tal ocorrência
remete à condição de incerteza fabricada, uma vez que só depende da vontade dos
102

representantes das nações firmar ou não o acordo. Maria Júlia Coutinho reportou
fatos em três diferentes momentos no presente estudo: explicou as consequências
do aumento de temperatura, abordou a nova forma de representar o solo e informou
sobre o rascunho do acordo do clima. A narrativa sobre as consequências do
aumento de temperatura são incertezas futuras (BECK, 2011) na atual sociedade de
risco.
É estranho refletir sobre o que a cobertura jornalística agendou em relação à
COP. Entre os seis registros estudados, quatro tem como parte da narrativa a
questão quem vai pagar a conta? Esse mesmo questionamento foi levantado por
Ramos (1995) no estudo desenvolvido sobre a Eco 92. Tal questão instiga ao
pensamento para estudos futuros sobre a repercussão midiática e a realidade
histórica após eventos como os estudados.
Além das narrativas, elaboradas em forma de enredo, com início, meio e fim,
outros recursos foram considerados. As imagens aéreas e a participação do repórter
em ‘cena’, interagindo durante o fato em que narra legitimam e creditam o que o
profissional está contando.
A agenda-setting ocorre e a consequência é que “a cada nova edição o
receptor espera informações novas, sejam novas informações sobre o que já
aconteceu, sejam novidades/acontecimentos inesperados e consequentes para as
vidas (notícias)” (TEMER, 2014, p.135). A atualização e sincronização do que se
sabe sobre o tema, nesta pesquisa, as novas produções atualizam as informações
sobre a Samarco, são os desdobramentos e correlatos cobertos no jornalismo.
Sobre a leitura de uma narrativa a partir da coletividade das reportagens
sobre a Samarco, tende-se a pensar, a partir dos elementos do problem frame que a
questão é uma tragédia (o que é real), afeta muitas pessoas, porém não há a
apresentação dos responsáveis. As reportagens apontam problemas consequentes
de uma só causa mas não apontam ou indicam quem, de forma clara é o produtor.
Não apontam, também, como o culpado deveria ser penalizado.
Em relação ao Jornalismo Ambiental, pode-se considerar que há elementos
apresentados nas reportagens. Como na reportagem 6, de André Trigueiro, em que
o repórter explica todo o processo que está acompanhando. Assim como a coesão
atribuída pela, talvez, experiência dos repórteres, o conhecimento prévio sobre os
temas auxilia a construção de uma narrativa densa e, ao mesmo tempo, clara e
explicativa.
103

As interpretações rementem às incertezas futuras que Beck (2011) utiliza para


ilustrar a Sociedade de Risco. Com as narrativas sendo direcionadas aos problemas
e questões complexas e sem solução, tende-se a vislumbrar riscos, ameaças e
incertezas fabricadas no telejornalismo.
Com essa perspectiva, a pesquisa apontada no início dessa dissertação, em
que indica ser a alteração do clima o maior medo 94 dos brasileiros tende-se a
considerar que o telejornalismo contribui para essa sensação, pois utiliza dos
elementos da Lógica da Mídia para a construção as narrativas em problem frame.

94
De acordo com a pesquisa da PewResearch Centre, divulgada pelo jornal digital El País em agosto
de 2015, o maior temor de 46% das pessoas entrevistadas nos 40 países é a mudança climática. O
brasileiro é uma das nações que teme mais a alteração do clima do Estado Islâmico ou a
instabilidade econômica, que apareceram respectivamente em segundo e terceiro lugares. A
pesquisa foi realizada entre março e maio de 2015, com mais de 45 mil pessoas pelo mundo. Pediu-
se que classificassem alguns dos maiores problemas do nosso tempo. As opções para cada item
eram “muito preocupado”, “preocupado”, “não muito preocupado” ou “nada preocupado”. Disponível
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104

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110

ANEXOS
ANEXO 1 – DADOS ENVIADOS POR JUAN CRISAFULLI – DURAÇÃO DAS 27
EDIÇÕES DO JORNAL NACIONAL SOLICITADAS AO GLOBO UNIVERSIDADE

Monica Iurk <monicaiurk@gmail.com>

GLOBO/INSTITUCIONAL - INFORMAÇÃO/DÚVIDA - 20/04/2017


1 de junho de 2017
Juan Crisafulli <juan.crisafulli@tvglobo.com.br>
17:19
Para: Mônica Iurk <monicaiurk@gmail.com>

Monica.
Segue a informação solicitada.
Boa sorte na conclusão da sua pesquisa.
Juan Manuel

JORNAL NACIONAL 2015

20/11 – 56’06”

21/11 – 43'22"

23/11 – 53’42”

24/11 – 55’12”

25/11 – 35'05"

26/11 – 43'05"

27/11 – 54’55”

28/11 – 47’08”

30/11 – 46’16”

01/12 – 39'06"

02/12 – 38'40"

03/12 – 41'40"

04/12 – 43'25"

05/12 – 42'45"
111

07/12 – 39'24"

08/12 – 42'15"

09/12 – 46’25”

10/12 – 39'00"

11/12 – 45’46”

12/12 – 41'14"

14/12 – 44'05"

15/12 – 44'30"

16/12 – 51’57”

17/12 – 51’16”

18/12 – 51’08”

19/12 – 41'34"

21/12 – 43'05"

De: Mônica Iurk [mailto:monicaiurk@gmail.com]


Enviada em: segunda-feira, 8 de maio de 2017 18:47

[Texto das mensagens anteriores oculto]


[Texto das mensagens anteriores oculto]

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112

ANEXO 2 - TABELA COM OS REGISTROS DA SELEÇÃO TOTAL DO MATERIAL JORNALÍSTICO EXTRAÍDO DO JORNAL NACIONAL.

Tabulação dos materiais produzidos pelo Jornal Nacional relacionados ao meio ambiente
Se
Dura repórter / Selecio
gun data editoria assuntos Fontes elementos link Obs
ção Local nada
dos
1. moradora não identificada 2.
http://g1.globo.com/jornal-
morador não identificado 3. Edson não pq o
nacional/noticia/2015/11/agua
[SAMARCO] processo/ falta de água Mário Bonella / Medeiros - funcionário público 4. tema é a
1 20.11.2015 2'48" -em-colatina-ja-comeca-
meio ambiente em Colatina Colatina (ES) Alcenir Gomes - enfermeiro falta de
faltar-ate-para-moradores-
5.Leonardo Deptulski - prefeito de água
beberem.html
Colatina

http://g1.globo.com/jornal-
1.Jonaci de Jesus - administrador
Marcos nacional/noticia/2015/11/lama
[SAMARCO] da fazenda 2. pescador/morador
2 20.11.2015 Lama chegou a cidade 3'11" Losekann / sobrevôo -chegou-cidade-do-es-que- sim
Meio ambiente não identificado 2. Josimaria
Linhares (ES) esta-50-quilometros-do-
Araújo dos Santos - professora
mar.html

1. parente de vítima não


identificada 2. Capitão Thiago http://g1.globo.com/jornal-
Isabela Miranda - Corpo de protesto / nacional/noticia/2015/11/mor não pq o
[SAMARCO] Encontrado mais um
3 20.11.2015 3'57" Scalabrini / Belo Bombeiros/MG 3.Rafaela Balbi processo adores-de-mg-protestam- tema são
meio ambiente corpo
Horizonte Fernandes - mestre em geotecnia judicial contra-demora-na-busca-de- as vítimas
4. Mauro Ellovitch - promotor de desaparecidos.html
Justiça

1. José Carlos Salles - Ass. da


Alteração do
Diretoria-Geral do DNPM 2. não pq o
Código e http://g1.globo.com/jornal-
deputado Federal Leonardo tema é a
Cláudia denúncia de nacional/noticia/2015/11/codi
Política alteração do Código de Quintão, PMDB-MG - relator da tramitação
4 20.11.2015 4'13" Bomtempo / doação de go-que-discute-propostas-
(pública) Mineração proposta 3. deputado federal da lei e o
Brasília mineradoras para-setor-de-mineracao-e-
Sarney Filho - PV-MA 4. Jerson deputado
na campanha criticado.html
Carneiro - prof. de direito corrupto
eleitoral
adminstrativo IBMEC/RJ
113

http://g1.globo.com/jornal-
Malu Mazza /
Tornado estraga casas nacional/noticia/2015/11/torn não pq o
Marechal 1. moradora não identificada 2. vídeo de
5 20.11.2015 meio ambiente PR e SC 1'25" ado-com-vento-de-115kmh- tema são
Cândido morador não identificado telespectador
(Tempo/Clima) provoca-destruicao-no- os estragos
Rondon (PR)
parana.html

Maria Júlia como se http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do Previsão - fala dos
6 20.11.215 2'28" Coutinho formam os nacional/edicoes/2015/11/20. não
Tempo tornados
estudio tornados html#!v/4623963

1.Brigadista não identificado http://g1.globo.com/jornal- não pq o


2.Bruno Barros - biólogo nacional/noticia/2015/11/com tema é o
Queimada na área de Mauro Anchieta
7 20.11.2015 Queimada 2'05" 3.Eugênio Spengler - sec.Meio sobrevôo bate-queimada-na-chapada- apagament
preservação / Lençóis (BA)
Ambiente - BA 4.Moradora não diamantina-ja-dura-quase-20- o do fogo e
identificada dias.html voluntários
não pq o
repórter
está na
http://g1.globo.com/jornal-
[SAMARCO] Mário Bonella / vídeo de cidade e
8 21.11.2015 poluição do Rio Doce 1'21" 1.moradora não identificada nacional/edicoes/2015/11/21.
Meio ambiente Colatina (ES) telespectador não no
html
local do
gancho da
reportagem

http://g1.globo.com/jornal-
manifestação pró 1. Flávio Almeida - comerciante não pq o
Fernando nacional/noticia/2015/11/medi
[SAMARCO] empresa /trabalho de 2.Daiana Elias - médica 3.fala tema é a
9 21.11.2015 2'36" Moreira / Bento cos-voluntarios-levam-ajuda-
Acidente médicos e outros vocalista Eddie Vedder - banda segurança
Rodrigues (MG) moradores-atingidos-por-
voluntários Pearl Jam do trabalho
lama-em-mg.html

[SAMARCO] http://g1.globo.com/jornal-
Previsão - fala da Eiana Marques
10 21.11.2015 Previsão do 2'23" nacional/edicoes/2015/11/21. não
chuva e de Mariana /Estúdio
Tempo html#!v/4625830

1.Carlos Quirino - gerente


comercial 2.Robson Barros -dono http://g1.globo.com/jornal-
de pousada 3. Izabella Teixeira - nacional/noticia/2015/11/mar
[SAMARCO] Mário Bonella /
11 23.11.2015 Contaminação 3'10" minsitra do Meio Ambiente sobrevôo e-cheia-ajuda-lama-nao- sim
Meio ambiente Linhares (ES)
4.Carlos Sangalha - comitê Bacia avancar-mais-para-o-mar-no-
Foz do Rio Doce 5.Alexandre espirito-santo.html
Souto - representante Samarco

http://g1.globo.com/jornal-
Marcos 1.Paulo Ceccarelli - analista
nacional/noticia/2015/11/biolo
[SAMARCO] Losekann / Foz ambiental do CEPTA 2.Carlos
12 23.11.2015 Contaminação 3'02" gos-alertam-para- sim
Meio ambiente do Rio Doce Sangalha - vice-pres. comitê Bacia
consequencias-gravissimas-
(ES) Foz do Rio Doce
no-rio-doce.html
114

1.sargento Wesley faria - Corpo de


http://g1.globo.com/jornal- não porque
Bombeiros 2.Dona Valdomira -
Ismar Madeira / nacional/noticia/2015/11/defe o tema é o
[SAMARCO] moradora 3. moradora não
13 23.11.2015 famílias que resistem 2'27" Ponte do Gama sa-civil-resgata-familias- resgate de
Meio ambiente identificada 4.Welbert Stopa
(MG) isoladas-desde-enxurrada- pessoas
Ferreira - Coord. Defesa Civil
em-mg.html isoladas
Mariana (MG)

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/11/num
Renata NOTA
14 23.11.2015 MIANMAR deslizamento de terra 22" ero-de-mortos-em- não
Vasconcelos COBERTA
deslizamento-de-terra-em-
mianmar-sobe-pra-113.html
http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/11/chuv
CHUVA NOTA
15 23.11.2015 enchente 21" Wilian Bonner a-forte-inunda-cidades-no- não
FORTE SP COBERTA
interior-de-sp-nesta-segunda-
23.html

Maria Júlia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do chuvas/temp
16 23.11.2015 Previsão - chuvas 2'38" Coutinho nacional/edicoes/2015/11/23. não
Tempo estades
estudio html

1. Rodrigo Júdice - Sec. Est. Do


http://g1.globo.com/jornal-
Meio Ambiente 2. Genival Gome - não porque
nacional/noticia/2015/11/lama
[SAMARCO] Mário Bonella / agricultor 3. esposa de genival - o tema é o
17 24.11.2015 Contaminação água 2'25" -volta-provocar-corte-do-
Meio ambiente Linhares (ES) não identificada 4. Joca Thome - abastecime
abastecimento-de-agua-em-
coordenador do Projeto Tamar 5. nto de água
colatina.html
Elenita Teixeira - aposentada

1.Walace Magalhães Trindade -


http://g1.globo.com/jornal-
(situação pós acidente geógrafo 2. Marcus Vinicius
Ismar Madeira / nacional/noticia/2015/11/pesq
[SAMARCO] ) contexto atual (antes Polignano - coord. Projeto
18 24.11.2015 4'16" Bento Rodrigues uisadores-seguem-poluicao- sim
meio ambiente e depois) / processo Manuelzão 3. Subtentente Selmo
(MG) para-avaliar-danos-
judicial de Andrade - Corpo de
ambientais-em-minas.html
Bombeiros/MG

1. Ricardo Nicolau - empresário 2.


http://g1.globo.com/jornal-
(Mariana -filha de Ricadro - sem
[SAMARCO] nacional/noticia/2015/11/corr não porque
doações do PR para Marcelo Rocha / identificação) 3. Fábio Júnior
19 24.11.2015 doações 2'08" ente-do-bem-leva-donativos- o tema é
Mariana Mariana, MG Oliveira - voluntário 4. José
solidariedade do-parana-comunidades-de- doação
Barbosa dos Santos - morador de
mariana.html
Mariana

http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do
20 24.11.2015 2'50" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/11/24. não
Tempo
3106 html
115

http://g1.globo.com/jornal-
licença ambiental Belo
21 24.11.2015 Meio ambiente 17" Bonner Nota pelada nacional/edicoes/2015/11/24. não
Monte
html
http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/11/terre
22 24.11.2015 Meio ambiente terremoto no Peru 21" Bonner Nota pelada moto-de-75-graus-no-peru-e- não
sentido-em-rio-branco-e-
porto-velho.html
http://g1.globo.com/jornal- não porque
1. Braz Matias - pedreiro 2. Alex nacional/noticia/2015/11/navi o tema
[SAMARCO] falta de água / navio Mário Bonella /
23 25.11.2015 2'09 Urbancg - imediato do navio 3. o-da-marinha-vai-avaliar- inicial é a
meio ambiente analisa água Vitória
marinheiro não identificado estragos-da-lama-no-mar-do- manifestaç
espirito-santo.html ão
http://g1.globo.com/jornal- não,
[SAMARCO] Ismar Madeira / nacional/noticia/2015/11/novo porque o
1. Rodrigo Bustamante - delegado citação de
24 25.11.2015 processo investigação 2'38" Ponte do Gama, -inquerito-sobre-estabilidade- tema é a
Polícia Civil/MG nota da ONU
judicial MG das-barragens-da-samarco-e- investigaçã
aberto.html o policial
fala da
http://g1.globo.com/jornal- jornalista
Previsão do ano mais quente da
25 25.11.2015 1'52" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/11/25. sobre não
Tempo 'história'
html mudanças
climáticas
http://g1.globo.com/jornal-
não porque
[SAMARCO] mais um corpo 1.Marli de Fátima Felício - filha de nacional/noticia/2015/11/enco
Ismar Madeira / o tema é
26 26.11.2015 corpo encontrado/desapareci 2'29" Maria das Graças Celestino 2. ntrado-mais-um-corpo-perto-
Mariana, MG em relação
encontrado dos (Seu Henrique-não identificado) da-barragem-que-se-rompeu-
às vitimas
em-minas.html

1.Ricardo Morra -
não porque
coord.Lab.Gestão Amb. De http://g1.globo.com/jornal-
o reporter
Reservatórios/UFMG 2. Francisco nacional/noticia/2015/11/pesq
[SAMARCO] Ricardo Soares / está em BH
27 26.11.2015 contaminação da água 3'11" Antõnio Barbosa - professor de uisadores-criticam-testes-de-
Meio ambiente Belo Horizonte falando de
Luminologia/UFMG 3. Roberto qualidade-de-agua-do-rio-
Bento
Ventura Santos-diretor CPRM - doce.html
Rodrigues
Ser. Geológico do Brasil

http://g1.globo.com/jornal-
1.Cecília Baptistotte-
Mario nacional/noticia/2015/11/biolo
[SAMARCO] perigo na desova das coordenadora do Projeto Tamar
28 26.11.2015 2'23" Bonella/Linhares gos-tentam-evitar-que-
Meio ambiente tartarugas 2.Jordana Freire - bióloga do
, ES tartarugas-sigam-para-o-mar-
Projeto Tamar
de-lama-no-es.html

culpa do El
http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do Niño (sem
29 26.11.2015 perigo de chuvas 2'19" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/11/26. não
Tempo explicações
html
de que é)
116

http://g1.globo.com/jornal-
1.(Agostinho - morador não
Ismar Madeira / nacional/noticia/2015/11/mais
[SAMARCO] mortos, processo, identificado) 2. Ricardo Vescovi -
30 27.11.2015 3'16" Paracatu de -dois-corpos-sao- não
Meio ambiente declaração empresa presidente da Samarco 3. Murilo
Baixo, MG identificados-pela-policia-
Ferreira - presidente da Vale
apos-desastre-em-minas.html
http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/11/gove
[SAMARCO] ação governo federal -
31 27.11.2015 29" Wilian Bonner nota pelada rno-quer-criar-fundo-para- não
Meio ambiente fundo $
reparar-danos-ambientais-
em-mariana-mg.html
http://g1.globo.com/jornal-
Fernando nacional/noticia/2015/11/sam
[SAMARCO] perdas e potencial de
32 27.11.2015 2'40" Moreira / Belo 1. Paulo Matos - professor Ibmec arco-tem-atividades- não
ECONOMIA retomada
Horizonte suspensas-saiba-mais-sobre-
mineradora.html

1.Cap.Aloizio Maciel de Oliveira Jr.


1.André TRILHA
-comandante do navio 2.Juliano http://g1.globo.com/jornal-
Trigueiro SONORA/DR
Bicalho-biólogo e pesquisador nacional/noticia/2015/11/jn-
[SAMARCO] 2.André ONES/camer
33 27.11.2015 navio análise 4'07" UFES 3.Loherngrin Fernandes - mostra-o-encontro-da-lama-
Meio ambiente Trigueiro - litoral as em
pesquisador do IEAPM 4.Erico com-o-mar-no-espirito-
do Espírito equipamento
Marcovaldi - mergulhador e santo.html
Santo s do navio
cinegrafista

http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do
34 27.11.2015 alerta de chuva forte 2'48" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/11/27. não
Tempo
html

1.Carlos Carneiro - comerciante


2.José Liberato Dias - pedreiro 3.
http://g1.globo.com/jornal-
Maria de Fátima Felício - auxiliar não porque
novos locais de nacional/noticia/2015/11/vitim
[SAMARCO] Ismar Madeira / de serviços gerais 4.José do o tema é
35 28.11.2015 moradia / preocupação 3'16" as-da-lama-em-mg-pedem-
pós acidente Mariana, MG Nascimento de Jesus - integrante aluguel de
com outras barragens transferencia-para-casas-
da comissão de moradores 5. casas
alugadas.html
moradora não identificada 6.
Guilherme Sá - promotor de justiça

http://g1.globo.com/jornal-
1. moradora não identificada 2.
nacional/noticia/2015/11/nova
[SAMARCO] contaminação dos Mário Bonella / Nacelina Carlos - aposentada
36 28.11.2015 1'57" s-barreiras-sao-construidas-
Meio ambiente outros rios e mar São Mateus, ES 3.Marcelo Renan Santos -
no-espirito-santo-para-tentar-
veterinário
conter-lama.html

oscilação de http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do
37 28.11.2015 temperaturas - próxima 2'44" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/11/28. não
Tempo
semana alerta html
117

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/11/dilm
preparação do evento, Roberto
38 28.11.2015 COP 21 1'58" a-rousseff-ja-esta-em-paris-
Dilma em Paris Kovalick/Paris
para-participar-da-21-
conferencia-do-clima.html
http://g1.globo.com/jornal-
Ilze nacional/noticia/2015/11/papa
Papa na África - fala do Papa Francisco sobre
39 28.11.2015 Papa 1'39" Scamparini/Rom -francisco-pede-em-uganda- não
preservação corrupção
a que-o-mundo-preste-atencao-
africa.html
http://g1.globo.com/jornal-
Maju está em Paris, Maria Júlia
nacional/noticia/2015/11/maju
contexto evento, Coutinho em
40 28.11.2015 COP 21 39" -esta-em-paris-para- não
preparação, atentado, Paris (sem
acompanhar-conferencia-do-
segurança lettering)
clima-da-onu.html

http://g1.globo.com/jornal-
licenciamento
[SAMARCO] Ricardo Soares / 1.(Rodrigo - morador sem nacional/noticia/2015/11/contr
41 30.11.2015 ambiental, acidente, 2'34" não
meio ambiente Belo Horizonte identificação) oladoria-investiga-concessao-
investigação
de-licenca-para-samarco.html
2746

1.Marcos Aurélio de Arruda - http://g1.globo.com/jornal-


não porque
[SAMARCO] navio, pesquisa, Mário Bonella/ capitão dos portos 2. Rodrigo nacional/noticia/2015/11/lama
42 30.11.2015 2'09" o tema é o
meio ambiente turismo, Regência, ES Bezerra - dono de pousada -da-samarco-afasta-turistas-
navio
3.Raniele dos Santos - estudante da-foz-do-rio-doce.html

TODOS SEM IDENTICIAÇÃO


LETTERING 1. (fala da
http://g1.globo.com/jornal-
participação recorde de representante da Noruega sobre
nacional/noticia/2015/11/repr Dilma fala de
chefes de estudo, Roberto acordo para preservação da
43 30.11.2015 COP 21 2'28" esentantes-de-195-paises-se- Mariana sim
Amazônia, Desastre Kovalick/Paris Amazonia - sem identificação)
reunem-em-paris-para-cop- [SAMARCO]
Mariana [SAMARCO] 2.(fala da presidente Dilma) 3.
21.html
Barack Obama 4.Xi Jinping -
China

http://g1.globo.com/jornal-
aumento de nacional/noticia/2015/11/espe
Maria Julia 1. Carlos Rittl - sec. Exec.
44 30.11.2015 COP 21 temperatura / freada 1'21" cialista-explica-importancia- sim
Coutinho / Paris Observatório do Clima
em 2° C / estado febril de-limitar-aquecimento-do-
planeta-em-2c.html

http://g1.globo.com/jornal- mais chuvoso


Previsão do
45 30.11.2015 2'13" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/11/30. dos últimos não
Tempo
html anos
118

1.Dilma Rouseff - presidente 2.


http://g1.globo.com/jornal-
Sem. Álaro Dias, PSDB-PR - líder
nacional/noticia/2015/11/dilm entrevista de
Zileide da oposição 3. Sem. José
46 30.11.2015 Política prisão Delcídio 3'44" a-fala-pela-primeira-vez- Paris, da não
Silva/Brasília Medeiros - PPS-MT 4. Dep.
sobre-prisao-do-senador- COP
Eduardo Cunha, PMDB-RJ-
delcidio.html
presidente da Câmara

1.Ricardo Vescovi - presidente da http://g1.globo.com/jornal-


Samarco 2. Guilherme Sá nacional/noticia/2015/12/presi
[SAMARCO] ações, análises, Ricardo Soares /
47 01.12.2015 2'27" Meneguini - promotor de justiça dente-da-samarco-presta- não
meio ambiente avaliação situação Belo Horizonte
3.Albertino Damasceno dos depoimento-ao-ministerio-
Santos - aposentado publico.html

1. Ricardo Motta Coelho -


http://g1.globo.com/jornal-
pesquisador-UFMG 2. Itailda não porque
Mario nacional/noticia/2015/12/mor
[SAMARCO] Corrêa - dona de casa 3.Gelson o tema é o
48 01.12.2015 contaminação da água 2'03" Bonella/Linhares adores-de-linhares-es-
Meio ambiente Suava - dir. Serviço de Água e abastecime
, ES voltam-se-preocupar-com-
Esgoto 4. Suellen França - dona nto de água
qualidade-da-agua.html
de casa

http://g1.globo.com/jornal-
fala Obama (sem identificação) 1. nacional/noticia/2015/12/lider
Roberto
49 01.12.2015 COP 21 o debate 1'35" Izabella Teixeira - ministra do Meio es-do-planeta-tentam-chegar- sim
Kovalick/Paris
Ambiente um-acordo-sobre-o-
clima.html
http://g1.globo.com/jornal-
1. (luc Climax -sem identificação) nacional/noticia/2015/12/grup
humor, distribuição de Maria Julia
50 01.12.2015 COP 21 1'11 2.Marcio Astrini - coord. de o-usa-humor-para-alertar- não
águas, desmatamento Coutinho / Paris
políticas públicas do Greenpeace sobre-mudancas-
climaticas.html
http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do
51 01.12.2015 chuvas, cita Mariana 1'45" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/12/01. El Niño não
Tempo
html
http://g1.globo.com/jornal-
1.Fernando Spilki - coordenador
nacional/noticia/2015/12/polui
Poluição Rio estudo cientifico, Baia Andre Trigueiro da pesquisa 2.Tânia Braga-
52 02.12.2015 3'11" cao-nas-aguas-do-rio-e- sim
de Janeiro de Guanabara - Rio de Janeiro gerente de sustentabilidade do
maior-do-que-se-imaginava-
Comitê Rio 2016
diz-pesquisa.html
http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/mp-
[SAMARCO] indenização, depósito Ricardo Soares / 1. Carlos Eduardo Ferreira Pinto -
53 02.12.2015 2'15" de-mg-vai-investigar- não
investigação fundo, investigação Belo Horizonte promotor de Justiça
servidores-que-liberaram-
barragem-de-mariana.html
119

a chamada
http://g1.globo.com/jornal- da
1. Tasso Azevedo coord. do
nacional/noticia/2015/12/pesq apresentador
fotografia' do uso do Maria Julia Projeto MapBiomas/Obs. Do Clima
54 02.12.2015 COP 21 1'29" uisadores-apresentam- a não tem sim
solo brasileiro Coutinho / Paris 2. Rebecca Moore - engenheira do
projeto-sobre-territorio- relação direta
Google
brasileiro-na-cop-21.html com a
reportagem

http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do
55 02.12.2015 1'13" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/12/02. El Niño não
Tempo
html

1 Jeferson Geraldo Inácio - http://g1.globo.com/jornal-


[SAMARCO] vigilante desempregado 2.Duarte nacional/noticia/2015/12/mor ligação
Ismar Madeira /
56 03.12.2015 moradores 1'51" Júnior, PPS - prefeito de Mariana, adores-de-mariana-cobram- SAMARCO- não
Belo Horizonte
desabrigados MG 3. Fernando Pimentel, PT - agilidade-na-concessao-de- COP
governador de Minas Gerais moradias.html

http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do
57 03.12.2015 1'31" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/12/03. não
Tempo
html

destaque previsão http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
58 04.12.2015 Paraná - imagens Foz 1'55" Eliana Marques nacional/edicoes/2015/12/04. não
Tempo
do Iguaçu html

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/vale-
[SAMARCO] Fernando
mais rejeitos que o 1. Jorge Munhós - procurador da jogou-mais-rejeitos-em-
59 04.12.2015 Meio ambiente 1'32" Moreira /Belo não
documentado República barragem-do-que-tinha-
- denúncia Horizonte
declarado-diz-
documento.html

1. Marli - (moradora não


http://g1.globo.com/jornal-
identificada) 2. Marcelo Felíico -
[SAMARCO] Phelipe Siani / nacional/noticia/2015/12/jn-
moradores retornar a auxiliar de topografia -
60 04.12.2015 situação pós 4'59" Bento mostra-o-que-sobrou-de- sim
Bento rodrigues - apelo desabrigado 3.Elisiene da
acidente Rodgrigues,MG bento-rodrigues-apos-
Conceição Messias - açogueira -
tragedia.html
desabrigada 4. Marli novamente

1.Enedina Fernandes Pereira - http://g1.globo.com/jornal-


Fernando dona de casa 2.Selmo de Andrade nacional/noticia/2015/12/desa
61 05.12.2015 [SAMARCO] 1 mês do desastre 2'32" Moreira /Bento Lopes - subtentente do Corpod e stre-em-mariana-mg- não
Rodrigues, MG Bombeiros 3. Alexandra Aparecida completa-um-mes-e-ainda-
dos Santos - professora nao-se-sabe-causa.html
120

1. Ana Paula Auxiliadora


Alexandre - esposa do Edinaldo http://g1.globo.com/jornal-
Phelipe Siani /
2.Marli Felício (ONTEM) - nacional/noticia/2015/12/ident
Mariana, MG -
62 05.12.2015 [SAMARCO] os que morreram 5'38" desabrigada - auxiliar de limpeza ificados-mais-quatro-corpos- não
Bento
3. Pamela Coimbra - mãe da de-vitimas-da-tragedia-de-
Rodrigues, MG
Emmanuelly 4.Wesley Isabel - pai mariana-mg.html
de Emmanuelly
2942

chamada para um
http://g1.globo.com/jornal-
chamada para reportagem do
63 05.12.2015 16" total 1'22 nacional/edicoes/2015/12/05. não
o fantástico Fantástico sobre a
html
alteração do clima

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/rasc
Maria Júlia
64 05.12.2015 COP 21 proposta do acordo 1'21" 2 especialistas sem identificação unho-final-do-acordo-que- sim
Coutinho / Paris
pode-sair-da-cop-21-e-
divulgado-em-paris.html
http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do Isabela
65 05.12.2015 2'20" nacional/edicoes/2015/12/05. não
Tempo Camargo
html
http://g1.globo.com/jornal-
[SAMARCO] 1. Duarte Júnior, PPS - prefeito de nacional/noticia/2015/12/proc
processo e novos Ricardo Soares /
66 07.12.2015 processo 2'21 Mariana, MG 2. José Adércio Leite uradores-investigam-se-vale- COP não
dados Mariana, MG
judicial Sampaio - procurador federal continua-jogar-rejeitos-em-
barragem.html
http://g1.globo.com/jornal-
Poluição do ar na Renata NOTA nacional/noticia/2015/12/polui Imagens
67 07.12.2015 Poluição 18" não
China Vasconcelos COBERTA cao-na-capital-da-china- impactantes
atinge-o-nivel-maximo.html
http://g1.globo.com/jornal-
Alagamento nacional/noticia/2015/12/mato
Chuvas Mato Grosso NOTA
68 07.12.2015 Mato Grosso 25" Wilian Bonner -grosso-do-sul-tem-14- não
do Sul COBERTA
do Sul cidades-em-emergencia-por-
causa-da-chuva.html

Maria Júlia http://g1.globo.com/jornal- fala que a


Previsão do
69 07.12.2015 2'37 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/07. Maju voltou não
Tempo
Paulo html da COP

Maria Júlia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
70 08.12.2015 1'51 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/08. não
Tempo
Paulo html
121

1. Viviane Schuch - bióloga


2.Vivian Santos - pesquisadora da http://g1.globo.com/jornal-
UNB 3. Gabriel Padilla - professor nacional/noticia/2015/12/cient
[SAMARCO] Alberto Gaspar /
71 08.12.2015 rede de pesquisadores 2'27 de Microbiologia - USP 1.Viviane istas-e-voluntarios-se- não
contaminação São Paulo
Schuch - bióloga 3. Gabriel reunem-para-recuperar-o-rio-
Padilla - professor de doce.html
Microbiologia - USP

http://g1.globo.com/jornal-
[SAMARCO] nacional/noticia/2015/12/artist
show em Belo Renata
72 08.12.2015 show 20" as-fazem-show-em- não
Horizonte Vasconcelos
beneficente homenagem-vitimas-da-
tragedia-de-mariana.html
1. (Dirce - não identificada) 2.
http://g1.globo.com/jornal-
(representante da defesa civil- não
nacional/noticia/2015/12/sobe
desabrigados Mato Claudia Gaigher identificada) 3. (moradora não
73 09.12.2015 Meio ambiente 2'14 -para-19-o-numero-de- não
Grosso do Sul /Naviraí,MS identificada) 4.Cel. Isaías
cidades-em-emergencia-em-
Bitencourt - coord. Defesa Civil-
ms.html
MS

Maria Júlia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
74 09.12.2015 chuvas fortes 2'29 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/09. não
Tempo
Paulo html

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/sam
Samarco não assinou NOTA
75 09.12.2015 [SAMARCO] 30" Wilian Bonner arco-nao-assina-termo-de- não
termo de compromisso PELADA
ajuda-vitimas-em-minas-
gerais.html
http://g1.globo.com/jornal-
Michelli Arenza / 1.Cleonor Thomas - vizinho 2. nacional/noticia/2015/12/temp
76 10.12.2015 chuvas Paraná 1'48 Francisco (Morador não identificado) 3. oral-arrasta-casas-e-deixa- não
Beltrão,PR Roberto André - frentista uma-pessoa-morta-no-
parana.html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
77 10.12.2015 2'45' Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/10. não
Tempo
Paulo html

não porque
1.Luiz Fux - ministro do STF http://g1.globo.com/jornal-
o tema é o
Marcos 2.Luiz Fernando Pezão, PMDB - nacional/noticia/2015/12/rio-
acordo
78 10.12.2015 Meio ambiente uso da água 2'31 Losekann / governador do Rio de Janeiro sp-e-minas-fecham-acordo-
intermediad
Brasília 3.Geraldo Alckmin, PSDB - sobre-uso-de-agua-do-
o pelo
governador de São Paulo paraiba-do-sul.html
ministro
122

1. Kaíque Batista -responsável por


grupo na internet 2. Erico Monteiro http://g1.globo.com/jornal-
dos Santos - responsável por nacional/noticia/2015/12/oper
RACISMO Walace Lara /
79 10.12.2015 2'12 grupo na internet 3.Manoel acao-identifica-suspeitos-de- não
MAJU São Paulo
Epaminondas - promotor de divulgar-ofensas-racistas-
Justiça 4.Christiano Jorge Santos - contra-maju.html
promotor de Justiça

1. (moradora não identificada) 2.


(trabalhador não identificado) http://g1.globo.com/jornal-
Fabiano Villela / 3.Leila Menezes - veterinária da nacional/noticia/2015/12/temp
80 11.12.2015 Meio ambiente Queimadas Pará 2'30 Santa Isabel do UFRA 4.Jaqueline Peçanha - secr. o-seco-causa-incendios- El Niño sim
Pará, PA Meio Ambiente de Paragominas florestais-em-17-municipios-
5.Márcio Lopes - chefe da do-para.html
meteorologia do SIPAM

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
81 11.12.2015 2'48 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/11. não
Tempo
Paulo html

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/bom
Renata NOTA
82 11.12.2015 [SAMARCO] vítimas fatais 24" beiros-encontram-mais-uma- não
Vasconcelos COBERTA
vitima-do-rompimento-da-
barragem.html

(1. presidente da COP 2.


http://g1.globo.com/jornal-
presidente da França ) sem falas
nacional/noticia/2015/12/conf
Pedro Vedova / específicas 3. Izabella Teixeira -
83 12.12.2015 COP 21 assinatura do acordo 2'12 erencia-do-clima-da-onu-em- sim
Paris ministra do Meio Ambiente 4.Ana
paris-termina-com-acordo-
Toni - diretora do Instituto Clima e
historico.html
Sociedade
2179

imagens de
fala de http://g1.globo.com/jornal-
Obama - nacional/noticia/2015/12/lider
Fabio Turci /
84 12.12.2015 COP 21 repercussão 2'02 NOTA es-mundiais-falam-sobre- não
Nova York
COBERTA acordo-do-clima-assinado-
FORA DO em-paris.html
ESTÚDIO
123

1. Nilmário Miranda - secretário de


Direitos Humanos - MG (2. Ulrik
Halsten - com explicação
http://g1.globo.com/jornal-
simultânea do repórter) 3.Dan Mol
nacional/noticia/2015/12/repr
[SAMARCO] Ismar Madeira/ Peixoto - morador de Paracatu de
85 12.12.2015 2'17 esentantes-da-onu-visitam- sim
visita ONU Mariana, MG Baixo -comerciante 4. Guilherme
regiao-do-desastre-de-
de Sá Meneghin - promotor de
mariana.html
Justiça 5. Fábio Júnior - atacante
do Villa Nova 6.morador/jogador
não identificado

1.Eduardo Antônio Gomes


http://g1.globo.com/jornal-
Marques - geólogo
Fernando nacional/noticia/2015/12/barr educativa/info
[SAMARCO] barragens - gancho Univ.Fed.Viçosa 2.Gerson
86 12.12.2015 2'58 Moreira / agem-que-rompeu-em-mg-e- rmativa/explic não
Meio ambiente Samarco Campera - consultor 3.Rodrigo
Congonhas,MG mais-perigosa-afirmam- ativa
Nogueira - superintendente de
especialistas.html
Mineração

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/chuv
Alberto Gaspar /
87 12.12.2015 Meio ambiente El Ñino 2'53 1.Luiz Côrtes - geólogo da USP as-de-novembro-ajudam- El Niño não
São Paulo
melhorar-niveis-de-
reservatorios.html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
88 12.12.2015 chuva forte 2'53 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/12. não
Tempo
Paulo html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
89 14.12.2015 2'44 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/14. não
Tempo
Paulo html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
90 15.12.2015 2'47 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/15. não
Tempo
Paulo html

http://g1.globo.com/jornal-
Previsão do NÃO NÃO
91 16.12.2015 NÃO DISPONÍVEL NÃO DISPONÍVEL nacional/edicoes/2015/12/16. não
Tempo DISPONÍVEL DISPONÍVEL
html
http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/corp
[SAMARCO] identificação de vítima Renata NOTA
92 16.12.2015 18" o-da-17-vitima-da-tragedia- não
vítimas fatal Vasconcelos COBERTA
de-mariana-e-
identificado.html
124

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/pf-
Explosão navio Renata NOTA
93 16.12.2015 processo judicial 32" indicia-quatro-pessoas-pela- não
ES Vasconcelos COBERTA
explosao-em-navio-
plataforma-no-es.html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
94 17.12.2015 2'33 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/17. não
Tempo
Paulo html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
95 18.12.2015 2'52" Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/18. não
Tempo
Paulo html#

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/gari
extração ilegal de Eunice Ramos / 1.2. garimpeiros não identificados câmera
96 19.12.2015 Meio ambiente 2'04 mpo-ilegal-no-mt-volta-ser- não
minério Cuiabá 3.Paula Quintino - estudante escondida
explorado-apos-
desocupacao.html

1. André Valladão - guia turístico /


http://g1.globo.com/jornal- introdução
brigadista 2. Catarina Guerreiro -
nacional/noticia/2015/12/bom grande da
queimadas na José Raimundo bombeira 3. Eugênio Spengler -
97 19.12.2015 Meio ambiente 2'53" beiros-combatem-ha-quase- apresentador não
Chapada Diamantina / Lençóis, BA secr. Meio Ambiente, BA 4.César
dois-meses-fogo-na- a Carla
Gonçalves - chefe do Parque da
chapada-diamantina.html Vilhena
Chapada Diamantina

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/temp
NOTA
98 19.12.2015 Meio ambiente temporal 22" oral-derruba-mais-de-30- não
COBERTA
arvores-e-provoca-
alagamentos-em-goiania.html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
99 19.12.2015 3'02 Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/19. não
Tempo
Paulo html

http://g1.globo.com/jornal-
[SAMARCO] nacional/noticia/2015/12/justi
Mário Bonella / 1. Rodrigo Rabello - procurador-
100 19.12.2015 processo 2'00 ca-bloqueia-bens-da-vale-e- não
Vitória geral do estado, ES
judicial bhp-por-danos-da-tragedia-
em-mariana.html

'alarde' na
http://g1.globo.com/jornal-
1. Carlos Eduardo Ferreira Pinto - fala do
[SAMARCO] Ismar Madeira / nacional/noticia/2015/12/docu
promotor 2.Joaquim Pimenta de apresentador
101 19.12.2015 processo 3'05 Porecatu de mento-aponta-falhas-no- não
Ávila - autor do plano de durante a
judicial Baixo, MG plano-de-emergencia-da-
emergência chamada da
samarco.html
matéria
125

http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/pequ
Carla Vilhena / NOTA
102 19.12.2015 Meio ambiente poluição China 30" im-entra-em-alerta-vermelho- não
estúdio COBERTA
por-causa-da-poluicao-do-
ar.html
http://g1.globo.com/jornal-
chamada para diamantes - garimpo chamada
103 19.12.2015 10" 1'10" nacional/edicoes/2015/12/19. não
o fantástico Roosevelt fantástico
html
http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2015/12/desli
deslizamentode terra Mário
104 21.12.2015 Meio ambiente 1'23 zamento-soterra-mais-de-30- não
na China Gomes/Tóquio
predios-em-parque-industrial-
na-china.html
http://g1.globo.com/jornal-
NOTA
105 21.12.2015 Meio ambiente enchente RS 20" Wilian Bonner nacional/edicoes/2015/12/21. não
COBERTA
html

Maria Julia http://g1.globo.com/jornal-


Previsão do
106 21.12.2015 3'29" Coutinho / São nacional/edicoes/2015/12/21. não
Tempo
Paulo html
2647
13540 seg
225 minuto e 40
segundos