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Eduardo Fortuna

A Aplicação em Fundos de Investimento I


09/09/2002

A Aplicação em Fundos de Investimento I

Ao analisarmos o histórico durante o período pós real, dos retornos obtidos pelos fundos
mútuos de investimento em renda fixa, quando comparados com as outras aplicações
disponíveis no mercado brasileiro, tais como as cadernetas de poupança e os
CDB/RDB, podemos observar que os fundos mantém a dianteira, para qualquer
horizonte de avaliação, que não seja de curtíssimo prazo.

Eles permitiram aos pequenos e médios, a possibilidade de retornos, através do


investimento em uma carteira diversificada em ativos de renda fixa e renda variável,
gerida por profissionais especializados que, antes, só estavam disponíveis aos grandes
investidores.

Não resta a dúvida, portanto, que os fundos mútuos representaram uma revolução
definitiva, que veio para incrementar a maneira como aplicamos os nossos recursos, a
saber:

• evoluindo da mentalidade de poupadores (aqueles que, essencialmente, estão


preocupados em apenas proteger o seu capital);
• para a noção de investidores (aqueles que, assumem um determinado nível de
risco previamente calculado, para obter um maior retorno de longo prazo sobre
seu capital)

Evidentemente que, ao introduzir o componente risco, refletido pelo tema da marcação a


mercado (ver as cinco matérias anteriores a essa), o investidor deve estar preparado
para, em momentos de crise interna ou externa, política ou econômica, aceitar uma
possível volatilidade de curto prazo no valor de um fundo mútuo de investimento, em
contrapartida à certeza da estabilidade permanente das outras alternativas de poupança,
disponibilizadas ao poupador.

Entretanto, o investidor que assustado por uma eventual redução de curto prazo, no
valor de sua aplicação em um fundo de investimento, dela se desfaz, perde a
oportunidade de obtenção do benefício de seu maior ganho de longo prazo, e segue a
lógica perversa do mau investidor de "vender na baixa e comprar na alta" que é a oposta
à estratégia vencedora de "comprar na baixa e vender na alta", acumulando os ganhos..

Não é necessário ser um gênio das finanças nem gastar todo o seu tempo na pesquisa de
informações sobre a indústria de fundos, para se ter sucesso como investidor.

O que se precisa é de boa orientação, muito bom senso e muita disciplina, para
desenhar, e acompanhar a performance, de uma estratégia de aplicação que esteja de
acordo com:

• o risco admitido para o retorno desejado;


• os seus objetivos financeiros
• o seu horizonte de investimento

Assim, o princípio básico a ser seguido na escolha de um fundo mútuo de investimento


é o de que:

"A escolha do fundo, em termos de probabilidade de risco e retorno, no qual o


investidor aplica os seus recursos, deve estar sintonizada com os seus objetivos
financeiros desejáveis, para o tempo em que ele pretende manter os seus recursos
aplicados - o seu horizonte de investimento".

Este princípio deve sempre ser suportado pelo corolário de que:

"Os retornos históricos passados de um fundo mútuo, quando comparados à


média de retornos de sua categoria, não representam uma certeza de idêntica
performance futura, mas se os gestores que a obtiveram forem os mesmos, eles
servem como um indicador comparativo da possibilidade de sua repetição no
futuro".

Algumas regras específicas que devem ser aprendidas, para serem seguidas na
formulação de uma estratégia financeira global, em relação aos fundos mútuos de
investimento a serem escolhidos para compor uma carteira de fundos, onde serão
diversificados os recursos do investidor, são:

Entenda as estratégias de aplicação do fundo, que caracterizam as suas políticas de


investimento na abordagem risco / retorno das diferentes categorias de fundos
mútuos de investimento disponíveis no mercado, como por exemplo dos:

• Fundos Referenciados

o seu objetivo de retorno deve seguir um indicador de referência ou benchmark,


o que limita o grau de liberdade das aplicações, e reduz a volatilidade do fundo a
uma volatilidade próxima a de seu benchmark, dependendo da capacidade do
gestor.

• Fundos Não Referenciados

o seu objetivo de retorno, não está vinculado a nenhum benchmark, mas está
sujeito a algumas restrições de aplicação e, assim, com maior liberdade, resulta
em retorno e volatilidade menos previsíveis e mais dependentes da capacidade
do gestor.

• Fundos Genéricos

o seu objetivo de retorno, praticamente, não tem restrições de aplicação,


podendo inclusive alavancar o patrimônio do fundo dentro de limites (tomar
recursos emprestados), o que resulta em retorno e volatilidade imprevisíveis e
fortemente dependentes da capacidade do gestor.

• Fundos Genéricos Agressivos


o seu objetivo de retorno não tem nenhuma restrição de aplicação nem de
alavancagem, o que resulta em retorno e volatilidade mais imprevisíveis e
dependentes da capacidade do gestor, do que as dos fundos genéricos.

• Fundos de Capital Garantido

o seu objetivo de retorno é garantir, a partir de determinado prazo de carência


intrínseco ao fundo, pelo menos a devolução do principal aplicado, acrescido ou
não, de um retorno adicional sobre um determinado benchmark.

• Fundos de Investimento no Exterior - FIEx

o seu objetivo de retorno é garantir retorno vinculado à valorização do dólar e a


queda do risco do Brasil e, conseqüente valorização dos títulos da dívida
externa, especialmente o C Bond.

• Fundos de Investimento em Títulos e Valores Mobiliários - FITVM,

o seu objetivo de retorno depende de suas características de gestão, se for


passiva procura replicar um índice de referência, como o Ibovespa ou o IBX, se
for ativa vai procurar o melhor resultado utilizando as estratégias de seleção de
ações e de momento de mercado, sujeitando-se a volatilidade típica do mercado
de ações.
Eduardo Fortuna
A Aplicação em Fundos de Investimento II
16/09/2002

A Aplicação em Fundos de Investimento II

Dando continuidade ao tema do título, iniciado na matéria anterior, vejamos outras


regras específicas que devem ser aprendidas, na formulação de uma estratégia financeira
global, em relação aos fundos mútuos de investimento a serem escolhidos para compor
uma carteira de fundos, onde serão diversificados os recursos do investidor.

Verifique como cada uma das categorias de fundos mútuos de investimento, acima
mencionadas, e suas variações, se adaptam aos seus objetivos financeiros, dentro
do horizonte de investimento desejado;

O conceito inerente a esta regra é que, considerando as diferentes possibilidades de


investimento vis a vis a relação retorno - risco (volatilidade), não existe uma melhor
alternativa, mas sim àquela que melhor se adapta as suas necessidades específicas, e
permite que seus objetivos financeiros sejam atendidos no prazo desejado.

Para estabelecer a disposição ao risco de um determinado fundo, podemos analisar sua


volatilidade, medida pelo desvio padrão de seus retornos em relação ao retorno médio
em determinado período. Assim, a medida da volatilidade de um fundo é realizada,
considerando-se a variação diária do valor de sua cota em determinado período de dias
úteis.

O próximo passo é comparar a volatilidade dessa cota com o valor da rentabilidade


calculada no mesmo período obtendo-se um índice de retorno / volatilidade que, de
certa forma, meça o grau de risco a que se expõe o investidor para obter um
determinado nível de retorno.

O exemplo mais simples e mais tradicional deste tipo de medida é o Índice de Sharpe -
IS, que indica ao investidor se os riscos assumidos pelo fundo foram adequadamente
remunerados.

O cálculo deste índice leva em conta a rentabilidade histórica ajustada, isto é, após a
subtração de um benchmark que, por exemplo, no caso dos fundos referenciados ao DI,
é a taxa do CDI.

O conceito intrínseco é que todo retorno tem o seu preço e, portanto, quanto maior o IS
melhor. Um IS negativo para um fundo, estaria indicando que este fundo teria tido, no
período medido, um retorno abaixo do seu benchmark.

IS = (Rc - Rb) / sc

Onde:
Rc = Retorno da Carteira do Fundo
Rb = Retorno do Benchmark
sc = Volatilidade da Carteira do Fundo
Um IS de 5, por exemplo, indica que a carteira oferece 5 unidades de retorno adicional
sobre o benchmark , para cada unidade de risco da carteira.

Ao se analisar o comportamento histórico de um fundo é sempre melhor dar atenção ao


sucesso do seu IS do que considerar, apenas, o sucesso de sua performance de
rentabilidade.

Aprenda a assumir riscos de forma prudente, em sintonia com seus objetivos


financeiros, e dentro do horizonte de investimento desejado;

Por exemplo, supondo que o objetivo financeiro do investidor seja ter uma renda
confortável na aposentadoria, ou então, acumular recursos do momento do nascimento
de seu filho, até a idade de sua entrada na universidade de forma a cobrir os custos de
seus estudos universitários.

Nesses casos, como o investimento em fundo de ações, historicamente, é mais rentável


no longo prazo, quando comparado aos investimentos nos fundos de renda fixa, então, o
risco de não se atingir aqueles objetivos de acumulação de recursos em um fundo de
renda fixa, pode superar o maior risco de perda intrínseco aos títulos de renda variável

Obtenha o maior valor possível do seu investimento, conhecendo as diferentes


taxas que são cobradas pelos fundos mútuos de investimento.

O investidor deve se informar previamente das taxas que são cobradas pelo fundo,
dentro do princípio de que tais taxas sempre representam um redutor de sua
rentabilidade.

A taxa de administração, por exemplo, cuja finalidade e cobrir os custos


administrativos e operacionais do fundo, dependendo de seu valor, pode representar
uma parte substancial de receita esperada do fundo.

Se um Fundo Referenciado ao DI, que tenha uma retorno bruto anual esperado de,
digamos, 18 % ao ano, cobra uma taxa de administração de 1,8 % ao ano, então, tal taxa
representa de cara, a perspectiva de uma redução imediata de 10 % (1,8 / 18) da
rentabilidade bruta esperada.

Assim, quanto maior a taxa de administração de um fundo, maior deverá ser o retorno
esperado para compensá-la e, por via de conseqüência, em um mercado altamente
competitivo, maior deverá ser sua exposição ao risco para alcançar seus objetivos, vis a
vis um fundo de idênticas características de aplicação, mas com uma menor taxa de
administração

A taxa de performance, por exemplo, cuja finalidade é remunerar o sucesso do gestor


do fundo em superar um índice de referência ou benchmark estabelecido com meta de
retorno, deve respeitar pelo menos, algumas regras básicas, de forma a minimizar a
perda do investidor, a saber:

• o momento e a periodicidade de cobrança da taxa de performance, deve ser


compatível com a performance de retorno do fundo; e,
• o índice de referência da taxa de performance, deve estar sintonizado com o
índice de referência, ou com as metas de retorno objetivadas pelo gestor, como
determinadas e divulgadas na política de investimentos do fundo.

Uma outra taxa que eventualmente pode ser cobrada é a taxa de saída, cuja finalidade é
estimular o investidor a permanecer por mais tempo aplicado no fundo, e desta forma,
permitir um melhor retorno dos recursos aplicados.

Continuaremos no tema.
Eduardo Fortuna
A Aplicação em Fundos de Investimento IV
30/09/2002

A Aplicação em Fundos de Investimento IV

Na matéria anterior relembramos alguns conceitos fundamentais aplicáveis a todos os


fundos mútuos de investimento abertos, e examinamos algumas das boas razões que
podem e devem dar suporte à decisão do investidor, na escolha da aplicação da sua
poupança.

Verifiquemos agora, algumas das relativas deficiências dos fundos mútuos de


investimento, para depois complementar com algumas situações em que a sua escolha
pode não ser totalmente recomendada:

• Os fundos de investimento não necessariamente nos protegem de uma crise de


mercado;

Uma boa estratégia de diversificação das aplicações de um fundo, nos protege contra os
chamados riscos não sistemáticos ou diversificáveis, ou seja, o risco de perda de cada
um dos ativos específicos que compõem sua carteira ou de um conjunto deles, mas não
nos protege contra o risco sistemático ou não diversificável, ou seja, o risco de uma
perda do mercado, como um todo.

A intensidade da exposição de um fundo ao risco sistemático depende, na sua essência,


de dois fatores:

• a volatilidade negativa dos preços de mercado, como conseqüência:


• do aumento das taxas de juros no mercado de renda fixa,
• da queda do preço das ações no mercado de renda variável,
• do aumento da taxa de câmbio no mercado de dólar e,
• do aumento do risco Brasil no mercado dos títulos da dívida externa ; e,
• a duração média do conjunto de títulos de renda fixa na sua carteira (o seu prazo
médio restante para o vencimento, considerando o valor presente de cada
título).

Uma proteção total só poderá ser obtida com a utilização de instrumentos derivativos
como proteção, mas a um custo significativo e, portanto, com uma perda competitiva de
rentabilidade.

Os fundos de curtíssimo prazo, também representam uma solução para este risco
sistemático, pelo fato de concentrarem suas aplicações em operações compromissadas e
títulos de renda fixa de curtíssimo prazo, cujo preço de mercado pouco flutua.
Entretanto, suas taxas de administração devem ser maiores e sua rentabilidade é,
provavelmente, pouco competitiva vis a vis as demais aplicações.

• Os fundos de investimento não garantem que a performance de retorno passada


será repetida no futuro;
Jamais devemos aplicar em um fundo de investimento, apenas porque o seu passado é
recheado de grandes performances positivas. Tal fato, quando muito, poderá nos indicar
que, mantidas as mesmas condições de mercado, e desde que a equipe gestora do fundo
se mantenha, ele é competitivo e o sucesso de seus retornos, poderá se repetir.

• Os fundos de investimento não têm a proteção do Fundo Garantidor de Crédito -


FGC;

As aplicações em caderneta de poupança e em CDB/RDB, ou outros títulos emitidos


por instituições financeiras são, juntamente com os recursos depositados em conta
corrente, protegidas, no seu somatório, pelo FGC, até o limite de R$ 20.000,00 por CPF.

Os fundos mútuos de investimento não têm esta proteção, entretanto, a possibilidade de


quebra de um fundo que seja administrado por uma instituição financeira tradicional é,
acreditamos, uma possibilidade remota.

· Os fundos de investimento de renda fixa recolhem mensalmente, no último dia útil do


mês, o imposto de renda sobre os ganhos de capital obtidos no período, independente do
fato de ter sido efetivado um resgate;

O recolhimento antecipado do IR sobre ganhos de capital reduz a rentabilidade da


aplicação em fundos, pois diminui o valor aplicado para o período seguinte.

Tal fato, entretanto, na média, não tem sido um fator de redução de sua competitividade
vis a vis as alternativas acima mencionadas, mas certamente, permitiria um melhor
retorno, caso não existisse.

• Os fundos de investimento de renda fixa pagam IOF, de acordo com tabela


regressiva para resgates até os primeiros 30 dias corridos seguintes a cada
aplicação;

Essa restrição estabelece uma carência branca para os fundos, mas não é um fator de
redução de sua competitividade vis a vis as alternativas acima mencionadas, pois
enquanto todas as demais aplicações em renda fixa também estão sujeitas a este tipo de
restrição, as cadernetas de poupança só apropriam rendimentos nas datas de aniversário
das suas aplicações.

• Os fundos de investimento podem se desviar de sua estratégia original, como


definida em sua política de investimentos;

Ao aplicar em um fundo o investidor está transferindo ao seu gestor o controle total


sobre os resultados do seu investimento.

Se o gestor cumprir o que está estabelecido em sua política de investimentos, motivo da


escolha do investidor, então tudo bem, foi o contratado. Caso contrário, o gestor estará
expondo o investidor a uma relação de retorno / risco esperado, diferente do
estabelecido, e que pode lhe representar um risco de perda não esperado, então tudo
mal, não foi o combinado.
Algumas das situações em que a aplicação em fundos mútuos de investimento,
poderiam não ser recomendadas aos investidores, ocorrem quando:

• O investidor conhece suficientemente os mecanismos e as estratégias do


mercado de ações, para não necessitar da ajuda de um especialista;
• O investidor conhece suficientemente os mecanismos, as estratégias e as
alternativas do mercado de renda fixa, e especialmente, do mercado de títulos
do Tesouro, para não necessitar da ajuda de um especialista;
• O investidor tem necessidades de aplicação, traduzidas em termos de objetivos
financeiros e horizontes de investimento, tão específicas, que não se justifica sua
vinculação a um fundo mútuo de investimento.

Continuaremos no tema.
Eduardo Fortuna
A Aplicação em Fundos de Investimento VI
14/10/2002

A Aplicação em Fundos de Investimento VI

Na matéria anterior analisamos, as etapas a serem seguidas na escolha do(s) fundo(s)


mútuo(s) de investimento, que mais se adapta(m) as nossas necessidades tendo como
base: o quanto de retorno desejamos de um fundo de investimento; por quanto tempo; e,
com que quantidade de risco.

Feito isso, vamos examinar agora, alguns dos mecanismos utilizados para avaliar o(s)
fundo(s) de investimento(s) que melhor se ajusta(m) aos objetivos, então estabelecidos.

O primeiro mecanismo de avaliação de um fundo, antes de nele efetivar um


investimento, é a estratégia de investimento do gestor, como definida na Política de
Investimentos do fundo, sob análise.

Nesta etapa queremos saber como o gestor pretende alocar os recursos aplicados pelo
fundo, a saber:

• Na visão estratégica, estaria a definição da distribuição percentual dos recursos,


nas diferentes classes de ativos disponíveis em mercado, tais como renda fixa,
renda variável, ou instrumentos derivativos - a alocação de ativos, ou asset
allocation;

• Na visão tática estaria a definição da distribuição percentual dos recursos em


ativos específicos - o stock picking, dentro de cada uma das classes escolhidas,
tais como:

• títulos públicos federais, títulos privados financeiros, ou títulos privados


empresariais, na classe de ativos de renda fixa;

• ações de maior liquidez do Ibovespa, ações de maior valor de mercado do IBX,


ações que compõem o índice FGV 100, que fazem parte do índice brasileiro de
governança corporativa, ou ações de pequenas empresas com potencial,
negociadas na Bovespa ou no SOMA, mas pouco conhecidas, na classe de ativos
de renda variável; e,

• opções de compra, opções de venda, operações no mercado futuro, ou contratos


de swap, na classe de instrumentos derivativos.

• Na visão operacional estaria a definição da forma e do momento de operar os


mercados das diferentes classes de ativos, as estratégias e táticas relacionados
aos momentos de compra, de venda e de montagem de operações combinadas,
dentro de cada classe de ativos e entre elas - o market timing.
O conhecimento destes elementos de gestão são fundamentais, porque nos permite ter
uma idéia de como a performance do fundo de investimento vai se desenvolver sob
determinadas condições de mercado.

Exemplos:

Um fundo muito carregado em ações de grandes empresas e que pagam ótimos


dividendos, tende a ter uma melhor performance quando o mercado de ações está em
queda, do que um outro fundo muito carregado com ações de pequenas empresas, pela
simples razão de que àquelas ações são mais estáveis do que essas últimas.

Por outro lado, se o mercado de ações está em alta, a melhor performance tende a
ocorrer no fundo mais carregado com as ações das pequenas empresas.

Um fundo muito carregado em títulos de renda fixa pré-fixada tende a ter uma melhor
performance quando há uma queda nas taxas de juros do que um outro fundo que esteja
mais concentrado em títulos pós-fixados, respeitados os prazos dos títulos e as
condições de credibilidade conjuntural do mercado.

Por outro lado, no caso de alta das taxas de juros e respeitadas as mesmas condições
anteriores, o inverso tende a ocorrer.

Para se ter acesso à verdadeira política de investimentos, como definida para um fundo
de investimento específico, e que normalmente não está totalmente clara na sua
denominação e folheto de propaganda, faz-se necessário obter e examinar com atenção
e curiosidade o Regulamento do Fundo registrado na CVM, como publicado pelo seu
administrador.

O segundo mecanismo de avaliação de um fundo sob análise, antes de nele efetivar um


investimento, é a performance passada do fundo, embora sem jamais esquecer a
máxima de que: "a performance passada de um fundo não representa a garantia de
uma mesma performance futura", mas é apenas, e desde que tenha sido mantido o
mesmo gestor, uma referência de comportamento de gestão, em relação às oscilações
dos mercados.

Na realidade, o histórico de performance de um fundo de investimento representa uma


boa indicação sobre como esse fundo, em tese, pode reagir às diferentes condições de
mercado que poderão ocorrer no futuro, e como ele pode ser comparado com fundos
de investimento com políticas de investimento similares.

Assim, antes de se decidir pela aplicação em um fundo de investimento, sempre se deve


comparar os retornos obtidos por fundos de investimento, com políticas de
investimento similares, em um significativo número de janelas de períodos de tempo
diferentes.

Essas janelas de períodos de tempo podem incluir períodos contínuos de 3, 6, 12, 24,
36 ou 60 meses, ou então, períodos discretos nas mesmas dimensões anteriores,
aleatórios, ou específicos de períodos de crise, e que se sobreponham, quer sejam
curtos (de até 12 meses) ou longos (acima de 12 meses)
O fundo que tiver tido a melhor e mais consistente performance no maior número
desses períodos - pois será muito pouco provável que um mesmo fundo tenha sido o
melhor em todos eles -, certamente é um sério candidato a ser o escolhido.

Neste tipo de avaliação, não devemos ficar muito assustados com a volatilidade da
performance de um fundo, desde que estejamos cientes de que, apesar dela, o fundo de
investimento escolhido tem o melhor histórico de performance de retornos.

Continuaremos no tema.
Eduardo Fortuna
A Aplicação em Fundos de Investimento VII
22/10/2002

A Aplicação em Fundos de Investimento VII

Na matéria anterior iniciamos o exame de alguns dos mecanismos utilizados na


avaliação do(s) fundo(s) de investimento(s) que melhor se ajusta(m) aos objetivos de
retorno, risco e prazo de aplicação anteriormente estabelecido, apresentando dois deles.

Vamos continuar no tema, analisando outros desses mecanismos.

O terceiro mecanismo de avaliação de um fundo, antes de nele se efetivar um


investimento, é o do julgamento dos riscos associados ao fundo sob avaliação.

Para tanto, a partir dos dois mecanismos anteriormente citados, é necessário que o
investidor compreenda que, uma vez definida a política de investimentos de um fundo o
retorno que provavelmente por ele será obtido, será uma função direta da capacidade
do gestor do fundo de gerir as escolhas e a movimentação dos ativos em sua
carteira, ao levar em consideração todos os riscos genéricos de mercado e específicos
do tipo de fundo sob análise.

É sempre bom recordar que o risco de um investimento, qualquer que seja ele, é a
possibilidade de perda em relação a um valor de retorno esperado pelo investidor,
e que todos os investimentos estão sujeitos ao risco, com maior ou menor grau de
intensidade, sempre de acordo com as premissas da escolha prévia do investimento
desejado e do acerto da sua gestão posterior.

Um fundo poderá ter dois tipos de gestão:

A gestão passiva, através da qual um fundo de investimentos estrutura sua carteira de


ativos, de forma a associar seus riscos e retornos esperados ao comportamento de um
índice ou indicador – um benchmark, escolhido como referência tais como CDI, no
caso de fundos de renda fixa, ou o Ibovespa, no caso de fundos de ações.

Os fundos de investimento de renda fixa classificados como referenciados, representam


o mais clássico exemplo desta categoria de gestão.

A gestão ativa, através da qual um fundo de investimentos estrutura sua carteira de


ativos, de forma a obter o melhor retorno possível de acordo com a sua política de
investimentos.

De certa forma, todos os fundos de investimento de renda fixa não classificados como
referenciados, estão incluídos nesta categoria de gestão.

Uma das mais freqüentes reclamações dos investidores em fundos de investimento, é a


de ter investido em um fundo de renda fixa que lhes tenha produzido uma perda
temporária não esperada.
A recorrência dessa situação ocorre porque, provavelmente, eles ainda não tenham
conseguido compreender o fato de que todas as aplicações de renda fixa, cujo resgate
possa ocorrer antes da data de seu vencimento, estão sujeitas ao risco de taxas de
juros, e por esta razão, deverão ser contabilizadas na carteira dos fundos de
investimento pelo seu valor negociado em mercado.

(Para compreender melhor este mecanismo leia a série de cinco matérias sobre marcação a mercado,
publicadas entre os dias 05/08 e 02/09 deste ano).

No caso dos fundos de investimento em renda variável, mais especificamente os fundos


de investimento em ações, os investidores estão mais conscientes, e portanto mais
preparados, para a possibilidade de uma eventual perda.

Entretanto, mesmo nessas situações, eles podem ser surpreendidos pela magnitude
dessas perdas, ou então, podem ficar surpresos por não entenderem como se deram os
seus fatos geradores.

A grande pergunta a ser feita é:

"Como podemos avaliar antecipadamente, e de forma generalizada e


comparativa, os riscos de performance de retornos que estamos
assumindo ao adquirir um fundo de investimento?"

E a difícil e frágil resposta pode ser:

"Através das diversas medidas de risco de performance que podem


ser utilizadas pela indústria de fundos de investimento".

A resposta é difícil porque, quando mencionamos medidas de risco de performance,


estamos falando em medidas relacionadas a incertezas e, portanto, há algo que tem
probabilidade de acontecer, ou não.

A resposta é frágil porque todas as medidas de risco de performance estão


fundamentadas em eventos ocorridos em períodos de tempo passados, e que jamais
representam a certeza de sua repetição no futuro, mas apenas uma referência de
comportamento, sob as mais variadas circunstâncias.

Entre algumas das principais medidas de referência de risco de performance, podemos


citar:

• o máximo Draw Down;

• o Índice de Sucesso;

• o Erro Quadrático Médio;

• o Índice Beta;

• o Desvio Padrão ou a Volatilidade;


• o Prazo Médio de Vencimento ou a Duração; e,

• o histórico dos índices de risco e retorno.

Vamos conhece-las na próxima matéria.