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MORAES, M. C.

Criatividade como expressão de uma fenomenologia complexa e


transdisciplinar. In: Congresso Barcelona, julho, 2014.
1 Expressão de uma fenomenologia A criatividade
complexa e transdisciplinar, gerada por
uma dinâmica integradora, na qual estão
entrelaçadas várias dimensões humanas,
em total integração do corpo, mente e
espírito, unidos em um movimento de
fruição vivenciado a partir de sensações de
plenitude, prazer e bem estar.
1 Encontro da espiritualidade com a Indireta...
criatividade ...
Levam ao encontro de si mesmo, ao
autoconhecimento, e que nos ajuda a
melhor perceber nossas próprias
potencialidades, até então adormecidas e
que se revelam no ato criativo.
2 O estudo da criatividade tem sido
aprisionado dentro das gaiolas
epistemológicas disciplinares ...
2 O pensamento criador é uma forma Romo, apud Torre (2006,
especial de resolução de problema. p. 23)
3 Albertina Mitjáns (1997), por sua vez, avança
Criatividade X
ao trabalhar a criatividade sob a ótica da complexidade
complexidade, como expressão de um
processo complexo da subjetividade humana,
tanto individual como social, e que se
expressa na produção de algo considerado
novo e valioso em um determinado campo de
ação humana.
Ao compreender a criatividade em sua
fenomenologia complexa, a autora
reconhece o seu caráter singular, recursivo,
autoeco-organizador, contraditório e
imprevisível, segundo Ribeiro & Moraes
(2014).
mais do que defini-la, é preciso melhor A criatividade
compreendê-la em sua fenomenologia
ecossistêmica.
(1) a ênfase na pessoa criativa, (2) nos conhecimento desenvolvido
processos mentais envolvidos, (3) na ao redor desta área abrange
influência do ambiente e dos aspectos quatro enfoques básicos:
socioculturais sobre o ato criativo e (4) a
ênfase no produto criativo pautado em
alguns critérios, como originalidade, fluidez,
utilidade e flexibilidade.
criatividade se manifesta a partir de um Rollo May, apresentada em
“encontro”, que se apresenta na própria seu precioso livro intitulado
dinâmica da vida, em função da “A coragem de criar”,
inseparabilidade da subjetividade e da publicado em 1975.
objetividade, em seu diálogo com a vida.
Para Rollo May (1982:39), “o primeiro fator Criatividade emergente
que notamos no ato criativo é a sua natureza
de encontro”. Encontro com uma ideia, uma
visão interior, um insight, um processo de
iluminação qualquer, a partir de um certo
engajamento que acontece no ato de criar,
no ato de brincar, ou seja, uma criatividade
emergente no momento em que o encontro
se materializa.
4 “a criatividade é o encontro do ser humano
intensamente consciente com o seu mundo”
(May,1982:53).
as portas das gaiolas epistemológicas que gaiolas epistemológicas
aprisionam as dimensões constitutivas de
nosso sentir/pensar/agir/criar, pautadas no
uso de práticas educacionais equivocadas,
que não reconhecem a transdisciplinaridade
como um princípio epistemo-metodológico
que exige abertura, rigor e percepção mais
apurada em relação aos processos de
construção do conhecimento e à
aprendizagem.
5 tanto o conhecimento, a aprendizagem,
como também os processos criativos,
implicam processos interdependentes,
constituídos por uma tessitura funcional em
rede, envolvendo aspectos interativos,
recursivos, dialógicos, construtivos,
hologramáticos, autoeco-organizadores,
assim como socioafetivos, culturais,
emergentes e transcendentes, que
influenciam nosso sentir/pensar, agir e criar.
Desta forma, a complexidade pode ser Conceito de complexidade
compreendida como um princípio regulador
do pensamento e da ação, capaz de articular
relações, conexões, interações e que nos
ajuda a organizar o pensamento para melhor
compreensão da realidade, a ver os objetos
relacionalmente, inseridos em seus
respectivos contextos e dependentes deles.
6 Em sua dimensão organizacional, a dimensão organizacional
complexidade nos revela que a realidade é
multidimensional em sua natureza complexa,
interdependente, mutável, entrelaçada e
nutrida pelos fluxos que acontecem no
ambiente e a partir do que cada um faz. É
contínua e descontínua, indeterminada em
sua dinâmica operacional que se manifesta
dependendo do contexto, das situações
vividas e das circunstâncias criadas.
Em sua dimensão lógica, ou seja, em sua dimensão lógica
dialógica1, a complexidade nos oferece outro
panorama, outra perspectiva teórica que nos
ajuda a avançar no processo de produção de
conhecimento. Assim, para se construir um
conhecimento transdisciplinar, capaz de
transcender as fronteiras disciplinares, é
preciso trabalhar a partir desta outra lógica,
já não mais dualista e capaz de ajudar a
transcender o nível de realidade primordial
para que o conhecimento possa emergir em
outro nível, superando contradições e
ambivalências. Cada nível de realidade
requer um conjunto de leis para sua
explicação.
7 A transdisciplinaridade não é uma utopia ou Conceituando
um tema para tertúlias acadêmicas sem um transdisciplinaridade
fundamento qualquer.
partir de Nicolescu (2002), foi possível Tais dimensões nos ajudam a
ampliar o conceito de transdisciplinaridade, compreender determinados
percebendo-se três dimensões envolvidas - fenômenos relacionados ao
nível de realidade, nível de percepção e conhecimento e a
lógica do terceiro incluído. ressignificar nossas práticas,
a ampliar as competências
docentes, indo além da
instrumentalização
pedagógica necessária, em
direção ao desenvolvimento
e evolução da consciência
humana.
Transdisciplinaridade é aquilo que transcende
as disciplinas, que está entre, através e além
das disciplinas (Nicolescu, 1999:33).
A expressão ontologia complexa nos indica ontologia complexa
que as relações sujeito/objeto,
ser/realidade, são de natureza complexa,
portanto, dinâmica e operacionalmente
inseparáveis entre si, pois o sujeito traz
consigo a realidade que tenta objetivar. É
um sujeito, um ser humano que já não
fragmenta a realidade, que não
descontextualiza o conhecimento, um
sujeito multidimensional, com todas as suas
estruturas perceptivas e lógicas, como
também sociais e culturais, à disposição de
seu 8
processo de construção do conhecimento, já
que a realidade não existe separada do ser
humano, de sua lógica, de sua cultura e da
sociedade em que vive.
9 toda identidade de um sistema complexo
está sempre em processo de vir-a-ser. É algo
inacabado, sempre aberto, em evolução, em
mutação, em processo de transformação.
A partir desta compreensão, todo
conhecimento transdisciplinar é aberto, vai
além do horizonte conhecido, implicando
travessia de fronteiras, mestiçagem, criação
permanente, aceitação do diferente e
renovação das formas aparentemente
acabadas de conhecimento. Pela
transdisciplinaridade, transcendemos,
criamos algo novo, que pode surgir a partir
de um insight, de um instante de luz na
consciência, de processos intersubjetivos em
sinergia, onde algo acontece envolvendo as
diferentes dimensões humanas. Ela
reconhece a importância das emoções, dos
sentimentos e afetos nos processos de
construção do conhecimento, bem como a
voz da intuição ao colocá-la em diálogo com
a razão e com as emoções subjacentes.
Enfim, entende a subjetividade humana não
como uma realidade coisificante, mas como
um processo vivo e multidimensional do
individuo/sujeito concreto, atuante e criador
do mundo ao seu redor.
trabalha aquilo que é subliminar, que habita todo conhecimento de
a região em que nossos sentidos, muitas natureza transdisciplinar
vezes, não são capazes de penetrar, de
analisar, de decodificar em um primeiro
momento e que requer outras dimensões
humanas, como a intuição, a imaginação,
para sua melhor compreensão, a partir de
um diálogo fecundo com a razão.
10 para que possamos incentivar diálogos mais Clareza epistemológica
competentes entre as diferentes disciplinas,
entre ciência, cultura e sociedade, entre
individuo e contexto, educador e educando,
ser humano e natureza e para a construção
de uma base conceitual mais sólida para o
desenvolvimento de conversações e de
novos estilos de negociação de significados,
a partir da maneira como observamos a
realidade e construímos conhecimento. Daí,
nossa preocupação anterior em relação à
necessária abertura de nossas gaiolas
epistemológicas, sem a qual fica difícil
compreender o que estamos entendendo
por conhecimento transdisciplinar e por
fenomenologia complexa da criatividade.
são aquelas que propiciam uma experiência atividades criativas
de inteireza, de plenitude, algo em que o
sujeito está envolvido por inteiro em sua
multidimensionalidade e que exige certa
flexibilidade estrutural de pensamento, de
ação, de fluência cognitiva, espiritual,
psicológica ao lidar com um objeto ou ao
vivenciar determinado processo. São
experiências ou vivências sentidas
profundamente, não definíveis por palavras,
mas compreendidas pela fruição, nutridas
pelos insights, povoadas pela fantasia, pela
imaginação e pelos sonhos que se articulam
como teias urdidas com materiais
simbólicos.
Compreender a criatividade como expressão
de um estado de consciência
transdisciplinar, no qual se dá uma
experiência de plenitude, como estado
interno do sujeito que vivencia o ato
criativo, vem à nossa mente o conceito de
“experiência ótima” de Mihaly
Csiskszentmihalyi (1999), a partir do qual se
pode chegar ao êxtase e à autorrealização.
11 expressão ou manifestação do ato criativo é
um tipo de emergência que pode ou não
ocorrer. Isto porque a incerteza, o
indeterminismo e o acaso são aspectos
ontológicos na relação sujeito/objeto,
sujeito/realidade, já que o sujeito perturba o
objeto e este perturba o sujeito.
12 para que ele se expresse, é preciso romper a o fenômeno da criatividade
dicotomia existente entre a mente e o
corpo, entre o consciente e o inconsciente, a
matéria e o espírito, o sentir, o pensar, o agir
e o criar, reconhecendo, assim, a
importância da intuição, do imaginário, da
emoção e da sensibilidade para a
emergência deste potencial humano.
15 a criatividade como expressão de uma
fenomenologia complexa transdisciplinar
requer diferentes formas de expressão e de
materialização do conhecimento ou objeto
criativo, diferentes linguagens, dentre elas,
as corporais, lúdicas, poéticas, estéticas,
musicais, meditativas, que levem o sujeito
transdisciplinar a explorar a riqueza de seu
mundo interior, a se autoconhecer melhor, a
perceber potencialidades até então
adormecidas, ou até mesmo, a curar sua
energia emocional, desbloqueando sua
energia vital.

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