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Centro de Engenharia Elétrica e Informática

Unidade Acadêmica de Engenharia Elétrica


Grupo de Sistemas Elétricos
Laboratório de Alta Tensão

LABORATÓRIO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Guia experimental de Fotometria

Autoria:
Edson Guedes da Costa
Vicente Delgado Moreira

Revisão de agosto de 2008:


Tarso Vilela Ferreira

Revisão de agosto de 2010:


George Rossany Soares de Lira

Revisão de agosto de 2015:


Raphael Borges da Nobrega
George Rossany Soares de Lira
1. Objetivos
Pretende-se com o experimento entender os princípios gerais da iluminação. Além
disso, deseja-se traçar curvas de isolux, construir curva fotométrica de um projetor
e fazer um projeto de iluminação a partir de uma curva fotométrica.

2. Princípios Gerais
O grupo de radiações compreendidas entre os comprimentos de onda de 380 e 760
nm é especialmente para o estudo da iluminação. Estas radiações são capazes de
estimular a retina do olho humano produzindo a sensação luminosa. O espectro visível
está limitado em um dos extremos pelas radiações infravermelhas (de maior comprimento
de onda), e no outro extremo pelas radiações ultravioletas (de menor comprimento de
onda). Os diferentes comprimentos de onda das radiações estão ligados à impressão de
cor, conforme mostrado na Figura 1.

Figura 1 – Espectro eletromagnético.

3. Grandezas e Unidades Utilizadas em Iluminação

As definições aqui apresentadas estão de acordo com a ABNT (Associação


Brasileira de Normas Técnicas).

3.1. Intensidade Luminosa

A intensidade luminosa é o limite da relação entre o fluxo luminoso em um


ângulo sólido em torno de uma direção dada, e o valor desse ângulo sólido, quando o
ângulo sólido tende para zero. A unidade de intensidade luminosa é a candela (cd). A
Figura 2 mostra uma fonte puntiforme iluminando um ângulo sólido.

Figura 2 - Fonte luminosa puntiforme iluminando um ângulo sólido.

2
Pode-se entender mais claramente a definição de intensidade luminosa como sendo
a potência da radiação luminosa numa dada direção. A intensidade luminosa pode ser
calculada por:
d
I , (1)
dw
onde
d é o fluxo luminoso;
dw é o ângulo sólido.

3.2. Curva Fotométrica (ou Curva de Distribuição Luminosa)

Segundo a ABNT, uma curva fotométrica representa a variação da intensidade


luminosa de uma fonte segundo um plano passando pelo centro, em função da direção.
Uma representação espacial torna-se difícil de ser visualizada, assim, adotam-se
projeções das superfícies fotométricas sobre um plano. Trata-se de um diagrama polar
no qual se considera a lâmpada ou luminária reduzida a um ponto no centro do diagrama
e se representa a intensidade luminosa nas várias direções por vetores. A curva
obtida ligando-se as extremidades desses vetores é a curva de distribuição luminosa.
Costuma-se na representação polar, referir os valores de intensidade luminosa
constantes a um fluxo de 1000 lumens. Exemplos de curvas fotométricas podem ser
vistos na Figura 3.

(a) (b)
Figura 3 - (a) Curvas Fotométricas Horizontais e Verticais; (b) Curva Fotométrica
Vertical de uma Lâmpada de Vapor de Mercúrio de Cor Corrigida de 250W. (Moreira,
2001).

Outra maneira de representar por curvas uma superfície de igual intensidade


luminosa é utilizando o Diagrama de Isocandelas, definidos como a linha traçada num
plano e referida a um sistema de coordenadas que permita representar direções no
espaço em torno de um ponto luminoso ligando pontos do espaço em que as intensidades
luminosas são iguais (ABNT).

3.3. Fluxo Luminoso

O fluxo luminoso é a grandeza característica de um fluxo energético, exprimindo


sua aptidão de produzir uma sensação luminosa no ser humano através do estímulo da
retina ocular. A unidade de fluxo luminoso é o lúmen [lm]. O fluxo luminoso é
definido como o fluxo emitido por uma fonte luminosa puntiforme de intensidade
invariável e igual a uma candela, de mesmo valor em todas as direções, no interior de
um ângulo sólido igual a um esterradiano1. Na prática, não existe fonte puntiforme,

1 Definições complementares em http://pt.wikipedia.org/wiki/Esferorradiano


3
porém, quando o diâmetro da fonte for menor que 20% da distância que a separa do
ponto onde se considera seu efeito, a fonte pode ser considerada puntiforme. As
lâmpadas conforme seu tipo e potência apresentam fluxos luminosos diversos:

◘ Lâmpada incandescente de 100 W: 1000 lm;


◘ Lâmpada fluorescente de 40 W: 1700 a 3250 lm;
◘ Lâmpada vapor de mercúrio 250 W: 12.700 lm;
◘ Lâmpada multi-vapor metálico de 250 W: 17.000 lm.

3.4. Eficiência Luminosa

A eficiência luminosa de uma fonte é a relação entre o fluxo luminoso total


emitido pela fonte e a potência por ela consumida. A unidade de eficiência luminosa é
o lúmen por Watt [lm/W]. Exemplos:

◘ Lâmpada incandescente de 100 W: 10 lm/W;


◘ Lâmpada fluorescente de 40 W: 42,5 lm/W a 81,5 lm/W;
◘ Lâmpada vapor de mercúrio de 250 W: 50 lm/W.

3.5. Iluminamento (ou Iluminância)

Define-se por iluminamento a razão entre o fluxo luminoso incidente por unidade
de área iluminada, ou seja, é a densidade de fluxo luminoso na superfície sobre a
qual este incide. A unidade é o Lux [lux], definido como o iluminamento de uma
superfície de 1 m2 recebendo de uma fonte puntiforme a 1 m de distância, na direção
normal, um fluxo luminoso de 1 lúmen, uniformemente distribuído. A Figura 4 mostra o
fluxo luminoso de 1 lúmem irradiado num ângulo sólido de 1 esterorradiano.

Figura 4 - Fluxo de 1 lm Irradiado num Ângulo Sólido de 1 sr (Moreira, 2001).

Exemplos de valores típicos de iluminamento:

◘ Dia ensolarado de verão em local aberto 100.000 lux;


◘ Dia encoberto de verão 20.000 lux;
◘ Dia escuro de inverno 3.000 lux;
◘ Boa iluminação de rua 20 a 40 lux;
◘ Noite de lua cheia  0,25 lux;
◘ Luz de estrelas 0,01 lux.

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3.6. Diagrama de Isolux

Uma curva de isolux é uma linha traçada em um plano, referida a um sistema de


coordenadas apropriadas, ligando pontos de uma mesma superfície que têm iluminamento
igual. Um diagrama de isolux é um conjunto de curvas de isolux. A Figura 5 exibe um
diagrama de isolux.

Figura 5 - Diagrama Isolux de uma Luminária para Iluminação Pública (Moreira, 1976).

3.7. Uniformidade

A uniformidade é a razão entre o valor mínimo e o valor médio da iluminância. A


iluminância deve se alterar gradualmente. A área da tarefa deve ser iluminada o mais
uniformemente possível.
A uniformidade da iluminância na tarefa não pode ser menor que 0,7. A
uniformidade da iluminância no entorno imediato não pode ser inferior a 0,5.

3.8. Ofuscamento

Ofuscamento é a sensação visual produzida por áreas brilhantes dentro do campo


de visão, que pode ser experimentado tanto como um ofuscamento desconfortável quanto
como um ofuscamento inabilitador. O ofuscamento pode também ser causado por reflexões
em superfícies especulares e é normalmente conhecido como reflexões veladoras ou
ofuscamento refletido. Logo, é importante limitar o ofuscamento aos usuários para
prevenir erros, fadiga e acidentes.
O ofuscamento inabilitador é mais comum na iluminação exterior, mas também pode
ser experimentado em iluminação pontual ou fontes brilhantes intensas, como uma
janela em um espaço relativamente pouco iluminado.
No interior de locais de trabalho, o ofuscamento desconfortável geralmente
surge diretamente de luminárias brilhantes ou janelas. Se os limites referentes ao
ofuscamento desconfortável forem atendidos, o ofuscamento inabilitador não é
geralmente um grande problema.
O valor referente ao ofuscamento desconfortável de uma instalação de iluminação
deve ser determinado pelo método tabular do Índice de Ofuscamento Unificado da CIE
(UGR), baseado na fórmula:

0,25 𝐿2 ∙ 𝑤
𝑈𝐺𝑅 = 8 ∙ 𝑙𝑜𝑔 ( ∙ ∑ 2 ), (2)
𝐿𝑏 𝑝

5
onde:
Lb é a luminância de fundo (cd/m²);
L é a luminância da parte luminosa de cada luminária na direção do olho do
observador (cd/m²);
w é o ângulo sólido da parte luminosa de cada luminária junto ao olho do
observador (esferorradiano);
p é o índice de posição Guth de cada luminária, individualmente relacionado ao
seu deslocamento a partir da linha de visão.

Os detalhes do método UGR são dados na CIE 117 – 1995.

3.9. Índice de Reprodução de Cor (IRC)

O IRC é o valor percentual médio relativo à sensação de reprodução de cor,


baseado em uma série de cores padrões. Para indicar de forma consistente as
propriedades de reprodução de cor de uma fonte de luz, idealizou-se um índice de
reprodução de cores padrões sob diferentes iluminantes. Um IRC em torno de 60 pode
ser considerado razoável, 80 é bom e 90 é excelente (Luz, 2008). A exigência do grau
de IRC depende da aplicação: uma via pública está adequadamente iluminada com um IRC
de 60, utilizando lâmpadas de vapor cuja luz apresenta-se amarelada. Todavia, uma
loja de roupas deve ter IRC acima de 80, uma vez que as cores dos produtos devem ser
reproduzidas de maneira fidedigna.

3.10. Temperatura de Cor

Segundo a Lei de Planck, um objeto muda de coloração em função de sua


temperatura. Uma peça de ferro não polido tem cor escura na temperatura ambiente, mas
será vermelha a 800 K, amarelada em 3.000 K, branca azulada em 5.000 K. Sua cor será
cada vez mais clara até atingir seu ponto de fusão. Pode-se então, estabelecer uma
correlação entre a temperatura de uma fonte luminosa e sua cor, cuja energia do
espectro varia segundo a temperatura de seu ponto de fusão. Uma lâmpada incandescente
opera com temperaturas entre 2.700 K e 3.100 K, dependendo do tipo de lâmpada a ser
escolhido.
A escolha de um determinado tipo de lâmpada deve basear-se na temperatura da
cor e no IRC. É consensual que cores quentes vão até 3.000 K, as cores neutras
situam-se entre 3.000 K e 4.000 K, e as cores frias acima deste último valor. Cores
quentes são empregadas quando se deseja uma atmosfera íntima, sociável, pessoal e
exclusiva (residências, bares, restaurantes); as cores frias são usadas quando a
atmosfera deva ser formal, precisa, limpa (escritórios, recintos de fábricas, salas
de cirurgia). Seguindo esta mesma linha de raciocínio, conclui-se que uma iluminação
usando cores quentes realça os vermelhos e seus derivados; ao passo que as cores
frias, os azuis e seus derivados próximos. As cores neutras ficam entre as duas e
são, em geral, empregadas em ambientes comerciais.

6
4. Leis do Iluminamento Produzido por uma Fonte Puntiforme

Deseja-se calcular o iluminamento causado por uma fonte pontual num elemento de
área dS , cuja localização relativa à fonte é dada pela Figura 6.

Figura 6 - Fonte puntiforme iluminando uma área elementar no plano P (Moreira, 1976).

O ângulo sólido subentendido por dS , de vértice em L , será:

dS  cos
dw  . (3)
d2
Sabe-se também que intensidade luminosa é dada por

d
I , ou ainda, d  I  dw . (4)
dw
Substituindo (3) em (4), temos:

I  dS  cos
d  . (5)
d2
O iluminamento, por sua vez, é matematicamente definido por:

d
E . (6)
dS
Finalmente, substituindo (5) em (6):

I  cos
E (7)
d2
O resultado obtido resume as três leis do iluminamento proporcionado por uma
fonte puntiforme em um ponto de uma superfície:

a. o iluminamento varia na razão direta da intensidade luminosa na direção do


ponto considerado;
b. o iluminamento varia na razão inversa do quadrado da distância da fonte ao
ponto iluminado e
c. o iluminamento varia proporcionalmente ao cosseno do ângulo formado pela normal
à superfície no ponto considerado e pela direção do raio luminoso que incide
sobre o mesmo.

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5. Noções de Fotometria

A fotometria consiste de uma série de métodos e processos de medida das


grandezas luminosas. Os fotômetros são equipamentos utilizados nas medições de
iluminação e seus primeiros modelos eram aparelhos comparadores, que avaliavam uma
grandeza óptica mediante a utilização de um padrão. Os fotômetros atuais são
fotoelétricos, a exemplo do luxímetro.
O elemento principal de um fotômetro atual é a célula fotoelétrica, dispositivo
capaz de transformar as variações de fluxo luminoso em variações de grandezas
elétricas. Os princípios básicos de funcionamento são três: fotoemissão, efeito
fotovoltaico e fotocondução.
A fotoemissão consiste na remoção, a frio, de elétrons da superfície de um
sólido. A remoção é causada pela incidência de energia luminosa ou outro tipo de
energia eletromagnética. A célula fotoemissiva consta de um cátodo frio e de um
ânodo. O cátodo é recoberto de material fotoemissivo, que pela incidência de luz,
emite elétrons. Os elétrons são atraídos pelo ânodo, quando ele estiver polarizado
por uma fonte CC. A circulação de corrente pode ser monitorada para dar informação
sobre a intensidade luminosa incidente.
Quando um de dois eletrodos imersos em um eletrólito é iluminado, uma diferença
de potencial aparece entre os eletrodos. As células fotovoltaicas transformam
diretamente a energia radiante incidente em energia elétrica, não necessitando de
baterias ou de fontes de polarização.
A fotocondução consiste na alteração da resistividade elétrica de um sólido
pela incidência da luz. Os dispositivos fotocondutores empregam semicondutores, que
podem ser fotoresistivos ou de fotojunção. O LDR (light dependent resistor) ou
resistor dependente da luz é um dispositivo fotoresistivo que pode ser utilizado na
construção de fotômetros. Os fotodiodos são exemplos de dispositivos de fotojunção.

(a) (b)
Figura 7 - (a) Célula Fotoemissiva;
(b) Célula Fotovoltaica: (1) Contato Elétrico Frontal;
(2) Material Fotosensível; (3) Placa-base (Moreira, 2001).

Existem alguns cuidados que devem ser tomados quando se utilizam fotômetros. A
corrente gerada por uma fotocélula varia com a temperatura. Por isso, os luxímetros
deverão ser utilizados nas temperaturas para as quais foram aferidos. Além disso, os
luxímetros de boa qualidade deverão ser dotados de filtros para adequar a sua
sensibilidade espectral. Finalmente, os luxímetros deverão ter uma correção para os
diversos ângulos de incidência da luz.

5.1. Medição de Iluminamentos

Quando se deseja conhecer os níveis de iluminamento de um ambiente, utilizam-se


fotômetros calibrados em lux (luxímetros) para realizar as medições. O medidor deverá
deslocar-se no plano de trabalho. O luxímetro deverá ser do tipo cor e co-seno
corrigidos, que leva em consideração a sensibilidade espectral e o ângulo de
incidência do feixe luminoso. A Fig. 8(a) mostra curvas de resposta espectral usadas
para correção de cor em luxímetros. A Fig. 8(b) mostra um artifício para a correção
do co-seno em uma célula fotoelétrica.

8
(b)

(a)
Figura 8. (a) Curva de Resposta Espectral de um Fotoresistor Típico:
(1) Fotoresistor; (2) Curva Internacional de Luminosidade Espectral Relativa
(b) Princípio Básico da Correção do Co-seno em uma Célula Fotoelétrica:
(a) Incidência Normal; (b) Incidência Oblíqua (Moreira, 2001).

A norma brasileira prescreve os níveis de iluminamento indicados na Tabela 1,


para alguns ambientes.
Para uma perfeita medição de iluminamentos deve ser utilizada um equipamento
chamado banco óptico. A Fig. 9 mostra um banco óptico.

Tabela 1 - Níveis de Iluminamento


para alguns ambientes.
Iluminação
Área Atividade
(lux)

Trabalho pesado 250-500


Máquinas operatrizes 250-500
Indústria
Trabalho de precisão 500-1000
Trabalho fino 1000-2000

Escritórios 500-1000
Datilografia 500-1000
Comercial
Computadores 500-1000
Desenho 1000-2000

Salas de aula 250-500 Fig. 9. Banco Óptico (Moreira, 2001).


Escolas Laboratórios 250-500
Bibliotecas 250-500

5.2. Medição de Iluminamento de Interiores

Um dos métodos para medição de iluminamento de interiores consiste na divisão


da superfície em pequenas áreas elementares, nas quais se medem os iluminamentos. Em
seguida, pode-se calcular o iluminamento médio ou traçar as curvas de isolux do
recinto.
Um dos processos mais simples e utilizável é o recomendado pela ABNT NBR
ISO/CIE 8995-1 de 2013 – Iluminação de ambientes de trabalho – Parte 1: Interior.
Esta norma apresenta aspectos bem diferenciados das anteriores (NBR-5382 e NBR-5413),
por apresentar novos critérios e requisitos qualitativos ao projeto, tais como,
controle de ofuscamento (nível de UGR), índice de reprodução da cor (RA), iluminação
de tarefas e critérios quantitativos, como o atendimento aos níveis de iluminância. O
processo para determinação do iluminamento é descrito a seguir:

9
Determinação da Malha de Cálculo para Projeto do Sistema de Iluminação

A princípio, a malha necessária para determinar as iluminâncias e uniformidades


médias depende do tamanho e da forma da superfície de referência, da geometria do
sistema de iluminação, da distribuição da intensidade luminosa das luminárias
utilizadas, da precisão requerida e das quantidades fotométricas a serem avaliadas.
O tamanho da malha é dado pela equação a seguir:

𝑑
𝑝 = 0,2 ∙ 5𝑙𝑜𝑔10 , (8)

onde
p é o tamanho da malha, expresso em metros (m);
d é a maior dimensão da superfície de referência, expressa em metros (m).

O número de pontos de cálculo (n) considerando a malha p é então estabelecido


pelo número mais próximo da relação d para p. No entanto, a quantidade de pontos de
cálculo pode ser majorada de forma a proporcionar maior precisão do iluminamento
médio calculado.

Procedimento de Verificação

As superfícies de referência retangulares são subdivididas em pequenos


retângulos, aproximadamente quadrados, com os pontos de cálculo em seu centro.
A média de todos os pontos de cálculo é a iluminância média. Para cada área de
tarefa, este valor não pode ser menor do que os valores descritos na norma, segundo o
tipo de ambiente, tarefa ou atividade.
Quando se sabe que o arranjo das áreas de trabalho pode se estender até os
limites da sala, a área a ser iluminada compreende toda a sala. Logo, para efetuar as
medições, o luxímetro deve ser colocado em pontos distribuídos na área de trabalho,
de forma a evitar medições em regiões localizadas, e consequentemente, obter um valor
de iluminância média errôneo. A seguir é apresentado um procedimento para verificação
da iluminância em um ambiente retangular.

m2 m7
1. 𝑑 = 10𝑚
m5 m10
10
m3 m8 2. 𝑝 = 0,2 ∙ 5𝑙𝑜𝑔10 = 1𝑚
5m
𝑑
m1 m6 3. = 10 → 𝒏 = 𝟏𝟎
𝑝

m4 m9 ∑𝑛
𝑘=1 𝑚𝑘
4. 𝐸𝑚 =
𝑛
10 m
Figura 10 - Procedimento de verificação da iluminância

Obs. 1: Quando a superfície de referência tem uma relação do comprimento versus a


largura entre 0,5 e 2 (ver Figura 11a), o tamanho da malha p e, portanto, o número de
pontos n podem ser determinados com base na maior dimensão d da área de referência.
Recomenda-se que, em todos os outros casos (ver Figura 11b), a menor dimensão seja
tomada como base para o estabelecimento do espaçamento entre os pontos da malha.

Caso 1 Caso 2
d = Maior dimensão d = Menor dimensão

𝑑1 = 15 𝑚 𝑑2 = 10 𝑚
p1 = 1,328 m ≈ p2 = 1 m
10m p1
(a) 𝑑 𝑑
= 11,3 → 𝒏 = 𝟏𝟏 = 10 → 𝑛 = 10
𝑝 𝑝
15m

10
𝑑1 = 30 𝑚 𝑑2 = 10 𝑚
𝑝1 = 2,155 𝑚 >> 𝑝2 = 1 𝑚
10m p2
(b) 𝑑1 𝑑2
= 13,92 → 𝑛 = 14 = 10 → 𝑛 = 10
𝑝1 𝑝2
30m
Figura 11 - Espaçamento entre pontos da malha.

Obs. 2: Para as superfícies de referência do tipo faixa (ver Figura 12), que
normalmente resultam das imediações das áreas avaliadas, convém que seja considerada
a dimensão da faixa em seu ponto mais largo como base, para determinar o tamanho da
malha. No entanto, não é recomendado que o tamanho da malha assim estabelecido seja
superior à metade da dimensão da faixa em seu ponto mais estreito, se este for de 0,5
m ou mais.

Sendo x > y > z > w


y
d = x

Assumindo que x e w são iguais a 1,5 e 0,5,


x w respectivamente, temos:

d = 1,5
p = 0,266
z
𝑤
Logo, 𝑝 > (não é recomendado!).
2

Figura 12 - Avaliação de superfícies de referência do tipo faixa.

Superfícies de Referência não Retangulares

Para superfícies de referência não retangulares, ou seja, superfícies limitadas


por polígonos irregulares, o tamanho da malha pode ser determinado de forma análoga
através de um retângulo adequado circunscrito e dimensionado (ver Figura 13). Os
meios aritméticos e as uniformidades são então estabelecidos considerando-se apenas
os pontos de cálculo dentro dos limites dos polígonos da superfície de referência.

m3

m1

5m m4 m6

m7 m9
m2 m5 m8 m10

10 m
Figura 13 – Procedimento de verificação de superfícies de referência não
retangulares.

5.3. Método Ponto a Ponto para Cálculo de Iluminamento

O método ponto a ponto para cálculo de iluminamento por projetores consiste em


obter o iluminamento em um ponto, a partir do iluminamento de cada projetor
individualmente. Utiliza-se para tal a Lei de Lambert

I  cos
E , (9)
d2
de acordo com a Figura 14:

11
Figura 14 - Iluminação de uma Superfície Vertical por um Projetor. MN = Normal ao
Plano; P = Projetor de Facho Luminoso Simétrico em Relação ao Eixo; I = Intensidade
luminosa Irradiada pelo Projetor em Direção ao Ponto M; D = Distância Horizontal
entre o Projetor e o Plano Vertical que Contém M; H = Altura do Ponto M em Relação ao
Projetor; L = Distância Horizontal entre P e a Normal ao Ponto M (Moreira, 1976).
Nas condições supracitadas, a Lei de Lambert torna-se:

I  cos
E , (10)
( H  D 2  L2 )
2

ou ainda:
I D
E . (11)
( H  D 2  L2 )3 / 2
2

O algoritmo para cálculo de iluminamentos utilizando o método ponto a ponto se


desenvolve da seguinte maneira:

a. Considera-se um ponto para qualquer;


b. Calcula-se o ângulo entre a direção do feixe principal do projetor (foco) e o
ponto considerado;
c. Da curva fotométrica do projetor, obtém-se a intensidade luminosa do feixe com
o ângulo determinado anteriormente. Esta intensidade luminosa é referente à
inclinação do feixe com relação ao eixo principal do projetor;
d. Calculam-se as distâncias nas direções H, D e L com relação à posição do
projetor;
e. Determina-se o iluminamento no ponto considerado devido ao projetor
aplicando-se a Lei de Lambert e
f. Aplicam-se os procedimentos anteriores para os demais refletores em todos os
pontos onde se deseja calcular o iluminamento.

6. Roteiro Experimental

6.1. Medição do Nível de Iluminamento de um Ambiente Interior

O procedimento básico para a medição de iluminamento é:

a. Verifique se o luxímetro está requerendo troca de bateria através do indicador


no display;
b. Determine o tamanho da malha (p), e consequentemente, o número de pontos de
cálculo (n), de acordo com a Seção 5.2;
c. Subdivida a área de trabalho em pequenos retângulos, aproximadamente quadrados,
e meça de forma adequada o iluminamento indicado pelo professor ou monitor;
d. Aplique as recomendações da ABNT estudadas na Seção 5.2 e meça de forma
adequada o iluminamento indicado pelo professor ou monitor, se for necessário;
e. Use um croqui da sala e anote nele os valores dos iluminamentos obedecendo às
recomendações da ABNT;

12
f. Faça as suas observações sobre as condições do recinto indicado para medição.

6.2. Medição de Intensidade Luminosa de um Projetor

O procedimento sugerido para a medição de iluminamento do projetor é:

a. Coloque o arranjo projetor-lâmpada posicionado sobre um plano horizontal;


b. Trace um semicírculo na frente da iluminação com raio de 1,5 m;
c. Proceda a medição do iluminamento com o auxílio do luxímetro, sobre o
semicírculo traçado, à altura do eixo longitudinal do arranjo projetor-lâmpada;
d. Meça os iluminamentos em pontos espaçados de 10°, a partir do ângulo de 5°.
Observe a Figura 15 para melhor compreensão;
e. Gire o projetor de 90° em relação ao seu eixo longitudinal;
f. Repita as medições de iluminamento seguindo o procedimento sugerido
anteriormente. Anote os dados da lâmpada.

Figura 15 - Medição de Iluminamento de um Arranjo Projetor-Lâmpada


sobre um Semicírculo no Plano Horizontal do Eixo do Arranjo.

7. Avaliação
As questões abaixo devem ser resolvidas por grupos de três alunos, e um aluno de cada
grupo será escolhido para arguição. Exceto quando recomendado, todas as questões
devem ser entregues em formato “.doc”, via e-mail para [ george@dee.ufcg.edu.br ],
até as 23:59 h do dia estabelecido para a entrega. As questões manuscritas devem ser
entregues até às 18:00 do dia estabelecido para a entrega, na sala do professor.

7.1. Acerca das medições realizadas na Seção 6.1, pede-se:

a. Calcular o iluminamento seguindo as recomendações da ABNT


b. Verificar se o valor encontrado condiz com as recomendações da norma.
c. Faça a média com todos os pontos medidos e compare o valor obtido com o
resultado atingido utilizando-se a norma.
d. Utilize software já disponível2 ou escreva uma rotina para o cálculo e desenho
das curvas isolux.
e. Fazendo uso da ferramenta empregada no item “d”, simule uma configuração de
luminárias que atenda às exigências da norma da ABNT. Sinta-se livre para
modificar lâmpadas, luminárias, ou ambas. Como resultado, exponha as curvas
isolux da simulação.
f. Indique na Bibliografia as normas e o software utilizado, ou anexe a rotina
utilizada para o cálculo e desenho. (Valor da questão 3,0 pontos)

2 Visite [ http://www.dial.de/ ] para baixar o software gratuito DIALux® e seu manual.


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7.2. Acerca das medições realizadas na Seção 6.2, pede-se:

a. Trace as curvas fotométricas do projetor utilizado no experimento, referidas a


1000 lm para a lâmpada utilizada. (Valor da questão 1,0 ponto).

7.3. Calcule o iluminamento produzido em dois pontos da fachada vertical lisa


representada na Figura 16, quando iluminada por três projetores de iguais, cuja curva
fotométrica foi calculada no item 7.2. Os pontos para o cálculo deverão corresponder
a duas letras diferentes dentre as que constam no seu nome, que não deverão guardar
simetria de iluminamento. O método utilizado deverá ser o ponto por ponto. Os
projetores são dotados de lâmpadas de 15 klm, e estão montados ao nível do solo,
apontados para os pontos T1, T2 e T3. A solução deve ser entregue manuscrita e com a
argumentação necessária para o seu entendimento. (Valor da questão 2,0 pontos).

Figura 16 - Diagrama esquemático para o item 7.3.

7.4. Nesta questão, propõe-se que o aluno realize o projeto de iluminação utilizando
o software DIALux®.

Escolha um tema de ambientação: comercial, industrial ou residencial3. Neste


contexto, construa um ambiente no DIALux®, incluindo nele as pessoas, móveis,
texturas e demais elementos que podem ter impacto no resultado do iluminamento.
Justifique o uso das luminárias e lâmpadas (potência, rendimento, IRC, etc.), bem
como sua disposição. Certifique-se de que seu projeto satisfaz as exigências da
norma. Caso tenha dúvidas que não estejam esclarecidas no manual do software,
consulte o professor ou o monitor da disciplina. O ambiente pode ser fictício.
A complexidade do ambiente, a completeza do relatório elaborado (excetuando-se,
claro, os relatórios automaticamente emitidos pelo DIALux®) e a segurança do aluno no
momento da defesa terão impacto majoritário na avaliação da questão.
(Valor da questão 3,0 pontos. O melhor projeto dentre os apresentados terá nota
máxima, e os demais serão avaliados tendo-o como referência).

7.5. Que tipos de lâmpadas você escolheria para os ambientes abaixo? Justifique sua
resposta. (Valor da questão 1,0 ponto)

a. Escritório;
b. Sala de TV;
c. Cubículo de conexões de uma central telefônica;
d. Loteamento residencial (iluminação pública);
e. Quadra de esportes.

3 Exemplos: sala de estar, quarto, sala de aula, restaurante, ateliê, quadra desportiva, praça, avenida,
monumento, sala de cirurgia, etc.
14
Bibliografia

Arruda, Paulo Ribeiro de - Iluminação e instalações elétricas (Domiciliares e


Industriais). Livraria Luso - Espanhola e Brasileira, 196X.

Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). NBR ISO/CIE 8995-1: 2013: Iluminação
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Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). NBR 5382: Verificação de Iluminância


de Interiores – Método de Ensaio. Rio de Janeiro, RJ, 1985.

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Rio de Janeiro, RJ, 1992.

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Luz, Jeanine Marchiori – Curso de Luminotécnica. UNICAMP, 2008.

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Moreira, Vinícius de Araújo - Iluminação e Fotometria teoria e aplicação. Editora


Edgard Blücher Ltda., 1976.

Moreira, Vinícius de Araújo - Iluminação Elétrica. Editora Edgard Blücher Ltda.,


2001.

15
Anexo A – Tipos de Lâmpadas

A.1. Lâmpadas Incandescentes

As lâmpadas incandescentes possuem bulbo de vidro,


em cujo interior existe um filamento de tungstênio
espiralado, que é levado a incandescência por efeito
Joule. Sua oxidação é evitada pela presença de gás inerte
ou vácuo dentro do tubo. O alto fluxo luminoso das novas
lâmpadas incandescente é obtido com filamentos de dupla
espiralagem feitos de tungstênio puríssimo, exigência da
norma NBR IEC 64 (1997).
O bulbo pode ser incolor ou leitoso, este último
usado para reduzir a luminância ou ofuscamento. A cor da
luz é branco-avermelhada. Na reprodução de cores
sobressaem as cores amarela e vermelha, ficando
amortecidas as tonalidades verde e azul.
O vidro empregado na fabricação dos bulbos é
normalmente o vidro cal, macio, de baixa temperatura de
amolecimento. Em lâmpadas ao ar livre, são empregados
vidros duros ou vidros-borossilicatos, que resistem ao
choque térmico. Em lâmpadas especiais tubulares, onde o
filamento é colocado axialmente, muito próximo ao bulbo Figura A.1. Diagrama Esquemático de
são utilizados tubos de quartzo, que resistem a elevadas lâmpada incandescente convencional
(Moreira, 2001).
temperaturas sem ocorrer o seu amolecimento, como nas
lâmpadas halógenas. As principais finalidades dos bulbos
das lâmpadas são:
◘ Separar o meio interno, onde opera o filamento do meio externo;
◘ Diminuir a luminância da fonte de luz;
◘ Modificar a composição espectral do fluxo luminoso produzido;
◘ Alterar a distribuição fotométrica do fluxo luminoso produzido;
◘ Finalidade decorativa.
Para diminuir a luminância da fonte de luz, com o que se diminui a probabilidade de
ofuscamentos os bulbos podem ser fosqueados internamente ou pintados. O fosqueamento interno
corresponde ao tratamento do vidro com ácido fluorídrico, ficando a parte externa do bulbo
lisa para evitar-se a aderência de poeira. Esse fosqueamento interno absorve de 1 a 2% do
fluxo luminoso produzido pelo filamento. A pintura branca é executada com óxido de titânio
diminuindo também a eficiência da lâmpada.
As bases têm por finalidade fixar mecanicamente a lâmpada em seu suporte e completar a
ligação elétrica ao circuito de iluminação. A maior parte das lâmpadas usa a base de rosca
tipo Edison. Elas são designadas pela letra “E” seguida de um número que indica
aproximadamente seu diâmetro externo em milímetros. As bases tipo baioneta são indicadas
quando se deseja uma fixação que resista a vibrações intensas (lâmpadas para trens e
automóveis, etc.) ou nos tipos “focalizados”, onde a fonte de luz tenha uma posição precisa
num circuito óptico (projetores de cinema, slides, etc.). Em casos particulares, são
utilizadas bases de desenho especial. As bases tipo baioneta são designadas pela letra “B”
seguida de seu diâmetro em milímetros.
Existem ainda as bases tipo pino as quais são designadas pela letra “T”, e são as bases
utilizadas pelas lâmpadas fluorescentes tubulares, e os número escritos após a letra,
significam o diâmetro em milímetros.
Quando uma lâmpada incandescente é submetida a uma sobretensão, a temperatura de seu
filamento, sua eficiência, potência absorvida, fluxo luminoso e corrente crescem, ao passo que
sua vida se reduz drasticamente.

A.2. Lâmpadas Halógenas

Lâmpadas Halógenas são lâmpadas incandescentes nas quais


se adicionam internamente ao bulbo, elementos halógenos como o
iodo ou bromo. Realiza-se no interior do bulbo o chamado “ciclo
do iodo” ou “ciclo do bromo”. O tungstênio evaporado combina-se
(em temperaturas abaixo de 1400°C) com o halogênio adicionado ao
gás presente no bulbo. O composto formado circula dentro do
bulbo, devido às correntes de convecção presentes, até se
aproximar novamente do filamento e reiniciar o ciclo (evaporação
e circulação). A reação cíclica que reconduz o tungstênio
evaporado para o filamento permite a operação em temperaturas
mais elevadas (aproximadamente 3200K a 3400K), obtendo-se maior
eficiência luminosa, fluxo luminoso de maior temperatura de cor,
Figura A.2. Lâmpada halógena.
16
ausência de depreciação do fluxo luminoso por enegrecimento do bulbo e dimensões reduzidas.
Para que o ciclo do iodo ocorra, a temperatura do bulbo deve estar acima de 250°C,
obrigando a utilização de bulbos de quartzo, o que encarece a produção e exige que a lâmpada
funcione nas posições para a qual foi projetada. Recomenda-se os seguintes cuidados em sua
instalação:
◘ Não tocar o bulbo de quartzo com as mãos para evitar engordurá-lo;
◘ Caso necessário, limpar as manchas com álcool;
◘ Nas lâmpadas de maior potência, protegê-las individualmente por fusíveis pois, devido a
suas reduzidas dimensões, no fim de sua vida, poderão ocorrer arcos elétricos internos;
◘ Verificar a correta ventilação das bases e soquetes, pois temperaturas elevadas poderão
danificá-los e romper a selagem da entrada dos lides;
◘ Só instalar a lâmpada na posição para a qual foi projetada.
São lâmpadas de grande potência, mais duráveis, de melhor rendimento luminoso, menores
dimensões e que reproduzem mais fielmente as cores, todavia, são mais caras. São utilizadas
para iluminação de praças de esporte, pátios de armazenamento de mercadorias iluminação
externa em geral, teatros, estúdios de TV museus, monumentos, projetores, fotocopiadoras, etc.
A lâmpada dicróica é uma lâmpada halógena com bulbo de quartzo, no centro de um
refletor com espelho multifacetado numa base bipino. Possui facho de luz bem delimitado,
homogêneo, de abertura controlada e mais frio, pelo fato de transmitir aproximadamente 65% da
radiação infravermelha para a parte superior da lâmpada. As lâmpadas halógenas com refletor
dicróico possuem uma luz mais branca, mais brilhante e intensa, são ótimas para fins
decorativos, transmitem menos calor ao ambiente e possuem um facho de luz homogêneo bem
definido.

A.3. Lâmpadas de Descarga

Nas lâmpadas de descargas o fluxo luminoso é gerado diretamente ou indiretamente pela


passagem da corrente elétrica através de um gás, mistura de gases ou vapores. As lâmpadas de
descarga podem ser construídas baseadas em diversos princípios. Os mais representativos
princípios serão abordados nas seções a seguir.

A.3.1. Lâmpadas de descargas fluorescentes

Lâmpadas de descargas
fluorescentes utilizam a descarga
elétrica através de um gás para produzir
energia luminosa. As lâmpadas
fluorescentes tubulares consistem de um
bulbo cilíndrico de vidro, tendo em suas
extremidades eletrodos metálicos de
tungstênio recobertos de óxidos que Figura A.3. Lâmpada de descargas fluorescente. (a)
aumentam seu poder emissor, por onde Bulbo; (b) Revestimento fluorescente; (c) Vapor onde
circula a corrente elétrica. Em seu ocorrerão as descargas; (d) Filamentos; (e) Terminais
interior existe vapor de mercúrio ou externos. (Moreira, 2001)
argônio a baixa pressão e as paredes
internas do tubo são pintadas com materiais fluorescentes conhecidos por cristais de fósforo.
Para as lâmpadas fluorescentes chamadas da “partida lenta”, são necessários dois
equipamentos auxiliares: o dispositivo de partida (starter) e o reator. O starter é um
dispositivo constituído de um pequeno tubo de vidro dentro do qual são colocados dois
eletrodos imersos em gás inerte, responsável pela
formação inicial do arco que permitirá estabelecer
um contato direto entre os referidos eletrodos e
destina-se a provocar um impulso de tensão a fim
de deflagrar a ignição da lâmpada.
Figura A.4. Starter Existem dois tipos de reatores, o
para lâmpadas
eletromagnético que consiste essencialmente de uma
fluorescentes. C,
capacitor; D, capa bobina com núcleo de ferro, ligada em série com a
de proteção; M, alimentação da lâmpada, o qual tem por finalidade
eletrodo fixo; N, provocar um aumento da tensão durante a ignição e
lâmina bimetálica uma redução na intensidade da corrente durante o
recurvada; P, funcionamento da lâmpada; e o reator eletrônico,
terminais; T, bulbo que tem a mesma função do reator eletromagnético,
de vidro. (Moreira, consiste basicamente de um circuito de retificação
2001)
e um inversor oscilante, de 16 a 50 kHz. Segundo
os fabricantes, os reatores eletrônicos oferecem
inúmeras vantagens em relação aos
eletromagnéticos, a saber: menor ruído audível; menor aquecimento; menores níveis de
interferência eletromagnética, menor consumo de energia elétrica e redução da cintilação.

17
Ao se fechar o interruptor (X), ocorre no
starter (S) uma descarga, e o elemento bimetálico
aquecido fecha o circuito. A corrente se estabelece
através do starter, do reator (R) e dos eletrodos
da lâmpada (F). Depois que a lâmina bimetálica
recurvada toca o eletrodo fixo, os contatos do
starter fecham-se e a descarga cessa, o que provoca
Figura A.5. Circuito básico de funcionamento rápido esfriamento do elemento bimetálico.
de uma lâmpada fluorescente. Resfriado o contato bimetálico volta à sua posição
original e, desta forma, abrem-se os contatos,
cessando a corrente pelo starter. Todavia, o reator (indutor) tende a manter a corrente
através do circuito, e expõe o gás interno à lâmpada a uma tensão suficientemente elevada para
romper a sua rigidez dielétrica. Os elétrons, deslocando-se de um filamento a outro, esbarram
em seu trajeto com átomos do vapor (de mercúrio ou argônio) que provocam liberação de energia
luminosa não visível (ultravioleta e freqüências superiores).
As radiações em contato com a pintura fluorescente do tubo produzem radiação luminosa
visível. A tensão final no starter é insuficiente para gerar uma nova descarga, o que faz com
que o mesmo fique fora de serviço enquanto a lâmpada estiver acesa.
Como os reatores eletromagnéticos são bobinas (indutâncias), absorvem potência reativa
da rede e podem apresentar baixo fator de potência (FP). Para melhorar o FP, o starter é
provido de um capacitor ligado em paralelo com o elemento bimetálico. Ainda, para melhorar o
FP e reduzir o efeito estroboscópico pode-se executar uma ligação em paralelo de duas lâmpadas
fluorescentes, utilizando um reator duplo. Neste caso uma das lâmpadas é ligada normalmente
com o reator e a outra em série com um reator e um capacitor de compensação constituindo um
reator capacitivo.
Existem dois tipos de reatores eletromagnéticos: os comuns ou convencionais necessitam
de starter para prover a ignição, podendo ser simples ou duplos; os reatores de partida rápida
(eletrônicos) não necessitam de starter, podendo ser simples ou duplos. O uso de reatores
eletrônicos permite que seja feito o ajuste de intensidade luminosa das lâmpadas
fluorescentes.
Existe atualmente uma imensa gama de tipos de lâmpadas fluorescentes, desde tubulares,
até compactas ou de formato circular, podendo o projetista optar conforme suas necessidades e
preferências. Resumidamente pode-se citar os seguintes tipos de lâmpadas fluorescentes:

a. Lâmpadas fluorescentes compactas integradas: foram desenvolvidas visando obter grande


economia de energia através de sua instalação em lugar das incandescentes comuns. São lâmpadas
mais eficientes, pois economizam até 80% de energia em relação às lâmpadas incandescentes,
vida longa (> 10.000 h), ótimo índice de reprodução de cores (>80) e adaptável a base comum
(E-27), com potências que variam de 9 a 23W. São disponíveis em várias temperaturas de cor e
formatos de bulbo. Como são dispositivos não-lineares, podem ser origem de injeção de
harmônicos na rede elétrica, quando utilizadas em grandes quantidades.

b. Lâmpadas fluorescentes compactas não integradas: são lâmpadas de dois pinos constituídas
por um grupo de pequenos tubos revestidos de pó fluorescente, interligados de modo a formar
uma lâmpada com dimensões muito compactas, e reator eletromagnético acoplável. O revestimento
das lâmpadas é feito com fósforos tricomáticos, e apresentam um IRC de 82. São lâmpadas ideais
para serem utilizadas em luminárias de mesa, arandelas, luminárias de pedestais ou embutidas.

c. Sistema fluorescente circular: composto de uma lâmpada fluorescente circular e um adaptador


para soquetes comuns, também podendo substituir diretamente as lâmpadas incandescentes em suas
diversas aplicações.

d. Lâmpadas fluorescentes tubulares: são as tradicionais lâmpadas fluorescentes de


comprimentos diversos que variam entre aproximadamente 40 cm, 60 cm, 120 cm e 240 cm, cuja
potência varia de 15 W a 110 W, tonalidades de cor distintas e em dois diâmetros (26 mm e
33,5 mm) para operação em partida rápida, convencional ou eletrônica. As lâmpadas
fluorescentes da Série 80 apresentam IRC igual a 85, possibilitando muito boa reprodução de
cores sendo muito utilizadas em iluminação de grandes áreas como escritórios, bancos, lojas,
escolas, hospitais, hotéis, supermercados, etc.

Figura A.6. Tipos de lâmpadas fluorescentes.


(a) Fluorescente compacta integrada; (b) Fluorescentes compactas não integradas;
(c) Fluorescente circular; (d) Fluorescentes tubulares.

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A.3.2. Lâmpadas de luz mista

As Lâmpadas de luz mista


constituem-se de um tubo de arco de
vapor de mercúrio em série com um
filamento incandescente de
tungstênio que, além de produzir
fluxo luminoso, funciona como
elemento de estabilização da
lâmpada. Reúne características da
lâmpada incandescente, fluorescente
e vapor de mercúrio, pois a luz do Figura A.7. Lâmpada de luz mista. 1,
filamento emite luz incandescente, bulbo; 2, filamento de tungstênio; 3,
luz do tubo de descarga a vapor de tubo de arco de vapor de mercúrio; 4,
mercúrio emite intensa luz azulada e lide para conexão elétrica do
a radiação invisível, em contato com eletrodo superior; 5, eletrodos
a camada fluorescente do tubo, principal e de partida; 6, camada de
transforma-se em luz avermelhada. correção de cor; 7, lide para conexão
As lâmpadas de luz mista elétrica do eletrodo inferior; 8,
rosca Edison. (Moreira, 2001)
dispensam o reator uma vez que o
filamento além de produzir luz, limita a corrente de funcionamento, podendo ser ligadas
diretamente à rede (eliminando o custo do reator e tendo FP unitário). O IRC dessas lâmpadas é
60, e a eficiência luminosa é em torno de 25 lm/W (baixa, se comparada com a lâmpada a vapor
de mercúrio). Além disso, existem restrições quanto a posição de funcionamento. Sua potência
varia entre 160W a 500W.

A.3.3. Lâmpadas de vapor de mercúrio

Lâmpadas de vapor de mercúrio


são constituídas de um tubo de
descarga feito de quartzo, para
suportar elevadas temperaturas, tendo
em cada extremidade um eletrodo
principal, de tungstênio recoberto com
material emissor de elétrons.
Quando uma tensão é aplicada à
lâmpada, cria-se um campo elétrico Figura A.8. Lâmpada de vapor de
entre o eletrodo auxiliar e o mercúrio. 1, Dispositivo de fixação do
principal. Forma-se um arco elétrico bulbo interno; 2, bulbo; 3, camada de
entre eles provocando o aquecimento fósforo; 4, lide para conexão elétrica
dos óxidos emissores, a ionização do do eletrodo superior; 5, bulbo de
gás e a formação de vapor de mercúrio. descarga; 6, eletrodo auxiliar de
partida; 7, eletrodo principal; 8,
Depois que o meio interno tornou-se
resistor de partida; 9, rosca Edison.
ionizado, a impedância equivalente do (Moreira, 2001)
meio torna-se reduzida e, como a impedância do circuito de partida é elevada (devido a um
resistor de partida), a parcela majoritária da corrente circula pelo vapor de mercúrio e
eletrodos principais. Com o aquecimento do meio interno, a pressão dos vapores cresce,
incrementando o fluxo luminoso. O período de partida leva alguns segundos, e a lâmpada só
entra em regime aproximadamente 6 minutos após ligada a chave. Se a lâmpada é apagada, o
mercúrio não pode ser re-ionizado até que a temperatura do arco seja diminuída
suficientemente, isto leva de 3 a 10 minutos, dependendo das condições externas e da potência
da lâmpada.
O IRC é de 45, a eficiência luminosa varia entre 45 a 55 lm/W, e a vida útil tem valor
aproximado de 18.000 horas. São
prediletas em vias públicas, fábricas, Figura A.8.
parques, praças, estacionamentos, etc. Lâmpada de vapor
de sódio. 1,
apoio superior do
tubo de descarga;
A.3.4. Lâmpadas de vapor de sódio 2 e 8, lide do
eletrodo
As lâmpadas de vapor de sódio superior; 3,
produzem uma luz monocromática amarela, bulbo exterior;
sem ofuscamento, e são apresentadas como 4, tubo de
a melhor solução para iluminação em descarga de óxido
de alumínío
locais onde existe névoa ou bruma.
sinterizado; 5,
Lâmpadas a vapor de sódio a alta pressão camada de
têm um tubo de descarga de óxido de correção de cor;
alumínio sinterizado, encapsulado por um 6, junta de
bulbo oval de vidro. O tubo de descarga é dilatação; 7,
preenchido por uma amálgama de sódio- lide do eletrodo
mercúrio, além de uma mistura gasosa de inferior: 9,
neônio e argônio, utilizada para a rosca Edison.
(Moreira, 2001)
19
partida.
As lâmpadas de sódio são produzidas para substituir as lâmpadas vapor de mercúrio
diretamente nas potências equivalentes, devendo-se observar que as luminárias não devem causar
um excessivo aumento da tensão de arco. O IRC das lâmpadas a vapor de sódio é 23, a
temperatura de cor é em torno de 2.000K e a vida varia em torno de 16.000 horas, necessitando
de reator e ignitor de boa qualidade para operação e ignição confiável, não devendo ser
utilizadas com circuitos capacitivos. São usadas em estradas, pontes, viadutos, túneis,
aeroportos, etc.

A.3.4. Lâmpadas de multi-vapor metálico

As lâmpadas de multi-vapor metálico são lâmpadas de vapor de mercúrio nas quais se


introduzem outros elementos (iodetos, brometos) em seu tubo de descarga, de forma que o arco
elétrico se realize numa atmosfera de vários vapores misturados. Obtêm-se assim maiores
eficiências luminosas, até 90 lm/W e melhor composição espectral. São especialmente
recomendadas quando se quer ótima qualidade na reprodução de cores como em lojas, shoppings,
estádios, pistas de corrida, principalmente quando se pretende televisionamento em cores. O
IRC varia entre 65 e 85, conforme tipo e potência, bem como a temperatura de cor, que varia
entre 3000K a 4900K.
Todas as lâmpadas a vapor metálico requerem um reator e um ignitor, os quais
influenciam sua performance, ademais a tensão não deve flutuar mais que 0.5% da tensão do
reator.

A.3.5. Lâmpadas de luz negra

Lâmpadas de luz negra podem ser baseadas em diversos tipos de lâmpadas, diferindo destas
somente no vidro utilizado na confecção da ampola externa. Nesse caso utiliza-se o bulbo
externo de vidro com óxido de níquel (vidro de Wood), que sendo transparente ao ultra-violeta
próximo absorve em grande parte o fluxo luminoso produzido. São usadas em exames de gemas e
minerais, apurações de fabricações, setores de correio, iluminação de casas noturnas,
levantamento de impressões digitais, na indústria alimentícia para verificar adulterações,
etc.
Figura A.9. Exemplos de
lâmpadas de luz negra.

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