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Relatório de Inflação

Junho 2000

1 – Demanda agregada

1.1 – Consumo

Os indicadores de demanda relativos ao primeiro quadrimestre de 2000 sinalizaram crescimento da atividade econômica em relação a igual período do ano anterior, em contexto de expansão de crédito e das exportações, sendo mantida a tendência de recuperação delineada a partir de setembro de 1999. O resultado de pesquisas destinadas a avaliar o comportamento presente e as expectativas do consumidor, entretanto, refletiram não só as melhores condições econômicas, mas também as incertezas associadas ao cenário internacional.

Nesse sentido, em junho, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Federação de Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp), atingiu 99,5 pontos na escala de zero a duzentos, situando-se 5,4% acima do relativo ao mês anterior. O resultado sugere a reversão da tendência de queda observada nos três meses anteriores, quando o índice captou a reação desfavorável, entre os consumidores de menor renda, ao reajuste

concedido ao salário mínimo e as incertezas advindas da instabilidade do mercado de ações norte-americano e da expectativa de elevação dos juros externos e internos, principalmente entre os consumidores de renda mais elevada. A reversão de expectativas é atribuída

ao crescimento do emprego na indústria, à trajetória favorável dos índices de inflação e à melhora do cenário externo.

Índices de expectativas 1/ 120 100 80 60 Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan
Índices de expectativas 1/
120
100
80
60
Jan
Mar
Mai
Jul
Set
Nov
Jan
Mar
Mai
1999
2000
Inec - Out/1997=100
ICC

1/ Inec não é calculado para o mês de janeiro.

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor

(Inec), de periodicidade bimestral, calculado pela

Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingiu

96,2 em maio, ante 97,6 em fevereiro. Considerando

os componentes do índice, constata-se que influíram

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na sua queda a piora das expectativas quanto à renda geral e pessoal, as perspectivas econômicas para o ano e a intenção de compras.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial, calculado com base na Sondagem Industrial realizada pela CNI, tem apresentado trajetória de crescimento. Assim, o indicador relativo ao primeiro trimestre atingiu 64,7, ante 63,8 no trimestre anterior e 51 em igual período de 1999. Tal evolução foi causada, basicamente, pelo comportamento presente e pelas expectativas de desempenho da economia, já que para o setor de atividade e para a empresa, isoladamente, a percepção é de estabilidade.

As vendas industriais de bens de consumo duráveis evoluíram positivamente nos primeiros cinco meses do ano. No segmento automotivo, as vendas informadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) cresceram 23% no período, refletindo elevações de 54,9% nas exportações e de 16,3% nas vendas internas. Em conseqüência, a participação relativa da demanda externa nas vendas do setor, no ano, alcançou 22,2%, comparativamente a 17,4%, no mesmo período de 1999, em função, principalmente, da mudança de preços relativos associada à alteração do regime cambial, no início de 1999.

As vendas de motociclos, responsáveis por 50,6% dos grupos de

consórcios em andamento, expandiram-se 22,3% no ano, até maio, condicionadas pela evolução de 110,9% das exportações e de 27,3% da comercialização interna. Em conseqüência, a representatividade das exportações alcançou 8,8%, ante 5,3%, nos primeiros cinco meses de

1999.

Faturamento real do comércio varejista - Brasil 1/

Variação % no ano

Discriminação

1999

2000

 

Jan

Fev

Mar

Abr

Geral Sem concessionárias Bens de consumo Comércio automotivo Material de construção

-2,90

-0,1

6,60

3,42

5,30

1,05

1,4

5,14

2,97

5,40

1,01

1,2

4,80

2,90

5,81

-23,95

-5,0

24,39

9,85

6,40

-3,82

5,4

11,64

5,66

3,76

Fonte: FCESP, FCEMG e IBGE (Rio de Janeiro, Recife e Salvador)

1/ Ponderado pela Pesquisa Anual do Comércio de 1996 do IBGE: São Paulo (53,61%), Rio de Janeiro (24,83%), Belo Horizonte (12,54%), Salvador (5,16%) e Recife (3,86%) Deflator utilizado: IPCA.

O faturamento real do comércio varejista cresceu 5,3% no primeiro quadrimestre de 2000, em relação a igual período do ano anterior, de acordo com indicador elaborado pelo Departamento Econômico do Banco Central (Depec), com base nas pesquisas da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e das federações do comércio dos estados de Minas Gerais e São Paulo. No segmento automotivo, a taxa de expansão atingiu 6,4% e, no de materiais de construção, 3,8%.

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No que se refere ao faturamento real do comércio varejista na região metropolitana de São Paulo, estatísticas da Fcesp indicaram crescimento de 11,6%, até maio, relativamente a igual período do ano anterior. Na categoria de bens de consumo a expansão atingiu 12,2%, com destaque para o desempenho de bens duráveis, 20,3%, em especial das lojas de departamentos, 19,2%, utilidades domésticas, 21,8% e móveis e decorações, 35,5%, itens mais sensíveis à oferta e ao custo do crédito. O faturamento dos bens semiduráveis declinou 13,4% e o de não-duráveis elevou-se 10,5%. O crescimento de 8,3% no faturamento do setor de material de construção sugere recuperação, também sinalizada pelo indicador de abrangência nacional. O comércio automotivo na região metropolitana de São Paulo apresentou crescimento de 8,6%, com expansão de 10,5% nas concessionárias de veículos.

Outros indicadores do nível de atividade varejista também referendaram a recuperação do setor. Em São Paulo, conforme a Associação Comercial do Estado de São Paulo (ACSP), as consultas ao SPC cresceram 11,4%, e as ao Telecheque, 3,9%, representando 7,4% de expansão do indicador agregado nos cinco primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, comportamento compatível com a elevação acentuada do faturamento real da categoria de bens de consumo duráveis.

A recuperação das vendas a prazo está associada, em parte, à redução

dos níveis de inadimplência nos primeiros cinco meses do ano, comparativamente ao período correspondente de 1999. A taxa líquida de inadimplência no comércio varejista de São Paulo atingiu 9,6% em maio, ante 16,7% no mesmo mês do ano anterior, enquanto o indicador da Teledata, que mede a relação entre cheques devolvidos e recebidos, situou-se em 1,8% e 2% nos mesmos períodos. Assinale-se que nos últimos meses, as taxas de juros praticadas no comércio varejista não seguiram a tendência declinante verificada no mercado financeiro, ocorrendo relativa estabilidade nas taxas médias de juros praticadas no crediário e nos prazos médios de financiamento.

Indicadores mais genéricos de demanda, como o número de transações atendidas por meio de cheques ou de cartões de crédito, também sinalizaram expansão

da atividade econômica nos primeiros cinco meses do ano. Embora parte do

aumento no uso de cartões de crédito tenha ocorrido em substituição à emissão

de cheques, o número de cheques compensados cresceu 2,3% no período.

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Os resultados positivos para os indicadores mais usuais de consumo, todavia, não têm sido generalizados. Estatísticas setoriais da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) exibiram declínio de 0,8% no primeiro quadrimestre de 2000, ante igual período do ano anterior, justificado pela evolução dos salários e dos rendimentos. Entretanto, mesmo com menores vendas, o setor tem mostrado recuperação, haja vista que as vendas reais no acumulado do primeiro trimestre haviam declinado 3,1%. No mesmo sentido, o faturamento real do setor atacadista, que comercializa principalmente bens semiduráveis e não-duráveis, declinou 0,5%, na comparação dos primeiros quadrimestres de 2000 e 1999.

1.2 – Crédito

Indicadores disponíveis até maio, revelam continuidade da expansão no volume das operações de crédito, seja com pessoas físicas ou jurídicas, ao mesmo tempo em que foi mantida a trajetória declinante das taxas de juros dos empréstimos livremente pactuadas, concorrendo, assim, para a recuperação da demanda agregada observada no período.

O aumento do volume de crédito ocorreu de maneira mais acentuada

nas operações com pessoas físicas, com elevação da participação

das operações contratadas sob as modalidades de crédito pessoal e de aquisição de bens, em detrimento das operações com cheque especial.

O diferencial entre as taxas de juros ativas e passivas declinou no

período, mas em ritmo menos acentuado do que ocorrera nos meses

anteriores. Essa trajetória esteve associada à instabilidade no mercado internacional, a partir de março, com desdobramentos no que se refere à adoção de postura mais conservadora por parte das instituições financeiras quanto ao custo do crédito.

Ainda em relação às operações de crédito, vale destacar a entrada em vigor, a partir de março, de novas regras prudenciais que, ao estabelecer critérios de classificação quantitativos e qualitativos, deverão promover o aperfeiçoamento e transparência dos

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mecanismos de concessão de crédito, contribuindo para a racionalização e melhoria da alocação dos recursos e, em conseqüência, para a redução de custos na intermediação financeira.

Créditos com recursos livres

Diferencial entre taxas de juros ativas e passivas

em operações com taxas prefixadas

 

% a.m.

Período

Média do

Pessoa

Pessoa

mercado

jurídica

fisica

1999

Jan

3,4

2,6

4,7

Fev

3,6

2,8

4,9

Mar

3,4

2,7

4,7

Abr

3,7

2,9

5,1

Mai

3,6

2,7

5,0

Jun

3,4

2,5

4,9

Jul

3,2

2,3

4,8

Ago

3,2

2,3

4,8

Set

3,2

2,3

4,8

Out

3,2

2,3

4,7

Nov

3,0

2,2

4,4

Dez

2,8

2,0

4,1

2000

Jan

2,6

1,9

3,8

Fev

2,8

2,0

3,9

Mar

2,6

1,8

3,5

Abr

2,5

1,8

3,5

Mai

2,4

1,7

3,3

Diferencial entre taxas de juros de operações de crédito - média do mercado

% a.m. 7 6 5 4 3 2 1 0 Jan Mar Mai Jul Set
% a.m.
7
6
5
4
3
2
1
0
Jan
Mar
Mai
Jul
Set
Nov
Jan
Mar
Mai
1999
2000
Taxa média de crédito
Diferencial médio
Taxa média CDB

A trajetória de queda das taxas de juros incidentes sobre

os empréstimos com recursos livres, observada desde outubro de 1999, foi mantida nos primeiros cinco meses do corrente ano. A alta em fevereiro foi atribuída a ajustes na metodologia de levantamento de dados, conforme o disposto na Circular nº 2.957, de 30.12.1999. As taxas ativas recuaram, em março, para nível inferior ao de janeiro, mantiveram-se estáveis em abril e apresentaram novo declínio em maio, em resposta às medidas adotadas pelo governo visando aumentar a disponibilidade de recursos para crédito e reduzir o custo para o tomador final. Destacaram-se, nesse sentido, a alteração da alíquota do recolhimento compulsório incidente sobre os depósitos à vista, de 65% para 55% e a redução da meta da taxa Selic, de 19% para 18,5%.

A manutenção do nível médio das taxas de juros ativas

para a totalidade das operações de crédito no bimestre

março/abril, possivelmente deveu-se a incertezas geradas por instabilidades no mercado internacional, provocadas por variações nos preços do petróleo, aumentos na taxa de juros dos Estados Unidos e por sucessivas quedas no índice Nasdaq, que avalia os preços de ações de empresas de alta tecnologia. Com isso, as instituições financeiras adotaram postura conservadora, aguardando pela estabilização das tendências dos juros no mercado futuro.

O diferencial entre as taxas de juros ativas e passivas

apresentou trajetória semelhante à das taxas de empréstimos, uma vez que a taxa dos Certificados de Depósitos Bancários (CDB), utilizada como referencial

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do custo de captação, tem permanecido constante em torno de 1,4% a.m. Na média de todas as operações prefixadas, tanto com pessoas jurídicas como com pessoas físicas, o diferencial recuou de 2,6% a.m., em janeiro, para 2,4% a.m., em maio.

Nas operações com pessoas físicas, o diferencial entre as taxas recuou de 3,8% a.m., em janeiro, para 3,3% a.m., em maio. Nas modalidades de crédito pessoal e de aquisição de bens, as reduções foram de 3,4% a.m. para 2,9% a.m., e de 1,9% a.m. para 1,5% a.m., respectivamente.

Nas operações com cheque especial, o diferencial contraiu-se de 6,3% a.m., em janeiro, para 6,1% a.m., em maio. Essa linha de crédito apresenta custo mais elevado, revelando-se pouco sensível às medidas voltadas ao aumento da concorrência e à redução das taxas de juros. Em que pese a demanda por crédito do cheque especial ter aumentado, no período de janeiro a maio, sua participação no crédito prefixado concedido para pessoas físicas foi reduzida de 25,6% para 23,8%.

Volume de operações de crédito - recursos livres

R$ bilhões 40 Pessoas jurídicas 30 Pessoas físicas 20 10 0 Jan Mai Set Jan
R$ bilhões
40
Pessoas jurídicas
30
Pessoas físicas
20
10
0
Jan
Mai
Set
Jan
Mai
1999
2000

Volume de operações de crédito com pessoas físicas

R$ bilhões 11 9 7 5 3 Jan Abr Jul Out Jan Abr 1999 2000
R$ bilhões
11
9
7
5
3
Jan
Abr
Jul
Out
Jan
Abr
1999
2000
Cheque especial
Aquisição de bens
Crédito pessoal

Nas diversas modalidades de operações com pessoas

jurídicas manteve-se a tendência de queda do diferencial

de taxas, registrando-se recuo médio de 1,9% a.m., em

janeiro, para 1,7% a.m., em maio. Ressalte-se que a alta registrada em fevereiro foi provocada pelo ajuste metodológico já mencionado.

O saldo das operações de crédito com recursos livres,

que exclui o crédito imobiliário, rural, operações de arrendamento mercantil e as realizadas com repasses de fundos públicos e de recursos externos, alcançou R$ 65 bilhões em maio, com expansão de 15,5%, entre janeiro e maio de 2000, período que contemplou ligeiro recuo nas taxas ativas praticadas pelas instituições financeiras, conjugado ao aumento do ritmo da atividade econômica.

Os empréstimos contratados pelas pessoas físicas atingiram R$ 27,6 bilhões em maio, expandindo-se 29,7% relativamente a janeiro e 65,1% em 12 meses. Os financiamentos concedidos para aquisição de bens

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cresceram 38,9% no quadrimestre e 84,3% em 12 meses, comportamento compatível com a evolução da demanda por bens de consumo durável no período.

As operações com cheque especial aumentaram 19,6% entre janeiro e maio e 25,2% em 12 meses, ante elevações de 2,4% e de 16,2% em mesmos períodos do ano de 1999. Os contratos sob a forma de crédito pessoal representaram 47% das operações do segmento pessoas físicas, com crescimento de 30% no quadrimestre, comparativamente a 6,2% em igual período de 1999. Em 12 meses, o saldo dessa modalidade de crédito apresentou expansão acumulada de 83,9% ante 11,8% no mesmo período do ano anterior. Esse crescimento está associado à oferta de novos produtos, com custo inferior ao do cheque especial, principalmente, para clientes que detêm contas-salário.

Volume de operações de crédito com pessoas jurídicas

R$ bilhões 14 12 10 8 6 4 2 0 Jan Mai Set Jan Mai
R$ bilhões
14
12
10
8
6
4
2
0
Jan
Mai
Set
Jan
Mai
1999
2000
Capital de giro
Conta garantida
Desconto de duplicata

No que se refere às pessoas jurídicas, o crescimento do crédito refletiu, em parte, a necessidade de reposição de estoques tendo em vista o maior ritmo

da atividade econômica, em que pese o patamar do

diferencial praticado nas linhas de crédito ter-se mantido estável até abril, retomando a trajetória de queda em maio. O volume de crédito concedido ao segmento atingiu R$ 37,5 bilhões, com crescimento

de

6,8% de janeiro a maio e de 24,5% em 12 meses.

O

desconto de duplicatas apresentou aumento de

22%, registrando-se volume de R$ 3,8 bilhões. De janeiro a maio de 2000, houve elevação de 4,6% no crédito para capital de giro, cujo estoque alcançou R$ 14,6 bilhões.

Com relação às operações de curto prazo, observou-se, entre janeiro e maio, aumento de 11,9% e de 6,9%, respectivamente, nas operações para capital de giro por um dia e conta garantida. Em 12 meses houve, na ordem, expansão acumulada de 29,7% e 33,4%.

Crédito total do sistema financeiro

Tendo em vista os objetivos de conceder maior transparência à carteira de crédito do sistema financeiro e de estabelecer critérios mais adequados

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para a constituição das respectivas provisões para perdas, o Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou, por meio da Resolução n° 2.682, de 21.12.1999, as regras para a classificação das operações de crédito. Adicionalmente, ao regulamentar critérios mínimos a serem observados em relação ao devedor, seus garantidores e características da operação, o normativo objetivou aprimorar a política interna de gestão de risco de crédito das instituições financeiras.

As exigências conferem maior transparência aos critérios de classificação das instituições financeiras, além de facilitar o processo de análise e de monitoramento dos órgãos reguladores da atividade bancária, por meio de medidas proativas, gerando menores riscos de credibilidade e de liquidez para o sistema como um todo.

As referidas modificações possibilitam, adicionalmente, maior harmonização entre critérios contábeis nacional e internacional, bem como contribuem para a convergência de conceitos acerca do requerimento mínimo de capital em relação aos ativos ponderados pelo risco.

Operações de crédito do sistema financeiro - Abril C outros 7% H 6% 9% B
Operações de crédito do sistema financeiro -
Abril
C
outros
7%
H
6%
9%
B
15%

A

39%

Operações de crédito do sistema financeiro privado - Abril C outros H 8% 5% 4%
Operações de crédito do sistema financeiro
privado - Abril
C outros
H
8% 5%
4%
B
11%

A

37%

AA

24%

AA

35%

Em abril, dados preliminares indicam que o volume global de operações de crédito e de arrendamento

mercantil alcançou R$ 280,4 bilhões, apresentando

crescimento de 1,7% comparativamente a março. A composição da carteira de empréstimos do sistema financeiro revelou que 62,6% do total estão concentrados nos níveis AA e A, considerados os

créditos de melhor qualidade, enquanto 9,4% situam-

se no nível H, que requer provisionamento de 100%.

Com relação ao sistema financeiro privado, o montante de crédito alcançou R$ 143,1 bilhões, representando participação de 51% do total concedido. Destaque-

se que as instituições privadas contabilizaram R$ 103,1 bilhões nos níveis AA e A, com participação de 72,1%, enquanto o nível H incorporou 4,4% do total dos créditos. Os créditos concedidos pelo sistema financeiro público atingiram R$ 137,2 bilhões, com

52,7% classificados nos níveis AA e A e 14,7% no nível H.

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Classificação das Operações de Crédito do Sistema Financeiro

A Resolução n° 1.748, de 30.8.1990, vigente até 29.2.2000, estabelecia procedimentos para

classificação das operações de crédito, baseados exclusivamente no prazo de inadimplência, desconsiderando o risco potencial do tomador de recursos. Os créditos eram classificados como:

a) normal, quando vencidos até 60 dias;

b) atraso, quando vencidos há mais de 60 dias e com garantias;

c) liquidação, quando vencidos há mais de 60 dias sem garantias e há mais de 180 dias com garantias suficientes.

Tendo em vista o longo tempo decorrido desde a sua implementação, associado à evolução e sofisticação do mercado financeiro e à mudança no perfil de crédito das operações contratadas, aquela norma tornou-se inadequada.

Assim, o Conselho Monetário Nacional promoveu a revisão dos procedimentos estabelecidos na Resolução nº 1.748, tornando-os mais objetivos e abrangentes para a classificação da carteira de operações de crédito, bem como instituiu a constituição de provisão para perdas em bases tecnicamente mais adequadas. Dessa forma, a partir de 1º de março do corrente ano, os créditos estão sendo classificados em nove níveis, em ordem crescente de risco: AA, A, B, C, D, E, F, G e H.

Devido às dificuldades operacionais de adaptação do setor bancário para a implantação do novo

sistema de avaliação de risco de crédito no prazo previsto, foi editada, em 24.2.2000, a Resolução

nº 2.697, admitindo que as operações de crédito sejam classificadas atendendo as novas regras

de acordo com o seguinte cronograma:

a) até 31 de março de 2000, operações com clientes cuja responsabilidade total seja de valor igual ou superior a R$ 500.000,00;

b) até 31 de julho de 2000, operações com clientes cuja responsabilidade total seja de valor igual ou superior a R$ 50.000,00 e inferior a R$ 500.000,00.

As metodologias de classificação são de responsabilidade da instituição financeira, porém, deverão levar em consideração, dentre outros, os seguintes fatores:

a) em relação ao devedor e seus garantidores:

I - situação econômico-financeira;

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II

- grau de endividamento;

III

- capacidade de geração de resultados;

IV

- fluxo de caixa;

V

- administração e qualidade de controles;

VI

- pontualidade e atrasos nos pagamentos;

VII

- contingências;

VIII - setor de atividade econômica;

IX - limite de crédito;

b) em relação à operação:

I

- natureza e finalidade da transação;

II

- características das garantias, particularmente quanto à suficiência e liquidez;

III

- valor.

Além disso, foi determinado que a classificação nos níveis de risco deve ser revista, no mínimo:

a) mensalmente, por ocasião dos balancetes e balanços, em função de inadimplemento verificado no pagamento de parcela de principal ou de encargos financeiros, sendo que, para as operações com prazo a decorrer superior a 36 meses, é admitida a contagem em dobro dos prazos previstos, devendo o enquadramento ser feito na forma abaixo:

I

- atraso entre 15 e 30 dias: risco nível B, no mínimo;

II

- atraso entre 31 e 60 dias: risco nível C, no mínimo;

III

- atraso entre 61 e 90 dias: risco nível D, no mínimo;

IV

- atraso entre 91 e 120 dias: risco nível E, no mínimo;

V

- atraso entre 121 e 150 dias: risco nível F, no mínimo;

VI

- atraso entre 151 e 180 dias: risco nível G, no mínimo;

VII

- atraso superior a 180 dias: risco nível H;

b)

cada seis meses, para operações de um mesmo cliente ou grupo econômico cujo montante seja superior a 5% do patrimônio líquido ajustado;

a

c)

uma vez a cada 12 meses, em todas as situações, exceto para as operações de crédito contratadas com cliente cuja responsabilidade total seja de valor inferior a R$ 50 mil, que podem ter sua classificação revista de forma automática unicamente em decorrência dos atrasos nos pagamentos do principal ou dos encargos financeiros.

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É importante ressaltar que a inobservância dos prazos estabelecidos para efetuar a revisão da

classificação das operações nos respectivos níveis de risco implica na reclassificação compulsória, pelas instituições financeiras, das operações do devedor para o risco nível “H”, além de outras medidas de natureza administrativa tomadas pelo Banco Central.

A classificação da carteira em níveis de risco implicará na constituição de provisão não inferior ao

somatório dos seguintes percentuais:

a) 0,5% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível A;

b) 1% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível B;

c) 3% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível C;

d) 10% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível D;

e) 30% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível E;

f) 50% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível F;

g) 70% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível G;

h) 100% sobre o valor das operações classificadas como de risco nível H.

A resolução veda, ainda, o reconhecimento dos encargos nas operações que apresentem atraso igual

ou superior a 60 dias no pagamento de parcela do principal ou de encargos financeiros, evitando o

reconhecimento de receitas nas situações de difícil ou duvidosa realização.

Operações de crédito do sistema financeiro público - Abril

B

19%

C

7% outros 6% H 15%
7%
outros
6%
H
15%

AA

14%

Os recursos totais canalizados ao setor privado atingiram R$ 265,4 bilhões, em abril, o que representa

crescimento de 1,7% em relação ao mês anterior,

ocorrendo contribuição mais intensa dos créditos à habitação, à indústria e aos outros serviços.

O saldo dos financiamentos habitacionais, englobando

A 39% Operações de crédito do sistema financeiro por tomadores - Abril R$ bilhões 80
A
39%
Operações de crédito do sistema financeiro por
tomadores - Abril
R$ bilhões
80
60
40
pessoas físicas e cooperativas habitacionais, atingiu
R$ 54,4 bilhões, representando incremento de 2,3%
no mês. Os financiamentos para esse segmento ficaram
concentrados, principalmente, nos níveis A, 58,2% e
H, 15%. Com relação ao último nível, vale mencionar
que houve aumento de 2,4% em relação a março, com
o saldo alcançando R$ 8,2 bilhões.
20
0
Objetivando intensificar as operações no segmento
habitacional, foi editada a Resolução n° 2.706, de
Total 30.3.2000, que elevou de 60% para 65%, o percentual
Instituições públicas
Instituições privadas
federal
estad/munic
indústria
Habitação
Rural
comécio
P. física
O.serviços

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mínimo dos recursos captados em depósitos de poupança direcionados a financiamentos imobiliários, instituído o prazo até 30.9.2000 para que as instituições financeiras se adeqüem ao novo limite.

O

saldo dos empréstimos concedidos à indústria, R$ 76,3 bilhões, expandiu-

se

2,8% no mês, estando classificados, primordialmente, nos níveis AA ,

36,2%, A, 22,8% e B, 21,3%.

O saldo dos empréstimos ao segmento outros serviços apresentou expansão

mensal de 3,1%, totalizando R$ 41,9 bilhões, com ênfase para as operações

vinculadas aos ramos de transporte e de comunicações. Nesse segmento, a maior parcela dos recursos está centralizada no nível AA, 40,9%, ante 5,9%

no

nível H, indicando o bom desempenho do setor.

O

volume de financiamento concedido ao setor rural, inclusive

agroindústria, alcançou R$ 24,1 bilhões em abril, crescimento mensal

de 1,6%. Registre-se que, do total de créditos direcionados ao setor

rural, R$ 3,8 bilhões foram alocados no nível H, representando participação de 15,6% no total de créditos. Com referência aos financiamentos considerados de melhor qualidade, 22,7% foram distribuídos no nível AA e 31,5% no nível A.

Os recursos externos aplicados no financiamento rural, regulamentados por

meio da Resolução n° 2.483, alcançaram R$ 825 milhões em abril, representando redução de 20,7% comparativamente ao mês anterior.

O crédito concedido a pessoas físicas totalizou R$ 42,8 bilhões em abril, com

evolução de 1,3% no mês, sendo mantida a trajetória expansionista iniciada em maio de 1999. A participação desses empréstimos no total das operações

do setor privado atingiu 15,2%. Os créditos a pessoas físicas classificados no

nível H representaram o menor patamar entre todos os segmentos de crédito, 5,9%, concentrando-se nos níveis A, 66,5% e AA, 10,3%.

Os créditos bancários a estados e municípios atingiram R$ 11 bilhões em abril, com evolução mensal de 0,9% no período, sendo majoritariamente enquadrados nos níveis A, 45,4%, B, 26,4% e H, 16,3%. No mesmo mês, os créditos contratados pelo governo federal apresentaram declínio de 5%, atingindo R$ 3,9 bilhões, classificados, principalmente, nos níveis AA, 66,6% e B, 27,1%.

Relatório de Inflação

Junho 2000

O saldo total de provisões constituídas pelo sistema financeiro

alcançou R$ 34,6 bilhões em abril, com declínio de 0,1% no mês,

correspondendo a 12,4% dos créditos totais. Cabe mencionar que,

do total provisionado, R$ 26,6 bilhões referem-se a operações de

crédito classificadas no nível H.

O saldo das provisões do sistema financeiro privado totalizou

R$ 10,6 bilhões, com declínio de 2,2% no mês e o relativo ao sistema financeiro público, R$ 24 bilhões, com crescimento de 0,9% no mês.

1.3 – Política monetária

A condução da política monetária, no segundo trimestre de 2000,

esteve condicionada à rigidez dos preços do petróleo, após sua elevação no início do ano, aos possíveis impactos sobre a dívida pública de decisões judiciais acerca do FGTS e ao aumento das incertezas associadas ao cenário internacional. Nesse contexto, foi priorizada a redução das margens praticadas pelas instituições financeiras sobre as taxas de captação, com a adoção de medidas desregulamentadoras, gerenciamento mais eficiente de riscos e redução de custos indiretos na intermediação financeira. Nesse sentido, a alíquota do recolhimento compulsório incidente sobre recursos à vista foi fixada em 45%, a partir do final de junho, ante 55%, em vigor desde o final de março.

A meta para a taxa Selic, após sofrer redução para 18,5% a.a.

em 28 de março, por meio da utilização do viés de redução, foi mantida, nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom)

encerradas em 19 de abril e 24 de maio. No mês de junho, os condicionantes externos passaram a apresentar evolução mais favorável, com reflexos positivos quanto ao arrefecimento das

pressões sobre as taxas de câmbio e de juros no Brasil, em cenário

de contínua melhora dos fundamentos macroeconômicos internos,

permitindo que o Copom, em reunião encerrada em 20 de junho,

fixasse a meta para a taxa Selic em 17,5% a.a., com viés de redução. Assinale-se que esse percentual representa a menor taxa nominal desde a introdução do real.

Relatório de Inflação

Junho 2000

Quanto à estrutura a termo da taxa de juros, cuja influência sobre o comportamento da economia é mais abrangente que a da taxa de curtíssimo prazo, observa-se que após contínua retração, iniciada ao final de novembro como resultado da melhoria dos fundamentos econômicos do país, o processo foi revertido a partir do final de março. Vale salientar que as taxas de juros de prazo mais longo não dependem apenas da atuação da Autoridade Monetária, mas de fatores como a estrutura de taxa de juros de outros países, do risco soberano atribuído ao país e da expectativa de depreciação cambial.

Estrutura a termo - swap pré

% a.a. 24 23.5.2000 23 22 21 20.6.2000 20 19 29.3.2000 18 17 30 60
% a.a.
24
23.5.2000
23
22
21
20.6.2000
20
19
29.3.2000
18
17
30
60
90
120
150
180
210
240
270
300
330
360
720

dias

Assim, apesar de a política econômica interna continuar apresentando resultados favoráveis, a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos e a conjuntura internacional desfavorável aos países emergentes, afetaram negativamente a estrutura a termo das taxas de juros do país, não obstante a postura conservadora da Autoridade Monetária quanto à fixação da taxa de curtíssimo prazo.

Títulos públicos federais

As operações definitivas da Autoridade Monetária com títulos federais têm se limitado a suplementar o mercado com instrumentos que podem ser utilizados para cobertura de passivos referenciados em moeda estrangeira.

NBC - E

dias % a.a. + c.c. 16 Prazo 1600 1400 15 1200 14 1000 13 800
dias
% a.a. + c.c.
16
Prazo
1600
1400
15
1200
14
1000
13
800
600
12
400
Taxa
11
200
10
0
15.10.1999
28.10.1999
10.11.1999
23.11.1999
6.12.1999
19.12.1999
1.1.2000
14.1.2000
27.1.2000
9.2.2000
22.2.2000
6.3.2000
19.3.2000
1.4.2000
14.4.2000
27.4.2000
10.5.2000
23.5.2000
5.6.2000

Ao longo do segundo trimestre, NBC-E de quatro

anos foram colocadas a taxas crescentes, que

passaram de 11,02% a.a., em 31 de março, para

12,36% a.a., em 28 de abril. Posteriormente, a oferta

dessa modalidade de títulos passou a considerar

prazo de dois anos, ocorrendo colocações a taxas

anuais que declinaram de 12,61%, em 19 de maio, para 11,25%, em 2 de junho.

As operações com títulos do Tesouro Nacional no mercado aberto também foram afetadas pela instabilidade do cenário internacional.

Relatório de Inflação

Junho 2000

LTN - 6 e 12 meses

% a.a. 24 23 LTN 6 meses 22 21 LTN 12 meses 20 Taxa Selic
% a.a.
24
23
LTN 6 meses
22
21
LTN 12 meses
20
Taxa Selic
19
18
24.11.1999
9.12.1999
24.12.1999
8.1.2000
23.1.2000
7.2.2000
22.2.2000
8.3.2000
23.3.2000
7.4.2000
22.4.2000
7.5.2000
22.5.2000
6.6.2000
21.6.2000

Os leilões de títulos prefixados de um ano, que apresentaram redução em suas taxas de colocação de 19,65% a.a., em 9 de março, para 18,21% a.a., em 28 de março, passaram a registrar taxas crescentes, que atingiram 20,92% a.a. em 2 de maio. Novas colocações voltaram a ocorrer nos dias 13 e 20 de junho, envolvendo papéis com prazo de sete meses e taxas de 19,35% a.a. e 18,7% a.a., respectivamente.

A conjuntura externa desfavorável afetou, igualmente, as colocações

de títulos indexados à taxa Selic no mercado aberto, verificando-se elevação contínua nos deságios desde o início de maio, quando situara-

se

em 0,02%, comparativamente a 0,14% referente à colocação de 20

de

junho.

Agregados monetários

A velocidade-renda dos componentes dos meios de pagamento, em seu

conceito restrito, não tem evidenciado pressões de demanda do setor financeiro sobre o setor real da economia. A base monetária, por seu turno, tem sido determinada pela demanda por papel moeda e por reservas bancárias, em função das metas de taxas de juros utilizadas na condução

da política monetária.

DV e PMPP - velocidade renda 1/

PMPP 60 PMPP 55 50 45 40 Depósitos à vista Depósitos à vista 35 30
PMPP
60
PMPP
55
50
45
40
Depósitos à vista
Depósitos à vista
35
30
Jan
Abr
Jul
Out
Jan
Abr
Jul
Out
Jan
Abr
1998
1999
2000
1/ Definida como a razão entre o PIB acumulado em 12 meses e valorizado pelo
IGP-DI e o saldo médio mensal do agregado monetário.

Nesse sentido, observou-se queda de 13,3% no saldo médio das reservas bancárias de abril, em relação ao mês anterior, decorrente da redução das alíquotas de recolhimentos compulsórios sobre recursos à vista, em vigor a partir do final de março.

As metas monetárias acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em termos de limites para o Crédito Doméstico Líquido (CDL), definido como a diferença entre a base monetária e as reservas internacionais líquidas, vêm sendo atendidas pelo Banco Central. A meta para março foi cumprida com margem de R$ 9,6 bilhões.

Relatório de Inflação

Junho 2000

Base monetária e M1 - média dos saldos diários

R$ bilhões 60 M1 55 50 45 Base monetária 40 35 30 Jan Abr Jul
R$ bilhões
60
M1
55
50
45
Base monetária
40
35
30
Jan
Abr
Jul
Out
Jan
Abr
Jul
Out
Jan
Abr
1998
1999
2000

Crédito Doméstico Líquido

R$ bilhões 7 4,5 Teto 4 5,7 0,0 1 -0,7 0,3 -2 -5 -3,3 -7,2
R$ bilhões
7
4,5
Teto
4
5,7
0,0
1
-0,7
0,3
-2
-5
-3,3
-7,2
-8
-7,7
-8,5
-8,5
-9,3
-11
Ocorrido ajustado
-9,3
-14
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
1999
2000

Critérios de desempenho: abril, junho, setembro e dezembro de 1999.

A base monetária ampliada, que consiste dos

passivos monetário e mobiliário interno federal, apresentou crescimento de 6% entre maio e março, alcançando R$ 496 bilhões. Tal crescimento decorreu, principalmente, das emissões especiais de R$ 11,3 bilhões, realizadas em maio pelo Tesouro Nacional, em função da reestruturação de dívidas do município de São Paulo, assim como da apropriação de choques cambiais na apuração da dívida mobiliária federal, estimada em R$ 5 bilhões. Os referidos fatores expansionistas foram parcialmente atenuados pelos recolhimentos líquidos à conta única no período, correspondentes a R$ 8 bilhões.

Os meios de pagamento no conceito M4, cresceram

no ano, até maio, 6,4%, situando-se em R$ 586 bilhões. Essa expansão indica moderado crescimento primário do agregado, revelando que as captações realizadas internamente pelo sistema financeiro e pelo setor público continuam com reduzida expressão.

1.4 – Investimento

Os indicadores de investimento, a exemplo das variáveis que refletem o desempenho do consumo, evoluíram positivamente no primeiro quadrimestre do ano, observando-se elevação de 1,8% na produção de insumos para a construção e de 6% na relativa a bens de capital, comparativamente à do quadrimestre anterior, considerada a série dessazonalizada.

Segundo o IBGE, o crescimento da produção de bens de capital decorreu, principalmente, da expansão referente aos bens direcionados à indústria. Para os bens de capital tipicamente industriais a taxa de expansão situou-se em 19,4%, e para os industriais seriados, em 25,4%, enquanto, em sentido inverso, para os não-seriados o declínio correspondeu a 2,3%. Assinale-se, ainda, o crescimento de 13,9% da produção de equipamentos para transporte, de 3,7% da produção de equipamentos agrícolas e de 6,3% da produção de peças para o setor

Relatório de Inflação

Junho 2000

Produção de bens de capital

Variação % acumulada no ano

Discriminação

1999

2000

 

Jan

Fev

Mar

Abr

Industrial

-7,0

14,6

23,0

16,8

19,4

Seriados

-4,0

20,7

30,0

22,9

25,4

Não-seriados

-17,6

-4,2

-0,1

-4,4

-2,3

Agrícolas

-15,2

26,6

18,0

10,8

3,7

Peças agrícolas

-1,9

3,0

7,0

7,0

6,3

Construção

-41,9

1,1

-1,8

5,2

6,7

Energia elétrica

-5,2

-0,1

-0,3

-6,3

-5,3

Transportes

2,7

0,9

13,3

12,2

13,9

Misto

-9,1

-8,6

8,3

6,0

3,6

Fonte: IBGE

agrícola. Contrapondo-se a este comportamento, a produção de equipamentos destinados à geração de energia elétrica decresceu 5,3% e o valor das importações de bens de capital, 7%.

Com base nesses indicadores, a formação bruta de capital fixo representou 18,8% do PIB em março, conforme estimativa do Depec, ante 18,5% no mês anterior e 18,6% em março de 1999. Estimativa do Ipea, considerando séries isentas de sazonalidade,

identificou taxa de investimento de 19,3% para março de 2000, o que representa taxa de expansão de 3,5%, comparativamente ao último trimestre de 1999. No que se refere aos componentes da taxa de investimento, o consumo aparente de bens de capital cresceu 5% e a construção civil, 1,1%.

Estatísticas da Anfavea e da Federação Nacional da Distribuição de

Veículos Automotores (Fenabrave) para o segmento de máquinas agrícolas e equipamentos de transporte, indicaram expansão de 15,8%

e de 30,6% na produção de caminhões e ônibus, respectivamente, e

decréscimo de 2,5% na relativa a máquinas e equipamentos agrícolas, nos primeiros cinco meses do ano. Os dados da Fenabrave, relativos a

concessionárias, indicaram queda de 5,2% nas vendas de máquinas agrícolas e crescimentos respectivos de 54,4% e 24,5% na comercialização de ônibus e caminhões.

Os desembolsos do Sistema BNDES, incluindo BNDES, Finame e BNDESpar, declinaram 3,2% no primeiro quadrimestre do ano, atingindo R$ 5,4 bilhões, comparativamente a RS 5,6 bilhões em idêntico período de 1999. Por setores de atividade, ocorreu elevação de 14,5% dos financiamentos destinados à

agropecuáriaedeclínionosdirecionadosàindústriaextrativa,81,2%,comércio

e serviços, 5,5% e indústria de transformação, 2,8%. O custo dos recursos do BNDES, medido pela TJLP, passou de 12,5% no último trimestre de 1999

para 12% no primeiro trimestre de 2000 e para 11% no segundo.

A recuperação do nível de atividade tem sido acompanhada por relativa estabilidade dos estoques. Na indústria de transformação, apesar da elevação das vendas reais, a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da Fundação Getulio Vargas (FGV) sinalizou manutenção

Relatório de Inflação

Junho 2000

Indicadores de investimento

Variação % acumulada no ano

Discriminação

1999

2000

 

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Produção de bens de capital Insumos da construção civil Importação de bens de capital Invest. diretos (exceto privatizações) Financiamentos do BNDES

-9,1

2,7

10,7

6,9

6,5

-3,7

0,9

4,1

2,2

1,8

-15,8

-15,5

-7,9

-9,8

-7,0

1,0

162,0 132,1

71,1

55,4 44,1

-4,9

10,1

4,7

-1,7

-5,0 -3,2

Fonte: IBGE, SRF, BCB e BNDES

do nível de estoques. Assim, a parcela de empresas que considerava seus estoques insuficientes passou de 4% para 3%, o percentual que declarou deter estoques excessivos evoluiu de 8% para 9%, enquanto 52% admitiram deter estoques normais e 21%, não possuí- los. De acordo com a CNI, o nível de estoques de produtos finais aumentou, enquanto o relativo a matérias-primas e produtos intermediários declinou. Os

setores com maiores quedas nos níveis de estoque foram mobiliário, produtos farmacêuticos, metalúrgica e material de transporte, enquanto os setores madeira, têxtil e bebidas apresentaram crescimento.

Quanto aos estoques oficiais de produtos agrícolas, estatísticas até maio indicaram razoável recuperação para arroz, soja, trigo e feijão, cujos níveis superam os de março de 1998, permanecendo limitados os estoques de milho.

Nas concessionárias, o aumento nas vendas de veículos não implicou queda dos estoques, haja vista que em maio, comparativamente ao mesmo mês de 1999, observou-se elevação de 11,5% no número de veículos disponíveis no varejo. Analisando-se por tipo de veículo, constata-se que houve expansão de 16,8% no total de autos de 9,9% no de caminhões, tendo havido queda de 10,1% em comerciais leves e de 19,6% no de ônibus.

1.5 – Demanda interna

A análise da demanda interna sugere que o crescimento dos gastos com

investimento tem superado a expansão do consumo. Em decorrência, a participação da formação bruta de capital fixo (FBCF) no PIB passou de 16,9% em janeiro, para 18,8% em março e a representatividade do consumo declinou de 84,4%, para 82,2%. Nos últimos doze meses terminados em março de 2000, os percentuais atingiram 18,2% para a FBCF e 83% para o consumo.

A disponibilidade interna de bens e serviços manteve-se relativamente

estável no início de 2000, evoluindo de 101,1% do PIB, em janeiro, para 101,2%, em março, ante 102,3% em março do ano passado. A queda refletiu o crescimento das exportações ocorrido ao longo do

Relatório de Inflação

Junho 2000

Demanda interna

A demanda interna corresponde ao total de gastos em produtos finais da economia, equivalendo

ao PIB, deduzidas as exportações e acrescidas as importações. A variação real é estimada ponderando-se as taxas de crescimento do consumo e da formação bruta de capital fixo pelas respectivas participações dos valores nominais do ano anterior, obtidos das Contas Nacionais. Quando divulgados, os dados são ajustados aos números do IBGE. Descreve-se, a seguir, a forma de obtenção de cada um dos componentes.

Investimentos (FBCF)

Os investimentos são aqui definidos como formação bruta de capital fixo. A variação de estoques

é incluída no item consumo. O cálculo da FBCF considera a produção de itens destinados à construção civil e a produção e importação de máquinas e equipamentos.

A estimativa de variação real para a construção civil é calculada com base na série mensal de

produção de insumos da construção, do IBGE. Para a produção de máquinas e equipamentos considera-se a produção de bens de capital da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Os dados referentes à importação de máquinas e equipamentos partem de estimativa dos valores nominais da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), convertida pela taxa de câmbio média de venda. A variação real é obtida deflacionando-se a série em dólares pelo índice de preços da Funcex para importação de bens de capital. As taxas de crescimento dos três subitens são ponderadas pelas suas participações no total da FBCF no ano anterior.

Para estimar os valores nominais utiliza-se como índices de preços o INCC, para a construção, e

o IPA- Máquinas e Equipamentos, para a produção nacional de bens de capital.

Exportações de bens e serviços não-fatores

A estimativa dos valores nominais é obtida a partir de dados mensais, em dólares, fornecidos pelo

Depec, convertidos pela taxa de câmbio média de venda do mês. A série a preços constantes é estimada deflacionando-se os valores em dólares pelo índice de preços da Funcex para as exportações.

Importações de bens e serviços não-fatores

Analogamente às exportações, a estimativa das importações é obtida a partir de dados mensais, em dólares, fornecidos pelo Depec, convertidos pela taxa de câmbio média de venda do mês e a série a preços constantes, deflacionando-se os valores em dólares pelo índice de preços da Funcex para as importações.

Relatório de Inflação

Junho 2000

Consumo (inclusive variação de estoques)

O valor nominal do consumo é estimado a partir da identidade:

C = PIB + importações – exportações – FBCF

A variação real do consumo corresponde à taxa de crescimento necessária para obter a taxa de

variação estimada do PIB, dadas as taxas de crescimento dos componentes FBCF, exportações

e importações, ponderadas pelas suas respectivas participações no PIB. A variação de estoques,

embora conceitualmente deva ser considerada parcela dos investimentos, encontra-se incluída no consumo devido à atual indisponibilidade de estatísticas com abrangência nacional que permitam

a avaliação mensal da variável.

ano, de forma que a participação média das vendas externas no PIB passou de 9,4% no primeiro trimestre de 1999, para 9,9% em igual período desse ano. Cabe observar que, comparando a evolução em 12 meses findos em março de 2000, o índice de preços das exportações caiu 10,2%, ante crescimento de 13,2% no índice de quantum. No caso das importações, houve crescimento de 0,5% nos preços e queda de 8,7% nas quantidades importadas, fatores que levaram a representatividade das importações sobre o PIB a crescer, passando de 10,7% para 11,3%.

1.6 – Resultado fiscal

As contas do Governo Central registraram superávit primário de R$ 11 bilhões no primeiro quadrimestre do ano, equivalente a 2,94% do PIB, resultado R$ 1,4 bilhão superior ao relativo ao mesmo período de 1999, quando representou 3,04% do PIB. Dos três segmentos que compõem o resultado primário do Governo Central, o Tesouro Nacional apresentou superávit de R$ 13,6 bilhões, enquanto a Previdência Social e o Banco Central apuraram déficits de, respectivamente, R$ 2,4 bilhões e R$ 195 milhões.

As receitas auferidas no período somaram R$ 74,9 bilhões, situando- se 11% acima das registradas no primeiro quadrimestre de 1999. As despesas, no valor de R$ 63,7 bilhões, superaram em 10,4% as do

Relatório de Inflação

Junho 2000

exercício anterior. Em relação ao PIB, as receitas passaram de 21,5% para 20,1% e as despesas, de 18,4% para 17,1%.

Os tributos que apresentaram maiores ganhos de receita foram Cofins, R$ 4,1 bilhões, CPMF, R$ 4,1 bilhões e contribuições a cargo da Previdência Social, R$ 1,9 bilhão. O comportamento apresentado pela Cofins reflete a elevação da alíquota, de 2% para 3%, a partir 1.2.1999 e a obrigatoriedade de seu pagamento pelas instituições financeiras. O desempenho da CPMF está associado à restrita base de comparação no ano de 1999, quando vigorou por aproximadamente um mês no respectivo quadrimestre. A elevação no fluxo de recursos para a Previdência Social foi influenciada pela combinação dos seguintes fatores:

a) recebimento de recursos a título de depósitos judiciais, no valor de R$ 366 milhões, sem contrapartida no ano anterior;

b) mudança na forma de retenção da contribuição a cargo das empresas contratantes de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra;

c) maior adesão ao sistema de recolhimento efetuado por meio do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples).

Entre as despesas, as rubricas que apresentaram as maiores taxas de crescimento foram pessoal e encargos sociais, 16,8% e benefícios previdenciários, 9,6%. No primeiro caso, o impacto foi conseqüência do pagamento integral, neste exercício, da folha salarial referente a dezembro de 1999 e de correções de gratificação para algumas categorias profissionais, tais como professores de ensino superior e militares. Quanto aos benefícios previdenciários, verificou-se aumento no seu valor médio, que passou de R$ 239,30, entre dezembro de 1998 e fevereiro de 1999, para R$ 252,60 entre dezembro de 1999 e fevereiro deste ano.

Necessidade de financiamento do setor público

O superávit primário atingiu R$ 17,3 bilhões no primeiro quadrimestre de 2000, ante R$ 10,8 bilhões no mesmo período de 1999. Esse resultado reflete os superávits de R$ 12,9 bilhões e de R$ 4,3 bilhões

Relatório de Inflação

Junho 2000

Projetos pendentes de aprovação no Congresso Nacional Posição em 15.6.2000

1 - Desoneração das Exportações - Alteração na Lei Complementar nº 87/1996 (Lei Kandir)

- instrumento legal: lei ordinária (PL nº 190-B/1997) - estabelece nova fórmula de cálculo das perdas de receita impostas aos estados, em razão da desoneração do ICMS sobre produtos primários efetivamente exportados;

- estágio de votação no Congresso Nacional - aprovada na Câmara dos Deputados, foi encaminhada para apreciação do Senado Federal.

2 - Vinculação de Recursos para a Saúde

- instrumento legal: emenda constitucional (PEC nº 86/1999) - vincula receitas da União, dos Estados e dos Municípios aos serviços de saúde;

- estágio de votação no Congresso Nacional: aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Sua aprovação final depende de duas votações na Casa e de mais duas na Câmara dos Deputados.

3 - Regulamentação da Reforma Administrativa

3.1- instrumento legal: lei complementar (PLP nº 43/1999) - regulamenta a perda de cargo público por insuficiência de desempenho e define as carreiras típicas de estado;

- estágio de votação no Congresso Nacional - aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Todavia, por ter sofrido modificações nesta última casa do Legislativo, retornou para a Câmara.

3.2 - instrumento legal: emenda constitucional (PEC nº 137/1999) - estabelece limite para remuneração nos três níveis de governo;

- estágio de votação no Congresso Nacional - aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados em 3.11.1999. Em 18.11.1999, foi instalada Comissão Especial para apreciar o mérito da matéria.

4 - Regulamentação da Reforma Previdenciária

4.1 - instrumento legal: lei complementar (PLP nº 1/2000) disciplina a relação entre a União, Estados e Municípios, e suas entidades fechadas de previdência complementar;

Relatório de Inflação

Junho 2000

- estágio de votação no Congresso Nacional - aprovada na Câmara dos Deputados, foi encaminhada para apreciação do Senado Federal.

4.2- instrumento legal: lei complementar (PLP nº 63/1999) - dispõe sobre o regime de previdência privada, de caráter complementar;

- estágio de votação no Congresso Nacional - aguardando parecer do relator na Comissão de Assuntos Sociais da Câmara dos Deputados.

4.3- instrumento legal: emenda constitucional (PEC nº 136/1999) - institui a contribuição previdenciária dos inativos e militares;

- estágio de votação no Congresso Nacional - aprovada admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, em 10.11.1999. Em 18.11.1999 foi instalada Comissão Especial para apreciar o mérito da matéria.

5 - Fundo de Controle e Erradicação da Pobreza

- instrumento legal: emenda constitucional (PEC nº 67/1999);

- estágio de votação no Congresso Nacional - aprovada no Senado Federal em 24.5.2000, foi encaminhada para apreciação da Câmara dos Deputados.

dos governos Central e regionais, respectivamente, superiores em R$ 3,7 bilhões e em R$ 2,8 bilhões aos de igual período de 1999 e ratifica a austeridade na condução da política fiscal, com o objetivo de favorecer a formação de poupança interna e a manutenção da estabilidade de preços.

No que se refere ao resultado do Governo Central, o superávit do Governo Federal e Banco Central totalizou R$ 13,1 bilhões e o referente às empresas estatais federais, R$ 2,3 bilhões. A Previdência Social apresentou déficit de R$ 2,4 bilhões, relativamente a R$ 2,7 bilhões no primeiro quadrimestre de 1999, reflexo, principalmente, do desempenho favorável da arrecadação, com aumento real de 4,8%. O pagamento de benefícios previdenciários, mesmo expandindo-se 2,7%, em termos reais, revela taxa de crescimento menos intensa em relação à verificada no primeiro quadrimestre de 1999, 5,6%.

No restante do ano, o resultado da previdência não deverá repetir o desempenho apresentado no primeiro quadrimestre, refletindo o aumento

Relatório de Inflação

Junho 2000

do benefício médio, em abril, com efeito financeiro a partir de maio e a provável redução de receitas extras. Nesse sentido, o déficit de abril desse ano, R$ 664 milhões, superou o registrado no mesmo mês do ano anterior, R$ 535 milhões.

O resultado positivo dos governos regionais no quadrimestre explica-

se, principalmente, pelo superávit de R$ 2,6 bilhões alcançado pelos

governos estaduais. Os governos municipais atingiram superávit de R$ 1,1 bilhão e as empresas estatais estaduais e municipais, de R$ 694 milhões.

A apropriação de juros nominais, segundo a metodologia alternativa, que

exclui o efeito da variação cambial sobre a dívida mobiliária indexada ao

câmbio, atingiu R$ 25,9 bilhões no primeiro quadrimestre de 2000, comparativamente a R$ 32,7 bilhões no mesmo período do ano precedente.

Essa redução reflete, basicamente, o comportamento da taxa Selic, que situou-

se em 5,77% no quadrimestre, comparativamente a 10,63% no período

correspondente de 1999. Considerando-se a metodologia tradicional, na qual

os juros são contabilizados pelo critério de competência, o total de juros

apropriados atingiu R$ 27,1 bilhões, equivalendo a 7,3% do PIB, relativamente

a R$ 66,1 bilhões, 21,12% do PIB, no primeiro quadrimestre de 1999. No que se refere aos estados, a apropriação de juros nominais atingiu 2,3% do PIB, ante 3% no mesmo período de 1999, refletindo, principalmente, a menor variação do IGP-DI, 1,5% ante 7,8% nos respectivos quadrimestres.

Em conseqüência, pela metodologia alternativa, o déficit nominal situou-se em R$ 8,6 bilhões, inferior ao de R$ 21,9 bilhões registrado no mesmo período de 1999. Pelo critério de competência, o déficit nominal alcançou R$ 9,8 bilhões, acentuadamente inferior ao de R$ 55,4 bilhões registrado no primeiro quadrimestre de 1999. Assinale-se que nos primeiros meses

de 2000 o resultado nominal relativo à metodologia alternativa foi inferior

ao mensurado pela metodologia tradicional, explicitando a depreciação do

real ocorrida frente ao dólar norte-americano, que passou de R$ 1,7882/ US$, em dezembro de 1999, para R$ 1,8059/US$, em abril de 2000.

Os juros reais totais situaram-se em 5,9% do PIB nos quatro primeiros meses de 2000, ante 14,9% do PIB no mesmo período do ano anterior. Esse resultado é explicado, basicamente, pela desvalorização cambial ocorrida em janeiro de 1999.

Relatório de Inflação

Junho 2000

Dívida líquida

A dívida líquida do setor público atingiu R$ 536,2 bilhões, 47,5% do PIB,

em abril de 2000, comparativamente a R$ 464,2 bilhões, 47,6% do PIB, no mesmo mês do ano anterior. Do total, R$ 329,6 bilhões, equivalentes a 29,2% do PIB eram de responsabilidade do Governo Federal e do Banco Central, R$ 176,7 bilhões, 15,7% do PIB, dos estados e municípios e R$ 29,9 bilhões, 2,6% do PIB, das empresas estatais.

A estabilidade na relação dívida líquida total sobre o PIB está associada ao

superávit primário de 3,52% do PIB alcançado nos últimos 12 meses e à elevação de 15,6% do PIB nominal entre os meses de abril de 1999 e abril de 2000, neutralizados pela taxa Selic acumulada nos últimos doze meses

terminados em abril, 20,1%.

A continuidade na obtenção de superávits primários, reforçada pela

promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4.5.2000) e associada à redução da taxa correspondente

"ao risco Brasil" e ao alongamento da dívida mobiliária, contribuirá para

a redução da taxa Selic, resultando em menor necessidade de

financiamento do setor público, nos conceitos nominal e operacional e na redução consistente da relação dívida/PIB.

1.7 – Saldo de bens e serviços

Comércio de bens

Médias diárias de exportação e importação - FOB Acumulado em 12 meses

US$ milhões 250 240 230 220 210 200 190 180
US$ milhões
250
240
230
220
210
200
190
180

O superávit comercial de US$ 601 milhões

registrado no período de janeiro a maio de 2000

se contrapôs ao déficit de US$ 474 milhões de

igual período de 1999. Esse desempenho deveu-

se ao crescimento de 17,4% das exportações, que

alcançaram US$ 21,3bilhões, contra a elevação de 11,2% das importações, que somaram US$ 20,7

Jan

Jul

Jan

Jul

Jan

Jul

Jan

Jul

Jan

1996

1997

1998

1999

2000

bilhões. A evolução da média diária das

Exportações

Fonte: Mdic/Secex

da média diária das Exportações Fonte: Mdic/Secex Importações exportações acumuladas em doze meses também

Importações

exportações acumuladas em doze meses também revela o seu bom desempenho, ao igualar-se à média das importações pela primeira vez desde julho de 1996.

Relatório de Inflação

Junho 2000

Balanço comercial - FOB

 

US$ milhões

Período

Exportação

Importação

Saldo

Corrente de

 

comércio

Maio

2000

5 063

4 671

392

9 734

1999

4 386

4 079

307

8 466

Var. %

15,4

14,5

15,0

Jan-Mai

2000

21 292

20 691

601

41 984

1999

18 139

18 613

- 474

36 752

Var. %

17,4

11,2

14,2

Fonte: MDIC/Secex

Exportação por fator agregado - FOB Principais produtos

 

US$ milhões

Discriminação

Janeiro-Abril

Variação

1999

2000

percentual

Básicos Minério de ferro Soja (grão + farelo)

3 258

3 383

3,8

795

942

18,4

733

818

11,6

Semimanufaturados Celulose Semimanufaturados de ferro/aço Alumínio em bruto Couros e peles Madeira serrada Açúcar em bruto

2 338

2 702

15,6

366

533

45,7

326

462

41,8

278

341

22,4

192

220

14,6

138

165

19,3

247

162

- 34,5

Manufaturados Aviões Calçados Apars.transmissores/recep. Automóveis passageiros Suco de laranja Autopeças Motores p/veículos Laminados planos de ferro ou aço Bombas e compressores Veículos de carga Pneumáticos Papel e cartão para escrita Móveis

8 157

10 145

24,4

479

1 016

111,9

430

506

17,8

170

460

171,4

254

423

66,4

353

415

17,6

333

383

14,9

280

337

20,1

260

290

11,4

216

233

7,5

225

217

- 3,3

152

176

16,0

197

173

- 12,2

105

144

36,9

Total Part. % dos produtos discriminados

13 752

16 230

18,0

36,4

41,0

Fonte: MDIC/Secex

Considerando-se a mesma base de comparação, verificou-se crescimento de 25% nas exportações de manufaturados, atingindo US$ 13,2 bilhões, de 11,9% nas de semimanufaturados, que totalizaram US$ 3,4 bilhões e de 3,5% nas relativas a produtos básicos, que situaram-se em US$ 4,7 bilhões.

O ritmo de expansão das exportações foi ditado

pelas quantidades embarcadas, que cresceram 19,2% no primeiro quadrimestre, relativamente ao

período correspondente de 1999. A elevação da quantidade exportada foi observada em todas as classes de produtos, mas principalmente nos manufaturados, 29,1%, beneficiados pela elevação de sua competitividade e pela recuperação da economia mundial, em particular, da América Latina. Em relação aos produtos básicos, a elevação alcançou 10,7%,

principalmente nos itens minerais, soja e carnes.

A quantidade exportada de semimanufaturados

aumentou 3,5%, com destaque para matérias- primas.

Os preços das exportações reduziram-se 1,6%, influenciados pelos produtos básicos e manufaturados. Os primeiros, apresentaram queda de 6,6% no quadrimestre, menor que a ocorrida no mesmo período de 1999, considerada a mesma base de comparação, sugerindo desempenho mais favorável do segmento em 2000. A desvalorização das moedas européias frente ao dólar norte- americano dificultou a recuperação dos preços dos produtos básicos.

Quanto aos preços das manufaturas, cujo declínio no decorrer de 1999 esteve associado, principalmente, à deterioração da situação econômica de vários países da América Latina, observou-se desaceleração em sua trajetória de

Relatório de Inflação

Junho 2000

Exportações - FOB Janeiro-abril

Variação percentual

Discriminação

1999/98

2000/99

 

Preço

Quantum

Preço

Quantum

Básicos

-20,7

6,0

-6,6

10,7

Semimanufaturados

-20,6

8,3

10,0

3,5

Manufaturados

-8,3

-10,6

-3,9

29,1

Total

-13,9

-3,0

-1,6

19,2

Fonte: Funcex

Exportação por grupos de produtos - FOB

Variação percentual

Discriminação

1999/1998

2000/1999

Jan-Jul

Ago-Dez

Jan-Dez

Jan-Mai

Básicos

- 15,2

1,6

- 8,9

3,5

Industrializados

- 13,8

7,7

- 5,2

22,1

Semimanufaturados

- 11,3

13,0

- 1,7

11,9

Manufaturados

- 14,5

6,3

- 6,1

25,0

Total

- 14,2

6,2

- 6,1

17,4

Fonte: MDIC/Secex

Importação por categoria de produtos - FOB

US$ milhões

Discriminação

Janeiro-Dezembro

 

Janeiro-Maio

 

1998

1999

Var. %

1999

2000

Var. %

Bens de consumo Duráveis Não-duráveis Matérias-primas Combustíveis Bens de capital Total

10 712

7 353

- 31,4

2 989

2 712

- 9,3

5 242

3 180

- 39,3

1 327

1 171

- 11,8

5 470

4 173

- 23,7

1 662

1 541

- 7,3

26 813 24 056

- 10,3

8 875

10 865

22,4

4 107

4 256

3,6

1 400

2 095

49,6

16 101

13 554

- 15,8

5 349

5 020

- 6,1

57 733

49 219

- 14,7

18 613

20 691

11,2

Fonte: MDIC/Secex

Importações - FOB Janeiro-abril

 

Variação percentual

Discriminação

1999/98

2000/99

 

Preço

Quantum

 

Preço

Quantum

B.cons.duráveis B.cons.não-duráveis Mat.prim.e interm. Comb.e lubrificantes Bens de capital Total

-0,1

-43,1

 

-7,1

-32,7

1,6

-19,6

-13,2

-1,9

0,0

-17,5

-10,5

31,7

-27,4

-17,9

134,8

-20,3

3,3

-19,2

-4,8

-7,2

-1,0

-20,0

-0,5

10,4

Fonte: Funcex

queda a partir do último trimestre de 1999, inexistindo, entretanto, sinais evidentes de reversão definitiva. O preço dos produtos semima- nufaturados manteve-se em alta no primeiro quadrimestre de 2000, expansão de 10% em relação a abril do ano anterior, estimulada, em parte, pelo crescimento da procura de matérias- primas, em virtude do desempenho da economia mundial, destacando-se a elevação de preços da celulose, das semimanufaturas de ferro e aço e do alumínio.

As importações totalizaram US$ 20,7 bilhões nos primeiros cinco meses do ano, expandindo-se 11,2% relativamente a igual período de 1999. Esse crescimento deveu-se ao aumento de 49,6% das importações de combustíveis e de 22,4% nas de matérias-primas.

O aumento das importações de combustíveis, que atingiram US$ 2,1 bilhões nos primeiros cinco meses de 2000, foi determinado pela elevação dos preços internacionais do petróleo. As importações referentes a matérias-primas e produtos intermediários, US$ 10,9 bilhões, elevaram-se como resultado do crescimento da quantidade importada. Essa evolução reflete a maior demanda da indústria doméstica, cuja produção vem sendo dinamizada também pelo crescimento das exportações de produtos manufaturados, de alto valor agregado e baixo índice de nacionalização.

As importações de bens de capital alcançaram US$ 5 bilhões até maio, declinando 6,1% relativamente ao mesmo período de 1999, queda menos intensa do que a observada no ano anterior, quando na mesma base de comparação, a contração atingira 15,8%. As importações de bens de consumo alcançaram US$ 2,7 bilhões, contração de 9,3% ante

Relatório de Inflação

Junho 2000

1999, significando, a exemplo do observado em bens de capital, desaceleração no ritmo de queda.

Saliente-se que embora o nível da produção industrial situe-se em patamar elevado, relativamente ao dos últimos anos, a quantidade importada de matérias-primas e bens intermediários não atingiu o nível alcançado em 1998, sinalizando a intensificação do processo de substituição de importações. A quantidade importada de combustíveis no primeiro quadrimestre decresceu 20,3% relativamente à do mesmo período de 1999 e o índice de quantidade de bens de consumo não- duráveis, 1,9%.

Evolução dos índices de preço e termos de troca

Base: 1996 =100 105 100 95 90 85 80 75
Base: 1996 =100
105
100
95
90
85
80
75

Jan

Abr

Jul

Out

1999

Jan

2000

Exportação

Fonte: Funcex

Importação

Termos de troca

Os preços de bens de capital importados, embora relativamente estáveis desde 1995, atingiram, em março de 2000, o menor índice desde agosto de 1986. A desvalorização das moedas européias frente ao dólar favorece a estabilidade de preços dos bens de capital importados, diante da importância da região no

fornecimento desses produtos. Os preços de bens de consumo não duráveis apresentaram a maior retração até maio, 13,2%, entre as categorias de produtos, o que explica, em parte, a reversão na queda da quantidade. Os preços de combustíveis foram os únicos a apresentar alta no período,

134,8%.

A evolução do saldo comercial tem sido positiva, ainda que apresente

crescimento menos intenso que o esperado. Os termos de troca apresentaram melhoria a partir do segundo semestre de 1999, com a elevação dos preços das exportações atuando como fator determinante, principalmente pela elevação dos preços de semimanufaturados. Os preços dos produtos importados não declinaram, em razão, principalmente, da alta do petróleo, que neutralizou a queda de preços observada nas demais categorias de produtos.

Serviços

O déficit no intercâmbio de serviços com o exterior apresentou

aumento de US$ 314 milhões nos cinco primeiros meses de 2000,

Relatório de Inflação

Junho 2000

Serviços

 

US$ bilhões

 

Discriminação

1998

1999

 

2000

 

I Tri

II Tri

III Tri IV Tri

Ano

I Tri Jan-Mai

 

Total

-28,8

-5,0

-7,7

-4,9

-7,6 -25,2

-4,5

-10,1

Juros

-11,9

-2,9

-4,8

-2,5

7,6

31,5

-2,6

-6,3

Lucros e div.

-7,2

-1,2

-1,1

-0,9

7,5

30,0

-0,6

-1,4

Transportes

-3,3

-0,6

-0,7

-0,7

0,5

8,8

-0,7

-1,2

Viagens intern.

-4,1

-0,2

-0,3

-0,5

1,5

4,3

-0,3

-0,6

Serviços div.

-1,8

-0,1

-0,5

-0,2

5,5

16,9

-0,3

-0,5

Demais 1/

-0,4

-0,1

-0,2

-0,1

0,2

1,5

-0,1

-0,1

1/ Inclui lucros reinvestidos.

 

Bens e serviços não-relativos a fatores

 

US$ bilhões

Discriminação

1998 1999

 

2000

Ano

I Tri

II Tri III Tri IV Tri

Ano

I Tri Jan-Mai

Bens e serviços

7,6

-1,7

-1,0

-1,5

-1,9

-6,1

-1,0

-1,3

Balanço comercial

7,5

-0,8

0,2

-0,2

-0,4

-1,2

0,0

0,6

Serviços não-relat.

0,5

-0,9

-1,2

-1,3

-1,4

-4,9

-1,1

-1,9

relativamente ao ocorrido no mesmo período do ano anterior. Os fatores que mais contribuíram para esse resultado foram os aumentos nas despesas referentes a juros, viagens internacionais e serviços diversos.

A demanda por serviços não-fatores de produção registrou crescimento de US$ 258 milhões em comparação a 1999, período em que os gastos de brasileiros no exterior retraíram-se acentuadamente sob o efeito da desvalorização do real. A maior parte desse aumento resultou de maiores despesas com viagens ao exterior, especialmente em relação a março e abril do ano passado, quando foram atipicamente baixas. A média mensal desses gastos no ano corrente, US$ 284 milhões, é semelhante à observada no segundo semestre do ano passado, quando já se mostrava definido o novo patamar de demanda por essa modalidade de serviços.

As saídas líquidas registradas nos serviços relativos a fatores de produção, que incluem juros, lucros e dividendos e parte dos serviços diversos, mantiveram-se no mesmo patamar dos primeiros cinco meses de 1999. As remessas líquidas de lucros e dividendos diminuíram US$ 637 milhões, com aumento de receitas e redução de remessas, o que compensou o aumento nas despesas de juros e de serviços diversos pagos ao exterior.

Os pagamentos líquidos de juros somaram US$ 6,3 bilhões, aumento de US$ 451 milhões, que pode ser associado ao pagamento de US$ 551 milhões em juros de empréstimos de regularização pelo Banco Central de janeiro a maio, comparativamente a US$ 134 milhões em 1999. Adicionalmente ocorreram ingressos de juros relativos a garantias colaterais e diminuição nas receitas com aplicações das reservas internacionais.

Os serviços diversos relativos a fatores registraram aumento de US$ 241 milhões em despesas líquidas, com destaque para aumentos de aquisições de programas de computador.

Relatório de Inflação

Junho 2000

Transações correntes

US$ bilhões

Discriminação

1998

1999

2000-Mai

 

I Tri

II Tri

III Tri

IV Tri

Ano

Últimos

 

12 meses

Balanço comercial

-6,6

-0,8

0,2

-0,2

7,6

31,5

-0,1

Serviços

-28,8

-5,0

-7,7

-4,9

7,5

30,0

-25,5

Transf. unilaterais

1,8

0,6

0,5

0,5

0,5

8,8

1,9

Conta corrente

-33,6

-5,2

-7,0

-4,6

5,5

16,9

-23,8

O déficit em transações correntes diminuiu US$ 579 milhões no período janeiro a abril, situando-se em 3,3% do PIB, comparativamente a 4,1% do PIB, no mesmo período de 1999. A principal razão de tal evolução constitui-se na inversão do saldo comercial, que suplantou o aumento nas despesas de serviços e a queda nas receitas com transferências unilaterais.

1.8 – Conclusão

A evolução apresentada pelos indicadores de consumo e investimento,

nos primeiros meses de 2000, sugere a continuidade da recuperação da demanda, iniciada ao final de 1999. Essa trajetória vem sendo sustentada pela expansão das exportações, principalmente no que se refere a segmentos como autoveículos, motocicletas e produção animal e pela elevação acentuada da demanda por bens de capital, em contexto de relativa retomada das operações de vendas a crédito.

A expectativa do setor produtivo quanto à sedimentação dos mercados

interno e externo, potencializa a ampliação da capacidade instalada da

indústria. Quanto aos estoques, embora ocorressem reduções em setores específicos, principalmente de alguns produtos agrícolas, os níveis remanescentes não remetem à perspectiva de surgimento de pressões de demanda sobre os preços, assinalando-se que os resultados mais recentes envolvendo o comércio externo sugerem que eventual regularização de estoques por meio de importações não comprometeria o equilíbrio comercial.

Nesse cenário, a atuação da autoridade monetária envolvendo a conjugação de queda na taxa básica de juros, diminuição da alíquota do recolhimento compulsório incidente sobre depósitos à vista e aprimoramento na classificação de risco vem criando condições para a intensificação do processo de redução das margens sobre as taxas de captação das instituições financeiras. Porém, e não obstante os fundamentos macroeconômicos internos apresentarem resultados favoráveis, o aumento das incertezas no mercado internacional, principalmente quanto à trajetória de crescimento da economia

Relatório de Inflação

Junho 2000

americana, contribuiu para a adoção de postura mais conservadora por parte das instituições financeiras.

Desse modo, o aumento do volume de crédito e a diminuição do diferencial entre taxas ativas e passivas verificadas nos primeiros quatro meses do ano devem acentuar-se à medida em que se reduza a volatilidade do mercado financeiro, criando expectativas de longo prazo mais condizentes com o crescimento sustentado da economia brasileira.

A evolução favorável dos fundamentos macroeconômicos do país pode

ser visualizada nos resultados fiscais e naqueles relativos ao setor externo, experimentados recentemente. Assim, os superávits recorrentes do setor público consolidado permanecem evidenciando o processo de ajuste ao qual as contas públicas vêm sendo submetidas.

O exame das contas externas identifica a recuperação no resultado

referente às transações correntes, cujo déficit acumulado nos cinco primeiros meses do ano atingiu US$ 8,8 bilhões, o que representa redução de 6,2% em relação ao de mesmo período do ano passado, motivada pela reversão do saldo comercial. O efeito da melhora do balanço comercial foi parcialmente contrabalançado pelo aumento de gastos líquidos com serviços não-relativos a fatores de produção, cuja demanda foi impulsionada pelo aumento da atividade econômica no País. Os serviços relativos a fatores de produção, aqueles que refletem o fluxo de renda entre residentes e não residentes, mantiveram-se praticamente inalterados, com o aumento de juros líquidos pagos tendo sido compensado pela redução em remessas líquidas de lucros e dividendos. Observou-se, ainda, significativa diminuição da proporção do déficit em transações em relação ao PIB, de 4,13% para 3,31%, no acumulado do ano.