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A GRANDEZA DE JOÃO BATISTA

Lucas 1
13 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua
oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e
lhe porás o nome de João.
14 E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu
nascimento,
15 Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho,
nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o
ventre de sua mãe.
16 E converterá muitos dos filhos de Israel ao SENHOR seu
Deus,
17 E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para
converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à
prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um
povo bem disposto.
Através da narrativa de Lucas, capítulo 1, temos a história
de um casal chamado Zacarias e Isabel. Ele era um
sacerdote. Eram humildes, fiéis, justos e irrepreensíveis nos
mandamentos do Senhor.
Exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, foi escolhido
para entrar no santo lugar e oferecer o incenso no altar.
Era um privilégio elevado para um sacerdote.
Enquanto ele estava lá, um anjo lhe apareceu (v.11) e
anunciou que sua esposa iria ter um filho (v.13) e que seu
nome deveria ser João.
Foi algo notável, porque havia 400 anos que Deus não
falava com Israel. Nenhum profeta havia se manifestado
após Malaquias. Nenhum milagre durante mais de 500
anos.
Agora, de repente, um anjo aparece e traz uma tremenda
mensagem de Deus. Era um sinal de que o messias estava
por vir.
Zacarias não acreditou e sua dúvida lhe custou caro. Ele foi
atingido pelo anjo e ficou surdo e mudo (v.20,62) até que
João nascesse (v.63-64). Quando ele terminou seu dever
sacerdotal, foi para casa e o milagre aconteceu. Sua esposa
Isabel, que era estéril, e estava fora da idade de
procriação, ficou milagrosamente grávida.
Quando a criança nasceu, Zacarias, através de gestos, disse
que seu nome seria João, conforme o anjo havia lhe
ordenado. Logo após ele dizer isto, recuperou sua voz e
glorificou a Deus (v.64-79).
Porque será grande diante do Senhor (v.15)
Vemos pessoas reivindicando grandezas em torno de si.
Esse tipo de egoísmo impetuoso, geralmente é praticado
por pessoas cuja pretensão de grandeza é uma lenda em
sua própria mente.
Se você olhar para a questão da grandeza, ela está
associada com a fama, dinheiro, espaço na mídia, notas na
imprensa, admiração social e celebridade.
Uma visão mais verdadeira de grandeza, no entanto,
menos popular, olha para as realizações significativas de
alguém, algo além de entreter as pessoas.
Ambas as formas de o homem ver a grandeza fica aquém
da perspectiva de Deus. A grandeza, segundo o ponto de
vista de Deus, é distante dos valores humanos.
A única maneira de realmente entender a visão de grandeza
da parte de Deus é olhar para quem ele chamou de grande. E
João Batista foi tal pessoa.
O anjo de Deus disse que João seria grande diante do
Senhor. E, francamente, nenhum dos aspectos enganosos
associados com a grandeza, na sociedade humana, estava
presente na vida de João.
Ele não teve nascimento real. Nasceu em uma família muito
simples e comum. Veio de um lugar descrito apenas como
uma cidade nas montanhas de Judá (v.39).
Não tinha bens materiais. Não era um intelectual. Não fazia
parte de qualquer liderança religiosa. Não teve uma
educação formal. Viveu em isolamento.
Sua formação é resumida no v.80: “E o menino crescia, e
se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia
em que havia de mostrar-se a Israel”.
Então, ele cresceu longe dos centros sociais e de interação
com a sociedade em geral.
Seus hábitos? “E este João tinha as suas vestes de pelos de
camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e
alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre” (Mateus
3:4).
Ele não teve nenhum envolvimento com qualquer
instituição formal. Ele não foi associado com o sacerdócio,
embora tenha vindo de uma linhagem sacerdotal.
À elite religiosa e política de Israel, ele bradou: “Raça de
víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mateus
3:7).
Logo atraiu a fúria do governador Herodes (tetrarca da
Judeia), quando o exortou sobre seu adultério com
Herodias, a mulher de seu irmão Filipe (Mateus 14:3-4).
João foi mantido na prisão até Herodes se encantar em
uma luxuriosa noite com a filha de Herodias. E no meio de
sua excitação, queria dar-lhe qualquer coisa. Ela pediu a
cabeça de João numa bandeja, num ato de vingança de
Herodias (Mateus 14:6-11).
Ele foi tratado com terrível desrespeito e desdém. Ele era
pouco mais do que um homem para ser decapitado pelo
prazer de uma menina e de um homem que ela tinha excitado.
Mesmo seu ministério foi breve. Sua aparição no palco do
mundo não durou muito tempo. E ele mesmo tentou trazê-lo
para um rápido fim. Sua estrela intencionalmente
desapareceu rapidamente. Quando olhou para Jesus, ele
disse: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João
3:30). Quando perguntado quem ele era, apenas respondeu:
“Sou uma voz” (João 1:23). Não há realmente nada em sua
vida com características humanas associadas com grandeza. E
é por isso que se diz no versículo 15: “Ele será grande diante
do Senhor.” Certamente não aos olhos dos homens.
Sua mensagem alcançou o coração de alguns homens
sedentos. Estes se tornaram tão fiéis a ele que o próprio
João teve que empurrá-los para Cristo (João 1:35-37; 3:25-
31).
João foi grande aos olhos de Deus. Mas, quando o anjo
anunciou a Maria sobre o nascimento de Jesus, ele
empregou palavras que demonstrava que Jesus seria o
próprio sentido absoluto da grandeza: “Este será grande, e
será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o
trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de
Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1:32-33).
Voltando a João no versículo 15: “Ele será grande. ” A
pergunta é: Qual seria o nível de grandeza de João? Há
vários níveis de grandeza.
Bem, a resposta vem no capítulo 7 de Lucas: “E eu vos digo
que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do
que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do
que ele” (v.28). O mesmo texto está em Mateus 11:11.
Jesus diz que Ele não era apenas o maior, mas o maior que
já tinha vivido. Isso é um elogio incrível.
Maior que Enoque que andou com Deus e Deus o levou
(Gênesis 5:24). Maior que Noé, que foi poupado do dilúvio
(Gênesis 7:1). Maior que Melquisedeque, o grande rei de
Salém (cidade que viria a ser Jerusalém), sacerdote do
Deus Altíssimo, a quem Abraão pagou dízimos (Gênesis
14:18-20; Hebreus 7). Maior do que Abraão, o pai de
Israel, o amigo de Deus (Gênesis 18:17). Maior do que
Isaque, Jacó, José. Maior que Moisés, Samuel, Sansão,
Gideão e Davi.
Maior do que Elias que foi levado para o céu em uma
carruagem de fogo (II Reis 2:11). Maior que Eliseu, o
grande profeta. Superior a Isaías, Jeremias e Daniel e todos
os outros profetas.
Sim, ele foi maior do que todos os citados no capítulo 11 de
Hebreus como os heróis monumentais da fé. Ele foi a maior
pessoa do Velho Testamento.
Sua grandeza não estava em seus atributos pessoais, mas na
missão que lhe estava confiada: A de precursor do Messias, do
Cristo, do Filho de Deus, do Rei.
Sua grandeza não foi medida por nenhum método humano.
Ele foi grande aos olhos divinos e não dos homens. “Aos olhos
do Senhor” é uma frase usada muitas vezes na Escritura. E
significa, simplesmente, aprovação divina, o favor divino. Ele
vai ter a aprovação divina. Esse é o sentido geral.
Ele será grande segundo a aprovação de Deus, mas nunca
poderá ganhar a aprovação dos homens.
Isto é uma realidade muito específica que você precisa
entender: Ninguém é aprovado por Deus cujo pecado não foi
coberto. Você entende isso? Então inerente à declaração
genérica “aprovado por Deus” é que este homem seria um
homem justificado. Ele se tornaria justo. Ele seria um
homem salvo. Ele seria um homem a quem o Senhor atribui
justiça.
Ele seria um homem coberto pela justiça de Deus. Então
você tem que olhar para a aprovação divina no sentido
geral como tendo um componente específico da
justificação.
Portanto, esta é uma promessa. É uma profecia. É uma
promessa de Deus através da boca de um anjo que João
seria um homem justificado.
Esta é uma promessa da salvação de alguém que ainda não
havia sido concebido e já tinha sido eleito. Deus escolheu
João para a justificação e para a salvação antes que ele
fosse concebido.
Essa é uma ilustração de como Deus escolheu todos os que
creem e escrito seus nomes no Livro da Vida do Cordeiro
antes da fundação do mundo.
Deus estava satisfeito com seu Filho porque Ele era sem
pecado e Deus está contente com qualquer um que é
coberto com a justiça de Seu Filho.
O anjo disse a Zacarias que João teria a aprovação de Deus
em sua vida. Ele seria justo diante de Deus. Ele seria mais
do que isso, seria grande diante do Senhor.
Ele seria justificado. Seus pecados seriam perdoados e
cobertos pela justiça de Deus. Assim, a sua grandeza foi
uma grandeza inigualável por qualquer ser humano até seu
tempo, o maior que já existiu. Isso deve incluir a
justificação.
Vamos olhar para as três manifestações de sua grandeza
que fluem no texto.
E não beberá vinho, nem bebida forte e será cheio do Espírito
Santo, já desde o ventre de sua mãe (v.15)
Seu caráter pessoal evidenciaria essas duas características.
Uma tem a ver com a vida externa, pessoal: Ele não iria
beber vinho ou bebida forte. Por outro lado, ele será cheio
do Espírito Santo, ainda no ventre de sua mãe.
Não beber vinho nem bebida forte demonstrava um estilo de
vida moderado e uma vida abnegada.
Aquele que usava pele de camelo, um cinto de couro e
comia gafanhotos e mel silvestre, já havia demonstrado
grande temperança e uma atitude indiferente em direção
aos prazeres do mundo.
Isto leva-nos ainda mais. Ele não vai beber vinho ou licor
(traduzido como bebida forte) como um compromisso de
vida.
Havia duas palavras do Antigo Testamento para o vinho.
Um delas é “tirosh”.
É uma palavra hebraica para o vinho novo, fresco, que é o
suco de uva não fermentado. Está associada à bênção no
Antigo Testamento.
Você vê a palavra “tirosh” em Deuteronômio 7,11; II Reis
18, e alguns outros lugares, e é simplesmente o suco de
uva.
E isso era apreciado e associado com a maneira como Deus
abençoa. Ele fornece vinhas, uvas, o suco fresco da uva.
Isso é “tirosh”.
A outra palavra é “yayin”, que se refere ao vinho
fermentado.
Não havia refrigeradores naquela época. O clima de Israel é
quente. Os verões são muito quentes. Obviamente tudo se
fermentava.
Esta palavra é usada em muitos lugares no Antigo
Testamento. Os rabinos preocupados com os efeitos
nocivos do “yayin”, exigiam que o vinho fermentado deveria
ser misturado com água.
Esta mistura era feita na proporção de até oito partes de
água e uma parte do vinho, a fim de que ele pudesse ser
diluído.
Também a introdução de vinho fermentado na água servia
como um purificador. Então os rabinos misturavam e
normalmente bebiam esta mistura de água e vinho.
O Antigo Testamento reconhece o consumo comum dessas
bebidas, tanto o suco de suco de uva como o vinho
misturado na água. Ele apela à moderação em ambos. E
rejeita a embriaguez e um desejo para beber.
Isto é em todo o Antigo Testamento. Eu não tenho tempo
para entrar neste assunto com mais detalhes. Mas em
Provérbios você tem uma declaração geral:
“O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo
aquele que neles errar nunca será sábio” (20:1).
Quando você vem para o Novo Testamento há uma palavra
comum para o vinho: “oinos” e que basicamente mostra a
mesma coisa.
Em João 2, Jesus foi a um casamento. Ali Jesus operou um
milagre e transformou água em vinho. Ele criou vinho sem
a terra, a videira e a uva. Um vinho novo, não fermentado.
Mas o vinho fermentado tinha um papel a desempenhar.
Paulo disse a Timóteo: “Tome um pouco de vinho, por
causa do seu estômago” (I Timóteo 5:23). Indicando que
Timóteo não tomava vinho. A ação purificante do vinho
sobre a água o ajudaria em suas enfermidades.
Então, o vinho é tratado nesses termos. O vinho novo (o
suco da uva) é visto como bênção. O que foi fermentado
era sabiamente misturado à água, diluindo seus efeitos ou
purificando a água.
Não há qualquer fundamento para se respaldar
biblicamente o uso de bebidas fortes.
Tanto no grego como no hebraico esta palavra expressa
uma bebida viciante que pode prejudicar o autocontrole da
pessoa, para gerar um prazer.
A bebida forte tinha um uso anestésico para o que estava
em padecimento (Provérbios 31:6) ou apresenta-a como
uma característica da vida que Deus proveu (Deuteronômio
14:26).
Mas a Escritura adverte contra bebida forte em todo o
Antigo Testamento e certamente implícito é qualquer aviso
no Novo Testamento, como Efésios 5:18 ou I Pedro 4:3
contra a embriaguez que a bebida forte produz.
Sobre serviço sacerdotal, Deus disse a Arão:
“Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos
contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que
não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas
gerações” (Deuteronômio 10:9).
No livro de Provérbios diz: “Não é próprio dos reis, ó Lemuel,
não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes o desejar
bebida forte” (31:4).
Tal como foi a colocação de Paulo a Timóteo: “Tome um
pouco de vinho, por causa do seu estômago”. Provavelmente
Timóteo não usava o vinho, daí o conselho de Paulo:
“Tome um pouco”, como um uso medicinal.
João deveria ser um modelo da virtude. Ele não iria usar
qualquer coisa que pudesse corrompê-lo. Ele ficou longe da
despensa do mundo.
João não seria oficialmente um sacerdote, embora ele fosse
de uma linhagem sacerdotal. Ele certamente não seria um
rei. Mas o abster-se de todas estas bebidas seria parte de
sua própria autonegação pessoal.
Alguns sugerem que João Batista por ter sido
um “narizeu” por toda a vida. “Narizeu” é uma palavra
hebraica que significa “separado”.
Um judeu podia decidir separar-se de tudo, por um tempo,
para se dedicar somente a Deus, tal como Sansão (Juízes
16) e Samuel (I Samuel 1).
Vemos os aspectos do “voto narizeu” em Números 6:
“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando um homem
ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para
se separar ao Senhor, De vinho e de bebida forte se
apartará; vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte
não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem
uvas frescas nem secas comerá. Todos os dias do seu
nazireado não comerá de coisa alguma, que se faz da
vinha, desde os caroços até às cascas. Todos os dias do
voto do seu nazireado sobre a sua cabeça não passará
navalha; até que se cumpram os dias, que se separou ao
Senhor, santo será, deixando crescer livremente o cabelo
da sua cabeça” (v.2-5).
Seja o que for, o ponto é este: Ele tomou consagração no
mais alto nível. Um homem exteriormente consagrado,
separado.
Não somente exteriormente, mas cheio do Espírito Santo
em seu interior, desde que foi concebido no ventre de sua
mãe.
A ideia de ser cheio do Espírito significa simplesmente que ele
estaria sob o controle e poder do Espírito Santo. Sua vida
seria dominada pela vontade do Espírito desde seu
nascimento.
Foi a experiência de Jeremias: “Antes que te formasse no
ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às
nações te dei por profeta”(Jeremias 1:4).
No verso 41, quando Isabel estava grávida, e ouviu a
saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre e
Isabel foi cheia do Espírito Santo. Foi um tipo de
manifestação física da presença do Espírito Santo.
No verso 67, Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo e
profetizou. Uma poderosa família, todo mundo cheio do
Espírito Santo, vivendo de acordo com o poder do Espírito e
sob sua influência.
E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias… (v.17)
Vemos agora a sua vocação. Esta é a razão e a marca de
sua grandeza. Isto é o que o fez grande: Sua vocação.
Ele foi como um precursor diante de Jesus Cristo, o
Messias, o Deus Eterno em carne humana.
João foi à frente de Jesus. Ele foi o profeta que identificou
o Messias. Essa era a sua tarefa e sua missão. Foi a maior
missão que um homem poderia ter. Isto o fez o maior
homem que havia vivido até Jesus.
O apóstolo João disse: “Houve um homem enviado de Deus,
cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que
testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a
luz, mas para que testificasse da luz.” (João 1:6-8).
João Batista proclamou a eternidade de Cristo: “Este era
aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim,
porque foi primeiro do que eu” (João 1:15).
Quando Ele viu Jesus, bradou: “Eis o Cordeiro de Deus, que
tira o pecado do mundo” (João 1:29).
O anjo havia dito a Zacarias: “E irá adiante dele no espírito e
virtude de Elias”(v.17).
Isso é era muito importante, porque os judeus acreditavam
que, antes de o Messias vir para estabelecer o Seu reino,
Elias tinha que vir.
De onde tiraram isso? “Eis que eu envio o meu mensageiro,
que preparará o caminho diante de mim…” (Malaquias 3:1).
Quem era este mensageiro? “Eis que eu vos enviarei o profeta
Elias, antes que venha o grande e terrível dia do
Senhor” (Malaquias 4:5). Elias foi o protótipo de um profeta,
fiel, poderoso, milagroso e intransigente. Ele foi o profeta
de Deus que proclamou a verdade divina sem medo, diante
de um monarca cruel (I Reis 18), assim como João fez.
Foi por isto que os líderes religiosos perguntaram a ele: “És
tu Elias? ” (João 1:21). Ele respondeu: “Não sou. Eu sou a
voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do
Senhor, como disse o profeta Isaías” (João 1:21,23).
João Batista disse muito claramente: “Eu não sou Elias”.
Como devemos entender isso, então? Jesus disse: “Porque
todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar
crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para
ouvir, ouça” (Mateus 11:13-16).
O que? Como devemos entender isso? Significa que a
profecia era figurativa. Seria alguém na mesma intrepidez,
ousadia e fiel intransigência de Elias.
João Batista confrontou a liderança religiosa, chamando-a
de raça de víboras, bem como ao governador romano
Herodes e a todas as pessoas com a mensagem de
arrependimento.
Esta foi uma vocação privilegiada, para dizer o mínimo, ter
a honra de apontar para o Messias, para o evangelho,
identificando o Salvador do mundo.
A profecia de Malaquias tem um sentido para cumprimento
futuro, quando outro profeta como Elias vai anunciar a
volta de Jesus para destruição dos reinos terrestres e
estabelecimento do reino de Cristo na terra.
Talvez será uma das duas testemunhas (Apocalipse 11).
E converterá muitos dos filhos de Israel ao SENHOR seu
Deus… Para converter os corações dos pais aos filhos, e os
rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao
Senhor um povo bem-disposto (v.16-17).
Finalmente, a sua contribuição poderosa: O impacto do seu
ministério é definido para nós e é tão grande sua
contribuição como nenhum homem jamais poderia fazer.
Converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor, que maior
contribuição poderia alguém fazer.
Ele iria pregar, chamando os filhos de Israel de volta para o
Senhor seu Deus, de volta de sua desobediência, apostasia,
rebelião, do amor à iniquidade e de sua autojustiça. Esse
foi o trabalho principal de todos os profetas.
Zacarias profetizou: “E tu, ó menino, serás chamado profeta do
Altíssimo, Porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os
seus caminhos; Para dar ao seu povo conhecimento da salvação,
Na remissão dos seus pecados” (Lucas 1:76-77)
Esse é o evangelho. Você fala do juízo. Fala sobre a
salvação, perdão dos pecados e a misericórdia de Deus.
Fala sobre a resplandecente Estrela da Manhã, que é Jesus,
que brilha sua luz em nossa escuridão e nos guia no
caminho da paz.
Ele era um pregador da salvação. Deus iria usá-lo dessa
forma e isso é o mais alto privilégio que jamais alguém
poderia ter.
Ele pregou o arrependimento: “Para converter os corações
dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos”.
É uma citação direta do último versículo do Antigo
Testamento: “E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e
o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a
terra com maldição” (Malaquias 4:6).
O que isso significa? Ele viria com uma mensagem que iria
causar conversões em famílias. Isso é o que ele está
dizendo. Arrependimento geral, tocando toda a sociedade,
jovens e velhos.
Velhos e jovens iriam se converter, arrependidos de seus
pecados e voltariam para Deus pela fé em Cristo. E as
famílias iriam se reconciliar.
Eu acho que é no espírito de Deuteronômio 5: “Quem dera
que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem
todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes
fosse a eles e a seus filhos para sempre” (v.29).
Ele descreve a conversão ainda de uma outra maneira: “e
os rebeldes à prudência dos justos” (v.17).
Em outras palavras: “Ele vai levar pessoas obstinadas e
duras de coração a mudar a atitude do seu pensamento,
compreensão, mentalidade e voltar-se para a justiça”.
Com que finalidade? “Com o fim de preparar ao Senhor um
povo bem-disposto” (v.17). Ou seja, ele vai levantar
pessoas prontas para a chegada do Messias.
Ele teve um ministério típico do Antigo Testamento quanto
à conversão das pessoas, ou seja, na Velha Aliança as
pessoas se convertiam abandonando sua justiça própria e
seu pecado e rendiam-se a Deus.
Seu alvo era trazer as pessoas para o reconhecimento de
seu pecado e produzir arrependimento. Ele, através do seu
ministério, os conduzia para o reconhecimento de suas
atitudes desobedientes e dureza de coração.
E Deus iria usá-lo para mudar suas mentalidades, a fim de
que pudessem seguir a justiça.
Literalmente, ele seria usado por Deus para essa obra de
conversões, a fim de que houvesse um grupo de pessoas
prontas para a chegada do Messias.
Creio, naturalmente, que muitos dos que se renderam a
Cristo posteriormente foram primeiramente preparados
através do ministério deste grande homem.
A grande contribuição de João para o reino de Deus foi
trazer um grupo de pessoas à conversão espiritual, a fim de
estarem prontos para receberem o Messias quando ele
chegasse.
Quero terminar com algo que é realmente incompreensível.
Uma volta de onde começamos: “E eu vos digo que, entre
os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João
o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que
ele” (Lucas 7:28). Essa é a afirmação que Jesus fez.
Mas olhe para a próxima, verso 29: “No entanto, aquele
que é o menor no reino de Deus é maior do que ele”.
O que isso quer dizer? A grandeza de João se referia à tarefa
que ele cumpriu humanamente. A ele foi dada a maior tarefa
jamais atribuída a qualquer homem, que foi a de apontar e
identificar o Messias pela primeira vez.
A grande contribuição de João foi apontar para Cristo.
Nenhum homem jamais teve esse privilégio, essa honra,
nenhum homem jamais esteve naquele nível de grandeza
em termos de vocação humana.
Mas, você tem que manter isso em perspectiva. Ele era tão
grande comparado a outros homens, porém mesmo a
pessoa menor no reino de Deus seria maior que ele.
A grandeza espiritual excede a grandeza humana. Mesmo a
menor quantidade de grandeza espiritual excede a maior
quantidade de grandeza humana.
João foi ótimo. Do ponto de vista humano, ele teve o mais
importante trabalho que qualquer pessoa poderia ter. Mas
quando se trata do reino espiritual, ele era apenas como o
resto de nós, porque não há hierarquia, mesmo o menor
vai desfrutar da mesma vida eterna.
Quero fechar com um pensamento. Vimos a grandeza de
João. Porém quero que você saiba que você está no reino
de Deus e, espiritualmente, somos todos grandes aos olhos
de Deus, porque temos sido cobertos pela justiça de Cristo.
Mas, mesmo humanamente falando, deste lado da cruz,
nós podemos nos aproximar da grandeza de João.
Você diz: “O que você quer dizer?” Podemos viver no
mesmo alto nível de compromisso espiritual, não podemos?
Podemos optar por buscar as coisas do alto.
Podemos optar por viver uma vida separada, dedicada. Uma
vida que honra a Deus, vida santa, consagrada como ele
escolheu viver. Não só isso, mas também temos o privilégio de
sermos cheio do Espírito de Deus, não temos?
Jesus nos prometeu que o Espírito de Deus habitaria em
nós. E continuamente nos é ordenado no Novo Testamento
a sermos cheios do Espírito.
Nós, assim como João, podemos desfrutar o mais elevado
nível de devoção espiritual e a maior expressão do poder
espiritual na habitação do Espírito Santo.
Foi-nos dado o ministério da reconciliação, de acordo com 2
Coríntios 5. Nosso trabalho é sermos embaixadores de
Deus, em nome de Cristo, para ir pelo mundo e pregar a
Cristo em todos os lugares, chamando os homens a se
reconciliarem com Deus, através da morte substitutiva de
Cristo.
Temos a mesma honra de apontar almas para o Salvador,
que tira o pecado. Podemos também dizer aos
homens: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Deus pode nos usar para a conversão de outros. Deus pode
nos usar para trazer pessoas ao arrependimento.
Deus pode nos usar para preparar um povo que estará pronto
quando Jesus vier pela segunda vez.
Que grande vocação! Portanto, Deus nos chamou para essa
grandeza, como fez com João.
Pai, nós Te agradecemos esta manhã por nos dar visão a
respeito de um dos homens mais surpreendentes e
notáveis.
E nós estamos apenas estamos no início deste estudo.
Mas, nossos corações já estão extasiados por esta grandeza
e desafiados pelo chamado em nossas próprias vidas, pela
grande alegria espiritual de estar em Teu reino, que é uma
grandeza maior do que qualquer outra.
Mas nós também fomos chamados para as mesmas
perspectivas humanas, como foi João: caráter pessoal,
chamado privilegiado e contribuição poderosa.
Usa-nos como fizeste com ele, para que possamos Te
glorificar, honrar e, ao mesmo tempo, reconhecer que nada
é mérito nosso, mas como disse João: “Ele deve crescer e
eu diminuir”.
Continue a nos ensinar, Pai, o padrão que Tu estabeleceste
para nossa utilidade e nossa alegria.
Nós agradecemos, em nome de nosso Salvador. Amém

Nota do site: Mateus 11:18-19 diz: “Porquanto veio João,


não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o
Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um
homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e
pecadores. Mas a sabedoria é justificada por suas obras”.
Leia sobre este comentário de Jesus no sermão “Tratando
Jesus com Indiferença“.