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QUANDO NOSSA ALMA SE ABATE

Introdução

O livro de Salmos mostra de uma forma bem humana, os problemas


de seus autores e do povo de Deus. Às vezes estão animados,
outras vezes deprimidos, outras vezes cantando e outras vezes
chorando. Na lei e nos profetas Deus está falando conosco, no livro
de Salmos nós falamos a Deus. Atanásio disse: “A maior parte das
escrituras os Salmos falam por nós a Deus”. É por isso que têm
tanto valor para nós. Neste salmo 42 percebemos que o salmista
está infeliz, confuso, perturbado emocionalmente, por isso, diz a si
mesmo: “Por que estás abatida ó minha alma, e porque te perturbas
em mim?”. Esta declaração aparece duas vezes, versículos 5 e 11,
e também no salmo seguinte, o 43, o que leva alguns a dizerem que
os dois formam um único salmo. Este detalhe não é o mais
importante para nós, e sim, sabermos como o salmista entrou neste
estado de alma e os passos que tomou para sair dele.

É muito importante tratar disso, porque muitos cristãos vivem uma


boa parte de suas vidas neste mundo em tal situação. Não significa
que não são cristãos, e sim, que estão perdendo muito na vida
espiritual. Deus realiza sua obra através do seu povo, portanto,
precisamos aprender com o salmista a sermos libertos desta
situação e condição de inquietação, desconforto e perturbação,
para que as pessoas que nos observam não tenham a impressão
de que ser crente significa ser infeliz, triste, abatido e sem vida. A
Bíblia revela que Jesus nos trouxe vida com qualidade e
quantidade. Ela é eterna e ao mesmo tempo abundante para o
presente. João 10:10.

1- As Circunstâncias Históricas.

Ocorreu durante a revolta de Absalão. A composição musical ficou


a cargo dos filhos de Coré. II Cr 20:19. Este salmo retrata bem o
estado de espírito de Davi. Pelos versículos 6 e 7 ficamos sabendo
que ele estava ao norte da Palestina, perto da nascente do rio
Jordão. O Jordão transbordava devido à neve que estava
derretendo. Isto transformava o Jordão em um rio inquieto e de
correnteza forte. Assim era o estado de sua alma. Ele sente como
se as águas estivessem passando por cima dele, moendo-o,
ferindo-o mais ainda (versículo 7). Veja isto também no Salmo
124:4-5. Confira !
2- Descrição de Quando Estamos Abatidos de Alma.

As formas que Davi usa para descrever o seu abatimento são tão
forte que quase podemos vê-lo pessoalmente no salmo.

2.1- Rosto Abatido. Versículos 5 e 11.

O homem que está abatido, desanimado, sempre revela isso em


seu rosto. Basta olhar para ele, e se percebe a sua condição. Prov.
15:13 e 17:22.

2.2- Ausência de Deus. Versículos 3 e 10.

Todos nós, vez por outra, sentimos a ausência de Deus. Esta é uma
misteriosa realidade da vida espiritual. Nenhum cristão pode negar
este fato, por mais forte que seja. Ela pode nos atingir até quando
não há explicação lógica. Os inimigos de Davi nos versículos 9-10,
riam dele repetindo a pergunta: “Onde está o teu Deus?”. Com
certeza ele se abateu muito com esta pergunta, isto mexeu, atingiu
até a parte mais dura e insensível do nosso corpo, os ossos
versículo 11.

2.3- Lágrimas abundantes. Versículo 3.

Parece que ele neste versículo está carregando o mundo todo


sobre os seus ombros. Ele chora copiosamente. Tudo parece estar
em cima dele, esmagando-o. Ele quase não suporta as acusações
dos inimigos contra ele e o seu Deus. Não controlando as emoções,
Davi chega a ponto de perder o apetite. Diz que suas lágrimas têm
sido o seu alimento dia e noite. Que realidade! Todos estamos
familiarizados com esse fenômeno. Se estamos preocupados,
abatidos, perdemos o apetite. Precisamos tomar muito cuidado com
o corpo. O stress está aí atingindo o homem moderno. Não
podemos isolar o físico do espiritual, pois somos corpo, alma e
espírito. Somos mais propensos ao abatimento espiritual, quando
estamos fisicamente fracos. Veja o exemplo de Elias em I Reis
19:3-8.

2.4- Sentimento de saudades. Versículo 4.

Ele está lembrando daqueles cultos fervorosos lá no templo em


Jerusalém. Saudades do templo, das reuniões, dos irmãos,
saudades de tudo. Fica difícil louvar quando a alma se derrama
como água dentro de nós. Que conflito está o salmista.
Principalmente hinos que falam da grandeza e da providência de
Deus, e nossa vida está atrapalhada. Que Deus poderoso é esse?
Perguntamos. Os “gritos de aleluia”, o “louvor”, a “festa”, torna-se
tudo luto.

3- Como Vencer o Abatimento. Versículo 5.

Em tempo, é bom lembrar que temos um inimigo que gosta de


aparecer quando nossa condição espiritual e física é abatimento.
Ele é o Diabo. Temos esta verdade espiritual relevada em Dt.
25:17-19, quando a tribo de Amaleque ataca Israel pela retaguarda,
assaltando os retardatários e os cansados e abatidos. Não se
esqueça disso.

3.1- Tomar atitudes de Fé. Versículo 11.

A – Crer no Senhor. “Espera em Deus, pois ainda O louvarei”. Ele


volta a sua alma para Deus e faz uma declaração de fé: “Espera,
ainda O louvarei”. Espera, crê e confia. Em meio ao abatimento,
quem serve a Deus tem sempre um “ainda”, uma esperança. Pr.
Caio Fábio, comentando sobre isso diz: “O versículo 11 é o último
versículo do salmo, e enquanto houver ‘ainda’ na vida, está tudo
bem; enquanto você puder colocar um ‘ainda’ no meio das frases da
sua linguagem, da sua existência, está tudo bem. Ainda virá o
socorro, ainda surgirá o livramento, ainda nascerá salvação, ainda
virá libertação. Espera em Deus”.

B – Buscar o Senhor. Versículo 8. O salmista, com tudo o que está


acontecendo, tem fé para orar. E Deus lhe dá de dia a misericórdia,
a sua graça e a noite coloca em seus lábios louvor, que ele mesmo
chama de “uma oração ao Deus de minha vida”.

C – Depender de Deus Como Auxílio e Segurança. Versículos 5, 9


e 11. Nestes textos ele chama o Senhor de “minha rocha”, “meu
auxílio” e “Deus meu”. Esta é a fórmula da fé com que podemos
aquietar a nossa alma.

D – Falar Consigo Mesmo. Versículo 5 e 11. Não só fala com Deus,


o salmista fala consigo mesmo, argumenta consigo mesmo. Em
momentos difíceis precisamos ter controle sobre nós mesmos. Gl.
5:23. Devemos perguntar a nossa alma como pode estar abatida
assim?. Isto não é uma auto cobrança e sim um ato de fé,
lembrando-se de Deus, quem Ele é, e o que Ele tem feito e o que
tem prometido fazer.

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