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Projeto Xaoz

Liber Potionis
Autores:
Gabriel de Figueiredo da Costa
Matheus Ramos de Freitas

COSTA, G. F.; FREITAS, M. R.; 2018.


Liber Potionis - 1ª edição. Rio de Janeiro: Projeto Xaoz.

Bibliografia
ISBN: 978-85-906763-2-4

1. Metafísica - Brasil. Liber Potionis.


Manual de Poções
Quando o ser-humano não entendia completamente os efeitos de alimentos,
ervas e outros elementos em seu corpo, as descobertas eram realizadas na
base da experimentação, em um eterno ciclo de tentativa-e-erro que
impulsionava o desenvolvimento científico.
Porém, nem sempre o desenvolvimento do conhecimento humano foi
chamado de ciência. Inicialmente, não havia esse conceito como algo
separado de toda a sociedade ou dos planos espirituais. Os resultados eram
anotados ou lembrados apenas por poucos, e estes se consagravam como os
sacerdotes ou xamãs das tribos. Plantas específicas poderiam matar ou curar
dependendo da dosagem, e quem tinha esse conhecimento possuía alto
prestígio social.
Com o tempo, a magia natural se tornou química orgânica, a alquimia se
tornou química inorgânica, e séculos de desenvolvimento científico com
divulgação adequada permitiram que uma pessoa não precisasse mais testar
as plantas de seu jardim, bastando descobrir a espécie por meio das
características morfológicas, e estudar seus usos e efeitos medicinais. A
própria magia usando ingredientes minerais, vegetais e animais agora pode
ser revisitada, se aproveitando dos conhecimentos ocultos e também
científicos já acumulados sobre cada ingrediente, para melhor entender as
energias sutis manipuladas por cada um, e mesmo as suas aplicações
medicinais.
Com base em um método que une conhecimentos científicos e ocultos, este
livro tem como objetivo apresentar a teoria e os métodos básicos para o
preparo de poções, óleos, pós e formulações de magia natural, bem como
descrever de forma geral alguns ingredientes interessantes utilizados em
diversas formulações já conhecidas na literatura.
Sumário

1. Poções
Magia e Ciência
Atuação dos compostos
Energias Arquetípicas e Entidades
Anamnese
Veículos
Pós
Minerais
Vegetais
Animais
Combinações
Planetas
Preparo
Uso
2. Ingredientes do Reino Mineral
Alquimia
Arquétipos dos minerais
Chakras e Cores
Cristais
Terras
Sais
Metais
Óxidos
Fórmulas
3. Ingredientes do Reino Vegetal
Arquétipos dos vegetais
Ayurveda
O Livro das Sombras
Raízes
Madeiras
Resinas
Folhas
Flores
Frutos
Sementes
Enteógenos
Fórmulas
4. Ingredientes do Reino Animal
Arquétipos dos animais
O Livro de São Cipriano
O Vama Marg
Insetos
Anfíbios
Répteis
Peixes e Mamíferos Aquáticos
Pássaros
Mamíferos
Humanos
Moluscos e Crustáceos
Fórmulas
5. Referências
1. Poções
A palavra poção vem do latim “potionis”, que significa “bebidas”; no
entanto, com a mescla de culturas, este termo passou a abranger qualquer tipo
de preparado mágico, líquido ou não.
Diversas poções são citadas em muitos grimórios, e mesmo na Bíblia. Em
uma roupagem mais contemporânea, é comum vermos em jogos, filmes e
desenhos poções que incrementam vitalidade, força e poder. Nesse caso
falamos das poções próprias para a ingestão, onde seus atributos químicos e
energéticos são explorados para atingir o efeito desejado.

Em seus preparos, os ingredientes são selecionados de acordo com o objetivo


do magista, podendo ser de origem animal, mineral e vegetal. Na
antiguidade, muitas poções levavam ingredientes de origem animal, que por
descuido apodreciam e adoeciam seus usuários, até que com o tempo estas
foram se tornando mais herbáceas e não tão fatais quando ingeridas. Sendo
assim, os ingredientes de origem vegetal são os mais comuns. Pode haver
associações dos ingredientes com correspondências planetárias e/ou
elementais, fases da Lua, estações do ano (geralmente por aqueles que
celebram as passagens das mesmas, como no caso da Wicca), divindades,
entidades, algumas vezes estando vinculadas a uma pessoa específica.
Apesar de o foco deste texto serem as poções em si (em veículos aquosos ou
oleosos), serão descritos também pós e incensos, que podem ser convertidos
em poções pela mistura com líquidos, utilizados de forma seca em rituais, ou
utilizados em patuás, saquinhos fechados carregados junto ao corpo ou
dispostos no altar. Os ingredientes podem ser re-significados e os métodos
podem ser adaptados conforme as preferências do magista, pela sua própria
sensibilidade do que faz ou não sentido dentro de suas práticas.
Cabe ressaltar que muitos dos ingredientes descritos podem ser tóxicos ou
causam efeitos adversos no corpo, portanto não é recomendado que as poções
sejam ingeridas, a menos que todos os ingredientes utilizados sejam
comestíveis, e sua combinação não gere compostos indesejados.
Magia e Ciência
Durante toda a sua existência, o ser humano tem buscado conhecer cada vez
mais o mundo em que vive. Observações do céu proveram uma forma eficaz
de navegação e localização, enquanto o mapeamento dos ciclos naturais
forneceu conhecimentos sobre a melhor época para se plantar e colher grãos.
Da mesma forma, observando os animais, o ser-humano aprendeu sobre
alimentos, remédios e venenos, e por repetição, tentativa e erro, pôde se
apropriar desta sabedoria.
O advento da ciência Exotérica (sabedoria sobre o mundo externo) como algo
separado da sabedoria Esotérica (sabedoria sobre o mundo interno) permitiu
que cada uma das duas fossem aprimoradas em separado, e a ciência pôde
trazer para seu campo de estudo muito do conhecimento milenar que havia
sido compilado por diversas culturas. As Etnociências passaram a buscar a
absorção do conhecimento popular, estruturando em sua própria linguagem o
que já vinha sendo considerado pelos Antigos, e entendendo em seu próprio
arcabouço os princípios por trás de cada fato.
Um exemplo interessante dessa absorção dos conhecimentos nativos pode ser
encontrado no histórico de descoberta dos Ácidos Carboxílicos pela Química
Orgânica. Com base nas aplicações dos macerados de formigas e nos efeitos
de suas ferroadas, pôde ser isolado o Ácido Fórmico. Das raízes Valerianas e
das cascas de Salgueiro, utilizadas ritualisticamente por xamãs e bruxas
desde muito antigamente, foram extraídos o Ácido Valérico e o Ácido
Salicílico, responsáveis pelas sensações que eram experimentadas nos rituais.
Sendo assim, observa-se que alguns dos efeitos mágicos das plantas
(sobretudo os químicos e biológicos, mas ainda não os físicos e sutis) já
foram compreendidos de forma científica, e outros continuam sendo
estudados.
Atuação dos compostos
Alguns compostos atuam no Plano Material, como as pedras que proveem
atrito, os diamantes que cortam metais e vidros, e as substâncias que se
encaixam em receptores presentes no corpo humano, causando alterações
biológicas: curando doenças, aumentando a imunidade, diminuindo a pressão
e aliviando dores. Outros compostos atuam nos Planos Energético e Sutil.
Nestes casos, que ainda não foram tão amplamente estudados como os de
atuação Material, a influência se dá por meio de frequências eletromagnéticas
(por exemplo, a radioterapia), ou de energias sutis (estas últimas sequer
mensuráveis pelos equipamentos existentes).
A proximidade entre um receptor humano e o padrão eletromagnético
correspondente pode ser capaz de ativá-lo mesmo sem a necessidade do
composto em si, como demonstrado em alguns estudos de modelo chave-
fechadura. Este seria o princípio do funcionamento da homeopatia, por
exemplo, quando a água pode ser magnetizada sucessivamente com a
polaridade dos compostos mesmo sem traços dos mesmos na composição
final. Há ainda a técnica da transferência de fármacos por frequência, que
permite a administração de frequências por meio de agulhas de acupuntura
ligadas a um aparelho gerador de sinais. Estas técnicas ainda se encontram
em fases iniciais de estudos no campo científico, e, embora já haja muitos
relatos de sua eficácia, a compreensão dos mecanismos ainda é incompleta.

Compostos que atuam no Plano Material também possuem atuação


energética e sutil, e Compostos que atuam no Plano Energético também
atuam sutilmente, ou seja, há também uma atuação nos planos mais elevados
(em ordem inversa de densidade). A atuação também pode ser influenciada
pela distância, sendo que a atuação material necessita de contato físico (ex:
bebendo-se a poção ou passando sobre a pele), enquanto a atuação energética
necessita de proximidade (ex: colocar cristais sobre os Chakras, espalhados
pela casa ou em torno de uma pessoa). Já a atuação sutil não possui
limitações de distância, se processando nos planos mentais e espirituais (ex:
uma poção pode ser derramada sobre a terra, e pós podem ser queimados em
um caldeirão, à distância).
De qualquer forma, o foco em resultados independe dos métodos serem
compreendidos de forma Exotérica ou Esotérica. O que funciona pode ser
utilizado, e neste sentido a utilidade das poções se desdobra em miríades de
aplicações nos Planos Material, Energético e Sutil (incluindo Planos
Espirituais).
Energias Arquetípicas e Entidades
A teoria mais simples acerca do uso de poções é a de que servem para atrair
os aspectos de determinado Mineral, Vegetal, Animal ou Entidade. Estes
aspectos são, de forma geral, arquetípicos, e estudando-se os fatores que se
deseja atrair é possível escolher os ingredientes adequados, ou vice-versa. Os
arquétipos, por sua vez, podem ser analisados por meio de mitologias,
fábulas, tradição cultural, ou mesmo de forma exotérica, como mencionado
anteriormente (esta, por sua vez, em muitos casos possui correlação com as
descrições esotéricas e aspectos relacionados).
Da mesma forma que os ingredientes estão ligados a arquétipos primordiais,
podem também estar ligados a entidades específicas de algum panteão ou
cultura. Neste caso, são escolhidos os ingredientes associados a algum Ser
para se atrair os seus atributos, mesmo que estes não estejam diretamente
ligados àquele ingrediente. A conexão se dará por meio da consagração da
poção para aquela entidade. Quando isto for feito, devem-se observar
também os ingredientes que são incompatíveis com cada entidade, para que
não haja anulação do efeito final.
Anamnese
Anamnese: do grego anámnēsis, ‘ação de trazer à memória, recordação’.
Na filosofia platônica, significa a “rememoração gradativa através da qual o
filósofo redescobre dentro de si as verdades essenciais e latentes que
remontam a um tempo anterior ao de sua existência empírica”. Na medicina,
significa o “histórico que vai desde os sintomas iniciais até o momento da
observação clínica, realizado com base nas lembranças do paciente”.
No caso das poções, além dos estudos sobre o uso de cada ingrediente e sobre
os mitos relacionados a cada elemento, a anamnese pode prover informações
valiosas para auxiliar na escolha das matérias-primas e no preparo do
produto. A meditação sobre cada ingrediente, sentindo-se suas energias e
visualizando-se sua impressão no campo etérico, pode indicar os usos mais
adequados ou mesmo a preferência entre mais de uma opção. Há uma
conexão com a ‘mente’ do mineral, vegetal ou animal posto à frente do
magista, que permite avaliar suas propriedades no sentido oculto.
Essa ação de sentir as necessidades do momento também pode ser realizada
quanto ao paciente ou à situação para a qual a poção se destina, e no caso de
um paciente a anamnese no sentido médico também é de grande ajuda.
Visualizando-se a situação atual ou a situação desejada, é possível que o
magista obtenha informações ou intuição sobre quais ingredientes usar.
Veículos
É chamado de veículo o condutor da energia dos ingredientes, podendo este
exercer ou não funções na receita. Geralmente é usada água ou algum óleo
vegetal, mas há quem use fluidos corporais, óleo mineral e álcool, como no
caso das tinturas.
Água: o mais neutro dos veículos, pode ou não ter associações energéticas de
acordo com o local, forma ou data da colheita.
Água de Chuva: é considerada uma fonte neutra. Em dias de tempestade, a
água da chuva é usada para energizar e trazer força.
Água de Cachoeira: traz elementos de cura, força e prosperidade.
Água de Mar: imbui a poção com força, limpeza e movimento.
Água de Rio: traz aspectos de movimento, ação e recomeço.
Água de Nascentes: imbui a poção com fertilidade, crescimento e cura.
Assim como a fonte pode variar, a associação a divindades que habitam
certos locais (por exemplo, genii loci, os gênios dos locais) também pode
gerar influência sobre as propriedades energéticas do veículo. Este é caso,
por exemplo, de poções de amor e beleza feitas com água do mar, que é
associado a Afrodite.
Óleos: são aplicados quando se pretende usar poções para untar velas,
instrumentos ou mesmo a pele, e tem a vantagem de ser melhor absorvido, ao
contrário da água, que escorre e evapora com facilidade a depender das
circunstâncias. Os óleos são muitas vezes escolhidos de acordo com as
funções e correspondências de cada óleo.
Azeite de Oliva: o mais popular entre os óleos, é associado a Atena por ter
sido um presente da Deusa aos humanos. Seu uso é vasto, sendo usado para
diversos fins. Aplicado como base para óleos ritualísticos de consagração,
intuição, limpeza e prosperidade.
Óleo de Coco: é associado a limpeza e proteção.
Óleo de Abacate: considerado afrodisíaco, o abacate está associado ao amor
e à beleza.
Óleo de Milho: como a maioria dos grãos na antiguidade, é associado à
prosperidade, fartura e abundância.
Óleo de Uva: obtido a partir das sementes de uvas, tem caráter mais neutro e
seu aroma é menos proeminente, o que faz com que interfira menos com os
outros ingredientes que serão utilizados.
Óleo Mineral: considerado neutro, pode ser aplicado em diversas questões, e
é dispensado por muitos por não se tratar de um óleo natural.
Óleo de Infusão: se trata de um óleo na maioria das vezes vegetal em que
são infundidas ervas e plantas de diversos tipos. Suas propriedades variam de
acordo com a escolha dos ingredientes nele infundidos.
Álcool: usado no preparo de tinturas, extratos herbais concentrados feitos
com plantas desidratadas. Seus usos são diversos e podem ser tanto mágicos
como medicinais. Diz-se que o álcool preserva melhor as propriedades
magnéticas dos ingredientes, fazendo com que a efetividade das poções dure
por mais dias. Preferencialmente é utilizado álcool de cereais, conhaque ou
outra bebida alcoólica.
Resinas e ceras: resinas de árvores e ceras também podem ser usadas como
veículos, devendo ser aquecidas e misturadas já em estado líquido aos
ingredientes. Parafina de vela derivada de petróleo também pode ser
utilizada, mas produtos naturais como cera de abelhas são preferíveis.
Pós
De poeira a sal grosso e pó de pirita, os pós são muito usados na confecção
de amuletos, queimados, assoprados ao vento ou jogados ao chão com o
intuito de proteger algum local, proteger ou até mesmo amaldiçoar.

Quanto mais fino for o pó, mais facilmente é carregado pelo vento, sendo
mais comum o uso de pós finos quando se deseja assoprá-los, ou no caso de
um pó para banimento que deve ser jogado sobre seu alvo. Em contrapartida,
quanto mais granuloso e grosso for o pó, maior é o tempo em que permanece
inerte, sendo empregado em feitiços de proteção, maldições e qualquer outro
intento que dependa da energia dos ingredientes por um maior período de
tempo. Pós de proteção jogados ao redor de algum lugar devem ser
regularmente renovados para que a continuidade e nitidez do desenho se
mantenham, como no caso de um círculo mágico.
A granulosidade do pó pode variar em uma maior faixa quando este é feito
para queima, e neste caso ele pode ser misturado a carvão de narguilè,
conformado na forma de um cone, ou misturado a goma arábica e colado em
um palito de bambu, no formato de incenso.
Há quem use cinzas, cascas de ovos, pedras e cristais (com extrema cautela,
visto que a inalação de partículas minerais pode ser fatal para pessoas e
animais domésticos), poeira de lugares específicos, entre outros. No caso da
queima, deve-se verificar se não haverá a liberação de fumaça tóxica, como a
pirita, que emite enxofre, ou mesmo alguns tipos de carvão, que emitem alto
teor de monóxido de carbono.
Minerais
O uso de ingredientes minerais tem as mesmas bases de funcionamento da
cristaloterapia e da magnetização, assim como terapias baseadas em
frequências. Para cada ingrediente, pode ser entendido o caráter de sua
vibração, o que permite a escolha dos que são mais adequados a cada
intenção.
Um cristal deixado em água por algum tempo pode dar origem a um elixir ou
“água de cristal”, mas deve-se tomar cuidado com minerais que se dissolvem
ou geram substâncias nocivas em contato com a água. Além dos cristais
propriamente ditos, podem ser utilizados pós, terras, pigmentos, sais e metais.
Vegetais
Os principais ingredientes utilizados na Magia Natural são as ervas e as
madeiras, e seu estudo tem sido o foco de muitas gerações de bruxas e
herboristas. As substâncias contidas em cada vegetal foram mapeadas e
estudadas mais detalhadamente pela alquimia natural, que deu origem à
química orgânica, porém sua ação não fica restrita aos fenômenos químicos,
e nas poções podem ser aproveitados aspectos energéticos e espirituais.
Dentre os ingredientes utilizados, temos plantas inteiras, raízes, caules,
madeiras, flores, frutos, pólen e folhas. Neste campo também serão citados os
fungos, que, embora cientificamente façam parte de outro Reino (Fungi),
foram historicamente classificados de forma mais próxima aos vegetais,
devido a suas características morfológicas.
Animais
Diversos ingredientes de origem animal foram utilizados em práticas mágicas
ao longo da história. Desde a leitura divinatória em entranhas de animais até
o sacrifício ritualístico, o poder oculto de aves, mamíferos e outros bichos
pode ser aproveitado por meio das mais variadas técnicas — incluindo a
confecção de poções e garrafadas. A necromancia e a tanatomancia (práticas
mágicas usando materiais de cadáveres humanos ou animais) derivam seu
poder da conexão com o submundo trazida pelos ingredientes.
Além dos animais irracionais, ingredientes de origem humana também são
utilizados. No Vama Marg, por exemplo, as secreções vaginais de
sacerdotisas são associadas a práticas específicas, e feitiços com gotas de
sangue, unhas ou cabelos são citados em diversos grimórios, como o Livro de
São Cipriano. Na Alquimia medieval, o sêmen era utilizado para a prática de
criação de homúnculos, e um ingrediente retirado do corpo do Alquimista
poderia programar um Golem para que este obedecesse.
Dentre os ingredientes, podem ser citados insetos, leite, pelos, penas, ossos,
dentes, peles, secreções, menstruação, suor, saliva, urina e fezes. Os
ingredientes de origem animal geralmente buscam trazer para a poção os
poderes arquetípicos daquele animal, enquanto os de origem humana podem
prover energia vital e/ou criar um elo entre a poção e a pessoa doadora dos
fluidos ou partes.
Combinações
Os ingredientes dos três Reinos podem ser combinados entre si, e de fato
alguns deles possuem uma classificação mista. Alguns ingredientes baseiam-
se em vegetais digeridos ou manipulados por animais, (por exemplo o mel,
produzido pelas abelhas a partir de conjuntos diferentes de plantas), e a terra
com matéria orgânica pode ter propriedades diferentes dependendo do
mineral e dos vegetais e animais ali incluídos.
Planetas
Na literatura ocultista em geral, podem ser encontradas correlações entre
minerais, vegetais e animais e planetas, elementos e signos. Estas correlações
podem ser aproveitadas para se estabelecer o melhor momento para preparo
de uma poção, ou a forma de utilização da mesma.
Poções relacionadas a aspectos de Água podem ter base aquosa ou podem ser
despejadas em rios para seu uso. Já aquelas relacionadas a Fogo podem ser
aquecidas para ativação, ou mesmo utilizadas como incenso. No caso das
poções de Ar, podem ser pós jogados ao vento, e no campo da Terra podem
ser confeccionadas garrafas para serem enterradas.
A posição dos planetas no céu no momento do preparo ou da ativação de
cada poção pode aprimorar os resultados, portanto pode ser vantajoso fazer o
mapa astral dos dias pretendidos para esta atividade, e escolher-se o melhor
dia, definindo quais energias irão atuar para potencializar o intento. A
energização com a Lua também pode ser vantajosa, e escolhe-se uma fase
adequada a cada objetivo — lua crescente para aumentar aspectos, minguante
para diminui-los, lua nova para ocultação e lua cheia para materialização.
Preparo
Existem muitas formas de preparo, e a melhor forma depende da prática do
magista e dos ingredientes escolhidos. Seguem abaixo os métodos mais
comuns:
Maceração: aplicada quando se trabalha com ingredientes frescos. Juntam-se
os ingredientes desejados ao veículo e gentilmente pressiona-se tudo com um
pilão ou mesmo com as mãos até que os ingredientes pareçam difusos no
veículo. Pode-se ou não coar.
Infusão: empregada no trabalho com ingredientes secos, como cascas de
insetos, ervas desidratadas etc. Primeiro deve-se aquecer o veículo à
temperatura desejada (a temperatura varia de acordo com o veículo e os
ingredientes escolhidos) e então juntam-se os ingredientes. É comum que se
deixe a mistura em infusão até que esfrie ou amorne para depois ser coada
(ou não).
Mistura: sim, exatamente o que você está pensando, misturar tudo, só isso. É
um método comum para pós e poções que levam apenas líquidos ou óleos
essenciais.
Extração: a extração de compostos de uma mistura de ingredientes pode ser
feita por meio de um solvente, como álcool ou água (a frio ou a quente).
Neste caso, a mistura é macerada, filtrada, e posteriormente colocada para
evaporar, até que apenas os princípios extraídos sobrem no recipiente.
Também pode ser utilizado óleo, porém neste caso não haverá evaporação do
solvente, se aproximando muito de uma infusão.

Arraste a Vapor: os ingredientes são macerados e misturados com água, que


é levada à fervura, e o vapor é recolhido, trazendo consigo óleos essenciais e
outros compostos — que se separam após o resfriamento. A coleta do vapor
pode se dar em aparato próprio de condensação, ou usando uma panela com a
tampa invertida para a fervura, com uma tigela dentro da mesma, no centro,
onde pingará o vapor resfriado na tampa.
Magnetização: um método indireto e mais sutil para o preparo de poções é a
magnetização do veículo (preferencialmente água) na proximidade dos
ingredientes. Neste caso, é usado um frasco de vidro dentro de outro (um
contendo os ingredientes e outro contendo água) ou um frasco com água é
deixado à luz do Sol ou da Lua, simplesmente recebendo as vibrações.
Fermentação: algumas poções podem ser fermentadas, deixando-se que a
mistura descanse até o surgimento de bactérias ou leveduras, ou adicionando-
se o inóculo desejado para que isto ocorra. Desta forma, podem ser
preparados vinhos e cervejas (adicionando-se leveduras ou fermento de pão)
ou outras bebidas (por exemplo, kombucha), geralmente com algum teor de
álcool e/ou gaseificação.
Após a preparação física da poção, é usual se realizar um ritual de ativação,
pelo método escolhido pelo magista, para ativarem-se as funções do produto.
Esta ativação pode se dar de forma simples, como a transferência de energia
das mãos ou a exposição ao Sol ou à Lua por algum tempo, ou mais
complexa, utilizando-se de cerimonial e proferindo-se encantamentos.

Uso
As formas de uso das poções são infinitas e variam de acordo com o objetivo
e a vontade do magista. Podem ser usadas para desenhar símbolos, escrever,
gotejar sobre a pele no intuito de proteger, atrair alguma energia específica
ou causar ilusão, como no caso do glamoury ou glamour.
Poções à base de água na maioria das vezes são usadas na forma de banho,
sprays e bebidas de diversos tipos, ou administradas na forma de gotas. São
as mais comuns a serem lançadas sobre a terra, já que não atrapalham o
crescimento de plantas e a depender de sua composição não poluem o solo.
Já as poções à base de óleos têm as vantagens de serem melhor absorvidas
pela pele, não evaporarem tão facilmente e não atrapalharem a queima de
uma vela quando esta é untada para um fim específico. Boa parte delas é
usada em unções, e, como citado acima, sobre a pele, para carregar alguma
energia específica por mais tempo. Podem também ser usadas para consagrar
objetos ou em aromatizadores de ambientes.
As poções também podem ser deixadas dentro de recipientes e posicionadas
em locais específicos, como altares, ou então enterradas, carregadas junto ao
corpo, queimadas, jogadas ao mar, etc. Os recipientes podem ser garrafas
(como nas garrafas de bruxa), frascos, sacos de tecido (no caso das que são
secas), caixas de madeira, caldeirões, taças, entre outros.
2. Ingredientes do Reino Mineral
Os minerais são corpos sólidos cujas partes constituintes vibram em conjunto
em frequências específicas. No caso dos metais, os núcleos dos átomos ficam
imersos numa nuvem eletrônica condutora, segundo o modelo “mar de
elétrons”. Já no caso dos cristais, os átomos se organizam em uma forma
geométrica específica que varia de acordo com muitas variáveis. Já no caso
dos óxidos, os átomos de oxigênio são intercalados com os átomos de metais,
e a condutividade se reduz drasticamente, dando origem a estruturas com
menor organização espacial e geralmente opacas.
Nas práticas de cristalografia percebe-se que, em termos de frequências, os
minerais são corpos bem específicos e organizados. Absorvem e refletem
radiações eletromagnéticas muito específicas, e em alguns casos são capazes
de converter um espectro amplo de energia para uma faixa típica. Este é o
caso dos cristais utilizados em comunicação, por exemplo, que emitem
vibrações em uma faixa tão restrita que estas apenas podem ser captadas por
outro cristal sintonizado na mesma frequência.
Alquimia
Nas práticas de Alquimia, muitos são os relatos do uso de Sais, Óxidos,
Metais e Ametais, como Mercúrio e Enxofre, e esta ciência posteriormente se
tornou a Química Inorgânica que conhecemos hoje. Porém, num sentido
Alquímico, não só eram manipuladas substâncias físicas, como também seus
correspondentes mentais e espirituais.
O Enxofre e os ametais indicam a forma ativa, catalítica, geradora de
mudanças, da psiquê humana. Já o Mercúrio e os metais indicam aspectos
espirituais, mentais, elevados e passivos da consciência. Quando o homem
utiliza seu poder criativo, ativo, para manifestar no mundo um aspecto
mental, passivo, surge um Sal, Terra ou Óxido (Metal + Ametal).
Arquétipos dos minerais
De forma geral, os minerais são relacionados à estrutura, à organização e à
atemporalidade — ou à imobilidade por grandes períodos de tempo. Porém,
também são seres vivos no sentido mais amplo, uma vez que durante
milênios foram formados, reagiram e foram destruídos na crosta terrestre. Por
isso, seriam capazes de estocar informações por um longo período de
tempo(quando comparado ao tempo de uma encarnação humana), como no
caso dos chips de quartzo e discos rígidos em estado sólido, na computação,
ou das lápides e pedras mortuárias, que preservariam as características de um
espírito ligado a elas.

Em alguns casos, é possível entender o caráter da vibração de alguns


minérios pelas cores que são refletidas ou absorvidas. Isto porque um cristal
pode absorver vibrações típicas e mais os múltiplos destas. Ou seja, se um
cristal é verde, isto significa que absorve a cor vermelha (oposta), mas
também alguns múltiplos desta mesma vibração. Neste sentido, a cor é uma
aproximação viável para as frequências que são absorvidas e emitidas.
Mesmo no campo das energias sutis, a cor visível provê um método indireto
de entender o caráter do mineral. Muito provavelmente, minérios de mesma
cor possuem aplicações similares, e estão relacionados a aspectos
relacionados. Além das cores e suas associações aos Chakras, temos
associações planetárias descritas na literatura para alguns metais.
Sendo assim, um Mineral pode estar relacionado, em seu âmago, a um
Arquétipo, e este aspecto arquetípico pode ser utilizado em poções, pós,
incensos e outros métodos eletromagnéticos ou sutis.
Chakras e Cores
As cores dos cristais e outros minerais se relacionam com seus possíveis
usos, e esta conexão é feita por meio dos arquétipos que estão relacionados.
Sendo assim, como mencionado anteriormente, cristais com cores próximas
podem ter usos similares, que por sua vez se relacionam direta ou
indiretamente aos significados dos Chakras de mesma cor.
Muladhara Chakra: o Chakra raiz, base ou genésico, ligado à
sobrevivência, ao ímpeto e à coragem; possui tons avermelhados.
Swadhistana Chakra: o Chakra do baço ou esplênico, ligado à confiança, ao
destemor e ao medo; possui tons alaranjados.
Manipura Chakra: o Chakra umbilical, gástrico, estomacal, fica próximo ao
plexo solar e se relaciona à felicidade e aos sentimentos; possui tons
amarelados.
Anahata Chakra: o Chakra do coração, relacionado ao amor, aos
sentimentos para com as outras pessoas; possui tons verdes.
Visuddha Chakra: o Chakra laríngeo ou da garganta, relacionado à
comunicação e à fala; possui tons azulados mais para o azul claro.
Ajña Chakra: o Chakra frontal, terceiro olho, relacionado a viagens astrais,
vidência e visão; possui tom azul índigo ou lilás.
Sahashara Chakra: é o Chakra coronário, da coroa, a lótus ou assento da
alma, se relaciona a aspectos espirituais e ao recebimento de informações
diretamente do Cosmos; possui tom violeta ou branco/transparente.
Cristais
Geradores, amplificadores, condutores e receptores de energia, em suas
particularidades energéticas, os cristais contribuem energeticamente de
diversas formas no preparo de poções, podendo ser usados dentro ou não dos
preparos, seja por seu caráter solúvel, sensível, tóxico ou pela falta de
afinidade. Devem ser previamente preparados com uma purificação e uma
energização, usualmente seguidas da programação (a própria intenção já
pode desempenhar este trabalho, mas há quem opte por alguns procedimentos
ritualísticos).
Uma observação importante é a de que alguns cristais já possuem aspectos
próprios, e portanto devem ser programados e utilizados para finalidades
relacionadas a seus aspectos. No caso de cristais neutros e transparentes,
como o quartzo, a gama de usos e de programações possíveis se amplia.
Alguns dos cristais que podem ser utilizados são:
Água-Marinha: ligada ao Chrakra Laríngeo, ajuda na expressão verbal, traz
clareza e equilíbrio.
Ametista: ligada aos Chakras Frontal e Coronário, promove a mudança de
consciência do estado normal para a consciência alterada, pois acalma os
processos de pensamento mundano levando a mente à tranquilidade. Por sua
cor, é associada à energia do raio violeta, sendo usada em processos de
transmutação.
Citrino: ligado ao Chakra do Plexo Solar, auxilia no equilíbrio das emoções,
promove a alegria, remove medos e bloqueios, facilitando a percepção
psíquica e a clareza de pensamento.
Quartzo: associado a todos os Chakras, proporciona clareza, harmonia e
equilíbrio. A cor do quartzo pode indicar uma afinidade maior com os
Chakras correspondentes.
Quartzo Rosa: associado ao Chakra Cardíaco, é considerada a pedra do
amor incondicional, auxilia na melhora da autoestima, promove a união e
remove mágoas.
Cornalina: ligada ao Chakra Sexual, promove a coragem, a autoconfiança e
a determinação. Pode ser usada para trazer força, criatividade e vigor.
Obsidiana Negra: ligada ao Chakra Básico, amplifica emoções negativas
para que sejam melhor percebidas, sendo usadas para trabalho da sombra e
muitas vezes, maldições.
Ônix: associada ao Chakra Básico, atua principalmente no ancoramento,
ajudando a estar presente no próprio corpo. É conhecida como pedra de
proteção, atua no auto controle e ajuda a eliminar mágoas.
Pedra da Lua: associada ao Chakra Cardíaco, de energia feminina, ajuda no
equilíbrio das emoções e estimula a expressão de sentimentos.
Pedra do Sol: associada ao Chakra do Plexo Solar, de energia masculina,
dissipa medos, promove a vitalidade e a coragem, promove a abundância,
fertilidade e alegria.
Sodalita: associada ao Chakra Frontal, desperta a intuição, facilita a
absorção de conhecimentos e promove o pensamento lógico, acalma a mente
e alivia medos irracionais.
Turmalina Negra: associada ao Chakra Básico, é considerada uma poderosa
pedra de proteção e ancoramento.

Outros autores, como Hall, recomendam a associação dos cristais a signos,


regendo as pessoas nascidas em cada período do ano. Embora haja
sobreposições entre as pedras indicadas, e as associações dependam dos
aspectos que estão sendo observados, podem ser citados como exemplos:
Áries: rubi, diamante, ametista, cornalina, granada, magnetita, topázio.
Touro: esmeralda, topázio, azurita, cianita, safira, turmalina, quartzo rosa.
Gêmeos: turmalina, ágata, apatita, apofilita, ulexita, citrino, crisocola.
Câncer: pérola, âmbar, berilo, espinélio marrom, opala, rodonita, rubi.
Leão: olho-de-gato, olho-de-tigre, rubi, âmbar, ônix, calcita laranja.
Virgem: peridoto, amazonita, âmbar, topázio azul, cornalina, citrino,
granada, opala.
Libra: safira, opala, ametrina, jade, kunzita, lápis-lazúli, topázio.
Escorpião: topázio, malaquita, caroíta, dioptásio, esmeralda, granada.
Sagitário: turquesa, ametista, azurita, labradorita, espinélio, sodalita.
Capricórnio: azeviche, ônix, âmbar, fluorita, magnetita, galena.
Aquário: água-marinha, ametista, âmbar, angelita, atacamita, magnetita.
Peixes: pedra-da-lua, ametista, água-marinha, berilo, ágata rendada azul,
calcita, fluorita, turquesa.

Terras
Usadas para diversos fins, podem ser desde a terra de cemitério à de um belo
jardim. Muito usadas na prática do hoodoo, terras de lugares específicos
podem auxiliar em diferentes tipos de trabalho mágico, e os tipos mais
comuns são:
Terra de Formigueiro: na bruxaria tradicional, é utilizada para banir ou
afastar outras pessoas.
Terra de Cemitério: seus usos podem variar de acordo com a área. Diz-se
que para amaldiçoar, deve-se colher terra da sepultura de um assassino ou
bruxo. Há quem não veja diferença.
Terra de Pegada: usada como um elo entre o autor da pegada e o ato
mágico, pode ser usada para afetar o alvo de diversas formas.
Terra de Encruzilhada: usadas em magia de transformação e abertura de
caminhos. Acredita-se que encruzilhadas em forma de T ou Y são ligadas a
espíritos femininos (como Hécate e Pombagiras), enquanto as encruzilhadas
em forma de X são ligadas aos masculinos (como Hermes e Exus).
Terra de Floresta: geralmente empregada para cura, vitalidade e força.
Sais
Os sais estão relacionados à materialização ou à ancoragem, mas também à
neutralização de aspectos mentais e espirituais. Sendo assim, podem ser
utilizados para absorver energias do campo etérico ou “zerar” as energias de
um determinado local ou objeto. Neste sentido, o mais utilizado é o sal
marinho (sal grosso), mas também pode ser utilizado sal de cozinha.
Podem ser desenhados círculos mágicos com sal para isolar quem ou o que
está dentro do círculo, e também com a finalidade de ancorar, no local onde
será realizado o ritual, as energias que são evocadas pelo desenho e pelos
símbolos utilizados.
Metais
Os metais possuem associações com as inteligências dos planetas, e por este
motivo são representantes clássicos dos arquétipos planetários. Neste sentido,
podem ser utilizados para fazer armas mágicas, para gravar sigilos e selos
relacionados aos aspectos, mas também para carregar poções de forma direta
ou indireta. Na Goécia, por exemplo, os ranqueamentos dos daemons podem
ser relacionados a metais específicos, que por sua vez se relacionam com os
planetas ou astros regentes. Os principais são sete, que seguem:
Sol: representa aspectos de revelação das sombras, criatividade e poder,
sendo relacionado ao Ouro.
Lua: está ligada ao inconsciente, ao equilíbrio mental, e é relacionada à
prata.
Mercúrio: associado à comunicação, comércio e socialização entre pessoas,
e é relacionado ao mercúrio (metal líquido altamente tóxico), mas geralmente
substituído por ligas de baixa dureza ou alumínio.
Vênus: rege aspectos de amor e paixão, é relacionada ao cobre.
Marte: relacionado a guerras, disputas e ao campo profissional, pode ser
associado ao ferro.
Júpiter: rege relações de poder, assim como a boa fortuna e o controle sobre
a vida de forma geral; associado ao estanho.
Saturno: está ligado a finalizações e colheitas, assim como ao reinício e
novos ciclos; representado pelo chumbo.
Metais que tiverem sido usado em finalidades específicas também podem ser
recolhidos e utilizados para trazer ao rito mágico os arquétipos daquelas
finalidades. Assim, arame farpado, pregos de caixão e outros elementos são
utilizados em algumas práticas devido ao caráter de restrição ou finalização.
Óxidos
De forma similar, os óxidos de metais podem representar os aspectos
planetários, manifestos e ancorados ao reagirem com um ametal. Ferrugem,
zinabre e outros ingredientes óxidos podem ser utilizados para representar as
inteligências dos planetas, em sua forma materializada, mundana.
Fórmulas
Seguem apenas como exemplo algumas fórmulas que usam mais de um
ingrediente de origem Mineral, apresentadas em livros para diversas
finalidades. Neste artigo não são detalhadas as quantidades e as variedades
dos ingredientes apresentados, devendo-se consultar as obras originais para
maiores informações sobre o uso e o preparo de cada fórmula.
Orgones: os Orgones são objetos mágicos produzidos imobilizando-se
combinações de elementos dentro de uma matriz de polímero, como por
exemplo acrílico. São utilizadas camadas de areia colorida, molas de metais
diversos, cristais apontando para diversas direções, entre outros elementos.
Neste caso, os campos eletromagnéticos dos elementos utilizados se
complementam, e os Orgones podem energizar uma poção ao serem
direcionados para ela.
Garrafas de Bruxa: as garrafas de bruxa eram produzidas desde tempos
milenares em rituais xamânicos, mas ficaram mais conhecidas durante a
inquisição, por serem um método supostamente simples de se reconhecer
uma praticante de magia. São feitas colocando-se arame farpado, pregos (que
podem ser de caixão), limalhas de ferro e outros metais, entre outros
ingredientes, em um pote de vidro, muitas vezes com urina para potencializar
o feitiço. A poção que se forma dentro da garrafa não é ingerida, e seu efeito
ocorre à distância.
Cristais sobre sal grosso: quando um cristal precisa ser limpo para algum
uso terapêutico, ou após uso terapêutico e absorção de energias, este pode ser
colocado em um pote com sal grosso, retomando assim seu caráter inicial e
arquetípico.
Limpeza de cristais: cristais podem ser limpos por lavagem com água
salgada ou água corrente. Neste caso, deve ser observado se os cristais são
solúveis ou liberam substâncias em contato com a água. Neste caso, a
lavagem deve ocorrer de forma rápida, com secagem posterior.
Patuá para prosperidade: descrito por Cabot, consiste em colocar, em um
saquinho fechado, um cristal de quartzo junto a favas de cumaru, raiz de
hidraste, sal marinho e sementes de mostarda.
Perfume para atrair dinheiro: segundo Cabot, pode ser feito fervendo-se
uma joia de ouro ou prata junto a óleo de heliotrópio, óleo de urze, canela, sal
e trevo vermelho em uma panela com água.
Cristal para atrair amor: Cabot descreve que um cristal de quartzo
transparente, branco ou rosa pode ser banhado em água salgada, e
posteriormente carregado com a intenção de atrair pessoas, sendo envolto em
uma bolsa de cetim e levado atiracolo ou deixado sobre o altar.
Cristais para os 7 Chakras: Hall apresenta diversas opções de cristais que
podem ser utilizados nos 7 Chakras, além de 3 adicionais, para alinhamento
energético. Um conjunto que pode ser posicionado sobre os 7 Chakras é, na
ordem do Chakra Base até o da Coroa, jaspe vermelho, topázio, citrino,
quartzo verde, água-marinha, fluorita roxa, quartzo rosa.
Mistura para quebrar feitiços: segundo Cipriano, pode ser preparada
usando limalhas de ferro, agulhas, pregos e erva-de-santa-maria.
3. Ingredientes do Reino Vegetal
As propriedades farmacológicas de muitos vegetais já foram mapeadas pela
ciência exotérica, mas em sua maioria estas eram conhecidas por povos
antigos, em um arcabouço esotérico ou xamânico. Neste sentido, o erro e
acerto foram importantes para que se conhecessem as substâncias letais,
alucinógenas e curativas às quais temos acesso hoje. Algumas substâncias,
inclusive, podem ter propriedades curativas em uma concentração baixa,
porém serem letais em altas doses, e estes limites foram testados e levados
aos extremos por muitas gerações de pessoas em diversas culturas.

Muitos fungos (que, embora não sejam propriamente vegetais, serão


abordados neste artigo por similaridades morfológicas) possuem
propriedades alucinógenas e antibióticas, e, enquanto as primeiras são
tratadas como tabu na sociedade atual, as últimas são muito valorizadas e
pesquisadas pela comunidade científica.
Segundo algumas teorias, como a do “símio chapado”, de Terence McKenna,
a própria vida inteligente teria surgido a partir do consumo de cogumelos
alucinógenos — nesse caso, por símios. Além disso, no Egito Antigo já se
conheciam as propriedades curativas de alguns fungos que cresciam nos
excrementos de crocodilos do Nilo, e diversos unguentos se baseavam neste
ingrediente controverso. As bruxas, por sua vez, utilizavam amplamente as
propriedades analgésicas da casca do salgueiro, e provavelmente algumas
plantas alucinógenas eram aplicadas nas mucosas com o auxílio de vassouras,
dando a elas a impressão de estarem voando.
Arquétipos dos vegetais
No sentido esotérico, as plantas teriam uma certa “inteligência vegetal” capaz
de transmitir conhecimentos aos humanos, além de interferirem no corpo e na
mente. As plantas possuem arquétipos de crescimento e proliferação, e
também de transcendência, iniciando nos subterrâneos e no solo (onde a
inteligência Mineral impera) e indo até os céus, com copas de frondosas
árvores.
Gaia, a grande mãe Terra, tem entre seus símbolos a Flora em suas diversas
categorizações, e Hera, mãe e esposa fiel, é representada por vegetações. Em
diversas mitologias, plantas são criadas a partir de heróis e pessoas que
morrem ou precisam se proteger, e tais plantas guardam os aspectos
principais das pessoas transformadas. Na Psicanálise Junguiana, o Self tem
como um de seus símbolos a Árvore, estabelecendo uma conexão e uma
unidade entre o subconsciente e o consciente. Como pode ser interpretado da
obra de Nietzsche, o poder das árvores está justamente no fato de estas
conectarem os dois mundos, ctônio e celeste, e elas podem, por associação,
conferir esta habilidade aos humanos que as usarem.
“Por que te assustas? O que sucede à árvore sucede ao homem.
Quanto mais se quer erguer para o alto e para a luz, mais
vigorosamente enterra as suas raízes para baixo, para o
tenebroso e profundo, para o mal” — Nietzsche.
No caso dos fungos, estes possuem capacidade de se espalharem rapidamente
por superfícies e também pelo ar, e este arquétipo de “dispersão” se aplica
desde suas características físicas até seu efeito mental — por exemplo, no
caso dos enteógenos. Em termos esotéricos, a mente se dispersaria no Todo,
vagando pelo astral como ocorre com os próprios esporos, após seu consumo.

Sendo assim, os arquétipos gerais dos vários tipos de vegetais podem ser
utilizados para elaborar poções. Estes podem depender de sua categorização
(flores, folhas, árvores, fungos), mas também podem ser obtidos de outras
formas, por analogia, estudo de artigos científicos (verificando-se as
propriedades químicas e farmacológicas), ou em estado de gnose.
Ayurveda
O conhecimento Ayurvédico possui muitas indicações de alimentos para
determinados aspectos que se deseja atrair. No caso dos temperos e
folhagens, as associações podem ser utilizadas também para planejamento da
confecção de poções ou garrafadas, além de pratos comestíveis em si. A
alimentação Ayurvédica se baseia na leitura dos Doshas de uma pessoa,
avaliando-se quais aspectos estão mais ou menos pronunciados, e buscando-
se o equilíbrio.
Vata: este Dosha está relacionado ao Ar e ao Éter, regendo os movimentos
circulatórios e as movimentações que ocorrem no organismo humano. Na
psiquê humana, indica uma pessoa agitada e curiosa, mas que pode ter
questões de ansiedade. Entre os alimentos ricos em Vata, temos ervas
aromáticas e temperos, como alecrim, manjericão, azeite e chás florais.
Pitta: associado ao Fogo, tem como aspectos regidos a digestão e a
transformação — analisando de forma mais científica, a conversão dos
alimentos em proteínas complexas. Em termos de personalidade, indica uma
pessoa corajosa, um líder nato, mas que tende a se irritar facilmente.
Geralmente, alimentos ricos em Pitta possuem sabor ardente ou estimulante,
como guaraná, gengibre, pimentas e agrião.
Kapha: relacionado à Água e à Terra, tem como funções a lubrificação e a
estruturação, para que os nutrientes perpassem o organismo e sejam fixados
nos locais corretos. A psiquê de tais pessoas é carinhosa e acolhedora, mas
pode haver emotividade excessiva. Entre os alimentos relacionados a Kapha,
podem ser citados legumes e folhas suculentos, como alface e chuchu, e que
crescem sob a terra, como cenoura e batata.
A personalidade de uma pessoa pode ter maior influência de dois Doshas,
porém é interessante que os níveis do terceiro não se mantenham muito
baixos, visando o equilíbrio pessoal e a tranquilidade mental. Neste sentido,
existem questionários e consultas específicas de diagnóstico.
O Livro das Sombras
Em seu Livro das Sombras, Scott Cunningham descreve suas pesquisas
acerca do paganismo Europeu reinterpretado e adaptado sob uma roupagem
Norte-Americana. São descritos vegetais associados a cada elemento, por
exemplo:
Terra: rege poções para negócios, dinheiro, fertilidade e saúde. Entre as
ervas, podem ser citadas patchouli, salsa, cravo,estoraque, aveia, cipreste,
cedro, samambaia, arroz, confrei, aspérula, mandrágora, carvalho, valeriana,
betônia, marroio-branco, erva-do-diabo, pinho, prímula, noz, hera, cevada,
trigo, milho.

Ar: rege poções para movimentação, viagens, conhecimento, estudos.


Entre as ervas, podem ser citadas hortelã, visco, lavanda, nogueira, cereja,
faia negra, resina de aroeira, benjoim, eufrásia, rosa, gatária, menta, bálsamo
de limão, flor de laranja, artemísia,sândalo, selo-de-salomão, anis estrelado,
absinto, milefólio.
Fogo: rege as poções para energia, poder, paixão, criatividade. Dentre as
ervas, citam-se sândalo vermelho, açafrão, mostarda, alho, pimenta, urtiga,
cardo, arruda, olíbano, gerânio vermelho, papoula vermelha, baunilha,
mandrágora, azevinho, canela, cássia, endro, anêmona vermelha, heliotrópio,
artemísia, manjericão, louro, celidônia, coentro, cactos, cravo-da-índia,
hibisco, girassol, calêndula, verbasco, murta, noz-moscada, cebola, mirta,
tomilho, verbena, violeta, orégano, tabaco.
Água: rege as poções no campo emocional, felicidade, maternidade. As
ervas incluem uvas, jasmim, laminaria, algas marinhas, papoula, laranja,
agrião, raiz de lírio florentino, alface, lótus, meimendro, camomila, beladona,
salgueiro, melão, cânfora, pepino, beterraba, cânhamo, limão, lúpulo,
tamareira.
Também são descritas algumas ervas associadas a planetas, e neste caso as
características de cada planta podem indicar o planeta associado.
Sol: aspectos de saúde, proteção e questões jurídicas; além de reger todas
as resinas, tem associação com ervas de cor dourada ou com pétalas amarelas
ou laranjas.
Lua: sono, sonhos proféticos, fertilidade, paz; associada a ervas de
natureza fria, com folhas macias e suculentas, noturnas, e as com formato de
lua crescente.
Mercúrio: poderes mentais, divinação, sabedoria; rege descamações,
cascas que se soltam ou podas de madeira e frutos, além de plantas com
natureza fina e aérea.
Vênus: amor, amizade, beleza; está associado a flores doces e com aroma
agradável, além de folhas e frutos com toques de vermelho.
Marte: coragem, força, virilidade; associado a ervas com espinhos, além
das que vivem em locais secos e as que possuem propriedades estimulantes.
Júpiter: dinheiro, prosperidade, sorte; rege os frutos odoríferos, e ervas
com frequência e padrões do número 4; flores roxas ou violetas também
estão incluídas.
Saturno: visões, longevidade, finalizações; associado às raízes, e também
flores e folhas desbotadas, com odor e sabor desagradáveis. Também rege
plantas negras ou escuras.
A seguir, serão exemplificados alguns tipos de ingredientes de origem
vegetal que podem ser utilizados, bem como seus significados.
Raízes
As raízes possuem os aspectos mais profundos das plantas, agindo no
inconsciente, e algumas raízes específicas possuem significados mais
complexos e arquetípicos do que outras.
Valeriana: a raiz de valeriana é utilizada para aprimorar o sono, além de
questões de depressão e ansiedade; facilita a meditação e as práticas
esotéricas.
Mandrágora: envolta em lendas desde os tempos medievais, as raízes de
mandrágora teriam efeitos relacionados tanto a aspectos afrodisíacos quanto à
morte e ao torpor.
Gengibre: associado ao calor, à alegria, ao sucesso, ao dinheiro e à
prosperidade; tem propriedades estimulantes, e pode ser usado contra tristeza
e prostração.

Alho: embora não seja uma raiz propriamente dita, desde as mais antigas
histórias sobre vampiros suas propriedades de espantar más energias são
conhecidas. Queimar cascas de alho ou usar este ingrediente em suas poções
pode auxiliar no banimento e na purificação de um ambiente.
Raízes de orquídea: carregá-las em um saquinho junto ao corpo ajuda a
atrair o amor.
Aletris farinosa (raiz-de-unicórnio): quebra feitiços e afasta o mal.
Alkanet: sua raiz produz uma tintura vermelha que afasta o mal e atrai
prosperidade.
Madeiras
Na Magia Cerimonial, o bastão de madeira (ou varinha mágica) é utilizado
para direcionar a intenção do magista. Neste sentido, cada madeira seria
indicada para um tipo de intenção, e estas propriedades também poderiam ser
aproveitadas ao se utilizar sua madeira, em lascas ou triturada.
No oráculo celta Ogham, cada glifo tem relação com uma árvore, e
significados próprios que podem ser utilizados tanto na leitura do oráculo
quanto no estudo dos aspectos daquela árvore. Estes aspectos são:
Bétula: proteção, regeneração, renascimento.
Sorveira: intuição, ancoragem, julgamento.
Amieiro: mediação, sabedoria, ancestralidade.
Salgueiro: descanso, sonhos, estado de torpor (como os efeitos analgésicos
do ácido salicílico, extraído de sua casca).
Freixo: causa e consequência, conexão, harmonia.
Pilriteiro: ilusões, força interna, auto-defesa.
Carvalho: oportunidade, imprevistos positivos, sorte.
Azevinho: unidade, família, clã, lar.
Aveleira: criatividade, conhecimento, inspiração.
Macieira: amor, decisões, escolhas.
Amoreira: profecia, divinação, autoconhecimento.
Visco: grandeza, evolução, crescimento.
Zimbro: cura, (re)organização, iniciativa.
Espinheiro: obstáculos, imprevistos negativos, quebras.
Sabugueiro: finalizações, maturidade, transição.
Pinheiro: visão ampla, auxílio a outros, planejamento do futuro.
Junco: perseverança, esperança, adaptação.
Álamo: relaxamento, generosidade, unidade entre corpo e espírito.
Urza: desafios, superação, flexibilidade.
Teixo: ciclos, nova vida, mudança.
Olmo: purificação, reavaliação, desprendimento.
Madressilva: vontade, livre-arbítrio, crenças.
Cerejeira: percepção, racionalidade, clareza.
Evônimo: honra, amizade, comunidade.
Faia: espiritualidade, liberdade, ética.

Resinas
As resinas estão relacionadas de forma geral a aspectos solares, mas podem
também ser entendidas como a secreção intrínseca de uma árvore, contendo
suas propriedades purificadas e concentradas, levadas a seu máximo.
Resina de Aroeira: segundo Cunningham, pode ser usada para consolidar
diversos pós na forma de um incenso (mais especificamente, um incenso
elemental do Ar), trazendo aspectos de pensamento e raciocínio.
Âmbar: formado pela ação do tempo sobre uma resina vegetal, pode ter
inclusões de insetos e outros elementos, e geralmente é tratado como um
cristal. Este ingrediente fóssil pode ser usado para proteger a saúde e
despertar a Kundalini, a serpente energética que sobe pela espinha,
despertando os chakras.
Folhas
As folhas possuem as características básicas das plantas, servindo para
converter energia luminosa, CO2 e água em diversas substâncias que dão seu
caráter específico. Ali se encontra a maioria das substâncias sintetizadas, em
sua forma inicial e mais simples. Devido à sua função fisiológica, também
são relacionadas de forma geral à energia e ao vigor.
Acácia: um raminho entremeado nas roupas, sobre a cabeceira da cama ou
usado em poções ajuda a afastar o mal e estimula os poderes psíquicos.
Língua-de-serpente (Erythronium): cura de ferimentos.
Alfalfa: afasta a pobreza e a fome, atrai dinheiro e prosperidade.
Artemísia: sonhos lúcidos, viagens astrais e divinação.
Pereira: as folhas da pereira atraem sucesso em projetos empresariais.
Babosa: serve para tornar os preparados mais espessos, e também adiciona
aspectos de sorte e proteção. Em uma abordagem mais exotérica, protege
contra queimaduras.
Malva: proteção e estimulação dos poderes psíquicos.
Amaranto: usado em rituais no México, suas folhas podem ser usadas para
proteção e feitiços de “corpo fechado”, além de promover cura.
Flores
As flores representam os aspectos externos dos vegetais; são um meio de
dispersar suas diversas qualidades no ambiente, e portanto podem ser usadas,
de forma geral, em feitiços que incentivem um certo aspecto em um cômodo
ou ao redor de uma casa. Também se relacionam à atração de polinizadores, e
à reprodução das plantas, logo servem para feitiços de glamour e atração.

Violeta: promove a espiritualidade e as faculdades psíquicas no ambiente.


Agrimônia: reverte feitiços e devolve-os a quem lançou.
Jacinto: relacionada ao amor entre dois homens, principalmente o Jacinto
Vermelho, devido à lenda de Zéfiro e Apolo.
Helleborus: letal em grandes quantidades, porém promove cura em baixas
dosagens; está relacionada ao Daemon Marbas.
Trombeta: relacionada a viagens astrais e sonhos lúcidos.
Alyssum: serve para magias de glamour e acalma os nervos.
Amaranto: suas flores podem ser utilizadas para evocar os mortos.
Frutos
Os frutos (e as frutas, inflorescências, infrutescências, etc) representam a
capacidade das plantas atraírem os animais, comunicarem a eles suas
qualidades e realizarem trocas, doando energia em troca da movimentação
das sementes para espalhamento de sua carga genética. Assim, estão
relacionados, de forma geral, aos aspectos vegetais já convertidos em uma
forma de fácil assimilação, possibilitando aos humanos e outros animais que
se nutram mais facilmente com aqueles aspectos.
Pimenta: atrai dinheiro e sorte, além de promover a saúde física.
Romã: atrai prosperidade (como na simpatia dos Reis Magos), mas também
está relacionado a viagens ao submundo (como na lenda de Perséfone).
Maçã: relacionada ao amor e à longevidade. Em casos específicos, pode
estar relacionada a escolhas e à discórdia.
Pera: previne contra os danos da bebida, intoxicação e febre.
Cereja Indiana (Cordia Dichotoma): aumenta o sucesso de evocações e
plasma energias sutis na forma física ou astral.
Guaraná: segundo a lenda indígena brasileira, foi criada a partir dos olhos
de um índio; promove a coragem e a bravura de Tupã, a proteção contra o
obscuro Jurupari, e a fertilidade das mães que anseiam por engravidar.
Sementes
As sementes são especificamente relacionadas ao submundo, uma vez que
precisam enfrentar uma jornada escatológica antes de germinarem e
reencontrarem a luz. Podem fazer nascer na psiquê uma nova qualidade,
sendo usadas para estimular estados mentais específicos.
Papoula: as sementes de papoula são usadas para a produção do ópio, da
heroína e da morfina; estão relacionadas ao estado de torpor típico dessas
substâncias, e a sonhos despertos.
Cânhamo: além das flores, as sementes de cânhamo podem ser utilizadas
para facilitar a gnose ou a escrita de textos — associação com a deusa Egípcia
Seshat, por exemplo.
Mostarda: estimulação física e vigor.
Enteógenos
“Enteógeno (grego enthéos, inspirado por deus, possuído +
geno): que tem efeitos alteradores da consciência e da
percepção” - Dicionário Priberam.
Enteógenos são ingredientes ou substâncias que possuem efeitos alteradores
de consciência, e a origem de seu nome vem da capacidade de tornarem um
sacerdote ou xamã “possuído por um deus”, ou imbuído das qualidades
daquele deus. Neste sentido, a maioria dos enteógenos é utilizada de forma
ritualística, e não deve ser administrada sem conhecimentos avançados, para
que ocorra o direcionamento correto do transe aos devidos fins. Diversos
fungos podem ser utilizados, e ainda há outros vegetais que são fermentados
natural ou artificialmente, dando origem às substâncias de interesse.

Rapé: o rapé é composto geralmente de cinzas de ervas queimadas e pó de


tabaco. É soprado (e não inalado, como muitos pensam), podendo clarear o
fluxo de percepção, limpar e harmonizar o estado mental selecionando
durante a cerimônia.
Ayahuasca: administrada em rituais da vertente do Santo Daime (ou outros
rituais), é uma bebida preparada a partir do cipó Jagube. Há indícios
científicos de que possa diminuir o risco de surtos de transtorno bipolar,
esquizofrenia, depressão, entre outras questões psiquiátricas
Jurema: é uma planta do nordeste brasileiro com propriedades psicoativas.
Devido à Nigerina, composto similar ao DMT, induz um estado de torpor que
pode ser utilizado para fins ritualísticos.
DMT: encontrado em diversos grupos de plantas (Acacia, Mimosa,
Anadenanthera, Chrysanthemum, Psychotria, Desmanthus, Pilocarpus,
Virola, Prestonia, Diplopterys, Arundo, Phalaris) e mesmo em alguns sapos,
induz estados alterados de consciência, próximos aos de sonho.
LSD: o ácido lisérgico, produzido por fungos que habitam grãos como o
centeio, é capaz de induzir um estado de percepção alterada que se assemelha
à esquizofrenia. Assim como o DMT, pode ser usado para alcançar a
quimiognose.
Fórmulas
Seguem apenas como exemplo algumas fórmulas que usam mais de um
ingrediente de origem Vegetal, apresentadas em livros para diversas
finalidades. Neste artigo não são detalhadas as quantidades e as variedades
dos ingredientes apresentados, devendo-se consultar as obras originais para
maiores informações sobre o uso e o preparo de cada fórmula.
Óleo para Riqueza: descrito por Cabot, pode ser feito usando sementes de
mostarda, visco, açafrão, trevo, óleo de laranja, óleo de sândalo, óleo de
jasmim, mirra e olíbano.
Óleo para Amor: segundo Cabot, pode ser feito usando patchouli, hibisco,
milefólio, flor de maracujá, folhas de morango, damiana, agripalma, papoula,
orquídeas, ligústica, óleo de rosas, óleo de morango, óleo de jacinto, óleo de
patchouli, e lírios.
Óleo para Atração: descrito por Cabot, pode ser feito usando óleo de
patchouli, óleo de benjoim, óleo de lótus, óleo de heliotrópio, lírio florentino
e azeite de oliva. Pode ser adicionado a perfumes comerciais.
Poção para Atração: também descrito por Cabot, pode ser feito fervendo-se
a fogo lento três dos seguintes ingredientes — maçã, cravo-da-índia, canela,
pó de raiz de ligústica, flores de milefólio, óleo de morango, óleo de
patchouli ou almíscar. Pode ser misturada a um perfume ou gotejada pela
casa. Os vapores da fervura também se dispersam pelo ambiente.
Óleo do Sabbat: segundo Scott Cunningham, o óleo a ser usado para untar o
corpo no Sabbat pode ser preparado de 4 formas — verbena, trevo e salsa;
manjericão, trevo, choupo e açoro; azeite, almíscar e canela; ou patchouli,
almíscar e cravo.
Óleo de Vênus: também segundo Cunningham, o Óleo de Vênus (apenas
para mulheres) pode ser preparado usando jasmim, rosa, ylang-ylang,
gardênia, violeta, lavanda, almíscar, e uma gota de suor ou sangue do
usuário.
Óleo do Sátiro: ainda segundo Cunningham, o Óleo do Sátiro (apenas para
homens) pode ser preparado usando almíscar, patchouli, algália, âmbar cinza,
canela, pimenta, cravo, e uma gota de suor, sangue ou sêmen do usuário.
Banho Ritualístico: Cunningham cita um banho ritualístico que pode ser
feito usando verbena, hortelã, manjericão, tomilho, funcho, lavanda, alecrim,
orégano e valeriana.
Composto Planetário: segundo Cunningham, este incenso pode ser
produzido usando um elemento referente a cada planeta, sendo eles - olíbano,
lírio florentino, lavanda, pétalas de rosa, sangue-de-dragão, trevo e selo-de-
salomão.
Incenso Qliphótico: utilizado para conexão com energias Qliphóticas,
conforme descrito por Karlsson. Composto de Trombeta, Meimendro, Óleo
de Cártamo, Absinto, Artemísia, Acônito.
Óleo de Abramelin: descrito na Bíblia (Êxodo, 30:22) e utilizado para
contato com forças divinas, pode ser feito com Bálsamo, Mirra, Canela,
Cânhamo, Cássia, Azeite de Oliva.
Incenso de Abramelin: descrito na Bíblia (Êxodo, 30:34) e utilizado para
contato com forças divinas, é composto por Estoraque, Craveiro, Gálbano e
Sal.
Óleos para voar: segundo Cipriano, podem ser passados no corpo, e são
preparados de três formas — óleo, salva, acônito, choupo e cinzas; óleo, salsa-
brava, cânhamo, quinquefólio e beladona; ou óleo, cicuta, meimendro e
potentilha.
Condensador Fluídico Vegetal: segundo Bardon, pode ser preparado um
composto que condensa fluidos astrais para a realização de rituais de
visualização ou materialização, e que consiste em uma mistura de angélica,
sálvia, tília, cascas de pepino ou sementes de abóbora, acácia, camomila,
açucena, canela, urtiga, menta, choupo, violeta ou amor-perfeito, salgueiro e
tabaco.
Álcool para dores: a avó do autor do presente texto prepara um elixir de uso
tópico que alivia dores colocando, em uma garrafa de álcool, um maço de
arruda, um maço de coentro e uma porção de cânfora, e deixando a mistura
em infusão por uma semana.
4. Ingredientes do Reino Animal
O ser-humano é resultado de mutações acumuladas ao longo de diversas
espécies, desde os primeiros organismos unicelulares até o ancestral
mamífero comum, passando pelos peixes que “desenvolveram” a capacidade
de andar e olhar fora d’água. Estas mutações deixaram rastros indeléveis nas
diversas camadas do cérebro humano, que se desenvolveu de forma
cumulativa (o tronco cerebral, não por acaso, é chamado de cérebro
reptiliano). No desenvolvimento do feto humano, as fases observadas
também lembram a morfologia dos animais que são nossos ancestrais.

Na Bíblia, também há uma análise interessante feita por alguns autores a este
respeito. No primeiro capítulo do Gênesis (Gênesis 1:24–26), Deus cria
primeiramente os animais, e em seguida Adão. Já no segundo capítulo
(Gênesis 2:7–20), Deus cria primeiramente Adão, e em seguida os animais.
Esta aparente contradição pode ser conciliada considerando-se Adão como o
resultado último da evolução, e simultaneamente como o Homem Cósmico,
sendo portanto a manifestação do Universo que pensa sobre si mesmo.
Assim, o Homem contém dentro de si todos os animais, e também a
consciência una que iniciou a Evolução, antes do surgimento de todos eles.
Segundo Kenneth Grant, em “Aleister Crowley e o Deus Oculto”:
“O subconsciente pode ser considerado como uma série de
camadas que contêm faculdades e poderes que se estendem
indefinidamente. Cada fase da evolução, da aquática à humana, é
caracterizada por vários poderes, e conforme novos se
desenvolvem, outros tornam-se obsoletos e ficam para trás. Eles
ficam latentes, podendo ser novamente despertos por meios
mágicos”.
No sentido oculto e espiritual, portanto, seria possível resgatar as capacidades
dos animais, todas dormentes no cerne humano. Mesmo animais que não
tenham feito parte do tronco evolutivo do homem poderiam ser acessados,
uma vez que os blocos da criação são os mesmos. Este acesso, porém,
poderia ocorrer de forma arquetípica, e não necessariamente física. O vôo
ocorreria de forma metafórica, pelo desprendimento do corpo astral em
relação ao corpo físico, por exemplo, enquanto a troca de pele de uma cobra
poderia ser mimetizada pela mudança na personalidade do adepto.
De fato, muitas vertentes mágicas antigas conheciam mecanismos para
suscitar os atavismos animais em suas práticas. As peles de certos animais,
bem como máscaras, eram utilizadas para assumir-se a forma daquele animal,
com suas principais características. Escribas egípcios utilizavam vestes de
leopardo buscando sua sagacidade, e os Deuses representados com cabeças
de animais tinham os atributos dos mesmos, enquanto seus sacerdotes
podiam usar elementos que remetessem àquele animal. Sendo assim,
ingredientes retirados dos animais seriam suficientes para imbuir uma poção
com o arquétipo do animal, após sua ativação.
Arquétipos dos animais
Em diversas lendas, mitos e fábulas podemos ter acesso aos arquétipos que
existem por trás de cada animal, exista ele no mundo real ou não (como
dragões e unicórnios). Neste sentido, cada arquétipo que corresponde a um
animal pode também corresponder a um conteúdo mental e/ou espiritual, e
obter acesso a estes conteúdos é o objetivo principal de se utilizar uma poção
com algum ingrediente de origem animal.
Animais que vivem nas sombras podem prover o poder de passar
despercebido pelas pessoas, enquanto animais voadores têm ligação com as
viagens astrais e visão do mundo por uma perspectiva superior. Aqueles que
têm capacidade de se adaptar a ambientes e temperaturas promovem a
adaptabilidade do magista, e os que trocam de pele, além da capacidade de
adaptação, podem prover renovação e reinício de ciclos. Animais
peçonhentos favorecem ataques, mas também protegem o magista contra
algo que queira atacá-lo. No caso dos animais mitológicos, o arquétipo pode
ser acessado por meio de ingredientes que se relacionem a uma de suas
partes, e com a intenção adequada no momento da ativação (ex: cobra para
dragões, cavalo para unicórnios).
O Livro de São Cipriano
Segundo o folclore espanhol, São Cipriano teria sido um feiticeiro que viveu
nas proximidades de Salamanca, onde estudou e desenvolveu seus trabalhos
em Magia, e onde teria guardado 20 grimórios, contendo receitas mágicas
para os mais diversos fins. O feiticeiro teria obtido todo seu conhecimento
diretamente do Demônio, que proferia aulas a ele e mais 6 discípulos em uma
caverna. Posteriormente, ao tentar realizar seus feitiços sob uma cruz cristã,
sem obter resultado, teria percebido que o poder de Deus era superior ao do
Demônio, e se convertido ao cristianismo.
De fato, vários Santos tiveram este mesmo nome, e Cipriano denota tão
somente alguém natural do Chipre, porém hoje temos acesso a diversos
grimórios ditos “Livros de São Cipriano”. As fórmulas descritas nos Livros
utilizam, muitas vezes, elementos animais em sua composição,
principalmente aqueles ligados à magia e à feitiçaria (gato preto, morcego,
sapo, bode).
O fato de a maioria dos feitiços incluir elementos que incitam nojo e asco na
maioria das pessoas pode estar ligado ao arquétipo da divinização do que é
desprezível, e sua própria efetividade pode se dar pela excitação do
inconsciente causada pelas técnicas e métodos bizarros e muitas das vezes
controversos. Outra hipótese é a de que estes grimórios tenham sido forjados
pela própria Igreja com o propósito de difamar os praticantes de Magia
Natural, incentivando o ódio a estas práticas. De qualquer forma, a egrégora
já acumulada em torno dos Livros e das práticas ali descritas aumenta sua
efetividade, e as fórmulas apresentam consistência no sentido arquetípico de
cada ingrediente utilizado.
O Vama Marg
O Vama Marg é tido como uma vertente “de mão esquerda” do Tantra
Oriental. Segundo Grant, alguns dos rituais envolviam o uso de secreções
vaginais e suor das sacerdotisas, além de sangue, urina e fezes, ativados por
meio de práticas específicas. O corpo humano serviria, então, como um
reator mágico, onde água e alimentos eram convertidos em ingredientes
altamente carregados de energia sutil, numa frequência muito específica que
era sintonizada por meio da mente.
A menstruação, por exemplo, seria utilizada nestas práticas como um meio de
concentrar e ancorar desejos. A sacerdotisa se concentraria no objetivo que
fosse definido, e após ser recolhido, o sangue poderia ser enterrado, bebido,
ou utilizado para imbuir objetos e locais com as intenções que foram
escolhidas.
A seguir, serão exemplificados alguns tipos de ingredientes de origem animal
que podem ser utilizados, bem como seus significados.
Insetos
Os insetos são os animais de mais fácil uso em poções, mas de forma geral
estas tornam-se impróprias para consumo. São geralmente relacionados a
aspectos que se espalham e proliferam, podendo também indicar comunidade
e trabalho conjunto. Outro aspecto geralmente relacionado é o de estratégia,
com realização de tarefas de forma precisa e elaborada.
Cigarra: associada a recomeços, mas também a uma vida de
desprendimento, com base na fábula onde era artista e poeta.
Lacraia: contra-ataque, imobilidade e paralisação.
Mosca: as moscas são tidas em alguns livros como as espiãs de Belzebu (que
seria o Senhor das Moscas). Estão associadas à putrefação e regeneração, e
também a vidência e onisciência.
Mariposa: aspecto lunar, noite, inconsciente.
Borboleta: associada a metamorfoses, reinícios e adaptação a novas
situações, bem como liberdade e leveza.
Abelha: associada a aspectos solares e alegria, principalmente devido ao
mel, e à defesa do clã, principalmente como líder de um grupo.
Mel: o mel produzido pelas abelhas é visto em diversas culturas como elixir
da longevidade, trazendo saúde, mas também está relacionado à poesia
(devido à bebida hidromel, famosa na mitologia Nórdica).
Cera: a cera de abelha pode ser utilizada em velas, mas também em tábuas
de divinação (como no caso das tábuas Enoquianas), estando relacionada a
cerimônias para contato com o divino.
Anfíbios
De forma geral, os anfíbios são relacionados à adaptação, uma vez que vivem
em ambientes terrestres e aquáticos, e podem sobreviver em uma alta gama
de temperaturas. Porém, algumas espécies possuem aspectos adicionais que
estão relacionados às suas características próprias.
Rãs: fertilidade, aspecto materno, nutrição, cura. Adaptabilidade a
ambientes, temperaturas e situações. Eram um dos principais familiares de
bruxas na antiguidade.
Sapos: associados à terra, alguns sapos produzem substâncias alucinógenas
(que eram usadas ritualisticamente) ou venenos (esfregados na ponta de
flechas), indicando assim potencial de acesso a outras dimensões, ou de
ataque.
Salamandras: são anfíbios relacionados ao fogo, aos aspectos de paixão e
criatividade, mas também iniciativa e poder.
Répteis
Os répteis estão associados à mente humana instintiva, a conhecimentos
profundos e ao início do mundo como o conhecemos. Geralmente evocam
aspectos primordiais, tanto do Cosmos quanto da mente. Na mitologia, os
dragões são a alegoria mais comum que possui relação com esta classe.
Lagarto: os lagartos em geral estão relacionados aos dragões, e portanto
indicam instintos profundos e sabedoria telúrica primordial — como nas
lendas de Tiamat e/ou Tifão e seus inúmeros filhos.
Crocodilo: finalização de aspectos em todos os reinos — físico, mental e
espiritual. São relacionados ao início e ao final dos tempos, e também ao
controle de sua passagem, tornando situações demoradas ou rápidas.
Cobra: está ligada à sedução, à sexualidade e a estratégias bem elaboradas,
mas também a conhecimentos profundos. Faz a conexão do submundo com a
terra, e sua troca de pele traz o aspecto de renovação.
Tartaruga: as tartarugas são tidas em diversas culturas como exemplos de
longevidade, resistência e suporte. Ensinam aspectos primordiais do Cosmos
para os humanos, bem como de isolamento para meditação.
Peixes e Mamíferos Aquáticos
O mar é entendido de forma arquetípica como o inconsciente, e por isso a
maioria dos animais aquáticos está relacionada a jornadas por esta camada da
psiquê. Dentre os ingredientes mais comuns podem ser citadas escamas,
guelras e barbatanas, mas também óleos (como o óleo de baleia, usado para
iluminação até o início do século passado).
Peixe: os Peixes podem ser relacionados à jornada pelo inconsciente, pelo
mar primordial, e também à fertilidade. A vesica pisces, na geometria
sagrada, é a forma que dá origem a todas as outras, e tem correlação com a
yoni ou a boca de Rá.
Baleia: a baleia tem significados importantes na Bíblia, na história de Jonas e
também sendo associada ao Leviatã. Representa os poderes primordiais da
água, em uma perspectiva profunda e poderosa.
Golfinho: os golfinhos possuem significado pouco difundido, porém existem
divindades associadas a eles, como o Delphinus grego, que convenceu
Amphitrite a se relacionar com Poseidon e assim se tornou uma constelação.
Está relacionado à atração afetiva e sexual (papéis também observados nas
lendas brasileiras do Boto).

Pássaros
Os pássaros estão ligados à movimentação, a viagens, mas também a
projeções astrais e à alma humana, em práticas xamânicas. Os diferentes
tipos de pássaros, devido a seus hábitos, habitats e mitologias, podem ser
utilizados para diferentes fins. Dentre os ingredientes mais usados para atrair
o poder dos pássaros, podem ser citadas as penas, os ossos (também
utilizados em oráculos), os ovos, e em alguns casos os ninhos.
Andorinha: é uma ave migratória, mas não costuma ser avistada em locais
muito distantes da terra firme. Por isso, seu avistamento era tido pelos
navegantes como indicação da proximidade do continente. Significa o
retorno ao lar, ou então a migração para um novo lar.
Pó de Andorinha: um ingrediente muito comum de ser encontrado em lojas
especializadas, é feito a partir do ninho da ave, e serve para expulsar pessoas
ou proteger o lar.
Corvo: relacionado à proteção e à busca de tesouros, como observado pelos
hábitos do animal e pelas entidades associadas, como o Daemon Malphas.
Coruja: representa o conhecimento e a sabedoria, estando relacionada a
Minerva/Athena e Lakshmi.
Falcão: associado pelos egípcios ao sol e a seus ciclos. Atrai aspectos de
atividade, poder e iniciativa.
Pavão: associado à beleza e ao plano astral, onisciente e vidente devido aos
olhos de sua cauda.
Pombo: como no caso da pomba que avisa a Noé que o dilúvio terminou,
este animal indica aliança e paz. Também está relacionado à fidelidade, como
observado pela deusa romana Fides.
Mamíferos
Os ingredientes mais utilizados de mamíferos são os pelos e as unhas, por sua
facilidade de obtenção sem prejuízo ao bem estar do animal. Dentes também
podem ser utilizados, no caso de queda natural de animais pequenos, e outros
elementos como peles e ossos podem ser recolhidos de animais mortos, assim
como fezes e urina.
Gato: relacionado ao aspecto sorrateiro, à invisibilidade e ao livre transitar
por entre os planos de existência. Também equilibra e converte energias e
frequências com seu ronronar. Diz-se que sua alma existe concomitantemente
em todos os 9 reinos (7 espirituais, físico e astral).

Cachorro: evoca confiança, companheirismo, e pode se tornar um guia pelo


mundo espiritual, como nas lendas de Hécate e do Cérbero.
Morcego: relacionado à capacidade de voar (projeções astrais) e à sensação
de vibrações. Também pode ser usado como elemento de drenagem
energética.
Aranha: materialização, manipulação dos destinos, entendimento da teia de
acontecimentos para a tomada correta de decisões.
Leite: o leite enquanto secreção nutriz seria, segundo várias mitologias, a
forma mais direta de se obter os poderes de um animal. Na lenda de Rômulo
e Remo, por exemplo, os meninos são criados por uma loba, que os
amamenta, e posteriormente Rômulo funda Roma. No caso do leite da vaca,
pode ser encontrado significado na cosmogonia Nórdica, onde a vaca
Audhumbla amamentava o gigante Ymir, cujo corpo foi usado na criação de
Midgard.
Almíscar: substância secretada pela glândula do gato almiscarado, tem efeito
de atração amorosa.
Humanos
Como já foi dito, além dos arquétipos associados a cada fluido corporal e
órgão específico, os ingredientes de origem humana permitem que se forme
um elo entre a poção e a pessoa da qual provieram. No caso de elementos
recolhidos de cadáveres, há ainda um elo com o submundo e com aspectos
espirituais.
Cabelos: fazem referência à força vital (como na lenda de Sansão), e servem
como ótimo elemento de ligação com os alvos de um feitiço devido à
facilidade de obtenção.
Sangue: força vital, potencialização de qualquer intento, estabelecimento de
um pacto (de sangue) ou elo com entidades.
Saliva: relacionada à fala e a ligações entre pessoas por meio dos
pensamentos verbalizados ou transmitidos de forma mental.
Sêmen: o sêmen era utilizado na Alquimia para potencializar a criação de
homúnculos, e em outras vertentes pode ser usado para a ativação de sigilos.
Representa o poder criativo, a ideia em sua forma latente.
Menstruação: de forma complementar ao sêmen, a menstruação está ligada
à materialização de uma ideia no mundo físico, permitindo que um intento
elaborado mentalmente tome forma material.
Urina: em diferentes abordagens, a urina pode ser utilizada para ativar ou
desativar intentos mágicos. Diz-se que demônios podem urinar em um
círculo de proteção para desativá-lo, e a purificação de objetos enfeitiçados
pode ser feita utilizando urina. De forma oposta, também pode ser utilizada
para ativar os elementos que são dispostos no interior de uma garrafa de
bruxa, por exemplo.
Moluscos e Crustáceos
Os cascos, as cascas e as conchas de moluscos e crustáceos recolhidos em
praias ou jardins (ou guardados após uma refeição) podem ser utilizados de
forma inteira ou macerada, ou ainda queimados, gerando um pó fino. Estes
seres geralmente estão ligados à flexibilidade e ao potencial de crescimento.
Caranguejo: o pó de sua casca pode ser utilizado para indicar morte (pois se
alimenta de elementos em decomposição) e levar uma vida a não andar para a
frente. Também pode reverter feitiços.
Caracol: assuntos que se resolvem de forma lenta porém constante, de forma
organizada (aspecto trazido pela espiral de sua concha).
Lagosta: conhecimento imerso no inconsciente, preparando-se para vir à
tona. Está presente na carta da Lua no Tarô devido a este significado.
Polvo/Lula: adaptação e flexibilidade devido a seu corpo, e realização de
tarefas complexas com seus tentáculos. Sua tinta traz a materialização de
tarefas, como na escrita, mas também ocultamento e desorientação.
Fórmulas
Seguem apenas como exemplo algumas fórmulas que usam mais de um
ingrediente de origem Animal, apresentadas em livros para diversas
finalidades. Neste artigo não são detalhadas as quantidades e as variedades
dos ingredientes apresentados, devendo-se consultar as obras originais para
maiores informações sobre o uso e o preparo de cada fórmula.
Não recomendamos que sejam usadas partes de animais vivos, ou que estes
sejam mortos tendo como objetivo o uso das partes. A preferência deve ser
dada a produtos derivados de animais, partes que caíram naturalmente, ou
partes de animais que já tenham morrido por outros motivos.

Poção para conquista: segundo o Livro de São Cipriano, esta poção pode
ser preparada cozinhando olhos verdes de um gato preto em água, ou usando
pelos de um gato preto queimados junto com alecrim, e amônia.
Poção para amor: ainda segundo Cipriano, pode ser preparada com sangue
de um morcego macho e de uma morcega fêmea, e amônia.
Pílulas para conquista: segundo São Cipriano, podem ser preparadas
amassando-se uma cabeça de enguia junto a sementes de cânhamo e gotas de
láudano. Da mistura, são feitas bolinhas do tamanho de grãos de milho.
Azeite do amor: segundo São Cipriano, pode ser preparado um óleo
fervendo-se teia de aranha com azeite, a ser pingado na comida da pessoa que
se queira atrair. Porém, o efeito só dura enquanto a aranha que produziu a
teia estiver presa dentro de uma casca de noz selada com cera.
Massa para atração sexual: segundo Cipriano, pode ser feita uma massa
usando pelos do peito de um homem, uma cantárida, raiz de sobreiro,
sementes de sarganha brava, farinha de amendoim e avelã.
Óleo afrodisíaco: segundo Cipriano, pode ser preparado usando penas de
andorinha cozidas, penas de outros dois pássaros, e óleo de rosas.
Óleo para manifestar fantasmas: segundo Cipriano, basta ferver vários
animais peçonhentos dentro de azeite por algum tempo, e posteriormente
queimar este óleo em uma lamparina.
Garrafada para dominar pessoas: segundo Cipriano, pode ser preparada
usando amônia, raspa de pedra de altar, alecrim, funcho, pó de mármore,
esporo de samambaia, semente de malva, semente de mostarda, sangue do
dedo mindinho, sangue do dedão do pé esquerdo, raiz de cabelo, raspas de
unhas e raspas do osso de um defunto.
5. Referências
Editora Pallas — O Livro de São Cipriano
Elisângela de Paula — O Arquétipo de um Mago
Franz Bardon — Magia Prática: o caminho do adepto
Judy Hall — A Bíblia dos cristais
Kenneth Grant — Aleister Crowley e o Deus Oculto
Kenneth Grant — O Renascer da Magia
Laurie Cabot — O Poder da Bruxa
Scott Cunningham — O Livro das Sombras
Thomas Karlsson — Qabalah, Qliphoth e Magia Goética
ThoughtCo. — Ogham Symbol Gallery

Figuras: domínio público em Biodiversity Heritage Library.

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