Você está na página 1de 10

CURSO: CFO NOITE – EDITAL NÃO PUBLICADO

DATA: 16/10/2018
DISCIPLINA: DIREITO PENAL MILITAR
PROFESSOR: JOÃO PAULO LADEIRA
MONITOR: DIEGO RODRIGO SILVA
AULA: 01/06
BLOCO: 01 a 06

Sumário
INTRODUÇÃO . .................................................................................................................................. 2
DIREITO PENAL MILITAR . ............................................................................................................. 2
CONCEITO: . ....................................................................................................................................... 2
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL MILITAR................................................................................. 2
OS PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL MILIRAR .......................................................................... 3
LEGALIDADE (RESERVA LEGAL): ............................................................................................... 3
INTERVENÇÃO MÍNIMA OU SUBSIDIARIEDADE OU ÚLTIMA RATIO: ............................... 3
FRAGMENTARIEDADE DO DIREITO PENAL MILITAR: ........................................................... 4
INSIGNIFICÂNCIA: . .......................................................................................................................... 4
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE ....................................................................................... 5
PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DAS PENAS ................................................................................ 5
PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA ......................................................................... 6
APLICAÇÃO DA LEI PENAL MILITAR ......................................................................................... 7

1/10
INTRODUÇÃO
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL MILITAR E APLICAÇÃO DA LEI PENAL MILITAR.

DIREITO PENAL MILITAR


Falar de direito penal militar é tangenciar o direito penal comum. Há ampla divergência na doutrina
quanto ao entendimento de que o direito penal militar é um braço do Dir. Penal comum. Vale observar
que há uma leve tendência da doutrina majoritária nesse sentido. Ou seja, alguns entendem que o Dir.
Penal militar não seria um ramo autônomo da ciência jurídica no brasil.

Obs.: não ir para prova fazendo analogias entre Dir. Penal militar e Dir. Penal comum.

CONCEITO
É o ramo do direito, braço do Direito penal comum, que tem por objetivo a criação de condutas
criminosas, a cominação de penas e medidas de segurança com vista a tutela dos bens jurídicos
militares, e também a proteção da higidez das instituições militares. O direito penal militar tutela bens
jurídicos especiais, a saber:

a) Hierarquia;
b) Disciplina;
c) Dever militar;
d) Serviço militar entre outros.

São bens jurídicos que não se encontram no Dir. Penal comum.

Obs.: a vida é o bem jurídico mais relevante no direito penal comum, mas não no penal militar, pois
há outros bens mais relevantes para o Dir. Penal militar.
Exemplo: a segurança externa do país (art. 136 do CPM). A título de esclarecimento, os bens jurídicos
hierarquia e disciplina (de envergadura constitucional) são bens dos quais as instituições militares
não sobreviveriam sem, e por isso são considerados tão caros ao Dir. Penal militar.

PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL MILITAR


O tema princípio não consta no último edital, mas é muito importante estudar, pois será cobrado ainda
que implicitamente.

Objetivo: limitar a atuação Estatal.

O Dir. Penal Militar se encontra dentro de um regime que não é Militar. O código data de 1969, mas
vivemos em um estado democrático de direito, formalmente, desde 1988. Portanto, o Código Penal
Militar tem que passar pelo chamado filtro axiológico valorativo da CR/88. Ou seja, suas normas

2/10
jurídicas têm de ser aprovadas pela CR/88, sob pena de não serem consideradas recepcionadas pelo
ordenamento jurídico.
Primeiro Código Penal Militar: 1990 (código penal da armada). Se dirigia à Marinha, força armada
mais antiga do País. Logo depois, em 1899, esse código foi estendido ao Exército brasileiro.

1808 – vinda da família real para o Brasil e criação da Justiça militar. A Justiça Militar é a Justiça
mais antiga do País. Completa 210 anos em 2018. Porém, apenas em 1990 o Brasil se preocupou em
codificar, tutelar os crimes militares.
Em 1944 ocorreu a publicação do primeiro código penal militar, que foi revogado pelo atual de 1969.
Vale observar que a construção do Código Penal Militar teve como base o Código Penal Comum.
Mas esse sofreu uma reforma de sua parte geral em 1984, o CPM não.

Antes era adotado o sistema do duplo binário no CPB e de igual forma no CPM, mas após a reforma
de 84, o CPB passou a adotar o sistema vicariante, já o CPM ainda adota o sistema do duplo binário.
Por essa razão que é preciso fazer o filtro axiológico valorativo de suas normas.
Vivemos o neoconstitucionalismo: valor supremo é a dignidade da pessoa humana.
Com o neoconstitucionalismo ocorre o giro hermenêutico, surgindo assim, novas formas de
interpretar as normas jurídicas. SÃO ESPÉCIES DE NORMAS: princípios, regras, postulado e
política.

CONCEITO DE PRINCÍPIO: Mandamentos de otimização que devem ser realizados na maior


medida possível, de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas do caso concreto (Robert Alexis).
Os princípios apontam à direção que a solução deve ser dada. Diferente das regras jurídicas, que
obedecem a lógica do tudo ou nada, estabelecem autorizações ou mandamentos.

OS PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL MILIRAR

LEGALIDADE (RESERVA LEGAL)


Reserva legal é mais restritivo, o termo mais técnico, se refere a leis complementares e leis ordinárias.
Ou seja, somente por leis complementarem e ordinários pode ser criado o Direito Penal Militar.

Medida provisória pode tratar de direito penal militar? Em regra não pode, pois há uma vedação
constitucional no art. 62 da CR/88.
No entanto, tivemos uma abolitio temporalis no Estatuto do desarmamento, que autorizou a posse
regular de arma de fogo em determinado período de tempo, que foi tratado por meio de MEDIDA
PROVISÓRIA, convertida em lei posteriormente. A partir daí surgiu uma discussão na doutrina
sobre a possibilidade de medida provisória tratar de direto penal para permissivo/autorizador.

INTERVENÇÃO MÍNIMA OU SUBSIDIARIEDADE OU ÚLTIMA RATIO


O direito penal é o ramo mais gravoso e por isso somente será utilizado quando os demais direitos
forem ineficazes. O direito penal militar é mais grave que o direito penal comum, visto que há a
previsão de pena de morte (executada por fuzilamento).

3/10
Como pode cair na prova: várias transgressões militares (código de ética e disciplina) também estão
previstas no CPM, e pode ser cobrado saber qual sanção aplicar (transgressão ou crime militar). Daí
a necessidade dos princípios para apontar a solução. No caso, o princípio da subsidiariedade.

FRAGMENTARIEDADE DO DIREITO PENAL MILITAR


O direito penal se preocupa com apenas fragmento de tutela de bens jurídicos. Ou seja, não se
preocupa com todos os bens jurídicos do ordenamento, mas somente com aqueles mais relevantes da
sociedade.

INSIGNIFICÂNCIA
Falar desse princípio é falar de claus Roxin, considerado o pai desse princípio. Para o autor, o direito
penal só vai se preocupar quando houver lesão ou ameaça de lesão relevante a um bem jurídico
tutelado. Seria a lesão material ou tipicidade material dentro do fato típico.

Exemplo: transeunte distraído que sofre um pequeno arranhão por ter sido atingido por carro durante
manobra. Exemplo clássico de Greco. Nesse exemplo não foi relevante a afronta ao bem jurídico.
Crime: fato típico + ilícito +culpável (conceito analítico) – substratos do delito – teoria tripartite.

Obs.: Teoria Bipartite: crime é fato típico + ilícito. A culpabilidade é pressuposto de pena.

Elementos do fato típico: conduta, nexo causal, resultado e tipicidade.

A tipicidade se divide em: tipicidade formal e tipicidade conglobante (zaffaroni)


A tipicidade conglobante se subdivide em: antinormatividade e tipicidade material.
Roxin diz que não deve intervir o direito penal quando a conduta não violar materialmente o bem
jurídico, de forma significante.
O princípio da insignificância, portanto, é valorado dentro da tipicidade material. Se não há tipicidade
material, não há tipicidade conglobante, e se não há tipicidade conglobante, não há a própria
tipicidade. Se não há tipicidade, não tem um elemento do fato típico, logo não há fato típico e,
portanto, não há crime.
Logo, o princípio da insignificância exclui a tipicidade e fato típico.
Vale dizer, tipicidade formal é o juízo de subsunção do fato a norma. É moldura abstrata prevendo
determinado comportamento como proibido. E antinormatividade são atos não admitidos no direito.
Para zaffaroni, um médico que age para salvar uma vida não atua em excludente de ilicitude (exercício
regular de direito), mas sim com excludente de tipicidade, pois a conduta do médico não é
antinormativa, pelo contrário, ela é estimulada. Logo, não há tipicidade.
O autor propõe então um esvaziamento parcial causas de excludentes de ilicitude. A conduta já pode
ser valorada no substrato fato típico.
Para prova: observa a regra mnemônica M –A – R – I (critérios objetivos de aplicação do princípio
da insignificância segundo o STF).

M – mínima ofensividade da conduta;


A – ausência ou nenhuma periculosidade social da ação;
R – reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
I – inexpressividade da lesão jurídica provocada.

4/10
Obs.: m – a - r (é desvalor da conduta) i (desvalor do resultado). O próprio Roxin entende que o
critério objetivo do STF é puro juízo tautológico, pois os três primeiros (MAR) são a mesma coisa. –
crítica.
Pode cair na prova: Art. 290 do CPM – tipo misto alternativo.

Exemplo real 1: militar pego em flagrante fumando um cigarro de maconha no quartel. Foi
enquadrado no art. 290 CPM. A defesa alegou princípio da insignificância por se tratar de pequena
quantidade de entorpecente. Tese não aceita. Crime de natureza militar, não há que se falar em
exclusão de tipicidade material (STF – por 6 a 5).
Obs.: no processo penal militar, o processo começa com o oferecimento da denúncia e não
recebimento.
Exemplo 2: art. 172 do CPM. Utilizar fardamento que não lhe é devido. Tenente não pode usar farda
de capitão, por exemplo.
Exemplo: Um militar marinheiro foi pego utilizando fardamento de sargento. A defesa alegou
princípio da insignificância. Tese não aceita. Crime de natureza militar.

Exemplo 3: blitz falsa (bandido utilizando farda militar) – divergência na doutrina. Aplicação do art.
172 do CPM ou aplicação da lei de contravenção penal.
Exemplo 4: Atores utilizando fardamento não responde pelo art. 172 do CPM. Doutrina: manifestação
da cultura popular brasileira de livre conhecimento. Não se aplica o art. 172 do CPM.
Exemplo 5: festa a fantasia – sujeito pego no deslocamento para a festa pode ser enquadrado no art.
172 do CPM. Somente não cometerá o crime se a fantasia for vestida no interior da festa.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
Princípio distinto do princípio da razoabilidade. Tem origem na Alemanha, já o da razoabilidade é
anglo-saxão.
Existe duas facetas do princípio da proporcionalidade:
 Proibição do excesso (ubermassverbot) - não exceder o limite de punição no caso.
 Proibição da proteção deficiente (untermassverbot) – não punir aquém.

O art. 290, por exemplo, pune tanto o uso de substância de entorpecente quanto o tráfico de substância
entorpecente, da mesma forma, com a mesma pena. Ou seja, não é proporcional. Viola a faceta
proibição da proteção deficiente, pois o tráfico está sendo punido na mesma forma que o uso, sendo
muito mais grave.
Obs.: o STF entende que não há violação da proporcionalidade, pois é na dosimetria da pena, onde o
juiz irá auferir a pena.
Aplicação da pena de morte: para parte da doutrina a aplicação da pena de morte em qualquer
situação violaria o princípio da proporcionalidade.
Obs.: para zaffaroni uma pena só pode ser considerada pena se ela cumprir seus objetivos (repreensão,
prevenção e ressocialização). Ou seja, a pena de morte não seria pena para o autor.

PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DAS PENAS


A própria CR/88 estabelece que não haverá penas cruéis nem degradantes na aplicação da pena.

5/10
A pena de morte viola o princípio constitucional da humanidade das penas?

Ao responder, é importe demostrar que a constituição não admite penas degradantes ou cruéis (direito
fundamental).
Mas a doutrina entende que a pena de morte não viola o princípio da humanidade das penas, em razão
da especialidade do direito penal militar, em estritas hipóteses constitucionais, é perfeitamente
admitida a pena de morte.
A solução é tratada por intermédio de princípios. Pois a próprio constituição admite a pena de morte
em casos especiais, não havendo falar em violação à humanidade das penas.
Obs.: ler o art. 56 do CPM e art.707 do CPPM.

Pena de morte no Brasil é executada por fuzilamento. Vale lembrar, a pena de morte só é admitida
em estado de guerra.
Exemplo: guerrilha do Araguaia – exército brasileiro – guerra civil ou conflitos armados – não pode
ser aplicado pena de morte.
É necessária a declaração de guerra contra outro país igualmente soberano, autorização do congresso
nacional e decreto do presidente da República.
Fato histórico: Durante a segunda guerra mundial, dois militares do Exército brasileiro praticaram,
na Itália, fardados, utilizando armamento do exército, estupro de uma italiana de 14 anos de idade e
homicídio de um parente dela para atingir o intento, no interior de sua residência.
Por esses fatos bárbaros, esses militares foram condenados à pena de morte na Justiça Militar da
União, no Rio de Janeiro. A pena acabou sendo substituída por pena privativa de liberdade (6 anos
de reclusão).

Execução: processo penal militar, com o crivo do contraditória. Caso haja condenação, a justiça
militar comunica o presidente da república, que somente poderá executar a pena de morte após o
período de 7 dias da comunicação. É o prazo de maturação. Dentro desse prazo, o presidente pode
ratificar o ato, determinando a execução da pena, pode conceder o perdão presidencial ou fazer a
chamada comutação da pena. Ou seja, substituir a pena por outra.
obs.: o cidadão civil pode ser condenado a pena de morte; o militar é executado com o fardamento,
sem as insígnias de cursos. O civil será executado com roupas condignas.

PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA


Princípio de estatura constitucional, previsto na CR/88. Baseando nesse princípio, o STF julgou
inconstitucional vários dispositivos da legislação brasileira. Por exemplo, a vedação da progressão de
regime para os crimes hediondos.

Obs.: ao militar que cumpre pena aplicada pela Justiça Militar, e que está nos quartéis, não se aplica
os institutos da lei de execução penal (LEP), como por exemplo a progressão de regime, saída
temporária.

O civil ainda que condenado pela justiça militar, não cumpre pena em instituições militares, e poderá
gozar dos benefícios da LEP (art. 2º, §2º, da LEP e súmula 192 STJ).
6/10
Obs.: hipótese de cumprimento de pena integral em regime fechado – militar cumprindo pena. O STF
tem um precedente afirmando que o militar não pode ser punido frente a ausência da progressão de
regime e em atenção ao princípio da individualização da pena, sendo assim, o SFT mandou progredir
de regime. Essa não é a posição do supremo, mas sim um precedente.

Se o militar for condenado a penas superior a 2 anos, se oficial, estará sujeito a perda da patente. E se
praça, estará sujeito a exclusão da instituição militar. Neste caso, os indivíduos cumpri pena em
estabelecimento comum, podendo ser aplicado dos os benefícios da LEP.

APLICAÇÃO DA LEI PENAL MILITAR


ART. 2º DO COM

Lei supressiva de incriminação


Art. 2° ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando, em
virtude dela, a própria vigência de sentença condenatória irrecorrível, salvo quanto aos efeitos de
natureza civil.

Trata-se da chamada abolitio criminis relativo ao conflito de leis no tempo.


Exemplo: lei a embelece uma situação em que determinada conduta é punida como crime e vem uma
lei posterior revogando a lei a ou um crime específico da lei a.
Na prova pode cair perguntando quais os efeitos da nova lei.
O tratamento é idêntico ao CPB. A lei b entre em vigor e apaga todos os efeitos penais (primários e
secundários).
Um exemplo de efeito automático é colocar quem está em execução penal na rua.
Porém, apesar de apagar todos os efeitos penais, ela não apaga os efeitos civis. Ou seja, eventual
indenização poderá ainda ser pleiteada, por exemplo.

Na prova pode vir o seguinte: indivíduo está respondendo inquérito policial militar apaga os efeitos
penais.
No caso do indivíduo que já possui uma sentença penal transitada em julgado, em fase de execução
penal, durante essa fase ingressa a nova lei no ordenamento jurídico, os efeitos penais também devem
ser apagados. Essa condenação deverá ser desconsiderada.
Sentença penal militar transitada em julgado é um título executivo e poderá ser executado no juízo
cível normalmente mesmo após a ocorrência da abolitio criminis, pois como já dito, os efeitos civis
permanecem.

Retroatividade de lei mais benigna

§ 1º a lei posterior que, de qualquer outro modo, favorece o agente, aplica-se retroativamente, ainda quando
já tenha sobrevindo sentença condenatória irrecorrível.

Lei nova que estabelece situação mais benéfica não considerada quando da aplicação da pena. Nesse
caso o juízo da execução dever aplicar as novas feneceis ao sentenciado.

Apuração da maior benignidade

§ 2° para se reconhecer qual a mais favorável, a lei posterior e a anterior devem ser consideradas
separadamente, cada qual no conjunto de suas normas aplicáveis ao fato.
7/10
Obs.: isso não tem no penal comum.
Outro conflito de lei penal no tempo. Duas leis com situações distintas.
O julgador pode pegar um trecho da lei a e um pedaço da lei b e aplicar, criando assim, a chamada lei
seca ou terceira lei?

O julgador não poderá fazer isso, por expressa vedação legal. É preciso aplicar cada lei em sua
integralidade. Ou aplica uma ou outra.

Para prova discursiva ou oral: uma primeira corrente diz o juiz não poderá aplicar pedaços de leis
distintas, em razão do princípio da separação de poderes (art. 2º da cr/88). Corrente encapado no
CPM.

Uma segunda corrente, lastrada no art. 2º§1, CPM – entende ser possível a criação da terceira lei pelo
juiz, pois estaria aplicando a melhor situação para o indivíduo (entendimento do Francisco Assis
Toledo – mentor da reforma do CPB em 84).

Já o STF não entende dessa forma. Entende que viola o art. 2º da CR/88.
Medidas de segurança

art. 3º as medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença, prevalecendo,
entretanto, se diversa, a lei vigente ao tempo da execução.

Esse artigo não foi recepcionado pela ordem constitucional vigente, pois admite aplicação de lei mais
gravosa. Admite a retroatividade maléfica da lei penal militar, o que viola a CR/88.

Porém, isso não significa que não exista medida de segurança dentro do direito penal militar. É
possível.

Obs.: o código penal comum ao tratar da medida de segurança, adotava o sistema do duplo binário.
Ou seja, era possível aplicar ao agente do delito, após termino do cumprimento da pena, a execução
de medida de segurança. Isso era admitido no brasil até 1984 no código penal comum. Esse sistema
só terminou com a revogação dom dispositivo A partir da reforma de 1984. Passando adotar o sistema
vicariante. Ou seja, hoje no direito penal comum, ou aplica-se uma pena ou uma medida de segurança.
Já o código penal militar que data de 1969, que foi iluminado pelo código penal comum, adotou o
sistema do duplo binário. E ainda não foi revogado no CPM (art.100).

Diferença entre os códigos: no CPB só pode ser aplicado medida de segurança de natureza pessoal.
Nesse particular, há três correntes: o indivíduo pode sofrer medida de segurança até cessação da
periculosidade. O STF mitiga essa regra, e diz que deve ser aplicado o art. 75 do CPB, que diz que o
tempo de cumprimento máximo de uma pena privativa de liberdade é 30 anos.

Já o STJ entende que o indivíduo pode ficar no máximo a pena cominada em abstrato ao tipo
eventualmente praticado.
Exemplo: homicídio simples (pena máxima 20 anos).
Já no CPM, tem-se a figura da medida de segurança de natureza real. Por exemplo, interdição de
estabelecimento de comercial mais uma pena privativa de liberdade (sistema duplo binário).

Lei excepcional ou temporária

Art. 4º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

8/10
Obs.: idem código penal comum.
Exemplo: situação de calamidade pública. Seca em BH. O legislador publica lei excepcional para
proibir a lavagem de carros na via pública. Sujeito pratica a conduta, sendo capturado e conduzido ao
delegado de polícia, que ratifica a captura e prende o sujeito em flagrante.

Essa lei será posteriormente revogada. Nesse caso, se aplicar a regra da retroatividade de lei mais
benéfica, ocorrerá uma injustiça e esvaziamento do instituto. Por isso, aqui não se aplica o regramento
quanto se estiver tratando de lei excepcional ou temporária.
Significa dizer que, ainda que a lei posterior seja um abolitio criminis, aos fatos praticados ao tempo
de vigência de lei temporária ou excepcional, não se aplica retroatividade de lei mais benéfica. Ou
seja, essas leis têm característica de ultra-atividade.

Tempo do crime

Art. 5º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o do
resultado.

Obs.: idem código penal brasileiro.


O código penal adota a teoria da atividade.
Exemplo: indivíduo com 17, 11 meses e 29 dias, atira no sujeito passivo do delito, que é socorrido e
levado ao hospital, morrendo três meses depois da pratica do ato de disparo de arma de fogo. Por qual
crime responde? Nenhum, porque o agente ativo era inimputável ao tempo do crime, responde apenas
por uma infracional análogo ao crime de homicídio (teoria da atividade).
obs.: cuidado com o art. 70 do código de processo penal comum. Porque esse artigo adotou a teoria
do resultado e não a teoria da ação. O STJ relativizou o art. 70 do CPP, dizendo que não se aplica a
teoria do resultado, mas sim a teoria da atividade. Em razão da reunião probatória e segundo e da
resposta à sociedade.

Lugar do crime

Art. 6º Considera-se praticado o fato, no lugar em que se desenvolveu a atividade criminosa, no todo ou
em parte, e ainda que sob forma de participação, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado. Nos crimes omissivos, o fato considera-se praticado no lugar em que deveria realizar-se a ação
omitida.

Obs.: a primeira forma de cobrar o artigo. É copiando e colando. Então deve-se ler o artigo.
Em relação ao lugar do crime, o CPM adotou teoria diversa do CPB.

Código penal brasileiro - teoria da ubiquidade.

Código penal militar – sistema misto (duas teorias são aplicadas):


Crimes omissivos – teoria atividade (ação)
Crimes comissivos - teoria da ubiquidade
Macete: contrário de omissão é ação.

O ARTIGO 6º FOI CRIADO PARA SOLUCIONAR OS CRIMES A DISTÂNCIA. AÇÃO


INAUGURADO EM UM PAÍS E O RESULTADO OCORRE EM OUTRO PAÍS IGUALMENTE
SOBERANO.

EXEMPLO: CARTA BOMBA.


9/10
Obs.: se na prova falar que o artigo 6º existe para solucionar crimes plurilocal estará errado. Ex.: ação
em bh, resultado morte em contagem, dentro da mesma federação.

Territorialidade, Extraterritorialidade

Art. 7º Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional,
ao crime cometido, no todo ou em parte no território nacional, ou fora dele, ainda que, neste caso, o agente
esteja sendo processado ou tenha sido julgado pela justiça estrangeira.

Aplica-se o código penal militar em qual espaço geográfico?

Qualquer crime militar que ocorrer em minas gerais, o julgamento se ocorrerá perante a 4ª
circunscrição penal militar, em Juiz De Fora.

O código penal militar comum se aplica aos crimes militares praticados no território brasileiro? Sim.
Pois adota a teoria da territorialidade. É uma territorialidade temperada, mitigada porque o
ordenamento brasileiro absorve normas internacionais (podendo ter status de supralegalidade ou
status de emenda à Constituição).

Exemplo: pacto de são José da costa rica, recepcionado com status de supralegalidade. Ou seja, está
acima do código penal militar, devendo ser aplicado em detrimento ao CPM. Por isso a territorialidade
não é absoluta.
Se por um lado a territorialidade de relativizada, a extraterritorialidade brasileira ela é
irrestrita/incondicionada.
O art. 7º é claro ao dizer que o militar ou civil que pratica crime militar no estrangeiro, mesmo que já
estiver sendo processado ou condenado lá, ainda assim responderá pelo crime no brasil.
Nesse particular, para evitar o bis in idem, o art. 8º admite a possibilidade da chamada detração penal
militar. Ou seja, pegar o tempo de pena que o indivíduo cumpriu lá fora e descontar na pena ser
cumprida no brasil.

Pena cumprida no estrangeiro

Art. 8° a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no brasil pelo mesmo crime,
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.

Em relação a pratica de delitos fora do brasil, pode-se aplicar o código penal Militar e essa aplicação
é incondicionada, independe se o indivíduo está respondendo lá fora ou não. Para evitar que o
indivíduo responda duas vezes, o art. 8º entre em cena.

Obs.: pode cair na prova que o art.7º adotou as mesmas teorias do código penal comum. Essa
afirmativa está errada!!! No código penal comum, a extraterritorialidade só é admitida
excepcionalmente.

10/10