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Suplemento da edição da Dinheiro & Direitos 152, março/abril 2019 - Diretora e editora Cláudia Maia

IRS
CASA
CARRO
www.deco.proteste.pt

HERANÇA
2019
GUIA FISCAL
Sumário
GUIA FISCAL 2019
DECO PROTESTE, Editores, Lda. 03 CALENDÁRIO 35 DEDUÇÕES
Proprietária, Editora e Redação
Av. Eng.º Arantes e Oliveira, n.º 13, Olaias, 04 ANTES DE ENTREGAR 42 BENEFÍCIOS FISCAIS
1900-221 Lisboa
Conselho de Gerência
Armand De Wasch, Crescenzo Passaro, 06 IRS AUTOMÁTICO 45 SUBMETER
Daniel Stons, Ivo Mechels, Filipe Moura, A DECLARAÇÃO
Luís Silveira Rodrigues, Vasco Colaço
Capital Social
08 PREENCHER O IRS
. DECO – Associação Portuguesa 46 PERCEBER AS CONTAS
para a Defesa do Consumidor (25%) 12 TRABALHADORES
Presidente Vasco Colaço
. Euroconsumers (75%) POR CONTA OUTREM 48 SUBSTITUIR
Presidente Daniel Stons A DECLARAÇÃO
Country Manager e Representante 15 PENSÕES E SUBSÍDIOS
Legal António Balhanas
Diretora e Editora de publicações
49 DIVERGÊNCIAS
Cláudia Maia 16 TRABALHADORES
Redação Ana Santos Gomes
e Filipa Rendo
INDEPENDENTES 50 IMI
Dossiê técnico Ernesto Pinto
Registo de pessoa coletiva 22 ALOJAMENTO LOCAL 54 IMT
502 611 529
Registo da Editora 215 705
23 INVESTIMENTOS 57 ISV
Registo na ERC 116 476
ISSN 0873-8793
Depósito legal 63477/93
26 ARRENDAMENTO 60 IUC
Tiragem 364 000 exemplares
Capa iStockphoto 29 VENDA DE IMÓVEIS 62 HERANÇAS E DOAÇÕES
Fotografia 4See / Fernando Piçarra
Design gráfico e Paginação 33 RENDIMENTOS 66 GLOSSÁRIO
Helena Carvalho / Nuno Semedo
Impressão Sogapal, Comércio
DE FALECIDOS
e Indústria de Artes Gráficas, S.A.
Estrada de São Marcos, n.º 27,
2735-521 Agualva‑Cacém 34 RENDIMENTOS
Estatuto editorial DO ESTRANGEIRO
www.deco.proteste.pt/
estatuto-editorial

UTILIZAÇÃO PARA FINS COMERCIAIS NOTA DA REDAÇÃO


A DECO PROTESTE proíbe Este suplemento, que oferecemos aos assinantes da revista DINHEIRO
a reprodução e a citação dos seus
artigos, bem como a referência & DIREITOS, pretende ajudar no preenchimento da declaração de IRS
ao nome da editora e às publicações relativa aos rendimentos obtidos em 2018, que deverá ser entregue
PROTESTE, DINHEIRO & DIREITOS, entre 1 de abril e 30 de junho. Também reúne informações práticas
TESTE SAÚDE, PROTESTE INVESTE
e guias práticos com fins comerciais. para garantir o cumprimento de obrigações fiscais dos proprietários
A utilização, com o mesmo fim, de imóveis e de veículos e dos titulares de heranças e doações.
das designações "Escolha Acertada" O conteúdo deste GUIA FISCAL respeita a legislação em vigor
e "Melhor do Teste" apenas
é autorizada nas condições previstas em até 25 de janeiro de 2019, data em que fechámos a edição.
www.deco.proteste.pt/selos. Eventuais alterações conhecidas após essa data serão divulgadas
em www.deco.proteste.pt.

2    Guia Fiscal 2019
Editorial

Filipa Rendo
Calendário 2019
Jornalista
e coordenadora
editorial

Reembolsos chorudos fazem os

15 fevereiro
portugueses felizes... e o Estado
também
Pagar tão pouco imposto quanto possível
é o desejo de todos. Atire a primeira pedra
quem não se revir nesta pretensão. Confirmação do agregado familiar (ver página 8)
Felizmente, há alguns meios – legais,
bem entendido fique – para o contribuinte Comunicação de partilha de despesas de dependentes
diminuir o peso do IRS na sua carteira. em guarda conjunta (ver página 8)
A cada ano que passa o Guia Fiscal renova-
-se de modo a recomendar aos leitores as Comunicação de opção de tributação conjunta para
opções mais vantajosas, para que, após efeitos de adicional ao IMI (ver página 53)
a entrega da declaração, lhes seja cobrado
apenas o que devem. Nalguns casos,

25 fevereiro
tal permite reduzir a fatura a pagar.
Noutros, um reembolso maior,
Dirão os últimos ter mais sorte do que os
primeiros. Mas talvez não seja bem assim.
Significa tão somente que, no ano anterior,
os primeiros retiveram menos imposto do Validação de despesas na plataforma e-Fatura
que o devido e terão, por isso, de entregar (ver páginas 4 e 5)
a parte em falta; já aos segundos será
apenas devolvido o montante que

15 a 31 março
adiantaram em excesso, em jeito de
empréstimo ao Estado a custo zero.
Sempre que as tabelas de retenção na fonte
não são devidamente atualizadas – o que
aconteceu em 2018 – o ajuste de contas Consulta dos montantes apurados para dedução
é mais exuberante. das despesas realizadas em serviços públicos de
Em geral, descontámos todos mais do que saúde e de educação, e das despesas com a habitação
o necessário. Não se espante se este ano (rendas e juros) e com lares (ver páginas 4 e 5)
o seu reembolso de IRS for mais chorudo.
Coincidência ou não, é ano de eleições.
Também as taxas de retenção na fonte
foram revistas recentemente pelo Governo
fazendo-nos descontar menos desde
janeiro. E quando se aperceber de que
1 abril a 30 junho
o reembolso seguinte será menor,
já estaremos em 2020. Entrega de IRS para todos os contribuintes

Guia Fiscal 2019    3  


Antes de entregar o IRS
REGISTAR-SE NO PORTAL DAS FINANÇAS É também contabilizado parte do IVA suportado com
despesas de reparação e manutenção de automóveis
Senha de acesso e motociclos, restauração, alojamento, cabeleireiros,
Só é possível entregar o IRS pela internet com uma senha institutos de beleza, veterinários e passes sociais.
de acesso ao Portal das Finanças. Todos os membros
do agregado devem ter a sua própria senha, incluindo Confirmação de deduções...
os dependentes. Entre 15 e 31 de março, pode consultar no e-Fatura os
Se ainda não a tem, clique em "Registar-se" na página montantes globais que lhe foram atribuídos para dedução
inicial do portal e preencha os dados solicitados. no IRS, incluindo aqueles que até fevereiro não estavam
Em regra, a senha é enviada, por correio, para o domicílio visíveis na plataforma, como as rendas de casa, juros
fiscal no prazo de cinco dias úteis. de crédito à habitação, taxas moderadoras ou despesas
Se já pediu uma senha em anos anteriores, certifique-se não comparticipadas por seguradoras.
de que esta ainda não expirou. Caso tal tenha ocorrido,
consegue obter de imediato uma nova no Portal das ... se estiver tudo certo
Finanças, logo que é detetada a senha fora de prazo. Não tem de fazer nada. Quando entregar a declaração
de IRS, e se optar pela versão previamente preenchida,
esses valores já serão contabilizados nas despesas
E-FATURA dedutíveis. Basta que aceite a importação automática
dos dados presentes no e-Fatura quando estiver
Faturas validadas a preencher o anexo H (ver capítulo "Deduções",
Terminou a 25 de fevereiro o prazo para validar faturas nas páginas 35 a 41).
pendentes na plataforma e-Fatura (https://faturas.
portaldasfinancas.gov.pt). É aqui que ficam concentrados ... se houver valores errados
todos os montantes comunicados ao Fisco ao longo Aguarde pelo momento de entrega da declaração.
do ano por comerciantes ou por entidades prestadoras Rejeite a importação automática dos dados presentes
de serviços que tenham emitido faturas com o seu no e-Fatura quando estiver a preencher o anexo H,
número de contribuinte. As Finanças só consideram optando pelo preenchimento manual dos valores
como dedutíveis automaticamente as despesas corrigidos (ver capítulo "Deduções", nas páginas 35 a 41).
corretamente inseridas e validadas nesta plataforma, Guarde os comprovativos de despesas, para o caso de
nas categorias de saúde, educação, habitação, lares ser chamado a provar as alterações efetuadas.
e despesas gerais familiares.
Faturas de 2019
Pode ir já validando na plataforma e-Fatura as despesas
referentes a 2019, apesar de elas ainda não serem
consideradas no IRS que entrega este ano.
Assim evita acumular este trabalho para o início
do próximo ano.

ENTREGA PELA INTERNET

Não há papel
A entrega da declaração de IRS é exclusivamente feita
pela internet, através do Portal das Finanças
(www.portaldasfinancas.gov.pt). Durante o prazo oficial
de entrega da declaração, de 1 de abril a 30 de junho,
é provável que esta opção esteja em destaque na página

4    Guia Fiscal 2019
de entrada do portal. Caso contrário, siga Cidadãos >
Serviços > IRS > Entregar Declaração. 1
Não validei nenhuma fatura e já não
Declaração previamente preenchida vou a tempo de o fazer para as faturas
É uma das opções disponíveis no menu de entrega de 2018. Vou perder as minhas
de IRS. Nesta versão, o Fisco introduz os dados que lhe deduções?
foram comunicados por entidades que, em algum Não. Embora a situação ideal passasse
momento do ano 2018, se relacionaram com o seu pela validação das despesas pendentes
na plataforma e-Fatura antes de 25
número de contribuinte. Rendimentos, retenções na fonte
de fevereiro, para que o sistema
ou deduções são alguns dos campos que podem surgir já informático importasse automaticamente
preenchidos (ver "Preencher o IRS", a partir da página 8). todas as deduções, pode ainda incluir
manualmente as despesas de cada
membro do agregado familiar, para cada
categoria de despesas. Veja como
proceder no capítulo "Deduções",
a partir da página 35.
Entretanto, para que tal não aconteça
no próximo ano, pode ir já validando
as despesas de 2019 à medida que elas
vão ficando disponíveis na plataforma
e-Fatura.

2
Está prestes a terminar o prazo
de validação de faturas e não encontro
os valores das rendas que paguei
ao meu senhorio em 2018.
O que devo fazer?
Declaração em branco As rendas pagas em 2018 só estarão
Se preferir dispensar os dados previamente preenchidos disponíveis para consulta na plataforma
pelo Fisco, opte pela declaração em branco. e-Fatura entre 15 e 31 de março e não
tem hipótese de as corrigir. Se discordar
Preenchimento offline do valor apresentado, corrija-o
Se não puder preencher a declaração de uma só vez, manualmente quando preencher
pode descarregar a aplicação de preenchimento a declaração de IRS (ver "Deduções",
a partir da página 35).
e completar a tarefa mais tarde, mesmo sem ligação
à internet. No Portal das Finanças, siga Cidadãos > Apoio
ao Contribuinte > Informação Útil > Suporte informático 3
– formato de ficheiros > IRS – Modelo 3. Se, ao introduzir a minha senha,
No entanto, para submeter a declaração já preenchida, estiver disponível uma declaração
terá mesmo de estar ligado à internet. previamente preenchida, sou obrigado
a aceitá-la?
IRS Automático Não. Pode escolher a declaração
previamente preenchida com os dados
Alguns contribuintes não têm, este ano, de preencher
comunicados às Finanças pelas
a declaração de IRS, se o Fisco já dispuser de todos entidades que se relacionaram
os dados relevantes para apresentar uma proposta fiscalmente consigo em 2018 ou optar
de liquidação. Consulte o capítulo "IRS Automático", pela declaração em branco.
nas páginas 6 e 7.

Guia Fiscal 2019    5  


IRS automático
PROPOSTA DE LIQUIDAÇÃO

Quem está abrangido


A partir de 1 de abril, só encontram uma proposta
de liquidação de IRS no Portal das Finanças
os contribuintes com rendimentos exclusivos de trabalho
dependente (categoria A) ou de pensões (categoria H),
com ou sem dependentes a cargo, mas sem pensões de
alimentos. Donativos e planos de poupança-reforma
(PPR) também já estão previstos no IRS automático.
Para saber se está abrangido, entre no portal das
Finanças e siga Cidadãos > Serviços > IRS > IRS
Automático. Autentique-se com a senha de identificação.
Se lhe aparecer uma proposta, seja para reembolso ou
para pagamento, isso significa que está abrangido pela
entrega automática. Caso contrário, é informado de que
não preenche os requisitos para tal (ver imagem em Aceitar a proposta
baixo). Nesse caso, terá de preencher e entregar a sua Se concorda com as contas feitas pelo Fisco, clique
declaração. em “Aceitar”. A declaração é considerada entregue nessa
data. Em alternativa, pode simplesmente deixar o tempo
passar e a declaração será considerada entregue a 30
de junho (data-limite para a entrega de declarações
de IRS). Se houver reembolso a receber, este só será
processado após essa data.

Confirmar deduções
Antes de aceitar a proposta de liquidação automática,
confirme se as deduções consideradas estão corretas.
Compare todas as parcelas que lhe surgem no campo
"Despesas para deduções à coleta" com os montantes
acumulados na plataforma e-Fatura (https://faturas. Rejeitar a proposta
portaldasfinancas.gov.pt) para a totalidade Se não concorda com as contas feitas pelo Fisco,
dos elementos do agregado familiar e para todas as preencha a declaração de IRS e submeta-a até 30
categorias: saúde, educação, lares, imóveis e benefício de junho. Preencha o modelo 3 e todos os anexos
do IVA. necessários.

6    Guia Fiscal 2019
OPÇÕES
4
Casados e unidos de facto O meu pai apenas recebe a sua
Se os dois elementos do casal obedecem aos requisitos reforma e não tem outros
para estarem abrangidos pela liquidação automática, rendimentos. Tenho de continuar
a entregar a sua declaração?
o Fisco disponibiliza a cada um duas propostas: uma
Não, desde que ele também não tenha
liquidação automática individual, para quem entrega benefícios fiscais além de donativos
o IRS em separado, e uma liquidação automática em ou de planos de poupança-reforma.
conjunto. O casal terá, então, de optar pela solução mais Provavelmente, está abrangido pela
vantajosa: ou entregam ambos em separado ou um dos entrega automática de declarações.
membros do casal submete a declaração conjunta. Apenas tem de consultar a liquidação
Se o casal nada fizer, o Fisco assume, por defeito, proposta no Portal das Finanças
a liquidação individual. e verificar se todos os campos estão
corretos. Se não se opuser, confirme
a aceitação ou, se nada fizer,
Ignorar a liquidação automática
a declaração é dada como entregue
A proposta permanece ativa até 30 de junho (data-limite a 30 de junho. Se não concordar com
para a entrega de declarações de IRS). Se não entregar a proposta, rejeite-a e entregue uma
uma nova declaração de IRS, com novos valores, o Fisco declaração de IRS.
dá por aceite a liquidação automática e considera-a
entregue nessa data.
5
Reembolso Sou casado. Eu e a minha mulher
estamos abrangidos pelo IRS
A experiência dos últimos anos diz que o reembolso
automático. Temos de fazer alguma
de imposto pago a mais (quando é esse o caso) é feito coisa?
em cerca de duas a três semanas após a data Consulte a liquidação proposta pelo
de aceitação da proposta automática. Fisco para si e para a sua mulher. Ambas
vão ficar disponíveis a 1 de abril, quando
Consignação de imposto se iniciar o prazo de entrega de IRS.
Se aceitar a proposta de liquidação automática, continua Se nada fizer, o Fisco assume que
a ser possível consignar 0,5% do imposto que teria a entrega é feita em separado, mesmo
a pagar ao Estado, reconduzindo-o para uma instituição para os casados. Mas, antes de aceitar
qualquer uma das propostas, compare
de cariz social ou religioso, sem perder dinheiro.
os valores a receber ou a pagar e
Também pode consignar o benefício fiscal relativo a parte escolha a opção mais vantajosa.
do IVA suportado em algumas despesas, mas esse será
debitado ao seu reembolso. A opção de consignação
tem de ser assinalada antes de confirmar a aceitação 6
da proposta e é irreversível. Tenho dois filhos, mas ouvi dizer que,
este ano, já estou abrangido pela
Número de conta bancária declaração automática de IRS.
É verdade?
Se já deu anteriormente o seu IBAN (número
Sim, é verdade. Ainda que tenha feito
que identifica uma conta bancária) para eventuais
donativos ou contribuições para um
reembolsos de IRS, é provável que lhe surja um pedido plano de poupança-reforma, desde que
de confirmação desse número antes de aceitar a entrega os seus rendimentos sejam
automática. Não existindo erros a apontar, esse IBAN exclusivamente provenientes de
será o destino da transferência bancária do montante trabalho dependente ou de pensões,
a receber (se for o caso). Em alternativa, pode também está abrangido pelo IRS automático.
substituí-lo por um novo número.

Guia Fiscal 2019    7  


Preencher o IRS
IDENTIFICAÇÃO DO AGREGADO FAMILIAR só tem de preencher os números de identificação fiscal
de cada um. Caso um dos dependentes já obtenha
Modelo 3 rendimentos, confirme no quadro 1 se ele ainda
É o primeiro menu a preencher quando se submete uma é considerado dependente para efeitos fiscais.
declaração de IRS, para comunicar informações sobre QUADRO 1
o agregado familiar. Quando o preenchimento era feito AINDA É MEU DEPENDENTE?
em papel, o impresso com o nome “Modelo 3”
funcionava como folha de rosto da declaração e era IDADE A
acompanhado pelos anexos. Agora, que só pode SITUAÇÃO IRS
31 DE DEZEMBRO DE 2018
submeter a declaração pela internet, no Portal das
Finanças (www.portaldasfinancas.gov.pt), os menus a
preencher mantêm os nomes dos antigos impressos. Sem rendimentos
superiores ao valor anual Os rendimentos obtidos
Até aos 25 anos pelos dependentes são
da remuneração mínima
mensal (€ 8120 em 2018) incluídos na declaração
do agregado.
Se os pais entregarem
o IRS em separado,
Quando inapto para o Fisco considera
o trabalho e para angariar metade dos rendimentos
meios de subsistência ou dos dependentes
Até aos 18 anos não obtenha rendimentos na declaração de cada um
mensais superiores dos pais
à remuneração mínima
mensal (€ 580 em 2018)

Quando inapto para


o trabalho e para angariar
Os rendimentos obtidos
meios de subsistência ou
pelos dependentes podem
Mais de 18 anos não obtenha rendimentos
ser incluídos na declaração
mensais superiores
do agregado
à remuneração mínima
Agregado familiar mensal (€ 580 em 2018)
Indique o seu número de contribuinte no quadro 3
e o estado civil no quadro 4. Se for casado, pode optar
pela tributação conjunta no quadro 5A. Nesse caso, terá Dependentes em guarda conjunta
de indicar o número de contribuinte do cônjuge ou unido Antes de efetuar o preenchimento da declaração,
de facto. Idealmente, simule a entrega em conjunto e em confirme se o Fisco tem a informação correta sobre o
separado para escolher a mais favorável. É em função local de residência dos dependentes. No Portal das
da composição do agregado familiar que o Fisco calcula, Finanças, siga Cidadãos > Serviços > Dados Pessoais
de forma automática, o valor do imposto a pagar. Relevantes > Comunicar Agregado Familiar. Em princípio,
Deve ainda declarar no anexo H as despesas tidas o prazo para comunicar alterações ao agregado terá
ao longo do ano, para baixar o valor do imposto a pagar terminado a 15 de fevereiro (se, entretanto, não tiver sido
e, porventura, até ser reembolsado. (ver "Deduções", alargado). Logo, se a informação não estiver correta e o
a partir da página 35). portal já não aceitar novas comunicações, terá de efetuar
a correção manual quando preencher o quadro 6.
Dependentes Se já tiver comunicado estes dados em 2018, serão esses
Use o quadro 6B para identificar os dependentes que o Fisco vai assumir este ano. Caso esteja abrangido
do agregado. Tenha em atenção que há um quadro pelo IRS Automático e os dados do agregado estejam
específico para dependentes em guarda conjunta e outro incorretos, rejeite a proposta de liquidação e preencha
para afilhados civis (ver esquema 1). Em todos os casos, uma nova declaração com os dados corretos.

8    Guia Fiscal 2019
ESQUEMA 1
COMO ENTREGAR A DECLARAÇÃO DE IRS?
7
O meu filho está a estagiar através
Situação do contribuinte a 31 de dezembro de 2018 do Instituto de Emprego e Formação
Profissional. Devo incluí-lo no meu
IRS?
Se o seu filho faz parte do agregado,
Solteiro, separado tem de declarar os ganhos dele ao longo
Casado ou unido
judicialmente, divorciado de 2018. É considerado dependente
de facto
ou viúvo se a 31 de dezembro de 2018 tinha até
25 anos e rendimentos anuais até 8120
euros. Caso contrário, entrega o IRS
Dependentes em guarda conjunta? sozinho. Nos estágios profissionais,
O leitor e o cônjuge os montantes pagos estão sujeitos
ou companheiro(a) a retenção na fonte e é obrigatório
compõem um declará‑los no IRS. A declaração
agregado familiar. Não Sim de rendimentos deve ser-lhe entregue
Os filhos pela entidade que faz o pagamento.
considerados
seus dependentes
As despesas com
também fazem
os dependentes
As despesas são 8
parte do agregado declaradas no IRS Além de estudar, o meu filho de 18
só entram num
de ambos os pais anos começou a trabalhar em outubro.
agregado
Devo incluí-lo no meu IRS?
Esteja ou não a estudar, o seu filho pode
Cada contribuinte As despesas do Cada contribuinte ser incluído na sua declaração de IRS,
apresenta a sua dependente são entrega a declaração desde que o valor ganho por ele em
declaração em assumidas apenas de IRS em separado. 2018 não tenha excedido 8120 euros.
separado. por um agregado. Os dependentes em Se for esse o caso e os ganhos dele
Os dependentes Se houver pensão de guarda conjunta são forem de trabalho dependente,
são mencionados alimentos, esta deve declarados no IRS apresente-os no quadro 4 do anexo A.
na declaração de ser declarada por de ambos os pais. Caso sejam rendimentos de trabalho
cada um dos pais ambos os pais Cada um assume independente, inscreva-os no anexo B.
e os rendimentos (um declara que uma percentagem Se durante o ano de 2019 o seu filho
e deduções destes a paga e o outro das despesas dos ultrapassar os 8120 euros de rendimento
são considerados que a recebe) dependentes. anual, perde o estatuto de dependente
em 50%. Se assim Se a soma das duas e em 2020 já entregará a declaração
o entenderem, os percentagens não for
de IRS sozinho.
casados e os unidos 100%, o Fisco atribui
de facto podem metade a cada um
entregar o IRS em
conjunto
9
O meu filho tem 19 anos e este ano
letivo não entrou para a universidade.
Ainda pode ser considerado meu
dependente?
Sim. Os jovens que no final de 2018
tinham menos de 26 anos e rendimentos
anuais inferiores a 8120 euros são
considerados dependentes. E não têm
de estar a frequentar o ensino para
poderem integrar o IRS dos pais.

Guia Fiscal 2019    9  


Partilha de despesas dos filhos Viuvez em 2018
No quadro 6B do modelo 3, identifique nos vários Se ocorreu o óbito de um dos elementos do casal durante
campos DG os dependentes em guarda conjunta o ano 2018, indique no quadro 5B se pretende optar pela
e assinale eventuais graus de deficiência. tributação conjunta. Se preferir a entrega em separado,
Em "Responsabilidades parentais exercidas por", apenas tem também de entregar a declaração do falecido,
pode escolher as letras A ou B (consoante o progenitor usando a respetiva senha de Portal das Finanças. Se não
esteja identificado na declaração como sujeito passivo A a tiver, pode fazer novo pedido às Finanças, mesmo
ou B), a letra F (para progenitores falecidos em 2018) ou sendo para um contribuinte já falecido (ver "Rendimentos
ainda a C (uma opção que dificilmente terá aplicação de falecidos", na página 33).
prática, já que se refere a cônjuges que optam pela
entrega do IRS em separado mas têm filhos em comum Contribuintes com deficiência
em guarda conjunta). Se algum dos elementos do agregado familiar tiver um
Identifique o número de contribuinte do outro progenitor grau comprovado de invalidez, deve indicar essa
que exerce a guarda conjunta e assinale, com um X, percentagem junto ao respetivo número de identificação
em qual dos agregados é incluído o dependente fiscal, no campo "Grau".
(use como referência o domicílio fiscal do dependente O Fisco prevê deduções maiores para contribuintes
a 31 de dezembro de 2018). e dependentes com grau comprovado de invalidez
Indique também a percentagem de despesas que fica permanente igual ou superior a 60 por cento.
a seu cargo. Esta é uma novidade que muito
reivindicámos e que este ano, finalmente, se concretiza. Deduções automáticas
Tenha, no entanto, em atenção que se a soma das Cada contribuinte deficiente tem direito a uma dedução
percentagens indicadas pelos dois progenitores não for automática de 1900 euros. Por cada dependente com
igual a 100%, o Fisco atribui 50% a cada um. Caso esta deficiência deduzem-se 1187,50 euros automaticamente.
informação tenha sido corretamente comunicada ou Se os pais entregarem o IRS em separado, cada um
confirmada às Finanças antes de 15 de fevereiro (ver deduz 593,75 euros. Por cada ascendente (pais ou
imagem em baixo), já estará preenchida no modelo 3. sogros) com deficiência, que viva em casa do contribuinte
Assinale, por fim, se o dependente vive ou não em e sem rendimento superior à pensão mínima do regime
residência alternada. geral (269,08 euros mensais), são deduzidos
automaticamente 1187,50 euros. Para os casais que
entregam a declaração em separado, a dedução
individual é de 593,75 euros. Já os deficientes das Forças
Armadas usufruem de uma dedução automática de 2375
euros. Em todos os casos, se o grau de invalidez for igual
ou superior a 90%, são deduzidos automaticamente mais
1900 euros para despesas de acompanhamento.
Como todos estes cálculos são automáticos, apenas tem
de indicar o grau de invalidez nos quadros 5, 6 ou 7
do modelo 3.

Grau de invalidez
O apuramento oficial do grau de invalidez tem de ser feito
no centro de saúde da área de residência.
Cabe ao médico do centro de saúde requerer
ao delegado de saúde que convoque uma junta médica,
Ascendentes no prazo de 60 dias. Depois, entregue uma cópia
Se tiver ascendentes (pais ou sogros) a viver consigo em do comprovativo de invalidez no serviço de Finanças,
economia comum, identifique-os no quadro 7. para atualizar a situação fiscal. No caso dos deficientes

10    Guia Fiscal 2019


das Forças Armadas, Polícia de Segurança Pública pretende apoiar consta da lista completa das entidades
ou Guarda Nacional Republicana, a avaliação do grau que podem beneficiar desta consignação. Consulte o
de invalidez é feita pelos respetivos serviços médicos. menu “Apoio ao contribuinte” do Portal das Finanças.
A lista está em constante atualização.
Consignar imposto
Os contribuintes podem “doar” 0,5% do imposto que
teriam a entregar ao Estado a uma entidade com fins
sociais ou religiosos. Esta ação de "consignação" não
implica abdicar de qualquer valor. O dinheiro é sempre
retirado ao imposto que o Estado recebe e não ao
montante eventualmente devolvido ao contribuinte.
Para consignar o imposto, assinale-o no quadro 11 do
modelo 3.
Também é possível consignar o benefício fiscal relativo
a parte do IVA suportado em despesas com reparação
e manutenção de automóveis e motociclos, restauração,
alojamento, cabeleireiros, institutos de beleza,
veterinários e passes sociais. Mas, neste caso, já abdica
de parte do imposto que, eventualmente, lhe seria
devolvido pelas Finanças. Confira se a instituição que

NÃO TÊM DE SER MENCIONADOS NO IRS - ajudas de custo ou gratificações, por exemplo, pela
participação num concurso.
• rendimentos de trabalho por conta de outrem
ou de pensões até 8500 euros anuais (se não houver • prémios de praticantes de alta competição e seus
outros rendimentos), que não tenham sido sujeitos treinadores por classificações importantes
a retenção na fonte e que não incluam rendimentos em competições internacionais de elevado prestígio
de pensões de alimentos acima de 4104 euros; e nível competitivo, como os Jogos Olímpicos;

• subsídio de desemprego, rendimento social • bolsas de formação até 2375 euros anuais
de inserção e subsídios a crianças e jovens; atribuídas por federações a praticantes de desporto
não profissionais, juízes e árbitros de provas;
• pensões ou indemnizações atribuídas na sequência
de lesão corporal, doença ou morte (por exemplo, • bolsas dadas a praticantes de alto rendimento
devido a acidente), no cumprimento do serviço desportivo pelo Comité Olímpico ou Paraolímpico
militar, ao abrigo de algum contrato, ou por decisão de Portugal;
judicial ou ainda aquelas pagas pelo Estado.
• montantes necessários para cobrir despesas
• atos isolados até 1715,60 euros (corresponde extraordinárias com saúde e educação, pagos por
a quatro indexantes de apoios sociais), desde centros regionais da Segurança Social ou Santa Casa
que não tenha outros rendimentos; da Misericórdia de Lisboa, e também por instituições
particulares de solidariedade social em articulação
• prémios literários, artísticos ou científicos: com as entidades acima referidas, no âmbito da ação
- atribuídos em concurso público; social de acolhimento familiar e apoio a idosos,
- sem cedência de direitos de autor; pessoas com deficiência, crianças e jovens.

Guia Fiscal 2019    11  


Trabalhadores
por conta de outrem
RENDIMENTO ANUAL Quotizações sindicais
Pode deduzir as quotas pagas a sindicatos, até ao limite
Salários de 1% do rendimento bruto de trabalho dependente.
Mencione o montante salarial bruto obtido em 2018 O Fisco acrescenta automaticamente 50% a esse valor.
no quadro 4A do anexo A, com o código 401. Se o valor Se entregou 50 euros, por exemplo, é esse o valor que
já estiver previamente preenchido, confirme-o. Em caso deve declarar, mas o Fisco vai deduzir 75 euros.
de incorreção, altere o valor. Tal poderá gerar uma
divergência com os dados comunicados pela entidade Quotizações para ordens profissionais
patronal (ver capítulo "Divergências", na página 49). Pode deduzir as quotas pagas a ordens profissionais
de inscrição obrigatória. Indique o montante no quadro
Retenção na fonte 4C do anexo A, com o código 422.
Aos rendimentos da categoria A é sempre descontado
um montante, que a entidade pagadora tem de entregar Rescisão de contrato
ao Estado e que deve constar da declaração anual Se, em 2018, recebeu uma indemnização por rescisão
de rendimentos que a empresa terá entregado unilateral do contrato de trabalho, seja por falta de aviso
ao trabalhador até 20 de janeiro. Em 2019, o Fisco vai ter prévio ou por sentença judicial, declare-a no quadro 4C
em conta os valores retidos em 2018. Mencione-os do anexo A, com o código 421.
no quadro 4A ou confirme-os apenas, se já estiverem
preenchidos. A percentagem de retenção pode alterar-se Trabalhadores com deficiência
durante o ano se tiver, por exemplo, nascido um filho, Os contribuintes deficientes gozam de deduções
mudado de estado civil ou se um dos elementos do casal adicionais, acionadas de forma automática logo que se
tiver ficado desempregado. Comunique eventuais indica um grau de incapacidade superior a 60 por cento.
alterações à entidade patronal.

Dedução específica RENDIMENTOS ADICIONAIS


Nem todo o rendimento de trabalhador dependente paga
imposto. O Fisco subtrai automaticamente uma dedução Subsídio de refeição
específica, que varia de acordo com o rendimento obtido Se a empresa o pagar em dinheiro, está isento de IRS
ao longo de 2018 (ver quadro 2). O cálculo é feito até 4,77 euros diários. Se o pagar em vales de refeição,
de forma automática e só o valor restante fica sujeito cartão recarregável ou outro meio equivalente, o limite
a imposto (rendimento coletável). de isenção é de 7,63 euros diários. Os montantes não

QUADRO 2
DEDUÇÕES ESPECÍFICAS AOS RENDIMENTOS DA CATEGORIA A

RENDIMENTO ANUAL BRUTO (€) DEDUÇÃO ACRÉSCIMOS À DEDUÇÃO

Dedução de 4104 euros.


O limite sobe para 4275 euros, caso tenha despesas ⋅ Total das indemnizações pagas pelo trabalhador
Até 37 309,09
com quotizações de ordens e associações profissionais por rescisão de contrato de trabalho
de inscrição obrigatória
⋅ Quotizações sindicais
(até 1% do rendimento bruto, acrescidas em 50%)
⋅ Prémios de seguro (doença, acidentes pessoais, vida,
Dedução corresponde ao valor das contribuições
reforma e invalidez) nas profissões de desgaste rápido,
Mais de 37 309,09 obrigatórias para a Segurança Social
com o limite de 2106,60 euros
(em regra, 11% sobre o rendimento bruto)

12    Guia Fiscal 2019


isentos são considerados rendimento da categoria A, QUADRO 3
logo, vêm incluídos na declaração de rendimentos MONTANTES ISENTOS DE IMPOSTO
que a entidade patronal entrega ao trabalhador.
DESIGNAÇÃO ISENTO ATÉ... (€)
Ajudas de custo
Se ultrapassaram os limites indicados no quadro 3
SUBSÍDIO DE REFEIÇÃO (POR DIA DE TRABALHO)
(ao lado), a parte excedente tem de ser adicionada
ao rendimento da categoria A. Em princípio, essa soma
foi feita pela entidade patronal, que a terá incluído na Pago em dinheiro 4,77
declaração de rendimentos que entregou ao trabalhador.
Pago em senha de refeição 7,63

Subsídios de viagem e marcha


AJUDAS DE CUSTO (POR DIA)
Há empresas que suportam o valor do passe ou os custos
com o transporte do trabalhador em carro próprio.
Deslocações no País 50,20
Em regra, o valor do passe é pago juntamente com
o salário, logo, já está sujeito a IRS. No caso dos Deslocações de diretores no País 69,19
trabalhadores que viajam em carro próprio, se a empresa
pagou um valor igual ou inferior ao mencionado Deslocações no estrangeiro 89,35
no quadro 3, não é cobrado IRS. Acima deste valor,
o excedente é adicionado ao rendimento e terá sido Deslocações de diretores no estrangeiro 100,24
incluído na declaração anual de rendimentos.
SUBSÍDIOS DE VIAGEM E DE MARCHA (POR QUILÓMETRO)
Abono por falhas
São pagos, por norma, a trabalhadores que lidam com Transporte em automóvel próprio 0,36
dinheiro. Estão isentos de IRS se não ultrapassarem 5%
Transporte em veículos de carreiras de serviço público 0,11
da remuneração mensal fixa. Acima desta percentagem, (comboio, por exemplo)
o excedente é adicionado ao rendimento da categoria A
Mota 0,14
e terá sido incluído na declaração anual de rendimentos.
Transporte em automóveis de aluguer
Empréstimos (táxi, por exemplo)
Podem ser concedidos ao trabalhador pela entidade 0,34
⋅ 1 funcionário
patronal, sem juros ou com taxa reduzida, mas estão
sujeitos ao pagamento de IRS, pois são encarados ⋅ 2 ou mais funcionários em conjunto 0,11/cada
como rendimento da categoria A
Apenas não são tributados se visarem a compra de
habitação própria e permanente até 180 426,40 euros e Educação e formação profissional
com taxa de juro igual ou superior a 70% da taxa fixada As despesas com cursos são aceites como um custo da
pelo Banco Central Europeu para as principais operações atividade da empresa. O trabalhador-estudante não tem
de refinanciamento (0%). de as declarar na declaração de IRS. Já os vales para
pagar escolas, serviços de educação, manuais e livros
Viagens escolares são declarados como rendimento se
As deslocações pagas pela entidade patronal excederem 1100 euros anuais por dependente.
e não relacionadas com a função do trabalhador são
consideradas rendimento da categoria A. Logo, o seu Ações e obrigações
valor é adicionado ao rendimento total desta categoria. A Quando celebrados pela entidade patronal, os ganhos
entidade patronal fez a soma e terá mencionado o valor total com acordos sobre ações, obrigações ou outros valores
na declaração de rendimentos que entrega ao trabalhador. mobiliários têm de ser declarados como rendimentos

Guia Fiscal 2019    13  


da categoria A e devem vir indicados na declaração anual
de rendimentos entregue ao trabalhador. 10
Sou pescador com um contrato
Utilização ilimitada de veículos de trabalho. Uma vez que exerço
Quando o carro pertence à empresa, mas, por contrato uma profissão de desgaste rápido,
escrito, é cedido ao trabalhador, todas as despesas, como tenho algum benefício no IRS?
combustível ou revisões, são encargos da empresa. Sim. O Fisco considera as atividades
No entanto, as Finanças tributam ao trabalhador essa exercidas por mineiros, desportistas
e pescadores como profissões
utilização do veículo: o rendimento do trabalhador
de desgaste rápido. Por isso, além das
corresponde ao resultado da multiplicação de 0,75% deduções específicas aplicadas
do custo de compra pelo número de meses de utilização. à generalidade dos contribuintes, estes
Por exemplo, se o usar durante um ano e tiver custado profissionais podem ainda deduzir
25 000 euros, a empresa adiciona 2250 euros (25 000 × os prémios pagos em 2018 por seguros
0,75% × 12) aos rendimentos. Também se o automóvel for de doença, de acidentes pessoais
comprado por si ou por um membro do seu agregado até e de vida, até ao limite de 2106,60
dois anos depois de ter deixado de originar encargos para euros. Mas estes seguros têm
a empresa, é considerado rendimento de trabalho, de garantir exclusivamente os riscos
de morte e invalidez ou de reforma
atualizado em função do coeficiente de desvalorização da
por velhice. No último caso, só são
viatura (ver exemplo, em baixo). aceites se não incluírem o pagamento
de capital em vida nos primeiros cinco
QUADRO 4
anos de duração do contrato e desde
VALOR DE MERCADO que o benefício só seja usufruído depois
DA VIATURA Exemplo dos 55 anos.
CARRO DA EMPRESA Se assim for, inscreva o valor do seguro
COEFICIENTE
ANOS DE
Valor de aquisição contratado no quadro 4C do anexo A
DESVALORIZAÇÃO e indique o código 424, referente
25 000 euros
Idade da viatura a “Prémios de seguros no âmbito
0 0
48 meses (4 anos) de profissões de desgaste rápido”.

1 0,80
Rendimento
já tributado
ao trabalhador 11
2 0,65
9000 euros Trabalhei até julho. Durante
(€ 25 000 × 0,75% × 48) o resto do ano, recebi o subsídio
3 0,55 Valor de aquisição de desemprego. Tenho de declarar
pelo trabalhador estes valores na declaração de IRS
1000 euros que vou entregar em 2019?
4 0,45
Coeficiente Só tem de declarar os salários no quadro
de desvalorização 4A do anexo A, com o código 401.
5 0,35 O subsídio de desemprego não está
da viatura:
0,45 sujeito a IRS e não tem de ser declarado.
6 0,30 Se a declaração já estiver previamente
Valor de mercado
da viatura em 2018 preenchida, deverá encontrar
7 0,25
11 250 euros declarados os rendimentos que obteve
(€ 25 000 × 0,45) entre janeiro e julho, tal como a retenção
8 0,20 Rendimento sujeito na fonte efetuada nesse período
a imposto e as contribuições pagas à Segurança
1250 euros Social.
9 0,15
(€ 11 250 − € 1000 − € 9000) Não tem de acrescentar qualquer valor
10 referente ao subsídio de desemprego.
0,10
ou mais

14    Guia Fiscal 2019


Pensões e subsídios
PENSÃO DE REFORMA
12
Como declarar Eu e o meu marido trabalhámos
Os rendimentos de pensões e de reformas devem ser em Portugal e em França.
mencionados no quadro 4A do anexo A, com o código Temos pensões de reforma dos dois
países. Onde as devemos declarar?
403. Ao rendimento obtido, o Fisco deduz
O rendimento obtido em Portugal deve
automaticamente 4104 euros, tal como acontece com ser declarado no quadro 4A do anexo A.
os trabalhadores por conta de outrem. Só o restante Já o montante que recebem de França
é sujeito a imposto. Mas não tem de referir nada e o imposto aí retido são declarados
na declaração. O cálculo é automático. no quadro 5A do anexo J com o código
H01 (se for pensão pública) ou H02
Retenção na fonte (se for pensão privada).
As entidades que pagam pensões (excluindo as pensões Identifique a origem da pensão com
de alimentos) são obrigadas a reter imposto o código do país (ver instruções
do anexo J). Se a pensão for proveniente
mensalmente. Para tal, o contribuinte não tem nada
de trabalho em entidade privada,
a fazer, mas deve assegurar que os dados relativos preencha ainda o quadro 5C.
à situação pessoal e familiar, como o estado civil Envie às Finanças os comprovativos
ou o número de dependentes, estão atualizados. dos rendimentos e retenções até ao fim
de 2019. Não some os valores do anexo
Quotizações sindicais J aos do anexo A.
Se for sindicalizado, declare no quadro 4A o montante pago
ao sindicato, até ao limite de 1% do valor bruto da pensão.
Este valor é automaticamente acrescido de 50% pelo Fisco. 13
Sou pensionista com um grau
de invalidez de 75 por cento.
Pré-reforma Tenho algum benefício no IRS?
Se assinou um acordo de pré-reforma após 1 de janeiro Sim. Tem direito a uma dedução superior
de 2001, o Fisco segue as regras aplicadas ao trabalho à dos restantes pensionistas (ver página
dependente, seja qual for a idade do trabalhador e tenha 10) e só é aplicado imposto sobre 90%
ou não havido cessação, redução ou suspensão dos rendimentos de trabalho
do trabalho. Este rendimento deve ser mencionado dependente, independente
no quadro 4A, com o código 401. e de pensões obtidos por deficientes.
Já as pensões acordadas antes de 2001 são Mas a parte isenta de imposto não pode
exceder 2500 euros.
consideradas rendimentos de pensões e devem ser
declaradas no quadro 4A, com o código 407.
14
Reformei-me em abril de 2018.
PENSÃO DE ALIMENTOS Até então, fui trabalhador
por conta de outrem. Como preencho
Como declarar a declaração de IRS em 2019?
Os rendimentos de pensões de alimentos recebidas em Declare os rendimentos obtidos por
trabalho dependente no quadro 4A
2018 devem ser mencionados no quadro 4A do anexo A,
do anexo A, com o código 401.
com o código 405 e identificando o dependente Já os da pensão de reforma devem ser
e o contribuinte que a paga. Mesmo que a pensão seja indicados no mesmo quadro, mas com
decretada pelo tribunal ou acordada no notário, o código 403. Caso tenha quotizações
é sempre obrigado a declará-la. Ao valor da pensão sindicais ou de ordens profissionais,
de alimentos são automaticamente descontados 4104 mencione-as também no quadro 4A.
euros e só o restante (se houver) é tributado.

Guia Fiscal 2019    15  


Trabalhadores independe
INSCRIÇÃO e que lhe deve ser comunicado pelo contribuinte através
do portal Segurança Social Direta (www-seg-social.pt),
(Re)Abrir atividade com a respetiva senha de autenticação.
Antes de começar a exercer um trabalho independente Se acumular a atividade independente com trabalho por
e passar os chamados “recibos verdes”, tem de abrir conta de outrem, fica isento do pagamento de
atividade nas Finanças. Pode fazê-lo num balcão contribuições à Segurança Social. Para isso, tem de
da Autoridade Tributária ou através da internet, no Portal ganhar, no mínimo, 428,90 euros mensais (que
das Finanças, seguindo Cidadãos > Serviços > Início corresponde ao indexante de apoios sociais) de trabalho
de Atividade > Entregar Declaração. por conta de outrem e descontar, todos os meses, 11% do
rendimento para contribuição à Segurança Social.

Senhorios
Pode também abrir a atividade empresarial para
enquadrar as rendas de imóveis de que seja proprietário.
Mas terá de manifestar essa intenção logo na abertura
da atividade.

IMPOSTOS

Regime Simplificado
Quando (re)abre a atividade, tem de optar pelo regime
simplificado ou contabilidade organizada. Se nada disser,
fica automaticamente abrangido pelo regime
simplificado.
Faturas-recibo
De cada vez que recebe honorários pelos serviços Bonificação nos primeiros dois anos
prestados, tem de emitir uma fatura-recibo (ou recibo A quem abriu atividade em 2018, o Fisco tributa 37,5%
verde) através do Portal das Finanças, em Cidadãos > dos rendimentos. Para os que começaram em 2017,
Serviços > Recibos Verdes > Faturas e Recibos Verdes > a tributação incide sobre 56,25% dos rendimentos
Emitir. Além do valor ganho, indique o montante retido obtidos em 2018. A partir do terceiro ano de atividade,
na fonte. Apure também, junto das Finanças, se está 75% do rendimento bruto obtido ao longo do ano fica
obrigado a cobrar IVA. Nesse caso, tem de mencionar sujeito a imposto, já que as Finanças assumem, em regra,
esse valor em cada fatura-recibo emitida e entregar uma que o restante (25%) é gasto com encargos necessários
declaração de IVA trimestralmente. à atividade.
Este benefício repete-se sempre que alguém reabre a
Segurança Social atividade após tê-la mantido fechada durante mais de
Não há necessidade de se inscrever na Segurança Social cinco anos.
quando abre atividade nas Finanças, já que há uma
comunicação automática entre as duas entidades. Dedução de despesas
Quem abre atividade pela primeira vez, beneficia Por princípio, cada trabalhador independente pode
de isenção do pagamento de contribuições para deduzir até 25% do seu rendimento anual bruto desta
a Segurança Social, válida por 12 meses. categoria. De forma automática, as Finanças deduzem
Terminando esse período, deve pagar 21,4% sobre 70% 4104 euros, tal como efetuam a todos os trabalhadores
do rendimento obtido mensalmente. Para esse cálculo, dependentes. Isso significa que os trabalhadores
a Segurança Social tem em conta o rendimento médio independentes com rendimentos anuais brutos desta
obtido no trimestre anterior ao início do pagamento natureza inferiores a 27 360 euros não precisam de

16    Guia Fiscal 2019


entes
validar despesas de âmbito profissional na plataforma
e-Fatura, pois já atingem a dedução máxima de forma 15
automática. Como desenhador independente,
Já aqueles que obtêm rendimentos da atividade obtive, em 2018, um rendimento bruto
independente superiores a 27 360 euros anuais passam de 13 500 euros.
a ter mais trabalho. O Fisco obriga a justificar no e-Fatura Como serei tributado?
15% do rendimento com despesas de âmbito profissional. Indique o rendimento obtido no campo
Os restantes 10%, para atingir a dedução máxima de 25%, 403 do quadro 4A do anexo B.
Não tendo atingido um rendimento anual
não carecem de justificação.
bruto superior a 27 360 euros,
as Finanças consideram que 25% deste
Dedução parcial ou total montante (3375 euros, neste caso) não
Quando validar despesas profissionais no e-Fatura pode devem ser sujeitos a imposto, pois
escolher as opções “parcial” ou “total”. Sempre que acredita que terão sido gastos com
assinalar “parcial”, o Fisco só terá em conta 25% dessa despesas de âmbito profissional. Apenas
despesa. Por exemplo, se trabalha em casa poderá os 75% restantes (10 125 euros no seu
validar com a opção “parcial” a despesa com a caso) são sujeitos a tributação.
eletricidade, a água ou o gás. Na versão “total”,
a despesa é contabilizada na íntegra.
São consideradas despesas profissionais os gastos com
16
Terminei a minha atividade como
materiais de consumo corrente, eletricidade, água, explicador em outubro de 2017, mas
transportes e comunicações, rendas, contencioso, estou a pensar retomá-la em setembro
seguros, locação financeira, quotizações para ordens deste ano, já com contabilidade
e outras organizações representativas de categorias organizada. Posso fazê-lo?
profissionais, deslocações, viagens e estadas de âmbito Sim. Quando reiniciar a atividade, pode
profissional. São ainda aceites importações ou aquisições escolher o regime em que pretende ficar
enquadrado, independentemente do
intracomunitárias de bens e serviços relacionados
regime anterior. Mas só compensa
com a atividade. passar para a contabilidade organizada
caso preveja que o valor das despesas
anuais com a profissão seja superior
a 25% do total dos rendimentos brutos
que obtiver durante todo o ano.
Exemplo
DEDUÇÃO DE DESPESAS PROFISSIONAIS 17
Se ficar no regime simplificado,
Rendimento bruto anual de trabalho independente quando posso optar pela contabilidade
30 000 euros organizada?
Dedução máxima de 25% (7500 euros) é dividida Cada regime vigora durante um ano
da seguinte forma: e pode ser prolongado por igual período.
• 10% (3000 euros) não precisam de ser justificados Caso queira mudar para a contabilidade
• 15% (4500 euros) têm de ser justificados, na parte organizada, entregue uma declaração
que excede a dedução automática de 4104 euros. de alterações, através do Portal
Logo, tem de justificar 396 euros (€ 4500 − € 4104) das Finanças, até ao final de março.
O regime da contabilidade organizada
Rendimento bruto anual de trabalho independente pode ainda ser declarado de forma
20 000 euros automática para 2019 se em 2018 e 2017
Sendo inferior a 27 360 euros, não é preciso justificar tiver registado rendimentos anuais
despesas de âmbito profissional no e-Fatura. superiores a 200 mil euros.

Guia Fiscal 2019    17  


Tributação excecional Pagamento por conta
O Fisco submete a imposto 15% dos montantes ganhos É um adiantamento que o Estado pode solicitar
por quem exerce atividade no ramo hoteleiro, ao contribuinte a partir do terceiro ano de atividade,
de restauração e bebidas, ou os seus ganhos resultem tendo em conta o imposto que prevê que ele vá pagar.
da venda de mercadorias e produtos. O cálculo do eventual pagamento por conta é feito pelo
Já se a atividade que abriu nas Finanças for de “outros Fisco, com base nos rendimentos do penúltimo ano.
prestadores de serviços” (código 1519), pagará, É na nota de liquidação do IRS que o contribuinte fica
no primeiro ano, imposto sobre 17,5% dos rendimentos a saber se terá de efetuar pagamentos por conta no ano
obtidos e sobre 26,25% no segundo ano. seguinte.
A partir do terceiro ano, 35% dos rendimentos obtidos Os pagamentos por conta são liquidados nos meses
estão sujeitos a tributação. de junho, agosto e novembro. Receberá, nessa altura,
uma nota de cobrança. Os prazos de pagamento expiram
Ganhos acima de 200 mil euros no dia 20 do mês seguinte ao recebimento da nota
Se o rendimento anual de trabalho independente de cobrança (20 de julho, 20 de setembro e 20
ultrapassou esta fasquia em 2018, é obrigado a mudar de dezembro). Quando os pagamentos por conta chegam
o regime de tributação para contabilidade organizada a valores abaixo dos 50 euros ou quando deixa de obter
(ver Contabilidade organizada, em baixo). rendimentos de atividade independente, o Fisco deixa
de cobrar pagamentos por conta. O mesmo acontece
Alojamento local quando a soma dos pagamentos por conta e das
Se tem rendimentos provenientes da atividade retenções na fonte for igual ou superior ao imposto devido.
de alojamento local, o Fisco vai tributar 35% Se, em 2018, fez pagamentos por conta, declare-os
do rendimento bruto acumulado em 2018 no quadro 6 do anexo B.
(ver Alojamento local, na página 22).
Caso tenha optado pela contabilidade organizada, Comunicação de rendimentos à Segurança Social
que é obrigatória para rendimentos totais anuais acima Este ano foi eliminado o anexo SS, que tanta confusão
dos 200 mil euros, aplicam-se as regras do IRC. gerou, nos últimos anos, junto dos trabalhadores
independentes. Deixa de ser necessário incluir
Contabilidade organizada na declaração de IRS o documento que comunicava
Permite a dedução de todas as despesas profissionais à Segurança Social todos os rendimentos obtidos no ano
a 100% e é o regime obrigatório para quem obtém anterior com a atividade independente e que estava na
rendimentos anuais brutos superiores a 200 mil euros. base de atribuição do escalão de contribuições para
Caso tenha superado esta fasquia em 2018, contrate o ano seguinte. A partir deste ano, essa comunicação
um contabilista certificado para lhe alterar o regime passou a ser feita trimestralmente, pelo próprio
de tributação. A partir desse momento, tanto beneficiário, através do portal Segurança Social Direta.
a declaração de IRS como as restantes declarações Os escalões de contribuições passam também a ser
de caráter fiscal têm de ser sempre assinadas por um revistos de três em três meses.
contabilista certificado e inscrito na respetiva ordem
profissional. Alterar atividade
Quem está no regime simplificado também pode, Comunique ao Fisco todas as alterações à atividade
até ao final de março de cada ano, optar pela (por exemplo, ter deixado de trabalhar como arquiteto
contabilidade organizada, independentemente para se tornar consultor).
do rendimento obtido no ano anterior. No entanto, Dispõe de 15 dias a contar da data da mudança para
para rendimentos brutos anuais inferiores a 200 mil entregar uma declaração de alteração de atividade
euros, só é vantajoso mudar para contabilidade às Finanças.
organizada se reunir, ao longo do ano, despesas Pode fazê-lo através do Portal das Finanças,
com a atividade independente superiores a 25% em Cidadãos > Serviços > Alteração de Atividade >
dos rendimentos brutos obtidos nesse ano. Entregar Declaração.

18    Guia Fiscal 2019


Fechar atividade
Pode encerrar a atividade num serviço de Finanças 18
ou no Portal das Finanças, em Cidadãos > Serviços > Sou arquiteto e passei um ato isolado
Cessação de Atividade > Entregar Declaração. de 3500 euros em 2018.
A partir do momento em que deixa de exercer a atividade, tem Posso apresentar as despesas com
30 dias para entregar a declaração de cessação às Finanças. material de desenho que comprei?
Para esse efeito, é considerada a data do último recibo. Não. Apenas o poderia fazer se tivesse
Se cessou atividade em 2018, indique-o no quadro 14 contabilidade organizada (e assim
poderia deduzir todas as despesas
do anexo B quando entregar o IRS.
profissionais) ou, no regime simplificado,
se tivesse ultrapassado, no ano passado,
27 360 euros de rendimentos anuais
(poderia deduzir despesas validadas
na plataforma e-Fatura).
Excluindo estas situações, declare
apenas 3500 euros no quadro 4A
do anexo B.

19
Sou comerciante e estou inscrito como
empresário em nome individual.
Em novembro, vendi a carrinha que
usava. Tenho de declarar a venda?
Depende. Se o veículo não estava afeto
à atividade e apenas integrava o seu
património familiar, o ganho obtido com
a venda não está sujeito a IRS e nem
RETENÇÃO NA FONTE
sequer tem de ser mencionado
na declaração anual. Já se a carrinha
Quem está abrangido estava afeta à atividade (e, nesse caso,
É obrigado a fazer retenção na fonte em 2019 quem já deduziu IVA quando a comprou),
obteve, no ano passado, mais de 10 mil euros em trabalho indique o valor da venda no campo 407
independente. Não estão sujeitas a retenção na fonte do quadro 4A do anexo B.
as prestações de serviços relativas a algumas atividades,
como transportes, hotelaria, agências de viagens
e turismo, restauração ou bebidas. 20
O meu filho de 24 anos tem um grau
de invalidez superior a 60 por cento.
Taxas Em 2017, fez trabalhos para uma
Existem três taxas de retenção na fonte: empresa através de fatura-recibo.
• 25% para rendimentos de profissionais previstos na Vai ter benefícios por ser deficiente?
tabela de atividades do Código do IRS (como arquitetos, Sim. Os rendimentos das categorias A e
médicos, advogados, professores e atores); B obtidos por contribuintes com
• 16,5% para rendimentos da propriedade intelectual deficiência são considerados em 85%
(escritores, por exemplo), industrial ou de prestação para efeitos de IRS, com o limite de
de informação sobre experiência no setor comercial, 2500 euros anuais. Acima de 25 mil
euros anuais, pagam IRS na totalidade.
industrial ou científico;
Além disso, o filho da leitora usufrui
• 11,5% para rendimentos profissionais não previstos ainda de uma dedução à coleta superior
na tabela de atividades (como antigos empresários à dos restantes contribuintes.
em nome individual) ou de atos isolados.

Guia Fiscal 2019    19  


ATO ISOLADO

Emitir fatura
Quem não tem atividade aberta como trabalhador
independente, mas quer prestar um serviço esporádico,
pode optar pelo ato isolado (ver esquema 2, em baixo).
Tem de passar uma fatura-recibo através do portal das
Finanças, seguindo Cidadãos > Serviços > Recibos
Verdes > Faturas e Recibos Verdes > Emitir.

IVA
Algumas atividades estão isentas de IVA. Confirme junto
das Finanças se é o caso do serviço que prestou. Se não
está isento, deve cobrar IVA de 23% (18% nos Açores

ESQUEMA 2
INDEPENDENTES: DECLARAR OU NÃO
O INÍCIO DA ATIVIDADE

IVA A prestação de serviços que vai realizar é um ato esporádico


de valor inferior a 25 000 euros?
Quem está abrangido
Os trabalhadores independentes que obtenham
Não, pretendo Sim, será um ato
ou prevejam ter nesse ano rendimentos brutos anuais
continuar pontual
superiores a 10 mil euros têm de cobrar IVA à taxa
de 23% (18% nos Açores e 22% na Madeira) nas faturas-
-recibo que emitem. No ano passado,
já efetuou algum ato
Isenções isolado de prestação
de serviços?
Estão dispensados de cobrar IVA os trabalhadores
independentes que
• exerçam a profissão de médico, parteira, enfermeiros
Sim Não
ou paramédico;
• no ano anterior não tenham obtido rendimentos brutos
superiores a 10 mil euros nem tenham contabilidade
organizada. Este ato era previsível
e/ou resultou de uma
prática contínua?
Declaração de IVA
O IVA cobrado tem de ser trimestralmente declarado pelo
trabalhador independente no Portal das Finanças
e entregue ao Estado. Se o volume de negócios anual Sim Não
ultrapassar os 650 mil euros, o IVA passa a ser declarado
mensalmente.
Ao IVA a entregar ao Estado pode abater despesas
Opte pelo ato isolado,
relacionadas com a profissão (como um computador, Declare o início
em vez de declarar o
por exemplo) no período a que a declaração respeita. de atividade
início de atividade
Mencione-as no quadro 6.

20    Guia Fiscal 2019


e 22% na Madeira) sobre o valor bruto que vai receber.
Depois, tem até ao último dia do mês seguinte 21
à conclusão do serviço para entregar o valor do IVA Iniciei a minha atividade independente
cobrado às Finanças. Pode fazê-lo num serviço como advogado e já passei faturas-
de Finanças ou emitir a nota de pagamento através -recibo. Estou sujeito a retenções na
do Portal das Finanças e pagar no multibanco. fonte?
Só está sujeito a retenções na fonte
Retenção na fonte se o valor total dos serviços prestados
num ano ultrapassar os 10 mil euros
Se o ato isolado for de natureza comercial, industrial,
brutos ou ainda se os seus clientes
agrícola ou pecuária (como a venda de madeira, por tiverem contabilidade organizada.
exemplo), não há lugar a retenção na fonte. Nesses casos, faça retenção na fonte
Nos restantes casos, só é obrigado a fazer retenção de 25 por cento.
à taxa de 11,5% se o ato isolado ultrapassar 10 mil euros. Caso contrário, selecione a opção de
Ainda assim, o contribuinte pode sempre fazer retenção dispensa de retenção - art.º 101 B, n.º 1
na fonte, se o desejar. O acerto de contas com alínea a) e b) do CIRS quando preencher
as Finanças é feito na liquidação do IRS. a fatura-recibo.

Declarar no IRS
Se emitiu uma fatura-recibo de ato isolado em 2018,
22
Tenho atividade aberta, mas não passo
declare o valor recebido (sem IVA) no quadro 4A faturas-recibo há vários anos. Devo
do anexo B. O valor da retenção na fonte (se tiver feito) fechar a atividade?
é indicado no quadro 7. Assinale também o campo 2 Não tem de o fazer e até é conveniente
do quadro 1. Estes dados devem ter sido confirmados que só encerre a atividade nos 30 dias
até 20 de janeiro pela entidade que pagou o serviço. seguintes após a emissão de uma
fatura-recibo, para evitar coimas.
Se o fizesse agora, já teriam passado
30 dias sobre a data oficial de fim da
atividade, que o Fisco considera como
sendo a data em que passou a última
fatura-recibo.
Quando quiser fechar a atividade, basta
dirigir-se a um serviço de Finanças
e preencher uma declaração de
cessação de atividade. Também pode
submeter essa mesma declaração
através do Portal das Finanças,
em Cidadãos > Serviços > Cessação
de Atividade > Entregar Declaração.
Se o fizer ainda durante este ano, terá de
comunicar no anexo B da declaração de
IRS que entregar em 2020 que fechou a
atividade e em que data o fez.
Não declarar no IRS O Fisco também pode, por iniciativa
Não têm de ser declarados atos isolados de valor bruto própria, cancelar a atividade do
inferior a 1715,60 euros (quatro indexantes de apoios contribuinte, quando considerar
evidente que esta não está a ser
sociais), desde que não tenha obtido no mesmo ano
exercida. Nessa altura, envia uma
outros rendimentos ou que, mesmo tendo outros ganhos, comunicação ao contribuinte,
estes sejam sujeitos a taxas liberatórias, como acontece notificando-o da decisão.
com os juros dos depósitos bancários.

Guia Fiscal 2019    21  


Alojamento local
ATIVIDADE ao pagamento de contribuições. Se esta atividade
for acumulada com outra por conta de outrem (trabalho
Abrir atividade dependente), fica isento de contribuições à Segurança
Antes de começar a prestar serviços de alojamento local, Social.
abra atividade nas Finanças. Pode optar entre
o código de atividade económica (CAE) 55201, referente
a “Alojamento mobilado para turistas”, ou 55204, para IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO
“Outros locais de alojamento de curta duração”.
Pode abrir a atividade em qualquer balcão da Autoridade Declarar no IRS
Tributária ou através da internet, no Portal das Finanças, Se optar por ser tributado como trabalhador
seguindo Cidadãos > Serviços > Início de Atividade > independente, declara os rendimentos brutos obtidos
Entregar Declaração. com alojamento local no campo 417 do quadro 4A
do anexo B. O Fisco cobra imposto sobre 35% dos
Emissão de faturas rendimentos obtidos, mas o proprietário não pode
Tal como qualquer trabalhador independente, tem deduzir gastos com a casa.
de emitir faturas-recibo através do Portal das Finanças, Em alternativa, pode optar por ser tributado de acordo
em Cidadãos > Serviços > Recibos Verdes > Faturas com as regras da categoria F, como acontece com
e Recibos Verdes > Emitir. os rendimentos prediais obtidos por senhorios.
Insira o NIF do hóspede. Caso este seja estrangeiro, Neste caso, assinala a opção “Sim” no quadro 15
selecione o seu país de origem e no campo reservado do anexo B e inscreve os rendimentos anuais brutos
ao NIF inscreva o número de passaporte ou outro obtidos no quadro 15.1, identificando o imóvel,
documento de identificação do inquilino. e os gastos com a casa no quadro 15.2.

Desistências
FATURAS Em caso de desistência do hóspede, os eventuais valores
de reservas não devolvidos também estão sujeitos
Retenção na fonte ao pagamento de imposto. Inclua estes valores no campo
Se o hóspede for um cidadão particular, não há lugar 414. O Fisco vai tributar 10% do valor declarado.
a retenção na fonte. Selecione a opção “Sem retenção –
art.º 101.º B”. Despesas aceites
Caso arrende a sua casa a uma entidade com Se optou pela tributação de acordo com as regras
contabilidade organizada, terá de fazer retenção da categoria F, pode deduzir despesas com obras
na fonte de 25% do rendimento obtido. de conservação da casa, condomínio, imposto municipal
sobre imóveis (IMI), serviços de limpeza e comissões com
IVA plataformas de arrendamento de curta duração, entre
Se obteve, em 2018, um rendimento bruto anual de outros. Só são aceites despesas comprovadas com
trabalho independente superior a 10 mil euros, tem a respetiva fatura.
de cobrar IVA à taxa de 23% (18% nos Açores e 22% na
Madeira) nas faturas-recibo que emite. Nesse caso, terá Fechar atividade
ainda de entregar trimestralmente o montante cobrado A partir do momento em que dá por terminada
ao Estado e preencher a respetiva declaração de IVA. a atividade de alojamento local, tem 30 dias para
comunicar às Finanças a cessão.
Segurança Social Pode fazê-lo num serviço de Finanças ou no Portal
Ter atividade aberta como trabalhador independente das Finanças, em Cidadãos > Serviços > Cessação
pode obrigar ao pagamento de contribuições de Atividade > Entregar Declaração.
à Segurança Social (ver página 16). No entanto, Se cessou atividade em 2018, indique-o no quadro 14
se o alojamento local for atividade exclusiva, não há lugar do anexo B quando entregar o IRS.

22    Guia Fiscal 2019


Investimentos
TIPOLOGIA
Exemplo
Dividendos de ações
AÇÕES
As ações são valores mobiliários representativos
de frações do capital social de sociedades anónimas. Rui
Uma parte dos lucros gerados é distribuída Acionista de empresa com sede em Portugal
aos acionistas: são os dividendos. Estes estão sujeitos
a uma taxa de retenção na fonte de 28%, aplicada Dividendos recebidos em 2018 € 0, 50 por ação
pela entidade pagadora. Retenção na fonte 0,14 por ação (€ 0,50 × 28% = € 0,14)
Dividendo líquido em 2018 € 0,36 por ação
(€ 0,50 − € 0,14 = € 0,36)
Como preencher
Se optar pelo englobamento (ver página 24), preencha
o anexo E, referente a rendimentos de capitais. Indique
metade dos dividendos obtidos se a entidade pagadora
tiver sede em Portugal. Se não tiver, indique-os
por inteiro, já que a taxa de IRS irá ser aplicada ou um ascendente/descendente em primeiro grau.
à totalidade dos dividendos de empresas externas. Nenhum reformado pode ter mais de uma destas contas.
Uma vez que o englobamento é opcional, os bancos não Estão isentos de IRS os juros de contas poupança-
estão obrigados a enviar ao contribuinte declarações -reformado com saldos inferiores a 10 500 euros.
anuais de dividendos. No campo das retenções, inscreva Acima deste valor, aplica-se uma taxa liberatória de 28%,
a totalidade do imposto retido na fonte. No quadro 4B mas o contribuinte continua sem ter de mencionar esta
do anexo E, identifique a entidade pagadora através conta na declaração de IRS.
do número de contribuinte, digite o código “E10”,
o rendimento obtido e a retenção. Estes valores podem Seguros de capitalização
estar previamente preenchidos na declaração. Os rendimentos obtidos com o resgate de seguros
de capitalização estão sujeitos a uma taxa de retenção
Depósitos bancários na fonte que varia consoante o prazo da aplicação
Os juros dos depósitos são depositados pelo banco (ver esquema 3, na página 24). Em regra, não compensa
na data de vencimento e tributados à taxa liberatória optar pelo englobamento destes rendimentos.
de 28 por cento. Logo, quando os receber, já serão
líquidos e não tem de os mencionar na declaração. Fundos de investimento
No entanto, se optar pelo englobamento dos juros, Os rendimentos provenientes do resgate de unidades
preencha o quadro 4A do anexo E, usando o código E20. de participação em fundos de investimento e a liquidação
destes fundos são considerados mais-valias. Declare-os
Certificados de Aforro e do Tesouro no quadro 11 do anexo G. O Fisco aplica imposto sobre
Os juros de Certificados de Aforro e do Tesouro são a diferença entre os ganhos e as perdas.
tributados à taxa liberatória de 28%, pelo que o montante
creditado ao aforrador já será líquido. No entanto, Planos de Poupança-Reforma (PPR)
se optar pelo englobamento dos juros, preencha Se tem mais de 60 anos e um PPR há mais de cinco, tem
o quadro 4A do anexo E, usando o código E20. duas opções para recuperar o investimento: de uma só
vez (reembolso total) ou um pouco todos os meses até
Conta poupança-reformado ao fim da vida (renda vitalícia). Se optar pelo reembolso
Estas contas podem ser abertas por reformados com total, há uma tributação de 20% que incide sobre 40%
pensão mensal inferior a três remunerações mínimas do rendimento obtido (na prática, resulta numa taxa de
mensais (1740 euros em 2018). Também podem ser retenção efetiva de 8 por cento). Esta é, em regra,
constituídas como conjuntas, desde que o primeiro titular a solução mais vantajosa. Caso opte pelo reembolso
seja reformado e os restantes sejam o cônjuge através de renda vitalícia, esta paga imposto como uma

Guia Fiscal 2019    23  


pensão normal. Declare-a no quadro 4 do anexo A. Tributação autónoma
Quando o resgate ocorre dentro das condições previstas Na tributação autónoma, aplicada por defeito, o Fisco
no contrato (seja para renda vitalícia ou reembolso total), cobra 28% sobre a diferença entre mais-valias e menos-
o seu valor não tem de ser declarado no IRS e a retenção -valias. Em princípio, consegue pagar menos imposto
de imposto torna-se automaticamente definitiva. do que se optasse pelo englobamento, pois
a generalidade das taxas usadas no englobamento
são superiores a 28 por cento.

Englobamento
Exemplo Compensa englobar...
PPR • quando o rendimento coletável (incluindo os juros
brutos) é inferior a 10 700 euros. Neste caso, é aplicada
Investimento acumulado há mais de cinco anos uma taxa de imposto até 23 por cento;
25 mil euros • quando há um saldo negativo entre as mais-valias
Rendimento obtido 10 mil euros e as menos-valias. Se englobar, pode reportar o saldo
Total antes de impostos 35 mil euros negativo nos cinco anos seguintes aos rendimentos
da categoria G;
Retenção na fonte sobre o rendimento
• quando teve um saldo positivo em 2018 mas nos anos
800 euros (€ 10 000 × 8% = € 800)
anteriores teve prejuízos, que englobou.
Rendimento líquido 34 200 euros

Exemplo
ENGLOBAMENTO

ESQUEMA 3 Venda de ações em 2017


SEGUROS DE CAPITALIZAÇÃO Saldo negativo 200 euros
Optou pelo englobamento em 2018
O resgate é efetuado com um prazo de aplicação...
Venda de ações em 2018
Saldo positivo 250 euros
Optou pelo englobamento em 2019
... inferior ... entre 5 ... superior
a 5 anos e 8 anos a 8 anos Valor a englobar em 2019 250 euros

Tributação do Tributação de 4/5 Tributação de 2/5


rendimento do rendimento do rendimento à Obrigações do englobamento
à taxa liberatória à taxa liberatória taxa liberatória de
de 28% de 28% (na prática, 28% (na prática, O englobamento é facultativo, mas, se o fizer, tem de
22,4%) desde 11,2%) desde englobar todos os rendimentos de capitais, tais como:
que, nos três que, nos três • títulos da dívida (nominativos ou ao portador);
primeiros anos, primeiros anos,
os montantes os montantes • rendimentos de operações de reporte;
entregues entregues • cessão de créditos;
ultrapassem 35% ultrapassem 35% • contas de títulos com garantias de preço ou outras
do total investido. do total investido.
Caso contrário, Caso contrário, idênticas;
é tributado à taxa é tributado à taxa • valores mobiliários pagos ou disponibilizados
liberatória de 28% liberatória de 28% por entidades sem domicílio em Portugal;

24    Guia Fiscal 2019


• juros de depósitos à ordem ou a prazo, de certificados
de depósito, e ganhos resultantes de swaps (trocas) 23
cambiais, taxa de juro e divisas, e de operações cambiais Resgatei dinheiro aplicado num plano
a prazo; de poupança-reforma (PPR) e num
• seguros do ramo vida (de capitalização, por exemplo). plano de poupança em ações (PPA).
Para englobar, tem de o fazer para todos os rendimentos O que devo fazer?
da mesma natureza (investimentos, mais-valias ou rendas, O resgate destas aplicações só tem
por exemplo). Englobar rendimentos de uma destas de ser declarado se tiver sido feito fora
das condições previstas no contrato.
naturezas não obriga a englobar os restantes.
Para o declarar, preencha o campo 803
do quadro 8 do anexo H, para o PPR,
Tributação de mais-valias e o campo 804 do mesmo anexo para
A mais-valia pode pagar imposto através da tributação o PPA. Neste caso, tem de devolver
autónoma ou, por opção do contribuinte, através os benefícios fiscais usufruídos,
do englobamento aos restantes rendimentos. Indique-a acrescidos de 10% por cada ano
no quadro 9 do anexo G, identificando os títulos vendidos decorrido. Nos PPA, é aplicada a taxa de
e a data e o valor de compra e venda. Nas despesas, 20% sobre a diferença entre o valor
inclua comissões, taxas de bolsa e de corretagem. devido quando encerrou o plano e os
montantes que entregou.
À diferença aplica-se uma taxa de 28 por cento.
Nos planos de poupança-reforma,
educação ou mistos, a taxa é de 21,5%,
Tributação de menos-valias mas desce se durante a primeira metade
Se tiver menos-valias (prejuízo), pode deduzi-las de vigência do contrato o valor das
às mais-valias nos cinco anos seguintes. Para isso, entregas corresponder a 35% do total.
opte pelo englobamento no quadro 15 do anexo G. Sendo assim, se o prazo da aplicação
Já não adianta entregar a declaração de IRS em conjunto for de cinco a oito anos, declara 4/5
por esta razão, pois as mais-valias de um cônjuge não do rendimento, o que equivale a 17,2%
podem ser abatidas às menos-valias do outro. de taxa; já se a aplicação tiver mais
de oito anos, declare 2/5 do que ganhou,
ou seja, paga 8,6% sobre o rendimento.

24
Em maio de 2018, adquiri algumas
obrigações. Tenho de declarar os juros
recebidos?
Como é aplicada uma taxa de 28% sobre
os juros das obrigações no momento
FÓRMULA DE CÁLCULO DE MAIS-VALIAS em que são pagos, não tem de os incluir
OU MENOS-VALIAS DE AÇÕES na declaração de IRS. Esta regra
aplica-se tanto a obrigações do Estado,
Valor da venda como de empresas privadas.

Despesas com a compra e com a venda
(como comissão)

25
Tenho de declarar no IRS o dinheiro
Valor da aquisição × coeficiente que apliquei ao longo de 2018
de desvalorização (consultar página 32) em Certificados de Aforro?
= Não. Esse montante só será tributado,
MAIS-VALIA OU MENOS-VALIA à taxa de 28%, no momento em que
levantar o dinheiro (resgate).

Guia Fiscal 2019    25  


Arrendamento
INQUILINOS Finanças ou pela internet, até janeiro do ano seguinte,
o modelo 44 preenchido com todos os valores de rendas
Despesas dedutíveis recebidos e os números de contribuinte dos inquilinos.
Podem deduzir 15% das rendas pagas, até ao limite Este ano, as rendas recebidas em 2018 tiveram de ser
de 502 euros anuais. No entanto, este limite pode ser comunicadas às Finanças até ao fim de janeiro de 2019.
elevado até aos 800 euros, consoante o rendimento
sujeito a imposto do inquilino. Senhorio de estudante deslocado
Como os estudantes deslocados podem deduzir a
Como preencher despesa de arrendamento, o senhorio tem de mencionar
No anexo H, confirme o arrendamento, utilizando o essa finalidade quando comunicar o contrato e as rendas
código 05 no quadro 7 e identifique o senhorio com o anuais às Finanças.
número de contribuinte. Se o valor das rendas tiver sido
atempadamente comunicado às Finanças pelo senhorio,
já deverá estar previamente preenchido.

Alojamento local
Consulte o capítulo dedicado ao tema, na página 22.

Despesas dedutíveis
SENHORIOS Os senhorios podem deduzir no quadro 5A (ou 5B para
despesas anteriores à data de início do arrendamento)
Registar o contrato do anexo F os seguintes encargos tidos com o imóvel ao
Entre no Portal das Finanças (www.portaldasfinancas. longo de 2018:
gov.pt) e registe o seu contrato em Cidadãos > Serviços> • pinturas interiores e exteriores;
Arrendamento > Contratos > Comunicar início. • reparação ou substituição do sistema de canalização
ou do sistema elétrico;
Senhorios até aos 65 anos • energia e manutenção de elevadores;
A emissão eletrónica de recibos é obrigatória. • energia para iluminação, aquecimento ou climatização central;
• honorários de porteiros, serviços de limpeza
Senhorios com mais de 65 anos e segurança do imóvel,
Só os senhorios com mais de 65 anos a 31 de dezembro • prémios de seguro de incêndio;
de 2017 podem continuar a emitir recibos de rendas • prémios de seguros de partes comuns;
em papel. Anualmente, têm também de entregar nas • taxas autárquicas (por exemplo, saneamento e esgotos);

26    Guia Fiscal 2019


26
Em 2018, as rendas que recebi foram
inferiores às despesas com a casa.
Posso recuperar o prejuízo?
Sim. Pode deduzir esse prejuízo
nos seis anos seguintes a eventuais
rendimentos prediais que venha a obter.
Mas, para isso, é preciso optar pelo
englobamento no anexo F.
Como obteve prejuízo em 2018,
Exemplo na nota de liquidação de 2019 já deverá
SEGURO E CONDOMÍNIO estar indicado o montante que pode
ser reportado até aos seis anos
Rendas recebidas em 2018 seguintes, no quadro “a título
3240 euros informativo”. Este ano, quando
preencher o anexo F, mencione as
Despesas pagas em 2018 rendas recebidas e as despesas tidas.
Seguro multirriscos-habitação: 150 euros Não precisa de inscrever o prejuízo do
Quotas de condomínio: 120 euros ano anterior. O Fisco faz todos os
IMI: 300 euros cálculos.

Total de despesas
570 euros 27
Pintei um prédio que possuo em
Rendimento líquido da categoria F Portalegre e que está em propriedade
2670 euros (€ 3240 − € 570 = € 2670) horizontal. Os apartamentos estão
O Fisco só vai ter em conta 2670 euros. todos arrendados. Como declaro
Mas as despesas devem ser declaradas a despesa com a pintura?
nos quadros 4 e 5A do anexo F. Esta despesa é dividida de acordo
com a permilagem de cada fração.
Caso o prédio estivesse em propriedade
Exemplo
vertical, a despesa seria declarada
OBRAS
proporcionalmente ao valor patrimonial
tributário de cada fração.
Casa herdada em fevereiro de 2018

Obras realizadas em junho de 2018


3000 euros
28
Tenho um terreno agrícola explorado
por outra pessoa, que me paga uma
Arrendamento em dezembro de 2018
renda mensal. Tenho de declarar o
600 euros mensais
rendimento?
Apesar de não explorar o terreno,
Prejuízo em 2018
tem ganhos com o arrendamento, logo,
2400 euros
esse rendimento tem de ser declarado.
Como se trata de um rendimento predial,
Para deduzir este prejuízo, tem de optar
declare-o no quadro 4 do anexo F.
pelo englobamento no quadro 7B do anexo F.
Se tiver atividade aberta como senhorio,
Como as obras foram realizadas antes do
pode optar pela tributação na categoria
arrendamento, devem ser declaradas no quadro
B. Nesse caso, preencha os quadros
5B. Caso contrário, tem de recorrer ao quadro 5A.
4B e 7A do anexo B.

Guia Fiscal 2019    27  


• imposto municipal sobre imóveis (IMI);
• despesas de condomínio (por exemplo, quotas 29
ou contributos para obras); Vivo num apartamento arrendado.
• honorários de advogados em ações de despejo. Como a casa é grande, o senhorio
• despesas com obras, desde que feitas depois de janeiro autorizou-me a arrendar um quarto,
de 2016 e se o imóvel for (ou tenha sido) arrendado até por 240 euros mensais. Onde devo
24 meses depois da data de conclusão. declarar este valor?
Este é um caso de subarrendamento ou
sublocação. O total de rendas pagas
Despesas não dedutíveis
pelo quarto (2880 euros anuais) deve
Não entram no IRS os encargos com ser declarado no quadro 6, no anexo F,
• obras que alterem a estrutura do imóvel bem como o número de contribuinte
(como construir uma divisão); do sublocatário. Se acordou com
• aquisição de mobiliário; o senhorio a partilha de parte da renda
• instalação de equipamentos de ar condicionado; cobrada pelo quarto, indique o total
• obras de valorização (rega automática, por exemplo). dessas entregas na coluna "renda paga
ao senhorio".
Como preencher
Declare as rendas recebidas e eventuais encargos
com o imóvel nos quadros 4 e 5A ou 5B do anexo F.
30
Uma agência de publicidade paga-me
Tem de identificar o inquilino com o número 300 euros todos os meses para ter
de contribuinte em "NIF do arrendatário". afixado um anúncio na parede
da minha casa. Tenho de declarar
Tributação autónoma ou englobamento este valor no IRS?
As Finanças aplicam, por defeito, a tributação autónoma, Sim, tem. Esse é um rendimento predial,
ou seja, uma taxa de 28% sobre os rendimentos prediais logo, paga imposto. Deve somar
(rendas, por exemplo), a não ser que o senhorio opte pelo o rendimento recebido no ano 2018
e declará-lo no anexo F.
englobamento na categoria F ou tenha atividade aberta
Se, porventura, tiver atividade aberta
como senhorio na categoria B. Por norma, esta é a opção
como trabalhador independente, pode
mais favorável. Como a taxa de 28% é inferior ao terceiro optar por ser tributado pela categoria B.
escalão de IRS (28,5%), acaba por pagar menos. Nesse caso, preencha o quadro 4A
Ainda assim, estas opções devem ser bem ponderadas. do anexo B, usando o campo 410.
Se englobar, tanto na categoria B como na F, já não é
obrigado a incluir os rendimentos de outras categorias,
como juros de depósitos à ordem ou ganhos com a venda 31
de ações. Se optar pelo englobamento de rendimentos Em 2018, aceitei arrendar um terreno
na categoria F ou pela tributação de 28%, preencha o meu para funcionar como estaleiro
de uma obra. A empresa responsável
anexo F. Já se preferir o englobamento de rendimentos
pela obra faz retenção na fonte.
na categoria B, preencha os quadros 4A e 7A do anexo B. Vou receber uma declaração
de rendimentos e de retenções?
Retenção na fonte Sim, mas, na verdade, já a deveria
Os rendimentos prediais até 10 mil euros anuais estão ter recebido. As entidades com
dispensados de retenção na fonte. Acima deste valor, contabilidade organizada, que paguem
há que reter à taxa de 25%, mas só se a entidade que rendas de imóveis e efetuem retenção
paga os rendimentos tiver contabilidade organizada na fonte, têm de entregar ao senhorio,
(por exemplo, se o inquilino for uma empresa). Se o até 20 de janeiro do ano seguinte, uma
declaração anual com todos os valores
imóvel estiver arrendado a um particular, não há retenção
pagos e todos os montantes retidos.
e no recibo escolhe a opção “sem retenção”.

28    Guia Fiscal 2019


Venda de imóveis
EM QUE ANEXO DECLARAR Venda de terrenos para construção
Se, em 2018, vendeu um terreno destinado à construção
Venda de casa e de terrenos rústicos ou industriais de habitação, tem de declarar a venda, que pode ficar
Se, em 2018, vendeu uma casa, terreno rústico ou sujeita ao pagamento de imposto (ver esquema 4
industrial, tem de declarar, obrigatoriamente, o valor da para o confirmar).
venda, que pode ficar sujeito ao pagamento de imposto Caso o terreno tenha sido comprado, herdado ou recebido
(ver esquema 4). Caso o imóvel tenha sido herdado, em doação antes de 9 de junho de 1965, só tem
comprado ou recebido em doação antes de 1 de janeiro de declarar a transação no anexo G1 (ver "Como preencher
de 1989, a transação só tem de ser declarada no anexo G1 o anexo G1", na página 30).
(ver "Como preencher o anexo G1", na página 30), mas não A venda de terrenos para construção que tenham sido
paga imposto. Se o imóvel tiver sido herdado, comprado herdados, comprados ou recebidos em doação
ou recebido em doação após essa data, a venda tem de ser após 9 de junho de 1965 já obriga ao preenchimento
declarada no anexo G (ver "Como preencher o anexo G", do anexo G (ver "Como preencher o anexo G",
na página 30). na página 30) e fica sujeita ao pagamento de imposto.

ESQUEMA 4
VOU PAGAR IMPOSTO PELA VENDA DA MINHA CASA?

Se comprou o imóvel depois de 1989...

... quer reinvestir o ganho obtido na compra de outro imóvel


para habitação própria e permanente no prazo de 36 meses?

Sim Não

Vai reinvestir a totalidade


Era a sua
do dinheiro recebido
única habitação?
ou apenas uma parcela?

Sim Não

Vai utilizar todo o dinheiro da venda


A totalidade Uma parcela
para amortizar o empréstimo?

Sim Não

A mais-valia será tributada O montante não usado


Mais-valia não paga Mais-valia não Mais-valia tributada
proporcionalmente ao valor é considerado mais-valia,
imposto paga imposto na totalidade
reinvestido logo, paga imposto

Guia Fiscal 2019    29  


Como preencher o anexo G de reinvestir no quadro 5 do anexo G no ano em que é
Indique no quadro 4 a data e o valor pelo qual havia feita a venda, comprovando nessa e nas declarações dos
comprado a casa, bem como a data e o valor da sua venda. três anos seguintes (se for necessário) os reinvestimentos
Identifique o código da freguesia, o tipo de imóvel que espera fazer. É ainda obrigatório que o imóvel
(urbano ou rústico), o respetivo artigo matricial, a fração comprado seja declarado como habitação do contribuinte
e ainda a quota-parte que lhe pertence. ou do seu agregado familiar até 12 meses após o fim do
Caso o valor da aquisição, herança ou doação de que prazo para reinvestir (no máximo, ao fim de 48 meses).
tenha conhecimento ainda esteja em escudos, tem
de o converter para euros (1 euro = 200,482 escudos). Reinvestir até 24 meses antes de vender
Se já comprou a casa nova e ainda não conseguiu vender
Como preencher o anexo G1 a antiga, também pode vir a beneficiar desta isenção
Preencha no quadro 5 as datas de compra e venda de imposto sobre as mais-valias, desde que faça a venda
de cada imóvel. Indique também o código de freguesia, até 24 meses após a compra do novo imóvel. Neste caso,
o tipo de imóvel (urbano ou rústico) e os respetivos artigo só declara a transação no anexo G quando vender a casa
matricial e fração. Inscreva ainda os montantes antiga. Preencha no campo 5007 do quadro 5A o valor
da aquisição (ou herança, ou doação) e da venda. que reinvestiu nos 24 meses anteriores, ou seja,
Caso o valor da aquisição, herança ou doação de que os montantes relativos à casa que comprou.
tenha conhecimento ainda esteja em escudos, tem
de o converter para euros (1 euro = 200,482 escudos).

Exemplo
REINVESTIMENTO REINVESTIMENTO TOTAL

Casa anterior comprada em 2010


Isenção por reinvestimento total Preço 120 mil euros
Se o ganho obtido em 2018 com a venda de uma casa
destinada a habitação própria e permanente Casa vendida em junho de 2018
do contribuinte ou do seu agregado familiar tiver sido Preço 175 mil euros
reinvestido na compra de outra casa destinada
a habitação própria permanente, fica isento Casa nova comprada em setembro de 2018
do pagamento de imposto sobre as mais-valias obtidas. Preço 200 mil euros.
O Fisco aceita reinvestimentos em qualquer país
Reinvestimento total. Não paga imposto.
da União Europeia.
Preenche os quadros 4 e 5A do anexo G.

Reinvestimento em terreno ou ampliação de imóvel


A isenção de imposto sobre as mais-valias também
se estende ao reinvestimento em terrenos para Reinvestimento parcial
a construção de casas ou em obras de ampliação Se nem todo o montante obtido com a venda
de imóveis que se destinem a habitação própria de uma casa é aplicado na compra de nova habitação,
e permanente. No entanto, a inscrição da matriz predial tal é considerado um reinvestimento parcial.
tem de ser pedida até 48 meses após a venda da casa Nesse caso, o Fisco vai calcular que parte do rendimento
antiga e o novo imóvel tem de ser declarado como obtido com a venda foi reinvestido na nova habitação
habitação até 60 meses após a venda. própria e permanente (ver exemplo ao lado).
Nos quadros 4 e 5A do anexo G, declare os valores
Reinvestimento até 36 meses depois de venda, de compra, respetivas datas e encargos.
A isenção de imposto sobre o lucro obtido com a venda Identifique o imóvel vendido com o código da freguesia,
de casas é válida para reinvestimentos feitos até 36 o tipo (urbano ou rural), artigo matricial e fração
meses após a venda. Neste caso, mencione a intenção (consulte a caderneta predial).

30    Guia Fiscal 2019


32
Em 2018, vendi um terreno para
construção que tinha comprado
em 1987. Devo declarar a venda?
Sim, uma vez que o terreno foi adquirido
após 9 de junho de 1965, tem mesmo
de declarar a venda na declaração
de IRS que entrega este ano.
Exemplo No anexo G, identifique no quadro 4
REINVESTIMENTO PARCIAL o terreno vendido, bem como os valores
de compra e venda, as datas das
Casa anterior comprada em 2010 transações e eventuais encargos.
Preço 100 mil euros

Casa vendida em junho de 2018


Preço 125 mil euros
33
Em 2009, herdei uma casa e vendi-a
Casa nova comprada em setembro de 2018 em 2018, por 100 mil euros.
Preço 110 mil euros Uma vez que desconheço o preço
de compra, como é tributada esta
Como não foi reinvestida a totalidade do dinheiro venda?
obtido com a venda, há que aplicar o coeficiente Quando herdou a casa, as Finanças
de desvalorização da moeda para um imóvel de 2010 atribuíram-lhe um valor, que consta
(1,09): da declaração de imposto de selo que
terá pago nessa altura (ainda que tenha
Valor atualizado da compra em 2010
ficado isento). Se a casa tiver, por
100 000 × 1,09 = 109 000 euros
exemplo, sido avaliada em 25 mil euros,
Mais-valia obtida com a venda tem direito à chamada "correção
125 000 − 109 000 = 16 000 euros; monetária", pois passaram mais de 24
meses entre a data em que a recebeu
Proporção reinvestida e a da venda. Neste caso, aplica-se
110 000 ÷ 125 000 = 0,88 o coeficiente de desvalorização
Reinvestimento de 88% do valor da venda referente a 2009, que é de 1,11
Valor a abater às mais-valias (ver quadro 5, na página 32) e a mais-
16 000 × 88% = 14 080 euros -valia obtida é de 72 250 mil euros
Valor sujeito a imposto (100 000 - 25 000 × 1,11). Mas só pagará
16 000 − 14 080 = 1920 euros. imposto sobre metade desta mais-valia,
O Fisco aplica imposto sobre metade deste montante ou seja, sobre 36 125 euros.
(1920 ÷ 2 = 960 euros), que é englobado aos No anexo G declara os 25 mil euros,
restantes rendimentos. os valores de venda e os encargos.

Indique no quadro 4 do anexo G o valor de compra


e da venda e identifique o imóvel. 34
No quadro 5A, inscreva o valor a reinvestir Vendi uma casa de férias em 2018.
na compra de casa e identifique o imóvel objeto Se reinvestir o dinheiro da venda
de reinvestimento. na ampliação da minha habitação
própria e permanente, tenho isenção
Para declarar a intenção de reinvestir a mais-valia
de imposto sobre mais-valias?
nos 36 meses seguintes, preencha o quadro 5A do
Não. A isenção de mais-valias
anexo G e indique o ano em que tenciona concretizar
só se aplica à compra e venda
o reinvestimento.
de habitações próprias e permanentes.

Guia Fiscal 2019    31  


Já no quadro 5A inscreva o valor do empréstimo QUADRO 5
em dívida, quanto pretende reinvestir do seu bolso COEFICIENTES DE DESVALORIZAÇÃO
(sem crédito) e assinale no campo 5027 se já reinvestiu em
habitação própria permanente nos 24 meses anteriores. ANO COEFICIENTE

Despesas dedutíveis 1990 2,27


Às mais-valias dos imóveis podem ser descontados 1991 2,01
os encargos com a compra ou venda (por exemplo, 1992 1,85
comissão de mediação imobiliária, certificado energético, 1993 1,71
registos da casa) ou ainda despesas com a valorização
1994 1,63
do imóvel nos últimos 12 anos (por exemplo, sistema
1995 1,57
de aquecimento).
1996 1,53
Não reinvestir a mais-valia 1997 1,51
Ficando com todo o lucro obtido na venda do imóvel, 1998 1,46
o Fisco irá englobar metade desse valor aos restantes 1999 1,44
rendimentos, independentemente da categoria destes.
2000 1,41
Neste caso, preencha apenas o quadro 4 do anexo G,
declarando a venda. Os restantes cálculos são 2001 1,32
automáticos (ver quadro 6, em baixo). 2002 1,27
2003 1,23
Isento de imposto sem investir 2004 1,21
Se vendeu uma casa que ainda estava abrangida por
2005 1,19
um contrato de crédito à habitação celebrado antes
2006 1,15
de 31 de dezembro de 2014, a mais-valia obtida com essa
venda está isenta de imposto, desde que seja usada para 2007 1,13
amortizar o empréstimo. No entanto, esta regra está em 2008 1,09
vigor apenas até 2020 e só é válida se o contribuinte não 2009 1,11
for proprietário de outra casa de habitação. 2010 1,09
Caso use apenas uma parte da mais-valia para pagar
2011 1,05
o empréstimo, o restante ficará sujeito a imposto.
2012 a 2015 1,02
2016 1,01
2017 1

QUADRO 6
CALCULAR MAIS-VALIAS OU MENOS-VALIAS DE IMÓVEIS
NEGÓCIO FÓRMULA RESULTADO DA FÓRMULA FORMA DE TRIBUTAÇÃO

Valor da venda − (valor da compra × coeficiente de


Venda de imóvel desvalorização) − encargos necessários à compra e à venda −
encargos com a valorização (nos últimos 12 anos) Se for positivo: há uma mais‑valia
Englobamento de 50%
sujeita a tributação.
da mais‑valia aos restantes
Se for negativo: há uma menos-valia
Cessão onerosa de posição rendimentos
e nenhum rendimento é tributado
contratual ou outros Valor recebido pelo cedente − preço pago pela aquisição
direitos relativos de direitos
a bens imóveis

32    Guia Fiscal 2019


Rendimentos
de falecidos
ANTES DA PARTILHA DEPOIS DA PARTILHA

Quando há cônjuge vivo Quem declara


Em caso de falecimento de um dos cônjuges durante Se os herdeiros legitimários (cônjuge, filhos ou pais)
o ano de 2018, cabe ao viúvo declarar os rendimentos partilharam, em 2018, os bens deixados pelo falecido,
obtidos pelo falecido até à data do óbito. não há imposto a pagar e nem sequer é necessário
Se a entrega for conjunta, o cônjuge viúvo deve entrar declarar esses bens no IRS. Já se outros herdeiros
no Portal das Finanças apenas com a sua senha tiverem recebido bens durante o ano de 2018, também
de autenticação. Neste caso, o cônjuge viúvo não têm de os declarar, mas os bens recebidos estão
identifica-se como sujeito passivo A e preenche sujeitos ao pagamento de imposto de selo (ver "Heranças
os campos 4 e 6 no quadro 5B do modelo 3. e Doações", a partir da página 62).
Havendo rendimentos da categoria A ou H (trabalho
dependente ou pensões), o cônjuge deve declarar
os rendimentos do falecido no quadro 4A do anexo A
e identificá-lo com a letra F (falecido).
Se optar pela entrega em separado, o(a) viúvo(a) usa ESQUEMA 5
a sua senha para entregar os próprios rendimentos DECLARAR RENDIMENTOS PREDIAIS DE UM
e a senha do(a) falecido(a) para declarar os rendimentos FAMILIAR FALECIDO EM 2018 (HERANÇA INDIVISA)
deste(a). Caso o(a) viúvo(a) não tenha a senha
do falecido, deve fazer um novo pedido no Portal
Os rendimentos foram obtidos antes do falecimento?
das Finanças. A senha deve chegar no prazo de cinco
dias úteis.

Quando não há cônjuge vivo Sim Não


Na ausência de um viúvo que declare os rendimentos
que o falecido ainda obteve em 2018, este papel
é assumido pelo cabeça-de-casal, que representa
É o(a) viúvo(a)?
legalmente todos os herdeiros enquanto não são feitas
partilhas. Em regra, é o filho mais velho que assume essa
função, mas não é obrigatório que assim seja.
A identificação do cabeça-de-casal é feita perante Sim
as Finanças, no momento em que ali é participado
o óbito e preenchida a relação de bens (ver "Heranças
e Doações", a partir da página 62).
Em 2019, cabe ao cabeça-de-casal submeter Vai entregar a Vai entregar
a declaração de IRS referente aos rendimentos de 2018, declaração de IRS a declaração de IRS
em conjunto em separado
na qualidade de titular desses rendimentos.
Os rendimentos são inscritos no quadro 4A do anexo A.
Para entregar a declaração, o cabeça-de-casal deve
utilizar a senha de acesso do falecido. Não tendo Declara no anexo Declara Cada herdeiro
conhecimento da mesma, deve efetuar novo pedido no F. Se o imóvel individualmente entrega e preenche
pertencia ao os seus o anexo F
Portal das Finanças. Para declarar eventuais rendimentos com a sua
falecido, indique rendimentos
de rendas oriundos de uma herança indivisa, siga as o titular falecido prediais e entrega
quota-parte
instruções do esquema 5. Tenha em atenção que o e o montante
(F). Se era um bem a declaração de IRS recebido
número de conta bancária do falecido, declarado para comum, mencione do falecido usando ou aquela
eventual reembolso, deverá ser alterado para uma conta o titular A a senha deste a que tem direito
a que os herdeiros tenham acesso.

Guia Fiscal 2019    33  


Rendimentos
do estrangeiro
QUEM É RESIDENTE
35
Residente em Portugal Fui trabalhar para o estrangeiro em
Têm de ser declarados no IRS os rendimentos obtidos setembro de 2018 e não obtive mais
em Portugal e no estrangeiro por cidadãos considerados rendimentos em Portugal. Sou
considerado residente?
residentes em Portugal. Em regra, são considerados
Apesar de ter estado mais de 183 dias a
residentes no País todos os cidadãos que por cá residir em Portugal, tem residência fiscal
permaneçam por mais de 183 dias (seguidos ou não) parcial. Isto significa que é considerado
ou que, mesmo tendo permanecido em Portugal residente fiscal no período de 1 de
por período inferior a 183 dias, aqui tenham a sua morada janeiro a 31 de agosto de 2018
fiscal, registada nas Finanças até 60 dias após a chegada e é considerado não residente no País
ao País e manifestem a intenção de cá morar entre setembro e dezembro.
(por exemplo, tendo um contrato de arrendamento). Para cumprir com as suas obrigações
fiscais, entregue uma declaração de IRS
assinalando a condição de residente no
Como declarar
quadro 8B do modelo 3.
Os rendimentos obtidos no estrangeiro apenas são Adicione um anexo J, onde deve
declarados no anexo J. mencionar os rendimentos obtidos no
estrangeiro entre setembro e dezembro.
Não residente em Portugal Quando os contribuintes deixam
Um contribuinte que não tenha residido em Portugal de residir no País, é essencial alterarem
durante todo o ano pode ser simultaneamente residente o domicílio fiscal no prazo de 60 dias,
e não residente. para as Finanças saberem que
Se obteve rendimentos em Portugal, mesmo estando a residência habitual mudou.
ausente, entrega uma declaração como residente e outra
como não residente. Para esta última, só são 36
considerados os rendimentos que não pagam imposto Estive emigrado em França, mas agora
à cabeça, como as rendas de imóveis. Pelo contrário, vivo em Portugal. Recebo uma pensão
se tiver rendimentos de capitais, por exemplo, não há de França. Tenho de a declarar cá em
necessidade de os declarar, pois estes já retiveram Portugal?
imposto na fonte. Sim. Os rendimentos obtidos
no estrangeiro por residentes em
território nacional têm de ser declarados
Dupla tributação
no anexo J. Como se trata de um
Em alguns casos, os rendimentos obtidos no estrangeiro rendimento de pensões, preencha cinco
podem ter sido sujeitos a imposto duas vezes: no país de campos do quadro 5:
origem e em Portugal. Para não penalizar o contribuinte, • identifique o tipo de pensão (com
o Fisco calcula a parte do imposto cobrada a mais o código H01 se for do privado ou com
e devolve-a na nota de liquidação. Cabe ao contribuinte o código H02 se for pensão pública);
indicar no anexo J os rendimentos que ganhou • indique o código do país na segunda
no estrangeiro. Preencha o quadro 4 para rendimento coluna (250 para França, mas nas
de trabalho dependente ou o quadro 5 para pensões. instruções encontra os códigos
de outros países);
Deve ainda enviar, por correio, os comprovativos dos
• inscreva o rendimento bruto da pensão
rendimentos obtidos e do imposto pago no estrangeiro. na terceira coluna;
Se os rendimentos foram obtidos fora da zona euro, • mencione as contribuições para sistemas
a conversão segue o câmbio de 31 de dezembro de 2018. de proteção social na quarta coluna;
Como o Fisco só fará as contas posteriormente, não • indique o valor do imposto que foi
conseguirá obter uma simulação da liquidação antes pago no estrangeiro na quinta coluna.
de submeter a declaração.

34    Guia Fiscal 2019


Deduções
FATURAS VALIDADAS a importação automática das despesas para o anexo H.
No quadro 6C, quando o Fisco lhe pergunta se pretende
Deduções inserir manualmente as despesas, em alternativa
Algumas despesas podem ser mencionadas no anexo H à importação automática dos valores do e-Fatura,
da declaração de IRS. Pela sua natureza, selecione a opção “Não”. Neste caso, não verá os valores
são consideradas dedutíveis no imposto a pagar, no ecrã, mas eles são automaticamente contabilizados
reduzindo o montante devido por cada agregado familiar. pelo Fisco.
Salvo algumas exceções, o Fisco só aceita deduções
de despesas registadas na plataforma e-Fatura. Dedução manual
Caso discorde dos valores previstos na plataforma
e-Fatura e-Fatura para dedução, selecione a opção "Sim"
É nesta plataforma (https://faturas.portaldasfinancas.gov. no quadro 6C. Neste caso, confirme se o sistema
pt) que vão sendo registadas, ao longo do ano, lhe permite corrigir apenas o valor da categoria
as despesas emitidas com o número de contribuinte que deseja alterar ou se é necessário inserir
de cada cidadão. Todas as despesas são arrumadas manualmente todos os valores finais para educação,
em categorias, de acordo com a sua natureza. saúde, habitação e lares de cada membro do agregado
Algumas geram dúvidas ao Fisco, que não as sabe familiar, mesmo que alguns deles estejam corretos
classificar, e ficam pendentes na plataforma, até que na plataforma e-Fatura.
o contribuinte identifique a respetiva categoria.
No entanto, terminou a 25 de fevereiro o prazo para
validar faturas referentes a 2018, ou seja, aquelas que
contam para a declaração de rendimentos que entrega
este ano, entre 1 de abril e 30 de junho.

SAÚDE

Limite da dedução
O Fisco deduz 15% das despesas de saúde de todos
os membros do agregado familiar, até ao limite
Importação automática de 1000 euros (ver quadro 7, na página 36).
Caso os montantes de despesas registadas
na plataforma e-Fatura estejam corretos, já não tem de IVA nas despesas de saúde
inseri-los na declaração de IRS. Uma vez que a entrega já As despesas isentas de IVA ou com 6% de IVA são
é feita obrigatoriamente através da internet, pode aceitar deduzidas diretamente. Já as despesas com IVA à taxa

Guia Fiscal 2019    35  


QUADRO 7 • Os medicamentos alternativos, como os de medicina
DEDUÇÕES POR DESPESAS DE SAÚDE chinesa, podem ser registados no e-Fatura, desde que
prescritos por um especialista com cédula profissional
PODE DEDUZIR 15% DAS DESPESAS LIMITE MÁXIMO emitida pela Administração Central dos Sistemas de
Saúde (no consultório, peça uma cópia dessa cédula.
isentas de IVA ou com taxa de IVA de 6% do contribuinte, Se ainda não tiverem esse documento, peça um
do seu agregado familiar ou dos ascendentes e colaterais comprovativo de que o pedido já foi feito).
até ao 3.º grau

com taxa de IVA de 23% do contribuinte, do seu agregado Despesas dedutíveis só com prescrição médica:
familiar ou dos ascendentes e colaterais até ao 3.º grau, € 1000 • medicamentos de venda livre com taxa de IVA de 23%;
desde que justificadas por prescrição médica por agregado • produtos sem glúten;
familiar
ou • produtos alimentares destinados a garantir a vida
prémios de seguros de saúde
€ 500 biológica (por exemplo, para pessoas intolerantes
para tributação à lactose);
em separado
pagas e não reembolsadas (por exemplo, pelo seguro de • tratamentos termais, sessões de ginástica e artefactos
saúde) do contribuinte e seus dependentes, de ascendentes (como colchões ortopédicos), desde que comprados
e colaterais até ao 3.º grau, desde que não obtenham
rendimentos superiores à pensão mínima do regime geral em estabelecimentos registados nas Finanças
(€ 269,08) e vivam em economia comum com o contribuinte com código de atividade ligada a saúde.

Documentos a guardar
de 23% só são aceites se o contribuinte tiver a respetiva
Para algumas despesas de saúde, o Fisco pode vir
prescrição médica. Não é preciso apresentá-la
a exigir-lhe, mais tarde, receitas ou comprovativos
no momento da entrega de declaração, mas tem
de pagamento. Por isso, guarde:
de guardar a receita, caso o Fisco lhe exija mais tarde
• faturas de medicamentos e de serviços médicos
essa justificação médica para a despesa.
(como consultas), que indiquem o nome da entidade
que prestou o serviço ou vendeu o medicamento
Ascendentes
e a respetiva quantidade. Também são aceites
Pode deduzir no seu IRS despesas de saúde
a fotocópia ou o original da receita ou da prescrição
dos ascendentes (por exemplo, pais ou sogros)
médica, acompanhados pelo recibo da farmácia;
ou colaterais até ao terceiro grau (por exemplo, irmãos
• recibos de internamento em hospitais ou casas
ou tios) que não tenham rendimentos superiores
de saúde oficiais (ou particulares licenciadas para tal);
à pensão mínima do regime geral (269,08 euros), desde
• comprovativos de comparticipação de encargos por
que vivam com o contribuinte em economia comum.
entidades oficiais (como ADSE ou SAMS) ou particulares
(por exemplo, companhias de seguros). Em simultâneo,
Despesas dedutíveis
estas instituições tiveram de comunicar ao Fisco, até
Podem ser deduzidas as despesas referentes a:
janeiro de 2019, os montantes pagos pelos contribuintes;
• serviços prestados por profissionais de saúde
• comprovativos do pagamento das taxas moderadoras
(como consultas de clínica geral ou de especialidades);
em centros regionais de saúde ou em postos
• intervenções cirúrgicas e internamento em hospitais,
de atendimento da Direção-Geral dos Cuidados de Saúde
clínicas ou casas de saúde (públicos ou privados);
Primários. Também estas instituições tiveram
• próteses e ortóteses (como muletas, dentaduras,
de comunicar ao Fisco, até janeiro de 2019, os montantes
aparelhos de correção de dentes ou óculos);
suportados pelos contribuintes, para serem lançados
• serviços prestados por optometristas e ortoptistas;
no e-Fatura. Só estarão visíveis a partir de 15 de março.
• medicamentos de venda livre com taxa de IVA
de 6 por cento;
Despesas não dedutíveis
• fraldas para incontinentes compradas em locais
• deslocação para tratamento e estada do contribuinte
que tenham atividade aberta na área da saúde
e do seu acompanhante (ambulâncias, por exemplo);
(como farmácias ou parafarmácias, por exemplo).

36    Guia Fiscal 2019


• deslocação e estada para tratamentos fora do País;
• produtos sem propriedades preventivas, curativas 37
ou de reabilitação, como cosméticos ou de higiene; Posso deduzir no IRS os gastos com
• produtos naturais, como chás; fraldas?
• medicamentos de venda livre com taxa de IVA de 23% As fraldas para bebés não são despesas
sem receita médica. de saúde, mesmo quando prescritas
por um médico. Já as fraldas para
incontinentes são dedutíveis em 15%,
com o limite de 1000 euros,
EDUCAÇÃO
se compradas num estabelecimento
com código de atividade de saúde
Limite da dedução (como farmácias) e devidamente
O Fisco deduz 30% das despesas de educação registadas e validadas no e-Fatura.
e de formação profissional do contribuinte e dos seus
dependentes, até ao limite de 800 euros para todo
o agregado. 38
São também aceites despesas de formação profissional, O meu filho faz terapia da fala. O Fisco
considera os 600 euros que pago
desde que prestada por entidades reconhecidas pela
anualmente como despesa de saúde
Direção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho.
ou de educação?
Se o seu filho ainda é seu dependente
Despesas dedutíveis e faz parte do agregado familiar,
Desde que estejam isentas de IVA ou sujeitas à taxa o encargo é considerado despesa de
de IVA de 6% e sejam prestadas por estabelecimentos saúde. Mas deve ter prescrição médica e
inscritos nas Finanças com setor de atividade a entidade que presta o serviço deve ter
em educação, estas são as despesas que pode deduzir: atividade aberta em saúde.
• taxas de inscrição, propinas e mensalidades para
frequência de jardins de infância ou estabelecimentos
equiparados e escolas do ensino básico, secundário
39
O dermatologista receitou-me uma
ou superior (mesmo que para a realização de mestrados pomada. Como esta tem uma taxa de
e doutoramentos), públicos ou privados, desde IVA de 23%, posso deduzir a fatura
que integrados no Sistema Nacional de Educação; como despesa de saúde?
• despesas com alimentação servidas Sim, desde que tenha uma receita
em estabelecimentos de ensino público ou privado; médica a prescrevê-la. Por ter IVA
• livros; de 23%, a despesa fica pendente
• ensino de línguas, música, canto ou teatro, mesmo no e-Fatura, até que o contribuinte
indique se dispõe ou não de receita
quando fora do âmbito do programa escolar normal,
médica que a justifique.
desde que prestado em estabelecimento reconhecido
e integrado no Sistema Nacional de Educação;
• explicações de qualquer grau de ensino comprovadas 40
com fatura-recibo (recibo verde) do explicador; Devido ao meu grau de invalidez, não
• amas que passem fatura-recibo (recibo verde) me posso deslocar sozinho. Pago 500
ou que estejam ao serviço de jardins de infância euros mensais à pessoa que me ajuda.
ou instituições equiparadas. Posso deduzir este montante?
Depende. Só pode deduzir 15% como
despesa de saúde se quem o auxilia for
Explicações um profissional de saúde (como
As faturas de centros de explicações não são enfermeiro) e este lhe passar recibos
consideradas pelo Fisco como despesas de educação, com o código de atividade de saúde.
pois estão, em regra, sujeitas à taxa de 23% de IVA.

Guia Fiscal 2019    37  


Nesse caso, entram apenas na categoria “Outros”,
Já se o recibo tiver sido emitido diretamente pelo
explicador e não estiver sujeito a IVA, esse encargo
pode ser considerado despesa de educação.
Mas teria de estar validado como tal na plataforma
e-Fatura até 25 de fevereiro.
Caso não o tenha feito, tem uma última hipótese para
deduzir essa despesa: selecione a opção "Sim" no quadro
6C do anexo H, confirmando que deseja inserir
manualmente o valor das deduções.
Corrija o valor total das despesas de educação
e verifique se o sistema mantém (ou se tem de inserir
também) as restantes despesas de outras categorias
e de outros membros do agregado familiar.

Propinas
As propinas de universidades e as mensalidades pagas
a estabelecimentos de ensino privado são consideradas
despesas de educação, desde que as escolas estejam
incluídas no Sistema Nacional de Educação (consulte
www.portaldasescolas.pt ou www.dges.mctes.pt). Exemplo
Os montantes devem surgir registados na plataforma ALOJAMENTO DE ESTUDANTES DESLOCADOS
e-Fatura.
Alice
Para propinas pagas a universidades fora do território
Local de residência Viseu
português, veja "Estudos no estrangeiro", na página 39. Local de estudo Coimbra
Arrendamento casa em Coimbra
Alojamento de estudantes deslocados Renda mensal 250 euros
Os estudantes com menos de 26 anos que frequentem Despesa anual 3000 euros
estabelecimentos de ensino reconhecidos pelo Ministério
da Educação localizados a mais de 50 km da residência Apesar de Alice mencionar a sua despesa anual de
permanente do agregado familiar podem deduzir as 3000 euros no quadro 6C do anexo H, com o código
rendas de alojamento até ao limite de 300 euros anuais 659, o Fisco apenas considera, no máximo, 30%
desta despesa, ou seja, apenas vai ter em conta 900
(ver exemplo ao lado).
euros pagos por Alice (€ 3000 × 30% = € 900).
Para esta dedução ser válida, devem registar a sua Ainda assim, o limite desta dedução é de 300 euros
condição de estudantes deslocados no Portal anuais e será esse o montante que entrará,
das Finanças, seguindo Cidadãos > e-arrendamento > efetivamente, nas contas das Finanças.
Registar estudante deslocado.
Deverá surgir a informação sobre o contrato de Mas há que ter em conta outras despesas
arrendamento da casa ou do quarto registado de educação. Para a generalidade das famílias,
obrigatoriamente em nome do estudante (de outra forma, o limite de deduções de despesas de educação
o Fisco não o reconhece como despesa de educação). é de 800 euros anuais, mas sobe para 1000 euros
anuais caso inclua alojamentos de estudantes
Indique o período máximo de 12 meses como duração da
deslocados, como é o caso de Alice. Assim, uma vez
deslocação e identifique a freguesia de residência. que Alice já conta com a dedução máxima a título
Mesmo que já tenham sido emitidos, desde o início deste de alojamento, apenas poderá deduzir até 700 euros
ano, recibos de arrendamento sem qualquer referência com outras despesas escolares.
ao “estudante deslocado”, o Fisco promete a sua
correção automática assim que o estudante identificar

38    Guia Fiscal 2019


o contrato no Portal das Finanças. Esta identificação tem Dedução bonificada para crédito à habitação
de ser repetida todos os anos. Guarde os comprovativos Nos contribuintes com rendimento coletável (depois de
de pagamento das rendas, bem como o contrato descontadas as deduções específicas) até 7091 euros, o
de arrendamento, para o caso de o Fisco lhe exigir, limite das deduções sobe para 450 euros.
mais tarde, a apresentação desses documentos. Já nos contribuintes com rendimento coletável entre
7092 e 20 261 euros, a dedução máxima varia entre 449
Estudos no estrangeiro e 297 euros. À medida que o rendimento vai subindo,
As despesas de educação suportadas no estrangeiro não a bonificação vai descendo.
são registadas no e-Fatura pelas entidades que emitem
as faturas, mas podem ser inseridas pelo contribuinte. Como preencher
Se não o fez até 25 de fevereiro, resta-lhe apenas rejeitar Identifique o imóvel no quadro 7 do anexo H. Se o
a importação automática dos dados previstos no e-Fatura empréstimo tiver sido contratado num banco, é possível
quando estiver a preencher o quadro 6C do anexo H que este já tenha comunicado às Finanças o valor dos
(ver "Dedução manual" na página 35). juros pagos em 2018. Se assim for, este montante deverá
surgir já preenchido no anexo H. Insira apenas a identificação
Despesas não dedutíveis do imóvel, caso essa informação esteja em falta.
Apesar de relacionadas com a educação, estas despesas
não são dedutíveis no IRS, pelo que são contabilizadas
na categoria “Outros”, referente a despesas gerais:
• material escolar (como cadernos, lápis e mochilas);
• material informático ou eletrónico;
• instrumentos musicais;
• vestuário e calçado, ainda que este seja obrigatório
pela instituição de ensino;
• explicações de qualquer grau de ensino dadas
em centros de explicações;
• transporte entre a residência e o estabelecimento
de ensino;
• estágios e participação em congressos;

CASA

Despesas dedutíveis Despesas não dedutíveis


Pode deduzir 15% dos juros dos empréstimos contratados Os montantes pagos para amortizar dívidas contraídas
até ao final de 2011 para compra de casa que se destine no âmbito de contratos de crédito à habitação não são
a habitação própria ou permanente ou ainda dedutíveis no IRS. Nos empréstimos contratados após
a arrendamento permanente, em território nacional 1 de janeiro de 2012, não é possível deduzir nenhuma
ou num país da União Europeia. despesa no IRS. Se usar valores depositados em contas
Para esta dedução, não importa a que tipo de entidade poupança-habitação ou em planos de poupança-reforma
pediu o empréstimo. Caso tenha pedido o dinheiro a um para amortizar o seu crédito da casa, estes também não
amigo, também pode deduzir os juros, desde que são considerados pelo Fisco.
comprovados.
Despesas com o imóvel
Limite da dedução para crédito à habitação Os proprietários de imóveis podem ainda deduzir 15%
Declare a totalidade dos juros pagos durante o ano 2018, de juros pagos no âmbito de contratos de crédito
mas o Fisco apenas terá em conta, no máximo, 296 euros. para suportar despesas com a casa (como obras,

Guia Fiscal 2019    39  


QUADRO 8
DEDUÇÕES POR DESPESAS COM IMÓVEIS

DEDUÇÃO À COLETA LIMITE LIMITE BONIFICADO

15% dos juros de empréstimos para compra, construção ou beneficiação de imóveis


€ 450
para habitação própria e permanente ou de imóveis arrendados para habitação permanente
(contribuintes com taxa
(exceto as amortizações feitas com o saldo de contas-poupança), desde que comprados
de IRS de 14,5%)
até 31 de dezembro de 2011
€ 296
€ 297 a € 449
15% dos juros de empréstimos relativos a contratos com cooperativas de habitação ou no âmbito
(contribuintes com taxa
do regime de compras em grupo, para compra de imóveis destinados à habitação própria e
de IRS de 23% a 37%)
permanente ou para arrendamento, desde que comprados até 31 de dezembro de 2011

€ 800
15% das rendas de imóveis para habitação permanente, no âmbito de contratos ao abrigo do (contribuintes com taxa
Regime de Arrendamento Urbano (novo ou anterior) de IRS de 14,5%)
€ 502
15% das rendas de contratos de locação financeira (leasing) de imóveis para habitação permanente € 503 a € 799
que não constituam amortizações de capitais (contribuintes com taxa
de IRS de 23% a 37%)

30% dos encargos suportados com a reabilitação de imóveis € 500

por exemplo), desde que tenham celebrado o contrato Dedução bonificada para arrendamento
antes de 31 de dezembro de 2011. Esta dedução tem o Para os contribuintes com rendimento coletável até 7091
mesmo limite que a referente a juros de empréstimos euros, o limite das deduções de rendas sobe para 800
para compra de habitação (ver quadro 8, em cima). euros. Já nos contribuintes com rendimento coletável
entre 7092 e 20 261 euros, a dedução máxima varia entre
Arrendamento 799 e 503 euros. À medida que o rendimento vai
Pode deduzir 15% das rendas de habitação permanente subindo, a bonificação vai descendo.
pagas ao abrigo de contratos comunicados às Finanças
ou que tenham sido celebrados ao abrigo do Novo Arrendamento e crédito
Regime do Arrendamento Urbano (em vigor desde Não é possível acumular deduções de rendas e de juros
12 de novembro de 2012) ou do anterior (que entrou de crédito à habitação ou até de obras. Se, em 2018,
em vigor a 15 de novembro de 1990). Se beneficiar mudou de uma habitação própria para uma casa
de subsídios ou comparticipações oficiais arrendada, ou vice-versa, só pode declarar uma das
(como o subsídio de arrendamento jovem), deve retirar despesas. Elimine a que não interessa no anexo H,
esses montantes do valor da dedução. se estiver perante a declaração previamente preenchida.

Limite da dedução para arrendamento Deduções previamente preenchidas


Declare a totalidade das rendas pagas durante o ano 2018, Estas despesas só surgem no e-Fatura após 15 de março
embora o Fisco apenas vá ter em conta, no máximo, e não estão sujeitas a validação. Se acionar a importação
502 euros. automática dos dados do e-Fatura para a declaração de

40    Guia Fiscal 2019


IRS, não terá de preencher os valores em nenhum anexo. Famílias monoparentais
No entanto, se detetar incorreções, corrija manualmente A dedução de despesas gerais familiares sobe nas
os valores. Rejeite a importação automática dos dados famílias monoparentais para 45%, até ao limite anual de
do e-Fatura quando estiver a preencher o quadro 6C 335 euros. Pode obter o benefício máximo acumulando
do anexo H (ver Dedução manual na página 35). despesas de 745 euros. O número de filhos também não
altera o limite deste benefício.

LARES

Despesas dedutíveis
Pode deduzir 25% do valor gasto com apoio domiciliário,
lares e instituições de apoio à terceira idade relativos
a si ou ao cônjuge. Também são dedutíveis encargos
com lares e residências autónomas para pessoas
com deficiência, dependentes, ascendentes (pais
ou avós) e colaterais até ao terceiro grau (irmãos ou tios),
desde que o rendimento mensal destes não tenha sido,
em 2018, superior a 580 euros.
É imprescindível que a fatura seja emitida com o número
de contribuinte do utente. No entanto, é provável
que tenha de rejeitar a importação automática dos dados
previstos no e-Fatura quando estiver a preencher
o quadro 6C do anexo H (ver Dedução manual
na página 35) para poder acrescentar manualmente
a dedução de uma despesa associada a um contribuinte
BENEFÍCIO DO IVA
que não integra o agregado familiar.
Despesas aceites
Limite da dedução
Pode reaver 15% do IVA pago em despesas
Declare a totalidade dos encargos com estas instituições,
com reparação e manutenção de automóveis
mas o Fisco apenas terá em conta, no máximo,
e motociclos, restauração e alojamento, cabeleireiros
403,75 euros anuais.
e institutos de beleza, veterinários e passes sociais,
até ao limite de 250 euros anuais. Mas é imprescindível
que tenha pedido, em 2018, fatura destes serviços com
DESPESAS GERAIS FAMILIARES
o seu número de contribuinte e que estas despesas
tenham sido validadas na plataforma e-Fatura até 25 de
Despesas dedutíveis
fevereiro de 2019. Consulte o valor apurado no e-Fatura,
Cada contribuinte pode deduzir 35% das faturas da água,
logo que se autentica com a sua senha.
luz, comunicações, supermercado, combustível e outras
despesas gerais, que na plataforma e-Fatura surgem com
Benefício automático
a designação “Outros”. Esta dedução tem o limite de 250
Nada tem de preencher na declaração de IRS.
euros anuais por cada contribuinte com rendimentos (os
O Fisco tem em conta as faturas corretamente inseridas
dependentes não contam). Isto significa que o benefício
na plataforma e-Fatura, tanto pelos comerciantes,
máximo é obtido assim que cada contribuinte acumula
como pelos consumidores, até 25 de fevereiro de 2019.
715 euros de despesas anuais.
Não aparecerá nenhum valor na declaração de IRS
Em conjunto, um casal pode reaver até 500 euros.
previamente preenchida, nem há hipótese
O número de filhos não tem qualquer influência
de preenchimento manual.
neste limite.

Guia Fiscal 2019    41  


Benefícios fiscais
ESQUEMA 6
SEGURO DE VIDA
POSSO DEDUZIR OS ENCARGOS COM O SEGURO
DE VIDA?
Quem pode deduzir
Só podem ser deduzidos por cidadãos com deficiência O seguro tem como beneficiário um contribuinte ou algum membro
e por trabalhadores com profissões de desgaste rápido, do agregado com um grau de invalidez igual ou superior a 60%?
como os pescadores, os desportistas profissionais
e os mineiros (ver esquema 6).

Deficientes Sim Não


Podem deduzir 25% dos prémios do seguro de vida
subscritos em seu nome e/ou no dos seus dependentes Os montantes que pagou são considerados deduções
deficientes, desde que estes sejam os primeiros específicas em qualquer categoria de rendimentos?
beneficiários.
A dedução tem como limite 15% da coleta.
O montante gasto com o seguro deve ser mencionado Não Sim
no quadro 6 do anexo H, com o código 605.

Profissões de desgaste rápido O seguro garante exclusivamente


os riscos de morte, invalidez ou reforma por velhice
Os pescadores, mineiros e desportistas profissionais, e, no último caso, o benefício é garantido após os 55
por terem profissões de desgaste rápido, podem deduzir anos de idade e cinco anos do contrato?
os prémios do seguro de vida até 2106,60 euros.
Indique-os no quadro 4C do anexo A com o código 424.
Sim Não
Requisitos do seguro
Para ser dedutível, o seguro de vida tem de:
• garantir exclusivamente os riscos de morte, invalidez Não pode deduzir os
ou reforma por velhice e, no último caso, só se Se respeitar estas condições,
montantes aplicados,
pode deduzir os
o benefício for garantido após os 55 anos de idade exceto se for mineiro,
montantes aplicados
pescador ou desportista
e cinco anos de duração do seguro;
• ser relativo ao contribuinte ou aos seus dependentes;
• não ter sido objeto de dedução específica em nenhuma
categoria de rendimentos.

Havendo possibilidade de benefício fiscal no seu escalão,


PLANOS DE POUPANÇA-REFORMA pode deduzir:
• 400 euros por contribuinte até 34 anos (obtém
Dedução o benefício máximo se entregou 2000 euros em 2018);
Cada contribuinte pode deduzir individualmente 20% • 350 euros por contribuinte entre 35 e 50 anos (obtém
das entregas para PPR, fundo de poupança-reforma ou o benefício máximo se entregou 1750 euros em 2018);
certificados de reforma. Se o casal entregar o IRS em • 300 euros por contribuinte com mais de 50 anos (obtém
conjunto e ambos forem titulares de um PPR, cada o benefício máximo se entregou 1500 euros em 2018).
membro do casal pode deduzir 20% das suas entregas.
PPR para pagar crédito à habitação
Benefício máximo Pode usar o saldo do PPR para pagar prestações
Depende da idade do subscritor em janeiro de 2018 e do crédito da casa, sem penalização.
também do limite de deduções aplicado ao seu escalão Porém, só é permitido utilizar montantes que tenham sido
de rendimento (ver quadro 9, na página 43). entregues há, pelo menos, cinco anos.

42    Guia Fiscal 2019


QUADRO 9 Restrições ao uso do PPR
LIMITE DAS DEDUÇÕES Os planos de poupança-reforma mantêm restrições à sua
movimentação (ver quadro 10, em baixo). Se usados para
RENDIMENTO COLETÁVEL (€) DEDUÇÕES (€) os fins não previstos no contrato, há lugar a penalizações.
O dinheiro aplicado nestas poupanças só pode ser usado
depois dos 60 anos e após cinco anos de duração
do contrato e/ou nos casos de reforma ou de motivo
Até 7 035 sem limite de força maior (como desemprego ou doença grave).

Penalização por uso indevido


Se resgatar o dinheiro para outros fins, tem de declarar
os montantes deduzidos nos anos anteriores como
7 035,01 a 80 000 1000 a 2500
rendimento de capitais, acrescidos de 10 por cento.
Esta percentagem será multiplicada pelo número de anos
em que usufruiu do benefício fiscal. Para simplificar
as suas contas, criámos uma tabela com o fator de
Mais de 80 000 1000 penalização que terá de multiplicar pelo benefício obtido
em cada ano (ver quadro 11, na página 44). Só tem
de somar todas as parcelas e declará-las no anexo H.

Certificados de reforma
Nos certificados de reforma, o benefício máximo
é de 350 euros por contribuinte, independentemente
da idade, mas está condicionado ao mesmo limite global
das deduções para os diferentes escalões de rendimento
coletável (ver quadro 9, ao lado).
QUADRO 10
CONDIÇÕES PARA MOVIMENTAR O DINHEIRO

PRODUTO PRAZO MÍNIMO PODE LEVANTAR

⋅ a partir dos 60 anos do subscritor


Plano de poupança-reforma 5 anos ⋅ reforma por velhice
ou ⋅ para pagar o crédito da casa (só para PPR)
Fundo de poupança-reforma ⋅ desemprego de longa duração (mais de 12 meses)
sem prazo mínimo
⋅ doença grave e/ou incapacidade para o trabalho

Certificados de reforma idade da reforma ⋅ reforma por velhice

5 anos ⋅ despesas do ensino universitário ou profissional para pagar o crédito da casa


Plano de poupança-educação
⋅ doença grave e/ou incapacidade para o trabalho
sem prazo mínimo
⋅ desemprego de longa duração (mais de 12 meses)

Plano de poupança-reforma/educação 5 anos ⋅ condições dos PPR ou condições dos PPE

Plano de poupança em ações 6 anos ⋅ última entrega feita há, pelo menos, 6 meses

Guia Fiscal 2019    43  


QUADRO 11
PENALIZAÇÃO PELO RESGATE ANTECIPADO PENSÃO DE ALIMENTOS
DE PRODUTOS COM BENEFÍCIOS FISCAIS
Dedução
ANO DE ANO DE Pode deduzir 20% do valor pago como pensão
APLICAÇÃO FATOR FATOR
APLICAÇÃO
de alimentos, sem limite, mas sujeito ao teto das
deduções à coleta do respetivo rendimento
2009 1,9 2014 1,4
(ver quadro 9). Declare-a no quadro 6A do anexo H.
2010 1,8 2015 1,3
Requisitos
2011 1,7 2016 1,2 Só são reconhecidos como pensões de alimentos
os valores decididos pelo tribunal ou por acordo
2012 1,6 2017 1,1 em conservatória.

2013 1,5 2018 0 Pensão de valor superior


O contribuinte pode optar por pagar uma pensão
Para calcular o montante a declarar ao Fisco, basta multiplicar o fator
de penalização pelos montantes deduzidos em cada ano e somá-los. de alimentos mais elevada do que o estipulado, embora,
na maioria dos casos, a sentença judicial já preveja
a atualização anual da pensão, por exemplo, de acordo
com a taxa de inflação publicada pelo Instituto Nacional
de Estatística ou por indexação a um aumento salarial.
Para haver um aumento oficial do valor da pensão,
é preciso que o tribunal ou a conservatória o reconheçam
Exemplo e o homologuem. As partes interessadas têm de chegar
TERESA, 55 ANOS, PPR HÁ CINCO ANOS a acordo quanto ao novo montante, indicar os motivos
que levam à decisão e demonstrar a proporcionalidade
Resgate do PPR em 2018 entre o rendimento de quem paga e aquilo que
para comprar carro (finalidade o beneficiário receberá. Por exemplo, não seria
não prevista no contrato). proporcionalmente correto pagar 1000 euros de pensão
mensal se recebesse 1500 euros de salário.
Benefício dos anos anteriores 300 euros
O pedido da homologação do acordo é dirigido
A declarar em 2019, na declaração ao juiz do tribunal da área da residência. Uma nova
relativa a 2018 sentença confirmará a atualização da pensão.

• pela dedução de 2013, declara 450 euros Pensão e despesas dedutíveis.


(€ 300 × 1,5); Quem paga pensões de alimentos a membros
• pela dedução de 2014 soma 420 euros do agregado, sobre os quais também apresenta
(€ 300 × 1,4); despesas (de educação, por exemplo), não pode deduzir
• pela dedução de 2015 soma 390 euros
o valor da pensão na declaração de IRS.
(€ 300 × 1,3);
• pela dedução de 2016 soma mais 360 euros
(€ 300 × 1,2); Pensão recebida.
• pela dedução de 2017 soma 330 euros Declare no quadro 4A do anexo A o montante total
(€ 300 × 1,1). recebido a título de pensão de alimentos. Se uma das
partes residir no estrangeiro, poderá gerar uma
Somando todas as parcelas, Teresa
divergência (ver capítulo Divergências, na página 49).
declara 1950 euros (450 + 420 + 390 +
360 + 330) no anexo H. Nesse caso, dirija-se ao serviço de Finanças e exponha o
caso, para que lhe indiquem a melhor solução.

44    Guia Fiscal 2019


Submeter a declaração
ANTES DE ENTREGAR ENTREGAR

Em conjunto ou em separado? Submeter


Por defeito, as Finanças consideram que todos Terminado o preenchimento e com a validação efetuada,
os contribuintes com rendimentos entregam a sua clique em "Submeter". Anote (ou grave no computador)
declaração individualmente. Mas os casados e os unidos a data e hora de entrega, bem como a referência que
de facto podem escolher se o fazem em separado identifica a declaração.
ou não. Para isso, devem testar as duas opções e apurar
aquela que lhes é mais favorável. Validação central
O comprovativo de entrega da declaração fica disponível
Validar de imediato, mas tem de aguardar a validação central
Antes de entregar a declaração de IRS, tem de validar por parte dos serviços da Autoridade Tributária que,
os dados inseridos, clicando precisamente no botão com geralmente, ocorre alguns dias depois.
essa função. Caso existam erros, o sistema não aceita Se ativou o serviço de notificações eletrónicas do portal
a validação e aponta, um a um, os erros da declaração. das Finanças, é possível que receba por essa via
Ao clicar em cada um deles, é automaticamente remetido a informação de que a validação central já ocorreu.
para o respetivo quadro onde consta(m) o(s) erro(s). Caso contrário, aceda ao portal alguns dias após
Corrija-o(s) até que o sistema reconheça que a entrega e consulte o estado da declaração para apurar
"a declaração não apresenta erros". se já foi aceite pelos serviços centrais. Siga Cidadãos >
Serviços > IRS > Consultar Declaração.
Simular antes de entregar
Depois de validar os dados inseridos, clique
em "Simular", para antecipar o valor do imposto a pagar
ou do reembolso a receber. O resultado da simulação
é obtido de imediato, desde que o sistema consiga
produzi-lo. Por exemplo, se a sua declaração incluir
rendimentos obtidos no estrangeiro, é possível que
o simulador do Portal das Finanças não consiga.
Note que os resultados das simulações não são
vinculativos. Em princípio, serão muito aproximados
do valor final, mas não são rigorosos ao cêntimo.

COMPROVATIVOS

Descarregar comprovativo
Uma vez aceite e validada centralmente a declaração
de IRS, pode descarregar os comprovativos em Cidadãos
> Serviços > IRS > Obter Comprovativos.
O sistema gera ficheiros em formato PDF com o modelo 3
e todos os anexos entregues preenchidos com os dados
que inseriu. Pode imprimi-los ou guardá-los
no computador para usar mais tarde.

Guia Fiscal 2019    45  


Perceber as contas
TAXAS DE IMPOSTO Parcela a abater
Depois de multiplicar o rendimento coletável pela taxa
Taxas progressivas correspondente, há que subtrair um montante fixado
Para apurar o imposto a pagar pelo contribuinte, o Fisco anualmente e que pode consultar no quadro 12, em baixo.
efetua o cálculo replicado no esquema 7, da página
seguinte. As taxas de imposto são progressivas, ou seja,
aumentam à medida que cresce o rendimento sujeito CÁLCULO SIMPLIFICADO DO IRS
a imposto. Atualmente, variam entre 14,5% e 53% para
quem vive em Portugal Continental, entre 12,41% e 53% Porque consideramos que é importante
na Madeira, e ainda entre 10,15% e 42,4%, para os os contribuintes perceberem a informação que recebem
residentes nos Açores (ver quadro 11). nas suas notas de liquidação, vamos criar um exemplo
fictício e explicar, passo a passo, todos os cálculos.
Rendimento coletável
Para apurar a taxa a aplicar e o valor de imposto a pagar, Rendimento bruto
o Fisco calcula o rendimento coletável de cada contribuinte. Em 2018, João e Joana receberam rendimentos brutos
Para isso, soma os rendimentos líquidos das várias categorias da categoria A no valor de 22 500 euros cada. Juntos,
e depois retira as deduções específicas respetivas. receberam 45 mil euros e optaram pela tributação conjunta.

Quociente conjugal Rendimento coletável


Aos contribuintes não casados, a taxa de imposto Aos 45 mil euros são retiradas automaticamente
é aplicada diretamente ao seu rendimento coletável, as deduções específicas da categoria A. Por cada um
já que o quociente conjugal é de "1". dos elementos do casal são subtraídos 4104 euros,
Nos casados ou unidos de facto que entreguem o IRS no valor total de 8208 euros. Sobra um rendimento
em conjunto, a taxa é aplicada ao rendimento coletável coletável (rendimento sujeito a imposto) de 36 792 euros.
depois de dividido pelo quociente conjugal de "2".
Quociente conjugal
Açores e Madeira Por terem optado pela tributação conjunta, o rendimento
As taxas de IRS variam consoante o domicílio fiscal do coletável é dividido pelo quociente conjugal "2",
contribuinte. Para os Açores e Madeira, há taxas diferenciadas. o que dá 18 396 euros.

QUADRO 12
TAXAS DE IRS PARA 2018
RENDIMENTO COLETÁVEL CONTINENTE MADEIRA AÇORES
DEPOIS DE DIVIDIDO
PELO QUOCIENTE CONJUGAL Taxa Parcela a abater Taxa Parcela a abater Taxa Parcela a abater
(€) (%) (€) (%) (€) (%) (€)
Até 7 091 14,5 0 12,41 0 10,15 0

7 091,01 a 10 700 23 602,74 23 750,94 17,25 503,46

10 700,01 a 20 261 28,5 1 191,24 28,5 1 339,44 21,38 944,84

20 261,01 a 25 000 35 2 508,20 35 2 656,40 28 2 287,13

25 000,01 a 36 856 37 3 008,20 37 3 156,40 29,6 2 687,13

36856,01 a 80 640 45 5 956,68 45 6 104,88 36 5 045,91

80 640,01 a 250 000 50,5 10 391,88 50,5 8 737,18 40,9 7 155,80

Mais de 250 000 53 16 641,88 53 14 478,44 42,4 11 582,75

46    Guia Fiscal 2019


Exemplo ESQUEMA 7
JOANA E JOÃO NOTA DE LIQUIDAÇÃO
Évora
ETAPA DE TRIBUTAÇÃO EXEMPLO FAÇA AS CONTAS
2018

Rendimento anual da categoria A Rendimentos brutos


22 500 euros cada > € 45 000 €
de cada categoria
Retenção na fonte do casal −
9000 euros Deduções específicas
> € 8 208 €
Despesas gerais familiares de cada categoria
500 euros =
Sem outras despesas dedutíveis Rendimento coletável > € 36 792 €
Opção pela tributação conjunta
÷
Valor a receber Quociente conjugal > 2 1 ou 2
1396,76 euros =
Rendimento coletável
> € 18 396 €
corrigido
×
Taxa de imposto Taxa de imposto > 28,50% %
De acordo com a tabela de IRS (quadro 11), o rendimento =
é sujeito a uma taxa de 28,5%, o que daria um valor
Imposto > € 5 242,86 €
de 5242,86 euros, ao qual são retirados 1191,24 euros
(ver "parcela a abater" no quadro). Logo, temos 4051,62 −
euros apurados por cada um dos membros do casal. Parcela a abater > € 1191,24 €
=
Coleta total
Apuramento > € 4051,62 €
Como o IRS é conjunto, o Fisco vai multiplicar este valor
por 2 para obter o valor da coleta total. João e Joana já ×
somam 8 103,24 euros. Seria este o imposto a pagar Quociente conjugal > 2 1 ou 2
se não tivessem deduções por despesas tidas em 2018.
=

Deduções Coleta total > € 8 103,24 €


Para simplificar o cálculo, João e Joana apenas vão −
deduzir 500 euros pelas despesas gerais familiares Deduções à coleta > 500 €
de ambos (250 euros × 2). O imposto a pagar foi, agora,
=
reduzido para 7 603,24 euros.
Imposto liquidado > 7603,24 €
Reembolso −
Como as entidades patronais de João e Joana já tinham Retenções e pagamentos
> € 9 000 €
por conta
feito retenções na fonte no valor de 9 mil euros, sobraram
1 396,76 euros, que serão reembolsados ao casal.

Imposto mínimo
Se o valor do reembolso fosse inferior a 10 euros, o Fisco não
Valor apurado > € 1396,76 €
a receber
o iria devolver, tal como também não cobra IRS até 25 euros.

Guia Fiscal 2019    47  


Substituir a declaração
CORRIGIR ATÉ 30 DE JUNHO consoante o erro cometido estivesse ou não a prejudicar
o Fisco (ver esquema 8).
Dados errados
Se após entregar a declaração de IRS se aperceber
de que não inscreveu uma despesa ou um rendimento CORRIGIR APÓS 30 DE JUNHO
(por exemplo, de um imóvel arrendado), pode corrigir
esse erro, entregando uma declaração de substituição. Primeiros 30 dias
Se a entrega da declaração de substituição acontecer
Declaração de substituição ainda dentro do prazo de entrega do IRS, não sofrerá
Tal como a primeira declaração, também esta tem qualquer penalização.
obrigatoriamente de ser submetida através da internet, Após 30 de junho, a correção de erros no IRS pode dar
no Portal das Finanças. Repita todo o processo origem ao pagamento de coimas, consoante o erro
de preenchimento mas, em vez de assinalar que esta cometido estivesse ou não a prejudicar o Fisco (ver
é a primeira declaração que entrega referente a este ano esquema 8).
de rendimentos, assinale a opção "Declaração
de substituição". Mais de 30 dias depois
A partir de 1 de agosto, submeter uma declaração
Substituição até 30 de junho de substituição deixa-o sujeito a penalizações agravadas.
Se a entrega da declaração de substituição acontecer O valor da coima dependerá sempre de quem estava
ainda dentro do prazo de entrega do IRS, não sofrerá a ser prejudicado com o erro da primeira declaração.
qualquer penalização. Após 30 de junho, a correção de Consulte o esquema 8 para analisar em detalhe
erros no IRS pode dar origem ao pagamento de coimas, as diferentes coimas aplicadas para cada situação.

ESQUEMA 8
COMO CORRIGIR OS ERROS?

Quando preencheu a declaração, cometeu um erro e...

detetou-o antes detetou-o até 30 dias detetou-o mais de 30 dias


do final do prazo após a data-limite após a data-limite para
para a entrega para a entrega a entrega

Erro prejudica Erro prejudica


o Fisco o contribuinte

Entregue a declaração de Entregue uma declaração de


Entregue uma declaração
Entregue uma declaração substituição até 60 dias substituição até 120 dias depois de
de substituição durante
de substituição, antes do fim do prazo de receber a nota de liquidação de IRS.
os primeiros 30 dias
ainda durante este prazo, caducidade (à partida, antes Caso seja aplicada coima, pode pedir
de atraso. Pode pagar uma
sem penalização do final de 2022). Pode pagar a anulação ou a redução do valor por
coima mínima de € 25
entre € 37,50 e € 112,50 não ter havido prejuízo para o Estado

48    Guia Fiscal 2019


Divergências
DETETAR do prazo oficial de entrega de declarações de IRS,
ou seja, até 30 de junho.
Notificação Após essa data, a submissão de nova declaração pode
Por carta, por Via CTT (se tiver esta opção ativada), implicar o pagamento de uma coima, dependendo
ou simplesmente por consulta direta ao Portal dos efeitos da correção.
das Finanças, pode ser alertado para uma divergência Caso o erro da primeira declaração estivesse a prejudicar
na sua declaração de IRS. Tal significa que a Autoridade o Fisco, é provável que receba uma coima para pagar
Tributária detetou nos dados que declarou um ou mais dentro de alguns dias. Se o erro o penalizava a si ou,
valores que não batem certo com a informação de que em alternativa, se nem sequer alterava a sua nota
dispunha sobre os seus rendimentos ou deduções e que, de liquidação, é possível que o Fisco não o penalize
naturalmente, foi cruzada pelo Fisco. ou opte pela coima mínima.
É o caso, por exemplo, de um trabalhador que declara
ter recebido um salário anual diferente daquele que foi
comunicado às Finanças pela sua entidade patronal.
Pode ser também o caso, por exemplo,
de um contribuinte que vendeu uma casa ou um terreno
e não declarou essa transação na declaração de IRS.
Havendo divergência, o processo de liquidação do IRS
fica bloqueado e cabe ao contribuinte efetuar
as diligências necessárias para o desbloquear.

Detalhes da divergência
Para obter mais informação sobre a divergência
detetada, entre com a sua senha no Portal das Finanças
e siga Cidadãos > Serviços > Processos Tributários
e Aduaneiros > Divergências.
Caso não fique suficientemente esclarecido,
recomendamos que se desloque pessoalmente
a um serviço de Finanças e solicite mais informações.

REPARAR

Corrigir a divergência
Uma vez apurada a situação que originou a divergência,
deve submeter nova declaração de IRS, com todos
os montantes já corrigidos.
Submeta a declaração na sua totalidade, com todos
os anexos, incluindo aqueles que não apresentavam
erros. Ao invés de assinalar a opção de primeira
declaração do ano, indique que se trata de uma
declaração de substituição (ver capítulo "Substituir
a declaração", na página 48.)

Penalização
Não há lugar ao pagamento de coimas se substituir
a declaração de IRS por outra, já corrigida, dentro

Guia Fiscal 2019    49  


IMI
INCIDÊNCIA tributário seja inferior a 125 mil euros estão isentos de IMI
durante três anos. Esta isenção é atribuída de forma
Quem paga automática pelo Fisco, nos primeiros três anos após
O imposto municipal sobre imóveis (IMI) incide sobre a aquisição do imóvel.
o valor patrimonial tributário dos imóveis detidos no ano
anterior. Logo, o IMI a pagar em 2019 refere-se Limites à isenção
aos imóveis detidos a 31 de dezembro de 2018. Só podem beneficiar desta isenção de IMI os agregados
cujo rendimento anual sujeito a imposto não ultrapasse
Prazos de pagamento 153 300 euros. Cada contribuinte ou agregado só pode
O contribuinte recebe a primeira nota de cobrança em usufruir, no máximo, de duas isenções de IMI.
abril de cada ano. Se o valor do imposto ficar abaixo
de 100 euros, tem de o pagar até ao final do mês Arrumos e as garagens
de maio. Os valores de IMI acima de 100 euros Podem estar isentos de IMI se fizerem parte da mesma
e inferiores a 500 euros são divididos pelo Fisco em duas fração da habitação própria e permanente ou se forem
prestações. A primeira deve ser paga até ao final de maio uma fração autónoma, mas façam parte do mesmo
e a segunda até novembro. edifício ou da urbanização onde está localizada a
Já quando o imposto ultrapassa os 500 euros, habitação própria e permanente, e sejam exclusivamente
é repartido pelo Fisco em três prestações, a pagar utilizados pelo proprietário e seu agregado.
em maio, agosto e novembro.
Contribuintes isentos
Taxas Não pagam IMI as famílias com rendimento anual bruto
Variam consoante o tipo de imóvel (urbano ou rústico) até 15 295 euros e com imóveis (rústicos ou urbanos)
e o município onde este se localiza. Pode consultá-las de valor total até 66 500 euros. Esta isenção aplica-se
no Portal das Finanças em Cidadãos > Serviços > Imposto de forma automática, mesmo que a família tenha dívidas
Municipal sobre Imóveis > Taxas IMI > Consultar Taxas do ao Estado. Mas é imprescindível que tenha submetido
Município. a última declaração de IRS dentro do prazo, já que
os atrasos são motivo para perder o direito à isenção.
Imóveis urbanos Nas restantes situações, se o contribuinte tiver dívidas à
Incluem casas para habitação, edifícios industriais Segurança Social ou ao Fisco, a isenção não é concedida.
ou afetos ao exercício de atividades independentes, bem
como terrenos para construção. Sobre o valor patrimonial
tributário destes imóveis incide uma taxa entre 0,3% VALOR TRIBUTÁRIO PATRIMONIAL
e 0,45 por cento.
Como se calcula
Imóveis rústicos O valor patrimonial tributário do imóvel é calculado pelas
São terrenos com fins agrícolas, sem construção Finanças com base em fatores como o valor
ou apenas com imóveis de valor reduzido e de caráter de construção por metro quadrado, a área bruta,
acessório, como arrumos. A taxa de IMI é sempre a localização, a qualidade, o conforto e a idade do imóvel
de 0,8%, independentemente do município. (ver fórmula detalhada no esquema 9, na página 52).
Em 2016, o Governo comprometeu-se a iniciar um
processo de reavaliação dos prédios rústicos com área Atualização automática
igual ou superior a 50 hectares, pelo que os valores O valor patrimonial tributário dos imóveis é atualizado
de IMI podem vir a ser alterados nos próximos anos. automaticamente pelas Finanças a cada três anos,
com base nos coeficientes de desvalorização da moeda,
Imóveis isentos o que faz aumentar o valor dos imóveis. No entanto,
Os imóveis que se destinem a habitação própria os coeficientes de vetustez e de localização e o preço por
e permanente do proprietário e cujo valor patrimonial metro quadrado ficam de fora dessa revisão automática.

50    Guia Fiscal 2019


Coeficiente de vetustez
É aplicado em função da idade do imóvel, ou seja, 41
depende do número de anos decorridos desde a data da Onde posso consultar a taxa de IMI
licença de utilização ou da conclusão da edificação. aplicada pelo meu município?
O coeficiente diminui à medida que a idade do imóvel As taxas são definidas anualmente por
avança (ver quadro 14). Como as Finanças não atualizam cada autarquia e podem ser consultadas
este fator automaticamente, o coeficiente considerado no Portal das Finanças, seguindo
pelo Fisco não é o atual, mas sim o do ano da avaliação. Cidadãos > Serviços > Imposto Municipal
sobre Imóveis > Taxas IMI > Consultar
Taxas do Município. Selecione o ano
Coeficiente de localização (lembre-se de que o imposto a pagar este
É revisto, ao nível nacional, de três em três anos. ano refere-se à taxa de 2018) e o distrito
Permite valorizar imóveis situados em áreas com valor onde se localiza o imóvel. Surgirá uma
de mercado imobiliário mais acentuado. A última revisão lista de todos os concelhos do município
ocorreu em 2016. Deverá repetir-se no final deste ano. e das respetivas taxas de IMI. Poderá
Consulte o coeficiente de localização no Portal ainda aceder ao campo “+Info” para
das Finanças, em Cidadãos > Serviços > Prédios > verificar se a autarquia implementou
Simulador de Valor Patrimonial. eventuais reduções para agregados
familiares com dependentes a cargo. Se
for o caso da sua autarquia, não tem de
Coeficiente de qualidade e conforto fazer nada. O desconto é automático.
Desde que a área do imóvel mencionada na caderneta
predial seja inferior a 450 metros quadrados, não há
lugar ao agravamento do coeficiente de localização 42
e operacionalidade relativas (incluído no coeficiente A minha família tem rendimentos muito
de qualidade e conforto), em caso de atualização do valor baixos. Posso pedir isenção do IMI?
patrimonial tributário. As famílias com rendimento anual bruto
até 15 295 euros e com imóveis de valor
tributário até 66 500 euros não têm de
Valor de construção
pagar IMI. Não é necessário apresentar
É fixado pelo Fisco e refere-se ao preço do terreno qualquer requerimento, pois a isenção
no ano em que o imóvel foi construído (ver quadro 13, na é automática. Enquanto o rendimento
página 52). Entre 2010 e 2018, esse valor manteve-se do agregado e o valor total dos imóveis
estável nos 603 euros para todos os tipos de imóveis, se mantiverem abaixo desses limites,
refletindo-se no IMI a pagar em 2019. No entanto, para a isenção é renovada de forma
2019, o valor de construção foi fixado em 615 euros, o automática todos os anos. Se, porventura,
que poderá agravar o imposto a pagar em 2020 por detetar que tal não acontece, reclame
quem solicitar uma reavaliação do imóvel até ao final num serviço de Finanças.
deste ano. Para simular o seu caso particular, consulte o
nosso simulador, em www.paguemenosimi.pt, e verifique
de imediato se poderá poupar no IMI com a possível
43
O meu imóvel foi avaliado este ano.
reavaliação. O do vizinho de cima é exatamente
igual, mas foi mais valorizado. Porquê?
Dois apartamentos no mesmo prédio e
PEDIR A REAVALIAÇÃO DO IMÓVEL com a mesma tipologia não têm
necessariamente o mesmo valor
patrimonial tributário. Basta, por exemplo,
Quando pode pedir que a exposição solar ou a vista de um
Só pode pedir a atualização dos dados que influenciam deles seja considerada melhor para haver
o cálculo do valor patrimonial tributário do imóvel se já tiverem uma diferença de valores.
passado mais de três anos desde a última avaliação.

Guia Fiscal 2019    51  


Caderneta predial QUADRO 13
É neste documento que encontra a data da última VALOR DE CONSTRUÇÃO POR M2
avaliação do imóvel. Procure-a no campo “Entregue em”.
Se o imóvel tiver sido reavaliado na sequência ANO PREÇO (€)
de partilhas por divórcio ou herança ou devido a doação, 2004 600
essa é a data a ter em conta.
Os proprietários podem descarregar a caderneta predial 2005 612,50
dos seus imóveis no Portal das Finanças, seguindo 2006 615
Cidadãos > Serviços > Prédios > Caderneta Predial >
2007 615
Obter Comprovativo.
2008 615
Simulador
2009 609
Nem sempre compensa pedir nova avaliação do valor
patrimonial tributário do imóvel. Por isso, recomendamos 2010 a 2018 603
que simule esse cenário, para antecipar as 2019 615
consequências. Em www.paguemenosimi.pt, pode inserir
os valores do imóvel que constam na caderneta predial QUADRO 14
e obter uma resposta imediata no seu e-mail. IDADE DO IMÓVEL

Submeter pedido ANOS COMPLETOS COEFICIENTE DE VETUSTEZ


Se a simulação confirmar uma possível redução
do imposto, preencha o modelo 1 do IMI e entregue-o Menos de 2 1
gratuitamente nas Finanças ou através do seu portal, 2a8 0,9
em Cidadãos > Serviços > Imposto Municipal sobre
9 a 15 0,85
Imóveis > Entregar Declaração. A entrega online obriga
ao envio posterior de documentos por correio, 16 a 25 0,8
que as Finanças podem dispensar se a submissão 26 a 40 0,75
for feita ao balcão. Por essa razão, recomendamos
que o pedido de atualização do valor patrimonial 41 a 50 0,65
tributário dos imóveis seja efetuado presencialmente, 51 a 60 0,55
junto de um balcão de Finanças, até 31 de dezembro,
Mais de 60 0,4
para ter efeitos no valor a pagar no próximo ano.

ESQUEMA 9
CALCULAR O VALOR PATRIMONIAL TRIBUTÁRIO DO IMÓVEL

VT = VC × A × CA × CL × CQ × CV
49 450,00 = 603,00 × 68,3322 × 1,00 × 1,5000 × 1,000 × 0,80
VALOR VALOR DE ÁREA COEFICIENTE COEFICIENTE COEFICIENTE COEFICIENTE
PATRIMONIAL CONSTRUÇÃO Soma, com diferentes DE AFETAÇÃO DE LOCALIZAÇÃO DE QUALIDADE DE VETUSTEZ
TRIBUTÁRIO Valor fixado anualmente Fim a que se destina o Fixado pelo município E CONFORTO Aplicado em função
ponderações, de todas
Valor do imóvel para pelo Fisco imóvel, como habitação, a cada três anos. Há critérios de da idade do imóvel.
as áreas do imóvel.
o Fisco. Resulta da (ver quadro 13) comércio ou serviços. Varia entre 0,4 e 3,5. agravamento, como a Quanto mais velho,
Inclui terraço, garagem,
multiplicação de um Na habitação, Pode diferir de rua existência de piscina, menor o coeficiente
arrecadação, arrumos,
conjunto de critérios o coeficiente é, para rua ou de redução, como a (ver quadro 14)
estacionamento
transversais a todos em regra, de 1,00 ausência de elevador
e terrenos
os imóveis em prédios altos

52    Guia Fiscal 2019


ADICIONAL AO IMI
Exemplo
Quem paga CÁLCULO DE AIMI
O imposto adicional ao IMI (AIMI) incide sobre património
imobiliário individual com valor tributário total superior Família A
a 600 mil euros. Tal significa que se um contribuinte Valor patrimonial tributário total 500 mil euros
AIMI isento
for proprietário de várias casas, pagará AIMI se a soma
do valor tributário de todos os imóveis ultrapassar 600 Família B
mil euros. Também significa que se um imóvel for detido Valor patrimonial tributário total 800 mil euros
por dois contribuintes (um casal, por exemplo), as contas Taxa de AIMI 0,7% sobre 200 mil euros
são feitas ao património individual de cada um, que (€ 200 000 × 0,7% = € 1400)
corresponde a metade do valor dos imóveis. Total a pagar 1400 euros

Família C
Taxa Valor patrimonial tributário 1,2 milhões de euros
O Estado aplica uma taxa de 0,7% sobre a parte Taxas de AIMI 0,7% sobre 400 mil euros
do património que ultrapassa 600 mil euros. (€ 400 000 × 0,7% = € 2800)
Para patrimónios avaliados em mais de 1 milhão de euros, 1% sobre 200 mil euros (€ 200 000 × 1% = € 2000)
há um agravamento da taxa de AIMI para 1 por cento. Total a pagar 4800 euros
No entanto, continua a aplicar-se a taxa de 0,7% à parte Família D
do património que ultrapassa 600 mil euros e que não Valor patrimonial tributário 2,1 milhões de euros
atinge 1 milhão de euros. Só acima desse valor é atribuída Taxas de AIMI 0,7% sobre 400 mil euros
a taxa de 1 por cento. (€ 400 000 × 0,7% = € 2800)
A partir de 2019 (com efeitos no imposto a pagar em 1% sobre 1 milhão de euros (€ 1 000 000 × 1% = € 10 000)
2020), é criada uma terceira taxa, de 1,5%, para 1,5% sobre 100 mil euros (€ 100 000 × 1,5% = € 1500)
Total a pagar 14 300 euros
patrimónios avaliados em mais de 2 milhões de euros.
Neste caso, aplica 0,7% ao património superior a 600 mil
euros e inferior a 1 milhão de euros, 1% ao património
superior a 1 milhão de euros e inferior a 2 milhões de separado. Os casais podem optar por entregar o IRS
euros, e 1,5% ao património que ultrapassa 2 milhões de em conjunto, mas tal não significa, para as Finanças,
euros (ver exemplos ao lado). que o casal faz a mesma opção para efeitos de adicional
ao IMI. Pode exercer essa opção, a partir de 1 de abril,
Imóveis isentos no Portal das Finanças, em Cidadãos > Serviços >
Não pagam AIMI os imóveis que estão isentos do Adicional ao IMI > Entregar opção casados ou em união
pagamento de IMI, os prédios afetos à atividade industrial de facto. O mesmo pode ser feito para as heranças
e os imóveis licenciados para atividades turísticas. indivisas. Uma vez comunicada essa opção, não tem de o
voltar a fazer, a não ser quando quiser mudar de opção.
Imóveis em copropriedade A tributação conjunta de AIMI é especialmente vantajosa
Quando o património é propriedade do casal (cônjuge quando um dos elementos do casal detém património
ou unido de facto), as Finanças reconhecem que cada mais valioso do que o outro e correria o risco de pagar
um dos cônjuges é dono de metade dos imóveis. Logo, só há adicional ao IMI pela tributação individual.
cobrança de IMI se algum deles, individualmente, for
proprietário de património avaliado em mais de 600 mil euros. Quando se paga
O adicional ao IMI é cobrado anualmente em setembro
Comunicar tributação conjunta com base no valor patrimonial tributável dos prédios a 1 de
Tal como acontece com o IRS, o Fisco considera, por janeiro do ano anterior. O montante cobrado reverte a favor
defeito, que todos os casais devem ser tributados em do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

Guia Fiscal 2019    53  


IMT
QUADRO 15
QUANDO SE PAGA
HABITAÇÃO PRÓPRIA E PERMANENTE
Transações de imóveis
PARCELA
O imposto municipal sobre as transmissões onerosas VALOR (€) TAXA (%)
A ABATER (€)
de imóveis (IMT) é pago de uma só vez quando um imóvel
é transacionado: PORTUGAL CONTINENTAL
• através de compra e venda, ou permuta;
• quando são concedidos outros direitos, por exemplo, Até 92 407 0
o usufruto e o uso de habitação;
• quando um comprador cede a sua posição contratual;
92 407,01 a 126 403 2 1 848,14
• quando o proprietário atribui direitos sobre o imóvel a outra
pessoa, por procuração irrevogável.
126 403,01 a 172 348 5 5 640,23
Quem paga
O IMT é pago por quem compra uma casa (nova ou usada) 172 348,01 a 287 213 7 9 087,19
ou um terreno.

Permuta 287 213,01 a 574 323 8 11 959,32


Quando se troca uma habitação por outra (permuta),
o imposto é suportado por quem compra o imóvel de maior A partir de 574 323,01 6 0
valor, desde que não usufrua de qualquer isenção
(ver "Isenções", na página 56). AÇORES E MADEIRA

Pagamento Até 115 508,75 0


Pode obter a nota de pagamento no Portal das Finanças,
em www.portaldasfinancas.gov.pt, acedendo a Cidadãos >
115 508,76 a 158 003,75 2 2 310,18
Serviços > Imposto Municipal sobre Transmissões > Entregar
Declaração. Mas o preenchimento é complexo, pelo que
recomendamos que o faça presencialmente no serviço de 158 003,76 a 215 435 5 7 050,29
Finanças. Já o pagamento pode ser efetuado aos balcões
dos serviços de Finanças ou dos CTT, no multibanco, através 215 435,01 a 359 016,25 7 11 358,99
do homebanking ou aos balcões dos bancos aderentes.

359 016,26 a 717 903,74 8 14 949,15

A partir de 717 903,75 6 0

Exemplo para uma casa d


a habitação própr

€ 100 000 × 2% − €

54    Guia Fiscal 2019


QUADRO 16 Escritura
HABITAÇÃO SECUNDÁRIA Para ser assinada a escritura de compra e venda
(ou documento particular relativo à permuta ou a qualquer
PARCELA das situações referidas), é essencial que o IMT seja
VALOR (€) TAXA (%)
A ABATER (€)
antecipadamente pago. No momento da assinatura do
PORTUGAL CONTINENTAL
contrato, o notário exige o comprovativo do pagamento do
IMT, exceto a quem está isento (ver "Isenções", na página
56). Quando o novo proprietário recorre ao crédito, é
Até 92 407 1 0
habitual o documento ser fornecido à instituição bancária
uns dias antes da escritura.
92 407,01 a 126 403 2 924,07

126 403,01 a 172 348 5 4 716,16


QUANTO SE PAGA
172 348,01 a 287 213 7 8 163,12
Valor tributável
É sempre o maior dos seguintes:
287 213,01 a 550 836 8 11 035,25 • o valor indicado no contrato de compra e venda;
• se o imóvel nunca tiver sido avaliado, as Finanças
A partir de 550 836,01 6 0 estabelecem um valor com base no preço de construção por
metro quadrado, na qualidade de construção ou na
AÇORES E MADEIRA
localização; se já tiver sido avaliado, pode ser feita uma
atualização do seu valor (serve para liquidação do imposto).
Até 115 508,75 1 0
Valor tributável em permuta
O imposto incide sobre a diferença entre o valor que cada
115 508,76 a 158 003,75 2 1 155,09 proprietário lhe atribui ou sobre a diferença entre os valores
patrimoniais tributários (conta o mais elevado).
158 003,76 a 215 435 5 5 895,20
Determinar a taxa
As taxas de IMT variam se o imóvel é urbano ou rústico,
215 435,01 a 359 016,25 7 10 203,90
se tem como único fim a habitação permanente do
proprietário ou do inquilino e se está localizado no território
359 016,26 a 688 545 8 13 794,06 continental ou nas ilhas. A taxa varia entre 1 e 8%, em função
da localização do imóvel e do próprio valor sujeito a imposto
A partir de 688 545,01 6 0
(ver quadros 15 e 16). Para calcular o imposto a pagar,
multiplica-se o valor sujeito a imposto pela taxa
correspondente e subtrai-se a parcela indicada na última
coluna dos quadros. Aos não residentes aplica-se sempre
o quadro 16, referente a habitação secundária.
de 100 mil euros destinada
Simulador
ria e permanente Em www.deco.proteste.pt/imt disponibilizamos uma
ferramenta que calcula o imposto a pagar. Basta inserir o tipo
€ 1848,14 = € 151,86 de imóvel (habitação própria e permanente ou secundária
ou terreno rústico), a localização do imóvel e o valor
da transação para obter de imediato o imposto a pagar.

Guia Fiscal 2019    55  


ISENÇÕES
44
Habitação própria e permanente Em março, vou permutar a minha casa
Estão isentos de IMT os imóveis que se destinem de 100 mil euros por uma maior.
Como a casa nova vale 150 mil euros,
exclusivamente a habitação própria e permanente
irei pagar IMT?
do proprietário ou do inquilino. No entanto, esta isenção Não, desde que a casa nova se destine
só abrange imóveis até 92 407 euros, em Portugal a habitação própria e permanente.
Continental, e até 115 508,75 euros, nas Regiões Autónomas. Em teoria, teria de suportar o imposto,
pois ficou com a casa de maior valor.
Habitação secundária Mas como a diferença entre as duas
Não há isenção. Todas as habitações que não se destinem casas é de 50 mil euros, este
a habitação própria e permanente do seu proprietário, é considerado o valor da transação, que,
como, por exemplo, as casas de férias, pagam sempre IMT, de acordo com o quadro 15, fica isenta
do pagamento de IMT.
independentemente do seu valor. O mesmo acontece com
as casas de contribuintes não residentes em Portugal.
45
Reabilitação urbana Comprei um terreno por 20 mil euros.
Estão isentos de IMT os imóveis objeto de reabilitação Quanto vou pagar de IMT?
urbana concluídos há mais de 30 anos ou localizados Depende. Se o terreno se destinar
em áreas de reabilitação urbana, desde que preencham à construção de habitação, aplica-se
cumulativamente as seguintes condições: a taxa de 6,5% e pagará 1300 euros.
• sejam objeto de intervenções de “reabilitação de edifícios” Caso o terreno tenha outro fim
(agricultura, por exemplo), a taxa é de 5%
promovidas nos termos do Regime Jurídico da Reabilitação
e o imposto a pagar será de 1000 euros.
Urbana;
• na sequência dessa intervenção, o estado de conservação
fique dois níveis acima daquele que anteriormente lhe era 46
atribuído; Podem recusar-me a isenção de IMT
• tenha, no mínimo, um estado de conservação de nível bom, por ter dívidas à Segurança Social?
segundo a classificação do decreto-lei n.º 266-B/2012, Sim. Enquanto tiver dívidas à Segurança
que fixa o regime de determinação do nível de conservação Social ou ao Fisco não usufrui da
dos prédios urbanos; isenção. Quando conseguir regularizar
• sejam cumpridos os requisitos de eficiência energética a situação, pode fazer novo pedido
de isenção, desde que ainda não tenha
e de qualidade térmica.
realizado a escritura.
A isenção só pode ser concedida se as obras de reabilitação
em causa se iniciarem no prazo de três anos.
47
Arrendamento Comprei uma casa por 100 mil euros,
Os prédios afetos a arrendamento para habitação mas nas Finanças atribuíram-lhe
permanente estão isentos do pagamento de IMT um valor patrimonial de 130 mil euros.
na sua primeira transmissão. Como é calculado o IMT?
O imposto é calculado em função do
valor mais elevado de que as Finanças
Pedido de isenção
têm conhecimento, que, neste caso, é
Pode ser apresentado gratuitamente em qualquer serviço aquele que consta na caderneta predial
de Finanças antes da realização da escritura. do imóvel. Para provar que pagou
Recomendamos que tenha consigo os dados do imóvel menos, o comprador e o vendedor têm
e do vendedor, pois estes serão necessários para preencher de abdicar do sigilo bancário.
o modelo 1 do IMT.

56    Guia Fiscal 2019


ISV
QUADRO 17
CALCULAR O IMPOSTO
REDUÇÃO DE EMISSÕES DE CO2
PARA MEDIÇÕES SOB PROTOCOLO WLTP
Quando pagar
Comprar um carro novo ou importar um veículo (novo GASOLINA GASÓLEO REDUÇÃO A APLICAR
ou usado) obriga ao pagamento, no ato da aquisição, ESCALÃO DE CO2 (G/KM) ESCALÃO DE CO2 (G/KM) ÀS EMISSÕES DE CO2
do imposto sobre veículos (ISV). O imposto é pago
ao vendedor, que mais tarde o entregará ao Estado. até 99 até 79 24%

Duas componentes 100 a 115 80 a 95 23%


O ISV é calculado com base em duas parcelas: uma
relativa à cilindrada da viatura e outra referente ao nível 116 a 145 96 a 120 22%
de emissões de dióxido de carbono (CO2). Até julho
de 2007, só era tida em conta a cilindrada. 146 a 175 121 a 140 20%

Componente cilindrada 176 a 195 141 a 160 17%


Para efetuar o cálculo, multiplique a cilindrada do veículo,
em cm3 , pela taxa indicada no quadro 18 (ver página 58)
mais de 195 mais de 160 5%
para o escalão correspondente. Depois, subtraia a
“parcela a abater” indicada no quadro para o mesmo
escalão. Assim obtém o valor de imposto a pagar só por
esta componente. Há que adicionar ainda o valor a pagar
pela componente ambiental.
Exemplo
Componente ambiental
CÁLCULO DE ISV
Neste campo, há novidades. Foi criado um novo método
de medição de emissões de CO2 (WLTP), que poderia Viatura Renault Clio 0.9l IV Limited TCE 5 portas
provocar alterações significativas no valor de imposto Combustível Gasolina
a pagar. Para minimizar o impacto desta mudança, Cilindrada 898 cc
foi estabelecida uma tabela de descontos nas emissões Emissões de CO2 135 g/km (protocolo WLTP)
de CO2 medidas com o novo protocolo, para as equipar
às medições antigas (ver quadro 17). Desconto para equiparação
Para saber quanto vai pagar por esta componente, às antigas medições de CO2 22%
consulte o nível de emissões de CO2 nas informações
Emissões de CO2 equiparadas
técnicas do carro que vai comprar e pergunte também 105 g/km (135 − 22%)
se essa medição foi feita ao abrigo do novo protocolo
WLTP. Em caso afirmativo, consulte o quadro 17 e calcule Componente ambiental
o desconto a aplicar nas emissões, para obter o valor 105 × 7,31 = 767,55 euros
equiparado de emissões na tabela antiga. Parcela a abater: 678,87 euros
Multiplique o nível de emissões pela taxa correspondente A pagar pela componente ambiental: 88,68 euros
(ver quadro 18) e, em seguida, subtraia a “parcela
a abater” que indicamos no mesmo quadro. Componente cilindrada
899 × 0,99 = 890,01 euros
Parcela a abater 767,50 euros
Gasolina ou gasóleo A pagar pela componente cilindrada 122,51 euros
Tenha em atenção que há taxas diferenciadas
na componente ambiental para veículos a gasolina Total de ISV a pagar 211,19 euros
e a gasóleo. Em ambos os casos, quanto mais elevada
for a emissão de CO2, mais imposto paga o veículo.

Guia Fiscal 2019    57  


QUADRO 18 QUADRO 19
ISV A COBRAR EM 2019 DESCONTO NO ISV PARA IMPORTADOS EM 2018

COMPONENTE DE CILINDRADA IDADE DESCONTO (%)

CILINDRADA TAXAS POR CC PARCELA A ABATER (€) Até 1 ano 10

Até 1000 0,99 767,50 Mais de 1 e até 2 anos 20


1001 a 1250 1,07 769
Mais de 2 e até 3 anos 28
Mais de 1250 5,06 5 600
Mais de 3 e até 4 anos 35
COMPONENTE AMBIENTAL
Mais de 4 e até 5 anos 43
ESCALÃO DE CO2 TAXAS POR CC PARCELA A ABATER (€)
Mais de 5 e até 6 anos 52
VEÍCULOS A GASOLINA
Mais de 6 e até 7 anos 60
Até 99 g/km 4,18 386
Mais de 7 e até 8 anos 65
100 a 115 g/km 7,31 678,87
Mais de 8 e até 9 anos 70
116 a 145 g/km 47,51 5 337

146 a 175 g/km 55,35 6 454,52 Mais de 9 e até 10 anos 75

176 a 195 g/km 141 21 358,39 Mais de 10 anos 80

Mais de 195 g/km 185,91 30 183,74

VEÍCULOS A GASÓLEO tem de apresentar nas Finanças um pedido de redução do


ISV acompanhado da fatura pró-forma do veículo a adquirir,
Até 79 g/km 5,22 396,88 com o respetivo número de chassis e a emissão de CO2.
80 a 95 g/km 21,20 1 671,01 Após reconhecimento do incentivo por parte das Finanças,
a compra tem de ser concretizada no prazo de seis meses.
96 a 120 g/km 71,62 6 504,65

121 a 140 g/km 158,85 17 107,60

141 a 160 g/km 176,66 19 635,10


IMPORTAR CARRO

Mais de 160 g/km 242,65 30 235,96 Novo ou usado


Há um agravamento de 615 euros (500 euros acrescidos de IVA à taxa de 23%) Comprar um automóvel num país da União Europeia
para todos os veículos a gasóleo que emitam 0,002 g/km ou mais de partículas
implica pagar ISV, quer o veículo seja novo ou usado.
Aos veículos importados usados é aplicada uma
Mais IVA percentagem de desvalorização no imposto, que tem em
Ao somatório dos valores de imposto pela componente conta a idade do veículo (consulte o quadro 19).
de cilindrada e pela componente ambiental acresce ainda Pode também simular o imposto a pagar no Portal das
IVA à taxa de 23 por cento. No total, a carga fiscal de um Finanças, seguindo Cidadãos > Serviços > Serviços
carro representa atualmente 24% do seu preço final. Aduaneiros > Simuladores > ISV.
As tabelas de desvalorização incidem somente sobre
Híbridos plug-in a componente cilindrada do ISV. Por exemplo, um carro
A compra de carros híbridos plug-in novos dá direito a importado com seis anos beneficia de um desconto
uma redução no ISV até 562 euros. Para beneficiar deste de 52% no imposto. A componente ambiental é paga
incentivo à compra deste tipo de veículos, o interessado como se de um veículo novo se tratasse.

58    Guia Fiscal 2019


ISENÇÃO PARA DEFICIENTES Comunicar deficiência
A comunicação da situação de deficiência relevante pode
Utilizadores ser apresentada em qualquer serviço de Finanças,
Estão isentos do pagamento de ISV os veículos mediante a apresentação de cópia autenticada do
destinados ao uso próprio de: atestado médico de incapacidade multiuso. Em
• pessoas com deficiência motora, maiores de 18 anos, alternativa, pode submeter a comunicação através do
com grau de incapacidade superior a 60%, com elevada Portal das Finanças, seguindo Cidadãos > Serviços >
dificuldade na locomoção na via pública sem auxílio de Situação Fiscal - Dados > Deficiência Fiscalmente Relevante
outrem ou recurso a meios de compensação. Se tiver > Indicar/Alterar dados. Nesse caso, terá de enviar a cópia
deficiência motora ao nível dos membros inferiores, são do atestado médico e o comprovativo da comunicação
contemplados os contribuintes que usem próteses, ortóteses, efetuada no portal, por via postal e no prazo de 15 dias,
cadeiras de rodas e muletas. Já se a deficiência motora for ao para a Direção dos Serviços de Registo de Contribuintes
nível dos membros superiores, estão abrangidos contribuintes (Avenida João XXI, n.º 76, 6.º piso, 1049-065 Lisboa).
com elevada dificuldade no acesso ou na utilização dos
transportes públicos coletivos convencionais; Documentos a apresentar
• pessoas com deficiência das Forças Armadas, com grau Em regra, o pedido de reconhecimento da isenção por
de incapacidade igual ou superior a 60 por cento. deficiência é efetuado pelo vendedor do veículo antes da
entrada deste no País. Para concluir o processo, terá de
Condutores reunir os seguintes documentos:
Os veículos que beneficiam de isenção do ISV por • modelo 1460.1 – pedidos no âmbito do ISV;
deficiência do utilizador só podem ser conduzidos: • declaração aduaneira de veículo (DAV);
• pelo próprio deficiente ou pelo seu cônjuge/unido de • declaração de incapacidade;
facto, desde que com ele viva em economia comum; • fatura pró-forma do veículo;
• pelos ascendentes e descendentes em 1.º grau que com • fatura comercial ou declaração de venda (para casos de
ele vivam em economia comum e por terceiros por ele aquisição entre particulares) e respetivos documentos originais
designados, até ao máximo de dois, desde que do veículo, no caso de se tratar de veículo usado importado;
previamente autorizados pela Direção-Geral das Alfândegas • certificado de conformidade;
e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, e na condição • certificado de conformidade, modelo 9 do Instituto da
de a pessoa com deficiência ser um dos ocupantes. Mobilidade e dos Transportes Terrestres e ficha de inspeção
técnica (modelo 112), no caso de veículo usado importado;
Passageiros • carta de condução;
Estão também isentos do pagamento de ISV os veículos • cartão de cidadão / bilhete de identidade;
destinados ao transporte (independentemente da idade) de: • cartão de contribuinte;
• pessoas com multideficiência profunda, com grau de • consentimento para consulta da situação tributária e
incapacidade igual ou superior a 90% e que estejam contributiva, ou certidão comprovativa da situação
comprovadamente impedidas de conduzir automóveis; tributária e contributiva regularizada.
• pessoas com deficiência, com grau de incapacidade
igual ou superior a 60% e que se movam exclusivamente Limite da isenção
apoiadas em cadeiras de rodas; A isenção é válida para veículos com nível de emissão de
• pessoas com deficiência visual e com grau de CO2 até 160 g/km, com o limite de 7800 euros. Se o limite
incapacidade de 95 por cento. for ultrapassado, cabe ao contribuinte suportar o
pagamento do excedente. O limite de CO2 sobe para 180
Percentagem de deficiência g/km no caso de veículos adaptados ao transporte de
Em todos estes casos é tida em conta a percentagem de pessoas com deficiência que se movam em cadeira de
deficiência fixada oficialmente nos termos da Tabela rodas, com desvalorização igual ou superior a 60% em
Nacional de Incapacidades que estivesse em vigor na que, por imposição da incapacidade, o veículo tenha de
data da sua determinação pela respetiva junta médica. possuir mudanças automáticas.

Guia Fiscal 2019    59  


IUC
COMO CALCULAR Tributária tenha conhecimento do seu grau
de incapacidade. Para confirmar esse dado, consulte
Propriedade a sua Situação Fiscal no Portal das Finanças, seguindo
A posse de um veículo, mesmo que este não circule, obriga Cidadãos > Serviços > Situação Fiscal – Dados >
ao pagamento do imposto único de circulação (IUC). Deficiência Fiscalmente Relevante > Consultar pedido
de indicação/alteração.
Pagamento anual
O IUC tem de ser pago todos os anos, até ao fim do mês Emitir documento para pagamento
de matrícula, que consta no documento único do veículo. No Portal das Finanças, siga Cidadãos > Serviços > IUC >
Entregar Ano Corrente. O documento gerado irá exibir
Valor do imposto uma referência para pagamento. Ainda que esteja isento,
Consulte os quadros 20, 21, 23 ou 24 para apurar o valor terá de emitir este documento, para obter uma nota
do IUC para o seu veículo. Se a leitura de emissões de CO2 de pagamento a zero.
do veículo já tiver sido feita ao abrigo do novo protocolo
WLTP (confirmar nos documentos da viatura), consulte
primeiro o quadro 22 e aplique a respetiva redução ATUALIZAR REGISTO
de emissões, para obter a equiparação à medição antiga.
Só depois consulte os quadros 23 ou 24. Alterar registo
Quem vende um carro (seja por contrato escrito
Adicional para veículos a gasóleo ou verbal), também pode requerer a alteração de registo.
Todos os veículos a gasóleo pagam, desde 2014, um Até 2014, esta tarefa apenas podia ser executada pelo
valor adicional de imposto, independentemente do ano novo proprietário, mas, se este não o fizesse,
de aquisição. Consulte-o no quadro 24. as responsabilidades para com a viatura (como o pagamento
do IUC) continuavam a ser do titular do registo, ou seja,
Adicional para veículos poluentes do antigo dono.
Os veículos matriculados após 1 de janeiro de 2017,
que emitam mais de 180 g/km de CO2 pagam um imposto Onde atualizar registo
adicional de 29,30 euros. A requisição da atualização dos dados do veículo é feita
Acima de 250 g/km, o imposto adicional sobe para nas conservatórias do registo automóvel, no Instituto dos
os 58,79 euros (a somar aos valores do quadro 24). Registos e Notariado ou no Instituto da Mobilidade e dos
Transportes. Outras possibilidades passam pela via
postal ou pelo site www.automovelonline.mj.pt. Deve ser
ISENÇÃO apresentado um comprovativo da venda, como a fatura,
recibo ou outro documento em que conste a matrícula
Deficiência do veículo e o nome e a morada do vendedor
Estão isentos de IUC os motociclos (categoria A), ligeiros e do comprador.
(categoria B) com emissões de CO2 até 180g/km, e ainda
reboques ou semirreboques (categoria E) de cidadãos Declaração do vendedor
com deficiência igual ou superior a 60 por cento. O pedido também é válido com a declaração
do vendedor, desde que indique o maior número possível
Limites da isenção de elementos do processo, nomeadamente a data
A isenção por deficiência só é aplicável a um veículo da venda, o nome e a morada do comprador.
em cada ano e está limitada a 240 euros.
Custo
Isenção automática Para alterar o registo, o ex-proprietário tem de pagar 75
Não é preciso requerer a isenção por deficiência. euros nos postos de atendimento do registo automóvel.
Ela é atribuída automaticamente, desde que a Autoridade Há um desconto de 15% para requisições na internet.

60    Guia Fiscal 2019


QUADRO 20 QUADRO 21
IUC PARA AUTOMÓVEIS A GASÓLEO IUC PARA AUTOMÓVEIS A GASOLINA, GPL OU ELÉTRICOS
COMPRADOS ATÉ 30 DE JUNHO DE 2007 COMPRADOS ATÉ 30 DE JUNHO DE 2007
GASOLINA
CILINDRADA (CC) 1996 A 2007 1990 A 1995 1981 A 1989 GPL E OUTROS ELÉTRICOS POSTERIOR
CILINDRADA 1990 A 1995 1981 A 1989
CILINDRADA (CC) (VOLTAGEM TOTAL) A 1995
(CC)
Até 1 500 € 21,15 € 13,56 ISENTO
Até 1 000 Até 1 500 Até 100 € 18,36 € 11,58 ISENTO
1 501 até 2 000 € 43,16 € 24,26 € 13,56
1 001 até 1 300 1 501 até 2 000 Mais de 100 € 36,85 € 20,71 € 11,58
2 001 até 3 000 € 67,42 € 37,68 € 18,90
1 301 até 1 750 2 001 até 3 000 € 57,56 € 32,17 € 16,14
Mais de 3 000 € 171,04 € 90,21 € 38,99
1 751 até 2 600 Mais de 3 000 € 144,03 € 77,02 € 33,29
Exemplo
2 601 até 3 500 € 265,18 € 144,40 € 73,53
Carro de 2005, com cilindrada de 1896 cc: € 43,16
Mais de 3 500 € 472,48 € 242,70 € 111,52

Exemplo
Carro de 1999, com 1600 cc: € 57,56

QUADRO 22 QUADRO 23
REDUÇÃO PARA WLTP IUC PARA AUTOMÓVEIS A GASOLINA COMPRADOS DEPOIS DE 1 DE JULHO DE 2007
CILINDRADA CO2
CO2 (GRAMAS/ REDUÇÃO ANO
(CENTÍMETROS CÚBICOS) TAXAS (GRAMAS POR TAXAS TAXAS
QUILÓMETRO) ÀS EMISSÕES DE AQUISIÇÃO
QUILÓMETRO)

Até 120 21% Até 1 250 29,30 Até 120 60,10 2007 1,00
Mais de 120
De 121 a 180 15% Mais de 1 250 até 1 750 58,79 90,06 2008 1,05
até 180
Mais de 180
De 181 a 250 12% Mais de 1 750 até 2 500 117,47 195,59 (1) 2009 1,10
até 250
Mais de 250 5% Mais de 2 500 402,02 Mais de 250 335,06 (2) 2010 e seguintes 1,15

Exemplo para 109 g/km CO2: (1) Carros matriculados após 1 de janeiro de 2017: € 224,89 (€ 29,30 + € 195,59)
109 − 21% = 86 g/km (escalão (2) Carros matriculados após 1 de janeiro de 2017: € 393,85 (€ 58,79 + € 335,06)
a consultar no quadro) Exemplo: Carro de 2016, com 898 cc e 86 g/km CO2: € 102,81 = (€29,30 + € 60,10) × 1,15
QUADRO 24
IUC PARA AUTOMÓVEIS A GASÓLEO COMPRADOS DEPOIS DE 1 DE JULHO DE 2007
CO2 ADICIONAL
CILINDRADA ANO
TAXAS (GRAMAS POR TAXAS COEFICIENTE (CONSOANTE A
(CC) DE AQUISIÇÃO
QUILÓMETRO) CILINDRADA)

Até 1 250 € 29,30 Até 120 60,10 2007 1,00 € 5,02

Mais de 1 250 até 1 750 € 58,79 Mais de 120 até 180 90,06 2008 1,05 € 10,07

Mais de 1 750 até 2 500 € 117,47 Mais de 180 até 250 195,59 (1) 2009 1,10 € 20,12

Mais de 2 500 € 402,02 Mais de 250 335,06 (2) 2010 e seguintes 1,15 € 68,85

(1) Carros matriculados após 1 de janeiro de 2017: € 224,89 (€ 29,30 + € 195,59)


(2) Carros matriculados após 1 de janeiro de 2017: € 393,85 (€ 58,79 + € 335,06)
Exemplo: Carro de 2015, com 1461 cc e 119 g/km CO2: € 146,79 = [(€58,79 + € 60,10) × 1,15] + € 10,07

Guia Fiscal 2019    61  


Heranças e doações
DECLARAR OS BENS Preenchimento
É aconselhável recorrer pessoalmente ao serviço
Declarar bens recebidos de Finanças, até porque em grande parte deles
Assumir bens deixados por outra pessoa, por herança os funcionários já se disponibilizam para tratar
ou doação, implica declarar esses bens ao Fisco e apurar do assunto diretamente no sistema informático, à medida
o eventual imposto de selo a pagar. que o contribuinte vai fornecendo todos os elementos.
Nesse caso, nem terá de preencher qualquer impresso,
Cabeça-de-casal bastando conferir e assinar aqueles que o funcionário lhe
O processo de declaração dos bens herdados dará já preenchidos.
é conduzido pelo cabeça-de-casal. Em alternativa, preencha o modelo 1 e entregue
Em regra, esse papel é atribuído ao cônjuge do falecido os anexos I e II para reportar a relação de bens e o nome
ou, na falta deste, ao filho mais velho. Mas pode ser dos beneficiários. Se estes forem mais de quatro,
escolhido outro herdeiro, se todos estiverem de acordo. deve ainda juntar o anexo III, para acrescentar os nomes
Essa nomeação tem de ser comunicada às Finanças, em falta.
no momento em que é participado o falecimento
e apurados os bens deixados em herança.

Declarar o falecimento e seus bens


O cabeça-de-casal tem de participar o falecimento
ao serviço de Finanças do local de residência do falecido.
A declaração é feita através do modelo 1 do imposto
de selo (vulgarmente designada como relação de bens).
Neste documento, deve identificar a data e o local
do falecimento, os herdeiros e as relações de parentesco
de cada herdeiro com o falecido.
É igualmente neste documento que se declara a listagem
dos bens da herança, excluindo os que não têm de ser
declarados (ver Bens isentos de imposto de selo,
no quadro 25 da página 64).

Prazo
A declaração dos bens deve ser entregue às Finanças
no prazo de três meses a contar do início do mês
seguinte à data do falecimento. Ou seja, se a morte
aconteceu em fevereiro, a declaração de bens pode ser
entregue até ao final de maio.

Sem declaração de bens


Sem a entrega do modelo 1 nas Finanças não é possível
calcular o imposto a pagar nem registar bens, como
imóveis, terrenos ou automóveis, no nome dos novos
proprietários. Além disso, se o cabeça-de-casal não
apresentar a declaração de bens na data prevista
ou se esta for apresentada com erros ou com dados

62    Guia Fiscal 2019


em falta, as Finanças podem abrir um processo
de liquidação oficiosa e cobrar o imposto de selo em falta
no prazo de oito anos. EXEMPLO
HERANÇA
Valor dos bens
BENS DECLARADOS
O Fisco pode corrigir o valor de alguns bens declarados Casa com valor patrimonial de 200 mil euros
pelo cabeça-de-casal. É o caso dos imóveis, por exemplo, Carro avaliado em 13 mil euros
em que o cabeça-de casal lhe pode atribuir determinado Saldo bancário de 25 mil euros
valor, mas as Finanças apuram o valor patrimonial 1500 ações, com valor de cotação de 7500 euros
tributário inscrito na caderneta predial à data Valor total: 245 500 euros
da transmissão por morte.
Já no caso dos bens móveis, o imposto é calculado sobre A preencher:
o valor oficial de cotação (por exemplo, cotação do ouro) • modelo 1 do imposto de selo
ou sobre o valor declarado (conta aquele que for maior), • anexo I, tipo 1, para declarar a casa
devendo aproximar-se tanto quanto possível do valor de • anexo I, tipo 3, para identificar o carro
mercado. e o depósito bancário (bens móveis)
Caso os valores declarados pelo cabeça-de-casal • anexo I, tipo 5, para declarar as ações
se desviem substancialmente dos chamados “valores
Entregar também
de mercado” (por exemplo, indicar um quadro de Picasso Documento obtido no banco com movimentos
por 50 euros), o Fisco pode proceder a uma avaliação da conta do falecido nos últimos 60 dias
rigorosa de todos os bens transmitidos.
IMPOSTO DE SELO A PAGAR
Automóveis e bens especiais
Alguns bens móveis, como os automóveis, têm regras Se únicos herdeiros forem cônjuge, filhos ou netos
específicas para cálculo do imposto a pagar. Isenção de imposto de selo
O valor a ter em conta é o maior dos seguintes:
Se único herdeiro for primo
• o valor de mercado;
Paga 24 550 euros, que corresponde
• o determinado nos termos do Código do IRS, em que a 10% do valor total dos bens recebidos
o valor de mercado resulta da diferença entre o valor
de aquisição e o produto desse valor pelo coeficiente
de desvalorização correspondente ao número de anos
do veículo.

Contas bancárias
Se entre os bens da herança que vai declarar às Finanças
estiver dinheiro depositado num banco, terá de pedir
à instituição bancária um comprovativo dos movimentos
da conta do falecido nos 60 dias anteriores à data da sua
morte. Dependendo do banco em causa, esta declaração
pode ser gratuita ou estar sujeita a uma comissão
de dezenas de euros. Também pode ser obtida na hora
ou demorar semanas.
Tendo em conta que se trata do cumprimento de uma
obrigação legal e que o herdeiro não pode escolher
o banco onde vai pedir esta declaração, discordamos
totalmente da cobrança de dezenas de euros por este
serviço.

Guia Fiscal 2019    63  


SERÁ QUE TINHA BENS? Imóveis
Com a senha do Portal das Finanças do falecido,
Contas bancárias aceda ao património imobiliário.
Para ter a certeza de que incluiu todas as contas Não tendo a senha, o cabeça-de-casal acede a essa lista
bancárias do falecido na relação de bens, consulte quando for às Finanças apresentar a relação de bens
o Portal do Cliente Bancário na página do Banco do falecido.
de Portugal, em https://clientebancario.bportugal.pt,
e siga Serviços > Consultar > Base de Dados de Contas.
A lista de contas bancárias é fornecida de imediato, TAXAS E ISENÇÕES
em ficheiro PDF.
No entanto, só pode aceder a esta informação Herdeiros isentos
se tiver consigo a senha de autenticação Nenhuma transmissão de bens, seja por herança
que o falecido usava para aceder ao Portal das Finanças ou por doação, paga imposto de selo se for feita a favor:
ou, em alternativa, o cartão de cidadão do falecido • do cônjuge ou do unido de facto;
e respetivo PIN de autenticação. • de descendentes, como filhos e netos, por exemplo;
• de ascendentes, por exemplo, pais e avós.
Esta isenção de imposto de selo está em vigor desde
2004 e passou a incluir os unidos de facto em 2009.

Herdeiros não isentos


Todos os outros beneficiários de heranças ou de doações
têm de pagar 10% sobre o valor dos bens que recebem.
Se o beneficiário for sujeito passivo de IRC
(como empresários), os bens transmitidos não pagam
imposto de selo, mas pagam IRC.

QUADRO 25
BENS ISENTOS DE IMPOSTO DE SELO

ESTÃO ISENTOS DE IMPOSTO DE SELO OS SEGUINTES BENS


HERDADOS OU DOADOS:
Seguros de vida, PPR e/ou PPA
Contacte a Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões
• bens pessoais (roupa, calçado, joias), eletrodomésticos ou mobílias;
(www.asf.com.pt) e peça uma lista de todos os seguros
e fundos de pensões em nome do falecido.
• fundos de poupança-reforma ou poupança-educação e fundos de investimento
Ações, obrigações e fundos de investimento (como os de pensões ou os mobiliários e imobiliários);
Contacte a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários
(www.cmvm.pt) e peça uma lista dos valores mobiliários
• indemnizações de seguros de vida;
registados em nome do falecido.

Certificados de aforro ou do tesouro


• pensões e subsídios pagos pela Segurança Social;
Dirija-se ao Instituto de Gestão da Tesouraria e da Dívida
Pública (www.igcp.pt) e obtenha uma declaração
de valores do aforrista à data do óbito, mediante • doações ao abrigo da Lei do Mecenato (por exemplo, a instituições de
o pagamento de 5 euros. Em alternativa, pode apresentar solidariedade ou religiosas) ou ainda pequenas doações até 500 euros
(por exemplo, a um afilhado).
esse pedido ao balcão dos CTT e aguardar a resposta.

64    Guia Fiscal 2019


Bens isentos de imposto de selo
Alguns bens, pela sua natureza, estão isentos de imposto 48
de selo, em caso de herança ou doação. Consulte a lista O meu irmão morreu em outubro e
no quadro 25 (ver página 64). deixou-me 20 mil euros depositados
Não tem de declarar estes bens no modelo 1 do imposto num banco. Tenho de pagar algum
de selo quando participar o falecimento às Finanças. imposto?
Sim. A transmissão de dinheiro, mesmo
que depositado em contas bancárias,
Doação de imóveis
paga imposto de selo se o beneficiário
Obriga sempre ao pagamento de uma taxa adicional não for o cônjuge, filho, neto, pais
de 0,8%, até mesmo quando os beneficiários estão ou avós. Assim, pagará 10% sobre
isentos de imposto de selo, como acontece com os filhos, o dinheiro recebido, ou seja, 2000 euros
o cônjuge ou os pais. neste caso.

Imposto mínimo
Quando o valor do imposto de selo a pagar é inferior 49
a 10 euros, as Finanças não o exigem. O meu padrinho deixou-me bens
avaliados em cerca de 50 mil euros.
Tenho de pagar imposto de selo?
Se forem bens móveis pagará 5000
PAGAMENTO DO IMPOSTO euros, porque é aplicada uma taxa
de 10% sobre os 50 mil euros.
Quem paga Se for um imóvel, tem ainda de pagar
Nas heranças, o imposto de selo é pago pelo uma taxa adicional de 0,8% sobre o valor
cabeça-de-casal, que assume o papel de “administrador” da casa. Nesse caso, teria de pagar mais
da herança. Mas o pagamento pode ser feito com recurso 400 euros de imposto de selo.
à própria herança, se esta tiver liquidez para tal. No total, paga 5400 euros.
Como o valor a pagar ultrapassa 1000
No caso das doações, o imposto de selo é sempre pago
euros, o Fisco vai dividi-lo em dez
por quem recebe o bem. prestações.

Prazo para pagamento


Após a entrega do modelo 1 do imposto de selo 50
às Finanças, há que aguardar pela chegada da nota O meu pai deu-me 25 mil euros
de liquidação ao domicílio fiscal do cabeça-de-casal. em dinheiro. Sou obrigado a declarar
Em regra, o imposto deve ser pago até ao final esta doação às Finanças?
do segundo mês seguinte àquele em que foi recebida Não. As doações em dinheiro a favor
de beneficiários isentos, como os filhos,
a notificação.
não têm de ser declaradas, mesmo que
os valores estejam depositados
Pagamento em prestações em contas bancárias. Já se tivesse
Quando o valor do imposto ultrapassa os 1000 euros, recebido esse montante, por exemplo,
o Fisco divide-o automaticamente em prestações, de um tio, teria de o declarar às Finanças
até um máximo de dez parcelas. No entanto, no anexo I, tipo 3 do modelo 1
cada prestação não pode ser inferior a 200 euros. do imposto de selo e teria ainda de
pagar 2500 euros. O pagamento deste
Pagamento a pronto valor poderá ser feito a prestações,
mas o pagamento a pronto permitirá
Dá direito a um desconto de 0,5% sobre o valor de cada
poupar 11,25 euros, pois beneficia
prestação, excluindo a primeira. Se optar por esta
de um desconto de 0,5% sobre o valor
solução, terá de a concretizar no prazo de 15 dias a contar de cada prestação, excluindo a primeira.
da data em que recebe a notificação.

Guia Fiscal 2019    65  


Glossário
ADICIONAL AO IMI não tenha celebrado com Portugal um acordo de dupla
Apesar de o nome estar associado ao imposto municipal tributação (ver página 34).
sobre imóveis (IMI), a receita obtida através desta
cobrança suplementar não reverte para os municípios, DEDUÇÕES ESPECÍFICAS
mas para o Fundo de Estabilização Financeira da São abatimentos ao rendimento bruto das categorias A, H
Segurança Social. Só ficam sujeitos ao pagamento deste e F. São disso exemplo os descontos para a Segurança
adicional os contribuintes com património imobiliário Social nos trabalhadores por conta de outrem ou as
superior a 600 mil euros (ver página 53). despesas com imóveis (ver página 12).

ATO ISOLADO DEDUÇÕES (DE DESPESAS)


Um contribuinte que não tenha atividade aberta Despesas lançadas no e-fatura, que não aparecem
e pretenda fazer uma prestação de serviços, pode na declaração de IRS, mas que são consideradas
recorrer ao ato isolado. Fica dispensado de apresentar pelo Fisco na liquidação do imposto, como a do IVA
as declarações de início e de cessação de atividade, (ver página 35).
por se tratar de um ato ocasional (ver página 20).
DEPENDENTES
AGREGADO FAMILIAR Filhos, adotados e enteados, maiores, bem como aqueles
É formado por: que até à maioridade estiveram sob tutela do contribuinte
• cônjuges e dependentes ou ascendentes a cargo; a quem incumbe a direção do agregado familiar.
• pai e/ou mãe solteiro(a) e dependentes Não podem ter mais de 25 anos, nem ter ganhado mais
ou descendentes a seu cargo; de 8120 euros anuais em 2018. Este limite sobe para
• cada um dos cônjuges ou ex-cônjuges (quando haja 8400 euros anuais em 2019 (ver página 8).
separação de facto ou divórcio) e os seus dependentes
ou ascendentes. DEPENDENTES EM GUARDA CONJUNTA
Pode consultar ou comunicar alterações ao agregado Quando os dependentes aparecem nas duas declarações
familiar através do portal das Finanças (ver página 8). de IRS dos progenitores (ver página 8).

AMORTIZAÇÃO ECONOMIA COMUM


Representa o desgaste que um bem (como um carro) Quando os contribuintes vivem em comunhão
sofre todos os anos, devido ao seu uso ou a inovações de habitação e têm a mesma morada fiscal (ver página 8).
tecnológicas (caso dos computadores). Expressa-se
numa percentagem sobre o valor de aquisição E-FATURA
e de acordo com o período de vida útil considerado. Plataforma online que serve para registar as despesas
É tida em conta quando o contribuinte tem contabilidade emitidas com o número de contribuinte.
organizada. Com base na informação aí lançada pelos prestadores
de serviços e validada pelos contribuintes, boa parte
COLETA da declaração do IRS aparece previamente preenchida
Montante que resulta da aplicação da taxa de imposto (ver página 4).
ao rendimento coletável, isto é, depois de efetuadas
as deduções específicas ao rendimento total bruto ENGLOBAMENTO
(ver página 46). Possibilidade de o contribuinte juntar determinados
rendimentos sujeitos a taxas liberatórias. Uma vez
CRÉDITO DE IMPOSTO englobando os rendimentos de uma categoria, tem de
É uma dedução à coleta que visa atenuar ou eliminar englobar todos os ganhos dessa categoria.
o facto de o mesmo rendimento pagar imposto duas Há rendimentos de englobamento obrigatório, como,
vezes. Pode, por exemplo, ocorrer quando por exemplo, os ganhos ou as perdas com a venda
os rendimentos são obtidos no estrangeiro e esse país de imóveis (ver página 24).

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IRS AUTOMÁTICO RENDIMENTO COLETÁVEL OU SUJEITO A IMPOSTO
Os contribuintes abrangidos não têm de preencher Diferença entre o rendimento bruto e as deduções
a declaração de IRS, pois recebem através do Portal das específicas (ver página 46).
Finanças uma proposta de liquidação com base na
informação de que o Fisco dispõe sobre os seus RENDIMENTO LÍQUIDO
rendimentos e deduções. Estão abrangidos os Valor obtido depois de feitas as deduções específicas
contribuintes que tenham apenas rendimentos de ao rendimento bruto e depois de retiradas eventuais
trabalho dependente ou de pensões, com ou sem retenções na fonte e contribuições para a Segurança
dependentes e cargo e que não tenham outros benefícios Social.
fiscais além de donativos ou planos de poupança-reforma
(PPR). Estão excluídos os contribuintes que paguem RESIDENTE
pensões de alimentos (ver páginas 6 e 7). O contribuinte é considerado residente durante o período
de permanência em território português, desde que
MAIS-VALIAS reúna uma destas condições:
Ganhos que resultam da venda de um bem ou direito. • aqui permaneça por mais de 183 dias, seguidos ou não,
As perdas são designadas de menos-valias (ver páginas em qualquer período de 12 meses com início ou fim
29 a 32). no ano fiscal em causa;
• esteja cá há menos de 183 dias, mas tenha morada
NÃO RESIDENTES fiscal em Portugal, registada nas Finanças até 60 dias
Pessoas não abrangidas pelas condições referidas após a chegada a Portugal e manifeste intenção de cá
em “Residentes”. Nestes casos, o IRS incide apenas habitar (ver página 34).
sobre os rendimentos obtidos em território português.
Os residentes fora da União Europeia com rendimentos RESIDENTE PARCIAL
em Portugal têm de nomear um representante legal O contribuinte pode ter dois estatutos de residência:
que resida em território nacional. Este deve cumprir, residente e não residente.
perante o Fisco, todas as obrigações com o IRS Quando os dois estatutos ocorrem em simultâneo, deve
(ver página 34). entregar uma declaração de rendimentos relativa a cada
um deles (ver página 34).
PAGAMENTOS POR CONTA
É um adiantamento de imposto calculado pelo Fisco, RETENÇÃO NA FONTE
mencionado na nota de liquidação. Os rendimentos de trabalho dependente, trabalho
Aplica-se aos rendimentos do trabalho independente independente, pensões, investimentos, rendas e mais-
(ver página 18). -valias estão sujeitos a retenção na fonte.
A entidade que paga ou distribui os rendimentos aplica
QUOCIENTE CONJUGAL uma taxa de imposto, que deve chegar aos cofres
Quando o casal (casados ou unidos de facto) opta pela do Estado. No rendimento proveniente de trabalho
tributação em conjunto, o seu rendimento coletável dependente e de pensões, as taxas de retenção variam
é dividido por 2. consoante o rendimento.
Ao resultado é aplicada a taxa de IRS correspondente. Já A expressão “na fonte” resulta do facto de quem paga
quando a declaração é entregue individualmente, não há os rendimentos estar obrigado, no pagamento, a reter
lugar a qualquer divisão, pois o quociente conjugal é "1" uma certa parcela, segundo tabelas definidas
(ver páginas 46 e 47). pela Autoridade Tributária. Esses montantes são
posteriormente entregues ao Fisco pela entidade que fez
RENDIMENTO BRUTO essa retenção na fonte.
Montante recebido pelo contribuinte antes de lhe serem No cálculo final do imposto, os montantes retidos
aplicadas eventuais retenções na fonte ou descontos são deduzidos ao imposto que o contribuinte terá
para a segurança social. a pagar.

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