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Por exemplo seja G = S3 = {1, (12), (13), (23), (123), (132)}.

Esse grupo
tem ordem 6, o subgrupo h(12)i tem ordem 2, o subgrupo h(123)i tem ordem 3
e 2 e 3 dividem |G| = 3! = 6.

Uma primeira consequência importante do teorema de Lagrange é a seguinte.

Proposição 3. Seja G um grupo de ordem |G| = p, um número primo. Então


G é cı́clico.
Demonstração. Como |G| = p > 1 existe g ∈ G diferente de 1. Seja H := hgi.
Pelo teorema de Lagrange, como H é um subgrupo de G temos que |H| divide
|G| = p. Como p é um número primo, isso implica que |H| = 1 ou |H| = p. Mas
é claro que |H| =
6 1, pois H contem pelo menos dois elementos: 1 e g (lembre-se
que g 6= 1). Logo |H| = p = |G|. Mas então G é um conjunto finito com p
elementos e H é um subconjunto de G com o mesmo número de elementos. Isso
implica que H = G, logo G = H = hgi é cı́clico.

1.4 Subgrupos normais e grupos quociente


Definição 5. Seja H um subgrupo de G. O insieme quociente das classes
laterais à esquerda de H em G é G/H := {gH : g ∈ G}, o conjunto de todas
as classes laterais de H em G.
Por definição de indice, |G/H| = |G : H|. Observe que pelo teorema de
Lagrange, se G é finito então |G/H| = |G|/|H|.

O que queremos fazer agora é tentar dar uma estrutura de grupo ao quociente
G/H. Para fazer isso precisamos definir uma operação, e a operação mais
natural é a seguinte:

(xH) · (yH) := (xy)H. (∗)

Mas observe que esse produto depende das escolhas de x e y, então pode acon-
tecer que não seja bem definido. Queremos saber qual hipótese precisamos por
sobre H para ter certeza que o produto acima seja bem definido.

Suponha que o produto (∗) seja bem definido, e seja g ∈ G. Se h ∈ H então


temos gH = ghH, pois (gh)−1 g = h−1 g −1 g = h−1 ∈ H. Podemos calcular o
produto (gH) · (g −1 H) de duas formas diferentes:

(gH) · (g −1 H) = (gg −1 )H = 1H = H,

(ghH) · (g −1 H) = (ghg −1 )H.


Como o produto é bem definido por hipótese, o resultado dos dois cálculos tem
que ser o mesmo, em outras palavras H = (ghg −1 )H. Sabemos que isso significa
ghg −1 ∈ H. Então essa condição é o que precisamos para ter uma estrutura de
grupo em G/H.

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Definição 6 (Subgrupo normal, Grupo quociente). Um subgrupo H de um
grupo G é dito normal se ghg −1 ∈ H para todo g ∈ G, h ∈ H. Escrevemos
H E G. Nesse caso, o quociente G/H = {gH : g ∈ G} é um grupo (grupo
quociente) com a operação

(xH) · (yH) := (xy)H,

o elemento neutro é 1H = H e o inverso de gH é g −1 H.


Observe que se por exemplo G for abeliano então todo subgrupo de G é
normal: se H ≤ G e h ∈ H, g ∈ G então ghg −1 = gg −1 h = 1h = h ∈ H. Logo
H E G.

Exemplo: Seja G = S3 = {1, (12), (13), (23), (123), (132)} e seja H =


h(12)i = {1, (12)} ≤ S3 . Temos (13)−1 = (13) pois (13)(13) = 1, logo

(13)(12)(13)−1 = (13)(12)(13) = (23) 6∈ H.

Isso mostra que H não é normal em G.

Seja agora K = h(123)i ≤ G = S3 . Observe que 1−1 = 1, (12)−1 = (12),


(13)−1 = (13), (23)−1 = (23), (123)−1 = (132) e (132)−1 = (123). Temos

1(123)1−1 = (123) ∈ K, (12)(123)(12)−1 = (132) ∈ K,

(13)(123)(13)−1 = (132) ∈ K, (23)(123)(23)−1 = (132) ∈ K,


(123)(123)(123)−1 = (123) ∈ K, (132)(123)(132)−1 = (123) ∈ K.
Isso mostra que gxg −1 ∈ K para todo g ∈ G, onde x = (123). Para concluir
que K é normal em G precisamos mostrar isso para os outros elementos de K,
que são 1 e x2 . Mas é claro que g1g −1 = gg −1 = 1 ∈ K, então para mostrar
que K E G basta mostrar que gx2 g ∈ K para todo g ∈ G. Mas gx2 g = gxxg =
gxg −1 gxg −1 = (gxg −1 )2 ∈ K porque gxg −1 ∈ K, como mostrado acima. Isso
mostra que K E G.

Lembre-se que um subgrupo H de um grupo G é dito normal se a operação

(xH) · (yH) := (xy)H

dá ao insieme quociente G/H = {gH : g ∈ G} a estrutura de grupo (grupo


quociente). Já vimos que isso é equivalente à condição ghg −1 ∈ H para todo
g ∈ G, h ∈ H. Se H é um subgrupo normal de G escrevemos H E G.
Proposição 4. Seja H um subgrupo de G, g ∈ G e seja Hg = {hg : h ∈ H}
(classe lateral a direita). São equivalentes
1. H é normal;
2. Hg = gH para todo g ∈ G;

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