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DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NO COLÉGIO ESTADUAL PROF.

ARÍCIO
FORTES – EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS DE INCENTIVO A CULTURA AFRO
ATRAVÉS DE OFICINAS DO PIBID HISTÓRIA CAPES UFS.

TAÍS DANIELLE ALCÂNTARA DE ARAÚJO SILVA*


MARIA ALINE MATOS DE OLIVEIRA**

INTRODUÇÃO

O PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência CAPES/UFS) vem


desenvolvendo projetos e atividades, que têm contribuído na formação dos alunos, no
aperfeiçoamento de professores para a educação básica e na melhoria da qualidade da
educação pública em Sergipe. Dessa forma, o programa tem levado ao ensino público outras
formas de adquirir conhecimento histórico. Entre as formas alternativas, se arrolam oficinas,
jornais, exposições, eventos, jogos educativos, que auxiliam as escolas no processo educativo,
bem como proporcionam ao bolsista a oportunidade de vivenciar a realidade do campo
educacional, ou seja, o cotidiano escolar.

Ser professor exige saber qual o lugar social que ele, enquanto formador de ideias,
ocupa na sociedade, e não se resume apenas à aplicação mecânica de teoria, pois se trata de
ambiente integrado por pessoas, com mentalidades diferentes, o que impõe se fazerem
experimentações. O PIBID/HISTÓRIA/CAPES/UFS, ao proporcionar a troca de experiências
entre a instituição de educação superior e a escola/aluno, vem contribuindo para que o
professor mais bem cumpra seu papel na formação dos alunos.

No decorrer da atuação do PIBID/HISTÓRIA/CAPES/UFS nas escolas públicas da


rede estadual de Sergipe (Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, Colégio Estadual
Governador Valadares, Colégio Estadual Prof. Arício Fortes) e no Colégio de Aplicação
COPAD/UFS, se aplicou, todos os anos letivos e em todas as unidades escolares, a oficina “O
Dia da Consciência Negra no Brasil”. A oficina chama a atenção dos alunos, dos professores e

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Universidade Federal de Sergipe, Graduanda em Licenciatura em História, Bolsista do PIBID
História/CAPES/UFS.
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Universidade Federal de Sergipe, Graduanda em Licenciatura em História, Bolsista do PIBID
História/CAPES/UFS.
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da comunidade em geral, por retratar a importância da cultura negra na formação da sociedade


brasileira.

Em reparação da trajetória adversa vivida pelos negros na História do Brasil, estão


sendo desenvolvidas diversas medidas afirmativas para inserção de negros e pardos em
instituições de nível superior, bem como a instituição de políticas de valorização da cultura
negra. A lei de n.º 10.639, de 09 de janeiro de 2003, que versa sobre o ensino da história e
cultura afro brasileira e africana, ressalta a importância dessa cultura na formação do povo
brasileiro. Pelo artigo 79-B, essa lei inseriu no calendário escolar 20 de novembro, dia da
morte do líder quilombola negro Zumbi dos Palmares, como “Dia Nacional da Consciência
Negra”. Vale salientar que esse dia representa um marco da resistência negra no Brasil,
essencial para a ressignificação e valorização das matrizes africanas que formam a
diversidade cultural brasileira.

Neste artigo, iremos retratar, especificamente, a atuação e os resultados da aplicação


dessa oficina no Colégio Estadual Prof. Arício Fortes. A oficina “O Dia da Consciência Negra
no Brasil” possibilitou essa comunidade escolar, em especial os alunos do ensino médio,
compreender a construção histórica da cultura afro brasileira, por meio da elaboração de
espaços temáticos sobre história política, econômica e social em que o negro esteve e está
inserido em nossa sociedade através da religião, do esporte, da música, da literatura, do
cinema e das artes em geral, visando o resgate da importância histórico social do negro nos
diferentes âmbitos da cultura brasileira.

Nesse sentido, o PIBID/HISTÓRIA/CAPES/UFS atuou, no âmbito do calendário


escolar do Colégio Estadual Prof. Arício Fortes, na elaboração e aplicação da oficina “O Dia
da Consciência Negra no Brasil”, formando parceria entre alunos, docentes e comunidade;
trabalhando a cultura afro brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na
qual os negros são considerados como sujeitos históricos e valorizando, portanto, o
pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros. O evento chama a
atenção pela ligação identitária entre os alunos e as referidas temáticas.

Assim, o PIBID/HISTÓRIA/CAPES/UFS se incumbiu de trabalhar com os alunos do


ensino médio do período da tarde, através de práticas lúdicas e do estimulo à pesquisa sobre a
temática da cultura afro brasileira e africana, com ênfase em suas importantes e influentes
contribuições na música, no cinema, na televisão, na política, na literatura, na dança e nas
religiões de matrizes africanas. A oficina “O Dia da Consciência Negra no Brasil”, orientada
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por bolsistas do PIBID, vem contribuindo, sobretudo, na conscientização do importante papel


que os professores exercem no processo da luta contra o preconceito e a discriminação racial
no Brasil.

A LEI 10.639 E A DIVERSIDADE CULTURAL BRASILEIRA

A partir de janeiro de 2003 todas as escolas públicas e particulares da educação básica


passaram a ter a obrigatoriedade de ensinar conteúdos relacionados à história e à cultura afro
brasileira. Desde o início da vigência da Lei nº 10.639, temática afro brasileira se tornou
obrigatória nos currículos do ensino fundamental e médio. Essa medida visou fazer com que
os estudantes passassem a conhecer a contribuição histórico social dos descendentes de
africanos ao nosso país.

A Lei nº 10.639/2003 acrescenta à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional


(LDB) dois artigos: 26-A e 79-B. O artigo 26-A estabelece a obrigatoriedade do ensino da
cultura e história afro brasileiras e especifica que esse ensino deve abordar a história africana
e a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. Esse artigo também
determina que esses conteúdos sejam ministrados dentro do currículo escolar, em especial nas
áreas de Educação Artística, Literatura e História. O artigo 79-B inclui no calendário escolar o
Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.

A implementação do ensino da cultura afro brasileira nos currículos nacionais de


História representou a disseminação da cultura dos afrodescendentes na sociedade. A
valorização da cultura africana no ensino tem o objetivo de contextualizar o papel histórico
desempenhado por esses povos no processo de formação da sociedade brasileira. O ensino
das relações étnico raciais deve ser pautado na consciência politica e histórica da diversidade,
no fortalecimento das identidades e no direito das ações de combate ao racismo e à
descriminação. Nesse sentido, se atenta para que:

A educação das relações étnico-raciais tem por alvo a formação de


cidadãos, mulheres e homens empenhados em promover condições de
igualdade no exercício de direitos sociais, políticos, econômicos, dos
direitos de ser, viver, pensar, próprios aos diferentes pertencimentos étnico-
raciais e sociais (SILVA, 2007:490).

A necessidade de uma educação multicultural deve ser pautada na pluralidade cultural,


representada pela população que compõe a nação brasileira, abrangendo os índios, povos
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africanos, europeus, asiáticos, com o objetivo principal de valorizar as características étnicas e


as contribuições culturais dos diversos grupos na formação da sociedade brasileira. “a lei
representa um avanço ao possibilitar a construção de um multiculturalismo critico na escola
brasileira” (FERNANDES, 2005:384).

O ENSINO DA CULTURA AFRO NO ARÍCIO FORTES: OFICINAS “DIA DA


CONSCIÊNCIA NEGRA NO BRASIL”

As oficinas foram desenvolvidas no Colégio Estadual Prof. Arício Fortes, localizado


em Aracaju, capital de Sergipe. A instituição de ensino se situa no bairro América, zona oeste
da cidade. Se limita ao norte com o bairro Novo Paraíso, a leste com o bairro Siqueira
Campos, a oeste com o bairro Capucho e Jabotiana e ao sul com o bairro Ponto Novo. A
história do bairro, marcado por forte presença étnica negra, evidencia contrastes e
possibilidades de aprendizado e de estudo do meio, como incentivo a uma educação que
contemple a história e a cultura afro.

Realizamos as atividades do “Dia da Consciência Negra no Brasil” com o objetivo de


mostrar aos alunos a trajetória do negro no Brasil, desde o seu início até os dias atuais. O
espaço foi sempre marcado pela presença negra, por reminiscências quilombolas e por forte
religiosidade afro, observada em vários terreiros existentes no bairro, ou seja, o espaço de
memória e de identidade de um povo e sua contribuição para a formação de uma localidade,
da necessidade de preservação e da representação da comunidade.

O conhecimento produzido no seio das comunidades negras é um saber que,


articulado às contribuições dos que estão de “fora”, pode produzir
desenvolvimento sustentável, geração de renda, preservação da cultura,
enfim, uma perspectiva de etno desenvolvimento (BRASIL, 2006:150).

O planejamento e a organização das oficinas foram realizados em parceria entre o


PIBID HISTÓRIA/CAPES/UFS e a coordenação, a direção e os professores do Colégio
Estadual Prof. Arício Fortes. Os bolsistas do PIBID participaram de reuniões pedagógicas da
escola, nas quais se discutiu como deveriam ser as oficinas com a temática da Consciência
Negra. O PIBID elaborou e apresentou o projeto “O Dia da Consciência Negra no Brasil”, que
foi aceito e realizado com o apoio de toda equipe diretiva e a participação especial do
professor de História, Marcos Aurélo.
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As três edições da oficina “O Dia da Consciência Negra no Brasil”, aqui referidas,


foram realizadas nos anos de 2012, 2013 e 2014. A primeira, nos dias 13 e 14 de novembro; a
segunda, nos dias 18, 19 e 20 de novembro, e a terceira, no dia 28 de novembro. O público
alvo do projeto foram os alunos do ensino fundamental e médio do turno vespertino. O
objetivo das oficinas foi apresentar aos adolescentes estudantes e aos professores a
importância de compreender e valorizar a cultura afro brasileira e resgatar as raízes e heranças
do negro, trabalhando questões da formação identitária dos alunos refletidas em seu cotidiano.
Sentimos que ainda hoje há necessidade de se trabalhar a conscientização mais profunda dos
jovens, para que entendam que a cultura africana não é inferior, está arraigada na formação da
nação brasileira e presente em nossas vidas.

A metodologia utilizada na oficina do ano de 2012 foi estudo, debates e exposição de


trabalhos feitos pelos alunos, sob a supervisão dos bolsistas e professores, em forma de feira
cultural. Houve uma apresentação prévia aos alunos de como seriam direcionadas as
atividades, logo após a discussão acorrida entre bolsistas e a equipe diretiva a respeito do
projeto. Cada turma ficou responsável por uma temática e pela exposição e apresentação de
seus trabalhos, da seguinte forma: 7º ano, profissões; 8º ano, danças e músicas; 9º ano,
religiões; 1º ano, influência africana na língua portuguesa; 2º ano, poemas e poetas negros; 3º
ano, contexto geral a chegada do negro no Brasil. As atividades ocorreram em dois dias
consecutivos. O primeiro foi destinado aos estudos, debates e exposição de trabalhos nas salas
de aula, das 14h às 17h aproximadamente. O segundo encontro ocorreu das 14h às 17h e
consistiu de palestra sobre o Dia da Consciência Negra e a cultura afro, de lanche (mungunzá,
acarajé, bala de banana, mariolas de goiaba) e de apresentações artísticas grupos afro e danças
organizadas pelos alunos.

Diante das condições da sociedade contemporânea, percebemos que aquilo que


Florestan Fernandes define como mito da democracia racial representa ainda um desafio a ser
vencido. A abolição da escravidão não significou o fim das desigualdades raciais, o que antes
era senzala, hoje se tornou favela (periferia). O Dia da Consciência Negra representa o marco
da resistência negra no Brasil.
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Figura 1- Mapa das Comunidades Quilombolas de Sergipe feito pelos alunos do


Arício Fortes – Projeto do ano de 2013.

Na oficina do ano de 2013, contamos com a participação e apoio do PIBID


GEOGRAFIA/CAPES/UFS, que também atuava no Colégio Estadual Prof. Arício Fortes,
bem como da equipe diretiva da escola. As atividades ocorreram em três dias consecutivos.
No primeiro dia, houve exibição de filme escolhido pelos professores da escola, atendendo a
proposta do projeto. No segundo dia, houve estudo e apresentação das pesquisas em cartazes,
maquetes e painel feitas pelos alunos, sob a supervisão dos bolsistas e professores, em forma
de feira cultural.

Sobre os temas para confecção dos trabalhos tivemos: 8º ano C do ensino


fundamental, festividades (cartazes e maquetes), com as bolsistas Maria Aline e Taís Danielle,
e professor Sidney; 9º ano C do ensino fundamental, ritmos musicais e danças (cartazes), com
os bolsistas Felipe Trindade, Grazielle Hora, e professor Gilberto; 1º ano B do ensino médio,
representação dos municípios com comunidades quilombolas no Estado (painel), com os
bolsistas de Geografia Natan, Fransuel, e professor Márcio; 1º ano C do ensino médio,
religiosidades (cartazes), com os bolsistas de Geografia Acácia, Miguel, e professora Ilsema;
2º ano C do ensino médio, peça teatral (apresentação artística), com os bolsistas Bárbara
Barbosa, Diego Vinicius, e professora Roseane; 3º ano B do ensino médio, culinária Afro
(cartazes e comidas), com as bolsistas Maria Aline, Taís Danielle, e professora Ieda.

No terceiro dia, ocorreram apresentações artísticas, como o desfile da beleza afro e


representações de deuses da religião candomblé trazidas pelos alunos. Também tivemos uma
peça teatral, realizada pelos alunos do 2º ano C do ensino médio, cuja temática era “Os negros
africanos escravizados”. Os alunos simularam a viagem dos africanos em navio negreiro, com
suas dificuldades e sofrimentos, e a questão da venda dos escravos nas feiras comerciais do
Brasil.
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Figura 2- Apresentação teatral dos alunos do Arício Fortes, representando os deuses


do candomblé – Projeto do ano de 2013.

Na oficina do ano 2014, o projeto “Herança Africana no Brasil” foi realizado com as
turmas do 9º ano do ensino fundamental e 1º e 2º ano do ensino médio. O objetivo foi
apresentar aos alunos a temática da Consciência Negra e suas influências na composição da
cultura brasileira, na musica, na dança e na culinária. Os alunos foram envolvidos desde a
preparação, com ensaios para a apresentação da peça teatral, dança, paródia, exposição de
cartazes, criação de poemas e miniconcurso de pintura acerca da Consciência Negra. A
importância da valorização da cultura afro brasileira foi a temática destaque nessa oficina. Os
alunos participaram de forma efetiva, na criação o roteiro da peça teatral, que abordou o tema
do racismo e preconceito, na dança afro e na preparação da culinária africana (acarajé e
caruru).

O roteiro da peça teatral foi apresentado em duas simulações. A primeira se baseava


no assalto a uma mercearia, onde havia um funcionário branco e outro, negro, sendo o negro,
no entanto, sempre o vigiado pelo dono do estabelecimento, quando, ao final, o homem
branco era quem assaltava a mercearia. Na segunda situação foi simulado um colégio, onde os
alunos falavam mal da cultura religiosa de uma garota negra, o candomblé. Ao término das
gozações, a garota faz um discurso falando da importância de cada religião e que todos devem
respeitar as diferenças. Com essas simulações, os alunos apresentaram que a cultura negra
ainda é marginalizada e desvalorizada na sociedade atual.

Na temática de danças e músicas, os alunos do 9ª ano representaram a musicalidade


afro brasileira com a apresentação da música “o mundo negro”, da banda O Rappa. Na
temática da culinária africana os alunos do 1ª ano e o PIBID organizaram uma mesa com
alguns alimentos da cultura afro brasileira, como o acarajé e o caruru, que, ao final das
apresentações, foram distribuídos aos todos os alunos. Entre as temáticas dos trabalhos feitos
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pelos alunos nas três oficinas, estão festividades, ritmos musicais, religiosidades, culinária,
representação dos municípios quilombolas em Sergipe, criação de paródias e poemas.
Podemos perceber que a educação e a pesquisa estão de mãos dadas na busca do
conhecimento. No caso em questão, são ótimas ferramentas para despertar para maior
valorização da identidade cultural, que surge de nosso sentimento de pertencimento a culturas
étnicas, religiosas, raciais e linguísticas diversas.

Figura 3- Poemas feitos pelos alunos do Arício Fortes, Vinicius de Lemos e Marcio
Brito – Projeto do ano de 2013.

Percebemos que nas atividades desenvolvidas ao longo dos três anos, o resultado
principal alcançado com a execução desse projeto, de forma geral, foi a valorização da
herança afro. Frisamos como se encontra presente em nosso dia a dia e na vida dos estudantes.
As oficinas contribuíram para a formação dos alunos e evidenciaram a importância do negro
para nossa sociedade.

Quanto aos resultados alcançados com a execução dos projetos, de forma mais
especifica, podemos destacar o cuidado que tivemos de perceber que a maioria dos estudantes
é de origem africana e praticante de religiões afro. Muitos moram nos arredores da escola, que
pode ser considerada como um quilombo urbano em razão da forte influência afro. Assim, os
projetos se tornaram espaço onde todos puderam se sentir à vontade para expor sua
identidade, seu orgulho por pertencer a essa cultura. Esse ponto é de suma importância na
formação da consciência cidadã.

Pudemos fomentar o desenvolvimento de apresentações artísticas e fazê-los pensar


sobre o assunto em geral e, especialmente, sobre o respeito ao negro e a questão identitária
dos jovens, fazendo com que os alunos entendessem como o Brasil é multicultural e
plurirracial. Outro resultado alcançado com as oficinas do PIBID/HISTÓRIA/CAPES/UFS na
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instituição foi a contribuição dada ao ensino de História e dos temas transversais. Segundo o
Ministério da Educação (MEC), esses temas devem ser voltados para a compreensão da
realidade social e dos direitos e responsabilidades relacionados com a vida individual e
coletiva, com afirmação do principio da participação politica. Os temas transversais devem
ser referentes à construção da cidadania: ética, saúde, meio ambiente, pluralidade cultural,
entre outros. O PIBID tem contribuído no trabalho pedagógico desenvolvido na escola através
das oficinas temáticas, fomentando a curiosidade e o interesse pelo conhecimento histórico
dos alunos e divulgando a pluralidade cultural brasileira.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante a realização das oficinas, nos anos de 2012, 2013 e 2014, no Colégio Estadual
Prof. Arício Fortes, tivemos dificuldades em alguns aspectos. A escola não tinha material para
a realização dos projetos, o que foi solucionado com a compra de todos os produtos que iriam
ser utilizadas pelos alunos com verbas do PIBID HISTÓRIA/CAPES/UFS, desde a compra de
materiais de papelaria até os alimentos e encomenda de pratos da culinária africana. O apoio
do PIBID à escola foi de fundamental importância na realização de todos os projetos, não só
quanto ao aspecto financeira, mas dos projetos como um todo, desde o planejamento, ensaios
com os alunos e a compra dos materiais.

Percebemos que um dos aspectos positivos foi à interação dos alunos com a temática,
visto que o bairro América é formado por remanescentes quilombolas e a presença de vários
terreiros de candomblé representa a cultura africana enraizada no cotidiano desses alunos em
sua comunidade. Ao relatar a importância do negro na cultura brasileira, percebemos o
interesse e a participação efetiva de todos os alunos nas oficinas. Ao divulgar na escola as
peças teatrais, as músicas afro brasileiras, a culinária e as pesquisas sobre os povos africanos,
os alunos estavam apresentando a sua identidade local, presente no bairro em que eles
habitam.

Ao longo da História do Brasil tanto o negro quanto a sua cultura africana foram
desvalorizadas e muitas vezes reprimidas. Buscar aprender e valorizar a nossa cultura afro,
por meio de ações como essas, é fundamental para a constituição de uma sociedade melhor,
sem preconceitos e desigualdades raciais. Nos dias atuais, nos deparamos com o
questionamento acerca do papel da escola na formação de alunos críticos, autônomos e
participantes. A escola e a educação exercem papel imprescindível nesse processo de
formação da consciência histórica do indivíduo. No âmbito dessa discussão, se torna
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importante refletir sobre o objetivo de estudar a História, conhecimento essencial para a


formação intelectual, social e afetiva das crianças e dos adolescentes. Entendemos, através da
realização do exercício referido neste texto, os vários problemas sociais, situamos os
acontecimentos diários e aprendemos a viver com consciência mais cidadã.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei n.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei 9.394, de 20 de dezembro de
1996, das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.639.htm Acesso em: 30 de maio de
2015.

BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares Nacionais e para a


Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-
Brasileira e Africana. CNE/CP 3/2004, de 10 de março de 2004.

BRASIL. Parecer CNE/CP 003/2004. Regulamenta a alteração da Lei 9.394, de 20 de


dezembro de 1996 e estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
Disponível em:<http://www.sineperj.org.br/view_legislacao.asp?id=18>. Acesso em 30 de
maio de 2015.

BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Temas Transversais. Disponível em:


http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf acesso em 18 de junho de 2015

CAMPOS, Maria do Carmo Sepúlveda; SECCO, Carmen Lúcia Tindó; CAMPOS, Maria do
Carmo Sepúlveda; SALGADO, Maria Teresa. África & Brasil: letras em laços. São Caetano
do Sul, SP: Yendis, 2006. 367 p.

CUTI Maria das Dores Fernandes (org.). Consciência Negra do Brasil: os principais livros.
Belo Horizonte, MG: Mazza, 2002. 111 p.

FERNANDES, José Ricardo Oriá. Ensino de História e Diversidade Cultural: desafios e


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SILVIA, Petronilha Beatriz. Aprender, ensinar e relações étnico raciais no Brasil. Rio
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