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Na Roma antiga, as crianças consideradas com algum defeito,

eram atiradas nos rios mais fundos ou penhascos bem altos.


Os egípcios matavam seus deficientes com marretadas na cabeça
e os enterravam em urnas nos sarcófagos, acreditando que assim,
a alma se purificava e voltaria perfeita em beleza e inteligência.
(CORREIA, 1997, p. 56)

O terceiro registro no mundo sobre a educação dos portadores de


deficiência física aconteceu por volta de 1940 quando um anúncio
publicado por um pai de uma criança com paralisia cerebral levou
a outros pais de crianças com a mesma patologia a fundarem a
New York State Cerebral Palsy Association.
O segundo registro no mundo sobre a educação dos portadores
de deficiência física aconteceu em 1900, em Chicago, onde foi
criada a primeira escola pública para “crianças aleijadas”.

Segundo Ferreira(1994), a história do atendimento a pessoa com


Necessidades Educacionais Especiais, no mundo ocidental, começa
em meados do Século XVI quando a questão da diferença ou a fuga
ao padrão considerado normal vai passar da órbita de influência da
Igreja para se tornar objeto da Medicina. Iniciativa de alguns
profissionais (médicos e pedagogos) preocupados com o descaso
em relação à atenção às pessoas deficientes. Eram de caráter
assistencial, sendo atendidas em asilos e manicômios.
No início do século XX surgem as escolas e as classes especiais
dentro das escolas públicas, visando oferecer ao deficiente uma
educação diferenciada.

No século XVII e meados do século XIX, inicia-se a chamada fase


de institucionalização, onde as pessoas deficientes eram
segregadas e protegidas em instituições residenciais. É nesse
período que se pode considerar o surgimento da Educação
Especial (Jimenez, 1997). A sociedade toma consciência da
necessidade de prestar apoio aos deficientes, mas a princípio,
com um caráter mais assistencial do que educacional.
Jean Marc Itard (1774-1838), no início do
Século XIX século XIX, desenvolveu tentativas de educar um
menino de 12 anos chamado Vitor, o menino
lobo. Esse caso ficou conhecido como o caso do
Selvagem de Aveyron. Itard foi reconhecido
como o primeiro estudioso a usar um método
sistematizado para ensinar deficientes.
(JANNUZZI, 1992)

Instituto dos Meninos Cegos


Direção de Benjamim Constant
Poucos são os registros no mundo sobre a educação dos
portadores de deficiência física segundo Mazzotta(1996).
O primeiro deles ocorreu em 1832 em Munique, na Alemanha,
quando foi criada uma instituição encarregada de educar os
“coxos, manetas e paralíticos”.
No Rio de Janeiro, a Escola Rodrigues Alves criada
em 1905, uma escola regular, estadual, para
deficientes físicos e visuais.

Em São Paulo, em 1931, na Santa Casa de


Misericórdia – classe especial estadual que
funcionava como classe hospitalar. Nesse período a
visão clínica e o olhar na deficiência, ou na
excepcionalidade constituíam o cerne dos serviços
oferecidos. (Rio de Janeiro, IHA, 1999)
Em 1943 foi fundado em São Paulo o Lar-Escola São
Francisco e em 1950 surge a AACD – Associação de
Assistência à Criança Deficiente, ambas instituições
particulares especializadas no atendimento a
deficientes físicos não-sensoriais.

na Santa Casa de Misericórdia – classe especial


estadual que funcionava como classe hospitalar.
Nos países europeus, na Idade Média, os deficientes eram
associados aos demônios e aos atos de feitiçaria. Por esse
motivo eram perseguidos e mortos. Faziam parte da categoria
dos excluídos, devendo ser afastados do convívio social ou ser
sacrificado. Havia posições ambíguas: “Uma seria a marca da
punição divina, a expiação dos pecados; outra dizia respeito a
expressão do poder sobrenatural ou seja, o acesso as verdades
intangíveis para a maioria.” (FERREIRA, 1994, p.67)
No Rio de Janeiro, o início da história da educação especial se
oficializa em 1959 através da Lei 953 que cria a Assessoria de
Educação Especial vinculada a Secretaria Municipal de Educação e
Cultura. Dentro dessa nova estrutura foram formadas as Equipes
Técnicas de Educação Especial em todos os Distritos de Educação e
Cultura do Município do Rio de Janeiro.
(Rio de Janeiro, IHA, 1999)

Os pais de crianças com retardo mental começaram a se


organizar criando: NARC – National Association for
Retarded Children. A NARC exerceu grande influência em
vários países e foi inspiradora da criação das APAES no
Brasil.
A história da educação especial passou por um período de
ampliação das instituições especializadas. Essas instituições
surgiram, portanto, em resposta ao silêncio do poder público e ao
descaso social com as pessoas consideradas deficientes.
Em 1969 mais de 800 escolas especializadas na educação especial
de crianças com deficiência intelectual. (filantrópicas)

Helena Antipoff, em 1932, criou a Sociedade


Pestalozzi de Minas Gerais, que mais tarde,
a partir de 1945, iria se expandir no país.
Instituto Imperial dos
Meninos Surdos Mudos
1857
Edouard Huet

A Educação é referida na Constituição Federal


(BRASIL, 1988) como:
“direito de todos e dever do Estado.” (p.56)
A autora e pesquisadora Helena Antipoff (1892-1974)
criou o Laboratório de Psicologia Aplicada na
Escola de Aperfeiçoamento de Professores,
em Minas Gerais, em 1929

A primeira escola com o nome “Pestalozzi” foi criada em Canoas,


Rio Grande do Sul, em 1927.
Na época do Brasil-Colônia os deficientes não tinham nenhum tipo de
atenção do poder público, viviam à margem da sociedade que somente
aos poucos foi direcionando a atenção para a situação de total
desprezo na qual essas pessoas viviam. A Filantropia foi instituída antes
que houvesse uma manifestação do poder público da época, vindo a
acontecer no final do século XIX com a criação das primeiras
instituições governamentais para a educação de pessoas surdas e
cegas.

Helena Antipoff participou de muitas iniciativas entre elas a criação da


primeira escola especial da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
– APAE, em 1954, no Rio de Janeiro, sob a influência do casal de norte-
americanos Beatrice Bemis e George Bemis, membros da National
Association for Retarded Children e a atual National Association for
Retarded Citizens.
Helena Antipoff iniciou uma proposta de organização
da educação primária na rede comum de ensino
baseado na composição de classes homogêneas.
Classes essas que a autora acreditava ser possível
colocar crianças com e sem deficiência numa mesma
classe.

A década de 80 ficou marcada pelo início da superação da visão


assistencialista e das perspectivas de benevolência, através de ações
que comemoraram em 1981 o Ano Internacional das Pessoas com
Deficiência, apoiado pela Organização das Nações Unidas – ONU que
culminaram na elaboração de dois planos: Plano de Ação da Comissão
Internacional de Pessoas Deficientes (1981) e Plano Nacional da Ação
Conjunta para a integração da Pessoa Portadora de Deficiência (1985).
Em 1989 a Educação Especial tem uma reestruturação a nível
organizacional e pedagógico com uma nova vertente teórica, o
construtivismo fundamentado na teoria de Piaget.

Lei 8069 de 13 de julho de 1990, Plano Decenal de Educação para Todos,


de 1993, os alunos com necessidades educacionais especiais têm seu
direito garantido dentro da rede regular de ensino sendo garantido ao
aluno especial seu acesso e sua permanência.

Até 1950, no Brasil, haviam cinquenta e quatro estabelecimentos de


ensino regular e onze instituições especializadas que se dedicavam à
educação dos deficientes.
Na década de setenta são implantados os primeiros cursos de formação
de professores na área de educação especial ao nível do terceiro grau e
os primeiros programas de pós-graduação a se dedicarem à área de
educação especial. (NUNES, et al, 1999; BUENO, 2002)

Na década de setenta se verificam modificações importantes na concepção


da deficiência e da educação especial favorecidas por novas tendências nas
áreas de medicina, psicologia e educação. Surge o termo “necessidades
educacionais especiais”, mas esse não foi capaz de modificar a concepção
dominante. (Marchesi & Martin, 1995)
Declaração Mundial de Educação para Todos – Documento da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco) – as necessidades básicas de aprendizagem
das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção
especial. É preciso tomar medidas que garantam a igualdade de
acesso à Educação aos portadores de todo e qualquer tipo de
deficiência, como parte integrante do sistema educativo.

A Lei nº 10.098 de 2000 estabelece normas e critérios


para a promoção de acessibilidade arquitetônica e
urbanística, nas edificações e nos transportes, bem como
a acessibilidade nas comunicações e em especial, a
acessibilidade.
Rio de Janeiro, anos 70: em agosto de 1974, em decreto realizado pelo Governador do
Estado da Guanabara, o Instituto de Educação do Excepcional passa a ser denominado
Instituto Helena Antipoff (Rio de Janeiro, IHA, 1999); em 1975 o Instituto Helena Antipoff
inicia a sua gestão com o objetivo de integrar o excepcional na comunidade através da
assistência médica e psicopedagógica; em 1976 com uma mudança do enfoque filosófico
da educação especial, passa a visar também a integração, sempre que possível, na
educação comum.
Resolução CNE/CP nº 1/2002 estabelece as Diretrizes
Nacionais para a formação de Professores da Educação
Básica, que seja prevista nos currículos dos cursos ofertados
pelas instituições de ensino superior a formação docente
que atenda à diversidade, abordando conhecimentos
referentes às diferentes especificidades dos alunos com
alguma necessidade educacional especial. Incremento de
disciplinas nos currículos de faculdades e Universidades, em
especial de Pedagogia, como LIBRAS, Fundamentos da
Educação Especial Inclusiva, inclusão de temas históricos e
contextos dos mais variados, entre eles, tipos de
deficiências, leis e direitos que permeiam o aluno especial.
Crítica de carga horária insuficiente.
1994 – Declaração de Salamanca – O documento é uma
resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi
concebido na Conferência Mundial de Educação
Especial, em Salamanca. O texto trata de princípios,
políticas e práticas das necessidades educativas
especiais, e dá orientações para ações em níveis
regionais, nacionais e internacionais sobre a estrutura
de ação em Educação Especial. Na escola, o documento
aborda a administração, o recrutamento de educadores
e o envolvimento comunitário, entre outros pontos.
Menciona o termo “escola inclusiva”.
Em 2002 surge a Lei nº 10.436 de 2002 que
reconhece a Língua Brasileira de Sinais –
LIBRAS – como meio de comunicação e
expressão legal das comunidades surdas. A
Língua Portuguesa é tida como segunda
língua para os alunos surdos exigindo a
organização da educação bilingue no ensino
regular
9 de janeiro de 2001 – Lei nº 10.172 trata da Educação Especial no Plano Nacional de
Educação que trata da [...] a formação de recursos humanos com capacidade de oferecer
o atendimento aos educandos especiais nas creches, pré-escolas, centros de educação
infantil, escolas regulares de ensino fundamental, médio e superior, bem como instituições
específicas e outras. (BRASIL, 2001, p.80). Em relação ao local onde o atendimento
educacional especializado deve ser realizado é especificado no Art. 5º que: [...]
prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais, da própria escola ou em outra escola
de ensino regular de turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes
comuns, podendo ser realizado, também, em centros de Atendimento Educacional
Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou
filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão
equivalente dos Estados, Distrito Federal ou Municípios.(BRASIL, 2009, p.1)
1999 – Convenção da Guatemala – A Convenção
Interamericana para a eliminação de todas as formas
de discriminação contra as pessoas portadoras de
deficiência, mais conhecida como Convenção da
Guatemala, resultou, no Brasil, no Decreto nº
3.956/2001. O texto brasileiro afirma que as pessoas
com deficiência têm “os mesmos direitos humanos e
liberdades fundamentais que outras pessoas e que
esses direitos, inclusive o direito de não serem
submetidas a discriminação com base na deficiência,
emanam da dignidade e da igualdade que são
inerentes a todo ser humano.” O texto ainda utiliza a
palavra “portador”.
O termo “necessidades educacionais especiais”
refere-se a todas aquelas crianças ou jovens cujas
necessidades educacionais especiais se originam em
função de deficiências ou dificuldades de
aprendizagem. Se popularizou após o Relatório
Warnock que foi um relatório solicitado em 1974 pelo
Secretário de Educação do Reino Unido a uma
comissão de especialistas. Esse termo ganhou,
contudo, maior destaque após a Declaração de
Salamanca, em 1994.
LEI nº 9394 de 20 de dezembro de 1996.
Estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional e: serviços de apoio especializado na escola
regular para atender às particularidades da clientela
de educação especial; currículos adaptados e
flexibilizados, métodos, técnicas e recursos
educacionais específicos; terminalidade específica e,
necessidade de professores com especialização
adequada para o atendimento do alunado. (BRASIL,
1996)
Em 2003 surge o Programa de Educação Inclusiva:
direito à Diversidade, implantado pelo Ministério
da Educação e Secretaria da Educação Especial,
tendo como objetivo transformar os sistemas de
ensino em sistema de ensino inclusivo.
Política Nacional de Educação Especial na
perspectiva da Educação Inclusiva. Portaria nº
948 de 9 de outubro de 2007. BRASIL, MEC/SEESP.
Garante o acesso à escolarização na sala de aula
comum do ensino regular para os alunos com
necessidades educacionais especiais e o
Atendimento Educacional Especializado (AEE)
complementar. Esse atendimento complementar
deve ser organizado em Salas Multifuncionais no
contraturno do ensino regular, disponibilizando
recursos pedagógicos e de acessibilidade que
eliminem as barreiras para a aprendizagem
(Brasil, 2008). A Política Nacional acompanha os
avanços do conhecimento e das lutas sociais,
visando constituir políticas públicas promotoras
de uma educação de qualidade para todos os
alunos. (BRASIL, 2001, p.178)
A mudança de conceito da deficiência para as Necessidades Educacionais Especiais foi
fundamental, pois o olhar da deficiência – paralisante- deu lugar ao olhar das
possibilidades, ao olhar ativo que requer movimento e estratégias diversificadas.

MULTIEDUCAÇÃO, 1996
Cada escola faz o seu projeto pedagógico.
Em 2004, o Ministério Público Federal, por meio do
Decreto nº 3956 de 2001, reafirma o direito a
escolarização de todos os educandos com ou sem
deficiência. (BRASIL, 2009)

CONVENÇÃO SOBRE OS
DIREITOS DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA (2006)
LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO
(ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA – 2015)

Em 2008 a Política Nacional de Educação Especial na


Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2009, p.45)
vem alterar os termos “classes” e “escolas especiais”
respectivamente, por Salas de Recursos
Multifuncionais Tipo 1 e Tipo 2. Também acompanhou
essa mudança a questão do currículo adaptado que
doravante passa a ser considerado como Currículo
Flexível e Dinâmico.
Em 2007 surge o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE,
amparado pelo Decreto nº 6094 de 2007 que tem como eixos
norteadores à formação de docentes, a implantação de Salas de
Recursos Multifuncionais, a acessibilidade arquitetônica, o
acesso e a permanência das pessoas com necessidades
educacionais especiais no Ensino Superior. Além do
monitoramento do acesso e permanência nas escolas regulares
e especiais dos alunos que recebem o BPC, Benefício de
Prestação Continuada.

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